Rep esen ações sob e a inse ção na
ida a i a de jo ens com issomia 21
■ José Ma ia Fe nández Ba ane o* e José Fe nando Machado de Oli ei a* *
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
* Dou o em Filoso ia e Ciência da Educação; P o esso Ti ula da Uni e sidade de Se ilha, ES. E-mail: [email p o ec ed]
** Pós-G aduado em Educação Especial; P o esso da Escola Secundá ia de Cascais, PT. E-mail: [email p o ec ed]
Resumo
Pa indo da idéia de que um p ocesso/mé-
odo de TVA de e se capaz de se adap a às
ápidas mudanças do mundo global, con e in-
do uma adequada p epa ação pa a o mundo
de abalho, ge ando expec a i as posi i as,
desen ol endo nos jo ens com po encial pa a
se em in eg ados p o issionalmen e as ca ac e-
ís icas pessoais e compe ências necessá ias Es e
es udo dá, igualmen e, na nossa pe spec i a,
um con ibu o impo an e pa a a comp eensão
dos a o es que podem le a a um aumen o da
emp egabilidade das pessoas com es a pa olo-
gia e dos jo ens de icien es em ge al.
Pala as-cha e: T issomia 21. Synd o-
me de Down. Ins ução especial. Men al a a-
sa. T ansição à ida a i a. O ien ação p o-
issional. In eg ação.
Abs ac
Rep esen a ions on he
ac i e li e inse c ion o
isonomy 21young people
S a ing o he idea ha a p ocess/me hod o
ansi ion o he ac i e li e mus be able o adap
o he as changes in a global wo ld, con e ing
a sui able p epa a ion o he wo ld o he wo k,
gene a ing posi i e expec a ions, p epa ing o he
young people o i s p o essional in eg a ion and
equipping hem wi h he necessa y compe i ions.
F om his idea, we p esen ed/displayed his wo k
ha con ibu es o impo an o m o he
Página Abe a
comp ession o ac o s ha can lead o an
inc ease o he use o he people wi h isonomy
21 and de icien young people in gene al.
Keywo ds: T isonomy 21. Synd ome o
Down. Special educa ion. Men al delay.
T ansi ion o he ac i e li e. Occupa ional
di ec ion. In eg a ion.
Resumen
Rep esen aciones sob e la
inse ción en la ida ac i a
de jó enes con isomía 21
Pa imos de la idea de que un p oceso o
es a egia de ansición a la ida ac i a
(TVA) debe se capaz de p omo e
adap a se a los ápidos cambios en un
mundo global, con i iendo una adecuada
p epa ación pa a el mundo del abajo,
gene ando expec a i as posi i as,
p epa ando a los jó enes pa a su
in eg ación p o esional y do ándolos de las
compe encias necesa ias. Desde es a pun o
de pa ida, p esen amos es e abajo que
con ibuye, c eemos que de o ma
impo an e, a la comp ensión de ac o es
que pueden conduci a un aumen o del
empleo de las pe sonas con isomía 21 y
de jó enes de icien es en gene al.
Palab as cla e: T isomía 21. Sínd ome
de Down. Educación especial. Re aso
men al. T ansición a la ida ac i a.
O ien ación ocupacional. In eg ación.
566 José Ma ia Fe nández Ba ane o e José Fe nando Machado de Oli ei a
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
In odução
As ques ões da ansição pa a a ida
ac i a (TVA) são cada ez mais p emen es
no con ex o global ac ual. As ecnologias da
in o mação e comunicação (TIC) pe mi i am
a mundialização da economia, le ando a
al e ações das condições de abalho e acen-
uando as c ises de desemp ego, a enuando
a elação desen ol imen o/c iação de em-
p egos le a am a que expansão econômica
nem semp e signi ique c iação de emp ego
(LOPES e al., 2000).
