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V SEMANA DE ESTUDIOS AL ONSÍES
Al onso X, composi o
Manuel Ped o Fe ei a
Uni e sidade No a de Lisboa
Qual é o luga ese ado a Al onso X, ei de Leão e Cas ela, na His ó ia
da Música Eu opeia? A espos a a es a ques ão pa ece ób ia: oi quem pa oci-
nou e di igiu a compilação de mais de qua ocen as can igas, dedicadas à Vi gem
Ma ia, ainda hoje conse adas com a sua música. Sem es a colecção monumen-
al, o nosso conhecimen o da música ibé ica do século XIII se ia incompa a-
elmen e mais escasso. Mas e -se-á o ei limi ado a ecolhe ou a impulsiona a
c iação dessas melodias? P oponho-me nes e abalho explo a a sua cos ela de
composi o , explici amen e econhecida pelo seu con empo âneo, colabo ado
e bióg a o, ei Juan Gil de Zamo a: «pa a além do mais, ao modo do ei Da id,
ambém [Al onso X] compôs, em lou o da Vi gem glo iosa, mui as e belíssimas
can igas, modulando-as [ha mónica e i micamen e] median e sons conco dan-
es e p opo ções musicais».1
É ce o que o ei i ia odeado de po enciais composi o es de mono-
dia, ossem eles clé igos, nob es ou jog ais. A ligação de um ce o núme o de
o ado es galegos e po ugueses à casa de Al onso oi há mui o es abelecida.2
1 Mo e quoque Da i ico e iam [ad] p econium Vi ginis glo iose mul as e pe pulch as composui can inelas,
sonis con enien ibus e p opo ionibus musicis modula as: Fidel Fi a, «Biog a ías de San Fe nando y de
Al onso el Sabio, po Gil de Zamo a», in Bole ín de la Real Academía de la His ó ia, 5 (1884), 321,
ci . in H. Anglés, La música de las Can igas de San a Ma ía del ey Al onso el Sabio, ol. III/1ª pa e:
Es udio c í ico, Ba celona, Biblio eca Cen al, 1958, 134.
2 J. Fi lguei a Val e de, «Lí ica medie al gallega y po uguesa», in His o ia Gene al de las Li e a u as
Hispánicas, Ba celona, Edi o ial Ba na, 1949, 545-642 [597-604]; G. Ta ani, A poesia lí ica galego-
po uguesa, Lisboa, Edi o ial Comunicação, 1990, 254-63. A p esença de o ado es po ugueses
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São ambém conhecidas as longas es adias na co e al onsina de dois o ado es
que poe a am em língua d’oc, o geno ês Boni acio Cal o e o aqui ano Gui-
au Riquie .3 En e as Can igas de San a Ma ia, oi já apon ada a eu ilização
de melodias de além-Pi enéus (incluindo uma do o ado occi ano Cadene
e duas associadas aos Mi acles de No e Dame de Gau ie de Coinci)4; is o não
su p eende, dadas as múl iplas ligações exis en es en e F ança e a co e cas e-
lhana.5 Fo am ambém iden i icadas algumas melodias de o igem eclesiás ica.6
De o ma mais especula i a, p opus nou o luga que as can igas 1, 190, 230, 293
e 400 e iam na sua base a lí ica p o ana galego-po uguesa, e que a céleb e can-
iga 100, San a Ma ia ‘s ela do dia, se ia um con a ac um de uma popula canção
andaluza.7
Apesa de udo, a esmagado a maio ia das Can igas de San a Ma ia esis e
à p ocu a de pa alelos melódicos ex ensos. Is o pode á sucede apenas po se
e em pe dido ou nunca se e em esc i o as composições que lhes se i am de
modelo; mas não nos de emos esquece de que Al onso X é au o de mais de
qua en a can igas o ado escas de emá ica p o ana.8 Tendo a c iação o ado-
esca ob iga o iamen e uma componen e musical, segue-se que e a supos o o
ei cas elhano domina , não só as eg as da composição poé ica, mas igualmen e
a linguagem da composição melódica. É pois possí el que ele enha sido não
na co e cas elhana oi es udada em p o undidade po J. Ma oso, «As elações de Po ugal com
Cas ela no einado de A onso X, o Sábio», in id., F agmen os de uma composição medie al, Lisboa,
Edi o ial Es ampa, 1987, 73-94; e A. Resende de Oli ei a, «T o ado es po ugueses na co e de
A onso X», Sepa a a do ol. IV das Ac as das II Jo nadas Luso-Espanholas de His ó ia Medie al,
Po o, 1990.
3 C. Michaëlis de Vasconcelos, Cancionei o da Ajuda, Halle, Max Niemeye , 1904 ( eimp . Lis-
boa, Imp ensa Nacional - Casa da Moeda, 1990), ol. II, 438-45; M. Milá y Fon anals, De los
o ado es en España, Ba celona, C.S.I.C., 1966, 184-92, 199-218.
