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VOL. 25, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2007
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Obesidade e Saúde Pública
Es e núme o da Re is a inclui dois a igos sob e um ema que es á hoje na linha
da en e das p eocupações em saúde pública: o excesso de peso e obesidade.
Em Po ugal, es ima-se que 13,8% da população adul a seja obesa (índice de
massa co po al (IMC = kg/m2)≥30), enquan o 52,4% so em de excesso de peso
(IMC ≥25) (Ca mo e al., 2006). Na Eu opa, a p e alência de obesidade chega a
a ingi , em alguns países, 25% da população adul a enquan o nos EUA os alo es
são ainda mais ele ados (James e al., 2001). Adicionalmen e, em di e sos países,
o núme o de pessoas obesas em indo a aumen a apidamen e, ha endo mesmo
quem conside e es a mos a assis i , a ní el plane á io, a uma epidemia de obesidade
(James e al., 2001; WHO, 1998).
O econhecimen o da obesidade como p oblema de saúde pública le ou o Minis-
é io da Saúde a p omo e uma sé ie de inicia i as nes e campo, das quais se des-
acam o P og ama Nacional de Comba e à Obesidade, c iado em 2005 e in eg ado
no Plano Nacional de Saúde 2004-2010, e a Pla a o ma con a a Obesidade, c iada
em 2007 e que in eg a ep esen an es de di e sos minis é ios, do go e no local e da
sociedade ci il.
A azão pa a es as inicia i as de e-se ao ac o da obesidade se uma impo an e
causa de doença e de mo e. As pessoas obesas êm um isco ac escido de con ai
di e sas doenças como a diabe es de ipo 2, insu iciência ca díaca, aciden es ascula-
es ce eb ais, os eoa i e e canc o do endomé io. O excesso de peso ambém ag a a
algumas doenças c ónicas como a asma, hipe ensão e dislipidémia (USDHHS, 1998).
Exis e ainda e idência de que a obesidade es eja associada à mo alidade p ema u a
po di e sas causas, como a doença co oná ia e ce os ipos de canc o (Calle e al.,
1999), embo a nes e caso a e idência seja con o e sa, com alguns es udos a demons-
a em que as pessoas classi icadas pela O ganização Mundial da Saúde como p é-
-obesas (IMC en e 25 e < 30) êm um isco de mo e in e io ao daqueles que êm
peso no mal (IMC en e 18,5 e < 25) (Flegal e al., 2005).
4REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
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Vá ios au o es êm ambém assinalado que a obesidade aca e a ele ados cus os
económicos pa a a comunidade. Em Po ugal, o cus o di ec o da obesidade oi es i-
mado em 297 milhões de eu os no ano de 2002, o que ep esen a 2,50% da despesa
o al em saúde. Os cus os indi ec os o am es imados, no mesmo ano, em 199,8
milhões de eu os. A mo alidade p ema u a con ibuiu com 58,4% des e alo e a
mo bilidade com 41,6% (Pe ei a e Ma eus, 2003). Os esul ados dão uma indicação
de que se ia possí el ge a poupanças nos se iços de saúde e ganhos de p odu i i-
dade pa a a economia nacional a a és de es a égias e icazes de p e enção ou edu-
ção da obesidade.
Os dois a igos publicados nes e núme o ocam populações onde o ema da obe-
sidade em sido pouco es udado. Ode e Ama al e colabo ado es (Ama al e al., 2007)
es ima am a p e alência de excesso de peso e obesidade numa amos a (n= 7563)
de adolescen es do dis i o de Viseu. A a és de um ques ioná io au o-aplicado e
espondido po alunos das escolas públicas do dis i o, os au o es de ini am excesso
de peso como alo es en e o pe cen il 85 e 95 do IMC e obesidade como alo es
iguais ou acima de 95 do IMC. Es ima am que ha e ia 13,7% de adolescen es com
excesso de peso e 3,4% que podem se conside ados obesos. Embo a a ca ego ização
adop ada pelos au o es não seja consensual — Hadley e al. (2004) num conhecido
es udo publicado na JAMA, po exemplo, usam as designações «em isco de excesso
de peso» e «excesso de peso», espec i amen e, pa a as duas ca ego ias es udadas
po Ama al e ou os — não há dú ida que o excesso de peso en e adolescen es se á
dos p oblemas mais p emen es no delineamen o de es a égias de comba e à obesi-
dade (James e al., 2001). O a igo ago a ap esen ado ajuda-nos a comp eende
melho a dimensão do p oblema en e os adolescen es po ugueses.
Sa anga e colabo ado es (Sa anga e al., 2007) ap esen am uma e isão da li e-
a u a epidemiológica sob e composição co po al em populações a icanas, nas quais
se em e i icado uma coexis ência pa adoxal da subnu ição, excesso de peso e
obesidade. Os au o es no am que em Á ica, ao con á io da Eu opa e Amé ica do
No e, a obesidade é mais p e alen e em amílias de es a os socio-económicos mais
ele ados. Além disso, as populações a icanas endem a egis a uma associação
en e a condição de baixa es a u a em elação à idade (o chamado s un ing) e a
p e alência de obesidade, suges i a de que a acumulação excessi a de go du a pode
se uma espos a anómala após subnu ição na in ância. Es as obse ações pa em
essencialmen e de es udos ans e sais e os au o es da e isão sublinham que são
necessá ios no os es udos de base longi udinal pa a melho comp eende as causas
e consequências dos pad ões ac uais de excesso de peso e obesidade nos países
a icanos.
Também em Po ugal há ainda um longo caminho a pe co e na in es igação de
saúde pública sob e excesso de peso e obesidade. F u o do abalho de á ios g upos
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de in es igação, emos hoje um conhecimen o mui o amplo sob e o impac o epide-
miológico e social do p oblema da obesidade na sociedade po uguesa. Impo a
ago a da o passo seguin e e a alia , com igo , os ní eis de e ec i idade e e iciência
que as di e en es es a égias de comba e à obesidade nos o e ecem. Sem esse acom-
panhamen o, e consequen e decisão, a polí ica pública de comba e à obesidade pode
so e o mesmo des ino que mui as en a i as de emag ecimen o a ní el indi idual:
o acasso a médio p azo.
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