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A COLONIZAÇÃO INTERNA PORTUGUESA E AS
NOVAS PAISAGENS RURAIS, O CASO DE
MILAGRES
Sa a Mónico Lopes, Joana Cou o, Miguel Mo ei a Pin o –
ESECS/IPLei ia, Cen o de Es udos A naldo A aújo/Escola Supe io
A ís ica do Po o
Resumo
As polí icas de colonização in e na i e am um papel undamen al na a i mação
dos Es ados e na ans o mação dos espaços u ais.
Em Po ugal, a colonização, em e enos baldios e incul os, e e como obje i os
inc emen a a p odução ag ícola, a a a p ole a ização e incen i a a pequena
ag icul u a amilia . Embo a enha a se p opos a no inal do século XIX, a sua
conc e ização só acon ece a pa i de 1926, com a ins alação da Colónia Ag ícola
de Milag es, no concelho de Lei ia.
As ob as de colonização in e na p oduzi am no as paisagens que cons i uem hoje
um pa imónio único, apesa de udo pouco conhecido e di ulgado. Com es e
a igo p opomo-nos abo da o ema no con ex o nacional e ap esen a alguma
pesquisa que em sido desen ol ida no âmbi o do p oje o de in es igação
eu opeu: MODSCAPES, Mode nis Rein en ions o he Ru al Landscape.
São nossos objec i os con ex ualiza a emá ica da colonização in e na ealizada
no quad o polí ico-ideológico do Es ado No o, ap esen a alguma in es igação
ei a sob e as colónias ag ícolas – designadamen e sob e o caso de Milag es, e
mos a a impo ância des as paisagens ag á ias enquan o elemen os do
pa imónio cul u al dos Es ados.
Em e mos me odológicos, a pesquisa undamen a-se na análise documen al, em
in o mação ecolhida em a qui os e eses p oduzidas no con ex o académico.
As nossas conclusões p elimina es não deixam de e em con a a escala modes a
da ação colonizado a emp eendida pelo Es ado po uguês se compa ada, po
exemplo, com o que sucedeu em Espanha e I ália. Mui o aquém do inicialmen e
p e is o e desejado, a cons ução de apenas 7 colónias ag ícolas não pode se is a
senão como um p ocesso de expe imen ação e ensaio, mas que acabou po nos
deixa um legado ma e ial e ima e ial impo an e do pon o de is a paisagís ico,
do pon o de is a cul u al e iden i á io, do pon o de is a da o mação de uma
es u u a ecnoc á ica e de uma agenda cien í ica nacional, p omo o a de no os
sabe es e conhecimen o.
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I. A Colonização In e na em Po ugal
Desde os inais do século XVIII a é à II Gue a Mundial assis iu-se, em Po ugal, a um
in enso e longo deba e de ca iz mode nizan e, e alice çado em ideais isioc á icos, sob e
a explo ação do espaço in e no. Ac edi a am, alguns, que a ag icul u a de e ia se o
mo o do desen ol imen o do país (Vaquinhas e Ne o, 1998) e não es a dependen e dos
me cados ex e nos.
Como e e e Lopes (2003), os discu sos da época p e endiam associa a ag icul u a ao
c escimen o económico nacional, de endendo que o desen ol imen o indus ial só e a
iá el se exis isse, p imei o, uma mode nização do sec o p imá io.
A mode nização ag ícola, ap esen ada e discu ida, desde meados do século XIX,
p e endia uma eo ganização undiá ia a No e e a Sul, empa celando e di idindo,
espe i amen e. P e endia-se coloniza , lo es a e es u u a o e i ó io u al,
sob e udo as á eas baldias (Rosas, 2000), is as com g ande alo ag ológico e
po enciado as de desen ol imen o económico.
Nes e sen ido, desde o século XVIII que os baldios o am al o de á ias medidas
legisla i as, inicialmen e com o p opósi o de se em p i a izados, e pos e io men e
u ilizados pa a a colonização in e na (cedidos median e o a endamen o a indi íduos
com mani es as ca ências económicas), numa al u a, inal de 1900, em que se sen ia a
escassez de ce eais e que exis iam g andes á eas incul as no e i ó io nacional, como
e e e Rod igues (1987).
