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Os Caminhos da Imersão na Era do Jornalismo Transmidiático : do papel à realidade virtual

Abstract

Em um contexto caracterizado pela profunda crise que sofre a profissão, o jornalismo de imersão abre um panorama de luz neste contexto de sombras. O jornalista busca novos métodos para indagar as fontes informativas e adentrar no coração daquela realidade que pretende contar posteriormente. A imersão do profissional no lugar dos acontecimentos durante um tempo determinado se mostra como a fórmula mais factível. A própria escritura, aquilo que se convencionou chamar de jornalismo narrativo, oferece novidadeiros recursos de expressão, assim como novos formatos e gêneros, enquanto que os meios audiovisuais oferecem ao espectador, com a mediação da tela, uma vivência imaginada. A miniaturização dos dispositivos de gravação e a câmera oculta potencializaram os recursos audiovisuais nesse sentido. De fato, os caminhos do jornalismo de imersão seguem o rastro das inovações tecnológicas. As redes sociais potencializaram experiências de imersão parciais, que favorecem o contato do jornalista com grupos de risco, e completas, em que a infiltração se desenvolve de maneira integral na rede. Ainda assim, a realidade virtual e as técnicas dos videogames oferecem ao cidadão a possiblidade de viver as experiências transmitidas e vividas pelos jornalistas, naquilo que já se conhece como jornalismo imersivo.

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Os Caminhos da Imersão na Era do Jornalismo Transmidiático : do papel à realidade virtual

Author: López Hidalgo, Antonio; Fernández Barrero, María Ángeles
Year: 2016
Source: https://idus.us.es/bitstreams/57bea757-8b4f-4905-bcb4-ec2c3c9e8b27/download
DOSSIÊ
Dossiê ][ P á icas Jo nalís icas
Os Caminhos da Ime são na
E a do Jo nalismo T ansmidiá ico:
do papel à ealidade i ual
T adução_Ma cos Zibo di.
Resumo
Em um con ex o ca ac e izado pela p o unda c ise que so-
e a p o issão, o jo nalismo de ime são ab e um pano ama
de luz nes e con ex o de somb as. O jo nalis a busca no os
mé odos pa a indaga as on es in o ma i as e aden a no
co ação daquela ealidade que p e ende con a pos e io men e.
A ime são do p o issional no luga dos acon ecimen os
du an e um empo de e minado se mos a como a ó mula
mais ac í el. A p óp ia esc i u a, aquilo que se con encionou
chama de jo nalismo na a i o, o e ece no idadei os ecu sos
de exp essão, assim como no os o ma os e gêne os, enquan o
que os meios audio isuais o e ecem ao espec ado , com a
mediação da ela, uma i ência imaginada. A minia u ização
dos disposi i os de g a ação e a câme a ocul a po encializa am
os ecu sos audio isuais nesse sen ido. De a o, os caminhos do
jo nalismo de ime são seguem o as o das ino ações ecnoló-
gicas. As edes sociais po encializa am expe iências de ime -
são pa ciais, que a o ecem o con a o do jo nalis a com g upos
de isco, e comple as, em que a in il ação se desen ol e de
manei a in eg al na ede. Ainda assim, a ealidade i ual e as
écnicas dos ideogames o e ecem ao cidadão a possiblidade
de i e as expe iências ansmi idas e i idas pelos jo nalis-
as, naquilo que já se conhece como jo nalismo ime si o.
Pala as- cha e: Jo nalismo de ime são; jo nalismo de in il-
ação; edes sociais; jo nalismo ime si o; ealidade i ual;
jo nalismo de in es igação.
Resumen
En un con ex o ca ac e izado po la p o unda c isis que su e
la p o esión, el pe iodismo de inme sión ab e un pano ama de
luz has a aho a lleno de somb as. El pe iodis a busca nue os
mé odos de indaga en las uen es in o ma i as y de aden-
a se en el co azón de aquella ealidad que p e ende con a
a pos e io i. La inme sión del p o esional en el luga de los
acon ecimien os du an e un iempo de e minado se mues-
a como la ó mula más ac ible. La p opia esc i u a, en lo
que se ha dado po denomina pe iodismo na a i o, o ece
no edosos ecu sos de exp esión, así como nue os o ma os
y géne os, mien as que los medios audio isuales o ecen al
espec ado , con la mediación de la pan alla, una i encia ima-
ginada. La minia u ización de los disposi i os de g abación y
la cáma a ocul a han po enciado los ecu sos audio isuales en
es e sen ido. De hecho, los caminos del pe iodismo de inme -
sión siguen la es ela de los adelan os ecnológicos. Las edes
sociales han po enciado expe iencias de inme sión pa ciales,
que a o ecen la oma de con ac o del pe iodis a con g upos
de iesgo, y comple as, en las que la in il ación se desa olla
de mane a ín eg a en la ed. Asimismo, la ealidad i ual y las
écnicas de los ideojuegos o ecen al ciudadano la posibilidad
de i i las expe iencias ansmi idas y i idas po los pe io-
dis as, en lo que ya se conoce como pe iodismo inme si o.
Palab as cla e: Pe iodismo de inme sión; pe iodismo de in il-
ación; edes sociales; pe iodismo inme si o; ealidad i ual;
pe iodismo de in es igación
An onio López Hidalgo
Ma ía Ángeles
Fe nández Ba e o
P o esso es da Uni e sidade
de Se ilha.
