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Conflitos Contemporâneos: A Categoria "Refugiado" no Telejornalismo Brasileiro

Abstract

As migrações internacionais são uma realidade social que tornaram-se a temática central de debates políticos, econômicos e sociais de governos e organizações internacionais e, consequentemente, da mídia nos últimos anos. Para tanto, dentro do escopo de “migrações” existem diversas vertentes e categorias, entre elas os refugiados, tema desse estudo. Entender a complexidade dessa mobilidade humana, em pleno século XXI, faz-se necessário não apenas na agenda dos direitos humanos, mas nos meios de comunicação social, uma vez que esse último tem o poder de influenciar de forma positiva ou negativa na percepção de certos temas e até mesmo na recepção do país de acolhimento. O objetivo deste trabalho é entender como os telejornais brasileiros expõem as notícias sobre os refugiados, percebendo se há o cuidado de diferenciá-los ou não dos imigrantes; e por meio das Teorias de Comunicação, criar subsídios para entender se as notícias provindas das agências têm influência na pauta nacional, através da hipótese do Agenda-Setting. Em contrapartida, também procurou-se identificar de que forma as Representações Sociais impactam nesse contexto, com base na Análise de Discurso (AD) de quatro peças específicas. A investigação estabeleceu-se no levantamento de informações teóricas, como análise bibliográfica, posteriormente vinculada a uma Análise de Conteúdo (AC), que observou, nos meses de maio a setembro de 2015, os noticiários do Jornal Nacional, da Rede Globo, e do Jornal da Record, da Rede Record. A amostra consistiu na observação de 131 dias na íntegra dos telejornais, em que foram encontradas 61 peças relativas ao tema migração e apenas nove peças referentes a refugiados. Foi possível compreender que não há o cuidado com a nomenclatura de cada qual e, tampouco as notícias nacionais são mais relevantes que as internacionais. Por meio da AD verificou-se também que as matérias analisadas possuíam palavras de teor negativo, podendo assim, influenciar os telespectadores a entenderem o tema como algo violento e agressivo.

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Conflitos Contemporâneos: A Categoria "Refugiado" no Telejornalismo Brasileiro

Author: Mizga, Liege Scremin
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/21950/1/Liege%20Scremin%20_%20Conflitos%20Contemporaneos%20A%20Categoria%20Refugiado%20no%20telejornalismo%20brasileiro.pdf
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Mes e em Mig ações, In e -e nicidades e
T ansnacionalismo, ealizada sob e a o ien ação cien í ica de Susana T o ão.
“Não de e ha e on ei as pa a o se humano, pois
somos odos po ado es de uma mesma humanidade. O exe cício
dessa igualdade não ad ém da eliminação das di e enças é nicas.
A cidadania uni e sal es á pau ada em e nicidades simé icas, em
alo ização das di e enças cul u ais”.
Dom Demé io Valen ini
Fó um Social das Mig ações, 2005.
AGRADECIMENTOS
Quando o sonho é maio do que o medo udo se o na possí el. Te é, seja no que
o , é o que o na os dias mais le es e me az ac edi a em um amanhã mui o melho .
Po an o, ag adeço p imei amen e a Deus, po e me acompanhado du an e essa jo nada
e e me p esen eado com os dons da sabedo ia, do conhecimen o e da o aleza. A junção
de ambos me o na am uma pessoa dedicada e com co agem pa a i além-ma em busca
de um obje i o que hoje o na-se eal.
Ag adeço aos meus pais, Rosangela Sc emin e Edson Mizga, que, além da g ande
ajuda inancei a, em mui os momen os de angús ia e a lição o am minha on e de
ene gia. As sábias pala as p o e idas po eles me ize am pe cebe que udo na ida são
e apas e que um desa io nunca é maio do que a capacidade que me oi dada pa a
ul apassá-lo. A minha ealização p o issional semp e e á como base os ó imos exemplos
que i e em casa.
Aos meus amigos e amilia es, que de alguma o ma con ibuí am pa a que eu me
o nasse uma jo nalis a é ica e acompanha am, de pe o ou longe, os momen os di íceis,
cedendo o ab aço ca idoso e as pala as de calma ia que me de am supo e pa a ence
as di iculdades encon adas pelo caminho.
À Elaine Ja o ski, p o esso a, amiga e coo ien ado a, que desde 2012 acompanha
minha ida acadêmica, an o na á ea jo nalís ica, quan o da imig ação. Mesmo sem
qualque comp omisso, ez ques ão de p es a odo o auxílio e o ien ação de o ma
ex emamen e solíci a e à disposição pa a sana dú idas.
À Susana T o ão, p o esso a e o ien ado a, que com mui o gos o az pa e desse
p oje o, sendo solíci a, con ibuindo com ideias undamen ais pa a que o abalho omasse
co po, dando as o ien ações necessá ias pa a que o mais co e o pudesse se ei o e semp e
se mos ando disponí el e pacien e pa a o ien a uma aluna que es a a do ou o lado do
oceano lo ando sua caixa de e-mails.
A odo o co po docen e da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), da
Uni e sidade No a de Lisboa (UNL), pelos se iços p es ados e pelo ó imo acolhimen o,
em especial à Ma ga ida Ma ques, que desempenha um papel ex emamen e dedicado
como Coo denado a do Mes ado em Mig ações, In e -e nicidades e T ansnacionalismo.
CONFLITOS CONTEMPORÂNEOS: A CATEGORIA REFUGIADO NO
TELEJORNALISMO BRASILEIRO
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM MIGRAÇÕES, INTER-ETINICIDADES
E TRANSNACIONALISMO
LIEGE SCREMIN MIZGA
CONTEMPORARY CONFLICT: REFUGEE CATEGORY IN THE BRAZILIAN
TELEVISION JOURNALISM
MASTERS THESIS ON MIGRATION,
INTERETHNICITIES AND TRANSNATIONALISM
LIEGE SCREMIN MIZGA

RESUMO
As mig ações in e nacionais são uma ealidade social que o na am-se a emá ica cen al
de deba es polí icos, econômicos e sociais de go e nos e o ganizações in e nacionais e,
consequen emen e, da mídia nos úl imos anos. Pa a an o, den o do escopo de
“mig ações” exis em di e sas e en es e ca ego ias, en e elas os e ugiados, ema desse
es udo. En ende a complexidade dessa mobilidade humana, em pleno século XXI, az-
se necessá io não apenas na agenda dos di ei os humanos, mas nos meios de comunicação
social, uma ez que esse úl imo em o pode de in luencia de o ma posi i a ou nega i a
na pe cepção de ce os emas e a é mesmo na ecepção do país de acolhimen o. O obje i o
des e abalho é en ende como os elejo nais b asilei os expõem as no ícias sob e os
e ugiados, pe cebendo se há o cuidado de di e enciá-los ou não dos imig an es; e po
meio das Teo ias de Comunicação, c ia subsídios pa a en ende se as no ícias p o indas
das agências êm in luência na pau a nacional, a a és da hipó ese do Agenda-Se ing.
Em con apa ida, ambém p ocu ou-se iden i ica de que o ma as Rep esen ações
Sociais impac am nesse con ex o, com base na Análise de Discu so (AD) de qua o peças
especí icas. A in es igação es abeleceu-se no le an amen o de in o mações eó icas,
como análise bibliog á ica, pos e io men e inculada a uma Análise de Con eúdo (AC),
que obse ou, nos meses de maio a se emb o de 2015, os no iciá ios do Jo nal Nacional,
da Rede Globo, e do Jo nal da Reco d, da Rede Reco d. A amos a consis iu na
obse ação de 131 dias na ín eg a dos elejo nais, em que o am encon adas 61 peças
ela i as ao ema mig ação e apenas no e peças e e en es a e ugiados. Foi possí el
comp eende que não há o cuidado com a nomencla u a de cada qual e, ampouco as
no ícias nacionais são mais ele an es que as in e nacionais. Po meio da AD e i icou-
se ambém que as ma é ias analisadas possuíam pala as de eo nega i o, podendo assim,
in luencia os elespec ado es a en ende em o ema como algo iolen o e ag essi o.
PALAVRAS-CHAVE: Re ugiados; Imig ação; Telejo nalismo; Rep esen ação Social;
Mídia;
ABSTRACT
In e na ional mig a ions a e a social eali y ha ha e become he cen al heme o
poli ical, economic and social deba es o go e nmen s and in e na ional o ganiza ions
and, consequen ly, he media in ecen yea s. Wi hin he scope o "mig a ions" he e a e
se e al s ands and ca ego ies, among hem e ugees, he subjec o his s udy.
Unde s anding he complexi y o his human mobili y, in he mids 21s cen u y, is
necessa y no only in he human igh s agenda, bu in he media, since he la e has he
powe o in luence posi i ely o nega i ely he pe cep ion o ce ain subjec s and e en a
he ecep ion o he hos coun y. The objec i e o his s udy is o unde s and how he
B azilian news p og ams expose he news abou e ugees, pe cei ing whe he i is
necessa y o dis inguish hem o no om he immig an s, and h ough he Theo ies o
Communica ion, c ea e subsidies o unde s and i he news om he agencies ha e
In luence on he na ional agenda, h ough he Agenda-Se ing hypo hesis. On he o he
hand, i was also sough o iden i y how he Social Rep esen a ions impac in his con ex ,
based on Discou se Analysis (AD) o ou speci ic pieces. The in es iga ion was
es ablished in he collec ion o heo e ical in o ma ion, such as bibliog aphic analysis,
la e linked o a Con en Analysis (CA), which obse ed, om May o Sep embe 2015,
he news om Jo nal Nacional, Rede Globo, and he Jo nal da Reco d, Rede Reco d. The
sample consis ed o he obse a ion o 131 days in ull o he news, in which we e ound
61 pieces ela ed o he subjec mig a ion and only nine pieces e e ing o e ugees. I
was possible o unde s and ha he e is no ca e wi h he nomencla u e o each one and
nei he he na ional news a e mo e ele an han he in e na ional ones. Th ough AD, i
was also e i ied ha he analyzed subjec s had wo ds o nega i e con en , and could hus
in luence he iewe s o unde s and he subjec as some hing iolen and agg essi e.
KEYWORDS: Re ugees; Immig a ion; Tele ision jou nalism; Social Rep esen a ion;
Media;
Sumá io
In odução ............................................................................................................. I
Capí ulo I - O pano ama das mig ações a uais ...............................................VII
1. B e e his ó ico sob e as mig ações ......................................................... VII
2. Fluxos mig a ó ios no B asil ................................................................... XII
3. Re ugiados no B asil e seu enquad amen o legal .................................. XIV
Capí ulo II – Os media e sua in luência na escolha de mig a .................... XXI
4. O cuidado com as in o mações di undidas ............................................ XXI
5. As ep esen ações sociais nos meios de comunicação ......................... XXII
6. Os alo es no ícia ......................................................................... XXVII
7. A ele isão e a o mação de opinião ................................................ XXXIII
8. A in luência das agências no elejo nalismo nacional ..................... XXXVI
9. O pano ama mundial das mig ações no pe íodo da ecolha dos
Dados .................................................................................................... XXXIX
Capí ulo III – Os e ugiados na mídia .......................................................... XLII
10. P ocessos de pesquisa ......................................................................... XLII
11. T a amen o de dados .......................................................................... XLV
11.1 Po empo de exibição, ipo de no ícia e âmbi o nacional ................ XLV
11.2 Sob e o con eúdo .......................................................................... XLVIII
11.3 Sob e gêne o e nacionalidade .............................................................. LII
11.4 Sob e os ipos de on es ...................................................................... LIII
11.5 Sob e e ugiados .................................................................................. LV
11.6 A Análise de Discu so das no ícias sob e os e ugiados e a in luência na
ecepção dos mesmos pela população ....................................................... LVII
Conclusão ....................................................................................................... LXIX
Re e ências Bibliog á icas ......................................................................... LXXIV
LISTA DE ABREVIATURAS
ACNUR – Al o Comissa iado das Nações Unidas pa a Re ugiados
CONARE – Comi ê Nacional pa a os Re ugiados
IBGE – Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica
OIM – O ganização In e nacional pa a as Mig ações
OIR – O ganização In e nacional de Re ugiados
ONU – O ganização das Nações Unidas
UNRRA – Adminis ação de Soco o e Reabili ação das Nações Unidas
UNRWA – Agência das Nações Unidas de Assis ência aos Re ugiados da Pales ina
V
do dia e, a a és dos media”. Es a ese em a p e ensão de con ibui pa a o es udo de um
ema ausen e nas pla a o mas acadêmicas b asilei as, a a és das seguin es ques ões de
pesquisa:
1. Como é que os media b asilei os expõem os e ugiados nos elejo nais
diá ios?
2. A ca ego ia e ugiado é di e enciada de ou as ca ego ias associadas a
luxos mig a ó ios?
3. Em que medida as no ícias eiculadas em e i ó io nacional são pau adas
pelos meios de comunicação in e nacionais?
4. As no ícias de âmbi o in e nacional e e en e à e ugiados são mais
ele an es do que as nacionais?
De um pon o de is a me odológico, isualizamos e abalhamos na ín eg a cinco
meses dos p incipais elejo nais b asilei os, p ocu ando pe cebe como as aje ó ias
indi iduais de imig ação e as expe iências i idas pelos es angei os/ e ugiados são
no iciadas. O ma e ial ecolhido oi subme ido a uma Análise de Con eúdo, cujas
ca ego ias e ópicos emá icos o am cons uídos em unção das ques ões de in es igação
(Dencke , 2001: 153). A análise das epo agens assis idas apa ece assim o ganizada po
ipo de epo agem (pequena epo agem, g ande epo agem, no ícia), du ação, edi o ia,
on es, con ex ualização, nacional/in e nacional; po ocos emá icos ais como c ise
mig a ó ia, e ugiado, iolência, á ico, en e ou os; e segmen ada de aco do com
algumas a iá eis, como gêne o e nacionalidade dos mig an es e e enciados. Após esse
p imei o enquad amen o, as no ícias eco adas com o ema e úgio, o am subme idas a
uma no a análise, dessa ez de Discu so, pa a en a comp eende a a és de algumas
hipó eses como os elespec ado es pe cebe iam as no ícias e se, de alguma o ma, isso
pode ia impac a na o ma de ecebe os e ugiados.
O capí ulo I des a disse ação ca ac e iza-se pelo concei o, o e ecendo uma
con ex ualização dos luxos mig a ó ios no con ex o b asilei o e mundial, além de uma
abo dagem mais especí ica à ques ão dos e ugiados e seu enquad amen o legal em
a iculação com o cená io in e nacional. Responde-se a ques ões como o olume, em
e mos numé icos, de imig an es e e ugiados no B asil, assim como uma b e e
con ex ualização do pano ama a ual no país. O capí ulo II az uma e isão bibliog á ica
de es udos sob e comunicação, e i icando o que é conside ado no ícia e po que algumas

VI
delas em mais des aque do que ou as, além de analisa a in luência que a ele isão
p oduz em elação à escolha do imig an e ao se desloca de um país a ou o, explo ando
eo ias como a Hipodé mica, a hipó ese do Agenda-Se ing e a ele ância das agências de
no ícias na p odução nacional. Também az-se um pa alelo en e as Rep esen ações
Sociais, a ques ão do es e eó ipo e como isso, de alguma o ma, elaciona-se com as
mensagens di undidas pelos eículos de comunicação, impac ando nos compo amen os
e o ganização social.