Os jo ens, na ansição escola- abalho,
en en am a ualmen e, um cená io comple-
amen e di e en e do encon ado pelos seus
pais. Te abalho na mesma emp esa du-
an e a ida in ei a é hoje em dia uma si u-
ação a a. Do mesmo modo os equisi os
pedidos pelos emp egado es, os ipos de
ca ei a e as ca ac e ís icas do abalho al-
e a am-se subs ancialmen e.
Nes as condições, as ques ões pos as
pela ansição escola-emp ego, designadas
gene icamen e po “ ansição pa a a ida
ac i a” adqui i am especial ele ância. Nes e
âmbi o a escola em sido censu ada po não
se capaz de o nece os conhecimen os e as
compe ências que a ida p o issional exige,
nem de se capaz de se adap a , com a a-
pidez necessá ia, a um mundo onde as con-
dições de abalho, an o locais como in e -
nacionais se al e a am subs ancialmen e.
Mas, se os jo ens em ge al en en am
es es p oblemas o que dize de pessoas com
de iciência? Se á que os p ocessos ou me o-
dologias que o mam e p epa am es es jo-
ens pa a a ansição se adap a am e são
a ualmen e adequados às mudanças impos-
as pelo con ex o global? Qual o melho dos
mé odos de ansição pa a a ida a i a?
Exis i á um que se dis inga con e indo as
compe ências que le em à ob enção de me-
lho es esul ados na ansição escola- aba-
lho? Ha e á algum mé odo que seja mais
adequado a jo ens com issomia 21 ou
pode -se-ão aplica os mé odos u ilizados
com os jo ens com des an agens em ge al?
Que expec a i as, que sonhos êm es es alu-
nos ela i amen e ao seu p ocesso de ansi-
ção e ela i amen e à sua in eg ação no
mundo do abalho? Na pe spec i a des es
jo ens qual é o papel da Educação Especial
e qual é o papel dos p o esso es em ge al,
na p epa ação dos p ocessos de ansição
pa a a ida adul a? Qual a sua in luência /
ele ância no desen ol imen o dos seus ideais
ou ep esen ações? A escola desen ol e
mecanismos, es abelece ligações com a co-
munidade local que acili em ou apóiem os
seus alunos na ase de ansição? Que di i-
culdades espe am os alunos nessa ansi-
ção? Como aumen a a emp egabilidade
des es jo ens?
A endendo a que na ansição pa a a ida
ac i a da pessoa com issomia 21 se podem
conside a os mesmos aspec os cha e impo -
an es pa a qualque adolescen e (CASAL e
al., 1991 apud MARTINS, 1999), odas es as
in e ogações da ão espos a a uma g ande
ques ão: em a escola mecanismos, p oces-
sos e me odologias que p epa em os seus alu-
nos que não que em p ossegui es udos, e
em pa icula os que ap esen am necessida-
des educa i as especiais (n.e.e.), pa a a an-
sição pa a a ida ac i a?
De iniu-se como obje i o ge al des a in-
es igação o seguin e:
Conhece as ep esen ações sob e a in-
eg ação na ida ac i a de alunos issômi-
cos.
Pa a a ingi o e e ido obje i o o aba-
lho oi sepa ado em duas pa es:
Rep esen ações sob e a inse ção na ida a i a de jo ens com issomia 21 567
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
Pa e I – Mé odos de TVA: o con ex o das
ep esen ações sociais
Pa e II – Rep esen ações sociais: o e a o
A pa e I que ago a se ap esen a, jus i i-
ca-se ela i amen e às ep esen ações, pelos
p incípios implíci os a es as eo ias que se e-
e em a segui em e mos mui o gené icos:
As Teo ias das Rep esen ações Sociais,
ap esen adas pela p imei a ez po Mosco-
ici em 1961, são em e mos mui o ge ais
cons uções men ais sob e a ealidade i i-
da pelo indi íduo. São, po an o, a sua a-
dução cogni i a da ealidade p ocessada e
ans o mada pelo seu in elec o (nesse p o-
cesso de cons ução es ão en ol idas a cog-
nição, a a e i idade, as in luências cul u ais,
e c.). Essas “ ep esen ações es ão p esen es
an o ‘no mundo’ como ‘na men e’ [pelo que]
de em se pesquisadas em ambos os con-
ex os” (GUARESCHI; JOVCHELOVITCH,
1998, p. 47).
