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O hibridismo de "ser" e a oposição semântica entre "ser" e "estar" em português medieval

Abstract

Este trabalho tem como principal objetivo relacionar o hibridismo de ser com a sobreposição parcial dos valores semânticos associados aos verbos ser e estar atestada em estádios anteriores da língua portuguesa. Constatando-se que, em português medieval, o verbo ser era também utilizado em contextos em que no português atual apenas se admite estar, explora-se a hipótese de que, no seio do paradigma ser, formas derivadas de sedere (‘estar sentado’) seriam perspetivadas como estando mais associadas a propriedades transitórias – partilhando, portanto, características com o verbo estar –, por oposição a formas derivadas de esse (‘ser’), que seriam perspetivadas como estando genericamente mais associadas a propriedades permanentes, devido a alguma persistência dos valores semânticos associados aos verbos latinos de que derivam. Esta hipótese enquadra-se, assim, na área de estudos da gramaticalização, uma vez que se baseia no princípio da persistência de Hopper (1991). O quadro de estudos da gramaticalização poderá fornecer, deste modo, um suporte teórico adequado para tratar alguns aspetos da evolução destes dois paradigmas, em primeiro lugar, ao dar conta da sobreposição atestada entre estes verbos em português medieval e, ainda, ao conceber a oposição existente no português europeu contemporâneo como resultado de um processo de competição de formas/construções para a marcação dos mesmos valores. Seria, assim, possível estabelecer uma relação entre os sentidos etimológicos destes verbos, a competição entre estes para a marcação dos mesmos valores e, posteriormente, a consolidação da oposição como hoje a conhecemos. Para este fim, avalia-se se existem dados do português medieval que permitam estabelecer a existência de uma oposição de valores dentro do próprio paradigma ser, optando-se por analisar, em específico, formas de sedere que competiam com formas de esse para a constituição do paradigma ser. A razão pela qual se opta pela análise destas formas é o facto de, tendo estas coexistido com formas derivadas de esse e competido com elas para a formação do paradigma ser, se for o caso que de facto existe uma diferença semântica entre estas em termos de marcação de um valor perspetivado como transitório por oposição a um perspetivado como permanente, tal deverá ser percetível nos casos em que se tem à disposição formas derivadas de ambos os paradigmas, esperando-se que cada um seja preferido para a marcação destes hipotéticos valores que lhes são atribuídos. Este trabalho encontra-se, assim, estruturado em quatro pontos: no primeiro, introdutório, apresenta-se brevemente a questão de investigação, objetivos, enquadramento teórico e metodologia; no segundo, visa-se a descrição da distinção ser/estar em português contemporâneo, aferindo descrições propostas por vários autores; no terceiro, procede-se a uma breve apresentação dos princípios e pressupostos do quadro de estudos da gramaticalização; no último, descreve-se em que medida o paradigma ser é um paradigma híbrido, procede-se a uma revisão da literatura existente relativa à semântica destes verbos em português medieval, apresenta-se o corpus constituído, procedendo-se a uma análise deste, e, por último, apontam-se alguns dos mecanismos ou processos associados ao quadro de estudos da gramaticalização que podem ser atestados no percurso evolutivo destes verbos, ou explicativos deste.

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O hibridismo de "ser" e a oposição semântica entre "ser" e "estar" em português medieval

Author: Paulo, Maria Ribeiro
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/31565/1/O%20hibridismo%20de%20ser%20e%20a%20oposi%c3%a7%c3%a3o%20sem%c3%a2ntica%20entre%20ser%20e%20estar%20em%20portugu%c3%aas%20medieval.pdf
O hib idismo de se e a oposição semân ica en e se e es a em
po uguês medie al
Ma ia Ribei o Paulo
Disse ação de Mes ado em Ciências da Linguagem
no emb o, 2017
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do
g au de Mes e em Ciências da Linguagem, ealizada sob a o ien ação cien í ica da
P o esso a Dou o a Ma ia Te esa B oca do
i
AGRADECIMENTOS
Ag adeço, sob e udo, à p o esso a Ma ia Te esa B oca do. Em p imei o luga ,
ag adeço que enha acei e o ien a es e p oje o. Ag adeço, ainda, oda a sua
disponibilidade, paciência e ole ância pa a com os meus a asos, a sua p eocupação em
apon a pa a as lacunas e alhas des e p oje o, e a sua disponibilidade pa a e e e
o nece bibliog a ia ele an e pa a a ealização des a disse ação.
Ag adeço, ainda, à p o esso a Cla a Nunes Co eia po se e disponibilizado
pa a e e alguns dos capí ulos des a disse ação, e à p o esso a Ma ia Lobo po e
ambém con ibuído pa a a ealização des e abalho.
Mui o ob igada.
ii
O hib idismo de se e a oposição en e se e es a em po uguês medie al
Ma ia Ribei o Paulo
RESUMO
Pala as-cha e: se e es a ; hib idismo de se ; po uguês medie al; século XIII;
g ama icalização; semân ica
Es e abalho em como p incipal obje i o elaciona o hib idismo de se com a
sob eposição pa cial dos alo es semân icos associados aos e bos se e es a a es ada
em es ádios an e io es da língua po uguesa. Cons a ando-se que, em po uguês
medie al, o e bo se e a ambém u ilizado em con ex os em que no po uguês a ual
apenas se admi e es a , explo a-se a hipó ese de que, no seio do pa adigma se , o mas
de i adas de sede e (‘es a sen ado’) se iam pe spe i adas como es ando mais
associadas a p op iedades ansi ó ias – pa ilhando, po an o, ca ac e ís icas com o
e bo es a –, po oposição a o mas de i adas de esse (‘se ’), que se iam pe spe i adas
como es ando gene icamen e mais associadas a p op iedades pe manen es, de ido a
alguma pe sis ência dos alo es semân icos associados aos e bos la inos de que
de i am.
Es a hipó ese enquad a-se, assim, na á ea de es udos da g ama icalização, uma
ez que se baseia no p incípio da pe sis ência de Hoppe (1991). O quad o de es udos
da g ama icalização pode á o nece , des e modo, um supo e eó ico adequado pa a
a a alguns aspe os da e olução des es dois pa adigmas, em p imei o luga , ao da
con a da sob eposição a es ada en e es es e bos em po uguês medie al e, ainda, ao
concebe a oposição exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo como esul ado de
um p ocesso de compe ição de o mas/cons uções pa a a ma cação dos mesmos
alo es. Se ia, assim, possí el es abelece uma elação en e os sen idos e imológicos
des es e bos, a compe ição en e es es pa a a ma cação dos mesmos alo es e,
pos e io men e, a consolidação da oposição como hoje a conhecemos.
Pa a es e im, a alia-se se exis em dados do po uguês medie al que pe mi am
es abelece a exis ência de uma oposição de alo es den o do p óp io pa adigma se ,
op ando-se po analisa , em especí ico, o mas de sede e que compe iam com o mas de
esse pa a a cons i uição do pa adigma se . A azão pela qual se op a pela análise des as
o mas é o ac o de, endo es as coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido
com elas pa a a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma
di e ença semân ica en e es as em e mos de ma cação de um alo pe spe i ado como
ansi ó io po oposição a um pe spe i ado como pe manen e, al de e á se pe ce í el
nos casos em que se em à disposição o mas de i adas de ambos os pa adigmas,
espe ando-se que cada um seja p e e ido pa a a ma cação des es hipo é icos alo es que
lhes são a ibuídos.
Es e abalho encon a-se, assim, es u u ado em qua o pon os: no p imei o,
in odu ó io, ap esen a-se b e emen e a ques ão de in es igação, obje i os,
enquad amen o eó ico e me odologia; no segundo, isa-se a desc ição da dis inção
se /es a em po uguês con empo âneo, a e indo desc ições p opos as po á ios
au o es; no e cei o, p ocede-se a uma b e e ap esen ação dos p incípios e p essupos os
do quad o de es udos da g ama icalização; no úl imo, desc e e-se em que medida o
pa adigma se é um pa adigma híb ido, p ocede-se a uma e isão da li e a u a exis en e
ela i a à semân ica des es e bos em po uguês medie al, ap esen a-se o co pus
cons i uído, p ocedendo-se a uma análise des e, e, po úl imo, apon am-se alguns dos
mecanismos ou p ocessos associados ao quad o de es udos da g ama icalização que
podem se a es ados no pe cu so e olu i o des es e bos, ou explica i os des e.
iii
Se ’s hyb idism and he seman ic opposi ion be ween se and es a in medie al
Po uguese
Ma ia Ribei o Paulo
ABSTRACT
Keywo ds: se and es a ; se ’s hyb idism; medie al Po uguese; 13 h cen u y;
g amma icaliza ion; seman ics
The main goal o his disse a ion is o ela e he hyb idism o se (“be”) wi h he
pa ial o e lap o he meanings o se and es a (“be”, om La in s a e “s and”) in
Po uguese pas s ages. In Medie al Po uguese, se was also used in con ex s whe e, in
con empo a y Po uguese, only es a occu s. The hypo hesis o be explo ed is ha ,
wi hin he pa adigm o se , he o ms de i ed om La in sede e (“si ”) we e associa ed
wi h ansi o y p ope ies – hus sha ing p ope ies wi h es a – as opposed o o ms
de i ed om esse (“be”), which should be mo e gene ally in e p e ed as pe manen , due
o he pe sis ence o he o iginal seman ic alues o he La in e bs o which hey a e
descendan s.
This hypo hesis is amed by he g amma icaliza ion s udies, assuming Hoppe ’s
(1991) pe sis ence p inciple. This amewo k p o ides an adequa e heo e ical suppo
o desc ibe some aspec s o he e olu ion o hese wo e bal pa adigms: i can accoun
o he pa ial o e lap o hese e bs in Medie al Po uguese; and i can explain he
con as be ween se and es a obse ed in Con empo a y Po uguese as he esul o a
p ocess o compe i ion be ween o ms / cons uc ions o he encoding o he same
alues. Following his line o esea ch, i is possible o ela e he e ymological meanings
o hese e bs, hei compe i ion o he encoding o he same alues and he ixa ion o
hei con empo a y con as .
To his end, i is e alua ed whe he da a om medie al Po uguese allows us o
es ablish he exis ence o a seman ic opposi ion wi hin he pa adigm o se . Speci ically,
o ms de i ed om sede e which compe ed di ec ly wi h o ms de i ed om esse a e
analysed. Being he case ha hese o ms coexis ed and compe ed di ec ly o o m his
pa adigm, i should be possible o obse e he di e en seman ic alues encoded by
each o hese o ms, being expec ed ha o ms de i ed om se would be p e e ed o
encode he seman ic alue o pe manence while o ms de i ed om sede e would be
associa ed wi h ansi o y p ope ies.
This wo k is di ided in o ou chap e s: in he i s – he in oduc ion –, he
in es iga ion ques ion, he objec i es, he heo e ical amewo k and he me hodology
a e b ie ly p esen ed; in he second, he se /es a ’s dis inc ion in con empo a y
Po uguese is discussed; in he hi d, he p incipals and assump ions o he
g amma icaliza ion amewo k a e p esen ed. In he las chap e , we desc ibe he
hyb idism o se and he e olu ion o his pa adigm; he ea e , we p esen he exis ing
li e a u e ela ed wi h he seman ic desc ip ion o hese e bs in medie al Po uguese,
he selec ed co pus and i s analysis. Finally, we poin o some o he p ocesses and
mechanisms associa ed wi h he g amma icaliza ion amewo k ha can be obse ed in
he e olu ion o hese e bs, o explana i e o i .

i
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1
1.1. Ques ão de In es igação – obje i os, enquad amen o eó ico e ele ância ....... 1
1.2. Me odologia ....................................................................................................... 2
1.3. Es u u a da disse ação ..................................................................................... 3
2. DESCRIÇÃO SEMÂNTICA DA OPOSIÇÃO SER/ESTAR EM PORTUGUÊS
EUROPEU CONTEMPORÂNEO ................................................................................... 5
2.1. P op iedades de indi íduo s. p op iedades de es ádio ..................................... 8
2.2. Se s. es a : uma ques ão de aspe o ............................................................... 11
2.3. Se s. es a : uma ques ão discu si a .............................................................. 16
2.4. Conclusões ....................................................................................................... 19
3. ENQUADRAMENTO TEÓRICO: A GRAMATICALIZAÇÃO .......................... 21
3.1. G ama icalização ............................................................................................. 22
3.2. P incípios da G ama icalização ....................................................................... 25
4. SER E ESTAR EM PORTUGUÊS MEDIEVAL ................................................... 27
4.1. Se : um pa adigma híb ido .............................................................................. 27
4.2. Se e es a em po uguês medie al: e isão da li e a u a ................................ 28
4.3. Oco ências de se e es a em po uguês medie al ......................................... 32
4.3.1. As o mas de i adas de sede e ................................................................. 34
4.3.2. Sede e + ge úndio ..................................................................................... 45
4.3.3. Sede e + pa icípio passado / adje i o ...................................................... 50
4.4. P ocessos de g ama icalização ......................................................................... 53
4.4.1. Desseman ização e pe sis ência ................................................................ 53
4.4.2. Obsolescência de o mas de sede e .......................................................... 54
4.4.3. Obsolescência do alo semân ico de ansi o iedade associado a se ..... 55
4.4.4. T ans e ência ............................................................................................ 56
4.4.5. Con aminação analógica ........................................................................... 57
CONCLUSÃO ................................................................................................................ 59
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 61
REFERÊNCIAS DAS FONTES .................................................................................... 65
1
1. INTRODUÇÃO
1.1. Ques ão de In es igação – obje i os, enquad amen o eó ico e
ele ância
Nes a disse ação dá-se con inuidade a um p oje o de abalho iniciado no
âmbi o do seminá io de Linguís ica His ó ica ace ca do papel que o hib idismo de se
pode á e desempenhado na his ó ia da dis inção semân ica en e os e bos se e es a .