Pa a en ende o escopo da pesquisa, como os dados ap esen ados a iam um
pa alelo com as ques ões eó icas e buscando e i ica se as pe gun as le an adas e iam
espos as iá eis, o Capí ulo III é ol ado à explo ação dos dados, undamen ando-se em
uma pesquisa bibliog á ica e, pos e io men e, unida à uma Análise de Con eúdo e de
Discu so. Fo am analisados, na ín eg a, nos meses de maio, junho, julho, agos o e
se emb o de 2015, os no iciá ios do Jo nal Nacional, da Rede Globo, e do Jo nal da
Reco d, da Rede Reco d. A amos a consis iu na obse ação de 131 dias dos elejo nais,
en e segunda e sex a- ei a. Fo am encon adas 61 peças ela i as ao ema mig ação e
no e e e en es aos e ugiados.
Po an o, con o me a pesquisa inicial, le an am-se as seguin es hipó eses, baseado
nas pe gun as as quais p e endem se espondidas po meio des e es udo:
1. As no ícias in e nacionais possuem maio ele ância no elejo nalismo
b asilei o do que as p óp ias no ícias locais;
2. A ca ego ia “ e ugiado” não é di e enciada das demais ca ego ias den o
das mig ações (imig an es, emig an es, asilados e apá idas);
3. São as agências de no ícias in e nacionais as esponsá eis po pau a o que
os media b asilei os i ão no icia ;
As hipó eses podem se en endidas como a suposição de algo que pode, ou não,
se e ossímil, c iando uma p opos a de solução, ou ao menos, uma o ma de
en endimen o do p oblema de pesquisa. Sendo assim, ao longo da disse ação se ão
expos os insumos pa a comp eende odo o pano ama dos deslocamen os, assim como as
pe gun as e hipó eses le an adas. A segui , e á início o p imei o capí ulo, e e enciando
VII
ques ões his ó icas, numé icas e um b e e esumo das mig ações con empo âneas e seus
desdob amen os passados.
Capí ulo I - O pano ama das mig ações a uais
1. B e e his ó ico sob e as mig ações
Os concei os eó icos, ago a emp egados pelos cien is as sociais pa a
analisa e explica a mig ação in e nacional, o am elabo ados,
inicialmen e, na e a indus ial e e le em seus egimes econômicos
pa icula es, suas ins i uições sociais, ecnologia, demog a ia e
polí icas. A abo dagem clássica en ou ago a em um es ado c í ico,
desa iado po no as ideias, concei os e hipó eses (Massey, 1998: 3).
É impo an e inicia esse capí ulo salien ando que as mig ações, apesa de
man e em-se com a mesma de inição eó ica, en en am no os pano amas e
ans o mações sociais, bas an e di e en es do que e a is o no século an e io , como
a i ma Massey – há um no o desa io nesse con ex o, onde a abo dagem clássica já não
sup e odas as demandas a uais. Pa a Cas les, “um p oblema-cha e é a endência de
enxe ga a mig ação como sendo comple amen e dis in a das elações sociais em sen ido
mais amplo, e dos p ocessos de mudanças” (2010: 13).
The public image o con empo a y immig a ion has been colo ed o a
la ge ex en by he Thi d Wo ld o igins o mos ecen e a i als.
Because he sending coun ies a e gene ally poo , many Ame icans
belie e ha immig an s hemsel es a e uni o mly poo and uneduca ed
(...) Unde nea h i s appa en uni o mi y, con empo a y immig a ion
ea u es a bewilde ing a ie y o o igins, e u n pa e ns, and modes o
adap a ion o Ame ican socie y (Po es, Rumbau , 2006: 13).
Concei ualizando, as mig ações ca ac e izam-se pelo deslocamen o de pessoas
que podem oco e den o do p óp io país (o que é denominado mig ações in e nas) ou
de um país a ou o (mig ações in e nacionais). Elas ambém a iam no o ma o, podendo
acon ece de o ma isolada ou cole i a. “I can be concep ualised as a e i o ial o
geog aphical exi upon ailu e o he s a e o o he ins i u ions o deli e wellbeing and
human secu i y” (Hi schman, 1970). As azões pa a que elas acon eçam são a iadas,
podendo se po desas es na u ais, condição de sob e i ência, iolação dos di ei os
humanos ou econômica. Es a úl ima, po ém, apesa de impo an e, di icilmen e é
su icien e pa a se en ende qualque expe iência especí ica. Como exis em essas di e sas
VIII
possibilidades, o con ex o in luencia mui o nos ínculos en e mig ação e ou as elações
econômicas, sociais, polí icas e cul u ais igen es em luga es especí icos numa
de e minada conjun u a his ó ica (Cas les, 2010: 25), po an o é c ucial que haja uma
comp eensão pa icula en e essas elações.
Pa a Ha on e Williamson (2005), a g ande onda de indus ialização dos séculos
XIX e XX ca ac e iza am a “e a da mig ação em massa”, enquan o a acele ada
globalização depois de 1945 le ou a uma segunda “e a da mig ação”. Ambos os séculos
o am ma cados pelo deslocamen o de milhões de pessoas que saí am da elha Eu opa,
pob e e densamen e po oada (ACNUR, 2007), em busca do sonho de uma ida melho ,
pa a egiões menos habi adas e com escassez de mão de ob a, como as Amé icas, po
exemplo. As longas e pe igosas iagens e am in e p e adas de ês di e en es o mas pelas
au o idades dos es ados: 1) posi i a e a é incen i ada, uma ez que ge a ia a di e sidade
cul u al; 2) uma “ ál ula de escape”, que a ugen a a g a es c ises demog á icas; 3)
opo unidade de impo a abalhado es e po oa egiões desabi adas.
A con a ação in e nacional de mão de ob a especializada e a
conside ada aliosa, enquan o a mão de ob a não especializada e a is a
como incompa í el nas no íssimas economias pós-indus iais.
Mo imen os mig a ó ios de abalhado es especializados e am
aclamados como mobilidade p o issional, enquan o os de abalhado es
sem quali icação e am condenados como mig ação indesejada. A
mobilidade e a conside ada posi i a po se o emblema de uma
sociedade mode na abe a; a mig ação suge ia se uim po susci a
memó ias a caicas de in asão e deslocamen o (Cas les, 2010: 15).
Es a onda a ual em ido mui o além do que a p imei a po que ab ange i ualmen e
odas as egiões do mundo. “O século 21 é conside ado como uma época de luidez e
abe u a, em que as mudanças nos anspo es, ecnologia e cul u a o nam no mal que as
pessoas pensem além das on ei as e as c uzem com equência” (U y, 2000: 200), esse
se ia o con ex o u ópico e desejá el, po ém, como alegou Bauman (2004), o di ei o à
mobilidade é hoje mais sele i o e dependen e da classe social mais do que an es. No a-se
uma mudança isí el nesse pano ama, p incipalmen e no pós-Gue a F ia e da assim
chamada “co ina de e o”, “(...) espalha am-se pelo mundo in ei o ou as co inas: de
ijolo, de a ame a pado ou de al a ecnologia, pa a p o ege as populações nacionais da
supos a in asão de no os bá ba os” (ACNUR, 2007). As polí icas imig a ó ias o na am-
se cada ez mais es i i as; o que an es e a is o como ecu so humano, hoje não passa
de uma ameaça que em omado p opo ções ainda maio es de ido aos con li os a mados
“os go e nan es enxe gam a mig ação como um p oblema a se esol ido, de p e e ência
IX
buscando o mas pa a e i a que os mig an es abandonem suas e as de o igem” (Cas les,
2010: 13). Segundo o mesmo au o , “pe manece no país de nascimen o ainda é is o
como no ma e muda -se pa a ou o como um des io” (2005: 18), isso aca e a ia no ema
“mig ações” se a ado, na maio ia das ezes, como algo pejo a i o, que p ecisa se
con olado e limi ado.
Os Es ados exe cem es e con olo di idindo os mig an es in e nacionais
em ca ego ias cada ez mais di e enciadas. Se, po um lado, es as
ca ego ias endem a abandona c i é ios aciais ou é nicos, po ou o
lado, as polí icas de selecção assen am cada ez mais em c i é ios
económicos, sociais e humani á ios que inco po am en iesamen os
aciais e é nicos inconscien es […] como nos casos em que se u ilizam
as quali icações, o conhecimen o da língua, a posse de capi al ou as
p e isões ace ca da capacidade de adap ação (Cas les, 2005: 21).
Mesmo assim, segundo dados da O ganização In e nacional pa a as Mig ações
(OIM), a pa i de dados das Nações Unidas, há a ualmen e no mundo ce ca de 250
milhões de mig an es in e nacionais e 750 milhões de mig an es in e nos, de ido
p incipalmen e à explosão demog á ica, aos desequilíb ios econômicos e aos con li os.
Em en e is a, o di e o -ge al da OIM, William Lacy Swing
5
, a i mou que no o al, con a-
se com o maio núme o de mig an es o çados desde a Segunda Gue a Mundial, segundo
es a ís icas do Al o Comissa iado das Nações Unidas pa a os Re ugiados (ACNUR), com
ce ca de 20 milhões de e ugiados e 40 milhões de deslocados in e nos.
Swing diz ainda que, nes e o al de deslocamen os, mais de 65% dos casos
mig a ó ios oco em no Hemis é io Sul, e, den o des e índice, mais de 80% é compos o
po pessoas que azem es e mo imen o pa a países izinhos. Pa a o di e o ge al da OIM,
uma das causas des e al o índice de deslocamen o de pessoas em odo o mundo é a
c escen e supe lo ação demog áfica de alguns países. Ma ine, Hakke e Guzmán (2000)
con i mam, e conside am ainda que a al a ecundidade e o c escimen o demog áfico
acele ado induzem a emig ação ao aze em p essões sob e a in a-es u u a, os se iços e
o me cado de abalho. Esses au o es, po ém, admi em que a elação en e o amanho, o
c escimen o, a densidade, a dis ibuição da população e a mig ação in e nacional não são
de e minís icas.
5
En e is a disponí el em Jo nal de No ícias:
h p://www.jn.p /PaginaInicial/Mundo/In e io .aspx?con en _id=4913522
Acesso em 03.12.2015
X
Po ém, segundo um a igo de endido pelo economis a b i ânico Edwa d Hugh
6
,
colabo ado da e is a no e-ame icana Fo eign Policy, ou o p oblema se ia a baixa
ecundidade de di e sas nações eu opeias que pode ia, li e almen e, p o oca a mo e de
um país. “É um p oblema se íssimo que em-se ag a ado, pois há poucas pessoas
que endo con emplá-lo. Não es ão dando a a enção de ida ao assun o”. Esses a o es
o nam as mig ações cada ez mais complexas e di icul am o seu mapeamen o, “é di ícil
pa a um campo in e disciplina , al como dos es udos das mig ações, desen ol e um
co po de conhecimen o consensual, sendo que a es e p oblema soma-se ainda o ápido
c escimen o do campo nos úl imos 20-30” (Cas les, 2010: 19). Milesi e Ma inucci (2008)
a aliam que há dez a o es
7
que podem ajuda a explica esse cená io:
a) ap imo amen o e ba a eamen o dos meios de comunicação e anspo e;
b) agências de áfico de mig an es;
c) edes sociais de mig an es;
d) cul u a de emig ação;
e) dispa idades econômicas en e No e e Sul;
) en elhecimen o populacional e necessidade de abalhado es;
g) eunião ou eag upamen o amilia ;
h) es a égias dos go e nos dos países emisso es;
i) pessoas em busca de e úgio;
j) e ugiados ambien ais e í imas de p oje os de desen ol imen o.
O au o ainda elaciona esses aspec os com o con ex o da globalização neolibe al,
ao se p oduzi uma análise das mig ações in e nacionais na a ualidade, além desses
a o es ine en es à dinâmica social do p ocesso mig a ó io. Des aca-se ainda as di e enças
econômicas en e os países mais icos (No e) e os países que as Nações Unidas definem
6
En e is a concedida à Re is a Ca a Capi al.
h p://www.ca acapi al.com.b /in e nacional/um-pais-pode-mo e -9136.h ml
Acesso em 27.01.2016
7
Em a igo publicado na Re is a In Cammino, XXXIII, 83 (julho/dezemb o – 2008) 7-16.

XI
“em desen ol imen o” (Sul), pa a Po es e Rumbau (2006) e Findlay (2003), é um
exe cício comum compa a essa "no a" onda de imig ação com o " elho" in luxo do
início do século XX. “Now he pe cep ions o cos s and benefi s ha e changed wi h shi s
in ideas, om ‘b ain d ain’ in he 1970s o ‘b ain gain’ in he 1990s. Nowadays, we
supposedly find mo e win-win si ua ions o mobile pe sons, s a es and o he s in ol ed”
(Findlay, 2003 In Fais , 2007: 21). Apesa da linha ênue en e a simila idade das
mig ações passadas com as a uais, as di e gências exis en es são bas an e imponen es,
assim como an igos p econcei os.
Las g andes di e encias de iqueza y pode en el c ecien e o den
mundial dan a en ende que no odos los ciudadanos son iguales y que
algunos pasapo es son mejo es que o os. Es as je a quías pueden se
la base de un nue o sis ema de es a i icación económica mundial, en
la que la mig ación, en odas sus o mas, es un elemen o cla e. En es e
con ex o, el con ol de la mig ación a a en ealidad de egula las
elaciones No e-Su y de man ene la desigualdad. El con ol de la
mig ación sólo llega á a se sa is ac o io y, e en ualmen e, supe luo
cuando el obje i o cen al pase a se la educción de la desigualdad
(Cas les, 2004: 179).
As elações en e os países do No e e do Sul o am exage adas em mui os luga es
pela ação i egula da globalização de cunho neolibe al. Pa a Ku z (2005: 28-29), “no
mundo in ei o, a ep odução capi alis a se eduz a ‘ilhas’, ou melho , ‘oásis’ da
p odu i idade e en abilidade, em ol a dos quais su gem dese os econômicos”. Em
conseqüência disso, “su ge uma eno me p essão social que le a à agabundagem global
da o ça de abalho a qual mig a em massa das c escen es á eas dese as econômicas em
di eção aos ‘oásis’ cada ez mais eduzidos”. P incipalmen e em países da egião No e,
sob e udo na Eu opa e na Amé ica do No e – Es ados Unidos e Canadá –, e onde
i enciam um mo imen o de en elhecimen o demog áfico. P ocesso que em p o ocado
a exigência de impo a abalhado es, a fim de esponde às exigências do me cado e
man e os a uais pad ões de p odução.
And e en newe is he concep o ‘social emi ances’ (Le i and
Nybe g-Sø ensen, 2004), he flow o ideas and p ac ices which a e
‘good’ and o which nobody in his o he igh mo al mind would objec :
human igh s, gende equi y and democ acy, o name only he mos
ob ious ones. Occasionally, diaspo as made up o exiles, e ugees and
labou mig an s a e hailed as media o s in conflic esolu ion, o
example in he cases o Sou h A ica o Nige ia (Shain and Ba h, 2003
In Fais , 2007: 22).
En e an o, enquan o alguns países impo am, ou os expo am, como acon eceu
com o B asil. Os p imei os luxos imig a ó ios pa a o país se de am a pa i da sua
XII
colonização; po ém, de o ma es i a. A ase da imig ação de massa acon eceu en e 1851
e 1960, quando chega am ao B asil ce ca de cinco milhões de eu opeus, le an inos e
asiá icos. Du an e as décadas de 1870 e 1880, com a expansão ca eei a na Região Sudes e
e a escassez de esc a os, p o ocada pela p oibição do á ico em 1850, o mo imen o se
in ensi icou. Já en e 1961 e 1991, ap esen ou-se um declínio nos luxos mig a ó ios pa a
o país. No deco e da década de 1980 e início dos anos de 1990, o B asil o nou-se um
país de emig ação. Es ima-se que ce ca de 1.800 mil b asilei os enham emig ado nessa
década. Ca alho (1996) chegou à conclusão de que o B asil, e ia expe imen ado uma
pe da líquida de ap oximadamen e 1.050 mil homens e 750 mil mulhe es.
