UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL
MESTRADO EM CIÊNCIAS BIOMÉDICAS
Especialidade de Biologia Molecula em Medicina T opical e In e nacional
Sheila Ma isa Pinho Pe ei a de Almeida Ca doso
2010
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais:
con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a
imune humo al na comunidade angolana
P o íncia do Bengo (Ibéndua, Sungue e Úlua)
O iginal de S. Ca doso
S. Ca doso10
UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL
MESTRADO EM CIÊNCIAS BIOMÉDICAS
Especialidade de Biologia Molecula em Medicina T opical e In e nacional
Sheila Ma isa Pinho Pe ei a de Almeida Ca doso
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais:
con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a
imune humo al na comunidade angolana
P o íncia do Bengo (Ibéndua, Sungue e Úlua)
Tese ap esen ada pa a a ob enção do g au de
Mes e em Ciências Biomédicas, especialidade
de Biologia Molecula em Medicina T opical
e In e nacional.
2010
O ien ado a: P o esso a Dou o a Ma ia Amélia A onso G ácio
Co-o ien ado a: In es igado a Dou o a Ana C is ina San os Paulo
SCHISTOSOMOSE URINÁRIA E HELMINTOSES INTESTINAIS:
CONTRIBUIÇÃO PARA O ESTUDO CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO E DA
RESPOSTA IMUNE HUMORAL NA COMUNIDADE ANGOLANA
P o íncia do Bengo (Ibéndua, Sungue e Úlua)
Tese ealizada com bolsa da Faculdade de Medicina da Uni e sidade Agos inho Ne o
(FM/UAN) de Angola, da Clínica Sag ada Espe ança, Lda. e apoio da Unidade de
Pa asi ologia e Mic obiologia Médicas da Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (FCT)
do Ins i u o de Higiene e Medicina T opical da Uni e sidade No a de Lisboa
(UPMM/FCT/IHMT/UNL).
Publicações no âmbi o des e abalho:
Ca doso, S. M. P. P. de A., Fe ei a, P. M., Paulo, C. S., Simões, C. & G ácio, M.
A. A., 2009. Schis osomose u iná ia e geo-helmin oses: con ibuição pa a o es udo
clínico-epidemiológico na população angolana. Comunicação po pos e no XI
Cong esso Ibé ico de Pa asi ologia – Lisboa, 15 a 18 de Se emb o de 2009. (Ac a
Pa asi ológica Po uguesa, 2009, 16 (1/2), Resumo nº: CP. 149, pág. 450-451)
DEDICATÓRIA
À minha mãe,
Ma ia Man ena de Almeida
Aos meus i mãos,
S ella Ca la, Joana Pa ícia, A e S e elana, João Palu ke e Elme Sanka a
Aos meus sob inhos,
Má io João, B una Ma á i, Joelma Diane, Job Pa ício e João Ca los
À memó ia do meu io,
Ped o Roque dos San os
À memó ia da minha a ó,
Joana Falcão
À memó ia do meu pai,
Manuel Ca doso
A odas as c ianças de Angola
“Vi a como se osse mo e amanhã, ap enda como se osse i e pa a semp e”
Maha ma Gandhi
1869-1948
Ag adecimen os
i
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
AGRADECIMENTOS
Os meus since os ag adecimen os ão pa a odos aqueles que di ec a ou indi ec amen e
con ibuí am pa a a ealização des e p ojec o, a odos o meu bem-haja. Gos a ia de des aca , sem
desp imo pa a os que não o em mencionados po nome, os seguin es:
A Deus po me e dado ida, saúde, capacidade e sabedo ia pa a a ealização des e abalho
e po coloca na minha ajec ó ia pessoas impo an es que me de am imensas opo unidades.
À P o esso a Dou o a Ma ia Amélia G ácio, minha o ien ado a, pessoa sem a qual es e
abalho não se ia conc e izado. Os meus p o undos e since os ag adecimen os pela amizade,
con iança, paciência, incen i o e c í icas. Sua incon es á el e incon o ná el expe iência em
coo dena g upos de pesquisa e abalhos de campo, somada ao seu espí i o de lide ança, ize am de
mim uma discípula da sua sabedo ia.
À In es igado a Dou o a Ana C is ina San os Paulo, minha co-o ien ado a, po sua
g andiosa e ines imá el con ibuição na elabo ação da base de dados e na análise es a ís ica des e
abalho e pelos impo an es ensinamen os na sua á ea de ac uação.
Ao P o esso Dou o C is ó ão Simões, an igo Decano da Faculdade de Medicina da
Uni e sidade Agos inho Ne o de Angola, ago a Rei o da Uni e sidade José Edua do dos San os,
pela opo unidade e pela con iança em mim deposi ada e po ab i as po as pa a o meu c escimen o
p o issional.
Ao P o esso D . Basílio Lopes, Che e do Depa amen o de Ensino e In es igação de
Ciências mo ológicas, po e au o izado a minha inda pa a a equência do Mes ado.
Ag adecimen os
ii
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na comunidade angolana
Ao P o esso D . Rui Pin o, P esiden e do Concelho de Adminis ação da Clínica Sag ada
Espe ança, Lda. (CSE, Lda.) pelo apoio inancei o, pelo ma e ial de labo a ó io pos o à disposição e
pela disponibilização da cadeia de io do Labo a ó io da CSE pa a a conse ação das amos as
biológicas.
À Unidade de Pa asi ologia e Mic obiologia Médicas (UPMM) da Fundação pa a a Ciência
e Tecnologia (FCT), pelo apoio inancei o pa a a elabo ação des e abalho.
À Unidade de Helmin ologia e Malacologia Médicas pelo apoio na ealização do abalho
labo a o ial.
À P o esso a Dou o a Sil ana Belo pelo incen i o, conselhos, amizade, ensinamen os e
ajuda p eciosíssima no a amen o dos dados no p og ama SPSS. Suas aliosas con ibuições e
achegas o am undamen ais pa a o alcance des e objec i o.
À In es igado a Auxilia Dou o a Alcione T inca, conselhei a nos momen os de di iculdade,
p essão e a é mesmo de algum desespe o. Suas pala as me con o a am e ajuda am a chega a é
aqui.
À Técnica Especialis a Isabel Clemen e pelo apoio écnico p es ado na p epa ação dos
ma e iais e na disponibilidade e disposição de ensina e apoia na execução das écnicas
labo a o iais. Mui o ob igada pelo seu alioso apoio e amizade.
À P o esso a Dou o a Manuela Calado, à Dou o a Ana A onso, ao Mes e Ped o Fe ei a, à
Mes e Cá ia Fe ei a, à Mes e Ma iana Reis e à Mes e Síl ia Bea o, da Unidade de Helmin ologia
e Malacologia Médicas do Ins i u o de Higiene e Medicina T opical de Lisboa, pelo apoio, amizade
e incen i o p es ados e pelos bons momen os de descon acção pa ilhados.
Ag adecimen os
iii
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na comunidade angolana
À Te esa San os pela apidez e e icácia na p epa ação do ma e ial labo a o ial, semp e
p on o a u iliza quando necessá io.
Ao S . D . Mbala Kunsungua, Di ec o p o incial de saúde do Bengo, ao S . En . Zhenzo
Makonda-Mbu a, che e de secção das g andes endemias e ao S . En . Ma cos Adão, supe iso do
p og ama de schis osomose e ou as pa asi oses, pelo ines imá el apoio du an e o abalho de
campo. Aos S s. En e mei os e Adminis ado es colocados nas aldeias onde se ealizou o es udo,
pela p on a disponibilidade.
À S a. D a. Ma a Epalanga, Pa ologis a clínica, e à S a. Técnica especialis a Filomena
Con ei as, do Labo a ó io da Clínica Sag ada Espe ança (CSE, Lda.), pela disponibilidade e apoio
p es ados, du an e a ealização do abalho de campo.
A emp esa NECS, Lda., nas pessoas do S . Eng. F ancisco Ho a, S . Topóg a o Paulo da
Be na da e o S . ges o Amé ico Jo ge, po e em acili ado as nossas deslocações às aldeias e à
Luanda, onde no im-de-semana, ecupe á amos o ânimo e a ene gia pa a a semana de abalho.
Aos meus colegas dos Mes ados em Ciências Biomédicas e Pa asi ologia Médica pelos
bons momen os passados du an e es e dois anos. Menciono po nome cinco colegas, pela amizade
que su giu, endo como pon o de pa ida o Mes ado e que espe o du e pa a semp e. À Zúzeca
Magalhães, Sand a Cope o, Lisa Ma ins e Sil ânia Leal pela amizade since a. À Ângela Co eia
pelo companhei ismo, amizade, cumplicidade e espí i o de en eajuda que exis iu en e nós du an e
o abalho de campo e elizmen e con inua a exis i mesmo após ele.
À minha que ida mãe, Ma ia Man ena, po odo o apoio e o ça, pelo exemplo de ca ác e e
de e minação, mas p incipalmen e pelo incen i o e amo dedicados po uma ida in ei a.
Ag adecimen os
i
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Aos meus i mãos, S ella, Pa ícia, A e, João e Elme , pelo e dadei o sen ido da pala a
amília, ob igada pelo osso apoio e supo e, a odos os ní eis. Ao meu cunhado, João Melo, pela
amizade since a e enco ajamen o. A minha que ida ia, Joana Roque dos San os, pela companhia e
amizade dedicada ao longo des es dois anos.
Ao meu amo “ edescobe o” e g ande amigo de odas as ho as, Má io Gil dos San os, po
se “um homem po excelência”, que me en ende e conhece melho do que ninguém, mesmo
quando a dis ância nos sepa a. Ob igada po ans o ma cada ins an e em que es amos jun os em
g andes momen os. Ob igada pelo amo , companhei ismo, amizade e po me incen i a semp e a
ealiza os meus sonhos.
Aos meus amigos Ma isa Pina Ne o, Esmael Tomás e Manuel Viei a, pela amizade
abnegada e apoio incondicional.
À população angolana das zonas de es udo, po nos e em ecebido de “b aços abe os” e
pela sua p on a colabo ação.
Resumo
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
RESUMO
A schis osomose u iná ia, causada po Schis osoma haema obium, é uma pa asi ose
endémica em Angola e esponsá el po lesões g a es a ní el do apa elho u ogeni al. Con udo,
poucos es udos êm sido e ec uados com is a a um melho conhecimen o da sua ex ensão e
mo bilidade, isando a implemen ação de medidas de con olo necessá ias e u gen es.
Nes e es udo, objec i ou-se a alia a p e alência, mo bilidade e ac o es de e minan es da
in ecção, bem como os ní eis de in o mação e o pe il da espos a imune humo al em indi íduos a
pa i dos cinco anos de idade. P e endeu-se, ainda, a alia a p e alência de helmin oses in es inais
e sua in e - elação com a schis osomose.
De Ma ço a Junho de 2009, 321 indi íduos, com idades comp eendidas en e os 5 e os 75
anos de idade (X=19,2±15,3), esiden es nas aldeias de Ibéndua, Sungue e Úlua, na p o íncia do
Bengo, o am subme idos a um inqué i o clínico-epidemiológico.
A p e alência de S. haema obium, de e minada pela obse ação de o os u ilizando o mé odo
de il ação da u ina, oi de 61,9% (197/318). A in ecção oi p edominan e no sexo eminino
(61,9%), nos indi íduos dos 5-9 anos de idade (78,8%) e na aldeia de Úlua (83,2%). A maio ia
ap esen a a uma ca ga pa asi á ia pesada (média geomé ica 54,4±9,39 o os/10 ml de u ina), com
di e enças es a is icamen e signi ica i as en e as ês aldeias (K uskal-Wallis, P <0,001). No
exame mac oscópico e es e da u ina com i a eac i a, iden i icou-se mac ohema ú ia em 23,4%,
mic ohema ú ia em 64,8% e albuminú ia pa ológica em 68,6% dos casos.
A sin oma ologia mais e e ida pelos pa icipan es oi a hema ú ia (45,6%), seguida pela
disú ia e hipogas algia (45,3% e 34,9%), espec i amen e, as quais es a am signi ica i amen e
associados à in ecção e a in ensidade de pa asi ismo (χ2, P <0,001).
Índice Ge al
xii
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
4.2. Resul ados do inqué i o clínico e epidemiológico 93
4.2.1. Sin oma ologia e e ida pelos in e enien es no es udo 93
4.2.2. P e alência de hema ú ia mac oscópica, mic oscópica e albuminú ia 95
4.2.3. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas, económicas e compo amen ais 100
4.3. Resul ados do exame imunológico (ELISA) 109
4.3.1. Análise da espos a imune humo al na in ecção po S. haema obium 109
CAPÍTULO V – DISCUSSÃO E CONCLUSÕES 116
CAPÍTULO VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 127
CAPÍTULO VII – ANEXOS· 150
7.1. Anexos I· 151
7.1.1. Mé odo de Fil ação de u ina 151
7.1.2. De ecção de hema ú ia mic oscópica e albuminú ia 152
7.1.3. Mé odo de Ka o-Ka z 153
7.1.3.1. Con e são do núme o de o os a pa i da écnica de Ka o-Ka z OVO FEC 156
7.1.4. Mé odo de Telemann-Lima 157
7.1.5. P epa ação de an igénios o ais ou comple os de S. mansoni 158
7.1.6. De e minação da concen ação de p o eínas (Mé odo Bio-Rad P o ein Assay) 159
7.1.7. Técnica de mic o-ELISA 160
7.2. Anexos II 164
7.2.1. Mapa da classi icação climá ica de Angola· 164
7.2.2. Mapa da humanidade média ela i a anual (%) em Angola 165
7.2.3. Mapa da empe a u a média anual em Angola 166
7.2.4. Mapa da p ecipi ação média anual (mm) em Angola 167
7.2.5. Ficha de inqué i o à população 168
Índice de Figu as
xiii
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
ÍNDICE DE FIGURAS
A – Figu as
Figu a 1. Mapa e i o ial de Angola des acando a p o íncia onde se ealizou o es udo 3
Figu a 2. Bacias hid og á icas de Angola 6
Figu a 3. Zonas geomo ológicas de Angola 7
Figu a 4. Dis ibuição populacional de Angola em 2002 16
Figu a 5. Dis ibuição geog á ica das espécies do géne o Schis osoma iden i icadas em Angola 22
Figu a 6. Dis ibuição e p e alência da schis osomose u iná ia em Angola 29
Figu a 7. Ciclo de ida de Schis osoma spp 33
Figu a 8. P incipais hospedei os in e mediá ios en ol idos na ansmissão de Schis osoma spp 37
Figu a 9. Fo mas pa asi á ias comummen e iden i icadas nas ezes 56
Figu a 10. A – Mapa de Angola com a p o íncia do Bengo em des aque e B – Aldeias onde
deco eu o es udo assinaladas a e de. 67
Figu a 11. Ac i idades domés icas (aca e a água) da população na lagoa Úlua 68
Figu a 12. Ac i idades domés icas (higiene pessoal) da população na lagoa Úlua 69
Figu a 13. Sensibilização da população da aldeia de Sungue 70
Figu a 14. Dis ibuição da amos a po idade e sexo 72
Figu a 15. Dis ibuição da amos a e aco do com a na u alidade 72
Figu a 16. Dis ibuição da amos a segundo a ac i idade p o issional ou ocupação 73
Figu a 17. Mé odo de il ação da u ina 76
Figu a 18. A – Mé odo de Ka o-Ka z e B – Mé odo de Telemann-Lima pa a análise de ezes 76
Figu a 19. A – Amos as com mac ohema ú ia, B – Ti as eac i as com as espec i as
g aduações obse adas pa a mic ohema ú ia e albuminú ia 77
Figu a 20. A e B – Mé odo de mic o-Elisa e ec uado em mic oplacas 80
Índice de Figu as
xi
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 21. P e alência da in ecção po S. haema obium na população es udada 83
Figu a 22. P e alência de S. haema obium nas aldeias es udadas e espec i os in e alos
de con iança 84
Figu a 23. Pe cen agem de indi íduos in ec ados po S. haema obium po classe
e á ia e espec i os in e alos de con iança 85
Figu a 24. Dis ibuição da pe cen agem das di e en es ca ego ias de ca ga pa asi á ia
po S. haema obium e espec i os in e alos de con iança pa a as aldeias amos adas 87
Figu a 25. Núme o de casos e in ensidade média de pa asi ismo po classe e á ia e sexo 88
Figu a 26. P e alência global de helmin as in es inais na população es udada 91
Figu a 27. Dis ibuição do núme o de casos de in ecção po helmin as in es inais po aldeias 91
Figu a 28. P e alência da in ecção po helmin as in es inais po idade e sexo 92
Figu a 29. P e alência do ipo de pa asi ismo na população es udada 93
Figu a 30. Co elação en e o g au de mic ohema ú ia e a ca ga pa asi á ia 97
Figu a 31. Relação dos g aus de mic ohema ú ia e o es ado pa asi ológico 99
Figu a 32. Co elação en e a albuminú ia e a ca ga pa asi á ia 100
Figu a 33. Plan a “machachaquiche” u ilizada no a amen o da schis osomose u iná ia 101
Figu a 34 A. Pe il da espos a humo al em elação à idade. Respos a especí ica da
IgE ao AWA (DO 492 nm) 111
Figu as 34 B e C. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
B – Respos a especí ica da IgM, C – Respos a especí ica da IgG1 ao AWA (DO 492 nm) 112
Figu as 34 D e E. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
D – Respos a especí ica da IgG3, E – Respos a especí ica da IgG4 ao AWA (DO 492 nm) 113
Figu a 35. Pe il da espos a humo al em elação ao sexo 114
Figu a 36. Pe il da espos a humo al em elação ao es ado pa asi ológico 114
Figu a 37. Esquema da mic oplaca de ELISA 163
Índice de Tabelas e Quad os
x
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
ÍNDICE DE TABELAS E QUADROS
B – Quad os
Quad o 1. Compa ação das p incipais ca ac e ís icas de espécies de Schis osoma 32
Quad o 2. Pa ogénese das p incipais sínd omes associadas à schis osomose 38
Quad o 3. Vacinas candida as con a a schis osomose, seleccionadas pela OMS 55
Quad o 4. Algumas ca ac e ís icas clínico-epidemiológicas de helmin as in es inais 60
Quad o 5. Diluição dos so os conjugados aplicados na ELISA após op imização 80
Quad o 6. Cálculo de núme os de o os de pa asi as po g amas de ezes. 156
C – Tabelas
Tabela 1. Dis ibuição da população es udada po aldeias 71
Tabela 2. Dis ibuição dos p odu os biológicos (u ina, ezes e so o) ecolhidos po aldeia 74
Tabela 3. Compa ação da p e alência da in ecção po S. haema obium po aldeia e sexo 84
Tabela 4. Dis ibuição global da ca ga pa asi á ia po S. haema obium po aldeias 86
Tabela 5. P e alência do ipo de ca ga pa asi á ia po S. haema obium po aldeia e classe e á ia 89
Tabela 6. P e alência da in ecção po S. haema obium de aco do com a p o issão ou ocupação 90
Tabela 7. Sinais e sin omas e e idos pelos pa icipan es e sua elação com o es ado
pa asi ológico pa a S. haema obium 94
Tabela 8. P e alência global, da in ensidade da in ecção se e a, mac o e mic ohema ú ia e
albuminú ia e espec i os in e alos de con iança 95
Tabela 9. Associação en e os g aus de mic ohema ú ia e o es ado pa asi ológico pa a
S. haema obium 96
Tabela 10. P e alência da mac ohema ú ia, mic ohema ú ia e albuminú ia po aldeia e
classe e á ia 98
Índice de Tabelas e Quad os
x i
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Tabela 11. Co elação en e mac ohema ú ia, mic ohema ú ia e albuminú ia e o
es ado pa asi ológico pa a S. haema obium 99
Tabela 12. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas, compo amen ais e conhecimen os
da população es udada 104
Tabela 13. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas e conhecimen os e sua elação com o
es ado pa asi ológico 109
Tabela 14. Respos a humo al ao AWA (densidade óp ica - DO, mediana e alo es máximo
e mínimo) e di e enças signi ica i as de aco do com a idade, sexo e o es ado pa asi ológico 111
Tabela 15. Co elação en e a idade, ca ga pa asi á ia, hema ú ia mic oscópica e albuminú ia
e as imunoglobulinas especí icas do AWA 115
Siglas e Ab e ia u as
x ii
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
SIGLAS E ABREVIATURAS
A.C. – An es de C is o
CEA – Ca cinoma Emb yonic An igen -“An igénio do Ca cinoma emb ioná io”
CHR – Ce ca ien Hullen Reak ion “Reacção da Tume acção das ce cá ias”
DNSP – Di ecção Nacional de Saúde Pública
ELISA – Enzyme-Linked Immunoso ben Assay
FGS – Female Geni al Schis osomiasis - “Schis osomose Geni al Feminina”
HPV – Human Papiloma Vi us
HRP – Ho se adish Pe oxidase
IgE – Imunoglobulina E
IgM – Imunoglobulina M
IgG1 – Imunoglobulina G1
IgG3 – Imunoglobulina G3
IgG4 – Imunoglobulina G4
IL – In e leucina
INOT – Ins i u o Nacional da O denação do Te i ó io
ITS – In ecção de T ansmissão Sexual
MINSA – Minis é io da Saúde de Angola
OMS – O ganização Mundial da Saúde
PBMC – Pe iphe al Blood Mononuclea Cells - “Células Mononuclea es do Sangue Pe i é ico“
PBS – “Phospha e Bu e Solu ion”
PBST – “Phospha e Bu e Solu ion and Tween”
PNUD – P og ama das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o
PZQ – P aziquan el
Siglas e Ab e ia u as
x iii
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
RBC – Red Blood Cells - “Células Ve melhas do Sangue”
SEA – Soluble Eggs An igens
SIDA – Sínd ome de Imunode iciência Adqui ida
TNF – Tumo Nec osis Fac o - “Fac o de Nec ose Tumo al”
UNDP – Uni ed Na ions De elopmen P og amme
VIH – Ví us de Imunode iciência Humana
WHO – Wo ld Heal h O ganiza ion
Th1 e Th2 – Subpopulações de lin óci os T di e enciadas pelas suas capacidades em p oduzi
ci ocinas (T helpe 1, T helpe 2)
CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO
Capí ulo I - In odução
2
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
1. INTRODUÇÃO
1.1. BREVES NOTAS SOBRE ANGOLA
1.1.1. Si uação geog á ica
Angola (Figu a 1) comp eende um as o e i ó io localizado na cos a ociden al da Á ica
Aus al a Sul do Equado , en e os pa alelos 04º 22’ e 10º 02’ de la i ude No e (N) e Sul (S), e os
me idianos, 11º 41’ e 24º 05’ de longi ude Oes e (O) e Es e (E) de G eenwich, espec i amen e.
