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A angustia e o preocupante

Abstract

A não inautenticidade ou a indiferença quotidiana, a inautenticidade, a autenticidade são diversas configurações da nossa relação com o ser. A dificuldade consiste em responsabilizar “me” inteiramente “a mim” por uma apropriação do sentido do ser. É o Dasein que me convoca para si? Em que circunstâncias? Os diversos modos da relação com o sentido do ser admitem uma metamorfose dinâmica e complexa que parte de um modo de ser médio, em que vamos indo, nem bem nem mal, somos como toda a gente em geral e ninguém em especial, e podemos passar a fazer a experiência de apropriação de si, da autêntica resolução do sentido, bem como de perda total e alienação. Importou-nos analisar as situações em que se experimenta formas de vazio, interrupções de preenchimento na agenda. O que fazemos de tempos mortos, em que não conseguimos fazer nada ou até mesmo de dias perdidos? E quando vem de novo o fluxo que nos liga à vida, é de onde que ele nos puxa? O possibilitante vem do futuro. De lá reverbera uma cadência com um tom que nos abre ao possível.

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A angustia e o preocupante

Author: Caeiro, António de Castro
Publisher: Editorial Universidad de Sevilla
Year: 2024
DOI: 10.12795/Differenz.2024.i10.02
Source: https://idus.us.es/bitstreams/f60f0b40-4c43-4462-81e9-1d9e885b9cb8/download
Di e enz
Re is a in e nacional de es udios heidegge ianos y sus de i as con empo áneas
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AÑO 11, NÚMERO 10: JULIO DE 2024. ISSN 2695-9011 - e-ISSN: 2386-4877 - Doi: 10.12795/Di e enz.2024.i10.02
[pp. 33-65]
Recibido: 13/10/2023
Acep ado: 17/11/2023
A angus ia e o p eocupan e
The anguish and he p e-occupied
An onio de Cas o Caei o
Uni e sidade No a de Lisboa
Resumo:
A não inau en icidade ou a indi e ença quo idiana, a inau en icidade, a au en icidade
são di e sas con igu ações da nossa elação com o se . A di iculdade consis e em
esponsabiliza “me” in ei amen e “a mim” po uma ap op iação do sen ido do se . É o
Dasein que me con oca pa a si? Em que ci cuns âncias? Os di e sos modos da elação
com o sen ido do se admi em uma me amo ose dinâmica e complexa que pa e de um
modo de se médio, em que amos indo, nem bem nem mal, somos como oda a gen e
em ge al e ninguém em especial, e podemos passa a aze a expe iência de ap op iação
de si, da au ên ica esolução do sen ido, bem como de pe da o al e alienação. Impo ou-
nos analisa as si uações em que se expe imen a o mas de azio, in e upções de
p eenchimen o na agenda. O que azemos de empos mo os, em que não conseguimos
aze nada ou a é mesmo de dias pe didos? E quando em de no o o luxo que nos liga
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à ida, é de onde que ele nos puxa? O possibili an e em do u u o. De lá e e be a uma
cadência com um om que nos ab e ao possí el.
Palab as Cha e: Au en icidade; P eocupação; Possibili an e.
Abs ac :
Non-au hen ici y o e e yday indi e ence, inau hen ici y, au hen ici y a e a ious
con igu a ions o ou ela ionship wi h being. The di icul y lies in holding “me” en i ely
esponsible o an app op ia ion o he meaning o being. Is i Dasein ha summons me
o i sel ? Unde wha ci cums ances? The di e en ways o ela ing o he meaning o
being allow o a dynamic and complex me amo phosis ha s a s om an a e age way o
being, in which we go along, nei he well no badly, we a e like e e yone else in gene al
and no one else in pa icula , and we can go on o expe ience sel -app op ia ion, he
au hen ic esolu ion o meaning, as well as o al loss and aliena ion. I was impo an o
us o analyze he si ua ions in which we expe ience o ms o emp iness, in e up ions o
he agenda. Wha do we do wi h down ime, when we can’ do any hing, o e en wi h los
days? And when he low ha connec s us o li e comes again, whe e does i pull us om?
The enable comes om he u u e. F om he e e e be a es a cadence wi h a one ha
opens us up o he possible.
Keywo ds: Au hen ici y, p eoccupa ion, possibili ing.
1. In odução às as di e sas possibilidades de cada um se na elação com o seu se
Na análise da nossa elação com a p eocupação (So ge), a designação pa a o se do
Dasein, Heidegge iden i ica ês modos undamen ais de exis i mos:
a) A não inau en icidade (a indi e ença quo idiana que não é p ima iamen e
inau en icidade (p imä nich Eigen lichkei )1.
1 C . on He mann, F.-W. He meneu ische Phänomenologie Des Daseins. Ein Kommen a zu “Sein
und Zei ” II “E s e Abschni : Die o be ei ende Fundamen alanalyse des Daseins” §9-§27. F ank u
am Main: Klos e mann, 2005, pp. 40-42. Aqui, as ó mulas “indi e ença da quo idianeidade”,
“indi e ença quo idiana”, “medianeidade” não são p ima iamen e exp essões da inau en icidade
em con aposição à au en icidade mas “a medidaneidade das possibilidades da exis ência mediana
que não se ele am ou des acam de ou as possibilidades” (“Die Indi e enz de All äglichkei ode
all ägliche Indi e enz heiß auch ‘Du chschni lichkei ’, abe p imä nich als Uneigen lichkei
gegenübe de Eigen lichkei , sonde die Du chschni lichkei de du chschni lichen, nich
he ausgehobenen Exis enzmöglichkei en”).
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b) A inau en icidade (Uneigen lichkei ).
c) A au en icidade (Eigen lichkei ).
A es a égia a gumen a i a de Sein und Zei (SZ) pa a p ocede ao isolamen o da
o alidade do sen ido ho izon al e c ónico da empo alidade do se do Dasein –a p o o-
es u u a (U s uk u ) da p eocupação– pa e da iden i icação da zona neu a e indi e en e
da não inau en icidade, p ima iamen e e o mais das ezes (zunächs und zumeis ), da
quo idianeidade mediana (du chschni liche All äglichkei ). Segundo Heidegge ,
o Dasein não de e se logo in e p e ado no início da sua análise na di e ença
de um exis i de e minado, mas de e p imei amen e se descobe o no
modo de se como é p ima iamen e e o mais das ezes2.
O que, con udo, amos p opo é uma adicalização da in e p e ação. P e endemos
explo a como p imei a hipó ese he menêu ica a possibilidade ac i a, não neu a, nem
indi e en e, da possibilidade exp op iado a de si –a po ência ac i a da desau o ização
maciça e o al do si, em p ocessos de au oalienação.
A inau en icidade do Dasein não signi ica qualque coisa como um se
‘meno ’ ou um g au ‘in e io ’ de se . A inau en icidade pode an es
de e mina o Dasein de aco do com a sua mais in eg al conc eção, como
quando es á cheio de abalho, absolu amen e es imulado, com um
in e esse o al nas coisas, a ui e goza emendamen e com elas3.
No é imo das possibilidades adicais de nos elaciona mos com o sen ido do Dasein es á
o ‘eigen’ (p óp io) p esen e nos e bos: exp op ia [-se] (sich en eignen) e ap op ia [-se]
(sich aneignen) ou nos subs an i os ap op iação (Aneignung) e exp op iação (En eignung).
