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A colonização interna portuguesa e as novas paisagens rurais, o caso de Milagres

Sara Mónico, LOPES; Pinto, Miguel Moreira; Couto, Joana

Abstract

As políticas de colonização interna tiveram um papel fundamental na afirmação dos Estados e na transformação dos espaços rurais. Em Portugal, a colonização, em terrenos baldios e incultos, teve como objetivos incrementar a produção agrícola, travar a proletarização e incentivar a pequena agricultura familiar. Embora venha a ser proposta no final do século XIX, a sua concretização só acontece a partir de 1926, com a instalação da Colónia Agrícola de Milagres, no concelho de Leiria. As obras de colonização interna produziram novas paisagens que constituem hoje um património único, apesar de tudo pouco conhecido e divulgado. Com este artigo propomo-nos abordar o tema no contexto nacional e apresentar alguma pesquisa que tem sido desenvolvida no âmbito do projeto de investigação europeu: MODSCAPES, Modernist Reinventions of the Rural Landscape. São nossos objetivos contextualizar a temática da colonização interna realizada no quadro político-ideológico do Estado Novo, apresentar alguma investigação feita sobre as colónias agrícolas – designadamente sobre o caso de Milagres, e mostrar a importância destas paisagens agrárias enquanto elementos do património cultural dos Estados. Em termos metodológicos, a pesquisa fundamenta-se na análise documental, em informação recolhida em arquivos e teses produzidas no contexto académico. As nossas conclusões preliminares não deixam de ter em conta a escala modesta da ação colonizadora empreendida pelo Estado português se comparada, por exemplo, com o que sucedeu em Espanha e Itália. Muito aquém do inicialmente previsto e desejado, a construção de apenas 7 colonias agrícolas não pode ser vista senão como um processo de experimentação e ensaio, mas que acabou por nos deixar um legado material e imaterial importante do ponto de vista paisagístico, do ponto de vista cultural e identitário, do ponto de vista da formação de uma estrutura tecnocrática e de uma agenda científica nacional, promotora de novos saberes e conhecimento.

Full text

107 A COLONIZAÇÃO INTERNA PORTUGUESA E AS NOVAS PAISAGENS RURAIS, O CASO DE MILAGRES Sa a Mónico Lopes, Joana Cou o, Miguel Mo ei a Pin o – ESECS/IPLei ia, Cen o de Es udos A naldo A aújo/Escola Supe io A ís ica do Po o Resumo As polí icas de colonização in e na i e am um papel undamen al na a i mação dos Es ados e na ans o mação dos espaços u ais. Em Po ugal, a colonização, em e enos baldios e incul os, e e como obje i os inc emen a a p odução ag ícola, a a a p ole a ização e incen i a a pequena ag icul u a amilia . Embo a enha a se p opos a no inal do século XIX, a sua conc e ização só acon ece a pa i de 1926, com a ins alação da Colónia Ag ícola de Milag es, no concelho de Lei ia. As ob as de colonização in e na p oduzi am no as paisagens que cons i uem hoje um pa imónio único, apesa de udo pouco conhecido e di ulgado. Com es e a igo p opomo-nos abo da o ema no con ex o nacional e ap esen a alguma pesquisa que em sido desen ol ida no âmbi o do p oje o de in es igação eu opeu: MODSCAPES, Mode nis Rein en ions o he Ru al Landscape. São nossos objec i os con ex ualiza a emá ica da colonização in e na ealizada no quad o polí ico-ideológico do Es ado No o, ap esen a alguma in es igação ei a sob e as colónias ag ícolas – designadamen e sob e o caso de Milag es, e mos a a impo ância des as paisagens ag á ias enquan o elemen os do pa imónio cul u al dos Es ados. Em e mos me odológicos, a pesquisa undamen a-se na análise documen al, em in o mação ecolhida em a