Es a é uma p opos a de abalho que ad ém da cons a ação de que a dis inção
exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo en e es es e bos em e mos de
ma cação de um alo pe spe i ado como um alo de pe manência ou de ine ência po
oposição a um alo de ansi o iedade, associados aos e bos se e es a ,
espe i amen e, nem semp e es e e delimi ada como a ualmen e es á, cons a ando-se
uma sob eposição pa cial dos alo es des es e bos em es ádios an e io es da língua.
Em pa icula , cons a a-se que o e bo se e a u ilizado em con ex os em que no
po uguês eu opeu con empo âneo se u iliza ia o e bo es a .
A en ando nes e dado, a p incipal ques ão de in es igação que se explo a nes a
disse ação é a seguin e: pode á o hib idismo de se e desempenhado um papel
signi ica i o na elação semân ica que oi es abelecida em po uguês medie al en e os
e bos se e es a e no modo como os seus alo es e oluí am? Ou seja, p e ende-se
elaciona o ac o de o pa adigma se se um pa adigma híb ido, is o é, um pa adigma
que ad ém da usão de dois pa adigmas la inos – esse (‘se ’) e sede e (‘es a sen ado’) –
, com o ac o de os e bos se e es a e em compe ido pa a a ma cação do mesmo
alo .
Es a ques ão de in es igação pa e de uma hipó ese colocada po Ma os e Sil a
(1992) e B oca do (2014), segundo a qual, den o do pa adigma se , o mas de i adas
de sede e (‘es a sen ado’) ma ca iam um alo gene icamen e ca ac e izá el como
mais ansi ó io, po oposição a o mas de i adas de esse (‘se ’), que ma ca iam um
alo de pe manência ou ine ência, de ido a alguma pe sis ência dos alo es
e imológicos des es e bos la inos.
Es a hipó ese enquad a-se, des e modo, na á ea de es udos da g ama icalização,
uma ez que se encon a assen e no p incípio da pe sis ência de Hoppe (1991:22):
alguma pe sis ência dos alo es e imológicos dos pa adigmas la inos que de am o igem
2
ao pa adigma se pode ia se i pa cialmen e de explicação pa a o ac o de o e bo se
e compe ido com es a pa a a ma cação do alo semân ico de ansi o iedade.
Assim, explo a-se a possibilidade de exis i den o do p óp io pa adigma se
uma oposição de alo es semân icos e uma possí el sob eposição desses alo es com os
alo es semân icos de es a , com is a a da con a da sob eposição des es e bos. Caso
es a hipó ese seja undamen ada, o quad o de es udos da g ama icalização pode á
o nece uma hipó ese explica i a sa is a ó ia pa a a e olução des es dois pa adigmas ao
concebe a oposição exis en e no po uguês eu opeu con empo âneo como esul ado de
um p ocesso de compe ição de o mas/cons uções pa a a ma cação dos mesmos
alo es. Enquad ada es a hipó ese nes a á ea de es udos, o nece-se uma hipó ese
explica i a pa a a e olução des es dois pa adigmas ao es abelece -se uma elação en e
os sen idos e imológicos des es e bos, a compe ição en e es es pa a a ma cação dos
mesmos alo es e, pos e io men e, a consolidação da oposição como hoje a
conhecemos.
Des e modo, ado ando-se o quad o de es udos da g ama icalização como supo e
eó ico, p ocu a-se explo a , desen ol e e sus en a uma possí el in e - elação en e o
hib idismo de se e a sob eposição dos alo es de se e es a , com base em dados
diac ónicos a es ados do po uguês medie al.
Conside a-se que es e abalho pode á se ele an e pa a o a anço do
conhecimen o po duas azões: em p imei o luga , pa a além de a li e a u a exis en e
ace ca da oposição semân ica en e es es e bos numa pe spe i a his ó ica não se mui o
as a, ambém não pa ecem exis i abalhos que explo em uma hipó ese explica i a
pa a os dados diac ónicos a es ados em po uguês medie al. Em segundo, na medida em
que se isa uma sis ema ização de á ios dados dispe sos ace ca do compo amen o
des es e bos em po uguês medie al, baseados na análise de á ios au o es e ou os
baseados na análise a que se p ocede nes e abalho, isa-se desen ol e e sus en a uma
hipó ese explica i a pa a os dados a es ados.
1.2. Me odologia
Como me odologia, op ou-se po se p ocede a um le an amen o de oco ências
de o mas de es a e se – azendo a dis inção en e o mas de i adas de sede e e
o mas de i adas de esse – em can igas do século XIII – can igas de escá nio e
maldize , de amigo e de amo e as Can igas de San a Ma ia, de A onso X (1264-1284).
3
Pa a al, eco eu-se ao Co pus In o ma izado do Po uguês Medie al (CLUNL, FCSH-
UNL) e ao Dicioná io de Ve bos do Po uguês Medie al (DVPM/CIPM).
Tomou-se, sob e udo, em conside ação as o mas de i adas de sede e que
ie am a cai em desuso – o mas de p esen e, p e é i o impe ei o e p e é i o pe ei o
do indica i o –, que o am subs i uídas po o mas de i adas de esse, uma ez que,
endo es as o mas coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido com elas pa a
a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma dis inção semân ica
en e es as de ido a alguma pe sis ência dos alo es e imológicos des es e bos, al
de e á se pe ce í el em momen os his ó icos em que se inha à disposição o mas
de i adas de ambos os pa adigmas, espe ando-se que cada uma seja p e e ida pa a a
ma cação dos hipo é icos alo es que lhes são a ibuídos. Ou seja, p e ende-se
in es iga se algum des es pa adigmas – esse ou sede e – é p e e ido pa a exp essa
ansi o iedade ou pe manência, o que pode á se explica i o do ac o de o mas de se
e em compe ido com o mas de es a pa a a ma cação do mesmo alo .
Es e co pus oi assim cons i uído com base num c i é io de géne o e de da a:
nes e pe íodo o mas de i adas de sede e ainda compe em com o mas de i adas de
esse pa a o mação do pa adigma se e, segundo Teyssie (1982:21), es e géne o
li e á io a o ecia o uso de a caísmos, azão pela qual é possí el encon a um maio
núme o de oco ências des as o mas.
A análise a que se p ocedeu oi, em alguns aspe os, de na u eza quan i a i a – ao
sis ema iza -se o núme o de oco ências de o mas de i adas de sede e nes e co pus e o
ipo de cons uções em que oco em – e nou os de na u eza quali a i a – ao p ocu a -se
de e mina os alo es semân icos ma cados po es as o mas nos di e en es ipos de
con ex os em que oco em, isando-se ambém es abelece um diálogo com os dados
ap esen ados pelos au o es que p ocede am a uma análise sin á ica e/ou semân ica das
oco ências des es e bos em po uguês medie al.
Assim, a análise das oco ências de o mas de se e de es a em po uguês
medie al é ei a com is a a elaciona a sua compe ição e e olução com o hib idismo
de se , enquad ando es e enómeno linguís ico na á ea de es udos da g ama icalização.
1.3. Es u u a da disse ação
Es a disse ação é cons i uída po qua o pon os: no p imei o, a in odução,
ap esen a-se b e emen e a ques ão de in es igação e os obje i os do p esen e abalho;
10
Po ém, nes a p opos a não são a ados os casos p oblemá icos
sup amencionados – (6) e (7): ainda que se admi a que adje i os como “mo o” e
“simpá ico” são p edicado es que selecionam ob iga o iamen e se ou es a – o que não
é possí el no caso de “simpá ico”, uma ez que es e an o se associa a um e bo como
ou o (c . O João é simpá ico / O João es á simpá ico) –, ao a a em es es e bos como
exponen es lexicais da dis inção IL/SL e, po an o, como exp essando p op iedades
pe manen es/ empo á ias, es es casos con inuam a cons i ui con aexemplos.
Desde modo, se bem que desc i i amen e mais sis emá ica, ao a a a dis inção
se /es a como a ealização g ama ical da dis inção en e p op iedades IL e SL, es a
p opos a acaba po não supe a aquela desc ição inicial que a a a semân ica dos e bos
apenas como uma dis inção en e p op iedades pe manen es e p op iedades
empo á ias/ ansi ó ias
10
, nem nenhum dos p oblemas que essa desc ição le an a
11
.
Uma ou a o mulação des a hipó ese pode se encon ada em Cunha (2013:591-
600), des a ez eco endo a uma ipologia de es ados pa a ca ac e iza a dis inção
se /es a , mais especi icamen e, a ando-a como uma dis inção en e p edicado es
es á eis e p edicado es episódicos, que são de inidos do seguin e modo:
«Os es ados es á eis, como o nome indica, deno am p op iedades es á eis dos
indi íduos, que pe du am du an e uma boa pa e da sua ida se não mesmo du an e oda
a sua exis ência, sendo, assim, ela i amen e independen es de con ex os espácio-
empo ais pa icula es; os es ados episódicos, pelo con á io, desc e em p op iedades
ansi ó ias dos indi íduos, ligadas a po ções espacial e empo almen e delimi adas da
sua ida e susce í eis de mudança equen e.» (Cunha, 2013:595)
Assim, à semelhança do que sucede em Dua e (1987), o au o de ende que
p edicado es adje i ais de e minam a seleção dos e bos se ou es a con o me esses
p edicados são es á eis ou episódicos, sendo que quando esses p edicado es são
compa í eis com ambos os e bos, é en ão o e bo se que de e mina que o p edicado
seja es á el e o e bo es a que seja episódico. Po ém, a p opos a de Cunha ai além da
10
«Wo king agains a s aigh o wa d iden i ica ion o he wo dis inc ions is he ac ha he e is no s ic
co ela ion be ween se /es a on one hand and pe manen p ope ies/episodic s a es on he o he , as o en
no ed.» (Leone i e . al., 2015:4-5)
11
De no a que na edição da G amá ica da Língua Po uguesa de Ma eus e al. (2003) já não é possí el
encon a o capí ulo ela i o à desc ição semân ica dos e bos se e es a . Ao in és, semp e que as
au o as e e em p edicados de indi íduo ou de ase eme em em no a de odapé pa a os abalhos de
Ca lson (1977) e K a ze (1995), o que suge e que as es as passa am a conside a que es a p opos a não
con ibuía pa a o a anço do conhecimen o ou, a é, que se ia desc i i amen e inadequada.

11
p opos a de Dua e, uma ez que p e ê que a in o mação lexical o necida an o pelos
p edicado es adje i ais como pelos e bos se e es a possa so e al e ações de ido à
in e enção de a o es como, po exemplo, empos g ama icais (10a) e adjun os
ad e biais empo ais (10b), admi indo assim a possibilidade de cons uções com se se
associa em a si uações pe spe i adas como empo á ias:
(10) a. On em, a Ma ia oi simpá ica.
b. A Ma ia oi simpá ica às cinco da a de, quando a endeu os u en es.
12
Rela i amen e ao caso (6) – ‘O João es á mo o’ – uma possí el explicação
su ge em Raposo (2013:1309-1310). O au o no a que nem odos os pa icípios e bais
(usados adje i almen e) se podem combina com es a numa o ação copula i a: apenas
os pa icípios de e bos de si uações élicas podem oco e nes as cons uções.
Si uações élicas ep esen am p ocessos com um im in ínseco no qual pa icipam
en idades que so em uma mudança no im do p ocesso e, como consequência dessa
mudança, a en idade passa a um no o es ado denominado de esul a i o ou
consequen e. O au o apon a os seguin es exemplos (2013:1309):
(11) A po a es á echada.
(12) O mos ei o es á abandonado
(13) O laga o es á mo o.
Segundo es e, es as o ações ep esen am o es ado esul a i o, is o é, o no o
es ado da iden idade que so e a mudança. Raposo (2013:1910) conclui assim:
«Comp eende-se ago a a azão po que o pa icípio mo o, que deno a a mais es á el e
pe manen e de odas as si uações possí eis, oco e com a cópula es a e não com se :
isso de e-se ao ac o de se a o ma de pa icípio de um e bo aspe ualmen e élico,
jun o com a gene alização de que as o mas desse ipo se combinam com es a nas
o ações copula i as que ep esen am o es ado esul a i o».
2.2. Se s. es a : uma ques ão de aspe o
Nes e pon o, conside am-se as desc ições da oposição se /es a que de endem
que es a é ge ada unicamen e a um ní el semân ico. Em conc e o, é p opos o que o
di e en e compo amen o des es e bos e os seus di e en es ma izes in e p e a i os
podem se jus i icados apenas com base nas p op iedades aspe uais de cada um dos
12
Exemplos de Cunha (2013:599)
12
e bos e naquilo que es as implicam a um ní el p agmá ico. Em especí ico, é de endido
que enquan o o e bo es a é ma cado aspe ualmen e, se não o é, podendo a sua
in e p e ação pad ão se al e ada pelos p edicados a que se associa ou po ou os
elemen os na ase.
