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Na Presença de Marina Abramović - notas sobre musealização da performance

Abstract

De 14 de Março a 31 de Maio o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) apresentou, pela primeira vez, uma exposição individual retrospectiva dedicada exclusivamente à arte da performance intitulada Marina Abramovic: The Artist is Present. A artista está presente, é também o título da obra criada especialmente para a exposição, que envolveu a presença permanente de Abramović no átrio do museu, sendo os visitantes “convidados a sentar-se em silêncio com a artista durante o tempo que entenderem”. Inédita na ambição de expor quase quarenta anos de performance da artista, a exposição utilizou estratégias expositivas menos convencionais que integraram a reperformancede cinco obras emblemáticas lado a lado com a documentação tradicionalmente utilizada: fotografias, vídeos, objectos. A nova performance, poderosa na sua extrema simplicidade, mereceu surpreendente adesão do público que acorreu a participar. O acontecimento despoletou imediatas críticas, comentários, testemunhos que circularam em sites institucionais, blogs pessoais e redes sociais, produzindo um cenário de recepção também ele inédito pela diversidade e quantidade de públicos envolvidos. As notas que se apresentam, produzidas em cima do acontecimento, tentam reflectir essas realidades enquadrando-as na reflexão e debate crítico em curso em torno das questões colocadas pela preservação, e reapresentação da arte da performance a que a exposição no MoMA veio dar nova dimensão e urgência.

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Na Presença de Marina Abramović - notas sobre musealização da performance

Author: Matos, Lúcia Almeida
Publisher: Instituto de História da Arte - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/UNL
Year: 2011
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/16701/1/RHA_8_ART_12_LAMatos.pdf
Resumo
De 14 de Ma ço a 31 de Maio o Museu de A e Mode na de No a Io que (MoMA) ap e-
sen ou, pela p imei a ez, uma exposição indi idual e ospec i a dedicada exclusi a-
men e à a e da pe o mance in i ulada
Ma ina Ab amo ic: The A is is P esen
.
A a is a
es á p esen e
, é ambém o í ulo da ob a c iada especialmen e pa a a exposição, que
en ol eu a p esença pe manen e de Ab amo ic´ no á io do museu, sendo os isi an-
es “con idados a sen a -se em silêncio com a a is a du an e o empo que en ende em”.
Inédi a na ambição de expo quase qua en a anos de pe o mance da a is a, a exposi-
ção u ilizou es a égias exposi i as menos con encionais que in eg a am a epe o -
mance de cinco ob as emblemá icas lado a lado com a documen ação adicionalmen e
u ilizada: o og a ias, ídeos, objec os. A no a pe o mance, pode osa na sua ex ema
simplicidade, me eceu su p eenden e adesão do público que aco eu a pa icipa . O
acon ecimen o despole ou imedia as c í icas, comen á ios, es emunhos que ci cula am
em si es ins i ucionais, blogs pessoais e edes sociais, p oduzindo um cená io de ecep-
ção ambém ele inédi o pela di e sidade e quan idade de públicos en ol idos.
As no as que se ap esen am, p oduzidas em cima do acon ecimen o, en am e lec i
essas ealidades enquad ando-as na e lexão e deba e c í ico em cu so em o no das
ques ões colocadas pela p ese ação, e eap esen ação da a e da pe o mance a que
a exposição no MoMA eio da no a dimensão e u gência. •
Abs ac
F om Ma ch 14 un il May 31, he Museum o Mode n A in New Yo k p esen ed, o he
i s ime, a solo e ospec i e exhibi ion exclusi ely dedica ed o pe o mance a i led
Ma ina Ab amo ic: The A is is P esen
.
The a is is p esen
is also he i le o he new
wo k p oduced o he exhibi ion, which in ol ed Ab amo ic´s con inuous silen p esence
in he museum a ium and he in i a ion o he public “ o ake he sea ac oss om he
o as long as hey choose”. Wi hou p eceden in i s ambi ion o show almos o y yea s
o he a is ’s pe o mance p oduc ion, he exhibi ion used uncon en ional display s a-
egies which included e-pe o mances o i e emblema ic wo ks alongside mo e adi-
ional o ms o documen a ion such as pho os, ideos and objec s. The new powe ul ye
simple pe o mance cap u ed he in e es o he public who came o he museum eage
o pa icipa e. The e en immedia ely igge ed c i icism, commen s, es imonies which
ci cula ed in ins i u ional si es, pe sonal blogs and social ne wo ks, p oducing a kind o
widesp ead ecep ion also wi h no p eceden in he di e si y and numbe s o hose
in ol ed.
