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Turismo e ludificação do território: praia de Carcavelos e frentes de mar na linha de cascais

Abstract

A presente tese de doutoramento tem como objectivo a investigação dos fenómenos do turismo e da ludificação do território nas frentes de mar da Linha de Cascais e da Praia de Carcavelos. É constituída por uma Introdução, duas partes compostas por quatro capítulos e uma conclusão. Os principais objectivos de pesquisa derivam de factores como o PUCS e seu impacto até aos dias de hoje, a ludificação dos territórios, as diferentes vertentes de turismo e práticas de consumo associadas enquanto problemas sociais. Na 1ª Parte, e para alcançarmos o nosso objectivo, problematizámos em primeira instância os principais factores de interesse, pretendendo descortinar como planeamento, turismo e práticas lúdicas estavam relacionados. Motivados por estas questões, tentámos perceber a relevância do veraneio na actividade turística e nas práticas lúdicas experienciadas na vida quotidiana. Verificámos que os antecedentes históricos de veraneio em Cascais, a partir de finais do século XIX e meados do século XX, muito contribuíram para a construção social destes territórios como a observamos na actualidade. Posto isto, tecemos uma construção metodológica que considerámos apropriada, baseada essencialmente na análise documental, em metodologias ‘não interferentes’, na postura etnográfica – consagrando contributos clássicos com também do extended case method, e o uso da etologia –, em entrevistas semi- estruturadas aplicadas a informantes privilegiados e no recurso à fotografia, numa perspectiva de etnografia e sociologia visuais. Passamos para a 2ª. Parte. Aqui constatamos que Cascais é uma vila, um concelho, com uma extensa linha de costa onde encontramos um número oficial de dezassete praias, sendo muitas delas capazes de atrair um grande número de utilizadores, turistas, outros visitantes e até residentes, com o objectivo não só de veraneio, comum durante a época balnear, mas igualmente para a prática de actividades de lazer associadas ao mar, como o surf e o bodyboard. Para além das praias como território à disposição dos seus utilizadores, apresentámos em concreto um exemplo de vivências complementares à frente de mar e elencámos várias outras. No que remete às práticas vividas nas praias estudámos particularmente as vivências quotidianas da praia de Carcavelos, estudo que realizámos de forma extensiva e aprofundada, enunciando, interpretando e analisando as vivências e interacções ocorridas nesse território. Realizámos um intensivo levantamento dos equipamentos presentes na praia, areal e paredão, e dos serviços oferecidos pelos estabelecimentos comerciais, quer em época balnear ou não e em horários tanto diurno como nocturno. Tomámos também particular atenção à forma como se processa a mobilidade humana espacial no concelho e nas adjacências da Praia de Carcavelos. Relativamente à praia de Carcavelos ainda retivemos as principais fontes que providenciam um maior ou menor sentimento de segurança aos seus utilizadores, independentemente da época do ano ou hora do dia. Neste momento, revisitámos ainda o episódio do arrastão que terá ou não ocorrido a 10 de Junho de 2005 nesta mesma praia, que todavia permaneceu, acontecido ou não, vivo no imaginário da opinião pública. Antes de tecermos as conclusões finais verificámos a dualidade de vivências na praia, onde actualmente indivíduos de distintas classes sociais não se mesclam.

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Turismo e ludificação do território: praia de Carcavelos e frentes de mar na linha de cascais

Author: Almeida, Pedro Miguel Carvalho Pacheco de
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/21880/1/Tese%20de%20Doutoramento%20PMA_vf.pdf
Dezemb o, 2016
Tese de Dou o amen o em Sociologia
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES
DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
Ped o Miguel Ca alho Pacheco de Almeida
Tese ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Dou o em Sociologia, ealizada sob a o ien ação cien í ica do
P o esso Dou o Luís An ónio Vicen e Bap is a
Apoio inancei o da FCT no âmbi o do III Quad o Comuni á io de Apoio
(Bolsa de Dou o amen o e e ência SFRH / BD / 62409 / 2009)
Decla o que es a Tese é o esul ado da minha in es igação pessoal
e independen e. O seu con eúdo é o iginal e odas as on es consul adas
es ão de idamen e mencionadas no ex o, nas no as e na bibliog a ia.
O candida o,
Lisboa, …. de Dezemb o de 2016
Decla o que es a Tese se encon a em condições de se ap eciada
pelo jú i a designa .
O o ien ado ,
Lisboa, …. de Dezemb o de 2016
Di ei os Au o ais:
Po opção do au o , es a ese não oi edigida em con o midade com o Aco do
O og á ico de 1990.
AGRADECIMENTOS
p imei o es e…
Ao P o esso Dou o Luís Vicen e Bap is a, meu o ien ado . Po mais uma ez e anuído
pe an e o desa io, o qual ce amen e não an e iu ácil. Tenho podido pa ilha e des u a da sua
expe iência e compe ências no mé ie desde empos em que e a ainda seu mes ando. No ajec o
como dou o ando es a igu a ele ou-se, pa a mim, de ‘me o’ o ien ado pa a um ou o es a u o. Hoje
na academia enca o-o, quando nos obse o, como meu inabalá el e insubs i uí el men o ; ao meu
men o .
… às seguin es – pois que a escolha ecai no colec i o em p ol da ob igação é ica, que como
sociólogo o gulhosamen e cump o, em man e no anonima o on es que assim o solici a am –
Ins i uições:
Câma a Municipal de Cascais; Capi anias do Po o de Cascais e de Lisboa; CICS.NOVA (CesNo a); Museu
Casa das His ó ias Paula Rego; PSP; Tu ismo de Po ugal, I.P.;
Es abelecimen os Come ciais na P aia de Ca ca elos e Es abelecimen os Ho elei os de Cascais que
connosco, median e o seu pessoal, se p es a am a colabo a .
Aos colegas – es udan es, in es igado es, p o esso es –, do ‘meu’ Cen o como de a iadas
ou as unidades de in es igação e ins i uições, com os quais i e a opo unidade de in e agi , deba e e
discu i emá icas des a ese e ou as que dela se ap oxima am; não imagina ão o quan o me o am
ú eis. En e eles, os p o esso es João Teixei a Lopes, Domingos Ma ins Vaz, Casimi o Balsa, Manuel
Ca los Sil a, Ca los Fo una, João Ped o Nunes, Luciana Teixei a And ade, Ray Hu chison…; os colegas
Jo di No e, João Ca los Ma ins, Pa ícia Pe ei a, Paula Reis, Ma a Ma ins, Manuela De Vincenzi,
Ma a Luís Pe ei a, Paula Bouça…
A odos os es imados amigos, pese embo a não p op iamen e no âmbi o cien í ico mas sim
nou os, que no con ac o o a en e a en e o a à dis ância o am do maio e mais digno alo median e
o seu ap eço, a enção e c ença; con inua ão ce amen e a sê-lo.
E só mais es es…
Ao João Paulo Almeida, meu i mão. Bas ou-lhe se quem é. Nós i mãos mais no os pa ece que
i emos con inuadamen e na ci cuns ância de que e pode con a com o auxílio dos que nos
p ecede am. Na ealidade, semp e es e e p esen e; em pa icula quando as ci cuns âncias não se
mos a am como as mais a o á eis. Foi semp e um b aço o e que me sus e e e que se ecusou
seque pensa em deixa -me cai . Ao meu mano.
…pa a e mina :
A An ónio José e Ma ia Te esa Almeida, meus pais. Nem semp e as nossas opiniões
con e gi am quan o a ma é ias de decisão. Nem po isso, em algum ins an e, deixa am de se o mais
segu o dos meus alice ces ex e io es. O gulhosos, c í icos e asse i os, cons i uí am nes e pe cu so a
cons ância e o ga an e edi icados na mais i edu í el e inexpugná el das cidadelas – como só os
melho es pais sabem –, pe mi indo des e modo que as minhas p eocupações se cen assem no meu
abalho. Ou as pala as são escusadas; se iam edundan es. Aos meus pais.

TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE
MAR NA LINHA DE CASCAIS
PEDRO MIGUEL CARVALHO PACHECO DE ALMEIDA
RESUMO
A p esen e ese de dou o amen o em como objec i o a in es igação dos
enómenos do u ismo e da ludi icação do e i ó io nas en es de ma da Linha de
Cascais e da P aia de Ca ca elos. É cons i uída po uma In odução, duas pa es
compos as po qua o capí ulos e uma conclusão.
Os p incipais objec i os de pesquisa de i am de ac o es como o PUCS e seu
impac o a é aos dias de hoje, a ludi icação dos e i ó ios, as di e en es e en es de
u ismo e p á icas de consumo associadas enquan o p oblemas sociais. Na 1ª Pa e, e
pa a alcança mos o nosso objec i o, p oblema izámos em p imei a ins ância os
p incipais ac o es de in e esse, p e endendo desco ina como planeamen o, u ismo
e p á icas lúdicas es a am elacionados. Mo i ados po es as ques ões, en ámos
pe cebe a ele ância do e aneio na ac i idade u ís ica e nas p á icas lúdicas
expe ienciadas na ida quo idiana. Ve i icámos que os an eceden es his ó icos de
e aneio em Cascais, a pa i de inais do século XIX e meados do século XX, mui o
con ibuí am pa a a cons ução social des es e i ó ios como a obse amos na
ac ualidade. Pos o is o, ecemos uma cons ução me odológica que conside ámos
ap op iada, baseada essencialmen e na análise documen al, em me odologias ‘não
in e e en es’, na pos u a e nog á ica – consag ando con ibu os clássicos com
ambém do ex ended case me hod, e o uso da e ologia –, em en e is as semi-
es u u adas aplicadas a in o man es p i ilegiados e no ecu so à o og a ia, numa
pe spec i a de e nog a ia e sociologia isuais.
Passamos pa a a 2ª. Pa e. Aqui cons a amos que Cascais é uma ila, um
concelho, com uma ex ensa linha de cos a onde encon amos um núme o o icial de
dezasse e p aias, sendo mui as delas capazes de a ai um g ande núme o de
u ilizado es, u is as, ou os isi an es e a é esiden es, com o objec i o não só de
e aneio, comum du an e a época balnea , mas igualmen e pa a a p á ica de
ac i idades de laze associadas ao ma , como o su e o bodyboa d. Pa a além das
p aias como e i ó io à disposição dos seus u ilizado es, ap esen ámos em conc e o
um exemplo de i ências complemen a es à en e de ma e elencámos á ias ou as.
No que eme e às p á icas i idas nas p aias es udámos pa icula men e as
i ências quo idianas da p aia de Ca ca elos, es udo que ealizámos de o ma
ex ensi a e ap o undada, enunciando, in e p e ando e analisando as i ências e
in e acções oco idas nesse e i ó io. Realizámos um in ensi o le an amen o dos
equipamen os p esen es na p aia, a eal e pa edão, e dos se iços o e ecidos pelos
es abelecimen os come ciais, que em época balnea ou não e em ho á ios an o
diu no como noc u no. Tomámos ambém pa icula a enção à o ma como se
p ocessa a mobilidade humana espacial no concelho e nas adjacências da P aia de
Ca ca elos. Rela i amen e à p aia de Ca ca elos ainda e i emos as p incipais on es
que p o idenciam um maio ou meno sen imen o de segu ança aos seus u ilizado es,
independen emen e da época do ano ou ho a do dia. Nes e momen o, e isi ámos
ainda o episódio do a as ão que e á ou não oco ido a 10 de Junho de 2005 nes a
mesma p aia, que oda ia pe maneceu, acon ecido ou não, i o no imaginá io da
opinião pública. An es de ece mos as conclusões inais e i icámos a dualidade de
i ências na p aia, onde ac ualmen e indi íduos de dis in as classes sociais não se
mesclam.
ABSTRACT
The aim o his PhD hesis is o esea ch he phenomena o ou ism and he
ludi ica ion o he e i o y on he sea on s o he Lne o Cascais and he beach o
Ca ca elos. I consis s o an In oduc ion, wo pa s composed o ou chap e s and a
conclusion.
The main esea ch objec i es de i e om ac o s such as he CSUP and i s
impac up o he p esen day, he e i o ial ludi ica ion, he di e en aspec s o
ou ism and associa ed consump ion p ac ices as social p oblems. In Pa 1, in o de o
each ou objec i e, we discussed he main ac o s o in e es o disclose how
planning, ou ism and ec ea ional p ac ices we e ela ed. Following hese ques ions,
we ied o pe cei e he ele ance o summe ing in ou ism and in he ludic p ac ices
expe ienced in e e yday li e. We e i ied ha he summe ing his o ical an eceden s in
Cascais, om he end o he 19 h cen u y ough he middle o he 20 h cen u y,
con ibu ed o he social cons uc ion o hese e i o ies as we obse e i oday. Thus,
we c ea ed a me hodological cons uc ha we conside ed app op ia e, based
essen ially on documen al analysis, on 'non-in e e ing' me hodologies, e hnog aphy -
consec a ing classic con ibu ions along wi h he ex ended case me hod, and he use
o e hology - in semi-s uc u ed in e iews applied o p i ileged in o man s and in he
use o pho og aphy, based on isual e hnog aphy and sociology.
In Pa 2, we see ha Cascais is a own, a municipali y, wi h an ex ensi e
coas line whe e we ind se en een beaches, many o hem capable o a ac ing a
la ge numbe o use s, ou is s, o he isi o s and e en esiden s, wi h he aim no o
only o summe ing, common du ing he ba hing season, bu also o he p ac ice o
o he leisu e ac i i ies, such as su ing and bodyboa ding. In addi ion o he beaches as
a e i o y a ailable o i s use s, we ha e p esen ed an example o complemen a y
expe iences a he sea on and we also ha e lis ed se e al o he s.
Abou he p ac ices expe ienced on he beaches, we s udied in pa icula he
e e yday li e o Ca ca elos, a s udy ha we ca ied ou ex ensi ely and in dep h,
enuncia ing, in e p e ing and analyzing he expe iences and in e ac ions occu ed he
e i o y. We su eyed he equipmen p esen on he beach, sand and sea wall, and
he se ices o e ed by comme cial es ablishmen s, ba hing season o no , and a day
and nigh ime ables. We ha e also aken no e o he way in which human space
mobili y is ca ied ou in he municipali y and also in he icini y o he beach o
Ca ca elos in pa icula . Rega ding he beach we ga e conside able a en ion o he
sou ces ha p o ide a g ea e o lesse sense o secu i y o i s use s, ega dless o he
ime o yea o ime o day. We also e isi ed he beach ampage episode ha maybe
had ook place on June 10, 2005 on his same beach, which has emained, whe he o
no i happened, ali e in he public opinion. Be o e o ou inal conclusions, we e i ied
he duali y o expe iences on he beach, whe e indi iduals o di e en social classes
doesn’ mix hemsel es.
PALAVRAS-CHAVE: Consumo; Espaço Público; F en es de Ma ; Laze ; Tu ismo
KEYWORDS: Consump ion; Public Space; Sea F on s; Leisu e; Tou ism
RLVT – Região de Lisboa e Vale do Tejo (NUTS II)
SIG (GIS) – Sis ema de In o mação Geog á ica (Geog aphic In o ma ion Sys em)
SMPC – Se iço Municipal de P o ecção Ci il
TIC – Tecnologias de In o mação e Comunicação
TP, I.P. – Tu ismo de Po ugal, Ins i u o Público
UEP – Unidade Especial de Polícia da PSP
UN – c. . ONU
UNEP – c. . PNUMA
UNFPA – c. . FPNU
UNL – Uni e sidade No a de Lisboa
WHO – c. . OMS
WMO – c. . OMM
WTO – c. . OMT

«De es o na - e no homem que és.»
Nie zsche
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
1
INTRODUÇÃO
O abalho que o a ap esen amos, esul ado de in es igação pessoal e
independen e, em po génese cien í ica, p e endemos salien á-lo pa a que não
emanesçam dú idas, a á ea do sabe da Sociologia, em pa icula da sua especialidade
que o é a sociologia u bana, e é dela que p imo dialmen e g assa em odos os
sen idos.
Um p ojec o de in es igação do qual concebemos a nossa ese de
dou o amen o não é, pela sua ambição, dimensões e complexidade, uma emp ei ada
ácil. É, no en an o e decididamen e, uma emp ei ada de e as ecompensado a que
mo e os melho es sen imen os de ealização. Reco dando as pala as que nes e
mesmo sen ido exp essámos aquando da consecução da disse ação que nos
possibili ou p o e e ob e o g au académico de mes e, pe mi imo-nos ci a mo-nos:
«Quando iniciamos a abo dagem a um p ojec o de in es igação c emos
le a desde logo connosco o açado de um ilho a pe co e . Cedo nos
ape cebemos da ilusão sem luga a desilusão. A complexidade dos
enómenos sociais con o na a p óp ia on ade do in es igado . No luga
de uma es ada p e is a quase ec a, encon amos semp e adian e no o
en oncamen o. Não ulga as opções islumb am-se dolo osas, mas o
ímpe o de con inua a ilha ecob e-se de igo . O olha pa a ás
depois de (só) mais um ajec o é g a i ican e que bas e.» (Almeida,
2008, p. 1)
Não oi, e iden emen e, com su p esa que nos depa ámos uma ez mais com
i udes e icissi udes ads i as a um p ocesso de in es igação. Espe á amo-las. Nem
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
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po isso esmo ecemos, ao in és ap o ei ámo-nos de alguma expe iência en e an o
adqui ida na p á ica sociológica que p e ende-se, com es e p ojec o, ap imo a . Assim,
podemos asse i que es e abalho de in es igação é alimen ado an o po incu sões
an e io es na a e como ambém po um inabalá el sen imen o de ape eiçoamen o
nessa mesma a e de que azemos p o issão e que ão ca a nos é.
Em p imei o luga , já o des elámos, p e endíamos da con inuidade e
ap o unda ma é ias às quais nos ha íamos já dedicado, mui o em pa icula na
disse ação pa a a ob enção do g au de mes e em Sociologia. De en e essas ma é ias,
in es igadas sem excepção em con ex o u bano, depa ámo-nos com múl iplas
pe se e anças das di as en es de água no quo idiano i ido. Fo mal e in o malmen e,
cap ámos a iados discu sos, en e deciso es públicos, media e ap op ian es de ac o
dos espaços públicos en ol en es, odos eles a eme e pa a a ele ância incondicional
das en es de água na cons ução das pe cepções sob e a qualidade de ida que as
mesmas podem po encia na i ência de um de e minado e i ó io. To nou-se-nos
e iden e a alo ação simbólica que lhes é a ibuída. Melho , o nou-se-nos e iden e
que a equali icação das en es de água, an es não alo izadas pelo pode polí ico e
de uição e ada pelo sen imen o de epulsa socialmen e cons uído em seu o no
pelos con o nos em nada a ac i os que a sua má imagem eicula a pa a o esquema
men al de di e sos ac o es sociais, po encia a a ac i idade dos e i ó ios u banos.
Es as p imei as conside ações e elam de imedia o que o p esen e p ojec o
p e ende ma u a ideias às quais já nos ha íamos consag ado, bem como o i -se pa a
além des as, no sen ido de um ap o undamen o quan i a i o e quali a i o de ques ões
sociais que oco em em pa alelo com a p esença das en es de água.
Pos o is o, é com acilidade que asse imos que a me ópole de Lisboa é,
indubi a elmen e, um e i ó io alician e pa a a p á ica do mé ie sociológico. No caso
conc e o, pa a a in es igação que oma como pon o de pa ida a sociologia u bana e
que se expande po sub emá icas ais como as do u ismo e as do laze . Conscien e de
que a cidade que encima o onco des a me ópole, Lisboa, é emá ica eco en e em
di e sas á eas do conhecimen o dedicados ao es udo u bano que não só os
p o enien es da sociologia, op ámos po con oca como nosso labo a ó io de análise
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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ou os espaços me opoli anos que não os olisiponenses no sen ido ci cunsc i o à
cidade, ou o concelho, em sen ido es i o. Não que emos, e dis anciamo-nos
inequi ocamen e dessa ideia, de modo algum insinua que os es udos,
pa icula men e os sociológicos de linha u bana, sob e Lisboa se encon em sa u ados
e mui o menos esgo ados. Re e imo-nos a um e i ó io de e as ecundo, eple o de
signi icados, que o e ece inúme as possibilidades à in es igação sociológica. Sabemos
igualmen e que quando a amos de cidades explo amos um objec o, um p ojec o,
que i ualmen e jamais se encon a, pelas suas dinâmicas in ínsecas, plenamen e
e minado e acabado.
Toda ia, sem nunca pe de de is a o nosso pon o de pa ida, op ámos em
al e na i a po di igi a nossa a enção cien í ica pa a o concelho de Cascais, a sua
i ência, a sua expe imen ação. Di o de ou a o ma, o concelho de Cascais cons i ui-
se como um objec o pa icula men e ele an e pa a os nossos in e esses cien í icos.
Embo a enhamos como e iden e que não hou e acaso quan o à escolha, cabe-nos
o na cla o o po quê da mesma. En endemos que o de emos aze de manei a
mani es a e escla ecedo a, elabo ando uma a gumen ação que consolidada jus i ique
a opção. A p esença de uma en e de água signi ica i a e a, como se comp eende pelo
já explanado, condição sine qua non na escolha dos e i ó ios a con oca mos pa a o
nosso abalho. Pa a além das suas on ei as e es es com os municípios que lhe são
adjacen es, Cascais é banhado, an o nos seus e i ó ios mais a sul como nos mais a
poen e, pelo oceano A lân ico. T a a-se de uma en e de água que se es ende po
algumas dezenas de quilóme os e que não pode deixa , po isso, de encon a
signi icados na i ência e iden idade cascalenses, ans e sais, inclusi e, aos da
me ópole lisboe a e aos ac o es sociais que a habi am.
No que espei a à sua o ma ação es u u al, es e abalho di ide-se em duas
pa es, dois compósi os que, eunidos, se complemen am e comple am. P ecedem-se-
lhe es a In odução e p ocedem-se-lhe a Conclusão ao mesmo. O p imei o compósi o,
a p imei a pa e, co esponde ao Co pus da ese iden i icado pelos Capí ulos I e II. Aqui
encon amos o conjun o de capí ulos cons uídos com sequência lógica no sen ido da
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
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iden i icação, p oblema ização dos enómenos p opos os pa a in es igação e a
explanação dos ecu sos me odológicos de que azemos uso. Ao úl imo dos ês
compos os des e odo co esponde, po im, a Conclusão.
A In odução em po a e a ap esen a e se o os o da ese concluída. Não
em, po sua na u eza, a ambição de se uma pa e mais signi ica i a no seio de uma
ese.
A p imei a pa e, ou o compos o p imei o, cong ega dois capí ulos. Como se
obse a á, cada um dos quais es á o ien ado em unção de objec i os p óp ios, se bem
que ans e sais. Os ex os pa a eles desen ol idos, embo a possam se lidos
sepa adamen e, azem pa e de um odo coe en e e seguem uma lógica e olu i a do
p ocesso in es iga i o. Desag egámo-lo em dois capí ulos pa a melho p omo e a sua
in eligibilidade jun o do lei o .
Ao Capí ulo I co espondem as ques ões nas quais p oblema izamos,
eco endo a con ibu os eó icos eunidos median e uma e isão da li e a u a
sociológica adequada às necessidades, o enómeno sociológico a que nos p e endemos
aplica . Ab e, assim, diálogo pa a com o objec o de es udo. No Capí ulo II enunciamos,
explicando-as, as nossas escolhas me odológicas. Delineiam, es as escolhas, as
es a égias conside adas como as adequadas pa a o in es igado ilha no caminho
conducen e à in es igação do p oblema social que se p opões es uda .
No decu so des a 1.ª Pa e des elamos como o Plano de U banização da Cos a
do Sol se nos aleu como mo e e anco agem e odos os aspec os me odológicos que
nos o ien a am pa a alcança mos os objec i os p e endidos. Es a pa e di ide-se,
como is o, po dois capí ulos, nomeadamen e os capí ulos I e II, nos quais
p oblema izamos o enómeno a in es iga e e elamos as opções me odológicas que
conside ámos as mais adequadas pa a p ocede à di a in es igação.
Assim, o CAPÍTULO I – CONSIDERANDOS PARA UMA PROBLEMATIZAÇÃO é cons i uído po
no e pon os, em p e endemos explana :
No Pon o 1. No a In odu ó ia, como a p óp ia designação induz, é nosso
ensejo o de in oduzi o lei o aos p oblemas sociais que nos p opomos p oblema iza .

TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
5
O Pon o 2. O PUCS Como Ala anca de Desen ol imen o da Linha de Cascais
ap esen a o Plano de U banização da Cos a do Sol, ins umen o de ges ão e i o ial
c iado ainda no empo do Es ado No o, e como es e se o neou, ainda que a ní el de
decisão polí ica inequi ocamen e cen alizado, no p imei o plano em Po ugal a se
pensado a uma escala egional e sub- egional, in luenciando com as suas di ec izes
quase a é aos dias de hoje a p og amação dos e i ó ios cascalenses;
Quan o ao Pon o 3. A Ludi icação do Te i ó io p oblema izamos odo o
p ocesso his ó ico que omen ou a ludi icação dos e i ó ios da ila de Cascais e como
es e p ocesso de ludi icação conduz a que um e i ó io em que as i ências e
expe imen ação são al e adas em consonância com os objec i os que se p e endem
ob e , dados os in e esses de agen es económicos e de quem es á em posse do capi al
de decisão pública.
Re e en e ao Pon o 4. Tu ismo e Sociedade de Consumo en idamos pa a
comp eende o nosso objec o no seio de uma sociedade global, pa icula men e no
seio das sociedades ociden ais, e na sociedade de consumo esul an e, onde o u ismo
se em, po consequência, in eg a . É nes e pon o que in oduzimos e deba emos o
concei o de cidadão-consumido po oposição aqueles a quem, po escassez de
ecu sos ou capi al económico, se êem po mui as ezes e ados de espaços públicos
po es es se e em o nado, eles p óp ios, espaços de consumo.
Nes e pon o, Pon o 5. O Re e so da Moeda: Ma ginalidades Sociais,
con on amos de o ma p oblemá ica o ideal- ipo do espaço público e a sua eal
i ência e expe imen ação. Teo izamos sob e a possibilidade abs ac a do espaço
público pode , em p incípio, se ap op iado po odos, mas e idenciamos a exis ência
de ac o es sociais que a i mamos se em o ulados como desac edi ados e cujo acesso
ao espaço público se o na mani es amen e desigual, c iando cli agens de
ma ginalização social que sepa am ac o es po ado es de dis in os capi ais di e sos.
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O Pon o 6. Secu ização e sen imen o de (in)Segu ança a a da ques ão da
sensação de segu ança do espaço a se ap op iado e a sua di ec a elação com a
a ac i idade ace aos ac o es sociais que assim se o nam em po enciais ap op ian es.
O Pon o 7. Um Ambien e Sus en á el: Responsabilidade de Todos des aca a
ques ão de que o se humano ca ece de um ambien e que eúna as mínimas
qualidades pa a que nele possa exis i e pe se e a . Conside amos as es a égias
conduzidas pelos deciso es públicos que poli izam as ma é ias ambien ais, jogando
com elas e a boa imagem de um e i ó io pa a que se po encie a a ac i idade dos
e i ó ios que se p e endem i a se ap op iados po de e minados ac o es sociais.
Es e pon o, Pon o 8. A Rele ância da Imagem da Cidade, é po nós conside ado
essencial pa a comp eende mos as ep esen ações cons uídas pelos u en es de um
e i ó io, endo po base, no amen e, a boa imagem da ‘cidade’ e, logo, o
po enciamen o da sua a ac i idade em ace de de e minados segmen os sociais.
O Pon o 9. Acudindo a um Concei o P olixo: O Espaço Público é o pon o po
excelência onde p oblema izamos e discu imos ap o undadamen e a cons ução
ope acional do espaço público. Em sín ese, p opomos que a Sociologia aumen e o seu
espec o de lei u a sob e o que conside a como espaço público, endo endo como
pon o de pa ida o ipo de sociabilidade, públicas ou p i adas, que oco em num
de e minado e i ó io, epudiando e e u ando a isão mono é ica e ainda ac ual na
Sociologia de obse a como público apenas o espaço que ju idicamen e, em e mos
de no ma i idade do di ei o, o é.
Já o CAPÍTULO II – DOS MÉTODOS E DAS TÉCNICAS: ABORDAGENS AO OBJECTO DE
INVESTIGAÇÃO, cons i uído po 8 pon os, explici amos:
No Pon o 1. No a In odu ó ia, uma b e íssima a iculação en e os pon os
subsequen es e o po quê da sua escolha no nosso pe cu so, jus i icada po uma
e isão da li e a u a da a e.
O Pon o 2. Objec o e Uni e so de Es udo delimi a o nosso uni e so geog á ico.
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Pon o 3. Objec i os da In es igação ele a ques ões-cha e impo an es pa a o
desen ol imen o da in es igação.
O Pon o 4. Análise Documen al de Fon es Di e sas abo da de o ma aligei ada o
que se en ende po análise documen al e as alências que ga an e pa a o abalho.
Já no Pon o 5. Me odologias Não In e e en es indicamos a o ma como nos
in oduzimos no e eno, de o ma a que a nossa p esença inicialmen e p o ocasse o
meno uído possí el em simul âneo com a capacidade de i começando a ecolhe
in o mações que o mesmo, em ca adupa, nos o necia. Deba emos a não exis ência de
uma me odologia in eg almen e não in e e en e, po ém indicamos es a égias de
como minimiza os e ei os do in es igado jun o dos ac o es sociais u ilizado es do
espaço.
Nes e pon o, Pon o 6. Pos u a E nog á ica e Obse ação Pa icipan e,
indicamos me amen e, de o ma sin é ica, is o a e nog a ia se já bem conhecida na
a e, como nos in oduzimos no e eno com uma pos u a obse a i a pa icipan e e
como nos mesclámos na ida quo idiana dos ac o es sociais que usam e ap op iam a
p aia. Elencamos não só os con ibu os de uma e nog a ia mais adicional, como a
abo dagem do ex ended case me hod como ins umen o de a e ição, bem como a
análise dos compo amen os não e bais, is o é, e ológicos que o ma am o es a em
in e acção de di e sos ac o es sociais.
O Pon o 7. O Papel do Inqué i o po En e is a inco e em p o undidade sob e
as an agens da aplicação de en e is as a in o man es p i ilegiados. Op ámos po
ealiza en e is as semi-es u u adas, jus i icando a nossa opção pelo ac o de es as
pe mi i em ob e alguma in o mação em p o undidade sem excessi a in omissão do
in es igado e da conside á el libe dade o e ecida ao en e is ado. Fo am p e e idas
as en e is as es u u adas e as li es po conside a mos que as mesmas,
espec i amen e, impedi iam os en e is ados de e ela in o mações que po
en e is a de pe gun a/ espos a, pe gun a/ espos a coa c assem as suas espos as,
limi ando os dados que de o ma mais li e nos pode iam o nece ; já as en e is as
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li es ambém não se mos a am do nosso in e esse, is o que p e endíamos
encaminha , ainda que em moldes não mui o es i i os, as espos as dos
en e is ados em unção de ce as ques ões que p e endíamos abo da e que cons am
em guiões de en e is as, adap ados a di e en es ci cuns âncias e ipologias de
en e is ados.
A a és da es a égia op ada nes e pon o, o Pon o 8. O Recu so à Imagem ou
Ins an âneos do Quo idiano: ap oximações a uma e nog a ia isual, pe mi iu-nos
coloca as cap ações em imagem es á ica, os ins an âneos do quo idiano, a ‘ ala ’ po
nós, al como jus i icamos quando abo damos a emá ica da e nog a ia e sociologia
isuais. O uso da o og a ia o nou-se não só complemen a , o nou-se igualmen e
es u u an e em algumas e apas da ese desen ol ida, como o demons ámos
ex ensi amen e.
Quan o à 2.ª Pa e, co espondendo-lhe os capí ulos III e IV, encon amos os
capí ulos que inalizam o Co pus e que an ecedem a Conclusão. São es es capí ulos,
na u almen e, os mais ex ensos de ido à coe ência in e na que ao abalho ealizado é
exigida. Neles encon amos a desc ição, in e p e ação e análise de odos os dados
ecolhidos, das mais a iadas o mas, du an e o p ocesso in es iga i o.
No CAPÍTULO III – PRECURSORES DO TURISMO, PUCS, LAZER E DINÂMICAS DAS VIVÊNCIAS
TURÍSTICAS E LÚDICAS NA COSTA DO ESTORIL: ABORDAGEM ANALÍTICA, compos o po 7 pon os:
No Pon o 1. No a In odu ó ia cabe-nos apenas a a e a de menciona
ele ância das en es de ma nas sociedades medi e ânicas, como Po ugal ambém
é conside ado, e nas sociedades do sul da Eu opa, pa icula men e como ac o de
a ac i idade na cap ação de u ilizado es, sejam eles u is as ou nacionais egionais ou
mais ou menos locais.
Nes e Pon o 2. P ecu so es do Tu ismo de Vilegia u a em Cascais explici amos e
explicamos como a en e de ma associada à Linha de Cascais con ém já em si um
his o ial de uso lúdico que p ecede os empos que hoje i emos. Fazemos igualmen e
no a que as in aes u u as mon adas ao longo da Linha desempenha am um papel
c ucial no es abelecimen o des e e i ó io como des ino lúdico, pa icula men e
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15
da me opolização (Ma ino i, 1993, pp. 137-189; Asche , 2010a, pp. 15-40, pp. 119-
151), p ocesso que deco e do c escimen o de cidades cen ais que se es endem po
ou as que, e.g., po uma lógica de conu bação, imb icam nesses g andes
aglome ados, o nando-se nalguns casos megacidades (Sassen, 2001, pp. 329-344). O
século XXI em, aliás, in e e uma p á ica, ou exp esso de ou a o ma, uma
endência a é en ão ainda pa en e: a O ganização das Nações Unidas, no seio dos seus
ela ó ios
1
, suge e que a pa i do ano de 2008 mais de 50% da população mundial
es a ia a esidi em cidades (UNFPA, 2007: 1). Es as desempenham, como se e i ica,
um papel cen al e incon o ná el nas nossas sociedades (Sassen, 2006; Soja, 2006).
F ançois Asche asse e inclusi amen e que os e i ó ios i uais, po mui o que
enham indo a c esce e a cimen a -se na sociedade global, não subs i uem os
e i ó ios eais mesmo endo em con a di e sas p o ecias nesse sen ido, i.e.,
augu ando o im das cidades (Asche , 2010b). G osso modo, as cidades eais, como se
lhes e e e o au o , e as concen ações à escala me opoli ana são um ac o inapelá el
que i enciamos nos dias de hoje. Em opinião que apon a nesse mesmo sen ido, a
socióloga Saskia Sassen suge e que ao in és da dispe são e i o ial que e a sus en ada
po analis as e polí icos baseados no pa adigma da cidade digi al, ecnológica e da
in o mação, exis e uma maio concen ação populacional em g andes cidades cha e a
uma escala global (Sassen, 2006, pp. 135-144).
Nou o ela ó io da ONU, mais ecen e, da ado de 2011, sob e o es ado da
população mundial, su ge o co olá io às a i mações an e io es, já que o mesmo
con i ma que mais de me ade dos se es humanos habi am em condições de
u banidade (Bassand e al., 2001, pp. 24-33
2
) em cidades (Fo una, 2009, pp. 83-94).
Es e núme o es abelecido em um pa a cada dois habi an es ende, ci ando es e
ela ó io, a ele a -se pa a dois em cada ês no in e io de uma escala empo al
1
30º Rela ó io sob e a Si uação da População Mundial, dedicado ao ema da U banização, ONU, 2007.
2
Michel Bassand de ine, u ilizando uma exp essão sin é ica, u banidade «como a a aliação, mais ou
menos posi i a, da coabi ação u bana» (op. ci ., p. 24).

