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Efeitos da desertificação na composição de espécies do bioma Caatinga, Paraíba/Brasil

Abstract

A desertificação é reconhecida como uma das principais ameaças a zonas de clima seco em todo mundo. No Brasil, esse fenômeno tem atingido especialmente o bioma Caatinga, para o qual ainda existe pouca informação acerca de suas consequências na composição florística. O presente trabalho objetivou avaliar este efeito em sítios inseridos em três municípios da Paraíba (Nordeste, Brasil). Sítios de amostragem foram previamente selecionados por imagens de satélite usando a técnica IVDN, seguido de um levantamento vegetacional in locu (método transecto) abrangendo ambientes não-desertificados e desertificados. Análises univariadas (teste U) e multivariadas (nMDS) foram usadas a verificar diferenças nas variáveis vegetacionais e demonstrar padrões de dissimilaridades entre os ambientes contrastantes, respectivamente. A riqueza e diversidade de plantas diferiram significativamente entre os ambientes. O nMDS identificou três grupos de plantas: i) espécies associadas a áreas não-desertificadas (Anadenanthera columbrina, Bauhinia cheilantha e Tabebuia impetiginosa), ii) espécies relacionadas a áreas desertificadas (Aspidosperma pyrifolium, Jatropha molissima, Mimosa tenuiflorã e Pilosocereus gounellei) e iii) espécies presentes nos dois tipos de ambientes (Croton sonderianus, Piptadenia stipulacea e Poincianella pyramidalis). Os resultados apontaram que a desertificação desencadeou mudanças severas na composição florística da Caatinga, indicando também que as intervenções humanas foram determinantes no estabelecimento dos diferentes ambientes.

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Efeitos da desertificação na composição de espécies do bioma Caatinga, Paraíba/Brasil

Author: Israel Souza, Bartolomeu; Meneces, Rafael; Cámara Artigas, Rafael
Publisher: UNAM
Year: 2015
DOI: 10.14350/rig.44092
Source: https://idus.us.es/bitstreams/76a11cb0-f1cc-426f-9562-b15f99ddae2b/download
In es igaciones Geog áicas, Bole ín del Ins i u o de Geog a ía, UNAM
ISSN 0188-4611, núm. 88, 2015, pp. 45-59, dx.doi.o g/10.14350/ ig.44092
E ei os da dese iicação na composição de espécies
do bioma Caa inga, Pa aíba/B asil
Recibido: 29 de ene o de 2014. Acep ado en e sión inal: 21 de ene o de 2015.
Ba olomeu Is ael Souza*
Ra ael Menezes**
Ra ael Cáma a A igas***
* Depa amen o de Geociencias, Uni e sidade Fede al da Pa íba, B asil. E-mail: [email p o ec ed]; menezes_
[email p o ec ed]
** P og ama de Pós-G aduação em Ciências Biológicas (Zoologia), Uni e sidade Fede al da Pa aíba, Cidade Uni e si á ia,
s/n, Cas elo B anco, João Pessoa, Pa aíba, B asil. E-mail: menez[email p o ec ed]
*** Depa amen o de Geog a ía Física y Análisis Geog áico Regional, Uni e sidad de Se illa, Calle San Fe nando No. 4,
41004, Se illa, España.
Cómo ci a :
Souza, B. I., R. Menezes, R. Cáma a A. (2015), “E ei os da dese iicação na composição de espécies do bioma Caa inga,
Pa aíba/B asil”, In es igaciones Geog áicas, Bole ín, núm. 88, Ins i u o de Geog a ía, UNAM, México, pp. 45-59, dx.doi.
o g/10.14350/ ig.44092.
Resumo. A dese iicação é econhecida como uma das
p incipais ameaças a zonas de clima seco em odo mundo.
No B asil, esse enômeno em a ingido especialmen e o
bioma Caa inga, pa a o qual ainda exis e pouca in o mação
ace ca de suas consequências na composição lo ís ica. O
p esen e abalho obje i ou a alia es e e ei o em sí ios
inse idos em ês municípios da Pa aíba (No des e, B asil).
Sí ios de amos agem o am p e iamen e selecionados po
imagens de sa éli e usando a écnica IVDN, seguido de
um le an amen o ege acional in locu (mé odo ansec o)
ab angendo ambien es não-dese iicados e dese iicados.
