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Acessibilidade comunicativa: palavra-chave para um jornalismo democrático e cidadão

Abstract

Este artigo faz parte de uma pesquisa maior desenvolvida como requisito para conclusão do curso de Jornalismo, que objetivou a construção de uma ferramenta de indicadores de qualidade para a acessibilidade comunicativa no jornalismo. A discussão teórica se centra nos entrelaçamentos entre o jornalismo, a democracia e a cidadania em sua relação com a temática. São argumentos centrais a ausência de acessibilidade nas práticas jornalísticas, o que a torna uma lacuna, e as formas estigmatizadas de representação dos públicos com deficiência. O desconhecimento de jornalistas acerca das tecnologias assistivas e formas de acessibilizar também é parte do problema. Argumenta-se que não é possível ter um jornalismo verdadeiramente democrático e cidadão sem acessibilidade comunicativa. Para atingir o objetivo do artigo, usa-se a revisão bibliográfica (Barrichello, 2016) para delimitar campos teóricos e normativos. Os últimos são guias, legislações e orientações de acessibilidade para a comunicação tanto em nível nacional quanto internacional, que permitem, junto às teorias do jornalismo e da acessibilidade, estabelecer critérios para a construção dos indicadores. Com os mesmos redigidos, eles são testados nos sites de dois veículos jornalísticos, com entrevistas semi-abertas (Gil, 2008) de usabilidade com pessoas com deficiência, e outras com os editores dos veículos analisados. Conclui-se que a acessibilidade não é prioridade destes veículos jornalísticos, o que se evidencia pela baixa pontuação e pelos registros de ausências de tecnologias assistivas, da cultura jornalística que não prioriza valores de acessibilidade e do desconhecimento das melhores formas de incorporar a mesma em uma rotina produtiva.

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Acessibilidade comunicativa: palavra-chave para um jornalismo democrático e cidadão

Author: Wobeto, Samara; Borelli, Viviane; Romero, Luan Moraes
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2024
DOI: 10.12795/Ambitos.2024.i65.05
Source: https://idus.us.es/bitstreams/6cb4156e-184b-4deb-a748-8d6351da76ce/download
90-110
Nº 65 | VERANO 2024
ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733
10.12795/Ambi os.2024.i65.05
Acessibilidade comunica i a: pala a-cha e pa a
um jo nalismo democ á ico e cidadão
Communica i e accessibili y: a keywo d o democ a ic and ci izen jou nalism
Sama a Wobe o
Uni e sidade Fede al de San a Ma ia | A enida Ro aima, 1000, 97105-900 San a Ma ia, RS | B asil
0009-0000-4812-3649 | sama a.wobe [email protected] sm.b
Vi iane Bo elli
Uni e sidade Fede al de San a Ma ia | A enida Ro aima, 1000, 97105-900 San a Ma ia, RS | B asil
0000-0003-0643-2173 | i iane.bo elli@u sm.b
Luan Mo aes Rome o
Uni e sidade Fede al de San a Ma ia | A enida Ro aima, 1000, 97105-900 San a Ma ia, RS | B asil
0000-0003-4495-6672 | luan. ome [email protected] sm.b
Recepción 27/02/2024 · Acep ación 29/04/2024 · Publicación 15/07/2024
Resumo
Es e a igo az pa e de uma pesquisa maio desen ol ida como equisi o pa a conclusão do cu so de Jo nalismo,
que obje i ou a cons ução de uma e amen a de indicado es de qualidade pa a a acessibilidade comunica i a no
jo nalismo. A discussão eó ica se cen a nos en elaçamen os en e o jo nalismo, a democ acia e a cidadania em
sua elação com a emá ica. São a gumen os cen ais a ausência de acessibilidade nas p á icas jo nalís icas, o que a
o na uma lacuna, e as o mas es igma izadas de ep esen ação dos públicos com de iciência. O desconhecimen o
de jo nalis as ace ca das ecnologias assis i as e o mas de acessibiliza ambém é pa e do p oblema. A gumen a-
se que não é possí el e um jo nalismo e dadei amen e democ á ico e cidadão sem acessibilidade comunica i a.
Pa a a ingi o obje i o do a igo, usa-se a e isão bibliog á ica (Ba ichello, 2016) pa a delimi a campos eó icos
e no ma i os. Os úl imos são guias, legislações e o ien ações de acessibilidade pa a a comunicação an o em
ní el nacional quan o in e nacional, que pe mi em, jun o às eo ias do jo nalismo e da acessibilidade, es abelece
c i é ios pa a a cons ução dos indicado es. Com os mesmos edigidos, eles são es ados nos si es de dois eículos
jo nalís icos, com en e is as semi-abe as (Gil, 2008) de usabilidade com pessoas com de iciência, e ou as com
os edi o es dos eículos analisados. Conclui-se que a acessibilidade não é p io idade des es eículos jo nalís icos,
o que se e idencia pela baixa pon uação e pelos egis os de ausências de ecnologias assis i as, da cul u a
jo nalís ica que não p io iza alo es de acessibilidade e do desconhecimen o das melho es o mas de inco po a a
mesma em uma o ina p odu i a.
Pala as-cha e: acessibilidade comunica i a, jo nalismo, democ acia, cidadania, indicado es de qualidade.
