284 CONFIA . In e na ional Con e ence on Ilus a ion & Anima ion
Viana do Cas elo . Po ugal . June 2019 . ISBN: 978-989-54489-1-3
Pa a uma Economia Visual do Pensamen o:
Pie e Klossowski e o Desenho do In isí el
Luís Filipe Mon ei o Lima1
[email p o ec ed]
[D awing / Desenho]
Abs ac
This a icle aims o discuss he ela ions be ween nameable and isible in
Pie e Klossowski’s hough and d awings. Fo his, in i s place, a global
app oach is d awn o he au ho ’s wo k in i s se e al uni e ses: li e a y,
pic o ial and philosophical. Subsequen ly, om he pic o ial exp ession
o his d awings – in a phan asma ic and simulac um shaped o m –, we
y o p oblema ize he possibili y o a isual economy, om he un eiling
o pulsions and desi es in he exp ession o he igu es, also aking in o
conside a ion he gene al heo y o he ci cula ion o bodies p oposed by
Klossowski in The Li ing Cu ency. Finally, i is sough o eencoun e he
same Laws o Hospi ali y, p oposed by he au ho in he li e a y uni e se,
in his ableaux i an , d awn in colo pencils by means o and ogynous
bodies ha welcome he o he , ha is he same, and ha always e ol es
a ound a cen al igu e: Robe e (his wi e, Denise).
Es ou sob o di ado da imagem*2
Pie e Klossowski
I
Di ado pelas imagens: Eis a exp essão do pensamen o de um monómano
– alguém que se ixa, epe idamen e, numa única cena di e si icada
o a pelo ac o, o a pelo objec o do ac o, o a pelo ac o : um co po que
se dá a e a ou o, nem que seja de si pa a si. Es a encenação isual
se iu, p ecisamen e, o abalho do iden e Pie e Klossowski e, simul-
aneamen e, o do seu público.
Desde o século XIX, a elação en e imagem e ex o o nou-se am-
plamen e p oblemá ica. A cul u a do li o, e ambém a cul u a ca ólica,
ha ia-a con olado igidamen e. As imagens inham de se au o izadas
1 Uni e sidade Au ónoma de Lisboa (UAL), Escola Supe io de Design (ESD) do Ins i u o Poli écnico do
Cá ado e do A e IPCA), IC.No a, CEAA.
2 * Es ou sob o di ado da imagem «Pa a mim [ esponde Pie e Klossowski], ilmes, quad os, é udo espec á-
culo. Já o disse, ambém, a espei o da edacção dos meus li os. Mesmo quando desc e o uma si uação
que não é imedia amen e dada pela imagem, con inua a se espec áculo. Um guião, um li o, é semp e
uma secessão de cenas, uma sucessão de ins an es que desc e o, que imagino al como são exp essos pe-
las pala as que u ilizo. Mas, de ac o, es ou sob o di ado da imagem. A imagem di a-me o que eu de o dize .
Sim, a isão exige que eu diga udo o que ela me dá e udo o que eu encon o nela. Fechamos os olhos, ou
en ão man emo-los abe os, mas se os echa mos, e emos algo comple amen e dis in o daquilo que se
passa e ec i amen e, e emos aquilo de que alamos».
Keywo ds
Image, hough , d awing,
ekph asis, exp essi eness.
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[D awing / Desenho] · PARA UMA ECONOMIA VISUAL DO PENSAMENTO:PIERRE KLOSSOWSKI E O DESENHO DO INVISÍVEL
Luís Filipe Mon ei o Lima · [email p o ec ed]
pa a pode em apa ece . É ce o que o ca olicismo semp e p essen iu nelas
um pe igo, sendo as imagens a ma é ia da « en ação». Toda ia, com as
ecnologias óp icas, como a o og a ia e o cinema, depois, o ídeo e as
imagens digi ais, a imagem pa ece au onomiza -se, ganha peso, escapa
inalmen e à in ini a éc ase que a linguagem desen ol e.
