Nº49
EDICIÓN VERANO
2020
49
ÁMBITOS
REVISTA
INTERNACIONAL
DE
COMUNICACIÓN
ISSN: 1139-1979
E-ISSN: 1988-5733
3
ÍNDICE
EDITORIAL PERSONAL ÁMBITOS
Ap esen ação do monog á ico. Abo dagem quali a i a: olha es e p á icas ansdisciplina es
nas ciências an opossociais
P esen a ion o he monog aph. Quali a i e app oach: ansdisciplina y iews and p ac ices in
an h oposocial sciences
Ronaldo Nunes Linha es, An ónio Ped o Cos a 7-11
MONOGRAFICOS MONOGRAPHS
Iden idades emininas na ede: as c ianças alam!
Female iden i ies on line: child en can speak
Ma a Ma ia Aze edo Quei oz 12-31
T ansição de cuidados de en e magem: ISBAR na p omoção da segu ança dos
doen es – e isão scoping
T ansi ion o nu sing ca e: ISBAR in p omo ing pa ien sa e y – scoping e iew
Ana Ri a Es e es Figuei edo, Te esa Ma ia Fe ei a dos San os Po a, Ped o Rica do Ma ins Be na des Lucas 32-48
In eg ación de elemen os cuali a i os y cuan i a i os en me odología obse acional
In eg a ion o quali a i e and quan i a i e elemen s in obse a ional me hodology
M. Te esa Angue a, Angel Blanco-Villaseño , José Luis Losada, Ped o Sánchez-Alga a 49-70
A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es igação o obiog á ica
Educa ional ac s a echog aphie’s cinelie s: an o obiog aphic esea ch
Silas Bo ges Mon ei o, Anaise A ila Se e o 71-87
Ac uación de las polí icas: polí ica como ex o y polí ica como discu so
Ac ion o policies: policy as ex and policy as discou se
Mónica Rocío Ba ón 88-104
4
ÁMBITOS PERSONALES PERSONAL ÁMBITOS
Un e a o de la cul u a local a a és del Pe iodismo cul u al. Análisis compa ado
de Se illa y Po o Aleg e
A po ai o he local cul u e h ough cul u al Jou nalism. Compa a i e analysis o Se ille
and Po o Aleg e
Julie i-Sussi de Oli ei a 105-120
ARTÍCULOS ARTICLES
Mic osociología del p o eso uni e si a io
Mic osociology o an uni e si y p o esso
An onio Fe nández Vicen e 121-135
La pob eza y el discu so de los mass media. Un es udio de la p ensa local a gen ina
Po e y and mass media ´s discou se. A s udy o he A gen ine local p ess
Ma ía del Rosa io Sanchez, Sil ia London 136-157
La comunicación no e bal en las elecciones andaluzas de 2018. Compa a i a de
Susana Díaz y Te esa Rod íguez en el deba e de RTVE
Non- e bal communica ion in he Andalusian municipal elec ions o 2018. Compa ison o
Susana Díaz and Te esa Rod íguez in he elec o al RTVE deba e
Ma ía He nández He a e, Pa icia Zamo a-Ma ínez 158-176
El in oen e enimien o en la ele isión de pago, Mo is a + y el canal #0.
El uso ansmedia de sus con enidos de humo
In o ainmen on pay ele ision, Mo is a + and channel # 0. The ansmedia use o i s humo ous con en
Pa icia Gascón-Ve a 177-196
Me odología y o mación docen e cues iones cla es pa a la in eg ación de las
TIC en la educación
Me hodology and eache aining as a key issue o ICTs in eg a ion in Educa ion
Rebeca Suá ez-Ál a ez, Tama a Vázquez-Ba io, Te esa To ecillas Laca e 197-215
5
RESEÑAS REVIEWS
Aquela e. Muje es en la cul u a de masas
Co en. Women in mass cul u e
Regla Isma ay Cab eja Pied a 216-220
T ansición ecosocial y p incipios é icos en el pe iodismo: una guía pa a la
comunicación de nue as na a i as
The Eco-social ansi ion and e hical p inciples in jou nalism: a guide o he communica ion
o new na a i es
Amanda Salaza To es 221-225
Na a i as eco eminis as y mapa de ansición ecosocial pa a medios de comunicación
Eco- eminis na a i es and ecosocial ansi ion map o he media
Ámal El Mohammadiane Ta bi 226-229
ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN
Nº. 49. (2020) | © UNIVERSIDAD DE SEVILLA
ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733
Nº DOI:
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DX
.
