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Liderança e motivação nas organizações: o papel do líder na construção da imagem institucional

Abstract

O êxito de uma Organização não depende diretamente da sua índole institucional, ainda assim, mediante a transformação do seu processo corporativo, tem a possibilidade de singrar de forma responsável perante os ambientes externos a que presta serviços. A alteração dos paradigmas sociais acentua a preocupação dos públicos afetos às organizações para que estas se adeqúem de forma responsável aos desafios e necessidades da sociedade. A nível interno, o líder é o responsável máximo de uma equipa com múltiplos peões e variáveis que tentam satisfazer a todos os níveis os desejos e necessidades da comunidade. Isto, claro, em teoria. A verdade é que as contingência e pressões sociais dificultam estas tarefas [básicas e necessárias] para que as organizações prestem serviços com valor acrescentado à sociedade onde se inserem. Aqui começa o estudo numa tentativa de perceber como ou quem é o responsável pela construção da imagem institucional das organizações. Imediatamente se aponta para o líder, a figura máxima presente em todos os organismos corporativos. Mas ainda que este seja o ator principal, não teria força sem todos os agentes secundários – colaboradores, parceiros, stakeholders – que trabalham em equipa para o realizar de todo o processo. Certo é também que, todos estes agentes secundários, dependem da liderança e da motivação transmitidas pela líder para o desempenhar das suas funções com afinco. Só a união de hierarquias permite resultados positivos, a nível interno e externo. Nesta desconstrução organizacional, o líder está no centro das ramificações organizativas, e é a partir da sua persona que se retiram todas as ilações – técnicas, sociais, comportamentais e pessoais – que darão significado ao papel que desempenha na construção da imagem e reputação da instituição a que pertence. O todo é constituído por partes, mas há partes mais importantes que outras. Umas sustentam o todo, outras perfazem o todo. Mas todas as partes são importantes, para a construção do todo global. Por outras palavras, a organização é sustentada pelo líder mas são todos os liderados que sustentam o organismo corporativo. Todas as redes organizacionais, mais ou menos complexas, são constituídas por elos de ligação, que por sua vez tiveram de partir de um ponto central, de ordem, comando e voz interior. O exercício de liderança e de motivação dos líderes tem uma importância acrescida para o sucesso da organização. Não só dele dependem todos os peões, como sem ele não haveria uma premissa de comando para atingir os objetivos traçados. O interesse desta matéria é de particular relevância para as ciências sociais e para a gestão comunicacional, uma vez que o sistema social [a sociedade] é feito de micro sistemas organizacionais [organizações e instituições] sem paralelo.

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Liderança e motivação nas organizações: o papel do líder na construção da imagem institucional

Author: Venâncio, Pedro Miguel Marques
Year: 2017
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/30061/1/DISSERTA%c3%87%c3%83O_DE_TESE_DOCUMENTO_OFICIAL_FINAL.pdf
Lide ança e Mo i ação nas O ganizações: O Papel do Líde na
Cons ução da Imagem Ins i ucional
Ped o Miguel Ma ques Venâncio
Se emb o | 2017
Disse ação de Mes ado em Comunicação Es a égica
1
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção do g au de
Mes e em Comunicação Es a égica, ealizada sob a o ien ação cien í ica de P o esso a Dou o a
I one Fe ei a
2
Aos meus pais,
a e dadei a on e de mo i ação e sabedo ia.
3
Ag adecimen os
No inal des a (úl ima?) e apa da minha ida académica, os ag adecimen os ão
pa a odos aqueles que, de uma o ma ou de ou a, me ajuda am a supe a odas as
ba ei as e obs áculos, ao longo des es cinco anos. P o esso es, colegas, amigos, amília.
Simples pala as e conselhos ans o mados em conhecimen os p o undos. A odos os
meus p o esso es, sem exceção, um since o ag adecimen o po oda a sabedo ia
ansmi ida nas aulas e seminá ios. À Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da
Uni e sidade No a de Lisboa, uma ins i uição no e dadei o sen ido do e mo, pelas
condições de ensino de excelência que a des acam a ní el nacional e in e nacional. Um
ag adecimen o especial à P o esso a Dou o a I one Fe ei a, po e acei e es e desa io
ao meu lado e me e dado o ça pa a a conc e ização des e abalho. A odos os meus
colegas, alguns em especial, pelos apon amen os, li os e memó ias de es udo
pa ilhadas. A odos os meus amigos pelos momen os de p o unda amizade nes a
caminhada cheia de aleg ias e sucessos.
À minha amília, pequena, mas a melho do mundo [a ó, io, ia].
E aos meus pais. Sem eles, nada e ia começado. Po eles, udo se conc e izou.
Um sen ido ob igado do co ação,
A/O
4
LIDERANÇA E MOTIVAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES: O PAPEL DO LÍDER
NA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM INSTITUCIONAL
PEDRO MIGUEL MARQUES VENÂNCIO
O êxi o de uma O ganização não depende di e amen e da sua índole ins i ucional,
ainda assim, median e a ans o mação do seu p ocesso co po a i o, em a possibilidade
de sing a de o ma esponsá el pe an e os ambien es ex e nos a que p es a se iços. A
al e ação dos pa adigmas sociais acen ua a p eocupação dos públicos a e os às
o ganizações pa a que es as se adeqúem de o ma esponsá el aos desa ios e
necessidades da sociedade. A ní el in e no, o líde é o esponsá el máximo de uma
equipa com múl iplos peões e a iá eis que en am sa is aze a odos os ní eis os
desejos e necessidades da comunidade. Is o, cla o, em eo ia. A e dade é que as
con ingência e p essões sociais di icul am es as a e as [básicas e necessá ias] pa a que
as o ganizações p es em se iços com alo ac escen ado à sociedade onde se inse em.
Aqui começa o es udo numa en a i a de pe cebe como ou quem é o esponsá el pela
cons ução da imagem ins i ucional das o ganizações. Imedia amen e se apon a pa a o
líde , a igu a máxima p esen e em odos os o ganismos co po a i os. Mas ainda que
es e seja o a o p incipal, não e ia o ça sem odos os agen es secundá ios –
colabo ado es, pa cei os, s akeholde s – que abalham em equipa pa a o ealiza de
odo o p ocesso. Ce o é ambém que, odos es es agen es secundá ios, dependem da
lide ança e da mo i ação ansmi idas pela líde pa a o desempenha das suas unções
com a inco. Só a união de hie a quias pe mi e esul ados posi i os, a ní el in e no e
ex e no. Nes a descons ução o ganizacional, o líde es á no cen o das ami icações
o ganiza i as, e é a pa i da sua pe sona que se e i am odas as ilações – écnicas,
sociais, compo amen ais e pessoais – que da ão signi icado ao papel que desempenha
na cons ução da imagem e epu ação da ins i uição a que pe ence. O odo é cons i uído
po pa es, mas há pa es mais impo an es que ou as. Umas sus en am o odo, ou as
pe azem o odo. Mas odas as pa es são impo an es, pa a a cons ução do odo global.
Po ou as pala as, a o ganização é sus en ada pelo líde mas são odos os lide ados
que sus en am o o ganismo co po a i o. Todas as edes o ganizacionais, mais ou menos
complexas, são cons i uídas po elos de ligação, que po sua ez i e am de pa i de um
pon o cen al, de o dem, comando e oz in e io . O exe cício de lide ança e de
mo i ação dos líde es em uma impo ância ac escida pa a o sucesso da o ganização.
Não só dele dependem odos os peões, como sem ele não ha e ia uma p emissa de
comando pa a a ingi os obje i os açados. O in e esse des a ma é ia é de pa icula
ele ância pa a as ciências sociais e pa a a ges ão comunicacional, uma ez que o
sis ema social [a sociedade] é ei o de mic o sis emas o ganizacionais [o ganizações e
ins i uições] sem pa alelo.
Pala as-cha e: Comunicação Ins i ucional | Ges ão Comunicacional | Imagem e
Repu ação | Lide ança | Mo i ação

5
LEADERSHIP AND MOTIVATION IN ORGANIZATIONS: THE LEADER´S
ROLE IN THE CONSTRUCTION OF INSTITUTIONAL IMAGE
PEDRO MIGUEL MARQUES VENÂNCIO
The success o an O ganiza ion does no depend di ec ly on i s ins i u ional
na u e, e en so, h ough he ans o ma ion o i s co po a e p ocess, has he possibili y
o aking esponsibili y in he ex e nal en i onmen in which i p o ides se ices. The
change o social pa adigms accen ua es he conce n o he public’s assigned o
o ganiza ions so ha hey can be esponsibly adap ed o he challenges and needs o
socie y. In e nally, he leade is he ul ima e piece o a eam wi h mul iple pawns and
a iables ha y o sa is y he communi y's wan s and needs a all le els. Bu his, o
cou se, is heo y. The u h is ha con ingency and social p essu es make hese asks
[basic and necessa y] di icul o o ganiza ions o deli e alue-added se ices o he
socie y in which hey ope a e. He e begins he s udy in an a emp o unde s and how o
who is esponsible o building he ins i u ional image o o ganiza ions. Immedia ely i
poin s o he leade , he maximum igu e p esen in all co po a e bodies. Bu e en i he
is he main ac o , he would no ha e s eng h wi hou all he seconda y agen s -
collabo a o s, pa ne s, s akeholde s - who wo k as a eam o ca y ou he whole
p ocess. I is also ue ha all hese seconda y agen s depend on he leade ship and
mo i a ion impa ed by he leade o ca y ou his du ies wi h ca e. Only he union o
hie a chies allows posi i e esul s, in e nally and ex e nally. In his o ganiza ional
decons uc ion, he leade is a he cen e o he o ganiza ional ami ica ions, and om
his pe sona all echnical, social, beha io al and pe sonal lessons a e d awn, which will
gi e meaning o he ole he plays in he cons uc ion image and epu a ion o he
ins i u ion o which i belongs. The whole is made up o pa s, bu he e a e pa s ha
a e mo e impo an han o he s. Some hold he whole, o he s make up he whole. Bu all
pa s a e impo an , o he cons uc ion o he global whole. In o he wo ds, he
o ganiza ion is suppo ed by he main leade bu hey a e all he leade s ha suppo he
co po a e body. All o ganiza ional ne wo ks, mo e o less complex, a e made up o
links, which in u n had o s a om a cen al poin o o de , command and inne oice.
The leade ship and mo i a ion exe cise o leade s is o g ea e impo ance o he success
o he o ganiza ion. No only do all pawns depend on him, bu wi hou him he e would
be no p emise o command o achie e he goals se . The in e es o his subjec is o
pa icula ele ance o he social sciences and o communica ional managemen , since
he social sys em is made up o unique o ganiza ional sys ems.
Key wo ds: Ins i u ional Communica ion | Communica ional Managemen | Image and
Repu a ion | Leade ship | Mo i a ion
6
Índice
In odução ........................................................................................................ 7
O Concei o de O ganização ............................................................................ 10
i. Pe spe i as da o ganização .............................................................. 10
ii. Um subsis ema den o do sis ema .................................................... 12
iii. Pessoas, o p imado das o ganizações ............................................... 13
i . Comunicação, iden idade, cul u a e imagem ................................... 14
As Funções de Ges ão .................................................................................... 16
i. Planeamen o .................................................................................... 17
ii. O ganização ..................................................................................... 20
iii. Di eção ............................................................................................ 21
i . Con olo........................................................................................... 24
Lide ança ....................................................................................................... 28
i. Di e en es o ien ações, o mesmo concei o ....................................... 28
ii. De ini lide ança .............................................................................. 28
iii. Os e ei os da lide ança nas o ganizações ......................................... 29
i . Abo dagens ao concei o de lide ança ............................................... 30
. Lide ança e ges ão ........................................................................... 36
i. Qual o papel dos líde es? ................................................................. 39
ii. Os núcleos de compe ências ............................................................ 40
Mo i ação ...................................................................................................... 57
i. Uma no a conceção sob e a na u eza do Homem ............................ 57
ii. De ini mo i ação ............................................................................ 57
iii. Teo ias da mo i ação ....................................................................... 58
i . Os sis emas de ecompensas ............................................................ 71
. A mo i ação no exe cício da lide ança ............................................ 73
Conclusão ....................................................................................................... 76
Re e ências Bibliog á icas ............................................................................. 79
7
In odução
Vi emos a ualmen e numa sociedade canibal de consumo homogéneo de
p odu os e se iços, onde sa u a a o e a de bens de di e sos g aus de necessidade. A
acele ação do consumo [desen eado] po pa e do Homem, é um sinal de c escimen o
económico cheio de p ós e con as ace aos esul ados causados no ambien e global
onde i emos. Mas ‘consumi ’ exige, nos nossos dias, anda de mãos dadas com
‘qualidade’. Qualidade de p odu os, qualidade de se iços, qualidade de comunicação,
qualidade de a endimen o, qualidade das o ganizações e ins i uições. O sucesso des as
úl imas esul a, subs ancialmen e, do in es imen o numa comunicação a i a e em ações
empá icas jun o dos públicos, de o ma a c ia elações de necessidade e desejo.
Numa o ganização udo comunica. In e na ou ex e namen e, a comunicação lui
po odos os o i ícios pa a uma sociedade cada ez mais a en a em quem p es a o que de
melho em pa a o e ece . In a ia elmen e, as o ganizações al como as pessoas [não
osse esse o seu compósi o p imá io] necessi am de inpu s pa a a sua sob e i ência em
ambien e social. Da mesma o ma que sem co ação mo e íamos, uma o ganização sem
um líde não esis i ia à p essão de odos os agen es ex e nos (e in e nos) dian e dos
quais se en a impo com sucesso e longe idade.