Ocupa uma supe ície e es e de 1.246.700 quilóme os quad ados (Km2), com uma on ei a
ma í ima de 1.650 quilóme os (Km) e uma on ei a e es e de 4.837 Km, com os seguin es
limi es e i o iais poli icamen e es abelecidos:
No e: República Democ á ica do Congo (RDC) e República do Congo (RC);
Sul: República da Namíbia (RN);
Es e: República Democ á ica do Congo e República da Zâmbia (RZ);
Oes e: Oceano A lân ico.
Possui uma linha con ínua de on ei a e es e com ês países, a RDC em 2.291 Km, a RN
em 1.376 Km e a RZ em 1.110 Km. A es a on ei a jun a-se de o ma descon ínua, a do e i ó io
de Cabinda com 421 Km, que po seu u no, az on ei a com dois países, a RC e a RDC em 201
Km.
No que conce ne, à sua di isão polí ico-adminis a i a, possui 18 p o íncias (dis i os)
nomeadamen e: Bengo, Benguela, Bié, Cabinda (a mais se en ional, que cons i ui um encla e
sepa ado do es o do e i ó io nacional pela RDC), Huambo, Huíla, Kwanza No e, Kwanza Sul,
Kuando Kubango, Kunene, Luanda (onde se si ua a capi al), Lunda No e, Lunda Sul,
Malange, Moxico, Namibe, Uíge e Zai e); 164 municípios (concelhos); 376 comunas ( eguesias)
e 1.671 po oações ou aldeias nas zonas u ais e bai os nas zonas u banas e subu banas.
Capí ulo I - In odução
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 1. Mapa e i o ial de Angola des acando a p o íncia onde se ealizou o es udo.
(Adap ado de O ganização das Nações Unidas - UN, 2004)
Capí ulo I - In odução
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na comunidade angolana
a Sul na egião da Tunda ala (Se a da Chela), a Sul do planal o da Huíla.
Baixa de Cassange: é uma egião a No e do e i ó io, enco pada pelas egiões do Uíge,
Malanje, Lunda No e, Lunda Sul e um oço desde Luena pene ando a Sudoes e no Planal o
An igo a é o Sudes e do Kuí o. Nes as egiões, há a des aca os ele os mais p oeminen es, a
esca pa pa a a baixa de Cassange, alhada em o mações do Ka oo, cuja es u u a e á ido o igem
na alha de ac i idade ec ónica e da d enagem do io Kwanza.
Planal o an igo, in e io ou zona planál ica: es a zona es ende-se desde o Sul do io
Kwanza a é a on ei a com a Namíbia a Sul, en e a esca pa a Ociden e e o io Kunene a Es e. Toda
es a egião planál ica a inge desde os 1.200 me os a Sul, passando pa a al i udes de 1.800 a 1.850
m em Cu a o e Capeio, a é mais de 1.400 me os em Sanga a No e, Sul e Oes e do io Kwanza.
Cons i ui ele o de aplanação, com uma ex ensíssima planície, de onde su gem ele os esiduais.
Comp eende o ex enso planal o an igo do in e io , a Es e da o la de mon anhas pa alelas à
cos a, cons i uindo a g ande massa do e i ó io angolano. O planal o a ia de al i udes máximas de
2.300 a 2.500 m nas se as al as do Lépi, Caconda e Chela, descendo ligei amen e pa a o in e io e
pa a No des e (NE), a é aos cu sos dos ios Cuilo e Caluango, nas Lundas, onde p edomina a
lo es a de gale ia.
As ex ensas anha as do Moxico e as chanas das “ e as do im do mundo” são al ez o
exemplo mais ípico da ex ensa sa ana no planal o an igo in e io . O g ande planal o angolano é
cons i uído po á ios “pla eaus” (Malange, Benguela, Huambo, Bié e Huíla), ela i amen e
independen es, co ados pelas bacias dos ios que co em pa a o io Zai e a No e, pa a o Oceano
A lân ico a Oes e, pa a o lago E osha a Sul, ou pa a o io Zambeze a Sudoes e.
Ao a a essa o e i ó io em di ecção pe pendicula à cos a (em di ecção ao Es e ou seja da
cos a pa a o in e io ) encon a-se p imei o uma aixa es ei a de planície cos ei a de e as pouco
ele adas que não ul apassam os 400 m de al i ude; con inuando o ajec o, encon am-se deg aus e
uma sé ie de pa ama es es ei os de al i ude en e os 400 e os 1.000 m; p osseguindo a a essia do
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e i ó io, encon a-se depois, uma cadeia de mon anhas mui o al as, que excede com equência os
2.000 me os, a é que po im se islumb a o g ande planal o angolano sem im, que pe de al i ude
dos 2.000 pa a os 1.500 m, à medida que caminha pa a a on ei a No des e. Jun o à on ei a Es e
com a Zâmbia, no salien e do Cazombo, islumb a-se uma zona mon anhosa de ex ensão i egula .
Bacias do Zambeze e do Cubango: me ece ambém des aque, o maciço do al o do
Zambeze a Es e, com uma al i ude máxima de 1.428 m. Es a unidade co esponde a um as o
e i ó io homogéneo desde o Sul do io Cassai, a é ao inal do cu so do io Kunene a Es e des e.
Es a egião, embo a ela i amen e homogénea, em algumas dis inções mo ológicas ele an es, em
que se des aca a la i ude de 12º no ex emo on ei iço a Es e do cu so do io Zambeze, uma sub-
egião que co esponde a um maciço mon anhoso e e ido como o Al o Zambeze limi ado pela
esca pa de sen ido NE-SE, na qual no ex emo SE, o io Zambeze se encaixa.
Pa a além des e ele o bem dis in o, ainda são e e idas mais ês egiões geomo ológicas.
Uma, a Sul do Cassai, onde uma g ande á ea plana com ales la gos cons i ui a chamada Anha a da
Cameia ( egião assim chamada de ido à ege ação escassa e e eno a enoso). Ou a egião desde o
io Kuí o ao io Lungué-Bungo, onde as e en es são mais decli adas e eco adas po imensos
ales de undo la go. Ainda nes a unidade encon a-se uma ou a sub- egião que co esponde à
dep essão do Zambeze, en e o io Cubango e o io Lungué-Bungo que se es ende pa a além da
on ei a em elação à bacia do Zambeze.
1.1.4. Ca ac e ís icas climá icas
Exis em duas es ações climá icas: a es ação opical seca ou cacimbo, menos quen e e que
ai de Maio a Se emb o e a es ação opical húmida das chu as, mais quen e, que ai de Se emb o a
Ab il. Segundo Palanque (1995), a sua localização na zona in e opical e sub opical do Hemis é io
Sul, a p oximidade do ma , a co en e ia de Benguela ao longo da pa e Sul da cos a e as
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ca ac e ís icas opog á icas ( ele o no in e io e dese o do Namibe, a Sudes e), são os ac o es
de e minan es que ca ac e izam as duas egiões climá icas. Po conseguin e, di e enciam-se no país
qua o ipos de clima, nomeadamen e: modi icado pela al i ude, opical desé ico, opical
húmido e opical seco (Mapa 7.2.1) 1.
A egião li o al, com humidade média ela i a anual supe io a 30% (Mapa 7.2.2) 1 e
p ecipi ação média anual in e io a 600 milíme os, descendo de No e pa a Sul, com 800 mm no
li o al de Cabinda e 50 mm no Sul (Namibe, Kunene e pa e do Kuando Kubango). A empe a u a
média anual é supe io a 23 °C (Mapa 7.2.3) 1. A egião in e io do país es á subdi idida em ês
zonas:
Zona No e, com g ande plu iosidade e empe a u as ele adas;
Zona de al i ude, que comp eende às egiões do planal o cen al, ca ac e izadas po
empe a u as médias anuais na o dem dos 19°C, com uma es ação seca e empe a u as
mínimas acen uadas;
Zona sudoes e, semi-á ida de ido à sua p oximidade com o dese o do Calaá i e de
empe a u as baixas na es ação seca e ele adas na es ação quen e acima dos 26ºC. É uma
egião sujei a à in luência de massas de a opical con inen al (A las geog á ico de
Angola, 1982, Angola A las geog á ico, 2008).
A p ecipi ação no e i ó io angolano é ge almen e de génese con ec i a, e i icando-se
p ecipi ação o og á ica na zona de ansição (al i udes in e médias) e na cadeia ma ginal de
mon anhas.
A epa ição da p ecipi ação média anual e i ica-se em alguns quad os mais homogéneos
em odo o planal o, com máximas de p ecipi ação no eixo Huambo-Bié com 1.400 mm anuais.
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1 Anexo II
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Ainda assim os maio es egis os (1.500 a 1.600 mm) dão-se do No e a NO de Angola, mais
po meno izadamen e, desde a egião do Uíge a egião da Lunda No e e pa e se en ional da Lunda
Sul. A á ea en ol en e à localidade do Uíge e a á ea mais se en ional da Lunda No e jun o a
on ei a com a RDC e idenciam a in luência do clima opical húmido da Bacia do Congo. Os
egis os mais baixos, 50 mm dão-se no ex emo SE do e i ó io ( egião do Namibe), seguindo-se
em e mos de baixas p ecipi ações, a aixa li o al a Sul de Luanda (Mapa 7.2.4) 1.
1.1.5. Ca ac e ís icas demog á icas, sócio-económicas e cul u ais
O ela ó io do P og ama das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o (UNDP, 2009),
ela i o à in o mação es a ís ica de 2007, es ima uma população esiden e de 17.600.000 habi an es,
o que p opo ciona uma densidade populacional de ce ca 14 habi an es po Km2.
A capi al, Luanda, ab ange uma á ea de 2.257 Km2 e em uma população es imada em mais
de 4.000.000.00 de habi an es.
O Índice de Desen ol imen o Humano (IDH) assumiu o alo de 0.564 em 2007, o que
coloca Angola no 143º luga num anking de 182 países, em compa ação com o an e io 0,445 no
160º luga en e 177 países do mundo em 2005 (Roosb oeck e al., 2006), passando assim de um
IDH baixo pa a um IDH médio. Segundo os dados do PNUD (2006), o p odu o in e no b u o (PIB)
pe capi a e a de 1.264.05 dóla es ame icanos (USD).
Segundo o UNDP (2009), a axa anual de c escimen o populacional é de 2,6% em 5 anos,
esul an e de alo es ele ados ípicos de na alidade e mo alidade, com uma espe ança de ida
média es imada em 46,5 anos no o al, sendo 44,6 e 48,5 anos pa a homens e mulhe es,
espec i amen e. A axa de e ilidade é de 5,8 nascimen os po mulhe em idade é il.
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1 Anexo II
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A axa de li e acia em adul os com idade igual ou supe io a 15 anos é de 67,4%, con a
32,6% de anal abe os. Es a mesma on e e ela que 17% dos homens são anal abe os em
compa ação com 45,8% das mulhe es. Es a ealidade é ainda mais c uel quando compa ada com a
do meio u al, onde 66% das mulhe es são anal abe as (WHO, 2002). O ela ó io mos a ainda que
49% da população global não em acesso ao abas ecimen o adequado de água po á el. A si uação
complica-se mui o mais nas zonas u ais onde 60% da população não em acesso a água po á el e
onde apenas 16% da população possui condições de saneamen o básico adequadas (WHO, 2006).
A pe cen agem da população com menos de 20 anos de idade é es imada em 60% e, des es,
40% em menos de 10 anos. Enquan o 2% da população em 65 anos ou mais. Es a es u u a e á ia
de e mina uma ele ada dependência da população ac i a, com um ácio de dependência de 1 adul o
em idade ac i a pa a 85 c ianças e 1 adul o ac i o pa a 5 idosos (Roosb oeck e al., 2006, PNUD,
2006 e UNDP, 2009).
O país ap esen a uma axa b u a de escola ização de ní el básico de 75%, o que jus i ica a
p esença de c ianças mais elhas a equen a es e ní el de ensino. O acesso ao 2º e 3º ní eis do
ensino (5ª a 9ª classes) é ainda mais eduzido, sendo que, apenas 17% das c ianças da aixa e á ia
dos 10 aos 13 anos es ão ma iculadas nes es ní eis. Na zona u al, 42% da população nunca
equen ou a escola (Roosb oeck e al., 2006).
Em 2006, a mo alidade in an il oi de 150 óbi os po 1.000 nados i os an es de comple a
o p imei o ano de ida, enquan o a mo alidade de c ianças com idade in e io a cinco anos oi
es imada em 260 óbi os po 1.000 nados i os. Das c ianças com menos de 5 anos, 31%
ap esen a am baixo peso pa a a idade. A axa de mo alidade adul a (a p obabilidade de mo e
en e os 15 e os 60 anos) e a de 591 e 501 po 1.000 habi an es, pa a homens e mulhe es,
espec i amen e. A axa de mo alidade ma e na é das mais al as do mundo, com 1.700 óbi os po
100.000 nados i os (WHO, 2006). Exis em 1.165 médicos pa a a população o al, dos quais 769
são nacionais. O ácio en e o núme o de médicos po 10.000 habi an es a ia de 0,04 (Bié) a 2,03
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(Luanda) sendo a média de 0,64 po 10.000 habi an es. O de ici é semelhan e pa a ou os
p o issionais de saúde (WHO, 2006).
A maio ia da população angolana i e na pob eza, com 54,3% da população u bana i endo
abaixo da linha da pob eza (com menos de 1 dóla po dia). Es ima-se que a economia u al seja
quase na o alidade uma economia de subsis ência (WHO, 2006).
A His ó ia ecen e de Angola encon a-se in imamen e ligada aos desen ol imen os da
gue a ci il. Du an e mais de 30 anos, Angola i eu um con li o a mado pe manen e, apenas
in e ompido po duas ezes de ido a p ocessos de paz, en e an o abo ados.
Pela p imei a ez, em 2002, apa ece am as ga an ias de longe idade de um p ocesso de
paci icação, eme gindo as condições pa a o no mal desen ol imen o económico e social. Impo a,
po ém, e p esen e que, a maio pa e do país i e as consequências p o undas da gue a,
mani es adas na o e concen ação populacional em Luanda e na ausência de es u u as ag ícolas e
indus iais, concen ando-se as exis en es em sec o es des inados à expo ação.
Calcula-se que ce ca de um e ço da população (mais de 4.000.000.00) enha sido deslocada
das suas zonas de o igem, em consequência da ins abilidade polí ica do país du an e ês décadas,
concen ando-se sob e udo nas zonas pe i é icas dos cen os u banos (Luanda, Lubango, Lobi o,
Benguela e Huambo), dando o igem a bai os densamen e po oados com p ecá ias condições
sociais e sani á ias (WHO, 2005).
Em 2001, es ima a-se que 65,7% da população angolana osse u bana, enquan o 34,3%
u al (Figu a 4 - Angola A las geog á ico, 2008). Pa a 2010, o UNDP (2009) es ima que 58,5% da
população i e á na zona u bana.
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Figu a 4. Dis ibuição populacional de Angola em 2002.
(Angola A las geog á ico, 2008)
A mudança signi ica i a no con ex o da saúde a ní el in e nacional e a no a si uação em
Angola, que se seguiu ao cessa - ogo de 04 de Ab il de 2002, ma ca am um impe a i o impo an e
pa a a e lexão do caminho a segui com is a ao desen ol imen o, bem como o aça de
es a égias em pa ce ia com a O ganização Mundial da Saúde (OMS) e a u u a coope ação a
desen ol e isando a melho ia das condições sócio-económicas das populações (WHO, 2005).
Desde a década de 90 que os go e nos p o inciais são de en o es, (em de imen o dos
minis é ios cen ais), da descen alização de esponsabilidades adminis a i as, do ní el cen al pa a
o p o incial, em con o midade com os Dec e os 17/99, 29/00 e 27/00 (WHO, 2002). As al e ações
mais signi ica i as êm a e com a in eg ação das compe ências dos minis é ios nos go e nos
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p o inciais, nomeadamen e as que espei am aos se iços sociais básicos, como os cuidados
p imá ios de saúde, que ago a passam a se da o al esponsabilidade dos go e nos p o inciais.
Angola ca ac e iza-se po possui um núme o conside á el de g upos é nicos, com ma cadas
a iações cul u ais, linguís icas e compo amen ais, sendo 95% a icanos neg os (37% o imbundos,
25% kimbundos, 13% bakongos e 25% pe encem a ou os g upos na i os), 2% de b ancos, 2%
mes iços e 1% a ou os g upos é nicos. O Po uguês é a língua o icial e 60% dos angolanos a i mam
usá-la como p imei a ou segunda língua. Pa a além dos nume osos dialec os, possui ainda in e
línguas nacionais. A língua com mais alan es depois do Po uguês é o Umbundu (26%), alado na
egião Cen o-Sul do país e em mui os meios u banos. O Kimbundu (20%) é a e cei a língua mais
alada, com incidência pa icula na zona Cen o-No e, no eixo Luanda-Malange e Kwanza Sul. É
uma língua com g ande ele ância, po se a língua alada na capi al e no an igo eino dos N’gola.
