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Os bairros das crianças: o papel da arquiteta num laboratório urbano de mulheres para promover a participação infantil no Bairro do Lagarteiro

Abstract

O artigo desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento em arquitetura de Elena Parnisari pretende apresentar a metodologia aplicada no estudo de caso, evidenciar o trabalho de cooperação desenvolvido entre diferentes atores de distintas áreas disciplinares e a forte componente feminina que o caracteriza, no sentido de promover bairros mais justos e cuidadosos. Com este trabalho pretende-se investigar se é possível formular políticas urbanas mais inclusivas, a partir da exploração da corresponsabilidade em bairros sociais, ao assumir as crianças como indicadores da desigualdade urbana e como determinantes do desenho urbano inclusivo. Entre janeiro e setembro de 2022 foram desenvolvidos dois laboratórios nos bairros de habitação social Lagarteiro e Contumil, Porto, Portugal, através da implementação de oficinas de diagnóstico urbano. Este artigo apresenta o caso específico do bairro do Lagarteiro com nove atividades realizadas, possíveis graças a uma equipa interdisciplinar exclusivamente feminina de académicas, membros de associações e instituições e amigas que aderiram ao projeto, ofereceram o seu trabalho, disponibilidade e cuidado em torná-lo realidade. O projeto visa o envolvimento e a coparticipação das crianças e das suas mães no desenho urbano e das políticas públicas, a fim de criar espaços mais inclusivos para todos os cidadãos, partindo de uma perspectiva cuidadora do espaço público. Os principais resultados do projeto que se querem evidenciar no artigo são a rede que se criou entre instituições locais, solidificada pela solidariedade feminina ao participar num projeto comum, bem como as respostas obtidas das crianças e a sua consequente emancipação em relação ao tema

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Os bairros das crianças: o papel da arquiteta num laboratório urbano de mulheres para promover a participação infantil no Bairro do Lagarteiro

Author: Parnisari, Elena
Publisher: Editorial Universidad de Sevilla
Year: 2023
DOI: 10.12795/astragalo.2023.i33-34.18
Source: https://idus.us.es/bitstreams/5ff3bd29-f124-46ae-a6d7-150ff5ec4338/download
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ASTRÁGALO. Cul u a de la A qui ec u a y de la Ciudad, 33-34 (2023). ISSNe: 2469-0503
A ibu ion-NonComme cial-Sha eAlike. A icle
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2023.i33-34.18
Recei ed:22-05-2023 | App o ed: 22-08-2023
OS BAIRROS DAS CRIANÇAS. O PAPEL DA ARQUITETA NUM
LABORATÓRIO URBANO DE MULHERES PARA PROMOVER
A PARTICIPAÇÃO INFANTIL NO BAIRRO DO LAGARTEIRO /
CHILDREN’S NEIGHBOURHOODS. THE ARCHITECT’S
ROLE IN A WOMEN’S URBAN LABORATORY TO PROMOTE
CHILDREN’S PARTICIPATION IN THE LAGARTEIRO
NEIGHBOURHOOD / LOS BARRIOS DE LOS NIÑOS. EL
PAPEL DE LA ARQUITECTA EN UN LABORATORIO URBANO
DE MUJERES PARA PROMOVER LA PARTICIPACIÓN DE LOS
NIÑOS EN EL BARRIO DE LAGARTEIRO
Elena Pa nisa i
FAUP – Facul y o A chi ec u e o he Uni e si y o Po o, CEAU - Cen e o S udies
in A chi ec u e and U banism, Po o, Po ugal
elena.pa [email p o ec ed] 0000-0001-6523-7947
RESUMO
O a igo desen ol ido no âmbi o da ese de dou o amen o em a qui e u a de Elena Pa nisa i
p e ende ap esen a a me odologia aplicada no es udo de caso, e idencia o abalho de
coope ação desen ol ido en e di e en es a o es de dis in as á eas disciplina es e a o e
componen e eminina que o ca ac e iza, no sen ido de p omo e bai os mais jus os e cuidadosos.
Com es e abalho p e ende-se in es iga se é possí el o mula polí icas u banas mais inclusi as,
a pa i da explo ação da co esponsabilidade em bai os sociais, ao assumi as c ianças como
indicado es da desigualdade u bana e como de e minan es do desenho u bano inclusi o. En e
janei o e se emb o de 2022 o am desen ol idos dois labo a ó ios nos bai os de habi ação social
Laga ei o e Con umil, Po o, Po ugal, a a és da implemen ação de o icinas de diagnós ico
u bano.Es e a igo ap esen a o caso especí ico do bai o do Laga ei o com no e a i idades
ealizadas, possí eis g aças a uma equipa in e disciplina exclusi amen e eminina de académicas,
memb os de associações e ins i uições e amigas que ade i am ao p oje o, o e ece am o seu
abalho, disponibilidade e cuidado em o ná-lo ealidade.O p oje o isa o en ol imen o e a
copa icipação das c ianças e das suas mães no desenho u bano e das polí icas públicas, a im de
c ia espaços mais inclusi os pa a odos os cidadãos, pa indo de uma pe spec i a cuidado a do
espaço público. Os p incipais esul ados do p oje o que se que em e idencia no a igo são a ede
que se c iou en e ins i uições locais, solidi icada pela solida iedade eminina ao pa icipa num
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQui e a num laBoRa ÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomo eR…
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p oje o comum, bem como as espos as ob idas das c ianças e a sua consequen e emancipação em
elação ao ema.