Es a ques ão do ap o ei amen o dos e enos baldios, a pa i de ob as de colonização
in e na, desencadeou um mo oso deba e, mais de dois séculos, e le ou à p odução de
as a legislação, mas a sua p imei a conc e ização oco eu apenas em 192542 – a
Colónia Ag ícola de Milag es, ins alada num baldio si uado na eguesia com o mesmo
nome, no concelho de Lei ia. Tendo sido du an e alguns anos a única Colónia Ag ícola
exis en e no país, se indo de es e e ensaio às que lhe sucede am, es a p imei a ob a
acon ece num pe íodo polí ico con u bado com o im da I República e a subida ao pode
de um egime di a o ial.
Como salien a Lopes (2003, p. 42-43), a con icção de que e a nos e enos incul os que
se encon a a a solução an o pa a a aca p odu i idade da la ou a nacional, como pa a
a a a emig ação, oi abandonada no inal de 1930 aquando do ela ó io,
42 Pelos Dec e os n.10552 e 10553, de 16 de Fe e ei o de 1925.
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Reconhecimen o dos Baldios do Con inen e, elabo ado pela en ão ecém-c iada Jun a de
Colonização In e na (JCI). Es e es udo deu a conhece a á ea e o e dadei o alo
ag ícola des es e enos, e elando nas suas conclusões que a exis ência de á eas
incul as se de ia sob e udo à aca qualidade dos solos pa a cul i o e à pe sis ência de
modos de ida do ipo comuni á io e pas o il (Minis é io da Ag icul u a, 1939).
Com es e es udo da JCI a explo ação e o ap o ei amen o dos e enos baldios com
casais ag ícolas deixou de se en endida como p emen e. A lo es ação sob epôs-se
como a solução mais e icaz e iá el, mas a colonização in e na não cessou e man e e-se
como desígnio a é ao inal da década de 1950.
Segundo Bap is a (1993), a polí ica de colonização in e na do Es ado No o p ocu ou
a ua nas zonas dos baldios, mas ambém em e enos bene iciados com ob as de ega e
em p op iedades adqui idas pelo p óp io go e no. De aco do com o mesmo au o , a
mesma ação polí ica ca ac e izou-se ainda po dois g andes p oje os: um, de
ca ac e ís icas essencialmen e u ais que p e endia liga os abalhado es à e a
en egando-lhes pa celas pa a cul i a em, ans o mando assim os p ole á ios u ais em
pequenos p op ie á ios – modelo que oi aplicado a é ao inal dos anos 1940. O segundo
p oje o, de ca iz mais indus ial, p e endia a mecanização dos casais ag ícolas e uma
maio ligação da p odução ao me cado.
No en ende de Lopes (2003), a colonização in e na emp eendida pelo Es ado No o
ca ac e iza-se pela sua incipien e e ambígua a uação. Sendo p opos a inicialmen e pa a a
egião Sul do país, oi oda ia a No e do Tejo que se egis a am mais in e enções e
cons uções de colónias ag ícolas.
1. A Colónia Ag ícola de Milag es
C iada pelo Dec e o n.10553, de 16 Fe e ei o de 1925, mas edi icada apenas em 1926, a
p imei a ob a de colonização in e na de inicia i a es a al oi implan ada numa á ea de
220 hec a es, dos 1134 hec a es do baldio da eguesia de Milag es, concelho e dis i o
de Lei ia, num e eno conside ado com ap idão ag ícola, endo sido di ida em 3
núcleos: Alcaida ia e Ma a, T is e Feia e Bidoei a.
As ob as da ins alação da Colónia i e am início em ma ço, com a cons ução de
es adas, caminhos e aquedu os, e a edi icação, em madei a, de qua o habi ações e os
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espe i os anexos. A inaugu ação oco eu a 18 de julho de 1926 (Minis é io da
Ag icul u a, 1935).
Os p imei os casais e am cons i uídos po mo adia e anexos pa a os animais, 5 hec a es
de e eno pa a plan ação de ho as, inha, oli al e á o es de u o, e enos pa a
espécies lo es ais, endo sido edi icados no núcleo da T is e Feia. As cons uções
pos e io es o am em al ena ia e não em madei a, sendo que em 1928 es a am
edi icados 16 casais ag ícolas, mas apenas 12 es a am ocupados. Com a es u u ação
do Minis é io da Ag icul u a em 1936, oi c iada a JCI que passou a se esponsá el po
es a ob a de colonização. Em 1939 a Colónia so eu ob as de eo ganização, o am
cons uídos mais 13 casais e aumen ada a á ea de e eno de cada um. Com es a
e o mulação o núcleo da T is e Feia oi ex in o, de ido ao one oso cus o de
manu enção, à aca condição dos e enos e à sua localização, a as ada dos es an es
núcleos e do cen o da eguesia, como se pode le no Rela ó io da JCI de 1939. Pa a
além dos casais ag ícolas a Colónia dispunha de equipamen os cole i os, como a
moagem, campo de demos ação e um pos o médico.
