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Centro de Memórias do Museu Sporting C. P.

Abstract

Enquanto Mestrando do curso de Antropologia – Culturas Visuais, da Faculdade Ciências Sociais e Humanos – Universidade Nova de Lisboa, o trabalho de estágio por mim desenvolvido responde ao desafio que me foi proposto pela direcção do Museu Sporting de criar um Centro de Memórias no âmbito do seu projecto de valorização e interligação do património material e imaterial do Sporting Clube de Portugal e da sua ampla comunidade de desportistas, sócios e adeptos espalhados por todo o mundo. Tendo por base a recolha de testemunhos – registo audiovisual – propusemo-nos abordar, com recurso à memória, os processos de construção identitária e representação, temáticas relacionadas com o clube e o seu património cultural – material e imaterial – a identidade sportinguista, os seus símbolos, vivências e ritualizações, as formas de contar e transmitir sentimentos. De forma a delimitar o objecto de estudo - o seu campo de aplicação - e conseguir em tempo útil descrever a cadeia operatória, desde a recolha à construção e apresentação de uma narrativa coerente em contexto museológico, focamo-nos ao caso prático da exposição temporária A sorte dá muito trabalho sobre o professor Mário Moniz Pereira. Para esta contribuíram as recolhas de testemunhos de ex-atletas, amigos e família, sobre o “Senhor Atletismo”, o grande impulsionador e treinador da modalidade em Portugal e no estrangeiro. Uma vida dedicada ao desporto, ao Sporting e a Portugal. Uma figura ímpar, muito além do seu tempo.

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Centro de Memórias do Museu Sporting C. P.

Author: Felgueira, David José Moço
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/57713/1/David%20Felgueira%20-%20Centro%20de%20Mem%c3%b3rias%20do%20Museu%20Sporting.pdf
Mes ado An opologia - Cul u as Visuais
Rela ó io de Es ágio de Mes ado
Cen o de Memó ias do Museu Spo ing C. P.
O ien ação FCSH-UNL - Ca a ina Al es Cos a
O ien ação Museu Spo ing C.P. - Isabel Vic o
Mes ando - Da id José Moço Felguei a nº 37659
Se emb o de 2018
Lisboa
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“(…) pa a o empo, é bloquea o abalho do esquecimen o, ixa um es ado de coisas,
imo aliza a mo e, ma e ializa o ima e ial pa a p ende o máximo de sen ido num
mínimo de sinais (…)”
(NORA: 1993 in JANTSCH: 2014, p. 102)
3 | P á g i n a
Resumo
Enquan o Mes ando do cu so de An opologia – Cul u as Visuais, da Faculdade
Ciências Sociais e Humanos – Uni e sidade No a de Lisboa, o abalho de es ágio po
mim desen ol ido esponde ao desa io que me oi p opos o pela di ecção do Museu
Spo ing de c ia um Cen o de Memó ias no âmbi o do seu p ojec o de alo ização e
in e ligação do pa imónio ma e ial e ima e ial do Spo ing Clube de Po ugal e da sua
ampla comunidade de despo is as, sócios e adep os espalhados po odo o mundo.
Tendo po base a ecolha de es emunhos – egis o audio isual – p opusemo-
nos abo da , com ecu so à memó ia, os p ocessos de cons ução iden i á ia e
ep esen ação, emá icas elacionadas com o clube e o seu pa imónio cul u al –
ma e ial e ima e ial – a iden idade spo inguis a, os seus símbolos, i ências e
i ualizações, as o mas de con a e ansmi i sen imen os.
De o ma a delimi a o objec o de es udo - o seu campo de aplicação - e consegui
em empo ú il desc e e a cadeia ope a ó ia, desde a ecolha à cons ução e
ap esen ação de uma na a i a coe en e em con ex o museológico, ocamo-nos ao caso
p á ico da exposição empo á ia A so e dá mui o abalho sob e o p o esso Má io
Moniz Pe ei a. Pa a es a con ibuí am as ecolhas de es emunhos de ex-a le as, amigos
e amília, sob e o “Senho A le ismo”, o g ande impulsionado e einado da
modalidade em Po ugal e no es angei o. Uma ida dedicada ao despo o, ao Spo ing
e a Po ugal. Uma igu a ímpa , mui o além do seu empo.
Pala as Cha e:
An opologia – Cul u as Visuais - Cen o de Memó ias – Museologia – Pa imónio
Cul u al – Pa imónio Ima e ial - Má io Moniz Pe ei a - Spo ing Clube de Po ugal
No a: Po opção, es e ela ó io é edigido com o an e io aco do o og á ico.
4 | P á g i n a
Abs ac
As a Mas e o An h opology - Visual Cul u es, Facul y o Social and Human
Sciences - Uni e sidade No a de Lisboa, he aineeship I ha e de eloped esponds o
he challenge p esen ed o me by he managemen o he Spo ing Museum o c ea e a
Memo y Cen e wi hin he amewo k o i s p ojec o alo iza ion and in e connec ion
o he ma e ial and imma e ial he i age o Spo ing Clube de Po ugal and i s wide
communi y o a hle es, membe s and ans sp ead all o e he wo ld.
Based on he collec ion o es imonies - audio isual egis e - we ha e p oposed
o add ess, h ough memo y, he p ocesses o iden i y building and ep esen a ion,
hemes ela ed o he club and i s cul u al he i age - ma e ial and in angible - spo ing
iden i y, i s symbols, expe iences and i ualiza ions, he ways o elling and ansmi ing
eelings.
In o de o delimi he s udy objec - i s ield o applica ion - and in a imely
manne o desc ibe he ope a i e chain, om collec ion o cons uc ion and
p esen a ion o a cohe en na a i e in museological con ex , we ocus on he p ac ical
case o he empo a y exhibi ion A Luck gi es a lo o wo k on he eache Má io Moniz
Pe ei a. Fo his, he es imonies o ex-a hle es, iends and amily con ibu ed o he
"Lo d A hle ics", he g ea p omo e and coach o he spo in Po ugal and ab oad. A
li e dedica ed o spo , Spo ing and Po ugal. An odd igu e, a beyond his ime.
Keywo ds:
An h opology - Visual Cul u es - Memo y Cen e – Museology – Cul u al He i age –
In angible He i age – Má io Moniz Pe ei a – Spo ing Clube de Po ugal
5 | P á g i n a
Ag adecimen os
Em p imei o luga que o ag adece a oda a minha amília - em especial aos meus
pais - a possibilidade que me p opo ciona am, pois sei que não i e am essa mesma
opo unidade de ing essa no ensino supe io . G aças a eles cheguei a é aqui, c esci,
o mei-me academicamen e e adqui i alo es que gua da ei pa a oda a ida. Não oi
ácil, mas conseguimos.
Em segundo, ag adeço ao meu g upo de amigos odos os se ões passados a
es uda , a aze abalhos, ou simplesmen e a espai ece as “ideias”, pois odos esses
momen os con ibuí am pa a o meu sucesso académico. Ag adecimen o especial ao
meu iel companhei o de “lu a” And é pelos mais de cinco anos em comum, pois oi sem
dú ida o meu maio apoio den o e o a da Academia, e possibili ou-me chega a é aqui
com a mesma mo i ação inicial.
Ag adeço a odos os p o esso es da FCSH-UNL que con ibuí am pa a a minha
ap endizagem, em especial à p o esso a dou o a Ca a ina Al es Cos as que mui o me
inspi ou, pela acei ação e disponibilidade despendida na o ien ação do meu es ágio,
sendo a minha maio e e ência no campo isual.
À Isabel Vic o , di ec o a do Museu Spo ing e coo denado a do es ágio,
ag adeço a apos a no meu abalho, desde o dia da en e is a a é ao úl imo dia de
es ágio, semp e ac edi ou nas minhas capacidades, semp e me deu o al au onomia e
es e e semp e p esen e pa a discu i ideias, me odologias ou simplesmen e ala a
sociedade em que habi amos.
A oda a equipa do museu um eno me ob igado, pois ac edi a am em mim e
ize am com que os seis meses de es ágio passassem ápido e me deixassem mui a
saudade na ho a da despedida. Ag adecimen o especial ao Miguel, que de meu colega
de sec e á ia do museu, apidamen e passou pa a um amigo pa a a ida.
Fo am seis meses numa ec a inal de mes ado que ep esen a am cinco anos
de ensino supe io , de abalho á duo e en iquecedo . Espe o e hon ado odos aqueles
que ac edi a am em mim, assim como a minha ins i uição ensino e o local de es ágio.

6 | P á g i n a
Índice
In odução .............................................................................................................. 7
Museu de Clubes ..................................................................................................... 9
Museologia dos A ec os ........................................................................................ 12
Usos da Memó ia: ................................................................................................. 16
Passado ............................................................................................................. 17
P esen e ............................................................................................................ 19
Fu u o ............................................................................................................... 20
Cen o de Memó ias ................................................................................................. 22
Discussão Teó ica .................................................................................................. 30
O Caso P á ico ....................................................................................................... 38
Recolha - His ó ia O al ....................................................................................... 40
G a ação e Edição de Audio isual (So wa e) .................................................... 44
Local de Es ágio ..................................................................................................... 44
Ap esen ação dos esul ados ob idos .................................................................... 46
Bibliog a ia ............................................................................................................ 48
Anexos .................................................................................................................. 51
(1) - Vida e Ob a de Má io Moniz Pe ei a .......................................................... 51
(2) - Fo og a ias da sala de exposições empo á ias do Museu Spo ing. ........... 59
(3) – F ames e i ados dos es emunhos p esen es na exposição. ..................... 62
(4) - Pan le os ela i os às exposições sob e Má io Moniz Pe ei a ..................... 65
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In odução
Enquan o aluno de Mes ado de An opologia em Cul u as Visuais - licenciado
em An opologia - o abalho de es ágio desen ol ido no Museu Spo ing incidiu na
c iação do Cen o de Memó ias do museu, algo que a é à da a não exis ia e que em
como objec i o a en ol ência da comunidade de a le as, sócios e adep os do Spo ing
C.P. nos p ocessos de ecolha, pa imonialização, e na ida do museu, com is a ao
e o ço da iden idade, aumen o da cul u a despo i a e da esponsabilidade social na
de esa dos alo es e na coesão do clube. O Cen o de Memó ias p ima pelo o diálogo
en e ge ações e pa ilha de emoções, esul ando num cen o da acção con inua.
A ac ual di ecção do museu, com o oco na Museologia Social e nas co en es da
No a museologia, apos ou no seu o e pa imónio ima e ial como o ma de aze ala
o seu pa imónio ma e ial exis en e. Milha es de objec os, o éus e ade eços agua dam
pacien emen e nas i inas e ese as do museu po alguém que lhes de ol a a sua
“ oz”, pe dida no momen o em que es es objec os muda am de mãos e chega am ao
museu. Pa a isso e ec uamos quan idade de ecolhas que conside amos ele an es pa a
o nosso objec o de es udo, es emunhos-cha e sob e Moniz Pe ei a.
De modo a que es a pesquisa não pe desse o oco po en e mais de 110 anos de
his ó ia do clube, nem se pe desse po en e os seus acon ecimen os his ó icos,
concen amo-nos en ão no caso p á icos em que a equipa do Museu Spo ing i ia
começa a abalha a quando da minha chegada – a exposição de homenagem ao
p o esso Má io Moniz Pe ei a, ilus e igu a des e clube e do despo o nacional.
Con udo, não só de ecolhas se ez o meu abalho, pois ou as das a e as undamen ais
o am a p ese ação, o ganização e, po conseguin e, a di ulgação des es es emunhos.