These no es, p oduced du ing he e en and i s a e ma h, y o e lec hese ea-
li ies and place hem wi hin he ame o he ongoing c i ical deba e a ound he
issues aised by p ese a ion and e-p esen a ion o pe o mance a o which he
MoMA exhibi ion b ough a new dimension and u gency. •
pala as-cha e
Pe o mance
Repe o mance
Exposição
Conse ação
key-wo ds
Pe o mance
Re-pe o mance
Exhibi ion
Conse a ion
Os p ocessos de musealização da pe o mance, da p odução à exposição, êm indo a se
objec o de e lexão e deba e não apenas no meio p o issional e ins i ucional dos museus
e no meio a ís ico mas ambém no âmbi o da eo ia, da his ó ia e da c í ica da a e.
A ac ual in ensi icação da p á ica da pe o mance, apa en emen e eco en e em épocas
de c ise social e polí ica, e lec e-se no ele ado núme o de ap esen ações de pe o man-
ces, pelos museus, nos úl imos anos. Mais a as são as exposições an ológicas dedicadas
às di e sas p á icas da a e da pe o mance ao longo dos anos2, ou exposições e ospec-
i as de pe cu so indi iduais3que colocam di iculdades especí icas de na u eza concep-
ual e ope acional. Sendo múl iplas as azões do p esen e in e esse na musealização da
pe o mance, a idade mais ou menos a ançada de oda uma p imei a ge ação de
pe o -
me s
não deixa á de se uma impo an e mo i ação pa a colecciona , documen a e
expo uma das mais signi ica i as p á icas a ís icas con empo âneas enquan o o acesso
di ec o aos seus c iado es é ainda possí el. Pa a os a is as, es e in e esse cons i ui uma
opo unidade de o na isí el o seu pe cu so a ís ico, de o epensa em unção da sua
p ojecção no u u o que o museu assegu a e de e oz ac i a no deba e em o no da
e en ual sub e são de alo es conside ados in ínsecos à na u eza des as ob as em con-
sequência da sua inco po ação nos ace os museológicos. Em causa es ão os cus os que
essa ex ensão no empo e á pa a ob as baseadas na e eme idade, endo como supo e
o co po do p óp io a is a e p edicadas na expe iência ao i o do espec ado .
Nascida em ambien e de con es ação ao me cado, à ins i ucionalização e ao sis ema da
a e em ge al, si uando-se algu es en e o ea o, a dança e as a es isuais, a a e da
pe o mance, con o me lemb a Dan o no ca álogo da exposição (Biesenbach,ed. 2010,
29), semp e assumiu a gale ia (e po ex ensão o museu) como o seu luga na u al. Po
ou o lado, não se á po acaso que, apesa da ei e ada na u eza e éme a e p ecá ia des-
as ob as, an as o am, e con inuam a se , objec o de egis o isual e/ou sono o, e ec-
uado po inicia i a dos p óp ios a is as. Os a is as êm consciência de que a insc ição
NA PRESENÇA
DE MARINA ABRAMOVIC
´
NOTAS SOBRE MUSEALIZAÇÃO DA PERFORMANCE1
LÚCIA ALMEIDA MATOS
Ins i u o de His ó ia da A e FCSH/UNL,
linha de Museum S udies
Faculdade de Belas A es, Uni e sidade do Po o
1As no as que se seguem, deco em da isi a à ex-
posição
Ma ina Ab amo ic´: The A is is P esen
(MoMA 14 de Ma ço – 31 de Maio de 2010), da
expe iência de pa icipação na pe o mance
The
A is is P esen
, especi icamen e p oduzida pela
a is a pa a a exposição, no acompanhamen o do
deba e Ma ina
Ab amo ic: The A is is P esen :
The Legacy o Pe o mance
(2 de Junho) que en-
ce ou o e en o, na pa icipação no simpósio
Thinking Pe o mance
no Museu Guggenheim (18
de Junho), algum acompanhamen o do eco que a
exposição oi endo jun o da c í ica e do público
a a és de consul as de es emunhos publicados
online no decu so da exposição, e in o mações
ob idas in o malmen e jun o de alguns dos in e -
enien es.
2Des acam-se
A , Lies and Video ape: Exposing
Pe o mance
, na Ta e Li e pool em No emb o de
2003 – Janei o 2004;
A e de Ac
, no Museum
Mode ne Kuns S i ung Ludwig de Viena em No-
emb o de 2005
3De que é exemplo, sem pa alelo, a exposição
dedicada a Ma ina Ab amo ic´, o ganizada, es e
ano,pelo MoMa.
