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VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Saúde ocupacional
Ale gia p o issional ao lá ex
em meio hospi ala
RODRIGO RODRIGUES ALVES
ANTÓNIO SOUSA UVA
MANUEL BRANCO FERREIRA
A exposição p o issional a lá ex em meio hospi ala é p a-
icamen e ubiqui á ia já que di e sos ma e iais de uso
hospi ala o con êm, ainda que a sua e e ência seja
essencialmen e associada às lu as. A ele ada equência e
g a idade de doenças espi a ó ias, de ma ológicas, e a é
eacções ana ilác icas, em indi íduos sensibilizados expos-
os a lá ex jus i ica que as á eas cien í icas da Medicina
do T abalho e da Ale gologia desen ol am p og amas de
p e enção dos e en uais e ei os ad e sos associados ao seu
uso. Po ou o lado, a c iação de se iços de saúde ocupa-
cional nos es abelecimen os de saúde pode á con ibui
pa a a edução da incidência des a pa ologia a a és do
desen ol imen o de ac i idades de ges ão desse isco p o-
issional.
Pala as-cha e: ale gia p o issional; lá ex; lu as; p o issio-
nais de saúde.
1. In odução
A ale gia ao lá ex pe spec i ada como um p oblema
de saúde gene alizado, po ezes mesmo conside ado
com ca ac e ís icas «epidémicas» (Woods e al.,
1997), é um acon ecimen o in ulga uma ez que
não são equen es ou os casos p é ios de uma subs-
ância p a icamen e inócua se pode ans o ma num
po en e ale génio (Sussman e Beezhold, 1996;
Tu janmaa e al., 1996). Se es e ac o se ia, po si só,
um mo i o de ac escido in e esse nes a pa ologia,
ou os há que se lhe adicionam, designadamen e o
ac o da sua oco ência es a associada a al e a-
ções do ambien e hospi ala oco idas nos úl imos
20 anos.
Como é sabido, as lu as de lá ex são uma das on es
p incipais de exposição e são, consequen emen e, a
ace mais isí el do p oblema. Foi essencialmen e a
necessidade da implemen ação de uma p o ilaxia e i-
caz do con ágio da in ecção pelo í us da imunode-
iciência humana e pelos í us das hepa i es, que
le ou a um aumen o exponencial no uso de lu as e
de ou os p odu os de lá ex ac o que, aliado a al e-
ações no p ocesso indus ial de ab ico des es p odu-
os, pode á e con ibuído signi ica i amen e pa a o
aumen o dos casos de ale gia ao lá ex. A demons a-
ção que a comp eensão des e enómeno alé gico não
pode se dissociada da comp eensão de ac o es
sociais e económicos é um ou o pon o de in e esse
da ale gia ao lá ex.
Rod igo Rod igues Al es é assis en e hospi ala de Imunoale go-
logia do Hospi al do Di ino Espí i o San o.
An ónio Sousa U a é p o esso ca ed á ico da Escola Nacional de
Saúde Pública, Uni e sidade No a de Lisboa.
Manuel B anco Fe ei a é assis en e hospi ala de Imunoale golo-
gia do Cen o Hospi ala de Lisboa No e e p o esso auxilia
con idado da Faculdade de Medicina, Uni e sidade de Lisboa.
Subme ido à ap eciação: 10 de Ou ub o de 2007
Acei e pa a publicação: 14 de No emb o de 2007
78 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde ocupacional
Ac ualmen e os p odu os de lá ex êm uma u ilização
ubiqui á ia em meio hospi ala po que, pa a além das
lu as, exis em mais de 40 000 ou os p odu os con-
endo lá ex designadamen e, dedei as, sondas de
en ubação naso-gás ica, algálias, cânulas a íngeas,
másca as de en ilação, d enos, ga o es, adesi os,
ligadu as elás icas e bo achas dos sis emas de so os.
O lá ex es á ambém p esen e em inúme os p odu os
da ida co en e, designadamen e em ecidos elás i-
cos, lu as de uso domés ico, p ese a i os, colas êx-
eis e de en elopes, bolas, balões, b inquedos, oucas
de banho, óculos de na ação, câma as de a , chupe as
e e inas. O con ac o equen e com o lá ex passou a
o igina a e e ência a um núme o cada ez maio de
eacções ad e sas, algumas das quais de e iologia
alé gica e po ezes a ais.
A e apêu ica e icaz da ale gia ao lá ex adica não só
na implemen ação de algumas medidas a macológi-
cas mas ambém na implemen ação de medidas legis-
la i as, económicas e adminis a i as enden es a
diminui o con eúdo ale génico dos p odu os u iliza-
dos nas unidades de saúde. A in e enção médica
de e po isso ul apassa os limi es es i os do p ó-
p io ac o médico e enquad a -se em ou as in e en-
ções suscep í eis de p e eni a ale gia ao lá ex, em
ase p é-clínica.
2. Algumas no as his ó icas
O lá ex é um p odu o ex aído da á o e da bo acha
(He ea b asiliensis) que se sabe e sido u ilizado
pelas ci ilizações p é-colombianas. No século XVI os
explo ado es espanhóis da Amé ica do Sul desc e e-
am a colhei a de uma subs ância lei osa com a qual os
indígenas ab ica am b inquedos com p op iedades
elás icas e com que impe meabiliza am os sapa os.
No inal do século XVIII o lá ex começou a se u ili-
zado nos países indus ializados pa a impe meabili-
za o es uá io. No en an o, inicialmen e, o lá ex u i-
lizado e a ela i amen e pouco elás ico, queb ando
acilmen e, p incipalmen e se subme ido a empe a u-
as mais ias. Foi só com a descobe a do p ocesso
da ulcanização — união dos políme os de hid oca -
bone os da bo acha po pon es sul i o — po Cha les
Goodyea e depois com o início da p odução de
pneus po John Dunlop que o lá ex en ou e dadei-
amen e na sua e a indus ial (Ahmed, Sobczak e
Yunginge , 2003).
