25
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Qualidade de ida
O peso da obesidade: a aliação
da qualidade de ida elacionada
com a saúde em u en es de a mácias
RITA SANTOS
JOÃO PEREIRA
A obesidade é um p oblema de saúde pública ele an e,
com epe cussões na qualidade de ida dos indi íduos,
an o a ní el ísico como men al. A Qualidade de Vida
Relacionada com a Saúde (QVRS) engloba as dimensões
ísicas, psicológicas e sociais da saúde. A QVRS em indo
a c esce de impo ância como medida de esul ado em
saúde, sendo de pa icula in e esse em es udos de doenças
c ónicas.
Es e abalho em como objec i o desc e e a população
u en e das a mácias do concelho de Lou es em e mos de
QVRS — medida pelo SF-36 — e conhece a elação en e
es a e o excesso de peso, a aliado pelo Índice de Massa
Co po al (IMC).
A in o mação oi ob ida a a és de um es udo ans e sal,
sendo os ques ioná ios au o-adminis ados a 228 indi íduos
com mais de 18 anos, em 11 a mácias do concelho de
Lou es. O IMC oi calculado com base no peso e al u a
au o-decla ados e as suas ca ego ias de inidas segundo a
O ganização Mundial de Saúde. A QVRS oi a aliada com
o SF-36, que a desc e e em 8 dimensões: Função Física
(FF), Desempenho Físico (DF), Do (DR), Saúde Ge al
(SG), Vi alidade (VT), Função Social (FS), Desempenho
Emocional (DE) e Saúde Men al (SM), sendo «0» o alo
mínimo — pio QVRS — e «100» o alo máximo —
melho QVRS — pa a cada dimensão.
A amos a oi cons i uída po 87 homens e 136 mulhe es.
A idade média oi de 43,9 ± 14,4 anos. 51,5% dos u en es
ap esen ou excesso de peso (IMC ≥≥
≥≥
≥25 kg/m2). O pe il de
QVRS ob ido oi o seguin e ( alo es médios ± des io
pad ão):
FF = 83,4 ± 18,4; DF = 73,2 ± 34,8; DR = 65,5 ± 24,3;
SG = 57,9 ± 19,5; VT = 57,1 ± 21,1; FS = 73,9 ± 24,8;
DE = 65,9 ± 38,8 e SM = 62,1 ± 22,4.
Compa ando com os u en es com IMC no mal, os u en es
com excesso de peso ap esen a am pon uações mais baixas
pa a a FF (p= 0,046) e DR (p= 0,007).
Na amos a em es udo, o excesso de peso es á associado a
uma pio QVRS, al como desc i a pelo SF-36, nomeada-
men e ao ní el da Função Física e da Do . Es es esul ados
êm e o ça a e idência exis en e no que diz espei o às
limi ações pe cepcionadas pelos indi íduos com peso acima
do no mal. São necessá ios es udos pos e io es pa a a alia
a causalidade da associação obse ada.
Pala as-cha e: qualidade de ida elacionada com a
saúde; obesidade; índice de massa co po al; SF-36.
1. In odução
A obesidade é um impo an e p oblema de Saúde
Pública, sendo cada ez mais ele an e nos países
desen ol idos. Exis e e idência de que a obesidade
Ri a San os é a macêu ica, mes e em Saúde Pública pela Escola
Nacional de Saúde Pública, Associação Nacional das Fa mácias,
Lisboa.
João Pe ei a é economis a, dou o em Economia da Saúde pela
Uni e sidade de Yo k, p o esso associado na Escola Nacional de
Saúde Pública, Uni e sidade No a de Lisboa.
Subme ido à ap eciação: 6 de Ma ço de 2007
Acei e pa a publicação: 9 de Maio de 2008
26 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Qualidade de ida
es á associada a um isco aumen ado de mo alidade
e mo bilidade, sendo exemplos si uações de insulino-
- esis ência, diabe es melli us, hipe ensão a e ial,
dislipidemia, doença ca dio ascula , li íase esicula ,
es ea ose hepá ica, os eoa i e, apneia do sono e
algumas neoplasias (cólon, p ós a a, mama, esícula
bilia , ú e o e o á io) (Pi-Sunye , 1993; Calle e al.,
1999; Ca mo e al., 2001).
Em Po ugal, es ima-se que 52,4% da população
adul a ap esen e excesso de peso (índice de massa
co po al supe io a 25 kg/m2), dos quais 13,8% êm
mesmo obesidade (Ca mo e al., 2006).
