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Redes sociais e desenvolvimento profissional docente: novos espaços de formaçao

Abstract

À medida que a digitalização da sociedade avança, cresce o consenso sobre a necessidade de uma visão ampla do desenvolvimento profissional do professor. As redes sociais digitais possibilitam que os professores travem entre si relações significativas, o que gera a aprendizagem social, ao compartilhar experiências, ideias, concepções e reflexões. Para professores ativos, a aprendizagem por meio das redes sociais torna-se um processo inserido em seu trabalho, e que continua fora do horário escolar. No cenário de opção e liberdade proporcionado pelas redes, surgem novas lideranças informais entre os professores; lideranças horizontais baseadas em confiança, reconhecimento e valorização do outro a partir da praticidade ou utilidade dos materiais didáticos, propostas e ideias compartilhadas.

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Redes sociais e desenvolvimento profissional docente: novos espaços de formaçao

Author: Marcelo García, Carlos; Marcelo-Martínez, Paula
Publisher: Fundacao Carlos Chagas
Year: 2023
DOI: 10.1590/1980531410223
Source: https://idus.us.es/bitstreams/cb832c82-38a1-46e8-8a2d-9b866db7344e/download
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REDES SOCIAIS E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE: NOVOS
ESPAÇOS DE FORMAÇÃO
A icleinCade nos de Pesquisa · Augus 2023
DOI: 10.1590/1980531410223
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How is buil he men o ’s p o essional iden i y in an induc ion p og am? Analyzes hem wi h biog aphical and na a i e esea ch. View p ojec
Expe o en COmpe encia Digi al pa a la Enseñanza y el Ap endizaje. Uni e sidad de Se illa View p ojec
Ca los Ma celo
Uni e sidad de Se illa
282 PUBLICATIONS7,177 CITATIONS
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Paula Ma celo-Ma ínez
Uni e sidad de Se illa
38 PUBLICATIONS91 CITATIONS
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Cad. Pesqui., São Paulo, .53, e10223, 2023, e-ISSN 1980-5314
1
FORMAÇÃO E TRABALHO DOCENTE
TEACHER EDUCATION AND TEACHING
FORMACIÓN Y TRABAJO DOCENTE
FORMATION ET TRAVAIL DES ENSEIGNANTS
h ps://doi.o g/10.1590/1980531410223
REDES SOCIAIS E DESENVOLVIMENTO
PROFISSIONAL DOCENTE: NOVOS ESPAÇOS
DE FORMAÇÃO
Ca los Ma celo I
Paula Ma celo-Ma ínez II
I Uni e sidad de Se illa, Se illa, Espanha; ma [email protected]
II Uni e sidad de Se illa, Se illa, Espanha; pma [email protected]
Resumo
À medida que a digi alização da sociedade a ança, c esce o consenso sob e a necessidade de uma isão
ampla do desen ol imen o p o issional do p o esso . As edes sociais digi ais possibili am que os
p o esso es a em en e si elações signi ica i as, o que ge a a ap endizagem social, ao compa ilha
expe iências, ideias, concepções e e lexões. Pa a p o esso es a i os, a ap endizagem po meio das
edes sociais o na-se um p ocesso inse ido em seu abalho, e que con inua o a do ho á io escola .
No cená io de opção e libe dade p opo cionado pelas edes, su gem no as lide anças in o mais
en e os p o esso es; lide anças ho izon ais baseadas em con iança, econhecimen o e alo ização do
ou o a pa i da p a icidade ou u ilidade dos ma e iais didá icos, p opos as e ideias compa ilhadas.
DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL • REDES SOCIAIS • LIDERANÇA • PROFESSORES
SOCIAL NETWORKS AND TEACHER PROFESSIONAL DEVELOPMENT:
NEW TRAINING SPACES
Abs ac
As he digi aliza ion o socie y ad ances, he e is g owing consensus on he need o a b oad
iew o eache p o essional de elopmen . Digi al social ne wo ks enable eache s o engage in
meaning ul ela ionships wi h each o he , gene a ing social lea ning when sha ing expe iences,
ideas, concep s and conside a ions. Fo ac i e eache s, lea ning h ough social media becomes a
p ocess ha is embedded in hei wo k and con inues ou side o school hou s. In he scena io o
choice and eedom p o ided by ne wo ks, new in o mal leade ships eme ge among eache s as well
as ho izon al leade ships based on us , ecogni ion and app ecia ion o he o he based on he
p ac icali y o use ulness o he eaching ma e ials, p oposals and sha ed ideas.
PROFESSIONAL DEVELOPMENT • SOCIAL MEDIA • LEADERSHIP • TEACHERS
REDES SOCIAIS E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DOCENTE: NOVOS ESPAÇOS DE FORMAÇÃO
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Es e é um a igo de acesso abe o dis ibuído nos e mos da licença C ea i e Commons do ipo BY-NC.
Recebido em: 14 ABRIL 2023 | Ap o ado pa a publicação em: 9 MAIO 2023
REDES SOCIALES Y DESARROLLO PROFESIONAL DOCENTE:
NUEVOS ESPACIOS DE FORMACIÓN
Resumen
A medida que la digi alización de la sociedad a anza, c ece el consenso sob e la necesidad de una
isión amplia del desa ollo p o esional del p o eso . Las edes sociales digi ales pe mi en a los
docen es o ma elaciones signi ica i as en e sí, lo que gene a ap endizaje social al compa i
expe iencias, ideas, concep os y e lexiones. Pa a los docen es ac i os, el ap endizaje po medio
de las edes sociales se con ie e en un p oceso in eg ado en su abajo, y que con inúa ue a del
ho a io escola . En el escena io de opción y libe ad que b indan las edes, su gen nue os lide azgos
in o males en e los p o eso es; lide azgos ho izon ales basados en la con ianza, econocimien o
y alo ación del o o a pa i de la p ac icidad o u ilidad de los ma e iales didác icos, p opues as e
ideas compa idas.
