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Antiparacelsismo

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Antiparacelsismo

Author: Costa, António M. Amorim da
Publisher: Instituto Europeu de Ciências da Cultura P. Manuel Antunes (IECCPMA) e Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Year: 2019
Source: https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/95646/1/Antiparacelsismo_1408-1411.pdf
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Osó io de, “Jansenismo”, in AZEVEDO, Ca -
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DO, Ca los Mo ei a (di .), Dicioná io de His ó-
ia Religiosa de Po ugal, ol. iii, Lisboa, Cí culo
de Lei o es, 2001, pp. 462-464; FELÍCIO, Ma-
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e Deba e Público, Viseu, Ins i u o Supe io de
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LEITE, A., “Conco da as”, in AZEVEDO, Ca -
los Mo ei a (di .), Dicioná io de His ó ia Religiosa
de Po ugal, ol. i, Lisboa, Cí culo de Lei o es,
2001, pp. 423-429; MARCOS, Rui Manuel
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Ins i u o Nacional de In es igação Cien í ica,
1983; RAMOS, Luís de Oli ei a, “Regalismo”,
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de His ó ia Religiosa de Po ugal, ol. i , Lisboa,
Cí culo de Lei o es, 2001, pp. 96-99; SAN-
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Ped o Ca los Lopes de Mi anda
An ipa acelsismo
Nascido em Einsieden, pe o de
Zu ique, em 1493, Philippus Au-
eolus Theoph as us Bombas us on
Hohenheim, de pseudónimo Pa acelso,
começou po abalha como ap endiz
nas minas de Villac, onde seu pai se es a-
belece a. Depois, p incipiou a sua o ma-
ção escola como discípulo de T i emius
(1462-1516). Ao longo de á ias décadas,
dedicou-se ao es udo da medicina, e-
quen ando á ias uni e sidades e pe -
co endo du an e anos os mais di e sos
ecan os do mundo, à p ocu a do que ne-
les se azia nes a á ea. Apaixonado pelo
neopla onismo, o nou-se um es udioso
da na u eza na en a i a de bem en en-
de o co po humano e de busca as me-
lho es soluções pa a as en e midades que
a a a. Apaixonado pela Bíblia, de o ou
p o undo in e esse ao es udo da as olo-
gia, da alquimia, da cabala e da magia.
Mas oi a medicina que ocupou o p imei-
o luga nas suas a i idades de clínico e
de p o esso , nos mais di e sos locais em
que e e ocasião de ensina du an e oda
a sua ida.
Homem do Renascimen o, em ez de
se apaixona pela iloso ia e pelas p á icas
dos an igos, cedo se o nou um ad e sá-
io acé imo das dou inas de A is ó eles,
cuja au o idade comba eu po odos mo-
dos e com a mais du a linguagem. Lu ou
com igual adicalismo e in ole ância con-
a a medicina galénica e a as onomia
de P olomeu, menosp ezando os colegas,
cujos li os e a os conside a a se em ape-
nas cópias de Hipóc a es e de Galeno,
indo a pon o de queima publicamen e
ob as de A is ó eles, Galeno e A icena, e
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opondo-se com oda a eemência à ci cu-
lação de qualque ob a edigida em la-
im, po en ende que o ensino de ia se
minis ado em e náculo, no seu caso, o
alemão.
No seu he me ismo, de endeu o p in-
cípio de uma igo osa co espondência e
analogia en e o mac ocosmo (o uni e -
so ex e io ao homem) e o mic ocosmo
(o uni e so do co po humano), a i man-
do exis i en e ambos uma elação cons-
an e e ecíp oca. Pa a ele, o e dadei o
médico de e ia encon a a e dade ape-
nas e só nos dois li os di inos: a Re e-
lação (a Bíblia) e a c iação (a na u eza).
Na sua in e p e ação da c iação, de en-
deu uma química apoiada nos ia p ima,
o enxo e, o me cú io e o sal, e uma me-
dicina cen ada nos a cana, os a canos,
p incípios inco pó eos e e nos com o
pode de ansmu a os doen es. Na sua
in ansigência à cul u a dos an igos, ne-
gou qualque alo à p á ica da medicina
galénica, de endendo em seu luga uma
medicina em que ao médico cabe ia p e-
pa a os a cana e em cada um deles des-
cob i , u ilizando odos os mé odos quí-
micos possí eis, a o ça ina a e i al que
neles es á ocul a, a sua quin a-essência, o
seu a cheus, único modo de comba e as
doenças. A sua missão se ia p epa á-los,
manuseando de idamen e o calo com o
calo , o io com o io, o húmido com o
húmido, o seco com o seco, e c., na ce -
eza de que o simila se cu a pelo simila .
