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es o ço de p ocu a incessan emen e um
maio g au de pe eição az pa e do e hos
humano. O que o an igene icismo ejei a
é a p odução de homens a i iciais que
ompem a ligação com a na u eza e com
a his ó ia.
Bibliog.: ARCHER, Luís, Da Gené ica à Bioé ica,
Coimb a, G á ica de Coimb a, 2006; BAR-
BAS, S ela, Di ei os do Genoma Humano, Coim-
b a, Almedina, 2007; DAMÁSIO, An ónio, O
E o de Desca es: Emoção, Razão e Cé eb o Hu-
mano, Mem Ma ins, Eu opa-Amé ica, 1994;
FUKUYAMA, F ancis, O Nosso Fu u o Pós-Hu-
mano. Consequências da Re olução Bio ecnológica,
Lisboa, Que zal, 2002; GARCIA, José Luís, En-
genha ia Gené ica dos Se es Humanos, Me cado iza-
ção e É ica, Disse ação de Dou o amen o em
Ciências Sociais ap esen ada à Uni e sidade
de Lisboa, Lisboa, ex o policopiado, 2004;
Id., “Bio ecnologia e biocapi alismo global”,
Análise Social, ol.
xli
, n.º 181, 2006, pp. 981-
-1009; NUNES, Rui e al. (coo ds.), Genoma e
Dignidade Humana, Coimb a, G á ica de Coim-
b a, 2002; PATRÃO-NEVES, Ma ia do Céu,
“O genoma e a iden idade da pessoa”, in NU-
NES, Rui e al. (coo ds.), Genoma e Dignidade
Humana, Coimb a, G á ica de Coimb a, 2002,
pp. 25-38; SERRÃO, Daniel, e NUNES, Rui
(coo ds.), É ica em Cuidados de Saúde, Po o,
Po o Edi o a, 1998; SLOTERDJIK, Pe e , Re-
geln u den Menschenpa k, F ank u am Main,
Suh kamp, 1999; SOARES, Jo ge, “In es iga-
ção gené ica: con li os, esponsabilidades e
alo es”, in BARBOSA, An ónio e al. (eds.),
G a i ações Bioé icas, Lisboa, Cen o de Bioé ica
da Faculdade de Medicina da Uni e sidade de
Lisboa, 2012, pp. 331-345; SOROMENHO
-MARQUES, Vi ia o, Me amo oses. En e o Co-
lapso e o Desen ol imen o Sus en á el, Mem Ma -
ins, Eu opa-Amé ica, 2005; STABLEFORD,
B ian, Re olução Gené ica. His ó ias Fan ás icas e
Ino ado as da Engenha ia da Vida, Lisboa, Di u-
são Cul u al, 1992; STOCK, G ego y, Choosing
Ou Child en’s Genes. Redesigning Humans, Lon-
don, P o ile Books, 2002; VIDEIRA, A naldo
(coo d.), Engenha ia Gené ica. P incípios e Aplica-
ções, Lisboa, Lidel, 2001.
Adelino Ca doso
An igeocen ismo
En e os Jesuí as que, ao empo de
Galileu, se dedica am ao ensino da
iloso ia e das ciências ísico-ma emá icas
no Colégio das A es, em Coimb a, e de
San o An ão, em Lisboa, des acou-se o i a-
liano Ch is opho o Bo i. Ainda jo em,
Bo i já mos a a a sua simpa ia pela co -
en e an ip olomaica, e elando uma pai-
xão a den e pelas ideias en ão nascen es
(&An i -heliocen ismo); oi po isso al o
de denúncia a sua “p ecipi ação ex emis-
a” (MAURÍCIO, 1951, 120), e o mesmo
Bo i di ige ao ao P.e Múcio Vi elleschi,
ge al da Companhia de Jesus (1615-1645),
um memo ial in i ulado Al mol o Re P e.
Gene ale. Ch is o o o Bo i sop a il Lib o Che
Ho Compos o pe S ampa e delli T e Cieli, no
qual na a as consequências da de esa
das no as ideias que coloca am em causa
o sis ema geocên ico. No pe íodo en e
1581 e 1615 i eu-se na Companhia, en e
os discípulos de Ch is opho us Cla ius,
um ímpe o e lexi o sob e os di e sos a-
mos do sabe , em elação ao qual Bo i
mos ou simpa ia, endo undamen ado a
sua discussão ace ca da epis emologia da
ma emá ica na ob a De Ma hema ica um
Na u a Disse a io de Giuseppe Biancani.
