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O terrorismo e o contraterrorismo: a influência da ONU e União Europeia no combate à radicalização na França e no Reino Unido (2001-2017)

Abstract

A globalização e o progresso dos meios tecnológicos e de comunicação permitiram a rápida difusão de ideias extremistas as quais, por serem exploradas por grupos terroristas, tem potenciado a criação de um clima de medo e ameaça a nível internacional. Este panorama de “insegurança global”, amplificado com o 11 de Setembro de 2001 (11/9), complexificou a definição da “ameaça” bem como o trabalho das forças governamentais e de segurança na elaboração de políticas contraterroristas: o terrorismo é uma ameaça não só de origem externa mas também interna, planeado e perpetrado por indivíduos que vivem e são radicalizados em território europeu. A nível global, estima-se que já tenham sido recrutados 40.000 indivíduos de mais de 110 países para combater na Síria e Iraque (2017), sendo a França e o Reino Unido dos principais países contribuidores de indivíduos radicalizados para este número. Segundo a EUROPOL, mais de 1.000 europeus já regressaram à Europa, podendo estes perpetrar novos ataques ou servir de inspiração a outros. A prevenção e o combate contra a radicalização surge assim como um dos principais instrumentos na luta contra o terrorismo, cujo propósito central é procurar combater o extremismo violento de todos os quadrantes ideológicos. Tendo em conta este contexto securitário, a presente investigação trabalha a globalização do terrorismo, procurando interligar a ameaça com a resposta. O objetivo central é analisar o terrorismo e o contraterrorismo em três níveis: global, regional e nacional. À luz do quadro teórico-conceptual dos Estudos Críticos de Segurança, procuramos entender de que forma a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE) influenciam as políticas nacionais de contraterrorismo, especificamente no âmbito da prevenção e combate contra a radicalização, tendo a França e o Reino Unido como casos de estudo. Em última instância, argumentamos que o terrorismo é um fenómeno intersubjetivo e que a provisão da segurança estatal, pese embora a influência de atores como a ONU e UE, deverá atender ao contexto histórico-social de cada país, não descurando os desafios presentes no meio internacional. A França e o Reino Unido reconhecem as suas especificidades históricas e, embora enfrentem uma ameaça similar, parecem priorizar vi diferentes enquadramentos institucionais para o seu combate e prossecução dos seus objetivos nacionais. Contudo, ambos os países acabam por convergir em matéria de segurança nacional (contraterrorismo incluído) por seguirem uma estratégia inclusiva, promotora da interação entre os três níveis. Apesar dos diferentes pesos atribuídos aos enquadramentos institucionais da ONU e UE, a influência destas organizações é confirmada com a adoção e implementação das leis internacionais nos respetivos sistemas nacionais.

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O terrorismo e o contraterrorismo: a influência da ONU e União Europeia no combate à radicalização na França e no Reino Unido (2001-2017)

Author: Lopes, Joana Araújo
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/29974/1/TESE%20-%20ALUNO%2037721_Joana%20Lopes_2017.pdf
O e o ismo e o con a e o ismo:
A in luência da ONU e União Eu opeia
no comba e à adicalização na F ança e no Reino Unido
(2001-2017)
Joana A aújo Lopes
Se emb o de 2017
Disse ação de Mes ado em
Ciência Polí ica e Relações In e nacionais
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au
de Mes e em Ciência Polí ica em Relações In e nacionais, na á ea de especialização de
Relações In e nacionais, ealizada sob a o ien ação cien í ica
da P o esso a Dou o a Ana San os Pin o.
ii
A meu Pai
An ónio dos San os Lopes
iii
AGRADECIMENTOS
Pa a se g ande, sê in ei o: nada
Teu exage a ou exclui.
Sê odo em cada coisa. Põe quan o és
No mínimo que azes.
Assim em cada lago a lua oda
B ilha, po que al a i e.
Odes de Rica do Reis, Fe nando Pessoa.
A qui o Pessoa, s/da a
Vá ios o am os a o es que me pe mi i am ence es a e apa com g ande
sa is ação, desejando con inua a escalada. Em eo ia, o pensamen o de Rica do Reis
po que ensina a olha a al i a Lua num sen ido epicu is a, p agmá ico e sensa o. Na
p á ica, a mes ia de á ios aliados.
À minha supe iso a de ese, P o esso a Dou o a Ana San os Pin o, pelo
cons an e apoio, espei o, con iança e econhecimen o. Tendo a maio admi ação pela
sua in eligência, capacidade de abalho e esiliência, a P o esso a é pa a mim uma
e e ência an o a ní el pessoal como académico.
Ao depa amen o das O ganizações Polí icas In e nacionais do Minis é io dos
Negócios Es angei os, nomeadamen e à Dou o a Ve a D’Á ila, Cláudia Redinha,
Ângela Dou ado e Filipa Co nélio da Sil a pelo apoio e incen i o bem como a
acili ação de supo e bibliog á ico.
À Embaixada de F ança em Po ugal, pa icula men e ao Se iço de Imp ensa,
pela p on idão na espos a e acesso a ma e ial bibliog á ico undamen al.
Aos P o esso es Dou o es Ch is ian Kaune e Luis Simón do Ins i u e o
Eu opean S udies (IES) da V ije Uni e si ei B ussel (VUB) pela p on a disponibilidade
em colabo a nes a in es igação ao o nece ele an e supo e bibliog á ico.
Aos P o esso es Dou o es do cu so “Te o ism and Coun e o ism” da
Olympia Summe Academy de 2017, And eas Go as (Pan eion Uni e si y o A hens),
Richa d English (Queen’s Uni e si y Bel as ), S a his Kaly as (Yale Uni e si y) e Ha y
Papaso i iou (Pan eion Uni e si y o A hens), pelo p ecioso ma e ial bibliog á ico
i
acul ado e o excelen e cu so lecionado que complemen ou o meu en endimen o sob e o
enómeno em es udo.
Aos uncioná ios da biblio eca da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Uni e sidade NOVA de Lisboa, in es igado es e uncioná ios do Ins i u o de De esa
Nacional pela a enção com que me ecebe am nas espe i as Ins i uições, p on idão nos
ecu sos cedidos e disponibilidade demons ada.
Ao pessoal que, embo a não enha esponsabilidade nas conclusões aqui
ap esen adas, con ibuiu pa a o desen ol imen o da in es igação.
A meu Pai, An ónio Lopes, cujas pala as de ag adecimen o se e elam
insu icien es pa a quem amo de o ma incondicional. Enal eço o acompanhamen o
semp e a en o, ce ei o e p o e o quan o aos meus e os e alhas du an e es a jo nada. A
dú ida, quando equacionada de o ma ponde ada e c í ica, é um ma co de sabedo ia.
Aos meus amigos, en e eles um ag adecimen o especial a Ana So ia Sou o,
Ca a ina Ma ias, Ca a ina Gal ão, Ca a ina Mi anda, F ancisco Galamas, Ma ia Ce ejo e
Rui San os pela amizade, a enção e con iança imp escindí eis. Enume o- os po o dem
al abé ica mas, pa a os que me conhecem de pe o, ós e ou os mui o que idos, sabem
que o ca inho é uni o me e o empo “di -se-á semp e in ini o” pa a odos os que
caminham a meu lado. Po ezes, as pala as são uma exp essão in elec ual ing a a do
que é emocionalmen e inexplicá el.
A i, lei o , pela con iança deposi ada,
Mui o ob igada.
Joana A aújo Lopes
2017

O TERRORISMO E O CONTRATERRORISMO:
A INFLUÊNCIA DA ONU E UNIÃO EUROPEIA NO COMBATE À
RADICALIZAÇÃO NA FRANÇA E NO REINO UNIDO (2001-2017)
JOANA ARAÚJO LOPES
RESUMO
PALAVRAS-CHAVE: Con a e o ismo; ONU; Radicalização; Segu ança; Te o ismo;
União Eu opeia.
A globalização e o p og esso dos meios ecnológicos e de comunicação pe mi i am a
ápida di usão de ideias ex emis as as quais, po se em explo adas po g upos
e o is as, em po enciado a c iação de um clima de medo e ameaça a ní el
in e nacional. Es e pano ama de “insegu ança global”, ampli icado com o 11 de
Se emb o de 2001 (11/9), complexi icou a de inição da “ameaça” bem como o abalho
das o ças go e namen ais e de segu ança na elabo ação de polí icas con a e o is as: o
e o ismo é uma ameaça não só de o igem ex e na mas ambém in e na, planeado e
pe pe ado po indi íduos que i em e são adicalizados em e i ó io eu opeu.
A ní el global, es ima-se que já enham sido ec u ados 40.000 indi íduos de mais de
110 países pa a comba e na Sí ia e I aque (2017), sendo a F ança e o Reino Unido dos
p incipais países con ibuido es de indi íduos adicalizados pa a es e núme o. Segundo
a EUROPOL, mais de 1.000 eu opeus já eg essa am à Eu opa, podendo es es pe pe a
no os a aques ou se i de inspi ação a ou os. A p e enção e o comba e con a a
adicalização su ge assim como um dos p incipais ins umen os na lu a con a o
e o ismo, cujo p opósi o cen al é p ocu a comba e o ex emismo iolen o de odos
os quad an es ideológicos.
Tendo em con a es e con ex o secu i á io, a p esen e in es igação abalha a
globalização do e o ismo, p ocu ando in e liga a ameaça com a espos a. O obje i o
cen al é analisa o e o ismo e o con a e o ismo em ês ní eis: global, egional e
nacional. À luz do quad o eó ico-concep ual dos Es udos C í icos de Segu ança,
p ocu amos en ende de que o ma a O ganização das Nações Unidas (ONU) e a União
Eu opeia (UE) in luenciam as polí icas nacionais de con a e o ismo, especi icamen e
no âmbi o da p e enção e comba e con a a adicalização, endo a F ança e o Reino
Unido como casos de es udo.
Em úl ima ins ância, a gumen amos que o e o ismo é um enómeno in e subje i o e
que a p o isão da segu ança es a al, pese embo a a in luência de a o es como a ONU e
UE, de e á a ende ao con ex o his ó ico-social de cada país, não descu ando os
desa ios p esen es no meio in e nacional. A F ança e o Reino Unido econhecem as suas
especi icidades his ó icas e, embo a en en em uma ameaça simila , pa ecem p io iza
i
di e en es enquad amen os ins i ucionais pa a o seu comba e e p ossecução dos seus
obje i os nacionais. Con udo, ambos os países acabam po con e gi em ma é ia de
segu ança nacional (con a e o ismo incluído) po segui em uma es a égia inclusi a,
p omo o a da in e ação en e os ês ní eis. Apesa dos di e en es pesos a ibuídos aos
enquad amen os ins i ucionais da ONU e UE, a in luência des as o ganizações é
con i mada com a adoção e implemen ação das leis in e nacionais nos espe i os
sis emas nacionais.
ii
TERRORISM AND COUNTERTERRORISM:
THE INFLUENCE OF UN AND EUROPEAN UNION IN THE FIGHT AGAINST
RADICALISATION IN FRANCE AND UNITED KINGDOM (2001-2017)
JOANA ARAÚJO LOPES
ABSTRACT
KEY-WORDS: Coun e e o ism; Eu opean Union; Radicalisa ion; Secu i y;
Te o ism; UN.
Globaliza ion and he p og ess o echnology and communica ions allowed he quick
di usion o ex emis ideas which, when exploi ed by e o is g oups, has p omp ed a
clima e o ea and h ea a he in e na ional le el. In esul o his “global insecu i y”
pano ama, ampli ied by he 11 h Sep embe o 2001, he no ion o “ h ea ” has become
ickie o de ine making he wo k o go e nmen s and secu i y o ces mo e puzzling in
hei ask o de ining coun e e o ism policies: e o ism is no only an ex e nal sou ce
h ea bu also an in e nal one, being planned and execu ed by indi iduals who li e and
a e adicalized inside Eu opean bo de s.
A he global le el, i is es ima ed ha 40.000 people ha e been adicalised om mo e
han 110 coun ies o igh in Sy ia and I aq (2017), being F ance and he Uni ed
Kingdom amongs he coun ies who mos con ibu e o his numbe wi h adicalised
indi iduals. Acco ding o EUROPOL, mo e han 1.000 has e u ned o Eu ope, some o
which migh pe pe a e new a acks o se e as po en ial ole-models. Thus, he
p e en ion and he igh agains adicalisa ion is one o he main keys ones o
coun e e o ism which op p io i y is he igh agains iolen ex emism in all
ideological o ms.
Taking in o accoun his secu i y con ex , he p esen hesis analyses he globaliza ion o
e o ism, while aiming o connec he h ea wi h he esponse. The main pu pose is he
analysis o e o ism and coun e e o ism in h ee le els: global, egional and na ional.
In he ligh o he heo e ical and concep ual amewo k o C i ical Secu i y S udies, we
in end o unde s and he in luence o Uni ed Na ions (UN) and he Eu opean Union
(EU) in he na ional coun e e o ism policies, speci ically in he igh agains
adicalisa ion, while ha ing F ance and Uni ed Kingdom as case s udies.
Ul ima ely, we a gue ha e o ism is an in e subjec i e phenomenon and he p o ision
o secu i y, none heless he in luence o ac o s as UN o EU, has o ake in o accoun he
di e ences be ween social and his o ical con ex s while also being awa e o he cu en
in e na ional challenges. F ance and he Uni ed Kingdom ecognize hei his o ical
peculia i ies and, despi e acing a simila h ea , seem o p io i ize di e en ins i u ional
amewo ks o coun e i and pu sue hei na ional objec i es. Howe e , hei app oach
iii
o na ional secu i y (coun e e o ism included) con e ges because bo h implemen an
inclusi e s a egy, oo ed in he in e ac ion o he h ee le els. Despi e he di e en
weigh s a ibu ed o UN and EU ins i u ional amewo ks, he in luence o hese
o ganisa ions upon bo h coun ies is con i med wi h he adop ion and implemen a ion o
he in e na ional laws in hei own legal sys ems.
INTRODUÇÃO
2
e ameaça. A insegu ança é aumen ada po es a mos pe an e uma “ameaça que é sob e udo
in e na, po enciada po indi íduos cuja ai a é in isí el mas in ensa, que podem i e em
anonima o en e os demais, iajam com isas e passapo es legí imos, que dispensam
con a o di e o com memb os de um g upo e o is a ou ap ende am pela in e ne a cons ui
uma bomba com ins umen os que se encon am acilmen e em qualque cozinha mode na”
(Wigh -Ne ille, 2012: 406).
Es e pano ama de “insegu ança global”, ampli icado com o 11/9, complexi icou a
de inição da “ameaça” do e o ismo bem como o abalho das o ças go e namen ais e de
segu ança e in elligence na elabo ação de polí icas con a e o is as. A ní el global, es ima-
se que enham sido já ec u ados 40.000 indi íduos de mais de 110 países pa a comba e na
Sí ia e I aque (Win ou , The Gua dian, 2017), sendo a F ança e o Reino Unido dos
p incipais países con ibuido es pa a es e núme o em c escendo. Segundo a EUROPOL,
mais de 1.000 eu opeus já eg essa am à Eu opa, podendo es es pe pe a no os a aques ou
se i de inspi ação a ou os. A p e enção e o comba e con a a adicalização su ge assim
como um dos p incipais ins umen os na lu a con a o e o ismo, cujo p opósi o cen al é
p ocu a comba e o ex emismo iolen o de odos os quad an es ideológicos.
Con udo, o 11 de Se emb o pe mi iu um no o enquad amen o pa a o es udo da
segu ança, ab indo caminho ao desen ol imen o de no as pe spe i as c í icas e al e na i as
à o odoxia adicional dos Es udos de Segu ança, in eg adas na disciplina dos Es udos
C í icos de Segu ança (CSS, em inglês) que é a base de supo e eó ico a es a in es igação.
À luz dos CSS, o 11/9 acen uou um con ex o de múl iplos desa ios já no ó ios na década de
1990 como a adicalização ou a mig ação que, aliados ao apa ecimen o de no os a o es
como os mo imen os e edes in e nacionais de que a al-Qaeda é exemplo, deu o igem a um
p ocesso sem p eceden es de no as mudanças e p á icas secu i á ias con a e o is as. No
dize de Tony Jud , “ele ámos um a o em udo o es o banal de assassínio poli icamen e
mo i ado a uma ca ego ia mo al, uma abs ação ideológica e um inimigo global” (Jud ,
2008: 29). “A al-Qaeda - e o p óp io Osama Bin Laden - o na am-se o no o «Inimigo
P incipal» do Ociden e, subs i uindo o que a União So ié ica o a du an e a Gue a F ia”
(G ey, 2015a: 26).
É es a ideia de conside a o 11/9 como um pon o de i agem no campo da segu ança
in e nacional um dos p incipais aspe os c í icos e de inido es dos CSS. Foca o jogo
secu i á io apenas num desa io ou á ea egional, ma ginalizando a eia de mui os ou os
a o es di up i os que o e es em como a pe sis ência das desigualdades sociais e
económicas, a dispe são e di usão do pode ou os c escen es an agonismos a ní el eligioso,

INTRODUÇÃO
3
e ela-se uma es a égia p oblemá ica e la gamen e insu icien e não só pa a comp eende
uma das possí eis p incipais on es do e o ismo, a adicalização de indi íduos, mas
ambém pa a a alia o sucesso ou insucesso das polí icas con a e o is as: “o pe igo de
abs ai o e o ismo dos seus di e en es con ex os, ins alando-o num pedes al como a maio
ameaça à ci ilização ociden al ou à democ acia, ou ao «nosso modo de ida», e isolá-lo
como al o de uma gue a inde inida, é descu a os mui os ou os desa ios da época” (Jud ,
2008: 29-30).
1. Iden i icação e jus i icação do ema
A p esen e disse ação é subo dinada ao ema, “O e o ismo e o con a e o ismo:
A in luência da ONU e União Eu opeia no comba e à adicalização na F ança e no Reino
Unido (2001-2017)”. Face ao pano ama expos o, a in es igação p e ende abalha a
globalização do e o ismo, p ocu ando in e liga a ameaça com a espos a. O obje i o
cen al é analisa o e o ismo e o con a e o ismo em ês ní eis: global, egional e
nacional. P ocu a-se en ende de que o ma a ONU e UE in luenciam as polí icas nacionais
de con a e o ismo, especi icamen e no âmbi o da p e enção e comba e con a a
adicalização de indi íduos, endo a F ança e o Reino Unido como casos de es udo.
2. Obje i os, pe gun a de pa ida e pe íodo em es udo
No ge al, isamos: (1) en ende os concei os de segu ança e e o ismo à luz dos
Es udos de Segu ança e (3) analisa o e o ismo e o con a e o ismo, p ocu ando de ini os
enómenos e especi ica como é que a ONU e a UE enca am a ameaça no con ex o eu opeu,
açando a e olução das polí icas de comba e desde o 11/9. Pa icula men e p e ende-se: (1)
especi ica a ação da ONU e UE no âmbi o da p e enção e comba e con a a adicalização;
(2) en ende de que o ma a F ança e o Reino Unido enca am a segu ança e o e o ismo e
(3) ace a udo quan o p ecede, apu a in luência daqueles a o es in e nacionais sob e
aqueles dois es ados nacionais.
Conside ando es es obje i os, isamos esponde à seguin e pe gun a de pa ida:
“De que o ma a ONU e a União Eu opeia in luenciam o comba e à adicalização de
indi íduos na F ança e no Reino Unido?” A no ea es a ques ão, delinea am-se ês
pe gun as de i adas: (1) De que o ma a ONU e UE in luenciam as polí icas de segu ança
ex e na e in e na da F ança e do Reino Unido?; (2) Como é que a in luência desses a o es
in e nacionais e o ça (ou não) o papel do Es ado como p o edo de segu ança? (3) Quais
INTRODUÇÃO
4
as p incipais es a égias de con a e o ismo no âmbi o da p e enção e comba e con a a
adicalização na F ança e no Reino Unido?
A delimi ação c onológica a conside a comp eende os dias 11 de Se emb o de 2001
e o 29 de Ma ço de 2017 (da a da a i ação do a .º 50 do T a ado de Funcionamen o da
União Eu opeia que inicia o p ocesso de saída do Reino Unido da União Eu opeia). A
escolha pa icula dos casos nacionais da F ança e do Reino Unido oi mo i ada po ês
p incipais azões. P imei o, segundo os ela ó ios do Se iço Eu opeu de Polícia
(EUROPOL) sob e a si uação e as endências de e o ismo na UE (TE-SAT) en e 2007 e
2017, a F ança e o Reino Unido (e ambém a Espanha) são os países memb os da UE mais
a e ados pelo e o ismo conside ando o núme o de a aques so idos, o de suspei os de idos
e de casos julgados pelos ibunais nacionais. Segundo, ambos assumem esponsabilidades
polí icas e de segu ança ulc ais no plano in e nacional: são po ências nuclea es e
económicas; in eg am o núcleo dos memb os pe manen es do Conselho de Segu ança das
Nações Unidas e pa icipam nas p incipais missões da NATO, ONU e UE. Segundo o
Wo ld Fac book da CIA (2016), a F ança e o Reino Unido igu am no op 15 no anking
mundial das maio es po ências económicas (Reino Unido, 10º posição; F ança, 11ª). No
se o da segu ança e pode mili a , no que espei a ao anking mundial de po ências com
maio es gas os despendidos, o Reino Unido igu a na 28ª posição (2.07% do PIB, 2015) e a
F ança ocupa a 47ª posição (1.8% do PIB, 2014). Te cei o, possuem adições in e nas
(sis ema polí ico) e ex e nas (posição ace à UE)3 dis in as bem como “posições
di e enciadas em e mos de polí icas de in eg ação de populações muçulmanas” (Pilla ,
2008: 377), as quais explicamos no co po da disse ação.
A escolha da ONU e UE de e-se à sua impo ância a ní el in e nacional e pelo
papel desempenhado no comba e ao e o ismo. A ONU, como um sis ema de segu ança
cole i o, e a União Eu opeia, como uma o ganização “ egional”, são dois dos p incipais
a o es na de inição de eg as da o dem in e nacional libe al. Num mundo pau ado po uma
plu alidade de a o es, ameaças di usas e ma cado pela diluição da on ei a en e as
dimensões ex e na e in e na da segu ança, exigem-se espos as holís icas, in eg ado as dos
á ios in e enien es. Ambas êm desen ol ido um conjun o de con enções in e nacionais
que, com ca ác e incula i o, êm pe mi ido o comba e con a o e o ismo. São as
o ganizações que mais se des acam em p odução de legislação em ma é ia de
con a e o ismo, encon ando-se em igo 19 ins umen os legais que e sam sob e os seus
3 Enquan o a F ança, adicionalmen e e de o ma ge al demons a uma posição de comp ome imen o ace
à União Eu opeia, o Reino Unido em demons ado uma posição hesi an e quan o ao p oje o eu opeu.
INTRODUÇÃO
5
di e sos aspe os (segu ança na a iação ci il, no ae opo o, inanciamen o do e o ismo,
ADM…e c.) (UNCTC, online).
3. Ope acionalização e jus i icação me odológica
Pa a ope acionaliza a in es igação, ado a-se o modelo sequencial de Gill e Johnson
(1997) (e não cíclico)4 e p i ilegia-se a a iculação en e um modelo de análise desc i i o e
explica i o. Explo ando os mé odos da Análise Compa ada Clássica, op ou-se pela
u ilização da es a égia quali a i a “o ien ada pa a casos” de Max Webe pois baseia-se na
in e p e ação his ó ica de um núme o eduzido de casos e em como p incipal obje i o
iden i ica pad ões de in a iância, is o é, explica e in e p e a um de e minado enómeno,
en ando e idencia as p incipais di e enças en e os casos.
Nes e sen ido elabo a-se um es udo compa ado en e a F ança e o Reino Unido. Em
cada caso, con on amos a legislação p oduzida a ní el in e nacional e aquela implemen ada
nos espe i os países no que diz espei o ao con a e o ismo, pa icula men e no âmbi o da
p e enção e comba e con a a adicalização. Es a es a égia pe mi i á a compa ação en e
ní eis de análise pois o obje i o não é a alia compa a i amen e as es a égias
con a e o is as mas, ace à nossa pe gun a de pa ida, descob i (1) se a ONU e UE êm
in luência nas polí icas con a e o is as desses países e, caso exis a, (2) se exis e um
enquad amen o ins i ucional p e e ido.
As a iá eis dependen es são as polí icas nacionais de con a e o ismo no comba e
à adicalização, ancesas e inglesas, sepa adamen e. São in luenciadas pelo menos po duas
p incipais a iá eis independen es: 1. a globalização (do enómeno do e o ismo) e 2. a
ação dos a o es in e nacionais (is o é, a legislação da ONU e UE). A elação en e as
a iá eis é mui o complexa não só po que o e o ismo se ap esen a como um enómeno
di ícil de analisa in loco (pela sua na u eza olá il e clandes ina) mas ambém po que as
a iá eis independen es se in e - elacionam, o que pode di icul a a sua comp eensão bem
como pe u ba a sua elação. Po exemplo, a legislação p oduzida a ní el da UE em
ma é ia de con a e o ismo já em em con a o impac o da globalização sob e o e o ismo
ou, ainda, a análise con ex ual desse enómeno num de e minado país ou egião eme e pa a
as ci cuns âncias his ó icas, sociais ou económicas de cada Es ado Memb o (TE-SAT,
2006: 36). Des e modo, pe cebe “a in luência da ONU e UE no comba e à adicalização na
4 Rep esen a o p ocesso de in es igação de o ma linea , po ases, de o ma ela i amen e ixa, isando
esponde a ques ões de in es igação cla amen e iden i icadas. Po no ma, inicia com a iden i icação de
uma á ea de es udos ge al e/ou um ópico e culmina com a ap esen ação de de e minadas conclusões.
(Henn e al., 2006: 46-48)
INTRODUÇÃO
6
F ança e no Reino Unido” implica en ende es as elações no seu conjun o. Impo a ambém
salien a que o concei o de “in luência” é aqui enca ado numa aceção posi i a, sendo
de inido como a capacidade pa a ge a um e ei o como al e a o ca ac e , o
desen ol imen o ou o compo amen o de algo ou alguém.
Assim, os desc i o es des a in es igação comp eendem os concei os associados à
emá ica como o de segu ança (in e na e ex e na), e o ismo, con a e o ismo e
adicalização.
Po úl imo, ela i amen e aos p ocessos de ecolha de in o mação: (1). Nos ipos de
pesquisa, op ou-se pelo ipo desc i i o e quali a i o e (2). No mé odo de pesquisa op ou-se
pelo c uzamen o da pesquisa bibliog á ica com a documen al. P ocu ou-se não só ecolhe e
e i ica dados a a és da li e a u a c í ica mas ambém acede a on es p oduzidas pelas
ins âncias nacionais e in e nacionais em es udo (legislação, ela ó ios e documen os de
policy-making…e c.). Pa a o a amen o da in o mação p i ilegiou-se o ins umen o da
“análise de con eúdo” o qual – embo a maio i a iamen e o ien ado pa a o a amen o de
in o mação nos mass media – inclui uma análise quali a i a, o que é ele an e pa a analisa
as polí icas elabo adas pelos go e nos nacionais e a ní el in e nacional no comba e à
adicalização.
A im de “a alia ” a in luência da ONU e UE sob e o con a e o ismo em ge al,
conside ámos undamen al e em con a ês on es p incipais: (1) os “Coun y Repo s on
Te o ism” do US S a e Depa men (anualmen e, de o ma sumá ia, azem um o e iew da
si uação da ameaça e dos es o ços con a e o is as dos á ios países); (2) os ela ó ios TE-
SAT da EUROPOL (en e ou os aspe os, ele am as p incipais al e ações nas legislações
nacionais dos países da UE a cada ano) e (3) o es udo de Den Boe e Wiegand de 2015 que
analisa o impac o das es a égias con a e o is as eu opeias sob e seis es ados nacionais,
F ança, Reino Unido, I ália, Alemanha, Holanda e Espanha.
Ademais, po abalha mos com concei os que susci am discó dia, conside ámos
ambém essencial en iquece es a in es igação com um glossá io. O glossá io p e ende se
um guia de o ien ação, escla ecedo o quan o possí el, a im de desmis i ica algumas
con usões eco en es en e e mos bem como auxilia a comp eensão da p esen e
in es igação. Alguns concei os mencionados encon am um a amen o mais ap o undado
no co po da disse ação. Ou os, embo a não mencionados nes a disse ação, são e e idos
pa a acili a a comp eensão ge al da emá ica.
INTRODUÇÃO
7
4. Es u u a da ese
T aça um mapa da in es igação cons i ui um p ocesso undamen al de qualque
esea ch design. Os CSS o ganizam o seu campo de in es igação azendo uso da amosa
“map me apho ”, delineando á ias na a i as pa a es uda a segu ança in e nacional.
Con udo, podem c ia alsas on ei as. Des e modo, ado ou-se a ideia de Richa d Wyn
Jones de iaja sem mapa ainda que sem abandona comple amen e as na a i as como a
in elec ual e empo al. O ganiza am-se qua o capí ulos.
O p imei o capí ulo, “Enquad amen o eó ico e concep ual”, ap esen a um
pano ama comp eensi o sob e a e olução do concei o de segu ança e abo da o enómeno
do e o ismo à luz dos Es udos C í icos de Segu ança, endo como p incipais e e ências o
abalho de Ba y Buzan, People, S a es and Fea (1983 e 1991, 1ª e 2ª edições) da Escola
de Copenhaga, a ob a In e na ional Secu i y de Buzan e Hansen (2009) e ambém algumas
conside ações do abalho de Didie Bigo da Escola de Pa is. Especi ica-se as abo dagens
eó icas p edominan es; discu e-se o «ala gamen o» e «ap o undamen o» do concei o e a
luidez en e as suas dimensões ex e na e in e na.
O segundo capí ulo, “O e o ismo e o con a e o ismo”, di ide-se em ês
subcapí ulos ou secções: (1) “O e o ismo”; (2) “O con a e o ismo” e (3) “A p e enção e
comba e con a a adicalização enquan o ins umen o de con a e o ismo”. Todos
ap esen am uma análise explica i a e desc i i a po ém não os ensi a po mo i os
me odológicos e de limi e de páginas. O p imei o subcapí ulo ap esen a uma b e e e olução
his ó ica do enómeno do e o ismo; abo da a p oblemá ica da al a de consenso em o no
da sua de inição; explo a as possí eis causas pa a o e o ismo a ual e ainda es abelece uma
isão pano âmica das g andes endências desde o 11/9 em con ex o eu opeu, endo especial
a enção ao e o ismo de ipo islami a. O segundo oca-se no con a e o ismo ap esen ando
as suas p incipais es a égias e especi ica os con ibu os dos mass media e Se iços de
In o mações pa a o e ei o. O e cei o incide pa icula men e sob e a p e enção e o comba e
à adicalização, ap esen ando uma esenha da li e a u a sob e o concei o e supos as causas.
O e cei o capí ulo, “A ONU e a UE na p e enção e comba e con a a adicalização”
incide sob e o papel des as o ganizações in e nacionais em ma é ia de con a e o ismo e
especi ica o seu modo de a uação naquele âmbi o em pa icula . P ima iamen e ap esen a
ambém a ação desen ol a a ní el in e nacional em ma é ia de p e enção e comba e con a
a adicalização.
O qua o e úl imo capí ulo, “O e o ismo e o comba e con a a adicalização: O
caso da F ança e do Reino Unido” ep esen a o culmina da in es igação pelo que a sua

