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Processo de referenciação de consultas das unidades de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: análise na ótica de valor acrescentado

Abstract

RESUMO - Nos últimos anos cada vez mais se tem assistido a esforços para lidar com os numerosos desafios que afetam os sistemas de saúde. Medidas para reduzir custos e aumentar a eficiência têm sido aplicadas de um modo separado ao nível dos cuidados de saúde primários e secundários. Este trabalho, contudo, tem como objetivo a identificação e eliminação de desperdícios no processo que vai desde as referenciações nas unidades de cuidados de saúde primários até às consultas de especialidade na unidade de cuidados de saúde secundários da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Foram utilizadas as ferramentas Lean metodologia A3 e o ciclo de Deming. Os resultados permitiram identificar problemas como: falhas nos processamentos de referenciações que podem conduzir a perdas de produção; incumprimento do procedimento interno de referenciações em 70% das unidades em média; uma elevada taxa de absentismo dos utentes às consultas de especialidade de 48%, com impacto na produtividade, receitas e subutilização dos profissionais de saúde; um lead time entre a referenciação e a consulta acima do Tempo Máximo de Resposta Garantido, (Portaria n.º 153/2017), particularmente na especialidade de cardiologia. Para cada um dos problemas identificados, com base na aplicação prática da metodologia A3, foram propostas um conjunto de medidas integradas num plano de implementação com inputs para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa – Saúde poder melhorar os seus processos e eliminar os desperdícios.

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Processo de referenciação de consultas das unidades de saúde da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: análise na ótica de valor acrescentado

Author: Oliveira, Catarina Adelaide Almeida de
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2018
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/83211/1/RUN%20-%20Trabalho%20Final%20CEAH%20-%20Catarina%20Oliveira.pdf
P ocesso de e e enciação de consul as das Unidades de
Saúde da San a Casa da Mise icó dia de Lisboa: análise na
ó ica de alo ac escen ado
XLVI Cu so de Especialização em Adminis ação Hospi ala
Ca a ina Adelaide Almeida de Oli ei a
no emb o 2018
P ocesso de e e enciação de consul as das Unidades de
Saúde da San a Casa da Mise icó dia de Lisboa: análise na
ó ica de alo ac escen ado
T abalho de Campo ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Especialis a em Adminis ação Hospi ala ealizado sob a
o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Paulo Bo o e do P o esso Dou o Luís
Lapão.
no emb o 2018
O con eúdo des e abalho é da in ei a esponsabilidade do seu au o , não endo a Escola
Nacional de Saúde Pública qualque esponsabilidade sob e o mesmo.

I
Ag adecimen os
Que o deixa o meu ag adecimen o a odas as pessoas que con ibuí am pa a
a ealização des e meu abalho.
Ao Nuno, meu companhei o, amigo e incen i ado , pois sem ele, a sua paciência e a
sua p eciosa ajuda es e abalho não e ia sido possí el.
À minha amília, em especial aos meus pais e i mão pelo seu incondicional apoio e
incen i o pa a a conclusão des e abalho.
Aos meus o ien ado es, P o esso Dou o Paulo Bo o e P o esso Dou o Luís Lapão,
pelos seus conselhos, disponibilidade, paciência, o ien ação e pela o ma como me
apoia am e encaminha am nes e pe cu so.
À D a. Tânia Ma os pela o ma a enciosa e amá el, pe mi indo-me assim a opo unidade
de pode ealiza es e meu abalho nas Unidade de Saúde da San a Casa da
Mise icó dia de Lisboa.
À D a. Ca la Tomás e ao D . Hugo Reis pelo seu con ibu o na disponibilização e ecolha
de dados, pela amabilidade com que me ecebe am e pela o ma semp e disponí el,
a enciosa e de ex ema gene osidade com que me ajuda am em odo o pe cu so.
À Engª Do es Capucho pela sua disponibilidade, simpa ia e ajuda.
Ao Eng.º Ped o Sal ada po odo o seu conhecimen o, disponibilidade e expe iência
pa ilhada.
Ao D . Rui Co es pela pa ilha de conhecimen o, disponibilidade e apoio.
À D a. Isabel And ade pelo apoio, amabilidade, simpa ia e semp e o al disponibilidade.
A odos os amigos que me incen i a am e apoia am nos momen os mais di íceis,
mos ando o e dadei o signi icado de amizade.
A odos, o meu mui o ob igada!
II
III
“Insani y is doing he same hing o e and o e again and expec ing di e en esul s.”
(B own, 1983).
X
G á ico 9– Dis ibuição das al as às consul as de especialidade po dia da semana e géne o, de
ab il de 2017 a e e ei o de 2018. .............................................................................................. 34
Índice de quad os
Quad o 1 – Quad o esumo das causas das al as dos u en es epo adas nos es udos analisados.
..................................................................................................................................................... 16
Quad o 2 – Quad o esumo das medidas que isam a ua sob e as causas das al as dos u en es
epo adas nos es udos analisados. ............................................................................................ 17
Índice de igu as
Figu a 1 - “House o Quali y” pa a os p incípios LEAN (iden i icados na base dos pila es) e as
e amen as (iden i icadas ao longo dos pila es). Fon e: (Spagnol e al., 2013, pg. 231). ........... 6
Figu a 2 - Rep esen ação g á ica do ciclo de Deming. Fon e: (Moen e No man, 2010, p. 27). .... 7
Figu a 3 - Rep esen ação g á ica de um exemplo de um Value-S eam Map num p ocesso
p odu i o indus ial. Fon e: (Ro he & Shook, 1999, p. 9). ........................................................... 9
Figu a 4 - Templa e de esolução de p oblemas de aco do com a me odologia A3. Fon e: (Sobek
e al., 2005, p. 253). .................................................................................................................... 10
Figu a 5 - Exemplo de diag ama dos p ocessos a uais ela i os ao empo de emissão dos
ela ó ios clínicos de um labo a ó io de ana omia pa ológica. Fon e: (Sobek e al., 2005, p. 255).
..................................................................................................................................................... 11
Figu a 6 - Exemplo de diag ama das melho ias a in oduzi nos p ocessos ela i os ao empo de
emissão dos ela ó ios clínicos de um labo a ó io de ana omia pa ológica. Fon e: (Sobek e al.,
2005, p. 256). .............................................................................................................................. 12
Figu a 7 – Fluxo do p ocesso en e a e e enciação (e apa A) e a consul a de especialidade (e apa
D). ................................................................................................................................................ 20
Figu a 8 - Fluxo do p ocesso en e a e e enciação (e apa A), o en io (e apa B) e a ma cação da
consul a da especialidade (e apa C). ........................................................................................... 20
Figu a 9 – Fluxo do p ocesso desde a e e enciação (e apa A) a é à ealização da ma cação (e apa
C). ................................................................................................................................................ 21
Figu a 10 – Fluxo do p ocesso desde a e e enciação a é às al as dos u en es às consul as de
especialidade (E apa E). .............................................................................................................. 21

