Se emb o,2017
Disse açãodeMes adoemHis ó iaCon empo ânea
ComooA an e! a ouosseus
en e1941e1974
Acons uçãodeumaiden idadecomunis a
AnaPaulaMa quesCo eia
Disse açãoap esen adapa acump imen odos equisi osnecessá iosàob enção
dog audeMes eemHis ó iaCon empo ânea, ealizadasobao ien ação
cien í icadoP o esso Dou o JoséManuelViegasNe es
Aosque esis i am
AGRADECIMENTOS
Oacompanhamen odop o esso JoséNe es oide e minan epa aque enha
sido possí el ans o ma um p oje o ago numa disse ação, num p ocesso de
a anços e ecuos e mui as hesi ações só possí eis de ul apassa g aças às suas
obse açõeseindicaçõesdelei u as.
Pa a o en iquecimen o do abalho con ibuí am decisi amen e os ês
mili an escomunis asqueacei a am ala dassuasexpe iênciasemani es a assuas
opiniões. Aqui ica, pois, o ag adecimen o a Ma ga ida Tenga inha, Domingos
Ab an eseJoséPed oSoa es.
Noplanopessoal,es e abalho e iasidoapenasumaideiasemoincen i oda
Leono esemoapoioeacon iançaincondicionaisdaIsabel.
ComooA an e! a ouosseus
en e1941e1974
Acons uçãodeumaiden idadecomunis a
Resumo
Pala as-cha e:A an e!,clandes inidade,mili ância,lei o es,iden idade
“ComooA an e! a ouosseus?”,apa i deumaanálisedecon eúdodaVI
sé iedojo nalp ocu a-seuma espos aaes ape gun a,con ibuindopa aoes udo
da mili ância comunis a e da o ma como ela oi cons uída e expos a na mais
ele an epublicaçãope iódicadoPa idoComunis aPo uguês.
En ea“ eo ganização”dopa ido,iniciadaem1941,eo imdadi adu a,em25de
Ab ilde1974, o ampublicadas,com egula idade,464ediçõesquede e mina ama
iden idadecomunis a, alandodeepa aosmili an es.Deediçãoemedição,aolongo
dope íodoclandes ino,a ededein luênciadoA an e! ai,noen an o,ex a asando
opa ido,ala gando-seaumacomunidadeimaginadadelei o esiden i icadacomo
uni e sodosoposi o esao egime.
Abs ac
Keywo ds:A an e!,clandes ini y,mili ancy, eade s,iden i y
“HowdidA an e! ea hei ones?” omacon en analysiso henewspape 's
VI se ies, an answe is sough o his ques ion, in a con ibu ion o he s udy o
communis mili ancyand hewayi wascons uc edandexposedin hemos ele an
pe iodicalpublica iono hePo ugueseCommunis Pa y.
Be ween 1941 and 1974, since he " eo ganiza ion" o he pa y, begun in
1941,and heendo hedic a o shiponAp il25,1974,464edi ionswe epublished
egula ly ha de e mined hec ea iono communis iden i y,speakingo and o he
mili an s. G adually, om edi ing in edi ion, h oughou he clandes ine pe iod,
A an e's ne wo k o in luence! howe e , goes beyond he pa y o an imagined
communi yo eade siden i iedwi h heuni e seo opponen so he egime.
Índice
In odução.....................................................................................................1
Pa eI—OA an e!c iaasuacomunidade....................................................6
1.Aau oiden i icação.....................................................................................................................6
1.1A“polissemia”A an e!........................................................................................................6
1.2In e nacionalis aenacional.............................................................................................7
1.3“...de odososhomensquenãosejamcoba des”......................................................9
2.Cumplicidadee esponsabilidade.......................................................................................13
2.1“De e de odoocomunis a”........................................................................................13
2.2“Nuncainu ilizesoA an e!”...........................................................................................15
2.3“Indes u í el”......................................................................................................................17
3.Ob igaçõesedi e i as.............................................................................................................19
3.1Es o çoesac i ício............................................................................................................19
3.2Dedicaçãoexempla ..........................................................................................................21
3.3Exempla endidoduas ezes......................................................................................21
4.Lei o /co esponden e...........................................................................................................24
4.1”Manda-nosno icias”.........................................................................................................24
4.2”Es eA an e!ép ecioso”.................................................................................................25
5.C í icaseco eções...................................................................................................................27
5.1”Desleixo”................................................................................................................................27
5.2Au oc í ica............................................................................................................................28
PARTEII—Ajus esdecon as.......................................................................31
1.A eo ganizaçãoeosdoisA an e!......................................................................................31
1.1C í icaaos“con ucionis as”............................................................................................31
1.2“I adiação”dos“p o ocado es”................................................................................36
1.3Con a“og upelhop o oca ó io”...............................................................................38
1.4Oesque dismo,osco oseasmoscas.....................................................................44
2.Em empodegue a.................................................................................................................49
2.1Os“quin a-colunis as”´.....................................................................................................49
3.”Se o esp eso,cama ada”.....................................................................................................51
3.1“NaPolícianãose ala”....................................................................................................51
3.2“Mácondu a”........................................................................................................................54
3.3“Indignidade,coba diae aição”................................................................................55
3.4“Cuidadocomeles”............................................................................................................60
3.5“P o ocado ese aido es”.............................................................................................62
3.6“Mise á eis”..........................................................................................................................67
4.He óis..............................................................................................................................................73
4.1”Libe dadepa aosp esos!”.............................................................................................73
4.2“Inclinamosasnossasbandei as”.................................................................................81
4.3”Umhomemen eases elas”.......................................................................................84
PARTEIII—Asupe io idade(banal)doscomunis as....................................88
1.Alinguagembanal.....................................................................................................................88
1.1Oexemplomo al................................................................................................................88
1.2Ódiopeloinimigo...............................................................................................................92
1.3A ingançase e-se ia..................................................................................................93
2.Obanaldelibe ado....................................................................................................................95
2.1Sen imen oeemoção.......................................................................................................95
2.2.Ahe oicidade......................................................................................................................97
2.3.Se comunis aé...............................................................................................................100
2.4A“supe io idadecomunis a”......................................................................................103
Conclusão...................................................................................................113
Bibliog a ia.................................................................................................118
1
In odução
“A esis ência oiadignidadedePo ugal”.A aseédeJo geSampaio1epode
sin e iza o signi icado polí ico-his ó ico que e e a a i idade de quem esis iu
a i amen eàdi adu adeSalaza eCae ano.Semum o esen idodemili ânciaede
empenhamen o numa causa supe io ao acomodamen o pessoal não e ia sido
possí el esis i à ep essãodapolíciapolí icaeàslimi açõesàlibe dadedeexp essão
edeassociaçãoimpos aspelo egime.
Es e abalho e sa um aspe o pa icula dessa esis ência, a dos mili an es
comunis as, is a a a és dos ex os publicados nas edições clandes inas do jo nal
A an e! e p ocu ando a espos a à seguin e pe gun a: “Como o A an e! a ou os
seus?”. En e 1941 e 1974, o ó gão cen al do PCP publicou, egula men e, 464
edições,p oduzidasemcondiçõesmui odi íceiscom ecu soa ipog a iasclandes inas
edis ibuídoa a ésdeumacomplexa ede,pa aqueojo nalchegassenãosóacada
umdosmili an es,mas ambéma odososqueseopunhamàdi adu a.Ope iódico
assumiu g ande p o agonismo como eículo de c iação da iden idade comunis a,
sendoummeiodecomunicaçãoen eosmili an es, alandodelesepa aeles,mas
in eg ando-os semp e numa comunidade mais ala gada de oposi o es ao egime. O
objec odees udodes e abalhoéocon eúdodoA an e!clandes inona o macomo
ojo nal“ alou”deecomessacomunidadedelei o es,desdea“ eo ganização”do
pa ido,iniciadaem1941,eo imdadi adu a,em25deAb ilde1974.Embo ao1º
núme odoó gãocen aldoPCP enhasidoedi adoa15eFe e ei ode1931,sóa
pa i deAgos ode1941,comapublicaçãodonº1daVISé ie,que i iaaman e -se
a éAb ilde1974,équeaediçãodojo nalse o nou egula ,publicando-sequinzenal
oumensalmen e.Po es a azão, o nou-seób ioque e iadese odaaVIsé iea
on ep incipaldes e abalho.
1P o e idaa19deJanei ode2017,noMuseudoAljube,naap esen açãodoli o“CadeiadoFo ede
Peniche,como oi i ida”,deCa losB i o.
2
O A an e! clandes ino, an o quan o oi possí el pe cebe , em sido es udado não
comoobje op imá io,mas, ãosó,in eg adocomo on ecomplemen a em abalhos
em o nodahis ó iadoPa idoComunis aPo uguêsedosseusp o agonis as.Nes as
in es igações,en easquaissedes acamasob asdoshis o iado esJoãoMadei a2e
JoséPachecoPe ei a3ouaindadeDawnLindaRaby4edaan opólogaPaulaGodinho5,
oA an e!su geemdoisplanos:comoumdoselemen osimpo an esna idadoPCP
du an eaclandes inidade;oucomo on eauxilia nade iniçãoda aje ó iapolí icae
es a égica do pa ido e dos seus di igen es. A e i icação de que o con eúdo do
A an e! não es a á es udado como objec o p incipal cons i ui, assim, uma das
mo i açõespa aaescolhado ema.
A opção me odológica seguida oi a de elege as edições do A an e!
clandes inocomo on esp imá iaspa adesen ol e umac í icadecon eúdopolí ico,
enquad adoemcadamomen odocon ex ohis ó ico.Os ex osnãosãoanalisadosdo
pon o de is a linguís ico, e, embo a não se igno e, como ale a a linguis a Ma ina
Yaguello,que“apala anãoéapenasumins umen o,é ambémumexu ó io,uma
o madeagi ,ummeiodea i maçãocomose social,umluga dep aze oudedo ”6,
o es udo enquad a-se concep ualmen e nas p opos as de au o es como Quen in
Skinne , no que es e his o iado e le e sob e o signi icado de um ex o, endo em
con aocon ex opolí icopa adesco ina ain ençãooumo i açãodoau o aousa
de e minada linguagem. Em Skinne , que pa e de O P íncipe, de Maquia el, e da
ci ação“énecessá ioqueop íncipeap endaanãose bom”,essencialéalei u apa a
alémdo ex o.“(...)nãoépossí elchega àconclusãodequeoP íncipe oiempa e
concebido como um a aque à na u eza mo alis a dos manuais humanis as pa a
p íncipesapenasa a ésdoes udodo ex odeMaquia el,jáqueesse ac onãoes á
2JoãoManuelMa insMadei a,‘OPa idoComunis aPo uguêsEaGue aF ia:“sec a ismo”,“des io
de Di ei a”, “Rumo À Vi ó ia” (1949-1965)’, 2011; João Madei a, His ó ia Do PCP(Tin a da China,
2013).
3JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica(TemaseDeba es),4 ols.
4Dawn Linda Raby, Po ugal, A Resis ência An i ascis a Em Comunis as, Democ a as E Mili a es Em
OposiçãooaSalaza ,1941-1974(EdiçõesSalamand a,1988).
5PaulaC is inaAn unesGodinho,‘Memó iasDaResis ênciaRu alNoSul’,1998.
6Ma inaYaguello,AliceNoPaísDaLinguagem(Edi o ialEs ampa,1991),p.21.
3
con empladono ex o.(…)assim,pa ece-meindispensá elpa aasuacomp eensão
umaou a o madeanáliseque ápa aalémdele os ex os«umaeou a ez».
Pa ece-se-me ambémqueessaanálisede e ácon e umes udodascon ençõesedas
p essuposiçõeses abelecidaspa aogéne o,apa i doqualasin ençõesequalque
au o em conc e o possam — po uma combinação de dedução e conhecimen o
académico”—se descodi icados.”7
TambémnaanálisedasediçõesdoA an e!clandes inoassume-seoin e esse
po umain e p e açãopa icula do ex o, ocadanoqueele eme epa aa elação
comolei o /mili an e,con ex ualizadacomoconhecimen oadqui idosob eoPCPeo
mo imen ocomunis a,emge al, en andodescodi ica ain ençãodosau o es,que
nãoes ãoiden i icados.Essadescodi icaçãoéumpassopa a esponde à alpe gun a
inicial:comooA an e! a ouosseus?
Di idindo o abalho em ês pa es, a me odologia seguida passou po
iden i ica osdi e sospapéisassumidospeloA an e!du an eope íodoemes udo.
Na I Pa e — O A an e! c ia a sua comunidade — iden i icam-se os sinais da
cons ução da comunidade de lei o es a pa da c iação da sua p óp ia iden idade,
comosujei onuma elaçãobiuní ocacomosmili an es, endocomosus en áculoo
concei ode“comunidadesimaginadas”, deBenedic Ande son, anspondo oque o
au o aplicaàiden idadenacionalpa aopa ido.Aoc ia cumplicidades,a inidadesou
con apon os,oA an e!,comosinónimodoPa ido,c iaumsen imen odepe ençaa
umuni e so,ondecabemosmili an es,os abalhado eshomensouosdemoc a as,
alémdospa io as,ex a asando,noen an o,as on ei as ísicasdopaís.Pode aze -
seumaanalogiacomoexemplodadopo Ande son:“Umame icanonuncaconhece á
ousabe áseque onomedemaisdeumamão-cheiaden eosseus240milhõesde
concidadãosame icanoscomoele.Não azideiadoqueosocupanumdadomomen o.
Mas con ia plenamen e na sua ac i idade con inuada, anónima, simul ânea” 8.
Tambémolei o doA an e!nãoconhece odososou oslei o es,masé-lheincu ida,
7Skinne ,p.199.
8Benedic Ande son,ComunidadesImaginadas(edições70,2017),pp.47-48.
10
ep esen açãocul u alalimen adapelacomunicação,quepe mi eumaiden i icação
decadaumcomog uponoqualseimaginainse ido.Esseg uponãoéquan i icá el,
mascadaumdosseusmemb osimagina-onasuadimensãoeimpo ânciasocialde
aco docomasuape cepçãoda ealidade ansmi ida,po exemplo,pelaimp ensa.
Nocasodasediçõesclandes inasdojo nalA an e!,essape cepçãoé e o çada
pelascondiçõesemqueope iódicoéesc i o,imp esso,dis ibuído,lidoedi ulgado.
Todaessacadeia,quecomeçanosdi igen esdopa idoeacabanossimpa izan esou
nos“ abalhado eshones os”,cimen aumacomunidadepolí ica,àqualcadaumdos
mili an es, indi idualmen e, seo gulha de pe ence . A adje i açãode “hones os”é
eco en emen eusadanaspáginasdoA an e!pa adesigna osnãomili an esque
não e am hos is ao pa ido. Como analisa o his o iado José Pacheco Pe ei a, “o
adjec i o‘hones o’ inhauma unçãoclassi icado acen al,queco espondiaàideia
ousseaunianadequeos‘homenshones os’nãopode iamse inimigosdopa ido.Po
isso o “legioná io hones o’ e o democ a a ‘hones o’ e am idos como ‘hones os’
po que,nãosendocomunis as,nãoe aman i-comunis as”16.
É com a VI sé ie, iniciada em Agos o de 1941 pelos ob ei os da chamada
“ eo ganização”dopa ido,queoó gãocen aldoPCPpassaase e dadei amen e
pe iódico,com edições egula es, embo a a ediçãoclandes inanão enha sido uma
expe iênciano apa aos“ eo ganizado es”,uma ezqueoA an e!,enquan oó gão
cen aldoPCP,jáexis iadesde1931comapublicação,emduassé iesde93núme os.
Como acen ua João Madei a17, segue-se um pe íodo da ida do jo nal que e le e,
comonãopode iadeixa dese ,acon ulsãoin e nadopa ido:“En e1941e1945,a
exis ênciadedoisPa idosComunis asemPo ugal, azcomqueumdeles,oquese
ep esen a aacon inuidadeo ganiza i a,masque i iaase designadode“g upelho
p o oca ó io”pelog upodos eo ganizado es,edi asseduasno assé iescomum o al
de20núme os.Nes epe íodoedi a am-sedoisjo naiscomomesmo í ulo–A an e!–
aindaquecomno anume açãodesé ie,cabeçalhos, ipodepapelesupo esg á icos
ela i amen edi e en es,poispelomenos,em1944-45,jánuma asedede inhamen o
e desag egação do “g upelho p o oca ó io”, o seu A an e! e a copiog a ado,
16JoséPachecoPe ei a,ASomb a.Es udoSob eaClandes inidadeComunis a(G adi a,1993),p.91.
17JoãoManuelMa insMadei a.p.665.
11
enquan oqueodos eo ganizado esse iain a ia elmen eimp essoemp elo”.
A o mação dessa comunidade como objec i o es á pa en e nas páginas do
p óp iojo nal.Logonop imei onº1daVIsé ie,deAgos ode1941,lê-se,numlongo
ex oquep eencheaquase o alidadedasqua opáginasdojo nal,in i ulado“OQUE
QUEREMOS!”:“OA an e azasuaapa içãocomoa ozdopo opo uguês,comoa
ozdePo ugal”.
No mesmo nº1, na página 4, num ou o ex o in i ulado “PREVENÇÃO”,
ca ac e iza-se o apa ecimen o do A an e! como: “O oque a uni de odos os an i-
ascis asede odososhomensquenãosejamcoba des”.
O econhecimen o da ele ância do jo nal pa a a consolidação de um
sen imen odepe ençacúmpliceaumg upo e ela-sena o macomooA an e!se
iden i ica e se assume, e e indo-se a si p óp io como um co po i o, quase
humanizado e in eg an e dessa comunidade imaginada, cujo uni e so não se
ci cunsc e eaoscomunis asmili an esdopa ido,masala ga-sea odos“oshomens
quenãosejamcoba des”.Ojo nal aladesi,comomemb odog upo,epa acadaum
dosou oselemen osdessamesmacomunidade.
AopiniãodeDomingosAb an es18,que,naqualidadededi igen edopa ido,
exe ceu unções na edação do A an e!, é condicen e com a ideia da comunidade
ala gadadojo nalecon i macomoesseobje i oe aassumidopelap óp iadi eçãodo
PCP:“OA an e!e aoelodeligaçãoen eosmemb osdopa ido.E aumo ganizado ,
masc iouumacomunidademui omaio doqueadopa ido”.Enessacomunidade,os
mili an es comunis as êmo gulho, o o gulho pelo ac o de o jo naldo seu pa ido
chega mais longe do que a es u u a pa idá ia, mas, sob e udo, po e esis ido,
como en a iza Domingos Ab an es: “Foi um g ande ei o e mos man ido edi ado o
A an e! du an e an o empo, en e 1941 e 1974, inin e up amen e naquelas
condições.Nãohámui oscasosdes esnomundo,apesa dequase odosospa idos
comunis as e em a sua imp ensa clandes ina, e há um di e ença, o nosso semp e,
semp e imp esso no país. Não há um único exempla que i esse sido ei o no
es angei o.Éob a,po quee adeumag andecomplexidade.Umdos ipóg a osmais
18En e is aaDomingosAb an es ealizadaa21deMa çode2017,nasedenacionaldoPCP,emLisboa.
Sal oou aano ação, odasasci açõesa ibuídasaDomingosAb an es esul amdes aen e is a.
12
ex ao diná ios que conheci, o mais ápido, e a um miúdo de seis anos. Foi numa
ipog a iaemLinda-a-Pas o a.Ele inha indocomospaisdeFa e,nãosabiale ,mas
conheciaasle asecompunhacomumades ezae apidezex ao diná ia.Depoiso
pai oip eso,eu uip esoenãoseioque oi ei odele”.
Amesmaconsciênciadaimpo ânciadoA an e!,inspi adanosensinamen os
leninis assob eao ganizaçãodopa idoeda sualigaçãoaosex e io aplicadosao
con ex o polí ico po uguês, em que não exis ia Imp ensa li e, é exp essa po
Ma ga idaTenga inha:“OA an e! e eumaimpo ânciaeno mepeloconhecimen o
quep opo ciona asob eoquesees a aapassa nopaísenomundo.Enquad a a-se,
eenquad a-se,nosmoldesexa osdoqueLeninees abeleceudoquede e iaoó gão
cen alin o ma i odoPa ido.Tinhaquese ,simul aneamen e,umo ganizado ,um
in o mado eummobilizado .Nessesen ido,comoo ganizado ,oA an e!éumelode
ligaçãoen eosmili an es.E a ambémoúnicoó gãodein o maçãoquedizia odaa
e dade,p oibidapelacensu anosou osjo nais”.
Es es es emunhos são e elado es do que signi ica pa a os comunis as a
con inuidade egula do A an e! du an e a di adu a, endo em con a odas as
di iculdades que en ol iam a sua p odução, desde a edação dos ex os que, em
mui os casos chega am de á ios pon os do país, a é à imp essão em ipog a ias
clandes inas, que a odo o momen o podiam cai nas mãos da polícia polí ica,
passandopeladis ibuição,camu ladae,emge al,debicicle a,omeiode anspo e
po excelência dos mili an es clandes inos. Aliás, a bicicle a o nou-se ambém um
símboloda esis ência,àsemelhançadoqueacon eceudu an eaocupaçãonazi,em
F ança,du an eaIIGue aMundial.Comolemb aaan opólogaPaulaGodinhona
sua esesob e a esis ência u al,abicicle a oi ans o madaemícone naob a de
icçãodeÁl a oCunhal,assinadacomopseudónimodeManuelTiago,numelogioao
es o çoeàcapacidadedeen egadosmili an es.“Ape sonagemVaz,do omanceA é
amanhã,cama adas,deManuelTiago-ob aes u u an edacul u ade esis ência-
um mili an e gene oso a é ao limi e do humano, az-se semp e anspo a numa
13
bicicle a, que se o na uma ma e ialização da pob eza e do es o ço con ínuo do
abalhoclandes ino.”19
2.Cumplicidadee esponsabilidade
2.1“De e de odoocomunis a”
Ac iaçãodecumplicidadeedeco esponsabilidadedoslei o esem elaçãoao
jo nales ásemp ep esen eemapeloscons an espa aumacolabo açãomaises ei a
eemo ien açõesa espei a nãoapenaspelosmili an es.Se“Le edi undi oA an e!
éode e de odoocomunis a”,umadi e i a,publicadaemDezemb ode1941,na
qual ica pa en e a impo ância do pe iódico no quad o da mili ância comunis a,
ambém “Auxilia a publicação do A an e! é a ob igação de odos os mili an es
e olucioná ios”,comoselênaediçãoseguin e,deOu ub odomesmoano.Jáan es,
emSe emb o,nonº2,oapeloe aoseguin e:“Cama adas!Nãobas ale oA an e!é
p ecisoquenelecolabo em ambém”.
