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Re is a académica liLETRAd, 3 (2017). p. 43-54. ISSN 2444-7439.
O ensino de ple e ele a de icien es isuais
Lilian dos San os Ribei o
Uni e sidade de Se ilha1
Resumo
Es e a igo p e ende mos a e p opo me odologias pa a o ensino de po uguês e espanhol
como língua es angei a a de icien es isuais. Nes e sen ido, es e ma e ial de es udo pode á
con ibui na o mação de um e e encial eó ico-me odológico, com base cien í ica e de
ca á e didá ico. A me odologia u ilizada nes e abalho oi quan i a i a: p imei o iz a
cole a e e isão bibliog á ica e depois obse ações nos cen os de ehabili ação pa a pessoas
cegas e de icien es isuais. Também en e is ei a di e o es, coo denado es, p o esso es e
alunos.
Pala as- cha e: Cegos, me odologia, PLE, ELE, ensino.
Abs ac
This a icle in ends o p opose he me hodology o eaching Po uguese and Spanish as a
o eign language o isually impai ed. The app oach was backed up by ele an li e a u e
and empi ical e idence collec ed by he au ho h ough in e iews wi h p incipals, coo di-
na o s, eache s and s uden s, along wi h obse a ion o ehabili a ion cen e s o he blind
and isually impai ed. The e o e, his s udy may con ibu e o he o ma ion o a heo e i-
cal and me hodological e e en ial wi h scien i ic basis and didac ic cha ac e .
Keywo ds: blind, me hodology, PLE, ELE, eaching.
In odução
Nes e a igo, p e ende-se p opo adap ações me odologias cen adas na abo dagem comu-
nica i a pa a o ensino de po uguês e espanhol como língua es angei a a de icien es isuais
espanhóis e b asilei os, no ní el A1-A2. Todas as a i idades de PLE e ELE es ão desen ol idas e
1. Lilian Ad iane dos San os Ribei o é Licenciada em Le as, Habili ação em espanhol, pela Uni e e-
sidade da Amazônia- B asil; Mes a em Lingüís ica Aplicada ao Ensino de Espanhol como Língua Es angei-
a pela Uni e sidade de Salamanca e Dou o a em Li e a u a Espanhola e Compa ada, Au obiog a ia emini-
na e em Es udos de Gêne o: Mulhe , Comunicação e Esc i u as, do Depa amen o de Li e a u a In eg adas
da Uni e sidade de Se ilha. P o esso a de Li e a u a Luso-B asilei a e de po uguês como língua es angei a,
pesquisado a do G upo “Enseñanza y Aplicación de Idiomas en la Li e a u a, la Lengua y la T aducción” da
Uni e sidade de Se ilha. P o esso a de CELP - Se ilha (Cen o de Es udos de Língua Po uguesa), cen o
examinado o icial de PLE pela Uni e sidade de Lisboa. Memb o de liLe ad. Email: [email p o ec ed].
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Lilian dos San os Ribei o – O ensino de ple e ele a de icien es isuais
o oco são as habilidades e des ezas da compe ência comunica i a e es udos con as i os en e
po uguês e espanhol, mas adap adas as necessidades e ap endizagem dos de icien es isuais es-
panhóis e b asilei os. Pa a isso, a abo dagem oi espaldada em bibliog a ia pe inen e e em dados
empí icos cole ados pela au o a po meio de en e is as com di e o es, coo denado es, docen es
e discen es de PLE e ELE; obse ações e es ágio em cen os de eabili ação pa a pessoas cegas e
de icien es isuais (Biblio eca B aille, na escola Ál a es de Aze edo, em Belém Pa á-B asil e no
Colégio Luis B aille da Once, em Se illa). Após as obse ações e en e is as o am desen ol idas
e adap adas algumas me odologias pa a após se em aplicadas aos alunos dos dis in os cen os de
eabili ação e po úl imo oi ei a a análise dos esul ados ob idos. Nes e sen ido, conside a-se que
es e es udo pode á con ibui pa a o mação de um e e encial eó ico-me odológico, com base
cien í ica e de ca á e didá ico.
Dada a na u eza e índole de ca á e in odu ó io, pano âmico, sis emá ico e cla amen e
didá ico des e a igo, o lei o pode á e uma comp eensão di e a e cien í ica do mundo educa i o
que odeia ao educando cego. P e ende-se mos a a pe cepção lei o a e aze adap ações me o-
dologias pa a o ensino de Po uguês como Língua Es angei a a de icien es isuais espanhóis.
