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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
Saúde dos idosos
Manuel Gonçal es-Pe ei a é assis en e con idado de Psicologia
Médica no Depa amen o de Saúde Men al da Faculdade de Ciên-
cias Médicas — Uni e sidade No a de Lisboa; oi docen e da
Escola Nacional de Saúde Pública en e 2004 e 2006.
Lia Fe nandes é assis en e g aduada do Se iço de Psiquia ia do
Hospi al de S. João e dou o ada pela Faculdade de Medicina da
Uni e sidade do Po o.
An ónio Leuschne é p esiden e do Conselho de Adminis ação do
Hospi al Magalhães Lemos e p o esso con idado do Ins i u o de
Ciências Biomédicas Abel Salaza .
João Ba e o é p o esso associado da Faculdade de Medicina da
Uni e sidade do Po o e che e de se iço de Psiquia ia do Hos-
pi al de S. João.
Dua e Falcão é assis en e g aduado do Hospi al Sob al Cid em
Coimb a.
Ho ácio Fi mino é che e de se iço de Psiquia ia dos Hospi ais da
Uni e sidade de Coimb a.
Raimundo Ma eos é p o esso i ula do Depa amen o de Psiquia-
ia da Faculdade de Medicina da Uni e sidade de San iago de
Compos ela e coo denado da Unidade de Psicoge ia ia (Com-
plexo Hospi ala io Uni e si á io de San iago (CHUS).
Ma in O ell é p o esso da disciplina de Ageing and Men al
Heal h do Depa men o Men al Heal h Sciences no Uni e si y
College London.
Subme ido à ap eciação: 30 de Ma ço de 2007.
Acei e pa a publicação: 18 de Ab il de 2007.
Ve são po uguesa do CANE
(Cambe well Assessmen o Need
o he Elde ly): desen ol imen o
e dados p elimina es
MANUEL GONÇALVES-PEREIRA
LIA FERNANDES
ANTÓNIO LEUSCHNER
JOÃO BARRETO
DUARTE FALCÃO
HORÁCIO FIRMINO
RAIMUNDO MATEOS
MARTIN ORRELL
A a aliação de necessidades de cuidados é c ucial no pla-
neamen o, moni o ização e a aliação de se iços de psi-
quia ia e saúde men al, bem como na in es igação e na
clínica. Es e p incípio é ob iamen e aplicá el aos se iços
esponsá eis po populações de pessoas mais elhas.
O ins umen o CANE — Cambe well Assessmen o Need
o he Elde ly possibili a uma a aliação consis en e das
necessidades de u en es idosos, nomeadamen e em si uações
de pa ologia neu opsiquiá ica. P ocede-se a uma a aliação
c uzada, en e is ando a pessoa em ques ão, o seu cuidado
in o mal e o écnico esponsá el. Es a a aliação mul idi-
mensional ab ange domínios da es e a biológica, psicoló-
gica e social, sendo aplicá el na comunidade ou em in e na-
men o ( egime pa cial ou comple o). A u ilidade do CANE
em sido e idenciada em con ex os clínicos, de in es igação
e de a aliação de se iços.
Exis em múl iplas aduções a ní el in e nacional, a maio-
ia das quais alidada. Na á ea da epidemiologia psiquiá-
ica nem semp e es ão disponí eis os dados ela i os à
qualidade das adap ações de ins umen os, pelo que se
ap esen a o p ocesso de desen ol imen o da e são po u-
guesa (de aco do com as eg as pa a alidação anscul u-
al, no p ocesso de adução- e o e são).
A aplicabilidade da e são po uguesa oi sa is a ó ia nes e
es udo-pilo o, ep esen ando a p imei a ase de um aba-
lho mul icên ico nacional. Nes a ase inicial, o am consi-
de ados casos de idosos com pa ologia neu opsiquiá ica
(maio i a iamen e demência — 71,4%), em dois cen os
(Lisboa e Po o) (n = 21). A média de idades oi 73,9 (± 6,3)
anos, sendo 76,2% do sexo eminino. A maio ia i ia em
casa, ap esen a a co-mo bilidade somá ica e es a a em
con ac o com um cuidado in o mal (em ge al, amilia es
do sexo eminino).
Os a aliado es iden i ica am necessidades, nem semp e
cobe as, nas seguin es dimensões: cuidados com a casa,
alimen ação, ac i idades diá ias, memó ia, saúde ísica,
so imen o psicológico, companhia e dinhei o/economias.
Nem semp e a pe spec i a de doen es, cuidado es, écnicos
e a aliado es oi in ei amen e coinciden e. Es es esul ados
p elimina es da aplicação da e são po uguesa do CANE
são consis en es quan o à sua alidade ecológica, acial e de
8REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde dos idosos
con eúdo, es ando em cu so con ibu os adicionais pa a a
alidação e ec i a numa amos a de maio dimensão.