Schmi e al. (2004:3) e Schmi & Mille (2007:1913) encon am-se en e os
au o es que de endem es a hipó ese: dis inguindo as duas de inições adicionais de
“es ado” – (i) es a i idade associada à ausência de p op iedades aspe uais e (ii)
es a i idade associada à p op iedade sube en i a ESTADO –, a i mam que enquan o a
p imei a de inição é adequada pa a desc e e se , a segunda é adequada pa a desc e e
es a . Ou seja, es a , deno ando um ESTADO, asse e que de e minada p op iedade P é
o caso num de e minado pe íodo de empo ; po sua ez, se é a empo al, na medida
em que não ca eia qualque ipo de in o mação aspe ual. Des e modo, a endência pa a
associa es a a p op iedades empo á ias ou ansi ó ias e se a p op iedades
pe manen es consis e numa implica u a ge ada pelo ac o de o e bo es a exigi uma
anco agem empo al, enquan o se não con ibui pa a a asse ção de um ipo de
e en ualidade:
«[…] he wo copulas a e seman ically dis inc , bu do no encode
pe manence/ empo a iness di ec ly. We assume ha se is de oid o any seman ic
con en […]. In his sense, he analysis we gi e o se is close o ha o he copula as a
pu e unc ional ma e ial. es a , on he o he hand, con ibu es o he VP wi h a sube en
o he ype STATE» (Schmi & Mille , 2007:1913)
Em de esa des a p opos a, es es au o es apon am pa a um exemplo concebido
po Que ido (1976) que ela a a his ó ia de um bo anis a que acabou de descob i uma
no a espécie de á o e cujas olhas, no momen o da descobe a, são/es ão ama elas.
Que ido no a que o modo mais segu o de desc e e as olhas da á o e é a i mando que
essas es ão ama elas, uma ez que o uso de se implica ia que as olhas êm a
p op iedade de se ama elas e al se ia assumi demasiado. Nes e caso, ao usa es a , o
bo anis a apenas asse e que naquele momen o , aquela p op iedade P é o caso. Es e
exemplo é u ilizado como e idência a a o da ideia que a ansi o iedade associada a
es a en ol e uma componen e p agmá ica, uma ez que, nes e caso, o uso de es a não
implica que a si uação desc i a é empo almen e limi ada ou ansi ó ia, apenas asse e
que é o caso naquele momen o.
13
Segundo Schmi e al. (2004), es a p opos a pe mi e da con a de á ios dados
obse ados ela i amen e ao compo amen o des es e bos. Em pa icula , que: a) o
e bo se é mais lexí el, na medida em que 1) pode mais acilmen e se con e ido
numa cons ução com es a , con a iamen e ao que sucede com p edicações com es a ,
e 2) em que pe mi e um maio núme o de lei u as em e mos de aspe ualidade; b)
cons uções com se podem e uma lei u a gnómica; e c) cons uções com es a
implicam uma lei u a de ansi o iedade e cons uções com se uma lei u a de
pe manência.
Des a p opos a, segue-se que só o e bo es a pode impo algumas es ições de
lei u a, pois só es e aca e a uma lei u a aspe ual especí ica. Já o e bo se , não
possuindo es e géne o de p op iedades, é compa í el com ou os elemen os que al e am
a sua lei u a po de inição – uma lei u a que não de e mina qualque anco agem
empo al: «se is de oid o any seman ic con en and does no impose es ic ions on he
complemen s i can appea wi h, being in e p e ed as a s a e by de aul , unless aspec ual
ope a o s a e added and allow empo al in e p e a ions o he whole se + adjec i e
p edica es» (Schmi & Mille , 2007:1913).
A gumen ando nes e sen ido, Scmi e al. (2004) no am que, se o e bo se não
é especi icado ela i amen e a p op iedades aspe uais, en ão de e á se possí el
encon a di e sos casos em que o e bo se se encon a anco ado no empo ou ecebe
uma in e p e ação e en i a, dependendo de ou os elemen os na ase. Ou seja, que es e
não de e á se incompa í el com elemen os que de e minem uma anco agem no empo
ou que ge em lei u as aspe uais especí icas. Segundo es es, al é p ecisamen e o que
e i ica. Repa e-se nos seguin es exemplos:
(14) a. O João é in eligen e.
b. Hoje, o João não es á mui o in eligen e.
(15) a. A sala es á semp e azia.
b. *A sala é azia.
(16) a. O João es á simpá ico.
b. Ago a, o João é simpá ico.
c. O João oi simpá ico.
Os casos (14) e (15) são exempli ica i os de que uma p edicação com se pode
mais acilmen e se con e ida numa p edicação com es a , do que o con á io pode
14
sucede . A en ando em (16), al como (16a), (16b) pe mi e uma in e p e ação de es ado
empo á io se concebe mos que o João, não sendo uma pessoa simpá ica, decidiu se
simpá ico, dada uma ci cuns ância pa icula . Po sua ez, (16c) – igual a (7) – adqui e
uma lei u a do ipo e en i o condicionada pelo uso do p e é i o pe ei o, que aca e a
uma lei u a de pe e i idade. Des e modo, es a p opos a pe mi e acomoda es e géne o
de casos que cos umam se p oblemá icos na desc ição da oposição en e es es e bos.
Es as p op iedades aspe uais dos e bos são ambém explica i as do ac o de o
sujei o de se pode se in e p e ado an o como gené ico, como especí ico, enquan o o
de es a só pode se in e p e ado como especí ico. De aco do com de Ga a i o &
Valenzuela (2006:102): «Since es a deno es a speci ic poin in ime, hen i ollows
ha he subjec can only e e o a speci ic objec o pe son. On he o he hand, as se
can ha e no empo al limi s hen i s subjec can be gene ic and no ixed in ime.
Gene ici y o he subjec is he e o e linked o he aspec ual p ope ies o each copula.»
Rela i amen e a c), os au o es de endem que a lei u a de ansi o iedade
associada a es a su ge a a és duma implica u a: se es a possui p op iedades aspe uais
do ipo es a i o e se os es ados asse em que uma p op iedade P é o caso em , en ão
pode se in e ido que o es ado de coisas desc i o não e a o caso an es de ou não se á o
caso após . Po ou o lado, se o uso de se não en ol e e e ência a qualque in e alo
empo al, é ge ada a implica u a de que a p op iedade P é semp e o caso.
Po ém, nes e pon o man êm-se p oblemá icos os casos em que o e bo es a
apa ece associado a p op iedades pe manen es, al como sucede no exemplo (6): “O
João es á mo o”. Não obs an e, no e-se que pa ece se o caso que o e bo es a só
apa ece associado a p op iedades pe manen es em si uações que não podem se i e adas:
(17) O João es á mo o.
(18) Os dinossau os es ão ex in os.
(19) A mesa es á des uída.
Nes es casos, é ge ada uma lei u a de pe manência, uma ez que “es a mo o”,
al como “es a ex in o” e “es a des uído” são es ados i e e sí eis. No en an o,
suge e-se aqui que é possí el que nes es casos a ob iga o iedade do uso de es a se de e
à necessidade de conside ação de um momen o em que se dá a ansição do es ado de
coisas an e io a pa a o es ado de coisas em , já que odos es es es ados implicam a
exis ência de um pe íodo empo al em que o es ado de coisas P não e a o caso. Po
15
ou as pala as, pa a que o João es eja mo o, o João e e de es a i o e pa a que os
dinossau os es ejam ex in os, eles i e am de exis i . O mesmo não é implicado em
cons uções com se , que são a empo ais:
(20) a. O João é go do
b. O João es á go do.
Em enunciados do géne o (20a) é pa en e que es e ipo de cons uções com se
não ob iga à conside ação de nenhum pe íodo empo al, con a iamen e ao que sucede
em (20b), dado que é a ibuída ao sujei o uma p op iedade que se assume que é
cons i u i a, p óp ia e ine en e a esse. Como no a Raposo (2013:1306): «A exp essão
linguís ica des as p op iedades numa p edicação é no malmen e pe spe i ada o a de
qualque enquad amen o espacial ou empo al, i. e., sem a ende às ci cuns âncias ou
si uações pa icula es em que se encon am os indi íduos».
Assim, é possí el que nes e géne o de casos – (17), (18) e (19) – seja exigida
uma anco agem empo al no sen ido em que é implicada a exis ência de um momen o
em que se dá a passagem de um es ado de coisas an e io a P pa a um es ado de coisas
P.
Ainda, apesa de se de endido po es es au o es que a oposição se /es a esul a
das p op iedades aspe uais dos p edicado es, es es não ejei am a exis ência da dis inção
IL/SL. Pelo con á io, es a hipó ese pode se compa ibilizada com a exis ência des a
dis inção cogni i a. A p opos a des es au o es dis ingue-se daquela de endida po
Dua e (1987) e Cunha (2003) na medida em que es es conside am que aquilo que
dis ingue es es e bos não é o ac o de con e em como pa e do seu signi icado a
exp essão de p op iedades de indi íduo ou de es ádio, mas an es as suas p op iedades
aspe uais.
Assim, de Ga a i o & Valenzuela (2006:101) e Schmi & Mille (2007:1914)
no am que es a p opos a e a hipó ese IL/SL podem se compa ibilizadas na medida em
que as p op iedades aspe uais des es e bos e, mais especi icamen e, as implica u as po
essas ge adas, de e minam a sua compa ibilidade com p edicados do ipo IL ou SL:
«The empo a y e sus pe manen dis inc ion and/o he s age-le el e sus indi idual-
le el cha ac e is ics o hese p edica es a e no pa o he meaning o hese wo e bs
bu a he pa o he implica u es associa ed wi h he copula choice.» (Schmi &
Mille : 2007:1914)

16
Concluindo, é de endida a ideia de que aquilo que é codi icado a um ní el
semân ico po es es e bos é dis in o daquilo que é implicado a um ní el discu si o,
azão pela qual de em se dis inguidos di e en es ní eis na análise des as cópulas: o
ní el semân ico no qual a dis inção se /es a se encon a anco ada e o ní el discu si o
em que di e en es implica u as são ge adas. Assim, não é a dis inção
pe manen e/ empo á io que dá con a da oposição se /es a , uma ez que o e bo se
em um compo amen o demasiado a iá el pa a que possa se de i ada a asse ção de
um es ado de pe manência; an es são as p op iedades aspe uais dos e bos – no caso de
se , a ausência delas – que podem da con a do compo amen o obse ado
13
.
2.3. Se s. es a : uma ques ão discu si a
Maienbo n (2005) p opõe uma hipó ese explica i a da oposição se /es a
al e na i a às an e io es, de aco do com a qual es a dis inção é ge ada unicamen e a um
ní el discu si o/p agmá ico. Es a hipó ese implica, assim, que a um ní el lexical e
semân ico es es e bos não só são idên icos en e si, como ambém são idên icos às
cópulas de ou as línguas que não azem a dis inção en e se e es a .
Em conc e o, segundo es a au o a, o que dis ingue es es dois e bos é o ac o de
o uso de es a ca ea a p essuposição de que a p edicação es á ligada a uma si uação
discu si a pa icula : es a p essupõe um anco amen o discu si o que se não
p essupõe. Es a di e ença pe mi e ao alan e ma ca di e en es pe spe i as a a és de
uma p edicação num discu so pa icula . Des e modo, o e bo se é a ado como a
cópula pad ão e es a como a sua a ian e ma cada.
É p opos o que es a dis inção é lexicalmen e desencadeada pelo e bo es a e
que, a um ní el es u u al, é ca eada pela ca ego ia uncional ASP, onde é in oduzido
um TOPIC TIME con ex ualizado, ou, de um modo mais ge al, um TOPIC SITUATION
– em que “si uação” é en endida como o mundo pa cial conside ado, a si uação
discu si a especí ica e ele an e –, ao qual o alan e anco a a sua a i mação. Aquando
do uso de es a , o TOPIC SITUATION unciona como o an eceden e do qual es a oma
13
Como supo e adicional a es a p opos a, podem se con e idos os es udos de aquisição conduzidos po
Schmi e al. (2004), de Ga a i o & Valenzuela (2006) e Schmi & Mille (2007). Es es au o es
p ocu am demons a que c ianças/ alan es L2 não a am es es e bos como es ando em dis ibuição
complemen a , al como azem os adul os/ alan es L1. Es es es udos a gumen am a a o da ideia de que
c ianças/ alan es L2 dominam o con eúdo aspe ual associado a cada uma das cópulas, ap esen ando, no
en an o, di iculdade em calcula as implica u as associadas a es as e/ou a es ingi o domínio de
a aliação ele an e pa a a escolha da cópula, supo ando assim a ideia de que de e se e e uada uma
dis inção en e o ní el semân ico e p agmá ico na análise des es e bos.
17
a sua e e ência. Assim, a au o a de ine a dis inção en e es es e bos do seguin e modo,
denominando-a de “Hipó ese se /es a ”:
«By using es a speake s es ic hei claims o a pa icula opic si ua ion hey
ha e in mind; by using se speake s emain neu al as o he speci ici y o he opic
si ua ion.» (Maienbo n, 2005:169)
O que mo i a Maienbo n a de ende es a hipó ese e aquilo que conside a uma
an agem nes a é o ac o de, ao a a es es e bos como léxica e seman icamen e
idên icos, a a-os, po conseguin e, como: 1) equi alen es às cópulas das es an es
línguas; e 2) não di e indo na sua es u u a a gumen al, nem impondo es ições de
seleção. Assim, é de espe a que es es e bos se compo em de modo semelhan e
ela i amen e à sua possibilidade de combinação com di e en es p edicados e que
possuam uma dis ibuição semelhan e – o que, segundo es a, é p ecisamen e o que se
e i ica
14
.
