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O papel do humor nos programas de infoentretenimento televisivo: o caso da SIC

Abstract

Numa sociedade cada vez mais marcada pelo aparecimento de plataformas digitais que permitem uma difusão rápida e quase instantânea da informação disponível no quotidiano, a televisão conquistou o público pela possibilidade de compartilhar uma experiência de lazer num ambiente familiar. O infoentretenimento, o género em análise nesta dissertação, utiliza várias estratégias narrativas para envolver o espectador, com recurso a formatos humorísticos como opção narrativa. O humor, sendo uma ferramenta de persuasão e comunicação complexa, foi alvo de estudo por diversos neurocientistas, autores, comediantes e jornalistas. O objetivo desta dissertação é perceber a relevância que o humor pode ter na transmissão de informação, mais especificamente no programa “Isto é a Gozar com Quem trabalha” da SIC, apresentado por Ricardo Araújo Pereira, analisando os formatos narrativos utilizados neste programa de infoentretenimento. A investigação mostra que o humor é uma técnica narrativa eficaz na passagem de informação.

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O papel do humor nos programas de infoentretenimento televisivo: o caso da SIC

Author: Lage, Jéni Barreto
Year: 2021
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/135936/1/dissertacao_final_jenilage_jornalismo.pdf
O papel do humo nos p og amas de in oen e enimen o
ele isi o: o caso da SIC
Ve são co igida e melho ada após de esa pública
Jéni Ba e o Lage
Jéni Ba e o Lage
Fe e ei o,2022
Disse ação de Mes ado em Jo nalismo
Ag adecimen os
Aos meus pais que me pe mi i am es uda semp e as á eas que eu mais gos o e
que ac edi a am em mim em odas as ocasiões.
À minha amília que, mesmo longe, es e e semp e do meu lado.
Aos meus amigos que me enco aja am a aze uma disse ação, ainda que não me
sen isse p epa ada pa a al.
Aos meus colegas que pe co e am es e caminho inc í el semp e de cabeça
e guida e dos sen idos ale a pa a no as opo unidades.
À p o esso a Do a San os Sil a que oi a melho pessoa que eu pode ia e
escolhido pa a me o ien a . De o-lhe mui o, po udo.
Mui o ob igada.
Resumo
Numa sociedade cada ez mais ma cada pelo apa ecimen o de pla a o mas digi ais
que pe mi em uma di usão ápida e quase ins an ânea da in o mação disponí el no
quo idiano, a ele isão conquis ou o público pela possibilidade de compa ilha uma
expe iência de laze num ambien e amilia
O in oen e enimen o, o géne o em análise nes a disse ação, u iliza á ias
es a égias na a i as pa a en ol e o espec ado , com ecu so a o ma os humo ís icos
como opção na a i a.
O humo , sendo uma e amen a de pe suasão e comunicação complexa, oi al o
de es udo po di e sos neu ocien is as, au o es, comedian es e jo nalis as.
O obje i o des a disse ação é pe cebe a ele ância que o humo pode e na
ansmissão de in o mação, mais especi icamen e no p og ama “Is o é a Goza com Quem
abalha” da SIC, ap esen ado po Rica do A aújo Pe ei a, analisando os o ma os
na a i os u ilizados nes e p og ama de in oen e enimen o. A in es igação mos a que o
humo é uma écnica na a i a e icaz na passagem de in o mação.
Pala as-cha e: jo nalismo ele isi o, in oen e enimen o, p og amas
humo ís icos, SIC

Abs ac
In a socie y inc easingly ma ked by he eme gence o digi al pla o ms ha allow
a quick and almos ins an aneous dissemina ion o in o ma ion a ailable daily, ele ision
has conque ed he public h ough he possibili y o sha ing a leisu e expe ience in a
amilia en i onmen .
In o ainmen , he gen e unde analysis in his disse a ion, uses se e al echniques
o engage he iewe , using humo ous o ma s as an na a i e op ion.
Humo , being a complex communica ion and pe suasion ool, has been s udied by
se e al neu oscien is s, au ho s, comedians, and jou nalis s.
The objec i e o his disse a ion is o unde s and he ele ance ha humo can
ha e in he ansmission o in o ma ion, mo e speci ically in he p og am “Is o é a Goza
com Quem T abalha” on SIC, p esen ed by Rica do A aújo Pe ei a, ocusing on he
na a i e o ma s o in o ainmen p og ams. The esea ch shows ha humo is an e ec i e
echnical na a i e in passing on in o ma ion.
Keywo ds: ele ision jou nalism, in o ainmen , humo ous p og ams, SIC
Índice
In odução ............................................................................................................. 1
Capí ulo 1: O en e enimen o no pano ama jo nalís ico ....................................... 3
A his ó ia da ele isão ............................................................................................................... 3
1.2 O nascimen o do in oen e enimen o enquan o géne o ........................................................ 8
Capí ulo 2. O humo enquan o linguagem no In oen e enimen o ..................... 18
2.1 A his ó ia do humo ........................................................................................................... 18
2.2 Humo no jo nalismo e na sociedade ................................................................................. 31
2.3 O impac o do humo na sociedade: sensibilização pa a ques ões sociais .......................... 33
2.4 Os o ma os na a i os do in oen e enimen o na e a digi al ............................................. 45
Capí ulo 3. Desenho de in es igação .................................................................. 49
3.1 Obje i o e pe gun as de in es igação ................................................................................ 49
3.2 Me odologia ....................................................................................................................... 50
3.2.1 Análise de con eúdo: co pus e a iá eis de análise ........................................................ 50
3.3. En e is a .......................................................................................................................... 51
Capí ulo 4. Resul ados e Discussão .................................................................... 52
4.1 Análise edi o ial – Ca ac e ização do p og ama e ap esen ado ........................................ 52
4.2 Análise do con eúdo – Temas ela ados............................................................................. 55
4.3 Análise do con eúdo – Fo ma os na a i os ....................................................................... 68
4.4 Análise do discu so - humo .............................................................................................. 74
4.5 As en e is as ..................................................................................................................... 81
Conclusão ........................................................................................................... 88
Bibliog a ia ......................................................................................................... 92
Anexos .............................................................................................................. 101
1
In odução
Com es a disse ação p ocu a-se comp eende a manei a como o humo pode se
um mé odo pa a ansmi i in o mação, aliando-se a ou os o ma os na a i os
ca ac e ís icos dos p og amas de in oen e enimen o.
Se, po um lado, o in oen e enimen o é is o como um géne o híb ido que alia a
in o mação e o en e enimen o das di e sas á eas da sociedade pa a uma discussão mais
le e e in e a i a, po ou o lado, é associado a um escape da ealidade a a és de na a i as
demasiado simpli icadas e, segundo o espí i o iluminis a e a ado po Dye , “ ulga es e
áceis” (Dye , 2002, p. 6).
Con udo, é incon es á el a e olução do géne o ele isi o que se e i icou desde
os empos de Moliè e a é ao século XXI. À medida que a compe ição dos média se
in ensi icou, os géne os o am-se di e si icando e o in oen e enimen o apa eceu como
uma al e na i a a um con eúdo exclusi amen e in o ma i o, com ecu so a o ma os
na a i os que con e issem aos p og amas uma dimensão isual e sono a di e en e.
O su gimen o de uma e a digi al com a pa ilha de con eúdos nos disposi i os
mó eis o nou possí el o acesso cons an e aos p og amas de in o mação e de
en e enimen o que nos meios adicionais, que nos meios digi ais, e ouxe no as
possibilidades de in e ação com os espe ado es.
O obje i o des a disse ação é p ecisamen e comp eende a manei a como o
humo , sendo uma e amen a linguís ica, pode auxilia na ansmissão da in o mação do
emisso pa a o ece o , que nes e caso se ca ac e iza como o espe ado de um p og ama
de in oen e enimen o.
O p og ama em análise, “Is o é a Goza com Quem T abalha”, po se um dos
p og amas com maio audiência e que u iliza di e sos ipos de humo na passagem de
in o mação, oi o escolhido pa a uma me odologia mis a, com uma análise de con eúdo e
uma en e is a a Rica do A aújo Pe ei a.
Quais são os p incipais ipos de humo u ilizados no p og ama de
in oen e enimen o em es udo, os p incipais o ma os u ilizados pa a ans o ma a
in o mação em en e enimen o, os emas da a ualidade que o am selecionados como al o
de humo do p og ama e de que o ma o géne o en e is a con ibuiu pa a o sucesso do
p og ama são as pe gun as de in es igação a que es a in es igação en a esponde .
2
A disse ação encon a-se di idida em qua o capí ulos. O p imei o capí ulo
ap esen a a e olução do meio ele isi o e do concei o de in oen e enimen o enquan o
géne o. O segundo capí ulo abo da o humo enquan o o ma de comunicação, de modo a
comp eende o impac o que es a a ma de pe suasão em na e enção de in o mação po
pa e dos espec ado es, e minando com uma e e ência a di e sos ipos de p og amas
humo ís icos, nomeadamen e p og amas de in oen e enimen o, que u iliza am o humo
pa a modi ica a sociedade.
O e cei o capí ulo oca os media digi ais e os p incipais o ma os na a i os,
undamen ais pa a a análise dos episódios do p og ama de in oen e enimen o escolhido,
“Is o é a Goza com Quem T abalha” da SIC.
O qua o capí ulo ap esen a um es udo empí ico onde, a a és de uma análise de
con eúdo aos episódios do p og ama e uma en e is a ao ap esen ado Rica do A aújo
Pe ei a, se p ocu a a ingi o obje i o e as pe gun as de in es igação já enunciadas.
O quin o capí ulo ap esen a os esul ados seguido das conclusões.
9
“In oen e enimen o” em um sen ido bas an e amplo, é de ce o modo a
“supe posição de duas exp essões que ca ac e izam as á eas de in o mação e
en e enimen o” (Gomes, 2009, p.207), ca egando um sen ido que pe mi e que di e sos
au o es eco am ao e mo pa a ala de con eúdos que embo a não enham elação com
o jo nalismo, con ém um de e minado ipo de in o mação no seu con eúdo.
É o caso de Michael Med ed que de ende que “en e enimen o é a no idade”
6
(1999, p.6). No seu a igo, comp eendemos o impac o que de e minados con eúdos
mediá icos i e am na audiência, como a sé ie Sein ield que es eou em 1998 e que oi
al o de di e sas c í icas ou a ilogia Gue a das Es elas ou Ju assic Pa k, onde o
espe ado oi o esponsá el pelo sucesso des e con eúdo de en e enimen o, ma cando a
impo ância do público no sucesso ou decadência do meio.
Os p og amas de in oen e enimen o canadianos, eme endo pa a 1950, com
p og amas como Ca e Blanche e Chez Mi ille a des aca em-se, demons am que embo a
o in oen e enimen o seja uma o ma p imá ia de mis u a en e en e enimen o e
in o mação, “a po osidade da linha que os sepa a não é assim ão ecen e”
7
(Bas ien &
Ro h, 2018, p. 16).
O in oen e enimen o é is o como um enómeno mode no que começou a eme gi
e o na -se popula na década de 80. O iginalmen e “um géne o especí ico das no ícias,
bem como uma mudança ab angen e no con eúdo das mesmas”
8
(Lo on, 2012, p. 425).
As o igens do in oen e enimen o eme em exa amen e pa a a li e a u a de ua
onde a penny p ess ame icana se desen ol eu na década de 1830 e os no os meios e
modos de comunicação de massa a é às no ícias sensacionais começa am a expandi -se
ao longo da década (Thussu, 2007).
A co po ação le ou a uma sé ie de e ei os que o na am a popula idade do
in oen e enimen o mui o di e en e. Incluindo uma agmen ação dos con eúdos em que
Bas
6
T adução li e do o iginal: en e ainmen is new.
7
T adução li e do o iginal: The au ho s a gue ha while hese p og ams ep esen ed “p imi i e
o ms” o he mix u e o en e ainmen and news, hey ne e heless indica ed ha he po osi y o he line
be ween hese wo gen es is no so new.
8
T adução li e do o iginal: speci ic gen e o news, as well as an o e a ching shi in he con en
o news”.

