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Os sertões do norte da américa portugesa nos escritos dos agentes da igreja (1690 –1780)

Abstract

Analisa os escritos de agentes eclesiásticos para os Sertões do Norte entre fins do século XVII e as últimas décadas do século XVIII. Entendemos que os agentes eclesiásticos contribuíram na escrita de projetos coloniais tanto quanto naturalistas e funcionários da administração colonial. Para o caso específico das duas capitanias (Ceará e Piauí), formadoras da região colonial dos Sertões do Norte, serão investigadas as percepções desses agentes da Igreja acerca das alternativas de colonizar esses sertões a partir da exploração das potencialidades do território. Analisamos a produção de relatos e memórias, que tiveram significativo aumento ao longo dos setecentos, e se caracterizaram pelo conteúdo que pautava as possibilidades de intervenção da estrutura político-administrativa na racionalização e melhor exploração dos territórios coloniais. É importante ressaltar que alguns desses escritos foram produzidos sob encomenda de superiores e/ou órgãos no reino ou por interesse no reconhecimento dos serviços prestados. Esses “papéis” são hoje encontrados na documentação avulsa depositada no Arquivo Histórico Ultramarino, se caracterizando como uma correspondência formal, e em documentos depositados em acervos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro ou no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

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Os sertões do norte da américa portugesa nos escritos dos agentes da igreja (1690 –1780)

Author: Rolim, Leonardo Cândido
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2021
DOI: 10.12795/Temas-Americanistas.2021.i47.13
Source: https://idus.us.es/bitstreams/197699e9-1192-48f7-a2fb-5c3b7d3f2cfb/download
Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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OS SERTÕES DO NORTE DA AMÉRICA PORTUGESA NOS ESCRITOS DOS
AGENTES DA IGREJA (1690 – 1780)
1
THE NORTHERN HINTERLANDS OF PORTUGESA AMERICA IN THE
WRITINGS OF CHURCH AGENTS (1690 - 1780)
Leona do Cândido Rolim
Uni e sidade do Es ado do Rio G ande do No e (UERN)
O cid: 0000-0001-7295-3984
Resumo: Analisa os esc i os de agen es eclesiás icos pa a os Se ões do No e en e ins do
século XVII e as úl imas décadas do século XVIII. En endemos que os agen es eclesiás icos
con ibuí am na esc i a de p oje os coloniais an o quan o na u alis as e uncioná ios da
adminis ação colonial. Pa a o caso especí ico das duas capi anias (Cea á e Piauí),
o mado as da egião colonial dos Se ões do No e, se ão in es igadas as pe cepções desses
agen es da Ig eja ace ca das al e na i as de coloniza esses se ões a pa i da explo ação das
po encialidades do e i ó io. Analisamos a p odução de ela os e memó ias, que i e am
signi ica i o aumen o ao longo dos se ecen os, e se ca ac e iza am pelo con eúdo que
pau a a as possibilidades de in e enção da es u u a polí ico-adminis a i a na
acionalização e melho explo ação dos e i ó ios coloniais. É impo an e essal a que
alguns desses esc i os o am p oduzidos sob encomenda de supe io es e/ou ó gãos no eino
ou po in e esse no econhecimen o dos se iços p es ados. Esses “papéis” são hoje
encon ados na documen ação a ulsa deposi ada no A qui o His ó ico Ul ama ino, se
ca ac e izando como uma co espondência o mal, e em documen os deposi ados em ace os
da Biblio eca Nacional do Rio de Janei o ou no A qui o Nacional da To e do Tombo.
Pala as-cha e: Agen es eclesiás icos; Fo mação Te i o ial; Piauí; P oje os Coloniais;
Se ões do No e.
1
Es e ex o é uma e são modi icada de uma pa e do capí ulo “Go e no, ilus ação e p oje os coloniais” que
compõe a ese “A Rosa dos Ven os dos Se ões do No e: dinâmicas do e i ó io e explo ação colonial (c. 1690
– c. 1810)” de endida pelo au o no P og ama de Pós-g aduação em His ó ia Econômica da Faculdade de
Filoso ia, Le as e Ciências Humanas da Uni e sidade de São Paulo em 2019.
Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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In odução
Em 1772, o go e nado do Piauí, Gonçalo Lou enço Bo elho de Cas o, esc e eu
um longo o ício ao Ma quês de Pombal sob e os p oblemas en en ados naqueles se ões,
den e eles, a al a de sace do es pa a aze o mínimo: adminis a os sac amen os. De aco do
com Gonçalo de Cas o, os mo ado es cansa am de
[...] de oga aos sace do es que os ouçam [e] lhe pedem pelo amo de Deus que
os açam [os sac amen os]. E algumas ezes se lhe põem de joelhos dian e pa a o
consegui em. Pode ha e , Excelen íssimo Senho , maio con usão, maio
indulgência e maio deso dem que se não con essem os homens po que não que em
desg aça? É de um c is ão que se que pe de , po ém que se pe ca quem se que
sal a e isso po al a de con esso es? Vossa Excelencia melho que eu já sabe á
ponde a na Real p esença de Sua Mages ade pa a me ece mos a sua
eligiosíssima a enção.
2
Não es am dú idas ace ca do papel de agen es da Ig eja na missionação das
populações indígenas desde o p imei o século de colonização. Os aldeamen os, missões,
descimen os e demais es a égias nos quais se des aca am os inacianos, se i am algumas
ezes como mo i ações pa a desgas es e en en amen o de in e esses de colonizado es,
missioná ios e ame índios. A pa i de meados dos se ecen os, a consolidação do
emp eendimen o colonizado passa a necessa iamen e pela mon agem e complexi icação
das es u u as adminis a i as empo ais e espi i uais nos e i ó ios po ugueses
ul ama inos. Os agen es da Ig eja exe ciam papel undamen al em di e en es aspec os.
Pela lei u a do o ício do go e nado do Piauí, ica e iden e que, naquela conjun u a,
ha ia uma c ônica ca ência de pad es que pode iam pô em isco o con ole do e i ó io após
sang en os con li os con a populações indígenas as quais, mui as ezes, insis iam em a aca
cu ais e ouba gado pa a deses abiliza a a i idade pas o il que, ha ia quase um século
es a a se es abelecendo e em p ocesso de expansão nos se ões da capi ania do Piauí.
2
“O ício do [go e nado do Piauí], Gonçalo Lou enço Bo elho de Cas o, ao [sec e á io de es ado do Reino e
Me cês], ma quês de Pombal, [Sebas ião José de Ca alho e Melo], sob e a al a de sace do es pa a adminis a
os sac amen os, p incipalmen e o da peni ência; a al a de o icinas públicas e p incipalmen e cadeias;
solici ando a undação de um hospi al e desc e endo a necessidade de dema ca as sesma ias”. Anexo: 3 docs.
AHU_ACL_CU_016, Cx. 12, D. 690, 1772, Julho, 28, Oei as do Piauí l. 1.
Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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No in ui o de comp eende como os agen es da Ig eja in luencia am nas dinâmicas
e i o iais dos Se ões do No e,
3
e emos como es a egião oi desc i a, dispu ada e
esquad inhada nos esc i os de memb os dos co pos eclesiás ico e ci il com in e esses em
dispu a. Na p imei a pa e do ex o, e emos como, no caso de sace do es, pad es e bispos,
as dispu as começa am a se a adas an es, ainda no século XVII, quase duas décadas depois
da c iação dos bispados de Olinda e São Luís. E, em seguida, analisa emos especi icamen e
o caso da po oação de Pa naguá, localizada nos limi es dos bispados, que mobilizou uma
sé ie de agen es eclesiás icos en e São Luiz, Reci e e Lisboa em uma dispu a po ju isdições
conside a elmen e a as adas do li o al.
O es abelecimen o da Ig eja nos Se ões do No e
É impo an e si ua que e am eco en es as di iculdades em e igi pequenas ig ejas,
ou mesmo capelas, em ce as pa agens dos se ões. Os empecilhos não deco e am da al a
de on ade dos mo ado es, quase odos a enda á ios de cu ais, em p o essa a é ca ólica.
E am u os de p oibições exp essas dos donos das e as, ia de eg a, g andes po en ados
eceosos de pe de um pedaço de e a pa a a Ig eja ou eme osos de e em diminuída a
p odu i idade de suas azendas.
No en an o, é e dade ambém que a Co oa Po uguesa es abelecia as di e izes das
ações da Ig eja acionando o disposi i o do Pad oado, em consolidação desde os séculos IX
e X, azendo da e angelização e da mon agem de uma ede eclesiás ica sólida um assun o
do Es ado Po uguês pa a media a expansão e consolidação de seus domínios no ul ama .
4
Dessa o ma, a au o idade papal se eduziu aos domínios coloniais, nos quais manda am os
p epos os (a cebispos, bispos, pad es, cu as e c.) designados pelo mona ca.
5
3
O eco e espacial des a pesquisa é a egião colonial dos Se ões do No e, que se con o ma a nos limi es
en e o Es ado do Ma anhão e G ão-Pa á e o Es ado do B asil, a pa i dos meados do século XVII e que, no
século XVIII, co espondia às capi anias do Piauí e do Cea á. Ve : Leona do Cândido Rolim. A Rosa dos
Ven os dos Se ões do No e: dinâmicas do e i ó io e explo ação colonial (c. 1660 – c. 1810). Tese (Dou o ado
em His ó ia Econômica). P og ama de Pós-g aduação em His ó ia Econômica. Uni e sidade de São Paulo.