4 I. J. Ka z, «Higinio Anglés and he Melodic O igins o he Can igas de San a Ma ia: A C i-
ical View», in Al onso X he Lea ned King (1221-1284) — An In e na ional Symposium (Ha a d
Uni e si y, 17 No embe 1984), ed. F.M. Villanue a & C. A. Vega, Camb idge (Mass.), Ha a d
Uni e si y, 1989, 46-75; M. P. Fe ei a, «A inidades musicais: as can igas de loo e a lí ica p o ana
galego-po uguesa», in Memó ia dos A ec os — Homenagem da Cul u a Po uguesa a Giuseppe Ta ani,
Lisboa, Colib i, 2001, 187-205.
5 Sob e as conexões in e nacionais da co e al onsina, ejam-se os es udos eunidos in Alcana e.
Re is a de Es udios Al onsíes, 4 (2004-2005).
6 M. P. Fe ei a, «The In luence o Chan on he Can igas de San a Ma ia», Can iguei os, 11-12
(1999-2000), 29-40.
7 M. P. Fe ei a, «A inidades musicais...»; id., Andalusian Music and he Can igas de San a Ma ia»,
in Cob as e Son. Pape s om a Colloquium on he Tex , Music and Manusc ip s o he Can igas de San a
Ma ia, ed. S. Pa kinson, Ox o d, Legenda, 2000, 7-19.
8 J. Pa edes, El cancione o p o ano de Al onso X el Sabio. Edición c í ica, con in oducción, no as y glosa io,
L’Aquila, Japad e Edi o e, 2001.
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apenas o ien ado li e á io da colecção e á bi o de p opos as musicais alheias,
mas ambém o au o do ex o e da música de um núme o inde e minado de
can igas ma ianas.
Como a alia o g au de pa icipação pessoal do ei na con ecção poé ica
e musical das Can igas de San a Ma ia? Não é eo icamen e impossí el que
Al onso X enha assumido pessoalmen e a concepção da maio ia dos ex os, já
que pa a isso lhe bas a ia idea , em média, um poema po mês du an e os in e
anos, ou pe o disso, que a colecção e á le ado a conclui . Embo a haja desa-
co do quan o à da a em que o ei se o na o ado da Vi gem,9 a can iga 345
diz-nos que «el Rei Don A onso... obando anda a dos seus mi ag es... dous
anos a ia, ou ben es, que gaanna a Xe ez», ou seja, a sua de oção ma iana é
ap esen ada como emon ando, pelo menos, a 1266-1267; a c í ica de Boni a-
cio Cal o ao abandono, po pa e do ei, do impulso amo oso que apimen a a
canção, e e e-se p o a elmen e à eo ien ação eligiosa da lí ica al onsina e é
an e io a 1266, senão a 1264, pelo que não de emos es a longe da e dade ao
baliza as Can igas de San a Ma ia en e c. 1264 e 1284.10
A ques ão da au o ia al onsina em sido deba ida, do pon o de is a
li e á io, desde o início do século XX, e deu azo a posições desencon adas.
Os comen ado es mode nos di e gem que na selecção das can igas em que
econhecem ou acei am o en ol imen o di ec o de Al onso, que na maio ou
meno alo ização do p oblema, endo em con a, po um lado, que o p ojec o
das Can igas de San a Ma ia é, no seu conjun o, um p ojec o pessoal, em que
as con ibuições dos colabo ado es se diluem na assina u a eal, e po ou o, um
9 W. Me mann suge e que a compilação não e e início senão em 1270 (Can igas de San a Ma ía,
Mad id, Cas alia, 1986-1989, ol. I, 24); J. Mon oya supõe que Al onso começou a can a à Vi gem
ainda an es de se ei, e que em 1264 já e ia coligido a p imei a cen ena de composições (Can igas,
Mad id, Cá ed a, 1988, 33-36). O códice oledano das Can igas de San a Ma ia, que ep esen a o
p imei o es ádio da emp esa ma iana de Al onso X, é segu amen e da á el en e 1264 e 1277; a
colecção supõe-se echada (ou pe o disso) em 1284, da a em que o mona ca aleceu. Pa a uma
discussão mais po meno izada da da ação dos manusc i os, eja-se M. P. Fe ei a, «The S emma o
he Ma ian Can igas: Philological and Musical E idence», Can iguei os, 6 (1994), 58-98.
10 C . C. Michaëlis de Vasconcelos, O Cancionei o..., 442. A de oção ma iana de Al onso X oi
p o a elmen e acen uada pelo sen imen o de agilidade que lhe ad inha de g a es e pe iódicos
p oblemas de saúde. As doenças que a ec a am o ei e cuja cu a é a ibuída à Vi gem, apa ecem
associadas nas CSM a di e sas ocasiões especí icas, nenhuma delas an e io a 1264: c . H. Sal ado
Ma ínez, Al onso X, El Sabio: una biog a ía, Mad id, Poli emo, 2003, 253-310. O es ádio p imi i o
da colecção ma iana (p imei a cen ena de canções) oi p o a elmen e a ingido em pa alelo com a
composição de can igas p o anas, da á eis en e c. 1240 e 1275: c . J. Pa edes, El cancione o p o ano...,
79-81. Sob e as composições mais ecen es, eja-se V. Bel án, «El ey sabio y los nobles ebeldes.