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PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
1. In odução
No jo nalismo de ime são, o p o issional aden a
um ambien e, comunidade ou si uação, du an e um
empo de e minado pa a expe imen a em sua p ó-
p ia pele as i ências que um dia con a á, in e agi
com os habi an es desse mic oespaço e depois na -
a de uma pe spec i a pessoal e empá ica aqueles
eco es de ida. Como mé odo de in es igação, essa
modalidade de jo nalismo se p opõe a comp eende
a a és da expe imen ação e, consequen emen e, o
eda o na a á os acon ecimen os com al o g au de
é ica e subje i idade.
O jo nalismo de ime são não nasce no im do
século XX, mas um século an es. Como ago a oco e
na Amé ica La ina, a denúncia social cons i uiu a
base do jo nalismo muck aking. São os jo nalis as
pe seguido es de escândalos, o lixo da imp ensa. O
e mo oi cunhado pelo p óp io p esiden e Roose el .
O con ex o social, polí ico e econômico assim o exi-
gia: co upção polí ica e emp esa ial, pob eza, anal a-
be ismo, péssimas condições de abalho, imig an es.
A ealidade impõe os emas. Os jo nalis as, o mé odo.
O jo nalismo muck aking deixou esc i o com in a
indelé el di e sos nomes pa a a pos e idade, en e os
quais os c onis as la ino-ame icanos de hoje puse am
seus olhos: Jacob Riis desmasca ou escândalos imo-
biliá ios em No a Io que; em 1904, Up on Sinclai se
in il ou du an e seis semanas em um ma adou o pa a
denuncia as condições de insalub idade com que se
abalha a em um cen o de p ocessamen o de ca ne.
Seu li o The Jungle incen i ou e o mas legisla i as.
John Reed não oi obse ado indi e en e em Dez dias
que abala am o mundo (1918), no qual na a os p i-
mei os dias da e olução ussa de 1917. A ualmen e,
a jo nalis a a gen ina Leila Gue ie o soube plasma
mui o bem o espí i o do jo nalismo de ime são na
c ônica Los suicidas del in del mundo, em que na a
uma onda de suicídios que como eu a pequena loca-
lidade pe olei a de Las He as. Ma ín Capa ós am-
bém é um jo nalis a a gen ino. Jo nalis a de ime são.
Um dos melho es na ado es da Amé ica La ina. E
sem dú ida: o mais ino ado .
O jo nalismo encobe o ou de in il ação cons-
i ui uma modalidade de jo nalismo de ime são
baseado na ocul ação da iden idade. Aqui, o jo -
nalis a se põe no luga dos ou os expe imen ando
si uações dos ou os. Es e não é um enômeno no o.
Remon a às p imei as décadas do século 20 nos
Es ados Unidos. Jack London se es iu de mendigo
pa a passa despe cebido pelo ambien e do Eas End
de Lond es, um dos bai os mais pob es, e con ou
sua expe iência em The People o he Abyss (1903).
Nellie Bly se in il ou em um manicômio e con ou
a expe iência em Diez días en un manicomio. Esse
li o oi quali icado pelo diá io The Gua dian (2011)
como uma das dez melho es p oduções da his ó ia
do jo nalismo. A jo nalis a mexicana Lydia Cacho é
a p o issional mais ep esen a i a hoje na Amé ica
La ina des a modalidade de jo nalismo. Pa a esc e-
e Escla as del pode , colocou em p á ica os ensi-
namen os do jo nalis a alemão Gün e G ass. Com
a colabo ação de o ganizações não-go e namen ais,
caminhou pelo bai o de La Me ced dis a çada de
no iça, com lenço b anco e aje neg o. Também se
dis a çou de p os i u a. Foi seques ada, ameaçada e
so eu o exílio.
O jo nalismo gonzo ai mais além. Cons i ui
uma modalidade de jo nalismo de ime são no qual
se p io iza o p o agonismo do jo nalis a, cuja pa -
icipação nos a os in es igados pode condiciona
ou al e a o cu so dos acon ecimen os. Hun e S.
Thompson (Es ados Unidos, 1937-2005) cunhou
o e mo. Seu li o Hell’s Angels o exal ou como
um na ado excepcional. Ele gos a a de i e , das
a mas e de se o cen o da a enção de odas suas
c ônicas. Essa modalidade de jo nalismo e e, desde
logo, ou os pionei os. O mesmo ez Nellie Bly em
La uel a al mundo en 72 días e, sob e udo, Geo ge
O well em sua magní ica ob a Sin blanca en Pa ís
y Lond es. Na Amé ica La ina, o mexicano Ca los
Velázquez ambém p a icou jo nalismo de ime são
em El ka ma de i i al No e, em que desc e e o que
signi ica i e em uma das cidades mais pe igosas do
mundo. Mas al ez seja a pe uana Gab iela Wiene
quem melho soube en ende e exe ce o jo nalismo
gonzo na Amé ica La ina. Ela ambém p a icou o
jo nalismo de ime são e encobe o, e já se in il ou
em p isões em Lima, se expôs a ocas sexuais em
clubes de swinge s e pa icipou de um i ual de inges-
ão de ayahuasca na sel a amazônica.
