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Versão portuguesa do CANE (Camberwell Assessment of Need for the Elderly) : desenvolvimento e dados preliminares

Gonçalves-Pereira, M,Fernandes, Lia,Leuschner, António,Barreto, Joâo,Falcão, Duarte,Firmino, Horácio,Mateos, Raimundo,Orrell, Martin

Abstract

RESUMO - A avaliação de necessidades de cuidados é crucial no planeamento, monitorização e avaliação de serviços de psiquiatria e saúde mental, bem como na investigação e na clínica. Este princípio é obviamente aplicável aos serviços responsáveis por populações de pessoas mais velhas. O instrumento CANE — Camberwell Assessment of Need for the Elderly possibilita uma avaliação consistente das necessidades de utentes idosos, nomeadamente em situações de patologia neuropsiquiátrica. Procede-se a uma avaliação cruzada, entrevistando a pessoa em questão, o seu cuidador informal e o técnico responsável. Esta avaliação multidimensional abrange domínios da esfera biológica, psicológica e social, sendo aplicável na comunidade ou em internamento (regime parcial ou completo). A utilidade do CANE tem sido evidenciada em contextos clínicos, de investigação e de avaliação de serviços. Existem múltiplas traduções a nível internacional, a maioria das quais validada. Na área da epidemiologia psiquiátrica nem sempre estão disponíveis os dados relativos à qualidade das adaptações de instrumentos, pelo que se apresenta o processo de desenvolvimento da versão portuguesa (de acordo com as regras para validação transcultural, no processo de tradução-retroversão). A aplicabilidade da versão portuguesa foi satisfatória neste estudo-piloto, representando a primeira fase de um trabalho multicêntrico nacional. Nesta fase inicial, foram considerados casos de idosos com patologia neuropsiquiátrica (maioritariamente demência — 71,4%), em dois centros (Lisboa e Porto) (n = 21). A média de idades foi 73,9 (± 6,3) anos, sendo 76,2% do sexo feminino. A maioria vivia em casa, apresentava co-morbilidade somática e estava em contacto com um cuidador informal (em geral, familiares do sexo feminino). Os avaliadores identificaram necessidades, nem sempre cobertas, nas seguintes dimensões: cuidados com a casa, alimentação, actividades diárias, memória, saúde física, sofrimento psicológico, companhia e dinheiro/economias. Nem sempre a perspectiva de doentes, cuidadores, técnicos e avaliadores foi inteiramente coincidente. Estes resultados preliminares da aplicação da versão portuguesa do CANE são consistentes quanto à sua validade ecológica, facial e de conteúdo, estando em curso contributos adicionais para a validação efectiva numa amostra de maior dimensão.

Full text

7 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos idosos Manuel Gonçal es-Pe ei a é assis en e con idado de Psicologia Médica no Depa amen o de Saúde Men al da Faculdade de Ciên- cias Médicas — Uni e sidade No a de Lisboa; oi docen e da Escola Nacional de Saúde Pública en e 2004 e 2006. Lia Fe nandes é assis en e g aduada do Se iço de Psiquia ia do Hospi al de S. João e dou o ada pela Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o. An ónio Leuschne é p esiden e do Conselho de Adminis ação do Hospi al Magalhães Lemos e p o esso con idado do Ins i u o de Ciências Biomédicas Abel Salaza . João Ba e o é p o esso associado da Faculdade de Medicina da Uni e sidade do Po o e che e de se iço de Psiquia ia do Hos- pi al de S. João. Dua e Falcão é assis en e g aduado do Hospi al Sob al Cid em Coimb a. Ho ácio Fi mino é che e de se iço de Psiquia ia dos Hospi ais da Uni e sidade de Coimb a. Raimundo Ma eos é p o esso i ula do Depa amen o de Psiquia- ia da Faculdade de Medicina da Uni e sidade de San iago de Compos ela e coo denado da Unidade de Psicoge ia ia (Com- plexo Hospi ala io Uni e si á io de San iago (CHUS). Ma in O ell é p o esso da disciplina de Ageing and Men al Heal h do Depa men o Men al Heal h Sciences no Uni e si y College London. Subme ido à ap eciação: 30 de Ma ço de 2007. Acei e pa a publicação: 18 de Ab il de 2007. Ve são po uguesa do CANE (Cambe well Assessmen o Need o he Elde ly): desen ol imen o e dados p elimina es MANUEL GONÇALVES-PEREIRA LIA FERNANDES ANTÓNIO LEUSCHNER JOÃO BARRETO DUARTE FALCÃO HORÁCIO FIRMINO RAIMUNDO MATEOS MARTIN ORRELL A a aliação de necessidades de