qui os e eses p oduzidas no con ex o académico. As nossas conclusões p elimina es não deixam de e em con a a escala modes a da ação colonizado a emp eendida pelo Es ado po uguês se compa ada, po exemplo, com o que sucedeu em Espanha e I ália. Mui o aquém do inicialmen e p e is o e desejado, a cons ução de apenas 7 colónias ag ícolas não pode se is a senão como um p ocesso de expe imen ação e ensaio, mas que acabou po nos deixa um legado ma e ial e ima e ial impo an e do pon o de is a paisagís ico, do pon o de is a cul u al e iden i á io, do pon o de is a da o mação de uma es u u a ecnoc á ica e de uma agenda cien í ica nacional, p omo o a de no os sabe es e conhecimen o. 108 I. A Colonização In e na em Po ugal Desde os inais do século XVIII a é à II Gue a Mundial assis iu-se, em Po ugal, a um in enso e longo deba e de ca iz mode nizan e, e alice çado em ideais isioc á icos, sob e a explo ação do espaço in e no. Ac edi a am, alguns, que a ag icul u a de e ia se o mo o do desen ol imen o do país (Vaquinhas e Ne o, 1998) e não es a dependen e dos me cados ex e nos. Como e e e Lopes (2003), os discu sos da época p e endiam associa a ag icul u a ao c escimen o económico nacional, de endendo que o desen ol imen o indus ial só e a iá el se exis isse, p imei o, uma mode nização do sec o p imá io. A mode nização ag ícola, ap esen ada e discu ida, desde meados do século XIX, p e endia uma eo ganização undiá ia a No e e a Sul, empa celando e di idindo, espe i amen e. P e endia-se coloniza , lo es a e es u u a o e i ó io u al, sob e udo as á eas baldias (Rosas, 2000), is as com g ande alo ag ológico e po enciado as de desen ol imen o económico. Nes e sen ido, desde o século XVIII que os baldios o am al o de á ias medidas legisla i as, inicialmen e com o p opósi o de se em p i a izados, e pos e io men e u ilizados pa a a colonização in e na (cedidos median e o a endamen o a indi íduos com mani es as ca ências económicas), numa al u a, inal de 1900, em que se sen ia a escassez de ce eais e que exis iam g andes á eas incul as no e i ó io nacional, como e e e Rod igues (1987). Es a ques ão do ap o ei amen o dos e enos baldios, a pa i de ob as de colonização in e na, desencadeou um mo oso deba e, mais de dois séculos, e le ou à p odução de as a legislação, mas a sua p imei a conc e ização oco eu apenas em 192542 – a Colónia Ag ícola de Milag es, ins alada num baldio si uado na eguesia com o mesmo nome, no concelho de Lei ia. Tendo sido du an e alguns anos a única Colónia Ag ícola exis en e no país, se indo de es e e ensaio às que lhe sucede am, es a p imei a ob a acon ece num pe íodo polí ico con u bado com o im da I República e a subida ao pode de um egime di a o ial. Como salien a Lopes (2003, p. 42-43), a con icção de que e a nos e enos incul os que se encon a a a solução an o pa a a aca p odu i idade da la ou a nacional, como pa a a a a emig ação, oi abandonada no inal de 1930 aquando do ela ó io, 42 Pelos Dec e os n.10552 e 10553, de 16 de Fe e ei o de 1925. 109 Reconhecimen o dos Baldios do Con inen e, elabo ado pela en ão ecém-c iada Jun a de Colonização In e na (JCI). Es e es udo deu a conhece a á ea e o e dadei o alo ag ícola des es e enos, e elando nas suas conclusões que a exis ência de á eas incul as se de ia sob e udo à aca qualidade dos solos pa a cul i o e à pe sis ência de modos de ida do ipo comuni á io e pas o il (Minis é io da Ag icul u a, 1939). Com es e es udo da JCI a explo ação e o ap o ei amen o dos e enos baldios com casais ag ícolas deixou de se en endida como p emen e. A lo es ação sob epôs-se como a solução mais e icaz e iá el, mas a colonização in e na não cessou e man e e-se como desígnio a é ao inal da