Descons ui a sociedade é, po en u a, uma a e a he cúlea po ém, desco ina o
que az de uma o ganização um subsis ema social de sucesso pode se mais exequí el
pa a o es udo es a égico dos pa adigmas que subsis em na a ualidade. A p emissa pa a
o início des a disse ação é, po an o, que qualque o ganização não sob e i e sem uma
igu a de o dem, de exp essão, de lide ança, ou seja, um Líde . Toda ia, a espos a à
pe gun a de pa ida des a disse ação – Qual a elação en e o papel do líde com o
sucesso global da o ganização? – eque uma e lexão mais ab angen e sob e os
concei os que en ol em o desempenho da lide ança e da mo i ação em moldes
o ganizacionais.
Face à ela i idade si uacional de o ganização pa a o ganização em expo a
eo ia pa a exemplos p á icos, a e isão de li e a u a de au o es con empo âneos e a
análise c í ica às di e sas eo ias de lide ança e mo i ação e imagem ins i ucional o am
as me odologias escolhidas pa a en ende da melho o ma como o é que o líde cons ói
uma o ganização bem-sucedida em ambien e social.
8
Escla ece o concei o de o ganização e as suas dimensões p imá ias é um
p incípio undamen al à con ex ualização des e abalho, azão pela qual se es e o pon o
de pa ida. Uma o ganização é um conjun o de pessoas que abalha coo denadamen e
pa a alcança obje i os comuns. A complexidade des e concei o me ece o esc u ínio de
á ias pe spe i as e azões pa a a sua exis ência, nunca esquecendo o elemen o humano
como a génese da sua sob e i ência em sociedade. Simul aneamen e, a comunicação
eiculada, a iden idade que ap esen a, a cul u a que cons ói e a imagem que ansmi e
são dimensões imp escindí eis pa a se bem-sucedida.
Já en aizada, a o ganização ca ece de um líde , imp escindí el no planeamen o,
o ganização, di eção e con olo de odas as componen es o ganizacionais. As unções de
ges ão ga an em o uncionamen o cons an e dos quad os adminis a i os da emp esa,
es abelecendo uma mensagem comum en e as hie a quias, unindo os es o ços e
p omo endo a coope ação en e o capi al humano.
Uma ez açado o plano o ganizacional e as ma izes em que se conjuga, é
undamen al pe cebe em que medida a igu a do líde es imula a união e o es o ço
con ínuo dos lide ados na conc e ização dos obje i os. A lide ança é um concei o longe
do consenso com á ias de inições, abo dagens e compe ências. Po conseguin e, é um
concei o díspa que inclusi e se elaciona e oneamen e com o concei o de ges ão e/ou
che ia. Conhece as eo ias e olu i as dos au o es pe mi e es abelece elações en e as
con ingências do concei o de lide ança, bem como os p ocessos e compe ências dos
líde es aquando do exe cício des a unção.
Lide a é um exe cício o a do alcance de mui os p o issionais que, embo a
desempenhem da melho o ma o seu ca go, não possuem compe ências ex ao diná ias
de esponsabilidade, au o idade ou pode . Lide a não é o dena , mas pe suadi no
sen ido de os lide ados ealiza em as ideias p é-concebidas po quem lide a. A
pe suasão é ei a de es ímulos mo i acionais que pe mi em aos subo dinados
desempenha a e as écnico-sociais emocionalmen e bem.
A mo i ação complemen a assim o exe cício de lide ança e as eo ias
mo i acionais ajudam a en ende os pa adigmas do concei o e a o ma de es imula da
melho o ma o capi al humano das o ganizações. Os sis emas de ecompensas são,
po en u a, os es ímulos mais comuns, mas a complexidade em o no des a ques ão ai
mui o além des e p essupos o básico. Pessoas mo i adas são mais acilmen e o ien adas
pa a o exe cício de unções, sendo os ní eis anímicos e emocionais ulc ais pa a a saúde
15
“um pad ão de p essupos os básicos pa ilhados, que o g upo ap endeu à medida que
esol ia p oblemas de adap ação ex e na e in eg ação in e na, e que esul a am de al
o ma bem que o am conside ados álidos, e po an o são ensinados aos no os
memb os como a o ma co e a de pe cebe , pensa e sen i a elação com esses
p oblemas”
22
.
A cul u a o ganizacional mani es a-se em ês ní eis: a e ac os – aspe os
isí eis, como logó ipos, edi ícios, es uá io; c enças e alo es – es a égias, iloso ias e
obje i os; e p essupos os básicos – alo es e c enças en aizadas na o ganização e que se
c is alizam na men e dos seus memb os. Po conseguin e, a cul u a o ganizacional pode
o ma -se espon aneamen e, a a és da in e ação en e as pessoas, pad onizando no mas
e compo amen os; ou a a és do líde do g upo que incu e as suas p óp ias c enças,
alo es e con icções. Es e é um concei o que se elaciona di e amen e com os
p essupos os de lide ança, esc u inados mais à en e nes a disse ação.
O úl imo pila que sus en a a cons ução das o ganizações é a ‘imagem’ que es a
ansmi e pa a o ex e io . A imagem é o espelho da comunicação, da iden idade e da
cul u a que a o ganização mani es a do seu pa ece . O seu obje i o é incu i
ep esen ações men ais nos públicos de manei a a in luencia compo amen os e a i udes,
que pos e io men e se e le i ão na acei ação da o ganização em sociedade.
Fundamen al no en aizamen o da o ganização, a imagem condiciona o capi al de
con iança e a qualidade de elacionamen os en e en idades e públicos.
Te esa Ruão (2008) sus en a a ideia de “o ganização exp essi a” a a és de
qua o dimensões: comunicação, iden idade, cul u a e imagem. Indissociá eis no
es abelecimen o das o ganizações, en a izam ainda mais a impo ância das pessoas na
cons i uição dos o ganismos co po a i os. Toda ia, ge i uma o ganização é um
p ocesso que implica qua o no as dimensões uncionais: planeamen o, o ganização,
di eção e con olo. No capí ulo seguin e se ão esc u inadas as unções de ges ão
esponsá eis pelo sucesso o ganizacional das emp esas, assim como as e amen as e os
mecanismos u ilizados pelos ges o es e/ou líde es pa a e i a o melho pa ido do
capi al de in eligência que cons i ui as o ganizações.
22
Schein, 1992, p. 12, in, Ruão, 2008, p. 110

16
As Funções de Ges ão
Do la im ges iōne-
23
, ação de di igi , ges ão é a a i idade ou p ocesso de
adminis ação de uma emp esa ou ins i uição. Nes e p ocesso, um de e minado núme o
de pessoas é esponsá eis pela aplicação de medidas adminis a i as du an e um
pe íodo de empo. Es a ge ência execu a-se em unção de um p oje o ou de
de e minados obje i os e conjuga-se pela conciliação de opiniões di e gen es num
consenso mú uo, capaz de agi em p ol do sucesso o ganizacional.
“A a e a da ges ão é in e p e a os obje i os p opos os e ans o má-los em ação
emp esa ial a a és do planeamen o, o ganização, di eção e con olo de odos os
es o ços ealizados em odos os domínios da emp esa a im de a ingi os obje i os
p opos os”
24
. Po conseguin e, consegui esul ados com o es o ço de ou em de e se o
oco p imo dial do ges o , que de e adqui i a e iciência e a e icácia ope acional de odo
o g upo de abalho.
Sebas ião Teixei a, em Ges ão das O ganizações
25
, delineia qua o unções de
ges ão na génese do sucesso emp esa ial – planeamen o, o ganização, di eção e con olo.
Es as unções de ge ência balizam o uncionamen o das o ganizações sendo
imp escindí eis no seu p ocesso global de uncionamen o saudá el.
 O planeamen o de ine obje i os e es a égias, assim como iden i ica e
coo dena a i idades necessá ias pa a o uncionamen o da emp esa. O
planeamen o é a p imei a e apa onde se de e mina quais e quan os são os
passos necessá ios pa a chega ao esul ado desejado. Es a unção de
ges ão em implíci o o desen ol imen o de uma ação pa a que ou as,
consecu i amen e, acon eçam.
 A o ganização é a unção que a e a os ecu sos emp esa iais disponí eis,
que de e mina as a e as a desempenha e quem de e desempenhá-las. O
ag upamen o de unções es abelece igualmen e os ní eis de omada de
decisão no seio da emp esa. Mais do que uma e apa a o ganização é um
p ocesso con ínuo de desen ol imen o de elações en e colabo ado es e
23
Ges ão in Dicioná io in opédia da Língua Po uguesa com Aco do O og á ico [em linha]. Po o: Po o Edi o a,
2003-2017. [consul . 2017-08-13 18:26:26]. Disponí el na In e ne : h ps://www.in opedia.p /diciona ios/lingua-
po uguesa/ges ão.
24
Teixei a, 2005
25
Ibidem.
17
en e o capi al humano em ge al com odos os ecu sos necessá ios pa a
a ingi me as es abelecidas.
 A di eção é a unção de ges ão que mobiliza o capi al humano pa a a
conquis a dos obje i os o ganizacionais. Es e p ocesso de e mina e
in luencia o compo amen o do capi al humano da o ganização, le ando-
o a p oduzi (ou não) ações desejadas pa a o cump imen o de me as e
obje i os. A di eção é a unção de ges ão que en ol e as p á icas de
mo i ação, lide ança e comunicação, mais à en e desen ol idas.
 O con olo moni o iza as a i idades e assegu a o deco e no mal de odo
o p ocesso de planeamen o. É a a és do con olo que o ges o p ocede à
compa ação do a ual desempenho da o ganização com os pad ões
p e iamen e ixados no deco e do p ocesso de planeamen o e execução
de a e as.
i. Planeamen o
O p ocesso de planeamen o de uma o ganização desen ol e-se em ês planos
dis in os: planeamen o es a égico, á ico e ope acional.
 No planeamen o es a égico de e p ocu a de ini -se quais os obje i os
de comunicação da emp esa, que a i udes se que e epe cu i nos
públicos e quais os compo amen os que se p e endem e mani es a nos
mesmos.
 A ní el á ico discu em-se quais os meios e canais de comunicação a
u iliza na ap oximação aos g upos sociais. O planeamen o á ico a a
dos ecu sos humanos e ma e iais necessá ios à execução de a e as e
cump imen o de me as. A mensagem eiculada é de inida, assim como o
p ocesso de ansmissão de in o mação.
 O planeamen o ope acional em como obje i os delinea a dis ibuição de
a e as en e colabo ado es e delimi a c onologicamen e a execução dos
abalhos. O meio de ansmissão e o con eúdo de comunicação são
ou os aspe os a ados ao ní el do planeamen o ope acional.
18
O planeamen o o ganizacional de ine as me as pa a o sucesso da emp esa e a
o ma de alcança os esul ados es abelecidos. A análise da en ol en e social az-se pela
de inição da missão, dos obje i os e da es a égia de me cado da o ganização.
A missão
A missão delineia os ins es a égicos da o ganização pa a que en ol a oda a
es u u a o ganizacional. “A missão co po a i a é o p opósi o ou azão de exis ência de
uma co po ação”
26
. É o pon o de pa ida pa a a de inição de obje i os es a égicos e o
sus en o da o ganização no seu quo idiano. “Só uma de inição cla a da missão o na
possí el a de inição cla a e ealis a dos obje i os de negócios”
27
.
A missão de qualque o ganização de e p ocu a esponde de o ma sucin a que
p odu os ou se iços o e ece; qual o me cado em que ope a; qual a iloso ia de a uação
pe an e o me cado e a conco ência; como se dis ingue pe an e ou os compe ido es; e
qual a imagem e iden idade que ansmi e nas ações come ciais. “Ao se de inida, de
o ma ampla, a o ganização c ia um espaço de libe dade pa a pode ala ga as suas
a i idades sem e de al e a a sua missão”
28
.
Os es ilos de lide ança mais e icazes são, po en u a, os que p ocu am um maio
en ol imen o en e odas as pa es. A missão de e e le i os claims dos s akeholde s
com a o ganização e a comunidade onde se inse e, e le indo c escimen o, ino ação e
qualidade.
Os obje i os
Os obje i os di e enciam-se da missão ap esen ando-se como esul ados de
o dem conc e a almejados po qualque se o de a i idade. Todos os obje i os êm
a ge s que se que em e conc e izados a cu o, médio ou longo p azo.
A conc e ização de obje i os é a ase em que os g upos o ganizacionais a ingem
“um ní el de ma u idade adequado pa a lida com as a e as complexas e ge i
disco dâncias de o ma c ia i a. A ene gia do g upo é canalizada pa a o desempenho da
26
Hunge & Wheelen, 2003
27
D ucke , 2009
28
Hunge & Wheelen, op. ci .
19
a e a”
29
. Paulo Lou enço A onso (2010) salien a que o oco na a enção da ges ão de
expec a i as dos elemen os do g upo de e e po base “obje i os pe cecionados (…)
que englobem as ca ac e ís icas SMART (ac ónimo de: Speci ic, Measu able, Ag eed,
Realis ic, Timed) ”
30
.
A o ganização de e p ocu a es abelece obje i os especí icos e concisos na sua
á ea de a uação; pe ce í eis de se a aliados a pos e io i; alcançá eis a a és da a uação
de odos os p o agonis as com unções na o ganização; ealis as, encon ando-se ao
alcance e passi os de se ealizados; e es abelecidos ao longo do empo, segundo
p io idades e limi es empo ais.