Pala as-cha e: saúde men al; necessidade de cuidados;
planeamen o de se iços de saúde men al; a aliação de
se iços de saúde men al; saúde dos idosos; psicoge ia ia;
psicoge on ologia; neu opsiquia ia.
1. In odução e objec i os
O concei o de «necessidades», nomeadamen e de
«necessidades de cuidados», em indo a se explo-
ado po au o es das mais di e sas o ien ações eó i-
cas desde há décadas. Não obs an e, só nos úl imos
anos do século XX é que a ques ão da a aliação o -
mal de necessidades assumiu impo ância c escen e
na plani icação de cuidados em Psiquia ia e Saúde
Men al, bem como na a aliação de qualidade dos
se iços (Xa ie , 1999).
Conside a-se «necessidade» um p oblema signi ica-
i o na á ea social ou da saúde, pa a o qual exis em
soluções ou in e enções po enciais. Ci ando
Ma hews (ap. Wing, 1990), «exis e um es ado de
necessidade quando o indi íduo ap esen a uma
doença ou incapacidade pa a a qual exis em cuida-
dos/ a amen os e ec i os e acei á eis. A p ocu a de
cuidados exis e quando o indi íduo conside a que
em uma necessidade e deseja ecebe cuidados: a
u ilização oco e quando o indi íduo ecebe eal-
men e os cuidados». A ope acionalização des e
cons uc o em an agens inequí ocas em Psiquia ia
e Saúde Men al, sendo consensual que a p esença de
necessidades não alcançadas em di e sas á eas se
co elaciona com o es ado de saúde e com di e sas
a iá eis de ou come, como a qualidade de ida da
pessoa.
Es a linha de in es igação em sido desen ol ida em
Po ugal, na á ea da esquizo enia, pelo Depa a-
men o de Saúde Men al da Faculdade de Ciências
Médicas/Uni e sidade No a de Lisboa (FCM/UNL)
(Almeida e Xa ie , 1995; Gago, 1996; Xa ie , 1999;
Xa ie e al., 2003). Não obs an e, os ins umen os
de a aliação disponí eis em e sões po uguesas a-
lidadas po es e mesmo g upo (MRC NCA, Needs o
Ca e Assessmen Schedules — B ewin e al., 1987;
CAN, Cambe well Assessmen o Need — Phelan e
al., 1995) não são di ec amen e aplicá eis a pessoas
idosas. En e 1998 e 2000, econhecendo es a mesma
ealidade no Reino Unido, e e luga um es o ço de
no os g upos de abalho no sen ido de adap a o
CAN, ins umen o di ulgado pelos es udos
EPSILON (McC one e al., 2000), pa a uso em doen-
es neu opsiquiá icos idosos. Daqui esul ou uma
adap ação designada Cambe well Assessmen o
Need o he Elde ly (CANE). O p ocesso de desen-
ol imen o e alidação do ins umen o o iginal es á
documen ado na li e a u a (Reynolds e al., 2000;
O ell e Hancock, 2004).
Es e a igo desc e e a p imei a ase do abalho com
o CANE em Po ugal, isando o desen ol imen o de
uma e são álida pa a aplicação em populações de
doen es neu opsiquiá icos idosos.
Na á ea da saúde men al e epidemiologia psiquiá-
ica, nem semp e es ão acessí eis à comunidade
cien í ica os dados conc e os sob e o p ocesso e qua-
lidade das aduções/adap ações de mui os ins u-
men os de a aliação. Assim, documen a-se o desen-
ol imen o da e são po uguesa do ques ioná io
( adução, adap ação e ca ac e ização da espec i a
alidade acial, de con eúdo e ecológica, com ecu so
a me odologias da á ea quali a i a) e a explo ação da
acei abilidade numa amos a de pequenas dimensões.
Es es são os esul ados da p imei a ase de um es udo
mul icên ico, ans e sal, de a aliação de necessida-
des em doen es neu opsiquiá icos idosos. Esse
es udo ala gado, ainda em cu so, de e á documen a
de o ma mais consis en e a alidação da e são
po uguesa do CANE (explo ando a alidade de c i-
é io e de cons uc o, bem como a iabilidade es e-
- e es e e in e -obse ado es).
2. Me odologia
2.1. CANE — desc ição do ins umen o
O CANE é um ins umen o de a aliação de neces-
sidades cen ado na Pessoa. O seu enquad amen o
eó ico é o modelo bio-psico-social (Engel, 1977),
numa abo dagem holís ica dos p oblemas do idoso.
Cons i ui uma o ma de a aliação de esul ados
(pode se a base de a aliação e moni o ização da
e ec i idade de um plano pe sonalizado de cuida-
dos), de aco do com uma abo dagem es u u ada e
ela i amen e simples (é aplicá el po qualque p o-
issional compe en e da á ea da saúde, com um
mínimo de eino associado).
