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Estudo dos culicídeos (Diptera: Culicidae) nos cemitérios das ilhas da Madeira e Porto Santo.

CLAIROUIN, Isabel Neves

Abstract

O estudo bioecológico dos culicídeos é de grande importância, pois deste modo, é possível detectar a presença de várias espécies de mosquitos vectores de agentes patogénicos para o Homem e outros animais. Além disso, os culicídeos podem ser considerados factor de incomodidade para as populações humanas, devido às reacções alérgicas provocadas pelas suas picadas e pela dor causada. De Janeiro a Agosto de 2009 foram examinadas 415 armadilhas de oviposição e foram prospectados 700 recipientes artificiais nos 52 cemitérios das ilhas da Madeira e do Porto Santo. Das 415 armadilhas de oviposição examinadas, 148 (35,7%) continham formas imaturas, e, apesar dos cemitérios serem considerados as principais fontes de certas espécies de mosquitos, apenas foram detectados 45 (6,4%) criadouros larvares nos 700 recipientes artificiais com água investigados. Foram identificadas 4 espécies de mosquitos: Aedes (Finlaya) eatoni (Edwards, 1916), Culiseta (Allotheobaldia) longiareolata (Macquart, 1838), Culex (Culex) pipiens (Linnaeus, 1758) e Culex (Culex) theileri (Theobald, 1903). Verificou-se a predominância de Aedes eatoni em relação às outras espécies. A distribuição dos mosquitos variou com a altitude e com a temperatura do ar, encontrando-se em maior abundância nos 200-300 metros e entre os 22-26ºC. Os recipientes de metal (2=156,9; p=0,00<0,05) e aqueles com capacidade até 0,5 litros (2=9,925; p=0,0019<0,05) foram os preferidos pelas formas imaturas. No entanto, os imaturos não mostraram preferência em relação à exposição solar dos recipientes (2=0,799; p=0,671). Em relação à qualidade da água dos criadouros, verificou-se que a temperatura da água (t=-1,39; p=0,16) e o teor em oxigénio dissolvido (z=-1,21; p=0,23) não tiveram qualquer influência na presença dos imaturos, mas tiveram-no o pH (z=-2,12; p=0,03<0,05) e a salinidade (z=-3,089; p=0,002<0,05) que influenciaram a sua presença tendo os respectivos valores variado entre 6-8 e 0,1-1,7 g/L, respectivamente. Verificou-se a existência de uma associação larvar entre Culiseta longiareolata e Culex pipiens (2=32,05; p=0,00<0,05) e entre Culex pipiens e Culex theileri (2=118,71; p=0,00<0,05). O mosquito Aedes aegypti não foi encontrado durante o período de estudo que ocorreu de Janeiro a Agosto de 2009. No entanto, foi detectado nos cemitérios de Câmara de Lobos e do Caniço no decorrer de duas campanhas, nas quais a autora participou, nos meses de Outubro e Novembro do mesmo ano.

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UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL MESTRADO EM PARASITOLOGIA MÉDICA ESTUDO DOS CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE) NOS CEMITÉRIOS DAS ILHAS DA MADEIRA E DO PORTO SANTO ISABEL MARGARIDA NEVES CLAIROUIN 2009 UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA INSTITUTO DE HIGIENE E MEDICINA TROPICAL ESTUDO DOS CULICÍDEOS (DIPTERA: CULICIDAE) NOS CEMITÉRIOS DAS ILHAS DA MADEIRA E DO PORTO SANTO ISABEL MARGARIDA NEVES CLAIROUIN Tese ap esen ada pa a a ob enção do g au de Mes e em Pa asi ologia Médica. O ien ado : P o . Dou o An ónio José dos San os G ácio 2009 i AGRADECIMENTOS  À P o .ª Dou o a Ma ia Amélia G ácio,  Ao P o . Dou o An ónio José dos San os G ácio,  Ao D . Mau ício Melim, P esiden e do Ins i u o de Adminis ação da Saúde e Assun os Sociais, IP-RAM (IASAÚDE, IP-RAM),  À Mes e Ana Cla a Sil a, Vice-P esiden e do IASAÚDE, IP-RAM,  À Eng.ª Do es Vacas, Coo denado a da Unidade Flexí el de Engenha ia Sani á ia do IASAÚDE, IP-RAM,  Aos Técnicos de Saúde Ambien al Conceição Aguia , Sónia Gonçal es, Ma ia Fe ei a, Paula Ab eu, Adélia Egas, G aça Sousa, Fá ima Camacho, Ru e Soa es, Ri a So ia T indade e Joel F ei as,  À colega de mes ado Bela Vi ei os,  Aos meus pais e i mão,  Ao Alexand e. Que o ag adece às pessoas acima e e idas odo o impo an e apoio, ajuda desin e essada e suges ões aliosas que me de am na elabo ação des e abalho, pois que sem os e e idos apoios, ajuda e suges ões o mesmo e ia sido mui o mais di ícil. ii ÍNDICE GERAL Índice de igu as .............................................................................................................................. i Índice de quad os ............................................................................................................................ i Resumo ............................................................................................................................................ iii Abs ac ........................................................................................................................................... x 1. In odução ................................................................................................................................... 1 2. Objec i os .................................................................................................................................... 4 3. Posição sis emá ica ...................................................................................................................... 5 4. Mo ologia ................................................................................................................................... 9 5. Bioecologia ................................................................................................................................... 13 5.1 - O o .................................................................................................................................... 13 5.2 - La a ................................................................................................................................. 14 5.3 - Pupa ................................................................................................................................... 16 5.4 - Adul o ................................................................................................................................ 16 6. Impo ância médica .................................................................................................................... 18 7. Ma e iais e mé odos .................................................................................................................... 26 7.1 - Ca ac e ização da á ea de es udo ........................................................................................ 26 7.2 - A madilhas de o iposição .................................................................................................. 28 7.3 - Colhei a de o mas ima u as ............................................................................................... 31 iii 7.4 - Pa âme os ísico-químicos ................................................................................................ 35 7.5 - T a amen o dos dados ........................................................................................................ 35 8. Resul ados .................................................................................................................................... 36 8.1 - A madilhas de o iposição .................................................................................................. 36 8.2 - P ospecção dos c iadou os ................................................................................................. 40 8.3 - Associações la a es .......................................................................................................... 