Es e “co e de memó ias” em como objec i o assegu a no p esen e a
p ese ação do passado e a sua p ojecção no u u o, possibili ando a consul a de oda
a in o mação ecolhida sob e a his ó ia do clube e sua iden idade, mas ambém as
his ó ias das pessoas que pelo clube passa am – a le as, di igen es, adep os - e ajuda am
a cons ui-lo de á ias o mas e a múl iplas ozes. O passado pode a é se um país
es angei o como a i ma Da id Lowen hal (1998), um mundo de ma cos his ó icos
palpá eis e memo iais. É pa a que esse passado não se pe ca e não se a unde como
A lân ida no undo do esquecimen o, como uma lenda, que é impo an e aqui elemb a
8 | P á g i n a
que os objec os são passi eis de se de e io a em e desapa ece em, al como a nossa
memó ia. É possí el ec ia objec os, éplicas iéis ao o iginal - como o eus ou a é
mesmo o an igo piano de Má io Moniz Pe ei a p esen e no Museu Nacional do
Despo o
1
- mas no caso da memó ia, isso não é possí el.
Sobe a o ien ação de Ca a ina Al es Cos a
2
docen e na Faculdade de Ciências
Sociais e Humanas da Uni e sidade No a de Lisboa e de Isabel Vic o
3
esponsá el do
Museu Spo ing, i e a opo unidade de e uma o ien ação ocada em duas e en es
que ajuda am a comple a o meu abalho: o lado An opológico na ecolha de sabe es
apoiada nos meus in o man es e nos seus discu sos aliado às Cul u as Visuais, que me
pe mi e não só u iliza ma e ial isual na pesquisa mas ambém desen ol e aspec os
p á icos e me odológicos ligados ao audio isual e à o og a ia, bem como p oduzi
conhecimen o p óp io a pa i de ma e ial p oduzido po ou em. Um exemplo des e
ido de ma e ial é o emblemá ico ilme do a qui o da RTP ilmado po A mindo Mendes
– uma das pessoas com quem abalhei no Cen o de Memó ias - da iagem his ó ica
que Spo ing Clube de Po ugal ez à China em 1978 que oi mais do que um me o
encon o despo i o, oi um encon o diplomá ico en e Po ugal e a China, do qual
esul ou um laço de amizade que pe du a há já 40 anos. A segunda e en e oi-me dada
po uma o ien ação na á ea da Museologia e Sociologia, uma museologia social que
p ima pela inclusão das pessoas na sociedade e no in e io dos museus, que pe mi e que
as pessoas enham oz ac i a no museu e açam pa e des e, não de o ma acessó ia,
mas an es como uma pon e de múl iplos in e esses em comum, uma pon e en e o
passado e o p esen e que digni ique, ao mesmo empo, o clube e a sua comunidade.
Pa a além da e en e p á ica e c ia i a do meu abalho, na ecolha de
es emunhos o ais e sua g a ação audio isual, pude ambém e ec ua abalho de
pesquisa no Cen o de Documen ação do clube que po en e milha es de o og a ias,
imagens, li os e documen os his ó icos me pe mi iu ab ange o máximo núme o de
1
Exposição Sala Moniz Pe ei a p esen e no Museu Nacional do Despo o. Nes a exposição oi ec iada a
sala de abalho de Má io Moniz Pe ei a, que po en e milha es de apon amen os, documen os,
o og a ias e Cd´s, podemos ambém encon a uma éplica do seu piano.
2
Ca a ia Al es Cos a – An opóloga e docen e na FCSH-UNL, com mes ado em An opologia Visual pelo
G anada Cen e o Visual An h opology da Uni e sidade de Manches e , é uma impo an e
in es igado a cien í ica, ealizado a de ilme e nog á ico e documen á io.
3
Isabel Vic o – Com mes ado em Museologia pela ULHT, oi du an e 15 anos di ec o a do Museu do
T abalho Michael Giacome i, di ec o a do Depa amen o de Museus da Rede Po uguesa de Museus,
coo denado a do Con en o de Jesus em Se úbal, e ac ual Di ec o a do Museu Spo ing.
9 | P á g i n a
in o mação possí el sob e o Spo ing, as suas gen es e o meu caso p á ico. Em algumas
si uações, e ec uei ambém pesquisas em locais ex e nos aos Spo ing, como o A qui o
RTP, Museu Nacional do Despo o e Jo nal Reco d.
Museu de Clubes
Em á ios países, al como em Po ugal, exis e odo um abalho a desen ol e
no que à di ulgação e ambém à acei ação po pa e da comunidade museológica e da
sociedade em ge al diz espei o dos museus de clubes. A a és de uma b e e pesquisa,
que seja pela in e ne que seja em pos os u ís icos, podemos a e i que em Po ugal
os p incipais museus, como suges ão a isi a pelas agencias u ís icas e cul u ais, são os
museus “clássicos” ou seja, os museus de a e, os museus de his ó ia, que se assumem
como museus e udi os, mui as ezes is os como “mais eais” e impa ciais, mas que na
e dade são apenas o e lexo daquilo que o público es á p epa ado ou que abso e .
A al a de in o mação e e en e a museus clubís icos ou de despo o em po
base a ideia p é-concebida de que es es locais não são ep odu o es de cul u a, que são
locais de p opaganda ideológica, nes e caso conc e o clubís ica. Nenhum museu é
impa cial, diz Isabel Vic o . Todos os museus são o esul ado de algo que acon eceu, de
p ocessos e ans o mações sociais. Cabe assim aos museus, a a és de ac os e ídicos,
de ques ões his ó icas e iden i á ias, ou seja, das pessoas, e ela a sua p óp ia e dade
pois como sabemos não exis e apenas uma e dade absolu a, mas a e dade de cada
um. “Nenhum museu é neu o, nem em que se ” como me a i ma a Isabel Vic o . Cada
museu é, po an o, o esul ado da sua p óp ia cons ução cul u al e social em que es e
se inse e, e, desse modo, não de emos al e a ou esconde seja o que o . O museu
exis e, é esul ado de um p ocesso e é esse p ocesso que nos ajuda á a pe cebe a sua
mensagem. Isabel Vic o e e e po di e sas ezes que a p incipal unção do museu é
in e agi e se i pa a nos pô a pensa , pa a nos le an a inquie ações e
ques ionamen os. Se o museu não cump e essa unção undamen al, en ão esse museu
não se e pa a a ida, é apenas algo deco a i o e o ma ado.
Ao con á io do que se possa pensa , no seio dos museus de clubes em sido
adop ado no os mé odos e no as p eocupações sociais, bem como desen ol idas no as
16 | P á g i n a
Usos da Memó ia: o Pode de Reco da
“Nunca sabemos o que sabemos, onde começa a nossa eco dação e começa a
dos ou os, o que lemb amos hoje é semp e o que da úl ima ez lemb amos, são alsas
odas as memó ias. E udo se mis u a, um sonho, um ac o, uma eco dação, á ios
pon os ac escen ados que o mam uma cons elação de ei uosa – udo ei o da mesma
ma é ia, uma esponja, cheia de lapsos e in e s ícios, e às ezes quando se esp eme sai
uma go a a cus o, ou as, um jo o o encial.” (CARVALHO: 2013, p. 05)
Po que é ão impo an e o papel de eco da ? De que o mas pode oco e esse
p ocesso? O papel ulc al do Cen o de Memó ias é o de aze com que as pessoas
possam ememo a acon ecimen os já passados, empos longínquos. “Lemb a pa a
não esquece ” – como diz o di ado - po que a pa i do momen o em que esquecemos,
di ícil é ol a a lemb a .
“Nós in en amos o que lemb amos
Nós esquecemos o que lemb amos
Nós lemb amos o que esquecemos
Nós in en amos po que esquecemos
Nós in en amos o que somos.
Nós esquecemos o que in en amos.
Nós nascemos an es
Nós descob imos depois.” (LUZ TEIMOSA: 2010, m. 12:34 – 12:59)
8
Es e esquecimen o pode e á ios ac o es: “na u ais” como o aumen o da
idade, doenças que a ec am o cé eb o – Alzheime - ou en ão ac o es “ex e nos”,
memó ias aumá icas que o cé eb o apaga ou bloqueia p oposi adamen e como um
mecanismo de de esa do co po humano, al como acon eceu com Fe nando Mamede,
quando lhe pe gun ei na en e is a pa a o Cen o de Memó ias, sob e quais as co es da
an iga pis a de a le ismo do an igo es ádio de Al alade (1956). Mamede só se lemb a a
da pis a e ido a co e de – al ez po se nessa mesma pis a que alcançou um ei o
ão g andioso como o eco de da eu opa dos 10.000m no To neio In e nacional de
Lisboa, no es ádio de Al alade em 1981. A co de “ ijolo” da pis a sucesso a, su ge num
8
Diálogo p esen e no documen á io sob e a ida e ob a de Fe nando Lemos: Luz Teimosa, ealizado po
Luís Al es de Ma os, p odução: Real Ficção – 2010.

17 | P á g i n a
momen o menos posi i o da ida de Fe nando Mamede, que es e p e e e não se
lemb a , sem, no en an o, o esquece . Se po um lado a pis a a ã e de é um luga de
memó ia (NORA: 1993) pa a Fe nando Mamede, que an as aleg ias lhe dá, a ou a pis a
su ge associada a um pe íodo de dep essão que o a le a passou.
Po isso é “u gen e” semp e que se jus i ique, e nos seja possí el, e ec ua o
abalho de “ ecolha de memó ias” pa a que nada se pe ca, pa a que nada ique po
con a , pa a que nada seja esquecido e/ou apagado da his ó ia/ empo. Paula Godinho
iden i ica na sua pesquisa sob e as memó ias da esis ência à di adu a Salaza is a (1926-
1974) e no pós 25 de Ab il, qua o discu sos sob e o empo a pa i das memó ias. 1 –
Alongado, ela i o às con inuidades e à ep odução social. 2 – F agmen ado, que se
ajus a aos momen os de up u a. 3 – Denso, e en os ma can es como e olução, amo
ou doença. 4 – Re isi ado, ou seja, é a a és do p esen e que o in o man e e i e o
passado, não al e qual como es e oi, mas uma ein e p e ação de e minada pelo g upo
social em que es e es á inse ido, géne o, ou aixa e á ia.
Es a iden i icação po pa e da au o a, pe mi e-nos ambém iden i ica no caso
p a ico de es udo do Museu Spo ing, o modo como cada um dos meus in o man es,
acede am às suas memó ias pa a me cede em o seu es emunho, pois es es passa am
po di e en es ases e inúme os momen os, desde a sua iniciação no a le ismo,
a i mação, con inuidade e abandono da modalidade.
Passado
Um exemplo que podemos des aca e enquad a nos di e en es discu sos sob e
o empo e memó ias de um passado que se en a a odo o cus o nega , sem no en an o,
o esquece , é o exemplo das he anças di íceis deixadas pela Alemanha Nazi, que Sha on
Macdonald (2006) es udou. Nes e ex o a au o a expõem e in e oga sob e de que
o ma de emos in e p e a os esquícios des e eneb oso impé io, sob e a ques ão de
pa imónio e iden idade no caso especí ico de Nu embe ga. “O pa imónio é is o, com
equência, como um ins umen o de a i mação e econhecimen o da iden idade dos
g upos. Pe mi e demons a que o g upo não se cons i uiu num passado ecen e, mas
sim mui o an es de “”nas b umas da memó ia”” ou na mais p o unda an iguidade.”
