UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL
MESTRADO EM PARASITOLOGIA MÉDICA
ESTUDO DOS CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE)
NOS CEMITÉRIOS DAS ILHAS DA MADEIRA E DO
PORTO SANTO
ISABEL MARGARIDA NEVES CLAIROUIN
2009
UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL
ESTUDO DOS CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE)
NOS CEMITÉRIOS DAS ILHAS DA MADEIRA E DO
PORTO SANTO
ISABEL MARGARIDA NEVES CLAIROUIN
Tese ap esen ada pa a a ob enção do g au de
Mes e em Pa asi ologia Médica.
O ien ado :
P o . Dou o An ónio José dos San os G ácio
2009
i
AGRADECIMENTOS
À P o .ª Dou o a Ma ia Amélia G ácio,
Ao P o . Dou o An ónio José dos San os G ácio,
Ao D . Mau ício Melim, P esiden e do Ins i u o de Adminis ação da Saúde e Assun os
Sociais, IP-RAM (IASAÚDE, IP-RAM),
À Mes e Ana Cla a Sil a, Vice-P esiden e do IASAÚDE, IP-RAM,
À Eng.ª Do es Vacas, Coo denado a da Unidade Flexí el de Engenha ia Sani á ia do
IASAÚDE, IP-RAM,
Aos Técnicos de Saúde Ambien al Conceição Aguia , Sónia Gonçal es, Ma ia Fe ei a,
Paula Ab eu, Adélia Egas, G aça Sousa, Fá ima Camacho, Ru e Soa es, Ri a So ia T indade
e Joel F ei as,
À colega de mes ado Bela Vi ei os,
Aos meus pais e i mão,
Ao Alexand e.
Que o ag adece às pessoas acima e e idas odo o impo an e apoio, ajuda desin e essada e
suges ões aliosas que me de am na elabo ação des e abalho, pois que sem os e e idos apoios,
ajuda e suges ões o mesmo e ia sido mui o mais di ícil.
ii
ÍNDICE GERAL
Índice de igu as .............................................................................................................................. i
Índice de quad os ............................................................................................................................ i
Resumo ............................................................................................................................................ iii
Abs ac ........................................................................................................................................... x
1. In odução ................................................................................................................................... 1
2. Objec i os .................................................................................................................................... 4
3. Posição sis emá ica ...................................................................................................................... 5
4. Mo ologia ................................................................................................................................... 9
5. Bioecologia ................................................................................................................................... 13
5.1 - O o .................................................................................................................................... 13
5.2 - La a ................................................................................................................................. 14
5.3 - Pupa ................................................................................................................................... 16
5.4 - Adul o ................................................................................................................................ 16
6. Impo ância médica .................................................................................................................... 18
7. Ma e iais e mé odos .................................................................................................................... 26
7.1 - Ca ac e ização da á ea de es udo ........................................................................................ 26
7.2 - A madilhas de o iposição .................................................................................................. 28
7.3 - Colhei a de o mas ima u as ............................................................................................... 31
iii
7.4 - Pa âme os ísico-químicos ................................................................................................ 35
7.5 - T a amen o dos dados ........................................................................................................ 35
8. Resul ados .................................................................................................................................... 36
8.1 - A madilhas de o iposição .................................................................................................. 36
8.2 - P ospecção dos c iadou os ................................................................................................. 40
8.3 - Associações la a es .......................................................................................................... 47
9. Discussão e conclusões ................................................................................................................. 49
10. Bibliog a ia ................................................................................................................................ 55
i
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1 – Sis emá ica dos culicídeos ................................................................................................ 7
Figu a 2 – La a de culicídeo, sub amília Culicinae (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997) ........... 10
Figu a 3 – Pupa (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997) .................................................................. 10
Figu a 4 – Esquema de um culicídeo adul o (G ácio, 2008) ............................................................... 12
Figu a 5 – Ciclo de ida dos culicídeos. Adap ado de Rozendaal (1997) ........................................... 13
Figu a 6 – O os de culicídeo (Fo og a ia da au o a) .......................................................................... 14
Figu a 7 – Pupas (Fo og a ia do CDC) .............................................................................................. 16
Figu a 8 – Dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o ec o , Aedes aegyp i, em
2008. Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/dengue/map-dis ibu ion-2008.h m .......................... 20
Figu a 9 – Dis ibuição ap oximada do í us de Chikungunya, po país, em 2008 ............................. 21
Figu a 10 – Dis ibuição geog á ica do se ocomplexo da Ence ali e Japonesa da amília Fla i idae
em 2000, onde se inclui o í us de Wes Nile .................................................................................... 23
Figu a 11 – Ilhas da Madei a e Po o San o ....................................................................................... 26
Figu a 12 – Localização das a madilhas de o iposição ...................................................................... 28
Figu a 13 – A madilha de o iposição (Fo og a ia da au o a) ............................................................. 29
Figu a 14 – Recipien es com água pa a eclosão das la as (Fo og a ia da au o a) .............................. 30
Figu a 15 – Gaiolas en omológicas pa a eme gência dos adul os (Fo og a ia da au o a) .................... 31
Figu a 16 – P ospecção das ja as dos cemi é ios (Fo og a ia da au o a) ............................................ 33
Figu a 17 – Obse ação ao es e eomic oscópio óp ico (Fo og a ia da au o a) .................................... 34
Figu a 18 – Mapa com as a madilhas de o iposição posi i as pa a Aedes ea oni ............................... 36
Figu a 19 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude ........... 37
Figu a 20 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de al i ude ...................... 38
Figu a 21 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do
a ...................................................................................................................................................... 39
Figu a 22 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de empe a u a do a ...... 40
i
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1 – Lis agem das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a e Po o San o (Adap ado
de Capela, 1981) ............................................................................................................................... 3
Tabela 2 – Classi icação da amília Culicidae (sub amílias, ibos, géne os, núme o de subgéne os e
espécies) (Ha bach, 2007) ................................................................................................................. 8
Tabela 3 – Agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os na Eu opa e Amé ica do No e
(Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008) ............................................................................................ 25
Tabela 4 – Coo denadas, al i ude, á ea ocupada e núme o de ecipien es dos locais de amos agem
(cemi é ios) ....................................................................................................................................... 32
Tabela 5 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude .......... 37
Tabela 6 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de al i ude .................................... 38
Tabela 7 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a
do a .................................................................................................................................................. 39
Tabela 8 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de empe a u a do a .................... 39
Tabela 9 – C iadou os la a es quan o ao ma e ial cons i uin e.......................................................... 41
Tabela 10 – Dis ibuição das espécies po ma e ial cons i uin e do c iadou o .................................... 42
Tabela 11 – C iadou os la a es quan o à capacidade ........................................................................ 42
Tabela 12 – Dis ibuição das espécies po capacidade do c iadou o ................................................... 43
Tabela 13 – C iadou os la a es quan o à exposição sola ................................................................. 44
Tabela 14 – Dis ibuição das espécies po exposição sola do c iadou o ............................................ 44
Tabela 15 – Valo es mínimos, médios e máximos do o al de c iadou os posi i os e nega i os pa a
os pa âme os pH, salinidade, oxigénio dissol ido e empe a u a da água .......................................... 45
Tabela 16 – Valo es mínimos, médios e máximos dos pa âme os pH, salinidade, oxigénio
dissol ido e empe a u a da água po espécie .................................................................................... 46
ii
Tabela 17 – Associações la a es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o .................... 47
Tabela 18 – Signi icância es a ís ica das associações la a es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e
do Po o San o................................................................................................................................... 48
3
Em Po ugal, o es udo da auna de culicídeos começou com Sa men o & F ança (1901,
1902) e Jo ge & Sa men o (1906). Em 1931, B aga publicou uma monog a ia com a desc ição de
21 espécies e pos e io men e o am adicionadas mais 3 po Landei o & Cambou nac (1935),
Cambou nac (1943) e Coluzzi e al. (1965). Depois de um pe íodo de in ensa in es igação sob e os
mosqui os de Po ugal, Ribei o e al. (1988) ap esen a am uma lis agem de 40 espécies e
subespécies de Po ugal Con inen al. Em 1999 oi publicada uma cha e de iden i icação de
mosqui os de Po ugal Con inen al, Aço es e Madei a que incluiu 45 espécies e subespécies
dis ibuídas po 15 subgéne os e 7 géne os (Ribei o & Ramos, 1999).
