O hib idismo de se e a oposição semân ica en e se e es a em
po uguês medie al
Ma ia Ribei o Paulo
Disse ação de Mes ado em Ciências da Linguagem
no emb o, 2017
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do
g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a o ien ação cien í ica da
P o esso a Dou o a Ma ia Te esa B oca do
i
AGRADECIMENTOS
Ag adeço, sob e udo, à p o esso a Ma ia Te esa B oca do. Em p imei o luga ,
ag adeço que enha acei e o ien a es e p oje o. Ag adeço, ainda, oda a sua
disponibilidade, paciência e ole ância pa a com os meus a asos, a sua p eocupação em
apon a pa a as lacunas e alhas des e p oje o, e a sua disponibilidade pa a e e e
o nece bibliog a ia ele an e pa a a ealização des a disse ação.
Ag adeço, ainda, à p o esso a Cla a Nunes Co eia po se e disponibilizado
pa a e e alguns dos capí ulos des a disse ação, e à p o esso a Ma ia Lobo po e
ambém con ibuído pa a a ealização des e abalho.
Mui o ob igada.
ii
O hib idismo de se e a oposição en e se e es a em po uguês medie al
Ma ia Ribei o Paulo
RESUMO
Pala as-cha e: se e es a ; hib idismo de se ; po uguês medie al; século XIII;
g ama icalização; semân ica
Es e abalho em como p incipal obje i o elaciona o hib idismo de se com a
sob eposição pa cial dos alo es semân icos associados aos e bos se e es a a es ada
em es ádios an e io es da língua po uguesa. Cons a ando-se que, em po uguês
medie al, o e bo se e a ambém u ilizado em con ex os em que no po uguês a ual
apenas se admi e es a , explo a-se a hipó ese de que, no seio do pa adigma se , o mas
de i adas de sede e (‘es a sen ado’) se iam pe spe i adas como es ando mais
associadas a p op iedades ansi ó ias – pa ilhando, po an o, ca ac e ís icas com o
e bo es a –, po oposição a o mas de i adas de esse (‘se ’), que se iam pe spe i adas
como es ando gene icamen e mais associadas a p op iedades pe manen es, de ido a
alguma pe sis ência dos alo es semân icos associados aos e bos la inos de que
de i am.
Es a hipó ese enquad a-se, assim, na á ea de es udos da g ama icalização, uma
ez que se baseia no p incípio da pe sis ência de Hoppe (1991). O quad o de es udos
da g ama icalização pode á o nece , des e modo, um supo e eó ico adequado pa a
a a alguns aspe os da e olução des es dois pa adigmas, em p imei o luga , ao da
con a da sob eposição a es ada en e es es e bos em po uguês medie al e, ainda, ao
concebe a oposição exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo como esul ado de
um p ocesso de compe ição de o mas/cons uções pa a a ma cação dos mesmos
alo es. Se ia, assim, possí el es abelece uma elação en e os sen idos e imológicos
des es e bos, a compe ição en e es es pa a a ma cação dos mesmos alo es e,
pos e io men e, a consolidação da oposição como hoje a conhecemos.
Pa a es e im, a alia-se se exis em dados do po uguês medie al que pe mi am
es abelece a exis ência de uma oposição de alo es den o do p óp io pa adigma se ,
op ando-se po analisa , em especí ico, o mas de sede e que compe iam com o mas de
esse pa a a cons i uição do pa adigma se . A azão pela qual se op a pela análise des as
o mas é o ac o de, endo es as coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido
com elas pa a a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma
di e ença semân ica en e es as em e mos de ma cação de um alo pe spe i ado como
ansi ó io po oposição a um pe spe i ado como pe manen e, al de e á se pe ce í el
nos casos em que se em à disposição o mas de i adas de ambos os pa adigmas,
espe ando-se que cada um seja p e e ido pa a a ma cação des es hipo é icos alo es que
lhes são a ibuídos.
Es e abalho encon a-se, assim, es u u ado em qua o pon os: no p imei o,
in odu ó io, ap esen a-se b e emen e a ques ão de in es igação, obje i os,
enquad amen o eó ico e me odologia; no segundo, isa-se a desc ição da dis inção
se /es a em po uguês con empo âneo, a e indo desc ições p opos as po á ios
au o es; no e cei o, p ocede-se a uma b e e ap esen ação dos p incípios e p essupos os
do quad o de es udos da g ama icalização; no úl imo, desc e e-se em que medida o
pa adigma se é um pa adigma híb ido, p ocede-se a uma e isão da li e a u a exis en e
ela i a à semân ica des es e bos em po uguês medie al, ap esen a-se o co pus
cons i uído, p ocedendo-se a uma análise des e, e, po úl imo, apon am-se alguns dos
mecanismos ou p ocessos associados ao quad o de es udos da g ama icalização que
podem se a es ados no pe cu so e olu i o des es e bos, ou explica i os des e.
iii
Se ’s hyb idism and he seman ic opposi ion be ween se and es a in medie al
Po uguese
Ma ia Ribei o Paulo
ABSTRACT
Keywo ds: se and es a ; se ’s hyb idism; medie al Po uguese; 13 h cen u y;
g amma icaliza ion; seman ics
The main goal o his disse a ion is o ela e he hyb idism o se (“be”) wi h he
pa ial o e lap o he meanings o se and es a (“be”, om La in s a e “s and”) in
Po uguese pas s ages. In Medie al Po uguese, se was also used in con ex s whe e, in
con empo a y Po uguese, only es a occu s. The hypo hesis o be explo ed is ha ,
wi hin he pa adigm o se , he o ms de i ed om La in sede e (“si ”) we e associa ed
wi h ansi o y p ope ies – hus sha ing p ope ies wi h es a – as opposed o o ms
de i ed om esse (“be”), which should be mo e gene ally in e p e ed as pe manen , due
o he pe sis ence o he o iginal seman ic alues o he La in e bs o which hey a e
descendan s.
This hypo hesis is amed by he g amma icaliza ion s udies, assuming Hoppe ’s
(1991) pe sis ence p inciple. This amewo k p o ides an adequa e heo e ical suppo
o desc ibe some aspec s o he e olu ion o hese wo e bal pa adigms: i can accoun
o he pa ial o e lap o hese e bs in Medie al Po uguese; and i can explain he
con as be ween se and es a obse ed in Con empo a y Po uguese as he esul o a
p ocess o compe i ion be ween o ms / cons uc ions o he encoding o he same
alues. Following his line o esea ch, i is possible o ela e he e ymological meanings
o hese e bs, hei compe i ion o he encoding o he same alues and he ixa ion o
hei con empo a y con as .
To his end, i is e alua ed whe he da a om medie al Po uguese allows us o
es ablish he exis ence o a seman ic opposi ion wi hin he pa adigm o se . Speci ically,
o ms de i ed om sede e which compe ed di ec ly wi h o ms de i ed om esse a e
analysed. Being he case ha hese o ms coexis ed and compe ed di ec ly o o m his
pa adigm, i should be possible o obse e he di e en seman ic alues encoded by
each o hese o ms, being expec ed ha o ms de i ed om se would be p e e ed o
encode he seman ic alue o pe manence while o ms de i ed om sede e would be
associa ed wi h ansi o y p ope ies.
This wo k is di ided in o ou chap e s: in he i s – he in oduc ion –, he
in es iga ion ques ion, he objec i es, he heo e ical amewo k and he me hodology
a e b ie ly p esen ed; in he second, he se /es a ’s dis inc ion in con empo a y
Po uguese is discussed; in he hi d, he p incipals and assump ions o he
g amma icaliza ion amewo k a e p esen ed. In he las chap e , we desc ibe he
hyb idism o se and he e olu ion o his pa adigm; he ea e , we p esen he exis ing
li e a u e ela ed wi h he seman ic desc ip ion o hese e bs in medie al Po uguese,
he selec ed co pus and i s analysis. Finally, we poin o some o he p ocesses and
mechanisms associa ed wi h he g amma icaliza ion amewo k ha can be obse ed in
he e olu ion o hese e bs, o explana i e o i .
i
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1
1.1. Ques ão de In es igação – obje i os, enquad amen o eó ico e ele ância ....... 1
1.2. Me odologia ....................................................................................................... 2
1.3. Es u u a da disse ação ..................................................................................... 3
2. DESCRIÇÃO SEMÂNTICA DA OPOSIÇÃO SER/ESTAR EM PORTUGUÊS
EUROPEU CONTEMPORÂNEO ................................................................................... 5
2.1. P op iedades de indi íduo s. p op iedades de es ádio ..................................... 8
2.2. Se s. es a : uma ques ão de aspe o ............................................................... 11
2.3. Se s. es a : uma ques ão discu si a .............................................................. 16
2.4. Conclusões ....................................................................................................... 19
3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO: A GRAMATICALIZAÇÃO .......................... 21
3.1. G ama icalização ............................................................................................. 22
3.2. P incípios da G ama icalização ....................................................................... 25
4. SER E ESTAR EM PORTUGUÊS MEDIEVAL ................................................... 27
4.1. Se : um pa adigma híb ido .............................................................................. 27
4.2. Se e es a em po uguês medie al: e isão da li e a u a ................................ 28
4.3. Oco ências de se e es a em po uguês medie al ......................................... 32
4.3.1. As o mas de i adas de sede e ................................................................. 34
4.3.2. Sede e + ge úndio ..................................................................................... 45
4.3.3. Sede e + pa icípio passado / adje i o ...................................................... 50
4.4. P ocessos de g ama icalização ......................................................................... 53
4.4.1. Desseman ização e pe sis ência ................................................................ 53
4.4.2. Obsolescência de o mas de sede e .......................................................... 54
4.4.3. Obsolescência do alo semân ico de ansi o iedade associado a se ..... 55
4.4.4. T ans e ência ............................................................................................ 56
4.4.5. Con aminação analógica ........................................................................... 57
CONCLUSÃO ................................................................................................................ 59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 61
REFERÊNCIAS DAS FONTES .................................................................................... 65
1
1. INTRODUÇÃO
1.1. Ques ão de In es igação – obje i os, enquad amen o eó ico e
ele ância
Nes a disse ação dá-se con inuidade a um p oje o de abalho iniciado no
âmbi o do seminá io de Linguís ica His ó ica ace ca do papel que o hib idismo de se
pode á e desempenhado na his ó ia da dis inção semân ica en e os e bos se e es a .
Es a é uma p opos a de abalho que ad ém da cons a ação de que a dis inção
exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo en e es es e bos em e mos de
ma cação de um alo pe spe i ado como um alo de pe manência ou de ine ência po
oposição a um alo de ansi o iedade, associados aos e bos se e es a ,
espe i amen e, nem semp e es e e delimi ada como a ualmen e es á, cons a ando-se
uma sob eposição pa cial dos alo es des es e bos em es ádios an e io es da língua.
Em pa icula , cons a a-se que o e bo se e a u ilizado em con ex os em que no
po uguês eu opeu con empo âneo se u iliza ia o e bo es a .
A en ando nes e dado, a p incipal ques ão de in es igação que se explo a nes a
disse ação é a seguin e: pode á o hib idismo de se e desempenhado um papel
signi ica i o na elação semân ica que oi es abelecida em po uguês medie al en e os
e bos se e es a e no modo como os seus alo es e oluí am? Ou seja, p e ende-se
elaciona o ac o de o pa adigma se se um pa adigma híb ido, is o é, um pa adigma
que ad ém da usão de dois pa adigmas la inos – esse (‘se ’) e sede e (‘es a sen ado’) –
, com o ac o de os e bos se e es a e em compe ido pa a a ma cação do mesmo
alo .
Es a ques ão de in es igação pa e de uma hipó ese colocada po Ma os e Sil a
(1992) e B oca do (2014), segundo a qual, den o do pa adigma se , o mas de i adas
de sede e (‘es a sen ado’) ma ca iam um alo gene icamen e ca ac e izá el como
mais ansi ó io, po oposição a o mas de i adas de esse (‘se ’), que ma ca iam um
alo de pe manência ou ine ência, de ido a alguma pe sis ência dos alo es
e imológicos des es e bos la inos.
Es a hipó ese enquad a-se, des e modo, na á ea de es udos da g ama icalização,
uma ez que se encon a assen e no p incípio da pe sis ência de Hoppe (1991:22):
alguma pe sis ência dos alo es e imológicos dos pa adigmas la inos que de am o igem
2
ao pa adigma se pode ia se i pa cialmen e de explicação pa a o ac o de o e bo se
e compe ido com es a pa a a ma cação do alo semân ico de ansi o iedade.
