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Mediação parental do uso de tecnologias digitais por crianças com menos de dois anos em diversos contextos culturais

Abstract

Na sociedade atual, desde que nascem as crianças são inseridas num mundo dominado por meios digitais. Crescem em ambientes ricos em média e apropriam-se das novas tecnologias ainda nos primeiros anos de vida. Televisão, smartphones, tablets, consolas de jogos, computadores são alguns dos recursos digitais que permeiam o seu quotidiano. Os pais são vistos como os principais mediadores relativamente ao contacto das crianças destas idades com meios digitais, tendo também um papel relevante no seu desenvolvimento e bem-estar. No entanto, pouco se sabe sobre o desenvolvimento de hábitos digitais pelas crianças muito novas e como é que os pais e o ambiente familiar influenciam esse processo. O presente estudo faz uma tentativa de preencher essa lacuna realizando uma pesquisa empírica com quatro famílias de crianças até dois anos de idade, distintas nos seus aspetos culturais (naturalidade, religião, classe social, educação e profissão) e com residência em Portugal. O objetivo é analisar se e como a interação das crianças com tecnologias digitais nos primeiros dois anos de vida é moldada pelos modos como os pais geram acesso aos meios digitais e pelos diferentes contextos culturais dessas famílias. As conclusões do estudo indicam que o uso dos média digitais se tornou um comportamento normativo entre crianças muito pequenas, e enfatizam o quanto as novas tecnologias estão integradas nas práticas parentais e modos como estão condicionadas pelo ambiente cultural das famílias.

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Mediação parental do uso de tecnologias digitais por crianças com menos de dois anos em diversos contextos culturais

Author: Postolache, Elena
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/51771/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20FINAL%202018.pdf
Mediação pa en al do uso de ecnologias digi ais po c ianças
com menos de dois anos em di e sos con ex os cul u ais
Elena Pos olache
Disse ação de Mes ado em Ciências da Comunicação, Á ea de
Especialização em
Es udos dos Media e de Jo nalismo
Junho de 2018
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Ciências da Comunicação, á ea de especialização em Es udos dos Media e de
Jo nalismo, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Dou o a P o esso a Dou o a
Ma ia C is ina Mendes da Pon e
Dedico es a disse ação à minha ilha Micaela
AGRADECIMENTOS
A p esen e disse ação de mes ado não pode ia se ealizada sem o p ecioso apoio de
á ias pessoas.
Em p imei o luga , que ia ag adece à minha o ien ado a, P o esso a Dou o a Ma ia
C is ina Mendes da Pon e, po oda a paciência, empenho e sen ido p á ico com que semp e me
o ien ou nes e abalho e em odos aqueles que ealizei du an e os seminá ios do mes ado.
Mui o ob igada po me e co igido quando necessá io sem nunca me desmo i a .
Desejo igualmen e ag adece à minha amília po es a semp e calo osamen e ao meu
lado.
Resumo
Mediação pa en al do uso de ecnologias digi ais po c ianças com menos de dois
anos em di e sos con ex os cul u ais
Elena Pos olache
Pala as-cha e: meios digi ais, mediação pa en al, desen ol imen o in an il, cul u a
amilia
Na sociedade a ual, desde que nascem as c ianças são inse idas num mundo dominado
po meios digi ais. C escem em ambien es icos em média e ap op iam-se das no as ecnologias
ainda nos p imei os anos de ida. Tele isão, sma phones, able s, consolas de jogos,
compu ado es são alguns dos ecu sos digi ais que pe meiam o seu quo idiano. Os pais são
is os como os p incipais mediado es ela i amen e ao con ac o das c ianças des as idades com
meios digi ais, endo ambém um papel ele an e no seu desen ol imen o e bem-es a .
No en an o, pouco se sabe sob e o desen ol imen o de hábi os digi ais pelas c ianças
mui o no as e como é que os pais e o ambien e amilia in luenciam esse p ocesso. O p esen e
es udo az uma en a i a de p eenche essa lacuna ealizando uma pesquisa empí ica com qua o
amílias de c ianças a é dois anos de idade, dis in as nos seus aspe os cul u ais (na u alidade,
eligião, classe social, educação e p o issão) e com esidência em Po ugal. O obje i o é analisa
se e como a in e ação das c ianças com ecnologias digi ais nos p imei os dois anos de ida é
moldada pelos modos como os pais ge am acesso aos meios digi ais e pelos di e en es con ex os
cul u ais dessas amílias. As conclusões do es udo indicam que o uso dos média digi ais se
o nou um compo amen o no ma i o en e c ianças mui o pequenas, e en a izam o quan o as
no as ecnologias es ão in eg adas nas p á icas pa en ais e modos como es ão condicionadas
pelo ambien e cul u al das amílias.

Abs ac
Keywo ds: digi al media, pa en al media ion, child de elopmen , amily cul u e
In oday's socie y, child en a e bo n in o a wo ld domina ed by digi al media. They a e
g owing up in media ich en i onmen s and app op ia ing new echnologies e en in hei ea ly
yea s o li e. Tele ision, sma phones, able s, game consoles, compu e s a e some o he digi al
esou ces ha pe mea e hei e e yday li e. In his con ex , pa en s a e seen as main media o s
ega ding child en’s con ac wi h digi al media, ha ing a ele an ole in hei de elopmen and
well-being.
Howe e , li le is known abou he de elopmen o digi al habi s by e y young child en
and how pa en s and he amily en i onmen in luence his p ocess. The p esen s udy makes an
a emp o ill his gap by conduc ing an empi ical esea ch wi h ou amilies o child en up o
wo yea s o age. The ou amilies, all li ing in Po ugal, a e di e en in hei sociocul u al
aspec s: place whe e hey we e bo n, eligion, social class, educa ion and occupa ion. The aim
o he s udy is o analyze whe he and how he in e ac ion o child en wi h digi al echnologies
in he i s wo yea s o li e is shaped by he ways pa en s p o ide hei access o digi al media
and by he di e en cul u al con ex s o hese amilies. The indings indica e ha he use o
digi al media has become a no ma i e beha io among e y young child en, and emphasize how
new echnologies a e in eg a ed in o pa en al p ac ices and condi ioned by he cul u al
en i onmen o amilies.
Índice
INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 1
Pa e I: ENQUADRAMENTO TEÓRICO
Capí ulo 1: Pe spe i as sob e desen ol imen o in an il da c iança en e 0 e 2
anos : Piage , Vigo sky, Wallon. .......................................................................... 4
Capí olo 2: Ca ac e ís icas cul u ais da pa en alidade ......................................... 15
Capí ulo 3: Mediação pa en al elacionada com o uso de ecnologias digi ais po
c ianças pequenas ................................................................................................ 25
Pa e II: QUESTÕES METODOLÓGICAS E ESTUDO EMPÍRICO
Capí ulo 4: Me odologia de pesquisa ................................................................. 37
4.1 Me odologia de es udo ...................................................................... 37
4.2 Ca ac e ização da amos a ................................................................. 39
4.3 Técnicas de ecolha de dados ............................................................. 42
4.4 Mé odo u ilizado pa a a análise dos dados ........................................ 44
Capí ulo 5: Ap esen ação e análise dos dados ..................................................... 46
5.1 Ap op iação das ecnologias digi ais pelas c ianças com menos de
dois anos em di e en es ambien es amilia es. ........................................ 46
5.2 As pe cepções dos pais sob e as ecnologias digi ais em amílias com
uma o igem cul u al di e en e do con ex o cul u al da sociedade onde
i em ........................................................................................................ 57
5.3 Análise dos modos como os pais de di e sas cul u as ge am o uso de
ecnologias digi ais dos ilhos mais no os ............................................... 61
5.4 A isão dos pais sob e a impo ância das ecnologias digi ais pa a a amília
e p imei a in ância ............................................................................................. 65
CAPÍTULO 6: DISCUSSÃO DOS RESULTADOS E CONCLUSÃO .......................................... 69
Bibliog a a ..................................................................................................................... 72
Anexos ............................................................................................................................ 82
1
In odução
A in odução do iPhone em 2007 ma cou o nascimen o dos digi ods - uma no a ge ação
de c ianças nascidas com acesso imedia o a uma as a gama de disposi i os ouchsc een (TSDs)
(Holloway, 2015). Segundo o es udo eu opeu EU Kids Online (Holloway e al, 2013), a maio ia
dos bebés com menos de 2 anos, nos países desen ol idos, em já p esença online. Um es udo
ecen e, ealizado no Reino Unido em 2015, mos a que 75% das c ianças com idade en e seis
meses e ês anos azem uso dia iamen e de ecnologias com ec ãs sensí eis ao oque,
egis ando um aumen o de uso de 51% aos 6-11 meses pa a 92% aos 25-36 meses (Bed o d e
al., 2017). Pa ece que as c ianças mui o no as es ão ansiosas pa a ap op ia -se das no as
ecnologias digi ais e, ao mesmo empo, ambém há algumas e idências que comp o am a
aquisição de á ias habilidades écnicas pa a manuseá-las ainda nos p imei os dois anos de ida
(Bed o d e al., 2016). Es es esul ados e le em uma endência mundial, ou seja, c ianças cada
ez mais jo ens êm acesso a disposi i os digi ais, especialmen e nos países mais
desen ol idos.
Apesa disso, pouco se sabe sob e a dinâmica dos hábi os digi ais das c ianças na
p imei a in ância e como è que os pais e o ambien e amilia medeiam esse p ocesso. O p esen e
es udo p ocu a analisa como è que os usos digi ais das c ianças pequenas são moldados pelas
pe cepções dos pais e pelos á ios aspe os elacionados à amília que de e minam esse p ocesso.
De aco do com a abo dagem eó ica da ap endizagem e desen ol imen o psicológico de
Piage , a ap endizagem nas c ianças pequenas é semp e p o ocada po si uações ex e nas ao
sujei o e esul a do compo amen o de obse ação e imi ação daqueles que o ce cam (Piage ,
1997). Assim, as c ianças mui o pequenas podem obse a e imi a os usos dos media dos seus
pais e i mãos mais elhos (Lau icella, Wa ella, & Rideou , 2015).. Po exemplo, as c ianças
com menos de dois anos são mais p edispos as a e ele isão se os pais cos umam u ilizá-la
com equência, ou seja, os pais acili am o empo de acesso dos ilhos à ele isão po meio do
p óp io hábi o de uso, possi elmen e o necendo um modelo implíci o de consumo associado à
u ilização da ele isão (Ande son & Hanson, 2010).
Além disso, de aco do com a eo ia de que os sis emas de c enças pa en ais ou
e no eo ias (Ha kness e Supe , 1992) o mam um quad o de e e ência suben endido que
sus en a o compo amen o dos pais den o de uma de e minada cul u a, comp eende-se que os
alo es, a i udes, c enças, adições e p a icas dos pais moldam as expe iências de mediação das
c ianças desde o seu nascimen o (Gomes, 2005). Nes a pe spec i a, é undamen al conside a as
c enças pa en ais pa a comp eende as es a égias que os pais (ou cuidado es) usam pa a media
2
o uso das ecnologias pelas c ianças desde o seu nascimen o. Um exemplo, nesse con ex o, são
os es udos sob e o empo de uso dos média pelas c ianças que mos am que os pais que
ac edi am que os média em um impac o posi i o no desen ol imen o in an il pe mi em que os
seus ilhos assis am a mais con eúdos media (Lau icella e al, 2015). Os pais podem ainda
u iliza as ecnologias como o ma de ecompensa e g a i icação (Ka z, Blumle & Gu e i ch,
1974) pa a ocupa a c iança enquan o p ecisam de e e ua a e as domés icas ou con ola o seu
compo amen o du an e si uações desa iado as, como à ho a de e eição ou an es de do mi
(Elias & Sulkin, 2017).
As c enças pa en ais são ambém um impo an e aspec o do nicho de desen ol imen o
da c iança (Ha knesse&Supe , 1992). Nesse sen ido, a amília é conside ada como o p incipal
mediado da o ganização do espaço e disponibilização dos ecu sos de desen ol imen o e
ap endizagem da c iança. O modelo desen ol ido po Ha kness e Supe (1992, 1996) sus en a
que a pa i da análise dos elemen os que compõem o nicho de desen ol imen o da c iança é
possí el comp eende an o o que pode se obse ado como o compo amen o dos pais, as
p á icas de cuidado e o desen ol imen o da c iança, quan o o que é menos apa en e como as
idéias, c enças e alo es dos pais que o ien am as ações. Dian e disso, as ecnologias digi ais
nes a pesquisa são is as como componen es do nicho de desen ol imen o in an il, no ambien e
amilia , p ocu ando in es iga a elação en e o con ex o digi al, a c iança em desen ol imen o
e as ca ac e ís icas psicológicas de seus cuidado es.
Assim sendo, pa indo da concep ualização eo ica do desen ol imen o sócio-cogni i o
na p imei a in ância e das e no eo iaspa en ais inse idas no nicho de desen ol imen o da
c iança, es e es udo p edende analiza como é que os modos como os pais ge am acesso aos
meios digi ais ma cam a in e ação das c ianças com esses meios nos p imei os dois anos de
ida, endo em con a as ca ac e ís icas de desen ol imen o na p imei a in ância e in luência de
á ios aspe os p opo cionados pelo con ex o cul u al das amílias.
Pa a a ecolha de dados oi ealizada uma pesquisa empí ica com qua o amílias de
c ianças a é dois anos de idade, dis in as nos seus aspe os cul u ais (na u alidade, eligião, classe
social, educação e o mação) e com esidência em Po ugal.
Nes e con ex o, o obje i o des e es udo cen ou-se na análise das p á icas de mediação
pa en al dos usos digi ais e do p ocesso de ap op iação das no as ecnologias pelas c ianças
com idades a é dois anos a a essando a elação en e o pe il de desen ol imen o in an il e os
a o es cul u ais do ambien e amilia .
Face ao expos o, a p esen e disse ação encon a-se o ganizada em seis capí ulos. Nos
p imei os ês capí ulos é ap esen ado o enquad amen o eó ico do abalho. O capí ulo 1
9
desen ol imen o não se dá linea men e, po ampliação, al como na eo ia do Piage , mas pela
e o mulação do ní el de desen ol imen o.
Os es ágios do desen ol imen o p opos os po Wallon são os seguin es: 1) es ágio
impulsi o-emocional, comp eendido en e 0 e 3 meses de idade; 2) es ágio exp essi o-
emocional, en e 3 meses e 1 ano de idade; 3) es ágio sensó io-mo o e p oje i o, comp eendido
en e 1 e 3 anos; 4) pe íodo do pe sonalismo dos 3 aos 6 anos de idade; es ágio ca ego ial, dos 7
aos 11 anos; e 5) es ágio da adolescência, dos 11 aos 12 anos de idade da c iança. Cada es ágio
é de e minado pelas a i idades que co espondem aos ecu sos que a c iança dispõe naquele
momen o pa a in e agi com o ambien e (Gal ão, 2000).
Tendo em con a que se a a de um es udo com c ianças com aixa e á ia en e 0 e 2
anos de idade, o p esen e abalho analisa apenas as ca ac e ís icas comuns do p imei o es ágio
desc i o pelo Piage e dos p imei os dois es ágios iden i icados po Wallon. O oco p incipal é
en ende e desc e e o compo amen o das c ianças desde o nascimen o a é 2 anos de idade.