Em elação à Madei a, as p imei as e e ências à auna de culicídeos o am da au o ia de
Theobald (1903) na monog a ia que publicou. O egis o de espécies de mosqui os na Madei a
con inuou com Becke (1908), Edwa ds (1915), Ch is ophe s (1929), B aga (1931), Ma ingly
(1955), Sene e & Anda elli (1959) e inalmen e Capela (1981) di ulgou uma lis agem comple a
das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a (Tabela 1). En e 2004-2005 o mosqui o Aedes
aegyp i oi de ec ado pela p imei a ez na Região Au ónoma da Madei a (Ma ga i a e al., 2006).
Tabela 1 – Lis agem das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a e Po o San o (Adap ado de Capela, 1981)
Sub amília
Géne o
Subgéne o
Espécies e
s
ubespécies
Ilhas
Anophelinae
Anopheles
Cellia
Anopheles cine eus hispaniola
(Theobald, 1903)
Po
o San o
Culicinae
Aedes
Finlaya
Aedes ea oni
(Edwa ds, 1916)
Madei a
Culise a
Allo heobaldia
Culise a longia eola a
(Macqua ,
1833)
Madei a
Po o San o
Culex
Maillo ia
Culex ho ensis made ensis
(Ma ingly, 1955)
Madei a
Culex
Culex pipiens
(Linnaeus, 1758)
Madei a
Po o San o
Culex moles us
(Fo skal, 1755)
Madei a
Po o San o
Culex heile i
(Theobald, 1903)
Madei a
Po o San o
4
2. OBJECTIVOS
Com es e abalho, elabo ado com o objec i o de ob e o g au de Mes e em Pa asi ologia
Médica, p e ende-se:
A alia a di e sidade de culicídeos exis en es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o
San o;
Es uda a dis ibuição dos culicídeos e e i ica a in luência de ac o es como a empe a u a
e al i ude na dis ibuição dos mesmos;
Ca ac e iza os c iadou os a i iciais ( ecipien es de cemi é io) exis en es na á ea de es udo
quan o ao ma e ial cons i uin e (plás ico, ped a, id o, ce âmica e me al), capacidade (0,5
li os, 1,0 li o, 1,5 li os e 2,0 li os), exposição sola ( o al, anca, nenhuma) e qualidade
da água a a és da de e minação de alguns pa âme os ( empe a u a, pH, salinidade e
oxigénio dissol ido);
De e mina as associações la a es exis en es.
5
3. POSIÇÃO SISTEMÁTICA (Figu a 1):
Os culicídeos, ema des e es udo, são me azoá ios in e eb ados, com sime ia bila e al,
exoesquele o qui inoso, com co po segmen ado e apêndices a iculados aos pa es (FILO
ARTHROPODA).
Têm a cabeça sepa ada do co po e possuem apêndices ce álicos p é-o ais – as an enas e
apêndices o ais – as peças bucais (SUBFILO MANDIBULATA).
São a ópodes com cabeça, ó ax e abdómen di e enciados. Na cabeça ap esen am um pa
de an enas. No ó ax inse em-se ês pa es de pa as (po isso ambém são conhecidos po hexapoda)
e dois pa es de asas (CLASSE INSECTA).
Como mui os ou os insec os, desen ol em-se po me amo oses (SUBCLASSE
PTERYGOTA) de ipo comple o, is o é, os ima u os são di e en es dos adul os e ap esen am ases
cla amen e dis in as no seu desen ol imen o após a eclosão do o o (la a, pupa e adul o) sepa adas
po mudas ou ecdises. As asas desen ol em-se in e namen e (DIVISÃO ENDOPTERIGOTA ou
HOLOMETABOLA).
Ca ac e izam-se ambém po possuí em dois pa es de asas, um pa de asas uncionais e um
segundo pa de asas modi icadas denominadas hal e es ou balancei os. As peças bucais são do ipo
picado -sugado (ORDEM DIPTERA).
As an enas são longas, maio es do que a cabeça e usualmen e com mais de seis a ículos. As
la as êm a cabeça bem desen ol ida e dis in a do ó ax (SUBORDEM NEMATOCERA).
6
Den o da Supe amília CULICOIDEA, os mosqui os encon am-se na Família
CULICIDAE (culicídeos), que inclui díp e os de pequeno po e, co po delgado, com pa as longas e
inas e de coxas ela i amen e cu as. A sua cabeça é globosa, os olhos eni o mes, compos os,
dicó icos e sem ocelos. O p obóscis é longo e lexí el e os palpos maxila es são cons i uídos po
cinco segmen os, ap esen ando-se o p imei o a o iado. As an enas ap esen am um lagelo longo, de
eze a ículos, sendo plumosas no macho e pilosas na êmea. O abdómen é longo e delgado, com
oi o segmen os isí eis. As asas são comp idas e es ei as.
A desc ição e classi icação dos culicídeos e e um o e inc emen o no início do século XX
quando, em consequência da descobe a da impo ância daqueles insec os na ansmissão da
Malá ia e de agen es de ou as doenças. Theobald publicou, em 1910 a sua "Monog a ia dos
Culicídeos", na qual p opunha um sis ema de classi icação que in oduzia mui os nomes gené icos
no os e nume osas no as espécies. Esse sis ema, con udo, po se pouco p á ico, não oi
unanimemen e acei e pelos en omologis as e ge ou uma eacção no sen ido de um mui o mais
modes o sis ema de classi icação, endo Edwa ds (1932) com os seus abalhos con ibuído mui o
signi ica i amen e pa a a acei ação do concei o de amplos g upos gené icos. Assim, p opôs uma
classi icação axonómica na qual os culicídeos ( amília CULICIDAE) es ão di ididos em ês
sub amílias: DIXIDAE, CHAOBORIDAE e CULICINAE ou mosqui os p op iamen e di os. Es es
úl imos, ainda o am di ididos em ês ibos: ANOPHELINI, TOXORHYNCHITINI e CULICINI
e a úl ima des as, em cinco g upos denominados SABETHES, URANOTAENIA, THEOBALDIA,
AEDES e CULEX. O sis ema de classi icação de Edwa ds, não obs an e as al e ações nele
in oduzidas ao longo do úl imo século po S one (1957), po Belkin (1962) ou po Ma ingly (1969,
1971, 1981) oi um sis ema que se man e e no essencial, pois enquan o o núme o de espécies
econhecidas mais que duplicou, e o núme o de subgéne os aumen ou ambém signi ica i amen e, o
núme o de géne os acei es pouco se al e ou.
7
Ac ualmen e, segundo Ha bach (2007), a amília CULICIDAE de e á es a di idida em
duas sub amílias: ANOPHELINAE (ano elíneos) e CULICINAE (culicíneos). Den o da sub amília
CULICINAE, o au o econhece as ibos AEDEOMYIINI, AEDINI, CULICINI, CULISETINI,
FICALBIINI, HODGESIINI, MANSONIINI, ORTHOPODOMYIINI, SABETHINI e
URANOTAENIINI, enquan o que a sub amília ANOPHELINAE inclui os géne os ANOPHELES,
BIRONELLA e CHAGASIA. Os CULICIDAE incluem 44 géne os, 145 subgéne os e 3.450 espécies
(Tabela 2).
Figu a 1 – Sis emá ica dos culicídeos.