As es a égias
As es a égias ao ní el do planeamen o global di igem a o ganização pa a o
c escimen o, pa a a es abilidade ou pa a a de esa no me cado. Pa a Michael Po e
(1996), es a égia é “a a e de se di e en e a a és da c iação de uma p opos a de alo
única”
31
. Es a égias de c escimen o de uma emp esa assumem posições a iá eis de
concen ação, in eg ação ou di e si icação. ‘C esce ’ pode con udo, signi ica o
emp ego de mecanismos ao ní el do desen ol imen o de me cado e/ou de p odu o,
in eg ação de me cados e icais com a inco po ação de a i idades desempenhadas po
pa cei os o necedo es ou a en ada de no os p odu os ou se iços. “A essência da
es a égia é escolhe a i idades di e en es do que a conco ência az […] e c ia
alinhamen o en e as á ias a i idades da emp esa”
32
.
No plano da es abilidade, uma emp esa p ocede a al e ações eduzidas nos seus
p odu os e se iços, assim como se posiciona no me cado de o ma inal e á el. “Os
ade-o são essenciais à es a égia. Eles c iam a necessidade de escolha e limi am
p oposi adamen e o que a emp esa o e ece”
33
. Quando sob o c escimen o e a
es abilidade se ba em es a égias de ensi as, uma emp esa eduz cus os e a i idades em
excesso pa a o seu uncionamen o, desin es e na enda de a i os de negócio ou liquida
de o ma pe manen e planos de negócio.
29
A onso, 2010, p. 8
30
A onso, 2010, p. 8
31
Po e , 1996
32
Ibidem.
33
Ibidem.
20
A a és do planeamen o de comunicação es a égico, á ico e ope acional, a
o ganização p epa a ao de alhe odos os aspe os uncionais a desen ol e no quo idiano
labo al da emp esa. Toda ia, “embo a as al e ações ex e nas possam cons i ui um
p oblema, a maio ameaça à es a égia em de den o. Uma es a égia saudá el é
minada po uma isão inco e a da conco ência, po alhanços o ganizacionais e,
especialmen e, pelo desejo de c esce ”
34
.
ii. O ganização
A in e - elação en e o capi al humano e os ecu sos disponí eis da emp esa só é
possí el com o ganização no seio do o ganismo co po a i o. Cabe a es a unção de
ges ão analisa os á ios ambien es [in e nos e ex e nos] que en ol em a o ganização de
o ma a canaliza os melho es ecu sos e es o ços pa a cada si uação.
A di isão e ag upamen o de pessoas com a e as semelhan es em depa amen os
é uma o ma p á ica de uni sine gias no g upo de abalho. A depa amen alização
den o da emp esa pe mi e, além disso, uma melho ges ão na execução de a e as e
acilidade de comunicação en e colabo ado es. Escolhe a melho es u u a
o ganizacional é undamen al pa a melho se a icula em a i idades necessá ias aos
obje i os da o ganização. Função e depa amen alização são, ainda assim, concei os
dis in os. Uma unção diz espei o a um ipo de a i idade labo al dis in a de qualque
ou a pela sua singula idade e obje i o; a depa amen alização é o p ocesso de
ag upamen o de unções semelhan es, elacionadas uni o memen e pa a o sucesso
o ganizacional.
A a és da de inição dos concei os de unção e depa amen alização é possí el
elaciona simul aneamen e concei os como esponsabilidade, au o idade e
hie a quização. Sabe o que aze , quem manda em quem e qual o ní el de
esponsabilidade de cada ní el hie á quico é undamen al pa a o sucesso de qualque
o ganização.
A pa idade en e au o idade e esponsabilidade é exigí el de o ma p opo cional
en e quem manda e o g au de au o idade que lhe é a ibuído. Toda ia, a ampli ude de
con olo a ia consoan e cada si uação, po isso o núme o de colabo ado es que
esponde a o dens de um ges o depende do g au de complexidade da a e a execu ada;
34
Po e , 1996

21
da semelhança de unções exigidas; da sepa ação geog á ica en e o colabo ado e o
obje i o; da es abilidade ou ins abilidade o ganizacional; dos p o ocolos es abelecidos
com en idades ex e io es; da compe ência e mo i ação do capi al humano; e do g au de
en ol imen o do abalhado com a emp esa.
iii. Di eção
A di eção é o p ocesso de in luencia o compo amen o de odos os agen es que
pa icipam no quo idiano labo al da emp esa, sejam es es colabo ado es, pa cei os ou
s akeholde s. O a o de di igi de e canaliza es o ços no sen ido de mo i a os ou os a
coloca o seu capi al de in eligência ao se iço dos obje i os p imo diais da o ganização.
Di igi implica conhece os agen es in e nos e ex e nos da o ganização na ho a de
ado a es ilos de mo i ação, lide ança e comunicação.
Mo i ação
Mo i ação equi ale ao e o ço da on ade das pessoas em con inua o seu
es o ço pelo culmina dos obje i os da o ganização. “O es ímulo pa a o es udo da
mo i ação deco e sob e udo da sua elação com a p odu i idade. E, um dos meios pa a
aumen a a p odu i idade a a és do melho uso dos ecu sos, passa pela ges ão de
pessoas”
35
. “O que nos mo e no dia a dia?”
36
é a ques ão cen al em o no des a a iá el
o ganizacional.
A li e a u a con empo ânea não é linea na de inição do concei o, uma ez que
se a a de uma emá ica “de um cons uc o in isí el, de u ilização gene alizada mas
ciências humanas e abo dá el segundo uma g ande mul iplicidade de pe spe i as”
37
.
Lide ança
Lide ança é a capacidade do líde le a os ou os a agi em cump imen o com as
suas ideias, alo es e compo amen os. Lide a é en ol e as pessoas no p ocesso de
discussão de o ma a mobiliza o máximo de capi al humano e de in eligência. Quando
35
Cunha, e al., 2003
36
A onso, 2010, p. 47
37
Ibidem. p. 47
22
se es abelecem elações in e pessoais com odos os en ol idos p opicia-se con iança
en e o g upo e es abilidade nas ações de lide ança.
Alia o que de e se ei o e como de e se ei o é a ma iz pa a uma lide ança
e icaz do pon o de is a o ganizacional. Es a máxima ecai sob e o líde , igu a com a
unção de gal aniza odo o g upo de abalho em p ol de obje i os comuns. “A
lide ança é um p ocesso de in luencia ou os a comp eende e aco da ace ca do que
necessi a se ei o e como de e se ei o, e o p ocesso de acili a os es o ços indi iduais
e cole i os endo em is a alcança obje i os pa ilhados”
38
.
Descons uindo as de inições con empo âneas, e i ica-se “que o concei o de
lide ança, nas Ciências Sociais, apa ece elacionado com ês di e en es isões: (1)
como a ibu o de uma posição, (2) como ca ac e ís ica de uma pessoa, (3) como uma
ca ego ia de compo amen o”
39
.
No exe cício da lide ança es á implíci o um agen e in luenciado e agen es
passi os de se em in luenciados. A lide ança é “uma elação complexa” que compo a
a iá eis como: “as ca ac e ís icas do líde , as suas a i udes, as suas necessidades e as
ca ac e ís icas pessoais dos elemen os do g upo, ca ac e ís icas da o ganização e, po
úl imo, o ambien e económico, social e polí ico, comummen e denominado hoje em dia
po s akeholde s”
40
.
Comunicação
A comunicação é, a pa da mo i ação e da lide ança, ou o dos mecanismos de
di eção, sendo a capacidade comunica i a de qualque agen e, undamen al no p ocesso
de ansmissão de in o mação. “A comunicação é uma condição sine qua non da ida
social e da ida o ganizacional”
41
. “De ac o, a possibilidade de desen ol e p ocessos
de (…) Lide ança, (…) Mo i ação, en e ou os, sem comunicação o ganizacional,
pa ece bas an e emo a”
42
. Sabe como comunica e a quem comunica é uma an agem
compe i i a na ho a de lide a g upos de abalho e de conquis a elacionamen os com
o meio ex e io .
38
Yukl, 2013, p. 23
39
Ba acho, 2012, p. 55
40
Ibidem. p. 55
41
Cunha, e al., 2013, p. 354
42
A onso, 2010, p. 15
23
Além dos mecanismos de mo i ação, lide ança e comunicação, di eção
p essupõe ês ou os domínios: esponsabilidade, au o idade e pode .
Responsabilidade
“No âmbi o da ges ão, o e mo esponsabilidade designa a ob igação de um
subo dinado cump i um de e que lhe oi designado e de esponde , pe an e o seu
supe io , pelas suas p óp ias ações”
43
. Es a ob iga o iedade eside na exis ência de uma
elação hie á quica en e supe io e subo dinado, nomeadamen e pelo p imei o e a
au o idade o mal de exigi a e as/ações ao ou o. Po conseguin e, e ao con á io da
au o idade, a esponsabilidade es abelece-se no sen ido subo dinado-supe io . De e e i
ainda que a esponsabilidade “não pode se delegada pa a os ní eis in e io es da
hie a quia”, além “de que nenhum subo dinado eduz a sua esponsabilidade ao delega
a ou o a au o idade de ealiza uma a e a”
44
.
Um concei o comummen e elacionado é o de ‘ esponsabilidade social’, nes e
caso, e e indo-se a ou o ipo de ob igações, diga-se, de uma o ganização pe an e a
sociedade e o bem-es a dos cidadãos
45
.
Au o idade
Au o idade é e pode de decisão sob e ou em, endo em is a o cump imen o
de obje i os. A omada de decisões, o exe cício de unções e o desempenho de de e es
de e-se à au o idade es abelecida no in e io da o ganização po pa e dos
líde es/ges o es. “A au o idade e e e-se ao pode no sen ido em que ela se exe ce no
quad o de uma legi imidade e, nes as condições, o na-se exe cício de um pode
legí imo que con e e um di ei o, que é o de exe ce um con olo sob e o(s) ou o(s), em
de e minadas ci cuns âncias”
46
.
A au o idade na o ganização assume-se pela cen alização ou descen alização
nas ações de decisão e cump imen o de de e es. Quando a au o idade é cen alizada, a
43
Nunes, 2016
44
Ibidem.
45
O concei o de ‘ esponsabilidade social’ se á mais à en e explo ado na ó ica da é ica o ganizacional e ‘cidadania
emp esa ial’.
46
Ba acho, 2012, p. 45
24
uni o midade polí ica e de ação é maio , o con li o de ideias é eduzido e as
di e gências em o no de p á icas e es a égias a segui são meno es. O isco de uído na
ansmissão de in o mação é consequen emen e meno , uma ez que as o dens são
emi idas di e amen e do opo da hie a quia.
Po ou o lado, quando a au o idade assume moldes descen alizados exis e um
maio con o o e uma maio apidez na ação. A libe dade de ges o es in e mediá ios é
maio , o que e i a a espe a de decisões indas de hie a quias supe io es. Con ia
au o idade às pessoas mo i a-as pa a o exe cício de unções. Consecu i amen e, es a
con iança ans o ma-se em mo al e coope ação, uma ez que com o aumen o de
esponsabilidade e au o idade, as pessoas endem a se mais a i as e p odu i as.
Pode
A esponsabilidade e a au o idade epe cu em-se no pode . “O pode consis e na
capacidade que os indi íduos ou g upos êm de agi e in luencia ou os indi íduos ou
g upos”
47
. Pode na o ganização implica capacidade de in luencia ou em pela
ecompensa, punição ou pe suasão. Toda ia, “é na u al que exis a a aquisição,
diminuição ou dis ibuição de pode no seio de um g upo ou de uma o ganização”
48
.
O conhecimen o do ambien e ex e no da o ganização, a capacidade de
comunica in e na e ex e namen e e a in luência ansmi ida a a és de compe ências
ex ao diná ias de ine o g au de pode de um líde /ges o na che ia de unções
adminis a i as. Po ém, “o pode não é um a ibu o de um indi íduo, nem algo que
deco e exclusi amen e da au o idade hie á quica o mal o necida pelas o ganizações
aos a o es indi iduais e cole i os, mas an es uma elação en e a o es, que de inem as
suas es a égias e obje i os num sis ema de ação conc e a”
49
.
i . Con olo
O con olo é a unção de ges ão que compa a o desempenho alcançado e os
pad ões p é-es abelecidos, in oduzindo medidas co e i as necessá ias pa a a ob enção
dos esul ados desejados. O p ocesso de con olo segue as ma izes de inidas a p io i
47
Ba acho, 2012, p. 41
48
Ibidem. p. 41
49
Ibidem. p. 41
31
no o es udo que co obo a a “a impo ância de di e sos aços e compe ências pa a a
e icácia da lide ança”
67
.
Ambos os es udos concluí am que “po um lado, um indi íduo com
de e minados aços e ia maio p obabilidade de se o na um líde e icaz, con udo, is o
po si só, não lhe ga an i ia a e icácia”. Po conseguin e, ado ou-se a c ença de que “as
ca ac e ís icas pessoais dos líde es não podem se dissociadas do con ex o onde eles
a uam”
68
.
A abo dagem dos aços dos líde es o na-se, assim, insu icien e pa a pe cebe os
con o nos de um exe cício de lide ança bem-sucedido. Segundo Cae ano (2001), os
aços “não cons i uem, po si só azão su icien e pa a explica a a iabilidade dos
desempenhos dos líde es de si uação pa a si uação”
69
.