INTRODUÇÃO
8
comp eensão de o ma igo osa só se á possí el endo em con a o an e io men e
desen ol ido. Di idido em dois subcapí ulos, um pa a cada caso, es e capí ulo e idencia os
p incípios base da segu ança nacional de ambos os país e as p incipais polí icas de
con a e o ismo da F ança e do Reino Unido, iden i icando-se simili udes, es o ços em
comum e di e gências. É açada uma e olução do enómeno e o is a em cada país den o
do pe íodo em es udo, iden i icando as causas que pode ão p opicia a adicalização em
cada, as o ien ações polí icas e os ins umen os u ilizados pa a a sua p e enção e comba e.
Cada caso ap esen a uma in e p e ação da supos a in luência da ONU e UE nas es a égias
nacionais desen ol idas pa a o comba e ao e o ismo. Culmina com a compa ação de
ambos em e mos de ní eis de análise.
Finalizamos es a in es igação com uma súmula das p incipais conclusões,
p eocupando-nos ele a o seu io condu o a im de delinea uma possí el espos a à
p oblemá ica ap esen ada. A mais- alia des e p oje o de in es igação - e de onde deco e
ambém a sua pe inência ace à li e a u a exis en e - é a en âse na análise de um desa io
secu i á io à luz do quad o eó ico-concep ual dos Es udos C í icos de Segu ança o qual,
pela sua agenda ab angen e e de descons ução, implica uma abo dagem c í ica que em em
a enção o con ex o his ó ico e pode en ol e o c uzamen o de in o mação de ou as á eas de
es udo. Além disso, a in es igação p ima pela o iginalidade po se dedica à análise da
in luência da ONU e UE num âmbi o pa icula , não analisado an es da o ma como
p opomos, e az ambém a união en e os enómenos do e o ismo e o con a e o ismo
cuja elação é po no ma descu ada da li e a u a.
Assim, a pala a-cha e pa a es a in es igação é in e dependência: ace à ede global
de desa ios, a análise de qualque ameaça e a p o isão da segu ança nacional de e á semp e
a ende ao con ex o his ó ico-social de cada país, não descu ando, no en an o, odos esses
desa ios. A F ança e o Reino Unido econhecem as suas especi icidades his ó icas
con udo, ambos acabam po con e gi em ma é ia de segu ança nacional
(con a e o ismo incluído) po segui em uma es a égia inclusi a, p omo o a da in e ação
en e os ês ní eis.
CAPÍTULO 1
9
CAPÍTULO 1
Enquad amen o eó ico e concep ual
Al o de múl iplas in e p e ações, a segu ança é um concei o con es ado. Nes e
capí ulo açamos a sua e olução e analisamos a globalização do enómeno do
e o ismo à luz dos Es udos C í icos de Segu ança.
1. Os Es udos de Segu ança
A his ó ia dos Es udos de Segu ança (ES) es á inculada ao nascimen o das
Relações In e nacionais (RI) e, não obs an e as c í icas, é enca ada como uma das suas
mais impo an es subdisciplinas: “ he ield o secu i y s udies has become one o he
mos dynamic and con es ed a eas in IR. (Wea e , 2004: 2).
Apesa dos á ios con ibu os que in eg am os Es udos de Segu ança, es a
disciplina é na sua génese um p odu o anglo-ame icano endo en ado no cu ículo das
RI após a I Gue a. He dei a da conjun u a polí ica das duas gue as mundiais e
dominada pela ensão bipola , a agenda da disciplina es e e sob e udo ocada no es udo
da o ça mili a e pa icula men e subo dinada às exigências da polí ica no e-
ame icana:“i s ocus, philosophy, heo y and me hod we e se by he demands o
Ame ican policy-making. (McSweeney, 2004a: 25). E en mo e han o he siblings o
he IR ield, secu i y s udies was a peculia Ame ican en e p ise, uelled by policy needs
o he Wes e n supe powe a e Wo ld Wa II” (Boo h [1978] apud Idem).
O p incipal obje o de es udo da disciplina é o concei o de segu ança e es e é o
que a pe mi e dis ingui -se pe an e ou os campos de in es igação p eceden es como os
Es udos da Gue a, a His ó ia Mili a ou a Geopolí ica1 (B andão, 2011: 4). No seu
núcleo in elec ual encon am-se qua o ques ões: (1) O que é a segu ança?; (2) Qual é o
obje o e e en e da segu ança (es ado, indi íduo, sociedade…)?; (3) O que é que pode
se conside ado um assun o secu i á io?; (4) Como é que a segu ança pode se
alcançada? (Williams, 2008: 5).
1 O e mo “Es udos de Segu ança” é ecen e endo sido usado apenas a pa i de 1980 com o deba e sob e
o ala gamen o do concei o. Segundo Williams (2008) e B andão (2011), o nome da disciplina di e giu
en e con ex os egionais endo sido p e e ido como al nos EUA e ado ada a designação de Es udos
Es a égicos no Reino Unido. “Com o ala gamen o da agenda, o concei o de «segu ança» oi u lizado em
al e na i a a ou os como o de «de esa» ou «es a égia»” (McSweeney, 2004a: 26).
CAPÍTULO 1
10
1.1 O concei o de segu ança: en e o pode e a paz
Tal como os concei os de “democ acia”, “jus iça”, “ e o ismo” ou ou os da
á ea das Ciências Sociais, a segu ança é um “concei o essencialmen e con es ado”, uma
exp essão de W. B. Gallie (1956) u ilizada pa a desc e e e mos que ge am
dogma ismo, ecle ismo e ce icismo sob e o seu signi icado e que, po isso, podem ge a
a sua inde e minação: “(…) hey ha e one qui e abs ac meaning ha is accep ed by
mos use s, while he applica ion o his meaning is egula ly con es ed” (Mai , 2008:
195). A sua in e p e ação es á dependen e do con ex o his ó ico em que se inse e.
Embo a a exp essão de Gallie seja la gamen e acei e, ambém já ecebeu á ias
c í icas.2 Pa a Ba y Buzan (1983), a segu ança ap esen a-se sob e udo como um
concei o “subdesen ol ido” (unde de eloped) pois a maio ia da li e a u a apoia-se
numa isão dico ómica, en e os concei os de pode e paz (Buzan, 1983: 3-9).
Iden i icamos duas abo dagens ge ais dominan es que, sendo he dei as da his ó ia das
RI, podem inse i -se no p imei o “g ande deba e” ( ealismo e sus idealismo).3
A p imei a abo dagem sob e a segu ança assen a nos p incípios da escola
ealis a, o pa adigma dominan e na his ó ia das RI e dos ES, com génese undacional
nos esc i os de Tucídides, Hobbes ou Maquia el. Segundo Buzan (1983) os de enso es
des a pe spe i a, que na sua a ian e “clássica” (Mo gen hau) ou “es u u al” (Wal z,
Mea sheime ), ocam-se no concei o de pode sendo es e o mo i o p imá io pa a
analisa o compo amen o dos p incipais a o es do SI, os Es ados. A segu ança é um
sinónimo de sob e i ência do Es ado ou de “segu ança nacional”, ob ida a a és da
acumulação de pode mili a e, po isso, is a com um sen ido ma e ial ou como um
p odu o ou p op iedade (commodi y). O pode mili a (ha d powe ) é o seu mecanismo
p o e o ace a uma qualque ameaça ex e na (a gue a, a p incipal) deco en e de um
meio in e nacional aná quico, descen alizado, compe i i o, sem en idade sup anacional
egulado a (Buzan, 1983: 94).
2 A ideia da segu ança como um concei o con es ado só e e impac o a pa i de inais da década de 80.
Só aí su ge uma e dadei a p eocupação po pa e da comunidade académica em e le i sob e o
signi icado de segu ança e qual o seu obje o e en e (“whose secu i y a e we alking abou /ensu ing?”)
(Buzan [1991] apud Pinéu, 2009: 47).
3 Dis inguem-se 4 deba es: (1) 1945-60: ealismo s. idealismo; (2) 1960: beha iou is as s.
adicionalis as; (3) 1970-80: ealismo s. libe alismo s. ma xismo ( he in e -pa adigm deba e); (4)
Meados 1980-: di e en es modalidades (posi i ismo s. pós posi i ismo; acionalismo s. e lexismo;
explaning s. unde s anding) (Heywood, 2011; Ku ki e Wigh in Dunne, 2013).
CAPÍTULO 1
11
Aí, c ia-se um dilema de segu ança no qual a ação de ensi a de um Es ado em
p ol da sua segu ança é pe cecionada como uma po encial ameaça po ou os, ge ando
um aumen o da insegu ança4. A gue a é um ins umen o limi ado à luz do Di ei o
In e nacional - pelo menos em eo ia, sob a alçada da ONU - mas a i ma-se como a
qualidade especí ica do sis ema es e aliano sendo o que dis ingue as elações en e
es ados (Relações In e nacionais) das elações sociais den o de uma unidade polí ica:
“ana chy, o he absence o go e nmen , is associa ed wi h he occu ence o iolence
[and his] is said o dis inguish in e na ional om na ional a ai s” (Wal z, 1979: 102).
Assim, a na a i a ealis a - po mui os designada de “ e i o ial ap” - consag a
o Es ado simul aneamen e como obje o e p o edo de segu ança e p i ilegia a segu ança
nacional como o p incipal ní el de segu ança (Wal z, 1979) alo izando aspe os como a
de esa da sobe ania, a in eg idade e i o ial ou “a sepa ação en e segu ança ex e na e
segu ança in e na” (B andão, 2011: 5). Em suma, a segu ança é um obje i o
mensu á el, alcançada a a és de meios quase exclusi amen e es a égicos ou mili a es.
A segunda abo dagem sob e a segu ança en a iza o concei o opos o, a paz,
associando-se aos eó icos do Libe alismo e aos dos Es udos pa a a Paz (Peace S udies).
Com pa icula ele ância no pe íodo pós 1989, es a abo dagem é cons i uída po uma
plu alidade de con ibu os (especialmen e p o enien es dos CSS) cujo p incipal aspe o
dis in i o é o desa io à o odoxia ealis a, ejei ando o Es ado como o único obje o
e e en e da segu ança e os meios mili a es como os únicos ins umen os pa a a
alcança . A segu ança é anco ada no concei o de “emancipação” de Ken Boo h (Escola
de Abe ys wy h), ocada no indi íduo, em ques ões ela i as à jus iça, aos di ei os
humanos, a alo es e iden idades. A segu ança de i a não do con li o ou da gue a mas
da coope ação en e di e en es a o es e, po isso, en endida como uma elação ou “a
seamless web” po que assen a num de e minado con ex o in e dependen e. Nes a
abo dagem, a segu ança passa a inclui ou os âmbi os (i.e. social, ambien al ou
económico) e é associada ao e mo “segu ança cole i a” (ou a “segu ança comum” e
“segu ança humana”) em oposição a “segu ança nacional” p e e ida pelos ealis as
(Buzan; 1983; Buzan e Hansen, 2009).
4 Pa a Bu e ield, é uma ques ão cogni i a que deco e do medo, o qual eside na ince eza sob e as
in enções dos ou os. He z e Je is econhecem a ince eza na si uação aná quica mas disco dam sob e a
o igem do dilema de segu ança: se pa a He z é in encional pela ince eza, pa a Je is é causado po ações
de ensi as logo não in encionais. Todos conco dam que p oduz (ou ende a ge a ) esul ados ágicos mas
não é a causa de odas as gue as (He z e Je is) (Ga cia in Mendes e Cou inho., 2014: 474-476).
CAPÍTULO 1
18
secu i y on any single le el in i e se ious dis o ions o pe spec i e. (...) Sys emic
secu i y ca ies he equisi e sense o pa s, and he ela ionship among hem o ming
an analy ical whole. (...) (Buzan, 1983: 245-253).
1.4 As dimensões in e na e ex e na da segu ança: a di ide o a nexus?
Po de inição, a dimensão in e na ou domés ica da segu ança diz espei o aos
p oblemas ela i os ao c ime, à manu enção da o dem pública e à es abilidade polí ica;
já a dimensão ex e na oca-se no ambien e ex e io ao es ado, es ando p eocupada com a
compe ição em con ex o aná quico, ques ões de de esa e i o ial e dissuasão (E ikssson
e Rhina d, 2009: 245). A elação en e as dimensões in e na e ex e na é is a o a em
e mos de uma “di isão” (di ide) o a en endida como uma “união” (nexus).
T adicionalmen e, as dimensões in e na e ex e na e am campos sepa ados, uma
di isão usualmen e de endida pela escola ealis a e p edominan e na Gue a F ia.8 Do
pon o is a ealis a a ges ão e icaz das ameaças ansnacionais não eque
necessa iamen e a c iação de laços ins i ucionais e coope a i os. As ameaças
ansnacionais acabam po se suplan adas pela p e alência do es ado e das elações
in e go e namen ais, man endo-se assim uma di isão dis in a en e os assun os in e nos
e ex e nos (E iksson e Rhina d, 2009: 249-250).
A mudança na pe ceção e na u eza da ameaça e i icada após 1989 es imulou a
in es igação sob e a elação en e as duas dimensões, impulsionando o desa io à e são
adicional em a o da isão opos a, a do “nexus”. Des e modo, há quem a gumen e
que àqueles dois eixos do deba e - o ala gamen o e o ap o undamen o - “de e se
ac escen ado um e cei o ela i o ao nexus en e as dimensões in e na e ex e na da
segu ança” (Bigo [2006] apud B andão, 2011: 8). A e osão des as dimensões ma ca
umas das p incipais ans o mações na eo ia e p á ica das RI e na p o isão da
segu ança nomeadamen e com os con ibu os da Escola de Pa is (Pinéu, 2009: 42).
En ende a elação en e as duas dimensões como um “nexus” é enca á-la
p ima iamen e como uma conexão sendo es a uma pe spe i a baseada la gamen e nos
es udos da “globalização” ou da “in e dependência complexa”. Pa a Bigo, um dos
8 “Du ing he Cold Wa h ea pe cep ion was clea ly di ided in o wo ealms: one conce ned c ime, and
law and o de inside he s a e, he o he conce ned wa and de e ence be ween s a es. The i s was a
conce n, bu no a ques ion o su i al. The second, wi h he p ecep o mu ually assu ed des uc ion, was
he se ious one.” (Bigo, 2006: 3).

CAPÍTULO 1
19
p incipais ep esen an es de Pa is, es e “nexus” é um p odu o di e o da globalização e
da eme gência das ameaças e a i idades ansnacionais. Po isso, a elação en e as
dimensões é compa ada ao uncionamen o de um “möbius ibbon”: “(...) As in a Möbius
ibbon, he in e nal and ex e nal a e ex emely connec ed”. (...) I c ea es (...) a
si ua ion whe e one ne e knows whe he one is inside o ou side” (Bigo, 2001: 92).
A pe spe i a do “nexus” acompanha o legado da 2ª abo dagem da segu ança,
ale ando pa a uma maio luidez (ou e osão) na concep ualização das dimensões
in e na e ex e na, podendo a insegu ança se p o enien e de á ias on es: “insegu ança
in e na de o igem ex e na; insegu ança in e nacional de o igem in e na (…)” (Bigo,
[2006] apud B andão, 2011: 7). A on ei a en e essas dimensões exis e mas em sido
esba ida com a eme gência de uma “insegu ança globalizada” e p og essi amen e
acen uada com as ecnologias de in o mação e comunicação. (E iksson e Rhina d, 2009;
Tomé in Mendes e Cou inho, 2014). No que espei a à União Eu opeia,
especi icamen e, é impo an e sublinha que apesa da adoção de uma abo dagem
comp eensi a e mul issec o ial da segu ança, de aco do com Weiss e Dal e h ainda
pe sis e uma lógica de di isão en e as dimensões in e na e ex e na, a qual se e le e na
sepa ação ins i ucional (e de compe ências), po exemplo en e a PCSD e o JAI
(E iksson e Rhina d, 2009: 19).
Des e modo, a gumen amos que ace à na u eza ansnacional dos desa ios
secu i á ios a dis inção en e as dimensões in e na ex e na da segu ança, apesa de ú il,
não pode se enca ada de o ma ígida sendo necessá ia a sua in e ligação. Face a udo
quan o p ecede o con ibu o de Ba y Buzan e á assim ma cado o pon o de i agem,
ge ando o que S e e Smi h (2000) designou po “ he inc easing insecu i y o secu i y
s udies” (Pinéu apud Smi h, 2009: 46).
I. 2. Os Es udos C í icos de Segu ança e o e o ismo
Na secção an e io a gumen ámos que o im do con li o bipola p opo cionou o
desen ol imen o de uma concep ualização mais ampla da segu ança. O 11/9 al e ou o
es udo da segu ança in e nacional? De seguida, escla ece emos es a ques ão e
abo damos o e o ismo à luz dos CSS, mapeando a agenda da in es igação.
CAPÍTULO 1
20
2.1. O 11 de Se emb o de 2001: he u ning poin ?
Vol idos 70 anos da c iação da ONU cuja missão p imo dial é “a manu enção da
paz e segu ança mundiais”, o mundo pa ece ainda não e conhecido um pe íodo
ela i amen e es á el, pací ico. Com as expe iências de as ado as das duas gue as
mundiais de 1914 e 1939, o século XX oi o mais mo í e o de oda a His ó ia
conhecida. Segundo Hobsbawm (2008a: 23), “o núme o o al de mo es causadas ou
associadas com as suas gue as oi calculado em 187 milhões (…). Começando em
1914, oi um século de gue a quase inin e up a (…)”. A década de 1990 é uma cla a
e idência da con li ualidade que iu o desen ola de inúme os con li os sob a asa da
dou ina da “ esponsabilidade de p o ege ” (R2P) (c . glossá io).
A “en ada” no século XXI icou ma cada com os a en ados do 11 de Se emb o
de 2001 e pos e io decla ação da “gue a con a o e o ” (GWoT). Foi nes e con ínuo
om de “heca ombe” - não sem ce icismo - que o mundo ecebeu a no ícia do seques o
dos qua o a iões da Uni ed e Ame ican Ai lines (je nº 11, 175 e 77 e 939) e assis iu à
colisão con a as To es Gémeas do Wo ld T ade Cen e em No a Io que e o Pen ágono
em Washing on D.C. Em consequência, ge ou-se uma discussão quan o a um possí el
momen o de i agem ( u ning poin ) nas agendas das Relações In e nacionais e do
campo da segu ança in e nacional. O deba e é con o e so e complexo. Enquan o uns
in e p e a am o 11/9 como um acon ecimen o “ e olucioná io” na polí ica in e nacional
(e logo endo um impac o semelhan e na agenda dos ES), ou os mos a am-se
elu an es em alinha com essa supos a impo ância.
Pa a a maio ia dos de enso es do “ u ning poin ”, aqueles 82 minu os (Fa ia,
2007) e ela am a odo o mundo o a aque mais mo í e o em oda a his ó ia do e i ó io
da “hipe po ência” de Hube Ved ine, endo os 19 e o is as da al-Qaeda (FBI, 2001)
dado início a uma e a sem p eceden es (Guelke, 2006a: 15-18). Ap esen am uma
explicação polí ica, a gumen ando que “pa e da ele ância a ibuída ao 11/9 nos
Es udos de Segu ança assen a no ac o de e sido uma da a in ocada pela adminis ação
no e-ame icana e go e nos ociden ais no quad o da elabo ação da polí ica in e na e
in e nacional” (Peoples e Vaughan-Williams, 2010a: 8). En e ou os mo i os, o 11/9 e
a GWoT conduzi am a um p ocesso de mudanças e e o mulações nas p á icas
9 O 4ª a ião despenhou-se num campo na Pensil ânia: “Fou e o is s hijacked Uni ed Ai lines ligh 93.
(...)[ The] plane c ashed in S ony C eek Township, Pennsyl ania killing all 45 pe sons on boa d. The
in ended a ge o his hijacked plane is no known, bu i is belie ed ha passenge s o e powe ed he
e o is s, hus p e en ing he ai c a om being used as a missile” (US Bu eau, 2002: 1).
CAPÍTULO 1
21
secu i á ias con a e o is as (especialmen e na a iação ci il), nomeadamen e po pa e
da ONU e a UE. Nes a linha, eacende am os deba es ela i os à p o isão da segu ança
es a al, nomeadamen e a ensão en e a necessidade de o alece as capacidades dos
se iços de in elligence e o espei o pelas libe dades ci is.
O impac o do 11/9 e GWoT na agenda no campo dos Es udos de Segu ança em
pa icula aduziu-se na en a i a de en ende se esses “e en os” e iam e o mulado de
o ma subs ancial as pe spe i as eó icas, azendo o e o no das abo dagens ealis as
pa a o comba e à “no a” ameaça ansnacional. Numa das espos as mais elabo adas
sob e o deba e, Buzan (2002) analisa as p incipais eo ias das RI do pós Gue a F ia
(neo ealismo, escola globalis a, egionalismo e cons u i ismo) e, embo a ma ginalize
as pe spe i as pós-es u u alis as e os eminismos, a gumen a que nenhumas daquelas
abo dagens o am adicalmen e in luenciadas.
Em 2009, Buzan e Hansen ap o undam es e deba e sublinhando que o 11/9 e e
um impac o duplo na agenda. Po um lado, não a al e ou de o ma signi ica i a pois o
11/9 não ompeu com o equilíb io dos p incipais deba es nos ES, e idenciando-se a é
g andes con inuidades nas á ias linhas de pensamen o (i.e. a o es es a ais e sus a o es
não es a ais; globalização e sus unipola idade; uso das a mas nuclea es). Po ou o
lado, sim, ao “muda ” o equilíb io na li e a u a da segu ança (i.e. es imulou o deba e de
ques ões sob e a eligião e ques ionou-se o es ado como o p incipal obje o e e en e).
No undo, o 11/9 “apenas” acen uou um con ex o de múl iplos desa ios já
no ó ios na década de 1990. Re le i sob e o seu impac o man ém-se ainda uma ques ão
em abe o, o qual é ques ionado pelos Es udos C í icos de Segu ança.
2.2. Os Es udos C í icos de Segu ança
Nascidos pós 1989, os Es udos C í icos de Segu ança (CSS) ca ac e izam-se po
um conjun o de abo dagens eó icas que abo dam a segu ança de modo dis in o das
pe spe i as “ adicionais”10, não es ingindo o seu âmbi o aos aspe os mili a es (E dag,
2013: 66). Como e e imos na In odução, a delimi ação do seu campo de in es igação
10 No e-se que a dis inção en e “ adição” e “c í ica” é uma sepa ação eu ocên ica, ado ada e
econhecida na Eu opa (e ambém no Canadá com a p odução académica sob e “segu ança humana”)
mas p e e ida nos EUA. O es udo sob e a segu ança nos EUA oca-se p e e encialmen e em assun os
mili a es ( ela i os aos di os “Es udos Es a égicos”) e dedica-se a discu i os deba es den o do Realismo:
“(…) The leading deba e is ins ead likely o be seen as he in a- ealis deba e be ween o ensi e and
de ensi e ealism” (Wea e , 2004: 3-4).
CAPÍTULO 1
22
segue o mé odo da “map me apho ”. A na a i a espacial, em pa icula , ap esen a os
CSS a a és de á ias “escolas de pensamen o” que, associadas a um de e minado local
geog á ico, abo dam a segu ança de di e en es pon os de is a (no ma i o, analí ico ou
sociológico) como exempli icam a Escola Galesa (Abe ys wy h Uni e si y), a de
Copenhaga (Copenhagen Peace Resea ch Ins i u e, COPRI) e a de Pa is (Science Po).
Inclui ambém ou as pe spe i as mas, po p opósi os da p esen e in es igação,
delineamos as ideias cen ais das Escolas de Copenhaga e Pa is.
A Escola de Copenhaga (ou Teo ia da Secu i ização) – Cen ada
maio i a iamen e nos abalhos de Wea e e Buzan (1997), a Escola de Copenhaga
eme ge no con ex o dos deba es sob e o “ala gamen o” e “ap o undamen o” da
segu ança. Nasce como uma en a i a de elabo a um quad o eó ico comp eensi o pa a
o es udo da segu ança, esul ando da usão de duas adições epis emológicas: (1) o
ealismo, ao salien a a impo ância da noção de sob e i ência do es ado (não é o
agen e de segu ança, mas um dos a o es mais impo an es) e (2) o cons u i ismo e a
eo ia linguís ica ao sublinha a impo ância da linguagem e in e p e a a segu ança
como um p ocesso pe o ma i o. Segundo Wea e (2004: 7-8), a Escola baseia-se em
ês ideias cha e: (1) secu i ização; (2) se o es e (3) complexos de segu ança egionais.
Os “se o es” dizem espei o à dis inção en e os 5 âmbi os e e idos (Buzan, 1983). Os
“complexos de segu ança” cen am a análise da segu ança no ní el egional.
A secu i ização é o concei o que melho de ine o ema cen al da Escola e que
mais impac o e e na agenda. A segu ança não é só um enómeno in e subje i o mas diz
ambém espei o à sob e i ência de um obje o e e en e, o qual pode se ou não o
es ado. É algo que é is o como exis encialmen e ameaçado e que em uma expec a i a
legí ima de sob e i ência. A segu ança é en endida em pa alelo com a ameaça: oco e
quando uma ameaça exis encial (is o é, um qualque assun o, si uação ou a o ) coloca
em causa a sob e i ência e a manu enção desse algo ou obje o e e en e. A
secu i ização oco e a a és de um “a o de ala secu i izan e” (secu i izing speech ac ),
ou seja, quando o “a o secu i izan e” (secu i izing ac o ; líde es polí icos, go e nos)
de ine um de e minado algo como uma ameaça exis encial à sob e i ência do obje o
e e en e e a sua ação é acei e como legí ima e necessá ia po uma audiência ele an e
(polí icos, eli es, mili a es, opinião pública)11. É um p ocesso con ínuo que co esponde
11 Num a o de secu i ização de sucesso, a c edibilidade do a o é ele an e. O a o necessi a de e capi al
polí ico e social su icien e pa a con ence uma audiência sob e a exis ência de uma ameaça exis encial.
CAPÍTULO 1
23
à passagem de um assun o da a ena polí ica pa a o campo da polí ica de eme gência
(acção secu i izan e ou secu i izing mo e): “assun o não poli izado -» poli izado -»
secu i izado”. Ou as lei u as c í icas ou a ian es da Escola ad ogam o concei o de
«des-secu i ização» que co esponde ao in e e do p ocesso, colocando o assun o de
no o na a ena polí ica (Peoples e Vaughan-Williams, 2010b: 75-83).
A Escola de Pa is (ou Sociologia Polí ica In e nacional, IPS) – Inspi ada nos
abalhos sociológicos de Pie e Bou dieu ou Michel Foucaul e in luenciada pelo
legado eó ico dos Cons u i is as bem como po uma sé ie de in es igações empí icas
p o enien es de á ias á eas como a c iminologia ou a eo ia polí ica. Ca e a, Guild,
Walke , Huysmans são alguns dos nomes que compõem as a Escola mas é Didie Bigo
a igu a cen al. Des acamos duas ideias cen ais.
P imei o, Pa is ele a a impo ância das ecnologias. Em con as e com
Copenhaga, Pa is deb uça-se sob e o p ocesso de (in)secu i ização o qual diz espei o à
o inização e ins i ucionalização de p á icas excecionais no comba e às ameaças. Mais
impo an e do que o sucesso de um “a o secu i izan e” é a p á ica das agências,
nomeadamen e o impac o das decisões polí ico-bu oc á icas no dia-a-dia dos cidadãos
como, po exemplo, o uso dos sis emas ecnológicos, de comunicação e de igilância.
(Peoples e Vaughan-Williams, 2010c: 69-70). Nes e âmbi o oi desen ol ido o p oje o
“CHALLENGE: Libe y and Secu i y in Eu ope” que explo a a elação en e segu ança
e libe dade e ques iona os e ei os dessas polí icas de con olo. Os au o es ques ionam a
elação en e o e o , o medo e a ges ão da ince eza.
Segundo, a Escola de Pa is (Didie Bigo, p incipalmen e) acen ua a luidez na
dico omia en e as dimensões in e na e ex e na da segu ança a a és da in e conexão
en e as no as ameaças como a imig ação, o c ime o ganizado ou o e o ismo.
Daí que Wea e e i a a impo ância das “condições de elicidade” ( elici y condi ions): condições que
aumen am a p obabilidade de sucesso dessa c edibilidade do a o ou a condições his ó ias associadas à
ameaça.