2019.
4
Caio Césa Boschi. Os leigos e o pode (i mandades leigas e polí icas colonizado as em Minas Ge ais). São
Paulo: Á ica, 1986, p. 86.
5
Riolando Azzi. “A ins i uição eclesiás ica du an e a p imei a época colonial”. In: Edua do Ho nae e . all.
His ó ia da Ig eja no B asil: ensaio de in e p e ação a pa i dos po os. (Tomo I – P imei a Época: pe íodo
colonial). 5ª ed. Pe ópolis: Vozes, 2008, p. 162.
Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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Nesse sen ido, é p o á el que a e eção dos bispados de Olinda (1676) e São Luís
(1677) co espondeu mais aos desígnios da Co oa Po uguesa em se apode a do p ocesso
de e angelização das populações conquis adas, e menos às demandas locais po sace do es
que adminis assem sac amen os. Ao con á io do que oco eu na egião das Minas Ge ais,
na p imei a me ade do século XVIII, em que I is Kan o iden i icou uma cla a ação
me opoli ana que “conjuga a a expansão da es u u a eclesiás ica na colônia com a ixação
do apa elho adminis a i o ci il”,
6
nos Se ões do No e, a mon agem da ede eclesiás ica se
an ecipou em algumas décadas às es u u as adminis a i as, ossem polí icas, judiciais ou
iscais. Segundo Cló is Jucá Ne o e al, “ao lado de algumas azendas, e as o am doadas
aos san os pelos p óp ios conquis ado es pa a a ealização dos a os eligiosos, onde o am
e guias algumas das p imei as capelas do e i ó io. Além das e midas le an adas no en o no
das azendas, ou as o am edi icadas nos aldeamen os”.
7
A aje ó ia do en aizamen o dessas ins i uições pe encen es aos á ios âmbi os do
pode me opoli ano na colônia nos Se ões do No e já oi ema de impo an es
in es igações
8
. Não é obje i o des a pesquisa epe i essas con ibuições, mas u ilizá-las
como undamen o pa a analisa a p odução esc i a de di e sos memb os das ins âncias
me opoli anas e coloniais ace ca dos e i ó ios dos Se ões do No e e, p incipalmen e,
como esses esc i os e idenciam dispu as pelo con ole desses espaços.
Na úl ima década dos seiscen os, o bispo de Pe nambuco, F ei F ancisco de Lima,
a ando de cump i com suas ob igações de isi a e conhece odo seu ebanho, designou,
po ol a de 1693, o pad e Miguel de Ca alho pa a pe co e os mais longínquos con ins de
seu bispado, os se ões do Piauí, o denando ainda que ali e igisse uma no a pa óquia. No
6
I is Kan o . Pac o Fes i o em Minas Colonial: a en ada iun al do p imei o bispo na Sé de Ma iana.
Disse ação (Mes ado em His ó ia Social). P og ama de Pós-g aduação em His ó ia Social. Uni e sidade de
São Paulo. 1996, p. 34.
7
Cló is Rami o Jucá Ne o; Ma ga ida Júlia Fa ias de Salles And ade; Alana Figuei edo Pon es. A Fixação da
Ig eja no Te i ó io Cea ense Du an e o Século XVIII: algumas no as. In: Pa anoá, B asília, n. 13, 2014. p.
28.
8
Cló is Rami o Jucá Ne o. P imó dios da U banização do Cea á. Fo aleza: Edições UFC/Edi o a do BNB.
2012; C. R. Jucá Ne o; M. J. F. de S. And ade; A. F Pon es. Op. Ci .; Damião Esd as A aújo A aes. Cu al de
ezes, cu al de almas: u banização do se ão no des ino en e os séculos XVII e XIX. Disse ação (Mes ado
em A qui e u a e U banismo). Faculdade de A qui e u a e U banismo. Uni e sidade de São Paulo. 2012.
Damião Esd as A aújo A aes. Ecos de um supos o silêncio: paisagem e u banização dos “ce oens” do No e,
c. 1666-1820. Tese (Dou o ado em A qui e u a e U banismo). Faculdade de A qui e u a e U banismo.
Uni e sidade de São Paulo. 2017.