O ca isma
Do la im cha isma-
70
, dom de inspi ação di ina, o concei o de ca isma apa ece
associado como um aço pessoal dos líde es mais do ados, capazes de in luencia e
es imula os subo dinados. House (1990) de ine o ca isma como a “in luência exe cida
ao ní el das o ien ações no ma i as dos subo dinados, do en ol imen o emocional com
o líde ”
71
. O líde ca ismá ico necessi a de pode , po isso é o emen e ca ac e izado
pela au ocon iança e pela con icção asse i a das suas ideias.
Pa a Klein e House (1995) o iângulo que incendeia o ca isma esul a da
conjugação de ês elemen os: “Líde (Faísca ou empe a u a de ignição), Seguido es
(Combus í el ou ma é ia in lamá el), Ambien e p opício (Oxigénio). A lide ança
ca ismá ica (…) oco e á apenas na p esença dos ês elemen os”
72
.
Com maio ou meno exp essão nas in es igações, á ios au o es abo dam o
a o ‘ca isma’ como uma ca ac e ís ica [ undamen al] pa a explica os con o nos da
lide ança nas o ganizações. En e as in es igações, e i ica-se que o ca isma “compo a
67
Ba acho, 2012, p. 72
68
Ibidem. p. 73
69
Cae ano, 2001, p. 380
70
Ca isma in Dicioná io in opédia da Língua Po uguesa com Aco do O og á ico [em linha]. Po o: Po o Edi o a,
2003-2017. [consul . 2017-08-13 18:31:29]. Disponí el na In e ne : h ps://www.in opedia.p /diciona ios/lingua-
po uguesa/ca isma.
71
House, 1990, p. 216
72
Klein & House, 1995. in, A onso, 2010, p. 71

32
um lado posi i o, quando u ilizado na sa is ação das necessidades dos seguido es, e um
lado ocul o e mais nega i o, quando isa o au o-eng andecimen o do líde ”
73
.
A lide ança des u i a
A lide ança des u i a é pau ada pelo lado mais nega i o do ca isma dos líde es.
A in es igação de Padilla e al. (2007) desen ol e um no o iângulo ca ismá ico
“ óxico” que compo a: um “líde des u i o”, “seguido es susce í eis” e um “ambien e
conducen e”
74
.
Os au o i a ismos da Eu opa no século XX, assim como ou as di adu as no es o
do mundo, são exemplos de lide ança des u i a, pelo so imen o, do e angús ia c iada
aos lide ados (in olun á ios) dos egimes. Um líde des u i o possui, al como um líde
ca ismá ico, ‘ca isma’, oda ia a sua pe sonalização do pode , o na cisismo, as
expe iências nega i as passadas e o ódio nu ido po algo ou alguém, o nam-no numa
igu a ins á el do pon o de is a acional e emocional.
As abo dagens compo amen ais
Os es udos da Uni e si y o Michigan e da Ohio S a e Uni e si y desloca am o
oco das abo dagens dos aços pa a uma abo dagem compo amen al dos líde es. O
esul ado des es es udos concluiu que os compo amen os com “o ien ação pa a as
pessoas” e com “o ien ação pa a o abalho” se ia a junção ideal pa a o sucesso de um
líde numa o ganização. “Os líde es iden i icados como uni e salmen e e icazes se iam
os que, em simul âneo, e elassem incadas o ien ações pa a ambas as ace as”
75
.
O es ilo de Like
O es ilo de Like (1967) de ine qua o sis emas de lide ança compo amen al
que ca ac e izam os á ios ipos de líde es: (1) o au oc á ico-explo ado ma cado pela
concen ação au o i á ia; o líde o dena e os subo dinados obedecem; (2) o au oc á ico-
bene olen e, o líde decide mas concede ma gem de comunicação en e as hie a quias
no desempenho de a e as; (3) o consul i o, o líde odeia-se de opiniões e ideias do
73
Yukl, 1999. in, A onso, 2010, p. 71
74
Padilla e al., 2007. in, A onso, loc. ci .
75
Cunha & Rego, 2005. in, A onso, op. ci . p. 66
33
g upo de o ma a oma decisões em p ol dos obje i os es abelecidos; (4) o
democ á ico/pa icipa i o, o líde en ol e di e amen e os colabo ado es na omada de
decisões, desni ela hie a quias e ado a compo amen os pa icipa i os.
“Na lógica do modelo, a e icácia (p odu i idade e sa is ação do pessoal)
p og ide à medida que as o ganizações mudam dos sis emas au oc á icos pa a os
pa icipa i os”
76
.
A g elha de Blake e Mou on
Blake e Mou on (1964) ado am um modelo em g elha – Manage ial G ide – em
que a “g ade é de inida po dois eixos o ogonais, um que aduz o meno ou maio g au
de a enção dos subo dinados e ou o a maio ou meno p eocupação com a ealização da
a e a”
77
. A g elha de Blake e Mou on (1964) conside a que os líde es mais e icazes
de em a ende de igual o ma que às a e as, que às pessoas que lide a,
independen emen e das si uações i enciada a ní el o ganizacional.
A g elha pos ula as seguin es ca ac e ís icas compo amen ais dos líde es: (1)
anémico, ap esen a acas capacidades de o ien ação de g upos e a e as; (2) simpá ico,
ap esen a o e capacidade de mo i ação de pessoas mas a ende acas capacidades de
ges ão de a e as; (3) in e médio, ap esen a capacidades in e médias de ge i pessoas e
a e as, ainda que não se des aque de o ma singula em nenhuma das ex emidades; (4)
au oc á ico, ap esen a o e capacidade de o ganização de a e as e unções mas peca na
o ien ação dos g upos de abalho e no desen ol imen o de compe ências emocionais
com os colabo ado es; (5) in eg ado , ap esen a um es ilo com eno me capacidade de
o ien ação do capi al humano, assim como consegue ge i de o ma pe spicaz a e as e
unções.
A axonomia de Yukl
A axonomia de Yukl (1998) explo a a comp eensão da e icácia dos líde es. Aos
compo amen os o ien ados pa a as a e as e ao elacionamen o com as pessoas, o au o
ac escen a o compo amen o o ien ado pa a a mudança, “ab angendo o esc u ínio e a
in e p e ação dos e en os ex e nos, a a iculação de uma isão apela i a, a p oposição
76
Cunha, e al., 2007, p. 348
77
Ba acho, 2012, p. 85
34
de es a égias ino ado as, a adoção de apelos pe suasi os ace ca da necessidade de
muda , o enco ajamen o e acili ação da expe imen ação, e o desen ol imen o de uma
coligação que pe mi a apoia e implemen a as mudanças necessá ias”
78
.
Os qua o p ocessos de a i idade ges ioná ia de Kim e Yukl (1995) e Yukl (1998)
o am adap ados po Cunha, e al (2007) no seguin e quad an e de compo amen os: (1)
omada de decisões: planeamen o, o ganização e esolução de p oblemas. Consul a dos
colabo ado es nas decisões e delegação de esponsabilidades; (2) in luência de pessoas:
mo i a , inspi a , apoia , econhece e ecompensa as pessoas; (3) cons ução de
elações: ajuda e desen ol e capacidades de p og esso nas ca ei as dos colabo ado es.
Ges ão de con li os. Desen ol imen o de uma ede de con ac os que acili e a
in o mação o ganizacional; (4) ob enção e disseminação de in o mações: in o ma ,
cla i ica e moni o a oda a equipa, pa a que a imagem e a cul u a o ganizacional
pe maneça coesa na men e dos colabo ado es
79
.
As abo dagens con ingenciais/si uacionais
Pa a colma a as alhas nas abo dagens dos aços e dos compo amen os hou e
a necessidade de i a a enções pa a a o es con ingenciais e si uacionais no sen ido de
comp eende em que moldes se exe ce uma lide ança e icaz. “A e icácia da lide ança
passou a se , nes a pe spe i a, o esul ado de uma a iculação co e a en e a
pe sonalidade do líde e as ca ac e ís icas da si uação”
80
.
O modelo con ingencial de Fiedle
O modelo F ed Fiedle (1967) “analisa a lide ança, já não a pa i da capacidade
de um indi íduo, mas em unção da elação exis en e en e o líde e os aspe os de uma
dada si uação”. O au o conside a a iá eis como: “a au o idade o mal, a o ganização
da a e a; e as elações líde /seguido es”, bem como es ilos de lide ança “cen ada na
elação e (…) na es u u a da a e a”
81
.
O c uzamen o das duas a iá eis concluiu que “o es ilo de lide ança o ien ado
pa a a a e a é e icaz quando a si uação é a o á el ou mesmo pouco a o á el ao líde .
78
Cunha, e al., 2007, p. 350
79
Adap ado de Cunha, loc. ci .
80
A onso, 2010, p. 67
81
Ba acho, 2012, p. 90
35
Po ou o lado, o es ilo de lide ança o ien ado pa a as elações é e icaz quando a
si uação é menos a o á el ao líde . Is o signi ica que cada es ilo de lide ança pode se
e icaz mas isso depende das ca ac e ís icas da si uação, que dize , os es ilos de
lide ança a iam em unção do seu con olo si uacional”
82
.
Fiedle (1967) conside a a compe ência de um líde consoan e a sua
adap abilidade si uacional. O modelo consag a qua o dimensões: “o es ilo de lide ança,
a es u u a da a e a, o ambien e do g upo, e o pode o mal”
83
. Cada dimensão é
de e minada pela si uação con ingen e, pelo que o líde pode modi ica , ao seu pa ece ,
cada uma des as dimensões.
O modelo si uacional de He sey e Blancha d
A e olução das eo ias con ingenciais ganha signi icado com os es udos de
He sey e Blancha d (1969 & 1988). Es e modelo cong ega duas a iá eis con ingenciais:
o compo amen o do líde , na o ien ação pa a as a e as e elacionamen os; e a
ma u idade dos colabo ado es, no desempenho de unções, expe iência p o issional e
aços psicológicos, como a au ocon iança, a mo i ação e o empenho
84
.
De aco do com o modelo de He sey e Blancha d (1969 & 1988), o líde de e
ajus a o seu compo amen o ao g au de ma u idade dos lide ados. Colabo ado es
ma u os eque em menos a isos dos líde es, ao passo que colabo ado es menos ma u os
necessi am de es ímulos e mo i ação. O bom desempenho de e, nes a pe spe i a, se
ecompensado pa a que o colabo ado adqui a au ocon iança e ní eis de e icácia mais
ele ados.
Pa a Cunha, e al (2007) a di e ença en e os dois modelos con ingenciais eside
no ac o que no modelo de Fiedle (1967), “a e icácia do líde é undamen almen e
esul an e da seleção da pessoa ce a pa a de e minada si uação”
85
. E no modelo de
He sey e Blancha d (1969 & 1988) p econiza-se que “o líde al e e compo amen os
pa a se adap a à si uação”
86
.
82
Ba acho, 2012, p. 90
83
Ibidem. p. 91
84
Cunha, e al., 2007, p. 354
85
Ibidem. p. 355
86
Cunha, loc. ci .
36
. Lide ança e ges ão
Os concei os de lide ança e ges ão con undem-se com equência em moldes
o ganizacionais. A dico omia ge a con o é sia en e os dois ocábulos, pelo que a sua
co e a signi icação de e se ap o undada. Uma ez que os in es igado es não
ap esen am conceções uni o mizadas em elação à di e ença en e os concei os, des aco
a p opos a de Rego e al. (2016) pa a explica es a dissemelhança.
A ménio Rego e Miguel Pina e Cunha (2016) p opõem qua o pon os
undamen ais: (1) “a ges ão e a lide ança são p ocessos dis in os; (2) “as o ganizações
necessi am de ambos os p ocessos; (3) “alguns especialis as conside am impossí el
concilia os dois p ocessos numa mesma pessoa; (4) “um indi íduo não pode exe ce ,
simul aneamen e, os dois papéis; como consequência, as o ganizações p ecisam de
eco e à lide ança pa ilhada”
87
.
A di e ença en e os dois concei os é discu ida po eó icos con empo âneos que,
de manei a mais ou menos complexa, es abelecem a sua opinião:
 Bennis e Nanus (1985) esc e em que “os ges o es sabem o que de em
aze , ao passo que os líde es sabem o que é necessá io se ei o”
88
.
 Ke s de V ies (2001) es ima que “os líde es in e essam-se pelo u u o,
espi am a mudança, pensam no longo-p azo, são ca i ados pela isão,
(…) con iam na in uição, êm uma pe spe i a socie al ala gada”. Po
ou o lado, “os ges o es in e essam-se pelo p esen e, p e e em a
es abilidade, a uam a cu o-p azo, (…) ap eciam a complexidade, p ezam
a lógica e p eocupam-se com os in e esses da o ganização”
89
.
 House e al. (2004), no âmbi o do p oje o GLOBE, concebe que “a
lide ança en ol e a a iculação de uma isão o ganizacional, a
in odução de mudanças ul uosas, a a uação inspi acional e a
capacidade pa a lida com a u bulência da en ol en e ex e na”. De
o ma in e sa, “a ges ão ep esen a a implemen ação da isão do líde e
87
Rego, e al., 2016, p. 31
88
Bennis & Nanus, 1985. in, Rego, op. ci . p. 32
89
Ke s de V ies, 2001. in, Rego, op. ci . p. 32

37
das mudanças po ele in oduzidas, e a manu enção e adminis ação das
in aes u u as o ganizacionais”
90
.
