A auca ia. Re is a Ibe oame icana de Filoso ía, Polí ica y Humanidades. año 13, nº 25. P ime semes e de 2011.
Pp. 197–206.
Gio anni A ighi: Adam Smi h em Pequim:
o igens e undamen os do século
xxi
1
Ma co Au élio Rod igues da Cunha e C uz
UniCEUB (Cen o de Ensino Uni icado de B asília,
B asil)
Em 19 Janei o de 2011 o encon o his ó ico do líde chinês, em solo es adu-
nidense, com Ba ack Obama indicou o sinal dos no os empos. No dia 14 de
Fe e ei o oi p opalada a no ícia de que a China ul apassou o Japão e se o -
nou a 2ª maio economia do mundo, ao alcança seis ilhões de dóla es no
seu p odu o in e no b u o. É incon o e so, pois, que a China despon a como
po ência mundial e lide a o enascimen o econômico o ien al. Es e desempe-
nho adqui ido pelos chineses in e e e, de manei a decisi a, nas elações com
os demais países, e essoa, nomeadamen e, no modo de en ende a economia
mundial. Nes e con ex o, pa a aciocina sob e es e ema, não se pode a ança
em análises geoeconômicas negligenciando sob e os seus e lexos na ó bi a do
p incipal a o econômico global: os Es ados Unidos. A ascensão chinesa e as
epe cussões in e nacionais que dela emanam, p imo dialmen e em e as es a-
dunidenses, são os condu o es do li o do sociólogo i aliano Gio anni A ighi
Adam Smi h em Pequim: o igens e undamen os do século
xxi
.
Numa con inuação de suas duas úl imas publicações (O longo Século
xx
e Caos e go e nabilidade no mode no sis ema mundial) A ighi es abelece
como dois os obje i os do ex o: in e p e a «a luz da eo ia de desen ol imen-
o econômico de Adam Smi h a a ual ans e ência do epicen o da economia
polí ica global da Amé ica do No e pa a a Ásia o ien al» e inclui as lições de
A iqueza das nações nas e lexões sob e a ci ada ans e ência. Alice çado,
po an o, na elei u a das eo ias smi hianas e ma xis as, o Au o analisa a e o-
lução socioeconômica chinesa ao la go dos úl imos séculos e a compa a com
o modelo ado ado na Eu opa e nos Es ados Unidos. P opugna, nes e sen ido,
um ees udo de A iqueza das nações pa a ins iga o lei o a medi a sob e as
p e isões ei as no li o ao conclui que pode se hodie namen e ac í el uma
sociedade mundial de me cado com base em uma maio igualdade en e as
1 São Paulo: Boi empo, ad. Bea iz Medina, 2008 . Nº de páginas: 448.
198 Ma co Au élio Rod igues da Cunha e C uz
ci ilizações e uma equalização de pode en e o Ociden e conquis ado e os
demais «conquis ados».
Pa a sus en a a ese de que o acasso do P oje o pa a o No o Século
No e Ame icano (como eação aos acon ecimen os de 11 de se emb o de 2001)
e o sucesso do desen ol imen o econômico chinês po encializam a p obabili-
dade da conc e ização da idéia de igualdade me cadológica de Smi h, A ighi
di ide o li o em qua o pa es, as quais, cada uma, con ém ês capí ulos.
A p imei a, Adam Smi h e a no a época asiá ica, é in odu ó ia e mais
eo é ica. A alia‒se a eo ia de desen ol imen o econômico de Smi h pa a a
comp eensão do p óp io í ulo de seu li o. O Au o ees u u a a eo ia smi-
hiana e a co eja com as eo ias de Ma x e Schumpe e , pa a opina que Smi h
não e a de enso , ampouco eó ico, do modelo de desen ol imen o econômi-
co capi alis a e que sua eo ia de me cados, como ins umen os de domínio, é
especialmen e anscenden e pa a que se en endam as economias de me cado
não capi alis as. De ende que o sucesso chinês se de e, en e ou os a o es,
po não e abandonado o g adualismo econômico («cu so na u al das coisas»)
em a o das « e apias de choque» es adunidenses, e ale a que a adoção da
e o ma econômica da China encampou um discu so socialis a, mas com co po
capi alis a, haja is a que, a ualmen e, as emp esas p i adas se o nam a base
de sua economia. Ao c ia a exp essão «ma xismo neosmi hiano» A ighi se
e e e ao ilóso o ma xis a Ma io T on i que no seu a igo “Ma x em De oi ”
ad oga que a o mação de pa idos social‒democ a as, de inspi ação ma xis a,
não ans o mou a Eu opa no epicen o da lu a de classes. En e an o, ad e e
que oi em e as ianques, onde a in luência de Ma x oi mínima, o local onde
os abalhado es consegui am o ça o capi al a se ees u u a pa a acomoda
as exigências de salá ios mais al os. Obse a, pois, que na Eu opa, Ma x i ia
ideologicamen e, mas nos Es ados Unidos suas ideias in luí am obje i amen e
nas elações en e capi al e abalho.