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Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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inal do ano de 1697, chega ao conhecimen o do Conselho Ul ama ino a ca a do bispo
“com os e mos da undação da no a Pa óquia que mandou unda no Se ão de Piauí e
desc ição do dis i o dela”,
9
na qual o p ocu ado ano ou que e a “mui o lou a o zelo com
que es e p elado p ocu a a o bem des as suas o elhas, que desga adas po aqueles dese os,
apenas ou iam os sil os do seu pas o ”.
10
É in e essan e apon a mos como o p óp io bispo eme e ao sec e á io Roque
Mon ei o Paim a desc ição do pad e Miguel Ca alho, a ando-a como um i em a é mais
impo an e do que o e mo de undação da pa óquia de Nossa Senho a da Vi ó ia. Esc e eu
o F ei F ancisco de Lima
Meu Senho , se e es a [a undação da pa óquia] somen e de capa a essa desc ição
do se ão do Piauí donde se undou uma das suas pa óquias de que na ge al dou
con a a Vossa Majes ade; [pois] não quis e a da es a no ícia (supos o chega a
empo que a possa le a es e Na io Inglês que pa e depois da o a) po que conheço
do zelo de Vossa Majes ade [e] lhe há de se de ag ado a sua ei u a e que nela há
de acha mui o de que aze obse ação assim pa a o bem espi i ual das almas como
ambém pa a o aumen o empo al des e Es ado [...]
11
Ao obse a que o pad e Miguel Ca alho assinou sua desc ição em 2 de ma ço de
1697, endo sido eme ida em junho pelo bispo e analisada em no emb o do mesmo ano pelo
p ocu ado com pa ece a o á el do Conselho Ul ama ino, in ui-se a p eocupação dos
agen es coloniais em ge a e ci cula , den o das ins i uições do Impé io, in o mações sob e
as á eas ainda pouco conhecidas. Segundo ei F ancisco Lima, o zelo do sec e á io se ia
despe ado na desc ição, pois “há de acha mui o de que aze obse ação assim pa a o bem
espi i ual das almas como ambém pa a o aumen o empo al des e Es ado”. Ou seja, apesa
de e sido p oduzida po um memb o do co po eclesiás ico, a desc ição bem se i ia aos
in e esses dos agen es empo ais que, den o da es u u a me opoli ana, de iniam as polí icas
9
“Consul a do Conselho Ul ama ino ao ei D. Ped o II, sob e a ca a do Bispo de Pe nambuco, ei F ancisco
de Lima, ace ca da undação da pa óquia de Nossa Senho a da Vi ó ia do Piauí. Anexo”: 8 docs.
AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 2. 1697, No emb o, 20, Lisboa. Fl. 1.
10
Ibidem.
11
“Ca a de D. F ancisco Lima, Bispo de Pe nambuco, de 11 de junho de 1697, eme endo a Roque Mon ei o
Paim a desc ição do Se ão do Piauí anexa à CONSULTA do Conselho Ul ama ino ao ei D. Ped o II, sob e
a ca a do Bispo de Pe nambuco, ei F ancisco de Lima, ace ca da undação da pa óquia de Nossa Senho a da
Vi ó ia do Piauí. Anexo: 8 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 2. 1697, No emb o, 20, Lisboa. Fl. 3.

Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
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pa a as conquis as ul ama inas. O bispo não deixa de e azão, pois a Desc ição do Se ão
do Piauí é, de a o, ex ensa e minuciosa. Segundo o pad e Miguel Ca alho,
Tem no se ão do Piauí, pe encen e à no a Ma iz de N. S. da Vi ó ia, qua o ios
co en es in e iachos, cinco iachinhos, dois olhos d’água e duas alagoas à bei a
dos quais es ão 129 azendas de gados em que mo am 441 pessoas en e b ancos,
neg os, índios, mula os e mes iços; Mais alagoas e olhos d’água em que mo am
algumas pessoas que po odas as de sac amen o azem núme o de 605; em se en ia
um a aial de Paulis as com mui os apuias c is ãos o qual go e na o capi ão mo
F ancisco Dias de Siquei a.
12
A con agem do pad e e idencia a g ande quan idade de cu sos d’água que co am
os se ões do Piauí, elencando as possibilidades de ap o ei amen o econômico da á ea com
a c iação de gados e, consequen emen e, a cob ança de dízimos. O núme o de “almas” sem
o alimen o espi i ual não é desp ezí el, conside ando as ad e sidades climá icas, a dis ância
e os cons an es a aques de indígenas. Chama a a enção, no en an o, a in o mação de que a
maio pa e não enha solici ado da a de sesma ia, pois
[...] de odas essas e as são senho es Domingos A onso Se ão e Leono Pe ei a
Ma inho que as pa em de meias [e] em nelas algumas azendas de gado seus, as
mais a endam a quem lhe que me e gados, pagando-lhe 10 éis de o o po cada
sí io e dessa so e es ão in oduzidos dona á ios das e as.
