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RESUMEN
El ac o de dibuja puede se una he amien a de
in e p e ación y lec u a que pe mi e la in eg a-
ción y o ganización de in o mación y expe ien-
cias, lo que con igu a un ac o polí ico. Si el dibujo
se basa en la obse ación y aba ca cues iones de
memo ia, conocimien o, sen idos y pe cepcio-
nes, in ención y acción, ¿cómo se acia ía el di-
bujo de su es e a polí ica y de su dimensión cí ica
y cuáles se ían las consecuencias de es e acia-
mien o? Buscando esponde a es as p egun as,
la cons ucción de es e ex o pe mi ió un camino
in es iga i o, como me odología p oyec ual ade-
cuada a las nue as exigencias que ae la con em-
po aneidad, cap u ada po la me can ilización
de espacios, planes y sueños y po la agmen a-
ción de la memo ia. La cues ión esencial del di-
bujo se econoce aquí como on ológica, y el ac o
de dibuja co esponde a la ep esen ación de las
di e en es o mas de se y habi a la Tie a.
A DESATOMIZAÇÃO DO DESENHAR: A MEMÓRIA,
UM CAMINHAR PARA O MUNDO REAL
Fonseca de Almeida, Maisa1; Gonçal es Guazzelli, Ba ba a2;
Ma ques B aga, Paula3
Uni e sidade de São Paulo, Ins i u o de A qui e u a e U banismo, São Ca los, B asil
1. maisa[email p o ec ed], 2. ba ba a.gua[email p o ec ed], 3. paula.b [email protected]
ASTRAGALO, 27 (2020)
A ibu ion-NonComme cial-Sha eAlike - CC BY-NC-SA
In oduc ion o he issue, ISSN 2469-0503
ASTRÁGALO. Cul u a de la A qui ec u a y de la Ciudad, 30 (2022). ISSNe: 2469-0503
A ibu ion-NonComme cial-Sha eAlike. A icle
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.07
Recei ed: 07/15/2022 App o ed: 09/02/2022
Po an o, el ca ác e inma e ial de las
memo ias y las iden idades se conside a aquí
como undamen al pa a la comp ensión y el
econocimien o de la mul iplicidad de mundos
y signi icados. Es o se elaciona con el p oce-
so de desa omización del dibujo, en el que la
p ese ación de la memo ia es un ins umen o
de esis encia y oposición a las elaciones de
pode y dominación, lo que posibili a isibi-
liza suje os y colec i os desde una pe spec-
i a con ahegemónica.
En es e sen ido, ( e)pensa el diseño de la ciu-
dad equie e conside a las pa icula idades de
quienes la o man y quienes la cons uyen. Ha-
ce isible lo que has a en onces e a in isible es
uno de los caminos hacia el mundo plu i e so,
que es uno de los p incipales apo es que puede
o ece el diseño on ológico.
Palab as cla e: Dibuja , mo ilización polí i-
ca, memo ia, ol ido, (in) isibilidades.
A DESATOMIZAÇÃO DO DESENHAR: A MEMÓRIA, UM CAMINHAR PARA O MUNDO REAL
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ABSTRACT
The ac o d awing can be an in e p e a ion
and eading ool ha allows he in eg a ion
and o ganiza ion o in o ma ion and expe ien-
ces, which con igu es a poli ical ac . I d awing
is based on obse a ion and co e s issues o
memo y, knowledge, senses and pe cep ions,
in en ion and ac ion, how would d awing be
emp ied o i s poli ical sphe e and i s ci ic di-
mension and wha would be he consequences
o his emp ying? Seeking o answe hese
ques ions, he cons uc ion o his ex allowed
an in es iga i e pa h, as a design me hodology
sui ed o he new demands b ough by con em-
po anei y, cap u ed by he commodi ica ion o
spaces, plans and d eams and by he agmen a-
ion o memo y. The essen ial issue o d awing
is he e ecognized as on ological, and he ac
o d awing co esponds o he ep esen a ion
o he di e en ways o being and inhabi ing
he Ea h.
The e o e, he imma e ial cha ac e
o memo ies and iden i ies is conside ed he e
as undamen al o he unde s anding and
ecogni ion o he mul iplici y o wo lds and
meanings. This is ela ed o he p ocess o
de-a omiza ion o he d awing, in which he
p ese a ion o memo y is an ins umen o
esis ance and opposi ion o powe and domi-
nance ela ions, which makes i possible o i-
sualize subjec s and collec i es acco ding o a
coun e -hegemonic pe spec i e.
In his sense, ( e) hinking he design o
he ci y equi es conside ing he pa icula i ies
o hose who a e pa o i and who build i . Ma-
king isible wha was in isible un il hen is one
o he pa hs o he plu i e se wo ld, which is
one o he main con ibu ions ha on ological
design can o e .
Key wo ds: D awing, poli ical mobiliza ion,
memo y, obli ion, (in) isibili ies.
RESUMO
O a o de desenha pode se uma e amen a de
in e p e ação e lei u a que pe mi e in eg a e
o ganiza in o mações e expe iências, o que
con igu a um a o polí ico. Se o desenho se un-
damen a na obse ação e ab ange ques ões da
memó ia, conhecimen o, sen idos e pe cepções,
in enção e ação, de que o ma o desenho se ia
es aziado de sua es e a polí ica e de sua dimen-
são cí ica e quais se iam as consequências des-
se es aziamen o? Buscando esponde a es as
pe gun as, a cons ução des e ex o se pe mi iu
um caminha in es iga i o, como uma me odo-
logia de desenho adequada às no as demandas
azidas pela con empo aneidade, cap u ada
pela me can ilização dos espaços, dos planos e
dos sonhos e pela agmen ação da memó ia. A
ques ão essencial do desenho é aqui econheci-
da como on ológica, e o a o de desenha co es-
ponde à ep esen ação das di e en es o mas de
se e habi a a Te a.
Sendo assim, conside a-se o ca á e ima-
e ial das memó ias e das iden idades enquan o
undamen ais pa a o en endimen o e econheci-
men o da mul iplicidade de mundos e signi icados.
Isso se elaciona com o p ocesso de desa omização
do desenho, em que a p ese ação da memó ia é
um ins umen o de esis ência e con aposição
a elações de pode e dominância, o que pe mi e
isibiliza sujei os e cole i os segundo uma pe s-
pec i a con a hegemônica.