Sendo um ac o de isco pa a inúme as doenças e
ap esen ando uma p e alência ão ele ada, a obesi-
dade es á associada, necessa iamen e, a cus os ele a-
dos ( ela i os a edução de capacidade de abalho e
a consumo de ecu sos), que podem se e i á eis
com a moni o ização e con olo des e p oblema.
A Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde
(QVRS) engloba as dimensões ísicas, psicológicas e
sociais da saúde, in luenciadas pelas expe iências
pessoais, c enças, expec a i as e pe cepções indi i-
duais (C osby, Kolo kin e Williams, 2003).
Exis e e idência de que as pessoas obesas a aliam a
sua QVRS e as suas capacidades psíquicas e sociais
de o ma in e io , quando compa adas com um g upo
de não obesos. Mais ainda, os obesos subme idos a
ci u gia pa a edução de peso eêm a sua QVRS
aumen ada 2 anos após a ci u gia, o que suge e que
a obesidade a ec a, de o ma causal, os ní eis de
QVRS (La sson, Ka lsson e Sulli an, 2002).
Apesa da associação en e a obesidade e o isco
ac escido de mo bilidade e mo alidade es a ex ensa-
men e demons ada, exis e ainda pouca e idência no
que diz espei o ao impac o do excesso de peso na
QVRS da população em ge al.
No sen ido de conhece a e idência cien í ica ac ual
exis en e sob e a Qualidade de Vida Relacionada
com a Saúde no que se e e e ao excesso de peso/
obesidade, ez-se uma e isão da li e a u a u ilizando
as pala as-cha e — Heal h Rela ed Quali y o Li e;
Obesi y; O e weigh — pesquisadas nas seguin es
bases de dados: Pubmed, P oques Heal h, Eme ald e
Biblio eca do Conhecimen o Online (B-ON). Fo am
incluídos odos os es udos que cump issem os c i é-
ios de inclusão e exclusão de inidos, ou seja, que
a aliassem a elação en e a obesidade (de inida pelo
índice de massa co po al) e a qualidade de ida ela-
cionada com a saúde (a aliada pelo SF-36). Os
7 es udos conside ados pa a análise es ão desc i os,
suma iamen e, no Quad o I.
Da pesquisa bibliog á ica conclui-se que a maio ia
dos es udos que elacionam a QVRS com o excesso
de peso/obesidade o am e ec uados em g upos de
indi íduos obesos, in eg ados em p og amas de a a-
men o pa a o excesso de peso. Exis em já alguns
ins umen os especí icos pa a a alia a QVRS na
obesidade, embo a exis a uma endência pa a u iliza
o ins umen o gené ico — SF-36 — nes a á ea
(Wa e, Kosinski e Gandek, 2003).
Os se e es udos conside ados pa a análise u ilizam a
classi icação da OMS pa a desc e e a amos a em
e mos de IMC. Um dos es udos oi e ec uado exclu-
si amen e em mulhe es (Fine e al., 1999), ou o
exclusi amen e em homens (Yancy e al., 2002),
sendo dois de base populacional (Doll, Pe e son e
S ewa -B own, 2000; La sson, Ka lsson e Sulli an,
2002) e os es an es ês em populações de indi í-
duos a emag ece (Dixon, Dixon e O’B ien, 2001;
Dymek e al., 2002; Fon aine e al., 2004). T ês dos
es udos o am longi udinais e qua o ans e sais.
Todos os es udos documen am uma associação nega-
i a en e o IMC e a QVRS, sendo que, as escalas
pa a as quais se demons ou uma di e ença es a is i-
camen e signi ica i a em odos os es udos o am a
unção ísica e o desempenho ísico. No en an o, em
ês dos es udos desc i os encon ou-se uma di e-
ença es a is icamen e signi ica i a en e di e en es
g upos de IMC pa a odas as dimensões do SF-36
(Doll, Pe e son e S ewa -B own, 2000; Dixon,
Dixon e O’B ien, 2001; Dymek e al., 2002). Os
es udos de base populacional demons a am uma
aca ou inexis en e associação en e um IMC ele-
ado e uma diminuição nas dimensões men ais do
SF-36. Um dos es udos suge e que a obesidade só se
encon a associada a uma de e io ação da QVRS em
p esença de co-mo bilidades (Doll, Pe e son e
S ewa -B own, 2000).