CAPÍTULO II
24
CAPÍTULO II
O e o ismo e o con a e o ismo
Di idimos es e II capí ulo em ês secções. A p imei a secção é dedicada ao
e o ismo, sendo o ien ada pelas seguin es ques ões ge ais: Como su giu o e o ismo? É
possí el encon a uma de inição? É uma ameaça “ex e na” ou “in e na” (ao Es ado)?
II. 1. O e o ismo
1.1. A e olução his ó ica
Conscien es de que “no good his o y o e o ism exis s”, ap esen amos uma
possí el e olução do enómeno em qua o ases que p i ilegia a abo dagem de Da id C.
Rapopo (2004; 2012) e, ocasionalmen e, Wal e Laqueu (2001) pois são as igu as
académicas mais ci adas. Con a iamen e ao que é ulga men e popula izado, o e o ismo
em uma his ó ia milena sendo essa di ícil de mapea : a li e a u a não é consensual
encon ando-se di e sas imelines que di e em na o ma de o ganiza a e olução
c onológica da ameaça. Po exemplo, enquan o uns negligenciam ou igno am a possí el
exis ência de uma ase p é-his ó ica do e o ismo, ou os au o es en a izam os seus
an eceden es.
A “génese” do e o ismo (ou a ase “p é-his ó ica”) é associada aos a os de ês
g upos: Thugs (Índia), Assassinos (época medie al) e Sicá ios-Zelo as (an iga Judeia, a ual
Is ael) (c . glossá io). Rapopo (2012) dema ca as di e enças e semelhanças en e os
g upos, explicando que os a os pe pe ados e am maio i a iamen e mo i ados po ins
sag ados ou eligiosos. A é ao século XIX, o início da “ e dadei a” p imei a ase, a eligião
e a o único mo i o acei á el pa a jus i ica o uso do e o . Segundo Rapopo , o supos o
sucesso das a i idades pe pe adas esidia não no uso de meios ecnológicos (como no
e o ismo mode no) mas an es na o ma de comunicação u ilizada (wo d o mou h) e nas
supos as ulne abilidades das sociedades isadas. Qualque um dos g upos e le e uma
isão ex emis a da eligião a que es a ia associado, o Hinduísmo, o Islão ou o Judaísmo.
A p imei a aga do e o ismo inicia em meados do século XIX: Laqueu (2001)
apon a o ano 1860, C onin (2002), 1870 e Rapopo (2004), 1880. Vá ios são os a o es que
con ibuí am pa a a eclosão do e o ismo nes e século e o pe mi i am designa como a
p imei a expe iência de e o ismo in e nacional: (i) desen ol imen o o ganizacional
CAPÍTULO II
25
(es abelecimen o de sociedades sec e as); (ii) a impo ância da dou ina (eme gência das
ideologias de “libe ação” como o Ma xismo e a c iação de uma es a égia de e o que
pudesse se ansmi ida e eplicada) e (iii) o p og esso dos meios de comunicação e
anspo es ( elég a o, p odução de jo nais em massa, caminhos e o iá ios) (Duy es yn,
2007; Rapopo , 2004).
Da id C. Rapopo di ide a his ó ia do e o ismo em qua o agas1 e eme e as
o igens do e o mode no à Rússia com as campanhas ana quis as de assassínio con a al as
igu as es a ais. O século é ma cado pelas a i idades desses g upos (e alguns adicais
nacionalis as e Re olucioná ios Russos) que, unidos pela iloso ia da “p opaganda by he
deed”, eco iam à apologia da iolência (sob e udo do assassínio) pa a mobiliza e inci a
as massas à e ol a (c . glossá io). Na exp essão de Joaquim A. F anco, a a-se de um
e o ismo “ omân ico ou jus icei o”, e olucioná io e sele i o pois p e endia libe a o
po o op imido das injus iças das au oc acias (nes e caso, da Rússia cza is a) e ins au a um
no o egime (Ma ins, 2010). O e o ismo e a uma á ica ou ins umen o e não um im em
si mesmo. E a a o ma mais ápida e e icaz de a ingi esse p opósi o pois, ao des ui as
con enções mo ais, c ia ia uma sociedade pola izada e, em úl ima ins ância, a ia a
Re olução (Rapopo , 2004): “o dina y people who a e by no means blood h is y come o
belie e he e o is message ha only h ough some iolen oposi ion can hei in e es s be
p o ec ed” (Mo is e Hoe, 1987: 43). Na década de 1890, es a cul u a de e o di unde-se
pela Eu opa Ociden al, os Balcãs e à Ásia, em pa e pela in luência de ebeldes (como os de
Na odnya Volya, c . glossá io) que eina am e enco aja am ou os g upos, inclusi e
aqueles com di e en es obje i os polí icos. A úl ima década (1892-1901) é o auge da
a i idade e o is a, e i icando-se uma sé ie de bomba deamen os, des uição de
p op iedades e assassina os polí icos (como os do Cza Alexand e II, 1881, ou dos
P esiden es Ca no , 1894, e McKinley, 1901). Rapopo ence a es a ase em 1920,
sublinhando o assassínio do A quiduque F ancisco Fe nando que p ecipi ou a I Gue a
Mundial (1914-1918).
A segunda aga é associada ao século XX. Rapopo ma ca-a de 1920 a 1960,
designando-a po “ aga an icolonialis a” mas o seu começo é ambém con o e so. A
maio ia dos au o es p e e e en a iza os acon ecimen os após a II Gue a Mundial,
especialmen e os das décadas de 1960 e 1970, sepa ando-as em ases dis in as. Laqueu
(2001) ma ca-a num pe íodo menos ab angen e, de 1945 a 1970.
1 Uma aga (wa e) é “um ciclo que oco e num de e minado pe íodo e ca ac e iza-se po ases de
con ação e expansão” cujo elemen o de inido é o seu ca ac e in e nacional e de in e dependência. Cada
aga cong ega di e sos g upos mas ambos possuem du ações empo ais dis in as: quando uma aga não
p oduz no os g upos, é ex in a (i.e. esis ências polí icas) (Rapopo , 2004: 47-50).
CAPÍTULO II
26
Segundo Rapopo , se a p imei a aga oi despole ada po uma c ise de polí ica
in e na, a segunda oi desencadeada po um e en o in e nacional: a alha dos aco dos de paz
da Con e ência de Pa is (1919). Sob a égide da no a o dem in e nacional (NOI), undada na
mensagem de Wilson e ins i uída pela SDN (1919-1946), os encedo es a i ma am aí o
p incípio da au ode e minação nacional no in ui o de es i ui a paz e segu ança
in e nacionais2. Po ém, em esul ado da I Gue a, a legi imidade dos impé ios eu opeus é
minada e assis e-se ao “exace ba dos con li os on ei iços, jun amen e com uma c ise
p o unda e p olongada do capi alismo” (Ke shaw, 2016: 27). Es e legado (e, especialmen e,
pelas implicações do T a ado de Ve salhes) po enciou as a i idades e o is as que o am
e o çadas e in ensi icadas com a II Gue a Mundial.
Após 1945 o e o ismo adqui e uma o ien ação ma cadamen e nacionalis a, sendo
associado aos egimes o ali á ios. P a icado an o po o ças de esque da como de di ei a,
oi usado “sis ema icamen e pelo ma xismo-leninismo de S aline, de Pol Po , de Mao Tse-
Tung, e pelo nacional-socialismo de Hi le e de Mussolini” (Ma ins, 2010: 9). As
di e enças en e es as au oc acias se iam de escala (Duy es en, 2007). Pa a Hobsbawn
(2008) a e a da Gue a F ia (compa a i amen e à I e II gue as) ouxe uma melho ia
ela i a aos países capi alis as e à egião so ié ica mas não aos países do Te cei o Mundo.
Du an e as décadas de 1940 e 1950 o e o ismo é sob e udo associado à lu a
an icolonialis a a qual - na o ma de “gue a de gue ilha” - ma ca a p incipal ca ac e ís ica
des a segunda ase (Rapopo , 2004) e e á sido impulsionada com a assina u a da Ca a do
A lân ico po Roose el e Chu chill em 1941 (Duy es en, 2007). Com apoio dos blocos, a
esis ência dos mo imen os an icoloniais oi pa icula men e no ó ia na Amé ica La ina mas
ambém em Á ica ou na Ásia. As es a égias u ilizadas complexi icam-se sendo o ien adas
pa a aniquila não só di igen es mas ambém polícias e/ou os seus amilia es bem como
pessoal mili a .
A e cei a aga é associada ao início da década de 1960. No en ende de Rapopo ,
inaugu a a aga da “no a esque da” (1960-1979) pa a a qual a Gue a do Vie name e á
sido o p incipal ca alisado , en e ou as azões de na u eza inancei a, ideológica e
ecnológica. É um ma co impo an e po que, de o ma ela i amen e consensual, é a e a em
que o e o ismo adqui e p oeminência como uma a i idade in e nacional. Des acam-se
qua o azões. P imei o, embo a não seja uma ca ac e ís ica ino ado a da época, á ias
2 A NOI exigia uma escolha en e dois modelos conco en es. En e o modelo de Wilson ou o de
Roose el , “ o make a democ a ic wo ld”: menos idealis a que o ou o p econiza a uma “ e olução
democ á ica” undada na ideia da Pax Ame icana, ou a imposição da mo alidade pela o ça a a és de
uma coligação en e nações. Ambos, po ém, ac edi a am na necessidade de expansão da democ acia pa a
ga an i um SI pací ico mas di e iam quan o ao papel dos EUA nesse obje i o (Solle , 2009).
CAPÍTULO II
27
o ganizações e o is as começa am a ope a a ní el in e nacional como a OLP, conside ada
a pionei a pelo ec u amen o de indi íduos no es angei o e o aumen o das a i idades
inancei as c iminosas. Segundo, assis e-se ao desen ol imen o de um “no o modo de
con li o” (p oxy wa s) que - p olongando-se nos anos 70 - se aduz no apoio ou u ilização
do e o ismo pelos es ados como um ins umen o de polí ica ex e na (URSS e EUA).
Te cei o, a maio cobe u a ele isi a da a i idade e o is a e a expansão do anspo e
aé eo come cial. Qua o, o compo amen o psicológico dos e o is as o na-se um ema de
in es igação.
A pa i de 1970 assis e-se a um o e essu gimen o do e o ismo nacionalis a-
sepa a is a nomeadamen e pelas a i idades da ETA e do IRA mas, em e mos ideológicos,
não é cla o se o e o inha um cunho de esque da ou di ei a pois aquelas o ganizações
o am in luenciadas po a i is as de esque da (Duy es eyn, 2007). Os anos 70 acen ua am o
ca ac e in e nacional do e o ismo - pelos al os isados como as embaixadas es angei as
e o media ismo do massac e de Munique em 1972 - e e ão cons i uído um u ning poin no
uso da iolência pelo aumen o da b u alidade pe pe ada: en e as á icas p e e enciais
sublinham-se os seques os de a iões, os ap os mas ambém os assassínios (que ago a
e es iam a o ma de “cas igo” como demons a a en a i a con a Ma ga e Tha che e o
ap o e assassínio de Aldo Mo o em 1978).
A qua a e úl ima aga si ua-se nos inais de 1970. Denominando-a po “ aga
eligiosa”, Rapopo inicia-a em 1979 pela conjugação de ês acon ecimen os elacionados
com o Mundo Islâmico que molda am as ca e e ís icas do e o ismo do séc. XXI: (i) a
Re olução I aniana (c . glossá io); (ii) o início de um no o século Islâmico e (iii) a in asão
so ié ica do A eganis ão. No deco e dos anos 80 (e inícios de 1990), a gumen a-se que “o
e o ismo adqui e um cunho ideológico de di ei a (pelas campanhas de an i-imig ação e a
con inuação do e o da ETA e do IRA) mas é conside ado menos disc imina ó io que o de
esque da” (Duy es eyn, 2007: 53).
Com o inal da Gue a F ia, “mui os espe a am um e ocesso na iolência”
(Hobsbawn, 2008): desde a e i ada do A eganis ão em 1988, a dissolução da URSS e do
Pac o de Va só ia em 1991, passando pelas al e ações nos discu sos go e namen ais a é à
in ensi icação da lu a con a o e o ismo, odos inham induzido “uma p o unda al e ação
na con igu ação no e o ismo in e nacional” (Ma ins, 2010). Po isso, e i icou-se um
declínio das ações e o is as a ní el mundial, em pa e pela ex inção da maio ia dos g upos
e o is as de ca iz ma xis a ou ana quis a (Duy es eyn, 2007).
CAPÍTULO II
34
os dois aspe os an e io es, os e o is as endem ago a a op a po es u u as o ganizacionais
ho izon ais, “less command-d i en”, o que con as a com a ou o a p e e ida es u u a
“mili a ”, hie á quica e e ical. Po conseguin e, ope am a ualmen e de uma o ma mais
di usa e amo a, apoiando-se em edes in e nacionais e nos sis emas de comunicação. A al-
Qaeda é conside ada um exemplo-cha e nes a ma é ia, sendo po ezes enca ada como um
“bando de a es” (Mo gan, 2004).
Qua o, a capacidade de ap endizagem dos g upos e o is as com as expe iências de
ou os semelhan es. Es a capacidade aduz-se na eplicação das es a égias u ilizadas po
ou os (que amigos ou inimigos) e é sob e udo mo i ada pelo desejo de en abiliza e
maximiza a e icácia da sua a uação (Rapopo , 2004), o que pode á imp imi ao e o ismo
um ca ac e de “in a abilidade”. Explica B uce Ho man (AEON, 2015), “ hose e o is
g oups ha su i e he onslaugh di ec ed agains hem by go e nmen s and hei police,
mili a y, and in elligence and secu i y se ices do so because hey abso b and apply lessons
lea ned om hei p edecesso s. Thei s is a ade and hey lea n i om one o he ”. Rela os
de á ios líde es con i mam es a endência: Begin e -se-á inspi ado nos mé odos u ilizados
pelo IRA e, segundo os ela os das opas no e-ame icanas no A eganis ão, Bin Laden e -
se-á inspi ado em Begin. O ISIS e le e ambém es e aspe o como exempli icam os a aques
de 13/11 que combina am o uso de á icas p e iamen e u ilizadas nou os a en ados (Idem).
1.3 As causas do e o ismo
Da mesma o ma que não exis e conco dância quan o a uma de inição do
e o ismo, a academia ambém não é consensual na iden i icação das suas causas. O
e o ismo não é um p odu o de uma única causa mas, an es, de um conjun o di e so de
a o es que se elacionam en e si e a iam de um con ex o pa a ou o. As causas são
dinâmicas, mu á eis e di íceis de p e e , di icul ando as espos as go e namen ais em
ma é ia de con a e o ismo.
No en an o, os académicos êm iden i icado di e sos mo i os o ganizando-os po
no ma em qua o ní eis: indi idual, g upal, social e go e namen al (Sinai, 2007). A
li e a u a não é homogénea nes a di isão encon ando-se ou as esquema izações como a do
USIP (s/da a), que dis ingue en e mo i os psicológicos, ideológicos e es a égicos, ou o
es udo de C enshaw (2012) que di e encia en e a o es “p é-condicionan es” e
“p ecipi an es”. Não obs an e a miscelânea de mo i os ou ca ego izações, podemos di idi
as causas do e o ismo em dois g upos ge ais: (i) os a o es con ex uais ( ela i os ao
con ex o em que de e minado g upo ou indi íduo se inse e e que inclui ia os ní eis g upal,

CAPÍTULO II
35
social e go e namen al sup a e e idos) e (ii) os a o es indi iduais (aqueles do o o
psíquico).
No g upo dos a o es con ex uais, os mo i os sublinhados elacionam-se com a
ulne abilidade das sociedades ou com de e minadas condições ou polí icas go e namen ais
que a e am di e amen e a qualidade de ida dos cidadãos. “Aspe os sociocul u ais, como a
eligião, a his ó ia, ou os usos e cos umes (…) in luenciam as a i udes cole i as (…) [que
podem] a o ece sen imen os de in ole ância, de adicalismos nacionalis as, eligiosos ou
ideológicos, podem da luga a su os de iolência e, e en ualmen e, alimen a a p á ica do
e o ismo” (Ma ins, 2010: 46). Nos países da OCDE, os sen imen os de injus iça social ou
de insa is ação em ge al com o sis ema polí ico são as a iá eis undamen ais que
po enciam o e o ismo. Nos países “em desen ol imen o”, os a o es causais po enciado es
es ão sob e udo elacionados com con li os polí icos in e nos (GTI, 2015). Países que
possuam baixas axas de al abe ização e escola ização, em con ex os de pob eza ex ema,
con li os é nicos ou em que não es ejam assegu ados os di ei os sociais e ci is, são mais
p opensos a demons ações a i as de descon en amen o e, em úl ima ins ância, à oco ência
de a i idades e o is as (Sinai, 2007).
No en an o, es e co ela o en e o e o ismo e a ( al a de) condições
socioeconómicas não é supo ado pelas in es igações empí icas, como demons a o es udo
de Alan K uege (2007). Conclui o au o (apud A an, 2008: 4) que: (1) não é a pob eza ou
os baixos ní eis educacionais5 que cons i uem as causas pa a o e o ismo mas, an es, a
p i ação de libe dade polí ica; e (2) as democ acias são o ipo de egime polí ico mais
isado po que os e o is as p ocu am isibilidade e são o mais esponsi o e ole an e ao
deba e público”. Explica Hobsbawn (2008: 116) que “a e ó ica libe al semp e alhou no
econhecimen o de que nenhuma sociedade unciona sem se usada alguma iolência na
polí ica (nem que seja na o ma de g e es e p o es os públicos)”. Essa iolência é
pa icula men e no ó ia “em países o es e es á eis e de ins i uições polí icas libe ais [pois]
es abelece[-se] uma dis inção en e dois e mos que se excluem mu uamen e, « iolência» e
«não- iolência»”. Os dados es a ís icos con i mam es a lógica: os a aques e o is as são
mais equen es em es ados mais desen ol idos a ní el ecnológico, social ou económico
5 Os po enciais ec u as da al-Qaeda e am “o iundos da classe média e al a, quase odos com educação
uni e si á ia, com uma o e inclinação pa a a engenha ia e ciências na u ais” (Gambe a apud Hobsbawn,
2008b: 121). Um es udo do USIP (apud GTI, 2015: 73), pa a o qual o am en e is ados 2.032 indi íduos
ex-comba en es pela al-Qaeda no A eganis ão e I aque, e ela que a al-Qaeda “only ec ui ed he mos
de ou and eliable people (…) [bu ] had an inadequa e unde s anding o Islam [as] ai h was ou inely
p ac ised bu was no a domina ing o ce”.
CAPÍTULO II
36
(embo a menos equen es em países com uma ele ada capacidade adminis a i a e
bu oc á ica) (Hend ix e Young, 2014: 329-330).
No g upo dos a o es indi iduais, que a li e a u a académica ende a sob e alo iza ,
os mo i os des acados apoiam-se nas eo ias da Psicologia. O es udo des es a o es pode se
explo ado sob á ios pon os de is a: (i) e o is a (análise das ca ac e ís icas pessoais); (ii)
elação do e o is a com o con ex o polí ico, eligioso ou ideológico ou (iii) e ei os da
a i idade e o is a (Ho gan, 2007: 107-108).
O início das p imei as in es igações psicológicas sob e o e o ismo emon a a
inais de 1960 e, a é meados de 1980, as alegadas causas do enómeno apoia am-se na
ciência da “psicopa ologia do e o ismo”. Com base em especulações clínicas e em eo ias
como a Psicanálise eudiana, a p i ação ela i a de Ted Robe Gu ( elação en e
us ação e ag essão) ou o na cisismo, a iolência e o is a e a enca ada como um p odu o
de um compo amen o des ian e, “mo i ada po mo i os inconscien es e impulsi os, que
e iam as suas o igens na in ância” (Bo um, 2004). Mais do que um o eign igh e (os anos
60 legi ima am o uso desse ó ulo), o e o is a e a sob e udo - aos olhos de psicólogos e
c iminalis as - um “psicopa a”.
Com base nes e pano ama, á ias o am as en a i as de elabo a “ ipologias” pa a
classi ica os e o is as. Como pionei os nes a ma é ia apa ecem os nomes dos psiquia as
F ede ick Hacke (1976) e, ambém ex-agen e da CIA, Je old Pos (1980). En e
“c uzados”, “c azies”, “ana quis a-ideológico”, “nacionalis a-secessionis a” ou
“c iminosos”, as designações pa eciam e ela alguma lógica dadas as in es igações
p é ias. Simila men e, á ios en a am iden i ica um “pe il de e o is a” como demons a
o es udo de Russel e Mille (1977)6. Toda ia nem as p opos as dos psiquia as nem os
es o ços de “p o iling” (c . glossá io) ob i e am o sucesso desejado sendo ejei ados pela
comunidade cien í ica e académica.
A psicopa ologia é a ualmen e uma ideia la gamen e desac edi ada: “[i ] has been
nea ly unanimous in i s conclusion ha men al illness and abno mali y a e ypically no
c i ical ac o s in e o is beha iou ” (Bo um, 2010: 34). Embo a os “ e o is as” come am
a os supos amen e ípicos de um “psicopa a”, as in es igações cien í icas pos e io es
demons a am que não exis em indícios que o con i mem, pa a além de se di ícil ga an i
com asse i idade a e acidade dessa hipó ese: “as o empi ical suppo , o da e he e is no
6 O au o es analisa am o cadas o de mais de 350 indi íduos com ligações a o ganizações e o is as
a i as en e 1966-1976 de 18 países di e en es e delinea am um p o ó ipo: “young (22-25), unma ied
male who is an u ban esiden , om a middle-uppe class amily, has some uni e si y educa ion and
p obably held an ex emis poli ical philosophy” (Bo um, 2004: 37).
CAPÍTULO II
37
compelling e idence ha e o is s a e abno mal, insane, o ma ch a unique pe sonali y
ype.” (F iedland ([1992] apud Bo um, 2004: 30). Pelo con á io, na exp essão de Ho gan,
“mos o e o is s a e dange ously no mal” e os ela os de an igos jihadis as adicais como
Maajid Nawaz ou Adam Deen sob e os seus p ocessos de adicalização e ec u amen o,
podem con i má-lo. Os e o is as omam uma escolha delibe ada e in encional e as suas
pe sonalidades são conside adas es á eis, não exis indo quaisque indícios (empí icos) de
abuso de subs âncias ou en a i a de suicídio p é io (Me a i apud Bo um, 2004: 33). En e
ou os aspe os, enquan o os e o is as êm ínculos a uma de e minada ideologia (es ando
dispos os a sac i ica -se po al) ou a ou os indi íduos que pa ilhem dos mesmos
p incípios, os psicopa as não possuem as mesmas disposições.
A ualmen e, do pon o de is a psicológico, os concei os-cha e pa a en ende os
a o es que le am indi íduos a jun a -se a de e minados g upos ou a desen ol e a os de
na u eza e o is a são o “mo i o” (emoção, desejo, necessidade psicológica ou impulso) e a
“ ulne abilidade” (susce ibilidade, en ação). Segundo Bo um (2004; 2010), a li e a u a
apon a ês a o es p oeminen es: (1) a pe ceção de injus iça ou humilhação; (2) a
necessidade de e uma iden idade es á el ou desejo de s a us-quo e (3) a necessidade de
pe ença. Ma ha C enshaw (1985) (apud Bo um, 2004) ac escen a ambém “a opo unidade
pa a a ação” e a “aquisição de uma ecompensa ma e ial”.
Sem su p esa, a ualmen e p e e em-se abo dagens mul idimensionais, que
combinem elemen os psicológicos e con ex uais. No nosso pa ece , endo em con a as
e idências cien í icas, a ideia da psicopa ologia - apesa de en ado a - de e se a as ada. Se
e en ualmen e conside ada eque um olha mais a en o e p uden e, de endo se sus en ada
ou complemen ada com uma análise con ex ual.
1.3.1 O e o ismo suicida
Como imos, o ecu so ao ma í io é um dos p incipais mé odos do pós 1979.
Te mo sem consenso é enca ado pela maio ia dos lexicóg a os como “o a o de come e
suicídio em nome de uma causa, no malmen e eligiosa, no in ui o de demons a é ou
de oção po aquela” (Ba kun, 2012: 485).
A elação en e o e o ismo e eligião não é usual mas a p á ica do ma í io ao seu
se iço não é um enómeno mode no. A u ilização da p á ica como ins umen o de e o
emon a à época medie al, pe pe ada o iginalmen e pelos Assassinos. No século XX,
a gumen a-se que o ma í io e á sido u ilizado pela po ência do eixo japonesa na gue a do
CAPÍTULO II
38
Pací ico, nomeadamen e pelos pilo os kamikaze cujo obje i o e a aze colidi o a ião, de
o ma delibe ada, con a os po a-a iões das o ças aliadas. Apesa da aiz e imológica
suge i uma possí el compa ação com os bombis as suicidas (“ en o di ino” de kami, Deus,
e kaze, en o), a analogia em sido con es ada7.
É a pa i de 1980 que a á ica suicida ganha p oeminência pois ap esen a-se como
uma es a égia ino ado a e é u ilizada po g upos e o is as não-es a ais: a gumen a-se que
oi u ilizada pela p imei a ez em 1983 no a aque con a a embaixada no e-ame icana em
Bei u e, endo ma cado uma “no a e a pa a o e o ismo suicida” (Bo um, 2004). Desde
en ão, oi eplicada em á ios pon os do globo e em-se e i icado um c escimen o
signi ica i o do seu uso: de uma média de ês a aques po ano em meados de 1980 pa a dez
nos anos 90 e, desde 2000, mais de cem (Heywood, 2011: 294). Face ao pano ama,
Moghaddam (2008, CTC) apon a pa a o su gimen o da “globalização do ma í io”, a qual se
de e a dois a o es elacionados: (1) “a ans o mação da al-Qaeda num g upo e o is a
global” e (2) “o aumen o da a ação pela ideologia sala is a-jihadis a (c . glossá io)”.
A análise de Ha ez (2012) sob e os insu gen es suicidas da Gue a do I aque
pe mi em conclui que as mo i ações pa a o ma í io (ou as na a i as jihadis as o muladas
pa a o e ei o) são de na u eza ideológica e emocional. Do pon o de is a ideológico, de
o ma simpli icada, es á a ideia de “pu i ica ” ou sal a o Islão bem como con es a o
modelo democ á ico-ociden al. Do pon o de is a emocional, as mo i ações di e em
daquelas de um suicídio di o clínico (no malmen e associado a sen imen os de dep essão).
Es as conclusões não nos pa ecem su p eenden es pois as na a i as pa a o ma í io são
indissociá eis da mensagem ideológica, oda ia dependen es da pe sonalidade de cada
indi íduo pois nem odos os a e os à ideologia le am a cabo a os suicidas. Segundo Bo um
(2004), a a ação pelo ma í io su ge especialmen e associada à c ença numa ecompensa
e e na, na “ ida depois da mo e” (a e li e) ou, de aco do com o Hadi h8, à expec a i a de
um pa aíso islâmico “in which 70 i gins awai each young man who has sac i iced himsel
o his eligion” (Heywood, 2011: 294).
7 Segundo Ma on (2013), a an opóloga Ohnuki-Tie ney ad e e que é imp uden e aze compa ações
com os e o is as suicidas pois os kamikaze e am ec u ados sob chan agem nacionalis a ou pa ió ica e
não inham in enção de ma a ci is como os p imei os.
8 Segunda on e de é da eligião muçulmana, a segui ao Alco ão (Qu ’an). De aiz á abe, signi ica
“na a i a”. Também designado po «Suna do P o e a» (Sunna), o hadi h é o conjun o dos p ecei os e
ações da ida de Maomé. Em bom igo , exis em cen enas de milha es de hadi hs, embo a di e en es
consoan e a adição suni a ou xii a (Tincq, 2007: 303; 306). Te i e Mu a (2009: 93) ap esen am uma
conceção di e en e ao dis ingui em a Sunna do hadi h – A Sunna, en endida po adição, é o conjun o do
Alco ão com o Hadi h e não um sinónimo des e úl imo. Os p incípios do Islão baseiam-se assim em ês
on es: o Alco ão, o hadi h e a sha ia (sha i’a), que é a ju isp udência islâmica.
CAPÍTULO II
39
Con udo, como e e e Rapopo (2004) ou K iege (2013), não exis em e idências
empí icas di e as da co elação en e o e o ismo e o Islão ou a é com qualque ou a
eligião (apesa dos elemen os his ó icos). Pese embo a as eses disco dan es como a de
Max Ab ahms (2011), a pe sis ência da u ilização des a p á ica bem como o seu
c escimen o jus i ica-se ge almen e pelas an agens á icas, is o é, po se um mé odo
p agmá ico e e icaz an o no seu obje i o de c ia pânico ou em alcança de e minados
obje i os polí icos: dados de 1980 e elam que 6 em 11 a aques suicidas “co ela e wi h
signi ican policy changes by he a ge s a e owa d he e o is s’ majo poli ical goals”
(Pape [2003], apud Bo um, 2004: 34).
1.4. O e o ismo in e nacional na Eu opa (2001-2016)
Se pa a os Es ados Unidos da Amé ica, o 11/9 de 2001 ep esen ou o u ning poin
na o ma de enca a e comba e o e o ismo, na Eu opa oi o 11/03 de 2004 (a en ados em
Mad id), o p incipal game-change . A é 2004, a ameaça e o is a e a enca ada como um
p oblema secundá io, mesmo apesa de exis i em indícios pa a uma possí el globalização
da es a égia de Osama Bin Laden. A é à da a, os a aques e o is as e am e i o ialmen e
delimi ados, con inados “a ques ões polí icas especí icas”, ap esen ando-se como “ameaças
isoladas”, explica Ca apiço (2005).
É com o impac o dos a en ados na capi al espanhola (e ambém do pos e io a aque
em Lond es em 2005) que a Eu opa se ê con on ada com a “ e dadei a” dimensão da
ameaça e o is a. O e o ismo não é apenas uma ameaça de o igem ex e io (pe pe ado
po pessoas p o enien es de ou as á eas geog á icas como o MENA) mas ambém in e na,
um enómeno planeado e execu ado po indi íduos ou comunidades que i em em e i ó io
Eu opeu (Veldhuis e S aun, 2009). Face a es e pano ama, o am in oduzidos nos discu sos
polí icos e académicos no os concei os como o de “ adicalização” ou de “homeg own
e o ism” os quais são associados ao e o ismo de inspi ação eligiosa, de ma iz
islamis a ou jihadis a (Schmid, 2013).
A ualmen e, o pano ama secu i á io eu opeu é ag a ado pela luidez do concei o
de ameaça (em i ude dos e ei os da globalização e do p og esso das TIC) mas ambém
pela c ise humani á ia mig a ó ia do Medi e âneo a qual, sob e udo após os a en ados de
13/11, em a o ecido o iun o do medo i acional gene alizado, po enciado a eme gência
dos populismos, sen imen os de acismo ou xenó obos bem como aumen ado a
popula idade dos pa idos de ex ema-di ei a.

