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Estilos parentais e desenvolvimento positivo em crianças e adolescentes com doença crónica

Abstract

A adolescência compreende um período de profundas mudanças biopsicossociais, que pode ser agravado na presença de uma doença crónica e suas limitações. Os modelos educativos/família influenciam fortemente os comportamentos e a socialização, tendo um papel decisivo no desenvolvimento da criança. Papel ainda mais relevante perante uma situação de doença crónica, oscilando entre: necessidades de proteção da saúde, e, de autonomização e responsabilização. O presente artigo tem como objetivo uma abordagem teórica sobre vinculação e estilos parentais, relacionando a sua relevância na adaptação à doença crónica em adolescentes. Foram explanados os vários tipos de estilos parentais, bem como sucintamente enquadradas as principais características de uma condição crónica na adolescência, e, estilos parentais mais eficazes durante o processo de adaptação. Estilos parentais restritivos foram identificados como obstáculos a uma boa adaptação dos jovens com doença crónica, enquanto um estilo parental democrático se apresenta como facilitador da adaptação à doença. A família é um alvo de intervenção crucial numa situação de condição crónica, devido à relação de dependência numa idade em desenvolvimento e também ao impacto para a criança e ambiente familiar. Por sua vez, os pais devem também facilitar a comunicação com os filhos, ajudando-os a adquirir competências de autonomia e monitorização face à doença crónica. Por fim, salienta-se que, cada vez mais é importante “dar voz” aos jovens com doença crónica, de forma a ouvir as suas necessidades, conhecimentos, competências e direitos específicos, e, sobretudo, porque são intérpretes competentes do seu "mundo".

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Estilos parentais e desenvolvimento positivo em crianças e adolescentes com doença crónica

Author: Santos, Teresa; Matos, Margarida Gaspar de; Simões, Maria Celeste; Camacho,‏ Inês; Tomé, Gina; Moreno Rodríguez, María del Carmen
Publisher: Universidad Lusíada de Lisboa
Year: 2013
Source: https://idus.us.es/bitstreams/67789737-08a8-4a35-b017-95c4afb150da/download
Jou nal o Child and Adolescen Psychology
Re is a de Psicologia da C iança e do Adolescen e. Lisboa, 4(2) 2013 185
eS IlOS PARen AIS e deSen Ol IMen O
POSI I O eM CRIAnçAS e AdOleSCen eS COM
dOençA CRónICA
PARen Ing S yleS And POSI I e de elOPMen
In ChIldRen And AdOleSCen S wI h ChROnIC
COndI IOn
e esa San os
Ma ga ida gaspa de Ma os
Ma ia Celes e Simões
Inês Camacho
gina omé
Faculdade de Mo icidade Humana (“Social Ad en u e” Team)/Uni e sidade de Lisboa (FMH/UL)
Cen o de Malá ia e Doenças T opicais/IHMT/Uni e sidade No a de Lisboa (CMDT/IHMT/UNL)
Ma ía Ca men Mo eno
Dp o. de Psicologia E olu i a y de La Educa ión, Uni e sidade de Se illa, Espanha
decla a ion o in e es
san os, . ecei es a Phd g an om he Po uguese ounda ion o science
and echnology ( C ), e e ence s Rh/bd/82066/2011. None o he au ho s
epo ed any u he inancial in e es s o po en ial con lic s o in e es .
Con ac o pa a co espondência:
e esa san os, Phd
aculdade de mo icidade humana/uni e sidade de Lisboa
es ada da Cos a 1495-688 C uz queb ada – PoR ugAL
Phone: + 351 21 414 91 52 / mobile: + 351 966142393
e-mail: [email p o ec ed]
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Te esa San os, Ma ga ida G. Ma os, Ma ia C. Simões, Inês Camacho, Gina Tomé e Ma ía C. Mo eno
Resumo: A adolescência comp eende um pe íodo de p o undas mudanças
biopsicossociais, que pode se ag a ado na p esença de uma doença c ónica
e suas limi ações. os modelos educa i os/ amília in luenciam o emen e os
compo amen os e a socialização, endo um papel decisi o no desen ol imen o
da c iança. Papel ainda mais ele an e pe an e uma si uação de doença c ónica,
oscilando en e: necessidades de p o eção da saúde, e, de au onomização e es-
ponsabilização.