1. O código b aille e os meios i o ecnológicos2 no ensino de PLE e ELE.
Sabe-se que os se es humanos êm cinco ó gãos senso iais: a isão, a audição, o ol a o, o
a o e o palada . Sendo que a isão possui 80% de pe cepção senso ial e os ou os 20% es ão
dis ibuídos aos ou os qua o canais pe cep i os. No caso do aluno cego a pe cepção de mundo
es á eduzida somen e aos 20%. Es e abalho p e ende ensina aos docen es explo a em e po en-
cia em os ou os qua o ó gãos senso iais do discen e cego.
An es de en a no co pus me odológico des e a igo, é necessá io aze uma pequena in-
odução sob e: o al abe o b aille, apa elhos i o ecnológicos u ilizados po es e público, os di e-
en es ipos de pe cepções: knes ésica- á il, háp ica, lei o a e po úl imo p opos as de adap ações
me odológicas.
Ao longo dos séculos o am egis adas á ias en a i as de c ia um sis ema de lei u a e
esc i a pa a os sujei os p i ados de isão. A é que Louis B aille3 in en ou o código b aille4 e es e
ainda hoje é o sis ema in e nacional de lei u a e esc i a usado pelos de icien es isuais.
2. Ti o ecnológicos, es a pala a em do g ego, i lo que signi ica cego. Po isso, quando se ala de
no as écnicas especí icas pa a pessoas de icien es isuais se emp ega o e mo i lo ecnologia que é o conjun-
o de conhecimen os e ecu sos di ecionados aos cegos com a inalidade de que encon em os meios mais
ú eis pa a o uso da ecnologia, sendo que os apa elhos i lo écnicos es ão desenhados pensando em consegui
uma maio qualidade de ida e au onomia pessoal pa a es as pessoas.
3. Elissalde, En ique (1992), Un jo en llamado Louis B aille, Mon e ideo, Fundación B aille del
U uguay., y Ma ín- Blas Sánches, Ángel (2000), “El Ap endizaje del Sis ema B aille”, en Villalba Simón,
Mª Rosa (Di .), Aspec os e olu i os y educa i os de la de iciencia isual, ol. II, Mad id, Once, pp.32-33.
4. O al abe o b aille é o código á il de lei u a e esc i a ado ado de o ma uni e sal pelos cegos.
Ma ín-Blas Sánchez, Ángel (2000), “El ap endizaje del Sis ema B aille”, en Villalba Simón, Mª Rosa (Di .),
Aspec os E olu i os y educa i os de la De iciencia isual, op. ci ., p. 34.; Ma ínes Liébana, I (1996), Tac o y ob-
je i idad, Mad id, Once.; Ochaí a, E, y o os (1988), Lec u a b aille y p ocesamien o de la in o mación ác il,
Colección Rehabili ación, Mad id, INSERSO.; ONCE (1988), Signog a ía b aille, Alican e, CRE “Espí i u
San o” de la ONCE.; Mous y, Ph, y col (1985), Los espec i os oles de las manos en la lec u a b aille, Pa ís,
P ensa Uni e si a ia de F ancia., y Nielsen, S (1988), Las manos in eligen es, Có doba (A gen ina), ICEVH.
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Exis em alguns ins umen os a a és dos quais se pode esc e e em b aille, o mais simples e
econômico se chama egle e5. Es e apa elho es á cada ez mais em desuso, mas é bom conhecê-lo
po que pode á se ú il em algum momen o de e minado. Além do egle e, o al abe o pode se
esc i o po máquinas especiais de mecanog a ia: Pe kins ou Blis a6.
Na a ualidade com o a anço da ecnologia apa ece am apa elhos i o ecnológicos que e o-
luciona am a p odução bibliog á ica pa a os sujei os p i ados de isão a a és das g a ações mag-
ne o ônicas: O B aille alado7 é um ins umen o po á il que pe mi e o p ocessamen o e a maze-
namen o de qualque in o mação, ambém se e como elógio, calendá io e calculado a. O ex o
g a ado é ep oduzido po sín ese de oz ou o ex o pode se imp esso em b aille a a és de uma
imp esso a b aille, ambém pode se conec ado ao PC de qualque compu ado . Ou o apa elho
e olucioná io é o PC alado8, um mic ocompu ado que em as mesmas unções do b aille alado.
