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[po] (orig)

Como o Avante! tratou os seus entre 1941 e 1974. A construção de um identidade comunista

Abstract

“Como o Avante! tratou os seus?”, a partir de uma análise de conteúdo da VI série do jornal procura-se uma resposta a esta pergunta, contribuindo para o estudo da militância comunista e da forma como ela foi construída e exposta na mais relevante publicação periódica do Partido Comunista Português. Entre a “reorganização” do partido, iniciada em 1941, e o fim da ditadura, em 25 de Abril de 1974, foram publicadas, com regularidade, 464 edições que determinaram a identidade comunista, falando de e para os militantes. De edição em edição, ao longo do período clandestino, a rede de influência do Avante! vai, no entanto, extravasando o partido, alargando-se a uma comunidade imaginada de leitores identificada com o universo dos opositores ao regime.

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Como o Avante! tratou os seus entre 1941 e 1974. A construção de um identidade comunista

Author: Correia, Ana Paula Marques
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/32134/1/DissertacaoMestradoHistCont_AnaPaulaMCorreia_47312.pdf

 
Se emb o,2017


Disse açãodeMes adoemHis ó iaCon empo ânea





ComooA an e! a ouosseus
en e1941e1974
Acons uçãodeumaiden idadecomunis a



AnaPaulaMa quesCo eia




  







Disse açãoap esen adapa acump imen odos equisi osnecessá iosàob enção
dog audeMes eemHis ó iaCon empo ânea, ealizadasobao ien ação
cien í icadoP o esso Dou o JoséManuelViegasNe es



Aosque esis i am
 





AGRADECIMENTOS

Oacompanhamen odop o esso JoséNe es oide e minan epa aque enha
sido possí el ans o ma  um p oje o ago  numa disse ação, num  p ocesso de
a anços e ecuos e mui as hesi ações só possí eis de ul apassa  g aças às suas
obse açõeseindicaçõesdelei u as.
Pa a o en iquecimen o do abalho con ibuí am decisi amen e os ês
mili an escomunis asqueacei a am ala dassuasexpe iênciasemani es a assuas
opiniões. Aqui ica, pois, o ag adecimen o a Ma ga ida Tenga inha, Domingos
Ab an eseJoséPed oSoa es.
Noplanopessoal,es e abalho e iasidoapenasumaideiasemoincen i oda
Leono esemoapoioeacon iançaincondicionaisdaIsabel.


 

ComooA an e! a ouosseus
en e1941e1974
Acons uçãodeumaiden idadecomunis a



Resumo

Pala as-cha e:A an e!,clandes inidade,mili ância,lei o es,iden idade
“ComooA an e! a ouosseus?”,apa i deumaanálisedecon eúdodaVI
sé iedojo nalp ocu a-seuma espos aaes ape gun a,con ibuindopa aoes udo
da mili ância comunis a e da o ma como ela oi cons uída e expos a na mais
ele an epublicaçãope iódicadoPa idoComunis aPo uguês.
En ea“ eo ganização”dopa ido,iniciadaem1941,eo imdadi adu a,em25de
Ab ilde1974, o ampublicadas,com egula idade,464ediçõesquede e mina ama
iden idadecomunis a, alandodeepa aosmili an es.Deediçãoemedição,aolongo
dope íodoclandes ino,a ededein luênciadoA an e! ai,noen an o,ex a asando
opa ido,ala gando-seaumacomunidadeimaginadadelei o esiden i icadacomo
uni e sodosoposi o esao egime.

Abs ac 
Keywo ds:A an e!,clandes ini y,mili ancy, eade s,iden i y
“HowdidA an e! ea  hei ones?” omacon en analysiso  henewspape 's
VI se ies, an answe  is sough  o his ques ion, in a con ibu ion o he s udy o 
communis mili ancyand hewayi wascons uc edandexposedin hemos  ele an 
pe iodicalpublica iono  hePo ugueseCommunis Pa y.
Be ween 1941 and 1974, since he " eo ganiza ion" o  he pa y, begun in
1941,and heendo  hedic a o shiponAp il25,1974,464edi ionswe epublished
egula ly ha de e mined hec ea iono communis iden i y,speakingo and o  he
mili an s. G adually, om edi ing in edi ion, h oughou  he clandes ine pe iod,
A an e's ne wo k o  in luence! howe e , goes beyond he pa y o an imagined
communi yo  eade siden i iedwi h heuni e seo opponen so  he egime.


Índice

In odução.....................................................................................................1
Pa eI—OA an e!c iaasuacomunidade....................................................6
1.Aau oiden i icação.....................................................................................................................6
1.1A“polissemia”A an e!........................................................................................................6
1.2In e nacionalis aenacional.............................................................................................7
1.3“...de odososhomensquenãosejamcoba des”......................................................9
2.Cumplicidadee esponsabilidade.......................................................................................13
2.1“De e de odoocomunis a”........................................................................................13
2.2“Nuncainu ilizesoA an e!”...........................................................................................15
2.3“Indes u í el”......................................................................................................................17
3.Ob igaçõesedi e i as.............................................................................................................19
3.1Es o çoesac i ício............................................................................................................19
3.2Dedicaçãoexempla ..........................................................................................................21
3.3Exempla  endidoduas ezes......................................................................................21
4.Lei o /co esponden e...........................................................................................................24
4.1”Manda-nosno icias”.........................................................................................................24
4.2”Es eA an e!ép ecioso”.................................................................................................25
5.C í icaseco eções...................................................................................................................27
5.1”Desleixo”................................................................................................................................27
5.2Au oc í ica............................................................................................................................28
PARTEII—Ajus esdecon as.......................................................................31
1.A eo ganizaçãoeosdoisA an e!......................................................................................31
1.1C í icaaos“con ucionis as”............................................................................................31
1.2“I adiação”dos“p o ocado es”................................................................................36
1.3Con a“og upelhop o oca ó io”...............................................................................38
1.4Oesque dismo,osco oseasmoscas.....................................................................44
2.Em empodegue a.................................................................................................................49
2.1Os“quin a-colunis as”´.....................................................................................................49
3.”Se o esp eso,cama ada”.....................................................................................................51
3.1“NaPolícianãose ala”....................................................................................................51
3.2“Mácondu a”........................................................................................................................54
3.3“Indignidade,coba diae aição”................................................................................55


3.4“Cuidadocomeles”............................................................................................................60
3.5“P o ocado ese aido es”.............................................................................................62
3.6“Mise á eis”..........................................................................................................................67
4.He óis..............................................................................................................................................73
4.1”Libe dadepa aosp esos!”.............................................................................................73
4.2“Inclinamosasnossasbandei as”.................................................................................81
4.3”Umhomemen eases elas”.......................................................................................84
PARTEIII—Asupe io idade(banal)doscomunis as....................................88
1.Alinguagembanal.....................................................................................................................88
1.1Oexemplomo al................................................................................................................88
1.2Ódiopeloinimigo...............................................................................................................92
1.3A ingançase e-se ia..................................................................................................93
2.Obanaldelibe ado....................................................................................................................95
2.1Sen imen oeemoção.......................................................................................................95
2.2.Ahe oicidade......................................................................................................................97
2.3.Se comunis aé...............................................................................................................100
2.4A“supe io idadecomunis a”......................................................................................103
Conclusão...................................................................................................113
Bibliog a ia.................................................................................................118

1


In odução
“A esis ência oiadignidadedePo ugal”.A aseédeJo geSampaio1epode
sin e iza  o signi icado polí ico-his ó ico que e e a a i idade de quem esis iu
a i amen eàdi adu adeSalaza eCae ano.Semum o esen idodemili ânciaede
empenhamen o numa causa supe io  ao acomodamen o pessoal não e ia sido
possí el esis i à ep essãodapolíciapolí icaeàslimi açõesàlibe dadedeexp essão
edeassociaçãoimpos aspelo egime.
Es e abalho e sa um aspe o pa icula  dessa esis ência, a dos mili an es
comunis as, is a a a és dos ex os publicados nas edições clandes inas do jo nal
A an e! e p ocu ando a espos a à seguin e pe gun a: “Como o A an e! a ou os
seus?”. En e 1941 e 1974, o ó gão cen al do PCP publicou, egula men e, 464
edições,p oduzidasemcondiçõesmui odi íceiscom ecu soa ipog a iasclandes inas
edis ibuídoa a ésdeumacomplexa ede,pa aqueojo nalchegassenãosóacada
umdosmili an es,mas ambéma odososqueseopunhamàdi adu a.Ope iódico
assumiu g ande p o agonismo como eículo de c iação da iden idade comunis a,
sendoummeiodecomunicaçãoen eosmili an es, alandodelesepa aeles,mas
in eg ando-os semp e numa comunidade mais ala gada de oposi o es ao egime. O
objec odees udodes e abalhoéocon eúdodoA an e!clandes inona o macomo
ojo nal“ alou”deecomessacomunidadedelei o es,desdea“ eo ganização”do
pa ido,iniciadaem1941,eo imdadi adu a,em25deAb ilde1974.Embo ao1º
núme odoó gãocen aldoPCP enhasidoedi adoa15eFe e ei ode1931,sóa
pa i deAgos ode1941,comapublicaçãodonº1daVISé ie,que i iaaman e -se
a éAb ilde1974,équeaediçãodojo nalse o nou egula ,publicando-sequinzenal
oumensalmen e.Po es a azão, o nou-seób ioque e iadese  odaaVIsé iea
on ep incipaldes e abalho.

1P o e idaa19deJanei ode2017,noMuseudoAljube,naap esen açãodoli o“CadeiadoFo ede
Peniche,como oi i ida”,deCa losB i o.


2

O A an e! clandes ino, an o quan o oi possí el pe cebe , em sido es udado não
comoobje op imá io,mas, ãosó,in eg adocomo on ecomplemen a em abalhos
em o nodahis ó iadoPa idoComunis aPo uguêsedosseusp o agonis as.Nes as
in es igações,en easquaissedes acamasob asdoshis o iado esJoãoMadei a2e
JoséPachecoPe ei a3ouaindadeDawnLindaRaby4edaan opólogaPaulaGodinho5,
oA an e!su geemdoisplanos:comoumdoselemen osimpo an esna idadoPCP
du an eaclandes inidade;oucomo on eauxilia nade iniçãoda aje ó iapolí icae
es a égica do pa ido e dos seus di igen es. A e i icação de que o con eúdo do
A an e! não es a á es udado como objec o p incipal cons i ui, assim, uma das
mo i açõespa aaescolhado ema.
A opção me odológica seguida oi a de elege  as edições do A an e!
clandes inocomo on esp imá iaspa adesen ol e umac í icadecon eúdopolí ico,
enquad adoemcadamomen odocon ex ohis ó ico.Os ex osnãosãoanalisadosdo
pon o de is a linguís ico, e, embo a não se igno e, como ale a a linguis a Ma ina
Yaguello,que“apala anãoéapenasumins umen o,é ambémumexu ó io,uma
o madeagi ,ummeiodea i maçãocomose social,umluga dep aze oudedo ”6,
o es udo enquad a-se concep ualmen e nas p opos as de au o es como Quen in
Skinne , no que es e his o iado  e le e sob e o signi icado de um ex o, endo em
con aocon ex opolí icopa adesco ina ain ençãooumo i açãodoau o aousa 
de e minada linguagem. Em Skinne , que pa e de O P íncipe, de Maquia el, e da
ci ação“énecessá ioqueop íncipeap endaanãose bom”,essencialéalei u apa a
alémdo ex o.“(...)nãoépossí elchega àconclusãodequeoP íncipe oiempa e
concebido como um a aque à na u eza mo alis a dos manuais humanis as pa a
p íncipesapenasa a ésdoes udodo ex odeMaquia el,jáqueesse ac onãoes á

2JoãoManuelMa insMadei a,‘OPa idoComunis aPo uguêsEaGue aF ia:“sec a ismo”,“des io
de Di ei a”, “Rumo À Vi ó ia” (1949-1965)’, 2011; João Madei a, His ó ia Do PCP(Tin a da China,
2013).
3JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica(TemaseDeba es),4 ols.
4Dawn Linda Raby, Po ugal, A Resis ência An i ascis a Em Comunis as, Democ a as E Mili a es Em
OposiçãooaSalaza ,1941-1974(EdiçõesSalamand a,1988).
5PaulaC is inaAn unesGodinho,‘Memó iasDaResis ênciaRu alNoSul’,1998.
6Ma inaYaguello,AliceNoPaísDaLinguagem(Edi o ialEs ampa,1991),p.21.

3

con empladono ex o.(…)assim,pa ece-meindispensá elpa aasuacomp eensão
umaou a o madeanáliseque ápa aalémdele os ex os«umaeou a ez».
Pa ece-se-me ambémqueessaanálisede e ácon e umes udodascon ençõesedas
p essuposiçõeses abelecidaspa aogéne o,apa i doqualasin ençõesequalque 
au o  em conc e o possam — po  uma combinação de dedução e conhecimen o
académico”—se descodi icados.”7
TambémnaanálisedasediçõesdoA an e!clandes inoassume-seoin e esse
po umain e p e açãopa icula do ex o, ocadanoqueele eme epa aa elação
comolei o /mili an e,con ex ualizadacomoconhecimen oadqui idosob eoPCPeo
mo imen ocomunis a,emge al, en andodescodi ica ain ençãodosau o es,que
nãoes ãoiden i icados.Essadescodi icaçãoéumpassopa a esponde à alpe gun a
inicial:comooA an e! a ouosseus?
Di idindo o abalho em ês pa es, a me odologia seguida passou po 
iden i ica osdi e sospapéisassumidospeloA an e!du an eope íodoemes udo.
Na I Pa e — O A an e! c ia a sua comunidade — iden i icam-se os sinais da
cons ução da comunidade de  lei o es a pa  da c iação da sua p óp ia iden idade,
comosujei onuma elaçãobiuní ocacomosmili an es, endocomosus en áculoo
concei ode“comunidadesimaginadas”, deBenedic  Ande son, anspondo oque o
au o aplicaàiden idadenacionalpa aopa ido.Aoc ia cumplicidades,a inidadesou
con apon os,oA an e!,comosinónimodoPa ido,c iaumsen imen odepe ençaa
umuni e so,ondecabemosmili an es,os abalhado eshomensouosdemoc a as,
alémdospa io as,ex a asando,noen an o,as on ei as ísicasdopaís.Pode aze -
seumaanalogiacomoexemplodadopo Ande son:“Umame icanonuncaconhece á
ousabe áseque onomedemaisdeumamão-cheiaden eosseus240milhõesde
concidadãosame icanoscomoele.Não azideiadoqueosocupanumdadomomen o.
Mas con ia plenamen e na sua ac i idade con inuada, anónima, simul ânea” 8.
Tambémolei o doA an e!nãoconhece odososou oslei o es,masé-lheincu ida,

7Skinne ,p.199.
8Benedic Ande son,ComunidadesImaginadas(edições70,2017),pp.47-48.

10

ep esen açãocul u alalimen adapelacomunicação,quepe mi eumaiden i icação
decadaumcomog uponoqualseimaginainse ido.Esseg uponãoéquan i icá el,
mascadaumdosseusmemb osimagina-onasuadimensãoeimpo ânciasocialde
aco docomasuape cepçãoda ealidade ansmi ida,po exemplo,pelaimp ensa.
Nocasodasediçõesclandes inasdojo nalA an e!,essape cepçãoé e o çada
pelascondiçõesemqueope iódicoéesc i o,imp esso,dis ibuído,lidoedi ulgado.
Todaessacadeia,quecomeçanosdi igen esdopa idoeacabanossimpa izan esou
nos“ abalhado eshones os”,cimen aumacomunidadepolí ica,àqualcadaumdos
mili an es, indi idualmen e, seo gulha de pe ence . A adje i açãode “hones os”é
eco en emen eusadanaspáginasdoA an e!pa adesigna osnãomili an esque
não e am hos is ao pa ido. Como analisa o his o iado  José Pacheco Pe ei a, “o
adjec i o‘hones o’ inhauma unçãoclassi icado acen al,queco espondiaàideia
ousseaunianadequeos‘homenshones os’nãopode iamse inimigosdopa ido.Po 
isso o “legioná io hones o’ e o democ a a ‘hones o’ e am idos como ‘hones os’
po que,nãosendocomunis as,nãoe aman i-comunis as”16.
É com a VI sé ie, iniciada em Agos o de 1941 pelos ob ei os da chamada
“ eo ganização”dopa ido,queoó gãocen aldoPCPpassaase  e dadei amen e
pe iódico,com edições egula es, embo a a ediçãoclandes inanão enha sido uma
expe iênciano apa aos“ eo ganizado es”,uma ezqueoA an e!,enquan oó gão
cen aldoPCP,jáexis iadesde1931comapublicação,emduassé iesde93núme os.
Como acen ua João Madei a17, segue-se um pe íodo da ida do jo nal que e le e,
comonãopode iadeixa dese ,acon ulsãoin e nadopa ido:“En e1941e1945,a
exis ênciadedoisPa idosComunis asemPo ugal, azcomqueumdeles,oquese
ep esen a aacon inuidadeo ganiza i a,masque i iaase designadode“g upelho
p o oca ó io”pelog upodos eo ganizado es,edi asseduasno assé iescomum o al
de20núme os.Nes epe íodoedi a am-sedoisjo naiscomomesmo í ulo–A an e!–
aindaquecomno anume açãodesé ie,cabeçalhos, ipodepapelesupo esg á icos
ela i amen edi e en es,poispelomenos,em1944-45,jánuma asedede inhamen o
e desag egação do “g upelho p o oca ó io”, o seu A an e! e a  copiog a ado,

16JoséPachecoPe ei a,ASomb a.Es udoSob eaClandes inidadeComunis a(G adi a,1993),p.91.
17JoãoManuelMa insMadei a.p.665.


11

enquan oqueodos eo ganizado esse iain a ia elmen eimp essoemp elo”.
A o mação dessa comunidade como objec i o es á pa en e nas páginas do
p óp iojo nal.Logonop imei onº1daVIsé ie,deAgos ode1941,lê-se,numlongo
ex oquep eencheaquase o alidadedasqua opáginasdojo nal,in i ulado“OQUE
QUEREMOS!”:“OA an e azasuaapa içãocomoa ozdopo opo uguês,comoa
ozdePo ugal”.
No mesmo nº1, na página 4, num ou o ex o in i ulado  “PREVENÇÃO”,
ca ac e iza-se o apa ecimen o do A an e! como: “O oque a uni  de odos os an i-
ascis asede odososhomensquenãosejamcoba des”.
O econhecimen o da ele ância do jo nal pa a a consolidação de um
sen imen odepe ençacúmpliceaumg upo e ela-sena o macomooA an e!se
iden i ica e se assume, e e indo-se a si p óp io como um co po i o, quase
humanizado e in eg an e dessa comunidade imaginada, cujo uni e so não se
ci cunsc e eaoscomunis asmili an esdopa ido,masala ga-sea odos“oshomens
quenãosejamcoba des”.Ojo nal aladesi,comomemb odog upo,epa acadaum
dosou oselemen osdessamesmacomunidade.
AopiniãodeDomingosAb an es18,que,naqualidadededi igen edopa ido,
exe ceu unções na edação do A an e!, é condicen e com a ideia da comunidade
ala gadadojo nalecon i macomoesseobje i oe aassumidopelap óp iadi eçãodo
PCP:“OA an e!e aoelodeligaçãoen eosmemb osdopa ido.E aumo ganizado ,
masc iouumacomunidademui omaio doqueadopa ido”.Enessacomunidade,os
mili an es comunis as êmo gulho, o o gulho pelo ac o de o jo naldo seu pa ido
chega  mais longe do que a es u u a pa idá ia, mas, sob e udo, po  e  esis ido,
como en a iza Domingos Ab an es: “Foi um g ande ei o e mos man ido edi ado o
A an e! du an e an o empo, en e 1941 e 1974, inin e up amen e naquelas
condições.Nãohámui oscasosdes esnomundo,apesa dequase odosospa idos
comunis as e em a sua imp ensa clandes ina, e há um di e ença, o nosso semp e,
semp e imp esso no país.  Não há um único exempla  que i esse sido ei o no
es angei o.Éob a,po quee adeumag andecomplexidade.Umdos ipóg a osmais

18En e is aaDomingosAb an es ealizadaa21deMa çode2017,nasedenacionaldoPCP,emLisboa.
Sal oou aano ação, odasasci açõesa ibuídasaDomingosAb an es esul amdes aen e is a.

12

ex ao diná ios que conheci, o mais ápido, e a um miúdo de seis anos. Foi numa
ipog a iaemLinda-a-Pas o a.Ele inha indocomospaisdeFa e,nãosabiale ,mas
conheciaasle asecompunhacomumades ezae apidezex ao diná ia.Depoiso
pai oip eso,eu uip esoenãoseioque oi ei odele”.
Amesmaconsciênciadaimpo ânciadoA an e!,inspi adanosensinamen os
leninis assob eao ganizaçãodopa idoeda sualigaçãoaosex e io aplicadosao
con ex o polí ico po uguês, em que não exis ia  Imp ensa li e, é exp essa po 
Ma ga idaTenga inha:“OA an e! e eumaimpo ânciaeno mepeloconhecimen o
quep opo ciona asob eoquesees a aapassa nopaísenomundo.Enquad a a-se,
eenquad a-se,nosmoldesexa osdoqueLeninees abeleceudoquede e iaoó gão
cen alin o ma i odoPa ido.Tinhaquese ,simul aneamen e,umo ganizado ,um
in o mado eummobilizado .Nessesen ido,comoo ganizado ,oA an e!éumelode
ligaçãoen eosmili an es.E a ambémoúnicoó gãodein o maçãoquedizia odaa
e dade,p oibidapelacensu anosou osjo nais”.
Es es es emunhos são e elado es do que signi ica pa a os comunis as a
con inuidade egula  do A an e! du an e a di adu a, endo em con a odas as
di iculdades que en ol iam a sua p odução, desde a edação dos ex os que, em
mui os casos chega am de á ios pon os do país, a é à imp essão em ipog a ias
clandes inas, que a odo o momen o podiam cai  nas mãos da polícia polí ica,
passandopeladis ibuição,camu ladae,emge al,debicicle a,omeiode anspo e
po  excelência dos mili an es clandes inos. Aliás, a bicicle a o nou-se ambém um
símboloda esis ência,àsemelhançadoqueacon eceudu an eaocupaçãonazi,em
F ança,du an eaIIGue aMundial.Comolemb aaan opólogaPaulaGodinhona
sua esesob e a esis ência u al,abicicle a oi ans o madaemícone naob a de
icçãodeÁl a oCunhal,assinadacomopseudónimodeManuelTiago,numelogioao
es o çoeàcapacidadedeen egadosmili an es.“Ape sonagemVaz,do omanceA é
amanhã,cama adas,deManuelTiago-ob aes u u an edacul u ade esis ência-
um mili an e gene oso a é ao limi e do humano, az-se semp e anspo a  numa

13

bicicle a, que se o na uma ma e ialização da pob eza e do es o ço con ínuo do
abalhoclandes ino.”19

2.Cumplicidadee esponsabilidade
2.1“De e de odoocomunis a”
Ac iaçãodecumplicidadeedeco esponsabilidadedoslei o esem elaçãoao
jo nales ásemp ep esen eemapeloscons an espa aumacolabo açãomaises ei a
eemo ien açõesa espei a nãoapenaspelosmili an es.Se“Le edi undi oA an e!
éode e de odoocomunis a”,umadi e i a,publicadaemDezemb ode1941,na
qual ica pa en e a impo ância do pe iódico no quad o da mili ância comunis a,
ambém “Auxilia  a publicação do A an e! é a ob igação de odos os mili an es
e olucioná ios”,comoselênaediçãoseguin e,deOu ub odomesmoano.Jáan es,
emSe emb o,nonº2,oapeloe aoseguin e:“Cama adas!Nãobas ale oA an e!é
p ecisoquenelecolabo em ambém”.
Háexemplosde ex osquesedi igemdi e amen eaumg upomaisala gado
doqueodosmili an es.ÉocasodoapelopublicadoemSe emb ode1955:
”T abalhado es! Democ a as! Lendo e dando a le  o A an e! a odas as
pessoas hon adas ossas conhecidas le a ás (...) a oz da e dade a um
núme ocada ezmaio depo ugueses”.
Es esapelos,oudi e i as, ão epe i -seaolongodasediçõesde odaaVIsé ie
doA an e,oqueacen uaacon ibuiçãodojo nalpa aac iaçãodeumaespí i ode
g upo.No undo,oA an e!éumpa imónio i odalu aan i ascis a,quecabea odos
os comunis as e “homens hones os” sal agua da . Daí que na 1ª quinzena de
Dezemb ode1942,seleia:
“Di unde o nosso jo nal, cama ada. Depois de le es o A an e! não o
inu ilizes.Dá-oaumamigodecon iança,en ia-opeloco eioauman i-
ascis aousimpa izan e,me e-opo debaixodapo adumacasaope á ia,

19PaulaC is inaAn unesGodinho,‘Memó iasDaResis ênciaRu alNoSul’,1998,pp.210-1211.