década de 1950. Segundo Bap is a (1993), a polí ica de colonização in e na do Es ado No o p ocu ou a ua nas zonas dos baldios, mas ambém em e enos bene iciados com ob as de ega e em p op iedades adqui idas pelo p óp io go e no. De aco do com o mesmo au o , a mesma ação polí ica ca ac e izou-se ainda po dois g andes p oje os: um, de ca ac e ís icas essencialmen e u ais que p e endia liga os abalhado es à e a en egando-lhes pa celas pa a cul i a em, ans o mando assim os p ole á ios u ais em pequenos p op ie á ios – modelo que oi aplicado a é ao inal dos anos 1940. O segundo p oje o, de ca iz mais indus ial, p e endia a mecanização dos casais ag ícolas e uma maio ligação da p odução ao me cado. No en ende de Lopes (2003), a colonização in e na emp eendida pelo Es ado No o ca ac e iza-se pela sua incipien e e ambígua a uação. Sendo p opos a inicialmen e pa a a egião Sul do país, oi oda ia a No e do Tejo que se egis a am mais in e enções e cons uções de colónias ag ícolas. 1. A Colónia Ag ícola de Milag es C iada pelo Dec e o n.10553, de 16 Fe e ei o de 1925, mas edi icada apenas em 1926, a p imei a ob a de colonização in e na de inicia i a es a al oi implan ada numa á ea de 220 hec a es, dos 1134 hec a es do baldio da eguesia de Milag es, concelho e dis i o de Lei ia, num e eno conside ado com ap idão ag ícola, endo sido di ida em 3 núcleos: Alcaida ia e Ma a, T is e Feia e Bidoei a. As ob as da ins alação da Colónia i e am início em ma ço, com a cons ução de es adas, caminhos e aquedu os, e a edi icação, em madei a, de qua o habi ações e os 110 espe i os anexos. A inaugu ação oco eu a 18 de julho de 1926 (Minis é io da Ag icul u a, 1935). Os p imei os casais e am cons i uídos po mo adia e anexos pa a os animais, 5 hec a es de e eno pa a plan ação de ho as, inha, oli al e á o es de u o, e enos pa a espécies lo es ais, endo sido edi icados no núcleo da T is e Feia. As cons uções pos e io es o am em al ena ia e não em madei a, sendo que em 1928 es a am edi icados 16 casais ag ícolas, mas apenas 12 es a am ocupados. Com a es u u ação do Minis é io da Ag icul u a em 1936, oi c iada a JCI que passou a se esponsá el po es a ob a de colonização. Em 1939 a Colónia so eu ob as de eo ganização, o am cons uídos mais 13 casais e aumen ada a á ea de e eno de cada um. Com es a e o mulação o núcleo da T is e Feia oi ex in o, de ido ao one oso cus o de manu enção, à aca condição dos e enos e à sua localização, a as ada dos es an es núcleos e do cen o da eguesia, como se pode le no Rela ó io da JCI de 1939. Pa a além dos casais ag ícolas a Colónia dispunha de equipamen os cole i os, como a moagem, campo de demos ação e um pos o médico. Os c i é ios pa a a adjudicação dos casais ag ícolas não o am semp e os mesmos ao longo do uncionamen o da Colónia, egis ando-se á ias al e ações aos diplomas ap o ados, que enquan o es e e sob a alçada da Di isão de Baldios e Incul os, que quando oi en egue à JCI. Num p imei o momen o os c i é ios apon a am pa a a p e e ência po habi an es da eguesia ou de luga es limí o es, com mani es as ca ências económicas. E a de e minado que nos p imei os cinco anos o colono se ia de en o p o iso iamen e da p op iedade, endo que mani es a du an e esse pe íodo as suas qualidades enquan o che e de amília abalhado , capaz de aze algumas economias. Só após os p imei os cinco anos, se -lhe-ia en egue o í ulo de ini i o de p op iedade. Em 1931, no a legislação (Dec e o n.19903, de 18 de Junho) de e mina a no as eg as pa a a adjudicação dos casais ag ícolas, na en ão denominada coope a i a u al da Colónia Ag ícola de Milag es. Tinham, ago a, p ecedência: “1º As amílias que habi am a ualmen e alguns casais da Colónia, se