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Custo de tratamento da psicose esquizofrénica num hospital do SNS e os seus determinantes

Abstract

RESUMO - Introdução: A esquizofrenia é uma perturbação mental grave e debilitante, tendencialmente de evolução prolongada, estimando-se que possa afetar cerca de 21 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal a prevalência da esquizofrenia será cerca de 48 mil doentes. Importa conhecer os custos de tratamento envolvidos de forma a permitir uma afetação mais eficiente dos recursos disponíveis. Este trabalho tem como objetivo estimar os custos diretos do tratamento da psicose esquizofrénica e os seus determinantes, e comparar com os custos obtidos noutros estudos. Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, transversal, retrospetivo tendo por base uma amostra de 380 doentes diagnosticados com psicose esquizofrénica seguidos no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho no ano de 2016. Resultados: O custo médio de tratamento por doente em 2016 foi de 844,90€. Verificou-se contudo uma grande dispersão nos custos médios por doente que variaram entre 56€ e 10.606,84€. O internamento foi a componente mais representativa do custo total (59%). As caraterísticas demográficas não foram significativamente associadas aos custos diretos de tratamento da esquizofrenia. Conclusão: O custo médio de tratamento estimado foi claramente inferior aos obtidos na revisão de literatura. Não obstante as diferentes abordagens metodológicas, as diferenças observadas nos custos médios de tratamento podem estar sobretudo relacionadas com a tipologia de cuidados prestados, sugerindo diferenças nas práticas clínicas e na diferenciação e organização dos serviços de saúde mental.

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Custo de tratamento da psicose esquizofrénica num hospital do SNS e os seus determinantes

Author: Gago, Ana Cecília do Bem
Publisher: Universidade Nova de Lisboa, Escola Nacional de Saúde Pública
Year: 2019
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/83207/3/RUN%20-%20Trabalho%20Final%20CEAH%20-%20Ana%20Cec%c3%adlia%20Gago.pdf
Ana Cecília do Bem Gago
Janei o de 2019
Cus o de a amen o da psicose esquizo énica num hospi al
do SNS e os seus de e minan es
XLV Cu so de Especialização em Adminis ação Hospi ala
T abalho de Campo ap esen ado pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à
ob enção do g au de Especialis a em Adminis ação Hospi ala ealizado sob a
o ien ação cien í ica do P o esso Dou o Julian Pe elman.
Janei o de 2019
Cus o de a amen o da psicose esquizo énica num hospi al
do SNS e os seus de e minan es
i
AGRADECIMENTOS
Ao meu o ien ado P o esso Dou o Julian Pe elman, pela disponibilidade p es ada ao
longo des e pe cu so e, sob e udo, pelo olha c í ico e pelos con ibu os igo osos e
asse i os que o am essenciais ao desen ol imen o des e abalho de campo.
Ao Conselho de Adminis ação do CHVNG/E po pe mi i a ealização des e es udo.
Em pa icula , à D a. Helga Lima e à D a. Susana Sil a Cos a do Se iço de
In o mação e Planeamen o pela disponibilização dos dados u ilizados no abalho de
campo.
À Ana Sil a, com quem pa ilhei es a e apa. A sua amizade, apoio e boa disposição
o na am es e caminho mais ácil.
Aos colegas do “ empo pa cial do cu so” pelos momen os que pa ilhámos de
cama adagem, ap endizagem e boa disposição.
Ao D . An ónio Ma iei o e à En .ª Emília P uden e com quem abalho há mui os anos e
que susci a am em mim o gos o e o in e esse pela á ea da Saúde Men al.
À minha amília, um ag adecimen o especial:
Ao Hugo, pelo apoio incondicional ao longo de mais uma e apa, po ac edi a em mim,
pelo incen i o e pela paciência nos momen os mais di íceis.
Aos nossos ilhos, Tiago e Lau a, pelos momen os em que não es i e p esen e. São o
meu pila .