A química de e ia, pois, se ia oquímica,
química espagí ica, uma química o ada
à cu a das doenças.
Con a as p á icas da medicina galéni-
ca, es a a con encido de que quase odos
os mine ais subme idos à análise podiam
e ela -se mui o e icazes, pois de inham
g andes seg edos cu a i os e i i ican es,
pe mi indo le a a no as combinações
pe ei amen e e icazes pa a ce as doen-
ças men ais ou ísicas. No ou que oda
a subs ância do ada de ida o gânica,
embo a apa en emen e ine e, ence a-
a uma g ande a iedade de po ências
cu a i as.
Em con o midade com o que ap egoa-
a, ele p óp io se dedicou à p epa ação
de medicamen os sob a o ma de ex a-
os alcoólicos e de in u as, com u iliza-
ção do ópio, do enxo e, do me cú io,
do e o, do a sénio, do sul a o de cob e,
do sal; e aconselha a banhos epe idos
com soluções mine ais. Em Pa ag anum
(1530) expôs e legou aos seus discípulos
as suas c enças nes e domínio, podendo
es a ob a se ida como uma e dadei a
a macologia.
Pa a além da sua iloso ia química, Pa-
acelso deu exemplo i o de uma o al
dedicação do médico aos seus doen es,
mo ido pelo mais desin e essado espí i o
de sac i ício, nas di e sas e as e nações
po onde iajou. A sua ama oi em au-
men o, com as mui as e p odigiosas cu as
que se dizia e em sido po ele ealizadas.
Philippus Au eolus Theoph as us
Bombas us on Hohenheim,
de pseudónimo Pa acelso (1493-1541).
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Es a ama c esceu ainda mais depois
da sua mo e, em Salzbu go, no ano de
1541, com apenas 48 anos. Não a dou
que a memó ia do homem con o e so
que o a em ida se ans o masse numa
c escen e admi ação pelo conside ado
g ande a au o de uma no a química, a
ia oquímica. No inal do séc. x i, exis ia
já uma imensa li e a u a sob e a ma é ia
médica po ele de endida, e um século
depois, e am já cen enas os ex os pa a-
celsianos publicados. Mui os médicos
no á eis de F ança, da Alemanha e de In-
gla e a se con essa am seus seguido es,
sendo de des aca , en e mui as ou as,
algumas das mais no á eis igu as da quí-
mica dos sécs. x i-x ii, como Jean Bap-
is e an Helmon (1577-1644) e F ançois
de la Boë (1614-1672), mais conhecido
po Sil ius, na Bélgica e em F ança, O o
Tachenius (c. 1610-1680), And é Liba-
ius (1550-1616) e Johannes Ha mann
(1563-1631) na Alemanha. É es a iloso-
ia química e o conjun o de p á icas dela
esul an e, com o igem na ida e ob a de
Pa acelso, que cons i uem o chamado pa-
acelsismo.
Não a dou, po ém, que o pa acelsismo
se enha o nado um oco de con o é -
sia. Pa a isso e á con ibuído a ci cuns-
ância de Pa acelso e sido, du an e oda
a sua ida, e nos mais di e sos locais po
onde passou, uma igu a mui o polémica.
E e á ajudado, sob e udo, o p og essi o
apa ecimen o de uma co en e de iloso-
ia na u al que ques iona a o ca ác e de
expe imen alismo e obse ação que Pa a-
celso de endia. O ac o de a abo dagem
médica de Pa acelso di e i an o daquilo
que e a acei á el a é en ão es abeleceu
um eno me con on o en e os pa acel-
sianos e o sis ema médico o icial em i-
go , um con on o o nado mais agudo
pelo impac o p o ocado pelos humanis-
as, mui os deles g andes admi ado es
dos a ados de isiologia e ana omia dos
an igos, e de enso es con ic os da medici-
na de Galeno.