O en ol imen o dos seus mes es Ch is-
opho us Cla ius (que es uda a no Colé-
gio das A es, em Coimb a), Ch is opho-
us G ienbe ge e Gio anni Paolo Lembo
(que ensina am no Colégio de San o An-
ão, em Lisboa) na comp o ação das ob-
se ações dos sa éli es de Júpi e po Ga-
lileu mos a a pa icipação dos Jesuí as na
eme gência dos no os pa adigmas cien í-
icos e nas suas epe cussões em Po ugal.
Também Giuseppe Biancani decla ou, em
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1611, a sua amizade e admi ação po Ga-
lileu, embo a não conco dasse com algu-
mas das suas ideias.
Em 1623, Bo i es a a em Goa quando
esc e eu um pequeno a ado in i ulado
De No a Mundi Cons i u ione Jux a Sys e-
ma Tichonis B ahe alio umque Recen io um
Ma hema ico um. Em 1626, encon a a-se
em Coimb a, onde ealizou algumas ob-
se ações as onómicas, usando pa a o
e ei o o elescópio e ou os ins umen os
de D. And é de Almada, len e de eolo-
gia e ei o da Uni e sidade de 1638 a
1640, que, a pa i da desc ição de Tycho
B ahe na As onomia Ins au a æ Mechanica
(1602), manda a cons ui um quad an-
e, com o qual epe i a, jun amen e com
alguns amigos, de e minadas obse ações
daquele as ónomo. Apon ando o elescó-
pio à lua no a de julho de 1627, Bo i ez
uma g a u a que é p o a elmen e o mais
an igo documen o g á ico de uma ob-
se ação as onómica ei a em Po ugal.
Nes a época, Bo i deu uma sé ie de li-
ções de ma emá ica e as onomia, cujo
ex o – T ac a us aliquo de Ma hema ica
Disciplina – oi esc i o po Inácio Nunes,
que em 1626-1627 e a inalis a de A es.
Após a sua passagem pelo Colégio de
San o An ão, em 1628, di ou na Aula da
Es e a, em Lisboa, a No a As onomia e
a A e de Na ega , cujo manusc i o, exis-
en e na Biblio eca da Uni e sidade de
Coimb a, eúne um conjun o de a ados
com os í ulos: A e de Na ega e em pa i-
cula de Les e Oes e pello Pad e Mes e C is o-
aõ B uno no Collegio de San o An aõ des a
Cidade de Lx.ª a 19 de Ma ço de 1628; No a
As onomia, na qual se Re u a a An iga da
Mul idão de 12 Ceos Pondo so T es, Ae eo, Ci-
de eo, e Impi eo; 2.ª Pa e da No a As onomia
Que He das No as Appa encias Que no Ceo Se
Obse a aõ Nes es Nossos Tempos; e A e da
Memo ia, escla ecendo que odas “es as
ma é ias o am dadas em o Colégio de
S. An ão pelo P.e M.e C is ó ão B uno”
(BGUC, Códs. 1-250). A segunda pa e
oi publicada numa e são la ina, Collec a
As onomica ex Doc ina P. Ch is opho i Bo i.
Em 1624, já e ia edigido o a ado De
Coelo um Tenui a e ac Mo u Plane a um in
Au a Ae he ea, ob a que eúne um con-
jun o de seis a ados com os seguin es
í ulos: De An iqua As onomia e Eius Con-
u a ione; De No is Appa en iis, Quae Nos is
Tempo ibus Sun ; De Caelo um Tenui a e,
ac Mo u Plane a um in Au a Ae he ea; De
Nume o Caelo um T ibus Conclus Ionibus
Absoluemus hanc Qua am Pa em, Quae
Es Resolu o ia Nos ae hac de Re Sen en iae;
Quaes iones Physicae de Caelo iux a No am
As onomiam; De C ea ione Caelo um. Rela-
cionados com as suas lições, são ambém
conhecidos ou os manusc i os, como De
As ologia Uni e sa, Anno 1612; Expe iência
Que Se Manda ão Faze pa a a Na egação de
Les e a Oes e. Re i a-se ainda o Regimen o
Que o Pe. C.B. Dá aos Pilo os das Naus da
Índia pa a Faze em a Expe iência sob e a
Folha de os o de De Ma hema ica um Na u a
Disse a io, de giuseppe Biancani (1566-1624).