14

deixa-onumluga ondepossase apanhadopo um abalhado .Depoisde
le esoA an e!,con ibuipa aadi usãodoA an e!”.
Oapeloàdi usão,noen an o,e adealcancelimi adopo quepassa ojo nal
pa a mãos inimigas cons i uía um pe igo e pode ia signi ica  a p isão. F ancisco
Ma insRod igueslemb ao empo,noiníciodosanos50,emquee adi ícilconquis a 
a con iança dos cama adas. “Nesse empo, pa a le  um A an e! e a o cabo dos
abalhos.Euaindanãode ap o assu icien es(duaspequenasp isões,semes á ua
nemnada,e apouco)e odosse aziamdesen endidos:‘Não enho,hámui o empo
quenão ecebo’.Op imei oquemelemb odemeemp es a um oioViegas,ba bei o,
deCas oVe de,quejápassa apelacadeia”20.
Talcon adiçãoen eosapelosàdi usão,queseque iaomaisamplapossí el,
eanecessá iacau elapa aga an i asegu ançadamáquinapa idá iae aassumidae
inhadese  esol ida eco endoaumape cepçãoins in i a.Essemé odonãoe a
isen o de pe igo, como es emunha Domingos Ab an es: “Ha ia um isco, que e a
assumido,mase apossí elalgumain uição.Adis ibuiçãoe acomplexa, unciona a
em ede. Ia um paco e pa a de e minado local, onde e a epa ido pa a se  le ado
pa aou oslocais.E aumelomui olongoein incado,de o maaqueapolíciapodia
chega aumdis ibuido masnãoconseguiaqueb a acadeia”.
Me ece  e  di ei o a que lhe seja passado o A an e! e a uma conquis a
inesquecí el pa a mili an es comunis as. Ca los B i o 21 con a como se sen iu
“o gulhosocomap o adecon iança”quando e eacessoaojo nalp imei a ez,no
iníciodosanos50.“’Tomalá,masnão umesaqui’, oiassimoa isob incalhãode
umacompanhei odees udos,mais elho,aopassa -seumli odemo alhasZig-Zag,
uma a de,emplenoCa édoChiado.Tinha-mep e enidoqueláden o,dissimulado
en eas iníssimas olhasdepapelde uma ,es a aumA an e!,ojo naldoPa ido
Comunis a, ambémempapelmui o ino.E aomeup imei oA an e!,aindanão inha
dezoi oanos.”

20F anciscoMa insRod igues,OsAnosDoSilêncio(Dinossau o/Ab en eEdi o a,2008)pp28-29.
21Ca losB i o,TempodeSub e sãoPáginasVi idasDaResis ência(NelsondeMa os,2011),p.131.

15

Recebe pelap imei a ezumexempla doA an e!signi ica a ambémumdos
meios da iniciação, de en ada pa a as ilei as do pa ido, ou melho , pa a uma
comunidade conspi a i a e clandes ina. Pa a José Pacheco Pe ei a, que es udou os
mecanismosde ec u amen odoPCP,“ ec u a nãoe asomen epe igosopa aquem
e a ec u ado,e a-oigualmen epa ao ec u ado .(...)Po isso,adecisãode ec u a 
ci cula a e icalmen enahie a quiadopa ido,po  azõesdecon iançapolí icaede
segu ança,e e a semp econ olada de cima”22.A ep essão da políciapolí ica,que
usa aoincen i oàdelaçãocomoa mapa ains ala eman e umasociedadeomais
possí el acoba dada pelo medo, o na a he oica a esis ência. “En a  no PCP,
p incipalmen e nas décadas de 40 e 50, e a en a  pa a um mundo de e e ências
a ec i as,cul u aisepolí icasquecons i uíamumacon associedade,inc us adanum
paísque,deummodoge al,desconheciaouigno a a.”23
Passa  a po a pa a esse mundo de con a-sociedade implica a o acesso à
imp ensaclandes ina,cujalei u acons i uíaumsinaldis in i odequem inhapassado
de simpa izan e a mili an e.“A pa i  da ase de simpa izan e, com a ecepção do
A an e! (ainda que e en ualmen e não saiba le ) e a con ibuição com undos
des inadosàmanu ençãodoapa elhoclandes inoeaoauxílioaosp esospolí icose
suas amílias,oenquad amen ocomomili an epode iaoco e .(...)A ecepçãodeO
Mili an e,conjun amen ecomoA an e!eoCamponêsda acon adessamudançade
es a u o:o ec u adoacedia,pelo i odeen ada,ain o maçãoac escida,epene a a
numdomínioaque,naan e io condição,nãoconsegui iaacede .Nosin e oga ó ios
após a p isão, a polícia polí ica es a a pa icula men e a en a a es as lei u as,
indiciado asdemaio oumeno en ol imen o.”24

2.2“Nuncainu ilizesoA an e!”

22Pe ei a,p.88.
23Pe ei a,p.89
24Godinho,p.193.


16

A p ese ação do A an e! como pa imónio da casa comum da esis ência à
di adu a é pe manen e e insis en emen e ealçada nas páginas do jo nal. Na 2ª
quinzenadeJulhode1942,ap eocupaçãoésublinhadanosseguin es e mos:
“Lei o . Nunca inu ilizes o A an e! po que a sua publicação cus a uma
imensidadedesac i ícios”.(...)Éopo a- ozdosan i- ascis aseop imidos
dePo ugal,po issode ese lidopo  odoseles”.
A “imensidade de sac i ícios” é bem ca ac e izada pelo his o iado  João
Madei a, ao ela a  as condições em que e a edigido e imp esso o A an e!
clandes ino. “O sis ema u ilizado na imp essão do ó gão cen al do PCP o a
implemen adoem1933po JosédeSousaepo Ben oGonçal es.Op eloeascaixas
com as le as em chumbo pa a a composição cons i uíam a o icina de imp essão e
cabiam pe ei amen e den o duma casa comum. As pequenas dimensões do p elo
adap a am-sejus amen eaespaços ela i amen elimi ados.E acolocadasob euma
mesa sólida, cujos pés dispunham de calços de bo acha, necessi ando apenas de
espaçosu icien epa aque,deumlado,secolocasseopapele,doou o,a in a.Com
ecu so às le as de chumbo num abulei o ou ama mon ado, ni elado e ape ado
en ecalhas, o mandoumquad osob eabasedop elo,compunha-semanualmen e,
le aale aelinhaalinha,apáginaaimp imi .A in ae aaplicadasob eoquad o
po in e médiodeumpequeno olo.Opapele aen ãocolocado, olhaa olhapo cima
azendo inalmen eco e en eduasguiasum olo de e o, ela i amen epesado,
com duas pegas e e es ido a bo acha, cuja p essão sob e o papel pe mi ia a
imp essão.”25
Ascondiçõesdep oduçãodojo naline en esàclandes inidade,com ep essão
policial po  meio de assal os a ipog a ias, são ing edien es pa a “pe soni ica ” o
p óp ioA an e!,exal adocomoumhe óidopa ido,nasp óp iaspáginas.Aediçãonº
300,emaiode1961,éexempla dessac iaçãohe oicadoó gãocen aldopa idoe
dequemop oduz.Sobo í ulo“OA an e!aose içodalu apopula ”,lê-se:
“OA an e! emconseguido ence semp ea ep essão e ozqueogo e no
deSalaza lhemo e;mesmodepoisdosassal osàs ipog a iasdoA an e!,

25JoãoManuelMa insMadei a.,p.265

17

em 1945 e em 1949, o ascismo não conseguiu cala  a sua oz, pois,
passado um mês, o A an e! eapa ece nas áb icas, campos, escolas e
uas”.
Numou o í ulo(“Doisob ei osdoA an e!”)deau o-comemo açãodos300
núme osdaVIsé ie,oA an e!glo i icaosmá i esquecaí amemsuade esa,“dois
cama adasque idos(...)cujoexemplodehones idade,delealdadeedeco agemse á
semp eac ual.SãoelesJoséMo ei a,que,“p esoemJanei ode1950,p e e iuda a
ida nas mãos dos ca ascos da PIDE do que denuncia  a ipog a ia do A an e!”, e
Ma iaMachado,que,“p esanuma ipog a iadeA an e!en en ouco ajosamen ea
PIDEeaGNRqueace ca ame alouaopo oquep esencia aasuap isão,sob eo
A an e!ealu adoPa ido”.
Num ela o na p imei a pessoa, Domingos Ab an es ala da p oli e ação de
ipog a ias, o que pe mi iu man e  a edição do jo nal, apesa  da ep essão policial:
”Nosanos30,sóha iauma ipog a ia,masdepoisins alámosuma ede,quepe mi iu
que a publicação não ol asse a se  in e ompida. Numa de e minada ase, só na
ma gem sul, ínhamos ês, pa a o A an e! e pa a odo o es o de ma e ial. Essa
descen alizaçãope mi ia ambém acili a adis ibuiçãoeo o necimen odepapel,
aliás, epa a-sequeemde e minadasediçõesopapelnãoe a odoigual.Alémdisso,
sóosmemb osdosec e a iadoéquesabiamalocalizaçãode odasas ipog a ias,po 
isso,sealguém osseapanhadopelapolícianumadas ipog a ias,nãopodia e ela 
ondees a amasou aspo quenãosabia”.
JáMa ga idaTenga inha eco daque,quando ol oua abalha na edação
doA an e!,noPo o,jáno inaldosanos60,e ap ecisoduplica o abalhopa aque
ojo nal osseimp essoemduas ipog a iasemsimul âneo.“Po essaal u a,epo que
e apon odehon adadi eçãodopa idoqueoA an e!nãopodiapa a ,passoua
ha e  duas ipog a ias uma Lisboa e ou a no Po o pa a o caso de uma se 
desman eladapelaPIDE.E aeuquemle a aos ex oseasmaque es(duasmaque es
exa amen eiguaisqueeu azia)às ipog a ias.Faziam-se êscópiasdecada ex o,
uma ica ana edação,pa acon oloepa ase a qui ado,easou asduasseguiam
pa acadaumadas ipog a ias”.
2.3“Indes u í el”

18

Oeng andecimen odosexemplosdeJoséMo ei aeMa iaMachado emainda
maio  exp essão na p imei a quinzena de Agos o de 1961, que assinala o 30º
ani e sá iodoA an e!,classi icadocomo“indes u í el”eo“únicojo nalli eeoguia
do po o po uguês”, num ex o ilus ado com g a u as das o os dos dois
mili an es/he óis.Numaediçãoemqueépublicadanap imei apáginaumag a u a
que ep esen auma ipog a iaclandes ina,es áesc i o:
“O nosso jo nal é o esul ado da on ade he oica de milha es de
comunis ase abalhado esquenelecolabo am,queoimp imem,queo
dis ibuemde áb icaem áb ica,dealdeiaemaldeia,po  odoopaís,que
ecolhemdinhei opa aosus en a .OA an e!éa oza den edaclasse
ope á iapo uguesaepo issoeleéindes u í el”.
Já nos anos 60, o A an e!, ao celeb a  34 anos, ol a a classi ica -se como
“in encí eljo naldos abalhado es”eainda,semp e,oa iso:
“Es ejo nal ep esen amui oses o çosepe igos.Nãoodes uas!Passa-o
aumapessoada uacon iançaoula ga-oondepossase apanhadopo 
algum abalhado ”.Po que,comoes áimp essononº358,deAgos ode
1965,“oqueaImp ensaamo daçadapelacensu anãodizencon aopo o
noA an e!”.
Ao se  um símbolo in encí el da pe ença a uma comunidade, o A an e!
clandes ino alecomoumobjec ode esis ênciaenãoapenaspelocon eúdodosseus
ex os, dou iná ios ou in o ma i os. Numa sociedade com uma ele ada axa de
anal abe ismo (na década de 50, de 50% nas mulhe es e de 30% nos homens26), a
lei u adoA an e!e ap i ilégiodealguns,empa icula nosmeios u ais,ondemui os
ou iamepoucosliamoquees a aesc i onaspáginasdojo nal.
“Osec e ismodapassagemdos ex os,queab angiamesmoosile ados,bem
comoaassociaçãodaadesãoaumideá iocomasolida iedadeem elaçãoàqueles
quees a amaso e nacadeia,cala a undono ec u amen o:“Umhomenzi oque
anda aaí,andá amosemVe dugosa i a co iça;ohomemapa ecia-melácomos

26SegundodadosdoINE(Ins i u oNacionaldeEs a ís ica)consul adosemwww.ine.p 

19

A an e!’spequeninos.Eunãosabiale .Ele ambémnão inhaandadoàescola,mas
depoiscomeçou-meadize :«Ehpá, unão ensdis o?Elescáapa ecem, unão ens
p ecisãodesabe queméqueos az.Todosos15dias emeagen edá5escudos
pa aajudadosp esosquees ãonascadeias,pa ao abaco,pa aaalimen ação».Eu
disselogo:«Que o,pois,que o».(JoãoPed oMa a a)”27.Na esedePaulaGodinho
sob ea esis ênciacomunis a,noCouço,jáaquici ada,JoãoPed oMa a aéumdos
mili an escomunis asen e is ados,quedáoseu es emunhodas a e asquo idianas
damili ânciaclandes ina.

3.Ob igaçõesedi e i as
3.1Es o çoesac i ício
As di iculdades e o sac i ício de p oduzi  quinzenalmen e o A an e! são
ambémdeo demmone á iaeissomesmoé ealçadocominsis êncianaspáginasdo
jo nal.Olei o é is onãoapenascomolei o mascomopa edacomunidade,pa aa
qualéchamadoacon ibui em odosossen idos,nosplanosideológico,disciplina e
ma e ial.
Logoa pa i  donº2, de Se emb ode 1942, aVIsé ie do A an e!começaa
publicação egula  de apelos ao apoio ma e ial à Imp ensa do Pa ido, que se
es ende ia ao p óp io pa ido. F ases como “o Pa ido só pode á i e  median e o
auxílio cons an e de odos os abalhado es” passam a se  publicadas egula men e
em pa alelo com di e i as conc e as sob e a o ma como de em se  anga iados e
canalizados,comapelosàc iaçãode“g uposdeauxílioaopa ido”.Maisuma ez,é
es imulado o concei o de pe ença, mais do que a um g upo e i o ialmen e
delimi ado,aumuni e sosem on ei as ísicas,mascomumaiden idade o jadana
esis ênciaàdi adu a.Quemcon ibui êoseues o çoag adecidopublicamen e.Sob
o í ulo “Quan ias ecebidas dos amigos do pa ido”, o A an e! passa a publica 
egula men elis ascomosnomescodi icados(indi iduaisoudeg uposcons i uídos
pa aoe ei o)dequemcon ibuiecomquan o.

27Godinho,p.187.

26

amadopelasmassas abalhado asepelopo oemge al,po queeleéo
seuguia,po queeleéasuap óp ia oz.(...)
Num egis oque ol aa es ala pa aali e a u a,aediçãonº121,deAgos ode
1948,quandoseassinalamosse eanosdepublicaçãocon ínuadoA an e!,oexemplo
ol aase usadopa aexal a oó gãocen aldopa ido,no ex oin i ulado,“QUEM
VIVEESENTECONSEGUE”:
“Umcasalde elhinhos.Ele,com80anos, êmal.Acompanhei a,com70
anos, copia à mão o A an e! Pa a o companhei o pode  le . Mas como
ambémjánão êmui obem,pedeaumcama adaquelheexpliquece as
passagensdosa igos,pa aelapode  aze acópia.Semcomen á ios.”
Senaspáginasdojo nalaexal açãodaimpo ânciadoA an e!é equen e,
sobdi e sas o mas,nali e a u aes e e ambémp esen e,nomeadamen enaob a
de Soei o Pe ei a Gomes, como ilus a a passagem con o “Re úgio Pe dido”31de
No emb ode1948)dedicado“Aocama adaJoão(pseudónimodeDiasLou enço)que
inspi oues econ o”:“Jáosuo lheesco iapelas aces;ossapa osape a am-lheos
pés,como enazes;eumado aguda ixa a-se-lhenosquad is:masce a aosden es,
numade e minaçãode odooseuse .‘Nãola ga eiamala!Hei-deen ega osjo nais
queoscompanhei osmecon ia am!’”(...)“Aconchegouaopescoçoagoladocasaco;a
malase iu-lhede a essei o.‘O a,quelheimpo a aa ome?En ega iaosjo nais
naho ado ecu so;le a a ao imasua a e a. Eum dia...umace amanhãdesol
adioso...sim,desol...Ah!”
Além de co esponden e e colabo ado , o lei o  do A an e! em ambém a
esponsabilidade de di ulga , não apenas o objec o jo nal, mas o seu con eúdo, a
mensagemcomunis a.NasegundaquinzenadeJanei ode1944,es ábemexplici aa
in ençãodoA an e!dep omo e aagi açãodemassas:
“Cama ada: Es e A an e! que e oi pa a  às mãos é p ecioso. Não o
des uas. Fá-lo chega  pelo p ocesso melho  a ou o abalhado  hones o ou
manda-lhepeloco eio.O eude e é aze es udopa aajuda esamissãodo

31Soei oPe ei aGomes,Con osVe melhosEOu osEsc i os(EdiçõesA an e!,1979).


27

nossoA an e!queéoúnicojo nalli eeoguiadopo opo uguêsnasualu a
pelo Pão, pela Libe dade e pela Independência. Cama ada: O A an e! não é
pa ale umasó ez.P ocu a ixa osseusensinamen ose aladelesaos eus
amigos e conhecidos, embo a sem dize  onde os os e encon a . P ocu a,
assim, o na - eumin e mediá ioac i oen eoA an e!easmassas,en eo
A an e!EoPo o.Nãopode ás u,no eusec o do abalhoouna ua e a,
le a asmassasamo imen osde ei indicação?”

5.C í icaseco eções
5.1”Desleixo”
Ao ala di e amen ecomoslei o es,oA an e! o na-se ambémum eículo
dead e ênciaedec í icaaosmili an es.Apa deumacampanhapa aape iocidade
dapublicaçãopassa demensalpa aquinzenal,aqueco espondeumaumen odo
p eçodecapa,bemcomoal e açõesg á icasnosen idoda eduçãodocabeçalho,o
que pe mi e uma alo ização do espaço ú il no co po do jo nal pa a no ícias, é
publicada,naediçãodeAb ilde1942,uma esoluçãodadi eçãodopa idoc i icando
“odesleixodosenca egadosdadi usão”doA an e!.
Pos e io men e, as c í icas passa am a se  mais polí icas e in eg a am-se na
eo ien açãodo umodopa ido.Falamosdoiniciodosanos60,quandoCunhal,já
depois da uga do o e de Peniche, se o na o malmen e sec e á io-ge al e
emp eendealu acon a“odes iodedi ei a”,a as andoosdi igen ese“co igindo”a
linhapolí icap o agonizadapo JúlioFogaça,baseadana eo iada“ ansiçãopací ica”.
Logonoiníciodain es idadeCunhal,oA an e! oip o agonis a,ao e sidoal ode
a aque po  não e  no iciado com o de ido des aque a apa a osa uga de Peniche.
Como ela aJoséPachecoPe ei a,aediçãoda adadeDezemb o1959no icia aa uga
de3deJanei onap imei apáginacomo í ulo“T ezep esospolí icos econquis ama
libe dade”,semdes aca aimpo ânciadessesp esosnoapa elhodopa ido.Aedição
oi suspensa e acaba ia po  sai  uma ou a já da ada de janei o de 1960, na qual,
ci andoumcomunicadodoSec e a iadodeComi éCen al,seindi idualiza,em í ulo,

28

o nome de cada um dos eze ugi i os32. Esse núme o, do A an e!, da ado de
dezemb o de 1959, não exis e digi alizado na página elec ónica do PCP, onde es á
disponí elacoleçãocomple adoA an e!clandes ino.