En endendo a ampli ude dessas mig ações, e o ça-se a impo ância de ê-las
p esen es no con ex o dos media, des acando suas pa icula idades, a o ma como esse
assun o é expos o e como chega ao ecep o inal ( elespec ado ). Des a o ma, a pesquisa
de Ma ia C is ina Dadal o, “A Rep esen ação Social sob e a Imig ação na Mídia
B asilei a – Mapeamen o e análise dos discu sos comunicacionais” é o io condu o des a
ese. Po an o, nos p óximos capí ulos se ão des acados o pano ama a ual da mig ação
b asilei a, assim como os aspec os da comunicação, impo an es pa a o en endimen o de
al con ex o.
2. Fluxos mig a ó ios no B asil
Na a ualidade, uma no a onda mig a ó ia a inge o B asil. Dados do Censo
Demog á ico 2010, ealizado pelo Ins i u o B asilei o de Geog a ia e Es a ís ica (IBGE
8
),
egis a am a p esença de 286.468 imig an es que i em no B asil há pelo menos cinco
anos e em esidência ixa. O núme o oi 86,7% maio do que o encon ado pela pesquisa
em 2000, quando o am egis ados 143.644 imig an es na mesma si uação. Os p incipais
países de o igem o am os Es ados Unidos (51.933), Japão, (41.417) Pa aguai (24.666),
Po ugal (21.376) e Bolí ia (15.753). Já as cidades que ecebe am jun as mais da me ade
dos imig an es o am São Paulo, Pa aná e Minas Ge ais, seguidas de Rio de Janei o e
Goiás.
Ao longo dos úl imos anos, hou e um mo imen o c escen e de g upos
es angei os no B asil, ad indos an o de países desen ol idos quan o de países
8
A í ulo de conhecimen o: www.ibge.go .b
XIII
subdesen ol idos. Segundo dados do Comi ê Nacional pa a Re ugiados (CONARE
9
) e
do Minis é io da Jus iça, só en e os anos de 2010 e 2012, o núme o de pessoas pedindo
e úgio pa a o B asil iplicou. Segundo o geóg a o Rodol o Al es Pena
10
, a endência é
que as imig ações a uais no B asil con inuem aumen ando, sob e udo de populações
ad indas de países subdesen ol idos ou com uma p ecá ia si uação econômica, além de
po os de egiões ma cadas po g andes con li os, com des aque pa a a Pales ina.
Hou e uma chegada em massa de hai ianos no B asil, p incipalmen e du an e a
Copa do Mundo de 2014. Esse p ocesso oi iden i icado ambém em elação aos
imig an es o iundos de Gana, que se desloca am pa a o B asil em unção do o neio, mas
não e o na am pa a o seu país de o igem.
Segundo alguns au o es, a expansão das imig ações a uais, não só no B asil, mas
em um pano ama quase unânime, é acompanhada po uma sé ie de a o es:
a) A exis ência de g ande desemp ego nos países de o igem dos mig an es, aliada à
exis ência de ecu sos pa a mobilidade e à expec a i a de melho es opo unidades
nos países de des ino (Sassen, 1988).
b) A exis ência de uma “colônia” nos países de des ino, acili ando o acesso a
emp ego e mo adia (Wilson e Po es, 1980; Sassen-Koob, 1979).
c) A di e enciação in e na do me cado de abalho em países indus ializados, o que
explica a coexis ência de desemp ego c escen e – em indús ias do se o dinâmico
da economia - e ela i a escassez de mão-de-ob a em indús ias a asadas ou
decaden es (Pio e, 1979; Bailay e F eedman, 1981).
d) A disposição dos imig an es pa a acei a abalhos “desag adá eis” ou “sujos”,
que explica o a o de consegui em emp ego, mesmo em si uação de desemp ego
c escen e (Sassen – Koob, 1980).
e) O papel do Es ado na egulação da o e a de mão-de-ob a e na elabo ação de
polí icas mig a ó ias (Bach, 1978).
9
A í ulo de conhecimen o: h p://www.jus ica.go .b /cen al-de-a endimen o/es angei os/ e ugio#cona e
10
Em en e is a cedida ao po al B asil Escola:
h p://b asilescola.uol.com.b /geog a ia/imig acoes-a uais-no-b asil.h m
Acesso em 27.01.2016
XIV
Dados do Minis é io da Jus iça apon am que, em seis meses, a imig ação c esceu
50%
11
, em compa ação com o o al de en adas no inal do ano de 2010, quando ha iam
961 mil es angei os no país. A ualmen e, o país con a com 1.847.274 imig an es
egula es, segundo es a ís icas da Polícia Fede al a ualizadas em ma ço de 2015.
Con o me a classi icação ado ada pela ins i uição, esse o al engloba 1.189.947
“pe manen es”; 595.800 “ empo á ios”; 45.404 “p o isó ios”; 11.230 “ on ei iços”;
4.842 “ e ugiados”; e 51 “asilados”.
O aumen o da mig ação nem semp e acon ece pela lexibilidade dos con oles
mig a ó ios ou de o ma olun á ia, mas pelo undado emo de pe seguição, po mo i os
de aça, eligião, nacionalidade, opinião polí ica ou pa icipação em g upos sociais, e que
não possa (ou não quei a) ol a pa a casa. Isso con igu a a ca ego ia a qual denomina-se
e ugiado, obje o de es udo dessa disse ação, ainda pouco discu ido nos meios de
comunicação, como se e á no capí ulo seguin e.
3. Re ugiados no B asil e seu enquad amen o legal
Os e ugiados são uma ca ego ia especí ica de mig an es o çados, ou
seja, aqueles que não êm ou não podem con a com a p o eção do seu
Es ado de o igem e so em pe seguições po aça, nacionalidade,
eligião, po pe ence a de e minado g upo social, po suas opiniões
polí icas ou, ainda, incluído en e as í imas de g a e e gene alizada
iolação de di ei os humanos. Di e en e dos e ugiados, os demais
imig an es o çados em a possibilidade de e o no a seus países e não
em necessidade de ga an ia pé ea da não de olução (non-
e oulemen ), como no e úgio, mas sua p o eção é uma necessidade
cada ez mais u gen e, consubs anciando o di ei o ao soco o e à
assis ência humani á ia (ACNUR, 2007: 34).
De aco do com o ela ó io de 2016 do Comi ê Nacional pa a os Re ugiados
(CONARE), ó gão ligado ao Minis é io da Jus iça, o B asil e e, nos úl imos cinco anos,
um amen o de 2.868% nas solici ações de e úgio. Passa am de 966, em 2010, pa a
28.670, em 2015. A é 2010, ha iam sido econhecidos 3.904 e ugiados. Em ab il des e
ano de 2016, o o al chegou a 8.863, o que ep esen a aumen o de 127% no acumulado
de e ugiados econhecidos, incluindo eassen ados.
O ela ó io mos a que os sí ios o mam a maio comunidade de e ugiados
econhecidos no B asil. Eles somam 2.298, e são seguidos pelos angolanos (1.420),
11
A í ulo de cu iosidade: Os imig an es compõem, no B asil, somen e 0,9% da população. Em des inos
adicionais da imig ação, como Es ados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha e F ança, o pe cen ual é da
o dem de dois dígi os.
XXI
comunicação. O assun o, con udo, a despei o de sua impo ância, não se ap esen a
au onomizado nas Ciências Sociais (Peixo o, 2004). Se a esse a o , se ap esen a de um
lado, uma apa en e des an agem pa a sua análise, po ou o, possibili a a
in e disciplina idade que se necessi a ao se efle i sob e sua ampli ude e essal a-se a
ele ância de abo dá-lo. Pensa nes e enômeno nos eme e a uma sé ie de consequências
que podem su gi con o me a abo dagem midiá ica, como azem os p óximos capí ulos
que abo dam jus amen e esse enômeno.
Capí ulo II – Os media e sua in luência na escolha de mig a
4. O cuidado com as in o mações di undidas
A ciência de e inicia -se com a obse ação, e o nando a ela no inal, de o ma a
alida o conhecimen o adqui ido. A manei a como a obse ação é p ocessada assume
aspec os peculia es em cada á ea. Nas ciências sociais, essa obse ação é undamen ada
nas condu as humanas e na á ea da comunicação elegem-se, en e as condu as humanas, as
que ansmi em mensagens de indi íduos pa a indi íduos ou pa a g upos. As condu as de
comunicação se iam, po exemplo, as polí icas sociais, psicossociais, a ís icas e cul u ais,
uma ez que odas são condu as ansmisso as de mensagem (Cos a e Ba bosa, 2013: 3).
John Pa y, em seu li o The psychology o human communica ion, essal a a ideia
acima e az um abalho exaus i o sob e os signos e signi icados das pala as u ilizadas
nos meios de comunicação; e segundo o au o a aquisição da in o mação de con eúdo não
elimina in a ia elmen e a ince eza. A ince eza em g ande pa e, é uma unção do es ado
de p epa ação da men e, da in o mação que já se encon a em seu pode . Onde não exis e
in o mação an e io , não pode ha e dú ida (1967: 50). Po an o, é imp escindí el des aca
que se não há conhecimen o p é io do assun o des acado, a p imei a imp essão a
consolida -se, mui o p o a elmen e, é a ansmi ida pelos meios de comunicação.
Di e en e dos encon os co idianos que ge am uma elação mais pessoal, ace a ace,
quando os indi íduos usam os meios de comunicação eles en am em o mas de in e ação
di e en es. Isso ge a ações em a o de pessoas fisicamen e ausen es, ou si uadas em locais
dis an es. “De um modo undamen al, o uso dos meios de comunicação ans o ma a

XXII
o ganização espacial e empo al da ida social, c iando no as o mas de ação e de
in e ação, e no as manei as de exe ce o pode , que não es á mais ligado ao
compa ilhamen o local comum” (Thompson, 2002: 14):
Cons ói-se, nes a pe spec i a, um mi o de anspa ência o al e que
pe mi e aos media um con ole do indi íduo à medida que ele necessi a
e acesso aos meios de comunicação em busca de in o mação, de laze ,
de o ma comunidades de ocas di e sas (Webe , 2006). Nes e
sen ido, é necessá io a icula a ans o mação econômica indus ial da
mode nidade com a da mídia, pois o desen ol imen o da mídia es á
en elaçado, de modo undamen al, com as p incipais mudanças
ins i ucionais que modela am o mundo mode no. É a mídia quem dá
supo e a popula ização da in o mação e as subsequen es al e ações da
o ganização social do pode simbólico. O uso dos meios de
comunicação implica a c iação de no as o mas de ação e de in e ação
no mundo social, di e en es ipos de elações sociais e de manei as de
elacionamen o do indi íduo com os ou os g upos e consigo mesmo
(Thompson, 2002: 14).
Segundo Junquei a (2005), os elacionamen os e as ep esen ações es ão adicadas
na a ena pública e nos p ocessos po meio dos quais desen ol e-se uma iden idade, c ia-
se símbolos e há abe u a pa a a di e sidade de um mundo de ou os, ep esen ados,
inclusi e, pela comunicação social. O p óximo subcapí ulo az as consequências que os
média podem aca e a pe an e as ep esen ações c iadas na sociedade.
5. As ep esen ações sociais nos meios de comunicação
Os meios de comunicação possuem ce as ca ac e ís icas que não podem se
minimizadas nas análises das di e sas dinâmicas co idianas da sociedade, p incipalmen e
na a ual ase do desen ol imen o ecnológico e das no as mídias digi ais. Ao p oduzi em,
a mazena em e aze em ci cula as in o mações e no ícias diá ias, é que os indi íduos e
g upos cons oem e econs oem no os significados no con ex o de suas idas p i adas e
cole i as.
Assim, é indispensá el que se pe ceba a comunicação mediada como um
enômeno social con ex ualizado, que abalha pa a e oalimen a a p odução simbólica
e a subje i idade dos indi íduos ou dos g upos em quaisque ci cuns âncias em análise.
Refle indo sob e o papel da comunicação na ida dos imig an es Milesi e Ma inucci
(2007: 30) conside am que:
Nos úl imos anos, a melho ia e o acesso aos meios de comunicação e
anspo es p o oca am mudanças adicais na jo nada mig a ó ia de
mui as pessoas. Ago a é possí el man e con a os cons an es com o
luga de o igem. A mig ação in e nacional não elimina necessa iamen e
as elações en e mig an es e seus pa en es que não mig am.
XXIII
Os con ex os sociais podem se de inidos con o me as expe iências i enciadas
pela in e ação e ambém pela comunicação en e as pessoas; esses aspec os são
o mulados con o me a con i ência no dia a dia. Como o co idiano é undado po a os e
ações elacionadas à manei a em que se i e, esse p ocesso é ma cado po significados
cul u ais, e es e, po sua ez, é dado pelas ep esen ações sociais. Pa a Be ge e Luckmann
(2002), os concei os de ealidade e conhecimen o co espondem a anexos sociais
específicos, essenciais pa a a afi ma i a que ap esen a o eal como esul ado de um
p ocesso de cons ução social.
A o ma das pessoas se elaciona em en e si es á in imamen e ligada às
ep esen ações sociais e o modo ao qual cada cul u a az uso, an o da designação, como
da elação e suas simbologias. Ba le (1961: 12 In Mosco ici, 2011: 99) a i ma que
“quando uma o ma de ep esen ação comum e já con encional es á em uso an es que o
signo seja in oduzido, exis e uma o e endência pa a ca ac e ís icas pa icula es
desapa ece em e pa a que odo o signo seja assimilado em uma o ma mais amilia ”.
Elas (as ep esen ações sociais) con encionalizam os obje os, pessoas
ou conhecimen os que encon am. Elas lhes dão uma o ma de ini i a,
as localizam em uma de e minada ca ego ia e g adualmen e as colocam
como um modelo de de e minado ipo, dis in o e pa ilhado po um
g upo de pessoas. Todos os no os elemen os se jun am a esse modelo e
se sin e izam nele. Assim, nós passamos a a i ma que a Te a é
edonda, associamos comunismo com a co e melha, in lação com o
dec éscimo do alo do dinhei o. Mesmo quando uma pessoa ou obje o
não se adéquam exa amen e ao modelo, nós o o çamos a assumi
de e minada o ma, en a em de e minada ca ego ia, na ealidade, a se
o na idên ico aos ou os, sob e pena de não se nem comp eendido,
nem decodi icado (Mosco ici, 2011: 34)
As ep esen ações sociais o nam-se esponsá eis po a icula an o o sen ido da
ida cole i a de uma sociedade como o p ocesso de cons i uição simbólica da mesma.
Des a o ma, os sujei os en am da sen ido ao mundo, en endê-lo e nele encon a o seu
luga , po meio de uma iden idade social e indi idual. Nesse p ocesso, os aspec os do dia
a dia ambém es ão inculados à subje i idade ga an ida po meio da si uação,
conside ando que se mani es am em p odu os da a i idade humana e neles são
ap eendidas po meio da exp essi idade.