É necessá io, nes e con ex o, es uda o p oblema da
obesidade, em odas as suas dimensões, endo es e
es udo a inalidade de con ibui pa a o conheci-
men o des a p oblemá ica, nos u en es das a mácias
do concelho de Lou es. Explici ando o impac o, an o
a ní el ísico, como emocional e social, das di e en-
ças ine en es a di e en es IMC, é possí el p omo e
jun o dos indi íduos obesos, as an agens dos a a-
men os e das opções mais saudá eis e, en ol ê-los,
mais di ec amen e, no sucesso das al e na i as e a-
pêu icas.
O p esen e es udo em, assim, como objec i o ge al
desc e e a Qualidade de Vida Relacionada com a
Saúde da população u en e das a mácias do Conce-
lho de Lou es e a alia a elação en e es a e o
excesso de peso. A QVRS é medida pelo SF-36 e
o excesso de peso pelo IMC. Como objec i os espe-
cí icos, o es udo p e ende: desc e e a população
u en e das a mácias do concelho de Lou es em e -
mos do pe il de saúde ob ido pelo SF-36; analisa
desc i i amen e as 8 dimensões do SF-36 e os 2 índi-
ces ag egados po eles o mados, segundo as ca ac-
27
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Qualidade de ida
e ís icas sócio-demog á icas; e es ima a elação
en e a classi icação dos indi íduos segundo o seu
IMC e a Qualidade de Vida Relacionada com a
Saúde.
2. Ma e ial e mé odos
O p esen e abalho e e como local de ecolha de
in o mação as a mácias do concelho de Lou es.
É um es udo obse acional, ans e sal. A amos a-
gem oi bi-e ápica. Na p imei a e apa o am selec-
cionadas, alea o iamen e, 11 a mácias do Concelho
de Lou es. Em cada a mácia, o am incluídos no
es udo odos os indi íduos, com mais de 18 anos, que
a ela acede am, du an e o pe íodo de ecolha de
in o mação (de 5 a 12 de Ma ço de 2004, po pe ío-
dos de 4 ho as em cada a mácia).
O IMC oi calculado com base no peso (kg) e da
al u a (m) au o-decla ados pelos u en es, segundo a
Quad o I
Resumo dos esul ados da e isão bibliog á ica
Tipo de es udo, Indicado es Resul ados
Re . País Amos a de QVRS (Di e enças — ∆∆
∆∆
∆ — es a is icamen e signi ica i as)
longi udinal 45 375 mulhe es en e 46-72 anos SF-36 FF ∆= 17,2a VT ∆= 10,9a
USA dois DF ∆= 16,3a FS –
momen os DR ∆= 12,7a DE ∆= 6,1a
no empo SG – SM ∆=1
a
ans e sal 8 889 adul os en e os 18-64 anos SF-36 FF ∆= 24,7b VT ∆= 11,91b
Ingla e a DF ∆= 14,27b FS ∆= 11,48b
DR ∆= 15,65b DE ∆= 7,61b
SG ∆= 16,43b SM ∆= 5,85b
longi udinal 459 indi íduos com IMC > 35 kg/m2SF-36 FF ∆= 37,4c VT ∆= 30,8c
Aus ália anualmen e DF ∆= 45,0c FS ∆= 28,5c
du an e DR ∆= 21,6c DE ∆= 29,0c
4 anos SG ∆= 33,9c SM ∆= 14,4c
ans e sal 319 indi íduos, di ididos em qua o SF-36 FF ∆= 34,8d VT ∆= 24,5d
EUA g upos em momen os di e en es dois DF ∆= 51,5d FS ∆= 36,3d
em elação a um bypass gás ico momen os DR ∆= 25,3d DE ∆= 33,4d
no empo SG ∆= 12,6d SM ∆= 14,5d
ans e sal 5 633 indi íduos en e 16-64 anos SF-36 FF ∆= 1,9 (♂); ∆= 4,4 (♁)e VT –
Suécia DF – FS –
DR – DE –
SG ∆= 4,0 (♂); ∆= 4,6 (♁)e SM –
ans e sal 1 168 homens SF-36 FF ∆= 21,6 VT ∆= 17,0
EUA DF ∆= 23,3 FS –
DR ∆= 14,3 DE –
SG – SM –
longi udinal 32 indi íduos num p og ama SF-36 FF ∆= 9,4g VT ∆= 21,9g
EUA pa a pe de peso dois DF ∆= 14,5g FS –
momen os DR – DE –
no empo SG ∆= 14,3g SM ∆= 6,3g
No as:
aCompa ação do g upo de IMC < 25 kg/m2 com o g upo de IMC ≥35 kg/m2, mulhe es com menos de 65 anos
(∆=SF
IMC < 25 –SF
IMC ≥35)