Con ibuiu com mui os ocábulos pa a à língua po uguesa e ice- e sa. Em Angola alam-se ainda
ou as línguas ais como: Kikongo (Uíge e Zai e); Fio e ou Ibinda (Cabinda); Tchokwé (Les e de
Angola); Kwanyama, Nyaneca e Mbunda (Lunda No e e Kuando Kubango). Quan o à eligião,
70,1% são ca ólicos ou p o es an es, enquan o 29,9% pe encem a eligiões ibais. A moeda
nacional é o Kwanza. O comé cio ap esen ou-se em 2008 como um dos sec o es mais ac i os da
economia angolana, a pa do amo pe olí e o, da cons ução ci il e da ag icul u a. Os emp egos
dis ibuem-se da seguin e o ma: ag icul u a (75%), indús ia (8%) e se iços (17%).
1.1.6. Recu sos mine ais
Angola é um país eminen emen e ico em ecu sos mine ais. Es ima-se que o seu subsolo
albe gue 35 dos 45 mine ais mais impo an es no comé cio mundial. Os p incipais ecu sos na u ais
e p oduções são: as madei as p eciosas (pau-p e o, ébano, sândalo, pau- a o e pau- e o), pe óleo,
diaman es, e o, cob e, ou o, chumbo, zinco, manganês, ol âmio, es anho e u ânio.
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1.2. GÉNERO Schis osoma e SCHISTOSOMOSES
1.2.1. No a his ó ica
In es igações an opológicas demons a am que a schis osomose já e a conhecida na
an iguidade. Com excepção do No e de Á ica, onde em á ias e e ências em papi os egípcios se
econhece a p esença de hema ú ia como um dos sin omas da doença, não exis em dados sob e a
sua oco ência nou as egiões de Á ica, pelo que se desconhece o pe íodo do seu apa ecimen o
nessas egiões (Hoeppli, 1969 e Belo, 1999).
No Egip o, as e e ências à doença da am do p incípio da e a dos a aós (3200 A.C.).
A a és de es udos paleog á icos e paleoepidemiológicos, nume osas in o mações es emunham a
p esença da doença desde esse pe íodo, nomeadamen e, a demons ação de o os de Schis osoma
haema obium calci icados nos ins (Ru le , 1910) e de an igénios ci culan es (Deelde e al., 1990
e Mille e al., 1992) em múmias da 20ª dinas ia, ce ca de 1250 a 1075 A.C. Colley (1996) e ou os
au o es in e p e a am os ca ac e es Ᾱ Ᾱ Ᾱ mencionados em mui os an igos papi os (Ebe s, Hea s e
Kahum), como sendo uma e e ência à hema ú ia causada pela in ecção po S. haema obium.
Adicionalmen e, o uso de compos os an imoniais no a amen o da hema ú ia, de aco do com as
ci ações em di e sos papi os de Hea s (1500 A. C.) e, a endendo que a é há ce ca de 35 anos, os
compos os an imoniais e am os á macos de eleição na quimio e apia da schis osomose de ido à
sua ele ada acção schis osomicida, cons i uem p o as adicionais que con i mam os conhecimen os
exis en es nesse pe íodo sob e a doença e sua impo ância (Cook & Zumla, 2009).
Du an e a in asão napoleónica do Egip o (1799 -1801), os médicos mili a es anceses
no a am a p esença de hema ú ia nas opas, mas a ibuí am-na à anspi ação e ao clima do país.
Em 1851, o ana omo-pa ologis a alemão Theodo Bilha z, no decu so de exames pos mo em
e ec uados em soldados no Hospi al Kas El Aini, no Cai o, descob iu o pa asi a esponsá el pela
schis osomose u iná ia, a quem chamou Dis omum haema obium (Cook & Zumla, 2009).
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No en an o em 1858, de ido à mo ologia peculia dos pa asi as, dis in a das espécies do
géne o Dis omum, Weinland p opôs a designação de Schis osoma (do g ego schis os= enda e
soma=co po), nomencla u a que pe sis e a é a da a ac ual na li e a u a anglo-saxónica (Colley, 1996
e Belo, 1999).
Em homenagem a Bilha z, Cobbold p opôs, em 1859, a al e ação de Schis osoma pa a
Bilha zia, nome que oi acei e pela comunidade cien í ica du an e mui o empo, mas ac ualmen e,
de aco do com as eg as da nomencla u a zoológica, p e alece a designação Schis osoma. No
en an o, ainda é equen e designa -se a doença po bilha ziose, sob e udo na li e a u a ancó ona
(ci ado po Belo, 1999). Ha ley e Cobbold em 1859 (Bea e e al., 2003) demons a am que a
in ecção humana oco ia po ia anscu ânea.
Embo a Bilha z i esse cons a ado nas suas obse ações, a oco ência de o os com espo ão
e minal e ou os com espo ão la e al, oi pos e io men e Manson que em 1902, suge iu pela
p imei a ez a exis ência de duas espécies dis in as de Schis osoma, ao obse a o os de espo ão
la e al nas ezes de um doen e que inha uma u ina no mal. Em 1907, Sambon p opôs a designação
de S. mansoni pa a a espécie de espo ão la e al. A con o é sia exis en e naquela al u a oi esol ida
po Leipe em 1915, quando es abeleceu indubi a elmen e a exis ência de duas espécies dis in as do
géne o Schis osoma e descob iu que o ciclo de ida do Schis osoma necessi a a de um molusco de
água doce como hospedei o in e mediá io (ci ado po G ácio, 1980 e Cook & Zumla, 2009).
Tendo em con a as e e ências exis en es, admi e-se que a schis osomose ambém exis ia na
China desde a an iguidade (Mao & Shao, 1982), embo a menos emo a do que no Egip o (ci ado po
Belo, 1999).
As en idades clínicas, p u ido de Kabu e e a sínd ome de Ka ayama, o am desc i as pela
p imei a ez em 1847, numa aldeia do dis i o de Hi oshima, no Japão (Cook & Zumla, 2009).
Con udo, de aco do com Tanaka & Tsuji (1997), a espécie S. japonicum só oi desc i a em 1904, na
sequência das obse ações de Ka su ada. Pos e io men e, Fujinamie e Nakamu a, em 1909,
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
A sua u ilização em p og amas nacionais de con olo implemen ados em á ios países de
Á ica, Médio O ien e, Amé ica do Sul e da Ásia, em demons ado um impac e signi ica i o na
edução da p e alência e da mo bilidade po schis osomose (Kahama e al., 1999, WHO, 2003 e
Koukouna i e al., 2007).
Em alguns países oi possí el in e ompe a ansmissão, nomeadamen e em Po ugal,
Tunísia, Chip e, Is ael e Japão (Rey, 2001).
No en an o, exis em a gumen os pa a que o op imismo seja cau eloso, endo em con a que
exis em mui as di iculdades a ul apassa . Apesa das ac i idades de con olo esul a em no declínio
da p e alência, as mudanças ambien ais ligadas ao desen ol imen o e manuseamen o de ecu sos
híd icos, o aumen o dos mo imen os populacionais e as al e ações climá icas, incluindo o
aquecimen o global, êm le ado à disseminação da pa asi ose em egiões de baixa ou nenhuma
endemicidade, pa icula men e na Á ica subsaa iana (S einmann e al., 2006, Fenwick e al., 2006
e Mangal e al., 2008). En e 1950 e 1990, o núme o mundial de ba agens c esceu de 5.000 pa a
36.000, com o consequen e aumen o da p e alência da schis osomose (Cle cq e al., 2000). Os
e ugiados e as mig ações populacionais em Á ica ambém in oduzi am a schis osomose in es inal
na Somália e ecen emen e em Djibu i (ci ado po Filho & Sil ei a, 2001).
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na comunidade angolana
1.2.3. Si uação epidemiológica em Angola
Angola é um dos países de Á ica mais a ec ados pela doença (Ia o ski e al., 1981 e Rey,
2001). De aco do com G ácio (1977/1978) a schis osomose oi desc i a em Angola pela p imei a
ez em 1896 po Ai es Kopke e Be na dino Roque. Pos e io men e, em 1902, Roque desc e eu a
exis ência da schis osomose nas p o íncias da Huíla, Amb iz e Cabinda, suge indo o peixe bag e
como ansmisso da doença (ci ado po Sousa, 1996) e, a pa i dessa ocasião, inicia am-se es udos
sob e esse assun o.
Lei ão, em 1905, no 1º Cong esso de Medicina em Lisboa, indicou no os ocos de
bilha ziose em Angola e F ança, em 1923, no 1º Cong esso de Medicina T opical da Á ica
Ociden al em Luanda, ap esen ou um abalho sob e a p o ilaxia da schis osomose em Angola,
conside ando que a doença e a um dos p oblemas mais impo an es pa a a Á ica Ociden al (ci ado
po G ácio 1977/78 a e Ca alho e al., 1966). Sa men o, em 1939, num es udo ealizado em
c ianças e adul os no Cuchi, desc e eu p e alências de 60% e 21,5 %, espec i amen e, pa a S.
haema obium em amos as de u ina, o que mo i ou in es igações pos e io es (Cambou nanc e al.,
1955).
Em 1942, Mesqui a ealizou inqué i os no concelho de Icolo e Bengo (Bengo), em
indi íduos dessa zona e em abalhado es p o enien es de ou as á eas e e i icou p e alências de S.
haema obium de 25% a 67,6%, espec i amen e. Nes e mesmo abalho, o au o az e e ência a
uma lis a de moluscos possi elmen e exis en es em Angola, ci ada po Ge main (Malacologis a do
Museu de His ó ia Na u al de Pa is), que conside ou a hipó ese desses moluscos pode em se os
hospedei os in e mediá ios de espécies de Schis osoma. Janz e Ca alho (1956) con inua am com as
in es igações em Ca e e, localizada na al u a na p o íncia de Luanda, ac ualmen e na p o íncia do
Bengo, onde ambém e i ica am ele adas p e alências da pa ologia.
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G ácio, (1977/78 a, b, c, e 1980) e ou os in es igado es dedica am-se, algumas décadas
a ás, ao es udo da bilha ziose esical em Angola, e egis a am ele adas p e alências em á ias
p o íncias do país, as quais, ainda hoje, assim se man êm (Fe ei a e al., 1959, G ácio & B anco,
1996 e MINSA, 2005).
Num desses es udos, G ácio (1977/78 a, b, c, d) demons ou a impo ância da schis osomose
u iná ia em Angola, ao in es iga a p e alência daquela pa asi ose em c ianças em idade escola ,
nomeadamen e no dis i o de Benguela, onde egis ou p e alências en e 29,4% (Ma co de
Cana ezes) e 93% (á ea do Cubal) e, no dis i o de Luanda, encon ou alo es en e 35,3% (Bom
Jesus) e acima de 67,0% nas á eas de Qui angondo, Funda, Viana, Lagoas Quilunda e Panguila, o
que le ou a au o a a suge i que, pe an e a impo ância daquela pa asi ose, ossem omadas medidas
u gen es de educação sani á ia, implemen ação de edes de esgo os e a amen o dos doen es.
Cappuccineli, em 1998, ealizou es udos em c ianças das escolas da comuna da Funda, p o íncia de
Luanda, iden i icando p e alências de 30% de schis osomose u iná ia (ci ado po Maghema, 2005).
A al e ação da si uação polí ica e mili a no país o ça am não só a mig ação da população a
p ocu a de melho es condições de ida, como ambém conduzi am à in e upção das in es gações
sob e a doença e das medidas de con olo en ão em cu so, p o ocando um aumen o da p e alência
da schis osomose u iná ia em di e sas egiões do país.
Pe an e es e quad o, o Minis é io da Saúde de Angola (MINSA), em 1986, e omou as
medidas de con olo da schis osomose (Bole im epidemiológico de Angola, 1997 e 2001). Com
e ei o, a si uação de endemicidade da pa asi ose em Angola é comp o ada pelas no i icações
pe iódicas do Bole im Epidemiológico, endo sido no i icados 12.075 casos em 2001 e 28.282 casos
em 2006 (Fo es, 2006). Sousa (1996), na sua ese de dou o amen o encon ou uma p e alência de
45,3% pa a S. haema obium, na comuna de Cassoneca, p o íncia do Bengo. No en an o, não há
e e ência sob e a mo alidade p o ocada po es a pa asi ose.
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Um inqué i o ealizado pelo MINSA (2005) mos ou que S. haema obium es á p esen e em
odo o e i ó io (Figu a 6), enquan o S. mansoni se encon a nalgumas egiões do Planal o Cen al.
Dumba, em 2006, num es udo sob e schis osomose e helmin oses in es inais em c ianças das
p o íncias do Bié e do Huambo, cons a ou uma p e alência supe io de S. mansoni no Bié
compa a i amen e ao S. haema obium, e i icando-se o in e so na p o íncia do Huambo. No que
espei a ao S. in e cala um, con inua a se apa en emen e, uma espécie ausen e no país (G ácio,
1980, Chipopa, 2000, Chi sulo, 2000, Dumba, 2006 e Figuei edo, 2008).
Figu a 6. Dis ibuição e p e alência da schis osomose u iná ia em Angola.
(Adap ado de MINSA, 2005)
5 – 24 %
25 – 49 %
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1.2.4. Agen es e iológicos da schis osomose humana
1.2.4.1.Sis emá ica e Taxonomia
O e mo schis osomose, schis osomíase ou ainda bilha ziose designa o complexo da
in ecção pa asi á ia aguda e c ónica causada po ema ódes diginé icos do géne o Schis osoma.
Es es pa asi as são ansmi idos pelas espécies aquá icas ou an íbias de ca acóis i endo em ampla
a iedade de habi a s de água doce (Rey, 2001 e Cook & Zumla, 2009). Os p incipais agen es
causais da schis osomose pe encem a seguin e posição sis emá ica:
Reino: ANIMALIA;
Filo: PLATHYHELMINTHES;
Supe classe: EUPLATHYHELMINTHES;
Classe: TREMATODA;
Subclasse: DIGENEA;
O dem: STRIGEIFORMES;
Família: Schis osoma idae;
Sub amília: Schis osoma inae;
Géne o: Schis osoma;
Espécie: Schis osoma haema obium, Bilha z (1851);
Schis osoma mansoni, Sambon (1907);
Schis osoma japonicum, Ka su ada (1904);
Schis osoma in e cala um, Fishe (1934);
Schis osoma mekongi, Voge, B uckne & B uce (1978).
A amília Schis osoma idae dis ingue-se po ap esen a sexos sepa ados ou seja, os seus
ep esen an es são dióicos e he e oxenos. Nela dis inguem-se ês sub amilias, Shis osoma inae
(com acen uado dimo ismo sexual), Bilha ziellinae e Gigan obilha zinae (Rollinson & Sou hga e,
1987 e Cook & Zumla, 2009).
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Dos 12 Géne os da sub amilia Schis osoma inae, á ios es ão con inados a a es e cinco a
mamí e os, dos quais somen e o Schis osoma es á associado à in ecção humana (Fe ei a, 2004 e
Cook & Zumla, 2009).
1.2.4.2.Mo ologia e Biologia
a) Ca ac e ís icas ge ais
No quad o 1 ap esen a-se em jei o de esumo as p incipais ca ac e ís icas das espécies de
Schis osoma que mais equen emen e in ec am o homem e causam mo bilidade.
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Quad o 1. Compa ação das p incipais ca ac e ís icas de espécies de Schis osoma (Adap ado de Manson's T opical Diseases, 22 h edi ion, Cook & Zumla, 2009)
Ve mes adul os
S. japonicum
S. mekongi
S. mansoni
S. haema obium
S. in e cala um
Localização no hospedei o
Veias mesen é icas
supe io es
Veias mesen é icas
Veias mesen é icas
in e io es
Plexo enoso esical
Veias mesen é icas
Comp imen o do in es ino pos e io
(cego)
Médio
Médio
Mui o Longo
Cu o
Cu o
Macho
Comp imen o (mm)
10-20
115
6-13
10-15
11-14
La gu a (mm)
0.55
0.41
1.10
0.90
0.3-0.4
Nº de es ículos
6-7
6-7
4-13
4-5
2-7
Tubé culos
Ausen es
Ausen es?
G ossos
Delgados
Delgados
Fêmea
Comp imen o (mm)
20-30
112
10-20
16-26
10-14
La gu a (mm)
0.30
0.23
0.16
0.25
0.15-0.18
O á io: posição no co po
Cen al
Me ade pos e io
Te ço an e io
Te ço pos e io
Me ade pos e io
Ú e o: posição no co po
Me ade an e io
Me ade an e io
Me ade an e io
2/3 an e io es
2/3 an e io es
Al u a
Cu a
Cu a
Mui o cu a
Alongada
Alongada
Nº de o os
50-200
10 +
1-2
10-50
5-60
O o madu o
Fo ma
Redondo
Redondo
O al
O al
O al
Tamanho (µm)
6 x 100
57 x 66
61 x 140
62 x 150
61 x 176
Espo ão
La e al ( udimen a )
La e al ( udimen a )
La e al (p oeminen e)
Te minal (p oeminen e)
Te minal (p oeminen e)
Exc eção
Fezes
Fezes
Fezes
U ina
Fezes
O os/ êmea po dia
500-3.500
?
100-300
20-300
150-400
Capí ulo I - In odução
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1.2.4.3.T ansmissão e ciclo de ida
O ciclo de ida de odas as espécies de Schis osoma que in ec am humanos possui uma ia
idên ica cons i uída po duas ases, uma sexual p o agonizada pelos e mes adul os no sis ema
ascula do hospedei o de ini i o e uma ase assexual nos moluscos hospedei os in e mediá ios
(Figu a 7). As espécies Schis osoma são ansmi idas po di e en es hospedei os in e mediá ios,
sendo o molusco de água doce especí ico, o que de e mina as exigências bioecológicas que
possibili am a ansmissão.
Figu a 7. Ciclo de ida de Schis osoma spp.
(Adap ado de h p://p .wikipedia.o g/wiki/Schis osoma)
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Os o os (1) são eliminados a a és da u ina (S. haema obium) ou com as ezes (S. mansoni,
S. japonicum, S. in e cala um e S. mekongi) pa a o ex e io já emb ionados e ao en a em em
con ac o com a água doce (lagoas, ios ou ou as colecções de água), em condições a o á eis, ais
como empe a u a en e 25-30 ºC, luminosidade e p essão osmó ica (hipo o onicidade) eclodem,
libe ando o mi acídio, que com os cílios mo imen a-se, a é encon a o molusco que se e como
seu hospedei o in e mediá io.
O mi acídio (2) com pe íodo de iabilidade in ec an e de ce ca de 8 a 12 ho as, ao encon a
o molusco hospedei o in e mediá io (3) especí ico pa a cada espécie de Schis osoma, pene a nas
zonas expos as (pé, en áculos e cola do man o) pe de os cílios, e ans o ma-se numa o ma
sacula conhecida como espo ocis o mãe ou espo ocis o de 1ª ge ação ce ca de 24 h após a
pene ação.
Nes a o ma p oli e am células ge mina i as que c escem e mul iplicam-se (4), o iginando
os espo ocis os de 2ª ge ação que mig am pa a os ó gãos diges i o e sexual do molusco, onde se
desen ol em e so em ápidas di isões, dando o igem as ce cá ias. Um mi acídio dá o igem a
milha es de ce cá ias do mesmo sexo, que são eliminadas do molusco ce ca de 34 dias após
pene ação do mi acídio no molusco.
Consoan e as espécies, o pe íodo de sob e i ência do molusco pode se supe io a oi o
meses (Rey, 2001).
A eliminação das ce cá ias (5) oco e a empe a u as en e 25-28 ºC e em condições
p e e enciais de pH neu o. O núme o de ce cá ias eliminadas po molusco e po dia é mui o
a iá el e, dependendo do amanho do molusco, oscila em o no de 500 e a amen e ul apassa as
2.000 ce cá ias diá ias. Essa eliminação coincide com os hábi os de con ac o do hospedei o
de ini i o com a água, e o seu pode in ec an e é máximo du an e as p imei as oi o ho as,
diminuindo e pe dendo a sua ac i idade em 72 ho as (Rey, 2001).
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Ao pene a em a a és da pele (6) do hospedei o de ini i o, pe dem a cauda e a a essam a
epide me a é a lâmina basal num pe íodo de 15 a 30 minu os. Es e p ocesso esul a das con acções
muscula es e de enzimas lí icas, seg egadas pelas glândulas ce álicas do schis osómulo, o no o
es agio la a in i o que se o ma em menos de uma ho a após a in ecção (7).