La poé ica del esca nho», in A as [do] III Encon o In e nacional de Es udos Medie ais da ABREM, o g.
M. A. Ta a es Male al, Rio de Janei o, Edi o a Ágo a da Ilha, 2001, 31-58.
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abalho ealizado num espaço de empo ela i amen e cu o, de aco do com
c i é ios ape ados de o ma ação, e sujei o a e isão linguís ica e ex ual, o que
ende a ni ela e en uais di e enciações in e nas.11 A ela i a unidade es ilís ica
da colecção em obs ado à iden i icação de aços au o ais ípicos des e ou
daquele g upo de can igas, sendo con udo cla o pa a Wal e Me mann, seu
edi o mode no, que uma acção mui o impo an e da ob a, quiçá a maio ia
dos poemas, se de e a uma só pessoa;12 embo a se ecuse a iden i icá-la com o
ei, o en ol imen o pessoal do mona ca, anunciado e elemb ado nos ex os das
Can igas, é en a izado pelas ep esen ações iconog á icas em que apa ece como
mediado en e a Vi gem e os seus súbdi os.13 Es a exal ação da igu a eal de e
con udo se pe spec i ada endo em con a a in es igação ecen e, que em pos o
11 A. G. Solalinde, «In e ención de Al onso X en la edacción de sus ob as», Re is a de Filo-
logía Española, 3 (1915), 283-88; H. Anglés, La música..., 135-39; J. Mon oya, «El concep o de
“au o ” en Al onso X», in Es udios sob e li e a u a y a e dedicados al P o eso Emilio O ozco Díaz, ed.
A. G. Mo ell, A. So ia & N. Ma in, G anada, Uni e sidad, 1979, ol. II, 455-62 ( eimp esso in
J. Mon oya, Composición, es uc u a y con enido del cancione o ma ial de Al onso X, Mu cia, Real Aca-
demia Al onso X el Sabio, 1999, 41-53); J. T. Snow, «Sel -Conscious Re e ences and he O ganic
Na a i e Pa e n o he Can igas de San a Ma ia o Al onso X», in Medie al, Renaissance and Folklo e
S udies in Hono o John Es en Kelle , Newa k (Del.), Juan de la Cues a, 1980, 53-66; J. T. Snow,
«Al onso X y/en sus Can igas», in Es udios al onsíes. Lexicog a ia, Lí ica, Es é ica y Polí ica de Al onso
el Sabio, ed. J. Mondéja & J. Mon oya, G anada, Facul ad de Filoso ia y Le as, 1985, 71-90; W.
Me mann, Can igas..., ol. I, 17-20; J. M. Llo ens Cis e ó, «El Rey Sabio y su ob a pe sonal en
la con ección de las Can igas», Nassa e: Re is a A agonesa de Musicología, 3 (1987), 129-52; W. M e -
mann, «Algunas obse aciones sob e la génesis de la colección de las Can igas de San a Ma ía y
sob e el p oblema del au o », in S udies on he Can igas de San a Ma ía: A , Music and Poe y, ed. I. J.
Ka z & J. E. Kelle , Madison, The Hispanic Semina o Medie al S udies, 1987, 355-66; J. T. S n ow,
«Al onso as T oubadou : The Fac and he Fic ion», in Empe o o Cul u e — Al onso X he Lea ned o
Cas ile and His Thi een h-Cen u y Renaissance, ed. R. I. Bu ns, Philadelphia, Uni e si y o Pennsyl-
ania P ess, 1990, 124-40; J. T. Snow, «Maca poucos can a es acabei e con son. La i ma de Al onso X
a sus Can igas de San a Ma ia», in Ac as del III Cong eso de la Asociación Hispánica de Li e a u a
Medie al (Salamanca, 3 al 6 de Oc ub e de 1989), ed. M. I. To o Pascua, Salamanca, Depa amen o
de Li e a u a Española e Hispanoame icana, 1994, ol. II, 1021-30; M. E. Scha e , «Ques ions
o Au ho ship: The Can igas de San a Ma ia», in Pape s o he Medie al Hispanic Resea ch Semina , 5:
P oceedings o he Eigh h Colloquium, ed. A. M. Be es o d & A. Deye mond, London, Queen Ma y
& Wes ield College (London Uni e si y), 1997, 17-30; V. de Oli ei a Bi encou , «Mecanismos
de en ol imen o da ins ância au o al nas Can igas de San a Ma ia», in A as..., 248-54; E. Fidalgo,
As Can igas de San a Ma ia, Vigo, Edicións Xe ais de Galicia, 2002, 59-65.
12 Pa a Me mann, es e edac o se ia o o ado Ai as Nunes; no en an o, es a p opos a não oi
acei e pela maio ia dos especialis as: c . Ma ha Scha e , «Ques ions o Au ho ship...», 22-24.