 John Ko e (1996) ad oga que “a ges ão consubs ancia-se em
planeamen o (…) o ganização e es u u ação, con olo e esolução de
p oblemas. (…) A lide ança, po seu u no, é mais o ien ada pa a as
pessoas e diz espei o à o ma de lida com a mudança e com o u u o”
91
.
Lide ança di e e igualmen e do concei o de che ia. Paulo Lou enço A onso
(2010) e e e que “a di e ença en e Che ia e Lide ança eside na capacidade do líde
em con ola , de o ma in e na e ex e na, os seus colabo ado es. No p ocesso de che ia
as pessoas obedecem, enquan o no p ocesso de lide ança as pessoas ade em”
92
.
Apesa da di e ença en e os concei os, é unânime a impo ância de ambos no
p ocesso de adminis ação de uma o ganização. Toda ia, exis em na ealidade a iá eis
como: “a cen alidade do consumido ”, “as ecnologias de in o mação”, “as p essões
dos acionis as”, “a compe ição global”, “simplicidade” e “a ele ância c escen e dos
líde es”, o que signi ica “que o quase oco adicional na ges ão necessi a de se
compensado com a c escen e a enção concedida à lide ança”
93
.
Ko e (1996) salien a que a só a combinação en e os dois concei os ala anca a
o ganização pa a o sucesso, especialmen e quando se a a de p ocessos de mudança.
“Sem ges ão compe en e, o p ocesso de ans o mação pode ica o a de con olo. Mas,
pa a mui as o ganizações, o maio desa io é a condução da mudança. Só a lide ança
pode emo e as mui as on es de iné cia o ganizacional. Só a lide ança pode mo i a as
ações necessá ias pa a al e a o compo amen o de modo signi ica i o. Só a lide ança
pode p omo e a mudança, anco ando es a na cul u a da o ganização”
94
.
A discussão en e os dois concei os indaga igualmen e se uma pessoa pode
exe ce em simul âneo compe ências de ges ão e lide ança. As opiniões di idem-se mas
á ios in es igado es p onunciam-se sob e a ques ão.
90
Global Leade ship and O ganiza ional Beha io E ec i eness, House, e al., 2004. in, Rego, e al., 2016, p. 32
91
Ko e , 1990a, 1990b, 1996. in, Rego, op. ci . p. 32-33
92
A onso, 2010, p. 64
93
Rego, op. ci . p. 35-36
94
Ko e , 1996. in, Rego, op. ci . p. 37
38
Glenn Rowe (2001) des aca ês ipos de líde es: (1) ges ioná io, “en a iza a
es abilidade inancei a e p ocu a man e a o dem exis en e. Mas não in es e nas
ino ações que podem muda a o ganização”; (2) isioná io, “en a iza a iabilidade da
o ganização a longo p azo. Fomen a a mudança, a ino ação e a c ia i idade. Mas ca ece
do ealismo e da ieza necessá ios pa a man e i a a o ganização no cu o p azo”; (3)
es a égico, “combina as duas o ien ações de modo siné gico, assim iabilizando a
emp esa a longo p azo sem hipo eca a es abilidade inancei a a cu o p azo”
95
.
Robe Su on (2010) a gumen a que “os melho es líde es azem o que pode se
denominado como uma combinação de lide ança e ges ão”, po sua ez, os “pio es
execu i os usam a dis inção en e lide ança e ges ão pa a e i a os de alhes que êm
ealmen e que domina pa a e a big pic u e e seleciona as melho es es a égias”
96
.
Em sen ido in e so, E zioni (1964) a gumen ou que exis e “incompa ibilidade
psicológica en e as duas dimensões da ges ão e da lide ança”
97
. E Ko e (1990a)
ad ogou que “ninguém pode se bom, simul aneamen e, a lide a e a ge i ”. A eo ia de
ambos p essupõe que “pa a se em bem-sucedidas, as o ganizações necessi am, en ão, de
es imula os dois ipos de pessoas, assim combinando o e lide ança e o e ges ão”
98
.
A ansição de ‘ges o ’ pa a ‘líde ’ é ou a abo dagem pa a o exe cício
simul âneo de unções. Wa kins (2012) a i ma es a possibilidade po ém, “as mudanças
são di e sas e p o undas. Exigem consciência e p epa ação. Não são au omá icas. E
alguns execu i os podem não de e o pe il, ou a ocação, que lhes pe mi am aze a
ansição”
99
.
A colide ança é mais uma al e na i a pa a o exe cício de ambas as unções,
indispensá eis pa a o sucesso o ganizacional. Quando uma pessoa não pode/consegue
exe ce ambos os mecanismos, a emp esa de e op a pela dupla lide ança com duas
igu as dis in as: uma i ada pa a os p ocessos de ges ão e ou a, po en u a mais
ca ismá ica, pa a os p ocessos de lide ança.
95
Rowe, 2001. in, Rego, e al., 2016, p. 40
96
Em comen á io apos o no websi e da Ha a d Business Re iew, 11 de agos o de 2010. in, Rego, op. ci . p. 41
97
E zioni, 1964, in, Rego, op. ci . p. 43
98
Ko e , 1990a. in, Rego, op. ci . p. 43
99
Wa kins, 2012. in, Rego, op. ci . p. 44
39
Rego e al. (2016) ema am que “a dupla lide ança não ep esen a,
necessa iamen e, a sepa ação es i a dos papéis de lide ança e de ges ão”
100
. A e icácia
ope acional depende de o ganização pa a o ganização. Como al, cada o ganismo de e
implemen a a melho es a égia que ul apasse os impasses no exe cício de ges ão e
lide ança.
i. Qual o papel dos líde es?
Recupe ando a axonomia de Yukl (1998), exis em qua o p ocessos
undamen ais no exe cício da lide ança: “ ecolha e disseminação de in o mação,
cons ução de elacionamen os, omada de decisões e exe cício de in luência”. Rego e
al. (2016) co obo am “que odos [os p ocessos] são necessá ios em odas as equipas e
o ganizações”
101
. Subjacen es a es es qua o p ocessos, as a i idades dos líde es podem
ag upa -se em ês ca ego ias:
(1) Compo amen os o ien ados pa a as a e as: “en ol em aspe os como a
o ganização do abalho, o uso e icien e do empo e dos di e sos ipos de ecu sos, a
mono o ização e a ges ão das ope ações, e a in odução de melho ias con ínuas e de
aumen o da p odu i idade”
102
. As compe ências écnicas são as mais ele an es pa a o
exe cício des as unções.
(2) Compo amen os o ien ados pa a os elacionamen os: “es ão sob e udo
ocados na melho ia dos elacionamen os in e pessoais, na coope ação, no abalho de
equipa, e na cons ução da iden i icação dos indi íduos com a o ganização”
103
. As
compe ências sociais/ elacionais são imp escindí eis, sendo o líde ine icaz sem elas.
(3) Compo amen os o ien ados pa a a mudança: “ ocam a melho ia das
condições es a égicas da o ganização, a adap ação à en ol en e, a in odução de
mudanças nos obje i os, nos p ocessos, e nos p odu os/se iços, e o omen o do
empenhamen o das pessoas na implemen ação des as mudanças”
104
.
100
Rego, e al., 2016, p. 51
101
Yukl, 1998; 2013. in, Rego, op. ci . p. 57
102
Yukl, 2013. in, Rego, op. ci . p. 63-64
103
Yukl, 2013. in, Rego, op. ci . p. 63-64
104
Yukl, 2013. in, Rego, op. ci . p. 63-64
40
Con udo, Kim e Maubo gne (2005) a gumen am que es es compo amen os
de em se p o idos dos ês E’s: (1) “é p eciso ‘en ol e ’ as pessoas nas decisões
es a égicas que as a e am, con idando-as a con ibui e a discu i os mé i os e
demé i os da p opos a; (2) é necessá io ‘explica ’ às pessoas as azões pelas quais a
es a égia de e se implemen ada; (3) impo a cla i ica as eg as do jogo ine en es à
no a es a égia, e as ‘expec a i as’ e os papéis que cabem às pessoas en ol idas”
105
.
Os p ocessos e os compo amen os necessá ios ao exe cício da lide ança são
singula es a cada o ganização, uma ez que as con ingências e as si uações onde
oco em con inua a se uma a iá el undamen al. Rego e al. (2016) a i mam que
“algumas ações de lide ança c uzam os ês planos” e que “di e en es a i idades
eque em di e en es ipos de compe ências”
106
.
ii. Os núcleos de compe ências
Lide a é um p ocesso complexo onde os aços, os compo amen os e a
con ingência in luenciam odo o p ocesso. Ainda assim, um líde de e equaciona
qua o núcleos de compe ências, is o é, sabe lida com as coisas, com as pessoas, com
os concei os e consigo p óp io.
Rego e al. (2016) cla i icam o concei o de ‘compe ências’ no sen ido mais la o:
“as skills são habilidades ou capacidades pa a ealiza algo de modo e icaz. Resul am
an o de a ibu os ina os como da ap endizagem”
107
. A ese dos au o es pa e do
p essupos o que as compe ências adqui em di e en es g aus de impo ância ao longo da
ca ei a de um líde /ges o .
Os qua o núcleos de compe ências necessá ias ao exe cício da lide ança são: (1)
as compe ências écnicas: “ e e em-se à p o iciência no domínio de a i idades da
unidade o ganizacional. Pe mi em lide a «coisas» ”; (2) as compe ências
sociais/ elacionais: “dizem espei o à capacidade de desen ol e e man e elações
u uosas com ou as pessoas e en idades. Pe mi em lide a «pessoas» “; (3) as
compe ências conce uais/es a égicas: “ e le em a capacidade de aciocina e
comp eende a complexidade da ealidade en ol en e”; (4) as compe ências de
lide ança pessoal: “ e e em-se à capacidade de o líde se ge i a si p óp io – com
105
Kim & Maubo gne, 2005. in, Rego, e al., 2016, p. 64
106
Rego, op. ci . p. 66
107
Ibidem. p. 74
47
demais. Injus iças ge am “e ei os pe e sos nos lide ados, mesmo quando boas
condições ma e iais e de sucesso lhes são acul adas”
151
.
“O sen ido de jus iça pode se um a o es imulado do espí i o de equipa”
152
.
Um líde jus o (1) “ econhece e p emeia os con ibu os, ou seja, a ua com equidade; (2)
ado a p ocedimen os decisó ios co e os, anspa en es e é icos; (3) deno a espei o
pelas pessoas e explica-lhes as decisões”
153
.
Ações jus as eplicam-se em empenhamen o, lealdade e des eza po pa e dos
colabo ado es. A jus iça assegu a equipas psicologicamen e mais o es, com endência
pa a “ ala e dade, p es a ajuda, assumi e ap ende com os e os, e p opo soluções
c ia i as”
154
.
Humo e boa disposição
“A «boa disposição» ep esen a a endência do líde pa a expe imen a e
exp imi emoções posi i as, inclusi e a a és do humo ”
155
. Pa a Ke s de V ies (1990)
“os líde es e icazes êm um ele ado sen ido de humo , mesmo pe an e o desas e, e
es ão p on os a i em-se das suas p óp ias aquezas. O humo é um bom indicado de
saúde men al e um a i o em qualque local de abalho”
156
.
Ambien es descon aídos enco ajam as pessoas a abalha em equipa e
alimen am a c ia i idade. “Um líde humo ado em mais capacidade pa a lida com as
ad e sidades e libe a -se das ensões ine en es à unção”
157
.
O humo e a boa disposição são sinónimos de lide ança c ia i a. Toda ia, “a boa
disposição, po si só, não é su icien e pa a c ia um clima de abalho posi i o”
158
, al
como o humo pode se um incon enien e em de e minadas si uações. Cabe aos líde es
sabe usa os dois mecanismos como e amen as essenciais de união da equipa.
Flexibilidade compo amen al
151
Rego, e al., 2016, p. 141
152
Ba low, e al., 2003. in, Rego, op. ci . p. 142
153
Rego, op. ci . p. 142
154
Ibidem. p. 143
155
Lei h, 2014. in, Rego, op. ci . p. 143
156
Ke s de V ies, 1990, p. 767
157
Rego, op. ci . p. 147
158
Ibidem. p. 149

48
Os líde es de em ajus a os seus compo amen os à ealidade. A lexibilidade
compo amen al é “a capacidade e a on ade de ajus a o compo amen o aos equisi os
da si uação”
159
. Líde es segu os de em p eca e “as pa icula idades dos seus
in e locu o es a cada momen o, a necessidade de en en a a mudança, as al e ações que
oco em nos p óp ios lide ados e nou os in e locu o es”
160
.
A lexibilidade de compo amen os ga an e esul ados ope acionais podendo se
aumen ados pela “empa ia, a cu iosidade e o ien ação pa a a ap endizagem, a humildade
pa a alo iza a ealidade en ol en e, o sen ido e espí i o de equipa, e compe ências
polí icas”
161
. O compo amen o dos líde es é decisi o pa a o sucesso ou insucesso da
sua o ma de lide a , negocia com pa cei os e s akeholde s e elaciona com
colabo ado es.
Compe ência polí ica
Joseph Nye (2008) esc e e: “a comp eensão do con ex o é c ucial pa a a
lide ança e icaz. (…) A in eligência con ex ual é uma compe ência in ui i a que ajuda
um líde a alinha á icas com obje i os de modo a c ia es a égias in eligen es em
no as si uações”
162
.