Com as imp esso as b aille9 se pode imp imi qualque ex o digi ado ou escaneado. A
c iação des as imp esso as ap esen ou um a anço mui o signi ica i o no que se e e e à agilidade
e aumen o da p odução dos ex os no código b aille. A sua unção é idên ica a da imp esso a de
in a, mas os ca á e es são imp essos em signo b aille. In elizmen e es a imp esso a é mui o ca a
e somen e os cen os i ine an es de eabili ação as possuem, po es e mo i o, se algum docen e
necessi a de um ex o imp esso em b aille e á que se desloca a é um des e cen os.
Como ma e iais i o ecnológicos, ambém es ão os p og amas de sín ese de oz c iados e
adap ados pa a os compu ado es. O uso do compu ado é ou o a anço, pois ajuda no desen-
ol imen o dos po ado es de Necessidades Educa i as Especiais e acili a a sua ap endizagem.
Pe mi e o acesso do cego ao mundo da in o má ica, os p og amas de sín ese de oz mais usados
são: Jaws, Dolphin e no B asil o Dos ox, com es es p og amas os sujei os p i ados de isão po-
dem le e esc e e ex os no compu ado e se conec a em a in e ne . Qualque página web pode
se lida pelos p og amas lei o es de ela ab indo pa a os de icien es isuais um mundo no o de
in o mações disponí eis online.
O eclado b aille10, é uma e amen a se con e eu num ins umen o de libe ação e mui o
necessá io. Também há o Colo ino11: iden i icado de co alan e, que pe mi e as pessoas cegas
5. Hen i, P (1952), La ie de Louis B aille, in en eu de l´alphabe des a eugles (1809-1852), Pa ís,
PUF, p. 66., y Ca álogo de la once.
6. Du án Vélez, José Mª (2000), “Recu sos Ma e iales y Adap aciones Especí icas”, en Villalba
Simón, Mª Rosa (Di .), Aspec os e olu i os y Educa i os de la De iciencia Visual, Mad id, ONCE, p.363.
7. Mo ales To es, Manuela, y Be ocal A jona, Manuel (2000), “Ti lo ecnología y Ma e ial Ti lo-
écnico”, en In e ención Educa i a con alumnos ciegos y de icien es isuales, Málaga, Once, p. 8.
8. Sanz Mo eno, Mª del Ca men (2000), “Educación y Nue as Tecnologías”, en Villalba Sión, Mª
Rosa (Di .), Aspec os e olu i os y Educa i os de la De iciencia Visual, Mad id, ONCE, p. 461.; Ba olomé, A.
R (1987), “Nue as ecnologías en educación especial”, Re is a In e uni e si a ia de Educación Especial”, 1,
pp. 19-26., y G oss, B (1987), Ap ende median e el o denado , Ba celona, PPU.
9. Dos San os Ribei o, Lilian Ad iane (2008), La pe cepción de lec u a e p opues as me odológicas
pa a la enseñanza de español a de icien es isuales b asileños, Tesina del Mas e La enseñanza de español como
lengua ex anje a, Salamanca, Uni e sidad de Salamanca, p. 38., y ca álogo da once online.
A imp esso a Po a-Thiel, é uma imp esso a indi idual em b aille de baixa elocidade, com uma e-
locidade de 10 ca á e es po segundo. Admi e imp essão em 6 ou 8 pon os. Imp ime sob e papel con inuo e
olhas sol as com um máximo de 39 ca á e es po linha e 29 linhas po página. Dispõe de egulado de o ça
de impac o da pinça e 2 in e aces: se ie RS-232 e pa alelo ( ipo cen onic).
10. Mo ales To es, Manuela, y Be ocal A jona, Manuel (2000), “Ti lo ecnología y Ma e ial Ti lo-
écnico”, en In e ención Educa i a con alumnos ciegos y de icien es isuales, Málaga, Once, p. 8.
11. Ibídem.
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conhece em as co es das oupas, lo es e de ou os obje os, assim ob e uma maio indepen-
dência. O apa elho a a és dos seus senso es é capaz de iden i ica ambém pode iden i ica a
in ensidade da luz emi indo uns api os. Todos es es apa elhos i o ecnológico pe mi em o acesso
à in o mação ao de icien e isual.
2. Ó gãos senso iais: as múl iplas lei u as de mundo dos de icien es isuais.