o p esen e a igo em como obje i o uma abo dagem eó ica sob e
inculação e es ilos pa en ais, elacionando a sua ele ância na adap ação à
doença c ónica em adolescen es. o am explanados os á ios ipos de es ilos
pa en ais, bem como sucin amen e enquad adas as p incipais ca ac e ís icas de
uma condição c ónica na adolescência, e, es ilos pa en ais mais e icazes du an e
o p ocesso de adap ação.
es ilos pa en ais es i i os o am iden i icados como obs áculos a uma
boa adap ação dos jo ens com doença c ónica, enquan o um es ilo pa en al
democ á ico se ap esen a como acili ado da adap ação à doença.
A amília é um al o de in e enção c ucial numa si uação de condição
c ónica, de ido à elação de dependência numa idade em desen ol imen o
e ambém ao impac o pa a a c iança e ambien e amilia . Po sua ez, os pais
de em ambém acili a a comunicação com os ilhos, ajudando-os a adqui i
compe ências de au onomia e moni o ização ace à doença c ónica. Po im,
salien a-se que, cada ez mais é impo an e “da oz” aos jo ens com doença
c ónica, de o ma a ou i as suas necessidades, conhecimen os, compe ências
e di ei os especí icos, e, sob e udo, po que são in é p e es compe en es do seu
“mundo”.
Pala as-Cha e: adolescen es; doença c ónica; es ilos pa en ais; p omoção
da saúde
Abs ac : Adolescence consis s o p o ound bio-psychosocial changes ha
can be made wo se in he p esence o a ch onic illness and i s limi a ions. edu-
ca ional models / amily s ongly in luence beha io s and socializa ion, ha ing
a decisi e ole in child de elopmen . amily’s ole becomes e en mo e ele an
in a si ua ion o ch onic condi ion, oscilla ing om heal h p o ec ion needs, o
au onomy and empowe men .
he aim o his pape is o desc ibe a heo e ical app oach o a achmen
and pa en ing s yles, and i s associa ion and ele ance in adap a ion o ch onic
condi ion in adolescen s. a ious ypes o a achmen and pa en ing s yles we e
explained, as well as succinc ly explo ed he main cha ac e is ics o a ch onic
condi ion in adolescence. in addi ion, he mo e e ec i e pa en ing s yles du ing
he adap a ion p ocess we e also desc ibed.
Res ic i e pa en ing s yles we e iden i ied as obs acles o a good adap a ion
o adolescen s wi h ch onic condi ion; on he o he hand, an au ho i a i e
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Es ilos Pa en ais e desen ol imen o posi i o em c ianças e adolescen es com doença ..., pp. 185-203
pa en ing s yle p esen s i sel as a acili a o o adap a ion.
amily is a c ucial a ge o in e en ions in a si ua ion o ch onic condi ion,
due o age dependency le el in he de elopmen p ocess, and also because o he
impac on he child and amily en i onmen . in u n, pa en s should also acili a e
communica ion wi h child en, helping hem o acqui e skills and au onomy o
ace ch onic condi ion’s managemen . inally, i is no ed ha i is inc easingly
impo an o “gi e oice” o young people wi h ch onic condi ion, in o de o
lis en o hei needs, knowledge, skills and speci ic igh s, and especially because
hey a e compe en in e p e e s o hei “wo ld”.