AcESSIbIlIdAdE cOmuNIcA IVA: pAlAVRA-chAVE pARA um jORNAlISmO dEmOcRá IcO E cIdAdãO
Sama a Wobe o / Vi iane bo elli / luan mo aes Rome o
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Abs ac
This a icle is pa o a la ge esea ch p ojec de eloped as a equi emen o he comple ion o he Jou nalism
cou se, which aimed o build a ool o quali y indica o s o communica i e accessibili y in jou nalism. The heo e ical
discussion ocuses on he in e wining o jou nalism, democ acy and ci izenship in ela ion o he heme. Cen al
a gumen s a e he absence o accessibili y in jou nalis ic p ac ices, which makes i a gap, and he s igma ized o ms o
ep esen a ion o audiences wi h disabili ies. Jou nalis s’ lack o knowledge abou assis i e echnologies and how o
make hem accessible is also pa o he p oblem. I is a gued ha i is no possible o ha e uly democ a ic and ci izen
jou nalism wi hou communica i e accessibili y. To achie e he aim o he a icle, a li e a u e e iew (Ba ichello, 2016)
was used o delimi heo e ical and no ma i e ields. The la e a e guides, legisla ion and accessibili y guidelines o
communica ion a bo h na ional and in e na ional le el, which, oge he wi h heo ies o jou nalism and accessibili y,
allow us o es ablish c i e ia o he cons uc ion o indica o s. Once hese we e d a ed, hey we e es ed on he
websi es o wo news ou le s, wi h semi-open in e iews (Gil, 2008) on usabili y wi h people wi h disabili ies, and o he s
wi h he edi o s o he ou le s analyzed. The conclusion is ha accessibili y is no a p io i y o hese news ou le s, as
e idenced by he low sco es and eco ds o he absence o assis i e echnologies, he jou nalis ic cul u e ha does no
p io i ize accessibili y alues and he lack o knowledge o he bes ways o inco po a e i in o a p oduc ion ou ine.
Keywo ds: communica i e accessibili y, jou nalism; democ acy, ci izenship, quali y indica o s.
1. In odução
A acessibilidade comunica i a na p á ica jo nalís ica, hoje, ep esen a uma lacuna. São á ias as
pesquisas que apon am ausência de ecnologias assis i as em p odu os jo nalís icos (González-Pe ea,
2018; Be aldo, 2021; González-Pe ea & Rod íguez-Ascaso, 2022; Ba bosa, 2023) e es igma ização dos
públicos com de iciência em no ícias, epo agens e ou os o ma os (F ei as, 2021; Gomes & Mou inho,
2021). Além disso, a inse ção da acessibilidade em eículos jo nalís icos e nas o inas p odu i as é
apon ada como necessidade po pesquisas da á ea da Comunicação e do Jo nalismo já há algum empo
(Boni o, 2015; González-Pe ea, 2018; Conceição-Sil a, 2021; Be aldo, 2021; F ei as, 2021; Pe ei a, 2021;
Campanhã, 2021; González-Pe ea & Rod íguez-Ascaso, 2022; Ga cía-P ie o e al., 2022; Ba bosa, 2023).
Es a emá ica in eg a uma p eocupação que é dos mo imen os sociais mino i á ios que lu am po
ep esen a i idade, mas que ambém de e ia se do Jo nalismo enquan o campo e enquan o ibo.
Apesa da exis ência de leis que exigem a acessibilidade em si es que são man idos po emp esas
b asilei as ou com sede no país (B asil, 2015), es as não são cump idas. Boni o (2015, p. 67) de ine
a p oblemá ica a pa i do concei o de leis in isí eis: “elas exis em, mas como não são cump idas a
igo , em a o ecido àquelas ins i uições que ocupam o lado hegemônico da cul u a isiocên ica e
p ejudicado os di ei os ci is conquis ados pelas PDV no Es ado de Di ei o em igo no país”.
Quando p opos a a discussão ace ca da acessibilidade no jo nalismo, é necessá io elenca , em
um p imei o momen o, as p oblemá icas que en ol em a dimensão comunica i a da ques ão.
P imei amen e, a acessibilidade não é pa e in eg an e de uma cul u a jo nalís ica e de o inas
p odu i as (Boni o, 2015; Be aldo, 2021; Wobe o, 2023). Do pon o de is a écnico, isso implica na
ausência de ecnologias assis i as1 e, consequen emen e, de in o mação acessí el a públicos com
1. “[...] p odu os, equipamen os, disposi i os, ecu sos, me odologias, es a égias, p á icas e se iços que obje i em p omo e
a uncionalidade, elacionada à a i idade e à pa icipação da pessoa com de iciência ou com mobilidade eduzida, isando à sua
au onomia, independência, qualidade de ida e inclusão social”. (B asil, 2015, s.p).
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de iciência (Boni o, 2015; Be aldo, 2021; F ei as, 2021; Wobe o, 2023) - que somam quase 18,9 % da
população b asilei a (IBGE, 2023).
Pa a Be aldo (2021), “as discussões sob e ino ação e modelos de negócio no jo nalismo digi al não
con emplam a acessibilidade como pau a” (p. 118). A au o a elenca que esse jo nalismo que não pau a
o se acessí el p o oca ês exclusões: quando o con eúdo de uma no ícia não é acessí el, quando
a esponsabilidade pelas ques ões de acessibilidade é elencada às pessoas com de iciência pela
sociedade, e quando os ó gãos públicos esponsá eis pela iscalização das legislações não cump em
seu papel. Po an o, pa a Be aldo, “a acessibilidade de no ícias em edes digi ais passa p imei amen e
pela legi imação social das pessoas com de iciência como sujei os de di ei os” (2021, p. 121).
Es a p oblemá ica pe passa não somen e a ealidade b asilei a. Pesquisado es como González-
Pe ea (2018) e González-Pe ea & Rod íguez-Ascaso (2022) apon am, em seus es udos na Espanha,
um cená io que se assemelha ao do B asil. Jo nalis as são esponsá eis pela ge ação e e o ço de
de e minadas ba ei as nos eículos nos quais abalham (González-Pe ea, 2018). Apesa disso,
ambém con ibuem pa a a o mação de ba ei as à in aes u u a e design dos si es e dos sis emas
de publicação (CMS).