5.2Au oc í ica
Aco eçãodalinhaedi o ialdoA an e!acompanhouocaminhope co idona
o ien açãodopa ido.Masno a a-sealguma esis ênciaaosno os empos.Sinaldisso
es ánaediçãodeJulhode1961,comapublicaçãonap imei apáginadeumano ada
ComissãoPolí icasob easopçõesedi o aisexp essasnojo nal:“AComissãoPolí ica
doComi é Cen alVe i icaque oA an e!não em aduzidocom su icien e igo as
decisõesdosó gãoscen aisdoPa ido(...)”.
A c í ica incidia sob e a o ma como ha iam sido no iciadas as duas úl imas
euniõesdoCC,deDezemb ode1960eMa çode1961,nasquais o acon es adaa
endência in e na epu ada de “ana co-libe al” e lançada a es a égia do
“le an amen onacional”com is aaode ubedo ascismo.Ano aconclui:
“Es as e ou as de iciências do A an e! esul am em ce a medida da
desa enção de cama adas do co po edac o ial pelas di ec izes e
ecomendações do p óp io Comi é Cen al, da Comissão Polí ica e do
Sec e a iado.Pa aqueoA an e!possacump i asuamissãoénecessá io
que seja assegu ada a di ecção polí ica do A an e! de o ma a que
co esponde às di ec izes do CC, da sua Comissão Polí ica e do seu
Sec e a iado.Oes ímuloaumamaio inicia i adoco po edac o ialde e
se  acompanhado de uma maio  cen alização da di ecção polí ica. Pa a
assegu a queissoseja ei o,aComissãoPolí icaeoSec e a iado doCC
oma áasnecessá iasmedidasp a icasdeo ganizaçãoedequad os”.
Jáem1964,oA an e! ol aapublica c í icasaosseus ex os.Sobo í ulo“Um
e odeo ien ação”,épublicadonaediçãoespecialsob eo1ºdeMaio,um ex ono

32JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica,OSec e á io-Ge al(1960-1968)(Temase
Deba es/Ci culodeLei o es,2015)pp30-33.

29

qualseassume e emsidocome idos“algunse osdeo ien açãoesque dis as”,que
i e am “exp essão mais salien e nalguns documen os publicados, mani es os e
a je as”.O ex o,quese epo aaousodeexplosi osnasmani es ações do1ºde
Maio, e minacomaau o-c í icadojo nal:”Es edes ioapa eceumesmo e lec idono
A an e!,noa igodeMa çosob eo1ºdeMaio”.
Oepisódio e elaaexis ênciadadiscussãoin e nasob eaopçãoda iolência
como au o-de esa pe an e as ca gas policiais. Ci ando o nº127 da III sé ie d’ O
Mili an e,noqualseesc e eque,“na aseac ualdaRe olução,asmani es açõesde
massas con inua ão a ca ac e iza -se como mani es ações essencialmen e pací icas,
i ando daí oda  sua o ça ace ao egime salaza is a”, João Madei a in e p e a a
au oc í ica incluída nas páginas do A an e! como uma en a i a dos di igen es do
pa idode“ epo aques ãoda iolêncianoseude idoluga ”.
Mas,emMaiode1965,ojo nal ol aase ob igadoapublica um ex o,des a
ezmui oc í icoaoseup óp io abalho:
“O A an e desde há mui o não co esponde à esponsabilidade do seu
papel. O A an e não aduz com co ecção a linha polí ica e ác ica do
Pa ido, acusa equen es acilações polí icas e des ios dessa linha, não
abo damui osdosmaisimpo an esp oblemaspolí icosnacionais, al a-
lhecon inuidadedumpensamen opolí ico,deixaescapa ounãodes aca
mui osacon ecimen osdamaio impo ância,não alo izade idamen eas
lu asdemassas,nãoasin eg anape spec i a e olucioná ianem i aas
suas expe iências undamen ais. Es a cons a ação ei a em Janei o de
1965, na eunião do Comi é Cen al, no seguimen o de ou as ei as nas
an e io es euniõesdoCC,le amoComi éCen aladecla a se u gen e
aze uma ec i icaçãoque,apesa ealgunspassossigni ica i osjádados,
es álongedese alcançada.(...)”.
Ac í icasu genasequênciadap epa açãodoVICong esso,quese ealiza ia
emSe emb onaUniãoSo ié ica,queap o ao“RumoàVi ó ia”,o ela ó iodeÁl a o
Cunhal, no qual se ap o unda e consolida a es a égia de comba e ao “des io de
di ei a”.

30

Com os exemplos acima ci ados, ica cla o que o ó gão o icial do PCP es á
ob igado à sua au oc í ica, à semelhança do que é exigido aos mili an es. A inal, o
A an e! ê-seasip óp iocomomemb odeumcolec i o,queédopa ido.
Da análise da o ma como olha pa a a sua unção no quad o da mili ância
an i ascis a e como ala de si p óp io e das condições em que é p oduzido, pode
sin e iza -se, como já oi e e ido an e io men e, que o A an e! se iden i ica e se
assumecomoumco po i o,quasehumanizado, azendopa ein eg an edessa al
comunidade imaginada e sendo, simul aneamen e, o elemen o aglu inado  que
ansmi eaideiadepe ençaaog upoe o napossí elap óp iacomunidade.



31

PARTEII—Ajus esdecon as

1.A eo ganizaçãoeosdoisA an e!
1.1C í icaaos“con ucionis as”
OA an e!es ánoce nedag andemudançao ganiza i adaes u u adoPCP,
comachamada eo ganizaçãode1941,quese iaabasedopa idoque i iaa o na -
sehegemóniconoconjun odosmo imen osde esis ênciaedeoposiçãoàdi adu a.
O ó gão o icial do pa ido passa a e  publicação egula  e é, como e emos nes e
capí ulo,simul aneamen e,umins umen oes a égicodeconsolidaçãodano a ase
da idadopa idoeumapeçaessencialnasdepu açõesideológicasquei ãosendo
execu adasa éao inaldadi adu a,em1974.Aolongodesses33anos,são á iose
di e samen edi ecionadososajus esdecon as,in e noseex e nos,iden i icadosnos
ex osanalisados.
Coma eo ganização,comoDawnLindaRabyacen ua,amudançanopa idoé
p o undaee idenciaap eocupaçãoemc ia uma e dadei a edeclandes ina:“Nos
anos30ascélulasdoPa idoe am equen emen eo ganizadaspo  uasoubai ose
as euniões  ealiza am-se igualmen e em uas ou p aças; a pa i  de 1941
cons i uí am-se células de áb ica ou de emp esa  as euniões e am limi adas ao
mínimo, p e e indo-se os con ac os indi iduais, que despe a am menos suspei as.
Gene alizou-seousodepseudónimoseosmemb osdascélulasnãopodiamsabe o
e dadei os nome, p o issão ou mo ada do seu 'con olei o'. Os no os con ac os
aziam-sesemp ea a ésdesan o-e-senhaea al adequalque con ac op e is oe a
imedia amen e comunicada às hie a quias pa idá ias. A maio ia dos documen os
e amemcódigoeos ichei os,comexcepçãodoComi éCen al, eduzidosomínimo;
aos uncioná ios e a exp essamen e p oibido equen a  cinemas, es au an e ou
ou oslocaisdedi e sãoemui as ezes i iamemcondiçõesdeg andeisolamen o,
excep onosmomen osemqueseencon a amen ol idosemaçõesdemassas”.33

33Dawn Linda Raby, A Resis ência An i ascis a Em Po ugal: Comunis as, Democ a as E Mili a es Em
OposiçãoaSalaza ,1941-1974(Salamand a,1990),p.60.


32

Ano aes u u a i iaada  u os apidamen eequa oanosdepoisopa ido
e ajáuma o çaincon o ná elnaOposição.“Po  ol ade1945,oPCPsu giacomo
uma au ên ica al e na i a e olucioná ia, dominando o mo imen o de massas e
cons i uindoumasé iaameaçaàsob e i ênciado ascismo:goza ade espei oen e
la goscí culosin elec uaisedasclassesmédias,sendoaomesmo empocla amen e
dominan e no mo imen o ope á io. Conse ou a sua hegemonia a é à e olução de
Ab ilde1974,mui oembo a i essepassadopo  á iasc iseso gânicasem1949-51,
1958-60e1962-65,easuaposiçãocomolíde dop ocesso e olucioná io i essesido
pos aemcausasob e udoapa i de1958.”34
Hou e, no en an o, esis ência à mudança e a consequen e lu a pela
hegemoniapo pa edosno osdi igen es.Nosp imei osanosdapublicação egula 
doA an e!,ose ei osda eo ganizaçãoes ãobempa en esnaspáginasdojo nal,com
og upo i o iosoac i ica o“g upelho”em iasdese  encido.
É,assim,numclimadeajus edecon asqueélançadaaVIsé iedoA an e!,em
Agos ode1941.Logonop imei onúme o,épublicadoumcomunicadodoComi é
Cen alapô ospon osnosiis:
“P e enção.Ao e emconhecimen osdasaídadoA an e!,umg upelhode
in elec uais co ompidos que o am esco açados da di ecção do P. po 
se emosp incipais esponsá eisdodescalab oaque inhachegadoan es
da sua eo ganização, esol e am en e eda  pela p o ocação abe a e
cla a azendo sai  alguns dias an es do ó gão cen al do nosso Pa ido,
umas olhascopiog a adasaquede amo í ulode‘A an e!’Quan omais
não osse,bas a aes aa i udepa aosdenuncia pe an eos abalhado es
po ugueses como elemen os con ucionis as e sabo eado es do abalho
pa idá io. Po  sabe em que ‘Em F en e’ já não me ecia a con iança dos
abalhado es,equeo A an e! e a ansiosamen e espe ado po  odos os
an i- ascis as, es e g upelho de p o ocado es esol eu es abelece  a
con usão no meio e olucioná io pa a assim mais acilmen e ‘pesca  nas
águas u as’.(...)Aindanãonoschegouàsmãosesse alsoA an emas

34Raby,p.51.

33

cons a-nos que nele se azem a i mações des i uídas de odo e qualque 
undamen o.Po exemplo:diz-sequeosac uaisdi igen esdoPa idonão
o amacei espelopseudopa idodosp o ocado es.ÉABSOLUTAMENTE
FALSO!OS ACTUAIS DIRIGENTES E REORGANIZADORES DO P. NUNCA
QUISERAMNADACOMESSESELEMENTOS!SÓLHEFIZERAMSABERQUEOS
CONSIDERAVAM AFASTADOS DO P. E QUE OS TORNAVAM
INDIVIDULAMENTE RESPONSÁVEIS POR TODA E QUALQUER ACTIVIDADE
PROVOCATÓRIA DENTRO DO PARTIDO. Ti e am a ousadia de in oca  o
nomededoisdosmaisp es igiososelemen osdoPa ido,Ben oGonçal es
eJosédeSousa,pa aseinculca emcomome ecedo esdacon iançades es
elemen os, que, es ando p esos, não podem publicamen e denuncia-los
como p o ocado es e ma ca -lhes o co ec i o me ecido. No p óximo
núme o do A an e! desmasca a emos mais de alhadamen e a acção
p o oca ó iades eselemen oseassuasligaçõescomagen esaose iço
dapolícia.Po ago aque emossomen ep e eni aclasseope á iae odos
os e olucioná ios conscien es , con a os manejos con ucionis as des e
g upelho, e dos pe igos que pode ão aze  pa a a libe dade dos que o
segui em.”
É econhecidocomoessencialpa aaa i maçãodos eo ganizado esdopa ido
asepa açãodaságuaspa alimi a osdanosnamili ânciacomunis adosdoisA an e!.
Comoselênonº2,deSe emb ode1941:
“Do con uncionismo à p o ocação cla a. (...)Um g upelho de pseudo-
in elec uaisesco açadosdao ganização,p e ende aze -sepassa peloP.
e publica umas olhas copiog a adas a que deu o í ulo do nosso ó gão
cen al”.
Comoenquad aohis o iado JoãoMadei a,“en e1941e1945,aexis ênciade
doisPa idosComunis asemPo ugal, azcomqueumdeles,oquese ep esen a aa
con inuidadeo ganiza i a,masque i iaase designadode“g upelhop o oca ó io”
pelo g upo dos eo ganizado es, edi asse duas no as sé ies com um o al de 20

34

núme os.”35
É ainda Madei a  quem ci a An ónio Dias Lou enço, pa a con a  que “os
eo ganizado es sabiam que os do elho pa ido ‘ inham escondido a apa elhagem
écnica numa casa e o pa ido o ganizou o assal o a essa casa e le ou-se a
apa elhagem oda. Le ou-se os ipos e os p elos, num áxi do Pi es Jo ge’. O que
pe mi i ia assegu a  a pa i  de Agos o de 1941 a publicação de uma VI sé ie do
A an e!”36.
Tambémohis o iado JoséPachecoPe ei asublinhaau ilizaçãodo í ulocomo
a madeambososladosdacon endain e nanopa ido,aolemb a que“a e omada
dapublicaçãopelaDi ecçãodoA an e!emAgos ode1941 o malizouadi isão.Os
‘ eo ganizado es’ inham usado a ques ão do jo nal do pa ido como ins umen os
pa aisola (Vascode)Ca alho,associando-ocomoEmF en e!.OA an e!,du amen e
a ingidopelasquedasdas ipog a iasde1938-39,nãosepublica ajáhámaisdeum
ano,eoseusubs i u oEmF en e!nuncaseimplan ounoimaginá iocomunis a,pelo
ca ác e  p ecá io da sua edacção e pe iocidade i egula . Os ‘ eo ganizado es’
oma amoabandonodo í uloA an e!comoumsin omademissioná iodaDi ecção.
(...)ADi ecção,conscien edequeojo nale a on edecon o é siaesabendopelo
anúnciodoMili an equeos‘ eo ganizado es’sep epa a ampa aedi a oA an e!,
esol ean ecipa -seepublica deno oumjo nalcomesse í ulo.Assim,em1941,são
publicadosdoisA an e!dis in oseumó gão eó icodos‘ eo ganizado es’comonome
de Mili an e. A decisão de publica  ou epublica  o A an e! não e e ou o mo i o
p óximo que não osse o comba e pela legi imidade pa idá ia. Não ha ia
inclusi amen e,po pa edaDi ecçãoumadecisãode e mina oemF en e!edo aze 
subs i ui peloA an e!”.
En e as c í icas ao abandono do í ulo A an e!, hou e um assun o nunca
abo dadonano asé ie,que oiocomp ome imen odeÁl a oCunhalnolançamen o
do“EmF en e”.O emaé a adopeloshis o iado esFe nandoRosas,JoãoMadei a
eJoséPachecoPe ei a,aosalien a emaadesão a diadeCunhalàlinha encedo a

35JoãoManuelMa insMadei a.,p.664.
36Madei a,p.665.

35

que,nap á ica,i ialide a .Rosassus en aque“Cunhaléinicialmen ema ginalizado
nes ep ocesso(a épelasligaçõesque i e aàdi ecçãosoba aque)eéchamadoao
Sec e a iado do PCP em 1942, al u a em que Fogaça ol a a se  p eso e é p eciso
encon a aalguémcoma caboiçoin elec uale eó icopa aosubs i ui nas a e asde
di ecção ideológica que desempenha a”. Essa chegada ex empo ânea não in alida,
comoacen uaRosas,queCunhalse o ne“ apidamen eoindiscu í eldi igen e ác ico
doPCP”37.
Numap imei a ase,como e e e Madei a,Cunhal, ao ade i só em 1941ao
“no opa ido”, e áge ado“algumadescon iançaem elaçãoasi,dapa edosque
saíamdasp isões,poisCunhalpe ence aaumdosúl imossec e a iadosdopa idoe
o aumdosmen o esep incipais edac o esdoEmF en e!.”38
JáPachecoPe ei aap o undaaligaçãodeCunhalàdi eçãodoan igopa idoe
aono ojo naleesc e e queumadasp imei asdecisõesdoSec e a iadodoPCP” oi
asubs i uiçãop o isó iadoA an e!po umno ojo nal,oEmF en e!.Foiemg ande
pa e po  inicia i a de suges ão de Ál a o Cunhal que es e oi undado. Cunhal
en endiaque,nãoha endocondiçõespa amon a uma ipog a ia‘digna’pa a i a o
A an e!,oó gãodopa idode e ia e ou onome.Ha ia,aliás,ump eceden eno
ano an e io , quando as di iculdades de aze  sai  o A an e! le a am à edição do
No íciasVe melhas.”39
Es aci açãodePachecoPe ei a e ela,nãosóoen ol imen odeCunhalna
publicaçãoquesubs i uiuoA an e!,mas,acimade udo,aconsciênciadodi igen eda
impo ânciado í ulo,quede e iaman e -sesemamáculadasdi isõesin e nasedas
agilidadeso ganiza i aspelasquaisopa idopassa a.Maisdoqueumó gãocen al
dopa ido,oA an e!ca egaumaca gasimbólica,que i iaa e o ça -seaolongode
odoope íododaclandes inidade.
Com a consolidação da linha da eo ganização é e o çada a consciência da

37JoséNe es(coo d.),Ál a oCunhal-Polí ica,His ó iaEEs é ica(Tin adaChina),p.45.
38JoãoManuelMa insMadei a,p.89.
39JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica,«Daniel»,OJo emRe olucioná io(1913-
1941)(Cí culodosLei o es,1999),p.435.

42

omem uma a i ude de passi idade em elação à lu a con a o ascismo
(...)”
Na 2ª quinzena de Fe e ei o de 1945, sob o mesmo í ulo, “Polícias e
p o ocado es”, são denunciados agen es e in o mado es da PIDE, a pa  de an igos
mili an es:
“Má io,ba bei o, o e,deóculos.Temduasba bea ias,umadasquaisna
RochadeCondedeÓbidos,nº102.Éumexplo ado dosseusemp egados,
despedindoosmeios-o iciaisquando e iaqueossubi deca ego ia.Es e
indi íduodizaosope á iosdosEs alei osquenãode em aze g e es,que
es assóse empa a aze adesg açados abalhado eseinci a-oscon a
‘aquelesqueque em e oluciona opessoaldaemp esa’.Es ep o ocado 
emín imasligaçõescomomédicoVelezG ilo,doG upelhoP o oca ó io”.
Ou odosal osdos‘ eo ganizado es’ oiJosédeSousa,an igodi igen e,que,
p eso no Ta a al en ou em o a de di e gência com Ben o Gonçal es, ambém
enca ce adonocampo.Sousa,que i iaa esis i à“ eo ganização”,aoladodeVelez
G ilo, acaba ia po  se  expulso do pa ido em 1942, endo sido a c í ica ao pac o
ge mano-so ié ico a causa p óxima pa a o seu a as amen o. João Madei a, ci a a
ci cula  do Sec e a iado do PCP, de No emb o de 1942, na qual é comunicada a
expulsão com o a gumen o de que José de Sousa, “ o a do Pa ido, acusou os
di igen es so ié icos de aição à classe ope á ia po  conduzi em uma polí ica
ascis a”45.
Qua oanosmais a de,JosédeSousaade eaoPa idoSocialis aPo uguês,e
oA an e!,na2ªquinzenadeAb ilde1946,ap o ei aaocasiãopa alança c í icas
públicasaoex-mili an ecomunis a:
“Chegaaonossoconhecimen oqueos .JosédeSousa,queháumanos oi
dadi ecçãodonossoPa ido,acabadepedi asuaadmissãoaoPa ido
Socialis a Po uguês. (...) O s . J.S. oi expulso do Pa ido Comunis a
Po uguêsem1942,quandoseencon a anoCampodoTa a al,poeaí

45Madei a,p.123.


43

le a acaboumalu adesag egado aedi isionis ae e  o madoumg upo
dissiden econ aoPa ido”.
O ex o e mina com uma ase i ónica: “Aos nossos amigos socialis as, (...),
desejamosqueconquis emumcompanhei o iel”.
O mês de Agos o de 1947 é o momen o escolhido pa a o A an e! ol a  a
c i ica o“g upelho”.Fá-losobo í ulo,“Agos ode41-Agos ode47”,celeb andoa
en adanosé imoanodepublicação egula dojo nal.
(...)“6anospassa amsob ea eo ganização,aomesmo empoque emos
ocaminhoandandopelonossopa idoepeloseujo nal,in e essa ambém
e o caminhoandado po  aquelesque, enquan ono pa ido, o amuns
sabo ado es e comodis as, que em 1940-41 an o se opuse am à
eo ganizaçãoeque,depois,nãosecansa amdecalunia pa ajus i ica em
a sua expulsão das ilei as do pa ido. Que é ei o desses esco açados?
José de Sousa, G ilo, Vasco de Ca alho, A ios o Mesqui a, Cansado
Gonçal es, e c, agindo sob a p o eção da PIDE e aligados a agen es do
impe ialismo es angei o na o mação de uma ‘Pa ido Socialis a legal’
(ondein elizmen eseencon amalgunsan i- ascis ashon adoseiludidos)
que ou a coisa não é senão a oposição ino ensi a que o Go e no de
Salaza sees o çapo c ia ,comopassopa aadi isãodosdemoc a ase
aniquilamen o iolen ode odaaoposição.Hoje,comohá6anos,háque
con inua  a da  comba e aos de o is as e di isionis as, agen es do
ascismonocampoan i- ascis a”.
Embo a já i esse sido e e enciado na edição de Ab il-Maio de 1954, num
ex ocen adoemFe nandoPi ei aSan os46,jáexpulsodopa idonasequênciada

46“Adepu açãooco idaem1950-1951ab angianãosóaquelesque inhamsidoacusadosde aição,
como Manuel Domingues, mas ambém á ios in elec uais que se dizia e em mani es ado
endências“sociais-democ a as”ou“ i is as”.En ees eses a amincluídosMá ioSoa eseFe nando
Pi ei aSan os.(…)ocasodePi ei aSan osémaisin e essan e.Colegadees udodeÁl a oCunhal,
en oupa aoPCPnop incipiodadécadade40eem1943passoua aze pa edoComi éCen al.
En eou as unções oienca egadodao ganizaçãodopa idonosmeiosmili a es(jun amen ecom
JoséMag o).(...)quando oip esoemJulhode1945,Pi ei aSan os e áapa en emen e o necido
abundan es in o mações à PIDE. Em odo o caso já inha sido demi ido do CC po  indisciplina ,
embo a se i esse man ido no pa ido a é 1950, ano em que oi expulso po  no os ac os de
indisciplinanãoespeci icados(...)”Raby,p.129.

44

depu ação dos anos 1950-51, “o p o ocado  Dá io Bas os” ol a a se  al o de um
“Ale a”,comomemb odo“g upelho”,emJanei ode1955:
“Todos os comunis as, simpa izan es e demais democ a as e pa io as
de em es a  em gua da con a a acção p o ocado a de Dá io Bas os,
iajan e de a igos de e agens do Po o. (...) A e dade é que es e
indi íduo oi esco açado do Pa ido Comunis a há longos anos como
p o ocado . Em 1940 es e e ligado ao g upelho p o oca ó io do
No e.(...)de emos es a  ale a com es e p o ocado  esco açando-o ali
ondeeleapa ece ”.