key-wo ds: adolescen s; ch onic condi ion; heal h p omo ion; pa en ing s yles
inculação e es ilos Pa en ais
os modelos pa en ais, as expec a i as e os mé odos educa i os de e minam
la gamen e o epo ó io de compo amen os da c iança, bem como as suas
a i udes e obje i os, e i icando-se que a amília (p imei o g upo social da
c iança) em um papel decisi o no seu desen ol imen o (Camacho, 2009; soa es,
2012), nomeadamen e na ansmissão de a i udes, eg as, ideias, sen imen os e
compo amen os que es ão na base de omada de decisões com consequências a
longo p azo (simões, ma os, e ei a, & omé, 2009). Assim, os es ilos e p á icas
pa en ais pa ecem e um papel undamen al na socialização, podendo acili a
ou di icul a os á ios desa ios que se ap esen am à c iança, e, mais a de, ao
adolescen e (sp in hall & Collins, 1999), uma ez que os pais êm um papel ulc al
de supo e emocional (wenz-g oss e al., 1997).
de ac o, desde o nascimen o que se es abelecem in e ações en e a mãe-
bebé, salien ando-se o papel undamen al da mãe e/ou cuidado em esponde
e icazmen e às necessidades globais ( ísicas e emocionais) do bebé (bion, 1991;
bowlby, 1989; winnico , 1990, 2012). P ecocemen e são es abelecidos pad ões
básicos de compo amen os de inculação da c iança, que êm a unção adap a i a
de p ocu a de segu ança e p o eção ( eeney & Nolle , 1996). o p ocedimen o da
“si uação do es anho” desen ol ido po Ainswo h (Ainswo h, bleha , wa e s &
wall, 1978) pe mi iu a alia p ecisamen e a segu ança da inculação e iden i ica
ês g andes pad ões de inculação: segu o, ansioso-ambi alen e e ansioso-e i an e
(Ainswo h e al., 1978; de wol & an ijzendoo n, 1997). A qualidade da inculação
es abelecida i á, em g ande pa e, con ibui pa a o ipo de elacionamen o que a
c iança es abelece com os ou os. uma inculação segu a acili a a explo ação do
ambien e, p omo e a ecip ocidade, comp eensão, empa ia, e a demons ação de
compo amen os mais compe en es e adap a i os nas in e ações com o g upo de
pa es (Coll e al., 2004). Po ém, esses pad ões ão e oluindo à medida que a c iança
c esce, e, dado o seu início p ecoce e po se em maio i a iamen e au omá icos e
inconscien es, endem a pe du a ao longo da ida, o iginando es ilos elacionais
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de uncionamen o ge al enquan o adul o (bowlby, 1984).
A ac escen a ao pad ão de inculação es abelecido, os es ilos pa en ais são
igualmen e impo an es pa a o desen ol imen o do jo em, endo a li e a u a iden-
i icado ês es ilos, usados po pais na educação dos ilhos (baum ind, 1987): es ilo
au o i á io, es ilo pe missi o e es ilo democ á ico (mui as ezes aduzido como
au o i a i o, numa alusão inco e a ao e mo inglês au ho i a i e). o es ilo au o-
i á io ap esen a ele ados ní eis de con olo e pad ões de compo amen o mui o
ígidos, en ol endo a punição e a iolência como o mas de eposição da au o ida-
de ( ela i amen e à qual o am ioladas as no mas ins i uídas). es e es ilo pa en al
es á associado a um ambien e amilia pouco a e i o. o es ilo pe missi o encon a-
-se em oposição ao es ilo au o i á io, exis indo poucas ou nenhumas eg as e, como
al, a iolação das no mas e consequen e punição é algo que não exis e. ge almen e
p e alece a on ade da c iança ou do adolescen e. o es ilo democ á ico di e encia-
-se dos an e io es, na medida em que en ol e um ele ado con olo compo amen-
al, e, simul aneamen e, um ele ado ní el de supo e e a e i idade. Cons i ui-se
como um es ilo que p omo e a independência e sen ido de esponsabilidade, iden-
i icando os pais como igu as de au o idade, mas uma au o idade undamen ada.
A de inição de eg a é ealizada endo em a enção as necessidades e in e esses dos
jo ens, bem como a explicação das consequências associadas aos compo amen os,
e, es e es ilo associa-se a uma maio asse i idade e esponsabilidade social dos
jo ens.