A u ilização do CANE é possí el em con ex os di e -
sos: a) na clínica: a a aliação p oduz uma esenha de
necessidades (cobe as, pa cialmen e cobe as ou não
cobe as), que de e á le a à de inição de á eas de
isco e a um plano de cuidados ou in e enções espe-
cí icas; b) na in es igação: como o ma de a e ição
pad onizada de necessidades de cuidados; c) em a a-
liação de se iços: pe mi indo de ec a e de e mina
alhas na p es ação de cuidados ou necessidades de
eino e in luindo na alocação de ecu sos.
T a a-se de um ques ioná io es u u ado e compos o
po 26 i ens (á eas ou domínios), sendo os p imei os
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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
Saúde dos idosos
24 e e en es ao doen e e os 2 úl imos e e en es ao
cuidado in o mal, ge almen e um amilia , se exis i
(Quad o I). Es es dois úl imos i ens (A e B) são
explo ados apenas com o cuidado e, e en ualmen e,
com um p o issional en ol ido.
São os p imei os 24 i ens que cons i uem o co po do
ques ioná io. A in o mação que diz espei o a cada
um deles é colhida, deseja elmen e, em en e is as
sepa adas com o idoso/doen e, o cuidado in o mal e
o écnico esponsá el (á ea da saúde ou social),
esul ando em ês pe spec i as não necessa iamen e
coinciden es e que de em se egis adas/pon uadas
especi icamen e. Po ou o lado, pa a cada á ea/i em,
conside am-se cinco secções de espos a: 1) pe -
gun a-se se exis e uma necessidade co en e nessa
á ea especí ica; 2) abo da-se a espos a de on es
in o mais; 3) a e igua-se a espos a dos se iços
locais; 4) ques iona-se se essas espos as são conside-
adas adequadas e qual o g au de sa is ação da pes-
soa; po úl imo, na secção 5), há possibilidade de
especi ica de alhes pa icula es da a aliação. Em
anexo, ap esen a-se um i em do CANE pa a
exempli icação.
Nas p imei as qua o secções, o in es igado a ibui
uma pon uação, em colunas sepa adas, de aco do
com a opinião do idoso, do cuidado e do écnico,
egis ando inalmen e a sua opinião global ela i a à
si uação do idoso em cada á ea de necessidade. Na
p imei a secção, a undamen al, egis a-se a ausência
ou p esença de uma necessidade nessa á ea especí-
ica, podendo a a -se de uma necessidade cobe a
(me need) ou não cobe a (unme need). Uma neces-
sidade conside a-se cobe a quando (que se a e de
um p oblema ligei o, mode ado ou g a e) es á a se
al o de in e enção adequada e po encialmen e bené-
ica. Podem se ambém conside ados «necessidades
cobe as» os p oblemas que no malmen e não se
e es em de impo ância clínica, não eque endo
in e enções especí icas.
A con abilização do núme o global de necessidades
do idoso, disc iminando quais as «cobe as» e «não
cobe as», p oduz pon uações que podem se u iliza-
Quad o I
CANE: á eas de necessidade em a aliação
I ens/domínios
1. Alojamen o
2. Cuidados com a casa
3. Alimen ação
4. Cuidados pessoais
5. Cuidados com ou as pessoas
6. Ac i idades diá ias
7. Memó ia
8. Visão/audição/comunicação
9. Mobilidade/quedas
10. Con inência de es ínc e es
11. Saúde ísica
Idoso 12. Medicamen os ou óxicos
13. Sin omas psicó icos
14. So imen o psicológico
15. In o mação (sob e a doença e a amen o)
16. Segu ança pessoal (condu a pa asuicidá ia)
17. Segu ança pessoal ( isco não in encional)
18. Abuso/negligência
19. Compo amen o
20. Álcool
21. Companhia
22. Relações ín imas
23. Dinhei o/economias
24. Bene ícios sociais
Cuidado A. Necessidade de in o mação
B. So imen o psicológico
10 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde dos idosos
das na a aliação e moni o ização do caso. Não obs-
an e, a p odução de pon uações é um aspec o secun-
dá io da u ilização do ins umen o, cujo objec i o
undamen al se aduz na iden i icação das necessida-
des indi iduais não cobe as.
No que oca à a aliação de necessidades em idosos,
já o a desen ol ida em Po ugal uma e são do
EASYca e (Elde ly Assessmen Sys em), da Uni e si-
dade de She ield (Figuei edo e Sousa, 2001; Philp e
al., 1999; SISA, 1997). T a a-se de um ins umen o
de ele ância documen ada (Sousa, Galan e e Figuei-
edo, 2003), ainda que mais adequado à explo ação
de á eas p óximas da qualidade de ida do que dos
dé ices ou incapacidades clínicas (sendo, po exem-
plo, omisso no que oca a dimensões como a psicopa-
ologia psicó ica). En e an o, a exis ência da e são
po uguesa do EASYca e acili a á alguns aspec os da
alidação do ques ioná io CANE, nomeadamen e
quan o ao es udo da alidade de c i é io pa a alguns
i ens.