DOI
.
ORG
/10.12795/A
MBITOS
Recibido: 23/04/2020 | Acep ado: 07/06/2020
Fo ma de ci a :
Bo ges Mon ei o, S. & A ila Se e o, A. (2020). A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es i-gação o obiog á ica.
Ámbi os. Re is a In e nacional de Comunicación 49, pp. 71-87. Doi: 10.12795/Ambi os.2020.i49.05
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A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma
in es igação o obiog á ica
Educa ional ac s a echog aphie’s cinelie s: an o obiog aphic
esea ch
D . Silas Bo ges Mon ei o, Uni e sidade Fede al do Ma o G osso, R. Qua en a e
No e, 2367 - Boa Espe ança, Cuiabá - MT, 78060-900, B asil.
silasmon ei o@u m | O cid: h ps://o cid.o g/ 0000-0002-6130-920X
Anaise A ila Se e o, Uni e sidade Fede al do Ma o G osso. R. Qua en a e No e,
2367 - Boa Espe ança, Cuiabá - MT, 78060-900, B asil.
anaisease e [email protected] | O cid: h ps://o cid.o g/ 0000-0002-2715-139X
DOI: h ps://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os.2020.i49.05
Resumo
Es e a igo ap esen a esul ados pa ciais de uma in es igação desen ol ida no B asil,
na UFMT. A pesquisa o a ealizada com es udan es do Ensino Médio em uma escola
pública e ou a p i ada con essional. Toma-se como e e ência o p oje o ilosó ico
elabo ado po Jacques De ida pa a es abelece o que se denomina como
in es igação o obiog á ica. Como concei o-mé odo undan e, a in es igação
o obiog á ica assume o limia da ida-ob a, i ências-esc i u as. O a as amen o en e
ida e ex o, comumen e elacionado à expe iência escola , esul a em uma esc i a
encomendada pelas ins âncias ins i ucionais de con ole, seja na igu a do p o esso
ou mesmo na do Es ado a aliado . Embo a ais p oduções a endam aos c i é ios
públicos de esc i a e composição, al p á ica p edominan e cede a um discu so
hegemônico p é- ab icado, dissol endo, assim, a esc i u a como a o de c iação e
insc ição: a hipó ese da pesquisa é de que p ojeção de ilmes-concei os, com
A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es i-gação o obiog á ica
Ámbi os. Re is a In e nacional de Comunicación | ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733, Nº. 49. (2020)
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na a i as não-linea es, podem c ia espaços de esc i u a, cons i uindo um a o
educa i o. Pa a es e abalho o am analisadas 88 p oduções ex uais de es udan es
de ambas as escolas pa icipan es, a pa i do cu a-me agem Alike — uma animação
di igida po Daniel Ma ínez La a e Ra a Cano Méndez. Tais ex os o am p oduzidos
no que denominamos de O icinas Cinemá icas de Ecog a ias (OCiE), iabilizadas po
meio das o mulações de Jacques Aumon (ace ca do cinema, ilme e eo ia) e de
Sand a Co azza com as O icinas de T ansc iação (OsT), como es a égia pa a
in es igação o obiog á ica. A análise oi desen ol ida em ês ní eis, aqui
denominados: he e onimia do es ado, au onomia c í ica e economia dos signos; a
hipó ese da pesquisa oi con i mada.
Abs ac
The pape p esen s pa ial esul s o a esea ch ul illed in UFMT, B asil. Tha esea ch
had been conduc ed o high school s uden s om a public and a p i a e school. Has
been aken as e e ence he Jacques De ida’s philosophical p ojec , he e called
o obiog aphical in es iga ion. As a ounding concep -me hod, he o obiog aphical
in es iga ion assumes he h eshold o li e-wo k, sc ip u e-expe iences. The dis ance
be ween li e and ex , commonly ela ed o school expe ience, esul s in a w i ing
commissioned by he ins i u ional ins ances o con ol, whe he in he igu e o he
eache o e en in he e alua ing s a e. Al hough such p oduc ions mee he public
c i e ia o w i ing and composi ion, such p e ailing p ac ice yields o a p e ab ica ed
hegemonic discou se, hus dissol ing w i ing as an ac o c ea ion and insc ip ion: he
esea ch hypo hesis is ha p ojec ion o concep ilms, wi h nonlinea na a i es, hey
can c ea e w i ing spaces, cons i u ing an educa ional ac . I had analyzed 88 ex s o
s uden s om bo h pa icipa ing schools, w i ing a e sho ilm Alike - an anima ion
di ec ed by Daniel Ma ínez La a and Ra a Cano Méndez. These ex s we e elabo a ed
a Kinema ic Echog aphy A elie s, made possible h ough he o mula ions o Jacques
Aumon (abou cinema, ilm and heo y) and Sand a Co azza wi h he T ansc ea ion
Wo kshops, as a s a egy o o obiog aphic esea ch. The analysis was de eloped a
h ee le els, he e named: s a e he e onomy, c i ical au onomy and sign economy; The
esea ch hypo hesis was con i med.
