scieee Science in your language
[pt] (orig)

Lesões por Acidentes de Trânsito e uso de medidas de segurança por imigrantes latino-americanos residentes em Sevilha

Abstract

Enquadramento: As Lesões por Acidentes de Trânsito (LAT) são a principal causa de morte entre os jovens a nível mundial. O risco destas lesões e o uso de medidas de segurança em jovens imigrantes que vivem em Sevilla não são conhecidos. Objetivos: Estimar a prevalência mensal auto-relatada de LAT e o uso de medidas de segurança em imigrantes latino-americanos, com idades compreendidas entre os 25 e os 44 anos, residentes na cidade de Sevilla (Espanha) em 2011. Metodologia: Estudo descritivo-transversal, com uma amostra representativa constituída por 190 imigrantes. Resultados: Os resultados demonstram que: (1) 3,7% sofreram LAT, sendo que o risco é maior nos homens, com idade superior a 35 anos, desempregados ou estudantes, com formação pelo menos ao nível do ensino secundário; (2) 3,5% conduziram um motociclo, automóvel ou bicicleta depois de ingerirem álcool ou consumirem outras drogas; (3) a maioria usou cinto de segurança (91,8% em automóveis) e capacete (77,8% em motociclos). Conclusão: Os imigrantes latino-americanos residentes em Sevilla têm um risco considerável de sofrer LAT, pelo que se recomendam intervenções de Enfermagem na área da educação para a prevenção deste tipo de lesões.

Read accessible full text

Lesões por Acidentes de Trânsito e uso de medidas de segurança por imigrantes latino-americanos residentes em Sevilha

Author: González López, José Rafael; Rodríguez Gázquez, María de los Ángeles; Lomas Campos, María de las Mercedes
Year: 2014
DOI: 10.12707/RIV14044
Source: https://idus.us.es/bitstreams/9d711787-e355-45e2-8398-b29bdbd5d9ee/download
Sé ie IV - n.° 3 - no ./dez. 2014
pp.105-111
Re is a de En e magem Re e ência
Resumo
Abs ac Resumen
RESEARCH PAPER
Lesões po Aciden es de T ânsi o e uso de medidas de segu ança
po imig an es la ino-ame icanos esiden es em Se ilha
Inju ies Resul ing om T a ic and sa e y measu es in la in-ame ican immig an s li ing in
Se ille
Lesiones a Consecuencia del T á ico y uso de medidas de segu idad po inmig an es la i-
noame icanos que i en en Se illa
José Ra ael González-López*; Ma ía de los Ángeles Rod íguez-Gázquez**; Ma ía de las Me cedes
Lomas-Campos***
Enquad amen o: As Lesões po Aciden es de T ânsi o (LAT) são a p incipal causa de mo e en e os jo ens a ní el mundial. O isco des as lesões
e o uso de medidas de segu ança em jo ens imig an es que i em em Se illa não são conhecidos.
Obje i os: Es ima a p e alência mensal au o- ela ada de LAT e o uso de medidas de segu ança em imig an es la ino-ame icanos, com idades
comp eendidas en e os 25 e os 44 anos, esiden es na cidade de Se illa (Espanha) em 2011.
Me odologia: Es udo desc i i o- ans e sal, com uma amos a ep esen a i a cons i uída po 190 imig an es.
Resul ados: Os esul ados demons am que: (1) 3,7% so e am LAT, sendo que o isco é maio nos homens, com idade supe io a 35 anos,
desemp egados ou es udan es, com o mação pelo menos ao ní el do ensino secundá io; (2) 3,5% conduzi am um mo ociclo, au omó el ou
bicicle a depois de inge i em álcool ou consumi em ou as d ogas; (3) a maio ia usou cin o de segu ança (91,8% em au omó eis) e capace e
(77,8% em mo ociclos).
Conclusão: Os imig an es la ino-ame icanos esiden es em Se illa êm um isco conside á el de so e LAT, pelo que se ecomendam
in e enções de En e magem na á ea da educação pa a a p e enção des e ipo de lesões.
Pala as-cha e: consumo de bebidas alcoólicas; usuá ios de d ogas; aciden es de ânsi o; e imen os e lesões; p e enção
de aciden es; cuidados de En e magem.
* Ph.D., P o esso , Faculdade de En e magem, Fisio e apia e Podologia. Uni e sidade
de Se ilha, 41009, Se ilha, Espanha [[email p o ec ed]]. Add ess o co espondence:
C/ Pu eza, nº 7, 41010, Se illa, Espanha.
** Ph.D., P o esso a, Faculdade de En e magem, Uni e sidade de An ioquia UdeA,
Calle 70 No.52-21, Medellín, Colômbia [[email p o ec ed]].