Pos e io men e, oi de inido um conjun o mais ala gado de es ilos pa en ais,
encon ados nas in e ações en e pais e ilhos e p o enien es da conjugação de
ês dimensões bipola es ela i amen e independen es, designadamen e: Con olo
(Res i i o/Pe missi o), Apoio (hos il/Calo oso), e Ansiedade (Calmo/Ansioso).
da combinação dos di e en es polos des as dimensões, é possí el encon a oi o es-
ilos pa en ais: 1) o ganizado: es i i o, calo oso, calmo; 2) democ á ico: pe mis-
si o, calo oso, calmo; 3) Rígido: es i i o, hos il, calmo; 4) Negligen e: pe missi o,
hos il, calmo; 5) supe -P o e o : es i i o, calo oso, ansioso; 6) Condescenden e:
pe missi o, calo oso, ansioso; 7) Au o i á io: es i i o, hos il, ansioso; 8) Neu ó-
ico: pe missi o, hos il, ansioso. salien a-se que as ca ac e ís icas de cada um dos
es ilos ap esen ados ep esen am modelos, sendo que mui os pais podem não con-
juga odas as dimensões, al como oi ap esen ado, e, po isso, se á mais exa o a-
la em endências ou p edominância. o compo amen o da maio ia dos pais ende
ambém a si ua -se mais p óximo do meio do que dos ex emos da maio ia das di-
mensões, e, pais com compo amen os mais ex emos, ou inconsis en es, pa ecem
se os que mais colocam a c iança em pe igo (mcwhi e , mcwhi e , mcwhi e ,
& mcwhi e , 1998).
mais a de, su gem ainda ou as dimensões de es ilo pa en al ele an es pa a
os p oblemas de compo amen o da c iança (hemphill & sanson, 2001): a punição,
que se e e e à u ilização de es a égias disciplina es ígidas que en ol em o dens,
ameaças ou punição ísica; a a e i idade, que en ol e a exp essão de a e o p aze
e acei ação em elação à c iança; e, o aciocínio indu i o, que engloba a explicação
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das consequências dos compo amen os, a de inição dos limi es do compo amen-
o e a pa icipação da c iança nas decisões disciplina es.
des a o ma, de um modo ge al exis e um consenso de que p á icas mui o
libe ais/pe missi as, ou, em con as e, mui o au o i á ias/puni i as, não são as
mais indicadas. As p imei as não pe mi em ao jo em pe cebe os limi es na ida
amilia e social, e, as segundas, não possibili am à c iança libe a a sua ag essi i-
dade no seio da amília, pelo que e á de o aze em ou os con ex os (p.e. na ua
ou escola) (Coslin, 1999; a e & o in, 1999).
As p á icas que de inem um es ilo pa en al pa ecem se algo mais ou me-
nos es á el nas amílias (Loebe , Russo, s ou hame -Loebe & Lahey, 2000). No
en an o, a e icácia de de e minado es ilo pa en al es á ambém dependen e das
ca ac e ís icas da p óp ia c iança, e, po exemplo, as c ianças o emen e ea i as e
mui o i i á eis, es ão em isco de desen ol e p oblemas de compo amen o se os
pais u iliza em um es ilo com ele ados ní eis de punição ou baixos ní eis de a e o
(hemphill & sanson, 2001). Po sua ez, o es a u o socioeconómico su ge como um
a o impo an e na escolha do es ilo pa en al, a uando indi e amen e a a és das
c enças e do s ess amilia associado às condições de des an agem socioeconómi-
ca (Pe i , Lai d, dodge, ba es & C iss, 2001; Pinde hughes, dodge, ba es, Pe i &
zelli, 2000). Pais de baixo es a u o socioeconómico endem a e disciplinas mais
du as, em pa e po que êm c enças mais o es ace ca do alo ins umen al da
punição ísica e po que expe iencia am ní eis mais ele ados de s ess (Pinde hu-
ghes e al., 2000).