Aos meus Pais, po udo o que ep esen am na minha ida, po es a em semp e
p esen es, pela ajuda incansá el com os meus ilhos pa a que eu pudesse conc e iza
mais um obje i o.
ii

iii
RESUMO
In odução: A esquizo enia é uma pe u bação men al g a e e debili an e,
endencialmen e de e olução p olongada, es imando-se que possa a e a ce ca de 21
milhões de pessoas em odo o mundo. Em Po ugal a p e alência da esquizo enia
se á ce ca de 48 mil doen es. Impo a conhece os cus os de a amen o en ol idos de
o ma a pe mi i uma a e ação mais e icien e dos ecu sos disponí eis. Es e abalho
em como obje i o es ima os cus os di e os do a amen o da psicose esquizo énica e
os seus de e minan es, e compa a com os cus os ob idos nou os es udos.
Me odologia: Realizou-se um es udo obse acional, ans e sal, e ospe i o endo
po base uma amos a de 380 doen es diagnos icados com psicose esquizo énica
seguidos no Cen o Hospi ala de Vila No a de Gaia/Espinho no ano de 2016.
Resul ados: O cus o médio de a amen o po doen e em 2016 oi de 844,90€.
Ve i icou-se con udo uma g ande dispe são nos cus os médios po doen e que
a ia am en e 56€ e 10.606,84€. O in e namen o oi a componen e mais
ep esen a i a do cus o o al (59%). As ca a e ís icas demog á icas não o am
signi ica i amen e associadas aos cus os di e os de a amen o da esquizo enia.
Conclusão: O cus o médio de a amen o es imado oi cla amen e in e io aos ob idos
na e isão de li e a u a. Não obs an e as di e en es abo dagens me odológicas, as
di e enças obse adas nos cus os médios de a amen o podem es a sob e udo
elacionadas com a ipologia de cuidados p es ados, suge indo di e enças nas p á icas
clínicas e na di e enciação e o ganização dos se iços de saúde men al.
Pala as-cha e: Saúde men al, esquizo enia, cus os di e os.
i
ABSTRACT
In oduc ion: Schizoph enia is a se ious and debili a ing men al diso de , which ends
o de elop o e a long pe iod o ime, and is es ima ed o a ec abou 21 million people
wo ldwide. In Po ugal, schizoph enia is es ima ed o a ec a ound 48.000 people.
Knowing he ea men cos s is essen ial o allow o a mo e e icien alloca ion o
a ailable esou ces. This s udy aims o es ima e he di ec ea men cos s o
schizoph enic psychosis and i s de e minan s, and compa e hem wi h hose ob ained
in he li e a u e.
METHODS: An obse a ional, c oss-sec ional, e ospec i e s udy was ca ied ou
based on a sample o 380 pa ien s diagnosed wi h schizoph enic psychosis ollowed a
he Hospi al Cen e o Vila No a de Gaia/Espinho in 2016.
Resul s: The a e age pe -pa ien ea men cos was € 844.90. The e was, howe e , a
la ge dispe sion in he a e age cos s pe pa ien , be ween € 56 and € 10,606.84. In-
pa ien ca e ep esen ed he highes sha e o o al cos s (59%). Demog aphic
cha ac e is ics we e no signi ican ly associa ed wi h he di ec ea men cos s.
Conclusion: The a e age ea men cos was subs an ially lowe han ha ob ained in
he li e a u e. No wi hs anding he di e en me hodological app oaches, hese
di e ences may be mainly ela ed o he ype o ca e, sugges ing di e ences in clinical
p ac ices and in he di e en ia ion and o ganiza ion o men al heal h se ices.
Key wo ds: Men al heal h, schizoph enia, di ec cos s.
