|| 173 ||
RESUMO
Como se con o ma um p ojec o de a qui ec u-
a? Qual é o papel do p incípio composi i o no
p ocesso de um p ojec o? Como se deduz um
p incípio composi i o da p oblemá ica p ojec-
ual? De que modo es e p incípio o ganizado
da o ma, que con ém odo o desen ol imen o
mo ológico po encial, de ine os elemen os que
en am na composição, o seu compo amen o e
a sua elação com os ou os elemen os?; De que
modo con ibui pa a a coe ência das pa es in-
di iduais no odo e azê-las pe manece den o
da mesma amília o mal?; como se desen ol e
mo ologicamen e um p incípio composi i o a é
chega à composição inal? e como se a alia e
alo a um p incípio composi i o? Es as são as
ques ões p incipais abo adas nes e ensaio que
a a o p incípio composi i o den o do p oces-
so de p ojec o a qui ec ónico. O objec i o do
p incípio composi i o é analisado com apoio
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: SOBRE O SEU
PROPÓSITO NO PROCESSO DE PROJECTO
ARQUITECTÓNICO
Sena Augus o, Ma a
Uni e si à Roma T e, Depa amen o de A qui ec u a, Roma, I alia
ma asenaaugu[email p o ec ed]
ASTRÁGALO. Cul u a de la A qui ec u a y de la Ciudad, 30 (2022). ISSNe: 2469-0503
A ibu ion-NonComme cial-Sha eAlike. A icle
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.10
Recei ed: 06/06/2022 App o ed: 09/10/2022
na analogia da uma composição musical onde o
ema p incipal em escla ecido e e o çado com
as á ias a iações ao ema que con o mam a in-
ei a composição. O sis ema de elemen os e e-
g as do p incípio composicional é compa á el às
eg as e peças de um jogo. O p ocesso de desen-
ol imen o do p incípio composi i o es á ligado
ao mé odo de en a i a e e o apoiado de impo -
an es p incipais mecanismos cogni i os como
a a enção selec i a. Po úl imo são analisados os
c i é ios de a aliação da adequação do p incípio
composi i o à p oblemá ica p ojec ual.
Pala as-cha e: P incípio composi i o,
p ojec o de a qui ec u a, composição, abs-
ação, sín ese.
ABSTRACT
How is an a chi ec u al p ojec o med? Wha
is he ole o he composi ional p inciple in he
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: SOBRE O SEU PROPÓSITO NO PROCESSO DE PROJECTO ARQUITECTÓNICO
174 || ASTRAGALO Nº 30 | Sep iemb e, Sep embe , Se emb o 2022 | a icle | ISSN 2469-0503
p ocess o a p ojec ? How can a composi ional
p inciple be deduced om he design p oblema-
ic? How does his o ganising p inciple o o m,
which con ains all he po en ial mo phological
de elopmen , de ine he elemen s ha en e
in o he composi ion, hei beha iou and hei
ela ion wi h he o he elemen s?; how does i
con ibu e o he cohe ence o he indi idual
pa s in he whole and make hem emain
wi hin he same o mal amily?; how is a com-
posi ional p inciple de eloped mo phologically
un il i eaches he inal composi ion? and how
is a composi ional p inciple e alua ed and a-
lued? These a e he main ques ions add essed
in his essay ha deals wi h he composi ional
p inciple wi hin he a chi ec u al p ojec p o-
cess. The aim o he composi ional p inciple is
analysed using he analogy o a musical com-
posi ion in which he main heme is cla i ied
and ein o ced by he di e en a ia ions on
he heme ha make up he whole composi ion.
The sys em o elemen s and ules o he compo-
si ional p inciple is compa able o he ules and
pieces o a game. The p ocess o de eloping he
composi ional p inciple is linked o ial and
e o suppo ed by impo an cogni i e mecha-
nisms such as selec i e a en ion. Finally, he
c i e ia o e alua ing he app op ia eness o
he composi ional p inciple o he design p o-
blem a e analysed.