XXIV
É a o que hoje os meios de comunicação abalham, inclusi e, com a “ ab icação”
de ep esen ações sociais, podendo c ia es e eó ipos, es igma ce as comunidades e
di undi in o mações con o me lhes pa ece mais cômodo. Pa a Alexand e (2001), al
libe dade de ep esen ações com elação à ealidade coloca ques ões de peso sob e os
e ei os da globalização da ecnologia pa a os g upos sociais mino i á ios ou excluídos,
assim como os imig an es. “Dian e desse quad o mundial (da indús ia da Comunicação
de Massa) a mídia em pouco espaço pa a a e dade, pois depende das e bas
publici á ias, que são manipuladas pelas g andes indús ias e conglome ados inancei os.
De cada dez no ícias eiculadas pela mídia, uma é posi i a” (Alexand e, 2001: 122).
Mosco ici explica que o conhecimen o, ao ní el social, pe mi e que a cole i idade
u ilize in o mações eiculadas pela mídia, ans o mando-a em algo impessoal e
ecodi ique-a e u ilize-a con o me os alo es da sociedade a qual pe ence. Ou seja, a
mídia in eg ada po um g upo de especialis as o mado es e, sob e udo, di uso es de
ep esen ações sociais, é esponsá el pela es u u ação de sis emas de comunicação que
isam comunica , di undi ou p opaga de e minadas ep esen ações (Alexand e, 2001).
Becke (2009) a i ma que efle i sob e de e minado g upo de indi íduos en ol e
comp eende uma dada comunidade in e p e a i a de pessoas que, habi ualmen e, p oduz
ep esen ações de um ipo pa icula pa a ou o e que, ainda, u ilizam-nas o inei amen e
pa a obje i os pad onizados. Pe cebe-se que as ep esen ações são concebidas em um
p ocesso de p á icas sociais e in e ações, ans o mando-se no meio en e o indi idual e
o social.
São as ep esen ações sociais as esponsá eis po pe mi i ao sujei o da sen ido
as expe iências i idas e aquilo que de a o ele é. Nesse p ocesso cul u al são c iados
elemen os simbólicos que o necem possí eis espos as às inúme as ques ões que su gem
co iquei amen e em elação às iden idades indi iduais e cole i as. Segundo
Jo chelo i ch (1995 In Dadal o, 2012: 27) são as mediações sociais, nas mais a iadas
o mas, que ge am as ep esen ações sociais. Essas, po sua ez, são es abelecidas po
duas o mas específicas: a obje i ação – que consis e na a ibuição da ma e ialidade e na
ans o mação de um concei o em imagem – e a anco agem – que se undamen a no
p incípio de amilia idade, po meio do qual é possí el localiza o no o obje o nas
ca ego ias p é-exis en es.
XXV
É a pa i disso que a comunicação se unda no p ocesso como sus en áculo das
o mações sociais, p essupondo semp e a exis ência de dois códigos compa ilhados e
in e dependen es: o linguís ico e, a pa i dele, o ideológico. En e an o, es a inse ido em
uma sociedade não signi ica compa ilha necessa iamen e odas as ideias da mesma, mas
p essupõe um de e minado ní el de compa ilhamen o. Segundo Le e e e Le e e (2010:
21) “os sis emas simbólicos e, den o deles, as ep esen ações sociais não se dão no azio,
já que, numa la ga medida, são influenciadas po condições ela i as a seu con ex o
his ó ico e de in aes u u a”. Des a o ma, é possí el comp eende a nacionalidade,
gêne o, eligião, idade, ní el de ins ução, p ofissão, es u u a ísica, his ó ia de ida, além
de ou os a o es. Têm-se definido eo icamen e, po an o, que as ep esen ações sociais
são “ eelabo ações, me abolizações de conhecimen os e in o mações ge adas em um
ce o núme o de espaços sociais onde, mode namen e, ais conhecimen os são p oduzidos
e/ou di undidos” (Le e e; Le e e, 2010: 23).
Den o dessa emá ica, Mosco ici analisou p ocessos a a és dos quais
os indi íduos elabo a am explicações sob e ques ões sociais e como
isso de alguma o ma elaciona-se com a di usão das mensagens pelos
eículos de comunicação, dos compo amen os e o ganização social.
Nesse aspec o, o concei o de ep esen ação social abalha com uma
gama de elemen os que en ol e eo ias cien í icas, ideologias e
expe iências i enciadas no co idiano e ambém com ques ões ligadas
à Psicologia, à Psicanálise, à Comunicação e à Sociologia (Alexand e,
2001: 116)
Podem se conside ados como espaços de ep esen ação sociais os meios de
comunicação i uais, imp essos, audio isuais, as ins i uições de ensino, cen os
eligiosos, equipamen os cul u ais, locais de abalho, núcleo amilia , en e ou os. Ainda
segundo Alexand e, a p eocupação não de e se apenas com o que é comunicado, mas
sim, com a manei a que se comunica e com o signi icado e desdob amen o que a
comunicação em pa a o se humano.
En endendo que a comunicação é o p ocesso da oca de expe iências pa a que se
o ne pa imônio comum, “ela modi ica a disposição men al das pa es en ol idas e inclui
odos os p ocedimen os po meio dos quais uma men e pode a e a ou a” (Alexand e,
2001: 116). Ou seja, isso não a a-se apenas das linguagens o al e esc i a, mas do
compo amen o humano como um odo, incluindo-se assim as o mas e sis emas que as
mesmas u ilizam pa a que se man enham in o madas, como a ele isão, po exemplo, que
segundo Ma condes Filho (1993) não é um meio de comunicação a mais, é o único. Dessa
XXVI
o ma, de e-se discu i como o pensamen o do indi íduo se en aíza no social e como um
e ou o so em mudanças mú uas.
Segundo Spink (In Alexand e, 2001), no es udo das ep esen ações sociais, os
aspec os concei ual e epis emológico, enquan o o mas de explicação, são omados em
e e ência à in e - elação en e os sis emas de pensamen os e as p á icas sociais. Pa a que
seja possí el comp eende os enômenos do senso comum, e essa complexidade da
comunicação en e as ep esen ações, o au o suge e que ês a o es sejam le ados em
conside ação:
1. Comp eende o impac o que as co en es de pensamen o, eiculadas na
mídia, êm nas ep esen ações sociais de g upos sociais di e en es;
2. En ende os p ocessos cons i u i os das ep esen ações sociais e a e icácia
des as ep esen ações pa a o uncionamen o social, is o é, en ende po um
lado o papel das ep esen ações sociais na o ien ação dos compo amen os e
na comunicação e, po ou o, en ende a ep esen ação social como um
sis ema de ecepção de no as in o mações sociais, a a és dos mass media;
3. En ende o papel das ep esen ações sociais nas mudanças sociais no que diz
espei o à cons i uição de um pensamen o social compa ilhado, indi íduos
e mídia.
A comunicação, sob a pe spec i a da ep esen ação social, é o enômeno pelo qual
uma pessoa in luencia ou escla ece ou a que, po sua ez, pode aze o mesmo em elação
à p imei a. Seus elemen os básicos são o emisso , o ecep o , a mensagem, o código e o
eículo. Comp eendendo os elejo nais como o eículo emos “a p incipal on e de
in o mação das pessoas sob e o mundo que as ce ca” (Ca alho In Vizeu, 2003: 90), e
“pa a a maio ia das pessoas, os elejo nais são a p imei a in o mação que elas ecebem
do mundo: como es á a polí ica econômica do go e no, o desempenho do Cong esso
Nacional, a ida dos a is as, o co idiano do homem comum, en e ou as coisas.” (Vizeu,
2003: 6), po an o conside a-se esse meio o mais p opício pa a le a a mensagem ao
elespec ado , uma ez que os elejo nais cump em o papel de i ines das iden idades
possí eis, ajus ando-as aos modos de ida co idiana. Assim, eículos como a ele isão
endem a sob epo no as iden idades cons uídas às iden idades já consolidadas como as
cul u as nacionais e as adições compa ilhadas. Nesse pe cu so, o cole i o e o indi íduo

XXVII
se c uzam cons an emen e e a ele isão adqui e um papel mui o impo an e já que es á
cons an emen e cons uindo e descons uindo imaginá ios e iden idades (Fe in, 2004).
Quando se espe a que os meios de comunicação p es em um se iço à população,
mui as ezes oco e o con á io. Na maio ia dos casos, o público es á es i o aos
acon ecimen os que a linha edi o ial (en enda-se edi o , emisso a ou pa ocinado es)
daquele jo nal conside ou no iciá el. Pa a Schudson,
(...) a c iação das no ícias é semp e uma in e ação de epó e , di ec o ,
edi o , cons angimen os da o ganização da sala de edação,
necessidade de man e os laços com as on es, os desejos da audiência,
as pode osas con enções cul u ais e li e á ias den o das quais os
jo nalis as eqüen emen e ope am sem as pensa (In Co eia, 1997:
133).
Sendo assim, como explica Wol (2003: 200) o p odu o in o ma i o pa ece se
esul ado de uma sé ie de negociações, o ien adas p agma icamen e, que êm po obje o
o que de e se inse ido e de que modo de e se inse ido no jo nal, no no iciá io ou no
elejo nal. Essa seleção é ealizada pelo jo nalis a em unção de a o es com di e en es
g aus de impo ância e igidez e o que se e á a segui são os c i é ios pa a elege o que
é e o que não é no ícia, na en a i a de en ende po que ce os assun os em mais
ele ância que ou os e são colocados na pau a do dia.
6. Os alo es no ícia
Na década de 1960, quando di e sas eo ias sob e o jo nalismo começa am a se
pos uladas, as no eame icanas Johan Gal ung e Ma ie Ruge concei ua am os alo es-
no ícia e o no o concei o dos c i é ios de no iciabilidade. Cinco anos mais a de, as
pesquisado as desen ol e am um es udo sob e a es u u a do no iciá io nos Es ados
Unidos, analisando cobe u as de c ises polí icas em ês países, e ao inalizá-lo chega am
a doze a o es esponsá eis pelas no ícias eiculadas. Em espos a à pe gun a “como é
que os acon ecimen os se o nam no ícia”, Johan e Ma ie o na am-se pa âme o mundial
nesse es udo e apon a am os seguin es alo es-no ícia: 1. F equência ou du ação do
acon ecimen o (compa ibilidade en e o i mo do acon ecimen o e a pe iodicidade do
meio); 2. Ampli ude (dimensão do acon ecimen o, que ai desde o núme o de pessoas
en ol idas a é a ca ga d amá ica do a o); 3. Cla eza (quan o meno a ambiguidade, maio
a no abilidade); 4. Signi icância (diz espei o à p oximidade cul u al e/ou ele ância); 5.
Consonância ( acilidade de inse i o “no o” numa “ elha” ideia que co esponda ao que
se espe a que acon eça); 6. Inespe ado (acon ecimen o a o, com p oximidade cul u al);
XXVIII
7. Con inuidade (o que já oi no ícia ende a con inua sendo, mesmo que enha eduzida
a ampli ude ou o nado amilia o inespe ado); 8. Composição (o alo de cada
acon ecimen o a ia de aco do com o equilíb io do p odu o jo nalís ico como um odo);
9. Re e ência a países de eli e; 10. Re e ência a pessoas de eli e; 11. Pe sonalização
(possibilidade de se is o em e mos pessoais); 12. Nega i idade (quan o mais nega i as
as consequências, mais chances de um a o i a no ícia).
A seleção de no ícias é elabo ada po p o issionais da á ea de jo nalismo que se
u ilizam dos chamados alo es-no ícia ou c i é ios de no iciabilidade, como po exemplo
o que se iu acima, pa a elenca os acon ecimen os eais e ans o má-los em p odu os
jo nalís icos. O po uguês Nelson T aquina (2001: 94) a i ma que “as no ícias são o
esul ado de um p ocesso de p odução de inido como a pe cepção, a seleção e a ans-
o mação de uma ma é ia-p ima (p incipalmen e os acon ecimen os) num p odu o” e êm
um papel undamen al no p ocesso de di ulgação das no ícias. En endemos que os media,
em pa icula a ele isão, no caso especí ico o elejo nalismo, êm uma pa icipação
impo an e na cons ução da ealidade que nos ce ca. “A di ulgação co idiana de no ícias
ajuda a cons ui imagens cul u ais que edi icam odas as sociedades” (Mo a, 1997: 319).
A necessidade de se pensa sob e c i é ios de no iciabilidade su ge dian e da
cons a ação p á ica de que com amanha di e sidade de eículos de comunicação, além
de cada mídia desen ol e suas p óp ias ca ac e ís icas, não há espaço pa a a publicação
ou eiculação da in inidade de acon ecimen os que oco em no dia a dia. Com o imenso
olume de ma é ia p ima, é p eciso es a i ica pa a escolhe qual acon ecimen o é mais
plausí el de adqui i exis ência pública como no ícia.
(...) uma pi âmide de in e esses p e isí eis que o bom edi o de e
conside a : p oeminência, celeb idade das pessoas en ol idas nos
a os; impo ância das consequências; a idade do acon ecimen o,
animação i al e in e esse humano; i alidade, con li o ou lu a que o
a o p essupõe; u ilidade imedia a do se iço in o ma i o;
en e enimen o que p opo ciona. Também nesse campo de eo ização,
pa ece que os esquemas coincidem ao es abelece os p incipais
in e esses do público: emoções, supe ação, dinhei o ou p op iedade,
sexo, in e esse local, impo ância social (Qui os, 1968).
A concei uação de Qui os já p essupõe alguns dos il os abo dados pa a p odução
de uma no ícia ele an e, comp eendendo que no caso dos elejo nais, que possuem uma
o ina de p odução mais in ensa e ma cada pelo imedia ismo, p ecisa se dinâmico e não
limi ado apenas ao momen o de cap ação dos a os. Além disso, os alo es-no ícias
XXIX
a ibuídos ambém são al e ados con o me sua dis ibuição nos blocos do elejo nal e a é
mesmo de aco do com a sua cons ução, uma ez que a no ícia pode i a uma sé ie de
epo agem, uma no a simples ou uma no a cobe a (Soa es; Oli ei a, 2003).
O a, ao a a jo nalis icamen e os a os na p odução ma e ial da no ícia,
a seleção e hie a quização eco em sim aos alo es-no ícia. Mas es es
agem aqui apenas como uma pa e do p ocesso, pois nessas escolhas
sequenciadas en a ão ou os c i é ios de no iciabilidade, como o ma o
do p odu o, qualidade da imagem, linha edi o ial, cus o, público al o
e c. Valo es-no ícia, as ca ac e ís icas do a o em si, em sua o igem, são
somen e um subg upo de a o es agindo jun amen e com esse segundo
conjun o de c i é ios de no iciabilidade, elacionados ago a ao
a amen o do a o (Sil a, 2005: 98).
Pa a dema ca o concei o de alo es-no ícia é necessá io comp eende que a
no ícia é uma cons ução social, ou como p e e e Schudson (1978), é um p odu o cul u al.
Essa pe spec i a, po sua ez, a ua o ien ando o abalho do jo nalis a, que em a
capacidade de iden i ica de o ma mais p ecisa quais são os acon ecimen os que possuem
alo pa a di ulgação. A p opos a dessa in es igação é en ende como os elejo nais
b asilei os expõem as no as sob e os e ugiados e, p incipalmen e, se as expõem. Pa a
isso é necessá io comp eende quais são os c i é ios que as ap oximam da di ulgação e
quais as a as am. Alguns au o es, ao longo dos anos, suge iam elemen os pa a c ia essa
análise. Peuce (2004), po exemplo, acha a que as no ícias e am abo dadas de o ma
con usa nos pe iódicos, e po isso se ia impo an e que as mesmas ossem il adas. “Os
p odígios, as mons uosidades, as ob as ou os ei os ma a ilhosos e insóli os da na u eza,
da a e, as inundações ou as empes ades ho endas, os e emo os (...) udo is o cos uma
se na ado de o ma emba alhada nos pe iódicos” (Peuce , 2004: 21).