Pala as-cha e: educação, o obiog a ia, esc ilei u a, didá ica
Keywo ds: educa ion, o obiog aphie, eading-w i ing, dida ic
1. UMA BREVE APRESENTAÇÃO
Es e abalho ap esen a alguns elemen os o iundos de pesquisa inanciada pelo
Conselho Nacional de Desen ol imen o Cien í ico e Tecnológico (CNPq) in i ulada:
Pode um ilme-concei o se um a o educa i o? C iação de lei u a e espec a u a, ex o e
imagem, esc i u a e cinema. Desen ol ida pelo G upo de Pesquisa Es udos de
Bo ges Mon ei o, S. & A ila Se e o, A.
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Filoso ia e Fo mação (EFF), do Ins i u o de Educação da Uni e sidade Fede al de
Ma o G osso, no B asil, a pesquisa, que e e du ação de ês anos (en e 2017-2020),
p opõe a ap esen ação de cu as-me agens com o obje i o de con ida os
espec ado es a assumi em uma posição de espec a u a. O c i é io de escolha dos
cu as o a baseado a a o da não linea idade das na a i as conduzidas pelos
di e o es. Es e ipo de p odução cinema og á ica ope a como disposi i o no qual os
espec ado es o nam-se pa icipan es a i os na possibilidade de exe ci a em a c iação
de sen ido a pa i do en edo. Tais cu as, a pa i das ca ac e ís icas pos uladas,
omen a am sua concei uação no p oje o como ilme-concei o.
Pa a an o, ais ilmes-concei o o am ap esen ados du an e as O icinas Cinemá icas
(O iCines). Es es espaços co espondem a si uações conc e as em ins i uições de
ensino, ap oximando-se da expe iência didá ica, pa a ope a as o icinas em espaços
o mais de educação. Nessa ia, as O iCines a adas nes a pesquisa co espondem a
um eco e: ealizadas em duas escolas de Cuiabá (capi al de Ma o G osso, B asil)
com es udan es concluin es do Ensino Médio em uma escola pública es adual e uma
escola p i ada con essional. Tais dis inções pode ão se adian e pe cebidas a pa i da
concei uação e dos elemen os escolhidos pa a mapea ais a os educa i os enquan o
exp essões p esen es na o mação. Vale essal a que, nes e eco e, a g ande
maio ia dos es udan es ica a si uado en e dezesseis à dezoi o anos — al idade
co esponde ao pe íodo comum pa a a in eg alização da Educação Básica no país.
Ainda, a pesquisa desen ol ida pelo inanciamen o da CNPq busca a emp eende
como os limi es discu si os o neciam po ências aos a os educa i os. Nes a ocasião,
buscamos ope a pos ulações com o ensejo de comp eende po meio de quais
p incípios, gene alidades ou, mesmo, po meio de quais c i é ios os es udan es
pa icipan es a a am o ilme-concei o. Com al pe spec i a ensaiada, algumas
ques ões o am elabo adas ainda em ase inicial — dado, ambém, a não conclusão
do P oje o CNPq a é à da a pa a o 8º Cong esso Ibe o-Ame icano em In es igação
Quali a i a (CIAIQ), ealizado em Lisboa, Po ugal, com abalho in i ulado
In es igao o obiog ica em c iaes de lei u a e espec a u a1.
Se algumas espos as o am es adas, a pa i de ques ões que disco iam ace ca da
elabo ação de quais elemen os o ma i os possibili a am a a o ilme-concei o
enquan o um a o educa i o, en endemos que se az necessá io comp eende o que
no eia a espec a u a al como um dos elemen os des e p ocesso. Ainda, buscamos
disco e como, a pa i da disseminação de sen ido de uma expe iência
cinema og á ica espec al (c . De ida, 2012), um a o educa i o en ol e a ques ão da
espec a u a concei uado po Jacques Aumon (2008) e expe enciada nos espaços
sociais des iados que en ol em as O iCines po meio do ope ado o obiog á ico pa a
analisa as O icines de Ecog a ias. Fo a ado ado como p ocedimen o de análise das
p oduções nes e con ex o ês mo imen os de lei (nómos2) in i ulados: He e onomia do
Es ado, Au onomia C í ica e, po im, Economia dos Signos. Enquan o p ocedimen os
A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es i-gação o obiog á ica
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eó ico-me odológicos pa a a concei uação em o no da analí ica, aqui ado ada, dos
ex os esc i u ados pelos es udan es, omou-se, ainda, a esc i u a como um jogo
imp escindí el à p á ica de disseminação.