8
Tabela 2 – Classi icação da amília Culicidae (sub amílias, ibos, géne os, núme o de subgéne os e espécies) (Ha bach,
2007)
Sub amília
T ibo
Géne o
Núme o de
subgéne os
Núme o de
espécies
Anophelinae
Anopheles
7
455
Bi onella
3
8
Chagasia
-
4
Culicinae
Aedeomyiini
Aedeomyia
2
6
Aedini
Aedes
23
363
A mige es
2
58
Ayu aki ia
-
2
Bo ichinda
-
1
E e mapodi es
-
48
Haemagogus
2
28
Heizmanni
a
2
39
Ochle o a us
22
550
Opi ex
-
1
Pso opho a
3
48
Udaya
-
3
Ve allina
3
95
Zeugnomyia
-
4
Culicini
Culex
23
763
Deinoce i es
-
18
Galindomyia
-
1
Lu zia
3
7
Culise ini
Culise a
7
37
Ficalbiini
Ficalbia
-
8
Mimomyia
3
44
Hodgesiini
Hodgesia
-
11
Mansoniini
Coquille idia
3
57
Mansonia
2
23
O hopodomyiini
O hopodomyia
-
38
Sabe hini
Isos omyia
-
4
Johnbelkinia
-
3
Kimia
-
5
Lima us
-
8
Malaya
-
12
Mao igoeldia
-
1
Oni ion
0
7
Runchomyi
a
2
7
Sabe hes
5
38
Shannoniana
0
33
Topomyia
2
54
T ichop osopon
-
13
T ip e oides
5
122
Wyeomyia
15
140
Toxo hynchi ini
Toxo hynchi es
4
88
U ano aeniini
U ano aenia
2
265
9
4. MORFOLOGIA
Os o os dos culicídeos podem se cas anhos ou p e os, medem mais ou menos 1 mm
(milíme o) ou menos de comp imen o e são, em mui os culicíneos, alongados ou de o ma
ap oximadamen e o óide, enquan o os dos ano elíneos são usualmen e em o ma de ba co e
ap esen am em ge al lu uado es (Se ice, 2000). Possuem um lado acha ado opos o a um lado
con exo e são en ol idos po uma casca (có io), impe meá el, que é compos a de ês camadas:
uma memb ana i elina ina (que en ol e o núcleo, o ci oplasma e o i elo), o endocó io (que é
du o e g osso) e o exocó io ( ino e anspa en e e que cons i ui o in óluc o ex e no). O exocó io,
ge almen e, ap esen a o namen ações que auxiliam na iden i icação da espécie. No có io exis e um
o i ício no qual o espe ma ozóide pene a pa a ecunda o ó ulo (Consoli & Lou enço-de-Oli ei a,
1994).
De aco do com Consoli & Lou enço-de-Oli ei a (1994), o co po da la a es á di idido em
cabeça, ó ax e abdómen (Figu a 2). A cabeça e o ó ax são globosos, enquan o o abdómen é
cilínd ico e encon a-se di idido em 9 segmen os (segmen os I-VIII e X, lobo anal). A cabeça é
p o ida de um pa de an enas e um pa de olhos compos os. O apa elho bucal é do ipo mas igado -
aspado . À en e da cabeça es ão p esen es as esco as o ais que quando em mo imen o azem
pa a a boca da la a as pa ículas de alimen o. O ó ax ap esen a 3 segmen os: p o ó ax, meso ó ax
e me a ó ax. No abdómen, o segmen o VIII possui um conjun o la e al de escamas chamado pen e.
Ligado a es e segmen o exis e o si ão espi a ó io na ex emidade do qual se ab em os espi áculos.
No si ão exis e de cada lado uma ilei a de espinhos chamada pec en. O segmen o X é ambém
conhecido como lobo anal e é onde e mina o ubo diges i o da la a. Nes e segmen o, encon a-se
um u o de sedas (esco a en al), a sela que pode se comple a ou incomple a e na sua
ex emidade, em edo do ânus, encon am-se as papilas anais.
10
Figu a 2 – La a de culicídeo, sub amília Culicinae (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997).
A pupa encon a-se di idida em ce alo ó ax (cabeça + ó ax) e abdómen e em o aspec o de
uma í gula (Figu a 3). No ce alo ó ax si uam-se as ompe as espi a ó ias e os olhos compos os. O
abdómen em oi o segmen os isí eis. Cada segmen o em inúme as sedas cu as e o úl imo
segmen o e mina num pa de es u u as o ais e acha adas denominadas pás na a ó ias. Nes e úl imo
segmen o encon a-se ainda o lobo geni al.
Figu a 3 – Pupa (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997).
11
Os mosqui os adul os (Figu a 4) são insec os pequenos e delgados. Ge almen e medem de 3-
6 mm de comp imen o. No en an o, algumas espécies podem se ão pequenas quan o 2 mm,
enquan o ou as podem se ão longas quan o 19 mm. O co po dos adul os encon a-se di idido em
cabeça, ó ax e abdómen. A cabeça é globosa e possui um pa de olhos compos os, dicó icos e
eni o mes. En e os olhos su ge um pa de an enas longas, que nas êmeas são pilosas e nos
machos são plumosas. Abaixo das an enas exis e um pa de palpos, que podem se longos ou cu os,
dila ados ou a iados nas ex emidades, dependendo do sexo e se são culicíneos ou ano elíneos. Os
palpos maxila es são mais longos nos machos do que nas êmeas, excep o nos ano elíneos. En e os
palpos apa ece o p obóscis alongado, ca ac e is icamen e p ojec ado pa a a en e, mas nalguns
mosqui os, o p obóscis ap esen a-se acen uadamen e cu o na di ecção pos e io . O p obóscis das
êmeas é do ipo picado -sugado e é do ado de seis es ile es: o lab o, um pa de mandíbulas, um pa
de maxilas e a hipo a inge. No ó ax es ão as asas e as pa as. O ó ax es á cobe o, nas aces do sal e
la e al, de escamas colo idas e é a disposição no ó ax dessas escamas de á ias co es que con e e às
espécies pad ões dis in os, que as pe mi e di e encia . Na ace do sal do ó ax encon a-se o escu o
e, a ás des e, o escu elo. Nalguns mosqui os o escu elo é ilobado e com escamas e sedas em cada
um dos lobos, enquan o ou os possuem o escu elo a edondado. As asas são longas e es ei as e o
núme o e disposição das suas ne u as é p a icamen e o mesmo pa a odas as espécies de
mosqui os. As ne u as es ão cobe as de escamas cuja o ma e pad ão o mado di e e
conside a elmen e en e os géne os e espécies de mosqui os. Exis e ambém uma anja de escamas
ao longo da bo da pos e io das asas. As pa as dos mosqui os são longas e delgadas e es ão do adas
de coxa, ocan e , ému , íbia e a so, sendo es e úl imo cons i uído po cinco a sóme os. Es ão
cobe as de escamas de á ias co es, o ganizadas em pad ões, mui as ezes o mando anéis. Os
a sos ge almen e e minam num pa de ga as que podem se den eadas ou simples. Alguns
mosqui os possuem um pa de pequenos pul ilhos en e as ga as. O abdómen é compos o de dez
segmen os, mas apenas os se e ou oi o p imei os são isí eis. Nos culicíneos, o abdómen es á
12
no malmen e cobe o do sal e en almen e de escamas colo idas, enquan o os ano elíneos possuem
o abdómen quase ou o almen e sem escamas. O úl imo segmen o abdominal da êmea e mina com
um pa de ce cas enquan o nos machos exis e um pa de a ículos, um basal e ou o dis al, o
gonocoxi o e o gonos ilo, espec i amen e.
Figu a 4 – Esquema de um culicídeo adul o (G ácio, 2008).
19
Seguidamen e se ão abo dadas algumas das p incipais en e midades cujos agen es
pa ogénicos são ansmi idos po culicídeos e cuja impo ância é econhecida pela O ganização
Mundial de Saúde (OMS).
O Dengue cons i ui um p oblema c escen e pa a a Saúde Pública nas á eas opicais do
mundo. O í us causado des a in ecção é um a bo í us pe encen e ao géne o Fla i i us, da amília
Fla i i idae, que ap esen a qua o se o ipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. É
ansmi ido po mosqui os do géne o Aedes spp., p incipalmen e os das espécies Aedes aegyp i e
Aedes albopic us. A in ecção mani es a-se sob duas o mas clínicas: o Dengue Clássico, de baixa
mo alidade e o Dengue Hemo ágico, com ele ado isco de mo e (Na al e al., 2001).