En ão, Kaspa S iele (In Michael Kunczik, 2001: 242), a i ma a em 1695 que os
eda o es de e iam dis ingui o que é impo an e do comum e ainda apon a a como
alo es explíci os a no idade, a p oximidade geog á ica, a p oeminência e o nega i ismo.
Já no século XX, Wal e Lippmann (2004), elegia como a ibu os cla eza, su p esa,
p oximidade geog á ica, impac o e con li o pessoal. F ase Bond, publica em 1959,
In odução ao Jo nalismo, que ca ac e iza como elemen o impo an e a capacidade de
despe a o in e esse e a a enção do público.
Nilson Lage (1982), no es udo dos c i é ios de a aliação de um acon ecimen o
como no ícia, enume a cons a ações empí icas que elacionam-se com p essupos os
ideológicos e o conhecimen o cien í ico. Segundo ele, os a o es in luem seguindo os
XXX
in e esses do g upo dominan e ou classe e, ainda, ope am de aco do com gos os
indi iduais de pessoas com algum pode .
Mui os au o es ao analisa a seleção de no ícias concen am sua a enção
nos alo es-no ícias (ca ac e ís icas do a o em si) e na ação pessoal do
p o issional, mas, ao a ança em nas comp o ações de que a seleção
p ossegue no aje o do a amen o dos a os den o da edação,
cos umam emp ega como sinônimos seleção e alo es-no ícia. Ambos
são componen es da no iciabilidade (Sil a, 2005: 97).
T aquina a i ma que é em unção da maio ou meno p e isibilidade que um a o
adqui e o es a u o de acon ecimen o pe inen e do pon o de is a jo nalís ico: quan o
menos p e isí el o , mais p obabilidades em de se o na no ícia e de in eg a assim o
discu so jo nalís ico (1999: 27). Enquan o alguns a os o nam-se no ícias, ou os são
simplesmen e igno ados e é a pa i dos c i é ios elencados pelo au o , que a análise dessa
ese se basea á. Como a concei uação é mui o especí ica, os mesmos o am eco ados na
ín eg a, como desc i o pelo au o em seu li o Teo ias do Jo nalismo: po que as no ícias
são como são, e pa a da início é impo an e salien a que T aquina (2005: 78), subdi ide
dois g upos pa a canaliza esses concei os:
1) C i é ios Subs an i os, que dizem espei o à a aliação di e a do acon ecimen o
em e mos da sua impo ância ou in e esse.
2) C i é ios Con ex uais, que dizem espei o ao con ex o de p odução da no ícia
e uncionam como guias pa a a eunião de pau a, suge indo o que de e se ealçado,
omi ido ou p io i á io na abo dagem do que se á no ícia.
Sob e os alo es no ícia – C i é ios Subs an i os, emos:
1. Mo e: onde há mo e, há jo nalis as.
2. No o iedade: mais alo -no ícia e á quan o maio o a celeb idade ou
impo ância hie á quica dos indi íduos en ol idos no acon ecimen o.
3. P oximidade: an o a geog á ica como a cul u al. Quan o mais p óximo ao lei o ,
maio o alo -no ícia. No en an o, po a o es econômicos, polí icos ou cul u ais,
a p oximidade geog á ica é dis o cida. Assim, Bagdá es á mais p óximo do B asil
do que Qui o.
4. Rele ância: assim, como Gal ung e Ruge, T aquina mos a que es e alo no ícia
de e mina que a no iciabilidade em a e com a capacidade do acon ecimen o e
impac o sob e as pessoas ou o país.
XXXVII
de comunicação ansnacional oi desen ol ido com o apoio e o se iço de uma es u u a
de pode , que inclui como pa e undamen al a sociedade da in o mação. A a és des a,
alo es e es ilos de ida são ansmi idos pa a países subdesen ol idos, que es imulam o
ipo de consumo e o ipo de sociedade ansnacional exigido pelo sis ema como um odo.
Isso engloba polí icas públicas, econômicas e sociais, isando a expansão do sis ema.
Pa a Soma ia (1976: 49) “Si el sis ema ansnacional pe die a su con ol sob e la
es uc u a de comunicaciones, pe de ía una de sus a mas más pode osas; de ahí la
di icul ad de cambio”.
O sis ema de comunicação ansnacional con a com as agências de no ícias,
emp esas de publicidade, p og amas de ádio e de ele isão, ilmes, e is as e quad inhos,
adiodi usão, adio o os, "comics" in e nacionais, sendo a maio ia o iginada nos países
desen ol idos, que e o çam os que não es ão no mesmo ní el social a es imula
aspi ações como um odo pa a o mas de o ganização social e es ilos de desen ol imen o
imi a i o dos países capi alis as desen ol idos. Des a o ma, a população dos países em
desen ol imen o, ca en e de igualdades sociais, o na-se uma ecep o a passi a, sem
julgamen o c í ico em elação à mensagem. Nes as condições, o público ai se con ence
que o modelo ansnacional de consumo e desen ol imen o é his o icamen e ine i á el.
“Assim, o sis ema de comunicação cump e a sua unção p incipal: de pene a
cul u almen e o homem subdesen ol ido pa a condiciona a acei a os alo es de uma
es u u a de pode ansnacional polí ica, económica e cul u al” (Somá ia, 1976: 3).
Sua éz-Na az (2008) dis ingue a comunicação como uma das p incipais
dimensões p esen es na abo dagem eó ica dos enômenos ansnacionais. Ao con eúdo
das agências, é de ele ância en ende que, segundo Pa e son (2006: 3), Boyd-Ba e &
Ran anen (2002: 4) e Ma ela (1994: 28), a unção elemen a das mesmas é a impo ação
e expo ação de con eúdo jo nalís ico, especi icamen e aquele de o igem in e nacional,
além- on ei as. O B asil, po ém, em uma si uação bem peculia .
G ande pa e dos países do mundo que dispõe de alguma agência
nacional, elas êm uma de duas unções, ou ambas: ou se em pa a
abas ece sua p óp ia mídia nacional com cobe u a in e nacional
(Reu e s, AFP, AP, EFE, ANSA, DPA nasce am assim) ou ope am
como “assesso ias de imp ensa” de seus go e nos pa a o a. O p imei o
ipo é de inpu : exige man e uma as a ede de co esponden es, o que
em al o cus o ope acional – po isso, só g andes emp esas (sejam
públicas ou p i adas) conseguem man e . O segundo ipo é de ou pu :
mais ba a o e, em ge al, man ido sob modelo es a al. Nós nunca i emos
nem uma coisa, nem ou a (Aguia , 2009: 13).

XXXVIII
Op ou-se po expo o assun o do ansnacionalismo e das agências pa a p essupo
a ques ão de que po con a de o B asil ca ece de agências de no ícias com
co esponden es b asilei os no ex e io , udo que o país ecebe são ma é ias já o muladas
com con eúdo es angei o, ou b e emen e, dos seus esc i ó ios e escasso co esponden es,
e não há, no p óp io e i ó io nacional, o es ímulo da p odução local, con endo pau as
e e en es a imig an es ou e ugiados den o da nação. Isso, como consequência, az com
que no ícias in e nacionais (que em uma demanda maio ), p o indas de agências, sejam
mais isí eis do que as nacionais, que eque em p odução p óp ia.
Um segundo le an amen o a se p opos o é e e en e a hipó ese do Agenda-Se ing
que, pa a Filho (1995: 169), signi ica a que “as pessoas agendam seus assun os e suas
con e sas em unção do que a mídia eicula”. Onde pa a Maxwell McCombs e Donald
Shaw, inspi ados pelos es udos de Wal e Lippmann, au o do li o Public Opinion,
lançado em 1922, “depende-se dos meios de comunicação pa a se in o ma sob e os
assun os, pe sonalidades e si uações; pa a que possa-se expe imen a sen imen os de
apoio ou de epulsa e pa a conhece aqueles pon os de a enção”. Pa indo-se des e
p incípio e das ques ões le an adas an e io men e, é de se supo en ão, que g aças à
impo ação de no ícias es angei as (pela al a de agências de no ícias), a população
b asilei a enha maio con a o com os p oblemas da imig ação e dos e ugiados
in e nacionais, do que dos nacionais, e como consequência, os assun os de maio impac o
e maio conhecimen o da população são do ex e io , e não o con á io.
Pa a Cohen “pode (a imp ensa), na maio pa e das ezes, não consegui dize às
pessoas como pensa , em, no en an o, uma capacidade espan osa pa a dize aos seus
p óp ios lei o es sob e que emas de em pensa qualque coisa” (1963: 13 In Wol , 1999:
62). To na-se pe cep í el que exis e uma g ande capacidade em es abelece uma agenda
a pa i de de e minados in e esses, podendo se polí icos, ideológicos ou econômicos, a
pa i da necessidade de expo o no o e o ex ao diná io, isando a ai o elespec ado ,
como essal am Lippmann, Lang e Noelle Neumann.
A hipó ese do Agenda-Se ing não de ende que os mass media
p e endam pe suadi [...]. Os mass media, desc e endo e p ecisando a
ealidade ex e io , ap esen am ao público uma lis a daquilo sob e que é
necessá io e uma opinião e discu i . O p essupos o undamen al do
Agenda-Se ing é que a comp eensão que as pessoas êm de g ande pa e
da ealidade social lhes é o necida, po emp és imo, pelos mass media
(Shaw, 1979: 96, 101).
XXXIX
Essa hipó ese a ua jus amen e en e os eículos jo nalís icos e o in e locu o . O
concei o é elabo ado po meio dos assun os que a mídia i á pau a . Na ope acionalização
das emp esas jo nalís icas, alguns emas são conside ados de pa icula impo ância em
um de e minado momen o, ou pau ado pelos media in e nacional, o que az com que um
assun o se o ne des aque pe an e o público, con o me a isibilidade na mídia. A hipó ese
de Agenda-Se ing é uma consequência da conco ência en e as emp esas e, ao mesmo
empo, da insu icien e es u u a ope acional.
Conside ando o que oi le an ado a espei o do ansnacionalismo e das agências
no iciosas, chega-se à conclusão de que elas podem a ibui ou os alo es à população
que ecebe as in o mações, e sob e os signi icado dos acon ecimen os como eg as do
compo amen o humano e ins i ucional, além de, mesmo sem se in encional, pau a a
mídia nacional. Não há uma up u a en e as agências de no ícia e o Agenda-Se ing, e
sim um link, de que assim como a mídia in lui sob e o que a população de e pensa ,
ambém a mídia in e nacional age pe an e a nacional.
a linguagem jo nalís ica na ele isão em um aço especi ico que a
dis ingue, a imagem. A o ça da mensagem icônica pa a ele é ão
g ande, que pa a mui as pessoas, o que a ela mos a é o que acon ece,
é a ealidade. Po isso, a TV ocupa, segundo ele, um s a us ão ele ado,
o que az com que os elespec ado es, especialmen e os pouco do ados
de senso c i ico, lhe deem c edi o o al, conside ando-a incapaz de
men i pa a milhões de pessoas (Rezende, 2000: 76).
Pa a Lippmann, a elação da população com a ealidade não se dá de manei a
di e a. Embo a ela oco a de modo di e o, a pe cepção que dela se em não é di e a, mas
sim mediada po imagens o madas na men e. Assim, pe cebe-se a ealidade não
enquan o al, mas sim enquan o imaginada. As pessoas agendam seus assun os e suas
con e sas em unção do que a mídia eicula. Se, po sua ez, como di o acima, a mídia
exclui algum assun o, é plausí el se pensa que a população a á o mesmo. E é o que se
e á no capí ulo a segui .
9. O pano ama mundial das mig ações no pe íodo da ecolha dos dados
Segundo dados es a ís icos
13
o necidos pela Polícia Fede al B asilei a, em ma ço
de 2015, o B asil ab iga a 1.847.274 imig an es egula es. Con o me a classi icação
13
Disponí el em h p://www.p .go .b /imp ensa/es a is ica/es angei os
Acesso em 20.11.2016
XL
ado ada pela ins i uição, esse o al engloba a 1.189.947 “pe manen es”; 595.800
“ empo á ios”; 45.404 “p o isó ios”; 11.230 “ on ei iços”; 4.842 “ e ugiados”; e 51
“asilados”. Só em 2015 o am 117.745 es angei os dando en ada no país – um aumen o de
2,6 ezes em elação a 2006 (45.124). Esses dados são no amen e inse idos aqui pa a que
se possa comp eende qual e a o pano ama nacional e mundial dos luxos mig a ó ios,
pa a que, como se e á no capí ulo seguin e, possa se aze uma e lexão do des aque que
os elejo nais de am pa a esse ipo de no iciá io.
Em 2015, os hai ianos lide a am o anking de chegada ao país pelo segundo ano
consecu i o, sendo egis adas 14.535 pessoas, segundo dados da PF. A nacionalidade é
a que mais se des aca pelo c escimen o nos úl imos cinco anos. Em 2011, apenas 481
hai ianos de am en ada no país – ou seja, hou e um aumen o de mais de 30 ezes.
Os boli ianos ambém man i e am a posição de 2014 pa a 2015: o segundo luga .
Fo am 8.407 egis os no B asil, o que ep esen a uma queda de 32% em elação aos
dados de 2011, quando 12.465 boli ianos en a am no B asil. Em 2015, eles o am
seguidos pelos colombianos (7.653), a gen inos (6.147), chineses (5.798), po ugueses
(4.861) pa aguaios (4.841) e no e-ame icanos (4.747).
Em en e is a concedida a um po al de no ícias
14
, a socióloga Pa icia Ta a es de
F ei as, pós-dou o anda do Cen o de Es udos da Me ópole (CEM), inculado à
Uni e sidade de São Paulo (USP), a i mou que “Apesa da oposição de um segmen o da
sociedade e da mídia, os imig an es es ão chegando, sendo con a ados e azendo ao país
um conhecimen o que o b asilei o mui as ezes ainda não possui”, ou seja, e a um g ande
núme o de chegadas ao B asil e em des inos adicionais da imig ação, como Es ados
Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha e F ança, o pe cen ual e a ainda maio .
A Eu opa po sua ez ecebia quase 57.3000 imig an es i egula es no p imei o
imes e de 2015. Esse núme o ep esen a a p a icamen e o iplo do mesmo pe íodo de
2014, ano em que o am queb ados odos os eco des, inclusi e os a ingidos du an e as
p ima e as á abes. Os núme os da agência eu opeia de con ole de on ei as ex e nas
(F on ex), con i ma am que a UE en en a a um ema anhado de p oblemas en elaçados:
14
Disponí el em h p://agencia. apesp.b /imig an es_as_b echas_pa a_o_acolhimen o/21466/
Acesso em 07.12.16
XLI
a onda de con li os no O ien e Médio (em especial o caos na Líbia), a p essão demog á ica
na Á ica, a c escen e capacidade da indús ia dos a ican es de pessoas, a emig ação
econômica p oceden e dos Balcãs e as p óp ias di iculdades da União Eu opeia pa a
adminis a de o ma homogênea suas on ei as.