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es imada em 35 anos (UNFPA, 2011, p. ii). Po ugal não oge a es a eg a, com a
maio ia dos seus esiden es a i e em espaço u bano em si uação de di a
u banidade
3
. Fazendo é nos dados de ini i os do Ins i u o Nacional de Es a ís ica
(INE), e e en es aos Censos 2011 e seus esul ados inais, no nosso país esidi iam
10.562.178 de indi íduos – 10.047.643, se conside a mos somen e o Con inen e –, dos
quais 4.383.817 se encon am concen ados na NUTS II – Lisboa (Região) e nas NUTS III
– G ande Po o mais En e Dou o e Vouga (Sub-Regiões) que co espondem,
espec i amen e, às Á eas Me opoli anas de Lisboa (2.821.876) e do Po o
(1.562.141); es es núme os, designando a soma des es dois aglome ados u banos,
co espondem a 41,5% do o al da população a esidi em Po ugal – como se pode
a e i pela Tabela 1, abaixo, igu ando dados dos úl imos censos nacionais.
Te i ó io/ n.º habi an es
Censos 2011
% ace à população
o al nacional
Po ugal (NUTS I)
10.562.178
N
AML (NUTS II)
2.821.876
26,72
.G ande Lisboa (NUTS III)
2.042.477
19,34
.Península de Se úbal (NUTS III)
779.399
7,38
AMP
1.562.141
14,79
. G ande Po o (NUTS III)
1.287.282
12,19
. En e Dou o e Vouga (NUTS III)
274.859
2,60
(AML + AMP)
(4.383.817)
(41,50)
Tabela 1
Legenda: População e p opo ção pe cen ual da população das Á eas Me opoli anas
de Lisboa e do Po o ace ao uni e so da população nacional
Fon e: INE
3
No amen e, obse ando as p oposições p opos as sob e cidade, u bano, e u banidade em Bassand e
Fo una (op. ci .).
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17
A ges ão mode na das cidades, na pe spec i a sus en ada po Fonseca Fe ei a
(Fe ei a, 2005), acompanha es a e olução demog á ica endencialmen e c escen e,
assen e em polí icas e p á icas de planeamen o e i o ial, po pa e do Es ado como
Pode Público Cen al e como Pode Público Local, cuja inalidade mais al uís a – is o
que os deciso es públicos, independen emen e da escala de análise, são o ma ados
po uma agenda polí ica p óp ia que consigo ca egam – se á a de p o e aos seus
u en es, esiden es ou não, uma qualidade de ida o mais melho ada possí el
(Fe ei a, 2005; Gonçal es, 2006). Toda ia, o Es ado não é o único ac o p esen e nas
al e ações isí eis no ecido u bano, signi icando que o Es ado não é sob e udo o
único ac o p esen e nessas al e ações is o que mui as ezes nem é o p incipal. As
cidades ob êm, po odo o manancial de possibilidades que o e ecem, a a enção de
ac o es sociais do sec o p i ado, ac o es esses que buscam, ambém eles, a sa is ação
das suas me as. Po uma ques ão de es a égia e de balizamen o cingi -se-á a
elabo ação do discu so assen e nas cidades di as ociden ais ou ociden alizadas
(Go man, 1974, p. 21, p. 128, p. 363; Bap is a, 2005, p. 48
4
).
P e ende-se no desen ola des e ex o e lec i e aze , em coe ência, um
le an amen o da li e a u a sob e a p odução de e i ó ios lúdicos, passí eis
igualmen e de um usu u o u ís ico (Ba os, 2004; Holloway, 2006; Coope e al,
2008), em espaço público e em con ex o u bano. Aqui é de en a iza o papel
de e minan e que a ibui emos às en es de ma na eno ação u bana e nos no os ou
eno ados usos des es e i ó ios. Es a e lexão c uza -se-á ine i a elmen e com a
ocação desses e i ó ios pa a o en e enimen o e pa a o laze , pa a uição e pa a
p á icas de consumos di e sas e complexas. Ine i a elmen e, de igual modo, c uza -se-
á com as ma ginalidades, a ní el do acesso a de e minadas i ências e expe iências da
cidade, que se ão po assim dize o e e so da medalha. Vis os es es ‘opos os’, ou a
4
Tal como Go man e Bap is a (op. ci .), que assumem de o ma mani es a que o seu olha sociológico
se di igi á pa a as denominadas sociedades ociden ais – com o ac éscimo da pe spec i a
‘ociden alizadas’ emp egue po Bap is a –, ambém o nosso oco se aplica á a uma sociedade de índole
ociden al.
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ine i abilidade assen a na o ma como se e e enciam sen imen os de (in)segu ança
na ida u bana quo idiana.
Desde a polis g ega que a u be, a cidade, expe iencia uma ensão desigual nos
modos e p á icas de ida daqueles que dela se ap op iam. Hoje, nes e p esen e que
i enciamos, essa lógica ganha uma impo ância ma icial, onde são mais as dú idas
que p oli e am do que ce ezas. Tal, conside amos, de e-se não an o à ela i a
ju en ude das ciências que es udam as cidades enquan o p oblema ou enómeno
social, a gumen o que c emos já não escuda jus i icação pa a o mencionado, mas
essencialmen e às dinâmicas de ans o mação social que se ope am com conhecida
cele idade – e luidez – nas malhas do ecido u bano, seja a ní el no ma i o, simbólico,
es é ico ou ou os, mui os ou os ainda.
Po im, c uza -se-á ine i a elmen e com um enómeno que em indo a
conquis a p oeminência pa icula men e a pa i das úl imas qua o décadas
5
e que
conquis ou polls an o en e as comunidades cien í icas, na opinião pública em ge al e
na agenda dos g andes deciso es polí icos: a ques ão ambien al. Um pon o de
e e ência que ouxe à ibal a as ques ões ambien ais oi sem dú ida o chamado
Rela ó io B und land (UN, 1987), onde se abo dam consequências, no melho cená io
g a osas, caso não se adop em medidas de desen ol imen o sus en á el
6
,
desen ol imen o esse que implica a adequabilidade e conciliação das sa is ações
humanas de hoje de o ma a não comp ome e o po i das necessidades, e a é a
exis ência, das ge ações u u as.
5
Em 1968 oi c iado o Clube de Roma, saindo dos seus es o ços a edição de Os Limi es do C escimen o,
es udo encomendado em 1972 pelo MIT e que icou conhecido po ‘C escimen o Ze o’; em 1972 dá-se a
p imei a cimei a ambien al global, cuja publicação icou bap izada pelo nome da cidade que a acolhe a,
Decla ação de Es ocolmo, onde ambém se ixou o Dia Mundial do Ambien e: 5 de Junho. Ou os
exemplos pode iam se ci ados, mas i emos enume a apenas mais um, o úl imo des es ‘mega’ e en os
sob e ques ões ambien ais, que oco eu e icou conhecido como Con e ência de Nai óbi, 2006 (Cae ano
e al., 2008, pp. 19-23).
6
É publicado em 1987, sob o í ulo de O Nosso Fu u o Comum. É nes e ela ó io que su ge pela p imei a
ez a iden i icação, desc ição e de inição de desen ol imen o sus en á el. Se á igualmen e de
conside a a de inição des e concei o p opos a, e.g., po Ge ald Ma en, da ada de 2001, cuja simili ude
com a de inição o iginal se ap esen a mani es a (Ma en, 2001, p. 9).
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Es e discu so, o ien ado po âmbi o no ma i o, não é po nós in oduzido po
acaso. Na ealidade, es e discu so c uza-se e imb ica com ou o dis in o, o polí ico,
eiculado pelos deciso es públicos que ocupam posições de decisão. O ambien e, ou as
consequências que a i ência humana exe ce sob e es e, conquis a cen alidade no
discu so dos deciso es polí icos pela azão mani es a de que as condicionan es
ambien ais se epe cu em, posi i a ou nega i amen e, na imagem dos e i ó ios sob a
alçada dos deciso es, o que é o mesmo que dize na capacidade de a ac i idade
desses e i ó ios sob e oda uma mi íade de ipologias de e en uais ap op ian es de
um dado espaço.
2. O PUCS Como Ala anca do Desen ol imen o da Linha de Cascais
O Plano de U banização da Cos a do Sol (PUCS), cuja p e ensão se ia a de
p og ama os e i ó ios da á ea cos ei a en e Algés e Cascais (TSF, 2010
7
),
omen ando pa icula men e o u ismo e o laze , em como men o polí ico o minis o
do en ão Es ado No o, Dua e Pacheco. Es e plano ganha consis ência pa a a sua
conc e ização median e a Lei n.º 1.909, publicada em Diá io de Go ê no no dia 22 de
Maio de 1935, que de ine os limi es geog á icos da Cos a do Sol e os p essupos os pa a
a sua u banização. Nessa mesma lei pode le -se, no seu A igo 1.º, que:
«[…] A egião que ab ange a pa e dos concelhos de Lisboa, Oei as e
Cascais, limi ada, ao no e, po uma linha pa alela à no a au o-es ada
7
Rub ica Encon os com o Pa imónio, conduzida e mode ada po Manuel Vilas-Boas, dedicada ao ema
“De Algés a Cascais – um e i ó io pa a o u ismo”, com a pa icipação de Ma ga ida Pe ei a, Te esa
Ma a -Mendes, Susana Lobo e Sand a Vaz Cos a.
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p ojec ada, e a 100 me os pa a além do seu eixo, e, ao sul, pelo Tejo e
oceano, denomina -se-á Cos a do Sol e se á u banizada de ha monia
com o Plano de U banização ap o ado pelo Go ê no.» (Po ugal, 1935,
p. 718)
Dua e Pacheco, minis o das Ob as Públicas e Comunicações, é
indubi a elmen e quem poli icamen e esquissa es e ins umen o de ges ão e i o ial
conside ado po mui os magis al, designadamen e po Ma ga ida Pe ei a que o
salien a como:
«[…] uma e e ência nacional po azões di e sas: pionei ismo, dimensão
da in e enção, ap o ação (única a é 1974), longe idade (mais de 40
anos), p ocesso de ges ão, en e ou as.» (Pe ei a e al., 2009, p. 8)
Con udo, a elabo ação des e plano p olonga-se po mais de uma década, num
p ocesso que en ol eu ambém, em duas ases, os econhecidos a qui ec os
u banis as Dona -Al ed Agache e E ienne de G öe (Cos a, in Pe ei a e al., 2009, pp.
18-22, p. 27). Des a o ma, o PUCS ê-se ap o ado em 1948 pelo Dec e o-Lei n.º
37.251, de 28 de Dezemb o, já sem Dua e Pacheco que alece a, i imado po um
aciden e de iação, em 1943. Pode le -se no A igo 1.º do Dec e o-Lei:
«É ap o ado o plano de u banização da Cos a do Sol, que me eceu
pa ece a o á el do Gabine e do Plano de U banização da Cos a do Sol,
homologado pelo Minis o das Ob as Públicas.» (Po ugal, 1948, p.
1716)
E em complemen o no seu A igo 2.º que:

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21
«Se á ex in o em 31 de Dezemb o de 1948 o Gabine e do Plano de
U banização da Cos a do Sol, c iado ao ab igo da Lei 1.909, de 22 de
Maio de 1935, e ans e idos os seus mó eis, equipamen o e a qui o
pa a a Di ecção-Ge al dos Se iços de U banização.» (Po ugal, 1948, p.
1716)
Es e plano, apesa de inequi ocamen e ino ado pa a o Po ugal de en ão,
elega pa a disposições na p á ica acessó ias a pa icipação e a capacidade de decisão
do pode local, demons ando ca ác e de uma polí ica cen alizado a de cunho es a al
p osseguida ao ní el da es e a do Go e no. Às au a quias, incluindo Cascais,
compe iam apenas a e as complemen a es e de segundo plano delegadas pelo pode
cen al, desp o idas po an o de decisão polí ica de ac o.
3. A Ludi icação dos Te i ó ios
Podemos suge i que ao longo do seu p ocesso his ó ico, as cidades so em um
desgas e algo co osi o que se aduz numa imagem delas p óp ias que é
pe cepcionada pelos ac o es sociais em ge al. Es e desgas e co osi o no ‘casco’ das
cidades implica igualmen e um desgas e esul an e na cons ução da – boa – imagem
(Led u , 1973b, pp. 41-102; Lynch, 2003; Vaz, 2008, pp. 87-104). Pa a al, o na-se
imp e e í el in e enciona mos nas cidades de o ma a que es as se o nem mais
ape ecí eis, alendo es e p incípio an o pa a ac o es sociais colec i os, en e os quais
os agen es económicos, como pa a os ac o es sociais a ní el indi idual, que sejam
esiden es ou apenas u en es o iundos des a ou daquela cidade.
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22
Um dos modos de in e i em de e minados e i ó ios u banos assume a
o ma de uma econ e são de espaços públicos u banos (EPU) no seio de uma lógica
de ludi icação desses mesmos espaços. Es a o ma de pensa as cidades baseia-se em
cená ios de e i ó ios (i) edi icados de aiz com a inalidade de se em passí eis de uma
ap op iação o ien ada pa a o en e enimen o e o consumo p og amado (Hannigan,
2000b
8
) ou (ii) de uma ea aliação económica e polí ica acompanhada de in e enções
ísicas na ( e)cons ução da imagem
9
da cidade isando a que es es se o nem
ludicamen e a ac i os (Bap is a, 2005, p. 45) e assim ape ecí eis à ap op iação.
Recen emen e, na década de 2000, em Po ugal, oi lançado o P og ama Polis –
P og ama de Requali icação U bana e Valo ização Ambien al de Cidades
10
, cujas
in e enções no espaço público se mobiliza am, em boa medida, com a p e ensão de
se equali ica luga es adjacen es a linhas de água, linhas es as cujo alo simbólico – e
ambien al – é incon es á el, p o endo assim as cidades de espaços de laze e de
en e enimen o de qualidade. Es a lógica de in e enção pública isando a
op imização da a ac i idade das cidades encon a-se já de al o ma inculcada no
espí i o dos planeado es e deciso es polí icos que a i mamos, inclusi amen e, que as
p óp ias cidades se en egam, e se sujei am, a uma me can ilização dos seus e i ó ios
(Zukin
11
, 1993, pp. 3-23, pp. 39-54), acabando, consequen emen e, po conco e em e
compe i en e si (Pinhei o, Bap is a & Vaz, o gs., 2001; Sassen, 2006).
12
Nes a linha de aciocínio da p og amação de e i ó ios lúdicos ou ludi icados,
omemos, a í ulo de exemplo, as ilas de Cascais e de Oei as, ambas in eg adas num
8
Um caso exempla e incon o ná el des a na u eza, ap esen ado po John Hannigan, eme e pa a o
es udo da génese da cidade no e-ame icana de Las Vegas (Hannigan, 2000b).
9
Aqui no sen ido que lhe é a ibuído po Ke in Lynch (2003), da lei u a que os ac o es sociais azem da
cidade, como ambém de ou as pe spec i as como as de Led u (1973b), Michel de Ce eau (1988),
Bassand (2007), Vaz (2008a) e Fo una & Lei e (2009).
10
P esidência de Conselho de Minis os, RCM n.º 26/2000 de 15 de Maio.
11
Em Sha on Zukin, a ques ão da me can ilização das cidades ganha pa icula acuidade a pa i da
aplicabilidade do concei o de «paisagens de consumo» (Zukin, 1993, p. 5).
12
Fo mulação de endida na Disse ação de Mes ado em Sociologia ealizada pelo au o , “Requali ica e
Re i aliza as Cidades – O P og ama Polis: Cacém, Co ilhã e Ma inha G ande”, FCSH-UNL, Lisboa, 2008
(Almeida, 2008, p. 99).
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
23
sen ido la o do que é conhecido po Linha de Cascais, ou ão simplesmen e Linha,
inse idos, endo em con a uma escala mais ala gada, na Á ea Me opoli ana de Lisboa
– AML. Ambos os e i ó ios pa ilham en e si um ac o comum: uma en e de água,
mais incadamen e uma en e de io em Oei as e de ma em Cascais, ambas
conside á eis e signi ica i as endo em con a a ex ensão e i o ial des as duas ilas
concelho.
De en e eles, o concelho de Oei as oi o p imei o a in e i no espaço público
jun o à sua en e de io, em e mos azoa elmen e ecen es, econ e endo-os no
in e io des a lógica ludi ican e que emos indo a menciona ; é azoá el que a
consubs anciação e subsequen e ap o ação po Resolução do Conselho de Minis os
do Plano Di ec o Municipal de Oei as (Po ugal, 1994b) enha ope ado como um
acili ado .
Po seu u no, o concelho de Cascais, ape cebendo-se das po encialidades
c iadas pelo seu concelho izinho, a anca ambém ele, ainda que em e mos
empo ais mais a diamen e, com a equali icação e econ e são dos seus espaços
públicos adjacen es e ao longo da sua en e de ma , cujo ac o de a ac i idade
acei amos sem di iculdade de mon a se mais p oeminen e, in e enção essa ambém
ela o ien ada pa a a c iação de um e i ó io lúdico; oda ia, a in e enção no
e i ó io se ia ealizada median e Planos de Po meno ou de In e enção mais ou
menos u gen es que segui iam ainda o es abelecido no PUCS, na ausência de um PDM
p óp io a é 1997. Exemplos c assos des as in e enções no e i ó io são,
e iden emen e, os seus ‘no os’ passeios ma í imos. Toda ia, de emos ac escen a que
o alo simbólico des as duas ilas não se equipa a, sendo que Oei as só assumiu uma
isibilidade de mais- alia em décadas ecen es
13
e que Cascais con ém em si um
his o ial abundan emen e mais as o nunca endo, aliás, e na nossa opinião, pe dido
p imazia a ní el de alo ação simbólica pa a a sua ila izinha – no e-se o simbolismo
13
O que ganha mais azão de se se exclui mos a época em que o Conde de Oei as, mais a de Ma quês
de Pombal, lá es abeleceu esidência, época essa que nos eme e pa a o século XVIII.
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alo a i o de Cascais e sido a ila de e aneio po excelência da ealeza e nob eza
po uguesas, bem como da sua al a bu guesia, o que se es endeu a uma p og amação
do e i ó io o ien ada essencialmen e pa a as eli es como p e endia o PUCS
desen ol ido du an e o pe íodo do Es ado No o (Pe ei a e al, 2009; CMC, 2011).
Amiúde, os p ocessos que conduzem à ludi icação de de e minados e i ó ios
encon am-se ‘masca ados’ em in e enções plani icadas pa a a ‘ equali icação do
e i ó io’, equali icação essa que se encon a semp e anco ada à necessidade de
melho a as condições de ida nas cidades, o que já se obse ou e sucedido com as
in e enções no âmbi o do P og ama Polis. Es a equali icação só é possí el se
concebida em e mos de uma ‘ ein enção da cidade’ que p omo a jun o dos cidadãos
al e ações na ep esen ação, semp e numa imagem pa a melho , que des a p oduzem
e concebem. Comunga-se da ese que sus em que da al equali icação u bana não
esul a, nem nunca pode á esul a , um momen o es á ico em que se ob ém uma
cidade de ob a inal, como que concluída, já que o inacabamen o da cidade é
pe manen e, numa pa ábola inacabada (Mons, n.d., p. 83).
Po ém, não nos passa em cla o nem somos displicen es ace a a iados
p ojec os de equali icação que encob em uma ou a es a égia, des a ei a no sen ido
de cap a pa a jun o dos seus e i ó ios ac o es sociais (em pa icula ,
economicamen e) mais capi alizados. Re e imo-nos, e iden emen e, ao p ocesso de
ein enção da cidade que não oco e somen e ao seu ní el ísico, mas inclusi e e
p incipalmen e ao ní el dos seus habi an es, p ocesso esse comummen e econhecido
e apelidado de gen i icação. Re oma emos es a p á ica o nada enómeno social mais
adian e, a ec ando-lhe a a enção que de ac o me ece.
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
31
Ba os, não se conside a a p á ica u ís ica como um con a-quo idiano, po quan o o
seu a gumen o suge e algo que se ele a como um con a-senso de mon a. No nosso
en ende , a p á ica u ís ica pode, e de e, se in e p e ada como uma in e upção nas
p á icas mais o inei as que êm luga no quo idiano i ido pelos ac o es sociais.
Impo a, en ão, ece mais alguns comen á ios sob e o enómeno do u ismo,
um enómeno que al como o conhecemos nos dias de hoje, massi icado, con a como
seu p ecu so , especialmen e no decu so dos séculos XVII e XVIII, o denominado G and
Tou . É, aliás, ao e mo ‘Tou ’ que es a p á ica ai busca , asse e am alguns eó icos, a
sua p óp ia designação: ou ism, u ismo.
A i mámo-lo an es, e i mamos que em edundância, ao u ismo associa-se a
igu a do u is a. O u is a é um dos á ios ac o es passí eis da ap op iação do espaço
público. Ou os ap op ian es desse espaço, não menos ele an es nem mais
negligenciá eis, são os (i) esiden es ou habi an es
19
, como ambém aqueles que
denominamos po (ii) u ilizado es e isi an es não esiden es, que não es ando em
u ismo se encon am ambos p esen es nas imediações de um dado espaço público
em egime egula ou mais ocasional.
Em e mos his ó icos o u ismo, como ac i idade complexa em que se cons i ui,
adqui e as suas p imei as o mas p imá ias, pelo menos na acepção mode na do
e mo, no deco e do século XVIII. Mas é a pa i do século XIX, com o u ismo de
eli e, que começamos a pode des inça as suas especi icidades em elação a ou o
ipo de deslocações humanas, algo que se em enc os a no deco e do século XX
com o u ismo de massas (Gasse , n.d.). É en ão possí el asse i que só adqui e o ma
e dimensão uni e sal quando passa a e uma signi ica i a impo ância de âmbi o
19
U iliza emos ao longo do ex o esul an e da in es igação os e mos ‘ esiden e’ e ‘habi an e’ como
sinónimos. Conside ados os objec i os e o âmbi o do abalho es amos con ic os da não necessidade
em ope acionaliza os concei os sepa adamen e, a é po que assim se conco e pa a uma melho
in eligibilidade, escusando-se uma complexi icação que nes e sen ido pouca ou nenhuma u ilidade
ac escen a ia.

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32
económico, mais quando é sabido que conduz a uma me can ilização das ac i idades
que, de pe meio, en ol e (Ba os, 2004, pp. 10-11).
O u ismo encon a o seu g ande boom a pa i dos meados do século XX, após
o é mino da II Gue a Mundial, em pa icula o u ismo di eccionado pa a e i ó ios
mais dis an es, como nunca an es obse ado. De ac o, com o inal da gue a ge a am-
se no os laços en e países do mesmo ou ainda de ou os con inen es. Con udo, o
u ismo ainda es a a conside a elmen e es ingido pelo ní el das dis âncias
e i o iais, lacuna que eio a se colma ada com a in odução e les a p oli e ação do
anspo e come cial a jac o (Holloway, 2006, pp. 48-49). Su gem, daí, as p imei as
linhas aé eas come ciais e os p imei os des inos u ís icos in a ou in e -con inen ais a
o e ece em a u is as á idos em apenas algumas ho as o que an e io men e se
con a a em dias e semanas. Ac ualmen e, num pe íodo his ó ico mais ecen e,
eme gi am as denominadas companhias low-cos que con ibuem mais ainda pa a a
deslocação a a és de a ião de uma o ma massi icada a é en ão imp a icá el e a é
mesmo inimaginá el. Tenhamos po exemplo que não se á a o encon a uma iagem
Lisboa-Lond es a meno cus o do que se pode ia aze Lisboa-Po o em au omó el,
inclusi e num ácio de dimensão espácio- empo al mais céle e.
Nes a medida, o século XIX ou a e a do apo (Holloway, 2006, p. 34) são hoje
memó ias his ó icas que já nem azem pa e do imaginá io do ‘ u is a médio’. A
melho ia das ligações e es es en e e i ó ios, sejam odo iá ias (es ei amen e
ligadas à massi icação do au omó el como meio de anspo e) ou po in e médio da
e o ia (que con a ac ualmen e com linhas de al a elocidade)
20
, es ando ambém
ainda conjugadas com o apa ecimen o e banalização do ae o anspo e, oi uma
eno me ala anca que impulsionou o c escimen o do enómeno u ís ico po odo o
plane a, pe mi indo inclusi amen e que o enómeno se pense numa iabilidade a ní el
glocal.
20
Embo a não sejam, pelo menos po o a, uma ealidade em Po ugal, a sua implemen ação e ápido
inc emen o ie am omen a e a epe cu i -se em mais- alias pe an e o enómeno do u ismo,
inclusi amen e, ainda que de modo indi ec o, àquele que eme e pa a o e i ó io po uguês, embo a
conside emos que o impac o seja mui o mais pon ual e eduzido.
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33
Ao enómeno do u ismo es á e iden emen e associada, já o a i mámos, a
igu a do u is a. É di ícil encon a uma de inição sa is a ó ia que pa a o concei o de
u is a, que pa a o concei o de u ismo. Con udo, a O ganização Mundial do Tu ismo
21
adian a uma de inição lexí el, no âmbi o da qual se conside a u is a:
Figu a 1
Legenda: Ca ego ias dos Viajan es
Fon e: OMT
«[…] qualque pessoa que passe, pelo menos, 24 ho as o a da esidência
habi ual ou pe noi e nou o local, no p óp io país ou no es angei o,
num alojamen o p i ado ou colec i o, po ou os mo i os que não o
21
O ganização não go e namen al, undada em 1975, que, segundo Ba os (2004, p. 11), é cons i uída
po mais de 133 países e com mais de 300 memb os iliados. Con udo, es a in o mação ca ece de
ac ualização. À da a de Janei o de 2013 con a am-se no sí io Web da UNWTO (Wo ld Tou ism
O ganiza ion, specialized agency o he Uni ed Na ions) 445 memb os a iliados (hipe link pa a a
lis agem: h p://pla ma.o g/en/a ilia e-membe s-di ec o y). Também no que eme e pa a os países
memb os, e à mesma da a, o núme o so eu um ac éscimo, o alizando-se no núme o acumulado de
155 (hipe link pa a a lis agem de países memb os: h p://www2.unw o.o g/en/membe s/s a es).
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34
exe cício de uma ac i idade emune ada pe manen e no des ino
isi ado. Em eg a en ende-se que laze e negócios cons i uem os
p incipais mo i os da iagem [não negando, e iden emen e, ou as
ipologias de u ismo que se mul iplicam e desdob am, como aquele
mo ido po c ença eligiosa]. Po seu u no, exis e um la go consenso
quan o ao ac o da iagem de negócios implica uma componen e de
laze enquad á el na ac i idade u ís ica.» (Ba os, 2004, p. 19).
Con udo, e ab a-se aqui um impo an e pa ên esis, os u ilizado es de
um dado luga não são apenas esul an es de p ocessos ligados ou omen ados
pela p á ica u ís ica. Po isso, conside amos da maio pe inência ap esen a
uma abela heu ís ica dos u ilizado es que se ap op iam do espaço.
Em sín ese, na Tabela 2, p opomos ipi ica em moldes globais os
isi an es que u ilizam esse de e minado espaço da cidade. Como al, c emos
que es a abela exp essa de manei a ampla e mais comple a a ipologia de
ac o es sociais ap op ian es de um de e minado luga .
Es a abela pe mi e-nos comp eende que a ap op iação social do
espaço não é somen e e ec uada po isi an es em u ismo, como ambém o é
po isi an es que não esidem nas imediações ou adjacências desse mesmo
luga , aos quais denominámos po isi an es não esiden es. Comp eende-se
igualmen e que os p óp ios esiden es são uma ipologia de ac o es sociais que
con ibui pa a os usos e expe iências desses espaços. Ambas as ipologias
podem, a de e minado momen o, coabi a , i.e., coexis i no mesmo luga num
mesmo momen o empo al.
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
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Tipologia
Sub ipologia
Ap op iação
Residen es
-
Regula es
Ocasionais/Pon uais
Visi an es
Tu is as
Ocasionais/Pon uais
Não-Residen es
Regula es
Ocasionais/Pon uais
Tabela 2
Tipologia de U en es no Luga
Fon e: au o
Tal como acon ece em odas as p á icas de consumo, o u ismo ap esen a uma
e en e ocacionada pa a a o e a e ou a ocacionada/ omen ada pela p ocu a
(Coope e al., 2008, pp. 11-14). A ní el da o e a conside amos que o Es ado, a a és
de polí icas públicas ence adas pelos deciso es polí icos, e os agen es económicos,
baseados na iloso ia do luc o e em lógicas me can ilis as, são a sua p incipal
eng enagem (Holloway, 2006). O u ismo é um bem, um se iço, a consumi po pa e
daqueles que podem despende do capi al económico necessá io pa a dele usu ui
(Coope e al., 2008, p. 520). Assim, da pa e da p ocu a podem se á ios os mo i os
que le em o u is a a, en im, sê-lo. De um modo mui o ge al, as mo i ações pa a al
podem passa po é ias (es e a do laze ) e negócios (es e a do abalho), sendo que
nes a úl ima a hipó ese de escolha do des ino não seja con olá el pelo indi íduo
(Holloway, 2006, pp. 9-10), mas onde algumas das suas p á icas podem sê-lo.
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Numa pe spec i a de e e enciação a omis a, que não i emos explo a ao
de alhe mas que nos pa ece con enien e enuncia , a idealização do des ino u ís ico
quando de é ias (laze ) depende das disposições psico-sociais dos indi íduos, sendo
que es as podem di idi -se em (i) alocên icas (ca ac e ís icas mais ípicas de
‘a en u a’), (ii) psicocên icas (ca ac e ís icas mais e aídas e menos a im da
no idade) e (iii) mesocên icas (ca ac e ís icas in e mediá ias e mais comuns,
possibili ando a ‘massi icação’ a a és dos chamados packs ou paco es u ís icos).
Sabe-se que as mesocên icas são, de ac o, as mais ípicas (B aga, 2007, pp. 37-38). A
p ocu a de um des ino u ís ico pode passa assim po e i ó ios mais na u ais ou
mais u banos, mais ol ada pa a a a en u a ou pa a os despo os adicais, pa a a
cul u a, pa a o in e esse his ó ico, pa a o usu u o balnea , ou pa a á ios den e en e
uma panóplia di e si icada, sem uma ob iga o iedade pela qual se excluam
mu uamen e (B aga, 2007: 44-47). Cabe ao ope ado u ís ico sa is aze – e c ia – as
necessidades do indi íduo em, ou po encialmen e em, u ismo quan o à segmen ação
que exempli icámos.
Não obs an e a endência massi ican e do u ismo não de emos nem podemos
enca á-lo apenas de uma o ma homogénea quan o ao des ino. O u ismo é
igualmen e dis in i o quan o à o e a e à p ocu a de des inos, numa base
di e enciado a que se ope a ao ní el dos c i é ios de dis inção social (Bou dieu, 1998a,
pp. 99-256).
Pos o is o, o u ismo não é uma p á ica inócua ace ao ambien e. Exe ce uma
p essão no ambien e, em a iadíssimas dimensões, e em impac os a ní el das
populações locais an i iãs. Deixa -se-á o deba e ambien al pa a o pon o 7 des e
capí ulo.
Ence ando es e pon o, insis imos que os espaços públicos u banos
equali icados e mais ag adá eis de i encia , que seja quo idiana ou sazonalmen e,
podem se conside ados como uma mais- alia pa a o consumo em ge al, açamo-lo
que numa ‘ca ed al’ ou num ‘ emplo’ mais modes o, ou ainda em espaços de uso
público imedia amen e adjacen es ao ou no espaço público – cuja na u eza das suas
sociabilidades nessas ‘ca ed ais’ ou ‘ emplos’, como obse a emos adian e na