Nes e con ex o, comen a que após se em ou não abso idas pelos países do
cen o, a di usão ideológica ma xis a se deslocou pa a os chamados pe i é icos,
como China, Vie nã, Cuba e as colônias a icanas de Po ugal. Toda ia, nes es,
indica que a ealidade social pouco ou nada inha em comum com a eo izada
em O Capi al. Po isso, isa que o ma xismo de Fidel Cas o, Amílca Cab al,
Ho Chi Minh e Mao Tse Tung se apa a a diame almen e da eo ia do capi al
de Ka l Ma x. A ighi ci a Robe B enne , quem esc e eu um a igo no qual se
ex ai que dois p incipais mo i os a e ece am a p e isão de desen ol imen o
capi alis a gene alizado: (i) não hou e a i ação e manu enção da compe ição
que o ça ia os o ganizado es da p odução a co a os cus os e maximiza o
luc o po meio da especialização e das ino ações; (ii) ampouco os p odu o es
di e os pe de am o con ole dos meios de p odução, o que a i a ia e man e ia a
compe ição que os ob iga ia a ende sua o ça de abalho aos o ganizado es
199
Gio anni Aghi: Adam Smi h em Pequim: o igens e undamen os do século
xx
da p odução. De a o, somen e em alguns países a his ó ia da lu a de classes
c iou as duas mencionadas condições necessá ias. B enne , nes e sen ido, bus-
ca a eo ia smi hiana de A iqueza das nações, onde se colhe que a iqueza de
um país se descob e com a especialização das a e as p odu i as deco en e da
di isão de abalho en e as unidades p odu i as, cujo g au é de e minado, deci-
si amen e, pelo amanho do me cado. Tendo is o em conside ação, conclui‒se
que o p ocesso de desen ol imen o econômico em seu impulso com a expan-
são do me cado. Despiciendo, po an o, o a o de quem o ganiza a p odução
pe de ou não a capacidade de ep oduzi e se os p odu o es di e os pe de am ou
não o con ole dos meios de p odução. A ighi e u a, de ce o modo, a aludida
ca ac e ização, mas a con e e ele ância pela impo ância da dis inção en e
o desen ol imen o da economia de me cado e o desen ol imen o capi alis a
p op iamen e di o. Jus i ica, en ão, que apesa da disseminação das o ças de
me cado na busca do luc o, a na u eza do desen ol imen o da China não é
necessa iamen e capi alis a.
Nes a linha de pensamen o, se a gumen a que há, inega elmen e, uma
di e ença his ó ica mundial en e os p ocessos de o mação de me cado e os
p ocessos de desen ol imen o capi alis a. O p ocesso de ap imo amen o eco-
nômico an e io à Re olução Indus ial inha como mo o os ganhos de p o-
du i idade que acompanha am a di isão do abalho, cada ez maio e mais
p o unda, limi ada pela ex ensão espacial e pelo ambien e ins i ucional do me -
cado. Quando se a inge es e limi e, a economia deságua na denominada «a ma-
dilha de equilíb io de al o ní el». A Eu opa se des encilhou des a po meio da
Re olução Indus ial (com as conseqüen es ino ações ecnológicas). A « uga»
eu opéia da aludida a madilha oi p ecedida po « ugas» an e io es, ealizadas
com g andes eo ganizações dos cen os e das edes do capi alismo eu opeu.