cuidados é c ucial no pla- neamen o, moni o ização e a aliação de se iços de psi- quia ia e saúde men al, bem como na in es igação e na clínica. Es e p incípio é ob iamen e aplicá el aos se iços esponsá eis po populações de pessoas mais elhas. O ins umen o CANE — Cambe well Assessmen o Need o he Elde ly possibili a uma a aliação consis en e das necessidades de u en es idosos, nomeadamen e em si uações de pa ologia neu opsiquiá ica. P ocede-se a uma a aliação c uzada, en e is ando a pessoa em ques ão, o seu cuidado in o mal e o écnico esponsá el. Es a a aliação mul idi- mensional ab ange domínios da es e a biológica, psicoló- gica e social, sendo aplicá el na comunidade ou em in e na- men o ( egime pa cial ou comple o). A u ilidade do CANE em sido e idenciada em con ex os clínicos, de in es igação e de a aliação de se iços. Exis em múl iplas aduções a ní el in e nacional, a maio- ia das quais alidada. Na á ea da epidemiologia psiquiá- ica nem semp e es ão disponí eis os dados ela i os à qualidade das adap ações de ins umen os, pelo que se ap esen a o p ocesso de desen ol imen o da e são po u- guesa (de aco do com as eg as pa a alidação anscul u- al, no p ocesso de adução- e o e são). A aplicabilidade da e são po uguesa oi sa is a ó ia nes e es udo-pilo o, ep esen ando a p imei a ase de um aba- lho mul icên ico nacional. Nes a ase inicial, o am consi- de ados casos de idosos com pa ologia neu opsiquiá ica (maio i a iamen e demência — 71,4%), em dois cen os (Lisboa e Po o) (n = 21). A média de idades oi 73,9 (± 6,3) anos, sendo 76,2% do sexo eminino. A maio ia i ia em casa, ap esen a a co-mo bilidade somá ica e es a a em con ac o com um cuidado in o mal (em ge al, amilia es do sexo eminino). Os a aliado es iden i ica am necessidades, nem semp e cobe as, nas seguin es dimensões: cuidados com a casa, alimen ação, ac i idades diá ias, memó ia, saúde ísica, so imen o psicológico, companhia e dinhei o/economias. Nem semp e a pe spec i a de doen es, cuidado es, écnicos e a aliado es oi in ei amen e coinciden e. Es es esul ados p elimina es da aplicação da e são po uguesa do CANE são consis en es quan o à sua alidade ecológica, acial e de 8REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos idosos con eúdo, es ando em cu so con ibu os adicionais pa a a alidação e ec i a numa amos a de maio dimensão. Pala as-cha e: saúde men al; necessidade de cuidados; planeamen o de se iços de saúde men al; a aliação de se iços de saúde men al; saúde dos idosos; psicoge ia ia; psicoge on ologia; neu opsiquia ia. 1. In odução e objec i os O concei o de «necessidades», nomeadamen e de «necessidades de cuidados», em indo a se explo- ado po au o es das mais di e sas o ien ações eó i- cas desde há décadas. Não obs an e, só nos úl imos anos do século XX é que a ques ão da a aliação o - mal de necessidades assumiu impo ância c escen e na plani icação de cuidados em Psiquia ia e Saúde Men al, bem como na a aliação de qualidade dos se iços (Xa ie , 1999). Conside a-se «necessidade» um p oblema signi ica- i o na á ea social ou da saúde, pa a o qual exis em soluções ou in e enções po enciais. Ci ando Ma hews (ap. Wing, 1990), «exis e um es ado de necessidade quando o indi íduo ap esen a uma doença ou incapacidade pa a a qual exis em cuida- dos/ a amen os e ec i os e acei á eis. A p ocu a de cuidados exis e quando o indi íduo conside a que em uma necessidade e deseja ecebe cuidados: a u ilização oco e quando o indi íduo ecebe eal- men e os cuidados». A ope acionalização des e cons uc o em an agens inequí ocas em Psiquia ia e Saúde Men al, sendo consensual que a p esença de necessidades não alcançadas em di e sas á eas se co elaciona com o es ado de saúde e com di e sas a iá eis de ou come, como a qualidade de ida da pessoa. Es a linha de in es igação em sido desen ol ida em Po ugal, na á ea da esquizo enia, pelo Depa a- men o de Saúde Men al da Faculdade de Ciências Médicas/Uni e sidade No a de Lisboa (FCM/UNL) (Almeida e Xa ie , 1995; Gago, 1996; Xa ie , 1999; Xa ie e al., 2003). Não obs an e, os ins umen os de a aliação disponí eis em e sões po uguesas a- lidadas po es e mesmo g upo (MRC NCA, Needs o Ca e Assessmen Schedules — B ewin e al., 1987; CAN, Cambe well Assessmen o Need — Phelan e al., 1995) não são di ec amen e aplicá eis a pessoas idosas. En e 1998 