Da mesma o ma que a legislação b asilei a, a espanhola ambém exige que os si es de adminis ação
ou inanciados com ecu sos públicos e de emp esas que p es am se iços na in e ne sejam acessí eis
(González-Pe ea & Rod íguez-Ascaso, 2022). A pa i disso, os au o es elencam que a acessibilidade
de e se ambém uma compe ência dos jo nalis as (González-Pe ea & Rod íguez-Ascaso, 2022), e
que es a p eocupação de e começa já na o mação des es p o issionais (González-Pe ea, 2018).
Ou a ques ão undamen al na discussão sob e a acessibilidade e o jo nalismo é do pon o de is a da
ep esen ação: o mas de na a e hie a quiza p odu os jo nalís icos, como no ícias e epo agens,
podem p i ilegia modos dominan es de ala sob e pessoas com de iciência. Em ma é ias que alam
des es públicos, po exemplo, es as não são as on es p incipais ou seque são conside adas como
en e is adas (F ei as, 2021). Além disso, o mas de na a que p io izam uma pe spec i a de supe ação e
de he oísmo são capaci is as e só con ibuem pa a e o ça es e eó ipos e p econcei os igen es (Wobe o
& Bo elli, 2020). No cená io b asilei o, o ipo de ep esen ação he óica, que e oca o om de supe ação, é
mui o comum em e en os como os Jogos Pa alímpicos, em que há, pa a Gomes & Mou inho, “des aque
pa a os ei os ex ao diná ios e a compaixão aumen a ia a audiência do despo o pa alímpico, ge ando
maio e o no come cial” (2021, p. 319). Ou seja, o discu so jo nalís ico que e idencia as de iciências e
suas emá icas a ins ambém é aquele que espe acula iza e sensacionaliza (Wobe o, 2023).
O en endimen o do jo nalismo como p o issão que pe pe ua p econcei os e manei as dominan es
de ep esen ação anco a-se em Mo aes (2022, p. 21), que concebe o campo a pa i das escolhas
de hie a quias que diz “quem são as pessoas e luga es que alem mais - e, po an o, as pessoas e
luga es que alem menos”. Pa a a au o a, quando o jo nalismo se ap esen a como neu o e acima de
paixões, ele é “ esponsá el pela es igma ização de pessoas e g upos e, consequen emen e, po seus
apagamen os” (2022, p. 21).
Nes e con ex o, é necessá io pon ua que pa e das p io idades do Jo nalismo emon a ao seu
su gimen o, que em base no capi alismo (Ma condes-Filho, 2000; Gen o-Filho, 2012). E es a
lógica capi alis a e indus ial ambém in e e e no in e esse das emp esas jo nalís icas em in es i
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em p oduções jo nalís icas acessí eis (Wobe o, 2023). Pa a Boni o & Guima ães (2023), com o inal
da Segunda Gue a Mundial e suas consequências, as pessoas com de iciência passa am a se mais
isí eis na sociedade, e is o implica, u u amen e, em sua lu a po econhecimen o e di ei os. No
en an o, pa a Boni o & Guima ães (2023, p. 93), a c iação de meios de comunicação não inco po ou
essa necessidade, já que es as mídias “ o am desen ol idas po pessoas ípicas e sem a consul o ia
de pessoas com de iciência”.
Dessa o ma, Boni o & Guima ães (2023, p. 95) a i mam que “é p eciso i a o oco da de iciência
das pessoas e colocá-lo nas mídias”. A pa i do en endimen o de que as pessoas com de iciência
já exis iam quando os meios de comunicação o am c iados, pode-se, de aco do com Boni o &
Guima ães (2023, p. 95), “conclui que o am as mídias que nasce am com de iciências ela i as à
al a de acessibilidade”. Po an o, é p eciso comp eende as o ganizações jo nalís icas esponsá eis
pelos eículos de comunicação como emp esas que isam o luc o, já que es as es ão insc i as em uma
lógica capi alis a em que a in o mação é ans o mada em um p odu o a se endido.
Assim, é necessá io conside a a acessibilidade como pa e ine en e do aze jo nalís ico. No en an o,
ao con á io das his ó ias de supe ação - que endem e em po encial de sensacionalização -, o
aspec o écnico da acessibilidade não pa ece se p io idade de emp esas jo nalís icas. Apesa disso,
ecu sos assis i os como a desc ição de imagens são conside ados como elemen o de melho ia
de SEO pa a anqueamen o de si es em sis emas de busca (Ped osa, 2020). Isso e oca uma b echa
pa a pensa a acessibilidade de modo es a égico, an o do pon o de is a de posicionamen o das
o ganizações jo nalís icas quan o da possibilidade de elenca os ecu sos assis i os2 como cen ais
na busca po um campo mais democ á ico e cidadão.
Nes e a igo, pa e-se da p emissa de que há um campo de es udos de de iciência e mídia em cons ução
(Ellcesso e al., 2021; Ga cêz, 2021), que elenca po encialidades de in es igações que in e seccionam as
duas á eas. En ende-se que es a pesquisa se si ua nes e meio, não só po es uda obje os jo nalís icos
en e à mi ada comunica i a da acessibilidade, mas ambém po se embasa em concei os de au o es
que êm es udado o ema e êm se o nado e e ências basila es pa a es es es udos.
Des aca-se que o a igo esul a de pa e de uma in es igação de conclusão de cu so em Jo nalismo,
em 2023, e que é p odu o de uma aje ó ia de qua o anos de iniciação cien í ica, com con inuidade
na pós-g aduação em ní el de mes ado. A pesquisa obje i ou a c iação de indicado es de qualidade
pa a a acessibilidade comunicacional em eículos jo nalís icos (Wobe o, 2023), e é e a ada aqui,
p incipalmen e, sob a ó ica da e lexão es a égica da acessibilidade comunica i a como uma
pala a-cha e pa a um jo nalismo e dadei amen e democ á ico e cidadão.