O CANE possui boas p op iedades psicomé icas
( iabilidade es e- e es e e in e -obse ado es), con-
o me documen ado nos es udos o iginais de alida-
ção (Reynolds e al., 2000) ou em eplicações pa a
con ex os cul u ais di e en es, nomeadamen e em
es udos epidemiológicos comuni á ios (Yba zábal e
al., 2002; Ma eos e al. 2004). É hoje um ins umen o
acessí el em eze línguas e u ilizado no mundo
in ei o, nomeadamen e em mui os países da Eu opa
ociden al.
2.2. P ocedimen os
2.2.1. P imei a ase: desen ol imen o
2.2.1. da e são po uguesa do CANE
O g upo de abalho CANE — Po ugal oi o mado
em 2003, aquando de um seminá io de o mação em
a aliação de necessidades do idoso (o ganização da
Unidade de Psicoge ia ia do Cen o Hospi ala da
Uni e sidade de San iago de Compos ela, em pa ce-
ia com o Depa men o Psychia y and Beha iou al
Sciences (Uni e si y College/London Medical
School). Es a o mação in ensi a na u ilização do
CANE oi o ien ada pelo coo denado do g upo de
abalho no Reino Unido (Ma in O ell) e pelo coo -
denado da alidação do ins umen o em Espanha
(Raimundo Ma eos). O g upo po uguês icou cons-
i uído po elemen os de di e sos se iços uni e si á-
ios e clínicos do no e, cen o e sul do país, com
in e enção em psicoge ia ia.
Foi ealizada uma adução p elimina do CANE pa a
po uguês po elemen os do g upo de abalho, odos
eles psiquia as com luência em língua inglesa e
expe iência clínica na á ea da saúde men al do idoso.
Adop ou-se o ecu so a me odologias quali a i as
pa a assegu a a alidade anscul u al da adução,
cump indo as ecomendações me odológicas habi-
uais pa a adução de ins umen os des e géne o.
Te e luga um g upo de discussão da adução com-
pos o po p o issionais das á eas da saúde e social
(psicólogos, en e mei os de saúde men al, écnicos
de se iço social, in es igado es da á ea da epide-
miologia psiquiá ica, em conjun o com os au o es da
adução). A e são p elimina oi e o mulada de
aco do com algumas suges ões pe inen es.
En e an o, p osseguiu a o mação inicial na aplica-
ção do CANE. Fo am cons i uídas equipas em cada
um dos cen os pa icipan es:
a) Uni e sidade No a de Lisboa (UNL), em a i-
culação com a Clínica Psiquiá ica de S. José
(Ins i u o das I mãs Hospi alei as do Sag ado
Co ação de Jesus — IPSS);
b) Se iço de Psiquia ia e Saúde Men al do Hospi-
al S. João (SPHSJ)/Faculdade de Medicina do
Po o;
c) Unidade de Psicoge ia ia do Hospi al Magalhães
Lemos (Po o);
d) Hospi al Sob al Cid (Coimb a).
A a e ição da iabilidade de co ação in e -obse ado-
es oi ei a em euniões dos in es igado es esponsá-
eis de cen o, com abalho sob e inhe as clínicas e
g a ações ídeo. Cada um des es in es igado es oi
esponsá el pela epe ição do p ocesso nos cen os
en ol idos, com a espec i a equipa de en e is ado-
es.
Em seguida, o am ei os pequenos ensaios, pa a a e-
ição da comp eensibilidade dos i ens e da acei abi-
lidade ge al do ins umen o. Nes es p é- es es, o
ques ioná io oi aplicado a pessoas idosas (c i é io:
idade igual ou supe io a 65 anos) com doença men-
al ou neu opsiquiá ica, em egime ambula ó io ou
de in e namen o, pa cial ou comple o, espec i os
cuidado es e p o issionais de saúde, sem que i esse
sido necessá io e o mula signi ica i amen e a e -
são p elimina .
A e o e são oi en ão ealizada po um adu o
especializado de língua ma e na inglesa, com conhe-
cimen os gené icos na á ea da saúde men al. A e i-
são pelos au o es do Manual CANE (O ell e
Hancock, 2004) o iginou apenas al e ações de po -
meno , endo sido en ão o malizada a adução
adop ada (Gonçal es-Pe ei a e al., 2004).
Mais a de, oi conside ada a pa icipação de uma
quin a equipa (Hospi ais da Uni e sidade de Coim-
b a) e delineado o p o ocolo inal do es udo mul i-
cên ico pa a alidação do CANE.
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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
Saúde dos idosos
2.2.2. Segunda ase: a aliação de necessidades
3.2.2. num es udo-pilo o
O es udo ala gado de alidação do CANE em Po u-
gal es á ainda em cu so e os seus esul ados se ão
objec o de publicação especí ica.
