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Percepções das crianças sobre videojogos : um estudo com alunos de 10-12 anos

Abstract

Realizado no âmbito de um projecto de educação para os media, o estudo aqui apresentado pretende conhecer as percepções de crianças de 10-12 anos relativamente aos videojogos. A ideia do que é um jogo, tipo de jogos preferidos, efeitos dos videojogos, quer ao nível das aprendizagens, quer ao nível da violência presente em muitos dos jogos, são alguns dos dados recolhidos com recurso a metodologias qualitativas, e que são aqui apresentados e analisados.

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Percepções das crianças sobre videojogos : um estudo com alunos de 10-12 anos

Author: Pereira, Luís; Pereira, Sara
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2010
Source: https://idus.us.es/bitstreams/d8a3745b-7fa9-4239-9b74-b3fb93cb245e/download
PERCEPÇÕES DAS CRIANÇAS SOBRE VIDEOJOGOS
– UM ESTUDO COM ALUNOS DE 10-12 ANOS
Luís Pe ei a
lumigope ei [email p o ec ed]
Uni e sidade do Minho - B aga (Po ugal)
Es udan e de dou o amen o no Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade
Sa a Pe ei a
sa ape [email p o ec ed].p
Uni e sidade do Minho - B aga (Po ugal)
P o esso a auxilia e in es igado a do Cen o de Es udos de Comunicação e Sociedade
Resumo
Realizado no âmbi o de um p ojec o de educação pa a os media, o es udo aqui
ap esen ado p e ende conhece as pe cepções de c ianças de 10-12 anos
ela i amen e aos ideojogos. A ideia do que é um jogo, ipo de jogos p e e idos,
e ei os dos ideojogos, que ao ní el das ap endizagens, que ao ní el da
iolência p esen e em mui os dos jogos, são alguns dos dados ecolhidos com
ecu so a me odologias quali a i as, e que são aqui ap esen ados e analisados.
Pala as-cha e: ideojogos, c ianças, pe cepções, es udo.
Abs ac
The s udy p esen ed he e was de eloped in he scope o a media educa ion
p ojec and aims o know how child en ( om ages 10 o 12) pe cei e he use o
ideo games. Some o he da a collec ed, eso ing o quali a i e me hodologies,
which a e analysed and p esen ed he e, include wha he child en's pe cep ions o
a game a e, wha hei a o i e games a e, and wha e ec s ideo games ha e,
bo h in e ms o lea ning po en ial and in e ms o he le el o iolence ha exis s in
many o he games.
Keywo ds: ideo games, child en, pe cep ions, esea ch.
In odução
É no início dos anos 60 que su ge aquele que é e e ido como o p imei o jogo, o
Spacewa , desen ol ido nos Es ados Unidos da Amé ica, mas se ia necessá io
espe a uma década pa a que dois ideojogos, Compu e Space e Pong,
assinalassem de ini i amen e o nascimen o des a o ma de en e enimen o.
Vol idos 50 anos, a indús ia em o no dos ideojogos c esceu de o ma
conside á el, que nas p opos as de jogos, na o ma como são p oduzidos, que
no olume de negócio que lhe es á associado, sendo mui as ezes compa ada à
do cinema de Hollywood.
Pa a es e c escimen o con ibui de o ma decisi a a acei ação po pa e das
pessoas. Apesa de não se apenas uma ac i idade de c ianças e jo ens – ao
con á io do que se possa pensa , pelo menos numa p imei a imp essão – é
sob e udo a es as anjas que são a ibuídos g andes consumos de ideojogos. E
é ambém es a ac i idade das c ianças que despe a p eocupações nos seus pais
e educado es, pelos eceios de possí eis e ei os que daí possam esul a .
Po ou o lado, há quem iden i ique nes a ac i idade um po encial pa a pe mi i aos
jogado es desen ol e di e sas compe ências. “A ge ação pa a quem ap ende é
joga ” – é com es a exp essão que Wim (2007) sin e iza a o ma de ap ende na
ge ação de c ianças que es ão hoje na escola e que e ão nos ideojogos um dos
di e imen os a o i os.
Os esul ados de algumas in es igações desen ol idas sob e es a emá ica
e elam-se, nalguns casos, con adi ó ios, o nando-se di ícil oma uma posição
equilib ada, sem cai em posições que podem se ex emadas, em que se en a,
de um lado, acen ua os e ei os pe niciosos, ou, po ou o lado, aze uma apologia
dos ideojogos como no a o ma de ap ende as ma é ias cu icula es.