Háexemplosde ex osquesedi igemdi e amen eaumg upomaisala gado
doqueodosmili an es.ÉocasodoapelopublicadoemSe emb ode1955:
”T abalhado es! Democ a as! Lendo e dando a le o A an e! a odas as
pessoas hon adas ossas conhecidas le a ás (...) a oz da e dade a um
núme ocada ezmaio depo ugueses”.
Es esapelos,oudi e i as, ão epe i -seaolongodasediçõesde odaaVIsé ie
doA an e,oqueacen uaacon ibuiçãodojo nalpa aac iaçãodeumaespí i ode
g upo.No undo,oA an e!éumpa imónio i odalu aan i ascis a,quecabea odos
os comunis as e “homens hones os” sal agua da . Daí que na 1ª quinzena de
Dezemb ode1942,seleia:
“Di unde o nosso jo nal, cama ada. Depois de le es o A an e! não o
inu ilizes.Dá-oaumamigodecon iança,en ia-opeloco eioauman i-
ascis aousimpa izan e,me e-opo debaixodapo adumacasaope á ia,
19PaulaC is inaAn unesGodinho,‘Memó iasDaResis ênciaRu alNoSul’,1998,pp.210-1211.
14
deixa-onumluga ondepossase apanhadopo um abalhado .Depoisde
le esoA an e!,con ibuipa aadi usãodoA an e!”.
Oapeloàdi usão,noen an o,e adealcancelimi adopo quepassa ojo nal
pa a mãos inimigas cons i uía um pe igo e pode ia signi ica a p isão. F ancisco
Ma insRod igueslemb ao empo,noiníciodosanos50,emquee adi ícilconquis a
a con iança dos cama adas. “Nesse empo, pa a le um A an e! e a o cabo dos
abalhos.Euaindanãode ap o assu icien es(duaspequenasp isões,semes á ua
nemnada,e apouco)e odosse aziamdesen endidos:‘Não enho,hámui o empo
quenão ecebo’.Op imei oquemelemb odemeemp es a um oioViegas,ba bei o,
deCas oVe de,quejápassa apelacadeia”20.
Talcon adiçãoen eosapelosàdi usão,queseque iaomaisamplapossí el,
eanecessá iacau elapa aga an i asegu ançadamáquinapa idá iae aassumidae
inhadese esol ida eco endoaumape cepçãoins in i a.Essemé odonãoe a
isen o de pe igo, como es emunha Domingos Ab an es: “Ha ia um isco, que e a
assumido,mase apossí elalgumain uição.Adis ibuiçãoe acomplexa, unciona a
em ede. Ia um paco e pa a de e minado local, onde e a epa ido pa a se le ado
pa aou oslocais.E aumelomui olongoein incado,de o maaqueapolíciapodia
chega aumdis ibuido masnãoconseguiaqueb a acadeia”.
Me ece e di ei o a que lhe seja passado o A an e! e a uma conquis a
inesquecí el pa a mili an es comunis as. Ca los B i o 21 con a como se sen iu
“o gulhosocomap o adecon iança”quando e eacessoaojo nalp imei a ez,no
iníciodosanos50.“’Tomalá,masnão umesaqui’, oiassimoa isob incalhãode
umacompanhei odees udos,mais elho,aopassa -seumli odemo alhasZig-Zag,
uma a de,emplenoCa édoChiado.Tinha-mep e enidoqueláden o,dissimulado
en eas iníssimas olhasdepapelde uma ,es a aumA an e!,ojo naldoPa ido
Comunis a, ambémempapelmui o ino.E aomeup imei oA an e!,aindanão inha
dezoi oanos.”
20F anciscoMa insRod igues,OsAnosDoSilêncio(Dinossau o/Ab en eEdi o a,2008)pp28-29.
21Ca losB i o,TempodeSub e sãoPáginasVi idasDaResis ência(NelsondeMa os,2011),p.131.
15
Recebe pelap imei a ezumexempla doA an e!signi ica a ambémumdos
meios da iniciação, de en ada pa a as ilei as do pa ido, ou melho , pa a uma
comunidade conspi a i a e clandes ina. Pa a José Pacheco Pe ei a, que es udou os
mecanismosde ec u amen odoPCP,“ ec u a nãoe asomen epe igosopa aquem
e a ec u ado,e a-oigualmen epa ao ec u ado .(...)Po isso,adecisãode ec u a
ci cula a e icalmen enahie a quiadopa ido,po azõesdecon iançapolí icaede
segu ança,e e a semp econ olada de cima”22.A ep essão da políciapolí ica,que
usa aoincen i oàdelaçãocomoa mapa ains ala eman e umasociedadeomais
possí el acoba dada pelo medo, o na a he oica a esis ência. “En a no PCP,
p incipalmen e nas décadas de 40 e 50, e a en a pa a um mundo de e e ências
a ec i as,cul u aisepolí icasquecons i uíamumacon associedade,inc us adanum
paísque,deummodoge al,desconheciaouigno a a.”23
Passa a po a pa a esse mundo de con a-sociedade implica a o acesso à
imp ensaclandes ina,cujalei u acons i uíaumsinaldis in i odequem inhapassado
de simpa izan e a mili an e.“A pa i da ase de simpa izan e, com a ecepção do
A an e! (ainda que e en ualmen e não saiba le ) e a con ibuição com undos
des inadosàmanu ençãodoapa elhoclandes inoeaoauxílioaosp esospolí icose
suas amílias,oenquad amen ocomomili an epode iaoco e .(...)A ecepçãodeO
Mili an e,conjun amen ecomoA an e!eoCamponêsda acon adessamudançade
es a u o:o ec u adoacedia,pelo i odeen ada,ain o maçãoac escida,epene a a
numdomínioaque,naan e io condição,nãoconsegui iaacede .Nosin e oga ó ios
após a p isão, a polícia polí ica es a a pa icula men e a en a a es as lei u as,
indiciado asdemaio oumeno en ol imen o.”24
2.2“Nuncainu ilizesoA an e!”
22Pe ei a,p.88.
23Pe ei a,p.89
24Godinho,p.193.
16
A p ese ação do A an e! como pa imónio da casa comum da esis ência à
di adu a é pe manen e e insis en emen e ealçada nas páginas do jo nal. Na 2ª
quinzenadeJulhode1942,ap eocupaçãoésublinhadanosseguin es e mos:
“Lei o . Nunca inu ilizes o A an e! po que a sua publicação cus a uma
imensidadedesac i ícios”.(...)Éopo a- ozdosan i- ascis aseop imidos
dePo ugal,po issode ese lidopo odoseles”.
A “imensidade de sac i ícios” é bem ca ac e izada pelo his o iado João
Madei a, ao ela a as condições em que e a edigido e imp esso o A an e!
clandes ino. “O sis ema u ilizado na imp essão do ó gão cen al do PCP o a
implemen adoem1933po JosédeSousaepo Ben oGonçal es.Op eloeascaixas
com as le as em chumbo pa a a composição cons i uíam a o icina de imp essão e
cabiam pe ei amen e den o duma casa comum. As pequenas dimensões do p elo
adap a am-sejus amen eaespaços ela i amen elimi ados.E acolocadasob euma
mesa sólida, cujos pés dispunham de calços de bo acha, necessi ando apenas de
espaçosu icien epa aque,deumlado,secolocasseopapele,doou o,a in a.Com
ecu so às le as de chumbo num abulei o ou ama mon ado, ni elado e ape ado
en ecalhas, o mandoumquad osob eabasedop elo,compunha-semanualmen e,
le aale aelinhaalinha,apáginaaimp imi .A in ae aaplicadasob eoquad o
po in e médiodeumpequeno olo.Opapele aen ãocolocado, olhaa olhapo cima
azendo inalmen eco e en eduasguiasum olo de e o, ela i amen epesado,
com duas pegas e e es ido a bo acha, cuja p essão sob e o papel pe mi ia a
imp essão.”25
Ascondiçõesdep oduçãodojo naline en esàclandes inidade,com ep essão
policial po meio de assal os a ipog a ias, são ing edien es pa a “pe soni ica ” o
p óp ioA an e!,exal adocomoumhe óidopa ido,nasp óp iaspáginas.Aediçãonº
300,emaiode1961,éexempla dessac iaçãohe oicadoó gãocen aldopa idoe
dequemop oduz.Sobo í ulo“OA an e!aose içodalu apopula ”,lê-se:
“OA an e! emconseguido ence semp ea ep essão e ozqueogo e no
deSalaza lhemo e;mesmodepoisdosassal osàs ipog a iasdoA an e!,
25JoãoManuelMa insMadei a.,p.265
17
em 1945 e em 1949, o ascismo não conseguiu cala a sua oz, pois,
passado um mês, o A an e! eapa ece nas áb icas, campos, escolas e
uas”.
Numou o í ulo(“Doisob ei osdoA an e!”)deau o-comemo açãodos300
núme osdaVIsé ie,oA an e!glo i icaosmá i esquecaí amemsuade esa,“dois
cama adasque idos(...)cujoexemplodehones idade,delealdadeedeco agemse á
semp eac ual.SãoelesJoséMo ei a,que,“p esoemJanei ode1950,p e e iuda a
ida nas mãos dos ca ascos da PIDE do que denuncia a ipog a ia do A an e!”, e
Ma iaMachado,que,“p esanuma ipog a iadeA an e!en en ouco ajosamen ea
PIDEeaGNRqueace ca ame alouaopo oquep esencia aasuap isão,sob eo
A an e!ealu adoPa ido”.
Num ela o na p imei a pessoa, Domingos Ab an es ala da p oli e ação de
ipog a ias, o que pe mi iu man e a edição do jo nal, apesa da ep essão policial:
”Nosanos30,sóha iauma ipog a ia,masdepoisins alámosuma ede,quepe mi iu
que a publicação não ol asse a se in e ompida. Numa de e minada ase, só na
ma gem sul, ínhamos ês, pa a o A an e! e pa a odo o es o de ma e ial. Essa
descen alizaçãope mi ia ambém acili a adis ibuiçãoeo o necimen odepapel,
aliás, epa a-sequeemde e minadasediçõesopapelnãoe a odoigual.Alémdisso,
sóosmemb osdosec e a iadoéquesabiamalocalizaçãode odasas ipog a ias,po
isso,sealguém osseapanhadopelapolícianumadas ipog a ias,nãopodia e ela
ondees a amasou aspo quenãosabia”.
JáMa ga idaTenga inha eco daque,quando ol oua abalha na edação
doA an e!,noPo o,jáno inaldosanos60,e ap ecisoduplica o abalhopa aque
ojo nal osseimp essoemduas ipog a iasemsimul âneo.“Po essaal u a,epo que
e apon odehon adadi eçãodopa idoqueoA an e!nãopodiapa a ,passoua
ha e duas ipog a ias uma Lisboa e ou a no Po o pa a o caso de uma se
desman eladapelaPIDE.E aeuquemle a aos ex oseasmaque es(duasmaque es
exa amen eiguaisqueeu azia)às ipog a ias.Faziam-se êscópiasdecada ex o,
uma ica ana edação,pa acon oloepa ase a qui ado,easou asduasseguiam
pa acadaumadas ipog a ias”.
2.3“Indes u í el”
18
Oeng andecimen odosexemplosdeJoséMo ei aeMa iaMachado emainda
maio exp essão na p imei a quinzena de Agos o de 1961, que assinala o 30º
ani e sá iodoA an e!,classi icadocomo“indes u í el”eo“únicojo nalli eeoguia
do po o po uguês”, num ex o ilus ado com g a u as das o os dos dois
mili an es/he óis.Numaediçãoemqueépublicadanap imei apáginaumag a u a
que ep esen auma ipog a iaclandes ina,es áesc i o:
“O nosso jo nal é o esul ado da on ade he oica de milha es de
comunis ase abalhado esquenelecolabo am,queoimp imem,queo
dis ibuemde áb icaem áb ica,dealdeiaemaldeia,po odoopaís,que
ecolhemdinhei opa aosus en a .OA an e!éa oza den edaclasse
ope á iapo uguesaepo issoeleéindes u í el”.
Já nos anos 60, o A an e!, ao celeb a 34 anos, ol a a classi ica -se como
“in encí eljo naldos abalhado es”eainda,semp e,oa iso:
“Es ejo nal ep esen amui oses o çosepe igos.Nãoodes uas!Passa-o
aumapessoada uacon iançaoula ga-oondepossase apanhadopo
algum abalhado ”.Po que,comoes áimp essononº358,deAgos ode
1965,“oqueaImp ensaamo daçadapelacensu anãodizencon aopo o
noA an e!”.
Ao se um símbolo in encí el da pe ença a uma comunidade, o A an e!
clandes ino alecomoumobjec ode esis ênciaenãoapenaspelocon eúdodosseus
ex os, dou iná ios ou in o ma i os. Numa sociedade com uma ele ada axa de
anal abe ismo (na década de 50, de 50% nas mulhe es e de 30% nos homens26), a
lei u adoA an e!e ap i ilégiodealguns,empa icula nosmeios u ais,ondemui os
ou iamepoucosliamoquees a aesc i onaspáginasdojo nal.
“Osec e ismodapassagemdos ex os,queab angiamesmoosile ados,bem
comoaassociaçãodaadesãoaumideá iocomasolida iedadeem elaçãoàqueles
quees a amaso e nacadeia,cala a undono ec u amen o:“Umhomenzi oque
anda aaí,andá amosemVe dugosa i a co iça;ohomemapa ecia-melácomos
26SegundodadosdoINE(Ins i u oNacionaldeEs a ís ica)consul adosemwww.ine.p
19
A an e!’spequeninos.Eunãosabiale .Ele ambémnão inhaandadoàescola,mas
depoiscomeçou-meadize :«Ehpá, unão ensdis o?Elescáapa ecem, unão ens
p ecisãodesabe queméqueos az.Todosos15dias emeagen edá5escudos
pa aajudadosp esosquees ãonascadeias,pa ao abaco,pa aaalimen ação».Eu
disselogo:«Que o,pois,que o».(JoãoPed oMa a a)”27.Na esedePaulaGodinho
sob ea esis ênciacomunis a,noCouço,jáaquici ada,JoãoPed oMa a aéumdos
mili an escomunis asen e is ados,quedáoseu es emunhodas a e asquo idianas
damili ânciaclandes ina.
3.Ob igaçõesedi e i as
3.1Es o çoesac i ício
As di iculdades e o sac i ício de p oduzi quinzenalmen e o A an e! são
ambémdeo demmone á iaeissomesmoé ealçadocominsis êncianaspáginasdo
jo nal.Olei o é is onãoapenascomolei o mascomopa edacomunidade,pa aa
qualéchamadoacon ibui em odosossen idos,nosplanosideológico,disciplina e
ma e ial.
Logoa pa i donº2, de Se emb ode 1942, aVIsé ie do A an e!começaa
publicação egula de apelos ao apoio ma e ial à Imp ensa do Pa ido, que se
es ende ia ao p óp io pa ido. F ases como “o Pa ido só pode á i e median e o
auxílio cons an e de odos os abalhado es” passam a se publicadas egula men e
em pa alelo com di e i as conc e as sob e a o ma como de em se anga iados e
canalizados,comapelosàc iaçãode“g uposdeauxílioaopa ido”.Maisuma ez,é
es imulado o concei o de pe ença, mais do que a um g upo e i o ialmen e
delimi ado,aumuni e sosem on ei as ísicas,mascomumaiden idade o jadana
esis ênciaàdi adu a.Quemcon ibui êoseues o çoag adecidopublicamen e.Sob
o í ulo “Quan ias ecebidas dos amigos do pa ido”, o A an e! passa a publica
egula men elis ascomosnomescodi icados(indi iduaisoudeg uposcons i uídos
pa aoe ei o)dequemcon ibuiecomquan o.
27Godinho,p.187.
26
amadopelasmassas abalhado asepelopo oemge al,po queeleéo
seuguia,po queeleéasuap óp ia oz.(...)
Num egis oque ol aa es ala pa aali e a u a,aediçãonº121,deAgos ode
1948,quandoseassinalamosse eanosdepublicaçãocon ínuadoA an e!,oexemplo
ol aase usadopa aexal a oó gãocen aldopa ido,no ex oin i ulado,“QUEM
VIVEESENTECONSEGUE”:
“Umcasalde elhinhos.Ele,com80anos, êmal.Acompanhei a,com70
anos, copia à mão o A an e! Pa a o companhei o pode le . Mas como
ambémjánão êmui obem,pedeaumcama adaquelheexpliquece as
passagensdosa igos,pa aelapode aze acópia.Semcomen á ios.”
Senaspáginasdojo nalaexal açãodaimpo ânciadoA an e!é equen e,
sobdi e sas o mas,nali e a u aes e e ambémp esen e,nomeadamen enaob a
de Soei o Pe ei a Gomes, como ilus a a passagem con o “Re úgio Pe dido”31de
No emb ode1948)dedicado“Aocama adaJoão(pseudónimodeDiasLou enço)que
inspi oues econ o”:“Jáosuo lheesco iapelas aces;ossapa osape a am-lheos
pés,como enazes;eumado aguda ixa a-se-lhenosquad is:masce a aosden es,
numade e minaçãode odooseuse .‘Nãola ga eiamala!Hei-deen ega osjo nais
queoscompanhei osmecon ia am!’”(...)“Aconchegouaopescoçoagoladocasaco;a
malase iu-lhede a essei o.‘O a,quelheimpo a aa ome?En ega iaosjo nais
naho ado ecu so;le a a ao imasua a e a. Eum dia...umace amanhãdesol
adioso...sim,desol...Ah!”
Além de co esponden e e colabo ado , o lei o do A an e! em ambém a
esponsabilidade de di ulga , não apenas o objec o jo nal, mas o seu con eúdo, a
mensagemcomunis a.NasegundaquinzenadeJanei ode1944,es ábemexplici aa
in ençãodoA an e!dep omo e aagi açãodemassas:
“Cama ada: Es e A an e! que e oi pa a às mãos é p ecioso. Não o
des uas. Fá-lo chega pelo p ocesso melho a ou o abalhado hones o ou
manda-lhepeloco eio.O eude e é aze es udopa aajuda esamissãodo
31Soei oPe ei aGomes,Con osVe melhosEOu osEsc i os(EdiçõesA an e!,1979).
27
nossoA an e!queéoúnicojo nalli eeoguiadopo opo uguêsnasualu a
pelo Pão, pela Libe dade e pela Independência. Cama ada: O A an e! não é
pa ale umasó ez.P ocu a ixa osseusensinamen ose aladelesaos eus
amigos e conhecidos, embo a sem dize onde os os e encon a . P ocu a,
assim, o na - eumin e mediá ioac i oen eoA an e!easmassas,en eo
A an e!EoPo o.Nãopode ás u,no eusec o do abalhoouna ua e a,
le a asmassasamo imen osde ei indicação?”
5.C í icaseco eções
5.1”Desleixo”
Ao ala di e amen ecomoslei o es,oA an e! o na-se ambémum eículo
dead e ênciaedec í icaaosmili an es.Apa deumacampanhapa aape iocidade
dapublicaçãopassa demensalpa aquinzenal,aqueco espondeumaumen odo
p eçodecapa,bemcomoal e açõesg á icasnosen idoda eduçãodocabeçalho,o
que pe mi e uma alo ização do espaço ú il no co po do jo nal pa a no ícias, é
publicada,naediçãodeAb ilde1942,uma esoluçãodadi eçãodopa idoc i icando
“odesleixodosenca egadosdadi usão”doA an e!.
Pos e io men e, as c í icas passa am a se mais polí icas e in eg a am-se na
eo ien açãodo umodopa ido.Falamosdoiniciodosanos60,quandoCunhal,já
depois da uga do o e de Peniche, se o na o malmen e sec e á io-ge al e
emp eendealu acon a“odes iodedi ei a”,a as andoosdi igen ese“co igindo”a
linhapolí icap o agonizadapo JúlioFogaça,baseadana eo iada“ ansiçãopací ica”.
Logonoiníciodain es idadeCunhal,oA an e! oip o agonis a,ao e sidoal ode
a aque po não e no iciado com o de ido des aque a apa a osa uga de Peniche.
Como ela aJoséPachecoPe ei a,aediçãoda adadeDezemb o1959no icia aa uga
de3deJanei onap imei apáginacomo í ulo“T ezep esospolí icos econquis ama
libe dade”,semdes aca aimpo ânciadessesp esosnoapa elhodopa ido.Aedição
oi suspensa e acaba ia po sai uma ou a já da ada de janei o de 1960, na qual,
ci andoumcomunicadodoSec e a iadodeComi éCen al,seindi idualiza,em í ulo,
28
o nome de cada um dos eze ugi i os32. Esse núme o, do A an e!, da ado de
dezemb o de 1959, não exis e digi alizado na página elec ónica do PCP, onde es á
disponí elacoleçãocomple adoA an e!clandes ino.
5.2Au oc í ica
Aco eçãodalinhaedi o ialdoA an e!acompanhouocaminhope co idona
o ien açãodopa ido.Masno a a-sealguma esis ênciaaosno os empos.Sinaldisso
es ánaediçãodeJulhode1961,comapublicaçãonap imei apáginadeumano ada
ComissãoPolí icasob easopçõesedi o aisexp essasnojo nal:“AComissãoPolí ica
doComi é Cen alVe i icaque oA an e!não em aduzidocom su icien e igo as
decisõesdosó gãoscen aisdoPa ido(...)”.
A c í ica incidia sob e a o ma como ha iam sido no iciadas as duas úl imas
euniõesdoCC,deDezemb ode1960eMa çode1961,nasquais o acon es adaa
endência in e na epu ada de “ana co-libe al” e lançada a es a égia do
“le an amen onacional”com is aaode ubedo ascismo.Ano aconclui:
“Es as e ou as de iciências do A an e! esul am em ce a medida da
desa enção de cama adas do co po edac o ial pelas di ec izes e
ecomendações do p óp io Comi é Cen al, da Comissão Polí ica e do
Sec e a iado.Pa aqueoA an e!possacump i asuamissãoénecessá io
que seja assegu ada a di ecção polí ica do A an e! de o ma a que
co esponde às di ec izes do CC, da sua Comissão Polí ica e do seu
Sec e a iado.Oes ímuloaumamaio inicia i adoco po edac o ialde e
se acompanhado de uma maio cen alização da di ecção polí ica. Pa a
assegu a queissoseja ei o,aComissãoPolí icaeoSec e a iado doCC
oma áasnecessá iasmedidasp a icasdeo ganizaçãoedequad os”.