Os schis osómulos são mais ulne á eis aos an ico pos do hospedei o de ini i o nas
p imei as ês ho as, podendo esul a na sua des uição. Ao a ingi em os capila es enosos da
de me, são apidamen e a as ados pela co en e sanguínea (e ci culação lin á ica) (8) a é ao co ação
di ei o. Ce ca de ês a se e dias após a in ecção, chegam ao pulmão a a és das a é ias pulmona es
e po in e médio de mo imen os de con acção e ex ensão, passam das a e íolas pa a as énulas
pulmona es.
A a és des as eias pulmona es, deixam o pulmão, passam pa a o co ação esque do, e
seguem na ci culação sis émica. Pa e deles são le ados pa a o ígado, passam pelos capila es do
sis ema po a onde em 21 dias se desen ol em e di e enciam mo ologicamen e em o mas adul as
e ou a pa e deles são des uídos nou os ó gãos (9) (Rey, 2001 e Cook e Zumla, 2009).
No 14º dia, já se podem dis ingui as êmeas dos machos (10), ao 22º dia o seu in es ino
alonga-se pa a cons i ui um cego único e, nos machos, ao 27º dia já são e iden es os es ículos.
En e o 29º e 31º dia oco e o acasalamen o e o pa de e mes di ige-se pa a os espec i os
locais onde deco e á a o iposição. Du an e a mig ação, a êmea é anspo ada pelo macho que,
com o auxílio da en osa o al e dos ubé culos ou espinhos da cu ícula ex e na ade e ao endo élio
ascula .
A mig ação e mina nas énulas e capila es dos plexos mesen é icos, pa a o S. mansoni, S.
japonicum, S. in e cala um e S. mekongi. No caso do S. haema obium ão pa a o plexo esical que
d enam o sis ema u iná io e, en e 4 a 6 semanas após à in ecção, as êmeas libe am-se dos machos
e começam a elimina ce ca de 50 a 550 o os com espo ão e minal. A é à da a con inua po
explica o opismo ascula especí ico (Rey, 2001 e Cook & Zumla, 2009).
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Luanda, es udou 2608 au ópsias, com o objec i o de iden i ica as causas da le alidade po pa ologia
u ológica associadas a lesões schis osómicas, e i icou que 30% desses indi íduos mo e am com
pa ologias associadas à schis osomose. Dos que ap esen a am lesões schis osómicas, 90% inham
hid one ose e ca cinoma epide móide da bexiga, segundo o au o , o núme o de casos des as duas
complicações e a p opo cionalmen e igual (ci ado po Figuei edo, 2008).
Os u e e es são menos equen emen e a ec ados que a bexiga, mas o seu en ol imen o
bila e al é impo an e na mo bilidade e como p ecu so da UPO, que cu sa com hid ou e e e
hid one ose, conduzindo a lesão enal com subsequen e insu iciência enal. A ca ga pa asi á ia nos
u e e es é mais ele ada nos casos que cu sam com UPO, do que naqueles que cu sam sem UPO
(Smi h a al, 1974).
Di e sas obse ações êm demons ado que as biópsias enais de indi íduos com
schis osomose, ap esen am lesão glome ula p oli e a i a e, ce ca de 25% dos casos cu sam com
p o einú ia impo an e. Exis em algumas di e gências de opinião en e os in es igado es,
ela i amen e às condições que p edispõe a e olução da pa asi ose pa a pielone i es in e s iciais e
e en ual glome ulone i e e amiloidose (Sa ah e al., 2007, Kogulan & Lucey, 2007 e Cook &
Zumla, 2009).
A schis osomose geni al eminina (FGS), um achado equen emen e encon ado em
mulhe es in ec adas, com lesões geni ais po S. haema obium como salpingi e, endome i e, ul o-
agini e e ce ici e e no homem epididimi e, esiculi e e p os a i e que podem se causa de
in e ilidade secundá ia, (Rey, 2001 e Bichle e al., 2006) e que ambém acili am a expansão de
in ecções de ansmissão sexual (ITS), especi icamen e o í us de imunode iciência humana (VIH),
acele ando a p og essão pa a a doença e o papiloma í us humano (HPV) (Leu sche e al., 1997,
Be gquis e al., 2002, Lima, 2005, Rachaneni, 2007, Kogulan & Lucey, 2007, Ndhlo u e al., 2007
e Smi h e al., 2008). Em zonas endémicas de schis osomose u iná ia no con inen e a icano, o am
iden i icadas, em exames pos -mo em. ealizados em mulhe es em idade ep odu i a, al e ações
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his opa ológicas causadas po S. haema obium, compa í eis com FGS (Poggensee e al., 1999).
Exames his opa ológicos ealizados em á ios países a icanos, como o Madagásca , Moçambique,
Tanzânia, Á ica do Sul e Zimbabwe, demons a am lesões p o ocadas po S. haema obium, a ní el
dos ó gãos do apa elho geni al eminino, nomeadamen e, o colo do ú e o, agina e ompas e
masculino, nomeadamen e, pénis, bolsa esc o al, esícula seminal, canal de e en e e p ós a a (Rey,
2001).
A hemoespe mia é um sinal que nos indi íduos do sexo masculino, pode se obse ado na
ase inicial da in ecção po S. haema obium (Leu sche e al., 2005). Leu sche e al. (1997) e
Bo kow e al. (2001) ale am que es es casos podem passa despe cebidos e de em se conside ados
um isco pa a à aquisição de ITS, especialmen e as in ecções po VIH e HPV.
Podem ainda oco e lesões ec ópicas, que esul am da mig ação dos o os a a és da
ci culação sis émica, cu sando com de ma i e, pneumoni e, apendici e, pe i oni e, pe ica di e,
mieli e an e sa e quad os epilép icos, dependendo do ó gão (aos) acome ido (s), (G ácio e al.,
2000, Vi iane, 2007 e Cook & Zumla, 2009).
1.2.6. Imunidade
A espos a imunológica do hospedei o de ini i o, em p esença do pa asi a é do ipo celula e
humo al. A espos a do ipo celula oco e num pe íodo de ês a cinco semanas após a in ecção,
sendo ca ac e izada pela exposição do hospedei o às ce cá ias e aos schis osómulos que mig am
pelos ecidos. Na ase aguda, a espos a imunológica p edominan e é do ipo Th1, obse ando-se a
p esença de células mononuclea es do sangue pe i é ico (PBMC) p oduzindo g andes quan idades
de ac o de nec ose umo al α (TNFα), in e leucinas 1 (IL-1) e 6 (IL-6) e In e e ão γ (IFNγ). Na
ase inicial da espos a imune oco e mobilização de mac ó agos, eosinó ilos, lin óci os,
plasmóci os e acúmulo de neu ó ilos. Es as populações celula es são mediadas po TNFα e po
células Th1 e Th2 CD4+, além de lin óci os T CD8+.
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Tem sido obse ado que o pe il de ci ocinas (IL-2, 5 e 10) e de an ico pos p oduzidos es á
associado à suscep ibilidade ou esis ência do indi íduo à in ecção schis osómica e com a o mação
de g anulomas (S adecke , 1992, Kaplan e al., 1998, King e al., 2001, Van Den Bigge laa e al.,
2002, Belo e al., 2006 e Nmo si e al., 2009). A gené ica pa asi á ia ambém em um papel
impo an e na se e idade das lesões na população humana in ec ada (B ouwe e al., 2003).
Na espos a humo al, em-se e idenciado que as classes e subclasses de an ico pos an i-
Schis osoma a iam com a idade, e p o a elmen e com a du ação da in ecção. Vá ias células
e ec o as em p esença de an ico pos an i-schis osómulos pa icipam no mecanismo e ec o , en e
elas monóci os, eosinó ilos e plaque as (Lima, 2005).
Nem a idade, nem o sexo con e em imunidade comple a e odas as aças são suscep í eis à
in ecção (Kogulan & Ducey, 2007 e Cook & Zumla, 2009). O desen ol imen o de imunidade
pa cial adqui ida é len o, g adual e ine icien e e di e e da imunidade imedia a e comple a que oco e
nas in ecções i ais e bac e ianas da in ância (Cook & Zumla, 2009).
Um dos aspec os espei an es a imunologia da schis osomose, mais deba idos nos úl imos
anos, e e e-se à possibilidade de aquisição de imunidade após a in ecção. Cons a ou-se que o
pad ão epidemiológico da in ecção schis osómica ap esen a, de um modo ge al, um pe il
semelhan e, independen emen e da egião geog á ica e das espécies causais. Na maio ia das zonas
endémicas, e i ica-se que a p e alência e a in ensidade da in ecção aumen am g adualmen e
du an e a in ância a ingindo o máximo en e os 10 e os 15 anos e diminuem pos e io men e com a
idade (Belo, 1999).
Pensa-se que es e declínio da in ensidade, nos indi íduos adul os, se de e ao
desen ol imen o de esis ência, adqui ida após a in ecção e/ou à meno exposição dos adul os aos
ocos de ansmissão, de ido a mudança de hábi os sociais, à ib ose issula que e ém os o os nos
ecidos impedindo-os de se em eliminados, à mo e de uma g ande p opo ção de e mes adul os e
ainda a ac o es in ínsecos indi iduais (Belo, 1999 e Cook & Zumla, 2009).
Capí ulo I - In odução
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Aplicando a me odologia p opos a pela WHO (1985), o am e ec uados es udos
longi udinais no Quénia (Bu e wo h e al., 1987 e Bu e wo h, 1990) e na Gâmbia (Hagan e al.,
1991) em populações in ec adas, espec i amen e, po S. mansoni e po S. haema obium. Es es
es udos demons a am a exis ência de uma imunidade adqui ida, que pa ecia es a mais elacionada
com a idade do que com a diminuição da exposição à in ecção (ci ado po Belo, 1999).
No es udo do Quénia e i icou-se uma associação posi i a en e os ní eis de
Imunoglobulina (Ig) M e IgG2 (con a o an igénio la a e o ula ) e a suscep ibilidade à ein ecção,
suge indo-se que a sua p esença nos indi íduos mais jo ens pode á “bloquea ” a exp essão de uma
espos a e ec i a e acili a a ein ecção. No da Gâmbia, obse ou-se que a esis ência a ein ecção
e a maio quan o mais al os ossem os ní eis sé icos de IgE e mais baixos os ní eis de IgG4
an ipa asi a.
Na sequência des as obse ações, di e sos es udos epidemiológicos (aplicando a mesma
me odologia), êm sido ealizados em populações expos as às di e en es espécies de Schis osoma
(Rihe e al., 1991, Dunne e al., 1992, G ogan e al., 1997 e Zhang e al., 1997). De um modo
ge al, os esul ados des as in es igações ap esen am dois aspec os conco dan es:
As c ianças cons i uem o g upo que se ein ec a mais apidamen e com ca gas pa asi á ias
mais ele adas do que os indi íduos com idades supe io es a 15 anos. Ve i ica-se, ambém,
uma co elação posi i a en e os ní eis de IgG4, IgM e IgG2, di igidos p incipalmen e con a
an igénios o ula es e a in ensidade da ein ecção (Belo, 1999).
Cons a a-se que a pa i dos 15 anos de idade, a ein ecção é menos equen e e, quando
oco e, o g au de in ensidade é bas an e in e io ao que se e i ica nas c ianças. Nes es
indi íduos e i ica-se a p edominância de an ico pos IgE e IgA an i-Schis osoma, sob e udo
con a an igénios de e me adul o, in e samen e co elacionado com a in ensidade da
in ecção (Belo, 1999).
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
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1.2.7. Diagnós ico clínico, di e encial, labo a o ial e imagiológico
1.2.7.1.Diagnós ico clínico
O diagnós ico clínico da schis osomose é ei o p esun i amen e, num indi iduo que
ap esen e sin omas ais como, hema ú ia, disú ia, polaquiú ia e hipogas algia ou queixas
gas oin es inais, ais como, dia eia com ou sem sangue, do abdominal baixa e enesmo, na
p esença de con ex o epidemiológico, como his ó ia de con ac o com on es de água doce e iagem
a zonas endémicas (Ce on e al, 1996 e Co achan, 2002).
1.2.7.2.Diagnós ico di e encial
Po se a a de uma doença com mani es ações clínicas inespecí icas, a schis osomose pode
se con undida com mui as ou as pa ologias. A schis osomose aguda pode se di e enciada da eb e
i óide (leucopenia, em ez de eosino ília), b ucelose, malá ia, lep ospi ose, e ou as pa ologias que
cu sam com pi exia ou eb e de o igem inde e minada. Feb e e eosino ília oco em na iquinose,
eosino ília opical, la a mig an e isce al e in ecções po Opis ho cis, Pa agonimiasis e
Clono chis spp.
A in ecção es abelecida po S. haema obium de e se dis inguida de hemoglobinú ias,
neoplasia do ac o u ogeni al e in ecções como pielone i e aguda e ube culose enal. Já a in ecção
po S. mansoni, com a sua sin oma ologia dolo osa abdominal não especí ica, pode suge i úlce a
pép ica, panc ea i e e pa ologia bilia . No caso de disen e ia de em se excluídas ou as causas
como amebíase, coli e ulce a i a e pólipos de e iologia não schis osómica.
O diagnós ico di e encial, no caso de schis osomose hepa oesplénica é mais amplo e aba ca os
casos que cu sam com hepa oesplenomegalia, como a leishmaniose isce al, sínd ome
mielop oli e a i o c ónico, alassemias e sínd ome da esplenomegalia opical. Nas zonas
endémicas, de e-se desca a a schis osomose, em caso de co pulmonale e ap esen ações
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neu ológicas, ais como, epilepsia, mielopa ias e sínd omes comp essi os da medula espinal
(Kogulan & Lucey, 2007 e Cook & Zumla, 2009).
1.2.7.3.Diagnós ico labo a o ial
O diagnós ico de ini i o é conseguido pela obse ação di ec a dos o os nos p odu os de
exc eção, nomeadamen e, u ina e ezes ou al e na i amen e, em ma e ial de biopsia esical, ec al,
hepá ica ou ecidos emo idos ci u gicamen e.
Além dos mé odos di ec os de il ação de u ina pa a obse ação e quan i icação de o os de
S. haema obium, o uso de i as ou i as eac i as pa a obse ação de mic ohema ú ia, albuminú ia,
êm sido aplicados em di e sos es udos epidemiológicos, sob e udo na população in an il, sendo
conside ados indicado es especí icos da in ecção. A a és do mé odo de il ação, as in ecções
podem se ca ego izadas em le es em doen es que eliminam dia iamen e 1 a 10 o os/10 ml de
u ina, mode adas nos que eliminam de 11 a 50 o os/10 ml e in ensas quando há eliminação de mais
de 50 o os/10 ml de u ina (Gunde sen e al., 1996, Lwambo e al., 1997, Ma e, 1997, Rollinson e
al., 2005, S o ha d e al., 2009 e Sousa Figuei edo e al., 2009).
O espe mog ama ambém pode e ela hemoespe mia e a p esença de o os de S.
haema obium (Bichle e al., 2006).
O exame di ec o das ezes pela écnica de Ka o-Ka z pe mi e a iden i icação e quan i icação
dos o os das espécies de Schis osoma que causam schis osomose in es inal e de helmin as
in es inais. É uma écnica mui o usada em es udos clínicos e epidemiológicos, po se ba a a, ápida
e simples de execu a , pa a o diagnós ico da schis osomose in es inal e quan i icação da ca ga
pa asi á ia, uma ez que mui os es udos êm demons ado que a média da ca ga pa asi á ia, em
co elação com a se e idade da doença (Rey, 2001, Ross, 2002 e Cook & Zumla, 2009). A p esença
de eosino ília supe io a 30 % no sangue pe i é ico chama a a enção pa a a exis ência de in ecção
pa asi á ia, en e an o, na in ecção c ónica, a eosino ília pode se mínima ou ausen e,
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pe manecendo inal e ada apenas nos ecidos (OMS, 1994 e Rey, 2001).
A medição da eosino ilú ia, a a és da quan i icação na u ina da Eosinophil ca ionic p o ein
(ECP), ambém iden i icada nas sec eções aginais, em sido p oclamada como ma cado de
in ecção e de mo bilidade po Schis osoma haema obium (Leu sche e al., 2000, Reime e al.,
2000 e Midzi e al., 2003).
Os exames imunológicos indi ec os (se ologia) a a és das écnicas de Enzyme-Linked
Immuno So ben Assay (ELISA), Imuno luo escência (IF), Radioimunoassays (RIA) e Ce ca ien
Hullen Reac ion (CHR) são u ilizados pa a a de ecção de an ico pos e an igénios especí icos e
cons i uem es es al amen e especí icos no diagnós ico des a pa asi ose. (Van E en e al., 1994,
Rey, 2001, Van Gool e al., 2002 e Cook & Zumla, 2009).
1.2.7.4.Diagnós ico imagiológico
A ul a-sonog a ia (USG) é adequada pa a o diagnós ico da pa ologia o gânica elacionada
com a schis osomose, e é pa icula men e ú il pa a a alia a e olução após e apêu ica e/ou após
in e upção da exposição a espécies de Schis osoma (Ri che , 2000).
A USG pe mi e a iden i icação de lesão hepá ica e esplénica e hipe ensão po al, enquan o,
a endoscopia diges i a al a pe mi e a iden i icação de a izes eso ágicas e gás icas.
Os exames endoscópico e ecog á ico, são de ele ada impo ância na iden i icação e
ca ac e ização das lesões do o o u ológico (WHO, 2002 a). Com e ei o, o exame ecog á ico e ela
lesões da pa ede esical como hipe ecogenicidade, espessamen o e i egula idades, p esença de
pseudopólipos e, a ní el enal, pode obse a -se dila ação pielocalicial e u e e al secundá ia a lesões
esicais causadas po S. haema obium (Rich e , 1996, Salah, 1999 e Sub amanian, 1999). O
p ocesso in lama ó io com hipe emia e p esença de g anulomas na submucosa da pa ede esical,
cons i uem as p incipais al e ações cis oscópicas equen es (Sil a e al., 2006 e Wa en e al.,
2002).
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O exame ci ológico da u ina é um c i é io segu o pa a o diagnós ico e con i mação de
a amen o com cu a pa asi ológica (Bichle e al., 2006).
A de ecção do an igénio de ca cinoma emb ioná io (CEA) em sido conside ada uma
e amen a ú il na iden i icação de doen es com al o isco de ca cinoma da bexiga po
schis osomose (Bichle e al., 2006, Saied e al., 2007 e Heyns &Van De Me we, 2008).
Wa en e al. (2002) desc e em a adiog a ia simples e con as ada do a o u iná io, como
sendo um meio de diagnós ico impo an e na a aliação de sequelas e complicações, podendo e ela
calci icação linea da bexiga e u e e es, especialmen e nos países em desen ol imen o, onde em
algumas egiões não é possí el eco e a exames como a ecog a ia e cis oscopia. Na opinião dos
au o es, a ap esen ação clássica de uma bexiga calci icada assemelha-se a uma cabeça e al na
pél is, sendo o sinal pa ognomónico de schis osomose u iná ia c ónica, conhecido como “bexiga de
po celana”.
A u e ocis og a ia pode demons a a p esença de e luxo esicou e e al, o que aco e em
25% dos casos que en ol em os u e e es (Smi h, 1994, Wa en e al., 2002 e Figuei edo, 2008).
1.3. TRATAMENTO
O objec i o p imá io da quimio e apia é a cu a dos indi íduos in ec ados. A cu a le a a
cessação da deposição de o os nos ecidos e da eliminação dos mesmos a a és dos exc e a, p e ine
danos adicionais dos ó gãos en ol idos e p omo e na maio ia dos casos, a eg essão de lesões p é-
exis en es; o segundo objec i o é con ola a ansmissão do pa asi a nas á eas endémicas (King,
2007 e Kogulan & Ducey, 2007).