Análises uni a iadas ( es e U) e mul i a iadas (nMDS) o-
am usadas a e iica di e enças nas a iá eis ege acionais
e demons a pad ões de dissimila idades en e os ambien es
con as an es, espec i amen e. A iqueza e di e sidade de
plan as di e i am signiica i amen e en e os ambien es.
O nMDS iden iicou ês g upos de plan as: i) espécies asso-
ciadas a á eas não-dese iicadas (Anadenan he a columb ina,
Bauhinia cheilan ha e Tabebuia impe iginosa), ii) espécies
elacionadas a á eas dese iicadas (Aspidospe ma py i olium,
Ja opha molissima, Mimosa enuilo a e Pilosoce eus goune-
llei) e iii) espécies p esen es nos dois ipos de ambien es
(C o on sonde ianus, Pip adenia s ipulacea e Poincianella
py amidalis). Os esul ados apon a am que a dese iicação
desencadeou mudanças se e as na composição lo ís ica da
Caa inga, indicando ambém que as in e enções humanas
o am de e minan es no es abelecimen o dos di e en es
ambien es.
Pala as-cha e: Ambien es dese iicados e não-dese ii-
cados; Flo es a T opical Sazonalmen e Seca; comunidade
de plan as.
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Ba olomeu Is ael Souza, Ra ael Menezes e Ra ael Cáma a A igas
Dese iica ion e ec s on he species composi ion
o he Caa inga biome, Pa aíba/B azil
- a e a di e a e indi e amen e mais de 1 bilhão
de pessoas;
- mais de 100 países so em com esse p ocesso;
- são pe didos ce ca de seis milhões de hec a es
de e a a á el e p odu i a odos os anos em
unção desse ipo de deg adação;
- ce ca de ¼ da supe ície e es e so e de
deg adação e e osão dos solos ad indas da
dese iicação;
- o solo a á el po pessoa diminuiu de 0.32ha,
em 1961-1962, pa a 0.21ha em 1997-1999,
espe ando que diminua pa a 0.16ha em 2030.
O B asil em acompanhado as discussões mun-
diais sob e a ques ão da dese iicação desde o seu
início, sendo um dos países signa á ios da Con-
INTRODUÇÃO
Te as de clima seco em odo o mundo êm so en-
do um p og essi o p ocesso de deg adação ambien-
al, o qual, p incipalmen e a pa i da década de
1970, passou a se conhecido in e nacionalmen e
como dese iicação. Po deinição o mal, es e ipo
de deg adação oco e exclusi amen e nas zonas de
clima á ido, semiá ido e subúmido seco, em unção
das a iações climá icas e das a i idades humanas,
a ingindo os solos, os ecu sos híd icos, a ege ação,
a biodi e sidade e a qualidade de ida da população
(CCD, 1995).
A ualmen e, os dados conhecidos sob e a de-
se iicação e elam a g a idade desse p oblema
já que, en e ou as ca ac e ís icas (Roxo, 2006):
Abs ac . Dese iica ion is ecognized as he land deg ada-
ion in a id, semia id, and d y sub-humid zones, as a esul
om mul iple an h opogenic impac s such as unsus ainable
na u al esou ces managemen and land-use. In his con ex ,
he plan co e displays a c ucial ole due i s capaci y o soil
p o ec ion agains bo h e es ial uno and high a es o
ain inil a ion. In B azil, he dese iica ion has eached
mainly he Seasonally D y T opical Fo es (STDF) biome,
na i ely known as Caa inga, in which he majo d i e s a e
ela ed o he his o ical se e e de o es a ion and li es ock
expansion. In ace o his ala ming scena io, he e is no o
ew in o ma ion abou di ec e ec s d i en by dese iica-
ion, pa icula ly hose ela ed o he lo is ic composi ion
o a ec ed a eas o a ec ed po en ially a eas. He ein, he
aim was o assess he dese iica ion e ec s on ege a ion
composi ion wi hin h ee si es in he B azilian semia id
zone. In o de o ensu e unbiased compa isons, he h ee
sampling si es p esen ed simila opog aphical, pedological
and clima e condi ions, localized a dis inc i e municipali y
om Pa aíba S a e, No heas e n egion, B azil. In each si e,
wo con as ing si ua ions we e sampled, - dese iied and
non-dese iied en i onmen s. hese en i onmen s we e
p e iously selec ed hough sa elli e images, using he NDVI
echnique, o iden iica ion o ege a ion biomass le el.