Es a «saída» oi obse ada an o po Smi h como po Ma x, que des aca am a
p incipal di e ença do caminho eu opeu: sua ex o e são, seu in es imen o no
comé cio ex e io . A iqueza e o pode da bu guesia eu opéia não i e am sua
gênese na ag icul u a, mas no comé cio ex e io de longa dis ância. Somen e
depois a indús ia omou co po e se o nou a base da economia eu opéia, como
no exemplo inglês. Ci ando a Fe nand B audel, A ighi conco da que o capi-
alismo eu opeu, pau ado na ex o e são, apenas iun a quando iden i icado
com o Es ado, que, ia de conseqüência, busca a iabiliza as condições eco-
nômicas pa a es e desen ol imen o, ademais de assegu á‒lo pelo pode io be-
lige an e mili a . Já desde a sua p imei a ase, em Veneza, Gêno a e Flo ença,
os capi alis as êm maio pode de impo seu in e esse de classe à cus a do in-
e esse nacional, e ans o mam os go e nos em comi ês de ge enciamen o dos
negócios da bu guesia. Na Holanda do século
x ii
, a a is oc acia dos Regen es
go e na a a a o dos negocian es, me cado es e emp es ado es de dinhei o.
Na Ingla e a, a Re olução Glo iosa co obo ou a ascensão dos negócios à
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ealeza. A acumulação de capi al e de pode no con ex o do comé cio exógeno,
gua necidos pelo Es ado, de ine o caminho eu opeu de desen ol imen o «ca-
pi alis a».
Na China não. O caminho de desen ol imen o o ien al e a baseado no
me cado, mas não po a a a «dinâmica capi alis a». A expansão econômica
chinesa c iou o exceden e de mão de ob a e a escassez de capi al. Soma‒se,
ainda, a nominada «G ande Di e gência», concei uada como as di e enças no
sup imen o de ecu sos e nas elações cen o‒pe i e ia, é dize , a Eu opa e a
municiada pelas Amé icas de o ma subs ancialmen e mais olumosa de p o-
du os p imá ios e de demanda de manu a u ados do que as egiões da Ásia
o ien al pode iam ob e de suas «pe i e ias». No O ien e, o Au o co elaciona
o concei o de Re olução Indus iosa, que em como pano de undo o im da
se idão do campesina o no século
x ii
, o o alecimen o da ag icul u a a-
milia , o aumen o populacional e a escassez c escen e de e a a á el, a o es
que conjugados con ibuí am pa a o su gimen o de um modo de p odução que
con a a in ensamen e com o in es imen o em mão de ob a. Em que pese os
camponeses abalha em mais, sua enda ambém aumen ou, o que po enciali-
zou a alo ização e o desen ol imen o de uma é ica em o no do abalho. Es e
con ex o c iou um caminho ecnológico e ins i ucional que e e papel ca dinal
na espos a do O ien e aos desa ios e às opo unidades ge ados pela Re olução
Indus ial ociden al. A di e ença, pois, en e es e ipo de desen ol imen o eco-
nômico e o desen ol imen o ado ado no ociden e e a que o asiá ico mobiliza a
ecu sos humanos em ez de não humanos. Po es a azão, A ighi escla ece
que Sugiha a ou o gou o nome de «caminho desen ol imen is a híb ido» de
indus ialização in ensi a em mão de ob a, po que abso ia e u iliza a mão de
ob a de modo mais comple o e dependia menos da subs i uição da mão de ob a
po maquina ia e capi al do que o ociden e.
Des e modo, o essu gimen o econômico o ien al se elaciona com a con-
e gência en e a opção ociden al de uso in ensi o de capi al e de ele ado con-
sumo de ene gia, e o modelo asiá ico, que az uso in ensi o de mão de ob a e
poupa ene gia. A Re olução Indus ial implan ou no ociden e o «milag e da
p odução» e expandiu a capacidade p odu i a de um es i o g upo de países.
A Re olução Indus iosa in oduziu no o ien e o «milag e da dis ibuição» e
c iou a di usão dos bene ícios des e milag e pa a a as a maio ia da população
mundial.