Assim, explo a-se a possibilidade de exis i den o do p óp io pa adigma se
uma oposição de alo es semân icos e uma possí el sob eposição desses alo es com os
alo es semân icos de es a , com is a a da con a da sob eposição des es e bos. Caso
es a hipó ese seja undamen ada, o quad o de es udos da g ama icalização pode á
o nece uma hipó ese explica i a sa is a ó ia pa a a e olução des es dois pa adigmas ao
concebe a oposição exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo como esul ado de
um p ocesso de compe ição de o mas/cons uções pa a a ma cação dos mesmos
alo es. Enquad ada es a hipó ese nes a á ea de es udos, o nece-se uma hipó ese
explica i a pa a a e olução des es dois pa adigmas ao es abelece -se uma elação en e
os sen idos e imológicos des es e bos, a compe ição en e es es pa a a ma cação dos
mesmos alo es e, pos e io men e, a consolidação da oposição como hoje a
conhecemos.
Des e modo, ado ando-se o quad o de es udos da g ama icalização como supo e
eó ico, p ocu a-se explo a , desen ol e e sus en a uma possí el in e - elação en e o
hib idismo de se e a sob eposição dos alo es de se e es a , com base em dados
diac ónicos a es ados do po uguês medie al.
Conside a-se que es e abalho pode á se ele an e pa a o a anço do
conhecimen o po duas azões: em p imei o luga , pa a além de a li e a u a exis en e
ace ca da oposição semân ica en e es es e bos numa pe spe i a his ó ica não se mui o
as a, ambém não pa ecem exis i abalhos que explo em uma hipó ese explica i a
pa a os dados diac ónicos a es ados em po uguês medie al. Em segundo, na medida em
que se isa uma sis ema ização de á ios dados dispe sos ace ca do compo amen o
des es e bos em po uguês medie al, baseados na análise de á ios au o es e ou os
baseados na análise a que se p ocede nes e abalho, isa-se desen ol e e sus en a uma
hipó ese explica i a pa a os dados a es ados.
1.2. Me odologia
Como me odologia, op ou-se po se p ocede a um le an amen o de oco ências
de o mas de es a e se – azendo a dis inção en e o mas de i adas de sede e e
o mas de i adas de esse – em can igas do século XIII – can igas de escá nio e
maldize , de amigo e de amo e as Can igas de San a Ma ia, de A onso X (1264-1284).
3
Pa a al, eco eu-se ao Co pus In o ma izado do Po uguês Medie al (CLUNL, FCSH-
UNL) e ao Dicioná io de Ve bos do Po uguês Medie al (DVPM/CIPM).
Tomou-se, sob e udo, em conside ação as o mas de i adas de sede e que
ie am a cai em desuso – o mas de p esen e, p e é i o impe ei o e p e é i o pe ei o
do indica i o –, que o am subs i uídas po o mas de i adas de esse, uma ez que,
endo es as o mas coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido com elas pa a
a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma dis inção semân ica
en e es as de ido a alguma pe sis ência dos alo es e imológicos des es e bos, al
de e á se pe ce í el em momen os his ó icos em que se inha à disposição o mas
de i adas de ambos os pa adigmas, espe ando-se que cada uma seja p e e ida pa a a
ma cação dos hipo é icos alo es que lhes são a ibuídos. Ou seja, p e ende-se
in es iga se algum des es pa adigmas – esse ou sede e – é p e e ido pa a exp essa
ansi o iedade ou pe manência, o que pode á se explica i o do ac o de o mas de se
e em compe ido com o mas de es a pa a a ma cação do mesmo alo .
Es e co pus oi assim cons i uído com base num c i é io de géne o e de da a:
nes e pe íodo o mas de i adas de sede e ainda compe em com o mas de i adas de
esse pa a o mação do pa adigma se e, segundo Teyssie (1982:21), es e géne o
li e á io a o ecia o uso de a caísmos, azão pela qual é possí el encon a um maio
núme o de oco ências des as o mas.
A análise a que se p ocedeu oi, em alguns aspe os, de na u eza quan i a i a – ao
sis ema iza -se o núme o de oco ências de o mas de i adas de sede e nes e co pus e o
ipo de cons uções em que oco em – e nou os de na u eza quali a i a – ao p ocu a -se
de e mina os alo es semân icos ma cados po es as o mas nos di e en es ipos de
con ex os em que oco em, isando-se ambém es abelece um diálogo com os dados
ap esen ados pelos au o es que p ocede am a uma análise sin á ica e/ou semân ica das
oco ências des es e bos em po uguês medie al.
Assim, a análise das oco ências de o mas de se e de es a em po uguês
medie al é ei a com is a a elaciona a sua compe ição e e olução com o hib idismo
de se , enquad ando es e enómeno linguís ico na á ea de es udos da g ama icalização.
1.3. Es u u a da disse ação
Es a disse ação é cons i uída po qua o pon os: no p imei o, a in odução,
ap esen a-se b e emen e a ques ão de in es igação e os obje i os do p esen e abalho;
10
Po ém, nes a p opos a não são a ados os casos p oblemá icos
sup amencionados – (6) e (7): ainda que se admi a que adje i os como “mo o” e
“simpá ico” são p edicado es que selecionam ob iga o iamen e se ou es a – o que não
é possí el no caso de “simpá ico”, uma ez que es e an o se associa a um e bo como
ou o (c . O João é simpá ico / O João es á simpá ico) –, ao a a em es es e bos como
exponen es lexicais da dis inção IL/SL e, po an o, como exp essando p op iedades
pe manen es/ empo á ias, es es casos con inuam a cons i ui con aexemplos.
Desde modo, se bem que desc i i amen e mais sis emá ica, ao a a a dis inção
se /es a como a ealização g ama ical da dis inção en e p op iedades IL e SL, es a
p opos a acaba po não supe a aquela desc ição inicial que a a a semân ica dos e bos
apenas como uma dis inção en e p op iedades pe manen es e p op iedades
empo á ias/ ansi ó ias
10
, nem nenhum dos p oblemas que essa desc ição le an a
11
.
Uma ou a o mulação des a hipó ese pode se encon ada em Cunha (2013:591-
600), des a ez eco endo a uma ipologia de es ados pa a ca ac e iza a dis inção
se /es a , mais especi icamen e, a ando-a como uma dis inção en e p edicado es
es á eis e p edicado es episódicos, que são de inidos do seguin e modo:
«Os es ados es á eis, como o nome indica, deno am p op iedades es á eis dos
indi íduos, que pe du am du an e uma boa pa e da sua ida se não mesmo du an e oda
a sua exis ência, sendo, assim, ela i amen e independen es de con ex os espácio-
empo ais pa icula es; os es ados episódicos, pelo con á io, desc e em p op iedades
ansi ó ias dos indi íduos, ligadas a po ções espacial e empo almen e delimi adas da
sua ida e susce í eis de mudança equen e.» (Cunha, 2013:595)
Assim, à semelhança do que sucede em Dua e (1987), o au o de ende que
p edicado es adje i ais de e minam a seleção dos e bos se ou es a con o me esses
p edicados são es á eis ou episódicos, sendo que quando esses p edicado es são
compa í eis com ambos os e bos, é en ão o e bo se que de e mina que o p edicado
seja es á el e o e bo es a que seja episódico. Po ém, a p opos a de Cunha ai além da
10
«Wo king agains a s aigh o wa d iden i ica ion o he wo dis inc ions is he ac ha he e is no s ic
co ela ion be ween se /es a on one hand and pe manen p ope ies/episodic s a es on he o he , as o en
no ed.» (Leone i e . al., 2015:4-5)
11
De no a que na edição da G amá ica da Língua Po uguesa de Ma eus e al. (2003) já não é possí el
encon a o capí ulo ela i o à desc ição semân ica dos e bos se e es a . Ao in és, semp e que as
au o as e e em p edicados de indi íduo ou de ase eme em em no a de odapé pa a os abalhos de
Ca lson (1977) e K a ze (1995), o que suge e que as es as passa am a conside a que es a p opos a não
con ibuía pa a o a anço do conhecimen o ou, a é, que se ia desc i i amen e inadequada.
11
p opos a de Dua e, uma ez que p e ê que a in o mação lexical o necida an o pelos
p edicado es adje i ais como pelos e bos se e es a possa so e al e ações de ido à
in e enção de a o es como, po exemplo, empos g ama icais (10a) e adjun os
ad e biais empo ais (10b), admi indo assim a possibilidade de cons uções com se se
associa em a si uações pe spe i adas como empo á ias:
(10) a. On em, a Ma ia oi simpá ica.
b. A Ma ia oi simpá ica às cinco da a de, quando a endeu os u en es.
12
Rela i amen e ao caso (6) – ‘O João es á mo o’ – uma possí el explicação
su ge em Raposo (2013:1309-1310). O au o no a que nem odos os pa icípios e bais
(usados adje i almen e) se podem combina com es a numa o ação copula i a: apenas
os pa icípios de e bos de si uações élicas podem oco e nes as cons uções.
Si uações élicas ep esen am p ocessos com um im in ínseco no qual pa icipam
en idades que so em uma mudança no im do p ocesso e, como consequência dessa
mudança, a en idade passa a um no o es ado denominado de esul a i o ou
consequen e. O au o apon a os seguin es exemplos (2013:1309):
(11) A po a es á echada.
(12) O mos ei o es á abandonado
(13) O laga o es á mo o.
Segundo es e, es as o ações ep esen am o es ado esul a i o, is o é, o no o
es ado da iden idade que so e a mudança. Raposo (2013:1910) conclui assim:
«Comp eende-se ago a a azão po que o pa icípio mo o, que deno a a mais es á el e
pe manen e de odas as si uações possí eis, oco e com a cópula es a e não com se :
isso de e-se ao ac o de se a o ma de pa icípio de um e bo aspe ualmen e élico,
jun o com a gene alização de que as o mas desse ipo se combinam com es a nas
o ações copula i as que ep esen am o es ado esul a i o».
2.2. Se s. es a : uma ques ão de aspe o
Nes e pon o, conside am-se as desc ições da oposição se /es a que de endem
que es a é ge ada unicamen e a um ní el semân ico. Em conc e o, é p opos o que o
di e en e compo amen o des es e bos e os seus di e en es ma izes in e p e a i os
podem se jus i icados apenas com base nas p op iedades aspe uais de cada um dos
12
Exemplos de Cunha (2013:599)
12
e bos e naquilo que es as implicam a um ní el p agmá ico. Em especí ico, é de endido
que enquan o o e bo es a é ma cado aspe ualmen e, se não o é, podendo a sua
in e p e ação pad ão se al e ada pelos p edicados a que se associa ou po ou os
elemen os na ase.
Schmi e al. (2004:3) e Schmi & Mille (2007:1913) encon am-se en e os
au o es que de endem es a hipó ese: dis inguindo as duas de inições adicionais de
“es ado” – (i) es a i idade associada à ausência de p op iedades aspe uais e (ii)
es a i idade associada à p op iedade sube en i a ESTADO –, a i mam que enquan o a
p imei a de inição é adequada pa a desc e e se , a segunda é adequada pa a desc e e
es a . Ou seja, es a , deno ando um ESTADO, asse e que de e minada p op iedade P é
o caso num de e minado pe íodo de empo ; po sua ez, se é a empo al, na medida
em que não ca eia qualque ipo de in o mação aspe ual. Des e modo, a endência pa a
associa es a a p op iedades empo á ias ou ansi ó ias e se a p op iedades
pe manen es consis e numa implica u a ge ada pelo ac o de o e bo es a exigi uma
anco agem empo al, enquan o se não con ibui pa a a asse ção de um ipo de
e en ualidade:
«[…] he wo copulas a e seman ically dis inc , bu do no encode
pe manence/ empo a iness di ec ly. We assume ha se is de oid o any seman ic
con en […]. In his sense, he analysis we gi e o se is close o ha o he copula as a
pu e unc ional ma e ial. es a , on he o he hand, con ibu es o he VP wi h a sube en
o he ype STATE» (Schmi & Mille , 2007:1913)
Em de esa des a p opos a, es es au o es apon am pa a um exemplo concebido
po Que ido (1976) que ela a a his ó ia de um bo anis a que acabou de descob i uma
no a espécie de á o e cujas olhas, no momen o da descobe a, são/es ão ama elas.
Que ido no a que o modo mais segu o de desc e e as olhas da á o e é a i mando que
essas es ão ama elas, uma ez que o uso de se implica ia que as olhas êm a
p op iedade de se ama elas e al se ia assumi demasiado. Nes e caso, ao usa es a , o
bo anis a apenas asse e que naquele momen o , aquela p op iedade P é o caso. Es e
exemplo é u ilizado como e idência a a o da ideia que a ansi o iedade associada a
es a en ol e uma componen e p agmá ica, uma ez que, nes e caso, o uso de es a não
implica que a si uação desc i a é empo almen e limi ada ou ansi ó ia, apenas asse e
que é o caso naquele momen o.
13
Segundo Schmi e al. (2004), es a p opos a pe mi e da con a de á ios dados
obse ados ela i amen e ao compo amen o des es e bos. Em pa icula , que: a) o
e bo se é mais lexí el, na medida em que 1) pode mais acilmen e se con e ido
numa cons ução com es a , con a iamen e ao que sucede com p edicações com es a ,
e 2) em que pe mi e um maio núme o de lei u as em e mos de aspe ualidade; b)
cons uções com se podem e uma lei u a gnómica; e c) cons uções com es a
implicam uma lei u a de ansi o iedade e cons uções com se uma lei u a de
pe manência.