2. Jo nalismo: democ á ico pa a quem?
A inse ção da acessibilidade comunica i a no jo nalismo es á essencialmen e ligada à ga an ia da
democ acia e da cidadania. An es de chega a es a a i mação, no en an o, é necessá io da um passo
2. Os ecu sos assis i os são di e sos e podem se elencados em audiodesc ição (ABNT, 2016; Ca pes e al, 2016; Mo a e
Romeu Filho, 2010), Legendagem pa a Su dos e Ensu decidos (EBC, 2018; Na es e al, 2016) e Janela de Lib as (EBC, 2018),
ca ac e es ampliados (ABNT, 2016), lei o de ela (Sal on, Dall Agnol e Tu ca i, 2017), P incípios da Acessibilidade C omá ica pa a
Dal onismo (Pe ei a, 2021), en e ou os.
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a ás e emon a ao su gimen o da p o issão, que se baseia no capi alismo, mas que só se impulsiona
a pa i da lu a pela ga an ia dos di ei os humanos (Ma condes-Filho, 2000). Na ealidade b asilei a,
es a inculação é ão o e que o Jo nalismo se diz es anda e da democ acia, em ligação com o
chamado “qua o pode ”, que se ia esponsá el po igia os ou os ês pode es polí icos - o
Execu i o, o Legisla i o e o Judiciá io (T aquina, 2005). O jo nalismo, assim, é ins i uído como o
“cão de gua da” da sociedade (Ma condes-Filho, 2000) e, nes e papel, de ém pode de o mação de
opinião pública, o que não deixa de se , ambém, um pode polí ico (T aquina, 2005).
Mo aes (2022) a i ma que é uma p o issão que semp e es igma izou e exo i icou o Ou o, e que
unciona, pelo discu so, como um ep odu o de iolências, seja pela o ma como ep esen a as
populações ma ginalizadas, seja pela ausência das mesmas nas no ícias e nas edações. Com isso, pa a
Mo aes, cons uímos “cidadanias p eca izadas, ep esen ações miúdas e iolências consen idas”
em uma “democ acia que jamais deu con a de populações imensas, como as de pessoas neg as e as
indígenas, em um país que pouco comba eu a pob eza, mas mui o comba eu o pob e” (2022, p. 18). A
c í ica é pa a com o modelo democ á ico libe al, que, pa a Mo aes (2022, p. 103), “semp e pe mi iu
- e pe mi e - o ex e mínio de populações não b ancas e não p op ie á ias”.
Um aspec o impo an e quando se ala de democ acia são os di ei os. Pa a Ma a (2006), es es es ão
a iculados a pa i dos cidadãos como sujei os de necessidades, de demandas e de decisão.
Se os sujei os de necessidade es ão nos meios como demons ação de ma ginalização da ida em
comum, cons i uída po de e es e di ei os, se os sujei os de demanda isibilizam a caudacidade
ou debilidade de o mas polí icas de ep esen ação an e io es, os sujei os de decisão cons i uem
o modelo midiá ico da democ acia: o que se cons ói com o o o indi idual, com a eleição desde
a in imidade domés ica median e ecu sos a algum disposi i o écnico ou desde a in e pelação
igualmen e écnica que p oduzem as pesquisas de opinião sob e a iadas ques ões de ca á e
polí ico. (Ma a, 2006, p. 10, adução p óp ia)
No en an o, no ema anhamen o com as mídias, a p incipal manei a como os sujei os são ep esen ados
é pela necessidade, que e idencia p eca iedades (Ma a, 2007). Nesse en endimen o, de aco do com
Ma a (2006), “a in o mação sob e nós mesmos e a ealidade que azemos e i emos e que os meios nos
p o eem a a és de milha es de pala as e imagens não é o único alimen o pa a pensa mos e a ua ”
(p. 8, adução p óp ia). A au o a pon ua que, nas sociedades em p ocessos de midia ização (Ve ón,
1997), es as mesmas pala as e imagens alcançam an a o ça que não podemos pensa sem elas,
ou seja, Ma a (2006) diz que “podemos econhecê-las como egulações discu si as que exp essam,
ins au am e ep oduzem egulações sociais” (p. 8, adução p óp ia). Em ou as pala as, na medida
em que os meios de comunicação e a am as pessoas sob e udo como sujei os de necessidade, há
ausências de ep esen ações que econhecem e lu am pelos di ei os dos cidadãos, o que é o caso das
pessoas com de iciência, con o me já a gumen ado an e io men e, a pa i de F ei as (2021) e Gomes
& Mou inho (2021).
A pa i disso, Ma a (2006) p opõe o concei o de cidadania comunica i a - p oposição impo an e
pa a pensa os es udos de acessibilidade no B asil. Es e diz espei o aos di ei os ci is, que incluem
“a libe dade de exp essão, o di ei o à in o mação, a possibilidade de exigi a publicidade de assun os
públicos, e c.” (2006, p. 13, adução p óp ia). É uma noção que se in e liga com as e e ências
iden i á ias que, pa a Ma a (2006), “implica o desen ol imen o de p á icas enden es a ga an i

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os di ei os no campo especí ico da comunicação” (p. 13, adução p óp ia). Ou seja, pensando na
legislação b asilei a, que ga an e às pessoas com de iciência o acesso à in o mação em si es b asilei os
(B asil, 2015), o que inclui os jo nalís icos, es a possibilidade de acesso é imp escindí el pa a que
es e público seja conside ado sujei o e, logo, cidadão. Ao não opo uniza o acesso ao público com
de iciência po meio da cons ução de p odu os jo nalís icos acessí eis, os meios de comunicação
igno am es e como público consumido (Beil uss & Boni o, 2017; Boni o & San os, 2018), e negam
sua cidadania.