10
os p óp ios desen ol imen os da sociedade em e mos in o ma i os e de en e enimen o
possibili a am um maio en ol imen o das duas á eas (Baum, 2005).
O in oen e enimen o o nou-se global na sociedade quando a concen ação das
mul inacionais de comunicação mul imédia aglome ou as g andes emp esas, num modelo
libe al e o ien ado pa a o me cado dos Es ados Unidos da Amé ica da década de 1970 a
1990 e que colocou uma concen ação da p op iedade da comunicação social nas mãos
de um pequeno núme o de aglome ados mul inacionais (K ause, 2011).
Assim, o géne o globalizado pa ece de ini o jo nalismo ele isi o que, a a és do
es ilo ame icano, p i ilegia as no ícias i adas pa a os escândalos e p oblemas da
sociedade de manei a a c ia um espe áculo que aga uma maio ade ência do público
(Thussu, 2007).
B andão ale ou pa a o ac o de o jo nalis a e de seleciona episódios da ida
quo idiana que p o oquem algum ipo de sen imen o no espe ado , in e esse em pesquisa
es a mesma si uação após isualiza a no ícia. “A ele isão i á oma con a do “lado
neg o” dos acon ecimen os, ap o ei ando-se disso e o nando o ex o d amá ico” (2002,
p.71). Es e apelo à emoção é um dos p incipais obje i os do in oen e enimen o numa
d ama ização dos ac os, pa a um maio en ol imen o do público nos e en os e a ados.
O jo nalismo e os meios de comunicação que azem pa e da sociedade o na am-
se cen alizados de um modo global na p óp ia sociedade onde as ealidades sociais o am
cons uídas a pa i dos enómenos, do pon o de is a e pe spe i a des as agências de
comunicação (Kellne , 2003).
O in oen e enimen o eme e ambém pa a uma busca de sensações, mui as ezes
associadas ao jo nalismo sensacionalis a. Es e no o jo nalismo pode se is o como um
esul ado de no ícias selecionadas pelo seu in e esse público e epo agens polí icas mais
sensacionalis as, de modo que sejam emocionalmen e es imulan es.
O e mo pode se associado a p og amação de no ícias le es e ma e ial ol ado de
um modo especí ico pa a o en e enimen o, embo a enha sido concebido de o ma mais
ampla nos o ma os e meios exis en es, como uma con e gência en e en e enimen o e
in o mação dos assun os públicos.
O in oen e enimen o pode se desc i o po Cab e a como uma “combinação en e
a epo agem ac ual e as con enções no malmen e associadas ao en e enimen o
11
iccional” (2010, p.212). Também B an s conside a a que os p og amas com in o mação
polí ica de in oen e enimen o inham ca ac e ís icas de p og amas in o ma i os de modo
adicional (2005). Um dos p incipais au o es que es udou o in oen e enimen o oi
Deja i e, que indica que o géne o passou po di e sos p ocessos e cono ações ao longo
do empo, a ingindo a ualmen e um equilíb io necessá io pa a a p óp ia in eg ação nos
hábi os e cos umes dos consumido es de no ícias.
As g andes mudanças do sis ema global de comunicação, e as opções polí icas do
neolibe alismo no inal do século XX, possibili a am o desen ol imen o do
in oen e enimen o, ampliando as possibilidades de p odução e consumo de ecnologia e
cul u a.
“As ans o mações (…) a ingem o conjun o do modo de egulação do se o das
comunicações em ní el mundial. (…) Esse mo imen o se aduziu num p ocesso
gene alizado de des egulamen ação, eposicionamen o do Es ado, cons i uição de
no as o mas e ins âncias de egulação, in e nacionalização e inc emen o da
conco ência in e nacional” (Bolaño, 2003, p. 4).
Ma hews indicou que a a és do aumen o populacional e do su gimen o da
In e ne , e emos um en e enimen o mais pe sonalizado, c iado po no os g upos em
cada meio de comunicação di e en e, onde as emp esas modi ica am as suas o mas de
p odução, aumen ando as suas ecei as de publicidade, azendo c esce o géne o. Segundo
a isão do au o a ele isão não inha como única unção en e e os cidadãos, mas é uma
das unções que a dis ingue (2018).
Figu a 2- C escimen o do in oen e enimen o
12
O con eúdo e a o ma das no ícias na a i idade jo nalís ica o am-se modi icando
à medida que a compe i i idade en e ó gãos de comunicação aumen ou. Ma in Kalb
denomina a es as no ícias “no as no ícias, mais imedia as, mais sensacionais, mais
ol adas pa a o me cado e pa a o luc o”
9
(1998, p.24). Es e con eúdo desempenha um
papel social mui o impo an e, con e indo di e são, con o o e p aze , numa linguagem
mais co en e e num géne o mais in o mal: “O no iciá io o nou-se um luxo cons an e
daquilo que pode íamos chama de li ies – ida e ilme em usão – inse idos no eículo
da ida e p oje ados na ela de uma média in e nacional” (Gable ,1999, p.12).
Gomes oi um dos p incipais au o es a es uda a manei a como o
in oen e enimen o se desen ol eu em 1980 e 90 do século XX, com a ida u bana a
aumen a e uma necessidade cada ez maio de p oduzi con eúdo, que de in o mação,
que de en e enimen o, pa a a al a exigência da audiência que se começa a a habi ua a
e a ele isão p esen e na sua ida diá ia. Assim, “o géne o oi ambém des acado pela
impossibilidade de sepa a in o mação e en e enimen o que é ine en e a ce os meios,
po exemplo na ele isão ou no ícias imp essas ilus adas”
10
(Cogan & Kelso, 2009, p.
5).
I ania Ma ia Mo a Gomes indica a que:
“é uma es a égia de p odução mediá ica que não é, em si, nem boa, nem má. O
in oen e enimen o pa ece se o esul ado de uma complexa a iculação en e
polí icas mac oeconómicas, ma cos egula ó ios, possibilidades ecnologias,
es a égias emp esa iais, expec a i as his ó icas e cul u ais sob e os sis emas
ele isi os e os seus p odu os, ideologias, p á icas e expec a i as p o issionais do
campo mediá ico, p essupos os e conhecimen os sob e a audiência. Nes e sen ido,
enquan o es a égia, o in oen e enimen o po encializa a c ia i idade e não
in e di a a qualidade” (2009, p.209).
9
T adução li e do o iginal: The new news is mo e immedia e, mo e sensa ional, mo e ma ke -
and p o i -d i en han p e ious inca na ions. I is no me ely he appea ance o news ha has changed,
howe e ; he e y na u e o jou nalism has been al e ed.
10
T adução li e do o iginal: O he media c i ics ha e also poin ed o such ea ly o igins while
highligh ing he appa en insepa abili y o in o ma ion and en e ainmen ha is inhe en o ce ain
mediums, o example in ele ised o illus a ed-p in news.
13
Nicole Mo ell, da Uni e sidade de Rhode Island, e e como p incipal obje i o na
sua ecensão ala sob e a manei a como o in oen e enimen o es á a muda a nossa
pe ceção do jo nalismo. No seu a igo “A e Tele ision News P og ams Becoming
No hing Mo e Than In o ainmen ?” explica que é necessá io comp eende o que são
no ícias de ele isão: “ alamos en ão de imagens de incêndios em casas, aciden es de
ca o, discussões em mesas edondas e epó e es espiando a a és de uma ela de
ele isão”
11
(2007, p.2) e o que é in oen e enimen o: “é di ícil cla i ica o que é
in oen e enimen o, mas é ácil a gumen a que his ó ias como o do OJ Simpson ou a
mo e da Anna Nicole Smi h a e a am um g ande núme o de pessoas e são de algum modo
his ó ias que ecebe am an a cobe u a como en e e ão”
12
(2007, p.9).
O géne o oi de inido como:
“as sine gias dos se o es de in o mação e en e enimen o na o ganização das
sociedades con empo âneas, as manei as pelas quais as ecnologias da
in o mação e mul imédia es ão a ans o ma o en e enimen o e as o mas em
que o en e enimen o es á a modi ica odos os domínios da ida a pa i da
In e ne à polí ica”
13
(Kellne , 2003, p. 12).
Podemos elaciona ambém a hib idização de géne os e o ma os e a
in e a i idade p omo ida pelas no as pla a o mas digi ais, que coloca o
in oen e enimen o num pa ama di e so no jo nalismo e na á ea da comunicação.
A p io idade do in oen e enimen o pode se is a como a p ocu a de uma
iden idade, um jo nalismo que as pessoas se iden i iquem, po se amilia e po e a a
exa amen e aquilo com que con i em no quo idiano. A sua cono ação nega i a pode es a
associada à manei a como o en e enimen o p ocu a o luc o dos seus consumido es,
eco endo a es a égias que ampliem a sua p odução e consumo. Po ou o lado, a
p esença do jo nalismo é uma das opções que en iquece o con eúdo dos p og amas,
o nando os p incipais emas e a ados, assun o pa a discussão e omada de posição dos
in e enien es.
11
T adução li e do o iginal: Images o house i es, ca acciden s, ound able discussions, and
epo e s pee ing h ough one’s ele ision sc een
13
T adução li e do o iginal: “ he syne gies o he in o ma ion and en e ainmen sec o s in he
o ganiza ion o con empo a y socie ies, he ways in which in o ma ion echnologies and mul imedia a e
ans o ming en e ainmen , and he o ms in which en e ainmen is shaping e e y domain o li e om he
In e ne o poli ics
14
Um exemplo de es udo é o p og ama “Hoje em Dia” na pesquisa quali a i a ei a
po Ba ba a Endo. Sendo que o p og ama assen a em ês pila es p incipais: no ícias,
p es ação de se iços e en e enimen o, oi possí el a ingi 62,9 milhões de espe ado es,
numa ice-lide ança ele isi a, que apenas pode se explicada pela manei a como o
p og ama ca i a o público. O pano ama jo nalís ico a ual indica que o o ma o se baseia
em: “es e o ma o de p og ama em e is a mis u a elemen os e es ilos de endências
cul u ais, sociais, educacionais e de laze que passam a se con igu adas a pa i da
indús ia cul u al po meio do en e enimen o, o e ecendo as mais di e sas a ações ao
público” (Endo, 2016, p. 47). A au o a indica ambém que: “o en e enimen o em a
ca ac e ís ica de o na o empo li e do público, um empo de consumo, assimilação de
alo es, ideias e a i udes e cla o, um empo de luc o pa a os canais ele isi os que o ão
ado ando” (2016, p. 50).
Au o es como Nascimen o conside a a que se a a a de in oen e enimen o
quando “u ilizam assun os le es no con eúdo, aqueles que u ilizam es a égias isuais de
en e enimen o, aqueles que são in o ma i os com pi adas de humo , aqueles que
mesclam cobe u a jo nalís ica com d ama u gia, aqueles que são humo ís icos” (2010,
p.26).
Tal como Popescu e a ou, a popula idade do géne o c esceu po que a
comunicação global e a e a digi al em si necessi a am dele. A mis u a de in o mação,
conhecimen o e en e enimen o e a undamen al (2007).
Embo a a come cialização enha con ibuído pa a o desen ol imen o do
in oen e enimen o, es e desen ol eu-se ambém a ou os a o es.
“O in oen e enimen o pa ece se o esul ado de uma complexa a iculação en e
polí icas mac oeconómicas, ma cos egula ó ios, possibilidades ecnologias,
es a égias emp esa iais, expec a i as his ó icas e cul u ais sob e os sis emas
ele isi os e seus p odu os, ideologias, p á icas e expec a i as p o issionais do
campo mediá ico, p essupos os e conhecimen os sob e a audiência. Nes e sen ido,
enquan o es a égia, o in oen e enimen o po encializa a c ia i idade e não
in e di a a qualidade” (Gomes I. M., 2009, p. 209) .
Sé ies ele isi as ou p og amas d amá icos podem se desc i as como con eúdos
de in oen e enimen o uma ez que de ém de es a égias na a i as que colocam em
des aque ques ões como a cognição/pe ceção, conhecimen o e sensibilidade (Gomes I.
M., 2009).

15
O in oen e enimen o:
“ em sido usado pa a se e e i a enômenos de con eúdo ão di e sos como
no ícias le es, pe sonalização e in e esse humano em o ma os de no ícias
adicionalmen e du as; gêne os do p og ama como alk shows que mis u am
se iedade com di e são, opiniões ac uais com sen imen os ín imos; o es ilo
popula , aleg e ou en á ico dos jo nalis as; e pa a a in odução de música,
d ama ização e elemen os iccionais em gêne os de TV in o macional”
14
(B an s,
2008, p. 335).
Numa pe spe i a de a anço e sus en abilidade do jo nalismo é bom olha pa a es e
enómeno como algo posi i o, como Ma k Boukes “as no ícias es ão a o na -se mais
p óximas do en e enimen o, e o en e enimen o es á a oma con a de ópicos polí icos
15
”
(2019, p.1). O p o esso assis en e na Uni e sidade de Ames e dão explica que o
in oen e enimen o não pode se conside ado um géne o, mas sim uma mis u a de géne os
que ep esen am no os o ma os de o nece no ícias, pa icula men e na es e a polí ica.
O en ol imen o polí ico concebido nas es a égias de campanha passa mui as
ezes pa a uma i agem pa a os p og amas de en e enimen o e no ícias le es como pa e
o inei a da es a égia da campanha e comunicação polí ica. A exposição a es e ipo de
o ma de exp essa a in o mação possibili a uma maio conexão com di e sos públicos,
mais amplos e menos in e essados na polí ica p op iamen e di a, mas como na á ea se em
desen ol ido (Baum & Jamison, 2011).
A in o mação poli icamen e ele an e é ap esen ada po meio de o ma os de
en e enimen o e pe spe i as especi icas de oco ou cons uído num espe áculo com oco
po exemplo nas pe sonalidades ou es ilo, em ez da polí ica. (Bas ien & Ro h, 2018).
14
T adução li e do o iginal: has been used o e e o such di e se con en phenomena as so
news, pe sonaliza ion and human in e es in adi ionally ha d news TV o ma s; p og am gen es like alk
shows ha mix se iousness wi h un, ac ual opinions wi h p i a e eelings; he popula , ligh hea ed, o
empha ic s yle o jou nalis s; and o he in oduc ion o music, d ama iza ion, and ic ional elemen s in
in o ma ional TV gen es
15
T adução li e do o iginal: news becoming mo e en e aining, and en e ainmen is aking up
poli ical opics.”
16
Su giu assim “uma a ena c í ica pa a a conc e ização do p ocesso democ á ico nos
Es ados Unidos e em odo o mundo
16
” (Baum & Jamison, 2011, p. 134).
Pa a Aguia o in oen e enimen o é:
“U ilizado pa a designa a hib idização do ideal mode no do jo nalismo –
in o ma aos cidadãos com uma das p incipais ca ac e ís icas da cul u a de massa:
a compe ência pa a en e e , dis ai , di e i . Demons a de que modo a
po encialidade de en e enimen o do acon ecimen o o na-se um alo -no ícia
undamen al pa a con igu á-lo na o dem do discu so jo nalís ico. Apon a que o
sensacionalismo – en endido como a modalidade de conhecimen o cen ada na
lógica das sensações – é uma es a égia de comunicação ol ada pa a p odução
de na a i as jo nalís icas com capacidade de a ai o in e esse do público e
expandi o uni e so de lei o es” (2018, p. 13).
Con udo, es a cono ação de géne o híb ido pode aze algumas opiniões mis as,
opiniões es as que, al como Gomis con i ma, podem aze alcunhas como jo nalismo
acili ado, no o ma o de comen á ios que podem se conside ados ac os, sem que exis a
alguma comp o ação de e acidade a supo á-los (1991).
Síl io An ónio Luiz Anaz descodi icou a cono ação nega i a que em
acompanhado o géne o híb ido desde o início do seu desen ol imen o no a igo “A
ques ão do en e enimen o: o sucesso do in o enimen o na c í ica audio isual”, onde se
associa a uma classi icação do en e enimen o em “na a i as conside adas de ácil
comp eensão e escapis as” (2018, p.142). O p incipal exemplo usado no ex o é de Dye ,
um au o que associa a o en e enimen o aos alo es da Ig eja Ca ólica, que na época de
Moliè e, conside a am as p oduções a ís icas conside adas “ ulga es e áceis”
17
(20002,
p.6).
Con udo, es a associação de e ia se conside ada uma en a i a a iscada de
comunica , po que al como Dye ac edi a a “nenhum aspe o de ansmissão exige
maio es habilidades ou abalho mais á duo de p odu o es, di e o es e a is as que não o
16
T adução li e do o iginal: a c i ical a ena o he ealiza ion o he democ a ic p ocess in he
Uni ed S a es and a ound he wo ld
17
T adução li e do o iginal: “en e ainmen is hedonis ic, democ a ic, ulga , easy”
17
negócio de cap u a o público com um so iso ou mon a uma p odução emocionan e”
18
(Dye , 2002, p. 8).
A a e, de ido a es a cono ação nega i a, acaba a po se ebaixada na condição
de “simples en e enimen o” como se não exis isse um p ocesso de cons ução c ia i o
po ás da sua exis ência. A a aliação é cons i uída po uma eli e especi ica, que eme e
pa a os séculos XVII e XVIII (Anaz, 2018).
A a e é semp e subje i a, depende da pe ceção da ealidade do p óp io
espec ado , con udo “de e-se conside a as condições imagina i as da peça” (Anaz,
2018).
Leonel Aze edo de Aguia já conside a a que a ideia do di e imen o associado
ao jo nalismo lhe e i a a c edibilidade pode ia es a ligado ambém à ob a de Edga
Mo in, “Cul u a de massas do século XX”, onde se a i ma que “o di e imen o e e asão
causam má imp essão em in elec uais e acadêmicos” (Aguia , 2008, p.24).
No en an o, o enómeno do in oen e enimen o não se limi a apenas à cobe u a
mediá ica que é dada às no ícias, uma ez que o e mo oi es udado em géne os e
ep esen ações complexas da comunicação polí ica do século XXI (Ma ino , 2019).
Pa a Daniel Hallin e Paolo Mancini o en e enimen o:
“De ini i amen e, ouxe mudanças de pe spe i a e abo dagem no jo nalismo,
enco ajadas emendamen e pela média social (não p o issional). A pa i des e
pon o de is a, o in oen e enimen o pode se conside ado como um p ocesso de
a ualização da comunicação que alguns pesquisado es iden i icam com a
mode nização da indús ia” (2010, p.176).
Cada ez mais emos p esen e o in oen e enimen o, po ezes de modo quase
inconscien e, na medida em que al como as no ícias se em adap ado à es u u a das no as
pla a o mas digi ais, ecolhendo e p oduzindo in o mação de modo dis in o, ambém o
in oen e enimen o encon a-se modi icado po di e sos a o es da ecnologia, economia
e sociedade.
18
T adução li e do o iginal: “No aspec o b oadcas ing calls o g ea e skills o ha de wo k
om p oduce s han he business o ea ning laughs o moun ing an exci ing p oduc ion numbe ”
18
Capí ulo 2. O humo enquan o linguagem no In oen e enimen o
2.1 A his ó ia do humo
O humo oi al o de es udo po di e sas á eas ao longo do empo. Cien is as,
neu ocien is as, psicólogos, linguís icos, odos p ocu a am comp eende a manei a como
o humo pode ia a e a , modi ica , mos a e discu i a sociedade.
O Ox o d English Dic iona y de ine humo como “aquela qualidade de ação,
discu so ou esc i a que es imula a di e são; es anheza, jocosidade, comicidade,
di e são
19
” (Ma in R. A., 2006, p. 5). Pode se iden i icado ambém como a aculdade
de “pe cebe o que é idículo ou di e ido, ou de exp essá-lo na ala, na esc i a ou em
ou a composição; jocosa imaginação ou a amen o de um assun o”
20
(Simpson e Weine ,
1989, p.486).
As de inições de humo a iam mui o, consoan e aquele que o es uda ou aquele
que p ocu a pe cebe a sua pe ceção e, al como a a e, a sua classi icação é bas an e
ab angen e, já que “é um e mo amplo que se e e e a udo o que as pessoas azem ou
dizem que possa se conside ado eng açado e endem a aze os ou os i ”
21
(Ma in R.
A., 2006, p. 5).
19
T adução li e do o iginal: “ ha quali y o ac ion, speech, o w i ing which exci es amusemen ;
oddi y, jocula i y, ace iousness, comicali y, un
20
T adução li e do o iginal: “ he acul y o pe cei ing wha is ludic ous o amusing, o o
exp essing i in speech, w i ing, o o he composi ion; jocose imagina ion o ea men o a subjec
21
T adução li e do o iginal: I is e iden om hese de ini ions ha humo is a b oad e m ha
e e s o any hing ha people say o do ha is pe cei ed as unny and ends o make o he s laugh, as well
as he men al p ocesses ha go in o bo h c ea ing and pe cei ing such an amusing s imulus, and he a ec i e
esponse in ol ed in he enjoymen o i
25
essencialmen e uma espos a emocional de aleg ia em um con ex o social, uma manei a
de in e agi de o ma mais di e ida”
37
(Ma in, 2006, p.5).
Como duas c ianças que b incam num pa que, o humo depende de um jogo
inconscien e que os dois in e enien es pa ilham, uma manei a de in e agi de o ma
lúdica. Nes e sen ido, o psicólogo Michael Ap e em 1991 indicou que o humo es a a
associado a um es ado pa alélico, dis inguindo-se de um es ado élico mais sé io, sendo
que al e namos en e se iedade e comédia du an e um dia quo idiano. No en an o, o humo
usualmen e é p ocessado pelo nosso cé eb o quase inconscien emen e, cap ando as
in o mações a a és de es ímulos isuais e sono os, e ecebendo-as como b incadei as.
McG aw e Wa ne no seu li o “The Humo Code” esumem o que a maio ia dos
in es igado es, inclusi e Michael Ap e ac edi a que pode se “o humo é a expec a i a
en e o que se espe a que acon eça e o que ealmen e acon ece”
38
(McG aw & Wa ne ,
2014, p. 23).
Re omando a ideia de que o se humano é um animal de hábi os, o humo su ge
p incipalmen e quando não se espe a. É do inespe ado que o eng açado susci a. As
ca ac e ís icas que podem le a o se humano a acha cómico de e minado es ímulo,
p endem-se na incong uência.
O humo é ambém u ilizado numa si uação in e pessoal, de egime mais o mal,
como é o caso de se mões, pales as e discu sos de polí icos, líde es eligiosos e pales as
mo i acionais onde os in e enien es p oduzem humo em di e sos g aus, “uma manei a
de c ia emoção posi i a nas pessoas que odeiam o se humano”
39
(Ma in, 2006, p. 11).
“O humo que oco e em nossas in e ações sociais quo idianas pode se di idido
em ês g andes ca ego ias: piadas (anedo as humo ís icas p ede inidas), humo
37
T adução li e do o iginal: The social con ex o humo is one o play. Indeed, humo is
essen ially a way o people o in e ac in a play ul manne
38
T adução li e do o iginal: Mos expe s oday subsc ibe o some a ia ion o he incong ui y
heo y, he idea ha humo a ises when people disco e he e’s an inconsis ency be ween wha hey expec
o happen and wha ac ually happens
39
T adução li e do o iginal: Mos o us enjoy he posi i e emo ion o mi h so much ha we
highly alue hose indi iduals who a e especially good a making us laugh