Nesse sen ido, ( e)pensa o desenho da
cidade exige conside a as pa icula idades da-
queles que dela azem pa e e que a cons oem.
Visibiliza o que a é en ão es a a in isí el é um
Maisa Fonseca de Almeida, Ba ba a Gonçal es Guazzelli, Paula Ma ques B aga
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dos caminhos pa a o mundo plu i e so, sendo
essa uma das p incipais con ibuições que o des-
enho on ológico pode o e ece .
Pala as-cha e: Desenha , mobilização
polí ica, memó ia, esquecimen o, (in)
isibilidades.
1. INTRODUÇÃO
A con empo aneidade em sido ma cada po
ans o mações p odu i as, cul u ais, so-
ciais, econômicas e de alo es, em elação a
um sis ema cons uído e consolidado segun-
do uma pe spec i a humana. Nesse sis ema,
o desenha pode se econhecido como o meio
que ans o ma o pensa , cons ui e in e i
no mundo, e na manipulação de seus signos.
Quando se pensa no desenho, como exp es-
são g á ica, ele ca ega em si a iden idade de
quem desenha, o aço, a composição, co es,
p opo ções. É, po an o, uma cons ução que
dialoga com as pa icula idades daquele que
desenha. Ampliando essa escala e ab angendo
o desenho da cidade, es e, da mesma o ma,
de e a ende às pa icula idades dos indi í-
duos. Assim, pensa o desenho da cidade e-
que conside a as pa icula idades daqueles
que dela azem pa e. Qual se ia, en ão, o
desenho da cidade da c iança, jo ens, adul os,
idosos, homens, mulhe es? A mesma cidade
pode assumi desenhos di e en es, ou ainda,
o mas de expe iencia esse mesmo desenho,
essencialmen e dis in as.
Segundo Ingold (2022), a an opologia,
a queologia, a e e a qui e u a, são campos que
se ap oximam no sen ido de uma e lexão po
meio do agi , do aze . O desenho como a i ida-
de do sujei o, como ação, des e modo, se ia ins-
umen o impo an e pa a as assimilações das
pe cepções des es di e en es campos, associan-
do a obse ação à possibilidade da pa icipação
a i a, po meio da in e p e ação e da comuni-
cação. No campo da an opologia, essa o ma
de desenha pode ia se analisada em elação a
aspec os da ida social em di e en es cul u as
ou sociedades humanas, buscando elaciona
o “homem” e a “ azão”. Mas limi a seu campo
de a uação ao humano, pe mi i ia ao desenha
uma comp eensão e eno ação do eal? Ou si-
mula ia po meio do desenha um humaniza a
cidade, o e i ó io, o mundo?
Nesse sen ido, o desenho da paisagem
da cidade ca ac e iza-se como uma o ma sin-
gula , de econhecimen o do luga , ca egada
de pa icula idades e signi icados que, em ce -
a medida, ep esen am essa o ma de e e se
econhece no mundo. Já a paisagem cul u al
desc e e uma elação de simbiose en e a a i-
idade humana e o meio ambien e, ab angen-
do aspec os cul u ais locais que con o mam a
iden idade e a memó ia, adições e elações
sociais. Olha pa a os concei os de paisagem,
po an o, nos le am a ques iona o que ep e-
sen a a busca po humaniza a Te a em suas
di e en es escalas, em elação às en a i as de
con ole, egulação, no ma ização, codi icação
e sis ema ização das ações e do conhecimen o
ao longo do empo. Emp eende es o ços pa a
comp eende a con o mação de uma paisagem
em elação aos di e en es g upos sociais, no que
se e e e ao seu alo simbólico, con ibui pa a
o econhecimen o do a o de desenha na sua di-
mensão on ológica, na medida em que as ações
his o icamen e in isibilizadas, comumen e
colocadas po mino ias sociais, são azidas à
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desa omização do desenha , is o que são con-
side ados, dessa o ma, ou os pe is iden i á-
ios e ou as con o mações de espaço segundo
seus di e en es p ocessos his ó icos e de con-
o mação do e i ó io.
An e a es e cená io, o desenho pode se
con igu a como uma o ma de esis ência, um
egis o do empo e uma in e p e ação do eal,
e pode desempenha o esga e de algo passado
e já pe dido no empo, um desejo ou p ojeção
de u u o. Nesse sen ido, o empo do desenho é
ilimi ado. Ele ambém pode se u ilizado como
ins umen o de in es igação, delineando o -
mas, supe ícies, comp eensões e ap eensões,
is o como ep esen ação do espaço e do luga .
E p o ido de uma ação polí ica, o desenho pode
se mani es ado pelo a o de ca og a a , na p o-
dução de ca og a ias ou con a ca og a ias,
que podem se exp essas a a és de mapas, des-
enhos, e ainda acompanhados da esc i a, como
poemas, sob e di e en es luga es e momen os.
Ao se desenha as lemb anças al como um
egis o, uma ação, uma in enção e memó ias
indi iduais pode ão compo um mosaico de me-
mó ia cole i a daquele luga .
Desenha o espaço da memó ia inci a
e lexões sob e p ocessos, elações de pode e
dominância, (in) isibilidades, deba es sob e
ep esen a i idades, o di ei o à memó ia e o
ca á e cí ico desses espaços, além de ações
de sub ação e/ou inse ção de monumen os
ep esen a i os de um passado segundo uma
pe spec i a his ó ica (con a) hegemônica. A
memó ia, endo in luência decisi a sob e a
His ó ia, em ampla a uação ambém sob e a
polí ica, a linguagem, a cul u a e a cons ução
de iden idades. Po possui in ínseco a ela o
a o social (Halbwachs 1990, 52), a memó ia
enquan o concei o é esul ado des a cons ução
ona pa a compo o en endimen o mais amplo
sob e a cidade.
Cidade que em sido p i ada de sua
dimensão pública, da es e a dos co pos e do
humano, em um p ocesso in ensi icado po al-
gumas mani es ações climá icas e da na u eza
que ep esen am desequilíb ios de ações huma-
nizado as. Com o en en amen o da Pandemia
Co id-19 e suas medidas p e en i as, assis i-
mos no ambien e u bano a desin eg ação da
ideia de cidade e de sua o alidade. Uma o a-
lidade que oi agmen ada com uma ausência
do con í io social, e que ans o mou a i ência
da cidade em uma de i a po um espaço luido,
es aziado de polí ica e de sua dimensão cí ica.