In ield, he lo is ic composi ion was su eyed by ansec
me hod, co e ing a pa ch o 50m x 4m delimi a ed wi h me-
ic ape. In hese pe ime e s, i was iden iied he specie and
bo anical amily o each plan , ichness (S) and abundance
(N) o ee wi h DBH ≥ 10 cm. Pos e io ly, i was calcula ed
he Shannon’s "di e si y (H’) and Piellou´s e enness (J’) by
P ime " so wa e (open access). Non-pa ame ic uni a ia e
(U es ) and mul i a ia e (nMDS) analysis we e pe o med
o e i y di e ences in he ege a ional a iables (S, N, H’
and J’) and o demons a e dissimila i ies pa e ns ( ela i e
abundance) o he con as ing en i onmen s, espec i ely.
In o al, wen y-six plan species we e iden iied, belonging
o hi een amilies. O his se , se en een species (65%) we e
exclusi e o non-dese iied a eas and only wo species
we e exclusi e o dese iied a eas. U es showed ha he
bo h ichness and di e si y o plan s species di e ed signi-
ican ly be ween he wo analyzed en i onmen s. Using a
subse o 10 species mos common in wo en i onmen s, he
nMDS disc imina ed h ee g oups o plan s: i) species asso-
cia ed o non-dese iied a eas (Anadenan he a columb ina,
Bauhinia cheilan ha and Tabebuia impe iginosa), ii) species
ela ed o dese iied a eas (Aspidospe ma py i olium, Ja opha
molissima, Mimosa enuilo a and Pilosoce eus gouneleii) and
iii) species wi h high densi y in bo h en i onmen s (C o on
sonde ianus, Pip adenia s ipulacea e Poincianella py ami-
dalis). Dominan species in he non-dese iied a eas a e
es ic ed o he en i onmen s be e p ese ed o Caa inga,
which canno o suppo s ong deg ada ion condi ion,
whe eas he species mos common in he dese iied a eas
a e ecognized as pionee o he biome. Occu ing o he
wo en i onmen s, such species ha bo s high capaci y o
se lemen o he ei he impac ed o p ese ed en i onmen s
coupled o a s ong esis ance and esilience o dis u bance
(e.g. log and bu n). Finally, he esul s ob ained poin ed
ou ha he dese iica ion igge ed pe asi e changes on
he ege a ional componen s ( ichness and di e si y) and
lo is ic composi ion o he Caa inga biome, sugges ing also
ha human-induced dis u bances we e de e minan s o he
es ablishmen o he di e en en i onmen s.
Key wo ds: Non-dese iied and dese iied en i onmen s;
Seasonally D y Fo es ; Plan communi ies.
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E ei os da dese iicação na composição de espécies do bioma Caa inga, Pa aíba/B asil
enção In e nacional de Comba e à Dese iicação
e à Seca, em 1994. Mesmo assim, somen e em 2004
concluiu o seu P og ama de Ação Nacional de
Comba e à Dese iicação e Mi igação dos E ei os
da Seca/PAN-B asil.
Em elação à dis ibuição desse ipo de deg a-
dação no país, o Minis é io do Meio Ambien e
(MMA) elabo ou no ano 2004 um mapeamen o das
á eas suscep í eis à dese iicação (ASDs), se indo
es e de base pa a o desen ol imen o de Polí icas
Públicas que enham o obje i o de comba e o
p ocesso onde ele exis a, assim como e i a a sua
oco ência em á eas ainda não a ingidas. As ações
desse p og ama go e namen al es ão concen adas
nas zonas de clima semiá ido e subúmido seco da
egião No des e do país e uma pequena pa e do
no e do es ado de Minas Ge ais, na egião Sudes e,
onde domina o Bioma Caa inga (classiicada in e -
nacionalmen e como um ipo de Flo es a T opical
Sazonalmen e Seca – STDF, con o me Oli ei a
Filho e al., 2006; Penning on e al., 2000; P ado,
2000), além do no oes e do es ado do Espí i o
San o ( egião Sudes e), pe azendo uma supe ície
o al de 1 338.076 km², onde i em 31 663 671
pessoas, em 1 482 municípios (BRASIL, 2004).
Apesa do quad o ala man e desc i o an e io -
men e, como um elexo da al a de conhecimen o
sob e a es u u a e uncionamen o da Caa inga
(Pinhei o e al., 2013), um quad o eal sob e o
quan o oi al e ado desse bioma a é o momen o
ainda não oi deinido (Cas elle i e al., 2005).