A pe cepção é um p ocesso a i o que comp eende a p ocu a dos elemen os mais impo an-
es de in o mação, a compa ação de um com ou os e a elabo ação de uma hipó ese ela i a ao
signi icado da in o mação na sua o alidade, além da e i icação des a hipó ese po meio de uma
compa ação da mesma com as ca ac e ís icas especí icas do obje o pe cebido12.
Na pe cepção, po an o, não só in e êm os sen idos, já que es es somen e ab angem
sensações. A pe cepção implica a i idades cognosci i as supe io es que in e p e am, compa am
e e i icam as sensações.
A maio ia dos sis emas senso iais são cons i uídos po ó gãos senso iais, células ecep o as e
ne os ansmisso es que, po sua ez, conec am com o co po celula neu onal ao có ex13.
As expe iências com a is a, o som, o ou ido, o sabo e o chei o que odeiam odas as
pessoas, es imulam seus sen idos, en iando mensagens po ne os senso iais a é o cé eb o, onde
ecebem um signi icado. Assim se inicia o p ocesso pe cep i o que em sua ase inal se ag upam.
O ou ido, assim como a isão é um sis ema de longa dis ância que lhe possibili a ob e in-
o mação do ambien e. A disc iminação e o econhecimen o dos sons azem com que o de icien e
isual seja capaz de dis ingui os sons14.
Os sis emas ol a i os e gus a i os pe mi em o desen ol imen o de a i idades impo an es
pa a uma pessoa com p oblemas isuais, pois ecebem sensações p oceden es das qualidades quí-
micas dos obje os e do ambien e. A opo unidade de explo a o ambien e po meio do uso des es
sen idos p opo ciona uma aliosa in o mação que pode á se p ocessada e u ilizada com os dados
senso iais no desen ol imen o pe cep i o15.
Em ge al, a de enção dos chei os é ú il como o ma de e e ua algumas dis inções en e ma-
e iais, ma ca a p oximidade de pessoas que se deslocam independen emen e. Po es as, azões
ambém é p eciso po encia es as modalidades senso iais pa a que comple em seu conhecimen o.
O uso des es sen idos se az de manei a simul ânea ao es o, se a ap endizagem audi i a e
á il-knes ésica se ac escen a a es es sen idos, se en iquece a expe iência pe spec i a e a ap endi-
12. Du án Vélez, José Ma ía (2000), “Recu sos Ma e iales y Adap aciones Especí icas”, op. ci ., p.
381. 13. Nuñez Blanco, Mª Ángeles (2000), “El desa ollo psicológico del niño ciego. Aspec os di e en -
ciales”, op. ci ., p. 67.
14. Piage (1973), deu o nome de in e nalização, à união de odas es as pe cepções pa a alcança
a me a desejada. Vallés A ándiga, An onio (2000), “Las necesidades educa i as especiales de los alumnos
ciegos y de icien es isuales e in eg ación psicopedagógica”, en Villalba Simón, Mª Rosa (Di .), Aspec os
E olu i os de la De iciencia Visual, Vol. I., Mad id, ONCE, p. 296.
15. Vallés A ándiga, An onio (2000), “Las necesidades educa i as especiales de los alumnos ciegos y
de icien es isuales e in eg ación psicopedagógica”, op. ci ., p. 299.
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zagem esul an e é mui o mais comple a. A conjunção de odos os sen idos que se ansmi e po
ia isual en a palia ou compensa a in o mação e sua in e p e ação16.
Nem udo o que pe cebemos isualmen e pode á se pe cebido a a és do a o ou da au-
dição. Cada unção senso ial p opo ciona sensações e pe cepções p óp ias e especí icas, impossí-
eis de se em pe cebidas po ou os canais. A es u u ação da pe cepção e o ní el cogni i o es ão
adicalmen e de e minados e di e enciados segundo o sis ema senso ial que o indi iduo u iliza
habi ualmen e.
2.1 Pe cepção Knes ésica- á il.
As sensações á eis e knes ésicas são o p imei o con a o do cego com o mundo que o odeia.
A a és do a o, o sujei o cego manipula os obje os, p essiona, le an a e con as a as suas qua-
lidades: ca ac e ís icas, amanho, peso, du eza e lexibilidade. O eedback que p opo ciona es e
sen ido é di e en e a in o mação o necida pelo sis ema isual17.
A in e elação en e os sis emas á il e knes ésico na p ocu a e ansmissão da in o mação
ao cé eb o pa a sua codi icação, associação e in e p e ação é ão pequena que eqüen emen e
ecebem o nome “sen ido da pele”.