CAPÍTULO II
40
Os ní eis da ameaça secu i á ia ( h ea h le els) di e em en e es ados mas, de o ma
ge al, o isco da oco ência de um a aque e o is a em solo eu opeu, em 2016, man e e-se
ele ado, sendo espec á el que assim con inue. De aco do com o Global Peace Index (GPI)
(2016) o mundo não es á mais pací ico e a pe spe i a u u a não é animado a. Pelo
con á io, “i ’s sligh ly less peace ul” (menos 2.44% ela i amen e a 2008), sendo o
e o ismo uma das p incipais causas da de e io ação da paz (en e ou as como o aumen o
de e ugiados ou dos con li os in e nos em esul ado da gue a na Sí ia).
De aco do com o GPI, o núme o o al de í imas do e o ismo en e 2008 a 2016
aumen ou 286%, egis ando-se en e 2006 e 2014 um aumen o ala man e, “de menos de
10.000 pa a mais de 30.000 í imas”. En e 2013 e 2014, a a i idade e o is a aumen ou
80% (a maio subida desde 1970) e, em 2015, supos amen e conside ado o segundo ano
mais mo í e o pa a os países da OCDE desde 2001 (GTI, 2016), o núme o o al de í imas
do e o ismo baixou no ge al 10% (pela p imei a ez desde 2010).
Segundo o GTI (2016), as p incipais á eas egionais mais a e adas pelo e o ismo
(is o é, com um maio núme o de í imas e de a aques pe pe ados) são o MENA, a Ásia do
Sul e a Á ica Subsaa iana, sendo o I aque, o A eganis ão, a Nigé ia, o Paquis ão e a Sí ia
os p incipais dos 10 países que so e am um maio impac o da ameaça em e mos de pe das
humanas, ocupando 72% do o al das í imas em 2015.
Na Eu opa (Tu quia não incluída), o núme o de í imas mais do que duplicou nos
úl imos cinco anos, endo a maio ia dos a aques oco ido no início de 2016. De aco do com
o anking do GTI, a Uc ânia (11º), a F ança (29º), a Rússia (30º) e o Reino Unido (34º)
igu am en e os p incipais países eu opeus que maio impac o so e am com o e o ismo.
Pa a o GPI (2016: 29), a maio ia das í imas do e o ismo na Eu opa e na Amé ica do
No e desde 2001 o am causadas po a aques de “lobos soli á ios” nomeadamen e
pe pe ados po indi íduos a e os a ideologias nacionalis as adicais ou
“an igo e namen ais”.
Ainda assim, a Eu opa é conside ada a egião geog á ica mais pací ica a ní el
mundial e, apesa da e olução d amá ica e da aje ó ia que não se p e ê descenden e, o
e o ismo es á longe de se a maio causa de pe das humanas, se se conside a as í imas de
ca ás o es na u ais, de doenças epidémicas, pob eza ou ome. Po exemplo, a ualmen e
es ima-se mais de 20 milhões amin os de em Á ica - pelo menos no Sudão do Sul,
Somália e Nigé ia - a qual, segundo a ONU, en en a a “maio c ise humani á ia desde
1945” (Williams, 2008; SIC No ícias, 2017; BBC, 2017). Is o não signi ica, no en an o, que
a ameaça ( eal e po encial) do e o ismo de a se menosp ezada. Pelo con á io, não só os
CAPÍTULO II
41
indicado es do GPI e GTI são um sinal de ale a como ambém a pe ceção pública não é
aquela, o que é uma ag a an e adicional dado que o e o ismo é psicológico. Aliás, de
aco do com o Eu oba ome o 432 sob e as pe ceções de ameaça e segu ança na Eu opa
(2016: 6) a p incipal p eocupação em 2015 e a ocupada pelo “ e o ismo e o ex emismo
eligioso” (49%), seguido da c ise económica (27%).
1.4.1 O e o ismo islamis a ou jihadis a
O e o ismo de ma iz islamis a ou jihadis a é a p incipal p eocupação secu i á ia
en e os es ados memb os da União Eu opeia, a qual oi de idamen e pe cecionada após os
e e idos a en ados de 2004 e 2005. Con udo, a p esença des a ameaça na Eu opa não é um
enómeno mode no, endo sido “in oduzida pelos Egípcios e A gelinos em exílio que
con inua am a sua lu a nacionalis a”. O alcance dos g upos (como o Al-Gama’a ou o GIA),
po ém, e a limi ado po que as suas a i idades e am con inadas às lu as polí icas no No e de
Á ica. Ainda assim, es e oi um aspe o impo an e pa a “c ia um sen ido de espi i ualidade
comum, bem como o desen ol imen o de di e sas noções sob e a jihad que, embo a enha
le ado anos a desen ol e -se enquan o concei o, i ia a e a a Eu opa” (Taa nby, 2007).
Analisando os ela ó ios TE-SAT, obse a-se uma a iação na designação e no
signi icado des a ameaça. En e 2006 a 2010, a designação p e e ida e a a de “islamis a”,
usada pa a designa os a os de iolência “mo i ados, em pa e ou no seu odo, po uma
isão ex emis a do Islão e cuja iolência é is a pelos seus pe pe ado es como um de e
di ino ou a o sag ado” (Ho man [2006] apud TE-SAT, 2007: 10). De 2011 a 2014, é
de inido o e mo “ e o ismo de inspi ação eligiosa” pa a ca ac e iza os a os pe pe ados
po “indi íduos, g upos, ne wo ks ou o ganizações que agem em nome de uma eligião pa a
jus i ica as suas ações”, o qual inclui a al-Qaeda e g upos a iliados (TE-SAT, 2012: 42). É
apenas em 2015 que es e ipo de e o ismo é designado po “jihadis a” pois, no pa ece da
EUROPOL (TE-SAT, 2016: 53-54), “se ia e ado associa uma eligião p a icada po
milha es, o Islão, com as a ocidades pe pe adas po uns poucos”.
De aco do com úl imo TE-SAT (2016) ela i o ao ano de 2015, a ameaça es á
es ei amen e elacionada com o enómeno dos “ o eign e o is igh e s” (FTF), is o é, aos
indi íduos que “ iajam pa a ou o es ado que não o da sua esidência a im de planea
a aques e o is as ou ecebe eino pa a o e ei o” (CSNU, S/RES/2178, 2014). Sublinha
Manuel Valls, ex-PM ancês, que “a ameaça é pesada e pe manen e; [é] an o in e na como
ex e na, igno a as on ei as. Há indi íduos - alguns deles ainda meno es - que o am
adicalizados e ec u ados pa a comba e - que eg essa am do I aque e da Sí ia e es ão
CAPÍTULO II
42
p on os a agi ” (Ba a a, Público, 2016). Es es FTF que eg essam ao seu país de o igem
( e u nees) es ão no cen o das p eocupações eu opeias uma ez que podem eplica as
p á icas iolen as em solo eu opeu, “ ia acili a ion, und aising, ec ui men and
adicaliza ion ac i i ies [as well as] ole models o u u e would-be iolen jihadis s”. A
EUROPOL es ima que dos 5.000 eu opeus que iaja am pa a aqueles países, 1.000 já e ão
eg essado à Eu opa (Mahe , The Con e sa ion, 2017). Os ex emis as islamis as em solo
eu opeu - que não i e am um con ac o di e o com g upos e o is as - ep esen am ambém
uma ameaça pa a os EM (TE-SAT, 2016).
Aliada à ques ão dos FTF, o NCI no e-ame icano (2017: 223) demons a ambém
p eocupação quan o à comunidade mig an e ma ginalizada que pode se uma on e
po encial de ec u amen o. Pa a Ma os (2016a: 189-192), a p esença do e o ismo islamis a
na Eu opa es á elacionada com a imig ação e, pa icula men e, com a “diáspo a da
comunidade islâmica” e os p og amas dos países de acolhimen o na União Eu opeia. Pa a o
au o , a p incipal p eocupação são as células endógenas, ou o e o ismo “homeg own” (c .
glossá io): a ameaça é sob e udo in e na, p o enien e de células que se cons i uem “no seio
de elemen os da comunidade muçulmana, adicada em di e en es es ados memb os”, cujos
indi íduos são ge almen e imig an es de 1ª ou 2ª ge ação, ou já nascidos em solo eu opeu,
ou que se con e e am ou êm alguma ligação ao Islão.
A ní el es a ís ico e em compa ação ao ano de 2014, o núme o de a aques
jihadis as pe pe ados em espaço eu opeu aumen ou de 4 pa a 17 em 2015 e os a aques em
Pa is em Janei o e No emb o desse ano ep esen a am uma “cla a mudança” na in enção e
capacidade e no modo de a uação dos g upos jihadis as. A maio pa e dos a aques
come idos o am pe pe ados em nome do ISIS. No en an o, ambém se obse ou en e
2014 e 2015 um aumen o no núme o de de enções po a i idades e o is as (de 395 pa a
687), o que ilus a os es o ços po pa e das ins âncias eu opeias (TE-SAT, 2016: 6-7; 22).
1.5. O e o ismo: en e a ameaça ex e na e in e na
As incong uências his ó icas da a i idade e o is a bem como a panóplia de
designações exis en es não nos pe mi em classi ica o e o ismo como uma ameaça de
on e “ex e na” ou “in e na” (ao Es ado), de o ma uní oca e mu uamen e exclusi a.
Salien amos dois aspe os.
P imei o, a his ó ia “in elec ual”. Se no século XIX o e o ismo e a p a icamen e
con inado a um g upo de ana quis as que ope a a num con ex o domés ico, iden i icá el (e
CAPÍTULO II
43
logo uma “ameaça in e na”, pa icula men e pa a a Rússia cza is a), a sua e olução não
pode con i ma essa hipó ese. Como imos, a cul u a de e o ana quis a (pela ação de
ou os a o es como o p og esso ecnológico e comunicacional) apidamen e se di undiu a
ou as zonas do globo, ans o mando o e o ismo numa “ameaça ex e na” ou com um
ca ac e e alcance in e nacional. No século XX, os acon ecimen os das décadas de 60 e 70
acen ua am a endência de in e nacionalização do enómeno mas o pe íodo da Gue a F ia é
ambíguo pela oco ência das p oxy wa s (c . glossá io): independen emen e do local ou das
suas causas, a a-se de um e o ismo pe pe ado pelo p óp io es ado, logo nem uma
ameaça “in e na” ou “ex e na”, independen emen e das conexões e ligações dos e en e os
g upos/indi íduos. A pa i de 1979 (sob e udo, após os anos 90), a globalização agiliza o
modus ope andi dos g upos e o is as o que complexi ica o jogo da on ei a en e as
dimensões “in e na” e “ex e na” (que da ameaça ou da segu ança).
Segundo, a his ó ia “empí ica”. A EUROPOL e o Depa amen o de Es ado no e-
ame icano endem a conside a o e o ismo como uma “ameaça ex e na”,
undamen almen e pe pe ada po a o es não es a ais, o iundos de á eas geog á icas como o
Médio O ien e ou o Mag ebe e o ien ada pa a mina as es u u as sociais do Es ado. No
en an o, o enómeno “home g own e o ism” acen uou a inde inição sendo o e o ismo
sendo uma ameaça an o in e na como ex e na. Es a ambiguidade é, no en an o, um
indicado ele an e da complexidade da elação en e o e o ismo e o con a e o ismo, es e
úl imo desen ol ido na secção seguin e.
II. 2. O con a e o ismo
O p imei o es o ço in e nacional pa a comba e o e o ismo emon a à “década de
ou o de assassina os” du an e a qual, numa con e ência em Roma no ano de 1898, á ios
go e nos apela am à coope ação policial e a um maio con olo de on ei as. Já a p imei a
inicia i a polí ica su ge apenas nos inícios do séc. XX sob inicia i a do P esiden e no e-
ame icano Theodo e Roose el que, em sequência do assassina o do an ecesso William
McKinley (1901), apelou a uma “c uzada pa a e adica o e o ismo em odo o mundo”
(Rapopo , 2004), condenando o ana quismo e c iminalizando-o pe an e a lei. No en an o,
após as en a i as sem sucesso da SDN, as medidas con a e o is as in e nacionais só i iam
su gi após a II Gue a sob os auspícios da ONU.
A His ó ia é ilus a i a do es o ço mas o que é o con a e o ismo? Quais as azões
pa a a di iculdade em con e a ameaça e o is a e quais as p incipais es a égias? O 1º
pon o des a secção a a de esponde a es as ques ões. Os es an es dois analisam o papel de
CAPÍTULO II
50
SAT, 2016: 17). Além disso, as es a égias de comunicação acompanham a e olução da e a
global e ecnológica, sendo con inuamen e e is as e adap adas a im de con a ia os
es o ços das o ças de segu ança e/ou a ança nos seus p opósi os como o ala gamen o da
sua base de apoio.
Po ém, essal em-se dois aspe os. P imei o, a exis ência de inicia i as p o enien es
do mundo islâmico como a pla a o ma no iciosa “New Islamic Media”- Desde 1970, em
abalhado pa a di imi os e ei os do uso dos mass media a a és da p omoção de um “so
islam” (e não de “ ele angelismo”), a qual pa a mui os em pe mi ido con abalança as
pe ceções xenó obas e as ozes ex emis as ela i amen e às comunidades muçulmanas e,
a é, p e eni uma possí el adicalização (POMEPS, 2017: 4). Segundo, a in e ne e as edes
sociais são acili ado es mas o ce ne da adicalização adica sob e udo no con ac o humano,
nas ligações que são es abelecidas en e pa es e comunidades, como exempli ica o caso do
jo em Hamaad Munshi11.
2.4. O con a e o ismo: en e a segu ança ex e na e in e na
A e olução do e o ismo na Eu opa e a ambiguidade (ou a insis ência) em
de e mina a ameaça e o is a como “in e na” ou “ex e na” complexi ica a de inição (e
ope acionalização) das polí icas con a e o is as. O e o ismo de e se comba ido em que
campo da segu ança? Nas polí icas de “segu ança ex e na” ou de “segu ança in e na” de um
Es ado? Como comba ê-la nas duas dimensões, simul aneamen e? Po sua ez, es a
ince eza ambém complexi ica as espos as às nossas ques ões de i adas po que ob igam a
uma discussão mui o mais ab angen e e a e le i sob e ou as á ias que, embo a es ejam
o a do âmbi o des a in es igação, de em se e e idas: (i) Quem: Que “legi imidade” êm a
ONU e a UE pa a de ini quais as ameaças ex e na ou in e nas à segu ança se os Es ados
êm di e en es his ó ias sociais e polí icas?; (ii) Como: Como de ini que ameaças que
ecaem no campo ex e no e in e no da segu ança se os con ex os polí ico-sociais são
di e enciados e os Es ados e os o ganismos sup anacionais êm di e gências de in e esses?;
Como de ini polí icas con a e o is as sabendo da ola ilidade en e as dimensões ex e na
e in e na (da segu ança e ameaça)?; (iii) Pa a quê: Se a de inição de ameaça “ex e na e
11 Rapaz b i ânico acusado em Se emb o de 2008 (16 anos) de es a na posse de ma e iais que
p o a elmen e se iam usados pa a a os e o is as (i.e explosi os; cole es suicidas). Pe encia ambém a
um g upo b i ânico de “jihadis as online” que pa ilha a egula men e ídeos ex emis as. G ande pa e
do con ac o que Munshi e e com os ideais ex emis as oi a a és da in e ne mas a sua adicalização
começou no mundo eal (ICSR, 2010: 14).

CAPÍTULO II
51
“in e na” é di usa e em pe manen e mudança, qual é a “ alidade” da legislação nacional
e/ou in e nacional?
Pa ece-nos sensa o a i ma que os go e nos nacionais e o ganizações in e nacionais
de em enca a a segu ança e, especi icamen e, o con a e o ismo, não de uma o ma
mu uamen e exclusi a mas holís ica. Embo a minada po di e sas di iculdades, a
o mulação das es a égias con a e o is as de e acompanha a ine en e ince eza do
enómeno do e o ismo e a ualizada con inuamen e a im de e o ça a na a i a do nexus
en e as dimensões in e na e ex e na da segu ança e con a ia a “insegu ança globalizada”.
Des e modo, o con a e o ismo de e á balança en e a luidez a que ambos os concei os
(segu ança e ameaça) es ão sujei os.
II. 3. A p e enção e o comba e con a a adicalização enquan o ins umen o de
con a e o ismo
Na secção an e io , en endemos que o con a e o ismo engloba uma panóplia de
ins umen os, sendo um deles a p e enção e o comba e con a a adicalização. Es a secção
p e ende ele a a impo ância dessa a i idade, se indo de apoio “ eó ico” pa a
comp eende a ação desen ol ida pela ONU e UE explicada no capí ulo seguin e.
3.1. A adicalização: conside ações ge ais
No século XXI, o es udo sob e a adicalização assume uma impo ância i al no
comba e ao e o ismo pois ap esen a-se como uma ameaça global. Como e emos adian e,
a adicalização e a oco ência do e o ismo nem semp e es abelecem uma elação causal
di e a po ém, “comp eende como os indi íduos são adicalizados ou de que o ma um
g upo e o is a ec u a po enciais memb os” é a base pa a en ende a magni ude da ameaça
e o is a (Sinai, 2007). No nosso en ende , é essa comp eensão o que pe mi e p e eni , com
maio acuidade, a oco ência de a aques e o is as.
Como e e imos, é após os a aques em Mad id e Lond es que o enómeno da
adicalização - sob e udo a islamis a ou jihadis a - adqui e ele ância ac escida em con ex o
eu opeu. Con udo, a adicalização não se es inge ao e o ismo “ eligioso”; pelo con á io,
a a-se de um enómeno que en ol e ou as ideologias, seja de di ei a, de esque da,
ana quis a, é nico-nacionalis a, os quais a Eu opa em expe ienciado no seu e i ó io ao
longo da his ó ia. (Schmid, 2013). Ainda assim, a maio ia da li e a u a académica
(pa icula men e a Ociden al) oca-se especialmen e na adicalização jihadis a,
CAPÍTULO II
52
p eocupando-se em discu i não só as supos as causas mas ambém consequências pa a as
comunidades muçulmanas ( aduzidas no e mo “islamo obia”, c . glossá io).
No pa ece de Pe e Neumann oi a u ilização do concei o de adicalização que
após o 11/9 o nou possí el a discussão sob e as “causas do e o ismo” (Schmid, 2013: 39).
Po ém, a adicalização enquan o um a o explica i o pa a o e o ismo é on e de
con o é sia (G oppi, 2017: 68). Não exis e um único caminho mas á ios pa a a
adicalização e nem odos desembocam na pe pe ação de a os e o is as, o que
complexi ica an o as in es igações académicas como o abalho dos se iços de
in elligence. De aco do com o Plano de Ação do go e no dinama quês pa a a p e enção da
adicalização e do ex emismo iolen o (Go . Dk, 2014: 5), a adicalização é “desencadeada
po di e en es a o es e degene a em di e en es o mas de en ol imen o”, não
necessa iamen e coinciden es com a os e o is as, como é exemplo “o apoio a uma
ideologia ex emis a ou a de e minadas isões adicais” a qual pode ou não le a ao uso da
iolência e/ou à p á ica de a os ilegais. Ainda assim, apesa das di iculdades em de ini o
enómeno e iden i ica as causas, o meio in e nacional em desen ol ido um conjun o de
mecanismos a im de p e eni e comba e a adicalização (Capí ulo III).
3.2. A adicalização: uma possí el de inição
Não exis e uma de inição consensual en e au o idades go e namen ais e
académicos sob e o enómeno da adicalização. É de di ícil concep ualização pois depende
do con ex o onde se desen ol e (logo in luenciada po a o es polí icos, ideológicos e
psicológicos) mas ambém po que a sua comp eensão es á associada a á ios concei os
elacionados como o de “ adicalismo”, “ex emismo iolen o”, ou “ ec u amen o” os quais,
ao se em u ilizados de o ma indisc iminada pela academia e ins âncias in e nacionais,
complexi icam a eunião de consenso.
Segundo o G upo de Pe i os da Comissão Eu opeia sob e a Radicalização
Violen a, “uns au o es enca am a adicalização como um p ocesso que en ol e
compo amen os iolen os especí icos; ou os classi icam-na como a me a acei ação de
de e minadas ideias pa a jus i ica o uso da iolência. (…) Pa a alguns, o p ocesso é
indi idual, pa a ou os é cole i o” (apud Bakke , 2015: 284). A li e a u a académica abo da
a adicalização sob duas pe spe i as: ou oca-se (1) num concei o especí ico, na
adicalização iolen a [jihadis a] ou (2) numa isão mais ab angen e, que se aduz na
p ocu a pela iolência a im de alcança mudanças de la ga escala na sociedade (Veldhuis e
S aun, 2009: 4). A ní el in e nacional, encon amos a dis inção en e “ adicalisa ion
CAPÍTULO II
53
leading o iolen ex emism (RVE)” da Comissão Eu opeia (2016) e “ adicalisa ion ha
leads o e o ism (RLT)” da OSCE (2014). A nosso e , enquan o na RVE o uso da
iolência é enca ado como um meio pa a o ex emismo iolen o e o e o ismo mas não
apenas pa a esses ins, na RLT o uso da iolência é o ien ado especi icamen e pa a a p á ica
de a os e o is as, os quais podem se ou não pe pe ados. Aliás, no pa ece da EUROPOL,
o ex emismo iolen o, con a iamen e ao e o ismo, não en ol e necessa iamen e o uso da
iolência. Logo, nem semp e um indi íduo a e o a ideais di os ex emis as ou adicais (ou
o ganizações com esse ca ac e ), é um indício de um po encial e o is a: “ odos os
e o is as são ex emis as mas nem odos os ex emis as são e o is as” (TE-SAT, 2008:
7).
Apesa das di e gências, a gene alidade dos académicos ende a de ini a
adicalização em o no de ês elemen os: a a-se de um p ocesso g adual que en ol e a
adesão a um sis ema de alo es ex emis a o qual pa imen a o caminho pa a o uso da
iolência que pode ou não degene a em e o ismo. A de inição de adicalização islamis a
ou jihadis a ambém não eúne consenso mas, do pon o de is a das sociedades Ociden ais
eu opeias, diz espei o ao p ocesso pelo qual um indi íduo ou um conjun o de muçulmanos
ado a uma in e p e ação undamen alis a do Islão (sob e udo, mas não exclusi amen e, da
escola sala is a). Nes e p ocesso, esses indi íduos ado am compo amen os e en ualmen e
conducen es à p á ica de a i idades e o is as (Veldhuis e S aun, 2009; G oppi, 2017; Cos a
e Pin o, 2012).
3.3.O ex emismo iolen o: um eículo pa a a adicalização e o e o ismo
Como e e imos, a adesão ao ex emismo iolen o es á na base da adicalização
po encialmen e conducen e ao e o ismo. O ex emismo iolen o ep esen a uma das
p incipais ameaças à paz e segu ança in e nacionais, endo sido econhecido como al desde
o 11/9. Po ém, a ameaça em e oluído desde 2001 eque endo a ualmen e u gência pa a a
sua p e enção e comba e.
Nas pala as de An ónio Gu e es, o ecém-empossado SG da ONU, “os c imes de
na u eza an i-islâmica e ou as o mas de in ole ância [como] a xeno obia, o acismo e o
an issemi ismo es ão a aumen a . Em empos de insegu ança, as comunidades que são
di e en es o nam-se con enien es bodes expia ó ios. P ecisamos de esis i a es o ços que
se em pa a di idi comunidades e e a a o p óximo como «o ou o».” (UNRIC, 2017).
Um es udo do CSIS (G een e P oc o , 2016) ela i o às pe ceções públicas sob e a ameaça
e ela que 66% enca a o ex emismo iolen o como uma “ameaça a ní el global” e 58%
CAPÍTULO II
54
como uma “ameaça em c escimen o signi ica i o”.12 Vá ios são os egis os des e
c escimen o. Apesa da a enção ocalizada no e o ismo jihadis a, os g upos de ex ema-
di ei a na Eu opa êm su gido como ca alisado es desse c escimen o ao p omo e uma
e ó ica baseada na alegada “islamização do mundo ociden al” e na explo ação da c ise
mig a ó ia, le ando “a opinião pública a ado a uma posição xenó oba e islamo óbica” (TE-
SAT, 2016: 46).
Têm ambém su gido na a ena eu opeia ou os mo imen os com uma o ça
con á ia. Impulsionados pela “ge ação E asmus” (ou “ he new in eg a ionis Eu ophilia”)
g upos como o The Pulse o Eu ope êm abalhado a i amen e con a as endências
nacionalis as e populis as, como demons a a ecen e i ó ia de Emmanuel Mac on nas
P esidenciais ancesas de 2017 (The Economis , 2017a)13. Além disso, p oje os como
“Finding a place o Islam in Eu ope” o am lançados a im de comp eende “os a o es
subjacen es à adicalização” e “a alia a e icácia das medidas omadas” (UE, 2016a: 4).
Con udo, os es o ços não são os su icien es pois o pe igo do ex emismo iolen o
eside no seu alcance a ní el global. Ao se explo ado po g upos e o is as in e nacionais
como o ISIS, a al-Qaeda ou o Boko Ha am a a és da p omoção de “mensagens de
in ole ância” eligiosa, cul u al ou social (AGNU, A/70/674, 2015) pelo uso dos meios
ecnológicos e de comunicação, o na-se num enómeno (não no o) mas “ as o e di e so”
que ul apassa quaisque on ei as con ibuindo pa a a sua ápida di usão. Em esul ado,
ampli ica-se o pe igo de con ágio das ideias undamen alis as, o que di icul a não só a
implemen ação das es a égias de con a adicalização mas ambém se diminui a sua
po encial e icácia. Ainda assim, apesa da insegu ança gene alizada e dos cons an es ale as,
73% dos esponden es ao es udo ac edi am que a ameaça é esolú el. A CVE cons i ui
assim uma das p io idades cen ais em ma é ia de con a e o ismo.
Apesa das di e gências concep uais ela i amen e à de inição de “ex emismo
iolen o” (S ieghe , 2015), a CVE e e e-se a um “conjun o de ins umen os não coe ci os
o ien ados pa a comba e as ideologias ex emis as a im de a enua o seu po encial a a i o
e “p e eni o ec u amen o e a adicalização de indi íduos” que, em úl ima ins ância,
podem in eg a o ganizações de ca iz ex emis a com in enções de p a ica a os e o is as
(G een e P oc o , CSIS, 2016: 17).
12 O es udo en ol eu 8000 pa icipan es de 8 países – Es ados Unidos, F ança, Reino Unido, China,
Egip o, Índia, Indonésia e Tu quia. Fo am pe gun adas 65 ques ões elacionadas com o ex emismo
iolen o como as mo i ações e a o es po enciado es, espos as à ameaça e es a égias pa a o seu comba e
13 Um enómeno cu ioso. De aco do com Campanella (2016), es a ge ação “is he leas poli ically-
engaged g oups”. Po exemplo, em Junho, apenas 36% dos b i ânicos en e 18 e 24 anos pa icipa am no
e e endo sob e o B exi , con a 83% de o an es com mais de 65 anos".
CAPÍTULO II
55
O g ande desa io em ma é ia de con a adicalização é a iden i icação das causas
pa a o ex emismo iolen o. Apesa do ínculo en e ex emismo iolen o e e o ismo
salien ado pelo CSNU na RES 2178 (2014), a sua supos a conexão não é linea pois, como
imos, não es abelecem necessa iamen e uma co elação di e a en e si (is o é, um
enómeno pode ou não le a ao despole a do ou o). Não obs an e as di e en es o mas de
ca ego iza as “causas”, “ a o es” ou “acele ado es”, o ex emismo iolen o - sublinha a
ONU - “não é um enómeno em ácuo” e passada uma década e meia de in es igação sob e
os seus po enciais a o es (d i e s), é possí el iden i ica algumas “ endências e pad ões”
embo a se e o ce con inuamen e a necessidade de maio consenso en e in es igado es.
Dis inguem-se duas ca ego ias, “ he push and he pull ac o s”, que ele am a o es
simila es aos que dis inguimos pa a “as causas do e o ismo”.
Embo a não seja exclusi o de uma de e minada egião ou nacionalidade, o
ex emismo iolen o desen ol e-se em con ex os mais ulne á eis, is o é, em que os push
a o s se e idenciam de o ma mais in ensa. Sendo uma ameaça cada ez mais p esen e nas
democ acias con empo âneas (pa icula men e na o ma de “ex emismo eligioso”,
sob e udo associado ao undamen alismo islâmico), os mo i os pa a o desen ol imen o e
a acão pelas mensagens ex emis as associam-se a ou os p oblemas de la ga escala como a
c ise económica e inancei a; a insa is ação ge al das populações com a go e nação das
eli es polí icas nacionais e eu opeias na esolução de p oblemas como o desemp ego, a
p eca iedade ou a co upção; ou ainda o declínio da con iança nos pa idos polí icos que
pa ecem não se ep esen a i os das suas aspi ações e anseios (Biezen e Pogun ke, 2014).
Todo es e con ex o dis up i o, quando aliado a discu sos islamo óbicos e an agonis as bem
como à exclusão acial e eligiosa, po enciam o desen ol imen o e/ou c escimen o dos pull
ac o s.
Desse modo, omen am-se “ essen imen os dando ma gem a mais ec u amen o” e,
consequen emen e, alimen a-se a p á ica da iolência. “É na ine i á el pola ização das
sociedades que nasce a adicalização” (Pa hé Dua e, Público, 2017) e, explica Sco A an
(The Gua dian, 2015), “quan o maio o o an agonismo con a os muçulmanos na Eu opa e
maio o en ol imen o mili a do Ociden e no Médio O ien e, mais sa is ei os ica ão os
líde es do ISIS. [Isso] é a cha e es a égica da o ganização: encon a , c ia e explo a o
caos”. Em suma, eco endo à eo ia dos mo imen os sociais, os a o es push and pull
e le em po encialmen e o p incípio con o e so da “s ain heo y”: “quan o mais os
indi íduos se sen em us ados e alienados, maio é a p obabilidade de se jun a em a
g upos que esis em às mesmas on es da sua us ação” (ICSR, 2008: 5-6).