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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ope acionalização do concei o, nos inci a a conside á-los com um ce o igo
igualmen e como espaços públicos.
Comp eendemos en ão a exis ência de uma conside á el e inegá el elação
en e a eno ação dos espaços públicos e a p omoção do u ismo, o seu incen i o. Tal
signi ica a en ada num cí culo do consumo global que, des a o ma, o na mais
suscep í eis e mais dependen es es es con ex os u bano-me opoli anos des e ipo de
usos.
5. O Re e so da Moeda: Ma ginalidades Sociais
O ideal- ipo de espaço público apon a-o como sendo um luga cuja ap op iação
pode se e ec uada po odos. Desenganemo-nos, oda ia, quan o a es a asse ção.
Fac ualmen e, o espaço público, ou di e en es espaços públicos, são ap op iados de
um modo desigual e dis in i o (Bou dieu, 1998a, pp. 99-256). Sob e a ideia de que es e
espaço se ia an o de odos como de ninguém, na es ei a ideal- ípica webe iana,
somos, especialmen e a a és da empi ia ou da análise dos espaços i idos,
con on ados com a elegação des a p opos a concep ual: o espaço que é i ido no
eal em pe enças e é, não é demais elemb á-lo, dis in i amen e de alguém e de
alguns, ainda que não o seja, seguindo o léxico de pe ença, de aco do com a
no ma i idade legisla i a que se en e ê como sobe ana. Conside a-se o espaço
público p openso a se ap op iado po odos mas é e ec i amen e ap op iado po
alguns que, assim, o o nam seu, ainda que di idindo a posse po acções de empo
dessa u ilização com ou os ac o es sociais. Conside a-se igualmen e que mesmo na
concepção do p óp io espaço público, quase semp e po de ás des a, exis em lógicas
dis in i as, mesmo que ‘planeadas’ de o ma inconscien e e/ou não p oposi ada. Di o
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de ou o modo, de de e minadas o mas mais ou menos inconscien es que
condicionam o seu uso e po enciam uma assime ia de ex ac o/segmen o social
po quan o do seu uso e consequen e ap op iação (Almeida, 2008, pp. 40-41). Tal
como no caso de ou os concei os e ocados p e iamen e, eme e-se pa a a
ope acionalização do concei o uma explo ação de idamen e acu ilan e e
po meno izada do que se en ende, no decu so do odo es e abalho, pelo concei o de
espaço público.
Es e e e so da moeda com que p o oca o iamen e se in i ulou es e pon o
núme o 5 implica odos os es an es ac o es sociais que po mo i os de ma ginalidade
social
22
es ão inap os, i.e., simbolicamen e desac edi ados, em acede aos mesmos
espaços públicos que a maio ia da sociedade. Nes e sen ido, subsc e e-se da ese que
sus en a a exis ência de o mas de exclusão e de ma ginalidade social isí eis e ou as
que não sendo mani es as se ão oda ia pe cep í eis, e pe cep í eis apenas, já que
não excluem nem ma e ial nem simbolicamen e. Nes e úl imo cená io conside ado os
excluídos, ou os ma ginais, es ão simplesmen e ausen es ou in isí eis (Xibe as, 1996,
p. 19).
Es as ma ginalidades, ou es es ma ginais, de êm con udo a sua geo-
e e enciação e i o ial: Ghe os nos Es ados Unidos, Banlieues em F ança, Qua ie i
Pe i e ici ou Deg ada i em I ália, Fa elas no B asil, Villa Mise ia na A gen ina, Ranchos
na Venezuela, e po aí adian e (Wacquan , 2006, p. 5). Es es espaços al amen e
desquali icados simbolicamen e e socialmen e es igma izados exis em, de uma o ma
ou de ou a, numa es e a de iolência mais con ida ou mais mani es a, em qualque
cidade, edes de cidades ou á eas me opoli anas mundo a o a. Es es luga es
desquali icados e es igma izados são aqueles onde as di e enças sociais se acumulam e
se azem sen i de modo mais no ó io. São mui as ezes ‘zonas de não-di ei o’ –
eco de-se, po exemplo, os inciden es oco idos em Julho de 2008 no chamado bai o
22
O concei o de ma ginalidade social que aqui aplicamos ap oxima-se com maio ên ase do concei o de
exclusão social do que dos de des io ou de c iminalidade, embo a á bebe inspi ação a ambos.
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
39
da Quin a da Fon e
23
e, em Maio de 2009, os inciden es oco idos no di o bai o da
Bela Vis a
24
– ou ‘sec o es p oblemá icos’ que albe gam populações ma ginais e mal
is as pelos seus pa es inclusos. Aos inclusos es es são espaços in e di os, po an o
como que e ados, den o da me ópole, bas ando a sua epu ação, cons uída a a és
de ep esen ações sociais que se consubs anciam nos esquemas men ais dos ac o es,
enquan o luga es a e i a . As ep esen ações men almen e esquema izadas pelo
cidadão incluso, onde os media pa icipam de o ma inegá el, passam pelo
en endimen o desses luga es como ocos de iolência, de ício e de deses u u ação
social (Wacquan , 2006, pp. 5 e 19).
6. Secu ização e Sen imen o de (in)Segu ança
Qualque espaço que o e eça aos seus u en es en e enimen o, laze , simples
uição e/ou possibilidades de consumo em de se ca ac e iza de o ma a que lhes
seja ansmi ida segu ança ou, mais p óp ia e co ec amen e, que um sen imen o de
segu ança es eja p esen e nas men es dos seus u en es. Embo a o sen imen o de
segu ança não se encon e co elacionado a uma si uação de segu ança
ob iga o iamen e eal, ou e ec i a, ob ém um e ei o incon o ná el e indesmen í el nas
23
Es e e i ó io, si uado no concelho de Lou es, oi, na da a mencionada, palco de um acon ecimen o
que en ol eu i o eios e que despole ou um c escendo no sen imen o de insegu ança po pa e dos
habi an es, bem como na população po uguesa em ge al, assen e pa icula men e na p oli e ação e
uso de a mas ilegais. Algumas on es ela i as à media ização des e enómeno es ão de idamen e
assinaladas na bibliog a ia, como é exemplo o diá io Co eio da Manhã (Co eio da Manhã online, 2008).
24
Bai o si uado no concelho de Se úbal, no qual oco e am assinalá eis desaca os onde, a pa daqueles
mencionados na Quin a da Fon e, o ecu so a a mas de ogo se ez sen i , ag a ados pelo a emesso de
di e sos cock ails molo o , nomeadamen e di eccionados às o ças policiais que p o idencia am no
sen ido de epo a o dem. Di e sas on es dos media, que assinalam o enómeno, es ão p esen es na
bibliog a ia, como é exemplo o no iciado pelo jo nal Exp esso (Exp esso online, 2009).
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p á icas sociais, como po exemplo, as que se desen olam num espaço pa a habi a
ido po segu o ou, nes e caso, de espaços idos como segu os pa a consumi , pa a se
en ega aos momen os de laze , pa a ão simplesmen e ui , e c.
É i al pa a a sua a ac i idade que qualque espaço público em qualque
cidade ou em ou os e i ó ios de ma iz i encial u bana possa o e ece aos seus
u en es a sensação de es a em segu os. Excluímos des a equação a p ocu a do espaço
exac amen e pelas suas ca ac e ís icas ‘pe igosas’, ‘a iscadas’ e de ‘a en u a’, no seio
de uma lógica, ou de algumas p á icas subjacen es a essa lógica, a que se a ibui a
designação de da k ou ism (Sha pley & S one, ed., 2009), enómeno a que nos
escusa emos de abo da em p o undidade po ex apola o âmbi o do que
p e endemos e no mesmo não se enquad a ou não ob e isibilidade.
P osseguindo, essa impo ância conce nen e ao sen imen o de segu ança
de e á, passe-se a edundância, se assegu ada com o in ui o e a inalidade de a ai
os ac o es sociais e os agen es económicos, de igual manei a em odos os espaços de
uso público. Se de ac o se sabe que o ele ado núme o de u os e de oubos, c imes
que expomos a í ulo exempli ica i o, que a ec a odos os g ande países ociden ais
es á in imamen e ligado à abundância de bens, ao anonima o das cidades, à li e
ci culação de bens e de pessoas, p oblema c iminal e social p esen e na ama dos
nossos quo idianos i idos (Cusson, 2006, p. 13), não deixa po ém de se e dade que
i emos, pelo menos nes es países, «nalgumas das sociedades mais segu as» de en e
as que já exis i am (Bauman, 2006b, p. 9). De ido aos p ocessos de indi idualização
que lhes são ca ac e ís icos, as nossas sociedades p escindi am de um nó ape ado ao
ní el do laço e da coesão sociais que aziam a ince eza se mi igada no deco e
quo idiano (Bauman, 2006b, p. 15; 2009b).
Tudo is o em p ol de uma iden idade pessoal (Giddens, 2001) mais li e e
senho a de si, da qual não pa ece que e mos ol a a abdica . Os di ei os dos
indi íduos, e não poucas ezes menos os seus de e es, conquis ados, mui os deles
du an e o p ocesso de u banização das sociedades (Rémy & Voyé, 1994), são omados
como inaliená eis.
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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mais p ejudicados ou em ci cuns ância de maio dano po acção des es. Aliás aqui
es abelece-se um p incípio de ‘pa idade desequilib ada’, já que an o padecem dos
e ei os da poluição os seus maio es causado es como aqueles que pa a ela menos
con ibuem. Como consequência, insis e-se, consubs ancia-se o ac o que não é po se
de e uma pegada ecológica bem mais ca egada que a penalização ambien al se
obse e menos énue do que jun o daqueles cuja pegada ecológica p oduzida seja
mais modes a e menos incada. Somos po an o con on ados com o enómeno, cuja
iloso ia subjaz no p incípio de que se não p e endemos empenha o u u o das
p óximas ge ações (e, quem sabe, a é al ez já o nosso), o desen ol imen o
sus en á el apa ece, p esen emen e, como única solução iá el.
Também o u ismo, como as es an es p á icas de consumo, de e obedece a
uma pos u a enquad á el num desen ol imen o sus en á el in eg ado numa escala
global. O po encial u ís ico, diga-se, aduz-se na exis ência de elemen os a ac i os
num de e minado espaço e nas condições ac uais, o que signi ica que se não o em
idos os de idos cuidados esses ní eis de a ac i idade pode ão pe de os seus
a ibu os (Ba os, 2004, p. 33). Não é só o edi icado, como monumen os en e ou os,
que ca ece de a enção. O ac o na u al é igualmen e, ou ainda mais, p eponde an e.
No e-se que a massi icação da p á ica u ís ica, como an e io men e oi mencionado,
em exe ce p essões sob e um de e minado e i ó io p ocu ado, al como o
supe dimensionamen o dos equipamen os pa a o alojamen o, alimen ação,
anspo e, en e ou os ac o es ponde á eis e a conside a .
A necessidade de um compo amen o cí ico, que inco po e um sen imen o
ambien al, adequado po pa e dos cidadãos, seja po pa e daqueles que esidem
nesse e i ó io ou na sua adjacência, seja po pa e dos es an es ‘cidadãos do
mundo’, é incon o ná el de o ma a impedi a deg adação de ecossis emas (como em
acon ecido, incluindo na nossa nação, nas p aias e luga es ci cundan es). Mais, de e á
cabe ao Es ado a supe isão e sancionamen o dos compo amen os que possam se
conside ados insus en á eis pa a com os luga es públicos e de in e esse público, ainda
que não exclusi amen e es es.

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Aliás, a de inição de Tu ismo Sus en á el ai bebe a sua inspi ação à noção de
Desen ol imen o Sus en á el. Assim, é Tu ismo Sus en á el (Coope e al. 2008, pp.
218-220) aquele que ai ao encon o das necessidades dos u is as dos dias de hoje,
p o egendo os e i ó ios, omen ando assim opo unidades de usu u o u u o. A
ges ão dos ecu sos económicos, sociais e es é icos de em se ga an idos em
simul âneo com a manu enção de uma in eg idade cul u al, de p ocessos ecológicos
essenciais, da di e sidade biológica e de odas as con ingências que conco em pa a a
manu enção da ida. O impac o u ís ico pode inclusi amen e se medido pela ó mula
em que é igual à população u ís ica a mul iplica pelo impac o causado pelo u is a,
pe capi a. Embo a es a ó mula não seja pe ei a, pe mi e oda ia ecolhe alguns
indícios do impac o que o u ismo em num dado luga .
Um ambien e que não seja de qualidade ela os e i ó ios com um man o de
não-a ac i idade. Há en ão que p o e em minimiza os e ei os ne as os p o ocados
pela poluição e e en e ao anspo e, pa icula men e daquele que az uso das linhas
aé eas, o uído po eles p o ocado, a poluição ine en e ao des ino u ís ico e
p oblemas de conges ão do á ego e e osão espacial, e ainda os iscos e pe igos
suscep í eis de a ec a lo a e auna. Os desgas es p o ocados são-no a ní el ísico
pa a a na u eza, mas ambém a ní el psicológico pa a o homem (Holloway, 2006, pp.
138-159). Pode á um u ismo sus en á el po encia a a ac i idade de um
de e minado e i ó io? Es a ques ão pode á igualmen e se uma hipó ese de abalho
a não igno a .
Só a soma das acções e p á icas conce adas pelos ac o es sociais, como as do
Es ado, da dos agen es económicos e dos u en es e ap op ian es dos e i ó ios
pode ão di a a sua sus en abilidade, ga an indo mais do que a sua habi abilidade uma
supe io qualidade de ida de e pa a odos.
Pese embo a odas es as conside ações sob e a emá ica ambien al apa en em
me amen e cabe na es e a de um discu so no ma i o, a ealidade é que ai bem além
do mesmo, com consequências p á icas ao ní el das polí icas e execuções p omo idas
pelos deciso es públicos e, po consequência, ao ní el dos compo amen os e modos
de pensa dos demais ac o es sociais em ge al.
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8. A ele ância da imagem da cidade
A imagem de uma cidade, ou a sua ep esen ação cons uída pelos seus
u en es, é elabo ada, como se pôde cons a a , de uma o ma p olixa. Mais ainda se
o na di usa a imagem dos e i ó ios u banos se se aumen a a escala pa a aquela das
á eas me opoli anas. Sabe-se que a capacidade de a acção po pa e de uma cidade
depende da sua boa imagem em e mos ge ais, pelo que cabe á a algumas zonas
e i o iais em pa icula uma diligência mais sen ida pa a que se conc e ize e
consubs ancie essa isão. Há que aze um es o ço conjun o, po pa e de dis in os
ac o es sociais, pa a melho a a qualidade de ida u bana e ela es á a o na -se, no
decu so des e século, numa das ques ões basila es dos pode es públicos que
comp eendem que nas cidades con empo âneas começa-se a in e io iza e ambém a
a alia o ‘p og esso social’ não só em e mos de ní el de ida mas p incipalmen e pela
qualidade de ida que es a possa p opo ciona a quem a i e (Fe ei a, 2005, p. 29).
Mas a inal o que é a imagem da cidade? É ce amen e, adian a emos po o a,
odo o conjun o de ep esen ações simbólicas e ísicas que os di e en es ac o es
sociais, indi iduais ou colec i os, elabo am e cons oem em elação ao e i ó io que
delimi a o p óp io espaço da cidade. Todo o espaço es á, en ão, ca egado de sen ido
(Cas ells, 2006, p. 304). Pa a além de p odu o das p á icas sociais o espaço é
igualmen e p odu o das mesmas. Assim, a ní el simbólico, uma cidade pode se
in e p e ada de modo quali a i o, onde a imagem lida pode se mais ou menos
posi i a. Numa acepção mais geog á ica des e concei o, a imagem da cidade pode se
conside ada como a cons ução men al desenhada pelos ac o es sociais e pela qual
dis inguem e mapeiam di e sos e e enciais ace a dis in os pon os de localização que
assim são passí eis de se em ano ados no in e io da cidade imaginada. Es a isão é
uma isão mais dis o cida, que a ia de ac o pa a ac o , quando pos a em
compa ação com o mapa eal da cidade, a ando-se en ão de uma legibilidade da
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cidade (Lynch, 2003, p. 13) e é median e es a legibilidade que os ac o es sociais
es u u am e iden i icam o meio ambien e. Em qualque dos casos, uma lei u a que
pe mi a ep esen a a cidade, ou pa celas da cidade, em que a i me a sua boa imagem
é semp e um ga an e posi i o no sen ido de ma e ializa uma ala anca pa a o seu
po encial de a ac i idade.
En endemos que nos de emos p olonga um pouco mais na sis ema ização da
inquie ação à qual izemos menção: o que é a Imagem da cidade? O a a imagem da
cidade é odo o conjun o de ep esen ações simbólicas e ísicas que os di e en es
ac o es sociais, indi iduais e colec i os, elabo am e cons oem ela i amen e ao
e i ó io que delimi a o p óp io espaço da cidade. Todo o espaço es á, po an o,
ca egado de sen ido (Cas ells, 2006, pp. 304-306). Aliás, como já ínhamos is o, pa a
além de p odu o das p á icas sociais o espaço é igualmen e p odu o das mesmas.
Assim, a ní el simbólico, uma cidade pode se in e p e ada de um modo quali a i o,
onde a imagem lida pode se mais ou menos posi i a ou mais ou menos nega i a – não
c emos na exis ência de uma posição neu al no seio des a lógica que é, eco endo à
e minologia de Pie e Bou dieu, cla amen e dis in i a (Bou dieu, 1998a).
En ão, assim a imagem de uma cidade, balizada en e posi i idade e
nega i idade, pode se :
(i) endop ojec ada – De si pa a si, é a imagem que a cidade p e ende concede
aos seus u en es. Os discu sos que a cidade u iliza pa a a sua ep esen ação po pa e
dos ac o es sociais passam po á ias es a égias de isibilidade que isam eicula a
sua mensagem. Nes e caso a mensagem é disseminada no imaginá io dos ac o es
sociais que a habi am, ou que dela quo idianamen e usu uem, es abelecendo no seio
des es seus u en es uma consciência de si ela i amen e he e ogénea. No seguimen o
das pala as de Ke in Lynch (Lynch, 2003, pp. 14-17), que e oca e ei os psicoemo i os
nos ac o es sociais pela i ência das cidades, podemos cons a a que quan o melho
o a Imagem da Cidade na consciência dos indi íduos, maio se á ambém a sua au o-
es ima enquan o cidadãos e u en es desse espaço.
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(ii) exop ojec ada – De si pa a o a, é a imagem que demons a como a cidade
se que e in e p e ada ace àqueles que lhe são ex e io es, desde os e i ó ios mais
adjacen es, onde pode á e maio in luência, a e i ó ios mais dis an es onde a sua
in luência pode á se mais escassa e a sua ep esen ação mais u a. As o mas como
são conduzidas as imagens da cidade pa a o ex e io são plu ais em oda a sua
cons i uição, desde a imagem cap ada ( o og a ia, ídeo, mul imédia) ao ela o mais
in o mal da mais simples in e acção social es abelecida com ac o es a si ex e io es ou
que com eles con ac em. Nas sociedades ca ac e izadas po um capi alismo a ançado
udo, ou quase udo, é endá el, enómeno que ab ange a p óp ia – imagem da –
cidade em si.
(iii) ep esen ações p ojec adas do ex e io – Do ex e io pa a o in e io , é a
isão, numa acepção que bebe inspi ação a Simmel, que o es angei o (Simmel, 2004a,
pp. 133-141) adop a, em con o midade com a sua p oximidade e amilia idade pa a
com o e i ó io a ep esen a , e cons ói a a és de imagens e discu sos a que possa
ob e acesso: inclusi amen e a a és de es a égias de exop ojecção a que as cidades
podem eco e , como é o caso do ma ke ing elabo ado po e en uais in e essados em
expandi uma (boa) imagem da cidade.
Numa acepção mais geog á ica ou de en endimen o de ca iz mo ológico des e
concei o, a imagem da cidade pode se conside ada como a cons ução men al
desenhada pelos ac o es sociais e pela qual dis inguem e mapeiam di e sos
e e enciais ace a dis in os pon os de localização que assim são passí eis de se em
ano ados no in e io da cidade imaginada. Es a isão é uma isão mais dis o cida, que
a ia de ac o pa a ac o , quando pos a em compa ação com o mapa eal da cidade,
a ando-se en ão de uma legibilidade da cidade (Lynch, 2003, p. 13) e é median e es a
legibilidade que os ac o es sociais es u u am e iden i icam o meio ambien e.
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Toda ia a ele ância da lei u a simbólica da cidade, ou da sua imagem, é axial
pa a uma comp eensão de ida dos seus sen idos.
Essa capacidade em p ojec a uma boa imagem de si mesma e o seu po encial
de a ac i idade dependem de mui os ou os ac o es, en e os quais não se de e á
descu a o meio ambien e. Seguindo a linha de aciocínio que se p e ende ece ao
longo des e abalho, a capacidade de cap a habi an es e u en es segundo lógicas de
en e enimen o ou de consumo (quo idianos ou sazonais, al como o u ismo) passa
igualmen e pelo sen imen o de segu ança que se consegue incu i aos di e sos ac o es
sociais. Des a manei a, o espaço público ludi icado só ob e á a con iança dos u en es
se em simul âneo se demons a capaz de se di e ido e segu o. Escalpeliza -se-á,
oda ia, melho es e concei o no capí ulo p oceden e.
Já aqui aludimos àqueles que são pos os à ma gem, aos que não êm
possibilidade de ap op ia ce as ipologias de espaço público, po que o ados a uma
ma ginalidade social de quase aniquilamen o simbólico (Wacquan , 2006, pp. 126 e
177). É a pa i da ep esen ação des e ipo de ma ginais que o imaginá io dos não
excluídos e oca pa a si a exigência de espaços em que possa es a imbuído de um
sen imen o de segu ança que lhes p opo cione o en e enimen o, o consumo, en e
ou as p á icas, com p aze . A secu ização de espaços públicos e de uso público,
a a és de uma p esença humana que po ezes é cumulada po mecanismos de
igilância, são as espos as mais comuns ace aos anseios das camadas da população
incluída no ‘jogo’ do lúdico, do en e enimen o, do consumo, do p aze . Es es
e i ó ios omen am ou en am omen a uma lógica de p og amação do quo idiano
dos ac o es sociais de o ma uni e sal e hegemónica, ob ida po uma capacidade de
a acção ludi ican e. Es es locais incen i am ao consumo di e ido ( odo o ipo de
equipamen os pa a execu a , e.g., despo os adicais ou ou os mais adicionais como
pe cu sos ciclá eis) e di ec o (ac i idades que podem se pagas, o comé cio que nesses
espaços se di unde, da es au ação a ou os), sendo que a a és das p á icas lúdicas,
da di e são e en e enimen o, do p aze que se ob ém, po enciam ambém cada ez
mais a ideação de que se é cidadão na medida em se consome (consumi p odu os e

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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bens, consumi o empo que se de ém median e os in e alos das p á icas labo ais ou
equi alen es), e logo com o di ei o a es a segu o (Bap is a, 2005, pp. 48, 50 e 53).
As p óp ias cidades c iam uma espécie de imagem de ma ca (Mons, n.d., p. 82),
e ei o de uma p á ica de ma ke ing que podemos conside a economicis a e que é
mobilizada pelo pode dos deciso es polí icos, aliado aos in e esses de agen es
económicos. A cidade ende-se a a és des a sua imagem, em pa icula , e cada ez
mais, a a és da imagem de ma ca, es e icizan es e es e icizadas, olham a cidade
izinha, p óxima ou mais longínqua, no seio de uma iloso ia de compe ição. Eixos de
cidades em ede que pode iam ou de e iam coope a (Senne , 2012), no seio de uma
ambição do seu desen ol imen o e sus en abilidade, co oem-se numa compe ição
condizen e com um capi alismo sel agem (Ha ey, 2000, pp. 53-72).
Ac escen e-se, as cidades cons i uídas em ede nes a e a globalizada podem e
de em se i de in e ace de pode aos in e esses sup anacionais (Sassen, 2006, pp. 1-
36 e 115). Aliás, sus en amos inclusi amen e que as cidades são e i ó io p i ilegiado
em que se localiza o global.
Ence a-se es e pon o, onde se indicia am as in icadas e complexas malhas da
cidade lúdica e cidade de consumo segu o, asse indo que es amos pe an e uma
mode nidade quase líquida, em que p oli e a a ecusa de cons angimen os e de laços
(Bauman, 2006a, p. 29; 2009b; Singly, 2001; 2006) em p ol de p ocessos de
indi iduação (Rémy & Voyé, 1994, p. 134) e indi idualização cada ez mais acen uados.
9. Acudindo a um Concei o P olixo: O Espaço Público.
A cen alidade que o concei o de espaço público mani es a ao longo de odo o
nosso abalho implica, no nosso en ende , que lhe apliquemos uma a enção de e as
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singula . Dessa o ma, op ámos – não obs an e alguma queb a de coe ência e í mica
com o ex o a é aqui já desen ol ido – po abalha es e concei o sepa adamen e, o
que ealizámos plenamen e cien es e con encidos dessa mesma necessidade.
Espaço público, na sua dimensão e i o ial, a a de um concei o na u almen e
ão disseminado na sociologia, nomeadamen e na sua componen e o ada aos
es udos u banos, ac o que o o na pa icula men e ap o a uma acei ação e iden e
que, con udo, amiúde encapo a a eal complexidade de um concei o, como
sublinhámos, ancamen e exp esso na li e a u a sociológica e nou as com a inidades
ao di o espaço público. Pe si se e idencia, desde logo, a i e u á el necessidade de
uma discussão apu ada e in ensi a que cons ua uma iden idade não só de e e ência,
mas pa icula men e de subs ância, ads i a ao concei o, en im, ao que in e p e amos
e en endemos como Espaço Público.
Op ámos po cons ui e ope acionaliza es e concei o pelas suas
ca ac e ís icas que le an am um inúme o conjun o de dú idas e de de inições di usas
que pau am dessa o ma um en endimen o incada e demasiadamen e p olixo. O
espaço público su ge nas di e sas eo ias que se empenham no es udo, comp eensão,
explicação e cons ução social das cidades em ema es pouco escla ecedo es
o nando-se, à luz do que e idenciámos, mui as das ezes numa espécie de ecei a
aplicá el com demasiado acili ismo e alguma eleidade.
Toda ia, sejamos consequen es. De ini o espaço público, amiúde, é ei o po
oposição ao que não o é. Escla eça-se e elimine-se daqui limina men e algum e en ual
pa adoxo: assim concebido, odo o espaço que não é p i ado ou semi-p i ado pode á
cabe , sem ou as p eocupações que melho desenleassem o seu nó ope a ó io, na
agenda daqueles que eco em à u ilização eco en e quase que banalizado a e
banalizan e do concei o em si, p a icamen e esgo ando-o po uma sob eabundan e e
pouco p eca ida u ilização das suas o mas, con eúdos, e, não menos impo an e, das
suas dimensões.
Sendo um concei o de uso gene alizado e consensual, ê e minado o seu
consenso a pa i da al u a em que di e en es agen es ou eo ias o aplicam à ealidade
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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social. É nossa p e ensão en a ob iga a uma disciplina ope a ó ia do concei o,
pa icipando numa busca po uma eabili ação da c edibilidade cien í ico-concep ual
naquilo que é, en ão, mo men e comp eendido como espaço público em ge al.
Incluem, as nossas in enções, e u a alguma eo ização que apon a ou ad oga no
sen ido da ‘mo e’ do espaço público – já lá chega emos.
A discussão do que é o espaço público ob iga-nos, ine i a elmen e, a coloca
in e ogações ace ca do ca ác e on ológico do mesmo. A p imei a in e ogação, e
al ez a mais pe inen e num con ex o as ixiado de de inições, su ge nos e mos das
ep esen ações simbólicas do espaço público e que abala as concepções mais
adicionais do concei o. Podemos sin e iza es a in e ogação – e p eocupação –
median e a seguin e ó mula: Exis e de ac o alguma ealidade social que possamos
chama e assumi como espaço público, i.e., exis e em si mesmo um espaço público
enquan o al? O a, é a pa i des e pos ulado, des a in e ogação ao ac o social, que
eme ge uma p imei a up u a com as concepções o inei as e, digamos, mais
adicionais do espaço público. Es a up u a su ge no sen ido de conside a mos, e
de endê-lo-emos ao longo de odas as linhas des a in es igação, que não exis e po si
um espaço público pu o que não seja aquele que in eg ado numa acepção ideal- ípica
esp aiada em p oposições de linha webe iana
29
. Sus en a o pa adigma webe iano que,
g osso modo, o ipo ideal e a a uma ealidade social numa abs acção acional.
Pa e-se des e p incípio pa a explica , no seio des a in es igação, um ce o azio
concep ual assen e na abs acção gene alizan e e como que nomo é ica que i ompe
do concei o de espaço público. O espaço público se ia po an o, demons am-nos
pos ulados áceis de encon a na li e a u a sociológica e nou as que se deb uçam
pelos es udos dos e i ó ios, um espaço que po de inição pe ence ia a odos;
ac escen a -se-ia igualmen e a ninguém, impe ando a azão da nossa impa cialidade
29
Conside amos cu ioso, mas especialmen e signi ica i o e pe inen e, a en a , po exemplo, ao que
Raymond A on asse e sob e a eo ia de Max Webe : “A cons ução de ipos ideais é uma exp essão do
es o ço de odas as disciplinas cien í icas pa a o na em in eligí el a ma é ia iden i icando a sua
acionalidade in e na, e en ualmen e cons uindo a é essa acionalidade a pa i de uma ma é ia semi-
in o me” (A on, 2004, p. 495).
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cien í ica. Enca ada es a ealidade social do espaço público, em que udo é de odos e
udo é de ninguém, somos, especialmen e a a és da empi ia ou da análise do
quo idiano dos espaços i idos, con on ados com a elegação des a p opos a
concep ual. O espaço que é i ido no eal em pe enças e é, dis in i amen e, de
alguém e de alguns, ainda que não o seja, seguindo o léxico de pe ença, de aco do
com a no ma i idade legisla i a que se en e ê como sobe ana.
Ainda no seio da classi icação adicional de espaço público sob essaem
algumas ami icações des e e que no deco e da p esen e in es igação nos
despe am, ace à pa icula idade do nosso objec o de es udo, um in e esse ac escido.
Re e imo-nos ao que é de inido como Espaço Público U bano
30
– EPU (Gonçal es,
2006). O in e esse po es a ami icação do concei o de Espaço Público passa pelo ac o
de nos pe mi i dis ingui espaços públicos em cená io de i ualidade exclusi amen e
u bana, excluindo si uações em que o discu so ins i ucional cinde c i é ios de
u banidade e c i é ios de não u banidade ace a malhas e i o iais que assim
en endem po bem dis ingui
31
. De manei a a e i a mal-en endidos quando
ap esen amos uma ope acionalização do espaço público e de seguida inse imos os
EPU, escla ece-se que en ende -se-á que o EPU eme e pa a um sub-concei o do
concei o de que de i a e não como uma dimensão desse, já que das á ias dimensões
que pode íamos a ibui ao espaço público mui as a a essam ans e salmen e que
o concei o o iginá io que o seu sub-concei o. Pe manece con udo, inol idá el, a
o ma abs ac a e ideal- ípica, que em linhas an e io es e idenciámos, que di ijamos o
nosso discu so a um ou ao ou o, como con i á pe cebe mos no sen ido de não se
inco e numa con adição eó ico-ope acional e man endo, po an o, a coe ência do
aciocínio sus en ado.
30
De o a em dian e u iliza emos, a im de uma economia do espaço do abalho de in es igação, a sigla
EPU que e e encia á di ec a e exclusi amen e ao que po ex enso edigi íamos Espaço Público U bano.
31
Conside amos ins i ucionais as cisões que de i am de opções legisla i as, na óp ica de um discu so da
disciplina do di ei o no seio da di isão adminis a i a do Es ado, e não as que de i am do discu so
sociológico ais como oposições en e campo e cidade que con inuamos a encon a na li e a u a de
á ios sociólogos. Assim, o discu so ins i ucional dis ingue e nomeia, a í ulo de exemplo, eguesias
u banas e não u banas.
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
63
Jus i icando a ese sus en ada de que o espaço público, em pa icula no
in e io da Sociologia, pe si é um concei o ideal ípico, podemos e em linha de con a
o con eúdo dos quad os ap esen ados pa a en ende mos de modo mais cla o as
azões que conduzem a al noção. Em p imei o luga , en endemos que odas as
in e acções sociais oco em num de e minado espaço – i ual
32
, po um lado, ou
ísico, aquele que especi icamen e nos in e essa e que aqui ap esen amos como
alice ce da in es igação – em simul âneo com uma empo alidade especí ica. Nes a
medida é nossa in enção p opo Espaço e Tempo como p odu o es das p á icas sociais
e, po conseguin e, ambém p odu o es 'ac i os' na cons ução social da ealidade
33
.
Em segundo luga conside amos que o espaço di o público é p openso a se
ap op iado po odos mas é e ec i amen e ap op iado apenas po alguns que, assim, o
o nam seu, ainda que di idindo a posse po acções de empo dessa u ilização com
ou os ac o es sociais. Conside amos igualmen e que mesmo na concepção do p óp io
espaço público quase semp e po de ás des a exis em lógicas dis in i as, mesmo que
'planeadas' de o ma inconscien e e/ou não p oposi ada. Re aseando, ou
e balizando de ou o modo, de de e minadas o mas mais ou menos inconscien es
que condicionam o seu uso e po enciam uma assime ia de es a o/segmen o social
po quan o do seu uso e consequen e ap op iação (Bou dieu, 1998a, pp. 99-256). Pa a
além des a dis inção assen e numa negociação e/ou con li os de o dem de pode
simbólico, o espaço ap op iado de ine-se, a o e io i e um mínimo que seja, pelo
32
Se é e dade que uma in e acção pode oco e num espaço i ual (Cas ells, 2004, pp. 145-163), não
deixa oda ia de se menos e dade a necessidade inapelá el da p esença ísica dos in e locu o es num
espaço não i ual, mesmo que en e o espaço en epos o a cada in e locu o exis a uma cisão de
dezenas, de cen enas ou a é mesmo de milha es de quilóme os. A ibuindo uma equação mais simples
ao ac o expos o, a possibilidade de se es a no espaço i ual oco e ão-somen e pela p essupos a p é-
exis ência do espaço geog á ico na sua ex u a ísica. Nes a medida, cons a a-se com acilidade que o
espaço ísico, ou a sua inexis ência, anula ou de ém a possibilidade de anula aquele que o é no i ual,
sendo que o p ocesso in e so não pode oco e jamais no eal, excep o num inquinamen o
pe cepcionado pelos esquemas men ais dos ac o es sociais colocados em jogo.
33
A p opósi o da discussão do espaço 'geog á ico' como p odu o social soco emo-nos dos con ibu os
eó icos de Soja, 1994 e 2006; da ' empo alidade' no espaço como p odu o social, de Le eb e, 2007;
igualmen e de Cas ells, 2006. Da cons ução social da ealidade em ge al Be ge e Luckmann, 1999,
pe manecem e e ências incon o ná eis.