26
con encional espon âneo, que é c iado in encionalmen e du an e uma in e ação e humo
aciden al”
40
(Ma in, 2006, p. 11).
Du an e o quo idiano são ge almen e u ilizadas piadas pa a di e i os ou os,
sendo chamadas de piadas in o mais, como: “Um homem ai a um psiquia a que lhe dá
uma ba e ia de es es. Em seguida, ele anuncia as suas descobe as: lamen o e de dize
que ocê é o almen e louco. O clien e diz: in e no, que o uma segunda opinião. O médico
indica: udo bem, ocê ambém é eio”
41
(Long & G aesse , 1988, p. 49).
As piadas que são in oduzidas no nosso quo idiano como o ma de in e ação
social o am al o de pesquisa po Nicholas Kuipe que descob iu que apenas 11% do iso
oco iam de espos a a piadas, os ou os 72% inham de eações a con eúdos digi ais e
ainda 72% su gi am espon aneamen e du an e in e ações sociais, que seja espos a a
comen á ios espon âneos que seja po ne osismo ou mo i os a iados (Ma in R. A.,
2006). Ainda oi comp o ado po Ma in, no li o “Psychology o Humo : An In eg a i e
App oach”, que o humo depende mais do con ex o do que da in e ação em si. No ipo de
humo coloquial que as ca ac e iza, no malmen e o om de oz e o olha são mais
impo an es que a piada em si.
O humo pode se ca ego izado a a és da g a ação dos episódios de uma sé ie
humo ís ica ele isi a (a escolhida oi The Tonigh Show) onde “se ca ego izou o humo
em 11 ca ego ias” (Ma in, 2006, p. 13).
1. I onia – uma a i mação em que o in e enien e e e e algo que é opos o do que
ac edi a. Acon ece po exemplo quando se mos a descon en amen o pe an e algo
ou o ende alguém de uma manei a mais sub il. Po exemplo alguém que sem
que e en ale uma pessoa numa po a e pe gun e se ela es á bem e ob enha como
espos a “cla o que es ou bem, não se no a” enquan o geme de do é um ipo de
i onia.
40
T adução li e do o iginal: The humo ha occu s in ou e e yday social in e ac ions can be
di ided in o h ee b oad ca ego ies: (1) jokes, which a e p epackaged humo ous anecdo es ha people
memo ize and pass on o one ano he ; (2) spon aneous con e sa ional humo , which is c ea ed in en ionally
by indi iduals du ing he cou se o a social in e ac ion, and can be ei he e bal o non e bal; and (3)
acciden al o unin en ional humo .
41
T adução li e do o iginal: A man goes o a psychia is who gi es him a ba e y o es s. Then
he announces his indings. “I’m so y o ha e o ell you ha you a e hopelessly insane.” “Hell,” says he
clien , indignan ly, “I wan a second opinion.” “Okay,” says he doc o , “You’ e ugly oo.”
27
2. Sá i a – um humo ag essi o com o obje i o de c i ica ins i uições sociais ou
polí icas sociais. A sá i a usualmen e é usada como adje i o ge al pa a ca ac e iza
ilmes ou sé ies que sejam um e a o da sociedade. O ilme “De il all he ime”
po exemplo, é uma sá i a às ins i uições eligiosas.
3. Sa casmo – humo que em como obje i o c i ica um indi iduo de uma o ma
di e a. Quando alguém pe gun a se gos a am do discu so que ez e a pessoa
esponde “nunca despe dicei an o empo na ida”, é um exemplo cla o de
sa casmo is o que es á a a i ma e despe diçado empo a ou i a ou a pessoa.
4. Exage o e eu emismo – mudança do signi icado de algo di e en e do que a pessoa
disse, epe indo-o com uma ên ase di e en e. Quando uma pessoa não pe cebe
algo que alguém disse e essa pessoa epe e de o ma mui o len a e quase
idicula izando a ou a, emos um exemplo de exage o.
5. Au odep eciação – comen á ios humo ís icos com o obje i o de demons a
modés ia e deixa o ou in e con o á el. Quando alguém az um comen á io sob e
um assun o e a pessoa esponde “eu ealmen e não pe cebo mui o do assun o,
podes da algum exemplo que e enha acon ecido”, deixa o ou in e con o á el
com o ac o de e um conhecimen o que o ou o não em.
6. P o ocação - comen á ios humo ís icos di igidos à apa ência pessoal do ou in e
ou pon os acos, pa a ob e algum ipo de eação.
7. Respos as a pe gun as e ó icas - po que pe gun as e ó icas não são ei as com o
a expec a i a de uma espos a, da uma espos a a uma iola a expec a i a de
con e sação e su p eende quem ez a pe gun a. Isso pode, po an o, se
conside ado eng açado, e a in enção ge almen e é simplesmen e en e e uma
con e sa pa cei o.
8. Respos as in eligen es a decla ações sé ias - espos as in eligen es, incong uen es
ou sem sen ido a uma decla ação ou pe gun a que e a pa a se sé ia. A decla ação
é delibe adamen e mal-in e p e ada de modo que o alan e esponda a um
signi icado di e en e do p e endido. Quando alguém pe gun a se o colega es á
descon o á el a ap esen a um p oje o de equipa e es e esponde com con o á el
é o seu nome do meio. Des e modo é desca ado o peso da ap esen ação e a equipa
é colocada num luga de anquilidade.
28
9. Duplo sen ido – uma exp essão que é delibe adamen e mal-in e p e ada pa a
e oca um duplo sen ido.
10. T ans o mações de exp essões congeladas: T ans o mações de exp essões
congeladas - ans o mando di os conhecidos, clichês ou p o é bios em no as
decla ações (po exemplo, eclamação de um homem ca eca: "Cabelo hoje,
desapa eceu amanhã").
11. T ocadilhos – uma pala a usada de modo humo ís ico pa a e oca um segundo
signi icado, ge almen e baseado num homó ono (uma pala a de som igual). Cada
ipo de e ei o humo ís ico pode se p oduzido com um ou mais meios de
linguagem e es á localizado em pala as ou exp essões especi icas nos exemplos
ap esen ados. Po exemplo “Eu gos o de uba ão, a Ri a d´O ca”
Um ac o cu ioso da componen e humo ís ica é que an o a agédia como a
comédia le am a uma maio ole ância à do , uma ez que exe ci am as nossas men es de
aco do com o es ímulo co esponden e. O a o de i ou cho a são ambos impo an es pa a
o nosso co po eagi de aco do com o es ímulo que lhe oi p opo cionado. Assis i a uma
comédia pode a é se mais bené ico do que medi a ou ou i música, encon a-se
cien i icamen e p o ado. O exemplo oi da sé ie F iends onde “assis i a um episódio
demons ou eduzi a ansiedade a é ês ezes mais do que descansa . A explicação
p ende-se no ac o de que os nossos cé eb os que em elaxa e supe a o s ess, mas
ambém p ecisam de se man e a i os”
42
(Weems, 2016, p. 141).
Os es ilos pelos quais o humo se ege não dependem das piadas em si, mas sim
mo i ações psicológicas. Um des es ipos de humo é o humo a iliado, onde “as pessoas
gos am de dize coisas eng açadas, compa ilha piadas espi i uosas pa a di e i os
amigos e b inca pa a eduzi a ensão in e pessoal”
43
(Weems, 2016, p. 141). O humo
a iliado é conside ado posi i o uma ez que molda a sociedade e os compo amen os
sociais de um modo posi i o.
42
T adução li e do o iginal: Fo example, simply iewing an episode o he si com F iends has
been shown o educe anxie y h ee imes mo e e ec i ely han si ing and es ing. Ou b ains wan o elax
and o e come s ess, bu hey need o s ay ac i e oo
43
T adução li e do o iginal: One example is a ilia i e humo . People wi h high deg ees o
a ilia i e humo enjoy saying unny hings, sha ing wi y ban e o amuse iends, and joking o educe
in e pe sonal ension
29
Um ou o es ilo bas an e impo an e é o humo que po encializa o p óp io
indi iduo, ca ac e iza-se essencialmen e po pessoas que gos am de se es i de uma
o ma conside ada eng açada ou di e en e e que en am se posi i as ao con on adas com
uma si uação nega i a. No malmen e, as pessoas que u ilizam o humo como uma on e
de elicidade, podem possui uma conside ação de si mesmos e da ida ao seu edo mais
posi i a o que lhes pe mi e anquiliza ace a ameaças ex e io es. “O humo pode ajuda
a i e mais”
44
(Weems, 2016, p. 143).
Exis e uma di e ença en e e um bom sen ido de humo e sabe con a uma piada,
na medida em que odos nós conhecemos pessoas que são na u almen e boas em expo -
se pe an e os ou os e, ao cul i a em o con li o an o den o de si como em á ios g upos,
acabam po encon a o seu lado eng açado, a a és des e desa io cons an e de in e ação
social. É uma ques ão de p odução e sus alo ização em que se pode explica a
capacidade de alguns se es humanos de en ende uma piada melho do que ou os.
Dis inguem-se es e g upo de indi íduos pela o ma quase in ui i a como p ocedem o
humo , ap eciando-o mais apidamen e e com uma sin onização mais imedia a pa a
econhece es a e amen a linguís ica do que os seus pa es. Designam-se “indi íduos que
p ocu am sensações”
45
(Weems, 2016, p.90). Assim, com os ês aços de pe sonalidade
de Eysenck (ex o e são, psico icismo e neu o icismo), “sabemos que es es indi íduos
es ão especialmen e ece i os em elação ao humo po que podemos olha pa a o seu
cé eb o que p ocessa “o humo absu do” de manei a di e en e. Es e humo , conside ado
absu do, p ende-se em ases de e ei o acilmen e esol í el a a és da lógica (po
exemplo o que é ama elo e não sabe nada ? Uma esca adei a). A maio ia de nós esponde
ao humo absu do com cé eb os quie os p incipalmen e po que não emos a ce eza de
como eagi ”
46
(Weems, 2016, p. 90).
Weems ela ou que descobe as ligadas às ca ac e ís icas de pe sonalidade e
ap eciação do humo são su p eenden es. Uma das descobe as mais impo an es
44
T adução li e do o iginal: So, humo can indeed help us li e longe , as long as i ’s he igh
ype.
45
T adução li e do o iginal: We call hese indi iduals sensa ion-seeke s
46
T adução li e do o iginal: We know ha sensa ion-seeking indi iduals a e especially
esponsi e o humo because we can look a hei b ains as hey p ocess jokes. Which b ings us o he opic
o absu d humo , he kind ha doesn’ lead o easily esol ed punch lines (e.g., Wha ’s yellow and can’
swim? A bulldoze !). Mos o us espond o absu d humo wi h “quie ” b ains, p ima ily because we’ e no
su e wha o make o i
30
ela i amen e ao humo pa iu de He be Le cou que encon ou semelhanças en e um
bom sen ido de humo e uma boa consciência ambien al. E Rod Ma in e Nicholas Kuipe
descob i am que os homens com ambição e o e sen ido de esponsabilidade a cump i
p azos e ho á ios gos am mais de comédia do que os seus colegas desp eocupados.
Seguindo a eo ia de F eud de que o iso é a nossa manei a de lida com ópicos sensí eis,
no es udo “Humo e Analidade” oi ela ada a elação com a de ecação, onde segundo o
cien is a “exis em mui as coisas p oibidas de discu i e deba e e a analidade é uma delas,
deco en e da nossa necessidade de desca ega o lixo ao mesmo empo que nos
man emos limpos. Quem sen e necessidade de con ola udo é anal”
47
(Weems, 2016, p.
94)bs.
O nosso sen ido de humo pode se uma ó ima manei a de nos di e encia e ajuda
a comp eende mo-nos melho e ao mundo ao nosso edo . Assim como um auxílio pa a
a nossa elicidade e in e ação social, es as e amen as linguís icas êm ambém o pode
de modi ica a nossa saúde in e io .
Weems con a no seu li o a his ó ia de No man Cousins pa a ilus a o pode da
comédia na lu a con a uma doença, onde apenas exis ia uma hipó ese em 500 de
sob e i e . Em julho de 1964 numa con e ência em Mosco o onde, como p esiden e da
Delegação Ame icana, No man ob e e uma g ande ca ga de pa icipações, p epa ações e
e en os, e descanso quase nulo no meio da a mos e a dinâmica em que se encon a a.
Não sabendo a língua, e numa a mos e a doen ia de a e água suja que odea am o local,
quando eg essou à Amé ica, o seu co po doía e não conseguia mo e o pescoço, os
b aços e as pe nas. P ocu ou um médico que o ale ou pa a uma doença g a e do colágeno
chamada espondili e anquilosan e. Pa a e alguma opo unidade de cu a, a única solução
e a depende de d ogas, ecolhe sangue excessi amen e e come comida p ocessada, uma
escolha bas an e desadequada ao co po humano e que não lhe ag ada a. Assim, “o
pacien e omou a decisão d ás ica de deixa de con ia nos médicos e p ocu a uma
abo dagem di e en e”
48
(Weems, 2016, p.132). P imei amen e, saiu do hospi al e
hospedou-se num ho el que, além de se o e ço do alo , e a um espaço mui o mais
47
T adução li e do o iginal: a lo in li e is o bidden. Wi hou ge ing in o de ails, anali y is one
o hose o bidden hings, s emming om he need o discha ge was e while also keeping ou sel es clean
and o de ly. A pe son who eels he need o con ol e e y hing is anal. A pe son who eels he need o
con ol e e y hing is anal
48
T adução li e do o iginal: I was abou his ime ha Cousins decided ha , ins ead o us ing
he doc o s, he would laugh.