13 G. Menéndez pidal, «Imagen y en o no de Al onso X el Sabio», in id., Va ia medie alia, II,
Mad id, Real Academia de la His o ia, 2003, 97-114 [105-11]; A. Domínguez Rod íguez, «La
minia u a del sc ip o ium al onsí», in Es udios al onsíes..., ci ., 127-61 [142-57]; J. Le Go , «Le oi,
la Vie ge, e les images: le manusc i des Can igas de San a Ma ia d’Alphonse X de Cas ille», in
Ri uels: Mélanges o e s à Pie e-Ma ie Gy, O. P., ed. P. de Cle ck & E. Palazzo, Pa is, Les Édi ions
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a nu a he e ogeneidade linguís ica da colecção e ou os indícios de um abalho
de equipa.14
Se os ex os o am esc u inados, sem que uma opinião consensual sob e
o p esumí el au o ou au o es se enha impos o, o papel de Al onso X como
composi o não oi, a é ago a, in es igado. O a, nas Can igas de San a Ma ia, é
g ande a a iedade musical, o que eo icamen e pe mi i ia (em con as e com
o que sucede nos ex os) a des inça de di e en es es ilos, po sua ez possi el-
men e indica i os de di e sas au o ias. Há casos, aliás, em que as melodias o am
segu amen e omadas de emp és imo. De ac o, a música pode oma -se al qual
é ou ida; pelo con á io, mesmo que os ex os enham na sua base ma e ial
alheio (como as canções de Gau ie de Coinci), essa ma é ia eque , no mínimo,
e o ma ação linguís ica e poé ica, p ocesso que ende a apaga as ma cas da
o igem. Ac esce que há uma adição de con a ac u a musical no meio o a-
do esco do qual eme ge Al onso. Es e inse e-se c ia i amen e no o ado ismo
galego-po uguês, em cujo seio as a iedades da con a ac u a o am sis ema-
izadas a a és da ca ego ia, ans e sal aos géne os emá icos, de «can iga de
segui ».15 Al onso acolhia igualmen e na sua co e o ado es de língua occi ana,
que podiam ocasionalmen e eco e a con a ac a, especialmen e no si en ês; e
é conhecida a posição p i ilegiada que êm, na ob a p o ana do ei, as can igas
de escá nio, que podiam assumi ca ác e de si en ês.16 A implicação é que o
papel au o al de Al onso, no domínio musical, é p o a elmen e mais es i o do
que no domínio poé ico. Is o pe mi e, em p incípio, maio acilidade na iden i-
icação de melodias p op iamen e al onsinas, na medida em que elas se deixem
dis ingui do idioma es ilís ico comum.
Na e dade, a a e a é di ícil, já que ma cas de au o ia indi idual só mui o
di icilmen e se encon am nas melodias medie ais. P e e ências es u u ais, uso
de ó mulas ípicas, au o-ci ação melódica, são algumas das possí eis pis as dei-
xadas po um au o ; a maio pa e da monodia medie al pe manece, po ém,
opaca a es e ipo de indagação. Pa a além do mais, um composi o podia eco -
e a di e sos es ilos, consoan e os géne os p a icados e a e olução da sua p óp ia
du Ce , 1990, 385-392; A. Domínguez Rod íguez, La minia u a en la Co e de Al onso X [Cua-
de nos de A e Español, 35], Mad id, His o ia 16, 1992.
14 S. Pa kinson, comunicação pessoal. A e isão, pa a publicação, do p esen e abalho bene iciou
da du a, mas lúcida c í ica des e especialis a à sua p imei a e são; quaisque p oblemas que sub-
sis am são da minha in ei a esponsabilidade.
15 M. P. Fe ei a, O som de Ma in Codax: sob e a dimensão musical da lí ica galego-po uguesa (séculos
XII-XIV), Lisboa, Imp ensa Nacional - Casa da Moeda, 1986, 17-29; G. Ta ani (ed.), A e de T o a
do Cancionei o da Biblio eca Nacional de Lisboa, Lisboa, Edições Colib i, 1999.
16 G. Ta ani, A poesia..., 227-39.
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capacidade in en i a. As p obabilidades de sucesso na busca de um es ilo musical
p óp io de Al onso X são, assim, modes as, o que pode explica o esquecimen o
des a ques ão po pa e dos musicólogos.
Se insis i mos, apesa de udo, em p ocu a um Al onso composi o , onde
pode emos encon á-lo? Não sob e i em can igas p o anas al onsinas com a
espec i a música; udo o que emos são as Can igas de San a Ma ia, qua o
cen enas de melodias de o igem só mui o a amen e iden i icada. Se ão elas, na
sua esmagado a maio ia, a ibuí eis ao ei? É ce o que a única a ibuição de
au o ia musical nes a colecção, é ao p óp io Al onso:
Rei indicação de au o ia poé ico-musical do Li o das Can igas na ap esen ação (impes-
soal) do olume, no seu es ádio p imi i o:
Tí ulo [A]17
Don A onso de Cas ela,
de Toledo, de Leon ...
es e li o, com’ achei,
ez a on ’ e a loo
Da Vi gen San a Ma ia ...