Le ando em conside ação a hipó ese de que na
Caa inga i éssemos an es da colonização eu opéia
lo es as secas bem mais desen ol idas em quan-
idade e di e sidade, compa ando ao que emos
dominando a ualmen e (Coimb a-Filho e Câma a,
1996), pensando em ações e e i as pa a a ecupe-
ação desses ambien es, o na-se undamen al com-
pa a as á eas ela i amen e bem p ese adas ainda
exis en es com as que o am pe u badas, pa a que
se possa de ec a se hou e mudanças na composição
das espécies ege ais, como já oi iden iicado em
ou as lo es as secas no mundo (Mu phy e Lugo,
1986; Gen y, 1995; Medina, 1995) e, a pa i daí,
desen ol e ações melho o ien adas.
Apesa da insuiciência de dados mais p ecisos,
Sá e al. (2004) des acam o Es ado da Pa aíba como
aquele que ap esen a os mais g a es p oblemas
ge ados pela dese iicação no B asil, endo como
causa p incipal as modiicações secula es que em
a ingindo as comunidades ege ais elacionadas ao
Bioma Caa inga. Pad ões simila es são encon ados
em ou as egiões de clima seco do mundo, ap e-
sen ando como consequência a pe da de cobe u a
e iqueza nas comunidades de plan as (Hanai e
Ouled-Belgacen, 2006; Whi o d, 1995), a e ando
ambém os solos com a diminuição da p o eção
con a o escoamen o, edução na inil ação e nu-
ição bioquímica (Papanas asis e al., 2003). Em
se a ando da Pa aíba, o desma amen o excessi o
que em oco endo na Caa inga é ainda mais
p eocupan e em unção da iqueza ege al exis en e
se mui o pouco conhecida (A aújo e al., 2005).
Com base no expos o, o obje i o desse abalho
oi iden iica e a alia a composição de espécies
ege ais na Caa inga em á eas não-dese iicadas e
dese iicadas, aspec os ainda ca en es de mui as
in o mações quando se a a das pesquisas desen-
ol idas no B asil sob e esse ipo de deg adação.
MATERIAIS E MÉTODOS
Á ea de es udo e c i é ios de seleção
Es a pesquisa oi desen ol ida em á eas dos mu-
nicípios de Ma u éia, São João do Tig e e Soleda-
de (Figu a 1), localizados na pa e semiá ida da
Pa aíba.
Os c i é ios pa a seleção dos municípios e das
á eas de es udo o am baseados nas ca ac e ís icas
na u ais dominan es e no uso e ocupação das e as.
As á eas amos adas es ão inse idas em uma
zona onde a plu iosidade média é de ce ca de
600 mm/ano, com pe íodo chu oso concen a-
do nos meses de e e ei o à maio, ap esen ando
o e a iação ao longo do empo e do espaço. As
empe a u as médias são de 27º C, o que o na o
déici híd ico p esen e a maio pa e do ano. Os
solos dominan es são do ipo Neossolo Regolí ico,
pouco p o undos (menos de 1 m), a enosos, mo-
de adamen e ácidos, com boa ese a de mine ais
p imá ios, baixos con eúdos de ma é ia o gânica
e ni ogênio que dec escem com o uso (Cunha e
al., 2010).
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O uso e ocupação das e as nesses municípios,
a exemplo do que domina nessa pa e do B asil,
es á undamen ado secula men e na ag icul u a
(p incipalmen e de subsis ência), pecuá ia ex en-
si a (pa icula men e cap ina) e ex a i ismo ege-
al (no adamen e a p odução de lenha e ca ão
ege al), em p op iedades que em diminuindo de
amanho ao longo da his ó ia, de ido as sucessi as
di isões po ques ões de he ança en e os amilia es.
Esse conjun o de a o es az com que pa e dos mu-
nicípios analisados enha seus e i ó ios a ingidos
pela dese iicação, embo a ambém ap esen em
algumas á eas com bons ní eis de p ese ação da
Caa inga e uso sus en á el dos solos (Souza, 2011).
Vale essal a a impo ância das á eas analisadas
es a em localizadas em municípios dis an es en e
si (mínimo de 130 km) o que, em e mos de dese-
nho amos al, e i a e ei os nega i os elacionados
à pseudo eplicação e/ou au oco elação espacial
(Hu lbe , 1984; Legend e, 1993).