De aco do com a OMS (2009), e i icou-se um aumen o na incidência do Dengue nas
úl imas décadas. Ce ca de 2,5 bilhões de indi íduos es ão p esen emen e em isco de con ai es a
in ecção e es ima-se que pode ão exis i 50 milhões de in ecções em odo o mundo, po ano. Em
2007, o am no i icados mais de 890.000 casos de Dengue nas Amé icas, dos quais 26.000 o am de
Dengue Hemo ágico. A doença é ago a endémica em mais de 100 países de Á ica, das Amé icas,
do Medi e âneo O ien al, do Sudes e Asiá ico e do Pací ico Ociden al, sendo o Sudes e Asiá ico e
o Pací ico Oes e as á eas mais a ec adas. O núme o de casos es á a aumen a à medida que a doença
se p opaga pa a no as á eas e es ão a oco e su os, como o e i icado em 2007, na Venezuela, em
que o am assinalados mais de 80.000 casos, incluindo mais de 6.000 de Dengue Hemo ágico.
Ac ualmen e, segundo o Eu opean Cen e o Disease P e en ion and Con ol (ECDC), desde
Ou ub o de 2009 que Cabo Ve de en en a um su o de Dengue, sendo a p imei a ez que es a
en e midade é assinalada naquele a quipélago e que es á possi elmen e elacionado com a o e
p ecipi ação e i icada ecen emen e.
20
Na Figu a 8 ap esen a-se a dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o
ec o (Aedes aegyp i) em 2008. As zonas a ama elo são aquelas in es adas pelo Aedes aegyp i ou
ou os mosqui os ec o es do Dengue e que o e ecem isco de epidemia. Nas zonas a e melho
es ão os países com ac i idade ecen e de Dengue, onde p esen emen e se encon a Cabo Ve de
(CDC, 2008).
Figu a 8 – Dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o ec o , Aedes aegyp i, em 2008.
Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/dengue/map-dis ibu ion-2008.h m
A eb e de Chikungunya é o iginada pelo í us de Chikungunya (CHIKV) do géne o
Alpha i us, da amília Toga i idae, que oi isolado na Tanzânia em 1952. Es e í us é ansmi ido
ao Homem a a és da picada de mosqui os in ec ados, sendo que os mosqui os en ol idos são
p incipalmen e o Aedes aegyp i e o Aedes albopic us, duas espécies que ambém podem ansmi i
ou os a bo í us. P o oca eb e, do es nas a iculações e po ezes do es muscula es, do de cabeça,
náuseas, adiga e p u ido (OMS, 2008).
É uma in ecção que oco e na Á ica, na Ásia e no Subcon inen e Indiano. Em Á ica, as
in ecções ap esen a am ní eis ela i amen e baixos du an e anos, mas de 1999-2000, hou e um
g ande su o na República Democ á ica do Congo e em 2007 hou e ou o no Gabão (Le oy e al.,
2009). Em Fe e ei o de 2005, um g ande su o de Chikungunya oco eu numas ilhas do Oceano
Índico (Ilha de Reunião) (Josse an e al., 2006) e o am assinalados, na Eu opa, um g ande núme o
21
de casos associados a esse oco, em 2006. Na Índia, hou e um g ande su o de Chikungunya em
2006-2007 (Kau e al., 2008) e o am a ec ados á ios países do Sudes e da Ásia.
Na Figu a 9 pode-se obse a que a dis ibuição do í us Chikungunya no mundo incide
p incipalmen e em Á ica e na Ásia, com excepção da I ália (CDC, 2008).
Figu a 9 – Dis ibuição ap oximada do í us de Chikungunya, po país, em 2008.
Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/Chikungunya/CH_GlobalMap.h ml
A Feb e Ama ela é uma a bo i ose p o ocada po um í us do géne o Fla i i us, amília
Fla i i idae. É uma doença in ecciosa aguda, cuja g a idade a ia desde a doença g a e, a al a
cu o p azo, a é à doença benigna po ezes assin omá ica (Pin o, 1951). Pode se encon ada em
países da Á ica, da Amé ica Cen al e do Sul e nunca oi de ec ada na Ásia. Ap esen a-se de duas
o mas: a Feb e Ama ela U bana cujo í us é ansmi ido di ec amen e de pessoa a pessoa pela
picada de mosqui os do géne o Aedes in ec ados e a Feb e Ama ela Sil es e que possui um ciclo
macaco-mosqui o-homem e é di undida po á ias espécies de mosqui os do géne o Haemagogus
22
(Funasa, 2001). Encon a-se disponí el uma acina al amen e e icaz, que p opo ciona imunidade a
95% das pessoas acinadas e que de e se ecomendada aos iajan es pa a á eas endémicas1.
De en e odas as in ecções eiculadas po mosqui os, a eb e de Wes Nile é a mais
di undida na Eu opa e na Amé ica do No e, em e mos de indi íduos in ec ados e alcance
geog á ico. É causada po um í us da amília Fla i i idae, géne o Fla i i us, iden i icado em 1937
na p o íncia de Wes Nile, no Uganda e di undida po mosqui os in ec ados do géne o Culex. O seu
ciclo de ansmissão en ol e a es, mosqui os (em especial os do complexo Culex pipiens),
humanos e equinos, sendo es es dois úl imos os hospedei os aciden ais. A maio ia das in ecções são
assin omá icas, 20% das quais esul am numa doença eb il le e, enquan o menos de 1% ap esen a
uma doença neu ológica g a e, das quais 10% esul am em mo e. Fo am ela ados su os em
humanos e em ca alos na Á ica, no Médio O ien e, na Eu opa, na Aus ália, na Ásia, e desde 1999,
nas Amé icas. Nos Es ados Unidos o am diagnos icados, nos úl imos 10 anos, mais de 11.000
casos de doença neu ológica que incluí am mais de 1.092 mo es. No Canadá êm sido desc i os
su os em humanos. A doença es á p esen e nas Ca aíbas e na Amé ica Cen al e do Sul, sem g ande
impac o no Homem. Na Eu opa, o am ela ados alguns casos espo ádicos nos úl imos anos em
Po ugal, Espanha, F ança, I ália, República Checa, Roménia e Hung ia (ECDC, 2009).
Os Culex spp. ambém são apon ados como ec o es de ou os í us, causado es de
ence ali es, ais como a Ence ali e de S . Louis, a Ence ali e Equina do Les e e a Ence ali e Equina
do Oes e. Os í us Lednice, Sindbis/Ockelbo e Usu u ambém são ansmi idos po es e géne o de
mosqui os, assim como os pa asi as causado es da Di o ila iose.
O í us Ockelbo, que oi isolado pela p imei a ez na década de 1970 na Suécia, es á
elacionado com o í us Sindbis e o igina, no humano, uma in ecção ca ac e izada po a algias e
1 h p://ecdc.eu opa.eu/en/heal h opics/Pages/Yellow_Fe e .aspx
23
e upções cu âneas (Lunds öm, 1999). Incluído no géne o Fla i i us, o í us Usu u oi de ec ado na
Áus ia em 2002, onde oi o esponsá el pela mo alidade em massa de a es, p incipalmen e mel os
(Weissenböck, 2002). O po encial pa ogénico des e í us pa a o Homem é ainda desconhecido
(Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008).
Figu a 10 – Dis ibuição geog á ica do se ocomplexo da Ence ali e Japonesa da amília Fla i idae
em 2000, onde se inclui o í us de Wes Nile.
Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/wes nile/map.h m
A Di o ila iose é uma zoonose causada pelo nemá ode Di o ila ia spp., mais conhecido
como e me do co ação dos cães, e é ansmi ida pelos mosqui os ec o es (Aedes spp., Anopheles
spp. e Culex spp.). As Di o ila ia spp. são pa asi as dos cães, dos ga os e e en ualmen e podem
pa asi a o Homem (Sil a & Langoni, 2009). No Sul da Eu opa, es as in ecções êm indo a
aumen a em países como a F ança, a Espanha, a G écia e, p incipalmen e a I ália. Nes e úl imo
país, de 1864-1995 o am no i icados 181 casos de in ecção humana e de 1995-2000 egis ou-se um
ac éscimo de mais 117 (Pampiglione & Ri asi, 2007). Não se e i ica am mo es, algumas das
in ecções o am assin omá icas e nas que ap esen a am sin omas es es consis i am de nódulos
cu âneos e pulmona es e lesões pa enquima osas (Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008).
24
Du an e o século XX a Malá ia oi e adicada de mui as zonas empe adas, incluindo a
Eu opa e ac ualmen e encon a-se limi ada aos países opicais. Con udo com as al e ações
climá icas e i icadas, o po encial essu gimen o da Malá ia nos países onde já se encon a a
e adicada é uma p eocupação c escen e, pois os mosqui os ec o es pe manecem nessas á eas,
inclusi e na Eu opa2.