Nes a segunda ase do abalho p elimina , que aqui
se desc e e, e e luga um es udo-pilo o de aplicação
do ins umen o. P e endeu-se, essencialmen e, com-
plemen a a documen ação da aplicabilidade do
CANE, deixando pa a o es udo de alidação a explo-
ação da alidade de c i é io e de cons uc o, bem
como a de e minação de ou as p op iedades psi-
comé icas da e são po uguesa ( iabilidade es e-
- e es e e in e -obse ado es; homogeneidade dos
i ens).
Pa icipan es
Pessoas de idade igual ou supe io a 65 anos, com
pe u bação men al ou neu opsiquiá ica diagnos i-
cada pela CID-10 (Classi icação In e nacional das
Doenças — Secção de Pe u bações Men ais e Com-
po amen ais — C i é ios de Diagnós ico pa a In es-
igação; OMS, 1993).
Selecção e dimensão da amos a
Amos a não alea o izada, de con eniência (n= 21),
seleccionada en e Janei o e Ma ço de 2006 nos cen-
os de Lisboa e Po o.
Foi solici ado o consen imen o in o mado a doen es e
espec i os cuidado es, com ga an ia de con idencia-
lidade dos dados de in es igação. Não se egis a am
ecusas na pa icipação.
Aplicação do CANE e medidas adicionais
Fo am conside adas dimensões pa alelas, em elação
com o concei o de «necessidades», nomeadamen e:
dé ice cogni i o e ní el de capacidade uncional dos
idosos, bem como psicopa ologia dos cuidado es.
O conjun o dos ins umen os complemen a es selec-
cionados pa a o es udo de alidação são ap esen ados
no Quad o II, endo sido conside ados, nos esul a-
dos des e es udo-pilo o, os seguin es:
•Mini Men al S a e Examina ion — MMSE
(Fols ein, Fols ein e McHugh, 1975; e são po -
uguesa de Gue ei o e al., 1994);
•Índice de Ba hel (Mahoney e Ba hel, 1965);
•Gene al Heal h Ques ionnai e — GHQ (Gold-
be g e Williams, 1988; e são de 12 i ens).
As en e is as com o CANE o am ealizadas po equi-
pas de duas pessoas, pa a es udo da iabilidade in e -
obse ado es (com en e is ado e obse ado al e -
nando papéis pa a e i a si uações de iés sis emá ico).
Semp e que possí el, dependendo do g au de colabo a-
ção dos en e is ados, oi iniciada a análise da iabili-
dade es e- e es e e in e -obse ado . Não obs an e, pela
eduzida dimensão des a amos a inicial, es es dados
se ão apenas conside ados em publicação pos e io .
Quad o II
Dimensões a aliadas e ins umen os
Dimensões Ins umen os
A — Va iá eis ela i as a idosos
Necessidades de cuidados — Cambe well Assessmen o Needs o he Elde ly (Reynolds e al., 2000)
—Easyca e: Elde ly Assessmen Sys em (Philp e al., 1999; e . po . Figuei edo
& Sousa, 2001)
Dé ice cogni i o — Mini Men al S a e Examina ion (Fols ein, Fols ein & McHugh, 1975; e . po .
Gue ei o e al., 1994)
Capacidade uncional — Índice de Ba hel (Mahoney & Ba hel, 1965)
B — Va iá eis ela i as a cuidado es
So imen o psíquico e dep essão — Gene al Heal h Ques ionnai e (Goldbe g & Williams, 1988)
—Ge ia ic Dep ession Scale (Yesa age, 1983; e . po . Ba e o e al., 2003)
12 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde dos idosos
Alguns esul ados o am já pa cialmen e ap esen a-
dos em comunicações o ais (Gonçal es-Pe ei a e al.,
2006; Fe nandes e al., 2006), bem como no VIII
Cong eso Vi ual de Psiquia ia, Fe e ei o 2007 (Fe -
nandes e al., 2007).
Mé odos de análise
Análise desc i i a, u ilizando o S a is ical Package
o he Social Sciences — e são 12 pa a Windows
(SPSS, 2003).
3. Resul ados
3.1. Aplicabilidade anscul u al
De aco do com a pe cepção subjec i a dos in es iga-
do es no e eno, a acei abilidade da en e is a
CANE oi globalmen e mui o sa is a ó ia. Após os
p imei os ensaios e o es udo-pilo o, não hou e e i-
dência de necessidade de e o mulação da e são
po uguesa.
O empo de en e is a oscilou en e 10 e 60 minu os
(média 27,2 ± 13,6) pa a os idosos a aliados e en e
10 e 30 minu os (média 15,9 ± 7,6) pa a os cuidado-
es in o mais, a iando ob iamen e com a complexi-
dade das si uações e o ní el egis ado de necessida-
des.