Pa a melho se comp eende o enómeno dos ideojogos é undamen al conhece
a pe spec i a dos seus u ilizado es, nomeadamen e os mais no os, que se diz
e em g ande p opensão pa a es a ac i idade mui o g aças ao acesso
ela i amen e acili ado aos disposi i os de jogo (compu ado , consolas, elemó el,
In e ne ). Foi p ecisamen e com esse objec i o, de conhece melho as
pe spec i as das c ianças, que se desen ol eu o p esen e abalho. De seguida,
encon a-se a ap esen ação das opções me odológicas adop adas no es udo, bem
como a ap esen ação e discussão dos dados, não sem an es se p ocede a uma
con ex ualização des a in es igação.
Con ex ualização do es udo
O es udo que aqui se ap esen a oi inicialmen e desen ol ido no âmbi o de um
p ojec o de Educação pa a os Media que inha como objec i o p oduzi ma e iais
pa a apoia e omen a os p ocessos de mediação de di e en es agen es
educa i os ela i amen e às p á icas mediá icas dos mais no os. Es e p ojec o,
desen ol ido po in es igado es do Cen o de Es udos de Comunicação e
Sociedade da Uni e sidade do Minho, oi dis inguido em 2009 com o p imei o
p émio eu opeu de educação pa a os media a ibuído pela E ens Founda ion
(Bélgica) no âmbi o do concu so “The E ens P ize o Media Educa ion 2009”. O
seu esul ado mais isí el é a cons ução de bookle s (b ochu as) sob e á ios
media. Ao p imei o, “Como TVe ”, seguiu-se um ou o sob e a ques ão em análise:
“Videojogos: sal a pa a ou o ní el”, que esul a de á ios con ibu os,
nomeadamen e dos esul ados ob idos com es e es udo aqui ap esen ado.
Os ideojogos, os seus usos e p á icas, o am uma das á eas con empladas no
e e ido p ojec o, po um lado, pelo ac o de joga ideojogos ou jogos de
compu ado cons i ui , hoje, uma das o mas de di e imen o p e e idas de g ande
pa e das c ianças, po ou o lado, po se um dos emas cen ais das
p eocupações que os adul os mani es am no que espei a à elação das c ianças
com os media (PEREIRA, 2007).
Do pon o de is a de mui os adul os, es a é uma ac i idade pe igosa de ido ao
empo que as c ianças despendem, aos male ícios que pode aze pa a a sua
saúde, aos ambien es iolen es que mui os jogos ap esen am. Pa a mui os pais,
es a ac i idade se e ambém pa a man e as c ianças en e idas, mas exige
bas an e dos educado es pois é algo que es á semp e em e olução, é dispendioso
e eque um acompanhamen o cons an e e nada ácil, sob e udo pa a a maio ia,
que em uma expe iência de jogo mui o limi ada, ou mesmo nula, como oi
possí el pe cebe num es udo explo a ó io com pais ealizado com o objec i o de
undamen a os con eúdos a inclui no bookle (PEREIRA, PEREIRA & PINTO,
2009).
A endendo ao impac o social des a p á ica e ao in e esse em conhece o que as
c ianças ap endem (de bom ou de mau) quando passam ho as em en e ao
compu ado , jun o da consola ou aga adas aos apa elhos mó eis de jogos, ou
que impac os pode es a ac i idade e no seu desen ol imen o, conside amos
essencial auscul a as c ianças sob e uma ac i idade em que elas são, se não
especialis as, pelo menos u ilizado es equen es. Pa a isso, oi solici ada a
colabo ação de ce ca de cen ena e meia de alunos en e os 10 e 12 anos de
qua o escolas de ensino público e p i ado no dis i o de B aga (no e de Po ugal).
A a és dos seus p o esso es, oi solici ado às c ianças que esc e essem um ex o
ou que izessem um desenho sob e ideojogos. P e endia-se que exp essassem a
sua opinião de uma o ma espon ânea e c ia i a, o necendo-nos elemen os que
nos pe mi issem analisa as suas pe cepções sob e a emá ica em es udo.