É po isso ão pe inen e a p opos a que Pie e Klossowski ealiza
ao longo de oda a sua ob a pic ó ica e ex ual, condensada numa ase
inequí oca da sua Moeda Vi a: «só exis e uma comunicação uni e sal
au ên ica: a oca dos co pos pela linguagem sec e a dos sinais co po ais»
[1]. Es es sinais e ão de se , senão imagens, imaginados pa a pode em
se exp essos. Pode dize -se que o aço ale pa a o a is a aquilo que a
pala a ale pa a o esc i o , desde que es e seja is o e aquela lida. Há um
mo imen o p imo dial que se epe e, independen emen e do modo de
exp essão, e o que se epe e é o ges o de pensamen o do monónamo. Es e
mo imen o simul âneo de encenação exibicionis a e oyeu is a – in e -
no e ex e no ao ex o e à imagem – assen a que nem uma lu a ao papel
do oyeu - iden e e pe mi e a c iação de uma no a epide me, uma no a
ma é ia imagé ica capaz de ealiza , a inal, um ad en o do pensamen o:
«a oca dos co pos pela linguagem sec e a dos sinais co po ais» e ec i-
a-se di e amen e no espec ado , na in isibilidade da ob a. A o ça maio
nos desenhos de Klossowski consis e nos aços do in isí el: os an asmas,
as pulsões, os desejos, os medos, udo eunido, eis os sinais de um co po
acolhido a lápis de co . Não se a a de uma o ça das pulsões eudianas,
mas sim das o ças, li e ais e exp essi as, incadas no papel, numa isibil-
idade dada à imaginação: po um lado, pode e ec i ado, cump ido e ac u-
alizado das o ças; po ou o, i ualidade das imagens, is o é, imagens de
pensamen o o nadas equi alen es aos sinais dos co pos.
Mas a a-se ainda, com Pie e Klossowski, de um jogo ence-
nado, uma cena pe e sa que é a libe ação igu ada nos seus quad os
i os (os desenhos de Klossowski são ealizados à escala humana, ou
ligei amen e supe io , e são diag amas de quad os i os concep uais):
c is aliza o momen o da passagem do pensamen o pa a a imagem e
da imagem pa a o pensamen o, de co po em co po, po in e mediação
da imagem – no amen e a olup uosa exp essão: «só exis e uma
comunicação uni e sal au ên ica: a oca dos co pos pela linguagem
sec e a dos sinais co po ais». Como comunicam es es sinais, que ipo
de economia es á em jogo nes a oca, pa ilha? A essu eição de um
co po ine e pa a um co po i o, a suspensão de um ges o, um mo -
imen o, e ela um alo neu o de e e ência mas in enso pa a o seu
equi alen e em emoções e sensações, em p aze e so imen o. Emoção
olup uosa, pois, numa ci culação de moeda i a que é a imagem pe -
e sa e simulac al do pensamen o-co po que se o na signo de odos os
co pos esc a os das suas pulsões, isões.
Apa en emen e, a imagem supe ou o pensamen o, já não necessi an-
do dele. Resul ado pa adoxal, se epa a mos que a iloso ia ociden al, a de
Pla ão, po exemplo, começa jus amen e po um con li o com as imagens,
que se eduz às ideias e e nas, ins au ando o caminho do «concei o», eac u-
alizado nas imagens men ais. No momen o ac ual des e p ocesso, a elação
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en e imagem, pala a e ex o o nou-se num ag egado sensí el
que p ocede po sinais pa a áxicos, igu a en endida po Jacques
Ranciè e [2] como a pa ilha do sensí el num egime es é ico que
ins au a uma no a ase-imagem libe ada do pode discu si o
linea . En e as imagens, os desenhos e as ideias, passa á, al ez,
a ase de Gio dano B uno que a i ma a: «Pensa é especula com
imagens». Se i e sido bem sucedida, es a no a camada de ima-
gem apos a ao pensamen o especula i o se á a sua moeda i a, ao
mesmo empo o co po de pensamen o que clama se exp esso e a
sua imagem expos a, pe e sa e ingenuamen e nua.