13
O a anço dos po en ados baianos sob e pa e conside á el das e as dos Se ões do
No e e di icul a a an o a es u u ação de uma ede eclesiás ica quan o a aplicação da jus iça
pelos ou ido es
14
. A in o mação passada pelo pad e Miguel Ca alho pode não e ido a
in enção de denuncia o pe igo da concen ação de e as nas mãos dos po en ados – o que
signi ica ia con ole ci il, mili a , iscal e espi i ual –, mas e e es e e ei o quando se
12
“Desc ição do Se ão do Piauí eme ida ao Ilus íssimo e Re e endíssimo Senho F ei F ancisco de Lima
Bispo de Pe nambuco anexa à CONSULTA do Conselho Ul ama ino ao ei D. Ped o II, sob e a ca a do Bispo
de Pe nambuco, ei F ancisco de Lima, ace ca da undação da pa óquia de Nossa Senho a da Vi ó ia do Piauí”.
Anexo: 8 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 2. 1697, No emb o, 20, Lisboa. Fl. 5.
13
Ibidem.
14
Sob e a iolência dos po en ados baianos, especialmen e os Dias D’Á ila, sob e as populações dos Se ões
do No e, C . Leona do Cândido Rolim. Op. Ci . p. 89-102.
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Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
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Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
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conside a a nomeação do co onel de o denanças pouco empo depois da e eção da pa óquia
e o pedido da c iação do ca go de juiz de o a alguns anos depois.
15
Na Desc ição do Se ão do Piauí, o pad e Miguel Ca alho segue lis ando, ibei a
po ibei a, as azendas e cu ais exis en es, as dis âncias en e um e ou o, bem como os
nomes de seus mo ado es. In o ma ainda a localização do ele chama de “po oação do Piauí”:
[...] si uada em 3 g aus pa a a pa e sul do meio do se ão que se acha en e o Rio de
São F ancisco e a cos a do ma que co e do Cea á pa a o Ma anhão, da qual dis a á
pelo caminho sabido 80 léguas, con ina pela pa e do nascen e com o se ões
dese os que co em pa a Pe nambuco [...] Pa a o poen e con ina com os ma os
dese os que co em pa a as Índias de Espanha, pelos quais não há caminho nem se
sabe de seu im [...] Pa a a pa e do No e con ina es a po oação com a cos a do
ma co endo do Cea á pa a o Ma anhão pa a qual em dois Caminhos, abe os
ambos em o ano de 1695 um que ai ao Ma anhão, e ou o a se a da Ibiapaba [...]
Pa a a pa e do sul con ina es a po oação com o Rio de S. F ancisco pa a o qual
em dois caminhos com dis ância igual de 40 léguas.
16
É in e essan e pe cebe mos que a po oação do Piauí pa eceu ao pad e se si ua
“pa a a pa e sul do meio do se ão”. O que i ia a se o meio de uma e a ainda pouco
conhecida? As e e ências espaciais que seguem acabam jus i icando a ideia de “meio do
se ão”. A les e “os se ões dese os que co em pa a Pe nambuco”, a oes e “os ma os
dese os que co em pa a as Índias de Espanha”, ao no e o ma que co e en e o Ma anhão
e o Cea á e, inalmen e, ao sul o Rio São F ancisco. Naquele “meio do se ão” o pad e Miguel
Ca alho deixa a e igida a Ma iz de Nossa Senho a da Vi ó ia na in enção de “zela pelas
o elhas” a é ali elegadas à so e de passa um ou ou o missioná io e lhes adminis a os
15
“Ca a Pa en e do ei D. Ped o II a José Ga cia Paz, con i mando-o no pos o de co onel de O denança no
Piauí”. Anexo: 1 doc. AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 3. 1701, janei o, 20, Lisboa; PARECER do Conselho
Ul ama ino sob e a ca a do ou ido do Ma anhão, [Eusébio Capelli], solici ando a c iação do ca go de juiz
de Fo a no Piauí. Anexo: 1 doc. AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 5. 1712, Fe e ei o, 1, Lisboa.
16
“Desc ição do Se ão do Piauí eme ida ao Ilus íssimo e Re e endíssimo Senho F ei F ancisco de Lima
Bispo de Pe nambuco anexa à CONSULTA do Conselho Ul ama ino ao ei D. Ped o II, sob e a ca a do Bispo
de Pe nambuco, ei F ancisco de Lima, ace ca da undação da pa óquia de Nossa Senho a da Vi ó ia do Piauí”.
Anexo: 8 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 1, D. 2. 1697, No emb o, 20, Lisboa. Fl. 6-6 . (G i o nosso).
