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Jo nalis as e sus In luence s. Tendência e
c edibilidade em con li o na c í ica gas onômica de
B asil e Po ugal
Nuno Tibi içá Penha de Cas o
Disse ação de Mes ado em Jo nalismo
Se emb o, 2024
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Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au
de Mes e em Jo nalismo, ealizada sob a o ien ação cien í ica da P o esso a Do a San os
Sil a e sob a coo ien ação cien í ica da in es igado a Gisele Rech.
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Ag adecimen os
A is a do opo da mon anha ali ia e emociona. Após um u bilhão de emoções no âmbi o
p o issional no úl imo ano, conclui , inalmen e, es a disse ação é um a ago pa a a men e
e co ação. P imei o de udo ag adeço à o ien ado a Do a San os Sil a, pela
disponibilidade e ajuda; à coo ien ado a Gisele Rech, po mos a o caminho das ped as;
e a odos en e is ados des a pesquisa, pela empa ia. Ag adeço ambém a quem me ajudou
a chega a é aqui, como o Paulo Ma kun, à Amanda Lima e oda equipe que ez e az pa e
do DN B asil, po e em me dado a chance de aze o que amo.
Ag adeço à minha mãe, que desde pequeno me alou pa a expe imen a de udo e ajudou
a comba e minha obia de comidas e melhas. Ela me ap esen ou igu as como An hony
Bou dain, B illa -Sa a in, além de p a os de odos os ipos e luga es. É a maio oodie e
melho cozinhei a que conheço e me passou a paixão pelas di e en es comidas e cul u as.
Ao meu pai, con ic o de o ado de no ícias, que aco da cedo, lê o jo nal de cabo a abo
e deixa-o abe o na página que que que eu leia na mesa do ca é da manhã, de o meu
ag adecimen o po e ajudado a o ma meu senso c í ico e a bagagem cul u al que enho
hoje.
A minha i mã, que ez Le as, po semp e e uma espos a, uma solução, uma opinião
pa a ajuda as pessoas. Ela az isso mui o melho do que eu.
A minha a ó Edna, pelas maca onadas de domingo e pelo ampa o nos momen os di íceis.
À oda minha amília, po cada es a, chu asco, eijoada e bacalhau na Páscoa.
Aos meus amigos des e e do ou o lado do A lân ico, po cada momen o de
companhei ismo e mo i ação que me dão. Não osse a boémia, ambém não es a ia aqui.
Ob igado a odos que já compa ilha am mesa comigo e me de am ca inho do B ejinho
a é a Mou a ia.
Ag adeço especialmen e ao Pni o, meu i mão alen ejano, que me le ou pa a jan a no
Ca doso da Es ela d’Ou o em uma noi e de e ão e emba cou comigo na busca pelo
bi oque pe ei o. Naquele dia, despe ei minha paixão pela esc i a gas onômica.
Po im, à Pipa, que há mais de ês anos az os melho es dias da minha ida em Lisboa
se em odos.
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Resumo:
A p esen e disse ação in es iga o desen ol imen o da c í ica gas onômica
pe an e a popula ização cada ez mais ápida das edes sociais e, consequen emen e, dos
in luenciado es digi ais com oco na comida. O es udo comp eende a c í ica gas onômica
como pila undamen al do jo nalismo cul u al e p ocu a aze uma compa ação en e o
jo nalis a especializado em gas onomia, o in luenciado digi al, e en ende : quais as
p incipais di e enças en e o jo nalis a gas onômico e o in luence que az e iews de
es au an es? Como es es dois pe sonagens an agônicos se eem na c í ica? A c í ica
gas onômica ai acaba ? Quais as possí eis soluções pa a o c í ico/jo nalis a
gas onômico segui ele an e?
Pa a comp eende ais enômenos e ques ões, oi u ilizada uma das me odologias
que ac edi amos se das mais adequadas pa a uma especialização em jo nalismo:
en e is as. Após uma análise com base em es udos sob e a a i mação da c í ica e da
c ônica gas onômica nos p incipais meios de comunicação de B asil e Po ugal ao longo
dos anos e uma abo dagem in es iga i a às edes sociais e aos in luenciado es digi ais
como enômeno do pós-mode nismo, o am p epa adas en e is as semi-es u u adas
pa a 12 dos p incipais jo nalis as, in luenciado es e che s de cozinha de B asil e Po ugal.
C í icos gas onômicos como Josima Melo, Rica do Felne e jo nalis as como
Ca a ina Luís Mou a e Daniel Ne o, sucesso nas edes como a página
@baixagas onomia, o am os escolhidos pa a ep esen a em o pon o de is a do
jo nalis a especializado. Do lado dos in luence s, selecionamos alguns enômenos do
Ins ag am e Tik Tok, odos que de ce a o ma apa en am em um p imei o momen o se em
páginas de c í ica gas onômica, sendo eles Sab ina Ca doso (@ e iews.p ), Be na do
Soa es (@ e iewsdomus ache) e Jo ge Fe ei a (@ga opiço).
Os es elados che s José A illez (Belcan o) e Ra a Cos a e Sil a (Lasai), além de
Ma lene Viei a (Zumzum Gas oba ) e Janaína To es (Ba Dona Onça), o am os
escolhidos pa a da sua pe spec i a sob e o ema. An ónio Lou ei o (A Cozinha), Rod igo
Cas elo (Ó Balcão) e Vi o Taiki (Cu a) ambém de am um con ibu o pa a o es udo em
momen os p o issionais que su gi am nos úl imos meses no âmbi o do abalho des e
pesquisado enquan o epó e gas onômico do Diá io de No ícias e do DN B asil.
Após uma análise das en e is as, a p esen e disse ação mos a as p incipais
di e enças en e o c í ico e o in luence , e os p ós e con as de cada abo dagem endo em
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con a p incipalmen e a ó ica do no malmen e c i icado, os che s de cozinha. Ao ol a
a ás na bibliog a ia e pa i do p incípio de análise de uma sociedade ex emamen e
consumis a, além de analisa as endências das no as ge ações pa a com o consumo de
no ícias na a ualidade, é possí el conclui que o jo nalis a gas onômico - al como o
jo nalis a de qualque ou a á ea - e á de se econs ui se quise con inua com um papel
ele an e e a ingi as massas em uma e a apa elhada pelo mundo digi al. Pa a ob e com
êxi o al e ei o, uma p odução de con eúdo mul ipla a o ma, já u ilizada po di e sos
jo nais, é uma das p incipais saídas pa a a esis ência da mídia.
Pala as-cha e: jo nalismo cul u al, c í ica gas onômica, edes sociais, in luenciado es
digi ais.
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Abs ac :
This disse a ion in es iga es he de elopmen o ood c i icism in ligh o he apid ise
o social media and, consequen ly, he inc easing in luence o digi al in luence s ocused
on ood. The s udy iews gas onomic c i icism as a undamen al pilla o cul u al
jou nalism and seeks o compa e he ole o he specialized ood jou nalis wi h ha o
he digi al in luence , conside ing no only he na a i e s uc u e p oposed by each, bu
also how he public consumes he in o ma ion and how hese wo con as ing igu es
pe cei e hemsel es in he ealm o ood c i icism.
To unde s and hese phenomena and ques ions, in e iews we e chosen as he p ima y
me hodology, deemed mos sui able o a s udy wi hin he scope o jou nalism
specializa ion. A e a ho ough analysis based on s udies abou he e olu ion o ood
c i icism and jou nalism in majo media ou le s in B azil and Po ugal o e he yea s, as
well as an in es iga i e app oach o social media and digi al in luence s as a pos mode n
phenomenon, semi-s uc u ed in e iews we e conduc ed wi h 11 o he leading
jou nalis s, in luence s, and che s om B azil and Po ugal.
Food c i ics like Josima Melo, Rica do Felne , and jou nalis s such as Ca a ina Luís
Mou a and Daniel Ne o (@baixagas onomia), we e selec ed o ep esen he specialized
jou nalism pe spec i e. On he in luence side, p ominen igu es om Ins ag am and
TikTok, who appea o p esen ood c i icism a i s glance, we e chosen, including
Sab ina Ca doso (@ e iews.p ), Be na do Soa es (@ e iewsdomus ache), and Jo ge
Fe ei a (@ga opiço).
Renowned che s such as José A illez (Belcan o), Ra a Cos a e Sil a (Lasai), Ma lene
Viei a (Zumzum Gas oba ), and Janaína To es (Ba Dona Onça) o e ed hei
pe spec i es on he opic. Addi ionally, An ónio Lou ei o (A Cozinha), Rod igo Cas elo
(Ó Balcão), and Vi o Taiki (Cu a) con ibu ed o he s udy du ing p o essional
engagemen s ha a ose in ecen mon hs wi hin his esea che ’s ole as a ood epo e
o Diá io de No ícias and DN B asil.
Following he analysis o he in e iews, his disse a ion highligh s he key di e ences
be ween c i ics and in luence s, and he ad an ages and disad an ages o each app oach,
pa icula ly om he pe spec i e o hose o en c i icized: che s. By e isi ing li e a u e
and adop ing an analy ical app oach based on a highly consume -d i en socie y, while
examining he ends o younge gene a ions in news consump ion oday, he conclusion
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is ha ood jou nalis s—like jou nalis s in any o he ield—mus ein en hemsel es o
emain ele an and each he masses in an age domina ed by digi al pla o ms. One o
he main s a egies o sus aining adi ional media's ele ance, al eady adop ed by
a ious news ou le s, is he de elopmen o mul ipla o m con en p oduc ion.
Keywo ds: cul u al jou nalism, ood c i icism, social media, digi al in luence s.
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Índice
1. Capí ulo I - In odução………………………………………………………..……11
2. Capí ulo II - Re isão de Li e a u a…………………………………………….......14
2.1. O su gimen o do c í ico gas onômico…………………………………………...14
2.2. A i ada gas onômica no B asil (1950 – 2000)……………………………….…20
2.3. A comida enquan o elemen o de iden idade nacional po uguesa……………..…24
2.4. A c í ica gas onômica no jo nalismo cul u al……………………………….…...28
2.5. A gas onomia enquan o p odu o na Sociedade do Consumo………………….…35
2.6. O boom das edes sociais e o papel dos in luenciado es digi ais na c í ica
gas onômica……………………………………………………….……………….…41
2.7 “I´m a oodie, you know?” ……………………………………………………….44
2.8 A ein enção do jo nalis a gas onômico……………………………………….…46
3. Capí ulo III – Desenho da in es igação…………………………………………….48
3.1 Hipó eses…………………………………………………………………………..50
3.2 O jo nalismo mul ipla a o ma……………………………………………………..50
3.3 “A Mo e do C í ico”……………………………………………………..………..51
3.4 Me odologia………………………………………………………………………..53
3.5 Ro ei o de pe gun as……………………………………………………………….58
4. Capí ulo VI - Resul ados e Discussão……………………………………………….61
4.1 Quem é quem? A di e ença en e os dois agen es na c í ica gas onômica………...61
4.2. “Que uma e iew?”……………………………………………………………….68
4.3. Redes sociais enquan o e amen a de abalho…………………………………….71
4.4. A c í ica na a ualidade……………………………………………………………....75
4.5. O u u o da c í ica gas onômica……………………………………………………78
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A gas onomia é o conhecimen o acional de udo que diz espei o ao homem
quando se alimen a. Seu im é cuida da conse ação dos homens median e a melho
alimen ação possí el. A inge-o di igindo com p incípios ce os odos os que pesquisam,
o necem ou p epa am as coisas que podem con e e -se em alimen os. É ela, na e dade,
que az agi os cul i ado es, os i icul o es, os pescado es, os caçado es e a nume osa
amília de cozinhei os, qualque que seja o í ulo e a classi icação com que dis a çam seu
abalho na p epa ação dos alimen os. A gas onomia ege a ida oda, po que os cho os
do ecém-nascido chamam o seio que o alei a e o mo ibundo ecebe com algum p aze a
poção sup ema que in elizmen e não pode á dige i (Sa a in, 2019).
O au o o e ece e lexões isiológicas e ilosó icas sob e o sabo e, pa a chega à
ques ão gas onômica, in oduz e desc e e os cinco sen idos – a o, ol a o, audição, isão
e gos o – pa a chega à conclusão de que “o gos o é o que nos p opo ciona as melho es
sensações” (Sa a in, 2019).
A ase de Sa a in é b ilhan e e é a pa i dela que a exis ência de um jo nalis a
p o issional especializado em comida e na c í ica gas onômica se o na ão necessá ia.
Na i ada pa a o século XX, nomes mais adicionais na c í ica gas onômica e p esen es
a é hoje começam a su gi no meio, como a Michelin. Fundada em 1889 pelos i mãos
And e e Edoua d Michelin, a emp esa de pneus, que a ualmen e dá es elas pa a os
melho es es au an es do mundo, começou a publica um guia no qual cons a am os
es au an es e ho éis ideais ao edo da F ança (Hoa & May, 2021).
Usando desse apelo ao senso ial, em meados do século XX os jo nais ao edo do
mundo passa am a implemen a edi o ias dedicadas exclusi amen e à comida, assun o
que an o chama a a enção e mexe com os nossos sen idos, como já de inia Sa a in mais
de 100 anos an es.
Nos Es ados Unidos, po exemplo, a é os anos 1960 não exis ia o que hoje
conhecemos como c í ica gas onômica. A p imei a edi o ia sob e gas onomia oi ob a
do jo nalis a C aig Claibou ne, biog a ado po Thomas McNamee no li o The Man Who
Changed he Way We Ea (2012), e que em 1957 assumi a como che de edação no The
New Yo k Times (McNamee, 2012).
Cinco anos após assumi o ca go em um dos p incipais jo nais do mundo,
Claibou ne assinou, em 8 de maio de 1962, uma coluna que se ia semanal sob e
es au an es da cidade de No a Io que (Wells, 2012). No mesmo dia em que o li o de
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McNamee oi publicado – 8 de maio de 2012, cinquen a anos após a publicação em
jo nais do p imei o c í ico gas onômico da his ó ia dos Es ados Unidos – o jo nalis a do
The New Yo k Times, Pe e Wells, ambém homenageou e explo ou a his ó ia da c í ica
gas onômica nos EUA em a igo do jo nal.
Página de c í ica gas onômica do jo nal The New Yo k Times em 1963, assinada
po C aig Claibou ne. A qui o: NYT - h ps://www.gas omondiale.com/2019-1-17- he-
poe -o - he-pala e-an-app ecia ion-app aisal-and-analysis-o - he-w i ings-o -jona han-
gold/
Na p imei a edição, Claibou ne ap esen ou a no idade aos lei o es com os dize es:
“The ollowing is a lis ing o New Yo k es au an s ha a e ecommended on he
basis o a ying me i s. Such a lis ing will be published e e y F iday in The New Yo k
Times," na adução li e, “Abaixo uma lis a de es au an es de No a Io que
ecomendados endo como base di e en es c i é ios. Essa lis a se á publicada odas as
sex as- ei as no The New Yo k Times. (Wells, 2012).
Wells (2012) esc e e que a con ibuição de Claibou ne não oi só uma lis a e sim
a esc i a das p imei as e iews de es au an es na his ó ia da imp ensa es adunidense.
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Pos e io men e, nos anos 1970, a edi o ia passou pa a as edições dos inais de semana e,
em 1997, com a c iação da seção Dining In/Dining Ou , passou a se publicada às qua as-
ei as. A seção de c í icas gas onômicas e ecei as no NYT pe manece como um sucesso
a é os dias a uais.
Reynie e, Sa a in, Guia Michelin, Claibou ne: a esc i a gas onômica em de
longa da a. No en an o, Edua do Sco F anco de Cama go de ende que é jus amen e no
inal do século XX que a gas onomia se consolida como p odu o na mídia, mui o po
con a dos concei os de Sociedade do Espe áculo e Sociedade do Consumo, que se ão
abo dados mais adian e na p esen e disse ação (Cama go, 2019).