Com es a comunicação p e endemos ap esen a e discu i os esul ados ob idos
a a és da análise quali a i a do co pus de dados ecolhido. Sublinha-se a
u ilização de me odologias quali a i as que podem se um in e essan e
complemen o, ou e en ualmen e con apon o, a ou os es udos p oduzidos nes as
á eas de na u eza p edominan emen e quan i a i a. Com is o p ocu a-se
esponde ao desa io inicial: con ibui pa a uma melho comp eensão sob e es a
o ma de en e enimen o, aliás, uma ac i idade que em ido um g ande
c escimen o económico, o que indicia a sua g ande implemen ação na sociedade.
Me odologia do es udo
Nes e es udo seguiu-se uma me odologia de na u eza quali a i a. A endendo a
que se p e endia conhece as pe cepções das c ianças sob e os enómenos dos
ideojogos, ou indo as suas p óp ias ozes e egis ando as suas opiniões e
pon os de is a, op ou-se po ecolhe es as imp essões a a és de ex os li es e
de desenhos sob e a emá ica em es udo. Pelo que oi possí el apu a a a és da
pesquisa bibliog á ica sob e a ge ação mais no a e os ideojogos, há uma
escassez de a igos que mos em as pe spec i as das c ianças, sob e udo das
mais no as. No con ex o po uguês, po exemplo, encon ámos o abalho de
Hugo Magalhães que eco eu à ealização de en e is as semi-di igidas a
c ianças a equen a o p imei o ciclo do ensino básico (idades comp eendidas
en e os 6 e os 10 anos de idade) com o objec i o de “ e i ica a impo ância que
os ideojogos êm no quo idiano da c iança, na sua o ma de pensa , de e e
ap ende ”.
No que diz espei o aos dados es a ís icos, es es ambém se e e em apenas à
população com idade igual e supe io aos 15 anos, como são exemplo os
ela ó ios elabo ados pelo Obe Com – Obse a ó io da Comunicação (2009) sob e
es a ma é ia, icando aqui uma lacuna sob e o que se passa abaixo des a idade
em e mos de consumo e de p á icas dos ideojogos.
A ecolha do ma e ial oi ei a no con ex o de escola, po se o local onde mais
acilmen e se pode ia encon a a população de inida pa a o es udo. Pa icipa am
147 alunos com idades comp eendidas en e os 10 e os 12 anos, a equen a os
5º e 6º anos das escolas E.B. 2,3 de Celei ós, E.B. 2,3 Abel Va zim, Ins i u o
Nun’Ál es e Colégio Te esiano do dis i o de B aga (no e de Po ugal).
Foi solici ado às c ianças que esc e essem um ex o ou izessem um desenho
sob e alguns dos ópicos que lhes e am suge idos a p opósi o da ealidade dos
ideojogos. No o al o am ecolhidos 58 desenhos e 89 ex os. Pa a es a
comunicação ap esen am-se apenas os esul ados p o enien es da análise dos
ex os, uma ez que eúne já um conjun o signi ica i o de con ibu os.
Depois de ecolhidos, ealizou-se uma lei u a explo a ó ia dos ex os com o
objec i o de ajuda a ecolhe as p imei as imp essões sob e as pe spec i as dos
p é-adolescen es e de c ia as ca ego ias de análise dos mesmos. A pa i des e
p imei o con ac o com o ma e ial, cons uiu-se en ão a ca ego ização ap esen ada
na abela seguin e:
Ca ego ias
1. Noção que as c ianças êm sob e os ideojogos
2. Tipo de jogos p e e idos das c ianças
3. Classi icação e adequação dos jogos
4. Os e ei os dos ideojogos
4.1. Ap endizagem e compe ências desen ol idas
4.2. Violência e ou os aspec os nega i os
5. Suges ões deixadas pelas c ianças
6. Colocados no papel de c iado es
Es as o am, po an o, as ca ego ias que o ien a am a análise quali a i a dos
ex os, endo-se analisado indi idualmen e cada um e ei o ambém o c uzamen o
de in o mação en e os á ios. Não se p e endeu analisa quan i a i amen e o
ma e ial, embo a alguns dados enham sido analisados desse pon o de is a. Pa a
cada ca ego ia, iden i ica am-se as ma cas p incipais e as ideias p edominan es,
elacionando as pe spec i as das c ianças en e si.
No pon o seguin e, ap esen am-se os esul ados p o enien es des a análise.