CAPÍTULO III
56
CAPÍTULO III
A ONU e a UE na p e enção e comba e con a a adicalização
Apesa das di iculdades concep uais ela i as ao e o ismo, à adicalização, ao
ex emismo iolen o, ou da complexidade em iden i ica as possí eis causas des es enómenos,
a ONU e a UE êm desen ol ido á ias inicia i as no âmbi o da con a adicalização.
1. A p e enção e o comba e con a a adicalização a ní el in e nacional
A p e enção e o comba e con a a adicalização são o que, no pa ece do
an opólogo Johan Leman, designa íamos po “janela de opo unidade”: “pa a cada pessoa
há uma janela. Da mesma o ma que há uma janela de opo unidade pa a se adicaliza em,
há uma pa a os i a desse p ocesso” (apud Lo ena, Público, 2016). A ní el académico e
go e namen al, essa “janela de opo unidade” é cons uída à luz do concei o de
con a adicalização (coun e - adicaliza ion) pa a o qual ambém não exis e cla eza
concep ual (Schmid, 2013). Não obs an e, é ge almen e de inida como um conjun o de
es a égias que en ol e ês ipos de inicia i as: a des adicalização (de- adicaliza ion), o
disengagemen e a p e enção da adicalização (ICSR, 2012: 9).
O p imei o e segundo concei os são po ezes usados em al e nância mas, em
igo , a a-se de p ocessos dis in os, nem semp e coinciden es. Enquan o a des adicalização
diz espei o a um p ocesso cogni i o e co esponde ao abandono de uma de e minada isão
adical po pa e de um indi íduo já adicalizado, o disengagemen é um p ocesso que
implica um e ei o compo amen al (beha iou al ou come), is o é, o abandono de uma
de e minada o ganização e o is a e que nem semp e coincide com a des adicalização
ideológica. A p e enção da adicalização comp eende as medidas des inadas a impedi o
desen ol imen o da adicalização num dado con ex o e é no malmen e di igida a um
de e minado segmen o da sociedade (Schmid, 2013; ICSR, 2012).
A ní el in e nacional encon am-se um conjun o de ó uns e inicia i as
mul ila e ais e bila e ais em ma é ia de p e enção e comba e con a a adicalização po ém,
na Eu opa em pa icula , “os p og amas implemen ados nos países di e em
subs ancialmen e en e si - e ambém dos países não Ociden ais - que em e mos de
p opósi os, es u u a, inanciamen o e iloso ia subjacen e” (ICSR, 2012: 7).
Independen emen e das di e en es es a égias, os á ios p og amas de con a adicalização
CAPÍTULO III
57
são po no ma des inados a “p e eni e comba e o ex emismo iolen o” (P/CVE, em
inglês)1 (Schmid, 2013), especialmen e o de na u eza jihadis a ou islamis a. Todos
econhecem a exis ência de ou as ideologias ex emis as e a sua po encial ameaça.
O Reino Unido, a Dinama ca, a Holanda e a No uega são conside ados os países
pionei os ou líde es a ní el de inicia i as de con a adicalização. Ou os países, “da Suécia
à Alemanha, da Bélgica à Espanha” (ICSR, 2012: 8), êm ambém sido p olí e os na
p odução e na implemen ação de inicia i as de con a adicalização con udo, em 2012,
apenas os qua o países sup a e e idos inham “aquilo que pode se de idamen e
conside ado como uma es a égia de con a adicalização holís ica, pa a odo o e i ó io
nacional, explanada num documen o o icial”. Em e mos de ins i uições in e nacionais,
pa ece-nos que - analisando os ela ó ios do US S a e Depa men en e 2001 e 2016 - a
OSCE e o Conselho da Eu opa são as o ganizações de maio des aque no âmbi o da CVE,
pa a além da O ganização das Nações Unidas e da União Eu opeia.
2. A O ganização das Nações Unidas
2.1. O con a e o ismo na ONU
Os p imei os es o ços pa a comba e o e o ismo su gem no seio da an ecesso a
SDN e emon am ao ano de 1937 em espos a di e a aos assassina os do Rei Alexand e I da
Jugoslá ia e do MNE ancês Louis Ba hou, ambos oco idos em 1934. Elabo a am-se
duas con enções mas nenhuma oi aplicada em i ude da a mos e a geopolí ica
con u bada, dos seus p opósi os ambiciosos e pelo bloqueio de dois dos seus memb os, a
Hung ia e a I ália, que “apa en emen e enco aja am assassínios e bloquea am es o ços
an i e o is as”2 (Rapopo , 2004: 55).
É no quad o de uma Eu opa de as ada e sob a lide ança da ONU que a comunidade
in e nacional desen ol e um conjun o de medidas polí icas e ju ídicas con a o e o ismo
em consonância com os p incípios da Ca a. A ualmen e encon am-se em igo no meio
in e nacional 19 ins umen os legais (con enções e p o ocolos) (UNCTC, s/da a) mas o
caminho pa a desen ol e o quad o con a e o is a e elou-se sinuoso, po azões de
na u eza his ó ica (Gue a F ia) e pela ambiguidade concep ual do e mo.
1 As siglas apa en am e signi icados dis in os. A PVE ganhou p oeminência nos EUA e Eu opa. Pa a
alguns, indica um es o ço p oac i o, de longo-p azo des inado a abo da as causas associadas ao
ex emismo iolen o; já a CVE indica um es o ço mais ea i o (G een e P oc o , CSIS, 2016: 17).
2 Em 1937, sob a inicia i a do homólogo Pie e La al, o Comi é de pe i os do Conselho da SDN elabo ou
duas con enções in e nacionais, uma pa a a p e enção e c iminalização do e o ismo e ou a pa a o
es abelecimen o de um T ibunal In e nacional C iminal (Gal-O , 1985: 80). Fo am ado adas na
Con e ência In e nacional pa a a Sup essão do Te o ismo de 1937 mas não en a am em igo .
CAPÍTULO III
58
A p imei a e e ência ao e mo " e o ismo" apa ece em 1948 na esolução
S/RES/57 do CSNU em sequência do assassina o de Coun Folke Be nado e, o mediado
das Nações Unidas pa a a Pales ina (Boulden, 2011). A p odução de legislação
con a e o is a apenas su gi ia em 1963: o aumen o de seques os de a ião nos inais dessa
década eque ia a ação conce ada dos á ios Es ados-Memb os. Con udo, é só no ano de
1972 que a pe ceção sob e a se iedade da ameaça é al e ada. Dois anos an es, em 1970, o
CSNU ha ia já p omulgado a esolução S/RES/286 que apela a à p e enção mas é o
impac o dos a en ados nos Jogos Olímpicos de Munique de 1972 (c . glossá io) o que
despe a a a enção dos a o es in e nacionais e que, sob a inicia i a do SG Ku Waldheim, o
e o ismo é o icialmen e incluído na agenda da ONU (Boulden, 2011; Rupé ez, 2005). Pa a
á ios analis as, o massac e cons i uiu um momen o de impo ância cen al na his ó ia do
enómeno, endo “inaugu ado a e a do e o ismo mode no” (S ampni zky, 2013: 21).
Ainda assim, apesa do impac o pa a mui os compa á el ao 11/9 de ido ao alcance
mediá ico (es ima-se que 900 milhões a ní el mundial e ão assis ido à agédia), o e mo
“ e o ismo” a pos e io i não e e g ande peso nas discussões na ONU ou nas con enções
es abelecidas: segundo Rapopo (2004: 60), a maio ia das con enções in e nacionais en e
1970 a 1999, a a a os a os e o is as como “a i idades in e nacionais c iminosas”.
A endendo ao con ex o his ó ico, o e o is a e a ainda con undido com o “ eedom ig he ”
e na AGNU o deba e e a dominado pelo impasse concep ual. De ac o, explica Lisa
S ampni zky (2013: 22), apesa da popula idade c escen e do e mo “ e o is a”, os
pe pe ado es do e e ido a aque ainda e am o ulados como “c iminosos”, “loucos” ou
“assassinos” que pela imp ensa (The New Yo k Times) que po líde es in e nacionais como
Ted Hae h, PM b i ânico, que na al u a apelidou o a aque como “an abho en c ime”.
É apenas com o im da Gue a F ia que o quad o con a e o is a polí ico-ju ídico
oma o ça su gindo di e sos ins umen os ju ídicos pa a a p e enção e o comba e do
e o ismo. Na gene alidade, odas as medidas es abelecidas isa am a i ma a cen alidade
do e o ismo como uma das p incipais ameaças à paz e segu ança in e nacionais, condena
odos os a os dessa na u eza (embo a enca ados como “c iminosos e injus i icá eis”) bem
como enco aja “os Es ados a oma medidas aos ní eis nacional e in e nacional”. Face a
es es obje i os, em 1996 a AGNU p opõe a c iação de um comi é ad hoc pa a o
CAPÍTULO III
59
desen ol imen o de uma “con enção ab angen e con a o e o ismo” mas ainda não oi
es abelecida3 (Boulden, 2011; UNRIC, 2014a; Oud aa , 2017).
Mas, são os acon ecimen os de inais da década de 1990 e inícios do milénio que
al e am a abo dagem e a a uação da ONU no comba e à ameaça. Dis inguimos dois ma cos
c onológicos: 1997 e 2001. O ano de 1997 ma ca uma impo an e al e ação linguís ica a
qual, pa a Rapopo (2004: 60), e á cons i uído “um indicado de uma mudança de a i ude”:
nas negociações e deba es da ONU, o " eedom ig he " é inalmen e subs i uído pelo
" e o is a", e idenciado pelo í ulo da “Con enção In e nacional pa a a Rep essão de
A en ados Te o is as à Bomba" (1997)4. O ano de 2001 ma ca a in ensi icação da espos a
da ONU, em sequência do 11/9, endo acen uado a necessidade de uma ação conjun a a
ní el in e nacional em ma é ia de con a e o ismo (US Bu eau, 2002; Rupé ez, 2005).
O Conselho de Segu ança e a Assembleia-Ge al (e ambém o Sec e á io-Ge al) são
os p incipais a o es na espos a con a o e o ismo, cujas unções passam po , en e ou os,
assegu a a coo denação e a coe ência dos es o ços em ma é ia de con a e o ismo
(AGNU, A/71/858, 2017: 4).
No escaldo dos a en ados do 11/9, a ONU - sob a alçada daqueles ó gãos e das
suas agências especializadas como a ICAO e a IMO e ambém a IAEA, po exemplo -,
p on i icou-se em oma di e sas medidas. Segundo Milla e Fink (2016: 3), en e os
p imei os cinco a se e anos, as espos as mul ila e ais o am “la gamen e dominadas e
anco adas nas esoluções do CSNU”. Des acam-se as esoluções 1368 (12/9), 1373 (28/9) e
1377 (12/11) (CSNU, 2001a; 2001b; 2001c) pois, num cômpu o ge al, “ma ca am o
e o ismo como uma ameaça à paz e segu ança in e nacionais” e apela am à coope ação
en e odos os EM pa a p e eni e comba e a ameaça, ob igando-os a es ingi as
capacidades dos e o is as de ope a em a ní el in e nacional (a a és, en e ou os aspe os,
da p oibição de “sa e hea en” ou do en aquecimen o das ligações com ou as o ganizações
ou indi íduos di os e o is as) (US Bu eau, 2001; Rupé ez, 2005).
A RES 1368 é conside ada um “pon o de i agem” no con a e o ismo po que
a i mou o di ei o de legí ima de esa indi idual e cole i a (no âmbi o do a igo 51º da Ca a),
“jus i icando” assim o uso unila e al da o ça. Como al, em sido um mo i o de
3 Sob p opos a da Índia, o obje i o do Comi é e a c ia essa con enção pa a “abo da as lacunas deixadas
pelos a ados an e io es” (UNRIC, 2014a: 257). A al a de consenso quan o a uma de inição é ainda o
p incipal obs áculo à p odução de um documen o inal (Boulden, 2011; Rupé ez, 2005).
4 Man emos algumas ese as quan o a es e ma co salien ado po Rapopo . A a és do UNRIC (2014a:
257) descob imos que ês anos an es, em 1994, a AGNU ha ia já ado ado a “Decla ação sob e Medidas
pa a Elimina o Te o ismo In e nacional”, logo ele ando o e mo “ e o ismo”. Ainda assim, apesa do
í ulo, “condenou odos os a os e p á icas de e o ismo como c iminosos e injus i icá eis”.
CAPÍTULO III
66
3.2. A p e enção e o comba e con a a adicalização na UE
De aco do com o Depa amen o de Assun os In e nos da Comissão Eu opeia, a
adicalização é enca ada como um enómeno ela i o a indi íduos que ade em a “opiniões,
posições e ideias que podem le a à pe pe ação de a os e o is as, al como p e is o no
a igo 1 do F amewo k Decision”. Tal como pa a a ONU, a sua p e enção é assun o de
ac escida ele ância pa a a União Eu opeia.
O caminho pa a a CVE a ní el da UE em um longo açado. Em 2004, a Decla ação
apela a já ao desen ol imen o de “medidas pa a abo da os a o es que con ibuem pa a o
apoio do e o ismo e ec u amen o” e en a izou a necessidade de p e eni a adicalização
pa a comba e o e o ismo (Bakke , 2015).
No en an o, é a Es a égia de 2005 que ma ca “o início” das polí icas,
nomeadamen e com a c iação do pila P e eni . É o opo das p io idades es a égicas, sendo
o seu obje i o “comba e os a o es que podem conduzi à adicalização e ao ec u amen o
na Eu opa e no es o do mundo, a im de e i a o ecu so ao e o ismo”. Segundo o EPRS
(2015: 4), o p opósi o cen al é iden i ica e comba e “os mé odos de ec u amen o de
no os e o is as (po exemplo en e os cidadãos da UE que se con e e am ao Islão)”. De
aco do com a Es a égia, a adicalização assen a na p opaganda ex emis a a qual ap esen a
os con li os no mundo como uma alegada p o a do choque en e o Ociden e e o Islão. As
medidas p e is as ei e am assim os alo es cen ais da UE assen ando, en e ou os, na
“p omoção da democ acia, educação e p ospe idade económica”; no uso de uma linguagem
não emo i a e no con ac o com locais cha e como as p isões ou locais de cul o eligioso são
ambém á eas de oco de a enção (UE, 2005a: 8-9).
No mesmo ano (Dezemb o), com a adoção da Es a égia da União Eu opeia de
Comba e con a a Radicalização e Rec u amen o pa a o Te o ismo a UE e idencia a
cen alidade da ameaça p o idenciando 3 linhas ge ais de ação: “(1) us a as a i idades
das edes e indi íduos que ec u am ou os pa a o e o ismo; (2) assegu a a p e alência de
um discu so con á io ao ex emismo e (3) p omo e a segu ança, a jus iça, democ acia e
opo unidades pa a odos” (UE, 2005b: 3). Na 2ª linha de ação, a UE a i ma a necessidade
de p omo e o diálogo com as o ganizações muçulmanas e g upos eligiosos a im de
con a ia a e são dis o cida do Islão. P opõe a c iação de uma “linguagem não-emo i a”
pa a e i a a conexão en e “Islão” e “ e o ismo”. Se conside a mos as assunções
epis emológicas dos CSS, es a úl ima medida é especialmen e ele an e a im de
descons ui as ideias sociais e as pe ceções e óneas ela i as ao Islão e aos muçulmanos.

CAPÍTULO III
67
Em 2007 (No emb o), o Rela ó io de Implemen ação ela i o à Es a égia de
Dezemb o de 2005 a ou de ea i ma odas as disposições aco dadas em 2006 salien ando,
espe i amen e, a mais- alia das inicia i as do Reino Unido e da Alemanha como a
o mação de edes con a as ozes ex emis as e pa a a p omoção do diálogo en e
muçulmanos (UE, 2007: 5).
Em 2008 (Dezemb o), com a adoção do Rela ó io de Implemen ação da Es a égia
Eu opeia de Segu ança, a EU ei e a a necessidade de comba e a adicalização e o
ec u amen o a a és do comba e con a o ex emismo iolen o e a disc iminação bem como
da p omoção do diálogo in e cul u al em ó uns como a Aliança das Ci ilizações. Não
especi ica qualque medida no âmbi o da CVE mas, nesse ano, “a Comissão apoiou a
c iação da Rede Eu opeia de Pe i os em Radicalização” e ainda “p oje os em domínios
como a comunicação e a adicalização nas p isões” (UE, 2010: 8).
Em 2010 (Ma ço), é lançada a Es a égia de Segu ança In e na da UE a qual
ambém não p e ê medidas especí icas no âmbi o da CVE mas ea i ma a necessidade de
comba e o e o ismo "em odas as suas o mas" como a "sua capacidade pa a ec u a
a a és da adicalização e da di usão de p opaganda pela In e ne ” (UE, 2010a: 13). Em
No emb o, a Es a égia de segu ança in e na da UE em Ação acen ua o pe igo das “c enças
adicais na p opaganda ex emis a” iden i icando “cinco obje i os es a égicos pa a a
segu ança in e na”. O 2º obje i o, em pa icula , é dedicado a “p e eni o e o ismo e
esponde à adicalização e ao ec u amen o” o qual passa pela implemen ação de 5 ações
sendo a p imei a o ien ada pa a esse p opósi o. Fundamen almen e, “as ações em ma é ia de
adicalização e ec u amen o cen am-se - e de em se p osseguidas - a ní el nacional”.
Es as ações de em se alcançadas a a és “da es ei a coope ação com as au o idades locais
e a sociedade ci il, bem como da capaci ação de g upos nas comunidades ulne á eis” (UE,
2010b: 8-11).
Em 2014 (Maio), na Re isão Es a égia da União Eu opeia de Comba e con a a
Radicalização e Rec u amen o pa a o Te o ismo a UE sublinha 10 pon os dedicados ao
comba e dos enómenos e e idos em í ulo. Todos os es o ços p e is os ei e am as já
designadas em anos an e io es, es ando subo dinados aos p incípios undamen ais da UE,
semp e o ien adas no sen ido de con a ia a “na a i a e o is a, a im de “de-glamo iza ”
e “des-legi imiza ” as ideias ex emis as e undamen alis as.
Em 2015 (Maio), a Agenda Eu opeia pa a a Segu ança sublinha a implemen ação de
uma espos a que de a abo da as causas do ex emismo pois a elação en e “a
adicalização e a iolência ex emis a es á a o na -se cada ez mais cla a”. A espos a
CAPÍTULO III
68
eu opeia con a o ex emismo de e não de e “conduzi à es igma ização de nenhum g upo
ou comunidade” mas, pelo con á io, “ e o ça a comp eensão mú ua e a ole ância”,
in es indo na “educação, na pa icipação dos jo ens, no diálogo in e cul u al e
in e con essional, bem como [na c iação de] emp ego e na inclusão social” (UE, 2015a: 15-
18). Nes es pon os inci a os EM ao desen ol imen o de “a i idades de moni o ização e
egis o” ela i as ao inci amen o ao ódio. Em Junho, no P oje o de conclusões do Conselho
sob e a Es a égia Reno ada de Segu ança In e na da UE pa a 2015-2020, a UE iden i ica a
adicalização pa a o e o ismo e o ec u amen o como uma das p io idades dos p óximos
anos no domínio da segu ança in e na da EU (UE, 2015b).
Em 2016 (Junho), na Comunicação da Comissão ela i a ao Apoio à p e enção da
adicalização que conduz ao ex emismo iolen o é analisada a con ibuição da UE na ajuda
aos EM no âmbi o da “p e enção da adicalização que le a ao ex emismo iolen o na
o ma de e o ismo”. Essa ajuda é ealizada em 7 á eas especí icas, en e as quais se
salien a o “apoio à in es igação e ecolha de in o mação”; “o comba e à p opaganda
e o is a e ao discu so de inci ação ao ódio na in e ne ”; “a p omoção da inclusão dos
jo ens” ou a “a dimensão de segu ança do comba e à adicalização”6 (UE, 2016a: 3). No
mesmo mês, com a c iação da Es a égia Global pa a a Polí ica Ex e na e de Segu ança da
União Eu opeia a UE al e ou a sua “abo dagem” apos ando em “ aile -made-app oaches”.
Embo a a es a égia não especi ique medidas pa a a CVE, a UE ei e a a necessidade de
abalha con a a adicalização a a és do e o ço e expansão das alianças com os seus
á ios pa cei os (UE, 2016b: 21).
4. Os obs áculos à ação da ONU e UE no con a e o ismo
A ação da ONU e UE sob e os Es ados nacionais no âmbi o do con a e o ismo é
complexa de di imi pois implica ia, an es de mais, e le i sob e ou as ques ões de maio
ab angência que saem o a do âmbi o des a in es igação. De seguida, salien amos algumas
dessas sob e as quais não p e endemos se exaus i os mas, pa a e ei os de igo de análise à
nossa ques ão de pa ida, de em se e e idas.
P imei o, a alia a e icácia/sucesso do p óp io e o ismo enquan o es a égia
coe ci a pa a a ingi de e minados p opósi os polí icos. Como escla ece a EUROPOL, as
6 “Os EM podem oma medidas de segu ança pa a e i a que os jo ens pa am pa a zonas de con li o e
adi am a g upos e o is as (i.e. “p oibições de iagem, a c iminalização de iaja pa a um país e cei o
pa a ins e o is as, [c iação de linhas di e as]. (…) Os EM podem emi i p oibições de iagem pa a
impedi os p egado es ex emis as de en a na UE, e podem in e i , median e medidas de na u eza
adminis a i a, con a a di ulgação de mensagens ex emis as” (UE, 2016a: 14).
CAPÍTULO III
69
leis in e nacionais (e nacionais) são p oduzidas ace à e olução dessa ameaça, logo em
unção do seu sucesso ou insucesso (conside a-se a sua his ó ia, a dos países e as possí eis
mudanças do enómeno em e mos de obje i os ou modus ope andi). É um assun o mui o
con o e so, ge almen e dico ómico: en e “o e o ismo em sucesso” e o seu opos o.
Segundo Max Ab ahms (2006: 44-45), pa ece exis i na academia um consenso
gene alizado de que o e o ismo é uma es a égia e icaz mas, pa a o au o , ais es udos
ca ecem de supo e empí ico sendo maio i a iamen e limi ados à análise de casos mui o
especí icos7.
Segundo, e le i sob e a e icácia das o ganizações in e nacionais, is o é, pe cebe
se êm ou não in luência sob e os es ados. O es udo de Young (1992) ap esen a duas
ca ego ias de a o es (endógenos e exógenos) que ajudam explica a sua o ça/capacidade a
ní el in e nacional. A anspa ência, obus ez, a ans o mação das eg as, a capacidade dos
go e nos e a dis ibuição do pode são alguns dos a o es iden i icados ans e sais às
ca ego ias. Pa a o au o , uma ins i uição é an o mais e icaz quando a sua ope ação impele
os ou os a o es (es ados) a compo a em-se de o ma di e en e se essa ins i uição não
exis isse (Young, 1992: 177).
Te cei o, conside a /a alia a capacidade e e icácia do Es ado pe an e a
con igu ação da o dem in e nacional, nomeadamen e do que conce ne à sua sobe ania.
Como explica Nuno Se e iano Teixei a e e idenciámos no Capí ulo I, i emos num mundo
onde se c uzam di e sas lógicas de pode assis indo-se à p esença de uma dinâmica dupla e
con adi ó ia, a de Ves e ália e a da globalização. “A p imei a, es a ocên ica, assen a nos
es ados e suas elações e ope a segundo uma lógica in e es a al. A segunda, pelo con á io,
a a essa, anscende e mui as ezes sub e e as on ei as dos Es ados e ope a segundo
uma lógica ansnacional” (Teixei a, 2016: 11). Es a lógica le a-nos a conside a a a ena
in e nacional como uma combinação de o ças en e es ados e as o ganizações
in e nacionais. Logo, em i ude da c escen e in e dependência, os es ados êm-se cada ez
mais ob igados a agi num quad o que pode á limi a a sua sobe ania.
Qua o, conside ando o es udo de Den Boe e Wiegand de 2015, e le i sob e o
impac o ge al das es a égias con a e o is as eu opeias nos sis emas nacionais; a po encial
con e gência en e sis ema con a e o is as ou as á eas de con e gência no âmbi o do
con a e o ismo. Pa a comp eensão da nossa p oblemá ica, con udo, e e i emos adian e no
7 De no a que a e icácia do e o ismo pode se medida em duas dimensões: «e icácia de comba e» ou o
ní el de des uição in ligido e «e icácia es a égica», ela i a ao sucesso do cump imen o dos obje i os
planeados pelo g upo e o is a” (Ab ahms, 2006: 46).
CAPÍTULO III
70
capí ulo IV algumas conclusões des e es udo, conside ando ou as on es an e io men e
mencionadas na In odução.
Exis em ou os aspe os, mais especí icos, que complexi icam a análise.
Conside ando as eg as do Di ei o In e nacional (DIP)8 iden i icámos algumas ques ões que
nos pa ece am ele an es pa a a p oblemá ica em es udo.
P imei o, an o os es ados nacionais como as o ganizações in e nacionais como a
ONU e a UE são sujei os in e nacionais do ados de ius ac um, is o é, ambos êm a
capacidade de celeb a a ados in e nacionais. Es a capacidade é um elemen o p oblemá ico
po que az do es ado e das o ganizações simul aneamen e au o es e des ina á ios dessas
no mas in e nacionais. Po conseguin e, pode á se di ícil pe cebe qual a en idade que em
maio ele ância / peso em e mos de ação ou in luência.
Segundo, como e e imos nes e capí ulo, as compe ências em ma é ia de
con a e o ismo ecaem undamen almen e sob e os es ados nacionais, endo a ONU e a
União Eu opeia papéis de apoio, de enquad amen o ins i ucional às no mas.
Te cei o, embo a a disposição an eceden e seja e dadei a (os es ados no âmbi o
do con a e o ismo são os p incipais law-make s ou decision-make s), é ambém necessá io
(1) en ende de que o ma as o ganizações in e nacionais in luenciam a p odução dessa
legislação e (2) sublinha que o Di ei o In e nacional possui um ca ac e ju ídico e o seu
undamen o adica na ob iga o iedade9. Quan o ao p imei o pon o, é impo an e no a que à
luz do Di ei o In e nacional as o ganizações in e nacionais podem ealiza “a os
unila e ais”, o que pode e en ualmen e e in luência na p odução de legislação. En e as
ca ego ias econhecidas po “a os unila e ais” que es ão à sua disposição, des acamos os
“a os incula i os e os a os consul i os”: espe i amen e, são “a os que p oduzem e ei os
ob iga ó ios e a os que apenas con ém ecomendações ou pa ece es” (Gou eia, 2008a: 171-
172). Es es a os não são conside ados “ e dadei as on es” do Di ei o In e nacional mas,
como explica Rezek (apud Gou eia, 2008a: 169-170), “p oduzem consequências ju ídicas -
c iando, e en ualmen e, ob igações - an o quan o as p oduzem a a i icação de um a ado,
a adesão ou a enúncia”10.
8 Po de inição, diz espei o ao “sis ema de p incípios e eg as, de na u eza ju ídica, que disciplinam os
memb os da sociedade in e nacional, ao agi em numa posição ju ídico-pública, no âmbi o das suas
elações in e nacionais” (Gou eia, 2008b: 34-35).
9 O ca ac e ju ídico diz espei o ao alo das no mas, à sua o ça incula i a. O undamen o de
ob iga o iedade em a e com as explicações que o o nam incula i o.
10 As on es do di ei o in e nacional são o cos ume, a lei e a ju isp udência ( ibunais).
CAPÍTULO III
71
Quan o ao segundo pon o, exis em di e sas c í icas de índole ilosó ica ou écnico-
ju ídica que colocam em causa a ju idicidade do DIP. En e as á ias c í icas, des acamos
duas que podem mi iga a o ça do Di ei o In e nacional. P imei o - a nosso e - os es ados
êm não só a possibilidade de sai das o ganizações às quais se incula am (i.e. UE) como
ambém, median e as disposições es ipuladas na Con enção de Viena sob e o Di ei o dos
T a ados en e Es ados (CVDTE, 1969), podem cessa , suspende ou al e a quaisque
a ados in e nacionais após a sua inculação11. Des e modo, embo a usem as disposições
dos a ados in e nacionais, os es ados ao e em possibilidade de se des incula nessas
no mas podem po en u a e i a -lhes a sua o ça inicial. Segundo - al como e e e a
li e a u a - isa-se a “debilidade dos mecanismos de aplicação coa i a” do Di ei o
In e nacional (Gou eia, 2008c: 125). Os casos de iolação das on ei as de um es ado, po
exemplo, são e idências das agilidades dos seus p incípios e no mas.
Con udo, apesa de quaisque c í icas, somos de enso es da sua coe cibilidade
de ido ao undamen o de ob iga o iedade do Di ei o In e nacional. Não obs an e as di e sas
pe spe i as pa a explica o seu ca ac e incula i o, o nosso a gumen o é o seguin e: mesmo
que se coloque em causa a coe cibilidade das no mas, “impo a sabe dis ingui en e a
de icien e coe cibilidade da sua pu a e o al ope acionalidade” (Gou eia, 2008c) e e em
con a que a aplicação dos a ados in e nacionais, no mas e p incípios adicam num
undamen o não- olun a is a12: o DIP em um ca ac e ob iga ó io po que exis em eg as
que es ão acima dos es ados como o p incípio pac a sun se anda (“os aco dos são pa a
cump i ”) e o de boa- é13. Como al, conside ando es as p eposições, pa ece sensa o
de ende que a ONU e a UE êm de ac o in luência / peso sob e as polí icas
con a e o is as.
11 O es ado pode ambém o mula ese as ao a ado (de con eúdo ou ou o) (Pa e I, a .º 1, alínea 1-d)
mas e ão de se ealizadas an es da inculação p op iamen e di a (Pa e II, a .º 19, CVDTE, 1969).
As disposições ela i as à cessação, suspensão ou al e ação encon am-se na Pa e IV e V da CVDTE.
“Um a ado pode se e is o po aco do en e as Pa es (…) sal o disposição do a ado em con á io”
(Pa e IV, a .º 39, CVDTE, 1969). “Um a ado que não con enha disposições ela i as à cessação da sua
igência e não p e eja que as Pa es possam denunciá-lo ou dele e i a -se não pode se obje o de
denúncia ou e i ada, sal o: (a) Se es i e es abelecido que as Pa es admi i am a possibilidade de
enúncia ou de e i ada; ou (b) Se o di ei o de denúncia ou e i ada pude se deduzido da na u eza do
a ado” (Pa e V, a .º 56, alínea 1, CVDTE, 1969).
12 O undamen o da ob iga o iedade do Di ei o In e nacional é explicado à luz de co en es olun a is as e
não- olun a is as. Pa a as co en es olun a is as, o Di ei o In e nacional é um esul ado da on ade dos
Es ados que “consen i am no es abelecimen o de elações e inculações, as quais ob igam po que o am
que idas”. Ou seja, a p odução de no mas ju ídicas adica no pode dos es ados. Mas as suas eo ias es ão
já ul apassadas, po duas azões: as eo ias cen am-se nos a ados e o DIP em ou as on es como o
cos ume que con inua a se ele an e; e exis em ou os sujei os in e nacionais pa a além do Es ado.
(Gou eia, 2008c: 127-134)
13 “Todo o a ado em igo incula as Pa es e de e se po elas cump ido de boa- é” (Pa e III, a .º 26,
CVDTE, 1969). Is o é, o Es ado de e abs e -se de a os que p i em um a ado do seu obje o ou im.