Os c i é ios pa a a adjudicação dos casais ag ícolas não o am semp e os mesmos ao
longo do uncionamen o da Colónia, egis ando-se á ias al e ações aos diplomas
ap o ados, que enquan o es e e sob a alçada da Di isão de Baldios e Incul os, que
quando oi en egue à JCI. Num p imei o momen o os c i é ios apon a am pa a a
p e e ência po habi an es da eguesia ou de luga es limí o es, com mani es as
ca ências económicas. E a de e minado que nos p imei os cinco anos o colono se ia
de en o p o iso iamen e da p op iedade, endo que mani es a du an e esse pe íodo as
suas qualidades enquan o che e de amília abalhado , capaz de aze algumas
economias. Só após os p imei os cinco anos, se -lhe-ia en egue o í ulo de ini i o de
p op iedade. Em 1931, no a legislação (Dec e o n.19903, de 18 de Junho) de e mina a
no as eg as pa a a adjudicação dos casais ag ícolas, na en ão denominada coope a i a
u al da Colónia Ag ícola de Milag es. Tinham, ago a, p ecedência: “1º As amílias que
habi am a ualmen e alguns casais da Colónia, se pelos Se iços dos Baldios e Incul os
o em abonadas como abalhado as e sol á eis; 2º As amílias u ais com ilhos, cujos
che es enham sido comba en es da G ande Gue a; 3º As amílias u ais compos as de
ma ido, mulhe e ilhos meno es, esiden es na eguesia dos Milag es, sem p op iedade
ús ica, que disponham, ao se -lhes adjudicado qualque casal, da impo ância
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co esponden e à p imei a anuidade de amo ização que lhes é ixada no espe i o
con a o de adjudicação; 4º As amílias u ais nas condições do núme o an e io que
esidam nas eguesias limí o es da eguesia dos Milag es; 5º Qualque amília u al
com ilhos, esiden e no con inen e da República, que sa is aça a condição exp essa na
úl ima pa e do n.3º”.
Ao con á io do Dec e o n.10552, de 16 de Fe e ei o de 1925, que a ibuía como
condição de p e e ência o ac o de se em amílias ca enciadas e de se em pa oquianos
da eguesia ou eguesias izinhas, a legislação de 1931 apon a a como p imei o
c i é io de seleção a exis ência de capi al p óp io e ala ga a o espaço de ec u amen o a
qualque egião do e i ó io nacional.
Com a de inição de uma no a polí ica de colonização in e na a pa i de 1936
es abelece am-se no as di e izes na eleição dos colonos, ea i mando-se uma ez mais
a p e e ência po aqueles que possuíssem algumas economias.
Em 1946, a Lei n.2014 ( egulamen ada mais a de pelo Dec e o-Lei n.36709, de 5 de
Janei o de 1948) in oduzia no as al e ações nos c i é ios de ec u amen o das amílias:
o a o económico deixa a de igo a como elemen o de seleção, su gindo an es o a o
da idade – apon a-se a é 30 anos e a p e e ência pelo maio núme o de ilhos. Os
equisi os e am os seguin es: “a) Aos que i e em esidência na eguesia da si uação do
casal ou nas eguesias izinhas; b) Aos ilhos de colonos de ou os casais ag ícolas; c)
Aos que i e em cu so de ei o ag ícola; d) Aos che es de amília com maio núme o
de ilhos; e) Aos que i e em p á ica de abalho em zonas de egadio, a ando-se de
e as de egadio”.
De aco do com Caldas (1982) a pe cen agem de colonos anal abe os selecionados oi
diminuindo, começando, po ou o lado, a aumen a , ainda que de uma o ma mode ada,
os indi íduos po ado es de algumas habili ações li e á ias.
Em 1954, oco e uma no a al e ação dos c i é ios de seleção, pela Lei n.2072. O pe il
de ges o -p odu o su ge com o no o egime ju ídico, o a o idade é mais uma ez
al e ado, pa a os 40 anos, in oduzindo-se o equisi o do colono de en o de capi al
p óp io, em gado, ape echos ag ícolas e a ní el mone á io, bem como “ e se ido nas
o ças a madas du an e mais empo e com bom compo amen o mili a ”.