Na es é ica klossowskiana não é o pensamen o, ou um
pensamen o, o móbil que ac ualiza as imagens; pois elas não
obedecem a qualque lógica do sen ido, são an es as in en-
sidades quem lhes o nece, qual ma é ia p ima, odas as isões
exp essas em ex o ( isual) ou em imagens. Mos a mas am-
bém e . Po que o espec ado não pode goza senão no imedia o,
no ac o da «mos ação». É, po an o, um pensamen o em ac o
que lou a a imanência da ap esen ação e não a anscendência,
po mui o pe e sa que seja, da ep esen ação. É na alha da
ep esen ação, na sua dissimulação, na uga e no esconde -
ijo, numa enda do p ocesso de composição que nascem as
imagens klossowskianas. Há um jogo de «mos a e esconde»,
que az lemb a o di o popula que ga an e que «quem dá e i a
pa a semp e no in e no gi a»; pois é es a e e nidade blas ema
que gi a, es e ciclo icioso, es e e e no e o no da di e ença na
pe e são que es abelece o pac o – a oca pe e ida dos signos a
bem da comunicação uni e sal dos co pos que êem e são is os,
a inal, na sua e en e olup uosa, in ensa e i ual.
A imagem em, pois, um sen ido on ológico. Imp ime no
que e ela uma ma ca da comunicação, da economia uni e sal
dos co pos, de odos os co pos do mundo. É, no en an o, no
esguei e e na uga, na dissimulação das pe sonagens que Pie e
Klossowski ap esen a i as nos seus quad os, que algo pode se cap u a-
do, a ancado, e esse sequaz que sobeja é, po se assim dado, no amen e
pos o em uga, impossí el de p ende , nem que seja po ia de co das ou
ou os ins umen os na posse de ca ascos. É es a incoe ência mó el,
es a máquina pe e sa do pensamen o de Klossowski que a imagem
o na senão ac ualmen e isí el pelo menos i ualmen e in asi a aos
olhos de quem a olha – sem consegui ap eende o que ê, sem consegui
comp eende , mas deixando-se possui . Es a é, mais uma ez, a o ça da
exp essão isioná ia que Pie e Klossowski enuncia na sua Moeda Vi a:
«só exis e uma comunicação uni e sal au ên ica: a oca dos co pos pela
linguagem sec e a dos signos co po ais.»
Pa a Klossowski, a imagem não sabe ia se ei a à semelhança do seu
modelo, po que en ão esgo á-lo-ia. É dele apenas um e lexo, um esíduo:
uma espécie de in e cesso , de passado en e a ep esen ação que
esconde e o cul o apenas pensado, desejado. Se á assim a imagem uma
ma e ialização, uma sexualização do pensamen o?
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Não se a a de p oduzi isibil-
idade mas an es de o na isí el, no
limi e, o limi e do pensamen o que se
esguei a. A exposição do es e eó ipo,
inclusi amen e sexual, se e pa a
e ela a sua p óp ia c í ica ocul ado a.
Como semp e, com Pie e Klossowski,
pe e e o uso comum de um concei o
ou de uma noção se e pa a ol á-lo
con a si p óp io e le á-lo pa a além dos
seus espec i os limi es. Rompe o quo-
idiano po meio de algo apa en emen e
quo idiano. É es a epe ição do que oi e
do que não pode senão o na a se que
habi a o pensamen o de Klossowski.
Esse limi e é o do simulac o. Tal p oces-
so exige uma on ade compulsi a, uma
emoção olup uosa e monomaníaca
que eco e à mesmas imagens, nos
seus omances, ensaios e desenhos. São
os seus demónios, os seus an asmas
ou, como di ia Gilles Deleuze, as suas
pe sonagens concep uais.
Pa a comple a uma exp essi i-
dade abe a, a linguagem plás ica de
Pie e Klossowski – a a és de desen-
ho a lápis de co e mina de ca ão,
ep esen ando cenas mui as ezes em
amanho eal, os seus «quad os i os»
– , comple a a isão obsessi a de o na
i os os co pos e os seus an asmas,
que são o mo imen o das emoções e
sensações (ab indo um mesmo plano de imanência pa a a ida e a mo e,
a a és do esguei e e das in ensidades an asmá icas: os simulac a). Simu-
lac os, an asmas, imagens, isão de co pos que se es aem, se es de uga
que se expõem, odo um pe cu so de alo es á p egnan e nes e hemi-
s é io de desejo e pe e são. Valo em ci culação, co po em mo imen o,
a imagem é libe ado a dos co pos-pensamen o que já o am e semp e
se ão esc a os de uma sociedade oyeu is a.
