Cad. B as. Ens. Fís., . 19, n. Especial: p. 70-83, jun. 2002.
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A EPISTEMOLOGIA EVOLUCIONISTA DE
STEPHEN TOULMIN E O ENSINO DE CIÊNCIA+*1
Ra ael Po lán A iza
Uni e sidade de Se ilha
Se ilha - Espanha
João Ba is a Siquei a Ha es
UNIVATES
Lajeado - RS
Resumo
Es e a igo ap esen a uma análise epis emológica de algumas idéias de
S ephen Toulmin, especialmen e sua eo ia e olucionis a do conhecimen-
o. Analisa-se o papel que es a eo ia pode exe ce no deba e en e as po-
sições absolu is as e ela i is as no ensino de Ciências.
Pala as-cha e: Epis emologia; mudança concei ual; ensino de ciências.
Abs ac
This a icle p esen s an epis emological analysis o some o he ideas o
S ephen Toulmin, in pa icula his e olu iona y heo y o knowledge. The
ole ha his heo y migh play in he deba e be ween he absolu is and
ela i is posi ions on Science eaching is analysed.
Keywo ds: Epis emology; concep ual changing; science eaching.
+ The e olu ionis epis emology o Toulmin and he eaching o science
* Recebido: agos o de 2000.
Acei o: no emb o de 2000.
1 Ve são aduzida e a ualizada do a igo “La epis emología e olucionis a de S hepen Toul-
min y la enseñanza de las ciencias” publicada o iginalmen e na Re is a In es igación en la
Escuela, n. 39, p 17-26, Se ilha (Espanha), 1999.
Po lan, R. e Ha es, J. B. S.
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I. In odução
O p oblema da comp eensão humana é duplo. O homem conhece e é
conscien e ao mesmo empo de que conhece. Adqui imos, possuímos e a-
zemos uso do conhecimen o; mas ao mesmo empo somos conscien es de
nossa p óp ia a i idade como sujei os cogni i os. (Toulmin, 1972, p.1)
Seguindo a linha c escen e de in es igações que en am ap oxima o ensi-
no de ciências ao deba e epis emológico sob e a na u eza da ciência (Ma hews,
1994), es e abalho az uma e lexão sob e as idéias de S ephen Toulmin. Ap e-
sen am-se as bases de sua isão epis emológica e algumas possí eis implicações de
suas idéias pa a o ensino.
Toulmin si ua-se den o do g upo de pensado es, como Poppe , Kuhn, La-
ka os, Feye abend, en e ou os, que c i icam a concepção posi i is a sob e a na u-
eza da ciência (Níaz, 1994; Abimbola, 1983; Duschl, 1983). Ao e idencia as
limi ações do posi i ismo (Po lán, 1993), as idéias de Toulmin, como um mode no
ilóso o da Ciência (Finley, 1983), ap esen am um g ande po encial heu ís ico pa a
o ensino na medida em que concebe a e olução do conhecimen o como melho
desc i o pela ação pe ene do espí i o c í ico, obje i o ambém do ensino de ciências
(Wagne , 1983). Pa a Mellado e Ca acedo (1983), es e au o se enquad a den o
do en oque cons u i is a, compa ilhado po Kuhn, Laka os e Laudan, no qual as
eo ias cien í icas são en es complexos.
Em um de seus p imei os abalhos, Toulmin (1953) já chama a a enção
pa a a não dis inção en e eo ia e obse ação (Duschl, 1983). En e an o, é no li o
Human Unde s anding - olume I: The Collec i e Use and E olu ion o Concep s,
que Toulmin (1972) ap esen a uma análise o iginal e u í e a das no as co en es
epis emológicas e sua elação com as isões clássicas do conhecimen o, p opondo
en ão um modelo e olucionis a pa a os concei os análogo ao que Da win p opôs
pa a e olução das espécies. Assim, sua o iginalidade consis e em aplica o mesmo
esquema eó ico às populações concei uais que Da win aplicou às populações de
espécies. E is o não po uma analogia biológica opo unis a, mas sim po que ele
conside a que os modelos populacionais o gânicos e concei uais são casos pa icu-
la es de um único pad ão de desen ol imen o po ino ação e seleção (Po lán,
1989).
A complexidade da análise epis emológica p opos a po Toulmin mani es-
a-se p incipalmen e na aplicação do concei o de ecologia concei ual na e olução
dos concei os. P e endemos ap esen a na seqüência os aspec os mais des acados
des a aplicação.