A p imei a desc ição de ale gia ao lá ex da a de
1927, na Alemanha (S e n, 1927), e o p imei o ela o
em inglês su giu só em 1979 (Nu e , 1979). A pa i
dos anos de 1980 apa ecem múl iplos ela os de eac-
ções alé gicas imedia as ao lá ex, sendo as u icá ias
de con ac o a g ande maio ia dos casos desc i os,
equen emen e associadas a queixas de ini e e/ou
conjun i i e.
Os p imei os casos de eacções ana ilác icas in a-
-ope a ó ias ao lá ex o am desc i os na Eu opa em
1984 (Tu janmaa e al., 1984). Desde en ão êm su -
gido cada ez mais equen emen e ela os de ana i-
laxia não só in a-ope a ó ia mas ambém du an e
ac os médicos ealizados em ambula ó io como: (1) a
colocação de ca é e es (pa icula men e com os
ca é e es usados pa a a ealização de clis e es opa-
cos), (2) na ealização de exames ginecológicos (F y,
Meaghe e Vollenho en, 1999) e em (3) a amen os
den á ios. Fo am ambém desc i os casos de ana ila-
xia após exposições a p ese a i os (Moudiki e
Leynadie , 1997; Le y, Khouade e Leynadie ,
1998), balões, b inquedos de bo acha, ma e iais com
e es imen o de lá ex e á ios ou os objec os con-
endo bo acha.
O g ande aumen o, nos úl imos anos, do núme o de
diagnós icos de ale gia ao lá ex de e-se, pa a além de
um e en ual aumen o global da p edisposição indi i-
dual pa a o apa ecimen o de doenças alé gicas, a
ou as causas, nomeadamen e:
a) o uso de lu as mais gene alizado como o ma de
p e enção de ansmissão de doenças in ecciosas
(nomeadamen e hepa i e B e SIDA) e designada-
men e a u ilização equen e de p odu os
desca á eis que le ou a um g ande aumen o da
exposição indi idual às p o eínas do lá ex;
b) o aumen o exponencial da p ocu a le ou a modi-
icações nos mé odos de ab ico objec i ando o
aumen o da p odução. Das á ias al e ações
salien a-se a diminuição dos empos de pe ma-
nência em amónia e de la agem, com um conse-
quen e aumen o do con eúdo p o eico e
ale génico dos p odu os de lá ex;
c) a di ulgação de no os casos le ou a um melho
conhecimen o des a pa ologia, undamen almen e
po pa e de imunoale gologis as e médicos do
abalho, o que pode á e de e minado um maio
núme o de diagnós icos.
3. Ale gia ao lá ex em ambien e p o issional
Epidemiologicamen e conside a-se a exis ência de
alguns g upos de isco, que ep esen am, na sua
maio ia, indi íduos com exposição in ensa às p o eí-
nas do lá ex. Nes es indi íduos, e al como em ou as
sensibilizações a ae oale génios, é a quan idade do
ale génio a que se es á expos o, associada à ia de
exposição e à p edisposição indi idual pa a a diá ese
alé gica, que in luencia a sensibilização e, ul e io -
men e, o apa ecimen o de sin oma ologia.
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Saúde ocupacional
São á ios os g upos p o issionais que ap esen am
um con ac o in enso com p odu os de lá ex no seu
ambien e de abalho e que, po an o, se encon am
em isco de desen ol e em sensibilização ao lá ex e
pa ologia ocupacional causada pelo lá ex (Cha ous,
Hamil on e Yunginge , 1994). Nos países p odu o es
de lá ex, onde mui as ezes se localizam ambém as
indús ias ans o mado as da ma é ia-p ima, o
núme o de abalhado es da indús ia da bo acha
a ec ados pode e uma dimensão ap eciá el. Po
ou o lado, nos países onde a indús ia da bo acha
não em uma exp essão económica signi ica i a são
os abalhado es da saúde o g upo p o issional com
um maio con ac o com p odu os de lá ex (Liss e
Sussman, 1999), ainda que ou os abalhado es pos-
sam ambém e doença p o issional causada pelo
con ac o com p odu os de lá ex como é o caso de
algumas indús ias êx eis (Pisa i e al., 1998), de
b inquedos de bo acha (O an e al., 1994) ou ope-
á ios en ol idos no manuseamen o de p odu os
inais de lá ex, como dis ibuido es de lu as ou de
p ese a i os ou ainda os p o issionais de limpeza
que usam com equência lu as domés icas (Sussman
e al., 1995).
A p e alência de ale gia ao lá ex, bem como a p e-
alência de sensibilização ao lá ex, a aliada po es-
es cu âneos em picada ou po IgE especí icas, ap e-
sen am alo es mui o disc epan es en e os á ios
es udos. Num abalho ealizado na Fede ação Russa
em 901 abalhado es de saúde documen ou-se sensi-
bilização ao lá ex em 5,4% dos abalhado es e uma
p e alência de ale gia ao lá ex de 1,9% endo a ana-
ilaxia ao lá ex uma exp essão de 0,008% (Nol e e
al., 2002).
Um ou o es udo e ec uado nos EUA em 1959 aba-
lhado es de saúde (Zeiss e al., 2003) em cen os
médicos onde essencialmen e se usa am lu as sem
pó (91,4%) de e minou uma p e alência de sin omas
elacionados com lu as de 6,8%; de sensibilização ao
lá ex (IgE especí ica) de 1,8% e de ale gia ao lá ex
de 0,6%. A sensibilização ao lá ex co elacionou-se
com a a opia, a aça e a exposição ao lá ex. A ale gia
ao lá ex co elacionou-se com a a opia, com a IgE
especí ica e com a exposição ao lá ex.