Jáem1964,oA an e! ol aapublica c í icasaosseus ex os.Sobo í ulo“Um
e odeo ien ação”,épublicadonaediçãoespecialsob eo1ºdeMaio,um ex ono
32JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica,OSec e á io-Ge al(1960-1968)(Temase
Deba es/Ci culodeLei o es,2015)pp30-33.
29
qualseassume e emsidocome idos“algunse osdeo ien açãoesque dis as”,que
i e am “exp essão mais salien e nalguns documen os publicados, mani es os e
a je as”.O ex o,quese epo aaousodeexplosi osnasmani es ações do1ºde
Maio, e minacomaau o-c í icadojo nal:”Es edes ioapa eceumesmo e lec idono
A an e!,noa igodeMa çosob eo1ºdeMaio”.
Oepisódio e elaaexis ênciadadiscussãoin e nasob eaopçãoda iolência
como au o-de esa pe an e as ca gas policiais. Ci ando o nº127 da III sé ie d’ O
Mili an e,noqualseesc e eque,“na aseac ualdaRe olução,asmani es açõesde
massas con inua ão a ca ac e iza -se como mani es ações essencialmen e pací icas,
i ando daí oda sua o ça ace ao egime salaza is a”, João Madei a in e p e a a
au oc í ica incluída nas páginas do A an e! como uma en a i a dos di igen es do
pa idode“ epo aques ãoda iolêncianoseude idoluga ”.
Mas,emMaiode1965,ojo nal ol aase ob igadoapublica um ex o,des a
ezmui oc í icoaoseup óp io abalho:
“O A an e desde há mui o não co esponde à esponsabilidade do seu
papel. O A an e não aduz com co ecção a linha polí ica e ác ica do
Pa ido, acusa equen es acilações polí icas e des ios dessa linha, não
abo damui osdosmaisimpo an esp oblemaspolí icosnacionais, al a-
lhecon inuidadedumpensamen opolí ico,deixaescapa ounãodes aca
mui osacon ecimen osdamaio impo ância,não alo izade idamen eas
lu asdemassas,nãoasin eg anape spec i a e olucioná ianem i aas
suas expe iências undamen ais. Es a cons a ação ei a em Janei o de
1965, na eunião do Comi é Cen al, no seguimen o de ou as ei as nas
an e io es euniõesdoCC,le amoComi éCen aladecla a se u gen e
aze uma ec i icaçãoque,apesa ealgunspassossigni ica i osjádados,
es álongedese alcançada.(...)”.
Ac í icasu genasequênciadap epa açãodoVICong esso,quese ealiza ia
emSe emb onaUniãoSo ié ica,queap o ao“RumoàVi ó ia”,o ela ó iodeÁl a o
Cunhal, no qual se ap o unda e consolida a es a égia de comba e ao “des io de
di ei a”.
30
Com os exemplos acima ci ados, ica cla o que o ó gão o icial do PCP es á
ob igado à sua au oc í ica, à semelhança do que é exigido aos mili an es. A inal, o
A an e! ê-seasip óp iocomomemb odeumcolec i o,queédopa ido.
Da análise da o ma como olha pa a a sua unção no quad o da mili ância
an i ascis a e como ala de si p óp io e das condições em que é p oduzido, pode
sin e iza -se, como já oi e e ido an e io men e, que o A an e! se iden i ica e se
assumecomoumco po i o,quasehumanizado, azendopa ein eg an edessa al
comunidade imaginada e sendo, simul aneamen e, o elemen o aglu inado que
ansmi eaideiadepe ençaaog upoe o napossí elap óp iacomunidade.
31
PARTEII—Ajus esdecon as
1.A eo ganizaçãoeosdoisA an e!
1.1C í icaaos“con ucionis as”
OA an e!es ánoce nedag andemudançao ganiza i adaes u u adoPCP,
comachamada eo ganizaçãode1941,quese iaabasedopa idoque i iaa o na -
sehegemóniconoconjun odosmo imen osde esis ênciaedeoposiçãoàdi adu a.
O ó gão o icial do pa ido passa a e publicação egula e é, como e emos nes e
capí ulo,simul aneamen e,umins umen oes a égicodeconsolidaçãodano a ase
da idadopa idoeumapeçaessencialnasdepu açõesideológicasquei ãosendo
execu adasa éao inaldadi adu a,em1974.Aolongodesses33anos,são á iose
di e samen edi ecionadososajus esdecon as,in e noseex e nos,iden i icadosnos
ex osanalisados.
Coma eo ganização,comoDawnLindaRabyacen ua,amudançanopa idoé
p o undaee idenciaap eocupaçãoemc ia uma e dadei a edeclandes ina:“Nos
anos30ascélulasdoPa idoe am equen emen eo ganizadaspo uasoubai ose
as euniões ealiza am-se igualmen e em uas ou p aças; a pa i de 1941
cons i uí am-se células de áb ica ou de emp esa as euniões e am limi adas ao
mínimo, p e e indo-se os con ac os indi iduais, que despe a am menos suspei as.
Gene alizou-seousodepseudónimoseosmemb osdascélulasnãopodiamsabe o
e dadei os nome, p o issão ou mo ada do seu 'con olei o'. Os no os con ac os
aziam-sesemp ea a ésdesan o-e-senhaea al adequalque con ac op e is oe a
imedia amen e comunicada às hie a quias pa idá ias. A maio ia dos documen os
e amemcódigoeos ichei os,comexcepçãodoComi éCen al, eduzidosomínimo;
aos uncioná ios e a exp essamen e p oibido equen a cinemas, es au an e ou
ou oslocaisdedi e sãoemui as ezes i iamemcondiçõesdeg andeisolamen o,
excep onosmomen osemqueseencon a amen ol idosemaçõesdemassas”.33
33Dawn Linda Raby, A Resis ência An i ascis a Em Po ugal: Comunis as, Democ a as E Mili a es Em
OposiçãoaSalaza ,1941-1974(Salamand a,1990),p.60.
32
Ano aes u u a i iaada u os apidamen eequa oanosdepoisopa ido
e ajáuma o çaincon o ná elnaOposição.“Po ol ade1945,oPCPsu giacomo
uma au ên ica al e na i a e olucioná ia, dominando o mo imen o de massas e
cons i uindoumasé iaameaçaàsob e i ênciado ascismo:goza ade espei oen e
la goscí culosin elec uaisedasclassesmédias,sendoaomesmo empocla amen e
dominan e no mo imen o ope á io. Conse ou a sua hegemonia a é à e olução de
Ab ilde1974,mui oembo a i essepassadopo á iasc iseso gânicasem1949-51,
1958-60e1962-65,easuaposiçãocomolíde dop ocesso e olucioná io i essesido
pos aemcausasob e udoapa i de1958.”34
Hou e, no en an o, esis ência à mudança e a consequen e lu a pela
hegemoniapo pa edosno osdi igen es.Nosp imei osanosdapublicação egula
doA an e!,ose ei osda eo ganizaçãoes ãobempa en esnaspáginasdojo nal,com
og upo i o iosoac i ica o“g upelho”em iasdese encido.
É,assim,numclimadeajus edecon asqueélançadaaVIsé iedoA an e!,em
Agos ode1941.Logonop imei onúme o,épublicadoumcomunicadodoComi é
Cen alapô ospon osnosiis:
“P e enção.Ao e emconhecimen osdasaídadoA an e!,umg upelhode
in elec uais co ompidos que o am esco açados da di ecção do P. po
se emosp incipais esponsá eisdodescalab oaque inhachegadoan es
da sua eo ganização, esol e am en e eda pela p o ocação abe a e
cla a azendo sai alguns dias an es do ó gão cen al do nosso Pa ido,
umas olhascopiog a adasaquede amo í ulode‘A an e!’Quan omais
não osse,bas a aes aa i udepa aosdenuncia pe an eos abalhado es
po ugueses como elemen os con ucionis as e sabo eado es do abalho
pa idá io. Po sabe em que ‘Em F en e’ já não me ecia a con iança dos
abalhado es,equeo A an e! e a ansiosamen e espe ado po odos os
an i- ascis as, es e g upelho de p o ocado es esol eu es abelece a
con usão no meio e olucioná io pa a assim mais acilmen e ‘pesca nas
águas u as’.(...)Aindanãonoschegouàsmãosesse alsoA an emas
34Raby,p.51.
33
cons a-nos que nele se azem a i mações des i uídas de odo e qualque
undamen o.Po exemplo:diz-sequeosac uaisdi igen esdoPa idonão
o amacei espelopseudopa idodosp o ocado es.ÉABSOLUTAMENTE
FALSO!OS ACTUAIS DIRIGENTES E REORGANIZADORES DO P. NUNCA
QUISERAMNADACOMESSESELEMENTOS!SÓLHEFIZERAMSABERQUEOS
CONSIDERAVAM AFASTADOS DO P. E QUE OS TORNAVAM
INDIVIDULAMENTE RESPONSÁVEIS POR TODA E QUALQUER ACTIVIDADE
PROVOCATÓRIA DENTRO DO PARTIDO. Ti e am a ousadia de in oca o
nomededoisdosmaisp es igiososelemen osdoPa ido,Ben oGonçal es
eJosédeSousa,pa aseinculca emcomome ecedo esdacon iançades es
elemen os, que, es ando p esos, não podem publicamen e denuncia-los
como p o ocado es e ma ca -lhes o co ec i o me ecido. No p óximo
núme o do A an e! desmasca a emos mais de alhadamen e a acção
p o oca ó iades eselemen oseassuasligaçõescomagen esaose iço
dapolícia.Po ago aque emossomen ep e eni aclasseope á iae odos
os e olucioná ios conscien es , con a os manejos con ucionis as des e
g upelho, e dos pe igos que pode ão aze pa a a libe dade dos que o
segui em.”
É econhecidocomoessencialpa aaa i maçãodos eo ganizado esdopa ido
asepa açãodaságuaspa alimi a osdanosnamili ânciacomunis adosdoisA an e!.
Comoselênonº2,deSe emb ode1941:
“Do con uncionismo à p o ocação cla a. (...)Um g upelho de pseudo-
in elec uaisesco açadosdao ganização,p e ende aze -sepassa peloP.
e publica umas olhas copiog a adas a que deu o í ulo do nosso ó gão
cen al”.
Comoenquad aohis o iado JoãoMadei a,“en e1941e1945,aexis ênciade
doisPa idosComunis asemPo ugal, azcomqueumdeles,oquese ep esen a aa
con inuidadeo ganiza i a,masque i iaase designadode“g upelhop o oca ó io”
pelo g upo dos eo ganizado es, edi asse duas no as sé ies com um o al de 20
34
núme os.”35
É ainda Madei a quem ci a An ónio Dias Lou enço, pa a con a que “os
eo ganizado es sabiam que os do elho pa ido ‘ inham escondido a apa elhagem
écnica numa casa e o pa ido o ganizou o assal o a essa casa e le ou-se a
apa elhagem oda. Le ou-se os ipos e os p elos, num áxi do Pi es Jo ge’. O que
pe mi i ia assegu a a pa i de Agos o de 1941 a publicação de uma VI sé ie do
A an e!”36.
Tambémohis o iado JoséPachecoPe ei asublinhaau ilizaçãodo í ulocomo
a madeambososladosdacon endain e nanopa ido,aolemb a que“a e omada
dapublicaçãopelaDi ecçãodoA an e!emAgos ode1941 o malizouadi isão.Os
‘ eo ganizado es’ inham usado a ques ão do jo nal do pa ido como ins umen os
pa aisola (Vascode)Ca alho,associando-ocomoEmF en e!.OA an e!,du amen e
a ingidopelasquedasdas ipog a iasde1938-39,nãosepublica ajáhámaisdeum
ano,eoseusubs i u oEmF en e!nuncaseimplan ounoimaginá iocomunis a,pelo
ca ác e p ecá io da sua edacção e pe iocidade i egula . Os ‘ eo ganizado es’
oma amoabandonodo í uloA an e!comoumsin omademissioná iodaDi ecção.
(...)ADi ecção,conscien edequeojo nale a on edecon o é siaesabendopelo
anúnciodoMili an equeos‘ eo ganizado es’sep epa a ampa aedi a oA an e!,
esol ean ecipa -seepublica deno oumjo nalcomesse í ulo.Assim,em1941,são
publicadosdoisA an e!dis in oseumó gão eó icodos‘ eo ganizado es’comonome
de Mili an e. A decisão de publica ou epublica o A an e! não e e ou o mo i o
p óximo que não osse o comba e pela legi imidade pa idá ia. Não ha ia
inclusi amen e,po pa edaDi ecçãoumadecisãode e mina oemF en e!edo aze
subs i ui peloA an e!”.
En e as c í icas ao abandono do í ulo A an e!, hou e um assun o nunca
abo dadonano asé ie,que oiocomp ome imen odeÁl a oCunhalnolançamen o
do“EmF en e”.O emaé a adopeloshis o iado esFe nandoRosas,JoãoMadei a
eJoséPachecoPe ei a,aosalien a emaadesão a diadeCunhalàlinha encedo a
35JoãoManuelMa insMadei a.,p.664.
36Madei a,p.665.
35
que,nap á ica,i ialide a .Rosassus en aque“Cunhaléinicialmen ema ginalizado
nes ep ocesso(a épelasligaçõesque i e aàdi ecçãosoba aque)eéchamadoao
Sec e a iado do PCP em 1942, al u a em que Fogaça ol a a se p eso e é p eciso
encon a aalguémcoma caboiçoin elec uale eó icopa aosubs i ui nas a e asde
di ecção ideológica que desempenha a”. Essa chegada ex empo ânea não in alida,
comoacen uaRosas,queCunhalse o ne“ apidamen eoindiscu í eldi igen e ác ico
doPCP”37.
Numap imei a ase,como e e e Madei a,Cunhal, ao ade i só em 1941ao
“no opa ido”, e áge ado“algumadescon iançaem elaçãoasi,dapa edosque
saíamdasp isões,poisCunhalpe ence aaumdosúl imossec e a iadosdopa idoe
o aumdosmen o esep incipais edac o esdoEmF en e!.”38
JáPachecoPe ei aap o undaaligaçãodeCunhalàdi eçãodoan igopa idoe
aono ojo naleesc e e queumadasp imei asdecisõesdoSec e a iadodoPCP” oi
asubs i uiçãop o isó iadoA an e!po umno ojo nal,oEmF en e!.Foiemg ande
pa e po inicia i a de suges ão de Ál a o Cunhal que es e oi undado. Cunhal
en endiaque,nãoha endocondiçõespa amon a uma ipog a ia‘digna’pa a i a o
A an e!,oó gãodopa idode e ia e ou onome.Ha ia,aliás,ump eceden eno
ano an e io , quando as di iculdades de aze sai o A an e! le a am à edição do
No íciasVe melhas.”39
Es aci açãodePachecoPe ei a e ela,nãosóoen ol imen odeCunhalna
publicaçãoquesubs i uiuoA an e!,mas,acimade udo,aconsciênciadodi igen eda
impo ânciado í ulo,quede e iaman e -sesemamáculadasdi isõesin e nasedas
agilidadeso ganiza i aspelasquaisopa idopassa a.Maisdoqueumó gãocen al
dopa ido,oA an e!ca egaumaca gasimbólica,que i iaa e o ça -seaolongode
odoope íododaclandes inidade.
Com a consolidação da linha da eo ganização é e o çada a consciência da
37JoséNe es(coo d.),Ál a oCunhal-Polí ica,His ó iaEEs é ica(Tin adaChina),p.45.
38JoãoManuelMa insMadei a,p.89.
39JoséPachecoPe ei a,Ál a oCunhal,UmaBiog a iaPolí ica,«Daniel»,OJo emRe olucioná io(1913-
1941)(Cí culodosLei o es,1999),p.435.
42
omem uma a i ude de passi idade em elação à lu a con a o ascismo
(...)”
Na 2ª quinzena de Fe e ei o de 1945, sob o mesmo í ulo, “Polícias e
p o ocado es”, são denunciados agen es e in o mado es da PIDE, a pa de an igos
mili an es:
“Má io,ba bei o, o e,deóculos.Temduasba bea ias,umadasquaisna
RochadeCondedeÓbidos,nº102.Éumexplo ado dosseusemp egados,
despedindoosmeios-o iciaisquando e iaqueossubi deca ego ia.Es e
indi íduodizaosope á iosdosEs alei osquenãode em aze g e es,que
es assóse empa a aze adesg açados abalhado eseinci a-oscon a
‘aquelesqueque em e oluciona opessoaldaemp esa’.Es ep o ocado
emín imasligaçõescomomédicoVelezG ilo,doG upelhoP o oca ó io”.
Ou odosal osdos‘ eo ganizado es’ oiJosédeSousa,an igodi igen e,que,
p eso no Ta a al en ou em o a de di e gência com Ben o Gonçal es, ambém
enca ce adonocampo.Sousa,que i iaa esis i à“ eo ganização”,aoladodeVelez
G ilo, acaba ia po se expulso do pa ido em 1942, endo sido a c í ica ao pac o
ge mano-so ié ico a causa p óxima pa a o seu a as amen o. João Madei a, ci a a
ci cula do Sec e a iado do PCP, de No emb o de 1942, na qual é comunicada a
expulsão com o a gumen o de que José de Sousa, “ o a do Pa ido, acusou os
di igen es so ié icos de aição à classe ope á ia po conduzi em uma polí ica
ascis a”45.
Qua oanosmais a de,JosédeSousaade eaoPa idoSocialis aPo uguês,e
oA an e!,na2ªquinzenadeAb ilde1946,ap o ei aaocasiãopa alança c í icas
públicasaoex-mili an ecomunis a:
“Chegaaonossoconhecimen oqueos .JosédeSousa,queháumanos oi
dadi ecçãodonossoPa ido,acabadepedi asuaadmissãoaoPa ido
Socialis a Po uguês. (...) O s . J.S. oi expulso do Pa ido Comunis a
Po uguêsem1942,quandoseencon a anoCampodoTa a al,poeaí
45Madei a,p.123.
43
le a acaboumalu adesag egado aedi isionis ae e o madoumg upo
dissiden econ aoPa ido”.
O ex o e mina com uma ase i ónica: “Aos nossos amigos socialis as, (...),
desejamosqueconquis emumcompanhei o iel”.
O mês de Agos o de 1947 é o momen o escolhido pa a o A an e! ol a a
c i ica o“g upelho”.Fá-losobo í ulo,“Agos ode41-Agos ode47”,celeb andoa
en adanosé imoanodepublicação egula dojo nal.
(...)“6anospassa amsob ea eo ganização,aomesmo empoque emos
ocaminhoandandopelonossopa idoepeloseujo nal,in e essa ambém
e o caminhoandado po aquelesque, enquan ono pa ido, o amuns
sabo ado es e comodis as, que em 1940-41 an o se opuse am à
eo ganizaçãoeque,depois,nãosecansa amdecalunia pa ajus i ica em
a sua expulsão das ilei as do pa ido. Que é ei o desses esco açados?
José de Sousa, G ilo, Vasco de Ca alho, A ios o Mesqui a, Cansado
Gonçal es, e c, agindo sob a p o eção da PIDE e aligados a agen es do
impe ialismo es angei o na o mação de uma ‘Pa ido Socialis a legal’
(ondein elizmen eseencon amalgunsan i- ascis ashon adoseiludidos)
que ou a coisa não é senão a oposição ino ensi a que o Go e no de
Salaza sees o çapo c ia ,comopassopa aadi isãodosdemoc a ase
aniquilamen o iolen ode odaaoposição.Hoje,comohá6anos,háque
con inua a da comba e aos de o is as e di isionis as, agen es do
ascismonocampoan i- ascis a”.
Embo a já i esse sido e e enciado na edição de Ab il-Maio de 1954, num
ex ocen adoemFe nandoPi ei aSan os46,jáexpulsodopa idonasequênciada
46“Adepu açãooco idaem1950-1951ab angianãosóaquelesque inhamsidoacusadosde aição,
como Manuel Domingues, mas ambém á ios in elec uais que se dizia e em mani es ado
endências“sociais-democ a as”ou“ i is as”.En ees eses a amincluídosMá ioSoa eseFe nando
Pi ei aSan os.(…)ocasodePi ei aSan osémaisin e essan e.Colegadees udodeÁl a oCunhal,
en oupa aoPCPnop incipiodadécadade40eem1943passoua aze pa edoComi éCen al.
En eou as unções oienca egadodao ganizaçãodopa idonosmeiosmili a es(jun amen ecom
JoséMag o).(...)quando oip esoemJulhode1945,Pi ei aSan os e áapa en emen e o necido
abundan es in o mações à PIDE. Em odo o caso já inha sido demi ido do CC po indisciplina ,
embo a se i esse man ido no pa ido a é 1950, ano em que oi expulso po no os ac os de
indisciplinanãoespeci icados(...)”Raby,p.129.
44
depu ação dos anos 1950-51, “o p o ocado Dá io Bas os” ol a a se al o de um
“Ale a”,comomemb odo“g upelho”,emJanei ode1955:
“Todos os comunis as, simpa izan es e demais democ a as e pa io as
de em es a em gua da con a a acção p o ocado a de Dá io Bas os,
iajan e de a igos de e agens do Po o. (...) A e dade é que es e
indi íduo oi esco açado do Pa ido Comunis a há longos anos como
p o ocado . Em 1940 es e e ligado ao g upelho p o oca ó io do
No e.(...)de emos es a ale a com es e p o ocado esco açando-o ali
ondeeleapa ece ”.