CAPÍTULO III
72
Mas, ace a udo quan o p ecede, essa in luência ou ação pa ece se ambígua. Se
po um lado, como explicámos, a ação da ONU e UE no con a e o ismo pa ece se
minimal, po ou o os es ados es ão inculados às suas eg as pois es as possuem um
ca ác e incula i o. A F ança e o Reino Unido são es ados-memb os daquelas
o ganizações a í ulo olun á io, acei a am as eg as dos a ados e con enções anspondo-
as pa a as espe i as legislações nacionais, o que acen ua o peso daquelas o ganizações
sob e es es es ados14. Des e modo, a ambiguidade aduz-se no seguin e: se pa a o es ado a
exis ência das eg as in e nacionais é um po encial obs áculo à sua ação, pa a aquelas
o ganizações in e nacionais, quando acei es e cump idas, são uma p o a da sua in luência e
e icácia.
Assim, eco endo à Teo ia dos Jogos, a ação da ONU e UE sob e aqueles es ados
não é necessa iamen e um “jogo de soma-ze o”, em que um lado ganha e o ou o pe de
(nes e caso “in luência” ou “capacidade de ação”) mas, pelo con á io, um “jogo de soma
não ze o” po que, como a i mámos, an o os es ados como as o ganizações azem as eg as
in e nacionais e podem e en e si in e esses di e gen es mas ambém obje i os em comum.
Pa icula izando a análise pa a o papel da ONU e UE, podemos iden i ica alguns aspe os
p oblemá icos que espelham es a ambiguidade.
Ao ní el das Nações Unidas, des acamos dois a o es que demons am a
complexidade do jogo da in luência. P imei o, os p incípios da Ca a de S. F ancisco
(1945). Es es p incípios são cons angedo es da ação dos es ados, endo es es de a ua em
consonância com as suas eg as, de aco do com decisões emi idas pelos seus ó gãos como o
Conselho de Segu ança e a Assembleia Ge al. Especi icamen e, o desen ol imen o e o
exe cício das polí icas nacionais con a e o is as es ão limi ados às eg as do uso da o ça:
“os es ados de e ão abs e -se nas suas elações in e nacionais de eco e à ameaça ou ao
uso da o ça, que seja con a a in eg idade e i o ial ou a independência polí ica de um
Es ado, que seja de qualque ou o modo incompa í el com os obje i os das Nações
Unidas [a .º 1]” (a .º 2, alínea 4, CNU, 1945). Exce uando as si uações de legí ima de esa
(a .º 51), os es ados de em enuncia ao seu uso e p ocu a esol e os seus di e endos “po
meios pací icos, de o ma a que a paz, segu ança e jus iça in e nacionais não sejam
colocadas em pe igo” (UNRIC, 2014b: 64). Es a limi ação unciona como um obs áculo
pa a o es ado mas acen ua o peso da in luência da ONU.
14 Segundo a CVDTE, “o consen imen o de um Es ado em ica inculado po um a ado po mani es a -
se pela assina u a, a oca de ins umen os cons i u i os [en ega de ex os ecíp ocos], a a i icação
[ a ados solenes], a acei ação, a ap o ação ou a adesão ou po qualque ou a o ma aco dada” (Pa e II,
a .º 11, CVDTE, 1969). Ou seja, assim que es á inculado, o sujei o subme e-se a odas as disposições.
CAPÍTULO III
73
Segundo, o uso do pode de e o, es i o aos memb os pe manen es do Conselho
de Segu ança (China, F ança, Rússia, Reino Unido, Es ados Unidos) (a .º 23). Gozando
des e pode , a oposição de um dos cinco pe an e uma esolução é o su icien e pa a
in iabiliza qualque omada de posição. Is o signi ica que só se ão discu idas ou ap o adas
as esoluções que me eçam unanimidade de o o das cinco po ências.15 Des e modo, o
pode de e o po encia a ação do es ado nacional mas limi a a ação da ONU no ge al po que
le a a impasses polí icos16, ao bloqueio de esoluções17 e, em úl ima ins ância, coloca em
causa a e e i idade do sis ema de segu ança cole i a18 podendo le a à o mação de “2
Nações Unidas” (Heywood, 2011) pois o sis ema de e o con as a com o espí i o
democ á ico da AGNU que se ege pela ó mula “1 Es ado = 1 o o”19.
Ao ní el da União Eu opeia, a ação da O ganização sob e os es ados-memb os é
mais complexa de especi ica pois, a p io i, a sua in luência nos sis emas nacionais no ge al
não é ácil de a alia . Como e e e Bo cha d (2010a: 113), “i is no easy o assign Union
law i s igh ul place in he legal o de as a whole and de ine he bounda ies be ween i and
o he legal o de s. (...) Union law mus no be concei ed o as a me e collec ion o
in e na ional ag eemen s, no can i be iewed as a pa o , o an appendage o, na ional
legal sys ems.” É complexo po que os es ados es ão não só inculados ao Di ei o
In e nacional mas ambém ao Di ei o da União Eu opeia que é um se o ju ídico do DIP que
em “a inidades” com o p imei o mas não é cla o que seja comple amen e dis in o. Pa a
Bacela Gou eia, pa ece sensa o a i ma que assume uma “na u eza híb ida”, en e o
Di ei o In e nacional e o Di ei o Es adual (Gou eia, 2008b: 61-63). De qualque o ma,
15 O CSNU é compos o po 15 memb os, 5 pe manen es e 10 não pe manen es (a .º 23). Cada memb o
em di ei o a um o o sendo que, pa a a omada de decisão, são necessá ios 9 o os a a o e a ausência
de um o o nega i o (o e o) (a .º 27). “Se um memb o pe manen e não conco da o almen e com uma
esolução p opos a mas não deseja ap esen a o seu e o, pode escolhe abs e -se, pe mi indo assim que a
esolução seja ado ada se ob i e os no e o os necessá ios.” (UNRIC, 2014c: 8)
16 A Gue a F ia oi palco de á ios impasses como exempli icam os casos da Co eia (1950), Rodésia do
Sul (1966) e Á ica do Sul (1977) (Delgado in Mendes e Cou inho, 2014: 480). Po exemplo, no caso da
Co eia: A aliança sino-so ié ica i mada en e Mao e Es aline, a 1 de Fe e ei o de 1949, possibili ou a
assis ência mú ua. A pa i de 1 de Janei o de 1950 os so ié icos decla am que não compa ece iam “no
CSNU enquan o a China nacionalis a não osse subs i uída pela China comunis a (Vaïsse, 2009: 40). Face
ao bloqueio, os EUA in e ie am na Co eia a 25 Junho de 1950.
17 Po exemplo, a 12 de Ab il de 2017, a Rússia “ e ou uma esolução ap esen ada pelos Es ados Unidos,
F ança e Reino Unido pa a condena o a aque químico na Sí ia. “T a a-se da oi a a ez que Mosco o
bloqueia uma esolução sob e a Sí ia, desde o início da gue a [2011]” (DN, 2017).
18 Diz espei o à ideia que “os con li os in e nacionais es ão en aizados na insegu ança” e que essa
insegu ança de e á se comba ida com uma ação conjun a e conse ada. O sucesso depende da
esponsabilidade de cada Es ado em cump i com essa disposição (Sousa e Mendes, 2008c: 216).
19 A exis ência de “2 Nações Unidas” ob iga, po um lado, a acei a a ealpoli ik dos g andes pode es
(espelhada no CSNU) e, po ou o, a econhece o p incípio de igualdade (ma e ializado na AGNU).
(Heywood, 2011). A AGNU é compos a po ep esen an es de odos os Es ados (a .º 9). Cada um deles
de ém um o o; as decisões sob e ma é ias ele an es como a paz e a segu ança eque em uma maio ia de
dois e ços. As decisões sob e ou as ques ões são omadas po maio ia simples (a .º 18).
CAPÍTULO III
74
sabemos que com o es abelecimen o da União, “os Es ados-memb os limi a am a sua
sobe ania legisla i a e c ia am um conjun o de leis que são incula i as” (Bo cha d , 2010:
113). De no a , con udo, que a União Eu opeia ambém emi e pa ece es que não são
incula i os como é o caso das “ ecomendações”.
A ní el de pode es da UE sob e os es ados, é impo an e salien a que “ as suas
ações es ão sujei as ao p incípio da subsidia iedade, o que signi ica que, com exceção dos
domínios da sua compe ência exclusi a, a União apenas a ua nos casos em que a ação ao
ní el da UE se e ela mais e icaz do que ao ní el nacional” (Comissão Eu opeia, 2008: 8).
Esses domínios de compe ência especí ica ecaem sob e ês ca ego ias: (1) As
á eas de compe ência exclusi a da UE como, po exemplo, a de inição de eg as de
compe ição pa a o me cado in e no, a polí ica mone á ia ou a polí ica comum das pescas
(a .º 3, TFUE); (2) As á eas de compe ência pa ilhada, aquelas em que a ação ao ní el
eu opeu é complemen a à dos es ados: i.e. á ea da libe dade, segu ança e jus iça, do
ambien e, dos anspo es, da ene gia ou da ajuda humani á ia (a .º 4, TFUE); (3) As á eas
de apoio (suppo ing ac ion), aquelas em que a ação é limi ada à coo denação da ação dos
es ados-memb os: i.e. indús ia, cul u a, saúde, educação ou p o eção ci il (a .º 6, TFUE)
(Bo cha d , 2010b: 39).
O exe cício des es pode es é ainda subme ido à ap o ação do Pa lamen o Eu opeu
e nenhuma das ins i uições eu opeias pode á exe ce ou ala ga as suas compe ências em
de imen o dos es ados nacionais. Além disso, as compe ências da UE sup a e e idas não
se aplicam à á ea da PESC. Des e modo, as a e as incumbidas à União Eu opeia no âmbi o
da PESC são as seguin es (Bo cha d , 2010b: 37): (a) “assegu a o espei o pelos alo es
comuns e dos seus in e esses (…)”; (b) “ o alece a segu ança da UE e dos seus es ados-
memb os” e “assegu a a paz mundial e p omo e a segu ança in e nacional” bem como (c)
p omo e a coope ação in e nacional, a democ acia, o es ado de di ei o e o espei o pelos
di e os humanos e as libe dades undamen ais.
No que espei a ao con a e o ismo em pa icula , a si uação é in icada po que
não é uma única “policy a ea” mas an es um conjun o de á ias, não exis indo um quad o
comp eensi o comum (EPRS, 2015). Po an o, explica Den Boe e Wiegand (2015: 378), “a
po encial con e gência en e as medidas omadas pelos es ados nes e âmbi o esul a á não
de inicia i as sup anacionais mas in e go e namen ais”. Assim e conside ando odas as
disposições sup a e e idas, a ambiguidade do jogo da in luência ao ní el da União
Eu opeia e le e-se na complexidade em di imi o peso da lei comuni á ia sob e os sis emas
nacionais.
CAPÍTULO IV
75
CAPÍTULO IV
A p e enção e comba e con a a adicalização: O caso da F ança e do Reino Unido
O capí ulo III deixou cla o que o ex emismo iolen o e a adicalização es ão na
o dem do dia das agendas polí icas mundiais, especialmen e eu opeias. A F ança e o Reino
Unido êm sido os países mais a ingidos pela ameaça do e o ismo islamis a, en en ando
a ualmen e um desa io sem p eceden es.
IV. 1. A F ança
1.1. A segu ança nacional ancesa
O Li o B anco da De esa e da Segu ança Nacional é o documen o de inido da
es a égia de segu ança nacional ancesa. Re is o a cada 5 anos e delineado sob uma
pe spe i a de longo p azo (15 anos), o Li o de ine “os p incípios, as p io idades de ação e
odos os ecu sos” a ado a pelo Es ado ancês a im de ga an i a segu ança do país
du an e esse pe íodo empo al. A Es a égia iden i ica os p incipais iscos e ameaças a ní el
in e no e ex e no que possam coloca em pe igo a sal agua da dos in e esses secu i á ios da
F ança, que em solo nacional ou no es angei o. Consubs anciada numa abo dagem
holís ica, odos os ecu sos e polí icas de inidas es ão subo dinados a uma isão in eg ado a
da segu ança nacional, en ol endo di e en es en idades: “e e y playe mus be ully
engaged in he esponse o a ious h ea s and isks [and] no single [one] can expec o able
o go i alone” (Li o B anco, 2013a: 12).
In oduzido em 1972, o âmbi o do Li o B anco oi e oluindo ace ao ambien e
secu i á io in e nacional a im de esponde adequadamen e aos á ios desa ios. A ualmen e
encon a-se em igo a es a égia de 2008 a qual - in oduzida pelo en ão P esiden e Nicolas
Sa kozy e anspos a pa a a lei em 2009 - ma ca uma al e ação signi ica i a na o mulação
da es a égia de segu ança nacional pelo ala gamen o do seu âmbi o. Enquan o o p imei o
Li o se oca a na dissuasão nuclea , a es a égia de 2008 espelha uma isão ala gada que
acompanha as ans o mações esul an es da globalização e a e o ma do sis ema polí ico
ancês iniciada po Sa kozy.
A úl ima e isão dessa es a égia, implemen ada em 2013 na legisla u a do
sucesso F ançois Hollande, ei e a a análise conside ada em 2008 mas sublinha o aumen o
da ins abilidade e o ca a e ambi alen e das á ias ans o mações que oco e am no meio
in e nacional desde en ão. En e as á ias endências geopolí icas obse adas, o Li o
CAPÍTULO IV
82
1.4. O con a e o ismo na F ança
1.4.1 P incípios ge ais e es u u a ins i ucional
A abo dagem con a e o is a ancesa conjuga an o ações mili a es como
psicológicas, is o é, di ecionadas a im de deslegi ima “as causas” do e o ismo. Es a
abo dagem - que segue os p incípios ge ais es ipulados nos Li os B ancos (2006 e 2013) -
acompanha a e olução da ameaça em e mos de na u eza ou modus ope andi e baseia-se na
coope ação bila e al e mul ila e al es ando subo dinada às eg as e aos p incípios do Di ei o
In e nacional.
A ní el bila e al, o comba e à ameaça é ei o “a a és da oca de in o mações
en e agências de in elligence, coope ação écnica e diálogo diplomá ico com os seus á ios
pa cei os (F ance Diploma ie, s/da a) como o Reino Unido, Bélgica, Alemanha, I ália e
Espanha, com os quais le a a cabo di e sas ope ações con a e o is as” (US Bu eau, 2010:
57). A ní el mul ila e al, o US S a e Depa men e o Go e no ancês (F ance Diploma ie)
des acam a colabo ação com a ONU, a União Eu opeia, o G8, NATO e a OSCE. Rele a-se
ambém a sua pa icipação no GCTF do qual é undado a (2011), no Global Ini ia i e do
Comba Nuclea Te o ism (2006) e ambém nas a i idades do Conselho da Eu opa.
Elogiado pela sua g ande es abilidade, e icácia e ele ado ní el de cen alização, o
modelo con a e o is a ancês é ope acionalizado a a és da es u u a do seu sis ema de
segu ança in e na. No en ende de Ma os (2016c: 112), o sis ema ancês é o p o ó ipo po
excelência “de um sis ema dual ou napoleónico” que se aduz na exis ência de duas
g andes o ças nacionais, uma de na u eza ci il e ou a mili a . De o ma simpli icada, al
como esquema izamos no anexo A, as compe ências em ma é ia de con a e o ismo na
F ança ecaem sob a alçada de di e sas en idades como os Minis é ios do In e io , De esa,
Jus iça ou Economia. Toda ia, o Minis é io do In e io é a en idade com maio des aque
pois dele dependem as duas o ças de segu ança nacionais que ca ac e izam o sis ema de
segu ança in e na (Ma os, 2016c: 122-123): (a) Polícia Nacional (DGPN): Fo ça policial de
na u eza ci il. É esponsá el pelo “law en o cemen ” e in es igações c iminais em g andes
cidades, con ando com o apoio de 150.000 indi íduos, ap oximadamen e (US Bu eau, 2016:
112); e (b) Genda me ie Nacional (DGGN): Fo ça policial de na u eza mili a . Segundo o
US S a e Depa men (2016: 112), a DGGN é pa e in eg an e do Minis é io da De esa mas é
o Minis é io do In e io que ge e as suas unções policiais4.
4 Pa a o US S a e Depa men (US Bu eau, 2016: 111-112), a p incipal en idade (main appa a us) a ca go
do con a e o ismo na F ança é a DGSI (se iço de in o mações in e no), a qual combina capacidades de
law en o cemen , in elligence, con aespionagem, con a e o ismo ou de igilância.

CAPÍTULO IV
83
Apesa de odo es e enquad amen o ins i ucional, a abo dagem ancesa a ní el de
con a e o ismo baseia-se na ação judicial ou na “aplicação da lei” (law en o cemen )
sendo os casos de e o ismo ge almen e a ados como in es igações c iminais. Po ém, es a
ação é conduzida no sen ido de “e i a qualque con usão educionis a en e o e o ismo e
o c ime o ganizado”, pese embo a algumas semelhanças en e os dois enómenos (US
Bu eau, 2005; Raul , 2010).
Os casos de e o ismo êm um a amen o especí ico mas não es ão sujei os a
medidas excecionais. Con udo, após o a en ado de 13/11, o en ão P esiden e Hollande
apelou a uma e o ma cons i ucional “ ha would allow he s a e o ake excep ional secu i y
measu es when needeed” (F ance Diploma ie, s/da a; CEP, 2017a: 8). Logo no dia seguin e,
decla ou “es ado de eme gência” e in ocou pela p imei a ez a “cláusula de de esa mú ua”
(c . glossá io).
À luz da Lei ancesa, esse a amen o especí ico adica na u ilização de sis ema de
“non-ju y cou s” pa a o julgamen o dos casos5 (US Bu eau, 2014: 104) e no uso de uma
de inição ampla de “a o e o is a” a qual pe mi e aba ca uma ex ensa ede de suspei os.
In oduzida em 1994 no “Coun e e o ism Ac ” de 1986 ela i o ao comba e con a o
e o ismo (Loi no. 86-1020 ela i e à la lu e con e le e o isme) e ipi icada no Código
Penal nos a igos 421-1 a 421-6, es a de inição é conhecida pela “o ensa do g upo dos
mal ei o es” (“associa ion de mal ai eu s en ela ion a en une en ep ise e o is e” ou
ATM, em ancês) (Bigo e al., 2014: 20). T a a-se de uma lei que ans o ma a “in enção”
num “c ime” ele p óp io: qualque indi íduo pode se de ido po suspei as de algum c ime
que, em úl ima ins ância, enha se ido a a i idade e o is a (Raul , 2010). Ou seja, é uma
lei que “pe mi e a adoção de medidas legais an es da pe pe ação do c ime” (Bigo e al.,
2014: 20) e cuja aplicação em-se o nado num ins umen o de angua da no comba e
con a a ameaça. En e ou os aspe os ipi icados no Código Penal como a aplicação de
penas mais g a osas6 ou a e i ada da nacionalidade ancesa (se a pessoa o na u alizada
nos 15 anos an eceden es), a lei ancesa pe mi e ainda a depo ação de es angei os caso
sejam conside ados uma ameaça sé ia à o dem pública (F ance Diploma ie, s/da a; US,
Bu eau, 2009).
5 Te mo ju ídico. Segundo o USLegal (s/da a), “a non-ju y ial is a ial in which a judge decides bo h
ques ions o law and ac . (…) A non-ju y ial is held in he absence o a ju y and decided by a judge
esul ing in a judgmen o he plain i (s) o de endan (s)”.
6 O Código Penal p e ê uma pena de p isão de 30 anos pa a quem lide a um g upo e o is a ou planea
um a aque e 10 a 20 anos pa a quem es i e associado a um g upo ou ope ação e o is a (US Bu eau,
2005; US Bu eau, 2008)
CAPÍTULO IV
84
1.5. A con a adicalização na F ança
1.5.1 A adicalização e o ec u amen o na F ança
No Li o B anco (2013a), a F ança é e a ada como uma po ência eu opeia e
global cuja in luência se e le e pelos á ios con inen es que a ní el cul u al, linguís ico ou
populacional. De ido à sua his ó ia e aos luxos mig a ó ios, a F ança dispõe de uma
população mul ié nica, ma cada po uma g ande di e sidade cul u al e iden i á ia.
Teo icamen e, es e in e ace de iden idades é “uma on e de i alidade e
en iquecimen o pa a a sociedade”, logo um mecanismo de coesão social (Li o B anco,
2013: 15). Mas, como salien a Tony Jud , “desde que é possí el lemb a , a F ança es e e
di idida” (2008: 217) e a eligião é uma das p incipais cli agens na sociedade ancesa.
His o icamen e, a ní el eligioso, o país man ém uma adição secula e o ca olicismo es á
no «cen o» da sua memó ia (Jud , 2008): de aco do com a CIA, 63-66% da população é
c is ã, maio i a iamen e ca ólica. Con udo, “a F ança não é só ca ólica e secula ; é ambém,
e em sido há mui o empo, p o es an e e judaica, al como ago a ambém é islâmica” (Jud ,
2008: 217). Do o al populacional, es ima-se que 7-9% seja muçulmana e 0.5-0.75% judaica
con a 23-28% de “não- eligiosos” (CIA, [2015], 2016)7. É nes a mescla de dispa idades
eligiosas que “os he eges e as mino ias o am mui as ezes descu ados na «pe i e ia»
cul u al»” (Jud , 2008: 217). En e es as “comunidades ma ginalizadas”, es á a muçulmana.
Como explicam Bake e al. (2007) “da F ança à Alemanha, passando pela Bélgica, os
muçulmanos o am c iando aquilo que se designa po «sociedades pa alelas» nos países
eu opeus”. Baseado no e mo “laici é” (secula ismo) e no concei o de assimilação (Pilla ,
2008: 377), o modelo de in eg ação na F ança “iden i ica cada cidadão p ima iamen e como
ancês, colocando em segundo plano ou os ó ulos como o eligioso ou é nico” (Kepel
[2010] apud Bizina, 2014: 74). No en an o, embo a a eligião seja um dos pon os cen ais,
não é um a o explica i o su icien e.
Os d i e s da adicalização e do ec u amen o islamis a na F ança são múl iplos.
Pa a o P o esso Pa hé Dua e, “as ações de polí ica ex e na ancesa êm con ibuído pa a
os a en ados, mas não são o ing edien e p incipal” (Pimen el, Obse ado , 2016). Não
p e endemos se exaus i os nes a análise mas, de o ma simpli icada, as azões iden i icadas
7 Segundo a CIA ([2015], 2016), a F ança “não ecolhe dados sob e a iliação eligiosa da sua população
desde o censos nacional de 1872”, o que di icul a a a aliação em e mos de composição eligiosa”. Em
1872 oi ap o ada uma lei que p oibia as au o idades es a ais de cole a in o mação sob e as c enças
eligiosas dos indi íduos ou ela i as à sua e nia. Es a lei é pos e io men e ea i mada em 1978 com a
ap o ação de uma ou a que ala gou o seu âmbi o: “[p ohibi s] he collec ion o exploi a ion o pe sonal
da a e ealing an indi idual's ace, e hnici y, o poli ical, philosophical, o eligious opinions”. A lei de
1905 consag a a sepa ação en e a ig eja e o es ado.
CAPÍTULO IV
85
pelos especialis as elacionam-se não só com o passado colonial e a ins abilidade na egião
MENA mas ambém com as polí icas de in eg ação da União Eu opeia que são is as como
ine icazes pa a acolhe as comunidades mig an es, endo aquelas a o ecido a sua
seg egação e ma ginalização. As “causas” es ão assim elacionadas com o ompimen o de
expec a i as quan o à o e a de um conjun o de condições socioeconómicas e cul u ais que a
sociedade de acolhimen o alha em p o idencia na p á ica.
A in es igação conduzida pela jo nalis a i aquiana Zainab Salbi (2016) sob e a
adicalização dos jo ens na F ança acen ua es as gené icas conclusões académicas. As
en e is as ecolhidas no subú bio pa isiense “Depa amen o 93”, conhecido como o “gue o
de Pa is”, demons am que a maio ia dos indi íduos muçulmanos sen em-se ejei ados pela
sociedade ancesa: “(…) he issue, a i s co e, is ei he a social, economic o poli ical
F ench one. Religion comes in a a dis an ou h. And i ’s only used as a ool o ake
ad an age o ulne abili y and a disenchan men wi h he F ench sys em, and mos ly he
F ench p omise o equali y” (Salbi, Hu ing on Pos , 2016).
Todos es es a o es conduzem à desilusão, à al a de iden i icação (pull a o s),
sen imen os os quais po enciam o isolamen o, o c escimen o do ex emismo, da iolência e
são ap o ei ados pelos ec u ado es jihadis as, especialmen e pa a cap a a a enção de
jo ens em idade de ma u ação iden i á ia (De Mo ais, JN, 2017). As es a ís icas são
e elado as: de aco do com um es udo do CSIS (2016), 83% dos anceses conside am o
ex emismo iolen o como uma “ameaça a ní el global” e 81% enca a-o como um
p oblema em c escendo. Um inqué i o de Julho de 2014 (ICM) demons a que mais do que
¼ dos jo ens anceses com idades comp eendidas en e os 18 e os 24 anos êm uma
opinião a o á el ou mui o a o á el sob e o ISIS (A an, The Gua dian, 2015).
Os g upos e o is as como o ISIS, em pa icula , apa ecem assim como uma
opo unidade pa a colma a es as di iculdades e a al a de um sen imen o de pe ença: “ hey
join a “band o b o he s (and sis e s)” eady o sac i ice o signi icance” (Idem). Como
e e e o ICSR (2008: 16), “ á ios muçulmanos eu opeus de segunda ou e cei a ge ação,
po exemplo na F ança e no Reino Unido, dizem es a a i e um con li o de iden idade:
nascidos e c iados na Eu opa, deixa am de se iden i ica com o país e/ou a cul u a em que
os seus país ou a ós o am c iados e sen em-se excluídos pela sociedade ociden al que os
enca a como es angei os”.
Oli e Roy con es a a ideia de “ e cei a” ou “qua a” ge ação de jihadis as. Pa a o
au o , a “o igem” da adicalização homeg own na F ança emon a, pelo menos, à década de
1990 com o apa ecimen o do “gang de Roubaix” em 1996, um g upo de mujahedins a i o
CAPÍTULO IV
86
du an e a gue a ci il da Bósnia que “ en a am aze explodi um ca o numa cimei a do G7
em Lille”8 (Deje sky [1996] apud Raul , 2010; Roy, Mada Mas , 2016). Pa a Roy, es á
elacionada com um enómeno em pa icula : a adicalização de dois g upos de jo ens
anceses, nomeadamen e “a segunda ge ação” de imig an es (nascidos em F ança;
muçulmanos) e os con e idos a um “ amo” iolen o do Islão. Quase odos os jihadis as
anceses pe encem a um des es g upos pelo que o undamen o da adicalização na F ança
diz espei o a uma e ol a ge acional. Os jo ens muçulmanos de segunda ge ação são
“ociden alizados” (is o é, ado a am a mesma cul u a que os jo ens das suas idades) e
ep esen am um Islão di e en e do dos seus pais. Con udo, não p e endem segui nem a
cul u a dos seus p ogeni o es (quase semp e mode ados) ou a ociden al, enca ando ambas
como on es de ódio e con es ação. Pa a Roy, os con e idos ade em a uma “ o ma pu a” da
eligião - o sala ismo - pelo que acilmen e ade em a es a cul u a de u u a espelhada pelos
jo ens de segunda ge ação.
1.5.2 O ien ações polí icas e ins umen os na F ança
Nas pala as de Manuel Valls, “o comba e con a o jihadismo é o g ande desa io
desde a II Gue a Mundial. O enómeno da adicalização di undiu-se amplamen e na nossa
sociedade [e] em des uído o pac o Republicano” (The Local, 2016). Em 2016, 2.400
jo ens es a am sinalizados e 1000 amílias, a ní el nacional, es ão a se acompanhadas
pelas au o idades compen en es (Qui ooij, RSIS, 2016).
Os es o ços de con a adicalização na F ança es ão essencialmen e di ecionados
con a os “discu sos de ódio”. Na es ei a da isão b i ânica, os es o ços das au o idades
incidem o seu abalho sob e a p e enção p ocu ando “conquis a as men es” dos jo ens
p esumi elmen e ulne á eis an es que es es adi am ao ex emismo iolen o e in eg em um
qualque g upo e o is a (Qui ooij, 2016). Como e e e a es a égia an i e o is a ancesa
de 2006, a p e enção e comba e à adicalização eque uma con ínua lu a con a a “gue a
das ideias”: “in he long un, he only eal way o s op he sp ead o e o ism is wi h he
suppo and solida i y o ci izens. This means ha F ance mus igh a ba le o ideas, in
F ance and h oughou he wo ld.” (Li o B anco, 2006: 113, des aque nosso).
Os p og amas de con a adicalização anceses êm como al os p incipais as
comunidades “disen anchised” e os no os imig an es. Re e e Qui ooij (2016) que “o
enómeno da adicalização não é sob e a con e são ao Islão mas an es ao adicalismo,
8 “O “gang de Roubaix” e a lide ado po dois homens anceses con e idos ao Islão, nomeadamen e
Ch is ophe Caze e Lionel Dumon . O g upo con a a com 6 memb os” (Raul , 2010).
CAPÍTULO IV
87
mesmo pa a os muçulmanos”. Não deixa de se pa adoxal, no en an o, “as au o idades
ancesas nega em quaisque pad ões causais en e a eligião e a adicalização iolen a e, ao
mesmo empo, incluí em a pa icipação dos líde es eligiosos nas inicia i as de
con a adicalização” (Qui ooij, 2016). Segundo os ela ó ios do US S a e Depa men , a é
2014 a F ança não inha nenhum p og ama nacional pa a a p e enção e comba e con a a
adicalização, es ando o seu abalho a é en ão dis ibuído ou dispe so po á ias en idades e
p og amas. Em 2014, o Conselho de Minis os F ancês “p omulga um plano de qua o
pon os pa a o comba e ao ex emismo iolen o e um plano nacional pa a a “des-
adicalização” (US Bu eau, 2015: 113).
Em e mos de es u u a o ganizacional, as medidas de con a adicalização ancesa
dis ibuem-se po ês Minis é ios p incipais: Educação, In e io e Jus iça. A ní el nacional
es as medidas são lide adas pelo Comi é In e minis é iel de P é en ion de la Délinquance
(CIPD) e da Uni é de Coo dina ion de la Lu e An i- e o is e ou UCLAT que depende do
Minis é io do In e io (Qui ooij, 2016). Segundo US S a e Depa men , um p e ei o é
apon ado pa a moni o iza “os es o ços nacionais no comba e ao ex emismo iolen o” (US
Bu eau, 2015: 113).
O Minis é io da Educação abalha no sen ido de p omo e os “ alo es uni e sais”
os cidadãos anceses, independen emen e da sua o igem é nica ou do país de nascimen o
(US Bu eau, 2015: 113). Es a ins ução, en ançada com as disposições globais das Nações
Unidas, é eiculada em odas as escolas públicas ancesas e complemen ada com aulas de
o mação cí ica (medida es a que oi e o çada no escaldo do a en ados de Janei o em
F ança). O Minis é io p e ê ainda escola idade ob iga ó ia a é aos 16 anos. Pa ece-nos que
a á ea educacional é mais alo izada pa a o comba e con a a ideologia ex emis a e os
dados es a ís icos da CIA de 2013 demons am inclusi e um gas o subs ancial nes e se o :
5.5% do PIB ancês é alocado pa a a á ea da educação e, a ní el mundial, é o 43º país com
maio despesa nesse se o .
Em Janei o de 2015 o go e no lançou o p og ama “S op-Djihadisme” num es o ço
pa a comba e a ideologia ex emis a islamis a. A a és des e p og ama, que em como
obje i o p o idencia a população dos ins umen os necessá ios pa a p e eni a
adicalização, o go e no ap esen ou na al u a 11 no as medidas di ecionadas pa a a á ea da
educação “a im de p omo e os alo es epublicanos” nas escolas ancesas (CEP, 2017a).
Em 2016, oi ainda lançada a campanha #Toujou sLeChoix com o mesmo p opósi o,
especialmen e o ien ada a comba e a adicalização en e os jo ens: “Il ouche des F ançais
de plus en plus jeunes, quels que soien leu o igine, leu milieu social e leu lieu de ie”