(MACDONALD: 2006, p. 103). O caso da Alemanha é bas an e complexo nesse sen ido,
18 | P á g i n a
uma ez que a Alemanha passou po um p ocesso di a o ial du an e o impé io Nazi,
pe íodo esse neg o na his ó ia da humanidade, ma cado po c imes a ozes, genocídios,
di isões e pilhagens. Mais a de, com o im da Segunda Gue a Mundial e a queda do
egime Nazi, seguiu-se uma di isão da Alemanha em duas pa es – República Fede al da
Alemanha (RFA - Alemanha Ociden al), e República Democ á ica da Alemanha (RDA –
Alemanha O ien al), di isão essa ma cada geog á ica e isicamen e pelo mu o de Be lim,
c iando assim mais uma eno me up u a de cul u as, de po os e po conseguin e
ambém a sua di isão.
Apos a queda do mu o no início dos anos 90, deu-se a uni icação das duas pa es,
a Alemanha passou a se de no o um odo, esul an e de um longo passado em comum,
uma he ança cul u al que pe mi iu ea a laços. Toda ia, o passado não pode se
esquecido ou apagado, e an os anos depois, a Alemanha en a ainda a odo o cus o
enega - sem, no en an o, que e esquece - o as o deixado pelo egime nazi. Pa a isso
c ia am memo iais, placas comemo a i as das i imas do Holocaus o, solidi icando o
passado a a és da c iação de monumen os e museus, eu ilizando an igos espaços
o emen e ma cados pela ideologia nazi em locais que ansmi am sen imen os
opos os. “T ans o ma algo em pa imónio, o na absolu amen e cla o que es a he ança
se e e e ao passado (…).” (ibid: p. 104)
Macdonald ap esen a-nos o caso conc e o do Palácio do Cong esso que albe ga
um Cen o de Documen ação, onde exis e uma exposição denominada Fascínio e
Violência. Apesa des a se enquad ada no Se iço de Museus da Cidade de
Nu embe ga, es es ecusa am u iliza o e mo museu, pois ac edi am que es e a ia um
ca ác e especial de admi ação àqueles objec os e suspensão c i ica, esul an e do
“olha museog á ico” das peças expos as. O e mo Cen o de Documen ação, con e e
assim a ideia de pesquisa e não de con emplação, a a és da his ó ia e não do
pa imónio.
Também em Po ugal encon amos exemplos complexos de p ocessos de
esis ência, como é o caso de es udo da in es igado a Paula Godinho, que se deb uça
sob e es e ema a a és do passado e memó ias ligadas à esis ência associadas à
di adu a po uguesa (1926-1974). Em Resis ência E/Y Memó ia, Paula Godinho a a és
de di e sos casos de es udo demons a-nos que as memó ias êm classe, géne o e es ão
19 | P á g i n a
associadas aos usos polí icos da memó ia. “O longo silêncio ace ca do oco ido, que
ac u ou o empo local dos g upos amilia es a ingidos, p olongou-se bem além da
memó ia da di adu a (…)” (VARELA E PEREIRA: 2013, in GODINHO: 2015, p. 09)
Ainda na sua análise, Godinho e e e que alguns dos seus en e is ados ica am
p esos ao passado, p esos ao que pode ia e sido, numa acção “de o a pa a den o” o
que nos mos a que al ez o p esen e pa a es es con inue a se baseado nas suas an igas
memó ias e não seja algo ão linea assim uma ez que ainda exis e uma “ e ol a da
memó ia” esul an e de uma e ocação cons an e do passado, uma memó ia colec i a
do passado, ab icada cons an emen e no p esen e.
O ema da memó ia é um ema cada ez mais abo dado, a é pelos media. Veja-
se, ac ualmen e, na es ação ele isi a TVI a emissão do p og ama Epheme a. O
p og ama é conduzido pela jo nalis a Joana Reis e pelo his o iado José Pacheco Pe ei a,
e em po objec i o da a conhece aos espec ado es alguns a qui os p i ados de
Po ugal. A Associação Cul u al Epheme a, disponibiliza o seu ace o a in es igado es,
de aco do com no mas condicionan es de pesquisa, que de ido à escassez de espaço
o na impossí el disponibiliza odo o ace o. Esses a qui os são do mais di e so que se
possa imagina : objec os, pan le os, li os, ilmes, o og a ias, en e ou os. A a és
des es é possí el descob i não só a his ó ia do país, mas ambém mais sob e os seus
p o agonis as, des enda seg edos e pa ilha his ó ias, “a nossa memó ia a a és dos
objec os de odo o ipo que a his ó ia ocou.”
9
Julgo que es e ipo de ace os e a sua
cons ução e di ulgação, são undamen ais numa museologia que se que inclusi a e
c ia i a.
P esen e
O p esen e em em mãos uma e amen a pode osíssima capaz de muda o
mundo, a a és do impac o social, ainda que não enhamos eal noção dessa
consequência. Re i o-me às edes sociais – Facebook, Ins ag am – que a a és das
nossas “pegadas” no espaço i ual, amos cons uindo uma memó ia social, aquilo que
que emos que os ou os ejam e associem a nós p óp ios. O Facebook, pe cebendo es e
impac o, c iou uma unção que se e pa a nos elemb a de acon ecimen os passados
9
Desc ição p esen e no ende eço elec ónico da TVI, ela i amen e ao p og ama Epheme a.
20 | P á g i n a
publicados po nós, acon ecimen os esses já no nosso esquecimen o, ea i ados po um
“lemb e e” diá io des a e amen a. Mas a é que pon o es a ão os nossos dados
segu os, uma ez que es es são acessí eis a um mundo de “amigos”? Uma ez que um
con eúdo é publicado na in e ne , di icilmen e pode emos con ola o seu des ino inal.
Juliana Al maye az e e ência a um no o di ei o na e a da e olução ecnológica
que em como objec i o ga an i e assegu a o di ei o à p i acidade. Pa a isso u iliza o
concei o de Di ei o ao Esquecimen o, e e e e que es a é uma ques ão c escen e, cada
ez mais es amos dependen es de compu ado es, in e ne , sma phones e odeados de
câma as, onde mui as ezes de modo inconscien e azemos pa e. Juliana e e e que
“(…) o di ei o ao esquecimen o pode, po um lado, se um a o de libe ação pa a um
indi íduo, e e en e aos seus di ei os de pe sonalidade; e po ou o, pode se uma pe da
pa a a sociedade, no condizen e a sua his ó ia e memó ia. São dois lados de uma moeda,
de um, em-se o in e esse p i ado, de ou o, o colec i o.” (ALTMAYER: 2017, p. 16-17)
O p esen e es á eple o de e amen as, a amen os e medicamen os que
exis em na sociedade pa a en a “ a a ” o e ei o do esquecimen o humano. É ex ensa
a lis a de mé odos usados pela ciência, na lu a pela sal agua da e qualidade da saúde.
No en an o, nenhuma des as soluções ga an es melho ias de ini i as, podendo mesmo
e e ei os secundá ios. O melho emédio con inua a se o “medicamen o” na u al que
esul a das con e sas en e amigos, ecolhas de es emunhos, isionamen o de ilmes e
o og a ias. Es a é a cha e pa a a sal agua da da nossa sanidade, não só con a o
esquecimen o, mas ambém na lu a con a a solidão. É um ac o que podemos eco da
es ando sós, mas podemos ambém eco da es ando jun os, com ou as pessoas, e
cons ui uma ede de eco dações e memó ias conjun as que an as ezes encon a
sinónimos en e pa es.
Fu u o
É de modo cu ioso que assis imos na nossa con empo aneidade às o mas
a i iciais que a icção cien í ica encon ou pa a e ac a a emá ica da memó ia. De
o ma es upe ac a assis imos ao modo como a icção cien i ica, que seja a a és de
li o, sé ies ele isi as ou ilmes, a am emas como a memó ia e nos mos am de que
o ma o u u o pode á lida com es a, que seja de o ma posi i a – a a és da
21 | P á g i n a
p ese ação da memó ia e pe missão pa a “na ega ” na memó ia como se de um disco
ígido se a asse - que seja de o ma nega i a – u ilização da p óp ia memó ia ou da
memó ia de ou em pa a ins menos p óp ios, como ob e in o mações passadas e
con idenciais.
Sé ies de icção cien í ica como Black Mi o
10
abo dam o lado pe e so da
ecnologia na sociedade e de que o ma a ecnologia i á in luencia as sociedades do
u u o, nomeadamen e como i ão lida com a ques ão da memó ia. Des aco dois
episódios de Black Mi o que e lec em es a g ande p eocupação e nos dão mui o que
pensa : C ocodile - A acção desen ol e-se em o no de um e í el aciden e de iação
onde a mo e de um ciclis a oi ocul ada p oposi adamen e. Anos mais a de, a a és de
uma agen e de segu os que possui uma máquina de isionamen o da memó ia, es a
descob e esse ho í el c ime, o que desen ol e oda uma se ie de assassínios em cadeia
pa a en a e i a que se saiba a e dade sob e o a opelamen o. A a és da au o ização
da pessoa in e ogada, é lhe colocado um chip na êmpo a e con olado pela agen e de
segu os que a a és de algumas pe gun as consegue aze as pessoas e i e em esses
momen os e acede às suas memó ias a a és da máquina, sendo es as ansmi idas em
seguida na ele isão pe mi indo assim a ou as pessoas e em exac amen e aquilo que
a ou a pessoa iu - na p imei a pessoa - se indo assim de on e inegá el de p o a e
conhecimen o, nes e caso pa a uso companhias de segu os no u u o.
Ou o episódio da sé ie onde é abo dado o ema da memó ia é em The En i e
His o y o You, que a a és de um chip implan ado po de ás da o elha é possí el as
pessoas g a a em de o ma conscien e udo o que êem e ou em. A a és de um
con olo emo o es as conseguem “ e e ” as suas memó ias di ec amen e nos p óp ios
olhos ou a a és de moni o es pa a ou as pessoas ambém e em. O g ande p oblema
des e sis ema é o ac o de os humanos ica em obsessi os com as memó ias pessoas e
ambém com as memó ias alheias, in adindo a p i acidade das ou as pessoas pa a
sabe em o que es as ize am, chegando ao pon o de ob iga as pessoas a apaga em
ce as memó ias e inclusi e de ma a pa a que es as não possam mos a a ninguém.
10
Cha lie B ooke é o c iado da sé ie Black Mi o , 2011 – P esen e.

22 | P á g i n a
Pa a colma a a emá ica sob es os e ei os que a ecnologia em no p esen e e
e á no u u o, jun o Donna Ha away
11
au o a do Mani es o Cibo gue, que es uda os
acoplamen os en e o ganismos Humanos e Máquina. Ha away (1984) e e e na sua
ob a que a con empo aneidade es á eple a de “Cibo gues”, esul an es de junções que
oco em pa a colma a alhas exis en es nos Humanos como o uso p ó eses, apa elhos
egulado es in e nos como pacemake ou de memó ia. No en an o a au o a isa que
es as mudanças oco em pa a colma a alhas humanas e não especi icamen e pa a da
an agem ou a o ece os se es humanos que usu uem da ecnologia, le an ando
ambém impo an es ques ões sob e ques ões de géne o associadas ao
desen ol imen o da “máquina” sob e o homem. É cu ioso pe cebe que oi em 1960
que o e mo Cibo gue oi u ilizado pela p imei a ez. Clynes e Kline (1960) u iliza am a
pala a Cibo gue em Cybo gs and Space pa a desc e e uma “ u u a e a de as onau as”
que supo a iam as igo osas iagens espaciais de longa dis ância, eco endo ao uso de
implan es como agen es egulado es do o ganismo, uma ez que es amos a ala de
iagens espaciais com du ação de anos. Te emos nós, p óximos de nos o na mos
Cibo gues ao eco e mos ao uso de ecnologia pa a egis a as nossas alhas de
memó ia como se de um compu ado se a asse? Onde bas a epa a ou oca o disco
ígido pa a e mos acesso a ainda mais in o mação?