Tal como disse Ludel (1978): “Os lábios e as mãos ap esen am g andes concen ações de
ecep o es á eis e são os ansmisso es mais sensí eis da in o mação á il ao có ex”18.
2.2. A di e ença en e a pe cepção ó ica e a háp ica.
Não cabe dú ida que a ap eciação das o mas é o iginá ia e es á in imamen e ligada com
a isão. No mundo das o mas, com iqueza de de alhes e ca ac e ís icas só é comp eensí el em
odo o seu sen ido pa a os que enxe gam. Não se pode iden i ica o mundo da o ma com o
háp ico. Pode-se a i ma que o alcance da pe cepção e a c iação da o ma anscendem do mundo
isual. Também, a háp ica em seu p óp io mundo de o ma, embo a limi ado e di e en e, de e -
minado po endências e obje i os di e en es aos da ó ica19.
Um obje o pode p oduzi di e en e imp essão de o ma segundo a posição do obse ado
ou segundo a iluminação que se apo e, mesmo que a sua o ma seja semp e a mesma. Quando
se pede a um cego a a e a de desc e e esse obje o, imp essiona a manei a minuciosa com a que
16. Nuñez Blanco, Mª Ángeles (2000), El desa ollo psicológico del niño ciego. Aspec os di e enciales,
op. ci ., p. 83.
17. Nuñez Blanco, Mª Ángeles (2000), “El desa ollo psicológico del niño ciego. Aspec os di e en-
ciales”, op. ci ., p. 78., Foulke, E (1982), “Reading b aille”, en W. Schi y E. Foulke (Eds.) Tac ual pe cep-
ion: A sou cebook, Camb idge Uni e si y P ess., y Ca ei as, M. y Codina, B (1993), “Cognición especial,
o ien ación y mo ilidad: conside aciones sob e la cegue a”, In eg ación. Re is a sob e cegue a y de iciencia
isual, Mad id, ONCE, pp. 5-15.
18. Nuñez Blanco, Mª Ángeles (2000), “El desa ollo psicológico del niño ciego. Aspec os di e en-
ciales”, op. ci ., p. 79.
19. Du án Vélez, José Ma ía (2000), “Recu sos Ma e iales y Adap aciones Especí icas”, en Villalba
Simón, Mª Rosa (Di .), Aspec os E olu i os y Educa i os de la De iciencia Visual, Vol. II., Mad id, ONCE, p.
382.
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oca o obje o em de alhe po odos os lados e as elações espaciais das pa es que o compõem.
A pe cepção es u u al é a exp essão p imo dial do sen ido háp ico, enquan o que a pe cepção
global amplia o que é da pe cepção isual20.
Po an o, a háp ica acon ece po ia da pe cepção es u u al a é chega a imagem o al, ou
seja, um caminho opos o ao da ó ica, que ge almen e, a o ma o al cons i ui o pon o de pa ida
pa a uma análise es u u al.
Con udo, pode-se de ini a pe cepção háp ica como sis ema de pe cepção, in eg ação e
assimilação de sensações que em como ins umen o ca ac e ís ico a mão e o a o como ó gão
sensi i o a a és do p incípio es e eo-plás ico.
2.3. Pe cepção lei o a.
A lei u a, como meio de acesso à cul u a em ge al, como a i idade de laze , o ma pa e
ambém da ida diá ia de odos os se es humanos. Os “ iden es”21 êm a lei u a em in a, mas
ambém se pode le em b aille ou a a és dos li os que alam, que são ecu sos didá icos com oz
sin é ica. O p ocesso lei o pode se execu ado po dis in os canais senso iais e múl iplas ações.
Po isso, an o o ex o em in a como qualque ou o ma e ial de lei u a des inado a se pe cebido
isualmen e pode se adap ado pa a se cap ado pelo alunado cego a a és dos canais senso iais
á eis e audi i os. O ex o em in a se á ansc i o ao sis ema b aille ou g a ado “magne o onica-
men e”. Os desenhos necessá ios podem se subs i uídos po obje os eais ou adap ados em ele o
pa a acili a em a pe cepção á il.
Bas a subs i ui o supo e e o sis ema de lei u a isual po ou os pe cep í eis pelo a o e
ou ido. A subs i uição do sis ema de lei u a-esc i a habi ual em in a des inado a se lido isual-
men e pode se ansc i o em b aille pa a se pe cebido e lido a a és do a o, ou o ex o em in a
pode se lido e g a ado, se pode aze um egis o em i a magné ica ou em MP3 da dicção do ex-
o pa a se ep oduzido em apa elhos magne o ônicos, assim como u iliza a audição como canal
pe cep i o ou os p og amas de compu ado pa a aze a lei u a da ela. Es es p og amas podem
se encon ados em mui os idiomas e êm a capacidade de le as páginas di e amen e da in e ne .