De e e i ambém uma me a-análise ealizada ecen-
emen e (Bousque e al., 2006) que demons ou o
isco aumen ado de sensibilização e ale gia ao lá ex
em p o issionais de saúde, e o çando a necessidade
de medidas de p e enção des a en idade no e e ido
g upo p o issional. Nes e es udo demons ou-se uma
p e alência média de ale gia ao lá ex nos p o issionais
de saúde de 4,32% e na população ge al de 1,37%.
Documen a am-se es es cu âneos em picada pa a o
lá ex posi i os em 6,9 a 7,8% dos p o issionais de
saúde e em 2,1 a 3,7% da população ge al. Os p o is-
sionais de saúde expos os ao lá ex ap esen a am um
isco aumen ado de eczema das mãos (OR = 2,46),
asma (OR = 1,55) e inoconjun i i e (OR = 2,73), não
exibindo, no en an o, um isco aumen ado de p esença
de es e cu âneo posi i o ao lá ex.
Também na população hospi ala po uguesa es a
doença alé gica em indo a se diagnos icada de
o ma c escen e, es ando associada a mani es ações
muco-cu âneas, conjun i ais, ino a íngeas, aqueo-
b ônquicas e ana ilác icas. Os abalhos publicados
po in es igado es po ugueses e elam axas de p e-
alência de sensibilização que a iam en e os 4%,
quando os p o issionais de saúde são incluídos alea-
o iamen e, a é 16% em indi íduos sin omá icos após
exposição (B anco-Fe ei a e al., 1996; Ca apa oso
e al., 1997; Lou enço e al., 1997; Campos e al.,
1997; Mi anda, 2005). Na o alidade dos es udos
o am encon adas pe cen agens ele adas de indi í-
duos com sin omas cu âneos e nasoconjun i ais após
a u ilização de lu as de lá ex, não obs an e a ausência
de sensibilização a ale génios de lá ex. Es a disc e-
pância clínico-imunológica, comum à gene alidade
dos abalhos publicados, pode se explicá el pela
acção dessecan e-i i a i a do pó lub i ican e das
lu as de lá ex (de ma i e/ inoconjun i i i e i i a i a)
mas ambém pela p esença de mico oxinas ou
endo oxinas bac e ianas o madas no deco e do seu
p ocesso de ab ico (Mi anda, 2005).
No caso dos p o issionais de saúde o con ac o com as
p o eínas do lá ex dá-se po ia cu ânea, a a és do
con ac o das mãos com as lu as ou ou os p odu os
de lá ex, e ambém po ia mucosa, a a és do con-
ac o da mucosa conjun i al ou espi a ó ia com
pa ículas de lá ex ae osolizado, podendo o igina
quad os de inoconjun i i e p o issional (Mone e -
-Vau in e al., 1994) ou de asma p o issional
(Vandenplas, 1995). Es e con ac o é mais in enso em
á eas onde haja g ande u ilização de lu as, como é o
caso de blocos ope a ó ios.
Têm sido publicados á ios abalhos elacionando,
po um lado, a maio quan idade de lá ex
ae osolizado com o uso de lu as com pó lub i ican e
e, po ou o lado, a exposição a ambien es com maio
quan idade de lá ex ae osolizado com uma maio
incidência e p e alência de sensibilização ao lá ex e
com uma maio p e alência de quad os clínicos asso-
ciados ao lá ex. Compa ando lu as com pó lub i i-
can e e lu as de lá ex sem pó lub i ican e, em-se
e i icado eduções, de ce ca de 1000 ezes, na
quan idade do lá ex ae osolizado no a ambien e,
quando não se usa o pó (Ta lo e al., 1994; Hun e
al., 2002). Salien a-se ainda o exemplo da Clínica
Mayo, na qual oi ealizada em 1993 uma in e en-
ção com subs i uição de odas as lu as de lá ex u i-
lizadas po lu as de lá ex de baixo eo ale génico e
80 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde ocupacional
sem pó lub i ican e, endo essa medida eduzido a
incidência de ale gia ao lá ex de 0,15% pa a 0,027%
(Hun e al., 2002).
Foi ambém já documen ado que o con eúdo
ale génico en e as á ias ma cas de lu as pode
a ia a é 3000 ezes e a é 500 ezes en e lo es di e-
en es da mesma ma ca (Jones e al., 1994; Jones e
al., 1998).
Um ou o aspec o a conside a é a de e minação de
alo es-limi e de exposição (VLE) que podem se
baseados em es udos de elação dose- espos a (U a e
Fa ia, 2000). Usando essa me odologia oi de e mi-
nado que os sin omas de inoconjun i i e e asma
a amen e oco em em locais onde a concen ação é
in e io a 10 ng/m3 (Hun e al., 2002). Bau e al.
documen a am que em locais onde os ní eis de lá ex
e am in e io es a 0,6ng/m3 não se encon a am aba-
lhado es sensibilizados ao lá ex, po oposição aos
locais com ní eis de lá ex supe io es a 0,6ng/m3
(Bau , Chen e Allme s, 1998).
Ou a me odologia já u ilizada na en a i a de de e -
mina VLE’s oi a ealização de p o as de p o oca-
ção em ambien es con olados. Es es es udos indica-
am que só a exposição a ní eis mais ele ados (100
a 1000 ng/m3) desencadea a sin omas, o que pode
se explicado pela p esença de um iés de selecção,
no sen ido de escolha de doen es com sin omas mais
ligei os pa a ealização das p o as de p o ocação
(Raul -Heimso h e al., 2000; Ku z e al., 2001).