Nesse espaço da cidade, despoli izado e sem
hie a quias cla amen e es abelecidas, se con-
solida am elações sociais mediadas em g ande
pa e po ecnologias da in o mação e comuni-
cação, e com a cons ução de uma pe cepção de
cidade acessí el de modo equidis an e e i -
ual, imagé ica, manipulada, des agmen á el
a qualque ins an e.
O espaço da cidade o nou-se não mais
comunican e, es aziado de mensagens, e in-
ensi icou a pe cepção de espaço op esso do
silêncio, do isolamen o e da in isibilidade. O es-
paço da cidade, despoli izado e eduzido de sua
dimensão cí ica, em um con ex o globalizado,
de me can ilização da cul u a e uni o mização
de con ex os cul u ais amplos, nes e momen-
o, é eduzido de sua iden idade e memó ia. A
noção de globalização, aqui, em sido a ada de
o ma di e enciada no que conce ne a cidades
la ino-ame icanas, em que a in e dependência
econômica e polí ica é pa icula , o que em e-
de inido a concei uação do global e o sen ido
do u bano (Canclini 2003, 157). Conside a as
pa icula idades é um passo no caminho pa a a
Maisa Fonseca de Almeida, Ba ba a Gonçal es Guazzelli, Paula Ma ques B aga
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social. Po an o, ao se conside a a desa omi-
zação do desenha , impo a discu i o papel
cen al da memó ia no a o de p oje a e, con-
sequen emen e, no desenho das cidades, p in-
cipalmen e no que oca à memó ia enquan o
ins umen o de pode . Desempenhando a me-
mó ia es e luga essencial, impo a comp een-
de que a cidade é desenhada po pessoas que
ine i a elmen e dela se u ilizam, ou seja, ao
pensa mos o desenho enquan o p oje o, impo -
a en ende qual é o p oje is a que em acesso à
cons ução da cidade pa a que se possa apon a
um caminho pa a a desa omização do desenha
e, consequen emen e, pa a o mundo plu i e so.
Quan o mais di e sos os desenhado es, mais
p óximo des a (ou a) ealidade es a emos.
A im de conduzi essa e lexão, o ex o
se es u u a a pa i de um conjun o de ideias,
concei os e ques ionamen os, que pe passam a
in enção polí ica do desenha , as elações en-
e escalas, o indi idual e o cole i o. A elação
do desenho com o p oje o, é inse ida ambém
nes e con ex o, em que o desenho é e amen a
do a o de p oje a e, ca egado de in enções e
e e ências, que pe mi e e le i sob e a cidade
e a memó ia.
2. A MOBILIZAÇÃO POLÍTICA DO
DESENHO
“Se o p oblema é undamen almen e polí ico-
econômico, a a e a do ‘a uan e’ no campo do
‘desenho’ é, apesa de udo, undamen al. É
aquilo que Be ol B ech chama a a capacidade
de dize ‘não’. A libe dade do a is a oi semp e
‘indi idual’, mas a e dadei a libe dade só pode
se cole i a.” (Lina Bo Ba di 1976 apud Oli ei a
2018, 222).
Tudo é p oje o. O í ulo do ilme sob e
a a uação p o issional do a qui e o e u banis-
a Paulo Mendes da Rocha enuncia uma o ma
de in e p e ação e en endimen o da ealidade,
com ap oximações possí eis en e di e en es
linguagens, na a qui e u a, na li e a u a e no
cinema, que e le em e ap oximam ideias, ob-
je os e concei os, e segundo uma dimensão
empo al desc e em uma na a i a. Na na a-
i a ílmica sob e o p ocesso de p oje a , Rocha
imp ime obse ações, e lexões sob e expe iên-
cias e desc ições da ida co idiana, ap esen a
cons a ações sob e o luga e o sujei o, com uma
dimensão simbólica e polí ica, que ap oximam
seu discu so de ques ões mais p óximas da i-
loso ia do que do campo da a qui e u a. Nesse
sen ido, o desenho pode se en endido como
uma e amen a de in e p e ação e lei u a do
eal, que pe mi e in eg a e o ganiza in o -
mações e expe iências, e que a luz de uma ideia
de ep esen ação, se ans o ma em uma mobi-
lização polí ica do p oje a . Da mesma o ma,
pa a Paulo Mendes da Rocha, o desenho am-
bém se ale das memó ias, que azem à ona
a expe iência e lemb anças do que já oi i ido,
con ibuindo pa a o seu p ocesso c ia i o.
O edi ício no u bano é o edi ício u bano,
concei os que se c uzam, em linhas que condu-
zem o olha , a lei u a, o pe cu so, consag ando
o no o uso sob e o ecido consolidado da cidade
e sob e a u banidade. Diz espei o à linguagem
da ma e ialidade do edi ício e do obje o, o pe-
queno e ín imo, o amplo e social, a explo ação
da plás ica e das pe spec i as isuais no espaço.
Aba ca a luidez da chegada, a dimensão do co-
le i o, a cons ução de pe spec i as de ap een-
são do olha de oda ob a em libe dade espacial.
Pe an e es e pon o de is a sob e o a o
de p oje a , cabe aqui uma discussão sob e o
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signi icado da pala a “p oje o” e sua u ilização
no con ex o b asilei o. É impo an e essal a
que o e mo hispânico diseño possui signi i-
cados semân icos ampliados se compa ado à
língua po uguesa, o que e le e o p óp io en-
endimen o do e mo. Desenho, em po uguês,
es á mais p óximo do signi icado de dibujo na
língua espanhola. Diseño, nes e caso, pode se
lido como p oje o e se e e e à p odução de e-
p esen ações on ológicas sob e o eal.
Escoba (2016, 43) apon a ou os sig-
ni icados pa a diseño, que aba ca não apenas
desenho e p oje o, mas udo o que se elacio-
na com a o ma como concebemos o mundo,
desde ins i uições a elações in e pessoais, o
que co esponde ao que Paulo Mendes da Ro-
cha coloca nas en e is as que concedeu. Es a
comp eensão é essencial pa a o en endimen o
do que signi ica desenha pa a o mundo eal.
Ou os a qui e os e le em sob e es as elações,
como o a qui e o b asilei o Vilano a A igas,
que em uma aula inaugu al p onunciada na Fa-
culdade de A qui e u a e U banismo da Uni e -
sidade de São Paulo, no ano de 1967, colocou o
con li o his ó ico en e écnica e a e jus amen-
e ao disco e sob e o que é desenho, em que
a i ma que es a pala a ca ega um con eúdo
semân ico ex ao diná io. Segundo o a qui e-
o, domina a na u eza é a ealização do que a
men e humana c ia den o de si mesma, sendo
o desenho o meio pelo qual isso acon ece, o que
ei e a o pode de ans o mações que essa e-
amen a ca ega.