O p imei o es ágio ci ado po Piage é chamado de sensó io-mo o e en ol e as
e oluções da c iança en e o nascimen o e os dois anos de ida. É denominado assim po que a
in eligência nessa e apa se desen ol e a pa i de expe iências senso iais e e olução dos
mo imen os. Piage conside a que es e pe íodo, em que oco e um ex ao diná io
desen ol imen o in elec ual, é decisi o pa a odo o seguimen o da e olução psíquica. Segundo
Piage , o p imei o ano de ida da c iança é o pe íodo da in ância em que o desen ol imen o é
mui o acele ado. (Pasqualo i e al, 2008).
Pa a Piage es e es ágio é compos o de seis sub-es ágios. O au o explica que nos
p imei os cinco subes ágios os bebês ap endem a coo dena as in o mações do sen ido e
o ganiza suas a i idades em elação ao seu ambien e – sensação e pe cepção. O con ac o com o
meio é di e o e imedia o, sem ep esen ação ou pensamen o. Já no sex o sub-es ágio, a c iança
i e o início do simbolismo, que oco e com o início da p emedi ação de suas ações, u ilização
de símbolos e concei os pa a esol e p oblemas simples e desen ol imen o da ideia de obje o
pe manen e.
É impo an e obse a que pa a Piage o conhecimen o se dá po descobe as que a
p óp ia c iança az. O começo do conhecimen o se cons ói a pa i dum p ocesso de adap ação
do sujei o ao obje o de conhecimen o. O p ocesso de conecimen o possibili a si uações no as,
desa iado as pa a o indi íduo e causa-lhe desequilíb ios que são necessá ios pa a o a anço do
seu desen ol imen o.
Também Wallon p opõe es ágios de desen ol imen o da c iança, mas não especi ica
idades limi e, pois ac edi a a num desen ol imen o dialé ico e in e acionis a.

10
O es ágio impulsi o-emocional, que ai do nascimen o a é ap oximadamen e ao
p imei o ano de ida, é um es ágio p edominan emen e a e i o. Ma cado pela p eponde ância da
a e i idade e das emoções, conduz as p imei as eações do bebê em elação às pessoas à sua
ol a, mediando sua elação com o meio ísico. A c iança é o cen o da a enção, necessi ando
cons an emen e do auxílio de pessoas pa a o p og esso do seu desen ol imen o. A impo ância
dessa a enção e e e-se ao desen ol imen o psíquico e ísico. Os p imei os ges os são
mani es ados a pa i da emoção. A simbiose isiológica dá luga à simbiose emocional a pa i
da signi icação que o social dá ao a o mo o da c iança, que se exp essa no so iso e nos sinais
de con en amen o (Wallon, 1981).
No es ágio impulsi o-emocional, que acon ece no p imei o ano de ida, há
p edominância da a e i idade e das emoções, conduzindo as p imei as eações do bebê em
elação às pessoas à sua ol a, mediando sua elação com o meio ísico, a c iança é o cen o da
a enção, necessi ando cons an emen e do auxílio de pessoas pa a o p og esso do seu
desen ol imen o.
Dos ês meses de idade a é ap oximadamen e o e cei o ano de ida, a c iança passa
pelo es ágio sensó io-mo o e p oje i o. Pa a Wallon es a e apa é ma cada pelo p edomínio da
in e ação en e c iança e meio. É uma ase onde a in eligência p edomina e o mundo ex e no
p e alece nos enómenos cogni i os. A c iança já começa a a ua conc e amen e sob e o seu
mundo e g ada i amen e o na-se capaz de se di e encia dos ou os. Nesse es ágio, os
pensamen os se p oje am em a os mo o es. Wallon a ibui mui as ca ac e ís icas ao a o mo o
que além de seu papel na elação com o mundo ísico, em uma unção undamen al na
a e i idade e ambém na cognição (GALVÃO, 1995). An es de agi di e amen e sob e o meio
ísico, o mo imen o a ua sob e o meio humano, mobilizando as pessoas pelas emoções. Pa a
esse au o , o mo imen o da c iança é um elemen o que consegue aduzi a ida psíquica, pelo
menos a é o momen o em que apa ece a pala a.
Sob ou a pe spec i a, Vigo sky apon a pa a o ac o de que não se pode ala de um
concei o único de desen ol imen o humano, mas de di e en es ipos de desen ol imen o. Assim
sendo, ele en a iza a di e ença en e o desen ol imen o que es á sujei o às eg as biológicas da
ma u ação e o desen ol imen o men al, que em como base exa amen e a ap endizagem que a
c iança ealiza no con ex o social em que es á inse ida. Com elação a es e ipo especí ico de
desen ol imen o, pode-se dize que Vigo sky de ende que o desen ol imen o depende da
ap endizagem. A pa i dessa isão, ica cla a a impo ância que Vigo sky dá aos mediado es do
conhecimen o, sejam eles pessoas adul as ou indi íduos da mesma idade. Pa a Vigo sky, a
cons i uição social da condição humana p essupõe a mediação de um ou o e essa é uma ideia
11
cen al pa a a comp eensão das suas concepções sob e o desen ol imen o humano como
p ocesso sócio-his ó ico.
Na eo ia his ó ico-cul u al de Vigo sky (1991) o desen ol imen o humano oco e po
meio do p ocesso em que o mundo passa a e signi icado pa a c iança, que se ai o nando um
se cul u al, a pa i das in e ações es abelecidas com o ou o. Pa a ele, o sujei o não é apenas
a i o (como em Piage ), mas ambém é in e a i o, po que o ma conhecimen os e se cons i ui a
pa i de elações in a e in e pessoais. A elação do indi íduo como o mundo não é di e a, mas
essencialmen e mediada, necessi ando da p esença de um elemen o mediado . A mediação na
eo ia Vigo skyana é conside ada como “o p ocesso de in e enção de um elemen o
in e mediá io numa elação; a elação deixa, en ão, de se di e a e passa a se mediada po esse
elemen o” (Oli ei a, 1997, p. 26). Oli ei a (1997) des aca que, na pe spec i a Vigo skyana, o
elemen o mediado que in e ém na elação da c iança com o meio é o ou o sujei o mais
expe ien e. A ap op iação do mundo cul u al só pode acon ece pela pa icipação do ou o
a a és de ges os, pala as e ações com signi icação pa a o ou o e que, pos e io men e, ão
adqui i signi icação pa a a p óp ia c iança.
Vigo sky obse a que a c iança ap esen a em seu p ocesso de desen ol imen o um
ní el que ele chamou de eal e ou o po encial. (Vigo sky, 2007). O ní el de desen ol imen o
eal e e e-se a e apas já alcançadas pela c iança, is o é, as coisas que ela já consegue aze
sozinha, sem a ajuda de ou as pessoas. Já o ní el de desen ol imen o po encial diz espei o à
capacidade de desempenha a e as com a ajuda de ou os. Há a i idades que a c iança não é
capaz de ealiza sozinha, mas pode á consegui caso alguém lhe dê explicações, demons ando
como aze . Essa possibilidade de al e ação no desempenho de uma pessoa pela in e e ência da
ou a é undamen al em Vigo sky. Pa a es e au o , a ap endizagem é o p odu o da ação de
mediação dos adul os no p ocesso de ap endizagem das c ianças. Esse p ocesso de mediação,
onde o adul o usa e amen as cul u ais ais como a linguagem e ou os meios, é um p ocesso de
in e nalização, no qual a c iança domina e se ap op ia dos ins umen os cul u ais como os
concei os, as idéias, a linguagem, as compe ências e odas as ou as possí eis ap endizagens.
Pa a ele, po an o, o desen ol imen o dos p ocessos cogni i os supe io es, é esul ado de uma
a i idade mediada. Mediado é aquele que ajuda a c iança a alcança um desen ol imen o que
ela ainda não a inge sozinha.
Já pa a Piage , a c iança é o au o do seu conhecimen o e ninguém pode á aze is o po
ela, mas ainda, segundo ele, é a ap endizagem que depende do desen ol imen o, ou seja, ela ai
depende do ní el de desen ol imen o em que a c iança se encon a. É ce o que Piage coloca
uma g ande ên ase na a i idade do sujei o, mas, segundo ele, é a pa i dos mecanismos
epis êmicos de como se pensa que a c iança pode o mula e e o mula as idéias que o mundo
12
adul o lhe o e ece ou seja a p esença de algumas ca ac e ís icas é undamen al pa a que se
ealiza a mediação.
A segui , ap esen a-se uma sín ese compa a i a (Tabela 1) en e as ês eo ias
analisadas nes e es udo pa a acili a uma melho comp eensão das p incipais abo dagens
ei as ao enómeno de ap endizagem e desen ol imen o humano, segundo os seus au o es.
Tabela 1. Quad o compa a i o das concepções de ap endizagem en e os eó icos Piage , Vigo sky e Wallon
Au o
Piage
Vigo sky
Wallon
Pe spe i as eó icas
In e acionismo
cons u i is a
Sócio-in e acionismo
Sócio-in e acionismo
cons u i is a
Abo dagem do
desen ol imen o
humano
O conhecimen o se
cons ói a a és da
in e ação com o meio
ísico.
Ap endizagem
=
Sujei o → meio
O desen ol imen o
cogni i o esul a das
elações sociais en e os
memb os do mesmo
g upo cul u al a a és
do p ocesso de
in e ação e mediação
O desen ol imen o e a
ap endizagem são
de e mminados pela
in eg ação en e
a e i idade in eligencia
e ma u ação biológica.
Ap endizagem = meio → sujei o
En oque da eo ia
Ma u ação biológica
In e ação social no
ambien e his ó ico-
cul u al
A a e i idade como
elemen o mediado das
elações sociais no
p ocesso de
ap endizagem.
Es ágios de
desen ol imen o
Es ágios de
desen ol imen o
sequenciais e uni e sais
Não acei a isão
uni e sal do
desen ol imen o
Desen ol imen o é um
p ocesso con ínuo, mas
não uni o me.
Relação en e
desen ol imen o ísico
e cogni i o do sujei o
A ap endizagem
depende do
desen ol imen o
biológico
A ap endizagem
p ecede o
desen ol imen o
A ap endizagem e o
desen ol imen o são
p ocessos
complemen a es
Relação do sujei o
com o mundo
O conhecimen o é
cons uído do sujei o
pa a o social. O sujei o
é au ónomo na
cons ução do seu
conhecimen o
De social pa a o
indi idual. A aquisição
de ap endizagem é
semp e mediada pelos
ou os sujei os mais
expe ien es
De social pa a o
indi idual. O p ocesso
de aquisição do
conhecimen o é
mediado pela
a e i idade
Relação linguagem -
pensamen o
O pensamen o è
an e io a linguagem
A linguagem es u u a o pensamen o
13
Finalizando es e capí ulo, imos que Piage , Vigo sky e Wallon desen ol e am es udos
de undamen al con ibuição pa a a comp eensão do desen ol imen o e econhecimen o da
impo ância das in e ações sociais no p ocesso de elabo ação do conhecimen o. Os ês au o es
en a am mos a que a capacidade de conhece e ap ende se cons ói a pa i das ocas
es abelecidas en e o sujei o e o meio.
Tan o Vigo sky como Wallon conco dam que o se humano se cons ói na elação com
o ou o, nas suas in e ações com o meio social e a a és de mediações, ans o ma a na u eza e
se ans o mado po ela. Pa a Visgo ski o elemen o mediado dessa elação é a cul u a e a
linguagem, pa a Wallon é a emoção. Piage , embo a não negue o papel do meio social no
p ocesso de desen ol imen o e ap endizagem da c iança, busca oca os seus es udos na
cognição.
Pa a Vigo sky, a c iança nasce inse ida num meio social, que é a amília, e é nela que
es abelece as p imei as elações com a linguagem na in e ação com os ou os. Vygo sky
en endia que as c ianças, desde o nascimen o, es ão em cons an e in e ação com os adul os, que
a i amen e p ocu am inco po á-las na sua cul u a. No início as espos as das c ianças são
dominadas po p ocessos na u ais, biológicos, mas é a a és da mediação dos adul os que seus
p ocessos psicológicos mais complexos ganham o ma.
Pa indo da ideia da eo ia his ó ico-cul u al de Vigo sky, de que a ap endizagem oco e
p incipalmen e em p ocessos mediados de elações sociais, pode-se a i ma que o meio amilia
se ap esen a como p i ilegiado pa a que acon eça es a ap op iação e os pais são is os como os
p imei os agen es mediado des e p ocesso de ap op iação socio-cul u al.
Em sín ese, na p imei a in ância, o desen ol imen o e a ap endizagem oco em,
undamen almen e, a a és das in e ações com adul os signi ica i os, da cons ução de laços de
inculação, da obse ação, de jogos sociais, das ações com obje os, da explo ação
sensó iomo o a do espaço e de ma e iais, da epe ição, do en ol imen o da c iança em
con ex os de ap endizagem signi ica i os. A desc ição dos es ágios de desen ol imen o
p opos os po Piage e Wallon e i ica que a c iança a é aos 2 anos mos a capacidade pa a
pensa sob e o mundo e sob e si mesma na in e ação que es abelece com as pessoas e os obje os.
O que impo a des aca é que a in e ação da c iança com o mundo e com as e amen as
p óp ias des e mundo não se e e e simplesmen e aos obje os que cons i uem o uni e so in an il
p óximo, ou seja, aqueles obje os com os quais a c iança ope a. Ao con á io, a c iança p ocu a
se elaciona com obje os com os quais os adul os ope am, mas que ela ainda não é capaz de os
ope a de modo au onomo. A con adição en e o desejo da c iança de agi sob e as coisas e a
14
impossibilidade de azê-lo exa amen e po ainda não domina as ope ações exigidas pelas
condições obje i as eais da ação dada só pode se solucionada pela a i idade lúdica. De aco do
com Vigo sky (Leon ie , 2001), essa a i idade lúdica não é uma a i idade p odu i a, o seu
obje i o não é um de e minado esul ado, mas sim a ação em si mesma. È uma a i idade
obje i amen e de e minada pela pe cepção que a c iança possui do mundo e pelo seu desejo de
ap op ia -se dele. Con o me salien a Leon ie (2001): du an e o desen ol imen o da
consciência do mundo obje i o, a c iança en a comp eende e ap eende não apenas coisas que
lhe são di e amen e acessí eis, mas ambém aquilo que em elação com o mundo mais amplo.
Is o é, “a c iança se es o ça pa a a ua como um adul o” (Leon ie , 2001, p.120).
Em conclusão, sin e izando os p incipais aspe os das eo ias de desen ol imen o dos
mais impo an es ep esen an es do in e acionismo: Piage , Wallon e Vygo sky, obse a-se que
o p ocesso de desen ol imen o e ap endisagem in an il é de e minado po á ios a o es, en e
os quais se des acam a elação en e a capacidade de in e ação da c iança com o seu ambin e e a
ap op iação des e ambien e po meio da mediação. Des a o ma, pode-se conclui que os pais,
como p incipais cuidado es, in luenciam o desen ol imen o da c iança, o ganizando espaços e
empos, es abelecendo elações e p opondo expe iências en ol en es do epe ó io cul u al das
amílias e da sociedade onde i em, p opo cionando às c ianças ap op iação de obje os da
cul u a p esen e no dia a dia da amília, ais como os meios digi ais.

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Capí ulo 2
Ca ac e ís icas cul u ais da pa en alidade
Esse capí ulo ap esen a alguns concei os p incipais elacionados com a cul u a e a
pa en alidade. O seu obje i o é e a á es da e isão de li e a u a como os a o es cul u ais se
elacionam com as c enças e as p á icas pa en ais e quais são os e ei os de di e en es p á icas
educa i as dos pais no desen ol imen o dos seus ilhos.
Desde o nascimen o os pais são das pessoas mais impo an es na ida de uma c iança.