XI
Lis agem de ab e ia u as
AH – Adminis ação Hospi ala
CEO – Chie Execu i e O ice
CSP – Cuidados de Saúde P imá ios
CCS – Cuidados de Saúde Secundá ios
EUA – Es ados Unidos da Amé ica
GE – Gene al Elec ic
MGF – Medicina Ge al e Familia
MIT – Massachuse s Ins i u e o Technology
PDSA – (Plan, Do, S udy, Ac )
ROI – Re u n on In es men
SCML – San a Casa da Mise icó dia de Lisboa
SCMLS – San a Casa da Mise icó dia de Lisboa - Saúde
S.I. – Sis ema de In o mação
SNS – Se iço Nacional de Saúde
STW – Sho Te m Wins
TMRG – Tempos Máximos de Respos a Ga an idos
TPS – Toyo a P oduc ion Sys em
UCS – Unidade de Cuidados de Saúde
USSC – Unidades de Saúde San a Casa
VSM – Value-S eam Mapping
XII
XIII
1. In odução .......................................................................................................................... 1
2. Enquad amen o Teó ico ................................................................................................. 3
2.1.1. Six Sigma (6σ) ........................................................................................................... 3
2.1.2. Toyo a P odu ion Sys em (TPS) – Lean ............................................................. 3
2.1.2.1. P incípios Lean ..................................................................................................... 4
2.1.2.2. Fe amen as Lean ................................................................................................ 6
2.1.2.2.1. Ciclo Deming ..................................................................................................... 7
2.1.2.2.2. Me odologia A3 ................................................................................................. 8
2.1.2.3. Desa ios na Implemen ação dos P incípios Lean ..................................... 13
2.1.3. Lean na Saúde ......................................................................................................... 14
2.2. Fal as dos U en es ..................................................................................................... 14
3. Me odologia ..................................................................................................................... 19
3.1. Tipo de es udo ............................................................................................................ 19
3.2. População/Amos a ................................................................................................... 19
3.3. Delineamen o do es udo .......................................................................................... 19
3.4. Me odologia de ecolha de dados .......................................................................... 22
3.4.1. Análise documen al ............................................................................................... 22
3.4.2. Mé odos de ecolha de dados ............................................................................. 22
3.4.3. Mé odos de análise dos dados ........................................................................... 22
3.4.4. Exclusões ................................................................................................................. 23
3.4.5. Inclusões .................................................................................................................. 23
3.5. Fe amen as Lean u ilizadas ................................................................................... 23
4. Resul ados ....................................................................................................................... 25
4.1. Resul ados das análises e e uadas ....................................................................... 25
4.1.1. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e a consul a da especialidade
(e apa D) .................................................................................................................................... 25
4.1.2. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e o en io (e apa B) ................. 29
4.2. Aplicação da Me odologia A3 ................................................................................. 35
4.2.1. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e a consul a da especialidade
(e apa D) .................................................................................................................................... 36
4.2.2. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e o en io (e apa B) ................. 40
4.2.3. Fal as dos u en es às consul as de especialidade ....................................... 44
5. Discussão ......................................................................................................................... 49
5.1. Discussão me odológica .......................................................................................... 49
5.2. Discussão dos esul ados ....................................................................................... 49
6. Conclusões ...................................................................................................................... 51
XIV
7. Recomendações ............................................................................................................. 53
8. Re e ências bibliog á icas ........................................................................................... 55
9. Anexos .............................................................................................................................. 60
9.1. P ocedimen o In e no de Re e enciações pa a as Unidades de Saúde da
San a Casa da Mise icó dia de Lisboa. ............................................................................ 60
9.2. Si uação a ual e si uação al o desejada dos ês ela ó ios A3 elabo ados.
61
9.2.1. Lead ime en e e e enciação e consul a (1/2) .............................................. 61
Lead ime en e e e enciação e consul a (2/2) .............................................................. 62
9.2.2. Lead ime en e e e enciação e o en io (1/2) ................................................. 63
Lead ime en e e e enciação e o en io (2/2)................................................................. 64
9.2.3. Fal as dos u en es às consul as de especialidade (1/2) .............................. 65
Fal as dos u en es às consul as de especialidade (2/2) .............................................. 66
1
1. In odução
Vá ios au o es conside am que em nenhum ou o se o como na saúde as melho ias na
e iciência são ão c í icas pa a assegu a a sus en abilidade des e se o (Visich e al.,
2010). Os desa ios en en ados no se o da saúde são bas an e di e sos e mui as ezes
em dimensões bas an e opos as ou mesmo conco enciais: endência de aumen o dos
cus os, edução da sa is ação dos u en es nos cuidados p es ados, escassez de
ecu sos humanos (médicos e adminis a i os), ausência de ino ação ecnológica,
p incipalmen e na á ea de ecnologias de in o mação (Abe ne hy e al., 2001),
inc emen o da p ocu a de cuidados de saúde que o ça ao aumen o na o e a de
se iços (Sla e e al., 2000) e necessidade de melho ia dos esul ados a longo p azo
associados à p es ação desses cuidados, ao mesmo empo que se des aca a ele a
au onomia dos p o issionais de saúde.
Tudo is o, po seu lado, em le ado à p ocu a e adoção c escen e de p og amas de
melho ia con ínua no se o da saúde, com os seguin es des aques de aco do com um
es udo ealizado pela Ame ican College o Physician Execu i es Quali y o Ca e Su ey
em 2007: Six Sigma (18,5%), Lean (13,3%), me odologias p op ie á ias de emp esas
especializadas em melho ia con ínua (12,2%), p og amas p óp ios desen ol idos nas
ins i uições (26,7%), des acando-se ainda a maio con ibuição (29,2%) de ausência de
aplicação de qualque p og ama (Visich e al., 2010). O p imei o es á ocado na edução
de de ei os e, o segundo, na eliminação de odo o ipo de despe dícios.
De ac o, os despe dícios são um ema bas an e ele an e no se o da saúde,
des acando-se que a e is a da APDH (Associação Po uguesa pa a o Desen ol imen o
Hospi al) num a igo de Al es (2012) e e e que 1/3 do gas o com saúde nos EUA é
despe dício e, em Po ugal, em 2015, o Minis o da Saúde apon ou pa a um despe dício
o al de 10% do o çamen o o al do minis é io.
É nes e con ex o que se inse e o p esen e abalho que isa de o ma es u u ada e
sis emá ica a iden i icação e eliminação dos despe dícios no p ocesso que ai desde as
e e enciações a é às consul as nas á ias unidades de saúde da San a Casa da
Mise icó dia de Lisboa (SCML). No undo, as ques ões de pa ida que se colocam são
as seguin es:
 Exis em despe dícios?
 Onde es ão localizados?
 E como eliminá-los?