Pala as-cha e: a qui e u a social, cidades amigas das c ianças, labo a ó io u bano, pa icipação, equi-
pa eminina.
ABSTRACT
The a icle de eloped wi hin he amewo k o Elena Pa nisa i’s doc o al hesis in a chi ec u e aims
o p esen he me hodology applied in he case s udy, o highligh he coope a ion wo k de eloped
be ween di e en ac o s om di e se disciplina y a eas and he solid emale componen ha
cha ac e ises i in o de o p omo e ai e and mo e ca ing neighbou hoods. This wo k in es iga es
whe he i is possible o o mula e mo e inclusi e u ban policies based on explo ing co- esponsibili y
in social housing neighbou hoods by assuming child en as indica o s o u ban inequali y and as
de e minan s o inclusi e u ban design. Be ween Janua y and Sep embe 2022, wo labo a o ies
we e de eloped in he social housing neighbou hoods Laga ei o and Con umil, Po o, Po ugal, by
implemen ing u ban diagnos ic wo kshops. This pape p esen s he case o he Laga ei o
neighbou hood wi h nine ac i i ies made possible by an all- emale in e disciplina y eam o
academics, membe s o associa ions and ins i u ions and iends who joined he p ojec , o e ing
hei wo k, a ailabili y and ca e o make i a eali y. The p ojec aims o in ol e and co-pa icipa e
child en and hei mo he s in u ban design and public policies o c ea e mo e inclusi e spaces o
all ci izens, s a ing om a ca ing pe spec i e o public space. The p ojec ’s main esul s highligh ed
in he a icle a e he ne wo k c ea ed be ween local ins i u ions, solidi ied by emale solida i y
when pa icipa ing in a common p ojec , and he esponses ob ained om child en and hei
consequen emancipa ion wi h he opic.
Keywo ds: social a chi ec u e, child- iendly ci ies, u ban labo a o y, pa icipa ion, women’s eam.
RESUMEN
El a ículo desa ollado en el ma co de la esis doc o al en a qui ec u a de Elena Pa nisa i iene
como obje i o p esen a la me odología aplicada en el es udio de caso, des aca el abajo de
coope ación desa ollado en e di e en es ac o es de dis in os ámbi os disciplina es y el ue e
componen e emenino que lo ca ac e iza, con el in de p omo e ba ios más jus os y cuidadosos.
Es e abajo p e ende in es iga si es posible o mula polí icas u banas más inclusi as, basadas en
la explo ación de la co esponsabilidad en los ba ios sociales, asumiendo a los niños como
indicado es de la desigualdad u bana y como de e minan es del diseño u bano inclusi o. En e
ene o y sep iemb e de 2022 se desa olla on dos labo a o ios en los ba ios de i iendas social
Laga ei o y Con umil, en Opo o, Po ugal, a a és de la ealización de alle es de diagnós ico
u bano. Es e a ículo p esen a el caso especí ico del ba io de Laga ei o, con nue e ac i idades
ealizadas, que ue on posibles g acias a un equipo in e disciplina exclusi amen e emenino de
académicas, miemb os de asociaciones e ins i uciones y amigas que se suma on al p oyec o,
o ecie on su abajo, disponibilidad y a ención pa a hace lo ealidad. El p oyec o iene como
obje i o la implicación y copa icipación de los niños y sus mad es en el diseño u bano y las polí icas
públicas, con el in de c ea espacios más inclusi os pa a odos los ciudadanos, pa iendo de una
elena pa nisa i
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pe spec i a cuidado a del espacio público. Los p incipales esul ados del p oyec o que se quie en
des aca en el a ículo son la ed que se ha c eado en e ins i uciones locales, solidi icada po la
solida idad emenina al pa icipa en un p oyec o común, así como las espues as ob enidas de los
niños y su consiguien e emancipación en elación con el ema.
Palab as cla e: a qui ec u a social, ciudades amigas de la in ancia, labo a o io u bano, pa icipación,
equipo de muje es.
1. INTRODUÇÃO
O espaço publico das cidades con empo âneas é de inido pela agmen ação social, polí ica e a qui-
e ónica ligado a um p ocesso de p i a ização (Mela 2014).A cidade o nou-se p og essi amen e
um luga mais agmen ado e socialmen e hie a quizado, os espaços abe os pe de am iden idade,
solida iedade, segu ança e elação com os seus habi an es (Se illa e al. 2021), o nando-se
ambien es ágeis. Lea e no one behind é o comp omisso de odos os Es ados Memb os da ONU e
o ema cen al da Agenda 2030 pa a os Obje i os de Desen ol imen o Sus en á el, pa a eduzi
as desigualdades e ulne abilidades da humanidade. Po conseguin e, a in es igação pa e des es
obje i os como mo i ação e cen a-se no obje i o núme o 10 - eduzi as desigualdades (Uni ed
Na ions), azendo eco sob e como o na as cidades mais habi á eis e sus en á eis (Gehl 2010). A
cidade es á em es ado de eme gência, o espaço u bano o nou-se um luga al amen e especializado
onde os g upos mino i á ios são os mais a e ados pelas desigualdades sócio espaciais: as c ianças e
os seus cuidado es, os idosos, os de icien es e as mulhe es (Tonucci 1996). A dis ância ísica en e
as casas, os locais de abalho e os comé cios o na as deslocações das mulhe es com c ianças e
dos idosos ainda mais longas e, po isso, menos expe ienciá el ou mais di icilmen e pe co í el
(Boys e al. 1984, 47). No espaço u bano em que i emos udo é concebido pa a se i o modelo
and ocên ico (Valdi ia 2018). É, po an o, necessá io e e o desenho u bano dos luga es onde
acon ecem as a i idades humanas quo idianas, conhece o con ex o geog á ico e his ó ico es-
pecí ico a comp eende as condições a uais de u banidade onde os cidadãos i em.