A compe ência polí ica de i a do p essupos o que as “o ganizações são a enas
polí icas”
163
, onde “os seus memb os ado am es a égias de in luência di e sas pa a
alcança os seus in en os”
164
. Po ou as pala as, líde es compe en es es ão a en os ao
con ex o polí ico da o ganização e comp eendem as es a égias dos seus semelhan es.
Fe is e al. (2002) de inem compe ência polí ica como “um es ilo in e pessoal
que combina pe ce i idade social ou as úcia com a capacidade de ajus a o nosso
compo amen o a di e en es e mu an es exigências si uacionais de um modo que inspi a
con iança e genuinidade, e que in luencia e icazmen e e con ola as espos as dos
ou os”
165
.
159
Mum o d, e al., 2000; Yukl, 2013. in, Rego, Rego, e al., 2016, p. 151
160
Rego, op. ci . p. 152
161
Ibidem. p. 152
162
Nye, 2008. in, Rego, op. ci . p. 154
163
Min zbe g, 1983, 1985; P e e , 2010. in, Rego, op. ci . p. 155
164
Rego, op. ci . p. 155
165
Fe is, e al., 2002, p. 111. in, Rego, op. ci . p. 155
49
A lexibilidade compo amen al é impo an e na a ena polí ica das o ganizações,
pois os líde es de em sabe posiciona -se consoan e “o con ex o social e polí ico
ci cundan e”
166
. À medida que es abelecem edes de in luência o nam-se pe suasi os e
con incen es, “capazes de c ia coligações e de ob e o apoio e os ecu sos de que
necessi am pa a alcança os seus in en os”
167
.
As es e as polí icas são ambien e di íceis de conquis a . Os líde es de em oma
posições asse i as e ado a compo amen os que se coadunem a di e en es si uações. “É
na lide ança de opo e na lide ança polí ica que es e ipo de compe ência po en u a
mais ele a”
168
. O elenco de compe ências sociais/ elacionais e á “maio ou meno
impo ância [consoan e o] papel exe cido pelo líde ”
169
.
É unânime que compe ências sociais/ elacionais ca apul am o líde pa a o
sucesso da lide ança. Toda ia, es as compe ências podem des ia o líde pa a
compo amen os desones os e insensa os, a i udes pe e sas e manipulação dos
lide ados. “As compe ências sociais/ elacionais podem assen a em ca ac e ís icas da
pe sonalidade. (…) Mas uma pa cela signi ica i a pode se ap endida – o que eque
desejo de ap ende , assim como ou as compe ências de lide ança pessoal”
170
.
Compe ências de lide ança pessoal
Os núcleos de compe ências – écnicas, conce uais e sociais/ elacionais – são
impo an es em odos os ní eis de lide ança, oda ia o núcleo de compe ências de
lide ança pessoal ap esen a alo es ac escidos ao longo da ca ei a.
O núcleo de compe ências pessoais des aca aços, compo amen os e alo es
indi iduais como: a de e minação e a pe se e ança, a paixão, a esiliência, a
au ocon iança, a au oconsciência, o au ocon olo emocional, o o imismo, a humildade, a
o ien ação pa a a ap endizagem, a in eg idade, a conscienciosidade e a p udência
171
.
Compe ências de lide ança pessoal desempenham um papel pe en ó io nas
posições cimei as das o ganizações. Sem es as compe ências, “o exe cício da lide ança
166
Rego, e al., 2016, p. 155
167
Ibidem. p. 156
168
Ibidem. p. 156
169
Ibidem. p. 123
170
Ibidem. p. 158
171
Ibidem.
50
se á di icul ado, os iscos de deslizes são maio es e as possibilidades de alcança luga es
cimei os são meno es”
172
.
De e minação e pe se e ança
A de e minação ca ac e iza líde es com “ga a” e “ ib a”
173
. Não obs an e,
“líde es pe se e an es p osseguem obje i os ambiciosos e não desis em de aze o que
em de se ei o”
174
.
A pe se e ança o na os líde es “diligen es”, abalhando “se iamen e em p ol de
obje i os de longo p azo”. Es es “não se sa is azem com os sucessos e os lou os de hoje
e de ou em – an es con inuam a es o ça -se pa a ganha a ma a ona, mudando de
p á icas e adap ando-se quando necessá io”
175
.
A enacidade em si uações de c ise o na os líde es asse i os do pon o de is a
da impulsi idade das decisões omadas. A de e minação e a pe se e ança são i udes
posi i as pa a o exe cício de lide ança, oda ia “pode [m] se colocada [s] ao se iço de
inalidades pe e sas ou p osseguida [s] sem espei o pelos p incípios da dignidade e do
espei o”
176
.
Paixão
“A paixão (…) alimen a a pe se e ança. Mas a pe se e ança ambém pe mi e
man e acesa a paixão”
177
. Líde es sensa os, p uden es e ealis as i em o abalho de
o ma mais apaixonada. Toda ia, a paixão desen eada pode o na-los obsessi os e
descon olados, des uindo “ elacionamen os pessoais e amilia es posi i os”
178
.
O c uzamen o en e a paixão e o ealismo é c ucial e “con ém seleciona , den o
do possí el, as a i idades que mais se compaginam com a nossa ocação e a nossa
hie a quia de alo es e de p io idades”
179
. Mesmo que um indi íduo não aça o que
gos a é impo an e ap ende a gos a do que az, ou a us ação oma á o luga en e o
equilíb io da paixão e do ealismo.
172
Rego, e al., 2016, p. 163
173
Ibidem. p. 165
174
Ibidem. p. 166
175
Ibidem. p. 166
176
Ibidem. p. 166
177
Ibidem. p. 168
178
Ibidem. p. 168
179
Ibidem. p. 169
51
Resiliência
As decisões dos líde es nem semp e se e elam opo unas, pelo que a esiliência
– capacidade de ecupe a pe an e ad e sidades – seja uma compe ência de lide ança
pessoal. Resis i a e os e acassos é de e minan e pa a conquis as de u u as. “Sem
esiliência, a paixão esmo ece e a pe se e ança pode queb a pe an e o acasso, o
desai e e a do ”
180
. Um líde esilien e em mais hipó eses de ecupe a de insucessos
quando es es se lhe depa am do que um indi íduo que ‘desis a’ ao p imei o abalo ao seu
es ilo de lide ança.
Au ocon iança
O líde de e se con ic o que é a pessoa ce a pa a lide a . Is o po que as
“pessoas com maio sen ido de au o-e icácia ac edi am nas suas capacidades de ação e
in e enção, escolhem obje i os desa ian es, desen ol em ele ada mo i ação e es o ços
pa a se em bem-sucedidas no alcance desses obje i os, e são pe se e an es pe an e os
obs áculos”
181
.
A capacidade c ia i a esul a da au ocon iança dos líde es, o nando-os mais
e icazes
182
. Es a e icácia esul a da p oa i idade “no exe cício de in luência sob e os
ou os”, da “inicia i a pe an e p oblemas e opo unidades” e da p ojeção de
“expec a i as de desempenho sob e os lide ados”
183
.
Toda ia, a au ocon iança do líde pode “ o ná-lo hipe op imis a”
184
des alo izando iscos e a opinião dos colabo ado es. A a ogância ad ém de
pe sonalidades au ocon ian es ins á eis, incapazes de ou i o ‘não’ e de aca a pon os
de is a di e en es.
Au oconsciência
Wa en Bennis (1999) a gumen a que “os líde es e icazes conhecem-se bem a si
p óp ios”
185
. Conhece as p óp ias i udes e limi ações aça “o modo como se eem a
180
Rego, e al., 2016, p. 171
181
Ibidem. p. 173
182
Ande son, e al., 2008; Hollenbeck & Hall, 2004; McCo mick, 2001. in, Rego, op. ci . p. 174
183
Rego, op. ci . p. 174
184
Ibidem. p. 174
185
Bennis, 1999, p. 23
52
si p óp ios, [que] em e mos de o ças do ca ác e , é mui o semelhan e ao pe il que os
lide ados lhes a ibuem”
186
.
Os líde es de em conhece as suas i udes mas ambém as suas agilidades.
Es e econhecimen o pe mi e aos indi íduos melho a aspe os nega i os, ao con á io de
líde es que êm a sua p óp ia imagem dis o cida. A incomp eensão de si p óp io az
descon ia os lide ados e in iabiliza mudanças necessá ias à o ma de lide a .
“A au oconsciência é a capacidade de comp eende mos as nossas aquezas e as
nossas o ças, os nossos alo es e as nossas emoções e sen imen os, e de in e p e a mos
co e amen e o impac o que emos sob e os ou os”
187
. Es a compe ência de lide ança
pessoal é “um dos mo o es mais po en es do desen ol imen o pessoal”
188
.
A humildade pa a escu a opiniões acili a o en endimen o en e líde es e
lide ados. Ademais, líde es que desejem ap ende icam mais ap os pa a se
au ocomp eende em a si p óp ios. Pe cebe o que os ou os pensam de nós pe mi e-nos
“coloca essas qualidades ao se iço do desen ol imen o dos ou os e da nossa p óp ia
supe ação”
189
.
Au ocon olo emocional
O au ocon olo emocional é “a capacidade pa a ge i adequadamen e a exp essão
de emoções”
190
. A ensão das o ganizações não p opicia um con olo ácil das emoções,
pelo que o au ocon olo emocional seja uma “compe ência especialmen e ele an e em
unções de lide ança en ol as em g andes iscos de ensão, con li o e
emocionalidade”
191
.
Líde es que con olam as suas emoções conseguem mais acilmen e con ola as
emoções dos seus pa es, colabo ado es e s akeholde s. “O con olo emocional das
equipas e das o ganizações é, po seu u no, impo an e pa a o desempenho das
mesmas”
192
.
Es a compe ência de lide ança pessoal ganha des aque em líde es que ocupam
posições cimei as nas o ganizações uma ez que, quan o maio o luga na hie a quia
186
Rego, e al., 2016, p. 179
187
Chu ch, 1997; Ga dne , e al., 2005; Rego, Sousa, e al., 2012; Spa owe, 2005; Walumbwa, e al., 2008. in, Rego,
op. ci . p. 180
188
Rego, op. ci . p. 180
189
Ibidem. p. 181
190
Ibidem. p. 189
191
Ibidem. p. 187
192
Ibidem. p. 188

53
o ganizacional, maio o isco de pe da de con olo e emoções. Toda ia, “a pe da de
con olo pode implica a pe da de pode !”
193
O imismo
“O o imismo é uma ca ac e ís ica cogni i a e emocional que es imula
expec a i as de bons esul ados”
194
. Es a compe ência ealça “os ní eis de bem-es a , de
saúde ísica e psicológica, de mo i ação, de desempenho, e de pe se e ança pe an e
obs áculos e ad e sidades”
195
.
O o imismo e o ça a e icácia dos líde es no exe cício da lide ança po que
“enca am as c ises e as di iculdades como opo unidades”
196
. Líde es o imis as e o çam
as emoções dos lide ados e es abelecem condições pa a o aumen o do capi al de
in eligência, c ia i idade, pe sis ência e au ocon iança. Es e elacionamen o é
con agiado pelo o imismo do p imei o, que po conseguin e o na os segundos mais
coope a i os e e icien es em si uações ad e sas. “Líde es o imis as enco ajam os
lide ados na busca de soluções pa a os p oblemas e o ap o ei amen o das
opo unidades”
197
.
Humildade
Associada ao ca ác e e aos alo es dos indi íduos, “a humildade e a
au en icidade dos líde es que ocupam ca gos supe io es aumen am a mo i ação das
equipas”, a o de e minan e pa a a “mobilização de o ien ação pa a esul ados a
alcança ”
198
.
A humildade e o ça o ca ác e humano dos indi íduos e pe mi e “comp eende
as aquezas e as o ças p óp ias” e “ econhece as o ças dos ou os”
199
. Se humilde é
econhece as p óp ias limi ações e que e semp e ap ende no sen ido de colma a os
pon os nega i os.
193
Rego, e al., 2016, p. 189
194
Seligman, 1988; 2002. in, Rego, op. ci . p. 192
195
Rego, op. ci . p. 192
196
Ibidem. p. 192
197
Ibidem. p. 192
198
Amo im, 2013, p. 122. in, Rego, op. ci . p. 195
199
Owens, e al., 2013. in, Rego, op. ci . p. 196
54
Es a compe ência e o ça elações de con iança e pe mi e “auscul a opiniões
po encialmen e ú eis pa a a omada de melho es decisões”
200
, assim como “ acili a o
au ocon olo e a de e minação pe an e a ad e sidade”
201
.
O ien ação pa a a ap endizagem
O sucesso nem semp e é con ínuo numa o ganização e os « opeços» azem
pa e da ida o ganizacional. Con udo, em pe íodos de ince eza e u bulência, “as
o ganizações necessi am de se ein en a pe manen emen e e de ap ende
con inuamen e – com os e os e com os sucessos”
202
.
Líde es compe en es de em o ien a -se no sen ido da ap endizagem e man e -se
“ igilan es a g andes e pequenos sinais sob e mudanças, p oblemas e opo unidades”.
Líde es que “ omen am nas suas equipas a sabedo ia que lhes pe mi e oma melho es
decisões e desempenha mais e icazmen e o abalho”, são líde es mais c ia i os e com
“maio di e sidade de pe spe i as”
203
.
In eg idade
A in eg idade “con empla dimensões como o cump imen o da pala a dada e das
p omessas, a ação con iá el, a adoção de a os consis en es com as pala as, a
hones idade, e a assunção de esponsabilidade pelos a os p óp ios”
204
.