Mui o p óximo do jo nalismo gonzo, o a gen ino
Emilio Fe nández Cicco cunhou um no o e mo
pa a de ini uma manei a pa icula de abo da a
p o issão: jo nalismo bo de 1. Ou seja, jo nalismo
de bo das, on ei iço, louco. Ele abandonou o jo -
nalismo pa a assis i au ópsias o enses, se emp e-
gou como co ei o, como assis en e de boxeado , oi
uma espécie de michê e ambém an i ião de angos
e nudis a. Quando ol ou ao jo nalismo, e a ou a
pessoa. Ha ia descobe o que a “ ealidade eal” não
inha espaço nos meios de comunicação. Cicco con a
o que o mo e a p a ica al ipo de jo nalismo: “Se
posso i ê-lo, po que que e que ou os me con-
em?”. O jo nalis a bo de se inspi a em Colombo, o
de e i e p o agonizado po Me e Falk. Seu aspec o
ingênuo o ab ia po as e con issões ín imas.
O chileno Juan Pablo Meneses cunha um no o
e mo: jo nalismo cash. O p óp io au o aduz a
ó mula: “comp a e logo con a , consumo + esc i a”
(Meneses; 2013, p.; 9). O jo nalismo cash ai além do
jo nalismo de ime são, e mais ainda do jo nalismo
gonzo e bo de . O jo nalis a cash é p o agonis a da
his ó ia, mas ao mesmo empo es á en ol ido di e a-
men e no emp eendimen o que p e ende na a . Pa a
Meneses (2013), abalha com a ealidade pode se
um g ande exe cício de icção. No jo nalismo cash,
essa con adição não é somen e uma cons an e, mas
a ma é ia-p ima des e no o p oje o de esc i u a +
consumo. Em Niños u bolis as, o au o na a como
a ua pa a comp a um jogado de u ebol e assim da
con a do negócio desses meninos que aspi am joga
no Ba celona ou Real Mad i. Em La ida de una aca,
Meneses con a como comp ou um i ela e como
ansco e a ida do animal ao longo de ês anos,
a é ele chega à chu asquei a, com a inalidade de
documen a o uncionamen o da indús ia de ca nes
na A gen ina. O om con essional, comp ome ido
com a ealidade, au obiog á ico, é ambém sinal de
iden idade do jo nalismo cash.
Em odo o caso, a ime são, em qualque de suas
modalidades, pe mi e ao jo nalismo con a a his-
o ia em p imei a pessoa, como es emunha que é
dos a os. Po essa azão, o p o issional es á longe da
obje i idade da epo agem, ão em oga na segunda
1 No a da adução: sinônimo de ma gens, on ei as.
me ade do século XX, e aden a na c ônica. Mas es a
c ônica de ime são é diame almen e di e en e da
c ônica de a ualidade. Não em elação di e a com
a ealidade pe ecí el do dia, es á esc i a em p i-
mei a pessoa, opinião e in o mação se con undem,
e o papel do na ado é ão ele an e que, em mui-
as ocasiões, ambém é p o agonis a dos acon eci-
men os que na a. Nessa empa ia com a ealidade
con luem é ica, comp omisso e subje i idade. O
jo nalis a na a sem echaça suas emoções e seus
pon os de is a. Foge da e ó ica de dis anciamen o
impos a pelos manuais de es ilo dos jo nais e começa
e começa a impo -se com a apa ição do elég a o e
da cons i uição do jo nalismo como emp esa capi-
alis a. A e cei a pessoa do singula do na ado e a
p e endida obje i idade, obscu o obje o de desejo de
um es ibilho que a a essa á odo o século XX, não
são álidas pa a obse a a ealidade des e ângulo. A
obje i idade, como mé odo de abalho, sim: com-
pa a e e i ica . A obje i idade como aspec o é ico,
não. Es es ex os jo nalís icos edunda am ainda
mais na eno ação da linguagem, em ou os ecu sos
menos usuais da p o issão, assim como na hib idação
dos gêne os, que da á luga a mensagens nas quais
con luem em uma mesma na ação c ônica, ensaio,
en e is a, au obiog a ia ou pe il, en e ou os. Uma
di e ença que nos pe mi e ala da na a i a jo na-
lís ica na Amé ica La ina como um no o boom da
li e a u a la ino-ame icana.
2. O Jo nalismo de Ime são nos
Meios Audio isuais
O jo nalismo de ime são encon ou ambém nos
meios audio isuais um impo an e nicho de audiên-
cia, especialmen e na ele isão, onde a ela o e ece
uma janela ao espec ado de onde con empla com
seus p óp ios olhos as i ências expe imen adas
pelo jo nalis a du an e o p ocesso de ime são.
Pelo con á io, no ádio, essas écnicas jo nalís i-
cas êm icado elegadas a expe iências e ême as em
p og amas de humo . Na ugacidade e no imedia ismo
do discu so adio ônico, e em sua es u u a a ual de
p og amação in o ma i a, o jo nalismo de ime são
não encon ou um supo e adequado e a simulação,
quando ealizada em p og amas in o ma i os ou de
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PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
en e enimen o, já causou mais de um desgos o. Não
há como não lemb a o caso do G upo Risa, que
colabo a no p og ama de Fede ico Jiménez Losan os
na Cope, quando um dos seus in eg an es, em 2005,
se passou pelo en ão p esiden e espanhol Rod íguez
Zapa e o em ele onema ao p esiden e da Bolí ia,
E o Mo ales. P e endiam pa abenizá-lo po sua i ó-
ia e con idá-lo pa a uma isi a o icial à Espanha,
mas a pegadinha i ou um inciden e diplomá ico.
