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Antigeocentrismo

Martins, Décio Ruivo

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An igeocen ismo 869 es o ço de p ocu a incessan emen e um maio g au de pe eição az pa e do e hos humano. O que o an igene icismo ejei a é a p odução de homens a i iciais que ompem a ligação com a na u eza e com a his ó ia. Bibliog.: ARCHER, Luís, Da Gené ica à Bioé ica, Coimb a, G á ica de Coimb a, 2006; BAR- BAS, S ela, Di ei os do Genoma Humano, Coim- b a, Almedina, 2007; DAMÁSIO, An ónio, O E o de Desca es: Emoção, Razão e Cé eb o Hu- mano, Mem Ma ins, Eu opa-Amé ica, 1994; FUKUYAMA, F ancis, O Nosso Fu u o Pós-Hu- mano. Consequências da Re olução Bio ecnológica, Lisboa, Que zal, 2002; GARCIA, José Luís, En- genha ia Gené ica dos Se es Humanos, Me cado iza- ção e É ica, Disse ação de Dou o amen o em Ciências Sociais ap esen ada à Uni e sidade de Lisboa, Lisboa, ex o policopiado, 2004; Id., “Bio ecnologia e biocapi alismo global”, Análise Social, ol. xli , n.º 181, 2006, pp. 981- -1009; NUNES, Rui e al. 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No pe íodo en e 1581 e 1615 i eu-se na Companhia, en e os discípulos de Ch is opho us Cla ius, um ímpe o e lexi o sob e os di e sos a- mos do sabe , em elação ao qual Bo i mos ou simpa ia, endo undamen ado a sua discussão ace ca da epis emologia da ma emá ica na ob a De Ma hema ica um Na u a Disse a io de Giuseppe Biancani. O en ol imen o dos seus mes es Ch is- opho us Cla ius (que es uda a no Colé- gio das A es, em Coimb a), Ch is opho- us G ienbe ge e Gio anni Paolo Lembo (que ensina am no Colégio de San o An- ão, em Lisboa) na comp o ação das ob- se ações dos sa éli es de Júpi e po Ga- lileu mos a a pa icipação dos Jesuí as na eme gência dos no os pa adigmas cien í- icos e nas suas epe cussões em Po ugal. Também Giuseppe Biancani decla ou, em DicANTIS_4as_F-G_714-896.indd 869 24/07/18 11:01 An igeocen ismo 870 1611, a sua amizade e admi ação po Ga- lileu, embo a não conco dasse com algu- mas das suas ideias. Em 1623, Bo i es a a em Goa quando esc e eu um pequeno a ado in i ulado De No a Mundi Cons i u ione Jux a Sys e- ma Tichonis B ahe alio umque Recen io um Ma hema ico um. Em 1626, encon a a-se em Coimb a, onde ealizou algumas ob- se ações as onómicas, usando pa a o e ei o o elescópio e ou os ins umen os de D. And é de Almada, len e de eolo- gia e ei o da Uni e sidade de 1638 a 1640, que, a pa i da desc ição de Tycho B ahe na As onomia Ins au a æ Mechanica (1602), manda a cons ui um quad an- e, com o qual epe i a, jun amen e com alguns amigos, de e minadas obse ações daquele as ónomo. Apon ando o elescó- pio à lua no a de julho de 1627, Bo i ez uma g a u a que é p o a elmen e o mais an igo documen o g á ico de uma ob- se ação as onómica ei a em Po ugal. Nes a época, Bo i deu uma sé ie de li- ções de ma emá ica e as onomia, cujo ex o – T ac a us aliquo de Ma hema ica Disciplina – oi esc i o po Inácio Nunes, que em 1626-1627 e a inalis a de A es. Após a sua passagem pelo Colégio de San o An ão, em 1628, di ou na Aula da Es e a, em Lisboa, a No a As onomia e a A e de Na ega , cujo manusc i o, exis- en e na Biblio eca da Uni e sidade de Coimb a, eúne um conjun o de a ados com os í ulos: A e de Na ega e em pa i- cula de Les e Oes e pello Pad e Mes e C is o- aõ B uno no Collegio de San o An aõ des a Cidade de Lx.ª a 19 de Ma ço de 1628; No a As onomia, na qual se Re u a a An iga da Mul idão de 12 Ceos Pondo so T es, Ae eo, Ci- de eo, e Impi eo; 2.