31
acolhedo . Seguidamen e conside ou o e ei o do s ess pa a a doença, en ão pa ecia
co e o e i a es e a o do p ocesso. Pa a al começou a e ilmes an igos, p og amas
de piadas, e ainda que com alguma do en ol ida, descob iu que conseguia i . Pouco
mais de uma semana de descanso depois, conseguiu mo e os polega es, um p og esso
que os médicos conside a am impossí el. Passado alguns meses conseguiu pega em
li os, aze lançamen o com bolas de énis e gol e, bolas de pequena dimensão, e ainda
que a doença não enha desapa ecido – do es num omb o e ambos os joelhos com
p oblemas ocasionais – dado o p ognós ico inicial, a ecupe ação oi um milag e.
Bem, milag e ou não, a abo dagem de medicina al e na i a – como an as ou as
– ainda não o am comp o adas como p imei amen e u ilizadas. Bené ico assim como
acupun u a ou g andes doses de i amina c (os ês es udados ex ensi amen e), ainda não
consegui am a ingi a mesma p esc ição que os medicamen os u ilizados equen emen e.
No en an o, são al e na i as a conside a , como oi o caso. “O humo capaci a-nos de
oma decisões e e p aze num mundo complexo. É ambém uma o ma de exe cício,
man endo a nossa men e saudá el como o es o ço ísico ajuda o nosso co po”
49
(Weems,
2016, p.133).
2.2 Humo no jo nalismo e na sociedade
Os di e sos meios de comunicação u ilizam o ipo de humo que melho se adequa
à mensagem que p e endem ansmi i de aco do com os pon os ulc ais de cada a igo e
da manei a pela qual p e endem c ia uma ligação com o público.
O humo ap esen a uma es u u a especi ica, ambém di e enciada pela cul u a e
meio de linguagem da localidade de onde é emi ido. Des e modo, “os jo nais ame icanos
êm uma sá i a dominan e (75%), compa ado com a i onia (25%). Os b i ânicos êm uma
p edominância da i onia (50%) em compa ação com a sá i a e humo dis a çado (50%).
Os jo nais anceses ap esen am sá i a a 43,8%. Os jo nais ussos usam a i onia (56,9%)
49
T adução li e do o iginal: Humo is also a o m o exe cise, keeping ou minds heal hy he
same way ha physical exe ion helps ou bodies. Bu like jogging in a smog- illed unnel, humo used
imp ope ly can do mo e ha m han good.
32
com g ande dis inção em compa ação à sá i a (25%)
50
” (Kamensky & Lom e a, 2018, p.
328).
O humo ambém é usado na publicidade come cial de modo a a ai a a enção das
pessoas pa a p omo e uma a i ude posi i a em elação a um assun o de g ande
ele ância, como oi o caso do Ice Bucke Challenge em 2014, um es o ço ealizado po
milhões de pessoas pa a pa ilha e p omo e ídeos de consciencialização da doença de
Lou Geh ig, da associação ALS. O con eúdo dos ídeos pode se de en e enimen o, mas
as azões que le a am ao sucesso do mesmo p endem-se “no humo u ilizado, o apelo da
ação de 24 ho as e a di usão dos ídeos nas pla a o mas sociais”
51
(Cha oo, 2017, p. 5).
A comédia pode in luencia em g ande medida a manei a como a in o mação nos
chega, não só a a és da sua di usão nas pla a o mas digi ais, mas ambém nos di e sos
p og amas ele isi os que o am su gindo com a sua in olução. Pa a que a comédia
chegue com impac o e p opósi o ao público, exis em alguns o ma os que podem se
u ilizadas de modo a, es a egicamen e, adqui i os obje i os p e endidos.
Di e sas publicidades, como a Be and na sua publicidade de Na al ou a Coca-
Cola, u ilizam uma écnica emocional pa a man e o público a en o e pe manece a en o
du an e um longo espaço de empo.
No jo nalismo de “humo ” é cada ez mais necessá io olha pa a a no a e a que
se impôs com as mudanças digi ais. “O jo nalismo es á a muda . Is o não são no ícias de
úl ima ho a”
52
(Cilizza, 2013, p. 1). Cada ez a in e a i idade e a dinamização de em se
um pon o ulc al na manei a de con a e ecebe as no ícias. O jo nalismo digi al em ao
seu dispo , a a és da web, um conjun o de e amen as pa a con a his ó ias como
imagens, g á icos e wee s, numa di e sidade que de e se cada ez maio , pa a chega
ao maio núme o de possí el de pessoas. Ao con a uma his ó ia a a és de imagens,
50
T adução li e do o iginal: “Ame ican newspape s ha e a dominan sa i e (75%), compa ed o
i ony (25%). The B i ish ha e a p edominance o i ony (50%) compa ed o sa i e and disguised humo
(50%). F ench newspape s ha e sa i e a 43.8%. Russian newspape s use i ony (56.9%) wi h g ea
dis inc ion compa ed o sa i e (25%)”.
51
T adução li e do o iginal: he p ecise, goal se ing 24-hou “call o ac ion” o he challenge;
and a mildly pain ul app oach ha allowed pa icipan s o eel like ma y s—and sha e sel ies and ideos
o hemsel es
52
T adução li e do o iginal: Jou nalism is changing. This is no b eaking news.
33
como é o caso dos ca oons, é possí el e uma e en e con incen e, mas ambém lúdica
ao mesmo.
“Um jo nalis a não em de se semp e sé io ou semp e di e ido. As duas linhas
encon am-se”
53
(Cilizza, 2013, p. 1). Exis indo di e sas pe spe i as se o humo bene icia
ou não uma his ó ia, no conjun o de meios possí eis pa a o u iliza , a explo ação da
na a i a bene icia apenas da di e sidade de opções exis en es, adequando-se aos
di e sos g upos sociais e ní eis de escola idade.
2.3 O impac o do humo na sociedade: sensibilização pa a ques ões sociais
Os es udos sob e o humo , que o am su gindo e e oluindo com a linguís ica e a
medicina, pe mi i am a a és de uma análise de de e minadas pa es do có ex ce eb al,
en ende a manei a como o cé eb o p ocessa ao encon a um es ímulo humo ís ico “o
humo é uma o ma de p ocessamen o psicológico, um mecanismo de en en a as
mensagens mais complexas e con adi ó ias, sendo uma espos a ao con li o e à con usão
no nosso cé eb o”
54
(Weems, 2016, p. 13).
A ualmen e, g aças a p og amas ele isi os como The Tonigh Show e Sein ield,
o abalho dos comedian es ame icanos é ago a in luência pa a jo ens aspi an es à
comédia em odo o mundo.
As g andes pla a o mas de comunicação êm o de e de desa ia as isões e
p econcei os imp essos nas sociedades, como pa e da dimensão global que ap esen am
na a ualidade. Numa sociedade ma cada po ideais ão incados e com in o mação a
su gi cons an emen e na in e ne alimen ando as c enças e ideias da população, o
p ocesso pa a uma maio igualdade e acesso a opo unidades é longo. No en an o, o
humo pode se uma e amen a essencial pa a c ia espaço pa a deba e e discussão, assim
como p omo e a i udes jus as e iguali á ias.
53
T adução li e do o iginal: And ha is he idea ha you can ei he be a "se ious" jou nalis o a
" un" jou nalis -- and ne e he wain shall mee . Tha seems o be a alse choice o me.
54
T adução li e do o iginal: Fo yea s, scien is s ha e known ha humo imp o es ou heal h,
and now by iewing i as igo ous exe cise o he mind, we unde s and why. Humo is like exe cise o he
b ain, and jus as physical exe cise s eng hens he body, keeping a unny ou look is he heal hies way o
s ay cogni i ely sha p. (...) Such comedy pushes ou b ains o make new associa ions and ackle con usion
head-on.
34
O humo em di e sas componen es que podem se iden i icadas a a és do
Ques ioná io de Es ilos de Humo , desen ol idos po Willibald Ruch. O humo
ag essi o, um daqueles que oi descobe o a a és des e ques ioná io, ela a as pessoas
que u ilizam ou as en ol en es como on e humo ís ica, sendo o sa casmo e a
p o ocação os casos mais comuns. O ou o ipo de humo , que ob ém a sua comp eensão
a a és da análise do p imei o, é o humo au odes u i o, aquele que é u ilizado como
o ma de lida com a baixa au oes ima e al a de con iança. A di e ença en e os es ilos
de humo posi i o e nega i o é o p opósi o que “podem desen ol e em sen imen os de
au oes ima e consciência”
55
(Weems, 2016, p.143).
Pa a alguns comedian es, além de aze i , o humo de e muda a nossa manei a
de pensa e a é agi . O´Ha a e e iu uma das comedian es mais conhecidas da a i idade,
Josie Long, como um um exemplo de jus iça social, com o p og ama de humo
ex a agan e da ádio BBC, “Romance and Ad en u e”, que oi amplamen e elogiado.
Long ac edi a a que “a sá i a é a ligi os con o á eis e con o a os a li os”
56
(O´Ha a,
2016, p.1). P ocu ando comp eende as ealidades polí ica das G ã-B e anha, o humo
isa ela a as injus iças publicas do go e no.
Ou a au o a que obse a a o abalho de Long oi Sophie Qui k. No seu li o
“The Poli ics o B i ish S and-Up Comedy” con a a sua his ó ia num capí ulo in i ulado
“Josie Long, Some hing Be e ” e e a a a pe spe i a de exis e um luga pode oso na
sociedade con empo ânea pa a a comédia, com a pos u a de Long que de ce o modo
e le e a sua consciência polí ica e e en os sociais. “O seu abalho no palco documen a
o desen ol imen o da lu a de um cidadão que se encon a undamen almen e em
desaco do com o seu go e no”
57
(Qui k, 2018, p.46).
O´Ha a ela ou ambém a impo ância de A ne Zi que em 1984 indicou que “a
comédia e a sá i a possuem um denominado comum no sen ido de que ambas en am
55
T adução li e do o iginal: Humo ous people expe ience he same numbe o s ess ul e en s as
e e ybody else, and we know his because scien is s ha e coun ed. Howe e , as esea che s ha e shown,
people who a e quick o laugh end o o ge hose s ess ul expe iences mo e quickly han hose a ound
hem.
56
T adução li e do o iginal: Sa i e is o a lic he com o able and com o he a lic ed
57
T adução li e do o iginal: His wo k on s age documen s he de elopmen o he s uggle o a
ci izen who is undamen ally a odds wi h his go e nmen
41
O apa ecimen o de um géne o de p og amas que o e ece uma con e sa in e a i a
em o ma o de en e is a oi apelidado de alk-show, sendo um géne o conhecido pela
sua in e ação o al, en e enimen o lúdico e a iedade de con idados. (Timbe g, 2002).
As pesquisas suge em que o in e esse nos alks shows de e-se à quan idade de
p og amas des e géne o que ão pa a o a du an e o dia, sendo o que es ilo pa icula men e
in o mal guiado po um an i ião dá uma sensação pessoal de aze pa e do momen o,
em géne o de con e sa (Ilie, 2001).
Foi ambém analisada a p esença de assun os de um in ui o mais p i ado e
amilia , assim como sexualidade e namo o nos emas maio i á ios des es p og amas,
con eúdos que in e essam a um público no ge al (Robinson, 1982).
A exposição a alk-shows le a a e ei os de uma maio exposição a pe ceções de
uga de casa, in idelidade num elacionamen o e elações sexuais conc e izadas an es do
ma imónio (Woo, Dominic, 2001). Foi de endido po Woo e Dominic que o o ma o em
ques ão o e ece uma isão mais acional e e dadei a da ida em sociedade, uma ez que
se baseiam em p og amas di e os a agen es que azem pa e da mesma. Es es p og amas
são ambém impo an es po in oca assun os que pedem um maio en ol imen o do
cidadão.
É ambém impo an e o en ol imen o que cada p og ama o e ece pa a doa
dinhei o necessá io em elação a causas especi icas (Reco d, 2018).
Um dos es udos que isam comp eende o impac o dos alk-shows de humo na
pe ceção da sociedade e o humo como mecanismo linguís ico oi o de Op ah Win ey
Show e The Pie s Mo gan Show (Abbas, 2019). Exis em di e sos a o es que mudam a
manei a como o humo in luência os p og amas de en e is as ele isi os, incluindo a
pe sonalidade do ap esen ado e dos en e is ados, o ópico de in e ação e a manei a pela
qual um pe sonagem lida com um de e minado assun o.
No “Op ah Win ey Show”, são abo dadas di e sas ques ões com os en e is ados
e é conside ado um dos p og amas mais in luen es de en e is as da ele isão. Os
episódios selecionados são a en e is a de Will Smi h com a amília e de Donald T ump.
O segundo p og ama ele isi o que é analisado é o Pie s Mo gan Tonigh Show, onde
bounda ies be ween adi ional dicho omies, such as public s. p i a e, collec i e s. pe sonal expe ience,
expe ise s. expe ience