Keywo ds: Composi ional p inciple, a chi-
ec u al p ojec , composi ion, abs ac ion,
syn hesis.
RESUMEN
¿Cómo se con o ma un p oyec o a qui ec óni-
co? ¿Cuál es el p opósi o del p incpio compo-
si i o en el p oceso de un p oyec o? ¿Cómo se
puede deduci un p incipio composi i o de la
p oblemá ica del p oyec o? ¿Cómo de ine es e
p incipio o ganizado de la o ma, que con ie-
ne odo el po encial de desa ollo mo ológico,
los elemen os que en an en la composición, su
compo amien o y su elación con los demás
elemen os?; ¿cómo con ibuye a la cohe encia
de las pa es indi iduales en el conjun o y hace
que se man engan den o de la misma amilia
o mal?; ¿cómo se desa olla mo ológicamen-
e un p incipio composi i o has a llega a la
composición inal? y ¿cómo se e alúa y alo a
un p incipio composi i o? Es as son las p inci-
pales cues iones que se abo dan en es e ensayo
que a a del p incipio composi i o den o del
p oceso del p oyec o a qui ec ónico. El obje i o
del p incipio composi i o se analiza u ilizando
la analogía de una composición musical en la
que el ema p incipal se acla a y se e ue za me-
dian e las dis in as a iaciones sob e el ema
que con o man la o alidad de la composición.
El sis ema de elemen os y eglas del p incipio
composi i o es compa able a las eglas y piezas
de un juego. El p oceso de desa ollo del p in-
cipio composi i o es á inculado al mé odo de
ensayo y e o apoyado po impo an es meca-
nismos cogni i os como la a ención selec i a.
Po úl imo, se analizan los c i e ios de e alua-
ción de la adecuación del p incipio composi i o
a la p oblemá ica p oyec ual.
Palab as cla e: P incipio composi i o, p o-
yec o a qui ec ónico, composición, abs ac-
ción, sín esis.
Ma a Sena Augus o
|| 175
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.10
INTRODUÇÃO
Cada no o p ojec o coloca o mundo num es-
ado de incomple ude esul an e de equisi os
de á ias o dens. Essa incomple ude pode se
esol ida a a és da o mulação de uma p o-
blemá ica adequada. A a és da pesquisa e o -
ganização de dados, a incomple ude começa a
da luga à base eó ica da p oblemá ica p ojec-
ual. Essa base eó ica da á luga a p emissas e
p incípios ge ais que, a a és de uma sé ie de
encadeamen os lógicos, conduzem a uma no a
o ganização espaço- empo al. Cons ui uma
p oblemá ica de p ojec o não signi ica apenas
iden i ica necessidades, mas ambém mini-
miza os con li os en e necessidades. No iní-
cio, o p oblema pode se o mado a pa i dos
elemen os do luga ou das pa es indi iduais
de um p og ama uncional, ao qual se ac es-
cen am os luxos e as elações de ligação en e
as á ias pa es. Em seguida, é ealizada uma
análise c í ica e quali a i a de cada pa e do
p og ama no con ex o especí ico do espaço-
empo al. As con ingências ísicas, his ó icas,
cul u ais, geog á icas, e c. e as elações que o
p ojec o i á es abelece com o seu ambien e são
ac escen adas ao p oblema a é que a complexi-
dade da cons ução des e p oblema comece a
pode se sin e izada e concep ualizada.