1.4Oesque dismo,osco oseasmoscas
Com os anos 60, o início da gue a colonial, os mo imen os es udan is
au ónomosdoPCPeocon li osino-so ié ico,ascisõessãoma cadamen eideológicas
ei ãoda o igemaumadi isãop o undaàEsque da.Po umlado,og upodeA gel,
noqualsu gi áoemb iãodoPa idoSocialis a, undadoem1973,po ou olado,a
co en edeex ema-esque daquei ádesagua emdi e sospa idosemo imen os
que se man e ão a i os após o im da di adu a. In e namen e, no PCP, essas duas
linhassão ambémoquema ca áocon li ocomoqualadi eçãodeCunhali á e de
secon on a ,àluzdo umodomo imen ocomunis ain e nacional, epa idoen e
Mosco o e Pequim. Como sublinha o his o iado  José Pacheco Pe ei a, “o PCP oi
apanhadopelocon li osino-so ié iconumamomen oc í icodasuahis ó ia:quando,
após a uja de Peniche Ál a o Cunhal, es e es á a conduzi  um p ocesso  ”de
ec i icaçãopolí icacon aadi ecçãodeJúlioFogaça.Nodeba ein e nonoPCP,em
plena e isãodalinhado‘des iodedi ei a’,que ep esen a asobmui osaspec osa
linha de K u che  após o XX Cong esso aplicada a Po ugal, a subs ância essa
ec i icaçãocoloca a,em eo ia,oPCPeCunhalmaisp óximosdas eseschinesasdo
quedaso ié icas.Cunhal inhaassimque,aomesmo empoquecomba iaessalinha
emPo ugalcomo‘des iodedi ei a’,ap o á-lacomolinhadomo imen ocomunis a



45

in e nacional”47. Ou seja, o no o umo do pa ido passa po  es abelece  uma linha
cen al de comba e à di ei a e à esque da. Como de ende Miguel Ca dina “Ál a o
Cunhalp eocupou-senãosóemope a achamada«co ecçãododes iodedi ei a»
como em neu aliza  os «des ios de esque da», que p opunham acções a madas
con ao egime”48.Essealinhamen oaocen oédeba idonoâmbi odap epa ação
doVCong esso,aolongodaqual,segundoJoãoMadei a,“hánalgumasin e enções
comoqueumap eocupaçãocen is a,quese e ela ádominan e,segundoaqualo
des io dedi ei a iden i icado de iase  comba ido, mas ambém qualque  des iode
esque da que se quisesse ins ala  no seu luga , pois o sec a ismo con inua a i o
den odopa ido.”49
No inaldosanos60,ano acla i icaçãoin e nanoPCPes áconcluída,como
es á ambémconsumadaaexpulsãodop incipal os odo“esque dismo”,F ancisco
Ma ins Rod igues, que, cu iosamen e, inha con ibuído de o ma de e minan e na
aniquilaçãodo“des iodedi ei a”,p o agonizadopo JúlioFogaça,
Comosín ese,Ca dinaesc e eque“F anciscoMa insRod igues oiocondu o 
undamen al dessa dema cação, cen ada no papel da iolência na ans o mação
social, nos con o nos de uma polí ica de alianças pa a o de ube do egime e no
alinhamen ocomaChinanocon li oqueen ãoaopunhaàURSS.”50
OcasodeMa insRod igueséexempla dohe óiquepassaa ilão.Nano ícia
da uga de Peniche, é publicado, na p imei a quinzena Janei o de 1960, um
comunicado do Sec e a iadodo Comi é Cen al,na qual éexal ada “aco ageme a
abnegação” dos “ alo osos comba en es de angua da”. En e eles es á F ancisco
Ma insRod igues.Naediçãoseguin e,que“ ec i ica”o omdano ícia,des acando
Ál a oCunhalno í ulo,“Onossopo osaúdaalibe açãodeÁl a oCunhaledosseus
companhei os”,são elegadospa asegundoplanoos es an es ugi i os,nãodeixando
ma gempa adú idassob equeméohe óimaio .

47JoséPachecoPe ei a,OUmDi idiu-SeEmDois,ed.byAle heia,2008pp.127-128.
48MiguelCa dina,‘Ma gemdeCe aManei a-OMaoísmoEmPo ugal:1964-1974’(Uni e sidadede
Coimb a,2010)p.48.
49Madei ap.284.
50Ca dina,p.6.

46

Mais a de,onomedeF anciscoMa insRod iguesse ia“apagado”ouincluído
no g upo dos p o ocado es. Domingos Ab an es assume que os dissiden es “e am
p o ocado es”eque“algunsdeles, inhamumap oblemaac escido,équecomose
inham po ado mal na PIDE, a anja am jus i icações, em ez de assumi em o seu
mau compo amen o. A pessoa que es á a se  in e ogada, alo po  expe iência
p óp ia,nuncape deanoçãodeondees á,podees a maiscansado,massabeque
es áem en eàpolícia.”
A opinião mani es ada po  Domingos Ab an es di eciona-se pa a Ma ins
Rod igues,queem1966, í imada o u adosono,cedeunosin e oga ó iospoliciais.
(A ques ão de ‘ ala  na policia’ se á desen ol ida no capí ulo 3 da II pa e des e
abalho). “Não me lemb o de pensa  que es a a a ai  nem de esboça  qualque 
esis ência.Respondiaàmedidaqueelemepe gun a aeado meciacadains an e(...)
Nosqua odiasseguin es,do mi16ho aspo dia;aco da apa acome ,passea aum
poucopelogabine ee ol a aaado mece .Es a aes upidi icado,nãomelemb ode
pensa nada, inha só eacções animais; come  e do mi . Pelo quin o dia comecei a
oma consciênciadoque ize aedo ompimen o o alcomaminha idaan e io ,mas
não o sen ia como uma ac o come ido po  minha on ade, mas como uma coisa
ho o osaquemeacon ece a.”51
Emconc e osob eF anciscoMa insRod igues,DominguesAb an es alade
um homem e mili an e queconheceu mui o bem, que “ inhauma in eligência a a
com um g au de cul u a acima da média p a a o igem dele, uma capacidade de
abalhoexcepcional,mas inhaalgunsdesequilíb iospsíquicos.Ele,aliás, oi í imado
seup óp iocaminho, oip esopo que inhadei adoamãoaump o ocado e,depois,
o nou-se ele p óp io um p o ocado . Foi seduzido pelo maoismo e pela ideia da
e oluçãojá.”
Adepu ação ideológicapassa a pelaspáginasdo A an e!,nãosó a a ésda
publicaçãode ex osqueemana amdosó gãosdi igen esdopa ido,mas ambém
a a ésdecu oscomen á iosdi igidos an oàdi ei acomoàesque da,dec í icaa
posiçõesdeou as o çaspolí icasdaOposição.Exemplodessaexp essãoedi o iale a

51F anciscoMa insRod igues,OsAnosDoSilêncio(Dinossau o/Ab en eEdi o a,2008)pp.72-73.

47

uma coluna in i ulada “Pon os Ca deais”, na qual su giam c í icas e comen á ios a
de e minadasa i udese omadasdeposição elacionadascomooPCP.E a ambémo
empo das “acções especiais”, às quais o PCP se inha ” endido” após anos de
discussãoin e naedepoisdejáes a emema i idadeg upos adicaisqueapela amà
lu aa mada.“O ecu soàlu aa mada,mesmocomampli udee o mas es i as,e a
nosanossessen aumaques ãomui opolémicanoPCP.”52.Aa i maçãodeRaimundo
Na ciso, an igo mili an e comunis a e um dos elemen os da A.R.A. (Acção
Re olucioná iaA mada) undamen aessedeba enocon ex odague a ia,noqual
Mosco odesaconselha aoen ol imen odospa idoscomunis aseu opeusemlu as
a madas. Daí que Na ciso conside e que Cunhal “ a a a a ma é ia de modo
cau eloso”e,embo aadecisãodasuac iação enhasido omadaem1964,aA.R.A.
inicia a sua ase ope acional em 1970, “con olada poli icamen e pelo PCP”, mas
“au ónomadopon oe is ao gânicoe an oquan opossí eles anquedao ganização
dopa ido,pa ae i a queasp isõesnes ea ingissemaquela”.53
Nessecon ex oa ub ica“Pon osCa deais” uncionacomoumba óme odo
deba esob easdis in as ác icasdelu acon aadi adu aen easdi e sas o çasda
Oposição. Na edição de Maio de 1972, pode le -se um ex o, in i ulado “Um
comen á io”,dec í icaaosc í icosdeumaaçãodaA.R.A.
“A acção da ARA con a o qua el gene al da Ibe land e e impo an e
signi icado polí ico e g ande epe cussão in e nacional.(...) Hou e po ém
quemcomen asseo ac odemanei adi e en e.’Oses agosinsigni ican es
(diz esse comen á io) o am imedia amen e epa ados (...) De quem é o
comen á io? Da ‘Época ascis a, di ão os lei o es. Não ace a am. O
comen á io oi ei onumbole imdosgolpis asdeA gel.(...)”
O omusadones ecomen á ioédec í icadi e aaosqueapouca amaaçãoda
A.R.A.,masnamesma ub icadessaediçãoépublicadoum ex ocujosdes ina á ios
são, udoindica‘inimigosin e nos’,“OsCo os”:

52Na ciso.p.18.
53Na ciso,p.19.


48

“Oco o é umanimalcoba de. Foge dos i os e p ocu aapossa -sedos
mo os.Sãomui ososco os.Co osdemili an esdesapa ecidos,quenão
podem le an a -se das campas pa a os cas iga ! Co os dos abalhos e
sac i íciosdaquelesqueodeiam!Éumanimalcoba de,oco o.”
Aindaem1972,masemJulho,alémdeno ac í icaaquemcon es ouaARA,
nes e caso a RPAC (Resis ência Popula  An i-Colonial), apelidada de (Rapazes
Po uguesesAn i-Comunis as),oal oéo‘esque dismo’.
“ALógica.Oa en u ei ismoesque dis aes ámos andonomundoaoque
conduzasualógica,quandopassado e balismoàacção.Nunscasos(e
são os melho es), a en ados e o is as que conduzem os seus au o es à
ápidade o aeliquidação ísica.Nou oscasos,ousode e énseasua
execução p o ocam a condenação e a epulsa das mais amplas massas.
Nou osainda,con undindo-secombandi ismoeloucu a,execuçõessem
sen ido,comono ecen ecaso egis adonoJapão.Aquelesqueassimagem
decla a amse ‘ e olucioná ios’.Desac edi am,no imdecon as,acausa
po quedizemba e -se.EmPo ugal,a éago a,oesque dismopouco ai
além de pala as exal adas e campanhas de calúnias con as as o ças
e oluciona ias. Mas as concepções con êm o gé men dessas is es
his ó iasqueco emmundo.Comba emoso e balismo.E,sealógicale a 
umdiasàp á icadeac os e o is as,queapenaspodemse i o ascismo,
édesabe dean emãoque ambémoscondena emos”.
Asba e ias e baisdoA an e!apon am ambémpa aosoposi o esdedi ei a,
pa a os que den o do egime di a o ial de endem uma ansição pací ica pa a a
democ acia. Na edição de Se emb o de 1973, lê-se um a aque à ala libe al do
ma celismo.
“Po  quem? Os libe alizan es êm do en e ascis a. Se ia lou á el que,
ompendo com o egime, con assem o que lá se passa. A inal p e e em
chama a à colabo ação maoís as e desag egado es pa a que deem em
público e sões caluniosas e pidescas do que se passa... na Oposição.
A inal,senho es,po quemsoisecon aquemsois?”

49

Massemp ea condenaçãoà linhamaoís a docomunismoes áp esen enas
páginas do jo nal, com ale as pa a a p o usão de siglas que podem con undi  os
cidadãos com aca o mação polí ica. Em No emb o de 1973, o seguin e ex o é
ilus a i odessap eocupação,que i iaaaumen a nosp imei osanosdademoc acia.
OPCPdeixa adese aúnica e e ênciadocomunismoin e nacional:
“Siglas.Osg uposcomunis assãocomoasmoscas.Nume osasquandohá
lixo,dequesealimen am.De ida ãoe éme aqueumdiacomp idode
e ãochegapa aquenasçamemo em”.(segueenume açãodassiglas
po o demal abé ica)(...)Felizmen eoal abe o emle asbas an espa a
sa is aze aimaginaçãoc iado adesiglasdos e olucioná iosdeope e a.”

2.Em empodegue a
2.1Os“quin a-colunis as”´
Em plena II Gue a Mundial, nas páginas do A an e! há uma denúncia
sis emá ica dos “inimigos do po o” (designação que, como e emos, é u ilizada em
odos os casos de dissidência, de delação, de aição e de in o mado es da polícia)
com a publicação em quase odas as edições de uma ub ica in i ulada “Quin a-
colunis as”.Empa alelo,háexposiçãopúblicadoscolabo acionis as.Na2ªquinzena
deJanei ode1943,lê-seumapeloconc e oàdenúncia:
“É necessá io desmasca a  odos os quin a-colunis as que p oduzem
pa aoEixoeexpo ampa aoEixo.En iaiosseusnomesaoA an e!,ó gãode
comba e pela libe dade independência. En ia no ícias da ac i idade dos 5ª
colunis as”.
Em1944,na2ªquinzenadeJanei o,su ge,sobum í uloa odaala gu ada
pág.2:”OA an e!desmasca aOSINIMIGOSDOPOVO”,um ex oqueala gaouni e so
doepí e o:
“Quin a-colunis asque oubamosgéne osaopo opa aosen ia emaos
bandidos ascis asalemães; ascis asquepe seguemossimpa izan escom
a causa das Nações Unidas; espiões ao se iço da Alemanha hi le iana;
denuncian es dos abalhado es nas áb icas e emp esas; — es es são

50

INIMIGOS DO POVO que o po o de e conhece . É necessá io em oda a
pa edesmasca á-los,di icul a osseusmanejos, o na -lhespo  odosos
meiosa idainsupo á el.OA an e!con inuaecon inua áadesmasca a 
pe an easmassaspopula es odososseusinimigos.Osseusnomesde em
se  ixadospa aaho adoajus edecon as”.
Na1ªquinzenadejunhode1944,em odapé,lê-se:“Ap oximam-seasho asos
comba es decisi os. Nes e momen o, odo o alheamen o é c ime, oda a iné cia é
coba dia.Todoocomp omissocomo ascismoé aição”.
Nes escasos,nosquaisadenúncianãose epo aaosmili an escomunis as,
massimaoscolabo acionis ascomaAlemanhanazi,oA an e! e ela-senasuamissão
de ó gão de in o mação mais amplo e não apenas de ó gão cen al do PCP, ao
desmasca a , ambém, a polí ica de “neu alidade” de Salaza , expondo os g a es
p oblemaseconómicoseins igandoouapoiandoaçõesde e ol acon aaca ênciade
géne osalimen a es.Comoesc e eohis o iado Fe nandoRosaspa aca ac e iza o
ambien esocialquese i enosanosdegue a:“Ossin omasdedescon en amen oe
eacção con a a al a de géne os, o desemp ego e os salá ios baixos nas zonas de
p edomínio dos assala iados u ais começam a e i ica -se desde inícios de 1941,
c escendo de in ensidade ao longo do ano. O mesmo se pode á dize  quan o aos
mo ins e aos ‘ umul os’ que, no No e e no cen o, se le an am pa a impedi  a
equisiçãodegéne osouasap eensõesdeminé io”.54
Embo a seja impossí el aplica  ao A an e! clandes ino os pa âme os de
mediçãodeaudiênciasquehojesãousados,o ipodeno ícias elacionadascomas
gue as, an oadeEspanhacomoaIIGue aMundial, ansmi emape cepçãodeque
ain luênciadojo nalex a asa aouni e sodosmili an es.Naanálisedas i agensda
imp ensaclandes inadopa ido,bemcomoda egula idadedasediçõesép eciso e 
emcon aascondiçõesdao ganizaçãoclandes inaemcadamomen o.Comoen a iza
João Madei a55, a pe iocidade quinzenal é um dos sinais, não só de consciência da

54JoséMa oso(Di .),His ó iadePo ugal,7oVolume,OEs adoNo o(1926-1974)(Cí culodeLei o es,
1994)p.363.
55JoãoManuelMa insMadei a,p.675.

51

po encialin luênciadojo nal,mas ambémdaconjun u apolí icain e naeex e na.
A unçãodojo nalnomomen ohis ó icodaIIGue aMundiale ambémda
Gue a Ci il de Espanha é ealçada po  Domingos Ab an es, quando de ende que,
de idoàcensu ap é iaqueadi adu aimpunhaàimp ensa,“háumapa edanossa
his ó ia que só se encon a no A an e! O empo da gue a é um pe íodo mui o
impo an e”. Tal como o do pe íodo da gue a de Espanha, quando “hou e um
p ocessonoPo o,noqual o amp esas400e alpessoas,emg andepa ee asó
po queliamoA an e!eaexplicaçãoe apo queque iamle no íciassob eague a”.
Asc í icasaoscolabo acionis aseadenúnciadaa i idadedeaçamba cado es
são“ e amen as”queopa idousa,a a ésdoseuó gãocen al,pa amunicia os
mili an esea odososque êmacessoaoA an e!pa aalu acon aaosquenãoes ão
doladoce odague a.

3.”Se o esp eso,cama ada”
3.1“NaPolícianãose ala”
Num es udo sob e as o ganizações clandes inas comunis as, José Pacheco
Pe ei a ci a E ing Go man e o seu concei o dos manicómios como “ins i uições
o ais” pa a iden i ica  no pa ido clandes ino “mui os aços” dessa o ganização,
como“ocon oloadminis a i osob eosseusmemb os”56.
Em ambien e de clandes inidade, se o ideal ou a é do mili an e em de
pe manece  o epa a esis i aosa aques ep essi osdopode ins i uído,nãose á
menosnecessá iaaconsciênciadequesócomasob e i ênciadaes u u apa idá ia
se ápossí ellu a e ence .Pa adigmá icodes eduploconcei oéo ex odeÁl a o
Cunhal,nasuap imei a e sãode1947,“Se o esp eso,cama ada”,cai ásob e iuma
g ande esponsabilidadedede ende o euPa ido,os euscama adas,o euideal”57.
Como um manual de compo amen o dos mili an es nos in e oga ó ios policiais, o
opúsculo de Cunhal, que po meno iza algumas das o u as a que os p esos são

56JoséPachecoPe ei a,ASomb a.Es udoSob eaClandes inidadeComunis a(G adi a,1993)p.66.
57Ál a oCunhal,SeFo esP esoCama ada(Edi o ialA an e,1947).

58

JoséPed oSoa es,p esocommaisce cadeumacen enadecama adasde ido
à aiçãodeAugus oLindol o,que e á o necidoin o maçãopo meno izadaàPIDE
em ocadalibe dade, ealça,noen an o,adi e ençaen ese  aido e aqueja nos
in e oga ó ios.“Umacoisaé aqueja eou aé ai .Seidepessoasque aqueja am
eque ica amma cadaspa ao es oda ida.Masaessesopa idonão a oucomo
aido es.Os aido escolabo a amcomaPIDEde o macon inuadaeem ocade
a o es,en egandopa esimpo an esdao ganização,des uindoligações.Segundo
julgo sabe , o Lindol o, depois de se  libe ado ol ou a da  no as in o mações à
polícia”.
Augus oLindol o i iaase al odeuma en adoaquesob e i eu,emJanei o
de1973.Aaçãonão oi ei indicada,masdeaco docomohis o iado JoãoMadei a
“ oia ibuídoàARA”72.JoséPed oSoa esadmi equepossa e sidoob adealguém
í imada aição,mas,pessoalmen e,dizquenadasabesob eoassun onemsob eo
pe cu sopos e io do aido .“Não iznadapa aop ocu a ,ou idize que inhaido
pa aAngola.Admi oqueseo i esseencon adologoasegui a e saídodap isão
inha-lhe ba ido...mui o. A aição é impe doá el. Já a aqueza é comp eensí el e
mui os cama adas so em ainda hoje po  não e em esis ido às o u as e
in olun a iamen e e em con i mado nomes ou e elado um ou ou o po meno  da
o ganizaçãoemquees a aminse idos,semnuncase e embandeadopa aoladoda
polícia.Is onada ema e com aição.”
NaspáginasdoA an e!,noen an o, udoe amaissimples:quemse“po a a
mal”nap isão,mesmoqueosdanosnopa idonão ossemdemon a,nãoescapa a
dese  a adocomo“ aido ”,“p o ocado ”ou“bu o”e,alémdaexpulsão,e ace aa
denúnciapública.
Masnemsemp eessalinea idadee aobse ada.Na análiseemcu sones e
abalhoéno ó ioquenosanos70ejáno inaldadécadaan e io ,asp eocupações
e eladas nos ex os publicados no A an e! cen am-se menos na denúncia de
aido esoudaexal açãodehe óisdoqueacon ecianosanos40e50.No inaldo
egime, dado o con ex o in e nacional hos il à di adu a em pa icula  de ido à

72JoãoMadei a,His ó iaDoPCP(Tin adaChina,2013)p.578.


59

manu ençãodague acolonialena ecusadeSalaza /Cae anoemab i mãodoque
es a a do impé io, o A an e! ol a-se mais pa a o a, no iciando os ecos do
isolamen o in e nacional do egime, as a ocidades come idas pelas opas
po uguesas nas colónias, bem como os a anços dos mo imen os de libe ação. O
no iciá iosob ea idain e nadopaísedepa ido e le iaaes a égiadedenuncia o
log odachamada“p ima e ama celis a”que em e moseconómicosque polí icos,
e elando exemplos dos p oblemas inancei os nacionais, do endu ecimen o da
censu asob eaImp ensaea aga ep essi asob eosoposicionis as.Nessaes a égia
é ambémcla ooc escen eempenhoempublica sinaisdacon es açãoin e nanas
Fo ças A madas à gue a nas colónias. Exempla  dessa linha polí ico-edi o ial é a
ediçãonº449 doA an e!, queexibe a odaala gu ada p imei apágina oseguin e
í ulo:“U gepô  imàgue acolonial”.Nabasedapágina,a odaala gu a, êem-se
duas o og a iasdesoldadospo uguesesen ol idosnummassac eaumangolano.
Énes equad oqueocasoda aiçãodeAugus oLindol onãoédenunciado
publicamen edoA an e!,depoisde e sidono iciadocomdes aquena1ªpáginada
ediçãodeJulhode1971,asuap isãonosseguin es e mos,ci andoumacomunicado
dacomissãoexecu i odoComi éCen al:
“A PIDE-DGS p endeu em ins de Maio o des acado mili an e comunis a
Augus oLindol o.Libe adoem1968,depoisdemaisdeseisanosdedu o
ca i ei o nas cadeias ascis as, Augus o Lindol o, endo embo a a saúde
bas an e debili ada, e omou o seu pos o de comba e nas ilei as do
pa idodaclasseope á iaenoseuquad oclandes ino.Augus oLindol o
es áse  o u ado.APIDE-DGSes áadesca ega sob eeleoseuódioao
pa ido Comunis a, à classe ope á ia, ao po o po uguês. Ódio ac escido
pelos ecen esemagní icossucessosdalu apopula .OPa idoComunis a
em o es azões pa a ecea  pela ida de Augus o Lindol o. O Pa ido
Comunis a Po uguês chama a classe ope á ia a agi  p on amen e em
de esada idadeAugus oLindol oeapelapa aasolida iedadeac i ade
odososdemoc a asean i ascis as”.
Nonúme oseguin e,aindaLindol oe aumhe ói.