As cidades, nas úl imas décadas, abandona am as suas ca ac e ís icas o iginais de luga de
encon o, de oca, de in e ação, de a i idade li e e de pa ilha pa a se o na em um luga de
sepa ação, de consumo, de seg egação e de especialização (Pu cell 2014, 151). O pa âme o do
cidadão é masculino, adul o e abalhado , azendo desapa ece odas as ou as ca ego ias que
ica am escondidas em casa ou em locais especializados c iados especi icamen e pa a elas (Tonucci
1996). O isolamen o de que mui as mulhe es são í imas, ao assumi em o abalho domés ico e o
cuidado dos ilhos, não é necessa iamen e ali iado pela me a p oximidade de ou as mulhe es na
mesma posição (Boys e al. 1984, 45-46) e é sublinhado ainda mais pela al a de al e na i as ao
abalho soli á io que se e le e na i ência do espaço público de o ma es i a.
O planeamen o u bano em uma impo ância undamen al na ida das pessoas, de e minando
a con igu ação dos espaços que cons i uem o supo e ísico dos usos sociais (Ciocole o 2014, 13-14).
A pe spec i a de géne o pode ede ini o u banismo, al como se ma e ializa na sociedade capi alis a
a ual, de manei a que os espaços e as a i idades elacionadas com a p odução do espaço u bano
possam conside a o cuidado e adop a o mas de in e enção mais inclusi as (Beebeejaun 2016).
A conceção u bana dos luga es em um impac o explíci o no c escimen o e na ida diá ia
das c ianças de di e sas comunidades que desconhecem o seu di ei o a pa icipa a i amen e nos
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQui e a num laBoRa ÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomo eR…
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p oje os (Bishop, Co ke y 2017), e, dessa o ma, con ibui com as suas p óp ias ideias pa a es a
mudança de pa adigma. As c ianças são excluídas de p og amas e de o mulações u banas especí icas
no âmbi o das polí icas públicas, uma ez que não ge am endimen os no me cado de abalho
e, po an o, não são conside adas na omada de decisões (UNICEF 2019).Uma cidade amiga das
c ianças, onde o domínio u bano de e liga e acomoda as suas necessidades, é econhecida como
uma necessidade, mas ainda es á mui o longe de se acei e po adminis ado es de polí icas u banas
e planeado es de p oje os u banos (S i as a a e Echano e 2017).
A cidadania e a pa icipação das c ianças são emas impo an es na polí ica social con-
empo ânea a ní el eu opeu sob e udo na Agenda 2030, já e e ida, e no New Eu opean Bauhaus,
bem como nos deba es cien í icos a pa i da década de 1960 com Lady Allen o Hu wood e Colin
Wa d a é o mais ecen e Tim Gill (Gill 2021). Os di ei os das c ianças eme gi am g adualmen e
como e e ências pa a mui as na a i as polí icas nacionais, egionais ou locais, após a Con enção
das Nações Unidas sob e os Di ei os da C iança (CRC), ado ada em 1989. Es e documen o e idencia
a impo ância de conside a as c ianças como a o es a i os e compe en es nas elações sociais, in-
eg ando as suas p óp ias pe spec i as na in es igação, enquan o se es independen es dos adul os.
Apesa dos p essupos os e das in es igações que sus en am es as eo ias, uma agenda pa icipa i a
com as c ianças es á longe de se o almen e implemen ada em odos os ambien es ins i ucionais,
con ex os sociais ou p ocessos polí icos (Sinclai 2004). Embo a o mo imen o das Cidades Amigas
das C ianças1 enha en ol ido académicos e enha sido de endido pelas câma as municipais, em ido
pouca in luência na conceção e planeamen o das agendas de abalho no caso especí ico de Po ugal
e, de um modo mais ge al, na Eu opa do Sul, á ea geog á ica de análise em que es a in es igação se
cen a. Con udo, a in es igação em cu so em como obje i o p o a que ou i as c ianças e pe mi i
a sua pa icipação em momen os de decisão, enco ajando o ganizações e emp esas a p omo e um
domínio público mais amigá el, é o caminho pa a uma sociedade mais jus a.
2. ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS?