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II. Pa a além do posi i ismo: o deba e absolu is as x ela i is as
O p oblema cen al do pensamen o de Toulmin se e e e à discussão sob e
a exis ência ou não de c i é ios uni e sais ou p incípios ixos, sejam eles, me a ísi-
cos, acionais ou empí icos pa a a alia a alidade do conhecimen o humano. Pa a
es e au o , as co en es epis emológicas êm ado ado duas ias de análise pa a es e
p oblema: uma iden i icada com a lógica o mal e ao empi ismo, associada ao
posi i ismo e ao pensamen o poppe iano; e ou a iden i icada com uma ia his ó i-
ca, onde se enquad a iam as idéias de Laka os, Kuhn e Feye abend, en e ou os.
A isão posi i is a, incluindo desde o pensamen o empi is a clássico, pas-
sando pelo posi i ismo lógico e chegando a é o empi ismo lógico (Toulmin, 1953),
acen uam a jus i icação do conhecimen o a pa i dos dados obse acionais e da
expe iência sensí el (Mellado e Ca acedo, 1993). Nes a isão concebe-se a Ciên-
cia como um p ocesso único, e ossímil do pon o de is a lógico e cuja alidade é
independen e de con ex o e que, pa a a aliação das eo ias, ado a c i é ios empí i-
cos.
Pa alela à posição an e io , a escola acionalis a des aca a impo ância da
azão e dos concei os c iados pela men e no p ocesso de o mação e undamen a-
ção do conhecimen o cien í ico. Aqui, os c i é ios pa a a aliação de eo ias são
acionais. Do en en amen o des as duas co en es, su ge Kan p opondo uma sín-
ese que, enquan o conside a que odo conhecimen o em sua o igem na expe iên-
cia sensí el, ao mesmo empo, ele de e se enquad ado em es u u as men ais
anscenden ais e a p io i pa a adqui i necessidade e uni e salidade (Mellado e
Ca acedo, 1993).
As duas co en es acima enquad am-se no que Toulmin chama de absolu-
ismo epis emológico. Nes a adição ilosó ica, a o dem da na u eza é ixa e es á-
el, e a men e do Homem adqui e domínio in elec ual sob e o aciocínio de aco do
com P incípios de En endimen o, que são igualmen e ixos e uni e sais (1977,
p.29).
Poppe en a ap esen a uma solução ao p oblema do empi ismo como
on e única e e dadei a do conhecimen o. Is o oco eu pelo a o de e icado e i-
den e, especialmen e do início des e século pa a cá, que oda obse ação es á sem-
p e ca egada de eo ia: não há obse ação pu a, não in encional e eo icamen e
independen e (Poppe , 1975, p.79). Qualque p oposição de obse ação se á sem-
p e ei a na linguagem de alguma eo ia e se á ão p ecisa quan o a es u u a eó ica
ou concei ual que u iliza. Assim, o obje i o da ciência es a ia em es abelece hipó-
eses especula i as e p o isó ias pa a soluciona os p oblemas, subme endo-as a
um p ocesso igo oso de alseação po p ocedimen os obse acionais e expe imen-
ais (Po lán, 1989).
Apesa de sua ele an e con ibuição, na medida em que ab iu as po as
pa a o mode no an i-posi i ismo e pa a o econhecimen o da na u eza sócio-
Po lan, R. e Ha es, J. B. S.
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psicológica da ciência (Chalme s, 1993), Toulmin enquad a o pensamen o poppe-
iano como uma a ian e do absolu ismo mais adicional, pois:
a on e úl ima de suas no mas acionais pa a julga os a gumen os e p o-
cedimen os cien í icos segue sendo em sua o alidade um conjun o de
condições ge ais a p io i, impos as a odo aciocínio cien í ico desde o a
po sua de inição, em úl ima ins ância a bi á ia, do que de e conside a -
se como uma hipó ese, uma eo ia ou um concei o cien í ico (1977, p.
482).
Como disse Chalme s (1993): as eo ias não podem se alseadas de modo
concluden e, po que os enunciados obse acionais que se em de base à alseação
podem esul a alsos a luz de pos e io es p og essos (p.93). Além disso, con o me
as análises de Laka os, Laudan, Kuhn e Toulmin, é di ícil sus en a his o icamen e
a idéia de que exis am expe imen os c uciais (Mellado e Ca acedo, 1993).
Assim, esgo ada a ia lógica o mal e sis emá ica como c i é io de acio-
nalidade, a única al e na i a possí el, como indica Toulmin, é oma a expe iência
his ó ica eal dos cien is as e de suas mudanças concei uais, como elemen o cla i i-
cado .