A au o a a ança es a hipó ese como al e na i a à ap esen ada em 2.1.,
p ocu ando demons a que os sis emas g ama icais não são sensí eis a uma oposição
concep ual do géne o pe manen e s. ansi ó io e, de endendo, al como Schmi e . al.
e de Ga a i o & Valenzuela, que es a oposição consis e apenas numa endência
in e p e a i a associada aos e bos se e es a . Um dos a gumen os a que apela pa a
demons a que a p opos a IL/SL não desc e e adequadamen e a oposição se /es a
consis e no exemplo já expos o de Que ido (1976), ace ca do qual a au o a a i ma:
«Que ido’s example shows ha he se /es a al e na ion de ini ely canno be educed o
any undamen al concep ual opposi ion like “ empo a y s. pe manen ” o “acciden al
s. essen ial”, o wha e e else. […] Ra he , wha seems o be a s ake is he speake ’s
pe spec i e on a p edica ion in a pa icula discou se.» (Maienbo n, 2005:160)
A au o a no a ambém que, num ce o sen ido, es a p opos a ado a uma
abo dagem aspe ual, no en an o, di e e daquela expos a an e io men e, na medida em
que, ao in és de conside a que essa in o mação aspe ual é ca eada pelos e bos se e
es a , an es assume que esse aspe o é de i ado da si uação discu si a que, po sua ez,
cons i ui o an eceden e adequado pa a de e mina a si uação especí ica que o uso de
14
C . Maienbo n (2005:160-167) onde a au o a, aplicando es es de e en ualidade a cons uções com se
e es a e a e iguando a sua possibilidade de combinação com modi icado es loca i os, ad é bios de
modo e complemen os in ini i os de e bos de pe ceção, ap esen a a gumen os a a o da ideia de que os
e bos se e es a possuem uma dis ibuição semelhan e em odos os aspe os ele an es.
18
es a p essupõe. Des e modo, a dis inção en e se e es a encon a-se anco ada no ní el
discu si o e não no ní el aspe ual.
Res a en ão conside a po que mecanismos é que uma p edicação com es a
e e e uma si uação discu si a pa icula e, desse modo, de e mina de onde ad ém a
endência que os alan es ap esen am pa a ca ac e iza a semân ica dos e bos se e
es a em e mos de uma oposição pe manen e/ empo á io. Pa a al, a au o a conside a o
seguin e exemplo (Maienbo n, 2003:171):
(21) a. A es ada é la ga.
b. A es ada es á la ga.
Em que condições az sen ido dize (21b) ao in és de (21a)? Po ou as pala as,
em que condições az sen ido es ingi a p edicação a um TOPIC SITUATION
pa icula a a és do uso de es a ? De aco do com a au o a, o uso de es a é legi imado
p agma icamen e quando o con ex o pe mi e um TOPIC SITUATION CONTRAST, is o
é, quando o alan e p e ende apon a a exis ência de al e na i as à si uação discu si a
que em em men e. Maienbo n apon a pa a ês dimensões em que esse con as e pode
se es abelecido:
a) Dimensão empo al: a si uação discu si a con as a com si uações an e io es
ou u u as em que o p edicado já não se aplica ao sujei o – nes e caso, dá-se
o igem à in e p e ação de que a p op iedade é empo á ia.
b) Dimensão espacial: a si uação discu si a con as a com si uações discu si as
di e en emen e localizadas no espaço em que o p edicado já não se aplica ao
sujei o. Em (21b), o uso de es a pode á se legí imo se exis i em zonas da
es ada que não são la gas.
c) Dimensão epis émica: a si uação discu si a con as a com si uações
discu si as que não pe mi em decidi se o p edicado se aplica ao sujei o ou
não. Es e é o caso do bo anis a no exemplo de Que ido (1976).
De onde ad ém en ão a endência pa a in e p e a a semân ica des es e bos em
e mos de uma dico omia pe manen e/ empo á io? Segundo a au o a, es a endência
de i a de p incípios p agmá icos de economia: assumi que a p op iedade exp essa é
empo á ia é o modo menos cus oso de aze o con as e que legi ima o uso de es a ,
dado que não eque conhecimen o adicional ace ca do con ex o ele an e po pa e dos
19
in e locu o es. Assim, caso o con ex o não bloqueie uma in e p e ação empo al, es a é
semp e p e e ida pelos alan es.
No e-se, no en an o, que, a é ao momen o, es a desc ição não impede que o uso
de se possa ambém implica uma lei u a empo al, já que a au o a se man ém neu a
ela i amen e à possibilidade de se e e i uma si uação discu si a pa icula . Assim,
es a eco e no amen e a p incípios discu si os, mais especi icamen e, à ideia de
di isão do abalho, pa a da con a do bloqueio da lei u a de ansi o iedade aquando do
uso de se : dado que se é o e mo mais ge al, unciona como complemen o de es a .
Ou seja, com base em p incípios de economia, se se o selecionado, os alan es
assumem que a p edicação não es á anco ada a nenhuma si uação discu si a pa icula ,
caso em que e iam selecionado es a . Assim, es es e bos são a ados pelos alan es
como es ando em dis ibuição complemen a .
Concluindo, de aco do com es a hipó ese, a oposição se /es a é desencadeada
pelo ac o de o e bo es a p essupo um anco amen o a uma si uação discu si a
pa icula que o e bo se não p essupõe. Des e modo, es a consis e numa a ian e
ma cada de se , que, po sua ez, é a cópula pad ão. Es a dependência discu si a de
es a é lexicalmen e desencadeada, es u u almen e ca eada pela ca ego ia uncional
ASP e p agma icamen e legi imada po um con as e en e si uações possí eis – que
pode se de na u eza empo al, espacial ou epis émica.
2.4. Conclusões
Nes e capí ulo, o am ap esen adas ês abo dagens di e en es pa a da con a de
um mesmo p oblema: a desc ição dos e bos se e es a . Dada es a exposição, é salien e
que há algumas ca ac e ís icas em comum a odas es as p opos as: em p imei o luga , é
p oblemá ico a a es a dis inção p ocu ando apenas desc e e as p op iedades dos
e bos se e es a . Ao in és, pa a da con a de odas as possibilidades de oco ência
des es e bos e das lei u as ge adas, é necessá io e em con a a o es de á ias o dens –
a o es esses que pode ão a ia con o me a abo dagem ado ada. Em segundo, é comum
a odas es as abo dagens o a anço de uma hipó ese explica i a pa a o ac o de os
alan es pe spe i a em es a dis inção em e mos de uma oposição en e p op iedades
pe manen es e ansi ó ias.
Des e modo, qualque desc ição p opos a de e, po um lado, da con a das
peculia idades semân icas de cada um des es e bos e, po ou o, se lexí el o
26
se o na ob iga ó io, implicando is o que ou as o mas endem a se excluídas desse
con ex o: «Wi hin a unc ional domain, a one s age a a ie y o o ms wi h di e en
seman ic nuances may be possible; as g amma icaliza ion akes place, his a ie y o
o mal choices na ows and he smalle numbe o o ms selec ed assume mo e gene al
g amma ical meanings.» (Hoppe : 1991, 22).
Como Hoppe (1991:26-27) e Hoppe e T augo (2003:117-118) no am, um
exemplo clássico de especialização é a cons ução de negação mode na do ancês, que
é ca eada a a és da pa ícula de negação ne an es do e bo e da pa ícula de negação
pas após es e. Em es ádios an igos do ancês, exis ia uma a iedade de nomes, com
di e en es nuances semân icas, que podiam su gi após o e bo pa a e o ça a negação
da pa ícula de negação o iginal: pas, poin , mie, go e, amende, e c.
À medida que algumas das o mas o am g ama icalizando nes a cons ução, ou
seja, o am so endo desseman ização e, po an o, adqui indo signi icados mais
abs a os – ainda que com di e en es nuances semân icas associadas –, os seus
signi icados o am-se sob epondo, de e minando que algumas dessas o mas – as que
oco iam menos equen emen e –, se o nassem edundan es e caíssem em desuso.
Assim, no século XVI, apenas as o mas pas, poin , mie e gou e con inua am em uso,
sendo pas e poin as mais equen es, azão pela qual já no pe íodo mode no e am as
únicas que con inua am a se usadas nes e con ex o. De odas as o mas em uso, pas oi
a que p e aleceu, sendo a ualmen e ob iga ó ia.
Des e modo, à medida que as o mas ão g ama icalizando nos mesmos
con ex os, endem a adqui i signi icados mais abs a os e, po an o, mais semelhan es.
Aumen a, assim, a p obabilidade de es as o mas se sob epo em, ge ando casos de
ambiguidade, o que e en ualmen e esul a em que as o mas que oco em menos
equen emen e se o nem edundan es e caiam em desuso.
Ou seja, a compe ição de o mas pa a a ma cação dos mesmos alo es
semân icos em cons uções idên icas de e mina que, e en ualmen e, algumas dessas
o mas so am obsolescência, enquan o ou as endem a o na -se ob iga ó ias nessas
cons uções. É, ge almen e, a equência de oco ência que de e mina as o mas que
p e alecem.

27
4. SER E ESTAR EM PORTUGUÊS MEDIEVAL
4.1. Se : um pa adigma híb ido
Ao a en a mos em dados his ó icos, obse a-se que es a oposição en e um alo
de ansi o iedade e um alo de pe manência ou ine ência, a ibuído aos e bos es a e
se espe i amen e, nem semp e es e e delimi ada na língua po uguesa como
a ualmen e acon ece, cons a ando-se que exis iam con ex os em es ádios an e io es da
língua em que os alo es associados a es es e bos se sob epunham.
Em p imei o luga , é necessá io elemb a que o pa adigma se é um pa adigma
suple i o, ou seja, é um pa adigma que, e imologicamen e, inclui o mas de i adas de
dois pa adigmas la inos dis in os e, po an o, que possui al e nâncias suple i as – is o é,
em que exis e uma elação pa adigmá ica en e o mas que não pa ilham ma e ial
onológico (Juge, 2000:183). Tal de e-se ao ac o de o pa adigma se se um pa adigma
híb ido que ad ém da usão de dois pa adigmas la inos dis in os: esse (‘se ’) e sede e
(‘es a sen ado’): «Como é sabido, a conjugação mode na de se esul a da usão de
duas conjugações dis in as, uma das quais p o ém de o mas do la im esse (som, es,
e c.) e ou a de o mas do la im sede e (seja, e c, se .).» (Teyssie , [1989]2005:125).
Des e modo, coexis em den o des e pa adigma o mas o iginais de pa adigmas
dis in os, o que é e idenciado na sua i egula idade.
Rela i amen e ao modo como es e pa adigma eio assim a se cons i uído,
Nunes ([1919] 1956:294) a i ma o seguin e: «Dece o em i ude da sinonímia da
signi icação, que na língua ulga exis iu en e os e bos esse e sede e, esul ou que o
p imei o omou do segundo, que inha conjugação comple a, o mas que não possuía ou
pe de a no e i ó io galécio-po uguês, como o am: o ge úndio, in ini i o e po an o
u u o e condicional, o conjun i o e impe a i o.» Des e modo, aquando da o mação do
pa adigma se , pa a os empos e bais mencionados po Nunes, exis iam apenas o mas
de i adas de sede e. Po ém, pa a os es an es, exis am o mas de i adas an o de sede e,
como de esse.
Assim, na his ó ia des e pa adigma, hou e momen os em que coexis i am
o mas de ambos os pa adigmas, sob e udo, o mas de p esen e, de p e é i o pe ei o e
de p e é i o impe ei o do indica i o, endo depois as o mas de sede e caído em desuso,
sendo in eg almen e subs i uídas po o mas de i adas de esse: «Na idade média, es as
duas conjugações [esse e sede e] coexis iam em ce os empos, sob e udo no p esen e e
28
impe ei o do indica i o
15
[…]. No início do século XVI as o mas de i adas de esse
inham p e alecido sob e as de i adas de sede e, que desapa ece am da língua li e á ia
comum.» (Teyssie , [1989]2005:125-126). Assim, em po uguês medie al, no seio do
pa adigma se , exis iam ês empos e bais – o p esen e do indica i o, o p e é i o
impe ei o do indica i o e o p e é i o pe ei o do indica i o – pa a os quais es a am
disponí eis o mas de dois pa adigmas e bais dis in os.
A en ando nes e dado, o p incipal obje i o nes e capí ulo é o de a alia se
exis em dados do po uguês medie al que pe mi am es abelece a exis ência de uma
oposição de alo es den o do p óp io pa adigma se , a o que e ia conduzido es e
e bo a compe i com es a pa a a ma cação do alo semân ico de ansi o iedade.
Em especí ico, a e igua-se a hipó ese, den o do quad o de es udos da
g ama icalização, de que o mas de i adas de sede e (‘es a sen ado’) ma ca iam um
alo gene icamen e ca ac e izá el como mais ansi ó io, po oposição a o mas
de i adas de esse, que ma ca iam um alo de pe manência ou ine ência, de ido a
alguma pe sis ência dos alo es e imológicos des es e bos la inos.
Es a hipó ese é assim o mulada po Ma os e Sil a (1992:90): «Vale eco da
que na sua his ó ia p eg essa (…) se em uma his ó ia complexa de con e gência dos
e bos la inos sede e, ‘es a sen ado’ […] e esse. Esse a o pe mi e suge i que (…) em
se con luem o |+ ansi ó io| de sede e e o |+ pe manen e| de esse.»