Ou o di o popula en a aqui em jogo, aquele que a i ma que «uma
imagem ale mais que mil pala as». Se é, apa en emen e, con in-
cen e, con oca, po ém, a c ença es on ean e no pode mos ado das
imagens. Compõe ambém oda uma ideologia que em o ganizado, na
cul u a ociden al, as elações en e umas e ou as, ao mesmo empo que
a ibui à imagem um es a u o de encan amen o sedu o (as imagens
ecebem-se sem es o ço, são ápidas, di ec as, gulosas). O a, es e a o is-
mo culpabiliza a pala a po se abalhosa, o uosa, pesada, dolo osa.
Além disso, pa ece que e a i ma , sem con es ação, que a imagem é
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a solução pa a a p oblemá ica da pala a. As imagens consegui iam
ealiza , sem es o ço, o que as pala as buscam sem que o alcancem,
o nando-se po isso um peso pa a os indi íduos.
Ce o é que es a ideologia que en ol e as imagens (a ideia de
que elas não p ecisam de se abalhadas, que se impõem po si
p óp ias) lhes oi c iando uma ia au ónoma de p odução no Ociden e,
a amen e pene ada pelo pensamen o e pelas pala as. Pa a c ia uma
imagem bas a uma máquina, como an es bas a a a na u eza que as
p oduz p o usamen e. Ago a, a imagem é o e po que p oduzida sem
in e enção humana, limpa, pu a, i gem de me a ísicas. Mas não se á
es e ambém o limi e da sua p óp ia ilusão? Não se e ela á aqui a implíci-
a con adição des e no o discu so da imagem?
É com o egime da imagem klossowskiana que se o na cla o que,
independen emen e das condições da sua p odução, mais ou menos
independen e da mão humana, a imagem não exis e se não o is a. E a
sua isão con inua, como semp e oi e semp e se á, a se simplesmen e
humana: demasiado humana, como di ia Nie zsche?
II
Exp imi , de aco do com as leis da exp essi idade3, o co po ex ual de
um au o que é um isi an e, um es anho, es angei o de passagem, é
a ibui -lhe o papel de se o e ece aos ou os. Co po dado g a ui amen e
a quem p imei o (se) o e eceu. Em blocos ex uais múl iplos, acolhe-se
Pie e Klossowski, como na igu ação de uma imagem ausen e, como na
adução de um ex o inexis en e, pa a a exp essão de um pensamen o
imanen e (à sua p óp ia exp essão).
Pe an e uma exp essi idade única – Pie e Klossowski –, o que es á
semp e em jogo é a exp essão do pensamen o, mo imen o es e que é já uma
exp essão de se pe e so: po ia da imagem em mo imen o, como no cine-
ma; po meio da imagem desenhada e colo ida, como nos quad os; po ia da
adução e da li e a u a. Há uma mul iplicidade exp essi a que se ap esen a
in a ia elmen e no mesmo ac o de suspensão da ocação. T a a-se de uma
oz única que se epe e na di e ença dos modos em que é exp essa. E aquilo
que exp ime é uma ulgu an e epe ição monomaníaca dos mo imen os no
co po, dos ges os nos aços, do pensamen o na oz. Es a uni ocidade com-
pulsi a que se encon a o a sob o di ado da imagem ausen e, o a sob o di ado
do ex o po aduzi , o a sob o di ado de uma di a i ual, é a oz de se que,
em e e no e o no, epe idamen e, exp essa uma di e ença.
Es a mul iplicidade exp essi a p ocu a da uma espos a pos-
sí el à pe gun a «onde es ou, no meu p óp io co po?»; é ques ão
de mos a o pensamen o a a és da sua ausência exp essa ou, pelo
menos, a a és da sua pul e ização numa mul iplicidade de ou os
exp essos, ou os co pos, ou os ex os, en im, ou a ca ne exp es-
si a. Uma bio- igu ação de quad os ou composições i as, quais
se es an asmá icos que se desmul iplicam e po oam um e i ó io
3 Alusão ao í ulo do li o Les Lois de l’Hospi ali é, Pie e Klossowski, ed. Gallima d, col. L’Imaginai e,
2001, F ance.