Bas am os dados pa a se e uma ideia das consequências desse enômeno: 32.400
pessoas (na maio ia do Koso o) en a am na UE pelos Balcãs no mesmo pe íodo em
2015, en e a menos de 1.000 no ano an e io . Pelo Medi e âneo Cen al, I ália,
ing essa am mais 10.200. Pela o a do Medi e âneo o ien al – as ilhas g egas e a
Bulgá ia— pene a am 13.500 pessoas, quase o iplo do pe íodo de janei o a ma ço de
2014, e, pela Espanha, ou os 1.200. To alizam quase 57.300 pessoas, segundo os dados
da F on ex; no p imei o imes e de 2014 e am p a icamen e um e ço, 22.500.
No caso da Á ica, países como Senegal, Mali, Guiné e Gâmbia concen a am os
maio es índices de imig an es ilegais umo a Eu opa. A maio ia deles e am homens
sol ei os na aixa dos 20 anos.
A agência de e ugiados da ONU a i mou que o maio g upo eque en es no
con inen e eu opeu e a o mado po sí ios, com 122.800 equisições de asilo, ou 20% do
núme o o al de candida os. E i eus que ugiam da gue a es a am em segundo luga . O
des ino p e e ido e a a Alemanha, que em 2014 ecebeu 202.700 equisições, ou 32% do
o al. A Suécia eio logo em seguida com 81.200, ou 13%. Seguiam I ália, com 64.600,
ou 10% do o al, F ança, 62.800, ou 10%, e a Hung ia, 42.800, ou 7%.
Pa a a pesquisado a e socióloga Pa ícia Villen, que alou ao po al Globo.com
15
,
en e 2006 e 2014, é ní ido o aumen o c escen e de imig an es, em pa e explicado pelo
momen o econômico do B asil. "Exis e uma cen alidade pa a en ende esse mo imen o:
olha pa a o me cado de abalho, que acaba sendo um e môme o desses núme os. E o
B asil es a a se p oje ando in e nacionalmen e, ha ia uma demanda de emp egos",
a i ma.
No pe íodo, a axa de desemp ego no país passou de dois dígi os pa a apenas um,
a ingindo o meno índice da sé ie his ó ica do Ins i u o B asilei os de Geog a ia e
15
Disponí el em h p://g1.globo.com/mundo/no icia/2016/06/em-10-anos-nume o-de-imig an es-
aumen a-160-no-b asil-diz-p .h ml
Acesso em 15.11.2016
XLII
Es a ís ica (IBGE) – 4,3%. Assim, o país se o nou a aen e pa a imig an es em busca de
emp egos e chances de uma no a ida. No p óximo capí ulo, se e á como os dados acima
o am expos os nos elejo nais b asilei os.
Capí ulo III – Os e ugiados na mídia
10. P ocessos de pesquisa
Nuno Goula B andão (2005), a i ma que é impo an e conside a a ele isão
como uma das ins i uições que domina a ida pública, eículo que imp ime uma
pe cepção do mundo em que i emos, a a és da cons ução de uma eia de signi icados
e de sen idos sob e di e sas es e as sociais. Po an o, pa a en ende como o e ugiado é
ep esen ado na mídia b asilei a e i icou-se nos meses de maio, junho, julho, agos o e
se emb o de 2015 os no iciá ios do Jo nal Nacional, da Rede Globo, e do Jo nal da
Reco d, da Rede Reco d. A escolha desses elejo nais se de e à exp essi a audiência nos
ho á ios em que ão ao a , conside ando-os elejo nais p ime- ime, compa ado a ou as
duas emisso as de g ande po e, SBT e Band. Segundo dados
16
do Kan a Ibope, líde no
me cado de pesquisa de mídia na Amé ica La ina, o JN em 26 pon os de audiência e o
JR 9,3 pon os. A amos a consis iu na obse ação de 131 dias na ín eg a dos elejo nais,
en e segunda e sex a- ei a. Encon a am-se 61 peças ela i as ao ema mig ação,
excluindo-se emas como espo e (jogado es imig an es, écnicos de ou a nacionalidade,
isi a de a le as ao país), assun os eligiosos (como no as sob e o Papa F anscisco em
epúdio à a aques e o is as), e u ismo ( isi a ao país).
A descodi icação de um documen o pode u iliza -se de di e en es
p ocedimen os pa a alcança o signi icado p o undo das comunicações
nele ci adas. A escolha do p ocedimen o mais adequado depende do
ma e ial a se analisado, dos obje i os da pesquisa e da posição
ideológica e social do analisado (Chizzo i, 2006: 98).
No que espei a ao a amen o dos dados ecolhidos, op amos po um conjun o de
écnicas de Análise de Con eúdo das epo agens que pe mi em ag upa os dados,
ca ego izando e uni o mizando-os de o ma a o ná-los mais acessí eis a in e p e ações
16
Disponí el em h ps://www.kan a ibopemedia.com/dados-de-audiencia-nas-15-p acas- egula es-com-
base-no- anking-consolidado-2111-a-2711/
Acesso em 15.10.16

XLIII
(Ba din, 2009). A Análise de Con eúdo pode se de dois ipos: análise dos “signi icados”
(análise emá ica) e análise dos “signi ican es” (análise dos p ocedimen os). Pa a esse
es udo op ou-se po u iliza a p imei a. Segundo Ba din, exis em ês di e en es ases da
análise de con eúdo: 1) A p é- análise; 2) A explo ação do ma e ial; e, 3) O a amen o
dos esul ados: a in e ência e a in e p e ação (2009: 121).
Na Análise de Con eúdo, a ên ase que os pesquisado es imp imem à
“obje i idade” e ao le an amen o de con eúdos “mani es os” e ela as
ambições cien í icas desde mé odo no es udo dos enômenos sociais e
humanos. Segundo Baue e Gaskell (2000:194), a sua u ilização pode á
con ibui pa a seis espos as possí eis a pe gun as colocadas pelos
pesquisado es: uma espos a desc i i a (quan as no ícias o jo nal diá io
X publicou sob e um de e minado ema, po exemplo imig ação); uma
espos a no ma i a, sob e a cons ução de cons âncias ou “pad ões”
(po exemplo, quais são os “pad ões” jo nalís icos de cobe u a da
imig ação); análises ans-secionais (po exemplo, dois jo nais cob indo
uma no ícia especí ica sob e imig ação du an e um mês); análises
longi udinais (onde se compa a, no mesmo con ex o, a cobe u a da
imig ação po um empo longo); análises de indicado es cul u ais, em
que, conjun o com análises de con eúdo longi udinais e ou o ipo de
análises quali a i as, se le an am mapas de endências de
compo amen os sociais (Fe in, 2004: 83).
Pa a a o ganiza a ecolha dos dados op ou-se po elenca como on es de análise
dois elejo nais b asilei os. O p imei o é o Jo nal Nacional (JN), p oduzido e ansmi ido
pela Rede Globo desde sua es eia, em 1 de se emb o de 1969, exibido no ho á io no u no,
a pa i das 20h30, de segunda- ei a a sábado. A cobe u a no ex e io se deu a pa i de
1973, onde a emisso a assinou con a o com a agência de no ícias Uni ed P ess
In e na ional (UPI), e o JN passou a ecebe imagens do mundo in ei o, odos os dias, ia
sa éli e. Dian e do sucesso das ansmissões, a Globo decide mon a esc i ó ios o a do
B asil. O p imei o oi inaugu ado em no emb o de 1973, em No a Yo k, sob a che ia de
Hélio Cos a. O esc i ó io de Lond es oi abe o em 1974, já em 1999 e a a capi al
po uguesa, Lisboa, quem ecebia os con e âneos e pos e io men e, Tóquio. Ainda assim,
exis em co esponden es na Alemanha, A gen ina, I ália e Is ael. A cobe u a a inge ce ca
de 5,5 milhões de elespec ado es ao edo de mais de 130 países.
O segundo a a-se do Jo nal da Reco d (JR), p oduzido e exibido pela Rede
Reco d. O mesmo es eou em 1972, subs i uindo o an igo Jo nal da REI, ambém ai ao
a de segunda- ei a a sábado, a pa i das 21h30. A ualmen e az a cobe u a dos p incipais
acon ecimen os no B asil e no mundo, com a p odução de epo agens especiais e
in es iga i as. Possui epó e es em odos os es ados do B asil, a a és das a iliadas da
Rede Reco d, e ambém con a com co esponden es in e nacionais em seus esc i ó ios
XLIV
localizados nos Es ados Unidos (No a Yo k e Washing on D.C.), Eu opa (Lond es e
Lisboa), Ásia (Tóquio) e O ien e Médio (Je usalém). O Jo nal da Reco d ambém é
exibido pela Reco d In e nacional, alcançando mais de 150 países.
Em uma análise p imá ia o am assis idos 131 dias de elejo nais, na ín eg a. O
Jo nal Nacional em du ação média de 45 minu os diá ios, con abilizando um o al de 98
ho as e 25 minu os assis idas, enquan o que o Jo nal da Reco d, que possui em média 55
minu os de du ação, ob e e 109 ho as e 16 minu os no o al. Den o desse pano ama
o am encon adas 61 ma é ias em que, de alguma o ma, menciona am o e mo
“imig ação”. Ve i icou-se, po ém, a pouca u ilização do e mo “ e ugiado”, apesa da
quan idade de ma é ias sob e mig an es. Den e as 61 no ícias, no e delas abo da am o
e úgio como emá ica.
Na ase da explo ação do ma e ial, o am de inidas de ca ego ias (sis emas de
codi icação) de iden i icação do con eúdo a conside a como unidade base.
A explo ação do ma e ial consis e numa e apa impo an e, po que ai
possibili a ou não a iqueza das in e p e ações e in e ências. Es a é a
ase da desc ição analí ica, a qual diz espei o ao co pus (qualque
ma e ial ex ual cole ado) subme ido a um es udo ap o undado,
o ien ado pelas hipó eses e e e enciais eó icos. Dessa o ma, a
codi icação, a classi icação e a ca ego ização são básicas nes a ase
(Ba din, 2009: 37).
Como mencionado acima, “a ca ac e ização é uma ope ação de classi icação de
elemen os cons i u i os de um conjun o, po di e enciação e, seguidamen e, po
eag upamen o segundo o gêne o (analogia), com os c i é ios p e iamen e de inidos”.
Po an o, o am u ilizadas a iá eis de o ma (da a, gêne o jo nalís ico, espaço ocupado),
con eúdo (pe sonagens ap esen ados, nacionalidade e si uação ju ídica do imig an e, e
á ias emá icas) e discu so (na a i a, om e a gumen ação dominan e da peça, on es)
(Fe in, 2004).
Den e as peças analisadas, salien a-se que o am excluídas as que a a am de
emas como espo es, u ismo ou ci ações de pessoas públicas. Is o po que, não ha e ia
ele ância em a aliá-las, uma ez que o assun o em oco e a o dos e ugiados, e de o ma
mais ampla, da imig ação. Também não o am incluídas peças que a a am de
emig ação, po ão igualmen e não se de in e esse des e abalho.
XLV
Op ou-se po a alia as no ícias que ala am sob e imig ação e não somen e
e ugiados, pa a en ende se os jo nalis as e iam o cuidado de usa a nomencla u a
co e a, in o mando aos elespec ado es que o e úgio e a imig ação, mesmo que
p óximos, são ealidades dis in as e me ecem des aque de o ma equi alen e. As 61
ma é ias assinaladas de alguma o ma menciona am a pala a “imig ação”; e nesse
conjun o incluem-se ambém as no e peças que ala am sob e e ugiados. A segui se á
mos ado a ecolha e a amen o dos dados.
11. T a amen o de dados
11.1 Po empo de exibição, ipo de no ícia e âmbi o nacional/in e nacional
No Jo nal da Reco d o am con abilizadas 21 ma é ias com o ema imig ação e
apenas uma e e en e a e ugiados. No Jo nal Nacional o am exibidas 31 ma é ias sob e
imig ação e oi o sob e e ugiados, o alizando 39 peças. No mês de maio hou e a maio
concen ação de ma é ias, com 18 epo agens, 10 delas de âmbi o nacional. Em junho
con abilizou-se 12 ma é ias, desse o al apenas ês e am e e en es a emas nacionais. Já
em julho há uma queda b usca, com apenas 5 no ícias, uma de âmbi o nacional. Das 15
no ícias que saí am em agos o, só duas são de âmbi o nacional. Po im, em se emb o
emos maio i a iamen e ma é ias de in e esse in e nacional, num o al de 11 peças.
Jo nal Nacional
64%
Jo nal da Reco d
36%
MATÉRIAS VEICULADAS DE MAIO A SETEMBRO DE 2015
XLVI
Maio
29%
Junho
20%
Julho
8%
Agos o
25%
Se emb o
18%
EXIBIÇÃO POR MESES
A é 1'
29%
De 1'59'' a é
2'59''
64%
De 3' a é 4'59''
7%
TEMPO DE EXIBIÇÃO
Nacional
25%
In e nacional
75%
ÂMBITO
LIII
Obse ou-se ainda, que as p incipais nacionalidades abo dadas e am Sí ia, com
12 peças; seguida da egião que oi ag upada no sen ido con inen al de Á ica, pois nem
odas as ma é ias ala am de o ma cla a a nacionalidade, e u iliza am apenas a cono ação
“a icana”, com 11 peças; e a Alemanha com se e. Com uma quan idade de qua o
menções apu ou-se a Líbia, com ês menções o Hai i, e com duas menções a I ália.
A eganis ão, B asil, Bolí ia, Chile, China, Colômbia, Is ael, Ma ocos, México,
Bangladesh, Sudão e Venezuela o am mencionados uma única ez. Den o do escopo de
análise, em dez peças não oi possí el e i ica a nacionalidade exis en e.
11.4 Sob e os ipos de on es
No jo nalismo as on es êm um en ol imen o di e o ou indi e o com o a o, e
sendo assim, elas podem se conside adas como p imá ias ou secundá ias. A on e
p imá ia o nece in o mações p i ilegiadas, ais como dados, núme os e e sões, po que
es á p óxima a o igem do acon ecimen o. Já a on e secundá ia con ex ualiza, in e p e a,
analisa ou comen a a no ícia (Schmi z, 2011).
As in o mações p o indas de on es pa em do p essupos o que a pessoa que ala
é econhecida pela no o iedade, pela especialização, po e p esenciado o oco ido ou po
ep esen a algum ó gão. Com base nisso, as on es da base de dados o am di ididas em
ca ego ias. Na p imei a ca ego ia em-se a on e especialis a, que em no ó io sabe
especí ico, podendo se pe i o, in elec ual, ou p o issional que a ua na á ea em que a
A eganis ão
2% A ica
2% Alemanha
14% Bangladesh
2%
Bolí ia
2%
B asil
2% Chile
2%
China
2%
Colômbia
2%
Hai i
6%
Inde inido
16%
Is ael
2%
I alia
4%
Líbano
8%
Ma ocos
2%
México
2%
Sí ia
24%
Sudão
2%
Tunísia
4% Venezuela
2%
NACIONALIDADE

LIV
ma é ia es á inse ida. O especialis a de ém um conhecimen o especí ico e a capacidade
de analisa as consequências e epe cussões de de e minadas no ícias. No pe íodo
analisado o am encon adas apenas duas peças e que, inclusi e, u iliza a a mesma on e,
sendo ele Luiz Alexand e Essinge , Di e o do Hospi al Municipal Miguel Cou o.
Depois, com ês peças, encon am-se as on es cidadãs ou popula es. T a a-se de
uma pessoa comum, que não ala po uma o ganização ou g upo social. Nesse quesi o
encon am-se es emunhas, í imas ou pessoa comum que opina ou ei indica algo. Essa
on e ambém é usada pa a con ex ualiza in o mações da ida co idiana.