4.2. Se e es a em po uguês medie al: e isão da li e a u a
Es e é um ema que, no âmbi o da língua po uguesa, em sido abalhado
sob e udo po Ma os e Sil a (1992, 2002) e B oca do (2011, 2014). São ambém es as
au o as que o necem a hipó ese explica i a pa a a e olução dos alo es des es e bos
que é explo ada e desen ol ida nes a disse ação.
Tan o B oca do (2014:99-100) como Ma os e Sil a (2002b:110) começam po
no a que se a es a pelo menos a é ao inal século XIV ins âncias em que es es e bos
são u ilizados ainda com sen ido e imológico, is o é, com o sen ido dos e bos la inos
15
De no a que exis e um e cei o empo e bal – o p e é i o pe ei o –, no qual o mas de ambos os
pa adigmas coexis iam. Teyssie ([1989]2005:125-126) não az menção des e, possi elmen e, po se
egis a um meno núme o de oco ências de o mas de i adas de sede e des e empo na ob a de Gil
Vicen e ela i amen e aos ou os dois mencionados. Es e e a já o caso no séc. XIII, como pode á se
con e ido adian e.
29
de que de i am: es a (<s a e, ‘es a em pé’) e se (<sede e, ‘es a sen ado’). Tal é
e i icá el em exemplos como
16
:
(1) E odo ome q(ue) o uozey o azoe o p ey o s ando en pee leuan ado e
nõ seendo [FR inal séc. XIII?]
(2) O juiz de e da a sen ença em publico e en loga con enial e nõ en loga
o pe. E de e da a sen ença seendo e nõ s ando nẽe andando. [TP inal séc.
XIII?]
(3) Quando es o iu Gal am nom ho[u] e an o de pode que podesse ala em
nem que podesse es a ; ca lhi aleceu o co açom e o co po e caeu em meo
do paaço como mo o [DSG inal séc. XIV]
Po ém, como B oca do (2014:99-100) no a, o uso de es a nes e sen ido é menos
equen e (‘ esidual’, nas suas pala as) que o de se : al é pa en e no exemplo (1), em
que se eco e à pe í ase “es ando em pé le an ado”, enquan o seendo oco e ainda
com o sen ido de ‘es ando sen ado’. Não obs an e, ambas as au o as pa ecem conside a
que es e ipo de uso dos e bos é a caizan e, uma ez que, pa a além de pouco
equen e, pa ece oco e sob e udo em géne os ex uais em que o uso de uma
linguagem conse ado a ou mais p óxima do la im é expec á el, como é o caso do
géne o ju ídico (B oca do, 2014:99) ou do géne o no a ial (Ma os e Sil a, 2002a:158).
Pa a além dis o, o mas de i adas de se ambém oco iam pa a a exp essão de
alo es de ansi o iedade, ou seja, em con ex os em que a ualmen e se u iliza ia o e bo
es a . Em p imei o luga , B oca do (2014:103-104) e Ma os e Sil a (1992:88) no am
que o mas de i adas de sede e ambém e am u ilizadas com o sen ido gené ico de
‘es a ’, an o em con ex os desc i i os – (4) –, como em con ex os loca i os – (5) e (6):
(4) Que is ’oie que eu sejo! [CV 389, Nunes 1981:229]
(5) Seendo o hon ado pad e en sa cela [DSG inal séc. XIV]
(6) e que o plazo que síía en Ped oso [DPs 1273]
Po ém, não só o mas de i adas de sede e e am u ilizadas com o sen ido de
‘es a ’, mas ambém o mas de i adas de esse, no amen e, an o em con ex os
desc i i os – (7) e (9) –, como em con ex os loca i os – (8) e (10):
(7) O p iol oi des o muy coi ado [LLC inal séc. XIV]
16
Todos os exemplos que cons am nes e pon o são ap esen ados po Ma os e Sil a e B oca do nos ex os
mencionados. Não obs an e, as on es dos exemplos são e e idas no inal des a disse ação.
30
(8) e os caualei os que e ã ẽ e a ilhauãse pelos lazos das capelinas [LLC inal
séc. XIV]
(9) As sas duas i mããs que e an mui coi adas pola sa mo e, ee on ao bispo
[DSG inal séc. XIV]
(10) Ca as donas que en on p esen es o on, con a on-no aas ou as [DSG inal
séc. XIV]
Des e modo, e i ica-se que e a co en e a u ilização de o mas pe encen es ao
pa adigma se em con ex os em que a ualmen e se u iliza ia o e bo es a ou, po ou as
pala as, que e a possí el encon a o mas de se , an o de i adas de sede e como de
esse, pa a a ma cação de um alo semân ico de ansi o iedade.
Não obs an e, um dado ele an e apon ado po B oca do (2014:103) é que nos
casos em que den o do pa adigma de se há o mas de i adas de ambos os pa adigmas
la inos, is o é, em que coexis em o mas de i adas an o de esse como de sede e pa a
ma ca a mesma pessoa e núme o do mesmo empo e bal, são selecionadas apenas
o mas de i adas de esse pa a a ma cação do alo de pe manência.
Também Teyssie (2005:128) ao analisa as o mas de i adas de sede e no
p esen e do indica i o e no p e é i o impe ei o do indica i o na ob a de Gil Vicen e,
au o do século XV-XVI, ou seja, do pe íodo em que a usão en e esse e sede e es á
p a icamen e ixada
17
, dando assim o igem ao pa adigma se como hoje o conhecemos,
a i ma o seguin e:
«E ec uámos […] sondagens que nos mos a am que os exemplos de se no
sen ido mode no são incompa a elmen e mais nume osos que aqueles em que o e bo
ap esen a o sen ido do mode no es a . É, como se ê, exac amen e o con á io do que
obse ámos pa a as o mas do ipo sejo, sés, e c., is o que, de um o al de eze, apenas
duas des as ap esen am o sen ido do mode no se , enquan o onze êm o sen ido de es a .
Assim, es as a ian es são duplamen e a caicas, po que o são não só pela o ma, mas
ambém pelo sen ido.»
17
«A conjugação de se , que esul a da usão em um pa adigma único dos pa adigmas de dois e bos […]
es á p a icamen e ixada na segunda me ade do século XVI» (Teyssie , 1982:68)
31
É suges i o que, num au o des a época, em que a oposição en e os alo es dos
e bos se /es a já es a ia consolidada, pe sis a associado o alo de ansi o iedade
associado às o mas de sede e que ie am a cai em desuso.
18
Rela i amen e à exp essão do alo de pe manência ou de ine ência, e am
selecionadas apenas o mas de i adas de se , como a i mado po B oca do (2014:103) –
«Pa a a exp essão des e alo [ine ência, pe manência ou es abilidade] oco em apenas
o mas de se » – e Ma os e Sil a (1992:89) – «pode-se ma ca o a ibu o que loca i o
que desc i i o com o aço semân ico |+ ansi ó io| e é neles que a a iação se /es a
oco ia, já que nos a ibu os ma cados como |+ pe manen e| é o e bo se o p edicado ».
Ou seja, es a es á excluído des es con ex os.
Assim, es es e bos compe i am apenas pa a a ma cação do alo de
ansi o iedade – compe ição em que es a p e aleceu, como é e i icá el no po uguês
a ual. No exce o abaixo ansc i o, a oco ência numa mesma sequência ex ual de
o mas de se e es a , ambos com o sen ido de ‘es a ’ (po encialmen e mais p óximo do
alo do a ual ‘ ica ’ no segundo caso) pa ece ambém sus en a es a gene alização:
(11) Eno nome de Deus. Eu ei don A onso pela g acia de deus ei de Po ugal,
seendo sano e saluo, emẽ e o dia de mia mo e (…) iz mia mãda pe que
de|pos mia mo e mia molie e meus ilios e meu eino e meus uassalos e
odas aquelas cousas que Deus mi deu en pode s en en paz e en olgãcia.
[TAII 1214]
Fazendo um es udo mais ap o undado da e olução des es e bos em es u u as
a ibu i as no pe íodo en e o século XIII e o século XVI e, ambém, uma análise
quan i a i a dos alo es ma cados po es es, Ma os e Sil a (1992, 2002) obse a que no
pe íodo a caico se oco ia equen emen e nes e ipo de es u u as em con ex os em que
a ualmen e se u iliza ia o e bo es a e que o uso de es a eio a aumen a
p og essi amen e nes as ao longo des es séculos. Segundo es a au o a, nos meados do
século XVI, a oposição semân ica en e es es e bos i ia a es a já bem es abelecida,
18
Po ou o lado, ambém é de no a que se 2 das oco ências 11 de o mas de i adas de sede e oco em
com o sen ido de ‘se ’, en ão es e núme o é mui o supe io ao que se e i ica no co pus aqui cons i uído,
com exemplos do séc. XIII: 1 em 113. Conside ando que es es são usos a caizan es na ob a de Gil
Vicen e, al pode á indica que, de ac o, nes a época a dis inção se /es a já es a a bem consolidada.

32
embo a a a iação no uso de se ou de es a pa a a ma cação do alo de ansi o iedade
ainda osse possí el
19
.
Dada es a b e e exposição da li e a u a exis en e ela i amen e ao pe cu so
diac ónico do pa adigma se e dos alo es semân icos a es e associados, se ão
analisados alguns dados que suge em que pode se a ibuído um papel na his ó ia da
e olução dos alo es semân icos des es e bos ao ac o de se se um pa adigma
híb ido.
4.3. Oco ências de se e es a em po uguês medie al
Pa a se p ocede ao le an amen o das oco ências des as o mas em po uguês
medie al, eco eu-se ao Co pus In o ma izado do Po uguês Medie al (CLUNL,
FCSH-UNL) e ao Dicioná io de Ve bos do Po uguês Medie al (CIPM/DVPM).
Como co pus op ou-se po seleciona alguns dos mais an igos ex os poé icos em
po uguês: can igas da adas ou da á eis do século XIII (de aco do com a da ação
cons an e no CIPM) – can igas de escá nio e maldize , de amigo e de amo , e as
Can igas de San a Ma ia, de A onso X (1264-1284), ei de Cas ela e de Leão a pa i de
1252. Ace ca des es ex os Teyssie (1982:21) a i ma o seguin e:
«Es as compilações […] são esc i as numa língua complexa, que em po base os
ala es da Galícia e do No e de Po ugal. Nela se documen am a caísmos no á eis, a
a es a em que, pa a o seu público, es a li e a u a inha passado. Os au o es são an o
galegos como po ugueses. En e eles encon am-se a é leoneses e cas elhanos. O
galego-po uguês, em suma, apa ece nessa época como a língua exclusi a da poesia
lí ica».
Es e co pus oi assim cons i uído com base num c i é io de géne o – a poesia
lí ica – e de da a – o século XIII. O mo i o pelo qual se selecionou es e géne o li e á io
e es e pe íodo p ende-se sob e udo com a me odologia que se ado ou: a análise de
o mas de sede e que ie am a cai em desuso, sendo subs i uídas po o mas de esse.
19
Ma os e Sil a (2002b) analisa os usos de se em es u u as a ibu i as pa a a exp essão do alo de
ansi o iedade numa amos a das ca as de D. João III, meados do séc. XVI, e e i ica que em 82% das
oco ências es e e bo é u ilizado pa a exp essa o alo de pe manência e em 18% dos casos de
ansi o iedade. Conclui, assim, que o aço semân ico de ansi o iedade exp esso pelo e bo se es á
cla amen e a cai em desuso nes a época e que a oposição en e es es e bos já es a a bem de inida,
embo a a a iação ainda osse possí el.
33
A azão pela qual se op a pela análise des as o mas em especí ico é o ac o de,
endo es as o mas coexis ido com o mas de i adas de esse e compe ido com elas pa a
a o mação do pa adigma se , se o o caso que de ac o exis e uma di e ença semân ica
en e es as em e mos de ma cação de um alo de ansi o iedade, po oposição a um de
pe manência, al de e á se pe ce í el em momen os his ó icos em que se inha à
disposição o mas de i adas de ambos os pa adigmas, espe ando-se que cada uma seja
p e e ida pa a a ma cação des es hipo é icos alo es que lhes são a ibuídos. Ou seja,
p e ende-se in es iga qual dos pa adigmas – esse ou sede e – é p e e ido pa a exp essa
ansi o iedade ou pe manência.
Pa a além dis o, analisa-se ainda alguns dos ipos de cons uções em que es as
o mas oco em, azendo-se um pa alelo com as a uais possibilidades de oco ência dos
e bos se e es a , com o obje i o de se a e igua se é possí el associa aos pa adigmas
sede e e esse algumas das a uais es ições ou possibilidades de oco ência des es
e bos. P ocede-se assim não só a uma análise semân ica, mas ambém a uma análise de
con ex os sin á icos, p ocu ando-se es abelece alguns pa alelos no uncionamen o do
a ual e bo es a , com o en ão pa adigma sede e, de modo a a es a a hipó ese de que
o mas de i adas de sede e es a iam mais p óximas de o mas de es a , o que de e á se
isí el não apenas a um ní el semân ico, mas ambém a um ní el uncional.
Es a análise é mo i ada, sob e udo, po um dos p incípios da g ama icalização
mencionados: o p incípio da pe sis ência. Es e p incípio isa elaciona a unções de um
i em g ama ical com a sua his ó ia enquan o mo ema lexical e, segundo Hoppe
(1991:28), embo a es a elação enha equen emen e a o na -se opaca, é expe á el que
no seu pe cu so diac ónico, as o mas passem um es ágio de polissemia, em que aços
dos seus alo es semân icos an e io es pe sis em.