60

“Sal emosAugus oLindol o!Ocama adaAugus oLindol ocon inuaase 
o u ado nos an os da PIDE-DGS. Sua mulhe  oi ambém p esa, nos
p incípiosdeJunho,comuma ilhinha,dece cadedoisanos,queàda ada
nossaúl imain o maçãope manecianacadeiadeCaxiasjun amen ecom
amãe.U ge edob a aacçãoemde esadocama adaAugus oLindol oe
dasuamulhe e ilha”.
A segui , o seu nome desapa eceu das edições do ó gão cen al do PCP. A
campanha, nacional e in e nacional, pela denúncia dos mé odos da polícia e pela
amnis iadosp esospolí icos,apa dacon es açãoàgue acolonialedoapoioaos
mo imen osdelibe açãodascolónias,passou,comojá e e imos,aocupa apa ede
leãodasediçõesdosúl imosanosdoA an e!clandes ino.

3.4“Cuidadocomeles”
A denúncia pública de quem é suspei o de se e  po ado mal nos
in e oga ó iospoliciaisoude e passadoase in o mado dapolíciapolí icasu ge
publicadanoA an e!em omdea iso.É eco en eaexis ênciade í ulosgené icos
como“Cuidadocomeles”pa adenuncia quemse azpassa peloquenãoé.
EmAgos ode1948épublicadaumadenúnciaqueilus abemanecessidade
deexpo umcompo amen omo almen econdená eldeuman igomili an e.
“An ónio Bap is a, ex-p isionei o do Ta a al, não gos ando mui o de
abalha , a o ando-se de má i , dizendo-se comunis a, a ex o qui 
dinhei oaosdemoc a aspo  á ias e asdopaís,p incipalmen eLisboa,
Po oeBa ei o”.
Oexemploseguin e,da adeJulhode1949e,embo ao ipodelinguagemseja
idên ico e o í ulo con inue a se  “Cuidado com eles”, con igu a uma si uação mais
g a equese e eloudanosapa aaes u u aclandes inadopa ido:
“Os democ a as po ugueses não de em esquece  o nome do
adminis ado deÁgueda,JoséSoa esFeio,queassal ouacasadonosso
cama adaMili ãoeaíp endeuLuísaRod iguesedenunciouàPIDEacasa

61

doLuso,oquemo i ouap isãodosnossoscama adasCunhal,Mili ãoe
So iaFe ei a”.
Noanoseguin e,emJulhode1950,é e eladaaindaou o ipodesi uação,
en ol endodes a ezumagen ein il ado,maso í ulo ol ase “Cuidadocomele”:
“Há alguns anos eio de Lou enço Ma ques pa a o Con inen e o agen e
p o ocado Ca losAlbe oPais,queseha iain oduzidonoMUDJu enil
onde p o ocou a p isão de dezenas de democ a as. Como es e indi iduo
en apassa -sepo boapessoadizendoque oiexpulsodacolóniapelasua
ac i idadean i- ascis aeassimiludi osdemoc a as(...).”
Os a isos/denúncia su gem com uma ambi alência que pe mi e e ela  ao
conjun o dos lei o es do A an e! os di e sos ipos e mau compo amen o dos
mili an es e, simul aneamen e, ale a  pa a o pe igo que de e minados indi íduos
ep esen ampa aamanu ençãodoapa elhopa idá io.EmOu ub ode1950,podem
le -se dois ex os elucida i os des a di e sidade de objec i os. Um emana de um
“escla ecimen o”dosec e a iadodoComi éCen aldopa idoees á edigidosnos
seguin es e mos:
“Tendo chegado ao conhecimen o da Di ecção do Pa ido que algumas
pessoasaindaolha amossenho esMiguelRussel,Sebas iãoViola,Sil ino
Lei ão e Edmundo Ped o como memb os do Pa ido Comunis a, em
escla ece quenada êmdecomumcomopa idodoP ole a iado.”
O ou o ex o da mesma edição, in i ulado “Desmasca emos um aido ”, é
maispo meno izadoecons i uiumbomexemplodacon luênciadeobje i osquese
p e endea ingi -explica qual oioc imeesuaconsequênciaemos a ajus ezado
cas igoaplicado:
“OPa idoComunis aPo uguêsexpulsoudassuas ilei asJoaquimdaSil a
Coucei o, ex-ope á io id ei o, e ainda hoje p esiden e do Sindica o dos
Vid ei osdaMa inhaG ande,pelas seguin es azões: Em p imei o luga ,
endosidop eso,JoaquimdaSil aCoucei odenunciouàpolíciaou osan i-
ascis as,en eosquaisAn ónioLopesdeAlmeida,assassinadopelaPIDE
em1949.Emsegundoluga ,Coucei osaiuemlibe dadede ido:a) e sido

62

napolíciaumdenuncian e;b)àin e e ênciado ascis aCas oFe nandes,
à da a subsec e á io das Co po ações; e c)depois de e  assumido
comp omissoscomaPIDE.Es eindi íduoque aiuoPa idoeaclassea
quepe enceuequenelecon iounãome ece,po an o,acon iançados
abalhado esedospo ugueseshon ados.Umadas a e as undamen ais
dos abalhado es id ei osdaMa inhaG andeéexpulsa JoaquimdaSil a
Coucei odadi ecçãodoseusindica o,comode emse expulsosdoseioda
classeope á ia, odosos aido eseagen esdoinimigo”.
Ocuidadoe a ambémnecessá iocomosexemplosque inhamde o a,a éde
Hollywood.Cu iosaéano íciade ec adanaediçãodeAgos ode1948sob eoac o 
no e-ame icanoGa yCoope ,cujonomepassa ácons a do“índex”doA an e!.
“Há empos apa eceu em Po ugal uma ep odução de um discu so
p e ensamen e comunis a des e a is a de cinema. A isamos os nossos
lei o es  que esse p e enso discu so oi ab icado pelos omen ado es de
gue aame icanospa adeso ien a emasmassasec ia emsimpa iaspelo
ascis aac i oqueéGa yCoope .Depondoul imamen epe an eacéleb e
Comissão de Ac i idades An i-Ame icanas, e elou-se um bu o da pio 
espécie, denunciando mise a elmen e como comunis as os seus i ais no
ec an.Maisa isamosquenãose ãopublicadasnoA an e! ub icascomo
nomedesse ascis aebu o.”

3.5“P o ocado ese aido es”
Amiúde no mesmo ex o são denunciados mili an es que aem os
companhei oseou ospessoassob easquaishásuspei asdese emin o mado esou
mesmomemb osdaspolícias.Éumaamálgamap opiciado adeumacon usãoen e
quem ala anap isão,osin o mado esdapolíciaeosagen esdaPIDE.Aoab ange 
sobomesmo í ulocasosdi e en es,es as ub icas egula esnoA an e!colocamao
mesmo ní el a polícia, quem colabo a com ela e os que aqueja am nos
in e oga ó iossem que,no en an o,se enham passadopa ao ou oladoou cuja
aquezanãosigni icouuma aição.

63

A ques ão da di e ença en e ai  e aqueja , à qual já nos e e imos ao
ci a mos José Ped o Soa es,  a a essa odo o deba e em o no do mau
compo amen onap isão.Numdepoimen op es adonaqualidadedean igop eso
polí ico,ohis o iado Fe nandoRosases abelececla amen eadis inçãoen equem
aiuequem aquejou.“Hon apa aosque esis i ameg ande espei opa aosque
não esis i am.Sãopessoasque,apesa de udo,nãodesis i amdassuascon icções,
nãodesis i amdassuasescolhasea isca am.Equeme ecemonosso espei o.Sónão
me ece espei oquemsebandeoupa aoladodelá,quem aiu,no e dadei osen ido
do e mo,quemsebandeoupa aoinimigo,sedispôs olun a iamen eapassa pa ao
ou oladopa a ai asuagen e.Essesnãome ecem espei onenhum.Aquelesque
lu a am e não se aguen a am, que lu a am e não consegui am, me ecem odo o
espei o”73.
Essa di e ença exis ia ao ní el in e no, mas publicamen e, nas páginas do
A an e!,comojásublinhámos,elanãoe acla aeé econhecidohojequehou ecasos
de injus iça na denúncia pública. Domingos Ab an es assume: “Hou e casos de
injus iça,masonúme odebu ose aeno me.Chega aain o maçãodede e minada
áb ica em que o po ei o e a bu o, e a dado como ce o e em mui os casos e am
mesmo(...)ope igodepô emcausaao ganizaçãodopa idoe aeno me.Po isso,
aliamaisagen eassumi queé[bu o]doquepensa quenãoé,po queasegu ança
e a udo(...)Acimade udoes a aasegu ança.Ép e e í elcome e umainjus içado
que se pô  a segu ança em pe igo. É e dade que se pode a isca  pô  em causa a
hones idadeeobomnomedeumapessoa,mas,nou oscasos,pode-sepô em iscoa
p óp ia ida,ao ganização, udo”.
AdenúncianoA an e!ca ac e iza-sepo umalinguagempa icula men edu a
queMa ga idaTenga inhajus i ica:”Algunscama adas o ammise á eiseo ac ode
sedenuncia quee a aido e aimpo an eecon inuoaacha isso.Numa idacomoa
quenós ínhamos,naclandes inidade,e a i alqueas aições ossempublicamen e
denunciadas”. A mili an e comunis a econhece que hou e casos em que a polícia
polí icaeng andeciaasuaa uaçãop opagandeando e conseguido e ga p isionei os

73A anhaandAdema ,p.120.


64

nosin e oga ó ios,masassume:“Maisdoqueap opagandadaPIDE,os ac oséque
demons a amas aições. Po que seum aido  conhece de e minadas célulasese
essascélulascaemnamãodaPIDE,nãoéaPIDEquees áadis a ça , oio aido que
denunciou. O aido  é descobe o pela sua p óp ia aição.(...) E se não o 
denunciado, o aido  pode con inua  a aze  um péssimo abalho jun o dos
cama adasquenãosabemqueeleum aido .Quandoo aido passaase conhecido,
háumco e,aPIDEdeixadeanda a ásdeleediminuio iscodeou oscama adas
se emp esos.(...)quemassumiu,po seuhon a,a esponsabilidadedenão ai ,essa
pessoade eso e como aido oquejásabiaquei iaso e po isso”.
Umexemplodeexposiçãopúblicadeelemen osdapolíciapolí icain il ados
podele -senap imei a quinzenade Dezemb ode 1942,num ex oquead e e os
lei o espa aos“PoliciaseP o ocado es”:
“Pa icipamos a odos os an i- ascis as e especialmen e aos das
Cons uções Na ais de que Ca los Pai a Mendes, se alhei o ci il, que
abalha nessa emp esa, é uma agen e policial e de dis ingue
pa icula men e na denuncia de ope á ios, quando dos úl imos
acon ecimen os. P e inem-se igualmen e os ope á ios da Fáb ica de
Cimen os Tejo que, segundo nos in o mam, o engenhei o Sousa Lobo é
polícia da P.V.D.E. O nº da sua icha é o 81. Em Co uche, exis e um
indi íduo, negocian e de co iça conhecido po  s . Sil a, que é de Lamas
(Fei a)e azmui as iagensaLisboa.Esse‘ca alhei o’es áaose içoda
políciadein o mações”.
Deou o ipode ex o,comomesmop opósi odedenuncia agen espoliciais
ou in o mado es, é exemplo o publicado na segunda quinzena de Julho de 1942,
in i ulado,“A iso”:
“P e enimos odos os an i- ascis as que o au omó el da ma ca Willis,
p e o, com iso e melho, que em a ma ícula LB-10-12, ipulado pelo
mo o is aCasimi oRoqueeque azp açaemS.Sebas iãodaPed ei a,é
suspei o,poisomo o is aéumpolíciaeandaa mado”.
Sãousadosalgunselemen osiden i icado esacessó iosdapessoaadenuncia ,

65

bemcomohábi osoup oximidadesdeamizadee amilia es.Éoquesepodele na1ª
quinzenadeJulho,naqualháum ex odedenúnciadedois“esbi osdo ascismo”e
depessoasquelhessãop óximas:
“F ancisco Rebelo Mesqui a, di ec o  do ‘No ícias de Famalicão” e sócio-
ge en e da Tipog a ia Aliança, ambém de Famalicão, é da polícia de
In o mações.Suamulhe ,queé ele onis a,namesma ila, azse içode
denúncias. João A naldo Rod igues da Fonseca Maia, que i e no Po o,
desen ol e uma imensa ac i idade policial. Es á pa a casa  com uma
apa igachamadaHelenaGonçal es,quehápoucoe aaindaemp egada
dacasaBial,comquem ambéménecessá io e p udência.”
Namesmaedição,um ex oin i ulado“T aido esàclasseope á ia”,é e elada
aa i udedeuman igoana quis a:
Quando das g e es ope á ias de ou ub o-no emb o (...) o an igo
ana quis a Domingos Miguel, ap o ei ando a in luência que exe cia em
Almada,sabo ouomo imen odasua áb ica,aconselhandopo ins igação
dopa ona o,osseuscompanhei osde áb icaa e oma emo abalho.(...)
Ao e e i moses e ac onãoo azemospa a e i osana quis assince os,
que lu am com as massas como dignos ilhos da classe ope á ia.
Desmasca amos es e aido  es e aido  à classe ope á ia como emos
semp edesmasca adoos aido esquepe encemaonossopa ido.(...)”.
Maisdois“p o ocado es”são e eladospublicamen enaediçãoseguin e:
“Manuel Ta a es, de 18 anos, baixo, de cabelo lou o, enca acolado, é
políciadein o maçõese az odososdiasope cu soPinhei odaBempos a-
Po o.Al edoDiasdeCa alho,che edab igadadebalancei os,Alhand a,
en egoudoisope á iosàpolícia”.
Adesc ição ísicadossuspei osdese emagen esouin o mado esdaspolícias
é eco en e nos a isos publicados no A an e!. Numa no ícia inse a no nº42, da
segunda quinzena de Ou ub o de 1943, são enume ados os “sinais” de alguns dos
“políciasep o ocado es”.
Umou oa isocu iosoéoquese pode le  na 1ª quinzena e No emb o de

66

1943:
“JoséGonçal esdaLeono ,queem empos oimili an eope á io,dedica-se
a aze  iagenspelap o íncia,di igindo-seaan i- ascis as,bu lando-osem
quan iamaisoumenosele adas,oqueconsegueumas ezesdizendo-se
pe seguido polí ico, ou as ezes pedindo dinhei o pa a ins
e olucioná ios, ou as ezes, ainda, a i mando se  memb o do P.C., e c.
e c.”
Nap imei aquinzenadeJulhode1944, emosmaisumexemplodopo meno 
aquechegaàdisc ição ísicadeumindi íduoedasua es imen a,chamadoGab iel
Gonçal es,acusadodese agen edaP.V.D.E.:
(...)“Ébaixo,mag o,apa en ando20a25anos.Pelob anca,cabelolou o
mui o cla o, cola inhos engomados, com a o cinzen o às iscas algumas
ezes, ou as ezes de a o p e o, semp e bem es ido. Fala mui o bem
inglês. Faz se iço p incipalmen e en e Espinho e Po o, e no Po o,
sob e udo no Ca é Impe ial e na zona comp eendida en e a P aça da
Libe dade e a do Ma quês de Pombal. Mo a na Pensão Minho, ua
Fe nandesTomaz.”
O mesmo ipo de linguagem é usado pa a expo  publicamen e os que
aqueja amnap isão.Eessadenúncia an o aliapa aquem inha esponsabilidades
no apa elho clandes ino e, po  consequência, as suas e elações à polícia polí ica
ep esen a am ealmen e um pe igo pa a a segu ança do pa ido e dos mili an es,
comopa aquemselimi aacon i ma nomesqueapolíciaa i a apa ain e oga ó io
enadasabiasob eoní elsupe io dao ganização.
Nonúme oseguin e,deOu ub ode1952,é e elado aano íciadoA an e!,
in i ulada “Ale a con a os aido es e p o ocado es” na qual, em e mos quase
idên icossedenuncia aido esedissiden es.
“Joaquim Ven u a, de Monchique e o d . An ónio de Sousa, ambos
esiden es ac ualmen e em Lisboa, são dois aido es da pio  espécie.
JoaquimVen u a,quedese oudalu aepassoua e uma idasuspei a,
acili ou a sua p isão pela PIDE e en ou abe amen e no caminho da

67

aição.Pos o apidamen eemlibe dadepelaPIDE,passouase i-lacomo
agen e p o ocado . An ónio de Sousa, que mui a gen e julga se  um
in elec ual p og essi o, é um eles bu lão que se apode ou de bas an e
dinhei o que se des ina a à lu a democ á ica. (...) Gab iel Ped o, Ca los
Ca alhoeAialasão êscaluniado esein iguis asdapio espécie.Aialae
Gab iel Ped o acobe a am e de ende am a é ao im o mise á el Má io
Mesqui aeen a amnocaminhodain igaecalúniacon aaDi ecçãodo
Pa idoeo saudoso sec e á io-ge al Ben o Gonçal es, não obs an e es e
e sidoassassinadohájá10anos.Ca losCa alhopa aacobe a asua
coba dia an e o agudiza  da lu a, escolheu o caminho da in iga e da
calúniaàDi ecçãodoPa idoedeou oscama adas.
Toda es a gen e acobe ada po  uma pseudo disco dância com a
o ien ação do Pa ido, azem um abalho de desag egação e de
p o ocação,usandopa a aldaa ma o pedain igaedacalúnia.Es a
acção p o ocado a p ejudica undamen almen e a unidade dos
democ a as,pa io aseamigosdapaznasualu apelaDemoc acia,pela
IndependênciaNacionalepelaPaz.Todososmemb osdoPa idode em
esco aça  es es p o ocado es do seu con í io e desmasca á-los
implaca elmen e.Aconselhamososdemoc a assemPa idoasegui es a
mesmao ien ação.
Osquesen i em eceiode oma umaposição i mede em epa a queé
jus amen enocon ac ocomespiõesep o ocado esqueseenxo alhame
sea iscamaope igodese e emen ol idosemp o ocaçõesp epa adas
po eles.
Esco aça  do nosso con í io e desmasca a  sem acilações os aido es,
p o ocado eseespiões,es eéocaminhojus oasegui .”

3.6“Mise á eis”
Já sublinhámos que o subs an i o “mise á el” é uma das designações mais
usadas pelo A an e! pa a se e e i  a aido es, que nalguns casos são ambém

74

impac eae asãonosmeiosoposicionis as,bemcomooalcancedoA an e!alémdos
mili an es:
“Ao alcança mos a libe dade e ao e oma mos o pos o de comba e,
suadamosan esdomaisonossoPa idoeoPo oPo uguês,a i mandoa
nossade e minaçãodeosse i comoa éhojenalu apelains au açãoem
Po ugal de um egime de libe dade e legalidade. Saudamos odos os
po ugueses hon ados, qualque  que seja a sua ideológica e c ença
eligiosa; saudamos odas as o ças e co en es an i-salaza is as,
salien ando a impo ância e a u gência da Unidade como condição
undamen al pa a a solução do p oblema polí ico po uguês. (...)Mui os
dedicados ilhos do po o po uguês con inuam nas p isões ascis as,
so endo o u as e longos anos de p isão. A acção dos pa io as
po ugueses apoiada pelos abalhado es e democ a as do mundo
consegui álibe á-los ambém.”
Como já izemos e e ência nes e abalho, é possí el pe cepciona  que em
de e minadosmomen ospolí icos,oA an e! e áumamaio no o iedade,a épo que
aimp ensalegales a asujei aao egimedecensu ap é ia.Tan oojulgamen ode
Cunhal,comoa ugadePenichesãodoisdoscasospa adigmá icosdessesmomen os
suscep í eisdeala ga aaudiênciadojo nal.
Enquan o es e e p eso, Cunhal nunca deixou de es a  p esen e no ó gão
cen aldoPCP,o acomno íciassob easmedidasdeexceçãoaquees a asujei o,
como na edição de Se emb o de 1953, na qual su ge uma o og a ia (a única) a
acompanha o ex ona1ªpágina,o aemcampanhaspe manen esaexigi emasua
libe ação. O julgamen o de Ál a o Cunhal no ibunal plená io da Boa Ho a, em
Lisboa, que deco eu en e 2 e 9 de Maio de 1950, oi no ícia em duas edições
consecu i as,emJunhoeJulho.Nop imei onúme o,o148,é ealçadona1ªpáginao
a ohe oicodeCunhal:
“Depoisde15mesesdep isão,p a icamen eincomunicá el,semquaisque 
meiospa ap epa a asuade esa,Ál a oCunhal,di igen eque idodoPCP,
le ado ilegalmen e ao ibunal, ez des e uma ibuna, onde expôs e
de endeu publicamen e com igo  a linha polí ica e os objec i os do seu


75

pa ido. Ao azê-lo, ele sabia que, p a além do ibunal, o escu a am
a en amen e odos os mili an es do PCP, a classe ope á ia, odos os
abalhado es, odoopo olabo iosoeop imidodePo ugal.(...)Esc e ei
po  oda a pa e, nos mu os, nas es adas, nos comboios, em odos os
luga espúblicosLIBERDADEPARAÁLVAROCUNHAL”.
Naediçãoseguin e,épublicadog andepa edo ex odade esaeCunhal ol a
ase oassun op incipala odaala gu ada1ªpágina:
“En en ando i me, co ajosa e se enamen e ibunal ascis a onde o seu
‘julgamen o’ia e luga ,Ál a oCunhal,di igen eque idodoPCP,e gueu
ali a ibuna onde o acusado passou a acusado  (...) E Ál a o Cunhal
e mina:’...quesesen emos ascis asnobancodos éus,quesesen emo
bancodos éusosac uaisgo e nan esdaNaçãoeoseuche eSalaza ’.”
E, al como é p á ica habi ual pa a os his ó icos di igen es comunis as
in e nacionais,sãoassinaladosnoA an e!osani e sá iosdeCunhal.EmNo emb ode
1953 pode le -se na 1ª página: “Saudemos o 40º ani e sá io de Ál a o Cunhal
in ensi icandoalu apelade esadasua idaepelasualibe ação.(...)Sal emosa ida
p eciosadeÁl a oCunhal.” Ano ícia écomple ada comapublicaçãonaín eg ada
saudaçãoen iadaaCunhalpo JacquesDuclos,emnomedocomi écen aldoPa ido
Comunis a F ancês, na época, o sec e á io-ge al in e ino, de ido a ausência po 
doençadeMau iceTho ez.
É sabida a p eocupação pos e io  de Cunhal em comba e  o cul o da
pe sonalidade,maséno ó ioqueapa i dosanos40oseunomepassaase uma
e e ênciapa aosmili an escomunis ase,g adualmen e,ala gaasuain luênciano
quad oin e nacional.Comoohis o iado JoséNe esesc e eu,“àmedidaqueassumiu
papeldedes aque noseio doPCP,Cunhal oiobjec o dea enção ecuidadosemp e
especiais. En e os mili an es anónimos, hou e quem lhe dedicasse e sos de
homenagemequemaosdescenden esdesseoseup imei onome.”79Oau o acen ua
ambémcomo oio egimedeSalaza /Cae anoqueoman e ep esodu an equinze
anos,acon ibui pa a o na a igu adoan igosec e á io-ge aldoPCPumexemplo,

79Ne es(coo d.),p.11.