207
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
da pe o mance na na a i a da a e con empo ânea e a essonância que es e ipo de
p á ica a ís ica possa i a e no u u o da a e depende, em g ande pa e, da sob e-
i ência e exposição dessa documen ação só possí el, a longo p azo, se in eg ada em
colecções museológicas. Po seu lado, os museus êm ido di iculdade em lida com a
pe o mance. Não p op iamen e com a ap esen ação no espaço museológico, que em
acon ecendo desde mui o cedo, mas no que espei a à sua inco po ação nos ace os e
pos e io exposição. A consciência de que a musealização des e ipo de ob as exige, pa a
além de e lexão e deba e, um ajus amen o de p ocedimen os po pa e de odos os
in e essados na sua conse ação, é mui o ecen e. No MoMA, o depa amen o de
Media and Pe o mance A
oi c iado em 2006 em econhecimen o, não apenas da ele-
ância mas sob e udo da especi icidade de p á icas a ís icas ca ac e izados não só po
en ol e em meios ecnológicos na sua p odução e ap esen ação, mas sob e udo po se
basea em no empo, inco po a em som e mo imen o e, no caso da pe o mance, u ili-
za em o co po como supo e. Na colecção, a é à da a, apenas cinco ob as es ão classi-
icadas como pe o mance4, e nenhuma pe ence ao pe íodo inicial que de iniu a p á ica
em unção de uma acção i epe í el, desencadeada pelo p óp io a is a, ao i o pe an e
uma audiência, de desenlace imp e isí el.
O cânone da a e da pe o mance em indo a se ans o mado pelos p óp ios a is as,
expandindo-se a p á icas que se des inam e se em ap esen adas exclusi amen e em
supo e ecnológico, que en ol em a p esença ísica de execu an es mas não do a is a
cujo papel se esume à concepção e planeamen o da acção, ou ainda execu adas po
ou os, incluindo a audiência, de aco do com ins uções apenas e bais. Es as modali-
dades êm em comum basea em-se em p emissas concep uais que dispensam a p e-
sença, ao i o, do a is a e implicam a possibilidade de se em epe idas.
A ob a de Ma ina Ab amo ic´, con udo, semp e es e e p edicada na sua p esença, como
o í ulo da exposição não deixou de sublinha e as dú idas le an adas ela i amen e à
exposição no MoMA, consis en emen e in ocam essa ealidade. Se a impo ância e sig-
ni icado da inicia i a de um museu, com a p ojecção do MoMA, de ap esen a uma
exposição dedicada a qua en a anos de ac i idade da au o-denominada “a ó da pe o -
mance” oi econhecida unanimemen e pela c í ica, já as soluções escolhidas pa a expo ,
em ambien e museológico, pe o mances iden i icadas com a igu a ca ismá ica da
a is a, conhecida pela adicalidade e ca ác e ansg esso de g ande pa e das suas
ob as, não me ece am, p e isi elmen e, unânime ap o ação. Pelas ques ões que le an-
ou e discu iu, as escolhas que ap esen ou e as soluções que p opôs, a exposição,
comissa iada po Klaus Biesenbach5, o nou-se já uma e e ência no deba e em cu so
sob e au en icidade e au o ia, mediação e eap esen ação, p ese ação e documen a-
ção da a e da pe o mance.
Documen ação
A exposição, ela i a a ce ca de 50 ob as, o ganizou-se em ês núcleos que acompa-
nha am a biog a ia da a is a, indicando a elação p óxima en e a ida e a ob a. P imei-
4Ag adeço a in o mação a Glenn Wha on no de-
pa amen o de conse ação do MoMA.
5P imei o di ec o do depa amen o
Media and
Pe o mance A
e ac ualmen e di ec o do P.S.1
Con empo a y A Cen e .
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
’
208 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
as ob as de na u eza concep ual e pe o mances a solo (1968-1975) como
F eeing he
body
, de 19756. Colabo ações com o a is a Ulay (1976-1988) de que é exemplo
Imponde abilia
de 19777. T abalhos a solo, pe o mances e ins alações (1992-2010)
como
Luminosi y
de 19928. In eg ando a exposição, mas o a do ci cui o das ob as his-
ó icas, encon a a-se ainda a pe o mance c iada pa a a ocasião,
The A is is P esen
.
O acesso às ob as oi, em g ande pa e, mediado po o og a ias, ídeos, g a ações de
som e objec os di e sos u ilizados du an e as pe o mances, alguns o iginais como a ca -
inha Ci oen que ab ia a exposição, usada na pe o mance com Ulay
Rela ion in Mo e-
men
ap esen ada em 1977, ou os epos os como oi o caso das lâminas de ba bea
u ilizadas em
Lips o Thomas
, ap esen ada em 1975. A quan idade e ipologia de docu-
men ação que subsis e de cada pe o mance é na u almen e mui o a iá el, dependendo
dos meios ecnológicos disponí eis à a is a no momen o da p odução e da p óp ia na u-
eza da ob a.