bCompa ação do g upo de IMC 18,5-24,9 kg/m2 com o g upo de IMC ≥40 kg/m2 (∆=SF
IMCno mal –SF
IMC ≥40)
cCompa ação dos indi íduos an es da ci u gia e um ano após a ci u gia (∆=SF
após ci u gia – SFan es ci u gia)
dCompa ação de indi íduos de IMC ≥35 kg/m2 2 a 4 semanas após a ci u gia e 6 meses depois (∆=SF
6meses – SF2/4 semanas)
eCompa ação do g upo de IMC 18,5-24,9 kg/m2 com o g upo de IMC 25,0-29,9 kg/m2, indi íduos en e os 16 e os 34
anos (∆=SF
IMCno mal –SF
IMCexcessopeso)
Compa ação do g upo de IMC 18,5-24,9 kg/m2 com o g upo de IMC ≥40 kg/m2 (∆=SF
IMCno mal –SF
IMC ≥40)
gCompa ação de indi íduos no início e no im de um p og ama o ien ado de edução de peso de 13 semanas
(∆=SF
imp og ama –SF
iníciop og ama)
Fine e al.,
1999
Doll e al.,
2000
Dixon e al.,
2001
Dymek
e al., 2002
La sson
e al., 2002
Yancy
e al., 2002
Fon aine
e al., 2004
28 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Qualidade de ida
ó mula IMC = peso/al u a2. Os indi íduos o am
ag upados em ca ego ias, segundo o IMC e a classi-
icação da OMS (WHO, 1997; WHO, 2000). De
aco do com es a classi icação, conside a am-se com
excesso de peso os indi íduos com IMC ≥25 kg/m2
e com Obesidade os indi íduos com IMC ≥30 kg/m2.
Pa a ca ac e iza o pe il de saúde dos esponden es
oi u ilizado o Medical Ou comes S udy Sho -Fo m
(SF-36), que é um ins umen o gené ico de a aliação
de QVRS e que possibili a compa ações en e di e-
en es condições de saúde. O SF-36 é cons i uído po
36 ques ões e ab ange 8 dimensões de saúde: Função
Física-FF (10 i ens), Desempenho Físico-DF
(4 i ens), Do -DR (2 i ens), Saúde Ge al-SG (5 i ens),
Vi alidade-VT (4 i ens), Função Social-FS (2 i ens),
Desempenho Emocional-DE (3 i ens) e Saúde Men-
al-SM (5 i ens) (Wa e e Kosinski, 2001; Wa e,
Kosinski e Gandek, 2003; Fe ei a, 2000). Cada
uma das escalas é pon uada de 0 a 100, ep esen-
ando (0) o ní el mais baixo de uncionalidade e
(100) o ní el mais ele ado. A ob enção dos alo es
de cada dimensão do SF-36 oi e ec uada a a és da
codi icação das espos as a cada pe gun a, da soma
dos alo es ob idos e da con e são da soma em
pe cen agem. Conside a-se uma di e ença de pon-
uações en e g upos igual ou supe io a 5 pon os
como clinicamen e ele an e. No sen ido de eduzi
o núme o de medidas de esul ado em saúde e de
melho a a sua in e p e ação, o am ex aídas duas
componen es das 8 escalas, o esumo da saúde
ísica (RSF) e o esumo da saúde men al (RSM).
Es as duas componen es o am desen ol idas no
deco e de es udos de a aliação das p op iedades
psicomé icas do SF-36, e i icando-se que es as
medidas cap u a am 80 a 85% da a iância das
8 sub-escalas, icando, assim, a análise e in e p e a-
ção do SF-36 simpli icada (Wa e, Kosinski e
Gandek, 2003) (Quad o II).
Conside am-se como possí eis a iá eis in e e en es
as ca ac e ís icas sócio-demog á icas, as doenças
concomi an es e ou as a iá eis que es ão desc i as
como con undimen o da associação em causa e que
o am medidas a a és de um ques ioná io comple-
men a , elabo ado e desen ol ido pa a o e ei o. As
a iá eis incluídas no ques ioná io o am: sexo,
idade, es ado ci il, escola idade, si uação p o issio-
nal, p á ica de exe cício ísico, consumo de abaco e
álcool, doenças c ónicas, absen ismo labo al, si ua-
ção em elação ao peso no úl imo ano e a amen os
pa a emag ece .