“Pa a cons ui ig ejas há que ê-las na
men e, em p oje o. Pa odiando Blu eau, ag a-
da-me in e pela - os, pa icula men e aos
mais jo ens, os que ing essam hoje em nossa
Escola: que ca ed ais endes no pensamen o?
Aqui ap ende eis a cons uí-las duas ezes:
ap ende eis da no a écnica e ajuda eis na
c iação de no os símbolos. Uma sín ese que só
ela é c iação.” (A igas 1968).
A igas essal a aqui o p ocesso c ia i o,
conside ando que an es do desenho se coloca-
do no papel ele é p é-concebido no plano das
ideias. Em sua obse ação sob e as di e en es
a qui e u as de ca ed ais p esen es no pensa-
men o dos alunos ou in es da pales a, ele e-
me e a exis ência de um epe ó io indi idual
do sujei o e seu eba imen o no sis ema de sig-
ni icação, que se p ocessa de o ma cogni i a.
Sob e isso, o sociólogo Hall (2012) apon a o
p ocesso de signi icação como algo undamen-
al pa a a inco po ação dos signi icados em de-
e minada cul u a po meio da linguagem. Se
p oje o é desenho e desenho é linguagem, que
po sua ez pode se en endido como ep esen-
ação, cabe aqui a de inição de cul u a como
“signi icados compa ilhados”. Hall (2012), po
ou o lado, en a iza que as p á icas cul u ais
são es abelecidas po seus cons i uin es, sejam
eles indi íduos, obje os e acon ecimen os, ou
seja, são eles que cons oem os signi icados.
Uma ped a pode ia se apenas uma ocha, um
delimi ado de on ei a ou uma escul u a.
Seu sen ido es á in e ligado ao modo como a
u ilizamos ou a in eg amos em nosso co idia-
no, pela o ma como o ep esen amos em um
sis ema de in e p e ação ou em um sis ema de
comunicação. Po esse lado, memb os de uma
mesma cul u a compa ilham os mesmos códi-
gos cul u ais e in e p e am o mundo de o ma
semelhan e. Sendo assim, po meio do desenho
é possí el econhece e ep oduzi um conjun o
de símbolos que ca egam de e minado sen ido
conce nen e àquele que es á pensando o des-
enho. O desenho, po an o, em elação di e a
com o sen ido de iden idade e memó ia daquele
Maisa Fonseca de Almeida, Ba ba a Gonçal es Guazzelli, Paula Ma ques B aga
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que o pensa, an o no que diz espei o ao indi i-
dual quan o à sua dimensão cole i a.
Como uma possibilidade de cons ução
ou descons ução da ideia do desenha na cida-
de, ou a cidade, o olha da a qui e a Lina Bo Ba -
di ol a-se pa a o pa imônio edi icado, segundo
uma pe spec i a de p ese ação da paisagem
u bana e de manu enção da he ança às ge ações
u u as, po an o, como um exemplo do que
pode alcança o desenho on ológico. En e as
possí eis elações de sua o mação no campo da
a qui e u a, egida pela écnica e conhecimen-
o humanís ico undamen ado em concei os do
exis en e e p eexis en e, o u bano e o edi ício,
obse amos nos desenhos de Lina a imagem de
um ambien e egido pela i alidade das dinâ-
micas sociocul u ais do luga de suas ob as.
Segundo uma ime são an opológica, egis os
undamen ados em libe dade c ia i a obse am
o modo de i e , buscando cons ui elações
com a cul u a popula e adap ações ma e iais
no con ex o de suas ob as. A cul u a popula em
sua ob a é econhecida como uma ques ão e o-
lucioná ia, e compa ece como uma impo an e
con ibuição dos p incípios sociais e humanos.
Os desenhos de Lina Bo Ba di ep esen-
am, com despojamen o e de o ma quase lúdi-
ca, dinâmicas sociais que imp imem i alidade
as suas lei u as do ambien e u bano b asilei o,
con ex ualizado à egião e ao e i ó io no qual
se inse e. Des aca-se na in enção p oje ual de
Lina o seu engajamen o como a qui e a segun-
do um iés social, e que pe passa o es udo pa a
a cons ução de uma a qui e u a de qualidade
es é ica e uncional, co espondendo a uma
ques ão de dimensão social e uma ideologia de
p ese ação da cul u a.
Uma das suas ob as ep esen a i as des-
sas ques ões é o Museu de A e de São Paulo As-
sis Cha eub iand (MASP), localizado na cidade
de São Paulo, que ap esen a em seu plano é eo
um ão li e. Es a é uma in e p e ação e p o-
pos a de elei u a de um espaço da memó ia da
cidade, an e io men e o Bel ede e T ianon, um
impo an e mi an e com planos de e aços e
is a pano âmica da cidade, de au o ia do esc i-
ó io Ramos de Aze edo. Pa a além de uma p o-
ocação ecnológica, es u u al e ma e ial nes e
pe íodo, o MASP e seu ão li e são anuncia-
dos como um museu ho s des limi es, “ o a dos
limi es” ma e iais e ima e iais, segundo uma
concepção ilosó ica e a qui e ônica, espaço de
mani es ações a ís icas, públicas e li es.
Olí ia de Oli ei a (2018) ealiza uma lei-
u a da g ande dimensão ísica e simbólica do
ão li e, “es e espaço in e mediá io p oje ado
po Lina é um luga onde o sujei o é indi íduo
li e e sobe ano, um luga po de inição abe -
o ao inde e minado, um azio imp egnado de
possibilidades”, esul ado da isão de Lina so-
b e o pode polí ico que o desenho possui.
Desse modo, o espaço o iginal do Bel-
ede e, elacionado à sociabilidade e que p o-
po ciona isibilidades da paisagem da cidade de
São Paulo, po meio do p oje o e do desenho de
Bo Ba di, ans o ma-se no espaço de isibili-
dades e de ações polí icas, assim como a i ma
Oli ei a (2018), espaço de “mani es o às des-
igualdades sociais, às dis o ções e en e mida-
des da me ópole u bana”. Ao longo dos úl imos
anos, o ão li e o nou-se uma e e ência de
maio exp essão no cená io nacional, conjun-
amen e à A enida Paulis a, como espaço de
mani es ações de ca á e polí ico, da memó ia
e da libe dade de exp essão cole i a.