... dos mi ag es seus
Fez cen can a es e sões,
sabo osos de can a ...
Rei indicação de au o ia poé ico-musical na conclusão (pe sonalizada) da colecção
p imi i a:
Pi içon (To 101) [401]
Pois cen can a es ei os / acabei e con son,
Vi gen, dos eus mi ag es ...
Pois a i, Vi gen, p ougue / que dos mi ag es eus
ezess’ende can a es ...
Es a ei indicação au o al é coe en e com o p ojec o eal, e e ido pelo
bióg a o e implicado po Boni acio Cal o, de eo ien ação do p óp io alen o
o ado esco pa a hon a a Vi gem, a a és do lou o e da na a i a de milag es.
17 A nume ação e a ansc ição dos poemas ma ianos ci ados no ex o seguem W. Me mann,
Can igas..., que pe manece a edição li e á ia de e e ência.
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Tal i agem e á le ado ao abandono, não de oda a composição o ado esca,
mas do géne o que lhe é cen al, a «can iga d’amo ».18
Decla ação ou ea i mação de assalagem poé ica:
P ólogo [B]
E o que que o é dize loo
da Vi gen, Mad e de Nos o Senno ...
que o see oy mais seu obado ,
e ogo-lle que me quei a po seu
obado e que quei a meu oba
ecebe , ca pe el que ’eu mos a
dos mi ag es que ela ez; e a
que ei-me leixa de oba des i
po ou a dona ...
1
Des oge mais que ’ eu oba
pola Senno on ada ...
10
Es a dona que enno po Senno
e de que que o see obado ,
se eu pe en poss’ a e seu amo ,
dou ao demo os ou os amo es.
Uma ez conc e izada a p imei a ase do p ojec o ma iano, o ei ea i ma
a sua con inuidade:
170
De mi os digo que a loa ei
men e o i o ...
339
po que a loo semp ’ e loa ei
enquan ’ en aques e mundo i e .
18 Pa a os p eceden es li e á ios da eo ien ação lí ica, eja-se M. E. Scha e , «A Nexus Be ween
Can iga de Amo and Can iga de San a Ma ia: he Can iga ‘de Change’», La Co ónica 27.2 (1999), 37-60.
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A ea i mação da assalagem poé ica à Vi gem ma ca, aliás, o pon o cen-
al do Li o das Can igas, bem como o p ólogo das «Fes as de San a Ma ia»,
que é um conjun o au ónomo de composições que emon a, na sua p imei a
e são, ao es ádio in e médio da colecção:19
200
San a Ma ia loei
e loo e loa ei:
Ca a mi de bõa gen e
ez ĩi de ei amen e
e quis que mui chãamen e
einass’ e que osse ei.
[410]
E po que eu g an sabo ey
de a se i , se i-la-ey,
e quan o pode punna ey
d’os seus mi ag es descob i .
Pe o di ei an ’ en bon son
das sas çinque es as ...
Te minada a g ande colecção de qua ocen as can igas, o ei pede ecom-
pensa pelo seu labo :
400
Pe o can igas de loo
iz de mui as manei as ...
E po en lle que o oga
que meu don pequeninno
eçeb’ ...
402
San a Ma ia, nenb e- os de mi
e daquelo pouco que os se i.
Non ca edes a como pecado
19 Há ince eza quan o à al u a em que deu a expansão da e são p imi i a: c . M. E. Scha e , «Ma -
ginal No es in he Toledo Manusc ip o Al onso El Sabio’s Can igas de San a Ma ia: Obse a ions on
Composi ion, Co ec ion, Compila ion, and Pe o mance», Can iguei os, 7 (1995), 65-84 [79-80].
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sõo, mais ca ad’ a ossa alo
e po un muy pouco que de loo
dixe de os, en que en non men i.
Ac esce que a in e enção do ei se deixa ainda denuncia num ce o
núme o de poemas, a a és de ma cas de excepcional au o idade e/ou da e e-
ência a episódios en ol endo a sua pessoa.
Ma cas de excepcional au o idade polí ico-mili a (conquis a de Mú cia, p ojec o de econ-
quis a do e i ó io que pe manece en ão muçulmano):
169
E daques ’ un mi ag e / di ei g ande, que i
des que mi Deus deu Mu ça ...
360
E po aques o e ogo, Vi gen san a co õada ...
que de Ma ome a sei a possa eu dei a d’Espanna.
Pi içon [401]
E al e og’ ainda / que lle quey as oga
... que con a os mou os, que e a d’Ul ama
ẽen e en Espanna / g an pa ’ a meu pesa ,
me dé pode e o ça / pe a os en dei a .
Ma cas de au o idade pessoal (sob e jog ais e ou os colabo ado es) que denunciam a oz
de Al onso X:
172
E des o can a ezemos / que can assen os jog a es.