Nesse sen ido, Laka os ap esen a um modelo, denominado de p og amas
de in es igação, mais complexo e es u u ado das eo ias cien í icas. Pa a ele, as
eo ias esis em à mudança e não cedem ao alseacionismo, mas se p o egem dele.
Sua isão de núcleo cen al, hipó eses auxilia es e enunciados obse acionais pe -
mi e a inclusão de uma componen e his ó ica na mudança de eo ias e põe em e i-
dência a inadequação de uma isão alseacionis a pu a (ingênua). Mesmo econhe-
cendo nessa ese um a anço com espei o à posição de Poppe , Toulmin (1972)
conside a que Laka os apenas e omou a a gumen ação poppe iana no pon o onde
es a pa ou, dob ando-se ambém aos a gumen os logicis as como c i é io de acio-
nalidade. O p oblema não é como se de ende da alseação, mas, is o sim, se es e é
um c i é io adequado pa a a a aliação cien í ica.
Na isão de Toulmin, po an o, os modelos epis emológicos an o de Pop-
pe como de Laka os si uam-se, po e e i em-se a c i é ios uni e sais e a-
empo ais de a aliação, ainda como absolu is as mesmo que de modo mais mode-
ado. Es e con inuismo ilosó ico se ia impo en e pa a abo da as ques ões da e o-
lução cien í ica e social p opos as na a ualidade.
Como ejeição à isão absolu is a, Kuhn ap esen a uma possí el espos a
aos p oblemas da comp eensão humana (Toulmin, 1972). Nes a isão, al como na
de Laka os, as eo ias são en es complexos. Kuhn as denomina de pa adigmas. Elas
são in eg adas po um conjun o de c enças, alo es e écnicas compa idas po uma
comunidade cien í ica (Kuhn, 1962). Quando hou esse uma mudança de pa adig-
ma se p oduzi ia o que Kuhn chamou de e olução cien í ica.
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Du an e a igência de um pa adigma e íamos o pe íodo denominado de
ciência no mal. Nes e pe íodo, os cien is as, guiados po um pa adigma inques io-
ná el, abalha iam no sen ido de esol e p oblemas eó icos e expe imen ais de
sua á ea, melho ando a coe ência in e na do mesmo. Os p oblemas não esol idos
se ca ac e iza iam como anomalias e, na medida em que es as se acumulassem
p og essi amen e, pode ia su gi uma c ise e, po an o, um ambien e a o á el ao
su gimen o de pa adigmas i ais e à pos e io mudança de pa adigma. A subs i ui-
ção de um pa adigma po ou o, incompa í el e não logicamen e supe io ao an e-
io , não es a ia baseado em c i é ios lógicos o mais ou obse acionais, mas po
p essupos os me a ísicos, ideológicos, psico-sociais e c.
Bunge (1985) az uma c í ica se e a ao pensamen o kuhniano. Pa a ele
nem oda e olução cien í ica esponde a uma c ise. As e oluções ambém não se
ca ac e izam po uma mudança adical, elas são semp e, em ce a medida, pa ciais:
só os cha la ães echaçam a o alidade dos conhecimen os exis en es (p.51). Além
disso, os cien is as são semp e capazes de examina suas eo ias e mé odos, eco-
nhecendo neles os e os empí icos. E mais, ac escen a Bunge, mesmo que algumas
mudanças sejam di igidas po conside ações ex a-cien í icas ou ideológicas, is o
não implica no con á io: que nunca se u ilizem c i é ios e me odologias obje i as
de a aliação.
Toulmin (1970) ambém se opõe ao ca as o ismo de Kuhn, ap esen ado
nos seus p imei os esc i os. Ele essal a que a idéia kuhniana de e olução oi, pelo
p óp io au o , mudada paula inamen e de modo a se a as a da posição o iginal.
Concebidas inicialmen e como algo que endia a acon ece a amen e, Kuhn passou
acei a , mais a de, que as e oluções podiam oco e com mui o mais eqüência
(Kuhn, 1962). Sendo assim, na in e p e ação de Toulmin, as e oluções não equi-
ale iam a uma d amá ica in e upção da consolidação con ínua e no mal da ciên-
cia, mas a mic o- e oluções, que po sua ez pode iam se enca adas en ão como
unidades de a iação. Ele complemen a, dizendo que, assim, emo-nos dian e de
um quad o da ciência em que as eo ias comumen e acei as em cada ase se em de
pon o de pa ida pa a um g ande núme o de a ian es suge idas (1970, p. 57). Re-
sumindo, Toulmin não conco da com a dis inção en e ciência no mal e e olucio-
ná ia.