uma boa comunicação pa ece se um a o de e minan e pa a o bem-es a e
ajus amen o global do adolescen e (ha os, & Powe , 1997), e, a comunicação en e
pais e ilhos pe mi e a a i mação da indi idualidade e a iden i icação com os pais,
sendo impo an e que es es pe cebam que o diálogo com os ilhos pode á se pou-
cas ezes ag adá el e deixa uma sensação de que mensagem não passou ou ez
eco do ou o lado (b aconnie , & ma celli, 2000). ge almen e, é com a mãe que os
adolescen es êm mais acilidade em comunica (se e obul e, 2000), e, dados do
es udo nacional do heal h beha iou in school-aged Child en (hbsC/oms) indi-
cam que ala com o pai é mais ácil pa a os apazes, e ala com ambos os pais é
mais ácil pa a os adolescen es mais no os (ma os e al., 2000), cons a ando-se uma
diminuição nessa acilidade à medida que a idade ai aumen ando (Camacho,
2009). os jo ens com di iculdades de comunicação com os pais ap esen am um
maio en ol imen o em compo amen os de iolência na escola, epo am mais
equen emen e sin omas de mal-es a ísico e psicológico, enquan o que os jo ens
que êm mais acilidade em ala com os seus pais, ace ca das suas p eocupações,
sen em-se mais elizes (ma os e al., 2000).
o am iden i icados ês ipos de diálogo (b aconnie , & ma celli, 2000) en-
e pais e ilhos adolescen es: o in o ma i o, que consis e num diálogo neu o que
en ol e a oca de in o mação; o in e a i o, diálogo a i o que en ol e a oca de
a e os e emoções; e o de comp eensão emocional, que pe mi e oca a e os e emo-
ções e e i a in o mações sob e eles. segundo os au o es, g ande pa e das ezes

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Te esa San os, Ma ga ida G. Ma os, Ma ia C. Simões, Inês Camacho, Gina Tomé e Ma ía C. Mo eno
na comunicação en e pais e ilhos es ão en ol idos os ês ipos de diálogos, o que
le a a alguns desencon os, na medida em que se mis u am ques ões ins umen-
ais com ques ões a e i as. Como acili ado es da in e ação des acam-se ambém
qua o ca ac e ís icas da comunicação: au oa i mação (a i mação esponsá el cla a
e segu a do seu pon o de is a), independência (exp essão de di e en es pon os de
is a), pe meabilidade (es a abe o e comp eende a pe spe i a dos ou os), mu u-
alidade ( espei o na in e ação es abelecida) (sp in hall & Collins, 1999).
oda ia, pa ece que o undamen al é da o di ei o à di e ença, a o ece as
ligações a e i as, es a disponí el e sabe ou i os seus ilhos. Pa a além disso, é
impo an e os pais ala em “com” os ilhos e não apenas “pa a” os ilhos. (silli-
man, 1994; sp in hall & Collins, 1999). es udos demons am que os adolescen es
de ambien es amilia es ajus ados, em que as amílias são on e de a e o e supo e,
são mais compe en es socialmen e e e e em mais amizades posi i as (Liebe man,
doyle & ma kiewicz, 1999). des a o ma, an o em c ianças mais pequenas como
em adolescen es, uma elação de apego segu o, um es ilo pa en al democ á ico,
a p omoção de elações sociais, a espos a às necessidades dos ilhos, uma saúde
men al adequada dos pais e uma boa ede de supo e social dos mesmos ap esen-
am-se como a o es de p o eção no desen ol imen o social e pessoal (mo eno,
2004a,; mo eno, 2004b).
salien a-se ainda que o desen ol imen o ha monioso na adolescência pa ece
con ibui posi i amen e pa a a pe ceção subje i a do bem-es a (gaspa , ma os,
Ribei o, Leal & e ei a, 2009), implicando o desen ol imen o de di e sas compe-
ências especí icas, denominadas “Cinco C”: 1) compe ência, pe spe i a posi i a
sob e a p óp ia ação em di e sos domínios; 2) con iança, pe ceção de au oes ima
e de au oe icácia, pe spe i a do alo global do p óp io; 3) Ligação “Connec ion”,
ligações posi i as com pessoas e ins i uições com as quais se es abelecem elações
bidi ecionais; 4) ca ác e , espei o pelas eg as sociais e cul u ais, sen ido do bem
e do mal e in eg idade; 5) compaixão, sen ido de simpa ia e empa ia pa a com os
ou os (Le ne e al., 2005).