O a amen o in o má ico e a análise dos dados o am
e ec uados a a és do p og ama in o má ico SPSS
.12.0, pa a Mic oso Windows. As di e enças nas
pon uações do SF-36 pa a os di e en es g upos o am
es adas com o es e de Mann-Whi ney. Mais de a-
lhes sob e a me odologia podem se ob idos em San-
os (2004).
3. Resul ados
Num o al de 653 u en es abo dados à saída da a -
mácia, esponde am ao ques ioná io 228, o que co -
esponde a uma axa de espos a de 34,9%. Dos 425
Quad o II
Dimensões de saúde do SF-36
Medidas sumá ias Escalas
Resumo de Saúde Física Função Física (FF)
Desempenho Físico (DF)
Do (DR)
Saúde Ge al (SG)*
Resumo de Saúde Men al Vi alidade (VT)*
Função Social (FS)
Desempenho Emocional (DE)
Saúde Men al (SM)
No a: * Co elação signi ica i a com a ou a medida sumá ia
29
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Qualidade de ida
não esponden es, 33,4% e am homens, não ha endo
di e enças es a is icamen e signi ica i as em elação
à dis ibuição dos sexos en e esponden es e não
esponden es.
3.1. Ca ac e ização do pe il de saúde
As pon uações a ibuídas pelos u en es às di e en es
escalas do SF-36 são as desc i as em seguida ( alo es
médios ± des io pad ão): FF = 83,4 ± 18,4; DF = 73,2 ± 34,8;
DR = 65,5 ± 24,3; SG = 57,9 ± 19,5; VT = 57,1 ± 21,1;
FS = 73,9 ± 24,8; DE = 65,9 ± 38,8 e SM = 62,1 ± 22,4
(Quad o III). Ve i ica-se que a escala do SF-36 à
qual os u en es a ibuem uma pon uação supe io é a
unção ísica, sendo a i alidade a escala pio pon-
uada.
O pe il de QVRS dos u en es das a mácias de
Lou es, incluindo as 2 medidas sumá ias e
es a i icando pa a a a iá el sexo, é o que se ap e-
sen a no G á ico 1. Con o me se pode e i ica pela
análise do G á ico 1, as mulhe es pon uam odas as
dimensões de saúde do SF-36 com alo es in e io es
aos dos homens, com excepção da unção ísica e da
saúde ge al. Nos esumos de saúde ísica e de saúde
men al, as pon uações das mulhe es são, igualmen e,
in e io es às dos homens. A escala que ob e e uma
pon uação mais ele ada oi a unção ísica, pa a os
Quad o III
Resul ados das pon uações do SF-36
FF DF DC SG VT FS DE SM
N169 181 193 187 186 196 180 179
média 83,43 73,20 65,46 57,94 57,12 73,92 65,93 62,12
mediana 90,00 100,00 62,00 62,00 55,00 75,00 66,67 64,00
des io pad ão 18,43 34,76 24,28 19,48 21,11 24,77 38,75 22,38
Pe cen il
25 75,00 50,00 51,00 45,00 40,00 50,00 33,33 48,00
50 90,00 100,00 62,00 62,00 55,00 75,00 66,67 64,00
75 95,00 100,00 84,00 72,00 75,00 100,00 100,00 80,00
mínimo 10,00 0,00 10,00 0,00 0,00 0,00 0,00 4,00
máximo 100,00 100,00 100,00 100,00 95,00 100,00 100,00 100,00
G á ico 1
Pon uações médias do SF-36, es a i icando em elação ao géne o
90,00
80,00
70,00
60,00
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
Pon uações
Dimensões SF-36
FF DF DR SG VT FS DE SM RSF RSM
Homens
Mulhe es
FF: Função Física
DF: Desempenho Físico
DR: Do
SG: Saúde Ge al
VT: Vi alidade
DE: Desempenho Emocional
FS: Função Social
SM: Saúde Men al
RSF: Resumo de Saúde Física
RSM: Resumo de Saúde Men al
30 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Qualidade de ida
dois sexos. No en an o, pa a as mulhe es, a pon ua-
ção mínima oi ob ida na dimensão i alidade,
enquan o que, pa a os homens, oi na dimensão
saúde ge al. Pa a os homens, duas das escalas —
saúde ge al e i alidade — não o am pon uadas po
ninguém com o alo máximo (100). Pa a as mulhe-
es, as escalas que não o am pon uadas po ninguém
no alo máximo o am a i alidade e a saúde men-
al.