Dialoga-se ambém com Be aldo (2021) quando ques iona pa a quem o jo nalismo é p oduzido. A
manei a como os di e en es o ma os jo nalís icos são cons uídos diz mui o sob e quem são os
públicos consumido es. Quando cons ói p odu os sem acessibilidade, o jo nalismo e idencia que
não é ei o pa a pessoas com de iciência. Is o ai ao encon o do que diz Boni o (2015) quando a i ma
que a hegemonia cul u al em que i emos compõe uma dispu a que é de o ças polí icas en e pessoas
sem de iciência e aquelas com de iciência. Boni o (2005) a i ma que “o p imei o g upo, em si uação
mais con o á el, de ém as lógicas da hegemonia cul u al igen e, enquan o que o segundo g upo
es á à me cê dessas lógicas” (p. 60).
A acessibilidade é uma ques ão de Di ei os Humanos na medida em que a Decla ação Uni e sal de
Di ei os Humanos coloca como uni e sal e inaliená el o di ei o à libe dade de exp essão, opinião e
in o mação (Cen e s, 2000). Tendo o Jo nalismo um papel social de in o ma e comunica , Beil uss
& Boni o (2017, p. 4) es abelecem que ele “dá ao ecep o a capacidade de que ele c ie sua opinião e
exe ça o seu papel de cidadão, assim, quando não há in o mação acessí el, não há espei o aos Di ei os
Humanos”. Gen illi (2005) coloca que o di ei o à in o mação em ligação di e a com a cidadania, além
de que o jo nalismo é pa e cons i uido a decisi a de uma democ acia ep esen a i a. O Jo nalismo
é, pa a Gen illi (2005, p. 142), “o ins umen o que iabiliza o di ei o à in o mação, onde os jo nais
desempenham a unção de mediado es e os jo nalis as, indi idualmen e, de ep esen an es do lei o ,
elespec ado e ou in e, como indi íduos, consumido es e cidadãos”.
Po an o, a pa i da e lexão dos au o es e es udos elencados, e idencia-se que a discussão da
cidadania gi a em o no da ques ão de di ei os o que, no caso das pessoas com de iciência, é basila
e ep esen a uma lu a de décadas pelo mínimo - que nes e caso é a ga an ia do acesso à in o mação.
Como di o, Boni o (2015) concebe que há legislações in isí eis - que exis em no papel, mas que não
são cump idas e mui o menos iscalizadas. Exemplo b asilei o é a inse ção de audiodesc ição em
aixas da g ade de p og amação ele isi a de canais da TV abe a, cuja ob iga o iedade é p e is a
desde 2011, mas desde en ão ambém é adiada po meio de ecu sos judiciais pelas p óp ias edes de
ele isão (Boni o, 2015)3. Es a é apenas uma amos a da p oblemá ica de di ei os de acessibilidade no
B asil, pois nem as legislações são cump idas pelos eículos de comunicação. Po an o, ao en elaça
o jo nalismo, a democ acia, a cidadania e a acessibilidade, pode-se assegu a que, sem acessibilidade
- em especí ico a comunica i a -, não há como o jo nalismo se coloca como uma p o issão que
assegu a a plena democ acia e que p omo e a cidadania de odas as pessoas (Wobe o, 2023). Ao exila
pessoas com de iciência do acesso à in o mação, o jo nalismo e o ça a p io idade de de e minados
públicos do espaço de no icia , na a e ep esen a , o que encon a a concepção de Mo aes (2022)
sob e os espaços e pessoas que alem mais. Be aldo (2021, p. 117) ques iona: “Pa a quem o jo nalismo
3. A gumen os usados pa a a e ogação de po a ias o am a ansição do modelo analógico p o digi al, a al a de mão de ob a
especializada pa a a cons ução de audiodesc ição e adução em Lib as e a ‘impossibilidade’ de adequação dos con eúdos ao
i o. São jus i ica i as que a endem aos in e esses das emisso as de Rádio e Tele isão b asilei as (Romeu Filho apud Boni o, 2015).
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é ei o?”. Ao esponde a essa pe gun a, e idenciamos quais são os públicos conside ados cidadãos. No
jo nalismo, po an o, pessoas com de iciência não são classi icadas com po encial de consumido as,
o que, pa a Be aldo (2021, p. 125), pe pe ua alo es excluden es nas edações e deixa “as pessoas com
de iciência à ma gem da pa icipação cidadã”.
É nesse complexo con ex o que p opomos pensa a acessibilidade comunica i a como uma
pala a-cha e de um jo nalismo e dadei amen e democ á ico e cidadão. A ga an ia da cidadania
es á di e amen e ligada ao di ei o de acesso à in o mação, o que, po sua ez, só é possí el pa a
odos os públicos ambém po meio da acessibilidade comunica i a em p odu os jo nalís icos.
Sem acessibilidade, po an o, o Jo nalismo não é p omo o de cidadania e, na medida em que não
a ua como iado de di ei os, não pode se conside ado plenamen e democ á ico. O jo nalismo,
a ualmen e, não é democ á ico pa a as pessoas com de iciência, ou seja, é alho na p oposição
de seu papel social, na ga an ia de di ei os e, po an o, de cidadanias. Com isso, pa e-se pa a a
discussão me odológica.
3. P ocedimen os me odológicos
Pa a alcança o obje i o da in es igação, que é a p oposição de cons ução de indicado es de qualidade,
desen ol eu-se um caminho me odológico que pode se esumido nas e apas desc i as a segui .