2. ESPECTATURA E COMUNICAÇÃO
Pa a es abelece a p oblemá ica des e abalho é necessá io, ao nosso juízo, uma
pala a em o no do que compe e ao e mo comunicação. Se, no en endimen o
comum, a comunicação unciona como anspo e de sen ido de um emisso a um
ecep o , ainda que le e em conside ação oda a complexidade que a isso designa,
com as nuances dos limi es da emissão, da ecepção, dos uídos, da necessidade do
con ex o e a ins, es e abalho busca desloca al pe spec i a. Com De ida (1991),
en endemos que o concei o de comunicação pode e seu sen ido comum golpeado
iloso icamen e a pa i da disseminação. Tal concei o co esponde a uma p á ica
descons u o a pa a inculação — e, caso se quei a, eiculação — dos múl iplos
sen idos p esen es — e ambém ausen es — de um ex o. Nessa ia, a disseminação
deso ganiza a unidade sólida e iden i á ia de um sen ido único e enclausu ado,
iabilizando a comp eensão dos signos enquan o um encadeamen o de signi ican es
adiados (c . De ida, 1973) e, po an o, como as os ausen es de signi icação uni á ia.
Assim, De ida (1972) ap esen a-nos a es u u a p esen e em o no do e mo
comunicação e de como es a é comumen e e ida. A pa i daí, o au o o nece uma
ope ação não essencializan e pa a os mo imen os em o no do que se quei a
enquan o comunicação. Con udo, p ecisamos pa i , p imei amen e, daquilo que
en endemos com Saussu e (2006): oda a ques ão que en ol e o sis ema linguís ico
p opõe uma adição que edi ica a es u u ação echada do signo. Os esul ados
genealogicamen e es abelecidos po Saussu e, po meio de uma necessidade in e na,
exigem do signi icado a ep esen ação de uma imagem cujo encadeamen o,
ob iga o iamen e, es abelece as elações com o o a, po meio daquilo que é ido
enquan o signi ican e, e oda a ques ão do signo é, no inal das con as, uma
designação na qual os aciden es ex e nos da linguagem a e am o sis ema in e no
dessa mesma língua. Dessa manei a, o que Saussu e es abelece é um sen ido
imedia o ao ca á e dado pelo anúncio de algo.
Ou seja, com De ida (1991), en endemos que a au o idade o iginá ia do signo
co esponde às exigências clássicas de um p essupos o me a ísico e p esen e.
Po ém, os e ei os cons i uídos nessa p odução o iginá ia em o no do p óp io signo
ope am uma cisão, na qual o een io de um núcleo in ini i o e a i o do di e imen o
o ja oda a di e ença a pa i de um as o de sen ido p esen e no signi ican e. Quando
es e signo ep esen a a coisa em si — uma coisa em si dada em uma empo alização
p esen e —, ele solici a o sub e úgio a i o daquilo que en a ep esen a : a coisa em
si, de um en e-p esen e, pois exige uma p esença di e ida, pos o que aquilo que é
signi icado, az-se signi ican e a pa i de um en e-não-p esen e. Assim, oda a
di e ença essoa não apenas um mo imen o do signi icado, mas uma ce a o ma de
Bo ges Mon ei o, S. & A ila Se e o, A.
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mo ência, na qual “o simples a o de mo e , de se mo e ou se mo ido” (De ida,
1991, p. 40) in es e em uma mediação de en e: a indecidibilidade en e odo o a i o e
odo o passi o que se deixa designa pela p óp ia di e ença de sen ido. A
comunicação, po an o, é aqui ope ada enquan o e mo que busca, jus amen e, o
espaçamen o des a di e ença dada no in e io me a ísico do signo e que, po sua ez,
cons i ui-se na união en e o signi icado e o signi ican e.