Nes a linha de pensamen o, o Au o , ao se e e i às ês g andes o dens
o iginais e cons i uin es de oda sociedade ci ilizada ―os que i em de enda,
os que i em de salá io e os que i em de luc o― desmis i ica mi os ela-
cionados à eo ia de Smi h. Em seu juízo, os esc i os smi hianos p ega am a
exis ência de um Es ado o e pa a c ia e ep oduzi as condições de exis ên-
cia do me cado e não de ende a sua «au o egulação»; usa o me cado como
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ins umen o e icaz de go e no; egulamen a seu uncionamen o; e in e i , de
modo incisi o, pa a e i ica ou aplaina esul ados (social ou poli icamen e)
indesejá eis. Segundo es e aciocínio, Smi h exo a a o legislado a egula o
me cado pa a da p o eção con a ameaças in e nas e ex e nas à segu ança dos
indi íduos e do Es ado, o e a jus iça, omen a a in aes u u a ísica adequa-
da pa a desen ol e o comé cio e as comunicações, egulamen a a moeda e o
c édi o, e educa seus adminis ados pa a equilib a o e ei o nega i o da di isão
do abalho sob e sua qualidade in elec ual. Po isso, A ighi a alia que Smi h
não p opugnou a ípica eo ia libe al do século
xix
de um go e no minimalis a
e do me cado au o egulado ou do pode p o ilá ico das « e apias de choque»
p opaladas pelo Consenso de Washing on no im do século
xx
. Smi h, po an o,
no sen i de A ighi, de ende a in e enção do Es ado pa a que o legislado
con aponha o in e esse dos que i em de luc o, que pode, com ce eza, choca
com o in e esse social ge al. Smi h aconselha, pois, que o legislado compense
o pode de me cado es e ab ican es azendo‒os compe i en e si e baixa p e-
ços e luc os pa a o i o de expandi a economia.
Nes e cená io, Smi h, na in e p e ação do Au o , concebe o desen ol i-
men o econômico como o p eenchimen o com pessoas e capi al ísico («pa i-
monio») de um ecipien e espacial («país»), que engloba um olume de ecu -
sos na u ais e é con igu ado in e namen e e es ingido ex e namen e po leis e
ins i uições. Quando o país em capi al de menos e em dé ici populacional, há
g ande po encial p og essis a de c escimen o econômico. Quando o país em
capi al o al e es á o almen e po oado, o po encial de c escimen o ende a se
es acioná io. Mais um mo i o pa a que, nas pala as de A ighi, a eo ia smi-
hiana impulsione a a i idade do Es ado pa a desen ol e o ino p og essis a ou
al e a a posição es acioná ia da economia de me cado.
O Au o elemb a que Smi h, po an o, se e e e à China no im do pe íodo
impe ial como exemplo de desen ol imen o com base no me cado e apon a
seu limi e. A ese smi hiana des aca que o maio desen ol imen o chinês no co-
mé cio ex e io pode ia aumen a ainda mais a iqueza da China. Em que pese
es a des an agem, Smi h es ima a que a China, mais que a Eu opa, possuía o
modelo de desen ol imen o econômico («cu so na u al das coisas») com base
no me cado mais aconselhá el a se p omo ido. Po isso, o Au o comen a
o esc i o po Wong, F ank e Pome anz que pe cebe am a incoe ência en e a
ideologia ociden al do li e me cado e a maio ele ância ac ual da China no
im do pe íodo impe ial pa a o eo izado em A iqueza das nações, daí se e i a
o ins igan e í ulo: Adam Smi h em Pequim.
Na segunda pa e, Ras eamen o da u bulência global, o Au o u iliza a
eo ia smi hiana pa a acompanha a ins abilidade global. Faz um pa alelo da
e ação de 1873‒1896, pe íodo que e e como p o agonis a a G ã B e anha
e que Da id Landes iden i icou como a «de lação mais d ás ica da memó ia
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humana», e a chamada «es agnação pe sis en e» (B enne ) de 1973‒1993, época
em que a p incipal a iz oi a economia es adunidense.
Na e ação do século
xix
a jus i ica i a se ci cundou na compe ição en e
os agen es da acumulação de capi al eu opeus, o que se denominou de «lu a
económica» pela «gue a de p eços», cumulados com a ápida expansão da
p odução, ocasionando a diminuição do luc o e a conseqüen e «de lação mais
d ás ica». Os go e nos se o na am de enso es a i os da indús ia nacional,
com polí icas ol adas pa a o p o ecionismo e me can ilismo, po encializando a
cons ução de impé ios coloniais ul ama inhos. Es a p opensão p opo cionou
a co ida a mamen is a en e as po ências capi alis as em ascensão, endo como
maio bene iciá io da ecupe ação da economia (1896‒1914) a G ã B e anha.