3.2. Es udo desc i i o
Fo am a aliados 21 u en es idosos com idades en e
os 65 e os 85 anos (Quad o III), sendo mais de dois
e ços do sexo eminino e i endo, na maio ia
(66,7%), em sua casa. Apenas uma des as pessoas se
encon a a na al u a em si uação de in e namen o
hospi ala , enquan o uma ou a es a a ins i ucionali-
zada num la ( oi opção me odológica p i ilegia o
es udo de doen es em egime ambula ó io). Sensi el-
men e me ade (47,4%) pe encia à classe social mais
baixa (V), na classi icação social de G a a (G a a ,
1956).
Todos ap esen a am pa ologia neu opsiquiá ica, na
sua maio ia de ipo demencial (71,4%), com diagnós-
ico de doença de Alzheime , demência ascula ou
ou a. Em 81% dos casos ha ia a egis a co-mo bi-
lidade somá ica (po exemplo: hipe ensão a e ial,
euma ismo degene a i o, diabe es insulino-depen-
den e).
T ês des es u en es idosos (dois dos quais com diag-
nós ico de dep essão) e e i am e a esponsabili-
dade de cuida de alguém. Po ou o lado, apenas um
dos 21 doen es não inha qualque cuidado in o mal.
Dezoi o doen es (85,7%) ap esen a am dé ice cogni-
i o signi ica i o, pelo MMSE (de aco do com os
c i é ios a e idos pa a a população po uguesa po
Gue ei o e al., 1994 e a alidação clínica pelo
médico assis en e). A pon uação média pelo índice de
Ba hel oi 80,0 (± 18), a iando en e 50 e 100
(n= 21).
São ap esen ados no Quad o IV alguns dados ela i-
os aos cuidado es in o mais. Maio i a iamen e,
es es cuidado es e am do sexo eminino (80%), na
sua maio ia amilia es (ge almen e ilhas), de meia-
-idade e casadas. Num dos casos, po indisponibili-
dade do cuidado p incipal, oi necessá io pedi a
colabo ação de um ou o amilia (cuidado secundá-
io) na en e is a.
De aco do com o GHQ 12, oi iden i icado apenas
um caso p o á el de mo bilidade psíquica signi ica-
i a (5% da amos a), endo a pon uação média sido
14,06 (± 4,52).
No que oca aos esul ados da aplicação do ques io-
ná io CANE, os a aliado es iden i ica am com cla-
eza di e sas necessidades dos u en es idosos, p inci-
palmen e nas seguin es dimensões: cuidados com a
casa, alimen ação, ac i idades diá ias, memó ia,
saúde ísica, so imen o psicológico, companhia e
dinhei o/economias (Quad o V). Nem semp e as
necessidades e e idas es a am cobe as (caso dos
p oblemas ela i os a cuidados com a casa, alimen a-
ção, cuidados pessoais, ac i idades diá ias, memó ia,
mobilidade/quedas, con inência de es ínc e es, sin o-
mas psicó icos, so imen o psicológico, in o mação
sob e a doença, segu ança pessoal — isco suicidá io
e não in encional, companhia e dinhei o/economias).
Nes a amos a, os a aliado es não iden i ica am
necessidades elacionadas com abuso/negligência ou
consumo de álcool.
Tal como espe ado, nem semp e a pe spec i a dos
doen es idosos, bem como dos espec i os cuidado-
es in o mais e écnicos, oi in ei amen e coinciden e
com a e e ida pon uação dos a aliado es, ainda que
as disc epâncias não enham assumido ele ância
pa icula nes a amos a.
Os cuidado es e e i am, na sua maio ia, a ausência
de necessidades p óp ias nos domínios A e B do
CANE. Não obs an e, ês deles ap esen a am neces-
sidades não cobe as ela i as à in o mação sob e a
doença e qua o na á ea do so imen o psíquico.