A WHO (2002 a) desc e e a esolução 54.19, que em como objec i o a edução da
p e alência da in ecção em odos os países endémicos, a a és da implemen ação do a amen o
egula de pelo menos 75% de odas as c ianças em idade escola em isco de con ai in ecções po
espécies de Schis osoma e helmin as in es inais. A esolução p econiza a o alcance des e objec i o
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a é 2010. Além disso, os países endémicos de iam adop a medidas pa a a adminis ação de
á macos an i-helmín icos nos g upos de al o isco como: as c ianças, os pescado es, mulhe es
g á idas e lac an es (Sou hga e e al., 2005).
A impo ância do a amen o das c ianças não é discu í el, mas o a amen o das mulhe es
g á idas e lac an es ainda se e es e de alguma con o é sia. O PZQ oi classi icado pelo Fede al
d ug adminis a ion (FDA) como um á maco de classe B pa a a ges ação e lac ação, is o é,
p esumidamen e segu o baseado em es udos com modelo animal mas com al a de dados que
a es em a segu ança em mulhe es g á idas. Na p á ica is o em le ado a que as mulhe es g á idas e
lac an es não sejam a adas na maio ia das zonas endémicas. Es e ac o é mui o impo an e, endo
em con a que, as mulhe es em idade é il que i em nas zonas endémicas podem gas a quase 25%
da sua ida ep odu i a g á idas ou 60% da sua ida ep odu i a a amamen a (F iedman e al.,
2007). Ac ualmen e a WHO (2006), indica que odas as mulhe es g á idas e lac an es in ec adas
de em se conside adas g upo de isco e a elas de e se o e ecido a amen o indi idualmen e ou
du an e as campanhas (Allen e al., 2002, Olds, 2003, Adam e al., 2004 e Tweyongye e e al.,
2008).
De aco do com a WHO (2006), uma es a égia de con olo simples, de e ia se a o mação
de p o esso es na adminis ação desses á macos, com egis o do núme o de c ianças a adas, o que
pode ia bene icia as populações das á eas endémicas ca enciadas. O a amen o consis e na
adminis ação de an i-helmín icos, sendo o PZQ o á maco de eleição. Pode e ec ua -se o
a amen o combinado com Mebendazol ou Albendazol, po causa da co-in ecção com helmin as
in es inais (Olds e al., 1999). Exis em p og amas de con olo que incluem a adminis ação de
i amina A em c ianças (S ephenson e al., 1989).
Po exemplo, em Zanziba , oi ealizado um es udo pilo o, com adminis ação ipla de
I e mec ina (200μ/kg), Albendazol (400mg) ou Mebendazol e PZQ (40mg/kg), nalgumas á eas
endémicas de schis osomose, ila iose lin á ica, helmin oses in es inais e oncoce cose, com a
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inalidade de diminui a p e alência des as pa asi oses na população (Mohammed e al., 2008).
O PZQ (Bil icide® - um de i ado pi azinoisoquinolina), con inua a se o á maco an i-
helmín ico de escolha, com e icácia em dose única con a odas as espécies de Schis osoma, na dose
de 40 mg/kg de peso co po al, nas in ecções po S. haema obium, S. mansoni e S. in e cala um e na
dose 60 mg/kg de peso, naquelas causadas po S. japonicum e S. mekongi, com uma axa de cu a
inicial en e 60% a 100% e uma edução da ca ga pa asi á ia en e 95 a 98% (Ross, 2002 e
Tchuen é e al., 2004). Mo e al. (1985) demons a am num es udo ealizado no Ghana, que pa a
além da diminuição da ca ga pa asi á ia, o a amen o com PZQ diminui ambém, sob emanei a,
alguns sinais indicado es de schis osomose u iná ia, como sejam, a hema ú ia mac oscópica e
mic oscópica e a p o einú ia.
O seu mecanismo de acção é complexo, ha endo ainda mui o po escla ece , sabe-se que
apa en emen e causa danos no egumen o do pa asi a (que esul am em con acções e ânicas e
acuolização do egumen o), le ando o e me a desp ende -se das pa edes das eias, expondo-se
assim, a espos a do sis ema imuni á io, e consequen emen e, a mo e (Ross, 2002 e Kogulan &
Ducey, 2007). A ole ância ao P aziquan el é excelen e e os ensaios clínicos demons am,
i ualmen e, a ausência de oxicidade hepá ica, enal, hema ológica ou de ou os ó gãos e suas
espec i as unções. No en an o, e ei os secundá ios mino podem oco e , nomeadamen e, queixas
gas oin es inais (do epigás ica ou do abdominal gene alizada, náusea, ómi os, ano exia e
dia eia), ce aleia e e igens, sendo es es ansi ó ios e ole á eis. Ra amen e necessi ando de
a amen o. É con a-indicado o a amen o de indi íduos com hipe sensibilidade documen ada ao
á maco e de e se adminis ado com p ecaução nos indi íduos com cis ice cose ocula e ce eb al.
Es udos clínicos demons am que o A eme he , que é usado como á maco an i-malá ico, é
ambém ac i o con a o S. haema obium, S. mansoni e S. japonicum, sendo e icaz con a os
schis osómulos, o es ágio sob e o qual o P aziquan el em pouca ou nenhuma e icácia (Ross e al.,
2002 e N´Go an e al., 2003).
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36 milhões de casos a a ec a c ianças em idade escola ; 162 milhões de icu iose (24% da
população), com 44 milhões de casos co espondendo a c ianças em idade escola ; 100 milhões de
casos de s ongiloidose; sendo que 28% das c ianças na ASS es ão in ec adas po E. e micula is
(Ha ez e al. 2005, Molyneux e al., 2005, Be hony e al., 2006 e Ho ez & Kama h, 2009).
Em Angola as p e alências mais ele adas de helmin as in es inais e i icam-se no Cen o
No e e na Baixa de Cassanje, com 75,9% e 56,9% espec i amen e (MINSA, 2005). Es ima-se que
Angola seja o e cei o país mais p e alen e pa a a ancilos omose, com 11 milhões de casos (Ha ez
& Kama h, 2009).
1.2.1. Pa ologia e sin oma ologia das helmin oses in es inais
As in ecções po helmin oses in es inais são ge almen e assin omá icas, o nando-se
sin omá icos (Quad o 4) os que possuí em ca gas pa asi á ias ele adas. A in ecção causada po A.
lumb icoides pode causa quad os obs u i os, enquan o, que T. ichiu a es á associado a doença
dia eica aguda e c ónica (Smi h, 2001) podendo causa lesões no cego, onde no malmen e se aloja.
(Bea e e al., 2003). Os ancilos omídeos podem p o oca a sínd ome de la a mig an e isce al na
ase issula (Rey, 2001), sendo ambém esponsá eis pela de iciência de e o no o ganismo
(de ido a expoliação das ese as o gânicas) e po lesões aumá icas deco en es da acção das
placas co an es (Neca o ame icanus) e dos den es (Ancylos oma duodenale).
1.2.2. Diagnós ico clínico e labo a o ial
A isualização dos o os nas ezes é o mé odo mais comummen e u ilizado. A in ensidade da
in ecção po helmin as in es inais em sido de inida, a a és da de e minação da ca ga pa asi á ia,
u ilizando-se mé odos que pe mi am a con agem de o os (Mendes e al., 2005). Di e sos mé odos
são p opos os com a inalidade de iden i ica e quan i ica o os de helmin as em amos as ecais,
podendo-se ci a en e eles o de S oll, Bell, Ka o, Ka o modi icado po Ka z e al. (1972), conhecido
como Ka o-Ka z, e o de Ri chie, modi icado po Knigh e al. (1976), (A aújo e al., 2003).
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1.2.3. P e enção e con olo das helmin oses in es inais
O con olo passa po medidas que incen i em a p o ecção do solo e das cul u as da
con aminação pelos exc e a humano, a a és da educação sani á ia das populações. Uma medida
impo an e pa a a p e enção são as campanhas de despa asi ação bianuais de odas as c ianças a
pa i do p imei o ano de ida (WHO, 2002, Sa ioli e al., 2004, Fenwick, 2006, Kaba e eine e al.,
2006 e Massa e al., 2009).
1.2.4. Te apia an i-helmín ica
O Albendazol na dose de 400 mg po ia en e al, em oma única é a d oga de escolha. A
in ecção po Asca is lumb icoides ge almen e coexis e com a in ecção po T ichu is ichiu a ou
ancilos omídeos, que pa ecem se mais suscep í eis ao Albendazol do que ao Mebendazol. O
Albendazol e o Mebendazol (na dose de 100 mg de 12/12 ho as du an e 3 dias ou 500 mg em dose
única) não são ecomendados du an e a g a idez e só de em se adminis ados em c ianças a pa i
do p imei o ano de ida. Nes es casos ecomenda-se o Pamoa o de Pi an el na dose de 10 mg/kg de
peso du an e 3 dias (Be hony e al., 2006). No quad o 4 ap esen a-se os á macos mais usados no
a amen o das HI.
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Quad o 4. Algumas ca ac e ís icas clínico-epidemiológicas de helmin as in es inais
(Adap ado de Rey, 2001 e Cook & Zumla, 2009)
Helmin as
Dis ibuição
T ansmissão
Fo ma
in ec an e
Sinais e
sin omas
T a amen o
A. lumb icoides
- Mundial
- Mais comum nas
egiões T opical e
Sub opical
- Solo
con aminado
com o os
- Geo agia
- O os é eis
emb ionados
- Mal-abso ção
- Desnu ição
- A aso no
c escimen o
- Ano exia
- Albendazola
- Mebendazolb
- Pamoa o de
Pi an elc
- Le amisold
T. ichiu a
- Mundial
- Mais comum nas
egiões T opical e
Sub opical
- Di ec a
- Geo agia
- O os
emb ionados
- Disen e ia
- Do
abdominal
- Vómi os
- Pe da de
peso
- Albendazola
- Mebendazolb
Ancilos omídeos
- Mais comum nas
egiões T opical e
Sub opical
- T anscu ânea
- La a
ila i o me
- Anemia
- Do
abdominal
- As enia
- Albendazola
- Mebendazolb
- Pamoa o de
Pi an elcc
- Le amisold
S. s e co alis
- Mundial
- T anscu ânea
- La a
ila i o me
- Do
abdominal
- Pe da de
peso
- Dia eia
- I e mec inae
- Albendazolaa
- Mebendazolb
E. e micula is
- Mundial
- Mais equen e
em c ianças
- Cosmopoli a
- Di ec a
- Re oin ecção
- Poei a
- Objec os
- O os
emb ionados
- P u ido anal
- Vul i e
- Ano exia
- Pe da de
peso
- Albendazola
- Mebendazolb
- Pamoa o de
Pi an elc
Hymenolepis
nana
Hymenolepis
diminu a
- Cosmopoli a
- Mais comum nas
egiões
sub opical e
Tempe ada
- Mais equen e
em c ianças
- Di ec a
- Zoonó ica
- O os
emb ionados
- La a
cis ice cóide
- Do
abdominal
- Ano exia
- Ce aleia
- A aso no
C escimen o
- As enia
- P aziquan el
- Niclosamidag
a – Albendazol 400 mg, dose única; aa – 400 mg po dia du an e 3 dias, epe i 2 semanas depois
b – Mebendazol 100 mg 12/12 ho as 3 dias ou 500 mg dose única
c – Pamoa o de Pi an el 10 mg/kg dose única; cc – Pamoa o de Pi an el 10 mg/kg du an e 3 dias
d – Le amisol 2,5 mg/kg dose única
e – I e mec ina 200 µg/kg dose única e epe i após uma semana ou dia iamen e du an e 3 dias
– P aziquan el 25 mg/kg dose única
g – Niclosamida 2 g dose única
CAPÍTULO II – OBJECTIVOS
Capí ulo II – Jus i ica i a e Objec i os
62
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
2. JUSTIFICATIVA E OBJECTIVOS
Apesa dos a anços oco idos no conhecimen o dos schis osomas, nas suas elações com os
seus hospedei os, pa icula men e o homem, como p e iamen e icou demons ado, é ac ualmen e
acei e que os es udos ealizados com uma es i pe são insu icien es pa a a ca ac e ização de espécies
de Schis osoma, uma ez que es á p o ada a oco ência de a iações en e as populações de á eas
geog á icas sepa adas, nomeadamen e nas axas de ma u ação, na pa ogenicidade, no pe il da
espos a imuni á ia e na suscep ibilidade à quimio e apia (ci ado po Belo, 1999).
A ele ada p e alência e a ampla dis ibuição de S. haema obium em Angola e a exp essão
da mo bilidade causada, sob e udo pela p esença de complicações do o o u ológico, mui as ezes
i e e sí eis, que p i am o indi íduo da sua capacidade p odu i a, que ísica que in elec ual, em
indo a susci a uma maio a enção dos p og amas de con olo das doenças pa asi á ias
negligenciadas do MINSA.
É p eciso e ainda em con a que, apesa do es o ço edob ado do go e no, a a és do
P og ama de Con olo da Schis osomose do DCE-DNSP, na implemen ação do a amen o em
massa com PZQ, desde a sua c iação no ano de 1984, isando as c ianças em idade escola que
esidem na sua maio ia nas á eas u ais e subu banas, onde se con inuam a e i ica de icien es
condições de saneamen o básico e de dis ibuição de água po á el e onde as populações se limi am
a uma economia de subsis ência, i endo abaixo da linha da pob eza, a schis osomose con inua a
se um p oblema de saúde pública em Angola.
Es e ac o incon es á el le a-nos a conside a que, ac ualmen e, a si uação e e en e a es a
pa asi ose e ou as a ela associadas, como é o caso das helmin oses in es inais, é al amen e
p eocupan e. Nes e con ex o, e no sen ido de con ibui pa a o conhecimen o da mo bilidade e do
pe il da espos a imuni á ia na schis osomose po S. haema obium na população do Bengo/Angola,
aldeias de Ibéndua, Sungue e Úlua, o p esen e es udo e e como p incipais objec i os os seguin es:
Capí ulo II – Jus i ica i a e Objec i os
63
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Objec i os ge ais
Con ibui pa a o conhecimen o da p e alência da schis osomose u iná ia e das helmin oses
in es inais associadas na população angolana.
A alia o pe il da espos a imunológica humo al na população angolana.
Objec i os especí icos
A alia o g au de associação en e S. haema obium e helmin as in es inais na população
angolana.
A alia os pa âme os clínicos que aduzem mo bilidade po S. haema obium e sua elação com
a in ensidade da in ecção e o es ado pa asi ológico.
Iden i ica os p incipais ac o es de isco associados à ansmissão, bem como as a i udes,
conhecimen os e p á icas dos pais ace à doença e sua elação com a mo bilidade dos ilhos ou
dependen es.
A alia os ní eis plasmá icos de IgE, IgM e dos isó ipos IgG1, IgG3 e IgG4 eac i os ao
an igénio de pa asi a adul o (AWA) de S. mansoni.
Compa a os ní eis de an ico pos especí icos p oduzidos em espos a à in ecção, com a ca ga
pa asi á ia, sexo, idade, hema ú ia mic oscópica e albuminú ia.
T a a os casos posi i os pa a S. haema obium e ou as helmin oses in es inais e en ualmen e
associadas.
CAPÍTULO III – MATERIAL E MÉTODOS
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
65
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1. LOCAL DE ESTUDO
3.1.1. Bengo: ca ac e ís icas ge ais
Após a ap o ação do p ojec o de in es igação pelo Comi é de é ica do MINSA, coo denado
pela DNSP, p ocedeu-se a eunião com a au o idade de saúde local, na pessoa do Di ec o
P o incial de Saúde do Bengo, onde o am ap esen adas as c edenciais e explicados os objec i os
do es udo. Tendo o p ojec o de in es igação e o plano de abalho sido ap o ados, pela en idade
local, p ocedemos a um inqué i o clínico-epidemiológico em indi íduos a pa i dos 5 anos de idade
esiden es nas aldeias u ais de Ibéndua, Sungue e Úlua, localizadas na comuna da Ba a do Dande,
município do Dande, p o íncia do Bengo (Figu a 10 A). Sendo o único acesso po es ada não
pa imen ada ( e a ba ida e mui o aciden ada), o que o na o ajec o di ícil du an e a época das
chu as.
O es udo oi ealizado no pe íodo de Ma ço a Junho de 2009, os p imei os dois meses
ab angendo a es ação das chu as. Fo am e ec uadas isi as em dias di e en es, du an e o pe íodo da
manhã (10.00 às 14.00 ho as). As aldeias localizam-se p óximo de lagoas que le am o mesmo nome
das aldeias em es udo (Figu a 10 B)
O Bengo localiza-se à No e do país a 55 Km de Luanda, a capi al do país. A p o íncia oi
c iada em 26 de Ab il de 1980, po desag egação da p o íncia de Luanda. É cons i uída po oi o
municípios, nomeadamen e, Amb iz, Bula A umba, Dande, Dembos, Icolo e Bengo,
Nambuangongo, Pango Aluquém e Quiçama. Possui ce ca de 461 mil habi an es e 41.000 Km2 de
ex ensão e es e *.
* (p .wikipedia.o g, 2009)
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
66
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
A capi al da p o íncia é a cidade de Caxi o, si uada no município do Dande. As aldeias de
Ibéndua, Sungue e Úlua, localizam-se en e os pa alelos 8° 32’ 27.03’’, 8° 29’ 54.10’’ e 8° 31’
58.79’’ de la i ude No e e Sul e os me idianos 13° 30’ 52.32’’, 13° 26’ 22.76’’ e 13° 27’ 57.80’’ de
longi ude Oes e e Es e de G eenwich**, espec i amen e e dis am em ap oximadamen e 23, 77 e 68
Km de Caxi o, espec i amen e.
Uma das suas maio es iquezas é a ede hid og á ica que a a essa o e i ó io, banhado
pelos ios Dande, Bengo ou Zenza, Kwanza, Lué, Loge, Lu umo, Onzo e Longa. Na es ação
chu osa as ma gens dos ios icam subme sas.
Es es ios são de en o es de uma as a e a iada gama de c us áceos e peixes en e os quais,
a mui o ap eciada ilápia ou “cacusso” e o “bag e”, po essa azão mui os dos seus habi an es
ocupam-se com ac i idades elacionadas com a pesca a esanal, bem como, com o comé cio
in o mal de pescado. Pode-se encon a nas suas ma gens uma g ande a iedade de a es aquá icas
( lamingos, pelicanos, ga ças, pa os, en e ou os).
A auna do Bengo é ica e a iada con ando com animais como pacaças, ja alis, ele an es,
macacos, assim como a es exó icas.
A maio pa e da população é de e nia Kimbundu e as p incipais ac i idades económicas da
população são a ag icul u a de subsis ência e a pesca, sendo que, no Amb iz, o cama ão e a lagos a
já possuem algum peso na economia da p o íncia.
As bacias hid og á icas exis en es na p o íncia esumem-se a Ba agem de Mabubas e a
Ba agem da Quiminha. O plano geomo ológico des a p o íncia ca ac e iza-se po zonas de aixa
li o al e zona de ansição. O clima é opical seco, com uma empe a u a média de 26ºC.
As áb icas e as g andes indús ias encon am-se desac i adas ou em ase de ecupe ação.
**(maplandia.com, 2009)
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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Figu a 10. A – Mapa de Angola com a p o íncia do Bengo em des aque e B – Aldeias onde
deco eu o es udo assinaladas a e de. (Adap ado de Angola A las geog á ico, 2008 e Ins i u o Nacional de
O denamen o do Te i ó io, 2009)
Escala: 1: 500.000
Legenda: Aldeias onde deco eu o es udo (Ibéndua, Sungue e Úlua) e espec i as lagoas
Angola
Bengo
Sungue
Úlua
Ibéndua
A
B
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
74
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na comunidade angolana
3.3. COLHEITA E PROCESSAMENTO DE PRODUTOS BIOLÓGICOS
3.3.1. Colhei a e conse ação de u ina e de ezes
Após a iden i icação e egis o, de aco do com as ichas, cada indi íduo ecebeu dois ascos
o ulados, um pa a u ina e ou o pa a ezes, e ecebe am a explicação e bal dos p ocedimen os de
colhei a dos p odu os biológicos (salien ando-se o exe cício ísico an es de u ina ). A ecolha da
u ina e das ezes oi ei a en e as 10.00 e as 14.00 ho as.