e 2000, econhecendo es a mesma ealidade no Reino Unido, e e luga um es o ço de no os g upos de abalho no sen ido de adap a o CAN, ins umen o di ulgado pelos es udos EPSILON (McC one e al., 2000), pa a uso em doen- es neu opsiquiá icos idosos. Daqui esul ou uma adap ação designada Cambe well Assessmen o Need o he Elde ly (CANE). O p ocesso de desen- ol imen o e alidação do ins umen o o iginal es á documen ado na li e a u a (Reynolds e al., 2000; O ell e Hancock, 2004). Es e a igo desc e e a p imei a ase do abalho com o CANE em Po ugal, isando o desen ol imen o de uma e são álida pa a aplicação em populações de doen es neu opsiquiá icos idosos. Na á ea da saúde men al e epidemiologia psiquiá- ica, nem semp e es ão acessí eis à comunidade cien í ica os dados conc e os sob e o p ocesso e qua- lidade das aduções/adap ações de mui os ins u- men os de a aliação. Assim, documen a-se o desen- ol imen o da e são po uguesa do ques ioná io ( adução, adap ação e ca ac e ização da espec i a alidade acial, de con eúdo e ecológica, com ecu so a me odologias da á ea quali a i a) e a explo ação da acei abilidade numa amos a de pequenas dimensões. Es es são os esul ados da p imei a ase de um es udo mul icên ico, ans e sal, de a aliação de necessida- des em doen es neu opsiquiá icos idosos. Esse es udo ala gado, ainda em cu so, de e á documen a de o ma mais consis en e a alidação da e são po uguesa do CANE (explo ando a alidade de c i- é io e de cons uc o, bem como a iabilidade es e- - e es e e in e -obse ado es). 2. Me odologia 2.1. CANE — desc ição do ins umen o O CANE é um ins umen o de a aliação de neces- sidades cen ado na Pessoa. O seu enquad amen o eó ico é o modelo bio-psico-social (Engel, 1977), numa abo dagem holís ica dos p oblemas do idoso. Cons i ui uma o ma de a aliação de esul ados (pode se a base de a aliação e moni o ização da e ec i idade de um plano pe sonalizado de cuida- dos), de aco do com uma abo dagem es u u ada e ela i amen e simples (é aplicá el po qualque p o- issional compe en e da á ea da saúde, com um mínimo de eino associado). A u ilização do CANE é possí el em con ex os di e - sos: a) na clínica: a a aliação p oduz uma esenha de necessidades (cobe as, pa cialmen e cobe as ou não cobe as), que de e á le a à de inição de á eas de isco e a um plano de cuidados ou in e enções espe- cí icas; b) na in es igação: como o ma de a e ição pad onizada de necessidades de cuidados; c) em a a- liação de se iços: pe mi indo de ec a e de e mina alhas na p es ação de cuidados ou necessidades de eino e in luindo na alocação de ecu sos. T a a-se de um ques ioná io es u u ado e compos o po 26 i ens (á eas ou domínios), sendo os p imei os 9 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos idosos 24 e e en es ao doen e e os 2 úl imos e e en es ao cuidado in o mal, ge almen e um amilia , se exis i (Quad o I). Es es dois úl imos i ens (A e B) são explo ados apenas com o cuidado e, e en ualmen e, com um p o issional en ol ido. São os p imei os 24 i ens que cons i uem o co po do ques ioná io. A in o mação que diz espei o a cada um deles é colhida, deseja elmen e, em en e is as sepa adas com o idoso/doen e, o cuidado in o mal e o écnico esponsá el (á ea da saúde ou social), esul ando em ês pe spec i as não necessa iamen e coinciden es e que de em se egis adas/pon uadas especi icamen e. Po ou o lado, pa a cada á ea/i em, conside am-se cinco secções de espos a: 1) pe - gun a-se se exis e uma necessidade co en e nessa á ea especí ica; 2) abo da-se a espos a de on es in o mais; 3) a e igua-se a espos a dos se iços locais; 4) ques iona-se se essas espos as são conside- adas adequadas e qual o g au de sa is ação da pes- soa; po úl imo, na secção 5), há possibilidade de especi ica de alhes pa icula es da a aliação. Em anexo, ap esen a-se um i em do CANE pa a exempli icação. Nas p imei as qua o secções, o in es igado a ibui uma pon uação, em colunas sepa adas, de aco do com a opinião do idoso, do cuidado e do écnico, egis ando inalmen e a sua opinião global ela i a à si uação do idoso em cada á ea de necessidade. Na p imei a secção, a undamen al, egis a-se a ausência ou p esença de uma necessidade nessa á ea especí- ica, podendo a a -se de uma necessidade cobe a (me need) ou não cobe a (unme need). Uma neces- sidade conside a-se cobe a quando (que se a e de um p oblema ligei o, mode ado ou g a e) es á a se al o de in e enção adequada e po encialmen e bené- ica. Podem se ambém conside ados «necessidades cobe as» os p oblemas que no malmen e não se e es em de impo ância clínica, não eque endo in e enções especí icas. A con abilização do núme o global de necessidades do idoso, disc iminando quais as «cobe as» e «não cobe as», p oduz pon uações que podem se u iliza- Quad o I CANE: á eas de necessidade em a aliação I ens/domínios 1. Alojamen o 2. Cuidados com a casa 3. Alimen ação 4. Cuidados pessoais 5. Cuidados com ou as pessoas 6. Ac i idades diá ias 7. Memó ia 8. Visão/audição/comunicação 9. Mobilidade/quedas 10. Con inência de es ínc e es 11. Saúde ísica Idoso 12. Medicamen os ou óxicos 13. Sin omas psicó icos 14. So imen o psicológico 15. In o mação (sob e a doença e a amen o) 16. Segu ança pessoal (condu a pa asuicidá ia) 17. Segu ança pessoal ( isco não in encional) 18. Abuso/negligência 19. Compo amen o 20. Álcool 21. Companhia 22. Relações ín imas 23. Dinhei o/economias 24. Bene ícios sociais Cuidado A. Necessidade de in o mação B. So imen o psicológico 10 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos idosos das na a aliação e moni o ização do caso. Não obs- an e, a p odução de pon uações é um aspec o secun- dá io da u ilização do ins umen o, cujo objec i o undamen al se aduz na iden i icação das necessida- des indi iduais não cobe as. No que oca à a aliação de necessidades em idosos, já o a desen ol ida em Po ugal uma e são do EASYca e (Elde ly Assessmen Sys em), da Uni e si- dade de She ield (Figuei edo e Sousa, 2001; Philp e al., 1999; SISA, 1997). T a a-se de um ins umen o de ele ância documen ada (Sousa, Galan e e Figuei- edo, 2003), ainda que mais adequado à explo ação de á eas p óximas da qualidade de ida do que dos dé ices ou incapacidades clínicas (sendo, po exem- plo, omisso no que oca a dimensões como a psicopa- ologia psicó ica). En e an o, a exis ência da e são po uguesa do EASYca e acili a á alguns aspec os da alidação do ques ioná io CANE, nomeadamen e quan o ao es udo da alidade de c i é io pa a alguns i ens. O CANE possui boas p op iedades psicomé icas ( iabilidade es e- e es e e in e -obse ado es), con- o me documen ado nos es udos o iginais de alida- ção (Reynolds e al., 2000) ou em eplicações pa a con ex os cul u ais di e en es, nomeadamen e em es udos epidemiológicos comuni á ios (Yba zábal e al., 2002; Ma eos e al. 2004). É hoje um ins umen o acessí el em eze línguas e u ilizado no mundo in ei o, nomeadamen e em mui os países da Eu opa ociden al. 2.2. P ocedimen os 2.2.1. P imei a ase: desen ol imen o 2.2.1. da e são po uguesa do CANE O g upo de abalho CANE — Po ugal oi o mado em 2003, aquando de um seminá io de o mação em a aliação de necessidades do idoso (o ganização da Unidade de Psicoge ia ia do Cen o Hospi ala da Uni e sidade de San iago de Compos ela, em pa ce- ia com o Depa men o Psychia y and Beha iou al Sciences (Uni e si y College/London Medical School). Es a o mação in ensi a na u ilização do CANE oi o ien ada pelo coo denado do g upo de abalho no Reino Unido (Ma in O ell) e pelo coo - denado da alidação do ins umen o em Espanha (Raimundo Ma eos). O g upo po uguês icou cons- i uído po elemen os de di e sos se iços uni e si á- ios e clínicos do no e, cen o e sul do país, com in e enção em psicoge ia ia. Foi ealizada uma adução p elimina do CANE pa a po uguês po elemen os do g upo de abalho, odos eles psiquia as com luência em língua inglesa e expe iência clínica na á ea da saúde men al do idoso. Adop ou-se o ecu so a me odologias quali a i as pa a assegu a a alidade anscul u al da adução, cump indo as ecomendações me odológicas habi- uais pa a adução de ins umen os des e géne o. Te e luga um g upo de discussão da adução com- pos o po p o issionais das á eas da saúde e social (psicólogos, en e mei os de saúde men al, écnicos de se iço social, in es igado es da á ea da epide- miologia psiquiá ica, em conjun o com os au o es da adução). A e são p elimina oi e o mulada de aco do com algumas suges ões pe inen es. En e an o, p osseguiu a o mação inicial na aplica- ção do CANE. Fo am cons i uídas equipas em cada um dos cen os pa icipan es: a) Uni e sidade No a de Lisboa (UNL), em a i- culação com a Clínica Psiquiá ica de S. José (Ins i u o das I mãs Hospi alei as do Sag ado Co ação de Jesus — IPSS); b) Se iço de Psiquia ia e Saúde Men al do Hospi- al S. João (SPHSJ)/Faculdade de Medicina do Po o; c) Unidade de Psicoge ia ia do Hospi al Magalhães Lemos (Po o); d) Hospi al Sob al Cid (Coimb a). A a e ição da iabilidade de co ação in e -obse ado- es oi ei a em euniões dos in es igado es esponsá- eis de cen o, com abalho sob e inhe as clínicas e g a ações ídeo. Cada um des es in es igado es oi esponsá el pela epe ição do p ocesso nos cen os en ol idos, com a espec i a equipa de en e is ado- es. Em seguida, o am ei os pequenos ensaios, pa a a e- ição da comp eensibilidade dos i ens e da acei abi- lidade ge al do ins umen o. Nes es p é- es es, o ques ioná io oi aplicado a pessoas idosas (c i é io: idade igual ou supe io a 65 anos) com doença men- al ou neu opsiquiá ica, em egime ambula ó io ou de in e namen o, pa cial ou comple o, espec i os cuidado es e p o issionais de saúde, sem que i esse sido necessá io e o mula signi ica i amen e a e - são p elimina . A e o e são oi en ão ealizada po um adu o especializado de língua ma e na inglesa, com conhe- cimen os gené icos na á ea da saúde men al. A e i- são pelos au o es do Manual CANE (O ell e Hancock, 2004) o iginou apenas al e ações de po - meno , endo sido en ão o malizada a adução adop ada (Gonçal es-Pe ei a e al., 2004). Mais a de, oi conside ada a pa icipação de uma quin a equipa (Hospi ais da Uni e sidade de Coim- b a) e delineado o p o ocolo inal do es udo mul i- cên ico pa a alidação do CANE. 11 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos idosos 2.2.2. Segunda ase: a aliação de necessidades 3.2.2. num es udo-pilo o O es udo ala gado de alidação do CANE em Po u- gal es á ainda em cu so e os seus esul ados se ão objec o de publicação especí ica. Nes a segunda ase do abalho p elimina , que aqui se desc e e, e e luga um es udo-pilo o de aplicação do ins umen o. P e endeu-se, essencialmen e, com- plemen a a documen ação da aplicabilidade do CANE, deixando pa a o es udo de alidação a explo- ação da alidade de c i é io e de cons uc o, bem como a de e minação de ou as p op iedades psi- comé icas da e são po uguesa ( iabilidade es e- - e es e e in e -obse ado es; homogeneidade dos i ens). Pa icipan es Pessoas de idade igual ou supe io a 65 anos, com pe u bação men al ou neu opsiquiá ica diagnos i- cada pela CID-10 (Classi icação In e nacional das Doenças — Secção de Pe u bações Men ais e Com- po amen ais — C i é ios de Diagnós ico pa a In es- igação; OMS, 1993). Selecção e dimensão da amos a Amos a não alea o izada, de con eniência (n= 21), seleccionada en e Janei o e Ma ço de 2006 nos cen- os de Lisboa e Po o. Foi solici ado o consen imen o in o mado a doen es e espec i os cuidado es, com ga an ia de con idencia- lidade dos dados de in es igação. Não se egis a am ecusas na pa icipação. Aplicação do CANE e medidas adicionais Fo am conside adas dimensões pa alelas, em elação com o concei o de «necessidades», nomeadamen e: dé ice cogni i o e ní el de capacidade uncional dos idosos, bem como psicopa ologia dos cuidado es. O conjun o dos ins umen os complemen a es selec- cionados pa a o es udo de alidação são ap esen ados no Quad o II, endo sido conside ados, nos esul a- dos des e es udo-pilo o, os seguin es: •Mini Men al S a e Examina ion — MMSE (Fols ein, Fols ein e McHugh, 1975; e são po - uguesa de Gue ei o e al., 1994); •Índice de Ba hel (Mahoney e Ba hel, 1965); •Gene al Heal h Ques ionnai e — GHQ (Gold- be g e Williams, 1988; e são de 12 i ens). As en e is as com o CANE o am ealizadas po equi- pas de duas pessoas, pa a es udo da iabilidade in e - obse ado es (com en e is ado e obse ado al e - nando papéis pa a e i a si uações de iés sis emá ico). Semp e que possí el, dependendo do g au de colabo a- ção dos en e is ados, oi iniciada a análise da iabili- dade es e- e es e e in e -obse ado . Não obs an e, pela eduzida dimensão des a amos a inicial, es es dados se ão apenas conside ados em publicação pos e io . Quad o II Dimensões a aliadas e ins umen os Dimensões Ins umen os A — Va iá eis ela i as a idosos Necessidades de cuidados — Cambe well Assessmen o Needs o he Elde ly (Reynolds e al., 2000) —Easyca e: Elde ly Assessmen Sys em (Philp e al., 1999; e . po . Figuei edo & Sousa, 2001) Dé ice cogni i