Líde es ín eg os não se e gam à alsidade, à men i a e à desones idade, mesmo
que po es as ias chegue mais ápido ao sucesso. “A in eg idade é c ucial pa a lida
com os dilemas e chega a comp omissos mo ais ace ados”
205
. A con iança e a
coope ação en e líde e lide ados são e o çadas pela in eg idade e pelo ac o do líde
se “um modelo de a uação”
206
.
A hones idade e a in eg idade c edibilizam os líde es: “a hones idade é essencial
à lide ança. Quando se a a de segui em alguém olun a iamen e (…) os indi íduos
que em sob e udo assegu a -se de que a pessoa é me ecedo a da sua con iança. Que em
sabe se o p e enso líde é e dadei o, é ico e do ado de p incípios”
207
.
200
Owens, e al., 2013, 2016; Owens & Hekman, 2016; Rego, e al., 2016. in, Rego, op. ci . p. 196
201
Tong, e al., 2016. in, Rego, op. ci . p. 196
202
Rego, e al., 2016, p. 198
203
Ibidem. p. 199
204
Ibidem. p. 202
205
B enke , 2009. in, Rego, op. ci . p. 207
206
Rego, op. ci . p. 207
207
Kouzes & Posne , 2005, p. 359. in, Rego, op. ci . p. 208
55
A in eg idade é um alo di ícil de man e quando os líde es ganham imp essões
posi i as de si p óp ios. “A «licença pa a p e a ica » ep esen a a endência pa a os
líde es se sen i em mais li es pa a agi em menos co e amen e depois de e em ado ado
ações mo almen e ele adas”
208
. Po conseguin e, é c ucial que os líde es sejam “cau os,
p uden es e au oconscien es”
209
.
Conscienciosidade
O igo , o p o issionalismo e a esponsabilidade são ca ac e ís icas dos líde es.
A conscienciosidade mo i a-os e con e e-lhes a au o idade necessá ia pa a o sucesso.
“Os indi íduos conscienciosos p ocu am ealiza de idamen e as suas a i idades, são
o ganizados, igo osos e cuidadosos no modo como abalham, e elam empenhamen o,
diligência e p o issionalismo, e deno am disciplina e g ande sen ido de
esponsabilidade”
210
.
A c edibilidade deno a líde es com o e pendo de conscienciosidade. Po
conseguin e, “desen ol em mais elações de con iança e coope ação com os lide ados e
ou os s akeholde s, ge em melho o empo, (…) omam melho es decisões e omen am
um clima de esponsabilidade e b io p o issional”
211
. Toda ia, a conscienciosidade pode
ans o ma -se em pe eccionismo, “o que nem semp e é um bom acili ado do
desempenho pe an e as ealidades o ganizacionais”
212
.
P udência
A omada de decisões o aliza o exe cício da lide ança, po isso, decidi com
p udência c edibiliza as decisões. “Po ezes, os líde es es ão mais p eocupados em
mos a que são esolu os e capazes de decidi do que em oma boas decisões”
213
.
Líde es p uden es conside am expe iências do passado pa a a alia o u u o. “É o
disce nimen o que ajuda a man e «cabeça ia» du an e pe íodos de c ise e de g ande
ensão”, pois “líde es imp uden es a e am nega i amen e a sua imagem e e em a
epu ação e o desempenho da o ganização”
214
.
208
Rego, e al., 2016, p. 209
209
Ibidem. p. 210
210
Ibidem. p. 211
211
Ibidem. p. 212
212
Ibidem. p. 211
213
Ibidem. p. 215
214
Ibidem. p. 216
56
A p udência é “uma i ude mui o exigen e” e “pode ans o ma -se em
p oblema se o excessi a”
215
. Toda ia, a imp udência de um líde pode de e -se à
since idade e au en icidade de compo amen os. A genuinidade dos líde es pode “ge a
dissabo es” nas decisões omadas. Po ém, “lide a é um exe cício exigen e – e não há
se es pe ei os!”
216
SÍNTESE
Os núcleos de compe ências – écnicas, conce uais, sociais/ elacionais e de
lide ança pessoal – pe mi em aos líde es lida com coisas, com concei os, com pessoas e
consigo p óp io. Mas em con ex o o ganizacional a ‘si uação’ desempenha um papel
c ucial no seu compo amen o. Po conseguin e, a epu ação de e-se a um conjun o de
i udes que acili am a lide ança independen emen e da con ingência.
Se p o ido des as compe ências pode se i ele an e se o líde não concilia a
sua pe sonalidade ao g upo e à ealidade. Assumi os e os, se esilien e, p uden e,
au ocon ian e e pe se e an e o na os líde es mais capazes de lide a . E a humildade e a
ap endizagem capaci am-lhes de e minação pa a a ingi o sucesso.
Es es núcleos de compe ências “in luenciam-se mu uamen e, podendo e o ça -
se ou anula -se”
217
. “Os líde es, como odos os humanos, são incomple os”
218
, po isso
de em p ocu a colma a as lacunas com alguém que “possui a compe ência de que ele
é alho”
219
. O equilíb io de compe ências po encia os ní eis de mo i ação de quem
lide a e quem lide a, pois como diz o di ado, “a i ude es á no meio”
220
.
215
Rego, e al., 2016, p. 217
216
Ibidem. p. 217
217
Ibidem. p. 227
218
Ancona, e al., 2007. in, Rego, op. ci . p. 231
219
Rego, op. ci . p. 231
220
Ibidem. p. 232
63
a i udes posi i as ace ao abalho não são os mesmos que p o ocam as a i udes
nega i as”
248
.
 As necessidades mo i ado as, “de na u eza in ínseca ao abalho,
obedecem à dinâmica de c escimen o e conduzem à sa is ação a longo
p azo e à elicidade”. Nes e quad o, apon am-se sa is ações de
“c escimen o, desen ol imen o pessoal, esponsabilidade, na u eza de
abalho, econhecimen o ou ealização”
249
.
 Necessidades higiénicas, “de na u eza ex ínseca ao abalho, conduzem
ao e i amen o da do e ao alí io da insa is ação a cu o p azo”. Nes e
quad o, dis inguem-se insa is ações sob e “polí icas da o ganização,
es ilos de che ia, elacionamen os com supe io es, condições de abalho,
salá io ou elações in e pessoais”
250
.
A eo ia concluiu que os a o es mo i ado es êm uma du ação empo al mais
ex ensa, em compa ação com os a o es higiénicos. E que os úl imos, “es ando p esen es,
e i am a i udes nega i as mas não p o ocam a i udes posi i as”. Em sen ido in e so,
“os a o es mo i ado es ge am a i udes posi i as mas não e i am as a i udes
nega i as”
251
.
As duas ma izes o nam “ingló io e ine icaz en a esol e p oblemas
higiénicos, a uando em a o es in ínsecos ao abalho”
252
. Es a p á ica é desajus ada nas
o ganizações que es imulam necessidades de mo i ação com necessidades higiénicas.
He zbe g (1996) “de ende que os a o es mo i ado es são melho ge idos a a és
de uma u ilização ace adas das pessoas, en iquecendo as suas unções semp e que
possí el”
253
. O ala gamen o da unção e o en iquecimen o do ca go são duas o mas de
p omo e p o issionalmen e as pessoas. A p imei a con e e um maio núme o de a e as
aos abalhado es que eem aumen adas as suas esponsabilidades de o ma ‘ho izon al’.
A segunda con e e aos indi íduos esponsabilidades a um ní el supe io .
248
Cunha, e al., 2007, p. 161
249
A onso, 2010, p. 51-52
250
Ibidem. p. 51-52
251
Ibidem. p. 52
252
Ibidem. p. 53
253
Ibidem. p. 53

64
Ci ando He zbe g (1996), “o abalho em si ’alimen a’ a mo i ação quando é
concebido de o ma a o e ece opo unidades de c escimen o e u ilização dessas
mesmas capacidades”
254
.
O modelo das ca ac e ís icas da unção, Hackman & Oldham
Teo ia de con eúdo o ganizacional
Na base da mo i ação in ínseca, Richa d Hackman e G eg Oldham (1976)
concluem que “são cinco as ca ac e ís icas do abalho que con ibuem pa a aze da
unção uma on e de mo i ação”
255
:
 A ‘ a iedade’ aduz-se num conjun o de a i idades e compe ências
ligadas a uma unção. Es a se á an o mais a iada quan o mais consis i
numa di e si icação de ações e a e as.
 ‘Iden idade’ p essupõe ní eis de p oximidade maio es na execução de
a e as, do p incípio ao im. Funções com iden idade pe mi em um
con olo ape ado das ações e aumen am o alo in ínseco do p odu o
e/ou se iço p es ado.
 O ‘signi icado’ “diz espei o ao impac o do abalho nas idas dos ou os,
seja den o ou o a da o ganização”
256
. Quando maio o impac o nas
pessoas, maio o signi icado e o alo das ações desempenhadas.
 ‘Au onomia’ é o g au de independência que um indi íduo em no
planeamen o e desempenho de unções. T abalhos au oma izados êm
ní eis de au onomia pessoal eduzidos, ao passo que abalhos com
a iação de casos ap esen am ní eis de au onomia ele ados.
 O ‘ eedback’ é “a quan idade e a qualidade da in o mação sob e o
p og esso do indi íduo na execução do abalho e os ní eis de
desempenho alcançados”
257
.
O conjun o das ca ac e ís icas da unção “ êm um e ei o posi i o sob e a
mo i ação, de ido à p odução daquilo que Hackman & Oldham (1976) designam de
254
He zbe g, 1996, p. 58
255
Cunha, e al., 2007, p. 163
256
Ibidem. p. 163
257
Ibidem. p. 164
65
es ados psicológicos c í icos”
258
. A mo i ação, como esul ado do conjun o das
ca ac e ís icas da unção, aduz-se em ele ados índices de e iciência e e icácia nas
ações dos indi íduos e em ní eis eduzidos de iné cia e absen ismo.
No en an o, “é necessá io a exis ência de necessidades de c escimen o, a
pe ceção de necessidades de desen ol imen o (…) e ap idões adequadas ao
desempenho da unção”
259
. As pessoas ap esen am ní eis mais ele ados de mo i ação
se conside a em o abalho digno e alioso de se execu ado; se se sen i em
pessoalmen e esponsá eis pelo esul ado das suas ações e pelo impac o que as mesmas
causam nos ou os; e se conhece em o esul ado das unções que desempenham.
A eo ia da equidade, Adams
Teo ia de p ocesso ge al
A eo ia da equidade de J. S acy Adams (1965) “es á associada ao concei o de
jus iça no local de abalho, no sen ido de es abelece uma di e enciação ela i amen e
ao concei o de igualdade”. O au o dis ingue pe en o iamen e os concei os de igualdade
e equidade: “exis e igualdade quando duas pessoas au e em a mesma ecompensa;
exis e equidade quando são ecompensadas em unção do es o ço, do mé i o, do
empenho, dos conhecimen os e compe ências”
260
.
A eo ia da equidade ap esen a a ese de que “os abalhado es compa am os
seus con ibu os com o que dela (o ganização) ecebem”. Es a a aliação pe mi e “uma
co espondência di e a en e os in es imen os e os ganhos de cada um”
261
. A
compa ação de con ibu os em como e e ência colegas de abalho – equidade in e na
– ou pessoas ex e nas à o ganização que desempenhem o mesmo ipo de unções –
equidade ex e na.
Na eo ia de Adams (1965) “as elações de equidade ou de iniquidade esul am
das pe ceções do abalhado e não de uma qualque medição obje i a da elação en e
ganhos e in es imen os/con ibu os. O que signi ica que a equidade é um enómeno
pe ce i o e não um dado obje i o”
262
.
258
A onso, 2010, p. 50
259
Ibidem. p. 50
260
Ibidem. p. 56
261
Ibidem. p. 56-67
262
Cunha, e al., 2007, p. 165
66
 Equidade: “quando o ácio de ganhos e in es imen os do sujei o é
semelhan e ao ácio de ganhos e in es imen os do e e en e”
263
.
 Iniquidade: “quando a pessoa en ende que a azão en e os seus ganhos e
in es imen os e os ganhos e in es imen os do sujei o e e en e é
desigual”
264
.
A a aliação en e ganhos e in es imen os p ocessa-se segundo uma
“componen e in angí el”, “de di ícil mensu ação obje i a”
265
. Num cômpu o ge al,
admi em-se como in es imen os/con ibu os: a o mação, o capi al de in eligência, a
expe iência, o es o ço, o empo despendido. Ao ní el dos ganhos, conside am-se
emune ações como: o salá io, p émios, es a u os e í ulos, segu os de abalho e/ou
saúde.
“A con ibuição da eo ia da equidade pa a a ges ão da mo i ação é c ucial, na
medida em que demons a que a mo i ação é maio quando as pessoas se ape cebem da
exis ência de uma elação de con ingência en e os seus ganhos e in es imen os”
266
. Po
ou as pala as, os indi íduos aumen am os índices de p odu i idade se pe cebe em que
isso os le a a ecompensas maio es. Em sen ido in e so, indi íduos que se sin am
injus içados pelo ácio nega i o en e in es imen os e ganhos, desin es em
g adualmen e na p odu i idade.
“A noção de con ingência mos a, undamen almen e, que as o ganizações
de em se capazes de disc imina os con ibu os das pessoas pa a a o ganização e que as
de em ecompensa de aco do com esses con ibu os: quem mais con ibui mais
ganha”
267
.