Es a doença é causada po um pa asi a denominado Plasmodium, que é ansmi ido a a és
da picada de mosqui os Anopheles spp. in ec ados. O Anopheles sacha o i, o An. a opa us, o An
plumbeus e o An. lab anchiae são os p incipais ec o es da Malá ia na Eu opa, enquan o que as
espécies An. eebo ni, An. pseudopunc ipennis e An. quad imacula os são conside adas as
p incipais ec o as da Malá ia nos Es ados Unidos.
Os p imei os sin omas apa ecem ge almen e 10-15 dias depois do con ágio e consis em de
eb e, do es de cabeça, cala ios e ómi os. Se não o a ada de imedia o com medicamen os
e icazes, a Malá ia pode causa doenças g a es e mui as ezes é a al.
Segundo a OMS, uma c iança mo e de Malá ia a cada 30 segundos e em 2006 hou e 247
milhões de casos de Malá ia que causa am quase um milhão de mo es, p incipalmen e en e
c ianças a icanas3.
Os ano elíneos ambém es ão elacionados com ou as in ecções, como o Anopheles
maculipennis s. l., que é o ec o do pa asi a da Di o ila iose.
2 h p://ecdc.eu opa.eu/en/heal h opics/Pages/Mala ia.aspx
3 h p://www.who.in /mediacen e/ ac shee s/ s094/en/index.h ml
25
Na Tabela 3 são ap esen ados os p incipais agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os
na Eu opa e Amé ica do No e.
Tabela 3 – Agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os na Eu opa e Amé ica do No e (Bonne oy, Kampen &
Sweeney, 2008).
In ecção Pa ogénico Mani es ações
clínicas Países Vec o es
impo an es
Ví us Inkoo Bunya í us (Bunya i idae)
Ví us Inkoo Sem sinais isí eis No e da Eu opa
Ae.
communis
, Ae.
punc o
Ví us Lednice Bunya í us (Bunya i idae)
Ví us Lednice Sem sinais isí eis Eu opa Cen al
Cx.
modes us
Ví us Ba ai
(Calo o) Bunya í us (Bunya i idae)
Ví us Ba ai (Calo o) Sem sinais isí eis Eu opa do No e e
Cen al
An.
m
aculipennis
sensu la o
Ví us Tahyna Bunya í us (Bunya i idae)
Ví us Tahyna Po ezes doença eb il
ligei a; a amen e
meningi e
Alemanha e
Eu opa O ien al
Ae. exans, Ae.
caspius
,
Ae. do salis
Ví us Sindbis Alpha í us (Toga i idae)
Ví us Sindbis Do de cabeça se e a,
do muscula , sin omas
semelhan es aos do
dengue
Bacia do
Medi e âneo
Culex spp.
,
Aedes spp.
Ví us Ockelbo Alpha í us (Toga i idae)
Ví us Ockelbo Doença eb il, com
e upções e poli-
a algias
Finlândia,
No uega, Rússia e
Suécia
C
x
.
p
ipiens
, C
x
.
o en ium
,
Ae. cine eus
Ví us Wes
Nile Fla i i us (Fla i i idae)
Ví us Wes Nile Sínd ome g ipal, le e,
po ezes meningi e Eu opa e Amé ica
do No e
Cx
.
p
ipiens
, Cx.
m
odes us
,
Cx. quinque ascia us, Cx.
es uans, Cx. a salis
Ence ali e de
S . Louis Fla i i us (Fla i i idae)
Ví us da Ence ali e de S .
Louis
No malmen e doença
eb il ligei a; a amen e
meningi e
Es ados Unidos da
Amé ica
C
x.
p
ipiens
,
Cx. n
ig ipalpus
,
Cx. a salis
Ence ali e
Equina do
Les e
Alpha í us (Toga i idae)
Ví us da Ence ali e Equina do
Les e
Sínd ome g ipal
ge almen e le e; po
ezes ence ali e, coma,
mo e
Les e dos Es ados
Unidos da Amé ica
Ae.
exans
, Ae.
canadensis
,
Ae. sollici ans,Cx.
salina ius,
Culise a melanu a,
Coquille idia pe u bans
Ence ali e
Equina do
Oes e
Alpha í us (Toga i idae)
Ví us da Ence ali e Equina do
Oes e
Sínd ome g ipal
ge almen e le e; po
ezes ence ali e, coma,
mo e
Ociden e e cen o
dos Es ados
Unidos da Amé ica
C
x
.
a salis
, Ae.
melanconion
Ence ali e de
La C osse Bunya i us (Bunya i idae)
Ví us da Ence ali e de La
C osse
Doença eb il
no malmen e ligei a;
a amen e con ulsões,
coma
Cen o-Oes e
No e e Meio-
A lân ico dos
Es ados Unidos da
Amé ica
Ae.
ise ia us
Malá ia
Plasmodium o ale
P. mala iae
P. alcipa um
A aques de eb e,
cala ios; in ecção P.
alcipa um, mui as
ezes, insu iciência
enal, coma, mo e
Eu opa do Sul, sul
da Amé ica do
No e
An. sacha o i
An. a opa us
An. lab anchiae
An. eebo ni
An. pseudopunc ipennis
An. quad imacula us
Fila iose
Di o ila ia immi is
D. epens
D. enuis
Cães: ila iose
ca dio ascula ;
humanos: lesões
pulmona es ou
subcu âneas
Países eu opeus do
Medi e âneo,
Es ados Unidos da
Amé ica
Ae.
caspius
, Ae.
de i us
,
Ae. exans, Cx. pipiens, An.
maculipennis s.l., Mansonia
spp.
26
7. MATERIAIS E MÉTODOS
7.1 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O A quipélago da Madei a localiza-se no A lân ico No e, en e a la i ude de 30º 01’ No e e
33º 08’ No e e a longi ude de 15º 41’ Oes e e 17º 16’ Oes e. Comp eende as Ilhas da Madei a e do
Po o San o e dois g upos de ilhas, as Dese as e as Sel agens, sem população pe manen e e ocupa
uma á ea o al de 802 km2 (quilóme os quad ados) (Figu a 11).
Figu a 11 – Ilhas da Madei a e Po o San o.
A ilha da Madei a em 742 km2 de supe ície e possui um ele o mui o acen uado. A al i ude
média é de 646 m (me os) e o pon o mais al o a inge os 1.861 m no Pico Rui o. A empe a u a
média anual do a a ia en e os 9-19°C, e os alo es mais al os e i icam-se na e en e Sul. A
p ecipi ação anual média é de 1.628 mm. Os alo es da p ecipi ação anual média a iam en e ce ca
27
de 600 mm na cos a Sul, 1.000 mm na cos a No e e 2.850-3.000 mm nas zonas de maio es al i udes
si uadas na zona cen al. A a iação sazonal da p ecipi ação é mui o acen uada, com os alo es
máximos no mês de No emb o e os mínimos no mês de Julho. O clima é, quan o à empe a u a, io
nas á eas ele adas e empe ado e oceânico; quan o à humidade do a : seco, na zona do Funchal e
Luga de Baixo, nas es an es zonas é húmido; quan o à p ecipi ação: mode adamen e chu oso na
maio pa e da á ea da e en e Sul p óxima do ma e excessi amen e chu oso nas á eas mais
ele adas.
A Ilha de Po o San o localiza-se a ce ca de 28 milhas a No des e da Ilha da Madei a e
possui uma á ea de 43 km2. O ele o é mui o mais sua e e a al i ude média é de 86 m. O pon o mais
al o encon a-se a 517 m de al i ude (Pico do Facho). A empe a u a média diá ia onda os 18°C. A
p ecipi ação anual média é de 355 mm. Os alo es máximos de p ecipi ação oco em em No emb o
e Janei o (ce ca de 58 mm) e os alo es mínimos em Julho (ce ca de 2 mm). O clima é empe ado,
oceânico, húmido e semi-á ido.