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64
ca ác e de u ilização a que es a a esquissado an es da sua c iação na malha u bana: é
eg a que, e.g., nas ias p edominan emen e mo o izadas a ap op iação seja
e ec uada pelos ac o es capaci ados ou que eúnam as condições de o aze de o ma
mo o izada; é eg a, e.g., que os ecin os de laze de inidos sejam ap op iados po
ac o es sociais numa lógica pedonal. É ele an e assumi que a disposição uncional de
um espaço se cump e mais ou menos de aco do com as suas unções, sendo po ém
ainda mais ele an e menciona o ca ác e simbólico com que os ac o es se ap op iam
de um de e minado espaço, como o azem dis in i amen e, com empo alidades e
p á icas especí icas aos g upos e segmen os sociais a que pe encem, e c.
C emos en ão pode sin e iza , de uma o ma e iden emen e sumá ia, o
espaço público em ge al como um espaço que abs ac amen e pode se ap op iado
po á ios conjun os de ac o es numa g ande a iedade de in e acções sociais
possí eis, mas em que, po ém, a sua ap op iação eal depende, po um lado, da
disposição uncional do mesmo, e incon o na elmen e, po ou o, do alo simbólico
desse espaço e dos di e en es capi ais que di e en es ac o es sociais eúnem na
discussão da 'legi imidade de posse', queb ando assim o nomo e ismo e o idílico da
concepção que an as ezes o concei o de espaço público aca e a.
Numa segunda c í ica aos EPU, e ao espaço público em ge al, apon ámos como
nosso móbil o ac o de se negligenciado o ca ác e público das sociabilidades
oco idas e i idas quo idianamen e nou os espaços em de imen o do espei o, onde
se pa ece pode obse a o assomo de uma inesc u á el submissão da Sociologia, po
uma no ma i idade ju ídica. Con udo, como sociólogos, somos a essos a uma
de inição do espaço público exclusi a ou es i amen e assen e e de inida na
no ma i idade ca ego izada na disciplina do di ei o, nomeadamen e median e uma
ígida di isão adminis a i o- e i o ial – se bem que es a de enha, cla o es á, as suas
alências e aplicabilidades especí icas – que di e odas as eg as do jogo (Almeida,
2014a).
Na ealidade, no quo idiano, os espaços i idos não são es á icos. Es ão, aliás,
longe de o se . Face a es e en endimen o é lógico que se asse e e que na dinâmica
u bana – e não apenas – despon em no as o mas de i e e de expe iencia a cidade
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
65
e, desde logo po ine ência, os seus espaços. Na consequência des as asse ções,
comp eende-se igualmen e po que epudiamos a pe cepção, al ez adian ada de
o ma p ecipi ada, que sus en a e ab e p ecoce co a a um espaço público í ido e
ulgu oso, po an o a não ca ece de cuidados de p ema u o en e o.
And ade e Bap is a p opõem um en endimen o do ca ác e público do espaço
no qual se ompe com a adicional di isão do espaço segundo a no ma i idade
assen e na p op iedade desses espaços, ul apassando a dico omia do espaço que é
de ido pelo Es ado e suas en idades públicas e o espaço p op iedade de ac o es sociais
do sec o p i ado, pa icula men e aquele que é ap op iado po um núme o
signi ica i o de ac o es sociais indi iduais e que comummen e é econhecido como
espaço semi-p i ado ou, quan o mui o, de uso público.
Nes a medida And ade e Bap is a começam po sus en a sob e os espaços
públicos que a sua «especi icidade de e-se ao seu ca á e público, ou seja, abe o a
odos e pela possibilidade de in e ações com desconhecidos» (And ade e Bap is a,
2015, p. 130). Dis inguem-nos, po an o, dos espaços p i ados
34
onde as in e acções se
encon am mais es i as a amilia es e amigos e ainda pela maio imp e isibilidade no
esul ado das in e acções sociais, po ezes conducen es ao con li o, deco en es da
i ência dos espaços públicos.
P osseguindo, And ade e Bap is a e idenciam ainda a eme gência das ca ed ais
de consumo (Ri ze , 2005) como «os no os espaços de consumo de acesso público»
(And ade & Bap is a, 2015, p. 140). Es as, sus en am, mobilizam-se como «elemen o
o ganizado da ida nas sociedades con empo âneas», onde ocupam um luga de cada
ez maio cen alidade na es u u ação dos luxos das me ópoles con empo âneas,
«sendo cla o que não só os shopping cen e s, mas ambém os es ádios despo i os e os
34
Que emos p ecisa que aqui nos e e imos a espaços p i ados em sen ido es i o, como la es
amilia es, e não a espaços p i ados passí eis de uso público, os quais, sociologicamen e, conside amos
como públicos al como sus en ado.
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66
pa ques emá icos a igu am-se como luga es de acesso público que i alizam com as
o mas adicionais de encon o e de laze » (And ade e Bap is a, 2015, p. 140).
A ami ação pa a o en endimen o sociológico de espaços di os de p op iedade
p i ada, ou a é mesmo semi-p i ada, pa a uso ou acesso público em demons a , na
nossa opinião, o quão cabal é a necessidade de se comp eende em as sociabilidades
públicas mais quan o ao seu ca ác e e menos quan o ao ci cuns ancialismo ju ídico do
espaço onde oco em. C emos, po essa azão, que os espaços onde as sociabilidades e
in e acções oco idas de em se ca ac e izados em unção da ipologia dessas
sociabilidades e in e acções. Assim, espaços que po di ei o são idos como públicos
ou semi-públicos no discu so público podem e de em se ca ac e izados com espaços
públicos, pau ados po sociabilidades complexas e he e ogéneas que não espei am
maio i a iamen e à es e a p i ada dos indi íduos. Des a o ma, e seguindo a suges ão
de And ade e Bap is a, quando suge em shopping cen e s, es ádios e pa ques
emá icos como luga es de acesso público, es endemos no nosso abalho essa lógica a
ou os espaços como es au an es, ba es e ou os locais onde os agen es sociais se
eúnem numa lógica de in e acção que obse amos como de ca iz pública.
Renegamos assim ao mono e ismo que cinge o espaço público aos luga es de
di ei o, numa pe cepção ju ídica do e mo, p i ado e semi-p i ado e di eccionamos o
nosso en endimen o sociológico de espaço público aos luga es de acesso público nos
quais as sociabilidades são di adas pela sua pe ilhação de ca iz amplamen e pública e
que são p og amados ou equali icados pa a es a ipologia de usu u o e de i ência.
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
67
CAPÍTULO II
DOS MÉTODOS E DAS TÉCNICAS: ABORDAGENS AO OBJECTO DE INVESTIGAÇÃO
«In e oga “Como?”, não “Po quê?”» (Becke , 1998, p. 58)
1. No a In odu ó ia
A inquie ação de Howa d Becke com que ab imos es e capí ulo dedicado às
escolhas me odológicas se e, p oposi adamen e, de mo o à sua in odução. No nosso
en endimen o, ques iona “po quê” não em po p op iedade meno impo ância do
ques iona o “como” ace ca de um de e minado enómeno social. P e endemos, ao
e oca a inquie ação de Becke e indo além dela, ela a as nossas p óp ias
p eocupações pe an e o que se o nou o nosso objec o de es udo. Cump e a esse
ela o e idencia que as escolhas conce nen es a mé odos e écnicas a aplica não
podem se simplesmen e alocadas a uma escolha ou a ou a, numa lógica es i a e
edu o a na qual uma opção exclui as demais. Pelo in e so, comummen e nos
depa amos com si uações em que essas uma e ou a se complemen am. Po ou as
pala as, e eco endo ao mesmo exemplo de Becke , nes e sen ido é p o ícuo pa a o
abalho sociológico an o o uso da in e ogação do “como” e do “po quê”, exp essos
po Becke . É, no en an o, ambém e dade que na escolha do ilha me odológico
haja opções que p e aleçam sob e ou as, demons ando des a o ma o ascenden e
que umas ope am sob e as es an es no seio da escolha e ec uada.
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Logicamen e, escla ecemo-lo já, se ia a e a i ealizá el a p e ensão de uso de
odos os ins umen os de anco agem me odológica que a sociologia coloca ao dispo
dos seus p o issionais. Es e cená io u ópico é subs i uído no eal conc e o, ou eal
i ido, pela cien e escolha de ajec o iedades pa icula es que conside amos ce cea
as necessidades ads i as a es e abalho especí ico. Rei ica a abs acção é como um
‘mal necessá io’ pa a que a ciência, e no seu decu so o abalho do cien is a, ob enha
e conquis e signi icado conc e o, ainda que semp e pa cela e incon o na elmen e
p o isó io ace à dinâmica a que as sociedades se encon am, po e ei o mani es o ou
la en e, sujei as.
A Sociologia, c emo-lo con ic amen e, é uma ciência plu ipa adigmá ica e não
nomo é ica, empos já idos os do de e minismo inspi ado na sociologia posi i is a de
Augus e Com e (Roche , 1989; Tu ne , 1993: 70-85; Boudon, di ., 1995; Giddens, 1997;
Ma uccelli, 1999; A on, 2004;). Ci ando Michèle G osjean e Jean-Paul Thibaud,
«à pe spec i a posi i is a que es abelece uma up u a adical en e os
sabe es do senso comum e as compe ências cien í icas subs i ui-se-lhe
uma a i ude bene olen e ace à expe iência do comum»
35
(G osjean &
Thibaud, di ., 2008, p. 6).
No sen ido de uma sociologia do quo idiano, José Machado Pais suge e que
«a sociologia da ida quo idiana inco po a um mo imen o de no os
sabe es e sensibilidades, em up u a com o posi i ismo “e nocên ico”
de algumas o mas “canónicas” da sociologia adicional […].» (Pais,
2002, p. 19)
35
T adução li e, e ec uada pelo in es igado , a pa i do ex o o iginal em língua ancesa.

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69
Tendo em conside ação es as asse ções não espan a que o in es igado enha
op ado po di e en es pos ulados me odológicos cuja a iculação oi, assim o en ende,
bené ica pa a o saudá el desen ol imen o do p ocesso de in es igação. Não nega,
ei e e-se, a p edominância de umas sob e ou as. Na u almen e, insis imos, algumas
des acam-se das demais, usu uindo de um e ei o de p e alência dominan e.
A p esen e in es igação, po que assim o oi pensada, é esul ado de um
p ocesso deco ido a dois ní eis, em duas escalas di e en es, meso e mic ossocial,
sendo que se p osseguiu na a ibuição de uma maio ên ase ao úl imo dos ní eis. As
me odologias emp egues, no nosso en endimen o, de e iam segui um igo em
consonância com as nossas mo i ações ela i as à in es igação, bem como em elação
aos dois ní eis ou escalas de análise. Examinemos, no en an o, as escalas mencionadas
isando uma lei u a mais escla ecida ace ao p e endido.
No que co esponde à p imei a escala se á elabo ado um b e e in en á io
sociodemog á ico do país, da Região de Lisboa e Vale do Tejo e da Á ea Me opoli ana
de Lisboa, com base nas es a ís icas o iciais do Ins i u o Nacional de Es a ís ica, com o
in ui o de melho enquad a o objec o na ealidade nacional. O olume que diga
espei o ao u ismo se á ambém documen almen e analisado. Os objec i os, po ém,
conce nem bem mais a um enquad amen o comp eensi o do que a uma análise
de alhada. Já em is a pa a com uma in ensidade e p o undidade analí icas mais
ele an es e ei e adas, u iliza emos, igualmen e, écnicas documen ais pa a
enquad a a ila de Cascais no âmbi o me opoli ano. A análise documen al se i á, de
igual modo, pa a compa a e melho comp eende á ias dinâmicas, en e as quais se
encon am as sociais, his ó icas, económicas, demog á icas, de alo simbólico,
co esponden es a es a ila que in oduzimos na Linha de Cascais. I -se-á ambém
eco e a algumas en e is as semi-es u u adas jun o de ac o es sociais p i ilegiados
pa a econs i ui es a égias, alo ações e ep esen ações de dis in as á eas des e
concelho, a sabe aquelas mais p óximas das en es de ma . Não deixa emos de
u iliza me odologias de obse ação di ec a, seja ela mani es amen e pa icipan e ou
não.
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70
Po im, à segunda escala p e endemos u iliza a análise documen al como
p imei o egis o de en ada no e eno des acando, de en e ou os, al a ás, licenças
de u ilização e egulamen os de uso da p aia. Também aqui a obse ação di ec a nos
pa ece pa icula men e impo an e. Toda ia, soco e -nos-emos de mé odos e
écnicas de ipo e nog á ico como p imo diais, is o que assim se podem ob e
in o mações jun o das populações e dos u en es cujas ep esen ações sociais da
ealidade ansc e e emos, segundo a disciplina cien í ica, pa a a discussão a que nos
i emos a e nes e comp omisso in es iga i o.
Po ém, pa a uma melho comp eensão das o ien ações e dos modelos
me odológicos, bem como das di e sas écnicas que, ans e salmen e, mo e am o
sup aci ado p ocesso ao esul ado o a ap esen ado, ap esen a emos dois pon os
iniciais conce nen es ao objec o e uni e so de es udo e aos objec i os es ipulados pa a
a in es igação. Quan o aos es an es pon os, assen a ão numa discussão mais
de alhada dos mé odos e écnicas po que op ámos jus i icando o po quê de nos
mesmos e ecaído essa escolha. Passamos, sem mais delonga, a esse deba e.
2. Objec o e Uni e so de Es udo
O p esen e abalho a a, po an o, como objec o e uni e so de es udo,
‘objec o ísico de análise’, as F en es de Ma na Linha de Cascais, a chamada Cos a do
Es o il
36
, pa icula izando com signi ica i o ace o o caso da P aia de Ca ca elos. A
P aia de Ca ca elos, e os e i ó ios adjacen es, são con ocados como ‘labo a ó io
36
Denominação ela i amen e ecen e, sendo que an e io a es a nomencla u a cons a a a de Cos a do
Sol – que ab angia igualmen e e i ó ios dos concelhos de Oei as e de Lisboa.
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
71
expe imen al’
37
, es ando no objec i o da in es igação conhece as suas ca ac e ís icas
especí icas que explicam a es u u ação social daquele espaço: c emos se
pa icula men e in e essan e na P aia de Ca ca elos a sua his ó ia sociodemog á ica e
o seu enquad amen o no concelho de Cascais – cuja socio-his ó ia se ap esen a
igualmen e ele an e.
O ac o de de e a mais ex ensa p aia da Linha, as pa icula idades da sua
população no p esen e e o ac o de se um e i ó io que po excelência é buscado po
indi íduos como os u ilizado es p o enien es da Á ea Me opoli ana de Lisboa, de que
é pa e in eg an e, mas ambém po ou os indi íduos, di os isi an es, p o enien es
de ou as á eas geog á icas do país que buscam, a começa pelos esiden es de ou os
concelhos da AML, e es a se á ou a hipó ese de pa ida, um usu u o balnea . Esse
usu u o balnea é ambém p ocu ado po indi íduos esiden es além- on ei as, a
ní el in e nacional, sejam do in e io ou do ex e io da União Eu opeia.
Temos en ão, mesmo que mais ou menos sazonalmen e, uma amálgama de
u en es – u is as, isi an es e ou os u ilizado es – que nos apa ecem bem
di e enciados a densi ica es e e i ó io. As in e acções en e os que ‘ êm de o a’ e
os que lá esidem segui ão ce amen e lógicas de i ência e expe imen ação des e
e i ó io desiguais quan o aos seus objec i os; podem a é, inclusi amen e, po ezes
coincidi , o que se á ou a hipó ese de abalho a es a . Po es as especi icidades,
o na-se num luga com uma mobilidade humana acele ada e ca egada, ce amen e,
de mui os sen idos que impo a consegui , de o ma o mais escla ecida possí el,
comp eende .
P osseguindo, o concelho de Cascais, localidade classi icada como Vila,
ap esen a a uma população esiden e, segundo as in o mações disponí eis pela
a aliação censi á ia de 2011, de 206.479 habi an es. Ac escen e-se que a ila de
37
Pa icula men e a p aia de Ca ca elos. Po ém, é de no a que ambém o azemos no que eme e pa a
ou os e i ó ios do concelho de Cascais, como obse a emos no desen ola do abalho.
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72
Cascais desdob a-se po seis eguesias, pelas quais se dis ibuem os esiden es no
concelho. Vejamos a Tabela 8:
Te i ó io/ n.º habi an es
ano censi á io
1991
2001
2011
AML (NUTS II)
2.520.708
2.661.850
2.821.876
Cascais (CC)
153.294
170.683
206.479
Alcabideche
26.897
31.801
42.162
Ca ca elos
18.014
20.037
23.347
Cascais
27.741
33.255
35.409
Es o il
23.962
23.769
26.399
Pa ede
20.742
17.830
21.660
São Domingos de Rana
35.938
43.991
57.502
Tabela 8
Legenda: Dis ibuição Te i o ial dos habi an es de Cascais (CC) po eguesia e
segundo os dados censi á ios de 1991 a 2001 (Fundo cinza, eguesia de Ca ca elos,
onde i emos ocaliza mais in ensi amen e a componen e e nog á ica do nosso
es udo), in eg ada na AML.
Fon e: INE
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Es a in o mação no nosso en ende é signi ica i a, is o que indica em e mos
de possibilidades de onde pode ão se o iundos e en uais ap op ian es da P aia, se
bem que não se espe e que a sua epa ição se assuma igual – nem em e mos
ela i os, nem em e mos absolu os. Es a dinâmica esul an e no o necimen o de
ap op ian es da p aia o iundos de a iados pon os da á ea me opoli ana, com
en oque nos municípios plasmados na Figu a 5, aqueles que mais u en es o necem à
p aia pa a além daqueles que esidem no concelho de Cascais ou que se encon am
em si uação de u ismo, pe mi e-nos es abelece mos o enunciado da P aia de
Ca ca elos como p aia me opoli ana.
3. Objec i os da In es igação
Os objec i os da in es igação que se p e ende p ossegui , alguns dos quais já
indiciados em ex o p é io, p endem-se essencialmen e com os usos e as
ep esen ações sociais de uma en e de ma – ou en es de ma – num de e minado
e i ó io, a Linha de Cascais, e em que medida essas ep esen ações alo izam e
e o çam o seu po encial lúdico, o po enciam como des ino de u ismo e,
consequen emen e, ao consumo ou a di e en es lógicas de consumo.
Comecemos po escla ece o que en endemos po ep esen ações sociais.
Tendo como p ecu so Du kheim e as ep esen ações colec i as, as ep esen ações
sociais são especialmen e ca as ao in e accionismo simbólico, encon ando, e.g., eco
nos abalhos de E ing Go man (Go man, 1972, pp. 315-332; 1982, pp. 47-81; 1988,
pp. 146-150; 1993, pp. 29-48) mas ambém em Pe e Be ge e Thomas Luckmann
(Be ge & Luckmann, 1999, 31-57). Na es ei a des es au o es en endemos po
ep esen ações sociais o conjun o de in e p e ações, de c enças e ideações simbólicas

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com capacidade de e oca acon ecimen os, in e acções e/ou objec os, median e os
quais os indi íduos cons oem, edi icam e es u u am o seu esquema men al associado
à lógica in e na da sociedade e dos g upos sociais que a in eg am. Tais ep esen ações
são esul an es das in e acções sociais no quo idiano i ido, pelo que são comuns a
de e minados g upos de indi íduos – imbuídas, des a o ma, igualmen e no concei o
de habi us de Pie e Bou dieu (Bou dieu, 1998b, pp. 75-86; 1998c, pp. 122-137).
Em pa icula , como e e imos an e io men e, delimi ámos a P aia de
Ca ca elos
39
como objec o empí ico de análise po excelência, p e endendo ob e
jun o de ac o es sociais a iados, en e eles ac o es implicados na manu enção,
ec iação e ans o mação do espaço, nos usos e das suas signi icações (nadado es-
sal ado es, bombei os, polícia local, p op ie á ios de es abelecimen os come ciais e
ou os ac o es po ado es de es emunhos p i ilegiados), quais as suas ep esen ações
e pe cepções ace ao enómeno do u ismo, (que seja de o igem in e na ou
p o enien es de ou os países), às di e en es o mas de ap op iação do e i ó io
(desde ao uso da p aia a é aos espaços públicos adjacen es equali icados) que são
e ec uadas e e ec i adas que pelos habi an es que pelos u is as ou ainda ou os
isi an es (Ho man, Fains ein & Judd, ed., 2003) e u ilizado es, com ên ase pa a
aqueles o iundos da me ópole lisboe a. Impo a igualmen e comp eende que ipo de
u is a, de ou os isi an es e ainda que u ilizado es o iundos da me ópole usu uem
daquele e i ó io e em que meses do ano o azem, nomeadamen e, no u ismo ou em
ap op iamen o pa a usu u os di os de p aia e sol, que são sazonalmen e mais
ipi icá eis que os es an es ipos de u ismo e ou as ap op iações, dado se um ipo
de u ismo es ei amen e ligado às chamadas ‘épocas al as’
40
, bem como quais são as
implicações que con e em no quo idiano i ido dos habi an es.
Es a ques ão do uso do espaço público pa a ins u ís icos em indo a e uma
impo ância signi ica i a na economia po uguesa, como é assumido pelo PENT – Plano
39
Se bem que onde a incidência é inega elmen e maio , não exclusi amen e – como já e e í amos.
40
Que aqui iden i icamos, em sob eposição, com aquelas em que, sensi elmen e, deco e a época
balnea ; são igualmen e ele an es e conside ados os pe íodos empo ais associados à Páscoa e ao inal
do ano.
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Es a égico Nacional pa a o Tu ismo (Minis é io da Economia e da Ino ação, 2007),
incluindo na sua e são e is a, PENT 2.0 (Minis é io da Economia, da Ino ação e do
Desen ol imen o, 2011). Inclusi amen e, e à escala municipal, é econhecida essa
ele ância, como ão bem o mani es a na sua ín eg a o Plano Es a égico Des ino
Es o il – 2010-2013 delineado pela CMC (Câma a Municipal de Cascais, n.d.). Es es
planos, con emplando ní eis de pode e de decisão polí ica an o à escala nacional
como à local, são demons a i os do quan o as en es de ma assumem uma e ec i a
e eal impo ância igualmen e pa a os deciso es públicos e ambém agen es
económicos p i ados que delas, ou da sua explo ação, ‘ i em’.
4. Análise Documen al de Fon es Di e sas
De o ma a cons ui mos es e abalho, a análise documen al de on es
a iadas o nou-se um ins umen o e um modelo de análise de alo ac escen ado.
Fo am al o da nossa a enção documen os esc i os, egis os de oz cap ados,
elemen os audio isuais, imagens, en im oda uma panóplia de on es que jus i icassem
o seu uso pa a po encia a coe ência da ese e a cien i icidade da mesma. Mais,
c emos pe inen e que igualmen e conco essem no sen ido de pe mi i a
iden i icação de elemen os his ó icos ele an es pa a o eal i ido no p esen e e ainda
que se issem de supo e a conclusões imp a icá eis sem a u ilização das mesmas.
Podemos indica como caso disso, conc e izando em exemplos, a análise de
documen os esc i os p o enien es de p ocessos no ma i os do Es ado, como leis,
dec e os-lei, esoluções de conselho de minis os; de documen os esc i os e de
documen os em egis o de oz, nomeadamen e daqueles que con ibuí am pa a
des ela algum pe cu so socio-his ó ico.
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Qui y & Campenhoud sus en am que, po exemplo, a ecolha de documen os
po pa e do in es igado é ealizada po ambém p e ende em encon a nes es
in o mações ú eis complemen a es ao seu objec o de es udo, sendo que podem
igualmen e se analisados sociologicamen e po si p óp ios de ido ao alo que de êm
pa a a sua in es igação. Conside am os documen os icos em dados ú eis pa a o
in es igado que os ecolhe (Qui y & Campenhoud , 1992, p. 201). Como dados
documen ais passí eis de análise iden i icam documen os manusc i os, imp essos ou
audio isuais, o iundos de on es o iciais ou p i adas, p o enien es de um o ganismo
ou sendo de ca iz pessoal, como leis, dados es a ís icos, es a u os, egulamen os,
publicações, en e ou os (Qui y & Campenhoud , 1992, p. 202). Subsc e emos as
pala as dos au o es, con udo deixamos o ale a de que os elemen os mencionados
não esgo am as on es de o igem documen al disponí eis pa a análise.
Já Lau ence Ba din, ci ando Chaumie , de ine a análise documen al como
«uma ope ação ou um conjun o de ope ações isando ep esen a o
con eúdo de um documen o sob uma o ma di e en e da o iginal, a im
de acili a num es ado ul e io , a sua consul a e e e enciação» (Ba din,
1975, p. 45).
Ac escen a que a análise documen al em como objec i o, enquan o
a amen o da in o mação con ida nos documen os acumulados, da o ma
con enien e e ep esen a de ou o modo essa in o mação, po in e médio do que
iden i ica como p ocedimen os de ans o mação. O p opósi o a a ingi , p ossegue, é o
a mazenamen o sob uma o ma a iá el e a acili ação do acesso ao obse ado ,
p e endendo-se que es e ob enha o máximo de in o mação com o máximo de
pe inência – ca ego izando um e ou o como aspec os quan i a i o e quali a i o,
espec i amen e (Ba din, 1975, pp. 45-46).
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Os con ibu os da análise documen al, pa a mais is os os a gumen os que
ap esen ámos, e ela am-se incon o na elmen e sólidos pa a a cons ução do nosso
abalho, con o me o pensámos.
5. Me odologias não In e e en es
Con ém, an es de mais, escla ece mos que somos de con ic a opinião de que
não há uma obse ação não pa icipan e que o seja senão no seio de uma lógica ideal
ípica. A acção do in es igado , po menos in usi o que in en e se , con ibui
inapela elmen e, o pouco que seja, pa a a cons ução da mi íade e mosaico de
p á icas que se desen olam no local onde o mesmo se encon a, conco endo ambém
ele pa a p odução do espaço (Le eb e, 2007). Con udo, c emos inabala elmen e, que
os seus e ei os na ‘ eunião colec i a’ podem se mi igados que bas e pa a se pode em
conside a cien i icamen e álidos con ando com a pe spec i a que lhe pe mi e
masca a a sua p esença e con ola com igo , igualmen e p o ido de cien i icidade, o
impac o no ecossis ema humano e das suas elações, mais ou menos in ensas, dos
laços p o undos àqueles mais olá eis, em e iginosa ca adupa. I emos comp eende ,
no decu so des e pon o, o po quê do nosso, c emos que jus i icado, in e esse em aze
uso da e minologia que di a me odologias como ‘não in e e en es’.
Numa p imei a ins ância a en ada no e eno oi pensada pa a acon ece do
modo o menos in usi o possí el. Nesse sen ido, eco eu-se à obse ação ‘não
pa icipan e’, na medida do possí el, com o conscien e in ui o de conse a e
p ese a no anonima o a p esença do in es igado e, mais, do in es igado enquan o
al. O mo i o po de ás des a opção eme e pa a o denominado p incípio da não
eac i idade (Lee, 2003, pp. 15-16). Que -se dize , p e endíamos e i a que os ac o es
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sociais implicados no objec o de es udo coadunassem a sua condu a ao, e pelo ac o,
de se encon a em cien es da p esença do in es igado e da in es igação em cu so. A
adopção de um compo amen o adap ado ao ac o de se sen i em obse ados e
analisados e a, pa icula men e nes e momen o, absolu amen e indesejá el.
P e endia-se, in e samen e, que os indi íduos se man i essem espon âneos,
i ep imí eis nas suas condu as o diná ias, em udo o que eme esse pa a as p á icas
dos seus quo idianos i idos.
Con udo, a apa en e in isibilidade do in es igado no e eno sabia-se à pa ida
imp a icá el du an e um pe íodo de empo p olongado. À escala do luga , embo a as
in e acções sociais en e os indi íduos p esen es nesse luga sejam inúme as e
i ualmen e impossí eis de con abiliza , somos mui o mais acilmen e econhecí eis,
nomeadamen e de ido à nossa pe sis ência nesse espaço, po ou os ac o es que,
abalhem ou não no local, ambém eles se ap esen am com p esença pe sis en e ao
longo do empo. Pese embo a o ca ác e olú el da obse ação não pa icipan e e não
in e e en e, es a ap esen ou an agens de mon a ao in es igado , an o mais não seja
e -lhe pe mi ido iden i ica aços e p á icas cul i adas, an o quan o omen adas,
pelos ap op ian es do luga an es do momen o de ‘ aição’, momen o esse em que
pela sua p óp ia e me a p esença começa a se iden i icado, ainda que em moldes de
ele ada abs acção, como pe encen e ou p e enden e a pe encen e e a ap op ian e
do luga em ques ão
41
. En a-se, en ão, na ase seguin e. A obse ação passou a se
ealizada num con ex o de pa icipação mais ac i a po pa e do p óp io in es igado ,
em moldes de pos u a e nog á ica, isando i a o maio pa ido possí el das i udes
econhecidas do ex ended case me hod (Bu awoy e al., 1991; Bu awoy, 2009). Assim,
a não in e e ência só oi possí el de man e nos luga es onde a obse ação, de ca iz
pa icipan e ou não an o, se aplicou com meno in ensidade, en im, com uma
egula idade mais assen e no pon ual do que em p á ica ei e ada. É igualmen e
41
Po eg a, es e di o momen o só oco e nos locais onde p edomina a p esença con inuada do
in es igado ou, mais co ec amen e, onde se aplica uma pos u a e nog á ica. Depende igualmen e da
densidade com que um e i ó io é ap op iado e a di e sidade de ap op ian es, podendo assim man e -
se a si uação de anonima o ace ao ou o de que nos ala Simmel (Simmel, 2004a, pp. 133-141).

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e iden e que jun o das g andes massas anónimas, como po exemplo no in e io de
a eais de p aia densa e ex ensamen e populacionados ou da ‘baixa’ cascalense e jun o
à sua cidadela, as me odologias não in e e en es são capazes, em sob e i ência não
ameaçada, de demons a as suas melho es alências. Quan o mais nos ap oximamos
de espaços humanamen e mais p eenchidos, maio se o na o g au de anonima o
pessoal que ão bem de ine e ca ac e iza o espaço u bano, o ‘es ilo’ p óp io da
i ência u bana – num sen ido simmeliano (Simmel, 2004a, pp. 85-94, pp. 133-141) –
ou em u banidade – num sen ido que Bassand lhe a ibuí (Bassand e al., 2001, pp. 24-
26).
6. Pos u a E nog á ica e Obse ação Pa icipan e
P e endíamos, após uma en ada explo a ó ia no e eno o menos in usi a
possí el, aplica uma pos u a du an e a in es igação in si u es u u ada po p incípios
con o mes à obse ação pa icipan e e à pos u a di a e nog á ica. Se a obse ação
pa icipan e nos pe mi ia obse a e in e p e a o signi icado das in e acções oco idas
no e eno eplicando p á icas sociais semelhan es às dos ac o es sociais ap op ian es
do espaço, a pos u a e nog á ica possibili a a-nos i mais longe no sen ido de
con undi mos a nossa p á ica com a dos ac o es sociais p esen es no espaço,
coabi ando no seu seio mime izando o seu compo amen o e passando o in es igado
como um inside na comunidade dos ap op ian es dos e i ó ios (Gobo, in Sil e man,
ed., 2011, pp. 16-26).
Nes e sen ido, o denominado ex ended case me hod, pa icula men e
anco ado nas con ibuições de Michael Bu awoy e colabo ado es (Bu awoy e al., 1991
e 2000; Bu awoy, 2009), assumiu-se como o pa adigma me odológico p edominan e e
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ma icial nes a pa cela do nosso p ocesso de in es igação. Não ecusámos, oda ia, e
semp e que nos pa eceu pe inen e, associa con ibu os p o enien es de ou os
pa adigmas, em pa icula mas não somen e, da e nome odologia, da denominada
g ounded heo y e dos es udos de caso. Nes es pa adigmas ou modelos de
in es igação há, impo a no á-lo, impo an es pon os de con e gência. Des es,
des acamos dois. Po um lado, a análise enomenológica encon a pon os de
con e gência assen es em p emissas que explici a emos como quali a i a. Po ou o, a
elegibilidade da obse ação pa icipan e, de ca iz e nog á ica, como condição pa a a
p odução do conhecimen o cien í ico.
Na u almen e, o cade no de campo
42
(podemos obse a duas imagens de um
exempla na Imagem 1 e na Imagem 2, nes a úl ima es ando igualmen e pe cep í eis
g a ado e ne book do e usados pelo in es igado ) consigna-se como um ins umen o
undamen al pa a se insc e e em di e sas in o mações que o in es igado ob ém de
di e en es egis os, como pela obse ação ou en e is as in o mais – se indo-lhe,
e iden emen e, de memó ia u u a e como undamen o de pa celas da a gumen ação
insc i as no odo que o é a p esen e ese.
42
Reco emos sem dis inção a e minologias como cade no de bo do, diá io de bo do, diá io de campo,
cade no e nog á ico, aludindo semp e ao mesmo ins umen o.
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87
Imagem 1
Legenda: Cade no de bo do em ‘campo’
Fon e: cap ação do au o (26/02/2012)
Imagem 2
Legenda: Cade no e ou os ins umen os
Fon e: cap ação do au o (26/05/2012)
Na pos u a e nog á ica, pa a além do discu so, eco emos a con ibu os da
e ologia. Jacques Cosnie , em ex o dedicado à e ologia dos espaços públicos (Cosnie ,
in G osjean & Thibaud, di ., 2008, pp. 13-28), ques iona: «é a abo dagem e ológica dos
p oblemas humanos concebí el?» (Cosnie , in G osjean & Thibaud, di ., 2008, p. 13). A
sua espos a é não só a i ma i a, como desa ia abe amen e o sociólogo a aze uso
des e ins umen o no decu so das suas in es igações.
7. O Papel do Inqué i o po En e is a
Um p ocesso de in es igação implica de o ma ine i á el p ocessos de ecolha
de in o mação passí el de in e p e ação, análise, de descons ução e econs ução de
discu sos, que se cons i uem como mecanismos que possibili am a in eligibilidade de
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um enómeno, a sua comp eensão e explicação. Essa in o mação pode se ob ida
median e o ecu so às mais di e sas on es, sendo na u al op a -se po uma
di e sidade de escolhas quan o a es as no sen ido de po encia a alidade da sín ese
cien í ica a p oduzi . É es e, ambém, o caso que se e i ica no nosso abalho.
Indi íduos que se encon am em si uação p i ilegiada no âmbi o do enómeno
que p e endemos a a são, eg a ge al, po ado es de pa celas de in o mação
ele an e que conco em pa a o escla ecimen o do mesmo. Não de em, po es a
azão, se negligenciados. Não o izemos. P osseguimos, ao in és, um ajec o que nos
dispusesse, in es igado e in o man es, em si uação de in e acção ace-a- ace. Ao
in es igado compe e-lhe a a e a de p opo ao in o man e que es e se p es e a
pa ilha , ainda que de o ma incon o na elmen e accionada, incomple a e
subo dinada a di e sos uídos e subjec i idades aos quais a comunicação é pe meá el,
a in o mação pe inen e da qual é po ado . Es a si uação ace-a- ace a que nos
epo amos, onde o in es igado inqui e e o in o man e eplica discu si amen e com o
in ui o de escla ece , é ulga men e denominada po en e is a.
No decu so do p esen e abalho, o apelo à en e is a o nou e demons ou-se
um ecu so de alia ines imá el. Median e a aplicação de en e is as oi-nos possí el
ecolhe di e sos conjun os de dados po in e pos a pessoa que po meios p óp ios
es a íamos impossibili ados de alcança e, po consequência lógica, de manusea com
a de ida con eniência digna de emp ei ada cien í ica.
Quan o à sua ipologia, di e indo da o ma como são aplicadas, podemos
e e encia as en e is as ealizá eis dis ibuídas po en e duas g andes ca ego ias: (i)
aquela que se assume o mal e (ii) aquelou a onde a in o malidade é o impe a i o
ci cuns ancial. Ambas o am emp egues e os esul ados ob idos, ace aos objec i os
delineados, não decepciona am.
É necessá io, e iden emen e, escla ece quais ci cuns âncias, cená ios e
condições em que ealizámos as di e sas en e is as, an o as o mais como as
in o mais, sem que pe mi amos deixa cai no esquecimen o o incon o ná el a quem,
i.e., os sujei os inqui idos.
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95
c. Modelo de Guião das En e is as aplicadas nos Res au an es-Ba
. Enquad amen o da en e is a, com b e e exposição da emá ica p osseguida pelo
in es igado .
- Inqui ição:
. Pe íodo de exis ência do es abelecimen o. Se aplicá el, em caso de não se a
ge ência o iginal, desde quando se encon a a no a ge ência es abelecida na p aia.
. P op ie á io(s) e dimensão da emp esa.
. Pe íodos de uncionamen o ao longo do ano e ho á ios de uncionamen o
egulamen ados pela ge ência.
. Ca ga máxima do es abelecimen o (incluindo esplanadas e á eas concessionadas
du an e a época balnea ).
. Mo i ação de ob as e in e enções de equali icação do es abelecimen o, se
aplicá el (inclui ampliação).
. Pe cepção que a ge ência em sob e os seus clien es; egula es, pon uais, esiden es
na eguesia, p o indos de e i ó ios ex e io es à mesma, me opoli ana, nacional e
es angei a (incluindo cidadãos comuni á ios).
. Pe cepção que a ge ência em sob e as aixas e á ias dos clien es, géne o e
segmen o social a que pe encem.
. Ap op iação pelos clien es em elação às dico omias de uso diu no/noc u no e época
balnea /época baixa (sazonalidade).
. Se aplicá el, a explo ação da escola de su (clien es, aixas e á ias, géne o,
pe manência na escola, p o esso es, in a-es u u as). Se não aplicá el, se há elação
com escolas de su .
. Relação, se exis en e ou inexis en e, com os es abelecimen os ho elei os p óximos
da p aia.
. Relacionamen o, se pací ico ou con li uoso, com a Capi ania do Po o de Cascais.