47 9. Discussão e conclusões ................................................................................................................. 49 10. Bibliog a ia ................................................................................................................................ 55 i ÍNDICE DE FIGURAS Figu a 1 – Sis emá ica dos culicídeos ................................................................................................ 7 Figu a 2 – La a de culicídeo, sub amília Culicinae (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997) ........... 10 Figu a 3 – Pupa (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997) .................................................................. 10 Figu a 4 – Esquema de um culicídeo adul o (G ácio, 2008) ............................................................... 12 Figu a 5 – Ciclo de ida dos culicídeos. Adap ado de Rozendaal (1997) ........................................... 13 Figu a 6 – O os de culicídeo (Fo og a ia da au o a) .......................................................................... 14 Figu a 7 – Pupas (Fo og a ia do CDC) .............................................................................................. 16 Figu a 8 – Dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o ec o , Aedes aegyp i, em 2008. Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/dengue/map-dis ibu ion-2008.h m .......................... 20 Figu a 9 – Dis ibuição ap oximada do í us de Chikungunya, po país, em 2008 ............................. 21 Figu a 10 – Dis ibuição geog á ica do se ocomplexo da Ence ali e Japonesa da amília Fla i idae em 2000, onde se inclui o í us de Wes Nile .................................................................................... 23 Figu a 11 – Ilhas da Madei a e Po o San o ....................................................................................... 26 Figu a 12 – Localização das a madilhas de o iposição ...................................................................... 28 Figu a 13 – A madilha de o iposição (Fo og a ia da au o a) ............................................................. 29 Figu a 14 – Recipien es com água pa a eclosão das la as (Fo og a ia da au o a) .............................. 30 Figu a 15 – Gaiolas en omológicas pa a eme gência dos adul os (Fo og a ia da au o a) .................... 31 Figu a 16 – P ospecção das ja as dos cemi é ios (Fo og a ia da au o a) ............................................ 33 Figu a 17 – Obse ação ao es e eomic oscópio óp ico (Fo og a ia da au o a) .................................... 34 Figu a 18 – Mapa com as a madilhas de o iposição posi i as pa a Aedes ea oni ............................... 36 Figu a 19 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude ........... 37 Figu a 20 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de al i ude ...................... 38 Figu a 21 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do a ...................................................................................................................................................... 39 Figu a 22 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de empe a u a do a ...... 40 i ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 – Lis agem das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a e Po o San o (Adap ado de Capela, 1981) ............................................................................................................................... 3 Tabela 2 – Classi icação da amília Culicidae (sub amílias, ibos, géne os, núme o de subgéne os e espécies) (Ha bach, 2007) ................................................................................................................. 8 Tabela 3 – Agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os na Eu opa e Amé ica do No e (Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008) ............................................................................................ 25 Tabela 4 – Coo denadas, al i ude, á ea ocupada e núme o de ecipien es dos locais de amos agem (cemi é ios) ....................................................................................................................................... 32 Tabela 5 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude .......... 37 Tabela 6 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de al i ude .................................... 38 Tabela 7 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do a .................................................................................................................................................. 39 Tabela 8 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de empe a u a do a .................... 39 Tabela 9 – C iadou os la a es quan o ao ma e ial cons i uin e.......................................................... 41 Tabela 10 – Dis ibuição das espécies po ma e ial cons i uin e do c iadou o .................................... 42 Tabela 11 – C iadou os la a es quan o à capacidade ........................................................................ 42 Tabela 12 – Dis ibuição das espécies po capacidade do c iadou o ................................................... 43 Tabela 13 – C iadou os la a es quan o à exposição sola ................................................................. 44 Tabela 14 – Dis ibuição das espécies po exposição sola do c iadou o ............................................ 44 Tabela 15 – Valo es mínimos, médios e máximos do o al de c iadou os posi i os e nega i os pa a os pa âme os pH, salinidade, oxigénio dissol ido e empe a u a da água .......................................... 45 Tabela 16 – Valo es mínimos, médios e máximos dos pa âme os pH, salinidade, oxigénio dissol ido e empe a u a da água po espécie .................................................................................... 46 ii Tabela 17 – Associações la a es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o .................... 47 Tabela 18 – Signi icância es a ís ica das associações la a es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o................................................................................................................................... 48 3 Em Po ugal, o es udo da auna de culicídeos começou com Sa men o & F ança (1901, 1902) e Jo ge & Sa men o (1906). Em 1931, B aga publicou uma monog a ia com a desc ição de 21 espécies e pos e io men e o am adicionadas mais 3 po Landei o & Cambou nac (1935), Cambou nac (1943) e Coluzzi e al. (1965). Depois de um pe íodo de in ensa in es igação sob e os mosqui os de Po ugal, Ribei o e al. (1988) ap esen a am uma lis agem de 40 espécies e subespécies de Po ugal Con inen al. Em 1999 oi publicada uma cha e de iden i icação de mosqui os de Po ugal Con inen al, Aço es e Madei a que incluiu 45 espécies e subespécies dis ibuídas po 15 subgéne os e 7 géne os (Ribei o & Ramos, 1999). Em elação à Madei a, as p imei as e e ências à auna de culicídeos o am da au o ia de Theobald (1903) na monog a ia que publicou. O egis o de espécies de mosqui os na Madei a con inuou com Becke (1908), Edwa ds (1915), Ch is ophe s (1929), B aga (1931), Ma ingly (1955), Sene e & Anda elli (1959) e inalmen e Capela (1981) di ulgou uma lis agem comple a das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a (Tabela 1). En e 2004-2005 o mosqui o Aedes aegyp i oi de ec ado pela p imei a ez na Região Au ónoma da Madei a (Ma ga i a e al., 2006). Tabela 1 – Lis agem das espécies e subespécies de mosqui os da Madei a e Po o San o (Adap ado de Capela, 1981) Sub amília Géne o Subgéne