A eo ia do e o ço, Lu hans & K ei ne
Teo ia de p ocesso ge al
A eo ia da modi icação do compo amen o o ganizacional ou eo ia do e o ço
“ensaia uma mudança de uma lógica cogni i a, comum às eo ias de p ocesso, pa a uma
263
Cunha, e al., 2007, p. 165
264
Ibidem. p. 165
265
Ibidem. p. 165
266
Ibidem. p. 166
267
Ibidem. p. 166
67
lógica compo amen al”
268
. Es a eo ia desc e e compo amen os não pelo que ‘pensam’
as pessoas, mas pela p e isão e con olo de como ‘agem’ as pessoas. “O p essupos o
des a eo ia é o de que a mo i ação pa a abalha é consequência de enco aja
compo amen os ap op iados e de desenco aja os compo amen os inap op iados”
269
.
Os e o ços mo i acionais mais comuns passam, in a ia elmen e, pela
emune ação, p émios, í ulos hono í icos, mas ambém elogios e incen i os pessoais.
F ed Lu hans e Robe K ei ne (1975) ap esen am qua o o mas de e o ço pa a
“aumen a a p obabilidade de oco ência ( e o ço) de alguns compo amen os e pa a
en aquece ou os”
270
.
 Re o ço posi i o: p opo cionado po uma “ ecompensa con ingen e ao
desempenho desejado, ou seja, a ecompensa é o e ecida se o
compo amen o o o p e endido”
271
. Es e e o ço condiciona o
compo amen o do indi íduo, aumen ando a p obabilidade de epe i o
mesmo compo amen o.
 Re o ço nega i o: e e e-se a uma “suspensão de uma con ingência
indesejada de ido ao su gimen o do compo amen o desejado”
272
. Po
exemplo, um colabo ado pouco iá el deixa de se igiado pela che ia se
hou e al e ação de compo amen os des ian es pa a compo amen os
asse i os e ins i ucionalmen e co e os.
 Ex inção: es e ipo de e o ço implica, g osso modo, “a e i ada de um
e o ço posi i o de modo a que o compo amen o indesejado deixe de se
mani es a ”
273
.
 Punição: “consis e em p opo ciona consequências nega i as a um
compo amen o indesejado, de modo a aze dec esce a equência desse
compo amen o”
274
. A pa da ex inção, es e ipo de e o ço inc emen a
um no o ep o ao indi íduo, de modo a al e a de o ma signi ica i a o
seu compo amen o.
268
Cunha, e al., 2007, p. 166
269
A onso, 2010, p. 59
270
Cunha, loc. ci .
271
Ibidem. p. 167
272
Ibidem. p. 167
273
Ibidem. p. 167
274
Ibidem. p. 167
68
Com base nos mecanismos de e o ço, acima enunciados, a modi icação de
compo amen os az-se g adualmen e: p imei o pela iden i icação de compo amen os
inco e os causado es de p oblemas no desempenho ope acional; depois, pela medição
da equência com que oco em esses compo amen os isados; em seguida, pela análise
das con ingências a p io i e a pos e io i na en ol en e; depois, pela in e enção em
acele a compo amen os desejados e desacele a compo amen os des ian es; e po
úl imo pela a aliação de mudanças compo amen ais, no sen ido de pe cebe se as
con ingências o am al e adas, medindo e moni o izando esul ados u u os
275
.
A eo ia da de inição de obje i os, Locke & La ham
Teo ia de p ocesso o ganizacional
A eo ia da de inição de obje i os “baseia-se no e ei o mo i ado da exis ência
de obje i os, is o é de me as que as pessoas en am alcança a a és das suas ações”.
Pa indo do p essupos o que de e minados obje i os ala ancam os índices
mo i acionais dos indi íduos, “es a eo ia p ocu a iden i ica o ipo de obje i os
capazes de p oduzi ní eis de desempenho mais ele ados”
276
.
Edwin Locke e Ga y La ham (1990) p oje am que em odas as ases da ida o
indi íduo é es imulado pela c ença de uma sucessão c onológica de obje i os pessoais e
p o issionais. Toda ia, “a p á ica mos a que, endencialmen e, obje i os áceis não são
no malmen e desa ian es e mo i ado es”
277
. Consecu i amen e, os in es igado es
en am desco ina quais são os obje i os “que mais es imulam a a enção, o es o ço e a
pe sis ência das pessoas ou dos g upos”
278
.
A eo ia inca que os obje i os mais e icazes, do pon o de is a mo i acional e
em con ex o o ganizacional, são os “que combinam um conjun o de ca ac e ís icas
eunidas no ac ónimo SMART: Speci ic, Measu able, Ag eed, Realis ic, Timed”
279
. A
melho on e mo i acional ap esen a-se sob a o ma de obje i os “mode adamen e
di íceis, e pe cecionados como di íceis mas alcançá eis”. Es e ipo de obje i os
275
Adap ado de Cunha, e al., 2007, p. 168
276
Cunha, op. ci . p. 169
277
A onso, 2010, p. 54
278
Cunha, loc. ci .
279
Ibidem. p. 169

69
“es imula o desen ol imen o de planos, aumen a a pe sis ência ace aos obs áculos e
implica ní eis de es o ço mais ele ados”
280
.
A eo ia da de inição de obje i os, como ou as eo ias da mo i ação, aca e a
pon os passí eis de c í ica quan o à sua o ma de a uação
281
:
 Quando se ocam pessoas numa me a, diminui-se a p obabilidade de as
le a a p oduzi ou os/no os compo amen os, e en ualmen e ele an es.
 A al a de capacidade dos colabo ado es em e en es de e minan es
condiciona o seu compo amen o, neu alizando os e ei os mo i ado es
da de inição de obje i os.
 Adicionalmen e, Kan e e Acke man (1989) ele am pa a o ac o que
“quando um abalhado em de ap ende uma a e a complexa, oda a
sua a enção de e es a cen ada na p óp ia ap endizagem e não nou os
obje i os”
282
. Ou seja, qualque ou o obje i o se á um en a e
p ejudicial ao no mal desempenho do obje i o inicialmen e açado.
A eo ia das expec a i as, V oom
Teo ia de p ocesso o ganizacional
A eo ia das expec a i as é undamen ada po ês concei os: expec a i a,
alência e ins umen alidade; e “conside a que o compo amen o e o desempenho são o
esul ado de uma escolha conscien e”
283
. Vic o V oom (1964) lide a a ese que de ende
que “a o ça da endência pa a agi de de e minada manei a depende da o ça da
expec a i a no esul ado da sua a uação e no g au de a a i idade desse esul ado”
284
.
 Expec a i a: e e e-se à “p obabilidade subje i a de que, se um
de e minado es o ço o exe cido, o esul ado se á um desempenho bem-
sucedido”, i.e., se a expec a i a se e ela um desempenho de sucesso,
ha e á “uma dada ecompensa”
285
(expec a i a es o ço- esul ado).
280
A onso, 2010, p. 55
281
Adap ado de Cunha, e al., 2007, p. 170
282
Cunha, op. ci . p. 170
283
Ibidem. p. 171
284
A onso, 2010, p. 60
285
Cunha, loc. ci .
70
 Valência: “g au de a a i idade que a ecompensa ep esen a pa a o
indi íduo”
286
. Es a eação ques iona-se consoan e ecompensas aliosas
ou de alência posi i a. Toda ia, “aquilo que é alioso pa a uma pessoa
não o é necessa iamen e pa a ou a”
287
.
 Ins umen alidade: “g au em que um esul ado acili a o acesso a um
ou o esul ado”
288
, e.g. ecompensas mone á ias e elam-se necessá ias
pa a o alcance de bens e se iços de alo ac escido.
Apesa de a mo i ação ganha con o nos únicos de pessoa pa a pessoa, é
possí el o mula uma lógica de condições que sa is açam as necessidades e os índices
mo i acionais de uma o ma ge al: (1) as pessoas alo izam alências posi i as e
aliosas que a o ganização em pa a o e ece ; (2) a pe ceção de que necessi am de
alcança ní eis de desempenho ele ados pa a ob e esul ados desejados, ala anca os
es o ços despendidos pelos indi íduos; (3) expec a i as ele adas o mam a c ença que
“ele ados es o ços pe mi i ão ob e bons desempenhos”
289
.
Toda ia, quando as ecompensas não são do in e esse das pessoas, quando o
es o ço é desp opo cional em elação às capacidades pe cebidas e os esul ados ob idos
não se e es em de alo ins umen al ac escido, “a p obabilidade de a pessoa se sen i
mo i ada pa a aumen a o seu es o ço ica se iamen e diminuída quando não mesmo
neu alizada”
290
. Na p á ica, a eo ia das expec a i as suge e:
 A aliação dos sen imen os de au o-e icácia dos colabo ado es em elação
às me as açadas.
 Ges ão das expec a i as dos colabo ado es, de o ma a ga an i um
aumen o dos índices de mo i ação.
 Conside ação sob e a possibilidade de pessoas di e en es escolhe em
p émios e ecompensas à sua imagem.
286
A onso, 2010, p. 60
287
Cunha, e al., 2007, p. 171
288
Ibidem. p. 171
289
Adap ado de Cunha, op. ci . p. 171 e A onso, op. ci . p. 61
290
Cunha, op. ci . p. 171
71
 A aliação sob e o g au de ins umen alidade dos sis emas de
ecompensas, i.e., pe cebe a é que pon o as ecompensas ins i uídas
sa is azem as necessidades das pessoas
291
.
Em suma, “é possí el e i ica que a mo i ação, a pa com uma comunicação
e e i a, é basila no desen ol imen o do p ocesso de lide ança a a és da de inição de
no os obje i os, de ní eis mais ele ados de aspi ação, de no as o mas de a uação e
conce ação cole i a”
292
.
A eo ia da a aliação cogni i a, Deci
Teo ia de p ocesso o ganizacional
A eo ia da a aliação cogni i a de Edwa d Deci (1971) conside a dois
subsis emas mo i acionais: o subsis ema in ínseco e o subsis ema ex ínseco. No plano
in ínseco de mo i ações, as pessoas “a ibuem o seu compo amen o a necessidades
in e nas e es o çam-se po ob e ecompensas que lhes sa is açam as necessidades
in ínsecas”
293
. Toda ia, se a o ganização en a iza ecompensas mone á ias, os
indi íduos passam a a ibui os seus compo amen os a a o es ex ao diná ios,
esul ando num “dec éscimo da mo i ação in ínseca”
294
.
Pa a a eo ia da a aliação cogni i a, as a iá eis ex e nas “de em se ge idas
com cau ela, po que quando são pe cebidas como con olando o compo amen o
indi idual, endem a diminui a mo i ação in ínseca”
295
. Assim, as o ganizações de em
en a iza mo i ações in ínsecas pa a que a au ode e minação dos indi íduos sob essaia
no plano o ganizacional. “Os esul ados p e is os da au ode e minação são maio
c ia i idade, au oes ima e bem-es a ”
296
.
i . Os sis emas de ecompensas
291
Adap ado de Cunha, e al., 2007, p. 171
292
Jesuíno, 1996. in, A onso, 2010, p. 62
293
Cunha, op. ci . p. 171
294
Ibidem. p. 172
295
Ibidem. p. 172
296
Ibidem. p. 172
72
A mo i ação cons ói-se na lu a-lu a quo idiana da o ganização. É um p ocesso
mu á el no espaço e no empo e desen ol ido em coope ação de es o ços en e as
hie a quias o ganizacionais. As eo ias con empo âneas da mo i ação in e em a o es
em comum como a emune ação, a escalada en e unções e pa icipação a i a na
emp esa ou en iquecimen o do ca go. In a ia elmen e o que mo i a as pessoas no início
da ca ei a p o issional é o dinhei o.
Es a a iá el, inegá el na maio ia dos casos em es udo, adqui e um peso
di e en e em unção do desen ol imen o da ca ei a dos indi íduos. Pessoas mais
jo ens dão maio impo ância ao dinhei o, ao passo que pessoas mais elhas des acam
ou as a iá eis mo i acionais.
“Os sis emas de incen i os podem se baseados no mé i o ou esquemas de
bónus”. Os incen i os p opo cionam “maio es ganhos aos emp egados que mais
con ibuem pa a a o ganização”; os sis emas de bónus p emeiam as pessoas “semp e
que o desempenho é conside ado bom”
297
.
A especialização de unções e a possibilidade de escala hie a quias na
o ganização são a o es mo i acionais além do emune a i o, associados ao aumen o de
esponsabilidades e au o idade. Os líde es/ges o es “aduzem que os colabo ado es
de e iam sen i -se mo i ados po unções desa ian es – e não po maio es salá ios”
298
.
O o gulho das pessoas mani es a-se nas a e as que desempenham, pelo que a p á ica de
ideias p óp ias, ao in és de o denadas, mo i a as pessoas.
A pa icipação na iden i icação e esolução de p oblemas é uma necessidade
in ínseca das pessoas quando adqui em es a u o den o da emp esa. Toda ia, o salá io
se á semp e uma a iá el com peso conside á el, pois “não é apenas on e de sa is ação
de necessidades básicas e de segu ança. É ambém um sinal de p es ígio, um indicado
de mé i o, um meio pa a sa is aze necessidades sociais”
299
.
Quando a emune ação é descu ada, as pessoas aumen am os ní eis de iné cia
pa a com os obje i os e es a égias da o ganização. “Se os ges o es desejam mo i a as
pessoas, é necessá io que se ocalizem p imei amen e [em] aspe os ma e iais – e não
297
Cunha, e al., 2007, p. 173
298
Ibidem. p. 157
299
Ibidem. p. 157
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