Assim, o conhecimen o ac ual não nos pe mi e de e -
mina com p ecisão um VLE pa a a exposição ao
lá ex. Sabemos que os sin omas espi a ó ios a a-
men e oco em em locais onde a concen ação é in e-
io a 10 ng/m3, mas não conseguimos de e mina
com p ecisão uma concen ação mínima necessá ia
pa a p o oca a sensibilização (Hun e al., 2002).
A p e alência da ale gia ao lá ex, de e minada em
múl iplos abalhos epidemiológicos ealizados em
di e sos países, é mui o a iada. Es udos baseados
em inqué i os de sin omas mos am que a é 53% dos
abalhado es ap esen am sin omas com o uso de
lu as (Salkie, 1993), concluindo-se, des a o ma, que
os ques ioná ios sob e queixas associadas ao uso de
lu as em p o issionais de saúde ap esen am um baixo
alo p edi i o posi i o pa a o diagnós ico de ale gia
ao lá ex (Smedley e al., 1999).
Rela i amen e ao e ei o das in e enções na ale gia
ao lá ex, dois es udos e ospec i os de e mina am
uma edução no núme o de no os casos de ale gia ao
lá ex em p o issionais de saúde após a subs i uição de
lu as de lá ex com pó po lu as de lá ex sem pó
(Ta lo e al., 2001; Hun e al., 2002). Salien a-se, no
en an o, que esses esul ados podem e sido in luen-
ciados pelo ele ado núme o de casos diagnos icados
imedia amen e an es da mudança de lu as em i ude
do maio ale a dos p o issionais de saúde. Resul a-
dos semelhan es o am encon ados em es udos com
base no núme o de pedidos de compensação po ale -
gia p o issional ao lá ex no Canadá e Alemanha (Liss
e Ta lo, 2001; Allme s, Schmengle e Skudlik,
2002). Da mesma o ma, em es udos nos quais o am
ealizadas duas a aliações ans e sais da p e alên-
cia da ale gia ao lá ex, an es e depois da subs i uição
de lu as de lá ex com pó po lu as sem pó, docu-
men ou-se ambém uma edução signi ica i a da
ale gia ao lá ex (Saa y e al., 2002; Schmid e al.,
2002).
A e icácia da p e enção e ciá ia em abalhado es
com ale gia ao lá ex, colocados em ambien es la ex-
ee, oi já demons ada em dois es udos (Allme s e
al., 1998; Hamil on e B own, 2000). Ou os es udos
ob i e am o mesmo esul ado com uma ele ada pe -
cen agem de abalhado es que ole am as lu as sem
lá ex ou com baixo eo ale génico, sendo necessá-
ia a ecolocação p o issional em apenas uma mino-
ia dos abalhado es (Tu janmaa e al., 2002;
Be ns ein e al., 2003; Ne is, Colana di e
Fe annini, 2004)
Medidas de p e enção simples como a u ilização de
lu as apenas nos p ocedimen os indicados, uso de
lu as sem pó po odos os abalhado es e a e icção
de lu as de lá ex nos abalhado es sensibilizados
pe mi e uma edução das no as sensibilizações e da
p og essão da doença nos indi íduos sensibilizados
(Filon e Radman, 2006).
Embo a os dados disponí eis ac ualmen e apon em
pa a um bene ício signi ica i o da subs i uição das
lu as de lá ex com pó e com ele ado eo ale génico
po lu as de lá ex sem pó e com baixo con eúdo
ale génico, são necessá ios mais es udos que
demons em um ele ado g au de ce eza (Bousque e
al., 2006).
4. Ale génios do lá ex
Os ale génios do lá ex localizam-se sob e udo nas
acções p o eicas, endo sido já iden i icadas mais de
duzen as p o eínas di e en es, ce ca de se en a das
quais com capacidade de ligação a IgE.
Têm sido u ilizadas écnicas de immunoblo ing pa a
iden i ica os di e sos ale génios do lá ex, eco endo
ao so o de doen es com ale gia ao lá ex demons ada.
Já o am ca ac e izados a ní el molecula á ios an i-
génios majo e mino do lá ex (Quad o I) e é de
supo que ale génios ecombinan es do lá ex enham
a pe mi i uma op imização do diagnós ico e da e a-
pêu ica. Também o desen ol imen o de an ico pos
monoclonais con a esses an igénios pe mi i á à
indús ia e às au o idades supe iso as quan i ica o
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VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Saúde ocupacional
con eúdo dos p odu os de lá ex, ela i amen e a esses
mesmos ale génios (Nel e Gujulu a, 1998).
5. Fac o es de isco indi iduais
pa a a ale gia ao lá ex
A a opia, de inida como sensibilização IgE pa a ale -
génios comuns, oi desde o início de inida como um
ac o adicional de isco pa a sensibilização ao lá ex
em doen es pe encen es a ou os g upos de isco. No
en an o, á ios abalhos o am sendo publicados
demons ando a p esença de sensibilização ao lá ex
ela i amen e equen e em doen es a ópicos sem
ou os ac o es de isco (Reinheime e e Ownby,
1995) e cla amen e aumen ada em elação a c ianças
ou adul os não a ópicos, em que a p e alência pa ece
se in e io a 1% (Liebke, Niggemann e Wahn, 1996;
No emb e e al., 1997; Be na dini e al., 1998; Liss
e Sussman, 1999). Rela i amen e à p e alência da
sensibilização ao lá ex, abalhos publicados ealiza-
dos em Po ugal, e e em uma p e alência da o dem
dos 8% em adul os a ópicos da consul a de Ale go-
logia do Hospi al de San a Ma ia, sem quaisque
ou os ac o es de isco e com um con ac o com p o-
du os de lá ex não supe io ao da população em ge al
(B anco-Fe ei a e al., 1997).