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[D awing / Desenho] · PARA UMA ECONOMIA VISUAL DO PENSAMENTO:PIERRE KLOSSOWSKI E O DESENHO DO INVISÍVEL
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que é o do la , e i ó io do co po
p óp io, onde não se é já an i ião
senão a a és da ac ualização que só
o hóspede pode e ec i a , igu ação
i a, po an o, on ológica e g á ica. É,
assim, sob as Leis da Exp essi idade,
que a mul iplicidade klossowskiana
su ge como um co po ex ual, um la
pa a os es anhos que passam, pa a os
isi an es que p ocu am o descanso,
o pe noi a . Cabe ao hóspede, que
ainda o não sabe, ac ualiza odo o
e i ó io, libe a da sua p isão o co -
po p óp io do an i ião que so e do
medo de desconhece quem é. Algu es
en e ab aça o p óximo e desposa o
longínquo, o dis an e, o mons o ou a
di e ença pu a, é a exp essão uní oca
na sua p odu i idade de di e ença que
se deixa po oa pa a a con aminação
e in asão do p óp io e dos demais.
Po que o co po p óp io não é um, cada
in ensidade e ec ua li emen e a sua
a essia pela «linguagem sec e a dos
signos co po ais». Que seg edo na
língua? Apenas o da ausência igu ada
– que, assim, pode da pelo nome
«pe e são» e pode se agenciado
pela «emoção olup uosa».
Se es anho, es angei o, se di e -
en e e pe noi a a con i e e p o oca a
edenção de quem o e ece a cama, a es-
posa – que ambém é an i iã –, hóspede i a e imagem i ual semp e po
ac ualiza ; se es anho e i ao encon o do dono da casa que nos diz, na
ó mula deleuziana do se uní oco: en a, pa a que se cump a a ó mula
do Todo – 1. Pa a que me libe e da anes esia do hábi o, pa a que me possa
anquea da elicidade que me a e o iza, pa a que udo seja possí el,
udo menos um4. Essa unidade explosi a que epe idamen e se dissol e,
essa banal elicidade que se a i ma na mul iplicidade da di e ença in e na
é, p ecisamen e, a p á ica que a i ma os pode es de um p incípio de
di e enciação. De modo que se e idencia a igu ação da imagem ausen e
que insc e e a exp essão de um pensamen o imanen e à sua p óp ia
exp essão. Es a exp essão é a de um se em p ocesso de di e enciação,
a a-se, pois, de unda uma di e ença in e na como uma composição de
in ensidades de di e en es g aus e po ências.
4 «Sub ai o único da mul iplicidade a cons i ui ; esc e e a n – 1. Um al sis ema pode ia se chamado
izoma»; C . Deleuze, Gilles e Gua a i, Félix (1997): Capi alisme e Schizoph énie 2 - Mille Pla eaux, ed. Les
Édi ions de Minui (o ig. 1980, ed. Minui ), Pa is, p. 13.
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O amplo plano exp essi o de Pie e Klossowski i e po oado po uma
mul iplicidade de o ças con aminan es, po á ias es i pes de í us de ida
que, de co po em an asma, de an asma em simulac o, de simulac o em
sequaz, insc e e uma au ên ica o gia da exp essão. Po isso, o ex o, a oz,
as imagens não es ão p esen es em nenhum plano – es á sim o pensamen o,
is o é, uma sua imagem – dado que o pensamen o es á semp e ausen e.
Exp essa em, Pie e Klossowski, consis e, pois, em aze um quad o i o,
mos ando, em cada aço os u ensílios (co pos) que compõem um co po
( ex o) a a essado po an asmas (imagens). T a a-se, pois, de simulac os,
mas de al manei a i os e eais que assomb am cada luga que ocupam. É
a hospi alidade, a abe u a do co po de esc i a que pe mi e a in odução,
a in omissão, a in asão do es anho, do ou o, pa a a possibilidade de
exis ência de cada quad o, de cada luga , de cada ex o i o. As leis da
exp essi idade, pois, pa a a aição, a denúncia das p á icas pe e sas do
an i ião, leis exp essi as que p a iquem, como i ual da mesma o dem
pe e sa, a ac ualização de odos os i uais, a igu ação da imagem
ausen e. To nado an asma, espí i o, aquele que ocupa e assomb a, aquele
que po oa e enca na, Pie e Klossowksi, su ge nes a composição como um
e e no adolescen e, um anjo, um sop o, espí i o e in ensidade, pu a o ça
que a a essa os co pos ex uais de di e sos hóspedes – o nados an i iões.