As c ianças ap endem e dependem dos seus pais que são esponsá eis po supe isiona , educa
e c esce os seus ilhos num ambine e segu o. Cole (1998) en ende a na u eza humana como o
p odu o biossocial e cul u al de um longo p ocesso e olucioná io. Segundo esse au o , os bebés
já nascem como se es cul u ais que in e agem e comunicam como as pessoas ao seu edo .
Mesmo an es do nascimen o, os bebés já se encon am inse idos num meio cul u al. No
ambien e amilia em que iniciam a ida, in e agem com os pais, po ado es de alo es, c enças
e a i idades mediadas pelos ins umen os des a cul u a.
Os es udos mos am que o pe cu so do desen ol imen o mo o , cogni i o, emocional e
social nos p imei os anos de ida da c inaça pode se in luênciado po di e sos a o es
elacionados com as in e ações e o ambien e amilia (Minuchin, Colapin o & Minuchin, 1999).
Dessa o ma, Sigolo (2004, p.189)) desc e e a amília como um "espaço de socialização
in an il" com unção de "mediado a na elação en e a c iança e a sociedade". Essa isão
pe mi e pe cebe que nas in e ações amilia es são ansmi idos "pad ões de compo amen os,
hábi os, a i udes e linguagens, usos, alo es e cos umes " e são desen ol idas "as bases da
pe sonalidade e da iden idade " da c iança (ibidem, p.189)
De aco do com Szymanski (2004, apud Sil a Nancy, 2008), a c iança, ao nasce
encon a um mundo o ganizado pela sociedade e assimilado pela amília, que, po sua ez,
ambém ca ega uma "cul u a p óp ia". Essa cul u a amilia especí ica ap esen a-se
"imp egnada de alo es, hábi os, mi os, p essupos os, o mas de sen i e de in e p e a o
mundo", que de inem di e en es manei as de mediação no con ex o amilia . Assim, obse a-se
que os pais p ocu am agi de o ma que os seus ilhos adqui am os alo es amilia es, mesmo
que não o açam de o ma conscien e.
Há mui os es udos que explo am o que os pais pensam sob e seus ilhos, quais são as
suas expec a i as, o seu desen ol imen o, os alo es que p e endem passa , as suas a i udes em
elação à ma e nidade e à c iança (Melchio i e al., 2007, p.245-246) e que salien am que a
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manei a de agi dos pais deco e do seu sis ema de alo es a espei o do que é melho pa a o
ilho. Es es es udos ão assim além da “de inição” ou “ ep esen ação” do que a c iança é, como
se desen ol e e de que manei as e em que ex ensão eles podem se ajudados a alcança no os
obje i os. Essas de inições, semelhan es a ou os p ocessos cogni i os complexos, êm uma
base cul u al his ó ica e podem a ia con o me as condições de ida e com o acesso do
indi íduo ao conhecimen o (Melchio i e al., 2007, p.246).
Todas as sociedades p esc e em ce as ca ac e ís icas que se espe am que as pessoas
adqui em, ais como alo es pa en ais, compo amen os e modelos de elação pai- ilho e
p osc e em ce as endências e compo amen os que de em se e i ados pelos seus memb os
pa a e uma boa con i ência na sociedade. Algumas dessas p esc ições e p osc ições podem
se uni e sais em odas as cul u as, como po exemplo, o de e dos pais de alimen a e p o ege
as c ianças. Nessa o dem de ideias, Kelle (2007) de endeu a exis ência de um pad ão uni e sal
de compo amen os pa en ais.
Pa a esse au o (Kelle , 2002, 2007), as in e ações do bebé com seus cuidado es nos
p imei os dois anos de ida são o ganizadas de aco do com a p edominância de sis emas
pa en ais uni e sais que esul am das capacidades de cuida da espécie humana. No modelo
mencionado, são desc i os seis sis emas pa en ais. O sis ema de cuidados, conside ado o mais
an igo em e mos de ilogênese, en ol e um conjun o de a i idades pa a a ende às necessidades
do bebê (banho, alimen ação e c.) O segundo sis ema é o de con a o co po al que consis e em
a o ece posições em que o con a o co po al é p edominan e. O sis ema de es imulação
co po al ambém é baseado na comunicação a a és do co po e en ol e a es imulação mo o a
do bebe. A es imulação po obje os em po obje i o ap esen a à c iança o mundo dos obje os e
o ambien e ísico em ge al e es á elacionada a a i idades explo a ó ias. O sis ema do con ac o
isual ca ac e iza-se, basicamen e, pelo con a o mú uo a a és do olha e o sex o sis ema, o
en elope na a i o que consis e na mediação simbólica em que o bebé é en ol ido a a és da ala
da mãe.
Segundo e idências de es udos ealizados po Kelle , esse pad ão compo amen al es á
p esen e em odas as cul u as, ou seja, odas as mães, independen emen e de sua cul u a de
o igem, ado am compo amen os de di e en es sis emas. Esses esul ados apoiam a e são de
uni e salidade de Kelle . Esse pad ão compo amen al em a unção uni e sal de ga an i a
sob e i ência do bebe e ambém ajuda a cons ui a imagem de si e dos ou os. No en an o,
Kelle a i ma que a cul u a de e mina as combinações en e os sis emas e a p opo ção em que
eles são ado ados.
O ema da cul u a e da pe en alidade semp e ocupou um luga cen al nos es udos de
an opologia, e mais ecen emen e o nou-se e mo de pesquisa na á ea da psicológia do
17
pensamen o (Ha kness & Supe , 2002). De pon o de is a an opológico e psicológico, a cul u a
dos pais, no que se e e e ás suas c enças e p á icas de educação dos seus ilhos, é o mada po
uma his ó ia sociocul u al, em que as c enças cul u ais p esen es no co idiano das amílias
o mam o compo amen o da amília em elação ao bebê e é de e minada po c enças
cul u almen e compa ilhadas (Supe & Ha kness, 2009).
Mui os es udos e pesquisas em psicologia en a am comp eende o papel mediado dos
pais e di e encia á ios es ilos educa i os pa en ais e os seus e ei os no desen ol imen o
in an il. De aco do com Da ling e S einbe g (1993) o es ilo pa en al de ine-se como sendo a
o ma como os pais se elacionam com os ilhos. Os es ilos pa en ais dizem espei o “a um
conjun o de a i udes dos pais que c ia um clima emocional em que se exp essam os
compo amen os dos pais, os quais incluem as p á icas pa en ais e ou os aspec os da in e ação
pais- ilhos” (Da ling & S eingbe , 1993, p. 488). Es as a i udes incluem compo amen os
especí icos, que são o ien ados po obje i os a a és dos quais os pais exe cem as suas unções
pa en ais e compo amen os pa en ais, ais como ges os, mudança no om de oz ou na
exp essão espon ânea da emoção (Da ling & S einbe g, 1993). "Exp ime-se ambém po um
conjun o de es a égias que os pais u ilizam no seu quo idiano com os ilhos e que isa ins uí-
los em ap idões em di e en es domínios (académico, social, a ec i o) e em de e minados
con ex os" (Mu o e Sil a, 2018, p.55). Ou seja, é uma o ma de con olo em que se usam
explicações, punições e ecompensas numa supe isão e disciplina consis en es. No en an o, é
necessá io sabe dis ingui os concei os: es ilos pa en ais e p á icas pa en ais. Da ling e
S einbe g (1993) a i mam que os es ilos pa en ais dizem espei o a um con ex o onde os pais
educam os seus ilhos de aco do com as suas p á icas pa en ais, ou seja, êm em con a os seus
alo es e as suas c enças. Assim, segundo es es au o es, as p á icas e e em-se a
compo amen os in e a i os en e os pais e a c iança, de o ma a ep eende ou a incen i a
de e minados compo amen os nos ilhos. Esse modelo e idencia que os es ilos pa en ais es ão
semp e p esen es nas a i udes dos pais, in luenciando odo o p ocesso de desen ol imen o da
c iança, enquan o as p á icas pa en ais podem a ia de si uação pa a si uação.
Baum ind (1971), po exemplo, p opôs a exis ência de ês es ilos pa en ais dis in os: o
es ilo au o i á io, o es ilo au o i a i o e o es ilo indulgen e. No es ilo au o i á io, os pais en am
con ola e modela o compo amen o da c iança segundo no mas p é-es abelecidas e ígidas
que no malmen e não são explicadas ou discu idas. A obediência po pa e da c iança é um
aspec o ao qual os pais con e em bas an e impo ância. Quando exis em compo amen os
desadequados ou si uações de con li o, os pais p e e encialmen e u ilizam cas igos e punições.
São pouco equen es as a i udes elacionadas com o o necimen o de apoio emocional e a ec o,
po pa e dos pais au o i á ios. No es ilo au o i a i o, os pais aplicam as eg as e as no mas de
o ma acional, explicando à c iança os mo i os de ais mani es ações. Incen i am o diálogo e
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econhecem os in e esses da c iança, mas ambém exe cem con olo e au o idade quando
exis em si uações de con li o ou de compo amen o desadequado. No es ilo indulgen e, os pais
agem de o ma não-puni i a, sendo no malmen e bas an e ecep i os aos desejos dos ilhos e
pouco exigen es na aplicação de no mas ou eg as. No es ilo negligen e, os pais são pouco
disponí eis pa a esponde aos pedidos dos ilhos e pouco au o i á ios na aplicação de eg as e
no mas. Na maio ia das ezes, p eocupam-se apenas em a ende às solici ações dos ilhos, de
o ma a cessa as mesmas no imedia o.
Ao a alia a e icácia de cada es ilo pa en al, e i icou-se que os esul ados mais
posi i os o am encon ados em c ianças educadas segundo o es ilo au o i a i o, nomeadamen e
no que diz espei o a ní eis mais ele ados de ma u idade, asse i idade, au onomia e
esponsabilidade social (Tineco e al., 2011). Con udo, es udos de á ios países da Eu opa
cons a am cla amen e que hou e uma o e endência de mudança em que as p á icas
democ á icas subs i uem as p á icas au o i á ias. (Mon andon & Longchamp, 2003). Os
p incipais e mais impo an es a o es que de e mina am essa endência são o aumen o ge al do
ní el de educação, a emancipação das mulhe es ou ainda a democ a ização das elações de
gêne o do casal (complemen a idade de papeis, p ocu a de igualdade.
Vá ias pesquisas en a am sepa a os a o es que in luenciam os es ilos de p á icas e
a i udes educa i as dos pais e o e ei o des as sob e as c ianças. (Mon andon, 2005). Um
p imei o conjun o de pesquisas en ou explica as p á icas dos pais pelas es u u as amiliais,
p ocu ando mos a que exis e uma elação en e a composição das amílias (núme o de ilhos
na amília e gêne o) e ou as ca ac e ís icas (sepa ações, di ó cio, ecomposição amilia ), e as
p á icas educa i as dos pais (Baum ind, 1980). Assim, os mesmos au o es acha am que o sexo
da c iança in luencia os modos de educação, como po exemplo, os pais se em mais exigen es
com as suas ilhas do que com os seus ilhos ou que o di ó cio dos pais em e ei os nega i os
sob e suas p á icas educa i as.
Um segundo conjun o de abalhos en ou explica as p á icas educa i as dos pais em
elação à classe social da amília. Segundo eles, os pais de classe média endem mani es a mais
au ocon ole nas in e ações com a c iança, es abelecem eg as pa a o ganiza disciplinas,
negociam e eco em a punições e ecompensas com o obje i o de incen i a a c iança ao longo
do seu desen ol imen o. Em con as e, os pais das classes baixas são menos mo i ados a
elabo a um p oje o educa i o pa a seus ilhos e a dedica empo pa a explica os mo i os das
suas exigências. Eles endem aplica punisões e ecompensas sem se p eocupa com os e ei os
dos mêsmos compo amen os na sua educação (Gecas, 1979). Po ou o lado, essa abo dagem
não pe mi e conside a pa icula idades e nuances de a i udes e p á icas den o dos meios
sociais.
Além do pe encimen o a uma classe social as p á icas educa i as dependem de mui os
ou o a o es que se de em le a em con a (Cla k, 1983; Lahi e, 1995), como po exemplo, a
25
Capí ulo 3
Mediação pa en al elacionada com o uso de ecnologias digi ais po
c ianças pequenas
Es e e cei o capí ulo ap esen a in es igação ocada na mediação pa en al do uso que as
c ianças meno es de dois anos azem das ecnologias digi ais. O obje i o é iden i ica como a
mediação dos pais e as suas pe cepções sob e o impac o dos média digi ais na ida das c ianças
pequeenas são elacionadas com as ca ac e ís icas amilia es e a idade da c iança.
O desen ol imen o dos media e das no as ecnologias é um enómeno que in luenciou
di e amen e o espaço amilia , nomeadamen e, no que se e e e à o ganização do seu empo e
das p á icas em o no das ecnologias digi ais (Ca alho, F ancisco e Rel as, 2015). Assim, o
p ocesso de “domes icação” das ecnologias no con ex o amilia explo a a o ma como os
disposi i os e equipamen os ele ónicos se o nam pa e in eg an e do quo idiano dos indi íduos
e a sua inco po ação den o do seio amilia (Sil e s one e Haddon, 1992). Nesse con ex o, a
domes icação das TIC em uma dupla in e ação que se e le e na o ma como a amília al e a o
signi icado das ecnologias e na o ma como a cul u a e as in e ações amilia es são modi icadas
pelas ecnologias (Reis, 2016).
A ap op iação das ecnologias in eg adas num de e minado con ex o social, o p i ado,
oi ema de es udo desen ol ido po Roge Sil e s one (1992, 1996, 1999) que in oduz o
concei o de "economia mo al" da amília. De aco do com os au o es Sil e s one & Haddon
(1996), as amílias e os seus memb os êm o mas especí icas de consumo que dependem de
eg as implíci as que o ganizam a ida amilia e cul u a que p edomina no ag egado. Des a
o ma a con e são da amília às no as ecnologias digi ais é aduzida pelas suas a i udes de
u ilização.
A impo ância dos pais no uso dos média pelas c ianças, como auxilia es no p ocesso de
ap endizagem e desen ol imen o social, oi abo dada em á ios es udos sob e o papel dos pais
na educação digi al dos ilhos. Esses es udos apon am pa a di e sas es a égias pa en ais
elacionadas com os média e aplicadas a a és de um p ocesso de "mediação pa en al" que
Wa en (2001, p. 212) de iniu como "qualque es a égia que os pais usam pa a supe isiona ou
con ola os con eúdos dos media pa a c ianças". Nes e con ex o, de aco do com a eo ia de
Vygo sky (1986) sob e o desen ol imen o in an il, a mediação pa en al é is a como uma
es a égia-cha e no desen ol imen o de habilidades das c ianças pa a o uso segu o dos media,
com o obje i o de p omo e os aspe os posi i os e p e eni os e ei os nega i os dos mesmos

26
sob e as c ianças. Po exemplo, as expe iências ísicas e emocionais elacionadas com a pa ilha
das a i idades digi ais em amília o necem uma base pa a o desen ol imen o in an il,
especialmen e quando oco em den o da “zona de desen ol imen o p oximal da c iança”
(Vygo sky, 1978, p.86).
No que diz espei o ao uso dos média pelas c ianças pequenas, isso signi ica que,
quando a c iança es á en ol ida em a i idades elacionadas ao uso de ecu sos digi ais, os pais
de em aplica uma o ma de mediação que seja adequada ao seu ní el de desen ol imen o
(Cla k, 2011).