*** Ph.D., P o esso a, Faculdade de En e magem, Fisio e apia e Podologia.
Uni e sidade de Se ilha, 41009, Se ilha, Espanha [[email p o ec ed]].
Recei ed o publica ion: 09.08.14
Accep ed o publica ion: 26.09.14
Ma co con ex ual: Las Lesiones a Consecuencia del T á ico
(LCT) son la p ime a causa de mue e econocida a ni el
mundial en e los jó enes. No se conoce el iesgo de es as
lesiones ni el uso de medidas de segu idad de los jó enes
inmig an es que i en en Se illa.
Obje i os: Es ima la p e alencia mensual de LCT y el empleo
de medidas de segu idad en inmig an es la inoame icanos con
edades comp endidas en e los 25 y los 44 años que esiden
en la ciudad de Se illa (España) en 2011.
Me odología: Es udio desc ip i o de co e ans e sal con una
mues a ep esen a i a de 190 inmig an es.
Resul ados: Los esul ados mues an que (1) un 3,7 % su ió
LCT, un iesgo que es mayo en homb es meno es de 35 años,
desempleados o es udian es; (2) un 3,5 % condujo una mo o,
un coche o una bicicle a después de consumi alcohol u o as
d ogas, (3) la mayo ía u ilizó el cin u ón de segu idad (91,8 %
en coche) y casco (77,8 % en mo o).
Conclusión: Los inmig an es la inoame icanos que esiden
en Se illa ienen un iesgo conside able de su i una LCT.
Se ecomienda lle a a cabo in e enciones de en e me ía en
educación pa a p e eni es e ipo de lesiones.
Palab as cla e: consumo de bebidas alcohólicas;
consumido es de d ogas; acciden es de ánsi o; he idas
y auma ismos; p e ención de aciden es; a ención de
en e me ía.
Theo e ical amewo k: Inju ies Resul ing om T a ic
(IRT) a e he leading cause o dea h among young people
wo ldwide. The isk o hese inju ies and he use o sa e y
measu es in young immig an s li ing in Se ille a e unknown.
Objec i es: To es ima e he mon hly sel - epo p e alence
o IRT and he use o sa e y measu es in la in-ame ican
immig an s aged be ween 25 and 44 who li ed in Se ille
(Spain) in 2011.
Me hodology: A c oss-sec ional desc ip i e s udy was ca ied
ou in a ep esen a i e sample o 190 immig an s.
Resul s: The esul s show ha (1) 3.7% su e ed an IRT, wi h a
highe isk iden i ied in men olde han 35 yea s, who had a
leas comple ed seconda y educa ion and we e unemployed
o s uden s, (2) 3.5% had d i en a mo o bike, ca o bike a e
d inking alcohol o consuming o he d ugs; (3) mos o hem
used sa e y bel s (91.8% ca ) and helme s (77.8% mo o cycle).
Conclusion: These indings sugges ha la in-ame ican
immig an s who li e in Se ille ha e a signi ican isk o IRT.
Nu sing educa ional in e en ions a e s ongly ecommended.
Keywo ds: alcohol d inking; d ug use s; a ic acciden s;
wounds and inju ies; acciden p e en ion; nu sing ca e.
ISSNe: 2182.2883 | ISSNp: 0874.0283
Disponí el em: h p://dx.doi.o g/10.12707/RIV14044
Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014 Lesões po aciden es de ânsi o e uso de medidas de segu ança
po imig an es la ino-ame icanos esiden es em Se ilha
106
In odução
As LAT causam 800.000 mo es po ano na Eu opa
(Se hi, Racioppi, Baumga en, & Be ollini, 2006) e
mui os p oblemas de saúde, sob e udo ísicos. Mais
especi icamen e, nos países da egião medi e ânica,
a axa de mo es de ido a LAT é 28,5 po 100.000
habi an es, es ando acima da média mundial que
é de 10,3 po 100.000 habi an es (Wo ld Heal h
O ganiza ion, 2009). Nos jo ens es e p oblema é
pa icula men e impo an e uma ez que as LAT
são a p incipal causa da sua mo e (Wo ld Heal h
O ganiza ion, 2009).
Pa a aze ace à ele ada axa de mo es e p oblemas
de saúde é indispensá el implemen a medidas de
p e enção po o ma a eduzi o núme o de LAT. O
es udo des e enómeno é ainda mais ele an e na
população imig an e po es es i e em em condições
sociodemog á icas des a o á eis nos países que os
acolhem (Chak a a hy, Ande son, Ludlow, Lo ipou ,
& Vaca, 2010). Uma das consequências di e as
iden i icadas des e ac o é que no malmen e os
imig an es comp am eículos usados (Koziol-McLain,
B and, Mo gan, Le , & Lowens ein, 2000), o que pode
aumen a signi ica i amen e o núme o de aciden es.