Cen o de Memó ias
O Museu Spo ing apos a ac ualmen e mais do que nunca na p ese ação do seu
pa imónio cul u al. O ima e ial su ge assim como uma “peça” undamen al na
cons ução da iden idade do clube e que a é hoje e e pouca acção nesse sen ido. Com
o seu complexo museológico – ac ualmen e com 2 espaços exposi i os
12
- podemos
dize que es es espaços são “biblio ecas i as de in o mação”, azendo po isso sen ido
apos a na ecolha de es emunhos o ais, associados ao clube, de o ma a que nada se
pe ca e ambém como o ma de econhecimen o e ag adecimen o à sua comunidade
de adep os. Desse modo o Cen o de Memó ias do museu pode con ibui pa a o
en iquecimen o museog á ico, algo que oi já inco po ado nas duas exposições
11
Dona Ha away, (1944 – P esen e) Bióloga, Filoso a, Esc i o a e His o iado a. Esc e eu o Mani es o
Cibo gue (1984).
12
Museu Spo ing (Al alade), Museu Spo ing (Lei ia) Colecção Be na des Dinis. Es á ambém p e is a a
inaugu ação do Museu das modalidades no Pa ilhão João Rocha.
23 | P á g i n a
empo á ias, sob e a Viagem do Spo ing à China em 1978 e na exposição sob e Má io
Moniz Pe ei a, algo que a i ulo de exemplo não se encon a pa en e na exposição
pe manen e no Museu Spo ing de Al alade, uma ez que p i ilegia po comple o os
seus milha es de o éus, a a és do seu pa imónio ma e ial, ao con á io da colecção
Be na des Dinis em Lei ia em que é o p óp io coleccionado que con a a his ó ia de cada
uma daquelas peças – po que i eu na p imei a pessoa alguns daqueles acon ecimen os
- com a mesma paixão no p esen e que o le ou na in ância a colecciona udo o que
osse elacionado com o Spo ing. O museu de Al alade em a lacuna de se um museu
sem oz. Sem oz no sen ido em que não nos con a, apenas nos mos a. Mos a-nos o
esul ado inal de um p ocesso de conquis a. Aquilo que não se ê, não exis e? Exis e,
apenas es á ainda po con a .
Pa a inicia o p ojec o que me oi p opos o, ela i o ao Cen o de Memó ias, oi
necessá io pesquisa e conhece exemplos já bem cimen ados, com p o as dadas na
á ea, no campo da in es igação, memó ia e his ó ia o al. A 11 e 12 de Ou ub o de 2017,
i e a opo unidade de pa icipa no Encon o de His ó ia O al no Museu da Cidade de
Almada, e ica a pa de di e sos in es igado es, p ojec os e expe iências cul u ais
exis en es. Pos o is o, i ei e e i alguns ópicos das comunicações a que assis i naquela
con e ência. Uma das ap esen ações que mais me p endeu a a enção oi a de Rosana
Mizia a: “As his ó ias de ida na p imei a pessoa: A expe iência do Museu da Pessoa”,
que como o í ulo indica, oi sob e a expe iência do Museu da Pessoa. A his ó ia o al
mos a-nos aquilo que não es á nos esc i os o iciais, e po isso o Museu da Pessoa
(B asil) é um museu i ual que con a em média com ce ca de 82.820 isualizações po
mês e ce ca de 70 his ó ias no as odos os meses, segundo dados de Rosana. Pa a isso
exis e uma pon e de ligação en e o Ace o, o Cu ado e o Visi an e.
A linha de acção do Museu da Pessoa desen ola-se em á ias e en es, o que
pe mi e ao in e enien e con a a sua his ó ia de á ias o mas: Museu que Anda - ai
a é às pessoas a a és de uma cabine mó el - Es údio Abe o - egis o no Museu - Vi ual
- egis o pelos u ilizado es - Expedição - iagens emá icas de ecolha de his ó ias, como
es i idades.
Exis e ambém um p og ama educa i o jun o das escolas po pa e do museu,
que isa sensibiliza pa a a alo ização da memó ia local, jun o das c ianças. Es as
a a és da pin u a, c iam desenhos sob e as his ó ias dos en e is ados, e es abelecem
24 | P á g i n a
uma elação en e his ó ia o al, imaginação e a es isuais. Es e abalho e lec e a
impo ância que os mais no os e ão no u u o, pois cabe-lhes a missão de p ese a o
pa imónio cul u al nas suas a iadas e en es. Pa a e ei os de pesquisa e di ulgação,
a colecção do ace o é uma colecção ísica e ambém digi al, que con a com ichei os de
á ios o ma os - áudio, o og a ia, audio isual, documen os esc i os e ma e ial
colec ado dos en e is ados.
A g ande an agem, ac ualmen e, é o ac o de a ecnologia pe mi i uma
associação com a e en e social da memó ia - em meios de sal agua da ou p odução –
com baixos cus os, um ele ado impac o social e ambém uma ep odução em la ga
escala, uma ez que pe mi e que qualque pessoa, em qualque luga do mundo, a a és
da in e ne consiga isualiza os con eúdos disponí eis no si e do Museu da Pessoa -
nes e caso em especí ico. Em Ou ub o, da a da ap esen ação, a equipa do Museu da
Pessoa e a cons i uída po 12 abalhado es ixos e 35 olun á ios, o que demos a bem
a dimensão que es e ipo de p ojec os en ol e e necessi a. Como a i mou Rosana
Mizia a na sua ap esen ação: “Não exis e iden idade sem na ação (…) uma his ó ia
pode muda o nosso jei o de e o mundo”.
No mesmo encon o, Helena Pin o Janei o, alando sob e “His ó ia O al num
Museu de Memó ia: A Expe iencia do Aljube” isa o abalho do museu na educação e
cidadania, nomeadamen e no que diz espei o à expe ienciação e i encias: “Po ezes,
os es emunhos o ais são mais impo an es que os objec os”. Não é possí el ansmi i
e explica i ências – como o caso das o u as ei as pela PIDE - pelo o ma o esc i o,
pois esse não possui a capacidade de sen i e ansmi i as emoções. Os locais de
en e is a podem se os mais a iados, con o me a necessidade ísica, psicológica ou
simbólica. Cada uma des as escolhas, i á en iquece odo o con eúdo es emunhal, e
a a és da his ó ia o al, pode emos “sen i ” e ecua no empo, jun amen e com as
memó ias daquela pessoa. Impo a e cien es a “Ideia de que o p esen e es á semp e
em ex inção” a i mou Ri a Á lia Cachado. Es a é semp e uma das g andes ba alhas do
Cen o de Memó ias, lu a con a a e osão do empo, assegu a a p ese ação do
passado a a és do p esen e.
Também Manuel Lo na sua exposição o al “Pa a que se e lemb a : O sen ido
Social da Memó ia”, e e e a memó ia como ins umen o con igu ado de iden idade.
As memó ias indi iduais con am a memó ia de g upos na medida em que es a é
25 | P á g i n a
p oduzida a a és da amília, de g upos, de classes sociais ou mo imen os
eligiosos/sociopolí icos. O g upo assume pa a Lo um papel p imo dial, nós
“ eco damos po que não es amos sós, az-se num e pa a um colec i o que pa ilha a
mesma memó ia (…) nós i emos numa sociedade que nos diz, e nos mos a, que é bom
eco da , a a és dos nomes das uas, nomes de escolas, museus e es á uas.” Mas qual
se á a impo ância, e pa a que se e esse ac o social? Segundo Manuel Lo exis em
ês pe spec i as a pa i das quais se eco da: 1 - Socialmen e - memó ia do encedo
que oi bem-sucedida. 2 - Socialmen e - memó ia do de o ado que en ol e ques ões
polí icas, cul u ais e simbólicas. 3 - O ensa à memó ia - a a és da do , da ep essão, da
agédia. Os discu sos da memó ia oco em semp e a pa i das pe spec i as dos
sujei os. Exis e a necessidade de “lemb a pa a ol a a se ”, eco da pa a p ese a ,
eco da pa a muda . Manuel Lo e e e o ac o de a memó ia se selec i a pois “Nós
só nos lemb amos daquilo que escolhemos”.
Ma ia Miguel Ca doso, oi ou a das con idadas p esen es, que abo dou a
emá ica da memó ia a a és da “Fo og a ia à Memó ia – O Cen o de Memó ias do
Museu do T abalho Michel Giacome i e o A qui o Fo og á ico Amé ico Ribei o”, e ela
o oco que o Museu do T abalho em sob e as pessoas e não sob e os seus objec os,
uma ez que no Museu do T abalho, g ande pa e da sua exposição sob e a indus ia
conse ei a de Se úbal, assen e em diálogos e desc ições na p imei a pessoa, dos
p ocessos de abalho, das ans o mações sociais, i encias e expe iencias, udo is o
e ac ado no museu de o ma cla a e concisa, g aças aos es emunhos ecolhidos.
Exis em 3 eixos de abalho no Cen o de Memó ias do Museu do T abalho, no que oca
à exposição do a qui o o og á ico de Amé ico Ribei o. Es e a qui o ab ange egis os
desde os anos 20 a é aos anos 90, con ando com 140 mil imagens. 1 - É ei a a análise
da o og a ia. 2 - Análise da his ó ia de ida de quem apa ece na imagem. 3 - Recolha de
es emunhos acompanhado no e eno, de quem apa ece ou pa icipou na o og a ia.
Ma ia Miguel Ca doso e e e que semp e que a o og a ia e ela um
acon ecimen o impo an e, azem uma ecolha o al pa a descob i mais sob e es a - o
que exis iu, nomes e cu iosidades –, dessa o ma é ácil pe cebemos a impo ância que
a memó ia e a o alidade assumem no p ocesso desc i i o, e no en iquecimen o não só
do ma e ial exposi i o, ace o audio isual, e p incipalmen e a ealização de e úlias
que p imam pela inclusão social local.
32 | P á g i n a
indus ial. Como nos ensina a An opologia, exis e ambém a memó ia o al, a o alidade,
conside ada, nos con ex os das sociedades ág a as/ p imi i as/ indígenas/ na i as,
como uma «esca ação da memó ia», pa a u iliza uma linguagem a queológica.”
(DONIZETE: s.d, p. 05)
Em 2003, ealizou-se em Pa is, uma impo an e “Con enção pa a a Sal agua da
do Pa imónio Cul u al Ima e ial” que ale a a pa a o ac o do pa imónio ima e ial e
ma e ial “anda em de mãos dadas”, e e o ça os pe igos a que ambos es ão sujei os,
como p ocessos de globalização, ans o mações sociais, in ole ância, deg adação,
desapa ecimen o e/ou des uição. Com odos es es pe igos, omamos consciência de
que são ambém esses mesmos agen es, que desempenham o papel de p ese ação,
sal agua da, manu enção, p odução e di ulgação do pa imónio cul u al, con ibuindo
pa a o en iquecimen o da di e sidade cul u al e da “c ia i idade humana”. É
undamen al, pa a que a p ese ação do pa imónio enha um maio impac o, e ec ua
abalho de sensibilização jun o das camadas jo ens, e consciencializa-las pa a a
sal agua da do pa imónio, pe encen e a odos nós – e seu ines imá el alo - ma e ial
e ima e ial, ac o de ap oximação e en endimen o en e se es humanos. Es a
con enção e e como inalidade, o espei o pelo pa imónio cul u al ima e ial das
comunidades, sensibilização local, nacional e in e nacional, pa a a impo ância da
coope ação e assis ência in e nacionais.