Des a p opos a, segue-se que só o e bo es a pode impo algumas es ições de
lei u a, pois só es e aca e a uma lei u a aspe ual especí ica. Já o e bo se , não
possuindo es e géne o de p op iedades, é compa í el com ou os elemen os que al e am
a sua lei u a po de inição – uma lei u a que não de e mina qualque anco agem
empo al: «se is de oid o any seman ic con en and does no impose es ic ions on he
complemen s i can appea wi h, being in e p e ed as a s a e by de aul , unless aspec ual
ope a o s a e added and allow empo al in e p e a ions o he whole se + adjec i e
p edica es» (Schmi & Mille , 2007:1913).
A gumen ando nes e sen ido, Scmi e al. (2004) no am que, se o e bo se não
é especi icado ela i amen e a p op iedades aspe uais, en ão de e á se possí el
encon a di e sos casos em que o e bo se se encon a anco ado no empo ou ecebe
uma in e p e ação e en i a, dependendo de ou os elemen os na ase. Ou seja, que es e
não de e á se incompa í el com elemen os que de e minem uma anco agem no empo
ou que ge em lei u as aspe uais especí icas. Segundo es es, al é p ecisamen e o que
e i ica. Repa e-se nos seguin es exemplos:
(14) a. O João é in eligen e.
b. Hoje, o João não es á mui o in eligen e.
(15) a. A sala es á semp e azia.
b. *A sala é azia.
(16) a. O João es á simpá ico.
b. Ago a, o João é simpá ico.
c. O João oi simpá ico.
Os casos (14) e (15) são exempli ica i os de que uma p edicação com se pode
mais acilmen e se con e ida numa p edicação com es a , do que o con á io pode
14
sucede . A en ando em (16), al como (16a), (16b) pe mi e uma in e p e ação de es ado
empo á io se concebe mos que o João, não sendo uma pessoa simpá ica, decidiu se
simpá ico, dada uma ci cuns ância pa icula . Po sua ez, (16c) – igual a (7) – adqui e
uma lei u a do ipo e en i o condicionada pelo uso do p e é i o pe ei o, que aca e a
uma lei u a de pe e i idade. Des e modo, es a p opos a pe mi e acomoda es e géne o
de casos que cos umam se p oblemá icos na desc ição da oposição en e es es e bos.
Es as p op iedades aspe uais dos e bos são ambém explica i as do ac o de o
sujei o de se pode se in e p e ado an o como gené ico, como especí ico, enquan o o
de es a só pode se in e p e ado como especí ico. De aco do com de Ga a i o &
Valenzuela (2006:102): «Since es a deno es a speci ic poin in ime, hen i ollows
ha he subjec can only e e o a speci ic objec o pe son. On he o he hand, as se
can ha e no empo al limi s hen i s subjec can be gene ic and no ixed in ime.
Gene ici y o he subjec is he e o e linked o he aspec ual p ope ies o each copula.»
Rela i amen e a c), os au o es de endem que a lei u a de ansi o iedade
associada a es a su ge a a és duma implica u a: se es a possui p op iedades aspe uais
do ipo es a i o e se os es ados asse em que uma p op iedade P é o caso em , en ão
pode se in e ido que o es ado de coisas desc i o não e a o caso an es de ou não se á o
caso após . Po ou o lado, se o uso de se não en ol e e e ência a qualque in e alo
empo al, é ge ada a implica u a de que a p op iedade P é semp e o caso.
Po ém, nes e pon o man êm-se p oblemá icos os casos em que o e bo es a
apa ece associado a p op iedades pe manen es, al como sucede no exemplo (6): “O
João es á mo o”. Não obs an e, no e-se que pa ece se o caso que o e bo es a só
apa ece associado a p op iedades pe manen es em si uações que não podem se i e adas:
(17) O João es á mo o.
(18) Os dinossau os es ão ex in os.
(19) A mesa es á des uída.
Nes es casos, é ge ada uma lei u a de pe manência, uma ez que “es a mo o”,
al como “es a ex in o” e “es a des uído” são es ados i e e sí eis. No en an o,
suge e-se aqui que é possí el que nes es casos a ob iga o iedade do uso de es a se de e
à necessidade de conside ação de um momen o em que se dá a ansição do es ado de
coisas an e io a pa a o es ado de coisas em , já que odos es es es ados implicam a
exis ência de um pe íodo empo al em que o es ado de coisas P não e a o caso. Po
15
ou as pala as, pa a que o João es eja mo o, o João e e de es a i o e pa a que os
dinossau os es ejam ex in os, eles i e am de exis i . O mesmo não é implicado em
cons uções com se , que são a empo ais:
(20) a. O João é go do
b. O João es á go do.
Em enunciados do géne o (20a) é pa en e que es e ipo de cons uções com se
não ob iga à conside ação de nenhum pe íodo empo al, con a iamen e ao que sucede
em (20b), dado que é a ibuída ao sujei o uma p op iedade que se assume que é
cons i u i a, p óp ia e ine en e a esse. Como no a Raposo (2013:1306): «A exp essão
linguís ica des as p op iedades numa p edicação é no malmen e pe spe i ada o a de
qualque enquad amen o espacial ou empo al, i. e., sem a ende às ci cuns âncias ou
si uações pa icula es em que se encon am os indi íduos».
Assim, é possí el que nes e géne o de casos – (17), (18) e (19) – seja exigida
uma anco agem empo al no sen ido em que é implicada a exis ência de um momen o
em que se dá a passagem de um es ado de coisas an e io a P pa a um es ado de coisas
P.
Ainda, apesa de se de endido po es es au o es que a oposição se /es a esul a
das p op iedades aspe uais dos p edicado es, es es não ejei am a exis ência da dis inção
IL/SL. Pelo con á io, es a hipó ese pode se compa ibilizada com a exis ência des a
dis inção cogni i a. A p opos a des es au o es dis ingue-se daquela de endida po
Dua e (1987) e Cunha (2003) na medida em que es es conside am que aquilo que
dis ingue es es e bos não é o ac o de con e em como pa e do seu signi icado a
exp essão de p op iedades de indi íduo ou de es ádio, mas an es as suas p op iedades
aspe uais.
Assim, de Ga a i o & Valenzuela (2006:101) e Schmi & Mille (2007:1914)
no am que es a p opos a e a hipó ese IL/SL podem se compa ibilizadas na medida em
que as p op iedades aspe uais des es e bos e, mais especi icamen e, as implica u as po
essas ge adas, de e minam a sua compa ibilidade com p edicados do ipo IL ou SL:
«The empo a y e sus pe manen dis inc ion and/o he s age-le el e sus indi idual-
le el cha ac e is ics o hese p edica es a e no pa o he meaning o hese wo e bs
bu a he pa o he implica u es associa ed wi h he copula choice.» (Schmi &
Mille : 2007:1914)
16
Concluindo, é de endida a ideia de que aquilo que é codi icado a um ní el
semân ico po es es e bos é dis in o daquilo que é implicado a um ní el discu si o,
azão pela qual de em se dis inguidos di e en es ní eis na análise des as cópulas: o
ní el semân ico no qual a dis inção se /es a se encon a anco ada e o ní el discu si o
em que di e en es implica u as são ge adas. Assim, não é a dis inção
pe manen e/ empo á io que dá con a da oposição se /es a , uma ez que o e bo se
em um compo amen o demasiado a iá el pa a que possa se de i ada a asse ção de
um es ado de pe manência; an es são as p op iedades aspe uais dos e bos – no caso de
se , a ausência delas – que podem da con a do compo amen o obse ado
13
.
2.3. Se s. es a : uma ques ão discu si a
Maienbo n (2005) p opõe uma hipó ese explica i a da oposição se /es a
al e na i a às an e io es, de aco do com a qual es a dis inção é ge ada unicamen e a um
ní el discu si o/p agmá ico. Es a hipó ese implica, assim, que a um ní el lexical e
semân ico es es e bos não só são idên icos en e si, como ambém são idên icos às
cópulas de ou as línguas que não azem a dis inção en e se e es a .
Em conc e o, segundo es a au o a, o que dis ingue es es dois e bos é o ac o de
o uso de es a ca ea a p essuposição de que a p edicação es á ligada a uma si uação
discu si a pa icula : es a p essupõe um anco amen o discu si o que se não
p essupõe. Es a di e ença pe mi e ao alan e ma ca di e en es pe spe i as a a és de
uma p edicação num discu so pa icula . Des e modo, o e bo se é a ado como a
cópula pad ão e es a como a sua a ian e ma cada.
É p opos o que es a dis inção é lexicalmen e desencadeada pelo e bo es a e
que, a um ní el es u u al, é ca eada pela ca ego ia uncional ASP, onde é in oduzido
um TOPIC TIME con ex ualizado, ou, de um modo mais ge al, um TOPIC SITUATION
– em que “si uação” é en endida como o mundo pa cial conside ado, a si uação
discu si a especí ica e ele an e –, ao qual o alan e anco a a sua a i mação. Aquando
do uso de es a , o TOPIC SITUATION unciona como o an eceden e do qual es a oma
13
Como supo e adicional a es a p opos a, podem se con e idos os es udos de aquisição conduzidos po
Schmi e al. (2004), de Ga a i o & Valenzuela (2006) e Schmi & Mille (2007). Es es au o es
p ocu am demons a que c ianças/ alan es L2 não a am es es e bos como es ando em dis ibuição
complemen a , al como azem os adul os/ alan es L1. Es es es udos a gumen am a a o da ideia de que
c ianças/ alan es L2 dominam o con eúdo aspe ual associado a cada uma das cópulas, ap esen ando, no
en an o, di iculdade em calcula as implica u as associadas a es as e/ou a es ingi o domínio de
a aliação ele an e pa a a escolha da cópula, supo ando assim a ideia de que de e se e e uada uma
dis inção en e o ní el semân ico e p agmá ico na análise des es e bos.
17
a sua e e ência. Assim, a au o a de ine a dis inção en e es es e bos do seguin e modo,
denominando-a de “Hipó ese se /es a ”:
«By using es a speake s es ic hei claims o a pa icula opic si ua ion hey
ha e in mind; by using se speake s emain neu al as o he speci ici y o he opic
si ua ion.» (Maienbo n, 2005:169)
O que mo i a Maienbo n a de ende es a hipó ese e aquilo que conside a uma
an agem nes a é o ac o de, ao a a es es e bos como léxica e seman icamen e
idên icos, a a-os, po conseguin e, como: 1) equi alen es às cópulas das es an es
línguas; e 2) não di e indo na sua es u u a a gumen al, nem impondo es ições de
seleção. Assim, é de espe a que es es e bos se compo em de modo semelhan e
ela i amen e à sua possibilidade de combinação com di e en es p edicados e que
possuam uma dis ibuição semelhan e – o que, segundo es a, é p ecisamen e o que se
e i ica
14
.
A au o a a ança es a hipó ese como al e na i a à ap esen ada em 2.1.,
p ocu ando demons a que os sis emas g ama icais não são sensí eis a uma oposição
concep ual do géne o pe manen e s. ansi ó io e, de endendo, al como Schmi e . al.
e de Ga a i o & Valenzuela, que es a oposição consis e apenas numa endência
in e p e a i a associada aos e bos se e es a . Um dos a gumen os a que apela pa a
demons a que a p opos a IL/SL não desc e e adequadamen e a oposição se /es a
consis e no exemplo já expos o de Que ido (1976), ace ca do qual a au o a a i ma:
«Que ido’s example shows ha he se /es a al e na ion de ini ely canno be educed o
any undamen al concep ual opposi ion like “ empo a y s. pe manen ” o “acciden al
s. essen ial”, o wha e e else. […] Ra he , wha seems o be a s ake is he speake ’s
pe spec i e on a p edica ion in a pa icula discou se.» (Maienbo n, 2005:160)
A au o a no a ambém que, num ce o sen ido, es a p opos a ado a uma
abo dagem aspe ual, no en an o, di e e daquela expos a an e io men e, na medida em
que, ao in és de conside a que essa in o mação aspe ual é ca eada pelos e bos se e
es a , an es assume que esse aspe o é de i ado da si uação discu si a que, po sua ez,
cons i ui o an eceden e adequado pa a de e mina a si uação especí ica que o uso de
14
C . Maienbo n (2005:160-167) onde a au o a, aplicando es es de e en ualidade a cons uções com se
e es a e a e iguando a sua possibilidade de combinação com modi icado es loca i os, ad é bios de
modo e complemen os in ini i os de e bos de pe ceção, ap esen a a gumen os a a o da ideia de que os
e bos se e es a possuem uma dis ibuição semelhan e em odos os aspe os ele an es.
18
es a p essupõe. Des e modo, a dis inção en e se e es a encon a-se anco ada no ní el
discu si o e não no ní el aspe ual.