É um luga em nenhu es, um opos a- ópico pa a um se monomaníaco:
exp essa o não di o, que é di e en e de dize o não di o. Encon amos mul-
iplicidades, po encialidades ão ele adas que não se ixam já numa única
iden idade, numa única ci ação, numa só ase ou numa no a bibliog á ica.
Não exis e um alo exac o, p eciso, pa a es e ipo de jogo, pa a es a com-
posição que p ocede po leis exp essi as. Nem plágio nem alusão, nem no a
nem ci ação, nem oubo nem sac i ício, apenas um assassínio em sé ie que,
num mesmo ac o epe ido, a i ma a di e ença na sé ie que ins au a, como
absolu amen e di e en e, como absolu amen e di e encial, pa a das í imas
aze signos, sinais, blocos exp essi os pa a a sua composição, pa a a
p odução de sen ido. Semp e único, sen ido da p odução con inuada de di -
e ença. Há o ças a cada momen o, a cada ez que exis em, e isso e o na: a
pe sis ência do e o no é a monomania imanen e ao se que se exp essa.
III
No La , um Visi an e a Rememo a . Só na oca de inconscien es se consegue
e : o ou o de si. Não há elação mas pu o ela a, acon ecimen o que su ge,
jo o, ac ualização das i ualidades de um se com medo de não sabe e .
Pu a isão da des- azão, da aição, do ciúme e da suspei a: e pa a se e
o a de si é libe a a isão do is o. Ve pa a se econhece como bloco de
signos ou sinais co po ais numa linguagem co pó ea: a dádi a e a g a ui i-
dade da g aça – de g aça – agem pa a o aumen o do se , sem medo da pe da,
quando já udo se deu. Assim a li e libe ação da essência, enca nada
numa exis ência exp essi a, assim a libe ação da essência pode segui
no luxo, na co en e do desejo, e cons i ui um plano de pu a exp essão
imanen e à o ganicidade que se exp essa: li e de qualque anscenden al,
anqueada do medo an asmá ico, absolu amen e desejan e, es a máquina
exp essi a é a da igu ação da imagem ausen e.
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[D awing / Desenho] · PARA UMA ECONOMIA VISUAL DO PENSAMENTO:PIERRE KLOSSOWSKI E O DESENHO DO INVISÍVEL
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Ac ualiza a memó ia a pa i do i ual i ido é cons ui uma
memó ia ainda po i . Po isso, Pie e Klossowski p opõe des e i o ializa
pa a p oduzi memó ia. E a a p odução de memó ia que Klossowski alme-
ja a nos seus desenhos, bem como na sua ob a omanesca, ecupe ação
de memó ia ou da sua mais- alia, uma quase Madalena p ous iana, quase,
po que es a se e ela olun á ia. P oduzi imagens i as implica com Klos-
sowski da a e o co po, os co pos, múl iplos e in e mu á eis, co pos abe -
os e a a essados po an asmas, simulac os. É po isso que, nos omances,
as pe sonagens ansmig am de nome em nome, de egis o em egis o, de
diálogo em diá io e enunciados eó icos, cenas desc i i as. Mas ambém a
ob a ensaís ica es á imp egnada de de i es impe cep í eis, pa a ala com
Deleuze, de i es animais, como Ac éon no mi o de Diana, de i ou o como
eco en emen e sucede com o signo único que é Robe e, Denise, mulhe ,
hóspede, imagem, co po e linguagem. T a a-se de uma pu a p odução de
memó ia num plano de i uais. Memó ia ac ualizada e eac ualizada sem
im, num cí culo g andioso pleno de emoção e olúpia pa a a pe e são do
pensamen o es abelecido, de odas os
p é-es abelecidos. De i -ou o e aze
com que os ou os pe cam a subs ância
subjec i a numa ansubs anciação
que oco e no plano imanen e ao
desenho, ao ex o, à imagem, eis pois o
plano. É, en ão, num plano pu amen e
exp essi o que Pie e Klossowski emi e
sinais, que são an os ou os signos de
«uma linguagem uni e sal» que sai
do código do quo idiano e subjec i o
pa a ab aça a « oca uni e sal dos
co pos» – numa pu a ene gia desejan e
ou desejada –, e cump i a cons ução
de uma máquina exp essi a.