O es udo e conhecimen o das ep e-
sen ações, di e encia-se da Psicologia So-
cial mais indi idualizan e, pois, além de
pe mi i conhece os sujei os do pon o de
is a de de e minado ema, pode se i ,
ambém, pa a ca ac e iza um de e mina-
do g upo de indi íduos apesa das di e-
enças en e eles.
Pa a o conhecimen o das ep esen ações
não se de e, conseqüen emen e, esquece
os ac o es que êm g ande in luência na
escolha dos elemen os que apa ecem como
es u u ado es da concei ualização das e-
p esen ações: ac o es cul u ais, modos de
ida, di e sidade con ex ual. “Po an o, pa a
es udá-las, em p imei o luga é indispensá-
el conhece as condições de con ex o em
que os indi íduos es ão inse idos median e
a ealização de uma cuidadosa análise con-
ex ual” (FRANCO, 2004, p. 170).
A endendo ao que oi di o, es a pa e do
abalho p e ende comp eende as condições
do con ex o escola ela i as aos p ocessos
de TVA pa a melho comp eende as ep e-
sen ações des es jo ens.
Me odología
Os obje i os elacionados com es a pa -
e do abalho o am os seguin es:
Obje i o p incipal
Iden i ica ac o es, como, po exemplo,
elemen os pedagógicos o necidos aos alu-
nos, compe ências desen ol idas no p oces-
so o ma i o, en ol imen o da amília no p o-
cesso o ma i o, meio geog á ico de o igem
( u al ou u bano) que podem in e i ou in-
luencia os ideais e sonhos mani es ados pe-
los alunos.
Obje i os secundá ios
• Iden i ica e lis a os p incipais mé o-
dos de ansição pa a a ida ac i a
u ilizados nas escolas com alunos com
de iciência;
• iden i ica e lis a os p incipais mé o-
dos de ansição pa a a ida ac i a
u ilizados com os jo ens com isso-
mia 21 em o mação;
• iden i ica e lis a os p incipais ac o es
necessá ios pa a uma boa in eg ação
p o issional de pessoas com de iciên-
cia (pe cepcionados pelos écnicos que
abalham em TVA).
• iden i ica e lis a as p incipais di icul-
dades sen idas pelos p o esso es do
Apoio Educa i o e/ou ou os écnicos
na aplicação de mé odos de TVA a
jo ens com de iciência.
A me odologia u ilizada pode esu-
mi -se esquema icamen e da o ma que
se segue:
568 José Ma ia Fe nández Ba ane o e José Fe nando Machado de Oli ei a
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
U ilizou-se, po an o, uma me odologia
quan i a i a com análise es a ís ica, pa amé-
ica e não pa amé ica, dos dados ecolhi-
dos a a és do ques ioná io (p incipal ins-
umen o de ecolha de dados). O ques io-
ná io con inha pe gun as abe as e echa-
das. A análise es a ís ica das ques ões e-
chadas oi ei a com auxílio do p og ama
in o má ico SPSS 11.5. As pe gun as abe as
o am subme idas a análise indu i a. Quan o
à alidação do ques ioná io op ou-se po
uma alidação ealizada po um painel de
5 pe i os.
Seleção da amos a
Pa a seleção da amos a u iliza am-se
duas écnicas de amos agem. Num p imei-
o momen o o p ocesso baseou-se num:
P ocesso de amos agem es a i icada não
p opo cional assen e em dois c i é ios:
1 – C i é io de ca á e geog á ico basea-
do no NUTS II ( e i ó ios es a ís icos nacio-
nais) onde se escolheu-se a egião de Lis-
boa e Vale do Tejo (RLVT);
2 – Den o das escolas de LVT selecio-
nou-se um es a o co esponden e a escolas
que podem se equen adas po jo ens com
T21 com as ca ac e ís icas p ocu adas pa a
es e es udo, ou seja, escolas com segundos
e e cei os ciclos.