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1
1.1. Ca ga epidemiológica e económica da Saúde Men al .................................... 1
1.2. T a amen o das pe u bações men ais g a es (se e e men al illness, SMI) e
modelos de pagamen o ............................................................................................. 2
1.3. Obje i o do es udo .......................................................................................... 4
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO ............................................................................ 5
2.1. Os cus os com o a amen o da esquizo enia ................................................ 5
2.2. O inanciamen o das pe u bações men ais g a es em Po ugal .................. 10
2.3. O modelo de pagamen o po p eço comp eensi o........................................ 13
3. OBJETIVOS ........................................................................................................ 17
4. METODOLOGIA .................................................................................................. 19
4.1. Tipo de es udo .............................................................................................. 19
4.2. População do es udo .................................................................................... 19
4.3. Recolha de dados de cus os ......................................................................... 20
5. RESULTADOS .................................................................................................... 23
6. DISCUSSÃO ....................................................................................................... 29
6.1. P incipais esul ados ..................................................................................... 29
6.2. In e p e ação dos esul ados e compa ação com a li e a u a ........................ 29
6.3. Limi ações do es udo .................................................................................... 32
7. CONCLUSÃO ..................................................................................................... 35
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 37
i
Índice de abelas
Tabela 1 – Cus os di e os e indi e os dos doen es com esquizo enia na F ança,
Espanha, Reino Unido e EUA…………………...………………………………….…..……6
Tabela 2 – Cus o di e o médio anual da esquizo enia po doen e………………......….7
Tabela 3 – Valo médio anual do a amen o de pacien es com psicoses
esquizo énicas………………………………………………………………………………..12
Tabela 4 – P og ama Pilo o de T a amen o de Doen es com Pe u bação Men al
G a e…………………………………………………………………………………………..13
Tabela 5 – Ca a e ização da amos a em es udo, po sexo……………………………..23
Tabela 6 – Ca a e ização da amos a em es udo, po g upo e á io……………….....…23
Tabela 7 – Episódios de in e namen o do ano de 2016 po ní el de se e idade…......24
Tabela 8 – Cus o médio de a amen o po ipo de cuidados p es ados em 2016……24
Tabela 9 – Cus o médio de a amen o po ipo de cuidados p es ados e g upo e á io
em 2016………………………………….….…………………………...…………...……….26
Tabela 10 – Cus o médio de a amen o do doen e po ipo de cuidados p es ados…27
Tabela 11 – Cus o médio de a amen o po sexo e esul ados do Tes e T……....…...27
Tabela 12 – Cus o médio de a amen o po g upo e á io e esul ados do Tes e
Ano a…………………………………………………………………………………….…….28
Índice de g á icos
G á ico 1 – Dis ibuição do cus o médio de a amen o…………………….………...….25
G á ico 2 – Dis ibuição dos cus os po ipo de cuidados p es ados (em %)……....….25
5
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
2.1. Os cus os com o a amen o da esquizo enia
A esquizo enia é uma pe u bação men al g a e e debili an e, endencialmen e de
e olução p olongada, que a e a ce ca de 21 milhões de pessoas em odo o mundo e
que se ca ac e iza po dis unções cogni i as e emocionais que a e am de o ma g a e
a capacidade de pensa da pessoa, a sua ida emocional e o seu compo amen o em
ge al (WHO, 2017)
Os p imei os sinais de esquizo enia su gem du an e a adolescência ou no início da
idade adul a, o que não signi ica que não possam su gi mais a de, a e ando homens
e mulhe es, sendo que nos homens os sin omas endem a su gi um pouco mais cedo.
A esquizo enia é uma doença c ónica com um o e impac o económico e social, não
somen e pa a o doen e, como pa a a amília/cuidado es e pa a a sociedade como um
odo, igu ando como a 11ª causa mais impo an e de ca ga da doença medida pelo
o al de anos i idos com incapacidade (GBD, 2015).
O a amen o des es doen es de aco do com as ecomendações o ien ado as
(guidelines) p econizam, pa a além do a amen o a macológico, as in e enções
psicossociais que incluem “as seguin es abo dagens: in e enções amilia es, e apia
cogni i o-compo amen al, eabili ação ocacional (incluindo emp ego apoiado) e
in e enções de base comuni á ia, adap adas às condições e ca a e ís icas do
espe i o sis ema de saúde” (Gago, 2012).
Os cus os associados ao a amen o de doen es com esquizo enia podem se
classi icados em duas ca ego ias: cus os di e os e indi e os. Os cus os di e os do
a amen o da esquizo enia incluem odos os cus os di e amen e elacionados com a
p es ação de cuidados de saúde (in e namen o, ambula ó io, in e enções e apêu icas
e a macológicas), enquan o os cus os indi e os es ão p incipalmen e elacionados
com a pe da de p odu i idade do doen e e do seu cuidado de ido à na u eza
incapaci an e da doença e ao seu início p ecoce.
Alguns au o es conside am ainda um e cei o g upo de cus os, de na u eza não
inancei a, elacionados com o so imen o, o es igma e a disc iminação associados à
doença que esul am na diminuição da qualidade de ida dos doen es e suas amílias.