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. Licenciamen os, al a ás e inspecções (CPC e CMC).
. Funcioná ios do es abelecimen o. Núme o, o igem (nacionalidade – se es angei a,
in eg ação na comunidade), local de esidência, o a i idade (em dois sen idos: i –
abalho po u nos e ii – pe manência de du abilidade ou não no pos o de abalho).
. Época balnea : in e ligação com o ISN.
. Segu ança no es abelecimen o e pe cepção da segu ança na p aia (inclui a
pe cepção dos sen imen os de segu ança dos clien es); pe cepções sob e o enómeno
do a as ão de 2005 (se aplicá el).
. Es a égias de ma ke ing: se e como se publici am.
. Relacionamen o com a conco ência.
. Ren abilidade do es abelecimen o.
. Pe cepção da imagem do su , bem como de ou os despo os de ma p a icados,
jun o dos clien es e de ou os u en es da p aia.
. Ou as ques ões de in e esse que eme gidas no con ex o da en e is a
Quad o 3
Legenda: Modelo de Guião de En e is a – Res au an es-Ba da P aia de Ca ca elos
Fon e: au o
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
97
d. Modelo de Guião da En e is a aplicada na Ve eação do Tu ismo da
CMC
. Enquad amen o da en e is a, com b e e exposição da emá ica p osseguida pelo
in es igado .
- Inqui ição:
. Polí icas es a égicas pa a o concelho (mais imedia as e de índole p ospec i a; inclui
a ele ância das en es de ma no seio dessas polí icas).
. Rele ância do u ismo no concelho (pe cepção sob e o u ismo de sol e ma bem
como o desempenho de ou as ipologias de u ismo; igualmen e, pe cepções sob e o
u is a que elege Cascais como des ino).
. O e a ho elei a e ca ac e ização da mesma.
. P ocu a u ís ica: balanços.
. Relação com ou as ins i uições de decisão polí ica a ní el do Es ado Cen al.
. Cen alidades e pe i e ias no concelho.
Quad o 4
Legenda: Modelo de Guião de En e is a – Ve eado do Tu ismo CMC
Fon e: au o
Res a-nos, po an o, enquad a na in es igação as en e is as in o mais – das
quais, a maio ia espon âneas – que omos aplicando no seu decu so. A impo ância da
na a i a de ac o es sociais po ado es de in o mações ele an es pa a a p ossecução
des e abalho, osse ela espon ânea ou po ou a o ma p o ocada pelo in es igado ,
complemen a ia azios que pudessem su gi no esul ado das en e is as o mais ou
a é mesmo o colma a de in o mações omissas na mesma e sob e as quais,
e en ualmen e, não ha e íamos seque ponde ado.
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98
Pa a além da sua capacidade in o ma i a edundan e, con i mando dados
ecolhidos median e en e is a o mal, o nam-se ele an es median e o seu ca ác e
de complemen o aos dados ecolhidos, ob endo-se po an o em algumas
ci cuns âncias in o mações no as que se podem e de em acumula àquelas ob idas
a a és da ecolha o mal.
8. O Recu so à Imagem ou Ins an âneos do Quo idiano
An es de nos dedica mos ao con eúdo p op iamen e di o que conce ne a es e
pon o, p e endemos escla ece da o ma mais e iden e possí el que as imagens cuja
on e eme e pa a cap ação do au o não o am de manei a alguma manipuladas após
o momen o da sua cap ação. Con enha-se que as mesmas o am eduzidas de o ma a
adap á-las ao o ma o que o abalho ap esen a. Toda ia, não se u iliza am
e amen as de co e, ins umen os de embelezamen o, de condicionalismos de b ilho
ou apu amen o de co . São, po assim dize , au ên icas no sen ido em que o am
anspos as das máquinas o og á icas pa a o compu ado e des e eme idas pa a
ichei o de p ocessamen o de ex o, sem que ou o uído p oposi ado hou esse que
não o seu – mencionado – edimensionamen o p opo cional que só assim iabiliza o
seu uso no o ma o de ese que ap esen amos.
No que eme e pa a as imagens cuja au o ia é independen e da cap ação au o ,
aplica-se-lhes o mesmo p incípio de não manipulação explanado, endo sido a sua
ansposição pa a o abalho e ec uada al qual nos são ap esen adas pelos de idos
au o es os quais, sem excepção, igu am mani es amen e como on e.
O egis o o og á ico, ou a cap ação de ins an âneos do eal em egis o
o og á ico, embo a não o enha sido assim pensado inicialmen e, cons i ui um
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
99
sus en áculo basila à análise comp eensi a e à explica i a, bem como um acili ado à
in eligibilidade da lei u a do abalho e seus esul ados.
Tal como o cade no de bo do, as imagens cap u adas, os ins an âneos do eal,
p o idenciam-se como auxilia de memó ia u u a. Não menos impo an e, de ce o
modo são em o ma o de imagem, de ins an âneo e i ado à ealidade quo idiana,
alo de p o a da pos u a e nog á ica que assumimos, al como os exce os de ex os,
es es em o ma o esc i o, se azem ale como p o a da pos u a en e gada pelo
in es igado (Be na d, 2006, pp. 387-450).
Imagem 3
Legenda: ‘Obse ado’ a ‘obse a ’ (i)
Fon e: cap ação do au o (02/09/2012)
Imagem 4
Legenda: ‘Obse ado’ a ‘obse a ’ (ii)
Fon e: cap ação do au o (08/09/2012)
Como obse amos nas imagens 3 e 4, que o são apenas a í ulo exempli ica i o,
nem semp e é pací ica, ou pelo menos consensual, a con i ência dos ac o es sociais
com a len e da máquina o og á ica. Con udo, al obs áculo não nos impediu de u iliza
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100
a cap ação de imagens como eículo de o necimen o de in o mação e de con eúdos
que se mos a a se de mais- alia.
O uso eco en e da imagem p e ende-se como uma ap oximação ao que se
denomina po e nog a ia isual e, ainda, a uma di a sociologia isual. No p imei o caso,
o uso da imagem como ins umen o de abalho é jus i icado, em p imei a ins ância
pela An opologia, como um elemen o de supo e cogni i o de um de e minado
enómeno. Segundo Judi h Hanna, e e indo-se a in es igações de ca iz e nog á ico
sob e a dança, quando os in es igado es inicia am es udos sob e a dança al a a-lhes
conhecimen o sob e os elemen os do mo imen o e eino eque ido pa a associa a
imagé ica isual com elemen os de concep ualização e bal, pelo que a desc ição da
dança se man e e em boa medida limi ada a é meados do século XX. Ac escen a que é
a pa i de 1970 que o uso da imagem, an o es á ica como dinâmica, oi econhecido
de o ma mais i me pela disciplina, inco po ando-se como uma o ma de melho
comp eende as ca ac e ís icas associadas aos mo imen os da dança (Hanna, in
Ba na d & Spence , eds., 2010, p. 180). Es e uso da imagem eio acili a , supo a e
a é alida uma melho ap eensão e a comp eensão de um enómeno que sem o
ecu so à mesma se ia bem mais di ícil de desc e e e de, po an o, o o na mais
acessí el à in eligibilidade.
Na mesma linha, ou o au o conside a o ilme e a imagem, pa icula men e a
o og a ia, na an opologia isual como um meio de ep esen ação isual que é
emp egue pelos in es igado es que eco em à e nog a ia di a isual pa a acili a a
comunicação e, de ce a o ma, a ansposição do eal (Banks, in Ba na d & Spence ,
eds., 2010, p. 292). Assim sendo, acaba po e , a imagem, uma unção e
esponsabilidade de documen a o quo idiano, podendo o na -se essencial pa a um
en endimen o e nog á ico holís ico (idem, ibidem). O ilme, al como a imagem ob ida
pela cap ação da o og a ia, con am como que uma na a i a, que pode e de e se
sepa ada do me o en e enimen o e con a com o seu luga no seio da ciência (Banks,
in Ba na d & Spence , eds., 2010, p. 293). Tan o o ilme, ídeo, como a o og a ia,
ac escen amos, o nam-se nas pala as de Banks numa ep esen ação isual
conside ada como ‘uma janela do mundo’ (Banks, in Ba na d & Spence , eds., 2010, p.

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
101
294). Mo phy econhece que a o og a ia em indo a cimen a a sua legi imidade no
meio cien í ico como ecu so pa a a pesquisa an opológica e pa a a análise e
in e p e ação his ó icas. Adian a igualmen e que o uso da o og a ia se o nou
ele an e an o como uma peça de cul u a ma e ial po di ei o p óp io, como ambém
ela i amen e a on e de in o mação an o no que eme e pa a o empo passado como
pa a o p esen e (Mo phy, in Ba na d & Spence , eds., 2010, p. 454). Não nos é assim
di ícil de asse e a que a o og a ia é ac ualmen e uma linha me odológica e eó ica e
um elemen o da p á ica social in eg an e e in eg ado a de uma e nog a ia en endida
em sen ido mais la o (Edwa ds, in Ba na d & Spence , eds., 2010, p. 538).
Pa a o e ei o igualmen e conco e o ac o, como bem apon a Be na d, que
ambém sus en a que o uso da o og a ia é uma o ma de documen ação da cul u a e
das al e ações oco idas no seio de uma cul u a (Be na d, 2006, p. xiii), que nos dias
ac uais o ma e ial de supo e pa a a cap ação de imagens se o nou economicamen e
mais acessí el, mais compac o e daí igualmen e mais ácil de anspo a e de u iliza ,
ao passo que simul aneamen e pe mi e cap ações de ele ada qualidade g á ica an o
de imagens es á icas como em ídeo, du an e o pe cu so e nog á ico le ado a e mo
pelos in es igado es (Be na d, 2006, p. xiii).
No âmbi o da sociologia isual, José Ma ins sus en a dize menos a o og a ia
do que o acon ecido, p oposição que ob ém o nosso aco do. No en an o, não deixa o
au o de no a que a o og a ia, em alguma da sua essência, e o ça a necessidade de
ep esen a . Nas o og a ias, suge e, as pessoas azem supo . Toda ia, e em
simul âneo, a o og a ia p opõe-se como apon amen o da memó ia, e não como
memó ia, uncionando como lemb e e do que se pe deu no quo idiano. Sem a
imagem, que codi ica in e p e ação de quo idianos, sin e iza que a quo idianidade
se ia impossí el (Ma ins, in Pais e al, o gs., 2008, p. 43).
Re e indo-se à cidade, simulação meno do mundo odo (Se én, in Pais e al,
o gs., 2008, p. 59), Ma ia do Ca mo Se én e e e-se à mesma como um espaço que
es á sa u ado de in o mação in isí el, onde se es á em p esença de um no o mundo
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102
onde a ma é ia – o co po – é supe ado e é a écnica que cap u a o co po luga (Se én,
in Pais e al, o gs., 2008, p. 60). A o og a ia, diz, pul e iza o espaço u bano. Sendo que
a composição da imagem se o ganiza pela es u u ação espacial, a o og a ia su ge
como como enquad amen o, em que é co e e agmen o de uma ausência maio . As
o os, adian a ainda, een iam à o alidade u bana luzes e mo imen o, bem como o
d ama colec i o ou indi idual, onde udo se encon a conec ado de o ma in isí el
com a ideia que dela conhecemos. A é a igu a humana é uma ep esen ação do
sujei o que in ade a o og a ia e se coloca no luga do o óg a o e ambém no de
quem a ê (Se én, in Pais e al, o gs., 2008, p. 61).
José Machado Pais ins iga que as o og a ias não nos dão o quo idiano, mas
e elam o modo como o mesmo oi, po alguém, cap ado. A o og a ia, que e e e
ale po sua p óp ia imagem, p oduz o que denomina como um e ei o hipe - ealis a
po que, nas suas pala as, ep esen a uma ealidade excedida e exace bada no modo
como e po quem é ep esen ada, al sucedendo po exis i uma di e ença en e o
is o e o isí el, al como, inaliza, en e o di o e o dizí el (Pais, in Pais e al, o gs.,
2008, p. 20).
Finalizamos com uma p oposição de Lo enzo T ipodi, que sus en a que na ida
u bana como a que i emos, mode nidade e isualidade são concei os que se êm
indo a desen ol e pa alelamen e (T ipodi, in Hu chison, ed., 2010, p. 140).
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
103
2.ª PARTE
ASPECTOS INTERPRETATIVOS E ANALÍTICOS
Legenda:
Logo ipo o icial da Cos a do Es o il,
e são em inglês
(in h p://www.es o il-po ugal.com/en)
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104
CAPÍTULO III
PRECURSORES DO TURISMO, PUCS, LAZER E DINÂMICAS DAS VIVÊNCIAS TURÍSTICAS E LÚDICAS NA
COSTA DO ESTORIL: ABORDAGEM ANALÍTICA
1. No a In odu ó ia
Nas sociedades medi e ânicas, do sul da Eu opa, as di as en es de ma de êm
uma inegá el impo ância es a égica, an o ao ní el da imagem que p e endem e
conseguem ansmi i , endógena e exogenamen e, como mui o em pa icula ao ní el
das economias locais e, como já obse ado, ambém egionais e nacionais.
Es es e i ó ios assumem-se, eles p óp ios, como des inos que a aem não só
u is as como, po ou o lado, ambém ou os isi an es (Ho man e al., ed., 2003, pp.
2-4) e u ilizado es p o indos de di e en es e i ó ios da me ópole, pa icula men e
em momen os com o e cono ação a empos consag ados a p á icas de laze .
Não excluímos, no en an o, ao ní el dos u ilizado es que o são em busca do seu
ca iz lúdico, ac o es sociais que classi icamos como esiden es e que de ac o esidem
nas á eas p óximas des es e i ó ios.
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
111
2011 hou e em núme o o al 39.681.040 de do midas a ní el nacional (Tabela 10); e
assim sucessi amen e pa a com as es an es en adas nas abelas.
A p imei a conclusão que podemos e i a sem ma gem pa a dú idas é que,
independen emen e do ano em que nos oquemos, os ho éis são os es abelecimen os
ho elei os onde mais se pe noi a, que nos deb uçamos a obse a a escala nacional,
me opoli ana ou concelhia. Po exemplo, se obse a mos os anos insc i os nas abelas
como os de 2002 e de 2012 acilmen e cons amos que em 2002 as pe noi as em ho éis
co espondem à escala nacional a 48,56% do o al e em 2012 a 61,25%, com uma
a iação posi i a nes e pe íodo, de 2002 pa a 2012, que ascende aos 12,69% ( abelas
III.1 e III.4); à escala da me ópole encon amos em 2002 um alo de 76,85% e em
2012 de 82,49%, com uma a iação posi i a na o dem dos 5,64% ( abelas 11 e 14);
inalmen e em Cascais, à escala concelhia, 2002 com 66,26% e 2012 com 64,55%, com
uma a iação ou c escimen o nega i os de 1,71% ( abelas 12 e 15).
Excluindo os 48,56% de do midas em ho éis ace ao o al em odos os
es abelecimen os ho elei os ob idos em 2002 e somen e à escala nacional, ainda assim
suplan ando ni idamen e os alo es conseguidos po qualque ou a ipologia isolada
de es abelecimen os ho elei os, a pe cen agem de núme o de do midas em ho éis
ascende in a ia elmen e a mais de me ade. De ac o, essa pe cen agem onda os dois
e ços à escala me opoli ana e escala dos ês qua os aos qua o quin os à escala
me opoli ana. A ila de Cascais encon a-se no in e alo en e os alo es pe cen uais
encon ados à escala nacional e à escala me opoli ana, embo a mais p óxima dos
alo es me opoli anos em 2002 (ce ca de 10% abaixo da linha me opoli ana e ce ca
de 18% da linha nacional) e dos alo es nacionais em 2012 (ce ca de 3% acima da linha
nacional e ce ca de 18% abaixo da linha me opoli ana).

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112
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Po ugal
(unidade
Geog á ica
– NUTS I)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2012
39.681.040
24.289.093
2.105.962
491.431
355.336
170.545
6.477.693
1.831.489
3.959.491
2011
39.440.315
23.837.305
2.653.444
546.069
427.139
243.720
6.279.376
1.636.751
3.816.511
2010
37.391.291
21.846.374
3.153.703
573.433
413.409
286.032
5.728.545
1.630.617
3.759.178
2009
36.457.069
20.384.570
3.477.377
657.490
399.213
368.674
5.565.252
1.623.603
3.980.890
Tabela 10
Legenda: Núme o de do midas em Po ugal po es abelecimen o ho elei o (pós c ise
inancei a de 2008)
Fon e: INE
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113
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Lisboa
(unidade
Geog á ica
– NUTS II)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2012
9.439.853
7.787.155
735.051
n.a.
n.a.
n.a.
684.112
128.545
44.160
2011
9.027.432
7.380.223
874.613
n.a.
28.388
n.a
542.689
109.756
45.310
2010
8.620.423
6.905.155
1.005.857
40.555
n.a.
n.a.
471.364
11.050
52.732
2009
7.905.937
6.131.879
1.057.967
61.098
27.752
n.a.
392.530
n.a.
84.733
Tabela 11
Legenda: Núme o de do midas em Lisboa (NUTS II) po es abelecimen o ho elei o (pós
c ise inancei a de 2008)
Fon e: INE
No amos que 2009 – eme endo pa a 2008, ano em que eclodiu a mencionada
c ise – é aquele que nos anos mais ecen es ap esen a o núme o de do midas mais
baixo, conside adas as ês escalas ( abelas núme os 10, 11 e 12) onde se inclui,
e iden emen e a ila (CC) de Cascais. Só em alguns es abelecimen os ho elei os al
não é semp e e i icá el, como nas pensões, nas es alagens, nos mo éis e nos
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114
apa amen os u ís icos. Con udo, é necessá io isa que es es úl imos
es abelecimen os mencionados encon am-se em queda quan o ao núme o de
do midas desde 2002, ou seja, an es da eclosão da c ise inancei a, o que lhe e i a
capacidade explica i a pa a a diminuição de do midas nes es es abelecimen os
( abelas núme os 13, 14 e 15).
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Cascais
(unidade
Geog á ica
– CC)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2012
1.202.055
775.889
14.162
n.a.
0
0
306.905
n.a.
8.511
2011
1.190.605
787.305
18.794
n.a.
0
0
282.817
n.a.
14.561
2010
1.079.462
718.578
23.900
29.880
0
0
230.420
n.a.
18.883
2009
981.729
668.877
22.023
37.103
0
0
n.a.
n.a.
16.032
Tabela 12
Legenda: Núme o de do midas em Cascais (CC) po es abelecimen o ho elei o (pós
c ise inancei a de 2008)
Fon e: INE
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115
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Po ugal
(unidade
Geog á ica
– NUTS I)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2008
39.227.938
21.689.824
3.767.058
783.991
405.700
345.083
6.183.820
1.722.680
4.329.782
2007
39.736.583
22.141.345
3.834.459
783.205
405.083
313.246
6.285.162
1.666.563
4.307.520
2006
37.566.461
20.629.295
3.543.884
758.111
401.647
268.478
6.109.881
1.713.074
4.142.091
2005
35.520.631
18.594.490
3.364.333
689.932
396.643
212.520
6.195.799
1.764.328
4.302.586
2004
34.140.581
17.249.539
3.478.053
643.532
377.497
222.480
5.728.322
1.774.530
4.666.628
2003
33.875.471
16.546.253
3.286.410
598.032
369.734
225.721
5.837.754
1.905.641
5.105.926
2002
34.208.968
16.612.845
3.389.015
587.935
397.391
222.055
5.965.715
2.023.210
5.010.802
Tabela 13
Legenda: Núme o de do midas em Po ugal po es abelecimen o ho elei o (p é c ise
inancei a de 2008)
Fon e: INE
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
116
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Lisboa
(unidade
Geog á ica
– NUTS II)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2008
8.410.405
6.565.790
1.082.791
67.912
31.047
n.a.
450.279
n.a.
48.532
2007
8.679.040
6.765.226
1.105.132
79.322
n.a.
n.a.
540.553
n.a.
58.570
2006
8.162.614
6.341.346
1.013.653
81.179
31.535
n.a.
524.589
n.a.
67.902
2005
7.257.148
5.629.510
885.286
72.521
30.437
n.a.
485.782
n.a.
70.708
2004
6.994.783
5.416.652
891.697
71.783
25.653
n.a.
479.160
n.a.
39.989
2003
6.424.706
5.002.346
822.572
n.a.
n.a.
19.879
443.968
40.438
8.419
2002
6.531.055
5.018.928
848.973
57.009
29.649
19.283
510.992
35.985
10.236
Tabela 14
Legenda: Núme o de do midas em Lisboa (NUTS II) po es abelecimen o ho elei o (p é
c ise inancei a de 2008)
Fon e: INE

TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
117
Do midas
po es abel.
ho elei os /
Ano
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Cascais
(unidade
Geog á ica
– CC)
-
-
-
-
-
-
-
-
-
2008
1.076.175
703.715
19730
41.407
0
0
223.629
n.a.
n.a.
2007
1.221.913
767.388
20.286
48.263
0
0
290.587
n.a.
n.a.
2006
1.208.268
759.210
18.824
53.576
0
0
278.095
n.a.
n.a.
2005
1.093.487
686.771
15.548
45.202
0
0
264.270
n.a.
n.a.
2004
1.066.074
668.500
18.111
n.a.
0
0
284.546
n.a.
0
2003
1.064.277
687.247
16.558
39.098
0
0
280.836
n.a.
n.a.
2002
1.126.655
746.484
18.880
40.559
0
0
284.579
n.a.
n.a.
Tabela 15
Legenda: Núme o de do midas em Cascais (CC) po es abelecimen o ho elei o (p é
c ise inancei a de 2008)
Fon e: INE
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
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118
P osseguindo em e mos dos alo es encon ados em 2009, o núme o o al de
do midas es á es abelecido em 36.457.069 (Tabela 10), endo de se ecua aos de
2005 pa a encon a um núme o de do midas mais baixo (Tabela 13). Cons a ando-se
que desde 2009 êm a c esce em e mos absolu os a é 2012, o ce o é que mesmo
nes e úl imo ano os alo es são mais baixos do que os isí eis em 2007. Também o ano
de 2010, apesa de ap esen a ganhos ela i amen e a 2008, só encon a igualmen e
em 2005 alo es mais baixos em núme o de do midas. Respei an e às do midas nos
ho éis, os es abelecimen os ho elei os que como imos mais con ibuem em núme o
de do midas, o ano de 2009, com 20.384.570, só encon a alo es mais baixos
ecuando-se no amen e a 2005. O núme o de do midas ol a a ecupe a e a subi a é
2012, se bem que em 2010 ainda se encon e um alo in e io ao de 2007.
Repo ámo-nos à escala nacional, passando de seguida pa a a da AML.
Na AML, à escala da egião, e seguindo-se a mesma abo dagem, 2009 eincide
como o ano que soma o meno núme o de do midas nos es abelecimen os ho elei os,
e i icando-se um o al de 7.905.937 (Tabela 11). Pa a se es abelece um pa alelo
in e io emos de emon a uma ez mais a 2005, onde se con abilizam 7.257.148
(Tabela 14). De 2010 a é 2012 os núme os ol am a ganha ampli ude, embo a 2010
es eja, ainda que quase angencialmen e, abaixo dos alo es conseguidos no ano de
2007. No que conce ne pa a o núme o de do midas em ho éis, que con o me
e idenciámos ep esen am, g osso modo, mais de dois e ços das do midas na AML,
em 2009 e i ica-se um núme o de 6.131.879. Não ugindo ao que em apa ecido
como eg a, es e núme o só encon a in e io em 2005 – e daí pa a ás. De 2010 a
2012 o núme o de do midas sobe, sendo os ês anos com alo es mais ele ados:
2012, 2011 e 2010, espec i amen e.
Na ila de Cascais, man endo-se a mesma abo dagem na escala do concelho, a
ealidade di e e an o daquela à escala nacional como da egional. Des a ei a 2009
su ge como o ano com as pio es p es ações de semp e, no in e alo empo al
delimi ado, sendo caso único e i epe í el abaixo do milhão de do midas sendo
con abilizadas 981.729 (Tabela 12). Apesa da ecupe ação do iénio seguin e, com
2012 no opo, os anos de 2006 e de 2007 ap esen am alo es supe io es a es e. Os
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
119
alo es de 2012 só supe am, pa a além do mencionado, os alo es de 2002 a 2005 e os
de 2008. Reme endo pa a as do midas em ho éis, e i icadas como ep esen ando,
g osso modo, ce ca de dois e ços das do midas no concelho, uma ez mais
e i icamos que 2009 demons a um aco desempenho, ob endo a segunda pio
classi icação de semp e em núme o de do midas, no seio do in e alo empo al
ap esen ado, supe ando ão-somen e po umas angen es 377 do midas unicamen e o
ano de 2004, 668.887 e 668.500 espec i amen e (Tabela 15). O iénio seguin e
demons a c escimen o, cabendo, nes a o dem, a 2011, 2012 e 2007 o maio núme o
de do midas nos ho éis de Cascais (CC).
Nas abelas seguin es (Tabela núme os 16 e 17), encionamos demons a em
e mos pe cen uais o peso das do midas e ec uadas na AML na ealidade nacional,
bem como o peso de Cascais (CC) não só pe an e a ealidade nacional mas ambém na
egião e me ópole que in eg a – epo ando-nos aos anos de 2012 e 2002. O peso que
an o AML como Cascais (CC) ep esen am a ní el nacional em e mos de do midas
exp essa igualmen e não o peso mas pelo menos a ele ância que es es e i ó ios, e
em pa icula o município de Cascais, ob êm no u ismo po uguês. Ap esen amos os
dados pe cen uais do soma ó io da o alidade dos es abelecimen os ho elei os, bem
como o es o ço que ep esen a cada ipologia de es abelecimen o ho elei o al como
de inidas pelo INE.
Ha íamos já ecido conside ações sob e a p edominância do núme o de
do midas em ho éis ace aos demais es abelecimen os ho elei os. O a, em e mos de
ep esen ação pe cen ual con i mamos igualmen e que na AML e em Cascais (CC) os
ho éis se cons i uem como os es abelecimen os mais signi ica i os à escala do u ismo
po uguês. Em 2012 os ho éis da AML con ibuem com 32,06% do o al de do midas
nos ho éis po ugueses, sendo no nosso en ende bas an e signi ica i o que
p a icamen e um e ço das do midas em ho éis oco a na me ópole de Lisboa (Tabela
16).
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120
% Do midas
po es abel.
ho elei os
2012 / UT
To al
Es abel.
Ho elei os
Ho éis
Pensões
Es alagens
Pousadas
Mo éis
Ho éis-
Apa amen os
Aldeamen os
Tu ís icos
Apa amen os
Tu ís icos
Po ugal
1
Lisboa
(NUTS II)
23,81
32,06
34,90
n.a.
n.a.
n.a.
10,56
7,02
1,12
Cascais
(CC)
(12,73)
(9,96)
(1,93)
(n.a.)
(n.a.)
(n.a.)
(44,86)
(n.a.)
(19,27)
3,03
3,19
0,67
n.a.
0,00
0,00
4,74
n.a.
0,21
Tabela 16
Legenda: Pe cen agem do núme o de do midas em Lisboa (NUTS II) e Cascais (CC) em
elação ao o al nacional: 2012
Fon e: INE
Con udo, são as pensões que em e mos ela i os ap esen am um alo mais ele ado,
nomeadamen e, 34,90%, is o num peso pe cen ual absolu o no o al de do midas que
se es abelece em 23,81% do núme o de do midas em Po ugal. A lei u a do ano de
2002 (Tabela 17) demons a que 2012 lhe conquis ou um c escimen o posi i o de
1,85% - 2002 com 30,21% - no núme o de do midas em ho éis ace aos alo es
nacionais de do midas em ho éis. A ques ão o na-se ambígua quando compa ados os
alo es das pensões em 2002 (25,05%) e 2012 (34,90%), com um c escimen o nega i o
de 9,85%, is o que em 2012 os alo es conce nen es às do midas co esponden es
aos es abelecimen os es alagens, pousadas e mo éis são inexis en es, igu ando na
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
127
Con udo, a in o mação de índole quan i a i a que subme emos a análise não
o nece exac amen e as melho es in o mações sob e como se dis ibuem
geog a icamen e os es abelecimen os ho elei os em Cascais. A í ulo exempli ica i o
eco emos ao SIG da Google, Inc., Figu a 6, pa a obse a mos onde iden i icam no
concelho es abelecimen os ho elei os que, u ilizámos esse c i é io de selecção pa a
melho in eligibilidade da igu a, con em pelo menos 4 ou en ão 5 es elas.
Pe cebemos com acilidade que os e i ó ios da o la cos ei a são os p e e enciais pa a
escolha da sua localização. Comp eendemos ambém uma concen ação do seu
posicionamen o ace a duas cen alidades: o cen o his ó ico da ila, po um lado, e o
Es o il, po ou o.
Figu a 6
Legenda: Dis ibuição de Ho éis de 4 ou mais es elas em Cascais (CC) – em edondo
e melho e b anco ou em pon o e melho
Fon e: Google Maps, © 2014

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128
Em complemen o ao ap esen ado, examinemos o G á ico 1. Es e quad o
pe mi e-nos cons a a a ele ância do u ismo em Po ugal, median e a lei u a das
suas ecei as em milhões de eu os e do peso que a mesmas ep esen am no nosso PIB
en e 2000 e 2012. Incidi emos, ou i emos p es a mais a enção, nos anos
equi alen es aos que analisámos no indicado es a ís ico Núme o de Do midas po
Es abelecimen o Ho elei o, i.e., o in e alo 2002-2012.
G á ico 1
Legenda: Po ugal: Recei as do Tu ismo (milhões €) e o seu peso no PIB (%) 2000 –
2012
Fon e: Banco de Po ugal
52
52
(in Minis é io da Economia, 2013, p. 45)
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
129
Obse ado o G á ico núme o 1 cons amos de imedia o e mos apenas acesso,
como enunciado, a dados de Po ugal, não podendo, po an o, eco e ao uso de
quaisque dados desag egados à escala concelhia, como ambém p e endíamos. Tal
podia se escla ecedo quan o ao peso que as ecei as u ís icas p o enien es do
concelho de Cascais ep esen am no país e, assim, pe mi i -nos conhece melho a
ealidade do e i ó io que escolhemos como nosso objec o de es udo em pa icula .
Não podendo, des a o ma, analisa mais em p o undidade i emos apenas ece
algumas conside ações b e es e gené icas sob e a ele ância económica do u ismo no
país, enquan o enómeno cuja ele ância pa a a mesma se em o nado inques ioná el
e c escen e.
En e os anos de 2002 e 2007 cons a amos uma in lexão do peso do u ismo no
PIB po uguês, embo a os alo es b u os das ecei as do u ismo sejam
endencialmen e c escen es, com excepção do ano de 2003 em que es as são
in e io es às ob idas em 2002. O ano de 2007 já ul apassa o ano de 2002 no que
eme e pa a o peso do u ismo no PIB, alcançado o alo pe cen ual de 4,4 e sus o de
4,3%. Embo a dec esça pa a 4,3 e 4,1%, espec i amen e nos anos de 2008 e 2009, em
2010 eg essa aos alo es de 4,4%, igualando o desempenho em 2007. 2011 e 2012
e idenciam um c escimen o linea des e peso, ep esen ando 4,8 e 5,2% do PIB
nacional.
Em e mos do alo b u o das ecei as em milhões de eu os, cons a amos que
os anos de 2009 (6.908) e 2010 (7.601) ep esen am uma queb a em elação a 2008
(7.740). Tal ac o pode se en endido como esul ado da c ise inancei a que a ec ou
os me cados globais a pa i de 2008. Su ge, no en an o, uma ecupe ação desses
alo es em 2011 (8.146) que é co obo ado pelos de 2012 (8.606), demos ando uma
e en ual ecupe ação de pode de comp a e de no o o in es imen o pelos ac o es
sociais na p á ica do u ismo.
Os alo es ap esen ados nes e g á ico, sejam em milhões de eu os de ecei a
ou em pe cen agem do PIB, são oda ia demons a i os de que es e enómeno em
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FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
130
Po ugal em uma impo ância ela i amen e signi ica i a pa a a sua economia, sendo
que, po exemplo, em 2012 ep esen a a uma a ia de 5,2% do PIB nacional. Com is o
p e endemos sus en a a impo ância do enómeno do u ismo em Po ugal, cujo
impac o posi i o se az sen i ambém na economia do país com consequências
posi i as que não de em se ma ginalizadas.
G á ico 2
Legenda: E olução do Tu ismo em Po ugal. Hóspedes e Do midas (2005-2010)
Fon e: INE
53
Após a b e e análise do G á ico 1, comp eendemos pelo G á ico 2 que os
esul ados ob idos em e mos de ecei as e peso do u ismo no PIB dependem ( ace
apenas à e olução da sé ie anos 2005-2010) de um c escimen o de 2,3% no núme o de
hóspedes em e i ó io nacional e de um c escimen o nulo do núme o de do midas
( alo es médios da sé ie do G á ico 2). Embo a o alo b u o do núme o de hóspedes
enha c escido e o núme o de do midas es agnado, segundo o alo médio da sé ie
53
Ci . Minis é io da Economia, da Ino ação e do Desen ol imen o, 2011, p. 16.
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
131
obse á el no G á ico 2, os impac os posi i os em ecei as e do peso do u ismo ace
ao PIB são uma ealidade a ní el nacional.
Como os u is as chegam ao seu des ino em Po ugal, e em pa icula a Cascais,
é pa a nós uma incógni a e só podemos, quan o mui o, a ança com algumas
in o mações especula i as com ela i o alo heu ís ico. Sabemos, con udo, pelo que
nos indica a li e a u a (Holloway, 2006, p. 42, 48-49; Coope e al, 2008, 406-413), que
uma g ande pe cen agem de ac o es sociais eco e aos meios aé eos pa a se aze em
anspo a . Tal de e-se a ac o es, en e ou os, como a dis ância a pe co e e
ambém os obs áculos na u ais, sendo ainda p emen e a impo ância do ac o apidez
da deslocação usu uindo des e meio (Holloway, 2006, pp. 48-49; Coope e al, 2008,
pp. 392-393, 411).
Nas páginas seguin es, na Tabela 21, encon amos in o mação sob e a e olução
do uso dos p incipais ae opo os ci is de Po ugal du an e os anos de 2005 a 2011.
Es a in o mação é ela i a ao núme o de passagei os desemba cados no e i ó io
nacional, azendo-se a des inça en e os alo es dos oos de o igem domés ica e
in e nacional. Como se ia expec á el, os oos in e nacionais supe am po g ande
ma gem aqueles que de o igem domés ica.
No e-se que a endência dos alo es ap esen ados no G á ico 2 apon a pa a um
c escimen o sus en ado do núme o de passagei os a desemba ca não só no cômpu o
nacional, como ambém nos ae opo os do Po o, de Lisboa, de Fa o, de Pon a
Delgada e do Funchal quando analisados indi idualmen e.
É igualmen e sem su p esa e i icado se o ae opo o de Lisboa aquele que
ep esen a o maio núme o de desemba ques ae opo uá ios, signi icando, no caso
em 2011, sensi elmen e 50% do o al des es em e i ó io po uguês nos ae opo os
conside ados.
Não i emos escalpeliza a e olução dos desemba ques na o alidade dos
ae opo os mencionados, is o, como explica emos, nos impo a oca a nossa a enção
no ae opo o de Lisboa. Tal de e-se ao ac o de es e se encon a edi icado na cidade
TURISMO E LUDIFICAÇÃO DO TERRITÓRIO: PRAIA DE CARCAVELOS E FRENTES DE MAR NA LINHA DE CASCAIS
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132
de Lisboa e, po conseguin e, aquele que em e mos de dis ância geog á ica – e
empo al – se encon a mais p óximo do concelho de Cascais. Es e ac o é pa a nós um
o e indiciado e indicado de que a p e e ência do ae opo o de des ino pa a os
u is as que isi am Cascais seja o de Lisboa em de imen o dos demais.
Os oos adicionais, segundo a designação da ANA, ep esen am
e olu i amen e, de 2005 a 2011, o maio núme o de oos desemba cados, que
in e nacionais que domés icos, no ae opo o de Lisboa e de uma o ma inequí oca
(84,27% em 2011). Os oos low-cos ocupam a segunda posição a pa i de 2006,
e i ando o segundo pos o no ank ainda ob ido em 2006 pelos oos cha e s, endo
c escido dos ce ca de 200.000 desemba cados nesse ano pa a o mais de um milhão de
desemba cados em 2008, 2010 e 2011. De no a que os oos low-cos domés icos só
começam a e p esença no ae opo o de lisboa, de o ma semp e c escen e, no ano
de 2008, sendo que ac ualmen e con inuam a ep esen a um núme o não mui o
signi ica i o, ondando os 100.000 desemba cados. Em e cei o e de adei o luga , e
consis en emen e a pa i de 2006, su gem os desemba cados o iundos de oos
cha e s. Es a úl ima ipologia de oo em indo a pe de consis ência em núme os,
endo ob ido, di a-nos a Tabela 21, o seu pico em 2006 e 2007 com sensi elmen e
294.000 e 271.000 indi íduos desemba cados, ap esen ando em 2011 apenas ce ca de
143.000.
Não p e endemos e mina es e comen á io sem apon a a iabilidade da
hipó ese de emig an es eco e em a anspo es e es es, como o au omó el, pa a
eg essa em ao país de o igem, especialmen e aqueles que emig a am pa a países
mais p óximos das nossas on ei as.
Conside amos igualmen e que exis em u is as que eco em aos eículos
au omobilizados pa a se aze em anspo a a é Cascais, ambém eles o iundos de
países mais p óximos, como Espanha, F ança e Bélgica, p incipalmen e do p imei o.
Não descu amos igualmen e a hipó ese de se chega à me ópole de Lisboa po
ia e o iá ia, embo a es es núme os sejam, no nosso en ende , me amen e esiduais
e pouco signi ica i os pa a o u ismo, Cascais em pa icula .