3.2. Ca ac e ização do IMC
A dis ibuição dos u en es da amos a em elação ao
seu IMC é a que se desc e e no G á ico 2. O mínimo
do IMC é 16,0 kg/m2 e o máximo é 38,1 kg/m2,
sendo a média igual a 26,0 ± 4,1 kg/m2, ou seja, supe-
io ao limi e do IMC conside ado no mal, segundo
a classi icação da OMS. O IMC médio oi de
26,9 ± 3,8 kg/m2 pa a os homens e de 25,4 ± 4,6 kg/m2
pa a as mulhe es. A pe cen agem de u en es com
IMC acima dos alo es no mais, ou seja, supe io es
a 25,0 kg/m2, é de 46,7% nas mulhe es e de 59,2%
nos homens, sendo que, des es, 21,0% dos homens e
15,0% das mulhe es ap esen am IMC acima de
30,0 kg/m2 (Obesidade de Classe I, II ou III). Abaixo
do peso no mal (IMC < 18,5 kg/m2) encon am-se
4 mulhe es e com IMC > 35 kg/m2 (Obesidade de
Classe II ou III) apenas se encon am 3 homens e
2 mulhe es.
3.3. Ca ac e ização sócio-demog á ica da amos a
A amos a em es udo é cons i uída, maio i a iamen e,
po mulhe es, sendo 41,0% a pe cen agem de
homens (Quad o IV). A idade média encon ada é de
47 anos pa a os homens (mínimo de 19 e máximo de
74 anos) e de 42 anos pa a as mulhe es (mínimo de
19 e máximo de 77 anos). O es ado ci il p edomi-
nan e é o casado/em união de ac o, an o pa a os
homens (70,1%) como pa a as mulhe es (59,3%).
A moda da escola idade si ua-se no 9.o-12.o ano pa a
os homens (24,1%) e no ensino supe io pa a as
mulhe es (24,4%). A maio pa e dos u en es é aba-
lhado ac i o po con a de ou em (49,5%).
Quan o aos es ilos de ida, a pe cen agem de homens
umado es é de 29,9% e de mulhe es umado as é de
G á ico 2
Dis ibuição das equências do IMC na amos a, es a i icando em elação ao géne o
Homens
Mulhe es
35,0-39,9 kg/m2
30,0-34,9 kg/m2
25,0-29,9 kg/m2
18,5-24,9 kg/m2
< 18,5 kg/m2
40,8%
39,2%
17,1%
4,0%
61%
39%
13,3%
31,7%
50,0%
3,3%
1,7%
31
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Qualidade de ida
24,1%. Pa a os umado es, o núme o médio de ciga -
os umados po dia é de 19,8 ± 11,3 e pa a as uma-
do as é de 15,2 ± 11,6 ciga os. A moda da equên-
cia de exe cício ísico si ua-se em — «espo ádica»
— pa a os homens (31,0%) e em — «nenhuma» —
pa a as mulhe es (44,4%). Em elação ao consumo
de álcool, nos homens, as espos as dis ibuí am-se
pelas 4 ca ego ias, sendo que 33,7% a i ma am bebe
mais de 2 ezes po semana, enquan o que, pa a as
mulhe es, a espos a maio i á ia oi — «não bebe»
(63,4%).
A si uação em elação ao peso dos u en es man e e-
-se, em elação ao ano an e io à adminis ação do
ques ioná io, apesa de 19,2% das mulhe es a i ma
que aumen ou de peso no úl imo ano. A maio ia dos
u en es, an o os homens (89,7%) como as mulhe es
(79,4%), e ela não aze qualque a amen o pa a o
excesso de peso.
Conside ando as co-mo bilidades, a maio ia dos
u en es, an o os homens (48,8%) como as mulhe-
es (41,4%), a i ma que não em condições que os
limi em nas suas ac i idades diá ias. No en an o, o
núme o de condições clínicas concomi an es é de
ce ca de 2, pa a ambos os sexos. A pe cen agem de
absen ismo ao abalho po p oblemas de saúde no
mês an e io à adminis ação dos ques ioná ios é
de 19,1% pa a os homens e de 17,1% pa a as
mulhe es.