pelos Se iços dos Baldios e Incul os o em abonadas como abalhado as e sol á eis; 2º As amílias u ais com ilhos, cujos che es enham sido comba en es da G ande Gue a; 3º As amílias u ais compos as de ma ido, mulhe e ilhos meno es, esiden es na eguesia dos Milag es, sem p op iedade ús ica, que disponham, ao se -lhes adjudicado qualque casal, da impo ância 111 co esponden e à p imei a anuidade de amo ização que lhes é ixada no espe i o con a o de adjudicação; 4º As amílias u ais nas condições do núme o an e io que esidam nas eguesias limí o es da eguesia dos Milag es; 5º Qualque amília u al com ilhos, esiden e no con inen e da República, que sa is aça a condição exp essa na úl ima pa e do n.3º”. Ao con á io do Dec e o n.10552, de 16 de Fe e ei o de 1925, que a ibuía como condição de p e e ência o ac o de se em amílias ca enciadas e de se em pa oquianos da eguesia ou eguesias izinhas, a legislação de 1931 apon a a como p imei o c i é io de seleção a exis ência de capi al p óp io e ala ga a o espaço de ec u amen o a qualque egião do e i ó io nacional. Com a de inição de uma no a polí ica de colonização in e na a pa i de 1936 es abelece am-se no as di e izes na eleição dos colonos, ea i mando-se uma ez mais a p e e ência po aqueles que possuíssem algumas economias. Em 1946, a Lei n.2014 ( egulamen ada mais a de pelo Dec e o-Lei n.36709, de 5 de Janei o de 1948) in oduzia no as al e ações nos c i é ios de ec u amen o das amílias: o a o económico deixa a de igo a como elemen o de seleção, su gindo an es o a o da idade – apon a-se a é 30 anos e a p e e ência pelo maio núme o de ilhos. Os equisi os e am os seguin es: “a) Aos que i e em esidência na eguesia da si uação do casal ou nas eguesias izinhas; b) Aos ilhos de colonos de ou os casais ag ícolas; c) Aos que i e em cu so de ei o ag ícola; d) Aos che es de amília com maio núme o de ilhos; e) Aos que i e em p á ica de abalho em zonas de egadio, a ando-se de e as de egadio”. De aco do com Caldas (1982) a pe cen agem de colonos anal abe os selecionados oi diminuindo, começando, po ou o lado, a aumen a , ainda que de uma o ma mode ada, os indi íduos po ado es de algumas habili ações li e á ias. Em 1954, oco e uma no a al e ação dos c i é ios de seleção, pela Lei n.2072. O pe il de ges o -p odu o su ge com o no o egime ju ídico, o a o idade é mais uma ez al e ado, pa a os 40 anos, in oduzindo-se o equisi o do colono de en o de capi al p óp io, em gado, ape echos ag ícolas e a ní el mone á io, bem como “ e se ido nas o ças a madas du an e mais empo e com bom compo amen o mili a ”. Com es e no o egime ju ídico, o modelo de explo ação ag ícola que se p e endia amilia , adqui e ago a no o ca ác e , p e endendo-se em eo ia mais emp esa ial. 112 Desde essa e isão ju ídica (de 1954) a é 1962, ano em que se elabo a am no as di e izes pa a a colonização in e na, o am admi idos pa a a Colónia duas amílias, as úl imas que en a am pa a es e colona o. Ve i ica-se que a escolha dos colonos não oi ma cada pelos mesmos c i é ios desde a sua edi icação a é ao inal do Es ado No o, es es o am mudando no deco e dos anos, acompanhando as icissi udes da polí ica de colonização e da p óp ia conjun u a polí ica, social e económica do país. No que conce ne ao plano de explo ação da Colónia o baldio oi di idido em 3 planos, ca ac e izado po e as undas e alu iões, no plano in e io , no plano médio a cul u a a bó ea e a bus i a e no plano ele ado os ma os e lo es a. O milho, a ba a a, o cen eio, o eijão, o emoço, a ce ada, o ho ejo, a o agem, a inha, a oli ei a, as á o es de u o, os pinhei os e eucalip os o am as cul u as selecionadas pa a os e enos da Colónia de Milag es, as mesmas p a icadas na egião. Cada