Enquan o sua sup emacia indus ial a e ecia, o sis ema inancei o despon a a,
jun o com os se iços de anspo e, ep esen ação come cial, co e agem de
segu os e in e mediação no sis ema mundial de pagamen os, pe íodo apelidado
de belle époque. Es a época e mina com a supe eniência das duas G andes
Gue as e com o colapso econômico global da década de 1930.
Ao inicia a compa ação des e (1873‒1914) com o ou o pe íodo
(1973‒1995), A ighi apon a como mo i o da es agnação pe sis en e de 1973
o chamado «desen ol imen o desigual», que e e como o igem o boom das
décadas de 1950 e 1960 (B enne ), momen o em que hou e um cí culo i -
uoso de luc o ele ado, al os in es imen os e aumen o da p odu i idade, e
como es ação e minal o alcance dos e a da á ios às economias dominan es
na década de 1970, esul ando no excesso da capacidade p odu i a mundial e
a conseqüen e p essão de baixa sob e a ma gem de luc o (1965‒1973). Nes e
con ex o, A ighi esponsabiliza as emp esas e os go e nos capi alis as pelo
acasso em es au a o ní el an e io de luc a i idade, com a eliminação da
capacidade exceden e. O Au o , en ão, di e encia os dois pe íodos de e a-
ção (1873‒1896/1973‒1993) com o a gumen o de que na década de 1970 os
go e nos dos p incipais países capi alis as, mo men e os Es ados Unidos, u i-
liza am‒se da des alo ização e e alo ização da moeda como modo de «lu a
compe i i a», ci ando como exemplos a e olução mone a is a de Reagan e
Tha che em 1979/1980 (que in e eu a des alo ização do dóla ame icano na
década de 1970), o Aco do de Plaza de 1985 (que e omou a des alo ização do
dóla ) e o «Aco do de Plaza in e ido» de 1995 (que mais uma ez e e eu a
des alo ização).
É in e essan e no a que es e li o an ecedeu a c ise econômica mundial
de 2008, a o que al ez pa ecesse es a p e is o po A ighi. Es a in uição es á
p esen e no ex o, pois ao aze e e ência à c ise de 1930, o Au o aduz que
«esse colapso é a única oco ência, nos úl imos 150 anos, que co esponde
à imagem que B enne az do abalo do sis ema com um odo ou <dep essão
comple a>. Se esse é ealmen e o signi icado da imagem de B enne , de emos
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Gio anni Aghi: Adam Smi h em Pequim: o igens e undamen os do século
xx
conclui que al c ise pa ece e sido uma oco ência excepcional, e não é o
mé odo capi alis a <pad ão> ou <na u al> pa a ecupe a a luc a i idade» e,
na seqüência, indaga «Cabe pe gun a , en ão, se não es a á em o mação um
colapso compa á el, e se essa oco ência é condição ão undamen al pa a a
e i alização da economia global quan o B enne pa ece pensa 2». O Au o ,
ainda na linha compa a i a, obse a que a e ação mais an iga (1873‒1896)
oco eu no meio da úl ima e maio onda de conquis as e i o iais (colonização
do Sul pelo No e), e que a e ação mais ecen e (1976‒1993) se desen ol eu
na opo unidade de maio descolonização da his ó ia mundial ( ambém no con-
ex o do desen ol imen o desigual).
A gênese des a u bulência, ao seu juízo, oi a acumulação excessi a de ca-
pi al em um con ex o mundial de me cado e ol ado com as p á icas come ciais
do Ociden e. Es a insu eição ge ou a p imei a c ise hegemônica dos Es ados
Unidos no im da década de 1960 e início da de 1970. A ação es adunidense
oi compe i , de modo comba i o, pelo capi al no me cado inancei o global e
in ensi ica a co ida a mamen is a con a sua oposi o a, União So ié ica, na
década de 1980. Apesa do êxi o polí ico e econômico, es a pos u a no e‒ame-
icana c iou laços de dependência, cada ez maio es, da iqueza nacional e do
pode dos Es ados Unidos com elação à poupança, ao capi al e ao c édi o de
in es ido es es angei os.