76

“ao oma em-no como enca nação do Mal, igualmen e o in es i am de um eno me
pode  simbólico, que ou os acaba am po  econduzi  à igu a de Cunhal enquan o
singula exemplo,senãosimplesmen edoBem,deumanoçãodeÉ icaoudeMo al
semp eesc i acommaiúscula.”80
Nodiscu sodosmili an es, e ela-seuma en a i adecon a ia a endência
pa a he oiciza  a igu a de Cunhal, ao a epio do que se e i icou no A an e!
clandes ino,queocolocounopedes aldoshe óis.Exempla esdessa endênciasãoas
pala as de José Ped o Soa es, que, admi indo e  sido pessoalmen e com o seu
pe cu sopolí icodecompo amen onap isão,“umexemplopa amui os”,dizquede
Ál a oCunhal“sósabiaquee auma is aeesc e iamui obem”.Osseushe óise am
DiasLou enço,José Mag o,Oc á ioPa o,Se e ianoFalcão, mili an esexempla ese
maisp óximosdasuaexpe iênciapessoal.
Jápa aMa ga idaTenga inha,queem1962,emMosco o, oiumaespéciede
sec e á iadeCunhal,quandoes ees a a ap epa a o ex op og amá ico“Rumoà
Vi ó ia”,  “a exal ação de alguns he óis é comp eensí el po que eles se em-nos de
exemploe azempa edaeducaçãodosmaisno os.Usa mosoexemploda idadessa
gen epa ade ini mosonossop óp iocaminho.”
NoA an e!,Cunhal,de ac o,nãoes ásozinho.Apa das igu asincon es adas
dopa ido,comoBen oGonçal es,cujoani e sá iodasuamo eésemp eassinalado,
deJoséG egó io,deMili ãoRibei ooueF anciscoMiguel,sópa aci a algunsdos
maisp esen es,aspáginasdojo nales ão echeadasdehis ó iasexempla es.
EmJanei ode1963,“Umexemplo”éno emininoe emdoCouço.Depoisde
ela a  com  po meno es as o u as a que oi sujei a e indicando os nomes dos
agen esdapolíciapolí icaqueain e oga am,o ex osob eMa iaCus ódiaChiban e,
doCouço e minaassim:“(...)es e ep esacincomesesemeiosem isi asda amília,
semli osnemjo nais.Foi ecebidana e apo 400pessoasqueale a amacasa.(...)
Ela inhaaleg eecon ian edasuahon adeze i meza”.

80Ne es(coo d.),p.12.

77

Osexemplossão ambém ealçadospeladimensãodasua epe cussãoen eos
mili an es.EmAb ilde1969,oA an e!publicaumaca adi igidaaCanaisRocha,que
seencon a ap eso,assinadapo mili an espo uguesesebelgas,exp essandoapoio
eadmi açãoaosindicalis acomunis a.Es e ex oésingula po que e a aaa enção
dadaao posicionamen odos mili an es po uguesesna emig ação, uma ez queno
inaldadécadade60osemig an es ep esen amumal ob econside á eldeoposição
àdi adu a.No inalda ep oduçãodocon eúdodaca a,lê-se:
“Es aca a es emunhaoamploecodacondu a i medoscomunis asan e
o inimigo. Embo a p esos e o u ados, os nossos he oicos cama adas
con inuam,comoseuexemplo,ada con ibuiçãoe ec i aàlu adopo o
po uguês”.
CanaisRocha, alecidoem2014,ma cenei oque i iamais a dease mes e
emHis ó ia Con empo ânea, oi ele adoàca ego ia de he ói, mas acaba iapo  e 
umaquedaab up adessepedes al.Logoasegui àRe oluçãode1974,osindicalis a
comunis a oi elei o,a27deAb il,emplená io desindica os, op imei o sec e á io
ge aldaCGTP-IN.Pouco empodepois,emAgos odessemesmoano, oisubs i uídoe
expulsodoPCP,po  e  aquejadoquandoes e ep esopelasegunda ezem1968.A
es u u adi e i adopa idosó e á idoconhecimen oda aquezadeCanaisRocha
pe an eapolícia,depoisdo25deAb il.Foiesse ac o,aliás,queag a ouasanção,
po que os mili an es que e am p esos inham ob iga o iamen e que ela a  as
condiçõesdap isãoecon eúdodosin e oga ó ios.ComoDomingosAb an escon a,
“ap imei acoisaquese aziaquandosechega aàcadeia,depoisdosin e oga ó ios,
e a ela a comoéque omosp eso,comonospo ámos,oqueapoliciasabiaenão
sabia,se inhaha ido o u a,que o u a”.Em elaçãoaocasopa icula deCanais
Rocha,JoséPed oSoa esconside aqueoan igoope á ioesindicalis asó e ásido
expulsodopa ido“po queomi iu e  aquejadope an eapolícia,nãopo causada
aição.”
A exal ação dos he óis é ambém ei a a a és de ex os não a ibuídos
especi icamen eaumde e minadomili an ep eso.Tempa alelismocomasimbologia
do “soldado desconhecido”, o que se pode le  em Se emb o de 1959, sob o í ulo

78

“Mensagem de um He ói”, como se a asse de um ex o iccionado des inado a
ansmi i exemplosasegui po quem(ainda)não oip eso:
“Den e as cen enas de pa io as caídos nas ga as do inimigos, su gem
exemplos de luminoso he oísmo, eno mes na sua simplicidade, que são
espelhodalu apa ió icadonossopo ocon asosop esso essalaza is as.
Publicamos a segui  o agmen o duma mensagem dum desses simples
he óisquesoube amdigni ica asag adacausadopo o:‘Fuip esoelogo
no2ºdia uichamadoàPIDEepuse am-me6diase6noi esseguidasde
es á ua e sem me deixa em do mi , depois manda am-se pa a um cela
ondemedeixa am10dias.Saidaes á ua odoinchadodosjoelhosa éaos
pésemaisalgumacoisa.Depoisde10diasdecela uino amen epa aa
es á ua onde es i e mais 3 dias e 3 noi es. Que em que econheça
o og a ias. Man enho-me i me e man e -me-ei semp e i me. Se algum
doscama adasdao ganização o p eso,asal açãose ánãodize nada,
nega  udo,nãosedeixemle a .Elesdizemquesabemedãodadosce os
comop o asenãonosdeixamdo mi dediaedenoi e;chegamosa e 
bichos,ochãoaanda pa acimaepa abaixo,acabeçaocaegelada,mas
é uma g ande aleg ia passa  udo is o e olha  pa a o u u o sem co a .
Neguem udomesmocomp o as”.
Ain o maçãoqueoscomunis asp esospassa ampa aoex e io ,alémdese 
ma e ial de p o a da condu a assumida pe an e a polí ica e du an e o empo de
p isão,cons i uíaumelemen o ele an epa aopa idocons ui odiscu sopolí ico
deoposiçãoàdi adu a.EoA an e!clandes ino,cuja edededis ibuiçãoex a asaa
dos mili an es, é o canal de di ulgação mais e icaz, num quad o de censu a p é ia
sob e os ó gãos de in o mação. O jo nal o na-se essencial pa a man e  os p esos
comunis as in o mados sob e a ida in e na do pa ido, do país e do mundo e,
simul aneamen e, ansmi i  pa a o ex e io  in o mações sob e os maus a os
in ligidospelapolíciapolí ica.Opequenoepoucoespessojo nale ain oduzidonas
cadeiase, alcomocá o a,ci cula ademãoemmão.

79

Pa aqueain o maçãoci culassededen opa a o aede o apa aden odas
cadeias,há ela osde o masmui oimagina i asusadaspelosp esosepo quemos
isi a a.
No o e de Peniche, po  exemplo, Ca los B i o con a que “no supo e de
madei adeumchu ei o,mãoshabilidosas,pacien esepe sis en es inhamesca ado
uma boni a caixinha, com ampa e udo, onde cabia um A an e! Clandes ino, bem
dob adinho”81.
Semque e po meno iza osp ocedimen osseguidosnoin e io dascadeiase
não acei ando escla ece  como chega a o A an e! às mãos do p esos, po que “po 
p incipionãode emosdi ulga po quepode i ase p ecisono amen e”,Domingos
Ab an esadmi eque“os‘a an es’(eosin o mes,comoo‘RumoàVi ó ia’)en a am
semp e e às ezes, como cos umo dize , à onelada, passa am pelas mãos dos
ca ce ei os, escondidos em coisas que eles le a am pa a o a sem sabe em o que
es a ama aze ”.OA an e!en a anascadeiascom egula idadeesaíaain o mação
sob e o que se passa a lá den o. P ecisá amos de odas essa in o mação e a
impo an epa anosman e emosapa doquesepassa anopaisenomundo”.
Umexemplodesseexpedien ees áexpos onoMuseudoAljube,comolemb a
Ab an es.“É umacamisado JaimeSe a, ondeeleesc e eu in o maçõesque o am
le adaspa a o a.A a ésdas isi ase aimpossí elpo quenãoha iacon ac odi e o,
mas ab ica am-seobje ossópa asepassa in o maçãoeos‘a an es’.E ap ecisos
se mosmui oengenhosospo quese apanhadonacadeiacomp opagandada aum
p ocessodea i idadessub e si asnacadeia”.
DomingosAb an esnãoesqueceacon a umepisódiodope igoqueco euna
cadeiadePenichepo causadoA an e!:“Umdiaapanheiumsus o.Es a ano ec eio
e inhaummolho,um olo,de‘a an es’nobolso,quee apa adeixa emde e minado
sí iopa ase emle adospa aou opa ilhão.Ade e minadaal u a,ogua dachamou-
mepa amele a aodi e o enãomedissequee apa auma isi a.Quandoíamosà
isi a,embo anão ossepossí elocon ac o ísico,osgua das inhamohábi odenos
e is a em.Sónocaminhopa aogabine edodi e o équeogua damedissequeia

81Ca losB i o,CadeiaDoFo edePeniche,ComoFoiVi ida(Ale heiaEdi o es,2016)p.84.


80

e uma isi adecincominu oscomaConceição[Ma os,comquem i iaacasa -sena
p isão], que eu já não ia há anos. Eu não inha sido e is ado à ida, mas se ia
ce amen eàsaídae iquei ão p eocupadoqueainda hojenemme lemb odoque
dissemosumaoou ona isi a.Fuielabo andoumaes a égiaepo so e,ogua da
quemele a ae aum ipogo docomumco podescomunal,que inhadi iculdadeem
anda , e eu e a jo em. Logo que acabou a isi a, a anquei a es ica  o passo  em
di eçãoaopa ilhãoeogua dasódizia,‘s .Ab an esmaisde aga !.´Ti easo edea
po aes a abe aeeua i eio olopa aumpa ilhãoquees a adesa i ado.Depois,
oip ecisoa anja umes a agemapa a ecupe a os‘a an es’.En ãonós,quenão
abalhá amos na cadeia, omo-nos o e ece  aos ca ce ei os pa a limpa  aquele
pa ilhão com o a gumen o de que es a a mui o sujo e que chei a a mal. Eles nem
que iam ac edi a  na o e a e acei a am. Lá omos nós, uma ez sem exemplo,
munidosde assou as,baldesees egonas, ecupe a os‘a an es’.
Todoesse luxodein o maçãode o apa aden oededen opa a o ados
es abelecimen osp isionaise ao ganizadoa a ésdoapa elhodopa idonoex e io 
eao ganizaçãoin e nadoscomunis asnacadeia.Como ela aAb an es,“ha iaum
apa elho da di eção do pa ido, sec e o, com pessoas de al a con iança que aziam
chega  o ma e ial e izemos sai  in o mação, po  exemplo, de angolanos, que não
inhamo ganizaçãoex e io pa aosapoia .Po exemplo, izemossai in o maçãopa a
oVa icanosob eoJoaquimPin odeAnd ade”.
Comunis as que nunca es i e am p esos ambém i e am conhecimen o do
á egodein o maçãoen eoin e io eoex e io dascadeias.ÉocasodeMa ga ida
Tenga inha, cuja p imei a a e a como mili an e do pa ido, em 1952,  oi a de
in eg a  uma comissão de apoio aos p esos polí icos, di igida po  Ma ia Machado.
“ÍamosaCaxias, alá amoscomas amíliasàpo adasp isõespa asabe doscas igos
edos p oblemas que pediam pa a se  esol idos. Também passá amosin o mações
clandes inamen e. Po  exemplo, como eu e a do Alga e, lemb ei-me de usa  uma
caixadesapa oscomes elasde igo,comum undo also,ondeseme iaoA an e!.As
in o mações saíam, po  exemplo, nas oupas en iadas pa a la a , a a és das
amílias”.

81

Também José Ped o Soa es eco da como ez chega  ao ex e io  da p isão
in o mações que i iam a chega  à Amnis ia In e nacional, po  exemplo: “Consegui
passa aoMDM(Mo imen oDemoc á icodasMulhe es)umain o maçãoesc i aem
mo alhasdeciga osquepasseidu an euma isi a”.
Sócomaexis ênciadesse luxono iciosopendula en eoin e io eoex e io 
das cadeias é que se jus i ica publicação no A an e! de mensagem di igidas
di e amen eaosp esospolí icos.Exp essãomáximadessacomunicaçãode o apa a
den o das cadeias es á publicada em Ma ço de 1961, uma edição in eg almen e
dedicadaao40ºani e sá iodoPCP.Naúl imapáginadojo nallê-se:
“Saudaçãoaospesospolí icos”(...)soube ame gue bemal oabandei a
do pa ido (...)Em especial pa a ocês, que idos cama adas que os
en egas eiscomple amen eà iaeàac i idadedopa idoesob equemo
inimigodesca egaoseuódiomais e oz”.
Depois de enume a  mais de duas dezenas de nomes de p esos e de omi i 
ou as iden i icações “po  mo i os da sua p óp ia de esa”, e mina com uma
p omessa: “Vós sois, cama adas, o o gulho do nosso Pa ido, que não esquece á o
ossobeloexemplodededicaçãoe i meza.OPa idonãopoupa áes o çospa a os
a anca dasga asdoinimigo”.
Anãopublicaçãodenomesdealgunsdoscomunis asp esos em,de ac o,a
e comques õesdesegu ançapa aode idoepa aopa ido.E ap á icadoA an e!
nãopublica nomesdede idosqueaindaes i essemsujei osain e oga ó ios.A eg a
é con i mada po  José Ped o Soa es: “An es de se mos julgados não e am
publicamen eiden i icadoscomomili an esdopa idoee abem ei opo quemui os
denósnegá amosqueé amosdopa idoealgunsnão e elá amosonossonomeà
polícia.Noquedizíamos,oumelho noquenãodizíamos,p ocu á amos e i a  odaa
ca gain o ma i aqueaPIDE inhaeaque que ia”.

4.2“Inclinamosasnossasbandei as”
Nacons elaçãodoshe óis,osmá i es êmumb ilhoespecialnoimaginá io
comunis a,quees ábem i onaspáginasdoA an e!.

82

Vol andoada comoexemploaediçãonº298,ado40ºani e sá iodoPCP,um
dos ex osqueojo nalpublicachamaaa ençãopa aosquemo e amna esis ência
àdi adu anosseguin es e mos:
“Em40 anosdelu a implacá el,mui os comunis as jáde am a sua ida
pelalibe açãodoPo o.Passandoaosmilha espelasp isões,supo ando
os maio es so imen os, dando o melho  do seu es o ço á lu a, os
comunis aspo ugueses êmsidoagua daa ançadadocomba econ ao
ascismo.Aopassa o40ºani e sá iodoPa ido, eco demososnomesdos
cama adascaídosnalu a,o gulhodonossoPa idoedonossoPo o”.
Àcabeçadalis adosmá i eses áBen oGonçal es,mo onoTa a al,ci ado
nou o ex onamesmaedição,comoo“ob ei odoPa ido”,cujo“exemplocon inuaa
con inua á semp e i o no co ação de odos os comunis as po ugueses”. O ex o
e minacoma ase:“Gló iaaosnossomá i esehe óis!”.Cu iosamen e,ausen eda
his ó iadoPCPnoassinala do40ºani e sá ioes áonomedeJoséCa losRa es,o
p imei osec e á io-ge al,que i iaaa as a -sedoideá iocomunis a,ap oximando-se
dabase eó icadoEs adoNo o.
Pouco empodepoisde e sidoassinaladaessae emé ide,uma“mo esaiuà
ua”,comoadesignouJoséA onsoaoceleb á-lanacanção,adoa is aplás icoJosé
Dias Coelho, assassinado na ua dos Lusíadas, em Lisboa, quando i ia na
clandes inidade. Um má i  que o A an e! homenageou num ex o que i ia a se 
edigido po  Ma ga ida Tenga inha, a sua companhei a, ambém a i e  na
clandes inidadeeque e minacomaspala asdop óp ioDiasCoelhoesc i aspa a
homenagea Ma iaHelenaMag o, alecidanaclandes inidade.
“Não e dizemos adeus, cama ada! As uas mãos ce adas ão com as
nossasmãosce adas.A ua oz aicomasnossas ozescan a maisal oa
libe dadedonossoPo oe,sobaabandei aonossoPa ido,os eusolhos
hão-deolha comosnossosolhosoPo ugal elizquenão e i es e.”
O ela odeMa ga idaTenga inhadomomen oemquesoubedamo edo
seu companhei o e ela como as eg as do pa ido na clandes inidade e am
humanamen e ias, numa apa en e con adição com a he oicidade e humanidade

83

exal adasnos ex ospublicadosnoA an e!sob ea idaealu adoscomunis as,nos
quaissesuge eum elacionamen o a e no.
“Só soube que o Zé [Dias Coelho] inha mo ido, já ele es a a en e ado.
Vi íamosnumacasaclandes ina,comaminha ilhamaisno aecomou acama ada.
Ele azia ligações in e nacionais do pa ido na á ea da cul u a  e no dia 19 de
Dezemb o, inhasaídodecasapa auma eunião.Comonão ol ou,nemninguémme
ezchega qualque in o mação,pa idop incípiodeque inhasidop eso.Nodia22
deDezemb o,p epa eiumsacocom oupadelepa aquelhe osseen eguenap isão
e saí de casa pa a o encon o que es a a ma cado com o cama ada que e a
esponsá elpo  aze aligaçãoen emimeosec e a iadodopa idopo causada
edaçãodoA an e!.Oencon oe anuma uanazonadeBelém.Quandoocama ada
apa eceu,jáumpoucoa asadoem elaçãoàho ap e is a,disse-lhequeoZées a a
desapa ecido e que suspei a a que inha sido p eso. Ele espondeu-me com es as
pala as: “Não oi p eso, oi assassinado. Desmon as a casa e sais”. An es de se i 
embo ama couada ada euniãoseguin e.Fiqueialicomosacoda oupanamão.
Andeiàs ol aspelas uas,semsabe bemondees a a,me i-menum áxipa a ol a 
pa a casa, mas não consegui dize  a mo ada pa a onde que ia i . E a a zona do
Res elo,easmo adias inhamiluminaçõesdeNa alesó ialuzinhasapisca .Ainda
hoje,nãosupo oiluminaçõesdeNa al.”
Ocama adaquelhedeuano ícia oiF anciscoMa insRod igues,quee ao
memb odadi eçãodopa ido nacomissão de edação doA an e!ee aelequem
aziaocon ac ocomMa ga idaTenga inha,enquan o eda o adojo nal.Ma ga ida
desc e e-ocomoum“umbomcama ada,masumapessoamui o ígida,mui odu a,
quenão e ela ag andehumanidade”.Dizainda e comp eendidoaa i udedelepo 
“medoepelanecessidadede e algunscuidadospo oZé[DiasCoelho] e sidomo o.
Nem iquei magoada po que aquilo oi ão du o e odos i íamos momen os mui o
di íceis.Hou emui asp isõesnaquelaépoca,emDezemb ode1961.Os i osdapolícia
co esponde am ao es ado de desespe o que oi ansmi ido aos pides po  Salaza .
Mais a de iquei e ol ada.Na euniãoseguin edacomissãode edaçãodoA an e!,
emJanei o,eudisse‘quem azano íciasoueu’,e odaagen eacei ou.O e a oem
linóleo, ei oapa i de o og a ia,quesaiuna1ªpágina,équeeunãoconsegui.