A p esença cumula i a de múl iplas in e enções
ci ú gicas, mesmo em indi íduos não a ópicos e sem
pe ence em a quaisque ou os g upos de isco, em
sido apon ada po alguns au o es como um ac o de
isco pa a o desen ol imen o de sensibilização e de
sin oma ologia elacionadas com o lá ex (Bode e al.,
1996; Chen, C eme e Bau , 1997; Theissen e al.,
1997). Alguns abalhos indicam que se e ou mais
in e enções ci ú gicas cons i uem um alo limia a
pa i do qual as di e enças en e g upos populacio-
nais e p o issionais compa á eis se o na iam es a is-
icamen e signi ica i as em e mos de sensibilização
ao lá ex, e no e ou mais ci u gias ela i amen e à
incidência de ale gia ao lá ex.
A p esença de de ma i e das mãos é ambém acei e
po á ios au o es como ac o de isco, p incipal-
men e se associada a um g upo p o issional de isco
(Boxe , 1996; Taylo e P adi suwan, 1996). Es es
doen es só êm isco aumen ado se concomi an e-
Quad o I
P incipais ale génios do lá ex
Ale génio Nome Peso molecula Rele ância ale génica
He b 1 REF
( ac o de alongamen o da bo acha) 14,6 kDa ale génio majo
He b 2 β-1,3-glucanase 35,1 kDa ale génio majo
He b 3 REF-like
(p o eína das pequenas pa ículas de bo acha) 23-27 kDa ale génio majo
He b 4 Componen e da mic o-hélice 50-57 kDa ale génio majo
He b 5 P o eína ácida do lá ex 16 kDa ale génio majo
He b 6 P ohe eína (He b 6,01) 20 kDa ale génio majo
He eína (He b 6,02)
(domínio N- e minal da p ohe eína) 4,7 kDa
He b 7 Pa a ina-like 42,9 kDa ale génio mino
He b 8 P o ilina do lá ex 13,9 kDa ale génio mino
He b 9 Enolase do lá ex 47,7 kDa ale génio mino
He b 10 Supe óxido dismu ase 22,9 kDa ale génio mino
He b 11 Qui inase de classe I 33 kDa ale génio mino
He b 12 LTP do lá ex 9,3 kDa ale génio mino
He b 13 Es e ase do lá ex 43 kDa ale génio majo
Adap ado de Gaspa , 2005.
82 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde ocupacional
men e usa em, com equência, lu as de lá ex. Nes-
ses casos, a queb a da unção ba ei a da pele pe -
mi e uma mais ácil e mais in ensa pene ação de
quaisque ale génios que en em em con ac o com as
mãos, incluindo as p o eínas do lá ex (Boxe , 1996).
Também um mic oambien e p ó-in lama ó io, como
é o que ca ac e iza as zonas de de ma i e c ónica,
pode po si p óp io a o ece a espos a alé gica às
p o eínas do lá ex.
6. Lá ex e alimen os
Os indi íduos com sensibilização ao lá ex ap esen-
am equen emen e sensibilizações a á ios alimen-
os de o igem ege al. Embo a possam oco e sin o-
mas alé gicos elacionados com alimen os em
doen es com sensibilização assin omá ica ao lá ex,
essa oco ência é mais equen e se já exis i ambém
sin oma ologia elacionada com o lá ex (Blanco e
al., 1994).
A cons a ação de nume osíssimos casos de ale gia a
alimen os e a lá ex le ou a que se conside asse ini-
cialmen e uma Sínd ome Lá ex-F u os (La asa e al.,
1995), a qual oi depois ala gada a á ios ou os ali-
men os como a ba a a ou o oma e (Beezhold e al.,
1996). Embo a o núme o de alimen os implicados á
aumen ando p og essi amen e, ap esen a-se no qua-
d o seguin e (Quad o II) uma lis agem de á ios ali-
men os já desc i os com eac i idade c uzada com o
lá ex.
Os sin omas que se podem obse a , como em ou os
casos de ale gia alimen a , ão desde sin omas exclu-
si amen e o o a íngeos (os mais equen es), a casos
de u icá ia/angioedema gene alizado, podendo am-
bém oco e casos de ana ilaxia após a inges ão de
alimen os.
A p e alência de sensibilização a, pelo menos, um
des es alimen os em doen es com sensibilização ao
lá ex é mui o ele ada, sendo equen emen e ela a-
das p e alências da o dem dos 50 a 80%. No en an o,
a p e alência de sin oma ologia é bas an e mais
baixa, sendo p o a elmen e in e io a 20% na
população com sensibilização ao lá ex (Kim e
Hussain, 1999) e, como já oi e e ido, mais p o á el
se o indi íduo já o sin omá ico no con ac o com
p odu os de lá ex.
7. Clínica das eacções ad e sas
a p odu os de lá ex
As mani es ações de ale gia ao lá ex são mui o a iá-
eis e in luenciadas pelo ipo de hipe sensibilidade
en ol ida, pela ia de exposição, pela quan idade da
exposição e po al e ações indi iduais na eac i i-
dade do ó gão-al o.
De uma o ma ge al, podem di idi -se as eacções
aos p odu os de lá ex em não imunológicas (i i a i-
as) e imunológicas, as quais po sua ez podem se
e a dadas (hipe sensibilidade de ipo IV da classi ica-
ção de Gell e Coombs) ou imedia as — IgE mediadas
Quad o II
Associação lá ex — alimen os
Alimen os com associação o e
Banana (Makinen-Kiljunen, 1994), pê a abaca e (Ahl o h e al., 1995), cas anha (B ehle e al., 1997), manga (B ehle
e al., 1997), kiwi (Kim; Hussain, 1999), pêssego (B ehle e al., 1997).