As p eocupações de Lina Bo Ba di
po meio do desenho e do p oje a , ambém
aba cam o co idiano da cidade em elação à i-
A DESATOMIZAÇÃO DO DESENHAR: A MEMÓRIA, UM CAMINHAR PARA O MUNDO REAL
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alidade das dinâmicas sociocul u ais do luga
e dos espaços pa imoniais, como po exemplo,
em suas in e enções emp eendidas no cen o
his ó ico de Sal ado . Den o des e con ex o, é
impo an e essal a a pos u a c í ica ap esen-
ada po Bo Ba di, em que suas conside ações
colocam, pa a além da p ese ação do pa i-
mônio cons uído, a conse ação do que a a -
qui e a nomeia como “alma popula ”, ou seja,
a manu enção da população e da comunidade
local a a és de melho ias no con ex o socioe-
conômico e do o alecimen o do uso habi acio-
nal e usos co idianos a es e inculados, de á eas
e espaços da cidade, o que no amen e demons-
a a p eocupação da a qui e a com a dimensão
social e polí ica do desenho.
Ou a ação p oje ual ela i a ao pa i-
mônio e à cidade, p opos a po Bo Ba di em
1977 ( inalizada a execução em 1986), oi a
manu enção do edi ício de uma áb ica exis-
en e, numa á ea em que o a con idada a con-
cebe um cen o comuni á io de laze cul u al
e espo i o, pa a os abalhado es do comé cio
numa an iga zona indus ial na cidade de São
Paulo, o SESC Fáb ica Pompéia. A decisão de
p ese a a ma e ialidade e os elemen os da me-
mó ia e da exis ência da áb ica nesse luga , são
con apos os de modo sub e si o, como indica
Oli ei a (2018, 112), “o abalho ans o ma-
se em aliado do p aze , e não mais em opos o,
e i a do abalho aquele ca á e desag adá el,
ep essi o, iolen o e penoso pa a elacioná-lo à
sensibilidade, libe dade, imaginação e libido”1.
1 Bo Ba di chama o conjun o des a ob a de “cidadela
cul u al”, aplicando-lhe o sen ido semân ico que o concei o
de cidadela aba ca, o aleza da cidade con a o a aque,
segundo uma dimensão cul u al. Po meio de me á o as ao
u ebol “mágico”, de jogado es que ans o mam o espo e
numa a e de “comba e den o do campo op esso , a a e do
d ible e das mil manei as de joga e des aze o jogo do ou o,
Po meio des e p oje o, Bo Ba di ealizou lei u-
as de aspec os sociocul u ais b asilei os e lei-
u as u banas, assim, desenhou o conjun o da
ob a, undamen ada na sociabilidade do espaço
e na econs ução da ideia de uma ua in e na à
ob a, o espaço que ag ega e in eg a, concebendo
espaços no conjun o pa a mani es ações a ís i-
cas, cul u ais, espo i as, de ócio e laze .
Lina Bo Ba di a i ma em elação à a -
qui e u a mode na e sua ade en e linguís i-
ca a qui e ônica, a necessidade de se de ini
pa âme os do eal, “é p eciso es abelece bem
cla amen e e sem equí ocos em elação a qual
ealidade ela de e se coloca ” (Oli ei a 2018,
215). Es a é uma pe gun a que ampa a e o ien-
a o desenho, e o a o de p oje a : qual é a eali-
dade conside ada? Desde qual pon o de is a?
A a uação de Bo Ba di des aca-se pela sua ca-
pacidade de comp eende a mul iplicidade
do mundo e a necessidade de sua adução na
linguagem a qui e ônica, embo a os desa ios
do pensamen o hegemônico enham impos-
sibili ado mui as de suas ações e in enções, e
apenas uma dezena de suas ob as e p opos as
de a qui e u a o am execu adas e cons uídas.
O a o de p oje a associado à pe cepção
das o mas sociais, cul u ais, econômicas e his-
ó icas do luga , com o obje i o de alo izá-las e
po encializá-las, ep esen a po meio do desen-
ho uma in e são da ação colonizado a que des-
ca a os alo es egionais e locais. Desse modo,
o desenho é econhecido como esis ência an e
o o alecimen o das hie a quias his o icamen-
desemba açando-se com as úcia, de uma ede de o ças e
ep esen ações es abelecidas” (Oli ei a 2018, 112). E ainda,
segundo Oli ei a, o SESC Pompeia pode se econhecido
como “uma homenagem à gen e comum, aos esquecidos, aos
pe dedo es, aos ‘ eios’ e uma po en e c í ica a um mundo
que cas iga o acasso”. Com o passa do empo, a “cidadela
cul u al” o nou-se “cidadela da libe dade”.
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e consolidadas e a p ocessos hegemônicos de
me can ilização do capi al, ou seja, da globali-
zação dos luxos cul u ais e me can is. Escoba
(2022) apon a o p ocesso de globalização como
con á io à ideia de comuni á io e cole i o, e
ca ac e iza es e p ocesso como uma o ça in-
di idualizado a impulsionada pelo me cado. A
ação con á ia à globalização es a ia na eco-
munalização da ida social aduzida no desen-
ho especí ico pa a comunidades esilien es, que
con igu a a ação local em con apon o ao global.
No en an o, essas expe iências aba cam
p incipalmen e lei u as sob e a eo ia e a p áxis
do a qui e o e u banis a em elação ao se hu-
mano e o espaço ísico, e que no úl imo século
concen ou-se no ambien e u bano, na cidade.
O que en ão lhe escapa ia das mãos e dos olhos,
das pe cepções e expe imen ações? O que es á
além do a o de p oje a ?
3. A DIMENSÃO ONTOLÓGICA DO
PROJETAR E A PRESERVAÇÃO DA
MEMÓRIA
“El diseño, en sí mismo, es á en c isis
den o de un mundo en c isis. De ahí que
podamos in e p e a lo como una p ác ica
en ansición al se icio de ansiciones
socioecológicas y ci iliza o ias más am-
plias. Pa a ello, sin emba go, debemos
conside a el diseño como una p ác ica
on ológica.” (Escoba 2022).