Res a en ão conside a po que mecanismos é que uma p edicação com es a
e e e uma si uação discu si a pa icula e, desse modo, de e mina de onde ad ém a
endência que os alan es ap esen am pa a ca ac e iza a semân ica dos e bos se e
es a em e mos de uma oposição pe manen e/ empo á io. Pa a al, a au o a conside a o
seguin e exemplo (Maienbo n, 2003:171):
(21) a. A es ada é la ga.
b. A es ada es á la ga.
Em que condições az sen ido dize (21b) ao in és de (21a)? Po ou as pala as,
em que condições az sen ido es ingi a p edicação a um TOPIC SITUATION
pa icula a a és do uso de es a ? De aco do com a au o a, o uso de es a é legi imado
p agma icamen e quando o con ex o pe mi e um TOPIC SITUATION CONTRAST, is o
é, quando o alan e p e ende apon a a exis ência de al e na i as à si uação discu si a
que em em men e. Maienbo n apon a pa a ês dimensões em que esse con as e pode
se es abelecido:
a) Dimensão empo al: a si uação discu si a con as a com si uações an e io es
ou u u as em que o p edicado já não se aplica ao sujei o – nes e caso, dá-se
o igem à in e p e ação de que a p op iedade é empo á ia.
b) Dimensão espacial: a si uação discu si a con as a com si uações discu si as
di e en emen e localizadas no espaço em que o p edicado já não se aplica ao
sujei o. Em (21b), o uso de es a pode á se legí imo se exis i em zonas da
es ada que não são la gas.
c) Dimensão epis émica: a si uação discu si a con as a com si uações
discu si as que não pe mi em decidi se o p edicado se aplica ao sujei o ou
não. Es e é o caso do bo anis a no exemplo de Que ido (1976).
De onde ad ém en ão a endência pa a in e p e a a semân ica des es e bos em
e mos de uma dico omia pe manen e/ empo á io? Segundo a au o a, es a endência
de i a de p incípios p agmá icos de economia: assumi que a p op iedade exp essa é
empo á ia é o modo menos cus oso de aze o con as e que legi ima o uso de es a ,
dado que não eque conhecimen o adicional ace ca do con ex o ele an e po pa e dos
19
in e locu o es. Assim, caso o con ex o não bloqueie uma in e p e ação empo al, es a é
semp e p e e ida pelos alan es.
No e-se, no en an o, que, a é ao momen o, es a desc ição não impede que o uso
de se possa ambém implica uma lei u a empo al, já que a au o a se man ém neu a
ela i amen e à possibilidade de se e e i uma si uação discu si a pa icula . Assim,
es a eco e no amen e a p incípios discu si os, mais especi icamen e, à ideia de
di isão do abalho, pa a da con a do bloqueio da lei u a de ansi o iedade aquando do
uso de se : dado que se é o e mo mais ge al, unciona como complemen o de es a .
Ou seja, com base em p incípios de economia, se se o selecionado, os alan es
assumem que a p edicação não es á anco ada a nenhuma si uação discu si a pa icula ,
caso em que e iam selecionado es a . Assim, es es e bos são a ados pelos alan es
como es ando em dis ibuição complemen a .
Concluindo, de aco do com es a hipó ese, a oposição se /es a é desencadeada
pelo ac o de o e bo es a p essupo um anco amen o a uma si uação discu si a
pa icula que o e bo se não p essupõe. Des e modo, es a consis e numa a ian e
ma cada de se , que, po sua ez, é a cópula pad ão. Es a dependência discu si a de
es a é lexicalmen e desencadeada, es u u almen e ca eada pela ca ego ia uncional
ASP e p agma icamen e legi imada po um con as e en e si uações possí eis – que
pode se de na u eza empo al, espacial ou epis émica.
2.4. Conclusões
Nes e capí ulo, o am ap esen adas ês abo dagens di e en es pa a da con a de
um mesmo p oblema: a desc ição dos e bos se e es a . Dada es a exposição, é salien e
que há algumas ca ac e ís icas em comum a odas es as p opos as: em p imei o luga , é
p oblemá ico a a es a dis inção p ocu ando apenas desc e e as p op iedades dos
e bos se e es a . Ao in és, pa a da con a de odas as possibilidades de oco ência
des es e bos e das lei u as ge adas, é necessá io e em con a a o es de á ias o dens –
a o es esses que pode ão a ia con o me a abo dagem ado ada. Em segundo, é comum
a odas es as abo dagens o a anço de uma hipó ese explica i a pa a o ac o de os
alan es pe spe i a em es a dis inção em e mos de uma oposição en e p op iedades
pe manen es e ansi ó ias.
Des e modo, qualque desc ição p opos a de e, po um lado, da con a das
peculia idades semân icas de cada um des es e bos e, po ou o, se lexí el o
26
se o na ob iga ó io, implicando is o que ou as o mas endem a se excluídas desse
con ex o: «Wi hin a unc ional domain, a one s age a a ie y o o ms wi h di e en
seman ic nuances may be possible; as g amma icaliza ion akes place, his a ie y o
o mal choices na ows and he smalle numbe o o ms selec ed assume mo e gene al
g amma ical meanings.» (Hoppe : 1991, 22).
Como Hoppe (1991:26-27) e Hoppe e T augo (2003:117-118) no am, um
exemplo clássico de especialização é a cons ução de negação mode na do ancês, que
é ca eada a a és da pa ícula de negação ne an es do e bo e da pa ícula de negação
pas após es e. Em es ádios an igos do ancês, exis ia uma a iedade de nomes, com
di e en es nuances semân icas, que podiam su gi após o e bo pa a e o ça a negação
da pa ícula de negação o iginal: pas, poin , mie, go e, amende, e c.
À medida que algumas das o mas o am g ama icalizando nes a cons ução, ou
seja, o am so endo desseman ização e, po an o, adqui indo signi icados mais
abs a os – ainda que com di e en es nuances semân icas associadas –, os seus
signi icados o am-se sob epondo, de e minando que algumas dessas o mas – as que
oco iam menos equen emen e –, se o nassem edundan es e caíssem em desuso.
Assim, no século XVI, apenas as o mas pas, poin , mie e gou e con inua am em uso,
sendo pas e poin as mais equen es, azão pela qual já no pe íodo mode no e am as
únicas que con inua am a se usadas nes e con ex o. De odas as o mas em uso, pas oi
a que p e aleceu, sendo a ualmen e ob iga ó ia.
Des e modo, à medida que as o mas ão g ama icalizando nos mesmos
con ex os, endem a adqui i signi icados mais abs a os e, po an o, mais semelhan es.
Aumen a, assim, a p obabilidade de es as o mas se sob epo em, ge ando casos de
ambiguidade, o que e en ualmen e esul a em que as o mas que oco em menos
equen emen e se o nem edundan es e caiam em desuso.
Ou seja, a compe ição de o mas pa a a ma cação dos mesmos alo es
semân icos em cons uções idên icas de e mina que, e en ualmen e, algumas dessas
o mas so am obsolescência, enquan o ou as endem a o na -se ob iga ó ias nessas
cons uções. É, ge almen e, a equência de oco ência que de e mina as o mas que
p e alecem.
27
4. SER E ESTAR EM PORTUGUÊS MEDIEVAL
4.1. Se : um pa adigma híb ido
Ao a en a mos em dados his ó icos, obse a-se que es a oposição en e um alo
de ansi o iedade e um alo de pe manência ou ine ência, a ibuído aos e bos es a e
se espe i amen e, nem semp e es e e delimi ada na língua po uguesa como
a ualmen e acon ece, cons a ando-se que exis iam con ex os em es ádios an e io es da
língua em que os alo es associados a es es e bos se sob epunham.
Em p imei o luga , é necessá io elemb a que o pa adigma se é um pa adigma
suple i o, ou seja, é um pa adigma que, e imologicamen e, inclui o mas de i adas de
dois pa adigmas la inos dis in os e, po an o, que possui al e nâncias suple i as – is o é,
em que exis e uma elação pa adigmá ica en e o mas que não pa ilham ma e ial
onológico (Juge, 2000:183). Tal de e-se ao ac o de o pa adigma se se um pa adigma
híb ido que ad ém da usão de dois pa adigmas la inos dis in os: esse (‘se ’) e sede e
(‘es a sen ado’): «Como é sabido, a conjugação mode na de se esul a da usão de
duas conjugações dis in as, uma das quais p o ém de o mas do la im esse (som, es,
e c.) e ou a de o mas do la im sede e (seja, e c, se .).» (Teyssie , [1989]2005:125).
Des e modo, coexis em den o des e pa adigma o mas o iginais de pa adigmas
dis in os, o que é e idenciado na sua i egula idade.
Rela i amen e ao modo como es e pa adigma eio assim a se cons i uído,
Nunes ([1919] 1956:294) a i ma o seguin e: «Dece o em i ude da sinonímia da
signi icação, que na língua ulga exis iu en e os e bos esse e sede e, esul ou que o
p imei o omou do segundo, que inha conjugação comple a, o mas que não possuía ou
pe de a no e i ó io galécio-po uguês, como o am: o ge úndio, in ini i o e po an o
u u o e condicional, o conjun i o e impe a i o.» Des e modo, aquando da o mação do
pa adigma se , pa a os empos e bais mencionados po Nunes, exis iam apenas o mas
de i adas de sede e. Po ém, pa a os es an es, exis am o mas de i adas an o de sede e,
como de esse.
Assim, na his ó ia des e pa adigma, hou e momen os em que coexis i am
o mas de ambos os pa adigmas, sob e udo, o mas de p esen e, de p e é i o pe ei o e
de p e é i o impe ei o do indica i o, endo depois as o mas de sede e caído em desuso,
sendo in eg almen e subs i uídas po o mas de i adas de esse: «Na idade média, es as
duas conjugações [esse e sede e] coexis iam em ce os empos, sob e udo no p esen e e
28
impe ei o do indica i o
15
[…]. No início do século XVI as o mas de i adas de esse
inham p e alecido sob e as de i adas de sede e, que desapa ece am da língua li e á ia
comum.» (Teyssie , [1989]2005:125-126). Assim, em po uguês medie al, no seio do
pa adigma se , exis iam ês empos e bais – o p esen e do indica i o, o p e é i o
impe ei o do indica i o e o p e é i o pe ei o do indica i o – pa a os quais es a am
disponí eis o mas de dois pa adigmas e bais dis in os.
A en ando nes e dado, o p incipal obje i o nes e capí ulo é o de a alia se
exis em dados do po uguês medie al que pe mi am es abelece a exis ência de uma
oposição de alo es den o do p óp io pa adigma se , a o que e ia conduzido es e
e bo a compe i com es a pa a a ma cação do alo semân ico de ansi o iedade.
Em especí ico, a e igua-se a hipó ese, den o do quad o de es udos da
g ama icalização, de que o mas de i adas de sede e (‘es a sen ado’) ma ca iam um
alo gene icamen e ca ac e izá el como mais ansi ó io, po oposição a o mas
de i adas de esse, que ma ca iam um alo de pe manência ou ine ência, de ido a
alguma pe sis ência dos alo es e imológicos des es e bos la inos.
Es a hipó ese é assim o mulada po Ma os e Sil a (1992:90): «Vale eco da
que na sua his ó ia p eg essa (…) se em uma his ó ia complexa de con e gência dos
e bos la inos sede e, ‘es a sen ado’ […] e esse. Esse a o pe mi e suge i que (…) em
se con luem o |+ ansi ó io| de sede e e o |+ pe manen e| de esse.»
4.2. Se e es a em po uguês medie al: e isão da li e a u a
Es e é um ema que, no âmbi o da língua po uguesa, em sido abalhado
sob e udo po Ma os e Sil a (1992, 2002) e B oca do (2011, 2014). São ambém es as
au o as que o necem a hipó ese explica i a pa a a e olução dos alo es des es e bos
que é explo ada e desen ol ida nes a disse ação.
Tan o B oca do (2014:99-100) como Ma os e Sil a (2002b:110) começam po
no a que se a es a pelo menos a é ao inal século XIV ins âncias em que es es e bos
são u ilizados ainda com sen ido e imológico, is o é, com o sen ido dos e bos la inos
15
De no a que exis e um e cei o empo e bal – o p e é i o pe ei o –, no qual o mas de ambos os
pa adigmas coexis iam. Teyssie ([1989]2005:125-126) não az menção des e, possi elmen e, po se
egis a um meno núme o de oco ências de o mas de i adas de sede e des e empo na ob a de Gil
Vicen e ela i amen e aos ou os dois mencionados. Es e e a já o caso no séc. XIII, como pode á se
con e ido adian e.
29
de que de i am: es a (<s a e, ‘es a em pé’) e se (<sede e, ‘es a sen ado’). Tal é
e i icá el em exemplos como
16
:
(1) E odo ome q(ue) o uozey o azoe o p ey o s ando en pee leuan ado e
nõ seendo [FR inal séc. XIII?]
(2) O juiz de e da a sen ença em publico e en loga con enial e nõ en loga
o pe. E de e da a sen ença seendo e nõ s ando nẽe andando. [TP inal séc.
XIII?]