O mais i ulen o oposi o de Pa acelso
e das suas dou inas oi al ez o seu com-
pa io a Thomas Lieble E as us (1523-
-1583), o qual, num esc i o publicado
em Basileia, em 1572-1573, com o í ulo
Dispu a ione de Medicina No a Philippi Pa-
acelsi, o o ulou de um “obscu an is a
de es ilo eneb oso e ideias con usas”
(ERASTUS, 1572, 2), e u ando com
oda a eemência a possibilidade de qual-
que eação química po ação do calo ,
do me cú io, do enxo e ou do sal. Na
sua opinião, Pa acelso sabe ia mui o bem
que as ideias que de endia e am alsas e
po isso e ia op ado po ap esen á-las de
um modo con uso, usando uma lingua-
gem bá ba a in e nal e ap esen ando-se
como in en o de coisas com que nada
inha que e . Nes a sua in es ida on-
al con a Pa acelso, E as o a acou sem
quaisque con emplações o homem e as
suas dou inas, nomeadamen e a eo ia
dos ia p ima, conside ando que nada i-
nham de cons u i o.
A es e i ulen o a aque se jun ou um
g ande núme o de médicos e a maco-
logis as ingleses ligados à chamada e-
olução pu i ana, numa lu a acesa en e
médicos e a macêu icos, um con li o
abe o en e galenis as e pa acelsianos,
em que es es e am acusados de se em
pa idá ios de Cal ino, azão bas an e
pa a não de e em me ece g ande c e-
dibilidade. Como pa adigma da ejeição
de Pa acelso po mui os des es médicos
e a macêu icos, e i a-se Richa d Bax e
(1615-1691), que conside a a Pa acelso
uma p o a da exis ência do demónio,
conside ando-o um “conju ado bêbado
que man inha con e sas com o demónio,
a o igem das suas dou inas” (ORME,
1830, XX, 294). Con a a a macologia
de Pa acelso, de enso a da u ilização dos
mine ais, nomeadamen e o an imónio,
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e de endendo o eg esso à medicina ga-
lénica, se p onuncia iam os in luen es
Jean Béguin (1550-1620) e Michael Sen-
di ogius (1566-1636). A uma omada
de posição de eg esso a Galeno con a
Pa acelso, jun a -se-ia o comba e ao que
conside a am o an i acionalismo (&An-
i acionalismo) de Pa acelso, pa a quem
a azão se ia uma aculdade co up a.
Sob a in luência do empi ismo aciona-
lis a de F ancis Bacon (1561-1626) e a
de esa c escen e das eo ias co puscula-
es e mecanicis as, nomeadamen e com
Pie e Gassendi (1592-1655), René Des-
ca es (1596-1650) e, um pouco mais a -
de, John Dal on (1766-1844), a química
assumia no os caminhos – com Johann
J. Beche (1635-1682) e Geo g E. S ahl
(1659-1734), a eo ia do logis o, com An-
oine L. La oisie (1743-1794), a eo ia
do oxigénio –, e a as a a-se po comple o
do sis ema de Pa acelso.
O médico po uguês Jacob de Cas o
Sa men o (1691-1762), na sua ob a Ma-
e ia Medica Physico-His o ico-Mechanica,
publicada em Lond es, em 1735, dá-nos
con a do an ipa acelsismo que ia c es-
cendo no seio da comunidade cien í ica
de en ão e esume des e modo as p inci-
pais azões pa a o ac o: “a química que
pode se de an o se iço à Medicina,
quando bem aplicada, a p incipia am a
in oduzi , e ada e e gonhosamen e
uns homens igno an es, e en usiás icos,
de que o p incipal e cabeça oi Pa acel-
sus; e com os seus ingimen os e enganos
i e am quase pe e ido e a uinado
de odo um sólido e e dadei o P oje-
o. Mas não chega am as suas quime-
as a e e ei o; an o pelas alácias que
expe imen a am os que punham a sua
con iança neles; como pelas Ob as de
di e sos Homens amosos desse empo,
(e do P íncipe deles odos, depois, o
ilus e Bacónio) que ouxe am a de-
mons ação, que as A es e Ciências, em
luga de conje u as, só se podem aumen-
a po p óp ias e exa as expe iências, e
po conclusões e dadei as e sólidas”
(SARMENTO, 1735, XLIV).
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VIIIe Cong ès In e na ional de Tou s – Sciences à la
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ERASTUS, Thomas Lieble , Dispu a ione de Me-
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scien i ique e à la héo ie de la connaissance”,
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1973, pp. 229-243; ORME, W., The P ac ical
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Jacob de Cas o, Ma e ia Medica Physico-His o i-
co-Mechanica, London, s.n., 1735.
An ónio M. Amo im da Cos a
Jacob de Cas o Sa men o (1691-1762).
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