o Espécies e s ubespécies Ilhas Anophelinae Anopheles Cellia Anopheles cine eus hispaniola (Theobald, 1903) Po o San o Culicinae Aedes Finlaya Aedes ea oni (Edwa ds, 1916) Madei a Culise a Allo heobaldia Culise a longia eola a (Macqua , 1833) Madei a Po o San o Culex Maillo ia Culex ho ensis made ensis (Ma ingly, 1955) Madei a Culex Culex pipiens (Linnaeus, 1758) Madei a Po o San o Culex moles us (Fo skal, 1755) Madei a Po o San o Culex heile i (Theobald, 1903) Madei a Po o San o 4 2. OBJECTIVOS Com es e abalho, elabo ado com o objec i o de ob e o g au de Mes e em Pa asi ologia Médica, p e ende-se:  A alia a di e sidade de culicídeos exis en es nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o;  Es uda a dis ibuição dos culicídeos e e i ica a in luência de ac o es como a empe a u a e al i ude na dis ibuição dos mesmos;  Ca ac e iza os c iadou os a i iciais ( ecipien es de cemi é io) exis en es na á ea de es udo quan o ao ma e ial cons i uin e (plás ico, ped a, id o, ce âmica e me al), capacidade (0,5 li os, 1,0 li o, 1,5 li os e 2,0 li os), exposição sola ( o al, anca, nenhuma) e qualidade da água a a és da de e minação de alguns pa âme os ( empe a u a, pH, salinidade e oxigénio dissol ido);  De e mina as associações la a es exis en es. 5 3. POSIÇÃO SISTEMÁTICA (Figu a 1): Os culicídeos, ema des e es udo, são me azoá ios in e eb ados, com sime ia bila e al, exoesquele o qui inoso, com co po segmen ado e apêndices a iculados aos pa es (FILO ARTHROPODA). Têm a cabeça sepa ada do co po e possuem apêndices ce álicos p é-o ais – as an enas e apêndices o ais – as peças bucais (SUBFILO MANDIBULATA). São a ópodes com cabeça, ó ax e abdómen di e enciados. Na cabeça ap esen am um pa de an enas. No ó ax inse em-se ês pa es de pa as (po isso ambém são conhecidos po hexapoda) e dois pa es de asas (CLASSE INSECTA). Como mui os ou os insec os, desen ol em-se po me amo oses (SUBCLASSE PTERYGOTA) de ipo comple o, is o é, os ima u os são di e en es dos adul os e ap esen am ases cla amen e dis in as no seu desen ol imen o após a eclosão do o o (la a, pupa e adul o) sepa adas po mudas ou ecdises. As asas desen ol em-se in e namen e (DIVISÃO ENDOPTERIGOTA ou HOLOMETABOLA). Ca ac e izam-se ambém po possuí em dois pa es de asas, um pa de asas uncionais e um segundo pa de asas modi icadas denominadas hal e es ou balancei os. As peças bucais são do ipo picado -sugado (ORDEM DIPTERA). As an enas são longas, maio es do que a cabeça e usualmen e com mais de seis a ículos. As la as êm a cabeça bem desen ol ida e dis in a do ó ax (SUBORDEM NEMATOCERA). 6 Den o da Supe amília CULICOIDEA, os mosqui os encon am-se na Família CULICIDAE (culicídeos), que inclui díp e os de pequeno po e, co po delgado, com pa as longas e inas e de coxas ela i amen e cu as. A sua cabeça é globosa, os olhos eni o mes, compos os, dicó icos e sem ocelos. O p obóscis é longo e lexí el e os palpos maxila es são cons i uídos po cinco segmen os, ap esen ando-se o p imei o a o iado. As an enas ap esen am um lagelo longo, de eze a ículos, sendo plumosas no macho e pilosas na êmea. O abdómen é longo e delgado, com oi o segmen os isí eis. As asas são comp idas e es ei as. A desc ição e classi icação dos culicídeos e e um o e inc emen o no início do século XX quando, em consequência da descobe a da impo ância daqueles insec os na ansmissão da Malá ia e de agen es de ou as doenças. Theobald publicou, em 1910 a sua "Monog a ia dos Culicídeos", na qual p opunha um sis ema de classi icação que in oduzia mui os nomes gené icos no os e nume osas no as espécies. Esse sis ema, con udo, po se pouco p á ico, não oi unanimemen e acei e pelos en omologis as e ge ou uma eacção no sen ido de um mui o mais modes o sis ema de classi icação, endo Edwa ds (1932) com os seus abalhos con ibuído mui o signi ica i amen e pa a a acei ação do concei o de amplos g upos gené icos. Assim, p opôs uma classi icação axonómica na qual os culicídeos ( amília CULICIDAE) es ão di ididos em ês sub amílias: DIXIDAE, CHAOBORIDAE e CULICINAE ou mosqui os p op iamen e di os. Es es úl imos, ainda o am di ididos em ês ibos: ANOPHELINI, TOXORHYNCHITINI e CULICINI e a úl ima des as, em cinco g upos denominados SABETHES, URANOTAENIA, THEOBALDIA, AEDES e CULEX. O sis ema de classi icação de Edwa ds, não obs an e as al e ações nele in oduzidas ao longo do úl imo século po S one (1957), po Belkin (1962) ou po Ma ingly (1969, 1971, 1981) oi um sis ema que se man e e no essencial, pois enquan o o núme o de espécies econhecidas mais que duplicou, e o núme o de subgéne os aumen ou ambém signi ica i amen e, o núme o de géne os acei es pouco se al e ou. 7 Ac ualmen e, segundo Ha bach (2007), a amília CULICIDAE de e á es a di idida em duas sub amílias: ANOPHELINAE (ano elíneos) e CULICINAE (culicíneos). Den o da sub amília CULICINAE, o au o econhece as ibos AEDEOMYIINI, AEDINI, CULICINI, CULISETINI, FICALBIINI, HODGESIINI, MANSONIINI, ORTHOPODOMYIINI, SABETHINI e URANOTAENIINI, enquan o que a sub amília ANOPHELINAE inclui os géne os ANOPHELES, BIRONELLA e CHAGASIA. Os CULICIDAE incluem 44 géne os, 145 subgéne os e 3.450 espécies (Tabela 2). Figu a 1 – Sis emá ica dos culicídeos. 8 Tabela 2 – Classi icação da amília Culicidae (sub amílias, ibos, géne os, núme o de subgéne os e espécies) (Ha bach, 2007) Sub amília T ibo Géne o Núme o de subgéne os Núme o de espécies Anophelinae Anopheles 7 455 Bi onella 3 8 Chagasia - 4 Culicinae Aedeomyiini Aedeomyia 2 6 Aedini Aedes 23 363 A mige es 2 58 Ayu aki ia - 2 Bo ichinda - 1 E e mapodi es - 48 Haemagogus 2 28 Heizmanni a 2 39 Ochle o a us 22 550 Opi ex - 1 Pso opho a 3 48 Udaya - 3 Ve allina 3 95 Zeugnomyia - 4 Culicini Culex 23 763 Deinoce i es - 18 Galindomyia - 1 Lu zia 3 7 Culise ini Culise a 7 37 Ficalbiini Ficalbia - 8 Mimomyia 3 44 Hodgesiini Hodgesia - 11 Mansoniini Coquille idia 3 57 Mansonia 2 23 O hopodomyiini O hopodomyia - 38 Sabe hini Isos omyia - 4 Johnbelkinia - 3 Kimia - 5 Lima us - 8 Malaya - 12 Mao igoeldia - 1 Oni ion 0 7 Runchomyi a 2 7 Sabe hes 5 38 Shannoniana 0 33 Topomyia 2 54 T ichop osopon - 13 T ip e oides 5 122 Wyeomyia 15 140 Toxo hynchi ini Toxo hynchi es 4 88 U ano aeniini U ano aenia 2 265 9 4. MORFOLOGIA Os o os dos culicídeos podem se cas anhos ou p e os, medem mais ou menos 1 mm (milíme o) ou menos de comp imen o e são, em mui os culicíneos, alongados ou de o ma ap oximadamen e o óide, enquan o os dos ano elíneos são usualmen e em o ma de ba co e ap esen am em ge al lu uado es (Se ice, 2000). Possuem um lado acha ado opos o a um lado con exo e são en ol idos po uma casca (có io), impe meá el, que é compos a de ês camadas: uma memb ana i elina ina (que en ol e o núcleo, o ci oplasma e o i elo), o endocó io (que é du o e g osso) e o exocó io ( ino e anspa en e e que cons i ui o in óluc o ex e no). O exocó io, ge almen e, ap esen a o namen ações que auxiliam na iden i icação da espécie. No có io exis e um o i ício no qual o espe ma ozóide pene a pa a ecunda o ó ulo (Consoli & Lou enço-de-Oli ei a, 1994). De aco do com Consoli & Lou enço-de-Oli ei a (1994), o co po da la a es á di idido em cabeça, ó ax e abdómen (Figu a 2). A cabeça e o ó ax são globosos, enquan o o abdómen é cilínd ico e encon a-se di idido em 9 segmen os (segmen os I-VIII e X, lobo anal). A cabeça é p o ida de um pa de an enas e um pa de olhos compos os. O apa elho bucal é do ipo mas igado - aspado . À en e da cabeça es ão p esen es as esco as o ais que quando em mo imen o azem pa a a boca da la a as pa ículas de alimen o. O ó ax ap esen a 3 segmen os: p o ó ax, meso ó ax e me a ó ax. No abdómen, o segmen o VIII possui um conjun o la e al de escamas chamado pen e. Ligado a es e segmen o exis e o si ão espi a ó io na ex emidade do qual se ab em os espi áculos. No si ão exis e de cada lado uma ilei a de espinhos chamada pec en. O segmen o X é ambém conhecido como lobo anal e é onde e mina o ubo diges i o da la a. Nes e segmen o, encon a-se um u o de sedas (esco a en al), a sela que pode se comple a ou incomple a e na sua ex emidade, em edo do ânus, encon am-se as papilas anais. 