Ou mesmo a men i a elacionada ao sec e á io do
p esiden e da Gene ali a , A u Mas, po pa e de
um jo nalis a da Ca alunya Radio, que conseguiu
ala com o ei Juan Ca los I, com o consequen e
mal-es a na Casa Real.
Alguns episódios, pela magni ude das conse-
quências, se desdob a am em acalo ados deba es
em o no da idoneidade des e ipo de p og ama,
como a ousada piada de um casal de locu o es da
ádio aus aliana 2dayFM à en e mei a que a endia
Ka e Middle on num hospi al de Lond es, onde se
encon a a in e nada po complicações na g a idez.
Os locu o es se ize am passa pela ainha Isabel II e
o p íncipe Ca los pa a pe gun a pa a a en e mei a
Jacin ha Saldanha sob e o es ado da duquesa. T ês
dias depois, Jacin ha se suicidou, o que oi in e p e-
ado como uma espos a ao assédio e aos insul os
dos meios de comunicação.
No que diz espei o à ele isão, a ime são e o
encob imen o ou in il ação com ins in o ma i os
ambém em explo ado ao máximo a espe acula iza-
ção o e ecida po es e meio. De a o, mui as das expe-
iências se aduzem em c ônicas, documen á ios ou
p og amas de ele isão baseados no uso da câme a
ocul a, um ecu so que, do pon o de is a legal e é ico,
con a an o com de a o es como de enso es. Nas
úl imas décadas, seu uso se excedeu an o que alguns
au o es o conside am já um gêne o em si mesmo, o
in oshow com câme a ocul a. Pa a Me cado (2005, p.
107), se a a de um gêne o de en e enimen o e espe-
áculo p óp io da no a ele isão, que se gene alizou
na Espanha “em um con ex o ca ac e izado pelo
inc emen o do sensacionalismo, pela p oli e ação de
mini câme as e mic o ones in isí eis”. De sua pa e,
Mónica Gómez Ma ín (2005) des aca o uso que se
az de ecu sos audio isuais como a pa icipação do
público, p og amas de a iedades, games, e inclusi e
icção pa a c ia “uma o ma de in o mação con e -
ida em g ande espe áculo de ho á io nob e”.
Em sen ido es i o, a câme a ocul a possibili ou
g andes in es igações jo nalís icas di igidas espe-
cialmen e pa a despe a a consciência social sob e
as ques ões que ge am inquie udes, ala mes ou p e-
juízos en e os cidadãos, como as amas de co up-
ção polí ica, explo ação sexual de mulhe es e maus
a os aos elhos nos asilos, en e ou os mui os
emas e abalhos.
De a o, os a anços ecnológicos e a minia u iza-
ção dos disposi i os de g a ação e escu a pe mi i am
na ul ima década um uso ão dissimulado que g an-
des a í ices do jo nalismo encobe o, como Gün e
Wall a (na epo agem “Neg o sob e b anco”, publi-
cada em Con los pe dedo es del mejo de los mundo,
2010) ou An ônio Salas (em El Pales ino, po exemplo,
publicado em 2011), se a en u a am a po a ins u-
men os des e ipo pa a conse a elemen os p oba-
ó ios, assim como a pos e io elabo ação de docu-
men os baseados em suas ime sões, além do ela o
esc i o. No malmen e, a am-se de documen á ios
come cializados em ci cui os de ele isão mino i á-
ios, ainda que algumas ezes enham ei o aco dos
impo an es que possibili a am a di usão do abalho
em cadeias de g ande audiência, como os documen á-
ios de An ônio Salas, que chega am a se exibidos, na
Espanha, no An ena 3 y Telecinco em ho á io nob e.
No en an o, o abuso da câme a ocul a am-
bém ge ou nume osas c í icas, com sen enças como
a do T ibunal Cons i ucional espanhol de 27 de e e-
ei o de 2012, que censu ou o seu uso em uma epo -
agem de in es igação que se in il ou na consul a de
uma es e icis a. Me cado (2005, p. 106) a i ma que
na ele isão espanhola se em assis ido à exibição de
pseudo- epo agens de in es igação baseadas no uso
de câme as ocul as”, uma endência que, segundo a
au o a, oi a o ecida po di e sos a o es, como o
paula ino c escimen o do núme o de espec ado es
in e essados em con eúdos sensacionalis as e a p oli-
e ação de mini câme as e mic o ones in isí eis.
Essas si uações, em qualque caso, não de em
impedi de alo a os nume osos abalhos de ime -
são e ocul ação que, com dis in os o ma os, se
desen ol e am no âmbi o das pequenas p oduções,
em que, longe da espon aneidade que podem apa-
en a , há um in enso abalho de documen ação. De
a o, ecu sos ão equen es como a p eponde ân-
cia de planos subje i os e a eco ência da câme a
no omb o, como em p og amas de ele isão como
Calleje os ou Comando Ac ualidad, dão um aspec o
mais casei o ao p odu o audio isual, mas, na e -
dade, são ó mulas pa a po encializa a subje i idade
com a qual o espec ado se en ol e, jun o à in e en-
ção explíci a ou pa icipação a i a do jo nalis a.