casal ag ícola dispunha de 5 hec a es de e eno com a seguin e dis ibuição: “…Caminhando da pa e mais al a do casal pa a a pa e mais baixa escalonámos em aixas: 8.000m2 de eucalip al com 2.000 pés; 2.500m2 de ma o ( ojo a enal e mola ); 5.000m2 de oli al (50 pés); 1.500m2 de ho ejo egado; 3.000m2 de inha; 30.000m2 de semeadu a (sequei o); 50.000m2 de supe ície o al. É cla o que os núme os des as á eas não são ígidos. Nos di e sos casais podem a ia consoan e a posição, a exposição e o po encial que ap esen a em” (Minis é io da Ag icul u a, 1935, p. 13). De aco do com Má io Cunha Fo es (Minis é io da Ag icul u a, 1935), no p imei o ano de uncionamen o da Colónia a p odução ag ícola esumiu-se à cul u a do cen eio e a eia, sendo nos anos seguin es in oduzido o milho, ba a a, eijão, be e aba, en e ou as. Os es udos e ela ó ios elabo ados sob e o uncionamen o da Colónia, apon am que as semen ei as e as p oduções ob idas se a as am do p e is o, no pe íodo an e io e pos e io à sua eo ganização em 1939. Os e enos com baixo alo ag ícola, a al a de p epa ação de alguns colonos e o apoio p es ado pelos Técnicos são azões apon adas pa a que es a ob a de colonização não alcançasse o sucesso p e is o (Lopes, 2003). 113 2. Os exemplos e o insucesso da Colonização In e na Depois da expe iência a ulsa de Lei ia, o am seis, no o al, as Colónias Ag ícolas (CA) p oje adas e cons uídas pela JCI ao longo de ce ca de duas décadas. Dis ibuídas geog a icamen e pelos dis i os da Gua da, Se úbal, A ei o, Vila Real e Viana do Cas elo, podemos ca aloga a sua his ó ia nes a o ma esumida, o denando-as c onologicamen e con o me a da a da sua concepção e/ou en ada em uncionamen o: CA de Ma im Rei: pa a além dos Baldios dos Milag es, a JCI ai he da ainda, à da a da sua cons i uição, o es udo, iniciado pela Di ecção-Ge al da Acção Social Ag á ia, da ocupação dos baldios das Peladas e Vale Madei a, si uados no concelho do Sabugal. P e endo de início a ins alação de 78 casais, apidamen e se conclui que a p opos a pa a o es abelecimen o des a colónia colidia com a u ilização dos e enos incul os ei a pelas populações locais, pelo que no inal esse núme o oi e is o pa a me ade. Repensada e p oje ada a pa i de 1937, a di isão dos lo es e a cons ução das habi ações oi e minada em 1944 e, em 1948, oi ei a a en ega dos p imei os casais ag ícolas. O plano icou comple o ao longo dos anos seguin es, com a edi icação de um conjun o de equipamen os comuns – escola, capela, o nos colec i os, queija ia, o il, e c. CA de Pegões: p e endendo se uma in e enção modela , a colónia ag ícola ins alada na He dade de Ro isco Pais, no Mon ijo, cons i ui o p imei o p oje o de aiz desen ol ido pela JCI. Pa a além da á ea da p op iedade já ocupada po an igos a enda á ios, a colónia, cujo plano de explo ação oi elabo ado com base em es udos e o ien ações de Hen ique de Ba os, oi es u u ada em 4 núcleos: Faias (com 57 casais ag ícolas, com 15 hec a es de e eno cada um), Pegões Velhos (99 casais), Figuei as (50 casais) e Vale da Judia (8 casais) – os dois úl imos se ão p oje ados já na década de 1950. A cada casal co espondia po no ma uma á ea de egadio, sequei o e uma pa cela des inada à implan ação de inha. Os núcleos de Faias, Pegões Velhos e Vale da Judia o am o ganizados em unção das linhas de água exis en es, enquan o o sis ema de ega a i icial de e minou uma di isão mais egula e geomé ica dos lo es que compõem o núcleo de Figuei as. A execução das ob as oi iniciada em 1947 e os p imei os colonos o am admi idos em 1952. Ao longo do decénio o am ainda edi icados os espaços de apoio e assis ência écnica, endo sido c iado o cen o social das Faias (capela, escola, pos o médico, e c.) e