o — Mini Men al S a e Examina ion (Fols ein, Fols ein & McHugh, 1975; e . po . Gue ei o e al., 1994) Capacidade uncional — Índice de Ba hel (Mahoney & Ba hel, 1965) B — Va iá eis ela i as a cuidado es So imen o psíquico e dep essão — Gene al Heal h Ques ionnai e (Goldbe g & Williams, 1988) —Ge ia ic Dep ession Scale (Yesa age, 1983; e . po . Ba e o e al., 2003) 12 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos idosos Alguns esul ados o am já pa cialmen e ap esen a- dos em comunicações o ais (Gonçal es-Pe ei a e al., 2006; Fe nandes e al., 2006), bem como no VIII Cong eso Vi ual de Psiquia ia, Fe e ei o 2007 (Fe - nandes e al., 2007). Mé odos de análise Análise desc i i a, u ilizando o S a is ical Package o he Social Sciences — e são 12 pa a Windows (SPSS, 2003). 3. Resul ados 3.1. Aplicabilidade anscul u al De aco do com a pe cepção subjec i a dos in es iga- do es no e eno, a acei abilidade da en e is a CANE oi globalmen e mui o sa is a ó ia. Após os p imei os ensaios e o es udo-pilo o, não hou e e i- dência de necessidade de e o mulação da e são po uguesa. O empo de en e is a oscilou en e 10 e 60 minu os (média 27,2 ± 13,6) pa a os idosos a aliados e en e 10 e 30 minu os (média 15,9 ± 7,6) pa a os cuidado- es in o mais, a iando ob iamen e com a complexi- dade das si uações e o ní el egis ado de necessida- des. 3.2. Es udo desc i i o Fo am a aliados 21 u en es idosos com idades en e os 65 e os 85 anos (Quad o III), sendo mais de dois e ços do sexo eminino e i endo, na maio ia (66,7%), em sua casa. Apenas uma des as pessoas se encon a a na al u a em si uação de in e namen o hospi ala , enquan o uma ou a es a a ins i ucionali- zada num la ( oi opção me odológica p i ilegia o es udo de doen es em egime ambula ó io). Sensi el- men e me ade (47,4%) pe encia à classe social mais baixa (V), na classi icação social de G a a (G a a , 1956). Todos ap esen a am pa ologia neu opsiquiá ica, na sua maio ia de ipo demencial (71,4%), com diagnós- ico de doença de Alzheime , demência ascula ou ou a. Em 81% dos casos ha ia a egis a co-mo bi- lidade somá ica (po exemplo: hipe ensão a e ial, euma ismo degene a i o, diabe es insulino-depen- den e). T ês des es u en es idosos (dois dos quais com diag- nós ico de dep essão) e e i am e a esponsabili- dade de cuida de alguém. Po ou o lado, apenas um dos 21 doen es não inha qualque cuidado in o mal. Dezoi o doen es (85,7%) ap esen a am dé ice cogni- i o signi ica i o, pelo MMSE (de aco do com os c i é ios a e idos pa a a população po uguesa po Gue ei o e al., 1994 e a alidação clínica pelo médico assis en e). A pon uação média pelo índice de Ba hel oi 80,0 (± 18), a iando en e 50 e 100 (n= 21). São ap esen ados no Quad o IV alguns dados ela i- os aos cuidado es in o mais. Maio i a iamen e, es es cuidado es e am do sexo eminino (80%), na sua maio ia amilia es (ge almen e ilhas), de meia- -idade e casadas. Num dos casos, po indisponibili- dade do cuidado p incipal, oi necessá io pedi a colabo ação de um ou o amilia (cuidado secundá- io) na en e is a. De aco do com o GHQ 12, oi iden i icado apenas um caso p o á el de mo bilidade psíquica signi ica- i a (5% da amos a), endo a pon uação média sido 14,06 (± 4,52). No que oca aos esul ados da aplicação do ques io- ná io CANE, os a aliado es iden i ica am com cla- eza di e sas necessidades dos u en es idosos, p inci- palmen e nas seguin es dimensões: cuidados com a casa, alimen ação, ac i idades diá ias, memó ia, saúde ísica, so imen o psicológico, companhia e dinhei o/economias (Quad o V). Nem semp e as necessidades e e idas es a am cobe as (caso dos p oblemas ela i os a cuidados com a casa, alimen a- ção, cuidados pessoais, ac i idades diá ias, memó ia, mobilidade/quedas, con inência de es ínc e es, sin o- mas psicó icos, so imen o psicológico, in o mação sob e a doença, segu ança pessoal — isco suicidá io e não in encional, companhia e dinhei o/economias). Nes a amos a, os a aliado es não iden i ica am necessidades elacionadas com abuso/negligência ou consumo de álcool. Tal como espe ado, nem semp e a pe spec i a dos doen es idosos, bem como dos espec i os cuidado- es in o mais e écnicos, oi in ei amen e coinciden e com a e e ida pon uação dos a aliado es, ainda que as disc epâncias não enham assumido ele ância pa icula nes a amos a. Os cuidado es e e i am, na sua maio ia, a ausência de necessidades p óp ias nos domínios A e B do CANE. Não obs an e, ês deles ap esen a am neces- sidades não cobe as ela i as à in o mação sob e a doença e qua o na á ea do so imen o psíquico. 