As c ianças, pe dendo as cidades, pe de am a possibilidade de expe iências necessá ias ao seu
co e o desen ol imen o, como o jogo, a explo ação, a a en u a. As cidades, pe dendo as c ianças,
pe de am a segu ança, a solida iedade, o con olo social (Tonucci 1996). A ualmen e, pa ece que os
pais não deixam mais os seus ilhos b inca no espaço público e in e agi com ou as pessoas, e esse
medo da ua e e o igem em casa, na ele isão. A c iança desloca-se da amília pa a a escola e daqui
pa a as inúme as a i idades de o mação complemen a , dependen es e igiadas sob o con ole dos
adul os (Sa men o, Fe nandes, Tomás 2007).
O sen ido de comunidade es á a desapa ece apidamen e. A insegu ança eal e pe cebida
es inge a p esença de meno es a luga es ins i ucionalizados, concebidos especialmen e pa a eles.
Es a o ma de não in eg ação nega a unção educa i a da cidade, como um luga de ap op iação e
pe ença. No en an o, o sen imen o de p oximidade en e cidadãos e as ações li es das c ianças
1 Cidades Amigas das C ianças é uma inicia i a, pa ce ia e pla a o ma de en ol imen o lide ada pela UNICEF que apoia as
cidades e os go e nos municipais na conc e ização dos di ei os das c ianças a ní el local. É ambém uma ede que eúne o -
ganizações da sociedade ci il, o sec o p i ado, academias, os meios de comunicação social e as p óp ias c ianças que desejam
o na as suas cidades e comunidades mais amigas das c ianças. A inicia i a oi lançada em 1996 e expandiu-se a ní el mundial.
elena pa nisa i
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podem se encon adas den o da unidade do bai o, en endida como uma célula de análise que
pode se eplicada pa a oda a cidade.
Apesa das es ições impos as no que espei a à u ilização do espaço público e da exis ência
de locais especialmen e dedicados às c ianças, es as podem se agen es pode osos na conceção e im-
plemen ação de melho es ambien es u banos (A up 2017, 12). Mas como podemos o na e icazes
as ozes das c ianças no seu di ei o u bano, a a és da pa icipação em p á icas de conceção e
planeamen o?Ao conside a as c ianças como indicado es da desigualdade u bana e como de e -
minan es de um desenho u bano inclusi o, a in es igação p e ende demons a como elas podem
o na -se elemen os públicos de ligação e p oduzi o ien ações pa a o mula polí icas de longo
alcance, ao explo a a sua co esponsabilidade nas comunidades u banas. Assim, as c ianças são
conside adas como o elemen o-cha e de um modelo de e minado a es abelece ligações mais
empá icas e signi ica i as en e o ambien e cons uído e os elemen os da izinhança.A cidade que
i emos é a ma e ialização e i o ial de um modelo social e economicamen e injus o (Valdi ia
2018), pelo que uma mudança es u u al de pa adigma é essencial pa a e mina com as cli agens
ou eduzi as desigualdades sociais e económicas.
Es e no o pa adigma u bano pode econhece -se na cidade cuidado a, pensando em cidades
que cuidam de nós, que cuidam do nosso ambien e, que nos pe mi em cuida de nós p óp ios e
que nos pe mi em cuida dos ou os (Valdi ia 2018). A cidade cuidado a a o ece a au onomia das
pessoas e pe mi e concilia as di e en es es e as da ida quo idiana. Os cuidados en ol em não só
elações in e pessoais mas ambém elações en e pessoas e luga es (Milligan and Wiles 2010) e
nes e caso en e as c ianças e os luga es i idos po elas.
Pa a uma comp eensão dialé ica e uni á ia, a in es igação p e ende analisa a expe iência
das c ianças a a és de labo a ó ios, ao sis ema iza um conjun o de e amen as u banas como
ins umen o de a aliação da pa icipação in an il, pa a o na o conhecimen o ope acional, e-
p odu í el e adap á el em di e en es con ex os. Uma e amen a abe a pa a es imula as c ianças
como cidadãos, u ilizado es e c iado es, com o obje i o de pa icipa do planeamen o da cidade.
A ino ação da in es igação em cu so deco e da sua de e minação em iabiliza o conhecimen o
a a és do es udo de caso, desen ol ido sob e expe iências me odológicas consolidadas, podendo
se ope acionalizado e poli izado.Os esul ados des a expe iência isam exo a os u banis as, a -
qui e os e designe s a edimensiona e e-imagina luga es a pa i de uma pe spec i a di e en e.
Ao inclui a pe spec i a das c ianças em p og amas e o mulações de polí icas especí icas, bene-
icia ia a saúde, o bem-es a , a economia local, a segu ança, a na u eza, a sus en abilidade e a e-
siliência (Unesco 2022).A p omoção de bai os equi a i os, inclusi os e cuidado es, a a és de um
desenho u bano pa icipa i o pe mi e aos esiden es coc ia al e na i as em con ex os de exclusão
social. Ao azê-lo, o na-os inclusi os pa a odos.
3. O LABORATÓRIO
Es e abalho az pa e da in es igação de dou o amen o em a qui e u a desen ol ida na
Faculdade de A qui ec u a da Uni e sidade do Po o (FAUP), desde 2020, po Elena Pa nisa i
“Sea ching o equi able, inclusi e and ca ing u ban neighbou hoods: measu ing child en’s igh
o he ci y h ough u ban design. An u ban labo a o y in Con umil and Laga ei o social housing”.