Em cada município oi selecionada como amos-
agem da si uação encon ada uma condição de
p ese ação e ou a de deg adação (chamadas aqui
como “não-dese iicadas” e “dese iicadas”). Essa
dis inção de ambien es oi baseada na maio ou
meno densidade da cobe u a ege al, inicialmen e
a pa i de obse ações em imagens de sa éli e. Pa a
an o, o am u ilizadas imagens do sa éli e Land-
sa 5, disponibilizadas no si e do Ins i u o Nacional
de Pesquisas Espaciais (INPE). As da as das imagens
o am 19/07/2007 pa a o município de São João do
Tig e, 22/04/2010 pa a o município de Soledade
e 28/08/2010 pa a o município de Ma u éia, po
se em pe íodos p óximos ao ano de ealização do
abalho (2011) e ambém pelo ma e ial disponí el
no si e não ap esen a cobe u a de nu ens que
pudesse comp ome e a análise ei a.
Pa a iden iica as á eas com maio e meno
densidade de cobe u a ege al, as imagens de
sa éli e o am subme idas a uma análise de índices
de ege ação, as quais são elacionadas a pa âme os
bio ísicos da cobe u a ege al, como biomassa e
á ea olia , op ando-se pelo Índice de Vege ação de
Di e ença No malizada (NDVI), a mais equen e-
Figu a 1. Localização dos municípios onde oi desen ol ido o abalho.
Colômbia
Bolí ia
Chile
A gen ina
Pa aguai
U uguai
Pe u
Venezuela
B asil
Guiana Guiana F ancesa
Su iname
70º0'0"W
0º0'0"
10º0'0"S
20º0'0"S
30º0'0"S
60º0'0"W 50º0'0"W 40º0'0"W
0 1 300650
km
Pa aíba
Rio G ande do No e
Cea á
SOLEDADE
SÃO JOÃO DO TIGRE
MATURÉIA
0 10050
Km
Legenda
B asil
Municípios de Es udo
Região No des e
Municípios Pa aibanos
Geog aphic Coo dina e Sys ems
Sou h Ame ican Da um 1969
38º0'0"W 37º0'0"W 36º0'0"W 35º0'0"W
6º0'0"
7º0'0"S
80º0'0"S
PERNAMBUCO
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E ei os da dese iicação na composição de espécies do bioma Caa inga, Pa aíba/B asil
men e u ilizada nesses ipos de abalho (Ponzoni
e Shimabuku o, 2007). Pa a essa ase oi u ilizado
o so wa e ARCGIS 10.2.
Também oi a e iguado se nas á eas seleciona-
das as ca ac e ís icas de p ese ação e deg adação
es a am dessa o ma há pelo menos 20 anos, com
base em ela os da população que habi a a o seu
en o no. A adoção desse p ocedimen o p ocu ou
assim segui o que a CCD (1995) deine como de-
g adação da e a, onde uma das ques ões c uciais
diz espei o à sé ie empo al da aquisição de dados,
e i ando assim a ca ego ização de uma paisagem
di a como dese iicada baseada somen e em uma
si uação momen ânea.
Cole a dos dados
O le an amen o lo ís ico oi ealizado ao longo do
ano 2011, oco endo nas á eas selecionadas a a és
de ansec os, com dimensões de 50m x 4m, deli-
mi ados po i a mé ica. Den o do pe íme o de
cada ansec o, oi quan iicada a abundância (N)
e iqueza (S) das espécies a bus i as e a bó eas com
Diâme o a Al u a do Pei o (DAP) maio ou igual
a 10cm e iden iicadas suas espec i as amílias
bo ânicas.
T a amen o e análise dos dados
Com base nas medidas de abundância e iqueza de
plan as amos adas in si u, o am inco po adas duas
a iá eis da di e sidade al a: a di e sidade de Shan-
non (H’) e a equi abilidade de Piellou (J’). Ambos
os índices o am calculados pelo p og ama P ime
e são d"(h p://p ime -e.com). Pa a o índice de
di e sidade de Shannon, alo es meno es que 1 e-
p esen am baixa di e sidade, enquan o os maio es
que 3 indicam ele ada di e sidade. Já o índice de
equi abilidade ab ange alo es en e 0, onde emos
uma comunidade dominada po algumas espécies,
a 1, onde emos uma comunidade equi a i a na
p opo ção de espécies (Magu an, 2004).