1.4Oesque dismo,osco oseasmoscas
Com os anos 60, o início da gue a colonial, os mo imen os es udan is
au ónomosdoPCPeocon li osino-so ié ico,ascisõessãoma cadamen eideológicas
ei ãoda o igemaumadi isãop o undaàEsque da.Po umlado,og upodeA gel,
noqualsu gi áoemb iãodoPa idoSocialis a, undadoem1973,po ou olado,a
co en edeex ema-esque daquei ádesagua emdi e sospa idosemo imen os
que se man e ão a i os após o im da di adu a. In e namen e, no PCP, essas duas
linhassão ambémoquema ca áocon li ocomoqualadi eçãodeCunhali á e de
secon on a ,àluzdo umodomo imen ocomunis ain e nacional, epa idoen e
Mosco o e Pequim. Como sublinha o his o iado José Pacheco Pe ei a, “o PCP oi
apanhadopelocon li osino-so ié iconumamomen oc í icodasuahis ó ia:quando,
após a uja de Peniche Ál a o Cunhal, es e es á a conduzi um p ocesso ”de
ec i icaçãopolí icacon aadi ecçãodeJúlioFogaça.Nodeba ein e nonoPCP,em
plena e isãodalinhado‘des iodedi ei a’,que ep esen a asobmui osaspec osa
linha de K u che após o XX Cong esso aplicada a Po ugal, a subs ância essa
ec i icaçãocoloca a,em eo ia,oPCPeCunhalmaisp óximosdas eseschinesasdo
quedaso ié icas.Cunhal inhaassimque,aomesmo empoquecomba iaessalinha
emPo ugalcomo‘des iodedi ei a’,ap o á-lacomolinhadomo imen ocomunis a
45
in e nacional”47. Ou seja, o no o umo do pa ido passa po es abelece uma linha
cen al de comba e à di ei a e à esque da. Como de ende Miguel Ca dina “Ál a o
Cunhalp eocupou-senãosóemope a achamada«co ecçãododes iodedi ei a»
como em neu aliza os «des ios de esque da», que p opunham acções a madas
con ao egime”48.Essealinhamen oaocen oédeba idonoâmbi odap epa ação
doVCong esso,aolongodaqual,segundoJoãoMadei a,“hánalgumasin e enções
comoqueumap eocupaçãocen is a,quese e ela ádominan e,segundoaqualo
des io dedi ei a iden i icado de iase comba ido, mas ambém qualque des iode
esque da que se quisesse ins ala no seu luga , pois o sec a ismo con inua a i o
den odopa ido.”49
No inaldosanos60,ano acla i icaçãoin e nanoPCPes áconcluída,como
es á ambémconsumadaaexpulsãodop incipal os odo“esque dismo”,F ancisco
Ma ins Rod igues, que, cu iosamen e, inha con ibuído de o ma de e minan e na
aniquilaçãodo“des iodedi ei a”,p o agonizadopo JúlioFogaça,
Comosín ese,Ca dinaesc e eque“F anciscoMa insRod igues oiocondu o
undamen al dessa dema cação, cen ada no papel da iolência na ans o mação
social, nos con o nos de uma polí ica de alianças pa a o de ube do egime e no
alinhamen ocomaChinanocon li oqueen ãoaopunhaàURSS.”50
OcasodeMa insRod igueséexempla dohe óiquepassaa ilão.Nano ícia
da uga de Peniche, é publicado, na p imei a quinzena Janei o de 1960, um
comunicado do Sec e a iadodo Comi é Cen al,na qual éexal ada “aco ageme a
abnegação” dos “ alo osos comba en es de angua da”. En e eles es á F ancisco
Ma insRod igues.Naediçãoseguin e,que“ ec i ica”o omdano ícia,des acando
Ál a oCunhalno í ulo,“Onossopo osaúdaalibe açãodeÁl a oCunhaledosseus
companhei os”,são elegadospa asegundoplanoos es an es ugi i os,nãodeixando
ma gempa adú idassob equeméohe óimaio .
47JoséPachecoPe ei a,OUmDi idiu-SeEmDois,ed.byAle heia,2008pp.127-128.
48MiguelCa dina,‘Ma gemdeCe aManei a-OMaoísmoEmPo ugal:1964-1974’(Uni e sidadede
Coimb a,2010)p.48.
49Madei ap.284.
50Ca dina,p.6.
46
Mais a de,onomedeF anciscoMa insRod iguesse ia“apagado”ouincluído
no g upo dos p o ocado es. Domingos Ab an es assume que os dissiden es “e am
p o ocado es”eque“algunsdeles, inhamumap oblemaac escido,équecomose
inham po ado mal na PIDE, a anja am jus i icações, em ez de assumi em o seu
mau compo amen o. A pessoa que es á a se in e ogada, alo po expe iência
p óp ia,nuncape deanoçãodeondees á,podees a maiscansado,massabeque
es áem en eàpolícia.”
A opinião mani es ada po Domingos Ab an es di eciona-se pa a Ma ins
Rod igues,queem1966, í imada o u adosono,cedeunosin e oga ó iospoliciais.
(A ques ão de ‘ ala na policia’ se á desen ol ida no capí ulo 3 da II pa e des e
abalho). “Não me lemb o de pensa que es a a a ai nem de esboça qualque
esis ência.Respondiaàmedidaqueelemepe gun a aeado meciacadains an e(...)
Nosqua odiasseguin es,do mi16ho aspo dia;aco da apa acome ,passea aum
poucopelogabine ee ol a aaado mece .Es a aes upidi icado,nãomelemb ode
pensa nada, inha só eacções animais; come e do mi . Pelo quin o dia comecei a
oma consciênciadoque ize aedo ompimen o o alcomaminha idaan e io ,mas
não o sen ia como uma ac o come ido po minha on ade, mas como uma coisa
ho o osaquemeacon ece a.”51
Emconc e osob eF anciscoMa insRod igues,DominguesAb an es alade
um homem e mili an e queconheceu mui o bem, que “ inhauma in eligência a a
com um g au de cul u a acima da média p a a o igem dele, uma capacidade de
abalhoexcepcional,mas inhaalgunsdesequilíb iospsíquicos.Ele,aliás, oi í imado
seup óp iocaminho, oip esopo que inhadei adoamãoaump o ocado e,depois,
o nou-se ele p óp io um p o ocado . Foi seduzido pelo maoismo e pela ideia da
e oluçãojá.”
Adepu ação ideológicapassa a pelaspáginasdo A an e!,nãosó a a ésda
publicaçãode ex osqueemana amdosó gãosdi igen esdopa ido,mas ambém
a a ésdecu oscomen á iosdi igidos an oàdi ei acomoàesque da,dec í icaa
posiçõesdeou as o çaspolí icasdaOposição.Exemplodessaexp essãoedi o iale a
51F anciscoMa insRod igues,OsAnosDoSilêncio(Dinossau o/Ab en eEdi o a,2008)pp.72-73.
47
uma coluna in i ulada “Pon os Ca deais”, na qual su giam c í icas e comen á ios a
de e minadasa i udese omadasdeposição elacionadascomooPCP.E a ambémo
empo das “acções especiais”, às quais o PCP se inha ” endido” após anos de
discussãoin e naedepoisdejáes a emema i idadeg upos adicaisqueapela amà
lu aa mada.“O ecu soàlu aa mada,mesmocomampli udee o mas es i as,e a
nosanossessen aumaques ãomui opolémicanoPCP.”52.Aa i maçãodeRaimundo
Na ciso, an igo mili an e comunis a e um dos elemen os da A.R.A. (Acção
Re olucioná iaA mada) undamen aessedeba enocon ex odague a ia,noqual
Mosco odesaconselha aoen ol imen odospa idoscomunis aseu opeusemlu as
a madas. Daí que Na ciso conside e que Cunhal “ a a a a ma é ia de modo
cau eloso”e,embo aadecisãodasuac iação enhasido omadaem1964,aA.R.A.
inicia a sua ase ope acional em 1970, “con olada poli icamen e pelo PCP”, mas
“au ónomadopon oe is ao gânicoe an oquan opossí eles anquedao ganização
dopa ido,pa ae i a queasp isõesnes ea ingissemaquela”.53
Nessecon ex oa ub ica“Pon osCa deais” uncionacomoumba óme odo
deba esob easdis in as ác icasdelu acon aadi adu aen easdi e sas o çasda
Oposição. Na edição de Maio de 1972, pode le -se um ex o, in i ulado “Um
comen á io”,dec í icaaosc í icosdeumaaçãodaA.R.A.
“A acção da ARA con a o qua el gene al da Ibe land e e impo an e
signi icado polí ico e g ande epe cussão in e nacional.(...) Hou e po ém
quemcomen asseo ac odemanei adi e en e.’Oses agosinsigni ican es
(diz esse comen á io) o am imedia amen e epa ados (...) De quem é o
comen á io? Da ‘Época ascis a, di ão os lei o es. Não ace a am. O
comen á io oi ei onumbole imdosgolpis asdeA gel.(...)”
O omusadones ecomen á ioédec í icadi e aaosqueapouca amaaçãoda
A.R.A.,masnamesma ub icadessaediçãoépublicadoum ex ocujosdes ina á ios
são, udoindica‘inimigosin e nos’,“OsCo os”:
52Na ciso.p.18.
53Na ciso,p.19.
48
“Oco o é umanimalcoba de. Foge dos i os e p ocu aapossa -sedos
mo os.Sãomui ososco os.Co osdemili an esdesapa ecidos,quenão
podem le an a -se das campas pa a os cas iga ! Co os dos abalhos e
sac i íciosdaquelesqueodeiam!Éumanimalcoba de,oco o.”
Aindaem1972,masemJulho,alémdeno ac í icaaquemcon es ouaARA,
nes e caso a RPAC (Resis ência Popula An i-Colonial), apelidada de (Rapazes
Po uguesesAn i-Comunis as),oal oéo‘esque dismo’.
“ALógica.Oa en u ei ismoesque dis aes ámos andonomundoaoque
conduzasualógica,quandopassado e balismoàacção.Nunscasos(e
são os melho es), a en ados e o is as que conduzem os seus au o es à
ápidade o aeliquidação ísica.Nou oscasos,ousode e énseasua
execução p o ocam a condenação e a epulsa das mais amplas massas.
Nou osainda,con undindo-secombandi ismoeloucu a,execuçõessem
sen ido,comono ecen ecaso egis adonoJapão.Aquelesqueassimagem
decla a amse ‘ e olucioná ios’.Desac edi am,no imdecon as,acausa
po quedizemba e -se.EmPo ugal,a éago a,oesque dismopouco ai
além de pala as exal adas e campanhas de calúnias con as as o ças
e oluciona ias. Mas as concepções con êm o gé men dessas is es
his ó iasqueco emmundo.Comba emoso e balismo.E,sealógicale a
umdiasàp á icadeac os e o is as,queapenaspodemse i o ascismo,
édesabe dean emãoque ambémoscondena emos”.
Asba e ias e baisdoA an e!apon am ambémpa aosoposi o esdedi ei a,
pa a os que den o do egime di a o ial de endem uma ansição pací ica pa a a
democ acia. Na edição de Se emb o de 1973, lê-se um a aque à ala libe al do
ma celismo.
“Po quem? Os libe alizan es êm do en e ascis a. Se ia lou á el que,
ompendo com o egime, con assem o que lá se passa. A inal p e e em
chama a à colabo ação maoís as e desag egado es pa a que deem em
público e sões caluniosas e pidescas do que se passa... na Oposição.
A inal,senho es,po quemsoisecon aquemsois?”
49
Massemp ea condenaçãoà linhamaoís a docomunismoes áp esen enas
páginas do jo nal, com ale as pa a a p o usão de siglas que podem con undi os
cidadãos com aca o mação polí ica. Em No emb o de 1973, o seguin e ex o é
ilus a i odessap eocupação,que i iaaaumen a nosp imei osanosdademoc acia.
OPCPdeixa adese aúnica e e ênciadocomunismoin e nacional:
“Siglas.Osg uposcomunis assãocomoasmoscas.Nume osasquandohá
lixo,dequesealimen am.De ida ãoe éme aqueumdiacomp idode
e ãochegapa aquenasçamemo em”.(segueenume açãodassiglas
po o demal abé ica)(...)Felizmen eoal abe o emle asbas an espa a
sa is aze aimaginaçãoc iado adesiglasdos e olucioná iosdeope e a.”
2.Em empodegue a
2.1Os“quin a-colunis as”´
Em plena II Gue a Mundial, nas páginas do A an e! há uma denúncia
sis emá ica dos “inimigos do po o” (designação que, como e emos, é u ilizada em
odos os casos de dissidência, de delação, de aição e de in o mado es da polícia)
com a publicação em quase odas as edições de uma ub ica in i ulada “Quin a-
colunis as”.Empa alelo,háexposiçãopúblicadoscolabo acionis as.Na2ªquinzena
deJanei ode1943,lê-seumapeloconc e oàdenúncia:
“É necessá io desmasca a odos os quin a-colunis as que p oduzem
pa aoEixoeexpo ampa aoEixo.En iaiosseusnomesaoA an e!,ó gãode
comba e pela libe dade independência. En ia no ícias da ac i idade dos 5ª
colunis as”.
Em1944,na2ªquinzenadeJanei o,su ge,sobum í uloa odaala gu ada
pág.2:”OA an e!desmasca aOSINIMIGOSDOPOVO”,um ex oqueala gaouni e so
doepí e o:
“Quin a-colunis asque oubamosgéne osaopo opa aosen ia emaos
bandidos ascis asalemães; ascis asquepe seguemossimpa izan escom
a causa das Nações Unidas; espiões ao se iço da Alemanha hi le iana;
denuncian es dos abalhado es nas áb icas e emp esas; — es es são
50
INIMIGOS DO POVO que o po o de e conhece . É necessá io em oda a
pa edesmasca á-los,di icul a osseusmanejos, o na -lhespo odosos
meiosa idainsupo á el.OA an e!con inuaecon inua áadesmasca a
pe an easmassaspopula es odososseusinimigos.Osseusnomesde em
se ixadospa aaho adoajus edecon as”.
Na1ªquinzenadejunhode1944,em odapé,lê-se:“Ap oximam-seasho asos
comba es decisi os. Nes e momen o, odo o alheamen o é c ime, oda a iné cia é
coba dia.Todoocomp omissocomo ascismoé aição”.
Nes escasos,nosquaisadenúncianãose epo aaosmili an escomunis as,
massimaoscolabo acionis ascomaAlemanhanazi,oA an e! e ela-senasuamissão
de ó gão de in o mação mais amplo e não apenas de ó gão cen al do PCP, ao
desmasca a , ambém, a polí ica de “neu alidade” de Salaza , expondo os g a es
p oblemaseconómicoseins igandoouapoiandoaçõesde e ol acon aaca ênciade
géne osalimen a es.Comoesc e eohis o iado Fe nandoRosaspa aca ac e iza o
ambien esocialquese i enosanosdegue a:“Ossin omasdedescon en amen oe
eacção con a a al a de géne os, o desemp ego e os salá ios baixos nas zonas de
p edomínio dos assala iados u ais começam a e i ica -se desde inícios de 1941,
c escendo de in ensidade ao longo do ano. O mesmo se pode á dize quan o aos
mo ins e aos ‘ umul os’ que, no No e e no cen o, se le an am pa a impedi a
equisiçãodegéne osouasap eensõesdeminé io”.54
Embo a seja impossí el aplica ao A an e! clandes ino os pa âme os de
mediçãodeaudiênciasquehojesãousados,o ipodeno ícias elacionadascomas
gue as, an oadeEspanhacomoaIIGue aMundial, ansmi emape cepçãodeque
ain luênciadojo nalex a asa aouni e sodosmili an es.Naanálisedas i agensda
imp ensaclandes inadopa ido,bemcomoda egula idadedasediçõesép eciso e
emcon aascondiçõesdao ganizaçãoclandes inaemcadamomen o.Comoen a iza
João Madei a55, a pe iocidade quinzenal é um dos sinais, não só de consciência da
54JoséMa oso(Di .),His ó iadePo ugal,7oVolume,OEs adoNo o(1926-1974)(Cí culodeLei o es,
1994)p.363.
55JoãoManuelMa insMadei a,p.675.
51
po encialin luênciadojo nal,mas ambémdaconjun u apolí icain e naeex e na.
A unçãodojo nalnomomen ohis ó icodaIIGue aMundiale ambémda
Gue a Ci il de Espanha é ealçada po Domingos Ab an es, quando de ende que,
de idoàcensu ap é iaqueadi adu aimpunhaàimp ensa,“háumapa edanossa
his ó ia que só se encon a no A an e! O empo da gue a é um pe íodo mui o
impo an e”. Tal como o do pe íodo da gue a de Espanha, quando “hou e um
p ocessonoPo o,noqual o amp esas400e alpessoas,emg andepa ee asó
po queliamoA an e!eaexplicaçãoe apo queque iamle no íciassob eague a”.
Asc í icasaoscolabo acionis aseadenúnciadaa i idadedeaçamba cado es
são“ e amen as”queopa idousa,a a ésdoseuó gãocen al,pa amunicia os
mili an esea odososque êmacessoaoA an e!pa aalu acon aaosquenãoes ão
doladoce odague a.
3.”Se o esp eso,cama ada”
3.1“NaPolícianãose ala”
Num es udo sob e as o ganizações clandes inas comunis as, José Pacheco
Pe ei a ci a E ing Go man e o seu concei o dos manicómios como “ins i uições
o ais” pa a iden i ica no pa ido clandes ino “mui os aços” dessa o ganização,
como“ocon oloadminis a i osob eosseusmemb os”56.
Em ambien e de clandes inidade, se o ideal ou a é do mili an e em de
pe manece o epa a esis i aosa aques ep essi osdopode ins i uído,nãose á
menosnecessá iaaconsciênciadequesócomasob e i ênciadaes u u apa idá ia
se ápossí ellu a e ence .Pa adigmá icodes eduploconcei oéo ex odeÁl a o
Cunhal,nasuap imei a e sãode1947,“Se o esp eso,cama ada”,cai ásob e iuma
g ande esponsabilidadedede ende o euPa ido,os euscama adas,o euideal”57.
Como um manual de compo amen o dos mili an es nos in e oga ó ios policiais, o
opúsculo de Cunhal, que po meno iza algumas das o u as a que os p esos são
56JoséPachecoPe ei a,ASomb a.Es udoSob eaClandes inidadeComunis a(G adi a,1993)p.66.
57Ál a oCunhal,SeFo esP esoCama ada(Edi o ialA an e,1947).
58
JoséPed oSoa es,p esocommaisce cadeumacen enadecama adasde ido
à aiçãodeAugus oLindol o,que e á o necidoin o maçãopo meno izadaàPIDE
em ocadalibe dade, ealça,noen an o,adi e ençaen ese aido e aqueja nos
in e oga ó ios.“Umacoisaé aqueja eou aé ai .Seidepessoasque aqueja am
eque ica amma cadaspa ao es oda ida.Masaessesopa idonão a oucomo
aido es.Os aido escolabo a amcomaPIDEde o macon inuadaeem ocade
a o es,en egandopa esimpo an esdao ganização,des uindoligações.Segundo
julgo sabe , o Lindol o, depois de se libe ado ol ou a da no as in o mações à
polícia”.
Augus oLindol o i iaase al odeuma en adoaquesob e i eu,emJanei o
de1973.Aaçãonão oi ei indicada,masdeaco docomohis o iado JoãoMadei a
“ oia ibuídoàARA”72.JoséPed oSoa esadmi equepossa e sidoob adealguém
í imada aição,mas,pessoalmen e,dizquenadasabesob eoassun onemsob eo
pe cu sopos e io do aido .“Não iznadapa aop ocu a ,ou idize que inhaido
pa aAngola.Admi oqueseo i esseencon adologoasegui a e saídodap isão
inha-lhe ba ido...mui o. A aição é impe doá el. Já a aqueza é comp eensí el e
mui os cama adas so em ainda hoje po não e em esis ido às o u as e
in olun a iamen e e em con i mado nomes ou e elado um ou ou o po meno da
o ganizaçãoemquees a aminse idos,semnuncase e embandeadopa aoladoda
polícia.Is onada ema e com aição.”
NaspáginasdoA an e!,noen an o, udoe amaissimples:quemse“po a a
mal”nap isão,mesmoqueosdanosnopa idonão ossemdemon a,nãoescapa a
dese a adocomo“ aido ”,“p o ocado ”ou“bu o”e,alémdaexpulsão,e ace aa
denúnciapública.
Masnemsemp eessalinea idadee aobse ada.Na análiseemcu sones e
abalhoéno ó ioquenosanos70ejáno inaldadécadaan e io ,asp eocupações
e eladas nos ex os publicados no A an e! cen am-se menos na denúncia de
aido esoudaexal açãodehe óisdoqueacon ecianosanos40e50.No inaldo
egime, dado o con ex o in e nacional hos il à di adu a em pa icula de ido à
72JoãoMadei a,His ó iaDoPCP(Tin adaChina,2013)p.578.
59
manu ençãodague acolonialena ecusadeSalaza /Cae anoemab i mãodoque
es a a do impé io, o A an e! ol a-se mais pa a o a, no iciando os ecos do
isolamen o in e nacional do egime, as a ocidades come idas pelas opas
po uguesas nas colónias, bem como os a anços dos mo imen os de libe ação. O
no iciá iosob ea idain e nadopaísedepa ido e le iaaes a égiadedenuncia o
log odachamada“p ima e ama celis a”que em e moseconómicosque polí icos,
e elando exemplos dos p oblemas inancei os nacionais, do endu ecimen o da
censu asob eaImp ensaea aga ep essi asob eosoposicionis as.Nessaes a égia
é ambémcla ooc escen eempenhoempublica sinaisdacon es açãoin e nanas
Fo ças A madas à gue a nas colónias. Exempla dessa linha polí ico-edi o ial é a
ediçãonº449 doA an e!, queexibe a odaala gu ada p imei apágina oseguin e
í ulo:“U gepô imàgue acolonial”.Nabasedapágina,a odaala gu a, êem-se
duas o og a iasdesoldadospo uguesesen ol idosnummassac eaumangolano.
Énes equad oqueocasoda aiçãodeAugus oLindol onãoédenunciado
publicamen edoA an e!,depoisde e sidono iciadocomdes aquena1ªpáginada
ediçãodeJulhode1971,asuap isãonosseguin es e mos,ci andoumacomunicado
dacomissãoexecu i odoComi éCen al:
“A PIDE-DGS p endeu em ins de Maio o des acado mili an e comunis a
Augus oLindol o.Libe adoem1968,depoisdemaisdeseisanosdedu o
ca i ei o nas cadeias ascis as, Augus o Lindol o, endo embo a a saúde
bas an e debili ada, e omou o seu pos o de comba e nas ilei as do
pa idodaclasseope á iaenoseuquad oclandes ino.Augus oLindol o
es áse o u ado.APIDE-DGSes áadesca ega sob eeleoseuódioao
pa ido Comunis a, à classe ope á ia, ao po o po uguês. Ódio ac escido
pelos ecen esemagní icossucessosdalu apopula .OPa idoComunis a
em o es azões pa a ecea pela ida de Augus o Lindol o. O Pa ido
Comunis a Po uguês chama a classe ope á ia a agi p on amen e em
de esada idadeAugus oLindol oeapelapa aasolida iedadeac i ade
odososdemoc a asean i ascis as”.
Nonúme oseguin e,aindaLindol oe aumhe ói.
60
“Sal emosAugus oLindol o!Ocama adaAugus oLindol ocon inuaase
o u ado nos an os da PIDE-DGS. Sua mulhe oi ambém p esa, nos
p incípiosdeJunho,comuma ilhinha,dece cadedoisanos,queàda ada
nossaúl imain o maçãope manecianacadeiadeCaxiasjun amen ecom
amãe.U ge edob a aacçãoemde esadocama adaAugus oLindol oe
dasuamulhe e ilha”.