DESARROLLO PROFESIONAL • REDES SOCIALES • LIDERAZGO • DOCENTES
RÉSEAUX SOCIAUX ET DÉVELOPPEMENT PROFESSIONNEL DES ENSEIGNANTS:
NOUVEAUX ESPACES DE FORMATION
Résumé
À mesu e que la numé isa ion de la socié é p og esse, on obse e un consensus c oissan à p opos
du besoin d’éla gi la ision que l’on a du dé eloppemen p o essionnel des enseignan s. Les éseaux
sociaux numé iques pe me en aux enseignan s d’é abli en e eux des ela ions signi ica i es, ce
qui en aine un app en issage social basé su le pa age d’expé iences, d’idées, de concep ions e
de é lexions. Pou les enseignan s en ac i i é, l’app en issage pa le biais des éseaux sociaux es
un p ocessus in ég é à leu a ail qui se po sui en deho s des heu es de cou s. Dans l’uni e s de
choix e de libe é p oposé pa les éseaux, de nou eaux leade s éme gen pa mi les enseignan s, de
maniè e in o melle e ho izon ale, don les ela ions son basées su la con iance, la econnaissance
e l’app écia ion des au es en onc ion non seulemen de l’aspec p a ique ou u ili ai e du ma é iel
didac ique, mais aussi des p oposi ions e des idées pa agées.
DÉVELOPPEMENT PROFESSIONNEL • RÉSEAUX SOCIAUX • LEADERSHIP • ENSEIGNANTS
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Ap ende a ensina na e a digi al
À medida que a ançamos na digi alização da sociedade, c esce o consenso sob e a necessidade
de e uma isão ampla do que cons i ui o desen ol imen o p o issional do p o esso . A ualmen e, o
desen ol imen o p o issional docen e é en endido como a “soma coe en e de a i idades que isam a
melho a e amplia os conhecimen os, habilidades e concepções dos p o esso es, pa a que eles possam
assumi mudanças em sua manei a de pensa e agi ” (De Rijd e al., 2013, p. 49). Assim, o desen ol-
imen o p o issional não se limi a à o mação o mal, mas ab ange ambém um conjun o amplo e
a iado de a i idades o ma i as in o mais, po ezes ap esen ando-se in e ligadas (Ma sick, 2009).
Há á ias décadas, êm sido conduzidas pesquisas sob e como os p o esso es ap endem a
ensina (Wideen e al., 1998; Lough an & Hamil on, 2016). Du an e esse pe íodo, o am p opos as
di e en es abo dagens pa a esponde à pe gun a: como os p o esso es ap endem? Russ e al. (2016)
analisa am as ês abo dagens (p ocesso-p odu o; cogni i a ou de pensamen o do p o esso ; e si-
uada ou sociocul u al) que domina am a pesquisa. A pa i da análise, des aca am a necessidade
de uma abo dagem adicional que conside asse as ap endizagens que não são alcançadas a pa i do
planejado, mas do “co idiano”. Ou seja, o p o esso ambém ap ende a a és de sua a i idade docen e
em sala de aula (Bound, 2011). Dessa o ma, nosso conhecimen o sob e como ap ende a ensina
se á mais p eciso na medida em que obse a mos a escola, e p es a mos a enção nas expe iências do
co idiano dos p o esso es em sala de aula (McNally e al., 2009).
Re allick (1999) des acou, em seus es udos, que uma melho comp eensão de como oco e o
ap endizado docen e no local de abalho con ibui ia pa a o maio econhecimen o desse ap endi-
zado como uma o ma de desen ol imen o p o issional. Desde en ão, e a é os dias a uais, êm sido
ealizadas pesquisas com esse obje i o, pe mi indo-nos sabe que a ap endizagem, no local de aba-
lho, se e e e a di e en es o mas de ap ende , num con ex o elacional e au ên ico – algumas delas
podendo se es u u adas, embo a as p incipais não ap esen em in encionalidade nem planejamen o
p é io (A wal, 2013; Ma sick e al., 2017).
E au (2004) di e enciou ês ní eis de in enção na ap endizagem in o mal. Em p imei o
luga , a ap endizagem implíci a, de inida como aquisição de conhecimen o independen emen e da
in enção conscien e do p o esso em ap ende , e na ausência de conhecimen o explíci o sob e o que
se á ap endido. Em segundo luga , a ap endizagem ea i a, que oco e no meio de uma ação, quan-
do há pouco empo pa a pensa . Em e cei o luga , a ap endizagem delibe ada acon ece quando o
p o esso es abelece um obje i o especí ico que acili a a aquisição de no os conhecimen os. Esse
p ocesso en ol e a pa icipação a i a em a i idades delibe a i as, como planejamen o e esolução
de p oblemas. Hoeks a e al. (2009) iden i ica am a i idades de ap endizagem implemen adas du-
an e o ensino em sala de aula que es a iam elacionadas aos ês ní eis apon ados po E au – como
adqui i implici amen e uma c ença, oma consciência e ajus a o cu so das suas ações, ou expe i-
men a algo no o.
Assim sendo, os p o esso es se en ol em em uma a iedade de a i idades de ap endizagem
(Schei & Ne bø, 2015). Ap endem nas i ências do dia a dia, g aças a sequências de a i idades
de ap endizagem como: pedi conselhos, e le i indi idualmen e, ob e in o mações em li os,
en e ou as (Mei ink e al., 2009). Kynd e al. (2016) dis ingui am a é no e ipos de a i idades
de ap endizagem in o mal ealizadas pelos p o esso es: 1) colabo a , 2) ap ende com os ou os
sem in e ação mediada, 3) compa ilha , 4) pa icipa de a i idades ex acu icula es, 5) ap ende
azendo, 6) expe imen a , 7) consul a on es de in o mação, 8) e le i e 9) en en a di iculdades.
Dian e desse con ex o, aumen a, na pesquisa educacional, o in e esse em sabe como os p o esso es
ap endem. Es udos mais ecen es mos am que há cada ez mais opções abe as, e on-line, pa a
o desen ol imen o p o issional do p o esso . De aco do com Jones e Dex e (2014), jun o com
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a i idades o mais de desen ol imen o p o issional, cons i uindo um sis ema holís ico de ap endi-
zagem do p o esso , exis em a i idades in o mais, como as ocas de sabe es en e os p o esso es, e
a i idades independen es, como a busca de ecu sos didá icos na in e ne . Os p o esso es acessam
a in e ne pa a amplia suas opo unidades de desen ol imen o po meio de pla a o mas sociais
(P es idge, 2019). As edes sociais digi ais pe mi em o es abelecimen o de elacionamen os signi-
ica i os en e p o esso es. Hoje em dia, a a és delas, ge a-se ap endizagem social, ao compa ilha
expe iências, ideias, concepções e e lexões. Pa a aqueles p o esso es que são a i os, a ap endizagem
po meio das edes sociais o na-se um p ocesso inse ido em seu abalho, e que con inua o a do
ho á io escola (Beem , Buijs e al., 2018).