O ca á e ima e ial da cons ução de memó-
ias e iden idades é undamen al pa a o des-
enho do mundo eal, pa a a comp eensão e
econhecimen o da mul iplicidade de mundos
e signi icados, e a di e sidade que se cons i ui
po meio dessa pe cepção. Se a ques ão essen-
cial do desenho é on ológica, o a o de desenha
co esponde a ep esen ação dos en es múl i-
plos e conc e os da ealidade e das di e en es
o mas de se e habi a a Te a, e as ques ões
elacionadas à memó ia e iden idade, de ca á e
ima e ial, são c uciais pa a seu en endimen o.
Escoba (2016) indaga como podemos epen-
sa o desenho a pa i de um en endimen o
di e so ao conhecimen o ca esiano, e que seja
baseado na ida diá ia, menos dis anciado da
comp eensão obje i a e dualis a do mundo e
do eal. Conside a-se aqui a on ologia dualis a
que, segundo Escoba (2016), de ine os obje os
que conhecemos, a qual sepa a men e e co po,
obse ado e obse ado, humanos e não huma-
nos, ma e ial e ima e ial, de modo a aba ca
uma espécie de dimensão delimi ado a e que
de ine o desenho ca esiano.
Flusse (2017, 23) ap esen a a noção de
cul u a ima e ial como um con assenso, sen-
do con adi ó io o uso do e mo, is o que pa a
o au o não há sepa ação en e o ma e ial e o
ima e ial. Flusse (2017, 25-26) discu e o des-
enho a pa i de seu aspec o comunican e e do
a o de “in o ma ”, sendo a o ma o “como” da
ma é ia e a “ma é ia”sendo “o quê” da o ma.
O desenho se ia en ão algo si uado en e o ma-
e ial e a ima e ialidade, pois a sua idealização
p essupõe a ma e ialidade, mas enquan o o
p oje o não oma de a o sua o ma ma e ial,
ele ainda ocupa o campo do in angí el. Ficam
suspensas ali, no que ege o pensamen o do des-
enho, inúme as possibilidades, inúme os cam-
inhos a se em seguidos. Uma das dimensões de
cons ução con ínua de cidade é aquela ela i a
ao Pa imônio Cul u al, que pode se lido an o
enquan o acumulação de empo no ecido u -
bano, quan o p ocessos ela i os à memó ia e
esquecimen o.
A DESATOMIZAÇÃO DO DESENHAR: A MEMÓRIA, UM CAMINHAR PARA O MUNDO REAL
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pa i o com as comunidades locais. A cul u a
ma e ial e simbólica do local de in e enção
in luencia di e amen e a elabo ação concei ual
do que desenha e o ien a as decisões ace ca da
ma e ialidade e espacialidade desejada. O e-
sul ado do seu abalho ep esen a o papel c í i-
co que a a qui e u a pode exe ce na a i mação
de alo es sociais e ambien ais, em elação a
p odução a qui e ônica de seu país de o igem
e exempli ica algumas implicações posi i as do
desenha pa a o mundo eal.
Nesse con ex o de in lexões e buscan-
do desc e e a a ualidade (o eal?), alguns
e en os cul u ais desloca am suas discussões
e econ igu a am suas o mas de o ganização
po meio de a uações cole i as, com cu ado ias
ep esen a i as dos co pos isí eis e in isí eis,
essigni icando seus agen es e a o es en e a
ida con empo ânea. Como, po exemplo, a 59ª
Exposição In e nacional de A e (Biennale A e
2022, The milk o d eams) em Veneza (I ália),
sob a cu ado ia de Cecilia Alemani, com uma
abo dagem de emá icas da ep esen ação dos
co pos e suas me amo oses, a elação en e
indi íduos e ecnologias, e os laços que se en-
elaçam en e os co pos e a e a5. Com um
núme o exp essi o de pa icipação de a is as
mulhe es (no en a po cen o do o al de a -
is as), a edição de 2022 da Bienal de A e de
Veneza exp essou e isões e ações ino ado as
no cená io a ís ico e o e eceu a p emiação do
Leão de Ou o à a is a Simone Leigh po sua
ob a de 2019, in i ulada B ick House em No a
Io que (Es ados Unidos), ins alada no Pa que
High Line. A escul u a da a is a e a a o co -
5 O mo imen o Su ealis a é uma e e ência a ís ica
conside ada po encialmen e capaz de in es iga e indica
linguagens e lei u as, egido po uma mani es ação polí ica
con a a gue a.
po da mulhe neg a e suas o igens, colocando-o
enquan o um luga de mul iplicidade, o que se
con igu a enquan o uma alego ia pa a a desa-
omização do desenha e a necessá ia conside-
ação da di e sidade no a o de p oje a .
Ou o e en o cul u al que busca ep e-
sen a a ealidade segundo a pe spec i a cole-
i a, da inclusão e acessibilidade em di e en es
concepções, ísica e i ual, é a 13ª Bienal In e -
nacional de A qui e u a de São Paulo de 2022,
“T a essias”. E en o que discu e o u banismo
e a qui e u a dos ecidos u banos das cidades
b asilei as na con empo aneidade, comp een-
dendo-os como es u u as ma cadas pela ag-
men ação, descon inuidade e simul aneidade
an o ísica quan o segundo uma dimensão
simbólica. Pa a an o, undamen a-se nas o i-
gens dos p ocessos de p odução dessas cidades,
his o icamen e inculados e en aizados em
iolência, e ações colonizado as, con o mando
e consolidando desigualdades sociais e apaga-
men os da memó ia6.
O e en o ambém undamen ou-se em
uma lei u a e deba e sob e o seu papel como e-
p esen ação e impo ância his ó ica, de modo
a econ igu a sua p opos a em elação a as-
pec os de acessibilidade e inclusão, aba cando
o concei o de conexão e de di e en es pon os
(qua en a nós) da cidade, o ambien e i ual po
meio de sua página o icial do e en o na in e ne
e explo ando a dimensão do co idiano. Um dos
pon os que podem se des acados no e en o é o
6 “A equipe cu a o ial pa iu do concei o de a essias da
his o iado a Ma ia Bea iz Nascimen o, (...) que in es iga o
que do passado colonial e das diáspo as pe manece e o que
se al e a nesses deslocamen os das populações pelo mundo”
(Bienal 2022) e, a pa i de um concu so, oi es abelecida
a sua co-cu ado ia. A 13ª Bienal ap esen a um deba e
pensado sob e “as p á icas sociais, a anjos espaciais e as
possibilidades de (sob e) i e e ans o ma a ealidade
em á eas u banas e u ais’’ (Bienal 2022).