Com es e no o egime ju ídico, o modelo de explo ação ag ícola que se p e endia
amilia , adqui e ago a no o ca ác e , p e endendo-se em eo ia mais emp esa ial.
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Desde essa e isão ju ídica (de 1954) a é 1962, ano em que se elabo a am no as
di e izes pa a a colonização in e na, o am admi idos pa a a Colónia duas amílias, as
úl imas que en a am pa a es e colona o.
Ve i ica-se que a escolha dos colonos não oi ma cada pelos mesmos c i é ios desde a
sua edi icação a é ao inal do Es ado No o, es es o am mudando no deco e dos anos,
acompanhando as icissi udes da polí ica de colonização e da p óp ia conjun u a
polí ica, social e económica do país.
No que conce ne ao plano de explo ação da Colónia o baldio oi di idido em 3 planos,
ca ac e izado po e as undas e alu iões, no plano in e io , no plano médio a cul u a
a bó ea e a bus i a e no plano ele ado os ma os e lo es a.
O milho, a ba a a, o cen eio, o eijão, o emoço, a ce ada, o ho ejo, a o agem, a
inha, a oli ei a, as á o es de u o, os pinhei os e eucalip os o am as cul u as
selecionadas pa a os e enos da Colónia de Milag es, as mesmas p a icadas na egião.
Cada casal ag ícola dispunha de 5 hec a es de e eno com a seguin e dis ibuição:
“…Caminhando da pa e mais al a do casal pa a a pa e mais baixa escalonámos em
aixas: 8.000m2 de eucalip al com 2.000 pés; 2.500m2 de ma o ( ojo a enal e mola );
5.000m2 de oli al (50 pés); 1.500m2 de ho ejo egado; 3.000m2 de inha; 30.000m2
de semeadu a (sequei o); 50.000m2 de supe ície o al. É cla o que os núme os des as
á eas não são ígidos. Nos di e sos casais podem a ia consoan e a posição, a
exposição e o po encial que ap esen a em” (Minis é io da Ag icul u a, 1935, p. 13).
De aco do com Má io Cunha Fo es (Minis é io da Ag icul u a, 1935), no p imei o ano
de uncionamen o da Colónia a p odução ag ícola esumiu-se à cul u a do cen eio e
a eia, sendo nos anos seguin es in oduzido o milho, ba a a, eijão, be e aba, en e
ou as. Os es udos e ela ó ios elabo ados sob e o uncionamen o da Colónia, apon am
que as semen ei as e as p oduções ob idas se a as am do p e is o, no pe íodo an e io e
pos e io à sua eo ganização em 1939. Os e enos com baixo alo ag ícola, a al a de
p epa ação de alguns colonos e o apoio p es ado pelos Técnicos são azões apon adas
pa a que es a ob a de colonização não alcançasse o sucesso p e is o (Lopes, 2003).
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2. Os exemplos e o insucesso da Colonização In e na
Depois da expe iência a ulsa de Lei ia, o am seis, no o al, as Colónias Ag ícolas (CA)
p oje adas e cons uídas pela JCI ao longo de ce ca de duas décadas. Dis ibuídas
geog a icamen e pelos dis i os da Gua da, Se úbal, A ei o, Vila Real e Viana do
Cas elo, podemos ca aloga a sua his ó ia nes a o ma esumida, o denando-as
c onologicamen e con o me a da a da sua concepção e/ou en ada em uncionamen o:
CA de Ma im Rei: pa a além dos Baldios dos Milag es, a JCI ai he da ainda, à da a
da sua cons i uição, o es udo, iniciado pela Di ecção-Ge al da Acção Social Ag á ia, da
ocupação dos baldios das Peladas e Vale Madei a, si uados no concelho do Sabugal.
P e endo de início a ins alação de 78 casais, apidamen e se conclui que a p opos a pa a
o es abelecimen o des a colónia colidia com a u ilização dos e enos incul os ei a pelas
populações locais, pelo que no inal esse núme o oi e is o pa a me ade. Repensada e
p oje ada a pa i de 1937, a di isão dos lo es e a cons ução das habi ações oi
e minada em 1944 e, em 1948, oi ei a a en ega dos p imei os casais ag ícolas. O
plano icou comple o ao longo dos anos seguin es, com a edi icação de um conjun o de
equipamen os comuns – escola, capela, o nos colec i os, queija ia, o il, e c.