ainda o conjun o de San o Isid o de Pegões (com um p og ama 114 semelhan e, mais uma unidade ab il). Es e p oje o de colonização con empla a inicialmen e a ins alação de 2500 habi an es CA da Ga anha: com o obje i o pa icula da ans o mação de solos a enosos em solos p odu i os, o p oje o da Ga anha, em Ílha o, compos o po 75 casais, em po base um desenho mui o cla o de qua o acei os implan ados no sen ido nascen e/poen e e po duas linhas diagonais que se c uzam no pon o mais ele ado do e eno, onde na u almen e oi cons uído o cen o comuni á io. A paisagem des a colónia, ins alada em plena Ma a Nacional, es á o emen e ma cada pela p esença con ínua de co inas de ab igo que delimi am as pa celas, com ce ca de 4 hec a es de á ea po cada casal ag ícola. As ob as o am iniciadas em 1947 e a colónia en ou em ac i idade em 1952. A segunda ase do p oje o, al o de di e en es es udos e soluções, oi in iabilizada pelo insucesso económico do p imei o emp eendimen o, esumindo-se como al a acção da JCI à ins alação de uma unidade de p odução ag o-pecuá ia, di igida pelo p óp io o ganismo. CA do Ba oso: o plano da colónia do Ba oso em ocupa e enos baldios espalhados po di e en es eguesias dos concelhos de Mon aleg e e Bo icas, de e minando a di isão da colónia em 7 núcleos dis in os: Aldeia da Veiga (20 casais, com ce ca de 16 hec a es de e eno), Aldeia No a do Ba oso (45), C eande (29), S. Ma eus (10), Vidoei o (9), Fon ão (6) e Pinhal No o (10). Des e conjun o, a Aldeia No a do Ba oso e C eande sob essaem pela sua dimensão e desenho, e podem se en endidos como núcleos-cen ais, a meio dos quais o am implan ados os equipamen os de apoio e assis ência que se em oda a colónia. O es udo e o planeamen o do assen amen o da a de 1943, a cons ução dos p imei os casais ag ícolas e e início em 1947 e os p imei os colonos o am admi idos em 1950. CA do Al ão: ainda no dis i o de Vila Real, o p oje o de colonização em Vila Pouca de Aguia oi desen ol ido en e 1945 e 1948. O plano p opunha a ins alação de 24 casais ag ícolas, com uma média de 25 hec a es de e eno, dis ibuídos po 7 pequenos núcleos: Colonos de Cima (3 casais), da Pa ede (4), Colonos de Baixo (5), de Sou elo (2), Ca azedo (3), Campo de Viação (2) e do Al ão (5). Apenas em Pa ede e no Al ão é possí el cons a a a de inição de um espaço público à ol a do qual es ão implan adas as habi ações, enquan o nos es an es casos as cons uções es ão dispos as ao longo das ias de acesso. A ocupação da colónia em início em 1954 e 1955. 115 CA da Boalhosa: es endendo-se pelos concelhos de Pa edes de Cou a, Monção e A cos de Valde ez, o p imei o es udo de ocupação dos e enos incul os da Se a da Boalhosa, da a de 1939 e conhece di e en es e sões ao longo dos anos 1940 e 1950. O p oje o inal, de 1956, o ganiza os lo es e o conjun o de habi ações geminadas ao longo de ês a cos concên icos que con e gem na di ecção de um cen o (escola, mo adia do p o esso e capela, que não chega a se cons uída), implan ado na pa e mais ele ada do e eno. Os abalhos de p epa ação e edi icação da colónia, a única do ipo concen ado que de ac o chega á a se p ojec ada, em início em 1955 e a sua ocupação em 1958. Na con inuidade do plano, além dos 30 casais ins alados na eguesia de Vascões, es a a ainda p e is a a cons ução de um no o núcleo em Lamei a do Real, in iabilizado po ém po uma decisão do ibunal que eduz d as icamen e a au o ização de explo ação da á ea baldia, ob igando a eequaciona o plano de cul u as de oda a colónia e eo ien ado a sua a i idade no sen ido da p odução ag opecuá ia. Com di e en es p opos as, co eções e adi amen os, o p oje o da Boalhosa, a úl ima das ealizações le adas a cabo pela JCI, é exemplo