É cada ez mais comum obse a c ianças que ainda nos seus p imei os meses de ida,
de alguma o ma, já usam apa elhos ecnológicos, em especial aqueles com a ecnologia ouch
sc een, ais como os able s e sma phones. Essa ge ação que nasce conec ada com o mundo
ecnológico az pa e dos chamados “na i os digi ais”, concei o dado po Ma c P ensky (2001)
pa a iden i ica aqueles que nasce am e c esce am com as ecnologias digi ais já p esen es na
sua ida. Os p imei os nasce am en e a década de 1980 e 1990 e essa ge ação é ca ac e izada
po in e agi uma g ande pa e do empo com disposi i os ecnológicos, ais como
compu ado es, elemó eis, máquinas o og á icas e de ídeo digi ais, sma phones, able s,
assim como si es, blogs, edes sociais e ou os ecu sos eme gidos des e con ex o.
P ensky p opõe que o uncionamen o cogni i o dos na i os é di e en e das ge ações que
nasce am an es da no a cul u a digi al. As ge ações an e io es são chamadas de “imig an es
digi ais” que en am acompanha o a anço ecnológico pa a não ica em descon ex ualizados
nesses no os empos. (Sil a, 2014). A ualmen e, os p imei os "na i os digi ais" o na am-se
pais que são u ilizado es expe ien es de ecnologias, habi am la es digi ais onde as suas c ianças
c escem, sendo expos as aos media digi ais desde o nascimen o (Chaud on e al., 2015).
Segundo Holloway e al. (2013), a maio ia dos bebés com menos de dois anos nos
países desen ol idos em já p esença online. Na Holanda 78% de c ianças de um a seis anos de
idade já acede am à web, assim como 5% de bebés com menos de um ano de idade (B ouwe e
al., 2011).
Os esul ados das pesquisas na á ea dos usos digi ais indicam que em média as c ianças
começam a e ele isão en e seis e no e meses de idade e que os bebés com menos de dois
anos chegam a assis i p og amas de ele isão de uma a duas ho as po dia. Aos ês anos, quase
um e ço das c ianças no e-ame icanas êm uma ele isão no seu qua o (Rideou , 2013).
Esses dados não co espondem com as ecomendações da Academia Ame icana de
Pedia ia, que, a é 2017, aconselha a os pais a não expo em os seus ilhos meno es de dois anos
a equipamen os ele ónicos de qualque géne o e desaconselha a o almen e a ele isão no
27
qua o (Ame ican Academy o Pedia ics, 2011) Vá ias en idades in e nacionais de saúde e de
p o eção da c iança (The Ame ican Academy o Pedia ics 2009, 2010, 2011; Ins i u e o
Medicine o he Na ional Academies 2011; Na ional Associa ion o he Educa ion o Young
Child en, 2009; F ed Roge s Cen e Ad iso y Council, 2012) a isam sob e nume osos iscos e
e ei os nega i os a cu o e longo p azo causados pelo uso inap op iado das ecnologias pelas
c ianças pequenas. A exposição excessi a a ecnologias em sido associada a p oblemas de
saúde ísica e psicológica, nomeadamen e obesidade, al e ações da isão, pe u bações
do sono, a asos da linguagem, p oblemas de compo amen o. A e idência cien í ica mais
ecen e em mos ado que o uso das no as ecnologias implica adiação e exposição a campos
ele omagné icos (EMR Policy Ins i u e 2011), iscos de in oxicação com in as à base de
chumbo e de as ixia e su ocação po engoli elemen os pequenos dos equipamen os
ecnológicos (Na ional Associa ion o he Educa ion o Young Child en, 2009).
A li e a u a apon a pa a a necessidade de os pais se conscien iza em e comp eende em a
impo ância das implicações que su gem da associação en e o uso dos ecu sos digi ais na
p imei a in ância e o po encial desen ol imen o de hábi os de consumo dos média digi ais ao
longo da ida. (Schlembach e al. 2014). Nesse con ex o, é impe a i o obse a a
esponsabilidade dos pais de media o acesso p ecoce dos disposi i os digi ais pelas c ianças
pequenas que ainda não são au ónomas e es ão comple amen e dependen es dos seus cuidado es
amilia es. Os pais não de e minam apenas as suas p á icas digi ais, mas ambém o seu acesso
aos disposi i os digi ais. Além disso, ge almen e são os pais que iniciam o uso das ecnologias
digi ais às c ianças, moldando o seu en ol imen o com as ecnologias a a és da sua ajuda e
apoio, já que pa a as c ianças os pais se em de modelos, en ando imi a suas p á icas e
p e e ências (Kuci no a e Sak 2015; Plowman e al. 2008). Lau icella e al. (2015) e e em-se
a um e ei o de “espelho” en e as p á icas digi ais dos pais e as ado adas pelas c ianças,
des acando o ac o de que quan o mais jo ens são as c ianças, mais elas endem a ep oduzi as
p á icas de seus pais com os disposi i os digi ais.
Os es udos a i mam que não é impo an e apenas o con eúdo dos p og amas que as
c ianças assis em, con o me demons ado numa pesquisa ealizada po Ande son e al. (2001).
Também é impo an e o con ex o da expe iência de isualização, ou seja, quando os pais
assis em aos media com seus ilhos, a a i idade pode o na -se in e a i a ao discu i em
o con eúdo do p og ama. (Wa en, 2003).
As pesquisam indicam que a a i idade de assis i ídeos, DVDs e p og amas de
ele isão pode começa quando as c ianças êm apenas seis meses de idade (Rideou & Hamel,
2006). Os hábi os de consumo dos média digi ais o mam-se na p imei a in ância, momen o em
que os pais êm um papel undamen al nas p á icas de educação digi al dos ilhos. Assim, desde
28
cedo as es a égias de mediação ado adas pelos pais ela i amen e às a i idades digi ais dos
ilhos exe cem in luência sob e os esul ados de ap endizagem e o desen ol imen o ísico das
c ianças (Ande son e al., 2001).
A p imei a in ância é conside ada uma ase de e minan e pa a aquisição de hábi os e
es ilos de ida saudá eis. Nes e sen ido, é ambém o pe íodo indicado pa a que os pais ado em
uma es a égia de mediação do uso dos media digi ais pelas c ianças de o ma a maximiza
as an agens e po encialidades e eduzi os iscos associados à a i idade digi al. Quando os pais
eem ele isão jun o com os ilhos e ap o ei am pa a explica e analisa p og amas
que p i ilegiem con eúdos educa i os, cul u ais, in o ma i os ou mesmo ec ea i o eles
colocam-se numa posição que o e ece a opo unidade de melho a a ap endizagem da c iança.
Ao media em as expe iências de p og amas educacionais des inadas às c ianças, os pais podem
es imula o ocabulá io e as habilidades sociais dos bebês e c ianças pequenas, bem como
aumen a sua capacidade de e le i e pensa c i icamen e sob e as mensagens que ecebem
a a és dos meios de comunicação digi al (Schlembach e al. 2014). Ao longo do empo e à
medida que as c ianças c escem e se desen ol em, esse ipo de es a égia de mediação pode
o e ece aos pais possibilidades adicionais pa a o alece as capacidades cogni i as das
c ianças, es imulando a sua capacidade de comp eende mais acilmen e os con eúdos
complexos dos media.
A li e a u a az menção a di e en es es a égias de mediação que são ado adas pelos pais
pa a po encia os bene ícios e a enua os iscos en ol idos no uso das TIC pelas c ianças na e a
digi al. O concei o de mediação pa en al pode se en endido como uma pala a-cha e que
engloba as écnicas que os pais usam pa a ajuda em os ilhos a lida em com os media, em
pa icula com a ele isão (Po e , 2004, p. 232). Assim, os pais se colocam na posição de
mediado es quando in e êm na elação que os ilhos es abelecem com a ele isão e ou os
meios de comunicação, ajudando-os a comp eende e a in e p e a os seus con eúdos e a
desen ol e compe ências c í icas de u ilização das TIC.
Ge almen e, dá-se uma adap ação de eg as já de inidas ela i as à mediação no uso da
ele isão pa a os ou os meios digi ais. Po exemplo, Valkenbu g e al. (1999) suge i am que os
es ilos de mediação pa en al em elação à exposição das c ianças à ele isão podem se
aplicados ambém aos media digi ais e esumi am-nos em ês ca ego ias (Valkenbu g e al.,
2009):
1. Res i i o - quando os pais com a i udes al amen e con olado as ela i amen e ao uso
de meios digi ais es abelecem eg as de u ilização dos media, moni o izando e limi ando es e
uso;
29
2) Ins u i o - quando os pais con e sam com os ilhos sob e os con eúdos exibidos nos
média e con olam o uso digi al p eocupando-se em ensina e aconselha ;
3) Co-u ilização - quando os pais u ilizam ecnologias digi ais jun o com os ilhos,
baseando-se na negociação, diálogo e busca de consenso en e pais e ilhos sob e a u ilização
das ecnologias.
Assim, com base nos aços que são comuns, á ios modelos de mediação pa en al
o am p opos os. Po exemplo, Li ings one e Bobe (2004) dis ingui am as dimensões
“ma e ial” e “simbólica” da mediação pa en al. A p imei a e e e-se à medida como os pais
usam ecnologias e p omo em o acesso a disposi i os digi ais no la , e a segunda diz espei o à
aquisição e apoio das compe ências e p á icas digi ais e à de inição e negociação de eg as e
p á icas elacionadas com a u ilização de ecnologias
Um ou o modelo p e alen e a ualmen e é a ma iz p opos a po Valcke e al. (2010),
que elaciona a mediação pa en al das ecnologias digi ais com os es ilos pa en ais ge ais com
base no abalho de Baum ind e ou os (1991).
Os au o es de ini am dois ipos de a i udes de mediação pa en al do uso da in e ne no
la : con olo e pe missi idade dos pais - posicionamen os que ma cam qua o es ilos de
mediação do uso de meios digi ais:
a) Au o i a i o - os pais es abelecem eg as cla as e explicam-nas às c ianças pa a
p omo e o seu compo amen o esponsá el e au o- egulado; a eg a mais comum é
de ini um in e alo de empo especí ico pa a o uso dos media digi ais.
b) Au o i á io - os pais es abelecem eg as sem da explicações e espe am obediência, não
são abe os ao diálogo e impõem suas p óp ias pe cepções e opiniões sob e os media
digi ais.
c) Pe missi o - os pais es abelecem mui o poucas limi ações, a moni o ização do uso
digi al acon ece só ocasionalmen e e a amen e implica o ien ações educa i as.
d) Laissez- ai e – os pais não con olam e não se en ol am nas p á icas digi ais dos seus
ilhos, há ausência de limi es e de eg as.
Mais ecen emen e, Li ings one e Helspe (2008) ac escen a am dois no os es ilos de
mediação especí icos pa a ecnologias digi ais:
e) Moni o ização – os pais supe isionam as c ianças quando elas es ão a usa um
disposi i o digi al e moni o izam as a i idades on-line das c ianças depois de uso,
e i icando o his ó ico ou os egis os do na egado dos media digi ais.
30
) Helpdesk - os pais usam aplicações des inadas pa a egula ou bloquea con eúdo
imp óp ios pa a c ianças.
A maio ia dos a o es que in luenciam a mediação dos pais es ão elacionados com o uso
excessi o de ecnologias pelas c ianças, ob igando os pais a exigi em eg as. Na maio ia dos
casos, quando as c ianças começam a usa os media digi ais, os pais ado am no inicio um es ilo
pa en al pe missi o, que pode e olui pa a um es ilo au o i á io, mui as ezes de ido a uma
si uação p oblemá ica de uso c escen e das ecnologias pelas c ianças (Dias e al. 2017).
Como nos úl imos anos hou e um aumen o subs ancial no uso dos media
digi ais pelas c ianças pequenas, a Academia Ame icana de Pedia ia aconselha os pais a
conside a o alo dos média sob e o desen ol imen o dos seus ilhos e a o ien a sua mediação
a a o desse alo . (Ame ican Academy o Pedia ics 2011)
As pesquisas sob e a mediação pa en al demons a am de o ma semelhan e que os pais
moldam as suas es a égias de mediação de aco do com suas opiniões sob e os á ios e ei os do
con eúdo mediá ico em c ianças (Pon e e al., 2018). Os pais que es ão mais p eocupados com
os iscos en am equen emen e p o ege seus ilhos supe isionando, aplicando es ições ao
uso dos média e con e sando de o ma c i ica e cons u i a com a c iança sob e o po encial
nega i o do con eúdo dos média, enquan o os pais que acham que os média ep esen am
uma on e endencialmen e ilimi ada de conhecimen o, educação e di e imen o aplicam mais
equen emen e a es a égia de co-u ilização dos meios digi ais e mani es am-se a i os a analisa
o con eúdo escolhido a a és do dialogo in e a i o com seus ilhos (Nikken e al. 2015).
Segundo Valcke e al. (2010), o es ilo de mediação pa en al au o i a i o é o mais
equen e quando se e e e aos média digi ais, combinando uma elação a e i a e de al o
con ole pa en al. No en an o, um signi ica i o núme o de pesquisas em demons ado que os
pais endem a se ge almen e pe missi os ela i amen e ao uso de disposi i os digi ais em casa
(Pe ei a e al. 2016). Isso pode acon ece po que os pais des a ge ação são “na i os digi ais”
(P ensky, 2001) e a sua maio ia são compe en es nes a u ilização. Des e modo, as c ianças
obse am como os seus pais se en ol em com os meios digi ais disponí eis em casa e imi am
depois as suas p á icas. Ou a azão impo an e é que os able s são "amas" e icazes que man êm
as c ianças en e idas enquan o os pais es ão ocupados com a e as domés icas ou abalho (Dias
e al., 2016).
Ou a azão impo an e pa a esse ipo de mediação é o ac o de os able s se em is os
como “babysi e s” e icazes, man endo as c ianças en e idas enquan o os pais es ão ocupados
com a e as de casa ou do abalho (Pon e e al., 2018). As pesquisas mos am que 28% dos pais
de c ianças en e os seis meses e qua o anos usam o able como uma al e na i a de subs i ui a

31
in e ação di e a na ho a de dei a (Kabali e al. 2015). Além disso, os pais gos am de pa ilha o
uso ocasional dos seus disposi i os com os seus ilhos, como o sma phone, o compu ado ,
able s e consolas (Dias e al. 2007).
O uso de sma phones e able s po pa e de c ianças com menos de 5 anos
equen emen e necessi a de o ien ação e ajuda. Quando elas êm di iculdades, p imei o en am
esol ê-las de modo au ónomo, no malmen e a a és da es a égia de en a i a e e o; se não
consegui em esol e o p oblema sozinhas, eco em à ajuda dos i mãos mais elhos (caso os
enham) e só depois aos pais (Dias e al. 2017)
Os pais desempenham um papel undamen al no en ol imen o e a possibilidade de
acesso das c ianças a ecnologias digi ais, sendo com eles que elas êm as suas p imei as
expe iências de u ilização. Re e indo-se a esse p ocesso de mediação no con ex o dos meios
digi ais, Li ings one (2007) suge iu o concei o de “ egulação pa en al” pa a e e i que “os pais
mui as ezes eco em a papéis amilia es, em especial à sua au o idade, pa a negocia eg as e
p á icas elacionadas com a u ilização de ecnologias” (Dias e al., 2017, p.75).
Es udos ecen es demons am que a o ma como os pais o ien am a mediação do uso das
ecnologias digi ais pelas c ianças é moldada pelas a iá eis con ex uais elacionadas com
múl iplos a o es sociodemog á icos: a idade e géne o dos pais e das c ianças, a iá eis do
con ex o amilia (como endimen o amilia e amanho da amília, es ado ci il) e o núme o de
ecnologias digi ais p esen es no la . Também são impo an es a o mação educacional dos pais,
o seu ní el de u ilização da in e ne , a sua expe iência online e as suas a i udes em elação aos
media digi ais (Nikken e al., 2015).