"O modelo de p odução e dis ibuição de con eúdo se ans o ma no deco e do
século XX. No as ecnologias de imp essão, uma logís ica mais e icien e, um me cado
consumido c escen e. A sociedade do espe áculo consolida-se e necessi a de p odu os. A
imagem e a o alidade ganham cen alidade com o ádio e a ele isão e, mesmo assim, a
gas onomia, a cozinha e a alimen ação i mam-se como p odu o da indús ia cul u al nos
úl imos anos do século XX." (Cama go, 2019).
Ao longo das úl imas décadas, a gas onomia passou de uma p á ica
essencialmen e ligada à nu ição pa a um enômeno cul u al de g ande isibilidade,
impulsionado pela mídia e pelo en e enimen o. Voss (2012) ambém en a iza que o
jo nalismo gas onômico em sido um ema de ele ância na mídia há mui o empo.
Segundo ele, o a o de cozinha é uma das a i idades humanas mais an igas, sendo uma
exp essão da isão de mundo, e a p esença da gas onomia ao longo da his ó ia se e le e
em in enções como a o og a ia e o cinema, que ambém in luencia am a manei a como
a gas onomia é e a ada.
Pos e io às in oduções de Sa a in e Reynie e, a in odução da o og a ia, com a
p imei a imagem imp essa em 1837 po Dague e, ajudou a consolida a gas onomia
como uma a e isual (Ga cia Jimenez, 2014). Pos e io men e, o cinema, com ilmes
como Le Repas (1895), dos i mãos Lumiè e, ambém con ibuiu pa a esse diálogo en e
gas onomia e a e (San ama ia, 2016). A pa i disso, a gas onomia se o nou um
elemen o impo an e na economia da expe iência, onde o en e enimen o e a es imulação
senso ial ocupam papeis cen ais (Fus é, 2016; Mielby & F øs , 2010; La e nia, 2015;
Pine & Gilmo e, 1998). O che Andoni Luis Adu iz exempli ica essa in e seção ao u iliza
o cinema como inspi ação pa a c ia p a os ino ado es (San ama ia, 2016).
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A culiná ia cien í ica ou echno-emo ional cuisine ambém ganha des aque nesse
cená io. Segundo Na a o e al. (2012), essa culiná ia se baseia em c ia p a os que
p o oquem uma explosão de sensações nos clien es, an o no es au an e quan o o a dele.
Esse ipo de culiná ia equen emen e se inspi a na ciência e nas a es, esul ando em uma
p odução audio isual signi ica i a pa a egis a a e olução gas onômica ecen e.
Documen á ios como Snacks, bocados de una e olución (C is ina Jolonch, 2015) e
Come Conocimien o (Ea ing Knowledge) são exemplos dessa con e gência en e
gas onomia, ciência e a e (San ama ia, 2016).
Além disso, a gas onomia em assumido um papel de des aque na cul u a
con empo ânea. A Nou elle Cuisine, lide ada pelos c í icos Hen i Gaul e Ch is ian
Millau e che s como Paul Bocuse, oi um ma co impo an e que ab iu espaço pa a no as
e oluções gas onômicas, como a echno-emo ional cuisine de Fe an Ad ià. Es a úl ima,
segundo A enós (2011), u iliza concei os, écnicas e ecnologias ino ado as pa a c ia
p a os que en ol em odos os sen idos e despe am emoções in ensas nos comensais.
Ad ià e ou os che s dialogam com a is as, cien is as e ou os p o issionais pa a expandi
os limi es da gas onomia, e o çando a ideia de que essa p á ica ul apassou suas unções
adicionais e ago a é is a como uma o ma de a e (Na a o & Acos a, 2012).
O impac o dessa no a gas onomia ambém é sen ido no econhecimen o
in e nacional de che s e es au an es. Fe an Ad ià e ou os che s espanhóis,
pa icula men e nas egiões da Ca alunha e do País Basco, alcança am ama global,
consolidando a gas onomia espanhola como uma das mais ino ado as do mundo. Pujol
(2009) des aca que, em 2009, quase me ade das es elas Michelin da Espanha es a am
concen adas nessas duas egiões, e le indo a au o idade e a ino ação desses che s. O
abalho de Ad ià no es au an e El Bulli, desc i o como uma expe iência es é ica
compa á el a ou as o mas de a e (Hamil on & Todolí, 2009), culminou com sua
pa icipação na Documen a em Kassel, em 2007, onde a gas onomia oi o icialmen e
econhecida como uma o ma de a e.
Po ou o lado, a in luência da mídia na gas onomia não se es inge à al a
culiná ia. Em países como os Es ados Unidos, a popula ização da gas onomia oi
impulsionada po p og amas de ele isão e publicações especializadas. Julia Child, com
seu p og ama The F ench Che (1963), e e is as como Gou me (1941) e Jamie
Magazine (2008), de Jamie Oli e , são exemplos de como a gas onomia se in eg ou ao
en e enimen o e à cul u a de massas (Jones & Taylo , 2013; Voss, 2012). Esses eículos
20
de comunicação ajuda am a ans o ma che s em celeb idades, e o çando a conexão
en e gas onomia e cul u a popula . Se e son (2005) e Voss (2012) apon am que, ao
longo do empo, a gas onomia saiu das páginas das seções de culiná ia dos jo nais pa a
se o na um componen e cen al no en e enimen o de massa, especialmen e com o
ad en o de p og amas compe i i os como Top Che .
2.2 A Vi ada Gas onômica no B asil
A gas onomia nos cade nos de no ícias b asilei os su ge poucos anos depois do
su gimen o da p imei a c í ica de Claibou ne no The New Yo k Times. Rena a Ama al
(2006) en ende que, no B asil, a c iação de uma iden idade na esc i a gas onômica su ge
a pa i do que chama de “ i ada gas onômica”. As páginas de jo nais e e is as que an es
e am dedicadas à culiná ia, ou seja, a ecei as, passam po uma ans o mação e passam
a con a com c í icas e c ônicas gas onômicas (Ama al, 2006).
Isso signi ica que a comida já es a a p esen e nos meios de comunicação, mas não
a c í ica em si. Essa mudança nos meios de comunicação b asilei os – su gimen o da
c í ica – se deu no inal dos anos 1970, quando che s anceses, como Claude T oig os,
começa am a chega no B asil e implemen a o que é conhecido como Fine Dining
(Ama al, 2006).
Segundo Cama go (2017), dos anos 1950 a 1970, a culiná ia p opos a em
con apon o com a gas onomia dominou as e is as emininas b asilei as. Cama go
a i ma que, nesse in e alo de empo, e is as como a Cláudia começa am a e ele ância
midiá ica no meio eminino mui o pela impo ância que da am à culiná ia: as publicações
não apenas di ulga am ecei as, mas ambém p opo ciona am di e izes sob e a
disposição dos p a os e a a e de ecebe , demons ando um econhecimen o da culiná ia
como elemen o undamen al do co idiano domés ico (Cama go, 2017).
No li o Es elas no céu da boca: esc i os sob e culiná ia e gas onomia, o
sociólogo da alimen ação Ca los Albe o Dó ia sin e iza a di e ença en e os dois e mos
que são usados po Ama al e Cama go e que mui as ezes são is os como sinônimos.
Dó ia (2006) delineia a dis inção en e culiná ia e gas onomia, des acando que a culiná ia
aba ca uma sé ie de p ocedimen os, desde i uais a é écnicas e ecnologias, odos
ol ados pa a adequa a na u eza à alimen ação humana. Esses p ocedimen os englobam
mé odos, écnicas e ges os, con igu ando-se como uma disciplina p á ica. Po ou o lado,
a gas onomia é ap esen ada como um conjun o de sabe es que se concen am na
21
cons ução do p aze ao come , o ganizando-se no plano do discu so e sendo conside ada
uma ocupação do espí i o (Dó ia, 2006).
Vol ando ao Fine Dining, o concei o ep esen a nada mais do que a expe iência
em es au an es que, pa a além de uma comida equin ada, ambém p opo cionam um
ambien e “di e enciado”. É a pa i da c iação em massa desse ipo de es au an es no
B asil que su ge a necessidade de jo nais e e is as dedica em um espaço nob e no
edi o ial pa a especialis as na c í ica gas onômica: a comida já ugia do básico no
ocabulá io b asilei o (Ama al, 2006).
Alyssa Sil a indica que o p imei o c í ico gas onômico adicional do B asil oi
Robe o Ma inho de Aze edo Ne o, que usa a como pseudônimo Apicius, nome
inspi ado em pe sonagem impo an e no mundo dos gas ônomos e mui o u ilizado po
ou os c í icos que que iam man e o anonima o ao assina em ma é ias. Segundo cons a
a his ó ia, Apicius não oi o p imei o c í ico gas onômico, mas o p imei o au o de li o
de ecei as, com o li o De Re Coquina ia (A A e de Cozinha ), esc i o há mais de 2000
anos, na Roma An iga.
U ilizando “Apicius” como nome, Ma inho começou a esc e e uma coluna
semanal "À mesa, como con ém", que e a publicada na Re is a Domingo, do Jo nal do
B asil. Fo am in e e dois anos (1975 a é 1997), expondo seus pensamen os sob e a
gas onomia ca ioca. Acompanhado po sua companhei a de mesa Ma ília K anz, que
ambém u iliza a um pseudônimo (Mme K), ele isi a a a iados es au an es, desde os
mais enomados a é os menos p es igiados, u ilizando o anonima o como uma
sal agua da pa a suas c í icas con unden es (Sil a, 2022) – algo no mal na c í ica
gas onômica adicional, mas que se encon a cada ez mais em desuso. Nos ex os de
Ma inho – ou Apicius – odos os pe sonagens e am anônimos.
Ma inho possuía uma abo dagem singula na esc i a de suas c í icas, si uando-se
em um espaço híb ido en e a c ônica e a c í ica gas onômica – duas p oduções dis in as
e que se ão deba idas po en e is ados mais adian e na p esen e disse ação. Pa a
Ma inho, o a o de come anscendia a me a necessidade isiológica, sendo um elemen o
cen al na cons ução de elações sociais e, consequen emen e, deixando um legado
signi ica i o sob e a sociedade da época e seus cos umes. Só e elou sua iden idade
quando saiu do jo nal, em 1997 (Sil a, 2022).
22
Capa da e is a Domingo, do Jo nal do B asil, em maio de 1997, quando Apicius
se e elou como Robe o Ma inho. A qui o: Jo nal do B asil.
Com a chegada o icial da c í ica gas onômica nos jo nais b asilei os, Ama al
(2006) indica quais o am as p incipais mudanças nas es u u as dos meios de
comunicação an es e depois desse acon ecimen o:
Quad o: Como a culiná ia dá luga à gas onomia no jo nalismo b asilei o – Rena a
Ma ia do Ama al.
Ama al des aca que a p incipal mudança pós- i ada é o su gimen o da c í ica
gas onômica enquan o in o mação jo nalís ica e a c iação do gêne o de opinião na
na a i a gas onômica. A mudança de pa adigma não se limi a à ansição da culiná ia
23
pa a a gas onomia, mas ambém implica na ans o mação da in o mação não jo nalís ica
em in o mação jo nalís ica. As ecei as não se enquad am como um gêne o jo nalís ico,
mas sim como um gêne o ex ual. O a o de se em eiculadas em páginas de jo nal não
as quali ica como jo nalismo, à semelhança de ho óscopos, his ó ias em quad inhos ou
passa empos. An es da mudança, as ecei as e am esponsá eis po esumi odo o
con eúdo sob e comida publicado nos pe iódicos, a menos que su gissem indícios da
ansição (Ama al, 2006).
Em 1988, ou o impo an e jo nal b asilei o in oduziu a c í ica gas onômica
den e suas edi o ias e e e papel p eponde an e pa a a i ada. A Folha de São Paulo
es eou o “Cade no de Comida” em suas páginas, assinado pelo jo nalis a Josima Melo,
que é a é hoje um dos mais impo an es nomes da c í ica gas onômica no país.
A di e ença en e Melo e Apicius ecai jus amen e no concei o de jo nalismo
especializado mencionado po Ama al. Segundo Sil a (2022), na época da c iação do
Cade no de Comida, a Folha de São Paulo busca a mode niza o jo nal po meio de uma
busca po um jo nalismo especializado em di e en es á eas, não só comida, mas ciência,
li e a u a, en e ou as.
Doze anos após a Folha de São Paulo apos a nos cade nos especializados, Ana
Ca olina Abiahy analisou que o desen ol imen o do jo nalismo especializado es á ligado
à es a égia de segmen ação do me cado, espondendo à demanda po in o mações
di ecionadas das audiências especí icas. Ele a ua como guia em meio à sob eca ga de
in o mações, e le indo a di e sidade de in e esses na “Sociedade da In o mação”.
Segundo Abiahy (2000), as publicações especializadas e elam a dissociação en e os
componen es da sociedade, mas ambém a endem à busca po linguagem e emas
adequados aos in e esses de g upos especí icos, p omo endo a coesão social ao ag ega
pessoas com a inidades comuns.
Cama go (2017) a i ma que a c í ica gas onômica como um odo, embo a es eja
inse ida no jo nalismo especializado, se enquad a no âmbi o do jo nalismo opina i o, pois
o papel do c í ico gas onômico é es abelece uma elação de con iança com o lei o ,
undamen ada no econhecimen o de sua au o idade e epu ação. Sua unção é iden i ica
e a alia o que é conside ado de qualidade, des acando o que a ende ou não às no mas e
expec a i as dos consumido es.
24
Ama al (2006), ao inse i di e en es gêne os jo nalís icos na p odução de
con eúdo po pa e dos c í icos, coloca o especialis a em gas onomia como um agen e
que pode ansi a en e di e en es âmbi os jo nalís icos, não necessa iamen e apenas no
opina i o, como en ende Cama go. Pa a Ama al (2006), a Vi ada Gas onômica no B asil
ep esen a a consolidação do c íZ ico gas onômico enquan o um jo nalis a no país e,
nesse sen ido, e e e que an o o Jo nal do B asil, quan o especialmen e a Folha de São
Paulo, êm papel undamen al na i ada da culiná ia pa a a gas onomia:
Su ge en ão o jo nalismo gas onômico: a comida passa a se conside ada um ema digno
de explo ação jo nalís ica, indo de gêne os opina i os como a c í ica a é gêne os
in e p e a i os como a epo agem. O acon ecimen o discu si o da i ada gas onômica
é essencial, en ão, pa a a o mação do subcampo especializado do jo nalismo
gas onômico (Ama al, 2006, p. 184).
Den o dessa análise, é possí el dize , po an o, que Josima Melo pode se
conside ado o p ecu so da c í ica gas onômica no país, pois ouxe às páginas do jo nal
mais do que uma c ônica semanal inse ida numa e is a como azia Apicius. Melo c iou
um cade no dedicado apenas à gas onomia. T ouxe, além das c ônicas e ecei as, análises
de inhos, memó ias gas onômicas, pe il de che s de cozinha, en e ou os (Sil a, 2022).
2.3 A comida enquan o elemen o da iden idade cul u al po uguesa e os
p imei os passos da c í ica em Po ugal
A c í ica gas onômica em Po ugal ambém su ge na década de 1970, mas em
meno escala e, a é po esse a o , não exis e mui o ma e ial acadêmico sob e o su gimen o
do concei o no país. Po ou o lado, a culiná ia – já que no úl imo capí ulo es abelecemos
a di e ença en e a culiná ia e a gas onomia – é amplamen e analisada, especialmen e
como uma o ma de a i mação da iden idade po uguesa no deco e do século XX.
Segundo Elisa F anzoni (2016), cozinha , p epa a alimen os e compa ilhá-los
são ações eple as de signi icado que êm o pode de molda uma cul u a, bem como uma
egião, uma nação e, po conseguin e, uma iden idade é nica. A comida e a alimen ação
uncionam como e amen as iden i á ias e símbolos cul u ais, p opo cionando uma
ânco a segu a pa a a ida co idiana. Esses elemen os não apenas pe mi em que an o o
indi íduo quan o a comunidade es abeleçam os alice ces pa a uma u u a ede inição de
iden idade, mas ambém ep esen am uma on e de o ça iden i á ia (F anzoni, 2016).