(3) Quando es o iu Gal am nom ho[u] e an o de pode que podesse ala em
nem que podesse es a ; ca lhi aleceu o co açom e o co po e caeu em meo
do paaço como mo o [DSG inal séc. XIV]
Po ém, como B oca do (2014:99-100) no a, o uso de es a nes e sen ido é menos
equen e (‘ esidual’, nas suas pala as) que o de se : al é pa en e no exemplo (1), em
que se eco e à pe í ase “es ando em pé le an ado”, enquan o seendo oco e ainda
com o sen ido de ‘es ando sen ado’. Não obs an e, ambas as au o as pa ecem conside a
que es e ipo de uso dos e bos é a caizan e, uma ez que, pa a além de pouco
equen e, pa ece oco e sob e udo em géne os ex uais em que o uso de uma
linguagem conse ado a ou mais p óxima do la im é expec á el, como é o caso do
géne o ju ídico (B oca do, 2014:99) ou do géne o no a ial (Ma os e Sil a, 2002a:158).
Pa a além dis o, o mas de i adas de se ambém oco iam pa a a exp essão de
alo es de ansi o iedade, ou seja, em con ex os em que a ualmen e se u iliza ia o e bo
es a . Em p imei o luga , B oca do (2014:103-104) e Ma os e Sil a (1992:88) no am
que o mas de i adas de sede e ambém e am u ilizadas com o sen ido gené ico de
‘es a ’, an o em con ex os desc i i os – (4) –, como em con ex os loca i os – (5) e (6):
(4) Que is ’oie que eu sejo! [CV 389, Nunes 1981:229]
(5) Seendo o hon ado pad e en sa cela [DSG inal séc. XIV]
(6) e que o plazo que síía en Ped oso [DPs 1273]
Po ém, não só o mas de i adas de sede e e am u ilizadas com o sen ido de
‘es a ’, mas ambém o mas de i adas de esse, no amen e, an o em con ex os
desc i i os – (7) e (9) –, como em con ex os loca i os – (8) e (10):
(7) O p iol oi des o muy coi ado [LLC inal séc. XIV]
16
Todos os exemplos que cons am nes e pon o são ap esen ados po Ma os e Sil a e B oca do nos ex os
mencionados. Não obs an e, as on es dos exemplos são e e idas no inal des a disse ação.
30
(8) e os caualei os que e ã ẽ e a ilhauãse pelos lazos das capelinas [LLC inal
séc. XIV]
(9) As sas duas i mããs que e an mui coi adas pola sa mo e, ee on ao bispo
[DSG inal séc. XIV]
(10) Ca as donas que en on p esen es o on, con a on-no aas ou as [DSG inal
séc. XIV]
Des e modo, e i ica-se que e a co en e a u ilização de o mas pe encen es ao
pa adigma se em con ex os em que a ualmen e se u iliza ia o e bo es a ou, po ou as
pala as, que e a possí el encon a o mas de se , an o de i adas de sede e como de
esse, pa a a ma cação de um alo semân ico de ansi o iedade.
Não obs an e, um dado ele an e apon ado po B oca do (2014:103) é que nos
casos em que den o do pa adigma de se há o mas de i adas de ambos os pa adigmas
la inos, is o é, em que coexis em o mas de i adas an o de esse como de sede e pa a
ma ca a mesma pessoa e núme o do mesmo empo e bal, são selecionadas apenas
o mas de i adas de esse pa a a ma cação do alo de pe manência.
Também Teyssie (2005:128) ao analisa as o mas de i adas de sede e no
p esen e do indica i o e no p e é i o impe ei o do indica i o na ob a de Gil Vicen e,
au o do século XV-XVI, ou seja, do pe íodo em que a usão en e esse e sede e es á
p a icamen e ixada
17
, dando assim o igem ao pa adigma se como hoje o conhecemos,
a i ma o seguin e:
«E ec uámos […] sondagens que nos mos a am que os exemplos de se no
sen ido mode no são incompa a elmen e mais nume osos que aqueles em que o e bo
ap esen a o sen ido do mode no es a . É, como se ê, exac amen e o con á io do que
obse ámos pa a as o mas do ipo sejo, sés, e c., is o que, de um o al de eze, apenas
duas des as ap esen am o sen ido do mode no se , enquan o onze êm o sen ido de es a .
Assim, es as a ian es são duplamen e a caicas, po que o são não só pela o ma, mas
ambém pelo sen ido.»
17
«A conjugação de se , que esul a da usão em um pa adigma único dos pa adigmas de dois e bos […]
es á p a icamen e ixada na segunda me ade do século XVI» (Teyssie , 1982:68)
31
É suges i o que, num au o des a época, em que a oposição en e os alo es dos
e bos se /es a já es a ia consolidada, pe sis a associado o alo de ansi o iedade
associado às o mas de sede e que ie am a cai em desuso.
18
Rela i amen e à exp essão do alo de pe manência ou de ine ência, e am
selecionadas apenas o mas de i adas de se , como a i mado po B oca do (2014:103) –
«Pa a a exp essão des e alo [ine ência, pe manência ou es abilidade] oco em apenas
o mas de se » – e Ma os e Sil a (1992:89) – «pode-se ma ca o a ibu o que loca i o
que desc i i o com o aço semân ico |+ ansi ó io| e é neles que a a iação se /es a
oco ia, já que nos a ibu os ma cados como |+ pe manen e| é o e bo se o p edicado ».
Ou seja, es a es á excluído des es con ex os.
Assim, es es e bos compe i am apenas pa a a ma cação do alo de
ansi o iedade – compe ição em que es a p e aleceu, como é e i icá el no po uguês
a ual. No exce o abaixo ansc i o, a oco ência numa mesma sequência ex ual de
o mas de se e es a , ambos com o sen ido de ‘es a ’ (po encialmen e mais p óximo do
alo do a ual ‘ ica ’ no segundo caso) pa ece ambém sus en a es a gene alização:
(11) Eno nome de Deus. Eu ei don A onso pela g acia de deus ei de Po ugal,
seendo sano e saluo, emẽ e o dia de mia mo e (…) iz mia mãda pe que
de|pos mia mo e mia molie e meus ilios e meu eino e meus uassalos e
odas aquelas cousas que Deus mi deu en pode s en en paz e en olgãcia.
[TAII 1214]
Fazendo um es udo mais ap o undado da e olução des es e bos em es u u as
a ibu i as no pe íodo en e o século XIII e o século XVI e, ambém, uma análise
quan i a i a dos alo es ma cados po es es, Ma os e Sil a (1992, 2002) obse a que no
pe íodo a caico se oco ia equen emen e nes e ipo de es u u as em con ex os em que
a ualmen e se u iliza ia o e bo es a e que o uso de es a eio a aumen a
p og essi amen e nes as ao longo des es séculos. Segundo es a au o a, nos meados do
século XVI, a oposição semân ica en e es es e bos i ia a es a já bem es abelecida,
18
Po ou o lado, ambém é de no a que se 2 das oco ências 11 de o mas de i adas de sede e oco em
com o sen ido de ‘se ’, en ão es e núme o é mui o supe io ao que se e i ica no co pus aqui cons i uído,
com exemplos do séc. XIII: 1 em 113. Conside ando que es es são usos a caizan es na ob a de Gil
Vicen e, al pode á indica que, de ac o, nes a época a dis inção se /es a já es a a bem consolidada.
32
embo a a a iação no uso de se ou de es a pa a a ma cação do alo de ansi o iedade
ainda osse possí el
19
.
Dada es a b e e exposição da li e a u a exis en e ela i amen e ao pe cu so
diac ónico do pa adigma se e dos alo es semân icos a es e associados, se ão
analisados alguns dados que suge em que pode se a ibuído um papel na his ó ia da
e olução dos alo es semân icos des es e bos ao ac o de se se um pa adigma
híb ido.
4.3. Oco ências de se e es a em po uguês medie al
Pa a se p ocede ao le an amen o das oco ências des as o mas em po uguês
medie al, eco eu-se ao Co pus In o ma izado do Po uguês Medie al (CLUNL,
FCSH-UNL) e ao Dicioná io de Ve bos do Po uguês Medie al (CIPM/DVPM).
Como co pus op ou-se po seleciona alguns dos mais an igos ex os poé icos em
po uguês: can igas da adas ou da á eis do século XIII (de aco do com a da ação
cons an e no CIPM) – can igas de escá nio e maldize , de amigo e de amo , e as
Can igas de San a Ma ia, de A onso X (1264-1284), ei de Cas ela e de Leão a pa i de
1252. Ace ca des es ex os Teyssie (1982:21) a i ma o seguin e:
«Es as compilações […] são esc i as numa língua complexa, que em po base os
ala es da Galícia e do No e de Po ugal. Nela se documen am a caísmos no á eis, a
a es a em que, pa a o seu público, es a li e a u a inha passado. Os au o es são an o
galegos como po ugueses. En e eles encon am-se a é leoneses e cas elhanos. O
galego-po uguês, em suma, apa ece nessa época como a língua exclusi a da poesia
lí ica».
Es e co pus oi assim cons i uído com base num c i é io de géne o – a poesia
lí ica – e de da a – o século XIII. O mo i o pelo qual se selecionou es e géne o li e á io
e es e pe íodo p ende-se sob e udo com a me odologia que se ado ou: a análise de
o mas de sede e que ie am a cai em desuso, sendo subs i uídas po o mas de esse.
19
Ma os e Sil a (2002b) analisa os usos de se em es u u as a ibu i as pa a a exp essão do alo de
ansi o iedade numa amos a das ca as de D. João III, meados do séc. XVI, e e i ica que em 82% das
oco ências es e e bo é u ilizado pa a exp essa o alo de pe manência e em 18% dos casos de
ansi o iedade. Conclui, assim, que o aço semân ico de ansi o iedade exp esso pelo e bo se es á
cla amen e a cai em desuso nes a época e que a oposição en e es es e bos já es a a bem de inida,
embo a a a iação ainda osse possí el.
33
A azão pela qual se op a pela análise des as o mas em especí ico é o ac o de,
endo es as o mas coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido com elas pa a
a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma di e ença semân ica
en e es as em e mos de ma cação de um alo de ansi o iedade, po oposição a um de
pe manência, al de e á se pe ce í el em momen os his ó icos em que se inha à
disposição o mas de i adas de ambos os pa adigmas, espe ando-se que cada uma seja
p e e ida pa a a ma cação des es hipo é icos alo es que lhes são a ibuídos. Ou seja,
p e ende-se in es iga qual dos pa adigmas – esse ou sede e – é p e e ido pa a exp essa
ansi o iedade ou pe manência.
Pa a além dis o, analisa-se ainda alguns dos ipos de cons uções em que es as
o mas oco em, azendo-se um pa alelo com as a uais possibilidades de oco ência dos
e bos se e es a , com o obje i o de se a e igua se é possí el associa aos pa adigmas
sede e e esse algumas das a uais es ições ou possibilidades de oco ência des es
e bos. P ocede-se assim não só a uma análise semân ica, mas ambém a uma análise de
con ex os sin á icos, p ocu ando-se es abelece alguns pa alelos no uncionamen o do
a ual e bo es a , com o en ão pa adigma sede e, de modo a a es a a hipó ese de que
o mas de i adas de sede e es a iam mais p óximas de o mas de es a , o que de e á se
isí el não apenas a um ní el semân ico, mas ambém a um ní el uncional.
Es a análise é mo i ada, sob e udo, po um dos p incípios da g ama icalização
mencionados: o p incípio da pe sis ência. Es e p incípio isa elaciona a unções de um
i em g ama ical com a sua his ó ia enquan o mo ema lexical e, segundo Hoppe
(1991:28), embo a es a elação enha equen emen e a o na -se opaca, é expe á el que
no seu pe cu so diac ónico, as o mas passem um es ágio de polissemia, em que aços
dos seus alo es semân icos an e io es pe sis em.
Jus i ica-se, assim, an o a seleção do pe íodo his ó ico como do géne o li e á io:
é nes e pe íodo his ó ico que é possí el a es a um ele ado núme o de o mas de i adas
de sede e que compe iam com o mas de i adas de esse, o que, como e e ido po
Teyssie (1982:21), não é independen e do géne o li e á io, uma ez que es e p omo ia
o uso de uma linguagem a caica.
Assim, nes e pon o, egis am-se as oco ências das o mas de i adas de sede e
de p esen e, p e é i o impe ei o e p e é i o pe ei o do indica i o, que são aquelas que
ie am a se in eg almen e subs i uídas po o mas de esse, e isa-se sis ema iza os
34
alo es semân icos que ma cam, analisa o géne o de cons uções em que oco em –
compa ando com o mas de i adas de esse –, e o géne o de con ex o em que oco em.