Os locais onde o am ins aladas as a madilhas pa a a o iposição e a p ospecção dos
c iadou os o am e ec uados nos 52 cemi é ios municipais exis en es em ambas as ilhas (Figu a 12),
cujas coo denadas e espec i a al i ude se pode obse a na Tabela 4 ( e 7.3).
Na escolha dos cemi é ios oi ida em conside ação o ac o de os mesmos se em u ilizados
como á eas de es udo pa a di e en es g upos biológicos ais como plan as, a es, mamí e os, ungos,
bac é ias, an íbios e ou os insec os pa a além dos mosqui os e que, na úl ima década o am
publicados mais de 30 pesquisas en ol endo mosqui os nos cemi é ios (Vezzani, 2007).
De aco do com o mesmo au o , a exis ência de subs âncias açuca adas ( lo es das ja as e
ou a ege ação), on es pe manen es de sangue humano ( isi an es e abalhado es), ab igo e
28
ecipien es com água são ca ac e ís icas que o nam os cemi é ios em habi a s a o á eis aos
mosqui os e ideais pa a in es iga a sua oco ência e ecologia.
Figu a 12 – Localização das a madilhas de o iposição.
Em elação às á eas ocupadas pelos di e en es cemi é ios, o maio , o cemi é io S. Ma inho,
localizado no Funchal em ce ca de 32.339,74 m2 (me os quad ados), enquan o que o mais
pequeno, com uma á ea de 390,9 m2, é o cemi é io do Ja dim do Ma e si ua-se no concelho da
Calhe a (Tabela 4 em 7.3).
7.2 - ARMADILHAS DE OVIPOSIÇÃO
As a madilhas de o iposição cons i uem uma o ma sensí el e económica pa a de ec a a
p esença de mosqui os. Fo am ins aladas 52 a madilhas de o iposição nos cemi é ios das ilhas da
Madei a e de Po o San o, uma po cada cemi é io. A a madilha u ilizada, baseada na concebida po
35
7.4 - PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS
Também a água de cada c iadou o onde o am encon ados os ima u os oi sujei a a alguns
es es pa a de e minação do pH, salinidade e oxigénio dissol ido: na medição do pH o am
u ilizadas i as de papel indicado da Me ck; pa a a salinidade u ilizou-se um medido po á il da
ma ca Eu ech Ins umen s, modelo Sal Tes 11, com uma gama de medição de 0,0-10,0 g/L ou pp ;
o oxigénio dissol ido oi e i icado com um medido po á il modelo EcoScan DO6 da ma ca
Eu ech Ins umen s, com uma gama de medição de oxigénio de 0,0-20,0 mg/L ou ppm.
7.5 - TRATAMENTO DOS DADOS
Pa a o egis o das in o mações ob idas com as a madilhas de o iposição e p ospecção dos
c iadou os oi elabo ada uma base de dados no p og ama Mic oso Excel. A análise es a ís ica oi
e ec uada com a u ilização do p og ama SPSS 17.0 o Windows e os mapas o am execu ados
com o p og ama A cGis 9.0.
Fo am aplicados os es es es a ís icos de Qui-Quad ado pa a analisa a independência de
duas a iá eis; o es e de S uden , es e pa amé ico, pa a amos as que seguem uma dis ibuição
no mal; e o es e não pa amé ico de Mann-Whi ney.
Em odos os es es es a ís icos e ec uados ap esen a-se o alo calculado da es a ís ica de
es e e o espec i o alo de “p”. Os alo es de “p” iguais ou in e io es a 0,05 conduzem à ejeição
da hipó ese nula e consequen e acei ação da hipó ese al e na i a com uma con iança de
%1001 p.
36
8. RESULTADOS
8.1 - ARMADILHAS DE OVIPOSIÇÃO
De Janei o a Agos o de 2009 o am examinadas 415 a madilhas de o iposição nos
cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o, das quais 148 (35,7%) o am posi i as pa a
o mas ima u as de culicídeos, independen emen e da espécie, e as es an es 267 (64,3%) o am
nega i as.
Ve i icou-se a p edominância da espécie Aedes (Finlaya) ea oni (Edwa ds, 1916) em
elação às ou as espécies. Na Figu a 18 é possí el obse a , a e de as a madilhas que se o na am
posi i as ao longo do empo pa a o os e/ou ima u os des e culicídeo.
Figu a 18 – Mapa com as a madilhas de o iposição posi i as pa a Aedes ea oni.
37
Fo am ealizadas 124 obse ações de Ae. ea oni, isolado ou associado com ou as espécies,
enquan o que a segunda espécie mais equen e nas a madilhas oi Culise a (Allo heobaldia)
longia eola a (Macqua , 1838), seguida de Culex (Culex) pipiens (Linnaeus, 1758) e Culex (Culex)
heile i (Theobald, 1903) apenas oi encon ado numa a madilha.
A dis ibuição dos mosqui os a iou com a al i ude. As a madilhas de o iposição o am
colocadas a di e en es al i udes, en e os 0-800 m. Toda ia oi no in e alo dos 200-300 m que
o am encon ados um maio núme o de a madilhas posi i as (Tabela 5, Figu a 19).
Tabela 5 – F equências absolu a e ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude.
Al i udes (m)
A madilhas posi i as
F equência
a
bsolu a
F equência
ela i a
0
-
100
30
20,
27
%
100
-
200
9
6,
08
%
200
-
300
40
27,
03
%
300
-
400
18
12
,
16
%
400
-
500
25
16,
89
%
500
-
600
6
4,
45
%
600
-
700
12
8,
11
%
700
-
800
8
5,4
1
%
To al
148
100,00%
Figu a 19 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po g upos de
al i ude.
38
Rela i amen e às espécies encon adas, Aedes ea oni oi obse ado en e os 0-800 m,
e i icando-se o maio núme o de obse ações des a espécie en e os 200-300 m (35 obse ações),
seguido dos 400-500 m (22 obse ações) e dos 0-100 m (21 obse ações). Culise a longia eola a (7
obse ações) e Culex pipiens (8 obse ações) o am obse ados em maio núme o dos 0-100 m
(Tabela 6, Figu a 20).
Tabela 6 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de al i ude.
Al i ude (m)
Aedes
ea oni Culise a
longia eola a Culex
pipiens Culex
heile i
0
-
100
21
7
8
0
100
-
200
5
0
4
0
200
-
300
35
5
2
1
300
-
400
15
3
1
0
400
-
500
22
2
3
0
500
-
600
6
1
0
0
600
-
700
12
1
0
0
700
-
800
8
0
0
0
To al
124
19
18
1
Figu a 20 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de al i ude.
A empe a u a do a a iou ao longo do pe íodo de es udo, si uando-se en e os 10ºC
(mínima) e os 32ºC (máxima). O núme o de a madilhas posi i as pa a o mas ima u as de
culicídeos aumen ou en e os 10-26ºC, a ingiu o máximo no in e alo de 22-26ºC (33,11%) e
dec esceu de 26-32ºC (Tabela 7, Figu a 21).
39
Tabela 7 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do a .
Tempe a u a do a
(ºC)
A madilhas p
osi i as
F equência absolu a
F equência ela i a
10
-
14
10
6,76%
14
-
18
3
0
20,27%
18
-
22
41
27,70%
22
-
26
49
33,11%
26
-
30
16
10,81%
30
-
32
2
1,35%
To al
148
100,00%
Figu a 21 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de
empe a u a do a .
Aedes ea oni (37 obse ações), Culise a longia eola a (12 obse ações) e Culex pipiens (9
obse ações) o am obse ados mais ezes no in e alo de empe a u a do a de 22-26ºC e a única
obse ação de Culex heile i oi e ec uada en e os 18-22ºC (Tabela 8, Figu a 22).
Tabela 8 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de empe a u a do a .
Tempe a u a do a
(ºC) Aedes
ea oni Culise a
longia eola a Culex
pipiens Culex
heile i
10
-
14
10
0
1
0
14
-
18
28
2
1
0
18
-
22
34
4
4
1
22
-
26
37
12
9
0
26
-
30
14
1
2
0
30
-
32
1
0
1
0
To al
124
19
18
1
40
Figu a 22 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de empe a u a
do a .