25
Ma ia Ab eu (2018) e e e que a consag ação da cozinha adicional po uguesa
su ge pelo con on o com a cozinha es angei a, em a iculação com o p ocesso his ó ico
e social de e olução e a i mação da iden idade nacional (Ab eu, 2018). Nesse sen ido,
uma gas ônoma e e papel p eponde an e em meados do século XX em Po ugal.
Foi mais ou menos na mesma época que a culiná ia ez sucesso nos meios de
comunicação social do B asil que Po ugal ambém começou a da espaço pa a o ema na
p og amação ele isi a, de ádio, jo nais e e is as do país. En e 1950 e 1970, a
pe cu so a da culiná ia em Po ugal a endeu pelo nome de Ma ia de Lou des Modes o,
que se o nou uma das mais impo an es igu as po uguesas no que ange à esc i a sob e
culiná ia na his ó ia lusi ana.
O jo nalis a Paulo Mou a ap esen a o pe cu so da esc i a gas onômica em
Po ugal em a igo do jo nal Público de 2020, mencionado no p imei o capí ulo des a
disse ação. Segundo Mou a (2010), os p imei os egis os da esc i a sob e comida em
jo nais de Po ugal da a am da segunda me ade do século XIX, quando os suplemen os
dos jo nais inham uma ica adição de ex os de jo nalis as que esc e iam sob e
gas onomia, iagens, cos umes e inhos.
A é Modes o lide a a audiência ele isi a no p og ama que ap esen ou en e 1958
e 1970, no en an o, a esc i a culiná ia no país passou po um “b eque”, p opo cionado
pelo Es ado No o (1933 – 1974). O c í ico Manuel Gonçal es da Sil a, que es udou o
pe íodo da di adu a no país, conside a que o Es ado No o não ap ecia a assun os como
a esc i a gas onômica, e al gêne o simplesmen e desapa eceu dos meios de comunicação
nas p imei as duas décadas do egime (Mou a, 2010).
A culiná ia oi ol a a se ema na comunicação – an es de jo nais e e is as – na
ele isão, jus amen e com Ma ia de Lou des Modes o na Rádio e Tele isão de Po ugal
(RTP) em 1958 – um ano após a c iação do canal ele isi o es a al. Ri a Es e es (2019)
a i ma que, num p imei o momen o, Modes o oi con idada pa a pa icipa de uma
ub ica chamada Seg edos de Polichinelo, onde ez ques ão de e uma pa icipação
dedicada às mulhe es: i ia aze um pouco de udo, p incipalmen e a i idades como
cozinha ou a a do ja dim. O sucesso de Modes o na sua p imei a pa icipação no
p og ama, no qual cozinha a e depois explica a como se comia uma alcacho a, esul ou
numa excelen e ecepção do público. O sucesso oi an o que o di e o do p og ama
32
K is ensen (2011) discu e as u u as di eções pa a a pesquisa em jo nalismo
cul u al, en a izando a necessidade de pe spec i as compa a i as e a in eg ação de
dimensões polí icas den o desse campo. Uma ecomendação cha e é ado a uma
abo dagem compa a i a que explo e a p odução, o con eúdo e as dinâmicas de audiência
em di e sas cul u as e pla a o mas jo nalís icas. Embo a os es udos exis en es se
concen em p incipalmen e em con ex os nacionais, expandi essa pesquisa pa a uma
escala global pode ia melho a a comp eensão do impac o do jo nalismo cul u al em
di e en es sis emas de mídia. No a elmen e, a li e a u a a ual des aca o papel dos
jo nalis as cul u ais como in e mediá ios e o mado es de opinião, embo a a pesquisa
sob e o público pe maneça pouco explo ada, apesa de sua ele ância no cená io
midiá ico em e olução, moldado po a o es globais e pa icipação digi al (K is ensen,
2011).
Além disso, K is ensen abo da os aspec os polí icos do jo nalismo cul u al,
suge indo que, embo a es udos an e io es enham amplamen e negligenciado essas
dimensões, endências ecen es indicam uma c escen e in e seção en e o discu so
cul u al e o polí ico. O a igo sublinha a impo ância de dis ingui en e a polí ica cul u al
ins i ucionalizada e as implicações ideológicas mais amplas no jo nalismo cul u al.
E idências de es udos compa a i os ilus am como a cobe u a cul u al pode e le i e
engaja -se com p ocessos polí icos, especialmen e em con ex os com apoio es a al
subs ancial às a es. Essa in e seção p o oca uma ea aliação do alo cí ico do
jo nalismo cul u al e de seu po encial pa a con ibui de manei a signi ica i a pa a a
delibe ação pública sob e ques ões cul u ais e polí icas (K is ensen, 2011).
Cama go (2017) es uda o jo nalismo cul u al como um odo, mas mais
especi icamen e no B asil, onde começou a se desen ol e du an e o p ocesso de
indus ialização, sendo g adualmen e in eg ado como componen e das publicações
jo nalís icas de na u eza ge al, po meio de suplemen os ou cade nos especí icos. Su ge
aí a p eocupação com a in e a i idade en e os c í icos dos cos umes e das a es e o público
e obse a-se sua p esença em pe iódicos especializados, ca ac e izados pelo es ilo
opina i o, especialmen e po meio de ensaios, c í icas e esenhas (Cama go, 2017).
K is ensen de ende ambém uma análise mais ap o undada de como o jo nalismo
cul u al abo da no mas e ideologias sociais, especialmen e em pe íodos de al a ca ga
polí ica. Essa abo dagem en iquece ia a comp eensão do papel do jo nalismo cul u al na
33
sociedade con empo ânea e seu po encial pa a in luencia diálogos sociopolí icos mais
amplos.
Piza (2003) ê o c í ico como pila undamen al do jo nalismo cul u al, endo um
papel impo an e, não só pa a o lei o , mas ambém pa a o c i icado. O au o salien a que
um cidadão do ado de maio consciência em suas escolhas, ao mesmo empo mais c í ico
e ole an e, ep esen a uma qualidade supe io de cidadania. Mesmo dian e de equí ocos,
esse cidadão possui uma maio p obabilidade de e i ica seus e os ou, no mínimo,
comp eende as azões po ás deles (Piza, 2003).
Ao ala de c í ica gas onômica a ualmen e, alamos de uma in e secção
impo an e de concei os jo nalís icos, e, p incipalmen e, ês em especí ico: Jo nalismo
Gas onômico, Jo nalismo Cul u al e Jo nalismo Digi al.
O jo nalismo gas onômico é uma á ea c ucial da mídia, de ido às p op iedades
essenciais dos alimen os pa a a ida e saúde, ao p aze que p opo cionam, e ao papel que
desempenham na iden idade cul u al e no s a us social. Os alimen os ambém êm
implicações econômicas e ambien ais, além de conexões com a cul u a de celeb idades,
onde che s enomados, bloguei os, in luenciado es e pa icipan es de eali y shows
ans o mam alimen os em con eúdo midiá ico a aen e (Jones & Taylo , 2013).
Embo a o jo nalismo gas onômico es eja eme gindo como um subgêne o
c escen e (B own, 2004; English & Fleischman, 2019), a pesquisa nesse campo ainda é
limi ada. A abo dagem p edominan e em sido a do es ilo de ida (F om, 2018; Fü sich,
2012; Hanusch, Hani zsch, & Laue e , 2017; K is ensen & F om, 2012). Con udo, o
jo nalismo gas onômico de e se a aliado ambém como um discu so polí ico ou cí ico,
abo dando uma a iedade de emas, desde economia e nu ição a é ques ões de iden idade
pessoal e gos o cul u al (F om, 2007; Fü sich, 2012).
As on ei as en e jo nalismo de es ilo de ida, cul u al e de consumo êm se
o nado indis in as, ab angendo an o "no ícias du as" quan o "no ícias sua es"
(K is ensen & F om, 2012; Voss, 2014). O jo nalismo gas onômico inclui uma
di e sidade de gêne os, como no ícias de úl ima ho a, c í icas de es au an es, guias de
como aze e his ó ias de ecei as. Assim, não é apenas uma o ma de na a i a subje i a,
mas pode ambém o e ece alo democ á ico e cí ico, con o me discu ido po Meije e
Bijle eld (2016).
34
A hib idização acele ada do jo nalismo de es ilo de ida es á ligada a
ans o mações sociais mais amplas. A cobe u a de alimen os con ibui pa a p oje os de
cons ução nacional, dema cando inclusão e pe encimen o, e c iando uma comunidade
imaginá ia baseada em um sis ema de alo es e consumo (Du y & Ashley, 2012).
No âmbi o do Jo nalismo Cul u al, é comum pensa mos na c í ica de cinema,
ea o e a es em ge al, e não an o da gas onomia. Como es udou Rui Ped o Mo a, no
en an o, a gas onomia es á in insecamen e ligada ao concei o de cul u a, eligião e
iden idade de de e minado po o e, po an o, não ha e ia qualque azão pa a não
conside a mos a c í ica gas onômica como uma e en e no Jo nalismo Cul u al (Mo a,
2020).
Em Esc i a sob e a comida: Di ulgação e Jo nalismo, Mo a ai além e de ine a
alimen ação como a o cul u al da seguin e o ma: “A alimen ação e odos os a o es que
a o bi am, cons i uem, se não o mais impo an e, um dos mais impo an es e ans e sais
elemen os cul u ais de uma sociedade. Gas onomia é cul u a. O homem, enquan o
omní o o, ap o a se alimen a de udo, não o az. Não se limi a ao consumo imedia o
daquilo que a na u eza disponibiliza, mas p ocu a escolhe , c ia e ans o ma os seus
alimen os, com is a a o ná-los naquilo que conside a adequado a si, con o me c i é ios
económicos, nu icionais ou a é mesmo simbólicos, aos quais cada alimen o se sujei a"
(Mo a, 2020).
Com base na análise de F anzoni (2016), é inegá el que a alimen ação anscende
sua unção básica de nu ição, o nando-se um a o in insecamen e humano
compa ilhado po odas as cul u as. A gas onomia, nesse con ex o, não apenas alimen a
o co po, mas ambém se e como eículo de signi icados e o alecimen o da iden idade.
O a o de come , po an o, não se limi a à saciação de uma necessidade isiológica, mas
ambém desempenha um papel undamen al na a i mação da pe ença social e cul u al de
cada indi íduo (F anzoni, 2016).
Ca los Albe o Dó ia en ende que o papel da gas onomia no jo nalismo encon a
e eno é il pa a p ospe a quase 200 anos após G imod de La Reynie e e B illa -Sa a in
esc e e em as p imei as páginas sob e o ema e começa a se um dos p incipais pila es
do jo nalismo cul u al. Pa a Dó ia, a gas onomia se des aca como um ema cul u al ão
ele an e quan o a moda, a sexualidade e a iolência. Sua conexão com as a es, a nu ição
básica e a é mesmo os negócios é equen emen e p oclamada. A no á el popula ização
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desse domínio pa ece exigi que cada indi íduo seja capaz de jus i ica , em qualque
momen o, suas escolhas alimen a es, explicando po que op ou po consumi um
de e minado alimen o em ez de ou o (Dó ia, 2015).
Em um con ex o de c escen e digi alização e ans o mação dos modelos
edi o iais, o jo nalismo cul u al se ap esen a em uma zona de con ínua adap ação. A
expansão do concei o de cul u a pa a além das a es adicionais le ou o jo nalismo
cul u al a se en elaça com emas como moda, design, li es yle, gas onomia e consumo,
c iando uma abo dagem mais plu al e mul i ace ada. A con igu ação das p á icas
jo nalís icas nes e cená io o nou-se mais o ien ada ao público e, ao mesmo empo,
híb ida, desa iando as de inições clássicas e as on ei as en e cul u a e en e enimen o.
K is ensen e ou os au o es (Jaakkola, 2012; K is ensen & F om, 2013) a gumen am que
a abo dagem "jo nalismo sob e cul u a" e le e a ampli ude dessa pe spec i a,
conside ando a cul u a em seus aspec os simbólicos, sociais e econômicos, assim como
sua p esença nas indús ias c ia i as e na ida co idiana dos consumido es.
Esse eposicionamen o do jo nalismo cul u al coloca em e idência seu papel
como p omo o de es ilos de ida e mediado de gos os, alinhando-se à unção
pe o ma i a de guia e in luencia as escolhas dos lei o es (Hanusch, 2012). A ascensão
de um jo nalismo cul u al ol ado pa a o consumido e pa a o en e enimen o desa ia, po
sua ez, o papel da c í ica cul u al adicional, mui as ezes subs i uída po a aliações
in o mais e guias de consumo que se alinham a endências de me cado e às p e e ências
do público. Nesse con ex o, o papel do jo nalis a cul u al se ans o ma, in eg ando uma
dimensão analí ica e e lexi a, mas ambém uma unção de cu ado ia e suges ão,
e le indo os gos os e in e esses de uma sociedade que busca, nas mani es ações cul u ais,
modos de ida, iden idades e expe iências de consumo (San os Sil a, 2014a; Fa o, 2012).
Essa pe spec i a e idencia o ca á e dinâmico e em cons an e e olução do jo nalismo
cul u al, que se ein en a em espos a às mudanças cul u ais e midiá icas, man endo sua
ele ância no cená io con empo âneo.
2.5 A c í ica gas onômica enquan o p odu o na sociedade do consumo
e do espe áculo
Pa a comp eende o enômeno da c í ica gas onômica e do consumo da culiná ia
desde a implemen ação desde os anos 1950 a é o desen eado a anço na e a das edes
36
sociais, a p esen e disse ação eco eu aos concei os e e enciados no í ulo desse
capí ulo e que o am desen ol idos po au o es eu opeus no úl imo século.
A ob a A Sociedade do Consumo, de au o ia do ancês Jean Baud illa d,
publicada em 1970, é uma das p incipais que in es iga o enômeno do consumo a pa i
da segunda me ade do século XX. Baud illa d (1970) ca ac e iza a "sociedade do
consumo" inse ida num ciclo incessan e de busca pela sa is ação das necessidades
ma e iais, esul ando no que chama de “his e ia gene alizada”. Nesse con ex o, os obje os
e as necessidades se o nam um pa adigma em cons an e mudança, onde a linguagem e o
signi icado se deslocam con inuamen e. Essa cons an e mobilidade o na di ícil de ini
obje i amen e as necessidades e os males associados a elas, já que o desejo insaciá el se
mani es a localmen e em di e en es obje os e necessidades ao longo do empo
(Baud illa d, 1970).
No inal dos anos 1960, Guy Debo d já ale a a pa a o pe igo do consumo
desen eado p opo cionado pela mídia e a imagem na enomada ob a A Sociedade do
Espe áculo, ão alo osa pa a o p esen e capí ulo quan o a de Baud illa d. Debo d (1967)
analisa a alienação do espec ado em a o de um obje o con emplado, esul ado de sua
p óp ia a i idade subconscien e. Isso se mani es a na medida em que quan o mais o
espec ado se en ega à con emplação, menos e dadei amen e i e; à medida que acei a
se iden i ica com as imagens p edominan es da necessidade, menos comp eende sua
p óp ia exis ência e seus desejos in ínsecos. A desconexão en e o espe áculo e o
indi íduo que age é e iden e: seus ges os já não são mais seus, mas sim ap esen ados po
ou a en idade. Isso explica po que o espec ado se sen e deslocado, já que o espe áculo
es á p esen e em odos os luga es (Debo d, 1967).
Gilles Lipo e sky é ou o au o ancês que es uda o enômeno do consumo e do
espe áculo na sociedade a a és de seu p imei o li o, in i ulado A E a do Vazio,
publicado em 1983. T azendo o con ex o de ou os au o es impo an es como os
ank u ianos Theodo Ado no e Max Ho kheime , que denuncia am a Indús ia Cul u al
– a manipulação das massas pelo en e enimen o e o pode da mídia – Lipo e sky de ende
que a e dadei a e olução cul u al começa com o consumo se ans o mando em uma
necessidade não só exclusi a da eli e dominan e, mas ambém das classes com meno
pode aquisi i o (Lipo e sky, 1983).