42
numa p imei a análise se descons ói a en e is a com Ricky Ge ais, uma das maio es
es elas de comédia de Hollywood.
As p incipais descobe as ealizadas à luz des es dois p og amas semelhan es no
seu géne o e ap esen ação, mas di e sos na pe sonalidade do ap esen ado é que Op ah
sendo mais ín ima e amigá el com os en e is ados acaba po ealiza pe gun as que lhe
dão espos as a o á eis. Pie s Mo gan, po ou o lado, com uma en a i a de pa ece
eng açado, em ez de e e i amen e e um humo na u al, acaba po alha em algumas
das suas in e ações (Abbas, 2019).
Uma das possí eis conclusões do es udo é que o humo , sendo um a o de in e ação
in e pessoal, em á ios caminhos, obs áculos e o mas de se colocado. Exis em a o es
que a e am o humo nos p og amas ele isi os onde a pe sonalidade do en e is ado e
os di e sos assun os que são e a ados podem e um g ande impac o.
A p óp ia in e ação dos in e enien es na con e sa, dando a conhece a sua
his ó ia e espondendo às di e sas pe gun as do en e is ado , a e am pos e io men e a
pe ceção e ideias do público a seu espei o.
Além de ela a na a i as do seio global, a comédia pode se ambém uma o ma
de “abo da p oblemas sociais complexos de uma manei a mais acessí el”
73
(Cha oo,
2017, p. 2). Os di e sos in es igado es que abo dam o empo e a a am o e ei o como
po a de en ada nos e a os di e idos pa a os p oblemas sé ios que deles ad ém. Os
a amen os dos média de en e enimen o podem e dois e ei os p incipais, nes e sen ido:
o nece uma no a exposição a ques ões complexas e conhecimen o sob e es as mesmas
ques ões.
A comédia pode “queb a ba ei as sociais, in oduzindo as pessoas a um p ocesso
de iden i icação e conexão, em ez da alienação”
74
(Cha oo, 2017, p. 2). Des e modo, a
exposição dos g upos mino i á ios em di e sas ep esen ações de en e enimen o (como
po exemplo, a comunidade LGBTQ ou a ep esen ação neg a e asiá ica em cada ez mais
p odu os de en e enimen o), pode diminui os p econcei os dos indi íduos em elação a
73
T adução li e do o iginal: In he a ea o ci ic issues, esea che s ha e demons a ed a
“ga eway” e ec , in which en e aining o comedic po ayals o se ious issues open he doo o audiences
o pay inc eased a en ion o subsequen se ious ea men o issues in adi ional news media
74
T adução li e do o iginal: Comedy can in oduce people, social issues and new no ms in non-
h ea ening, “non-o he ing” ways ha encou age iden i ica ion and connec ion, a he han aliena ion.
43
es es g upos. É ambém impo an e num mundo cada ez mais di idido em c enças
eligiosas, polí icas e sociais, a sensação de compa ilha um p odu o de comédia que
exp essa os alo es dos indi íduos em elação a es es mesmos assun os e g upos, pa ilha
es a que é ampliada pelos con eúdos digi ais. Um dos casos mais conhecidos é o p og ama
“Full F on al wi h Saman ha Bee” da TBS que explo a ques ões sociais, cla amen e
ligadas a um o e sen imen o eminis a, com uso de en e is as a amílias e ugiadas e
isi as a ou os países, “com ecu so a di e sos exemplos pa a a mensagem chega mais
longe, e e a a os p oblemas elacionados com di ei os ci is”
75
(Cha oo, 2017, p. 4)
Baym o e ece uma abo dagem o imis a do en e enimen o conside ando-o como
uma possibilidade de ino ação do campo jo nalís ico onde se undem dois meios numa
“in eg ação discu si a”
76
(Baym, 2007).
Baum conside a es e campo como “uma o ma de jo nalismo al e na i o, aquele
que usa a sá i a pa a in e oga o pode , a pa ódia pa a c i ica as no ícias con empo âneas
e o diálogo pa a ep esen a um modelo de democ acia delibe a i a”
77
(Baum, 2005, p.
261).
Exis e uma isão semelhan e que ac edi a que den o do campo do jo nalismo é
pe mi ido e a é necessá ia uma cons an e a ualização o nando os á ios modelos
di e en es com uma e en e de en e enimen o p esen e (Bollin, 2014).
A pesquisa e o deba e dos e ei os polí icos sob e os espe ado es, após con i mação
de que o in oen e enimen o se o nou um aspe o ulc al da con es ação polí ica mode na.
(Baum, 2010), o nou-se num campo de discussão com opiniões di e sas.
Embo a nem odos os in es igado es da á ea sejam ão o imis as sob e a
p og amação do in oen e enimen o, o géne o é cada ez mais espei ado po g andes
nomes da á ea.
75
T adução li e do o iginal: Bee he i s woman o hos a la e-nigh poli ical sa i e show. In he
weekly show, Bee applies he “ ie y and ie ce” lens o poli ics and ocuses on issues and pe spec i es,
such as ci il igh s, ha o en ge less ac ion in compe ing sa i e p og ams.
76
T adução li e do o iginal: Baym akes a simila and no ably op imis ic iew o such
p og amming, unde s anding i as a si e o inno a ion whe ein he jou nalis ic ield me ges in o
en e ainmen media h ough wha he e ms “discu si e in eg a ion.
77
T adução li e do o iginal: al e na i e jou nalism, one ha uses sa i e o in e oga e powe ,
pa ody o c i ique con empo a y news, and dialogue o enac a model o delibe a i e democ acy
44
A maio pesquisa do in oen e enimen o como géne o deco e da sua
ans o mação pa a um meio digi al, o desen ol imen o do p óp io meio e as ecnologias
de ansmissão que pe mi i am a sua expansão. Den o des a aje ó ia, os in es igado es
es ão in e essados p incipalmen e na na u eza e nos e ei os que es e ipo de p og amas
em na população e nos géne os de alk show que mis u am no ícias e in o mação de
e en os a uais com um o ma o mais lúdico do pon o de is a isual e audi i o.
Assim, den o des e géne o, a comédia pode su gi como o ma de comunica ,
exp essa ideias em elação à sociedade, ou como o ma de mudança. Nem odo o humo
su ge de uma on ade de muda o mundo, no en an o pode se uma e amen a pode osa
pa a o aze uma ez que chama a a enção das pessoas de uma manei a mais in e a i a e
lúdica do que apenas no discu so o al adicionalmen e ou ido. Alguns in es igado es
a gumen am que o “a na u eza do humo é uma o ma de p o es o”
78
(Qui k, 2015, p.
160).
“O comedian e pode não o e ece uma solução pa a muda uma si uação, mas
p o idencia-nos com manei as de chega a aco do sob e elemen os desaco dados”
79
(Qui k, 2015, p. 164). A au o a de ende ainda que b inca socialmen e pode se uma
manei a de nos ap oxima mos da sociedade que nos odeia, e que a comédia polí ica
p o oca um sen imen o de ideias compa ilhadas.
Po exemplo, os p og amas humo ís icos que se concen am na pa e polí ica
democ á ica da sociedade podem a a és do humo , ale a pa a a á ea da sociedade em
ques ão, in luencia a população e pe mi i uma maio ob enção de conhecimen o, assim
como a pa icipação publica em assun os da á ea polí ica. O es udo do The Daily Show
oi um dos escolhidos pa a mos a em a manei a como os espe ado es classi icam de
modo nega i o os polí icos e o sis ema elei o al a a és da comédia desen ol ida nes e
p og ama, descob indo-se ambém que o espe ado em uma maio pa icipação polí ica
em ez de um abo ecimen o ou desen endimen o com es e ipo de exposição. Com base
nos esul ados de Moy e es an es es udiosos (2005), a exposição a alk shows no u nos
(como o The Tonigh Show com Jay Leno e The La e Show com Da id Le e man)
ambém podem se elacionados com a pa icipação polí ica (Cao & B ewe , 2008).
78
T adução li e do o iginal: he na u e o humo is a o m o p o es
79
T adução li e do o iginal: The comedian may no o e a solu ion o change a si ua ion, bu he
does p o ide us wi h ways o ag ee on disag eed elemen s
45
Du an e a campanha de 2004, um em cada qua o ame icanos que assis i am a
p og amas de comédia polí ica adqui i am um conhecimen o mais ap o undado do
desen ol imen o das eleições. “Es a ap endizagem le ou ambém a uma abo dagem
p á ica de pa icipação em campanhas e aze pa e de uma o ganização, após o
desen ol imen o do conhecimen o polí ico” (Cao & B ewe , 2008, pp. 9-10).
Pa a a população que não ap ecia pa icula men e a polí ica como uma á ea da
sociedade, é possí el que enham um maio acompanhamen o e pe ceção dos pa idos
polí icos, pa icipan es, assim como das suas posições a a és des e géne o de p og amas
(Baum, 2005)
2.4 Os o ma os na a i os do in oen e enimen o na e a digi al
A lu a pelas audiências que su giu a pa i do momen o em que o jo nalismo
passou a se is o como uma a i idade económica na década de 1970 le ou a que
de e minados elemen os da á ea do en e enimen o enham sido u ilizados num géne o
mais in o mal que p io iza a sob e udo a o es como a pe sonalidade do ap esen ado , a
o ma do con eúdo ap esen ado e a di e sidade de elemen os isuais (Thussu, 2007).
Os géne os jo nalís icos ao se em adap ados ao meio ele isi o acabam po
necessi a de adap a a sua linguagem e emá ica. Mas o in oen e enimen o c ia uma
ligação com o espe ado a a és dos o ma os na a i os que o ien am o discu so como
se de uma única pessoa se a asse.
O desen ol imen o do in oen e enimen o enquan o géne o, como já e e ido
an e io men e, pe mi iu uma cobe u a dos e en os a uais e pos e io ansmissão dos
mesmos pa a o público de uma manei a mais lúdica e apela i a, sendo p og essi amen e
desen ol ido com ca ac e ís icas especi icas e encon ando o seu luga na comunicação
e no jo nalismo.
Des e modo, o in oen e enimen o necessi ou de de e minados o ma os na a i os
não só pa a consegui alia a in o mação e o en e enimen o co e amen e, mas ambém
pa a se dis ingui enquan o géne o ab angen e e de ácil lei u a e comp eensão a uma
maio população.
46
Den o dos o ma os na a i os do in oen e enimen o, o am u ilizadas di e sas
opções pa a man e a in o mação ele an e, mas a ibui -lhe uma e en e lúdica. Assim,
o uso de in og á icos, pa a acili a a memo ização dos dados e explicação dos emas mais
comple os, e a c edibilidade do jo nalismo conseguida a a és do apelo ao
en e enimen o, de em se p ese ados. Os in og á icos p e endem uma ácil
comp eensão de de e minados dados ou assun os e des e modo eco em a uma
componen e isual ao in és de uma componen e ex ual. No malmen e es ão o ganizados
a a és um sis ema esquemá ico com lei u a acili ada po imagens ou co es que cap em
a a enção do lei o .
Além dos in og á icos, o uso de abelas e ilus ações são ambém equen es
ajudando não só a consolida a in o mação, mas simpli icá-la do modo mais apela i o
possí el.
As ilus ações podem se animadas ou es á icas e o uso de ídeos de a qui o de
ou as ep esen ações jo nalís icas de momen os públicos podem ainda se u ilizadas pa a
in oduzi no os ópicos, assim como ap o unda ou os.
Es as ilus ações êm so ido di e sas al e ações mais ecen es de ido à cul u a
popula da in e ne , o nando ou o ecu so mais comum a ualmen e, o chamado “meme”.
Os memes o am se o nando cada ez mais i ais pela acilidade de ansmissão
de in o mação en e os di e sos meios. Rapidamen e um con eúdo da ele isão ou da
ádio pode se compa ilhado numa ede social com uma cono ação humo ís ica pela
ap op iação de imagens e ideias que os u ilizado es ize am na sua p óp ia ealidade.
Tal como Nunes indica “as nossas p á icas sociais adicionais mis u am-se com
as p á icas i uais, o nando-se num mo imen o luido”
80
(Nunes, 2020, p. 7).
Os memes que se o nam i ais são aqueles que são pa ilhados numa escala mui o
ele ada pelas pla a o mas digi ais, “um meme p ecisa se eplicado, conhecido, popula ,
pa a pode se conside ado um meme de sucesso”
81
(Nunes, 2020, p. 5).
80
T adução do o iginal: as nossas p á icas sociais adicionais se mis u am com nossas p á icas
i uais e udo passa a se ei o com mais luidez
81
T adução do o iginal: um meme p ecisa se eplicado, conhecido, i alizado, pa a pode se
conside ado um meme de sucesso

