scieee Science in your language
[po] (orig)

Recensão: Peter Goldie e Elisabeth Schellekens, Who’s Afraid of Conceptual Art?

Read accessible full text

Recensão: Peter Goldie e Elisabeth Schellekens, Who’s Afraid of Conceptual Art?

Author: Santos, Miguel F. dos,Goldie, Peter,Schellekens, Elisabeth
Publisher: Instituto de História da Arte - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/UNL
Year: 2011
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/16709/1/RHA_8_REC_2_MFSantos.pdf
258
Who’s A aid o Concep ual A ?
, de Pe e Goldie (P o esso Ca ed á ico de Filoso-
ia na Uni e sidade de Manches e e sob e udo conhecido pelo seu abalho em ilo-
so ia da emoção) e Elisabe h Schellekens (P o esso a Auxilia de Filoso ia na
Uni e sidade de Du ham e di ec o a-adjun a do p es igiado
B i ish Jou nal o Aes-
he ics
), não é apenas mais um li o a ac escen a à já as a bibliog a ia sob e a a e
concep ual. Jun amen e com
Philosophy and Concep ual A
– uma colec ânea de
ensaios de alguns dos mais des acados ilóso os da a e con empo âneos o ganizada
po Goldie e Schellekens, em 2007, pa a a Ox o d Uni e si y P ess –, o li o ep e-
sen a um i a de página no que diz espei o ao es udo da a e concep ual. Po duas
azões: p imei o, po que se a a, cla a e assumidamen e, de um li o de iloso ia e
não de um li o de his ó ia ou c í ica de a e; e, segundo, po que a adição ilosó-
ica em que se inse e, a chamada ‘ iloso ia analí ica’, es á nos an ípodas daquela com
que a (esmagado a) maio ia dos his o iado es e c í icos de a e con empo âneos,
sob e udo sob in luência dos
Oc obe is s
(Rosalind K auss, Hal Fos e , Y es-Alain
Bois, Benjamin Buchloh, e c.), es á amilia izado – a adição que dá pelo nome
gené ico de ‘ iloso ia con inen al’ (que inclui mo imen os como a enomenologia, o
pós-es u u alismo, a eo ia c í ica, en e ou os).
Mas o que é a iloso ia analí ica? A iloso ia analí ica é a adição ilosó ica p edo-
minan e nos países de língua inglesa. A exp essão ‘ iloso ia analí ica’ não se e e e
a qualque dou ina ilosó ica que seja acei e pela maio ia dos ilóso os analí icos,
mas, an es, a um
es ilo
pa icula de aze iloso ia, o qual em como ca ac e ís icas,
mui o gene icamen e, a cla eza, a p ecisão e o igo .
Cla eza
no modo como se p o-
cu a eicula ideias abs ac as numa linguagem o mais anspa en e possí el e de en-
de eses e a gumen os explici amen e o mulados.
P ecisão
no modo como se de ine
PETER GOLDIE E ELISABETH
SCHELLEKENS, WHO’S
AFRAID OF CONCEPTUAL
ART?, LONDRES E NOVA
IORQUE: ROUTLEDGE, 2010
MIGUEL F. DOS SANTOS
Depa amen os de Filoso ia
Uni e sidade de S . And ews
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
RECENSÕES ·
WHO’S AFRAID OF CONCEPTUAL ART?
os e mos c uciais das eses e a gumen os a ançados. E
igo
no modo como se az
sis ema icamen e uso dos ins umen os da lógica o mal e in o mal. Po es as e
ou as azões que não cabe aqui discu i , a iloso ia analí ica é enca ada po mui os
dos seus p a ican es como es ando mais p óxima de á eas cien í icas como a ma e-
má ica do que de qualque á ea das humanidades.
Who’s A aid o Concep ual A ?
não pode se en endido nem de idamen e a aliado,
assim, sem se e em con a o con ex o ilosó ico no qual se inse e. Mas ambém não
o pode se se se con undi iloso ia (analí ica) da a e com his ó ia, c í ica ou a é
mesmo eo ia (no sen ido amplo em que di e sos his o iado es e c í icos en endem
o e mo) da a e. Po exemplo: aqueles que espe am encon a no li o de Goldie e
Schellekens uma no a in e p e ação de uma qualque ob a de Duchamp, Joseph
Kosu h ou Robe Ba y, não êm consciência de onde é que acaba a his ó ia ou c í-
ica de a e e começa a iloso ia. Aos ilóso os da a e não cabe in e p e a ob as de
a e, mas, sim, esponde a ques ões de segunda o dem que se colocam se se e lec-
i sob e a ac i idade dos his o iado es e c í icos de a e quando in e p e am uma
ob a: se á que a in e p e ação co ec a de uma ob a consis e em de e mina a in en-
ção do au o dessa mesma ob a? Ha e á apenas uma única in e p e ação co ec a de
uma ob a ou se á que cada ob a admi e uma plu alidade de in e p e ações igual-
men e co ec as? O que é, a inal, a in e p e ação em a e?