A adução de oda es a e minologia pa a po uguês gi a an es à ol a do sen ido de se
e não se au ên ico, de au en icação e a i icação ou anulação e desau o ização. Assim,
p ocu a emos explo a alguns enómenos em que nos pa ece a nós que não somos nós
p óp ios. Fac o de que assim sucede po ezes é o que a es a o nosso ala de si uações
em que, de algum modo, “não es á amos em nós” ou “não somos já as mesmas pessoas
que é amos”. Tais al e ações podem da -se de um momen o pa a o ou o ou ab ange em
longos pe íodos de empo.
Ve emos como es as possibilidades de desapossamen o de si podem se ac i as
e conduzi em a p ocessos e es ados de ex-p op iação ou alienação que nos o nam
e ec i amen e ou os. Al e amo-nos. Pa a u iliza o equi alen e po uguês da exp essão
2 HeiDegge , M. Sein und Zei . Tübingen, Niemeye , 1986. p. 43.
3 Ibid.
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A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
de Theunissen nou o con ex o p oduz-se uma ou ância (Ve ande ung)4. Ainda assim,
e e i -nos-emos à possibilidade em causa como inau en icidade, podendo a sua ac uação
sob e as nossas idas e o e ei o su ido sob e elas se mais ou menos anódino. Mas
ambém pode se noci o e causa danos mais ou menos pe manen es ao si. O uso dos
e mini echnici Eigen lichkei /Uneigen lichkei se ão assim aduzidos espec i amen e
po au en icidade/inau en icidade a despei o de odas as ques ões que a unila e alidade
possa susci a 5.
A nossa segunda hipó ese he menêu ica e i a ao si qualque au o idade já ga an ida
pelo ac o de nos ha e mos ou e mos –como que que se en enda o sen ido desses
e bos– a nós p óp ios. Somos ainda as mesmas pessoas quando passamos po si uações
em que so emos um impac o al na es e a emocional ou no plano e ec i o em que icamos
es acelados? Fac o é que as mais di e sas si uações po que passamos, em que caímos,
que c iamos, as mais di e sas ci cuns âncias da ida, na elação com os ou os, o mundo,
a ida, implicam-nos desde semp e já numa elação consigo. Ou seja, az pa e in eg an e
de cada um de nós acha -se numa elação singula e a e compo amen os exclusi os sui
gene is consigo. Cada um de nós i e desde semp e já, sem in e upção, consigo, p imá ia
e p imo dialmen e. E exis e po si.
O co olá io des a segunda assunção az que eu não seja o p óp io de mim, nem
mesmo quando coincido comigo na elação e lexi a de se eu a e lec i -me a mim, em
mim, sob e mim. Quem cada um de nós é, exis e como agen e de acções que in e êm
em si, nos ou os e no mundo, mas é ambém o e minus ad quem dessas mesmas acções.
Somos assim, cada um de nós, uma complexa ede de elações es u u an es da nossa
manei a de se não apenas connosco, com o mundo e com os ou os. Es a es u u a
elacional é ac i a, eac i a ou passi a, de acção ecíp oca. Na sua p óp ia ipseidade
p oduzem-se sime ias e assime ias, oscilações en e o que é es á el e se equilib a com
acilidade e o absolu amen e ins á el, pe icli an e, ágil, desequilib ado. Es a o ma de
inculação de mim a mim, se assim se pode dize , não é, con udo, p ima iamen e e lexi a
nem ão pouco o acesso que eu enho a mim é em p imei a linha de na u eza cogni i o
ou eó ico. O se que de cada ez desde semp e eu sou não é p ima iamen e nem o mais
das ezes, mas apenas de uma o ma abas a dada e ilegí ima: eó ico, cogni i o, e lexi o.
4 C .: Theunissen, M. De Ande e. Be lim: De G uy e , 1965. Pa a uma análise da elação com o ou-
o, c .: Caei o, A. de C. O Acesso a Ou em Como Si No Seu Aí. Didaskalia, 38.1, 2008, pp. 227-56.
5 Au hen ikos, ē, on: ga an ido, au ên ico da calig a ia de alguém; “o iginal” das ca as que alguém
esc e eu; de alguém que ao ala o az com au o idade. Po an o: genuíno, não also, au ên ico, não
impos o , o p óp io, não ou o. C .: Hen y Geo ge Liddell, Robe Sco , A G eek-English Lexicon, Α
α, www.pe seus. u s.edu/hoppe / ex ?doc=Pe seus%3A ex %3A1999.04.0057. Acc. 16/11/2023.
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P ima iamen e quem eu sou sabe como, e qual, é a sua manei a de se . Eu sei bem quem
sou. Comp eendo-me “exis en e no modo de uma comp eensão do se ”6.
2. O ap op ian e
Essa elação de comp eensão com o meu se , con e indo-lhe ou e i ando-lhe sen ido,
a o ecendo-o ou, pelo con á io, sendo-lhe p ejudicial, é uma elação pa a a ida a é que
a mo e nos sepa e. Não é suscep í el de di ó cio, mesmo que seja con li uosa e de di ícil
coabi ação. O que nos impo a aqui é, en ão, em p imei o luga , delinea o sen ido, a
ex ensão, as consequências, as o mas de comp eensão e possibilidades de in e p e ação
de expe iências ex emas de desen aizamen o, de desap op iação ou exp op iação de si.
Po an o, de expe iências conc e as de des io do p óp io em que deixamos de es a em
nós, icámos i ados do a esso, o a de nós, en im, si uações que omos nós mesmos que
c iámos, mas ela i amen e às quais, depois de passadas, dizemos que não é amos nós,
es á amos i econhecí eis. Os ou os dizem: não e as u.
Em segundo luga , e emos de en a comp eende (“ en a comp eende ” en endido
aqui igo osamen e como um concei o ope a ó io) que a p óp ia possibilidade e i icada
de ac o de se da o acompanhamen o do sen ido das desin e enções de nós pelo si não
conduzi am a p ocessos de sup essão o ais da elação consigo. Que dize , a um es ado
de alienação absolu o. Is o é, se sob e i emos pa a con a o que se passou é po que de
ce a manei a eg essamos a nós p óp ios, endo passado pelo que já passámos. Isso é
um ac o inegá el. Ainda assim, é o cai de no o em si que se e ela como p oblemá ico.
De que o ma podemos ol a a ocupa um sí io de onde omos expulsos? Vol amos a
se quem é amos? Somos ainda os mesmos, nós p óp ios ou ul apassamos o pon o de
onde não há e o no? Sem dú ida epõe-se a no malidade do habi ual habi á el. É ce o
que somos azidos a um ho izon e es á el. Mas os p ocessos de ecupe ação po que se
passa pa a nos ecompo mos são p ecisamen e isso: p ocessos de ecupe ação e nunca
se ol a nunca a se o que se e a nem a i onde se es e e. Nunca nada é o mesmo. O que
le a à pe gun a pelo sen ido do domicílio e da coabi ação de mim comigo. E se, embo a
endo exis ido desde semp e em mim, aco dando o mesmo que ado meceu, ol ando a si
o mesmo que se pe deu, sendo eu mesmo quem p es a a enção àquilo de que se dis aiu,
se encon a, quando pe dido, se ap esen a depois de ausências, ol a a se o mesmo
depois de e andado esquisi o, se au o a i ma como o mesmo, quando lhe dizem que
es á mudado, e c., e c., e se, ol o a epe i -me, não hou e legi imidade pa a o sen ido
do se (Sein) do en e (Seiende) que eu desde semp e sou? E se o sen ido do ho izon e de
6 Heidegge , M. Sein und Zei . Ci ., p. 12.

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onde nos des iámos, de que icámos exp op iados e que oi alienado de nós o ão pouco
nosso que não sabemos bem a que eg essamos quando o decu so da ida é epos o,
quando nos habi uamos de no o à no malidade das coisas? E se eu ol a ao que e a, mas
nunca i esse sido o p óp io?