47
Des e modo podemos comp eende que os memes, especialmen e numa e a digi al
como a do p esen e, podem se uma e amen a pa a os p og amas de in oen e enimen o,
is o que auxiliam a in o mação ap esen ada, complemen ando-a com humo
ca ac e ís ico do p óp io con eúdo.
Nunes ac edi a ainda que “nós passamos de um consumo cul u al online passi o
pa a uma p odução cul u al democ á ica e a i a e isso é is o dia iamen e a a és da
c iação dos memes na in e ne ” (Nunes, 2020, p. 6).
No géne o de in oen e enimen o são usadas ge almen e ligações a con eúdos
pa ilhados nas edes sociais que depois são expos os no p og ama pa a discussão do seu
signi icado. Es a possibilidade é uma das an agens da ligação com as pla a o mas
digi ais que já azem pa e do quo idiano dos espe ado es.
Além de uma melho pa ilha dos con eúdos impulsionados pelos ó gãos de
comunicação, e ambém possibilidade de comen a nas di e sas pla a o mas sociais, o
jo nalismo ado ou uma no a écnica na a i a que se des aca pela ime são na his ó ia
a a és de con eúdos isuais que possibili am um maio en ol imen o (Caddell, 2009).
É ambém possí el, g aças à possibilidade de gua da e pa ilha os di e sos
segmen os ele isi os que ão sendo p oduzidos, eu iliza ídeos de a qui o pa a
con e i dinamismo ao p og ama de in oen e enimen o. Des e modo, que sejam ídeos
edi ados, que sejam ídeos o iginais, os p og amas de in oen e enimen o podem
eco e a es a componen e isual pa a explica alguma si uação ou in oduzi um ema
p e endido, exemplo esse o p og ama “The Ellen Show” que eco e mui as ezes a ídeos
de a qui o ou imagens pa a inco po a di e sos emas.
O in oen e enimen o “cump e um papel como p es ado de se iços ao explica
de manei a didá ica (po meio de a es, in og á icos e da iden i icação do publico com as
pe sonagens ap esen adas) emas mais complexos do cunho social e da a ualidade de
in e esse publico” (Deja i e F. A., 2006, p. 62).
Sendo es e géne o um meio de ansmi i ao público exa amen e o que é necessá io
pa a além de es a a ualizado, como p opo ciona um momen o de laze , e man ê-lo ligado
ao ec ã a maio pe cen agem de empo possí el, uma das p io idades do géne o é apela
à emoção do público da melho o ma possí el de modo que o espe ado sin a que es á a
i encia aquele e en o/emoção simul aneamen e (Deja i e F. A., 2006).
48
Ou a es a égia na a i a pa a o in oen e enimen o é a “no elização”, e e ida
como uma en a i a de apela à cu iosidade do ece o . Es a écnica expõe os assun os
conside ados de in e esse público a é ao seu máximo po encial, azendo
consequen emen e com que o aumen o do in e esse do público e o mo i e a que e
descob i os po meno es e conclusão do assun o de des aque (Wol , 2008).
Os ade eços são usualmen e uma das ca ac e ís icas des a es a égia, assim como
o uso de luz e sons se necessá io, pa a modi ica a in enção do discu so ou ap o unda as
opções de exp essão do ap esen ado .
Podem su gi con idados que comen am ou complemen am o discu so do
ap esen ado . A en e is a, que se ap esen a como um o ma o jo nalís ico mui o
u ilizado, pode se u ilizado pa a con e i alo ao p og ama de in oen e enimen o.
Es a en e is a oco e usualmen e num ambien e di e en e daquele que se
p opo ciona com apa ições o mais pública, sendo o seu o ma o de pe gun a e espos a
do en e is ado e do en e is ado pessoalmen e.
O ipo de linguagem u ilizado in luencia o discu so do en e is ado e en e is ado
colocando-os num pé de igualdade.
“As escolhas lexicais não só p oduzem um e ei o de in imidade como con e em
um om coloquial à en e is a que se assemelha a uma con e sa de ca é en e dois amigos
num ambien e in o mal”
82
(Sil a N. R., 2007, p. 143)
O úl imo o ma o na a i o u ilizado e que em ao encon o do apelo emocional
que o jo nalismo de in oen e enimen o ap esen a é a ligação que se es abelece com o
público a a és da c iação de um en edo, como se de uma his ó ia se a asse, onde os
in e enien es são is os como pe sonagens, (pon ualmen e u ilizando celeb idades
ambém pa a o e ei o) e uma música ou p og ama ele isi o associado pa a c ia um
ambien e de espe áculo (Bucci, 2000). Podem se u ilizados exage os de exp essões
aciais ou ecu sos e bais.
O in oen e enimen o pode se is o como endo ês ca ac e ís icas ulc ais, sendo
es as a capacidade de en e e e dis ai , uma maio espec acula ização do eal e uma
82
T adução li e do o iginal: Essas escolhas lexicais além de p oduzi em um e ei o de
in imidade”, con e em um om coloquial à en e is a que passa a se assemelha a um simples “ba e-papo”
en e amigos em um ambien e in o mal
49
o ma de alimen a as con e sas que ão su gindo no quo idiano da sociedade (Massó &
Gil, 1997).
Os p og amas de in oen e enimen o p ocu am enquad a a pa e ac ual do
jo nalismo com os emas mais polémicos e que, habi ualmen e, azem pa e do in e esse
do público.
Capí ulo 3. Desenho de in es igação
3.1 Obje i o e pe gun as de in es igação
Exis em poucos es udos sob e o uso do humo nos p og amas ele isi os de
in oen e enimen o e o impac o que em na audiência, embo a sejam dos p og amas mais
is os. O p esen e ela ó io oca-se na análise edi o ial desses p og amas, em pa icula
nas es a égias ela i as ao uso do humo e aos o ma os u ilizados no in oen e enimen o,
u ilizando como caso de es udo o p og ama da SIC “Is o é Goza com Quem T abalha”,
ap esen ado po Rica do A aújo Pe ei a.
O obje i o da p esen e in es igação é comp eende a manei a como o humo ,
sendo uma e amen a de comunicação, pode auxilia na ansmissão de in o mação num
p og ama de in oen e enimen o.
Tendo em con a es e obje i o, o am de inidas qua o pe gun as de in es igação:
• Quais são os p incipais ipos de humo u ilizados no p og ama de
in oen e enimen o em es udo?
• Quais são os p incipais o ma os u ilizados pa a ans o ma a in o mação em
en e enimen o?
• Que emas da a ualidade o am selecionados como al o de humo do p og ama?
• De que o ma a en e is a con ibui pa a o sucesso do p og ama?
50
3.2 Me odologia
Pa a esponde às pe gun as de in es igação, op ou-se po uma me odologia mis a,
cons i uída po uma análise de con eúdo e uma en e is a ao ap esen ado Rica do A aújo
Pe ei a.
3.2.1 Análise de con eúdo: co pus e a iá eis de análise
O uni e so es udado o am os episódios do p og ama “Is o é a Goza com Quem
abalha”. Es e p og ama de in oen e enimen o ep esen a a sociedade de uma o ma
humo ís ica a a és dos con eúdos que são conside ados pelos meios de comunicação
po ugueses como semanalmen e ele an es. O ex-jo nalis a, esc i o , c onis a, p odu o
e comedian e Rica do A aújo Pe ei a ap esen ou o p og ama desde o dia 1 de ma ço de
2020 a é ao dia 16 de maio, num ano que se ca ac e izou po uma pandemia do
co ona í us. O p og ama encon a-se di idido numa p imei a pa e de ap esen ação e
in e p e ação dos con eúdos semanais e uma en e is a com um con idado que se depa a
com ques ões sob e os p incipais emas a uais. A amos a a i icialmen e cons uída oi
ei a escolhendo o p imei o episódio do p imei o mês, o segundo episódio do segundo
mês, e assim sucessi amen e, em cada uma das ês agas des a pandemia que ma cam
ês ases dis in as da p odução do p og ama.
Fo am analisados o p imei o episódio de ma ço (3 de ma ço), o segundo de ab il
(19 de ab il), o e cei o de maio (17 de maio), o qua o de junho (28 de junho), o p imei o
episódio de se emb o (20 de se emb o), o segundo de ou ub o (11 de ou ub o), o e cei o
de no emb o (15 de no emb o), o p imei o de janei o (3 de janei o), o segundo de
e e ei o (14 de e e ei o) e o e cei o de ma ço (13 de ma ço).
A análise do p og ama e e início em ma ço de 2020 e e minou em ma ço de
2021.
A ecolha dos episódios pa a análise oi ei a a a és da pla a o ma digi al e
p i ada do canal ele isi o da Sociedade de Independen e de Comunicação, a chamada
“OPTO”, que su giu da pa ce ia en e a SIC e a Samsung no ano de 2021.
A in es igação e e como p incipais ocos os o ma os na a i os u ilizados, os
emas mais des acados, o ipo de humo u ilizado, e a unção da en e is a no p og ama
de in oen e enimen o em ques ão.
Pa a os emas de maio des aque oi necessá io comp eende quais e am os
ângulos de abo dagem e de que manei a os o ma os na a i os acompanham a
57
ma ço e e iu-se a ecandida u a de Ma celo Rebelo de Sousa, no dia 20 de se emb o
con idou-se a candida a a p esidência Ana Gomes e no dia 3 de janei o c iou-se o
segmen o especial “P esidimenciais” sob e os deba es legisla i os e o con idado oi
Vi o ino Sil a, candida o as eleições legisla i as).
O eg esso às aulas oi uma das á eas sociais mais impo an es a se e e ida no
p og ama e com maio ele ância, endo sido al o de des aque 5 ezes e com um
segmen o de en e is a com o Minis o da Educação, Tiago B andão Rod igues, no dia
19 de ab il, o eg esso às aulas p esenciais no dia 20 de se emb o com a al a de a iedade
de escolha das disciplinas e no dia 14 de e e ei o as si uações peculia es com as aulas à
dis ância e os compu ado es an igos dos p o esso es.
Temas como os candida os à Câma a de Lisboa ou a Candida u a de Luís Filipe
Viei a à P esidência do Ben ica i e am uma dimensão meno (apenas i e am des aque
uma ez ao longo dos dez p og amas) po que o am apon ados em meno quan idade nos
ó gãos de comunicação social ao longo dos meses em que o p og ama oi ealizado (de
ma ço de 2020 a maio de 2021).
Rica do A aújo Pe ei a explica ainda:
“apon amos mais ezes pa a o P esiden e da República, pa a o p imei o-minis o,
a minis a da Saúde, en e ou os, do que apon amos pa a o Nuno Melo que é um
eu odepu ado de um pa ido mui o pequeno. Isso não que dize que não alemos
de igu as pequenas ou de líde es pa idá ios que enham apenas 1% se eles
disse em alguma coisa su icien emen e es apa ú dia que p eencha o c i é io de
apa ece . Isso de ce o modo ambém é um c i é io jo nalís ico, é aquela elha
máxima de quando o homem mo de no cão”.
Ac escen a ainda: “nós pa ilhamos com os jo nalis as de e minados c i é ios, mas
os nossos c i é ios são usados po azões humo ís icas. Po que é que em mais g aça ala
do An ónio Cos a do que do líde de um pa ido pequeno como o PAN? Po que o An ónio
Cos a em mais pode . Tem mais p oeminência, é maio ”.
Os emas do p og ama são semp e auxiliados pela ap esen ação de memes, que al
como e e ido an e io men e, são imagens modi icadas a a és do uso de exp essões ou
ases humo ís icas que se espalham apidamen e e pe mi em demons a a in enção do
au o em elação a de e minado ema de o ma mais c ia i a (da igu a 4 à igu a 17).

58
Um dos emas que ap esen ou maio des aque no p og ama, po se uma si uação
social ge al, oi a pandemia p o ocada pelo co id-19. Assim, oi expos a es a
p oblemá ica a a és de si uações como a oca de co pos no hospi al no dia 15 de
no emb o ( igu a 4), a eceção do índice de ansmissibilidade nos di e sos ó gãos sociais
no dia 13 de ma ço ( igu a 5), e a al a de camas nos in e namen os do Hospi al San a
Ma ia, sendo es e úl imo um concu so ealizado no es údio no dia 15 de no emb o ( igu a
6).
Den o do ema da pandemia, no dia 15 de no emb o, a oca de co pos do la da
San a Casa da Mise icó dia do Po o de duas idosas de 96 anos que o am hospi alizadas
e cuja iden idade oi ocada oi um dos emas abo dados de modo humo ís ico pelo
p og ama. O p og ama oi in oduzido po um ídeo eal de um ó gão de comunicação
ele isi o onde o jo nalis a explica o acon ecimen o.
Figu a 4 - T oca de co pos.
“Nós já sabíamos que a pandemia es a a a da cabo da ida das pessoas, ago a
que desse cabo da mo e ambém? Já nem alece sossegado se pode? Olhe peço imensa
desculpa, mas es a a ó não é a minha”
84
, indicou o ap esen ado de modo sa cás ico.
Um dos indicado es que oi mais abo dado pelos ó gãos de comunicação social
oi o índice de ansmissibilidade. No dia 13 de ma ço, o p og ama ap o ei ou a
designação dos di e sos ó gãos, o “ amoso R”, pa a demons a a cons an e u ilização
des e e mo de o ma humo ís ica a a és de um conjun o de ídeos de a qui o que o am
84
Re e ência ealizado no min. 19:58- min.20:12.
59
modi icados na sua mon agem pa a e o ça a sua epe ição e um meme ealizado a a és
da modi icação de uma capa de uma e is a ( igu a.5).
Figu a 5- O amoso R.
“O amoso R… chama-se o amoso R po que se i em bem no g á ico ele sobe na
ho izon al como ce os amosos, não é? É o meu caso aliás. Daniel Oli ei a um beijinho,
liga-me”
85
, indicou Rica do A aújo Pe ei a sa cas icamen e dando abe u a pa a um
humo mais pessoal e com um jogo de pala as in e no azendo uma compa ação en e o
isco de ansmissibilidade e a es ação da SIC.
Com a ápida p opagação do co ona í us, os hospi ais en a am em sob e lo ação
p o enien e da quan idade de casos de in eção que i e am de se in e nados. Des e modo
no dia 15 de no emb o, oi dispu ada a única cama do Hospi al de San a Ma ia no palco
do p og ama. Foi c iado um meme em o ma o de ídeo baseado no jogo e denominado
“Quem que se in e nado?” ( igu a 6).
Figu a 6- Quem que se in e nado?
A p opos a es i a do p og ama baseia-se no jogo “Quem que se in e nado?”
sendo que o am mon ados dois pódios no palco e dois candida os alea ó ios o am a
concu so. Os dois doen es anunciados o am Guilhe me e Joana Ma ques, endo sido
medida a eb e à en ada pa a con i ma que pode iam pa icipa . Manuel oi
85
Re e ência ealizada no min 02:22 – min 02:40.
60
desquali icado po que não inha eb e. Pa a indica que es a am p on os Guilhe me
ossiu.
“O que ansmi e alsa sensação de segu ança?”
86
oi a p imei a pe gun a e
Guilhe me a i mou que e a usa masca a sendo que a espos a es a a inco e a. Joana
espondeu que e a ou i a G aça F ei as e ace ou.
“Qual é o sí io onde se p opaga mais o í us?”
87
oi a segunda pe gun a. Guilhe me
ace ou dizendo que ninguém em bem a noção.
O chei o de uma caixa oi a pe gun a inal. Joana não conseguiu chei a saindo
assim encedo a.
Tendo po base a pandemia, o am ei as á ias en e is as à Di e o a Ge al da
Saúde, G aças F ei as, e à Minis a da Saúde, Ma a Temido, nos di e sos ó gãos de
comunicação social ao longo dos meses e es as en e is as o am base de alguns
momen os humo ís icos do p og ama, mais conc e amen e no dia 3 de ma ço, 19 de ab il,
11 de ou ub o ( igu a7,8 e 9).
Figu a 7- Minis a da Saúde apoia lojas chinesas.
Rela i amen e ao ema polémico do início da p opagação da pandemia do co id-
19 e as no ícias que apon am pa a a comunidade chinesa como p incipal p opagado a do
í us, no dia 3 de ma ço, o ap esen ado eco eu a uma compa ação humo ís ica com
ou as si uações de ca iz social que esul a am numa pandemia a ní el nacional.
“Quando se ecea a que a doença das acas locas nos osse ma a a odos, o
Minis o Gomes da Sil a oi e comeu miolei a. E depois quando hou e casos de
Bo ulismo em T ás-os-Mon es o en ão di e o ge al da Saúde F ancisco Jo ge oi come
alhei a. E ago a a a ual di e o a ge al de saúde ambém pegou o ou o pelos co anas. Eu
86
Re e ência ealizada no min.11:35- min 11:38.
87
Re e ência ealizada no min.11:58- min: 12:01.
61
con esso que me assus ei. Depois de um come miolei a, e ou o come alhei a, eu
pensa a que ela ia come um chines à en e de oda a gen e”
88
acabou po conclui
sa cas icamen e.
No episódio 19 de ab il oi ealizada uma compilação de ídeos de a qui o com
os di e sos momen os em que a minis a da Saúde, Ma a Temido, ez uma p e isão de
quando se ia o pico de in eção do co ona í us.
Figu a 8- Pico da pandemia.
O ap esen ado do p og ama indicou en ão de modo sa cás ico:
“o pico ai se no inal de maio. Ou a 14 de ab il, im de ab il. Assim é que é.
Não a inal já oi. Numa Minis a da Saúde is o não é mui o bom e mesmo num
alpinis a. Olha o pico. Pa ece-me que já ejo. Ah, já passou. Já passou, oi há
duas semanas. Não é mui o bom. Num emp ei ei o é excelen e, es a sua ob a só
lhe consigo que es eja p on a daqui a um ano e meio. Epá a sé io? Não, acabei
an eon em. Es á aqui a cha e”
89
.
Ve i icamos ainda que pa a e a a a si uação do pico da pandemia oi compa ada
a a i ude da Minis a da Saúde com um alpinis a e um emp ei ei o, duas unções/ abalhos
na sociedade, c iando assim uma compa ação humo is a de ca iz social. Es a
con ex ualização humo ís ica ap oxima pessoas que se encon am num ca go al o na
sociedade, como o ap esen ado e e iu, ao mesmo ní el hie á quico dos abalhado es
comuns.
No dia 11 de ou ub o, o am demons adas as decla ações da Minis a da Saúde
ela i amen e ao núme o do Se iço Nacional de Saúde começando po indica que
88
Re e ência ealizada no min. 6:55- min.7:45.
89
Re e ência ealizada no min. 06:38- min. 07:08.
62
“Realmen e há coisas que ainda não es ão in e io izadas… pela senho a Minis a, que
epa, ainda não sabe o núme o... é 808 24 24… 24. Senho a Minis a al a o 24”
90
.
Figu a 9- À p ocu a do núme o do SNS.
Após á ias en e is as que o am gua dadas sob e o o ma o de ídeos de a qui o
onde a Minis a da Saúde alha á ias ezes o núme o do Se iço Nacional de Saúde,
Rica do A aújo Pe ei a e e iu: “E oluímos um bocadinho ou não e oluímos? E oluímos
sim senho a. Mas ainda não es á. Vamos in e io iza senho a Minis a é ácil. É 808 24
24 24. É ácil de memo iza senho a minis a po que é o núme o de ho as seguidas que
os p o issionais de saúde es ão a se ob igado a aze . 24 24 24”
91
.
O Reg esso às aulas oi um dos emas que i e am uma abo dagem conside á el
no deco e das semanas em análise (sendo o minis o da Educação um dos con idados
do p og ama).
O seu des aque pode se explicado pela si uação peculia na educação dos jo ens
de odo o país, en en ando o ambien e escola e a p essão p o issional numa al u a de
pandemia. Pa a ep esen a o ensino à dis ância em Po ugal, no dia 14 de e e ei o, o am
ap esen ados di e sos memes ela i amen e à al a de condições de acesso a ma e iais e
in e ne po odo o país ( igu a 10) e eco eu-se a um con idado, And é, pa a explica
melho a sua si uação ( igu a11).
90
Re e ência ealizada no min. 06:55- min 07:12.
91
Re e ência ealizada no min. 07:41 -min 08:00.