Di idida em cinco capí ulos, a ob a de Goldie e Schellekens é uma in odução aos
p oblemas ilosó icos colocados pela a e concep ual, não p essupondo qualque
conhecimen o p é io de iloso ia analí ica da a e po pa e do lei o . Nes e sen ido,
Who’s A aid o Concep ual A ?
não é li o écnico di igido p imei amen e a ilóso-
os analí icos, mas, an es, um li o de ca ác e mais in odu ó io di igido a um público
mais ala gado, como o da his ó ia da a e.
No p imei o capí ulo, in i ulado ‘O Desa io da A e Concep ual’, Goldie e Schellekens
começam po escla ece que en endem a exp essão ‘a e concep ual’ num sen ido
amplo, de modo a ab ange não apenas as ob as do mo imen o his ó ico dos anos
60 e 70, mas ambém aquelas que os his o iado es da a e apelidam de p o o-con-
cep uais, como as de Duchamp, e neo-concep uais, como as de San iago Sie a.
Escla ecido is o, o objec i o do capí ulo é duplo. P imei o, Goldie e Schellekens
p e endem explo a p elimina men e algumas das ca ac e ís icas comummen e asso-
ciadas à a e concep ual, de en e as quais me ecem des aque (pela impo ância que
êm em capí ulos subsequen es) aquelas que se e e em à a e concep ual como indo
con a a concepção adicional de a e (
an i-de inição
), de
medium
(
an i-medium
)
e do es é ico (
an i-es é ica
). E, segundo, p e endem deixa cla o que a p incipal ese
do li o é que a
ideia
em um papel cen al na de inição, on ologia, epis emologia e
es é ica da a e concep ual.
O segundo e e cei o capí ulos lidam com alguns dos p oblemas de de inição (‘Se á
a a e concep ual mesmo a e?’), on ológicos (‘Que ipo de coisa é uma ob a de a e
concep ual?’) e epis emológicos (‘Como é que a a e concep ual de e se ap e-
ciada?’) colocados pela a e concep ual. No que diz espei o aos p oblemas do p i-
259
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
mei o ipo, Goldie e Schellekens discu em algumas in luen es eo ias sob e o p o-
blema da de inição da a e desen ol idas sob e udo em espos a aos desa ios colo-
cados pela a e concep ual, nomeadamen e, a eo ia, inspi ada po Wi gens ein, de
que a a e não pode se de inida, a eo ia ins i ucional (sob e udo associada a
Geo ge Dickie) e a eo ia uncional. Como se ia expec á el (dada a na u eza mais
ge al do p oblema no con ex o da iloso ia analí ica da a e), aqui a discussão de Gol-
die e Schellekens é mais exposi ó ia do que a gumen a i a, já que o seu objec i o não
é oma posição sob e qual a eo ia mais adequada.
A di e ença en e os p oblemas on ológicos e epis emológicos colocados pela a e
concep ual é udimen a men e ilus ada po Goldie e Schellekens (no p imei o
capí ulo) eco endo a
Following Piece
(1969), ob a de Vi o Acconci, documen-
ada em qua o o og a ias, que obedecia ao seguin e plano: dia iamen e, po um
pe íodo de in e e ês dias, Acconci escolhia alea o iamen e uma pessoa na ua
e seguia-a a é que es a en asse num local p i ado. A ques ão on ológica que se
coloca pe an e
Following Piece
é es a: ‘O que é que é – e onde é que es á – nes e
caso a ob a de a e?’ (p. 22). A ques ão epis emológica, po seu u no, é a seguin e:
‘como é que podemos sabe o que é a “ob a de a e” e como é que emos acesso
a ela de manei a a ap eciá-la?’ (
ibid.