Leona do Cândido Rolim
Os se ões do no e da amé ica po ugesa nos esc i os dos
agen es da ig eja (1690 – 1780)
Dossie
His o ia del B asil colonial: de las aíces his ó icas
al p oceso de concienciación y c isis (siglos XVI-XIX)
Núme o 47, diciemb e 2021, pp. 231-248
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Temas-Ame icanis as.2021.i47.13
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sac amen os. Ao inal, o pad e ainda e idencia as in enções de sua Desc ição..., ao pon ua
que al papel se e
[...] de no ícia do dis i o da no a eguesia de N. S. da Vi ó ia que o seu [do Bispo]
g ande zelo me mandou unda en e os mise á eis mo ado es que i em nes es
se ões senão o ão cla a como seja necessá io pa a o conhecimen o que Vossa
Ilus íssima deseja e des es dese os, se á po al a de e mos pa a explica -me, e
não de ciência dos dis i os, pois há 4 anos que ando semp e de iagens em con ínua
lide isi ando es es mo ado es sem me ica Rio, Riacho, Fazenda, ou pa e nomeada
nes e papel que não enha is o e andado
17
.
Nesse sen ido, além de le a o pão espi i ual pelos se ões e deixa undada uma
pa óquia, o pad e se ocupou em ano a , ao longo dos qua o anos de iagens, á ias
in o mações ace ca de cada um dos cu ais e azendas às ma gens dos iachos, ios e lagoas,
bem como de dados sob e a população dos longínquos Se ões do No e. É p o á el que a
boa on ade do sace do e o enha le ado a desc e e aquele e i ó io. No en an o,
ac edi amos que a necessidade de con i ma aos supe io es os mo i os de undação da
pa óquia e de in o ma às di e sas ins âncias eclesiás icas e empo ais a si uação das á eas
de expansão das conquis as enham mo i ado a p odução do ex o. Podemos in ui ambém
que a desc ição oi encomendada ao pad e, pois a Ca a do bispo de Pe nambuco ao ei
sob e o es ado ma e ial e espi i ual em que se encon a a capi ania do Cea á; a sua si uação
depois que passou à ju isdição de Pe nambuco e a al a de sace do es e ig ejas inicia
jus amen e explici ando a espos a ao pedido eal. Esc e eu o bispo de Pe nambuco:
Manda-me Vossa Majes ade que in o me do es ado da capi ania do Cea á em o dem
ao egime espi i ual dos mo ado es e soldados, e o aço com aquelas no ícias que
p ocu ei chegado que ui a es e bispado, e com as quais nele alcancei po odo o
empo que nele assis o.
18
17
Ibidem. l. 18.
18
“Ca a do bispo de Pe nambuco ao ei [D. Ped o II], sob e o es ado ma e ial e espi i ual em que se encon a
a capi ania do Cea á; a sua si uação depois que passou à ju isdição de Pe nambuco e a al a de sace do es e
ig ejas”. AHU_ACL_CU_006, Cx. 1, D. 40. 1698, junho, 26, Olinda. Fl. 1.
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Um ano depois de eme e a Desc ição do Se ão do Piauí ao Conselho
Ul ama ino, o mesmo D. F ancisco Lima en ia a, a pedido do ei, um ela o sob e o es ado
ma e ial e espi i ual da capi ania do Cea á – algo bem pa ecido com o ex o esc i o pelo
Pad e Miguel de Ca alho. Nou as pala as, a Ig eja exe ceu papel undamen al na
p odução e acumulação de in o mações sob e as conquis as ul ama inas pelas ins âncias
me opoli anas, pois, em seus quad os, possuía memb os le ados capazes de p oduzi bons
ela os. No caso da ca a do bispo de Pe nambuco sob e a capi ania do Cea á, há, a é mesmo,
um b e e his ó ico da capi ania desde sua anexação ao Es ado do Ma anhão, o domínio
holandês e a passagem à ju isdição de Pe nambuco. D. F ancisco de Lima in o ma ainda
que, naqueles úl imos anos do século XVII,
C esce am os mo ado es e aumen ou-se a po oação de so e que se ins i uiu
pa óquia dando se lhe po ma iz a mesma capela da Fo aleza, em que se conse a
a é o p esen e, icando o mesmo capelão sendo ice igá io nomeado pelo bispo, e
em al a des e pelo cabildo, dando se lhe da azenda eal cinquen a mil éis, além
das duas p aças, que como capelão encia, e in e ês mil no ecen os, e in e éis
pa a p o imen o da sac is ia. Fei a pa óquia a di a capela, se ins i uí am en e os
mo ado es e soldados ês i mandades; a da Senho a como pad oei a, e de San o
An ônio, e a das Almas.