No en an o, embo a as p á icas pa en ais in luenciem o desen ol imen o
pessoal das c ianças, não são as únicas que con ibuem pa a o desen ol imen o
in an il, sendo a in e ação com os pa es c ucial, e, na adolescência o na-se mesmo
mais ele an e do que o supo e amilia (ba os, 2003). Con udo, mesmo no
elacionamen o com os pa es exis e uma o e in luência das expe iências p esen es
no ambien e amilia , nomeadamen e as p imei as elações de ínculo, as p á icas
educa i as, os es ilos de in e ação dos pais, e, po úl imo, as a i udes dos pais ace
às elações sociais e à p omoção do desen ol imen o social (Coll e al. 2004).
Adolescência e doença C ónica
A adolescência é o pe íodo e olu i o de ida en e os 10 e os 20 anos (de
aco do com a o ganização mundial de saúde - oms), no qual deco em as
mais signi ica i as al e ações ísicas, emocionais, sociais e cogni i as, oco endo
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no as e múl iplas a e as desen ol imen is as (biza o, 2001). o adolescen e
em que lida com ans o mações biopsicossociais, nomeadamen e mudanças
co po ais da pube dade, es abelecimen o de no as elações in e pessoais
p óximas e du adou as, p ocu a de iden idade sexual e pessoal, incon o mismo
e alguns compo amen os de ebeldia, conquis a de au onomia e independência
económica, p og essão académica e ques ões ocacionais (sp in hall & Collins,
1999). Con udo, nem semp e os jo ens se encon am p epa ados pa a lida com
es as exigências, e, se pa a alguns es e desa io é azoa elmen e bem alcançado
sem al e ações do seu bem-es a psicológico, pa a ou os, es e pe íodo pode
ep esen a uma exaus ão dos ecu sos disponí eis, com e lexos no equilíb io e
bem-es a psicológico, e, possí eis epe cussões g a es no u u o (biza o, 2001).
os desa ios e cená ios e e idos an e io men e, ípicos da adolescência,
podem o na -se ainda mais complexos, di íceis e ag a ados quando se e i ica
uma si uação de doença c ónica (ba os, 2009). os dados a uais suge em que um
núme o cada ez maio de c ianças e adolescen es so e de uma doença c ónica,
e, es udos epidemiológicos es imam que ap oximadamen e 15 a 20% de pessoas
com menos de 18 anos, ap esen am es e ipo de p oblema de saúde (siegel,
1998). o concei o de doença c ónica engloba condições de saúde p olongadas e
i e e sí eis (ba os, 2009; biza o, 2001), que in e e em com o uncionamen o
no mal diá io po um pe íodo maio do que ês meses num ano ou que
esul a em hospi alização po mais de um mês num ano, ou, quando oco em
simul aneamen e ambas as condições (Newachech & aylo , 1992). As doenças
c ónicas com maio p e alência na adolescência são as si uações de asma, doença
ca díaca congéni a, epilepsia e diabe es. Ainda que com eno me a iabilidade
indi idual dos esul ados, é possí el iden i ica algumas a e as de adap ação,
nomeadamen e 1) conhecimen o sob e a doença e acei ação do diagnós ico; 2)
a i ência da doença; 3) adap ação e con on o com p ocedimen os in asi os/
dolo osos ou de sin omas (ba os, 2009).