A segui , o seu nome desapa eceu das edições do ó gão cen al do PCP. A
campanha, nacional e in e nacional, pela denúncia dos mé odos da polícia e pela
amnis iadosp esospolí icos,apa dacon es açãoàgue acolonialedoapoioaos
mo imen osdelibe açãodascolónias,passou,comojá e e imos,aocupa apa ede
leãodasediçõesdosúl imosanosdoA an e!clandes ino.
3.4“Cuidadocomeles”
A denúncia pública de quem é suspei o de se e po ado mal nos
in e oga ó iospoliciaisoude e passadoase in o mado dapolíciapolí icasu ge
publicadanoA an e!em omdea iso.É eco en eaexis ênciade í ulosgené icos
como“Cuidadocomeles”pa adenuncia quemse azpassa peloquenãoé.
EmAgos ode1948épublicadaumadenúnciaqueilus abemanecessidade
deexpo umcompo amen omo almen econdená eldeuman igomili an e.
“An ónio Bap is a, ex-p isionei o do Ta a al, não gos ando mui o de
abalha , a o ando-se de má i , dizendo-se comunis a, a ex o qui
dinhei oaosdemoc a aspo á ias e asdopaís,p incipalmen eLisboa,
Po oeBa ei o”.
Oexemploseguin e,da adeJulhode1949e,embo ao ipodelinguagemseja
idên ico e o í ulo con inue a se “Cuidado com eles”, con igu a uma si uação mais
g a equese e eloudanosapa aaes u u aclandes inadopa ido:
“Os democ a as po ugueses não de em esquece o nome do
adminis ado deÁgueda,JoséSoa esFeio,queassal ouacasadonosso
cama adaMili ãoeaíp endeuLuísaRod iguesedenunciouàPIDEacasa
61
doLuso,oquemo i ouap isãodosnossoscama adasCunhal,Mili ãoe
So iaFe ei a”.
Noanoseguin e,emJulhode1950,é e eladaaindaou o ipodesi uação,
en ol endodes a ezumagen ein il ado,maso í ulo ol ase “Cuidadocomele”:
“Há alguns anos eio de Lou enço Ma ques pa a o Con inen e o agen e
p o ocado Ca losAlbe oPais,queseha iain oduzidonoMUDJu enil
onde p o ocou a p isão de dezenas de democ a as. Como es e indi iduo
en apassa -sepo boapessoadizendoque oiexpulsodacolóniapelasua
ac i idadean i- ascis aeassimiludi osdemoc a as(...).”
Os a isos/denúncia su gem com uma ambi alência que pe mi e e ela ao
conjun o dos lei o es do A an e! os di e sos ipos e mau compo amen o dos
mili an es e, simul aneamen e, ale a pa a o pe igo que de e minados indi íduos
ep esen ampa aamanu ençãodoapa elhopa idá io.EmOu ub ode1950,podem
le -se dois ex os elucida i os des a di e sidade de objec i os. Um emana de um
“escla ecimen o”dosec e a iadodoComi éCen aldopa idoees á edigidosnos
seguin es e mos:
“Tendo chegado ao conhecimen o da Di ecção do Pa ido que algumas
pessoasaindaolha amossenho esMiguelRussel,Sebas iãoViola,Sil ino
Lei ão e Edmundo Ped o como memb os do Pa ido Comunis a, em
escla ece quenada êmdecomumcomopa idodoP ole a iado.”
O ou o ex o da mesma edição, in i ulado “Desmasca emos um aido ”, é
maispo meno izadoecons i uiumbomexemplodacon luênciadeobje i osquese
p e endea ingi -explica qual oioc imeesuaconsequênciaemos a ajus ezado
cas igoaplicado:
“OPa idoComunis aPo uguêsexpulsoudassuas ilei asJoaquimdaSil a
Coucei o, ex-ope á io id ei o, e ainda hoje p esiden e do Sindica o dos
Vid ei osdaMa inhaG ande,pelas seguin es azões: Em p imei o luga ,
endosidop eso,JoaquimdaSil aCoucei odenunciouàpolíciaou osan i-
ascis as,en eosquaisAn ónioLopesdeAlmeida,assassinadopelaPIDE
em1949.Emsegundoluga ,Coucei osaiuemlibe dadede ido:a) e sido
62
napolíciaumdenuncian e;b)àin e e ênciado ascis aCas oFe nandes,
à da a subsec e á io das Co po ações; e c)depois de e assumido
comp omissoscomaPIDE.Es eindi íduoque aiuoPa idoeaclassea
quepe enceuequenelecon iounãome ece,po an o,acon iançados
abalhado esedospo ugueseshon ados.Umadas a e as undamen ais
dos abalhado es id ei osdaMa inhaG andeéexpulsa JoaquimdaSil a
Coucei odadi ecçãodoseusindica o,comode emse expulsosdoseioda
classeope á ia, odosos aido eseagen esdoinimigo”.
Ocuidadoe a ambémnecessá iocomosexemplosque inhamde o a,a éde
Hollywood.Cu iosaéano íciade ec adanaediçãodeAgos ode1948sob eoac o
no e-ame icanoGa yCoope ,cujonomepassa ácons a do“índex”doA an e!.
“Há empos apa eceu em Po ugal uma ep odução de um discu so
p e ensamen e comunis a des e a is a de cinema. A isamos os nossos
lei o es que esse p e enso discu so oi ab icado pelos omen ado es de
gue aame icanospa adeso ien a emasmassasec ia emsimpa iaspelo
ascis aac i oqueéGa yCoope .Depondoul imamen epe an eacéleb e
Comissão de Ac i idades An i-Ame icanas, e elou-se um bu o da pio
espécie, denunciando mise a elmen e como comunis as os seus i ais no
ec an.Maisa isamosquenãose ãopublicadasnoA an e! ub icascomo
nomedesse ascis aebu o.”
3.5“P o ocado ese aido es”
Amiúde no mesmo ex o são denunciados mili an es que aem os
companhei oseou ospessoassob easquaishásuspei asdese emin o mado esou
mesmomemb osdaspolícias.Éumaamálgamap opiciado adeumacon usãoen e
quem ala anap isão,osin o mado esdapolíciaeosagen esdaPIDE.Aoab ange
sobomesmo í ulocasosdi e en es,es as ub icas egula esnoA an e!colocamao
mesmo ní el a polícia, quem colabo a com ela e os que aqueja am nos
in e oga ó iossem que,no en an o,se enham passadopa ao ou oladoou cuja
aquezanãosigni icouuma aição.
63
A ques ão da di e ença en e ai e aqueja , à qual já nos e e imos ao
ci a mos José Ped o Soa es, a a essa odo o deba e em o no do mau
compo amen onap isão.Numdepoimen op es adonaqualidadedean igop eso
polí ico,ohis o iado Fe nandoRosases abelececla amen eadis inçãoen equem
aiuequem aquejou.“Hon apa aosque esis i ameg ande espei opa aosque
não esis i am.Sãopessoasque,apesa de udo,nãodesis i amdassuascon icções,
nãodesis i amdassuasescolhasea isca am.Equeme ecemonosso espei o.Sónão
me ece espei oquemsebandeoupa aoladodelá,quem aiu,no e dadei osen ido
do e mo,quemsebandeoupa aoinimigo,sedispôs olun a iamen eapassa pa ao
ou oladopa a ai asuagen e.Essesnãome ecem espei onenhum.Aquelesque
lu a am e não se aguen a am, que lu a am e não consegui am, me ecem odo o
espei o”73.
Essa di e ença exis ia ao ní el in e no, mas publicamen e, nas páginas do
A an e!,comojásublinhámos,elanãoe acla aeé econhecidohojequehou ecasos
de injus iça na denúncia pública. Domingos Ab an es assume: “Hou e casos de
injus iça,masonúme odebu ose aeno me.Chega aain o maçãodede e minada
áb ica em que o po ei o e a bu o, e a dado como ce o e em mui os casos e am
mesmo(...)ope igodepô emcausaao ganizaçãodopa idoe aeno me.Po isso,
aliamaisagen eassumi queé[bu o]doquepensa quenãoé,po queasegu ança
e a udo(...)Acimade udoes a aasegu ança.Ép e e í elcome e umainjus içado
que se pô a segu ança em pe igo. É e dade que se pode a isca pô em causa a
hones idadeeobomnomedeumapessoa,mas,nou oscasos,pode-sepô em iscoa
p óp ia ida,ao ganização, udo”.
AdenúncianoA an e!ca ac e iza-sepo umalinguagempa icula men edu a
queMa ga idaTenga inhajus i ica:”Algunscama adas o ammise á eiseo ac ode
sedenuncia quee a aido e aimpo an eecon inuoaacha isso.Numa idacomoa
quenós ínhamos,naclandes inidade,e a i alqueas aições ossempublicamen e
denunciadas”. A mili an e comunis a econhece que hou e casos em que a polícia
polí icaeng andeciaasuaa uaçãop opagandeando e conseguido e ga p isionei os
73A anhaandAdema ,p.120.
64
nosin e oga ó ios,masassume:“Maisdoqueap opagandadaPIDE,os ac oséque
demons a amas aições. Po que seum aido conhece de e minadas célulasese
essascélulascaemnamãodaPIDE,nãoéaPIDEquees áadis a ça , oio aido que
denunciou. O aido é descobe o pela sua p óp ia aição.(...) E se não o
denunciado, o aido pode con inua a aze um péssimo abalho jun o dos
cama adasquenãosabemqueeleum aido .Quandoo aido passaase conhecido,
háumco e,aPIDEdeixadeanda a ásdeleediminuio iscodeou oscama adas
se emp esos.(...)quemassumiu,po seuhon a,a esponsabilidadedenão ai ,essa
pessoade eso e como aido oquejásabiaquei iaso e po isso”.
Umexemplodeexposiçãopúblicadeelemen osdapolíciapolí icain il ados
podele -senap imei a quinzenade Dezemb ode 1942,num ex oquead e e os
lei o espa aos“PoliciaseP o ocado es”:
“Pa icipamos a odos os an i- ascis as e especialmen e aos das
Cons uções Na ais de que Ca los Pai a Mendes, se alhei o ci il, que
abalha nessa emp esa, é uma agen e policial e de dis ingue
pa icula men e na denuncia de ope á ios, quando dos úl imos
acon ecimen os. P e inem-se igualmen e os ope á ios da Fáb ica de
Cimen os Tejo que, segundo nos in o mam, o engenhei o Sousa Lobo é
polícia da P.V.D.E. O nº da sua icha é o 81. Em Co uche, exis e um
indi íduo, negocian e de co iça conhecido po s . Sil a, que é de Lamas
(Fei a)e azmui as iagensaLisboa.Esse‘ca alhei o’es áaose içoda
políciadein o mações”.
Deou o ipode ex o,comomesmop opósi odedenuncia agen espoliciais
ou in o mado es, é exemplo o publicado na segunda quinzena de Julho de 1942,
in i ulado,“A iso”:
“P e enimos odos os an i- ascis as que o au omó el da ma ca Willis,
p e o, com iso e melho, que em a ma ícula LB-10-12, ipulado pelo
mo o is aCasimi oRoqueeque azp açaemS.Sebas iãodaPed ei a,é
suspei o,poisomo o is aéumpolíciaeandaa mado”.
Sãousadosalgunselemen osiden i icado esacessó iosdapessoaadenuncia ,
65
bemcomohábi osoup oximidadesdeamizadee amilia es.Éoquesepodele na1ª
quinzenadeJulho,naqualháum ex odedenúnciadedois“esbi osdo ascismo”e
depessoasquelhessãop óximas:
“F ancisco Rebelo Mesqui a, di ec o do ‘No ícias de Famalicão” e sócio-
ge en e da Tipog a ia Aliança, ambém de Famalicão, é da polícia de
In o mações.Suamulhe ,queé ele onis a,namesma ila, azse içode
denúncias. João A naldo Rod igues da Fonseca Maia, que i e no Po o,
desen ol e uma imensa ac i idade policial. Es á pa a casa com uma
apa igachamadaHelenaGonçal es,quehápoucoe aaindaemp egada
dacasaBial,comquem ambéménecessá io e p udência.”
Namesmaedição,um ex oin i ulado“T aido esàclasseope á ia”,é e elada
aa i udedeuman igoana quis a:
Quando das g e es ope á ias de ou ub o-no emb o (...) o an igo
ana quis a Domingos Miguel, ap o ei ando a in luência que exe cia em
Almada,sabo ouomo imen odasua áb ica,aconselhandopo ins igação
dopa ona o,osseuscompanhei osde áb icaa e oma emo abalho.(...)
Ao e e i moses e ac onãoo azemospa a e i osana quis assince os,
que lu am com as massas como dignos ilhos da classe ope á ia.
Desmasca amos es e aido es e aido à classe ope á ia como emos
semp edesmasca adoos aido esquepe encemaonossopa ido.(...)”.
Maisdois“p o ocado es”são e eladospublicamen enaediçãoseguin e:
“Manuel Ta a es, de 18 anos, baixo, de cabelo lou o, enca acolado, é
políciadein o maçõese az odososdiasope cu soPinhei odaBempos a-
Po o.Al edoDiasdeCa alho,che edab igadadebalancei os,Alhand a,
en egoudoisope á iosàpolícia”.
Adesc ição ísicadossuspei osdese emagen esouin o mado esdaspolícias
é eco en e nos a isos publicados no A an e!. Numa no ícia inse a no nº42, da
segunda quinzena de Ou ub o de 1943, são enume ados os “sinais” de alguns dos
“políciasep o ocado es”.
Umou oa isocu iosoéoquese pode le na 1ª quinzena e No emb o de
66
1943:
“JoséGonçal esdaLeono ,queem empos oimili an eope á io,dedica-se
a aze iagenspelap o íncia,di igindo-seaan i- ascis as,bu lando-osem
quan iamaisoumenosele adas,oqueconsegueumas ezesdizendo-se
pe seguido polí ico, ou as ezes pedindo dinhei o pa a ins
e olucioná ios, ou as ezes, ainda, a i mando se memb o do P.C., e c.
e c.”
Nap imei aquinzenadeJulhode1944, emosmaisumexemplodopo meno
aquechegaàdisc ição ísicadeumindi íduoedasua es imen a,chamadoGab iel
Gonçal es,acusadodese agen edaP.V.D.E.:
(...)“Ébaixo,mag o,apa en ando20a25anos.Pelob anca,cabelolou o
mui o cla o, cola inhos engomados, com a o cinzen o às iscas algumas
ezes, ou as ezes de a o p e o, semp e bem es ido. Fala mui o bem
inglês. Faz se iço p incipalmen e en e Espinho e Po o, e no Po o,
sob e udo no Ca é Impe ial e na zona comp eendida en e a P aça da
Libe dade e a do Ma quês de Pombal. Mo a na Pensão Minho, ua
Fe nandesTomaz.”
O mesmo ipo de linguagem é usado pa a expo publicamen e os que
aqueja amnap isão.Eessadenúncia an o aliapa aquem inha esponsabilidades
no apa elho clandes ino e, po consequência, as suas e elações à polícia polí ica
ep esen a am ealmen e um pe igo pa a a segu ança do pa ido e dos mili an es,
comopa aquemselimi aacon i ma nomesqueapolíciaa i a apa ain e oga ó io
enadasabiasob eoní elsupe io dao ganização.
Nonúme oseguin e,deOu ub ode1952,é e elado aano íciadoA an e!,
in i ulada “Ale a con a os aido es e p o ocado es” na qual, em e mos quase
idên icossedenuncia aido esedissiden es.
“Joaquim Ven u a, de Monchique e o d . An ónio de Sousa, ambos
esiden es ac ualmen e em Lisboa, são dois aido es da pio espécie.
JoaquimVen u a,quedese oudalu aepassoua e uma idasuspei a,
acili ou a sua p isão pela PIDE e en ou abe amen e no caminho da
67
aição.Pos o apidamen eemlibe dadepelaPIDE,passouase i-lacomo
agen e p o ocado . An ónio de Sousa, que mui a gen e julga se um
in elec ual p og essi o, é um eles bu lão que se apode ou de bas an e
dinhei o que se des ina a à lu a democ á ica. (...) Gab iel Ped o, Ca los
Ca alhoeAialasão êscaluniado esein iguis asdapio espécie.Aialae
Gab iel Ped o acobe a am e de ende am a é ao im o mise á el Má io
Mesqui aeen a amnocaminhodain igaecalúniacon aaDi ecçãodo
Pa idoeo saudoso sec e á io-ge al Ben o Gonçal es, não obs an e es e
e sidoassassinadohájá10anos.Ca losCa alhopa aacobe a asua
coba dia an e o agudiza da lu a, escolheu o caminho da in iga e da
calúniaàDi ecçãodoPa idoedeou oscama adas.
Toda es a gen e acobe ada po uma pseudo disco dância com a
o ien ação do Pa ido, azem um abalho de desag egação e de
p o ocação,usandopa a aldaa ma o pedain igaedacalúnia.Es a
acção p o ocado a p ejudica undamen almen e a unidade dos
democ a as,pa io aseamigosdapaznasualu apelaDemoc acia,pela
IndependênciaNacionalepelaPaz.Todososmemb osdoPa idode em
esco aça es es p o ocado es do seu con í io e desmasca á-los
implaca elmen e.Aconselhamososdemoc a assemPa idoasegui es a
mesmao ien ação.
Osquesen i em eceiode oma umaposição i mede em epa a queé
jus amen enocon ac ocomespiõesep o ocado esqueseenxo alhame
sea iscamaope igodese e emen ol idosemp o ocaçõesp epa adas
po eles.
Esco aça do nosso con í io e desmasca a sem acilações os aido es,
p o ocado eseespiões,es eéocaminhojus oasegui .”
3.6“Mise á eis”
Já sublinhámos que o subs an i o “mise á el” é uma das designações mais
usadas pelo A an e! pa a se e e i a aido es, que nalguns casos são ambém
74
impac eae asãonosmeiosoposicionis as,bemcomooalcancedoA an e!alémdos
mili an es:
“Ao alcança mos a libe dade e ao e oma mos o pos o de comba e,
suadamosan esdomaisonossoPa idoeoPo oPo uguês,a i mandoa
nossade e minaçãodeosse i comoa éhojenalu apelains au açãoem
Po ugal de um egime de libe dade e legalidade. Saudamos odos os
po ugueses hon ados, qualque que seja a sua ideológica e c ença
eligiosa; saudamos odas as o ças e co en es an i-salaza is as,
salien ando a impo ância e a u gência da Unidade como condição
undamen al pa a a solução do p oblema polí ico po uguês. (...)Mui os
dedicados ilhos do po o po uguês con inuam nas p isões ascis as,
so endo o u as e longos anos de p isão. A acção dos pa io as
po ugueses apoiada pelos abalhado es e democ a as do mundo
consegui álibe á-los ambém.”
Como já izemos e e ência nes e abalho, é possí el pe cepciona que em
de e minadosmomen ospolí icos,oA an e! e áumamaio no o iedade,a épo que
aimp ensalegales a asujei aao egimedecensu ap é ia.Tan oojulgamen ode
Cunhal,comoa ugadePenichesãodoisdoscasospa adigmá icosdessesmomen os
suscep í eisdeala ga aaudiênciadojo nal.
Enquan o es e e p eso, Cunhal nunca deixou de es a p esen e no ó gão
cen aldoPCP,o acomno íciassob easmedidasdeexceçãoaquees a asujei o,
como na edição de Se emb o de 1953, na qual su ge uma o og a ia (a única) a
acompanha o ex ona1ªpágina,o aemcampanhaspe manen esaexigi emasua
libe ação. O julgamen o de Ál a o Cunhal no ibunal plená io da Boa Ho a, em
Lisboa, que deco eu en e 2 e 9 de Maio de 1950, oi no ícia em duas edições
consecu i as,emJunhoeJulho.Nop imei onúme o,o148,é ealçadona1ªpáginao
a ohe oicodeCunhal:
“Depoisde15mesesdep isão,p a icamen eincomunicá el,semquaisque
meiospa ap epa a asuade esa,Ál a oCunhal,di igen eque idodoPCP,
le ado ilegalmen e ao ibunal, ez des e uma ibuna, onde expôs e
de endeu publicamen e com igo a linha polí ica e os objec i os do seu
75
pa ido. Ao azê-lo, ele sabia que, p a além do ibunal, o escu a am
a en amen e odos os mili an es do PCP, a classe ope á ia, odos os
abalhado es, odoopo olabo iosoeop imidodePo ugal.(...)Esc e ei
po oda a pa e, nos mu os, nas es adas, nos comboios, em odos os
luga espúblicosLIBERDADEPARAÁLVAROCUNHAL”.
Naediçãoseguin e,épublicadog andepa edo ex odade esaeCunhal ol a
ase oassun op incipala odaala gu ada1ªpágina:
“En en ando i me, co ajosa e se enamen e ibunal ascis a onde o seu
‘julgamen o’ia e luga ,Ál a oCunhal,di igen eque idodoPCP,e gueu
ali a ibuna onde o acusado passou a acusado (...) E Ál a o Cunhal
e mina:’...quesesen emos ascis asnobancodos éus,quesesen emo
bancodos éusosac uaisgo e nan esdaNaçãoeoseuche eSalaza ’.”
E, al como é p á ica habi ual pa a os his ó icos di igen es comunis as
in e nacionais,sãoassinaladosnoA an e!osani e sá iosdeCunhal.EmNo emb ode
1953 pode le -se na 1ª página: “Saudemos o 40º ani e sá io de Ál a o Cunhal
in ensi icandoalu apelade esadasua idaepelasualibe ação.(...)Sal emosa ida
p eciosadeÁl a oCunhal.” Ano ícia écomple ada comapublicaçãonaín eg ada
saudaçãoen iadaaCunhalpo JacquesDuclos,emnomedocomi écen aldoPa ido
Comunis a F ancês, na época, o sec e á io-ge al in e ino, de ido a ausência po
doençadeMau iceTho ez.
É sabida a p eocupação pos e io de Cunhal em comba e o cul o da
pe sonalidade,maséno ó ioqueapa i dosanos40oseunomepassaase uma
e e ênciapa aosmili an escomunis ase,g adualmen e,ala gaasuain luênciano
quad oin e nacional.Comoohis o iado JoséNe esesc e eu,“àmedidaqueassumiu
papeldedes aque noseio doPCP,Cunhal oiobjec o dea enção ecuidadosemp e
especiais. En e os mili an es anónimos, hou e quem lhe dedicasse e sos de
homenagemequemaosdescenden esdesseoseup imei onome.”79Oau o acen ua
ambémcomo oio egimedeSalaza /Cae anoqueoman e ep esodu an equinze
anos,acon ibui pa a o na a igu adoan igosec e á io-ge aldoPCPumexemplo,
79Ne es(coo d.),p.11.