O pon o de pa ida implica uma in e p e ação pa adoxal e apa en emen e
con adi ó ia do p ocesso do acon ecimen o ap op iado de si, de cons i uição de
legi imidade do ca ác e genuíno da au en icidade. Se pode íamos acha que é amos
nós que nos o ná amos em nós p óp ios, que é amos agen es da conse ação ou da
possibilidade do eg esso a si, o con á io pa ece se o caso. A mudança de mim no
p óp io, o acon ecimen o ap op ian e (aneignend) em do p óp io si a é mim: dá-me a
comp eende como é comigo, o meu jei o e manei a de se : quem sou eu como e a pa a
e sido (e eignende E eignis, qua en we ende En wu e gewo ene En wu ).
O ap op iado que me muda e o na au ên ico, o e eignendes E eignis, is o é, o
ap op ian e que me con igu a a mim em si, o en we ende En wu , is o é, o lance que
de an emão me p ojec a a mim po si e pa a si e desse modo me me amo oseia em
gewo ene En wu em que desde semp e já me encon o lançado a se é o ope ado ,
o agen e, o e minus a quo do encon o. Acon ece-me e az-me acon ece se eu: a inge
e isa e ospec i a e age e oac i amen e sob e mim ao pon o de me mobiliza , ao
con oca -me p oac i amen e pa a o que há-de se de mim. Ensaia-se, assim, asgos de
p ospec os na sua di ecção e sob sua o ien ação. O ca ác e de se des e enómeno
exis encial unda-se num p incípio cuja o igem e p o eniência é g a ui o, o e ece-se,
mas pode man e -se inde inido e inde e minado. Fac o é que i ompe de modo súbi o.
De epen e, es á aí a en ol e -nos sem da mos con a de como eio. Ou en ão assal a-
nos de o ma iolen a, in asi a. In ome e-se. Ocupa as nossas idas. O ca ác e de se
de odos os enómenos adicalmen e exis enciais p ojec ados e ei os acon ece como
E eignis ou En wu é al como Heidegge desc e e o enómeno ôn ico exis encial do g i o
da consciência (Ru des Gewissens):
O g i o na e dade não é jus amen e nunca planeado po nós p óp ios, nem
p epa ado nem olun a iamen e execu ado. G i a-‘se’ con a a expec a i a
e na e dade a é con a a nossa on ade. […] O g i o sai de mim e a inge-me
a mim7.
O que assim acon ece não em qualque conside ação po quem que que seja. Dá-
se com o mais comple o des espei o pelas pessoas. Não em qualque conside ação po
mim e po a-se a despei o de mim.
7 Ibid., p. 275.
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Às pe gun as pelo nome, posição, o igem e epu ação não apenas se
ecusam espos as, mas ele nem seque dá a mínima hipó ese pa a nos
habi ua mos a ele com uma comp eensão da exis ência o ien ada pelo
mundo8.
3. A elação assimé ica de mim com o si: uma ca ac e ização do Dasein
Mas quem é esse eu de mim comple amen e di e en e que como que az depende de si
e da sua capacidade de acção o p esen e, como se o p esen e não se cons i uísse po um
agen e que nos é absolu amen e ex ínseco?
O Dasein ca ac e iza-se on icamen e de o ma eminen e po is o: o que
es á em causa pa a es e en e é o seu p óp io se , no seu se . Faz pa e da
cons i uição do se do Dasein, po ém, que enha, no seu se , uma elação
de se com es e se . E is o que dize , po sua ez: o Dasein comp eende-
se de algum modo e de o ma mais ou menos explíci a (Ausd ücklichkei )
no seu se . É uma qualidade pe encen e a es e en e que com o seu se e
a a és do seu se , es e e ela -se-lhe a ele p óp io9.
A o mulação é compac a e ex emamen e densa. Dá exp essão de uma complexidade
de elemen os es u u ais e da espec i a implicação de uns nos ou os. O ca ác e dis in i o
do Dasein é se um en e (ein Seiendes) que em cons i u i amen e “uma elação de se ”
(Seins e häl nis) com o seu se . A elação de abe u a comp eensi a en e o Dasein e o seu
se é cons i u i a. O Dasein exis e elacionalmen e “no seu se pa a es e se ” (in seinem
Sein zu diesem Sein). “O Dasein comp eende-se” (Dasein e s eh sich) “com e a a és”
(mi und du ch) de uma abe u a de sen ido ao, e do, seu se . As o mulações “in seinem
Sein zu diesem Sein” (no seu se pa a es e se ), “mi und du ch” (com e a a és) incam a
implicação do Dasein no seu se . A p óp ia e ó ica que dá exp essão ao en ol imen o do
Dasein com o seu se deixa bem sublinhado que o Dasein não em o p o agonismo.
A) Não que não igu e como sujei o no nomina i o.
A.a) pa a se al o de dis inções ôn icas: “Das Dasein is dadu ch on isch
ausgezeichne , daß (O Dasein é ca ac e izado de o ma dis in i a de modo
ôn ico a a és do ac o de que…), mas na oz passi a
8 Ibid., p. 274.
9 Ibid., p. 12.
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A.b) ou pa a se econhecido no seu se : “Das Dasein e s eh sich” (O
Dasein comp eende-se a si). Aqui, po ém, na oz e lexi a com á ios ma izes
semân icos: in e esse, ecip ocidade, e lexi o, a é apassi an e.
B) A cons ução p onominal: “es is seinem eigenen Sein übe an wo e ” (Es e en e
es á en egue ao seu p óp io se ).
B.a) Fac o ele an e é, além do mais, es e que su ge semp e isado em casos
oblíquos:
B.b) como complemen o indi ec o “ihm selbs e schlossen is ” ([es e en e] es á
abe o a si mesmo) da abe u a e e elação do seu se .
B.c) a maio pa e das ezes como complemen os de e bos de egência
complexa: “es geh diesem Seienden um sein Sein” (es e en e diz espei o ao
seu se , impo a a es e en e o seu se ) “[d]iesem Seienden eigne ” (é p óp io
des e en e, pe ence p op iamen e a es e en e) como da i o de espei o ou
in e esse e como da i o de posse.
B.d) Quando é o in ini i o, se , que apa ece como sujei o: “Das Sein is es,
da um es diesem Seienden je selbs geh ” (O se é aquilo que desde semp e já
diz espei o a es e en e, é o se que desde semp e já impo a p op iamen e a
es e en e), pe cebe-se a o igem e a p o eniência cons i u i as e es u u an es
do Dasein.