A segunda ase deco eu de aco do com
o p ocesso de amos agem casual simples.
Como al, pa a se ob e uma amos a ep e-
sen a i a o ques ioná io oi en iado a ce ca
de 50% (150 escolas) das escolas selecio-
nadas no p imei o momen o da amos agem.
As escolas que ecebe am ques ioná ios o-
am escolhidas pela Técnica dos núme os
alea ó ios.
Ob e e-se uma pe cen agem de espos-
as co esponden e a 35% (53 escolas) de
escolas, o que co esponde a ce ca de 17 %
do Uni e so Al o.
Rep esen ações sob e a inse ção na ida a i a de jo ens com issomia 21 569
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
Elege am-se como esponden es odos os
écnicos que nas escolas são po enciais es-
ponsá eis pela implemen ação de p og a-
mas de TVA, a sabe :
- P o esso es do Ensino Especial / Apoio
Educa i o;
- Psicólogos escola es, no malmen e es-
ponsá eis pelos Se iços de O ien ação e
Psicologia (SPO).
Fo am ambém conside ados como es-
ponden es:
- Ou os p o esso es que não os do Apoio
Educa i o que i essem, na escola, unções
elacionadas com TVA.
Função do p o esso
na escola
F eqüência
ela i a (%
de alo es
álidos)
Válidos 1 P o esso do
EnsinoEspecial / 86,8
Apoios educa i os
2 Psicólogo 11,3
3 Ou a elacionada
com TVA 1,9
To al 100,0
Ap oximadamen e 87% dos p o esso es
esponden es são P o esso es do Ensino Es-
pecial, 11,3 % pe encem aos Se iços de
Psicologia e O ien ação das escolas (SPO).
Uma eduzida p opo ção exe ce ou as un-
ções elacionadas com TVA, nomeadamen-
e Técnico de Inse ção.
Quan o à localização da escola e i icou-
se que as escolas esponden es pe encem na
sua esmagado a maio ia (86,8 %) a egue-
sias u banas (APU – Á ea P op iamen e U -
bana). Uma mino ia pe ence a eguesias
mediamen e u banas (AMU) e p op iamen e
u ais (APR). As escolas menos ep esen adas
nes e es udo pe encem a eguesias u ais.
Es es esul ados, apesa de di e i em dos
dados e e en es à % de eguesias u banas
(APU e AMU) na egião de RLVT que é de 68%
não su p eendem, pois a localização das es-
colas depende di e amen e da densidade po-
pulacional e, é no p imei o ipo de egião que
se concen a a g ande maio ia da população
(86% - no e-se a coincidência en e a po cen-
agem de escolas u banas que esponde am a
es e inqué i o e a % de população nes as APU).
No que diz espei o aos esponden es
e i ica-se que ce ca de 51% des es écnicos
es a am a aplica p ocessos de TVA nas suas
escolas, enquan o os es an es não o es a-
am a aze no ano le i o 2005/2006.
F eqüência F eqüência
ela i a
Válidos 1 Sim 27 50,9
2 Não 26 49,1
To al 53 100
No que conce ne à expe iência dos es-
ponden es em e mos de aplicação de p o-
cessos de TVA e i ica-se o seguin e:
- Rela i amen e aos p o esso es que êm
TVA nes e ano le i o, 84 % já possuíam ex-
pe iência an e io nes a á ea;
- 95 % dos p o esso es sem qualque ex-
pe iência em TVA não es ão a aplica p o-
cessos de TVA em 2005/2006, o que signi i-
ca que só 5% dos p o esso es sem expe iên-
cia es ão a abalha nessa á ea.