A população imig an e em Espanha em aumen ado
signi ica i amen e desde 2000, egis ando um
c escimen o de 520% (de 923.879 pa a 5.730.667).
A ualmen e, es e g upo ep esen a 12,2% da
população a ní el nacional e 4,2% em Se ilha (Spanish
S a is ical O ice, 2012), sendo que a maio ia da
população imig an e é da Amé ica La ina.
Pa a se e uma isão ealis a da imig ação em
Espanha, é necessá io analisa a axa de aciden es
e o uso de medidas de segu ança, uma ez que a
e idência empí ica é mui o escassa. Assim, o obje i o
des e es udo é es ima a p e alência mensal de
au o ela os de LAT e o uso de medidas de segu ança
po imig an es la ino-ame icanos, com idades
comp eendidas en e os 25 e os 44 anos que esidiam
em Se ilha (Espanha) no ano de 2011.
Enquad amen o
De aco do com a O ganização Mundial de Saúde (OMS)
(WHO, 2009), as LAT podem se en endidas como
lesões, a ais ou não, que esul am de uma colisão
na es ada em que es e e en ol ido, pelo menos,
um eículo em mo imen o. Pa a além do núme o de
mo es, os p oblemas ísicos esul an es des as colisões
ambém se conside am ele an es pelo impac o
signi ica i o que podem e na saúde das pessoas.
Em Espanha egis a am-se 83.027 aciden es de
ânsi o em 2011, dos quais esul a am 2.060 mo es;
89% das í imas so e am e imen os le es. Em
Andaluzia, as LAT são a p incipal causa de mo e nos
jo ens (Escuela Andaluza de Salud Pública – EASP,
2012), sendo que Se ilha oi uma das cidades com
maio axa de aciden es e núme o de í imas.
Apesa de alguns dos seus e ei os não se em
comple amen e cla os, a li e a u a iden i icou como
a o es undamen ais pa a a LAT a idade (Chand an,
Sousa, Guo, Bishai, & Pechansky, 2012); o géne o
(Cen o pa a el es udio y la p e ención de la iolencia -
CEPV, 2011; EASP, 2012; Na ional Cen e o S a is ics
and Analysis - NHTSA, 2009); o ní el de escola idade
(CEPV, 2011; Sea h, Holakouie, Asadi-La i, Abbas,
& Malek-A zali, 2012); e o es ado ci il (Whi lock,
No on, Cla k, Jackson, & MacMahon, 2004).
No que diz espei o às medidas implemen adas pa a
e i a os aciden es, a OMS (WHO, 2012) e e e que o
uso do cin o de segu ança e do capace e eduz o isco
de mo e em 40% e o isco de auma g a e em 70%.
Po ou o lado, o Eu opean Moni o ing Cen e o
D ugs and D ug Addic ion (EMCDDA, 2008) es imou
que 1,3% da população que conduz um au omó el á-
-lo sob a in luência de uma combinação de álcool e
d ogas, sendo que es a é a causa de mui os aciden es
(D umme e al., 2004).
Ques ões de in es igação
Dada a impo ância do acima expos o e conside ando
a necessidade de in o mação sob e LAT ela i a a
imig an es em Se ilha, com idades comp eendidas
en e os 25 e os 44 anos, a nossa ques ão de
in es igação p ende-se com o es udo da p e alência
de LAT na população adul a de imig an es la ino-
ame icanos a i e em Se ilha e a sua elação com o
uso de medidas de p o eção.
Me odologia
Es udo desc i i o- ans e sal, ealizado en e 2010
e 2011, com ecu so a pa es do ins umen o
Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014
JOSÉ RAFAEL GONZÁLEZ-LÓPEZ, e al.
107
oi ei a uma análise pilo o p é ia (González-López
e al., 2010). A amos a inal é compos a po 190
imig an es la ino-ame icanos que i em em Se ilha
(Espanha), com idades comp eendidas en e os 25 e
os 44 anos. Os dados o am analisados com o SPSS
e são 21.0 pa a o Windows. Fo am ealizadas análises
desc i i as, eco endo a medidas de endência
cen al e de dispe são pa a as a iá eis quan i a i as e
a p opo ções pa a as a iá eis ca egó icas. As elações
en e as a iá eis de in e esse o am explo adas
a a és do es e qui-quad ado de Pea son (χ2). Se
as equências espe adas nas colunas da abela de
con ingência o em ≤ 5, u iliza-se o es e de Fishe .