Jus i ica-se, assim, an o a seleção do pe íodo his ó ico como do géne o li e á io:
é nes e pe íodo his ó ico que é possí el a es a um ele ado núme o de o mas de i adas
de sede e que compe iam com o mas de i adas de esse, o que, como e e ido po
Teyssie (1982:21), não é independen e do géne o li e á io, uma ez que es e p omo ia
o uso de uma linguagem a caica.
Assim, nes e pon o, egis am-se as oco ências das o mas de i adas de sede e
de p esen e, p e é i o impe ei o e p e é i o pe ei o do indica i o, que são aquelas que
ie am a se in eg almen e subs i uídas po o mas de esse, e isa-se sis ema iza os
34
alo es semân icos que ma cam, analisa o géne o de cons uções em que oco em –
compa ando com o mas de i adas de esse –, e o géne o de con ex o em que oco em.
4.3.1. As o mas de i adas de sede e
4.3.1.1. P esen e do Indica i o
Em can igas do século XIII, a es ou-se um o al de 57 oco ências de o mas de
p esen e do indica i o de i adas de sede e, ap esen adas em seguida
20
:
(1) Amigas amanha coi a nunca so i pois oi nada, e di ei ola g an coi a con que
eu sejo coi ada [CAmi123]
(2) Nunca ós ejades coi a, amigas, qual m’ oj’ eu ejo, e di ei os a mha coi a con
que eu coi ada sejo [CAmi123]
(3) And’eu mo end’e mo endo sejo [CEM167]
(4) Que emosa que sejo, mo endo con desejo; [CAmi064]
(5) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(6) […] pe o, amiga, pos migo ben aqui, u mh o a sejo, [CAmi463]
(7) Meu amig’, u eu sejo, nunca pe ço desejo se non quando os ejo, [CAmi502]
(8) Quen lh’ o a dissesse quan is ’ oj’ eu sejo [CAmi053]
(9) A mais emosa de quan as ejo en San a en, e que mais desejo, e en que semp e
cuidando sejo, [CAM621]
(10) Oymais a mo e me con en, ca an coy ado sejo [CAM687]
(11) e ós i edes coi ad’ e con g an desejo de me ee e mi ala , e po en sejo semp ’
en coi a an o e [CAmi499]
(12) Que leda que oj’ eu sejo [CAmi080]
(13) Que is ’ oje que eu sejo, [CAmi159]
(14) Coi ada sejo no meu co açon po [que] meu amigo diz ca se que i daqui
[CAmi164]
(15) Pe quan ’eu ejo, pe co-me desejo, hei coi a e pesa ; se and’ou sejo [CEM241]
(16) Se m' a sela non segui en que assen ada sejo [CSM153]
(17) el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’ ago a sej’, amiga [CAmi463]
(18) Sej’ eu mo endo con coi a, amanha coi a me ilha [CAmi123]
(19) Pe bo~a e, mui emosa sanhuda sej’ eu [CAmi052]
(20) Sej’ eu emosa con mui g an pesa e mui coi ada no meu co açon [CAmi316
(21) […] e pois u sees u el seé, oga po nos u mes e o . [CSM080]
(22) Lopo jog a , és ga gan om e sees is ’ao come ; [CEM258]
(23) […] e pois u sees u el seé, oga po nos u mes e o . [CSM080]
20
Todas as e e ências dos exemplos que cons am nes e pon o, 4.3., são do CIMP.
35
(24) […] e oi nos Ceos po el co õada,e a pa dele see oda ia. [CSM150]
(25) Logo o on ajun ados quan os y e an en on, e os pees lle ca a on e í onos de
eyçon que os a e~e de ia, e an ben sãos que non podian mello see-
lo. [CSM391]
(26) e gua da-m' a Vi gen San a, que con Deus see no õo, e me so eu en sas mãos
pola ssa g an ca idade. [CSM175]
(27) E aly ssé oge dia, en que an g an de oçon odos. [CSM342]
(28) Po Reynna od' ome a e ia que a isse a seu Fillo le a daques e mund', e sigo a
sobia ao ceo, u ssé con el a pa e guia-nos com' Es ela do Ma ; [CSM180]
(29) e eu dize -cho que o ca meu Fill', u el ssé, en po ben que cho diga, e di ei-cho,
senne . [CSM296]
(30) aques e San a Ma ia ou ' en si pe bõa e, po que ez dela sa Mad e Deus, e cabo
dele ssé nos çeos, onde sa g aça en ia a nos acá. [CSM418]
(31) eu y ei u é aquel, e es e que ssé aqui ben en e ollado a ei sol a . [CSM135]
(32) Que con es a mia c iada cuidas casa , pe o me pes, que ja ssé eno aamo, oda ben
cobe a d' al es. [CSM125]
(33) Es o mui g an de ei ' é de os nenb a das elicas da Vi gen que con Deus ssé
[CSM035]
(34) De Deus nosso Pad e que en ceo ssé. [CSM265]
(35) Seu engano nada é, pois po nos an e Deus sé a en que icou a e, que nos caudela.
[CSM190]
(36) e de ós, amiga, cada u sé alando [CAmi507]
(37) eu o ssey, mays po Deus, que no ceo sé, que me quey ades mal po em
[CAM277]
(38) Non os é g an ma a illa de lum' ao cego da a que con Deus, que é lume, sé no
ceo pa a pa . [CSM177]
(39) Ca pois ela enos ceos sé con Deus e sa Mad ' é [CSM177]
(40) mais og’ a Deus, que [e]no ceo sé [CAmi454]
(41) A p imei a, que M é, mos a de com' a nossa e, naçend' ela, naçeu e sé y i m' a
queno comedi . [CSM410]
(42) De sabe an sabedo é, que ben du con seu illo sé dali mos a, pe "bõa e, que mui
longe ai seu sabe . [CSM168]
(43) Es a capela no alcaça é da San a Vi gen u icou a e, e den o hu~a ssa igu a sé
ei a como quando pa iu e jaz. [CSM122]
(44) e po en, maca nos ceos ela con seu Fillo sé [CSM242]
(45) No eino de Mu ça un loga é mui o e e mui nob e e que sé sobelo ma [CSM339]
42
o mas de i adas de esse es a ia associado um alo de pe manência, enquan o a o mas
de i adas de sede e es a ia associado um alo de ansi o iedade. Po ém, é de no a que
é ambém possí el a es a oco ências de es a nes e con ex o, como em (6).
4.3.1.3. P e é i o Pe ei o do Indica i o
De o mas de p e é i o pe ei o do indica i o de i adas de sede e a es a-se
apenas 14 oco ências, sendo que não se encon ou nenhuma oco ência des as o mas
em can igas de amo .
(1) Nem is es nunca nulh’home come com’eu comi, nem is es al jan a , nem is es
mais iços’home see do que eu se i, em nem um loga , ca a mim nom mingua a
nulha em; [CEM084]
(2) E mui ’en adado de seu pa la se i g am peça, se mi alha Deus, e osquia am
es es olhos meus. [CEM244]
(3) Pa a men es en quan ' ago a aqui is e ou osi [e] ena choça, ali u migo se is e
[CSM075]
(4) E que os e dade diga, el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’ ago a
sej’, amiga, que logo m’ en ia ia manda[d’ ou s’ a o na ia] [CAmi463]
(5) U nou o dia se e Dom Foam a mi começou g am noj’a c ece de mui as cousas
que lh’oí dize . [CEM422]
(6) El se e mui ’e diss’e pa iou e a mim c eceu g am nojo po en [CEM422]
(7) E daques a guisa se e mui os dias que dei a-la pe nulla en non podia nen ou ossi
aspassa-la [CSM199]
(8) E od' aques o oi ei o dia de Pascua a luz pe ela e pe seu Fillo, aquel que se e na
c uz que agia nos seus b aços [CSM235]
(9) Non con en que seja ei a nihu~a desapos u aeno loga en que se e da Vi gen a ssa
egu a. [CSM312]
(10) En on aquel bõo ome se e g an peça cuidando de como iu es e ei o, e mui o
men es pa ando [CSM335]
(11) Pois que a o açon ei a ou e, an os e ll'a a on as mãos a as e logo agynna o
en o ca on (…). E asi se ' aquel dia o mançebo pendo ado. [CSM355]
(12) Con a non pode ia do doo que eze on a sog ' e a menynna e quan os y se e on
[CSM241]
(13) assen a on-ss' a jan a ; odos a hu~a oguey a se e on a de edo . [CSM245]

43
À semelhança dos casos an e io es, es as o mas oco em em con ex os loca i os
e desc i i os e, ambém, em cons uções com ge úndio – duas oco ências em (4) e uma
em (10) – e, ainda, em con ex o de sede e + adje i o/pa icípio passado – (2) e (11).
Das 14 oco ências, 7 são em con ex o loca i o e 7 em con ex o desc i i o.
No amen e se e i ica que nas Can igas de San a Ma ia há uma maio oco ência des as
em con ex o loca i o (5, con a 2 em desc i i o), sendo que nas es an es can igas
cons am 5 em con ex o desc i i o e 2 em con ex o loca i o.
Em elação às o mas de i adas de esse, o mesmo se con i ma que nos casos
an e io es. Nos exemplos (16), (17) e (18), as o mas de i adas de esse oco em com o
sen ido de ‘es a ’, em con ex o loca i o em (16) e (17) e em con ex o desc i i o em
(18). Já nos exemplos (14) e (15) ma cam o alo de pe manência/ine ência:
(14) Eles nunca, pois nace om, o om pegu ei os; [CEM105]
(15) Bem sabedes, senho Rei, des que ui osso assalo, que semp e os agua dei
[CEM127]
(16) Depois, un dia de es a, en que o on jun ados mui os judeus e c ischãos e que
joga an dados [CSM006]
(17) Daques o o on [mui] ma a illados quan os das e as y o on jun ados [CSM039]
(18) que os aça an ledo see migo quan leda ui oj’ eu, quando os i [CAmi289]
Pos o is o, con i ma-se que, à exceção de um caso, odas as o mas de i adas de
sede e que compe iam com o mas de i adas de esse e am selecionadas apenas pa a a
ma cação do alo de ansi o iedade, apa en ando, assim, se o caso que es as o mas
e am p e e idas pa a a ma cação des e alo , enquan o as de esse e am p e e idas pa a a
ma cação do alo de pe manência. Es e dado pa ece supo a a hipó ese segundo a qual
os alo es e imológicos des es e bos e iam desempenhado um papel ele an e na
e olução semân ica dos alo es des es e bos – se e es a –, o necendo ambém uma
possí el hipó ese explica i a pa a o ac o de, em po uguês medie al, es es e em
compe ido pa a a ma cação do alo de ansi o iedade.
4.3.1.4. Ou as oco ências
Nes es conjun os de can igas a es am-se, ainda, 7 oco ências de o mas
de i adas de sede e de empos e bais cujas o mas u ilizadas e am, sob e udo, as
de i adas de esse, nomeadamen e, de p e é i o mais-que-pe ei o do indica i o, de
impe ei o do conjun i o e de u u o do conjun i o.
44
A en ando, em p imei o luga , na única o ma de p e é i o mais-que-pe ei o
de i ada de sede e egis ada no DVPM, e i ica-se que oco e, p e isi elmen e, com o
sen ido de ‘es a ’, em con ex o de sede e + ge úndio:
(1) De g and 'e o que á ei o. E mui de ijo cho ando des i sacou seu cui elo e
es e ' assi allando sa lingua, con que a Vi gen se e a mal de~os ando.
[CSM174]
Uma possí el explicação pa a es a oco ência pode á se de ca iz es ilís ico:
e i a a epe ição do e bo es a . Po ou o lado, a o ma egula o a (que oco e
equen emen e nes as can igas) se ia, nes e con ex o, in e p e ada como uma o ma de
i
24
, que nes e géne o de cons uções já ha ia g ama icalizado pa a a ma cação de
alo es aspe uais especí icos. Se es a explicação o plausí el, no amen e se e i ica
uma p oximidade en e os e bos se (<sede e) e es a , que oco em nes e con ex o não
só como sinónimos, mas ambém na mesma cons ução: es a /sede e + ge úndio.
A es am-se, ambém, duas oco ências de impe ei o do conjun i o, que oco em
com o sen ido de ‘es a ’, em con ex o loca i o:
(2) E se osco na casa se esse e isse ós e a ossa colo , se eu o mundo em pode
e esse, nom os a ia de odos senho , nem d’ou a cousa onde sabo
hou esse. E d’u~a em seede sabedo : que nunca oi ilha d’empe ado que de
beldade peo es e esse. [CEM364]
(3) Que, se ll' o ca alo désse / i o, po en[de] posesse / un de ce a que se esse /
an ' ela que odos ee. [CSM375]
No caso (2), a mo i ação pa ece se semelhan e à an e io : po um lado, man e a
ima em -esse, po ou o, e i a a epe ição com o e bo es a , que oco e no úl imo
e so. Em (3), já não se e i ica necessidade de e i a a epe ição com es a , po ém,
ambém é de no a que se a es a apenas uma única oco ência de o mas de impe ei o
do conjun i o de es a nas Can igas de San a Ma ia e em con ex o semelhan e
25
.
Po im, a es am-se qua o oco ências de u u o do conjun i o, 3 em con ex o
loca i o e 1 em desc i i o:
24
Como se á is o no pon o seguin e, pa ece se o caso que o mas de i adas de esse não oco em es e
géne o de cons uções.