Deduzi um p incípio composi i o
da p oblemá ica p ojec ual é uma e apa
indispensá el do p ocesso de concepção de
um p ojec o de a qui ec u a. Es e p ocesso
en ol e um p o undo conhecimen o da p o-
blemá ica de p ojec o e a isão de uma ideia-
-a qué ipo que guia á o p ocesso de decisão
do p incípio composi i o. Toda a explo ação
mo ológica suge ida po uma ideia-a qué-
ipo pa e de uma imagem men al que é a
ep esen ação mo ológica das sensações ou
pe cepções que p o êm ou são es imuladas
pela ealidade ci cundan e ou pelo conjun o
de memó ias que o mam algo no o. Encon-
amos, po exemplo, o a qué ipo da cadei a
na bei a do penhasco em Can Lis de Jø n U -
zon em Maio ca. Na Can Liz não há ba ei as
que nos impeçam de cai do penhasco. A Can
Lis não é uma a anda, nem um so á. É uma
cadei a na alésia! Uma cadei a incomoda,
das de e o ou de madei a, po que na Can
Lis o penhasco con inua a se penhasco, não
oi ans o mado numa comoda e segu a a-
anda como é supos o se uma casa ( an o
que a amília U zon, quando nasce am os
ilhos, muda am-se pa a a Can Feliz – essa
sim uma casa-so á i ada pa a uma paisa-
gem que esco e pa a o ma ). Também há
casas com mais do que um a qué ipo como
é o caso Fa nswo h House de Mies Van De
Rohe, cons uída nas ma gens do Rio Fox,
num e eno que é equen emen e inunda-
do pelas cheias do io. Nessa al u a a ideia-
-a qué ipo da casa é uma jangada! mas no
es o do empo o seu a qué ipo é uma man a
de pic-nic que nos pe mi e habi a no meio
da na u eza, das a o es, a é po cima da
ne e. Encon amos ambém a qué ipos que
são ex ensões mo ológicas do e eno como
se o ideal osse i e ali sem cons ui , como
no caso da Casa Kau mann de F ank Lloyd
W igh na Pensil ânia, que e oca o ideal de
i e en e as lajes de ped a da casca a, sen-
do a casa, mo ologicamen e, a con inuação
e ical da casca a. Ou o exemplo é a Villa
de Cu zio Malapa e em Cap i, que comple a
o opo do penhasco, dando-nos a possibili-
dade de subi a é à pa e mais al a e i e
den o do penhasco.
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: SOBRE O SEU PROPÓSITO NO PROCESSO DE PROJECTO ARQUITECTÓNICO
176 || ASTRAGALO Nº 30 | Sep iemb e, Sep embe , Se emb o 2022 | a icle | ISSN 2469-0503
mul aneamen e à ge ação de p emissas e
p incípios ge ais median e expe iências e
obse ações. Des e modo as hipó eses, mas
ambém as p emissas e os dados da p oble-
má ica p ojec ual são es adas pa a chega à
solução a qui ec ónica mais adequada a sa is-
aze a incomple ude inicial.
Ao longo do p ocesso, o p oblema
começa li e almen e a oma o ma e as
imagens men ais dispe sas dão luga a ep e-
sen ações g á icas, plás icas e e bais cada
ez mais cla as. Cada no a decisão implica
a e alidação das decisões an e io es num
p ocesso de ajus amen o em di ecção a uma
solução inespe ada. O p ocesso de p ojec o é
ca ac e izado pela e lexão den o da acção é
a ince eza sob e o esul ado inal e a ma gem
de libe dade den o do sis ema de elemen os
e de eg as es abelecidas pelo p incípio com-
posi i o que explica, em pa e o p aze que o
p ojec o susci a.
Nas seguin es páginas i emos ap o-
unda o papel do p incípio composi i o no
p ocesso de um p ojec o; como se deduz um
p incípio composi i o da p oblemá ica p o-
O p incípio composi i o é a ó mula
que pe mi e a ansposição, à ealidade, da
ideia-a qué ipo. Ao con á io do a qué ipo
que não é ge ado de o ma, o p incípio com-
posi i o é como o DNA do p ojec o que ge a
es u u a e co po. Mas não é nem simples nem
imedia o deduzi um p incípio composi i o
dos dados do p oblema a qui ec ónico. Há
mui os obs áculos cogni i os que di icul am o
p ocesso. Deduzi dos dados de um p oblema
um adequado p incípio composi i o implica
disponibilidade pa a usa o pensamen o c í-
ico, con iança em p ocessos de in es igação
undamen ados, abe u a na a aliação de
di e en es isões do mundo, disponibilidade
pa a conside a al e na i as e opiniões, objec-
i idade na a aliação do aciocínio, consciên-
cia no con on o com os p óp ios p econcei os
ou es e eó ipos, ponde ação na o mulação ou
modi icação dos p óp ios juízos e a pe se e-
ança pa a econside a e eexamina odas
as decisões p ojec uais.