O áudio em an agem sob e o ex o imp esso em b aille po que é mais ápido, especialmen e
quando a in o mação de inpu é ex o na a i o.
É ob io que o mundo da pessoa cega é um mundo desp o ido de isão, luz e co . Um
mundo em que a in o mação ecebida pelos ou os sen idos cob a uma g ande impo ância. No
luga de um mundo de luzes, somb as, co es e pe spec i as, o cego es á an e um mundo de sons,
20. Re esz, G (1950), Psychology and A o he Blind, London, Longmans, G een and Co.; Balles-
e os Jiménez, S (1994), “Pe cepción de p opiedades de los obje os a a és del ac o”, In eg ación. Re is a
sob e cegue a y de iciencia isual, nº 15, Mad id, ONCE, pp. 37-28.; Gonzáles, E. A. y Boude , A. I (1995),
“Impo ancia de las ep esen aciones g á icas ác iles en las es a egias didác icas pa a el ap endizaje de
concep os espaciales”, In eg ación. Re is a sob e cegue a y de iciencia isual, nº 18, pp. 47-43.; Du án Vélez,
José Ma ía (2000), “Recu sos Ma e iales y Adap aciones Especí icas”, en Villalba Simón, Mª Rosa (Di .),
Aspec os E olu i os y Educa i os de la De iciencia Visual, Vol. II., Mad id, ONCE, p. 383., y Ochaí a, E.;
Rosa, A. y o os (1988), Lec u a b aille y p ocesamien os de la in o mación ác il, Colección Rehabili ación,
Minis e io de T abajo y Segu idad Social, Mad id, INSERSO.
21. A palab a iden e se á u ilizada pa a designa o indi iduo que enxe ga, que não em nenhum
p oblema de isão.
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ex u as e empe a u as. Recebe in o mações a a és das a i idades do seu p óp io co po e da ia
e bal22.
O código lei o b aille é imp egnado po ex enso, ou seja, lendo le a po le a, pala a po
pala a ou de o ma ab e iada. Po se mui o ígido de o mas qualque e o na posição de algum
dos seus pon os é mui o signi ica i o, pois aca e a á uma in e p e ação e ônea do g a ema e
uma má lei u a. Assim como o ex o em in a, o ex o em b aille possibili a um leque de in e -
p e ações que de em se comp eendidas den o de cada con ex o semân ico em que es á esc i o.
Os lei o es cegos êm o mesmo g au de desen ol imen o cogni i o que um iden e, sua
limi ação e p oblema es ão elacionados com a la e alidade e com o espaço ísico, po an o, o
p ocesso de in e p e ação e comp eensão ex ual é quase o mesmo pa a odos os indi íduos.
O desenho23 em ele o é ou a opção que os de icien es isuais êm pa a conhece e ap een-
de as imagens. Es a écnica ambém lhes a o ece mui o pa a que en endam o mundo que os
odeia. Há máquinas especí icas nos cen os i ine an es que p oduzem desenhos em ele o ou
idimensionais; The mo o m e Ricoh-Fúse , apa elhos que ealizam desenhos e cópias di e a-
men e dos o iginais em plás icos he mode o má eis. Uma ez que o desenho es eja e minado, a
in o mação em b aille pode se in oduzida na pa e in e io do mesmo. A des an agem é que os
desenhos não êm co , mas se pode colo i a manualmen e pelo p o esso . Caso o p o esso não
enha acesso a es as máquinas pode á aze seu p óp io desenho em ele o com uma ca olina.
3. Adap ações me odológicas de PLE a de icien es isuais espanhóis.
A con ibuição da g amá ica ge a i o- ans o macional de Chomsky inco po a à me o-
dologia de L2 um aspec o mais c ia i o. Os p incípios de compe ência e a uações, es u u a
p o unda e supe icial, bem como de eesc i u a e ans o mação o am uma e olução que le ou
a sublinha a c ia i idade e impo ância do signi icado.