4.3.1. As o mas de i adas de sede e
4.3.1.1. P esen e do Indica i o
Em can igas do século XIII, a es ou-se um o al de 57 oco ências de o mas de
p esen e do indica i o de i adas de sede e, ap esen adas em seguida
20
:
(1) Amigas amanha coi a nunca so i pois oi nada, e di ei ola g an coi a con que
eu sejo coi ada [CAmi123]
(2) Nunca ós ejades coi a, amigas, qual m’ oj’ eu ejo, e di ei os a mha coi a con
que eu coi ada sejo [CAmi123]
(3) And’eu mo end’e mo endo sejo [CEM167]
(4) Que emosa que sejo, mo endo con desejo; [CAmi064]
(5) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(6) […] pe o, amiga, pos migo ben aqui, u mh o a sejo, [CAmi463]
(7) Meu amig’, u eu sejo, nunca pe ço desejo se non quando os ejo, [CAmi502]
(8) Quen lh’ o a dissesse quan is ’ oj’ eu sejo [CAmi053]
(9) A mais emosa de quan as ejo en San a en, e que mais desejo, e en que semp e
cuidando sejo, [CAM621]
(10) Oymais a mo e me con en, ca an coy ado sejo [CAM687]
(11) e ós i edes coi ad’ e con g an desejo de me ee e mi ala , e po en sejo semp ’
en coi a an o e [CAmi499]
(12) Que leda que oj’ eu sejo [CAmi080]
(13) Que is ’ oje que eu sejo, [CAmi159]
(14) Coi ada sejo no meu co açon po [que] meu amigo diz ca se que i daqui
[CAmi164]
(15) Pe quan ’eu ejo, pe co-me desejo, hei coi a e pesa ; se and’ou sejo [CEM241]
(16) Se m' a sela non segui en que assen ada sejo [CSM153]
(17) el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’ ago a sej’, amiga [CAmi463]
(18) Sej’ eu mo endo con coi a, amanha coi a me ilha [CAmi123]
(19) Pe bo~a e, mui emosa sanhuda sej’ eu [CAmi052]
(20) Sej’ eu emosa con mui g an pesa e mui coi ada no meu co açon [CAmi316
(21) […] e pois u sees u el seé, oga po nos u mes e o . [CSM080]
(22) Lopo jog a , és ga gan om e sees is ’ao come ; [CEM258]
(23) […] e pois u sees u el seé, oga po nos u mes e o . [CSM080]
20
Todas as e e ências dos exemplos que cons am nes e pon o, 4.3., são do CIMP.
35
(24) […] e oi nos Ceos po el co õada,e a pa dele see oda ia. [CSM150]
(25) Logo o on ajun ados quan os y e an en on, e os pees lle ca a on e í onos de
eyçon que os a e~e de ia, e an ben sãos que non podian mello see-
lo. [CSM391]
(26) e gua da-m' a Vi gen San a, que con Deus see no õo, e me so eu en sas mãos
pola ssa g an ca idade. [CSM175]
(27) E aly ssé oge dia, en que an g an de oçon odos. [CSM342]
(28) Po Reynna od' ome a e ia que a isse a seu Fillo le a daques e mund', e sigo a
sobia ao ceo, u ssé con el a pa e guia-nos com' Es ela do Ma ; [CSM180]
(29) e eu dize -cho que o ca meu Fill', u el ssé, en po ben que cho diga, e di ei-cho,
senne . [CSM296]
(30) aques e San a Ma ia ou ' en si pe bõa e, po que ez dela sa Mad e Deus, e cabo
dele ssé nos çeos, onde sa g aça en ia a nos acá. [CSM418]
(31) eu y ei u é aquel, e es e que ssé aqui ben en e ollado a ei sol a . [CSM135]
(32) Que con es a mia c iada cuidas casa , pe o me pes, que ja ssé eno aamo, oda ben
cobe a d' al es. [CSM125]
(33) Es o mui g an de ei ' é de os nenb a das elicas da Vi gen que con Deus ssé
[CSM035]
(34) De Deus nosso Pad e que en ceo ssé. [CSM265]
(35) Seu engano nada é, pois po nos an e Deus sé a en que icou a e, que nos caudela.
[CSM190]
(36) e de ós, amiga, cada u sé alando [CAmi507]
(37) eu o ssey, mays po Deus, que no ceo sé, que me quey ades mal po em
[CAM277]
(38) Non os é g an ma a illa de lum' ao cego da a que con Deus, que é lume, sé no
ceo pa a pa . [CSM177]
(39) Ca pois ela enos ceos sé con Deus e sa Mad ' é [CSM177]
(40) mais og’ a Deus, que [e]no ceo sé [CAmi454]
(41) A p imei a, que M é, mos a de com' a nossa e, naçend' ela, naçeu e sé y i m' a
queno comedi . [CSM410]
(42) De sabe an sabedo é, que ben du con seu illo sé dali mos a, pe "bõa e, que mui
longe ai seu sabe . [CSM168]
(43) Es a capela no alcaça é da San a Vi gen u icou a e, e den o hu~a ssa igu a sé
ei a como quando pa iu e jaz. [CSM122]
(44) e po en, maca nos ceos ela con seu Fillo sé [CSM242]
(45) No eino de Mu ça un loga é mui o e e mui nob e e que sé sobelo ma [CSM339]
42
o mas de i adas de esse es a ia associado um alo de pe manência, enquan o a o mas
de i adas de sede e es a ia associado um alo de ansi o iedade. Po ém, é de no a que
é ambém possí el a es a oco ências de es a nes e con ex o, como em (6).
4.3.1.3. P e é i o Pe ei o do Indica i o
De o mas de p e é i o pe ei o do indica i o de i adas de sede e a es a-se
apenas 14 oco ências, sendo que não se encon ou nenhuma oco ência des as o mas
em can igas de amo .
(1) Nem is es nunca nulh’home come com’eu comi, nem is es al jan a , nem is es
mais iços’home see do que eu se i, em nem um loga , ca a mim nom mingua a
nulha em; [CEM084]
(2) E mui ’en adado de seu pa la se i g am peça, se mi alha Deus, e osquia am
es es olhos meus. [CEM244]
(3) Pa a men es en quan ' ago a aqui is e ou osi [e] ena choça, ali u migo se is e
[CSM075]
(4) E que os e dade diga, el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’ ago a
sej’, amiga, que logo m’ en ia ia manda[d’ ou s’ a o na ia] [CAmi463]
(5) U nou o dia se e Dom Foam a mi começou g am noj’a c ece de mui as cousas
que lh’oí dize . [CEM422]
(6) El se e mui ’e diss’e pa iou e a mim c eceu g am nojo po en [CEM422]
(7) E daques a guisa se e mui os dias que dei a-la pe nulla en non podia nen ou ossi
aspassa-la [CSM199]
(8) E od' aques o oi ei o dia de Pascua a luz pe ela e pe seu Fillo, aquel que se e na
c uz que agia nos seus b aços [CSM235]
(9) Non con en que seja ei a nihu~a desapos u aeno loga en que se e da Vi gen a ssa
egu a. [CSM312]
(10) En on aquel bõo ome se e g an peça cuidando de como iu es e ei o, e mui o
men es pa ando [CSM335]
(11) Pois que a o açon ei a ou e, an os e ll'a a on as mãos a as e logo agynna o
en o ca on (…). E asi se ' aquel dia o mançebo pendo ado. [CSM355]
(12) Con a non pode ia do doo que eze on a sog ' e a menynna e quan os y se e on
[CSM241]
(13) assen a on-ss' a jan a ; odos a hu~a oguey a se e on a de edo . [CSM245]
43
À semelhança dos casos an e io es, es as o mas oco em em con ex os loca i os
e desc i i os e, ambém, em cons uções com ge úndio – duas oco ências em (4) e uma
em (10) – e, ainda, em con ex o de sede e + adje i o/pa icípio passado – (2) e (11).
Das 14 oco ências, 7 são em con ex o loca i o e 7 em con ex o desc i i o.
No amen e se e i ica que nas Can igas de San a Ma ia há uma maio oco ência des as
em con ex o loca i o (5, con a 2 em desc i i o), sendo que nas es an es can igas
cons am 5 em con ex o desc i i o e 2 em con ex o loca i o.
Em elação às o mas de i adas de esse, o mesmo se con i ma que nos casos
an e io es. Nos exemplos (16), (17) e (18), as o mas de i adas de esse oco em com o
sen ido de ‘es a ’, em con ex o loca i o em (16) e (17) e em con ex o desc i i o em
(18). Já nos exemplos (14) e (15) ma cam o alo de pe manência/ine ência:
(14) Eles nunca, pois nace om, o om pegu ei os; [CEM105]
(15) Bem sabedes, senho Rei, des que ui osso assalo, que semp e os agua dei
[CEM127]
(16) Depois, un dia de es a, en que o on jun ados mui os judeus e c ischãos e que
joga an dados [CSM006]
(17) Daques o o on [mui] ma a illados quan os das e as y o on jun ados [CSM039]
(18) que os aça an ledo see migo quan leda ui oj’ eu, quando os i [CAmi289]
Pos o is o, con i ma-se que, à exceção de um caso, odas as o mas de i adas de
sede e que compe iam com o mas de i adas de esse e am selecionadas apenas pa a a
ma cação do alo de ansi o iedade, apa en ando, assim, se o caso que es as o mas
e am p e e idas pa a a ma cação des e alo , enquan o as de esse e am p e e idas pa a a
ma cação do alo de pe manência. Es e dado pa ece supo a a hipó ese segundo a qual
os alo es e imológicos des es e bos e iam desempenhado um papel ele an e na
e olução semân ica dos alo es des es e bos – se e es a –, o necendo ambém uma
possí el hipó ese explica i a pa a o ac o de, em po uguês medie al, es es e em
compe ido pa a a ma cação do alo de ansi o iedade.
4.3.1.4. Ou as oco ências
Nes es conjun os de can igas a es am-se, ainda, 7 oco ências de o mas
de i adas de sede e de empos e bais cujas o mas u ilizadas e am, sob e udo, as
de i adas de esse, nomeadamen e, de p e é i o mais-que-pe ei o do indica i o, de
impe ei o do conjun i o e de u u o do conjun i o.
44
A en ando, em p imei o luga , na única o ma de p e é i o mais-que-pe ei o
de i ada de sede e egis ada no DVPM, e i ica-se que oco e, p e isi elmen e, com o
sen ido de ‘es a ’, em con ex o de sede e + ge úndio:
(1) De g and 'e o que á ei o. E mui de ijo cho ando des i sacou seu cui elo e
es e ' assi allando sa lingua, con que a Vi gen se e a mal de~os ando.
[CSM174]
Uma possí el explicação pa a es a oco ência pode á se de ca iz es ilís ico:
e i a a epe ição do e bo es a . Po ou o lado, a o ma egula o a (que oco e
equen emen e nes as can igas) se ia, nes e con ex o, in e p e ada como uma o ma de
i
24
, que nes e géne o de cons uções já ha ia g ama icalizado pa a a ma cação de
alo es aspe uais especí icos. Se es a explicação o plausí el, no amen e se e i ica
uma p oximidade en e os e bos se (<sede e) e es a , que oco em nes e con ex o não
só como sinónimos, mas ambém na mesma cons ução: es a /sede e + ge úndio.
A es am-se, ambém, duas oco ências de impe ei o do conjun i o, que oco em
com o sen ido de ‘es a ’, em con ex o loca i o:
(2) E se osco na casa se esse e isse ós e a ossa colo , se eu o mundo em pode
e esse, nom os a ia de odos senho , nem d’ou a cousa onde sabo
hou esse. E d’u~a em seede sabedo : que nunca oi ilha d’empe ado que de
beldade peo es e esse. [CEM364]
(3) Que, se ll' o ca alo désse / i o, po en[de] posesse / un de ce a que se esse /
an ' ela que odos ee. [CSM375]
No caso (2), a mo i ação pa ece se semelhan e à an e io : po um lado, man e a
ima em -esse, po ou o, e i a a epe ição com o e bo es a , que oco e no úl imo
e so. Em (3), já não se e i ica necessidade de e i a a epe ição com es a , po ém,
ambém é de no a que se a es a apenas uma única oco ência de o mas de impe ei o
do conjun i o de es a nas Can igas de San a Ma ia e em con ex o semelhan e
25
.
Po im, a es am-se qua o oco ências de u u o do conjun i o, 3 em con ex o
loca i o e 1 em desc i i o:
24
Como se á is o no pon o seguin e, pa ece se o caso que o mas de i adas de esse não oco em es e
géne o de cons uções.