Des es dados podem i a -se duas con-
clusões:
570 José Ma ia Fe nández Ba ane o e José Fe nando Machado de Oli ei a
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
- A maio ia dos p o esso es que aplicam
p ocessos de TVA aos seus alunos já pos-
suía expe iência nessa á ea. A expe iência
dos p o esso es pa ece se , en ão, um a o
p eponde an e na exis ência de mé odos de
TVA nas escolas;
- Rela i amen e aos p ocessos de TVA, as
escolas azem um ap o ei amen o mui o ele-
ado da expe iência dos seus p o esso es.
Pa a sabe se são os p o esso es de apoio
ou os ou os écnicos que mais aplicam ou
são esponsá eis po p ocessos de TVA ez-se
o c uzamen o en e os dados sob e as un-
ções exe cidas e sob e a aplicação de p o-
cessos de TVA em 2005/2006. As conclusões
podem se e i adas do g á ico que se segue:
Compa ando as pe cen agens de psi-
cólogos que es ão a aplica p ocessos de
TVA com a espec i a axa de P o esso es
de Apoio Educa i o (PA), e i ica-se que a
p opo ção ela i a é maio no p imei o g u-
po (83% dos psicólogos esponden es es-
ão a aplica p ocessos de TVA, enquan o
nos PA essa pe cen agem é de apenas 46%
o que é bas an e pouco se a ende mos às
unções des es p o issionais).
Conclusões
A análise dos dados pe mi e i a uma
sé ie de conclusões ela i as ao unciona-
men o de p ocessos de TVA nas escolas po -
uguesas e me odologias aplicadas aos jo-
ens com necessidades educa i as especiais
(NEE) com especial ele ância pa a os po -
ado es de issomia 21. De iniu-se, com base
em es udos o iciais e na li e a u a exis en e,
que a idade que es es jo ens e iam que
possui pa a equen a um p ocesso des a
na u eza es a ia comp eendida en e os 13 e
os 18 anos, ecomendando-se que come-
cem o mais cedo passí el.
Em e mos de escolas com p ocessos de
TVA a unciona em 2005/2006 e i ica que:
- do o al de escolas esponden es ao
ques ioná io, 47 % – uma pe cen agem su-
pe io à que p e íamos (a nossa hipó ese
e a a de que a pe cen agem de escolas que
não aplicam p ocessos de TVA se ia mui o
supe io à das que aplicam) – aplicam mé-
odos de TVA aos seus alunos com n.e.e.
(onde as escolas incluem, ambém, jo ens
em isco de abandono escola , com p oble-
mas a i udinais (emocionais / compo amen-
ais) e ou as di iculdades escola es).
- Em e mos de me odologias u ilizadas
a si uação não é ão boa, podendo se mes-
mo classi icada de caó ica, senão ejamos:
- as 25 escolas que dizem es a a aplica
p ocessos de TVA aos seus alunos indica-
am 23 mé odos di e en es;
- o o al de mé odos di e en es ap esen ados
pelas 29 escolas que indica am me odologias
de TVA (4 dos p ocessos de TVA não es ão em
uncionamen o em 2005/2006) é de 26.
Ou seja, no ano le i o 2005/2006, ha ia
p a icamen e um mé odo di e en e pa a cada
escola, o que mos a que, em e mos de TVA
não exis e qualque no malização, nem g an-
des o ien ações ao ní el das polí icas educa-
i as; As escolas implemen am es es p og a-
mas po inicia i a p óp ia ou sem g ande
conhecimen o das melho es me odologias.
Fo mas como as escolas implemen am
os p og amas de TVA
As escolas po uguesas implemen am os
seus p og amas de TVA de duas o mas:
- 52% delas, a a és de pa ce ias com
ins i uições ex e io es (no malmen e, Es abe-
lecimen os de Educação Especial, IPSS, CERCI
Rep esen ações sob e a inse ção na ida a i a de jo ens com issomia 21 571
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
ou Associações que assegu am a o mação
p o issional dos alunos com n.e.e.), ao ab i-
go da Po a ia 1102/97 (PORTUGAL, 1997),
de 3 de No emb o de 1997;
- 48% po inicia i a p óp ia e sem qual-
que ipo de pa ce ia.