Todos esses p odu os p essupõem um minu-
cioso abalho de documen ação, p é-p odução,
planejamen o, ealização e pós-p odução, assim
como a adequada p epa ação ísica e men al do jo -
nalis a, que equen emen e aden a ambien es hos-
is e a iscados.
Um exemplo ep esen a i o des e ipo de jo na-
lismo de ime são é o p og ama de ele isão 21 días,
do canal espanhol Cua o, baseado em um modelo de
p og ama desen ol ido po Mo gan Spu lock pa a
o canal ame icano FX, com o í ulo 30 Days. Com o
o ma o de docu- eali y e pe iodicidade mensal, 21
días es u u a cada p og ama em o no de uma única
epo agem na qual o jo nalis a na a sua ime são e
sua expe iência con inuada du an e 21 dias, nas 24
ho as do dia, em comunidades e si uações díspa es,
con i endo com seus habi an es. A jo nalis a Saman a
Villa , enca egada de ap esen a as ime sões du an e
as duas p imei as empo adas do p og ama (2009 e
2010) es e e ês semanas sem come e con i eu com
pessoas que padecem de en e midades elacionadas a
ans o nos alimen ícios; passou ou as ês semanas
umando maconha pa a comp o a os e ei os do con-
sumo p olongado des a d oga; ou as ês i endo na
in empé ie; ambém ês semanas em uma mina boli-
iana; oi a é de ida du an e a ime são dedicada a se
endedo a ambulan e, po supos o oubo de suca a.
E em Nue e meses con Saman a, os elespec ado es
pude am conhece a g a idez da jo nalis a e ao nas-
cimen o de seus gêmeos, na ado como uma expe-
iência de ime são.
Em países onde a imp ensa ca ece de esc úpu-
los pa a a u ilização desses disposi i os, os canais de
ele isão, públicos e p i ados, ampouco enunciam
a seu uso. Na G ã-B e anha, po exemplo, o p es i-
gioso canal de ele isão BBC ealizou epo agens de
in es igação mui o in e essan es com es e mé odo:
en a am nas minas de Ma angue, no Zimbábue,
pa a denuncia os abusos e as o u as no me cado
de diaman es; na Bulgá ia, es e mesmo canal denun-
ciou em 2010 uma ede de á ico de meno es, dedi-
cada a ec u a meninos, com o consen imen o dos
seus pais, pa a se em le ados ao Reino Unido pa a
enda; e em B is ol g a ou as o u as que alguns
emp egados dispensa am a pacien es com dis unção
mo o a se e as em uma clínica psiquiá ica p i ada.
3. O Uso das Redes Sociais na
Ime são
Além do uso de mini câme as e mic o ones, as
edes sociais ambém começa am a p opo ciona
um ambien e a o pa a o jo nalismo de ime são e,
conc e amen e, pa a a modalidade de anonima o
e in il ação. Nesses casos, o jo nalis a ge almen e
c ia uma alsa iden idade pa a aden a em cole i-
os pe igosos e g upos com na u eza c iminal, nos
quais esul a ia mui o di ícil en a sem a mediação
da ede, pelo anonima o que os en ol e, pela dis ân-
cia cul u al e pela sua p esença disseminada em dis-
in os países, equen emen e hos is pa a o exe cício
in o ma i o. Ge almen e são g upos pa a quem as
edes sociais ambém cons i uem um elemen o de
coesão e uma e amen a pa a a cap ação de adep os.
Na F ança, onde o e o ismo jihadis a golpeou
com o ça nos úl imos anos, di e en es jo nalis as se
ap oxima am de g upos e o is as po meio de expe-
iências de ime são, como oco e com Sahid Razim,
pseudônimo do epó e que conseguiu aden a
em um g upo de einamen o de u u os e o is as
do Es ado Islâmico e que g a ou com uma câme a
ocul a sua es ada du an e ês meses nes e cen o. O
esul ado de sua ime são é o documen á io Solda s
d’Alla, (Os soldados de Alá), g a ado com câme a
ocul a e exibido pelo Canal + F ança. Embo a Razim
enha en ado isicamen e no acampamen o dos e -
o is as, as edes sociais, conc e amen e o Facebook,
i e am um papel undamen al no seu abalho na
medida que acili ou o con a o com o g upo.
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PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
PARÁGRAFO. JUL/DEZ. 2016
V.4, N.2 (2016) - ISSN: 2317-4919
Con udo, o caso mais emblemá ico oi o da jo -
nalis a ancesa Anna E elle. Pseudônimo de uma
jo nalis a eelance , de in a e poucos anos, ado ou
a pe sonalidade de Mélodie pa a aden a no mundo
dos jihadis as po meio das edes sociais. A jo nalis a
e i icou as con idências de quem aspi a casa com o
b aço di ei o do cali a do Es ado Islâmico, Abu Bak
al-Baghdadi. Ele con a seg edos à sua “ u u a esposa”
e des ela os mé odos que u ilizam pa a con ence
jo ens e con e ê-las em adep as incondicionais da
causa islâmica. Mélodie se con e e ao islã quando
conhece o che e de uma b igada islami a a a és do
Facebook. Em poucos dias, Abu Bilel ica a aído pela
jo nalis a, chama-a dia e noi e, e insis e pa a que iaje
pa a a Sí ia e se eúna com ele pa a aze sua jihad.