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
133
Tabela 21
Legenda: Passagei os desemba cados em Po ugal em 2005-2011 po Ae opo o e Tipo
de Voo
Fon e: ANA, Ae opo os de Po ugal – 2012
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FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS – UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA
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5. P aias de Cascais
O Concelho de Cascais inco po a no seu e i ó io um o al de dezasse e p aias,
dis ibuídas po odas as suas eguesias, à excepção de S. Domingos de Rana, única
eguesia cascalense a con a com on ei as exclusi amen e e es es. A igu a que a
segui ap esen amos, igu a núme o 7, explici a em moldes mais comp eensi os a
dis ibuição das p aias.
Assim, as p aias do concelho de Cascais dis ibuem-se geog a icamen e po
cinco mais ag egadas a nascen e do concelho, no e numa si uação de maio
cen alidade e, inalmen e, ês na o la mais ociden al do concelho. Es e núme o
pe az a o alidade das dezasse e p aias que se dis ibuem e que são pe ence do
concelho.
Ve emos, mais adian e, que o seu uso a ia consoan e a sua p oximidade ou
a as amen o ao cen o his ó ico do concelho, às suas condições de acesso, à sua
dimensão e a ou os aspec os que acabam po ele a no que eme e pa a a
ap op iação das p aias po dis in os ac o es sociais.
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Figu a 7
Legenda: Dis ibuição das P aias de Cascais pelo Concelho
Fon e: Po al do Ma de Cascais
54
A elencagem e a enume ação pa icula e no singula de cada uma des as
p aias é, no nosso en ende , ú il no seio de uma sociologia comp eensi a (Schnappe ,
2000), ga an ido des e modo uma pe spec i a heu ís ica mais ampla. Como supo e ao
que enunciámos na ase an e io , pe cebemos ao longo de di e sas isi as de campo a
es as p aias di e enças signi ica i as quan o aos seus usos e aos u en es que delas se
ap op iam. Con udo, apesa de de e as pe inen e, es e não oi o nosso en oque na
ajec o iedade in es iga i a po azões a iadas. P e endemos, assumimo-lo, aplica a
54
O Po al do Ma de Cascais é uma inicia i a conjun a Câma a Municipal de Cascais e Cascais A lân ico.
Es a on e oi acedida pela úl ima ez em 13/11/2013, ia o seu ende eço web
h p://po aldoma .cascais.p /P aias.aspx?ID=2837.
N↑
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pos u a e nog á ica p edominan emen e na p aia de Ca ca elos e no cen o de
Cascais, ads i o à en e de ma , p ocu ando iden i ica a complemen a idade de
ou as p á icas u ís icas e ambém lúdicas à o e a já p esen e de p aia, sol e ma .
1 – P aia de Ca ca elos
2 – P aia da Pa ede
3 – P aia das A encas
4 – P aia da Ba u ei a
5 – P aia de São Ped o do Es o il
6 – P aia da Aza ujinha
7 – P aia da Poça
8 – P aia do Tama iz
9 – P aia das Moi as
10 – P aia da Duquesa
11 – P aia da Conceição
12 – P aia da Rainha
13 – P aia dos Pescado es
14 – P aia de San a Ma a
15 – P aia da C ismina
16 – P aia G ande do Guincho
17 – P aia do Abano
Figu a 8
Legenda: Iden i icação das P aias de Cascais no Concelho
Fon e: Po al do Ma de Cascais, adap ado pelo au o
N↑
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RTP1
«A p aia mais equen ada do país es a a eple a com milha es de
banhis as. Ao p incípio da a de, g upos de 30 a 50 jo ens, em
simul âneo e de uma o ma apa en emen e o ganizada, desa a am a
assal a e a ag edi os banhis as em di e sos locais da p aia.» (And inga,
2005a)
SIC
«“Uma cena de ilme”: oi assim que uma es emunha desc e eu o que
se passou es a a de na p aia de Ca ca elos, no concelho de Cascais. Um
g upo de ce ca de 500 jo ens, en e os 12 e os 20 anos, in adiu o a eal
no início da a de, ag edindo e oubando os banhis as.» (And inga,
2005a)
TVI
«Ta de de e o e pânico em Ca ca elos. Cen enas de jo ens a aca am
em g upo e ouba am udo aos banhis as que es a am na p aia. A
iolência do a aque é isí el nes as o og a ias. Agindo como um bando
o ganizado, os jo ens ce ca am os banhis as e ouba am udo o que
podiam. Em caso de esis ência, ag ediam e ameaça am com a mas
b ancas. À passagem do g upo seguiam-se momen os de pânico. Os
jo ens a aca am apidamen e e seguiam pa a ou a zona da p aia.»
(And inga, 2005a)
An es de p ossegui mos pa a conclusões, p e endemos desde já ealiza a
p imei a ano ação analí ica. No exce o do ex o ansc i o median e o isionamen o
das imagens ele isi as ansmi idas pela es ação ele isi a TVI, lê-se «A iolência do

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a aque é isí el nes as o og a ias». A o og a ia sabe-se se uma cap ação es á ica de
um momen o do eal i ido, um ins an âneo que cap u a aquele e só aquele momen o
do quo idiano, e ainda assim numa comple ude impe ei a. As o og a ias os en adas
nes e elejo nal da TVI são u ilizadas como on e pa a ansmi i e assegu a uma
mensagem, que é a da iolência do a aque. O a, emos po nossa ob igação, enquan o
sociólogos, descons ui o código e o discu so emp egues na es ação emisso a e
econs uí-los aplicando a cien i icidade que a disciplina sociológica p opo ciona.
Nesse sen ido, a obse ação c í ica das imagens que se em de sus en áculo à
mensagem eiculada implica inequi ocamen e que eçamos um conjun o de
conside ações. Des a o ma, e logo num p imei o momen o, a baixa esolução ou pelo
menos a de icien e qualidade in iabilizam uma lei u a mais c is alina dos momen os
cap ados ao eal. A es a impa idade adiciona-se o ac o da imagem es á ica não
consegui capaci a uma de ida in eligibilidade conce nen e à dinâmica do quo idiano
i ido, i.e., a ‘acção’ semp e con inuada da ealidade i ida não pode po ela se
aduzida apa ada de uído, pa icula men e quando o que é cap ado o é de o ma
es á ica e a pa i de um de e minado ângulo de obse ação que pode en iesa a
pe cepção e o en endimen o daquilo que ealmen e oi o ac ual (c ., a í ulo de
exemplo, a Imagem 96). En im, daqui só podemos conclui que as imagens
ap esen adas e eiculadas ao público em ge al são inconclusi as e que nada p o am
ou escla ecem.
Pos o o que explanámos, ca ece ainda elabo a -se uma sín ese e lexi a sob e a
e acidade ou não do enómeno. Pa a al i emos conside a os á ios mecanismos e
indicado es de que pudemos dispo .
Comecemos pela ídeo- epo agem de And inga. Cons a amos que a mesma
não é c onologicamen e sequencial no que eme e pa a o sucedido, al de endo-se
ce amen e a ques ões de opção edi o ial do ídeo. Logo, depa amo-nos aqui desde já
com uma ( e)cons ução da ealidade social. Não c emos de o ma alguma que a
escolha das imagens e ou os in eg an es que compõem es a ídeo- epo agem,
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ap esen ada po nós em qua o pa es que somadas consubs anciam o odo (And inga,
2005a; 2005b, 2005c; 2005d), não o am inocen es mas sujei as a c i é ios subjec i os
de edição. É-nos dado à in eligibilidade a in e p e ação e a manipulação edi o ial
associadas à idiossinc asia da esponsá el po essa mesma ídeo- epo agem.
Julgamos ainda, po ou os, embo a exíguos, elemen os que ecolhemos, se pa cial o
pon o de is a eiculado pela jo nalis a e e ida. T a a-se de uma na a i a, de uma
econs ução do eal e não de uma ansposição do mesmo, com ní eis de
dis anciamen o e impa cialidade que ponde amos como incon o ná eis, pa a o
público. Conside amos, po an o, es a ídeo- epo agem enquad á el na ca ego ia dos
azedo es de opinião pública, jamais como um ela o o mais impa cial possí el do ac o
que e á ou não – não, segundo a au o a – oco ido.
Complicando ainda mais a ques ão, à ‘me a’ p oblemá ica conce nen e à
in o mação das massas adicionamos a poli ização que ex apolou pa a a conside ação
do enómeno. Ao in és da a enção se di igida ao seu ca ác e anómico e, po al,
emba gado da no ma i idade socie al egula , em de e minado momen o o
enómeno do e en ual a as ão omou na p aça pública um papel onde alguma
esque da apelidada como adical (Bloco de Esque da) e ex ema di ei a (Pa ido
Nacional Reno ado ) di imiam a gumen os an agónicos em om acusa ó io, enegando
o e en ual acon ecimen o pa a um plano secundá io. Pa e dessa discussão encon a-
se p esen e na peça de Diana And inga. Ela p óp ia su ge colada à si uação de
simpa izan e do Bloco de Esque da, pa ido pelo qual oi candida a à CML (Bloco de
Esque da, 2013) e à Assembleia da República pelo cí culo de Lisboa (Bloco de
Esque da, 2009b), endo ainda pa icipado em di e sos deba es de escla ecimen o sob
a alçada do Bloco de Esque da, en e os quais sob e polí icas cul u ais, mesa compos a
ambém po João Teixei a Lopes, B uno Cab al e Ca a ina Ma ins, mode ada po José
Soei o (Bloco de Esque da, 2009a), e sob e a emá ica do ‘a as ão’ (Bloco de
Esque da, 2007).
Conside amos igualmen e es anho que o comen ado con idado po And inga
pa a se p onuncia sob e o acon ecimen o ou não do a as ão, na qualidade de
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an opólogo e po an o de cien is a social, enha sido Miguel Vale de Almeida. É
sabido, espólio do conhecimen o público, que o comen ado é um ex-Bloquis a e que
oi depu ado à Assembleia da República pelo Pa ido Socialis a, onde demons ou se
simpa izan e da sua ala mais à esque da, sendo igualmen e ac i is a de causas LGBT
pelas quais pa icipou ac i amen e inclusi e no en ol imen o e ap o ação da Lei que
pe mi e o casamen o en e pessoas do mesmo sexo. Mais uma ez, c emos que o
p incípio da impa cialidade é colocado em causa po es e es ancamen o de espec o
polí ico. O discu so p e ensiosamen e analí ico do comen ado não nos causa, assim,
qualque espan o. Alinha pela mesma ba u a do Bloco de Esque da, começando po
ques iona a e acidade ou não do a as ão, endendo aos poucos a é o aze
mani es amen e pa a a sua negação. A gumen a que a esponsabilidade do
media ismo que o enómeno au e iu se de eu em g ande medida aos media, que diz
e em des espei ado e aído a con iança de quem deles se se e no sen ido de se
in o ma , is o que esses media e ão sido, nas suas pala as, manipulado es e
p econcei uosos, acusando-os ainda de imp ecisão ac ual ace ao no iciado (And inga,
2005c).
Também ele ado da idiossinc asia des e ídeo, ou conjun o de ídeos al
como os ap esen amos, é o ema musical que acompanha os c édi os inais. Es e ema
é indubi a elmen e c í ico ace ao di o sensacionalismo eiculado pelos meios de
in o mação, e não só, e na le a do ema escu am-se pala as e exp essões como
‘manipulação’, ‘p opaganda’, ‘es igma ização’, ‘o po o ac edi a na men i a’, ‘como
semp e a icanos i a am mache e de no ícia’, ‘o acismo es a a escondido’, en e
ou as. Não inocen emen e, o ema é can ado po elemen os de e nia a icana a um
i mo hip-hop (And inga, 2005d).
Assim, enquan o o Bloco de Esque da di igia o seu discu so num om que se
di ia conciliado como igualmen e de ole ância ace às mino ias que conside a a
injus içadas, a ex ema di ei a o ien a a o seu discu so pa a a secu ização dos que, no
seu en ende , são ealmen e po ugueses e disc iminando as mino ias é nicas às quais
a ibui a esponsabilidade da insegu ança i ida, apelando inclusi amen e a du idosos
mecanismos legais de epa iamen o de elemen os dessas comunidades. Es a úl ima
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isão, nacionalis a e popula is a, encon ou algum eco em indi íduos que epe iam o
discu so que sus en a «se cá não es ão bem, que ol em pa a a e a deles» (And inga,
2005a). O ac o do e en ual a as ão e oco ido no dia de Po ugal coincidiu com
mani es ações o ganizadas pelo Pa ido Nacional Reno ado e ou a ex ema di ei a
po uguesa, o e ecendo assim maio isibilidade aos elemen os pa icipan es na
mani es ação e, nessa medida, po enciando a sua oz nos media (And inga, 2005b).
A es es ac o es de c ispação ideológica e polí ica, a ambiguidade com que os
deciso es polí icos, que a ní el nacional, que a ní el local, enca a am es e enómeno
em nada ajuda a escla ece o ac o de e exis ido ou não o al a as ão de 10 de Junho
de 2005. Nesse mesmo dia, em en e is a a um canal ele isi o, o en ão p esiden e da
CMC a i ma a «Não é inédi o. E ec i amen e, já oco e am nas p aias de Cascais
inciden es des e ipo […]» (And inga, 2005a). P osseguindo, An ónio Capucho sus en a
o pedido de audiência ao Minis o da Adminis ação In e na à da a, pos o que
a gumen a a que a polícia de Cascais só consegue agi po eacção sendo incapaz de
agi no seio de um modelo p e en i o. Toda ia, o day a e , na essaca dos p imei os
dias do di o (não)acon ecimen o, az consigo uma in e são do discu so: esponsá eis
da PSP e do Go e no da República desmen em a oco ência do a as ão,
maio i a iamen e seis dias após o supos o acon ecimen o, mensagem que é eiculada
pelos media e assumida como no a e dade ou, possi elmen e, como a eposição da
e dade.
Da pa e da PSP, o Comandan e da Região Me opoli ana da PSP, Oli ei a
Pe ei a, quando ques ionado em sede de en e is a sob e o que de ac o sucedeu em
Ca ca elos a i ma e -se a ado de um desen endimen o en e casais, po um lado, e
de uma en a i a de u o – é impo an e no a -se que não é de oubo – a um cidadão,
po ou o lado. An es de p ossegui mos com as es an es pala as do Comandan e,
que como e emos ca ecem que alguma coe ência, ques ionamos o po quê de odo o
apa a o policial pa a duas oco ências meno es. Pa a que a no malidade, a o dem em
e mos uma linguagem mais que ida a Foucaul , se man i esse inal e ada e em
con o midade? P ossigamos com o esul ado à en e is a ao Comandan e, o que i á,
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p esume-se, jus i ica o al apa a o. P ossegue en ão Oli ei a Pe ei a con ando que
udo is o – só duas oco ências podem se is as como um « udo is o»? – numa p aia
onde es a am ce ca de 15.000 pessoas e que e á sido isso a c ia a sensação da
al e ação da o dem pública g a e, sus en a. Po nosso lado, sus en amos e
obse ado a p aia com uma ca ga semelhan e em di e sas ocasiões no deco e do
nosso pe cu so e nog á ico e nunca encon ámos indício de que essa ca ga osse causa
pe si de um sen imen o da al e ação da o dem pública. As nossas pala as ganham
an o mais c edibilidade, quan o es e enómeno não ol ou a oco e no empo u u o
e igualmen e po que não há conhecimen o de enómenos semelhan es no passado,
sendo que ce amen e a p aia já e á a ingido, em pa icula no pico da época balnea ,
a ca ga de u en es e e ida pelo Comandan e. De ido a isso, explica na en e is a
e e indo-se ao g a e sen imen o de al e ação da o dem pública, as pessoas
começa am a ugi e hou e um g upo de ce ca de 30 pessoas, que ap o ei ando-se da
si uação da al e ação da o dem pública, en a am u a e ouba nalguns casos,
eco endo a alguma iolência. Em p imei o luga , é nossa ob igação e que aqui já
passamos de uma si uação de u o, no singula , pa a oubos di e sos. Segundo, esses
ilíci os são ago a já p a icados po 30 pessoas, o que jus i ica ia en ão uma in e enção
policial mais p emen e e isí el, o al apa a o a que nos e e imos. Rei e amos que a
p ecá ia solidez de coe ência na causalidade da in e enção policial es á bem pa en e
no discu so do Comandan e da PSP, nomeadamen e quando se con adiz com um
quase não acon eceu nada a é ao pon o em que já assume e oco ido iolência.
Ques ionado o mesmo comandan e se o comunicado da polícia que
menciona a 400 assal an es e o a as ão inha sido in eliz, assume i e u a elmen e a
esponsabilidade do comunicado que acei a e sido in eliz. Em sua de esa, mas sem
nunca se p e ende des esponsabiliza , a gumen a que o comunicado se baseou na
in o mação p es ada pelas pessoas que assis i am, ou seja, o que designa po
es emunhas ocula es. Já a polícia, con inua, não oi capaz de consubs ancia
exac amen e o que é que inha acon ecido. Toda ia, desc edibiliza as on es ocula es,
onde inclui alguns media, a i mando que es as, en e as quais jo nalis as, o am
conside adas idedignas quando não o de e iam e sido e que «ap endeu a lição».

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Finaliza, no en an o, na linha do que mencionámos an e io men e como a posição
o icial da PSP e do Go e no: pe emp o iamen e, a i ma, não hou e a as ão nenhum.
Não hou e a as ão algum, sem ma gem pa a dú idas, e que o soube logo passado
uma ho a, mas que já não conseguiu passa a mensagem, que se iu impo en e em
con a ia o que inha a se epo ado pelo ac o de o pânico já se e ins alado na
p aia (And inga, 2005d).
Inclusi e os media eicula am in o mações, no caso de jo nais a aze capa, em
que sus en a am a e dadei a his ó ia de um a as ão que nunca oco eu e de que a
oda a his ó ia, no undo, não passou de icção (And inga, 2005b). Um colunis a do
jo nal Exp esso chega a a i ma que se sen iu enganado com as no ícias, embo a enha
apenas omado conhecimen o do enómeno pelas no ícias e não enha es ado
en ol ido na p odução jo nalís ica da mesma. T a a-se de um discu so de um ‘conheço
quem conhece’, sendo que só sabe das no ícias em e cei a mão nunca endo
in es igado o assun o po decisão p óp ia. No en an o a i ma na mesma, sem pudo ,
que se sen iu enganado (And inga, 2005b). Fazendo usu u o des a disponibilidade dos
media pa a a emá ica, ap o ei ou o pad e Vaz Pin o, en ão Al o-Comissá io pa a a
Imig ação e Mino ias É nicas, pa a eicula pa a a opinião pública o seguin e:
«Segundo as úl imas in o mações, não hou e qualque ‘a as ão’. O dia
coincidiu com o inal das aulas e e i icou-se um aumen o ano mal de
jo ens de aça neg a no a eal. Ge ou-se o pânico e a con usão. Um
g upo de jo ens b ancos ambém p o ocou desaca os no Po o. O
p oblema não é a co da pele, mas a exclusão social […]» (And inga,
2005b)
O comen á io do en ão Al o-Comissá io é me ecedo da nossa a enção em
a iados aspec os. A p imei a a a, e no amen e, da negação do di o a as ão,
baseando-se semp e em es emunhos de e cei os, de on es pe an e as quais não
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apa en a e ido a de ida pos u a c í ica. Depois, apon a a «con usão» e algum
«pânico» ge ado não só ao coincidi do inal das aulas, como se esse ac o não
oco esse con inuamen e odos os anos, mas igualmen e ao anómalo núme o de
«jo ens de aça neg a» que aco e am ao local. Não deixa de despe a a cu iosidade
sociológica que um Al o-Comissá io con inue a u iliza o e mo « aça» pa a de ini um
g upo é nico, algo que nos pa ece algo anac ónico. Des a úl ima sen ença essal a
ambém a ideia de alguma xeno obia la en e, dada a ên ase a ibuída aos indi íduos
de « aça» neg a, como se e elasse que a inal o am os mesmos os esponsá eis pelo
sen imen o de inquie ação e de pânico i ido na p aia e no a eal. Ten a, po ém,
e ac a -se quando a i ma que não se a a o p oblema de uma ques ão da co da
pele, mas sim de mecanismos de exclusão social. Te minando, ei e amos que uma ez
mais não são ap esen ados quaisque a gumen os que conside emos álidos pa a
in i ma ou con i ma a oco ência do a as ão. C iando ainda maio en opia, é, quase
em simul âneo com as decla ações ansc i as, emi ido um comunicado do Al o
Comissa iado pa a a Imig ação e Mino ias É nicas, em papel imb ado da P esidência
da República, onde se lê que não e ão sido 400 ou 500 pessoas a p a ica esse ilíci o,
mas apenas 30 ou 40, ci ando como on e o esponsá el do Comando da PSP de
Lisboa. O a, pa ece en ão que é assumido que hou e um ilíci o p a icado, o que causa
con usão e en iesamen o no en endimen o quando, po ou o lado, o Al o-Comissá io
é pe emp ó io em nega o a as ão. De ac o, ins au a-se o caos de ido ao não
alinhamen o dos discu sos que são não só díspa es, como con adi ó ios em si
(And inga, 2005b). A inal, ques ionamos, oco eu ou não pa a o Al o Comissa iado o
(não)acon ecimen o do a as ão? A espos a man ém-se dúbia e o se iço p es ado à
opinião pública padeceu de g a es de iciências.
Passamos ago a, e minada a análise à ídeo- epo agem de And inga, à análise
do con ibu o e en ualmen e p es ado pela jo nalis a Susana And é na sua ob a que
e sa sob e mi os u banos. O ma e ial que a mesma ap esen a é quan i a i amen e
bas an e mais modes o do que o de And inga, pelo que não nos i emos p olonga
excessi amen e na di a análise.
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Começamos desde logo po cons a a que And é dedica apenas ês páginas da
sua ob a (And é, 2010, pp. 130-132) a es e enómeno ão complexo. O í ulo é
igualmen e elucida i o quan o à opinião o mada e o mulada pela au o a: «O a as ão
que mo eu na p aia» (And é, 2010, p. 130).
And é inicia a abo dagem ao enómeno apelidando-o como «c ime de
impo ação» (idem, ibidem), mui o p o a elmen e e e indo-se a uma p á ica cuja
denominação em o igem no B asil. P ossegue com o que já mencionámos: um c ime
inédi o em Po ugal, amplamen e di ulgado pelos media, 500 indi íduos a espalha o
pânico pelo a eal da p aia, os comen á ios dos analis as, a p omessa de medidas de
segu ança adicionais p ome idas pelos deciso es polí icos. Sus en a que os
en e is ados são semp e os mesmos e apon a o dedo pa icula men e a um
p op ie á io de um dos mui os ba es da p aia. Mani es a ambém a sua us ação e
lamen o po os jo nalis as não e em c uzado in o mação, i.e., apelado a di e sas
on es e assegu ado-se da e acidade dos ac os que se diziam es a a p oduzi (And é,
2010, pp. 130-131). Menciona, inclusi e, uma cons ução da ealidade, ci ando,
segundo a mesma, o en ão di ec o do jo nal Exp esso (And é, 2010, pp. 130-131).
Sus en a que a F en e Nacional, g upo supos amen e neo-nazi c iado a pa i
de dissidências oco idas den o do PNR, saiu à ua a 18 de Junho (de 2005), com o
in ui o de denuncia um supos o aumen o da c iminalidade no país de ido aos ilíci os
pe pe ados po ma ginais es angei os. Po ém, e po essa al u a, o a as ão já inha
sido desmen ido pela polícia e po á ios ó gãos da comunicação social, esc e e.
Sublinha que esse desmen ido oi cla amen e e idenciado pela ídeo- epo agem de
And inga que ci cula a en ão pela in e ne (And inga, 2005a; 2005b; 2005; 2005d) e
pelas decla ações do Comandan e da PSP Oli ei a Pe ei a que, nas pala as de And é,
desmon a a os alegados acon ecimen os. A con i ma es e a gumen á io ap esen a
como ac o exp esso a exis ência de apenas uma pa icipação às au o idades de oubo
no a eal (And é, 2010, p. 132). O a as ão não e á passado, po an o, de me a icção.
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O a, na pouca in o mação que And é nos disponibiliza nes as exíguas páginas
há, no en an o, mui o ma e ial a descodi ica . Em p imei o luga , e desde logo, o ex o
de And é é, na nossa opinião, absolu amen e desp o ido de cien i icidade digna desse
nome. É um ex o opina i o em que em poucas ci cuns âncias eco e a on es
idedignas e jamais é u ilizado o con adi ó io, ou seja, não são auscul adas on es que
possam e en ualmen e o nece in o mação em sen ido opos o ao da conclusão da
au o a, que é o de que não oco eu qualque a as ão. Mais uma ez, a a-se de um
ex o enquad á el nos azedo es de opinião e não de um hones o es o ço po busca a
e dade dos ac os oco idos. Os a gumen os ap esen ados são in undados e não
supo ados po qualque on e con iá el, com excepção pa a os decalques que e i a
dos media, o nando-se on e secundá ia de in o mação, e e e ências a dados,
escassos e supe iciais, p es ados pelo sociólogo José Rebelo e pelo en ão di ec o do
semaná io Exp esso, Hen ique Mon ei o (And é, 2010, pp. 131-132). A in es igação
ele a-se escassa e minimalis a e a análise c í ica inexis en e, pelo que a ibuímos um
alo mínimo a es a en a i a de And é em desmis i ica o a as ão como não
acon ecimen o e não oco ência. O mesmo é dize , não lhe econhecemos alo
cien í ico nem e icácia con enien e a í ulo in o ma i o como documen o álido à
análise comum e à análise cien í ica de con eúdo, semân ica e de signi icados –
inclusi e no me o campo do in e esse heu ís ico, o ex o da au o a não ap esen a
signi icância de alência.
Gonçalo Rosa p opõe-se analisa o enómeno do a as ão segundo o modelo de
Vas e man pa a as ondas no iciosas, p e endendo in oduzi um elemen o adicional
que p econiza que
«quando a onda no iciosa se o ma pe an e um consenso ala gado, é
escassa a disponibilidade pa a inco po a na cobe u a jo nalís ica
elemen os que con adigam o enquad amen o p edominan e.» (Rosa,
2011, p. 115)
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
255
in ância são neg os, ui c iado ao lado das Ma ianas, eu ia joga u ebol
pa a o bai o das Ma ianas. Na al u a ie am acusa -me, dize , segundo
eio nas no ícias, que eu e a acis a. O meu melho amigo de in ância é
neg o. Es ou há on ade pa a ala sob e eles. Sou de Angola, enho lá
amília, ou lá odos os anos, po an o se um dia quise em ala sob e
neg os eu alo. E acismo? Racismo é não dize nada a um neg o po que
ele é neg o. Isso é que é acismo. Po que esse neg o es á a queima oda
a aça neg a. Que é o que eu digo a es e pessoal que eu apanha a aí a
aze po ca ia, dizia-lhes ‘ ocês são a e gonha da aça neg a, ocês
es ão a queima os ossos pais que ie am aqui com odo o sac i ício
pa a abalha e pa a os da melho ida e ocês, no osso bai o, são
meia dúzia de ga os pingados que azem con usão mas oda a aça
neg a ica mal is a po causa de ocês’. Chama a-lhes mesmo de
o á ios, ‘seus bandidos, ocês são a e gonha dos ossos pais, se os
ossos pais soubessem o que ocês andam aqui a aze ocês le a am
uma ca ga de pancada dos ossos pais’.
I – Es e ipo de acon ecimen os e a mais ipo nas pon as da
p aia, qualque sí io…
E – Na al u a, na al u a e a mais aqui.
I – E a aqui mesmo jun o ao…
E – E a aqui, po que ha ia a bola da Ní ea, e a o sí io de
ma cação deles. Depois eu im a sabe que a bola da Ní ea só es a a
aqui po que… se nós au o izássemos. En e an o eu es a a aqui já há
dez anos a explo a is o e não sabia que inha que au o iza aqui a bola
de Ní ea. Mal soube disso mandei uma ca a pa a a Capi ania e disse
que não que ia aqui a bola de Ní ea. […]» (en e is a aplicada a
p op ie á io de es au an e-ba , 04/05/2012).