os a anços na medicina pe mi i am p olonga e melho a a ida dos
adolescen es com doença c ónica, con udo, es es jo ens podem se a e ados no
seu desen ol imen o ge al (su is, michaud & ine , 2004) e en en am di e sos
desa ios, ais como: meno pe ceção de saúde (se abulho, ma os & Raposo,
2012); limi ações nas a i idades do dia-a-dia, na aquisição de compe ências
cogni i as e no elacionamen o amilia /escola /social; na adesão a a amen os
de o ina e na ansição pa a a ida adul a (Law e al., 2006). es es adolescen es
podem ainda encon a -se em maio isco pa a um desen ol imen o emocional
e compo amen al saudá el (be ns ein, so e, s ockwell, Rosen hal & gallaghe ,
2011; e hoo , mau ice-s am, heymans & g oo enhuis, 2012), e expe iencia
maio es di iculdades de ajus amen o (geis , 2003; oesebu g, Jansen, g oo ho ,
dijks a & Reijne eld, 2010), ap esen ando sin omas in e nalizan es, ais como
dep essão (miyazaki, Ama al & g ecca, 2006; anhals e al., 2013) e ansiedade,
e ambém ex e nalizan es ( elacionados com p oblemas de compo amen o)
(La igue & ie -Rou man, 1992). Assim, os adolescen es com doença c ónica
Jou nal o Child and Adolescen Psychology
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Te esa San os, Ma ga ida G. Ma os, Ma ia C. Simões, Inês Camacho, Gina Tomé e Ma ía C. Mo eno
es ão duplamen e em des an agem, podendo en ol e -se em compo amen os
de isco, de o ma semelhan e aos seus pa es saudá eis, icando mais ulne á eis
aos iscos p o enien es desses mesmos compo amen os (saunde s, 2011;
sca amuzza e al., 2010).
Con udo, mui a da in es igação ealizada compa ando jo ens com ou sem
doença c ónica, ou compa ando adolescen es com di e en es condições de saúde
en e si, em sido con adi ó ia e inconclusi a, não se con i mando elação di e a
en e doença e so imen o/pe u bação (ba os, 2009; Combs-o me, hel inge &
simpkins, 2002). Alguns es udos suge em maio isco nes a população (ba low &
ella d, 2006), ou os, a possibilidade de boa adap ação (ba os, ma os & ba is a-
ogue , 2008). Po ém, a in es igação em indo a ale a pa a a possibilidade de
maio ulne abilidade nes a população, indicando que o isco de di iculdades
e de al e ações ao bem-es a psicológico pode se maio quando, associadas à
doença c ónica, se acen uam a iadas es ições e limi ações que a e am a p á ica
da ida quo idiana, suge indo que os jo ens com ambas as condições (doença
c ónica e acen uadas es ições), podem ap esen a di e enças psicológicas mais
signi ica i as compa ando com os seus pa es saudá eis (biza o, 2001). Assim,
as espos as de adap ação são mui o a iá eis e não homogéneas, dependendo
de a o es indi iduais/con ex uais, e ambém do ipo de condição c ónica e suas
limi ações.
Rele ância da In e ação Pa en al pa a o Adolescen e com doença C ónica
Lida com uma doença c ónica na adolescência cons i ui, en ão, um desa io
majo pa a o p óp io, pa a a sua amília e pa a os p o issionais de saúde (su is e
al., 2004). Não é uma a e a ácil pa a os pais, sob e udo po que as consequências
de uma doença c ónica ão pa a além da es e a indi idual, in luenciando odo o
sis ema amilia (qui ne , Rome o, Kimbe g, blackwell & C uz, 2011).
Ainda que, com a iações consoan e o g au de se e idade da doença,
in ensidade dos a amen os e limi ações da o ina, é oda uma ealidade que
se al e a, sendo necessá ios ecu sos que pe mi am a acei ação des as mudanças
(san os, 2012). os pais con on am-se com algumas ques ões únicas, ais como o
e que acei a a doença c ónica, modi ica as suas expec a i as sob e um ilho
saudá el, al e a o inas e p oje os em ace da doença e suas limi ações, lida
com esponsabilidades inancei as associadas, planea a educação e o cuidado
con inuado ao longo da ida, lida com o s ess associado a uma condição que
não é pa ilhada po ou os, e, com a ambi alência e con li o ine en es. Ainda
cabe aos pais ajuda em os ilhos a acei a em a doença, limi ações e a amen os
associados, ge i emoções de is eza, ai a e us ação, e, ex emamen e
impo an e, man e algum equilíb io nas suas p óp ias emoções e em ou as
á eas das suas idas (ba os, 2009; Co ey, 2006; san os, 2012).