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In enção de Na ega de Les e ao Oes e (cujo
manusc i o se encon a a na Biblio eca
da Academia das Ciências de Lisboa, de
onde e á desapa ecido).
Foi a a és da Collec a As onomica, pu-
blicada a pa i de esc i os an e io es a
1631, e das suas lições que Bo i lançou
em Po ugal a p imei a e o ma cien í i-
ca mode na, deixando bem incada, com
alguma i onia, a sua in enção de elimina
as eo ias pe ipa é icas. O Side eus Nuncius
de Galileu oi a ob a que, de uma o ma
de ini i a, ques ionou e colocou em cau-
sa a solidez e a coe ência da ciência adi-
cional, em pa icula em elação ao geo-
cen ismo. O elescópio con ibuiu pa a
comp o a a agilidade dos a gumen os
a is o élicos e alimen a a g ande e olu-
ção que se gene aliza a nos espí i os dos
ma emá icos. As obse ações as onómi-
cas ambém i e am g ande impac o em
Po ugal; com e ei o, a descobe a das
manchas sola es e a discussão ge ada a
espei o da ma é ia, da o ma, do luga ,
do mo imen o e da du ação dessas man-
chas ouxe am di iculdades à a eigada
conceção a is o élica de que a subs ância
celes e e a inco up í el.
Na Collec a As onomica, Bo i mani es-
ou-se con a os de enso es do modelo
p olomaico e de endeu, en e ou as, a
eo ia da luidez dos céus, comp o an-
do-a com a obse ação dos as os. Os
seus esc i os con ibuí am pa a a di usão
des as ideias, embo a não enha sido o
p imei o a azê-lo em Po ugal. Foi o p ó-
p io Bo i a admi i que o jesuí a Manuel
Dias já inha publicado, em 1619, um o-
lhe o a espei o dos come as obse ados
em 1618, in i ulado T a ado con a os Que
Julgam Que os Come as São Subluna es e Ele-
men a es.
Pa a undamen a as suas opiniões,
Bo i conside a a necessá io, em p imei-
o luga , não con undi iloso ia e ma e-
má ica. Se, po um lado, a ma emá ica
nada a i ma a sem demons ações, po
ou o, a iloso ia ensina a equen emen-
e conje u as e me as p obabilidades. Na
as onomia, po sua ez, os p incípios
p o a am-se pela expe iência, deduzin-
do-se as conclusões. O p o esso jesuí a
do Colégio das A es de endia, ainda que
achasse impe ei os alguns ins umen os
po ele u ilizados, a adoção do modelo
de Tycho B ahe, já que os ins umen os
des e as ónomo e am na época os mais
exa os, sendo nomeadamen e melho-
es do que os u ilizados po Copé nico.
Es e ac o cons i uía, na sua opinião, uma
ga an ia de que o sis ema ychonico e a
p e e í el aos ou os. Exce uando a a gu-
men ação elacionada com o mo imen o
da Te a, Bo i conside a a que os sis e-
mas de Copé nico e de Tycho B ahe em
pouco di e giam, uma ez que um e ou-
o conside a am o Sol o cen o dos mo-
imen os plane á ios. Tal como ou os as-
ónomos que lhe sucede am nas escolas
Páginas de Collec a As onomica,
de Ch is o o o Bo i (1583-1632).
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po uguesas du an e o séc. x ii, conside-
a a que não ha ia a gumen os ísicos ou
ma emá icos que impusessem uma acei-
ação ou ejeição de ini i a de qualque
dos dois e e idos sis emas do mundo.