Nes e om, a hegemonia dos Es ados Unidos, a e ada em 1970‒1980, mas
impulsionada com o New Deal, omen ou uma das maio es expansões da his-
ó ia capi alis a, pau ada, de ce a o ma, em lições smi hianas. A saída pa a a
e omada no e‒ame icana (belle époque) se de eu, segundo A ighi, ao key-
nesianismo mili a e social em escala mundial. Pa a explica es a pos u a, o
Au o eco da o enômeno da « inancei ização» da economia não inancei a,
aje ó ia análoga à do capi al b i ânico um século an es, que ambém se aleu
da inancei ização pa a eagi à in ensi icação da conco ência indus ial. Es e
enômeno opo unizou aos Es ados Unidos a possibilidade de de o a a União
So ié ica na Gue a F ia e doma o Sul. As polí icas de Washing on du an e a
Gue a F ia in ensi ica am a conco ência en e os capi alis as, ao acili a em a
a ualização e a expansão da p odução japonesa e da Eu opa ociden al, e o ale-
ce am o papel social da mão de ob a, pelo incen i o à busca do pleno emp ego e
ao consumo em massa. En e an o, al ez já admi indo ou o colapso, elemb a
A ighi a in igan e ase do pe iódico De Bo ge ( inal da belle époque do ca-
pi alismo holandês ‒1778): «se á a úl ima ez e depois de mim o dilú io» pa a
encon a uma linha de con e gência en e as expansões inancei as e belles
époques do capi alismo his ó ico e indica que a p incipal di e ença en e elas
é, po encialmen e, a maio epe cussão de as ado a que o declínio de um Es a-
do hegemônico ge a.
2 Pp. 127‒128.
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Na e cei a pa e, A hegemonia des endada, o Au o se dedica a examina
a a uação dos Es ados Unidos no palco global, no pe íodo em que desempenha
seu papel de Es ado mais pode oso do mundo sem as es ições de ou as g an-
des po ências. A ighi examina, p e acialmen e, o duplo acasso da gue a no
I aque, que em conexão com a denominada «sínd ome do Vie nã». O insuces-
so na Gue a do Vie nã oi, po ce o, o p incipal p opulso pa a as «gue as po
p ocu ação» que a a am os es adunidenses (Nica água, Camboja, Angola,
A eganis ão, apoio ao I aque na gue a con a o I a, G anada, Panamá e Líbia).
Opina o Au o que a de o a inal da União So ié ica não eliminou a «sínd ome
do Vie nã», pois oi es a baseada na capacidade inancei a supe io no e‒ame-
icana e não se de eu à sua o ça mili a . Do mesmo modo, a p imei a Gue a
do Gol o ampouco emediou a aludida «sínd ome», po que Saddam Hussein
não oi depos o do pode . O Au o assinala a sensa a jus i ica i a econômica
pa a a polí ica belicosa es adunidense ao isa que a hegemony b i ânica (que
ambém oi chamada de hegemoney) se di e iu da dominação no e‒ame icana,
pois o capi al es adunidense en en ou a de e io ação da posição compe i i a
das emp esas ianques especializando‒se na in e mediação inancei a global.
Nes e sen ido, os Es ados Unidos não inham um impé io e i o ial (como a
Índia oi pa a a G ã B e anha) do qual podia ex ai ecu sos inancei os e mili-
a es. O pode io mili a no e‒ame icano, po an o, se ia essencial pa a a es a-
bilidade polí ica mundial, o que mo i ou a busca pelo pode e pela cen alidade
da economia polí ica global.
A belle époque no e‒ame icana da década de 1990 e e como base a ideia
de que os Es ados Unidos inham a capacidade de se em esponsá eis pelas
unções globais de me cado de úl imo ecu so e de se em a po ência polí ico‒
mili a indispensá el, além da capacidade e disposição do es o do mundo de
o nece aos Es ados Unidos o capi al de que necessi a am pa a suas in enções.