Ainda, a pa i de uma pe spec i a não essencialis a, en endemos que o a o de
comunica não diz espei o apenas ao anspo e de uma p oposição, al qual o a
inicialmen e cogi ada, mas diz daquilo que se que . Is o é, a dispe são p esen e en e
aquilo que se comunica de uma pessoa à ou a, de um sujei o ao obje o, de um
signi icado a um signi ican e comp eende um espaçamen o no qual é possí el udo se
dize . É, po an o, jus amen e no in e io , an o quan o no ex e io , dado en e os
as os, os espaçamen os e os des ios das o ças a i as, ea i as e médias de um
signo que se az possí el udo se que e -dize ( ouloi -di e). A comunicação, assim,
que -dize de uma dispe são dada en e o in e locu o e o locu o , en e o eme en e e
o des ina á io, en e o signi icado e o signi ican e.
Podemos dize que, em De ida, que oda linguagem, como oda esc i a, em qualque
sis ema de signos, inclusi e a ala, o emisso , seja o alan e, au o , esc i u ado , pe de
seu sen ido de o igem. No li o G ama ologia (p. 104), o ilóso o ancês se e e e ao
e mo p og ama (pois em no ho izon e os disposi i os cibe né icos) como o esul ado
de uma composição, em ese, da elação con encional en e signi ican e-signi icado.
Um p og ama de compu ado , po exemplo, ou um p og ama de TV, como
composições que desejam uma p og amá ica linea di e a en e mensagei o-
mensagem, p og amado -p og ama. O a, sua posição se á sus en ada na
comp eensão de que um signi icado é, acima de udo, ou o signi ican e. Des e modo,
apenas a i icialmen e, pode-se ecupe a uma on e, uma o igem. Pa a De ida
(1973), o con ex o o iginal oi es aído: es am, apenas, aços. Qualque g a ema é um
aço co ado de sua p e ensa o igem. O des ina á io, ei o em des ine ance, pode á
lê-lo, ê-lo, ou i-lo enxe ando sua p óp ia le a, som, pala a. Não ha e á uma
expe iência pu a de signi icado, como a i ma Nie zsche, só ha e á in e p e ações (c . 7
[60], 2013).
A elação en e di e en es supo es e inúme os modos que pe mi em o p ocesso de
indi iduação es abelecidos a pa i de mo imen os da comunicação azem pensa as
o icinas enquan o uma ap oximação eó ica-me odológica com um ou mais a os
educa i os. Tal demanda pe mi e ques iona as o icinas desde sua es u u ação.
Nes a ia, a im de um encon o concei ual em o no da p opos a es abelecida com a
descons ução de idiana, en ende-se que Sand a Co azza o nece algumas ou as
in enções p odu i as pa a o desdob amen os des e ema. Com Co azza (2011), as
O icinas de Esc ilei u a o necem um andaime mul i alen e em o no do lei o , cuja
coau o ia comunica di e amen e a elação dada com o ex o esc i o, alendo-se, ainda,
A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es i-gação o obiog á ica
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Ainda que não enhamos p op iedade pa a ala do co po adminis a i o, do co po
discen e e do co po docen e das ins i uições nas quais as OCiE o am ealizadas,
en endemos que não se a a apenas de joga com as solida iedades eminen es. A
di e ença de 14% dos pon os en e o público e p i ado unem uma espécie de
hipo é ico que pode ia e unção no comba e do Es ado no ho izon e da ciência. Is o
é, não se que apenas pos ula a homogeneidade dos co pos unidos ou desunidos em
uma lu a em o no da equi ação do discu so. Con udo, como es abelecemos os
pa âme os nacionais de a aliação pa a a pon uação des es ex os, en endemos que é
e iden e e me ece ia, al ez, uma c í ica em comba e ao esponsá el que comp ome e
as p oposições ap esen adas. Es a di e ença não é aquilo que en endemos enquan o
o p óp io impossí el cunhado pela iloso ia de idiana, mas um signo es anhamen e
amilia de que há ce a culpabilidade que comp ome e a ques ão do cole i o, ainda
que “uma al p oblemá ica nem semp e se eduz, e às ezes em absolu o já não se
eduz, a uma p oblemá ica polí ica cen ada no Es ado” (De ida, 1999, p. 139), mas
em o mas apa en emen e in e ou anses a ais que comp ome em as es u u as
es a ais e as inalidades da o ganização sis emá ica.