2
Pa a a espos a a es as ques ões, nes e abalho o am aplicadas as e amen as Lean:
a Me odologia A3 conjun amen e com o Ciclo de Deming que se ão de alhadas a segui
no Enquad amen o Teó ico.
De e e i , po im, que a SCML é uma o ganização que es á pa icula men e ocada em
ende eça as necessidades de cuidados de saúde a um segmen o de população mais
ca enciada pa en e na sua missão: “A San a Casa da Mise icó dia de Lisboa p ocu a a
ealização da melho ia do bem-es a da pessoa no seu odo, p io i a iamen e dos mais
desp o egidos.” (SCML, 2018).
3
2. Enquad amen o Teó ico
2.1.1. Six Sigma (6σ)
T a a-se de uma me odologia desen ol ida pela Mo o ola Inc. nos EUA no inal da
década de 80 como o ma de edução de de ei os em p ocessos de ab ico
(Non halee ak e al., 2006). Toda ia, só a meados da década de 90 es a me odologia
ganhou mais popula idade, quando Jack Welch enquan o CEO passado da GE a ado ou
ans e salmen e em oda a emp esa como p ocesso de melho ia con ínua. Após isso,
su gi am á ias publicações em que a adoção des a me odologia é ap esen ada como
um sucesso, documen ado pelo aumen o do ROI1 da emp esa, bem como uma
signi ica i a edução nos cus os e inc emen o na sa is ação dos clien es.
A p imei a aplicação conhecida des a me odologia oi no se o da saúde e emon a a
1988 no Commonweal h Heal h Co po a ion, enquan o p incipal cen o médico no
es ado do Ken ucky nos EUA, pela mão da GE (Sehwail e al., 2003 ; Feng e al., 2008).
Apenas na década de 2000 es a me odologia começou a se ado ada de o ma mais
ampla no se o da saúde (Black e al., 2006) e com di e sos exemplos bem-sucedidos
conside ados como e e ência: edução dos cus os associados ao in en á io de
equipamen o ci ú gico no p incipal cen o médico no es ado da Vi gínia Ociden al nos
EUA (Simmons, 2002), edução do empo de ans e ência dos u en es da u gência no
Sco sdale Heal hca e no es ado do A izona nos EUA (Laza us e al., 2002), aumen o
da sa is ação dos u en es e edução do empo de in e namen o em u en es com
insu icien e ca díaca conges i a (E inge , 2001 ; Simmons, 2002), en e ou os.
Uma ez que es a não oi a me odologia seguida, não se á abo dada em mais de alhe
nes e abalho.
2.1.2. Toyo a P odu ion Sys em (TPS) – Lean
O TPS2, pos e io men e apelidado de Lean num es udo conduzido pelo MIT (Womack
e al., 1990, p. 1-10), su giu na década de 80 pela Toyo a Mo o Company como o
esul ado de um es o ço con inuado de á ios anos pa a a melho ia da qualidade e
p odu i idade com ên ase na eliminação de odas as on es de despe dício. Na
ealidade, nessa década a indús ia au omó el nos EUA encon a a-se a pe de
apidamen e quo a de me cado pa a a conco ência es angei a, com pa icula
des aque pa a os ab ican es Japoneses, que conseguiam p oduzi au omó eis com
menos de ei os, maio índice de sa is ação po pa e dos consumido es e ainda assim
1 Re u n on In es men
2 Toyo a P oduc ion Sys em
4
bas an e compe i i os no p eço, mesmo após os cus os de anspo e e axas. Is o le ou
a que os académicos nos EUA se ocassem nas azões que es a am na o igem des e
sucesso, endo pa a o e ei o ido ao Japão isi a as áb icas. Toda ia, con a iamen e
ao que espe a am, não encon a am áb icas o emen e au oma izadas e a inadas pa a
uma p odução sem de ei os, nem encon a am pelo ões de inspe o es que e i icassem
a qualidade dos p odu os. Em al e na i a, encon a am sim um sis ema de p odução
comple amen e di e en e e ino ado que ouxe am pos e io men e pa a os EUA com
exemplos de g ande sucesso, p imei amen e no se o au omó el (Like , 1998, p. 1-27;
Womack, 1996, p. 1-32) e depois di undido em ou os se o es.
2.1.2.1. P incípios Lean
Mui os au o es desc e em o Lean como uma iloso ia que isa a eliminação de odo o
ipo de despe dícios, p ocu ando a eliminação de odos os de ei os de o ma impiedosa,
num es o ço con ínuo pela pe eição (Ohno, 1988, p. 1-29), (Shingo, 1989, p. 1-15) e
(Monden, 1993, p. 1-10). Apesa des a de inição pode ajuda a mo i a a i udes pa a a
melho ia con ínua, na e dade, pouco ajuda na sua implemen ação p á ica. Assim, à
medida que a implemen ação do Lean se oi expandido, o nou-se ób io a necessidade
de passa de uma abo dagem ilosó ica pa a uma abo dagem mais p a ica, pelo que
á ios au o es op a am po desc e e o LEAN a a és de um conjun o de p incípios que,
se aplicados numa de e minada sequência, ajudam a de ini um oadmap pa a a sua
implemen ação. Womack e al. (1996) ap esen a am os seguin es p incípios:
1. Fo neça o alo que os clien es ealmen e desejam: C ia alo , não numa
pe spe i a me amen e inancei a, mas conside ando a mul iplicidade de dimensões
desejadas pelos clien es, aduzindo aquilo que es es e dadei amen e p e endem.
2. Iden i ique o luxo de alo e elimine o despe dício: Iden i ica a cadeia de alo
e elimina os despe dícios, sendo que no desen ol imen o do TPS, (Ohno, 1988, p.
1-29) e (Shingo, 1989, p. 1-15) classi ica am-nos em 7 ca ego ias dis in as:
 Pe da de empo: Despe dício de empo associado aos pe íodos de
espe a de pessoas e/ou equipamen os po ecu sos, ma e iais ou
se iços (p oblemas de layou , a asos com o necedo es in e nos e
ex e nos, o e a não balanceada com a p ocu a, en e ou os).
 Despe dício de Mo imen o: Mo imen o desnecessá io de pessoas e/ou
equipamen os na execução de ope ações, ou demasiado len o, ou mui o
ápido ou mesmo excessi o, ipicamen e epo ado como abalho
desnecessá io assumindo a ó ica de c iação de alo pa a o
5
p odu o/se iço ( al a de o mação das pessoas, ins abilidades nas
ope ações, en e ou os).
 Despe dício de In en á io: Despe dício associado à manu enção de um
ele ado olume de ecu sos em in en á io, ipicamen e pa a acomoda
ine iciências nos p ocessos (p oblemas de qualidade nos
p odu os/se iços, ele ada a iabilidade de empos de p odução, en e
ou os).
 Despe dício de p ocessamen o: Despe dícios do p óp io p ocesso
associados a ope ações ou mesmo subp ocessos que são
desnecessá ios (p oblemas na conceção dos p ocessos, eplicação de
ope ações em di e en es pa es do p ocesso, en e ou os).
 Despe dício de ab icação de p odu os de ei uosos: Despe dício
associado a de ei os ou p oblemas de qualidade nos p odu os/se iços
(p oblemas na ges ão de qualidade com oco apenas no con olo inal,
ausência de a amen o das eclamações dos clien es, en e ou os).
 Despe dícios no anspo e: Despe dício na mo imen ação de pessoas
e/ou ma e iais de um local pa a o ou o (p oblemas de layou ,
planeamen o de ope ação, en e ou os).
 Despe dício de sob ep odução: Despe dício associado ao excesso de
p odução, ou seja, aze mais do que o que se ia necessá io, quando não
é necessá io e em quan idades desnecessá ias (consumo de ma e iais e
ene gia sem que isso ep esen e e o no pa a a o ganização, p oblemas
de ocupação desnecessá ia de ecu sos, en e ou os).
Na iden i icação dos despe dícios na saúde des aca-se o ela ó io da OCDE
“Tackling Was e ul Spending on Heal h” (2017), que indica algumas soluções
a aplica e o abalho desen ol ido po Lapão (2016).
3. Alinhe as e apas es an es pa a c ia um luxo con ínuo: Sinc oniza os meios
en ol idos pa a a c iação de um luxo (ma e ial, pessoas, in o mação e capi al)
eliminando obs áculos e ba ei as a um p ocesso con ínuo.
4. Aumen e a p odução com base no consumo dos clien es: P odução baseada
numa es a égia de pull, ou seja, de aspi ação, em que são os clien es a assumi o
papel p incipal de elemen o indu o de o e a de p odu os ou se iços com base nas
suas necessidades e no momen o em que o desejam.
12
Segundo Sobek e al. (2005), endo po base o abalho de Spea e Bowen (1999),
o concei o de IDEAL na saúde de e assen a nas seguin es p emissas:
 En ega-se exa amen e aquilo que o u en e necessi a, sem e os,
 Indi idualizado po cada u en e,
 Com base na p ocu a e exa amen e con o me pedido,
 Com espos a imedia a a p oblemas ou al e ações que possam su gi ,
 Sem despe dícios,
 De o ma segu a pa a os u en es e pessoal clínico: isicamen e, emocionalmen e
e p o issionalmen e.
4. Análise das Causas: Análise das causas, em que pa a cada um dos p oblemas
iden i icados de e á se ealizado uma análise de causa- aiz.
Já do lado di ei o do A3 de e ão se conside ados os seguin es pon os ela i os à
condição al o/desejada:
5. Ca a e ização da si uação al o/desejada: Ca ac e ização da condição
al o/desejada, associada a uma melho o ma de aze as coisas, mais p óxima ao
concei o de IDEAL e eco endo no amen e a uma ep esen ação g á ica da
melho ia dos p ocessos a a és de um diag ama u ilizando uma abo dagem
equi alen e à conside ada no Value-S eam Mapping. A í ulo ilus a i o na igu a
abaixo encon a-se ep esen ado um diag ama, no qual as melho ias in oduzidas
es ão iden i icadas po uma ep esen ação em o ma s anda d de nu em.
Figu a 6 - Exemplo de diag ama das melho ias a in oduzi nos p ocessos ela i os ao empo de emissão dos
ela ó ios clínicos de um labo a ó io de ana omia pa ológica. Fon e: (Sobek e al., 2005, p. 256).