Na abela 2 ap esen a-se o núme o de amos as de u ina, ezes e so o ecolhidas nas
di e en es aldeias.
Tabela 2 - Dis ibuição dos p odu os biológicos (u ina, ezes e so o) ecolhidos po aldeia
Aldeias
Nº de
pa icipan es
Amos as
de u ina
Amos as
de ezes
Amos as
de so o
Ibéndua
148
146
130
142
Sungue
59
59
44
59
Úlua
114
113
76
106
TOTAL (%)
321 (100)
318 (99,1)
250 (77,9%)
307 (95,6%)
De cada uma das amos as de u ina examinadas e i am-se 10ml do asco colec o pa a os
ubos de cen í uga e ac escen a am-se duas go as (200 μl) de o mol a 37% (OMS, 1991). As
amos as de ezes o am cobe as com uma solução de o mol a 10% (10 ml de o mol a 37%
diluídos em 90 ml de água des ilada), gua dadas em caixa é mica com acumulado es de gelo e
anspo adas pa a o labo a ó io, onde o am man idas em câma a igo í ica à empe a u a de 4º,
a é se em anspo adas pa a a Unidade de Helmin ologia e Malacologia Médicas (UHMM) no
Ins i u o de Higiene e Medicina T opical (IHMT) em Lisboa.
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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na comunidade angolana
3.3.2. Colhei a e conse ação de sangue
Fo am colhidos 5 ml de sangue sem an icoagulan e pa a ealização de exames se ológicos.
O sangue oi colhido po punção enosa, po um Médico e um Técnico de Análises Clínicas,
p e e encialmen e na eia b aquial, com o indi íduo sen ado ou quando necessá io no caso de
c ianças na posição de decúbi o do sal e u ilizando ma e ial es e ilizado e desca á el. As agulhas
inham o calib e adequado ao amanho e idade dos indi íduos. O sangue oi colocado em ubo de
cen í uga com gel e man ido em caixa é mica com acumulado es de gelo a empe a u a de 4 °C e
anspo ado pa a o Labo a ó io do Hospi al P o incial do Bengo, onde após e acção do coágulo,
se p ocedeu a cen i ugação dos so os du an e 10 minu os a 2.000 c ( ela i e cen i ugal o ce). O
so o oi acondicionado em 2 ubos “eppendo ” (1 ml) pa a cada amos a e man idos em igo í ico
a – 20°C no Labo a ó io da Clínica Sag ada Espe ança, a é o anspo e em caixas com gelo seco,
pa a a UHMM no IHMT em Lisboa e gua dados a – 70°C a é à sua u ilização.
3.4. MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO
3.4.1. Mé odos pa asi ológicos di ec os
3.4.1.1.Mé odo de il ação da u ina
Pa a a pesquisa e quan i icação de o os de S. haema obium, a u ina oi analisada pelo
mé odo de il ação (Mo , 1983), es abelecido pela WHO (1991). Assim, 10 ml de u ina o am
il ados a a és de il os Millipo e, UK (Ø = 12μm, Swinnex®), colocados num supo e com
adap ado de plás ico (Figu a 17) e obse ados ao mic oscópio óp ico (Olympus CH2). A
in ensidade da in ecção, exp essa em núme o de o os de S. haema obium po 10 ml de u ina (nº
o os/10ml), oi ca ego izada em le e (1-10 o os/10 ml), mode ada (11-49 o os/10 ml) e se e a (≥
50 o os/10 ml), segundo o es abelecido po Rollinson e al (2005) e Sousa-Figuei edo e al (2009).
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 17. Mé odo de il ação da u ina (o iginal de S. Ca doso)
3.4.1.2.Mé odo de Ka o-Ka z (KK)
Pa a iden i icação e quan i icação de o os de pa asi as in es inais, u ilizou-se o mé odo de
Ka o-Ka z (WHO, 1991), (anexo I) sendo a ca ga pa asi á ia exp essa em núme o de o os po
g ama de ezes (OPG) po espécie de helmin a p esen e na p epa ação (Figu a 18 A).
3.4.1.3.Mé odo de Telemann-Lima
U ilizou-se ambém o mé odo de Telemann-Lima (WHO, 1991) (anexo I), complemen a ao
KK, na pesquisa e iden i icação de o os de helmin as e o exame mac oscópico pa a a isualização
de e mes adul os e a aliação da consis ência das ezes (Figu a 18 B).
Figu a 18. A – Mé odo de Ka o-Ka z e B – Mé odo de Telemann-Lima pa a análise de ezes
(o iginal de S. Ca doso)
A
B
S. Ca doso10
S. Ca doso10
S. Ca doso10
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
3.4.2. Mé odo indi ec o
3.4.2.1.Ti as eac i as (mic ohema ú ia e albuminú ia)
As amos as de u ina o am analisadas no dia da colhei a, p ocedendo-se ao exame
mac oscópico da u ina pa a obse ação de mac ohema ú ia e de ecção de mic ohema ú ia e
albuminú ia (Figu a 19 A e B) a a és de i as eac i as (U iscan ® YD Diagnos ics), sendo a
classi icação do g au de hema ú ia a ecomendada pelo ab ican e (0 = Nega i o, + = 10, ++ = 50 e
+++ = 250 RBC/µl), co espondendo a in ecção ligei a, mode ada e g a e, espec i amen e, e a g au
de albuminú ia (10, 30, 100, 300 e 1000 mg/dl), co espondendo a albuminú ia pa ológica ao alo
igual ou supe io a 30 mg/dl de aco do com as ecomendações do ab ican e.
Figu a 19. A – Amos as com mac ohema ú ia, B – Ti as eac i as com as espec i as
g aduações obse adas pa a mic ohema ú ia e albuminú ia (o iginal de S. Ca doso).
Legenda: ME – Mic ohema ú ia
AL – Albuminú ia
RBC – Red Blood Cells
3.4.3. Mé odo imunológico indi ec o
3.4.3.1.A aliação de an igénios comple os de S. mansoni e da écnica imunológica
Os an igénios de S. mansoni são os mais equen emen e usados no imunodiagnós ico da
schis osomose u iná ia, de ido não só às ca ac e ís icas eac i as desses an igénios, como ambém
po se mais ácil ob ê-los em quan idade. A endendo ao ac o de que na schis osomose u iná ia,
Mic ohema ú ia
Nega i o
Posi i o 10 RBC/µl
Posi i o 50 RBC/µl
Posi i o 250 RBC/µl
Albuminú ia
Nega i o
Posi i o a pa i de
30 mg/dl
ME
AL
A
B
S. Ca doso10
S. Ca doso10
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
em sido comp o ada a ele ada eac i idade dos so os de doen es com an igénios de S. mansoni
(Ismail e al., 1979, Rombe e al., 1982, Hagi e al., 1990, Belo, 1999 e Belo e al., 2006), e que as
ca ac e ís icas biológicas de S. haema obium di icul am a ob enção de an igénio homólogo em
quan idade su icien e, o am usados an igénios comple os de S. mansoni.
3.4.3.2.P epa ação de an igénios comple os
A p epa ação de an igénios oi e ec uada de aco do com a me odologia usada na UHMM,
adap ada de Benex (1974). Assim o an igénio comple o de S. mansoni oi ob ido a pa i de
pa asi as adul os (machos e êmeas) AWA – Adul Wo m An igen (Anexo I).
3.4.3.3. Enzyme-linked immunoso ben assay (ELISA)
Pa a a de ecção de an ico pos an i-Schis osoma oi u ilizada a écnica de ELISA: A
me odologia baseou-se na u ilizada po Belo (1999), de aco do com a desc i a po Volle (1976)
com algumas adap ações (Anexo I). A écnica oi e ec uada em mic oplacas de undo plano (Nunc-
Imunopla e Maxiso p, Dinama ca), (Figu a 20). Inicialmen e, p ocedeu-se a de e minação da
concen ação “óp ima” dos an igénios, dos so os e dos conjugados, a a és da i ulação com so os
con olo (posi i o e nega i o). Assim, u ilizou-se como o con olo posi i o so os de doen es
in ec ados po S. haema obium e S. mansoni e como con olo nega i o um so o “no mal”, esiden es
o a da á ea de ansmissão (Po ugal). Em odas as placas u iliza am-se semp e os mesmos
con olos posi i os e nega i os.
Após op imização, a concen ação es abelecida pa a o an igénio comple o de S. mansoni
(AgSm) oi de 5 mic og amas de p o eína po milili o (µg/ml). Es abelece am-se, ambém, as
diluições “óp imas” pa a os so os p ocessados simul aneamen e pa a imunoglobulinas an i-humanas
(Sigma) ou 1º conjugado ma cado com pe oxidase (IgM-HRP e IgE-HRP) ou com bio ina pa a os
isó ipos (IgG1, IgG3 e IgG4), sendo que nos úl imos u ilizou-se uma segunda imunoglobulina
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
conjugada com pe oxidase (Ex A idin-Pe oxidase, Sigma). As condições da écnica, ela i amen e
as diluições dos so os e conjugados u ilizados encon am-se no Quad o 5.
Nas di e en es soluções u ilizou-se um olume de 100 µl em cada poço da placa, com
excepção do ampão de la agem, PBST (PBS com 0,05% Tween 20) em que se usou 200 µl e da
solução bloqueado a da eacção, HCl 2N, em que se aplicou 50 µl po poço. Os so os amos as e
con olos o am es ados em duplicado sendo o alo da abso ância esul an e da média dos alo es
ap esen ados na lei u a de cada so o.
P ocedeu-se à sensibilização das placas com 100 µl da solução an igénica po poço (5 µg/ml
do AgSm), em ampão ca bona o pH 9,6 (15 mM Na2CO3, mM NaHCO3), du an e 12 ho as a +
4°C. Após es e empo, as placas o am la adas po qua o ezes com PBST (200 µl/poço), com
in e alos de 10 minu os en e cada la agem e, em seguida, bloqueadas com BSA (albumina de
so o bo ino, Sigma) 2% em PBST, com excepção das placas pa a IgE, que não o am bloqueadas.
P ocedeu-se à incubação das placas bloqueadas em es u a a + 37°C, du an e 30 minu os.
Após no as la agens como p e iamen e e ec uado, o am pos os os so os nas di e en es diluições
em PBST seguido de incubação a empe a u a ambien e (T.A.) du an e duas ho as e 12 ho as a +
4°C. P ocedeu-se no amen e a la agens, seguido de incubação das placas com o conjugado nas
di e en es diluições em PBST du an e 1 ho a à T.A. Depois de emo ido, p ocedeu-se a no a sé ie
de la agens e colocou-se o subs a o c omogénico, incuba am-se as placas na obscu idade du an e
15 – 30 minu os e bloqueou-se a eacção com 50 µl de HCl 2N (Anexo I). A lei u a oi e ec uada
em lei o de mic oplaca (An hos Lab ec 2010) a um comp imen o de onda de 492 nanóme os (nm)
e o limia de posi i idade (cu -o ) oi es abelecido com base na média a i mé ica dos alo es das
densidades óp icas (D.O.) dos con olos nega i os adicionados de dois des io pad ão (cu -o =
média + 2 SD)
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
80
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Quad o 5. Diluição dos so os e conjugados aplicados na ELISA após op imização
De ecção
de
So o
P imei o Conjugado
Segundo Conjugado
an ico pos
Diluição
P epa ação
Diluição
P epa ação
Diluição
IgE
1:40
an i-IgE humana
1:4.000
–
ma cada com HRP*
IgM
1:200
an i-IgM humana
1:20.000
–
ma cada com HRP*
IgG1
1:100
an i-IgG1 humana
1:1.000
Ex A idin-
Pe oxidase
1:2.000
ma cada com Bio ina
IgG3
1:40
an i-IgG3 humana
1:1.000
Ex A idin-
Pe oxidase
1:2.000
ma cada com Bio ina
IgG4
1:100
an i-IgG4 humana
1:2.500
Ex A idin -
Pe oxidase
1:2.000
ma cada com Bio ina
* HRP – Ho se adish pe oxidase
Figu a 20. A e B – Mé odo de mic o-Elisa e ec uado em mic oplacas (o iginal de S. Ca doso)
A
B
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
81
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
3.5. Aspec os é icos e a amen o dos pa icipan es
Os aspec os é icos o am sal agua dados, odos os pa icipan es o am escla ecidos, com
elação aos objec i os do es udo, endo sido espei ado o di ei o da não pa icipação no es udo sem
que is o in e e isse no a amen o que se ia ealizado ão logo osse comple ado o diagnós ico da
população. Os in e enien es comp ome e am-se a sal agua da odo o p ocesso de ob enção de
dados e e en es aos pa icipan es de o ma con idencial; a p á ica clínica oi execu ada de aco do
com os p incípios da decla ação de Helsínquia; as amos as de p odu os biológicos e as o og a ias
o am e ec uadas após consen imen o in o mado do indi íduo em ques ão e dos pais ou u o es no
caso de meno es.
Foi ealizado a amen o em massa com P aziquan el (40 mg/kg/peso) e Albendazol (400
mg) dose única segundo ecomendações da WHO (1990, 1991). Os á macos o am adminis ados
po pessoal quali icado pa a o e ei o.
3.6. Análise es a ís ica
U ilizou-se o p og ama S a is ical Package o he Social Sciences (SPSS) e são 17.0 pa a
Windows® e o p og ama R e são 2.9.0 pa a o Macin osh®, no a amen o es a ís ico dos dados do
inqué i o e dos esul ados da análise labo a o ial das amos as de u ina, ezes e so o. Fo am
aplicados os es es de qui-quad ado (χ2) de Pea son pa a a alia as equências e as di e enças de
pa asi ismo en e os g upos. Os in e alos de con iança pa a as p opo ções o am calculados
admi indo uma p obabilidade binomial e usando o mé odo exac o baseado na dis ibuição de F. A
média e e en e ao núme o de o os po 10 ml de u ina, oi calculada como a média geomé ica, uma
ez que es a é uma dis ibuição com uma longa dispe são pa a a di ei a. Em odos os ou os casos
usou-se a média a i mé ica como sumá io de a iá eis con ínuas.
Capí ulo III – Ma e ial e Mé odos
82
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Na análise das a iá eis con ínuas, en e os di e en es g upos, u iliza am-se es es não
pa amé icos (Mann-Whi ney-Wilcoxon, e K uskal-Wallis) e ambém o es e -S uden pa a
compa a médias en e dois g upos com dis ibuição gaussiana. Pa a de e mina as a iá eis de
isco associadas a um e en o, como po exemplo, “se pa asi ado” ou “não se pa asi ado”,
e ec uou-se p imei o uma análise uni a iada em que se compa ou o sumá io das a iá eis
independen es en e os dois g upos espos a (pa asi ado/não pa asi ado). Todas as a iá eis
independen es signi ica i as o am a adas po um modelo mul i a iado do ipo modelo linea
gene alizado (MLG). Quando a a iá el espos a e a binomial (pa asi ado/não pa asi ado) ajus ou-
se um modelo logís ico mul i a iado e pa a a a iá el con agem de o os po 10 ml de u ina,
ajus ou-se o modelo de Poisson mul i a iado. Nos dois casos o am calculados odds a io (OR).
De e minou-se como es a is icamen e signi ica i o os OR cujo in e alo de con iança não
con i esse 1. Pa a odos os ou os es es admi iu-se um ní el de signi icância de 5% A análise da
associação en e a iá eis con ínuas e as imunoglobulinas oi e ec uada pelo es e de co elação de
Spea man´s ho. Admi iu-se um ní el de signi icância de 1%.
CAPÍTULO IV – RESULTADOS
Capí ulo IV - Resul ados
90
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Quando a in ensidade da in ecção é analisada po aldeia e classe e á ia (as classes e á ias dos
5-9 e dos 10-14 anos de idade o am ag upadas), cons a ou-se que a aldeia de Úlua ap esen a as
ca gas pa asi á ias mais ele adas com 183,3±10,3 o os/10 ml de u ina no g upo e á io dos 5-14
anos e 48,3±8,5 o os/ 10 ml de u ina no g upo e á io dos 15-75 anos de idade (Tabela 5). A aldeia
de Úlua ap esen ou ainda as p e alências mais ele adas de ca ga pa asi á ia pesada, pa a os g upos
e á ios dos 5-14 anos e dos 15-75 anos, com 67,1% e 30,2%, espec i amen e.
Tabela 5. P e alência do ipo de ca ga pa asi á ia po S. haema obium po aldeia e classe e á ia
CONDIÇÃO
CRIANÇAS (5-14 anos)
ADULTOS (15-75 anos)
IBÉNDUA
(N=75) *
SUNGUE
(N=39)
ÚLUA
(N=70)
IBÉNDUA
(N=71)
SUNGUE
(N=20)
ÚLUA
(N=43)
CARGA
PARASITÁRIA
46,7±6,3▪
22,4±6,2
183,3±10,3
9,5±3,8
9,6±6,2
48,3±8,5
Le e (1-10)
13 (17,3) **
9 (23,1)
9 (12,8)
14 (19,7)
3 (15,0)
11 (25,6)
Mode ada (11-49)
14 (18,6)
7 (17,9)
10 (14,3)
5 (7,0)
2 (10,0)
4 (9,3)
Pesada (≥ 50)
24 (32,0)
8 (20,5)
47 (67,1)
3 (4,2)
1 (5,0)
13 (30,2)
To al
51 (68,0)
24 (61,5)
66 (94,3)
22 (31,0)
6 (30,0)
28 (65,1)
* Conside ou-se o o al da amos a, N, o núme o de amos as de u ina ecolhidas e analisadas po aldeia
** A pe cen agem é e ec uada sob e o o al da amos a em cada aldeia
▪ Média geomé ica e espec i o des io pad ão
Rela i amen e aos di e en es g upos p o issionais e ocupacionais, os es udan es cons i uí am
o maio núme o de indi íduos in ec ados (63,5%), seguidos pelos pescado es (5,6%) e ag icul o es
(5,1%), com di e enças es a is icamen e signi ica i as (χ2 Pea son, P <0,001) en e os es udan es e
as ou as p o issões (Tabela 6)
Capí ulo IV - Resul ados
91
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Tabela 6. P e alência da in ecção po S. haema obium de aco do com a p o issão ou ocupação
P o issão
Fil ação da u ina
N - 318
P – alue*
<0,001*
Pa asi ados
Não pa asi ados
N - 197
N - 121
Ag icul o
10 (5,1)
20 (16,5)
30 (9,4)
Ag icul o e Pescado
9 (4,6)
21 (17,4)
30 (9,4)
Pescado
11 (5,6)
12 (9,9)
23 (7,2)
Come cian e
10 (5,1)
9 (7,4)
19 (6,0)
Es udan e
125 (63,5)
46 (38,0)
171 (53,8)
Peixei a
8 (4,1)
3 (2,5)
11 (3,5)
N.A.
23 (11,7)
3 (2,5)
26 (8,2)
Ou a
1 (0,5)
7 (5,8)
8 (2,5)
N – To al de indi íduos N.A. – C ianças em idade p é-escola
* Es a is icamen e signi ica i o a um ní el de signi icância de 0,05
4.1.2. P e alência de helmin as in es inais
Analisa am-se 250 amos as de ezes, das quais 126 (50,4%) e am posi i as pa a helmin as
in es inais (Figu a 26). Asca is lumb icoides oi a espécie mais equen e com 66,7% (84 casos)
seguida de T ichu is ichiu a com 26,2% (33 casos), ancilos omídeos com 16,7% (21 casos),
Hymenolepis sp e S ongyloides s e co alis (la as) com 17 (13,5%) e 15 (11,9%) casos,
espec i amen e.
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Figu a 26. P e alência global de helmin as in es inais na população es udada
Dessemelhan e do pad ão da in ecção po S. haema obium, o pa asi ismo po helmin as
in es inais oi mais equen e na aldeia de Ibéndua com 63 casos (50,0%), enquan o, as aldeias de
Úlua e Sungue i e am dis ibuições mais baixas com 29,0% e 21,0%, espec i amen e (Figu a 27).