A elação es u u al do Dasein com o seu se pode, assim, se comp eendida como
au o- e e encial mas assimé ica. Mesmo os es o ços mais ac i os emp eendidos pelo
Dasein na en a i a de comp eende o que é que es á em causa no seu se deixam pe cebe
a sua essência ob igada a um ínculo. É o p óp io se do Dasein que é p oblemá ico. O se
do Dasein es á, po assim dize , semp e em causa. O se do Dasein é uma ac i idade e é
po isso um in ini i o, uma o ma nominal do e bo se . Mas não é nunca um en e, uma
subs ância. O Dasein uni e sal em cada humano ob iga a comp eende de que é que se
a a, o que impo a, ao exis i mos. Não há assim ecip ocidade. O se do Dasein dispensa-
lhe sen ido. Comp eende-se nessa a mos e a em que se mo e, mas não coincide com o
se . Pois, az p ecisamen e pa e do p oblema do Dasein que a comp eensão que em do
que es á de cada ez em causa pa a si, o seu se , não seja anspa en e. A elação de cada
um de nós com o ac o de es a mos i os, po exemplo, pode não es a explici ado. Se
eu quem es á i o e ha e a ida são enómenos de di ícil a iculação. Eu não sou a ida.
Eu sou po ado da ida. Eu enho uma elação com o ho izon e empo al que é a ida
no seu anscu so, em con agem dec escen e, a c ia p oblemas ou simplesmen e aí pa a
se i ida.
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ISSN 2695-9011 - E-ISSN 2386-4877 - DOI: 10.12795/DIFFERENZ.2024.I10.02 pp. 33-65
A abe u a comp eensi a do Dasein ao sen ido p oblemá ico do seu se não o deixa
sem eacção. Pode é esponde apenas de o ma elemen a ao a a do que de cada ez
pode es a em causa pa a exis i . O que não que dize que se comp eenda o almen e
expos o num ho izon e de sen ido cons i uído pela comp eensão da in e pelação
mul idimensional que o p eocupa. A elação en e o Dasein e o seu se deixa pe cebe
uma sime ia de in e esses. O Dasein age no seu p óp io in e esse. O seu se e ela-se-
lhe como dizendo-lhe espei o. Ou seja, a abe u a comp eensi a implica a acção e o
es o ço do Dasein, é um exe cício seu, diz-lhe espei o, a a do que es á em causa, age,
po assim dize , no seu p óp io p o ei o, pa a sua an agem e in e esse. Mas o se do
Dasein em in e esse em se comp eendido no que e ela e ab e à comp eensão. É o se
do Dasein, geni i o objec i o: az se o Dasein ao ab i-lo à comp eensão de que é pode
se o que desde semp e de cada ez já em es ado em causa. Se pa a o Dasein é uma
ocupação de se e dias po semana, in e e qua o ho as po dia. Es a é a condicio ác ica
da nossa exis ência. No §9 de SZ onde se expõe o ema da analí ica do Dasein, lê-se uma
e o mulação do que icou es abelecido:
Como en e des e se o Dasein exis e en egue ao seu p óp io se . O se é
o que p op iamen e desde semp e de cada ez es á em causa pa a es e
en e. 1. A “essência” des e en e eside no seu pa a se /po se , Zu-sein. (…)
A essência des e se eside na sua exis ência. (…) Os ca ac e es apu á eis
nes e en e não são, po conseguin e, p op iedades objec i amen e pe an e
de um en e pe an e que pa ece e es e e aquelou o aspec o, mas são
semp e de cada ez já modos possí eis de se e apenas isso. 2. O se que
es á em causa pa a es e en e no seu se é se já semp e de cada ez o meu.
(…) Ao e e i mos o Dasein emos con inuamen e de enuncia ambém o
p onome pessoal “eu sou”, “ u és”, de aco do com o ca ác e des e en e: a
qualidade de udo se já semp e de cada ez meu10.
Daqui esul a uma expansão undamen al que analisa a na u eza assimé ica de
ecip ocidade e a sime ia de in e esse. O Dasein exis e desde semp e en egue e expos o
ao seu se . Exis e sob sua dependência. A essência do Dasein é o seu se a ha e , se pa a
se , Zu-sein. A essência do Dasein é a sua exis ência. A na u eza da inculação do Dasein ao
seu se é de posse e não admi e escisão. Eu exis o con inuamen e com a ine i abilidade
da esolução do p oblema do se a ha e po se . O meu u u o em sido um p oblema
con ínuo com que enho de lida desde semp e, 24/7, sem di ei o a é ias (“s e s”). E se
a é ago a se em esol ido, não há undamen o algum pa a se ac edi a que ai con inua
10 Ibid., p. 42.
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ANTONIO DE CASTRO CAEIRO
A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
algo (Fehlen)20, o azio (Lee e)21, a up u a ou descon inuidade (B uch),22 que nos deixam
en egues à esis ência maciça à passagem do empo.
Num ní el de g ande concen ação no exe cício de uma a e a há momen os de
dis acção. A capacidade de concen ação a ouxa. Podemos e i icá-lo em di e sas
des ocagens o a do âmbi o daquilo que es amos a aze . Podemos a é e a da o me gulho
no io condu o que execu a a a e a, ealiza o abalho, desempenha compe ências. No
início de um dia de abalho podemos a é adia o início da concen ação. Podemos es a
ainda nou a equência disposicional, ainda em egis o oní ico, cansados po não e mos
do mido bem. Cus a en a na execução da a e a. Lemos os emails, lemos os jo nais do
dia, ou imos ainda uma música na ádio an es de en a mos na execução da a e a. Da
início à execução da a e a não pode se o çado. Não esul a de um ac o de on ade po
assim dize . O que se pode pe cebe é que a pa i de de e minada al u a somos le ados
po uma acção. Es amos, po assim dize , no meio das a e as. Con o me seja o caso
desde as a e as mais simples a é às mais complicadas, somos como que ocupados pelo
mundo peculia em que em luga a sua ealização.
O que se passa quando e ec i amen e se dá início a uma a e a? A p imei a ase de
uma aula, a p imei a ase lida, o começo da co ida de aquecimen o? Qual é o sen ido
pa a o pega em…, en a em…? Há uma espécie de acção que nos le a nas ho as a
desempenha compe ências, a execu a a e as, a ealiza abalhos a é mesmo quando
nos ob iga ao emp ego de habili ações e de sabe pe icial complexo. Mas não conseguimos
pe manece nes a ealização de a e as no desempenho das nossas compe ências. Há um
des io pa a um pensamen o que me ocupa, me p ende a a enção e que nada, nem de
pe o nem de longe, em que e com o que es ou a aze . Pode se um aco de musical
uma a ejei a, a lemb ança de qualque coisa sem impo ância que oco eu de éspe a,
pode se uma imagem, um lemb e e do que enho pa a aze da pa e da a de. O que
me oco e em e ica du an e algum empo e em o ca ác e de uma in e e ência que
me in e cep a e me des ia do que es ou a aze . Esse pensamen o in ome e-se sem eu
pe cebe po que azão, com que inalidade, e sem que eu me consiga des ia dele. Pode
escoa ão dep essa como a luiu. Pode, con udo, ica e in e po -se en e mim e o que
eu es ou a aze o dia in ei o. Dá-se como que uma in e upção da a e a, sou ocupado
po um con eúdo que pa a já in e p e o como o que me des ia do que es ou a aze ,
in e ompe a minha concen ação e a linha de acção em que a ac i idade em es ado a
20 Ibid., p. 75.
21 Ibid.
22 Ibid.

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deco e . Apesa da queb a de concen ação, posso de no o ol a a en a den o do
caudal que me az lui com a hie a quização e a o denação das a e as23.