ª Pa e da No a As onomia Que He das No as Appa encias Que no Ceo Se Obse a aõ Nes es Nossos Tempos; e A e da Memo ia, escla ecendo que odas “es as ma é ias o am dadas em o Colégio de S. An ão pelo P.e M.e C is ó ão B uno” (BGUC, Códs. 1-250). A segunda pa e oi publicada numa e são la ina, Collec a As onomica ex Doc ina P. Ch is opho i Bo i. Em 1624, já e ia edigido o a ado De Coelo um Tenui a e ac Mo u Plane a um in Au a Ae he ea, ob a que eúne um con- jun o de seis a ados com os seguin es í ulos: De An iqua As onomia e Eius Con- u a ione; De No is Appa en iis, Quae Nos is Tempo ibus Sun ; De Caelo um Tenui a e, ac Mo u Plane a um in Au a Ae he ea; De Nume o Caelo um T ibus Conclus Ionibus Absoluemus hanc Qua am Pa em, Quae Es Resolu o ia Nos ae hac de Re Sen en iae; Quaes iones Physicae de Caelo iux a No am As onomiam; De C ea ione Caelo um. Rela- cionados com as suas lições, são ambém conhecidos ou os manusc i os, como De As ologia Uni e sa, Anno 1612; Expe iência Que Se Manda ão Faze pa a a Na egação de Les e a Oes e. Re i a-se ainda o Regimen o Que o Pe. C.B. Dá aos Pilo os das Naus da Índia pa a Faze em a Expe iência sob e a Folha de os o de De Ma hema ica um Na u a Disse a io, de giuseppe Biancani (1566-1624). DicANTIS_4as_F-G_714-896.indd 870 24/07/18 11:01 An igeocen ismo 871 In enção de Na ega de Les e ao Oes e (cujo manusc i o se encon a a na Biblio eca da Academia das Ciências de Lisboa, de onde e á desapa ecido). Foi a a és da Collec a As onomica, pu- blicada a pa i de esc i os an e io es a 1631, e das suas lições que Bo i lançou em Po ugal a p imei a e o ma cien í i- ca mode na, deixando bem incada, com alguma i onia, a sua in enção de elimina as eo ias pe ipa é icas. O Side eus Nuncius de Galileu oi a ob a que, de uma o ma de ini i a, ques ionou e colocou em cau- sa a solidez e a coe ência da ciência adi- cional, em pa icula em elação ao geo- cen ismo. O elescópio con ibuiu pa a comp o a a agilidade dos a gumen os a is o élicos e alimen a a g ande e olu- ção que se gene aliza a nos espí i os dos ma emá icos. As obse ações as onómi- cas ambém i e am g ande impac o em Po ugal; com e ei o, a descobe a das manchas sola es e a discussão ge ada a espei o da ma é ia, da o ma, do luga , do mo imen o e da du ação dessas man- chas ouxe am di iculdades à a eigada conceção a is o élica de que a subs ância celes e e a inco up í el. Na Collec a As onomica, Bo i mani es- ou-se con a os de enso es do modelo p olomaico e de endeu, en e ou as, a eo ia da luidez dos céus, comp o an- do-a com a obse ação dos as os. Os seus esc i os con ibuí am pa a a di usão des as ideias, embo a não enha sido o p imei o a azê-lo em Po ugal. Foi o p ó- p io Bo i a admi i que o jesuí a Manuel Dias já inha publicado, em 1619, um o- lhe o a espei o dos come as obse ados em 1618, in i ulado T a ado con a os Que Julgam Que os Come as São Subluna es e Ele- men a es. Pa a undamen a as suas opiniões, Bo i conside a a necessá io, em p imei- o luga , não con undi iloso ia e ma e- má ica. Se, po um lado, a ma emá ica nada a i ma a sem demons ações, po ou o, a iloso ia ensina a equen emen- e conje u as e me as p obabilidades. Na as onomia, po sua ez, os p incípios p o a am-se pela expe iência, deduzin- do-se as conclusões. O p o esso jesuí a do Colégio das A es de endia, ainda que achasse impe ei os alguns ins umen os po ele u ilizados, a adoção do modelo de Tycho B ahe, já que os ins umen os des e as ónomo e am na época os mais exa os, sendo nomeadamen e melho- es do que os u ilizados po Copé nico. Es e ac o cons i uía, na sua opinião, uma ga an ia de que o sis ema ychonico e a p e e í el aos ou os. Exce uando a a gu- men ação elacionada com o mo imen o da Te a, Bo i conside a a que os sis e- mas de Copé nico e de Tycho B ahe em pouco di e giam, uma ez que um e