Figu a 27. Dis ibuição da pe cen agem de casos de in ecção po helmin as in es inais po aldeias
Nega i o
Posi i o
49,6 %
50,4 %
Ibéndua
50%
Sungue
21%
Úlua
29%
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Dos 126 in ec ados po helmin as in es inais, 75 (59,5%) e am do sexo eminino e 51
(40,5%) do sexo masculino. No en an o ao analisa -se a dis ibuição da in ecção em elação ao
sexo, e i icou-se a p e alência de 50% [IC 95% 42-58] na população eminina e 49% [IC 95% 39-
58] na masculina, sem di e enças com signi icado es a ís ico (χ2, P=979), No que espei a à
dis ibuição da in ecção po helmin as in es inais nas di e en es classes e á ias, os indi íduos com
mais 14 e os dos 5-9 anos de idade e am os mais in ec ados com 54 (42,9%) e 46 casos (36,5%),
espec i amen e (Figu a 28).
Figu a 28. P e alência da in ecção po helmin as in es inais po idade e sexo
0
20
40
60
80
100
120
140
Masculino
Feminino
To al
%
5 a 9
21
25
46
36,5
10 a 14
12
14
26
20,6
> 14
18
36
54
42,9
To al
51
75
126
%
40,5
59,5
Amos a
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4.1.3. P e alência da co-in ecção en e helmin as in es inais e S. haema obium
Dos 126 indi íduos pa asi ados com helmin as in es inais, 74 (58,7%) inham ambém o os
de S. haema obium na u ina, sem di e enças es a is icamen e signi ica i as (Fishe ; P=0,607), sendo
A. lumb icoides, T. ichiu a e os ancilos omídeos os mais equen emen e associados à in ecção
po S. haema obium.
Rela i amen e à equência de polipa asi ismo (Figu a 29), a associação de dois helmin as
oi a mais equen e (18,8%), enquan o a in ecção ipla e quád upla oco eu apenas em dez casos
(4%). No en an o, a maio ia (52,4%) ap esen a a monopa asi ismo.
Figu a 29. Dis ibuição do pa asi ismo na população es udada
0
10
20
30
40
50
60
Monopa asi ismo
Bipa asi ismo
Mul ipa asi ismo
Nega i o
52,4
18,8
4,0
24,8
Tipo de pa asi ismo
Pe cen agem (%)
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4.2. RESULTADOS DO INQUÉRITO CLÍNICO E EPIDEMIOLÓGICO
4.2.1. Sin oma ologia e e ida pelos in e enien es no es udo
Os sinais e sin omas e e idos com mais equência pelos pa icipan es no es udo,
independen emen e do es ado pa asi ológico pa a S. haema obium, o am encabeçados pela.
hema ú ia com 145 casos (45,6%) [IC 95% 40,1-50,9], seguida pela disú ia com 144 casos (45,3%)
[IC 95% 39,8-50,6] e hipogas algia com 111 casos (34,9%) [IC 95% 29.8-40.2] A oco ência de
qualque um des es sin omas es a a signi ica i amen e associada à in ecção po S. haema obium
(χ2, P <0,001), (Tabela 7).
Tabela 7. Sinais e sin omas e e idos pelos pa icipan es e sua elação com o es ado pa asi ológico
pa a S. haema obium
Sin oma ologia
Pa asi ados
Não pa asi ados
P - alue*
P - alue**
OR (95%) **
N = 197 (%)
N = 121 (%)
Hema ú ia
126 (64,0)
19 (15,7)
<0,001
<0,001
3,9 (1,5-11,2)
Disú ia
122 (61,9)
22 (18,2)
<0,001
<0,001
2,5 (1,0-8,2)
Hipogas algia
94 (47,7)
17 (14,0)
<0,001
0,360
....................
* Ní eis de signi icância pa a análise uni a iada
** Ní eis de signi icância e odds a io (OR) ajus ados pa a aldeia, idade e sexo
A exis ência de hema ú ia, disú ia e do sup a-púbica são signi ica i amen e mais equen es
em indi íduos pa asi ados, quando compa ados com indi íduos não pa asi ados, na análise
es a ís ica uni a iada (Tabela 7). No modelo mul i a iado, depois de ajus ado pa a a idade, sexo e
aldeia apenas se man êm signi ica i as a hema ú ia e a disú ia (Tabela 7). Os indi íduos com
hema ú ia êm ap oximadamen e qua o ezes mais p obabilidade de es a em pa asi ados, quando
compa ados com indi íduos sem hema ú ia, enquan o os indi íduos com queixas de disú ia êm
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ce ca de ês ezes mais p obabilidade de es a em pa asi ados compa a i amen e a indi íduos sem
disú ia (Tabela 7)
4.2.2. P e alência de hema ú ia mac oscópica, mic oscópica e albuminú ia
Das 318 amos as de u ina analisadas, em 72 (22,6%) obse ou-se hema ú ia mac oscópica.
No en an o, o am iden i icadas 206 amos as (64,8%) com hema ú ia mic oscópica e 47 (14,7%)
ap esen a am albuminú ia ano mal acima de 30 mg/dl e 171 (53,7%) se e amen e ano mal acima
de 100 mg/ dl (Tabela 8).
Tabela 8. P e alência global da in ensidade da in ecção se e a, mac o e mic ohema ú ia e
albuminú ia e espec i os in e alos de con iança
DIAGNÓSTICO
CATEGORIA
N
%
IC 95
S. haema obium
Todas as in ecções
197
61,9
56,6-67,1
In ecções pesadas
96
30,2
25,4-35,4
≥ 50 o os/10 ml
Hema ú ia
Mac ohema ú ia
72
22,6
18,4-27,5
Mic ohema ú ia
206
64,8
59,4-69,8
Albuminú ia
Ano mal
47
14,8
11,3-19,1
≥ 30 mg/dl
Se e amen e ano mal
171
53,8
48,3-59,2
≥ 100 mg/dl
Nem odas amos as de u ina posi i as pa a S. haema obium pelo mé odo de il ação
e ela am mic ohema ú ia pelo mé odo indi ec o com o uso de i as eac i as (U iscan®) e ice-
e sa. Com o mé odo de il ação da u ina ob i e am-se 197 (61,9%) casos posi i os, enquan o com
as i as eac i as de ec a am-se 206 (64,8%) indi íduos com hema ú ia mic oscópica.
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O g au 250 RBC/µl oi o mais equen e, em 143 casos (45,0%), com di e enças
es a is icamen e signi ica i as, ela i amen e aos ou os g aus (χ2, P <0,001), (Tabela 9).
Tabela 9. Associação en e os g aus de mic ohema ú ia e o es ado pa asi ológico pa a S.
haema obium
Mé odo
indi ec o com
N - 318
Fil ação da u ina
P - alue *
<0,001*
Pa asi ados
N -197
Não pa asi ados
N -121
i as eac i as
G au 0
112 (35,2)
28 (14,2)
84 (69,4)
G au 10
30 (9,4)
18 (9,1)
12 (9,9)
G au 50
33 (10,4)
22 (11,2)
11 (9,1)
G au 250
143 (45,0)
129 (65,5)
14 (11,6)
To al (%)
318 (100)
N – To al de indi íduos com di e en es g aus de mic ohema ú ia e pa asi ados e não pa asi ados
* Di e enças es a is icamen e signi ica i as
Embo a os dois mé odos possuam di e en e sensibilidade, a p esença e o g au de
mic ohema ú ia es a am o emen e associados à in ecção e à in ensidade do pa asi ismo
(Spea mans’s ho, =0,654, P <0.001) (Figu a 30) e à semelhança do exame pa asi ológico di ec o,
o g au de hema ú ia mic oscópica ap esen ou co elação nega i a, a iando in e samen e com a
idade da população in ec ada (Spea mans’s ho, = - 0,258, P <0,001)
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Figu a 30. Co elação en e o g au de mic ohema ú ia e a ca ga pa asi á ia
Ao analisa mos a p e alência dos pa âme os clínicos, mac ohema ú ia, mic ohema ú ia e
albuminú ia, em elação à idade e aldeia, cons a amos que a aldeia de Úlua ap esen a a as
p e alências mais ele adas nos dois g upos e á ios, com o g upo dos 5-14 anos com 44,3%, 92,9%
e 92,9% e o dos 15-75 anos com 20,9%, 69,8% e 72,1%, espec i amen e (Tabela 10)
Tabela 10. P e alência da mac ohema ú ia, mic ohema ú ia e albuminú ia po aldeia e classe e á ia
CONDIÇÃO
CRIANÇAS (5-14 anos)
ADULTOS (15-75 anos)
IBÉNDUA
(N=75) *
SUNGUE
(N=39)
ÚLUA
(N=70)
IBÉNDUA
(N=71)
SUNGUE
(N=20)
ÚLUA
(N=43)
Mac ohema ú ia
19 (25,6)
6 (15,4)
31 (44,3)
4 (5,6)
2 (10,0)
9 (20,9)
Mic ohema ú ia
52 (69,3)
24 (61,5)
65 (92,9)
25 (35,2)
10 (50,0)
30 (69,8)
Albuminú ia (≥30
mg/dl)
55 (73,3)
25 (64,1)
65 (92,9)
32 (45,1)
10 (50,0)
31 (72,1)
* Conside ou-se o o al da amos a, N, o núme o de amos as de u ina ecolhidas e analisadas
G au de mic ohema ú ia (RBC/µl)
Log CP (o os/10 ml u ina) IC 95%
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En e os indi íduos pa asi ados a hema ú ia mic oscópica em uma p e alência de 85.8%
(CI 95% 80.2-89.9) enquan o, a sua p e alência en e indi íduos não pa asi ados é de 30.6% (CI
95% 23.1-39.3). Es a di e ença na análise uni a iada é es a is icamen e signi ica i a (χ2, P <0.001),
com excepção (en e os ou os pa âme os) da albuminú ia ≥ 30 mg/dl (χ2, P=0,945). Os
pa âme os com di e ença es a is icamen e signi ica i a, quando subme idos ao modelo de eg essão
logís ica, apenas a albuminú ia ≥ 100 mg/dl man e e signi icância es a ís ica, ap esen ando ce ca de
27 [6,89-134,5] ezes mais p obabilidade de es a em pa asi ados, compa a i amen e aos com
albuminú ia no mal.
Tabela 11. Co elação en e mac ohema ú ia, mic ohema ú ia e albuminú ia e o es ado
pa asi ológico pa a S. haema obium
Condição
Fil ação da u ina
P – alue *
OR (95% IC) **
Pa asi ados
Não pa asi ados
N – 197 (%)
N - 121 (%)
Mac ohema ú ia
64 (32,5)
8 (6,6)
< 0,001 ***
0,56 (0,18-1,72)
Mic ohema ú ia
< 0,001 ***
0
28 (14,2)
84 (69,4)
1
10
18 (9,1)
11 (9,1)
0,64 (0,15-2,64)
50
22 (11,2)
12 (9,9)
0,32 (0,07-1,21)
250
129 (65,5)
14 (11,6)
0,93 (0,23-3,55)
Albuminú ia ≥ 30 mg/dl
37 (18,8)
10 (8,3)
0,945
--------------------
Albuminú ia ≥ 100 mg/dl
151 (76,6)
20 (16,5)
< 0,001
27,2 (6,89-134,5)
* Resul ados de es es de qui-quad ado uni a iado
** OR calculado após ajus e de modelo mul i a iado e co ecção pa a a a iá el idade e aldeia
*** Es a is icamen e signi ica i o pa a o ní el de signi icância de 0,05
Capí ulo IV - Resul ados
106
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Tabela 12. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas, compo amen ais e conhecimen os da população
es udada (con inuação)
Ca ac e ís icas
N (%)
Fil ação da u ina
P - alue
Não Pa asi ados
Pa asi ados
N - 121 (38,1%)
N - 197 (61,9%)
Tipo de iluminação (2)
318 (100)
0,016*
Candeei o a pe óleo (CP)
168 (52,8)
73 (22,9)
95 (29,9)
Ge ado e CP
133 (41,8)
45 (14,2)
88 (27,6)
Ge ado e elas
1 (0,3)
1 (0,3)
0 (0)
Velas e CP
16 (5,1)
2 (0,6)
14 (4,4)
**
Ca acóis/água (2)
318 (100)
0,306
Sim
308 (96,9)
115 (36,2)
193 (60,7)
Não
10 (3,1)
6 (1,9)
4 (1,2)
Con ac o/água (2)
318 (100)
0,054*
Cis e na
1 (0,3)
1 (0,3)
0 (0)
Lagoa
315 (99,1)
118 (37,2)
197 (61,9)
Lagoa mo o-bomba
2 (0,6)
2 (0,6)
0 (0)
Mo i o (os) (1, 2)
318 (100)
<0,001*
HP, LNB, AA
49 (15,4)
4 (1,3)
45 (14,1)
HP, LRU, LNB, AA
45 (14,2)
11 (3,5)
34 (10,7)
LRU
35 (11,1)
7 (2,2)
28 8,9)
HP, LNB
24 7,5)
7 (2,2)
17 (5,3)
HP, LRU, LNB, P, AA
15 (4,7)
7 (2,2)
8 (2,5)
HP, LRU, AA, AP, AG
14 (4,4)
10 (3,1)
4 (1,3)
LRU, P
13 (4,1)
5 (1,6)
8 (2,5)
HP, LRU, AA
10 (3,1)
8 (2,5)
2 (0,6)
HP, AA
10 (3,1)
1 (0,3)
9 (2,8)
HP, LRU, LNB
9 (2,8)
3 (0,9)
6 (1,9)
HP, AA, AG
9 (2,8)
5 (1,6)
4 (1,2)
Ou os
85 (26,8)
53 (16,7)
32 (10,1)
HP – Higiene pessoal; LNB – Laze , nada , b inca ; LRU – La a oupa e u ensílios; AA – Aca e a água; P – Pesca;
AG – Ag icul u a; AP – Amanha peixe
Capí ulo IV - Resul ados
107
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Tabela 12. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas, compo amen ais e conhecimen os da população
es udada (con inuação)
Ca ac e ís ica
N (%)
Fil ação da u ina
P - alue
Não Pa asi ados
Pa asi ados
N - 121 (38,1%)
N - 197 (61,9%)
Ho a/con ac o (1)
318 (100)
<0,001*
Depois das 14 ho as
186(58,5)
43 (13,5)
143 (45,0)
**
An es 12 h e depois 14 h
115(36,2)
68 (21,4)
47 (14,8)
Qualque ho a
17 (5,3)
10 (3,1)
7 (2,2)
Associa alguma doença a água? (2)
318 (100)
<0,001*
Sim
134(42,1)
72 (22,6)
62 (19,5)
Não
184(57,9)
49(15,5)
135 (42,4)
**
Quais doenças? (1)
134 (100)
68 (50,7)
66 (49,2)
0,885
"Samba" ou "Tchisué"
104(77,6)
54 (40,3)
50 (37,3)
DDA e ou as
30 (22,4)
14 (10,4)
16 (11,9)
His ó ia hema ú ia an e io ? (1)
318 (100)
<0,001*
Sim
201(63,2)
85 (26,8)
116 (36,4)
**
Não
117(36,8)
36 (11,3)
81 (25,5)
Associa hema ú ia/doença (2)
318 (100)
<0,001*
Sim
138(43,4)
69 (21,7)
69 (21,7)
Não
180(56,6)
52 (16,4)
128 (40,2)
**
Qual doença? (1)
318 (100)
<0,001*
"Samba" ou "Tchisué"
117(36,8)
57 (17,9)
60 (18,9)
Ou a
21 (6,6)
12 (3,8)
9 (2,8)
Não sabe
180(56,6)
52 (16,4)
128 (40,2)
**
Capí ulo IV - Resul ados
108
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na comunidade angolana
Tabela 12. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas, compo amen ais e conhecimen os da população
es udada (con inuação)
Ca ac e ís ica
N (%)
Fil ação da u ina
P - alue
Não Pa asi ados
Pa asi ados
N - 121 (38,1%)
N - 197 (61,9%)
T a amen o an e io (2)
318 (100)
<0,001*
Sim
148(46,5)
71 (22,3)
77 (24,2)
Não
170(53,5)
50 (15,8)
119 (37,7)
**
Tipo de a amen o (2)
148 (100)
71 (48,0)
77 (52,0)
0,260
T adicional
0 (0)
0 (0)
0 (0)
Médico
107(72,3)
48 (32,4)
59 (39,9)
Não a a
2 (1,4)
2 (1,4)
0 (0)
Au omedicação com P aziquan el
10 (6,7)
7 (4,7)
3 (2,0)
T adicional e Médico
7 (4,7)
3 (2,0)
4 (2,7)
T adicional e não a a
2 (1,4)
2 (1,4)
0 (0)
Médico e au omedicação
20 (13,5)
9 (6,1)
11 (7,4)
(1) – E ec uou-se o es e qui-quad ado
(2) – E ec uou-se o es e de Fishe
§ Não há di e enças es a ís icas
* Signi ica i o pa a um ní el de signi icância de 0,05
** Signi ica i o pa a sub es e
Rela i amen e aos conhecimen os, a i udes e p á icas dos pais e sua elação com o es ado
pa asi ológico da população es udada, após ajus a um modelo eg essão mul i a iada em que a
a iá el espos a (nº de o os/10 ml de u ina) é desc i a po uma dis ibuição binomial nega i a, não
se encon ou associação en e a in ensidade de pa asi ismo e as a iá eis independen es:
al abe ização, conhecimen o de doenças associadas ao con ac o com a água, associação de doenças
a hema ú ia, e ido um caso de hema ú ia an e io e e e ec uado a amen o. No en an o, ao
ajus a o modelo de eg essão logís ica mul i a iada, en e a espos a “es a pa asi ado” ou “não
es a pa asi ado” e as mesmas a iá eis independen es e i icou-se que apenas se man ém
signi ica i as em elação á abela 12, a al abe ização e o conhecimen o de doenças associadas à
água.
Capí ulo IV - Resul ados
109
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Em pa icula , e i icou-se que após calcula o odds a io (OR) es a al abe izado diminui
em ce ca de 60% (OR = 0.40; IC 95% 0,2-0,8) a hipó ese de “se pa asi ado” e conhece as doenças
associadas à água diminui em 70% o isco de “se pa asi ado” (OR = IC 95% 0,25 -0,4), (Tabela
13).
Tabela 13. Ca ac e ís icas sócio-demog á icas e conhecimen os e sua elação com o es ado
pa asi ológico
Ca ac e ís ica
Fil ação da u ina
P – alue (1)
OR (95% IC) (2)
Não Pa asi ados
Pa asi ados
N - 121 (38,1%)
N - 197 (61,9%)
Al abe ização
37
22
<0,001
0,4*
(Sim)
(0,2-0,7)
Conhece doenças associadas
à água
72
62
<0,001
0,3*
(Sim)
(0,25-0,4)
Associa hema ú ia a doença
65
67
<0,001
0,2
(Sim)
(0,2-2,5)
Caso an e io de hema ú ia
18
123
<0,001
0,8
(Sim)
(0,3-1,6)
(1) – Resul a do es e de qui-quad ado da abela 12.
(2) – IC pa a OR 95%, calculado após ajus e das a iá eis a um modelo logís ico mul i a iado
* OR é signi ica i o pa a o in e alo de con iança que não con enha 1
Capí ulo IV - Resul ados
110
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
4.3. RESULTADOS DO EXAME IMUNOLÓGICO (ELISA)
4.3.1. Análise da espos a imune humo al na in ecção po S. haema obium
A espos a humo al ao an igénio solú el de pa asi a adul o (AWA – adul wo m an igen) é
exp essa nos alo es medianos, mínimo e máximo da densidade óp ica (DO 492 nm), com in e alo
de con iança de 95% em elação a mediana (Tabela 14).