“Pa a e ei os da p esen e Con enção,
1. En ende-se po “pa imónio cul u al ima e ial” as p á icas, ep esen ações,
exp essões, conhecimen os e compe ências – bem como os ins umen os,
objec os, a e ac os e espaços cul u ais que lhes es ão associados – que as
comunidades, g upos e, e en ualmen e, indi íduos econhecem como
azendo pa e do seu pa imónio cul u al. Es e pa imónio cul u al ima e ial,
ansmi ido de ge ação em ge ação, é cons an emen e ec iado pelas
comunidades e g upos em unção do seu meio en ol en e, da sua in e acção
com a na u eza e da sua his ó ia, e con e e-lhes um sen ido de iden idade e

33 | P á g i n a
de con inuidade, con ibuindo assim pa a p omo e o espei o da
di e sidade cul u al e a c ia i idade humana.” (UNESCO: 2003, p. 03)
18
A e nog a ia su ge da necessidade de e ac a e sal agua da a cul u a humana,
nas suas á ias e en es. Se de inicio es a e a ei a po e nóg a os em gabine es, com
base nos ela os de ou em, como missioná ios, explo ado es ou colonos,
pos e io men e es a adqui iu maio des aque, p incipalmen e, a pa i do momen o em
que B onislaw Malinowski (1884-1942) decidiu e oluciona o mé odo e nog á ico em
1914 nas Ilhas T ob iand. Malinowski subme gi-o o almen e naquela cul u a
desconhecida, desp endendo-se da sua ida na me ópole, pa icipando e in eg ando a
ida daquelas pessoas, e ec uando obse ação pa icipan e (in loco) e ap endendo os
seus p óp ios cos umes, udo is o du an e o pe íodo da P imei a Gue a Mundial (1914-
1918).
É aqui que a An opologia – uma ez que es a engloba no seu conjun o a
E nog a ia - ganha especial ele o, na pesquisa, análise, ecolha e p ese ação do
pa imónio cul u al, que seja ma e ial ou ima e ial. “O pa imónio ima e ial é uma
c iação da e nog a ia e da an opologia.”,” (…) ao longo de 100 anos o pe cu so da
an opologia po uguesa ez daquilo a que hoje se chama pa imónio ima e ial uma das
suas p incipais linhas de desen ol imen o” (LEAL: 2009, p. 290, 292). João Leal, espelha
a impo ância da An opologia nes a e en e - que chega a é aos dias de hoje como
uma g ande apos a das ins i uições, na p ese ação do seu pa imónio cul u al - e e ela
que no caso conc e o dos an opólogos po ugueses, o olha des es sob e o ima e ial
so eu uma p o unda al e ação, passando do olha “documen a is a” - ma cado pela
nos algia do passado - pa a ap oximações mais complexas, endo o no o e o elho
adqui ido o mesmo es a u o nas cul u as popula es, conside ando ão impo an e os
es emunhos o ais e as memó ias das lu as sociais, como a li e a u a o al de 1870-1880.
Dessa o ma, a a és da apos a no pa imónio ima e ial, é possí el consegui mos
sabe mais sob e os objec os que se encon am em posse do museu, objec os que
ca ecem de p ocessos desc i i os de conquis a, que não possuem documen os esc i os,
mas que a memó ia e a his ó ia o al podem con ex ualiza , sem, no en an o, pe de
peso, ele ância ou mesmo c edibilidade, al como a i ma João Leal, ac o es que não
18
Con enção da UNESCO pa a a Sal agua da Pa imónio Cul u al Ima e ial.
34 | P á g i n a
consegui íamos sabe apenas ao olha pa a o o eu. É p eciso da na a i as aos
objec os, da -lhe “co po e oz”, da -lhe des aque, às pessoas que conquis a am, e às
pessoas que assis i am.
Luís Ai es-Ba os no seu ex o O legado da memó ia: os monumen os hoje e no
u u o, e e e a impo ância de a sociedade e indo a desen ol e ao longo dos anos
um impo an e ac o de consciencialização sob e a p ese ação do seu pa imónio, da
sua he ança e da sua his ó ia. É impo an e p ese a pa a que as ge ações u u as
enham acesso a esse pa imónio e não pe cam a sua iden idade po que a ansmissão
de alo es cul u ais acon ece mui o po ia des e pa imónio que se e como ânco a,
al como os palcos onde a cul u a spo inguis a eside. Es es são eais, são ísicos e
uncionam como luga es de memó ia. Todas as cul u as como as conhecemos, são
esul an es de um logo p ocesso, de udo aquilo que oi p oduzido pelos po os ao longo
de mui os anos e não algo ge ado de o ma espon ânea e p oposi ada. É algo que oi
acon ecendo e se oi o nando na génese de um po o. A iden idade a ec a ao Spo ing,
é esul an e do con ac o com ou as cul u as despo i as e di e en es ideais, que se
o am moldando a é chega aos dias de hoje. Todo o ana ismo e ela uma paixão
inexplicá el, uma ligação pa a a ida que é pa ilhada en e pa es, en e amigos e
amília, algo que passa de ge ação em ge ação com objec i os que ge am e ep oduzem
alo .
O “uni e so” spo inguis a es á eple o de símbolos iden i á io, mui os desses
ísicos e de g ande dimensão como os es ádios, sedes, academias, núcleos e espaços de
sociabilização comum como p aças ou uas. Es es luga es adqui em o es a u o de palco
de eco dações, são luga es iden i á ios, são ma cos, luga es de memó ia que pe mi em
eco da e ememo a o passado. Jan sch Souza az e e ência ao a igo de Pie e No a
En e memó ia e his ó ia – A p oblemá ica dos luga es (1993), pa a nos mos a as
conside ações do au o sob e os luga es de memó ia: “O au o a a da necessidade
mode na de elege luga es onde deposi a memó ias, impo a ce os espaços ou
objec os a a e a de cap u a a memó ia e deixá-la ali ence ada pa a a qualque
momen o se despe ada pelo homem” (JANTSCH: 2014, p.100). Os luga es de memó ia
pa a No a são assim uma “ e amen a” que es abelece uma co elação en e o passado
e o p esen e, a a és de odo o seu simbolismo alojado nas memó ias e lemb anças.
Mui as ezes es as só ol am a es a acessí eis a a és de ce os es ímulos senso iais
35 | P á g i n a
como a isão, ol ac o ou audição. Os luga es de memó ia segundo No a são “ es os” de
algo que icou e que pe mi e se lemb ado al como os ma cos his ó icos e simbólicos
do clube.
A disciplina de An opologia do Espaço – a a és da An opóloga Filomena
Sil ano
19
– ajuda-nos a en ende a abo dagem po pa e da sociedade aos
concei os de es u u a social, espaço e memó ia. Es a pe mi e-nos obse a a
co elação en e á ios con ex os no que oca à obse ação e ao es udo dos
elemen os iden i á ios de um po o e de uma cul u a que segundo a isão
du kheimiana: “algumas dimensões do espaço são desen ol idas, como a
dimensão ma e ial, a sua ealidade dinâmica e enquan o supo e de memó ias
colec i as, ap eendendo o espaço como uma ep esen ação social elacionada
com p ocessos de iden idade e de memó ia simbólica e a ec i a de um g upo”
(SILVANO: 2001, p. 115).
Donize e Rod igues ap esen a-nos au o es como Gee z, S ua Hall e Bauman
que abo dam concei os cha e pa a o abalho do Cen o de Memó ias do Museu
Spo ing. Gee z (1973), p opo ciona-nos concei os como memó ia social, pa imónio
cul u al e iden idade. Po sua ez S ua Hall (2002) e Bauman (1998) su gem com
concei os como a globalização, on ei as e i o iais, localidades e iden idades. Todos
es es são impo an es concei os na medida em que nos ajudam a elaciona e a
comp eende melho a elação que os adep os êm com o clube a a és da sua memó ia
social, indi idual/g upo que cons i ui alo es de iden idade que se a i mam den o e
o a. Is o pe mi e localiza-los geog a icamen e, não só em Po ugal, mas ambém no
Mundo. Jun os, es es g upos cons i uem um mosaico dinâmico em cons an e c escen e
e mo imen ação, que p opagam es a onda de a inidades.
No en an o não bas a apenas iden i ica e eco da luga es, espaços ou símbolos.
É p eciso agi em o no da p ese ação des es sí ios. É ão impo an e egis a como
p ese a . Em Luga es de memó ia ou a p á ica de p ese a o in isí el a a és do
conc e o Ma cia Conceição da Massena A é alo dá-nos noções de p ese ação das
memó ias a a és do espaço, u ilizando pa a isso o concei o já aqui abo dado
an e io men e de Pie e No a - luga es de memó ia - no qual suge e o espaço ísico
19
Dulce Mou a, s.d. Filomena Sil ano (2001) - An opologia do Espaço. Uma In odução, Oei as, Cel a. pp. 115-116
36 | P á g i n a
(ma e ial) como supo e pa a a o mação de memó ia colec i a (ima e ial), uma ez que
segundo Massena a memó ia necessi a de um i ual pa a se associa a um espaço ísico
que unciona como uma ânco a na o mação de memó ias na sociedade con empo ânea
ainda que es as não sejam uni e sais, sejam indi iduais ou colec i as e sejam
iden i ica i as. É a memó ia que legi ima as acções e en eliga o passado, p esen e e
u u o. “Os luga es de memó ia nascem e i em do sen imen o que não há memó ia
espon ânea, que é p eciso c ia a qui os, o ganiza celeb ações, man e ani e sá ios
(…).” (MASSENA: s.d, p. 04) Es es luga es podem aze memó ia colec i a apoiada nas
p á icas cul u ais aí ealizadas, e desse modo são locais a se p ese ados pois são sí ios
“sag ados”, palcos de g andes i uais e de oções.
P ese a “luga es sag ados” é uma a e a de eno me impo ância e não pode
se deixada ao acaso. Pa a isso oi c iada a Decla ação de Québec – Sob e a p ese ação
do “Spi i u loci” – In e na ional Council on Monumen s and Si es, decla ação essa que
isa exac amen e p o ege o pa imónio cul u al e os alo es espi i uais associados ao
luga , le ando o Conselho In e nacional de Monumen os e Sí ios a conside a adop a
uma ca a especí ica dedicada ao pa imónio in angí el de sí ios e monumen os, o
chamado “espí i o do luga ”. Mas o que é o espí i o do luga ? “O espí i o do luga é
de inido como os elemen os angí eis (edi ícios, sí ios, paisagens, o as, objec os) e
in angí eis (memó ias, na a i as, documen os esc i os, i uais, es i ais, conhecimen o
adicional, alo es, ex u as, co es, odo es, e c.) is o é, os elemen os ísicos e espi i uais
que dão sen ido, emoção e mis é io ao luga .” (Ibid: p. 02). Es a ca a não p e ende
sepa a ou dis ingui os elemen os angí eis e in angí eis, mas que es es in e ajam en e
si e se cons uam mu uamen e, que a bem e dade não podemos obse a um deles
sem o ou o, nem cuida de um sem cuida do ou o. No caso de o eus ou objec os, o
ma e ial dá-nos con a de um p ocesso de conquis a que oi ou não concluído com o al
êxi o, e o lado ima e ial dá-nos con a de odo esse p ocesso a a és dos es emunhos.