Ca alho, F ancisco e Rel as (2015) o necem uma e isão sis emá ica da li e a u a
sob e o uso de Tecnologias de In o mação e Comunicação (TIC) pelas amílias e sin e izam os
a o es que in luenciam a adoção dos média digi ais pelas amílias: condição socioeconómica,
dis ância geog á ica de ou os memb os da amília, es a égias de comunicação comuns na
amília, di e enças cul u ais, sa is ação das necessidades elacionadas com o ciclo de consumo e
es ágio do ciclo de ida amilia (B i o, 2017).
Esses a o es de inem o con ex o pa a o en ol imen o dos pais na educação e dedicação
de empo e es o ço pa a a mediação do uso dos media pelos seus ilhos. Di e enças de géne o
moldam di e enças de compo amen o. Po exemplo, as mães endem a ado a um es ilo
au o i a i o de mediação (ní el al o de con ole e a e i idade) e a es a em ge almen e mais
en ol idas na educação e mediação in an il (Nikken e al. 2015), enquan o os pais endem a
ado a um es ilo de mediação au o i á io. Os pais endem a se mais pe missi os com os apazes
e mais es i i os com as meninas (Valkenbu g 2002). Os pais mais elhos são mais
32
con olado es, enquan o os mais jo ens endem a se mais pe missi os (Wang e al. al. 2005).
Além disso, quan o maio é a idade da c iança, mais es i i os os pais endem a se , a é que isso
comece a se uma on e de con li o du an e a adolescência, o que pode muda a a i ude dos pais
a se em mais pe missi os (Dias e al, 2017).
Os di e en es ní eis socioeconómicos das amílias e as habili ações li e á ias dos pais
ma cam as di e enças de mediação en e á ias amílias. Pauwels e al. (2008 apud B i o e al.
2017) obse a am que os pais com o mação supe io êm uma a i ude mais c í ica sob e
ecnologias e exe cem mais con ole sob e as p á icas digi ais de seus ilhos, embo a de o ma
a e i a. Eles es ão mais conscien es dos iscos e endem a se mais in e a i os nas a i idades
digi ais dos ilhos. Também, os pais com maio ní el de educação e com maio endimen o
pa ecem a o iza o ambien e digi al das c ianças em casa como um in es imen o pa a o
desen ol imen o in elec ual dos seus ilhos, usando mais equen emen e as mais no as o mas
de ecnologia em compa ação com os pais com baixo ní el educacional e aqueles com
endimen o in e io (I o e al. 2010).
Como os disposi i os digi ais ainda são bas an e ca os, os pais com ní el
socioeconômico mais baixo êm menos possibilidades de adqui i os mais ecen es p odu os
digi ais e, consequen emen e, seus ilhos ambém êm menos opo unidades de adqui i as
habilidades pa a usa esses media. Ainda, os pais com menos conhecimen os e habilidades
digi ais podem acha mais di ícil a ins alação do con ole pa en al nos disposi i os ele ónicos
ou con e sa sob e os iscos dos con eúdos digi ais com seus ilhos, em compa ação com os
pais que êm melho es compe ências digi ais (Aus in, 1993). Po an o, eles êm di iculdades em
acompanha o i mo ecnológico e em explica aos seus ilhos como uncionam os média e
assim são incapazes de p o ege os ilhos dos po enciais iscos que os media p essupõem. As
eg as são de inidas de o ma inconsis en e, esul ando numa o ien ação limi ada e sem
in e ação pa en al. Essa al a de conhecimen os pode le a as c ianças de amílias de baixa
enda a ap o ei a a ausência dos pais e aze em uso de qualque ipo de média quando e onde
quise em (Paus-Haseb ink e al., 2014, p). C ianças que i em em amílias com meno
endimen o usam menos disposi i os digi ais com a ecnologia ouch sc een, ais como able s,
sma phones e no ebook (B i o, 2017)
As pesquisas mos am ambém que as c ianças cujos pais êm baixo ní el de o mação
êm mais disposi i os à disposição no qua o e passam mais empo a e ele isão e a usa
compu ado . Também em amílias nume osas, os pais podem e menos empo pa a media o
uso dos media pelos seus ilhos (Nikken e al., 2015) e endem a se menos es i i os, pois os
pais não são capazes de supe isiona odas as c ianças no mesmo empo (Duimel e de Haan,
2007).
33
Ou o a o que in luência a mediação dos pais é a expe iência com os ilhos mais
elhos que ge almen e o na os pais mais es i i os com os ilhos mais no os (Nikken e Jansz,
2014).
Os es udos sob e à in luência das p á icas e a i udes dos pais em elação aos media
digi ais conco dam que os pais com conhecimen os e expe iência digi al endem e a i udes
mais posi i as em elação ao uso de ecnologias digi ais e es ão mais conscien es dos iscos que
a u ilização dos media implica e mos am-se mais en ol idos nas p á icas digi ais dos ilhos
(Ba on e al., 2009; Hollingswo h e al., 2011, Nikken e Jansz 2014, Pauwels e al. Wal a e e
al., 2008). Eles ambém ac edi am que é mui o impo an e media apoiando, o ien ando e
ensinando as c ianças nas suas p á icas digi ais (Wal a e e al., 2008). No mesmo empo, os pais
com menos habilidades e expe iências digi ais endem a se mais pe missi os e menos
pa icipa i os (Ba on e al., 2009, Hollingswo h e al., 2011).
No en an o, os pais êm mais pe cepções posi i as do que nega i as no que se e e e ao
uso das TIC, a i ude que mo i a o acesso diá io às ecnologias digi ais pelas c ianças. Os pais
conside am que as TIC azem pa e da ida das c ianças como elemen os omnip esen es do
mundo que as odeia e a é mesmo con ibuem pa a passa empo de qualidade em amília, como
e ilmes ou joga . As ecnologias digi ais ambém se em de babysi e e o able é o apa elho
ecnológico mais u ilizado pelas c ianças. A ele isão deu luga ao able e es e assume o papel
de babysi e enquan o os pais es ão ocupados em casa a p epa a as coisas pa a o dia seguin e, a
a a algum assun o impo an e ou o a de casa a en e e as c ianças no es au an e ou du an e
as iagens (Pon e e al., 2018).
As ecnologias são ambém is as como um auxílio no p ocesso educa i o. A isão que
sus en a a ideia de que as ecnologias são e e i amen e uma pode osa e amen a de apoio na
ap endizagem e no desen ol imen o in elec ual da c iança suge e o emen e que o con eúdo é o
a o mediado mais impo an e nessa elação (Johnson, 2010; Judge, Pucke , & Bell, 2006;
Ma sh, 2010, apud B i o, 2017).
A é aos anos 1990, as pesquisas na á ea dos usos dos media quase não ab angiam
es udos sob e os seus e ei os em bebés e c ianças pequenas. Esses es udos ela a am que as
c ianças com menos de dois anos de idade p es a am pouca a enção à ele isão, al ez de ido à
pouca o e a de p og amas TV dedicados a eles (Hus on e al.,1983; apud Ki ko ia e al., 2008).
No en an o, a pa i dos anos 90, hou e uma explosão de o e as c escen es de p og amas de TV
pa a c ianças. Hoje, lgumas pesquisas suge em que as c ianças de idade p é-escola p es am
mui a a enção aos con eúdos ele isi os desde a mais en a idade. Embo a a conclusão se e i a
à ele isão, é p o á el que seja e ídica ambém pa a ou os ipos de media.
34
A ele isão em sido c i icada desde há mui o empo pelo seu po encial impac o nas
c ianças de odas as idades (Smi h, Ande son e Fische ,1985, apud Ki ko ia e al., 2008). Um
aspe o p eocupan e é como a exposição p ecoce das c ianças a ce os con eúdos in luencia o
desen ol imen o cogni i o e mais a de, o desempenho académico no con ex o escola . Es udos
mos am que a exposição das c ianças maio es de dois anos a con eúdos ap op iados pa a a
educação in an il es á associada ao desen ol imen o académico e cogni i o, enquan o a
exposição ao pu o en e enimen o e especialmen e ao con eúdo iolen o es á associada a um
desen ol imen o cogni i o mais aco e a um meno desempenho académico (Ande son e
Pempek, 2005, apud Ki ko ia e al., 2008)
É in e essan e obse a que pesquisas e e uadas sob e o empo de a enção
demons a am que as c ianças de hoje podem es a a b inca com um b inquedo ao mesmo
empo que êm um p og ama de ele isão. Elas p es am a a enção necessá ia que lhes pe mi a
não pe de a sequência do p og ama ele isi o, nos momen os que lhes pa ece em mais
impo an es, pa a pe cebe a his ó ia, e is o, sem deixa de b inca com o seu b inquedo. Es a
es a égia desen ol ida pelos “na i os digi ais” é uma das mui as que lhes pe mi em es a a
desen ol e duas a i idades comple amen e dis in as ao mesmo empo, dis ibuindo a sua
a enção en e as di e en es a e as (P ensky, 2001, apud Schia on, 2012).
Embo a as pesquisas demons am cla amen e que os p og amas educa i os de ele isão
adequados à aixa e á ia podem se bené icos pa a c ianças em idade p é-escola , os es udos
sob e c ianças com menos de dois anos suge em que essas c ianças pequenas ap endem melho
com expe iências elacionais com os cuidado es nas a i idades em amília do que a a és das
expe iências i uais (K cma , G ela, e Lin., 2007, apud Ki ko ia e al., 2008). Ainda, algumas
pesquisas suge em que as c ianças não comp eendem a na u eza simbólica da ele isão a é
a ingi em a idade p é-escola e que a exposição à ele isão du an e os p imei os anos de ida
pode es a associada a um pio desen ol imen o cogni i o, a a aso da linguagem e a p oblemas
de in e ação social (Sub ahmanyam e al.,1996; Obel e al, 2006; apud Hea he Ki ko ia e al.,
2008).
As pesquisas ap esen a am di e enças en e as o mas pelas quais os bebés e c ianças
maio es assis em aos ídeos digi ais (Ki ko ian, 2007; Ba e, 2007). Os esul ados suge em que
c ianças com menos de dezoi o meses podem não en ende o con eúdo dos ídeos, e assim, não
ap endem da ele isão da mesma manei a que as c ianças mais elhas (Ba e a al. 2008; apud
Ki ko ia e al., 2008). Em pa icula , elas podem não comp eende o diálogo, limi ando-se a
obse a a sucessão de imagens.
Po ou o lado, pa a e i a o con ac o excessi o das c ianças com as no as ecnologias,
os pais exigem que os seus ilhos p a iquem a i idades não digi ais. Mui os pais apon am que
41
Os pais de cada amília o am ambém ca ac e izados ela i amen e ao seu ní el digi al,
pa a al sendo especi icado o núme o de disposi i os digi ais u ilizados pa cada um e a
equência do seu uso.
A Tabela 2, na página seguin e, sin e iza a in o mação biog á ica de odas as amílias
pa icipan es no es udo, incluindo a ap esen ação das p incipais ca ac e ís icas do seu con ex o
cul u al e elemen os de desc ição do ambien e digi al das amílias. Todas esidem na ma gem
sul do Tejo, na p o ìncia de Se úbal, endo sido anonimizada a localidade pa a p ese ação da
sua iden idade.

42
Tabela 2. In o mações biog á icas das amílias que pa icipa am no es udo
Técnicas de ecolha de dados
A p incipal écnica escolhida pa a a ecolha de dados nes e es udo oi a aplicação da
en e is a semies u u ada de na u eza explo a ó ia. A en e is a semies u u ada, enquan o
écnica de ecolha de dados nes a pesquisa p e ende ob e p incipalmen e in o mações sob e as
opinião, a i udes, expec a i as e pe ceções dos en e is ados de modo a e uma pe spe i a mais
ap o undada sob e as ideias que os pais e e em em elação às ecnologias digi ais e os seus
e ei os pa a a amília e pa a a p imei a in ância.
Código
é nico da
amília
Nº de
Mem-
b o em
amília
Es a-
do
ci il
dos
pais/
a ós
Denominação
do
elacionamen
o amília
Idade
Ní el
sócio-
economic
o
amilia
Ní el de
es udos
dos pais
ou a ós
P o issão
Religião
Ní el digi al
dos pais
(N .de
disposi i os
digi ais
u ilizados
dia iamen e/
ocasional)
Disposi i os
digi ais
p esen es no
la
Família
po ugue
sa b anca
3
Casa
dos
Mãe
29 anos
Médio
Licencia-
u a
Educado a
de in ancia
Ca olica
2 dia iamen e/
2 ocasional
2 ele isões,
2
sma phones
2 po á eis, 1
able , 1
DVD
Pai
30 anos
9º ano
Mo o is a
de pesados
1 dia iamen e/
3 ocasional
Filho
14
meses
Família
po ugue
sa
cigana
7
Uniã
o de
ac o
A ó
47 anos
Baixo
4º ano
Dona de
casa
E angéli
ca
2 dia iamen e
/1 ocasional
3 ele isões,
5 elemó eis,
1 po a il
A ô
58 anos
4º ano
Come cian
e
2 dia iamen e
Filha (mãe)
21 anos
Gen o (pai)
Filho (Tio)
24 anos
Ne as gémeas
( ilhas)
20
meses
Família
ussa
4
Casa
dos
Mãe
31 anos
Baixo
9º ano
Dona de
casa
O odoxa
3 dia iamen e
2 ele isões,
1
compu ado ,
2 elemó eis,
2 able es, 1
ampli icado
de som com
ádio
Pai
32 anos
9º ano
Camionis
a de longo
cu so
1 dia iamen e/
2 ocasional
Filha
4 anos
Filho
10
meses
Família
uc aniana
& omena
5
Uniã
o de
ac o
Mãe
41 anos
Baixo
9º ano
T abalhad
o no
campo
Pen ecos
e&O od
oxa
1 dia iamen e/
2 ocasional
3 ele isões,
1 po á il, 3
sma pones,
1 elemó el
sem acesso à
In e ne
Pai
52 anos
12º ano
1 dia iamen e/
2 ocasional
Filo
14 anos
Filho
10 anos
Filho
24
meses
43
Em ês casos a en e is a oi ealizada só com as mães, de ido à di iculdade de
en e is a ambém os pais, que po mo i os p o issionais es ão poucos p esen es na ida da
amília. O único caso com um cuidado que assume qualidade de pa en alidade di e en e oi a
en e is a com a a ó das c ianças ciganas que se ap esen ou como p incipal enca egado de
educação em amília.
Foi elabo ado um guião de en e is a que obje i ou, p incipalmen e, ob e a isão dos
en e is ados sob e cinco aspe os:
1. O igem e ca ac e ização amilia ;
2. Desc ição do ambien e digi al em amília;
3. His ó ia pessoal dos pais com os media;
4. Usos e compe ências digi ais da c iança meno de dois anos;
5. Conside ações e mediação pa en al.
Desde o início do p ocesso de ec u amen o das amílias que i iam se en e is adas, oi
combinado que a en e is a osse ei a no ambien e de la da amília, sendo esse conside ado
como p incipal espaço de desen ol imen o das c ianças em es udo.
Também oi nessa e apa de p epa ação de ealização das en e is as que se pediu
au o ização pa a a g a ação áudio e que oi e e ida a possibilidade de i a o os às c ianças
mais no as em con ex os signi ica i os pa a o p essen e es udo. Es as o am ú eis no sen ido em
que pe mi iam auxílio em eco da acon ecimen os ele an es.