As me odologias aqui ap esen adas e adap adas es ão baseadas na abo dagem comunica i a
e no ní el A1-A2 do Ma co de Re e ência Eu opeu de Ensino de Línguas Es angei as, exe cícios
de comunicação eal ou simulada, mais in e a i os. A ap endizagem se cen a no aluno, não só
em e mos de con eúdo, mas ambém de écnicas usadas na aula.
Pa a um ensino de qualidade, a p imei a p o idência é eduzi o núme o de alunos po
aula. Além disso, há que adap a o meio e os ma e iais que se ão usados pa a es es educandos.
O ensino de um idioma se apóia em écnicas e bais e não e bais, ais como ges os, mímicas,
d ama izações e desenhos que acili am po múl iplas ias a aquisição do no o código de comu-
nicação. Cos uma-se emp ega com eqüência o quad o, ou ex os que incluíam desenhos de
exp essões e si uações. Es e p incípio e mé odo, ão usual e a o ecedo da no a ap endizagem,
22. Nuñez Blanco, Mª Ángeles (2000), “El desa ollo psicológico del niño ciego. Aspec os di e en-
ciales”, en Villalba Simón, Mª Rosa (Di .), Aspec os E olu i os y Educa i os de la De iciencia Visual, Vol. I.,
Mad id, ONCE, p. 123.
23. Es a a i mação em base em alguns es udos ealizados po pesquisado es com ceguei a. Um deles
oi o p ocedimen o de desenhos-his ó ias p opos o em 1972 na ese de Dou o ado ao IPUSP, po Wal e
T inca, como meio auxilia pa a a ampliação da pesquisa de pe sonalidade. Em 1976, oi sis ema izado pelo
au o e publicado com o í ulo: “Pesquisa Clínica da Pe sonalidade – O desenho li e como es imulo da
ap eensão emá ica”, B.H, e eedi ado com o mesmo nome pela EPU, São Paulo, em 1987.
50
Lilian dos San os Ribei o – O ensino de ple e ele a de icien es isuais
não em po que se e i ado ou eliminado, mas sim adap ado, comple ado e en iquecido quando
exis e um aluno cego in eg ado no g upo de PLE.
Pa i da expe iência do discen e cego é a base da ap endizagem signi ica i a. In elizmen e
o aluno com NEE (Necessidades Educa i as Especiais) não e á o mesmo ní el que um discen e
que enxe ga, po que não con a na u almen e nem com os es ímulos isuais, nem com a educação
não in encional que su ge do meio e da sociedade a a és dos meios de comunicação. Es e a o
não implica que o p o esso em que ob ia pala as e exp essões não conhecidas po ele, o que
em que aze é ap oxima -lhe a es a base comum e ópica (anúncios, í ulos, ó ulos...) de o ma
in encional na p óp ia sala de aula. Só assim, ele se á ambém pa ícipe dessa ealidade cul u al e
lingüís ica que es á o a da aula.
Na si uação de deba e ou comunicação, o p o esso de e explica -lhe quan os memb os
pa icipam da a i idade, quem são, onde cada um es á si uado, a es u u a ísica da si uação co-
munica i a, exis ência ou não do mode ado , e c. Pois a comunicação en e o sujei o cego e seus
colegas, e a obse ação das condu as sociais em ge al p opo ciona ão ao p o esso in o mações
aliosas pa a a p og amação de a i idades de in e ação na aula.
Pa a ilus a es a explicação, se á p opos a uma a i idade lúdica de ap esen ação e desc ição
de pe is, chamada “Teia de a anha”.
A i idade 1: Teia de a anha.
Obje i os: Es a dinâmica é pa a abalha as ap esen ações, mas ambém pode se u ilizada como
dinâmica de e isão.
Des ezas: Comp eensão e exp essão o al.
P epa ação da a i idade: Pô os alunos de pé em cí culo e e um olo de io de lã.
P ocedimen o: Cada aluno a á a sua ap esen ação pessoal, cump imen ando, dizendo seu
nome, idade, ende eço, p o issão… quando e mina , escolhe á um colega e lhe lança á o io, e
assim sucessi amen e, ao inal das ap esen ações odos es a ão en elaçados e pa a des aze o nó
humano, os alunos e ão que ap esen a ou dize o que escu a am do seu colega an e io , po isso,
é mui o impo an e que odos es ejam a en os du an e a a i idade. Ou a a i idade que pode
se ei a pa a des aze o nó, é que cada um con e o seu dia a dia pa a abalha e bos egula es e
i egula es no p esen e do indica i o.