Do mesmo modo que no p incípio da manhã me cus ou a en a no que es a a a
aze , pode se com di iculdade que ec io a si uação p agmá ica de desempenho de
compe ências, posso nunca nesse dia ol a a es a den o da coisa. Mas posso ambém
sem qualque di iculdade con i e com o que como con eúdo in asi o, in omisso ,
indesejado, a aze in e e ência não é su icien emen e o e pa a in e ompe
ab up amen e o que es ou a aze . Se a concen ação na a e a a execu a -se, na unção a
desempenha , no abalho a ealiza elege o núcleo de sen ido impo an e, decisi o, não
se pode dize que desca e odo um conjun o de con eúdos, in asi os, indesejados que
se in ome em na es e a da consciência ou que c iam ensão sem i em necessa iamen e
a uma ap esen ação plena e mani es a. O que sucede é jus amen e que eu pe cebo que
na ealização da a e a há como que uma endência pa a i e li e e desimpedido a
passagem das ho as, na emoção de obs áculos, na esolução de p oblemas a pa i de
um p og ama mais ou menos complexo e so is icado c iado pela minha si uação, pelo
con ex o complexo de conexão de si uações, conjun u as e con ex os em que a minha
ida se desdob a.
A é casa é uma meia ho a. […] Uma “meia ho a” não são 30 minu os, […]
é uma es ima i a, […] uma du ação in e p e ada a pa i da expe iência
p agmá ica que habi ualmen e azemos.”24 O que se passa com a pe cepção,
cálculo e es ima i a do empo que nos le a a aze um caminho, passa-se
ambém com a pe cepção do empo que nos le a a ealiza qualque a e a.
Mas é a comp eensão de que cada dia em uma “du ação” quali a i a
di e en e o que é espan oso e nos deixa pe plexo. Há dias que não damos
po que passem e ou os que cus am mui o a passa . Todos os dias êm
24 ho as e nenhum em a mesma qualidade de du ação. “Os caminhos
ci cuns anciais na di ecção de en es dis an es êm comp imen os di e en es
em cada dia”25.
A si uação de ealização da ac i idade, desempenho de unções, execução de a e as,
o abalho co esponde a uma espécie de ges iculação que exp ime um de e minado
23 Sob e as di e sas possibilidades de elação com a in e upção do abalho, boas e más,
desejá eis e indesejá eis, inespe adas, ú eis, indi iduais e colec i as, c : Je , Q.R.; Geo ge, J.M.
“Wo k In e up ed: A Close Look a he Role o In e up ions in O ganiza ional Li e”. The Academy
o Managemen Re iew, 28. 3, 2003, pp. 494–507.
24 HeiDegge , M. Sein und Zei . Ci ., p. 106.
25 Ibid.
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ANTONIO DE CASTRO CAEIRO
A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
sen ido. É aqui que o mais das ezes e p ima iamen e nos encon amos. Seja po que
gos emos do que azemos ou não, lhe demos impo ância, seja o melho ou pio emp ego
do mundo. Há qualque coisa na ac i idade associada ao abalho, qualque que seja a
in e p e ação do seu sen ido, que nos le a num io condu o , numa acção em di ecção
à passagem do empo, à en ada no mundo e à cons ução de um sen ido pa a a i ência
da passagem das ho as nele. T abalha é uma o ma de en a mos no luxo das ho as e
do empo de da mos con eúdo à o ma do empo, de i mos nas ho as, de e mos uma
agenda, de se mos o que azemos, de e mos uma iden idade.
7. La ga o dia, ho a o a do expedien e
O im do dia in a ia elmen e co esponde à in e upção da ac i idade que deixamos pa a
p ossegui no dia seguin e. E se i e sido dada po concluída, ha e á semp e ou a pa a
ealiza . É assim quando azemos um in e alo pa a o que o ou quando acabamos um dia
de abalho pa a o e oma no dia seguin e. De semana a semana, de mês a mês, ai-se
cump indo o que co esponde à especi icidade da ealização de p og amas de esolução
de p oblemas deco en es da si uação complexa a que co esponde o abalho. Mas há
uma si uação de segunda o dem a que nos emos e e ido e que em que e com o
p óp io sen ido do abalho como a ealização de uma ac i idade que p eenche, com que
ocupamos o empo, ganhamos a ida, nos man ém ac i os. In e p e amos essa ac i idade
como o esul ado p og amá ico de um p oblema que se nos põe a inacção, o azio de
ac i idade26. Assim, o abalho é uma possibilidade de emp ego de si com uma ocupação
que nos des ia des a e são complexa em que nos encon amos quando não emos nada
pa a aze e não conseguimos aze empo. Independen emen e das ac i idades a que
nos en egamos sejam ou não conside adas abalho, das di e sas o mas de con e i
g aus de dignidade ao que azemos bem como de acha mos impo ância a de e minadas
ac i idades e inú eis ou as, é essa uga ao azio de ac i idade, como p oblema pos o po
uma si uação de e minada, a que o abalho em da p eenchimen o e um p og ama,
mesmo que enha di e sos objec i os27.
26 Sob e um aspec o posi i o da suspensão do empo da ac i idade pa a lexibilização do olha ,
c .: Da is, B.P. “P agma ic In e up ion: Habi s, En i onmen s, E hics”. William James S udies, 15.2,
2019, pp. 26–50.
27 Pa a uma análise he menêu ica da si uação enomenológica da expe iência que azemos da
i ência dos dias da semana, c .: Caei o, A. de C. Um Dia Não São Dias. Lisboa: Abysmo, 2015.
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8. In e upção do im do dia
In e upção do im do dia quando eu não sou eu po não es a em mim po con as e
com o modo de me encon a no exe cício das minhas unções. En e o im de cada dia
abalho e o início de um ou o dia, an es da ho a do jan a , há empo disponí el pa a o
que o . Essa ho a de im do dia, an es do jan a , se não hou e nenhuma u gência, cus a a
passa . É um empo de i agem. Es amos en egues a nós p óp ios. Temos de ocupa esse
empo. É um empo de eg esso a si, de desin es imen o da a e a. Não é necessa iamen e
um empo de descon ação e de elaxamen o. Podemos e uma ac i idade que nos dê
p aze , que p eenche o empo. Mas podemos ambém es a à espe a da ho a do jan a ,
ou das no ícias, numa a essia do empo di ícil de aze -se. Aí há uma espécie de hia o
de empo28. Quando não há nada agendado, emos de aze empo como que que seja.
Depois, há como que uma luidez no caudal do empo que nos le a nas ho as. Já são
dez ho as. Não se pe cebe como se me gulhou no empo e se oi luindo das se e às
dez, passando pelas ho as d amá icas das se e às no e. A que é que co esponde essa
di iculdade do empo que cus a a passa ? Há uma espécie de ese a do empo a admi i -
nos, uma en ada p oibida, uma in e dição e impe meabilização do empo. Não há nada
que se consiga aze : ou i música, e um p og ama na TV, passea , le . Ficamos sem
ecu sos pa a in adi e ocupa o empo num ins an e. Não há sen ido nem di ecção ou
o ien ação, pa a me gulha mos na co en e do empo e se mos le ados pelos con eúdos
dis ibuídos sequencialmen e no empo, como inha acon ecido ao longo do dia, como
acon ece po ezes. A pa i de de e minada al u a somos puxados po con eúdos que
se o ganizam sequencialmen e a pa i da sua p óp ia agenda. Se dá amos con a da
impe meabilidade, da edação do empo, al que não conseguíamos me gulha nele pa a
i mos na co en e, ago a pe cebemos que me gulhamos e somos le ados a é às dez ou
às onze.