Ao inicia as en e is as, a in es igado a expunha aos en e is ados o obje i o da en e is a,
c iando um ambien e mais a o á el pa a o diálogo.
Jun amen e com a en e is a oi u ilizada pela en e is ado a a écnica de obse ação di e a
na u alis a do compo amen o das c ianças al o do es udo no seu con ex o amilia habi ual.
Cada en e is a ealizada e e uma du ação de mais ou menos uma ho a, empo que oi
ap o ei ado pa a obse ação di e a e não pa icipa i a da in e ação com os meios digi ais das
c ianças pequenas, que es a am semp e po pe o da mãe ou a ó. A a és dessa écnica oi
possí el obse a si uações compo amen ais eais das c ianças sem exis i qualque
in e e ência do in es igado . Fo am ambém obse adas as in e ações en e os memb os das
amílias, as a i idades que os memb os da amília ealiza am com os disposi i os ele ónicos, a
44
localização des es disposi i os e a disposição ísica da habi ação. Foi dada especial a enção ao
manuseio de meios digi ais po c ianças com menos de dois anos.
Todas as en e is as o am ansc i as e as ansc ições o am o ex o base pa a a análise
ap o undada dos dados.
Mé odo u ilizado pa a a análise dos dados
Após a ealização das en e is as, es as o am ansc i as e seguiu-se pa a a análise de
con eúdo dessas en e is as com o obje i o de ealiza uma análise compa a i a en e as
amílias pa icipan es no es udo. A pa i dos dados ecolhidos, p ocu ou-se iden i ica quais são
os usos digi ais das c ianças mui o no as e como é que os a o es cul u ais das suas amílias
in luenciam a mediação pa en al e moldam a i udes elacionadas com o impac o das ecnologias
digi ais na ida da amília e na p imei a in ância.
Ao longo des e abalho não se ão e e idos nomes dos pa icipan es do es udo, endo
sido codi icados odos os nomes dos memb os das amílias de modo a ga an i a sua
con idencialidade e anonima o. A codi icação das amílias começa com a denominação da sua
na u alidade ou e nia, nes e caso Po uguesa, Po uguesa/Cigana, Russa e Uc aniana&Romena.
Assim, os memb os das amílias o am nomeados pela sua o igem, o seu elacionamen o
amilia (mãe, pai, ilho, i mãos), gen o e idade.
Em odos os casos, a en e is a oi ealizada em po uguês. Con udo, os discu sos dos
pais de o igem es angei a en e is ados o ma am, po ezes, in e alos quando o en e is ado
inicia a o discu so em po uguês e subi amen e começa a a ala com o in es igado na sua
língua ma e na ( usso, omeno). De ac o, o ecu so às suas p óp ias línguas ma e nas pe mi ia-
lhes desen ol e in ui i amen e ideias sob e como in e p e am aspe os ela i os ao enómeno
es udado (Bogdan & Biklen, 1994, p.134).
Dessa o ma, as alas ansc i as em po uguês dos en e is ados cuja língua ma e na
não é po uguesa (e po isso as suas pala as em po uguês esul am, de alguma o ma, duma
adução exp essa das línguas ma e nas) o am po ezes ein e p e ados pela in es igado a (e
pa a quem o po uguês não é a sua língua na i a). Con udo, a in es igado a ga an e o es o ço
pa a a ein e p e ação in eg al e iel das in o mações, sendo esse aspe o apenas uma menção ao
econhecimen o das limi ações com quais o in es igado se con on ou.
A ap esen ação dos esul ados ob idos nes e es udo se á o ganizada endo em con a os
cinco aspe os que o am in es igados a a és da en e is a com o in ui o de esponde às
ques ões de in es igação que esul a am do obje i o p incipal do p esen e es udo:
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1. Ap op iação das ecnologias digi ais pelas c ianças com menos de dois anos em
di e en es ambien es amilia es;
2. Pe cepções dos pais sob e as ecnologias digi ais em amílias com uma o igem
cul u al di e en e do con ex o cul u al da sociedade onde i em;
3. Análise dos modos como os pais de di e sas cul u as ge am o uso de ecnologias
digi ais dos ilhos mais no os
4. A isão dos pais sob e a impo ância das ecnologias digi ais pa a a amília e
p imei a in ância.
Des e modo, o p esen e es udo p e ende analisa como é que os modos como os pais
ge am acesso aos meios digi ais ma cam a in e ação das c ianças com esses meios nos p imei os
dois anos de ida, endo em con a as ca ac e ís icas de desen ol imen o na p imei a in ância e
in luência de á ios aspe os p opo cionados pelo con ex o cul u al das amílias.
O p óximo capí ulo se á dedicado à ap esen ação dos esul ados des e es udo e à
espe i a análise.
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Capí ulo 5
Ap esen ação e análise dos esul ados
1. Ap op iação das ecnologias digi ais pelas c ianças com menos de dois anos
em di e en es ambien es amilia es
Os p imei os esul ados da pesquisa apon am pa a o ac o de que os p imei os dois anos de
ida da c iança cons i uem um pe íodo ele an e pa a a obse ação dos modos como es as
iniciam o seu elacionamen o com os disposi i os digi ais. De aco do com Piage (1994), essa
e apa é denominada como es ágio sensó io-mo o , sendo ma cada pelas g andes ansições de
desen ol imen o do bebé, mês a mês, du an e os p imei os dois anos de ida. È nesse pe íodo
que as c ianças iniciam o seu p ocesso de explo ação do mundo ísico que as odeiam,
encon ando-se, no mesmo empo, o almen e dependen es dos adul os que cuidam e azem as
escolhas po elas da manei a que acham melho . Sendo assim, nes e es udo obse a-se que os
pais êm um pode de mediação decisi o no que diz espei o aos usos digi ais das c ianças. A
ap op iação das ecnólogas pelos bebés inicia-se semp e de o ma mediada pelos amilia es
(pais, i mãos mais elhos, a ós) capazes de manusea o acesso ísico e cogni i o aos
disposi i os digi ais. Ou seja, as c ianças nessa idade só êm acesso aos meios digi ais que os
cuidado es disponibilizam e conside am como adequadas pa a a idade delas. Con udo, os pais
endem conside a as p e e ências dos bebés, que cos umam mos a um maio in e esse pelos
ce os con eúdos dos media a a és do seu compo amen o, caso es es es ejam de aco do com os
limi es é icos e mo ais dos seus alo es e pe cepções sob e in ância.
Toda as c ianças al o des a pesquisa i em desde que nasce am em la es digi ais, êm pais
com compe ências digi ais e eem ele isão odos os dias. Como se inha encon ado no es udo
nacional pa a c ianças en e os ês e oi o anos (PONTE e al., 2017), a ele isão é a ecnologia
mais u ilizada pelas c ianças do es udo. Todos os pais e e em a ele isão como o p incipal meio
digi al que az pa e da o ina das c ianças pequenas em amília. A ele isão é is a pelos pais
como "um disposi i o adequado” pa a as c ianças nessa idade. Os es emunhos – nes e caso, ês
mães e uma a ó - indicam que os bebés passam expos os à ele isão, em média, de ês a cinco
ho as po dia e azem uso desse disposi i o, com ou sem a u ela dos pais e i mãos mais elhos.
Já ao im de semana o uso do ec ã ele isi o aumen a an o pa a os bebés como pa a ou os
memb os amilia es de ido ao empo li e em amília. Apesa de e e i em um pe íodo de
empo limi ado de exposição à ele isão, es as igu as emininas econhecem que o disposi i o
es á semp e ligado quando os bebés icam em casa. Essa p á ica es á a elada a uma o e c ença

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pa en al de que os bebés não assis em de o ma con ínua à ele isão. Na isão delas o apa elho
só unciona como um “pano de undo”, uma companhia, coexis indo equen emen e com á ias
ou as ac i idades. Como se pode obse a a a és das en e is as, essa c ença pa ece não es a
elacionada com o con ex o cul u al das amílias, dado que odas as mães exp essa am a mesma
pe cepção sob e a u ilização da ele isão pelos bebés.
Mãe da amília po uguesa (X, menino de 14 meses): 3, 4, 5 ho as po
dia, mas não é seguidas, não é semp e a e po que ele ai e comigo.
Ao im de semana ele ê mais empo do que du an e a semana.
A ó da amília cigana/po uguesa (Y e W, meninas gémeas de 20
meses): A ele isão es á semp e ligada em casa, mas elas nem semp e
es ão a e , só se gos a em dos bonecos.
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses): Umas ês ho as odos
os dias, só quando es amos a sai no im de semana, pode se que ê
menos. Mas ele não ê ele isão odo es e empo, só que a ele isão es á
ligada.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Ele ica
com os manos em casa mui as ezes. Mas é o que eu es ou a dize , a
ele isão pode es a ligada odo o dia, mas isso não signi ica que ele
sen a lá e es á a e , não. Ele gos a de i na a anda, ala com os
pombos, com os animas que ê na ua. Só quando es ão os desenhos
animados p e e idos é que ele es á a e .
Obse a-se que nas amílias com mais de uma c iança, o uso da ele isão pelo bebé
acon ece de uma o ma di e en e. Assim, po exemplo, nas amílias onde há só c ianças a é dois
anos de idade, como é o caso da amília po uguesa e amília po uguesa/cigana, as c ianças êm
a ele isão ligada na sala du an e o dia exclusi amen e pa a elas, enquan o nas amílias com
c ianças de á ias idades, como é o caso das amílias ussa e uc aniana/ omena os bebés icam
mui as ezes a assis i con eúdos escolhidos pelos i mãos mais elhos, pe dendo o di ei o
exclusi o de “con ola ” a ele isão. Apesa disso, pa ece que as c ianças mais pequenas não se
impo am de pa ilha a ele isão, pa a elas sendo mui o mais impo an e a p esença dos
memb os amilia es do que a isualização de con eúdos TV. Pelo con a io, mani es am
in e esse e on ade de es a acompanhados e acompanha os amilia es indi e en emen e do ipo
de p og amação assis ida po que, mui as ezes, o oco deles não e a p óp ia ele isão, mas a
in e ação que êm com os pa es pelos quais es ão acompanhados no “momen o da ele isão”.
Nesse con ex o, se e como exemplo o caso da amília ussa com uma menina de 4 anos e um
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bebé de 10 meses de idade, que como oi possí el obse a du an e a en e is a, ainda não anda,
mas já consegue ga inha e mo imen a -se pela casa com a ajuda do andado . De aco do com a
mãe, mesmo que o bebé não liga mui o aos con eúdos, ele p ocu a a companhia da i mã cada
ez que ela ê ele isão em casa, ge ando as ezes si uação de con li o en e i mãos.
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses):
(…) Quando o menino ol a do in an á io e que
e ele isão, se o na sala eles icam a e
jun os, mas se o no qua o dela, ela não
pe mi e mui o. Quando o Z ai pa a o qua o
dela, ela não gos a. Diz que é dela e não que
que o Z á pa a aí. Quando ela ol a mais
cansada do in an á io, ela p ecisa de descansa
e não que que o Z aça ba ulho. (…)
Segundo as en e is adas, as c ianças o am expos as desde que nasce am a odo o ipo de
disposi i os digi ais p esen es no la . Dessa o ma, en ende-se que acei am o uso das no as
ecnologias pelas c ianças, inclusi amen e pelas c ianças pequenas, ac edi ando que o uso da
ecnologia é algo que acon ece de uma o ma ine i á el. È impo an e salien a que apesa de as
c ianças es a em expos os desde o seu nascimen o a di e sos apa elhos ecnológicos, odas
e e i am a ele isão como o p imei o disposi i o digi al a qual a c iança e e acesso pela
p imei a ez na ida.
Ou o momen o impo an e pa a o p esen e es udo oi obse a com que idade as
c ianças pequenas começa am a assis i ele isão. Cu iosamen e, de aco do com as obse ações
das en e is adas, os bebés começa am a p es a mais a enção à ele isão com 6-8 meses de
idade. Essa idade co esponde ao e cei o subes ágio (4 a 8 meses) do pe íodo sensó io-mo o
conside ado pelo Piage (1994) e se e idencia pela iniciação da explo ação de obje os e
econhecimen o de ozes e sons. Po an o, as c ianças nessa ase ado am obje os alan es e
colo idos que emi em sons e que es imulem a cu iosidade, ais como os disposi i os digi ais e a
ele isão. Es a pode se enca ada como um b inquedo que, g aças às suas p op iedades, despe a
o in e esse e a enção das c ianças nes a idade. Assim, o compo amen o dos bebés e as suas
p imei as o mas de eagi aos es ímulos isuais e audi i os da ele isão desc i as pelas mães
en e is adas possibili a am comp eende que os bebés iniciam a in e ação com a ele isão
Z (9 meses) da amília ussa na sala
com a ele isão ligada
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sendo a aídas não só po alguns con eúdos, mas p incipalmen e pelos sons da ele isão.
Mãe da amília po uguesa (X, menino de 14 meses): Desde mui o
pequenino, mas quando ele começou a da mais noção oi aos 6/7
meses, al ez. (…) Foi só a liga e ele a obse a . Ele oi a p ocu a do
som.
A ó da amília cigana/po uguesa (Y e W, meninas gémeas de 20
meses): Acho que oi com oi o meses que começamos a dize -lhes
“Olha ali!”, como as ezes ínhamos que nos despacha , eu e a mãe
delas, ligá amos a ele isão pa a elas e em. Elas semp e gos a am de
música e mesmo quando e am mais pequeninas quando ha ia uma
música na ele isão, elas ica am quie as a ou i .
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses): Começou a p es a
mais a enção à ele isão aos se e meses, mais ou menos. Liga a só ao
som. (…) Ele como ainda e a pequenino, lemb o-me que icou
su p eendido e eliz, ab ia os olhos e a boca g ande.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Sim, oi
an es de aze um ano, acho que oi com seis meses. Ele gos a a mui o
da publicidade e eu o deixa a dei ado en e almo adas, ele olha a pa a
a ele isão e ica a mui o quie o. Quando acaba a o in e alo de
publicidade ele logo começa a a cho a e g i a e e a só com a
publicidade que ele pa a a. E depois quando não es a a à en e da
ele isão, quando ou ia aquele som da publicidade, ele econhecia o e
que ia e .
De aco do com as en e is adas, no a-se que com o a anço da idade as c ianças
mani es am cada ez mais in e esse pelos con eúdos audio isuais, exp essam in e ação e
mos am p e e ências. Elas a i mam que os desenhos animados são o p incipal con eúdo ao qual
as c ianças êm acesso nessa idade. Os desenhos animados cos umam se is os a pa i do ec ã
da ele isão, ou os disposi i os digi ais u ilizados pelas c ianças nes a idade como compu ado ,
able es os sma phone sendo menos e e idos. Dian e des e con ex o, en ende-se que as
en e is adas p e i am a ele isão em ez de apa elhos digi ais que são conside ados demasiado
complexos pa a se u ilizados ainda nos p imei os dois anos de idade e que eque em mais
cuidado e mediação po pa e dos pais. O ec ã g ande da ele isão e a sua p esença em á eas
comuns áceis de moni o iza pelos pais o na es a ecnologia na isão dos pais a mais adequada
pa a as c ianças pequenas.
50
Em elação aos p og amas de ele isão e ídeos que as c ianças a é dois anos assis em,
os desenhos animados e música são os con eúdos mais ci ados, seguidos pelos p og amas sob e
a ida dos animais e as ezes p og amas pa a adul os.
A ap op iação da ele isão pelos bebés pa ece e um ca á e mui o sele i o, uma ez
que as c ianças mani es am in e esse apenas po ce os con eúdos e p og amas de ele isão. Ao
analisa as en e is as ealizadas, cons a a-se que as p e e ências dos bebés po alguns
con eúdos digi ais são signi ica i amen e in luenciadas pela mediação cul u al dos pais.