10 Figu a 2 – La a de culicídeo, sub amília Culicinae (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997). A pupa encon a-se di idida em ce alo ó ax (cabeça + ó ax) e abdómen e em o aspec o de uma í gula (Figu a 3). No ce alo ó ax si uam-se as ompe as espi a ó ias e os olhos compos os. O abdómen em oi o segmen os isí eis. Cada segmen o em inúme as sedas cu as e o úl imo segmen o e mina num pa de es u u as o ais e acha adas denominadas pás na a ó ias. Nes e úl imo segmen o encon a-se ainda o lobo geni al. Figu a 3 – Pupa (Ramos, Ribei o, No o & Eas on, 1997). 11 Os mosqui os adul os (Figu a 4) são insec os pequenos e delgados. Ge almen e medem de 3- 6 mm de comp imen o. No en an o, algumas espécies podem se ão pequenas quan o 2 mm, enquan o ou as podem se ão longas quan o 19 mm. O co po dos adul os encon a-se di idido em cabeça, ó ax e abdómen. A cabeça é globosa e possui um pa de olhos compos os, dicó icos e eni o mes. En e os olhos su ge um pa de an enas longas, que nas êmeas são pilosas e nos machos são plumosas. Abaixo das an enas exis e um pa de palpos, que podem se longos ou cu os, dila ados ou a iados nas ex emidades, dependendo do sexo e se são culicíneos ou ano elíneos. Os palpos maxila es são mais longos nos machos do que nas êmeas, excep o nos ano elíneos. En e os palpos apa ece o p obóscis alongado, ca ac e is icamen e p ojec ado pa a a en e, mas nalguns mosqui os, o p obóscis ap esen a-se acen uadamen e cu o na di ecção pos e io . O p obóscis das êmeas é do ipo picado -sugado e é do ado de seis es ile es: o lab o, um pa de mandíbulas, um pa de maxilas e a hipo a inge. No ó ax es ão as asas e as pa as. O ó ax es á cobe o, nas aces do sal e la e al, de escamas colo idas e é a disposição no ó ax dessas escamas de á ias co es que con e e às espécies pad ões dis in os, que as pe mi e di e encia . Na ace do sal do ó ax encon a-se o escu o e, a ás des e, o escu elo. Nalguns mosqui os o escu elo é ilobado e com escamas e sedas em cada um dos lobos, enquan o ou os possuem o escu elo a edondado. As asas são longas e es ei as e o núme o e disposição das suas ne u as é p a icamen e o mesmo pa a odas as espécies de mosqui os. As ne u as es ão cobe as de escamas cuja o ma e pad ão o mado di e e conside a elmen e en e os géne os e espécies de mosqui os. Exis e ambém uma anja de escamas ao longo da bo da pos e io das asas. As pa as dos mosqui os são longas e delgadas e es ão do adas de coxa, ocan e , ému , íbia e a so, sendo es e úl imo cons i uído po cinco a sóme os. Es ão cobe as de escamas de á ias co es, o ganizadas em pad ões, mui as ezes o mando anéis. Os a sos ge almen e e minam num pa de ga as que podem se den eadas ou simples. Alguns mosqui os possuem um pa de pequenos pul ilhos en e as ga as. O abdómen é compos o de dez segmen os, mas apenas os se e ou oi o p imei os são isí eis. Nos culicíneos, o abdómen es á 12 no malmen e cobe o do sal e en almen e de escamas colo idas, enquan o os ano elíneos possuem o abdómen quase ou o almen e sem escamas. O úl imo segmen o abdominal da êmea e mina com um pa de ce cas enquan o nos machos exis e um pa de a ículos, um basal e ou o dis al, o gonocoxi o e o gonos ilo, espec i amen e. Figu a 4 – Esquema de um culicídeo adul o (G ácio, 2008). 19 Seguidamen e se ão abo dadas algumas das p incipais en e midades cujos agen es pa ogénicos são ansmi idos po culicídeos e cuja impo ância é econhecida pela O ganização Mundial de Saúde (OMS). O Dengue cons i ui um p oblema c escen e pa a a Saúde Pública nas á eas opicais do mundo. O í us causado des a in ecção é um a bo í us pe encen e ao géne o Fla i i us, da amília Fla i i idae, que ap esen a qua o se o ipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. É ansmi ido po mosqui os do géne o Aedes spp., p incipalmen e os das espécies Aedes aegyp i e Aedes albopic us. A in ecção mani es a-se sob duas o mas clínicas: o Dengue Clássico, de baixa mo alidade e o Dengue Hemo ágico, com ele ado isco de mo e (Na al e al., 2001). De aco do com a OMS (2009), e i icou-se um aumen o na incidência do Dengue nas úl imas décadas. Ce ca de 2,5 bilhões de indi íduos es ão p esen emen e em isco de con ai es a in ecção e es ima-se que pode ão exis i 50 milhões de in ecções em odo o mundo, po ano. Em 2007, o am no i icados mais de 890.000 casos de Dengue nas Amé icas, dos quais 26.000 o am de Dengue Hemo ágico. A doença é ago a endémica em mais de 100 países de Á ica, das Amé icas, do Medi e âneo O ien al, do Sudes e Asiá ico e do Pací ico Ociden al, sendo o Sudes e Asiá ico e o Pací ico Oes e as á eas mais a ec adas. O núme o de casos es á a aumen a à medida que a doença se p opaga pa a no as á eas e es ão a oco e su os, como o e i icado em 2007, na Venezuela, em que o am assinalados mais de 80.000 casos, incluindo mais de 6.000 de Dengue Hemo ágico. Ac ualmen e, segundo o Eu opean Cen e o Disease P e en ion and Con ol (ECDC), desde Ou ub o de 2009 que Cabo Ve de en en a um su o de Dengue, sendo a p imei a ez que es a en e midade é assinalada naquele a quipélago e que es á possi elmen e elacionado com a o e p ecipi ação e i icada ecen emen e. 20 Na Figu a 8 ap esen a-se a dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o ec o (Aedes aegyp i) em 2008. As zonas a ama elo são aquelas in es adas pelo Aedes aegyp i ou ou os mosqui os ec o es do Dengue e que o e ecem isco de epidemia. Nas zonas a e melho es ão os países com ac i idade ecen e de Dengue, onde p esen emen e se encon a Cabo Ve de (CDC, 2008). Figu a 8 – Dis ibuição mundial do í us do Dengue e do seu mosqui o ec o , Aedes aegyp i, em 2008. Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/dengue/map-dis ibu ion-2008.h m A eb e de Chikungunya é o iginada pelo í us de Chikungunya (CHIKV) do géne o Alpha i us, da amília Toga i idae, que oi isolado na Tanzânia em 1952. Es e í us é ansmi ido ao Homem a a és da picada de mosqui os in ec ados, sendo que os mosqui os en ol idos são p incipalmen e o Aedes aegyp i e o Aedes albopic us, duas espécies que ambém podem ansmi i ou os a bo í us. P o oca eb e, do es nas a iculações e po ezes do es muscula es, do de cabeça, náuseas, adiga e p u ido (OMS, 2008). É uma in ecção que oco e na Á ica, na Ásia e no Subcon inen e Indiano. Em Á ica, as in ecções ap esen a am ní eis ela i amen e baixos du an e anos, mas de 1999-2000, hou e um g ande su o na República Democ á ica do Congo e em 2007 hou e ou o no Gabão (Le oy e al., 2009). Em Fe e ei o de 2005, um g ande su o de Chikungunya oco eu numas ilhas do Oceano Índico (Ilha de Reunião) (Josse an e al., 2006) e o am assinalados, na Eu opa, um g ande núme o 21 de casos associados a esse oco, em 2006. Na Índia, hou e um g ande su o de Chikungunya em 2006-2007 (Kau e al., 2008) e o am a ec ados á ios países do Sudes e da Ásia. Na Figu a 9 pode-se obse a que a dis ibuição do í us Chikungunya no mundo incide p incipalmen e em Á ica e na Ásia, com excepção da I ália (CDC, 2008). Figu a 9 – Dis ibuição ap oximada do í us de Chikungunya, po país, em 2008. Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/Chikungunya/CH_GlobalMap.h ml A Feb e Ama ela é uma a bo i ose p o ocada po um í us do géne o Fla i i us, amília Fla i i idae. É uma doença in ecciosa aguda, cuja g a idade a ia desde a doença g a e, a al a cu o p azo, a é à doença benigna po ezes assin omá ica (Pin o, 1951). Pode se encon ada em países da Á ica, da Amé ica Cen al e do Sul e nunca oi de ec ada na Ásia. Ap esen a-se de duas o mas: a Feb e Ama ela U bana cujo í us é ansmi ido di ec amen e de pessoa a pessoa pela picada de mosqui os do géne o Aedes in ec ados e a Feb e Ama ela Sil es e que possui um ciclo macaco-mosqui o-homem e é di undida po á ias espécies de mosqui os do géne o Haemagogus 22 (Funasa, 2001). Encon a-se disponí el uma acina al amen e e icaz, que p opo ciona imunidade a 95% das pessoas acinadas e que de e se ecomendada aos iajan es pa a á eas endémicas1. De en e odas as in ecções eiculadas po mosqui os, a eb e de Wes Nile é a mais di undida na Eu opa e na Amé ica do No e, em e mos de indi íduos in ec ados e alcance geog á ico. É causada po um í us da amília Fla i i idae, géne o Fla i i us, iden i icado em 1937 na p o íncia de Wes Nile, no Uganda e di undida po mosqui os in ec ados do géne o Culex. O seu ciclo de ansmissão en ol e a es, mosqui os (em especial os do complexo Culex pipiens), humanos e equinos, sendo es es dois úl imos os hospedei os aciden ais. A maio ia das in ecções são assin omá icas, 20% das quais esul am numa doença eb il le e, enquan o menos de 1% ap esen a uma doença neu ológica g a e, das quais 10% esul am em mo e. Fo am ela ados su os em humanos e em ca alos na Á ica, no Médio O ien e, na Eu opa, na Aus ália, na Ásia, e desde 1999, nas Amé icas. Nos Es ados Unidos o am diagnos icados, nos úl imos 10 anos, mais de 11.000 casos de doença neu ológica que incluí am mais de 1.092 mo es. No Canadá êm sido desc i os su os em humanos. A doença es á p esen e nas Ca aíbas e na Amé ica Cen al e do Sul, sem g ande impac o no Homem. Na Eu opa, o am ela ados alguns casos espo ádicos nos úl imos anos em Po ugal, Espanha, F ança, I ália, República Checa, Roménia e Hung ia (ECDC, 2009). Os Culex spp. ambém são apon ados como ec o es de ou os í us, causado es de ence ali es, ais como a Ence ali e de S . Louis, a Ence ali e Equina do Les e e a Ence ali e Equina do Oes e. Os í us Lednice, Sindbis/Ockelbo e Usu u ambém são ansmi idos po es e géne o de mosqui os, assim como os pa asi as causado es da Di o ila iose. O í us Ockelbo, que oi isolado pela p imei a ez na década de 1970 na Suécia, es á elacionado com o í us Sindbis e o igina, no humano, uma in ecção ca ac e izada po a algias e 1 h p://ecdc.eu opa.eu/en/heal h opics/Pages/Yellow_Fe e .aspx 23 e upções cu âneas (Lunds öm, 1999). Incluído no géne o Fla i i us, o í us Usu u oi de ec ado na Áus ia em 2002, onde oi o esponsá el pela mo alidade em massa de a es, p incipalmen e mel os (Weissenböck, 2002). O po encial pa ogénico des e í us pa a o Homem é ainda desconhecido (Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008). Figu a 10 – Dis ibuição geog á ica do se ocomplexo da Ence ali e Japonesa da amília Fla i idae em 2000, onde se inclui o í us de Wes Nile. Fon e: h p://www.cdc.go /ncidod/d bid/wes nile/map.h m A Di o ila iose é uma zoonose causada pelo nemá ode Di o ila ia spp., mais conhecido como e me do co ação dos cães, e é ansmi ida pelos mosqui os ec o es (Aedes spp., Anopheles spp. e Culex spp.). As Di o ila ia spp. são pa asi as dos cães, dos ga os e e en ualmen e podem pa asi a o Homem (Sil a & Langoni, 2009). No Sul da Eu opa, es as in ecções êm indo a aumen a em países como a F ança, a Espanha, a G écia e, p incipalmen e a I ália. Nes e úl imo país, de 1864-1995 o am no i icados 181 casos de in ecção humana e de 1995-2000 egis ou-se um ac éscimo de mais 117 (Pampiglione & Ri asi, 2007). Não se e i ica am mo es, algumas das in ecções o am assin omá icas e nas que ap esen a am sin omas es es consis i am de nódulos cu âneos e pulmona es e lesões pa enquima osas (Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008). 24 Du an e o século XX a Malá ia oi e adicada de mui as zonas empe adas, incluindo a Eu opa e ac ualmen e encon a-se limi ada aos países opicais. Con udo com as al e ações climá icas e i icadas, o po encial essu gimen o da Malá ia nos países onde já se encon a a e adicada é uma p eocupação c escen e, pois os mosqui os ec o es pe manecem nessas á eas, inclusi e na Eu opa2. Es a doença é causada po um pa asi a denominado Plasmodium, que é ansmi ido a a és da picada de mosqui os Anopheles spp. in ec ados. O Anopheles sacha o i, o An. a opa us, o An plumbeus e o An. lab anchiae são os p incipais ec o es da Malá ia na Eu opa, enquan o que as espécies An. eebo ni, An. pseudopunc ipennis e An. quad imacula os são conside adas as p incipais ec o as da Malá ia nos Es ados Unidos. Os p imei os sin omas apa ecem ge almen e 10-15 dias depois do con ágio e consis em de eb e, do es de cabeça, cala ios e ómi os. Se não o a ada de imedia o com medicamen os e icazes, a Malá ia pode causa doenças g a es e mui as ezes é a al. Segundo a OMS, uma c iança mo e de Malá ia a cada 30 segundos e em 2006 hou e 247 milhões de casos de Malá ia que causa am quase um milhão de mo es, p incipalmen e en e c ianças a icanas3. Os ano elíneos ambém es ão elacionados com ou as in ecções, como o Anopheles maculipennis s. l., que é o ec o do pa asi a da Di o ila iose. 2 h p://ecdc.eu opa.eu/en/heal h opics/Pages/Mala ia.aspx 3 h p://www.who.in /mediacen e/ ac shee s/ s094/en/index.h ml 25 Na Tabela 3 são ap esen ados os p incipais agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os na Eu opa e Amé ica do No e. Tabela 3 – Agen es pa ogénicos ansmi idos po mosqui os na Eu opa e Amé ica do No e (Bonne oy, Kampen & Sweeney, 2008). In ecção Pa ogénico Mani es ações clínicas Países Vec o es impo an es Ví us Inkoo Bunya í us (Bunya i idae) Ví us Inkoo Sem sinais isí eis No e da Eu opa Ae. communis , Ae. punc o Ví us Lednice Bunya í us (Bunya i idae) Ví us Lednice Sem sinais isí eis Eu opa Cen al Cx. modes us Ví us Ba ai (Calo o) Bunya í us (Bunya i idae) Ví us Ba ai (Calo o) Sem sinais isí eis Eu opa do No e e Cen al An. m aculipennis sensu la o Ví us Tahyna Bunya í us (Bunya i idae) Ví us Tahyna Po ezes doença eb il ligei a; a amen e meningi e Alemanha e Eu opa O ien al Ae. exans, Ae. caspius , Ae. do salis Ví us Sindbis Alpha í us (Toga i idae) Ví us Sindbis Do de cabeça se e a, do muscula , sin omas semelhan es aos do dengue Bacia do Medi e âneo Culex spp. , Aedes spp. Ví us Ockelbo Alpha í us (Toga i idae) Ví us Ockelbo Doença eb il, com e upções e poli- a algias Finlândia, No uega, Rússia e Suécia C x . p ipiens , C x . o en ium , Ae. cine eus Ví us Wes Nile Fla i i us (Fla i i idae) Ví us Wes Nile Sínd ome g ipal, le e, po ezes meningi e Eu opa e Amé ica do No e Cx . p ipiens , Cx. m odes us , Cx. quinque ascia us, Cx. es uans, Cx. a salis Ence ali e de S . Louis Fla i i us (Fla i i idae) Ví us da Ence ali e de S . Louis No malmen e doença eb il ligei a; a amen e meningi e Es ados Unidos da Amé ica C x. p ipiens , Cx. n ig ipalpus , Cx. a salis Ence ali e Equina do Les e Alpha í us (Toga i idae) Ví us da Ence ali e Equina do Les e Sínd ome g ipal ge almen e le e; po ezes ence ali e, coma, mo e Les e dos Es ados Unidos da Amé ica Ae. exans , Ae. canadensis , Ae. sollici ans,Cx. salina ius, Culise a melanu a, Coquille idia pe u bans Ence ali e Equina do Oes e Alpha í us (Toga i idae) Ví us da Ence ali e Equina do Oes e Sínd ome g ipal ge almen e le e; po ezes ence ali e, coma, mo e Ociden e e cen o dos Es ados Unidos da Amé ica C x . a salis , Ae. melanconion Ence ali e de La C osse Bunya i us (Bunya i idae) Ví us da Ence ali e de La C osse Doença eb il no malmen e ligei a; a amen e con ulsões, coma Cen o-Oes e