Resul ados
Os esul ados são ap esen ados a pa i de: a) dados
sociodemog á icos dos pa icipan es (idade, sexo,
escola idade, país de o igem, es ado ci il – casados
ou em união de ac o, sol ei os, sepa ados ou iú os,
empo de pe manência em Espanha e ocupação a ual;
b) lesões esul an es de aciden es de ânsi o (como
condu o , passagei o ou peão); e c) compo amen os
de segu ança odo iá ios ao olan e (uso do capace e
nas bicicle as e mo ociclos e uso do cin o de segu ança
nos au omó eis), odos du an e os úl imos 12 meses.
Ca ac e ís icas demog á icas
A amos a é cons i uída po 190 imig an es esiden es
em Se ilha e ap esen a o seguin e pe il: a média de
idade é de 33,8 ± 6,3 anos; 60% são mulhe es; 45,3%
são casados, 36,8% são sol ei os e 8,9% i em com o
companhei o/a sem es a em casados; 3,7% não êm
es udos, 15,3% possuem ensino p imá io, 40% o ensino
secundá io, 16,8% educação supe io e os es an es
24,2% possuem diploma uni e si á io. Rela i amen e
ao país de o igem e i icou-se: Bolí ia (32,6%); Pe ú
(18,9%); Colômbia (16,8%); Equado (11,1%); Pa aguai
(5,2%); Chile (4,2%); B asil (1,6%); Nica água (1,1%); e
A gen ina e Cuba (0,5% cada). Rela i amen e ao empo
de esidência em Espanha, a amos a ap esen ou uma
média de 5,4 ± 3,6 anos, ligei amen e mais ele ada do
que o empo médio de esidência na cidade de Se ilha
(4,6 ± 3,2 anos). Em elação à ocupação a ual, a maio
pe cen agem são abalhado es po con a de ou em
(59,3%), seguido dos abalhado es po con a p óp ia
(18,4%), dos desemp egados (10,5%), dos es udan es
(6,8%) e das domés icas (4,7%).
Beha io al Risk Fac o Su eillance Sys em Su ey
do Cen e s o Disease Con ol and P e en ion
nos Es ados Unidos da Amé ica ( e são espanhola
ambém disponí el ele onicamen e).
Pa a es e es udo conside a am-se os imig an es como
sendo quaisque pessoas que, sendo de um país de
o igem que não da Espanha, enham es abelecido a sua
esidência habi ual no e i ó io nacional no pe íodo
da in es igação, o que co esponde ao concei o
u ilizado pelo Ins i u o Nacional de Es a ís ica no seu
le an amen o nacional de imig an es em 2007.
A ecolha dos dados oi alea ó ia e ealizada po
um en e is ado em odos os dis i os da cidade
de Se ilha, de aco do com os seguin es c i é ios:
(1) esiden es do sexo masculino ou eminino,
em qualque um dos bai os o iciais ou dis i os
censi á ios dos 11 dis i os adminis a i os de Se ilha;
(2) idade comp eendida en e os 25 e os 44 anos;
(3) e nascido num dos países conside ados pelas
Nações Unidas no seu anking de nações, e i ó ios
e egiões como azendo pa e da Amé ica La ina
ou Á ica do Sul (A gen ina, Bolí ia, B asil, Chile,
Colômbia, Cuba, Equado , Pa aguai, Pe ú, U uguai
e Venezuela) e que enham emig ado pa a Espanha;
e (4) e a capacidade de comunica e en ende os
obje i os do es udo assim como de assina o e mo de
consen imen o in o mado. Pa a o ec u amen o dos
pa icipan es o am con ac adas á ias associações e
g upos de imig an es la ino-ame icanos exis en es no
dis i o de Se ilha com o in ui o de acili a a ecolha
de dados.
Os p ocedimen os u ilizados pa a a ealização des e
es udo segui am os p incípios é icos da Decla ação
de Helsínquia da Associação Médica Mundial
(a ualizada em 2008), ob i e am a ap o ação do
Comi é de É ica e Expe imen ação da Uni e sidade
de Se ilha e o am ajus ados às no mas pa a o es udo
com se es humanos igen es em Espanha e na União
Eu opeia. Foi ob ido o e mo de consen imen o
in o mado po esc i o e em elação aos dados
sociodemog á icos, a im de p o ege a sua hon a,
anonima o e p i acidade, de aco do com a Lei
O gânica 15/1999 de P o eção de Dados Pessoais, os
ques ioná ios o am nume ados.
Após a ecolha, os dados o am colocados numa
base de dados de um compu ado p o egido e oi
e i icada alea o iamen e a alidade in e na de
cada uma das espos as. Pa a assegu a a alidade e
con iabilidade do es udo (al a de C onbach=0,71),
Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014 Lesões po aciden es de ânsi o e uso de medidas de segu ança
po imig an es la ino-ame icanos esiden es em Se ilha
108
Análise mul i a iada
No que diz espei o a LAT, 3,7% (n=7) disse
e so ido uma lesão des e ipo no úl imo mês,
en ol endo ca os. Em elação aos cuidados p es ados
às se e pessoas lesionadas, duas o am a endidas nas
u gências, duas passa am a noi e no hospi al e duas
não necessi a am de cuidados. Uma pessoa não
espondeu ao p e endido.