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Toda ia, a ques ão que gos a íamos e espondida, de o ma o mais cla a e
c is alina possí el, é se de ac o hou e ou não um a as ão na p aia de Ca ca elos no
dia 10 de Junho de 2005. A in o mação que ecolhemos median e o ecu so a
en e is as, o mais e in o mais, pa ecem indicia que algum acon ecimen o oco eu
nesse dia na P aia, po ém não é in o mação su icien e pa a a i ma mos com segu ança
a exis ência de um a as ão. Con udo, e conside ada a mesma in o mação, não nos
sen imos igualmen e segu os em in i ma de o ma de adei a essa hipó ese.
Es a emos pe an e um simulac o ou, po ou o, es a emos pe an e uma dissimulação
(Baud illa d, 1991a, pp. 9, 13-20)? Te á sido o a as ão uma ealidade ou, ao es ilo da
eo ia de Edga Mo in, um me o boa o (Mo in, 1970, pp. 29-32, 34-58)? C emos, no
úl imo caso, que o boa o sob e o acon ecimen o, hoje mais ou menos desmis i icado
na opinião pública mas sem ce ezas em conc e o, passou pelas ases ou es ádios, que
Mo in apelidou de (i) incubação (Mo in, 1970, pp. 38-40), que sucedeu quase de
imedia o, (ii) a p opagação (Mo in, 1970, pp. 40-44), que se e i icou de o ma ápida
ia as TIC, e po im (iii) a me ás ase (Mo in, 1970, pp. 44-48), que se p oli e a ao longo
do empo na opinião pública, pa icula men e a a és dos media ou de ou os
azedo es de opinião. É ce o que o enómeno se disseminou nas on es de in o mação
nos moldes de um boa o, no en an o emos as nossas legi imas dú idas se es e boa o
se a a apenas de um boa o ou se, po ou o lado, con ém ou exis e alguma
e acidade, ainda que num o ma o não ão d ás ico como um a as ão, po de ás de
udo aquilo que o iginou o di o boa o.
Em esumo, analisámos di e sas on es documen ais, mul imédia e esc i as,
que em conclusão e u am o a as ão, conside ando-o como um acon ecimen o não
oco ido e não eal. Ac edi amos, po ém, que essas on es documen ais ou se
mos a am pouco c í icas em elação às suas on es ou que implica am uma isão
demasiado poli izada e a é idiossinc á ica ace ao enómeno, al como i emos
opo unidade de cla i ica e de explana . Não sa is ei os com os esul ados ob idos
pela análise das mencionadas on es documen ais, p e endemos ago a oca mais a
nossa a enção pa a a in o mação que nós p óp ios ecolhemos no e eno, in si u,
ainda que ol idos quase seis, num caso, e se e anos, no ou o. É da análise des a
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úl ima in o mação, colhida jun o de in o man es em posse de in o mação ele an e e
que es ão egula men e es abelecidos na p aia de Ca ca elos, que i ão a a as linhas
que se seguem.
Em p imei o luga , o en e is ado a 25/11/2011, p op ie á io de um
es abelecimen o come cial localizado sensi elmen e a meio da p aia, e ela que oda a
celeuma em o no do a as ão é mais con e sa do que ou a coisa, pa a aseando-o.
Realizando uma análise de con eúdo ao es ilo semân ico, en endemos que o que es e
en e is ado nos es á a ansmi i é que de ac o é eni en e em acei a a exis ência de
um a as ão de g ande escala na p aia, mui o menos en ol endo ce ca de 500
melian es. Não nega, oda ia, que possam e oco ido acon ecimen os de meno
dimensão, acon ecimen os esses que implica iam a iolência que se econhece a um
oubo. O en e is ado asse e e exis ido uma con usão, sem p ecisa nem a sua
génese nem os seus con o nos, que mo i ou a que um núme o imp eciso de ac o es
sociais começasse em debandada e que al ac o e á mo i ado e despole ado o oubo
de algumas coisas po pa e de um pequeno núme o de indi íduos, apenas dois ou
ês. É igualmen e incisi o, o en e is ado, em coloca em ealce an eceden es, o que
chama p oblemas, de alguma iolência na p aia, em pa icula na sua pa cela mais a
poen e, jus i icada com a p oximidade da es ação de comboio e da acção de ac o es
sociais chegados a a és des e meio de anspo e e logo emo endo da equação
esiden es na eguesia. Em suma, não podemos, segundo es a on e p esencial,
descu a nem desca a a hipó ese de oubos oco idos a 10 de Junho de 2005 na p aia
de Ca ca elos.
Passemos pa a a análise da in o mação p es ada pelo en e is ado a
04/05/2012, que é bas an e mais as a, mais ica e mais complexa, sendo que o
p óp io chega a a i ma e assis ido e documen ado o que, nes e caso conside a na
a i ma i a, sucedeu no a as ão ou mini-a as ão. Inicia o seu discu so apon ando,
como o en e is ado an e io , os an eceden es iolen os oco idos na p aia, que
segundo as suas pala as, e a é à da a da en e is a, já o a mui o mal equen ada.
Nes e caso, es amos pe an e um p op ie á io de um es abelecimen o localizado na
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pa cela mais a nascen e da p aia. Sus en a que episódios de iolência não são
no idade na p aia em ques ão, emon ando-os inclusi amen e a é ao ano de 1996,
no e anos an es do episódio que sem pejo denomina como a as ão de ac o e que
apelida como sendo um escândalo. Rela a igualmen e si uações de iolência, ag essões
e o ecu so a a mas b ancas pa a coagi a í ima, pe pe adas con a si e amilia es
an es do di o a as ão; p ossegue asse indo e igualmen e assis ido a ou os
indi íduos se em assal ados e a é es aqueados, sem de alha a g a idade dos
p esumí eis es aqueamen os. A i ma que es e cená io du ou desde a da a e e ida a é
à oco ência do a as ão, que eio a al e a pa a melho as condições de segu ança na
p aia. Ap esen a como p o a do a as ão e cap ado á ias o og a ias do enómeno
em cu so, o os essas que se p opaga am nos media e na in e ne . Se essas o og a ias
são as mesmas que an e io men e já analisámos, man emos o que e elámos da
análise das mesmas e que sin e icamen e dizemos não aze qualque p o a de que
enha oco ido um a as ão. Ao a gumen o dos cép icos do a as ão enquan o ac o
e dadei o, da inexis ência de egis os de queixas às au o idades, con apõe que o
desconhecimen o das í imas ace aos melian es e à u u a incapacidade de os
iden i ica demo eu as í imas a o maliza qualque queixa. Diz e conhecimen o de
assal os, nomeadamen e qua o anos an es e que de iniu como e sido um mini-
a as ão, onde p es ou auxílio às í imas – oubadas de elemó eis, elógios e câma as
de ilma – e que as í imas se ha iam p es ado a o maliza queixa jun o da PSP, mas
o ac o é que essa ealidade, diz o en e is ado que po medo de ep esálias, nunca se
ma e ializou con ibuindo assim, segundo o en e is ado, pa a o aumen o das ci as
neg as ela i as à c iminalidade. Mesmo o en e is ado demons a descon iança ace à
e icácia das ins âncias o mais de con olo, pelo menos no que espei a ao a amen o
de queixas e ec uadas con a desconhecidos, jus i icando-se com os a gumen os de
que pe de a ho as na esquad a da PSP, que o caso se p olongou po anos em
julgamen o e que no inal não o am a ibuídas esponsabilidades em conc e o.
Alinhando pa a e ei os de en e is a com o en e is ado, ques ionámo-lo se os
indi íduos des ian es en ol idos no a as ão e am esiden es nas p oximidades ou se
p o inham do ex e io . Sem hesi a desca a a hipó ese de os ac o es sociais
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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esponsá eis pelo di o a as ão se em esiden es, pa icula izando no não
en ol imen o de indi íduos que lhes pa ecem mais p oblemá icos e que esidem no
bai o das Ma ianas – um bai o econhecido ambém ele p óp io, pela opinião
pública, como p oblemá ico ou albe gando indi íduos p oblemá icos. Adian a que os
elemen os en ol idos no a as ão de 10 de Junho de 2005 se iam p o enien es da
Amado a, embo a não de alhe a gumen os álidos pa a co obo a a sua ese. Ga an e
apenas, sem mais explicações, que isso ga an e ao in es igado que sabe. Iden i ica,
en ão, como os esponsá eis pelo a as ão indi íduos p o enien es de e i ó ios
ex e io es a Ca ca elos, sendo, nas suas pala as, maio i a iamen e de e nia a icana.
O en e is ado é esiden e na eguesia, jun o a um dos bai os conside ados como
p oblemá icos e habi ado maio i a iamen e po indi íduos de e nia a icana, conhece a
en ol ência e os ac o es sociais esiden es no bai o, negando a sua en ol ência nes e
a as ão ou mini-a as ão em conc e o. Ex e io iza os causado es que con inua a
de ende se em maio i a iamen e de e nia a icana. Po ê-lo a i mado aos media, que
os esponsá eis se iam de e nia a icana ou neg os, eco endo à e minologia que
u iliza, conside a que oi o ulado como indi íduo acis a, xenó obo. Desmen e essas
acusações expondo a sua his ó ia de ida e a sua boa elação com indi íduos de e nia
a icana. Salien a que, pa a si, acismo é, sic, não dize nada a um neg o po que ele é
neg o. Apon a a pa cela de p aia onde se encon a o seu es abelecimen o como um
epicen o, de ido ao local se à al u a acilmen e iden i icá el e acili ado de
ajun amen os, pa a acon ecimen os como o di o a as ão e ou os ambém iolen os
que lhe an ecede am.
Res a-nos apenas edigi algumas pala as inais sob e a opinião, assen e em
p incípios de cien i icidade, que icamos sob e es a si uação. Jean Baud illa d explici a
como simulac os aquilo que se diz e e que não se em (Baud illa d, 1991a, p. 10);
aplicado ao nosso caso, di íamos a a -se de dize -se e acon ecido o que não
acon eceu. Em elação à dissimulação, Baud illa d adian a que a mesma é ingi dize
que não emos aquilo que dizemos que emos (idem, ibidem); ol ando a aplica es e
p incípio ao nosso caso, o mesmo é dize que se inge nada e acon ecido quando de
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ac o acon eceu. C emos que a única espos a i me que podemos da é que na
p esen e si uação nos encon amos algu es a meio e mo.
Na ealidade, não encon amos mo i os azoá eis pa a desc edibiliza os
nossos en e is ados, nem mesmo o hia o no empo deco ido desde o di o a as ão,
nem as in o mações que nos p es a am. O mesmo é a i ma que não
desc edibiliza emos a análise esul an e dessas in o mações nem a nossa pos u a no
e eno enquan o álidos e legí imos inqui ido es de um enómeno no âmbi o do
conhecimen o sociológico. Reco damos aqui as pala as do en ão P esiden e da CMC,
sus en ando que a si uação não e a inédi a. Reco damos ainda as pala as do
esponsá el da Região Me opoli ana da PSP, que implica 30 a 40 indi íduos em
ilíci os, ac o que é con i mado no ela ó io o icial da Polícia, e que esses ilíci os só
o am con idos e impedidos de ido à p esença e in e enção de um o e disposi i o
policial. O eceio e o sen imen o de u ilidade em ap esen a queixa às au o idades po
pa e das e en uais í imas, o úl imo de i ado da axa de insucesso mui o ele ada do
pon o de is a da esolução expec ada pelas í imas ace às queixas ap esen adas
con a desconhecidos, ambém podem e o e ecido cobe u a ao enómeno e azê-lo
passa po não acon ecimen o.
Finalmen e e ace ao expos o, na nossa opinião assen e em p incípios de
cien i icidade, acei amos que enha sucedido no dia 10 de Junho de 2005 um a as ão
de pequenas dimensões ou pelo menos si uações de oubos, pau adas po iolência e
coacção. No en an o, epudiamos que al acon ecimen o enha sido pe pe ado po
um núme o ão ele ado como 500 indi íduos, o que co esponde ia a 3,3% da
população p esen e na p aia, e que al é exage ado. Opinamos igualmen e que o
enómeno que e á de ac o oco ido enha sido localizado e não se enha di undido
nem disseminado po oda a p aia, na sua ex ensão de 1,2km, mas sim em pa celas ou
numa pa cela em conc e o da P aia de Ca ca elos. Ce ezas, con udo, supomos que
não i ão alguma ez exis i .

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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5. P aia e Consciência Ambien al?
Iniciamos as nossas conside ações e e en es a es e pon o com uma indagação:
é ealmen e de e minan e, pa a a i ência quo idiana des a p aia, uma di a
consciência ambien al? Conside amos que sim. Conside amos, inclusi e, que o é a
de e minados ní eis, nos quais enquad amos sem di iculdade o do discu so polí ico
como ambém aquele do dos agen es económicos, o da ques ão da boa-imagem do
espaço que se epe cu e na maio ou meno a ac i idade que de ém sob e os seus
e en uais ap op ian es, que ad ém da acção dos deciso es polí icos e dos agen es
económicos locais, em pa icula .
No seguimen o do que asse imos, podemos conside a que o discu so e as
acções dos agen es e deciso es polí icos ace à ques ão ambien al de êm igualmen e
uma inequí oca componen e u ili a is a. A ques ão de um ambien e cuidado não de e
se ingenuamen e pe spec i ada ão-somen e pelo al uísmo ace ao mesmo, an es
de e encadea -se no seio de uma lógica que acili e, p opicie e po encie a ap op iação
dos e i ó ios da P aia de Ca ca elos po di e sos ac o es sociais, en e os quais
aqueles que se es abelecem come cialmen e na p aia a aindo, dessa o ma, um no o
ol de ac o es sociais que azem uso da p aia, como imos, an o num egime de
ap op iação diu na como num egime de ap op iação noc u na, de o ma con inuada e
e i ando um o al es aziamen o do espaço ao longo do dia. Es es úl imos ac o es são,
em núme o signi ica i o embo a não exclusi o, aqueles que podemos com acilidade
enquad a em p á icas de laze e de consumo associadas à componen e lúdica. São
es es ac o es-consumido es, na igu a que explanámos como cidadão-consumido , os
mais apela i os e mais desejados pa a a ap op iação dos espaços da P aia de
Ca ca elos, que pelos agen es sociais com in e esse económico, que pelos agen es
sociais de decisão polí ica que ambém ob êm ganhos, ainda que menos di ec os,
de i ados da ap op iação de ac o es sociais capi alizados e dispos os a p á icas de
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consumo, ainda que de i adas de uma i ência lúdica do quo idiano que a p aia
suges iona e o e ece ao po encial u ilizado . C emos com i meza que os discu sos
ecológicos, mui as das ezes di os ‘ e des’, eiculados pelos agen es económicos e
pelos agen es de decisão pública ence am es a dico omia e não podem se
in e p e ados unicamen e pela sua e en e de exclusa de esa da na u eza.
Nes a medida, uma di a consciência ambien al não se de e limi a a uma
in e p e ação linea e ec ilínea, mas de e impe a i amen e cuida em oma em
a enção as in encionalidades u ili a is as de quem de ém a ges ão público-polí ica do
espaço e daqueles que ecolhem os ganhos inancei os pela explo ação do espaço, o
que po eg a só su ge sub- ep ício no discu so des es ac o es em pa icula ou a a és
da cuidada descons ução do mesmo. De ac o, a consciência ambien al sal agua da
não só o ecossis ema na u al e o ecossis ema humano, embo a ambos na sua i ência
no eal sejam i edu í eis, como sal agua da de igual o ma a boa imagem da ‘cidade’
e logo os usos da p aia, e os bene ícios que es es ac o es sociais, económicos e de
decisão pública, di ec a ou indi ec amen e colhem dessa mesma sal agua da
ecológica.
Adian e obse amos duas imagens. Comecemos pela p imei a, a Imagem 98.
Es a imagem expõe uma mensagem eiculada po agen es económicos p i ados. «A
Te a é insul ada e o e ece as suas lo es como espos a» é uma mensagem que não
pode se auscul ada apenas pela sua e en e li e al. Que emos com is o dize que de
ac o os p op ie á ios do es abelecimen o que os en a a placa podem es a hones a e
desin e essadamen e p eocupados com o ambien e, com a sua qualidade e com a
o ça com que in e agimos com a pa e na u al que é exógena ao an opocen ismo;
não só á na u eza an opomo izada mas aquela que se encon a ainda, se al o
possí el, longe da pe u bação da mão humana. Toda ia, essa mensagem con ida
igualmen e os ac o es sociais a u iliza em, e a consumi em, num es abelecimen o
come cial onde, na sua p á ica, há uma p eocupação pa a com a na u eza. De um
al uísmo po encialmen e hones o ac escen amos a a iá el u ili á ia: gas em o osso
dinhei o aqui, nós p eocupamo-nos com o ambien e, logo con osco e, po isso, se ão
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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bem acolhidos e e ão de se p eocupa menos com a ossa pegada ecológica, le -se-ia
nas en elinhas o que pode iam se as – ambém – eais in enções dos p op ie á ios.
Ponde ando sob e a segunda imagem, a Imagem 99, damos con a que es amos
pe an e um eículo de limpeza pe encen e ao pode público local: EMAC, Emp esa
Municipal de Ambien e de Cascais. Es a imagem, no nosso en endimen o, ansmi e-
nos a mensagem de que a CMC se p eocupa em man e o espaço da p aia, na imagem
uma pa cela do pa edão, limpo. Tal de e-se, não o desconside amos, a ques ões que
se p endem com a higiene pública e logo o bem-es a da população e ou os
u ilizado es. Toda ia, como sus en ámos acima, não c emos que as acções de limpeza
como es a, pa a mais ão ei e adas como obse ámos, se de am ão-somen e à
idoneidade da CMC. Mais uma ez eco emos à ideia e noção de u ili a ismo,
eincidindo na ideia de que um espaço limpo e cuidado é mais apela i o pa a
ap op iação à esmagado a maio ia dos ac o es sociais ‘ a ge ’.
Al uísmo, necessidade biológica e negócio, público e p i ado, con i em de
mão dada ace a oda es a ques ão ambien al que é udo menos simples e simplis a.
Imagem 98
Legenda: Es aca e placa com legenda ‘ e de’
Fon e: cap ação do au o (02/09/2012)
Imagem 99
Legenda: Veículo de limpeza da EMAC
Fon e: cap ação do au o (08/09/2012)
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6. Des ino Me opoli ano e (in)Visibilidade Tu ís ica
A i mámos que a p aia de Ca ca elos é um e i ó io com uma i ência
quo idiana incada numa lógica me opoli ana (Ma ino i, 1993, pp. 21-34, 35-40;
Bassand, 2007, pp. 165-168). P e endemos ao longo des e pon o consolida essa
asse ção. De igual manei a, p ocede emos à consolidação do a gumen á io no que
espei a a ou a asse ção eiculada, a sabe , o ac o de não conside a mos es a p aia,
pelo que se des acou no eal i ido, como um des ino u ís ico po excelência.
No decu so do nosso pe cu so de pendo e nog á ico na p aia e idenciou-se,
desde logo, que o seu uso não se cingia apenas a esiden es, mas que e a es endido
pa icula men e a ou os ac o es sociais p o enien es de ou os concelhos
me opoli anos. A o e p esença e a mui o signi ica i a ap op iação da p aia po
indi íduos p o enien es de di e en es luga es da me ópole de Lisboa. Num pe cu so
de pendo e nog á ico é de g ande ele ância sabe escu a as in o mações que os
es an es ac o es sociais nos o necem, seja conscien e – e.g., en e is as in o mais –
seja inconscien emen e – o que implica da pa e do in es igado que es eja a en o a
con e sas en e indi íduos di e sos. Sabe escu a o nou-se numa a e e numa a e
p o ícua e median e o ape eiçoamen o da escu a das con e sas en e ac o es sociais,
es i éssemos di ec amen e en ol idos ou como me os espec ado es, iemos a e
conhecimen o do pon o de o igem de um núme o signi ica i o de ac o es. O ecu so a
al écnica, auscul a a in o mação que é ansmi ida e que ‘pai a’ no a , oi-nos
emendamen e ú il não só pa a o que eme e pa a as p á icas e a ap op iação do
espaço que em e mos de usos di os diu nos como ambém pa a os usos noc u nos
da p aia. Os ac o es sociais podem o na -se in o man es mesmo sem da con a do
sucedido e como nos diz Be na d obse a e escu a esul am em impo an es no as
desc i i as (Be na d, 2006, p. 397), ú eis pa a o p ocesso de in es igação e seu
esul ado. Ac escen a ainda que du an e a obse ação pa icipan e o in es igado
en a coloca à on ade – se es i e a se demasiado in e e en e – os indi íduos, de
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271
pa a cada subg upo (idem, ibidem). Os ac o es sociais que esidem na me ópole
podem mesmo dis u a , en e ou as, de zonas de ócio de ou os luga es da cidade
me ópole, como é ambém o caso dos indi íduos que abalham em Oei as e que se
deslocam a Ca ca elos com o in ui o de oma uma e eição num espaço – cénico –
que alo izam ou que ap o ei am pa a p a ica o seu su du an e a ho a de almoço.
Aos elhos esiden es das cidades, emos de ac escen a p ocessos de c escen e
mobilidade das populações, dependen es do policen ismo, e a que es ão associadas,
en e ou as, dinâmicas de ec eação u bana (Bap is a e Pujadas, 2000, p. 298).
Sus en am, apoiando-se e eco endo a con ibu os de Ma ino i, que hoje em dia não
é possí el sus en a uma análise das no as o mas de mo ologia u bana endo po
base ão-somen e os pad ões de esidência ou unidades esidenciais, is o que as
elações en e população e e i ó io são ão dinâmicas que as pe spec i as es u u ais
nos dizem bem menos dessa ealidade do que as pe spec i as do ipo p ocessualis a.
Des a o ma, concluem, é indispensá el insis i na análise dos sis emas u banos,
en endidos como sis emas egionais que em si in eg am g andes zonas me opoli anas
que são cons i uídas po dezenas, po ezes cen enas, de municípios que gi am em
o no dos g andes cen os u banos (Bap is a e Pujadas, 2000, p. 299).
No en an o, como indicámos an e io men e, es a p aia, a P aia de Ca ca elos,
não é p op iamen e um des ino u ís ico po excelência. I emos e i ica isso mesmo já
de seguida.
No que eme e pa a essa (in) isibilidade u ís ica, ol amos an es de mais a
anco a as nossas asse ções naquilo que o pe cu so e nog á ico nos demons ou e, em
p imei o luga , é que o po uguês oi quase semp e a única língua que escu ámos
quando os ac o es sociais comunica am e balmen e en e si, excluindo pa a um
pon o pouco ou nada signi ica i o a u ilização de idiomas es angei os. Nes a ma é ia,
an o assim oi du an e ou o a da época balnea .
Du an e a época balnea ambém escu ámos – ainda que ei e emos que de
o ma pouco ou nada signi ica i a – alguns ac o es socias que se exp imiam

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272
e balmen e com ou o idioma que não o po uguês. Espanhol, inglês e alemão o am
ês que conseguimos, isolando a oné ica, escu a po en e os espaços da p aia de
Ca ca elos, especialmen e em es abelecimen os come ciais. A isionomia a ípica em
elação à po uguesa que a ibuímos aos nó dicos e a ou o ac o dis in i o que
pe mi ia iden i ica , mui o pon ualmen e, u is as. Ao longo do pa edão de ce ca de
1km, e ambém num egime pau ado pela pon ualidade, escu ámos igualmen e es as
ês línguas, com p edominância do espanhol, seguido pelo alemão que p ecedia o
inglês. De ac o, não inco emos em nenhuma in e dade ao asse i que a os o am os
u is as com que nos c uzámos du an e es e pe íodo.
Ainda que sejam obse á eis algumas ma ículas de eículos mo o izados de
países como Espanha ou F ança, es es co espondem apenas a uma exígua pa cela do
pa que au omó el isí el nos es acionamen os da P aia de Ca ca elos, o que nos
incen i a a conclui que se a a ão-somen e de um núme o esidual. É possí el
igualmen e obse a au oca os de u ismo a os en a ma ícula es angei a,
sob e udo espanhola, sendo oda ia ainda menos signi ica i os do que os au omó eis,
com isibilidade em núme o, não obs an e se em capazes de ca ega mais
passagei os, conside a elmen e meno . Con udo, como e e imos, a p esença de
indi íduos es angei os na p aia não passa do me o ac o esidual.
As en e is as que ealizámos, pa icula men e as semi-di ec i as aplicadas a
p op ie á ios de es abelecimen os come ciais, ambém conco em no sen ido de
con i ma que a P aia de Ca ca elos não é um des ino u ís ico po excelência.
E idenciando-o, plasmamos alguns exce os:
«[…] In es igado – No Ve ão êm uma ca ga maio de
es angei os…
En e is ado – Tem alguns. Apanhamos os espanhóis, em os
es angei os, êem-se aqui mui os es angei os esiden es, ingleses, a é
po que em aqui o colégio inglês aqui a ás, e já exis e bas an es
es angei os a i e cá que eu no o alguns clien es que já alam
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po uguês, e c., que são os es angei os que mo am cá. Es angei os que
êm cá em é ias não se ê, não há mui os aqui.
I – Os ho éis aqui da zona não se em es a p aia, en ão?
E – Pouco, é pouco. Ficam mais po Cascais, em Cascais já se
no am mui os mais es angei os.
I – É uma p aia mais ocacionada pa a po ugueses…
E – É, mais po ugueses. É. […]
I – É eg a se a época mais al a a é an es de Se emb o?
E – É. É de Junho a é Agos o.
I – Se emb o já não é assim mui o…
E – Cai. Cai comple amen e. Is o há ali an es de Agos o há ali
uma queb a de pessoas que… dos nossos clien es que é pessoas daqui,
is o é, po ugueses, e es á aqui há pouco lhe disse que mui os dos nossos
clien e são po ugueses, ou seja ali em Agos o há uma queb a mui o
g ande que as pessoas aqui em edo ão de é ias e na p imei a semana
de Agos o is o es á quase dese o. E en ão depois começa a chega os
espanhóis, os imig an es, en ão a coisa lá se compõe, du an e o mês de
Agos o. Ou seja sai clien es nossos, clien es do dia-a-dia, já nossos
clien es que nos desapa ece um bocado ali no mês de Agos o, e en am
no amen e no os clien e que é no malmen e emig an es, espanhóis,
que ão compondo a casa; bons clien es, po acaso. Ingleses é que não
se ê mui o já. An igamen e o espanhol não e a um g ande clien e e
nes e momen o o espanhol é melho que o inglês.
I – Nes e momen o as pessoas que mais êm de o a são mesmo
os espanhóis?
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E – É, é. Quando êm, po exemplo na Páscoa, abalha-se mui o
bem, se es i e bom empo es ão mui os espanhóis, mesmo. E
an igamen e o espanhol e a mau po que paga a pouco, e a mesmo ali
as coisas à con a. Ago a o espanhol já dá g a i icação, o espanhol já
consome bas an e. Foi desde a al u a do €u o, mais ou menos, que a
coisa começou a muda . Mas en ámos pa a a comunidade eu opeia,
an es do €u o ha ia mui os ingleses que inham cá, gas a am à
on ade…
I – A moeda mais o e na al u a…
E – E a. Mas gas a am sem olha pa a aquilo que es a am a
gas a , gas a am mesmo… Eu lemb o-me disso po que nessa al u a eu
es a a em Cascais, nessa al u a eu lemb o-me que e a assim. Já o
espanhol, não. E ago a o inglês que apa ece já em pa a a p aia com
sacos de supe me cado, udo con adinho, êm aqui já udo con adinho,
já não gas am assim à on ade, se calha já consomem coisas assim
mais ba a as. Já não é a mesma coisa, já não o mesmo clien e, julgo eu.
[…]» (exce o de en e is a semi-di igida ealizada a um p op ie á io de
um es au an e-ba , conduzida em 23/05/2011)
Nes a en e is a é-nos eiculada a in o mação que apon a pa a um ce o
saudosismo, p esumi elmen e a o á el pa a o comé cio, em elação à an e io
moeda po uguesa, o Escudo. Tal de e-se, assim o c ê o en e is ado, pelo baixo alo
da moeda quando compa ada com a b i ânica Lib a Es e lina e a é mesmo a Pese a
espanhola. O en e is ado assegu a que na al u a em que es as di e en es moedas
conco iam se no a a um mani es o pode de comp a ac escen ado po pa e do
consumido es angei o, do u is a. Ac ualmen e, al ac o já não se e i ica após a
adesão de Po ugal, e de Espanha, ao Eu o equilib ando o alo eal pa a com a Lib a
Es e lina, causando a diminuição d ás ica do consumo po pa e de u is as
essencialmen e ingleses.
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Ainda assim, mesmo acusando uma maio p esença de u is as du an e a época
da Páscoa, o en e is ado pa ece-nos pe emp ó io em conside a , e em con i ma , que
de ac o Ca ca elos nunca oi, na sua memó ia, uma p aia de signi ica i o acolhimen o
u ís ico, sendo que es es úl imos p e e em ou os e i ó ios da ila, nomeadamen e
do seu cen o, em de imen o de Ca ca elos. As eguesias do Es o il e Cascais
apa ecem como sendo aquelas que acolhem em maio núme o, e já bem signi ica i o,
ac o es sociais em u ismo. Re e e inclusi amen e, sem ecolhimen o, que a p aia de
Ca ca elos é ocacionada pa a um uso e ap op iação e ec uado po ac o es sociais
esmagado amen e nacionais.
Já de ou a on e, de um di e en e en e is ado, ecolhemos o seguin e:
«[…] In es igado – O clien e aqui… não há mui os es angei os
nes a zona, pois não?
En e is ado – Não e eu acho que há uma explicação pa a isso.
Nós emos aqui dois ho éis, que é o ho el P aia-Ma e o Ri ie a. Eu já lá
ui…
I – São os dois únicos aqui em Ca ca elos.
E – Sim. Eu já lá ui. A é ao Es o il são os únicos, que eu saiba. A é
ao Es o il. Depois do Es o il já começa a ha e . Já ui a es es dois ho éis e
ui dize : ‘olhe, nós somos o es au an e assim, es amos nes e sí io,
gos á amos de aze publicidade aqui, de po uns pan le os e assim.
Vocês conhecem o sí io?’, ‘Não, não. Não conheço.’ Che es de…
di ec o es de ho el e che es de, como é que se chama?, de ecepção. Eu
disse assim ‘eu acho que ocês de iam…’É uma e gonha.
I – Só a pa i do Es o il…
E – É uma e gonha. A Câma a só olha a pa i do Es o il. É
e gonhoso. É e gonhoso. Is o eles êm como a cauda da Linha de
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Cascais. Is o não é Cascais, é Ca ca elos. Is o é só a p aia com mais
condições pa a eles aze em coisas megalómanas. Eu cheguei a dize aos
senho es da Câma a eu se i esse dinhei o azia conce os aqui, eu
punha is o no mapa dos conce os da Eu opa. Há sí ios lá em cascos de
olha, que as pessoas ão pa a conce os, ão usa espaços lá pa a as
Zambujei as e não sei quê. Aqui às po as de Lisboa? Vocês ainda não
olha am pa a is o com olhos de e . Mas olhe, ocês é que sabem.
I – Em Oei as, po exemplo, já azem o Op imus Ali e.
E – Eu já lhes disse: ‘ ocês, se não sabem, ap endam com os
ou os; olhem, imi em os ou os, êm ali a Câma a de Oei as; aquele
senho que se calha já ez in a po uma linha, não de ia e ei o, mas
az coisas que ocês já de iam e ei o ambém. Imi em as pessoas que
azem as coisas bem ei as. Eles êm boas p aias e condições pa a
aze em qualque coisa. E eles azem. Es a p aia podia se uma coisa de
ou o mundo. Vocês não que em.’
I – Pa ece-me que o Tu ismo… es ão mais in e essados em
apos a no cen o de Cascais…
E – Pois, cen o de Cascais…
I – Um u ismo mais eli is a, po assim dize .
E – Exac amen e. Mas que dize , Ca ca elos não pode se eli is a
po quê? Pá, é a única p aia, que eu saiba, que é iluminada como es a.
Pa a aze ac i idades despo i as em campos de olley… aliás, es es
campos de olley o am pos os po nós. Os campos de olley… olhe,
es as ba as que es ão aqui, es e ci cui o de manu enção que es ão aqui,
ui eu que os mon ei há se e anos. Campos de olley emos há anos. Já o
an igo dono inha, que e am dois pos es de madei a. Se is o hoje em dia
é conside ado no Plano de O denamen o da O la Cos ei a zona
despo i a, es a zona daqui, a nós nos de e. Mui o a nós nos de e,
po que is o… começámos po e campos de olley, começámos po e a

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277
p imei a escola de su da Linha, começámos po me e es as ba as
aqui. São milha es as pessoas que usam es e espaço. A cus o ze o, a
cus o ze o. Eu mo ei aqui du an e se e anos. Aqui, a oma con a dis o,
que is o e a assal ado, e a andalizado. E p on o, sei o que é que e a
is o. Na al u a é amos nós que púnhamos luzes nossas a apon a pa a o
campo de olley. […]
I – Só há dois ho éis daqui a é… ambém não é uma p aia de
Tu ismo?
E – Não, não, não. Ainda po cima os ho éis não são capazes de
e um conhecimen o do que se passa aqui na p aia. E eu disse ‘olhe, se
eu i esse um espaço como ocês não di ulga a qualque espaço;
manda os meus clien es pa a o es au an e A, B ou C, ainda po cima
pode se uma espelunca, não; e a bom ocês e em o espaço de que eu
es ou a ala , que é um espaço ag adá el e que se come boa comida,
p on o, que eu que o deixa cá publicidade mas que o que ocês
pe cebam que aquilo é um espaço que ocês podem mesmo manda os
ossos clien es que não é mais um en e ezen os, não é?’ […]» (exce o de
en e is a semi-di igida ealizada a um p op ie á io de um es au an e-
ba , conduzida em 04/05/2012)
No amen e, nes a en e is a ob emos a in o mação de que a p esença de
u is as na p aia, quando exis e, e pa en e pa icula men e nas di as épocas al as, é
me amen e esidual.
Nes e ex o o en e is ado ansmi e-nos a não exis ência de mui os
es angei os como seus clien es, es ando po an o como esmagado a maio ia de
clien es, ao longo do ano, aqueles que de nacionalidade po uguesa. Nega, nes e caso,
um uso ei e ado do seu es abelecimen o po u is as, al como já ha íamos e i icado
no exce o da en e is a p eceden e. Começa a ap esen a como azão o ac o dos
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dois p incipais ho éis que se localizam jun o à p aia não di ecciona em pa a os
es abelecimen os ali sediados os seus hóspedes, insinuando uma al a de diálogo e de
sine gias en e os es abelecimen os ho elei os e os es abelecimen os exis en es na
p aia. Faz ques ão em apon a que, pio ando a si uação, só a pa i do Es o il é que o
núme o de ho éis começa a se ealmen e signi ica i o, eme endo esponsabilidades
pa a a CMC que diz só olha a pa i do Es o il e es igma iza Ca ca elos como sendo
obse ada, po essa en idade, como a cauda de Cascais. Asse e, inclusi e, e
con ac ado a CMC no sen ido de a sensibiliza que a p aia eúne as melho es
condições pa a que nela se ealizem megae en os, como conce os de g ande
dimensão na mesma linha dos que êm luga em Oei as, jus i icando que a
p oximidade com a cidade de Lisboa se ia nada mais do que um eno me acili ado .
Embo a esses e en os, e en ualmen e conce os de g ande dimensão, pudessem i a
e luga na p aia de Ca ca elos, é nossa opinião que esse ac o pode ia con ibui pa a
a ai mais u en es me opoli anos, em núme o e di e sidade, e somen e um núme o
bas an e esidual de u is as, se bem que possi elmen e mais do que aqueles que
ac ualmen e u ilizam a p aia e os se iços colocados à sua disposição.
Quando ques ionado se o in es imen o no u ismo po pa e dos deciso es
polí icos se cen a exage adamen e no cen o de Cascais, diminuindo o po encial que
obse a em Ca ca elos, o en e is ado não hesi a em anui e em con i ma a nossa
ese de que Ca ca elos em sido secundada como p o agonis a na cena do u ismo.
Faz ale igualmen e como seus a gumen os que a p aia de Ca ca elos pode ia o na -
se igualmen e um des ino pa a as eli es, conside ado o ol de equipamen o de que a
p aia es á do ada, inclusi e de iluminação noc u na, mui o pa icula men e o ien ado
pa a p á icas lúdicas em que são exempli icados despo os ais como o olley de p aia
e o su . É um espaço, sus en a, u ilizado po milha es de pessoas e que, pelo seu
media ismo, pode ia se mais bem ap o ei ado pa a os usos de inidos po u is as.
P e endemos apenas conclui que o u ismo em Cascais, como já obse ado, não
depende apenas do seu ca ác e lúdico, mas ambém da sua a ac i idade ace ao
u ismo de negócios, como o di o MICE. Pa ece-nos que a p aia de Ca ca elos, no que
espei a a es a úl ima e en e, a de u ismo de negócios, não se encon a adequada
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exac amen e da melho o ma, alhando inclusi amen e na exis ência de unidades
ho elei as capazes de hospeda po enciais u is as. Esse equipamen o, e ou o que
complemen a , como cen os de euniões, encon am-se já bem i mados no Es o il e
no cen o de Cascais, o que, consequen emen e, conco e pa a empu a a p aia de
Ca ca elos pa a uma si uação de di a quase in isibilidade u ís ica.
7. Da Dis inção. Uma P aia, Duas Realidades Vi idas.
Nes e pon o, com que e mina emos o esul ado da analí ica à nossa
abo dagem da p aia de Ca ca elos, p e endemos exal a uma ealidade que nos
pa eceu e iden e desde o começo da nossa ime gência nes e e i ó io e que se ia
cien i icamen e insalub e igno a : a exis ência, que pe du ou pelo empo de
in es igação in locus, não de uma mas de duas p aias de Ca ca elos. A p imei a, nos
seus e i ó ios geog a icamen e delimi ados mais a nascen e e a segunda, e i icá el
nos e i ó ios mais a poen e. Exis i á en e os dois um espaço que pode emos
conside a in e s icial ou de cha nei a e de ansição, que sensi elmen e apon amos a
meio des e e i ó io. A im de o na es a nossa p opos a mais in eligí el,
obse emos, cons uída a í ulo comp eensi o, a Figu a 11:
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280
Figu a 11
Legenda: P aia de Ca ca elos po dis inção na ap op iação: Zonas Nascen e e Poen e
Fon e: Adap ado de Google Maps (Google 2013)
De ac o, a Figu a 11 ap esen a-nos a p aia di idida em ês segmen os, nos
quais podemos le , balizado a aço e melho, o que denominámos po zona
in e s icial ou de ansição, e as zonas Poen e e Nascen e da P aia, nomeadamen e à
esque da e à di ei a do espaço balizado a aço e melho. Se ês segmen os, po quê
en ão a nossa an e io insis ência numa p aia, passando a o ça de exp essão, a ‘dois
empos sociais’?
A explicação pa ece-nos simples an o quan o, oda ia, ine i á el o é escla ecê-
la po mais pala as. Ao espaço in e s icial, po si, se ia en ado denominá-lo de não-
luga , conside ada a ansi o iedade do mesmo ace aos mo imen os dos luxos dos
ac o es sociais que o u iliza iam como pon o de passagem e não como pon o onde as
i ências ossem pau adas po in e acções p enhes de signi icados (Augé, 2007, pp.
72-96). Con udo, em p imei o luga , o concei o de não-luga , pa icula men e como
Ma c Augé o ope acionaliza, não nos é ca o e ejei amo-lo limina men e po
de iciência do seu ca ác e explica i o. Sus en amos a ese de que no ecossis ema
N ↑
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
287
en an o, ainda que co elacionada com uma pe spec i a capi alis a assen e na
ap op iação do imó el, o concei o de izinhança ‘enob ecida’ ganha igualmen e
p imazia no p ocesso de gen i icação – com ‘iguais’ en e ‘iguais’.
Na P aia de Ca ca elos não podemos in oduzi a dinâmica da ap op iação do
que é imó el pa a esidência po classes mais ele adas do que as que a é aí se
encon a am, is o pa a es e e ei o especí ico al não é aplicá el. Podemos e de emos,
no en an o, in oduzi o concei o de izinhança ‘enob ecida’ não no sen ido da de
bai o mas no sen ido daqueles que em conjun o se ap op iam de um as o espaço
público, c iando um sen imen o de pe ença e de sociabilidades passí eis de
coexis ência apenas en e os que se iden i icam como iguais. Conside ado à le a, o
e mo anglo-saxónico gen i ica ion, de aiz ‘gen y- ica ion’, signi ica e consigna a
subs i uição de uma população exis en e – ou p esen e, enquan o ap op ian e do
espaço público, no caso da P aia de Ca ca elos – po ou a mais ‘nob e’ ou
‘a is oc a a’, de gen es ‘bem-nascidas’ ou ‘ inas’ (Lees, Sla e & Wyly, 2008, idem).
Nos e mos em que nos explicámos não emos po an o qualque pejo nem
pudo cien í icos em aplica o e mo gen i icação ou de p ocesso de gen i icação ao
eal, ao quo idiano i ido, da p aia de Ca ca elos. Uma gen i icação, o ça de
exp essão, ‘social’
84
. En endemos que de o ma mui a c ua em ha ido
in encionalidade po pa e dos deciso es públicos municipais e dos agen es
económicos es abelecidos ou em acção na p aia em subs i ui g adualmen e, na
medida do que ão conseguindo, os seus ap op ian es pa a indi íduos mais
capi alizados, não só economicamen e como ambém cul u almen e, median e uma
manipulação e selec i idade das sociabilidades num sen ido de ascensão social
(Almeida, 2013; 2014a; 2014b).
84
Es amos bem cien es de que oda a gen i icação e de que os seus p ocessos são, po essência, sociais.
Apenas azemos aqui es a dis inção pa a di e i a gen i icação que dizemos encon a na ida social, na
in e acção social, da p aia com aquela que implica em simul âneo, e que é a o iginal, a in eg ação da
ques ão da des alo ização/ alo ização imobiliá ia dos bai os.