Nesse sen ido, as edes sociais con ibuem pa a melho a as opo unidades de ap endiza-
do dos p o esso es, po que pe mi em amplia o que se chama de capi al social (Rehm & No en,
2016). As e amen as ge adas em o no da Web 2.0 possibili am aos p o esso es no as o mas de
ap endizagem e desen ol imen o p o issional (McLoughlin, 2013; Nyk is & Mukhe jee, 2016).
No ambien e de abalho dos p o esso es, a ecnologia age como e amen a de auxílio na mediação
de a i idades de a ualização de conhecimen o, expe imen ação, e lexão e e oalimen ação, cola-
bo ação en e docen es, com o obje i o de melho a o ensino e a escola (E e s e al., 2016). Assim,
a ap endizagem pode oco e an o em con ex os adicionais quan o não adicionais (Li ings on,
2018). E, po isso, pe cebemos a necessidade de ado a uma isão holís ica ao abo da as a i idades
de ap endizagem pa a pe mi i que os p o esso es se desen ol am e ap endam.
O desen ol imen o p o issional docen e e as edes sociais
O es udo sob e o desen ol imen o p o issional docen e em sido uma cons an e nos a-
balhos de pesquisa do p imei o au o des e a igo (Ca los Ma celo). Fo am nume osos os a igos e
li os publicados nos quais buscamos sis ema iza esse campo de es udo ão complexo (Ma celo &
Vaillan , 2009). A pa i de 2018, ado amos uma no a pe spec i a pa a comp eende como os do-
cen es ap endem na sociedade a ual. Desde en ão, desen ol emos um p oje o de pesquisa inanciado
pelo Es ado espanhol, cujo p incipal obje i o é en ende como os docen es ap endem em uma so-
ciedade conec ada. Já o am publicados á ios a igos com base nessa pesquisa. Os esul ados desses
es udos, jun o com sua sis ema ização, nos pe mi i am cons ui o quad o de e isão ap esen ado
nes e a igo, no qual desc e e emos com maio de alhe as ca ac e ís icas me odológicas dos di e en-
es obje i os do p oje o, a im de ap esen a um discu so o mais coe en e possí el.
Como apon amos, nos úl imos anos os meios pelos quais os p o esso es êm ape eiçoado
os seus conhecimen os e habilidades so e am mudanças adicais. A en ada das edes sociais como
Facebook, Twi e , Ins ag am e mais ecen emen e TikTok em pe mi ido aos p o esso es escolhe
com maio libe dade o que que em ap ende e em quem con iam pa a o ien a sua ap endizagem. À
medida que a digi alização da sociedade a ança, pe cebemos que c esce o consenso sob e a necessi-
dade de ado a uma pe spec i a ampla em elação às a i idades que p omo em o desen ol imen o
p o issional do p o esso . Assim, como mencionado, o desen ol imen o p o issional não se limi a
aos cená ios de o mação o mal, mas inclui um conjun o mais amplo e a iado de a i idades o ma-
i as não o mais e in o mais (Bound, 2011; Russ e al., 2016; Moo e & Klein, 2020).
Uma das o mas que mui os p o esso es usam pa a a ualiza seus conhecimen os são as edes
sociais. Es udos ecen es se concen a am em analisa as azões e o modo de os p o esso es usa em
as edes sociais an o pa a o desen ol imen o p o issional quan o pa a es abelece conexões com
ou os p o esso es, c iando espaços de a inidade e colabo ação (Ca pen e , Mo ison e al., 2020).
De aco do com Gee (2005, p. 67), um espaço de a inidade é um “luga onde as pessoas se unem com
ou as, p incipalmen e po compa ilha em in e esses, a i idades e obje i os”. Esses espaços ge am

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comunidades compos as de pessoas que buscam conexão e colabo ação en e si (Ca pen e , Tani e
al., 2020). Os espaços de a inidade inci am usuá ios de uma mesma ede social a se euni em e se e-
laciona em em o no de um in e esse, hobby, iden idade ou ideologia em comum (Ma celo-Ma ínez
& Ma celo, 2022). É impo an e des aca que os ambien es desses espaços de a inidade podem se
a iados. Ga cía-Ma ín e Ga cía-Sánchez (2015), em seu es udo sob e o uso de edes sociais en e
jo ens, de e mina am que o p incipal mo i o de uso dessas edes, en e as quais se encon a a o
Twi e , e a a di e são ou o en e enimen o. Da mesma o ma, em ou a análise sob e os pad ões de
uso de edes sociais e ambien es Web 2.0 en e jo ens espanhóis, descob iu-se que edes sociais como
o Twi e ou o YouTube são as que p opo cionam maio sa is ação pessoal.
As edes sociais ge am capi al social não apenas em i ude da oca e di usão de in o ma-
ções. O capi al social que elas ge am ambém pode se analisado a a és da in luência, do con ole e
do pode que podem se concedidos às pessoas com as quais se es abelece um elacionamen o in o -
mal, de seguimen o (Adle & Kwon, 2002; Seok-Woo & Adle , 2014). Pa a en ende o p ocesso pelo
qual as edes sociais ge am capi al social, Nahapie e Ghosha (1998) es abelece am ês elemen os
que de em se conside ados: es u u a, elacionamen os e cognição. A es u u a es á elacionada
aos pad ões que moldam a ede, sua mo ologia, densidade e hie a quias in e nas en e os memb os.
A dimensão elacional e e e-se ao ipo de in e ações que oco em na ede. Po im, a dimensão
cogni i a diz espei o a con eúdos, ecu sos, in e p e ações e sis emas de signi icado compa ilhados
pelos memb os de uma ede.