P ocedimen os não-pa amé icos o am usados
pa a e iica an o di e enças quan o pad ões de
simila idades nas comunidades de plan as en e
as á eas não-dese iicadas e dese iicadas. Assim,
es es de Mann-Whi ney ( es es U) o am ealizados
a im de e iica di e enças nas médias das a iá eis
ege acionais (N, S, H’ e J’) en e os dois ambien es
(Za , 1999). Em adição, um Escalonamen o Mul i-
dimensional Não-Mé ico (nMDS), a a és do coe-
icien e de B ay-Cu is, oi aplicado pa a suma iza
a dimensionalidade dos dados e c ia um diag ama
2D mos ando como as a iá eis es ão espacialmen-
e ag upadas (K uskal, 1964). A medida u ilizada
pa a essa análise oi a abundância ela i a (N%) das
espécies de plan as sob cada ambien e. Valo es de
s ess ob idos pelo es e indicam g aus de simila i-
dades (ou dissimila idades), com ele ados índices
mos ando comunidades sob epos as, enquan o
baixos alo es indicam comunidades seg egadas.
A im de e i a uídos es a ís icos, oi ei a uma
seleção das espécies que melho ca ac e iza am as
comunidades de plan as das á eas não-dese iicadas
e dese iicadas, con o me o ien am Legend e e
Legend e (1998). Nes a seleção, espécies oco en es
em apenas um município o a 2m excluídas. Assim,
um subconjun o de dez espécies (≈ 74% do o al
amos ado) oi selecionado pa a análise de nMDS.
As análises es a ís icas o am calculadas pelo
so wa e li e R (paco es S a e Ecodis ), ado ando
ní el de signiicância ( alo p) meno que 0.05 pa a
ejeição da hipó ese nula.
RESULTADOS
O IVDN apon ou di e sas á eas com al o e baixo
ní el de biomassa, concebendo-as, espec i amen e,
como equi alen es a ambien es não-dese iicados
e dese iicados. Com base nesse quad o ge al e
no econhecimen o dessas paisagens em campo,
o am es abelecidas as á eas onde oco e am os
le an amen os de ege ação, con o me pode se
obse ado na Figu a 2.
Conside ando os dois ambien es em conjun-
o, o am iden iicadas 26 espécies de plan as,
pe encen es a 13 amílias (Quad o 1). Des e
núme o, 17 espécies (≈ 65%) o am exclusi as
das á eas não-dese iicadas. Apenas duas espécies
(C o on echioides e Pilosoce eus gounellei) oco e-
am exclusi amen e nas á eas dese iicadas. Nos
dois ambien es as espécies mais abundan es o am
Mimosa enuilo a e C o on sonde ianus (Figu a 3),
enquan o as amílias dominan es o am Fabaceae
e Eupho biaceae.

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Quad o 1. Lis a de espécies de plan as com medidas de abundância absolu a e ela i a (em pa ên eses) iden iicadas nos
ambien es não-dese iicados e dese iicados, nos municípios analisados
Família/Espécie Ac ônimos
Ambien es Não-Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ambien es Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ma u éia Soledade São João
do Tig e Ma u éia Soledade São João do
Tig e
ANACARDIACEA
My ac oduon u undeu a
Allemão MYRURU 1 (1.03) 4 (4.82) - - - -
APOCYNACEAE
Aspidospe ma py i olium
Ma . ASPPYR - 3 (3.61) - - 4 (5.00) 8 (21.05)
ARECACEAE
Syag us cea enses Noblik SYACEA - - 4 (8.33) - - -
BIGONONIACEAE
Tabebuia impe iginosa
(Ma . ex DC) S andl. TABIMP 1 (1.03) - 8 (16.67) - - -
Figu a 2. IVDN dos municípios analisados, des acando em núme- os as á eas dese iicadas (1, 3 e 5) e não-dese iicadas
(2, 4 e 6) onde o am e e uados os le an amen os de ege ação.