76
“ao oma em-no como enca nação do Mal, igualmen e o in es i am de um eno me
pode simbólico, que ou os acaba am po econduzi à igu a de Cunhal enquan o
singula exemplo,senãosimplesmen edoBem,deumanoçãodeÉ icaoudeMo al
semp eesc i acommaiúscula.”80
Nodiscu sodosmili an es, e ela-seuma en a i adecon a ia a endência
pa a he oiciza a igu a de Cunhal, ao a epio do que se e i icou no A an e!
clandes ino,queocolocounopedes aldoshe óis.Exempla esdessa endênciasãoas
pala as de José Ped o Soa es, que, admi indo e sido pessoalmen e com o seu
pe cu sopolí icodecompo amen onap isão,“umexemplopa amui os”,dizquede
Ál a oCunhal“sósabiaquee auma is aeesc e iamui obem”.Osseushe óise am
DiasLou enço,José Mag o,Oc á ioPa o,Se e ianoFalcão, mili an esexempla ese
maisp óximosdasuaexpe iênciapessoal.
Jápa aMa ga idaTenga inha,queem1962,emMosco o, oiumaespéciede
sec e á iadeCunhal,quandoes ees a a ap epa a o ex op og amá ico“Rumoà
Vi ó ia”, “a exal ação de alguns he óis é comp eensí el po que eles se em-nos de
exemploe azempa edaeducaçãodosmaisno os.Usa mosoexemploda idadessa
gen epa ade ini mosonossop óp iocaminho.”
NoA an e!,Cunhal,de ac o,nãoes ásozinho.Apa das igu asincon es adas
dopa ido,comoBen oGonçal es,cujoani e sá iodasuamo eésemp eassinalado,
deJoséG egó io,deMili ãoRibei ooueF anciscoMiguel,sópa aci a algunsdos
maisp esen es,aspáginasdojo nales ão echeadasdehis ó iasexempla es.
EmJanei ode1963,“Umexemplo”éno emininoe emdoCouço.Depoisde
ela a com po meno es as o u as a que oi sujei a e indicando os nomes dos
agen esdapolíciapolí icaqueain e oga am,o ex osob eMa iaCus ódiaChiban e,
doCouço e minaassim:“(...)es e ep esacincomesesemeiosem isi asda amília,
semli osnemjo nais.Foi ecebidana e apo 400pessoasqueale a amacasa.(...)
Ela inhaaleg eecon ian edasuahon adeze i meza”.
80Ne es(coo d.),p.12.
77
Osexemplossão ambém ealçadospeladimensãodasua epe cussãoen eos
mili an es.EmAb ilde1969,oA an e!publicaumaca adi igidaaCanaisRocha,que
seencon a ap eso,assinadapo mili an espo uguesesebelgas,exp essandoapoio
eadmi açãoaosindicalis acomunis a.Es e ex oésingula po que e a aaa enção
dadaao posicionamen odos mili an es po uguesesna emig ação, uma ez queno
inaldadécadade60osemig an es ep esen amumal ob econside á eldeoposição
àdi adu a.No inalda ep oduçãodocon eúdodaca a,lê-se:
“Es aca a es emunhaoamploecodacondu a i medoscomunis asan e
o inimigo. Embo a p esos e o u ados, os nossos he oicos cama adas
con inuam,comoseuexemplo,ada con ibuiçãoe ec i aàlu adopo o
po uguês”.
CanaisRocha, alecidoem2014,ma cenei oque i iamais a dease mes e
emHis ó ia Con empo ânea, oi ele adoàca ego ia de he ói, mas acaba iapo e
umaquedaab up adessepedes al.Logoasegui àRe oluçãode1974,osindicalis a
comunis a oi elei o,a27deAb il,emplená io desindica os, op imei o sec e á io
ge aldaCGTP-IN.Pouco empodepois,emAgos odessemesmoano, oisubs i uídoe
expulsodoPCP,po e aquejadoquandoes e ep esopelasegunda ezem1968.A
es u u adi e i adopa idosó e á idoconhecimen oda aquezadeCanaisRocha
pe an eapolícia,depoisdo25deAb il.Foiesse ac o,aliás,queag a ouasanção,
po que os mili an es que e am p esos inham ob iga o iamen e que ela a as
condiçõesdap isãoecon eúdodosin e oga ó ios.ComoDomingosAb an escon a,
“ap imei acoisaquese aziaquandosechega aàcadeia,depoisdosin e oga ó ios,
e a ela a comoéque omosp eso,comonospo ámos,oqueapoliciasabiaenão
sabia,se inhaha ido o u a,que o u a”.Em elaçãoaocasopa icula deCanais
Rocha,JoséPed oSoa esconside aqueoan igoope á ioesindicalis asó e ásido
expulsodopa ido“po queomi iu e aquejadope an eapolícia,nãopo causada
aição.”
A exal ação dos he óis é ambém ei a a a és de ex os não a ibuídos
especi icamen eaumde e minadomili an ep eso.Tempa alelismocomasimbologia
do “soldado desconhecido”, o que se pode le em Se emb o de 1959, sob o í ulo
78
“Mensagem de um He ói”, como se a asse de um ex o iccionado des inado a
ansmi i exemplosasegui po quem(ainda)não oip eso:
“Den e as cen enas de pa io as caídos nas ga as do inimigos, su gem
exemplos de luminoso he oísmo, eno mes na sua simplicidade, que são
espelhodalu apa ió icadonossopo ocon asosop esso essalaza is as.
Publicamos a segui o agmen o duma mensagem dum desses simples
he óisquesoube amdigni ica asag adacausadopo o:‘Fuip esoelogo
no2ºdia uichamadoàPIDEepuse am-me6diase6noi esseguidasde
es á ua e sem me deixa em do mi , depois manda am-se pa a um cela
ondemedeixa am10dias.Saidaes á ua odoinchadodosjoelhosa éaos
pésemaisalgumacoisa.Depoisde10diasdecela uino amen epa aa
es á ua onde es i e mais 3 dias e 3 noi es. Que em que econheça
o og a ias. Man enho-me i me e man e -me-ei semp e i me. Se algum
doscama adasdao ganização o p eso,asal açãose ánãodize nada,
nega udo,nãosedeixemle a .Elesdizemquesabemedãodadosce os
comop o asenãonosdeixamdo mi dediaedenoi e;chegamosa e
bichos,ochãoaanda pa acimaepa abaixo,acabeçaocaegelada,mas
é uma g ande aleg ia passa udo is o e olha pa a o u u o sem co a .
Neguem udomesmocomp o as”.
Ain o maçãoqueoscomunis asp esospassa ampa aoex e io ,alémdese
ma e ial de p o a da condu a assumida pe an e a polí ica e du an e o empo de
p isão,cons i uíaumelemen o ele an epa aopa idocons ui odiscu sopolí ico
deoposiçãoàdi adu a.EoA an e!clandes ino,cuja edededis ibuiçãoex a asaa
dos mili an es, é o canal de di ulgação mais e icaz, num quad o de censu a p é ia
sob e os ó gãos de in o mação. O jo nal o na-se essencial pa a man e os p esos
comunis as in o mados sob e a ida in e na do pa ido, do país e do mundo e,
simul aneamen e, ansmi i pa a o ex e io in o mações sob e os maus a os
in ligidospelapolíciapolí ica.Opequenoepoucoespessojo nale ain oduzidonas
cadeiase, alcomocá o a,ci cula ademãoemmão.
79
Pa aqueain o maçãoci culassededen opa a o aede o apa aden odas
cadeias,há ela osde o masmui oimagina i asusadaspelosp esosepo quemos
isi a a.
No o e de Peniche, po exemplo, Ca los B i o con a que “no supo e de
madei adeumchu ei o,mãoshabilidosas,pacien esepe sis en es inhamesca ado
uma boni a caixinha, com ampa e udo, onde cabia um A an e! Clandes ino, bem
dob adinho”81.
Semque e po meno iza osp ocedimen osseguidosnoin e io dascadeiase
não acei ando escla ece como chega a o A an e! às mãos do p esos, po que “po
p incipionãode emosdi ulga po quepode i ase p ecisono amen e”,Domingos
Ab an esadmi eque“os‘a an es’(eosin o mes,comoo‘RumoàVi ó ia’)en a am
semp e e às ezes, como cos umo dize , à onelada, passa am pelas mãos dos
ca ce ei os, escondidos em coisas que eles le a am pa a o a sem sabe em o que
es a ama aze ”.OA an e!en a anascadeiascom egula idadeesaíaain o mação
sob e o que se passa a lá den o. P ecisá amos de odas essa in o mação e a
impo an epa anosman e emosapa doquesepassa anopaisenomundo”.
Umexemplodesseexpedien ees áexpos onoMuseudoAljube,comolemb a
Ab an es.“É umacamisado JaimeSe a, ondeeleesc e eu in o maçõesque o am
le adaspa a o a.A a ésdas isi ase aimpossí elpo quenãoha iacon ac odi e o,
mas ab ica am-seobje ossópa asepassa in o maçãoeos‘a an es’.E ap ecisos
se mosmui oengenhosospo quese apanhadonacadeiacomp opagandada aum
p ocessodea i idadessub e si asnacadeia”.
DomingosAb an esnãoesqueceacon a umepisódiodope igoqueco euna
cadeiadePenichepo causadoA an e!:“Umdiaapanheiumsus o.Es a ano ec eio
e inhaummolho,um olo,de‘a an es’nobolso,quee apa adeixa emde e minado
sí iopa ase emle adospa aou opa ilhão.Ade e minadaal u a,ogua dachamou-
mepa amele a aodi e o enãomedissequee apa auma isi a.Quandoíamosà
isi a,embo anão ossepossí elocon ac o ísico,osgua das inhamohábi odenos
e is a em.Sónocaminhopa aogabine edodi e o équeogua damedissequeia
81Ca losB i o,CadeiaDoFo edePeniche,ComoFoiVi ida(Ale heiaEdi o es,2016)p.84.
80
e uma isi adecincominu oscomaConceição[Ma os,comquem i iaacasa -sena
p isão], que eu já não ia há anos. Eu não inha sido e is ado à ida, mas se ia
ce amen eàsaídae iquei ão p eocupadoqueainda hojenemme lemb odoque
dissemosumaoou ona isi a.Fuielabo andoumaes a égiaepo so e,ogua da
quemele a ae aum ipogo docomumco podescomunal,que inhadi iculdadeem
anda , e eu e a jo em. Logo que acabou a isi a, a anquei a es ica o passo em
di eçãoaopa ilhãoeogua dasódizia,‘s .Ab an esmaisde aga !.´Ti easo edea
po aes a abe aeeua i eio olopa aumpa ilhãoquees a adesa i ado.Depois,
oip ecisoa anja umes a agemapa a ecupe a os‘a an es’.En ãonós,quenão
abalhá amos na cadeia, omo-nos o e ece aos ca ce ei os pa a limpa aquele
pa ilhão com o a gumen o de que es a a mui o sujo e que chei a a mal. Eles nem
que iam ac edi a na o e a e acei a am. Lá omos nós, uma ez sem exemplo,
munidosde assou as,baldesees egonas, ecupe a os‘a an es’.
Todoesse luxodein o maçãode o apa aden oededen opa a o ados
es abelecimen osp isionaise ao ganizadoa a ésdoapa elhodopa idonoex e io
eao ganizaçãoin e nadoscomunis asnacadeia.Como ela aAb an es,“ha iaum
apa elho da di eção do pa ido, sec e o, com pessoas de al a con iança que aziam
chega o ma e ial e izemos sai in o mação, po exemplo, de angolanos, que não
inhamo ganizaçãoex e io pa aosapoia .Po exemplo, izemossai in o maçãopa a
oVa icanosob eoJoaquimPin odeAnd ade”.
Comunis as que nunca es i e am p esos ambém i e am conhecimen o do
á egodein o maçãoen eoin e io eoex e io dascadeias.ÉocasodeMa ga ida
Tenga inha, cuja p imei a a e a como mili an e do pa ido, em 1952, oi a de
in eg a uma comissão de apoio aos p esos polí icos, di igida po Ma ia Machado.
“ÍamosaCaxias, alá amoscomas amíliasàpo adasp isõespa asabe doscas igos
edos p oblemas que pediam pa a se esol idos. Também passá amosin o mações
clandes inamen e. Po exemplo, como eu e a do Alga e, lemb ei-me de usa uma
caixadesapa oscomes elasde igo,comum undo also,ondeseme iaoA an e!.As
in o mações saíam, po exemplo, nas oupas en iadas pa a la a , a a és das
amílias”.
81
Também José Ped o Soa es eco da como ez chega ao ex e io da p isão
in o mações que i iam a chega à Amnis ia In e nacional, po exemplo: “Consegui
passa aoMDM(Mo imen oDemoc á icodasMulhe es)umain o maçãoesc i aem
mo alhasdeciga osquepasseidu an euma isi a”.
Sócomaexis ênciadesse luxono iciosopendula en eoin e io eoex e io
das cadeias é que se jus i ica publicação no A an e! de mensagem di igidas
di e amen eaosp esospolí icos.Exp essãomáximadessacomunicaçãode o apa a
den o das cadeias es á publicada em Ma ço de 1961, uma edição in eg almen e
dedicadaao40ºani e sá iodoPCP.Naúl imapáginadojo nallê-se:
“Saudaçãoaospesospolí icos”(...)soube ame gue bemal oabandei a
do pa ido (...)Em especial pa a ocês, que idos cama adas que os
en egas eiscomple amen eà iaeàac i idadedopa idoesob equemo
inimigodesca egaoseuódiomais e oz”.
Depois de enume a mais de duas dezenas de nomes de p esos e de omi i
ou as iden i icações “po mo i os da sua p óp ia de esa”, e mina com uma
p omessa: “Vós sois, cama adas, o o gulho do nosso Pa ido, que não esquece á o
ossobeloexemplodededicaçãoe i meza.OPa idonãopoupa áes o çospa a os
a anca dasga asdoinimigo”.
Anãopublicaçãodenomesdealgunsdoscomunis asp esos em,de ac o,a
e comques õesdesegu ançapa aode idoepa aopa ido.E ap á icadoA an e!
nãopublica nomesdede idosqueaindaes i essemsujei osain e oga ó ios.A eg a
é con i mada po José Ped o Soa es: “An es de se mos julgados não e am
publicamen eiden i icadoscomomili an esdopa idoee abem ei opo quemui os
denósnegá amosqueé amosdopa idoealgunsnão e elá amosonossonomeà
polícia.Noquedizíamos,oumelho noquenãodizíamos,p ocu á amos e i a odaa
ca gain o ma i aqueaPIDE inhaeaque que ia”.
4.2“Inclinamosasnossasbandei as”
Nacons elaçãodoshe óis,osmá i es êmumb ilhoespecialnoimaginá io
comunis a,quees ábem i onaspáginasdoA an e!.
82
Vol andoada comoexemploaediçãonº298,ado40ºani e sá iodoPCP,um
dos ex osqueojo nalpublicachamaaa ençãopa aosquemo e amna esis ência
àdi adu anosseguin es e mos:
“Em40 anosdelu a implacá el,mui os comunis as jáde am a sua ida
pelalibe açãodoPo o.Passandoaosmilha espelasp isões,supo ando
os maio es so imen os, dando o melho do seu es o ço á lu a, os
comunis aspo ugueses êmsidoagua daa ançadadocomba econ ao
ascismo.Aopassa o40ºani e sá iodoPa ido, eco demososnomesdos
cama adascaídosnalu a,o gulhodonossoPa idoedonossoPo o”.
Àcabeçadalis adosmá i eses áBen oGonçal es,mo onoTa a al,ci ado
nou o ex onamesmaedição,comoo“ob ei odoPa ido”,cujo“exemplocon inuaa
con inua á semp e i o no co ação de odos os comunis as po ugueses”. O ex o
e minacoma ase:“Gló iaaosnossomá i esehe óis!”.Cu iosamen e,ausen eda
his ó iadoPCPnoassinala do40ºani e sá ioes áonomedeJoséCa losRa es,o
p imei osec e á io-ge al,que i iaaa as a -sedoideá iocomunis a,ap oximando-se
dabase eó icadoEs adoNo o.
Pouco empodepoisde e sidoassinaladaessae emé ide,uma“mo esaiuà
ua”,comoadesignouJoséA onsoaoceleb á-lanacanção,adoa is aplás icoJosé
Dias Coelho, assassinado na ua dos Lusíadas, em Lisboa, quando i ia na
clandes inidade. Um má i que o A an e! homenageou num ex o que i ia a se
edigido po Ma ga ida Tenga inha, a sua companhei a, ambém a i e na
clandes inidadeeque e minacomaspala asdop óp ioDiasCoelhoesc i aspa a
homenagea Ma iaHelenaMag o, alecidanaclandes inidade.
“Não e dizemos adeus, cama ada! As uas mãos ce adas ão com as
nossasmãosce adas.A ua oz aicomasnossas ozescan a maisal oa
libe dadedonossoPo oe,sobaabandei aonossoPa ido,os eusolhos
hão-deolha comosnossosolhosoPo ugal elizquenão e i es e.”
O ela odeMa ga idaTenga inhadomomen oemquesoubedamo edo
seu companhei o e ela como as eg as do pa ido na clandes inidade e am
humanamen e ias, numa apa en e con adição com a he oicidade e humanidade
83
exal adasnos ex ospublicadosnoA an e!sob ea idaealu adoscomunis as,nos
quaissesuge eum elacionamen o a e no.
“Só soube que o Zé [Dias Coelho] inha mo ido, já ele es a a en e ado.
Vi íamosnumacasaclandes ina,comaminha ilhamaisno aecomou acama ada.
Ele azia ligações in e nacionais do pa ido na á ea da cul u a e no dia 19 de
Dezemb o, inhasaídodecasapa auma eunião.Comonão ol ou,nemninguémme
ezchega qualque in o mação,pa idop incípiodeque inhasidop eso.Nodia22
deDezemb o,p epa eiumsacocom oupadelepa aquelhe osseen eguenap isão
e saí de casa pa a o encon o que es a a ma cado com o cama ada que e a
esponsá elpo aze aligaçãoen emimeosec e a iadodopa idopo causada
edaçãodoA an e!.Oencon oe anuma uanazonadeBelém.Quandoocama ada
apa eceu,jáumpoucoa asadoem elaçãoàho ap e is a,disse-lhequeoZées a a
desapa ecido e que suspei a a que inha sido p eso. Ele espondeu-me com es as
pala as: “Não oi p eso, oi assassinado. Desmon as a casa e sais”. An es de se i
embo ama couada ada euniãoseguin e.Fiqueialicomosacoda oupanamão.
Andeiàs ol aspelas uas,semsabe bemondees a a,me i-menum áxipa a ol a
pa a casa, mas não consegui dize a mo ada pa a onde que ia i . E a a zona do
Res elo,easmo adias inhamiluminaçõesdeNa alesó ialuzinhasapisca .Ainda
hoje,nãosupo oiluminaçõesdeNa al.”
Ocama adaquelhedeuano ícia oiF anciscoMa insRod igues,quee ao
memb odadi eçãodopa ido nacomissão de edação doA an e!ee aelequem
aziaocon ac ocomMa ga idaTenga inha,enquan o eda o adojo nal.Ma ga ida
desc e e-ocomoum“umbomcama ada,masumapessoamui o ígida,mui odu a,
quenão e ela ag andehumanidade”.Dizainda e comp eendidoaa i udedelepo
“medoepelanecessidadede e algunscuidadospo oZé[DiasCoelho] e sidomo o.
Nem iquei magoada po que aquilo oi ão du o e odos i íamos momen os mui o
di íceis.Hou emui asp isõesnaquelaépoca,emDezemb ode1961.Os i osdapolícia
co esponde am ao es ado de desespe o que oi ansmi ido aos pides po Salaza .
Mais a de iquei e ol ada.Na euniãoseguin edacomissãode edaçãodoA an e!,
emJanei o,eudisse‘quem azano íciasoueu’,e odaagen eacei ou.O e a oem
linóleo, ei oapa i de o og a ia,quesaiuna1ªpágina,équeeunãoconsegui.
90
compo amen osmo almen edignosdese emseguidospo odososquedele omem
conhecimen o.
O í ulousado nessespequenos ex os é,em eg a,bemexplíci o doquese
p e ende.Éocasodano íciapublicadanaediçãonº283,deNo emb ode1959,na
qual se ela a a inicia i a de pô a ci cula um ex o abaixo-assinado de apoio a
JoaquimJoséDias,p esopelapolíciapolí ica:“Eisumexemploquede ese seguido
pelosamigosecompanhei osde abalhode odososhomenshon adosquejazemnas
p isõesdaPIDE,noAljube,emCaxiasouemPeniche.(...)”
É eco en equeo í ulodoopúsculodeCunhal“Se o esp esocama ada”seja
ansc i o pa a encabeça ex os sob e exemplos de bom po e na cadeia. É o que
acon ecenaediçãonº368,deJulhode1966:“Se o esp eso... enhamosp esen eo
exemplodosnossoscama adasquesepo a amco ajosamen eenadadecla a amà
policia.”
Os abalhado es “hon ados”, não necessa iamen e mili an es, que são
ans o mados em exemplos, cons i uem, simul aneamen e, o uni e so ao qual se
des inam os ex os de exal ação de compo amen o a segui em caso de se em
apanhadosnasmalhasdapolícia.Oscons an esa isospa aquehaja“bom-po e”nos
in e oga ó iosenascadeiascon igu am,nãoapenasumaa i udep e en i apa aos
que,es andona esis ênciaàdi adu a,a iscamap isão,mas ambémummanualde
algumasdas eg ascomquese o jamosexemplosmo ais.Vejamosumexemplode
ex o,como í ulo“NaPIDEnãose ala”,publicadoemNo emb ode1966:“NaPIDE
esis e-se co ajosamen e às o u as e suplícios, mas não se denunciam cama adas,
i mãos de lu a. Esse é o exemplo de quan os em Po ugal e no mundo se em os
in e essedaclasseope á ia”.
Olei o /mili an eaquemsedi igees e ex oédesa iado,comoseuexemplo,
a in eg a -se num g upo com ca ac e ís icas especiais, ao ní el mundial, digno de
se i ede ende osin e essesdopo oedos abalhado es.
Oexemplomo alge a ambémumacumplicidadeem o nodosque esis em,
dos que es ão do lado ce o da ba icada polí ica. De um lado es á a polícia e os
ibunais ascis asedoou oes ãoos esis en ese,empa icula ,oscomunis as.Essa
91
dico omia, que é pe manen e no discu so polí ico e nos ex os in o ma i os do
A an e!,es ábemexp essanap imei aquinzenadeFe e ei ode1961,numacoluna
dapág.2,sobum í uloqueenuncia,desdelogo,umadi e i a:“Oscomunis aspe an e
os ibunaisplená ios”.