25
«E po aques o sas ca as lles manda a que e~essen / ali sal os e segu os con quan o age quisessen,
/ e que non ou essen medo, enquan ' ali es e essen, / de pe de en do seu nada nen p ende en dessabo es /
A que de ende do demo as almas dos pecado es...» [CSM379]
45
(4) Pois minha senho me manda / que non aa, u ela see ', / que o-lh' o eu po én
aze , / pois m' o ela assi demanda. [CAM633]
(5) Ca u noi ' e dia senp ' es ás ogando eu Fill', ai Ma ia, po nos que, andando
aqui pecando e mal ob and'-o que u mui ' a o eces- non que a, quando
se e julgando, ca a nossas sandeces. [CSM020]
(6) e pois m'es e ben ezis e, quando me o mes e , u eu Fillo se e julgando,
quei as po mi azõa . [CSM362]
(7) E disse a un seu ome: "Vai- e, senne , / ben aly u o Empe ado se e ; / aques as
ca as dei a ás como que / long' hu~a d'ou a, ca ajun adas non." / Semp ' a
Vi gen san a dá bon guala don ... [CSM265]
Rela i amen e aos casos (5) e (6), a mo i ação pa ece, no amen e, se
semelhan e à do caso (1): o mas de i adas de esse não oco em nes e géne o de
cons uções e, nes e caso, se iam in e p e adas como o mas de i . Já (4) e (7) pa ecem
se mo i adas po ques ões de ima. No en an o, nes es casos, ica po de e mina po
que azão não oi u ilizado an es o e bo es a , uma ez que, se bem que pouco
equen emen e, e am ambém usadas o mas de es a nes es empos e bais.
4.3.2. Sede e + ge úndio
Cons a a-se que já no século XIII é possí el encon a a cons ução es a +
ge úndio, que, de aco do com Lopes e B oca do (2016:475), oi uma cons ução que
g ama icalizou cedo na língua po uguesa, a pa da pe í ase i + ge úndio:
(1) Di-me que azes, meu illo, ou que es ás a endendo, que non e~es a a mad e,
que ja sa mo ' en ende. [CSM006]
(2) Ca u noi ' e dia senp ' es ás ogando eu Fill' [CSM020]
(3) E quan as donas eu i, des quando me oi d' aqui, punhei de as cousi , e poilas
i, es i e cuidando en ós, senho [CAM245]
(4) Vi co ei es de g am b io en’o meio do es io es a emendo sem io
[CEM050]
Como já a i mado, nes e pe ído, é ambém possí el encon a es e géne o de
cons uções com o e bo se (< sede e). Em po uguês con empo âneo, es a cons ução
é impossí el, admi indo-se apenas o e bo es a : «Os dois e bos [se e es a ] oco em
no mesmo ipo de cons uções sin á icas, exce uando-se as chamadas pe í ases de
p og essi o, em que apenas se admi e es a (c . O João es á / *é a abalha /
abalhando).» (B oca do, 2014:97).
46
Não obs an e, segundo Lopes & B oca do (2016:475)
26
e Ma os e Sil a
(2008:441-444), em cons uções do géne o see + ge úndio, o e bo sede e, à
semelhança de jaze , oco e ainda com sen ido e imológico:
«O exame dessas sequências nos Diálogos de São G egó io nos suge iu que
jaze e see , nas sequências com ge úndio, semp e man inha o signi icado e imológico.
Já anda e es a podem oco e , cla amen e, sem acepção e imológica. […] O e bo i ,
po sua ez, já exp essa o aspec o du a i o dinâmico, na maio ia das oco ências, sem
indicação do seu alo semân ico p óp io» (Ma os e Sil a, 2008:442).
O mesmo não se e i ica nas oco ências a es adas nes as canções, dos empos
e bais mencionados: das 18 oco ências, apenas 9 apa en am pe mi i a lei u a de ‘es a
sen ado’, oco endo as es an es 9 com o sen ido gené ico de ‘es a ’. De no a , ainda,
que enquan o nenhuma das oco ências de p esen e do indica i o – (3), (5), (9), (18) e
(36) – pe mi e es a lei u a, odas as oco ências de p e é i o impe ei o – (2), (3), (4),
(6), (11), (28) e (33) – pe mi em
27
.
No e-se, assim, que, apesa de es es dados suge i em que es e e bo es á a passa
po um p ocesso de g ama icalização nes as cons uções, o e bo sede e, sob e udo no
p e é i o impe ei o, ap esen a uma endência pa a conse a o sen ido e imológico
conside a elmen e supe io ao que se e i ica nos es an es con ex os. Já o e bo jaze ,
apesa de não sido aqui e e uada uma análise exaus i a, apa en a conse a o seu
sen ido e imológico nes as cons uções. Po ém, como B oca do (2014:102) no a, as
o mas de jaze passa am em po uguês an igo po um p ocesso de desseman ização
idên ico ao que oco eu com se (<sede e) e es a , podendo oco e com o sen ido mais
gené ico de ‘es a ’ ou ‘ ica ’. Ve i ique-se, ainda, que es es e bos oco em
equen emen e em con ex os, e a é a pa de, ou os e bos que ie am a g ama icaliza ,
26
«In pas s ages some occu ences o o ms om sede e s ill show he p ese a ion o hei e ymological
“pos u al” alue, while he lexical alue o es a “s and” seems o ha e bleached ea lie . Excep o ,
pe haps, a ew esidual cases […] pe iph ases wi h es a +ge show ull g amma icaliza ion […]. This is
ne e he case wi h se : when i occu s in cons uc ions wi h ge und, i has a lexical “pos u al” alue […]
and we ound no e idence o a g amma icaliza ion p ocess a ec ing he cons uc ion o he exp ession
o he p og essi e aspec ». (Lopes & B oca do, 2016:475)
27
Repa e-se ambém que, nas can igas de escá nio e maldize , de amo e de amigo, no p esen e do
indica i o es as o mas oco em p edominan emen e em con ex o desc i i o (24 con a 5 em con ex o
loca i o), já as o mas de p e é i o impe ei o oco em exclusi amen e em con ex o loca i o. Pa ece,
assim, exis i uma di e ença de alo es associada aos di e en es empos e bais.
47
como i e es a , ou que es ão a passa pelo p ocesso de g ama icalização, como anda
28
.
No e-se, po exemplo, que odos es es e bos oco em a pa de “cuida ”:
(1) Tod' aques o oi cuidando men e siia comendo [CSM045]
(2) E es a coi a, de que eu jaço cuidando semp e, des que me dei o, pois me le o,
sol non é en p ei o, que cuid' en al; [CAM183]
(3) Ve[e]des m’anda mo endo, e ós jazedes odendo ossa molhe !
[CEM166]
(4) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(5) Amigo, p egun a os ei en que andades cuidando, pois que andades
cho ando [CAmi160]
Como a i mado, em 50% das oco ências a es adas, o e bo sede e apa en a
conse a ainda o sen ido pos u al de ‘es a sen ado’ – exempli icado em (1), (6) e (7).
Nou os casos, apenas uma lei u a de ‘es a ’ pa ece se possí el, sob e udo quando es e
e bo oco e no mesmo géne o de con ex os em que aqueles e bos que ie am a
g ama icaliza , ge ando pe í ases aspe uais, ambém oco em equen emen e – (8) e
(9):
(6) Ond' a e~o que un dia ambos jan ando siiam e que odo-los se gen es, o as
aquele, se ian [CSM067]
(7) U seyam comendo cabo daquela on e, [CSM057]
(8) And’eu mo end’e mo endo sejo, e el em semp ’o cono sobejo, e laze o-
m’eu mal. [CEM167]
(9) A mais emosa de quan as ejo en San a en, e que mais desejo, e en que
semp e cuidando sejo, non ch' a di ei, mais di ei-ch', amigo: ay Sen i igo! ay
Sen i igo! al é Al anx' e al Sese igo! [CAM621]
Re omando a análise de Ma os e Sil a (2008:441-444), a au o a a i ma o
seguin e: «Os dados obse ados pe mi em admi i que a locução e bal com ge úndio se
deixa e com cla eza com i , anda , es a , nessa o dem, mas di icilmen e com see e
jaze , que compo am signi icado e imológico. Con on ados com o po uguês
con empo âneo, emos que se e jaze desapa ece am nes e con ex o e os ou os
pe manecem com uma o ma de exp essa , associados ao ge úndio, o aspec o du a i o,
28
C . B oca do e Co eia (2012:126): as au o as no am que o p ocesso de g ama icalização nes as
es u u as começou mais a de ela i amen e ao que sucedeu com os e bos es a e i , uma ez que, nes e
pe íodo, es as cons uções pe mi em ainda uma lei u a li e al de mo imen o, ou são de in e p e ação
ambígua, o que é indica i o de que o p ocesso de g ama izalização ainda es a a em cu so nes e pe íodo.

48
já po an o g ama icalizados esses e bos como auxilia es.» (Ma os e Sil a, 2008:441-
444)
A au o a no a que, a es e p ocesso de g ama icalização, es ão associados
p ocessos como o de desseman ização dos alo es lexicais ine en es a es es e bos e a
con iguidade dos cons i uin es em oco, obse ando que, nos casos em que os e bos
não ap esen am con iguidade ao ge úndio, mais acilmen e podem e uma lei u a
e imológica. Também sede e apa en a es a em a iação nes e aspe o:
(5) Amigas, sejo cuidando no meu amigo, [CAmi354]
(6) e de ós, amiga, cada u sé alando [CAmi507]
(7) Sedia la emosa seu si go o cendo [CAmi095]
(8) E que os e dade diga, el se e mui o cho ando, e se e po mi ju ando u m’
ago a sej’, amiga, que logo m’ en ia ia manda[d’ ou s’ a o na ia] [CAmi463]
Conside ando que nes e pe íodo o e bo sede e já ha ia desseman izado
comple amen e e que o seu uso com sen ido e imológico e a pouco equen e – como se
e i icou no pon o an e io –, é suges i o, que nes e géne o de cons uções, es as o mas
ap esen em alguma esis ência ao p ocesso de g ama icalização, man endo
equen emen e o seu sen ido e imológico
29
.
Pa ece, assim, se o caso que es e p ocesso es á a a ua em dois sen idos
di e sos: po um lado, es es dados suge em que es e e bo es á a passa po um
p ocesso de g ama icalização, o que, de aco do com es e quad o de es udos, é uma ideia
plausí el, uma ez que es e e bo não só oco ia em con ex os em que já ou os e bos
inham g ama icalizado ou es a am em p ocesso de g ama icalização, o nando-se
e bos auxilia es; como es á ipologicamen e p óximo desses: es a (<s a e – ‘es a em
pé’); jaze (<jace e – ‘es a dei ado’); anda (<ambula e – ‘anda ’) e i (pa adigma
suple i o que in eg a o mas de i e, ade e e esse).
Po ou o, an o o e bo se (<sede e), como jaze ap esen am uma endência
pa a conse a o sen ido e imológico nes e géne o cons uções. Possi elmen e, al
pode á de e -se ao ac o de es as o mas es a em a compe i di e amen e em e mos
semân icos com uma cons ução já g ama icalizada: es a + ge úndio. No e-se que,
pe dendo o alo pos u al o iginal, odos es es e bos passam a exp imi ,
gene icamen e, ‘es a ’: s a e, ‘es a em pé’; sede e, ‘es a sen ado’; e iace e, ‘es a
29
Fica po in es iga se exis e alguma elação en e os empos e bais e o sen ido com que es as o mas
oco em ou se al se á um aspe o de me o acaso.
49
dei ado’. O mesmo já não sucede com os es an es e bos auxilia es – anda , i e,
ambém, pos e io men e, i –, que nes as cons uções ap esen am (ou i iam a
ap esen a ) di e en es ma izes aspe uais
30
.
In es igou-se, ainda, se o mas de i adas de esse podem oco e nes e géne o de
cons uções e e i icou-se que, numa amos a de 200 can igas – de CEM001 a CEM100
e de CSM001 a CSM100 –, não oi possí el encon a uma única cons ução des e
géne o com uma o ma de se de i ada de esse. Pa ece, assim, se o caso que as o mas
de i adas de esse es ão p oibidas nes e ipo de cons uções (algo que só uma análise
exaus i a pode ia con i ma ). Tendo em con a que es e é o único con ex o sin á ico, em
po uguês con empo âneo ,em que o mas de se não são admi idas, po compa ação a
o mas de es a , es e dado pe mi e, no amen e, consolida a hipó ese de que, de ac o,
o mas de i adas de sede e es a iam mais p óximas do e bo es a , podendo, des e
modo, e sido esponsá eis pela sob eposição do pa adigma se ao pa adigma es a em
po uguês an igo.
Assim, a análise des as o mas nes a cons ução pe mi e e idencia não só uma
p oximidade en e o mas de i adas de sede e e o mas de es a , como ambém a sua
compe ição, o que pode á e de e minado e en ualmen e que o mas de i adas de
sede e caíssem em desuso nos casos em que exis iam o mas de i adas de ambos os
pa adigmas (sede e e esse), e uma pos e io consolidação da oposição se /es a em
e mos dos alo es ma cados. Nes e sen ido, um dado suges i o a apon a é o ac o de
que o pe íodo em que a usão de esse e sede e se ixa, dando assim o igem ao
pa adigma de se como hoje o conhecemos, coincide com o pe íodo em que a oposição
en e os alo es semân icos de se e es a se consolida: a segunda me ade do século
XVI
31
. Nes e pe íodo, apesa de ainda se possí el encon a casos em que se é
u ilizado pa a ma ca um alo de ansi o iedade, es es são pouco equen es e pa ecem
se comumen e conside ados a caísmos.