Quad o IV
Ca ac e ização sócio-demog á ica da amos a
To al Homens Mulhe es
nmédia ± d.p./% nmédia ± d.p./% nmédia ± d.p./%
Ca ac e ís icas sócio-demog á icas
Idade 217 43,9 ± 14,4 87 46,6 ± 14,3 130 42,1 ± 14,2
Sexo 223 39,0 homens – –
Es ado ci il 222 87 135
sol ei o/a 20,7 17,2 23,0
casados/a 63,5 70,1 59,3
di o ciado/a 11,3 9,2 12,6
iú o/a 4,5 3,4 5,2
Escola idade 222 87 135
<4.a classe 1,8 2,3 1,5
4.a classe 21,6 20,7 22,2
4.a 9.o ano 18,0 19,5 17,0
9.o-12.o ano 19,8 24,1 17,0
12.o ano 15,8 12,6 17,8
ensino supe io 23,0 20,7 24,4
Si uação abalho 212 85 127
emp egado/a 62,7 69,4 58,3
desemp egado/a 9,0 4,7 11,8
e o mado/a 17,4 21,2 15,0
ou a 10,9 4,8 15,0
Es ilos de ida
umado 220 26,4 87 29,9 133 24,1
nenhuma equência de exe cício
ísico 217 38,2 84 28,6 133 44,4
álcool > 2×/semana 220 14,6 86 33,7 134 2,2
si uação peso 216 86 130
diminuiu 25,5 12,8 33,8
man e e 59,7 79,1 46,9
aumen ou 14,8 8,1 19,2
a amen o pa a excesso de peso 218 16,5 87 10,3 128 20,6
Co-mo bilidades limi an es 212 28,8 28,6 28,9
Absen ismo labo al 173 17,9 19,1 17,1
32 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Qualidade de ida
Foi ei a uma análise p é ia pa a a e igua da exis-
ência de di e enças em elação às ca ac e ís icas
sócio-demog á icas en e os indi íduos de di e en es
classes de IMC.
3.4. Relação en e o pe il de saúde e o IMC
Pa a es a es a elação os dados o am ag upados em
2 classes de IMC: peso no mal (IMC 18,5 – 24,9 kg/
m2) e excesso de peso/obesidade (IMC ≥25,0 kg/m2).
De o ma a e i ica -se a homogeneidade en e os
g upos, em elação às ca ac e ís icas sócio-demog á-
icas, e ec uou-se, em p imei o luga , uma compa a-
ção dessas ca ac e ís icas pa a os dois g upos de IMC
conside ados. Compa ando com o g upo de IMC
no mal, o g upo de IMC mais ele ado em uma
média de idades maio . Exis e uma di e ença es a is-
icamen e signi ica i a ao ní el do es ado ci il e da
escola idade en e os dois g upos, sendo a pe cen a-
gem de casados(as) supe io no g upo de IMC mais
ele ado e sendo a pe cen agem de indi íduos que
comple a am o ensino supe io mais ele ada no
g upo de IMC mais baixo. Quan o ao consumo de
abaco, a pe cen agem de indi íduos que decla ou se
umado oi in e io no g upo de IMC ≥25,0 kg/m2,
sendo essa di e ença es a is icamen e signi ica i a.
A si uação em elação ao peso ambém e elou se
di e en e en e os dois g upos, ha endo uma maio
pe cen agem de indi íduos com IMC ≥25,0 kg/m2 a
decla a e diminuído de peso nas 4 semanas an e-
io es à adminis ação do ques ioná io. Da mesma
o ma, uma maio pe cen agem des es indi íduos
(po compa ação com os de IMC no mal) decla ou
es a a aze , ou e ei o no passado, a amen o pa a
edução do seu peso. Em elação às es an es
a iá es, as di e enças encon adas não o am es a is-
icamen e signi ica i as.
A elação en e a QVRS e o excesso de peso/obesi-
dade es á demons ada no Quad o V e no G á ico 3.
Os pe is de saúde são semelhan es pa a as 2 classes
de IMC. É possí el, ambém, dis ingui , a diminuição
da pon uação a ibuída a cada dimensão de saúde, no
sen ido do g upo de IMC mais ele ado, apesa do
des io pad ão se ele ado em odas as dimensões.
É ge almen e acei e, pa a es as escalas, que a di e-
ença mínima clinicamen e ele an e é de 5 pon os
(Wa e, Kosinski e Gandek, 2003). Ao compa a -se a
classe de IMC de 18,5-24,9 kg/m2 com a classe de
IMC ≥25,0 kg/m2, e i ica-se que, as pon uações
que diminuem mais de 5 pon os são as da unção
ísica, a do e a saúde men al (Quad o V). Es as di e-
enças são es a is icamen e signi ica i as no caso da
unção ísica (p= 0,046) e da do (p= 0,007).