Tais ques ões que omam a abs ação, po ezes epis emológica, do in e io das
es u u as — o que inclui ambém o sis ema a qui e ônico, a undação das
o ganizações e as adições e a ins aciden ais — de inem ce a azão que o ien a
empi icamen e as unções e enciais e a iá eis que con ex ualiza am as OCiE. Com
De ida (2007), en endemos que a lei da he e onomia, ao cunha a elação com o
ou o, implica na esponsabilidade que pe ence ao sis ema das o ças que escapam
e nem pode iam se con oladas, con udo, p ecisam comp ome e um en ol imen o
em o no das pala as, do e mos e dos concei os que pa ecem e unção de on ade
e sobe ania daquilo que de e ia se , apa en emen e, democ á ico. Nes a ia, es a lei
en ende que é p eciso in es i na esponsabilidade que ques iona o con a o com o
ou o — não necessa iamen e sujei o, mas co po igualmen e sabido, pois busca
descons ui a conjun u a do signo ap eendido em sua o ma (signi ican e) e
ep odu ibilidade es á el.
5.2. Au onomia C í ica
A im de con abiliza o con eúdo que o a p oduzido nos ex os das OCiE, pa imos do
que F ei e (2011) es abelece como au onomia. A pa i da in es igação, compu ou-se
a maio eco ência dos e mos u ilizados pelos pa icipan es, sendo “pai” e “ ilho” os
mais equen es nas esc i u as de ambas as escolas. Po ém, na escola p i ada, os
pa icipan es g a a am sessen a e oi o ezes o e mo “pai”, enquan o na escola
pública, o e mo “ ilho" o a o mais assíduo, apa ecendo in e e oi o ezes. Assim, os
ex os de Buildyuudy (nome ic ício escolhido pelo pa icipan e da OCiE da escola
p i ada) e A joma H. O ez (nome ic ício escolhido pelo pa icipan e da OCiE da
escola pública) o am selecionados pa a demons a al analí ica.
Bo ges Mon ei o, S. & A ila Se e o, A.
Ámbi os. Re is a In e nacional de Comunicación | ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733, Nº. 49. (2020)
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Buildyuudy esc i u a a pa i de Alike (2015) um mo imen o que pa ece assumi
au onomia em elação à igu a do pa e (pai, pa ido, pa ia cado, pa ão, es ado: o
ou o iden i icado). A esc i u a ala do medo da absolu a iden i icação, sem c í ica, de
uma o dem ins i uída. Lamen a a ausência de um discu so em o no da e na escola.
Ainda, Buildyuudy supõe um luga no qual comp eende sua p esença em sociedade,
po ém a ques iona e clama po uma discussão em o no do que é apa en emen e
negado. A joma H. O ez que au onomia. Con udo, em mo imen o di e en e do
ap esen ado po Buildyuudy. O ez não se p eocupa com a ida al como ela é: eple a
pela o ina do pai e ausen e pela o ina do ilho. O ez acei a a epe ição na sua ida e
en ende que ela pode di e i ; esc i u a, a pa i de um si ins i uído, as possibilidades de
seus ins in os: indaga não e udo, ei o Faus o, sob pena de Goe he, dian e de
Me is ó eles, di igen e dos des inos da e a. “Po que no posso e os dois?”. O que
O ez p opõe não oma como ques ão o eceio de se o na o ou o-p eso-à- o ina, o
ou o: que libe dade de dize sim, ao som do ma elo de Nie zsche. Eis as esc i u as,
espec i amen e:
É um ex o que mexe com odos na sala, uma ez que mui os de nós, emos o
medo de nos o na mos como o pai. Mui as ezes nos pegamos pensando em
como e a bom se c iança, ou odiando nossa o ina e ao e esse cu a nos
elacionamos, in elizmen e, ao pai. Acho que é uma ó ima e lexão e um
momen o em que podemos pa a pa a pensa o que pode se ei o pa a que
con inuemos semp e como a c iança ou “colo idos” e ambém acho que
assun os como esse (não cai na o ina, p ocu a a elicidade, se au ên ico)
de e iam se abo dados mais equen emen e em sala — Buildyuudy, OCiE,
2018.
O que é melho pa a mim? Num mundo onde eu i o, de o se igual aos ou os
pa a me jun a a sociedade ou segui os meus ins in os, se eliz? Quem eu
ealmen e sou? Po que não posso e os dois?
Com De ida (1973), en endemos que elação opológica a pa i dos e mos que
emp egam as iliações e genealogias assinam uma on ade de au onomia em elação
opológica as o ças esc i u adas. Is o é, a au onomia dos pa icipan es é ei e ada a
pa i de igu as que lhes pa eçam enquan o maximizações de suas p óp ias on ades
e o medo é aquilo que é p óp io do opológico, ainda que seja dado a pa i de uma
elação opológica: “o medo não em con á io, ele é coex ensi o a odo o campo das
paixões […] e o medo é de início o medo do p óp io co po, pelo co po p óp io, pelo
seu p óp io co po, ou seja, pela ida. A ida em medo” (De ida, 2016, p. 72-73).