3.1. Re isão de li e a u a
Com embasamen o em Ba ichello (2016), é de inida como uma pesquisa sob e o que já oi publicado
sob e de e minada emá ica pa a a cons ução de a gumen os (Gash apud Ba ichello, 2000); es a
oi a p imei a e apa da in es igação, di idida na lei u a e e isão de documen os eó icos - sob e
jo nalismo, comunicação e acessibilidade - e no ma i os (legislações, guias, manuais e no mas de
acessibilidade, base pa a a cons ução dos indicado es). Os úl imos são a base pa a o en endimen o
das necessidades de acessibilidade em si e, nas ecnologias assis i as essenciais pa a acessibiliza
p ocessos de comunicação e in o mação. Is o, inclusi e, é undamen al pa a o desen ol imen o dos
indicado es de qualidade e dos c i é ios dos mesmos.
3.2. De inição dos eículos a se em analisados
Es a cole a de dados segue a pe spec i a do jo nalismo que em ci culação numa dada egião pa a
além da cidade sede (Bo elli, 2015). A pa i de dados de acesso consul ados no Ins i u o Ve i icado
de Comunicação (IVC) e da Associação Nacional de Jo nais (ANJ), de iniu-se em dois os eículos
que cons i uem o co pus, que em simila idades populacionais da cidade-sede e ca ac e ís icas
semelhan es de es u u a do si e. Aqui, es es se ão denominados como Veículo 1 e Veículo 2. O p imei o
localiza-se em uma cidade do no des e do Rio G ande do Sul (que é a unidade ede a i a mais ao sul
do B asil) que em ce ca de 523 mil habi an es (IBGE, s.a.), é az pa e de uma emp esa maio com
adição no es ado, oi undado em 1948 (75 anos), em ci culação diá ia e es á no ambien e digi al
desde 2008. Já o Veículo 2 ica em uma cidade no sul do Rio G ande do Sul, com ap oximadamen e
343 mil habi an es (IBGE, s.a.), oi undado em 1890, ambém em ci culação diá ia e em e são
online desde 1997.
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3.3. Redação dos indicado es
A pa i das bibliog a ias, es abelece am-se os c i é ios pa a os indicado es. Eles o am di ididos em
qua o ca ego ias de análise: a p odução jo nalís ica, a emp esa jo nalís ica, o ní el écnico do si e
e a legislação. Os indicado es são di ididos nes es eixos e a hie a quia dos pesos dos indicado es é a
seguin e:
a. P odução jo nalís ica: é o p ocesso que possibili a que os p odu os jo nalís icos cons uídos pelos
p o issionais sejam acessí eis. Apesa des a e apa depende do ní el écnico do si e e do espaldo
da emp esa jo nalís ica, caso o p o issional jo nalis a não inco po e ecu sos assis i os em seu
p ocesso de p odução, não ha e á acessibilidade comunica i a e, logo, acesso à in o mação po
pessoas com de iciência. É a e apa em que a mudança cul u al das edações pode oco e e, po
isso, em peso 4.
b. Emp esa jo nalís ica: é o posicionamen o da o ganização jo nalís ica, com a implan ação
da acessibilidade no si e e no p ocesso p odu i o, que espalda a acessibilidade comunica i a
como uma decisão edi o ial. É a ins ância que pode in es i inancei amen e, an o po meio da
quali icação écnica quan o da o mação humana de seus p o issionais. Caso a acessibilidade
comunica i a não seja uma decisão edi o ial, pe manecem as inicia i as isoladas que, apesa de
impo an es, não signi icam uma mudança cul u al. Po is o, es e eixo em peso 3.
c. Ní el écnico do si e: de ine-se como as ca ac e ís icas básicas que o eículo p ecisa e
pa a a implemen ação da acessibilidade. Caso o jo nalis a enha uma a uação conce nen e à
acessibilidade comunica i a e as in aes u u as do si e não possibili em a a uação, em-se um
p ocesso incomple o e alho. Tem peso 2.
d. Legislação: conside a-se o mínimo que o si e jo nalís ico p ecisa e , e não somen e po con a
do cump imen o da legislação, mas pela de inição de di e izes e no ma i as necessá ias pa a
que uma g ande pa cela da população enha ga an ido o acesso à in o mação. Po conside a que
es es i ens de e iam se cump idos, delimi a-se com peso 1 (Tabela 1).
Tabela 1
Quad o eó ico e no ma i o pa a a cons ução dos indicado es
Eixo de análise Apo e Au o es
P odução jo nalís ica Teó ico e no ma i o Medina (1995); Wol (2009); Mo a & Romeu-Filho (2010);
Boni o (2015); ABNT (2016); Ca pes e al., (2016); Na es
e al., (2016); EBC (2018); Be aldo (2021); Ca lón (2021);
F ei as (2021); Pe ei a (2021); Con eúdo & Unicap
(2022a; 2022b); Mo aes (2022)
Emp esa jo nalís ica Teó ico Wol (2009); T aquina (2005; 2013); Gen o-Filho (2012);
Boni o (2015); Be aldo (2021)
Ní el écnico do si e No ma i o W3C (2018)
Legislação No ma i o B asil (1962; 1988; 2000; 2001; 2002; 2004; 2005a;
2005b; 2009; 2015)
Fon e. Elabo ação p óp ia, 2024.
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3.4. Tes agem dos indicado es
Com a elabo ação e de inição dos indicado es ei a com base nos guias e no ma i as, oi ealizada a
es agem. No es e de aplicabilidade, os indicado es possí eis são aplicados nos si es dos eículos
jo nalís icos de inidos pa a en ende se, po meio deles, é possí el aze um diagnós ico da qualidade da
acessibilidade comunica i a. A es agem segue um p o ocolo p é-de inido e é egis ada pa a análise.
Os es es o am ei os a pa i de obse ação manual com ajuda de so wa es como o N idia Co po a ion
(NVDA), que é um lei o de ela, e o Coblis - Colo Blindness Simula o , um so wa e simulado de dal onismo.