Legenda
Delimi ação dos Es ados
Municípios Pa aíbanos
Municípios do Es udo
Baixo
Al o
IVDN
Locais de Amos agem
38º0'0"W 37º0'0"W 36º0'0"W 35º0'0"W
6º0'0"
7º0'0"S
80º0'0"S
Cea á
Rio G ande do No e
Pa aíba
SOLEDADE
SÃO JOÃO DO TIGRE
MATURÉIA
0 80 160
km
PERNAMBUCO
Geog aphic Coo dina e Sys ems
Sou h Ame ican Da um 1969
In es igaciones Geog áicas, Bole ín 88, 2015
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E ei os da dese iicação na composição de espécies do bioma Caa inga, Pa aíba/B asil
Quad o 1. Con inuação
Família/Espécie Ac ônimos
Ambien es Não-Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ambien es Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ma u éia Soledade São João
do Tig e Ma u éia Soledade São João do
Tig e
BOMBACACEAE
Ceiba glazio ii (Kun ze)
K. Schum. CEIGLA - - 3 (6.25) - - -
Pseudobombax
ma gina um PSEMAR 1 (1.03) 4 (4.82) - - - -
BURSERACEAE
Commipho a lep ophloeos
(Ma .) J. B. Gille CONLEP 1 (1.03) 1 (1.20) - - - -
CACTACEAE
Ce eus jama acu DC CERJAM 3 (3.09) - - - - -
Pilosoce eus gounellei
(Webe ) Byles & G. D.
Rowley
PILGOU - - - - 2 (2.50) 4 (10.53)
Pilosoce eus pachycladus
F. Ri e PILPAC - 3 (3.61) - - - 2 (5.26)
CAPPARACEAE
Cappa is lexuosa (L.) L. CAPFLE 13 (13.40) - - - - -
COMBRETACEAE
Comb e um lep osum
Ma . COMLEP 26 (26.80) - - - - -
EUPHORBIACEAE
C o on echioides Baill. CROECH - - - - 3 (3.75) -
C o on sonde ianus Mull.
A g. CROSON 5 (5.15) 47 (56.63) 2 (4.17) 1 (3.33) 43 (53.75) -
Ja opha molissima (Pohl)
Baill. JATMOL 1 (1.03) 1 (1.20) - - 1 (1.25) 4 (10.53)
Maniho glazio ii Mull.
A g. MANGLA 7 (7.22) 14 (16.87) - - - -
FABACEAE
Anadenan he a colub ina
(Vell.) B enam ANACOL 4 (4.12) 2 (2.41) 6 (12.50) - - -
Bauhinia cheilan ha
(Bong.) S eud BAUCHE 10 (10.31) - 2 (4.17) - - -
Caesalpinia e ea Ma .
ex Tul. CAEFER - - 4 (8.33) - - -
Dioclea sp. DIOsp. 2 (2.06) - - - - -
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In es igaciones Geog áicas, Bole ín 88, 2015
Ba olomeu Is ael Souza, Ra ael Menezes e Ra ael Cáma a A igas
Quad o 1. Con inuação
Não-dese i icado
Dese i icado
70
60
50
40
30
20
10
0
ANACOL
ASPPYR
BAUCHE
CAEFER
CAPFLE
CEIGLA
CERJAM
COMLEP
CONLEP
CROECH
CROSON
DIOsp.
ENTCON
HELBAR
JATMOL
MANGLA
MIMTEN
MYRURU
PILGOU
PILPAC
PIPSTI
POIPYR
PSEMAR
SYACEA
TABIMP
XIMAME
Abundância ela i a (N%)
Figu a 3. Média (± E o-Pad ão)
da abundância ela i a (N%) das
espécies de plan as egis adas
nos ambien es não-dese iicados
e dese iicados. Ac ônimos são
desc i os no Quad o 1.
Família/Espécie Ac ônimos
Ambien es Não-Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ambien es Dese iicados:
Abundância absolu a e ela i a
Ma u éia Soledade São João
do Tig e Ma u éia Soledade São João do
Tig e
En e olobium
con o isiliquum (Vell.)
Mo ong
ENTCON - - 1 (2.08) - - -
Mimosa enuilo a
(Wild.) Poi . MIMTEN - - - 24
(80.00) - 20 (52.63)
Pip adenia s ipulacea
(Ben h.) Ducke PIPSTI 7 (7.22) 1 (1.20) 3 (6.25) 5 (16.67) 1 (1.25) -
Poincianella py amidalis
Tul POIPYR - 3 (3.61) 5 (10.42) - 26 (32.50) -
MALVACEAE
Helic e es ba uensis Jacq. HELBAR 15 (15.46) - - - - -
OLACACEAE
Ximenia ame icana L. XIMAME - - 10
(20.83) -- -
To al 97 83 48 30 80 38
Todas as a iá eis ege acionais mos a am
maio es alo es nos ambien es não-dese iicados
(Quad o 2). Apesa de não signiica i a, a abundân-
cia de espécies de plan as ap esen ou um aumen o
de ce ca de 35% no g upo não-dese iicados.