A Tabela 1 mos a que, apesa de não ha e di e enças
signi ica i as na p e alência de aco do com as
a iá eis sociodemog á icas es udadas, o isco de
LAT oi maio em homens, com menos de 35 anos,
com ensino secundá io ou supe io , em pessoas
que i em jun as, desemp egadas ou es udan es, e
su p eenden emen e hou e uma endência de maio
isco naquelas pessoas em que o empo de esidência
em Espanha e a maio .
Tabela 1
P e alência mensal de LAT e de condução (ca o, mo a ou bicicle a) após o consumo de álcool ou ou as
d ogas de aco do com a iá eis sociodemog á icas
Va iá el So eu LAT Conduzi após o consumo de álcool
ou ou as d ogas
n/N % IC95% n/N % IC95%
To al 7/190 3,7 1,8-7,4 6/171 3,5 1,6-7,4
Géne o
Masculino 4/76 5.3 2,0-12,7 5/69 7,4 0,3-15,8
Feminino 3/114 2,6 0,8-7,2 1/102 1,0 0,1-5,6
Idade em anos
25 - 34 6/101 5,9 2,7-12,4 5/92 5,4 2,3-12,1
≥ 35 1/89 1,1 0,2-6,1 1/79 1,3 0,2-6,8
Es ado ci il
Casado 4/103 3,9 1,5-9,5 4/93 4,3 1,7-10,5
Sol ei o 3/87 3,4 1,2-9,6 2/78 2,6 0,7-8,8
Ní el de es udos
P imá io ou menos 0/36 0,0 - 1/33 3,1 0,5-15,3
Secundá io ou acima 7/154 4,5 2,2-9,1 5/138 3,6 0,2-8,2
Tempo de esidência em Espanha em anos
≤ 5 3/111 2,7 0,9-7,6 3/98 2,7 0,1-8,6
6-10 3/57 5,3 1,8-14,3 3/55 5,7 1,8-17,4
≥ 11 1/14 7,1 1,2-31,4 0/11 0,0 -
Emp ego a ual
Emp egado 4/113 3,5 1,4-8,8 4/102 4,0 0,1-9,6
T abalhado es po con a p óp ia 1/35 2,9 1,6-18,6 0/33 0,0 -
Desemp egado 1/20 5,0 0,9-23,6 1/18 5,6 0,9-25,7
Domés ica 0/9 0,0 - 0/7 0,0 -
Es udan e 1/13 7,7 1,4-33,3 1/11 9,1 1,6-37,7
Ao analisa os dados da Tabela, ambém podemos
e i ica que 3,5% dos en e is ados, no úl imo mês,
anda am de bicicle a ou conduzi am um mo ociclo
ou ca o depois de e em consumido álcool ou
ou as d ogas. Is o condiz com o que oi desc i o pa a
ca ac e iza as LAT, com exceção de que a di e ença ao
ní el do géne o nes a p e alência oi es a is icamen e
signi ica i a (Tes e de Fishe p=0,034).
No úl imo mês, 57,8% (110 pessoas) iaja am de ca o
na cidade, como condu o ou passagei o, em es ada
ou au o-es ada, 9,5% (18 pessoas) em mo ociclos e
28,4% (54 pessoas) de bicicle a. A Tabela 2 mos a
que 91,8% dos que iaja am de ca o usa am semp e
medidas de segu ança, assim como 77,8% dos que
conduzi am um mo ociclo, enquan o que apenas um
em 10 pa icipan es (11,1%) usou semp e capace e ao
anda de bicicle a.
Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014
JOSÉ RAFAEL GONZÁLEZ-LÓPEZ, e al.
109
Tabela 2
U ilização de medidas de segu ança em % de aco do com o anspo e u ilizado no úl imo mês
F equência % Au omó el
(n=110) % Mo ociclo
(n=18) % Bicicle a
(n=54)
Semp e 91,8 77,8 11,1
A maio pa e das ezes 6,4 22,2 1,9
Às ezes 0,9 0,0 5,6
Nunca 0,9 0,0 81,5
In e samen e, o g au de escola idade em sido
associado à p obabilidade de oco ência des e ipo
de lesão (Sea h e al., 2012) e à g a idade do aciden e
(CEPV, 2011). Quando analisada a sua ocupação – a
a iá el com maio associação – o nosso es udo indica
que a p e alência de au o ela os de LAT oi maio em
desemp egados e es udan es (Seha e al., 2012). Is o
pode-se de e ao ac o de ha e maio necessidade de
iaja pa a p ocu a um emp ego. Rela i amen e ao
es ado ci il, e i icou-se que as pessoas casadas ou a
i e em em união de ac o inham maio p obabilidade
de e LAT do que os ou os g upos, o que não es á
de aco do com os esul ados ob idos no es udo de
Whi lock e al. (2004).