219
E eu aques e mi ag e a ei põe en ’ os eus / mi ag es
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A can iga 293, al como a can iga 1, em como pa alelo mé ico mais
p óximo uma composição p o ana do p óp io ei, “O gene e / pois eme e /
seu al a az co edo ”, o que e o ça a au o-a ibuição.25 A sua melodia, enden-
cialmen e plagal, é bas an e singula , mas eco e a uma ó mula cadencial que
se eencon a na can iga 300, de au o ia p o á el do ei; es a úl ima inaliza em
á, mas inclui ês cadências in e médias sob e mi. Uma ou a e são da melodia
293 é usada com a can iga 297. A deslocação ho izon al da melodia az com que
as duas e sões e minem em no as di e en es (Ex. 3).
Finalmen e, a can iga 64, em mi, oi compa ada com odas as peças que
no Li o das Can igas êm a mesma e minação, ou equi alen e. As suas ca ac-
e ís icas es u u ais mais ma can es são a cadência in e na sob e o si g a e, e
um esquele o melódico que inclui os g aus si-mi-sol-dó, aba cando an o o con-
encional âmbi o plagal como o au ên ico. Tais ca ac e ís icas eencon am-se
nas can igas 35, 53 (na sua e são esco ialense, já que a e são oledana é um
P o us) e 295=388. As can igas 35, 64 e 53 pa ilham, pa a além disso, di e so
ma e ial melódico, que eapa ece modi icado em ansposição na CSM 172
(Ex. 4). A can iga 295, po sua ez, em um pe il í mico pouco usual mas
25 M. P. Fe ei a, «A inidades...», 205.
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simila à da can iga 293 e na a um milag e que com oda a p obabilidade
en ol e a pessoa de Al onso X: “Como San a Ma ia apa eceu en ision a un
ei que a se ia en odas aquelas cousas que el sabia e podia... demais oba a
pe ela, segund’ oí depa i ”.
Das qua o melodias com au o-a ibuição, nenhuma e mina em á. Já
en e aquelas cujo ex o se de e plausi elmen e ao ei há di e sas nessa si ua-
ção, mas em ge al o idioma melódico é con encional, com uma o e cadeia de
e cei as á-lá-dó. O P ólogo e as can igas 284 e 400 des acam-se ligei amen e,
de ido ao papel es u u al aí desempenhado pelo si bemol, disc e o no P ólogo,
mas em e idência nas es an es. A pa ilha des a ca ac e ís ica pode especula-
i amen e se a ibuída a uma comum au o ia, a qual, a endendo à posição
simbólica ocupada pelo P ólogo e pela can iga 400, não pode ia se senão do
p óp io ei.
Em suma: o Rei Sábio, como composi o , eco ia a uma a iedade de
ipos melódicos, nos quais os limi es con encionais do âmbi o modal, a es abili-
dade da es u u a in e ala e a escolha da no a inal inham pouca impo ância,
como demons am as can igas 53 e 293/297. Es a libe dade ou a iabilidade,
a a no can o g ego iano, é comum na adição o ado esca eu opeia. Também
se egis am a ian es í micas, que são mais di íceis de documen a nou as a-
dições.26 P e e ências es u u ais, eu ilização de ases melódicas ou de ó mulas
cadenciais pe mi em ca ac e iza pa cialmen e o es ilo musical de Al onso X.
Esse es ilo, ou melho , esse complexo es ilís ico, é pa a já iden i icá el, com
maio ou meno cla eza, nas can igas 1, 35, 47, 53, 64, 172, 188, 219, 279, 293,
295, 297, 300, 347, 363, 401 e 403, a que pode ão al ez soma -se o P ólogo e
26 CSM 1 [incipi em T], 35 [di e enças en e e são oledana e e são esco ialense] e 293/297.
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as CSM 284 e 400, sendo u u amen e possí el ala ga es a lis agem a a és de
uma busca mais sis emá ica de pa alelos melódicos.
Nes as in e can igas, encon amos o mas musicais p óp ias da adição
o ado esca em seis casos. Assim, exis e ap oximação à oda con inua na CSM 1,
com o ma ABCDECDFGH; apa ece uma sequência de ases do ipo ABAB
CDCE na CSM 403 e na es o e da CSM 300, es a com e ão inicial melo-
dicamen e con as an e;27 eco e-se às o mas ABACDE, ABAB CCDC’E e
ABCABC DB’EF no P ólogo e nas CSM 400 e 401, espec i amen e. Há ainda
um ondel de ipo ancês (CSM 279, o iginalmen e no Apêndice do códice de
Toledo), seis i elais (CSM 53, 64, 188, 219, 347 e 363) e se e ondéis andaluzes
(CSM 35, 47, 172, 284, 293, 295 e 297).