4. Discussão A e são po uguesa do CANE oi desen ol ida com base nos p essupos os me odológicos necessá ios pa a assegu a a sua alidade, endo em con a aspec- 13 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos idosos Quad o III U en es idosos em a aliação no es udo-pilo o Ca ac e ís icas n=21 Idade (anos): 73,9 (± 6,3); I.V. 65-85 Sexo: n (%) Feminino 16 (76,2%) Masculino 5 (23,8%) Es ado ci il: n (%) Sol ei o(a) 2 (9,5%) Casado(a) 8 (38,1%) Di o ciado/sepa ado(a) 1 (4,8%) Viú o(a) 10 (47,6%) Si uação de ida: n (%) Vi e só 6 (28,6%) Com companhei o 7 (33,3%) Com ou os pa en es 7 (33,3%) Com ou os 1 (4,8%) In e namen o hospi ala 1 (4,8%) In e namen o em la 1 (4,8%) F equen ando cen o de dia 5 (23,8%) Casa 14 (66,7%) Es ado ace aos se iços, na en e is a: n (%) In e namen o comple o 1 (4,8%) Ambula ó io/consul a ex e na 16 (76,2%) Sem con ac o 4 (19%) In e namen os an e io es: Mediana: 1; I.V. 0-20 Diagnós ico neu opsiquiá ico: n (%) Demência 15 (71,4%) Pe u bação dep essi a 3 (14,3%) Pe u bação bipola 1 (4,8%) Pe u bação psicó ica 1 (4,8%) Ou o 1 (4,8%) Co-mo bilidade somá ica: n (%) Sim 17 (81%) Não 4 (19%) Classe social (G a a ): n (%) Classe I 1 (4,8%) Classe II 2 (9,5%) Classe III 2 (9,5%) Classe IV 6 (28,6%) Classe V 10 (47,6%) Á ea geog á ica: n (%) U bana 8 (38,1%) Subu bana 11 (52,4%) Ru al 2 (9,5%) Vi e com cuidado in o mal (p incipal)? n (%) Sim 9 (42,9%) Não 12 (57,1%) Cuida de alguém? n (%) Sim 3 (14,3%) Não 18 (85,7%) 14 REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA Saúde dos idosos Quad o IV Cuidado es in o mais en e is ados no es udo-pilo o Ca ac e ís icas n=20 Idade (anos): 53,4 (± 12,0); I.V. 35-59 Sexo: n (%) Feminino 16 (80%) Masculino 4 (20%) Es ado ci il: n (%) Sol ei o(a) 5 (25%) Casado(a) 14 (70%) Di o ciado/sepa ado(a) 1 (5%) Cuidado p incipal? n (%) Sim 19 (95%) Não 1 (5%) Pa en esco com o idoso: n (%) Filho(a) 10 (50%) Ma ido/mulhe 4 (20%) Ou o 1 (5%) Sem pa en esco 5 (25%) Quad o V Ní el de necessidades (pon uação dos a aliado es) n= 21 (ou 20, pa a A e B) Necessidades iden i icadas n (%) I ens/domínios Sem Necessidade Necessidade necessidade cobe a não cobe a Alojamen o 17 (81) 4 (19) – Cuidados com a casa 1 (4,8) 17 (81) 3 (14,3) Alimen ação 3 (14,3) 16 (76,2) 2 (9,5) Cuidados pessoais 8 (38,1) 11 (52,4) 2 (9,5) Cuidados com ou as pessoas 19 (90,5) 2 (9,5) – Ac i idades diá ias 6 (28,6) 9 (42,9) 6 (28,6) Memó ia 2 (9,5) 14 (66,7) 5 (23,8) Visão/audição/comunicação 17 (81) 4 (19) – Mobilidade/quedas 10 (47,6) 7 (33,3) 4 (19) Con inência de es ínc e es 12 (57,1) 7 (33,3) 2 (9,5) Saúde ísica 5 (23,8) 16 (76,2) – Medicamen os ou óxicos 16 (76,2) 5 (23,8) – Sin omas psicó icos 18 (85,7) 2 (9,5) 1 (4,8) So imen o psicológico 6 (28,6) 10 (47,6) 5 (23,8) In o mação (sob e a doença e a amen o) 14 (66,7) 4 (19) 3 (14,3) Segu ança pessoal (condu a pa asuicidá ia) 19 (90,5) 1 (4,8) 1 (4,8) Segu ança pessoal ( isco não in encional) 12 (57,1) 5 (23,8) 4 (19) Abuso/negligência 21 (100) – – Compo amen o 20 (95,2) 1 (4,8) – Álcool 21 (100) – – Companhia 6 (28,6) 10 (47,6) 5 (23,8) Relações ín imas 20 (95,2) 1 (4,8) – Dinhei o/economias 3 (14,3) 16 (76,2) 2 (9,5) Bene ícios sociais 19 (90,5) 2 (9,5) – A. Necessidade de in o mação 15 (71,4) 2 (9,5) 3 (14,3) B. So imen o psicológico 12 (57,1) 4 (19) 4 (19) 15 VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007 Saúde dos idosos os de adap ação cul u al e linguís ica. Os passos ela i os à adução es ão documen ados. Po ou o lado, a cons i uição de uma equipa mul icên ica e mul idisciplina , en ol endo se iços de di e sas egiões de Po ugal, possibili ou um abalho equili- b ado na adap ação do ins umen o à ealidade nacio- nal. Ap esen amos apenas a p imei a pa e de um es udo ala gado pa a alidação da e são po uguesa do CANE. Es a amos a inicial é demasiado eduzida pa a possibili a uma análise undamen ada das ca ac e ís icas psicomé icas da e são ou de ou as ques ões ligadas à alidade de c i é io (como a com- pa ação com os esul ados da aplicação do EASYca e) ou de cons uc o. Não obs an e, os dados p elimina es ela i os à aplicabilidade