25
«E po aques o sas ca as lles manda a que e~essen / ali sal os e segu os con quan o age quisessen,
/ e que non ou essen medo, enquan ' ali es e essen, / de pe de en do seu nada nen p ende en dessabo es /
A que de ende do demo as almas dos pecado es...» [CSM379]
45
(4) Pois minha senho me manda / que non aa, u ela see ', / que o-lh' o eu po én
aze , / pois m' o ela assi demanda. [CAM633]
(5) Ca u noi ' e dia senp ' es ás ogando eu Fill', ai Ma ia, po nos que, andando
aqui pecando e mal ob and'-o que u mui ' a o eces- non que a, quando
se e julgando, ca a nossas sandeces. [CSM020]
(6) e pois m'es e ben ezis e, quando me o mes e , u eu Fillo se e julgando,
quei as po mi azõa . [CSM362]
(7) E disse a un seu ome: "Vai- e, senne , / ben aly u o Empe ado se e ; / aques as
ca as dei a ás como que / long' hu~a d'ou a, ca ajun adas non." / Semp ' a
Vi gen san a dá bon guala don ... [CSM265]
Rela i amen e aos casos (5) e (6), a mo i ação pa ece, no amen e, se
semelhan e à do caso (1): o mas de i adas de esse não oco em nes e géne o de
cons uções e, nes e caso, se iam in e p e adas como o mas de i . Já (4) e (7) pa ecem
se mo i adas po ques ões de ima. No en an o, nes es casos, ica po de e mina po
que azão não oi u ilizado an es o e bo es a , uma ez que, se bem que pouco
equen emen e, e am ambém usadas o mas de es a nes es empos e bais.
4.3.2. Sede e + ge úndio
Cons a a-se que já no século XIII é possí el encon a a cons ução es a +
ge úndio, que, de aco do com Lopes e B oca do (2016:475), oi uma cons ução que
g ama icalizou cedo na língua po uguesa, a pa da pe í ase i + ge úndio:
(1) Di-me que azes, meu illo, ou que es ás a endendo, que non e~es a a mad e,
que ja sa mo ' en ende. [CSM006]
(2) Ca u noi ' e dia senp ' es ás ogando eu Fill' [CSM020]
(3) E quan as donas eu i, des quando me oi d' aqui, punhei de as cousi , e poilas
i, es i e cuidando en ós, senho [CAM245]
(4) Vi co ei es de g am b io en’o meio do es io es a emendo sem io
[CEM050]
Como já a i mado, nes e pe ído, é ambém possí el encon a es e géne o de
cons uções com o e bo se (< sede e). Em po uguês con empo âneo, es a cons ução
é impossí el, admi indo-se apenas o e bo es a : «Os dois e bos [se e es a ] oco em
no mesmo ipo de cons uções sin á icas, exce uando-se as chamadas pe í ases de
p og essi o, em que apenas se admi e es a (c . O João es á / *é a abalha /
abalhando).» (B oca do, 2014:97).
46
Não obs an e, segundo Lopes & B oca do (2016:475)
26
e Ma os e Sil a
(2008:441-444), em cons uções do géne o see + ge úndio, o e bo sede e, à
semelhança de jaze , oco e ainda com sen ido e imológico:
«O exame dessas sequências nos Diálogos de São G egó io nos suge iu que
jaze e see , nas sequências com ge úndio, semp e man inha o signi icado e imológico.
Já anda e es a podem oco e , cla amen e, sem acepção e imológica. […] O e bo i ,
po sua ez, já exp essa o aspec o du a i o dinâmico, na maio ia das oco ências, sem
indicação do seu alo semân ico p óp io» (Ma os e Sil a, 2008:442).
O mesmo não se e i ica nas oco ências a es adas nes as canções, dos empos
e bais mencionados: das 18 oco ências, apenas 9 apa en am pe mi i a lei u a de ‘es a
sen ado’, oco endo as es an es 9 com o sen ido gené ico de ‘es a ’. De no a , ainda,
que enquan o nenhuma das oco ências de p esen e do indica i o – (3), (5), (9), (18) e
(36) – pe mi e es a lei u a, odas as oco ências de p e é i o impe ei o – (2), (3), (4),
(6), (11), (28) e (33) – pe mi em
27
.
No e-se, assim, que, apesa de es es dados suge i em que es e e bo es á a passa
po um p ocesso de g ama icalização nes as cons uções, o e bo sede e, sob e udo no
p e é i o impe ei o, ap esen a uma endência pa a conse a o sen ido e imológico
conside a elmen e supe io ao que se e i ica nos es an es con ex os. Já o e bo jaze ,
apesa de não sido aqui e e uada uma análise exaus i a, apa en a conse a o seu
sen ido e imológico nes as cons uções. Po ém, como B oca do (2014:102) no a, as
o mas de jaze passa am em po uguês an igo po um p ocesso de desseman ização
idên ico ao que oco eu com se (<sede e) e es a , podendo oco e com o sen ido mais
gené ico de ‘es a ’ ou ‘ ica ’. Ve i ique-se, ainda, que es es e bos oco em
equen emen e em con ex os, e a é a pa de, ou os e bos que ie am a g ama icaliza ,
26
«In pas s ages some occu ences o o ms om sede e s ill show he p ese a ion o hei e ymological
“pos u al” alue, while he lexical alue o es a “s and” seems o ha e bleached ea lie . Excep o ,
pe haps, a ew esidual cases […] pe iph ases wi h es a +ge show ull g amma icaliza ion […]. This is
ne e he case wi h se : when i occu s in cons uc ions wi h ge und, i has a lexical “pos u al” alue […]
and we ound no e idence o a g amma icaliza ion p ocess a ec ing he cons uc ion o he exp ession
o he p og essi e aspec ». (Lopes & B oca do, 2016:475)
27
Repa e-se ambém que, nas can igas de escá nio e maldize , de amo e de amigo, no p esen e do
indica i o es as o mas oco em p edominan emen e em con ex o desc i i o (24 con a 5 em con ex o
loca i o), já as o mas de p e é i o impe ei o oco em exclusi amen e em con ex o loca i o. Pa ece,
assim, exis i uma di e ença de alo es associada aos di e en es empos e bais.
47
como i e es a , ou que es ão a passa pelo p ocesso de g ama icalização, como anda
28
.
No e-se, po exemplo, que odos es es e bos oco em a pa de “cuida ”:
(1) Tod' aques o oi cuidando men e siia comendo [CSM045]
(2) E es a coi a, de que eu jaço cuidando semp e, des que me dei o, pois me le o,
sol non é en p ei o, que cuid' en al; [CAM183]
(3) Ve[e]des m’anda mo endo, e ós jazedes odendo ossa molhe !
[CEM166]
(4) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(5) Amigo, p egun a os ei en que andades cuidando, pois que andades
cho ando [CAmi160]
Como a i mado, em 50% das oco ências a es adas, o e bo sede e apa en a
conse a ainda o sen ido pos u al de ‘es a sen ado’ – exempli icado em (1), (6) e (7).
Nou os casos, apenas uma lei u a de ‘es a ’ pa ece se possí el, sob e udo quando es e
e bo oco e no mesmo géne o de con ex os em que aqueles e bos que ie am a
g ama icaliza , ge ando pe í ases aspe uais, ambém oco em equen emen e – (8) e
(9):
(6) Ond' a e~o que un dia ambos jan ando siiam e que odo-los se gen es, o as
aquele, se ian [CSM067]
(7) U seyam comendo cabo daquela on e, [CSM057]
(8) And’eu mo end’e mo endo sejo, e el em semp ’o cono sobejo, e laze o-
m’eu mal. [CEM167]
(9) A mais emosa de quan as ejo en San a en, e que mais desejo, e en que
semp e cuidando sejo, non ch' a di ei, mais di ei-ch', amigo: ay Sen i igo! ay
Sen i igo! al é Al anx' e al Sese igo! [CAM621]
Re omando a análise de Ma os e Sil a (2008:441-444), a au o a a i ma o
seguin e: «Os dados obse ados pe mi em admi i que a locução e bal com ge úndio se
deixa e com cla eza com i , anda , es a , nessa o dem, mas di icilmen e com see e
jaze , que compo am signi icado e imológico. Con on ados com o po uguês
con empo âneo, emos que se e jaze desapa ece am nes e con ex o e os ou os
pe manecem com uma o ma de exp essa , associados ao ge úndio, o aspec o du a i o,
28
C . B oca do e Co eia (2012:126): as au o as no am que o p ocesso de g ama icalização nes as
es u u as começou mais a de ela i amen e ao que sucedeu com os e bos es a e i , uma ez que, nes e
pe íodo, es as cons uções pe mi em ainda uma lei u a li e al de mo imen o, ou são de in e p e ação
ambígua, o que é indica i o de que o p ocesso de g ama izalização ainda es a a em cu so nes e pe íodo.
48
já po an o g ama icalizados esses e bos como auxilia es.» (Ma os e Sil a, 2008:441-
444)
A au o a no a que, a es e p ocesso de g ama icalização, es ão associados
p ocessos como o de desseman ização dos alo es lexicais ine en es a es es e bos e a
con iguidade dos cons i uin es em oco, obse ando que, nos casos em que os e bos
não ap esen am con iguidade ao ge úndio, mais acilmen e podem e uma lei u a
e imológica. Também sede e apa en a es a em a iação nes e aspe o:
(5) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(6) e de ós, amiga, cada u sé alando [CAmi507]
(7) Sedia la emosa seu si go o cendo [CAmi095]
(8) E que os e dade diga, el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’
ago a sej’, amiga, que logo m’ en ia ia manda[d’ ou s’ a o na ia] [CAmi463]
Conside ando que nes e pe íodo o e bo sede e já ha ia desseman izado
comple amen e e que o seu uso com sen ido e imológico e a pouco equen e – como se
e i icou no pon o an e io –, é suges i o, que nes e géne o de cons uções, es as o mas
ap esen em alguma esis ência ao p ocesso de g ama icalização, man endo
equen emen e o seu sen ido e imológico
29
.
Pa ece, assim, se o caso que es e p ocesso es á a a ua em dois sen idos
di e sos: po um lado, es es dados suge em que es e e bo es á a passa po um
p ocesso de g ama icalização, o que, de aco do com es e quad o de es udos, é uma ideia
plausí el, uma ez que es e e bo não só oco ia em con ex os em que já ou os e bos
inham g ama icalizado ou es a am em p ocesso de g ama icalização, o nando-se
e bos auxilia es; como es á ipologicamen e p óximo desses: es a (<s a e – ‘es a em
pé’); jaze (<jace e – ‘es a dei ado’); anda (<ambula e – ‘anda ’) e i (pa adigma
suple i o que in eg a o mas de i e, ade e e esse).
Po ou o, an o o e bo se (<sede e), como jaze ap esen am uma endência
pa a conse a o sen ido e imológico nes e géne o cons uções. Possi elmen e, al
pode á de e -se ao ac o de es as o mas es a em a compe i di e amen e em e mos
semân icos com uma cons ução já g ama icalizada: es a + ge úndio. No e-se que,
pe dendo o alo pos u al o iginal, odos es es e bos passam a exp imi ,
gene icamen e, ‘es a ’: s a e, ‘es a em pé’; sede e, ‘es a sen ado’; e iace e, ‘es a
29
Fica po in es iga se exis e alguma elação en e os empos e bais e o sen ido com que es as o mas
oco em ou se al se á um aspe o de me o acaso.
49
dei ado’. O mesmo já não sucede com os es an es e bos auxilia es – anda , i e,
ambém, pos e io men e, i –, que nes as cons uções ap esen am (ou i iam a
ap esen a ) di e en es ma izes aspe uais
30
.
In es igou-se, ainda, se o mas de i adas de esse podem oco e nes e géne o de
cons uções e e i icou-se que, numa amos a de 200 can igas – de CEM001 a CEM100
e de CSM001 a CSM100 –, não oi possí el encon a uma única cons ução des e
géne o com uma o ma de se de i ada de esse. Pa ece, assim, se o caso que as o mas
de i adas de esse es ão p oibidas nes e ipo de cons uções (algo que só uma análise
exaus i a pode ia con i ma ). Tendo em con a que es e é o único con ex o sin á ico, em
po uguês con empo âneo ,em que o mas de se não são admi idas, po compa ação a
o mas de es a , es e dado pe mi e, no amen e, consolida a hipó ese de que, de ac o,
o mas de i adas de sede e es a iam mais p óximas do e bo es a , podendo, des e
modo, e sido esponsá eis pela sob eposição do pa adigma se ao pa adigma es a em
po uguês an igo.
Assim, a análise des as o mas nes a cons ução pe mi e e idencia não só uma
p oximidade en e o mas de i adas de sede e e o mas de es a , como ambém a sua
compe ição, o que pode á e de e minado e en ualmen e que o mas de i adas de
sede e caíssem em desuso nos casos em que exis iam o mas de i adas de ambos os
pa adigmas (sede e e esse), e uma pos e io consolidação da oposição se /es a em
e mos dos alo es ma cados. Nes e sen ido, um dado suges i o a apon a é o ac o de
que o pe íodo em que a usão de esse e sede e se ixa, dando assim o igem ao
pa adigma de se como hoje o conhecemos, coincide com o pe íodo em que a oposição
en e os alo es semân icos de se e es a se consolida: a segunda me ade do século
XVI
31
. Nes e pe íodo, apesa de ainda se possí el encon a casos em que se é
u ilizado pa a ma ca um alo de ansi o iedade, es es são pouco equen es e pa ecem
se comumen e conside ados a caísmos.