O e e ido sis ema de pa ce ias segue na
maio ia dos casos a seguin e o ma ação:
- A o mação acadêmica é assegu ada
pela escola que ambém pode p opo ciona
as p imei as expe iências de o mação p o-
issional (TVA) a a és da execução de pe-
quenas a e as nos seus se iços numa es-
pécie de es ágios de sensibilização;
- Pa alelamen e a es a p é-p epa ação
ou depois dela, mas semp e em simul âneo
com a o mação acadêmica, o jo em inicia
a sua o mação p o issional na ins i uição
pa cei a esponsá el (que po sua ez es a-
belece pa ce ias com emp esas e se iços da
comunidade). Segue-se, se o p ocesso de-
co e de o ma no mal, a in eg ação p o is-
sional e o espec i o acompanhamen o pós-
colocação p o issional.
Nas escolas sem pa ce ias a escola p o-
cu a assegu a odo o p ocesso de TVA, desde
a O ien ação P o issional a é à in eg ação p o-
issional e acompanhamen o pós-colocação
p o issional. A g ande maio ia das escolas não
consegue e p og amas de TVA comple os a-
lhando nos dois úl imos aspec os ci ados. Is o
po que as escolas, apesa de e em p o esso-
es de apoio educa i o não dispõem de ins u-
men os (legisla i os e ou os) e meios p óp ios
( inancei os e humanos – p o issionais exclusi-
amen e dedicados à TVA como, po exemplo
P o esso de T ansição) que lhes pe mi am a
conc e iza a in eg ação p o issional ou aze
o de ido acompanhamen o pós-colocação p o-
issional dos seus alunos.
Cons a a-se, ambém, que mui os dos p o-
cessos de TVA (especialmen e em escolas que
os assegu am sem pa ce ias com ins i uições)
uncionam com base na “ca olice” e olun a-
ismo es o çado dos p o esso es, em ez de
numa base p o issional apoiada e supo ada
po legislação, meios e condições de abalho
adequadas. Pa a ag a a a si uação, os écni-
cos, que e elam uma eno me on ade e eali-
zam um imenso es o ço pa a le a a cabo p o-
g amas de TVA nas suas escolas, não são, na
sua maio ia, ecompensados pelo seu es o ço
que mui as ezes nem seque são econheci-
dos. Como se cons a a, mui as ezes em Po u-
gal, no campo da Educação, abalha-se e p o-
duz-se à cus a do es o ço indi idual e olun a-
ioso de p o issionais conscien es e esponsá-
eis. Enquan o o sis ema con inua a unciona
nes a base, não se pode espe a uma g ande
e olução, pois os es o ços indi iduais não são
concen ados e di ecionados e o p o issionalis-
mo des es es o çados écnicos e p o esso es não
da á os de ido u os nes e campo que de e ia
e como esul ado, p ocessos de TVA de ida-
men e o ganizados que conseguem a plena in-
eg ação p o issional dos jo ens com issomia
21, capazes de al, e de odos os ou os jo ens
com n.e.e. ou o iundos de populações des a-
o ecidas, e ainda de odos os ou os que não
p e endam p ossegui es udos.
A nosso e não exis e uma e dadei a
escola inclusi a se es a não p ocu a asse-
gu a a é ao inal do p ocesso acadêmico, a
plena in eg ação social e uma e dadei a
inse ção p o issional dos jo ens issômicos
(os que i e em capacidades pa a isso) e dos
es an es clien es da di a escola inclusi a. À
luz do que oi e e ido u ge, en e ou as
medidas, c ia o ca go de P o esso de T an-
sição cujas unções e ão po base a dedi-
cação exclusi a aos p oje os de TVA em o-
das as suas e en es onde se incluem desde
a coo denação do p ocesso ao acompanha-
men o dos es ágios.