Na mesma e apa, o am ei os es es de usabilidade com pessoas com de iciência po meio de
en e is as (Gil, 2008). T ês pa icipan es es a am os si es do Veículo 1 e do Veículo 2 pa a e i ica
os elemen os p e is os nos indicado es: uma pessoa cega, uma pessoa su da e uma pessoa com
dal onismo. Fo am elabo adas pe gun as ace ca da acessibilidade dos dois eículos no eixo isual,
audi i o e c omá ico. Os es es de usabilidade são complemen a es aos de aplicabilidade na medida
em que uncionam como mais uma en ada de dados pa a e i ica a alia dos indicado es. Po
im, como úl ima e apa de es agem, o am ealizadas en e is as semi-abe as (Gil, 2008) com
os edi o es de cada eículo, já que alguns indicado es dizem espei o ao dia-a-dia de uma edação
jo nalís ica e às ques ões edi o iais4.
3.5. Análise dos es es e dos indicado es
A úl ima e apa oi a análise e a discussão dos esul ados, com eesc i a da edação dos indicado es
que ap esen a am alhas no deco e do p ocesso, necessidade de ajus es e, ao inal, oi ei a uma
no a es agem dos mesmos.
A im de sis ema iza o caminho me odológico pe co ido, elencamos um quad o com as espec i as
e apas, obje i os e eo ias u ilizadas (Tabela 2).
É impo an e menciona que a me odologia elencada pa a o abalho em limi ações, p incipalmen e
no que se e e e à aplicação da e amen a pa a ge ação de um anking mais amplo, com mais eículos
jo nalís icos, con o me se á ela ado no p óximo ópico. No en an o, es e é um es udo explo a ó io,
cuja in enção é c ia uma e amen a capaz de a alia a qualidade da acessibilidade comunica i a
em eículos jo nalís icos. Não hou e empo hábil pa a ap o unda a e amen a a pa i dos ní eis
de sucesso do W3C, po exemplo, mas es a pode se uma p óxima e apa de in es igação e, com isso,
iabiliza melho ias na possibilidade de expandi o es udo pa a analisa si es de ou as mídias. Além
disso, es a e amen a ambém não dá con a do cená io in e nacional, is o que a legislação de cada
país com elação à acessibilidade em suas especi icidades.
É necessá io elenca , além disso, que a combinação de di e en es p ocedimen os me odológicos
oi necessá ia pa a a c iação da e amen a, p incipalmen e pelo campo de es udos da á ea da
Comunicação em in e ace com a acessibilidade ainda es a em cons ução. O a o de ha e poucas
in es igações impac a nas pesquisas em andamen o is o que não há ma cos eó icos adicionais
es abelecidos. A eme gência do campo deno a, ambém, c iação de p ocedimen os me odológicos
p óp ios, o que pode se pe cebido nes e ópico. Com isso, pa imos pa a a discussão dos esul ados.
4. Nas e apas dos es es de usabilidade e das en e is as, an o as pessoas com de iciência quan o os edi o es assina am um
e mo de consen imen o li e e escla ecido, que in o ma os p ocedimen os e obje i os da pesquisa.
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comunicação, o que inclui as a i udinais e ecnológicas, além da eliminação das mesmas ba ei as.
Recu sos assis i os como Janela de Lib as, legenda ocul a/LSE, legenda simples, audiodesc ição
e ca ac e es ampliados de em es a disponí eis. Os o ma os dos p odu os jo nalís icos êm de
se possí eis de acesso po meio de so wa es lei o es de ela, ca ac e es ampliados e imp essão
em B aille. Símbolos de ecu sos de acessibilidade necessi am es a isí eis no si e, e, caso haja
p esença de publicidade, es a ambém de e se acessí el.
Um des aque necessá io pa a a po encialidade da e amen a c iada é que a mesma não isola o p ocesso
de p odução jo nalís ica das decisões edi o iais, da base écnica acessí el do si e e da legislação que
ege as no ma i as de acessibilidade b asilei as. Isso é impo an e pa a e idencia aspec os di e sos
da acessibilidade comunica i a, cuja implemen ação ampla é complexa, mas possí el. Po exemplo,
um eículo jo nalís ico pode e um si e com ní el écnico acessí el, que possibili a inse ção de
desc ição de imagens, mas cujos p o issionais jo nalis as não êm conhecimen o écnico pa a a
ei u a do mesmo ecu so.
Além disso, há uma isão ampla no sen ido de comp eende o ma os adicionais, como o ex o
e a imagem, em conjun o com o ma os jo nalís icos eme gen es, como o podcas , o in og á ico
e ecu sos mul imídia, além das edes sociais digi ais. É impo an e e idencia , nes e p ocesso,
que en ende-se o jo nalismo como uma p o issão que não de e es a cen ada em si mesma, is o
que á ios dos elemen os ci ados nes a pesquisa - em especial os de ní el écnico - não de em
se de esponsabilidade des e p o issional, mas es ão no conjun o de a uação de uma emp esa
jo nalís ica, o que inco po a ou os p o issionais. A di ulgação do con eúdo jo nalís ico em
edes sociais digi ais é ou o exemplo, já que a p o issão de social media, hoje, é ei a an o po
jo nalis as quan o po ou os p o issionais da á ea, como elações públicas, p odu o es edi o iais
e publici á ios e publici á ias.
5. Discussão e conclusões
Os esul ados encon ados na in es igação indicam que o Jo nalismo não pode se conside a
e dadei amen e democ á ico e cidadão sem a acessibilidade comunica i a como eg a. Is o po que,
a pa i das e apas de es agem da e amen a cons uída, p incipalmen e a de en e is as com as
pessoas com de iciência, a iden i icação de lacunas e de ausência de ecu sos assis i os deno a que
es as pessoas encon am ba ei as no momen o de consumi um p odu o jo nalís ico. No p ocesso
de cons ução e es agem da e amen a de a aliação da qualidade da acessibilidade comunica i a em
eículos jo nalís icos, o am encon adas lacunas do pon o de is a écnico e ep esen a i o que os
es udos elencados no apo e eó ico já mos a am. Assim, a in es igação e idencia a pe manência das
ba ei as de acesso e, logo, da possibilidade de pessoas com de iciência exe ce em suas cidadanias e
usu uí em de di ei os.