O e o is a ainda pede que a jo nalis a se case com
ele e p ome e uma ida pa adisíaca. Desde en ão, a
ida dessa jo nalis a co e pe igo. Ela i e p o egida
pelo Minis é io do In e io ancês com iden idade
alsa. Naquele momen o, o Es ado Islâmico lançou
uma a wa con a ela pedindo sua mo e. Os ei os
que a jo nalis a ancesa na a no li o En la piel
de una yihadis a oco e am na p ima e a de 2014,
dois meses an es da omada de Mosul pelo Es ado
Islâmico, a segunda maio cidade do I aque, e seu
líde , Abu Bk al-Baghdadi, se au op oclamou cali a.
Ela que ia en ende como unciona a cap ação de
jo ens pa a a jihad nas edes sociais e que ia con-
a como é possí el que ga o as de 20 anos abando-
nem cidades como Pa is ou B uxelas, sem nenhum
equipamen o, pa a iaja em mais de qua o mil qui-
lôme os de dis ância, coloca a bu ca e empunha
um Kaláshniko . A e e ida jo nalis a ha ia esc i o
epo agens sob e os subú bios anceses e o jiha-
dismo e inha um pe il also em uma ede social
pa a in es iga esses mundos i uais, embo a eais.
Em uma noi e de ab il de 2015, ela ê um jihadis a
ancês com óculos Ray-Ban espelhado em um ca o
4x4. Exibe uma me alhado a Uzi e ou a M16. E elle
compa ilha o ídeo a pa i do seu pe il also e ime-
dia amen e ecebe ês mensagens p i adas. São de
Abu Bilel. É o começo. Ela não sabe o que aze –
con essa em seu li o. E se con unde no deba e é ico
que odo jo nalis a inco e e de e inco e : se é é ico
ob e in o mação ocul ando a p óp ia iden idade. A
comunicação en e ambos se consolida pelo Skype
du an e um mês em que Bilel chega a p opo casa-
men o pa a que a jo nalis a se mudasse pa a a Sí ia.
As comunicações o am in e mediadas pelas
au o idades ancesas enquan o a jo nalis a edigia a
epo agem e duas iliais da ede de ec u amen o e
capaci ação jihadis a o am desman eladas. O medo
não deixa de acompanhá-la. Suspei a que Bilel não
es eja mo o. Mui os de seus amigos se a as a am
pa a se p o ege . Pela in e ne e nas edes sociais ci -
culam ameaças con a sua ida, e o go e no a incluiu
em um p og ama de p o eção.
Com o í ulo “Nas en anhas da jihad 2.0 com
Abu Bilel”, o jo nal El País in o ma a da iminen e
publicação do li o de E elle na Espanha. Os comen-
á ios à no ícia demons am o posicionamen o do
público a a o e con a esses abalhos de ime são e
encob imen o, que despe am an as paixões e ódios.
Os de a o es ques ionam a é ica desses meios de
comunicação; o pe igo em que se colocam em ou as
o mas de in o ma , pois odo o abalho pode pas-
sa a es a no pon o de mi a de um no o a aque; e
a e elação de on es em que se inco e a pa i do
momen o que se acili a a in e enção policial.
A a o , se des aca a alen ia da jo nalis a pa a
aden a em um ambien e hos il e pe igoso, embo a
os mais c í icos obse em que a mediação das edes
sociais minimiza o isco da expe iência, enquan o os
e o is as ambém podem as ea e localiza in il-
ados po meio das edes sociais. Os lei o es am-
bém alo izam a capacidade de e sido ealizado um
jo nalismo não só de denúncia e mobilizado , mas
ambém um jo nalismo que consegue esul ados de
a o. Assim, a pa i da in e enção das comunica-
ções, a polícia consegue desa icula duas acções do
IS na Eu opa. De igual modo, ap eciam a capacidade
de E elle e encon ado uma issu a e uma debili-
dade do g upo pa a acessa al ambien e: se mulhe .
P ecisamen e, uma jo nalis a da BBC, in il ada
nas edes sociais com o nome also de Zah a, idade
ic ícia de 25 anos, e es ida com bu ca, conse-
gue chega a um g upo adical do IS a a és dessa
b echa. Um dos e o is as, com o pseudônimo de
Ma io, com ascenden es alemães e i alianos, en a
sua coop ação e pede a jo nalis a em casamen o em
somen e meia ho a de con e sa. O ídeo pode se
isualizado no Daily Mail on line. Zah a ga an e e
passado mui o medo.
A in il ação nas edes sociais es á ão expos a ao
isco quan o o dis a ce ísico nas expe iências jo na-
lís icas de ime são. De a o, como e elou o jo nal
El Mundo, o Es ado Islâmico con a com sua p óp ia
equipe de hacke s. Os a en ados con a o semaná io
humo ís ico ancês Cha lie Hebdo em janei o de
2015 de lag a am a a i idade de a i ismo hacke do
g upo Annonymus con a o IS, e idenciando que
es a am dian e de um inimigo mui o mais o e do
que pensa am, sob e udo po con a da iden i ica-
ção de mais de 10.000 con as de Twi e , Facebook e
e-mails de p o á eis memb os e simpa izan es do IS.