No e e Meio- A lân ico dos Es ados Unidos da Amé ica Ae. ise ia us Malá ia Plasmodium o ale P. mala iae P. alcipa um A aques de eb e, cala ios; in ecção P. alcipa um, mui as ezes, insu iciência enal, coma, mo e Eu opa do Sul, sul da Amé ica do No e An. sacha o i An. a opa us An. lab anchiae An. eebo ni An. pseudopunc ipennis An. quad imacula us Fila iose Di o ila ia immi is D. epens D. enuis Cães: ila iose ca dio ascula ; humanos: lesões pulmona es ou subcu âneas Países eu opeus do Medi e âneo, Es ados Unidos da Amé ica Ae. caspius , Ae. de i us , Ae. exans, Cx. pipiens, An. maculipennis s.l., Mansonia spp. 26 7. MATERIAIS E MÉTODOS 7.1 - CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO O A quipélago da Madei a localiza-se no A lân ico No e, en e a la i ude de 30º 01’ No e e 33º 08’ No e e a longi ude de 15º 41’ Oes e e 17º 16’ Oes e. Comp eende as Ilhas da Madei a e do Po o San o e dois g upos de ilhas, as Dese as e as Sel agens, sem população pe manen e e ocupa uma á ea o al de 802 km2 (quilóme os quad ados) (Figu a 11). Figu a 11 – Ilhas da Madei a e Po o San o. A ilha da Madei a em 742 km2 de supe ície e possui um ele o mui o acen uado. A al i ude média é de 646 m (me os) e o pon o mais al o a inge os 1.861 m no Pico Rui o. A empe a u a média anual do a a ia en e os 9-19°C, e os alo es mais al os e i icam-se na e en e Sul. A p ecipi ação anual média é de 1.628 mm. Os alo es da p ecipi ação anual média a iam en e ce ca 27 de 600 mm na cos a Sul, 1.000 mm na cos a No e e 2.850-3.000 mm nas zonas de maio es al i udes si uadas na zona cen al. A a iação sazonal da p ecipi ação é mui o acen uada, com os alo es máximos no mês de No emb o e os mínimos no mês de Julho. O clima é, quan o à empe a u a, io nas á eas ele adas e empe ado e oceânico; quan o à humidade do a : seco, na zona do Funchal e Luga de Baixo, nas es an es zonas é húmido; quan o à p ecipi ação: mode adamen e chu oso na maio pa e da á ea da e en e Sul p óxima do ma e excessi amen e chu oso nas á eas mais ele adas. A Ilha de Po o San o localiza-se a ce ca de 28 milhas a No des e da Ilha da Madei a e possui uma á ea de 43 km2. O ele o é mui o mais sua e e a al i ude média é de 86 m. O pon o mais al o encon a-se a 517 m de al i ude (Pico do Facho). A empe a u a média diá ia onda os 18°C. A p ecipi ação anual média é de 355 mm. Os alo es máximos de p ecipi ação oco em em No emb o e Janei o (ce ca de 58 mm) e os alo es mínimos em Julho (ce ca de 2 mm). O clima é empe ado, oceânico, húmido e semi-á ido. Os locais onde o am ins aladas as a madilhas pa a a o iposição e a p ospecção dos c iadou os o am e ec uados nos 52 cemi é ios municipais exis en es em ambas as ilhas (Figu a 12), cujas coo denadas e espec i a al i ude se pode obse a na Tabela 4 ( e 7.3). Na escolha dos cemi é ios oi ida em conside ação o ac o de os mesmos se em u ilizados como á eas de es udo pa a di e en es g upos biológicos ais como plan as, a es, mamí e os, ungos, bac é ias, an íbios e ou os insec os pa a além dos mosqui os e que, na úl ima década o am publicados mais de 30 pesquisas en ol endo mosqui os nos cemi é ios (Vezzani, 2007). De aco do com o mesmo au o , a exis ência de subs âncias açuca adas ( lo es das ja as e ou a ege ação), on es pe manen es de sangue humano ( isi an es e abalhado es), ab igo e 28 ecipien es com água são ca ac e ís icas que o nam os cemi é ios em habi a s a o á eis aos mosqui os e ideais pa a in es iga a sua oco ência e ecologia. Figu a 12 – Localização das a madilhas de o iposição. Em elação às á eas ocupadas pelos di e en es cemi é ios, o maio , o cemi é io S. Ma inho, localizado no Funchal em ce ca de 32.339,74 m2 (me os quad ados), enquan o que o mais pequeno, com uma á ea de 390,9 m2, é o cemi é io do Ja dim do Ma e si ua-se no concelho da Calhe a (Tabela 4 em 7.3). 7.2 - ARMADILHAS DE OVIPOSIÇÃO As a madilhas de o iposição cons i uem uma o ma sensí el e económica pa a de ec a a p esença de mosqui os. Fo am ins aladas 52 a madilhas de o iposição nos cemi é ios das ilhas da Madei a e de Po o San o, uma po cada cemi é io. A a madilha u ilizada, baseada na concebida po 35 7.4 - PARÂMETROS FÍSICO-QUÍMICOS Também a água de cada c iadou o onde o am encon ados os ima u os oi sujei a a alguns es es pa a de e minação do pH, salinidade e oxigénio dissol ido: na medição do pH o am u ilizadas i as de papel indicado da Me ck; pa a a salinidade u ilizou-se um medido po á il da ma ca Eu ech Ins umen s, modelo Sal Tes 11, com uma gama de medição de 0,0-10,0 g/L ou pp ; o oxigénio dissol ido oi e i icado com um medido po á il modelo EcoScan DO6 da ma ca Eu ech Ins umen s, com uma gama de medição de oxigénio de 0,0-20,0 mg/L ou ppm. 7.5 - TRATAMENTO DOS DADOS Pa a o egis o das in o mações ob idas com as a madilhas de o iposição e p ospecção dos c iadou os oi elabo ada uma base de dados no p og ama Mic oso Excel. A análise es a ís ica oi e ec uada com a u ilização do p og ama SPSS 17.0 o Windows e os mapas o am execu ados com o p og ama A cGis 9.0. Fo am aplicados os es es es a ís icos de Qui-Quad ado pa a analisa a independência de duas a iá eis; o es e de S uden , es e pa amé ico, pa a amos as que seguem uma dis ibuição no mal; e o es e não pa amé ico de Mann-Whi ney. Em odos os es es es a ís icos e ec uados ap esen a-se o alo calculado da es a ís ica de es e e o espec i o alo de “p”. Os alo es de “p” iguais ou in e io es a 0,05 conduzem à ejeição da hipó ese nula e consequen e acei ação da hipó ese al e na i a com uma con iança de     %1001  p. 36 8. RESULTADOS 8.1 - ARMADILHAS DE OVIPOSIÇÃO De Janei o a Agos o de 2009 o am examinadas 415 a madilhas de o iposição nos cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o, das quais 148 (35,7%) o am posi i as pa a o mas ima u as de culicídeos, independen emen e da espécie, e as es an es 267 (64,3%) o am nega i as. Ve i icou-se a p edominância da espécie Aedes (Finlaya) ea oni (Edwa ds, 1916) em elação às ou as espécies. Na Figu a 18 é possí el obse a , a e de as a madilhas que se o na am posi i as ao longo do empo pa a o os e/ou ima u os des e culicídeo. Figu a 18 – Mapa com as a madilhas de o iposição posi i as pa a Aedes ea oni. 37 Fo am ealizadas 124 obse ações de Ae. ea oni, isolado ou associado com ou as espécies, enquan o que a segunda espécie mais equen e nas a madilhas oi Culise a (Allo heobaldia) longia eola a (Macqua , 1838), seguida de Culex (Culex) pipiens (Linnaeus, 1758) e Culex (Culex) heile i (Theobald, 1903) apenas oi encon ado numa a madilha. A dis ibuição dos mosqui os a iou com a al i ude. As a madilhas de o iposição o am colocadas a di e en es al i udes, en e os 0-800 m. Toda ia oi no in e alo dos 200-300 m que o am encon ados um maio núme o de a madilhas posi i as (Tabela 5, Figu a 19). Tabela 5 – F equências absolu a e ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de al i ude. Al i udes (m) A madilhas posi i as F equência a bsolu a F equência ela i a 0 - 100 30 20, 27 % 100 - 200 9 6, 08 % 200 - 300 40 27, 03 % 300 - 400 18 12 , 16 % 400 - 500 25 16, 89 % 500 - 600 6 4, 45 % 600 - 700 12 8, 11 % 700 - 800 8 5,4 1 % To al 148 100,00% Figu a 19 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po g upos de al i ude. 38 Rela i amen e às espécies encon adas, Aedes ea oni oi obse ado en e os 0-800 m, e i icando-se o maio núme o de obse ações des a espécie en e os 200-300 m (35 obse ações), seguido dos 400-500 m (22 obse ações) e dos 0-100 m (21 obse ações). Culise a longia eola a (7 obse ações) e Culex pipiens (8 obse ações) o am obse ados em maio núme o dos 0-100 m (Tabela 6, Figu a 20). Tabela 6 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de al i ude. Al i ude (m) Aedes ea oni Culise a longia eola a Culex pipiens Culex heile i 0 - 100 21 7 8 0 100 - 200 5 0 4 0 200 - 300 35 5 2 1 300 - 400 15 3 1 0 400 - 500 22 2 3 0 500 - 600 6 1 0 0 600 - 700 12 1 0 0 700 - 800 8 0 0 0 To al 124 19 18 1 Figu a 20 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de al i ude. A empe a u a do a a iou ao longo do pe íodo de es udo, si uando-se en e os 10ºC (mínima) e os 32ºC (máxima). O núme o de a madilhas posi i as pa a o mas ima u as de culicídeos aumen ou en e os 10-26ºC, a ingiu o máximo no in e alo de 22-26ºC (33,11%) e dec esceu de 26-32ºC (Tabela 7, Figu a 21). 