A o ganização das du ações inclui um endencial isossilabismo a é à
úl ima sílaba acen uada, à manei a o ado esca, em duas can igas (CSM 401
e 403); me os de di isão biná ia com i mos pon uados, à manei a á abe, em
duas mais (CSM 1 e 47); e i mos de ipo modal nas es an es dezasseis (P ólogo,
CSM 35, 53, 64, 172, 188, 219, 279, 284, 293, 295, 297, 300, 347, 363 e 400). Os
i mos modais incluem pad ões co esponden es ao p imei o, segundo e qua o
modos pa isienses,28 po ezes com mis u a modal ou ex ensio modi, is o é, usão
de alo es í micos; exis e cla a p e e ência pelo segundo modo nos i elais
(cinco em seis casos: CSM 53, 64, 188, 219 e 363) e equen e ecu so ao pad ão
b e e-longa-longa-b e e nos ondéis andaluzes (CSM 35, 172, 297).
As obse ações ealizadas pe mi em es abelece o pe il do Rei Sábio
como composi o e a i ma que, enquan o al, ele se enquad a pa cialmen e na
escola o ado esca eu opeia (sendo a in luência ancesa impo an e, especial-
men e no domínio da o ganização í mica). O ei exibe, con udo, uma su p e-
enden e pe meabilidade à cul u a andaluza (que a endencial seden a ização da
co e em Se ilha e á a o ecido), como mos a a adopção de i mos e o mas
musicais ípicos do sul islamizado nas can igas 1, 35, 47, 172, 284, 293, 295, 297,
ou seja, qua en a po cen o das melodias que lhe são a ibuí eis na nossa amos-
a. As pa icula idades do seu gos o melódico, como a inusi ada p e e ência
es u u al e cadencial pelos g aus in e io es ao meio- om (mi e si), pode ão am-
bém se associados a essa in luência andaluza. Es a hipó ese em em con a que a
modalidade de mi es á de al o ma en aizada na música adicional da Andaluzia
27 A conexão es ilís ica en e es a can iga e a lí ica p o ana oi pos a em ele o po J. T. Snow,
«The Sa i ical Poe y o Al onso X: A Look a i s Rela ionship o he Can igas de San a Ma ia»,
in Al onso X o Cas ile, he Lea ned King (1221-1284), ed. F. Má quez-Villanue a & C. A. Vega,
Camb idge (Mass.), Ha a d Uni e si y, 1990, 110-31 [123-26].
28 O p imei o modo í mico pa isiense é baseado no pé ocaico longa-b e e; o segundo, no pé
iâmbico b e e-longa; o qua o, no pé anapés ico b e e-b e e-longa.
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que su ge como a sua ca ac e ís ica mais salien e, o que não oco e em nenhuma
ou a egião da Península;29 a pouca in o mação musical que possuímos sob e
as can igas p o anas galego-po uguesas (a a és do Pe gaminho Vindel e do
Pe gaminho Sha e ) es emunha o cul i o de ou as modalidades.30
É de no a que no conjun o das Can igas de San a Ma ia, as melodias em
mi e as o mas de ondel andaluz êm uma ep esen ação mui o in e io , pe -
cen ualmen e, à encon ada nes a amos a. Is o possi elmen e signi ica, não só
que os colabo ado es do ei inham um gos o musical compa a i amen e mais
sin onizado com o es an e ociden e eu opeu, como, sob e udo, que Al onso X
não se limi ou a acei a a inco po ação de o mas e melodias ao gos o andaluz
no seu Li o das Can igas, an es p ojec ou nele e, a a és dele, impôs ao cí culo
palaciano as suas p e e ências pessoais, cuja excen icidade, no con ex o da cul-
u a co ês dos einos c is ãos, pode explica a es e ilidade apa en e do seu labo
na e olução subsequen e da li e a u a e da música ibé icas. Ao isolamen o polí-
ico do mona ca nas úl imas décadas do seu einado, co esponde o isolamen o
cul u al do seu p ojec o ma iano, desen ol ido não apenas sob a sua égide, mas
com a sua pa icipação pessoal nos domínios poé ico e musical. O Rei Sábio
acaba assim po nos su gi , eimoso e incomp eendido, nas suas Can igas de
San a Ma ia, como o ins igado e um dos p incipais agen es de uma con luência
palaciana en e cul u a islâmica e cul u a c is ã, à qual, na sua excepcionalidade
29 «Andalusian song is cha ac e ized by he E mode»: M. Cunningham, «Spain, § II, 7», in The
New G o e Dic iona y o Music and Musicians, ed. S. Sadie, London, Macmillan, 1980, ol. 17, 803. A
p edominância de uma o ganização melódica de i ada do modo de mi encon a-se em á ios ipos
de canção, desde o mode no lamenco às elhas canções de embala (c . M. A. Subi a s, La nana
andaluza: es udio e nomusicológico, G anada, Cen o de Documen ación Musical de Andalucía, 1990,
176-77). Pa a uma sín ese sob e o complexo modal de mi em Espanha, eja-se M. Cunningham/J.
aia s, «Spain, § II, 2(ii)(b)», in The New G o e Dic iona y o Music and Musicians: Second Edi ion, ed.