O ela i ismo mode ado ou ambíguo de Kuhn em o mé i o de inclui os
a o es his ó icos, psico-sociais e ideológicos na comp eensão do desen ol imen o
cien í ico com p o undidade ainda maio do que Laka os (Po lán, 1989). Mesmo
assim, Toulmin nega que o conhecimen o cien í ico possa se concebido como um
pa adigma ou mesmo um p og ama de pesquisa (Ryan e Aikenhead, 1992).
No ex emo opos o ao absolu ismo, podemos si ua o ela i ismo epis e-
mológico adical de Feye abend. Ao ap o unda a análise his ó ica da ciência, es e
au o p opõe a impossibilidade do es abelecimen o de c i é ios e eg as uni e sais
pa a a a aliação da mudança cien í ica. Ao de ende que a Ciência não em um
Po lan, R. e Ha es, J. B. S.
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s a us epis emológico supe io a ou as o mas de conhecimen o, a exclusão do
não-cien í ico não colabo a com o seu a anço. Pa a ele, ale qualque mé odo,
cien í ico ou não. Não exis e um mé odo único. As c ises anômalas de Kuhn são o
es ado habi ual do desen ol imen o do conhecimen o. Sua ob a em o mé i o de
colabo a pa a que não se desideologize a Ciência.
Chalme s (1993) alinha algumas c í icas a es a isão ela i is a adical da
Ciência. Pa a ele, os juízos e desejos indi iduais não são imunes ao a gumen o
acional ex e no. Os concei os êm p op iedades e ca ac e ís icas que anscendem
às c enças subje i as dos indi íduos. Além disso, a de esa da libe dade sem le a
em con a a es u u a social e o con ex o cul u al, pode le a a uma posição ingênua
e i ele an e. Nas pala as de John K ige (ci ado po Chalme s, 1993): se udo ale
(...) signi ica que, na p á ica, udo segue igual (p.142).
Embo a sem conco da , Toulmin (1972), jus i ica a posição de Feye a-
bend como uma eação lógica ao au o i a ismo implíci o an o nas pos u as acio-
nalis as como nas pos u as empi is as. Uma de inição a p io i do que é ciência
co e o isco p o á el de impedi de an emão legí imas di eções de a anço eó ico
que não se ajus am às exigências p é ias. Feye abend enuncia a es e pu i anismo
in elec ual e escolhe um caminho de libe dade comple a de ino ação concei ual,
mesmo que ao p eço de se a bi á io e i acional.
III. Uma imagem e olucionis a da ciência
Toulmin (1972) echaça as pos u as absolu is as com a gumen os simila-
es aos de Feye abend ainda que não compa ilhe de seu modelo ela i is a adical.
Sua con ibuição é eno memen e in e essan e, pois se si ua no cen o da polêmica
en e absolu is as e ela i is as (Po lán, 1993). Seu ma co eó ico pa ece se algo
ealmen e no o.
A espei o, No ak (1977) a i mou:
De ez em quando su ge na his ó ia de uma disciplina um no o líde cujo
abalho muda o cu so da disciplina (...). (A ob a) de S ephen Toulmin
pode muda o cu so da iloso ia pa a as ge ações u u as (...) Toulmin
pode in lui signi ica i amen e no pensamen o u u o na educação e nas
ciências sociais. (1982, p.46)
A ques ão básica sob e a comp eensão humana que Toulmin le an a é a
seguin e: como podemos concilia a necessidade de impa cialidade na a aliação do
conhecimen o endo em is a o a o his ó ico e psico-social da eno me di e sidade
de no mas acionais acei as nos di e en es meios sociais e cul u ais? No con ex o
educa i o, es a ques ão se ia: como impa cialmen e dualiza , comp eende e di igi
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o conhecimen o escola endo em is a a e iden e di e sidade de o mas de conhe-
ce e de pensa que exis iu, exis e e exis i á?
Pa a Toulmin (1972) es es p oblemas não se aba cam isoladamen e, mas
sim como ques ões ope a i as que en ol em odos os âmbi os do pensamen o
humano. A di isão em disciplinas, pa a ele, é esul ado do au o i a ismo in elec ual
de hoje. É necessá io complexi ica o an agonismo en e impa cialidade e di e si-
dade.