Pa a quem não pôde desloca -se ao museu e usu ui da expe iência ao i o da no a pe -
o mance,
The A is is P esen
, o museu disponibilizou
on line
uma pa e impo an e
da documen ação da ob a p oduzida, em empo eal, pelo egis o digi al em ídeo das
mais das 700 ho as de du ação da pe o mance e os e a os de odos os que nela pa -
icipa am, sen ando-se em en e a Ab amo ic´9.
Como acon ece com ou as ipologias de p á icas a ís icas con empo âneas de base ec-
nológica, de ins alação, ou en ol endo ma e iais eminen emen e e éme os, a documen-
ação em-se e elado, ambém pa a a pe o mance, a es a égia mais adequada pa a
ga an i an o a sua p ese ação como a u u a eap esen ação. Mas, se de um modo
ge al, a documen ação daquelas p á icas a ís icas é u ilizada sob e udo pa a apoia e
in o ma p ocessos de decisão ela i os ao modo como essas ob as se ão conse adas e
eap esen adas, no caso da pe o mance a documen ação é a exposição. Po isso, o
egis o de uma acção única e i epe í el, esul an e do impulso de p oduzi uma espé-
cie de es emunho ão escla ecedo quan o possí el do que se passou, pode ans o -
ma -se, quando expos o, em subs i u o c edí el da acção. Quando o egis o eme e o
espec ado pa a uma empo alidade e espacialidade que es e iden i ique com o acon-
ecimen o o iginal, o e ei o de pe da e de dis anciação da ob a que o mo i ou esul a
minimizado o que explica a unanimidade da c í ica em o no do g au de e icácia10 da
documen ação ap esen ada: os egis os em ídeos das pe o mances mais an igas o am
conside ados “hipno icamen e pe u bado es” uns, “como en es” ou os11, enquan o o
som dos g i os da pe o mance de 1975
F eeing he Voice
, que se azia ou i po oda
a exposição, oi ap eciado como a ap op iada “banda sono a de oda a exposição”.
A epe o mance como es a égia
de p ese ação
A polémica cen ou-se sob e a es a égia de p ese ação e exposição da pe o mance
que Ma ina Ab amo ic´ em de endendo e que iden i ica como epe o mance. O con-
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
’
6
F eeing he Body
, 1975, 8 ho as, Kuns le haus
Be hanien, Be lim: “en ol o a cabeça num pano
p e o/Mo imen o-me ao i mo de um ambo
a icano/Mo imen o-me a é ica comple amen e
exaus a/Caio no chão.
7
Imponde abilia
, Junho de 1977, 90 min, Galle ia
Comunale d’A e Mode na Bologna: “Es amos de
pé nus, na en ada p incipal do Museu, de en e
um pa a o ou o/O público que en a no Museu
em que passa de lado a a és do es ei o espa-
ço en e nós/Cada pessoa que passa em que es-
colhe qual dos dois enca a ”.
8
Luminosi y
, Ou ub o de 1992, 2 ho as, Sean Kel-
ly Galle y, New Yo k: “Sen ada num selim de bici-
cle a/ Os meus pés não ocam no chão/ A in en-
sidade da luz aumen a g adualmen e no espaço”.
9Regis os que se ão en egues à a is a e in eg a-
dos no a qui o do
Ma ina Ab amo ic´Ins i u e o
P ese a ion o Pe o mance A
. Ag adeço a in-
o mação a Glenn Wha on no depa amen o de
conse ação do MoMA.
10h p://www.washing onpos .com/wp-dyn/
/con en /a icle/2010/04/15/AR201004150629
4.h ml
11h p://www.a in o.com/news/s o y/34243/
why-ma ina-ab amo ics-moma-show-unde pe -
o ms/?page=1
209
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
cei o inclui an o a ein e p e ação de ob as de pe o mance de ou os a is as de que
é exemplo
Se en Easy Pieces
, ap esen ada no museu Guggenheim em 2005, em que
Ma ina Ab amo ic´ e-in e p e ou ob as de B uce Nauman, Vi o Acconci, Valie Expo ,
Gina Pane, Joseph Beuys e dela p óp ia, como a eap esen ação das suas pe o man-
ces po ela ou po ou os
pe o me s
, de idamen e p epa ados pa a o aze em, como
acon eceu nes a exposição. A dis inção en e um e ou o ipo de epe o mance não
ica cla a pa ecendo esidi sob e udo no g au de libe dade com que o
epe o me
in e p e a a peça o iginal e no con ex o em que a epe o mance em luga . Pa a Ab a-
mo ic´ a epe o mance ( an o na o ma de ein e p e ação como de eapa esen ação)
é a espos a mais ajus ada a duas das p incipais di iculdades ine en es ao p ocesso de
musealização da pe o mance: p ese a a acção ao i o e possibili a a pa icipação
e ec i a do público.