Ap esen ação e discussão dos esul ados
Depois de lidos e analisados os ex os, como se e e iu an e io men e, o am
c iadas ca ego ias analí icas de o ma a melho comp eende mos o sen ido das
ideias desc i as pelas c ianças en ol idas no es udo. Pa a cada uma das
ca ego ias, ou subca ego ias, encon am-se algumas ci ações, bem como uma
b e e lei u a c í ica.
1. Noção que as c ianças êm sob e os ideojogos
Gene icamen e, as c ianças iden i icam a especi icidade des e ipo de jogos,
baseando-se no conhecimen o que êm enquan o u ilizado es ou enquan o
obse ado es. A noção de ideojogo é mui o aga, supo ando-se no nome ou no
objec i o de de e minados jogos ou ainda nos apa elhos que pe mi em joga .
“O Fi a 10 é de u ebol, az-se campeona os e depois dá pa a comp a jogado es, i à
academia, ala com o olhei o pa a i e jogado es de ou os países, e c… O Pes 10 é
quase igual só que dá pa a aze mais uques com a bola e dá pa a aze um campeona o
na Champions.
O Coun e S ike 1.6 é de pis olas, o ganizo equipas e escolho as a mas, escolho o e i ó io
e depois só emos de comba e . O Command and Conque 1é de cons ui áb icas de
ene gia, de homens, canhões, de anques e depois enho de a aca com o meu exé ci o.
Eu o T uck, es e jogo é de camiões e enho de aze en egas, enho quase udo no camião
e enho de liga os piscas, as luzes, me e gasolina, do mi .”
Ma co, 11 anos
Nas passagens seguin es, suge e-se a ideia de que joga , no sen ido ge al, é algo
ans e sal a odas as épocas, mas, no p esen e, as ecnologias pe mi em es a
o ma ecnológica de di e imen o. Não deixam, po isso, de se mais uma o ma
de en e enimen o, o que não é inconciliá el ou impede de se e ou os hobbies.
“Os ideojogos são a e são mode na dos jogos que odas as épocas i e am.” Ana, 11 anos
“Eu passo a maio pa e do meu empo a joga , é um dos meus hobbies p e e idos, apesa
de gos a de ou as coisas. Os jogos são um di e imen o pa a mui as c ianças e
adolescen es.” Diogo, 11 anos

Já di e imen o e ap endizagem po ezes su gem nos discu sos como ideias em
con li o. Se, pa a uns, os ideojogos de iam se educa i os – é impo an e
sublinha es a ecomendação, uma ideia que e oma emos mais à en e –, pa a
ou os, esse ipo de jogos é pouco di e ido. Aliás, como e e e uma c iança no
seu ex o, as ac i idades lúdicas, como i à piscina, não êm de se
necessa iamen e educa i as.
“Es a a uma a de ma a ilhosa e o João es a a a joga compu ado .
- Sim! Lá ou eu pa a o ní el 4!
Tlim, lim! A campainha ocou e o João oi ab i a po a, zangado po e que pa a o jogo
mais ixe do mundo: Spide man.
- Olá! – exclamou a Ri a – Que es i à piscina?
- Ago a? De es es a a goza ! Es ou a joga o no o jogo do Spide man.
- E isso é mais di e ido do que i …
- É sim senho a – in e ompeu o João.
- Sabes, a maio ia dos jogos de compu ado não são nada educa i os e o do Spide man é
um deles! – disse a Ri a, zangada – se não quise es i , não enhas mas digo- e: os jogos
de compu ado não êm nada de educa i o!
- A piscina ambém não é educa i a… E nos jogos do Spide man podes ap ende a lança
eias… - a i mou o João.”
Pa ícia, 11 anos
“Um dia dois amigos, o João e o Edua do, decidi am joga um ideojogo no compu ado .
- Mas qual? Há an os – disse o João.
E o Edua do espondeu:
- Cá po mim escolhe íamos um que osse educa i o.
- É que nem pensa , amos joga an es um mais di e ido – disse o João.
- E quem e disse que os mais educa i os não são di e idos? – espondeu o endido o
Edua do.