CAPÍTULO IV
88
(Go F ance, 2016a). Nes e âmbi o educacional, o go e no anunciou ambém um plano de
in es imen o a im de comba e os “p eache s o ha e” bem como e o ça os ecu sos
despendidos pa a auxilia aqueles que es ão en ol idos em edes jihadis as ou aqueles
passí eis de se jun a aos g upos (Go F ance, 2016b).
O go e no em ambém apos ado i memen e na o mação das o ças policiais pa a
que es as “es ejam a en as a possí eis sinais de adicalização” (US Bu eau, 2009: 78). Em
2010, o go e no e o çou os es o ços dessa o mação e iniciou ambém um p og ama de
eino pa a imãs muçulmanos, lide ado po ou os conside ados “mains eam”. Nesse ano,
apos ou ainda na c iação de p og amas ex acu icula es, especialmen e o ien ados pa a
jo ens “em isco”, bem como na melho ia a ní el de mobilidade económica (Idem, 2010:
57). Em 2011, o go e no disponibilizou o mação p o issional pa a imig an es e g upos
mino i á ios que nunca se enham ma iculado no sis ema escola ancês (Idem, 2011: 62).
O Minis é io do In e io oca-se em “moni o iza ” á eas especí icas como bai os e
egiões com ele ada c iminalidade e al as axas de delinquência (US Bu eau, 2015: 113).
O Minis é io da Jus iça em como a i idade p incipal aplica p og amas de
eabili ação e ein eg ação pa a an igos c iminosos. A adicalização islamis a nas p isões é
uma das maio es p eocupações do go e no sendo es a ameaça con inuamen e ei e ada pelo
menos a pa i de 2005 (US Bu eau, 2005: 98). Po exemplo, em 2012, o am es imados 200
ex emis as iolen os no sis ema p isional ancês, sendo 60 a 70 suspei os de pe ence em a
uma ede e o is a (US Bu eau, 2012: 72). Face à si uação, o go e no anunciou o e o ço
de capelães muçulmanos no sis ema p isional, de 151 pa a 166. Dados do Minis é io a 1 de
Janei o de 2013 con i ma am apenas 164 (US Bu eau, 2013: 91). Em 2015, con abilizam-se
195 capelães a abalha nos sis emas p isionais (US Bu eau, 2015: 113), o que cons i ui um
e o ço de 10 indi íduos ace a 2014 (185).
Em 2007, po inicia i a do en ão Minis o da Jus iça Pascal Clemen , oi c iada
uma ede in e nacional de jus iça no in ui o de “c ia um diálogo en e especialis as sob e o
uso do sis ema judicial pa a o comba e ao e o ismo” (US Bu eau, 2007: 66). Con ou com
a colabo ação de mais 9 países no o al, en e eles o Reino Unido e a F ança. Em 2008,
ei e ando a cen alidade da ameaça, a F ança em conjun o com a Áus ia e a Alemanha
lança am um es udo a im de iden i ica os p incipais a o es da adicalização den o do
sis ema p isional e p oduzi p opos as pa a a sua p e enção e sup essão (US Bu eau, 2008:
72; US Bu eau, 2009: 78). Em 2009, esse es udo oi ap o ado po odos os memb os da UE
(27) e, inclusi e, pedido po ou os 9 países não-memb os (cuja iden i icação
desconhecemos) (US Bu eau, 2009: 78).
CAPÍTULO IV
89
Em 2014, o go e no c ia um “núme o e de” de ale a público pa a acili a a
comunicação com as au o idades, em caso de suspei a de adicalização. Es a “ oll- ee
ho line” oi especialmen e c iada pa a as amílias de cidadãos adicalizados e em-se
p o ado um sucesso (Go F ance, 2016): desde a sua implemen ação, o go e no já ecebeu
3000 chamadas (US Bu eau, 2015: 113) endo em 2014 ecebido 625 no i icações
“pe inen es” e p e enido en e 70 a 80 cidadãos de iaja pa a comba e na Sí ia” (US
Bu eau, 2014: 106). Segundo Qui ooij (2016: 3), o UCLAT oi o esponsá el po c ia es a
pla a o ma de ale a a qual é a ualmen e ge ida pelo Cen e Na ional d’Assis ance e de
P é en ion de la Radicalisa ion (CNAPR). A c iação des a ede ele ónica pode á e sido
in luenciada po uma ou a medida simila e implemen ada a ní el eu opeu no mesmo ano.
Em 2015, a im de e o ça os es o ços no âmbi o da CVE, “a F ança p o idenciou
inanciamen o pa a o Global Communi y Engagemen and Resilience Fund, uma pa ce ia
público-p i ada que disponibiliza undos a o ganizações comuni á ias-locais pa a
implemen a em os seus p oje os nesse âmbi o” (US Bu eau, 2015: 113).
1.6 A in luência da ONU e UE no con a e o ismo ancês
Tendo em con a as on es mencionadas na In odução, as o ien ações em ma é ia
de con a e o ismo da ONU e UE (Capí ulo II) e as condicionan es da sua ação (Capí ulo
III), podemos delinea qua o aspe os p incipais ela i amen e à in luência dessas
o ganizações sob e o con a e o ismo ancês (pós 11/9).
P imei o e an es de mais, segundo a Human Righ s Wa ch, após os a en ados, mais
de 140 go e nos a ní el global passa am no as leis con a e o is as nos seus sis emas
nacionais ou e i am as suas legislações. O ímpe o pa a a mudança oi a iá el: “in some
cases i has been majo a acks a ge ing he coun y; in many o he s, i has been a
esponse o Uni ed Na ions Secu i y Council esolu ions o p essu e om coun ies such as
he Uni ed S a es ha su e ed o ea ed a acks” (HRW, 2012a). A F ança, deduzimos,
pe ence a es e g upo pois de aco do com o es udo de Den Boe e Wiegand (2015) é um dos
países que mais al e ou a sua legislação con a e o is a. O país, a pa do Reino Unido, a
Alemanha ou a I ália, c iminalizou no os a os e, e e e a EUROPOL, desde 2004 aplicou
“no as p o isões pa a lida com a os e o is as” ela i as a ques ões de igilância,
in il ação em edes, in e ceção de elecomunicações ou in es igações de a os e o is as
(TE-SAT, 2009: 45). Segundo Den Boe e Wiegand (2015: 394) é no escaldo dos a en ados
que a F ança “inclui na sua legislação o c ime de associação com um g upo e o is a” (ou
CAPÍTULO IV
90
ATM). Man emos alguma ese a quan o a es a a i mação pois, como e e imos, a ATM é
uma lei que emon a a 1994 segundo in o mações do Pa lamen o Eu opeu.
Segundo, os ins umen os in e nacionais lançados após o 11/9, como as esoluções
do CSNU (1373 e 1624), con ibuí am pa a a ha monização de es a égias con a e o is as
en e os es ados eu opeus. Em 2010, incluindo a F ança, odos os es ados incluí am no oas
o ensas e o is as nas suas legislações em p ol dessas no as esoluções (Den Boe e
Wiegand, 2015: 395), o que ambém comp o a a a i mação da Human Righ s Wa ch acima
sup a e e ida. No que espei a às o ien ações da UE, a F ança em 2004 implemen a o
Manda o de De enção Eu opeu na sua legislação (Idem: 396) e, em 2006, como e i icámos
no ela ó io TE-SAT de 2007, a F ança ado a a de inição do F amewo k Decision da União
Eu opeia, o que ambém acen ua a in luência das no mas in e nacionais sob e o país.
Te cei o, no que espei a ao âmbi o da p e enção e comba e con a a adicalização,
a in luência é ambém e i icá el uma ez que as o ien ações de inidas pelo es ado ancês
pa ecem es a em consonância com os p incípios es ipulados no Plano de Ação das Nações
Unidas e as á ias es a égias edi icadas pela União Eu opeia, que e e imos no Capí ulo III.
A in luência aduz-se pela omada de e e ência des as no mas nas inicia i as elabo adas,
con udo as es a égias ou p og amas implemen ados es ão sob e udo a ca go nacional, pelo
que a ONU e UE – al como no con a e o ismo a ní el ge al – êm um papel de
enquad amen o.
Qua o, é de no a que an es do 11/9, a F ança inha já uma legislação
con a e o is a obus a. Após 2001, o país man e e a mesma abo dagem (Den Boe e
Wiegand, 2015: 398). Apesa das al e ações legisla i as ace às no mas daquelas
ins i uições, a “F ança apenas mudou as suas leis de o ma mode ada uma ez que pôde
desen ol e um sis ema con a e o is a mais cedo que ou as democ acias libe ais” (Idem).
IV. 2. O Reino Unido
2.1 A segu ança nacional b i ânica
Os undamen os da segu ança nacional do Reino Unido es ão es ipulados na
“Es a égia de Segu ança Nacional e Re isão da Es a égia de De esa e Segu ança” (SDSR,
em inglês). Re is a a cada cinco anos, a es a égia delimi a as p io idades undamen ais, as
capacidades e os ecu sos necessá ios. O p incipal oco da es a égia é omen a “um Reino
Unido p óspe o e segu o que enha uma in luência e alcance global” (SDSR, 2015: 9). A
es a égia delimi a ês obje i os de segu ança nacional:
CAPÍTULO IV
91
(1) P o ege a população – Co esponde à p o eção da população no e i ó io
nacional e no ex e io e à p o eção ela i a às in aes u u as, ao modo de ida e à segu ança
económica. En e ou os p opósi os, a p ossecução des e obje i o implica da p io idade ao
comba e con a o e o ismo, a adicalização e o ex emismo que den o das on ei as
nacionais ou o a.
(2) P oje a a in luência global – Visa eduzi a p obabilidade das ameaças que
podem a e a o Reino Unido, os seus in e esses e os dos seus aliados e pa cei os. Es e
obje i o implica a p omoção de es abilidade no ex e io , di ecionando a sua a enção pa a as
egiões e es ados alhados. Implica ainda, en e ou os, o o alecimen o das eg as da
o dem in e nacional (c iação de ins i uições mul ila e ais) e o e o ço dos laços en e as
alianças i madas.
(3) P omo e a p ospe idade do país – Co esponde ao ap o ei amen o de á ias
opo unidades, ao abalha de o ma ino ado a e ao apoio à indús ia b i ânica. Es e
obje i o implica a maximização de opo unidades pa a os se o es da de esa, segu ança ou
diplomacia bem como a apos a no abalho com se o p i ado.
Em e mos de iscos e p incipais ameaças à segu ança nacional, o e o ismo é
ap esen ado como a p incipal ameaça, especialmen e o de ma iz islamis a. A es a égia
ele a qua o g andes desa ios “[which] a e likely o d i e UK secu i y p io i ies o he
coming decade”: (1) o aumen o da ameaça do e o ismo, ex emismo e ins abilidade; (2) a
essu gência das ameaças es a ais e a in ensi icação da compe ição en e es ados – O
go e no b i ânico des aca o compo amen o da Rússia no meio in e nacional e a
ins abilidade no Médio O ien a, No e de Á ica e no Sul e Sudes e da Ásia; (3) o impac o
da ecnologia, especialmen e da ameaça dos cibe a aques, e de ou os desen ol imen os
ela i os ao p og esso da engenha ia gené ica, bio ecnológica ou à obó ica; e (4) a e osão
das eg as in e nacionais que em di icul ado a c iação de consensos” – Nes e qua o
desa io, o go e no b i ânico des aca a e olução das economias da China, India ou B asil
que podem conco e “con a” o dinamismo económico da Eu opa, EUA ou Japão (SDSR,
2015: 15). O go e no iden i ica ainda ou os iscos (con inuing isks) como as eme gências
ci is, as ca ás o es na u ais, a segu ança ene gé ica, a economia global ou e as al e ações
climá icas e escassez de ecu sos.
Quan o ao p imei o desa io, me i ó io de des aque pelos nossos p opósi os, o
go e no b i ânico sublinha que “a ameaça dos g upos e o is as islami as sob e o Reino
Unido, incluindo cidadãos b i ânicos e seus in e esses no ex e io , em aumen ado”. (SDSR,
2015: 15). Segundo a es a égia, esses g upos es ão a i os no Médio O ien e, em Á ica e no
CAPÍTULO IV
98
maio e idência na sociedade b i ânica, pe azendo um o al de 4.4% da população (CIA
[2011], 2016)15.
2.4 O con a e o ismo no Reino Unido
2.4.1 P incípios ge ais e es u u a ins i ucional
Os p incípios ge ais do con a e o ismo b i ânico es ão delineados na es a égia
CONTEST. Lançada em 2003 e e is a a é ao momen o ês ezes (2006, 2009 e 2011), a
CONTEST “es abelece a isão, o enquad amen o e os meios de p e enção e espos a
ela i os à ameaça” (Ma os, 2016d: 133). O obje i o cen al da no a es a égia de 2011 é
“ eduzi o isco do e o ismo no e i ó io nacional e no ex e io ” (CONTEST, 2011: 40)
sendo ambém a sua p incipal ino ação: con a iamen e às es a égias an e io es, a
CONTEST 2011 ecupe a os p incípios es ipulados na “Re isão da Es a égia de De esa e
Segu ança” de 2010 e ala ga o seu âmbi o passando a inclui odas as o mas de e o ismo
que enham o igem in e na ou ex e na. Acompanhando os p incípios de segu ança
nacional, a es a égia en a iza a necessidade de “abo da não só a ameaça di e a dos a aques
mas ambém os a o es a longo p azo que possibili am o desen ol imen o e o c escimen o
dos g upos e o is as” (Idem). A lu a con a o e o ismo no Reino Unido segue uma
abo dagem holís ica que en ol e a coo denação com ou os p og amas go e namen ais e é
o ien ada po qua o linhas de ação:
(1) Pe segui (Pu sue) – Desman ela os a aques e o is as, que a ní el in e no ou
ex e no. Implica a “de eção e in es igação de possí eis a aques com a maio an ecedência
possí el, a dis upção da a i idade e o is a e a p ossecução dos esponsá eis” (CONTEST,
2011: 45)
(2) P e eni (P e en ) – P e eni o en ol imen o de indi íduos em a i idades
e o is as ou a sua p omoção. Apesa de incluída na CONTEST, o P e en é conside ado
uma “es a égia” pe si, a qual oi implemen ada em 2007 e pos e io men e incluída em
2009, na segunda e isão da CONTEST. Dedica-se ao enómeno da adicalização,
p ocu ando (a) comba e a ideologia subjacen e ao ex emismo iolen o; (b) p e eni a
adicalização de indi íduos e apoia aqueles mais ulne á eis a um possí el ec u amen o
bem como abo da as causas (g ie ances) explo adas pelo p ocesso de adicalização e (c)
15 O inqué i o ealizado pela WIN/Gallup In e na ional (2017), que aba cou 68 países, demons a umas
es a ís icas di e en es: o Reino Unido é um dos países “menos eligiosos”, sendo que 11% da população
a i ma se a eia e 58% não eligiosa. (Oli e , Wo ld Economic Fo um, 2017)

CAPÍTULO IV
99
o alece as comunidades, abalhando com “ á ios sec o es da sociedade, incluindo, em
pa icula , a educação, é, saúde, in e ne ou a jus iça c iminal” (CONTEST, 2011: 62).
(3) P o ege (P o ec ) – Re o ça a p o eção do país con a um a aque que no
e i ó io nacional ou no ex e io , a im de eduzi não a ameaça do e o ismo (isso é a
a e a dos dois pila es an e io es) mas an es a ulne abilidade quan o a um a aque e o is a
(Idem: 81). As p io idades nes a linha de ação passam po “(a) o alece da segu ança nas
on ei as; (b) eduzi a ulne abilidade da ede de anspo es; (c) po encia a esiliência
das in aes u u as e (d) aumen a a segu ança em espaços públicos (c owded places)”.
Essas p io idades são dadas pelo NSRA (CONTEST, 2011: 79).
(4) P epa a (P epa e) – Mi iga o impac o de um a aque e o is a quando não
pode se pa ado. Es a linha de ação implica abalha pa a comba e o a aque e a
ecupe ação pós o inciden e. En e ou os p opósi os, eque -se o e o ço da capacidade dos
se iços de eme gência du an e o a aque e o o alecimen o da pa ilha de in o mações e
comunicações ela i as a possí eis a aques. “O P epa e em e oluído no sen ido de e le i
as p io idades explanadas na Es a égia de Segu ança Nacional”, a qual en a iza a
necessá ia coesão en e os ní eis local e nacional, ale ando ambém pa a a educação da
população sob e os iscos que o Reino Unido en en a (CONTEST, 2011: 94)
Segundo Ma os (2016d: 130), a CONTEST baseia-se num modelo con a e o is a
de law en o cemen (ou “C iminal Jus ice Model”), pelo que o e o ismo é enca ado como
“um c ime e, como al, necessa iamen e p e enido e ep imindo pela ação dos se iços de
in o mações e o ças policiais [bem como] e sis ema penal e p isional”. O modelo b i ânico
em sido c i icado po ende a p e e i a ia mili a (Ma os, 2016d). Como e e e Mo ie e
Hoe (1987: 113), “ he e a e go e nmen s who will s and up o he e o is h ea and
espond wi h igou and pu pose. The B i ish iew is pa icula ly ha dline and
uncomp omising”.
A de inição de e o ismo no Reino Unido emon a ao P e en ion o Te o ism Ac
de 1989, a qual oi pos e io men e ala gada com a implemen ação do Te o ism Ac em
2000 (TE-SAT, 2007: 39). A é ao 11/9, “a maio ia da legislação an i e o is a e a
di ecionada pa a esol e os p oblemas ela i os ao con li o na I landa do No e”
(Wilkinson [2007] apud Ma os, 2016d: 132), “con udo, desde 2000 e especialmen e após o
11/9, a a enção do go e no b i ânico em sido o ien ada a im de lida com o c escimen o do
e o ismo in e nacional” (Tu al, IDI, 2008). O Te o ism Ac de 2000, conside ada a lei
base pa a a pe pe ação de e o is as e p osc ição de o ganizações e o is as, “anulou a
legislação de exceção no Reino Unido (b i ish eme gengy legisla ion) o ien ada pa a o
CAPÍTULO IV
100
con li o na I landa do No e e e o mulou os mecanismos legais des inados ao comba e da
ameaça (Idem). Sob e udo, a ino ação des a no a lei eside em e ala gado a de inição pa a
inclui a os e o is as in e nacionais, jun amen e aos domés icos” (US Bu eau, 2001: 42). O
a igo 1 ipi ica a seguin e de inição (DILP, AR, 2015: 19):
“O uso ou ameaça de ação c iados pa a o ça o Go e no ou uma o ganização in e nacional ou
in imida a população (…), inspi ado em causas polí icas, eligiosas, aciais ou ideológicas e en ol a
iolência g a e con a uma pessoa, danos con a p op iedade, coloque em pe igo a ida de uma pessoa
que não a que conduza o a o, cons i ua um isco g a e à saúde ou an o à segu ança pública como a um
sec o da população ou seja concebido com o obje i o de pe u ba ou a e a um sis ema ele ónico”.
Tal como podemos no a pela de inição ap esen ada (2000), “o o denamen o
ju ídico do Reino Unido con empla um as o conjun o de ilíci os associados ao enómeno
e o is a”. Ou seja, e i icamos que o e o ismo na lei b i ânica é enca ado de o ma di usa
cuja legislação, segundo a Assembleia da República Po uguesa, é “ap o ada em unção das
especi icidades ine en es ao p óp io enómeno” (DILP, AR, 2015: 47).
Em 2003, o C ime In e na ional Co-ope a ion Ac implemen a a de inição
es ipulada no F amewo k Decision da União Eu opeia (TE-SAT, 2007: 39) e em 2006, o
go e no ap o a um no o Te o ism Ac o qual passa a inclui na de inição no os elemen os
(TE-SAT, 2009) como “a p oibição da inci ação ao e o ismo e disseminação de
p opaganda e o is a (secções 1-4), a p oibição de a os p epa a ó ios e o eino de
e o is as (secções 5-8) e a p oibição da posse e o uso de subs âncias adioa i as e
nuclea es (secções 9-12) bem como ag a ou as penas aplicadas pa a a os ela i os ao
e o ismo (Tu al, IDI, 2008). Sob a ap o ação do Te o ism Ac de 2000, “en e o 11/9 e
2003, a polícia de e e 537 indi íduos sendo 94 condenados com o ensas ela i as ao
e o ismo” (US Bu eau, 2003: 56). Samina Malik oi a p imei a cidadã b i ânica condenada
à luz dessas disposições pela posse de de e minados documen os que pode iam e sido
usados pa a come e um a o e o is a (Idem). De ida em Ou ub o de 2006, Malik “had a
lib a y o ma e ial use ul o e o is s in he apa men . She was ound guil y o possessing
eco ds likely o be used o e o ism” (US Bu eau, 2007: 100). Segundo o The Teleg aph,
“Malik, 24, pos ed a se ies o poems on websi es ac oss he in e ne abou killing non-
belie e s, pu suing ma y dom and aising child en o be holy igh e s. (…) [She] was
gi en a nine-mon h jail sen ence (…) o p epa ing an ac o e o ism unde Sec ion 58 o
he Te o ism Ac 2000”. (Ga dham, The Teleg aph, 2008)16.
16 A b i ânica es a a na posse de á ios documen os “including al-Qaida Manual, he Te o is ’s
Handbook, he Mujahedeen Poisons Handbook and se e al mili a y manuals”. “She also w o e on he
back o a ill eceip : «The desi e wi hin me inc eases e e y day o go o ma y dom»”. (Glendinning,
CAPÍTULO IV
101
A ní el de es u u a ins i ucional, a p incipal en idade esponsá el pela segu ança
in e na e o con a e o ismo no Reino Unido é o Minis é io do In e io (Home O ice),
es ando a ca go do seu Minis o a “ o mulação de polí icas e legislação con a e o is as,
bem como o con olo execu i o sob e o se iço de in o mações in e no do país, o MI5.
Ou as en idades como as agências de in elligence de de esa ambém êm um papel
ele an e nesse âmbi o mas es ão sob a coo denação dos Minis é ios da De esa e dos
Negócios Es angei os. O abalho de odas es as en idades e ou os minis é ios são
coo denados a a és de “c oss-depa men al commi es” (Foley, 2013: 78).
À semelhança da F ança, o Reino Unido con a ambém com o apoio dos pa cei os
a ní el in e nacional na lu a con a o e o ismo. En e ou os o ganismos, o Reino Unido
comp ome e-se com as esoluções das Nações Unidas e com os pa cei os na União
Eu opeia, a ibuindo especial ele ância à necessidade de pa ilha de in o mação, à
implemen ação de medidas que di icul em a en ada de e o is as no espaço eu opeu ou à
iden i icação dos a o es que con ibuem pa a o ec u amen o e p omoção do e o ismo. É
memb o da Financial Ac ion Task Fo ce agains Money Launde ing (FATF) e abalha
a i amen e den o do G8 (CODEXTER, 2007: 9). Os ela ó ios no e-ame icanos sublinham
ambém a pa icipação do Reino Unido na NATO e no Coun e Te o ism Ac ion G oup
(CTAG), sendo ambém memb o do GCTG.
2.5 A con a adicalização no Reino Unido
2.5.1 A adicalização e o ec u amen o no Reino Unido
Segundo a es a égia P e en , o go e no b i ânico enca a a adicalização como um
p odu o “de uma ideologia que p omo e o uso da iolência, cujos p opagandis as são
in e nos e ex e nos ao país. Esses ec u ado es, po uma a iedade de a o es - desde
ulne abilidades pessoais a mo i os sociais - o nam essa ideologia sedu o a e a a i a,
especialmen e pa a os jo ens (HMG, 2011: 12). Pa a o se iço de in o mações in e no
b i ânico, a adicalização é is a “as he p ocess by which people came o suppo e o ism
and iolen ex emism and, in some cases, hen join e o is s g oups” (CEP, 2017b).
The Gua dian, 2008). Con udo, Malik, que se apelida a de “Ly ic Te o is ”, oi ilibada da acusação após
ecu so, endo a pena sido suspensa e ob igada a aze 100 ho as de abalho comuni á io es ando sob
igilância du an e 18 meses (US Bu eau, 2007: 100). “She said she chose o call he sel he ly ic e o is
because she hough i was cool and denied she was an ac ual e o is ”. A secção 58 do Te o ism Ac ,
sob a qual oi ealizada a condenação, não conside a a a posse de ma e ial p opagandís ico: “i uled ha
an o ence would be commi ed only i he documen o eco d conce n was likely o p o ide p ac ical
assis ance o a pe son commi ing o p epa ing an ac o e o ism” (Glendinning, The Gua dian, 2008).
CAPÍTULO IV
102
Em 2010, o Paquis ão, o Iémen e a Somália e am conside ados as p incipais á eas
de maio ameaça aos in e esses b i ânicos, nomeadamen e pela p esença da al-Qaeda e
g upos a iliados nessas egiões. A ualmen e, como emos indo a salien a , o cená io mais
p eocupan e é o quad o de g ande ins abilidade p o enien e da Sí ia e do I aque onde o
go e no b i ânico - al como a F ança - em ido uma p esença a i a. Ambos êm
demons ado uma p eocupação ac escida com a saída de nacionais pa a comba e nesses
países (CEP, 2017b: 2). Em Ou ub o de 2016, ap oximadamen e 850 b i ânicos já e iam
deixado o país (CEP, 2017b), exis indo a ualmen e “ á ios milha es de indi íduos que
apoiam ou es ão en ol idos em a i idades ex emis as islami as” (MI5, s/da a, A).
Es es indi íduos são mo i o de ale a pa a as au o idades nacionais po que, na
possibilidade de e o na em a solo b i ânico, aumen am a p obabilidade de oco ência de
iolência ou de um a aque e o is a. Como explica o MI5, as capacidades que adqui em no
ex e io podem se u ilizadas pa a “o ganiza ou pe pe a a aques po si p óp ios ou ainda
adicaliza ou os”, a i idades es as po enciadas pelo uso das edes sociais. De aco do com
Dodd e G ie son (The Gua dian, 2016), Anjem Chouda y, um dos undado es do g upo al-
Muhaji oun, já e á in luenciado 100 indi íduos b i ânicos “no in ui o de pe pe a a aques
con a o país e o ganiza campanhas de assassínio con a o Ociden e”.
Embo a “a maio ia dos que eg essam não planeiem a aca o Reino Unido, as
es a ís icas demons am que é uma si uação p o á el e que pelo menos alguns en a ão azê-
lo” (MI5, s/da a, A): “ hese kids go o a wa zone popula ed by Islamis s, hen hey come
back o he UK, hey know bombs, hey know how o make bulle s” says M Be amme , he
o me ac i is . “[Salman Abedi] was in Libya igh ing o he Muslims. Wha do you hink
he’s going o do when he’s back in he UK?” (Jones, Financial Times, 2017)17. Em
Dezemb o de 2016, o Di e o do MI6, Alex Younge ale a a que o ISIS es a ia a p epa a
o mas de inci a ou os a pe pe a a aques no país sem e em de iaja pa a a Sí ia (CEP,
2017b: 2). Ainda assim, o núme o de de enções em aumen ado, o que pode á se i de
con apeso ao c escimen o e e olução da ameaça: po exemplo, em 2015, o Reino Unido
17 Salman Abedi é o a acan e do a en ado em Manches e a 22 de Maio de 2017. Abedi, 22 anos, cidadão
b i ânico e ilho de pais líbios, e a conhecido pelas au o idades b i ânicas mas, segundo a TVI24 (2017)
que ci a o Financial Times, “nunca inha es ado elacionado com nenhuma in es igação, nem e a
conside ado um isco”. De aco do com os se iços alemães, qua o dias an es do a en ado, Abedi e á
iajado da Líbia pa a Is ambul e daí pa a o Reino Unido, passando pelo ae opo o de Düsseldo (Jones e
al., Financial Times, 2017). Segundo o minis o do In e io F ancês e á sido aí que oco eu a
“ adicalização”: “all o a sudden he a elled o Libya and hen mos likely o Sy ia, became adicalised
and decided o commi his a ack." (E ans e al, The Teleg aph, 2017). As au o idades ainda es ão a
in es iga se Abedi em ligações com a al-Qaeda ou o ISIS, mas descon ia-se que e á ido ligações com
Abdal aou Abdallah, um ec u ado do ISIS que o a condenado em 2016 pelo go e no b i ânico e e a
conhecido da amília de Abedi. (Khala e al., Financial Times, 2017).
CAPÍTULO IV
103
p e eniu 7 a aques inspi ados ou com ligações di e as ao ISIS (US Bu eau, 2016: 161). Em
2016, de e e 149 indi íduos no en an o não especi icando qual a ideologia a que es a iam
associados (TE-SAT, 2017: 50).
Como sabemos, “nem oda a a i idade ex emis a é o ien ada pa a o e o ismo”
(MI5, s/da a, B). Os ex emis as esiden es em solo b i ânico que especi icamen e o ien am
a sua a i idade pa a ins e o is as azem-no a a és de ês canais: (a) “Da adicalização de
indi íduos (alicia ou os a jun a em-se a um g upo e o is a ou a pe pe a algum a aque);
(b) Do inanciamen o a edes e o is as ( equen emen e pela p á ica de a i idades
c iminosas) e (c) Do apoio à saída de ou os adicalizados a im de se jun a am a ou os
g upos e o is as e ecebe eino pa a al” (MI5, s/da a, A).
Os supos os a o es que explicam a adicalização e o ec u amen o no Reino Unido
são ambém a iados, ap esen ando g ande semelhança com a F ança ou com a si uação na
Eu opa em ge al. Segundo Ba le e Bi dwell (2010: 11), “alguns muçulmanos b i ânicos
en en am di iculdades económicas e sociais, i em em con ex os des a o ecidos a ní el
económico, social, educacional ou p o issional e en en am di e sos desa ios ela i os à sua
in eg ação na sociedade”. No en an o, ad e em os au o es, exis em poucas e idências de
que es es a o es possam con ibui di e amen e pa a a adicalização e a iolência. No seu
pa ece , “islamiza ” o p oblema (a adicalização) é p ejudicial pa a a sua p e enção, uma
ez que es á sob e udo elacionado com as ques ões sociais ou económicas. Na mesma linha
de aciocínio, pode ão enquad a -se os sociólogos Oli e Roy e Die ma Loch.
Roy e Loch en a izam que o que es á em causa é a islamização do adicalismo,
uma si uação p esen e na sociedade ancesa mas não exclusi a da F ança: “é p eciso
con inua a da a enção aos locais [de onde p o êm] a maio ia dos [a acan es], os subú bios
socialmen e des a o ecidos. (…) Isso não signi ica que o jihadismo mili an e [es eja]
limi ado apenas às pessoas ma ginalizadas (…); mas o pon o c ucial do p oblema [es á
elacionado] com esses subú bios. (…) As pessoas que agem de o ma iolen a, a a és de
a aques e o is as, mui as ezes não são ão o emen e eligiosas. [T a a-se] menos de uma
adicalização do [islão] e mais uma islamização do adicalismo” (Loch in Hamann, DW,
2016). Fe nando Reina es, Di e o do P og ama sob e Te o ismo Global no Ins i u o Real
Elcano, no a ambém que “po ezes, coloca-se g ande en âse em ques ões como a
disc iminação social e as polí icas es a ais e igno a-se quaisque dis unções den o das
p óp ias comunidades muçulmanas que podem le a à sua alineação / exclusão das
sociedades onde es ão inse idos” (apud Moos, Religioscope, 2016: 3).