De aco do com Nahapie e Ghosha (1998), uma das ca ac e ís icas da es u u a de uma ede
es á elacionada à lide ança. Em oda ede, exis em pessoas que desempenham um papel des acado
e são conside adas líde es de opinião. Os líde es de opinião (docen es in luen es) são aquelas pes-
soas que ocupam um papel cen al e es u u al em uma ede (Roge s, 2005). São pessoas que po-
dem in luencia a i udes ou compo amen os de ou as pessoas de uma o ma du adou a no empo
(F esno Ga cía e al., 2016; Ma celo-Ma ínez & Ma celo, 2022). Eles exe cem esse papel po que são
acei os po ou os (a o es pe i é icos) como sujei os in luen es (Wang & Fikis, 2017). Esses sujei os
podem ou não se adul os, como demons ado po Izquie do-I anzo e Galla do-Echenique (2020)
ao es uda o enômeno dos es udig ame s, jo ens que, po meio da ede social Ins ag am, c iam opo -
unidades de ap endizagem in o mal pa a seus pa es.
Ou o componen e iden i icado po Nahapie e Ghosha (1998) em elação ao capi al social
ge ado pelas edes sociais é a cognição. A pa i de sua análise nas edes sociais digi ais, podemos
des aca as hash ags ou e ique as, que se em pa a ag upa de e minados emas p esen es em uma
publicação no Twi e . Uma hash ag eúne pala as ou g upos de pala as p ecedidas do símbolo #,
que pe mi e aos usuá ios pa icipa de con e sas sob e um ema especí ico e ag upá-lo sob uma mes-
ma e ique a. Elas ambém se em pa a o ganiza e es u u a essas con e sas, pe mi indo que os
usuá ios encon em mais acilmen e uí es sob e um ema ou discussão especí ica (G eenhalgh &
Koehle , 2017). Elas podem se en endidas como “espaços de a inidade” (Gee, 2005), já que de e mi-
nados usuá ios encon am ou as pessoas com in e esses a ins a pa i das hash ags que usam pa a se
comunica (Rosenbe g e al., 2016).
As edes sociais como espaços de a inidade en e p o esso es
Ressal amos nes a pesquisa que o es ei amen o da elação en e desen ol imen o p o issio-
nal dos p o esso es e edes sociais digi ais p omo e o es abelecimen o de conexões en e p o esso es
e, com isso, a ge ação de espaços de a inidade. Po meio deles, o nam-se possí eis as ap endizagens
sociais, a pa i do compa ilhamen o de expe iências, ideias, concepções e e lexões en e os p o es-
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so es. Pa a aqueles p o esso es que são a i os nas mídias sociais, essa a i idade se o na pa e de seu
abalho, e con inua o a do ho á io escola (Beem , Ke elaa e al., 2018).
Nesse con ex o, os espaços de a inidade podem c ia as condições pa a a ap endizagem in o -
mal dos p o esso es. Tais condições podem se ap esen a em ambien es ísicos, onde os p o esso es
se encon am pa a compa ilha emas em comum (Gee, 2005), ou em ambien es i uais, que pe -
mi em o encon o de p o esso es que buscam compa ilha e con e sa sob e assun os educacionais
(Rosenbe g e al., 2016; G eenhalgh e al., 2020; Cu wood e al., 2013). Segundo E au (2004), a
ap endizagem delibe a i a oco e quando o p o esso , de o ma in encional, busca e ecebe in o -
mações po meios digi ais, p o enien es de líde es de opinião (in luenciado es) em que con ia e que
segue (Bossche & Sege s, 2013). No caso do Twi e , San o eña-Casal e Be nal-B a o (2019) mos-
a am como a u ilização dessa ede social melho ou a mo i ação e a sa is ação dos p o esso es em
o mação. Ou as análises ealizadas no Twi e pe mi i am in es iga alguns dos emas ou hash ags
mais equen emen e usados no se o educacional e acadêmico (Ca pen e e al., 2019). Es amos
alando de hash ags como #michEd (G eenhalgh e al., 2016), #Edcha (B i & Paulus, 2016;
Wille , 2019) e #PhDCha (Vele sianos, 2017).
Po an o, embo a as edes sociais não enham sido c iadas pa a se o na em ambien es
explici amen e indicados pa a a o ece a i idades de ap endizagem e desen ol imen o p o issio-
nal de p o esso es, pesquisas apon am sua capacidade de p omo e conexões, elacionamen os e
compa ilhamen o de p á icas de ensino en e os docen es (Tess, 2013). Alguns es udos analisa-
am como os p o esso es usam o Facebook (Ha & S einb eche , 2011), Ins ag am (Ca pen e ,
Mo ison e al., 2020) ou Twi e , que, como indicado po Luo e al. (2020) em sua e isão ecen e,
é a p incipal pla a o ma digi al pa a c ia edes p o issionais de ap endizagem e compa ilhamen o
de conhecimen o.
Os p o esso es alo izam as p op iedades do Twi e como uma e amen a mais ocada em
impulsiona seu p óp io desen ol imen o p o issional do que em in e agi com alunos ou amílias
(Holmes e al., 2013). Esses au o es descob i am que os p o esso es alo izam a na u eza imedia a da
comunicação no Twi e , que pe mi e supe a o isolamen o que mui os deles podem sen i , e ajuda a
c ia um senso de comunidade colabo a i a. Assim, o Twi e em o nando-se um supo e pa a os
p o esso es, pe mi indo-lhes es abelece comunicações, inspi a -se e compa ilha a i idades de clas-
se e de a aliação, além de p omo e o desen ol imen o p o issional e se i como an ído o con a o
isolamen o geog á ico e p o issional associado a seu abalho (Ca pen e & K u ka, 2014). Na mes-
ma linha, no es udo de e isão sob e o ema ealizado po Tang e Hew (2017), o am encon ados
seis mo i os especí icos pelos quais os p o esso es usam o Twi e : compa ilha ideias e a i idades,
es abelece edes de comunicação ins ucional, colabo a com ou os p o esso es, o ganiza e ge en-
cia as aulas, e le i e a alia .
Um elemen o que ca ac e iza as edes sociais digi ais são as chamadas hash ags ou e ique as,
que se em pa a iden i ica de e minados emas p esen es em uma publicação. As hash ags podem
se en endidas como “espaços de a inidade” (Gee, 2005) que oco em em ambien es i uais, a pa i
das quais seus usuá ios encon am ou as pessoas ou emas a ins aos seus in e esses. Como já men-
cionado, esses espaços ge am comunidades compos as de pessoas que buscam conexão e colabo ação
en e si (Ca pen e , Tani e al., 2020), e incen i am usuá ios de uma mesma ede social a se euni em
e se elaciona em em o no de um in e esse, hobby, iden idade ou ideologia em comum (Ga cía-
Ma ín & Ga cía-Sánchez, 2015). As hash ags ambém o ganizam e es u u am as con e sas, acili-
ando a localização de uí es sob e um ema ou discussão especí ica (G eenhalgh & Koehle , 2017).