Den e 61 no ícias con abilizadas, em apenas oi o delas os imig an es o am
ou idos, sendo eles a emá ica da ma é ia, há uma g ande dispa idade.
A segui , as on es o iciais ocupam no e ma é ias. Tais in e locu o es
ca ac e izam-se po se em pessoas públicas, que alam em nome de uma o ganização ou
ó gão man ido pelo Es ado, incluindo os pode es como execu i o, legisla i o e judiciá io.
No malmen e são os mais p ocu ados pelos media, uma ez que emi em in o mações de
in e esse público.
Já nas 39 peças es an es não ha ia menção de nenhum ipo de on e.
Especialis a
3% Cidadã
5%
Imig an e
13%
O icial
15%
TIPOS DE FONTE
LV
11.5 Sob e e ugiados
Fo am 131 dias isualizados na ín eg a, du an e maio, junho, julho, agos o e
se emb o; den o desse pe íodo, sob essai am-se 61 peças que abo da am de alguma
o ma a emá ica “imig ação”, incluindo as que a a am sob e os e ugiados. A unilando
um pouco mais os dados ecolhidos, ob i e am-se no e peças que ala am di e amen e
de e úgio, e ainda assim, com algumas essal as de que nem semp e o imig an e e o
e ugiado e am di e enciados ou expos os de o ma cla a, mos ando o po quê de ais
nomencla u as se em di e en es.
Seguindo ainda essa linha de aciocínio, o núme o de ma é ias sob e e ugiados é
ela i amen e pequeno se compa ado ao de imig an es, sendo 15% con a 85%, mas há
ainda maio dispa idade em elação ao eículo de comunicação, uma ez que o Jo nal da
Reco d e e apenas uma ma é ia eiculada em cinco meses de elejo nal. Já o Jo nal
Nacional, da Rede Globo, ep oduziu oi o ma é ias.
Em elação ao olume, hou e um g ande ácuo no pe íodo es udado. Em maio,
junho e agos o apa ece am apenas uma ma é ia; em julho não o am encon adas
epo agens; e em se emb o uma quan idade mais ele ada de seis ma é ias, ou seja, o
dob o dos meses an e io es. Ambas i e am quase uma semana de in e alo, sendo
publicadas nos dias 7, 14, 16 e 17, e pos e io men e, duas no dia 29.
To al de
no ícias
analisadas…
Reco e das peças
sob e imig ação
46%
Imig an es
85%
Re ugiados
15%
MATÉRIAS VEICULADAS
LVI
O empo de exibição de uma no ícia, como já is o an es, é um indicado bas an e
a i ma i o pa a e i ica a impo ância que a mesma ap esen a pe an e a comunidade.
Quan o maio o o empo de du ação, mais ap o undado ende o assun o a se a ado.
Caso seja o con á io, ele se á ap esen ado ao elespec ado de o ma mais supe icial.
Das no e peças assis idas, a maio pa e das no ícias (5), e e um empo de exposição de
1’01’’ a 2’59’’, icando en e a média de empo ida como acei á el pa a abo da de o ma
obje i a um assun o. Duas delas ob i e am um empo de exposição meno do que um
minu o, e ambas e am no as simples; ou seja, o ap esen ado do elejo nal ez apenas um
comen á io sob e o assun o, não ap o undando a no ícia. Em con apa ida, ambém duas
delas ob i e am um empo de exposição de 3’a 4’59’’, mos ando de o ma mais
ap o undada o que es a a em pau a, ou seja, a p imei a e e en e a ep essão da polícia da
Hung ia a e ugiados que en a am en a no país pela on ei a com a Sé ia e a segunda
sob e e ugiados que que iam mo a no B asil.
Em elação as on es que são u ilizadas pa a compo as ma é ias, exis e um
equilíb io; em cinco delas, são u ilizadas on es cidadãs e o iciais; qua o delas não
ap esen a am nenhum pe sonagem alando sob e a emá ica. Po ém, é ele an e essal a
que em elação aos pe sonagens que apa ece am apenas de o ma ilus a i a, hou e um
descuido ao não comen a de o ma cla a e concisa a nacionalidade. Isso oi obse ado
p incipalmen e em elação à pessoas de o igem a icana, em que não ha ia menção do
país de o igem ou qualque desc ição mais de alhada, como se iu, po exemplo, com
nacionalidades eu opeias.
LVII
De o ma unânime, odas as ma é ias eiculadas nos elejo nais e am de âmbi o
in e nacional, mesmo com a quan idade de e ugiados que chega am ao B asil no úl imo
ano. Em elação à ca ego ia “imig ação”, encon amos 45 peças de in e esse in e nacional
e somen e 16 que a a am de p oblemas encon ados den o da nação. No capí ulo
seguin e as no e peças eco adas se ão subme idas a uma Análise de Discu so ex ual,
de o ma a e i ica quais as possí eis a iações e in e p e ações possí eis.
11.6 A Análise de Discu so das no ícias sob e os e ugiados e a in luência na
ecepção dos mesmos pela população
A pa i da ap oximação da mediação ecnológica, o concei o de usos sociais pode
se associado à comp eensão das di e en es pe cepções en endidas pelos sujei os em
elação ao que é eiculado na mídia. Des a o ma, busca-se comp eende de que modo as
ep esen ações elejo nalís icas incidem na ecepção dos elespec ado es, a a és dos usos
sociais das mídias, de o ma a pa icipa na cons ução de imaginá ios sob e os e ugiados
e se de alguma o ma essas ep esen ações in luenciam na ecepção dos mesmos po pa e
da população de acolhimen o. P e ende-se, po an o, aze uma ligação en e a hipó ese
do Agenda–Se ing e a Análise de Discu so pa a obse a , po meio da no ícia, o que é
possí el que os elespec ado es in e p e em e como podem se posiciona ace ca da
mesma. Faz-se aqui um pa ên ese impo an e – essas análises o am baseadas nas
A é 1'
22%
De 1'01'' a é 2'59''
56%
De 3' as é 4'59''
22%
TEMPO DE EXIBIÇÃO
LVIII
hipó eses le an adas ao início do abalho, uma ez que não oi iá el ealiza en e is as
em p o undidade com os espec ado es. É impo an e salien a que não se á desp endido
mui o empo desse capí ulo pa a concei ualiza a Análise de Discu so, uma ez que ela é
u ilizada como uma me odologia secundá ia, en ão se á con ex ualizada com as
in o mações que são undamen ais pa a o en endimen o da mesma.
Mui os abalhos, ge almen e no á eis, dedicam-se a es uda sejam as
ep esen ações sejam os compo amen os de uma sociedade. G aças ao
conhecimen o desses obje os sociais, pa ece possí el e necessá io
baliza o uso que deles azem os g upos ou os indi íduos. Po exemplo,
a análise das imagens di undidas pela ele isão ( ep esen ações) e dos
empos passados dian e do apa elho (compo amen o) de e se
comple ada pelo es udo daquilo que o consumido cul u al “ ab ica”
du an e essas ho as e com essas imagens (Ce eau, 1994: 39).
Pa a Gómez (1991), a elação en e os ecep o es e a ele isão é necessa iamen e
mediada, pois a mesma nunca é di e a e unila e al como cos uma se abo dada. Ela é uma
elação mul ila e al e mul idimensional e que se ealiza a a és de múl iplas mediações.
A ecepção pode se en endida como um p ocesso que an ecede e p ocede o a o de assis i
à ele isão, pela bagagem e pelo con ex o que o elespec ado az consigo. Sendo assim,
o mesmo en a á em con a o com ou os “cená ios” que, não necessa iamen e, es á
acos umado a pa icipa . Gómez diz ainda que “po um lado, is o signi ica que o p ocesso
de comunicação não se conclui com a sua ansmissão, senão que p op iamen e aí se
inicia. Po ou o lado, is o não implica a ausência de uma in encionalidade global polí ica
e econômica conc e a que se insc e e no discu so social hegemônico”.
A di iculdade em analisa ais peças, mesmo ealizando uma Análise de Con eúdo,
cons a em en ende que não se pode homogeneiza pad ões de consumo, em e mos
uni e sais, uma ez que cada a o social cons ói sua p óp ia in e p e ação de ais a os
di usos ia ele isão, segundo a expe iência i enciada po ele. Ve on a i ma que
“exis em mui o menos coisas hoje em comum que possamos medi e das quais possamos
o mula uma eo ia (...) as lógicas do ínculo social já não es ão donde ha íamos
acos umados a i buscá-la”. (1980: 276).
Sche e Wa en (2006) e Cas ells (1999) a i mam que nesse cená io, as
empo alidades sociais são ede inidas. A comunicação de massa impulsiona e o na mais
ápido o p ocesso de expe iências com os p odu os ecnológicos, ao mesmo empo em
que pa icipa dos edesenhos em elação a cons ução de cul u as de memó ia e de
p odução de esquecimen os.

LIX
Dessa o ma, anco ados em um e e encial eó ico que p i ilegia o
concei o de mediação, en endemos que os usos sociais das mídias são
de inidos po um conjun o de en o nos que in e age na cons ução dos
signi icados a ibuídos aos meios de comunicação e no modo como
sujei o e ecnologia se elacionam. A di e sidade de modos de usa as
mídias, mesmo que limi ada po imposições de o dem ecnológica e
pelas ques ões de desigualdade econômica e social, e ma cada ambém
pela capacidade de p odução de sen ido de cada indi íduo, ga an ida
a a és de suas iden i icações, compe ências e ambém de sua elação
com as iden idades, his ó ia, alo es, hábi os e adições (1999: 20)
Sendo assim, pe cebe-se que as mensagens são meios simbólicos que podem se
u ilizadas pa a a cons ução de ep esen ações sociais e iden idade de e cei os. As au o as
Escos eguy e Jacks (2005), numa concepção p opos a po Jesus Ma in-Ba be o, abo dam
os usos sociais dos meios como uma o ma de busca o en endimen o da elação en e
ecep o es e meios, obse ando a inse ção da população em um p ocesso que implica no
apa ecimen o de iden idade e no os sujei os, con eccionados de o ma ic ícia, em
especial, pelas ecnologias da comunicação. Ma in-Ba be o econhece os meios de
comunicação como espaços cha e de “condensação e in e secção de múl iplas edes de
pode e de p odução cul u al” e, ao mesmo empo, ale a con a “o pensamen o único que
legi ima a ideia de que a ecnologia é hoje ‘o g ande mediado ’ en e as pessoas e o
mundo” (2001: 20).
Po an o, o que se p opõe aze , po meio do eco e das peças abaixo, e e en e
aos e ugiados, a a és de um es udo de ecepção midiá ica com base na Análise de
Discu so, é pensa o p ocesso de comunicação, obse ando como os elespec ado es
ecebem as no ícias e o que eles pensam sob e ais, le ando em conside ação as hipó eses
suge idas an e io men e, assim como o p opos o pelo Agenda-Se ing. Nes a
comp eensão, nos ap oximamos do concei o de usos sociais das mídias como
ap op iações, essigni icações, cons uções ope adas na ecepção a pa i dos modos de
aze plu ais com os meios de comunicação, em con ex os co idianos conc e os (Ma ín
– Ba be o, 2001).
Papéis (...) são de inidos po no mas es u u adas pelas ins i uições e
o ganizações da sociedade. A impo ância ela i a desses papéis no a o
de in luencia o compo amen o das pessoas depende de negociações e
aco dos en e indi íduos e essas ins i uições e o ganizações.
Iden idades, po sua ez, cons i uem on es de signi icado pa a os
p óp ios a o es, po eles o iginadas, e cons uídas po meio de um
p ocesso de indi iduação. Em e mos mais gené icos, pode-se dize que
LX
iden idades o ganizam signi icados, enquan o papéis o ganizam
unções (Cas ells, 1999: 22-23).
Sendo assim, po meio da Análise de Discu so, p e ende-se e i ica quais são as
possibilidades de in e p e ação da imagem do e ugiado, ia análise ex ual, impac ando
na sua iden idade, e consequen emen e na ep esen ação que o mesmo em pe an e a
sociedade acolhedo a. O p ocesso de análise discu si a em a p e ensão de in e oga os
sen idos es abelecidos em di e sas o mas de p odução, que podem se e bais e não
e bais, bas ando que sua ma e ialidade p oduza sen idos pa a in e p e ação; podem se
en ec uzadas com sé ies ex uais (o ais ou esc i as) ou imagens ( o og a ias) ou
linguagem co po al (dança).
Pa a esse es udo op ou-se po u iliza as sé ies ex uais, uma ez que a língua, po
exemplo, é conside ada he e ogênea, po an o ela não é anspa en e e homogênea como
em alguns casos se mos a. Consequen emen e, isso az com que possam oco e
“equí ocos, alhas, deslizes” (Melo, 2005: 192), ge ando assim uma ideia con a ia do
enunciado, pe mi indo lei u as múl iplas. “O sen ido não es á “colado” na pala a, é um
elemen o simbólico, não é echado nem exa o, po an o semp e incomple o” (Mu i,
Ca egna o, 2006: 680).
Nes e sen ido, Willig (1999) a i ma que a Análise de Discu so se p eocupa com o
modo como a linguagem cons ói os objec os, os sujei os, a subjec i idade e o sel . T a a-
se de um conjun o de mé odos e de eo ias que buscam in es iga an o o uso quo idiano
da linguagem, quan o a p óp ia linguagem nos con ex os sociais, es udando os
signi icados e o que es á implíci o e explíci o nos diálogos que cons i uem a ação social.
É impo an e essal a que nes a me odologia os pesquisado es não p e endem nem
p oclamam a “descobe a” da e dade ace ca da ealidade, mas o e ecem apenas uma
in e p e ação ou e são que é ine i a elmen e pa cial, uma ez que o es udo é baseado
em hipó eses (Bu , 1995; Pa ke , 1992; Po e & We he ell, 1987; Taylo , 2001; Willig,
1999).
Exis em an os ac o es implicados nas si uações, que as elações
es abelecidas no passado não são necessa iamen e aquelas que pode ão
acon ece no u u o (seja ele mais ou menos p óximo). Como esul ado
des a p emissa, os objec i os dos pesquisado es são essencialmen e
in es iga signi icados mais do que p edize ou con ola (Bu , 1995).
A segunda p emissa espei a a ideia que nenhuma e dade única e
neu a pode se possí el nas ciências sociais, po que es e domínio
en ol e o es udo de ou as pessoas que êm as suas p óp ias isões.
Qualque desc ição ou jus i icação de um enómeno social ou de uma
LXI
si uação e lec e ine i a elmen e o en endimen o do
obse ado /pesquisado e dos seus in e esses especiais (Mo ow, 1994).
A e cei a p emissa co esponde à ideia (complexa) de que não é
possí el a ingi a e dade po que a ealidade não é simples nem egula :
exis em múl iplas ealidades e po isso múl iplas e dades (Flax, 1990;
F ase & Nicholson, 1990). (Noguei a, 2001: 17)
A Análise de Discu so desa ia as pesquisas adicionais uma ez que o nece uma
me odologia pa a a in e p e ação dos ex os sociais e em os seus undamen os na
iloso ia, na sociologia e na eo ia da li e a u a (Llomba , 1993; Po e & We he ell,
1987); ela baseia-se, con udo, em ex os esc i os, ais como, documen os, ca as,
en e is as, a igos de jo nais, e c. (Willig, 1999). Os sen idos das pala as êm elações
com as o mações discu si as em que es ão inse idas. “A o mação discu si a se de ine
como aquilo que numa o mação ideológica dada - ou seja, a pa i de uma posição dada
em uma conjun u a sócio-his ó ica dada - de e mina o que pode e de e se di o” (O landi,
2001: 43).