Apenas os a gumen os eológicos a o e-
ciam a acei ação dos modelos geocên i-
cos como mais p o á eis. Assim, p e e iu
ado a o modelo de Tycho, uma ez que o
de Copé nico inha sido impugnado pe-
los dec e os omanos de 5 de ma ço de
1616 (&An iheliocen ismo).
Bibliog.: manusc i a: ANTT, A má io Jesuí ico
e Ca ó io dos Jesuí as, Ch is opho o Bo i,
Al mol o Re . P e. Gene ale. Ch is o o o Bo i so-
p a il Lib o Che Ho Compos o pe S ampa e delli
T e Cieli, . xix, ls.314ss.; Biblio eca Ge al da
Uni e sidade de Coimb a, códs. 1-250, Ch is-
opho o Bo i, A e de Na ega , 1628; Biblio e-
ca Nazionale Cen ale Rome, Fondo Gesui ico,
ms.587, Ch is opho o Bo i, De As ologia Uni-
e sa T ac a us, Anno 1612; imp essa: ANDRA-
DE, A. Banha de, “An es de Ve nei nasce ”,
B o é ia, ol. xl, asc. 4, ab . 1945, pp. 374-
-375; BORRI, Ch is opho o, Collec a As onomi-
ca ex Doc ina P. Ch is opho i Bo i, Mediolanensis,
ex Socie a e Iesu, de T ibus Caelis, Ae eo, Syde eo,
Empy eo. Iussu, e S udio Domini D. G ego ii de Cas-
elb anco Comi is Villae No ae, So elliae, & Goe-
siae Domus Dynas ae, Lisboa, Ma ias Rod igues,
1631; CAROLINO, Luís Miguel, “C is o o o
Bo i and he epis emological s a us o ma-
hema ics in se en een h -cen u y Po ugal”,
His o ia Ma hema ica, ol.34, n.º 2, maio 2007,
pp.187 -205; CARVALHO, Joaquim de, “Ga-
lileu e a cul u a po uguesa”, Biblos, ol. xix,
1943, pp. 399 -482; MAURÍCIO, Domingos,
“Os Jesuí as e o ensino das ma emá icas em
Po ugal”, B o é ia, ol. xx, asc. 3, ma . 1935,
pp. 189-205; Id., “Vicissi udes da ob a do
P.eC is ó ão Bo i”, Anais da Academia Po ugue-
sa da His ó ia, ol. 3, iisé ., 1951, pp.117-150.
Décio Rui o Ma ins
An ige manismo
Em igo , só se pode ala de an ige -
manismo a pa i da o mação de
Es ados nacionais no séc. xix. Con udo,
já no humanismo su gi am a ibuições
de ca ác e nacional, nomeadamen e
pa a diaboliza o espe i o inimigo, que
de em se conside adas aízes do nacio-
nalismo mode no. Nes a “compe ição
das nações”, exp essam-se a e os e obias,
undamen ados em acon ecimen os mi i-
icados de épocas an e io es. A endên-
cia cul u al de an iba ba ies po pa e do
humanismo i aliano despe a a endên-
cia opos a de an i omani as, na cons u-
ção ideal duma pa ia Ge mania que se
consolida no No e do Sac o Impé io
Romano-Ge mânico. Após a Re o ma,
es e an agonismo é a a essado pela lu a
con essional en e a an i omani as p o es-
an e e a an iba ba ies ca ólica. São p o-
cessos que demons am a complexidade
das au o e he e oa ibuições; no caso da
iden idade alemã, a a-se: (i) de uma de-
inição do ge mânico sensu la o a pa i
da isão dos in aso es omanos no séc. i
a.C., in ocada como base in a iá el pa a
épocas pos e io es ( ex o de e e ência:
De O igine e Si u Ge mano um, 98 d.C., de
Caio Co nélio Táci o), nomeadamen e
no Sul da Eu opa, con luindo po sua ez
com a imagem dos eu ões ca ac e izada
pelo u o eu onicus, a pa i da desc ição
de Ma co Aneu Lucano em De Bello Ci ili;
(ii) de uma de inição sensu s ic o, que ini-
cialmen e se e e e aos países de língua
alemã den o e ambém o a do Sac o Im-
pé io Romano-Ge mânico, e que se a u-
nila con o me um p ocesso complexo:
po um lado, uni icação, acele ada pelas
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