G á ico 3
Compa ação das pon uações médias do SF-36 en e indi íduos com peso no mal e excesso de peso
Pon uações
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
Dimensões SF-36
FF DF DR SG VT FS DE SM RSF RSM
Peso no mal
Excesso de peso
FF: Função Física
DF: Desempenho Físico
DR: Do
SG: Saúde Ge al
VT: Vi alidade
DE: Desempenho Emocional
FS: Função Social
SM: Saúde Men al
RSF: Resumo de Saúde Física
RSM: Resumo de Saúde Men al
33
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Qualidade de ida
Quad o V
Relação en e o SF-36 (média das pon uações ± des io pad ão) e o IMC
IMC (kg/m2)
Excesso p
Dimensão SF-36 Peso no mal de peso/obesidade ∆∆
∆∆
∆ (a) Tes e de Mann-Whi ney
18,5-24,9 ≥≥
≥≥
≥25,0
To al (n= 192) Escala FF 88,00 ± 13,77 81,71 ± 18,88 –6,29* 0,046
Escala DF 77,31 ± 32,10 76,07 ± 35,97 –1,24*0,995
Escala DR 70,86 ± 21,68 63,20 ± 26,12 –7,66* 0,007
Escala SG 61,43 ± 17,80 58,48 ± 19,84 –2,95*0,188
Escala VT 60,31 ± 17,96 56,93 ± 23,21 –3,38*0,233
Escala FS 75,58 ± 23,43 75,18 ± 26,37 –0,40*0,397
Escala DE 68,72 ± 39,03 68,57 ± 37,16 –0,15*0,671
Escala SM 66,22 ± 18,21 60,86 ± 23,45 –5,36* 0,483
medidas sumá ias de saúde
RSF 55,10 ± 7,75 52,85 ± 10,00 –2,25*0,503
RSM 48,23 ± 10,64 47,70 ± 11,75 –0,54*0,993
Homens (n= 76) Escala FF 86,50 ± 16,87 84,52 ± 18,68 –1,98*0,263
Escala DF 78,75 ± 32,72 78,22 ± 32,11 –0,52*0,947
Escala DR 73,20 ± 18,13 72,22 ± 22,97 –0,97*0,574
Escala SG 57,50 ± 18,13 61,26 ± 18,32 *3,76*0,586
Escala VT 60,50 ± 18,77 61,29 ± 25,49 *0,79*0,684
Escala FS 75,62 ± 25,48 76,21 ± 27,07 *0,58*0,713
Escala DE 71,67 ± 37,89 72,04 ± 34,53 *0,38*0,488
Escala SM 64,40 ± 18,98 64,77 ± 25,72 *0,37*0,880
medidas sumá ias de saúde
RSF 54,61 ± 8,28 54,54 ± 9,00 –0,07*0,954
RSM 48,56 ± 9,33 48,95 ± 12,34 *0,39*0,700
Mulhe es (n= 116) Escala FF 88,67 ± 12,31 79,49 ± 18,98 –9,18* 0,062
Escala DF 76,67 ± 32,16 74,36 ± 39,10 –2,31*0,962
Escala DR 69,82 ± 22,26 56,02 ± 26,51 –13,8* 0,002
Escala SG 63,18 ± 17,57 56,28 ± 20,94 –6,90* 0,054
Escala VT 60,22 ± 17,80 53,46 ± 20,91 –6,76* 0,169
Escala FS 75,56 ± 22,76 74,36 ± 26,12 –1,20*0,482
Escala DE 67,41 ± 39,88 65,81 ± 39,36 –1,60*0,861
Escala SM 67,02 ± 18,01 57,74 ± 21,30 –9,28* 0,194
medidas sumá ias de saúde
RSF 55,31 ± 7,58 51,51 ± 10,64 –3,81*0,253
RSM 48,09 ± 11,27 46,70 ± 11,33 –1,39*0,612
No as:
(a) ∆ é a di e ença en e o g upo de IMC ≥25,0 e o g upo de IMC 18,5-24,9 (∆=SF
IMC ≥25 –SF
IMCno mal)
* ∆ supe io a 5 pon os (di e ença clinicamen e ele an e)
G á ico 4
Pon uações médias do SF-36 po classe de IMC, es a i icando em elação ao géne o
FF
DF
DR
SG
VT
FS
DE
SM
RSF
RSM
FF
DF
DR
SG
VT
FS
DE
SM
RSF
RSM
50 50
00
Homens Mulhe es
IMC 18,5-24,9 kg/m2
IMC > 25 kg/m2