Con inuando com a análise da segu ança odo iá ia,
92% dos que iaja am de ca o usa am semp e cin o
de segu ança no úl imo mês. Ressal a-se que 1%
des a amos a nunca usou cin o de segu ança, o que
se assemelha aos esul ados da Pesquisa Nacional de
Saúde do Minis é io da Saúde e Consumo ealizada
em 2006.
Em colisões com ca os, sabe-se que os ciclis as so em
lesões menos g a es do que os peões, possi elmen e
po usa em capace e (Peng, Chen, Yang, O e, &
Willinge , 2012). No en an o, os nossos esul ados
e elam que apenas 11% dos ciclis as usa am semp e
capace e.
Analisando ou os aspe os que de em se e is os
a pa i da in o mação ob ida nes e es udo sob e
segu ança odo iá ia, ce ca de 4% dos en e is ados
conduzi am sob a in luência de álcool ou ou as
d ogas. Is o a e a a capacidade de condução e,
consequen emen e, aumen a a p obabilidade de
oco e em aciden es (Wong, Gu ié ez, & Romaní,
2010). A NHTSA (2009) e e e que o isco de conduzi
depois de bebe é maio em homens do que em
mulhe es e nos mais jo ens, o que é consis en e com
a nossa pesquisa no g upo de imig an es.
Discussão
O nosso es udo e ela que 3,7% da população
imig an e la ino-ame icana que i e em Se ilha so eu
de LAT no úl imo mês. Numa p e isão anual, isso
ep esen a ia a pe cen agem signi ica i a de 44,4%,
o que co esponde a um esul ado mui o acima da
axa anual au o- ela ada de pessoas com LAT que
p ecisa am de cuidados de saúde em Espanha – 2%
(SSO, 2002). Es a ele ada p e alência anual expec á el
de LAT pode se explicada pela necessidade dos
imig an es e em que aze mui os quilóme os pa a
chega em ao local de abalho e pela aquisição de
eículos usados (Koziol-McLain e al., 2000).
É impo an e salien a que 71% dos pa icipan es do
es udo que ela a am e so ido uma LAT p ecisa am
da assis ência de um p o issional de saúde (no hospi al
ou cen o de saúde). Es a pe cen agem é supe io
aos 23% encon ados em pessoas es angei as que
i em em Espanha (Pei ó-Pé ez e al., 2006). No
en an o, nes e es udo, as í imas de LAT não ica am
g a emen e e idas, e i icando-se uma consis ência
com os dados o iciais espanhóis de 2010.
Em elação às a iá eis sociodemog á icas, cons a-
amos que as pessoas com menos de 35 anos são mais
p opensas a so e LAT do que as de 35 anos ou mais.
Es a e idência é consis en e com os esul ados de
Chand an e al. (2012) e NHTSA (2009), e oi explicada
pela sua associação com a expe iência na condução. Os
nossos esul ados ambém e elam que o isco de LAT
é maio nos homens (NHTSA, 2009; CEPV, 2011; EASP,
2012). Is o ad ém do ac o das mulhe es ap esen a em
melho es compo amen os de segu ança odo iá ia
compa a i amen e aos homens (A a ena, A ós ica, &
Agui e, 2012). Além disso, os homens, especialmen e
os jo ens, es ão associados a compo amen os
imp uden es na es ada, colocando em pe igo as
suas idas bem como as de e cei os (CEPV, 2011).

Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014 Lesões po aciden es de ânsi o e uso de medidas de segu ança
po imig an es la ino-ame icanos esiden es em Se ilha
110
que diz espei o à segu ança odo iá ia e sob e ou os
aspe os que podem in luencia o isco de LAT.
Ag adecimen os
Os au o es gos a iam de ag adece a odos os
imig an es que olun a iamen e pa icipa am nes e
es udo.
Apoio inancei o
O Minis é io da Saúde do Go e no da Andaluzia
(Go e no de Espanha) con ocou em 2009 o p oje o
de in es igação Análise de compo amen os de saúde
e p e alência de doenças de populações na i as e
imig an es na cidade de Se ilha, ao qual es e a igo
pe ence.