Quando de e minada hash ag é usada em um g ande núme o de uí es ou publicações, conside a-se
que ela é “ endência” (Rosell-Aguila , 2018). Analisa quais hash ags são usadas com equência no
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campo educacional pe mi e conhece as p á icas e os p ocessos que ca ac e izam a ap endizagem
in o mal po meio das edes sociais (G eenhalgh e al., 2018).
Algumas hash ags são empo á ias, mas ou as pe manecem. Exis em hash ags que ag egam
um amplo conjun o de p o esso es ao longo do empo e que êm se ido como elemen o es u u a-
do de comunidades de p á ica (Kou opoulos e al., 2014). Nos Es ados Unidos, di e en es es ados
possuem uma hash ag educacional p óp ia, a i a na ede social Twi e , e que os p o esso es u ilizam
pa a se comunica , colabo a e ap ende (K u ka e al., 2018). É o caso de hash ags como #michED,
#OklaED ou #OklaEdWalkou , a a és das quais p o esso es de di e en es es ados se comunicam e
colabo am (G eenhalgh e al., 2020; K u ka e al., 2018).
Além disso, os p o esso es que usam de e minadas hash ags do Twi e em suas p á icas di-
á ias não se comunicam apenas com base em sua localização geog á ica. Também encon amos a
u ilização de emas, em o no de disciplinas ou aspec os que p eocupam e in e essam aos p o esso es.
Uma das mais popula es no con inen e no e-ame icano é a hash ag #Edcha (B i & Paulus, 2016;
Wille , 2019). #Edcha é uma hash ag iniciada em 2009 po ês p o esso es, e se o nou uma po en e
comunidade baseada no mic oblogue educa i o. Com base em con e sas p og amadas, g upos de
p o esso es de odo o con inen e se eúnem semanalmen e no Twi e .
Po uma análise das con e sas, en e is as e obse ações em o no da hash ag #Edcha , de-
mons ou-se como essa e amen a pe mi iu con igu a uma comunidade de p á ica en e p o esso-
es na qual in e êm aspec os como o sen imen o de pe encimen o de de e minados usuá ios em
elação à hash ag, e a con igu ação de elações mú uas en e es es (B i & Paulus, 2016). A ualmen e
( unciona há mais de 10 anos), é uma hash ag que ecebe amplo in e esse midiá ico e oi ca alo-
gada como uma das maio es comunidades educa i as no Twi e de ido à sua al a di usão en e
p o esso es (Gao & Li, 2017).
Também se des aca a hash ag #MFL wi e a i, pela qual p o esso es de idiomas compa i-
lham seu conhecimen o e ado am as suges ões e ideias que encon am (Rosell-Aguila , 2018). Ou as
hash ags que ecebe am a a enção dos pesquisado es o am #EdTechMOOC, #Nu i ionMOOC e
#PhDCha . Vele sianos (2017) analisou os pad ões de pa icipação dos usuá ios e o con eúdo dessas
ês hash ags educacionais como ambien es de pa icipação e de desen ol imen o p o issional.
Assinalamos ambém o es udo de Holmes e al. (2013), que analisa am os uí es publi-
cados po 30 usuá ios “in luenciado es” no campo da ecnologia educacional, os quais aziam uso
das hash ags como as ci adas #Edcha , #Ed ech, #ma hcha ou # eache . Esses pesquisado es con-
cluí am que o en oque do uso desses “in luenciado es” na ede social se concen a no apoio ao de-
sen ol imen o e ap endizagem p o issional con ínuo, no omen o da colabo ação e in e câmbio
de conhecimen os, e em p opo ciona aos pa icipan es ce o g au de con ole, ap op iação e sen-
ido de pe encimen o.
Em elação aos espaços de a inidade, em nossa pesquisa analisamos a hash ag #Claus o i ual,
de ma ço de 2020 a janei o de 2022. O início da cole a de in o mações ab angeu um pe íodo especial-
men e signi ica i o, que incluiu o início da pandemia e o con inamen o inicial, bem como a ase de
con i ência com o í us, aba cando os pe íodos de ensino semip esencial. O o al de uí es analisados
oi de 22.897, en iados po 3.409 pe is. Esses uí es o am e ui ados 94.277 ezes e ecebe am
um o al de 38.424 espos as. Pa a ob e essas in o mações, u ilizamos o so wa e T ac o , desen-
ol ido pela emp esa G aph ex (www.g aphex .com), que pe mi e ex ai e o nece um banco de
dados no o ma o Excel pa a uma de e minada hash ag ou assun o no Twi e .
Analisamos quem e am os docen es com maio pa icipação no #Claus o i ual, e a es u-
u a de suas in e ações. Selecionamos os pa icipan es que en ia am 100 ou mais mensagens o igi-
nais ao longo do pe íodo analisado, incluindo o #Claus o i ual. O exame dos uí es nos pe mi-
iu iden i ica 21 docen es. Pa a in es iga a es u u a de elações desses memb os des acados no
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#Claus o i ual, ealizamos uma análise de edes sociais com base no cálculo de cen alidade e
in e mediação. Essas duas a iá eis são calculadas pelo G aph ex em sua análise “Communi y cone-
xions” e de e minam a média en e o núme o de ezes que uma pessoa oi mencionada pelos ou os e
o núme o de ezes que essa pessoa mencionou os ou os 3.409 pe is. A cen alidade de in e media-
ção mede o g au de in luência que um pe il possui den o da ede analisada. Essas pessoas, de ido
a seu al o ní el de pa icipação e seguido es, êm mais acilidade pa a apa ece nos pe is de ou os
usuá ios que compa ilham o mesmo ema de in e esse. Essa análise pe mi e iden i ica aquelas pes-
soas que apa ecem com mais equência nos pe is das ou as con as que usam o #Claus o i ual.