19
Segundo o echo, a p imei a pa óquia do Cea á não oi ins i uída nas á eas mais
se anejas da capi ania. Ao con á io dos se ões do Piauí, que inham sua po oação ixada
mais no in e io do con inen e, o Cea á possuía algumas o i icações no li o al, sendo, na
p incipal delas, ins i uída a p imei a ma iz. É in e essan e apon a mos pa a uma p o á el
quan idade azoá el de habi an es nos a edo es da o i icação, já na segunda me ade dos
seiscen os, pois ali o am undadas, de uma só, ez ês i mandades de soldados e mo ado es.
Após a uga de dois dos sace do es, o en ão ecém-chegado bispo de Olinda, obedecendo
dec e o eal, nomeou o pad e João Lei e em 1697 pa a a pa óquia, que
19
Ibidem. l. 02.
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A malha eclesiás ica se emba aça a em consequências das ocas de pode e acabou
po se en eda às ju isdições empo ais que, logo em seguida, desenha am os se ões.
A uando como mediado es dos con li os, os agen es das ins i uições me opoli anas,
mo men e, os conselhei os ul ama inos, in o ma am ao Rei sob e as que elas coloniais. Po
isso, o am ca egó icos ao ap esen a em a ca a de T oiano ao bispo de Pe nambuco à
supe isão do ei, pa a que ossem omadas medidas:
Faço sabe a ós Re e endo Bispo da Capi ania de Pe nambuco que se endo a
con a que me deu o Pad e An onio T oiano go e nado do Bispado do Ma anhão
em ca a de in e e cinco de maio de ano passado sob e a isi a que oi aze a
capi ania do Piauí, e o que nela ob a a. Me pa eceu ecomenda os in o mais do
conhecido na di a ca a.
31
A ecomendação eal de obse a o ela o do bispo do Ma anhão oi ecebida em
Pe nambuco e, de ol a, D. João V ob e e espos a do F ei José Fialho, bispo de
Pe nambuco, apenas em 1732. Em sua ca a, o p elado con i ma conhecimen o do oco ido
e acusa An ônio T oiano de causa desen endimen os en e as populações se anejas “na
isi a da Capi ania do Piauí, [pois] me in o ma am, que dela lhe inham esul ado mui as
con eniências empo ais, de que ha ia queixa pública dos mo ado es daquele dis i o”.
32
A
dispu a pelas ju isdições ica mais e iden e cada ez que as es u u as se en aízam nos
e i ó ios e, nes e caso, ambém se in e io izam. Toda ia, o bispo José Fialho admi e, que,
quan o ao
[...] iacho de Pa naguá é ce o que o cu a do Rio G ande do Sul não que ia demi i
de si a posse em que se acha a de pa oquia aos mo ado es daquele des i o, po ém
31
Ibid. Fl. 05. “Ca a ao Bispo de Pe nambuco eme ida pelo Conselho Ul ama ino em 27 de se emb o de
1730”.
32
“Ca a do Bispo de Pe nambuco, [ ei D. José Fialho], ao ei [D. João V], sob e as queixas dos mo ado es
do Piauí pelo desempenho do go e nado do Bispado do Ma anhão, An ónio T oiano, quando da sua isi a à
capi ania; desc e e as di iculdades de adminis ação espi i ual no que conce ne à di isão geog á ica das
pa óquias do Piauí. Anexo: 3 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 2, D. 85. 1732, Ab il, 22, Olinda. Fl. 01.

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já ha ia dois anos a la gou po eu assim lhe o dena ; o que iz po en ende [que]
pe enciam aqueles dis i os à capi ania do Piauí.
33
34
E p ossegue a gumen ando que, à capi ania do Piauí, não pe encem “os Riachos”
apon ados po T oiano,
[...] po não se em da Pa naíba os Riachos, [mas] da capi ania do Cea á, con o me
me in o ma am os Religiosos da Companhia de Jesus, que assis em na Se a da
Ibiapaba. [Assim,] não posso diminui des e dis i o, i ando-o do cu a o do Aca acú,
o que a ia, e de mui as mais dis i os que me pe encessem, po e menos de que
da con a a Deus, se lici amen e o pudesse aze .