Assim, a elação es abelecida po medo do que espec a u a es abelece uma esc i u a
que co obo a o i en e com um medo que é seu, dian e daquilo que cons i ui a si
mesmo, pois a opologia da esc i u a o ja opologicamen e a au onomia de co pos
que es ão se cons i uindo: o ou o e o eu, o con eúdo (signi icado) do signo que baliza
a es u u a la en e.
A os educa i os com o icines de ecog a ias: uma in es i-gação o obiog á ica
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5.3. Economia dos Signos
Es a úl ima e e cei a lei es abelecida disco e ace ca da casa ocupada pelo signo.
Com Heidegge (2000), uma das ques ões da linguagem gi a em o no des a es a
ocupada pela casa do se . Is o é, a linguagem o na-se mo ada do se . Assim,
Heidegge (1988) cunha o Dasein, al qual pa e do se , ainda que não seja seu
p esen e, nem aquilo que o cons i ui, mas a possibilidade de desc e ê-lo. Que dize , o
Dasein é ao mesmo empo abe o pelo se an o quan o é a sua abe u a. A im de
e i a uma exp essão que indica ia uma adução daquilo que o se é, Heidegge
a i ma que o se acon ece, pois ele se dá (E eigne ). Nesse sen ido, p ese a a
nuance en e o p óp io se e o seu i ido, ompendo com a obje i idade do se , pois
es e é is o enquan o um a o gené ico e sem subs ancialidade, execu o de uma
mani es ação e bal e desc i i a de se acon ecendo no ecido linguís ico, no qual o
seu ge úndio demanda a sua i ência: ainda que não escolha sua abe u a, es a
pe ence ao se , e a sua necessidade de abe u a pa a os en es mani es a o p óp io
en e como pe encimen o desse Dasein à abe u a que cons i ui o E eigne .
Ao adicaliza a in uição pa mênidica, Heidegge (2000) in oduz um elemen o
pe u bado ao pensamen o, pois cede o luga das p eocupações em o no das
ins i uições p op iamen e humanas pa a ab iga um ecido linguís ico. Dian e des e
ecido linguís ico, De ida (2009) p opõe que “quando o esc i o es á de un o como
signo-sinal que nasce a linguagem” (De ida, 2009, p. 15). Des e modo, o que De ida
(2007) ei e a é que o jogo do iângulo linguís ico deixa de se de um signo ao ou o
pa a eme e -se ao si mesmo, a um signo ausen e de sua signi icação, cuja a esc i u a
suspende o mo imen o u ili á io. Ainda que es a mesma esc i u a pe maneça ocupada
pelo anspo e da in o mação, enquan o uma expe iência e um umo a sua
des inação, des ina-se cons an emen e em e ância, em des ine ância
[des ine ance], pois c ia a o e a de sen ido, dissemina a comunicação comum e
(con)signa a e os imanen es daquilo que é p óp io do ex o, do que e -esc i u a , do
acon ecimen o da esc i u a enquan o al: um espaçamen o no qual os signos se
o nam.
Pa a demons a essa posição assumida nes e ex o, escolhemos um pa icipan e que
esc i u ou a pa i dos qua o cu as espec a u ados. Com nome ic ício Eu, o au o
esc i u ou em cada cu a, na o dem da exibição: “ não sei o que es ou azendo aqui”;
“ainda não sei o que es ou azendo aqui”; “ hoje me dei con a que é p ima e a”; “digam
à menina de azul que gos a ia de beijá-la”. “Eu” b inca com o jogo dos signos,
comunica que a casa des e jogo não de e economiza o seu que e -dize . Es e
esc i o-de un o como signo-sinal nasce como linguagem ao consigna a e os, pois
“deixa a pala a ao u i o é anquiliza -se na di é ance, is o é, na economia”
(De ida, 2009, p. 281). Que dize , “Eu” clama em seu não-nome a p esença de um
não-p esen e em si, de uma espec a u a que descola o signi ican e do signi icado e
dissemina o ex o em sua mani es ação mais especulá el: o ex o dissemina o si
Bo ges Mon ei o, S. & A ila Se e o, A.