A eno me gene alização do uso das edes sociais
não pode nos le a a pensa em sua simplicidade. A
acilidade de acesso e o manejo in ui i o são di e a-
men e p opo cionais à pe da de p i acidade e segu-
ança, aspec os que o jo nalis a não pode esquece
na ho a de planeja uma ime são.
4. O Jo nalismo Ime si o
A u ilização de ecnologias a ançadas e audio-
isuais e, conc e amen e, a c iação da sensação
de ealidade i ual, ambém es á e olucionando
o uni e so da ime são jo nalís ica, mas des a ez
pa a que o cidadão i a ambém a expe iência do
jo nalis a. É o que se conhece como jo nalismo
ime si o, que az com que o elespec ado , em no a
expe iência empá ica, se mo a, como um a a a ,
pelos cená ios, ec iados em 3D, e expe imen e as
si uações que se expõem. T a a-se, po an o, de le a
o espec ado à cena, como se osse mais uma es e-
munha da ação. Do pon o de is a écnico, se eco e
à g a ação de ídeo em 360 g aus, que pe mi e ao
usuá io conhece á ios aspec os ou pon os de is a
de uma his ó ia em um mesmo momen o, assim
como isi a luga es inacessí eis.
Segundo Mi iam Ga cima in (2014), o Tow
Cen e Fo Digi al Jou nalism da Uni e sidade de
Columbia iniciou um p oje o que p e ende desen-
ol e p o ó ipos de câme as e de g a ação de áudio
que o e eçam uma expe iência que se pa eça mais
com documen á io ou o ojo nalismo do que com
um ideogame, pois “es a no a ealidade i ual
o na necessá ia a ino ação écnica, mas ambém
na a i a”, dado que “os acon ecimen os i idos em
p imei a pessoa az os jo nalis as se e em ob igados
a cons ui sua na ação desa iando as noções clássi-
cas de obse ação e obje i idade”.
Na Espanha, dois g andes eículos, El País y El
Mundo, se lança am de manei a quase pa alela na
abe u a de canais especializados a aplica i os pa a
a isualização de epo agens ime si as que g a a-
am ainda de manei a expe imen al. O El Mundo
ap esen ou sua p imei a epo agem de jo nalismo
ime si o em 26 de e e ei o de 2016, um cop odu-
ção com eldia io.es, La Sex a y Cadena Se . Com
o í ulo “Campo u bano/cidade u al”, o e ece ao
usuá io a possibilidade de expe imen a duas ea-
lidades opos as: a ida em uma cidade com mais
de seis milhões de habi an es e a calma do mundo
u al, expondo planos de 180 g aus que se combi-
nam com cenas em 360 g aus. De sua pa e, El País
aden ou nes e gêne o jo nalís ico em 28 de ab il de
2016 com a epo agem “Fukushima, idas con ami-
nadas”, na qual con idam o espec ado a iaja pa a a
“zona ze o” do aciden e nuclea de Fukushima após
cinco anos da ca ás o e. Esses abalhos dão ideia da
ju en ude des e o ma o, que na Espanha ainda es á
em ase de expe imen ação.
As possibilidades das ecnologias de ealidade
i ual e ealidade aumen ada, po um lado, e a o e
in luência do ideogame como indús ia cul u al,
po ou o, não passam despe cebidas po p o issio-
nais e in es igado es do âmbi o jo nalís ico, unda-
men almen e nos Es ados Unidos, que começam
a in e oga , no inal dos anos 1990 e p incípios da
década seguin e, sob e sua aplicação no o ício de
con a o que se passa no mundo.
De a o, o p imei o jo nal que ealizou um aba-
lho de jo nalismo ime si o, em 2014, oi o
Des Moines
Regis e
, do g upo Ganne (Iowa, Es ados Unidos).
O p oje o se chama Ha es o change (Colhei a de
mudança) e ec ia uma azenda em que, po meio
de one de ou ido de ealidade i ual Oculus, pe -
mi e caminha po um ambien e em que ão apa-
ecendo in o mações, ídeos e o og a ias eais que
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con ex ualizam. No en an o, Ga cima ín menciona
um p imei o expe imen o an e io , de 2012, Hunge
in Los Angeles, de Nonny de la Peña, pesquisado a
da Annenbe g School o Communica ion and
Jou nalism, da Uni e sidade da Cali ó nia do Sul. O
p oje o, ap esen ado no Sundance Fes i al, ela a a
mo e de uma pessoa diabé ica enquan o agua da a
na ila de um bando de alimen os da cidade de Los
Angeles. O usuá io podia si ua -se em algum luga
das ações em um cená io i ual em 3D e e os a os
al e como oco e am, com os sons eais, as ozes das
pessoas p esen es, a si ene da ambulância.... Des es
p oje os incipien es, a ecnologia a ançou o su i-
cien e pa a do a as imagens de um maio ealismo,
embo a ou o dos g andes desa ios seja a gene aliza-
ção e humanização dos sis emas de isualização.
O concei o de jo nalismo ime si o apa ece incu-
lado aos óculos de ealidade i ual, como Samsung
Gea VR ou Oculus Ri (do Facebook), que se conec-
am ao celula e ao compu ado , espec i amen e. A
Sony abalha em algo pa ecido pa a seu console PS4
e emp esas como Apple ou Mic oso emba ca am
em p oje os simila es. De sua pa e, Google c iou o
Ca dboa d, um isualizado de ca ão de baixo cus o.