37
É com o apa ecimen o do consumismo de massa nos EUA, na década de 1920,
que o hedonismo, a é en ão apanágio de uma pequena mino ia de a is as e in elec uais,
ai se o na o compo amen o ge al na ida co en e, e é aí que eside a g ande e olução
cul u al das sociedades mode nas. Se obse a mos a cul u a sob o ângulo de modo de
ida, é o p óp io capi alismo e não o mode nismo a ís ico que ai se o a esão p incipal
da cul u a hedonis a. Com a di usão em la ga escala de obje os conside ados a é en ão de
luxo, com a publicidade, a moda, a mídia de massa e, p incipalmen e, o c édi o – cuja
ins i uição solapa di e amen e o p incípio de poupança –, a mo al pu i ana cede luga aos
alo es hedonis as, enco ajando a gas a , a ap o ei a a ida, a cede aos impulsos: a pa i
da década de 1950, a sociedade ame icana e a é mesmo a eu opeia se o nam o emen e
p esas ao cul o do consumismo, do ócio e do p aze . O es ilo de ida mode no esul a não
apenas da mudança da sensibilidade, impulsionada po a is as de um século a ás, mas
ambém, e ainda com maio p o undidade, das ans o mações do capi alismo há sessen a
anos (Lipo e sky, 1983, p. 63).
Debo d (1967) obse a que o espe áculo na sociedade é de a o uma ab icação de
alienação pa a as massas. Ele a gumen a que a expansão econômica, em g ande pa e, é
a expansão da p odução indus ial. O c escimen o econômico, que se au oalimen a, é
essencialmen e a alienação que cons i ui seu núcleo o iginal. O homem, mesmo sendo o
c iado dos de alhes de seu mundo, encon a-se sepa ado dele de ido à alienação do que
p oduz. À medida que sua ida se con e e cada ez mais em me cado ia, ele se dis ancia
ainda mais dela (Debo d, 1967).
Em Gos os de Classe e Es ilos de Vida, publicado em 1983, Pie e Bou dieu segue
a linha de Lipo e sky e ai além, colocando o a o do consumo como en a i a de ascensão
de classe. Bou dieu (1983) suge e que o es ilo de ida das classes popula es e le e sua
adap ação à posição que ocupam na es u u a social, o que pode inclui a inco po ação de
alo es dominan es como pa e desse p ocesso de adap ação. Ele a gumen a que a
di e ença en e as classes não es á an o na in enção obje i a de seu es ilo de ida, mas
sim nos ecu sos econômicos e cul u ais disponí eis pa a ealizá-lo. Essa pe spec i a
suge e que, apesa das es ições inancei as e cul u ais, as classes popula es podem
ado a pad ões de consumo in luenciados pelos alo es dominan es, sem necessa iamen e
compa ilha as mesmas condições socioeconômicas das classes mais p i ilegiadas
(Bou dieu, 1983).
38
Baud illa d (1970) des aca a na u eza complexa do consumo na sociedade
con empo ânea, onde a aquisição de obje os não se limi a ao p aze indi idual, mas se e
como exp essão simbólica de desejos e alo es sociais. O consumo é mais do que uma
busca pelo p aze ; é um p ocesso de p odução e oca de signi icados codi icados, que se
es ende pa a além do indi íduo, moldando a o dem social e a comunicação en e g upos.
Assim, o consumo é en endido como uma es u u a que in eg a alo es ideológicos e
es abelece uma ede de in e ações en e os consumido es, anscendendo a simples busca
pelo p aze indi idual pa a se o na uma o dem de signi icações compa á el à linguagem
ou aos sis emas de pa en esco em sociedades p imi i as (Baud illa d, 1970).
De manei a ge al, a c í ica gas onômica começa a apa ece nos p incipais meios
de comunicação pa a a ende a demanda dessa sociedade do consumo e do espe áculo.
Pa a Ama al (2006), a é quem não gos a de comida passou a ica id ado nas páginas de
jo nais e e is as que deba iam o ema, especialmen e e is as que, po p opo ciona em
uma imp essão de maio qualidade g á ica, passa am a se popula iza (Ama al, 2006).
Em sua disse ação, Cama go (2019) ep oduz o discu so de Ama al sob e o
aspec o apela i o das e is as ao da o exemplo da e is a Veja, uma das maio es do B asil
e que passou a con a com a edi o ia de gas onomia como uma de suas p incipais ambém
no inal dos anos 1990:
A c í ica de es au an e az pa e da seção de es au an es do o ei o da semana
da Veja, que oi emodelada com o no o p oje o g á ico e az mais in o mações
sob e e en os e a os ele an es na gas onomia de São Paulo. Semp e uma
ma é ia com o og a ia em bas an e des aque que pode ocupa quase meia página
da publicação; já a diag amação a ia, podendo e mais de uma o o e i as que
ocupam um e ço de página com anúncios nas la e ais. Toda c í ica az uma
a aliação quan o à qualidade da comida, a do se iço e a do ambien e, mesmo
que não açam pa e do ex o inal publicado. A classi icação ge al é deco en e
des as ês a aliações sepa adas (Cama go, 2019, p. 125).
A azão dos meios de comunicação apos a em ão al o na comida se dá ao a o de
que a mesma az, apenas a a és de o os, um p aze ao consumido . O amoso concei o
de Food Po n – aqui cabe a cu iosidade de que Lipo e sky ambém es uda o concei o de
po nog a ia em A E a do Vazio – não se dá ao acaso. Segundo An onio Hélio Junquei a
(2020), o obje i o p incipal da es a égia é o de p o oca i amen e o desejo de quem ê
39
a imagem em expe imen a o p odu o demons ado ou, ao con á io, em sublima a
expe iência ísica da sua inges ão, a pa i da sua isualização es e icamen e e o izada e
da p omessa da saciedade i ualizada (Junquei a, 2020).
Publicações de comida e e iews de es au an es do Ins ag am, po exemplo, êm
mui as ezes o concei o es udado po Junquei a como uma das hash ags pa a chama
a enção do público. Em ela ó io de 2018 publicado pela ede social e in i ulado Yea in
Re iew, o Ins ag am apon a que, no deco e daquele ano, mais de 206 milhões de pos s
incluíam na legenda a hash ag # oodpo n.
Como pode se is o nos es udos de Ama al, Cama go e Junquei a, a ideia da
gas onomia como pon o al o do senso ial comum, in oduzida po Sa a in, pa ece uma
a i mação a empo al e que semp e exis i á. Ela é acen uada, con udo, com a in odução
do concei o da sociedade do consumo, popula izado po Baud illa d, Bou dieu e
Lipo e sky.
Já na p imei a década do século XXI, Lipo e sky (2007) e oma seu obje o de
análise no li o A Felicidade Pa adoxal: Ensaio Sob e a Sociedade de Hipe consumo. O
au o obse a que as no mas e men alidades que an es esis iam ao su gimen o das
necessidades mone izadas desapa ece am com o a anço da globalização. As es ições e
ba ei as conside adas an iquadas o am eliminadas, deixando apenas a legi imidade do
consumo. O au o a gumen a que o ciclo inicial de acionalização e mode nização do
consumo chegou ao im, com odas as esis ências cul u ais supe adas e as cul u as locais
não mais limi ando os desejos po no idades num mundo p edominan emen e capi alis a.
Nes e con ex o, eme ge a e a do hipe consumo, onde o e e encial hedonis a se o na
p edominan e, inco po ando a publicidade, o laze e as cons an es mudanças no es ilo de
ida como pa e in eg an e dos cos umes. O no o consumido já não é con on ado com
uma cul u a an inômica, mas sim ime so em um ambien e cul u al que p omo e e alida
o consumo desen eado (Lipo e sky, 2007).
A publicidade e o ma ke ing são jus amen e os exemplos de Cecília B i o de Lucca
ao ala sob e a sociedade do consumo na a ualidade. O exce o de B i o az nos lemb a
exa amen e a es a égia das e is as mencionadas po Ama al e Cama go ao coloca a
comida como um dos emas p incipais das edições:
O ma ke ing cuida á de en ende o clien e, suas necessidades, expec a i as, es ilo de
ida, bem como elabo a es a égias de enda mais adequadas pa a seus p odu os e de
40
que o mas ele pode á se di ulgado. A publicidade se á en ão o eículo dessa
di ulgação. Ela inco po a os alo es e cul u a da ma ca pa a ansmi i-los ao
consumido , p omo endo os bene ícios uncionais, emocionais e de au oexp essão do
p odu o ou se iço. T abalhando especialmen e os dois úl imos, a publicidade az es ilos
de ida, pessoas a se em admi adas – como celeb idades – e que se em como e e ência
pa a os consumido es (B i o, 2018, p. 77).
É possí el dize , po an o, que o concei o de sociedade do consumo é um dos
p incipais quando alamos de c í ica gas onômica, a inal, a c í ica gas onômica ambém
é pa e do p ocesso de cons ução de s a us e de iden idade social. A c í ica é uma
e amen a pa a os consumido es e em sua omada de decisão, seja na alimen ação em
ge al, seja na escolha de es au an es. Como de ende B i o (2018) e assim podemos aze
compa ação com a c í ica gas onômica: ambas se em de e e ência pa a os
consumido es.
Junquei a, ao analisa o concei o de Food Po n, ambém, de alguma o ma,
dialoga com os es udos de Baud illa d, Bou dieu e Lipo e sky:
No ood po n, o e o da passagem c ia i a do possí el pa a o eal é a imagem. Só as
imagens c iam os e ei os de sen ido capazes de p eenche os espaços en e as
expec a i as e o que e e i amen e se ealiza (..) Quando um indi íduo é expos o a
es ímulos imagé icos sob e alimen os sabo osos com os quais ele já e e expe iências
an e io es de consumo, o mas associa i as au omá icas passam a oco e em seu
cé eb o, elemb ando sua expe iência senso ial an e io . Es udos comp o am que ais
es ímulos podem se acionados ambém em elação a p odu os no os e ainda
desconhecidos do consumido e, nesse sen ido, colabo am pa a que o indi íduo possa
ob e elemen os que o ajuda ão na decisão de expe imen a ou não essa no a opção
ap esen ada. Comp o a-se, assim, que não apenas a expe iência e e i a do consumo, mas
ambém a imaginação sob e no as expe iências, em sua mul issenso ialidade
cons i uin e, colabo am na omada de decisões an o sob e o consumo, quan o ao não
consumo dos alimen os (Junquei a, 2020, p. 53)
Rena a Ma ia do Ama al ambém az menção ao concei o de sociedade do
consumo como in insecamen e ligado à comida enquan o p odu o e, consequen emen e,
à c í ica gas onômica. Ama al (2006) en ende que “a imagem dos bens ganha mais
impo ância do que os bens em si, o que explica o a o de as pessoas ap ecia em olha
o os de p odu os inacessí eis pa a seus pad ões de consumo, como é o caso das i ines
de lojas e e is as de gas onomia” (Ama al, 2006, p. 55)
41
Os ex os dos eó icos Baud illa d, Bou dieu, Debo d, Lipo e sky e os es udos de
Ama al, Cama go, B i o e Junquei a nos azem a gumen a que, na sociedade do
consumo, os obje os são e ichizados, ans o mando-se em símbolos de s a us e p es ígio.
Isso se aplica especialmen e à comida, que, po meio da mídia, publicidade e ma ke ing,
é ap esen ada como um p odu o desejá el e aspi acional. A c í ica gas onômica
desempenha um papel impo an e nesse p ocesso, ajudando a cons ui a epu ação e a
pe cepção dos alimen os, in luenciando as escolhas e p e e ências dos consumido es.
A c í ica gas onômica, po an o, é c iada pa a en a sacia essa sociedade do
consumo. E nesse sen ido, o c escimen o das edes sociais em aumen ado cada ez mais
essa insaciabilidade do público com a ques ão da comida e o s a us que a alimen ação e
es au an es p o idenciam.
2.6 O BOOM DAS REDES SOCIAIS E OS INFLUENCIADORES DIGITAIS NA
CRÍTICA GASTRONÔMICA
A p oc as inação como p á ica cul u al su giu com a mode nidade. Seu no o sen ido e
seu signi icado é ico de i am do no o signi icado do empo, do empo que em his ó ia,
do empo que é his ó ia. Esse sen ido de i a do empo concebido como uma passagem
en e “momen os p esen es” de qualidade di e en e e de alo a iado; do empo
conside ado como iajando em di eção a ou o p esen e dis in o (e mais desejá el) do
p esen e i ido ago a (Bauman, 2000).
Facebook, Twi e , Ins ag am, TikTok. Desde meados da p imei a década dos anos
2000, as edes sociais êm desempenhado um papel cada ez mais ele an e no dia a dia
das pessoas. Pla a o mas que, em um p imei o momen o, o am c iadas pa a ge a
in e ação e en e enimen o êm se ans o mado ul imamen e em um espaço de deba e e
on e de in o mação pa a as pessoas. Acima de udo, a úl ima década (2013-2023) ouxe
um enômeno que mos a a sociedade cada ez mais dependen e das edes sociais. O
consumo, o desejo, a p oc as inação em ampla odagem na eng enagem capi alis a.
Um dos maio es deba es nos cu sos de especialização em comunicação a ualmen e
é jus amen e como o jo nalis a de e se po a pe an e as ans o mações do público no
que ange ao consumo de in o mação nos dias a uais. A endência é que as pessoas leiam
jo nais ou po ais de no ícias cada ez menos, sendo que a pe spec i a é que as e sões
imp essas dos jo nais es ejam nos seus úl imos anos de ida.
48
ambíguos que não se impo a ão com a al a de c edibilidade da in o mação e a
compa ilha ão adian e (Sil a, 2022).
Esse pano ama mos a uma ans o mação p o unda na c í ica gas onômica, que
ago a oscila en e jo nalis as adicionais e no os in luenciado es digi ais. Os c í icos
gas onômicos da imp ensa desempenha am um papel undamen al na ascensão da al a
gas onomia, enquan o os in luenciado es, com sua conexão di e a com o público nas
edes sociais, es ão e o mulando as dinâmicas da c í ica gas onômica a ual. Essa
dualidade en e jo nalis as e in luenciado es e le e uma dispu a en e c edibilidade
es abelecida e popula idade imedia a, o e ecendo uma no a pe spec i a sob e o papel da
mídia na gas onomia con empo ânea.
Des a e, é possí el dize que a c í ica gas onômica es á em isco po uma conjunção
de a o es. Apesa de semp e e sido um dos p incipais pila es na cons ução de uma
na a i a jo nalís ica endo em is a o concei o de sociedade do consumo, a c í ica e
c ônica gas onômica nunca e e esse apelo enquan o ma é ia esc i a. Como e elado po
quase odos os au o es mencionados nes e abalho, a imagem da comida é que causa o
ascínio. Foi assim desde a apa ição nas e is as b asilei as dos anos 1950, passando pelo
sucesso dos p og amas ele isi os no início dos anos 2000, as iagens de An hony
Bou dain e os eali y shows, a é chega à a ualidade como ápice a a és das edes sociais.
Pa a man e o p es ígio e e um papel ele an e nos p óximos empos, os jo nalis as
gas onômicos e ão de passa po uma ein enção online, com os p óp ios jo nais endo
de apos a num modelo mul ipla a o ma. Os in luenciado es, a é lá, con inua ão ob endo
cada ez mais ele ância e sucesso, especialmen e pela capi alização p opo cionada no
uni e so milioná io que as edes sociais conseguem o e ece .
3. Capí ulo III - Desenho de in es igação
Os obje i os des a disse ação consis em em in es iga a ans o mação da c í ica
gas onômica dian e da ascensão dos in luenciado es digi ais, con as ando sua
c edibilidade com a dos jo nalis as especializados. O es udo p opõe uma análise de alhada
de como os e iews p oduzidos po in luenciado es se sus en am em elação aos c i é ios
écnicos da c í ica gas onômica adicional, discu indo os undamen os e a p o undidade
de seus con eúdos compa a i amen e ao jo nalismo gas onômico.