das des en u as e con a empos que, de uma manei a ge al, en ol em a ins alação dos di e en es assen amen os ag ícolas. A única exceção se á al ez o de Pegões, um p oje o que ep esen a pe o de 50% da á ea explo ada em odas as colónias e que se ai e ela , em odos os aspe os, como o mais bem-sucedido dos planos de colonização conc e izados pelo Es ado No o. Pe manecendo ainda hoje em pleno uncionamen o, se á ambém aquele que susci a a maio cu iosidade e in e esse académico, e as maio es p eocupações do pon o de is a da classi icação, conse ação e p ese ação do seu pa imónio43. Os es an es, pelo con á io, pa ecem e icado semp e mui o aquém do espe ado e p oje ado inicialmen e, que em e mos de dimensão e escala, que em e mos de p odu i idade, seja pela na u eza pouco é il dos solos, seja pela al a de p epa ação e o mação dos colonos, a quem eco en emen e são a ibuídas odas as culpas pela eduzida en abilidade das explo ações44. A ocupação dos baldios nunca oi, ao mesmo 43 Sob e a Colónia Ag ícola de Pegões e , po exemplo o ca álogo: A Colónia Ag ícola de San o Isid o de Pegões, Câma a Municipal do Mon ijo, 2013, ou ainda a disse ação de mes ado em A qui ec u a: Ca a ina Heloísa, Me odologia de Sal agua da e Conse ação do Pa imónio, An iga Colónia Ag ícola de Pegões, Co ilhã, Uni e sidade da Bei a In e io , 2010. 44 Veja-se po exemplo o que e e e o ela ó io assinado pelo p óp io Minis o da Economia, em 1964: “Quan o à colonização in e na, pode dize -se que o o ganismo que dela se ocupou, e apesa das unções que lhe o am a diamen e come idas, oi mais amplo nos es udos do que nas ealizações. Es as o am em eduzido núme o e pouco enco ajado as, o que, aliás, se p e ende explica de di e sas manei as, mas 122 mal acolhida ou mesmo ejei ada pelas es u u as mais conse ado as do egime, mas que emos p osseguida em di e en es á eas, como po exemplo as da a qui e u a. Condicionada e limi ada na sua ação, com uma di e ença g ande en e aquilo que se p opôs e o que de ac o oi capaz de ealiza , a JCI não ai consegui , no início da década de 1960, e i a o abandono e a emig ação em massa do in e io pa a as cidades e pa a o es angei o, num pe íodo em que de es o já se pe cebe que a ixação da população u al já não e a mais possí el a a és da p omoção de p oje os colonizado es isoladamen e, es ando an es dependen e de um pensamen o es u u ado e coe en e do país no seu odo, de um planeamen o à escala egional e de uma polí ica a iculada e in eg ada de o denamen o e ges ão descen alizada do e i ó io, que ainda hoje es á po cump i . Ag adecimen os: Es e abalho oi ealizado no âmbi o do p ojec o de in es igação colabo a i o ansnacional MODSCAPES – Mode nis Rein en ions o he Ru al Landscape (HERA.15.097). O p ojec o ecebeu inanciamen o do p og ama de in es igação e ino ação Ho izon e 2020 da União Eu opeia, no âmbi o do aco do de sub enção n.649307 Bibliog a ia: Bap is a, F. (1993). A Polí ica Ag á ia do Es ado No o. Po o: A on amen o. Caldas, João C. (1982). Polí ica de Colonização In e na (1936-1974) – Análise do Pe il do “Colono-Tipo”. (Disse ação de Mes ado), Cen o de Economia Ag á ia e Sociologia Ru al. Lisboa: Uni e sidade Técnica de Lisboa. Caldas, João C. (1988). Polí ica de Colonização In e na A implemen ação das colónias ag ícolas da Jun a de Colonização In e na. (Disse ação de Dou o amen o), Uni e sidade Técnica de Lisboa. Gue ei o, F. (2015). Colónias Ag ícolas Po uguesas con uídas pela Jun a de Colonização In e na en e 1936 e 1960. (Disse ação de Dou o amen o), Faculdade de A qui ec u a da Uni e sidade do Po o. Lobo, V. e An unes, A. (1960). P oblemas ac uais da pequena Habi ação Ru al. 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