35
A e e ência do bispo de Pe nambuco a in o mações ansmi idas po missioná ios
da Companhia de Jesus ei e a a p eocupação dos agen es eclesiás icos, já na p imei a
me ade do século XVIII, com a p odução de ela os, o ei os, no ícias, desc ições e, a é
mesmo, ca as geog á icas ace ca dos se ões, seus con ins e seus limi es. As á eas de
expansão de on ei a não de e iam, po an o, pe manece sem um mínimo con ole da
adminis ação me opoli ana, osse ia eclesiás ica ou empo al. Cada ez mais, ao longo do
se ecen os, as decisões que incidi iam sob e os e i ó ios ul ama inos, que podemos mui o
bem chama de polí icas ou p oje os coloniais, e am pau adas nas di e sas in o mações
eme idas às ins âncias ul ama inas, sendo mui as delas, u os de que elas en e os p óp ios
agen es da adminis ação na colônia. É esse ipo de p odução esc i a que se lê na
documen ação a qual o bispo do Ma anhão anexou à sua ca a. O esc i ão da ou ido ia do
Piauí, a pedido, ce i ica que o iacho do Pa naguá pe ence aos se ões do Piauí:
Ce i ico que o dis i o do Pa naguá, de que na pe ição e o se az menção, pe ence
a es a Capi ania do Piauí, a qual oi desmemb ada do Bispado de Pe nambuco po
uma Bula Pon i ícia que ou i publica na Ig eja des a di a Vila. Como ambém que
os mo ado es do di o dis i o de Pa naguá es ão sujei os a es e juízo de ou ido ia-
ge al aonde êm co e com suas causas e li amen os. E na Câma a da di a Vila se
33
Idem.
34
No a do au o : o Rio G ande do Sul ao qual se e e e o bispo de Pe nambuco é, p o a elmen e, um io
chamado de G ande que ica na ma gem esque da do Rio São F ancisco, bem ao sul dos se ões do Piauí,
po an o, o Rio G ande do Sul do São F ancisco.
35
Idem.
Leona do Cândido Rolim
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Dossie
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elege odos os anos um Juiz O diná io pa a o di o dis i o do Pa naguá o qual
adminis a jus iça aos di os mo ado es dele, os quais pagam os dízimos dos gados e
mais la ou as aos con a ado es que a ema am o con a o eal des a capi ania [e]
que ão ou mandão paga ao Almoxa i ado da azenda eal da cidade de São Luiz
do Ma anhão, aonde es a Capi ania é anexa há mui os anos nos empo al e de
p esen e o es a ambém no espi i ual.
36
Po im, o despacho do Conselho Ul ama ino, emi ido em agos o de 1732, sob e a
que ela, sinaliza a esolução da ques ão a pa i da a aliação dessas in o mações e da
a gumen ação das pa es: “Tem cessado a ques ão sob e o Riacho de Pa naguá [pe ence ]
ao Bispado do Ma anhão pelo que diz o Re e endo Bispo de Pe nambuco e assim se pode
esponde ao Go e nado do Bispado do Ma anhão” e “quan o aos Riachos, como é de ido
se pe encem a capi ania do Cea á, depende do melho exame; e po ho a se de e conse a
cada um dos Bispados na sua posse”.
37
Conclusões
Fica demons ado, po an o, que o in e esse das ins âncias me opoli anas passa a
mais pelo es abelecimen o das es u u as eclesiás icas nos se ões, e menos pela de inição de
limi es en e os bispados. Na medida em que as zonas de di usão se deslocam ao longo do
se ecen os e, consequen emen e, os in e esses dos agen es, as on ei as ambém se
ecompõem. Em ou as pala as, no plano da adminis ação eclesiás ica, os Se ões do No e
se o na am, a pa i das ede inições de ju isdições dos bispados, no p imei o qua el do
século XVIII, a á ea de li ígio en e dois bispados em plena expansão.
36
“Ce i icação do Esc i ão An onio Gamei o da C uz, esc i ão da Ou ido ia ge al, Co eição e Fazenda Real
nes a Vila da moucha e sua Coma ca”. In: “Ca a do Bispo de Pe nambuco, [ ei D. José Fialho], ao ei [D.
João V], sob e as queixas dos mo ado es do Piauí pelo desempenho do go e nado do Bispado do Ma anhão,
An ónio T oiano, quando da sua isi a à capi ania; desc e e as di iculdades de adminis ação espi i ual no que
conce ne à di isão geog á ica das pa óquias do Piauí”. Anexo: 3 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 2, D. 85.
1732, Ab il, 22, Olinda. Fl. 04 .
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“Ca a do Bispo de Pe nambuco, [ ei D. José Fialho], ao ei [D. João V], sob e as queixas dos mo ado es
do Piauí pelo desempenho do go e nado do Bispado do Ma anhão, An ónio T oiano, quando da sua isi a à
capi ania; desc e e as di iculdades de adminis ação espi i ual no que conce ne à di isão geog á ica das
pa óquias do Piauí”. Anexo: 3 docs. AHU_ACL_CU_016, Cx. 2, D. 85. 1732, Ab il, 22, Olinda. Fl. 01.