8.2 - PROSPECÇÃO DOS CRIADOUROS
Du an e o pe íodo de es udo, Janei o a Agos o de 2009, o am p ospec ados um o al de 813
ecipien es de cemi é io, nos 52 cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o. Desses 813
ecipien es, 700 (86,1%) con inham água sendo po isso po enciais c iadou os de culicídeos e os
es an es 113 (13,9%) encon a am-se secos.
Dos 700 po enciais c iadou os encon ados na á ea de es udo, 45 (6,4%) e am c iadou os
la a es, pois con inham o mas ima u as de culicídeos, enquan o que nos es an es 655 (93,6%)
não o am encon adas o mas ima u as de culicídeos.
As espécies encon adas nos c iadou os la a es a ás mencionados o am as seguin es:
Aedes (Finlaya) ea oni (Edwa ds, 1916), Culise a (Allo heobaldia) longia eola a (Macqua , 1838),
Culex (Culex) pipiens (Linnaeus, 1758) e Culex (Culex) heile i (Theobald, 1903). Todas es as
espécies já ha iam sido an e io men e egis adas nas ilhas da Madei a e do Po o San o.
41
Os ecipien es po enciais c iadou os de culicídeos o am classi icados quan o ao ma e ial
cons i uin e. Ve i icou-se que dos 700 ecipien es examinados, 304 (43,4%) e am de ce âmica, 147
(21,0%) de plás ico, 139 (19,9%) de ped a, 98 (14,0%) de id o e os ecipien es de me al o am os
menos abundan es, apenas 12 (1,7%).
Nos 45 ecipien es em que oi de ec ada a p esença de culicídeos, 26 (57,8%) e am de
ce âmica, 9 (20,0%) de ped a, 7 (15,6%) de plás ico, 2 (4,4%) de me al e apenas 1 (2,2%) de id o.
No en an o, quando calculado o quocien e en e o núme o de c iadou os la a es e o núme o de
po enciais c iadou os p ospec ados, apu ou-se que os ecipien es de me al o am os que ob i e am
uma p obabilidade mais ele ada (16,67%), como se pode obse a pela análise da Tabela 9.
O es e de Qui-Quad ado pe mi iu conclui que exis em di e enças es a is icamen e
signi ica i as en e os á ios ipos de ma e ial cons i uin e dos c iadou os e a exis ência de o mas
ima u as de culicídeos (2=156,9; p=0,00<0,05).
Tabela 9 – C iadou os la a es quan o ao ma e ial cons i uin e.
Ma e ial
cons i uin e do
c iadou o
N.º C iadou os
po enciais
N.º C iadou os
la a es
% C iadou os
la a es
N.º
C iadou os
la a es / N.º
C iadou os
po enciais
Ce âmi
ca
304
26
57,8%
8,55%
Ped a
139
9
20,0%
6,47%
Plás ico
147
7
15,6%
4,76%
Me al
12
2
4,4%
16,67%
Vid o
98
1
2,2%
1,02%
As espécies de culicídeos encon adas ambém mos a am p e e ências quan o ao ma e ial
cons i uin e do c iadou o. Pela obse ação da Tabela 10, e i ica-se que os ecipien es de ce âmica
albe gam maio núme o de Aedes ea oni, Culise a longia eola a e Culex pipiens.
Ao u iliza o es e de Qui-Quad ado pa a e se exis e uma elação en e as duas a iá eis,
ma e ial cons i uin e do c iadou o e espécie, e i icou-se que Aedes ea oni (2=191,09;
42
p=0,00<0,05) e Culex pipiens (2=12,04; p=0,034<0,05) es ão elacionados com o ipo de ma e ial
amos ado e Culise a longia eola a (2=8,96; p=0,11) e Culex heile i (2=10,29; p=0,067) não
es ão.
Tabela 10 – Dis ibuição das espécies po ma e ial cons i uin e do c iadou o.
Ma e ial
cons i uin e do
c iadou o
Aedes
ea oni Culise a
longia eola a Culex
pipiens Culex
heile i
Ce âmica
6
15
10
4
Ped a
2
2
3
4
Plás ico
3
4
0
0
Me al
1
0
1
0
Vid o
0
0
0
1
No que diz espei o à capacidade, 38,4% (269/700) dos ecipien es p ospec ados inham
capacidade pa a 2,0 L de água, 29,3% (205/700) inham pa a 1,5 L, 22,7% (159/700) pa a 1,0 L e
9,6% (67/700) pa a 0,5 L.
Quan o aos c iadou os la a es, 21 (46,7%) inham 2,0 L de capacidade, 7 (15,6%) inham
capacidade pa a 1,5 L, 8 (17,8%) pa a 1,0 L e 9 (20,0%) inham capacidade pa a 0,5 L. O cálculo da
p obabilidade de exis i um c iadou o la a no conjun o dos po enciais c iadou os p ospec ados,
e elou que as o mas ima u as de culicídeos encon a am-se em núme o mais ele ado nos
ecipien es de 0,5 L, ap esen ado uma p obabilidade de 13,43% como se pode obse a na Tabela
11.
Tabela 11 – C iadou os la a es quan o à capacidade.
Capacidade do
c iadou o (L)
N.º C iadou os
po enciais
N.º C iadou os
la a es
% C iadou os
la a es
N.º
C iadou os
la a es / N.º
C iadou os
po enciais
0,5
67
9
20,0%
13,43%
1,0
159
8
17,8%
5,03%
1,5
205
7
15,6%
3,41%
2,0
269
21
46,7%
7,81%
43
Pa a apu a se exis e uma associação en e a capacidade do c iadou o e a exis ência de
ima u os de culicídeos, emp egou-se o es e de Qui-Quad ado e es e pe mi iu conclui que exis em
di e enças signi ica i as (2=9,925; p=0,019<0,05).
As espécies de culicídeos encon adas ambém mos a am p e e ências quan o à capacidade
de água do c iadou o. Na Tabela 12 apa ece o núme o de c iadou os la a es de de e minada
capacidade onde o am encon adas as á ias espécies.
Tabela 12 – Dis ibuição das espécies po capacidade do c iadou o.
Capacidad
e do
c iadou o (L) Aedes
ea oni Culise a
longia eola a Culex
pipiens Culex
heile i
0,5
1
6
3
1
1,0
2
6
0
0
1,5
3
3
0
2
2,0
6
6
11
6
Com a aplicação do es e de Qui-Quad ado pa a in es iga se exis e uma elação de
associação en e as a iá eis capacidade do ecipien e e a espécie e i ica-se que Culise a
longia eola a (2=10,70; p=0,01<0,05) e Culex pipiens (2=15,52; p=0,00<0,05) es ão elacionados
com a capacidade do ecipien e e Aedes ea oni (2=0,718; p=0,87) e Culex heile i (2=4,14;
p=0,25) não es ão.
Ou o ac o a e em conside ação é a exposição sola dos po enciais c iadou os.
A e iguou-se que 394/700 (56,3%) es a am o almen e expos os à luz sola , 284/700 (40,6%)
ap esen a am uma exposição sola anca e apenas 22/700 (3,1%) se encon a am à somb a.
Os c iadou os la a es encon ados o almen e expos os ao Sol ep esen a am 51,1% do o al
de po enciais c iadou os, os ancamen e expos os ep esen a am 46,7% e po úl imo, os que não se
encon a am expos os ca ac e iza am 2,2% dos po enciais c iadou os. Como é possí el obse a na
44
Tabela 13, exis e uma maio p obabilidade de se descob i o mas ima u as de culicídeos nos
c iadou os ancamen e expos os ao Sol (7,39%).
O es e de Qui-Quad ado, pa a a e igua se exis e uma associação en e a exposição sola do
c iadou o e a exis ência de ima u os de culicídeos, concluiu que não exis em di e enças
signi ica i as (2=0,799; p=0,671). Apesa da p obabilidade de se em encon ados ima u os de
culicídeos em c iadou os com exposição sola anca ap esen a um alo de 7,39%, o ac o é que
es e alo não é es a is icamen e signi ica i o quando compa ado com os alo es da p obabilidade
de se em encon adas o mas ima u as de culicídeos em c iadou os com exposição sola o al
(5,84%) e em c iadou os somb eados (4,55%).
Tabela 13 – C iadou os la a es quan o à exposição sola .