No p ocesso de p epa ação e de conc e ização das ein e p e ações pa a
Se en Easy
Pieces
, Ma ina Ab amo ic´ p opôs-se in es iga e lança a discussão sob e a possibi-
lidade da pe o mance pode se eap esen ada e de ini um modelo ap op iado pa a
o aze 12. Algumas das ein e p e ações não se basea am na expe iência di ec a da
a is a que não es e e p esen e no momen o das pe o mances o iginais e implica am
abalho de in es igação p o undo já que, pa a algumas, quase não exis e documen-
ação o que a ez sen i “uma a queóloga, en ando pe cebe , a pa i de uínas, o que
ealmen e acon eceu”13.
Pa a a exposição e ospec i a no MoMA, Ma ina Ab amo ic´ p epa ou a eap esen-
ação de algumas das suas p óp ias pe o mances pondo em p á ica a me odologia
que conside a mais adequada pa a ga an i a sua sob e i ência: no seguimen o de
uma “cas ing call” seleccionou, a a és de uma cu a en e is a, um g upo de quase
40 de en e ce ca de 150 candida os e p epa ou-os, ísica e psicologicamen e pa a
da em co po e alma às suas peças. Debo ah Wing-Sp oul, uma das
pe o me s
selec-
cionada pa a pa icipa na exposição, ela a:
Depois de e mandado o cu ículo, encon ei-me com Ma ina. Foi só uma con e sa, não
uma audição o mal. Ela p e endia apenas ica com uma imp essão de cada um de nós. Em
e mos da p epa ação, Ma ina con idou-nos pa a um e i o na sua casa no Hudson Valley
em Agos o passado. Fo am cinco dias passados sob e udo em silêncio e sem alimen o. Fize-
mos uma sé ie de exe cícios p olongados no empo, exe ci ando como es a mos len a e
comple amen e p esen es e ul apassa mos o descon o o ísico. Do mimos no chão de
celei o e la ámo-nos no ibei o, odas as manhãs, semp e acompanhados de Ma ina. Nunca
sabíamos no início de mui os dos exe cícios que izemos, que incluí am con a g ãos de
a oz, ou sen a mo-nos de olhos endados, se i iam du a quinze minu os ou ês ho as.
Nunca ensaiámos. (…) Não somos ac o es, e is o não são éplicas – são ein e p e ações,
po isso não es amos a en a ep oduzi exac amen e os mo imen os dela14.
Pa a Ab amo ic´ a a-se de ga an i que o
epe o me
comp eende em que consis e
a ob a, conhece bem as ca ac e ís icas do abalho da au o a e depois con ia que,
12Du an e o deba e
Ab amo ic: The A is is P e-
sen : The Legacy o Pe o mance
(MoMA, 2 de
Junho, 2010), Ab amo ic´ e e iu que a pe o -
mance oi, du an e mui o empo, “ e i ó io de
ninguém”, p oduzida em espaços e si uações “al-
e na i as” e, po isso, ulne á el à ap op iação e
u ilização abusi as e conside ou que as condições
pa a a e-in e p e ação de peças de ou os a is-
as de em en ol e ob e au o ização do au o ou
seu ep esen an e; paga os di ei os de au o ; in-
es iga o concei o; c edi a a au o ia; expô a do-
cumen ação ela i a à ap esen ação o iginal.
13
Ab amo ic: The A is is P esen : The Legacy o
Pe o mance
(MoMA, 2 de Junho, 2010).
14 h p://nymag.com/a s/a / ea u es/66162/
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
’
210 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011

ine i a elmen e in oduzindo semp e algo de si p óp io/a, espei a a au o ia. Uma
das
epe o me s
e e iu-se à sua ac uação em e mos de uma “ adução” admi indo
que, nesse p ocesso, algo se ai necessa iamen e pe de mas ambém alguma coisa
pode á se ganha, ac escen ando “há que adop a uma a i ude espei osa pa a muda
sem muda ”15.
Áb amo ic´ compa a a eap esen ação de pe o mances com a in e p e ação de uma
mesma ob a musical ou um peça de ea o, po di e en es in é p e es. Faz ques ão,
no en an o, de dis ingui pe o mance de ea o e conside a que no âmbi o do con-
cei o da eap esen ação da pe o mance, a dis inção se man ém: não há luga a
ensaios mas a p epa ação pessoal (men al e ísica) e in es igação (lei u a do guião
esc i o pelo a is a, isualização dos egis os o iginais das pe o mances e, sendo pos-
sí el, con e sas com a a is a). Ao con á io do que se passa no ea o, na pe o -
mance udo é eal: uma aca é semp e uma aca e dadei a que e e e ec i amen e
p oduzindo sangue eal. Es e se á um dos limi es da u lização da epe o mance no
con ex o do museu que necessa iamen e e á de exclui as que possam coloca em
isco os
pe o me s
ou o público.