90

compo amen osmo almen edignosdese emseguidospo  odososquedele omem
conhecimen o.
O í ulousado nessespequenos ex os é,em eg a,bemexplíci o doquese
p e ende.Éocasodano íciapublicadanaediçãonº283,deNo emb ode1959,na
qual se ela a a inicia i a de pô  a ci cula  um ex o abaixo-assinado de apoio a
JoaquimJoséDias,p esopelapolíciapolí ica:“Eisumexemploquede ese seguido
pelosamigosecompanhei osde abalhode odososhomenshon adosquejazemnas
p isõesdaPIDE,noAljube,emCaxiasouemPeniche.(...)”
É eco en equeo í ulodoopúsculodeCunhal“Se o esp esocama ada”seja
ansc i o pa a encabeça  ex os sob e exemplos de bom po e na cadeia. É o que
acon ecenaediçãonº368,deJulhode1966:“Se o esp eso... enhamosp esen eo
exemplodosnossoscama adasquesepo a amco ajosamen eenadadecla a amà
policia.”
Os abalhado es “hon ados”, não necessa iamen e mili an es, que são
ans o mados em exemplos, cons i uem, simul aneamen e, o uni e so ao qual se
des inam os ex os de exal ação de compo amen o a segui  em caso de se em
apanhadosnasmalhasdapolícia.Oscons an esa isospa aquehaja“bom-po e”nos
in e oga ó iosenascadeiascon igu am,nãoapenasumaa i udep e en i apa aos
que,es andona esis ênciaàdi adu a,a iscamap isão,mas ambémummanualde
algumasdas eg ascomquese o jamosexemplosmo ais.Vejamosumexemplode
ex o,como í ulo“NaPIDEnãose ala”,publicadoemNo emb ode1966:“NaPIDE
esis e-se co ajosamen e às o u as e suplícios, mas não se denunciam cama adas,
i mãos de lu a. Esse é o exemplo de quan os em Po ugal e no mundo se em os
in e essedaclasseope á ia”.
Olei o /mili an eaquemsedi igees e ex oédesa iado,comoseuexemplo,
a in eg a -se num g upo com ca ac e ís icas especiais, ao ní el mundial, digno de
se i ede ende osin e essesdopo oedos abalhado es.
Oexemplomo alge a ambémumacumplicidadeem o nodosque esis em,
dos que es ão do lado ce o da ba icada polí ica. De um lado es á a polícia e os
ibunais ascis asedoou oes ãoos esis en ese,empa icula ,oscomunis as.Essa


91

dico omia, que é pe manen e no discu so polí ico e nos ex os in o ma i os do
A an e!,es ábemexp essanap imei aquinzenadeFe e ei ode1961,numacoluna
dapág.2,sobum í uloqueenuncia,desdelogo,umadi e i a:“Oscomunis aspe an e
os ibunaisplená ios”.
“(...)Vá ioscomunis as êmsabidode ende co ajosamen eoseuPa ido,
desmasca a  com igo  a polí ica ep essi a e an i-nacional de Salaza  ,
denuncia  o ca ác e  a bi á io dos ibunais plená ios, as o u as e os
maus a osdaPIDE.(...)Mandadocala eexpulsodoT ibunal,Ca losAboim
Inglês g i ou pa a os seus e dugos: ’Não admi o lições de mo al des e
ibunal!Não eceboliçõesdemo aldum ascis a!(...)An eapolíciacomo
an eosjuízes endidosdos ibunais ascis asoscomunis asmos amasua
he oicidadee alen iaemde esadoseuPa idoedacausajus apo que
lu am.”
Uma ezmais,aques ãodoexemplomo ales áp esen enamensagemqueé
ansmi ida a cada um dos lei o es. Essa ansmissão é suscep í el de c ia  um
sen imen odepe ençaaumacomunidade.Éa a ésdalinguagembanal, epe ida
uma e ou a ez, como acen ua Billig, que “es es episódios e ó icos eco dam-nos
con inuamen e que nós somos ‘nós’ e, ao azê-lo, pe mi em-nos esquece  que nos
es ão eco dandoissomesmo”86.Oau o  e e e-seàin e io izaçãodonacionalismo,
masomesmop ocessoanalí icosepodeaplica àiden idademo aldoscomunis as.É
possí elsegui umce oexe cíciode anspo edees u u adonacionalismopa ao
mili an e.    Embo a no objec o des a disse ação os elemen os linguís icos não se
possaminclui nosdeí icosqueBillig e e e,há ambémnoA an e!ap á icaqueo
au o  iden i ica como u ilização o inei a desses ocábulos “que apon a
con inuamen epa aapá ianacionalcomooluga doslei o es”87,se anspuse moso
concei o de pá ia sem on ei as ísicas pa a uma “comunidade imaginada” (de
comunis as), como Benedic  Ande son 88 a concebeu. “Imaginada po que a é os

86MichaelBillig,NacionalismoBanal(Capi ánSwing),p.191.
87Billig,p.29.
88Ande son.

92

memb osdamaispequenanaçãonuncaencon a ãoenuncaou i ão ala damaio ia
dos ou os memb os dessa mesma nação, mas, ainda assim, na men e de cada um
exis e a imagem da sua comunhão.”89 No caso do A an e!, essa iden idade de
comunidadeéc iadaa a ésda ansmissãodeconcei osmo ais,semp eaplicadosa
casos conc e os e exempla es. A mensagem é passada, não apenas po  ex os de
elabo ação eó ica,mas ambéma a ésde ela ospessoais, e elandoeexal ando
uma de e minada condu a exempla  pa a que seja eplicada po  cada um dos que
pe encemouque empe ence àcomunidade.
Ci a-seaindaBilligaoanalisa opensamen odeAnde son,quandoes eau o 
suge e que “o sen imen o nacional é ge ado pelo conhecimen o de que, em oda a
nação,aspessoascump emo i ualdiá iodele omesmope iódico”.90
A analogia pode aplica -se di e amen e ao sen imen o de pe ença ge ado
en e a comunidade de lei o es do A an e! clandes ino. Como já ap o undámos na
p imei a pa e des a disse ação, o jo nal, além de po encia  essa ligação en e os
lei o es,assume-secomopa ein eg an edessa alcomunidadeimaginada.

1.2Ódiopeloinimigo
O sen imen o é aliado à azão quando se a a esponde  ao “inimigo”, a
di adu a de Salaza /Cae ano, pe soni icado na polícia polí ica. Bas a le  um ex o
publicado na 1ª quinzena de Fe e ei o de 1959 pa a se pe cebe  o peso da ca ga
impos apelaspala as.
“(...)Osc imesdeSalaza de emencon a  epulsade odososque êmno
pei oumco açãosensí elehumano.(...)OA an e!denunciaasa ocidades
daPIDEepassa áapublica osnomesdos o u ado eseassassinosqueas
p a icampa aqueonossopo oosnãoesqueça(...).”
O ex oacimaci ado,alémdese umbomexemplodo omusadopa ains iga 
oódio,enquad a-sena e e idadico omiabem/mal,quedis ingue“ ascis asean i-

89Ande son,p.25.
90Billig,p.211.

93

ascis as”, ou os “ o u ado es e assassinos”, dos que êm “co ação sensí el e
humano”.Nes ecasoos“bons”nãosãoapenasoscomunis as,mas odososquenão
acei amequenãoesquece ãoasa ocidades.
Oódioque anspa ecenalguns ex osdoA an e!clandes inoes ende-seaum
uni e so mais la go do que o inimigo polí ico, ab angendo os conco en es no
comba e à di adu a, os dissiden es e os “mise á eis” aido es que i e am “mau
compo amen o” na polícia. Em elação a odos es es al os, que são conc e os e
iden i icados, a linguagem u ilizada, ao aze  uma denúncia pública de a i udes
conside adasodiosas, ansmi eaob igaçãodeosos aciza e epeli .
Tambémnes ecaso,um ex oéexempli ica i odalinguagemusadaaolongo
de odaaVIsé iedoó gãocen aldoPCP.Naediçãonº333,deSe emb ode1963,
doisan igosmili an esdopa idosãoexpos os“àexec açãopública”como“coba des
aido es”, que “não soube am en en a  dignamen e o inimigo ascis as, ao se em
p esospelaPIDE, aindo,assim odososseuscomp omissos”.
Tex os ca egados com uma e minologia suscep í el de ins iga  ódio sob e
pessoasconc e assu gemacadaediçãodoA an e!comajus i icaçãode,comoselê
em Ou ub o de 1971, “Apon a  os mise á eis pelos seus nomes (...) julgamos se 
absolu amen enecessá io”.
Vol andoaBilligeao o alecimen odoconcei odenaçãoedonacionalismo
a a ésdau ilizaçãobanalde ocábuloscomo“nós”emoposiçãoa“eles”,pa aocaso
emes udodes e abalhose ápe inen eacen ua queos ex osdoA an e!,quando
se cen am nos exemplos de homens hon ados com co ações sensí eis e a i ude
abnegada, ansmi em ambéma epulsapelosou os,peloinimigooupelosqueo
se em,pelasuap á icade aiçãooudecolabo ação.

1.3A ingançase e-se ia
Se o ódio é ins ilado, pala a a pala a, quando o ema é o inimigo ou os
aido es,a ingançaése ida ianasen elinhasdo ex o.Sãoemg andenúme oos
a igospublicadosnoA an e!clandes inonosquaisse a icinaeaconselhaocas igo
u u odeca ascosede aido es.

94

Em Dezemb o de 1963, dois anos depois de José Dias Coelho e  sido
assassinado, su ge um dos ex os emblemá icos desse apelo ao ajus e de con as
u u o:
“Com a sua mo e pe deu o Pa ido um des acado mili an es e o nosso
po ouma is ap ome edo .Se áessemesmopo oqueosabe á inga no
dia da libe dade. Os c iminosos não escapa ão ao ódio do po o, à sua
jus iça”.
Não há uma eo ização sob e a es a égia do pa ido pa a o u u o no que
espei a à esponsabilização polí ica ou c iminal dos di igen es da di adu a ou da
políciapolí ica,maso ex oci adodeixacla oqueajus içase á ei apelasmãosdo
po o.“QuandoemPo ugalhou e libe dade,es eeou osc imesdo ascismose ão
julgadosese á ei ajus iça”.F asescomoes a,publicadanaediçãonº202deJulhode
1955, eco en es no A an e! clandes ino es ão ca egadas de uma apa en e
in encionalidadequeul apassaoquees áimp esso, eme endopa aoconcei ode
Quen inSkinne 91dequeo ex o emdese es udadopa aalémdo ex o.
Nocasodano íciaci ada,quese e e eaosassassina osdeAl edoDiniz(Alex)
edeFe ei aSoa esumadécadaan es,pa aládaspala asusadases áocon ex o
que de alguma o ma de e mina a in encionalidade. Além da ga an ia de que os
c iminosos não ica ão impunes, o ex o ansmi e a ce eza a quem o lê de que a
libe dadenãoéumami agem,masumace eza.
Podeci a -seaindaou o ex o,publicadoemSe emb ode1962.Depoisde e 
sidodenunciadoonomede“ump o ocado ”,ano íciaéconcluídacomumale aem
o madeameaçapa ao u u o:
“Ép ecisoquees eeou oscanalhassin amopesodoódiopopula pela
sua in ame colabo ação com a PIDE. Que os seus nomes não sejam
esquecidospa aqueamanhãso amojus ocas igo”.
Aqui, o apelo à jus iça su ge com lai os de ameaça de ingança pa a o
“amanhã”quandoalibe dade o conquis ada.

91Skinne .

95


2.Obanaldelibe ado
2.1Sen imen oeemoção
Em1985,noli oOPa idocomPa edesdeVid o,Ál a oCunhal eo izasob e
acondiçãodese comunis a,ala gando-aaosen imen o:“Se comunis anãoéapenas
uma o madeagi poli icamen e.Éuma o madepensa ,desen i ede i e ”92.Nas
páginas A an e! clandes ino é cla o que à azão se alia a emoção. Há ex os
exempla es, nos quais a exal ação do compo amen o he oico de mili an es é
lexicalmen eelabo adade o maa ansmi i umaen ol ênciaemocional.
Amo edeJoséG egó io oino iciadanaediçãodeJulhode1961,aoal oda
1ª página, com o og a ia, num ex o onde as exp essões usadas conduzem a uma
quase osmose de signi icados, que ão da exal ação da he oicidade e abnegação à
emoçãodoso imen o,passandopeloelogioàsolida iedadecomunis ain e nacional
eàce ezadequeadi adu ase áde ubada.
“NaChecoslo áquiasocialis amo euocama adaJoséG egó io(Albe o).
Deixou de pulsa  o co ação de um amado ilho da classe ope á ia
po uguesa,dumdosmaisabnegadoslu ado espelacausadosexplo ados
e op imidos, duma dos mais des acados ob ei os do nosso Pa ido, dum
alo osocomba en epelacausadaindependêncianacional,dademoc acia
edosocialismo.(...)Nuncapode equen a aescolaeaindanão inha 8
anos quando iniciou a sua ida de ope á io id ei o.(...)po  se ecusa 
i memen e a da  quaisque  in o mações à polícia, oi ba ba amen e
espancadodu an e á iasho asconsecu i aspo  á ios acíno asdaPIDE
a é pe de  os sen idos. Homem de ca ác e  ín eg o e do ado de uma
ex ao diná ia o çade on ade,JoséG egó ioéumexemplopa a odosos
mili an esdoPa ido.Comojus amen edecla ouÁl a oCunhal,Sec e á io-
Ge aldonossoPa ido,pe an eo ibunalqueocondenou,JoséG egó io
pe enceuaonúme osdoshomensquepossuemasup ema i udequeé

92Cunhal,p.195.


96

dedicaçãoilimi adaaonossopo oeànossaPá iaque‘sãooo gulhodo
Pa ido e do Po o’.(...) Numa ele ada demons ação de a e na
solida iedadep ole á ia,oPa idoComunis adaChecoslo áquia,opo oe
osmédicos odea am-node odooca inhoe udo ize ampa asal a ou
p olonga asua ida.(...)Onossopo op es a áumdiaaJoséG egó ioa
me ecidahomenagem.(...)”
Ap osaci ada azumasín esedodiscu sopolí ico acionalcomoemocional,
e e indo-seaummili an eedi igen econside adoexempla ,masomesmo ipode
linguagemdea e oséusadapa acon a umahis ó iasob equemnão em‘nome’no
pa ido.Temaes u u adeuma ábulaoqueselênaediçãodeAb ilde1951,sob ea
ecolhadeassina u aspelapazepelodesa mamen o,encimadocomo í ulo“Uma
mulhe deLisboa”:
“Quando à po a de uma áb ica do Po o, duas ope á ias da áb ica
p ocu a am ecolhe  assina u as, as ope á ias da áb ica mos a am-se
eceosas.En ãoumaope á iadea ançadaidadeg i ou:Não enhammedo
deassina !Éumacausajus a!Ponhamláomeunomeeodosmeus ilhos.
Eu enho 2 ne os e não os que o e  mo os. Logo em seguida o am
ecolhidas41assina u as”.
En eosmui os ex osqueapelamàemoção,podeci a -seaindaumque oi
publicadona2ªquinzenadeAb ilde1958.Pa adenuncia “ummise á el”pa ãoe
in o mado daPIDE,usa-seum o ma odehis ó iain an ilcommo alno im.
“Denunciadapo um alHon ado,p op ie á iodeuma áb icadeconse as
de peixe em Olhão, onde abalha a, oi p esa no dia 12 de Ma ço a
ope á ia Olí ia Leb e, mulhe  do ope á io co icei o José Ca los que se
encon ahámesesp esonasmasmo asdaPIDE.Aope á iaOlí iaLeb e
e aoampa odeduas ilhinhasde en aidadequeobandodaPIDEque
p endeu a sua mãe deixou abandonadas em Olhão. Po o de Olhão!
Ampa aias ilhasdaope á iaOlí iaLeb eedenunciaipo  odooAlga eo
mise á elqueadenunciou–oindus ialdeconse asHon ado.

97

Des es exemplos pode pa i -se pa a uma e lexão sob e a elação en e o
emocionaleo acionalnodiscu sopolí icodoscomunis as.Énes econ ex oqueo
mili an eexempla ,obommili an e,sóoénamedidaemquenasuap á ica e ela
p eocupaçãocomoou o,namedidaquenãopõeempe igoa idadeumcama ada
oudopa idoelu apelobem-es a dopo o.
Essa elação com o ou o, que é polí ica, o na-se emocional quando é
adje i adasegundopad õesé icose/oumo ais, ans o mandoomili an eem“bom”
ou“mau”consoan e,po exemplo,oseupo epe an eapolíciapolí ica.
Ao analisa  o pensamen o de Espinosa, o neu ocien is a An ónio Damásio
esc e eexa amen esob ea elaçãodasemoçõescomaé ica,a gumen andoquehá
uma elaçãoes ei aen eap á icadaaçãoindi idualeasconsequênciasdes a.Em
sín ese, a boa ação me ece esse quali ica i o se não p o oca  danos nega i os a
ou os.DaíqueDamásioconclua:“Espinosaque dize queosis emacons óiemcada
pessoaimpe a i osé icoscombasenap esençademecanismosdeau op ese ação,
desdequeessapessoa enhaemmen ea ealidadesocialecul u al.Pa aalémdecada
si indi idual há os ou os, como indi íduos ou como en idades sociais, e a
au op ese açãodessesou os,a a ésdosseusp óp iosape i eseemoções,de ese 
omadaemconside ação”93.
A dimensão é ica do compo amen o emocional indi idual do mili an e
comunis a es á p esen e numa banalização mo alizado a nos ex os publicados no
A an e!, embo a e li a a in encionalidade da eo ização encon ada em mais uma
passagemdo ex o“Asupe io idademo aldoscomunis as”,quandoCunhalde ineo
in e nacionalismop ole á io “ on ec iado ade concei os,sen imen os ea i udes de
gene osidade de colec i ismo, de a e nidade en e os abalhado es e os
comunis as(...)”.

2.2.Ahe oicidade

93An ónioDamásio,AoEncon odeEspinosa-AsEmoçõesSociaisEasNeu ologiaDoSen i (Cí culode
Lei o es,2003),pp.151-152.

98

A exal ação dos a os he oicos dos comunis as é pe manen e, que  sejam os
mili an espo ugueses,cujocompo amen onap isãoenosin e oga ó iospoliciais
é conside ado “exempla ”, ou os memb os de pa idos-i mãos (em pa icula  o
ancês,noquad odaIIGue aMundial)ouaindaosp o agonis asdacons uçãoda
URSS, além dos “pais” do socialismo e ob ei os da Re olução de Ou ub o. São
ealçados os “he óis” da conquis a do espaço e podem inclui -se no concei o de
he oicidadeos esul adoseconómicosesociaisdasociedadeso ié ica,p o usamen e
di ulgadosnaspáginasdoA an e!.Ohis o iado JoãoMadei a aladeuma“espéciede
é” pa a designa  a o ma como é enca ado o egime de Mosco o, nascido da
Re olução de Ou ub o de 1917: “Os mili an es e am assim educados na exal ação
e e encialdaURSS,cujop ocessodeassimilação endia,nadi iculdadedeinculca o
de alhe das conquis as conc e as da União So ié ica, em aze  passa  os p incípios
p opagandís icos da “pá ia do socialismo” e da “supe io idade do socialismo
so ié ico” uma espécie de pa aíso na Te a, que inha nos mili an es de enso es
incondicionaiseinde ec í eis.Es ade oção o na a-seaindaumaespéciedeampa o
in e nacional em elação aos comba es pe seguidos nas condições di íceis e
aspe amen e i idas na base do pa ido. A é na caminhada, da URSS como das
“democ acias popula es”, pa a o socialismo e pa a o comunismo e a um es ímulo
pode oso pa a e o ça  con icções e en egas, o nando-se numa espécie de é
e olucioná ia, de que os mili an es comunis as po ugueses se alimen a am e
acalen a am”94.
No plano in e no, como sublinha Madei a, “os he óis e má i es comunis as
e am bandei as de exemplo des aldadas, enco pa am um imaginá io colec i o de
co agem com que se a gamassa a a esis ência e o comba e quo idiano con a o
egime, ei o de exemplos semp e p esen es de um isco assumido, pa a que cada
mili an epodiase con ocadoemcadamomen o,mobilizandoaco ageme encendo
omedo”95.

94JoãoManuelMa insMadei a,p.760.
95Madei a,p.768.

99

Masaglo i icaçãodoshe óisnãopodeenãode ese con undidacomocul o
dape sonalidade,queCunhalsees o çou,empala as,po condena ,empa icula ,
apósoes alinismo,numquad oemqueop óp ioPCUS ambémo ez.Aliás,naedição
nº212,deAb ilde1956,o A an e! ep oduzpa edeumasín esedeuma igodo
P a da,oó gãocen aldoPCUS(Pa idoComunis adaUniãoSo ié ica)ap opósi oXX
cong esso,noqualselê:
“Nãopossuindomodés iapessoal,S alinenãosónãoco a aoslou o ese
elogiosquelhe aziam,comoosapoia aees imula apo  odososmeios.
Como empo,es ecul odape sonalidade oi omandoaspec oscada ez
maisde o madosecausousé iosdanos.Comp eende-sequesemelhan es
pá icasdeS alinesigni ica amumain acçãodosp incípiosleninis asde
di ecçãoecon adiziamoespí i odoma xismo-leninismo”.
Mas, se no plano eó ico a di e i a e a a aca  o cul o da pe sonalidade, na
p á icapolí icaedaesc i aco en e/banaldos ex ospublicadosnoA an e!e amui o
énuea on ei aen eessecul oeaglo i icaçãodoshe óis i osdopa ido,en eos
quaisCunhalsob essaía.Sãocons an esapelosàlibe açãododi igen edopa ido,
cujo nome “es á den o do co ação de odos os abalhado es po ugueses e é
espei adopelosdemoc a aspelosdemoc a asean i- ascis asdonossopaís”,lê-sena
edição de Janei o de 1956. Ainda na mesma edição, su ge o apelo pa a que sejam
ei asinsc içõesnaspa edes,exigindoalibe açãodeCunhal.
O u o desse apelo su ge de imedia o, na edição de Fe e ei o-Ma ço desse
mesmoano,numano íciain i ulada“Re o cemosmaisemaisalu apelalibe açãode
Ál a oCunhal”,naqualsedácon ada ecep i idadeaosmani es osdi ulgadoseàs
insc ições ei asemnume osospon osdopaís:
“(...)Os mani es os o am po  quase oda a pa e lidos colec i amen e,
comen ados e ap o ados calo osamen e. Uma jo em ca ólica alga ia
a i mou que não ha ia di ei o de se p a ica em ais a ocidades. Nas
aldeiasalen ejanas,oen usiasmo oieno me.Oscamponeses euni am-se
pa aou i le osmani es os epe idas ezes.Uma elhinhadizia.‘Eujáou i
le àminha ilha,maselanãoasexplicabemeeu enhodeou i ou a ez’.
Num ancho,oscamponesesquees a amale ummani es o,explica am

106

Não é a o depa a mos com exp essões como, “Ál a o Cunhal az al a ao
nossopo o”,inse anaediçãodeFe e ei o-Ma çode1956,num ex opublicadona
1ªpáginadeapeloàlu apelalibe açãodeCunhal,en ãop esonaPeni enciá iade
Lisboa. O sublinhado do di igen e que “ az al a” ao po o imp ime uma ca ga
concep ualnãolongeaimp escindibilidade.Po ou aspala as,oscomunis ase,em
pa icula ,osdi igen esdopa idope encemaumg upop o e o dopo o.
Nesse mesmo núme o do ó gão cen al do PCP, esc e e-se sob e a uga de
JaimeSe adacadeiadoFo edeCaxiasem e mosquecon igu amumahe oicidade
o adocomum,supe io .
“Numa uga audaciosa, pe seguido a pouca dis ância pelos i os dos
sen inelas,JaimeSe aconseguiupelasegunda ezconquis a alibe dade,
pa a i ocupa oseupos ode angua danalu acon aoinimigodonosso
po o–o ascismosalaza is a.Asuaco agem,asuadedicaçãoàcausado
po o,comp o adasjá á ias ezes,pe mi i ammaises a i ó iadonosso
pa ido sob e os ca ascos salaza is as, i ó ia que enche de aleg ia o
Pa ido,aclasseope á ia,osdemoc a ase odoopo o.”
Es ano íciapodese lidacomoumasín esedospon osqueexplanamosnes e
capí ulo.A ulanizaçãodocon eúdope mi eaolei o in e io iza quea uga ela ada
nãoéuma ugaqualque ,nãoéumaação ácil,éuma ohe oicocome idocon ao
inimigodopo opo umhomem o adocomum,um e dadei ocomunis a.
A endamosaosquali ica i osquepe passampelo ex oeaoqueelescon êm
deca gaemo i apa aolei o :A ugaé“audaciosa”;JaimeSe a,“pe seguido”pelos
i os, e ela“co agem”,“dedicação”;conquis aalibe dadepelasegunda eznãoem
p o ei op óp io,maspa alu a con ao“inimigo”,que ambémnãoépessoal,mas
simo do “nosso po o”; a sua i ó ia éa“ i ó iado Pa ido sob e os ca ascos”; e,
ce ejano opodobolo,“enchedealeg iaoPa ido,aclasseope á ia,osdemoc a ase
odoopo o”.
Es a linguagem he oica e mo alizado a enquad a-se no p og ama polí ico e
es a égico que i ia a se  explanado, mais a de, po  Cunhal em “A supe io idade
mo aldoscomunis as”.