Quando se explo a o p incípio com-
posi i o as hipó eses de no a o ganização
espaço- empo al são expe imen adas si-
Fig. 1. Maque as de p incípio composi i o de a eia (esque da) e de papel (di ei a) da Casa do In ini o, Albe o Campo
Baeza, P ojec o:2012.Cons ução:2014. Sou ce: © Albe o Campo Baeza
Ma a Sena Augus o
|| 177
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.10
jec ual; de que modo o p incípio composi i o
de ine os elemen os o mais que en am na
composição e as eg as de elação e de a ia-
ção desses elemen os; de que modo o p incí-
pio composi i o con ibui pa a a coe ência e
in eg ação das pa es indi iduais no odo;
como se p ocessa o desen ol imen o mo o-
lógicamen e de um p incípio composi i o a é
chega à composição inal e como se a alia o
p incípio composi i o.
Fig. 2. Vis a a en ada e
e aço da Casa do In ini o,
Albe o Campo Baeza,
P ojec o:2012.Cons ução:2014.
Fo o: Ja ie Callejas. Sou ce: ©
Albe o Campo Baeza © Ja ie
Callejas
A DEDUÇÃO DO PRINCÍPIO
COMPOSITIVO: ENTRE A SÍNTESE E A
ABSTRACÇÃO
A in e dependência en e os aspec os do p o-
blema, en e p oblema e solução e o ac o de
cada decisão a ec a a alidade de decisões já
omadas, po a-nos a enquad a o p ocesso de
e lexão-acção do p ojec o de a qui ec u a no
mé odo dedu i o.
O e bo “deduzi ”, de i a do la im «de-
duce e» (Cas iglione e al. 2007, deduce e) que
combina «de» com «duce e» que signi ica «con-
duzi de um sí io a ou o», e simul aneamen e
«sub ai , i a ». Es as duas de inições esumem
o p ocesso de p ojec o a qui ec ónico: a pa i
das p emissas e p incípios ge ais e i ados da
p oblemá ica a qui e ónica, a ança-se pa a
um esul ado que inclua as pa es num odo
coe en e. Des e modo, o p ocesso de p ojec o
co esponde a um p ocesso de sin e ização. A
sín ese de i a e imologicamen e do la imsyn-
hesis (Cas iglione e al. 2007, sin esi), que sig-
ni ica conjun o, e do g ego sún hesi, que signi ica
composição,combinação,junção. Na Lógica (Fe-
dele 2000, sin esi), a sín ese designa o mé odo
de demons ação em que se começa das p emis-
sas e se segue pa a os esul ados, das causas
pa a as consequências, das pa es pa a o odo.
O p ocesso de sín ese p ojec ual p ocu a
a ingi uma espos a única e exclusi a da p o-
blemá ica p ojec ual. Pa a al, simul aneamen-
e ao p ocesso de sín ese oco e um p ocesso de
abs ação. Pla ão mos ou que a ma emá ica se
baseia no pensamen o abs ac o uma ez que os
concei os ma emá icos são elabo ações do in e-
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: SOBRE O SEU PROPÓSITO NO PROCESSO DE PROJECTO ARQUITECTÓNICO
178 || ASTRAGALO Nº 30 | Sep iemb e, Sep embe , Se emb o 2022 | a icle | ISSN 2469-0503
lec o. Também pa a A is ó eles, o pensamen o
abs ac o e a baseado no uncionamen o men-
al, onde a azão ap eende a essência de algo.