63
Figu a 10- Gasolina sem Chumbos.
Foi ela ado no dia 14 de e e ei o o caso de uma aluna em Vimioso que inha de
es uda na ca inha do pai enquan o es e a a a do gado. Leono indica que em de echa
odos os id os pa a não en a io, desloca -se ce ca de um quilome o pa a e in e ne
e assis i as aulas do 7º ano online.
“Cla amen e uma aluna que não ai ica pa a ás. An es pelo con á io. Vai anda
pa a a en e, depois ai co a à esque da na es ada de e a, ai i a na e cei a á o e
e depois es aciona aí pa a es uda . A sala de aula des a aluna em es o os de napa, jan es
de 18 polegadas e e o de ab i . Só que não con ém ab i po causa da geada. Es á io.
Mas es e e bem o Minis é io de Educação. Todos os dias es a menina ai em isi a de
es udo. Is o é que é. Es á em cla a an agem nas aulas de Es udo do meio po que es á
mesmo no meio. En ão menina lemb a-se de algum ege al? En ão não me lemb o, es ou
a e se e daqui”
92
, e e iu o ap esen ado com i onia.
No dia 14 de e e ei o, pa a comp eende melho a si uação das aulas i uais, oi
ealizada uma ideochamada com o aluno And é ( igu a11).
Figu a 11- Vídeo c iado com o con idado And é pa a ela a o p ocesso das aulas i uais.
92
Re e ência ealizada no min. 02:15- min. 02:52.
64
O ap esen ado começou po pe gun a ao aluno se es a a a co e udo bem com
as aulas online.
“Boa noi e, Rica do. Sim, sim, enho acompanhado as aulas a a és des e
disposi i o que o Minis é io da Educação me a anjou enquan o os compu ado es não
chegam. O p o esso ala e eu oiço po es e au icula . Pa a esponde alo pa a es e
mic o one”
93
explicou o aluno enquan o mos a a um copo com um io, como no jogo
in an il do ele one ( igu a 12)
Figu a 12- O disposi i o do Minis é io.
O e cei o ema que se des acou pela sua dimensão polí ica nos ó gãos de
comunicação e pela impo ância que e e pa a o país o am as eleições legisla i as.
Den o do ema das eleições p esidenciais o am ealizados á ios con i es à candida os
às eleições legisla i as onde o am ques ionados sob e o pa ido onde se encon am
inse idos, assim como as suas candida u as e emas que i e am des aque du an e a
semana em ques ão.
Foi c iado o ídeo e segmen o do p og ama “P esidemenciais 2021” ( igu a13) no
dia 3 de janei o pa a ep esen a os deba es p esidenciais que i e am cobe u a nos
di e sos ó gãos de comunicação.
Figu a 13- P esidemenciais.
93
Re e ência ealizada no min. 06:40- min. 06:57.
65
“A demência meus amigos, começa logo no bole im de o o onde o p imei o nome
é dum candida o que a inal não pode se candida o po causa de um po meno zinho só:
das 7500 assina u as necessá ias pa a se candida a , ele conseguiu ob e apenas 6”
94
e e iu sa cas icamen e.
Em seguida o am ap esen ados á ios exce os dos deba es p esidenciais na
emissão de dia 3 de janei o com in odução do deba e do Ma celo e da Ma isa.
Figu a 14- Momen o clássico do cinema.
“Vê-se mesmo o Ma celo e a Ma isa es ão no início da elação po que ele inge
que ou e o que ela diz e conco da com udo”
95
indica com sa casmo o ap esen ado , sendo
mos ado em seguida um ídeo de a qui o do momen o clássico do cinema.
No dia 3 de janei o, o p og ama c iou um cen o de al o endimen o pa a que um
candida o se possa p epa a pa a deba e com And é Ven u a. Es a c iação oi
conc e izada no seguimen o de um deba e de And é Ven u a com João Fe ei a.
Figu a 15- In odução à p opos a do p og ama.
94
Re e ência ealizada no min 1.12- min1:33.
95
Re e ência ealizada no min.03:21- min 03:29.
66
“Há odo um eino... odo um eino que ele já em que em de i de ás. Ven u a
enceu cla amen e o deba e po que o João Fe ei a não conseguiu nega que de ac o, epá
oi penal i”,
96
e e iu o ap esen ado de modo sa cás ico.
Figu a 16- T eino pa a deba e com And é Ven u a e man e a concen ação
Pa a ep esen a melho o cen o de deba e com And é Ven u a c iado no dia 3 de
janei o, a ep esen ação oi auxiliada po á ios pa icipan es, assim como obje os e
ep esen ações de di e sos g upos sociais da sociedade oi e e ido que:
“O candida o ai e se abs ai e man e a a enção enquan o uma senho a lhe
en a ende pescada. Exa amen e. É mui o complicado man e o io do discu so.
Depois en a uma claque e o candida o de e con inua a aze -se en ende . Nis o
en a um lenhado pa a acha lenha, com uma mo osse a, é um bocado caó ico.
E depois en a uma an a a. Mas dá pa a con inua a a gumen a sob e a
cons i uição. Es e es o ço de concen ação”
97
.
A candida u a de Nuno G aciano oi ambém um dos assun os de des aque no dia
13 de ma ço de 2021, p esen e no segmen o de Candida u as à Câma a de Lisboa. O ema
oi in oduzido com uma no ícia da Visão a ela a que Nuno G aciano se ia candida a e
p e endia “ o e abanão na capi al”. A p odução do p og ama ealizou o seguin e meme:
96
Re e ência ealizada no min 08:42 min 08:53.
97
Rep esen ação ealizada no min 10:35- min 11:40.
73
As imagens das edes sociais i e am uma p esença mínima u ilizadas apenas no
dia 3 de janei o pa a acompanha a opinião de Rica do A aújo Pe ei a ela i amen e ao
comen á io ei o na ede social Twi e de And é Ven u a (como é o caso da igu a 27).
Figu a 27. Twee que mo i ou o humo à igu a de And é Ven u a.
“Ele em di o á ias ezes que é a eenca nação de Sá Ca nei o. É capaz de ha e
um pequeno e o. And é Ven u a não é Sá Ca nei o, é Só Ca nei o” e e indo que ele
en a e começa “à ma ada” e pe gun amos quem “o deixou sai do cu al?”
101
e minou
de modo sa cás ico, auxiliando o discu so com o meme da igu a 28.
Figu a 28. Só Ca nei o.
.
O discu so do ap esen ado é equen emen e auxiliado po memes como oi
ap esen ado na igu a 26 po que con e em uma dimensão isual mais in e essan e e
101
Re e ência ap esen ada no min 08:59-min 09:40.

74
ac escen a uma dimensão humo ís ica, sendo os memes uma das pa es undamen ais do
p og ama na in odução dos emas e desen ol imen o dos mesmos.
4.4 Análise do discu so - humo
O humo é a p incipal e amen a linguís ica que dis ingue es e p og ama
ele isi o dos es an es da es ação ele isi a. A a és de uma análise cuidada dos di e sos
episódios o am obse adas e analisadas as e e ências humo ís icas u ilizadas pa a
ansmi i in o mação e o o ma o a a és dos quais nos chegam.
O ap esen ado indica que “o humo é uma o ma especial, se calha mais e icaz,
de ansmi i de e minada mensagem. É po isso que a publicidade eco e an as ezes
ao humo , po que eles que em pe suadi as pessoas de uma coisa, e o ac o de eles
eco e em ao humo signi ica que es ão con encidos que essa es a égia é mais e icaz do
que ou as”.
Ao longo de 10 episódios o ap esen ado u ilizou e e ências humo ís icas 315
ezes pa a ap esen a os di e sos ópicos u ilizados.
G á ico 3 U ilização do humo ao longo dos episódios.
Ao obse a os dados analisados e compa ando as di e sas seções do g á ico,
concluímos que o sa casmo oi o ipo de humo mais u ilizado, 45% das ezes com
especial des aque pa a os p og amas do dia 11 de ou ub o (13 ezes) e 15 de no emb o
(13 ezes).
45%
3%
1%
23%
3%
25%
F equência com que o humo oi
u ilizado
Sa casmo
T ocadilhos
T ans o mações de
exp essões congeladas
Compa ação humo ís ica
Exage o
I onia
75
O sa casmo p i ilegia a hones idade sob a o ma de sá i a sendo que o locu o
chega a idicula iza a i udes e pessoas de um modo di e o e on al. É o ipo de humo
mais u ilizado uma ez que se e como p e ex o pa a idicula iza as a i udes do po o
po uguês ou dos seus in e enien es de uma manei a mais indi e a do que uma acusação
on al.
Rica do A aújo Pe ei a u ilizou o sa casmo pa a idicula iza as a i udes dos
po ugueses ela i amen e à co id-19 no dia 19 de ab il:
“Ah lá o a dizem que somos um milag e. A é es ão a dize …. Só que é capaz de
não se um elogio. Lá o a ainda há po ugueses i os? Pa a a balbu dia que
cos uma se , é um milag e (…) Nós a é emos núme os abaixo de á ios países
eu opeus, qual é a su p esa? Semp e i emos mui o jei o pa a ica aquém da
média eu opeia
102
”
Em elação à p imei a ase da epidemia e a segunda ase, o ap esen ado ez o
seguin e comen á io sa cás ico no dia 20 de se emb o:
“Os pais êm o p imei o ilho e oh meu deus, e e a chucha. P imei o e e o
e edo e depois e e a chucha den o do e edo . Fe e o p óp io chão, e e a sala,
e e a casa. Fe e o bebé. Não e as o bebé! P imei o, p imei o, is o e a em maio.
Segundo ilho, a chuca cai ao chão”
103
inalizando com um ges o de sop a a chucha e
encolhe os omb os.
A i onia ambém oi u ilizada de modo amplamen e as o, ce ca de 25% das ezes,
sendo es e um ipo de humo onde o comen ado a i ma o con á io daquilo que ealmen e
ac edi a, acabando po idicula iza os comen á ios ou a i udes das pessoas a quem se
di ige.
No dia 19 de ab il oi ealizado o seguin e comen á io:
“E a moe es e paninho e ínhamos a acina. Moía-se o paninho, inje a a-se o
paninho. Tudo à p ocu a em labo a ó ios lá o a e e a um paninho”
104
. A seguin e
a i mação deco e de uma demons ação de ídeos de a qui o onde á ios idosos beijam
a mesma c uz e a auxilia limpa com um pano. A i onia es á p esen e po que e e e
102
Re e ência u ilizada no min 5:13- min 5:24.
103
Re e ência ealizada no min 1:55- min 2:15.
104
Re e ência ealizada no min 10:52 – min 11:02.
76
exa amen e o opos o do que de ac o acon ece. Um pano, ce amen e, não acaba com o
í us que pode se p opagado no mesmo obje o.
Rela i amen e às a i mações de algumas igu as públicas no âmbi o da pandemia
do co ona í us e após es emunho com di e sos ídeos de a qui o o ap esen ado
idicula izou os comen á ios do público no dia 19 de ab il, a i mando o con á io do que
ealmen e acha:
“O Uni e so pôs-se a pensa e disse: en ão eu que sou a o alidade do espaço e
do empo e enho um diâme o de 93 mil milhões anos-luz es ou pa a a u a que
numa das minhas galáxias, que a p opósi o são ambém, milha es de milhões,
haja um pequeno plane a onde uns bichos es ão pa a lá a emi i co2. E a consumi .
Consumis as ambém. ( e minando de um modo sa cás ico) Sem empo pa a as
suas elações, diz o uni e so a pensa que as pessoas lá no plane a es ão a dize ,
olha que es e uma elação ín ima comigo? Não posso que es ou no
No eShopping”
105
.
Em elação à posição do p imei o-minis o ao in eg a a comissão de hon a de
Luís Filipe Viei a oi ealizado o seguin e comen á io i ónico no dia 20 de se emb o:
“Uma coisa sou eu como p imei o-minis o, ou a sou eu como cidadão. Quem es á na
comissão de hon a é o cidadão. Eu como p imei o-minis o nem sabia. Es ou a sabe ago a pela
comunicação social. A é lhes posso con a como is o se passou. Eu ealmen e ecebi um
ele onema do Viei a pa a aze pa e da comissão de hon a e ecusei. Tou sim? Epá olhe enha
paciência, mas eu como p imei o-minis o não posso a candida u a de um dos maio es de edo es
do BES. Só um minu o que eu ou passa ao cidadão. Tou Viei a?”
106
.
A compa ação humo ís ica é um p ocesso que u iliza analogias en e duas igu as,
si uações ou obje os pa a e o ça um pon o de is a e oi u ilizado 23% das ezes que o
ap esen ado que ia u iliza o humo como es a égia linguís ica.
Foi u ilizada a seguin e a i mação pa a demons a o o çamen o de Es ado p e is o
pa a o No o Banco no dia 17 de maio:
105
Re e ência u ilizada no min 12:56- min 13:31.
106
Decla ações de An ónio Cos a a comunicação social no min 3.22 -min 03:50.
77
“Eu es ou odeado de ca os, já ago a endo um p esiden e em segunda mão.
Quem é que que ? Es á no o, é elé ico (ca ega num ins an e) e em uma au onomia
eno me, az o que que ”
107
.
A c í ica oi conseguida a a és de uma compa ação com um s and de au omó eis
uma ez que algumas das en e is as p es adas pelo P esiden e da República e do
p imei o-minis o o am nes e s and.
Foi ambém ealizada uma compa ação das no ícias dos p incipais ó gãos de
comunicação com os ela os despo i os no dia 3 de ma ço:
“A cobe u a dos jo nais em pa ecido um ela o de u ebol. Olha o co ona í us,
passa pa a um país, passa pa a ou o. Es á em I ália, es á em Espanha, ai in e a … po
cima. Foi pa a o B asil”
108
.
A compa ação ambém pode se ealizada quando o ap esen ado u iliza o om de
oz, i mo ou dicção de ou a igu a pública e acaba po a ep esen a compa ando-se com
a mesma.
O ap esen ado ep oduziu as pala as de Ma celo Rebelo de Sousa na condição
de eligioso sob e assun os que não são os p incipais nes e momen o.
“Nosso Senho Jesus C is o, eu di ijo-me a si na qualidade de P esiden e da
República po uguesa, bom, ealmen e is o do seu ani e sá io nos úl imos 2020 anos em
sido uma es a ealmen e in e essan e, mas es e ano eu i e aqui umas ideias e po
exemplo não sei se em meia ho inha ago a pa a me dispensa pa a eu ala de algumas
al e ações. Bom, em e mos de ca e ing, amos começa , há umas b oas que sabem a
ga e as, nunca ninguém come aquilo, pa ece que são as mesmas odos os anos, não sei se
nosso senho es á a pa dis o... bom…em e mos de imings e al, bom, julgo que é mui o
em cima do im de ano, duas es as mui o p óximas, bom, bom”
109
.
O ap esen ado u iliza di e sas ezes luz e som pa a “exage o” do om de oz e
das emoções, con e indo dinâmica e humo aos di e sos segmen os. Ce ca de 3% das
in e ações do ap esen ado con i e am um exage o de exp essões, pala as, emoções ou
107
Comen á io ao discu so de An ónio Cos a no min 06:01- min 06:07.
108
Re e ência ealizada no min 03:18- min03:30.
109
Compa ação ealizada no min 05:22- min 06:07-
78
ges os do ap esen ado não são ealizadas de o ma na u al, mas sim com uma cadência
ou om pa a acen ua a sua u ilização.
No dia 11 de ou ub o oi ealizado um apelo ao Na al ( igu a 29) com emoção
exage ada e luz a auxilia a dimensão isual do discu so.
Figu a 29- Apelo de Ma celo ao Na al
O apelo oi o seguin e: “Nosso Senho Jesus C is o, eu di ijo-me a si na qualidade
de P esiden e da República po uguesa, bom, ealmen e is o do seu ani e sá io nos
úl imos 2020 anos em sido uma es a ealmen e in e essan e, mas es e ano eu i e aqui
umas ideias e po exemplo não sei se em meia ho inha ago a pa a me dispensa pa a eu
ala de algumas al e ações. Bom, em e mos de ca e ing, amos começa , há umas b oas
que sabem a ga e as, nunca ninguém como aquilo, pa ece que são as mesmas odos os
anos, não sei se nosso senho es á a pa dis o... bom…em e mos de imings e al, bom,
julgo que é mui o em cima do im de ano, duas es as mui o p óximas, bom, bom”
110
.
No dia 17 de maio oi ap esen ada uma ep esen ação de um dos emas do
p og ama a a és do discu so do a o con idado, Rica do Pe ei a, em b asilei o is o que
é um a is a ep esen ado pela Globo e que as no elas b asilei as são mundialmen e
conhecidas com o p o agonis a em di e sos papéis de des aque, e onde são ela ados os
acon ecimen os da semana, in e alando com os ídeos de a qui o da Assembleia onde
An ónio Cos a p ome eu a Ca a ina Ma ins que não ia coloca mais dinhei o no No o
Banco, ainda que Má io Cen eno enha ealizado es a ansição sem o consen imen o do
p imei o minis o, sendo que es a injeção já es a a p e is a no o çamen o.
110
Re e ência ealizada no min 05:22- min 06:07.