6
Es es cus os in angí eis, di íceis de quan i ica , cons i uem uma componen e
impo an e na ca ga da doença men al.
O es udo de Tajima-Pozo e al. (2015) compa ou os cus os de a amen o dos doen es
com esquizo enia na F ança, Espanha, Reino e EUA endo concluído que os cus os
indi e os ep esen a am uma pa e igualmen e (ou mesmo mais) impo an e desse
cus o o al. Enquan o na Espanha e nos EUA os cus os di e os e indi e os são
ap oximadamen e iguais, na F ança e no Reino Unido os cus os indi e os são
supe io es aos cus os di e os ep esen ando ce ca de 63% e 73% do cus o o al
espe i amen e, como mos a a Tabela 1.
Os au o es concluí am ainda que os cus os com medicamen os não con ibuí am de
o ma signi ica i a pa a o cus o o al do a amen o, a iando en e 4% no Reino Unido
e 16,1% na F ança, podendo es es esul ados suge i di e enças impo an es no cus o
dos cuidados não a macêu icos p es ados nos países analisados, que de e ão se
in es igadas.
Tabela 1 – Cus os di e os e indi e os dos doen es com esquizo enia na F ança, Espanha, Reino
Unido e EUA
No que espei a aos cus os di e os da esquizo enia, o es udo de Ko ács e al. (2018)
e e uou uma e isão de li e a u a com o obje i o de compa a os cus os di e os de
a amen o da esquizo enia em di e en es países e, ainda, iden i ica os a o es mais
impo an es que in luenciam a a iação desses cus os.
O cus o di e o anual po doen e com esquizo enia a iou en e 533€ na Uc ânia e
13.704€ na Holanda, con o me se e i ica na Tabela 2. Os cus os de in e namen o
ep esen a am a maio componen e dos cus os di e os da esquizo enia na maio ia
dos países e os cus os com medicamen os con ibuí am pa a menos de 25% do cus o
di e o po doen e em odos os países.
País
Cus os
Di e os (CD)
Cus os
Indi e os (CI)
Cus o To al
(CT)
Peso dos
medicamen os
no CT (%)
F ança 1 581 M€ 2 214 M€ 3 534 M€ 16,1%
Espanha 1 044 M€ 926 M€ 1 970 M€ 12,8%
Reino Unido 714 M€ 1 886 M€ 2 600 M€ 4%
EUA 32 051 M$ 32 378 M$ 64 429 M$ 8%
Fon e: Tajima-Pozo e al. (2015)
7
Tabela 2 – Cus o di e o médio anual da esquizo enia po doen e
Con udo, os oi o es udos analisados mos a am g andes di e enças no cus o di e o da
esquizo enia po doen e en e os países, bem como na dis ibuição das di e en es
componen es dos cus os. O peso dos cus os de in e namen o no o al dos cus os
di e os a iou en e 27% e 92% e os cus os com medicamen os a iou en e 6% e
25%.
No conjun o dos países que cons am da Tabela 2, a Uc ânia é o único país de baixo
endimen o, sendo que es a di e ença se e le e no eduzido cus o di e o da
esquizo enia po doen e em compa ação com os cus os de a amen o dos es an es
países.
Os au o es econhece am que a compa abilidade dos esul ados ob idos é limi ada po
á ias azões deco en es não só das di e enças subs anciais nos sis emas de saúde
analisados e, po an o, na a e ação dos ecu sos aos cuidados de saúde men al, como
ambém das di e en es abo dagens me odológicas u ilizadas nos es udos pa a a
es ima i a do consumo de ecu sos ( op-down, bo om-up e economé ica) e das
di e en es pe spe i as conside adas na medição dos cus os da doença (sociedade,
sis ema de saúde e e cei os pagado es).
Ainda assim, es a e isão de li e a u a iden i icou qua o a o es que êm um impac o
signi ica i o nos cus os di e os da esquizo enia: in e namen o, g a idade dos
sin omas, idade e con inuidade do a amen o/pe sis ência.
O in e namen o ep esen ou o a o com maio impac o nos cus os di e os de
a amen o de doen es com esquizo enia. O es udo alemão ealizado po Zeidle e al.