Quan o a equi abilidade, as comunidades de
plan as dos ambien es não-dese iicados indica-
am uma dis ibuição ela i amen e homogênea,
enquan o os dese iicados endencia am a do-
minância de algumas espécies.
As a iá eis que melho ep esen am a pe da
das ca ac e ís icas de uma comunidade ( iqueza
e di e sidade) mos a am di e enças signiica i as
en e os ambien es con as an es. O g upo não-
dese iicado egis ou mais que o dob o da iqueza
de espécies em elação ao dese iicado. Em adição,
In es igaciones Geog áicas, Bole ín 88, 2015
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E ei os da dese iicação na composição de espécies do bioma Caa inga, Pa aíba/B asil
o índice de di e sidade a ingiu p opo ções simila es
à iqueza, quando compa ados os dois ambien es.
O nMDS egis ou baixo alo de s ess (0.10)
mos ando que a composição de espécies de plan as
di e e subs ancialmen e en e os ambien es es uda-
dos, como pode se g aicamen e isualizado a a és
do diag ama de o denamen o (Figu a 4). Os dois
p imei os eixos p incipais do nMDS iden iica am
ês g upos de plan as. Esco es posi i os indica am
as espécies de plan as associadas a ambien es não-
dese iicados (Anadenan he a colub ina, Bauhinia.
cheilan ha e Tabebuia impe iginosa), enquan o
que os esco es nega i os ep esen a am as espécies
elacionadas às á eas dese iicadas (Aspidospe ma
py i olium, Ja opha molissima, Mimosa enuilo a
e Pilosoce eus gounellei). Já o g upo das espécies
que o am comuns aos dois ambien es ocupou
um espaço mais ab angen e, ap esen ando esco es
an os posi i os como nega i os pa a os dois eixos
(C o on sonde ianus, Pip adenia s ipulacea e Poin-
cianella py amidalis).
DISCUSSÃO
A dese iicação é um p ocesso que em desenca-
deando sé ias mudanças na es u u a de comuni-
dades de plan as (Whi o d, 1995), embo a poucos
abalhos enham a aliado em e mos quan i a i os
e quali a i os essa ques ão, sob e udo no B asil.
Nes e sen ido, des acamos que a p esença ou ausên-
cia de espécies pode se uma e amen a pode osa
no que diz espei o aos bioindicado es de qualida-
de ambien al (K ogh e al., 2002). Além disso, o
conhecimen o das espécies colonizado as de á eas
an opizadas é uma e amen a impo an e pa a
o ien a es a égias de eabili ação e ecupe ação das
mesmas, assim como possibili a a aliações quali-
quan i a i as de á eas em ecupe ação ambien al
(Nappo e al., 2000; Taba elli e Vicen e, 2004)).
Em se a ando des e abalho, as amílias do-
minan es pa a os dois ambien es analisados o am
Fabaceae e Eupho biaceae, o que co obo a com
os an igos ela os de Cab e a e Willink (1973) e
Sa mien o (1975) sob e a impo ância des as a-
mílias nas o mações xe óilas na Amé ica do Sul.
No B asil em especíico, Fabaceae é conside ada
a amília mais di e sa na Caa inga (Ca doso e
Quei oz, 2010).
S ess = 0.10
CROSON
POIPYR
ANACOL
TABIMP
ASPPYR
PILGOU
JATMOL
BAUCHE
PIPSTI
MIMTEM
Eixo 1
-0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4
Eixo 2
-0.4 -0.2 0.0 0.2 0.4
Figu a 4. Escalonamen o mul idimensional não-mé ico
(nMDS) usando um subconjun o de dez espécies de plan as
mais ep esen a i as dos ambien es não-dese i icados
(símbolo ), dese iicados (símbolo ) e comuns aos
dois ambien es (símbolo ). Ac ônimos são desc i os no
Quad o 1.
Quad o 2. Tes e U compa ando os componen es da comunidade de plan as egis adas nos dois ambien es. As a iá eis
são ep esen adas como Média ± E o-Pad ão. Ní eis p ep esen am di e enças signiica i as
Va iá eis Ambien es Tes e U
Não-Dese iicados Dese iicados U p
Abundância (N) 76.00 ± 14.57 49.33 ± 15.51 0 0,12
Riqueza (S) 13.00 ± 1.15 5.00 ± 1.15 1 0,04
Di e sidade (H’) 1.99 ± 0.23 1.02 ± 0.21 1 0,04
Equi abilidade (J’) 0.78 ± 0.08 0.54 ± 0.10 0 0,12