Es a capacidade de disce ni sob e as elações
ocul as en e componen es é o undamen o do
pensamen o cien í ico. Is o le a à o mulação
da hipó ese, a de inição de uma me odologia de
abo dagem e a elabo ação de conclusões un-
damen adas. O e mo abs acção em do e bo
abs ai , que signi ica i a algo de ou a coisa
ou sepa a algo de ou a coisa (Zinga elli 1999,
as a o). Is o signi ica que o ac o de abs acção
é um p ocesso in elec ual con e gen e que co-
meça com o conhecimen o de dados indi iduais
e, ao exclui aspec os pa icula es e aciden ais,
chega à o mulação de um concei o uni e sal.
Es e p ocesso men al le a a uma ap endizagem
p o unda de um enómeno ou si uação e es á
ligado à ques ão da o mação de ideias ge ais,
uma ez que pe mi e ao pensamen o sepa a
um elemen o ge al de uma pe cepção, imagem
ou concei o complexo. Susanne Lange , no seu
li o «Sen imen o e o ma» de ine abs ação
do seguin e modo: «Uma abs acção é (...) um
concei o que ac ua como um nome comum pa a
odos os concei os subo dinados e liga odos os
concei os elacionados como um g upo, campo
ou ca ego ia» (Lange 1953, 90). Os di e en-
es concei os de abs acção coincidem em dois
aspec os: po um lado, a exclusão de dados
desnecessá ios e, po ou o, o p ocesso de gene-
alização de concei os e de explo ação de mode-
los. A eliminação do supé luo pa a simpli ica
e cen a a a enção en ol e o ac o de emo e
algo, enquan o que o p ocesso de desca a uma
ou mais p op iedades de um objec o complexo
en ol e a concen ação nos ou os.
A abs acção no p ocesso p ojec ual é o
p ocesso de gene alização de concei os que nos
pe mi e iden i ica as p emissas ope acionais a
pa i das quais se pode explo a a coe ência na
complexidade. Isso explica po que na dedução
de um p incípio composi i o o pensamen o abs-
ac o seja um impo an e mecanismo men al.
O pensamen o abs ac o, necessá io pa a a ob-
enção de um p incípio composi i o, de i a do
p ocesso de sín ese elacional en e os planos
sin agmá ico e sis emá ico de um p oblema a -
qui ec ónico. A ní el sis emá ico, p ocu am-se
elações ideais, ca ego ias, hie a quias, a es u-
u a do sis ema. A ní el sin agmá ico, as quali-
dades espaciais são in es igadas e as di e en es
o mas são colocadas como hipó ese pa a in e-
g a espacialmen e odos os elemen os do p o-
blema. As possibilidades de desen ol imen o
mo ológico pa a alcança a solução a qui ec ó-
nica i ão se de e minadas nes es dois planos.
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: VERSUS
UMA NOVA ORDEM ESPAÇO-
TEMPORAL
O p ojec o conduz de um es ado de coisas pa a
ou o, de uma p og amação espacial pa a ou a
p og amação espacial a a és de um p ocesso
de abs acção e de sín ese do es ado de coisas ini-
cial. Du an e o p ocesso de p ojec o são iden i-
icados os dados he e ogéneos de um p oblema
e es es são sin e izados e abs aídos, a a és do
aciocínio dedu i o apoiado na e lexão-acção.
Relaciona agmen os dispe sos e dis an es
num odo coe en e é o p incipal objec i o do
p incípio composi i o. Segundo o a qui ec o
Louis Kahn «O espí i o do p incípio é, de odas
as coisas, o momen o mais ma a ilhoso, po que
no p incípio é a semen e de udo o que se ai
segui . Uma coisa é incapaz de e um começo
Ma a Sena Augus o
|| 179
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.10
a menos que con enha udo o que dela possa
alguma ez nasce . Es a é a ca ac e ís ica do
p incípio, caso con á io não há p incípio – é
um also p incípio» (Kahn 1959, 58). A pa i
do momen o em que se deduz um p incípio
composicional es e ep esen a a la ência de
uma o ma que da á co po a uma no a o dem
espaço- empo al.