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Complexo Psiquiá ico do Juque y, localizado
em F anco da Rocha, e que deixou de unciona
de ini i amen e apenas no ano de 2021, en e
às ecen es mudanças ela i as ao a amen o
de p oblemas psiquiá icos, que buscam a hu-
manização do a amen o do pacien e7. Ou os
pon os da p og amação pode iam acilmen e
se aqui des acados, como a Aldeia Tekoá Y y-
Po ã, a Comunidade Cul u al Quilombo Samba-
qui ou a B asilândia. No que conce ne à ques ão
de memó ia e esquecimen o e a consequen e
cons ução de iden idade que in luencia di e a-
men e o p oje a , é mui o impo an e que es e
deba e seja ealizado azendo à ona o que po
mui o empo icou in isibilizado, sendo es a
uma ação p imo dial na p omoção do desenho
on ológico de uma cidade.
Assim, ap esen a-se a possibilidade de
a a essamen o segundo a ideia de colcha de
e alhos, al como uma opo unidade de ein-
e p e ação de memó ias cole i as ances ais,
uma cons ução cole i a e a ep esen ação do
compa ilhamen o de u banidades possí eis8.
Sendo o pensamen o do desenho obedien e ao
conjun o de símbolos co esponden e à cul u a
pe encen e àquele que o c ia, de elação di e a
com sua iden idade e memó ia, an o no que diz
espei o ao indi idual quan o à sua dimensão
cole i a, são inicia i as como essa que possibi-
li am a cons ução da cidade plu i e sal.
7 A his ó ia do hospi al, cons uído em 1898, é impac an e
ao e ela di e sas iolações aos di ei os humanos, luga
que ambém ecebeu a in e nação de p esos polí icos
du an e a di adu a mili a b asilei a. Suas p imei as
in e nações, po ém, o am de neg os, mulhe es que
exe ciam a p os i uição e imig an es desemp egados.
8 O eco e cu a o ial T a essias p opõe eixos de a a es-
samen os na cidade de São Paulo a iculados a nós em-
po á ios de a i idades cole i as, o alecendo uma ede de
colabo ação.
5. É POSSÍVEL CONCLUIR SOBRE O
DESENHO E O REAL?
A o mação do a qui e o e u banis a em elação
ao desenho é um in e essan e campo de análi-
se, buscando esponde às pe gun as e e lexões
es abelecidas, segundo uma dimensão empo-
al, em um sis ema singula de coop ação dos
momen os passados e u u os implíci os ao a o
de ensina , ap ende e es a em o mação. E
que nos le am a ques iona , em um p imei o
momen o, se o desenho na con empo aneidade
em sido econhecido como um campo in e dis-
ciplina ou como uma disciplina au ônoma, e-
lacionada a ep esen ação e linguagem. E se há,
na ené ica elocidade da in o mação na con-
empo aneidade e da in ensi icação de pe ce-
pções imagé icas do espaço, alguma au onomia
no campo do desenho. Mas essa comp eensão
do desenho se ia capaz de ap eende a dimen-
são do eal?
A singula idade do desenho, da o ma
de se p oje a e expe imen a a cidade, p esen-
e nas dinâmicas, i ências e o mas de ap o-
p iação do espaço, êm po unção lhe con e i
signi icado. Em seus egis os, aspec os cul u-
ais pa icula es ence am em si a iden idade,
que se consolida na memó ia do luga , adqui in-
do o po encial, ao p ese á-la, de o na -se uma
impo an e e amen a pa a um pensa c í ico
sob e suas ans o mações, bem como sob e os
p ocessos sob os quais ela se insc e e e as o -
mas como oco em.
No que diz espei o à memó ia, um
monumen o ou luga his ó icos ep esen am
as ma cas da e olução de uma de e minada
sociedade ou indi íduos, e e le e a concepção
e po encialidade dessa sociedade que os p o-
duziu. Es uda a cons i uição da memó ia é
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impo an e po que es á in imamen e ligada à
cons ução da iden idade dos sujei os. É a pa -
i da sua p ese ação que podemos econhece
os acon ecimen os passados e ainda conse a
as in o mações que nos são impo an es p e-
se a , an o na memó ia indi idual quan o
na cole i a, es abelecendo um ínculo en e as
ge ações humanas e o empo his ó ico que as
acompanha. Esse ínculo que se o na a e i o,
possibili a que essa população passe a se enxe -
ga como sujei os da his ó ia. É nes e sen ido
que, pa a a cons ução da memó ia cole i a,
impo a ambém os es ígios e expe iências
de uma pessoa, g upo ou nação, igno ados ou
esquecidos (apagados?) em de e minados mo-
men os e, assim, in iabilizados.
É undamen al essal a que, nesse
p ocesso de cons ução cul u al que aba ca o
concei o de pa imônio, as escolhas, o espaço de
con li o e a esis ência lhe são ine en es, p inci-
palmen e se conside a mos que o pa imônio é
mui o mais ei indicado do que he dado e mui-
o menos comunal do que con li uoso. Quando
escolhas são ei as, nos e e imos ao ca á e
semp e ele i o das consequências. Quando
alamos de con li os e dispu as, ambém nos
e e imos a aspec os da memó ia e sua p óp ia
na u eza ambi alen e, que az lemb ança e es-
quecimen o como aces de um mesmo p ocesso.
Assim, e omamos a ques ão inicial
aqui p opos a, em que azemos à e lexão o
desenha como um a o polí ico. Conside ando
que o desenho se undamen a na obse ação,
em ques ões concei uais, ab angendo ques ões
da memó ia, conhecimen o, sen idos e pe ce-
pções, in enção e da ação, pode ia o desenho
e es aziado sua es e a polí ica ou sua dimen-
são cí ica?
Ao nos ques iona mos sob e o desenho
pa a o mundo eal, a p incipal conside ação a
se ei a é sob e quais pe spec i as da ealida-
de es ão sendo conside adas. Podemos pensa a
memó ia enquan o um caminho com a exis ên-
cia de nuances e necessidade de e isões e en-
quan o uma dinâmica de a ibuição de sen idos
e alo es en ol ida po uma dimensão social e
polí ica em oposição ao hegemônico pon o de
is a linea . A p ese ação da memó ia pode
con igu a uma a i idade eminen emen e éc-
nica, em que o especialis a de ém as escolhas do
que se á lemb ado, concedendo pode àqueles
que pode ão se p i ilegia desse a o possibili-
ando a o mação de sujei os (especí icos) da
his ó ia. Nesses p ocessos linea es, os mesmos
sujei os ocupam e/ou es ão a elados ao luga
do especialis a, p omo endo isibilidade a ele-
men os que legi imam a seleção do bem a se
p ese ado, co obo ando pa a a in isibilização
e esquecimen o de ou os g upos e sujei os ao
longo da his ó ia.