4. Discussão
A e são po uguesa do CANE oi desen ol ida com
base nos p essupos os me odológicos necessá ios
pa a assegu a a sua alidade, endo em con a aspec-
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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
Saúde dos idosos
Quad o III
U en es idosos em a aliação no es udo-pilo o
Ca ac e ís icas n=21
Idade (anos): 73,9 (± 6,3); I.V. 65-85
Sexo: n (%)
Feminino 16 (76,2%)
Masculino 5 (23,8%)
Es ado ci il: n (%)
Sol ei o(a) 2 (9,5%)
Casado(a) 8 (38,1%)
Di o ciado/sepa ado(a) 1 (4,8%)
Viú o(a) 10 (47,6%)
Si uação de ida: n (%)
Vi e só 6 (28,6%)
Com companhei o 7 (33,3%)
Com ou os pa en es 7 (33,3%)
Com ou os 1 (4,8%)
In e namen o hospi ala 1 (4,8%)
In e namen o em la 1 (4,8%)
F equen ando cen o de dia 5 (23,8%)
Casa 14 (66,7%)
Es ado ace aos se iços, na en e is a: n (%)
In e namen o comple o 1 (4,8%)
Ambula ó io/consul a ex e na 16 (76,2%)
Sem con ac o 4 (19%)
In e namen os an e io es: Mediana: 1; I.V. 0-20
Diagnós ico neu opsiquiá ico: n (%)
Demência 15 (71,4%)
Pe u bação dep essi a 3 (14,3%)
Pe u bação bipola 1 (4,8%)
Pe u bação psicó ica 1 (4,8%)
Ou o 1 (4,8%)
Co-mo bilidade somá ica: n (%)
Sim 17 (81%)
Não 4 (19%)
Classe social (G a a ): n (%)
Classe I 1 (4,8%)
Classe II 2 (9,5%)
Classe III 2 (9,5%)
Classe IV 6 (28,6%)
Classe V 10 (47,6%)
Á ea geog á ica: n (%)
U bana 8 (38,1%)
Subu bana 11 (52,4%)
Ru al 2 (9,5%)
Vi e com cuidado in o mal (p incipal)? n (%)
Sim 9 (42,9%)
Não 12 (57,1%)
Cuida de alguém? n (%)
Sim 3 (14,3%)
Não 18 (85,7%)
14 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
Saúde dos idosos
Quad o IV
Cuidado es in o mais en e is ados no es udo-pilo o
Ca ac e ís icas n=20
Idade (anos): 53,4 (± 12,0); I.V. 35-59
Sexo: n (%)
Feminino 16 (80%)
Masculino 4 (20%)
Es ado ci il: n (%)
Sol ei o(a) 5 (25%)
Casado(a) 14 (70%)
Di o ciado/sepa ado(a) 1 (5%)
Cuidado p incipal? n (%)
Sim 19 (95%)
Não 1 (5%)
Pa en esco com o idoso: n (%)
Filho(a) 10 (50%)
Ma ido/mulhe 4 (20%)
Ou o 1 (5%)
Sem pa en esco 5 (25%)
Quad o V
Ní el de necessidades (pon uação dos a aliado es)
n= 21 (ou 20, pa a A e B) Necessidades iden i icadas n (%)
I ens/domínios Sem Necessidade Necessidade
necessidade cobe a não cobe a
Alojamen o 17 (81) 4 (19) –
Cuidados com a casa 1 (4,8) 17 (81) 3 (14,3)
Alimen ação 3 (14,3) 16 (76,2) 2 (9,5)
Cuidados pessoais 8 (38,1) 11 (52,4) 2 (9,5)
Cuidados com ou as pessoas 19 (90,5) 2 (9,5) –
Ac i idades diá ias 6 (28,6) 9 (42,9) 6 (28,6)
Memó ia 2 (9,5) 14 (66,7) 5 (23,8)
Visão/audição/comunicação 17 (81) 4 (19) –
Mobilidade/quedas 10 (47,6) 7 (33,3) 4 (19)
Con inência de es ínc e es 12 (57,1) 7 (33,3) 2 (9,5)
Saúde ísica 5 (23,8) 16 (76,2) –
Medicamen os ou óxicos 16 (76,2) 5 (23,8) –
Sin omas psicó icos 18 (85,7) 2 (9,5) 1 (4,8)
So imen o psicológico 6 (28,6) 10 (47,6) 5 (23,8)
In o mação (sob e a doença e a amen o) 14 (66,7) 4 (19) 3 (14,3)
Segu ança pessoal (condu a pa asuicidá ia) 19 (90,5) 1 (4,8) 1 (4,8)
Segu ança pessoal ( isco não in encional) 12 (57,1) 5 (23,8) 4 (19)
Abuso/negligência 21 (100) – –
Compo amen o 20 (95,2) 1 (4,8) –
Álcool 21 (100) – –
Companhia 6 (28,6) 10 (47,6) 5 (23,8)
Relações ín imas 20 (95,2) 1 (4,8) –
Dinhei o/economias 3 (14,3) 16 (76,2) 2 (9,5)
Bene ícios sociais 19 (90,5) 2 (9,5) –
A. Necessidade de in o mação 15 (71,4) 2 (9,5) 3 (14,3)
B. So imen o psicológico 12 (57,1) 4 (19) 4 (19)
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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
Saúde dos idosos
os de adap ação cul u al e linguís ica. Os passos
ela i os à adução es ão documen ados. Po ou o
lado, a cons i uição de uma equipa mul icên ica e
mul idisciplina , en ol endo se iços de di e sas
egiões de Po ugal, possibili ou um abalho equili-
b ado na adap ação do ins umen o à ealidade nacio-
nal.
Ap esen amos apenas a p imei a pa e de um es udo
ala gado pa a alidação da e são po uguesa do
CANE. Es a amos a inicial é demasiado eduzida
pa a possibili a uma análise undamen ada das
ca ac e ís icas psicomé icas da e são ou de ou as
ques ões ligadas à alidade de c i é io (como a com-
pa ação com os esul ados da aplicação do
EASYca e) ou de cons uc o. Não obs an e, os dados
p elimina es ela i os à aplicabilidade do ques ioná-
io e à iabilidade in e -obe ado es e es e- e es e
indicam esul ados enco ajado es.