Alimen os com associação mode ada
Maçã (Kim; Hussain, 1999), ba a a (Beezhold e al., 1996), oma e (Beezhold e al., 1996), melão (La asa e al., 1995),
papaia (Bau e al., 1995), ananás (B ehle e al., 1997), cenou a (Kim; Hussain, 1999), aipo (B ehle e al., 1997).
Alimen os com associação aca mas já desc i a
Pê a (B ehle e al., 1997), al ace (Un e e al., 1999), nabo (B ehle e al., 1997), pepino (B ehle e al., 1997), ce eja
(B ehle e al., 1997), mo ango (B ehle e al., 1997), igo (B ehle e al., 1997), u as (B ehle e al., 1997), ma acujá
(B ehle e al., 1997), igo (De Maa -Bleeke ; S apel, 1998), a elã (B anco-Fe ei a; Pe ei a-Ba bosa; Palma-Ca los,
1997), noz (B anco-Fe ei a; Pe ei a-Ba bosa; Palma-Ca los, 1997), amendoim (B ehle e al., 1997), espina e
(Mailla d e al., 1999), limão (B ehle e al., 1997), ameixa (B ehle e al., 1997), e ilhas (B ehle e al., 1997),
la anja (Spínola-San os e al., 1997).
83
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Saúde ocupacional
— (hipe sensibilidade de ipo I na classi icação de
Gell e Coombs). Ra amen e, podem coexis i no
mesmo doen e mani es ações clínicas de hipe sensi-
bilidade e a dada e imedia a às p o eínas do lá ex
(Placucci e al., 1996; Mahmoudi, Dinneen e Hun ,
1998; Medei os e al., 2007).
As eacções i i a i as são p o a elmen e as mani es-
ações ad e sas mais equen emen e o iginadas pelo
con ac o com p odu os de lá ex, especialmen e en e
os indi íduos com exposição p o issional in ensa.
Es as eacções desen ol em-se g adualmen e ao
longo de dias ou meses de con ac o epe ido, esul-
ando da acção p olongada de qualque subs ância
que, ísica ou quimicamen e, é lesi a pa a a pele.
As eacções e a dadas são de ipo eczema oso e e-
quen emen e localizam-se no e ço in e io do an e-
b aço, mãos e dedos já que es as são as zonas que
con ac am com as lu as ou manipulam os p odu os
de bo acha. Es ão ainda desc i os casos de de ma i e
de con ac o ao lá ex ae osolizado (Panaso , 1998;
Medei os e al., 2007). Ac ualmen e é acei e que na
g ande maio ia des es casos es a ão implicadas não
as p o eínas do lá ex mas alguns dos acele ado es do
p ocesso da ulcanização ( iu ans, ca bama os), in-
co po ados du an e o p ocesso indus ial de ab ico
(Conde-Salaza e al., 1993). Exis em, no en an o,
alguns casos desc i os em que são as p óp ias p o eí-
nas do lá ex que são as esponsá eis po es e ipo de
eacções, com nega i idade de espos a em elação
aos adi i os da bo acha (Wilkinson e Beck, 1996;
Ka oh, Mu akami e Yasuno, 1999; Medei os e al.,
2007).
As eacções imedia as, embo a menos equen es,
podem se mui o g a es e pô em isco a ida do
doen e. Num es udo e ec uado po Jaege e colabo a-
do es, que incluiu 70 doen es com ale gia IgE
mediada ao lá ex, os au o es e i ica am que odos os
doen es ap esen a am u icá ia, 51% ini e, 44% con-
jun i i e, 31% dispneia e 24% mani es a am eacção
sis émica (Jaege e al., 1992).
7.1 Diagnós ico
O diagnós ico de ale gia ao lá ex é, al como o de
ou as e iologias alé gicas, baseado numa his ó ia
clínica exaus i a e na demons ação in i o e/ou in
i o de mecanismos imedia os IgE mediados di igi-
dos con a p o eínas do lá ex.
Na his ó ia clínica, pa a além dos aspec os ge ais
elacionados com a sua co ec a colhei a, de e p es-
a -se pa icula a enção à exis ência de sin oma olo-
gia aguda, c ónica ou eco en e, de in ensidade
a iá el, no con ac o com objec os de lá ex como
lu as, balões, p ese a i os ou a igos de despo o; à
exis ência de quaisque complicações pe i-ope a ó-
ias em in e enções ci ú gicas p é ias; à exis ência
de quad o clínico de ale gia a u os, desde as sínd o-
mas de ale gia o al a quad os de u icá ia ou mesmo
com sin oma ologia espi a ó ia; e à exis ência de
quad os cu âneos c ónicos não escla ecidos, pa i-
cula men e se a ec am as mãos.
Após a colocação da hipó ese diagnós ica do pon o
de is a clínico, é ob iga ó ia a e i icação imunoa-
le gológica do diagnós ico. Es a passa, em p imei o
luga , pela demons ação da p esença de IgE especí-
icas pa a o lá ex, demons ação essa que se pode
e ec ua po p o as cu âneas in i o e/ou a a és do
doseamen o in i o de IgE especí icas sé icas pa a o
lá ex (Ca alho, 2005).
7.2 P e enção e a amen o
O a amen o de um doen e alé gico ao lá ex baseia-
-se essencialmen e na e icção do con ac o com essa
subs ância e na u ilização de á macos, que no con-
olo sin omá ico das c ises agudas, que no con olo
de mani es ações c ónicas. Po ou o lado, a imuno-
e apia especí ica, embo a apenas em casos seleccio-
nados, pode á i a desempenha um papel ele an e
no a amen o des a ale gia.