Nes e con ex o, no a-se que as mães das amílias es angei as p o idencia am às
c ianças acesso a con eúdos in an is ealizados nos seus países de o igem. Po exemplo, a mãe
da amília ussa e e iu a sé ie de desenho animado usso Masha e U so como o p imei o e
único con eúdo digi al ao qual a c iança em acesso. Ao mesmo empo, a mãe da amília
uc aniana/ omena mencionou dois desenhos animados ussos: Masha e U so e Nu pogadi!
como os p e e idos da c iança pequena em casa. È in e essan e obse a que o Nu pagadi! oi
um dos mais popula es desenhos animados nos empos da União So ié ica que ma cou a
in ância das ge ações nascidas no espaço so ié ico depois dos anos 60 do século passado. Um
ou o ac o cu ioso é que essas duas amílias es angei as já assis iam ao desenho animado
Masha e U so na sua e são o iginal an es de se emi ido pelo canal Panda e de ica conhecido
em Po ugal. De aco do com as mães, os bebés ado am assis i es es desenhos animados em
á ias línguas, jus i icando que as c ianças cos umam liga apenas às imagens e música dos
ídeos. Assim, no caso da amília ussa, o Masha e U so é assis ido em usso a a és da
ele isão com acesso à in e ne e em po uguês a a és do canal Panda. Já no caso da amília
uc aniana/ omena o mesmo desenho animado é assis ido na ele isão só em po uguês e em
á ias ou as línguas a a és do You ube, enquan o o Nu pagadi! é assis ido exclusi amen e em
usso e acessado só pela in e ne , sendo um desenho animado menos conhecido a ní el
in e nacional e com poucas aduções.
Dessa o ma, nes e caso obse a-se uma p á ica de mediação pa en al simbólica dos
p imei os usos digi ais das c ianças pequenas a a és da qual os pais escolhem con eúdos que
e le em a sua p óp ia iden idade e escala de alo es. Nes e con ex o, segundo a eo ia das
c enças pa en ais (e no eo ias) de Ha kness e Supe (2002), con i ma-se a ideia de que o
p ocesso de ansmissão das c enças pa en ais de ge ação em ge ação depende do g upo cul u al
ao qual os indi íduos pe encem. Na mesma o dem de ideias, de aco do com os esul ados da
pesquisa ealizada de o ma online pela Ipsos Public A ai s em nome da Ne lix em 2015 com
o obje i o de iden i ica quan os pais que em compa ilha com os ilhos os desenhos que iam
quando e am c ianças, e i icou-se que 85% dos pais pa ilham com os seus ilhos os desenhos
animados que ma ca am a sua in ância. Os dados do es udo indicam que en e os p incipais
57
imi ação das pe sonagens e dos modelos de compo amen os ep esen ados pelos meios digi ais.
Nesse sen ido, as eo ias sob e o desen ol imen o cogni i o in an il sus en am a ideia de que a
imi ação az pa e impo an e do p ocesso de desen ol imen o cogni i o e da aquisição da
linguagem pela c iança (Mou a, 2002). Pa a Piage , Vigo sky e Wallon a imi ação az pa e da
ap endizagem simbólica, onde a c iança é is a como um elemen o a i o a in e agi com o seu
meio de desen ol imen o (La Taille, 1992). De aco do com os pais en e is ados, qua o das
cinco c ianças do es udo mani es am compo amen os imi a i os ao assis i con eúdos digi ais.
E nes e con ex o é impo an e salien a que os pais mos am-se mui as ezes su p eendidos
pelos compo amen os de imi ação das c ianças. Obse a-se que os bebés endem imi a as
pe sonagens dos média de uma manei a ex ema sem di e encia a ealidade de icção.
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses): Ele es á a imi a a
Masha. Se a Masha cho a, ele az ou a ca a. Se a Masha es á a i , ele
ambém ica odo eliz. Se ele ê que a Masha es á a cho a , ele começa
a cho a ambém.
A mãe da amília po uguesa oi a única que mencionou ainda não e no ado no bebé nenhum
compo amen o de imi ação.
Dessa o ma, conclui-se que a ap op iação das ecnologias digi ais pelas c ianças com
menos de dois anos de idade è o emen e elacionada com as ca ac e ís icas de
desen ol imen o in an il que de e minam as habilidades das c ianças de in e agi com os
disposi i os media. No mesmo empo obse a-se que a iniciação do p ocesso de ap op iação
dos bebés é in luenciada pelas a iá eis cul u ais das amílias como a na u alidade e ní eis de
educação dos pais, línguas aladas e núme o de memb os em amília, con ex o digi al nos la es.
5.2 Pe cepções dos pais sob e as ecnologias digi ais em amílias com uma o igem
cul u al di e en e do con ex o cul u al da sociedade onde i em
Como se pode e i ica a a és dos dados do p esen e es udo, pa a as duas amílias de
imig an es que azem pa e da amos a, as no as ecnologias digi ais são impo an es po
possibili a em o con ac o equen e com os seus amilia es dos países de o igem.
As duas amílias são emig an es do Les e Eu opeu e a i mam que os mo i os
económicos ep esen am a p incipal azão de imig ação pa a Po ugal. Tendo em conside ação
o con ex o his ó ico-socio-cul u al dos países de Les e Eu opeu e as decla ações das mães
en e is adas, en ende-se que pa a a ge ação des es pais o ádio e a ele isão o am os únicos

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disposi i os de média aos quais i e am acesso nos países de o igem du an e a in ância e mesmo
no inicio da ida adul a.
No a-se que depois de deixa em de i e nos países de o igem e de e em imig ado pa a
Po ugal a in e ação des es pais com os media digi ais e oluiu signi ica i amen e. De ido à
in luência do ambien e digi al do país de acolhimen o, com o empo, as amílias egis a am um
maio acesso a meios digi ais, su gi am no os usos e o mas de ap op iação digi al, no as
p á icas sociocul u ais de acomodação ao con ex o cul u al da sociedade onde i em.
Ve i ica-se que as mães en e is adas i e am mui o pouco acesso à ele isão du an e a
in ância. Elas começa am a assis i ele isão só com 7/8 anos no caso da mãe da amília ussa e
13/14 meses no caso da amília uc aniana/ omena. Dian e des e con ex o, obse a-se que os pais
que nasce am no Les e da Eu opa o am menos p i ilegiados pelo con ex o des es países a
e em acesso a meios digi ais, em compa ação com as amílias de o igem po uguesa que
i e am acesso em amília, pelo menos a dois disposi i os digi ais desde que se lemb am. O
acesso limi ado das mães imig an es às ecnologias digi ais na in ância e a a-se nas suas
pe cepções sob e os usos digi ais dos seus ilhos que são conside ados excessi os. Nes e
sen ido, a mãe de nacionalidade uc aniana não conco da com o modo como os seus ilhos se
ap op iam das ecnologias digi ais, a gumen ando com exemplos de compo amen o da sua
in ância.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Olha, eu
c esci quase sem ele isão e não oi nada mau. E se po exemplo se á
possí el que elas (as no as ecnologias) desapa ece em, eu acho que
se á mui o melho (so iso). Pelo menos os meus ilhos iam b inca
mais na ua com ou as c ianças do que ica em em casa a e odos os
dias só coisas más. Tal ez há c ianças que ap endem alguma coisa boa
com isso, ago a os meus não. Eu quando andei na escola, não
p ecisa a de in e ne pa a aze os meus abalhos de casa e passei a
udo. E as pessoas e am mui o mais in eligen es po que ago a não
sabem duas ezes dois, podem se no 5º ou no 6º ano e não sabem.
De aco do com as in o mações pa ilhadas pelas mães du an e as en e is as sob e a
his ó ia pessoal com os media, obse a-se uma in luência in e ge acional nas pe cepções sob e a
mediação pa en al. Assim, a mediação pa en al dos usos digi ais nes as amílias inclui eg as
que seguem modelos de c enças pa en ais ansmi idos e compa ilhados pelas ge ações
an e io es, ais como po exemplo deixa as c ianças assis i a mais con eúdos audio isuais no
im de semana, e em uma pe cepção nega i a sob e o uso dos media pelas c ianças à noi e ou
ac edi a que a ele isão con inua ainda ino ensi a pa a c ianças.
59
No caso da amília po uguesa de o igem cigana, a a ó menciona que o alo do amo é
mais impo an e do que os bens ma e iais pa a o desen ol imen o ha monioso das c ianças em
amília. En ende-se que pa a essa amília a aquisição de disposi i os digi ais não ep esen a uma
p io idade, sendo mais alo izada a elação a e i a em amília.
A ó da amília cigana/po uguesa (Y e W, meninas gémeas de 20 meses):
Mos a -lhe o que é o amo po que há mui a c iança a so e , não é? A gen e
en a, já que não lhe podemos da udo… Eu dou mais alo ao amo do que
aos bens ma e iais. Em casa oi semp e assim, p imei o eles e depois nós.
Ainda a a ó des a amília con essa que em uma pe cepção de g ande pe igo associado à
exposição de o og a ias de c ianças na in e ne . Ela não conco da com es a p a ica que é mui o
desen ol ida no meio das ge ações de pais mais no os e diz que o seu maio eceio elacionado
com as no as ecnologias è o isco de pedo ilia.
A ó da amília cigana/po uguesa (Y e W, meninas gémeas de 20 meses):
Pa a já, hoje em dia há mui a maldade no se humano. E sabe que o medo que
semp e i e, mesmo quando a minha ilha e a jo em é da pedo ilia. Tenho mui o
eceio. Hoje em dia es ou a a de dize à minha ilha pa a não i a ce as
o os às meninas e mos a po que udo em acesso à ecnologia, não é? En ão
acho que há limi es. Pedo ilia eu acho que hou e semp e, só que ago a po
causa das ecnologias ala-se mais.
Dian e des e con ex o, pe cebe-se que nes a amília as o og a ias das meninas êm um alo
ex emamen e pessoal. Es e es udo ca ece de o og a ias que ap esen assem as meninas em
con ex o digi al des a amília po não e a au o ização da a ó pa a i a o og a ias das bebés
gémeas, a i ude de e minada pelas suas pe cepções sob e os iscos que implica o ac o de
compa ilha o og a ias com pa es e cei as.
Es a c ença es á en aizada nos alo es eligiosos da amília que são pe cebidos, de aco do com
a ó da amília po uguesa /cigana, como mui o impo an es pa a a manei a de in e p e a o
mundo.
Apesa de os pais das amílias imig an es e em um ní el baixo de es udos (o 9ºano) e
p o issões não quali icadas, obse a-se que os la es são icos em disposi i os digi ais. Assim,
e i ica-se que nes es ag egados amilia es as ecnologias são pe cebidas como impo an es pa a
ida da amília e os p incipais des ina á ios e azões de aquisição de meios digi ais são as
c ianças. Pa ece que os pais são en ol idos num con li o p óp io de c enças pa en ais que, po
um lado, que em o e ecem aos ilhos udo aquilo que eles não i e am na in ância, e po ou o
60
lado, mos am-se p eocupados e ansiosos com os e ei os das no as ecnologias sob e a in ância
e qualidade do elacionamen o em amília.
Um ou o aspe o ele an e que p ecisa de se analisado, no con ex o das pe cepções
sob e as ecnologias digi ais em amílias com uma o igem cul u al di e en e do con ex o
cul u al da sociedade onde i em é a impo ância que es as amílias a ibuem às
ecnologias digi ais pa a comunica e man e uma ligação a e i a com os amilia es dos
países de o igem. Nes e sen ido, as ecnologias são pe cebidas de o ma posi i a pelas
amílias imig an es, uma ez que possibili am man e a ligação com a comunidade de
o igem.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Sem
elemó el e in e ne ago a é di ícil po que eu es ou num país longe e a
minha amília es á lá, eu p eciso de ala com ela, isso acho que é bom,
sim.
Obse a-se que as no as ecnologias pe mi em às amílias emig an es do es udo uma
oca egula de in o mações e no ícias do seu país de o igem, o nando possí el supe a as
dis âncias geog á icas, man endo a memó ia colec i a, os laços a ec i os e a iden idade das
amílias. De aco do com as mães das amílias ussa e uc aniana/ omeno a manu enção da
con inuidade de con ac o com a amília e cul u a de o igem é mui o impo an e pa a elas e pa a
os seus ilhos.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Eu acho
que é mui o impo an e po que emos uma amília mui o g ande e é
impo an e pa a os meninos sabe em a sua língua e conhece em o seu
país. Têm mui os p imos, mui as ias, em que con inua a man e a
ligação.
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses): Eu gos a ia que as
minhas c ianças conhecessem as adições do nosso país e a eligião
ambém. Sim, isso é impo an e pa a mim.
Pa a comunica com os amilia es que se encon am longe do país onde i em, as
amílias emig an es usam p og amas de con e sação ia In e ne , ais como Skype e Vibe .
Além disso, oi possí el obse a que os pais dessas amílias ap op iam-se dos meios digi ais
u ilizando os p óp ios ins umen os cul u ais. Eles u ilizam p e e encialmen e a língua na i a
pa a p ocu a in o mações na In e ne , gos am de ou i músicas e e con eúdos digi ais
p o enien es da sua cul u a de o igem. As p á icas pa en ais de ap op iação digi al a a és dos
61
p óp ios ecu sos cul u ais cos umam se ansmi idas pa a as c ianças nes as amílias. Assim,
e i ica-se que as no as ecnologias digi ais são pe cebidas pelas amílias imig an es do es udo
como um “espaço de exp essão” e como “ on e de con eúdos” que se moldam às ca ac e ís icas
e necessidades cul u ais das amílias. Além disso, o acesso às ecnologias digi ais e a
possibilidade de u ilizá-las pa a comunica com as suas amílias de o igem podem se
conside adas como uma ede social de apoio, p opo cionando assim às amílias uma in eg ação no
con ex o social do país onde i em.
5.3 Modos como os pais de di e sas cul u as ge em o uso de ecnologias digi ais dos
ilhos mais no os
Nes e es udo os pais são is os como os p incipais mediado es dos usos digi ais das
c ianças pequenas. As ci cuns âncias em que os pais eco em à mediação da u ilização das
ecnologias pelos ilhos dependem o emen e do alo que os pais a ibuem aos media digi ais.
Cons a a-se a a és da obse ação e da análise dos dados da en e is a que as ecnologias
digi ais cos umam auxilia os pais no p ocesso diá io de cuida das c ianças. Indi e en emen e
das ca ac e ís icas cul u ais dos pais, as ecnologias digi ais são pe cebidas em amília como
posi i as, mas ao mesmo empo desa iado as po necessi a em de mediação e con olo pa en al.
Assim, po um lado, os pais i am p o ei o das an agens que as ecnologias digi ais
p opo cionam no ambien e amilia e, po ou o lado, o uso digi al dos media pelas c ianças é
pe cebido como algo p oblemá ico, que p ecisa de se cuidadosamen e ge ido e con olado pelos
pais desde a mais en a idade.
Todas as en e is adas das amílias do es udo quando o am ques ionadas sob e as
ecnologias digi ais exis en es no la , des aca am logo a ele isão como a única que o ilho mais
no o u iliza. Depois com o deco e da en e is a pe cebeu-se que es as c ianças se ap op iam
de ou os disposi i os digi ais, ais como sma phones e compu ado es. Nes a o dem de ideias è
impo an e ema ca que uma das ca ac e ís icas egis adas nos países da Eu opa é o ac o dos
ques ioná ios ei os no âmbi o do EU Kids Online demons a em que os pais êm pouca
pe cepção dos usos que os ilhos azem dos no os media (Pon e e . al, 2012).