572 José Ma ia Fe nández Ba ane o e José Fe nando Machado de Oli ei a
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
Podemos dize , ambém, que os p oces-
sos de TVA, apesa do econhecimen o da
sua impo ância pelos sucessi os go e nos
po ugueses e pela Comunidade Eu opéia,
não êm sido e dadei amen e enca ados
como uma mais alia na o mação dos jo-
ens com des an agens (uma mais alia pa a
a sociedade que e á es as pessoas p o issio-
nalmen e in eg adas, logo menos dependen-
es de subsídios que pesam no bolso dos con-
ibuin es) nem como uma o ma de se e i a-
em gas os u u os em segu ança social (cujo
sis ema inancei o es á cada ez mais depau-
pe ado em Po ugal) em saúde ( esul an e da
meno au o-es ima, meno axa de a i idade
- ísica e men al, ocupacional, e c., ou seja
odo o ol de cus os não quan i icados que
pode iam se mino ados ou excluídos com a
in eg ação p o issional des as pessoas.
Nou as pala as o p ocesso de TVA não
é e dadei amen e is o como uma medida
p e en i a capaz de aze bene ícios e mais
alias u u as – econômicas, sociais e ou as
– pa a o p óp io in e essado e pa a oda a
sociedade. Es as mais alias es endem-se,
ambém, ao p óp io me cado de abalho que,
ao abso e es as pessoas, ganha em aspec-
os de que anda ão ca enciado a ualmen e:
- maio humanização e espei o pelas
di e enças em con as e com a o ma ação
(no malização) dos abalhado es;
- melho noção de se iço social e de
boas p á icas e melho ia da imagem (em ez
da imp essão que o público em de que as
emp esas apenas se p eocupam consigo p ó-
p ias e com o c escimen o dos seus luc os,
num olha cons an e pa a o umbigo);
- meno g au de desc iminação, e c.
Das ans o mações e e idas esul a ão
ganhos ao ní el da “consciência social”
des as o ganizações de que bene icia ão, a
cu o p azo, oda a sociedade e os aba-
lhado es em ge al.
De pouco adian am as medidas, ão do
ag ado dos go e nos (po se em áceis de
aplica , mas de esul ados mui o ques ioná-
eis nos moldes desa ualizados e desade-
quados em que é ei a) de concessão de in-
cen i os às emp esas (p incipalmen e inan-
cei os) pa a apoio ao emp ego de pessoas
des a o ecidas, se a escola não o de ida e
condignamen e en ol ida em odo o p o-
cesso de TVA. Sem a escola esses incen i os
não passa ão de palia i os que pouco mi-
no a ão o p oblema da in eg ação, e que
nunca o esol e ão em g au sa is a ó io.
Ac esce a is o, que num país como Po u-
gal, em que a axa de abandono escola (sem
conclusão da escola idade ob iga ó ia e sem
qualque ipo de o mação ape ecí el pa a o
me cado de abalho) é mui o ele ada, es e
p oblema da TVA não pode se de modo ne-
nhum descu ado. Se analisa mos quem aban-
dona p ema u amen e a escola dece o che-
ga emos à conclusão de que se a a dos alu-
nos mais ca enciados e des a o ecidos po
des an agens di e sas. Pa a es es alunos a
ins i uição escola não o e ece soluções pa a
o seu u u o (que dada à si uação de des a-
o ecimen o não é ão dis an e quan o isso,
necessi ando, po an o, de soluções u gen-
es). É p ecisamen e pa a mui os desses, e não
apenas pa a os de icien es, que alguns dos
mé odos de TVA de maio acei ação o am
desenhados. Pa a esses jo ens, e TVA, di-
zem á ios p o esso es, é um incen i o à pe -
manência na escola pois desco inam aí a
possí el solução pa a as suas di iculdades,
ao mesmo empo que se ape cebem, pela p e-
ocupação e idenciada pela ins i uição, que
não são uma espécie de pá ias do sis ema. É
de e e i que, enquan o pa a o ensino se-
cundá io se em p ocu ado o e ece soluções
Rep esen ações sob e a inse ção na ida a i a de jo ens com issomia 21 573
Ensaio: a al. pol. públ. Educ., Rio de Janei o, . 15, n. 57, p. 565-578, ou ./dez. 2007
pa a aqueles que não que em p ossegui es-
udos (cu sos de o mação p o issional nas
escolas públicas) no e cei o ciclo, numa es-
pécie de complexo eli is a p o ocado pela
necessidade de conclusão da escola idade
ob iga ó ia, poucas soluções êm sido ap e-
sen adas a es es jo ens. Reco da-se uma de-
las, p a icamen e ex in a: as u mas de Cu í-
culos Al e na i os ao ab igo do Despacho nº
22/SEEI/96 (PORTUGAL, 1996), des inadas
a casos de sé io isco escola .