13
6. Medidas Implemen adas: Iden i icação das medidas que pe mi em passa da
condição a ual pa a a condição al o/desejada, pe mi indo ali ia ou mesmo elimina
a causa- aiz pa a cada um dos p oblemas an e io men e iden i icados.
7. Implemen ação do Plano: Plano de implemen ação de cada uma das medidas
an e io men e iden i icadas, iden i icando explici amen e o que de e se ei o, po
quem, quando e onde. Pa a a p io ização das di e en es medidas do plano pode á
se ele an e ealiza -se uma análise de cus o bene ício pa a cada medida.
8. Follow-Up: O plano de seguimen o des ina-se a documen a o acompanhamen o do
plano de implemen ação no sen ido de e i ica se o mesmo es á ou não a se bem-
sucedido. De e indica quem é o esponsá el po aze o acompanhamen o, a
pe iodicidade e a o ma de medição do sucesso.
2.1.2.3. Desa ios na Implemen ação dos P incípios Lean
Apesa do TPS e sido eplicado em di e sas ealidades em odo o mundo, Visich e .al
(2010) e e em que ainda assim exis em bas an es casos em que as o ganizações não
consegui am ecolhe os bene ícios espe ados de adoção des es p incípios. Nes e
sen ido, Spea e Bowen (1999) e e em que o sucesso dos esul ados associados à
eplicação do TPS es á essencialmen e dependen e de 4 eg as não explíci as no TPS,
que isam al e a o oco da eplicação das eg as e e amen as especí icas que a
Toyo a implemen ou pa a a eplicação do DNA associado à c iação dessas mesmas
eg as e e amen as.
Em e mos p á icos, á ios au o es apon am di e sos obs áculos que podem impac a
nega i amen e na jo nada do Lean. Po um lado, su gem aspe os mais me odológicos
como di iculdades na de inição e iden i icação de despe dícios (Souza, 2009) e oco de
aplicação mui o especí ico e com pouco impac o (Mo ow e al., 2012). Po ou o lado,
su gem aspe os como a al a de ece i idade dos p o issionais, a complexidade
associada ao p ocesso de adoção e a cul u a de esis ência à mudança (Haywa d,
2011). Adicionalmen e são ambém e e idos emas como a di iculdade em p ese a o
en usiasmo e dedicação à medida que o empo passa (G o e, 2010) e a adap ação da
me odologia do se o p i ado, onde oi desen ol ida, pa a o se o público com as
mudanças de pa adigmas exigidas (Kinde e Bu goyne, 2013).
Apesa de odos es es obs áculos, á ios au o es êm-se dedicado à iden i icação de
a o es de sucesso que possibili em minimiza o impac o desses obs áculos e p ospe a
na implemen ação. Rela i amen e aos aspe os me odológicos, des aca-se o papel
ele an e da o mação em me odologias Lean que p omo a o en ol imen o das pessoas
a odos os ní eis (Bu gess e Radno , 2012), bem como, o en ol imen o da ges ão de
14
opo na de inição cla a de obje i os mac o ele an es (Poksinska, 2010). Pa a ende eça
os desa ios associados às mudanças cul u ais, des aca-se o abalho de Ko e (1995)
com a iden i icação de 8 passos pa a implemen a com sucesso um p ocesso de
mudança, bas an e ú eis a conside a na implemen ação do Lean: (1) es abelece um
sen ido de u gência; (2) o ma alianças o es; (3) c ia uma isão; (4) comunica a isão;
(5) da pode a ou os pa a a ua de aco do com a isão; (6) planea e c ia i ó ias
ápidas, STW (Sho Te m Wins); (7) consolida melho ias e in oduzi no as mudanças
e (8) ins i ucionaliza as no as p á icas. Po im, pa a sus en a o ímpe o no empo
associado à adoção do Lean, des acam-se es a égias como a implemen ação de um
sis ema de econhecimen o e incen i os que p omo a o en ol imen o a odos os ní eis
(Bu gess e Radno , 2012).
2.1.3. Lean na Saúde
A aplicação do Lean na saúde é um ema que a ualmen e se encon a bas an e
documen ado na li e a u a, salien ando-se o boom na publicação de a igos nes a
emá ica a pa i de 2008, sendo que em 2014 o núme o de publicações anuais já
ul apassa a as 250 (D’And eama eo, 2015). Assim, não é de su p eende o as o
núme o de abalhos de e isão publicados ao longo dos úl imos anos com os seguin es
des aques: Mazzoca o e al., 2010, Poksinska, 2010, D’And eama eo, 2015 e Mo a os
e al., 2016.
Uma ez que na adoção do Lean na saúde es á documen ada a u ilização de di e sas
e amen as, o oco aqui se á na me odologia do A3, enquan o e amen a ado ada nes e
abalho. A p imei a u ilização do A3 emon a ao abalho desen ol ido po Jimme son
e al. (2005) num cen o médico da comunidade de Missoula (no es ado de Mon ana nos
EUA). Es e caso en ol eu um cu so de o mação de 7 semanas pa a os p o issionais,
ga an indo o seu en ol imen o e com bene ícios epo ados na edução do despe dício
de empo com inc emen o da sa is ação dos u en es e dos p o issionais. Es es
esul ados, na e dade, le a am a que a me odologia A3 osse incluída em alguns
p og amas execu i os de MBA nos EUA como o ma de expo os alunos à e amen a e
à sua aplicação no con ex o eal (Visich e al., 2010). Desde en ão, á ios au o es êm
ado ado es a me odologia na saúde em dis in as á eas com esul ados posi i os: Condel
e al., 2004, Ballé e Régnie , 2007, Raab e al., 2008 e Simons e al., 2014.
2.2. Fal as dos U en es
As al as dos u en es nas unidades de cuidados de saúde são na e dade um ema
pe inen e pelos e ei os nega i os que induzem, começando pelo espec o económico-
inancei o associado à pe da de p odu i idade e de ecei as. Is o, po seu lado, aduz-
15
se no malmen e numa subu ilização dos p o issionais de saúde com odos os possí eis
impac os associados, des acando-se a edução de acesso a ou os u en es (pode
aumen a os empos de espe a po consul as) e a edução da mo i ação des es
p o issionais que inclusi e pode á a e a nega i amen e a qualidade dos cuidados de
saúde p es ados. Em qualque dos casos, apidamen e es es impac os pode ão
p opaga -se no ní el de sa is ação dos u en es que, em úl ima análise, pode á e le i -
se sob a o ma de al as, es ando assim c iadas as condições pa a um ciclo icioso.
T a a-se de um ema que em indo a se amplamen e es udado nas úl imas décadas,
des acando-se os p imei os abalhos de e isão bibliog á ica de Oppenheim e al.
(1979), Deyo e Inui (1980) e Ba on (1980) essencialmen e desc i i os e ocados na
iden i icação de co elações associadas ao pad ão de al as dos u en es, com os
seguin es des aques:
 Condições demog á icas dos u en es: A idade su giu maio i a iamen e com
uma co elação nega i a com as al as, a e nia mui as ezes su giu como não
ele an e assim como o es ado ci il dos u en es. Já no que espei a ao sexo, em
alguns es udos oi obse ada uma endência de menos al as no sexo masculino.
 Condições socioeconómicas dos u en es: O ní el de o mação e endimen o
su giu maio i a iamen e com uma co elação nega i a com as al as.
 P oblemas psicossociais dos u en es: A dependência do álcool ou de
subs âncias psico ópicas em alguns es udos oi epo ada como endo uma
co elação posi i a com as al as.
De e e i que odos es es es udos conside ados nos abalhos de e isão bibliog á ica
dos au o es an e io men e mencionados são bas an e he e ogéneos, na medida em que
a am de di e en es populações de u en es com ca ac e ís icas bem dis in as, bem
como de di e en es unidades de p es ação de cuidados de saúde (seja nos cuidados
p imá ios como nos secundá ios) em di e en es geog a ias (mas com g ande incidência
nos EUA) e eco endo a mé odos dis in os (no malmen e a a és de en e is as po
meio de isi as ou de ques ioná ios po ele one, co eio ou email, di igidas aos u en es
que no passado ap esen a am al as). O a, udo is o con ibui pa a alguma dispa idade
nos esul ados ob idos, o que signi ica que nem semp e aquilo que oi conside ado como
uma co elação ele an e num es udo seja obse ado nou o.
Já no que espei a à axa de absen ismo epo ada nos á ios es udos consul ados,
apesa de ha e alguma dispe são, como e e ência des acam-se os núme os
epo ados po Deyo e Inui (1980) pa a a p es ação de cuidados de saúde secundá ios
16
com um alo ípico en e 15 e 30% no se o público con a um alo ípico en e 2 e 15%
no se o p i ado.
Desde en ão á ios ou os au o es êm con inuado a es uda es e ema mais ocados na
iden i icação das causas que es ão na o igem das al as e a aliação das medidas pa a
a ua sob e essas causas, sendo de des aca o abalho ino ado de Bean e Talaga
(1992) que in oduzi am a pe spe i a do ma ke ing na análise des e ema. O ele ado
núme o de abalhos nes a á ea em e o ça , po um lado, a ele ância do ema e, po
ou o lado, a ele ada especi icidade que nem semp e pe mi e chega a um consenso.
Em esumo, as causas mais equen es apon adas nos á ios es udos consul ados
encon am-se esumidas no quad o abaixo.
Causa das Fal as
Possí el jus i icação
Re e ências
Esquecimen o
 Tempo de espe a en e o agendamen o
e a consul a
(Akh e
e al.
, 2012),
(Nade i e al., 2010),
(Pesa a e al., 1999),
(Bean e Talaga, 1992)
P oblemas de
deslocação a é à
unidade de p es ação
de cuidados de saúde
 Dis ância en e o abalho/ esidência e a
unidade de p es ação de cuidados de
saúde
(DeFi e
e al.
, 2010),
(Nade i e al., 2010),
(Pesa a e al., 1999),
(Ga uda e al., 1998),
(Bean e Talaga, 1992)
Temas p o issionais
do u en e