- Podem a é se di e idos, mas nós já emos 12 anos e aqueles jogos de em se pa a os
meninos de 5 anos.” Ma ina, 11 anos
2. Tipo de jogos p e e idos das c ianças
No que oca ao ipo de jogos mais jogados, e supõe-se, a o i os, as c ianças
e idenciam um consumo pouco di e si icado, não a iando a ipologia de jogos já
expe imen ados. A ci ação de João, 11 anos, esume bem quais os jogos mais
ap eciados pelas c ianças pa icipan es no es udo.
“Os meus jogos a o i os são: jogos de u ebol, jogos de lu a, de ca os, de a en u a e de
mui a acção.” João, 11 anos
“Eu ou comp a mais jogos, mas gos o mui o daqueles que enho, nunca me canso de
joga , po isso os que eu ou comp a que o que sejam semp e do mesmo ipo que os
ou os.” Sa a, 11 anos
3. Classi icação e adequação dos jogos
Quando se ai adqui i um jogo, um dos aspec os impo an es é a alia a sua
adequação à c iança que ai e acesso a ele. Essa é, cu iosamen e, uma das
p eocupações mani es ada em alguns ex os, como se pode comp o a nas
passagens seguin es. As c ianças mos am sob e udo p eocupação com a
adequação dos jogos à aixa e á ia dos u ilizado es.
“Recebi es a no a de 50 eu os e a minha mãe deixa-me comp a um ideojogo. Vamos
àquela loja?
- Vamos lá. Eu ou con igo e ajudo- e a escolhe um jogo.
Já na loja, es a am a e os jogos quando o Rui epa ou num:
- Edua do. Anda cá. Olha es e. Vou comp á-lo.
- É melho não. Maio es de 18 anos. Ainda ens pesadelos ou qualque coisa do géne o.”
Tomás, 11 anos
“Se alguém quise comp a um jogo de e e p imei o a aixa e á ia.” João, 10 anos
4. Os e ei os dos ideojogos
A ques ão dos e ei os é um dos ópicos mais des acados pelas c ianças nos seus
ex os. Nes a ca ego ia es ão incluídas ou as subca ego ias que p ocu am a alia
os e ei os posi i os e nega i os que, no pon o de is a das c ianças, os jogos
podem exe ce nas pessoas.
4.1. Ap endizagem e compe ências desen ol idas
Segundo algumas c ianças, com os jogos é possí el adqui i o domínio de
algumas a e as, que podem es a elacionadas com a na u eza do jogo (conduzi ,
joga u ebol…), ou en ão, ou as compe ências mais indi ec as, como melho a o
inglês ou o domínio das ecnologias. Mesmo com os aspec os a p io i nega i os,
como é o caso da iolência, ambém se podem i a algumas ilações.
“Em jogos de u ebol ap endo nomes de jogado es e o neios, os melho es uques pa a
explica quando es ou a joga com os meus amigos. Em jogos de ca os ap endo o isco que
é anda de o ça de mais. Em jogos de equipa ap endo que enho que ajuda os ou os.”
João, 11 anos
“Com os jogos ap endemos a mexe melho nas no as ecnologias.” Guilhe me, 11 anos
“Posso ap ende a le línguas es angei as, a aze esquemas, en e ou as coisas. Os
ideojogos são di e idos e eng açados mas há ou os iolen os, e com a iolência ambém
de ap ende! A de ende -se, a aze emboscadas e há mui as mais coisas que se podem
ap ende com os ideojogos.” Sé gio, 11 anos
“Os ideojogos podem se usados como e amen as de ap endizagem, são a ac i os e
con ibuem pa a o bem-es a psicológico de quem os p a ica. Podem omen a no os
conhecimen os e des eza. Mas quando usados em excesso podem e male ícios.”
Ana, 11 anos
O ex o seguin e p oblema iza de o ma in e essan e es a ques ão da
ap endizagem, suge indo, en e ou os, que os jogos com con eúdos didác icos
podem p omo e uma o ma di e ida de ap ende .
“Os ideojogos podem e aspec os posi i os e nega i os.
De uma p imei a pe spec i a os ideojogos podem se ú eis e a é ins u i os dependendo do
ipo de jogos e da equência da sua u ilização. Es á cien i icamen e comp o ado que os
jogos com mais acção e dinamismo desen ol em e lexos, ao passo que os jogos de
ca ác e es a égico e com mui a jogabilidade desen ol em o espí i o c ia i o e a capacidade
de ges ão/decisão.