Fo am analisadas 307 amos as de so o pela écnica de ELISA (Enzyme-Linked
Imunnoso ben Assay) pa a a de ecção de imunoglobulinas (IgE, IgM, IgG1, IgG3 e IgG4) e
e i icou-se que dos 121 indi íduos com o exame pa asi ológico de il ação da u ina nega i o, 59
(48,8%), 49 (40,5%), 58 (47,9%), 86 (71,1%) e 96 (79,3%) inham ní eis de IgE, IgM, IgG1, IgG3 e
IgG4, espec i amen e, supe io es ao limia de posi i idade.
Quando compa ados os ní eis sé icos des es an ico pos com a idade (Tabela 14),
cons a amos di e enças es a is icamen e signi ica i as em elação a IgE, IgG1 e IgG4 (K uskal-
Wallis, P=0,009, P=0,000 e P=0,006, espec i amen e) com alo es de mediana mais ele ados nos
g upos e á ios mais jo ens dos 5-14 anos (Figu a 34 A, C e E), sem di e enças es a is icamen e
signi ica i as pa a os es an es an ico pos analisados (Figu a 34 B e D).
Capí ulo IV - Resul ados
111
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Tabela 14. Respos a humo al ao AWA ( alo es de densidade óp ica - DO, mediana e alo es
máximo e mínimo) e di e enças signi ica i as de aco do com o g upo e á io, sexo e o es ado
pa asi ológico
Imunoglobulinas
N-307
Mediana DO
Sexo
G upo e á io
Es ado
Pa asi ológico
Máximo e
Mínimo
IgE
0,136
P = 0,157
χ² = 15,35
P = 0,003*
(0,003-1,200)
P = 0,009*
P> N
IgM
0,120
P = 0,923
χ² = 0,925
P = 0,493
(0,018-0,579)
P = 0,968
IgG1
0,045
P = 0,009*
χ² = 29,29
P = 0,042*
(0,000-0,631)
M> F
P = 0,000*
P> N
IgG3
0,057
P = 0,634
χ² = 4,68
P = 0,883
(0,000-1,256)
P = 0,456
IgG4
1,200
P = 0,089
χ² = 16,34
P = 0,008*
(0,000-3,200)
P = 0,006*
P> N
DO – Densidade óp ica, P – Posi i o, N – Nega i o, M – Masculino, F – Feminino
* Es a is icamen e signi ica i a com ní el de signi icância de 0,05
Figu a 34 A. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
Respos a especí ica da IgE, ao AWA (DO 492 nm)
5-9
10-14
15-24
25-44
> 45
anos
N - (Ig E)
115
64
31
72
25
DO (492 nm)
0,154
0,147
0,072
0,115
0,091
0
0,02
0,04
0,06
0,08
0,1
0,12
0,14
0,16
0,18
0
20
40
60
80
100
120
140
Amos a
A
Capí ulo IV - Resul ados
112
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 34 B. Pe il da espos a humo al em elação à idade
Respos a especí ica da IgM ao AWA (DO 492 nm)
Figu a 34 C. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
Respos a especí ica da IgG1 ao AWA (DO 492 nm)
5-9
10-14
15-24
25-44
> 45
anos
N - (Ig M)
115
64
31
72
25
DO (492 nm)
0,177
0,122
0,121
0,139
0,15
0
0,02
0,04
0,06
0,08
0,1
0,12
0,14
0,16
0,18
0,2
0
20
40
60
80
100
120
140
Amos a
5-9
10-14
15-24
25-44
> 45
anos
N - (Ig G1)
115
64
31
72
25
DO (492 nm)
0,072
0,057
0,036
0,027
0,022
0
0,01
0,02
0,03
0,04
0,05
0,06
0,07
0,08
0
20
40
60
80
100
120
140
Amos a
B
C
Capí ulo IV - Resul ados
113
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 34 D. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
Respos a especí ica da IgG3 AWA (DO 492 nm)
Figu a 34 E. Pe il da espos a humo al em elação à idade.
Respos a especí ica da IgG4 ao AWA (DO 492 nm)
Em elação ao sexo (Tabela 14), obse amos di e ença com signi icado es a ís ico apenas
pa a a IgG1, com os indi íduos do sexo masculino a ap esen a em ní eis mais ele ados do
an ico po (Mann-Whi ney, P=0,009), (Figu a 35).
5-9
10-14
15-24
25-44
> 45
anos
N - (Ig G3)
115
64
31
72
25
DO (492 nm)
0,050
0,075
0,051
0,058
0,047
0,000
0,010
0,020
0,030
0,040
0,050
0,060
0,070
0,080
0
20
40
60
80
100
120
140
Amos a
5-9
10-14
15-24
25-44
> 45
anos
N - (Ig G4)
115
64
31
72
25
DO (492 nm)
2,529
2,050
1,300
1,350
0,789
0,000
0,500
1,000
1,500
2,000
2,500
3,000
0
20
40
60
80
100
120
140
Amos a
D
E
Capí ulo IV - Resul ados
114
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Figu a 35. Pe il da espos a humo al em elação ao sexo
*Di e enças es a is icamen e signi ica i as
No que espei a ao es ado pa asi ológico, obse a am-se di e enças es a is icamen e
signi ica i as em elação às IgE, IgG1 e IgG4 (Mann-Whi ney, P=0,003, P=0,042 e P=0,008,
espec i amen e), ap esen ando os indi íduos pa asi ologicamen e posi i os ní eis de an ico pos
supe io es aos nega i os (Figu a 36).
Figu a 36. Pe il da espos a humo al em elação ao es ado pa asi ológico
*Di e enças es a is icamen e signi ica i as
IgE
IgM
IgG1
IgG3
IgG4
Masculino
0,145
0,123
0,059
0,052
1,350
Feminino
0,119
0,119
0,037
0,062
1,100
0,000
0,200
0,400
0,600
0,800
1,000
1,200
1,400
1,600
DO mediana (492 nm)
IgE
IgM
IgG1
IgG3
IgG4
Nega i o
0,094
0,122
0,034
0,060
0,911
Posi i o
0,147
0,119
0,057
0,056
1,200
0,000
0,200
0,400
0,600
0,800
1,000
1,200
1,400
DO mediana (492 nm)
*
*
*
*
Capí ulo IV - Resul ados
115
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Na análise de co elação en e os ní eis sé icos de imunoglobulinas, a idade, ca ga
pa asi á ia, hema ú ia mic oscópica e albuminú ia a a és do es e de co elação de Spea man’s ho
(Tabela 15). Ve i icou-se uma co elação nega i a en e a idade e as IgE, IgG1 e IgG3, sendo a
úl ima não signi ica i a do pon o de is a es a ís ico ( = -0,179, P=0,002, = -0,281, P=0,000, = -
0,022, P=0,696, espec i amen e), em elação à IgM e à IgG4, embo a se obse e a exis ência de
co elação posi i a, es a não é signi ica i a ( =0,023, P=0,694 e =0,011, P=0,850,
espec i amen e).
Em elação à ca ga pa asi á ia, à hema ú ia mic oscópica e à albuminú ia, e i icou-se
co elação posi i a com a IgE ( = 0,179, P=0,002, = 0,180, P=0,002 e = 0,163, P=0,004,
espec i amen e), IgG1 ( =0,165, P=0,004, =0,193, P=0,001, =0,162, P=0,005, espec i amen e) e
a IgG4 ( =0,165, P=0,004, =0,188, P=0,001, =0,187, P=0,001, espec i amen e).
Tabela 15. Co elação en e a idade, ca ga pa asi á ia, hema ú ia mic oscópica e albuminú ia e as
imunoglobulinas especí icas ao AWA
Imunoglobulinas
N-307
Co elação
Co elação
Co elação
Co elação
Idade
CP
HMI
ALB
Ig E
= -0,179**
= 0,179**
= 0,180**
= 0,163**
P = 0,002
P = 0,002
P = 0,002
P = 0,004
Ig M
= 0,023
= -0,039
= 0,019
= -0,021
P = 0,694
P = 0,501
P = 0,745
P = 0,716
Ig G1
= -0,281**
= 0,165**
= 0,193**
= 0,162**
P = 0,000
P = 0,004
P = 0,001
P = 0,005
Ig G3
= -0,022
= -0,034
= 0,009
= 0,075
P = 0,696
P = 0,555
P = 0,876
P = 0,192
Ig G4
= 0,011
= 0,165**
= 0,188**
= 0,187**
P = 0,850
P = 0,004
P = 0,001
P = 0,001
** Co elação nega i a ou posi i a é es a is icamen e signi ica i a, a um ní el de signi icância de 0,01
CP – Ca ga pa asi á ia
HMI – Hema ú ia mic oscópica
ALB – Albuminú ia
Capí ulo V – Discussão e Conclusões
122
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Do o al da nossa amos a 173 e am es udan es, os quais cons i uí am o maio núme o de
indi íduos in ec ados (63,5%), seguidos do g upo de ag icul o es e pescado es com (15,3%), com
di e enças es a is icamen e signi ica i as (χ2 Pea son, P <0,001) en e os es udan es e as ou as
p o issões ou ocupações (Tabela 6).
Es es esul ados es ão de aco do com a li e a u a que apon a os g upos em idade p é-escola ,
escola e adolescen es como os mais ulne á eis à in ecção, po azões já a ás expos as, enquan o
as ac i idades p o issionais cons i uem ge almen e os mo i os que le am os adul os a expo em-se
às on es de in ecção (WHO, 2000 e 2002).
Ve i icámos que a in ensidade média de pa asi ismo (média geomé ica de 54,4 o os/10 ml
de u ina) oi mui o supe io à encon ada po Chipopa (2000) na população in an il (média
a i mé ica de 41,4 o os/10 ml de u ina) e po Figuei edo (2008) na população adul a (média
a i mé ica de 36,8 o os/10 ml de u ina).
Sendo a in ensidade da in ecção conside ada um indicado da mo bilidade, uma ez que
exis e uma co elação di ec a en e a ca ga pa asi á ia e as mani es ações clínicas da doença, a sua
de e minação po mé odos di ec os ( il ação da u ina) ou indi ec os (de ecção de hema ú ia
mic oscópica e ques ioná ios) e es e-se da maio impo ância em es udos epidemiológicos,
pe mi indo iden i ica as comunidades mais a ec adas, p ocede ao con olo da pa asi ose e a alia a
e icácia das medidas de in e enção implemen adas (Ma e e al., 2000, Clemen s e al., 2008 e
Kapi o-Tembo e al., 2009).
Em di e sos es udos epidemiológicos na população in an o-ju enil e adul a, a de ecção de
hema ú ia mic oscópica e albuminú ia, a a és de i as eac i as, em demons ado uma
sensibilidade idên ica ao mé odo de il ação, sendo equen emen e u ilizada em subs i uição do
mé odo di ec o pela simplicidade da sua aplicação (Ndyomugyenyi & Minjas, 2001, MINSA, 2005,
Rollinson e al., 2005, S o ha d e al., 2009 e Sousa-Figuei edo e al., 2009). Os nossos esul ados
es ão em conco dância com es as obse ações, uma ez que a p esença de mic ohema ú ia oi
Capí ulo V – Discussão e Conclusões
123
Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
de ec ada em 206 (64,8%) amos as de u ina analisadas, enquan o com a il ação ob i emos 197
(61,9%) amos as posi i as pa a S. haema obium, (Tabela 8). Apesa das di e enças de sensibilidade
en e os dois mé odos, obse ou-se uma co elação posi i a ( =0,654 P <0,001) en e o g au de
hema ú ia, a ca ga pa asi á ia e o es ado pa asi ológico (Tabela 9 e Figu a 30).
O mesmo obse ou-se em elação à albuminú ia, uma co elação posi i a com a ca ga
pa asi á ia (Spea mans’s ho, =703, P <0.001) e com o es ado pa asi ológico, ap esen ando os
indi íduos com albuminú ia ≥ a 100 mg /dl, 27 (6,89-134,5) ezes mais p obabilidade de es a em
pa asi ados compa a i amen e aos com albuminú ia no mal (Tabela 11 e Figu a 32).
Es e pa âme o pa ece p omisso especialmen e em c ianças em idade escola como p edi o
de pa ologia es abelecida do ac o u iná io. No es udo ealizado po Sousa-Figuei edo e al. (2009),
compa ando à albuminú ia ao pad ão ou o, nomeadamen e, a ul a-sonog a ia, ob i e am
sensibilidade de 63,3% e especi icidade de 83,1%.
Os sinais e sin omas p edi o es da ase aguda da schis osomose esical, como a hema ú ia
mac oscópica, a disú ia e a hipogas algia são, de um modo ge al, ca ac e ís icos da doença e
acilmen e pe cep í eis pelos indi íduos in ec ados, sendo de g ande alo pa a o ale a da
pa asi ose em á eas endémicas de S. haema obium, embo a ac o es cul u ais e os ní eis de
in o mação possam di icul a o seu econhecimen o (King e al., 2007).
Clinicamen e, a mac ohema ú ia (45,6%), a disú ia (45,3%) e a hipogas algia (34,9%)
o am as queixas mais equen emen e e e idas pelos pa icipan es, e i icando-se uma co elação
signi ica i a com es ado pa asi ológico (Tabela 7). Apesa da hema ú ia mac oscópica se um
indício simples e con iá el da in ecção em á eas endémicas, em ce as egiões de Angola, a sua
p esença no sexo masculino é pouco alo izada, po se conside ada um sinal do início da
pube dade nesses indi íduos e nas mulhe es mui as ezes associada à mens uação (MINSA, 2005 e
Cook & Zumla, 2009).
Capí ulo V – Discussão e Conclusões
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Schis osomose u iná ia e helmin oses in es inais: con ibuição pa a o es udo clínico-epidemiológico e da espos a imune humo al
na comunidade angolana
Embo a a es a égia de con olo da schis osomose, nas campanhas de a amen o em massa,
enha como al o p incipal a população in an il, pelos seus e ei os bené icos sob e a e e são da
pa ologia e edução da mo bilidade (Olsen, 2003, Tchuen é e al, 2004 e Bundy e al., 2006),
conside amos que no que se e e e a Angola, essas campanhas de e iam se ex ensi as à população
adul a, pa icula men e à de maio exposição à pa asi ose.
Uma ez que as campanhas o am in e ompidas du an e longos pe íodos, de ido à
ins abilidade do país, uma g ande pa e dos jo ens e adul os não oi ab angida, o que explica o
su gimen o de pa ologia g a e do ac o u iná io nes as idades (Waga suma e al., 1999). Inclui os
adul os nos es udos epidemiológicos pe mi i á a iden i icação e encaminhamen o dos casos pa a as
unidades hospi ala es com ecu sos pa a a abo dagem mul idisciplina desses casos (Figuei edo,
2008).
Do inqué i o ealizado à população, 57,8% da população inqui ida desconhecia a doença, e a
sua ansmissão, assim como a o ma como os seus compo amen os a i udes e p á icas as
in luencia am. Dos 36,8% que a es a am conhece a doença, ela é denominada como Tchisué ou
Samba e alguns a am-na a a és da medicina adicional (Figu a 33).
Segundo Maghema (2005), num es udo ealizado no bai o de Sassacá ia na P o íncia do
Bengo, o e mo schis osomose não es á associado à designação da doença nos di e sos locais de
endemia, pelo que es e aspec o de e á se conside ado nos p og amas de educação pa a a saúde, a
pa das ou as medidas de con olo da doença.
Não podemos ex apola odos os esul ados do inqué i o sócio-demog á ico e económico,
uma ez que a maio ia da população es udada es á sujei a às mesmas condições sócio-económicas e
de saneamen o básico ( esidem quase odos no mesmo ipo de habi ação; ninguém possui água
canalizada; a maio ia de eca a céu abe o e quase odos usam exclusi amen e a água da lagoa), mas
ica cla o a a és dele que a idade e ou os ac o es (Tabela 12) es ão implicados na posi i idade
pa a S. haema obium (Moza e al., 1998 e Gazzinelli e al., 2008).
Capí ulo V – Discussão e Conclusões
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na comunidade angolana
Assim como exis em ac o es que in luenciam na ansmissão, ambém se e i icou que se
al abe izado diminui em ce ca de 60% (OR = 0.40; IC 95% 0,2-0,8) a hipó ese de “se pa asi ado” e
conhece as doenças associadas à água diminui em 70% o isco de “se pa asi ado” (OR = IC 95%
0,25 -0,4), (Tabela 13).
O pad ão e a equência de con ac o com os ocos de ansmissão pa a S. haema obium, no
nosso es udo, são ípicos de uma zona u al e implicam especialmen e a ag icul u a e a pesca
a esanal como p incipais on es de subsis ência e simul aneamen e como as p incipais ac i idades
esponsá eis pela aquisição da schis osomose em adul os de ambos os sexos. No caso das mulhe es
as ac i idades domés icas como aca e a água e a la agem de oupa e u ensílios, expõem-nas ao
isco ac escido de in ecção (Tabela 12) e no caso das c ianças, o mesmo es á pa icula men e
associado ao laze , como nada e b inca nas lagoas, ac escen ando-se no caso das meninas, a ajuda
que p es am às mães nas ac i idades domés icas.
De aco do com o inqué i o, 96,9% da população inham is o ca acóis na água da lagoa, mas
não o associa am à pa asi ose. Chipopa (2000) con i mou a exis ência de Bulinus globosus no io
Bengo, a luen e do io Kwanza, já an e io men e cons a ada po G ácio (1977/78). As ês aldeias
possuem lagoas que con luem com o io Dande, a luen e do io Kwanza e nelas oi possí el
iden i ica Bulinus globosus.
Nes e es udo, a p e alência de helmin as in es inais oi de 50,4% (126/250) e, des es casos,
75 (59,5%) es a am co-in ec ados com S. haema obium, sendo a associação com Asca is
lumb icoides, T ichu is ichiu a e os ancilos omídeos a mais equen e. Pa a além des as espécies,
iden i ica am-se ambém la as de S ongyloides s e co alis e Hymenolepis sp. Nas 250 amos as
de ezes analisadas não se encon a am o os de Schis osoma mansoni, con i mando-se a
exclusi idade a é ago a de S. haema obium como agen e da schis osomose na p o íncia do Bengo
(MINSA, 2005 e Figuei edo, 2008).
Capí ulo V – Discussão e Conclusões
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na comunidade angolana
Ve i icou-se, que o g upo e á io mais a ingido oi o com mais de 14 anos de idade (42,9%),
o que pode á de e -se ao ac o de as c ianças e em sido despa asi adas no decu so de uma
campanha de despa asi ação (in o mação pessoal e documen al dos en e mei os colocados nas
aldeias) que não ab angeu os adul os. As c ianças do g upo e á io dos 5-9 anos de idade, o segundo
mais a ec ado (36,5%), possi elmen e ainda se man inham pa asi adas, po se em aquelas que
ap esen a am as ca gas pa asi á ias mais pesadas, daí a ecomendação de se epe i a dose de
Albendazol ou Mebendazol, 15 dias depois (WHO, 2006). A população da aldeia de Ibéndua e as
mulhe es o am as mais a ec adas po helmin as in es inais, sem di e enças es a is icamen e
signi ica i as (Figu a 28).
Conclui-se que as pa asi oses es udadas podem a ec a odos os g upos populacionais, mas,
no en an o, os g upos mais ulne á eis são as c ianças em idade p é-escola , escola e adolescen es.
Aquelas a ec am ad e samen e o es ado cogni i o e nu icional des es g upos, numa ase em que se
encon am em in enso c escimen o ísico e in elec ual. U ge a omada de medidas de con olo
in eg ado e ec i as e adap adas às comunidades e com a pa icipação ac i a dos seus memb os,
especialmen e das mulhe es, pelo papel que exe cem na educação dos seus ilhos e pela in luência
que os seus compo amen os êm sob e a saúde dos mesmos (Bad , 2009), com o objec i o de
diminui a ansmissão e a mo bilidade, dadas as suas consequências. Pa a al é necessá io o sé io e
empenhado comp ome imen o dos go e nos em ge al e das en idades compe en es em pa icula ,
pa a a esolução des e impo an e p oblema de saúde pública.
CAPÍTULO VI – REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Capí ulo VI – Re e ências Bibliog á icas
128
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