A ní el sin agmá ico, o p incípio da
composição de ine o conjun o de elemen os ou
écnicas necessá ias. A um ní el sis emá ico,
o p incípio da composição de ine as eg as de
in e acção en e os elemen os p opos os e os
exis en es e as écnicas necessá ias. A pa i
daqui a composição desen ol e-se segundo os
elemen os e eg as es abelecidas pelo p incípio
de composição.
Tendo em con a odos os dados do p o-
blema a qui ec ónico, a c iação de um sis ema
de elemen os o mais e das eg as de a iação
desses elemen os é semelhan e à cons ução de
um jogo com as suas eg as e peças. Tal como
salien a o linguis a Holandes Johan Huizinga:
«o jogo é (...) uma en a i a de subs i ui a con-
usão no mal da exis ência comum po si ua-
ções pe ei as (...). De uma o ma ou de ou a,
o jogado oge do mundo azendo dele ou o»
(Huizinga 1992,3). O p incípio composi i o de-
ine um ipo de jogo, no sen ido da pala a que
se e e e ao conjun o de elemen os e de eg as
de elação e a iação desses elemen os, ne-
cessá ios pa a um de e minado jogo: exis em
jogos de ca as, jogos de xad ez, jogos de do-
minó. Não é possí el joga dominó com peças
de xad ez ou xad ez com ca as. O objec i o e
a inalidade do p incípio composi i o é da coe-
ência ao odo e pe manece den o do mesmo
sis ema espaço- empo al, apesa da especi ici-
dade das pa es indi iduais.
O jogo assen a na hipó ese de que udo
pode se pos o em quesionamen o. O jogo
p opicia a libe ação do uni e sal den o de
um espaço ini o, a libe ação da libe dade
den o da ob igação, a libe ação da lei den o
da a bi a iedade da eg a. O jogo é cons i uí-
do po eg as, que c iam o dem e in oduzem
no caos quo idiano um pa ên ese de pe eição
empo á ia e limi ada. A eg a do jogo é ima-
nen e a um sis ema es i o. Desc e e-o sem
o anscende . Den o do sis ema, a eg a é
imu á el. O jogo, al como o p incípio com-
posi i o, é um esc a o das p óp ias eg as de
elação e a iação dos elemen os. O p incípio
composi i o p essupõe, po an o, a ideia de
uma o alidade comple a e echada, concebi-
da pa a unciona no seu p óp io sis ema. A
me a-comunicação do jogo se e pa a c ia
pon es en e a an asia e a ealidade onde
acções ic ícias simulam acções eais. Nes e
sen ido o jogo c iado na e apa da dedução do
p incípio composi i o é um jogo que con ém
o acesso a um mundo imaginá io (a ideia-a -
qué ipo), a p eposição de uma p óp ia o dem
espaço- empo al, a simul ânea de e minação
e libe dade den o de um sis ema de elemen-
os e eg as.
O p incípio da composição en ol e o
p incípio da cons ução. A es u u a ma e ial
in o ma e cump e o p incípio composi i o e
assume impo ância es é ica, uma ez que a
écnica de cons ução é a ope ação ma e ial in-
ínseca ao p incípio composi i o. A o ma é en-
endida como es u u a o mal que en ol e as
pa es po ado as de ca ga e as pa es não po -
ado as como um odo do mesmo o ganismo.
O p incípio composi i o em denomi-
nado, po alguns au o es, como concei o a qui-
ec ónico se bem que, mui as ezes, o e mo
PRINCÍPIO COMPOSITIVO: SOBRE O SEU PROPÓSITO NO PROCESSO DE PROJECTO ARQUITECTÓNICO
180 || ASTRAGALO Nº 30 | Sep iemb e, Sep embe , Se emb o 2022 | a icle | ISSN 2469-0503
concei o ambém se e e e à ideia-a qué ipo.