Den o da Análise de Discu so exis em algumas a iações de me odologia, pa a
concei ua as peças abaixo op ou-se po u iliza uma abo dagem em que “os analis as
p ocu am pad ões na linguagem associados a de e minado ópico ou ac i idade; is o é,
p ocu am amílias de e mos especí icos e signi icados com eles elacionados”,
(Noguei a, 2001: 25), ou seja, ia análise ex ual das pala as emp egadas em cada
discu so.
Segundo a i ma O landi (1999), a Análise de Discu so começa po um eco e,
que consis e na iden i icação de agmen os de co pus do ados de sen ido (associações
semân icas), po an o, op ou-se po analisa uma peça de cada mês em que o am
encon adas epo agens sob e os e ugiados, isando assim ap o unda o con eúdo.
Como os meses de maio, junho e agos o i e am apenas uma peça, o am essas as
escolhidas. Já no mês de se emb o, op ou-se po analisa a peça eiculada no Jo nal da
Reco d, uma ez que essa oi a única ma é ia exibida pelo elejo nal. Sendo assim, o am
analisadas, com base na AD, um o al de qua o no ícias. A segui , seguem as peças
analisadas.
LXII
Peça 1 – 14 de maio de 2015
A ma é ia de âmbi o in e nacional, eiculada no Jo nal Nacional, em como í ulo
“Tailândia e Malásia se ecusam a ecebe ba cos supe lo ados de e ugiados”, com
du ação de 1’ a 2’59’’ e sendo uma epo agem comple a (o
20
+ passagem
21
+ sono a
22
).
- CABEÇA (Ânco a Rena a Vasconcellos): “Desde o começo do ano, o Jo nal Nacional
em mos ado a si uação d amá ica dos imig an es clandes inos que pa em da Á ica pa a
Eu opa e en am a a essa o Ma Medi e âneo. Mas esse é um p oblema ambém na Ásia -
onde Tailândia e Malásia se ecusam a ecebe ba cos supe lo ados de e ugiados”.
- OFF (Repó e Má cio Gomes): “A espe a na ila po um p a o de comida é um alí io
pa a as pessoas que es a am no ma há dias. Na Indonésia, encon a am um ab igo”.
- SONORA (Imig an e não iden i icado): “Não podemos ol a pa a o nosso país, não nos
pe mi em en a em ou o luga . E nós só que emos i e ”.
- OFF (Repó e Má cio Gomes): “Só nos ês p imei os meses des e ano, 25 mil se
a isca am nas águas do sul da Ásia. Fogem da pe seguição eligiosa e da pob eza em
Myanma e Bangladesh. O des ino: qualque país que os acei e. Na Tailândia, o am
ba ados. A izinha Malásia chegou a ecebe mil pessoas, mas depois passou a eboca os
ba cos pa a o a das suas águas e i o iais. Segundo as Nações Unidas, milha es de e ugiados
es ão nes e momen o à de i a, sem consegui soco o apesa de an os países po pe o. A
si uação já du a meses e se ans o mou em mais uma agédia humani á ia. Na o o,
pescado es lançam man imen os pa a 300 pessoas em uma emba cação na cos a ailandesa. A
ipulação abandonou o ba co há uma semana. Dez pessoas mo e am e o am jogadas ao
ma . Mas a ma inha da Tailândia não le ou os passagei os pa a e a. Alega que cump iu a
ob igação humani á ia ao da água e comida. A polícia da Tailândia diz que acei a os ba cos
se ia es imula o á ico de se es humanos. Pa a o ep esen an e da O ganização In e nacional
de Mig ação (que não em o nome di ulgado na epo agem), "É necessá io comba e o
á ico, mas há pessoas em isco de ida”.
Des a o ma, pelas pala as des acadas, é possí el obse a na epo agem que as ês
ozes exis en es con e gem pa a um mesmo pon o – o om de d ama p opos o pelo elejo nal.
20
O : ex o lido pelo epó e ;
21
Passagem: apa ição do epó e na no ícia;
22
Sono a: ala do en e is ado/ on e/pe sonagem;
LXIX
CONCLUSÃO
A cons ução da ealidade e a in luência na pe cepção da sociedade sob e ce os
assun os a a és dos meios de comunicação já o am emas de di e sos es udos
elabo ados po au o es de enome, como exempli icado na in odução des a ese. Assim,
quando se op ou po abalha , já de início, as Rep esen ações Sociais, endo como base
o au o Se ge Mosco ici, o p opósi o e a jus amen e aze essa ligação – in luência dos
meios na sociedade – p omo endo o deba e das possí eis consequências que a eiculação
de in o mações – seja de o ma posi i a ou nega i a – pode iam aca e a numa população
mul icul u al, que mesmo endo essa ca ac e ís ica, ainda ap esen a algumas o mas de
p econcei o, como é o caso do B asil. Po an o, buscou-se analisa a o ma que os emas
dos deslocamen os mig a ó ios, a imig ação e mais p ecisamen e, o e úgio, o am
enquad ados pela mídia nacional, den o dos elejo nais Jo nal Nacional e Jo nal da
Reco d.
Em elação aos dois p imei os obje i os elencados, de pe cebe como e am
no iciados os e ugiados e se ha ia o cuidado de di e enciá-los dos imig an es, lemb ando
que isso pode ia ge a a possí el c iação de es e eó ipos, no ou-se que, den o das no ícias
eco adas com a pala a “imig ação”, 20% das ma é ias e am e e en es à iolência,
en e an o não e am necessa iamen e os imig an es p omo o es dela, e sim os que so iam
a ag essi idade; poucas peças ap esen a am um om nega i o em elação a eles. Den e
as ou as ca ego ias, um g ande núme o abo da a a c ise mig a ó ia em si, sem a alia
di e amen e a posição do imig an e. Mesmo assim, ma é ias de cunho posi i o e
enal ecendo uma imagem mais sú il dos es angei os o am mino ia, quase nulas. É
impo an e essal a ainda que não ha ia o cuidado de di e encia e ugiados de
imig an es e, mui as ezes, as ca ego ias e am sob epos as. O mesmo icou isí el pa a o
in e so, nas ma é ias sob e imig ação ha iam ci ações de e úgio sem nenhuma dis inção.
Pa a o ACNUR isso é algo comum, “Com ap oximadamen e 60 milhões de pessoas
o çadas a se desloca no mundo e as a essias em emba cações p ecá ias pelo
Medi e âneo nas manche es dos jo nais, es á cada ez mais comum e os e mos
‘ e ugiado’ e ‘mig an e’ con undidos, an o nos discu sos da mídia, quan o do público em
ge al” e “Sim, exis e uma di e ença e sim, é impo an e. Os dois e mos êm signi icados
di e en es e con undi os mesmos aca e a p oblemas pa a ambas as populações”.

LXX
Já po pa e do eco e di e o de “ e ugiado”, com uma quan idade bem meno de
no ícias eiculadas em elação à imig ação, cons a a-se ambém o obje i o seguin e –
nenhuma ma é ia e e encia a e ugiados no B asil - endo as no ícias es angei a mais
impo ância do que as nacionais. De no e peças, nenhuma e a de cunho b asilei o, odas
a am da c ise que es a a se passando na Eu opa e seus desdob amen os.
Ao longo da p odução e desen ol imen o des a ese, o acompanhamen o dos
eículos de comunicação e a en a i a de man e os dados a ualizados o nou-se quase
us an e, uma ez que a chegada de e ugiados ao B asil, mês a mês, aumen a a
g ada i amen e e de o ma cons an e. Segundo dados do Comi ê Nacional pa a os
Re ugiados (CONARE), do Minis é io da Jus iça, em 2015, po exemplo, hou e 532
no as concessões pa a os habi an es da Sí ia, que i em uma gue a ci il que não cessa.
Ainda em elação a isso, o núme o de concessões de e úgio aos sí ios em 2015
ep esen a a 43% do o al de solici ações acei as (1.231). A “minigue a mundial” que
i e hoje a Sí ia en ol e o ças locais, egionais e in e nacionais e pa a a O ganização
das Nações Unidas (ONU), já são mais de 250 mil mo os. Po ém o Cen o Sí io pa a
Pesquisa Polí ica a i ma já e chego a ma ca de 400 mil óbi os em deco ência do
con li o.
A ualmen e o B asil con a com 8.863
23
e ugiados de 79 nacionalidades
di e en es, sendo 2.298 sí ios, 1.420 angolanos, 1.100 colombianos, 968 da República
Democ á ica do Congo e 376 da Pales ina, es ando esses cinco com a maio
exp essi idade numé ica. Aqui az-se uma pausa necessá ia: o núme o de e ugiados que
cons am na pa e in odu ó ia da ese oi a ualizado a é o úl imo momen o de en ega da
mesma e o aumen o da po cen agem den e 2014 e 2016 é isí el. A con agem o al quase
duplicou em dois anos, ou seja, o B asil ainda é um país is o como o ma de busca uma
ida melho e mais segu a pa a quem p ecisa de e úgio.
Em en e is a concedida ao Po al Globo
24
, o sec e á io nacional de Jus iça e
p esiden e do CONARE, Be o Vasconcelos, a i mou que o B asil em ido uma pos u a
23
Fon e: Minis é io da Jus iça. Disponí el em h p://www.b asil.go .b /cidadania-e-jus ica/2016/05/b asil-
ab iga-8-863- e ugiados-de-79-nacionalidades
Acesso em 09.12.16
24
Disponí el em h p://g1.globo.com/mundo/no icia/2016/04/si ios-ja- ep esen am-14-dos- e ugiados-no-
b asil.h ml
LXXI
p o agonis a no plano in e nacional no que diz espei o ao acolhimen o dos e ugiados. “O país
em sido ex emamen e p oa i o em elação à abe u a pa a pessoas em si uações sensí eis na
pio c ise humani á ia desde a 2ª Gue a Mundial”. En e an o, ainda assim, como
exempli icado pela pesquisa, os e ugiados apa ecem mui o pouco no no iciá io b asilei o.
T a ando-se de um ema delicado como é, exis em ques ões pe inen es que ca ecem de se
expos as. O e úgio aca e a consequências não somen e du an e o pe cu so de deslocamen o,
mas ambém no local de acolhimen o. A população que ecebe essas pessoas p ecisa es a bem
in o mada, p ecisa des aze alguns es e eó ipos que são c iados pela p óp ia mídia e p ecisa,
sob e udo, en ende quais se ão os desdob amen os ao acolhe os es angei os.
A escolha dos concei os que compuse am es a disse ação de mes ado oi ei a com
cuidado pa a que ambos con e gissem pa a o mesmo p opósi o e pudessem, de alguma o ma,
elucida as componen es que pe meiam a ida de um e ugiado. Não se a a apenas da ques ão
de sai de um país e i pa a ou o. T a am-se das ques ões psicológicas, econômicas,
educacionais, de saúde, polí ica e odos os ou os campos que um cidadão comum em de le a
em conside ação, mas com as di iculdades de um imig an e que, mui as ezes, chega de o ma
ilegal ao país.
O p opósi o desenhado, de e i ica como os elejo nais b asilei os no icia am
ques ões sob e e úgio e e ugiados, a p incípio, pa ecia algo simples, po ém no deco e
dos es udos e da pesquisa aplicada, em o ma de Análise de Con eúdo e ecolha de dados,
o nou-se pe cep í el que ou as lacunas de e iam se p eenchidas, uma ez que já em
análise p é ia omou-se conhecimen o de que os elejo nais nacionais publica am uma
quan idade bem maio de ma é ias com oco in e nacional do que o con á io.
Dessa pe cepção su giu o le an amen o da hipó ese de que isso acon ece ia
po que exis em poucos co esponden es b asilei os no ex e io , o que aca e a ia em uma
ep odução au omá ica do que as agências in e nacionais en iam. A especulação que se
dá nesse pon o é de que, há ealmen e essa lacuna, uma ez que os esc i ó ios
in e nacionais, an o da Rede Globo, quan o da Reco d, não es ão em odos os países,
podendo ha e assim uma de asagem na cobe u a midiá ica. Como há, po pa e do
jo nalismo b asilei o, essa p odução de asada, pa a não deixa de no icia ce os
acon ecimen os, p incipalmen e com oco nas mig ações, os elejo nais simplesmen e
Acesso em 20.10.16
LXXII
ep oduzem o que lhes é en iado. Po ém, ou a especulação que su ge é o po quê da mídia
nacional, obse ando a quan idade de pedidos de e úgio que chegam dia iamen e ao
B asil, não u ilizam essas in o mações pa a no icia esses acon ecimen os, buscando
man e a população local in o mada. São jus amen e essas pessoas que p ecisam en ende
o que acon ece na egião em que i em e necessi am e uma concepção undamen ada
de que os imig an es, e ugiados ou es angei os, não necessa iamen e azem doenças ao
país, oubam emp egos ou coisas do gêne o, que já es ão embu idas em um censo comum
es e eo ipado.
A hipó ese do Agenda-Se ing ambém se con i mou, com base no e e ido acima.
Essa eo ia diz que, dependendo dos assun os que enham a se abo dados – agendados –
pela mídia, o público e mina, a médio e longo p azos, po incluí-los igualmen e em suas
p eocupações. Assim, a agenda da mídia e mina po se cons i ui ambém na agenda
indi idual e mesmo na agenda social. Logo, o que oi no iciado in e nacionalmen e
passou a se eiculado pelos elejo nais b asilei os ab indo-se uma subca ego ia de que a
mídia “agenda” a p óp ia mídia, e que a pau a in e nacional acabou agendando a nacional,
a é mesmo pela dinâmica ele isi a, uma ez que o imedia ismo az pa e desse eículo.
A cobe u a dos e ugiados que chega am ao B asil não e e an a impo ância pa a o
elejo nalismo b asilei o do que os que a a essa am a Eu opa. Op ou-se ambém po
aze uma Análise de Discu so nas peças sob e os e ugiados pa a en ende se as pala as
u ilizadas pode iam impac a na ecepção da população, com base em hipó eses
le an adas, e de como eles se compo a iam ao ecebe os e ugiados.
Em suma, acolhe os e ugiados é uma inicia i a que ai mui o além da
solida iedade, o na-se um p opósi o. Ao con á io de ou os sis emas de p o eção
humani á ia e de di ei os ci is que ganha am uma con enção base e um ó gão pa a sua
implemen ação, a ca ego ia de e ugiados oi cons uída de o ma g adual e es ando
p esen e no dia a dia pela pu a necessidade de p o eção. Ela não su giu de o ma inusi ada,
mas se ez econhece dian e de pano amas a assalado es, em que cená ios de gue a
o na am-se comuns, sem di e encia icos e pob es, b ancos e neg os, c ianças e elhos.
É impo an e e le i sob e as causas ou p incipais a o es da in isibilidade desse
ema, que p opiciam a ambiência pa a que os e ugiados e imig an es possam se desloca ,
encon ando um acolhimen o digno, com as p incipais necessidades a endidas. Em ge al,
esses a o es não es ão ligados única e exclusi amen e a ques ões econômicas e sociais e
LXXIII
são essas en elinhas, não expos as, que mui as ezes azem o en endimen o e as
espos as undamen ais. Po an o, a conclusão desse es udo é sa is a ó ia no sen ido de
se , mesmo que pequeno, um ins umen o pa a deba e um assun o ão ele an e e a ual.
LXXIV
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