Ou a opção de isualização são os aplica i os espe-
cí icos. O El País, po exemplo, lançou um aplica i o
EL PAÍS VR pa a ele one mó el, disponí el nas lojas
de iOS e And oid. Além de exibi o ídeo como no
YouTube, esse aplica i o pe mi e usa uns óculos
compa í eis com Google Ca dboa d pa a uma expe-
iência mais eal. O YouTube supõe uma e cei a
opção de isualização, em que u ilizando o mouse e
o compu ado , ou gi ando o disposi i o no caso de
es a usando o aplica i o mó el do YouTube, é possí-
el acessa a isão dos 360 g aus de isão que pe mi e
es e ipo de g a ação. Os g andes meios de comuni-
cação a am de ab i caminho no âmbi o do jo na-
lismo ime si o. Nonny de la Peña deu os p imei os
passos em cong essos in e nacionais pa a mos a
pa a onde apon am as no as endências, e g andes
meios de comunicação, como o The NewYo kTimes,
já dispõem de um canal de no ícias especializado em
jo nalismo ime si o.
A ealidade i ual que o na á isí el o jo na-
lismo ime si o é uma ecnologia que ge a in e aces
in o má icas sin é icas de dois ipos: ime si a e não-
-ime si a ou semi-ime si a. Na p imei a, o usuá io
em a sensação de es a en ol ido pela ep esen ação
po compu ado e que pode pe co e a mesma. Pa a
isso, de em usa óculos, capace es, lu as e ou os
disposi i os. O usuá io eco e a es e espaço digi-
al quando, na e dade, es á em um luga azio. A
segunda modalidade, não-ime si a, se expe imen a
po meio de uma ela de compu ado ou de celula ,
pelos quais a ela ísica a ua como ba ei a en e os
dois mundos (Domínguez, 2013, p. 105). As ima-
gens a 360 g aus, a ealidade i ual e a ealidade
aumen ada são alguns dos o ma os e ecnologias
que pe seguem es es obje i os. Em ez de le uma
his ó ia on line, o usuá io em que “ aze ” algo pa a
sen i-la. Como consequência, as ope ações in e a i-
as se em pa a que o usuá io i a o ela o. Po es e
mo i o, pon ua E a Domínguez, a in e ação não é
me amen e uncional, mas na a i a. As inicia i as
p o issionais como jogos e simulações, como con-
sequência, supõem a cons ução e expe imen a-
ção de o mas na a i as jo nalís icas eme gen es
(Dominguez, 2013, p. 106).
Em esumo, o usuá io e á a possibilidade de
me gulha em qualque acon ecimen o e p esencia
e expe imen a com a is a, o ou ido e, inclusi e,
com o a o e com o ol a o, o que oco e no luga dos
a os. Assim mesmo, o espec ado pode á encena
di e en es papéis: como isi an e ou como um pe -
sonagem p esen e na his ó ia. Me cedes O iz assi-
nala, ademais, que o jo nalismo ime si o pe mi e
ompe a b echa en e o juízo mo al abs a o e o
compo amen o humano eal. Que dize , o usuá io
pode á chega às suas p óp ias conclusões não se
baseando somen e em suas c enças e p econcei os,
mas sendo uma es emunha a mais dos acon eci-
men os. Con udo, O iz encon a algumas limi a-
ções na ho a de abalha com esses no os o ma os.
Em p imei o luga , as cenas não podem se ec iadas
ielmen e pelo compu ado , pois é necessá io ma e-
ial o iginal g a ado em si uações eais. Em segundo
luga , o jo nalismo ime si o é di e en e dos ideoga-
mes in o ma i os ou da game icação aplicada às no í-
cias. Neles, o espec ado -jogado oma decisões pa a
alcança um obje i o e seu a anço se mede po indi-
cado es. Sem dú ida, o espec ado de uma no ícia
ime si a não pode modi ica os acon ecimen os. E
em úl imo luga , o jo nalismo ime si o es á sujei os
às mesmas es ições é icas de odos os meios con-
encionais, ou seja, a ap esen a a os obje i os li es
de p econcei os pa a que o público i e suas p óp ias
conclusões (O iz, 2013).
5. Conclusões
A ime são não só em ans o mado o jo nalismo
incipien e que busca na ealidade i ual e nos ide-
ogames no os o ma os pa a que o espec ado i a
em sua p óp ia pele a ealidade so ida pelos p o is-
sionais da in o mação. É, sob e udo, no jo nalismo
na a i o onde suas pegadas são mais cla as, con-
unden es e eno ado as. O jo nalismo esc i o em
p imei a pessoa se dis ancia dos diá ios pa a encon-
a melho acolhida em e is as e li os. São ex-
os plu igené icos que ompem com as no mas dos
manuais de edação. Também os meios audio isuais
são ecep i os à ime são, sob e udo a ele isão. Em
suma, o jo nalismo ansmidiá ico, onde con luem
di e en es ecnologias, o ma os e gêne os, se dis an-
cia das mensagens adicionais às quais cus am se
adap a ou pa ecem sucumbi a es es no os empos
ainda inexplo ados.
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