“(...)Vá ioscomunis as êmsabidode ende co ajosamen eoseuPa ido,
desmasca a com igo a polí ica ep essi a e an i-nacional de Salaza ,
denuncia o ca ác e a bi á io dos ibunais plená ios, as o u as e os
maus a osdaPIDE.(...)Mandadocala eexpulsodoT ibunal,Ca losAboim
Inglês g i ou pa a os seus e dugos: ’Não admi o lições de mo al des e
ibunal!Não eceboliçõesdemo aldum ascis a!(...)An eapolíciacomo
an eosjuízes endidosdos ibunais ascis asoscomunis asmos amasua
he oicidadee alen iaemde esadoseuPa idoedacausajus apo que
lu am.”
Uma ezmais,aques ãodoexemplomo ales áp esen enamensagemqueé
ansmi ida a cada um dos lei o es. Essa ansmissão é suscep í el de c ia um
sen imen odepe ençaaumacomunidade.Éa a ésdalinguagembanal, epe ida
uma e ou a ez, como acen ua Billig, que “es es episódios e ó icos eco dam-nos
con inuamen e que nós somos ‘nós’ e, ao azê-lo, pe mi em-nos esquece que nos
es ão eco dandoissomesmo”86.Oau o e e e-seàin e io izaçãodonacionalismo,
masomesmop ocessoanalí icosepodeaplica àiden idademo aldoscomunis as.É
possí elsegui umce oexe cíciode anspo edees u u adonacionalismopa ao
mili an e. Embo a no objec o des a disse ação os elemen os linguís icos não se
possaminclui nosdeí icosqueBillig e e e,há ambémnoA an e!ap á icaqueo
au o iden i ica como u ilização o inei a desses ocábulos “que apon a
con inuamen epa aapá ianacionalcomooluga doslei o es”87,se anspuse moso
concei o de pá ia sem on ei as ísicas pa a uma “comunidade imaginada” (de
comunis as), como Benedic Ande son 88 a concebeu. “Imaginada po que a é os
86MichaelBillig,NacionalismoBanal(Capi ánSwing),p.191.
87Billig,p.29.
88Ande son.
92
memb osdamaispequenanaçãonuncaencon a ãoenuncaou i ão ala damaio ia
dos ou os memb os dessa mesma nação, mas, ainda assim, na men e de cada um
exis e a imagem da sua comunhão.”89 No caso do A an e!, essa iden idade de
comunidadeéc iadaa a ésda ansmissãodeconcei osmo ais,semp eaplicadosa
casos conc e os e exempla es. A mensagem é passada, não apenas po ex os de
elabo ação eó ica,mas ambéma a ésde ela ospessoais, e elandoeexal ando
uma de e minada condu a exempla pa a que seja eplicada po cada um dos que
pe encemouque empe ence àcomunidade.
Ci a-seaindaBilligaoanalisa opensamen odeAnde son,quandoes eau o
suge e que “o sen imen o nacional é ge ado pelo conhecimen o de que, em oda a
nação,aspessoascump emo i ualdiá iodele omesmope iódico”.90
A analogia pode aplica -se di e amen e ao sen imen o de pe ença ge ado
en e a comunidade de lei o es do A an e! clandes ino. Como já ap o undámos na
p imei a pa e des a disse ação, o jo nal, além de po encia essa ligação en e os
lei o es,assume-secomopa ein eg an edessa alcomunidadeimaginada.
1.2Ódiopeloinimigo
O sen imen o é aliado à azão quando se a a esponde ao “inimigo”, a
di adu a de Salaza /Cae ano, pe soni icado na polícia polí ica. Bas a le um ex o
publicado na 1ª quinzena de Fe e ei o de 1959 pa a se pe cebe o peso da ca ga
impos apelaspala as.
“(...)Osc imesdeSalaza de emencon a epulsade odososque êmno
pei oumco açãosensí elehumano.(...)OA an e!denunciaasa ocidades
daPIDEepassa áapublica osnomesdos o u ado eseassassinosqueas
p a icampa aqueonossopo oosnãoesqueça(...).”
O ex oacimaci ado,alémdese umbomexemplodo omusadopa ains iga
oódio,enquad a-sena e e idadico omiabem/mal,quedis ingue“ ascis asean i-
89Ande son,p.25.
90Billig,p.211.
93
ascis as”, ou os “ o u ado es e assassinos”, dos que êm “co ação sensí el e
humano”.Nes ecasoos“bons”nãosãoapenasoscomunis as,mas odososquenão
acei amequenãoesquece ãoasa ocidades.
Oódioque anspa ecenalguns ex osdoA an e!clandes inoes ende-seaum
uni e so mais la go do que o inimigo polí ico, ab angendo os conco en es no
comba e à di adu a, os dissiden es e os “mise á eis” aido es que i e am “mau
compo amen o” na polícia. Em elação a odos es es al os, que são conc e os e
iden i icados, a linguagem u ilizada, ao aze uma denúncia pública de a i udes
conside adasodiosas, ansmi eaob igaçãodeosos aciza e epeli .
Tambémnes ecaso,um ex oéexempli ica i odalinguagemusadaaolongo
de odaaVIsé iedoó gãocen aldoPCP.Naediçãonº333,deSe emb ode1963,
doisan igosmili an esdopa idosãoexpos os“àexec açãopública”como“coba des
aido es”, que “não soube am en en a dignamen e o inimigo ascis as, ao se em
p esospelaPIDE, aindo,assim odososseuscomp omissos”.
Tex os ca egados com uma e minologia suscep í el de ins iga ódio sob e
pessoasconc e assu gemacadaediçãodoA an e!comajus i icaçãode,comoselê
em Ou ub o de 1971, “Apon a os mise á eis pelos seus nomes (...) julgamos se
absolu amen enecessá io”.
Vol andoaBilligeao o alecimen odoconcei odenaçãoedonacionalismo
a a ésdau ilizaçãobanalde ocábuloscomo“nós”emoposiçãoa“eles”,pa aocaso
emes udodes e abalhose ápe inen eacen ua queos ex osdoA an e!,quando
se cen am nos exemplos de homens hon ados com co ações sensí eis e a i ude
abnegada, ansmi em ambéma epulsapelosou os,peloinimigooupelosqueo
se em,pelasuap á icade aiçãooudecolabo ação.
1.3A ingançase e-se ia
Se o ódio é ins ilado, pala a a pala a, quando o ema é o inimigo ou os
aido es,a ingançaése ida ianasen elinhasdo ex o.Sãoemg andenúme oos
a igospublicadosnoA an e!clandes inonosquaisse a icinaeaconselhaocas igo
u u odeca ascosede aido es.
94
Em Dezemb o de 1963, dois anos depois de José Dias Coelho e sido
assassinado, su ge um dos ex os emblemá icos desse apelo ao ajus e de con as
u u o:
“Com a sua mo e pe deu o Pa ido um des acado mili an es e o nosso
po ouma is ap ome edo .Se áessemesmopo oqueosabe á inga no
dia da libe dade. Os c iminosos não escapa ão ao ódio do po o, à sua
jus iça”.
Não há uma eo ização sob e a es a égia do pa ido pa a o u u o no que
espei a à esponsabilização polí ica ou c iminal dos di igen es da di adu a ou da
políciapolí ica,maso ex oci adodeixacla oqueajus içase á ei apelasmãosdo
po o.“QuandoemPo ugalhou e libe dade,es eeou osc imesdo ascismose ão
julgadosese á ei ajus iça”.F asescomoes a,publicadanaediçãonº202deJulhode
1955, eco en es no A an e! clandes ino es ão ca egadas de uma apa en e
in encionalidadequeul apassaoquees áimp esso, eme endopa aoconcei ode
Quen inSkinne 91dequeo ex o emdese es udadopa aalémdo ex o.
Nocasodano íciaci ada,quese e e eaosassassina osdeAl edoDiniz(Alex)
edeFe ei aSoa esumadécadaan es,pa aládaspala asusadases áocon ex o
que de alguma o ma de e mina a in encionalidade. Além da ga an ia de que os
c iminosos não ica ão impunes, o ex o ansmi e a ce eza a quem o lê de que a
libe dadenãoéumami agem,masumace eza.
Podeci a -seaindaou o ex o,publicadoemSe emb ode1962.Depoisde e
sidodenunciadoonomede“ump o ocado ”,ano íciaéconcluídacomumale aem
o madeameaçapa ao u u o:
“Ép ecisoquees eeou oscanalhassin amopesodoódiopopula pela
sua in ame colabo ação com a PIDE. Que os seus nomes não sejam
esquecidospa aqueamanhãso amojus ocas igo”.
Aqui, o apelo à jus iça su ge com lai os de ameaça de ingança pa a o
“amanhã”quandoalibe dade o conquis ada.
91Skinne .
95
2.Obanaldelibe ado
2.1Sen imen oeemoção
Em1985,noli oOPa idocomPa edesdeVid o,Ál a oCunhal eo izasob e
acondiçãodese comunis a,ala gando-aaosen imen o:“Se comunis anãoéapenas
uma o madeagi poli icamen e.Éuma o madepensa ,desen i ede i e ”92.Nas
páginas A an e! clandes ino é cla o que à azão se alia a emoção. Há ex os
exempla es, nos quais a exal ação do compo amen o he oico de mili an es é
lexicalmen eelabo adade o maa ansmi i umaen ol ênciaemocional.
Amo edeJoséG egó io oino iciadanaediçãodeJulhode1961,aoal oda
1ª página, com o og a ia, num ex o onde as exp essões usadas conduzem a uma
quase osmose de signi icados, que ão da exal ação da he oicidade e abnegação à
emoçãodoso imen o,passandopeloelogioàsolida iedadecomunis ain e nacional
eàce ezadequeadi adu ase áde ubada.
“NaChecoslo áquiasocialis amo euocama adaJoséG egó io(Albe o).
Deixou de pulsa o co ação de um amado ilho da classe ope á ia
po uguesa,dumdosmaisabnegadoslu ado espelacausadosexplo ados
e op imidos, duma dos mais des acados ob ei os do nosso Pa ido, dum
alo osocomba en epelacausadaindependêncianacional,dademoc acia
edosocialismo.(...)Nuncapode equen a aescolaeaindanão inha 8
anos quando iniciou a sua ida de ope á io id ei o.(...)po se ecusa
i memen e a da quaisque in o mações à polícia, oi ba ba amen e
espancadodu an e á iasho asconsecu i aspo á ios acíno asdaPIDE
a é pe de os sen idos. Homem de ca ác e ín eg o e do ado de uma
ex ao diná ia o çade on ade,JoséG egó ioéumexemplopa a odosos
mili an esdoPa ido.Comojus amen edecla ouÁl a oCunhal,Sec e á io-
Ge aldonossoPa ido,pe an eo ibunalqueocondenou,JoséG egó io
pe enceuaonúme osdoshomensquepossuemasup ema i udequeé
92Cunhal,p.195.
96
dedicaçãoilimi adaaonossopo oeànossaPá iaque‘sãooo gulhodo
Pa ido e do Po o’.(...) Numa ele ada demons ação de a e na
solida iedadep ole á ia,oPa idoComunis adaChecoslo áquia,opo oe
osmédicos odea am-node odooca inhoe udo ize ampa asal a ou
p olonga asua ida.(...)Onossopo op es a áumdiaaJoséG egó ioa
me ecidahomenagem.(...)”
Ap osaci ada azumasín esedodiscu sopolí ico acionalcomoemocional,
e e indo-seaummili an eedi igen econside adoexempla ,masomesmo ipode
linguagemdea e oséusadapa acon a umahis ó iasob equemnão em‘nome’no
pa ido.Temaes u u adeuma ábulaoqueselênaediçãodeAb ilde1951,sob ea
ecolhadeassina u aspelapazepelodesa mamen o,encimadocomo í ulo“Uma
mulhe deLisboa”:
“Quando à po a de uma áb ica do Po o, duas ope á ias da áb ica
p ocu a am ecolhe assina u as, as ope á ias da áb ica mos a am-se
eceosas.En ãoumaope á iadea ançadaidadeg i ou:Não enhammedo
deassina !Éumacausajus a!Ponhamláomeunomeeodosmeus ilhos.
Eu enho 2 ne os e não os que o e mo os. Logo em seguida o am
ecolhidas41assina u as”.
En eosmui os ex osqueapelamàemoção,podeci a -seaindaumque oi
publicadona2ªquinzenadeAb ilde1958.Pa adenuncia “ummise á el”pa ãoe
in o mado daPIDE,usa-seum o ma odehis ó iain an ilcommo alno im.
“Denunciadapo um alHon ado,p op ie á iodeuma áb icadeconse as
de peixe em Olhão, onde abalha a, oi p esa no dia 12 de Ma ço a
ope á ia Olí ia Leb e, mulhe do ope á io co icei o José Ca los que se
encon ahámesesp esonasmasmo asdaPIDE.Aope á iaOlí iaLeb e
e aoampa odeduas ilhinhasde en aidadequeobandodaPIDEque
p endeu a sua mãe deixou abandonadas em Olhão. Po o de Olhão!
Ampa aias ilhasdaope á iaOlí iaLeb eedenunciaipo odooAlga eo
mise á elqueadenunciou–oindus ialdeconse asHon ado.
97
Des es exemplos pode pa i -se pa a uma e lexão sob e a elação en e o
emocionaleo acionalnodiscu sopolí icodoscomunis as.Énes econ ex oqueo
mili an eexempla ,obommili an e,sóoénamedidaemquenasuap á ica e ela
p eocupaçãocomoou o,namedidaquenãopõeempe igoa idadeumcama ada
oudopa idoelu apelobem-es a dopo o.
Essa elação com o ou o, que é polí ica, o na-se emocional quando é
adje i adasegundopad õesé icose/oumo ais, ans o mandoomili an eem“bom”
ou“mau”consoan e,po exemplo,oseupo epe an eapolíciapolí ica.
Ao analisa o pensamen o de Espinosa, o neu ocien is a An ónio Damásio
esc e eexa amen esob ea elaçãodasemoçõescomaé ica,a gumen andoquehá
uma elaçãoes ei aen eap á icadaaçãoindi idualeasconsequênciasdes a.Em
sín ese, a boa ação me ece esse quali ica i o se não p o oca danos nega i os a
ou os.DaíqueDamásioconclua:“Espinosaque dize queosis emacons óiemcada
pessoaimpe a i osé icoscombasenap esençademecanismosdeau op ese ação,
desdequeessapessoa enhaemmen ea ealidadesocialecul u al.Pa aalémdecada
si indi idual há os ou os, como indi íduos ou como en idades sociais, e a
au op ese açãodessesou os,a a ésdosseusp óp iosape i eseemoções,de ese
omadaemconside ação”93.
A dimensão é ica do compo amen o emocional indi idual do mili an e
comunis a es á p esen e numa banalização mo alizado a nos ex os publicados no
A an e!, embo a e li a a in encionalidade da eo ização encon ada em mais uma
passagemdo ex o“Asupe io idademo aldoscomunis as”,quandoCunhalde ineo
in e nacionalismop ole á io “ on ec iado ade concei os,sen imen os ea i udes de
gene osidade de colec i ismo, de a e nidade en e os abalhado es e os
comunis as(...)”.
2.2.Ahe oicidade
93An ónioDamásio,AoEncon odeEspinosa-AsEmoçõesSociaisEasNeu ologiaDoSen i (Cí culode
Lei o es,2003),pp.151-152.
98
A exal ação dos a os he oicos dos comunis as é pe manen e, que sejam os
mili an espo ugueses,cujocompo amen onap isãoenosin e oga ó iospoliciais
é conside ado “exempla ”, ou os memb os de pa idos-i mãos (em pa icula o
ancês,noquad odaIIGue aMundial)ouaindaosp o agonis asdacons uçãoda
URSS, além dos “pais” do socialismo e ob ei os da Re olução de Ou ub o. São
ealçados os “he óis” da conquis a do espaço e podem inclui -se no concei o de
he oicidadeos esul adoseconómicosesociaisdasociedadeso ié ica,p o usamen e
di ulgadosnaspáginasdoA an e!.Ohis o iado JoãoMadei a aladeuma“espéciede
é” pa a designa a o ma como é enca ado o egime de Mosco o, nascido da
Re olução de Ou ub o de 1917: “Os mili an es e am assim educados na exal ação
e e encialdaURSS,cujop ocessodeassimilação endia,nadi iculdadedeinculca o
de alhe das conquis as conc e as da União So ié ica, em aze passa os p incípios
p opagandís icos da “pá ia do socialismo” e da “supe io idade do socialismo
so ié ico” uma espécie de pa aíso na Te a, que inha nos mili an es de enso es
incondicionaiseinde ec í eis.Es ade oção o na a-seaindaumaespéciedeampa o
in e nacional em elação aos comba es pe seguidos nas condições di íceis e
aspe amen e i idas na base do pa ido. A é na caminhada, da URSS como das
“democ acias popula es”, pa a o socialismo e pa a o comunismo e a um es ímulo
pode oso pa a e o ça con icções e en egas, o nando-se numa espécie de é
e olucioná ia, de que os mili an es comunis as po ugueses se alimen a am e
acalen a am”94.
No plano in e no, como sublinha Madei a, “os he óis e má i es comunis as
e am bandei as de exemplo des aldadas, enco pa am um imaginá io colec i o de
co agem com que se a gamassa a a esis ência e o comba e quo idiano con a o
egime, ei o de exemplos semp e p esen es de um isco assumido, pa a que cada
mili an epodiase con ocadoemcadamomen o,mobilizandoaco ageme encendo
omedo”95.
94JoãoManuelMa insMadei a,p.760.
95Madei a,p.768.
99
Masaglo i icaçãodoshe óisnãopodeenãode ese con undidacomocul o
dape sonalidade,queCunhalsees o çou,empala as,po condena ,empa icula ,
apósoes alinismo,numquad oemqueop óp ioPCUS ambémo ez.Aliás,naedição
nº212,deAb ilde1956,o A an e! ep oduzpa edeumasín esedeuma igodo
P a da,oó gãocen aldoPCUS(Pa idoComunis adaUniãoSo ié ica)ap opósi oXX
cong esso,noqualselê:
“Nãopossuindomodés iapessoal,S alinenãosónãoco a aoslou o ese
elogiosquelhe aziam,comoosapoia aees imula apo odososmeios.
Como empo,es ecul odape sonalidade oi omandoaspec oscada ez
maisde o madosecausousé iosdanos.Comp eende-sequesemelhan es
pá icasdeS alinesigni ica amumain acçãodosp incípiosleninis asde
di ecçãoecon adiziamoespí i odoma xismo-leninismo”.
Mas, se no plano eó ico a di e i a e a a aca o cul o da pe sonalidade, na
p á icapolí icaedaesc i aco en e/banaldos ex ospublicadosnoA an e!e amui o
énuea on ei aen eessecul oeaglo i icaçãodoshe óis i osdopa ido,en eos
quaisCunhalsob essaía.Sãocons an esapelosàlibe açãododi igen edopa ido,
cujo nome “es á den o do co ação de odos os abalhado es po ugueses e é
espei adopelosdemoc a aspelosdemoc a asean i- ascis asdonossopaís”,lê-sena
edição de Janei o de 1956. Ainda na mesma edição, su ge o apelo pa a que sejam
ei asinsc içõesnaspa edes,exigindoalibe açãodeCunhal.
O u o desse apelo su ge de imedia o, na edição de Fe e ei o-Ma ço desse
mesmoano,numano íciain i ulada“Re o cemosmaisemaisalu apelalibe açãode
Ál a oCunhal”,naqualsedácon ada ecep i idadeaosmani es osdi ulgadoseàs
insc ições ei asemnume osospon osdopaís:
“(...)Os mani es os o am po quase oda a pa e lidos colec i amen e,
comen ados e ap o ados calo osamen e. Uma jo em ca ólica alga ia
a i mou que não ha ia di ei o de se p a ica em ais a ocidades. Nas
aldeiasalen ejanas,oen usiasmo oieno me.Oscamponeses euni am-se
pa aou i le osmani es os epe idas ezes.Uma elhinhadizia.‘Eujáou i
le àminha ilha,maselanãoasexplicabemeeu enhodeou i ou a ez’.
Num ancho,oscamponesesquees a amale ummani es o,explica am
106
Não é a o depa a mos com exp essões como, “Ál a o Cunhal az al a ao
nossopo o”,inse anaediçãodeFe e ei o-Ma çode1956,num ex opublicadona
1ªpáginadeapeloàlu apelalibe açãodeCunhal,en ãop esonaPeni enciá iade
Lisboa. O sublinhado do di igen e que “ az al a” ao po o imp ime uma ca ga
concep ualnãolongeaimp escindibilidade.Po ou aspala as,oscomunis ase,em
pa icula ,osdi igen esdopa idope encemaumg upop o e o dopo o.
Nesse mesmo núme o do ó gão cen al do PCP, esc e e-se sob e a uga de
JaimeSe adacadeiadoFo edeCaxiasem e mosquecon igu amumahe oicidade
o adocomum,supe io .
“Numa uga audaciosa, pe seguido a pouca dis ância pelos i os dos
sen inelas,JaimeSe aconseguiupelasegunda ezconquis a alibe dade,
pa a i ocupa oseupos ode angua danalu acon aoinimigodonosso
po o–o ascismosalaza is a.Asuaco agem,asuadedicaçãoàcausado
po o,comp o adasjá á ias ezes,pe mi i ammaises a i ó iadonosso
pa ido sob e os ca ascos salaza is as, i ó ia que enche de aleg ia o
Pa ido,aclasseope á ia,osdemoc a ase odoopo o.”
Es ano íciapodese lidacomoumasín esedospon osqueexplanamosnes e
capí ulo.A ulanizaçãodocon eúdope mi eaolei o in e io iza quea uga ela ada
nãoéuma ugaqualque ,nãoéumaação ácil,éuma ohe oicocome idocon ao
inimigodopo opo umhomem o adocomum,um e dadei ocomunis a.
A endamosaosquali ica i osquepe passampelo ex oeaoqueelescon êm
deca gaemo i apa aolei o :A ugaé“audaciosa”;JaimeSe a,“pe seguido”pelos
i os, e ela“co agem”,“dedicação”;conquis aalibe dadepelasegunda eznãoem
p o ei op óp io,maspa alu a con ao“inimigo”,que ambémnãoépessoal,mas
simo do “nosso po o”; a sua i ó ia éa“ i ó iado Pa ido sob e os ca ascos”; e,
ce ejano opodobolo,“enchedealeg iaoPa ido,aclasseope á ia,osdemoc a ase
odoopo o”.