Mas não é necessa iamen e de con eúdos o que aqui se a a. Pode pe ei amen e
ha e uma acomodação da iné cia do mo imen o que con inua quando eu já pa ei,
deixando sem consegui a e a na si uação em que eu ago a me encon o. Con inuo
ainda com os p oblemas do abalho, p og amado pa a esol e ques ões que ago a não
28 Colapie o, V. “Expe imen s in Sel -In e up ion: A De ining Ac i i y o Psychoanalysis, Philosophy,
and O he E o ic P ac ices.” The Jou nal o Specula i e Philosophy, 30.2, 2016, pp. 128–143. “How o
go on […] A e we indeed o go on? Can we e en ind he esou ces o go on? Ough we e en y o
do so, and a wha cos ough we pe sis in going on wi h his endea o ? The possibili y o s opping
ou sel es becomes, a ce ain junc u es in ou his o y o en anglemen s, pa o he e y ac uali y
o a p ac ice o ac i i y.” É semp e possí el conside a de o a a au obiog a ia com assen e em
ca ac e ís icas de assimilação ac i a, in eg ação. Nou os momen os, po ém, az-se a expe iência
da “in e upção, issu a, agmen ação” (Colapie o, 2016, pp. 133-134).
52
ANTONIO DE CASTRO CAEIRO
A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
são de e minan es, es ou ainda na somb a p ojec ada pela si uação do abalho, ainda
não desliguei. Le o comigo o dia odo. E po ou o lado não consigo cons i ui ou o
ho izon e de i ência, habi ua -me à si uação do se ão, da saída do abalho, de o e
la gado. Faço udo e mais alguma coisa e é como se hou esse um campo de o ças que
me epele. Quando dou po mim a se puxado numa sequência de empo, não posso
dize e dadei amen e que é po que um con eúdo passou a se in e essan e, quando
os ou os não e am. Pode se o mesmo con eúdo ou os mesmos con eúdos que an es
es a am já a ac ua e que se o na am in e essan es. O que sucede é que os esquícios do
dia ú il acabam po se la ados e há uma disponibilidade pa a p og ama o se ão, a e -me
aos con eúdos que aí es ão e que são os que es a am: há o con eúdo Δ x, depois, y e z e
cons i ui-se uma sequência empo al.
O que sucede nesse hia o? Eu le o comigo o abalho, não o deixo o a. Mas já não
unciono bem. Po ou o lado, embo a es ando já em casa, eu ainda não cheguei. A si uação:
e acabado de chega a casa ainda não ab iu pa a o seu con eúdo. Essas ho as podem
cus a a passa po causa de uma desocupação de mim, desin es imen o da ac i idade
p o issional, ou lá o que es i emos a aze . Não se inaugu a nenhuma ou a si uação. Não
es ou disponí el pa a es a em casa. Não consigo es a em mim e não es ou o a de mim.
Aquilo que me le a a nas ho as oi in e ompido. A minha manei a de es a ao se ão é
di e en e da minha manei a de es a no abalho, po que o malmen e se a am de duas
manei as de se comple amen e di e en es. E nada muda se abalha mos a pa i de
casa. Aí a é podemos e o con as e. Não que a é essa ho a es i éssemos numa di isão
do gabine e e depois na sala de es a ou na cozinha. O que muda é a i ência conc e a do
empo em duas si uações comple amen e di e en es. A minha manei a de es a quando
a abalha é di e en e da minha manei a de es a quando acabei de abalha , quando
me deixei ica po ali, po e acabado a ho a do expedien e. Ago a, es ou p esen e em
salas com peças de mobiliá io. Es ou com ou os con eúdos: es ou como quem es á na
sua sala de es a , mas eu não consigo es a lá.29 Não há nada que me en usiasme. Eu
es ou desocupado e não sou eu na minha manei a habi ual de abalha ou de es a
in e essado com o que es ou a aze : es ou exp op iado da manei a como habi ualmen e
me encon o, guiado pelas a e as, pelo exe cício de compe ências, na si uação em que se
29 Sob e o mas especí icas de imobilidade ou es agnação da ida das pessoas em pa icula da
pe cepção da es agnação da ida de algumas mulhe es e da comp eensão po con as e de uma
ida que segue ou seguiu em en e. A expe iência do empo e a pe cepção he menêu ica da
es agnação esul a das p óp ias o mulações da linguagem do po o: “segui com a sua ida pa a a
en e”, “ ica p eso do passado”. LahaD, K. “Taking a B eak.” A Table o One: A C i ical Reading o
Singlehood, Gende and Time, Manches e Uni e si y P ess, 2017, pp. 81–93. JSTOR, h ps://doi.
o g/10.2307/j.c 1wn0s66.9. Acc. 16/11/2023.
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desenham p oblemas e p og amas de esolução e de solução. Na sala de es a eu es ou
sem aze nada e nada me in e essa. Nada me descansa, não consigo es a em sossego,
nem e nada, nem ou i nada, p ocu o in en a a e as e não consigo ocupa -me. Es ou
imp op iamen e em mim.
Mas só apa en emen e e p imá ia e o mais das ezes. É jus amen e o que se pe cebe
pelo con as e en e o dia de abalho p o ei oso e que co eu bem e o encla e que o
sepa a do se ão, da noi e. Podemos in e p e a que ao se ão somos mais nós, po que não
somos de inidos po nada que açamos, não somos o iciais de um o ício, p o issionais de
uma de e minada á ea. Somos como quem es á na sala de es a , à espe a. Con i emos com
maples, so ás, mesas, cadei as, quad os, ele isões, apa elhagens de som, ádio, li os.
Mas não azemos nada disso. A si uação em que nos encon amos é de impe meabilização.
Não es amos em nós, es amos exp op iados da manei a de se da zona de con o o, a
que es amos habi uados. Aí pode ala -se de inau en icidade num de e minado sen ido,
exp op iação, de um i e mos de um modo inquali icá el: quem sou eu enquan o me
encon o na sala de es a , mas não es ou. Como e emos, há uma in e p e ação di e en e
pa a es e modo de se que não é o modo como eu me encon o nem o mais das ezes nem
p ima iamen e e que pode ab i à dimensão em que a au en icidade cons i u i a de mim
se az sen i , pode in e pela -me30.
9. Um dia pe dido
Um dia pe dido é passado comple amen e ao la go.
Ao mesmo empo, a ausência de algo p esen e, cuja p esença quo idiana
e a ão e iden e que nem seque nos ape cebemos dela, é uma up u a dos
con ex os e e enciais descobe os na ci cunspecção31.
Se o dia é o ho á io, o deposi á io de ho as. Cada ho a le a-nos à seguin e sem
agenda. O sen ido da sequência das ho as não é nenhum. Não pa ece ha e di ecção ou
o ien ação alguma. Pa a onde ão esses dias? Não é como se es i éssemos desa en os ou
30 A banalidade do dia-a-dia pode coincidi com um dia pe dido em que nada se ez. Veja-se po
exemplo, Scho , R. “Going Home: The E e yday as a Space o (Dis-)Connec ion in A hu Schni zle ’s
Liebelei”. Aus ian S udies, 27, 2019, pp. 58-73. Na peça F i z diz a Ch is ine, o que az du an e o dia:
“I a end lec u es –occasionally– hen I go o he co ee house ... hen I ead ... some imes I also
play he piano – hen I cha wi h whoe e – hen I isi iends” Mas diz ele: “i is all eally i ele an .