Pa a ele, o deba e epis emológico em se si uado comumen e en e a ne-
cessidade de de inição de c i é ios impa ciais de acionalidade, que es a iam na
azão (pa a os acionalis as) ou nos a os (pa a os empi is as), e a de esa (eme gida
da cons a ação his ó ica e psico-sociológica da di e sidade concei ual) de uma
posição ela i is a. Es e educionismo se ap oxima ia do que Mo in (1982) classi-
ica como pa adigma da simpli icação, dominan e pa a ele no pensamen o epis e-
mológico con empo âneo.
Toulmin en a mos a a complexidade des e o p oblema e, p opondo uma
complemen a idade dialé ica, in oduz o concei o de ecologia concei ual. Pa a ele,
as ques ões de impa cialidade e de juízo o mal já não de em se conside adas em
e mos lógico- o mais, mas sim em e mos ecológicos e concei uais. Assim, ele
abandona a suposição de que o conhecimen o se o ganiza em sis emas p oposicio-
nais es á icos e passa a econhece que as idéias de qualque ipo cons i uem popu-
lações concei uais em desen ol imen o his ó ico an o no plano cole i o como
indi idual. O aspec o acional das a i idades in elec uais não es a ia associado com
a coe ência in e na dos concei os e c enças habi uais de um indi íduo, mas com a
manei a com que cada pessoa é capaz de modi ica sua posição in elec ual en e a
expe iências no as e imp e is as. Se os concei os e oluem po que não ha e ia de
oco e o mesmo com os me a-concei os (os concei os sob e os concei os)?
En im, Toulmin p opõe um exe cício de abe u a men al. A descobe a da
di e sidade do conhecimen o em causado al desconce o e insegu ança que ou
nos aga amos no dogma ismo in elec ual, negando a e idência, ou icamos na
supe ície do descob imen o, apenas econhecendo a dis o ção - udo ale. Em
qualque caso, emos negado que se o conhecimen o muda o mesmo de e oco e
com os c i é ios de sua a aliação (Ga cía e Po lán, 2000).
A é aqui, ap esen amos a a gumen ação da iabilidade de uma pe spec i a
ecológica pa a analisa as populações concei uais em desen ol imen o his ó ico.
Ap esen amos, ago a, alguns elemen os eó icos, não o mais, des a análise.
Pa a Toulmin (1972), a isão de Da win (1859) em o mé i o de explica ,
à luz de uma mesmo eo ia, a ela i a con inuidade das espécies e as mudanças que
se p oduzi am ao la go do seu desen ol imen o his ó ico. A e olução dos concei-
os se ia mais um exemplo conc e o de um modelo ge al de e olução e mudança
baseada, ao mesmo empo, na exis ência de dis in as a ian es em compe ição
den o de um conjun o populacional dado e a exis ência ambém de mecanismo
Po lan, R. e Ha es, J. B. S.
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ambien ais que, po p essão ex e io , selecionam as a iedades melho es em ela-
ção a um de e minado con ex o espaço- empo al.
Den o de uma cul u a e época pa icula , as a i idades in elec uais dos
homens não o mam uma gama con ínua deso denada. Pelo con á io,
caem em disciplinas mais ou menos sepa adas e bem de inidas (...) mas
cada disciplina, ainda que mu á el, no malmen e exibe uma con inuidade
econhecí el (...) Uma explicação e olu i a do desen ol imen o concei u-
al, po conseguin e, em que explica duas ca ac e ís icas sepa adas: po
um lado, a coe ência e con inuidade pela qual iden i icamos as discipli-
nas como dis in as e, po ou o, as p o undas mudanças a longo p azo pe-
los quais se ans o mam ou são sepa adas. (1977, p.149)
Em qualque momen o, semp e exis e quan idade su icien e de pessoas
c ia i as e cu iosas pa a man e um con ínuo de ino ações ou a ian es concei uais
que en am em compe ição in elec ual com ou as já es abelecidas e acei as. Algu-
mas a ian es se ão elei as pa a sua inco po ação e ou as, a maio ia, se ão desca -
adas ou igno adas segundo sa is açam com mais ou menos an agem as a ian es
concei uais p é-exis en es, a juízo dos o os de compe ição in elec ual das exigên-
cias especí icas do meio in elec ual local. Es as exigências e e e iam-se à solução
dos p oblemas eó icos ou p á icos especí icos de cada população concei ual.