Na exposição, ao lado dos espec i os egis os e despojos, cinco das pe o mances,
Rela ion in Time
(1977),
Imponde abilia
(1977),
Poin o Con ac
(1980),
Luminosi y
(1997) e
Nude wi h Skele on
(2002), o am, pois, eap esen adas pelo e e ido g upo
de
epe o me s
p epa ados pela a is a. O esul ado des a es a égia o nou-se um
dos pon os de maio polémica. A c í ica mais nega i a conside ou que as eap esen-
ações en aquecem o impac o que a documen ação de a qui o ainda anspo a
uncionando, quando mui o, como “no as ilus a i as” das ob as o iginais. Pondo em
causa, de uma o ma ge al, a me odologia, a a aliação nega i a e e iu-se sob e udo
às ob as de maio d ama ismo po pe de em, na eap esen ação, a o ça que o ca isma
de Ma ina Ab amo ic´ lhes imp ime e que é, em g ande pa e, a azão da sua e icácia.
No en an o, pe o mances como
Rela ion in Time
e
Poin o Con ac
, que explo am
concei os de ansmissão de ene gia en e duas pessoas po pon os de con ac o ao
longo do empo, não pa ecem e pe dido com a eap esen ação que, sob e udo un-
ciona como meio de p opo ciona ao público a expe iencia ac ualizada, a a és da
p esença i a dos in e enien es, da ene gia con ocada pa a a pe o mance.
Nude
wi h Skele on
and
Luminosi y
, sob epõe ao ac o empo/ene gia a ensão dos co -
pos nus em exposição e a consequen e si uação de ex ema ulne abilidade, um
an o mi igada nes a, pela al u a em que a
epe o me
se coloca a, mas plenamen e
p esen e naquela. Quan o a
Imponde abilia
, a e-ap esen ação mais polémica, so eu
sob e udo com a decisão, po pa e do museu, de p o idencia uma al e na i a de
passagem aos isi an es, o que a ec ou a adicalidade do concei o da ob a. Con udo,
ou as e en es impo an es da pe o mance subsis i am nomeadamen e a expe iên-
cia daqueles que escolhe am pa icipa , passando pelo es ei o espaço en e os dois
co pos nus dos
epe o me s
, ul apassando cons angimen os ela i os ao con ac o
ísico com es anhos16.
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
’
15
Ab amo ic: The A is is P esen : The Legacy o
Pe o mance
(MoMA, 2 de Junho, 2010).
16 Como es emunhou uma isi an e: “sen imo-nos
cons angidos e eles não e são eles que es ão nus”
h p://www.hu ing onpos .com/2010/03/16/im
ponde abilia-ab amo ic-_n_500589.h ml
211
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
A a is a es á p esen e
“Ainda que a exposição se esumisse a essa sub e si a pe o mance, ica ia en e o que
de mais hipnó ico já i e ocasião de e num museu, especialmen e no á io do MoMA
que já engoliu ob as monumen ais como o mu al
Nenú a es
de Mone ou o
Obelisco
Queb ado
de Ba ne Newman”17. O p ocesso de decisão Ma ina Ab amo ic´ sob e a
na u eza e ca ac e ís icas da ob a a ap esen a ao i o e po oda a du ação da exposi-
ção, no á io do museu, é e e ido po A hu Dan o, que o acompanhou:
Decidi que que o aze um abalho que me elacione mais com o público, que se concen e (…)
na in e acção en e mim e a audiência. Que o e uma mesa simples, ins alada no cen o do
á io, com duas cadei as. Vou sen a -me numa das cadei as com um quad ado de luz, inda
do ec o a sepa a -me do público. Qualque pessoa ai e a libe dade de se sen a do ou o
lado da mesa, na segunda cadei a, pe manecendo pelo empo que quise , pa icipando de
o ma plena e única na Pe o mance18.
The A is is p esen
, gal anizou um público he e ogéneo a aindo-o a pa icipa numa
ob a undada no pa adoxo de uma acção de inida pela imobilidade e a inde e minação
empo al e na ensão esul an e da na u eza eminen emen e pública (no á io do museu,
di ulgada
online
em empo eal) e p o undamen e p i ada (olha a a is a nos olhos, em
silêncio). Pa a Ma ina Ab amo ic´ a in enção enunciada de p oduzi uma pe o mance
o ien ada pa a a pa icipação e ec i a do público, cump iu-se na elação “de um pa a
um”19 que p opo cionou, e o çada com a decisão de, no início do e cei o mês, e i a
a mesa, único obs áculo ísico que a é aí a sepa a a de cada pa icipan e.