49
Um dos p incipais ocos da pesquisa é en ende como pla a o mas digi ais,
especialmen e Ins ag am e TikTok, democ a iza am o acesso ao con eúdo culiná io e ao
mesmo empo agiliza am a c í ica, de ido à me can ilização e à ausência de o mação
especializada de mui os in luenciado es. Nesse sen ido, o abalho busca explo a a
chamada "na a i a de c ise" no jo nalismo cul u al, des acada po au o es como Kobez
(2019), que apon a pa a a p eca iedade c escen e das edações adicionais e pa a a
mig ação de con eúdo gas onômico pa a as mídias digi ais. Es e enômeno e le e a
necessidade de econ igu ação dos c i é ios de c edibilidade e da linguagem, como
apon ado po Cama go (2019), que discu e o impac o dessa ansição no en aquecimen o
dos cade nos de gas onomia imp essos.
O es udo ambém oca na elação an agônica en e jo nalis as e in luenciado es,
analisando suas di e enças sob dois eixos p incipais: o acesso ao público e a cons ução
da c edibilidade. De um lado, in luenciado es alcançam um público as o e di e si icado,
u ilizando uma linguagem simpli icada e acessí el, con o me discu ido po Lipo e sky
(1983) no con ex o da sociedade de consumo. De ou o, jo nalis as ope am sob um código
de é ica consolidado, que assegu a impa cialidade e igo c í ico, aspec os essenciais que
ainda sus en am sua au o idade, como apon a Piza (2003) em suas análises sob e o papel
do jo nalismo cul u al. A disse ação p e ende a alia a é que pon o essas duas abo dagens
an agônicas, especialmen e em Po ugal e B asil, in luenciam o consumo gas onômico e
moldam a pe cepção cul u al em o no da alimen ação e dos es au an es.
Po im, o es udo busca comp eende as pe spec i as dos che s enomados sob e
as mudanças ecen es, in es igando como eem a c escen e in luência dos
in luenciado es digi ais e a ans o mação da c í ica adicional. Pa a isso, p ocu amos
esponde à algumas das p incipiais ques ões codi icadas a pa i das en e is as
semies u u adas que se ão ap esen adas a segui . Ques ões como: “quais as p incipais
di e enças en e o in luence e o c í ico/jo nalis a gas onômico?”, “a p o issão de c í ico
gas onômico já acabou ou ai acaba ?” e “quais as possí eis soluções pa a o
c í ico/jo nalis a gas onômico se man e ele an e?”, são algumas das o ien am a di eção
de se abalho.
A pa i dessas análises, o abalho se p opõe a aça possí eis cená ios pa a o
u u o da c í ica gas onômica, suge indo caminhos pa a uma possí el ein enção do
jo nalismo gas onômico no cená io digi al con empo âneo. Assim, espe a-se que a
disse ação con ibua pa a um en endimen o mais p o undo das dinâmicas a uais da
50
c í ica gas onômica e de como a c edibilidade de ambos os g upos pode se e o çada ou
en aquecida.
3.1 Hipó eses
3.2 Mul ipla a o ma
A p imei a hipó ese ób ia sob e o que a p esen e disse ação en a p opo de soluções
pa a a c ise da mídia e na subs i uição de jo nalis as especializados po in luence s na
c í ica gas onômica passa pelo modelo mul ipla a o ma. Os jo nais e ão de se adequa
cada ez mais a um modelo mul ipla a o ma se quise em chega aos mais jo ens. As
no as ge ações dão p e e ência a pla a o mas de ídeo como You ube, Ins ag am e Tik
Tok, como mencionado na in odução, a pa i de análise do ela ó io da Reu e s de 2023.
No B asil, g ande pa e dos jo nais já apos am nessas edes, algo que, em Po ugal, ainda
enga inha. O Diá io de No ícias, po exemplo, jo nal diá io mais an igo do país, con a
com uma pessoa no ca go de social media. Quando es a pessoa es á de olga ou é ias,
simplesmen e não há pos s nas edes sociais.
A p eca iedade nas edações e a pe cepção de que o jo nalismo es á em declínio
são desa ios cons an es, como apon ado po Cama go (2019). No en an o, esse cená io
igno a a unção cen al do jo nalismo como o necedo de in o mações essenciais pa a a
sociedade. Mais do que um declínio, o que es amos p esenciando é uma ans o mação
p o unda. O jo nalismo, como obse a Lim (2012), p ecisa se ajus a ao c escimen o das
pla a o mas digi ais e à eme gência dos in luenciado es e bloguei os como no os agen es
da c í ica. Essa ansição exige uma expansão na cobe u a que á além da simples
eplicação de con eúdo pa a inclui ino ação, como o uso de ídeos complemen a es,
in og á icos in e a i os e epo agens dinâmicas, que são essenciais pa a man e a
ele ância e a compe i i idade.
Nos Es ados Unidos, eículos como The New Yo k Times e The Washing on Pos
já es ão in es indo em con eúdo digi al di e si icado, enquan o emisso as de ele isão
mui as ezes apenas ep oduzem suas ma é ias sem ag ega no os ângulos ou o ma os
in e a i os (Ab amson; B anch). O modelo de jo nalismo mul ipla a o ma, en e an o,
p opõe uma abo dagem di e en e: não se a a apenas de dis ibui a mesma his ó ia em
o ma os di e sos, mas de ein e p e á-la, o e ecendo no as pe spec i as e de alhes
51
adicionais. Como discu ido po Fu bank (2012), essa p á ica en iquece a expe iência do
usuá io e aumen a o engajamen o, algo i al pa a o sucesso na e a digi al.
Na c í ica gas onômica, um campo onde os elemen os isuais e senso iais
desempenham um papel cen al, a in eg ação mul ipla a o ma se o na ainda mais
ele an e. A a és da combinação de ídeos, en e is as em áudio, in og á icos e ou os
o ma os mul imídia, os jo nalis as podem o e ece uma cobe u a mais ica e ime si a,
cap u ando nuances e con ex os que mui as ezes são pe didos na mídia imp essa. Como
Lipo e sky (1983) des acou no con ex o da sociedade do consumo, o público mode no
exige uma expe iência mais comple a e in e a i a, onde o isual e o senso ial se conec am
di e amen e às suas expec a i as de consumo.
Além disso, a o mação de u u os jo nalis as de e inco po a essas habilidades
mul ipla a o ma, p epa ando-os pa a um ambien e de abalho dinâmico e em cons an e
e olução. Um p oje o desen ol ido em um cu so de jo nalismo, ci ado po Lim (2012),
demons ou a e icácia dessa abo dagem ao eina es udan es pa a explo a di e en es
his ó ias a pa i de múl iplas pe spec i as, u ilizando um o ma o que se adap a às
exigências do público con empo âneo. Na c í ica gas onômica, onde a ap esen ação
isual dos p a os e a na a i a em o no da expe iência culiná ia são c uciais, esse ipo de
o mação se o na ainda mais necessá io.
Po im, a apos a no jo nalismo mul ipla a o ma ambém o e ece uma
opo unidade única pa a o se o de c í ica gas onômica se ein en a . Ao combina
di e en es o mas de mídia, os jo nalis as pode ão amplia o alcance de suas c í icas e
compe i com a linguagem acessí el e dinâmica dos in luenciado es, p ese ando a
c edibilidade e o igo que de inem o jo nalismo adicional. Esse modelo se ap esen a,
po an o, como uma solução iá el pa a man e a ele ância e a compe i i idade da c í ica
gas onômica na e a das edes sociais.
3.3 “A Mo e do C í ico”
Po ala em Mul ipla a o ma, oi assim que o jo nalis a Tomás Chia e ini, au o
da Rádio Esca and o começou a a ingi pa ama de sucesso com sua p o issão no B asil
nos úl imos anos. An igo jo nalis a da Folha de São Paulo e di e o do concei uado
p og ama de en e is as Roda Vi a, da TV Cul u a, Chia e ini la gou a g ande mídia pa a
di igi o seu p oje o de jo nalismo independen e, o podcas Rádio Esca and o. Em “A
52
Mo e do C í ico", Chia e ini analisa a decadência do c í ico especializado, e udi o e,
mui as ezes, anônimo.
Em seu episódio, Chia e ini e ela que o c í ico anônimo, um es udioso que
dedica a sua ida à análise minuciosa de emas como gas onomia, já não encon a espaço
no cená io a ual. Essa obse ação dialoga di e amen e com o concei o de mode nidade
líquida de Zygmun Bauman (1999), no qual a sociedade pós-mode na, ca ac e izada pela
luidez das elações e pela apidez da comunicação, não acomoda mais igu as
adicionais. Os c í icos, uma ez is os como au o idades incólumes em suas á eas, ago a
se eem ameaçados pela p esença dos in luenciado es digi ais, que a ingem audiências
mais amplas com uma linguagem mais acessí el e sem o igo que o jo nalismo
cos uma a exigi .
A e lexão de Chia e ini sob e a "mo e do c í ico" essoa ambém nas análises de
au o es como Hani zsch (2007) e K is ensen (n.d.), que obse am como o jo nalismo
cul u al em pe dido espaço pa a na a i as mais in o mais, impulsionadas pela
"newsi icação" e pela p essão me cadológica. Essa c ise no jo nalismo especializado é
exace bada pelas edes sociais, onde o imedia ismo e o ca á e isual equen emen e
subs i uem o igo analí ico e a impa cialidade que ca ac e iza am a c í ica adicional.
A mo e do c í ico, no en an o, não signi ica o desapa ecimen o comple o da
c í ica, mas sim uma e o mulação de suas o mas e p á icas. Chia e ini e ou os
jo nalis as que mig a am pa a o meio digi al con inuam a p oduzi con eúdo e lexi o e
bem-pesquisado, embo a em o ma os mais dinâmicos, como podcas s e ídeos cu os
pa a pla a o mas como YouTube e Ins ag am. Esse mo imen o e le e a necessidade de
adap a o jo nalismo às no as o mas de consumo de con eúdo, o e ecendo análises
p o undas de manei a acessí el e engajado a.
Essa ansição ambém pode se is a no campo da c í ica gas onômica. Se, po
um lado, c í icos anônimos como o lendá io "Apicius" (Robe o Ma inho de Aze edo
Ne o) e am ícones da c í ica nos anos 1970 e 1980, hoje, in luenciado es digi ais com
milhões de seguido es ocupam o espaço que an es e a ese ado pa a eles. As pla a o mas
digi ais, como o Ins ag am e o TikTok, ampliam o alcance das c í icas, mas ao cus o da
p o undidade e do igo analí ico, algo que a mídia adicional busca desespe adamen e
esga a po meio de uma abo dagem mul ipla a o ma.
53
Ao inal do episódio, a e lexão é cla a: a c í ica adicional como conhecemos
pode es a mo endo, a inal, o p óp io p incípio de anonima o já não exis e mais. No
en an o, ac edi amos que o papel do c í ico como mediado cul u al não desapa eceu. Ele
se ein en ou, como Chia e ini ez, mig ando pa a no os espaços de diálogo. Assim, o
jo nalis a gas onômico que sob e i e é aquele que, como ele, comp eende o pode da
na a i a mul ipla a o ma e da p oximidade com o público, sem pe de de is a os
p incípios é icos e o igo da p o issão. Se adap ando, a c í ica não mo e.
3.4 Me odologia
A me odologia u ilizada nes a disse ação oi uma das que ac edi amos se adequa
melho ao obje i o des a in es igação: en e is as semies u u adas, is o é, um mé odo
quali a i o. Esse mé odo pe mi e explo a as nuances e pe cepções indi iduais dos
en e is ados, espei ando a lexibilidade de ap o unda ou explo a no as á eas que
su gem du an e a con e sa (K ale, 1996). Conside ando o obje i o de cap a uma isão
ab angen e sob e o ema, o am selecionados 12 impo an es nomes do cená io
gas onômico de B asil e Po ugal, ep esen ando di e en es e en es dessa indús ia,
como jo nalis as, in luenciado es e che s de al a gas onomia. A escolha po en e is as
semies u u adas possibili a a cap ação de espos as mais elabo adas, ao mesmo empo
em que o nece um o ei o base pa a ga an i a cobe u a de ópicos essenciais, como
de endido po B yman (2016) em es udos sob e mé odos quali a i os.
As en e is as não só acili a am o en endimen o das di e en es pe spec i as de
cada agen e, mas ambém se i am pa a obse a as in e ações en e essas igu as-cha e
e a manei a como eem as ans o mações no campo da c í ica gas onômica. As
pe gun as o am adap adas a cada g upo, con o me seus papéis e a uações den o desse
cená io, man endo semp e o oco na compa ação en e a isão dos jo nalis as adicionais
e o no o enômeno dos in luenciado es digi ais, que dominam pla a o mas como
Ins ag am e TikTok. Nesse sen ido, a cole a de dados se alinham ao obje i o cen al da
disse ação: comp eende as mudanças na c í ica gas onômica e a alia a c edibilidade
dos agen es en ol idos.
Fo am selecionados 12 dos p incipais nomes (seis do B asil e seis de Po ugal),
ligados à gas onomia, pa a en e is as semies u u adas, sendo dois jo nalis as, dois
in luenciado es e dois che s de cozinha de al o gaba i o de ambos os países. Du an e p ess
ips gas onômicas ealizadas pelos jo nais Diá io de No ícias e DN B asil, o am ei as
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abo dagens a ou os dois che s de cozinha sob e o ema — mesmo que b e emen e e não
de a o em en e is as de p o undidade como com os ou os qua o nomes do meio.
Em Guima ães, a con e sa oi com o che An ónio Lou ei o, esponsá el pelo
es au an e A Cozinha, o único com es ela Michelin na egião do Minho, de en o do
ei o há seis anos. Já em San a ém, a con e sa oco eu após uma isi a ao es au an e Ó
Balcão, de Rod igo Cas elo, que ambém oi e e enciado com uma es ela Michelin e
uma es ela e de, que p emia es au an es com polí icas gas onômicas sus en á eis. Na
P ess T ip pa a o Riba ejo, oi possí el iden i ica o no o pe il do jo nalis a
gas onômico de di e en es pa es do mundo, se indo como exemplo pa a b asilei os e
po ugueses — um ópico que se á e omado pos e io men e.
Vol ando à me odologia das en e is as semies u u adas, os nomes o am
escolhidos a dedo. Fo am qua o jo nalis as de B asil e Po ugal com longa ca ei a na
á ea de jo nalismo gas onômico, an o em c í icas quan o em epo agens. Os qua o
che s escolhidos pa a en e is as ambém êm sucesso ele an e na gas onomia, sendo
ês deles esponsá eis po es au an es p emiados com es elas Michelin, o maio
gala dão gas onômico do mundo, e um com um es abelecimen o que, embo a não enha
es ela, igu a no guia da ins i uição ancesa. A escolha po es au an es do chamado ine
dining se deu po esses a ingi em o maio pa ama possí el na gas onomia mundial.
Já os in luenciado es, ou c iado es de con eúdo, o am escolhidos com base no
alcance que êm nas edes sociais, nes e caso especí ico, no Ins ag am. Após análise,
o am selecionados os seguin es nomes, a pa i de seus cu ículos e ele ância no cená io
gas onômico.
Che s
1. José A illez (44 anos, Po ugal)
José A illez é um dos p incipais che s po ugueses da a ualidade e oi um dos
p imei os nomes selecionado pa a as en e is as. O Che é esponsá el pelo Belcan o, em
Lisboa, que con a com duas es elas do Guia Michelin e uma posição de des aque en e
os melho es es au an es do mundo, ocupando o 31º luga na lis a do The Wo ld’s 50 Bes
Res au an s. Além do Belcan o, A illez lide a o Encan o, ambém em Lisboa, p emiado
com uma es ela Michelin. Sua in luência es ende-se ambém pa a o Ma é, em Cascais, e
o Bai o do A illez, complexo gas onômico em Lisboa que ab iga a Tabe na e o Pá eo.
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A illez ambém comanda ou os es au an es em Lisboa, como o Mini Ba e a
Pizza ia Lisboa, além do Can inho do A illez em á ias localizações, incluindo o Chiado
e o Pa que das Nações em Lisboa e unidades em Cascais e no Po o. No cená io
in e nacional, A illez expande sua p esença com o Tasca, em Dubai, p emiado com uma
es ela no Guia Michelin, e o Mesa, em Macau.