O es udo de caso oi desen ol ido no Po o, como um labo a ó io de ideias e expe imen ação

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ealizado em pa alelo ao acompanhamen o e desen ol imen o de ou os p oje os omados como
exemplos me odológicos, que do pon o de is a da análise e es udo da me odologia aplicada
pelas ins i uições, que ao ní el do es ágio, es ando assim en ol ida numa pequena pa e des es
p ocessos, de o ma a pe cebe exaus i amen e como uncionam es as dinâmicas, sob e udo
polí icas, cons uindo um olha c í ico sob e o modo como p oje os semelhan es podem e e-
i amen e o na -se ealidade, iden i icando di iculdades e limi ações. Não se a a de o na
o p oje o de ese abs a o, mas sim de o nece uma base cien í ica, polí ica e quali a i a pa a
aqueles que desejem u iliza es as expe iências como pon o de pa ida pa a uma e lexão que
p ocu a conc e iza uma ação de mudança.
O labo a ó io u bano pe mi e analisa a expe iência das c ianças a a és de wo kshops-pilo o
desen ol idos no bai o do Laga ei o, um bai o cama á io da eguesia de Campanhã, Po o,
Po ugal, com c ianças do ensino básico (5-10 anos). O g upo de abalho in eg a a ce ca de 50
c ianças de di e sas o igens é nicas e pa en ais, a equen a di e en es associações em a i idades
pós-escola es. Es es wo kshops isa am alida a eo ia e a p á ica do ema de es udo, desen-
ol endo a i idades de diagnós ico u bano pa a analisa a al a de inclusão das polí icas públicas
no con ex o u bano do bai o social e p omo e a pa icipação das c ianças no planeamen o dessas
polí icas. As a i idades que o am implemen adas a a és da pa icipação di e a e coope ação en e
á ias associações que abalham no e i ó io com a comunidade al o, e que p ocu am assegu a
um abalho si uado e cen ado no espaço público dos bai os, pois, pa a além dos obje i os da
in es igação académica p e ende-se mapea e ga an i um diálogo di e o en e as associações que
ainda hesi am em abalha em conjun o, a im de c ia ínculos.
De ac o, um dos pon os o es pa a o sucesso de ais p oje os é p ecisamen e a coope ação e a
coesão en e os á ios a o es que in e êm no mesmo e i ó io, que, no caso especí ico po uguês, é
mui o agmen ado e indi idualis a. De ac o, o p oje o das o icinas u banas no bai o do Laga ei o
pe mi iu, pela p imei a ez, a união das á ias associações que abalham no mesmo e i ó io, as
quais no malmen e desen ol em p og amas independen es umas das ou as e nunca êm qualque
pon o de encon o pa a a i idades ou es as especí icas.
A au o a e e de c ia uma ede de apoio no bai o, c iando ligações com as associações
p esen es, a im de pode ealmen e abalha com as c ianças, ecendo uma elação p o issional e
de amizade com as p incipais ep esen an es. As a i idades o am desen ol idas com os seguin es
pa cei os: Associação Equipa de Rua O ien al da No e Vida, P oje o Ce ca - e no Laga ei o-E8G
P og ama Escolhas, Espaço T - Associação pa a o Apoio à In eg ação Social e Comuni á ia, P oje o
das Gale ias Comuni á ias, Ação Educa i a do Cen o Social do Laga ei o - Ob a Diocesana de
P omoção Social, Se iço Educa i o da Casa da A qui ec u a.
Ao longo de no e meses, en e janei o e se emb o de 2022, o am ealizados se e wo kshops
no bai o, uma a i idade no Se iço Educa i o da Casa da A qui ec u a em Ma osinhos e uma es a/
exposição inal no bai o, semp e com o mesmo g upo de ce ca de 50 c ianças e semp e com o
abalho conjun o de odas as associações.
Os labo a ó ios p ocu a am p omo e o pensamen o c í ico nas c ianças como o ma de
p o oca a mudança. Aqueles que se iam adicionalmen e conside ados como a população-al o do
p oje o são, na ealidade, os seus coau o es (Lei e e al. 2019). O obje i o do p oje o não oi p é-
-de inido, mas sim coc iado pelas c ianças em in e ação, e a me odologia desen ol eu-se du an e o
p ocesso, dependendo dos esul ados de cada a i idade e da aquisição das compe ências necessá ias
pa a a ingi o obje i o desejado.
elena pa nisa i
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Um pon o-cha e do labo a ó io oi a cons ução de elações de con iança com as c ianças e as
mães delas. As mães não o am con ac adas di e amen e pela au o a, mas as associações locais un-
ciona am como uma pon e de comunicação, pa a acili a e acele a o con ac o a a és de um canal
de con iança já ins i ucionalizado. As ep esen an es das associações con ac a am pessoalmen e
as mães das c ianças que equen a am as ins alações, explica am o p oje o e as a i idades que se
desen ola iam ao longo dos meses, e assim pedi am a con i mação da pa icipação dos p óp ios
ilhos nas da as p e iamen e anunciadas. As mães que iam busca os seus ilhos às ins alações
ecebiam ambém um olhe o com um b e e p og ama dos labo a ó ios a desen ol e e os con a os
da au o a, pa a que, em caso de dú ida ou de que e em sabe mais sob e o ema, pudessem con-
ac á-la di e amen e.