Al e ações de agenda com sob eposição
de comp omissos p o issionais à
consul a
(Nade i e al., 2010)
Pe ceção / E olução
da condição de saúde
do u en e
 Ní el de conhecimen o/comp eensão
po pa e do u en e da sua condição de
saúde e da impo ância do ipo de
cuidados que necessi a (especialmen e
no caso de doenças c ónicas)
 Em caso de ag a amen o o u en e pode
já e p ocu ado cuidados de saúde nas
u gências dos hospi ais
 Em caso de melho ia o u en e pode e
desis ido de p ocu a cuidados de saúde
 (Bean e Talaga,
1992), (Ba on,
1980)
 (DeFi e e al., 2010),
(Neal e al., 2005)
 (Neal e al., 2005),
(Mu dock e al.,
2002)
Sa is ação dos
u en es
 O médico não co esponde à p e e ência
dos u en es
 Tempo de espe a no a endimen o
 Empa ia no a endimen o e na consul a
 Tempo do pessoal médico dedicado ao
u en e
(Neal e al., 2005),
(Bean e Talaga, 1992)
E os
 Comunicação e ada da da a / ho a da
consul a ao u en e
 Fal a de compa ência dos médicos
(Geo ge e Rubin,
2003), (Neal e al.,
2001)
Quad o 1 – Quad o esumo das causas das al as dos u en es epo adas nos es udos analisados.
17
Mais do que iden i ica as causas associadas às al as dos u en es, mui os au o es nos
seus es udos epo am a aplicação de um conjun o de medidas que isam a ua sob e
essas mesmas causas, des acando-se o esumo no quad o abaixo.
Causa das Fal as
Medidas
Implemen adas
Re e ências
Esquecimen o  U iliza eminde s (SMS / chamada
ele ónica / email)
(Neal e al., 2001),
(Bean e Talaga, 1992)
P oblemas de
deslocação a é à
unidade de
p es ação de
cuidados de saúde
 Facili ação de es acionamen o pa a os
u en es
 In odução de eleconsul as pa a as
necessidades de ollow-up.
(Bean e Talaga, 1992)
Temas
p o issionais do
u en e

To na mais expedi o e acessí el o p ocesso
de eagendamen o (e.g. call cen e ) (Neal e al., 2001)
Pe ceção /
E olução da
condição de saúde
do u en e
 Ações de sensibilização sob e a g a idade
de condições c ónicas e a impo ância do
seu acompanhamen o médico (Bean e Talaga, 1992)
Sa is ação dos
u en es

P eocupação com a empa ia em odas as
in e ações com o u en e
 P eocupação com a o ien ação do u en e
no p ocesso (explicação de como a unidade
es á o ganizada)
(Bean eTalaga, 1992),
(Macha ia e al., 1992)
E os  Melho ias nos p ocessos de agendamen o (Neal e al., 2001)
Quad o 2 – Quad o esumo das medidas que isam a ua sob e as causas das al as dos u en es epo adas nos
es udos analisados.
Ou a al e na i a à implemen ação especí ica de medidas como as ap esen adas na
abela an e io , consis e em econhece o p oblema das al as e agi de o ma a mi iga
o seu e ei o eco endo a um conjun o de es a égias de agendamen o das consul as /
ocupação do pessoal médico. Aqui des acam-se abo dagens mais holís icas como o
o e booking (sob eagendamen o de consul as de aco do com c i é ios a de ini
conside ando a incidência de al as dos u en es) e o blockbooking (agendamen o de
consul as em bloco pa a um segmen o especí ico de u en es em unção da incidência
de al as).
No en an o, pa a que es as es a égias possam se bem-sucedidas na p á ica é
necessá io que es ejam supo adas po um modelo p edi i o que possibili e e
isibilidade sob e os agendamen os u u os pa a a de inição de c i é ios pa a a aplicação
das es a égias an e io men e e e idas. T a am-se de modelos que isam es ima a
p obabilidade de os u en es al a em às consul as, com base em oda a in o mação
his ó ica disponí el sob e es es, a sua incidência de al as, bem como as ca ac e ís icas

18
pa icula es do agendamen o u u o (dia da semana, ho a, en e ou os), no malmen e
cons uídos eco endo à eg essão logís ica. Es es modelos não são, con udo, um ema
no o, pois desde a década de 70 á ios au o es êm-se dedicado ao seu
desen ol imen o (Bean e Talaga, 1992). Po ém, não bas a dispo de um modelo, Cayi li
e Ve al (2009) além da e isão bibliog á ica das di e en es implemen ações eais des as
es a égias ap esen am um guia p á ico de como as implemen a com sucesso.
19
3. Me odologia
3.1. Tipo de es udo
T a a-se de um es udo e ospe i o, ans e sal, obse acional e quan i a i o.
3.2. População/Amos a
A população a iou de aco do com os emas a ados ao longo do es udo, oda ia, em
e mos globais des aca-se que o am analisados os egis os de 31 156 u en es
egis ados nas onze unidades da San a Casa da Mise icó dia de Lisboa – Saúde
(SCMLS) – g á ico 1. De e e i que des as onze unidades, odas dispõem da alência
de cuidados de saúde p imá ios (CSP), no en an o, apenas a unidade de saúde D . José
Domingos Ba ei o dispõe adicionalmen e da alência de cuidados de saúde
secundá ios (CSS).
3.3. Delineamen o do es udo
Es e es udo oi di idido em 3 análises dis in as.
1. Com os dados das da as de e e enciação (e apa A) e da consul a e e i a (e apa
C), oi analisado o lead ime, de inido como “o empo en e o momen o do
pedido do clien e a é a chegada do p odu o a ele” (IMBS, 2017) e aqui
anspos o pa a o empo deco ido en e a e e enciação do u en e pelo seu
médico de medicina ge al e amilia e a ealização da consul a da especialidade.
O pe íodo des a análise oi de ab il de 2017 a é e e ei o de 2018 e o am
analisados os dados das onze unidades da SCMLS.
G á ico 1 – U en es insc i os po unidades de saúde na SCML.
20
2. A a és das da as de e e enciação (e apa A), de en io (e apa B) e de ma cação
da consul a de especialidade (e apa C), oi analisado o cump imen o do
p ocedimen o in e no de e e enciações da SCMLS que es ipula o empo máximo
de um dia en e a e e enciação e o en io.
Os de alhes sob e a o ma como se p ocessam as e e enciações (com o igem
nas unidades de CSP) a é à ma cação das consul as de especialidade (na
unidade D . José Domingos Ba ei o) encon am-se desc i os na igu a abaixo.
Em p imei o luga oi necessá io iden i ica a da a de e e enciação médica po
pesquisa nos egis os em PRIA3. Seguidamen e, o am analisados os emails
ocados en e as unidades de CSP da SCMLS e a unidade D . José Domingos
Ba ei o pa a a de e minação da da a de en io. Uma ez que não exis iam
egis os das da as em que o am e e uadas as ma cações, admi iu-se o pe íodo
de um dia en e o en io e a da a em que oi ealizada a ma cação com base na
in o mação disponibilizada pela SCMLS.
3 PRIA – T a a-se do sis ema de in o mação onde é e e uado o egis o adminis a i o e clínico dos u en es.
Figu a 7 – Fluxo do p ocesso en e a e e enciação (e apa A) e a consul a de especialidade (e apa D).
Figu a 8 - Fluxo do p ocesso en e a e e enciação (e apa A), o en io (e apa B) e a ma cação da consul a
da especialidade (e apa C).
21
Figu a 9 – Fluxo do p ocesso desde a e e enciação (e apa A) a é à ealização da ma cação (e apa C).
O pe íodo des a análise oi janei o e e e ei o de 2018 pa a odas as unidades
de CSP à exceção da unidade D . José Domingos Ba ei o. Is o po que sendo
es a a unidade onde são ealizadas as consul as de especialidade a ma cação
é ealizada di e amen e no PRIA e, po isso, sem ecu so ao en io de emails.
3. A a és dos dados exis en es no PRIA, o am analisadas as al as dos u en es
às consul as de especialidade a pa i das e e enciações ealizadas po odas
as unidades de CSP. O pe íodo des a análise oi ab il de 2017 a é e e ei o de
2018.
En ende-se po :
Re e enciação – da a que o médico p esc i o e e encia um u en e das unidades de
CSP pa a a unidade de CSS;
Figu a 10 – Fluxo do p ocesso desde a e e enciação a é às al as dos u en es às consul as de especialidade
(E apa E).
28
G á ico 4 - Diag amas de ex emos e qua is pa a o lead ime en e a e e enciação e a consul a da especialidade,
po especialidade, de ab il de 2017 a e e ei o de 2018.
Das eze especialidades analisadas e i icou-se que apenas ca diologia em o e cei o
qua il com mais de 120 dias de lead ime.