En e is a po ligação em 28 de agos o de 2024.
2. Ma lene Viei a (44 anos, Po ugal)
Ma lene Viei a é uma das che s mais impo an es de Po ugal e ambém oi
selecionada pa a as en e is as po sua ele ância no cená io gas onômico. Conhecida
po sua isão con empo ânea e c ia i a da cozinha po uguesa, Ma lene ganhou
no o iedade ao aze um es ilo ino ado aos p a os adicionais do país. Em Lisboa, ela
comanda os es au an es Ma lene e Zumzum Gas oba , que apidamen e se des aca am
en e os es abelecimen os mais p es igiados da capi al.
En e is a po ligação em 20 de agos o de 2024.
3. Janaína To es (49 anos, B asil)
É simplesmen e a melho che mulhe do mundo, de aco do com a aclamada lis a
The Wo ld's 50 Bes Res au an s, p emiação da e is a b i ânica Res au an . C iado a do
ino ado Ba Dona Onça, que ica no icônico Edi ício Copan, no cen o de São Paulo,
Janaína é hoje um dos p incipais nomes da gas onomia b asilei a e econhecida po sua
capacidade de equilib a , de manei a singula , a au en icidade dos sabo es popula es
b asilei os com a so is icação da al a gas onomia. Ao lado de seu ex-ma ido, Je e son
Rueda, ez pa e da idealização da aclamada A Casa do Po co, classi icado en e os
melho es es au an es do mundo, com uma ca a onde a ca ne suína é ele ada a um ní el
de e inamen o a amen e is o.
En e is a po ligação em 8 de agos o de 2024.
4. Ra a Cos a e Sil a (45 anos, B asil)
Ra a Cos a e Sil a é um dos che s b asilei os mais enomados da al a gas onomia
in e nacional. Fo mado no p es igiado Culina y Ins i u e o Ame ica (CIA), ele começou
sua ca ei a no Muga i z, no País Basco, onde apidamen e se o nou b aço di ei o do che
Andoni Adu iz. Em 2014, ab iu o es au an e Lasai, no Rio de Janei o.
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Em 2023, Cos a e Sil a ans e iu o Lasai pa a um espaço meno e mais in imis a, com
um balcão de dez luga es, o que o imizou a expe iência gas onômica. O no o o ma o
do es au an e se mos ou um sucesso, le ando o Lasai a subi 20 posições no anking
Wo ld's 50 Bes , o nando-se um dos mais bem a aliados do B asil, a ás apenas da Casa
do Po co e consolidando o Lasai como um dos mais exclusi os do Rio de Janei o, com
ese as esgo adas meses an es. A ualmen e, o es au an e possui duas es elas Michelin.
En e is a po ligação em 3 de se emb o de 2024.
Jo nalis as
1. Rica do Dias Felne , (47 anos, Po ugal, Jo nal Exp esso).
Um dos p incipais c í icos gas onômicos do país, Rica do Dias Felne é jo nalis a
desde o inal dos anos 90 e há mais de dez ano se dedica exclusi amen e ao jo nalismo
gas onômico. A ualmen e, esc e e c ônicas semanais no jo nal Exp esso, além de
comanda o podcas “O Homem que Comia Tudo”, homônimo ao p og ama de ele isão
que es elou na Sic No ícias no p imei o semes e de 2024. Mul ipla a o ma. É au o do
li o de mesmo nome, dá cu sos de esc i a gas onômica e é pesquisado na Faculdade de
Ciências Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa (FCSH).
En e is a p esencial em 17 de julho de 2024.
2. Josima Melo (70 anos, B asil, Folha de São Paulo)
Já e e ido como nome undamen al da c í ica gas onômica b asilei a no p esen e
es udo, Josima Melo oi um dos jo nalis as escolhidos pa a a pa e de en e is as des e
p oje o. C í ico da Folha de São Paulo desde o início dos anos 90, quando c iou o cade no
de comida, Melo ago a concilia seu abalho no papel esc i o com a ele isão: ele é di e o
do canal Sabo & A e, ocado no con eúdo da culiná ia e da gas onomia e que pe ence
ao G upo Bandei an es de Comunicação.
En e is a po zoom em 22 de agos o de 2024.
3. Nenel (42, B asil, @baixagas onomia)
Daniel Ne o, popula men e conhecido como Nenel, é um dos jo nalis as que mais
apos am nas edes sociais. A a és de sua página @baixagas onomia, Nenel expõe aos
seus mais de 700 mil seguido es algumas de suas expe iências gas onômicas em bo ecos,
ba es e es au an es das mais di e en es cidades do B asil, especialmen e Belo Ho izon e,
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cidade na al. Em pos ixado no seu Ins ag am após ecebe o p êmio de In luenciado
Gas onômico do ano, Nenel esc e eu: “Sou jo nalis a gas onômico desde 2008.
In luence é consequência”. En e is a ob iga ó ia pa a es e es udo.
En e is a po zoom em 27 de agos o de 2024
4. Ca a ina Luís Mou a (31 anos, Po ugal, eelance)
Ca a ina Mou a é uma das p incipais jo nalis as de gas onomia da no a ge ação
em Po ugal. Após abalha na e is a Time Ou Po ugal, g ande e e ência do
jo nalismo gas onômico e de li es yle no país, Mou a ago a é eelance e cos uma
colabo a com o jo nal Público. Ten a in es i nas edes sociais, mui as ezes le ando
ex os jo nalís icos pa a as legendas da ede social.
En e is a po zoom em 18 de julho de 2024.
In luenciado es
1. Jo ge Fe ei a (28 anos, Po ugal, @gas opiço)
Jo ge Fe ei a, a a és de sua página @gas opiço, conseguiu se consolida como
um dos maio es in luence s gas onômicos de Po ugal. Jo ge compa ilha nas edes
sociais com seus mais de 200 mil seguido es suas expe iências nos mais di e en es
es au an es, desde o ine dining a é as ascas mais adicionais. O es ilo de na a i a de
Jo ge é mui o di e en e da maio pa e dos in luence s que azem sucesso nas edes. Com
uma linguagem cheia de exp essões ipicamen e po uguesas, ele em um jei o de “Chico
espe o”, alguns podem indica e não em medo de apon a o dedo se alguma coisa na sua
expe iência não co eu bem, di e en emen e de ou os in luence s que i em no pa aíso
gas onômico. Além disso, não em a c iação de con eúdo como abalho e sim como
hobby que, ez ou en a, complemen a a enda.
En e is a po zoom em 26 de julho de 2024.
2. Sab ina e Renã (21 e 24 anos, B asil/Po ugal, @ e iews.PT).
Foi a a és do @gas opiço que chegamos aos que os p óp ios se iden i icam
como “o casal mais comilão de Po ugal”. Sab ina Ca doso em a página @ e iews.p e
iden i ica o seu companhei o, Renã Ca doso, como o “Mozão do e iew”. Ambos são de
Goiânia e es ão em Po ugal há qua o anos. Ao iden i ica a al a de in luence s de
gas onomia po aqui em compa ação com o B asil, esol e am in es i nas edes sociais.
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Já na abela 2, emos a di e ença en e um agen e e ou o na pe spec i a dos
en e is ados. Ca a ina Luís Mou a, ao a i ma que "ac edi o que haja in luence s que
azem uma boa e iew a oco de uma e eição ou a oco de dinhei o e isso é o c i é io
su icien e pa a da em uma boa no a ou dize em bem de um luga ", az à ona a ques ão
cen al da c edibilidade dos in luenciado es. Essa c í ica e le e o concei o de "sociedade
do espe áculo" de Guy Debo d (1967), que obse a como o alo das expe iências, na e a
mode na, é medido pela sua capacidade de se em ans o madas em p odu os consumí eis
e endá eis.
Pa a Ca a ina, os in luenciado es ope am den o desse sis ema de oca, onde a
c edibilidade é equen emen e comp ome ida po pa ce ias come ciais. Debo d ambém
suge e que, na sociedade do espe áculo, as imagens e apa ências são mais impo an es
que a ealidade subjacen e. O que impo a não é necessa iamen e a qualidade do
es au an e ou da e eição, mas a o ma como isso é exibido nas edes sociais.
Rica do Dias Felne compa ilha essa pe spec i a ao decla a que "o jo nalis a é
um p o issional. Não abalho pa a ma cas, não ganho dinhei o com es au an es e não
es ou ce o que a maio ia dos in luenciado es que abalham nes a á ea deixem de o
aze ". A dis inção en e o jo nalis a e o in luenciado aqui es á na au onomia e na
in eg idade. Felne ei e a a impo ância de man e a dis ância c í ica necessá ia pa a
ealiza um abalho de a aliação hones o, o que se alinha com o que Pie e Bou dieu
(1983) de ende em seu concei o de "campo". Pa a Bou dieu, o campo do jo nalismo
eque capi al cul u al, e a c edibilidade dos jo nalis as se cons ói sob e sua
independência e especialização. Já os in luenciado es, equen emen e inanciados po
pa ce ias, comp ome em essa au onomia, minando a c edibilidade e sua posição den o
do campo gas onômico.
A ala con unden e de Josima Melo e o ça a c í ica aos in luenciado es ao
classi icá-los como "palpi ei os". Pa a ele, "o c í ico é um c í ico, o in luence é um
palpi ei o. Pa a ocê se o na um c í ico gas onômico, é p eciso passa po uma iagem
de ida, se especializa em jo nalismo e se p o ado po eículos (...) no esgo o a céu
abe o que são as edes sociais, em mui a gen e espe a e compe en e pa a a ai a enção.
Não en endem nada de comida ou inho, mas são compe en es pa a pa ece que
en endem. Da noi e pa a o dia, em cen enas de pessoas pa a da opinião. Mas não são
c í icos gas onômicos, nem de ópe a, nem de ja dinagem. São palpi ei os".
65
A ideia de " iagem de ida" ecoa o concei o de expe ise de Bou dieu, onde o
capi al cul u al é acumulado a a és de anos de p á ica e es udo. O comen á io de Josima
sob e as edes sociais como "esgo o a céu abe o" ambém dialoga com as c í icas de
Debo d à supe icialidade e ao imedia ismo da sociedade do espe áculo.
Daniel Ne o, popula men e conhecido como Nenel, jo nalis a esponsá el pelo
@baixagas onomia, e o ça essa dis inção ao a i ma : "Pode se meio clichê, mas penso
que a p incipal di e ença seja o embasamen o. Desde a esc i a, a é o senso c í ico. Uma
das p imei as coisas que ap endi no cu so de Jo nalismo na aculdade oi e senso c í ico
e al ez seja algo que os in luence s não em". A ques ão do embasamen o écnico es á no
cen o da c í ica ei a po jo nalis as. Bou dieu (1983) a gumen a que o capi al cul u al é
o que sepa a os e dadei os especialis as daqueles que simplesmen e ocupam espaço no
campo. Pa a Daniel, o senso c í ico adqui ido no jo nalismo é o que al a aos
in luenciado es.
A mesma c í ica é le an ada po Ma lene Viei a, che do Zumzum Ba , que
obse a: "Os jo nalis as gas onômicos dos empos em que comecei inham uma li e acia
maio em elação aos in luence s de hoje em dia: mais conhecimen o de causa, de
ques ões écnicas". Ma lene, ao ala sob e a "li e acia", az a discussão sob e o ní el de
p o undidade que o jo nalis a o e ece em suas a aliações. Isso e o ça a ideia de que o
jo nalismo gas onômico adicional se baseia em um conjun o de habilidades écnicas,
algo que, pa a ela, em se pe dido nos úl imos empos.
Renã e Sab ina, do @ e iews.p , o e ecem uma pe spec i a opos a, ao menciona
que "no nosso caso, nós não c i icamos a comida e, sim, indicamos um local. Se não o
bom, não pos amos, di e en emen e do c í ico, que a alia". Aqui, ica cla o que o papel
do in luenciado se dis ancia da c í ica no sen ido adicional, passando a se mais uma
ecomendação, mui as ezes posi i a, e mui as ezes a elada a in e esses come ciais.
Essa di e ença es á de aco do com o que Lipo e sky (2007) denomina de
"hipe consumo", onde o obje i o é p omo e o consumo cons an e, em ez de o e ece
uma análise c í ica.
Jo ge Fe ei a, do @gas opiço, ambém econhece a dis inção en e os dois
papéis: “P imei o, a o mação, que po no ma, já az não se mos p op iamen e c í icos
gas onômicos (...) numa ques ão mais p á ica, ou a di e ença é que os jo nalis as
gas onômicos êm uma linguagem mais eli is a e nós uma comunicação mais le e e
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descomplicada". A obse ação de Jo ge sob e a linguagem az à ona a discussão de
Hani zsch (2007) sob e as epis emologias jo nalís icas. A linguagem dos jo nalis as,
mui as ezes écnica e complexa, pode dis ancia pa e do público, enquan o os
in luenciado es ado am uma abo dagem mais di e a e acessí el. Isso pode se is o como
uma an agem pa a os in luenciado es, que se conec am mais acilmen e com o público
nas edes sociais.
Be na do Soa es, do @ e iewsdomus ache, segue a mesma linha de pensamen o,
ao des aca a "in o malidade" de sua abo dagem: "O jo nalis a mais clássico se a ém mais
a ques ões écnicas do p a o e o que o luga se p opõe. O in luence - pelo menos no meu
caso - mos a a expe iência como um odo". A ala de Be na do ilus a o que Bauman
(1999) desc e e como a "mode nidade líquida", onde as expe iências são e ême as e
luídas. Pa a ele, o que impo a não é apenas a comida, mas oda a expe iência
gas onômica, algo que é acilmen e cap u ado em ídeos cu os e o os no Ins ag am.
O che José A illez o e ece uma isão p agmá ica sob e a ans o mação do papel
dos c í icos e in luenciado es, ao a i ma que "hoje em dia, pouca. Os in luence s não
pagam pela e eição, mas os jo nalis as ambém em mui os casos. Os jo nais já não êm
dinhei o pa a in es i nisso. A maio di e ença al ez hoje em dia seja que os in luence s
mobilizam massas, milhões de pessoas". A illez econhece a p eca iedade inancei a das
edações, algo ambém obse ado po Cama go (2019), que apon a como a c ise no
jo nalismo em le ado a co es de gas os que a e am di e amen e o abalho dos c í icos.
A ala de A illez e le e o impac o dessas mudanças no cená io gas onômico, onde a
capacidade dos in luenciado es de mobiliza g andes públicos se o na uma an agem
inegá el, ainda que à cus a de uma análise mais ap o undada.
Finalmen e, Ra a Cos a e Sil a, che do Lasai, oca em uma ques ão cen al e que
se á e omada em b e e nes a disse ação: "Os in luence s mandam e-mail que endo aze
pa ce ias: comida po e iew. Di e o p o lixo (do e-mail)". Ra a i oniza a abo dagem
come cial dos in luenciado es, des acando a di e ença en e a c í ica sé ia e a p opaganda.
A pa ce ia en e in luenciado es e ma cas é um ema eco en e e eme e ao concei o de
"capi alismo de igilância", de Zubo (2019), onde as pla a o mas de mídia social
ans o mam cada in e ação em uma opo unidade de mone ização.
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4.2 “Que uma e iew?”
O e cei o pon o impo an e des a análise é comp eende quem come de g aça e
quem os che s se em de g aça. A p á ica do "come de g aça" é um dos emas mais
polêmicos e sensí eis no campo da c í ica gas onômica con empo ânea, pa icula men e
quando se a a da a uação de in luenciado es digi ais e c í icos adicionais. O enômeno
dos in luence s, especialmen e no Ins ag am, ans o mou o cená io da c í ica culiná ia,
es abelecendo no as dinâmicas de oca en e es au an es e agen es midiá icos. A
mensagem au omá ica en iada pelo pe il @ e iewsdomus ache, "Que uma e iew?", é
um exemplo emblemá ico de como essa elação come cial se dá no ambien e digi al, onde
a o e a de publicidade se mis u a com a c í ica, mui as ezes le an ando ques ionamen os
sob e a isenção e c edibilidade desse ipo de con eúdo.