do ques ioná- io e à iabilidade in e -obe ado es e es e- e es e indicam esul ados enco ajado es. A ase inicial do desen ol imen o da e são po u- guesa do CANE, com ecu so a me odologias quali- a i as, le an ou ques ões na adap ação ao nosso con- ex o clínico. Mas a acei abilidade des a e são no e eno, po pa e de doen es idosos, cuidado es e écnicos en ol idos, em indo a se undamen ada e deco e des e mesmo es udo-pilo o. O ac o de algu- mas en e is as com os idosos e em ul apassado a du ação de in a minu os é explicá el pela maio complexidade dessas si uações, pelo dé ice cogni i o associado (de e minando maio la ência de espos a) e a é pelo ac o de se a a de um cená io de in es- igação (en e is as com equipas de dois in es igado- es). Não obs an e, al ez se enha a e ela an ajo- so, no que oca à aplicação po o ina em equipas de saúde men al, usa e sões eduzidas do ins umen o ou limi a a co ação a secções pa icula es (nomeada- men e a p imei a). No que se e e e à amos a em es udo, a ou-se de um g upo de doen es idosos ela i amen e homogé- neo nas suas ca ac e ís icas clínicas (a maio ia com dé ice cogni i o, adicando ou não num diagnós ico de demência, na sua maio ia em con ac o com se i- ços de saúde men al). Em 85,7% dos casos e i icou- -se dé ice cogni i o clinicamen e impo an e, em conco dância com o egis o de apenas 2 casos (9,5%) sem necessidades no domínio «memó ia». Mais de 4/5 dos idosos egis a a co-mo bilidade somá ica: es e ac o co obo a os esul ados da pon uação CANE ela i os à «saúde ísica», com 16 pessoas (76,2 %) em que se e i ica am necessidades nesse domínio, ainda que «cobe as» em odos os casos. A maio ia das pessoas i ia em sua casa, e a capaci- dade uncional (índice de Ba hel) es a a ela i a- men e p ese ada. Na e dade, as ques ões ela i as a «alojamen o», «mobilidade/quedas» ou «con inên- cia de es ínc e es» não o am mui o alo izadas nes a amos a. Não obs an e, as á eas «cuidados com a casa» e «alimen ação» o am aquelas em que mais se e i icou a p esença de necessidades (ainda que ge almen e cobe as), jun amen e com «memó ia» e «dinhei o/economias». O ní el socioeconómico (a aliado pelo índice de G a a ) e a ela i amen e baixo, apesa de apenas 2 casos (9,5%) e em egis ado necessidades, aliás cobe as, no domínio «bene ícios sociais». En e an o, é p eocupan e o ac o de, numa amos a de 21 doen es em seguimen o po equipas especiali- zadas, se egis a em mais de um caso (de aco do com os a aliado es) a exis ência de necessidades não cobe as em á eas como: «memó ia», «sin omas psi- có icos», «so imen o psicológico», «in o mação sob e a doença», «segu ança pessoal» (« isco suici- dá io» ou «não in encional»). Dado que os a aliado- es e am elemen os do se iço em ques ão (o que, a e en iesado os esul ados, de e mina ia quando mui o alguma complacência na iden i icação de necessidades), es e dado apon a pa a as po encialida- des do CANE como ins umen o de moni o ização dos casos e de au o-moni o ização das equipas. Po ou o lado, o ac o de não e em sido iden i ica- das necessidades elacionadas com abuso/negligência ou consumo de álcool se á ce amen e u o da éc- nica inciden al de selecção e da eduzida dimensão da amos a. O mesmo se aplica a algumas ca ac e ís icas ge ais des e g upo de doen es idosos e espec i os cuidado- es, o qual não é cla amen e ep esen a i o das popu- lações eco endo aos se iços, em Po ugal. Os dados ela i os aos cuidado es, apesa de a amos a- gem não se alea o izada, são consen âneos com alguns dados ge ais disponí eis na li e a u a (Gonçal- es-Pe ei a e Ma eos, 2006), mas os índices de mo - bilidade psiquiá ica mino o am mais eduzidos. Na e dade, apenas um des es 20 cuidado es oi iden i- icado como p o á el «caso». A es e p opósi o, elemb a-se a inexis ência de es udos comple os de alidação pa a mui as e sões po uguesas de di e - sos ins umen os, nomeadamen e o GHQ-12 ( endo sido adop ados os pon os-de-co e o iginais, não necessa iamen e adequados pa a a nossa população). De qualque modo, nes e g upo de cuidado es, es e dado é cong uen e com a não-iden i icação de neces- sidades p óp ias signi ica i as pelos i ens inais do CANE (A e B). 6. Conclusão Os esul ados p elimina es no desen ol imen o da e são po uguesa do CANE são consis en es quan o à sua alidade ecológica, acial e de con eúdo. T a a-se