Po sua ez, e, de aco do com o oi explanado an e io men e, o ambien e
social em que a c iança i e e se desen ol e, e, a amília mais es i a mui o
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em pa icula ( inculação e es ilos pa en ais), i ão de e mina o signi icado
a ibuído à doença c ónica, os ecu sos in e nos e ex e nos disponí eis, e, de
o ma ge al, oda a adap ação da c iança e adolescen e, sendo a doença c ónica
cla amen e um assun o de amília, onde odos os elemen os ão se a e ados e
e que desen ol e mecanismos de con on o de adap ação. Assim, a amília
an o pode se um acili ado impo an e na adap ação, ou, pelo con á io, se
di icul ado a ou um obs áculo, a essa mesma adap ação (b aconnie & ma celli,
2000). os pad ões in e a i os amilia es podem mesmo o na -se um a o de
isco e in luencia aspe os emocionais e compo amen ais nes es jo ens, bem
como a adap ação psicossocial do jo em com doença c ónica, o seu sucesso nas
a e as desen ol imen ais e no decu so da doença, pa icula men e na adesão
aos a amen os ( a macologia, die as, cuidados de higiene, e c) ( iana, ba bosa,
& guima ães, 2007).
os pais êm sido assim conside ados como impo an es nas de inições do
papel de doen e e no con olo dos sin omas e a i udes de adesão às p esc ições
médicas, colocando-se um ên ase especial no seu papel, na p omoção da
adap ação à doença c ónica (simões, ma os, e ei a, & omé, 2009). Pe an e
es a, os pais assumem, ine i a elmen e, um no o papel de cuidado es, de ges ão
e moni o ização da doença, e, em simul âneo, en am p opo ciona um espaço de
au onomização ao jo em (ba os, 2009).
Con udo, es es objc i os podem se con adi ó ios e di íceis de concilia ,
sendo necessá io um eno me balanceamen o en e as necessidades de p o eção
da saúde e as de au onomização e esponsabilização. o binómio p o ege e
au onomiza o na-se, assim, uma a e no a a ap ende , nada ácil de coloca
em p á ica, onde impe a e que man e a p o eção que o ilho/a necessi a, e,
simul aneamen e, e i a a supe p o eção, cujos e ei os podem se disc imina ó ios,
conduzi a si uações de incómodo/emba aço social e a que o jo em se pe cecione
como não sendo capaz de au onomamen e ge i a sua ida (san os, 2012). Assim,
o p ocesso de conquis a da au onomia e independência dos pais (que se acen ua
no ma i amen e na adolescência) pode ambém ica comp ome ido, uma ez
que o jo em se pode á e numa si uação de o çada dependência pa a apoio
ins umen al e emocional e isicamen e es ingido compa a i amen e aos seus
pa es saudá eis (Kasak, segal-And ews & Johnson, 1995).
A li e a u a indica que os pais de adolescen es com doença c ónica pa ecem
se mais p o e o es e coloca mais es ições à au onomia e independência dos
ilhos, do que os pais de jo ens saudá eis (eise & be enbe g, 1995). di e en es
es udos e idenciam que os pais endem a usa p á icas educa i as menos
exigen es com os seus ilhos que êm uma doença c ónica (ie e s, d o a , dahms,
doe shuk & s e n, 1994), e, po seu lado, os jo ens são capazes de econhece que
os pais lhes a ibuem p i ilégios especiais (walke , ga be & an slyke, 1995).
o elacionamen o pais- ilhos pa ece ambém se menos posi i o na
p esença de uma doença c ónica, e, compa a i amen e com amílias saudá eis
e i icam-se ní eis mais baixos de esponsi idade emocional e es ilos pa en ais
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