). Con as e-se
Following Piece
com
O Nas-
cimen o de Vénus
de Bo icelli: nes e caso, não há dú idas, p imei o, de que a
ob a de a e é a p óp ia pin u a (o io de a ame em que a mesma es á pendu ada,
po exemplo, não az pa e da ob a) e, segundo, que a o ma adequada de a ap e-
cia é pe cepcioná-la di ec amen e na Gale ia U izi em Flo ença (le sob e a pin-
u a num li o de his ó ia da a e do enascimen o, po exemplo, não é a o ma
adequada de ap eciá-la).
Uma possí el espos a à ques ão on ológica (e que, se co ec a, pe mi i ia imedia-
amen e esponde à ques ão epis emológica) se ia dize que
Following Piece
é uma
ob a de o og a ia ou, em al e na i a, que se a a de uma
pe o mance
. Mas Goldie
e Schellekens ecusam ambas es as hipó eses com base, po um lado, na in uição de
que a qualidade an o das o og a ias como da
pe o mance
de Acconci pa ece i e-
le an e pa a a ap eciação da ob a e, po ou o, na dis inção en e
medium
e meios.
De aco do com Goldie e Schellekens, numa a e adicional como a pin u a ou a
escul u a,
medium
ísico e meios coincidem:
T adicionalmen e, os a is as são ensinados a desen ol e as suas compe ências
pa a abalha num
medium
especí ico [pin u a a óleo, escul u a em b onze, e c.],
se bem que alguns es ejam habili ados, cla o, a abalha em mais do que um.
A ideia de um
medium
suge e algum ipo de mediação ou comunicação. Em a e,
adicionalmen e, o a is a u iliza um
medium ísico
– a in a, a ela e assim po
dian e [...] – como um meio pa a comunica aquilo que p e ende; e, co ela i a-
men e, es e
medium
é o meio a a és do qual a nossa ap eciação da a i mação
a ís ica do a is a é mediada (pp. 53-54).
260
RECENSÕES ·
WHO’S AFRAID OF CONCEPTUAL ART?
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
RECENSÕES ·
WHO’S AFRAID OF CONCEPTUAL ART?
Mas na a e concep ual, a gumen am, não há
medium
ísico: o
medium
da a e con-
cep ual são ideias e es as, po de inição, não são objec os com localização espácio-
- empo al. Mais: udo o que há de p esença ísica – po exemplo, as o og a ias e a
pe o mance
de Acconci em
Following Piece
– é
me amen e o meio
a a és do qual
o a is a nos pe mi e acede às suas ideias.
Assim, a espos a (pa cial, pelo menos) à ques ão on ológica que ica implíci a pela
a gumen ação de Goldie e Schellekens no segundo e e cei o capí ulos é que a ob a
de a e é a ideia. (Es a ese é adical, con a-in ui i a e não é de manei a alguma o i-
ginal [Kosu h e Sol LeWi já a ha iam p opos o nos seus mani es os da a e concep-
ual]. Mas não i ei aqui discu i as objecções que se lhe podem coloca .) No que se
e e e à espos a (pelo menos pa cial) à ques ão epis emológica, es a é que, se uma
ob a de a e é concep ual, en ão a o ma co ec a de a ap ecia é enca a a ideia como
o
medium
e udo aquilo que é ísico como um me o meio pa a acede à ideia.
O qua o e quin o capí ulos explo am a p oblemá ica elação en e a a e concep ual
e o es é ico. No qua o capí ulo, especi icamen e, Goldie e Schellekens discu em a
di undida a i mação en e his o iado es, c í icos e a is as concep uais de que a a e
concep ual é an i-es é ica ao conside a em algumas abo dagens ao p oblema de
sabe se a e concep ual, po oposição a ou as o mas de a e, não admi e ealmen e
p op iedades es é icas e expe iência es é ica. Das ês abo dagens conside adas, o
‘Idealismo Es é ico’ é a única que ques iona a ese de que a a e concep ual ejei a
o es é ico, uma ez que de ende – assumindo aquilo po que Goldie e Schellekens
a gumen am nos capí ulos an e io es (que a ideia es á no âmago da a e concep ual)
– que as ideias podem e alo es é ico.
No quin o e úl imo capí ulo discu e-se que ou as ausências – pa a além da que é
abo dada no capí ulo an e io , que não exis e p aze es é ico no sen ido adicional
da exp essão – se in e põem na nossa ap eciação da a e concep ual, sendo que a p o-
pos a a ançada po Goldie e Schellekens pa a sup i essas ausências é consis en e com
o Idealismo Es é ico e o papel da ideia: a a e concep ual em alo cogni i o. •
261
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011