CA de Pegões: p e endendo se uma in e enção modela , a colónia ag ícola ins alada
na He dade de Ro isco Pais, no Mon ijo, cons i ui o p imei o p oje o de aiz
desen ol ido pela JCI. Pa a além da á ea da p op iedade já ocupada po an igos
a enda á ios, a colónia, cujo plano de explo ação oi elabo ado com base em es udos e
o ien ações de Hen ique de Ba os, oi es u u ada em 4 núcleos: Faias (com 57 casais
ag ícolas, com 15 hec a es de e eno cada um), Pegões Velhos (99 casais), Figuei as
(50 casais) e Vale da Judia (8 casais) – os dois úl imos se ão p oje ados já na década de
1950. A cada casal co espondia po no ma uma á ea de egadio, sequei o e uma pa cela
des inada à implan ação de inha. Os núcleos de Faias, Pegões Velhos e Vale da Judia
o am o ganizados em unção das linhas de água exis en es, enquan o o sis ema de ega
a i icial de e minou uma di isão mais egula e geomé ica dos lo es que compõem o
núcleo de Figuei as. A execução das ob as oi iniciada em 1947 e os p imei os colonos
o am admi idos em 1952. Ao longo do decénio o am ainda edi icados os espaços de
apoio e assis ência écnica, endo sido c iado o cen o social das Faias (capela, escola,
pos o médico, e c.) e ainda o conjun o de San o Isid o de Pegões (com um p og ama
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semelhan e, mais uma unidade ab il). Es e p oje o de colonização con empla a
inicialmen e a ins alação de 2500 habi an es
CA da Ga anha: com o obje i o pa icula da ans o mação de solos a enosos em solos
p odu i os, o p oje o da Ga anha, em Ílha o, compos o po 75 casais, em po base um
desenho mui o cla o de qua o acei os implan ados no sen ido nascen e/poen e e po
duas linhas diagonais que se c uzam no pon o mais ele ado do e eno, onde
na u almen e oi cons uído o cen o comuni á io. A paisagem des a colónia, ins alada
em plena Ma a Nacional, es á o emen e ma cada pela p esença con ínua de co inas de
ab igo que delimi am as pa celas, com ce ca de 4 hec a es de á ea po cada casal
ag ícola. As ob as o am iniciadas em 1947 e a colónia en ou em ac i idade em 1952.
A segunda ase do p oje o, al o de di e en es es udos e soluções, oi in iabilizada pelo
insucesso económico do p imei o emp eendimen o, esumindo-se como al a acção da
JCI à ins alação de uma unidade de p odução ag o-pecuá ia, di igida pelo p óp io
o ganismo.
CA do Ba oso: o plano da colónia do Ba oso em ocupa e enos baldios espalhados
po di e en es eguesias dos concelhos de Mon aleg e e Bo icas, de e minando a
di isão da colónia em 7 núcleos dis in os: Aldeia da Veiga (20 casais, com ce ca de 16
hec a es de e eno), Aldeia No a do Ba oso (45), C eande (29), S. Ma eus (10),
Vidoei o (9), Fon ão (6) e Pinhal No o (10). Des e conjun o, a Aldeia No a do Ba oso
e C eande sob essaem pela sua dimensão e desenho, e podem se en endidos como
núcleos-cen ais, a meio dos quais o am implan ados os equipamen os de apoio e
assis ência que se em oda a colónia. O es udo e o planeamen o do assen amen o da a
de 1943, a cons ução dos p imei os casais ag ícolas e e início em 1947 e os p imei os
colonos o am admi idos em 1950.
CA do Al ão: ainda no dis i o de Vila Real, o p oje o de colonização em Vila Pouca de
Aguia oi desen ol ido en e 1945 e 1948. O plano p opunha a ins alação de 24 casais
ag ícolas, com uma média de 25 hec a es de e eno, dis ibuídos po 7 pequenos
núcleos: Colonos de Cima (3 casais), da Pa ede (4), Colonos de Baixo (5), de Sou elo
(2), Ca azedo (3), Campo de Viação (2) e do Al ão (5). Apenas em Pa ede e no Al ão
é possí el cons a a a de inição de um espaço público à ol a do qual es ão implan adas
as habi ações, enquan o nos es an es casos as cons uções es ão dispos as ao longo das
ias de acesso. A ocupação da colónia em início em 1954 e 1955.