Respos a au omá ica do pe il do Ins ag am de Be na do Soa es, o
@ e ieewsdomus ache
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A ques ão p incipal gi a em o no de quem paga pela e eição e quais são as
implicações é icas de acei a ou não o e as g a ui as. Pa a Josima Melo, c í ico da Folha
de São Paulo, a pos u a é cla a: "Nunca comi de g aça. Qualque jo nal que em um nome
a zela , seja a Folha de São Paulo, o Globo, o Diá io de No ícias, não deixa um c í ico
come em oca de uma esenha". A ala de Melo des aca uma ensão cen al na c í ica
gas onômica: a c edibilidade é di e amen e impac ada pela independência inancei a das
a aliações. Aqui, pode-se es abelece um diálogo com as análises de Cama go (2019),
que essal am que o jo nalismo gas onômico ainda busca man e um pad ão é ico
igo oso, especialmen e em meios adicionais.
Tabela 3: almoço g á is?
Código
Desc ição
N / (%)
En e is ado
Paga pela e eição
Jo nalis as e c í icos que
e i am come de g aça e
pagam pelas suas
e eições.
5
(45%)
Ca a ina Luís Mou a, Rica do
Dias Felne , Josima Melo,
Daniel Ne o, Jo ge Fe ei a
T oca de publicidade
In luence s que não
pagam pela e eição,
mas eem isso como
pa e de uma oca de
publicidade.
2
(18%)
Renã e Sab ina Ca doso,
Be na do Soa es
Comem de g aça
ocasionalmen e
Jo nalis as e c í icos que
já acei a am e eições
g a ui as, mas a amen e
ou com cau ela.
3
(27%)
Rica do Dias Felne , Jo ge
Fe ei a, Ca a ina Luís Mou a
O e ece e eições a
jo nalis as/in luence s
(apenas che s)
Che s que o e ecem
e eições an o pa a
jo nalis as quan o
4
(100%)
José A illez, Ma lene Viei a,
Janaína To es, Ra a Cos a e Sil a
69
in luence s, com
a iações no pagamen o.
Con a e eições g a ui as
C í icos ou jo nalis as
que se opõem
comple amen e a come
de g aça.
2
(18%)
Josima Melo, Daniel Ne o
Rica do Dias Felne , c í ico do Exp esso, admi e que já acei ou e eições g a ui as,
ainda que de o ma ocasional e com mui as essal as: "Já ui a es au an es que me
paga am a e eição, mas é algo que acon ece mui o ocasionalmen e e, po p incípio, e i o:
a e a a c í ica. Se ocê paga 100 eu os pa a come em um es au an e, sua c í ica, seu
g au de exigência, au oma icamen e se á maio do que se o con idado pa a come uma
e eição de 100 eu os". Felne apon a um dilema é ico eco en e, onde o pagamen o ou
g a uidade da e eição pode in luencia , de o ma su il, o igo com que a a aliação é
conduzida. Aqui, a discussão se ap oxima dos concei os de anspa ência no jo nalismo,
con o me discu ido po Meije e Bijle eld (2016), ao suge i que a c edibilidade es á
in imamen e ligada à cla eza das in enções e condições da c í ica.
José A illez, con i ma que, em alguns casos, os jo nalis as acei am e eições
g a ui as: "Alguns jo nalis as sim, mas nem odos. In luence s não, nunca cul i ei isso".
A ala de A illez e ela uma lexibilidade em como os che s pe cebem e a am an o
jo nalis as quan o in luence s, apon ando pa a uma con luência de p á icas que
a a essam ambos os agen es. Pa a A illez, a ques ão não é apenas quem paga, mas quem
mobiliza o público e impac a de a o o me cado, ecoando os a gumen os de au o es como
K is ensen (n.d.), que abo dam a in e seção en e jo nalismo cul u al e consumo.
Ca a ina Luís Mou a, colabo ado a do Público, admi e a p á ica em pa e: "Os
es au an es podem o e ece um p a o ou ou o, mas quando aço epo agens, e i o a é i
em ho á io de e eição (...) meu oco é con a his ó ias, não a alia a comida". Pa a
Mou a, a sepa ação en e c í ica e epo agem é undamen al pa a man e a in eg idade
da sua a uação como jo nalis a gas onômica, mas o a o de os jo nais não consegui em
cus ea essas despesas essal a o declínio econômico da imp ensa, que a e a a
sus en abilidade de uma c í ica isen a.
70
Po ou o lado, os in luenciado es lidam com o "come de g aça" de manei a mui o
mais come cial e p agmá ica. Be na do Soa es, do pe il @ e iewsdomus ache, expõe a
ealidade de mui os in luence s: "Vi ou um abalho. An es ia de g aça. Ago a os
es au an es me pagam pa a eu aze uma e iew". Aqui, o a o econômico é cen al: a
mone ização do con eúdo nas edes sociais ans o ma a elação en e c í ica e es au an e
em uma pa ce ia come cial. Esse enômeno é obse ado ambém po Renã e Sab ina
Ca doso, do @ e iews.p : "Nós não comemos de g aça. Há uma oca de publicidade". A
ideia de " oca" é is a po mui os in luence s como uma elação de ecip ocidade en e
isibilidade e expe iência, o que, na lógica digi al, se alinha com as p á icas comuns de
ma ke ing nas edes sociais, con o me discu ido po Hepp (2015).
Jo ge Fe ei a, do @gas opiço, é uma excepção en e os in luence s. Ele admi e
que paga pelas e eições na maio ia das ezes, mas já acei ou con i es em algumas
ocasiões: "Po no ma, pago semp e. Mas já acon eceu de me econhece em e o e ece em".
A a és de uma in es igação p óp ia, es e pesquisado e e acesso a um
documen o en iado pelo pe il @ e iews.p a um es au an e no Pa que das Nações, em
Lisboa. A p opos a con inha as seguin es demandas:
"Boa a de, somos uma página de e iews que já passou po mais de 400 es au an es em
Po ugal. Nas nossas edes sociais (Ins ag am e Tik Tok), emos ap oximadamen e 14
milhões de imp essões (...) o cachê pa a duas pessoas, no qual p oduzimos um eels sob e
o es au an e é de €500".
Es e exemplo ilus a como o "come de g aça" e oluiu pa a uma o ma explíci a
de negociação come cial, onde a c í ica se con e e em p odu o publici á io, uma p á ica
que e le e o que au o es como Fü sich (2012) e Lipo e sky (2007) desc e em como a
me can ilização da c í ica cul u al no con ex o da sociedade de consumo. Fica aqui
ambém um exemplo cla o de como as edes sociais se o na am en á eis pa a aqueles
que consegui am “cai nas g aças” do algo i mo. O que Renã e Sab ina azem em dois
eels de 60 segundos cada (1000 eu os), a maio ia dos jo nalis as em Po ugal não azem
em mês de abalho.
Ma lene Viei a, e o ça uma c í ica incisi a a essas p á icas: "A ques ão nem é
come de g aça e sim, os que são pagos. Mui os in luence s são pagos po emp esá ios
donos de es au an es". Aqui, ela le an a um pon o sob e a mone ização explíci a que
molda as a aliações nas edes sociais. A p á ica come cial dos in luence s é algo que ai
71
além do simples con i e pa a uma e eição g a ui a; en ol e pagamen os di e os, como
e idenciado pela in es igação ei a jun o ao @ e iews.p . Es e a o apon a pa a uma
ans o mação da c í ica gas onômica em p odu o de ma ke ing, onde os alo es
econômicos ul apassam os p incípios edi o iais que guiam os jo nalis as adicionais.
Po im, Ra a Cos a e Sil a, che do es au an e Lasai, no Rio de Janei o, ado a
uma posição mis a: "Eu con ido jo nalis as, alguns pagam, ou os não. Já i c í icos de
jo nais impo an es aqui no meu es au an e pagando pa e da con a com ca ão da
emp esa, pa e com ca ão pessoal. In luence s ambém chamo às ezes, se eu o com a
ca a da pessoa e acha que ale a pena". A ala de Cos a e Sil a e le e o p agma ismo
que mui os che s ado am ao lida com jo nalis as e in luence s. A escolha de quem
con ida e quem paga não é mais apenas uma ques ão de é ica p o issional, mas ambém
de elacionamen o pessoal e isibilidade es a égica, o que se alinha com o concei o de
"capi al social" discu ido po Bou dieu (1983).
Assim, o deba e sob e "come de g aça" ilus a a complexa dinâmica en e
jo nalis as, in luence s e che s de cozinha. Enquan o os jo nalis as adicionais, como
Josima Melo e Daniel Ne o, de endem o dis anciamen o das e eições g a ui as pa a
p ese a sua isenção, os in luence s, como Be na do Soa es e Renã e Sab ina Ca doso,
conside am essa oca uma pa e no mal do ecossis ema digi al. En e os che s, a p á ica
de o e ece e eições an o a c í icos quan o a in luence s a ia, e elando uma no a ase
da c í ica gas onômica, onde as on ei as en e publicidade, c í ica e ma ke ing se
o nam cada ez mais ênues.
4.3 Redes sociais enquan o e amen a de abalho
O impac o das edes sociais no abalho de jo nalis as, in luenciado es e che s é
inegá el, e essa análise e ela as di e en es o mas como esses agen es pe cebem e
u ilizam essas pla a o mas. De um lado, há quem eja as edes como undamen ais,
ans o mado as e mone izá eis; de ou o, há aqueles que as enxe gam apenas como
e amen as complemen a es, quase que ob iga ó ias, mas não essenciais pa a seu o ício.
Po im, a pe spec i a dos che s, que, hoje em dia, são cada ez mais supe es elas ao sai
da cozinha pa a as elas, seja nas edes sociais, seja na ele isão.
A jo nalis a Ca a ina Luís Mou a, econhece a impo ância de es a p esen e nas
edes sociais, especialmen e conside ando o público mais jo em e o consumo de
in o mação ápida: "É undamen al. Faze um con eúdo mul ipla a o ma é essencial hoje.
72
Mui os jo nais azem bem, mas se calha não an o na á ea da gas onomia... Se o público
hoje se in o ma pelas edes sociais, é ob igação dos jo nais e das e is as especializadas,
que êm a in o mação idedigna e e i icada, i em e com esse público nas edes."
Mou a não apenas alo iza o papel das edes sociais, mas ambém des aca a
esponsabilidade dos eículos adicionais de ga an i a qualidade e a c edibilidade da
in o mação, algo que K is ensen (2018) de ende ao a gumen a que a con e gência digi al
de e man e os pad ões jo nalís icos de e i icação e p o undidade, mesmo em
pla a o mas mais le es e dinâmicas.
Tabela 4: a impo ância das edes
Código
Desc ição
N /
(%)
En e is ado
Redes sociais
como essenciais
Conside a as edes sociais
undamen ais pa a a
di ulgação e o abalho.
6
(43%)
Ca a ina Luís Mou a, Daniel
Ne o, Renã e Sab ina
Ca doso, Be na do Soa es,
Ma lene Viei a, José A illez
Redes sociais
como
complemen o
Usa as edes como um
complemen o, mas não as
ê como p incipal meio.
4
(29%)
Rica do Dias Felne , Josima
Melo, Janaína To es, Ra a
Cos a e Sil a
Redes sociais
como hobby
Conside a as edes sociais
um hobby, sem ele ância
p o issional di e a.
2
(14%)
Jo ge Fe ei a
P ecisa de ges ão
p o issional
Ac edi a que de e ia
melho a a ges ão das
edes ou con a a alguém
pa a isso.
3
(21%)
José A illez, Ra a Cos a e
Sil a, Ma lene Viei a
73
Redes sociais
muda am a ida
Ac edi a que as edes
sociais ans o ma am sua
ca ei a e on e de enda.
2
(14%)
Renã e Sab ina Ca doso,
Be na do Soa es
Relu ância ou
al a de uso
e e i o
Usa as edes sociais, mas
com pouca equência ou
de o ma elu an e.
3
(21%)
Josima Melo, Janaína To es,
Ra a Cos a e Sil a
Já Rica do Dias Felne , c í ico gas onômico do Exp esso, compa ilha uma isão
mais p á ica e es a égica sob e as edes: "Acho que em que ha e ease s nas edes
sociais pa a que as pessoas saibam que exis e, que es á lá uma coisa maio no jo nal e que
ale a pena eles da em dois eu os pa a le ." Pa a Felne , as edes uncionam como um
ga ilho de cu iosidade que di eciona os lei o es pa a o con eúdo p incipal, mos ando
como os jo nalis as p ecisam se adap a à lógica de a ação de público, mas sem pe de
de is a o alo do jo nalismo pago. Ele mesmo con essa: "Eu aço isso ambém nas
minhas edes, não com a egula idade e com o p o issionalismo que de ia, mas en o
aze ."
Josima Melo ado a uma pos u a mais conse ado a em elação às edes sociais,
e elando a é ce o descon o o:
"Meu Ins ag am é uma bos a. Tenho só po ob igação. Eu esc e o no maio jo nal
do B asil e sou di e o em um canal que em 12 milhões de la es que assinam. Eu consigo
sob e i e abalhando nessas mídias. É meio ob iga ó io ( e Ins ag am) po que em
gen e que não lê mais jo nal, não ê ele isão, não ê o no iciá io, en ão se em gen e que
gos a da gas onomia e não lê jo nal, eu en o di ulga ali. Mas a minha mídia não é o
Ins ag am, é um me o acessó io: eu anuncio as coisas, não aço a c í ica ali em 10
segundos."
A ala de Josima , com sua i onia e anqueza, e le e uma esis ência à
supe icialidade que as edes podem impo , um pon o que Bauman (2000) discu e ao
abo da a mode nidade líquida, onde a luidez e a ins an aneidade mui as ezes
comp ome em a p o undidade das in e ações sociais.
80
Código
Desc ição
N / (%)
En e is ado
pe dendo
espaço, sendo
subs i uída po
o ma os mais
imedia is as,
espe acula es e
ol ados pa a o
en e enimen o.
Guias de Re e ência e Selo de
Qualidade
Guias como
Michelin e 50
Bes ainda
exe cem g ande
in luência,
o e ecendo uma
ga an ia de
qualidade, mas
ambém es ão
sob
ques ionamen o
po ques ões de
impa cialidade.
5 /
(45,5%)
Ma lene Viei a, José A illez, Janaína
To es, Josima Melo, Ra a Cos a e
Sil a
Necessidade de Adap ação e
Rein enção
Tan o jo nalis as
quan o
in luence s
p ecisam se
ein en a
cons an emen e
pa a se
man e em
6 /
(54,5%)
Ca a ina Luís Mou a, Be na do Soa es,
Rica do Dias Felne , Renã e Sab ina
Ca doso, Daniel Ne o, Janaína To es
81
Código
Desc ição
N / (%)
En e is ado
ele an es e
acompanha em
a e olução das
pla a o mas
digi ais e o
compo amen o
do público.
Ca a ina Luís Mou a obse a que "o jo nalismo gas onômico pe deu pa e de seu
papel in luenciado ", mas de ende que "alguns c í icos ainda man êm ele ância de ido
ao conhecimen o e ao alo que os lei o es lhes a ibuem". Pa a ela, é c ucial que
jo nalis as e jo nais ede inam seu papel, indo além de simples e iews ou Reels. “Como
jo nalis a, ejo que posso semp e ac escen a algo, não apenas epo a . É undamen al
con a his ó ias, ap ende com especialis as e ansmi i esse conhecimen o de o ma
c í ica”, en a iza Ca a ina. A ques ão, segundo ela, não é apenas ala sob e consumo, mas
aze uma análise ab angen e e e lexi a sob e a gas onomia, que á além do con eúdo
supe icial amplamen e encon ado nas edes sociais.
Rica do Dias Felne , po ou o lado, c i ica a acei ação, pelos jo nais, da
"pe missi idade azida pelas edes sociais", especialmen e no que diz espei o às eg as
é icas. Pa a ele, a solução pa a o u u o não passa po con eúdos pa ocinados, mas pela
ea i mação dos eículos jo nalís icos como ins i uições igo osas e impa ciais.