De ac o, as mães acei a am que as c ianças pa icipassem nes as a i idades, mesmo que es-
i essem o a do âmbi o emá ico das a i idades p opos as pelas associações. Também acei a am
que se izesse um egis o o og á ico, ídeo e áudio dos seus ilhos, os quais depois se o e ece am
pa a mos a os seus p óp ios abalhos e pa a se em en e is ados. As p óp ias mães disponibi-
liza am-se pa a en e is as, pa a que a au o a pudesse ou i os di e en es pon os de is a sob e a
u ilização do espaço, a libe dade de u ilização, as ca ências e os pon os o es, econhecidos an o
Fig.1. Na penúl ima a i idade do labo a ó io, as c ianças o am ilmadas e o og a adas de cima po um d one
enquan o se desloca am pelo bai o e aziam desenhos à escala dos p og amas/in aes u u as que gos a iam de e
ealizados e que su gi am na p imei a a i idade em que lhes oi pe gun ado o que gos a iam de e no seu bai o.
Bai o do Laga ei o. Fo o de La issa Ribei o Cunha, agos o de 2022.
os BaiRRos das cRianças. o papel da aRQui e a num laBoRa ÓRio uRBano de mulheRes paRa pRomo eR…
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pelas c ianças como pelas mães, sabendo que es as úl imas endem a exe ce uma ação con olado a
e p o e o a em elação aos ilhos, limi ando a sua libe dade de explo ação. Assim, p ocu ou-se
comp eende quais são as necessidades da c iança e da mãe num mesmo e i ó io, quais são os
pon os o es alo izados po uma e po ou a, bem como os pon os acos iden i icados, e como
es a pe cepção di e e.
4. A METODOLOGIA
A in es igação de dou o amen o é ealizada com base na me odologia in es igação-ação pa i-
cipa i a, ou seja, uma me odologia p á ica que se baseia na expe iência, no aze e no c ia pa a
ap ende . A me odologia, que é u ilizada que na e isão da li e a u a, que no enquad amen o do
ema, que na escolha dos es udos que se em de e e ência e supo e à ese, é ambém u ilizada
no desen ol imen o do es udo de caso p á ico e, po an o, na ealização do labo a ó io u bano.
O plano de abalho incluiu a ealização de a i idades de campo com o obje i o de jus i ica a
eo ia e, consequen emen e, a bibliog a ia u ilizada como e e ência pa a o ema da ese a a és
de ações p á icas e da implemen ação de a i idades de diagnós ico u bano com a comunidade
al o, desen ol endo ao mesmo empo, uma e amen a de análise eu ilizá el e eplicá el nou os
con ex os u banos semelhan es no Sul da Eu opa. Es a ipologia é especí ica ao con ex o, endo
em con a as condições e os conhecimen os locais (Pain 2004). Os indi íduos, que são o oco do
es udo pa icipam como memb os da equipa de in es igação em odas as a i idades sendo, po
conseguin e, in es igados e in es igado es. Es e mé odo oi desen ol ido analisando e eunindo
me odologias já es adas e aplicadas, que a au o a encon ou em ambien es de abalho an e io es
à sua expe iência académica, na bibliog a ia de e e ência e em expe iências em que pa icipou
nou os países do Sul da Eu opa, o a de Po ugal, em ins i uições que abalham pelo di ei o das
c ianças à cidade e que p omo em p oje os já há á ios anos. A in es igação se desen ol e com base
na in e p e ação, a a és da iden i icação do p oblema den o de um con ex o social, da ecolha de
dados elacionados com o p oblema, da análise e signi icado dos dados ecolhidos, da iden i icação
de possí eis soluções e da ação p op iamen e di a (Koe ich e al. 2009).
Es a expe iência p e ende se i como modelo, do qual se podem e i a ensinamen os
sob e como ealiza uma análise semelhan e em con ex os semelhan es, pe cebe o que pode se
melho ado nessa análise e como u iliza os dados ecolhidos. É uma me odologia que, no sen ido
mais comum, pode ia se aduzida pelo e mo mais conhecido de lea ning by doing, conside ando
que a a és da expe imen ação se delineia mais especi icamen e a hipó ese da ese e os con-
sequen es esul ados, num p ocesso de co-pa icipação e co-ideação.
A abo dagem me odológica começou, p imei amen e, po ganha a con iança das c ianças,
a a és de uma pe cepção inicial ab angen e da ida pública no bai o, a é alcança uma escala mais
es ei a e ín ima de elações in e pessoais em locais públicos especí icos: na ação de expe iências
espaciais e planeamen o c í ico. As a i idades o am planeadas com a dupla unção de p omo e
a análise e a ecolha de dados pa a a in es igação e, ao mesmo empo, o nece e amen as de
e lexão e consciencialização às c ianças, in oduzindo pe spec i as de pensamen o e pe cepção
que e am no as pa a elas. O obje i o inicial des es wo kshops oi comp eende melho quais são as
qualidades e aquezas de um de e minado espaço público pa a uma de e minada u ilização, e como
melho a os p og amas e se iços nele exis en es, a pa i da pe spec i a das c ianças.
elena pa nisa i
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A e apa inal des e labo a ó io co espondeu a uma a aliação in e na e pública, a a és de uma
exposição nos bai os, de esul ados e impac os, com o obje i o de sis ema iza um conjun o de e -
amen as de análise e lei u a u bana como ins umen o de a aliação da pa icipação in an il, pa a
o na o conhecimen o ope acional, ep odu í el e adap á el em di e en es con ex os.