Podemos obse a-los em sepa ado, no en an o apenas se os obse a mos jun os é que
e emos o máximo igo possí el e eal conhecimen o de odo o ei o, endo na sua
pleni ude “os dois lados da mesma moeda”.
No âmbi o do Cen o de Memó ias, mui os são os es emunhos que e e em
luga es simbólicos de memó ia no uni e so spo inguis a, luga es eple os de his ó ia,
luga es comuns na maio ia dos casos de memó ia colec i a, mas ambém memó ias
37 | P á g i n a
indi iduais como do an igo es ádio e an iga Sede da Rua do Passadiço nº86, os con í ios
en e uncioná ios e a le as como e e e Leono Roque, Vic o Cândido, Be na des Dinis,
ou os i mãos Sousa Ma ques. As pis as do an igo Es ádio de Al alade, p imei o o
elód omo, depois a pis a de cinza como nos con ou Ped o Ma os, Joaquim Fe ei a,
A mando Aldegalega, C is ina Coelho, seguindo-se a pis a a ã e de pela mão do
an igo p esiden e João Rocha, e po im a pis a co de ijolo. A an iga Na e do es ádio
de 1956, o Bingo, es au an es como O´Mag iço - onde abalha An ónio Gonçal es à
la gos anos e que an as memó ias êm pa a pa ilha – os ciclos es i os como na al e
a ida ao ci co, galas como Rugidos de Leão na Ba alha, P émios S omp ou memó ias
pessoais, como o dia em que joga am, co e am, assis i am a uma p o a pela p imei a
ez. A p imei a ez que conhece am Moniz Pe ei a, a p imei a ez que ganha am uma
p o a como Ca los Lopes, Fe nando Mamede, ou Domingos Cas o, udo is o associado
di ec amen e a ques ões emocionais não só e e en es ao espaço, mas ambém aos
esul ados.
No que e e e à e en e despo i a como Fu ebol, g andes au o es como
Gilbe o F ey e, Robe o DaMa a, Pie Paolo, An ónio da Sil a Cos a e Salomé Ma i oe
dão-nos con a do Fu ebol como um ac o social ( o al) que pe mi e explica e in e p e a
a sociedade, que socialmen e, que cul u almen e. Em Diz-me como jogas e e di ei
quem és… de And é Cap a o, os au o es como F ey e, DaMa a e Paolo, apesa de não
se em especialis as sob e o ema do u ebol i am nes e, g andes po encialidades pa a
explica á ios enómenos sociais. No caso em especí ico de Gilbe o F ey e au o de
Casa G ande e Senzala (1933), iu nes e despo o e nas suas gen es a possibilidade de
e o ça es a sua ese sob e a in eg ação acial, uma ez que concluiu que no caso
b asilei o o u ebol é esul an e de á ios elemen os sociais e cul u ais, de i ados da
in e acção acial en e o neg o, o b anco eu opeu (nes e caso o po uguês) e o indígena.
Já An ónio da Sil a Cos a em Po ugal, País de u ebol: g aças ao u ebol, a nossa Pá ia
é o mundo, analisa odo o ciclo es i o associado ao u ebol, especialmen e em o no do
Eu o 2004 ealizado em Po ugal: “O u ebol em um papel impo an íssimo a
desempenha no que diz espei o à eno ação es i a da sociedade mode na,
p incipalmen e em sociedades como a po uguesa, onde a es a é um elemen o
undamen al e imp escindí el pa a o seu no mal uncionamen o”. (COSTA: 2003, p. 01)
Po ou as pala as, segundo o au o , o u ebol em a capacidade de c ia “a es a” à

38 | P á g i n a
escala local, mas ambém à escala global, o que no caso da cul u a spo inguis a em
amplo e lexo, não só a a és u ebol e das suas modalidades, mas ambém a a és dos
seus adep os, núcleos, iliais e academias. Como sabemos o Fu ebol assume no mundo
o papel de p incipal ep esen an e do despo o, despon ando em si como em ou as
modalidades uma pale a de expe iências e emoções que icam exp essas po Cláudia
Dias, Nuno Co e-Real, José C uz e An ónio Fonseca em Emoções no despo o: O que
sabemos e o (que sen imos) que julgamos sabe , e ela-nos que du an e la gos anos
a ibuía-se quase em exclusi o como ac o de al e ação no despo o a pa e psíquica,
con olada pela ansiedade. Es es au o es explo am o que são as emoções e de que modo
as podemos a alia , mas não apenas de o ma psicológica, mas ambém ísica. Pa a isso
enume am ês ac o es que oco em de i ados à expe imen ação de o es emoções.
É p eciso e em con a que es as emoções oco em an o an es, como du an e e no pôs,
cada uma com ca ac e ís icas di e en es. Um dos elemen os que oco e é o aumen o
da equência ca díaca que a ia consoan e a impo ância do ad e sá io, que esul a
ambém numa mudança da exp essão acial que a ia ambém com o des echo do
desa io, como so iso em caso de i ó ia ou o ica pálido com medo. Ou o elemen o
encon a-se in e ligado com ag essi idade, passi idade consoan e a si uação, que no
caso de adep os mais e o osos e no pico das suas emoções pode da azo a iolência
ou insu iciência ca díaca.
O Caso P á ico
“Semp e oda a ida, a minha ida oi o Spo ing, oi o Spo ing” – Moniz Pe ei a
20
De ido à dimensão do clube e sua iqueza his ó ica, e de aco do com as
necessidades do museu e de es ágio – objec o conc e o – concen amos o oco de acção
na exposição empo á ia sob e o p o esso Má io Moniz Pe ei a, exposição essa que me
i ia pe mi i acompanha odo o seu p ocesso, desde o seu inicio a é ao im, pois a
inaugu ação des a e a an es da da a em que inda a o es ágio.
20
F ase di a po Moniz Pe ei a, no dia em que comple ou 94 anos de ida (11-02-2015) em en e is a à
ele isão do clube (Spo ing T ).
39 | P á g i n a
O í ulo da exposição A SORTE DÁ MUITO TRABALHO desde logo nos aguça a
cu iosidade e nos despe a os sen idos. Má io Moniz Pe ei a oi um azedo de
Campeões. Mas como podem duas pala as ão dis in as como a pala a so e e
abalho, cabe em na mesma ase?
Impo a e e i que de ido à g andiosidade e mul idisciplina íssimo de Moniz
Pe ei a em oda a sua ida, es e que e a conhecido como o S . A le ismo, de e ia an es
de mais se conhecido como o S . Ecle ismo. A exposição homenageia não só a sua
eno me igu a humana, mas ambém o a le a, o di igen e, o einado e o amo ao clube
do seu co ação, de al modo que no dia em que comple ou 94 anos de ida con essou à
ele isão do clube: “Semp e oda a ida, a minha ida oi o Spo ing, oi o Spo ing”. o
qual e a o sócio núme o dois quando aleceu com 95 anos de idade. De modo a
consegui ab ange 95 anos de ida - 93 anos ligados ao Spo ing - o am desen ol idas
duas exposições e á ias ac i idades – a ealiza - em pa ce ia com ou as ins i uições,
como é o caso do Museu Nacional do Despo o, Museu Spo ing, Cen o Despo i o
Nacional do Jamo , Comi é Olímpico de Po ugal, Museu do Fado, Faculdade de
Mo icidade Humana e Fede ação Po uguesa de A le ismo. Cada ins i uição icou
enca egue de assegu a a sua pa e exposi i a, que no caso do Museu Nacional do
Despo o esul ou na econs i uição da sala de abalho de casa do p o esso . Nes a
podemos e uma éplica do seu piano, os documen os e apon amen os pessoais. O
Museu do Fado icou enca egue de uma e úlia que abo da a eia adis a, composi o ,
e le is a de Moniz Pe ei a. O Museu Spo ing, p e endeu ep esen a e digni ica o seu
pe cu so enquan o Spo inguis a, enquan o a le a, einado e di igen e, pois é uma
igu a ímpa na his ó ia do clube e de Po ugal.
O Cen o de Memó ias do museu con ibuiu pa a a exposição, a a és dos
es emunhos de algumas das pessoas que i e am o p i ilégio de lida com o p o esso
e c esce com ele, não apenas a ní el despo i o, mas ambém a ní el humano. Os
es emunhos o nam es a uma exposição in imis a, di e en e, sen ida na p imei a,
pessoa po aqueles que azem pa e des a, e po odos aqueles que a pode ão isi a .
Foi undamen al e ec ua uma ecolha de memó ias de quem lidou de pe o
como o p o esso , uma ecolha que nos pe mi e acede a a és do in o man e e das
suas memó ias a um leque de momen os i idos pelos p óp ios, uma ecolha u gen e
que en iquece o pa imónio do clube e pe mi e “sal a ” as memó ias de quem de pe o
40 | P á g i n a
lidou com o Moniz Pe ei a. Es a ecolha de es emunhos pe mi e e ec ua duas acções
bas an e impo an es: a p imei a é o ac o de a a és das i ências pessoais, es a mos
a da oz e ambém a e i a as pessoas do esquecimen o, ou seja, do seu esquecimen o
in e no, das suas p óp ias memó ias e do esquecimen o do público, no caso de an igos
a le as que ago a se encon am longe dos empos de gló ia. Pe mi e um ea i a
posi i o, pois nes e caso o p ocesso de eco da pe mi e que de ol amos a es as
pessoas algo que ha iam pe dido há mui o, o con ac o com um mundo despo i o que
pa a es es pode ia e deixado de exis i . E po isso podemos ambém a e i que es a
in es igação possui ambém uma e en e social na medida que es e con ac o humano
pe mi e ambém uma ap oximação e a é inclusão no es abelecimen o de con ac os,
mas ambém de empo e de luga . O segundo bene ício des e abalho é o ac o de
econs ui o passado e a his ó ia do clube, a a és de his ó ias na p imei a pessoa,
aquelas his ó ias que dão co es, chei os e sabo es à nossa imaginação, aquilo que oi
i enciado de de e minada manei a po uma de e minada pessoa, pois como sabemos
a mesma si uação é i ida de di e en es modos po di e en es pessoas que en iquecem
a nossa his ó ia não só pessoal, mas ambém a ins i ucional. É undamen al e ec ua a
p ese ação u gen e des e pa imónio e sal a o máximo possí el de memó ias e
his ó ias, pois são a a és des as que possibili amos a con ex ualização no p esen e,
mas sob e udo c iamos uma pon e de ligação com o u u o.
Recolha - His ó ia O al
“(…) a memó ia a i a-se nos seus meios de memó ia (No a: 1986). Sem os meios de
memó ia, associados a um local ou a á ios, as pessoas e as suas idas se iam imagens
ins an âneas, an asmá icas, sem du ação.” (2014, p. 10
21
)
Pe e Loizos em Inno a ion in E hnog aphic
22
, diz-nos que o e eno do ilme
documen á io é as o, e enquan o a maio ia dos ilmes e nog á icos são idos como
documen á ios, apenas uma mino ia dos documen á ios é is o pela academia como
21
Paula Godinho, Inês Fonseca e João Baía, (Coo ds.), (2014), Resis ência e/y Memó ia – Pe spec i as
Ibe o-Ame icanas [Documen o elec ónico], Lisboa: IHC-FCSH/UNL.