Não há como, po ém, econhece sujei-
os e na a i as sem o espelho do passado, o
que az da p ese ação da memó ia, segundo
c i é ios que conside em a despa ia calização,
des acialização e a descolonização das elações
sociais, uma ques ão undamen al pa a a cons-
ução do mundo eal a a és do desenho on-
ológico. A in ocação da memó ia já esquecida
pode con ibui pa a o desenho plu i e sal po
meio de uma ansição ci iliza ó ia de uma
exis ência óxica a ou a sanado a com o obje-
i o ge al, nas pala as de Escoba (2022), de
mobiliza mos pa a uma no a o ma de habi a
a Te a.
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Tudo é p oje o. 2017. Di eção: Joana Mendes
da Rocha e Pa icia Rubano. P odução:
Gal Bui oni e Luiz Fe az. P odução: Olé
P oduções. Longa Me agem Documen al
(72 min), sono o, colo ido.
Vimeo On Demand: h p://bi .ly/TudoP oje o
Now: h ps://www.nowonline.com.b / ilme/ udo-
e-p oje o/132828
BREVE CV
Ba ba a Gonçal es GuazzelliA qui e a e
U banis a, Mes e em Teo ia e His ó ia da A -
qui e u a e do U banismo pelo Ins i u o de A -
qui e u a e U banismo (IAU) da Uni e sidade
de São Paulo (USP) endo sido bolsis a de Mes-
ado FAPESP (Fundação de Ampa o à Pesquisa
do Es ado de São Paulo). Es udan e de dou o a-
do do Con ênio Acadêmico In e nacional pa a
Dupla Ti ulação de Dou o ado en e Ins i u o
de A qui e u a e U banismo da Uni e sidade
de São Paulo (IAU-USP) e Escuela Técnica Supe-
io de A qui ec u a da Uni e sidad de Se illa
(ETSA Se illa). Memb o do g upo de pesquisa
LEAUC - Labo a ó io de es udos do ambien-
e u bano con empo âneo (LEAUC). Cu sou
Mas e 1 na á ea de Pa imônio A qui e ônico
e U banís ico na ins i uição ancesa ENSAM
Ma seille, em con ênio com a Uni e sidade de
São Paulo, du an e p og ama de in e câmbio na
g aduação. Tem expe iência na á ea de A qui e-
u a e U banismo, com ên ase em Pa imônio
A qui e ônico e U banís ico, p incipalmen e
Pa imônio Cul u al Ima e ial. Cu iculum:
h p://la es.cnpq.b /8750229214747592. O -
cid: h ps://o cid.o g/0000-0001-7599-1521.
Maisa Fonseca de AlmeidaA qui e a e U ba-
nis a e Mes e pela Escola de Engenha ia de São
Ca los da Uni e sidade de São Paulo, Dou o a
em Teo ia e His ó ia da A qui e u a e do U ba-
nismo pelo Ins i u o de A qui e u a e U banis-
mo (IAU) da Uni e sidade de São Paulo (USP),
com es ágio sanduíche pela Sapienza Uni e si à
di Roma. Mas e E udes U baines en Régions
Médi e anéennes (EURmed). A ualmen e,
pós-dou o anda pelo IAU-USP e p o esso a isi-
an e do Mas e E asmus Mundus “Techniques,
He i age, Te i o ies o Indus y” (TPTI). Mem-
b o ICOMOS, DOCOMOMO e da ede Cy ed
RUN | Rios U banos Na u alizados. Pesqui-
sado a associada ao LEAUC e CIDEHUS. Con-
selhei a pelo Ins i u o de A qui e os do B asil
nos Conselhos Municipais COMDEPHAASC e
COMDUSC em São Ca los, e COMPPHARA em
A a aqua a. Pesquisa ca og a ias como me o-
dologia e ins umen o de in es igação, p oces-
sos de pa imonialização, ecnologias digi ais, e
pa imônio cul u al no inal do século XIX esé-
culo XX no es ado de São Paulo. Cu iculum:
h p://la es.cnpq.b /7200797707764904. O -
cid: h ps://o cid.o g/0000-0001-8824-1738.
A DESATOMIZAÇÃO DO DESENHAR: A MEMÓRIA, UM CAMINHAR PARA O MUNDO REAL
138 || ASTRAGALO Nº 30 | Sep iemb e, Sep embe , Se emb o 2022 | a icle | ISSN 2469-0503
BREVE CV
Paula Ma ques B aga A qui e a e u banis-
a, Mes e em U banismo pela pela Pon i ícia
Uni e sidade Ca ólica de Campinas (2008),
bolsis a CAPES. Dou o a em Teo ia e His ó ia
da A qui e u a e do U banismo pelo Ins i u o
de A qui e u a e U banismo - IAU da Uni e -
sidade de São Paulo - USP (2013). É pós-dou o-
anda pelo IAU-USP, com a pesquisa “Equidade
u bana em e i ó ios do p ecá io: ações socio-
espaciais pa icipa i as em Pa aisópolis - Con-
a ca og a ias, empode amen o comuni á io
e mé odo. O uso dos mapas como e amen a
de auxílio à cons ução cole i a em Pa aisópo-
lis”, inculado ao P og ama de Inclusão Social
e Di e sidade na USP e em municípios de seus
Campi, P ó-Rei o ia de Cul u a e Ex ensão Uni-
e si á ia. Pesquisado a associada ao LEAUC.
Coo denado a do Cu so de A qui e u a e U ba-
nismo do UNISAL - Ame icana SP. Campo de
pesquisa ol ado às ques ões ela i as a in e -
enções u banas em á eas cen ais his ó icas e
seus desdob amen os sob e o e i ó io, p ese -
ação do pa imônio cul u al, iden idades lo-
cais e aspec os sociais inculados. Cu iculum:
h p://la es.cnpq.b /9473603357991257. O -
cid: h ps://o cid.o g/0000-0002-5315-1297
Vacíos sis ólicos 10