I is bo ing o e en alk abou .” O que aqui emos é a p óp ia banalidade dos hábi os diá ios, uma
elação sem ínculo ao in e esse ao que alguém az. E po isso “ equi es some hing mo e, some
ex ao dina y d ama, he d ama o he da k e ening hou s” (Scho , 2019, p. 64).
31 HeiDegge , M. Sein und Zei . Ci ., p. 73.

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ANTONIO DE CASTRO CAEIRO
A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
desconcen ados. Esses dias pesam imenso. São di íceis de i e . Aquilo com que icamos
no im de um dia pe dido é a p óp ia o ma da ida ela i amen e à qual o que azemos
se ap esen a como a eacção compulsi a a essa obsessão. Ficamos com o p eocupan e.
O p eocupa -se consigo não é como emos is o um compo amen o ôn ico, uma
elação en e nós com o que que que seja com o sen ido da p eocupação, do zelo, da
emulação, do es o ço, do que que que seja com es e sen ido. O p eocupa -se consigo
em a sua o igem no si que se p eocupa, como se osse o si ac i o, que es á no es o ço
ap op ian e de si e assim ambém de nós, de cada um de nós na ida que o con o ma.
O que p eocupa é o si do cuidado que se p eocupa consigo, que se de ende como pode.
Os dias pe didos icam como que ida o a ou nós nos íssemos como ou os de ou a
ida. Mas há dias que nos passam ao lado, em que não apa ecemos ao abalho, em que
al amos a qualque coisa, a que não demos aco do de nós. Depois, há o mas de ida que
me gulham nessa le a gia e a ida é esse ado mecimen o na la ência ela i amen e a si.
Mas como pode íamos se de ou a manei a? Como pode íamos se ou os?32
Há o mas de ausência ela i amen e a si em que não sabemos bem como chega mos a
nós p óp ios. Es amos lá comple amen e, en e edamos po linhas de acção ela i amen e
às quais não podemos ecua . Mas como é possí el an ecipa que assim é? Como
podemos e a ce eza de que não nos jogamos no abalho, na ealização das a e as de
que necessi amos, no gos o que azemos em de e minadas coisas? Como é possí el i e
um dia pe dido e espe a que seja ou o dia? Como quando acon ece aco da já no im
do dia e não o e ap o ei ado ou e pe dido uma opo unidade? Mas os dias podem
se o esul ado desse dia pe dido que passa ao la go e al ámos a qualque encon o, um
encon o que pode se com uma a e a, com uma pessoa, uma en e is a, com o dia, com
o empo do dia, em que não chegamos a aze nada dele. Nessa pe da i ecupe á el do
dia es á a comp eensão complexa da i ência conc e a dos dias es a em con ados, de as
opo unidades se em pe didas, das hipó eses diminuí em. No aumen o de p eocupação
ex emo com o que pe demos, um a ião, uma con e ência, um encon o que achamos
que em o ca ác e decisi o em que nos jogamos, em que achamos que ao passa po
32 Fishe , C.D. “E ec s o Ex e nal and In e nal In e up ions on Bo edom a Wo k: Two S udies”.
Jou nal o O ganiza ional Beha io , 19.5, 1998, pp. 503–22. C .: in e upções ex e io es: “ om
he ex e nal en i onmen en . The ad en o mobile phones, e-mail, ax machines, and noisy open
plan o ices means ha cle ical and p o essional employees a e equen ly in e up ed as hey
a emp o concen a e on a ask.” (Fishe , 1998, p. 504) Pa a exemplos da in e upções in e io es:
“mind wande ing, spon aneous cogni i e e en s, day-d eams, s imulus-independen hough , and
in usi e hough .” (Fishe , 1998, p. 505). O que se ap esen a aqui ão bem de inido é já o esul ado
ou consequência ou a causa do abo ecimen o? Não se pode aqui esponde a es a ques ão. Mas
es e ipo de esis ência cons i ui um dos “objec os” especí icos bem conhecidos de Schele e de
Heidegge . Gegens and (objec o) é Wide s and ( esis ência).
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isso, amos melho a , amos ganha uma opo unidade, o que pe cebemos com um dia
pe dido é que há uma al u a em que a pena que sen imos, o que lamen amos e aquilo de
que nos a ependemos é le ado ao seu pa oxismo. Há uma i ência conc e a da pe da, da
ausência, do que não oi, do que pode ia e sido e não comp eendemos como alhamos,
como al amos, como não compa ecemos, como não pudemos, como não conseguimos.
A p eocupação é com quem somos, como a manei a de se mos e que ine i a elmen e nos
em deixa no modo como nos encon amos. O pa oxismo az-nos sen i exac amen e o
sen ido disposicional do que oi pe dido: es a opo unidade não ol a, não es i e a en o,
descuidei-me e pe di-a. Em causa não es ão odas as milha es de coisas que pe demos
odos os dias, odas as idas que gos a íamos de i e só na nossa imaginação ou em
an asia, oda a mul idão de gen e que imaginamos se ou pode i a se . O que pe demos
somos nós p óp ios naquilo que e a o que de ia e sido ei o, de íamos e lá es ado,
de íamos e sido: o con eúdo especí ico daquilo a que alhamos implica-nos apenas na
impo ância do que ep esen a pa a nós33.
O dia pe dido é um dia pe dido com um con eúdo impo an e e conside á amos
decisi o pa a nós. A consciência aguda do seu ca ác e i ecupe á el, é o p eocupan e.
O p eocupan e em a sua de inição. Mas só à luz do de ini ó io é que pe cebemos o que
que dize a pe da: o empo é i ecupe á el e i e e sí el e nada é ul apassá el. Quan os
dias i emos pe didos na nossa ida e quan os o am os que le a am opo unidades,
ocasiões, hipó eses, possibilidades i ecupe á eis? Po que azão e de que modo é que
nos ol amos a acomoda à si uação? Como é que passamos pela as ixia do pa oxismo,
pelo es ei o que pa ece impossí el da possibilidade pe dida, da ausência po empo
de inido? Como é que o p eocupan e se dilui e deixa de p eocupa com a angús ia do
pe dido e da pe da i ecupe á el de opo unidades? A bem dize , nunca se dilui. Nunca se
ecupe a. É i e e sí el.
Na p eocupação inau ên ica le amos ao pa oxismo a pe da. Não se a a apenas
da p eocupação de p imei íssima o dem em que nos jogamos no que azemos, no que
somos ao execu a mo-nos no mundo, ao aze do mundo o campo de aplicação do
nosso emp ego, a escalona po hie a quia e o denação o que é o sen ido e o pólo de
acção em que somos o que somos. Na p eocupação inau ên ica que e dadei amen e
33 Ch os owska, S.D. “Consumed by Nos algia?”. SubS ance, 39.2, 2010, pp. 52–70: “Plunging
in o he deep wa e s o nos algia, we e-sensi ize ou sel es o he e ical dimension o pas
phenomena. This is whe e human exis ence can ind i s e ea , an asylum o i s ull po en iali y,
and whe e i mos esembles my h. Roman ic o philosophical nos algia e-enchan s and cu s bo h
ways: i has he powe o make he supe icial amilia deeply s ange, and he supe icially s ange
deeply amilia ” (p. 64). Pa a uma de e minação de disposições de segunda o dem, c .: Caei o, A. de
Cas o. “Pa adoxes o emo ional li e: Second-o de emo ions”. Philosophies, 7(5), 109.