Exposição sola do
c iadou o
N.º C iadou os
po enciais
N.º c iadou os
la a es
% C iadou os
la a es
N.º
C iadou os
la a es / N.º
C iadou os
po enciais
To al
394
23
51,10%
5,84%
F anca
284
21
46,70%
7,39%
Sem
22
1
2,20%
4,55%
Rela i amen e à p e e ência das di e sas espécies encon adas, e i icou-se que Aedes
ea oni e Culise a longia eola a encon a am-se em maio núme o nos c iadou os com exposição
sola anca enquan o que Culex pipiens e Culex heile i o am localizados nos c iadou os
o almen e expos os ao Sol (Tabela 14).
Tabela 14 – Dis ibuição das espécies po exposição sola do c iadou o.
Exposição sola do
c iadou o Aedes
ea oni Culise a
longia eola a Culex
pipiens Culex
heile i
F anca
7
13
4
1
Sem
0
0
1
1
To al
5
8
9
7
51
No que espei a à p ospecção dos ecipien es a i iciais dos cemi é ios, em 700 ecipien es
com água examinados, apenas o am encon adas o mas ima u as em 45 deles, ou seja em 6,4% do
o al de ecipien es com água. Na bibliog a ia consul ada, os cemi é ios são e e idos como habi a s
a o á eis aos mosqui os e ideais pa a a sua in es igação. Con udo no p esen e caso, o núme o de
o mas ima u as encon adas não sus en a essa a i mação.
Os ecipien es de ce âmica o am os mais abundan es nos cemi é ios e cons i uí am 43,4%
dos po enciais c iadou os examinados. En e an o, e i icou-se que os ecipien es me álicos o am
os p e e idos pelos culicídeos, com um quocien e en e o núme o de c iadou os la a es e o núme o
de po enciais c iadou os p ospec ados de 16,67%. Vá ios au o es es uda am a oco ência de
mosqui os em ecipien es de di e en es ma e iais com di e sos esul ados. Po exemplo, num es udo
e ec uado nos cemi é ios da cidade de Buenos Ai es, Vezzani (2002) cons a ou que os ecipien es
de me al o am os menos equen emen e in es ados e que al ac o p o a elmen e de eu-se ao
e ei o le al do aquecimen o da água pa a as o mas ima u as dos culicídeos. Pa a Abe e al. (2005),
no es udo e ec uado num cemi é io da Venezuela, os ima u os o am encon ados em maio núme o
em ecipien es de cimen o. O ac o de es udos dis in os demons a em p e e ência po ipos de
ecipien es di e en es pode á es a elacionado com as condições ambien ais de cada á ea de es udo.
Os ecipien es de capacidade igual ou supe io a 2,0 L ep esen a am 38,4% dos po enciais
c iadou os p ospec ados e os menos p ospec ados o am os ecipien es com capacidade igual ou
in e io a 0,5 L (9,6%). Apesa disso, a p obabilidade de encon a o mas ima u as de culicídeos
em ecipien es de 0,5 L oi supe io (13,43%). Es e esul ado não oi comp o ado pela bibliog a ia
consul ada. Vezzani (2007) e Abe e al. (2005) es uda am Aedes aegyp i e ela a am que a
p odu i idade des a espécie oi maio em ecipien es de 1,0-5,0 L do que em aqueles com
capacidade a é 1,0 L.
52
A p obabilidade de descob i o mas ima u as de culicídeos nos c iadou os ancamen e
expos os ao Sol oi de 7,39%. Con udo es e alo não oi conside ado es a is icamen e signi ica i o
quando compa ado com os alo es das p obabilidades de encon a culicídeos em c iadou os
o almen e expos os ao Sol e nos somb eados. Ve i icou-se ambém não exis i uma associação
en e a exposição sola e as á ias espécies. Vezzani (2007) ela ou a p esença de o mas ima u as
de Aedes aegyp i em locais menos expos os à luz sola e que, po exemplo, a espécie Culex co nige
p e e e c iadou os expos os ao Sol. Mais uma ez es a p e e ência a ia en e as espécies.
A qualidade da água do c iadou o in luencia a p esença de o mas ima u as de culicídeos.
No p esen e es udo concluiu-se que a empe a u a do a e o oxigénio dissol ido, impo an e no
desen ol imen o emb ioná io, não êm in luência signi ica i a na p esença de ima u os.
Quan o à salinidade, sabe-se que pode a ec a a du ação do es ádio la a e a axa de
c escimen o. Na na u eza, exis em em maio núme o c iadou os com concen ações salinas mui o
baixas e são a as as espécies a c ia em-se em ele adas concen ações de salinidade. No en an o, as
la as ap esen am capacidade de adap ação às di e sas concen ações. No p esen e es udo concluiu-
se que a salinidade in luencia a exis ência das o mas ima u as de culicídeos e como a ole ância à
salinidade a ia con o me a espécie, a a és dos dados ob idos concluiu-se que in luencia a
a o a elmen e as espécies Culise a longia eola a, Culex pipiens e Culex heile i.
Ficou p o ado que o pH in e ém na p esença de o mas ima u as de culicídeos, em especial
da espécie Culex pipiens. Os alo es de pH ob idos pa a es a espécie es i e am semp e incluídos no
in e alo de 7,0-8,0. No es udo e ec uado an e io men e, Culex pipiens oi encon ado em colecções
de água das chu as no solo com alo es de pH que oscila am en e 5,5-6,0 e ambém, num paul
jun o ao ma , com água salob a cujo pH e a 7,0.
53
Rela i amen e às associações la a es e i icou-se que exis e uma elação de associação
en e Culise a longia eola a e Culex pipiens e en e Culex pipiens e Culex heile i. Tal associação já
ha ia sido de ec ada num es udo ealizado em 1981.
No que conce ne à impo ância médica das espécies de ec adas no âmbi o do p esen e
abalho, Aedes ea oni (Edwa ds, 1916) alimen a-se p o a elmen e em a es pelo que é de pouca ou
nenhuma impo ância na ansmissão de agen es de doenças ao Homem. Além de Aedes ea oni oi
obse ada a p esença de Culex pipiens (Linnaeus, 1758). Culex pipiens é um impo an e ec o de
agen es de doença ais como os í us de Wes Nile, Ri Valley e Sindbis e os pa asi as causado es
da Di o ila iose. Ou a espécie egis ada na á ea de es udo oi a Culise a longia eola a (Macqua ,
1833). Es a espécie ap esen a endências o ni o ílicas, azão pela qual não es á en ol ida na
ansmissão de agen es pa ogénicos, não ap esen ando impo ância epidemiológica.
Anopheles cine eus hispaniola (assinalado no Po o San o), Culex ho ensis made ensis
(subespécie endémica da ilha da Madei a) e Culex moles us não o am de ec ados nes e abalho.
Também, Aedes aegyp i, espécie de g ande impo ância epidemiológica, ec o dos í us da
Feb e Ama ela, Dengue e Chikungunya, não oi egis ado nas á eas de es udo du an e o pe íodo em
que deco eu a e i icação das a madilhas de o iposição e oi e ec uada a p ospecção dos
c iadou os a i iciais, de Janei o a Agos o de 2009. Con udo, du an e a campanha “A aliação de
Abundância e Sensibilidade aos Insec icidas de Aedes aegyp i”, que con ou com a pa icipação da
au o a des e abalho, p omo ida pelo Ins i u o de Higiene e Medicina T opical (IHMT), em
colabo ação com o Ins i u o de Adminis ação da Saúde e Assun os Sociais, IP-RAM (IASAÚDE),
de 6-23 de Ou ub o de 2009, o am encon adas o mas ima u as do mosqui o Aedes aegyp i nos
cemi é ios de Câma a de Lobos e Caniço (concelho de San a C uz). Também du an e a campanha
54
“A aliação das Densidades La a es e de Adul os de Aedes aegyp i”, na qual a au o a des e abalho
ambém pa icipou, p omo ida pelas mesmas en idades, que e e luga de 16-27 de No emb o de
2009, o am encon adas o mas ima u as de Aedes aegyp i no cemi é io de Câma a de Lobos. Tais
esul ados suge em que se o es udo dos mosqui os nos cemi é ios i esse oco ido de Janei o a
No emb o de 2009, a espécie Aedes aegyp i igu a ia en e os mosqui os de ec ados.
55
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