79
Figu a 30- Audi o ias de Paixão
A a és do uso de um lenço como ade eço especí ico, o ap esen ado p ocu a
ingi emoção em elação à no ela ap esen ada, de um modo exage ado.
Os ocadilhos e as exp essões congeladas ans o madas ep esen am dois ipos
humo ís icos semelhan es. No ocadilho, oca-se pequenas pala as ou exp essões pa a
ap esen a um ou o signi icado e o am u ilizados 3% das ezes que o ap esen ado
p e endeu ac escen a humo ao p og ama. Os ocadilhos i e am a pa icula idade no
p og ama ap esen ado de auxilia cada ema ap esen ado, sendo que o am mais u ilizados
que as exp essões congeladas (apenas 1% das ezes).
No dia 13 de ma ço, oi ap esen ada a candida u a de Nuno G aciano à Câma a
de Lisboa. Pa a comple a a exposição do ema, o ap esen ado eco dou o Fes i al de
Sushi o ganizado pelo candida o em julho de 2015
.
Figu a 31- Exemplo de ocadilho
“Depois des e acasso com o sushi, G aciano eg essa ago a, ou seja,
esushi ou”
111
concluiu o ap esen ado , num ocadilho.
Nas exp essões congeladas, po ou o lado, u iliza-se um p o é bio, di ado ou
exp essão popula já conhecida e p ocu a-se um no o signi icado pa a a mesma.
111
Re e ência ealizada no min.17:43- min 17:47.
80
No dia 17 de maio eco da am-se as di e sas ecomendações em elação à
pandemia do co ona í us, a i mando-se que as ecomendações mudam bas an e dep essa,
um “ oda, oda, í us” ( igu a32).
Figu a 32- Exemplo de modi icação de uma exp essão congelada
O ap esen ado ac edi a que o humo é a componen e essencial do p og ama,
a i mando que apenas es á in e essado em “ou i aquele ba ulho que 400 pessoas azem
quando iem, esse é o meu obje i o. As pessoas podem esponde que se o obje i o é esse
en ão po que é que eu não baixo as calças ou digo pala ões, coisas que p oduzem o e ei o
que p e endo. Po á ias azões, uma delas é que alo de coisas que me in e essam e
in e essa-me um iso que não seja ácil. Pa ece-me equi alen e a joga énis com a ede
em baixo. Se eu chega ao palco e ize algo desse géne o, eu sei que ou ob e uma
ga galhada. A ques ão é que é uma ga galhada mui o insa is a ó ia. Mesmo pa a as
pessoas que ão pa a casa a pensa nisso” e e iu na en e is a p es ada a a és da
pla a o ma Zoom.
81
4.5 As en e is as
As en e is as são uma pa e undamen al do p og ama, e cons i uem ce ca de 10
a 15 minu os do empo o al, sendo ge almen e um e lexo da pe sonalidade do
ap esen ado . A pe sonalidade do ap esen ado é um o e indicado do desen ol imen o
da con e sa e capacidade de in e ação com os con idados. A sua capacidade
comunica i a, assim como a simpa ia e bom sen ido de humo , não só se e le em no ipo
de humo u lizado, mas ambém no deco e da con e sa.
É impo an e des aca ainda que pa a uma lógica de exposição de con eúdos,
no malmen e a en e is a de e e a mesma dimensão emá ica que a p imei a pa e do
p og ama.
O ap esen ado , Rica do A aújo Pe ei a, explicou es a elação indicando que
“sendo o p og ama de sá i a polí ica, o con idado é escolhido endo em con a a sua
p oeminência numa ce a al u a. Como é ób io con idamos di e sas ezes a Minis a da
Saúde e a Di e o a Ge al da Saúde, elas não acei a am, mas como é ob io a ia mui o
sen ido que em al u a de pandemia quando elas es ão no cen o ge al das a enções, as
con idássemos. O plano é esse. Adequa o con i e ao que se passou du an e a semana, ao
ac o de o con idado e sido p o agonis a de alguma manei a (po que é candida o a uma
Câma a po exemplo) e po que posso con ida pa a aquele momen o alguém que eu possa
p o oca , alguém que enha pode de algum modo, po azões humo ís icas. É mais
di e ido es a a aze p o ocações a uma pessoa pode osa, do que aze p o ocações a
um desg açado qualque ”.
Nes a segunda pa e, são discu idas as opiniões do con idado ela i amen e aos
assun os polí icos, sociais e económicos do momen o, con e indo ao público um maio
conhecimen o da igu a pública do que habi ualmen e e iam apenas com as apa ições
publicas mais o mais, em en e is as e deba es. Sendo ques ionado sob e a possibilidade
de o con idado mos a um lado comple amen e di e en e, Rica do A aújo Pe ei a indicou
que:
“É e dade e essa p o a elmen e é uma das azões po que eles lá ão.
P imei amen e, po causa da nossa audiência (conseguem chega a um ipo e quan idade
de pessoas que não é assim ão equen e); seguidamen e pelo om da en e is a (não é
uma en e is a o mal, é algo di e en e) mas é impo an e pe cebe que é uma en e is a
82
polí ica na mesma. Eles não ão lá pa a lhes pe gun a mos da amília, dos animais de
es imação, e c. Eles ão lá pa a aze uma en e is a polí ica”.
“Podemos dize ainda que aquele momen o é mui o di e en e da p imei a pa e.
Na p imei a pa e dizemos coisas mesmo mui o desag adá eis sob e aquelas pessoas, na
segunda pa e são p o ocações que não são desag adá eis, são simpá icas se calha . E
não podia se de ou a manei a. Eu acho que da a um péssimo espe áculo ele isi o eu
es a a en a enxo alha aquelas pessoas, ou a dize uma coisa que as deixasse
descon o á eis, mesmo que eu i esse in e esse nisso, do pon o de is a es a égico”,
ac escen a.
Os con idados são ge almen e da á ea polí ica da sociedade (g á ico 4).
G á ico 3 Á ea dos con idados.
Na segunda pa e do p og ama, usualmen e sepa ada po um in e alo, o ipo de
humo não em uma de inição nem egula idade es á el uma ez que depende semp e do
desen ola do discu so e das eações e espos as po pa e dos con idados.
Ao se ques ionado se a pe sonalidade dos con idados in luencia a o deco e da
en e is a, o ap esen ado espondeu:
“sim, po exemplo, uma ez i e lá uma pessoa que disse na maquilhagem que
não inha g aça e eu espondi-lhe que ninguém espe a a isso dela. Eu lemb o-me
semp e do gene al Ramalhes Eanes mui o sé io, eu não me lemb o de o e a i ,
e an o ele como a Manuela Fe ei a Lei e que são igu as bas an e ci cunspec as,
de am en e is as eng açadíssimas. Às ezes p ecisamen e po causa disso, po
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
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Despo o Polí ica
Con agem de con idados do segmen o de
en e is a po á ea da sociedade
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Na segunda pa e do p og ama, os ipos de humo apenas são pe ce í eis a a és
das espos as dos con idados, sendo que não ap esen am uma equência ce a e que
apenas se em pa a in oduzi as pe gun as. A en e is a ap esen a como p incipal
ca ac e ís ica do p og ama a opo unidade de da a conhece ao público as p incipais
opiniões, ideias e comen á ios dos con idados em elação aos emas de maio des aque
da sua p o issão, gos os ou acon ecimen os. Quan o maio o a disposição de cada
in e enien e pa a acei a a sá i a ine en e às pe gun as ap esen adas, mais acilmen e a
con e sa deco e com na u alidade e a pe sonalidade de cada igu a pública sob essai de
um modo a é en ão desconhecido ao público, sendo que usualmen e os con idados são
in oduzidos com i onia e ques ionados com sa casmo.
PI2. Quais são os p incipais o ma os u ilizados pa a ans o ma a
in o mação em en e enimen o?
Concluiu-se que es es con eúdos são, po ezes, auxiliados po ídeos c iados ou
edi ados pela p óp ia p odução do p og ama com segmen os jo nalís icos da semana,
ou as ezes po ade eços ou ainda con idados do público, que al e am subs ancialmen e
a manei a como o espe ado ecebe a in o mação p e endida.
Os ade eços são semp e u ilizados em pa ce ia com o discu so o al do
ap esen ado , assim como os memes. Es e ecu so isual ap esen a usualmen e
ocadilhos associados à imagem, ap esen ados sob e o modo de ases ou exp essões.
PI3. Que emas da a ualidade o am selecionados como al o de humo do
p og ama?
Com cada ez mais in o mação disponí el, sendo uma g ande maio ia mo i ada
pelas si uações sociais que o país a a essa, com especial ên ase pa a a pandemia
p o ocada pelo í us do co id-19, o humo ajuda a lida com sen imen os con o e sos e
desconhecidos, como o medo, a a lição e p eocupação com o u u o.
Assim, os emas que i e am maio des aque no p og ama o am aqueles que
esumiam os acon ecimen os da semana. A pandemia oi um dos mais e a ados sob e
di e sos pon os de is a, assim como o eg esso às aulas i uais e as eleições
p esidenciais.

90
Os p incipais emas (pandemia, eleições p esidenciais e eg esso às aulas) i e am
como p incipal obje i o in o ma sob e os acon ecimen os do país, pe mi indo ao público
es a in o mado, mas ambém en e ido du an e o p og ama.
O espe ado e e acesso aos es udos sob e a acinação, as p incipais decla ações
da Minis a da Saúde e da Di e o a Ge al de Saúde e ainda a e olução dos casos de in eção
e p incipais zonas a e adas, sendo que a pandemia oi ema em 9 de 10 p og amas.
Foi in o mado sob e os p incipais candida os às eleições p esidenciais assim como
os candida os à Câma a de Lisboa e en e is as exclusi as com os p óp ios candida os
pa a abo da as p incipais ques ões ela i amen e à sua eleição e cu iosidades da
candida u a, emas abo dados em 6 dos 10 p og amas.
Também e e opo unidade de pe cebe como se i iam p ocede as aulas i uais,
com uma en e is a a Tiago B andão Rod igues e com acesso ou e isão dos p incipais
segmen os jo nalís icos que abo da am o assun o du an e a semana, sendo o oco em 2 de
10 p og amas analisados.
PI4. De que o ma a en e is a con ibui pa a o sucesso do p og ama?
A a és de uma en e is a com o ap esen ado , Rica do A aújo Pe ei a, e da
análise das en e is as ealizadas ao longo dos dez p og amas, comp eendemos que é uma
o ma de discussão dos emas da a ualidade num ambien e mais in o mal ela i amen e
àquele ap esen ado nos meios de comunicação in o ma i os.
É ainda uma o ma de conhece ou a ace a dos con idados di icilmen e
isualizada em en e is as ou apa ições publicas mais o mais e pon uais.
Des e modo, g aças aos di e sos o ma os na a i os ca ac e ís icos des e
p og ama de in oen e enimen o, i emos conhecimen o dos assun os semanais de maio
des aque nos ó gãos de comunicação po ugueses a a és de uma ap esen ação
humo ís ica ca ac e izada po uma en e is a no inal do segmen o ele isi o.
Ao analisa o p og ama “Is o é a Goza com Quem T abalha” concluiu-se que es e
se ap esen a como uma mais- alia pa a a sociedade po uguesa po discu i emas,
p incipalmen e da á ea social e polí ica da sociedade po uguesa que são usualmen e
des acados pelos meios de comunicação social ao longo da semana.
91
O p óp io p og ama oi ealizado em al u a de pandemia, quando ha ia mui a
p eocupação e in o mação ela i amen e ao es ado do país, e não pode ia ha e público
no es údio pa a assis i ao p og ama o i o.
A con inuidade de um p og ama de in oen e enimen o humo ís ico du an e um
ano con o e so, ap esen ando, semanalmen e, con eúdos di e en es e discu indo as
di e sas in o mações e si uações do país, pode se um a o de alí io e alienação das
p eocupações p o ocadas pelo quo idiano da população.
Um dos mo i os po que es e p og ama é uma mais- alia pa a a sociedade é al
como João Soa es e e e numa das en e is as: “Eu enho bem-dispos o (pa a a
en e is a) como semp e que o ejo. Tenho uma dí ida de g a idão pa a consigo como a
maio ia dos po ugueses po que ocê em-nos ei o sen i odos elizes
119
”. O
ap esen ado em a capacidade, assim como oda a equipa da p odução do p og ama, de
o na as si uações mais di íceis de acei a em si uações mais le ianas a a és do humo .
Po ou o lado, é um p og ama que se dis ingue dos ou os géne os ap esen ados
pela es ação ele isi a em ques ão, po que u iliza o humo como seu aliado e comple a
os emas a a és de con idados especialis as nes es mesmos, con e indo-lhe di e sidade
nos con eúdos ap esen ados e melho ando a sua isibilidade enquan o es ação.
“As pessoas dizem-me na ua quando passam po mim que que em e o que eu
ou dize sob e um caso especí ico, sob e o que acon eceu es a semana e isso é
simpá ico”, a i ma o ap esen ado .
Concluiu-se ainda que os p og amas de in oen e enimen o ele isi o com a
e en e humo ís ica pe mi em passa in o mação de uma o ma di e en e dos p og amas
in o ma i os, o e ecendo um ou o “pon o de is a”, como o ap esen ado ac edi a, mas
ainda assim o necendo um “ esumo semanal” dos p incipais emas e no icias abo dadas
pelos ó gãos de comunicação ( an o imp ensa como ele isão) ao longo da semana, com
a possibilidade de ala di e amen e com os seus p incipais in e enien es num segmen o
de en e is a que em uma dimensão mais in o mal em compa ação com as apa ições
ealizadas de um modo mais o mal du an e a semana.
119
Episódio de 11 de ou ub o, en e is a a João Soa es (min.19:40- 19:52)
92
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