Re e ências bibliog á icas
A a ena, O. W., A ós ica, L. F., & Agui e, N. D. (2012). Pe il
de iesgo pa a acciden e au omo ilís ico en jó enes
uni e si a ios. Re is a Chilena de Es udian es de Medicina,
6(1), 37-44. Recupe ado de h p://www.acemuchile.cl/
e is a/index.php/secciones/ abajos-o iginales/i em/9-
pe il-de- iesgo-pa a-acciden e-au omo ilís ico-en-jó enes-
uni e si a ios
Cen o pa a el Es udio y la P e ención de la Violencia (CEPV).
(2011). In o mes c iminológicos en la delincuencia con a
la segu idad ial. Recupe ado de h p://www.c imina.es/
documen os/documen os/00209/P oyec o_G ADeT.pd
Chak a a hy, B., Ande son, C. L., Ludlow, J., Lo ipou , S., &
Vaca, F. E. (2010). The ela ionship o pedes ian Inju ies
o socioeconomic cha ac e is ics in a la ge Sou he n
Cali o nia Coun y. T a ic Inju y P e en ion, 11(5), 508-513.
Recupe ado de h p://www. and online.com/doi/ ull/10.108
0/15389588.2010.497546
Chand an, A., Sousa, T. R., Guo, Y., Bishai, D., & Pechansky,
F. (2012). Road a ic dea hs in B azil: Rising ends in
pedes ian and mo o cycle occupan dea hs.
T a ic Inju y P e en ion, 13(Suppl 1), 11-16. Recupe ado
de h p://www. and online.com/doi/ ull/10.1080/15389
588.2011.633289
D umme , O. H., Ge os amoulos, J., Ba zi is, H., Chu, M.,
Capleho n, J., Robe son, M. D., & Swann, P. (2004). The
in ol emen o d ugs in d i e s o mo o ehicles killed
in Aus alian oad a ic c ashes. Acciden Analysis &
P e en ion, 36(2), 239-248. Recupe ado de h p://www.
sciencedi ec .com/science/a icle/pii/S0001457502001537
Escuela Andaluza de Salud Pública (EASP), Se icio Andaluz
de Salud, Conseje ía de Salud y Bienes a Social.
(2012). Resul ados y calidad del sis ema sani a io
público de Andalucía. Recupe ado de h p://www.
calidadsaludandalucia.es/es/index.h ml
Es e es udo ap esen a algumas limi ações que de em
se idas em con a. As espos as dos pa icipan es
o am au o- ela adas, o que signi ica que qualque
uma pode ia se subje i a e in luenciada po a o es
que não es a am sob o con olo dos in es igado es.
No en an o, o anonima o dos ques ioná ios a o eceu
uma maio hones idade nas espos as. Ou a
limi ação é que a na u eza ans e sal do es udo não
nos pe mi e es abelece uma elação causal en e o
isco de LAT e as a iá eis independen es analisadas.
Con udo, oi possí el explo a algumas associações
que nos pe mi em planea ou os es udos analí icos
que e li am o sen ido das elações en e essas
a iá eis de o ma mais p ecisa.
Conclusão
A pa i des e es udo podemos a i ma que os
imig an es la ino-ame icanos da cidade de Se ilha
êm um isco conside á el de so e LAT (3,7%
no úl imo mês), o que o o na um p oblema g a e
de saúde pública. O isco é maio em homens com
idade in e io a 35 anos, com o ensino secundá io
ou supe io e em pessoas que não i em sozinhas.
Os esul ados ambém e elam que a maio ia usa
medidas de segu ança quando conduzem mo ociclos
ou au omó eis (91,8% e 77,8%, espe i amen e),
embo a isso não seja ão usual quando andam de
bicicle a (11,1%). No que diz espei o à condução sob
o e ei o de álcool ou ou as d ogas, 3,5% da nossa
amos a econhece que o ez.
A im de melho a os compo amen os de segu ança
odo iá ia des es imig an es, ecomendam-se
in e enções educa i as de En e magem que
p omo am a consciencialização sob e es es
compo amen os de isco. Es as de em oca -se na
impo ância do uso de cin o de segu ança, capace e
e na não condução após o consumo de álcool ou
ou as d ogas. De e-se da especial ên ase ao uso
de medidas de segu ança ao anda de bicicle a, uma
ez que os esul ados e elam que ge almen e não
o azem.
Es e es udo ambém pode ajuda na o ien ação das
in e enções de En e magem ao ní el da p e enção
com a iden i icação do pe il dos imig an es la ino-
ame icanos com maio isco de LAT.
São ambém necessá ios mais es udos sob e o
compo amen o da população la ino-ame icana no
Re is a de En e magem Re e ência - IV - n.° 3 - 2014
JOSÉ RAFAEL GONZÁLEZ-LÓPEZ, e al.