29
4.1.2. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e o en io (e apa B)
No uni e so das dez unidades de CSP da SCMLS aqui analisadas (a unidade D . José
Domingos Ba ei o oi excluída), e num uni e so de 26 268 u en es insc i os, hou e um
o al de 1 467 e e enciações no pe íodo de janei o e e e ei o de 2018, oda ia o
núme o de en ios oi de 1 448. A dis ibuição do núme o de e e enciações, en ios e
ma cações pelas unidades encon a-se ep esen ada na abela abaixo. Des aca-se que
as unidades de CSP da SCMLS onde o núme o de en ios é in e io ao núme o de
e e enciações são: USSC W Mais, USSC Bai o da Boa is a e USSC Bai o da
Libe dade.
Tabela 3 – Dis ibuição do núme o de e e enciações, en ios e ma cações pa a as unidades de CSP da SCMLS, de
janei o a e e ei o de 2018.
A dis ibuição do núme o de e e enciações, en ios e ma cações pelas
especialidades encon a-se ep esen ada na abela abaixo.
Tabela 4 – Dis ibuição do núme o de e e enciações, en ios e ma cações pa a as di e en es especialidades, de
janei o a e e ei o de 2018.
30
De salien a que as especialidades onde o núme o de en ios é in e io ao núme o de
e e enciações são: de ma ologia, ginecologia, medicina den á ia / es oma ologia,
neu ologia, o almologia, o almologia pediá ica, o o inola ingologia, pedopsiquia ia e
psiquia ia.
A análise das medidas de endência cen al do lead ime en e a e e enciação e o en io,
po unidade de CSP da SCMLS, encon a-se ep esen ada na abela abaixo.
Tabela 5 – Medidas de endência cen al (média, mediana, máximo e mínimo) do lead ime en e a e e enciação e o
en io, pa a as unidades de CSP da SCMLS, de janei o a e e ei o de 2018.
Da análise des a abela e i ica-se que 70% das unidades de CSP da SCMLS ap esen a
um lead ime en e a e e enciação e o en io supe io a um dia, em média. Rela i amen e
aos alo es máximos de lead ime, des acam-se po o dem dec escen e as unidades
USSC Bai o da Libe dade, Ex ensão Telhei as e USSC Pad e C uz.
A análise das medidas de endência cen al do lead ime en e a e e enciação e o en io,
po especialidade, encon a-se ep esen ada na abela abaixo.
Tabela 6 - Medidas de endência cen al (média, mediana, máximo e mínimo) do lead ime en e a e e enciação e o
en io, pa a as di e en es especialidades, de janei o a e e ei o de 2018.
31
De e e i que apenas pedia ia em uma média de lead ime de um dia, com as es an es
especialidades a ap esen a em um alo supe io .
4.1.3. Fal as dos u en es às consul as de especialidade
No uni e so das onze unidades de CSP da SCMLS aqui analisadas, com 36 151 u en es
insc i os, hou e um o al de 15 911 consul as de especialidade en e o pe íodo de ab il
de 2017 a e e ei o de 2018, con udo com 14 912 egis os de al as dos u en es às
consul as. Is o implica uma axa de absen ismo global dos u en es às consul as de
especialidade de ce ca de 48%. A dis ibuição das al as pelas especialidades encon a-
se ep esen ada na abela abaixo.
Tabela 7 – Núme o de al as às consul as de especialidade, pa a cada especialidade, de ab il de 2017 a e e ei o de
2018.
Da análise des a abela e i ica-se que a especialidade de medicina den á ia /
es oma ologia (que ambém e a a especialidade com mais e e enciações
ep esen ando ce ca de 37% do o al) é aquela onde oco em mais al as em alo
absolu o, com ce ca de 52% do o al.
A elação en e o núme o de consul as e e i as e o núme o de al as dos u en es às
consul as de especialidade encon a-se ep esen ada nos g á icos abaixo. Des es
g á icos é possí el cons a a que, em qua o das especialidades, o núme o de al as é
bas an e signi ica i o ace ao núme o de consul as e e i as (ginecologia,
pedopsiquia ia, psiquia ia, medicina den á ia/ es oma ologia). A es e espei o salien a-
se que nas especialidades de ca diologia, de ma ologia, medicina in e na, neu ologia,
o almologia pediá ica, o o inola ingologia, pedia ia, u ologia e o almologia, o núme o
de consul as e e i as supe ou o núme o de al as dos u en es.
32
G á ico 5 – Dis ibuição das consul as e e i as e al as dos u en es às consul as de especialidade, de ab il de 2017 a
e e ei o de 2018, pa a cada especialidade.
A dis ibuição das al as po classe e á ia encon a-se ep esen ada no g á ico abaixo,
onde su gem as classes e á ias en e os 18-44 anos e en e os 45-64 anos como as
mais al osas, conjun amen e ep esen ando mais de 56% do o al das al as.
33
G á ico 6 – Dis ibuição das al as às consul as de especialidade po classe e á ia, de ab il de 2017 a e e ei o de
2018.
Rela i amen e à dis ibuição das al as po géne o, a pa i do g á ico abaixo é possí el
obse a que é no géne o eminino que oco em mais al as, com 61% do o al.
G á ico 7 – Dis ibuição das al as às consul as de especialidade po géne o, de ab il de 2017 a e e ei o de 2018.
No que se e e e à análise das al as dos u en es às consul as de especialidade em
unção do dia da semana e do mês, a pa i dos g á icos abaixo é possí el cons a a que
não exis e uma g ande a iância no dia da semana. Con udo, já no que se e e e ao
mês exis e uma maio p edominância de al as nos meses de janei o e no emb o, com
12% e 11% espe i amen e, con as ando com o mês de agos o onde se e i ica am
menos al as, apenas 5%.

34
G á ico 8 – Dis ibuição das al as às consul as de especialidade po mês e géne o, de ab il de 2017 a e e ei o de
2018.
G á ico 9– Dis ibuição das al as às consul as de especialidade po dia da semana e géne o, de ab il de 2017 a
e e ei o de 2018.
35
4.2. Aplicação da Me odologia A3
A me odologia A3, con o me pudemos e i ica no Enquad amen o Teó ico passa pelo
p eenchimen o de um empla e no e eno (onde as coisas acon ecem), de o ma a
“obse a a en amen e o que es á a acon ece e de e a p oblemas e on es de
despe dício” - Gemba Walk, (Cos a, 2017).
Pe an e os esul ados ob idos e an e io men e ap esen ados, es a me odologia oi
aplicada a cada uma das di e en es análises e e uadas:
 Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e a consul a da especialidade (e apa
D)
 Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e o en io (e apa B)
 Fal as dos u en es às consul as de especialidade
A a és da aplicação des a me odologia p e ende-se p omo e a esolução dos
p oblemas encon ados de uma o ma es u u ada. A análise do p oblema que
comp eende a desc ição e a iden i icação das suas causas encon a-se mais ocada do
lado esque do do empla e e oi semp e ealizada. Já do lado di ei o do empla e,
associado à de inição de um plano de implemen ação pa a co eção das causas e o seu
seguimen o, des aca-se que em nenhum caso hou e empo su icien e pa a se aze o
seu seguimen o. Re e e-se ainda que se op ou po p eenche odos os campos
possí eis do empla e, mesmo que isso implicasse a cons ução de um plano
me amen e explo a ó io que si a como pon o de pa ida pa a abalho u u o. No caso
em que exis em medidas já implemen adas pela SCMLS, as mesmas o am ambém
iden i icadas no A3 com as de idas no as.
36
4.2.1. Lead Time en e a e e enciação (e apa A) e a consul a da
especialidade (e apa D)
Tema: Lead ime en e a e e enciação
(e apa A) e a consul a de especialidade
(e apa D)
Quem ealiza: Ca a ina Oli ei a
A quem se des ina: SCMLS
Da a: 28/05/2018
T a a-se de um ema ele an e po que pode á e impac o na sa is ação dos u en es
(p olonga o empo en e a e e enciação médica e a consul a e e i a de especialidade).
Oco e nas onze unidades de CSP da SCMLS.
Com base nos esul ados ob idos e i icou-se que há egis os não desp ezá eis com um
lead ime supe io a 120 dias.
Conhecimen o sob e o ema
Ca a e ização da si uação a ual
Análise das Causas
37
Ca a e ização da si uação al o/desejada
Medidas a Implemen a :
[1] Sob e- e e enciações: implemen a c i é ios obje i os de e e enciação;
[2] Fal as dos U en es: pe an e o his ó ico de al as dos u en es ado a uma es a égia
de o e booking – e e e ências no Enquad amen o Teó ico;
[3] Nº Médicos /Especialidade: e o ça as ho as de pessoal médico, onde eque ido.
Follow-Up
Plano
Resul ados A uais
Plano de Implemen ação
Cus o/Bene icio: [1] não eque cus o de in es imen o, apenas ho as-homem. [2]
pode á se desen ol ido com um in es imen o ma ginal em Tecnologias de In o mação
pa a a implemen ação au omá ica da es a égia a de ini . [3] eque inc emen o dos
cus os ope acionais, pelo que uma análise de alhada de cus o/bene ício de e á se
ealizada caso a caso.
O que?
[1], [2] e [3]
Quem? Onde? Quando?
Nas unidades
de CSP
Na Di eção da
SCMLS
Na unidade de
CSS
P imei o [1] e
depois [2] e só
depois [3]
Médicos de
MGF
SCMLS
44
4.2.3. Fal as dos u en es às consul as de especialidade
Tema:
Fal as dos u en es às consul as de
especialidade
Quem ealiza: Ca a ina Oli ei a
A quem se des ina: SCMLS
Da a: 28/05/2018
T a a
-
se de um ema ele an e pois ap esen a um impac o na pe da de p odu i idade e
ecei as da SCMLS, bem como a subu ilização dos p o issionais de saúde.
Oco e na unidade de CSS (D . José Domingos Ba ei o).
Com base nos esul ados ob idos, e i icou-se uma axa global de absen ismo dos
u en es às consul as de especialidade de 48%.
Conhecimen o sob e o ema
Ca a e ização da si uação a ual
Análise das Causas