Além disso, as baixas pon uações que os eículos analisados i e am a pa i dos indicado es e le em
uma baixa qualidade dos ní eis de acessibilidade aplicados, p incipalmen e com elação à p odução
e à emp esa jo nalís ica, mas ambém em elação à legislação. Isso e le e um cená io em que os
eículos não p io izam a acessibilidade e ambém desconhecem os caminhos pa a al. As emp esas
não in es em em ecnologias, nem na o mação de seus p o issionais (Wobe o, 2023; Be aldo, 2021)
e ampouco buscam o na as edações mais di e sas (Medina, 2021).

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São poucas as p á icas e discussões na á ea de Comunicação e do Jo nalismo ace ca des a emá ica, o
que o na as pesquisas sob e es e en elaçamen o necessá ias. Em um campo de es udos que es á em
es ágio inicial e de cons ução, é necessá io que in es igações sejam ei as, es adas e ap o undadas.
Assim, a po encialidade da e amen a cons uída ambém se enquad a nis o, a pa i da iden i icação
da qualidade da acessibilidade de eículos jo nalís icos, iden i icação de suas lacunas e caminhos
pa a melho ias. Es es apon am pa a a implan ação de ecnologias assis i as nas mídias jo nalís icas,
na implan ação de o inas jo nalís icas que conside em a p á ica da acessibilidade comunica i a e
na cons ução de ex os que não es igma izam os públicos com de iciência. Es es aspec os passam,
ambém, pela inse ção de p á icas pedagógicas de acessibilidade comunica i a na o mação de
jo nalis as.
Além disso, es es esul ados apon am ques ionamen os impo an es e pe inen es com elação ao
deba e p opos o no campo eó ico. Como o Jo nalismo que coloca -se como es anda e da democ acia
sem acessibilidade em suas p á icas? Es a discussão emon a, no amen e, à concei uação de Boni o &
Guima ães (2023), quando a i mam que a de iciência es á nas mídias, e não nas pessoas. P o issão que
se p opõe como es anda e da democ acia e p omo o a de cidadania, o jo nalismo p ecisa econhece
suas alhas e inse i a p á ica da acessibilidade comunica i a como pa e da o ina p odu i a.
O es ágio em que o campo se encon a hoje é inicial, e mos a apenas um econhecimen o da
p oblemá ica nos p ocessos p odu i os e nas manei as de ep esen a o público com de iciência. O
caminho pa a a mudança é longo, e exige mais do que pos u as e inicia i as isoladas de p o issionais
jo nalis as, mas a disposição de odo o campo pa a ompe com as o mas c is alizadas de
ep esen ações capaci is as do público com de iciência e demais mino ias, além da quali icação do
aspec o écnico da p odução jo nalís ica, o que inclui a implan ação de ecnologias assis i as em odo
o p ocesso p odu i o. Re o ça-se que, sem a acessibilidade comunica i a, o jo nalismo não consegue
comunica pa a odas as pessoas, e, consequen emen e, alha na missão democ á ica e cidadã em
que se coloca como seu papel social.
Decla ación sob e la con ibución especí ica de cada una de las au o ías, según la
axonomía C ediT
• Concep ualización: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• Cu ación de da os: Au o 1.
• Análisis o mal: Au o 1, Au o 2.
• Adquisición de ondos: Au o 1, Au o 2.
• In es igación: Au o 1, Au o 2.
• Me odología: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• Adminis ación del p oyec o: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• Recu sos: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• So wa e: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• Supe isión: Au o 2, Au o 3.
• Validación: Au o 1.
• Visualización: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
• Redacción – bo ado o iginal: Au o 1.
• Redacción – e isión y edición: Au o 1, Au o 2, Au o 3.
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Vi iane Bo elli e Luan Mo aes Rome o a ua am como o ien ado a e coo ien ado do abalho, a pa i
da supe isão e o ien a am a cole a e a amen o dos dados, além da sis ema ização dos esul ados.
Ag adecimen os
Ag adecemos às pessoas com de iciência e aos edi o es dos eículos 1 e 2 que con ibuí am pa a
es a pesquisa po meio das en e is as. Aos a aliado es do abalho na de esa da monog a ia, pelas
suges ões e comen á ios. E, po im, à Coo denação de Ape eiçoamen o de Pessoal (Capes), que
inancia a bolsa de pesquisa no ní el do Mes ado, e que o nou possí el a cons ução des e a igo.
Semblanza de los au o es
Sama a Wobe o é jo nalis a e mes anda em Comunicação pelo P og ama de Pós-g aduação em
Comunicação da Uni e sidade Fede al de San a Ma ia (POSCOM/UFSM), bolsis a Capes, in eg an e
do G upo de Pesquisa Ci culação Midiá ica e Es a égias Comunicacionais (Cimid/UFSM).
Vi iane Bo elli é docen e do P og ama de Pós-g aduação em Comunicação e do Depa amen o de
Comunicação da Uni e sidade Fede al de San a Ma ia (UFSM), líde do G upo de Pesquisa Ci culação
Midiá ica e Es a égias Comunicacionais (Cimid/UFSM), dou o a em Ciências da Comunicação pela
Unisinos.
Luan Mo aes Rome o é jo nalis a, mes e em Comunicação e dou o ando em Comunicação pelo
P og ama de Pós-g aduação em Comunicação da Uni e sidade Fede al de San a Ma ia (POSCOM/
UFSM), in eg an e do G upo de Pesquisa Ci culação Midiá ica e Es a égias Comunicacionais (Cimid/
UFSM).
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