Es a linguagem he oica e mo alizado a enquad a-se no p og ama polí ico e
es a égico que i ia a se explanado, mais a de, po Cunhal em “A supe io idade
mo aldoscomunis as”.
107
Naediçãoseguin e, ambémnap imei apágina,éaindaCunhaleaexigência
da sua libe ação que mo i a a publicação da seguin e ase, no inal do ex o:
“Sal emos a ida p eciosa de Ál a o Cunhal, a ida de um dos mais dignos e
des acados ilhosdonossopo o!”.
Apa daexal açãodasqualidadesdealgunsmili an es,queinduzaideiada
cons uçãodeumasupe io idade,é incadapublicamen ealigaçãoen eopa idoe
os seus di igen es ao po o po uguês, o que é uma das cons an es nas edições do
A an e! clandes ino. Há, como se pode pe cebe em p a icamen e odos os ex os
publicadosque eme empa aalu acon aadi adu a,asimbiosedosdoisconcei os,o
dahe oicidadenade esadopa idoedosp incípiosideológicoseodopa io ismo,
pela de esa do po o, em nome do qual se desen ol e a lu a dos comunis as. Sem
que e le a es a e lexãopa aocampodoconcei odenacionalismoqueen o mao
pensamen oep á icadoscomunis aspo ugueses,é isí elnos ex osdoA an e!que
opa idose o nasinónimodepo o,nãoapenascomo“classesocial”,mas ambém
como nação. Ohe ói é ao mesmo empo supe io nasqualidades e ilho do po o,
en endidocomoumaen idademí ica.
LidosalgunsexemplospublicadosnoA an e!clandes ino, o na-secla oquea
linguagem co en e u ilizada não é inócua e a eo ização pos e io dos concei os
ansmi idos ‘banalmen e’ em comp o a que essa esc i a es á ca egada de
concei os eó icos.NoNacionalismoBanal,Billigdisco esob eessepos uladoquando
ci a Hannah A end ao a i ma que ambém na imp ensa b i ânica que analisou “a
banalidadenãoésinónimodeinocuidade”101.Embo anãoexis aumain encionalidade
concep ualoumesmoconscien e,nocasoemes udones e abalho,écump idoo
objec i o inaldec ia umasupe io idademo al.
Mas, quando ci amos A end pa a explo a mos a ideia de “banalidade” a
p opósi odop esen eobjec odees udo, al ezseja ele an ea ende mosaoquea
ilóso aesc e enopós-esc i oincluídonaedição e is aeaumen ada(de1964)do
seuli oEichmannemJe usalém,explo andooconcei odequeháumaausênciade
e lexãoideológicanap á icadomal.A end esc e eque“oque ezdele[Eichmann]
101Billig,p.22.
108
umdosmaio esc iminososdasuaépoca oiaausênciadopensamen o–oquenãoé,
ealguma o ma,amesmacoisaquees upidez”102.
Semcon undi a“banalidadedomal”deA end como“nacionalismobanal”de
Billig e, mui o menos, es abelece qualque pa alelismo na análise dos ex os
publicados no A an e! clandes ino, é possí el e le i , com base no pensamen o de
A end , na u ilização pela imp ensa comunis a de uma linguagem co en e/banal
apa en emen edesligadado sus en áculo eó ico que a en o ma. A base ideológica
es álá,emcadapala a,masolei o /mili an enãop ecisa e uma o mação eó ica,
ou“pensamen o”,pa asegui noseuquo idianodemili an easo ien açõesqueessas
ais pala as ca egam. Do mili an e espe a-se o cump imen o das a e as
es abelecidaspelosdi igen esdopa ido,seguindoumalinhadecondu ain ínsecaa
umalei u aapa en emen edesp o idadep opósi oes a égico.Ac esce,nocasoem
es udo,quealei u adoA an e! oibasila , an ono empodadi adu acomojáem
democ acia,na o maçãodosmili an esdebase,mui osdosquaisanal abe os,que
oma am conhecimen os dos ex os em lei u as colec i as clandes inas. Como
exempli icouohis o iado JoséNe es,ao oma comoes udodecasoaexpe iênciade
êsi mãosmili an esdoPCP,“asp á icasdelei u anãopassam an opeloconsumo
dos clássicos, is o é pela dou inação polí ica, mas mais po p ocessos a iados e
dispe sosdelei u ado omanceaojo nal”103.Nomesmo abalho,Ne essublinha,no
en an o, que se os canais que se pode iam designa po banais se ão cen ais na
al abe ização comunis a dos mili an es de base, o mesmo não se passa com os
di igen es.“Alei u aéumindispensá ellub i ican e e olucioná ioqueope aemdois
ní eis. Num p imei o ní el, os quad os do pa ido necessi am le os clássicos pa a
encon a em o masdedi ecçãopolí icaquesejamadequadas.Numsegundoní el,a
li e a u adopa ido,soba o madedi e en essupo es ex uais,em eg ap oduzida
po aqueles quad os, de e se lida po uma comunidade de abalhado es pensada
comoumcomunidadedelei o es.104”
102HannahA end ,EichmannEmJe usalém,UmaRepo agemSob eaBanalidadeDoMal(I aca),p.428.
103DiogoRamadaCu o(di )eJoséNe es,Es udosdeSociologiaDaLei u a-Al abe izaçãoLeninis a(O
CasoDosI mãosFiguei edo)(FundaçãoCalous eGulbenkian,2006)p.702.
104Cu oeNe es,p.678.
109
Ins adaa aze uma e lexãosob ese oicul i ada,nomeadamen ea a ésdo
A an e!,aideiadasupe io idademo aldoscomunis as,Ma ga idaTenga inha,que
i eunaclandes inidadeenuncaes e ep esa, ecusaaideiade exis i anoção de
sup emacia,masadmi e:“Háumasupe io idademo aldoscomunis as.Aexal açãode
algunshe óisécomp eensí elpo queelesse em-nosdeexemploe azempa eda
educação dos mais no os. De emos usa o exemplo da ida dessa gen e pa a
de ini mosonossop óp iocaminho”.
En e os que pe encem ao g upo dos quad os/he óis, é signi ica i o que a
he oicidadesejasinónimodede e ,comosepodea es a pelaopiniãomani es ada
po DomingosAb an es,cen adanoconcei odasupe io idade:“Nãoéhe oísmo,é
umaques ãodede e .Hápessoasque o am o u adas,assassinadas,po quê?Po
p incípios,po que inham alo es,po queconside a amquenão inhamodi ei ode
sal a apelea a o da idadeou os.Háumconjun odep incípiosé icosepolí icos
quesepõeacimade udo.Háumasupe io idadedesdelogopo e op adopo essa
ida.Ou osnãoo ize am,quemo ez o amoscomunis as.Háumamo alsupe io
doscomunis as, omososúnicosdu an eo ascismocomapa elhoclandes ino”.
O discu so de Domingos Ab an es eme e no amen e pa a Billig e pa a a
e e idadico omiadasup emaciaen e“nós”eos“ou os”,quepodese aplicadaà
eo izaçãoexp essanoopúsculoCunhal.
“A o ça do exemplo, pelo seu ex ao diná io pode de con encimen o e de
a acção jun o das massas, é um dos g andes un os da acção dos comunis as. O
mili an esé ioemodes oque,nasmaisdi e sascondições,de endein a iga elmen e
os in e esses dos abalhado es, o clandes ino que supo a sem ab i boca c uéis
o u as,ocomunis asoldadoougue ilhei oquedáa idaemde esadoseupo o,o
he ói do abalho socialis a, iluminam com os seus exemplos o caminho da lu a,
ala game e o çamop es ígioein luênciadoPa ido,a aemàssuas ilei asmui os
no oscomba en es.”105
Nes eexce oda eo izaçãodeCunhal,que e ásidolidopo umamino iade
mili an es,es ácon ida odaap odução“banal”imp essanaspáginasdoA an e!e
105Ál a oCunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as(Edi o ialA an e,1974),p.5.
110
que chegou a uma comunidade mui o ala gada de mili an es e de esis en es à
di adu a,em ge al. Nou as passagensdo ex o é bem no ó ia aimpo ância que é
dadaaocompo amen omo al, e o çandosemp ea o çaessencialdoexemplo:“As
massas não só a e em, pela sua expe iência, a jus eza da o ien ação polí ica e das
pala as de o dem do Pa ido como es ão pa icula men e a en as e são
pa icula men e sensí eis ao exemplo mo al dado pelos seus memb os. Exemplo de
dedicação. Exemplo de comba i idade e i meza. E ambém exemplo de
compo amen o pessoal num sen ido mais la go: exemplo de dignidade e da
in ansigência pa a com as concepções da mo al bu guesa e as p á icas dela
deco en es.Sea angua daajuízadasin luênciasdamo albu guesasob easmassas,
asmassasjulgampo sua ezocompo amen omo alda angua da.Oscomunis as
êmdeagi de o maapassa comhon aum aljulgamen o.106
Ainda analisando as pala as do di igen e comunis a à luz do que oi sendo
esc i o no A an e! é isí el, uma ez mais, uma consonância concep ual en e o
eó ico e o banal. Depois de e mos e idenciado no ícias nas quais se dá con a de
“ alhas”decondu adealgunsmili an es,Cunhalsin e izaoconcei odode e pa a
comopa ido, ealçaaimpo ânciadadisciplinaedaau o-c í ica,ma candodis ância
da noção da in abilidade: ”Se ia u opia p e ende que os comunis as ossem se es
‘pu os’e isen os de al as.(...)A e olução não se azcom se es ideais. Faz-se com
homens que so em in luências mo ais nega i as do capi alismo e dos a iados e
omnip esen esmeioseacçãoespi i ualdeixadospo miléniosdesociedadesdi ididas
em classes an agónicas, nas quais a mo al dominan e e a a mo al das classes
dominan es,is oé,dasclassesexplo ado as.Es asi uaçãoincon o e sanãole aà
enúnciado abalhoeduca i odoPa ido,an esaumen aasua esponsabilidade.O
Pa ido chama a si os melho es, os mais conscien es, os mais dedicados ao bem
comum.Mas ambém êmaoPa ido,quaisque sejamascondiçõesemqueac uam
(no pode , legal, clandes ino), homens com alhas mais ou menos g a es na sua
o maçãoenasua condu a.U ilizandoa a madac í icaedaau oc í ica,o Pa ido
ajuda os seus memb os a supe a debilidades e al as e o ja nas p óp ias ilei as
106Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.6.
111
lu ado es in a igá eis, gene osos, dedicados, pessoalmen e isen os, co ajosos, leais,
desp e ensiososesimples–homensemulhe escapazesdeinspi a ,peloseuexemplo,
os‘milag es’deque ala aLenine.”107
Os comunis as são homens e não se es sob e-humanos, mas “não se
dis inguem apenas pelos seus ele ados objec i os e pela sua acção e olucioná ia.
Dis inguem-se ambém pelos seus ele ados p incípios mo ais. (...) A mo al dos
comunis asécon á iaesupe io àmo albu guesa”108.
Anosmais a de,jáemdemoc aciaenumcon ex odedi e gênciasin e nas
quan o ao umo do pa ido, em Agos o de 1985, Cunhal edi a em li o um longo
ensaio“Pa idocomPa edesdeVid o”,noqualp e endeu,segundoassuasp óp ias
pala as inse as no início do p e ácio da 6ª edição, de Janei o de 2002, “da a
conhece como nós, os comunis as po ugueses, concebíamos, explicá amos, e
desejá amosonossopa ido”.
Nes eensaio,Cunhaldeixaimplíci osconcei osquecolocamoscomunis as,em
pa icula osdi igen es,numpa ama supe io aosda es an epopulação,aoassumi
que “o econhecimen o da supe io idade mo al do pa ido é um dos mais sólidos
c i é iosdoêxi odasuaacçãocomo angua da.A ans o maçãodade e minaçãoe
dohe oísmode angua danum enómenodemassas,comose e i icouna e olução
po uguesa,éumdosmaissólidosc i é iose odas e dadei as e oluçõesedopapel
queneladesempenhaoPa ido”.109
Cunhala i ma,po exemplo,se impo an enumcomunis a,“ o aasuaacção
e olucioná ia,sen i -seegos a desen i -secomoum‘homemcomum’,comouma
‘mulhe comum’”110.No e-sequeodi igen edoPCPcolocaoscomunis asnumplano
dis in odoou oscidadãos,aonãoa i ma queumcomunis aéum“homemcomum”,
massimquede esen i -seum“homemcomum”.
107Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.6.
108Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.1.
109Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.197.
110Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.204.
112
Mesmonaclandes inidade,oua épo causadela,omili an ee aimpelidoa
agi esen i no elacionamen ocomosou oscidadãos,como“homemcomum”,é
semp e a exp essão usada po Cunhal ao es abelece eg as pa a os mili an es e
di igen esdo pa ido. “Há cama adas que,namedida em que desen ol emosseus
conhecimen ose êmmais esponsabilidades,se a igamaoou i homensemulhe es
comp epa açãomui oelemen a ,po ezescomg andea asonaconsciênciapolí ica.
Algumacoisa al aadi igen esdeumpa idoope á ioquandonãosabemap ecia o
con í io com as pessoas mais simples, mesmo as mais a asadas, e não sabem
descob i ouencon a na iquezadequalque se mo i obas an epa aaaleg iado
con í iohumano”.111
Há, nes as passagens da o ien ação dada po Cunhal aos mili an es, um
mani es osen idodesupe io idadedocomunis aem elaçãoaos“maissimples”,ao
“homem comum”, numa eo ização do concei o que es á p esen e nos ex os
publicadosnasediçõesdoA an e!clandes ino.Peladesc içãodea i udesexempla es,
que sejanocompo amen onap isãoouna idaquo idianadelu acon aadi adu a
em de esa dos abalhado es, o ó gão cen al do PCP oi o jando um pensamen o
é ico/mo alquesó i iaase sin e izado eo icamen emais a de,jáemdemoc acia.
Pode ano a -se que, no caso da ansposição dos concei os implíci os nos
ex os publicados no A an e! pa a a eo ização elabo ada po Cunhal, há uma
co espondênciacomoqueBilligassinala,ao e e i -seaop ocessode“inc us açãoda
nossaiden idadea a ésdas o inasena idasocial”.112Noen an o,ap ecedênciado
banaléapenasapa en e,uma ezqueháumes eioideológicoquepossibili aessa al
banalidade,quese ai en anhando nos memb osda al comunidade imaginada de
Ande son. É o que, de alguma o ma, sin e iza Cunhal na sua eo ização sob e a
supe io idademo aldoscomunis as,da adadeJanei ode1974,“osideaispolí icos
in luemnas ep esen açõesea i udespsicológicase ansplan am-sepa aosconcei os
mo aisedes espa aasa i udesehábi osdep ocedimen o”113.
111Cunhal,OPa idoComPa edesdeVid o,p.204.
112Billig,p.291.
113Cunhal,ASupe io idadeMo alDosComunis as,p.2.
113
Conclusão
Chegou-seà pa econclusi ades e abalhocommais doqueuma espos a
pa aape gun ainicial:“ComooA an e! a ouosseus?”oucomocon ibuiupa aa
cons ução de uma iden idade comunis a. Pa iu-se de uma ques ão que eio a
e ela -selimi ado a aolongoda in es igação. Éque nem o A an e!clandes ino se
podecon ina aoes a u odeó gãocen aldoPa idoComunis aPo uguêsnemos
“seus”sãoapenasosmili an escomunis as.
A análise das edições egula es do A an e! clandes ino, en e 1941 e 1974,
e elaaexis ênciade egis oslinguís icosdi e en espa aosdi e sos iposdelei o es
imaginados po quem esc e e os ex os publicados. São dis in os os e mos usados
pa aen idadesdi e enciadas,asquais,noen an o,se e elamsemelhan esnamedida
emquepe encemàcomunidadeimaginadadoslei o esdoA an e!.Oó gãocen al
doPCPsuplan ouamissãoaquees a aob igadopelade iniçãodeLenine,quee aa
dese ,simul aneamen e,umo ganizado ,umin o mado eummobilizado ,e o nou-
se,como e e eMa ga idaTenga inha(jáci adaan e io men e),“oúnicoó gãode
in o maçãoquedizia odaa e dade,p oibidapelacensu anosou osjo nais”.Uma
ase que eme e pa a o lema “A e dade a que emos di ei o” do jo nal o diá io,
edi ado en e Janei o de 1976 e Junho de 1990, p op iedade da edi o ial Caminho,
ligadoaoPCP.Nocasodeodiá io,a e dadejánãoécondicionadapelacensu a,mas,
na óp ica dos comunis as, pelo no iciá io que é igno ado pelos ou os jo nais, em
empo de e luxo e olucioná io e da consequen e pe da de in luência do PCP na
Imp ensa.
Como icou e e enciadoaolongodes e abalho,nasediçõesclandes inasdo
ó gão cen al o PCP publicam-se ex os di e amen e di igidos aos mili an es
comunis as nos quais o pendo ideológico é mais cla o, com uma linguagem de
p oximidadeeempá ica,que sejapa alou a compo amen os,condena aiçõese
aquezas ou pa a o ien a no caminho a segui . É exal ada a he oicidade dos
“melho es ilhosdoPo o”edeneg idaaimagemdos“mise á eis aido es”,que,em
mui oscasos,nãosedis inguemdo“inimigo”.Oscompo amen osindi iduaise am
indicados como exempla es, an o no bom como no mau sen ido, sinalizando com
114
sen idoob iga ó ioocaminhoasegui .
Acons uçãodes es ex osésuscep í eldec ia sen imen osdecomoçãoou
de ódio associados a compo amen os é icos, que sejam mili an es ou inimigos
polí icos.O usodo “nós” em oposiçãoao “ou o”, de que ala Michel Billigpa a o
nacionalismo, anspo a-sepa aomili an eepa aasua elaçãocomosde o a,os
não mili an es, edi icando paula inamen e o concei o da supe io idade mo al dos
comunis as, eo izadopo Ál a oCunhal.
Mas en e esse “nós” e os “ou os” há, no A an e! e no pa ido, uma zona
cinzen a onde cabem os “homens hones os”. A adje i ação, de “hones os” é
eco en emen e usada nas páginas do A an e! pa a designa os não mili an es, os
an i- ascis asnãohos isaopa ido.
O mili an e in eg a uma comunidade imaginada de lei o es que cons i ui o
uni e soala gadodedes ina á iosdamensagemesc i a.Es áexp essonocon eúdoe
na o mados ex osqueoA an e!“ ala” ambémpa aosan i ascis ascomoum odo,
quando apela à unidade das o ças democ á icas con a o salaza ismo ou ainda
quando ela a a ocidades da gue a colonial ou da iolência da polícia polí ica nos
in e oga ó ios e nas cadeias. São ex os que induzem a cons ução de um p oje o
polí ico ag egado de oposição à di adu a, mas que en am em con adição com
exp essõesusadasbas as ezesdecondenaçãoaes a égiasdeoposiçãodi e sasàs
seguidaspelopa ido.Ap o usãodea igosdo ipoag egado dashos esan i ascis as
é mais acen uada du an e o pe íodo da II Gue a Mundial, seguindo a in luência
es a égicadeF en ePopula ancesa,nopode no inaldosanos30,enacampanha
elei o alpa aaP esidênciadaRepública,em1958,noquad odomo imen oge ado
pelacandida u adeHumbe oDelgado.
Um ipodelei o essemp ep esen ecomodes ina á iodoA an e!clandes ino
são os abalhado es. As suas lu as são elei as como mo o da ação polí ica dos
comunis asesãop o usamen eno iciadasnaspáginasdojo nal.Embo anão enha
sidoobjec odees udop e e encialnes e abalho,acon es açãodos abalhado es
es áemp imei oplanonono iciá ioeéenquad adanac í icaàsopçõeseconómicas
do egime, às quais é p opos a uma linha de umo al e na i a. A pa das lu as
ope á iasenoscampos,que sãocen ais nasedições dosanos 40e 50,na década
115
seguin ecomeçamasu gi no íciasde ocosdecon es açãoen eoses udan es,onde
oPCPpe dein luênciapa aosno osg upospolí icosmaoís as,eemsec o esmenos
adicionais,numsinaldeno os emposqueseadi inham,comop incípiodeuma
ce a “democ a ização” no acesso ao ensino, deco en e de uma classe média
ascenden eecomo e o çodosec o e ciá iodaeconomia.AspáginasdoA an e!
espelham a espos a que o pa ido ai e que da a esses no os desa ios na
cons uçãodeumapolí icaeconómicaal e na i aaocapi alismoe,empa icula ,ao
umoseguidopeladi adu a.Éocasodaslu asdosbancá ios,en e mei osemédicos
que ãoassumi algumaexp essãonoA an e!clandes ino.Enquan ooPCPala gaa
in e ençãosocial,oseuó gãocen al en aalcança no oslei o esimaginados.
Seacomunidadeimaginadadelei o es emcomonúcleoosmili an es,opo o
po uguêséouni e somaisala gadodedes ina á iosdamensagem,aoexp imi -se
em nome desse mesmo po o, exal ando os alo es pa ió icos, na denúncia da
ca es ia,empa icula ,uma ezmaisdu an eaIIGue aMundialou,jánope íodo
ma celis a,aocon es a ideiadeumapossí el ansiçãodemoc á icao egime.Po se
clandes ino,oA an e!,comoéassumidopo DomingosAb an es,escapa aàcensu a
p é iaob iga ó iapa a odaaImp ensaoquelhepe mi iano icia o na -seummeio
dein o maçãonãocondicionadopelaslimi açõesàlibe dadedeexp essão.
O A an e! clandes ino, edigido, compos o e imp esso em condições mui o
di íceis, pe igosas pa a os mili an es en ol idos e a iscadas pa a a máquina
pa idá ia, oidis ibuídopo odoopaísa a ésda ededemili an es,chegandopelo
co eioamui os“democ a as”“hones os”ein oduzidonasp isõesde o mamassi a.
Tambémaí,ojo nale aumelemen ocen alnaligaçãoen eosp esoseoex e io .
Pa a den o passa am mensagem de solida iedade e de apoio à esis ência, pa a
o am e am en iadas denúncias das condições nas cadeias e das o u as nos
in e oga ó iospoliciais.Esemp equee ain e cep adopelapolíciapolí ica,oA an e!,
alémdese um ocodep eocupaçãopeloque ep esen a ade eículodedenúncia
dosp ocessosu ilizadosnascadeiasenosin e oga ó iosedeexal açãoda esis ência
osp esos, o na a-se ambém on edein o maçõespa aosagen es.Daíque enha
su gidocomo ele an esabe seasno íciase am edigidasapensa ambémnesse
g upodelei o esespeciais.Sechegouaha e publicaçãodeno ícias ic íciasoucom