Ma ina Ab amo ic´ ocupou a sua cadei a, de aco do com o p og ama que es abeleceu,
du an e as mais de 700 ho as da exposição, cobe a com um longo es ido azul em
Ma ço, e melho em Ab il, b anco em Maio. A á ea onde deco ia a pe o mance encon-
a a-se de inida pelo ec ângulo ma cado, no chão, delimi ando a zona de dis ancia-
men o dos isi an es e pela iluminação que, simul aneamen e, coloca a em des aque as
duas igu as sen adas e as isola a do es an e público. O indiscu í el impac o isual da
pe o mance oi di e samen e acolhido e in e p e ado: enquan o alguns sauda am mais
uma “ob a simples e pode osa, de co a a espi ação”20 ou os c i ica am o sen ido “ope-
á ico” da pe o mance com “o objec i o de espan a e imp essiona ”21, ou os ainda
compa a am a igu a, se enamen e es á ica, à pose do modelo de uma pin u a.
Na manhã do dia 14 de Maio, sen ei-me na cadei a em en e a Ma ina Ab amo ic´. Po -
que a ila de espe a a ás de mim e a longa, conside ei demo a -me apenas 15 minu os.
Mas não ha ia meio de medi o empo, uma ez que, de endo ixa os olhos da a is a,
es a a o a de ques ão consul a o elógio. Á medida que o empo passa a, a expe iên-
cia isola a-me do mundo que ci cula a à nossa ol a – sen ia-o mas não o ia – e iso-
la a-me a é da a is a à minha en e po que não ia a exp essão do os o, apenas os
olhos. A consciência da passagem do empo, da exposição pública, do descon o o ísico,
17 h p://www. ani y ai .com/online/daily/2010/
/03/ he-a hle ic-a is - akes-on-moma.h ml
18 h p:// hesma money.wo dp ess.com/2010/
05/24/si ing-wi h-ma ina-ab amo ich-a -m-o-
-m-a-in-new-yo k-ci y-li e/
19
Ab amo ic: The A is is P esen : The Legacy o
Pe o mance
(MoMA, 2 de Junho, 2010)
20h p://www. ani y ai .com/online/daily/
2010/03/ he-a hle ic-a is - akes-on-moma.h ml
21h p://www.washing onpos .com/wp-dyn/
con en /a icle/2010/04/15/AR2010041506294.
h ml
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
’
The A is is P esen
, MoMA, 12 de Maio de 2010,
o og a ia de Lúcia Almeida Ma os.
212 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
oi-se p og essi amen e des anecendo e i e a sensação que podia ica ali po mui o
mais empo. Ve i iquei depois que ha ia pe manecido 30 minu os.
Ficou en ão cla a, pa a mim, a azão da insis ência de Ab amo ic´s na ele ância da expe-
iência e ec i a da pe o mance que deco e po um lado, da p esença ao i o da/o
pe -
o me
e, po ou o, da opo unidade que é o e ecida, a cada elemen o do público, de
se en ol e di ec amen e e assim o na -se
co-pe o me
da peça. Em
The a is is p e-
sen
, a pa ce ia e ec i a a-se na decisão do empo de pe manência, deixada ao a bí io
do isi an e, limi ada apenas pelas ho as de abe u a do museu. Es e ní el de pa icipa-
ção es á necessa iamen e ausen e da isualização de documen ação, con o me pôde se
amplamen e cons a ado po quem seguiu a ansmissão
online
da pe o mance: o
espec ado obse a as imagens e e en ualmen e comp eende o que se es á a passa ,
a alia a adicalidade da acção e do concei o subjacen e, mas a expe iência es á o a das
possibilidades. Sendo o médium des e ipo de pe o mance o co po e não a sua imagem,
na impossibilidade de pa icipa no p imei o momen o de ap esen ação da pe o mance,
a epe o mance pa ece se a ap oximação po encialmen e mais ajus ada à ob a inicial
já que e ém essa componen e essencial da expe iência e pa icipação.
Algumas das ques ões que o mé odo le an a, o am objec o de análise e deba e no sim-
pósio
Thinking Pe o mance
, no Museu Guggenheim a 18 de Junho. Clai e Bishop
in eg ou a epe o mance num con ex o mais ala gado de “ou sou cing” da p á ica da
pe o mance, conside ando que a ob a é assim ap esen ada “simul aneamen e ao i o
e mediada”; Ca ie Lambe -Bea y suge iu que a ins i uição se á “um espaço de possi-
bilidades” onde pode ão se ensaiados á ios modelos de exposição de pe omance;
Nancy Spec o ea i mou a ideia exp essa, a p opósi o de
Se en Easy Pieces
de que a
epe o mance se á uma o ma “poé ica, não no ma i a (mas espei osa) de man e a
ob a i a e ele an e”.
Ao i o no museu
Pa a o museu, a es a égia de exposição de ob as de pe o mance a a és da sua ea-
p esen ação ao i o ob igou ao ques ionamen o e e isão de uma sé ie de con enções
que ce amen e con inua ão a se objec o de e lexão e deba e. A eacção, an o da c í-
ica p o issional como do público, pola izou-se en e a ap eciação iolen amen e nega-
i a e a adesão en usiás ica, a es ando a no idade de algumas das si uações e das
soluções encon adas pelo museu.