Es a mul iplicidade exp essi a,
pe e samen e, ge a um es ilo único, uma
oz incon undí el, uma uni ocidade do
se ; ou seja, uma única exp essão pa a
os seus di e en es e mos, an asmas,
simulac os, sequazes, a exp essão da ab-
e u a à mul iplicidade. Eis a exp essão do
pensamen o de um monómano – alguém
que se ixa, epe idamen e, numa única
cena di e si icada o a pelo ac o, o a pelo
objec o do ac o, o a pelo ac o : um co po
que se dá a e a ou o, nem que seja de
si pa a si. A encenação que al p á ica
inaugu a não ab e um abismo sem an es
es abelece as pon es pa a o anspo ,
pon es me amen e suspensas na po ência
da olúpia, na emoção desejan e.
292 CONFIA . In e na ional Con e ence on Ilus a ion & Anima ion
Viana do Cas elo . Po ugal . June 2019 . ISBN: 978-989-54489-1-3
Es es e mos, an os ou os concei os, o asea , o es ilo,
são o es cons angimen os, ac o es pe e sos, ba as pa ale-
las que delimi am e expõem, que o çam os ges os do ca asco
nas dia ibes da sin axe de manei a a man e pe cep í el, num
es ilo único, a í ima sup ema: o ex o ainda não exp esso,
pu a o ça que espe a pelo seu isi an e, seja ele adu o ,
iolado , oubado ou composi o . Mas es e clamo do es ilo
klossowskiano exige já e ainda um e o no ao seu mo imen o
in e no – mal se ab e é pa a melho ecebe , mal se deu, é pa a
melho se aumen a . O es anho í us de ida que o con amina
é o que i á p ecisamen e con amina os ou os co pos numa
o gia exp essi a: a da sup emacia da exp essão sob e a sin axe,
p ecisamen e po ia do cons angimen o. O es anho que é o
ou o é a o ça de a acção que egula o mo imen o do caos e
que ins au a o simulac o na c iação da dança dos an asmas,
que é como quem diz: o es anho a ac o é o po enciado da
epe ição que ins au a a di e ença de si, em si.
On og a ia da hospi alidade do co po5
Tenho uma pala a a dize àqueles que desp ezam o co po,
não lhes peço pa a muda em de opinião ou de dou ina, mas
que se des açam do seu p óp io co po.[3] Numa só di ecção :
ga an i a pe da da iden idade pessoal, dissol e o eu, eis o
esplêndido o éu.[4] a sup essão das pala as humanas [5] a
melodia única, insubs i uí el. [6] Pa a mim odas as linguagens
são demasiado len as. [7] Que emoção se á quando a época
i e chegado ao pon o desejá el em que, endo ganho o hábi o
de pensa em e mos de signos, se oca seg edos apenas com
alguns aços «na u ais». [8] Quando eu p óp io não o mais
do que uma in ensidade pu a. [9] Co po en ol o po uma linha
azul, espessa a eia ul a em oda a ex ensão da olha de papel.
Ne u as b ancas, ex u a das in as, isco de lápis, ou o co po
na penumb a. [10] O co po é uma g ande mul idão unânime [11]. Uma
mul idão de olhos sem co po nem os o [12] exp ime um bem e um mal
no os [13]. Luga es no os onde as sensações não são amo ecidas pelo
hábi o [14]. Jogo assus ado em que um dos jogado es em de pe de o
go e no de si p óp io![15] Da -lhe-ás um nome que e é comum a i e à
mul idão [16] eco dação i a de [17] uma iagem à bei a da loucu a [18].
En a dep essa, que enho medo da minha elicidade [19].
E assim que pa a a de esc e e , desapa ecendo a memó ia, e o ma-
a-se o imó el ci cui o [20]
5 Ve Lima, Luís (2013). On og a ias da Imanência. Tese de dou o amen o em Filoso ia - Es é ica na Facul-
dade de Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa. Disponí el online em: h ps:// un.
unl.p /bi s eam/10362/10188/1/luislima.pd