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CA da Boalhosa: es endendo-se pelos concelhos de Pa edes de Cou a, Monção e A cos
de Valde ez, o p imei o es udo de ocupação dos e enos incul os da Se a da Boalhosa,
da a de 1939 e conhece di e en es e sões ao longo dos anos 1940 e 1950. O p oje o
inal, de 1956, o ganiza os lo es e o conjun o de habi ações geminadas ao longo de ês
a cos concên icos que con e gem na di ecção de um cen o (escola, mo adia do
p o esso e capela, que não chega a se cons uída), implan ado na pa e mais ele ada do
e eno. Os abalhos de p epa ação e edi icação da colónia, a única do ipo concen ado
que de ac o chega á a se p ojec ada, em início em 1955 e a sua ocupação em 1958. Na
con inuidade do plano, além dos 30 casais ins alados na eguesia de Vascões, es a a
ainda p e is a a cons ução de um no o núcleo em Lamei a do Real, in iabilizado
po ém po uma decisão do ibunal que eduz d as icamen e a au o ização de explo ação
da á ea baldia, ob igando a eequaciona o plano de cul u as de oda a colónia e
eo ien ado a sua a i idade no sen ido da p odução ag opecuá ia.
Com di e en es p opos as, co eções e adi amen os, o p oje o da Boalhosa, a úl ima das
ealizações le adas a cabo pela JCI, é exemplo das des en u as e con a empos que, de
uma manei a ge al, en ol em a ins alação dos di e en es assen amen os ag ícolas. A
única exceção se á al ez o de Pegões, um p oje o que ep esen a pe o de 50% da á ea
explo ada em odas as colónias e que se ai e ela , em odos os aspe os, como o mais
bem-sucedido dos planos de colonização conc e izados pelo Es ado No o.
Pe manecendo ainda hoje em pleno uncionamen o, se á ambém aquele que susci a a
maio cu iosidade e in e esse académico, e as maio es p eocupações do pon o de is a
da classi icação, conse ação e p ese ação do seu pa imónio43.
Os es an es, pelo con á io, pa ecem e icado semp e mui o aquém do espe ado e
p oje ado inicialmen e, que em e mos de dimensão e escala, que em e mos de
p odu i idade, seja pela na u eza pouco é il dos solos, seja pela al a de p epa ação e
o mação dos colonos, a quem eco en emen e são a ibuídas odas as culpas pela
eduzida en abilidade das explo ações44. A ocupação dos baldios nunca oi, ao mesmo
43 Sob e a Colónia Ag ícola de Pegões e , po exemplo o ca álogo: A Colónia Ag ícola de San o Isid o
de Pegões, Câma a Municipal do Mon ijo, 2013, ou ainda a disse ação de mes ado em A qui ec u a:
Ca a ina Heloísa, Me odologia de Sal agua da e Conse ação do Pa imónio, An iga Colónia Ag ícola
de Pegões, Co ilhã, Uni e sidade da Bei a In e io , 2010.
44 Veja-se po exemplo o que e e e o ela ó io assinado pelo p óp io Minis o da Economia, em 1964:
“Quan o à colonização in e na, pode dize -se que o o ganismo que dela se ocupou, e apesa das unções
que lhe o am a diamen e come idas, oi mais amplo nos es udos do que nas ealizações. Es as o am em
eduzido núme o e pouco enco ajado as, o que, aliás, se p e ende explica de di e sas manei as, mas
122
mal acolhida ou mesmo ejei ada pelas es u u as mais conse ado as do egime, mas
que emos p osseguida em di e en es á eas, como po exemplo as da a qui e u a.
Condicionada e limi ada na sua ação, com uma di e ença g ande en e aquilo que se
p opôs e o que de ac o oi capaz de ealiza , a JCI não ai consegui , no início da
década de 1960, e i a o abandono e a emig ação em massa do in e io pa a as cidades e
pa a o es angei o, num pe íodo em que de es o já se pe cebe que a ixação da
população u al já não e a mais possí el a a és da p omoção de p oje os colonizado es
isoladamen e, es ando an es dependen e de um pensamen o es u u ado e coe en e do
país no seu odo, de um planeamen o à escala egional e de uma polí ica a iculada e
in eg ada de o denamen o e ges ão descen alizada do e i ó io, que ainda hoje es á po
cump i .
Ag adecimen os:
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