"Jo nalis as e c í icos es ão sendo cada ez mais p essionados a abandona o
dis anciamen o e a impa cialidade, esc e endo pa a quem os paga", ale a Felne ,
ei e ando que, pa a p ese a a c edibilidade da c í ica, essas eg as p ecisam se
man idas com igo .
Josima Melo az uma pe spec i a o imis a ao des aca o caso do New Yo k
Times, que supe ou uma c ise inancei a ao ado a o modelo de assina u as digi ais.
Segundo ele, a Folha de S.Paulo seguiu um caminho semelhan e: "A Folha em 80% dos
seus assinan es em o ma o digi al". Ele ac edi a que, com a ecupe ação desses g andes
eículos, a c í ica gas onômica pode se e i alizada. "Com a p ospe idade da mídia
82
sé ia, ha e á dinhei o pa a ein es i em á eas como a c í ica gas onômica", a i ma
Josima , des acando que o modelo digi al não é o im do jo nalismo de qualidade, mas
sim uma al e na i a iá el pa a ga an i a con inuidade do bom jo nalismo. Segundo ele,
“os in luenciado es digi ais não ão pe manece pa a semp e no opo”.
No con ex o b asilei o, Daniel Ne o, do @baixagas onomia, lamen a a escassez
de c í ica especializada, a i mando que "p a icamen e não há c í ica gas onômica no
B asil". Ele obse a que "há poucos c í icos de e dade" e ac edi a que a al a de espaço
e embasamen o écnico são os p incipais a o es po ás desse declínio. Pa a ele, os
jo nalis as p ecisam adap a -se às edes sociais, mas sem pe de o oco na c edibilidade,
que conside a se o e dadei o di e encial a longo p azo. “A c edibilidade é algo di ícil
de conquis a , mas ácil de pe de ”, ale a Daniel, en a izando a impo ância da
anspa ência nas edes sociais, onde mui os e iews são, na e dade, "publicidade
dis a çada de opinião".
Renã e Sab ina Ca doso, do @ e iews.p , econhecem a impo ância das edes
sociais pa a o u u o da c í ica, mas ad e em que "os jo nalis as ambém p ecisam se
ajus a pa a acompanha esse mo imen o, ou ica ão pa a ás". Pa a eles, os
in luenciado es o e ecem uma isão mais pessoal e acessí el, que essoa com um público
mais amplo. "Es amos cada ez mais ocados em o e ece con eúdo de qualidade", dizem,
ao econhece que o papel do in luenciado é di e en e do c í ico adicional, que se dedica
a análises écnicas e de alhadas.
Jo ge Fe ei a, do @gas opiço, az uma c í ica di e a à banalização das c í icas
gas onômicas nas edes sociais. Ele ale a pa a a p oli e ação de páginas de comida no
TikTok, onde "qualque pessoa pode aze um ídeo de a aliação gas onômica", mui as
ezes sem o conhecimen o écnico necessá io. "A banalização das c í icas gas onômicas,
com a i mações como 'o melho sushi de 15 eu os', es á se o nando comum", a i ma
Jo ge, des acando o impac o nega i o disso pa a o cená io gas onômico. Pa a ele, o
jo nalismo gas onômico de e se eposiciona pa a comba e essas c í icas supe iciais e
enganosas, e amplia sua p esença em espaços como a ele isão e ou as pla a o mas mais
adicionais. Ele elogia inicia i as como o P oje o Ma é ia, mas essal a que esses p oje os
p ecisam de mais alcance pa a ealmen e impac a o público.
Be na do Soa es, do @ e iewsdomus ache, az uma isão de adap ação
necessá ia pa a o u u o. Ele obse a que os jo nalis as p ecisam ap ende a "usa essas
83
no as ecnologias a a o do p óp io abalho". Ele ê as edes sociais como uma aliada,
ao in és de um obs áculo, e ac edi a que, embo a os o ma os adicionais de c í ica
es ejam mudando, isso não signi ica que a unção do jo nalis a es eja em ex inção. Pa a
Be na do, o desa io é ino a , adap ando as c í icas gas onômicas pa a o ma os mais
acessí eis e di e os, como ídeos, o os e ex os cu os nas edes sociais.
José A illez complemen a essa isão ao a i ma que a c í ica gas onômica pode
" acilmen e mig a pa a as edes sociais", desde que a impa cialidade seja man ida. Ele
des aca que, no passado, c í icos como Zequi é io e Da id Lopes Ramos man inham
anonima o e paga am suas p óp ias con as, o que con e ia o al c edibilidade às suas
a aliações. Hoje, esse dis anciamen o é ico es á em isco, de ido à en ação das edes
sociais de ap oxima c í icos e che s. Pa a ele, o impac o das c í icas é diluído de ido ao
excesso de in o mações ci culando, mui as ezes ap esen adas como no ícias dis a çadas
de c í ica.
Ma lene Viei a ambém ac edi a que o modelo adicional da c í ica não ol a á
ao p o agonismo, des acando que guias como o Michelin e o 50 Bes ainda êm g ande
pode de in luência. No en an o, ela ale a pa a o a o de que esses guias ambém es ão
sujei os a ques ionamen os de impa cialidade, uma ez que há in es imen os po pa e
dos che s e países in e essados. "Embo a o cená io digi al enha omado con a", diz
Ma lene, "guias e pla a o mas de a aliação con inua ão a e uma unção impo an e na
p óxima década".
Uma das ideias mais ino ado as su ge de Janaína To es, que p opõe a c iação de
cole i os de jo nalismo gas onômico em o ma o mul ipla a o ma, como o "Cole i o
Jo nalismo Gas onômico SP" ou "Cole i o Lisboa". Pa a ela, esses cole i os pode iam
o alece o jo nalismo gas onômico ao usa as edes sociais pa a p oduzi con eúdo de
qualidade. "Se ia necessá io que c í icos gas onômicos sé ios, de odo o mundo, se
unissem pa a c ia uma pla a o ma semelhan e ao Michelin ou ao 50 Bes ", suge e
Janaína, e o çando que a união en e c í icos pode aze uma solução pa a o u u o da
c í ica.
Po im, Ra a Cos a e Sil a des aca que "a c í ica gas onômica es á mudando,
assim como o mundo ao seu edo ". Ele ê essa ans o mação como algo posi i o,
pe mi indo que a c í ica se o ne mais imedia a e ol ada pa a o espe áculo. No en an o,
ele ad e e que essa mudança não de e comp ome e a se iedade da p o issão. Ra a ainda
84
menciona a Cazé TV como exemplo de adap ação bem-sucedida ao digi al, e le indo o
desejo de alcança no as pla a o mas e públicos, especialmen e en e as u u as ge ações.
Ele essal a que seu ilho p o a elmen e consumi á c í ica gas onômica de uma o ma
comple amen e di e en e, "mais digi al e conec ada com no as pla a o mas".
4. Capí ulo V – Conclusão
“Es a u a média, olhos b ilhan es, es a pequena, na iz cu o, lábios ca nudos e
queixo a edondado” se iam aços ca ac e ís icos de um gas ônomo, na isão de B illa -
Sa a in.
Rena a do Ama al (2016) des aca uma pe cepção quase ca ica a de B illa -
Sa a in, o p imei o gas ônomo da his ó ia, que associa a aços ísicos a quem exe cia
a c í ica gas onômica. Sa a in p o a almen e se e i a no úmulo na a ualidade ao
obse a que, no cená io con empo âneo, qualque pessoa a mada de um celula pode se
is a como uma especialis a em gas onomia. A p oli e ação de in luence s - ou c iado es
de con eúdo -, mui os dos quais não possuem o mação ou igo écnico, desa ia a
es u u a adicional da c í ica gas onômica. Isso le an a a ques ão: como man e o papel
c í ico e in o ma i o do jo nalismo gas onômico em um ambien e onde a popula idade e
o engajamen o digi al são de e minan es?
Vol ando ao início do p esen e abalho e as pe gun as de in es igação, após odas
as lei u as e análises dos esul ados des a pesquisa, ica cla o que o in luence e o
jo nalis a não em nada a e e a ques ão p imo dial pa a a di e ença básica en e o os
dois agen es é uma só: o in luence não em um comp omisso com a e dade, com o
ac ual, como um jo nalis a em. “Não ou ala que uma comida que me o e ece am é
uim”, diz Renã, conhecido no @ e iews.p po Mozão do Re iew, logo após a i ma que
“não é que não paga a, e sim azia uma oca de publicidade”. Sab ina e Renã, aliás,
dizem que a pala a “ e iew” da página, oi só po que pegou”, dando exemplo inclusi e
de Be na do Soa es, o @ e iewsdomus ache.
Não cabe aqui o julgamen o se é e icamen e co e o ou não, a inal, como e e ido,
esse io não em um comp omisso como o jo nalis a em - Jo ge, o @gas opiço ainda
não a ingiu es e pa ama e nem p e ende nes es moldes. Fa o é que, “palpi ei os” ou não,
elemb ando a ala de Josima Melo, embo a os in luence s não sejam um exemplo de
idegnigade, algo es ão azendo bem. Como e e ido an e io men e, só o @ e iews.p ,
85
com pouco menos de 200 mil seguido es, já a ingiu um uni e so de 14 milhões de pessoas
– mais do que a população de Po ugal, po exemplo.
Embo a mui os neguem o papel de c í ico mesmo endo “ e iew” no nome, a
si uação é cla a: qualque um az uma c í ica ou esenha nas edes sociais e consegue e
mais acesso às massas do que o jo nalis a. Embo a du o, en endemos que es e cená io
seja e e sí el, pa indo de um p essupos o de que os jo nais de em in es i mais no
digi al e o p óp io jo nalis a em que en ende es e cená io desde sua o mação, sem
esquece dos p incípios básicos da p o issão e, cla o, do ex o. Com base nas e lexões
dos en e is ados, ica e iden e que o u u o da c í ica gas onômica es á in insecamen e
ligado à adap ação ao meio digi al e à p ese ação da c edibilidade. A necessidade de
ein enção é cla a, seja a a és da c iação de pla a o mas cole i as, da mig ação pa a as
edes sociais, sem deixa de e a manu enção igo osa dos p incípios é icos que
undamen am o jo nalismo gas onômico.
Um exemplo cla o dessa ansição pode se is o no New Yo k Times, que
conseguiu não apenas man e sua ele ância du an e a pandemia de COVID-19, mas
p ospe a com o aumen o signi ica i o de assina u as digi ais. Em 2020, o NYT Cooking
a aiu 113 milhões de usuá ios, um c escimen o de 40% em elação ao ano an e io (The
New Yo k Times Company, 2021), p o ando que a adap ação digi al, quando ei a com
in eligência e qualidade, pode se a cha e pa a o sucesso da c í ica gas onômica. O jo nal
ampliou o escopo de sua cobe u a pa a inclui ques ões como a sus en abilidade, a c ise
econômica en en ada po pequenos negócios gas onômicos e a esiliência dos
es au an es du an e o pe íodo pandêmico (Cla k, 2020; Tanis, 2020).
Pa a man e o jo nalismo como pila undamen al da democ acia, no en an o, es a
lu a de e se en en ada po odos os se o es da mídia, desde os adminis ado es de
g andes emp esas, di e o es de jo nais a é os assesso es de imp ensa, que ambém são
jo nalis as e que buscam cada ez mais os in luence s ou jo nalis as com ocos nas
pla a o mas digi ais. Isso oi e idenciado em uma p ess ip o ganizada pelo Che ’s on
Fi e em San a ém à qual es e pesquisado e e a opo unidade de pa icipa .
O e en o, que euniu jo nalis as de di e sas nacionalidades (dois b asilei os, dois
galegos, uma polaca e um colombiano), o e eceu uma ime são gas onômica que incluiu
isi as a es au an es da egião. Con udo, o oco das assesso ias de imp ensa icou cla o:
a p io idade e a ge a con eúdo de al a isibilidade nas edes sociais, como eels e s o ies
86
do Ins ag am, enquan o o jo nalismo adicional, ep esen ado po ex os c í icos e
p o undos, oi deixado de lado. Ao op a po esc e e um a igo pa a a e são imp essa
do Diá io de No ícias, es e pesquisado pe cebeu que não oi mais con idado pa a u u as
edições do e en o, e idenciando a p e e ência c escen e po con eúdo digi alizado e
ápido.
Sob e ou o pon o mencionado ainda nas hipó eses da p esen e disse ação sob e
a “Mo e do C í ico”, é e iden e que a ques ão do anonima o, po exemplo, mui o
u ilizada pelos mais clássicos, não seja mais possí el. Isso não que dize que não exis am
mais á icas pa a man e o “ a o -su p esa” , como explica Josima Melo: “Ma co com
ou o nome, ma co em cima da ho a. Mesmo que chegue lá e o ca a quei a me se i o
dob o do maca ão e do cama ão pa a me imp essiona , se o maca ão es i e mui o
cozido, se o cama ão não o esco, já e a”.
En e possí eis soluções, emos a suges ão ino ado a de Janaína To es sob e a
c iação de cole i os de jo nalis as gas onômicos em g andes cidades, como São Paulo
ou Lisboa, é uma p opos a p omisso a pa a man e a ele ância do jo nalismo
gas onômico em uma e a dominada pelas edes sociais. Esses cole i os pode iam
unciona como uma pla a o ma colabo a i a onde c í icos especializados
compa ilhassem suas análises de manei a acessí el e di e a, u ilizando as edes sociais
como meio p incipal de di ulgação, sem pe de a p o undidade que ca ac e iza o
jo nalismo. Na mesma p ess- ip pa a San a ém, diga-se, a jo nalis a gas onômica polaca
Monika Bied zycka, jun o ao seu companhei o e ambém jo nalis a Da id Joseph
Cons able, e elou que es a a c iando uma pla a o ma in e nacional de o e p esença nas
edes sociais pa a c í icos gas onômicos.
Exis em á ias ou as manei as c ia i as pa a os meios de comunicação social se
ein en a em a a és do digi al, ou, como disse Be na do Soa es, o
@ e iewsdomus ache, é de e dos adminis ado es de g upos esponsá eis po jo nais
“queb a em a cabeça” pa a encon a no os modelos. Ou o exemplo, embo a dis an e da
c í ica gas onômica, seja o Ins i u o Conhecimen o Libe a (ICL No ícias), que, embo a
enha ido um apo e inancei o inicial do economis a Edua do Mo ei a, usa uma dessas
manei as c ia i as pa a sob e i e , con ando com mais de 300 cu sos no si e – desde aulas
de ancês a excel – que azem com que o negócio seja en á el sem necessi a de
publicidade.
87
Um si e que explo e uma mescla de concei os do NYT, ICL e as ideias de Janaína
e Monika se ia uma possibilidade pa a, an o a c í ica, quan o os c í icos, ol a em a
ma ca p esença com ele ância no cená io nacional de B asil ou Po ugal; um modelo
no qual cons e um con eúdo mul ipla a o ma, que ga an a con eúdos de podcas s e
inclusi e p opo cione uma discussão en e o jo nalis a e o in luence , colunas de opinião
de c í icos/jo nalis as e cu sos na linha da esc i a gas onomia ou culiná ia básica.
Des a e, o u u o da c í ica gas onômica, como icou cla o nes e abalho desde
as hipó eses a é a in e p e ação das en e is as semies u u adas, passa po uma
ein enção digi al e pela p ese ação da c edibilidade. In luence s, Ins ag am’s e Tik
Tok´s da ida chegam e ão embo a, mas o digi al como um odo é algo que eio pa a
ica , ainda mais na mídia. Jo nalis as, especialmen e c í icos gas onômicos, no caso
des e es udo e a imp ensa adicional, a a és de exemplos como o New Yo k Times e a
Folha de São Paulo, que o alece am o digi al, podem e uma luz guia nesse p ocesso,
mos ando que é possí el combina ele ância con empo ânea com os pila es da c í ica
especializada.
88
6. Re e ências Bibliog á icas
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