A ede que analisamos é impulsionada po algumas pessoas que man êm uma in e ação lui-
da en e si. Esse g upo eduzido de pessoas é esponsá el po sus en a esse espaço de a inidade que
é o #Claus o i ual, mos ando uma p o unda paixão pelo es o ço compa ilhado, não apenas um
in e esse passagei o (Gee, 2017). Esses indi íduos con igu am um ce o ipo de lide ança in o mal
en e os seguido es do #Claus o i ual (Ma celo & Ma celo-Ma ínez, 2021). Pode-se a a de um
ipo de lide ança cons u i is a (Lambe , 2002), na medida em que en ol e p ocessos ecíp ocos
que pe mi em que os pa icipan es de uma comunidade educacional cons uam signi icado e a an-
cem em di eção a um p opósi o compa ilhado.
O uso das edes sociais po pa e dos docen es
A ualmen e, mui os p o esso es acessam a in e ne pa a amplia suas opo unidades de
desen ol imen o p o issional po meio de pla a o mas sociais (P es idge, 2019; Ma celo-Ma ínez
e al., 2023). Algumas pesquisas en a izam a in es igação dos mo i os pelos quais os p o esso es
u ilizam as edes sociais (Ca pen e & K u ka, 2014; Ca pen e , Tani e al., 2020; Goodyea e
al., 2019; Higue as-Rod íguez e al., 2020). Uma das conclusões desses es udos é que as edes so-
ciais pe mi em que os p o esso es se elacionem com ou os p o esso es. O Twi e , Ins ag am ou
o Facebook são exemplos de “espaços de a inidade” i ual, uma ez que pe mi em c ia conexões e
comunidades de usuá ios com um obje i o em comum (Ca pen e , Tani e al., 2020). Os “espaços
de a inidade” que su gem ao usa as edes sociais podem se elaciona , de ce a o ma, ao concei o
de comunidade de p á ica.
No en an o, pa a que uma comunidade de p á ica se desen ol a em espaços digi ais, de em-
-se combina ês elemen os que não necessa iamen e es a ão p esen es nas edes sociais (Wenge ,
2000). Po um lado, os memb os que pa icipam de uma comunidade de p á ica de em e cla eza
sob e quais são as expec a i as em elação a eles den o da comunidade. Isso não necessa iamen e
acon ece nos “espaços de a inidade” como as edes sociais, onde cada memb o con ibui e pa icipa
em unção de seus in e esses pessoais e/ou p o issionais, de o ma o almen e olun á ia e espon ânea.
Po ou o lado, os memb os cons oem a comunidade em i ude de sua implicação nas a i idades
e p oje os, algo que pode acon ece ou não nas edes sociais. Po úl imo, as comunidades de p á ica
pe mi em ge a não somen e ap endizados, mas ambém ecu sos, ma e iais, a i idades e expe iên-
cias que pe mi em aos memb os consolida sua iden idade como comunidade.
Sabemos que as edes sociais não su gi am com o obje i o explíci o de a o ece a i idades
de ap endizagem e desen ol imen o p o issional docen e. No en an o, pesquisas demons am sua
capacidade de p omo e conexões e elacionamen os en e p o issionais do ensino, bem como o com-
pa ilhamen o de suas p á icas docen es (Tess, 2013). O su gimen o da in e ne e das edes sociais
p opiciou o apa ecimen o de no os modos de comunicação, in e ação e, igualmen e, de ap endiza-
gem. Isso se ampliou ainda mais de ido às condições de isolamen o p o ocadas pela pandemia da
co id-19, que ez aumen a o uso das edes du an e esse pe íodo (Alwa i, 2021). Já em 2009, Siemens
e Ti enbe ge apoia am a eo ia conec i is a, segundo a qual a ap endizagem pode oco e a
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opo unidades de ap endizagem, aca e ando maio sensação de ealização po e ecebido esse
ap endizado po meio de uma comunidade (Ross e al., 2015).
Os p o esso es que êm p esença especial nas edes sociais, e especi icamen e no Twi e , não
se conside am in luenciado es. Não se iden i icam com esse e mo, como ambém não se iden i icam
com os e mos mic o amosos (Ca pen e e al., 2022) ou emp eendedo es ( eache p eneu s) (Shel on
& A chambaul , 2020), pois enxe gam nos e mos uma cono ação pejo a i a de ido à sua e são
come cial, mone á ia e a é supe icial ou pouco p o issional. O a o de e em conseguido mui os se-
guido es e econhecimen o nas edes sociais não az com que se pe cebam como in luenciado es, em
p imei o luga po que a pa icipação nessas edes é en endida como uma con ibuição pa a uma ede
de p o issionais, em que é o e ecido o que se em e se a o ece a colabo ação. Em segundo luga , não
se conside am in luenciado es po que que em con inua com os pés no chão. E, em e cei o luga ,
ejei am a e ique a de in luenciado po se um e mo ex e no à p o issão.
O e mo in luenciado , como emos, não os ep esen a. Mas isso não signi ica que eles não
exe çam alguma in luência em ou os p o esso es. Desen ol em o que Lambe (2002) chama de
lide ança cons u i is a. Na sua opinião, a unção da lide ança de e se a de en ol e as pessoas no
p ocesso de c ia as condições pa a a ap endizagem. Essas condições são p oduzidas a a és do diá-
logo e da cons ução ecíp oca de conhecimen o (Rodesile , 2017). Do pon o de is a de Lambe , a
lide ança cons u i is a eque diálogo e ecip ocidade. A capacidade de ecip ocidade é esul ado do
empo dedicado ao diálogo e à c iação de signi icado com ou os com os quais se in e age e se com-
pa ilham ideias. Vale des aca que esse p ocesso de diálogo equen emen e é iniciado pelos p o-
esso es que analisamos, uma ez que assumem seu comp omisso de compa ilha ideias e ecu sos.
Michael Hube man (1993) p opôs a ideia dos p o esso es como a esãos independen es, en-
endendo que alguns deles agem como especialis as em b icolagem. Segundo o au o , “um sujei o que
c ia ou epa a a i idades de ap endizagem de di e sos ipos com um es ilo e assina u a pa icula .
Que adap a os ma e iais ins ucionais que ouxe, que lhe o am dados ou que pôde encon a no
caminho” (Hube man, 1993 p. 15). Essa imagem do p o esso nos suge e a de um p o issional que,
como o escul o ou pin o , ca pin ei o ou elojoei o, abalha sozinho e p ecisa da solidão pa a aze
bem seu abalho.