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mesmo e ou o em uma conjec u ação de des ine âncias. Res a sabe a quem o a
des inado os seus aços, a quem o a ecog a ado suas a ecções e de onde ad eio a
poé ica de seus g a os. Ou, melho : udo is o é ques ão de as o.
6. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Comp eendemos que as O iCines de Ecog a ia c ia am sen idos a pa i do
espec a u ado. Como é ele an e das elações de a e ação que nem odos
sin oma izem em uma ia homogênea as in inidades de um caso, pudemos dize , com
Aumon (1992), que a imagem o a p odu o an o quan o o a mo ida no momen o
des as elações de a e ação. Assim, uma elação c iada en e o den o e o o a da
imagem, do ex o e do si mesmo cons i uí am a os de ap endizado. Tais a os
solici a am aos ilmes, ao momen o e aos pa icipan es que acionassem udo aquilo
que lhes coubesse a im de in en a , abula e ponde a sob e os cu as assis idos:
nes e empo, nes e eco e, os ilmes o am omados pelos p óp ios pa icipan es como
concei o, ainda que aciden ais.
Os p ocedimen os o am desen ol idos a pa i daquilo que de inimos enquan o
echog aphie. O e mo emp egado cons i ui a con ação de neologismos cunhados po
De ida em o no dos as os p esen es no in isí el: ace (De ida, 2002), g aphème e
phonème (De ida, 1973). Se a in es igação o obiog á ica busca a desa ia as cole as,
os li ígios dos dados em dispe são, o con a empo, dando-se desde as bo das, desde
seu pa a além sem pa a além da pala a alada ou esc i a, do aço e da co , da
imagem dese a quizada do signo, do sen ido e da o ma do signi ican e, a ecog a ia
o e ece um iângulo sem-pose e sem- epouso. Assim, despojados de udo aquilo que
ep esen a um empo sem desa ios, op amos pelo con a- empo das OCi: uma
ecog a ia que descons ói o iângulo linguís ico de duas pa es e enca aga-se de
o e ece uma opção não dialé ica. Os pa icipan es das OCi, pa a além de oda a
apódose, espec a u a am a pose e a oposição, mas no momen o em que con idados
a esc i u a , ub ica am uma con a-assina u a de au o ia na imagem dada a pensa e,
na expe iência da his ó ia da his ó ia, es a ese [ hesis, nomos, se zung, gese z] nos
oi dada a c ia : a lei como ema que não consis e em ep esen a , ou mesmo
ap esen a , à luz da imagem, um espec al que pode ia se di o de ou a manei a que
não: sem-pose e sem- epouso (c . De ida, 2012).
Os ês nómos dados-a-pensa omen a am, ambém, uma discussão em o no da
espec a u a enquan o uma possibilidade pa a mobiliza os a os educa i os: pa ece
que, pa a odos eles, uma lei pedagógica igo a a a in es igação. Tal ez es a lei
pedagógica seja o caminho da lei que az de uma o icina o desen ol imen o de um
conjun o de a e ações com auxílio das e nas i ências enquan o o p óp io a o
educacional. Uma possibilidade de pensa o que se que quando diz sem-pose e sem-
epouso pa a o assis ido e pa a os espec ado es. Que dize , en endemos, com
De ida (1991), que oda a ques ão é au obiog á ica, e po sê-la, en ol e ida e mo e
em p ocesso único, dispe so e comunicá el.
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No as
1 Es e abalho con ou com a pa icipação de bolsis as de Iniciação Cien í ica da Uni e sidade
Fede al de Ma o G osso; são eles: I is Clemen e de Oli ei a Bella o
(h p://la es.cnpq.b /4018120581669988), Louise Gomes de Pinho
(h p://la es.cnpq.b /5812615840678634), Ma eus Mo aes de Oli ei a
(h p://la es.cnpq.b /9343301278452146) e Ma heus Bassan Al ino B ombim Lopes
(h p://la es.cnpq.b /0911734042003411).
2 Agamben a a á a ques ão do nómos enquan o um campo do biopolí ico na mode nidade. Ao
es abelece uma genealogia dos go e nos e polí icas, o au o concei ua o nómos em o no de
biopolí ico sec e o que diagnos ica uma c í ica da ealidade em seus aspec os es u u an es
sob e o nexo exis en e en e pode polí ico e ida nua. Tal con ibuição da acionalidade polí ica
não se á ques ão des e abalho. Ve mais em AGAMBEN, G. (2010). Homo Sace : pode
sobe ano e ida nua I (H. Bu go, T ad.). Belo Ho izon e: Edi o a UFMG.
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