45
Ca a e ização da si uação al o/desejada
Medidas a Implemen a :
[1] Disponibilidade do U en e: c ia um call cen e saúde pa a que os u en es possam
g a ui amen e ma ca ou ema ca consul as / a amen os e i a dú idas assegu ando
um a endimen o dedicado e disponí el (em cu so).
[2] Consequências: pe an e o his ó ico de al as dos u en es ado a uma es a égia de
o e booking – e e e ências no Enquad amen o Teó ico;
[3] Todas as Causas: ealiza um es udo especí ico e dedicado à iden i icação e
a aliação das causas que es ão na o igem do ele ado núme o de al as
(inqué i os).
Follow-Up
Plano
Resul ados A uais
Implemen ação do Plano
Cus o/Bene icio: [1] não aplicá el (a decisão de in es imen o já oi e e uada no deco e
do abalho e após os esul ados ob idos). [2] pode á se desen ol ido com um
in es imen o ma ginal em Tecnologias de In o mação pa a a implemen ação au omá ica
da es a égia a de ini . [3] ponde a se de e á se um abalho ex e no ou in e no.
O que?
[1], [2] e [3]
Quem? Onde? Quando?
[1] SCMLS
[2] Na unidade
de CSS
[3] Po de ini
[1] já em cu so
[2] e [3] a
ealiza o mais
opo unamen e
possí el
[1] SCMLS
[2] SCMLS
[3] Po de ini
46
Não endo sido possí el es uda com exaus ão quais as causas que es ão na o igem da
ele ada axa de absen ismo dos u en es às consul as de especialidade, abaixo
encon am-se o muladas um conjun o de possí eis causas pa a o p oblema
(supo adas essencialmen e pela pesquisa bibliog á ica ap esen ada no
Enquad amen o Teó ico e con as adas com as obse ações no e eno):
 Esquecimen o dos u en es: T a a-se da o mulação da hipó ese dos u en es
al a em po esquecimen o. A ualmen e a SCMLS em implemen ado um sis ema
de eminde que consis e em aze uma chamada ele ónica pa a os u en es no
dia an e io à consul a, no en an o, mui as ezes sem sucesso (o núme o já não
es á con ac á el). A es e espei o há que conside a que es a si uação pode se
ag a ada po um maio empo en e a e e enciação e a consul a da
especialidade (p imei o A3 ap esen ado a ás).
 P oblemas de deslocação dos u en es: T a a-se da o mulação da hipó ese
dos u en es al a em pelo cus o pe cecionado po es es (económico, empo, …)
associado à sua deslocação pa a a unidade de CSS ( a a-se de uma população
que maio i a iamen e em poucos ecu sos económicos). Nes e sen ido, os
u en es podem não dispo de meios p óp ios de deslocação e po isso e em de
eco e a ou as al e na i as, como os anspo es públicos, que podem
in oduzi um conjun o de es ições (disponibilidade, empo de deslocação,
p oximidade, en e ou os).
 Disponibilidade dos u en es: T a a-se da o mulação da hipó ese dos u en es
al a em po ques ões da sua agenda pessoal/p o issional. Es a é uma hipó ese
que pode á se mais signi ica i a caso não exis a um p ocesso simples, expedi o
e disponí el pa a o u en e pode ema ca as consul as agendadas. No início
des e es udo, cons a ou-se que o eagendamen o e ia de se e e uado
p esencialmen e ou po chamada ele ónica pa a a sec e á ia da unidade de CSS
que nem semp e conseguia a ende a chamada pela acumulação de ou as
unções. Na e dade, a í ulo expe imen al o am ealizadas du an e uma
semana, em dias e ho á ios alea ó ios, chamadas ele ónicas pa a a unidade D .
José Domingos Ba ei o e egis a am-se mui as pe das de chamadas.
 Pe ceção / e olução da condição de saúde dos u en es: T a a-se da
o mulação da hipó ese de que os u en es al am po al e ações na sua condição
de saúde (po exemplo, se sen em um ag a amen o da sua condição de saúde
deslocam-se às u gências e al am à consul a agendada) ou pela insu icien e
pe ceção da sua condição de saúde, pa icula men e mais ele an e no caso do
47
a amen o de pa ologias c ónicas (po exemplo, se sen em uma melho ia e sem
pe ceção adequada das suas necessidades de cuidados de saúde op am po
al a à consul a agendada).
 Mo i ação dos u en es: T a a-se da o mulação da hipó ese de que os u en es
apenas se insc e em na SCMLS essencialmen e pa a pode em usu ui dos
bene ícios sociais que a is o ob igam, sem, con udo, p e ende em e um
seguimen o médico da sua condição de saúde, pelo que al am aos
agendamen os esul ado das e e enciações e e uadas. Aqui a ausência de
c i é ios de e e enciação, já an e io men e abo dada, é um aspe o que pode
con ibui pa a o ag a amen o des a hipó ese.
 Sa is ação dos u en es: T a a-se da o mulação da hipó ese de que os u en es
al am po es a em insa is ei os com as unidades da SCMLS. Aqui impac am
aspe os como o empo de espe a en e a ma cação e a consul a já an e io men e
abo dados, a empa ia dos p o issionais de saúde, o empo do pessoal médico
dedicado aos u en es e inclusi amen e as p e e ências des es úl imos.
Assim, nes e caso, o na-se ele an e ealiza -se um es udo especí ico e dedicado à
iden i icação e a aliação das causas que es ão na o igem do ele ado núme o de al as
dos u en es. Pa a es e e ei o, p opõe-se a ealização de inqué i os que pode ão se
ealizados de o ma ele ónica (idealmen e logo após a al a) e p esenciais (a ealiza
median e o egis o his ó ico de al as e semp e que o u en e compa ece a uma consul a
pos e io ). Salien a-se ainda que pa a a ealização dos inqué i os p esenciais, pode á
ha e a necessidade de deslocação à esidência / pon o de con ac o do u en e
(assumindo que os dados ainda es ão a ualizados) que pe mi a ob e uma axa de
epos a es a is icamen e ele an e pa a pos e io análise.
Des aca-se, con udo, que a implemen ação de uma es a égia de o e booking,
conside ando o his ó ico de al as dos u en es, pe mi i ia eduzi o impac o associado às
al as, apesa de não ende eça de o ma alguma as causas que es ão na o igem dessas
al as (Bean e Talaga, 1992 ; Cayi li e Ve al, 2009). Es a é uma medida que pode á
ajuda a ob e melho es esul ados num espaço de empo mais cu o, ace ao empo
eque ido pa a a alia de o ma sis emá ica e igo osa, daí e sido conside ada no plano
de implemen ação suge ido no A3.
Po im, salien a-se que a SCLM Saúde du an e o deco e des e es udo es á a a ança
pa a a c iação de um call cen e saúde que i á pe mi i assegu a a assis ência e a
disponibilidade necessá ia pa a a ma cação ou eagendamen o de consul as. De e e i
48
que a ualmen e es e call cen e ainda não se encon a, oda ia, ope acional, pelo que
não oi possí el analisa o seu impac o nas al as dos u en es.
49
5. Discussão
5.1. Discussão me odológica
As me odologias ado adas no es udo o am conside adas pe an e as e idências de
ou os es udos que ao u iliza ais me odologias, pa a p oblemas análogos, ob i e am
melho ias nos p ocessos, eliminando despe dícios e po enciando a c iação de alo
(Condel e al., 2004 ; Ballé e Régnie , 2007 ; Raab e al., 2008 ; Simons e al., 2014).
Salien a-se ainda que a endendo ao ca ác e p edominan emen e p á ico das
me odologias ado adas, oi possí el ajus á-las aos di e en es p oblemas analisados.
Toda ia, o am iden i icadas algumas limi ações essencialmen e cen adas no p ocesso
de ecolha de dados. Em de alhe oi necessá io di idi as análises e e uadas em dois
pe íodos, um de ab il de 2017 a e e ei o de 2018 e ou o mais cu o e apenas pa a os
meses de janei o e e e ei o de 2018, nes e úl imo caso po ausência de in o ma ização
de dados. Es e é um aspe o ele an e, não apenas po que eque um es o ço adicional
pa a a ecolha, a amen o e análise des es dados, mas po que con o me os esul ados
ie am a demons a é undamen al pa a se pode melho a (o que não em isibilidade
não exis e na pe spe i a da melho ia con ínua nas o ganizações).
5.2. Discussão dos esul ados
Rela i amen e à análise do lead ime en e a e e enciação (e apa A) e a consul a da
especialidade (e apa D), su gi am dois esul ados bas an e ele an es. Todas as
especialidades ap esen am egis os de lead ime bas an e ele ados, acima dos 120
dias, no en an o, em ca diologia o e cei o qua il es á inclusi amen e acima desse
pa ama . Os 120 dias enquan o alo de e e ência su gem da consul a da legislação
em igo (Po a ia n.º 153/2017) pa a os TMRG (Tempos Máximos de Respos a
Ga an idos). Is o admi indo que as consul as são de p io idade “no mal”, embo a nas
unidades da SCMLS não es ejam implemen ados os c i é ios de p io ização.
Na análise do lead ime en e a e e enciação (e apa A) e o en io (e apa B) su gi am
ambém dois esul ados pe inen es. Po um lado, o am ecolhidas e idências de
p oblemas p ocessuais de não p ocessamen o de e e enciações e que êm o e o
humano na sua o igem e que, no limi e, podem conduzi a pe da de p odução caso a
consul a de especialidade não seja ma cada. Po ou o lado, sabendo que in e namen e
a SCMLS de iniu um lead ime al o de 1 dia en e a e e enciação e o en io4, exis em
4 “P ocedimen o in e no de e e enciações da SCMLS” em anexo.