30
« […] nos alo es ma cados pelas duas cons uções i / anda + ge úndio, há in e seção apenas em
e mos da i e ação ma cada. Os alo es especí icos deno ados com i pa ecem con i ma a ideia de que há
uma pe sis ência, na cons ução em es udo, do seu signi icado lexical in ínseco, con as ando em e mos
de ‘deslocação o ien ada’, po oposição a anda , deno ado de ‘deslocação não o ien ada’. Quan o a i +
ge úndio, é mui o menos signi ica i o o núme o de a es ações assinaladas.» (B oca do & Co eia,
2012:121-136).
31
Repe e-se aqui a a i mação de Teyssie (1982:68): «A conjugação de se , que esul a da usão em um
pa adigma único dos pa adigmas de dois e bos, um dos quais ep esen a o la im sum e o ou o sedeo,
es á p a icamen e ixada na segunda me ade do século XVI»
«A mudança que le ou à oposição semân ica se /es a em es u u as a ibu i as es a a concluída no
século XVI.» Ma os & Sil a (1992:89)
50
4.3.3. Sede e + pa icípio passado / adje i o
A ques ão da ca ego ização dos pa icípios passados em sido bas an e deba ida,
de ido ao ac o de es es pode em unciona como adje i os. B i o (2003:374-375), po
exemplo, é uma das au o as que apon a pa a á ios aspe os em que os pa icípios
pa ilham p op iedades com adje i os: su gem em posição p edica i a ou a ibu i a,
podem se modi icados po exp essões de g au, ap esen am ma cas de géne o e núme o,
podem se subs i uídos pelo clí ico demons a i o -o em ases p edica i as, admi em
diminu i os, e c.
Po es e mo i o, es es êm sido di ididos en e pa icípios e bais e pa icípios
adje i ais, caso em que o pa icípio passado unciona como um adje i o. Dua e
(2013:443), po exemplo, a i ma que nas cons uções passi as com es a é ob iga ó ia a
eca ego ização do pa icípio como adje i o. Po sua ez, as passi as êm sido
dis inguidas en e passi as e bais (que se cons oem com se ) e passi as adje i ais (em
que con igu am as passi as com es a ).
Raposo (2013:1309-1310) é ambém um dos au o es que classi ica es e géne o
de cons uções em que os pa icípios se associam ao e bo es a como cons uções em
que os pa icípios são u ilizados adje i almen e. Como e e ido no pon o 2.2., no a que
só pa icípios de e bos que deno am si uações élicas podem oco e com o e bo
es a . Assim, es as es u u as deno am o es ado esul a i o ou consequen e, ou seja, o
no o es ado da en idade que so e a mudança.
Po ém, ou os au o es como Dua e e Oli ei a (2010) suge em uma ipologia
ipa ida dos pa icípios com base em Embick (2004): pa icípios e en i os, que
oco em com se nas passi as e bais; pa icípios esul a i os, que oco em com ica ; e
pa icípios es a i os, que oco em com es a . Enquan o os pa icípios e en i os se
dis inguem dos esul a i os e es a i os po con e em uma componen e agen i a, os
pa icípios es a i os dis inguem-se dos e en i os e esul a i os pela ausência de uma
componen e e en i a elacionada com a mudança de es ado.
Assim, segundo es es au o es, associada às passi as e bais com se emos a
agen i idade e, po an o, a possibilidade de ealização do agen e da passi a, compa e-
se:
(1) a. A janela é abe a pelo segu ança.
b. A janela es á abe a *(pelo segu ança).
51
Associadas às passi as com es a emos a elecidade e, em pa icula , um oco
no p ocesso já culminado, ou seja, no es ado esul a i o ou consequen e. Como
consequência, es á ausen e a componen e e en i a elacionada com a mudança de
es ado. Compa ando (1a) com (1b) é possí el no a que enquan o (1b) é uma si uação
homogénea que exclui o pon o de culminação do e en o, (1a) é uma si uação não
homogénea que, nas pala as de Dua e (2013:440), desc e e especi icamen e a ase
dessa si uação em que oco e o p ocesso de mudança.
Em po uguês medie al, é possí el a es a a cooco ência do e bo es a e do
e bo se , an o de o mas de i adas de esse como de sede e, com pa icípio passado.
A en ando em p imei o luga nas oco ências de se , Ma os e Sil a (2002b:106), ao
elenca os á ios usos de se e es a em po uguês medie al, no a que se pode
cooco e com pa icípio passado como o mado de empo compos o de e bos
in ansi i os e e ga i os (em a iação com e e ha e ) ou como auxilia da passi a.
A en e-se nos seguin es exemplos:
(2) ca mi azedes ós em guisa al bem, mia senho , que depois é meu mal; e de al
bem nom sõõ eu pagado. [CEM368]
(3) mais o que p imei o disse oi: "San a Ma ia, al, ca po i sõo gua ido, ai,
Senno espe i al" [CSM324]
(4) D’u~a cousa sõõ ma a ilhado que nunca i a ou e con ece : de Ped o Bõõ,
que e a a içado e bem manceb’assaz pe a i e [CEM327]
(5) En on, quando odos i on que assi o an achados aqueles can os so e a,
g andes e mui ben quad ados [CSM358]
(6) Os ades, que cuida an que mo ' e a, po que un dia sen ala jou e a
[CSM054]
Pa a além dos usos elencados po Ma os e Sil a – auxilia da passi a em (3) e
(5) e auxilia de empo compos o em (6) –, o e bo se (<esse) oco e ainda com o
sen ido de ‘es a ’ em con ex os equi alen es aos das passi as adje i ais em (2) e (4).
Segundo a mesma au o a (2002b:106), o e bo es a pode oco e como auxilia
aspec ual, seguido de pa icípio passado, exp essando aspe o concluído. Nas pala as de
Raposo (2013:1309), es a a i mação pode se pa a aseada como: desc e endo um
es ado esul an e ou consequen e. Obse em-se os seguin es exemplos:
(7) ca se ou i e le ’o meu ogado, semp e me diz que es á emba gado de al
guisa que me nom pod’oi . [CEM432]
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de algum ipo de elação en e as o mas con aminadas e as o mas que de e mina am
con aminação. Ou seja, a al e ação o mal e i icada pe mi e assinala uma mo i ação
semân ica plausi elmen e de e minada pela p oximidade ou sob eposição pa cial dos
alo es ma cados pelas o mas dos dois pa adigmas, see (<sede e) e es a .»
Assim, Williams ([1939]1975:227-228) apon a pa a di e sos p ocessos de
analogia que oco e am en e es es dois pa adigmas. Em p imei o luga , a en ando no
pa adigma es a , o au o no a que o desen ol imen o des e oi in luenciado em g ande
medida pelas o mas de se : ela i amen e ao p esen e do indica i o, hou e o mas
diale ais s om, s emos e es omos, que se desen ol e am po in luência das o mas som,
semos e somos; ambém odo o pa adigma de p esen e do conjun i o se desen ol eu po
analogia com o p esen e do conjun i o de se – as o mas de i adas de s a e es e, es es,
e c. pe du a am a é ao séc. XVI, endo sido subs i uídas po es eja, es ejas, e c. po
analogia com seja, sejas, e c.; ambém no p e é i o pe ei o do indica i o, o mas com d
des e empo e dos empos de i ados, como s ede, o am subs i uídas po o mas com ,
es e e, po analogia com se i, se es e, se e.
Rela i amen e ao pa adigma se , Williams ([1939]1975:241-243) apon a pa a
duas o mas que su gi am possi elmen e po in luência do pa adigma es a : no p esen e
do indica i o, som oi subs i uído po sou po analogia com ou e es ou
32
e a o ma
diale al samos po analogia com es amos.
Re omando a ideia de que de e á e exis ido uma mo i ação semân ica
elacionada com a p oximidade en e os pa adigmas se e es a ou, mais
especi icamen e, de o mas de sede e e es a es e é ou o aspe o que pe mi e con ibui
pa a a consolidação da hipó ese aqui ap esen ada.
32
Também Nunes ([1919] 1956) a i ma «a p imei a pessoa, depois de e conse ado du an e bas an e
empo a o ma egula som, ocou-a pela ac ual sou, esul an e da in luência sob e aquela de igual pessoa
de ou o e bo, ambém de sen ido idên ico, es a ».

59
CONCLUSÃO
Em o ma de conclusão, p incipia-se po conside a -se uma a i mação de Ma os
e Sil a (1992:88): «Essa dis inção semân ica […] de pe manen e e sus ansi ó io
não es a a es abelecida no pe íodo a caico do po uguês. Um lei o de hoje, e pouco
igo oso, de ex os a caicos pode á supo que o e bo se cob ia o campo de es a nas
es u u as a ibu i as; ou o, mais igo oso, pode á supo que os dois e bos a ia am (e
não es a ia e ado) nessas es u u as, mas ambos pe cebe iam que a oposição acima
desc i a não exis a.»
Como is o, os e bos se e es a , de ac o, a ia am nes e géne o de es u u as,
no en an o, apenas no que espei a à ma cação do alo de ansi o iedade. Po es e
mo i o, e o mula-se a a i mação da au o a de que a oposição pe manen e/ ansi ó io
(ou, melho , a sua ma cação a a és da dis inção se /es a ) não exis ia ainda em
po uguês medie al, ao in és, julga-se mais igo oso a i ma que não es a a ainda
consolidada.
Conside ando a p óp ia hipó ese explica i a que é o necida po es a au o a, que
é aquela que oi aqui desen ol ida nes a disse ação, uma das condições necessá ias
pa a que a oposição se /es a se enha indo a consolida como a ualmen e a
conhecemos é que ela exis isse desde logo associada aos e bos lexicais que ie am a
da o igem a es es pa adigmas: o alo de pe manência associado a esse e o alo de
ansi o iedade a s a e.
Como oi is o, possi elmen e desde a p óp ia eme gência da língua que o e bo
s a e possui já o sen ido gené ico de ‘es a ’, ou seja, que es á em p ocesso de
desseman ização e, como a sua e olução demons a, em cu so de g ama icalização.
Desde modo, desde a sua o igem que lhe es á associado o aço de ansi o iedade.
Nes e sen ido, é e iden e que o e bo es a nunca e a selecionado pa a a ma cação de
p op iedades pe manen es.
P ocu ou-se en ão desen ol e a hipó ese de que oi o papel que o e bo sede e
desempenhou na o mação do pa adigma se que oi esponsá el pela a iação en e os
pa adigmas es a e se pa a a ma cação do mesmo alo : po um lado, esse, que não
possuía conjugação comple a, omou as o mas de sede e, possi elmen e, em i ude da
sinonímia da sua signi icação (Nunes, [1919] 1956:294) – o que é e iden e pelo ac o de
ou as línguas não aze em es a dis inção; po ou o, exis e um con as e semân ico
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associado aos e bos esse e s a e, sendo que desde cedo que o e bo es a apa en a já
es a em cu so de g ama icalização (B oca do, 2011:8) (ce amen e num p ocesso
c onologicamen e an e io ao e bo sede e (Lopes e B oca do, 2016:475)).
Dando con inuidade ao es udo des a hipó ese, uma ques ão pe inen e a
conside a se ia: se é o caso que de ac o as o mas de i adas de sede e ma ca am um
alo que pode se ca ac e izado como mais ansi ó io, enquan o as de esse ma ca iam
o de ine ência ou pe manência, po que azão e am, ainda assim, selecionadas nes es
casos o mas de esse pa a a ma cação do alo de ansi o iedade, quando se possuía
como al e na i a não só o mas de i adas de sede e, mas ambém o p óp io e bo
es a ? Julga-se que dois a o es pode ão e con ibuído pa a es e ac o: a p oximidade
semân ica en e se e es a , po um lado, e uma possí el con aminação dos alo es
associados às o mas de sede e às o mas de esse, po ou o, já que es as cons i uíam um
único pa adigma.
Des e modo, conclui-se que pa ece exis i e idência que apon a pa a o ac o de o
hib idismo de se e desempenhado um papel ele an e na elação semân ica
es abelecida en e es es e bos, em pa icula , na sob eposição do pa adigma se ao de
es a , na medida em que em alguns aspe os é possí el es abelece uma p oximidade em
e mos semân icos e de compo amen o en e os e bos sede e e s a e,
No en an o, alguns dos aspe os que o am aqui a ados me eciam um maio
ap o undamen o com base numa análise mais sis emá ica de um maio núme o de
dados. Pa a além dis o, pa a le a a cabo a a e a de in es iga que p ocessos de
mudança linguís ica (nes e caso, no quad o da á ea de es udos da g ama icalização)
in e ie am na e olução des es pa adigmas e de que modo é que esses p ocessos se
elacionam com o suple i ismo de se , se ia necessá io conside a dados de di e en es
momen os his ó icos.
Assim, uma in es igação que explo e ou os ní eis de análise e ou os a o es
que possam e conco ido pa a os p ocessos de mudança (semân ica e não só) a es ados
no pe cu so e olu i o des es e bos, cob indo um maio núme o de dados e um maio
espaço de empo, pa ece se indispensá el pa a uma melho comp eensão da his ó ia
des es pa adigmas e pa a da espos a às ques ões que icam po esponde e aos aspe os
que icam po ap o unda .
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