Sendo a exposição o disposi i o his o icamen e acei e pa a a ap esen ação pública da
ob a de a e, de e mina uma elação do espec ado com a ob a que se pode o na p o-
blemá ica quando o supo e é o co po nu do
pe o me
. O espec ado a en o de uma
pin u a ans o ma-se em po encial
oyeu
ace ao co po nu que é ap esen ado, “em
exposição” no museu, es abelecendo uma elação com a ob a di e en e da que po en-
cialmen e es abelece ia no con ex o, menos codi icado e o mal, da ap esen ação ini-
cial da pe o mance. Po ou o lado, o ambien e con olado e es endido no empo da
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
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213
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
exposição, pode con ida a uma uição mais ponde ada e sensí el à dimensão é ica e
es é ica das ob as.. Nes e con ex o, se ão ele an es os es emunhos dos p óp ios
pe -
o me s
:
A p imei a ob a que ap esen ei oi
Nu com esquele o
, em que um esquele o es á dei ado em
cima de mim, mo endo-se ao i mo da minha espi ação. Não cos umo ap esen a -me nua (…),
mas uma ez ime sa na ob a, a nudez deixa de es a em causa. (…) Fui mui o a ec ada pelo
en ol imen o das pessoas. Uma mulhe dos seus 65 ou 70 anos, ap oximou-se an o quan o
lhe e a pe mi ido e disse-me” És ão co ajosa. Não és aidosa como eu” (…). Uma mãe pa ou
com uma c iança de ês anos e disse-lhe “olha pa a a espi ação” (…) Há isi an es que cho-
am ou que azem uma espécie de énia e me dizem “ob igada”22.
Também a p oibição de oca nas ob as de a e ganhou uma dimensão mui o pa icu-
la , no con ex o da exposição, com
Imponde abilia
, que p essupõe p ecisamen e o con-
ac o ísico do isi an e com os co pos nus dos
pe o me s
, sendo que a on ei a en e
a pa icipação na ob a e o abuso, oi po ezes ul apassada. A si uação de ulne abili-
dade dos
pe o me s
con ocou cuidados ac escidos po pa e dos gua das do museu
a en os não só a e en uais ag essões po pa e do público como aos e ei os, na condi-
ção ísica dos
pe o me s
, do es o ço impos o po longos pe íodos de exposição em com-
ple a imobilidade ou em posições di íceis de man e . Hou e que limi a os empos de
ac uação e p e e p o ocolos de o a i idade dos
pe o me s
pa a que as eap esen a-
ções pudessem deco e du an e odo o pe íodo de abe u a do museu.
O ecu so a disposi i os museog á icos, como as i inas ou a iluminação a i icial di ec-
cionada, u ilizados nas ob as eap esen adas ao i o, se po um lado condiciona am o
con ac o di ec o com a ob a, sublinha am, po ou o, a na u eza cenog á ica que ca ac-
e iza qualque exposição e i ando assim a e en ual ambiguidade que a p esença dos
epe o me s
pudesse aze ela i amen e ao seu es a u o de mediado es de uma ob a
c iada nou o empo e luga , colocando as epe o mances num plano dis in o das p i-
mei as ac uações documen adas com as imagens e os ma e iais da época, de idamen e
iden i icados pelas abelas.
Quan o a
The a is is p esen
, o apa a o cénico exponenciado pela monumen alidade
da a qui ec u a, que me eceu algumas c í icas po con á io à na u eza eminen emen e
di ec a e ansg esso a de g ande pa e da ob a de Ma ina Ab amo ic´, não só não
cons i uiu obs áculo ao cump imen o da in enção exp essa da a is a de con oca a
pa icipação do público, como pa ece ê-la acili ado: a es u u a de ap esen ação,
simul aneamen e cla a e amilia nos disposi i os que usou (o ec ângulo delimi ando
no chão a zona de acesso do espec ado , a iluminação o ien ada pa a a ob a) e a sim-
plicidade da acção (sen a a uma mesa ou apenas sen a ), p o idenciou a es u u a
es á el onde a expe iência indi idual, imp e isí el e, a é ce o pon o, incon olá el,
podia acon ece . Klaus Biesenbach admi iu que imagina a a pe o mance com a a is a
sen ada, só, em en e a uma cadei a azia. A inal, Ma ina Ab amo ic´ es e e acom-
panhada du an e oda a pe o mance e a cadei a nunca icou azia.
22 h p://nymag.com/a s/a / ea u es/66162/
NA PRESENÇA DE MARINA ABRAMOVIC
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214 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011