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Es e enómeno de gen i icação do espaço pa a as sociabilidades noc u nas
oco e, p oli e ando, em di e sos e i ó ios da me ópole como o comp o am as
asse ções de Jo di No e nesse sen ido na sua in es igação sob e laze noc u no em
espaços do Cais de Sod é, cidade de Lisboa (No e, 2013).
É possí el, inclusi amen e eco endo a p incípios assen es na epis emologia
indicial (Soule , 2006) e às possibilidades o e ecidas pela análise e ológica, disce ni
en e es as ‘duas p aias’ de e minadas ipologias de ap op ian es, quan o aos
esul ados de uma gen i icação desigual en e elas, embo a não enhamos dú idas
que em ambas as pa celas enham sido exe cidas equali icações que e i aliza am o
uso e ap op iações da p aia en endida como um odo.
A dis inção que aqui nos p opomos e idencia , median e indícios e pelo ecu so
à e ologia, é espei an e a ac o es sociais po ado es de capi ais, de aco do com o
en endimen o des e concei o po Bou dieu, dis in os e desiguais. Esses ac o es êm na
p aia os seus locais de es ilo, que di e em e que mui as ezes não pa ilham,
u ilizando-os numa pe spec i a que podemos denomina in a-classis a. Tal enómeno
é pa icula men e isí el se a en a mos aos usos noc u nos da p aia. Po essa azão,
i emos a e as nossas conside ações mo men e às p a icas lúdicas em que engajam os
ac o es sociais du an e os pe íodos que já an e io men e iden i icámos como sendo
aqueles conce nen es ao quo idiano noc u no. Aliás, é pa a nós cla o que du an e o
dia, apesa de possí el, é mais di ícil cons a a mos as di e enças na ap op iação do
e i ó io. Como suge e Cosnie , a na u eza da população pode a ia g andemen e
con o me as di e en es ho as do dia (Cosnie , in G osjean & Thibaud, 2008, p. 16).
De emos igualmen e e em a enção os pe íodos de época balnea e de época
não balnea , is o que du an e a p imei a são milha es os u ilizado es que se
ap op iam da p aia, di icul ando, eco endo a uma exp essão popula , uma sepa ação
de águas. Que is o dize que du an e a época balnea i emos uma si uação na p aia,
seja no a eal ou no pa edão e es abelecimen os come ciais aí e igidos, enquad ada
numa lógica de cada um po si, buscando os ac o es sociais, e.g., luga nos
es abelecimen os come ciais em con o midade com a disponibilidade e agas de
luga es que ão ap esen ando, como já mencionámos em pon o an e io . T a a-se de
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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uma si uação mais en ópica e anómica, onde os u ilizado es que a luem à p aia se
mis u am sem conside ação ao habi us de classe. É de no a igualmen e que du an e
alguns pe íodos da época balnea a ugen am da p aia, pa icula men e no seu uso
diu no, os seus u ilizado es habi uais, sejam eles esiden es ou o iundos de ou os
e i ó ios da me ópole. Tal conside ação é ambém assinalada po p op ie á ios de
es au an es ba , como podemos cons a a :
«[…] En e is ado – Cai. Cai comple amen e. Is o há ali an es de
Agos o há ali uma queb a de pessoas que… dos nossos clien es que é
pessoas daqui, is o é, po ugueses, e es á aqui há pouco lhe disse que
mui os dos nossos clien e são po ugueses, ou seja ali em Agos o há uma
queb a mui o g ande que as pessoas aqui em edo ão de é ias e na
p imei a semana de Agos o is o es á quase dese o. E en ão depois
começa a chega os espanhóis, os imig an es, en ão a coisa lá se
compõe, du an e o mês de Agos o. Ou seja sai clien es nossos, clien es
do dia-a-dia, já nossos clien es que nos desapa ece um bocado ali no
mês de Agos o, e en am no amen e no os clien e que é no malmen e
emig an es, espanhóis, que ão compondo a casa; bons clien es, po
acaso. Ingleses é que não se ê mui o já. An igamen e o espanhol não
e a um g ande clien e e nes e momen o o espanhol é melho que o
inglês. […]» (exce o de en e is a semi-di igida ealizada a um
p op ie á io de um es au an e-ba , conduzida em 23/05/2011)
«[…] En e is ado – De Ve ão já apa ece mui a gen e que eu não
conheço, como é ób io. […]
In es igado – Pa a e mina , que já lhe ocupei imenso empo, só
pa a inaliza es a ques ão de quem ocupa o espaço no Ve ão e em
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e mos de dia pa a noi e, qual é que é a di e ença que ê nos seus
clien es?
E – De dia é mui o, de Ve ão, é mui o um clien e ocasional. De
noi e já em um clien e habi ual. Po que nós emos mui a gen e, clien es
habi uais, habi ualíssimos há dezenas, déca… p on o, dezasseis anos, ou
o que é que é, dezasse e. Vêm aqui e de Ve ão não põem aqui os pés.
Quando mui o êm ao im da a de, bebe um sumo, po que eles mesmo
dizem ‘oh pá, en ão não ens aqui à p aia?’, ‘eh pá, a minha p aia de
Ve ão não é es a, eu gos o mui o de ocês mas a minha p aia de Ve ão é
ou a, é Guincho, Ba u ei a, São Ped o, que es a p aia aqui é mui o má.’,
eu digo ‘não, mas es a p aia já não é o que e a.’ Mas as pessoas êm
isso na cabeça e ninguém lhes i a. […]» (ex ac o de en e is a semi-
di igida ealizada a um p op ie á io de um es au an e-ba , conduzida
em 04/05/2012)
Como en endemos pela lei u a des es dois exce os, a população de um
de e minado luga , como a i ma Cosnie , não a ia só consoan e a ho a do dia como
a ia igualmen e consoan e di e en es pe íodos do ano, con o me as condições
a mos é icas, en e ou as a iá eis.
A dis inção que p opomos, quan o aos u ilizado es e ap op ian es da p aia, é
en e os ac o es sociais mais capi alizados económica e/ou cul u almen e e aqueles
que o são menos, conside ando que bas an e ezes po ado es de di e en es capi ais
não se miscigenam no mesmo e i ó io. O es udo de um espaço público em e mos
e ológicos, na óp ica de Jacques Cosnie , pode-se enuncia da seguin e o ma: «que
população equen a um dado e i ó io e como se compo a ela?» (Cosnie , in
G osjean & Thibaud, 2008, p. 15). É possí el à eco-e ologia, ou à e ologia humana,
es uda in e acções en e ac o es sociais, en e elas ambém aspec os e gonómicos,
despo i os, en e ou os (idem, ibidem). É es a linha me odológica que p e endemos
segui ao analisa o compo amen o, pos u as, en oações, es uá io, e c., dos ac o es
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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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sociais que dis inguimos e que p o ocam uma cli agem no espaço, c iando as ais duas
p aias de Ca ca elos a que nos e e imos.
Julgamos que é sem g andes su p esas que a i mamos se a pa cela mais a
nascen e da p aia que a ai um maio núme o de ap op ian es mais capi alizados. Po
oposição, cabe à ou a pa cela, à me ade mais a poen e, cap a aqueles que são
do ados de meno es capi ais económico e cul u al. Pa a e ologicamen e en ende mos
melho es a dis inção, seguimos as indicações me odológicas p opos as po Cosnie .
Assim, pa a melho comp eende o compo amen o e a a iedades cénicas, o
in es igado i eu, expe enciou po ele p óp io as si uações do quo idiano, ele ando-
se assim com maio acuidade p ecisões e imp ecisões que na u almen e ad êm de
uma i ência semp e passí el de se encon a com o ac o su p esa (Cosnie , in
G osjean & Thibaud, 2008, p. 17).
Um dos aspec os mais e elado es do e hos de classe é a indumen á ia usada
pelos ac o es sociais. Comecemos po es e aspec o. Na pa cela mais poen e da p aia,
obse ado seguindo as eg as que já mencionámos, cons a ámos que os ac o es
sociais que a ap op iam endem signi ica i amen e a u iliza oupas sem ma ca isí el
ou en ão de ma cas egula men e associadas a ex ac os de classe não ão
a o ecidos. Nos homens não é incomum o uso das di as -shi s de ca as, os en ando
o a um ísico cuidado o a o opos o, sendo nalgumas si uações, ainda que não mui as,
obse a manchas, nódoas, na oupa que u ilizam. Nos mais jo ens, p incipalmen e, é
no mal encon á-los de boné, de quando em quando com a pala ol ada pa a ás, e
ou os acessó ios, ais como óculos de sol – inclusi e du an e o ap op iamen o
noc u no – colocados an o na ace como po cima da es a, pulsei as de me ais
p eciosos ou não e ambém de ecido, e cola es que podem se de me ais p eciosos ou
não, de cou o ou de missangas. No que eme e pa a as ma cas de indumen á ia
a iada cujo alo implica in es imen o de capi al económico equipa á el ao das
classes médias, no ámos a p e e ência pelo uso de ma cas associadas aos despo os de
massas. O uso de énis, ambém eles associados maio i a iamen e a ma cas de
despo os de massas, é comum independen emen e do sexo do indi íduo. Também o
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uso de chinelos de p aia é isí el, especialmen e nos homens, deixando pa a os
indi íduos de sexo eminino o uso de sandálias de bo acha ou cou o. A ganga, po
eg a é a escolha p e e encial aquando da escolha de calças – no eminino depa amo-
nos ambém com o uso de saias, em pa icula cu as, de ou os ecidos – pa a ambos
os sexos, com as mulhe es a usa em peças com acessó ios embu idos e com mais
asgões p oposi ados a compo o desenho da peça. São no malmen e p e as e azuis,
com p edominância do azul, e nalguns casos os en am símbolos de ma cas associadas
a classes médias e a é médias al as.
No en an o, como a e ologia humana em uma o e in luência do es udo dos
hábi os, como a e ologia da na u eza obse a o dos animais (Cosnie , in G osjean &
Thibaud, 2008, p. 17), a en ámos a a i udes como masca pas ilha, inclusi e no que se
en ende po de boca abe a, cuspi pa a o chão, assobios es iden es amiúde
coadju ados po dedos no in e io da boca, e o consumo de bebidas di ec amen e pelo
bocal das ga a as, o que sucede com maio sob ance ia en e os homens, sendo a
bebida inge ida eg a ge al a ce eja. No ámos ambém uma endência pa a o om de
oz se mais ele ado nas con e sações, o que implica na música do ambien e ní eis de
decibéis mais ele ados debi ados pelas colunas dos ba es ou es au an es-ba –
c emos se es a a espos a encon ada pelos p op ie á ios, não oco endo o in e so,
is o é, se o olume de som mais ele ado a p o oca um om de oz mais ele ado po
pa e dos ac o es socias que p e endem comunica en e si; mas nes e mic o-
ecossis ema quase pa ece na u al que ambos se in luenciem ecip ocamen e po
hábi o já en aizado.
No que conce ne à pa cela nascen e da p aia encon amos uma ealidade que
mui o di e e da que acabámos de ela a . Começando uma ez mais pela
indumen á ia, como indicado do e hos de classe, nes es e i ó ios e i icámos que os
ac o es sociais que ap op iam demons am maio cuidado com que os en am, no
sen ido de p e ende em, conscien e ou inconscien emen e, demons a o seu
sen imen o de pe ença a ex ac os de classe média e média al a. As ma cas
associadas a despo os de massas são quase que o almen e banidas, impe ando
quando exis em u ilizado es a usa oupas de despo o as ma cas associadas aos

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DOUTORAMENTO EM SOCIOLOGIA
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despo os de ma , como o su e o bodyboa d, e, em meno núme o, associadas a
depo os como o énis – em elação ao énis excluímos as ma cas ambém u ilizadas
po despo os de massas – ou a é mesmo o gol . Es e es ilo de oupas, incluindo
calçado e acessó ios como elógios ou pulsei as, é u ilizado independen emen e do
sexo dos ac o es sociais. Pos o de lado ago a a indumen á ia mais despo i a, é
comum obse a -se os ac o es sociais es idos com oupas, ainda que na maio ia das
ezes uma indumen á ia ida como in o mal ou ela i amen e in o mal, que os en am
ma cas comummen e associadas, pelo in es imen o económico que implicam, a
ex ac os de classe média e média al a. A ap esen ação pa ece mais cuidada no que
eme e a nódoas na oupa, cons adas na si uação an e io . As calças usadas – an o
po elemen os do sexo masculino como do sexo eminino – são ambém na sua
maio ia de ganga, sendo isí eis, uma ez mais, os símbolos de ma cas, incluindo as
que eme em pa a despo os de ma , que ca ecem de algum in es imen o de capi al
económico. Toda ia pa a além da ganga, há uma maio di e sidade nos ecidos e co es
u lizadas pelos ac o es sociais, e i icando-se calças de co e de, beije, b anca,
ama ela, osa, en e ou as mais. Cob indo a pa e do onco, encon amos em meno
núme o -shi s e em maio polos e camisas que, no en an o, em comum pa ilham o
mesmo denominado , o ac o de pe ence em a ma cas no malmen e associadas a
ex ac os de classe média e/ou média al a. O mesmo se aplica a pullo e s, blusões e
acessó ios. Os acessó ios no eminino incluem pulsei as, b incos, a os ios de pescoço,
anéis, elógios, cin os e bolsas ou malas. Nos homens os acessó ios são os mesmos,
excluindo as bolsas ou malas – subs i uídas po ca ei as de bolso – e anéis
(excep uando os de união po casamen o), encon ando-se em núme o i isó io
b incos e ios de pescoço e, po im, no am-se ambém a um ní el só quase pon ual
pulsei as de cabedal ou de ecido (es as úl imas, no malmen e de ma cas e e en es a
despo os de ma ). Ao in e so da si uação an e io men e explanada, não encon amos
uso de bonés nem de óculos de sol colocados no os o. O uso de chinelos de p aia é
igualmen e simbolicamen e banido, sendo admi ido apenas às mulhe es o uso de
sandálias ou ou o ipo de calçado abe o. Ambos os sexos ambém são is os com
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calçado a iado, desde énis, p incipalmen e de ma cas associadas aos despo os de
ma , énis ou gol , sapa os e, quase exclusi amen e no eminino, bo as e bo ins, quase
odos eles exibindo ma cas, uma ez mais, econhecí eis como de pe ença a ex ac os
de classe média e/ou média al a. Pa ece-nos e iden e na ques ão da indumen á ia,
mas e e imo-lo pa a não o deixa mos omisso: o uso de saias po pa e de ac o es
sociais no eminino é comum, no malmen e de ecido que não a ganga e ligei amen e
mais comp idas do que aquelas que mencionámos na ci cuns ância p e é i a.
Em e mos de a i ude como cuspi pa a o chão, masca pas ilha, mo men e de
o ma di a de boca abe a, assobios de sono idade ele ada e consumo pelo ga galo de
ga a as é esidual, se não, em alguns casos, inexis en e po pa e de ambos os sexos.
Ve i icámos que o om de oz u ilizado pelos ac o es que p e endem comunica en e
si é bas an e comedido, sendo di ícil numa esplanada escu a a con e sa dos
elemen os na mesa ao lado, apesa da música que ambém es á p esen e, des a ei a
debi ada com um ní el de olume conside a elmen e mais mode ado; mais uma ez, o
mic o-ecossis ema pa ece egula -se po si, de ido ao en aizamen o das a i udes dos
ac o es sociais que são clien es e p op ie á ios de ba es ou es au an es-ba .
Um es au an e-ba em pa icula o e ece música jazz odas as semanas num
dia p é-de e minado. Es e é um es ilo de música que não ag ada a odos os di e en es
capi ais cul u ais, o que conco e ambém pa a a selec i idade da clien ela e pa a a
seg egação que, como explicámos, oco e na p aia e que impede, assim, a in e acção
miscigenada, in e -classis a, p omo endo uma que denominámos in a-classis a.
A única disco eca da p aia ambém se encon a nes a pa cela, espaço a cujo
acesso é impe ioso o cuidado com uma indumen á ia mais igo osa ob igada pelas
eg as do es abelecimen o, p i ilegiando median e es e ecu so a indumen á ia mais
cuidada os ac o es sociais economicamen e mais capi alizados, i ualmen e excluindo
odos aqueles que de êm menos capi al económico pa a in es i não só na
indumen á ia, mas igualmen e nos p odu os pos os a consumo den o do espaço que
ap esen am p eços ela i amen e ele ados, de ini i amen e não ao dispo de odas as
‘bolsas’.
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Es a pa cela da p aia, a nascen e, apa ece pa a nós, e sem dú ida, como aquela
ca egada de maio alo simbólico, não admi ando po an o que seja nela que omem
luga os mais ele an es e en os ealizados na p aia a í ulo ex ao diná io, como o
Cascais Su à noi e e jogos ads i os ao campeona o nacional de olleyball de p aia.
Pelo que enunciámos, c emos con ic amen e se em e iden es as cli agens
en e as duas pa celas em que di idimos, de o ma a i icial e me amen e ope a ó ia, a
P aia de Ca ca elos. No ámos es as cli agens, eco en emen e, du an e odo o
pe cu so e nog á ico e con i mámo-la em isi as ocasionais mais ecen es, numa
e isi ação à p aia.
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CONCLUSÃO
Te mina um abalho cien í ico implica semp e o admi i -se da ob enção de
uma ‘ e dade’ p oduzida que a sê-lo o se á num egis o p o isó io; que a cada
indagação que se in en ou esponde no as ou as não menos pe inen es eme gi am;
é igualmen e sabe i e -se no ac o de que os es o ços en idados são-no num
con inuum inacabado, dado que é indiscu í el a dinâmica socie al bem como as
ans o mações e mudanças sociais que oco em sucessi amen e na sua malha.
Po ém, conclui um abalho cien í ico é ambém es a -se cien e do con ibu o, ainda
que o mais modes o, pa a a colo ação do co po de sabe es que cons i ui e en o ma
uma ciência, al como a Sociologia.
Nes a conclusão, ou du an e a mesma, encionamos, em alguns b e es
conside andos, iden i ica , enume a , ealça e comen a as sín eses mais ele an es e
pe inen es esul an es de um p ocesso de in es igação complexo e inapela elmen e
en e mo de incomple ude. Pos o im a essa a e a, ence a emos a úl ima, onde
cul i a emos de o ma c í ica o que, enquan o in es igado es, econhecemos como o
que denomina emos po i udes e icissi udes do esul ado inal aqui colocado à
conside ação. Passemos, en ão, sem delonga, à sis ema ização dessas mesmas
sín eses e, logo após, ao que de melho e ao que de mais aco e emos no p odu o
inal da in es igação que conduzimos.
O nosso objec o de es udo p endia-se ao usos e i ências nas en es de ma da
di a Linha de Cascais, numa pe spec i a de p á icas esul an es do u ismo e do laze , e
de ou as associadas ou complemen a es a es as. Comp eendemos inequi ocamen e,
é esse o nosso en endimen o cien í ico, que a ele ância das en es de ma da Linha
de Cascais é ans e sal à cons ução desse e i ó io, no imaginá io dos ac o es
sociais, como des ino u ís ico e lúdico que inclusi e ex a asa a sua ap op iação ão-
somen e na acepção de usos de p aia, sol e ma . Anco adas à p esença das en es de
ma , encon amos ou as ipologias de ap op iação u ís ica e lúdica dos espaços
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embo a na época balnea es endam os seus se iços e algum esquipamen o a é ao
in e io p óximo e, po an o, já encimado do a eal da p aia. Du an e es a época os
usos noc u nos da p aia pau am-se po uma a luência em massa, des a o ma
densi icando de u ilizado es os e i ó ios da p aia na sua ex ensão de 1,25km. A o e a
lúdica em egime de uso noc u no não se limi a à época balnea , oco endo du an e
odo o ano, embo a econheçamos que alguns es abelecimen os se encon em
ence ados na época baixa. Nem po isso, oda ia, deixamos de encon a ac o es
sociais p o enien es de di e sas á eas da me ópole nas esplanadas ou, quando as
condições a mos é icas não o pe mi em, no in e io des es es abelecimen os
come ciais. Laze e consumo con i em com egula idade numa p aia do ada pelo que
conside amos azoá eis meios que a o ecem o sen imen o de segu ança dos
u ilizado es, onde a excelen e iluminação da p aia na sua pleni ude desempenha o seu
papel ido po mui os como essencial e possibili ado des as i ências e das
in e acções du an e a noi e. O laze noc u no é p ocu ado essencialmen e, como
ambém já an e io men e is o, po jo ens adul os e ambém po alguns adolescen es
a dios cuja p esença não passa despe cebida. Re e imos o consumo, is o que is o
nos enuncia que quem ap op ia a p aia nes e egime em de se do ado de um mínimo
de capi al económico e de se encon a na p edisposição pa a o in es i . A ida
noc u na na p aia é de al o ma in ensa que num aspec o mui o especí ico conduz ao
ac o de Ca ca elos se o na numa p aia que ‘não do me’. Encon amos ac o es
sociais que saem da disco eca já de dia e que agua dam que os demais
es abelecimen os come ciais ab am po as, de o ma a que neles possam oma o
pequeno-almoço. Enquan o isso, começam a su gi os p imei os indi íduos a p a ica
jogging ma inal, a passea o seu cão e a anda de bicicle a, conjugados com os su is as
mad ugado es e ma inais desejosos de apanha as p imei as ondas.
Todos es es aspec os con ibuem pa a a cons ução des a p aia como um
e i ó io ico e complexo de in e acções sociais, o que mui o de e à capacidade da
p aia em a ai dis in os indi íduos mui o pa a além das suas on ei as, incluindo
indi íduos cuja pe ença de classe não coincide, pa icipando pa a uma

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he e ogeneidade de p esenças e usos i idos no quo idiano da p aia. Em suma,
embo a nem semp e se mesclem, di e en es ac o es sociais com dis in as pe enças à
es u u a de es a i icação social populacionam a P aia de Ca ca elos, incu indo-lhe
uma di e sidade de i ências e de expe iências.
Finalmen e, em e cei o luga (iii), ealçamos as conclusões a que chegámos
conce nen es à exis ência do que denominámos po duas p aias dis in as, com uma
zona in e s icial de pe meio, na una P aia de Ca ca elos. De ac o, não é incomum
es a -se na p aia de Ca ca elos com a pe cepção de uma p aia com duas ealidades
sociais.
His o icamen e, inais do século XIX a é meados do século XX, os e i ó ios
cascalenses o am inicialmen e p og amados, an o pelos agen es sociais económicos
como pelos pode es públicos, pa a as eli es. O ad en o do 25 de Ab il de 1974, em
pa icula , e as consequências subjacen es na isão e o ganização da sociedade
po uguesa con ibuem incon o na elmen e pa a a democ a ização dos seus usos.
Passamos a e , en ão, um e i ó io disponí el pa a odos, abe o ambém an o pa a
as classes médias como pa a os di os ‘blue cola s’ das ‘wo king classes’.
Mais uma ez, es amos con ic os de que o am as suas en es de ma que
omen a am e po encia am a ap op iação des e e i ó io, designadamen e pa a usos
di ec amen e associados a p á icas lúdicas e de e aneio. Toda ia, e não obs an e a
democ a ização do acesso ao espaço, pe cebemos que se desen ol e am es a égias,
po pa e dos agen es económicos e deciso es polí icos, que incen i am a ap op iação
da p aia, pa icula men e nos espaços cuja ligação ao consumo é mais es ei a, po
u ilizado es do ados de algum capi al económico e, p e e encialmen e, ambém de
algum capi al cul u al.
Em sín ese, nos dias de hoje, cons a ou-se que semp e que possí el, o que
oco e mais comummen e o a da época balnea ou en ão nos usos noc u nos,
di e en es indi íduos pe encen es a dis in os segmen os ela i os à es a i icação
social e i am miscigena -se, causando o que denominámos po uma expe iência do
quo idiano do luga assen e em in e acções e sociabilidades in a-classis as. Tal é
no ó io quando ap eendemos a seg egação e segmen ação simbólicas en e o
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e i ó io e os seus di e sos u ilizado es. No ámos, po isso, que di e en es ac o es
sociais es abeleciam as suas in e acções em di e en es pa celas da p aia,
es abelecendo uma gen i icação que é mais no ó ia na pa cela nascen e da p aia,
onde se eúnem aqueles que em e mos de capi ais económico e social de êm maio
posse. Nes a pa cela a p aia ap esen a du an e odo o ano equipamen o di e so
mon ado no a eal, ocado na p á ica lúdica de despo os, e é nela que deco em,
inclusi e à noi e, e en os a í ulo ex ao diná io em de imen o da pa cela poen e. É
nes a pa cela, na adjacência do o e de São Julião da Ba a, que se encon a a única
disco eca da p aia, cujo acesso apesa de público implica o seguimen o de eg as
es abelecidas, en e elas o uso de indumen á ia cuidada e a capacidade de in es i
capi al económico pa a consumo no es abelecimen o.
Finalizando, podemos asse i que como esul ado das assumidas seg egação e
segmen ação simbólicas nos usos das di e en es pa celas da p aia e dos seus dis in os
u ilizado es ob emos ealidades cons uídas i ualmen e díspa es, dissociadas e
sepa adas, com nenhumas ou esiduais conexões, onde se deba em simbólicas lu as
de pode que di am dis in as i ências e expe iências des e espaço u bano.
Pa a nós, es a conclusão não es a ia inalizada se não nos incumbíssemos da
a e a cujo es o ço esul a num esquisso de uma au o-análise, um olha e lexi o
examinando as i udes e as icissi udes do abalho ap esen ado, embo a não
encionemos, de o ma alguma, esgo a nes a explanação odas as possibilidades,
op ando ao in és po uma pe spec i a me amen e indica i a.
Iniciamos pelo que se nos a lo a como as i udes. Realçamos desde logo a
escolha de um uni e so de es udo, que é me opoli ano, o iginal pa a a Sociologia.
P e endemos com is o eicula que a escolha do concelho de Cascais como e i ó io
de in es igação po excelência in oduz a no idade, is o que nes es e mos,
pa icula men e na á ea do sabe da Sociologia, não encon ámos du an e o nosso
pe cu so in es iga i o ou os es udos. Encon ámos, no en an o, alguns, poucos,
e e en es ao concelho que oda ia o am conduzidos ao ní el do Planeamen o,
A qui ec u a e Cul u a, e não da Sociologia. É igualmen e in e essan e no a que
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escapulimos ao objec o ácil e semp e ape ecí el, po se p o ícuo em opo unidades e
em casos a es uda , da cidade de Lisboa. A ida pa a a pe i e ia, ou pa a um e i ó io
mais pe i é ico conside ada Lisboa como a cidade que encabeça a AML, p omo eu,
assim, e no nosso en endimen o, uma melho pe cepção da me ópole de Lisboa e das
dinâmicas que lhe são ine en es.
C emos e sido igualmen e uma mais- alia a eabe u a da discussão da
concep ualização do espaço público sob a égide do en endimen o da Sociologia.
Embo a não comple amen e o iginal, emos o exemplo das p opos as de And ade e
Bap is a (And ade e Bap is a, 2013, pp 129-146), ea i mámos pos u as concep uais
p e iamen e exis en es e ein oduzimos o deba e sob e como os sociólogos
de e iam, no âmbi o da sua disciplina, classi ica o espaço público po oposição a
ou os, endo no ex emo opos o o espaço das sociabilidades cono adas com a es e a
p i ada. Man emo-nos i mes em conside a que em Sociologia de emos coloca em
des aque a ipologia das in e acções, se de pe ença à es e a pública ou p i ada, num
dado e i ó io em de imen o da sua pe ença ao ní el do campo ju ídico e do di ei o.
Apon amos desde logo como a p imei a icissi ude que de ec ámos como al, e
sem qualque pejo, o ac o de e mos balizado um objec o de es udo al ez
excessi amen e ex enso, o que p o ocou, como esul ado, a meno capacidade de
analisa em maio p o undidade alguns pon os, pa icula men e daqueles que
encon amos na 2ª Pa e. Tal ac o, inclui da nossa pa e a ob igação a um mais
no ó io e aimen o no uso da o og a ia, dos di os ins an âneos do eal, e no mais
alongado uso de exce os de en e is a no co pus que mui o bem pode iam colabo a
pa a uma mais escla ecida in eligibilidade do abalho ealizado. Quisemos, como
a i mámos, abo da uma ampli ude do p oblema social que nos in e essa cuja
ab angência não pode se cingida a um abalho limi ado a es a en e gadu a e
dimensão.
Não exac amen e uma icissi ude, mas se ia uma in es igação do maio
in e esse a segui , oi o ac o de e mos limina men e excluído as en es de água do
concelho de Oei as como objec o de es udo. Es a si uação pe mi i ia comp eende em
con inuum as i ências ace às en es de água desde Lisboa. Po ém, embo a
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i éssemos inicialmen e com emplado es a hipó ese como a se incluída no p ojec o,
cedo pe cebemos que um es udo sé io que comp eendesse al ex ensão de e i ó io e
da di e sidade ainda mais incisi a de ac o es sociais u ilizado es dos espaços,
ex apola a as possibilidades que uma ese de dou o amen o o e ece, especialmen e
quando sabíamos que e analisa em p o undidade aspec os das i ências sociais, em
e mos de u ismo e de p á icas de laze , oco idas no e i ó io. Conside ámos
imp a icá el conside a , nes es e mos, ambém o concelho de Oei as, sem con udo o
desca a pa a e en uais in es igações p ospec i as, al ez num u u o p óximo.
Op ámos po ence a a Conclusão e e indo alguns aspec os que conside amos
pe inen es sob e a ansi o iedade na P aia de Ca ca elos, sus en ado numa
pe spec i a p ospec i a, de o ma alguma em moldes de u u ologia, ela i a aos
e i ó ios cascalenses, onde em pa e nos ques ionamos sob e algum po i a implica
com a Linha. Pela in o mação que ecolhemos jun o dos deciso es públicos municipais,
incluindo planos de acção es a égicos que aba cam os p óximos anos a é, pelo
menos, 2020 concluímos que a apos a no u ismo, não negligenciando jamais o
ambém u ismo de negócios, pe manece como ala anca de sus en abilidade e
ambém de desen ol imen o da ila, ocando-se essencialmen e num u ismo de
qualidade geog a icamen e mais cingido aos locais do Es o il e de Cascais, logo nas
p oximidades da en e de ma que é is a po esses deciso es como um ac i o de
p emen e mais- alia. Re e imos o u ismo de negócios, já que os deciso es municipais
conside am que a ila de Sin a e a p óp ia capi al, Lisboa, são concelhos com os quais
não se encon am em condições de compe i de igual pa a igual a ní el de u ismo de
laze , embo a Cascais ambém ap esen e alguns a gumen os. A es a égia açada
pa ece igualmen e que e a as a -se da do concelho izinho de Oei as, is o que ace a
es es ambém se sen em capazes de compe i a ní el de ino ação, is o é, na cap ação
de ecu sos que pe mi issem o es abelecimen o de g andes pa ques ecnológicos e/ou
indus iais, como o Tagus Pa k. Res a ambém agua da pelo p osseguimen o ou não
das no as es a égias inse idas na e isão do PDM-Cascais, que esul a á, se
p osseguido, em p o undas al e ações na mo ologia ísica e social do espaço.
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