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Importância da gestão em saúde: Editorial

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Importância da gestão em saúde: Editorial

Author: Graça, Luís
Publisher: Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade NOVA de Lisboa
Year: 2005
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/17006/1/RUN%20-%20RPSP%20-%202005%20-%20v23n1a00%20-%20p.3-4.pdf
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VOL. 23, N.o 1 — JANEIRO/JUNHO 2005
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Impo ância da ges ão em saúde
Há um di ado po uguês que diz Mais ale bom adminis ado do que bom abalhado ,
ou, nou a a ian e, Mais ale um bom mandado que um bom abalhado .
Apesa da epulsa do abalho manual nas sociedades p é-capi alis as, não c eio que a
iloso ia de senso comum con ida nes e p o é bio se esuma a um simples iés ideológico,
de ma iz não já escla agis a, eudal ou senho ial, mas bu guesa. Acen uadamen e ideológico
é, sim, esse ou o p o é bio que diz: Deus ajuda a quem abalha, que é o capi al que menos
alha.
Pa a aseando o p imei o p o é bio, e azendo uma ap oximação ao campo da saúde,
pode -se-ia pos ula : Mais ale bom ges o do que bom p es ado . Como odas as jóias do
pensamen o sinc é ico, os p o é bios são hipe bólicos. A sua unção é, a a és de uma ase
cu a, e mui as ezes usando a ima, o i mo e a imagem, sin e iza uma e idência de senso
comum, ixa uma eg a social, ipi ica uma no ma mo al ou a é ca ica u a um aspec o da
ealidade humana.
O ci ado p o é bio não é disjun i o, opondo o ges o ao abalhado , p odu o ou p es a-
do . Pelo con á io, p e ende en a iza a impo ância da ges ão e do papel do ges o nos
sis emas de acção colec i a.
Já em 1504 o egimen o do Hospi al Real de Todos os San os (HRTS) inha c ia a igu a
do p o edo , o o icial p incipal, que de e ia e um dado pe il psicop o issional, como
di íamos hoje, «pessoa hon ada, e de bom sabe , e zeloso de odo o bem ca idoso», além de
se da con iança pessoal e polí ica do undado e inanciado (o HRTS é uma pia causa, di ada
pelo e hos c is ão, mas é ambém cla amen e um p ojec o assis encial que não pode se
desligado da mo i ação polí ica do seu c iado ).
De ac o, po se «cousa ão g ande, e de ão g ande maneio», o hospi al de e ia se
adminis ado com «mui g ande ecado» an o no que oca a ao «se iço de nosso Senho »
como no que dizia espei o à «conse ação da mesma Casa». Daí o p o edo de e « e oda
a supe io idade, e mando sob e odos os O iciais, g andes e pequenos». Magni icência do
p íncipe, os en ação da ca idade, a i mação do pode égio, mas ambém génio o ganiza i o,
são alguns aços que ca ac e izam o HRTS. No início do século XVI, a polí ica de concen a-
ção hospi ala e a c iação de ins i uições in e classis as, como as mise icó dias, são ambém
uma espos a a no as necessidades e p oblemas de uma população que ende a concen a -se
nas cidades com o declínio do eudalismo, deco en es em g ande pa e do desen ol imen o
do modo de p odução a esanal e da economia me can il, da expansão do comé cio ma í imo
e da complexi icação do ecido social (em pa icula , das camadas popula es).
Con enhamos, no en an o, que a ges ão é uma ciência no a. O scien i ic managemen em
cem anos e chegou p imei o às emp esas indus iais do que aos se iços de saúde. Se nos
Es ados Unidos a p eocupação explíci a com a o mação e a p o issionalização dos adminis-
ado es hospi ala es emon a já à década de 1920, é sob e udo depois da segunda gue a
mundial que os hospi ais endem a segui o modelo de ges ão emp esa ial e a c ia a igu a
do chie execu i e o ice (CEO).
Em Po ugal emos uma adição de quase meio século na o mação de adminis ado es
hospi ala es e a Escola Nacional de Saúde Pública o gulha-se de e con ibuído ambém pa a
a c iação des a no a igu a de p o issional de saúde, no con ex o da e o ma do sis ema de
saúde de 1971 e da mode nização da economia e da sociedade po uguesas.