Se o em jogos com con eúdos didác ico sem dú ida que se pode o na uma o ma di e ida
de ap ende , mas mesmo sendo jogos con encionais, dependendo da in e p e ação que
azemos deles podemos semp e ap ende e i a exemplos pa a a ida eal.
No en an o, alguns jogos com con eúdos iolen os podem in luencia a ap endizagem no
sen ido nega i o. Uma u ilização mui o equen e dos jogos pode ambém causa cansaço e
p ejudica a ida escola dos alunos.” Ca los, 11 anos
Já os ex os seguin es podem se is os como uma p o a de que os jogos podem
es imula a imaginação e a c ia i idade das c ianças.
“Se eu osse o c iado de ideojogo, c ia ia um jogo com á ios a a a es. Se ia um jogo pa a
a PS3 com á ios modos de jogo. O jogo se ia bap izado como He o Rising, onde ha e ia
po ais do empo e ilões que não pa a iam a é domina em o mundo. Eu ou odos os ou os
jogado es e íamos companhei os online. Os che es dos lad ões se iam do pio . A melho
pa e do jogo é que u e eu se íamos uma pe sonagem com duas ca as: nas aulas um(a)
apaz ( apa iga) no mal com um p o esso no mal, o a da escola um a a a com um agen e
neo-humano que i iam sal a o mundo.” And é, 11 anos
“Se osse c iado a de um ideojogo azia uma caixa gigan e anspa en e onde demons a a
num mundo 3D uma ida e quando lá en ássemos podíamos escolhe se que íamos o
empo no u u o, p esen e ou passado.
Quando es á amos a os des e ambien e, e íamos pa a a caixa i e ou a ida i ual com
udo. Lá, uma ho a no empo eal e a um minu o. Eu podia e uma casa e dinhei o a sé io. O
nome do meu jogo se ia The Vi ual Li e.” Fe nanda, 11 anos
“Quando eu jogo um ideojogo ap endo a c ia no os mundos e ní eis que posso pa ilha
pela In e ne . Também ap endo que há ce os jogos que não de em se jogados mui as
ezes po que podemos ica “ iciados”. Esses jogos di icul am a ap endizagem das c ianças
e di icul am o seu endimen o escola .” João, 11 anos
Um úl imo aspec o que pode se des acado é a in e acção que os jogos
p omo em, em e mos de con ac o social en e as c ianças. A passagem seguin e
é um exemplo de como as con e sas das c ianças gi am em o no dos jogos, no
caso, qual a es a égia a u iliza pa a a ança de ní el.
“O Miguel e o João encon am-se no in e alo pa a ala em.
-Olá, Miguel! Sabes, on em passei o ní el “In o he s a s” sem pe de uma ida.
- A sé io? Eu ando a en a passa esse ní el há semanas. Como é que conseguis e? –
pe gun ou o Miguel admi ado.
O João começou a explica.
- É assim, quando sal as ens de ca ega no C l pa a sal a es mais longe. A segui
apa ecem as bolas sal i an es e ens de ugi delas. Du an e o jogo ens de usa semp e o
C l e assim ganhas.
- Ob igado!
D iiim.
No dia seguin e.
- João, João, passei o ní el.” Ma ia, 11 anos
4.2. Violência
Dos 89 ex os analisados, ap oximadamen e 60% azem e e ência à ques ão da
iolência. Es e é, sem dú ida, um dos ópicos mais p esen es nos discu sos das
c ianças, apa ecendo mui o ligado ao enómeno dos ideojogos. Elas iden i icam
esse aspec o da iolência como um ac o ele an e pa a um jogo se adqui ido e
jogado. Conside ando a oco ência signi ica i a des a emá ica, encon a-se
abaixo um maio núme o de ci ações no sen ido de ilus a os pon os de is a das
c ianças. É de sublinha as concepções que as c ianças êm em elação aos
e ei os dos ideojogos, demons ando uma p eocupação com os e ei os di ec os e
imedia os da iolência nos jogado es.
“Eu acho a maio ia dos jogos de compu ado são iolen os, po exemplo: Smackdown Raw;
Figh Club; Spide man, G ang The Au o 4; CS; Vice Ci y S o ies, Call o Du y e já chega.”
Ma ia, 11 anos
“São os jogos mais iolen os os mais endidos.” Ra ael, 11 anos
“Eu acho que a maio ia dos jogos de compu ado são iolen os.” Ma ia, 11 anos