De ce a o ma, os p o esso es que agem como a esãos independen es o azem pa a se p o e-
ge de con ex os de abalho pouco in eg ado es ou colabo a i os. Os p o esso es como a esãos nem
semp e desen ol em suas habilidades sozinhos. Do pon o de is a de Talbe e McLaughlin (2002),
a ideia de comunidades a esanais pode unciona , ou seja, g upos de p o esso es que desen ol em
soluções e conhecimen os de o ma colabo a i a, abalhando com seus p óp ios meios e ecu sos.
Quase 30 anos se passa am desde a p opos a de Hube man, e a ecupe amos pa a concei ua o a-
balho e a abo dagem pessoal ado ados pelos p o esso es que en e is amos.
T a a-se de p o esso es que alcança am ce a no o iedade nas edes sociais de ido à sua dis-
posição pa a compa ilha suas ideias, opiniões e ecu sos. São pessoas que sen em que êm “algo a
dize ” e cons oem seu discu so em o no de suas p e e ências pessoais e in e esses, p eocupações
e expe iências. Decidem li emen e, de aco do com suas i ências, os emas a se em abo dados, os
quais podem es a elacionados ao con eúdo de suas p óp ias á eas, po exemplo a ma emá ica, ou
podem se sob e seu ensino.
As dinâmicas de diálogo e ocas que oco em nas edes sociais ge am espaços cole i os de
encon o que podem se en endidos como espaços de a inidade (Gee, 2005), em que as pessoas en-
con am ou as pessoas ou emas a ins aos seus in e esses (Rosenbe g e al., 2016). Pa a os docen es,
esse espaço de a inidade con igu a-se como uma opo unidade de ap endizagem o a dos limi es da
o mação o mal (Gee, 2017). Os espaços de a inidade êm uma cono ação mais abe a e, de ce a
o ma, di usa do que o concei o de comunidades de p á ica popula izado po Wenge (2000), uma

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ez que em uma comunidade de p á ica as me as e obje i os êm maio ní el de o malidade, bem
como as no mas de in e ação en e os memb os da comunidade.
Os p o esso es a i os nas edes sociais c ia am espaços de a inidade com seus seguido es e com
ou os in luenciado es educacionais; ganha am a c edibilidade de seus seguido es ao compa ilha
em edes sociais e lexões, in o mações, expe iências, e c., e se encon am nas edes exp essamen e
pa a isso. Em a igo ecen e, Hashim e Ca pen e (2019) p opuse am um modelo pa a analisa as
causas pelas quais os p o esso es se en ol em, pa icipam e se mo i am a usa as edes sociais. Essa
pa icipação, quando mui o a i a, como é o caso dos p o esso es que en e is amos, eque empo e
cons ância. Usando a eo ia baseada na u ilidade, esses au o es di e enciam en e mo i os indi idu-
ais e sociais. Os mo i os indi iduais es ão elacionados à necessidade de desen ol imen o e ap endi-
zagem p o issional que os p óp ios p o esso es pe cebem (au oe icácia). A pa i desses mo i os, eles
en endem que a pa icipação nas edes sociais pode apoiá-los em sua ap endizagem. Uma segunda
mo i ação es á elacionada a aspec os sociais. Com o su gimen o das edes sociais, as on ei as en e
a escola e o mundo ex e io se o na am po osas, pe mi indo que os p o esso es desen ol am um
senso de iden idade e epu ação p o issional an o den o como o a das escolas.
Dessa o ma, os p o esso es p esen es em edes sociais podem se con igu a como um cole i-
o que c ia no as o mas de in e ação en e o co po docen e. São in e ações in o mais que pe mi em
da oz a p o esso es com capacidade pa a ge a e compa ilha ideias e ecu sos (Fai , 2018). São
p o issionais da educação que, como desc e emos, não se iden i icam com o e mo in luenciado es.
Assumem um ipo de lide ança in o mal (Ross, 2019) conquis ada a pa i da con iança e econhe-
cimen o de seus p óp ios colegas nas edes sociais. Essa lide ança é cons uída a pa i da indi idu-
alidade, inicia i a e mo i ação pa a compa ilha e oca com ou os p o esso es. São p o esso es
a esãos que encon a am no espaço digi al seu nicho pa a mul iplica suas possibilidades de encon-
o com ou os p o esso es.
Esses p o esso es p oa i os compa ilham algumas ca ac e ís icas iden i icadas po Ge baudo
(2017) ao analisa os mo imen os sociais Occupy Wall S ee , Indignados e UK Uncu . De aco do
com o au o , esses mo imen os e am ca ac e izados po ês p incípios denominados ecnolibe á-
ios: anspa ência ( endência ao abe o, ao open-sou ce), ho izon alidade ( ejeição de hie a quias o -
mais) e negação da lide ança ( endência a assumi que a lide ança é algo a e i a ). É um conhecimen o
que pe mi e aos docen es a “lea n in p ac ice (ap ende p a icando), h ough meaning (a ap endiza-
gem in encional pela ap endizagem em colabo ação com ou os), e h ough iden i y (ap endizagem
e mudança do que somos)” (Liebe man & Mace, 2010, p. 80). Vale des aca que esses são p o esso es
dis an es do concei o de eache p eneu , que em se o nado popula nos úl imos empos (Koehle e
al., 2020; Shel on & A chambaul , 2020).
No caso de nossa pesquisa, elacionada com os con eúdos do concei o de eache p eneu , o -
mulamos as seguin es pe gun as de in es igação: Como os p o esso es in luenciado es cons oem a
lide ança in o mal nas edes sociais? Quais são os p ocessos pelos quais alguns p o esso es se o nam
e e ências pa a ou os? Quais são as concepções, ideias, que esses p o esso es in luen es êm sob e
seu p óp io papel e seu impac o no desen ol imen o p o issional dos docen es?
Pa a esponde a essas pe gun as, en e is amos um o al de 18 p o esso es com o e p esen-
ça nas edes sociais. Pa a aze a seleção, baseamo-nos no es udo já desc i o, no qual iden i icamos 54
in luenciado es educacionais espanhóis. Os dados o am cole ados a pa i de en e is as semies u-
u adas on-line. Elas o am ealizadas p incipalmen e com o aplica i o de ideocon e ência Zoom, e
i e am uma du ação média de uma ho a. Um dos en e is ados solici ou esponde pessoalmen e o
o ei o de en e is as po meio da g a ação de um áudio, e ou a p o esso a p eencheu um o mulá-
io com as espos as às pe gun as.