50
e idências que 70% das unidades de CSP es ão a ul apassa esse limi e em média.
Obje i amen e cons a a-se assim que o p ocedimen o não es á a se cump ido.
No A3 ela i o ao lead ime en e a e e enciação e o en io, des aca-se que o
p ocessamen o manual das e e enciações é cla amen e uma a i idade de 0% alo
ac escen ado, pelo que a sua au oma ização (con o me p ocesso já em cu so) não só
pe mi i á esol e o p oblema como libe a á ecu sos já bas an e ocupados pa a ou as
a i idades de alo ac escen ado.
No que espei a à análise das al as dos u en es às consul as da especialidade,
obse ou-se uma axa global de absen ismo dos u en es de 48%, o que es á cla amen e
acima dos alo es de e e ência aplicá eis encon ados na li e a u a da especialidade
de 15-30% (Deyo e Inui, 1980). Os esul ados ob idos na dis ibuição po géne o das
al as dos u en es às consul as de especialidade es ão alinhados com os esul ados
epo ados po Bean e Talaga (1992) e Geo ge e Rubin (2003).
Em suma, de aco do com a classi icação p opos a po Ohno (1988) e Shingo (1989) nas
á ias análises e e uadas o am encon adas e idências de despe dícios como a pe da
de empo e despe dício de p ocessamen o.
Já no que espei a às medidas de melho ia iden i icadas pa a a esolução dos p oblemas
encon ados a a és da aplicação da me odologia A3, des aca-se que a abo dagem
ado ada que consis iu em o mula semp e um plano de implemen ação, mesmo quando
não oi possí el conclui o diagnós ico das causas, adap ando a u ilização do empla e
A3. Is o es á pe ei amen e alinhado com o ciclo de Deming po que num p ocesso de
ap endizagem e melho ia con ínua a expe imen ação e análise assumem um papel
undamen al, pelo que ha endo possibilidade de expe imen a medidas que isem
eduzi o impac o das consequências dos p oblemas num espaço de empo mais cu o,
as mesmas o am conside adas. Es a p á ica pe mi e eduzi o empo pa a a ob enção
de alo , ab indo a po a pa a abalho u u o que se á analisado nas Recomendações.
51
6. Conclusões
Com es e abalho oi possí el iden i ica um conjun o de despe dícios no p ocesso da
SCML Saúde que ai desde as e e enciações nas unidades de CSP a é às consul as
de especialidade na unidade de CSS, sus en ados com base nos esul ados ob idos e
com os seguin es des aques:
 Não es á a se e i icado TMRG em mui as unidades e pa icula men e no caso
da especialidade de ca diologia, admi ido que a maio ia das consul as êm uma
p io idade “no mal”
 Exis em alhas de p ocessamen o de e e enciações que podem conduzi a
pe da de p odução
 O “P ocedimen o in e no de e e enciações da SCML – Saúde” não es á a se
cump ido
 A axa global de absen ismo dos u en es às consul as de especialidade é
bas an e ele ada o que em impac o na p odu i idade e ecei as da SCML
Saúde, bem como na subu ilização dos p o issionais de saúde.
No en an o, mais do que iden i ica e supo a com e idências es es p oblemas, a a és
da adoção da me odologia A3 combinada com o ciclo de Deming, o am p opos as um
conjun o de medidas in eg adas num plano de implemen ação que pe mi am passa da
condição a ual (onde os p oblemas oco em) pa a uma si uação al o/desejada
supo ada no concei o de IDEAL de Spea e Bowen (1999). Na e dade, es e oi o
p incipal con ibu o do abalho, enquan o aplicação p á ica des as me odologias a um
caso eal, com inpu s pa a a SCML Saúde pode melho a os seus p ocessos e elimina
os despe dícios encon ados.
Conclui-se assim que os obje i os de inidos pa a o abalho o am alcançados, ainda
que nem semp e enha sido possí el inaliza a a aliação das causas aiz dos p oblemas
encon ados. Con udo, isso não cons i uiu um impedimen o à cons ução de um plano
me amen e explo a ó io que si a como pon o de pa ida pa a abalho u u o e que se á
desc i o nas ecomendações.
52
53
7. Recomendações
Como ecomendações a aplica aos esul ados do es udo na SCML Saúde des acam-
se os seguin es aspe os:
 Seguimen o das medidas já em implemen ação: T a a-se da necessidade de
seguimen o e análise dos esul ados pa a espos a às seguin es ques ões:
- Qual o impac o do no o p ocedimen o in o má ico pa a au oma ização do
p ocessamen o das e e enciações nos e os de p ocessamen o e no
cump imen o do “P ocedimen o in e no de e e enciações da SCML – Saúde?
- Qual o impac o do call cen e nas al as dos u en es às consul as de
especialidade?
 Regis o adicional de in o mação: Aqui salien a-se a impo ância de conside a
o g au de p io idade do u en e quando e e enciado pelas unidades de CSP da
SCML e egis á-lo in o ma icamen e, o que possibili a á no u u o e i ica com
igo o cump imen o do TMRG (Po a ia n.º 153/2017).
 Rol-ou Lean / Me odologia A3 na SCML Saúde: Há que conside a que os
planos de implemen ação ap esen ados an e io men e no empla e A3 ca ecem
de in eg ação com as pessoas esponsá eis pa a a implemen ação das medidas
p opos as na SCML Saúde. Pa a o ol-ou e con o me abo dado no
Enquad amen o Teó ico é undamen al assegu a a ece i idade dos
p o issionais, pelo que a o mação nas me odologias Lean é imp escindí el,
sendo que pa a a esis ência à mudança é i al conside a os 8 p incípios
esul an es do abalho de Ko e (1995) nos planos de implemen ação. No que
espei a à análise das al as dos u en es às consul as da especialidade, não
endo sido possí el nes e es udo iden i ica as suas causas eais, e o ça-se a
ecomendação pa a a ealização de um es udo especí ico pa a es e ema, onde
a ealização de inqué i os assume um papel c ucial. Não obs an e disso, em
unção das causas a apu a , des acam-se as seguin es ques ões:
- Esquecimen o / Disponibilidade dos u en es: Não se ia ele an e aze -se um
con ac o com o u en e com mais algum empo de an ecedência ace à da a da
consul a que possibili e e i ica se man ém a sua in enção de i à consul a
agendada? Is o po que, no eminde a ualmen e e e uado (no dia an e io e
a a és de chamada ele ónica), caso o u en e con i me a sua indisponibilidade,
isso deixa pouca ma gem de manob a pa a pode agenda uma consul a pa a
ou o u en e.
60
9. Anexos
9.1. P ocedimen o In e no de Re e enciações pa a as Unidades de Saúde da
San a Casa da Mise icó dia de Lisboa.

61
9.2. Si uação a ual e si uação al o desejada dos ês ela ó ios A3 elabo ados.
9.2.1. Lead ime en e e e enciação e consul a (1/2)
62
Lead ime en e e e enciação e consul a (2/2)
63
9.2.2. Lead ime en e e e enciação e o en io (1/2)
64
Lead ime en e e e enciação e o en io (2/2)
65
9.2.3. Fal as dos u en es às consul as de especialidade (1/2)

66
Fal as dos u en es às consul as de especialidade (2/2)