A e icção é, sem dú ida, a ecomendação e apêu ica
mais e icaz mas ambém a mais di ícil de implemen-
a de uma o ma absolu a, aca e ando, quando se
a e de ale gia p o issional, p oblemas de econ-
e são ou ecolocação p o issional, ou a é de inca-
pacidade pe manen e pa a o abalho habi ual, que
equen emen e são di íceis de esol e sa is a o ia-
men e. Sal o em casos a os, a e icção do con ac o
com o lá ex acompanha-se da esolução de oda a
sin oma ologia. No en an o, em casos com longa
e olução e pa icula men e em casos de asma b ôn-
quica alé gica ao lá ex, o a as amen o do ale génio
pode não se , po si só, su icien e pa a esol e a
in lamação b ônquica que, nes es casos, ende a pe -
pe ua -se mesmo na ausência de no os con ac os
com o lá ex. Con udo, se nes es doen es não se e ec-
ua uma e icção e icaz o cu so da doença se á ine-
xo a elmen e mais ápido e g a e.
A necessidade impe iosa de a as amen o do ac o de
isco ad ém ainda do ac o de, al como acon ece
pa a ou os ale génios p o issionais, o isco de manu-
enção das queixas es a mais di ec amen e elacio-
nado com a du ação da exposição ao agen e causal
após o início das queixas clínicas do que com a sus-
cep ibilidade indi idual ou a dose de exposição (U a,
2006).
A e icção do con ac o com o lá ex de e e em con a,
po um lado, a exposição di ec a aos ma e iais con-
84 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde ocupacional
endo lá ex, e po ou o, a exposição indi ec a asso-
ciada ao lá ex ae osolizado.
A p e enção p imá ia desempenha um papel unda-
men al, ocando essencialmen e a ac uação a ní el
indus ial, isando a diminuição da ale genicidade
dos p odu os con endo lá ex. A ac uação ao ní el do
ab ico dos p odu os con endo lá ex é impo an e,
nomeadamen e u ilizando mé odos que diminuam os
ní eis p o eicos dos ma e iais de lá ex: a adição de
alcalase (enzima p o eolí ica) que diminui o con-
eúdo p o eico em ce ca de 50%, a e-cen i ugação
do lá ex, o aumen o dos empos de la agem ou a
adição de amónia na ase inicial do ab ico.
As lu as com baixo eo ale génico êm ní eis de
p o eínas ex accioná eis in e io es a 50 µg/g e bai-
xos ní eis de químicos acele ado es e o uso diá io
des as lu as diminui a incidência de sensibilização ao
lá ex.
No nosso país exis em disponí eis lu as sem lá ex
ab icadas em inil (baixo e ei o ba ei a), neop eno
e ni ilo, ap esen ando o ni ilo um e ei o ba ei a
sob eponí el ao lá ex, sendo po isso uma excelen e
al e na i a (Quad o III).
O p oblema do lá ex ae osolizado ambém é e icaz-
men e abo dado com o uso de ma e iais não con-
endo lá ex. No en an o, como já se e e iu a ás que
a u ilização exclusi a de ma e iais sem lá ex é p a i-
camen e impossí el num bloco ope a ó io, exis em
ou as medidas possí eis de implemen a , e com boa
e icácia, em elação ao lá ex ae osolizado, como o
uso de lu as sem pó lub i ican e (Swanson e al.,
1994; Ta lo e al., 1994; Heese, Pe e s e Koch, 1997)
ou a u ilização de il os HEPA (high e iciency
pa icula e ai il e ) nos sis emas de en ilação de
salas em que haja u ilização in ensi a de ma e iais de
lá ex (Laop ase e al., 1998).
Ma k Swanson e colabo ado es demons a am que a
concen ação de ae oale génios do lá ex em salas
onde se usa a lu as com pó a ia a en e 13 a
208 ng/m3 (Swanson e al., 1994). De aco do com os
mesmos au o es, em salas onde apenas e am u iliza-
das lu as de lá ex sem pó, os ní eis de lá ex
ae osolizado e am da o dem de 0,3 a 1,8 ng/m3.
O uso gene alizado, a ní el hospi ala , de lu as sem
pó lub i ican e con ibui pa a a diminuição da inci-
dência de sensibilização ao lá ex, a aso no início de
clínica nos doen es sensibilizados assin omá icos e
diminuição da clínica nos doen es alé gicos (Allme s,
Schmengle e John, 2004). Os aspec os e e idos
ela i amen e à e icção aplicam-se de o ma mais
p emen e aos doen es com ale gia ao lá ex já
documen ada. Con udo, ambém se pode iam aplica
em e mos de p e enção secundá ia, is o é, nos doen-
es com ac o es de isco ou com sensibilização ainda
assin omá ica, a im de se en a e i a ou e a da o
apa ecimen o de sin oma ologia.
A a aliação pe iódica da ale genicidade po en idade
o icial e a indicação de comp a p e e encial de p odu-
os com meno ale genicidade (en e ou as ca ac e ís-
icas) cons i ui ia um meio de p essão sob e os p odu-
o es indus iais pa a po em em p á ica medidas
enden es a eduzi o con eúdo ale génico dos seus
p odu os, sem que hou esse qualque cus o adicional
signi ica i o des a medida. Num es udo e ec uado pela
Quad o III
Alguns exemplos de lu as não con endo lá ex
Tipo de ma e ial Nome come cial Fab ican e
Ni ilo Biogel-Neo ech Skinsense®Dimo Lusi ana
De mag ip®H. R. P odu os Químicos
Glo indo® (MediQues ) PMH
Ni iline®No max
Nuga d Ni il PF® (Te ang Nusa) PMH
Sempe med®Co médica
Neop eno Biogel Neo ech®Dimo Lusi ana
P o eel Syn he ic®H. R. P odu os Químicos
Nuzone® (Te ang Nusa) PMH
Vinil CMC/K ape®No max
Manyl®B. B aun
Sempe med®Co médica
Ulmanyl®H. R. P odu os Químicos
Adap ado de Ma ques, 2005.