O e mo concei o em do la im concep us: ac-
ção de con e , ac o de ecebe , conclusão, u o,
e o, pensamen o. O e mo na sua e imologia é
o ecipien e e, ao mesmo empo, é a o igem de
algo. É algo que ca ega consigo um passado e
um u u o. Como a i ma He be Spence «Tudo
p ocede de uma homogeneidade inde inida e in-
coe en e pa a uma he e ogeneidade de inida e
coe en e» (Spence 2009,397).
Po exemplo, o p incípio composi i o
da Casa do In ini o do Campo Baeza pode ia se
desc i o como um pa alelepípedo da al u a da
duna (ce ca de doze me os), apoiado na p aia
e encas ado na duna, com abe u as egula es
nos ês lados e icais isí eis e abe u as i e-
gula es no lado ho izon al (onde se encon a a
en ada). A maque e de a eia indica-nos a ambi-
ção de con ui com esse ma e ial ou simila . De
ac o, oi usada a ped a de a e ino.
O p incípio de composição da Can Lis
de Jø n U zon pode ia se desc i o como cin-
co pa ilhões independen es pa alelos ao bo do
i egula do penhasco, i ados pa a o ma e
de cos as pa a a es ada de acesso. O p incípio
composi i o da Casa Kau mann de F ank Llo-
yd W igh na Pensil ânia pode ia se desc i o
como lajes escalonadas e des acadas de ped a
empilhadas umas sob e as ou as, ec iadas em
be ão a mado acima da casca a, ped a local e
id o p eenchendo o azio en e elas. A Casa de
Fa nswo h de Mies Van De Rohe pode ia se
desc i a como: um pa alelepípedo com lados
anspa en es le an ados do chão. O p incípio
composi i o da Casa em Los Vilos do a elie SA-
NAA, pode se desc i o como uma supe ície
ondulada e alongada no ma que só oca o e-
eno no lado de e a e ele a-se do e eno à
medida que a ança pa a o ma .
Es as desc ições p e endem ence a de
uma o ma simples o p incípio de composição,
colhendo os elemen os e o sis ema do seu po en-
cial de ge ado de o ma e ab indo-se a múl iplas
possibilidades de desen ol imen o mo ológico
pa a chega a uma p opos a de p ojec o.
O DESENVOLVIMENTO
MORFOLÓGICO DO PRINCÍPIO
COMPOSITIVO: ENTRE O TEMA E AS
VARIAÇÕES
Como imos na secção an e io , o p incípio
composi i o é basicamen e um conjun o de ele-
men os e um sis ema de eg as de a iação e e-
lação desses elemen os, em que é pe mi ido um
ce o g au de con ole, espon aneidade e imp o-
isação. Nes e sen ido o p incípio composi i o
assemelha-se ao ema p incipal da música, o
seu desen ol imen o mo ológico – li e den-
o dos limi es das eg as e elemen os de e mi-
nados pelo p incípio composi i o –co esponde
à expe imen ação de a iações sob e o ema–
como no jazz, inalmen e, a composição a qui-
e ónica co esponde à o ma musical comple a
na qual o ema oi in e p e ado em o mas al e-
adas ou acompanhado de di e en es manei as.
No p ocesso de p ojec o, após iden i ica
um ou mais p incípios composi i os, começa-
se a desen ol e mo ologicamen e de cada um
deles pa a es a a sua adequação e coe ência
ao p oblema de p ojec o. O desen ol imen o
mo ológico de um p incípio composi i o osci-
la en e as pa es indi iduais e a isão do odo.