ou- o conside a am o Sol o cen o dos mo- imen os plane á ios. Tal como ou os as- ónomos que lhe sucede am nas escolas Páginas de Collec a As onomica, de Ch is o o o Bo i (1583-1632). DicANTIS_4as_F-G_714-896.indd 871 24/07/18 11:01 An ige mAnismo 872 po uguesas du an e o séc. x ii, conside- a a que não ha ia a gumen os ísicos ou ma emá icos que impusessem uma acei- ação ou ejeição de ini i a de qualque dos dois e e idos sis emas do mundo. Apenas os a gumen os eológicos a o e- ciam a acei ação dos modelos geocên i- cos como mais p o á eis. Assim, p e e iu ado a o modelo de Tycho, uma ez que o de Copé nico inha sido impugnado pe- los dec e os omanos de 5 de ma ço de 1616 (&An iheliocen ismo). Bibliog.: manusc i a: ANTT, A má io Jesuí ico e Ca ó io dos Jesuí as, Ch is opho o Bo i, Al mol o Re . P e. Gene ale. Ch is o o o Bo i so- p a il Lib o Che Ho Compos o pe S ampa e delli T e Cieli, . xix, ls.314ss.; Biblio eca Ge al da Uni e sidade de Coimb a, códs. 1-250, Ch is- opho o Bo i, A e de Na ega , 1628; Biblio e- ca Nazionale Cen ale Rome, Fondo Gesui ico, ms.587, Ch is opho o Bo i, De As ologia Uni- e sa T ac a us, Anno 1612; imp essa: ANDRA- DE, A. Banha de, “An es de Ve nei nasce ”, B o é ia, ol. xl, asc. 4, ab . 1945, pp. 374- -375; BORRI, Ch is opho o, Collec a As onomi- ca ex Doc ina P. Ch is opho i Bo i, Mediolanensis, ex Socie a e Iesu, de T ibus Caelis, Ae eo, Syde eo, Empy eo. Iussu, e S udio Domini D. G ego ii de Cas- elb anco Comi is Villae No ae, So elliae, & Goe- siae Domus Dynas ae, Lisboa, Ma ias Rod igues, 1631; CAROLINO, Luís Miguel, “C is o o o Bo i and he epis emological s a us o ma- hema ics in se en een h -cen u y Po ugal”, His o ia Ma hema ica, ol.34, n.º 2, maio 2007, pp.187 -205; CARVALHO, Joaquim de, “Ga- lileu e a cul u a po uguesa”, Biblos, ol. xix, 1943, pp. 399 -482; MAURÍCIO, Domingos, “Os Jesuí as e o ensino das ma emá icas em Po ugal”, B o é ia, ol. xx, asc. 3, ma . 1935, pp. 189-205; Id., “Vicissi udes da ob a do P.eC is ó ão Bo i”, Anais da Academia Po ugue- sa da His ó ia, ol. 3, iisé ., 1951, pp.117-150. Décio Rui o Ma ins An ige manismo Em igo , só se pode ala de an ige - manismo a pa i da o mação de Es ados nacionais no séc. xix. Con udo, já no humanismo su gi am a ibuições de ca ác e nacional, nomeadamen e pa a diaboliza o espe i o inimigo, que de em se conside adas aízes do nacio- nalismo mode no. Nes a “compe ição das nações”, exp essam-se a e os e obias, undamen ados em acon ecimen os mi i- icados de épocas an e io es. A endên- cia cul u al de an iba ba ies po pa e do humanismo i aliano despe a a endên- cia opos a de an i omani as, na cons u- ção ideal duma pa ia Ge mania que se consolida no No e do Sac o Impé io Romano-Ge mânico. Após a Re o ma, es e an agonismo é a a essado pela lu a con essional en e a an i omani as p o es- an e e a an iba ba ies ca ólica. São p o- cessos que demons am a complexidade das au o e he e oa ibuições; no caso da iden idade alemã, a a-se: (i) de uma de- inição do ge mânico sensu la o a pa i da isão dos in aso es omanos no séc. i a.C., in ocada como base in a iá el pa a épocas pos e io es ( ex o de e e ência: De O igine e Si u Ge mano um, 98 d.C., de Caio Co nélio Táci o), nomeadamen e no Sul da Eu opa, con luindo po sua ez com a imagem dos eu ões ca ac e izada pelo u o eu onicus, a pa i da desc ição de Ma co Aneu Lucano em De Bello Ci ili; (ii) de uma de inição sensu s ic o, que ini- cialmen e se e e e aos países de língua alemã den o e ambém o a do Sac o Im- pé io Romano-Ge mânico, e que se a u- nila con o me um p ocesso complexo: po um lado, uni icação, acele ada pelas DicANTIS_4as_F-G_714-896.indd 872 24/07/18 11:01