Ao longo das a i idades no bai o, ou imos e comp eendemos o espaço a a és dos olhos das
c ianças pa a cons ui mos o conhecimen o em conjun o. Obse ámos e egis ámos a socialização
e a cul u a das c ianças: a elação en e a ida quo idiana das c ianças e a escala do bai o.Es a
e amen a de on e abe a p e endia da às c ianças, enquan o cidadãos, u ilizado es e c iado es,
o pode de pa icipa no p ocesso de cons ução de cidades, à medida que se o nam conscien es da
u ilização que azem dos luga es e dos seus di ei os como cidadãos.
5. AS ATIVIDADES DO LABORATÓRIO URBANO
O desen ol imen o dos labo a ó ios ca ac e izou-se pela sucessão e equen emen e sob eposição
de á ios mé odos de análise e de b incadei as com as c ianças (lea ning by playing): obse a ,
desenha , mapea , o og a a , caminha , s o y elling, ilma , explo a , c ia , esc e e , esponde ,
pe gun a . Fo am u ilizadas e amen as de diálogo com as c ianças a a és do mapeamen o
cole i o, da cons ução de mapas de econhecimen o do e i ó io, e da ealização de a i idades
pa icipa i as e colabo a i as.Os labo a ó ios segui am-se com o desen ol imen o de a i idades
num sen ido lógico e de c escimen o, que isa am c ia uma na a i a pa a desc e e o uso que as
c ianças azem do espaço público do bai o.
Inicialmen e, oi essencial c ia laços en e as p óp ias c ianças - algumas das quais não se
conheciam de ido ao ac o de equen a em di e en es u mas na escola, di e en es associações
e i e em em di e en es blocos - e des as com as p omo o as do p oje o. O obje i o e a conhece ,
con ia e começa em conjun o um no o caminho de descobe a.
As a i idades que se ealiza am no bai o, algumas i e am luga no in e io do pa ilhão gim-
nodespo i o do Laga ei o, onde e a necessá io es a unido e abalha em conjun o, ou as nos
espaços públicos ex e io es do bai o, onde se ealiza am a i idades com as c ianças di ididas em
g upos. Cada a i idade con ou semp e com a p esença do g upo habi ual de ce ca de 50 c ianças,
pelo menos uma ep esen an e po associação pa a ajuda na dinâmica e uma esponsá el pelo
egis o o og á ico. As a i idades i e am semp e luga no ho á io pós-escola com uma du ação
de duas ho as.
As a i idades deco e am de aco do com a seguin e o dem me odológica:
1. Gos o, não gos o, gos a ia: iden i icação dos espaços públicos do bai o (pa ilhão
gimnodespo i o);
2. Reconhece o meu bai o: mapeamen o e le an amen o senso ial (pa ilhão
gimnodespo i o);
3. Caminhada explo a ó ia: caminha pelos sí ios que gos o e não gos o no bai o (espaços
públicos ex e io es);
4. Sai do bai o: conhece as pe spec i as dos di e en es espaços públicos em um museu de
a qui e u a (Casa da A qui ec u a);
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7. CONCLUSÃO
Em conclusão, os esul ados aqui ap esen ados são e lexões emb ioná ias de um p ocesso de
abalho em p og esso que esul a da expe iência des es labo a ó ios, p ocu ando jus i ica a
eo ia a a és da p á ica. O obje i o oi, po an o, p ocu a soluções pa a a al a de inclusão das
polí icas públicas e do planeamen o u bano no con ex o do bai o de habi ação social que ossem
co-concebidas a a és da cul u a da escu a, p omo endo espaços de ci cuns âncias si uadas,
ealçando a ligação en e a a i idade lúdica e o p oje o espacial. Es a explo ação pe mi iu a ação, de-
endendo a a és da demons ação que os in es igados de em se en ol idos no p ocesso de o ma
a i a: onde os dados, p o enien es de uma eo ia en aizada, são alidados pela p óp ia ação p á ica.
O que se essal a é que a unidade de análise escolhida - o bai o de habi ação social - é um
mic ocosmo de ações e elações onde ainda subsis em expe iências de ida comuni á ia e pa i-
cipa i a, e é po isso que es a célula u bana oi escolhida como elemen o de análise sob e a qual
cen a a in es igação, não só especi icamen e no Po o, mas nos bai os sociais do con ex o do
sul da Eu opa. Se es e ipo pa icula de análise osse p oduzida num con ex o u bano maio (a
cidade) e ia p oduzido esul ados mui o agmen ados, amplos e abe os, menos concen ados e
sem conexão en e as pa es en ol idas. Po an o, não só a dimensão do bai o social pe mi iu uma
análise mui o especí ica, mas, ao mesmo empo, su gi am dados sob e a ida co idiana e o uso do
espaço da izinhança, que se ca ac e izam po um o e componen e de con ole mú uo en e os
á ios habi an es, o que se aduz na libe dade das c ianças de usa os espaços com mais segu ança,
ao con á io dos bai os da cidade, ca ac e izados po um maio luxo de pessoas e in aes u u as,
que, po essa azão, são mais desconec ados na expe iência diá ia do indi íduo.