22
Pe e Loizos, (1992), Ino a ion in E hnog aphic Film, F om Innocence o Sel -consciousness 1955-
1985. p. 5-15
41 | P á g i n a
sendo ilmes e nog á icos. Anne Ma ie
23
e o ça a o ça da o og a ia em elação aos
egis os audio isuais, uma ez que as o og a ias êm uma maio isibilidade, pois
pe mi em uma ácil ans o mação em pos ais e nesse caso uncionando como meio de
di ulgação de algo, como p odu os, paisagens e memó ias. As o og a ias são po á eis
e são um espelho do passado u ilizado ambém nos ilmes pa a econs ui
acon ecimen os an e io es ao ilme, de o ma de alhada e ealis a. Na an opologia po
a o og a ia an opomé ica é a pionei a, p o enien e do con ex o colonial, em que a
o og a ia p opo ciona a um no o meio de c ia modelos humanos, como e e e
MacDougall em The Visual in An h opology
24
. Só pos e io men e se começam a ealiza
os ilmes e nog á icos, con udo a o og a ia e o ilme ac uam de o ma conjun a e
comple am-se. A na a i a dos ilmes consegue se mais pode osa, po ou o lado as
o og a ias o e ecem aquilo que não é possí el encon a nos ilmes, os p imó dios da
imagem.
25
O mé odo de ecolha de in o mação pa a o Cen o de Memó ias, oco eu a a és
da g a ação de es emunhos o ais em audio isual. As pessoas o am con idadas a
con a as suas his ó ias e a e i e momen os, azendo pa a isso os seus p óp ios
objec os pessoais. Uma ez que as en e is as e am p e iamen e agendadas - quando
possí el -, pe mi ia aos in o man es aze em esses mesmos objec os, como o og a ias,
documen os, medalhas, sapa ilhas ou equipamen os despo i os, e pe mi ia ambém
uma pesquisa p é ia sob e aquelas pessoas de modo a en iquece o con eúdo do
egis o. Po ezes acon ece am ambém ecolhas de es emunhos espo ádicos, em que
as pessoas êm isi a o museu, e os guias de se iço pe cebem que aquela pessoa em
memó ias inc í eis e p ecisam se egis adas. Nesse caso é ei o o con i e ao isi an e e
explicado o objec i o e a me odologia do Cen o de Memó ias. Aqui, o ac o su p esa
de uma en e is a inespe ada, coloca an o pa a o en e is ado como pa a a pessoa que
egis a, uma igualdade ci cuns ancial de ambas as pa es. Faz-se um jogo de descobe a
e pa ilha, num i mo desa ian e, e mui o ma can e.
As ecolhas pa a o cen o de memó ia oco e am po no ma no in e io da sala
di ecção do museu. Es a escolha assen ou em á ios ac o es: 1 – o ac o de pe mi i
23
Anne-Ma ie Willis, (1995), Pho og aphy and Film, Uni e si y o Cali o nia. p. 77-93
24
Da id MacDougall, (1997), The Visual in An h opology, Yale Uni e si y. p. 277-295
25
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51 | P á g i n a
Anexos
(1) - Vida e Ob a de Má io Moniz Pe ei a
“Pode a i ma -se que a sua ida deco ia como uma p o a de a le ismo. Se ha ia
ba ei as, ul apassa a-as. Se ha ia um des alecimen o súbi o, ele azia um apelo ao seu
in e io e ecupe a a. Se a me a ainda es a a longe, sabia domina o es o ço com o
objec i o de a a ingi .” (CORREIA: 2016, p. 220)
Como imos an e io men e, o e mo Senho A le ismo como e a
ca inhosamen e apelidado, não az jus ao eno me ecle ismo do p o esso , uma ez que
oi a le a e einado de á ias modalidades como: Voleibol, Ginás ica, A le ismo ou
Ténis de Mesa, p epa ado ísico da equipa de Fu ebol do Spo ing C.P., bem como
di igen e despo i o do mesmo clube. Foi uma igu a impa na his ó ia do despo o, na
música e na sociedade. A sua disciplina, as suas ambições, o mé odo de eino, as i ó ias
alcançadas e os eco des ba idos pelos seus a le as, azem de Má io Moniz Pe ei a um
exemplo de pe se e ança, de ga a e sucesso em á ios dos seus campos de acção.
Comecemos en ão po descob i mais sob e Má io Moniz Pe ei a e o po quê de se uma
igu a de eno me ele o a ní el nacional e mundial.
Como nos desc e eu Leono Moniz Pe ei a – ilha mais elha de Moniz Pe ei a -
o seu pai “e a uma pessoa simples, não e a aidoso e acha a que a sua ob igação e a
supe a -se a si p óp io”. Supe ação, uma das pala as que melho ca ac e izam Moniz
Pe ei a, alguém que lu ou mui o pelos seus sonhos, pelos seus a le as, e po udo aquilo
que ac edi a a. Moniz Pe ei a semp e disse que o seu g ande objec i o enquan o
einado de a le ismo, e a um dia consegui e um a le a que ganhasse nos Jogos
Olímpicos a medalha de ou o, que subisse a bandei a po uguesa e se can asse o hino
nacional – objec i o esse que deixou esc i o em 1945/1946 e i ia a consegui ealiza
em 1984 com a i ó ia de Ca los Lopes na ma a ona em Los Angeles, al u a em que
con essou em en e is as que nesse dia “cho ou como uma madalena”. Foi enume as
ezes homenageado em ida - P émio S omp 1964, Medalha de Mé i o Despo i o em
1976 e 1984, Comenda da O dem do In an e D. Hen ique em 1980, Comenda da O dem
de Ins ução Pública em 1984, Mé i o em Ou o em 1985, O dem Olímpica em 1988,
G ande O icial da O dem do In an e D Hen ique em 1991, Leão de Ou o em 2000, Leões
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Hono is Spo ing 2015 - mas Leono ac edi a que a maio homenagem que Má io Moniz
Pe ei a i ia que e que lhe p es assem e a a c iação de uma pis a de a le ismo, no
Spo ing, e que se con inuassem a aze pis as de a le ismo po Po ugal, com melho es
condições, nomeadamen e pis as cobe as que possibili assem einos em qualque
ocasião a mos é ica.
A pis a de a le ismo de 1977 do an igo Es ádio José Al alade (1956)
26
oi du an e
mui os anos uma eno me on e de o gulho e conquis as como a de Fe nando Mamede
em 1981 em que ba eu o eco de da Eu opa dos 10.000 me os pe an e uma pla eia de
15 mil espec ado es. O es ádio e a pis a e am o labo a ó io de Moniz Pe ei a, os
einado es e os a le as a sua equipa de in es igação, udo is o g aças à e en e
olímpica do an igo es ádio que pe mi ia o c uzamen o de modalidades e expe iencias,
algo que indou com o desapa ecimen o do es ádio de 1956 e sua pis a a ã.
Os es emunhos egis ados pa a o Cen o de Memó ias são cla o, pois odos os
en e is ados e e em que o desapa ecimen o da pis a e a não colocação da pis a no
no o es ádio de 2003, esul ou num g ande desgos o pa a o p o esso pois pe cebeu
que o clube es a ia a “abandona ” aquela modalidade que an as aleg ias lhe inha dado.
Também a desis ência de Fe nando Mamede nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em
1984 oi mo i o de g ande is eza pa a Moniz Pe ei a, não só po Moniz Pe ei a não e
conseguido esse objec i o que conside a a pe ei amen e alcançá el - Fe nando
Mamede e a o g ande a o i o à i ó ia - mas pelo impac o nega i o que i ia aze ao
“dep essi o” Fe nando Mamede. Ainda hoje - 34 anos depois - Mamede gua da o
bilhe e que Moniz Pe ei a lhe deixou debaixo da po a do ho el em Los Angeles: “O que
passou, passou. Vamos há lu a”, eco da emocionado a a és do objec o.
O momen o de maio elicidade do p o esso oi concedido po Ca los Lopes -
nos Olímpicos de L.A de 1984, na e en e de ma a ona
27
- medalha de ou o, o mais al o
econhecimen o, conquis ado po Moniz Pe ei a que conside a a o seu maio objec i o
enquan o einado , e um a le a nos Jogos Olímpicos que ganhasse a medalha de ou o
pa a Po ugal, que se can asse o hino e se ele asse bem al o a bandei a da pá ia: “De o
dize que, no início da minha ca ei a como einado de a le ismo, eu semp e
26
Es ágio José Al alade oi inaugu ado a 10 de Junho 1956 - a a és de uma ce imónia nunca an es is a
em Po ugal - e oi desac i ado em 2003, al u a em que odos se muda am pa a o no o es ádio.
27
Ca los Lopes – Ou o – Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 – Ma a ona 42km
53 | P á g i n a
ambicionei que Po ugal iesse a e um dia a le as de ca ego ia in e nacional. Já inha
ido a alguns Jogos Olímpicos e a minha ambição e a a de que a bandei a po uguesa
subisse ao mas o olímpico e que o hino nacional se ou isse no Es ádio Olímpico. Sei de
co os hinos de mui os países, mas nunca inha ido o p aze de ou i A Po uguesa.”
(ibid: p. 112). Pa a além do al o ní el enquan o einado , o a dos palcos despo i os
Moniz Pe ei a azia de udo pa a ajuda os seus a le as a ní el pessoal, nomeadamen e:
na p ocu a de emp ego pa a os seus a le as, na p ocu a de ho á ios lexí eis de modo a
ga an i compa ibilidade com os seus einos, e a é mesmo na p ocu a de melho es
salá ios pa a os seus a le as e melho es pa ocínios. Is o po que como nos con a Leono
Moniz Pe ei a, o seu pai olha a semp e as pessoas no seu conjun o e nas suas
necessidades pois desse modo conseguia e melho es a le as no a le ismo e a ingi os
seus objec i os.
Moniz Pe ei a e a um homem de amília, que ap o ei a a semp e que podia pa a
es a , ou se aze acompanha pelos seus. Fo am enume as as ezes que Leono Moniz
Pe ei a - ainda c iança - acompanhou o seu pai, nos einos e em p o as. Como a p óp ia
diz: “Não me impo a a de e 10 os ões po cada ez que subi as escadas do José de
Al alade.”
O ac o de se um homem ex emamen e exigen e, le a a a que passasse mui o
empo o a de casa – einos, p o as, compe ições nacionais, eu opeias e mundiais - e
não conseguia acompanha da melho o ma a sua amília, de modo que pa a os
compensa da sua ausência c iou o Cong esso Moniz Pe ei a. “Ele acha a que as pessoas
não se de iam euni só pa a os casamen os bap izados e en e os, e, po an o, de iam
ha e ou os acon ecimen os amilia es que jun assem as pessoas odas. Ele o ganiza a
o Cong esso da amília Moniz Pe ei a e jun a a odos numa zona de lisboa po exemplo.
Os p imei os o am no Ho el do Vimei o po que inha espaços, piscina, ca alos e campos
de énis. Depois ele o ganiza a uma espécie de calendá io em que as pessoas se
insc e iam al e qual como se osse pa a os olímpicos (…)” explicou Leono Moniz
Pe ei a. Reunia a máxima amília possí el, c ia a um ciclo de jogos com igo compe i i o
- como se a asse dos Jogos Olímpicos - e em que odos pudessem pa icipa . Se uma
p o a e a in e ompida a meio, es a e a con inuada em ou o dia a combina com os
isados na p o a. Todos se di e iam e e o ça am ao mesmo empo a união amilia ,

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udo is o com a se iedade despo i a que se impunha e que Moniz Pe ei a nunca
descu a a.
No pano ama despo i o, lu ou a é ao im po melho es condições pa a os seus
a le as, melho es mé odos de eino, sac i icou a sua amília com inúme as ausências,
mas conseguiu 30 anos depois, uma medalha de ou o pa a Po ugal. Com ão pouco,
conseguiu ão bons esul ados, o eus, medalhas, eco des olímpicos e mundiais. O seu
lema “ abalho, abalho, abalho” não e a em ão, a é po que como o p óp io dizia “A
so e dá mui o abalho”. O Li o de Fe nando Co eia Moniz Pe ei a – Vida e Ob a do
Senho A le ismo, dá-nos consciência do as o caminho que Moniz Pe ei a pe co eu
desde o inicio da sua in ância a é se o na na e e ência que odos conhecemos.