111
In e na ional Jou nal o P e en i e Medicine, 3(3), 181-
190. Recupe ado de h p://www.ijpm.mui.ac.i /index.php/
ijpm/a icle/ iew/284/403
Se hi, D., Racioppi, F., Baumga en, I., & Be ollini, R. (2006).
Reducing inequali ies om inju ies in Eu ope. Lance ,
368(9554), 2243-2250. Recupe ado de h p://www. helance .
com/jou nals/lance /a icle/PIIS0140-6736(06)68895-8/
abs ac
Spanish S a is ical O ice (SSO). (2002). Spanish Na ional Heal h
Su ey 2001. Recupe ado de h p://www.msssi.gob.es/
es adis icas/mic oda os.do
Spanish S a is ical O ice (SSO). (2012). Municipal egis e a 1s
Janua y 2012. Recupe ado de h p://www.ine.es/jaxi/menu.
do? ype=pcaxis&pa h=/ 20/e245/& ile=inebase&L=1
Whi lock, G., No on, R., Cla k, T., Jackson, R., & MacMahon,
S. (2004). Mo o ehicle d i e inju y and ma i al s a us,
a coho s udy wi h p ospec i e and e ospec i e d i e
inju ies. Jou nal o P e en ion, 10(1), 33-36. Recupe ado
de h p://www.ncbi.nlm.nih.go /pmc/a icles/PMC1756540/
pd / 010p00033.pd
Wong, P., Gu ié ez, C., & Romaní, F. (2010). Sel - epo ing o oad
a ic acciden s in a na ional su ey o u ban popula ion
in Pe u. Re is a Pe uana de Medicina Expe imen al y
Salud Pública, 27(2), 170-178. Recupe ado de h p://
www.scielosp.o g/scielo.php?sc ip =sci_a ex &pid
=S1726-46342010000200003
Wo ld Heal h O ganiza ion (WHO). (2009). Global s a us epo
on oad sa e y: Time o ac ion. Recupe ado de h p://www.
un.o g/a / oadsa e y/pd / oadsa e y epo .pd
Wo ld Heal h O ganiza ion (WHO). (2012). Road a ic
inju ies. Recupe ado de: h p://www.who.in /mediacen e/
ac shee s/ s358/en/index.h ml
Eu opean Moni o ing Cen e o D ugs and D ug Addic ion
(EMCDDA). (2008). D ug use, impai ed d i ing and a ic
acciden s. Recupe ado de h p://www.d ugsandalcohol.
ie/11626/1/EMCDDA_Insigh s_8.pd
González-López, J. R., Lomas- Campos, M. M., Ga cía-Fe nández,
J., Pascual aca-A ma io, J., Gua dado-González, M. J., Muñoz-
Gua dado, B., & Laga es-Vallejo, E. (2010). Conduc as de
salud en inmig an es la inoame icanos adul os del Dis i o
Maca ena de Se illa (España). In es igación y Educación
en En e me ía, 28(3), 384-395. Recupe ado de h p://
ap endeenlinea.udea.edu.co/ e is as/index.php/iee/a icle/
iewA icle/7606/7541
Koziol-McLain J., B and D., Mo gan D., Le M., & Lowens ein
S. R. (2000). Measu ing inju y isk ac o s: Ques ion
eliabili y in a s a ewide sample. Inju y P e en ion, 6(2),
148-150. Recupe ado de h p://inju yp e en ion.bmj.com/
con en /6/2/148.sho
Na ional Cen e o S a is ics and Analysis (NHTSA’s). (2009).
T a ic sa e y ac s 2006: Race and e hnici y. Recupe ado de
h p://www-n d.nh sa.do .go /pubs/810995.pd
Pei ó-Pé ez, R., Seguí-Gómez, M., Pé ez-González, C., Mi alles-
Espí, M., López-Maside, A., & Bena ides, F. G. (2006). Road
a ic, leisu e, domes ic and wo kplace inju ies. A desc ip ion
o he si ua ion in Spain. Gace a Sani a ia, 20(Suppl 1), 32-
40. Recupe ado de h p://www.sciencedi ec .com/science/
a icle/pii/S0213911106715643
Peng, Y., Chen, Y ., Yang, J., O e, D., & Willinge , R. (2012). A
s udy o pedes ian and bicyclis exposu e o head inju y
in passenge ca collisions based on acciden da a and
simula ions. Sa e y Science, 50(9), 1749-1759. Recupe ado
de h p://www.sciencedi ec .com/science/a icle/pii/
S0925753512000689
Seha , M., Holakouie, K., Asadi-La i, M., Abbas, A., & Malek-A zali,
A. (2009). Socioeconomic s a us and incidence o a ic
acciden s in Me opoli an Teh an: A popula ion-based s udy.