CAPÍTULO IV
104
A nosso e , o que odos es es au o es pa ecem salien a é a necessidade de
enca a a adicalização como um p oblema que eque di e en es len es de análise. Es a
abo dagem es á em consonância com as p emissas do nosso supo e eó ico de base, os
Es udos C í icos de Segu ança pois aqueles au o es sublinham a impo ância do(s)
con ex o(s), o qual é en a izado pelo legado Cons u i is a que ê o enómeno do e o ismo
pau ado po di e sos es e eó ipos e, na senda da linguagem oucaul iana, uma ameaça que
se ma e ializa na ideia de “ egimes o u h”.
Em esul ado e al como sucede no caso da F ança, o Reino Unido é ambém um
dos países cujo aumen o do ex emismo iolen o em sido no ó io: 41% dos b i ânicos
conside am que é uma “ameaça a ní el global” e 59% conside a que é um p oblema em
c escendo (CSIS, 2016). Ademais, odos aqueles a o es dis up i os são ap o ei ados pelos
ec u ado es que di undem as suas mensagens p e e encialmen e em mesqui as ou os
campus das uni e sidades. Pa icula men e, e e e Taa nby (2007), a mesqui a de Finsbu y
Pa k em Lond es (jun amen e com o Islamic Cul u al Cen e em Milão e as mesqui as Abu
Bak na cidade de Mad id e Al-Quds em Hambu go) oi um dos locais que “se iu de
ga eway pa a a jihad global”, nomeadamen e po aí se e em adicalizado os jo ens
muçulmanos que pa i am pa a o A eganis ão, a Bósnia e a Chechénia como muhajeddins.
Con udo, ad e e que “é inap op iado o ula es as ins i uições como cen os de
ec u amen o: é ce o que e ão se ido de agen es adicalizado es, mas é sob e udo o
con ex o social en ol o desse local (mesqui a) ou a ins i uição eligiosa que po enciam a
“ ans o mação” dos jo ens muçulmanos em “ e o is as”.
2.5.2 O ien ações polí icas e ins umen os no Reino Unido
A con a adicalização no Reino Unido segue as ma izes es ipuladas pa a o pila
P e en , que é pa e in eg an e da CONTEST e o nado uma es a égia pe si. O P e en
em ês p opósi os undamen ais: (1) esponde à ideologia ex emis a; (2) p e eni apoio
na p e enção con a a adicalização de indi íduos e (3) “es abelece elações com um
conjun o de di e sos se o es (educacional, jus iça c iminal, ins i uições eligiosas, online,
saúde)” (P e en , 2011: 7).
O abalho de p e enção no Reino Unido pode se di ido em duas ca ego ias: (1)
P e enção ge al que isa comba e o ex emismo, p omo e os p incípios democ á icos e a
coesão social ou abo da os a o es po enciais) e (2) P e enção especí ica (one- o-one
a ge ed in e en ions) que incide pa icula men e em indi íduos que es ão em isco de
ade i a ideologias ex emis as ou que já o ize am” (ICSR, 2012). A segunda linha de ação
CAPÍTULO IV
105
é sob e udo le ada a cabo pelo P og ama Channel, cujos aspe os especí icos do p og ama
em uma na u eza con idencial. É uma das ped as angula es da CVE no Reino Unido dado
que é “um sis ema que cong ega di e sas agências que a alia po enciais indi íduos em isco
e p o idencia o apoio necessá io an es das suas ulne abilidades se em explo adas pelos
ec u ado es” (CEP, 2017b: 14) De no a que en e “2015 e 2016, o am e e enciados
7.500 indi íduos pa a a aliação do P og ama. Des es, ap oximadamen e 1 em 10 o am
de e minados como ulne á eis ao e o ismo” (Idem). Ainda, “en e Janei o de 2012 e
Dezemb o de 2015, quase 2.000 c ianças meno es de 15 anos o am e e idas pa a os
p og amas de con a adicalização2 (Idem).
Os p og amas de con a adicalização no Reino Unido incidem pa icula men e
sob e as comunidades muçulmanas do país, embo a o P e en ei e e que o comba e é
ans e sal a odas as comunidades, indi íduos e ideologias. Segundo o Conselho
Muçulmano B i ânico exis em mais de dois milhões de muçulmanos a i e no Reino
Unido, sendo esse o g upo eligioso - à semelhança da F ança ou com ou os países
eu opeus – o al o p e e encial das agências go e namen ais pa a e ei os de igilância.
Si uação oco en e desde 2004, pelo menos, os go e nos nacionais eu opeus êm edob ado
a sua a enção sob e essas comunidades pois são conside adas como po enciais eículos ou
causas pa a o e o ismo (Pila , 2008; Schmid, 2013). Pe e Neumann sublinha que essa
a i idade de mono o ização em sido exponenciada com a capacidade do ISIS em a ai ,
ec u a e adicaliza jo ens eu opeus muçulmanos.
Es a si uação em despole ado di e sas c í icas con a o P e en po pa e de
“o ganizações não-go e namen ais, p o esso es ou a é de elemen os no seio do go e no
b i ânico” (CEP, 2017b). Inclusi e, em Fe e ei o de 2016, o e iso independen e da
legislação e o is a no Reino Unido, Da id Ande son, apelou a uma e isão do P e en po
conside a que alguns dos seus elemen os “ha e been ine ec i e o being applied in a
insensi i e o disc imina o y manne ” (Idem: 15).
Es a alegada igilância sob e os muçulmanos em con udo p opo cionado o
apa ecimen o das ozes mode adas do Islão em a ena pública. Po exemplo, na sequência
dos a aques na London B idge em 2017, di e sos imãs b i ânicos ecusa am-se a
disponibiliza campas islâmicas pa a os a acan es18, endo apelado ao go e no a u gência da
necessidade de comba e a adicalização dos jo ens. Qa i Asim, imã na mesquis a de Leeds,
em salien ado a impo ância de comba e o ex emismo a a és da igilância mas sob e udo
18 Khu am Shazad Bu (27 anos, b i ânico, nascido no Paquis ão), Rachid Redouane (30, ma oquino-
líbio) e Yousse Zaghba (22). Segundo a CNN, Bu apa eceu num documen á io “The Jihadis Nex
Doo ” do p og ama Channel 4. Redouane e a desconhecido das au o idades (Sidhu e al, CNN, 2017).
CAPÍTULO IV
106
a a és da iden i icação das suas causas p imá ias da adicalização, sublinhando que
nenhum dos a o es pode á se jus i icação pa a i a a ida a um inocen e (Yo kshi e Pos ,
2017).
Apesa das c í icas, como e e imos, o P e en salien a que a con a adicalização
b i ânica é ans e sal a odas as ideologias: “P e en mus deal wi h all o ms o e o ism
and no jus wi h Al Qa’ida [o ISIS] (…) [and] mus no be used as a means o co e
spying on people o communi ies” (P e en , 2011: 13). Na sequência do a en ado a 22 de
Ma ço de 2017 na pon e de Wes mins e , a Minis a do In e io Ambe Rudd apelou à
con ínua coope ação de es o ços na sociedade ci il a im de condena odas as o mas de
ex emismo, seja islamis a, de ex ema-di ei a ou qualque ou a ideologia.
Em e mos de es u u a o ganizacional a con a adicalização no Reino Unido
en ol e di e en es a o es go e namen ais, des acando-se as seguin es en idades: o Home
O ice, nomeadamen e a a és da unidade de in es igação, in elligence e comunicação
(RICU, em inglês) e do gabine e de segu ança e con a e o ismo (US Bu eau, 2007: 99); o
The Fo eign and Commonweal h O ice (FCO); o The Depa men o Communi ies and
Local Go e men ; au o idades locais e a polícia (US, Bu eau, 2010: 79). O P e en , em
pa icula é coo denado pelo Home O ice a a és do O ice o Secu i y and Coun e -
e o ism (OSCT) (P e en , 2011: 9).
Face a udo quan o p ecede, a amos de seguida de e idencia uma b e e
e olução dos p incipais es o ços de con a adicalização.
Em 2008, num es emunho pa a o Comi é de De esa da Câma a dos Comuns, o
en ão Minis o da Segu ança no Reino Unido Lo d Alan Wes , a i ma a que o Reino Unido
“lu a a há já 30 anos pa a comba e a adicalização dos jo ens ex emis as no seio das
comunidades muçulmanas no país” (US Bu eau, 2008: 108). De aco do com os ela ó ios
do US S a e Depa men , desde 2005, pelo menos, o Reino Unido man ém uma posição de
inicia i a e lide ança na á ea da adicalização a im de “iden i ica os a o es es u u ais e
mo i acionais que podem conduzi aos p ocessos de ec u amen os pa a ins e o is as”
(US Bu eau, 2005: 123). Em 2003, ace à implemen ação da CONTEST e do P e en , o
go e no b i ânico já inha e o çado os es o ços no que conce ne à ecolha de in o mações a
im de comba e o ex emismo islamis a.
Em 2006, o go e no b i ânico e o çou os laços de comunicação com as
comunidades muçulmanas com o “apoio às in e p e ações mode adas no Islão” a im de
comba e con a a a ação da ideologia ex emis a e adicalização (US Bu eau, 2006: 90).
CAPÍTULO IV
107
Em 2007, em No emb o, o di e o do MI5 a i mou que o núme o de indi íduos
com ligações ao e o ismo esiden es no Reino Unido cons i uía uma ameaça à segu ança
nacional, ale ando pa a a exis ência de pelo menos 2000 indi íduos no e i ó io (um
aumen o de 400 ace a 2006). O go e no en a izou a impo ância da es a égia P e en pa a
p e eni a adicalização de populações ulne á eis, salien ando a necessidade de abalha
jun o de ex emis as e os seus al os, de abo da os p oblemas es u u ais que po enciam a
adicalização ou da p e enção do acesso ao meio digi al (US Bu eau, 2007: 99).
Em 2008, na 2ª con e ência anual sob e o P e en , os pa icipan es não só
pa ilha am in o mação sob e as “melho es p á icas” pa a comba e a adicalização como
conjuga am es o ços a im de “desen ol e e implemen a p og amas a ní el local pa a
comba e o ex emismo den o das comunidades po odo o país” (US Bu eau, 2008: 108).
Em Ou ub o, o go e no anunciou ainda á ios planos pa a as escolhas p imá ias e
secundá ias do Reino Unido a im de apela à pa icipação dos p o esso es no comba e a
adicalização dos jo ens: “ he goal was o empowe young people o expose and e u e
ex emism ideology h ough class oom discussions, sho cou ses o an i-ha e semina s”
(US Bu eau, 2008: 109).
Em 2009, o go e no publica a segunda a ualização da CONTEST a qual em um
oco especial, po um lado, “na con enção das ozes ex emis as” e, po ou o, “no
enco ajamen o de ozes mode adas que p omo am a coesão na comunidade”. Segundo a
en ão Minis a do In e io , Jacqui Smi h, a a-se de uma es a égia “b oad- anging” que
inclui “p opos as pa a comba e a adicalização, de apoio às ozes islâmicas mode adas ou
com is a a ganha o apoio das comunidades islâmicas pa a de e minadas in es igações (US
Bu eau, 2009: 110).
Em 2013, o go e no b i ânico salien a a ameaça do con li o na Sí ia o qual
“p o ed o be a gal anizing o ce o UK-based Muslim indi iduals and o ganisa ions. The
h ea o Eu opean igh e s a elling o Sy ia and hen e u ning home adicalized o
iolence and dange ous d ew signi ican a en ion and esou ces” (US Bu eau, 2013: 122-
123). Aliás, no ano seguin e, pelo menos “500 b i ânicos jun a am-se ao con li o na Sí ia e
no I aque” e ce ca de 50 pessoas são e e enciadas po semana pa a p og amas de des-
adicalização (não sabemos desde quando). Nesse ano, a polícia ez mais de 200 de enções
elacionadas com o e o ismo (US Bu eau, 2014: 153).
Em 2015, o Reino Unido man e e-se como um pa cei o impo an e pa a o
comba e con a o ex emismo iolen o, endo nesse ano “anunciado uma no a es a égia
in e na pa a comba e as ideologias ex emis as (e não apenas o ex emismo iolen o)
CONCLUSÃO
114
abalhado a i amen e con a a ameaça do ex emismo iolen o e adicalização an o num
quad o ju ídico como polí ico. Como demons ámos desde logo no capí ulo II, as medidas
con a e o is as na Eu opa são p é ias ao 11/9 mas, no que espei a à p e enção e comba e
con a a adicalização, a ONU e a UE oma am uma ação mais acen uada apenas após
2004/2005 com os a en ados de Mad id e Lond es. Mas, compa a i amen e à ONU no que
diz espei o aos ins umen os ju ídicos elabo ados, a União Eu opeia e e uma abo dagem
mui o mais p ecoce em ma é ia de CVE. É apenas em 2016 que a ONU elabo a um “Plano
de Ação pa a P e eni o Ex emismo Violen o”; a é en ão, p ocu ou abo da a ameaça
den o do quad o con a e o is a nomeadamen e a a és da Es a égia Global de 2006. Já a
UE em o ien ações especí icas desde 2005 com a implemen ação da Es a égia
An i e o is a.
Pese embo a as di e en es elocidades, ambas as O ganizações são p óximas na
abo dagem às ameaças, enquad ando a espos a in e nacional numa ação holís ica que
omen a a coope ação en e os ní eis nacional, egional e global. Ainda assim, apesa dos
mecanismos desen ol idos, o capí ulo demons ou que o con a e o ismo é ainda uma
compe ência undamen almen e ese ada aos Es ados nacionais: como explicámos, a
in luência da ONU e UE sob e os es ados em ge al e nessa á ea em pa icula é limi ada po
á ios obs áculos, ocupando es as o ganizações um papel sob e udo de apoio, apenas de
enquad amen o ins i ucional na lu a con a o e o ismo.
Po im, o Capí ulo IV ep esen a o culmina da in es igação e analisa em
pa icula os casos da F ança e do Reino Unido. Como e e imos, an o o e o ismo como a
adicalização cons i uem ameaças globais oda ia com um ca ác e “pe sonalis a” po que
eque em um olha ci ú gico quan o à his ó ia social dos países a im de elabo a es a égias
con a e o is as adequadas. Na condução das es a égias de segu ança nacional e, em
pa icula , no comba e con a a adicalização e o e o ismo, concluímos que a F ança e o
Reino Unido econhecem jus amen e as suas especi icidades his ó icas, ele ando a
impo ância do con ex o: o es udo de Foley (2013) con i ma p ecisamen e es e aspe o ao
a i ma que a F ança e o Reino Unido êm cul u as ins i ucionais dis in as que êm
in luência na pe ceção sob e os iscos, ameaças ou ulne abilidades e no modo como
de em se comba idas. O es udo de Den Boe e (2015) que e e imos no capí ulo
co obo a: “all s a es, eac ions a e buil up on a ‘solid and deep his o ical base’, which
makes i highly unlikely ha legisla ion will be e e sed” (Den Boe e al, 2015: 400).
Conside ando os ês ní eis de análise, ambos pa ecem ambém p io iza
di e en es enquad amen os ins i ucionais pa a a p ossecução dos seus obje i os de

CONCLUSÃO
115
segu ança nacional o que, po conseguin e, pode á con i ma a ele ância de enca a as
ameaças de aco do com os con ex os especí icos nacionais e legados his ó icos (embo a
en en em uma ameaça simila ). A F ança, na con inuidade do seu legado libe al e
mul icul u al, sublinha a impo ância an o a União Eu opeia como das Nações Unidas mas
pa ece p io iza a coope ação com os pa cei os eu opeus. O Reino Unido sublinha o
enquad amen o das Nações Unidas mas, undamen almen e, pa ece coloca um peso maio
no ní el nacional dada a en âse na p ojeção da sua in luência no mundo.
Con udo, como explicámos, apesa des as supos as di e enças, ambos acabam po
con e gi na abo dagem em ma é ia de segu ança nacional (con a e o ismo incluído) po
segui em uma es a égia de “whole-o -go e nmen ”, inclusi a de odos os ní eis. Ambos os
países salien am a necessidade de in e ação e coo denação en e os ês ní eis a im de
comba e e mi iga , com sucesso, odas as ameaças secu i á ias como o e o ismo. Apesa
dos di e en es pesos a ibuídos, ambos u ilizam os enquad amen os ins i ucionais da ONU e
UE pa a a condução das suas polí icas secu i á ias, logo aduzem a lógica holís ica
sublinhada ao longo da in es igação que, po sua ez, é con i mada com a adoção e
implemen ação das leis in e nacionais nos espe i os sis emas nacionais. Assim,
sa is izemos os nossos obje i os, con i mando-se a in luência das a iá eis independen es
mencionadas - globalização do enómeno do e o ismo e a ação dos a o es in e nacionais
(ONU e UE) - sob e as polí icas nacionais de con a e o ismo, a ní el ge al e ao ní el da
con a adicalização em pa icula .
Des e modo, conside ando odo o abalho desen ol ido e es a súmula conclusi a,
en amos ago a p o idencia uma possí el espos a às nossas pe gun as de i adas.
1 - De que o ma a ONU e UE in luenciam as polí icas de segu ança ex e na e
in e na da F ança e do Reino Unido? A in luência dos a o es in e nacionais que a ní el de
segu ança in e na ou ex e na e le e-se nas sucessi as al e ações das suas legislações
nacionais e na posição a i mada em a ena in e nacional: ambos en en am uma ameaça
simila ( e o ismo islamis a), ado a am e implemen a am di e sas medidas con a e o is as
após o 11/9 e man êm uma p esença a i a no mundo, especialmen e nos con li os das
egiões do Médio O ien e e No e de Á ica, po exemplo a a és das ope ações de
peacekeeping das Nações Unidas. Pa icula izando pa a a ameaça p emen e (ISIS), as
in e enções ex e nas ealizadas são ei as em coligação, com o a al do Conselho de
Segu ança, endo essa au o ização sido e o çada após os a aques de No emb o em Pa is
com a adoção de uma esolução que ap o ou “ odas as medidas necessá ias” con a o g upo
(UN, 2015). Além disso, em ambos os países, as dimensões ex e na e in e na da segu ança
CONCLUSÃO
116
são con empladas nas es a égias de segu ança nacional de o ma in e ligada, o que já
e le e a in luência da abo dagem holís ica p omo ida pela ONU e UE.
Toda ia, a nosso e , conside ando o es udo de Den Boe e al, as p incipais
al e ações legisla i as iden i icadas pela EUROPOL ou aquelas salien adas nos ela ó ios do
US S a e Depa men , não é cla o se as no as medidas ado adas - que pela F ança ou pelo
Reino Unido - o am um esul ado inequí oco di e o da in luência das no mas da ONU e
UE no imedia o pós 11/9. Ainda assim, ace a udo quan o explicámos sob e a in luência
dessas O ganizações sob e os es ados em ge al e no con a e o ismo (Capí ulo III),
a gumen amos que a in luência das Nações Unidas e União Eu opeia sob e es es países é
ce a dado que (1) as no as no mas in e nacionais (pós 2001) o am anspos as pa a as
espe i as legislações nacionais as quais êm um ca ac e incula i o; e (2) a é ao momen o
(2017), nem a F ança ou o Reino Unido saí am des es quad os ins i ucionais, con inuando
empenhados no o alecimen o das eg as da o dem libe al que a a és da sua pa icipação
nas ins i uições in e nacionais que pela adoção de esoluções ou di e i as.
2 - Como é que a in luência desses a o es in e nacionais e o ça (ou não) o papel
do Es ado como p o edo de segu ança? Pa ece-nos que os a en ados de 2001 e o ça am
uma maio a uação po pa e da comunidade in e nacional, endo impelido à adoção de
no as leis nos sis emas nacionais dos espe i os es ados e a ní el global. Conside ando a
e ó ica ancesa e b i ânica consag ada nas suas es a égias de segu ança, deduzimos que
cada al e ação legisla i a é implemen ada a im o alece os mecanismos do es ado con a
os á ios iscos e ameaças iden i icados. Logo, a p io i, esponde íamos a i ma i amen e a
es a ques ão: as medidas ado adas e o ça am o papel do Es ado enquan o p o edo de
segu ança.
Con udo, a espos a não de e esumi -se a uma lógica dico ómica de “sim” ou
“não” mas an es pau a -se po uma lei u a lexí el dependen e da ci cuns ância e da
na u eza da ameaça que os países en en am. Como al, a adoção da legislação in e nacional
e de no as leis nacionais após o 11/9 que pela F ança ou Reino Unido pode não se e
aduzido necessa iamen e num e o ço da sua segu ança nacional.
Após o 11/9, as al e ações legisla i as implemen adas pelos es ados - pelo menos
nos seis casos analisados no es udo de Den Boe e al - demons a am uma linha de
“con inuidade”: “in all s a es, he e has been ‘con inua ion o ends ha had al eady been
unde way’ p io o he 9/11 a acks” (Den Boe e al, 2015: 400). O a, a exis ência de
“con inuidade” pode não signi ica um sinónimo de “ e o ço” ou um maio aumen o a ní el
da p o isão de segu ança es a al. O caso Reino Unido pa ece ilus a es a ince eza, que é
CONCLUSÃO
117
ambém gene alizá el pa a o caso ancês. Com imos, o Reino Unido ado ou as medidas a
que es a ia ob igado po ia da o ça do Di ei o In e nacional (que da ONU ou UE) e oi
mais além. A in ensa secu i ização do enómeno - a a és dos discu sos asse i os, do
display de o ças de segu ança nas uas ou de medidas excecionais - pa ece ambém suge i
um supos o e o ço da segu ança. Explica Daniel Pinéu (2011: 19) que “[uma] g a e
consequência a longo p azo dos a aques do 11 de Se emb o e da Gue a con a o e o (…)
oi o que pode íamos chama o eo denamen o legal global, baseado num e hos
excecionalis a – a ideia que medidas ex ao diná ias e po en u a ilegais são necessá ias e
jus i icadas pa a ga an i a segu ança de Es ados ociden ais, ainda que as expensas das
libe dades ci is dos cidadãos”.
Po ém, es a si uação pode não aduzi necessa iamen e no e o ço do papel do
es ado. Salien amos dois aspe os. P imei o, não sabemos se as medidas nacionais ado adas
no imedia o pós 2001 o am um complemen o à sua legislação ou se o Reino Unido e á
conside ado as medidas sup anacionais insu icien es pa a esponde à sua p óp ia sua
ulne abilidade em dada ci cuns ância: eco damos que os es ados espondem consoan e as
suas especi icidades his ó icas. Po exemplo, no escaldo dos a en ados de Lond es em
2005, o ní el de ameaça no Reino Unido no espaço de um ano (2006-2007) a iou en e os
dois ní eis mais p eocupan es da escala, o SEVERO e CRÍTICO. É apenas em 2009 que o
ní el de ale a é baixado pa a SUBSTANCIAL (MI5, s/da a).
Assim, impo a olha pa a a p á ica mas, ao que apu á amos, nem as es a ís icas da
EUROPOL são o almen e cla i iden es: nos úl imos 10 anos (2006 - 2016) o Reino Unido
de e e 1.298 indi íduos e condenou 551. A F ança, de e e 3.388 e condenou 574 (anexo
B2). Po um lado, es es núme os pa ecem se indica i os dos es o ços das au o idades no
con olo da ameaça mas, po ou o, ambém do seu pe igo iminen e. Além disso, o eículo
p incipal de comba e ao e o ismo não são as condenações mas an es o oco sob e a
con a adicalização ou a p e enção da a ação das ideologias adicais. Tememos que pouco
se i ão se o abalho na CVE não o con inuamen e e o çado.
Segundo, a secu i ização do enómeno pode á e um e ei o pa adoxal sob e a
população. Se enca a mos o e o ismo como uma es a égia psicológica, en ão o
“policiamen o das uas” (aliado ao sensacionalismo mediá ico) pode e dois possí eis
e ei os na ó ica da pe ceção pública: (1) ou pode á e o ça a segu ança, con ibuindo pa a
um alegado sen imen o de p o eção ou (2) ou pode á ampli ica os sen imen os de
CONCLUSÃO
118
insegu ança e medo1. Tendemos a conco da com a segunda hipó ese: os discu sos
asse i os sob e o enómeno, as mani es ações imponen es das o ças de segu ança e o
impac o isual dos a aques são os maio es inimigos do sucesso con a e o is a po que
pe pe uam os obje i os dos g upos e o is as, alimen ando o ala mismo cole i o. O se
humano eage mal à ince eza e o medo al e a os pa âme os da nossa acionalidade,
impedindo-nos de calcula o isco. É no medo pe cecionado que eside o maio pe igo do
e o ismo: quando massi icado, é i acional e apidamen e con agioso. Como al, a ideia
p econizada na “dou ina do 1%” (Suskind) pode á e uma maio p obabilidade de se
e i ica : pe an e um isco com supos as consequências ca as ó icas, as decisões endem a
se omadas independen emen e da p obabilidade eal2.
Assim, o es o ço adicional que a ní el ju ídico (com a adoção de no as no mas)
ou empí ico (com as condenações) não aduz necessa iamen e, de o ma igo osa, um
aumen o do papel do es ado em e mos de p o isão de segu ança. Não que emos com es e
a gumen o a i ma que as no mas ado adas não i e am epe cussões nessa p o isão mas
demons a que a sua adoção pode não con ibui di e amen e pa a mi iga um a en ando
e o is a.
3 - Quais as p incipais es a égias de con a e o ismo no âmbi o da p e enção e
comba e con a a adicalização na F ança e no Reino Unido? Con o me desc i as no
capí ulo IV, e i icamos que ambos os países pa ecem sublinha p e e encialmen e o se o
da educação pa a p e eni e comba e a adicalização. O abalho com as comunidades
locais (nomeadamen e a muçulmana) pa ece ambém suge i a melho es a égia pa a lida
com a adicalização islamis a, pese embo a as c í icas despole adas em p ol des e oco. Os
p og amas de con a adicalização es ão undamen almen e a ca go dos es ados mas não há
dú idas sob e a in luência da ONU e UE nos p og amas nacionais. A endendo aos
p opósi os p omo idos po ambos, en endemos que os es o ços de con a adicalização
seguem as di e izes ge ais delineadas pa a a lu a con a o e o ismo es ando es as ambém
1 Desde 2001, as pessoas oam cada ez menos às e ças- ei as. Segundo Mike McCa on, o po a- oz do
Ae opo o in e nacional de S. F ancisco: “In he yea s immedia ely ollowing 9/11, ai a el always
signi ican ly dipped on Sep embe 11”. Ou seja, nem a in ensi icação das medidas de segu ança nos
ae opo os con ibuiu pa a diminuiu a pe ceção de insegu ança. Con udo, “o empo oi apagando o
medo”: é ce o que as 3as ei as “não são dos dias mais a a e ados da semana” mas, de aco do com á ias
companhias de a ião e agen es de iagens, mui os já não e i am o dia (He e , CNN, 2012).
2 Dou ina cunhada po Ron Suskind que dá nome à sua ob a encedo a do P émio Puli ze em 2006.
Também desginada po “Cheney doc ine”: “The i le comes om a s o y (…) in which Vice P esiden
Dick Cheney desc ibes Bush adminis a ion on dealing wi h e o ism – «I he e’s a 1% chance ha
Pakis ani scien is s a e helping al-Qaeda build o de elop nuclea weapon, we ha e o ea i as a
ce ain y in e ms o ou esponse»”. Em “The One Pe cen Doc ine”, Suskind c i ica a adminis ação
po o mula polí icas con a e o is as baseadas p ima iamen e em obje i os polí icos e não na ealidade
geopolí ica (Suskind, Time, 2006).
CONCLUSÃO
119
subo dinadas aos p incípios de segu ança nacional. Os con adiscu sos ado ados e
implemen ados cen am-se nos alo es globais e eu opeus uma ez que se ocam na
p omoção de uma educação inclusi a, ole an e em p ol do diálogo in e cul u al e do
espei o pelas di e en es e nias ou nacionalidades.
Face a udo quan o p ecede e, em pa icula , às conclusões das pe gun as
de i adas, a en a i a de espos a à nossa p oblemá ica / pe gun a de pa ida (De que o ma
a ONU e a União Eu opeia in luenciam o comba e à adicalização de indi íduos na F ança
e no Reino Unido?) de e á assim conside a duas ideias sumá ias.
P imei o, a in luência da ONU e UE sob e os es ados da F ança e do Reino Unido
é con i mada pois os p incípios eiculados pelas O ganizações e le em-se nas legislações
nacionais ado adas, que no âmbi o do con a e o ismo em ge al que da
con a adicalização em pa icula . Po ém, olhando a p á ica, a ONU e a UE se em apenas
de enquad amen o ins i ucional, de apoio e legi imação à ação dos países. Como
demons ámos, o que se pode á ques iona não é a exis ência de in luência mas an es a
e icácia das no mas sob e os a o es es a ais: se a in luência eside na o ça incula i a do
Di ei o In e nacional, es e pode á e idencia de e minadas agilidades quando pos o em
p á ica.
Segundo, os es o ços pa a a p e enção e comba e con a a adicalização es ão
subo dinados a odos os p incípios p omo idos que ao ní el global, egional ou nacional.
Como al, a con a adicalização - que, lemb amos, apenas cons i ui uma pa e da lu a con a
o e o ismo – pode á plausi elmen e cons i ui um elo de ligação en e os ês ní eis de
análise. Como al, ao se o io condu o en e os ní eis, a sua impo ância no comba e ao
enómeno do e o ismo não pode á se ma ginalizada de endo se enca ada como um dos
pila es p imá ios do comba e con a o e o ismo.

FONTES CONSULTADAS
120
FONTES CONSULTADAS
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