Ainda ela i amen e ao desenho do p o-
cesso de TVA, a solução escola unida a uma
ins i uição pa cei a que assegu e a o ma-
ção p o issional pode se a mais u ilizada
a ualmen e, mas pensamos não se a e -
dadei a solução da equação “in eg ação p o-
issional”, pois não se encon a assim ão
espalhada pelo país e po ou o lado es as
ins i uições pa cei as não su gem de um dia
pa a o ou o nem aplicam as melho es me-
odologias. Como já dissemos é p eciso que
as escolas, e conseqüen emen e, os espec-
i os p o esso es coo denado es dos p oje-
os de TVA e esponsá eis po es ágios, se-
jam do ados de meios (pa a os p o esso es:
ca ga ho á ia adequada, pagamen o de
gas os com deslocações pa a isi as a em-
p esas, e c.) pa a p oduzi em ou da em con-
inuidade a p oje os de TVA p óp ios. Com
is o ganha ão as escolas que ap esen a ão,
assim, um maio leque de soluções pa a os
seus alunos (que não apenas a con inua-
ção de es udos, pa a o qual pa ecem, ain-
da hoje em dia, mui o ocacionadas – mes-
mo as do e cei o ciclo) e ganha á a socie-
dade que deixa á de e odos os anos ho -
das de jo ens es udan es sem qualque o -
mação p o issional (e ou os ac o es de em-
p egabilidade que lhes dêem alguma ga an-
ia e con iança), e, mui as ezes, com o -
mação escola incomple a, eng ossa em as
ilei as do desemp ego – cada ez maio nes a
aixa e á ia – e da p ocu a do p imei o em-
p ego. No aspec o da o mação p o issional
des es jo ens o ônus não pode cabe exclu-
si amen e às emp esas que nem seque es-
ão ocacionadas pa a al.
P ocesso comple o de TVA
Conside amos que um p ocesso de TVA
comple o de e p e e /inclui semp e as se-
guin es e apas:
O ien ação ocacional / p o issional
(a aliação, in o mação e o ien ação p o is-
sional p op iamen e di a);
P epa ação p é-p o issional que pode se
ealizada a a és de es ágios de sensibiliza-
ção que podem se i ambém pa a despis e
ocacional;
Fo mação p o issional (com es ágios em
con ex o eal de abalho – PA ou FPCR);
Colocação / in eg ação na ida ac i a
(in eg ação p o issional co esponde a con-
a ação po pa e da en idade pa onal);
Acompanhamen o pós-colocação p o is-
sional;
Fim do acompanhamen o pós-in eg a-
ção (quando o aluno já es á in eg ado na
emp esa de o ma conside ada segu a).
Todo o p ocesso de e se indi idualiza-
do e i de encon o às eais necessidades do
aluno. Assim, po exemplo, um aluno que
já em uma cla a e ealis a, no sen ido de
ajus ada às suas compe ências (cabe aos
écnicos de TVA aze essa a aliação) noção
da p o issão que p e ende, não necessi a de
o ien ação p o issional (a não se que p eci-
se de maio es e melho es noções sob e o
mundo do abalho), no en an o is o não sig-
ni ica que não p ecise ealiza es ágios de
sensibilização (que são o e dadei o mé o-