Cada al e ação nas pa es exigi á a e i icação
da coe ência do odo. Nes e sen ido, podemos
explica o p incípio composi i o na a qui ec u-
a da mesma o ma que Webe n se e e e expli-
Ma a Sena Augus o
|| 181
h ps://dx.doi.o g/10.12795/as agalo.2022.i30.10
ci amen e à eo ia de Goe he de U p lanze pa a
explica o p incípio da a iação na música: «“As
aízes não são nada mais do que o caule, o caule
não é nada mais do que a olha, a olha não é
nada mais do que a lo : a iações do mesmo
pensamen o” (Webe n 1960,90)» (Gio annone
2010, 25) . Também Leoncilli Massi explica a
elação do odo e das pa es do seguin e modo:
«cada a iação ou i e ação e epe ição de concei-
os co esponde à conquis a de um alo an e-
io men e desconhecido, g aças à cla i icação
p og essi a da ideia inicial» (Leoncilli Massi
2002, 12).
O p incípio da composição pode se con-
side ado como uma hipó ese mo ológica que
con igu a as es u u as espaciais pa a as quais
é possí el, a a és da sua ealização, pe segui
a o alidade das in enções do p ojec o. Segundo
o composi o i aliano Leoncilli Massi: «Va ia é
in en a o no o; é da o ma à ideia de espaço,
é cons ui ha monia espacial sem in e om-
pe a ci cula idade da “mimese” composi i a
da a iação, sem nunca deixa as pis as sob e
as quais se desen ol em os campos p é-cons i-
uídos, se não com o isco de dissolução. Va ia
é compo » (Leoncilli Massi 2002, 214). Assim
sendo, o sis ema de eg as do p incípio compo-
si i o de e admi i um ce o g au de con olo,
espon aneidade e imp o isação. A composição
das pa es da o ma, al como nas a iações
musicais, de e se li e den o dos limi es das
eg as e elemen os de e minados pelo p incípio
composi i o. O musicólogo O ó Ká olyi de ine
o p incípio da a iação como «baseado numa sé-
ie de epe ições em que os elemen os con as-
an es são as p óp ias a iações”. Na música, a
pa e ‘conhecida’, ou seja, o ema, pe manece
mais ou menos inal e ada enquan o que a pa e
‘desconhecida’ co esponde a o mas de a ia
o ema, ge almen e emp egando mudanças
melódicas, í micas, ha mónicas e colo is as.
No malmen e, o ema é cla amen e indicado no
início da sé ie de a iações e seguido das “ela-
bo ações”, as a iações» (Ká olyi 1998, 124). As
a iações endem a p ese a a in o mação do
p incípio composi i o.
O a qui ec o e composi o Gio anni
Giannone, no seu li o A qui ec u a e Música,
ci ando o composi o aus íaco An on Webe n,
salien a que a pala a canon –o p incípio da
esc i a poli ónica– da disciplina musical, oi
adop ada a pa i da escul u a e da a qui ec u-
a g ega, onde designa o sis ema de “p opo ção
das pa es”. Assumindo, des e modo, a impo -
ância da elação de dependência en e o odo
e as pa es e «a impo ância undamen al do
p incípio da epe ição pa a uma maio comp e-
ensibilidade» (Webe n 1960,41).
O desen ol imen o mo ológico do
p incípio composi i o, em a qui ec u a, impli-
ca que o desen ol imen o espei e as eg as e
elemen os de e minados pelo p op io p incí-
pio composi i o e que o conjun o enda a uma
unidade coe en e. O p incípio cons i ui am-
bém uma memó ia –a mazenamen o e classi-
icação– de esquemas de acção que delimi am
as possibilidades de a iculação mo ológica de
aco do com a ocasião.
À semelhança do que acon ece na mú-
sica en e as a iações e o ema p incipal, na
concepção a qui ec ónica cada a iação –que
acon ece quando o p incípio composi i o se
adequa às singula es pa es do p og ama– e-
que a e i icação da coe ência do odo. Nes e
sen ido, um elemen o es anho ao p incípio
composi i o i á des oa na composição como
uma no a e ada. No en an o, um p incípio de
composição com eg as cla as pe mi e a exis-