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Os en e is ado es pa icipa am na elabo ação do o ei o pa a a en e is a e o am einados
pa a sua aplicação. O o ei o de pe gun as isa a a cole a in o mações a iadas sob e os en e is a-
dos: pa icipação nas edes sociais; o igens e e olução em cada uma delas; emas que lhes in e essam
e p ocesso que ealizam pa a aze uma publicação; imagem que êm de si mesmos como pessoa ca-
paz de in luencia ou os; o ma de se elaciona com os seguido es e ou os p o esso es in luen es; e
possí eis ap endizagens ge adas po meio das edes sociais.
G a amos em áudio odas as en e is as. Uma ez ealizadas odas as en e is as, p ocede-
mos à ansc ição das g a ações. Pa a a análise indu i a dos dados, elabo amos um conjun o de emas
que pe mi i am classi ica os dados. Os emas o am enunciados em e mos de pe gun as: Quem sou
eu? Nessa dimensão incluímos os dados pessoais, idade, sexo, ní el acadêmico em que ensinam, e-
des sociais de que pa icipam, núme o de seguido es, e c. Como cheguei a é aqui? Nessa dimensão
incluímos o p ocesso de se o na uma pessoa ele an e: como iniciam a a i idade e como e oluem, e
se pa icipa am de ou as edes an e io men e; ambém incluímos expe iências p é ias ou pa alelas
de con a o com ou os p o esso es an o p esencialmen e – cu sos, seminá ios, jo nadas – como
i ualmen e. O que aço? Como cons uo o discu so? Nessa dimensão desc e emos o p ocesso de
c iação de con eúdo nas edes, seja em blog, Twi e ou ou a ede. Não apenas o con eúdo que pu-
blicam, mas como azem pa a publica : se são publicações planejadas ou mais ea i as, se publicam
ex os, imagens, ídeos, e c., qual á ea do cu ículo abo dam especialmen e e quais emas a am.
Como me elaciono com ou os: os que me seguem, e os que sigo? Nessa dimensão analisamos as
elações com ou os usuá ios do Twi e . Se são pessoas que seguem, se essas elações se man êm além
da ede; sabe se conhecem seus seguido es, se man êm algum elacionamen o com eles. Como me
pe cebo? Essa é uma dimensão de iden idade, que consis e basicamen e na espos a à pe gun a se se
conside am ou não “in luenciado es”. O que ob enho disso? Nessa dimensão, es amos in e essados
em conhece o que ap endem, como se mo i am, ou que esul ados pe cebem do seu abalho na
ede. O que é impo an e pa a mim? Essa dimensão se elaciona com os alo es que os en e is ados
exp essam nas en e is as: colabo ação, espei o, compa ilhamen o. Como ap endo e eles ap en-
dem? Aqui, es amos in e essados na opinião sob e as possibilidades que as edes ep esen am pa a o
p óp io ap endizado, e o de ou os p o esso es.
Os esul ados dessa pesquisa coincidem com es udos ecen es. Com base nos abalhos
de Ge baudo (2017), encon amos alguns p incípios que ca ac e izam a iden idade e p á ica dos
p o esso es in luen es na Espanha: o p incípio da anspa ência ( endência pa a o abe o, pa a o
open-sou ce), ho izon alidade ( ejeição de hie a quias o mais) e negação da lide ança ( endência a
assumi que a lide ança é algo a se e i ado). O p incípio da anspa ência oi obse ado ao longo das
en e is as, na insis ência dos p o esso es na ideia de compa ilha de manei a al uís a suas opiniões
e ecu sos. Esse p incípio não é is o apenas em elação à acessibilidade de ecu sos e ma e iais, am-
bém se elaciona com uma o ma ho izon al de cons ui conhecimen o en e p o esso es.
Ou o pon o a des aca é que os p o esso es en e is ados assumem um p incípio de ho i-
zon alidade no que se e e e aos p ocessos de ap endizagem e desen ol imen o p o issional. Uma
ap endizagem que pode acon ece em qualque momen o e luga . Assim, jun o com as a i idades de
desen ol imen o p o issional o mal, g aças à con ibuição do ipo de p o esso es que analisamos,
mul iplica am-se as a i idades in o mais, como con e sas com ou os p o esso es, e a ealização de
a i idades independen es, como buscas de ecu sos didá icos na in e ne – os p o esso es acessam a
in e ne pa a amplia suas opo unidades de desen ol imen o po meio de pla a o mas sociais.
Nesse con ex o, as edes sociais digi ais pe mi em o es abelecimen o de elações signi ica-
i as en e p o esso es, ge ando ap endizados sociais e compa ilhamen o de expe iências, ideias,
concepções e e lexões. Pa a p o esso es a i os em edes sociais, a ap endizagem po meio delas é um
p ocesso que az pa e do seu abalho, e que con inua o a do ho á io escola . As edes sociais pe -
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mi em amplia o que oi chamado de capi al social. Também são ge adas in e ações que podem se
es á eis ou empo á ias, po meio das quais os p o esso es cole am ecu sos ou ob êm in o mações de
ou as pessoas conside adas ele an es. Os p o esso es que analisamos p opo cionam aos p o esso es
que os seguem no as o mas de ap endizagem e de desen ol imen o p o issional.
Buscamos demons a nes e a igo que as edes sociais digi ais o e ecem no as opções pa a
o desen ol imen o p o issional dos docen es, podendo se complemen a es ou al e na i as às ias
adicionais de o mação. Pa a mui os docen es, as edes ep esen am uma opo unidade de co-
municação e in e ação com ou os p o issionais, com os quais podem ap ende e compa ilha
conhecimen os. Além disso, des acamos que, pa a uma mino ia de docen es que se o na am líde es
in o mais (chamados e oneamen e de in luence s), as edes sociais consolida am um no o ipo de
p o issionalismo, ca ac e izado pelo desen ol imen o au ônomo e di igido aos p óp ios docen es
de sala de aula.
Ag adecimen os
Es a publicação az pa e do p oje o de I+D+i TED2021-129820B-I00, inanciado pelo MCIN/
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