30
« […] nos alo es ma cados pelas duas cons uções i / anda + ge úndio, há in e seção apenas em
e mos da i e ação ma cada. Os alo es especí icos deno ados com i pa ecem con i ma a ideia de que há
uma pe sis ência, na cons ução em es udo, do seu signi icado lexical in ínseco, con as ando em e mos
de ‘deslocação o ien ada’, po oposição a anda , deno ado de ‘deslocação não o ien ada’. Quan o a i +
ge úndio, é mui o menos signi ica i o o núme o de a es ações assinaladas.» (B oca do & Co eia,
2012:121-136).
31
Repe e-se aqui a a i mação de Teyssie (1982:68): «A conjugação de se , que esul a da usão em um
pa adigma único dos pa adigmas de dois e bos, um dos quais ep esen a o la im sum e o ou o sedeo,
es á p a icamen e ixada na segunda me ade do século XVI»
«A mudança que le ou à oposição semân ica se /es a em es u u as a ibu i as es a a concluída no
século XVI.» Ma os & Sil a (1992:89)
50
4.3.3. Sede e + pa icípio passado / adje i o
A ques ão da ca ego ização dos pa icípios passados em sido bas an e deba ida,
de ido ao ac o de es es pode em unciona como adje i os. B i o (2003:374-375), po
exemplo, é uma das au o as que apon a pa a á ios aspe os em que os pa icípios
pa ilham p op iedades com adje i os: su gem em posição p edica i a ou a ibu i a,
podem se modi icados po exp essões de g au, ap esen am ma cas de géne o e núme o,
podem se subs i uídos pelo clí ico demons a i o -o em ases p edica i as, admi em
diminu i os, e c.
Po es e mo i o, es es êm sido di ididos en e pa icípios e bais e pa icípios
adje i ais, caso em que o pa icípio passado unciona como um adje i o. Dua e
(2013:443), po exemplo, a i ma que nas cons uções passi as com es a é ob iga ó ia a
eca ego ização do pa icípio como adje i o. Po sua ez, as passi as êm sido
dis inguidas en e passi as e bais (que se cons oem com se ) e passi as adje i ais (em
que con igu am as passi as com es a ).
Raposo (2013:1309-1310) é ambém um dos au o es que classi ica es e géne o
de cons uções em que os pa icípios se associam ao e bo es a como cons uções em
que os pa icípios são u ilizados adje i almen e. Como e e ido no pon o 2.2., no a que
só pa icípios de e bos que deno am si uações élicas podem oco e com o e bo
es a . Assim, es as es u u as deno am o es ado esul a i o ou consequen e, ou seja, o
no o es ado da en idade que so e a mudança.
Po ém, ou os au o es como Dua e e Oli ei a (2010) suge em uma ipologia
ipa ida dos pa icípios com base em Embick (2004): pa icípios e en i os, que
oco em com se nas passi as e bais; pa icípios esul a i os, que oco em com ica ; e
pa icípios es a i os, que oco em com es a . Enquan o os pa icípios e en i os se
dis inguem dos esul a i os e es a i os po con e em uma componen e agen i a, os
pa icípios es a i os dis inguem-se dos e en i os e esul a i os pela ausência de uma
componen e e en i a elacionada com a mudança de es ado.
Assim, segundo es es au o es, associada às passi as e bais com se emos a
agen i idade e, po an o, a possibilidade de ealização do agen e da passi a, compa e-
se:
(1) a. A janela é abe a pelo segu ança.
b. A janela es á abe a *(pelo segu ança).
51
Associadas às passi as com es a emos a elecidade e, em pa icula , um oco
no p ocesso já culminado, ou seja, no es ado esul a i o ou consequen e. Como
consequência, es á ausen e a componen e e en i a elacionada com a mudança de
es ado. Compa ando (1a) com (1b) é possí el no a que enquan o (1b) é uma si uação
homogénea que exclui o pon o de culminação do e en o, (1a) é uma si uação não
homogénea que, nas pala as de Dua e (2013:440), desc e e especi icamen e a ase
dessa si uação em que oco e o p ocesso de mudança.
Em po uguês medie al, é possí el a es a a cooco ência do e bo es a e do
e bo se , an o de o mas de i adas de esse como de sede e, com pa icípio passado.
A en ando em p imei o luga nas oco ências de se , Ma os e Sil a (2002b:106), ao
elenca os á ios usos de se e es a em po uguês medie al, no a que se pode
cooco e com pa icípio passado como o mado de empo compos o de e bos
in ansi i os e e ga i os (em a iação com e e ha e ) ou como auxilia da passi a.
A en e-se nos seguin es exemplos:
(2) ca mi azedes ós em guisa al bem, mia senho , que depois é meu mal; e de al
bem nom sõõ eu pagado. [CEM368]
(3) mais o que p imei o disse oi: "San a Ma ia, al, ca po i sõo gua ido, ai,
Senno espe i al" [CSM324]
(4) D’u~a cousa sõõ ma a ilhado que nunca i a ou e con ece : de Ped o Bõõ,
que e a a içado e bem manceb’assaz pe a i e [CEM327]
(5) En on, quando odos i on que assi o an achados aqueles can os so e a,
g andes e mui ben quad ados [CSM358]
(6) Os ades, que cuida an que mo ' e a, po que un dia sen ala jou e a
[CSM054]
Pa a além dos usos elencados po Ma os e Sil a – auxilia da passi a em (3) e
(5) e auxilia de empo compos o em (6) –, o e bo se (<esse) oco e ainda com o
sen ido de ‘es a ’ em con ex os equi alen es aos das passi as adje i ais em (2) e (4).
Segundo a mesma au o a (2002b:106), o e bo es a pode oco e como auxilia
aspec ual, seguido de pa icípio passado, exp essando aspe o concluído. Nas pala as de
Raposo (2013:1309), es a a i mação pode se pa a aseada como: desc e endo um
es ado esul an e ou consequen e. Obse em-se os seguin es exemplos:
(7) ca se ou i e le ’o meu ogado, semp e me diz que es á emba gado de al
guisa que me nom pod’oi . [CEM432]
58
de algum ipo de elação en e as o mas con aminadas e as o mas que de e mina am
con aminação. Ou seja, a al e ação o mal e i icada pe mi e assinala uma mo i ação
semân ica plausi elmen e de e minada pela p oximidade ou sob eposição pa cial dos
alo es ma cados pelas o mas dos dois pa adigmas, see (<sede e) e es a .»
Assim, Williams ([1939]1975:227-228) apon a pa a di e sos p ocessos de
analogia que oco e am en e es es dois pa adigmas. Em p imei o luga , a en ando no
pa adigma es a , o au o no a que o desen ol imen o des e oi in luenciado em g ande
medida pelas o mas de se : ela i amen e ao p esen e do indica i o, hou e o mas
diale ais s om, s emos e es omos, que se desen ol e am po in luência das o mas som,
semos e somos; ambém odo o pa adigma de p esen e do conjun i o se desen ol eu po
analogia com o p esen e do conjun i o de se – as o mas de i adas de s a e es e, es es,
e c. pe du a am a é ao séc. XVI, endo sido subs i uídas po es eja, es ejas, e c. po
analogia com seja, sejas, e c.; ambém no p e é i o pe ei o do indica i o, o mas com d
des e empo e dos empos de i ados, como s ede, o am subs i uídas po o mas com ,
es e e, po analogia com se i, se es e, se e.
Rela i amen e ao pa adigma se , Williams ([1939]1975:241-243) apon a pa a
duas o mas que su gi am possi elmen e po in luência do pa adigma es a : no p esen e
do indica i o, som oi subs i uído po sou po analogia com ou e es ou
32
e a o ma
diale al samos po analogia com es amos.
Re omando a ideia de que de e á e exis ido uma mo i ação semân ica
elacionada com a p oximidade en e os pa adigmas se e es a ou, mais
especi icamen e, de o mas de sede e e es a es e é ou o aspe o que pe mi e con ibui
pa a a consolidação da hipó ese aqui ap esen ada.
32
Também Nunes ([1919] 1956) a i ma «a p imei a pessoa, depois de e conse ado du an e bas an e
empo a o ma egula som, ocou-a pela ac ual sou, esul an e da in luência sob e aquela de igual pessoa
de ou o e bo, ambém de sen ido idên ico, es a ».
59
CONCLUSÃO
Em o ma de conclusão, p incipia-se po conside a -se uma a i mação de Ma os
e Sil a (1992:88): «Essa dis inção semân ica […] de pe manen e e sus ansi ó io
não es a a es abelecida no pe íodo a caico do po uguês. Um lei o de hoje, e pouco
igo oso, de ex os a caicos pode á supo que o e bo se cob ia o campo de es a nas
es u u as a ibu i as; ou o, mais igo oso, pode á supo que os dois e bos a ia am (e
não es a ia e ado) nessas es u u as, mas ambos pe cebe iam que a oposição acima
desc i a não exis a.»
Como is o, os e bos se e es a , de ac o, a ia am nes e géne o de es u u as,
no en an o, apenas no que espei a à ma cação do alo de ansi o iedade. Po es e
mo i o, e o mula-se a a i mação da au o a de que a oposição pe manen e/ ansi ó io
(ou, melho , a sua ma cação a a és da dis inção se /es a ) não exis ia ainda em
po uguês medie al, ao in és, julga-se mais igo oso a i ma que não es a a ainda
consolidada.
Conside ando a p óp ia hipó ese explica i a que é o necida po es a au o a, que
é aquela que oi aqui desen ol ida nes a disse ação, uma das condições necessá ias
pa a que a oposição se /es a se enha indo a consolida como a ualmen e a
conhecemos é que ela exis isse desde logo associada aos e bos lexicais que ie am a
da o igem a es es pa adigmas: o alo de pe manência associado a esse e o alo de
ansi o iedade a s a e.
Como oi is o, possi elmen e desde a p óp ia eme gência da língua que o e bo
s a e possui já o sen ido gené ico de ‘es a ’, ou seja, que es á em p ocesso de
desseman ização e, como a sua e olução demons a, em cu so de g ama icalização.
Desde modo, desde a sua o igem que lhe es á associado o aço de ansi o iedade.
Nes e sen ido, é e iden e que o e bo es a nunca e a selecionado pa a a ma cação de
p op iedades pe manen es.
P ocu ou-se en ão desen ol e a hipó ese de que oi o papel que o e bo sede e
desempenhou na o mação do pa adigma se que oi esponsá el pela a iação en e os
pa adigmas es a e se pa a a ma cação do mesmo alo : po um lado, esse, que não
possuía conjugação comple a, omou as o mas de sede e, possi elmen e, em i ude da
sinonímia da sua signi icação (Nunes, [1919] 1956:294) – o que é e iden e pelo ac o de
ou as línguas não aze em es a dis inção; po ou o, exis e um con as e semân ico
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associado aos e bos esse e s a e, sendo que desde cedo que o e bo es a apa en a já
es a em cu so de g ama icalização (B oca do, 2011:8) (ce amen e num p ocesso
c onologicamen e an e io ao e bo sede e (Lopes e B oca do, 2016:475)).
Dando con inuidade ao es udo des a hipó ese, uma ques ão pe inen e a
conside a se ia: se é o caso que de ac o as o mas de i adas de sede e ma ca am um
alo que pode se ca ac e izado como mais ansi ó io, enquan o as de esse ma ca iam
o de ine ência ou pe manência, po que azão e am, ainda assim, selecionadas nes es
casos o mas de esse pa a a ma cação do alo de ansi o iedade, quando se possuía
como al e na i a não só o mas de i adas de sede e, mas ambém o p óp io e bo
es a ? Julga-se que dois a o es pode ão e con ibuído pa a es e ac o: a p oximidade
semân ica en e se e es a , po um lado, e uma possí el con aminação dos alo es
associados às o mas de sede e às o mas de esse, po ou o, já que es as cons i uíam um
único pa adigma.
Des e modo, conclui-se que pa ece exis i e idência que apon a pa a o ac o de o
hib idismo de se e desempenhado um papel ele an e na elação semân ica
es abelecida en e es es e bos, em pa icula , na sob eposição do pa adigma se ao de
es a , na medida em que em alguns aspe os é possí el es abelece uma p oximidade em
e mos semân icos e de compo amen o en e os e bos sede e e s a e,
No en an o, alguns dos aspe os que o am aqui a ados me eciam um maio
ap o undamen o com base numa análise mais sis emá ica de um maio núme o de
dados. Pa a além dis o, pa a le a a cabo a a e a de in es iga que p ocessos de
mudança linguís ica (nes e caso, no quad o da á ea de es udos da g ama icalização)
in e ie am na e olução des es pa adigmas e de que modo é que esses p ocessos se
elacionam com o suple i ismo de se , se ia necessá io conside a dados de di e en es
momen os his ó icos.
Assim, uma in es igação que explo e ou os ní eis de análise e ou os a o es
que possam e conco ido pa a os p ocessos de mudança (semân ica e não só) a es ados
no pe cu so e olu i o des es e bos, cob indo um maio núme o de dados e um maio
espaço de empo, pa ece se indispensá el pa a uma melho comp eensão da his ó ia
des es pa adigmas e pa a da espos a às ques ões que icam po esponde e aos aspe os
que icam po ap o unda .
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