39 Tabela 7 – F equência e núme o de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do a . Tempe a u a do a (ºC) A madilhas p osi i as F equência absolu a F equência ela i a 10 - 14 10 6,76% 14 - 18 3 0 20,27% 18 - 22 41 27,70% 22 - 26 49 33,11% 26 - 30 16 10,81% 30 - 32 2 1,35% To al 148 100,00% Figu a 21 – F equência ela i a de a madilhas de o iposição posi i as po classes de empe a u a do a . Aedes ea oni (37 obse ações), Culise a longia eola a (12 obse ações) e Culex pipiens (9 obse ações) o am obse ados mais ezes no in e alo de empe a u a do a de 22-26ºC e a única obse ação de Culex heile i oi e ec uada en e os 18-22ºC (Tabela 8, Figu a 22). Tabela 8 – Núme o de obse ações das á ias espécies po classe de empe a u a do a . Tempe a u a do a (ºC) Aedes ea oni Culise a longia eola a Culex pipiens Culex heile i 10 - 14 10 0 1 0 14 - 18 28 2 1 0 18 - 22 34 4 4 1 22 - 26 37 12 9 0 26 - 30 14 1 2 0 30 - 32 1 0 1 0 To al 124 19 18 1 40 Figu a 22 – Núme o de obse ações das espécies de culicídeos po classes de empe a u a do a . 8.2 - PROSPECÇÃO DOS CRIADOUROS Du an e o pe íodo de es udo, Janei o a Agos o de 2009, o am p ospec ados um o al de 813 ecipien es de cemi é io, nos 52 cemi é ios das ilhas da Madei a e do Po o San o. Desses 813 ecipien es, 700 (86,1%) con inham água sendo po isso po enciais c iadou os de culicídeos e os es an es 113 (13,9%) encon a am-se secos. Dos 700 po enciais c iadou os encon ados na á ea de es udo, 45 (6,4%) e am c iadou os la a es, pois con inham o mas ima u as de culicídeos, enquan o que nos es an es 655 (93,6%) não o am encon adas o mas ima u as de culicídeos. As espécies encon adas nos c iadou os la a es a ás mencionados o am as seguin es: Aedes (Finlaya) ea oni (Edwa ds, 1916), Culise a (Allo heobaldia) longia eola a (Macqua , 1838), Culex (Culex) pipiens (Linnaeus, 1758) e Culex (Culex) heile i (Theobald, 1903). Todas es as espécies já ha iam sido an e io men e egis adas nas ilhas da Madei a e do Po o San o. 41 Os ecipien es po enciais c iadou os de culicídeos o am classi icados quan o ao ma e ial cons i uin e. Ve i icou-se que dos 700 ecipien es examinados, 304 (43,4%) e am de ce âmica, 147 (21,0%) de plás ico, 139 (19,9%) de ped a, 98 (14,0%) de id o e os ecipien es de me al o am os menos abundan es, apenas 12 (1,7%). Nos 45 ecipien es em que oi de ec ada a p esença de culicídeos, 26 (57,8%) e am de ce âmica, 9 (20,0%) de ped a, 7 (15,6%) de plás ico, 2 (4,4%) de me al e apenas 1 (2,2%) de id o. No en an o, quando calculado o quocien e en e o núme o de c iadou os la a es e o núme o de po enciais c iadou os p ospec ados, apu ou-se que os ecipien es de me al o am os que ob i e am uma p obabilidade mais ele ada (16,67%), como se pode obse a pela análise da Tabela 9. O es e de Qui-Quad ado pe mi iu conclui que exis em di e enças es a is icamen e signi ica i as en e os á ios ipos de ma e ial cons i uin e dos c iadou os e a exis ência de o mas ima u as de culicídeos (2=156,9; p=0,00<0,05). Tabela 9 – C iadou os la a es quan o ao ma e ial cons i uin e. Ma e ial cons i uin e do c iadou o N.º C iadou os po enciais N.º C iadou os la a es % C iadou os la a es N.º C iadou os la a es / N.º C iadou os po enciais Ce âmi ca 304 26 57,8% 8,55% Ped a 139 9 20,0% 6,47% Plás ico 147 7 15,6% 4,76% Me al 12 2 4,4% 16,67% Vid o 98 1 2,2% 1,02% As espécies de culicídeos encon adas ambém mos a am p e e ências quan o ao ma e ial cons i uin e do c iadou o. Pela obse ação da Tabela 10, e i ica-se que os ecipien es de ce âmica albe gam maio núme o de Aedes ea oni, Culise a longia eola a e Culex pipiens. Ao u iliza o es e de Qui-Quad ado pa a e se exis e uma elação en e as duas a iá eis, ma e ial cons i uin e do c iadou o e espécie, e i icou-se que Aedes ea oni (2=191,09; 42 p=0,00<0,05) e Culex pipiens (2=12,04; p=0,034<0,05) es ão elacionados com o ipo de ma e ial amos ado e Culise a longia eola a (2=8,96; p=0,11) e Culex heile i (2=10,29; p=0,067) não es ão. Tabela 10 – Dis ibuição das espécies po ma e ial cons i uin e do c iadou o. Ma e ial cons i uin e do c iadou o Aedes ea oni Culise a longia eola a Culex pipiens Culex heile i Ce âmica 6 15 10 4 Ped a 2 2 3 4 Plás ico 3 4 0 0 Me al 1 0 1 0 Vid o 0 0 0 1 No que diz espei o à capacidade, 38,4% (269/700) dos ecipien es p ospec ados inham capacidade pa a 2,0 L de água, 29,3% (205/700) inham pa a 1,5 L, 22,7% (159/700) pa a 1,0 L e 9,6% (67/700) pa a 0,5 L. Quan o aos c iadou os la a es, 21 (46,7%) inham 2,0 L de capacidade, 7 (15,6%) inham capacidade pa a 1,5 L, 8 (17,8%) pa a 1,0 L e 9 (20,0%) inham capacidade pa a 0,5 L. O cálculo da p obabilidade de exis i um c iadou o la a no conjun o dos po enciais c iadou os p ospec ados, e elou que as o mas ima u as de culicídeos encon a am-se em núme o mais ele ado nos ecipien es de 0,5 L, ap esen ado uma p obabilidade de 13,43% como se pode obse a na Tabela 11. Tabela 11 – C iadou os la a es quan o à capacidade. Capacidade do c iadou o (L) N.º C iadou os po enciais N.º C iadou os la a es % C iadou os la a es N.º C iadou os la a es / N.º C iadou os po enciais 0,5 67 9 20,0% 13,43% 1,0 159 8 17,8% 5,03% 1,5 205 7 15,6% 3,41% 2,0 269 21 46,7% 7,81% 43 Pa a apu a se exis e uma associação en e a capacidade do c iadou o e a exis ência de ima u os de culicídeos, emp egou-se o es e de Qui-Quad ado e es e pe mi iu conclui que exis em di e enças signi ica i as (2=9,925; p=0,019<0,05). As espécies de culicídeos encon adas ambém mos a am p e e ências quan o à capacidade de água do c iadou o. Na Tabela 12 apa ece o núme o de c iadou os la a es de de e minada capacidade onde o am encon adas as á ias espécies. Tabela 12 – Dis ibuição das espécies po capacidade do c iadou o. Capacidad e do c iadou o (L) Aedes ea oni Culise a longia eola a Culex pipiens Culex heile i 0,5 1 6 3 1 1,0 2 6 0 0 1,5 3 3 0 2 2,0 6 6 11 6 Com a aplicação do es e de Qui-Quad ado pa a in es iga se exis e uma elação de associação en e as a iá eis capacidade do ecipien e e a espécie e i ica-se que Culise a longia eola a (2=10,70; p=0,01<0,05) e Culex pipiens (2=15,52; p=0,00<0,05) es ão elacionados com a capacidade do ecipien e e Aedes ea oni (2=0,718; p=0,87) e Culex heile i (2=4,14; p=0,25) não es ão. Ou o ac o a e em conside ação é a exposição sola dos po enciais c iadou os. A e iguou-se que 394/700 (56,3%) es a am o almen e expos os à luz sola , 284/700 (40,6%) ap esen a am uma exposição sola anca e apenas 22/700 (3,1%) se encon a am à somb a. Os c iadou os la a es encon ados o almen e expos os ao Sol ep esen a am 51,1% do o al de po enciais c iadou os, os ancamen e expos os ep esen a am 46,7% e po úl imo, os que não se encon a am expos os ca ac e iza am 2,2% dos po enciais c iadou os. Como é possí el obse a na 44 Tabela 13, exis e uma maio p obabilidade de se descob i o mas ima u as de culicídeos nos c iadou os ancamen e expos os ao Sol (7,39%). O es e de Qui-Quad ado, pa a a e igua se exis e uma associação en e a exposição sola do c iadou o e a exis ência de ima u os de culicídeos, concluiu que não exis em di e enças signi ica i as (2=0,799; p=0,671). Apesa da p obabilidade de se em encon ados ima u os de culicídeos em c iadou os com exposição sola anca ap esen a um alo de 7,39%, o ac o é que es e alo não é es a is icamen e signi ica i o quando compa ado com os alo es da p obabilidade de se em encon adas o mas ima u as de culicídeos em c iadou os com exposição sola o al (5,84%) e em c iadou os somb eados (4,55%). Tabela 13 – C iadou os la a es quan o à exposição sola . Exposição sola do c iadou o N.