A ase inicial do desen ol imen o da e são po u-
guesa do CANE, com ecu so a me odologias quali-
a i as, le an ou ques ões na adap ação ao nosso con-
ex o clínico. Mas a acei abilidade des a e são no
e eno, po pa e de doen es idosos, cuidado es e
écnicos en ol idos, em indo a se undamen ada e
deco e des e mesmo es udo-pilo o. O ac o de algu-
mas en e is as com os idosos e em ul apassado a
du ação de in a minu os é explicá el pela maio
complexidade dessas si uações, pelo dé ice cogni i o
associado (de e minando maio la ência de espos a)
e a é pelo ac o de se a a de um cená io de in es-
igação (en e is as com equipas de dois in es igado-
es). Não obs an e, al ez se enha a e ela an ajo-
so, no que oca à aplicação po o ina em equipas de
saúde men al, usa e sões eduzidas do ins umen o
ou limi a a co ação a secções pa icula es (nomeada-
men e a p imei a).
No que se e e e à amos a em es udo, a ou-se de
um g upo de doen es idosos ela i amen e homogé-
neo nas suas ca ac e ís icas clínicas (a maio ia com
dé ice cogni i o, adicando ou não num diagnós ico
de demência, na sua maio ia em con ac o com se i-
ços de saúde men al). Em 85,7% dos casos e i icou-
-se dé ice cogni i o clinicamen e impo an e, em
conco dância com o egis o de apenas 2 casos (9,5%)
sem necessidades no domínio «memó ia». Mais de
4/5 dos idosos egis a a co-mo bilidade somá ica:
es e ac o co obo a os esul ados da pon uação
CANE ela i os à «saúde ísica», com 16 pessoas
(76,2 %) em que se e i ica am necessidades nesse
domínio, ainda que «cobe as» em odos os casos.
A maio ia das pessoas i ia em sua casa, e a capaci-
dade uncional (índice de Ba hel) es a a ela i a-
men e p ese ada. Na e dade, as ques ões ela i as
a «alojamen o», «mobilidade/quedas» ou «con inên-
cia de es ínc e es» não o am mui o alo izadas nes a
amos a. Não obs an e, as á eas «cuidados com a
casa» e «alimen ação» o am aquelas em que mais se
e i icou a p esença de necessidades (ainda que
ge almen e cobe as), jun amen e com «memó ia» e
«dinhei o/economias».
O ní el socioeconómico (a aliado pelo índice de
G a a ) e a ela i amen e baixo, apesa de apenas
2 casos (9,5%) e em egis ado necessidades, aliás
cobe as, no domínio «bene ícios sociais».
En e an o, é p eocupan e o ac o de, numa amos a
de 21 doen es em seguimen o po equipas especiali-
zadas, se egis a em mais de um caso (de aco do
com os a aliado es) a exis ência de necessidades não
cobe as em á eas como: «memó ia», «sin omas psi-
có icos», «so imen o psicológico», «in o mação
sob e a doença», «segu ança pessoal» (« isco suici-
dá io» ou «não in encional»). Dado que os a aliado-
es e am elemen os do se iço em ques ão (o que, a
e en iesado os esul ados, de e mina ia quando
mui o alguma complacência na iden i icação de
necessidades), es e dado apon a pa a as po encialida-
des do CANE como ins umen o de moni o ização
dos casos e de au o-moni o ização das equipas.
Po ou o lado, o ac o de não e em sido iden i ica-
das necessidades elacionadas com abuso/negligência
ou consumo de álcool se á ce amen e u o da éc-
nica inciden al de selecção e da eduzida dimensão
da amos a.
O mesmo se aplica a algumas ca ac e ís icas ge ais
des e g upo de doen es idosos e espec i os cuidado-
es, o qual não é cla amen e ep esen a i o das popu-
lações eco endo aos se iços, em Po ugal. Os
dados ela i os aos cuidado es, apesa de a amos a-
gem não se alea o izada, são consen âneos com
alguns dados ge ais disponí eis na li e a u a (Gonçal-
es-Pe ei a e Ma eos, 2006), mas os índices de mo -
bilidade psiquiá ica mino o am mais eduzidos. Na
e dade, apenas um des es 20 cuidado es oi iden i-
icado como p o á el «caso». A es e p opósi o,
elemb a-se a inexis ência de es udos comple os de
alidação pa a mui as e sões po uguesas de di e -
sos ins umen os, nomeadamen e o GHQ-12 ( endo
sido adop ados os pon os-de-co e o iginais, não
necessa iamen e adequados pa a a nossa população).
De qualque modo, nes e g upo de cuidado es, es e
dado é cong uen e com a não-iden i icação de neces-
sidades p óp ias signi ica i as pelos i ens inais do
CANE (A e B).
6. Conclusão
Os esul ados p elimina es no desen ol imen o da
e são po uguesa do CANE são consis en es quan o
à sua alidade ecológica, acial e de con eúdo. T a a-se