O ipo de mediação mais encon ado em elação à ele isão é il a os con eúdos que as
c ianças eem, pois algumas en e is adas e e em que os con eúdos po ezes são
inap op iados pa a elas ou simplesmen e não lhe despe am o in e esse. Todas as en e is adas
e e i am imagens ele isi as inap op iadas a que as c ianças pequenas êm acesso. No a-se,
con udo, alguma con adição quando ac edi am que, como as c ianças ainda são mui o
62
pequenas, não ligam mui o aos con eúdos isualizados e não es ão expos os a iscos
elacionadas com o uso dos media nes a idade. Nes e sen ido, odas menciona am que gos am
de e sé ies e ilmes em amília e a p esença das c ianças pequenas nes es momen os não é
conside ada: os bebés na maio ia das ezes, b incam ao pé dos pais sem e o que os pais
assis em na ele isão. Os pais ac edi am na ideia de que as c ianças são ainda demasiado
pequenas e inocen es pa a se em expos as a algum ipo isco elacionado com es es con eúdos
media.
A a és da análise das in o mações pa ilhadas sob e o compo amen o dos bebés,
cons a a-se p ecisamen e o con á io – as c ianças desde a mais en a es ão acilmen e expos as
a con eúdos inap op iados pelos quais podem sen i -se a aídos e mos a compo amen os de
ep odução imi a i a.
As c ianças do es udo es ão au o izadas a mexe nos disposi i os dos pais e dos i mãos
mais elhos. A a ó da amília po uguesa/cigana mencionou que as meninas gémeas já lhe
pa i am o elemó el, sendo que as c ianças gos a am de mexe e discu iam semp e po causa
dele. Depois de e acon ecido es e inciden e, a a ó adap ou ou a o ma de mediação do acesso
das bebés ao sma phone, sendo ela a segu a o disposi i o enquan o as meninas es ão a
ap op ia -se dele.
O menino de 24 meses da amília uc aniana/ omena em acesso aos ês sma phones da
amília: quando es á com a mãe u iliza o elemó el dela e quando a mãe abalha e o bebé ica
em casa com os i mãos mais elhos, es es cos umam pa ilha os seus sma phones com ele.
Obse a-se que nes as amílias os i mãos mais elhos desempenham um papel impo an e, já
que mui as ezes ap esen am ao i mão mais no o ídeos e a i idades.
Obse a-se que nem odas as amílias do es udo eco em à mesma dose de mediação,
no que conce ne à u ilização dos media digi ais po c ianças de en a idade. De odas as
amílias, a mãe da amília po uguesa pa ece se a mais p eocupada com os usos digi ais do
ilho, au o izando só o acesso a con eúdos ele isi os in an is. Nes e caso o bebé mani es a o
seu in e esse exclusi amen e pelo canal BabyTV, como e e imos, e a mãe mos a-se mui o
sa is ei a com a p e e ência do seu ilho. Mais a de, a mesma mãe indica que usa o seu
sma phone como “SOS”, sob e udo em momen os de espe a o a de casa quando cos uma
mos a -lhe o og a ias pa a o en e e .
De ou o lado, no caso da amília uc aniana/ omena a c iança em acesso li e a odos
os con eúdos pelos quais es á in e essada. De aco do com a mãe, en e as p e e ências do ilho,
além de desenhos animados, ambém igu am ídeos com músicas pa a adul os, ilmes com
a mas e de e o . Ao se pe gun ada se o que o bebé assis e es á de aco do com os alo es da

63
amília, ela espondeu que não conco da, mas como os ilhos mais elhos e o ma ido gos am
des es con eúdos, p e e e que ele con inua a e do que começa a aze bi as po se in e di o
de con inua a assis i . Ainda, nes e caso no a-se po pa e da mãe uma p eocupação em elação
aos con eúdos que o seu ilho assis e, mas não in e êm pa a esol e o p oblema, sen indo-se
p o a elmen e pouco apoiada pelos ou os memb os da amília.
Ou o a o si uacional impo an e que pa ece in luencia o en ol imen o dos pais na
u ilização dos media digi ais pelas c ianças de en a idade é o núme o e a idade dos ou os
ilhos. Assim, no caso da amília uc aniana/ omena que em ês ilhos com di e enças
signi ica i as de idade, o cuidado da c iança passa mui as ezes pa a a esponsabilidade dos
i mãos mais elhos. Nes a amília pa ece que a p á ica de cuida dos i mãos mais no os em
o igens nas expe iências i enciadas pela mãe na in ância, sendo que ela inha seis i mão mais
no os de quais e a esponsá el. Além disso, numa amília nume osa as a e as domés icas
podem se mais exigen es, deixando menos empo pa a os pais se en ol e em na u ilização dos
media digi ais pelos ilhos.
As e en es sociocul u ais das amílias po uguesa e uc aniana/ omena são mui o
di e en es: a p imei a amília em um ilho único, um ní el socioeconómico médio e a mãe em
um ní el al o de es udos e uma p o issão elacionada com a mediação das c ianças pequenas
(Educado a de In ância); a segunda amília é uma amília nume osa e de baixo ní el
socioeconómico, com pais de di e en es nacionalidades e ní eis baixos de es udo sem
quali icação p o issional. Es as a iá eis sociocul u ais das amílias in luenciam o modo como
os pais de di e en es cul u as ge am o acesso e o uso das ecnologias digi ais dos seus ilhos.
As ci cuns âncias em que os pais eco em às es a égias de ges ão da u ilização dos
equipamen os pelos ilhos mais no os dependem o emen e do alo que os pais a ibuem aos
media digi ais. A in es igação e elou que os mais impo an es alo es a ibuídos pelas
en e is adas ao uso dos media pelas c ianças pequenas são os de di e imen o e educação.
Assim as opiniões posi i as das cuidado as se elacionam com os e ei os educa i os que
os media digi ais azem pa a as c ianças pequenas, mas ambém com e ei os p á icos, como po
exemplo o ac o de a c iança pe manece sossegada e os pais e em empo pa a ealiza as
a e as domés icas. È impo an e menciona nes e con ex o que o alo educa i o oi indicado
apenas pelas amílias po ugueses, enquan o as amílias es angei am e e i am só a unção de
en e enimen o do uso dos média pelos bebés.
Na mesma o dem de ideias, obse a-se que as opiniões nega i as das en e is adas
implicam não só ideias ace ca dos ilhos ado a em com acilidade hábi os digi ais e ica em
iciados nas ecnologias digi ais, mas ambém a ideia de que os b inquedos e as b incadei as
64
adicionais são melho es pa a o en e enimen o do que os equipamen os com ec ãs. Con udo, as
cuidado as pa ecem deso ien adas e pouco mo i adas pa a in e e i de algum modo e muda os
hábi os diá ios de uso digi al das c ianças pequenas com o obje i o de o ien a as a i idades dos
bebés mais pa a a in e ação em amília.
Nes e sen ido, a mãe da amília po uguesa oi única a decla a que se sen e ob igada a
oma a i udes e começa a acompanha mais o seu ilho nas suas b incadei as de modo a
incen i á-lo a alo iza a b incadei a em ez de ecnologias.
Mãe da amília po uguesa (X, menino de 14 meses): O que è que eu
ou en a aze ? Vou en a sai pa a b inca com ele mais empo
quando ele o mais elho. Ago a se calha ainda não, mas a as á-lo o
mais possí el. Sen a -me mais a b inca com ele, a aze cons uções,
po exemplo, pa a ele se dis ai das no as ecnologias.
A mãe e e iu, ambém, que no seu abalho obse a como é que as c ianças são
a e adas pelo excesso de ecnologias e en a iza a impo ância do empo ap o ei ado em amília e
das b incadei as mediadas pelos pais nes a idade.
Ou o aspec o impo an e na mediação pa en al é a al a de eg as que con olam o uso
dos media digi ais pelas c ianças pequenas em amília. Todas as en e is adas a i ma am não e
de e minado ainda eg as de uso de ido à idade ainda mui o no a das c ianças. Pa ece que elas
acham que é p eciso pode con e sa com os ilhos pa a impo eg as. Assim, enquan o as
c ianças não conseguem se exp imi de o ma e bal as eg as são deixadas pa a mais a de,
quando elas o em mais c escidas. È in e essan e obse a que po ezes quem es abelece
ega as de uso são as c ianças pequenas que conseguem manipula a a és do seu
compo amen o os pais. A mãe da amília uc aniana/ omena a i ma que os usos digi ais do ilho
mais no o não podem se con olados semp e, uma ez que a c iança consegue manipulá-la com
a sua manei a mui o insis en e de pedi .
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Com o Q
é di e en e, pois ele ainda não pe cebe mui o. Ele quando começa a
g i a não há nada a aze , enho que lhe da o que ele que , nem que
seja um bocadinho.
Nes e con ex o e i ica-se que as c enças pa en ais ela i amen e às ecnologias e às eg as
aplicadas não es ão semp e in e ligadas, uma ez que as cuidado as que e e em e eceio de
que os seus ilhos iquem dependen es das ecnologias não êm eg as ela i as ao empo de
u ilização e a con eúdos isualizados po meio dos media digi ais pelos ilhos.
65
A isão ge al sob e os es ilos de mediação pa en al nes e es udo segue o modelo de
Valkenbu g e al. (1999) num modelo de es ilos endo em con a o g au de con olo e
en ol imen o.
Mediação es i i a é o ipo de in e enção mais equen e encon ado no caso de ês
amílias do es udo, onde os pais cos umam con ola o que os ilhos mais pequenos azem com
os media digi ais, p oibindo de e minados p og amas ou ídeos, es abelecendo empos de
u ilização e ci cuns âncias em que podem u iliza os equipamen os digi ais. O único caso
di e en e de mediação pa en al oi iden i icado na amília uc aniana/ omena que e a a o es ilo
de mediação pa en al laissez - ai e, ca ac e izado pelo não con olo e en ol imen o nas p á icas
digi ais das c ianças.
De aco do com as en e is adas, em odos os casos es udados os pais, an o a mãe como
o pai, eco em ambém às ecnologias, u ilizando pelo menos um disposi i o digi al
dia iamen e. Obse a-se que as mães cos umam u iliza com equência um núme o maio de
ecnologias do que os pais.
Ve i ica-se que em odas as amílias do es udo a co-u ilização dos meios digi ais
acon ece da mesma o ma. Os momen os de assis i em conjun o a con eúdos digi ais são
ca ac e izados pelo es ilo de mediação pa en al pe missi o, onde as c ianças não êm uma
u ilização mui o con olada pelas cuidado as, no en an o eagem a solici ações das c ianças,
comunicando e azendo co-u ilização.
Con udo, as qua o amílias obse adas ela am um baixo en ol imen o nas a i idades
digi ais dos seus ilhos mais pequenos. Os pais jus i icam o seu baixo en ol imen o com a idade
mui o no a das c ianças que ainda não p ecisam mui o de se mediadas nos seus usos digi ais e
com a necessidade de man e as c ianças acompanhadas enquan o eles ealizam a e as
domés icas ou abalham, indicando que a ele isão é a manei a mais e icaz de as man e
en e idas.
5.4 A isão dos pais sob e a impo ância das ecnologias digi ais pa a a amília e
p imei a in ância
5.5
A p imei a a aliação que as en e is adas ize am sob e as no as ecnologias oi
e idencia os seus lados posi i os e nega i os. Cons a a-se que a impo ância dos media digi ais
depende das pe cepções que elas êm sob e a c iança e ida de amília. Os alo es amilia es
66
com aízes eligiosos exe cem ambém in luência nas pe cepções que os cuidado es a ibuíam
ao papel das ecnologias pa a a amília.
As en e is adas e e em que as ecnologias são impo an es pa a a amília e pa a a
c iança, desde que sejam u ilizadas co e amen e. Is o è espei a empos e adequa con eúdos a
con ex os de isualização. Assim no campo de ap endizagem da c iança as ecnologias
cos umam se is as po elas como e amen as alo osas, p opo cionando ap endizagem de
línguas es angei as, co es, núme os, o mas e c. De aco do com as decla ações das
en e is adas, os meios digi ais pe manecem indispensá eis pa a adul os, enquan o pa a as
c ianças pequenas não são ão impo an es.
A mãe da amília uc aniana/ omena assen a mais as suas pe cepções nos e ei os
nega i os dos usos digi ais pelas c ianças. Ela não ac edi a no alo educa i o das ecnologias
pa a c ianças e exp ime o seu desgos o com os esul ados que es as implicam no seu
elacionamen o com os ilhos e na manei a como as c ianças passam a in ância. Ela ambém
e e e que os seus ilhos mais elhos muda am mui o desde que êm o seu p óp io sma phone,
deixando de acompanha a mãe e dispensando odo o empo li e pa a joga no elemó el e
compu ado . A a i ude de indi e ença po pa e dos seus ilhos causa-lhe angús ia e mo i am
es a a mãe a in e p e a as ecnologias como um “ ilão” con a a sua amília e a ap endizagem
dos seus ilhos. Ela e e e que p e e ia que os ilhos b incassem mais ao a li e, socializando
com ou as c ianças e nes e con ex o, a mãe eco da nos algicamen e a sua in ância, passada a
b inca ao a li e com os amigos e quase ausen a de a i idades elacionadas com os media.
A mesma mãe salien a que o único aspe o posi i o que as ecnologias p opo cionam
es á elacionado com a an agem de pode comunica e man e i o o con a o com a amília que
es á dis an e. A mãe da amília ussa ambém menciona a possibilidade de comunica a a és
das no as ecnologias como os amilia es da e a de o igem e com o ma ido que na maio ia do
empo encon a-se o a do país de ido à sua p o issão.
Mãe da amília uc aniana/ omena (Q, menino de 24 meses): Sem
elemó el e in e ne ago a é di ícil po que eu es ou num país longe e a
minha amília es á lá, eu p eciso de ala com ela, isso acho que é bom,
sim.
Mãe da amília ussa (Z, menino de 10 meses): Sim, alo pelo Skype e
Vibe com a minha amília de lá e com o ma ido quando es á a
abalha .
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82
Anexos
Guião de en e is a
A. O igem e ca ac e ização amilia
Vamos começa po umas pe gun as sob e si e a sua amília
1.Podia indica -me qual é a sua idade, es ado ci il, p o issão, es udos que em e em que
país nasceu?
2.E pode ia indica ambém a idade do seu cônjuge, p o issão, es udos que em e em
que país nasceu?
APENAS No caso de não e em nascido em Po ugal:
2a.Há quan o empo i e/ i em em Po ugal?
2b.O que a/o ez muda de pais? (Se o caso)
2c. A é que pon o é impo an e pa a si a p ese ação na amília da sua
iden idade cul u al de o igem? (po exemplo língua, eligião, adições, es as
locais, sen imen o de pe encimen o ao luga de o igem, e c.)
3. Quan os ilhos em? Que idade êm? Onde nasce am os seus ilhos?
4. Quem di ia que é o p incipal enca egado de educação da c iança/ c ianças em
amília?
5. Quais são as a i idades de laze a o i as da sua amília? ( egis a espos a al como
o dada, não o ça a elação com os média)
6. Qual é a língua/quais são as línguas alada/ aladas em casa?
7. A sua amília em alguma a iliação eligiosa? Qual é a impo ância dos alo es
eligiosos na sua amília? (é impo an e, pouco impo an e, não impo a…)
No caso de e di o que a eligião e a IMPORTANTE, pe gun a :
7a. Pensa que as suas c enças eligiosas in luenciam as p á icas educa i as e