As « i ó ias» con a o bloco so ié ico, na p imei a Gue a do Gol o, na Gue a
da Iugoslá ia e a eme são da bolha da no a economia es imula am a elação
siné gica en e pode e iqueza no e‒ame icanos, de um lado, e o luxo de ca-
pi al es angei o, de ou o. Nes e con ex o, A ighi apon a que os p i ilégios de
senho iagem es adunidenses se o na am a p incipal on e de inanciamen o das
gue as que eles e am pa ícipes, ou au o es. O capi al es angei o, po an o,
o neciam bens, se iços e ecu sos aos Es ados Unidos em oca de í ulos ian-
ques. Dian e des a conjun u a, ao menciona a des alo ização de 35% do dóla
em elação ao eu o e 24% dian e do iene no im de 2004, o Au o p e ê, mais
uma ez, o colapso inancei o mundial de 2008 ao g a a que «Ao que pa ece,
o <maio calo e da his ó ia> ainda es á po acon ece »3.
A ighi essal a que somen e em 2001 hou e o ompimen o com a década
de 1990, pela eação ao 11 de se emb o e a adoção do P oje o pa a o No o
3 P. 208.
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Gio anni Aghi: Adam Smi h em Pequim: o igens e undamen os do século
xx
Século No e‒Ame icano. O Au o aça uma semelhança en e es e e o «p i-
mei o século no e‒ame icano», que oi e lexo da pax ame icana que e e a
in enção de eagi à G ande Dep essão (1930) e ao su gimen o do ascismo na
Eu opa, unidos ao Pea l Ha bo . Roose el ao exo a os sen imen os ideológi-
cos de nacionalismo, elabo ou uma ideia de impe ialismo, p ome endo o dem,
segu ança e jus iça ao seu po o. Alega que a a en u a mili a i aquiana a i ica
o e o da desas osa Gue a do Vie nã, é dize , que o á imo da o ça ociden al
a ingiu o seu limi e e endeu a implosão. Nes e con ex o, a China apa ece como
no a po ência e pa ece se a encedo a da gue a dos Es ados Unidos con a
o e o . A ocupação do I aque comp ome eu a c edibilidade do pode io mili a
dos Es ados Unidos, eduziu incisi amen e sua cen alidade e sua moeda na
economia polí ica global e p omo eu a China como al e na i a à lide ança ian-
que na Ásia o ien al e em ou as egiões.
Na úl ima pa e, Linhagens da no a e a asiá ica, o Au o se empenha
em aduzi a «ascensão pací ica» econômica chinesa, cen ando sua análise
nas condições his ó icas, sociológica e polí icas. A China inha uma econo-
mia de me cado es abelecida, de manei a obus a, nas cadeias de me cados
locais, uma população nume osa de pequenos a esãos e me cado es i ine an-
es, mo imen adas uas come ciais e cen os u banos. Desen ol e am‒se g an-
des o ganizações come ciais que con ola am edes ex ensas de in e mediá ios
e o necedo es. As melho es opo unidades de desen ol imen o na Ásia o ien-
al se adica am na o la ex e na dos Es ados do sis ema. Es e oi o mo i o da
diáspo a ul ama ina chinesa, que ob e e um luc o exponencial e ap o isionou
um luxo cons an e de ecei a pa a os go e nos locais e de emessas de alo es
pa a as egiões li o âneas da China. A queda do impé io Zheng e a adoção de
uma polí ica in o e ida de Qing esul ou na desmili a ização dos me cado es
chineses e na o e con ação do comé cio en e os países asiá icos a pa i do
inal do século
x iii
. A pa i de en ão, hou e abe u a pa a a inco po ação da
Ásia o ien al à es u u a do sis ema globalizan e ol ado pa a o Reino Unido.
O sis ema de elações in e es a ais da Ásia o ien al se ca ac e izou, po -
an o, po uma dinâmica econômica de longo p azo, que em aízes no século
x iii
e início do século
xix
, (que po sua ez e e como alice ce a o mação do
me cado nacional dos pe íodos Ming e Qing), e que p imou pela in o e são
da lu a pelo pode e ge ou uma combinação de o ças polí icas e econômicas
sem endência à expansão e i o ial «in e miná el». O a a i o pa a o capi al
es angei o, pois, de e‒se a imensa ese a de mão de ob a ba a a e a qualida-
de des a, em e mos de saúde, educação e capacidade de au oge enciamen o,
combinada à expansão ápida das condições de o e a e demanda pa a a mo-
bilização p odu i a. Discu e, nes e sen ido, a ese de Sugiha a de que a densa
compe ição en e os p incipais a o es da Gue a F ia e o esga e do sen imen o
nacionalis a ge a am na Ásia o ien al uma a mos e a geopolí ica p opícia pa a