107

Naediçãoseguin e, ambémnap imei apágina,éaindaCunhaleaexigência
da sua libe ação que mo i a a publicação da seguin e ase, no inal do ex o:
“Sal emos a ida p eciosa de Ál a o Cunhal, a ida de um dos mais dignos e
des acados ilhosdonossopo o!”.
Apa daexal açãodasqualidadesdealgunsmili an es,queinduzaideiada
cons uçãodeumasupe io idade,é incadapublicamen ealigaçãoen eopa idoe
os seus di igen es ao po o po uguês, o que é uma das cons an es nas edições do
A an e! clandes ino. Há, como se pode pe cebe  em p a icamen e odos os ex os
publicadosque eme empa aalu acon aadi adu a,asimbiosedosdoisconcei os,o
dahe oicidadenade esadopa idoedosp incípiosideológicoseodopa io ismo,
pela de esa do po o, em nome do qual se desen ol e a lu a dos comunis as. Sem
que e le a es a e lexãopa aocampodoconcei odenacionalismoqueen o mao
pensamen oep á icadoscomunis aspo ugueses,é isí elnos ex osdoA an e!que
opa idose o nasinónimodepo o,nãoapenascomo“classesocial”,mas ambém
como nação. Ohe ói é ao mesmo empo supe io  nasqualidades  e ilho do po o,
en endidocomoumaen idademí ica.
LidosalgunsexemplospublicadosnoA an e!clandes ino, o na-secla oquea
linguagem co en e u ilizada não é inócua e a eo ização pos e io  dos concei os
ansmi idos ‘banalmen e’ em comp o a  que essa esc i a es á ca egada de
concei os eó icos.NoNacionalismoBanal,Billigdisco esob eessepos uladoquando
ci a Hannah A end  ao a i ma  que ambém na imp ensa b i ânica que analisou “a
banalidadenãoésinónimodeinocuidade”101.Embo anãoexis aumain encionalidade
concep ualoumesmoconscien e,nocasoemes udones e abalho,écump idoo
objec i o inaldec ia umasupe io idademo al.
Mas, quando ci amos A end  pa a explo a mos a ideia de “banalidade” a
p opósi odop esen eobjec odees udo, al ezseja ele an ea ende mosaoquea
ilóso aesc e enopós-esc i oincluídonaedição e is aeaumen ada(de1964)do
seuli oEichmannemJe usalém,explo andooconcei odequeháumaausênciade
e lexãoideológicanap á icadomal.A end esc e eque“oque ezdele[Eichmann]

101Billig,p.22.

108

umdosmaio esc iminososdasuaépoca oiaausênciadopensamen o–oquenãoé,
ealguma o ma,amesmacoisaquees upidez”102.
Semcon undi a“banalidadedomal”deA end como“nacionalismobanal”de
Billig e, mui o menos, es abelece  qualque  pa alelismo na análise dos ex os
publicados no A an e! clandes ino, é possí el e le i , com base no pensamen o de
A end , na u ilização pela imp ensa comunis a de uma linguagem co en e/banal
apa en emen edesligadado sus en áculo eó ico que a en o ma. A base ideológica
es álá,emcadapala a,masolei o /mili an enãop ecisa e uma o mação eó ica,
ou“pensamen o”,pa asegui noseuquo idianodemili an easo ien açõesqueessas
ais pala as ca egam. Do mili an e espe a-se o cump imen o das a e as
es abelecidaspelosdi igen esdopa ido,seguindoumalinhadecondu ain ínsecaa
umalei u aapa en emen edesp o idadep opósi oes a égico.Ac esce,nocasoem
es udo,quealei u adoA an e! oibasila , an ono empodadi adu acomojáem
democ acia,na o maçãodosmili an esdebase,mui osdosquaisanal abe os,que
oma am conhecimen os dos ex os em lei u as colec i as clandes inas. Como
exempli icouohis o iado JoséNe es,ao oma comoes udodecasoaexpe iênciade
êsi mãosmili an esdoPCP,“asp á icasdelei u anãopassam an opeloconsumo
dos clássicos, is o é pela dou inação polí ica, mas mais po  p ocessos a iados e
dispe sosdelei u ado omanceaojo nal”103.Nomesmo abalho,Ne essublinha,no
en an o, que se os canais que se pode iam designa  po  banais se ão cen ais na
al abe ização comunis a dos mili an es de base, o mesmo não se passa com os
di igen es.“Alei u aéumindispensá ellub i ican e e olucioná ioqueope aemdois
ní eis. Num p imei o ní el, os quad os do pa ido necessi am le  os clássicos pa a
encon a em o masdedi ecçãopolí icaquesejamadequadas.Numsegundoní el,a
li e a u adopa ido,soba o madedi e en essupo es ex uais,em eg ap oduzida
po  aqueles quad os, de e se  lida po  uma comunidade de abalhado es pensada
comoumcomunidadedelei o es.104”

102HannahA end ,EichmannEmJe usalém,UmaRepo agemSob eaBanalidadeDoMal(I aca),p.428.
103DiogoRamadaCu o(di )eJoséNe es,Es udosdeSociologiaDaLei u a-Al abe izaçãoLeninis a(O
CasoDosI mãosFiguei edo)(FundaçãoCalous eGulbenkian,2006)p.702.
104Cu oeNe es,p.678.

109

Ins adaa aze uma e lexãosob ese oicul i ada,nomeadamen ea a ésdo
A an e!,aideiadasupe io idademo aldoscomunis as,Ma ga idaTenga inha,que
i eunaclandes inidadeenuncaes e ep esa, ecusaaideiade exis i anoção de
sup emacia,masadmi e:“Háumasupe io idademo aldoscomunis as.Aexal açãode
algunshe óisécomp eensí elpo queelesse em-nosdeexemploe azempa eda
educação dos mais no os. De emos usa  o exemplo da ida dessa gen e pa a
de ini mosonossop óp iocaminho”.
En e os que pe encem ao g upo dos quad os/he óis, é signi ica i o que a
he oicidadesejasinónimodede e ,comosepodea es a pelaopiniãomani es ada
po DomingosAb an es,cen adanoconcei odasupe io idade:“Nãoéhe oísmo,é
umaques ãodede e .Hápessoasque o am o u adas,assassinadas,po quê?Po 
p incípios,po que inham alo es,po queconside a amquenão inhamodi ei ode
sal a apelea a o da idadeou os.Háumconjun odep incípiosé icosepolí icos
quesepõeacimade udo.Háumasupe io idadedesdelogopo  e op adopo essa
ida.Ou osnãoo ize am,quemo ez o amoscomunis as.Háumamo alsupe io 
doscomunis as, omososúnicosdu an eo ascismocomapa elhoclandes ino”.
O discu so de Domingos Ab an es eme e no amen e pa a Billig e pa a a
e e idadico omiadasup emaciaen e“nós”eos“ou os”,quepodese aplicadaà
eo izaçãoexp essanoopúsculoCunhal.
“A o ça do exemplo, pelo seu ex ao diná io pode  de con encimen o e de
a acção jun o das massas, é um dos g andes un os da acção dos comunis as. O
mili an esé ioemodes oque,nasmaisdi e sascondições,de endein a iga elmen e
os in e esses dos abalhado es, o clandes ino que supo a sem ab i  boca c uéis
o u as,ocomunis asoldadoougue ilhei oquedáa idaemde esadoseupo o,o
he ói do abalho socialis a, iluminam com os seus exemplos o caminho da lu a,
ala game e o çamop es ígioein luênciadoPa ido,a aemàssuas ilei asmui os
no oscomba en es.”105
Nes eexce oda eo izaçãodeCunhal,que e ásidolidopo umamino iade
mili an es,es ácon ida odaap odução“banal”imp essanaspáginasdoA an e!e

105Ál a oCunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as(Edi o ialA an e,1974),p.5.

110

que chegou a uma comunidade mui o ala gada de mili an es e de esis en es à
di adu a,em ge al. Nou as passagensdo ex o é bem no ó ia aimpo ância que é
dadaaocompo amen omo al, e o çandosemp ea o çaessencialdoexemplo:“As
massas não só a e em, pela sua expe iência, a jus eza da o ien ação polí ica e das
pala as de o dem do Pa ido como es ão pa icula men e a en as e são
pa icula men e sensí eis ao exemplo mo al dado pelos seus memb os. Exemplo de
dedicação. Exemplo de comba i idade e i meza. E ambém exemplo de
compo amen o pessoal num sen ido mais la go: exemplo de dignidade e da
in ansigência pa a com as concepções da mo al bu guesa e as p á icas dela
deco en es.Sea angua daajuízadasin luênciasdamo albu guesasob easmassas,
asmassasjulgampo sua ezocompo amen omo alda angua da.Oscomunis as
êmdeagi de o maapassa comhon aum aljulgamen o.106
Ainda analisando as pala as do di igen e comunis a à luz do que oi sendo
esc i o no A an e! é isí el, uma ez mais, uma consonância concep ual en e o
eó ico e o banal. Depois de e mos e idenciado no ícias nas quais se dá con a de
“ alhas”decondu adealgunsmili an es,Cunhalsin e izaoconcei odode e pa a
comopa ido, ealçaaimpo ânciadadisciplinaedaau o-c í ica,ma candodis ância
da noção da in abilidade: ”Se ia u opia p e ende  que os comunis as ossem se es
‘pu os’e isen os de al as.(...)A e olução não se azcom se es ideais. Faz-se com
homens que so em in luências mo ais nega i as do capi alismo e dos a iados e
omnip esen esmeioseacçãoespi i ualdeixadospo miléniosdesociedadesdi ididas
em classes an agónicas, nas quais a mo al dominan e e a a mo al das classes
dominan es,is oé,dasclassesexplo ado as.Es asi uaçãoincon o e sanãole aà
enúnciado abalhoeduca i odoPa ido,an esaumen aasua esponsabilidade.O
Pa ido chama a si os melho es, os mais conscien es, os mais dedicados ao bem
comum.Mas ambém êmaoPa ido,quaisque sejamascondiçõesemqueac uam
(no pode , legal, clandes ino), homens com alhas mais ou menos g a es na sua
o maçãoenasua condu a.U ilizandoa a madac í icaedaau oc í ica,o Pa ido
ajuda os seus memb os a supe a  debilidades e al as e o ja nas p óp ias ilei as

106Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.6.

111

lu ado es in a igá eis, gene osos, dedicados, pessoalmen e isen os, co ajosos, leais,
desp e ensiososesimples–homensemulhe escapazesdeinspi a ,peloseuexemplo,
os‘milag es’deque ala aLenine.”107
Os comunis as são homens e não se es sob e-humanos, mas “não se
dis inguem apenas pelos seus ele ados objec i os e pela sua acção e olucioná ia.
Dis inguem-se ambém pelos seus ele ados p incípios mo ais. (...) A mo al dos
comunis asécon á iaesupe io àmo albu guesa”108.
Anosmais a de,jáemdemoc aciaenumcon ex odedi e gênciasin e nas
quan o ao umo do pa ido, em Agos o de 1985, Cunhal edi a em li o um longo
ensaio“Pa idocomPa edesdeVid o”,noqualp e endeu,segundoassuasp óp ias
pala as inse as no início do p e ácio da 6ª edição, de Janei o de 2002, “da  a
conhece  como nós, os comunis as po ugueses, concebíamos, explicá amos, e
desejá amosonossopa ido”.
Nes eensaio,Cunhaldeixaimplíci osconcei osquecolocamoscomunis as,em
pa icula osdi igen es,numpa ama supe io aosda es an epopulação,aoassumi 
que “o econhecimen o da supe io idade mo al do pa ido é um dos mais sólidos
c i é iosdoêxi odasuaacçãocomo angua da.A ans o maçãodade e minaçãoe
dohe oísmode angua danum enómenodemassas,comose e i icouna e olução
po uguesa,éumdosmaissólidosc i é iose odas e dadei as e oluçõesedopapel
queneladesempenhaoPa ido”.109
Cunhala i ma,po exemplo,se impo an enumcomunis a,“ o aasuaacção
e olucioná ia,sen i -seegos a desen i -secomoum‘homemcomum’,comouma
‘mulhe comum’”110.No e-sequeodi igen edoPCPcolocaoscomunis asnumplano
dis in odoou oscidadãos,aonãoa i ma queumcomunis aéum“homemcomum”,
massimquede esen i -seum“homemcomum”.

107Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.6.
108Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.1.
109Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.197.
110Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.204.


112

Mesmonaclandes inidade,oua épo causadela,omili an ee aimpelidoa
agi esen i no elacionamen ocomosou oscidadãos,como“homemcomum”,é
semp e a exp essão usada po  Cunhal ao es abelece  eg as pa a os mili an es e
di igen esdo pa ido. “Há cama adas que,namedida em que desen ol emosseus
conhecimen ose êmmais esponsabilidades,se a igamaoou i homensemulhe es
comp epa açãomui oelemen a ,po  ezescomg andea asonaconsciênciapolí ica.
Algumacoisa al aadi igen esdeumpa idoope á ioquandonãosabemap ecia o
con í io com as pessoas mais simples, mesmo as mais a asadas, e não sabem
descob i ouencon a na iquezadequalque se mo i obas an epa aaaleg iado
con í iohumano”.111
Há, nes as passagens da o ien ação dada po  Cunhal aos mili an es, um
mani es osen idodesupe io idadedocomunis aem elaçãoaos“maissimples”,ao
“homem comum”, numa eo ização do concei o que es á p esen e nos ex os
publicadosnasediçõesdoA an e!clandes ino.Peladesc içãodea i udesexempla es,
que sejanocompo amen onap isãoouna idaquo idianadelu acon aadi adu a
em de esa dos abalhado es, o ó gão cen al do PCP oi o jando um pensamen o
é ico/mo alquesó i iaase sin e izado eo icamen emais a de,jáemdemoc acia.
Pode ano a -se que, no caso da ansposição dos concei os implíci os nos
ex os publicados no A an e! pa a a eo ização elabo ada po  Cunhal, há uma
co espondênciacomoqueBilligassinala,ao e e i -seaop ocessode“inc us açãoda
nossaiden idadea a ésdas o inasena idasocial”.112Noen an o,ap ecedênciado
banaléapenasapa en e,uma ezqueháumes eioideológicoquepossibili aessa al
banalidade,quese ai en anhando nos memb osda al comunidade imaginada de
Ande son. É o que, de alguma o ma, sin e iza Cunhal na sua eo ização sob e a
supe io idademo aldoscomunis as,da adadeJanei ode1974,“osideaispolí icos
in luemnas ep esen açõesea i udespsicológicase ansplan am-sepa aosconcei os
mo aisedes espa aasa i udesehábi osdep ocedimen o”113.

111Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.204.
112Billig,p.291.
113Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.2.

113


Conclusão
Chegou-seà pa econclusi ades e abalhocommais doqueuma espos a
pa aape gun ainicial:“ComooA an e! a ouosseus?”oucomocon ibuiupa aa
cons ução de uma iden idade comunis a. Pa iu-se de uma ques ão que eio a
e ela -selimi ado a aolongoda in es igação. Éque nem o A an e!clandes ino se
podecon ina aoes a u odeó gãocen aldoPa idoComunis aPo uguêsnemos
“seus”sãoapenasosmili an escomunis as.
A análise das edições egula es do A an e! clandes ino, en e 1941 e 1974,
e elaaexis ênciade egis oslinguís icosdi e en espa aosdi e sos iposdelei o es
imaginados po  quem esc e e os ex os publicados. São dis in os os e mos usados
pa aen idadesdi e enciadas,asquais,noen an o,se e elamsemelhan esnamedida
emquepe encemàcomunidadeimaginadadoslei o esdoA an e!.Oó gãocen al
doPCPsuplan ouamissãoaquees a aob igadopelade iniçãodeLenine,quee aa
dese ,simul aneamen e,umo ganizado ,umin o mado eummobilizado ,e o nou-
se,como e e eMa ga idaTenga inha(jáci adaan e io men e),“oúnicoó gãode
in o maçãoquedizia odaa e dade,p oibidapelacensu anosou osjo nais”.Uma
ase que eme e pa a o lema “A e dade a que emos di ei o” do jo nal o diá io,
edi ado en e Janei o de 1976 e Junho de 1990, p op iedade da edi o ial Caminho,
ligadoaoPCP.Nocasodeodiá io,a e dadejánãoécondicionadapelacensu a,mas,
na óp ica dos comunis as, pelo no iciá io que é igno ado pelos ou os jo nais, em
empo de e luxo e olucioná io e da consequen e pe da de in luência do PCP na
Imp ensa.
Como icou e e enciadoaolongodes e abalho,nasediçõesclandes inasdo
ó gão cen al o PCP publicam-se ex os di e amen e di igidos aos mili an es
comunis as nos quais o pendo  ideológico é mais cla o,  com uma linguagem de
p oximidadeeempá ica,que sejapa alou a compo amen os,condena  aiçõese
aquezas ou pa a o ien a  no caminho a segui . É exal ada a he oicidade dos
“melho es ilhosdoPo o”edeneg idaaimagemdos“mise á eis aido es”,que,em
mui oscasos,nãosedis inguemdo“inimigo”.Oscompo amen osindi iduaise am
indicados como exempla es, an o no bom como no mau sen ido, sinalizando com

114

sen idoob iga ó ioocaminhoasegui .
Acons uçãodes es ex osésuscep í eldec ia sen imen osdecomoçãoou
de ódio associados a compo amen os é icos, que  sejam mili an es ou inimigos
polí icos.O usodo “nós” em oposiçãoao “ou o”, de que ala Michel Billigpa a o
nacionalismo, anspo a-sepa aomili an eepa aasua elaçãocomosde o a,os
não mili an es,  edi icando paula inamen e o concei o da supe io idade mo al dos
comunis as, eo izadopo Ál a oCunhal.
Mas en e esse “nós” e os “ou os” há, no A an e! e no pa ido, uma zona
cinzen a onde cabem os “homens hones os”. A adje i ação, de “hones os” é
eco en emen e usada nas páginas do A an e! pa a designa  os não mili an es, os
an i- ascis asnãohos isaopa ido.
O mili an e in eg a uma comunidade imaginada de lei o es que cons i ui o
uni e soala gadodedes ina á iosdamensagemesc i a.Es áexp essonocon eúdoe
na o mados ex osqueoA an e!“ ala” ambémpa aosan i ascis ascomoum odo,
quando apela à unidade das o ças democ á icas con a o salaza ismo ou ainda
quando ela a a ocidades da gue a colonial ou da iolência da polícia polí ica nos
in e oga ó ios e nas cadeias. São ex os que induzem a cons ução de um p oje o
polí ico ag egado  de oposição à di adu a, mas que en am em con adição com
exp essõesusadasbas as ezesdecondenaçãoaes a égiasdeoposiçãodi e sasàs
seguidaspelopa ido.Ap o usãodea igosdo ipoag egado dashos esan i ascis as
é mais acen uada du an e o pe íodo da II Gue a Mundial, seguindo a in luência
es a égicadeF en ePopula  ancesa,nopode no inaldosanos30,enacampanha
elei o alpa aaP esidênciadaRepública,em1958,noquad odomo imen oge ado
pelacandida u adeHumbe oDelgado.
Um ipodelei o essemp ep esen ecomodes ina á iodoA an e!clandes ino
são os abalhado es. As suas lu as são elei as como mo o  da ação polí ica dos
comunis asesãop o usamen eno iciadasnaspáginasdojo nal.Embo anão enha
sidoobjec odees udop e e encialnes e abalho,acon es açãodos abalhado es
es áemp imei oplanonono iciá ioeéenquad adanac í icaàsopçõeseconómicas
do egime, às quais é p opos a uma linha de umo al e na i a. A pa  das lu as
ope á iasenoscampos,que sãocen ais nasedições dosanos 40e 50,na década

115

seguin ecomeçamasu gi no íciasde ocosdecon es açãoen eoses udan es,onde
oPCPpe dein luênciapa aosno osg upospolí icosmaoís as,eemsec o esmenos
adicionais,numsinaldeno os emposqueseadi inham,comop incípiodeuma
ce a “democ a ização” no acesso ao ensino, deco en e de uma classe média
ascenden eecomo e o çodosec o  e ciá iodaeconomia.AspáginasdoA an e!
espelham a espos a que o pa ido ai e  que da  a esses no os desa ios na
cons uçãodeumapolí icaeconómicaal e na i aaocapi alismoe,empa icula ,ao
umoseguidopeladi adu a.Éocasodaslu asdosbancá ios,en e mei osemédicos
que ãoassumi algumaexp essãonoA an e!clandes ino.Enquan ooPCPala gaa
in e ençãosocial,oseuó gãocen al en aalcança no oslei o esimaginados.
Seacomunidadeimaginadadelei o es emcomonúcleoosmili an es,opo o
po uguêséouni e somaisala gadodedes ina á iosdamensagem,aoexp imi -se
em nome desse mesmo po o, exal ando os alo es pa ió icos, na denúncia da
ca es ia,empa icula ,uma ezmaisdu an eaIIGue aMundialou,jánope íodo
ma celis a,aocon es a ideiadeumapossí el ansiçãodemoc á icao egime.Po se 
clandes ino,oA an e!,comoéassumidopo DomingosAb an es,escapa aàcensu a
p é iaob iga ó iapa a odaaImp ensaoquelhepe mi iano icia  o na -seummeio
dein o maçãonãocondicionadopelaslimi açõesàlibe dadedeexp essão.
O A an e! clandes ino, edigido, compos o e imp esso em condições mui o
di íceis,  pe igosas pa a os mili an es en ol idos e a iscadas pa a a máquina
pa idá ia, oidis ibuídopo  odoopaísa a ésda ededemili an es,chegandopelo
co eioamui os“democ a as”“hones os”ein oduzidonasp isõesde o mamassi a.
Tambémaí,ojo nale aumelemen ocen alnaligaçãoen eosp esoseoex e io .
Pa a den o passa am mensagem de solida iedade e de apoio à esis ência, pa a
o am e am en iadas denúncias das condições nas cadeias e das o u as nos
in e oga ó iospoliciais.Esemp equee ain e cep adopelapolíciapolí ica,oA an e!,
alémdese um ocodep eocupaçãopeloque ep esen a ade eículodedenúncia
dosp ocessosu ilizadosnascadeiasenosin e oga ó iosedeexal açãoda esis ência
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