S. Sadie, London, Macmillan, 2001, ol. 24, 139-40. Sob e a dis ibuição egional des e complexo,
eja-se J. A. de Donos ia, «El modo de mi en la canción popula española», Anua io musical, 1
(1946), 153-79; M. P. Fe ei a, «Música adicional: Modalidade», in Enciclopédia de Música em Po -
ugal no Século XX, ed. Salwa Cas elo-B anco, Lisboa, Cí culo de Lei o es, no p elo.
30 M. P. Fe ei a, «Es u u a e o namen ação melódica nas can igas o ado escas», in Can igas
Uni ed. Pape s om he Jo nada de Es udos sob e a Lí ica Galego-Po uguesa, Ox o d, 19 No embe 2004,
ed. S. Pa kinson, London, Medie al Hispanic Resea ch Semina , no p elo. Pa a uma isão ge al
do epe ó io, eja-se M. P. Fe ei a, «A música das can igas galego-po uguesas: balanço de duas
décadas de in es igação (1977-1997)», in (a) Cong eso O ma das can igas, San iago de Compos ela,
Xun a de Galicia, 1998, 235-50; (b) Ondas do Ma de Vigo, ed. D. W. Fli e & P. O. Baube a, Bi -
mingham, Semina io de Es udios Galegos, 1998, 58-71; (c) Ci il à le e a ia dei paesi di esp essione
po oghese, I: Il Po ogallo. 1. Dalle o igini al Seicen o, ed. L. S egagno Picchio, Fi enze, Passigli Edi-
o i, 2001, 167-79 ( ad. i aliana). Edições musicais: M. P. Fe ei a, O som...; id., Can us co ona us
— Se e can igas d’El-Rei Dom Dinis, Kassel, Reichenbe ge , 2005.
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e agilidade his ó icas, cuidou de da exp essão monumen al, p opo cional a
uma p o unda e en anhada ânsia de edenção.
Addendum
A indagação do papel au o al de Al onso X pode ia ainda con inua ,
eco endo ao c uzamen o de c i é ios mé icos, poé icos e musicais. Um só
exemplo: Vale ia Be ollucci obse ou que a CSM 132 em em comum com
um escá nio/si en ês do ei sábio, a céleb e can iga Non me posso paga an o,31
o uso em posição de ima da exp essão «no co açon... [cla ada] a espinha».32
An es de le o seu abalho, não me inham escapado que a especial p oximi-
dade mé ica en e as duas composições, que a ácil adap abilidade da melodia
ma iana ao poema p o ano. Pode á a a -se de um caso de au o-ci ação poé-
ica e musical. Não é minha in enção nem es á ao meu alcance p o á-lo, mas
pode ei, com a ossa licença, da asas à imaginação (de que a His ó ia ambém
se alimen a), ans o mando em can o essa seca hipó ese, e espe ando que, po
ins an es, dela os pe suada uma ulga oz de ba í ono... (Ex. 5)33
31 Edições ecen es: M. Rod igues Lapa, Can igas d’esca nho e de mal dize dos cancionei os medie ais
galego-po ugueses [ e são ilus ada da 2ª edição, de 1970], Lisboa, Sá da Cos a, 1995, 25-26 (nº
10); J. Pa edes, El cancione o p o ano..., 207-16; G. Videi a Lopes, Can igas de escá nio e maldize dos
o ado es e jog ais galego-po ugueses, Lisboa, Es ampa, 2002, 66-67, 557-58.
32 V. Be olucci Pizzo usso, «Alcuni sondaggi pe l’in eg azione del disco so c i ico su Al on-
so X poe a”, in Es udios al onsíes..., ci ., 91-117 ( eimp esso in V. Be olucci, Mo ologia del es o
medie ale, Bologna, Il Mulino, 1989, 147-68). Sob e es a can iga, consul em-se, en e ou os a-
balhos, C. Michaëlis de Vasconcelos, Glosas ma ginais ao Cancionei o Medie al Po uguês, ed. Y. F.
Viei a e al, Coimb a, Uni e sidade, 2004, 165-74; M. Rod igues Lapa, Lições de Li e a u a Po u-
guesa: Época Medie al, 10ª ed., Coimb a, Coimb a Edi o a, 1981, 207-10; P. D onke, The Medie al
Ly ic, 3 d ed., Camb idge, D. S. B ewe , 1995, 222-24. A singula idade mé ica des a composição
apa ece e idenciada in G. Ta ani, Repe o io me ico della li ica galego-po oghese, Roma, Edizioni
dell’A eneo, 1967, 88, 296-98.
33 O exemplo ap esen a o poema sono izado a pa i da música da CSM 132 cons an e nos
códices To e T, li emen e adap ada (o que en ol eu, sob e udo, epe ição de mo i os e de ases
musicais). O ex o usado é o da edição c í ica de Juan Pa edes; o ex o apa ece ixado de o ma
ligei amen e di e en e in M. Rod igues Lapa, Can igas d’esca nho... O ascunho des a e são
musical, p epa ado em No emb o de 1995, di e ia em ce os de alhes de ansc ição e usa a a
edição de Manuel Rod igues Lapa.
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