O hospi al e e um papel de p o agonismo nes es p ocessos de mudança, se bem que o
concei o de ges ão em saúde já não seja hoje hospi alocên ico. O hospi al mode no, con em-
po âneo, o do di ei o à saúde, é o da up u a concep ual (e o ganizacional) com o passado,
4REVISTA PORTUGUESA DE SAÚDE PÚBLICA
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em que ha ia uma medicina p i ada pa a os icos e uma medicina hospi ala pa a os pob es.
Essa up u a e i icou-se essencialmen e em elação a qua o domínios: (i) missão do hospi al:
passou-se de um objec i o ho elei o pa a um objec i o de p odução de cuidados de saúde;
(ii) p á ica p o issional: passou-se de uma p á ica indi idual (« abalho a solo») a uma p á ica
colegial (« abalho em equipa»); (iii) p ocesso de p odução: mudou-se de uma p odução a e-
sanal (ou p é-indus ial) pa a uma p odução indus ial (ou em massa); inalmen e, (i ) ges ão:
subs i uiu-se o concei o e a p á ica da adminis ação (cen alizada) pelo concei o e pela p á ica
da ges ão (descen alizada).
O hospi al ende a o na -se uma emp esa não só pelo c escen e peso e so is icação do seu
sis ema écnico e o ganizacional de abalho, como ambém pela c escen e complexidade e
con li ualidade da sua en ol en e sócio-económica e das necessidades, in e esses e expec a i-
as dos seus di e en es s akeholde s.
A impo ância e a ac ualidade da ges ão em saúde não se medem apenas pelas endências
ac uais pa a a in eg ação dos cuidados de saúde e pelas p essões com is a à c escen e e
con ínua acionalização (económica, écnica e o ganizacional) dos se iços de saúde, as quais
ão a pa com a pe sis ência da sua especi icidade como o ganizações p o issionais em que
subsis em duas linhas de au o idade, a elação de agência, a aca ou nula sobe ania do
consumido , e c.
Re i am-se, po im, e a alhe de oice, os desa ios eme gen es, pa a a ges ão e pa a os
ges o es dos se iços de saúde, que implicam as mudanças que se es ão a ope a no campo
da saúde, a começa pelo p óp io ala gamen o e en iquecimen o do concei o de saúde, o
en elhecimen o da população, a mudança do pe il de mo bimo alidade, a o e a exceden á ia
de ecu sos, o aumen o exponencial dos cus os, o pa adigma da sociedade da in o mação e do
conhecimen o, a espi al ecnológica, o papel do Es ado e do consumido , as ques ões da
bioé ica, da qualidade e da equidade, e c.
Tal como a p óp ia medicina, a ges ão se á semp e uma ciência e uma a e, com duas
componen es que podem se independen es mas são semp e complemen a es: o conhecimen o
e a acção.
O no o mes ado em Ges ão de Saúde da ENSP/UNL, com ês á eas de especialização
(ges ão das o ganizações de saúde; ges ão clínica; ges ão do conhecimen o em saúde), e lec e
já algumas des as mudanças do con ex o eó ico e socie al da saúde, bem como a no a isão,
con ingencial e in eg ada, da ges ão em saúde.
Os objec i os de ensino/ap endizagem do cu so azem cla amen e apelo ao mix das com-
pe ências cogni i as, écnicas, sociais e humanas, já que no inal se espe a que os mes andos
es ejam (e se sin am) ap os pa a: (i) analisa com igo o es ado ac ual do sis ema de saúde,
a sua es u u a e o seu uncionamen o; (ii) in e i , de manei a in eg ada e plu idisciplina , no
p ocesso de adminis ação em saúde e de ges ão das o ganizações de saúde em ambien e de
amilia idade com os enómenos da saúde e da doença; (iii) mos a capacidade de análise
c í ica, de sín ese e de co ec a omada de decisões, aplicando os conhecimen os às di e en es
si uações e ope acionalizando as ap idões de ipo ins umen al necessá ias; (i ) con ibui pa a
a melho ia da ges ão da in o mação e do conhecimen o em saúde no seu con ex o o ganiza-
cional especí ico; po im, ( ) exe ce compe ências especí icas nas á eas de especialização
p e is as.
É al amen e p o á el que, no inal da p imei a década do século XXI, as compe ências de
ges ão em saúde dos médicos e dos demais p o issionais de saúde endam a se écnica e
socialmen e mais alo izadas do que hoje, cons i uindo, inclusi e, um un o cu icula no
me cado de abalho. Nessa al u a, al ez o sup aci ado p o é bio possa e ambém já ou a
a ian e: Não há bom p o issional de saúde que não seja ambém um bom ges o em saúde...