85
VOL. 26, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2008
Saúde ocupacional
Na ional Agency o Medicines documen ou-se que de
84 ma cas de lu as de lá ex come cializadas na Fin-
lândia, 26% ap esen a am, analisadas segundo o
mé odo Fi ki ®, um con eúdo ale génico mui o baixo
(< 0,03 µg/g); 20% baixo (0,04-0,014 µg/g); 8%
bo de line (0,15-0,29 µg/g); 30% mode ado (0,30-
-1,14 µg/g); e 15% al o (> 1,15 µg/g), (Palosuo e
Tu janmaa, 2006; Palosuo e al., 2007).
Em elação ao impac o económico das medidas de
in e enção, nomeadamen e no que diz espei o à
polí ica de aquisição de lu as, Phillips e al. calcula-
am que se ossem con abilizados os cus os di ec os
e indi ec os, nomeadamen e os cus os com as pen-
sões e medidas de ecolocação p o issional, a subs i-
uição, nos es abelecimen os de saúde, das lu as com
lá ex po lu as sem lá ex e ia uma boa elação cus o-
-bene ício (Phillips, Good ich e Sulli an, 1999).
Rela i amen e à imuno e apia com ex ac os de lá ex,
es a e apêu ica em sido e ec uada com sucesso, que
po ia injec á el, que po ia o al, em alguns aba-
lhos de in es igação clínica (Toci e al., 1998; Sas e
e al., 2003; Pe ei a e al., 2004). Embo a ainda em
núme o eduzido, es es exemplos (que na sua maio ia
e am abalhado es de saúde que não que iam ou
podiam se ecolocados p o issionalmen e e que com
a imuno e apia especí ica passa am a ole a o con-
ac o com o lá ex) êm mos a o po encial bene ício
da sua u ilização. Os p o issionais de saúde candida-
os po enciais a es a e apêu ica podem ag upa -se
basicamen e em dois g upos: com ou sem eac i i-
dade associada a alimen os (sínd ome lá ex- u os).
En e es es g upos exis em di e enças na sensibiliza-
ção clínica e nos ale génios majo esponsá eis pela
sin oma ologia clínica. Nos doen es com eac i idade
associada a u os os ale génios majo mais epo a-
dos são He b 5, He b 6, He b 7 e He b 13. Nos
p o issionais de saúde sem sensibilização alimen a
concomi an e, admi e-se uma p eponde ância de
ou os ale génios pa a além de He b 5 e He b 6.
A selecção dos doen es candida os a imuno e apia
de e se mui o c i e iosa, de endo se u ilizada ape-
nas nos indi íduos em que a g a idade clínica de e -
mine uma adequada elação bene ício- isco. Tal
de e-se ao ac o de a maio ia dos es udos epo a
um núme o mui o exp essi o de e ei os ad e sos na
imuno e apia especí ica injec á el, mesmo quando
odas as adminis ações são e ec uadas em ambien e
hospi ala ou em cen os al amen e di e enciados.
Assim, apesa das medidas de e icção do ac o de
isco cons i uí em a ped a basila da e apêu ica, a
imuno e apia é uma e apêu ica a conside a em p o-
issionais da saúde com sínd ome lá ex- u os com
his ó ia an e io de ana ilaxia (imuno e apia subcu â-
nea) ou em abalhado es com clínica p eponde an e
de ale gia espi a ó ia (imuno e apia sublingual). Po
ou o lado, os p o issionais de saúde com clínica
p eponde an e de u icá ia de con ac o não êm indi-
cação pa a es a e apêu ica pelo de icien e índice
bene ício/ isco (Pe ei a, 2005).
8. Conclusões
É p e isí el que, num u u o p óximo, o p oblema da
ale gia ao lá ex con inue a assumi uma signi ica i a
impo ância já que pe sis em as azões que le a am
ao seu aumen o e pe sis e ambém uma ausência de
legislação, ou egulamen ação nacional e/ou in e na-
cional, que de ina pa âme os ob iga ó ios dos p o-
du os de lá ex, desde os aspec os da sua o ulagem
mínima (que explici e a p esença ou ausência de p o-
eínas de lá ex na u al) a é à de inição de limi es
máximos de con eúdo ale génico pa a os p odu os de
lá ex, an o a ní el de ma e ial médico-hospi ala
como a ní el de ma e ial de uso co en e.
A e icácia das medidas de p e enção da ale gia p o-
issional ao lá ex passa po uma abo dagem mul idis-
ciplina que de e mine in e enções p é ias à sua
eme gência clínica. Cla o que a al e ação dos p oces-
sos de ab ico, de o ma a eduzi o con eúdo p o-
eico dos concen ados de lá ex e consequen emen e
dos p odu os com ele ab icados, e a ob igação, po
ia legisla i a, da menção explíci a do con eúdo em
lá ex de odos os ma e iais médico-ci ú gicos pode-
iam cons i ui acções com g ande e icácia p e en-
i a.
O desen ol imen o de p og amas de p e enção da
ale gia p o issional ao lá ex em meio hospi ala que
se baseiem em diagnós icos igo osos da sua u iliza-
ção pode ão eduzi o núme o de casos se os hospi-
ais (e ou os es abelecimen os de saúde) in es i em
no desen ol imen o de se iços de saúde ocupacio-
nal que, de o ma compe en e, in e enham na ges ão
desse isco p o issional.
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