“No dia 11 de Fe e ei o de 1921, nasceu na Rua Gomes F ei e, nº 163, p imei o
esque do, na cidade de Lisboa, uma c iança do sexo masculino a quem oi dado o nome
de Má io Albe o, com os apelidos, ma e no e pa e no, de F ei e Moniz Pe ei a.” (ibid:
p. 15). Da in ância às é ias em Sin a, na casa do seu a ô pa e no. Da educação no Liceu
Camões e o mação no INEF – Ins i u o Nacional de Educação Física – à ida mili a , e
inalmen e à chegada ao Spo ing - inicio do seu pe cu so no clube. Má io Moniz Pe ei a
“ ez de udo no Spo ing”, desde a le a, einado , p epa ado ísico e di igen e, chegou
inclusi e a se ice-p esiden e do Conselho Di ec i o, esponsá el po odas as
modalidades despo i as (exce o u ebol).
“Vi e é eina e eina é quase ence ”, es a oi uma das ases que Moniz
Pe ei a adop ou pa a si p óp io, depois de a e lido numa e is a b asilei a. Iden i icou-
se de al modo com aquela máxima, que a esc e eu na sua ese inal do INEF, endo-a
seguido pa a a ida. “O einado em que es a semp e em acção e de e se um bom
conselhei o, acompanhando de pe o os seus a le as.” (ibid: p. 116). Moniz Pe ei a
e e e po di e sas ezes que a cha e pa a o sucesso é eina o máximo de ezes
possí el, sendo o núme o de exe cícios mais impo an es do que a qualidade écnica de
cada indi iduo, pois como o mesmo diz, iu mui as ezes a le as ecnicamen e maus a
ganha em p o as e a le as ecnicamen e pe ei os que não conseguiam ganha . E pa a
jus i ica essas a i mações, Moniz Pe ei a jus i ica-se:
“(…) em Po ugal há o cul o da el a e con inua a se p oibido pisá-la. Ou nos
locais ou nos es ádios que enham pis a de a le ismo. Donde não é possí el aze
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lançamen os, po que não deixam en a no el ado. En ão is o en ende-se? Já ago a,
ou ainda mais além. Já i am que os ame icanos são bons no basque ebol, não é
e dade? E já epa a am que, na maio ia das casas pa icula es, há uma abela de
basque e à po a e que miúdos e g aúdos passam a ida a aze lançamen os? Ninguém
ensina os miúdos a aze lançamen os ecnicamen e pe ei os. Eles lançam como sabem.
Vão a co e pa a a escola e a ba e a bola. De ez em quando pa am e lançam num
ces o dos mui os que há pelo caminho. Não em nenhum policia a co e pa a lhes i a
a bola. Quando eg essam a casa azem o mesmo, do mem com a bola no qua o,
começam a eina a sé io aos 13 ou 14 anos e, ela i amen e aos ou os miúdos de
ou os países, em dez lançamen os me em seis ou se e, e os ou os ze o ou um. E os
ame icanos são bons na modalidade. Po que se á? Em Po ugal, a écnica é boa. É
e dade. Mas uma écnica pe ei a pe de qualidade quando não é execu ada
equen emen e, odos os dias ou mais do que uma ez po dia. Is o é que se chama
adap ação ao ges o, à dis ância e ao es o ço. A écnica é impo an e, mas o seg edo do
êxi o es á no abalho cons an e e no mé odo a aplica , po que é a o um a le a e um
mé odo de abalho igual a ou o.” (ibid: p. 117)
A 1 de Agos o de 1975 Moniz Pe ei a e a di ec o écnico da ede ação
Po uguesa de A le ismo e como al ap esen ou um plano e olucioná io de p epa ação
pa a a modalidade, plano esse ap o ado pela di ecção da Fede ação e ambém pelo
Minis é io da Educação. Es e plano inha como objec i o p epa a da melho o ma
possí el os a le as de Po ugal pa a os Olímpicos de Mon eal em 1976, a começa pelo
simples ac o de os a le as po ugueses e em as mesmas opo unidades de eino que
os a le as de ou os países, aliando a sua qualidade écnica às i ó ias. “A ualmen e, não
podemos admi i que os nossos a le as, que einam 90 minu os po dia após 8 ho as de
abalho, ão compe i , em Mon eal, com aqueles que se p epa am 2 a 3 ezes po dia
num o al de seis ho as, seguido do necessá io epouso ecupe ado . As condições de
p epa ação e ão de se iguais, an o mais que, ago a, possuímos a le as de e dadei a
ca ego ia in e nacional e que apesa da desigualdade de p epa ação a ás ci ada, êm
ob ido mui as i ó ias no es angei o – e dadei os milag es – sob e aqueles que não
azem ou a coisa senão eina , o que nos le a a conclui que o seu eal po encial ainda
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es á po classi ica e é supe io ao de alguns nomes sonan es do a le ismo eu opeu”
(ibid: p. 140 - 141)
A ambição e a c ença de Moniz Pe ei a em aze campeões, não encon ou
consenso e mui as o as as c í icas que so eu. A comunicação social esc e ia: Luís Al es,
Jo nal O Século – “O s . p o esso de educação ísica Má io Moniz Pe ei a que êm o
g a íssimo de ei o de ama a sua p o issão como se ela o a um sace dócio (…) come eu
ago a a imp udência de ad oga a p esença do modes o a le ismo po uguês nos Jogos
Olímpicos de Mon eal (…), elabo a um p og ama especial de p epa ação pa a os seus
a le as que, em p incípio, já es ão seleccionados e que ai cus a ao e á io público pa a
cima de 500 con os. De mais sabe o p o esso Moniz Pe ei a na alhada em que se oi
me e .” (ibid: p. 145) O a igo segue ainda com o e c i ica, não só a Moniz Pe ei a bem
como aos a le as dizendo que: “as medalhas olímpicas e as al as classi icações só es ão
ao alcance dos a le as excepcionalmen e do ados, en e os quais se não con a nenhum
po uguês. Aplaudimos sem ese as a p esença po uguesa nos Jogos Olímpicos, mas
só uma p esença que seja a e dadei a imagem do país, is o é, uma p esença modes a
e sem ambições. Digamos, mesmo, uma p esença pob e, que pode se pob e e não
pe de dignidade. En endemos que os dinhei os que ão se gas os pode iam se mui o
mais ú eis se ossem canalizados pa a as escolas.” Já o jo nal República publica a o
seguin e: “Moniz Pe ei a es á no Alga e a gas a o dinhei o do po o!” (ibid: p. 146)
E a no ó io o desag ado ace às exigências - écnicas e inancei as -, pois pa e
da população po uguesa não ac edi a a se possí el que os po ugueses ossem aze
“boa igu a” no pano ama in e nacional. É bom eco da que o país saí a de uma
di adu a e ainda ha ia mui a ins abilidade na sociedade. Acon ece que pa a su p esa da
população, os esul ados ob idos nos Jogos Olímpicos de Mon eal de 1976, “excede am
la gamen e as p e isões, alcançando mesmo o b ilhan ismo, e só o am possí eis pelo
abalho in enso e ec uado ao longo do ano, após a ap o ação go e namen al do plano
de p epa ação.” (ibid: p. 147)
De al o ma o am posi i os que inclusi e o P imei o Minis o (à época) Má io
Soa es en iou um eleg ama a elici a Moniz Pe ei a: “Felici o excelen e abalho que
em desen ol ido há longos anos, bem exp esso nos esul ados ago a ob idos.” (ibid: p.
152)
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O es o ço de Moniz Pe ei a e a e olução que p o ocou na p epa ação des es
Jogos Olímpicos, me ece am g andes esul ados, de des aca o seu a le a do Spo ing
Ca los Lopes que alcançou o segundo luga em A le ismo nos 10.000 m, e, po
conseguin e, a medalha de p a a pa a Po ugal, e A mando Ma ques que ambém oi
medalha de p a a na modalidade de Ti o (Fosso olímpico). Nos Jogos Olímpicos de Los
Angeles em 1984, con inuando a segui os seus mé odos de eino que an o
impulsiona am a modalidade em Po ugal, a excelen e o ma ísica dos seus a le as
po ugueses le ou a que Ca los Lopes ganhasse mesmo a medalha de ou o - Ma a ona
- alcançando a p imei a medalha de ou o pa a Po ugal nos Jogos Olímpicos e
alcançando ambém o momen o áu eo de Moniz Pe ei a, aquele que e a o seu g ande
objec i o enquan o einado , que e a e um a le a que pa icipasse nos jogos
Olímpicos, que subisse ao pódio, ganhasse o ou o e se ou isse a Po uguesa com a
bandei a da pá ia como undo pa a odo o mundo assis i , algo que a é ao seu ul imo
dia de ida eco dou com eno me o gulho. “Fica a de lag imas nos olhos de emoção.
Como não enho do es de esc i o pa a desc e e essa emoção, só posso dize que,
quando a bandei a po uguesa subiu no mas o de hon a, ao som do hino nacional,
cho ei que nem uma Madalena… E a um sonho que ambiciona a ealiza , mas que não
julga a se possí el, quando iniciei a minha ca ei a de einado no Spo ing, em 1945.”
(ibid: p. 163)
Moniz Pe ei a es e e p esen e em 12 Jogos Olímpicos nas mais a iadas
condições: como jo nalis a, como di igen e, einado ou espec ado . A p imei a ez o a
em Lond es em 1948 e a úl ima oi no ano de 2000. Só al ou po duas ezes: Melbou ne
1956 e Mosco o 1980. Pelo caminho, mui as o am as medalhas, eco des pessoais,
nacionais, eu opeus e mundiais ba idos pelos a le as - pelos seus a le as do Spo ing,
mas ambém po a le as de ou os clubes ao se iço da selecção nacional, o que mos a
que Má io Moniz Pe ei a semp e olhou pa a o despo o e pa a as modalidades como
um odo e semp e ez udo em p ol do mesmo, ele ando o nome de Po ugal no mundo.
Todos es es episódios dão-nos con a da o e pe sonalidade de Moniz Pe ei a,
um g ande einado , em que a sua pe sis ência o le a a semp e a alcança os seus
objec i os. Con a udo e con a odos ez his ó ia, não só pessoal, mas ambém a dos
seus a le as, e de odas as ge ações u u as, que g aças a ele i e am e êm a
64 | P á g i n a
FIGURA 12 - ARMANDO ALDEGALEGA – PARTICIPOU NA 1ª EDIÇÃO DA TAÇA DOS CAMPEÕES EUROPEUS DE
ATLETISMO EM 1975.
FIGURA 43 - CRISTINA COELHO – COMEÇOU A PRATICAR ATLETISMO COM APENAS 7 ANOS DE IDADE, TENDO
REPRESENTADO O SPORTING DURANTE 20 ANOS.

65 | P á g i n a
(4) - Pan le os ela i os às exposições sob e Má io Moniz Pe ei a.
FIGURA 14 - PANFLETO DE AUTORIA DO MUSEU NACIONAL DO DESPORTO (FRENTE)
FIGURA 15 - PANFLETO DE AUTORIA DO MUSEU NACIONAL DO DESPORTO (VERSO)
66 | P á g i n a
FIGURA 56 - PANFLETO DE AUTORIA DO MUSEU SPORTING.