Ao docen e: O p o esso e á a a e a de mediado quando o olo o lançado ao discen e cego,
o p o esso ou o colega que jogue o io lhe e á que a isa do lançamen o, ocalizando bem o seu
nome. No momen o de des ança o io, se o aluno não se lemb a que colega se ap esen ou an es
dele, o mediado e á que lemb á-lo.
A in e ação é undamen al, a animação do g upo supõe a capacidade de es abelece e man-
e uma boa elação nele. O p o esso e á que e baliza e desc e e as a i idades com o máximo
de de alhes.
A i idade 2: Encon os às escu as.
1. Imagine: Que sensação ocê e ia se es i esse ealizando uma a i idade o inei a, pela noi e, e
de epen e, al asse ene gia?
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Re is a académica liLETRAd, 3 (2017). p. 43-54. ISSN 2444-7439.
2. Se esse a o acon ecesse du an e o seu jan a e não i esse nenhum ecu so, o que ocê a ia?
3. Faça a lei u a de o ex o a segui e esponda:
E en o no Rio de Janei o o e ece uma expe iência onde o clien e em de come no
escu o e é se ido po ga çons cegos.
Duas amigas, bem- es idas, sen am-se à mesa do es au an e. Enquan o o maî e se e o
inho, as duas a eiam os gua danapos e os apóiam sob e as pe nas. Con e sam um pouco, pa a
queb a o silêncio, enquan o agua dam o p imei o p a o. As en adas chegam à mesa. Ainda
a eando, uma das mulhe es aga a os alhe es, co a um pedaço da en ada e o le a à boca.
Quase engasga. Na segunda ga ada, ou o pedaço é p eso ao ga o, mas, a poucos cen íme os
dos lábios, esco ega e cai sob e a oalha. O alhe chega azio à boca. Impacien e, a mulhe oca
o alhe pelas mãos, coloca os dedos no p a o, aga a um punhado de comida e inalmen e se
alimen a.
A queb a da e ique a é comp eensí el: nem ela nem amiga sabiam o que es a am comen-
do. Na e dade, não enxe ga am nada e i e am de engo du a os dedos pa a pa icipa de uma
expe iência gas onômica excên ica: um jan a às escu as. O “dinne in he da k” já é p á ica
conhecida em algumas cidades do mundo, como No a Yo k, Pa is e Be lim, mas é inédi a no
B asil. En e os dias 7 e 11 de se emb o, du an e o “Degus a Rio”, e en o que acon ece no Rio de
Janei o, jan a es às escu as se ão ealizados no salão do Jockey Club B asilei o, só que em ca á e
expe imen al. Na Eu opa e nos EUA, há es au an es que o e ecem a expe iência pe manen e-
men e.
A inspi ação dos o ganizado es do e en o ca ioca eio do es au an e Dans Le Noi ? (com
pon o de in e ogação mesmo), em Pa is, um dos p imei os que apaga am a luz do salão pa a
que os clien es pudessem aguça os ou os sen idos e expe imen assem, po ce ca de uma ho a,
as di iculdades de um de icien e isual. O “dinne in he da k”, no en an o, oi c iado po um
es au an e em Zu ique, o Blindekuh (o nome signi ica “ aca cega”), que começou a o ganiza
jan a es espo ádicos em uma an iga capela em se emb o de 1999. O concei o oi c iado pela un-
dação Blind-Liech , que p omo e p oje os pa a aze ao conhecimen o do público as limi ações
que a al a da isão az. A expe iência se e elou não só um a o de conscien ização social como
ambém um e en o gas onômico inusi ado.
Pa a que a expe iência seja ealmen e impac an e pa a os clien es, odos os ga çons do Dans
Le Noi ? São cegos, o que causa uma in e são de papéis na escu idão, os cegos o nam-se os guias.
Pa a o Degus a Rio, ês de icien es isuais do Cen o de Educação pa a o T abalho e a Cidadania
do Senac de I ajá, que in eg am o p oje o Sem Limi es, es ão sendo einados pa a o se iço.
Em ou os es au an es do mundo, como o Suba, em No a Yo k, a p opos a é um pouco
menos “nob e”. Lá, a in enção é p omo e um encon o en e sol ei os, e a escu idão es imula o
p incípio “le a a melho quem o bom de papo”. Na ho a da sob emesa, os ga çons (que não são
cegos, mas usam óculos de isão no u na) acendem elas pa a que os clien es inalmen e ejam
se a apa ência condiz com o papo.
Folha de São Paulo, 01/09/2005.