As c ianças dos bai os alo izam os espaços que u ilizam e es ão conscien es do ambien e
p o egido em que se encon am, enquan o enume am as suas de iciências e demons am on ade
de aze pa e dos p ocessos de omada de decisão pa a melho a os seus espaços e unções. O io
condu o de odas es as a i idades pa icipa i as oi a dimensão lúdica do espaço, en endida como
au onomia de mo imen o na dimensão u bana a a és do jogo, onde es e úl imo assume um alo
polí ico: o exe cício da libe dade.
Enquan o a qui e a e u banis a, Elena Pa nisa i desen ol eu es e p oje o com uma abo dagem
holís ica ao bai o, a uando como mediado a en e o olha das c ianças e a lei u a u bana, a a és
de uma componen e de olun a iado a i o e de p esença no e eno. Recolheu in o mações di-
e amen e jun o dos pa icipan es, explo ando as expe iências de in ância e de c escimen o nes es
bai os sociais e ealizando um mapeamen o ins i ucional das escolas, associações, p o esso es e
pais. Os esul ados u u os des a in es igação isam exo a u banis as, a qui e os, designe s e
deciso es polí icos a edimensiona e e-imagina os luga es a pa i de uma pe spe i a di e en e
seguindo uma me odologia que se unda em p incípios de c iação cole i a: pa icipação a i a,
e lexão e ação, comp omisso, pa ilha de esponsabilidades, escu a e isão do odo.
AGRADECIMENTOS
Es e abalho oi apoiado pela Fundação Po uguesa pa a a Ciência e Tecnologia (FCT) a a és da
bolsa de in es igação indi idual 2021.06908.BD

elena pa nisa i
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2023.i33-34.18 369
Ag adece-se a odas as mulhe es que con ibuí am pa a es e abalho coope a i o de janei o a
se emb o de 2022, o desen ol imen o da ese, a ealização do es udo de caso do labo a ó io u bano
e a edação do p esen e a igo.
As o ien ado as de ese: Te esa Calix da Faculdade de A qui e u a da Uni e sidade do Po o,
Ma a Labas ida da Escola de A qui e u a A e e Design da Uni e sidade do Minho, Lo ena Bello
Gómez da Ha a d Uni e si y;
A associação Equipa de Rua O ien al da No e Vida: Rosa Viei a coo denado a e écnica de
se iço social, Cá ia Jesus psicóloga, Liliana Oli ei a animado a, So ia Rod igues es agiá ia;
O p oje o Ce ca - e no Laga ei o-E8G P og ama Escolhas e a associação Espaço T-Associação
pa a o Apoio à In eg ação Social e Comuni á ia: Sand a Hen iques coo denado a, Joana Ribei o
écnica e uncioná ia, E a Mo ei a dinamizado a comuni á ia;
A Ação Educa i a do Cen o Social do Laga ei o-Ob a Diocesana de P omoção Social: Isabel
Viei a di e o a, C is ina Figuei edo auxilia , Paula Mesqui a e Ângela Dias educado as sociais;
O p oje o das Gale ias Comuni á ias: Ca a ina Oli ei a dinamizado a;
O se iço Educa i o da Casa da A qui ec u a: Filipa Godinho coo denado a, Ines Riesenbe ge
ges o a, Ri a Al es assis en e-moni o a;
Amigas e colegas: La issa Ribei o Cunha esponsá el pelo egis o o og á ico de odas as
a i idades ealizadas, Ca a ina Sil a e Olga Wa dega esponsá eis do egis o a a és da g a ação e
edição de ídeo.
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BREVE CV
Elena Pa nisa i (I ália, 1992) é a qui e a e u banis a, dou o anda em a qui e u a. Licenciada em
A qui e u a pelo Poli ecnico di Milano (2015), Mes e em Planeamen o e P ojec o U bano pelas
Faculdade de Engenha ia e de A qui e u a da Uni e sidade do Po o (2017), Dou o anda no
P og ama de Dou o amen o em A qui e u a na linha de Dinâmicas e Fo mas U banas (2020), e
elena pa nisa i
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2023.i33-34.18 371
in es igado a do g upo Mo ologias Dinâmicas do Te i ó io no Cen o de Es udos em A qui e u a
e U banismo (2021).
Com a sua in es igação de dou o amen o p e ende in es iga se é possí el o mula polí icas
u banas mais inclusi as, pa indo da explo ação da co esponsabilidade em bai os sociais,
assumindo as c ianças como indicado es da desigualdade u bana e como de e minan es do desenho
u bano inclusi o.Medi o di ei o das c iançasà cidade po meio do desenho u bano a a és de la-
bo a ó ios pa icipa i os.
Na sua ca ei a em colabo ado em p oje os de escala u bana, a qui e ónica e social p inci-
palmen e no Sul Global, econhecendo semp e a impo ância das comunidades em p ocessos
pa icipa i os.