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ANTONIO DE CASTRO CAEIRO
A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
nos desconcha a há uma p eocupação com o desp eocupan e, com o negligen e, com o
descuido ac i o que nos exp op ia de nós numa uga pa a a en e em di e sas dimensões
com di e sos g aus de in ensidade e de epe ição pa a a ob enção da exp op iação de si,
da alienação mais comple a do que qualque abalho.
10. Radicalização do p eocupan e e maximização da inau en icidade
E se a ida oda osse execu ada com con eúdos compulsi os pa a neu aliza e
desau o iza esse ou o eu que é quem eu gos a ia de e sido p ojec ado pela minha Idee
om Sein des Ganzen (ideia [que enho] do se da o alidade)?34 Nenhuma “exis enziale
In e p e a ion” (in e p e ação exis encial) pode esquece que o que a incula é “die
Seinsa des Daseins”(o modo de se do Dasein). “Os passos [de uma in e p e ação
exis encial] êm de se deixa conduzi pela ideia de exis ência”35.
A ideia ge al de sen ido de se é ão bem comp eendida po cada um de nós que
as di e sas o mas de inau en icidade são o esul ado passi o ou a espos a p ó-ac i a
a um se que se descob e es u u almen e no encaminhamen o da mo e. A ideia da
mo e, como a ideia de se ou a ideia de exis i , é a mani es ação da mo e que acon ece
enquan o se es á i o. A mo e não é comp eendida subs an i amen e. É ao deixa de
se , ao mo e que se comp eende que i e é con inuamen e es a a deixa de se .
Mo e é um modo de se ainda no in e io do se do Dasein. É uma possibilidade, ainda
que impossibili an e. “A mo e é a possibilidade da impossiblidade de qualque elação
e compo amen o que pe ença a qualque exis ência.”36 Se a mo e como enómeno
exis encial dá-nos a comp eende , com o seu acon ece -nos, a possibilidade adical e
ex ema do p óp io. O que a mo e dá a comp eende é que é um nomen ac ionis: é se
a mo e . O seu sen ido, o ien ação e di ecção são empo ais. A possibilidade da mo e
é ex ema. É “a possibilidade absolu amen e simples do impossibili an e pa a o Dasein”
(schlech hinnige Daseinsunmöglichkei )37.
O empo au ên ico do Dasein e ela-se como se no encaminhamen o incessan e na
di ecção da mo e. O empo do Dasein é semp e, con inuamen e, a mo e . O que se
e ela assim, não é o ac o da mo e como um acon ecimen o o a do mundo, mas um se ,
uma ac i idade, que az que exis amos semp e a deixa de se . A mo e não acon ece no
im, mas desde o p imei o momen o: é inul apassá el, i e e sí el, mas exclusi amen e
34 HeiDegge , M. Sein und Zei . Ci ., p. 47.
35 Ibid.
36 Ibid., p. 262.
37 Ibid., p. 250.
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DIFFERENZ. AÑO 11, NÚMERO 10: JULIO DE 2024
ISSN 2695-9011 - E-ISSN 2386-4877 - DOI: 10.12795/DIFFERENZ.2024.I10.02 pp. 33-65
minha. É na ib ação ensa com es e sen ido da possibilidade impossibili an e que se
comp eende o “se a es a lançado já pa a a possibilidade e ha ê-la já pe co ido em
an ecipação ou p e iamen e” (Vo lau en in die Möglichkei ).38 O que pe mi e comp eende
o p eocupan e não é assim uma cla a e dis inc a pe cep io de um ego, mas o ac o de me
encon a desde semp e já a se sum, não de um ego “mo ibundus”
Se ais ó mulas a iadas signi icam, em ge al, alguma coisa, o enunciado
adequado ela i o ao Dasein no seu se e ia de se : sum mo ibundus, e
não mo ibundus como uma pessoa g a emen e doen e ou e ida, mas na
medida em que, enquan o eu o , sou mo ibundus - o mo ibundus dá ao
sum o seu signi icado39.
É como eacção p imá ia ou como an ecipação p oac i a que se podem comp eende
as o mas e a essência da inau en icidade. A comp eensão da i e e sibilidade es u u al
do se do Dasein em mani es ações ex emamen e ag essi as na sua o ensi a con a
o si. Is o é, o si comp eende-se no seu se como o enquan o semp e e con inuamen e
a desag ega -se, a escoa , nunca conseguindo ixa -se, exis indo de o ma d amá ica
na ins abilidade da passagem. Nes a si uação, não se pode: non possum! A eacção
ao impossibili an e pode se não apenas o abandono de si ao mo imen o cen í ugo e
ciclónico que se agmen a e pul e iza (Wi bel, Wu , hineinwi beln)40. Pode se ambém
o es o ço ac i o do mo imen o de acele ação máximo desse p ocesso de desin eg ação
en ega e abandono de si.
A inau en icidade pode an es de e mina o Dasein na sua mais plena
conc eção na en ega à sua a e a ( icando sem empo pa a nada, na ânsia
es usian e pelo exci an e e es imulado , na de e minação absolu a que o az
es a em pulgas pelo in e esse, na de assidão do gozo41.
A inau en icidade é quando eu não sou o p óp io (nich ich selbs )42, quando ico
o a de mim, quando eu não sou eu, quando me dão on ades e ape i es de…, quando
sou in adido po , e ocupado po po ências que me deixam na u gência de ou em. A
inau en icidade pode se assim o nega i o es e ilizado simplesmen e neu alizan e
da elação de mim com o p óp io si. Ao a os a com a o alidade da possibilidade da
38 Ibid., p. 262.
39 HeiDegge , M. GA 20: P olegomena Zu Geschich e Des Zei beg i s. F ank u am Main:
Klos e mann, 1994, pp. 437-348.
40 HeiDegge , M. Sein und Zei . Ci ., p. 179.
41 Ibid., p. 43.
42 Ibid., p. 176.
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A ANGUSTIA E O PREOCUPANTE
pe da o al de sen ido ou pelo menos apa en e. Po an o, em si uações em que
cada um de nós se acha “ex-p op iado” de si p óp io, quando pa ece que não
impo a, não é ninguém. Na análise de si uação, p ocu amos sin oniza -nos com
si uações em que há uma di iculdade em deixa passa o empo ou em que o empo
cus a a passa . Em dias pe didos, ou nos mais di e sos con a- empos, a asos,
pe das, há a comp eensão do i ecupe á el. No malmen e, são oco ências,
mas podem se opo unidades, a é pessoas. Às ezes pe demos possibilidades
que achá amos que e iam mudado a nossa ida se as i éssemos ap o ei ados.
Quando essa possibilidade de pe da é a ida oda, quando passamos po si uações
em que achamos que nada ale a pena, pode da -se o caso de uma adicalização
ex ema da ida. A ida es á cheia de comp eensão, enquan o não nos ma a, pelo
menos. E de lá e e be a uma cadência com um om que nos ab e ao possí el ou
numa ou a o mulação, do u u o chega a possibilidade do po i possibili an e,
ap op ian e. Comp eende o modo como se é e se desse modo é um desígnio
a caico do humano: genoi’hoios essi ma hōn61
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61 “Ap ende a comp eende a se es como és e sê como ap endes e a comp eende como e as”.
PínDa o. Pí ica II, . 73.

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