º C iadou os po enciais N.º c iadou os la a es % C iadou os la a es N.º C iadou os la a es / N.º C iadou os po enciais To al 394 23 51,10% 5,84% F anca 284 21 46,70% 7,39% Sem 22 1 2,20% 4,55% Rela i amen e à p e e ência das di e sas espécies encon adas, e i icou-se que Aedes ea oni e Culise a longia eola a encon a am-se em maio núme o nos c iadou os com exposição sola anca enquan o que Culex pipiens e Culex heile i o am localizados nos c iadou os o almen e expos os ao Sol (Tabela 14). Tabela 14 – Dis ibuição das espécies po exposição sola do c iadou o. Exposição sola do c iadou o Aedes ea oni Culise a longia eola a Culex pipiens Culex heile i F anca 7 13 4 1 Sem 0 0 1 1 To al 5 8 9 7 51 No que espei a à p ospecção dos ecipien es a i iciais dos cemi é ios, em 700 ecipien es com água examinados, apenas o am encon adas o mas ima u as em 45 deles, ou seja em 6,4% do o al de ecipien es com água. Na bibliog a ia consul ada, os cemi é ios são e e idos como habi a s a o á eis aos mosqui os e ideais pa a a sua in es igação. Con udo no p esen e caso, o núme o de o mas ima u as encon adas não sus en a essa a i mação. Os ecipien es de ce âmica o am os mais abundan es nos cemi é ios e cons i uí am 43,4% dos po enciais c iadou os examinados. En e an o, e i icou-se que os ecipien es me álicos o am os p e e idos pelos culicídeos, com um quocien e en e o núme o de c iadou os la a es e o núme o de po enciais c iadou os p ospec ados de 16,67%. Vá ios au o es es uda am a oco ência de mosqui os em ecipien es de di e en es ma e iais com di e sos esul ados. Po exemplo, num es udo e ec uado nos cemi é ios da cidade de Buenos Ai es, Vezzani (2002) cons a ou que os ecipien es de me al o am os menos equen emen e in es ados e que al ac o p o a elmen e de eu-se ao e ei o le al do aquecimen o da água pa a as o mas ima u as dos culicídeos. Pa a Abe e al. (2005), no es udo e ec uado num cemi é io da Venezuela, os ima u os o am encon ados em maio núme o em ecipien es de cimen o. O ac o de es udos dis in os demons a em p e e ência po ipos de ecipien es di e en es pode á es a elacionado com as condições ambien ais de cada á ea de es udo. Os ecipien es de capacidade igual ou supe io a 2,0 L ep esen a am 38,4% dos po enciais c iadou os p ospec ados e os menos p ospec ados o am os ecipien es com capacidade igual ou in e io a 0,5 L (9,6%). Apesa disso, a p obabilidade de encon a o mas ima u as de culicídeos em ecipien es de 0,5 L oi supe io (13,43%). Es e esul ado não oi comp o ado pela bibliog a ia consul ada. Vezzani (2007) e Abe e al. (2005) es uda am Aedes aegyp i e ela a am que a p odu i idade des a espécie oi maio em ecipien es de 1,0-5,0 L do que em aqueles com capacidade a é 1,0 L. 52 A p obabilidade de descob i o mas ima u as de culicídeos nos c iadou os ancamen e expos os ao Sol oi de 7,39%. Con udo es e alo não oi conside ado es a is icamen e signi ica i o quando compa ado com os alo es das p obabilidades de encon a culicídeos em c iadou os o almen e expos os ao Sol e nos somb eados. Ve i icou-se ambém não exis i uma associação en e a exposição sola e as á ias espécies. Vezzani (2007) ela ou a p esença de o mas ima u as de Aedes aegyp i em locais menos expos os à luz sola e que, po exemplo, a espécie Culex co nige p e e e c iadou os expos os ao Sol. Mais uma ez es a p e e ência a ia en e as espécies. A qualidade da água do c iadou o in luencia a p esença de o mas ima u as de culicídeos. No p esen e es udo concluiu-se que a empe a u a do a e o oxigénio dissol ido, impo an e no desen ol imen o emb ioná io, não êm in luência signi ica i a na p esença de ima u os. Quan o à salinidade, sabe-se que pode a ec a a du ação do es ádio la a e a axa de c escimen o. Na na u eza, exis em em maio núme o c iadou os com concen ações salinas mui o baixas e são a as as espécies a c ia em-se em ele adas concen ações de salinidade. No en an o, as la as ap esen am capacidade de adap ação às di e sas concen ações. No p esen e es udo concluiu- se que a salinidade in luencia a exis ência das o mas ima u as de culicídeos e como a ole ância à salinidade a ia con o me a espécie, a a és dos dados ob idos concluiu-se que in luencia a a o a elmen e as espécies Culise a longia eola a, Culex pipiens e Culex heile i. Ficou p o ado que o pH in e ém na p esença de o mas ima u as de culicídeos, em especial da espécie Culex pipiens. Os alo es de pH ob idos pa a es a espécie es i e am semp e incluídos no in e alo de 7,0-8,0. No es udo e ec uado an e io men e, Culex pipiens oi encon ado em colecções de água das chu as no solo com alo es de pH que oscila am en e 5,5-6,0 e ambém, num paul jun o ao ma , com água salob a cujo pH e a 7,0. 53 Rela i amen e às associações la a es e i icou-se que exis e uma elação de associação en e Culise a longia eola a e Culex pipiens e en e Culex pipiens e Culex heile i. Tal associação já ha ia sido de ec ada num es udo ealizado em 1981. No que conce ne à impo ância médica das espécies de ec adas no âmbi o do p esen e abalho, Aedes ea oni (Edwa ds, 1916) alimen a-se p o a elmen e em a es pelo que é de pouca ou nenhuma impo ância na ansmissão de agen es de doenças ao Homem. Além de Aedes ea oni oi obse ada a p esença de Culex pipiens (Linnaeus, 1758). Culex pipiens é um impo an e ec o de agen es de doença ais como os í us de Wes Nile, Ri Valley e Sindbis e os pa asi as causado es da Di o ila iose. Ou a espécie egis ada na á ea de es udo oi a Culise a longia eola a (Macqua , 1833). Es a espécie ap esen a endências o ni o ílicas, azão pela qual não es á en ol ida na ansmissão de agen es pa ogénicos, não ap esen ando impo ância epidemiológica. Anopheles cine eus hispaniola (assinalado no Po o San o), Culex ho ensis made ensis (subespécie endémica da ilha da Madei a) e Culex moles us não o am de ec ados nes e abalho. Também, Aedes aegyp i, espécie de g ande impo ância epidemiológica, ec o dos í us da Feb e Ama ela, Dengue e Chikungunya, não oi egis ado nas á eas de es udo du an e o pe íodo em que deco eu a e i icação das a madilhas de o iposição e oi e ec uada a p ospecção dos c iadou os a i iciais, de Janei o a Agos o de 2009. Con udo, du an e a campanha “A aliação de Abundância e Sensibilidade aos Insec icidas de Aedes aegyp i”, que con ou com a pa icipação da au o a des e abalho, p omo ida pelo Ins i u o de Higiene e Medicina T opical (IHMT), em colabo ação com o Ins i u o de Adminis ação da Saúde e Assun os Sociais, IP-RAM (IASAÚDE), de 6-23 de Ou ub o de 2009, o am encon adas o mas ima u as do mosqui o Aedes aegyp i nos cemi é ios de Câma a de Lobos e Caniço (concelho de San a C uz). Também du an e a campanha 54 “A aliação das Densidades La a es e de Adul os de Aedes aegyp i”, na qual a au o a des e abalho ambém pa icipou, p omo ida pelas mesmas en idades, que e e luga de 16-27 de No emb o de 2009, o am encon adas o mas ima u as de Aedes aegyp i no cemi é io de Câma a de Lobos. Tais esul ados suge em que se o es udo dos mosqui os nos cemi é ios i esse oco ido de Janei o a No emb o de 2009, a espécie Aedes aegyp i igu a ia en e os mosqui os de ec ados. 55 10. BIBLIOGRAFIA  ABE, M., MCCALL, P. 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