E, segundo Toulmin (1972), é jus amen e a a és des a a aliação concei-
ual que a ciência p ocede: de e minando o que se cons i ui em p oblema pa a a
disciplina; que hipó eses se ão es adas; quais expe imen os se ão conduzidos;
quais dados se ão analisados; como a obse ação se á o ganizada e classi icada, e,
po ex ensão, quais pe cepções se ão selecionadas como ele an es (Finley, 1983).
Assim, Toulmin concebe a mudança concei ual a a és de uma pe spec i-
a g adualis a. Con a o uni o mismo e o ag egacionismo dos absolu is as (os con-
cei os não mudam: ag egam-se) e en e ao adicalismo das pos u as e olucioná-
ias (mudanças o ais à ma gem do juízo acional), ele p opõe um ipo de g adua-
ção com um sen ido em que qualque ans o mação, seja len a ou ápida, semp e é
pa cial e es á subme ida à seleção c í ica da comunidade in elec ual. Em apoio a
es a idéia, Cleminson (1990) a i ma que a sín ese de Toulmin mos a uma desc i-
ção bas an e adequada da a i idade cien í ica po conside a o abalho do cien is a,
ao mesmo empo, essencialmen e no mal como po encialmen e e olucioná io.
Concluindo a ap esen ação do en oque ecológico de Toulmin ap esen a-
mos duas ci ações suas que e le em algumas das conseqüências eó icas e p á icas
que de i am de ão po en e modelo epis êmico:
Na his ó ia in elec ual como na his ó ia na u al, o elho ideal ilosó ico
das en idades pe manen es, que conse am uma iden idade essencial a-
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a és de uma con ínua seqüência de mudanças his ó icas aciden ais, po-
de ago a se supe ado po uma noção mais i al e menos mis e iosa, que
dize , a das en idades his ó icas que, se bem não possuem nenhuma ca-
ac e ís ica absolu amen e imu á el, conse am su icien e unidade e con-
inuidade como pa a pe manece dis in as e econhecí eis de uma época
a ou a. (1977, p.151)
(...) de emos ago a p es a a enção aos p ocedimen os de seleção usados
pa a a alia os mé i os in elec uais de cada no o concei o, e é cos ume
elaciona es es mesmos p ocedimen os com as a i idades dos homens
que o mam, no momen o, o g upo de e e ência au o izado da p o issão
implicada. Nes a medida, p opomos que a his ó ia disciplina ou in elec-
ual da emp esa in e aciona com sua his ó ia p o issional ou sociológica,
e somen e podemos sepa a a his ó ia in e na das idas dos homens que
em essas idéias ao p eço de uma excessi a simpli icação. (1977, p.153)
IV. Implicações pa a o ensino
A noção de ecologia concei ual de Toulmin ap esen a ele an es implica-
ções pa a o ensino, de modo ge al, e pa a o ensino de ciências, de modo pa icula .
Sua me á o a pa a o conhecimen o co idiano pa ece se mui o ú il quando pensa-
mos nas eqüen es pesquisas e deba es sob e a ques ão da mudança concei ual.
Pa a ele, o conhecimen o co idiano é esis en e à mudança po que es á p o egido
con a os e ei os da ino ação e seleção c í ica, ao mesmo empo, que ci cula sem
es ições já que sua unção é não especializada.
Ainda sob e mudança concei ual, ambém pa ece ú il sua isão complexa
dos concei os cien í icos. Es es não se iam, segundo Toulmin, e mos de cálculos
o mais ou nome de classes empí icas de obje os, mas sim ep esen ações explica-
i as cujo con eúdo in elec ual se medi ia po seu âmbi o, seu alcance e pela exa i-
dão dos seus modelos e écnicas. A mudança concei ual, po an o, p es a a enção
aos a os empí icos não com a in enção de gene alização, mas sim com a me a de
cons ui uma ep esen ação melho , nomencla u as melho es e p ocedimen os
explica i os melho es pa a da con a dos aspec os impo an es da na u eza e da
explicação do mundo al como o encon amos.
Além disso, as mudanças concei uais podem se mui o complexas, uma
ez que os descob imen os empí icos conce nem a a os elacionados com a apli-
cabilidade dos p ocedimen os explica i os e não a a os enunciá eis em e mos dos
concei os cien í icos aludidos. Às ezes, as mudanças supõem a explicação mais
exa a de ce os enômenos e ou as a p imei a explicação de enômenos no os. Em
qualque caso, exigem no malmen e modi icações em ês ní eis: e minológico,
ep esen acional e nos c i é ios empí icos de aplicação.