(2012), ci ado po Ko ács e al. (2018), e i icou que o cus o anual de a amen o de
País
Cus o di e o
po doen e (€)
Cus os
in e namen o
(%)
Cus os
ambula ó io (%)
Medicamen os
(%)
Ou os cus os
di e os (%)
Holanda 13 704 € 46% 23% 7% 25%
Alemanha 12 251 € 48% 6% 14% 31%
Suécia 9 728 € 46% 37% 17% 0%
Suíça 9 507 € 66% 8% 14% 12%
F ança 7 068 € 39% 7% 16% 38%
EU27, Islândia,
No uega e Suíça
5 805 €
"-" "-" "-" "-"
I lália 4 157 € 27%
"-"25% "-"
Polónia 3 211 € 91%
"-"7% "-"
Uc ânia 533 € 92%
"-"6% "-"
Fon e: Kó acs e al. (2018).
8
um g upo de doen es in e nados oi 328% supe io compa a i amen e ao cus o do
g upo de doen es não in e nados.
Os cus os di e os de a amen o es ão igualmen e elacionados com a g a idade dos
sin omas. O es udo ealizado na Suécia po Ekman e al. (2013), e e ido nes a e isão
de li e a u a, que aplicou a escala de A aliação Global do Funcionamen o (GAF)
2
pa a
medi a g a idade dos sin omas, mos ou que o cus o de a amen o dos doen es com
sin omas g a es (pon uação GAF <50) oi 236% supe io ao cus o dos doen es com
sin omas ligei os ou ausência de sin oma ologia (pon uação GAF ≥70).
Ou o es udo alemão e i icou que a di e ença no uso excessi o de ecu sos a ibuída
à esquizo enia pa a doen es idosos (com idade supe io a 65 anos) e a 66% maio do
que o cus o exceden e a ibuído à esquizo enia na população em ge al (F ey (2014),
ci ado po Ko ács e al. (2018)).
A ecaída em esquizo enia, di e amen e elacionada com a não adesão à e apêu ica
an ipsicó ica, é um dos a o es mais one osos nos cus os de a amen o des es
doen es. De aco do com Almond e al. (2004), es ima-se que os cus os com os
doen es que ecaem sejam qua o ezes supe io es quando compa ados aos cus os
daqueles que não ap esen am ecaídas. Um es udo ealizado na Holanda e i icou
que a adesão à e apêu ica a macológica es á associada a e en os de a amen o
menos agudos e a uma edução dos cus os de a amen o dos doen es com
esquizo enia, es imando que a poupança de cus o anual po doen e possa a ia
en e 32% e 43% (Van de Lee e al. (2016), ci ado po Ko ács e al. (2018)).
O es udo de Laidi e al. (2018) e e como obje i o es ima o cus o di e o de a amen o
de doen es com esquizo enia na F ança e iden i ica os a o es associados a esse
cus o. O es udo incluiu doen es com mais de 16 anos com diagnós ico de
esquizo enia admi idos em no e cen os especializados de F ança, conside ando os
cus os elacionados com in e namen o ( empo in eg al e pa cial), consul as e
medicamen os. Incluiu ainda ês ca ego ias de a o es po encialmen e associados aos
cus os di e os de a amen o: ca a e ís icas demog á icas (idade e sexo),
socioeconómicas (es ado ci il, ní el educacional e si uação p o issional) e clínicas
(g a idade dos sin omas, idade de início da doença e como bilidades).
O es udo es imou um cus o di e o médio (mediano) po doen e de 14.995€ (3.445€),
obse ando uma g ande a iabilidade do cus o médio anual que oscilou en e 991€ e
2
A escala de A aliação Global do Funcionamen o (GAF) p opo ciona um mé odo de classi icação
numé ica do g au de uncionamen o psicológico, social e ocupacional do indi íduo. É uma escala bas an e
u ilizada pa a as ea o p og esso clínico dos doen es em e mos globais, a a és da a ibuição de uma
medida única, que pode a ia de 0 a 100.
9
126.355€. O in e namen o a empo in eg al oi a componen e mais signi ica i a do
cus o o al (55,48%), seguida do in e namen o a empo pa cial (29,33%) e dos
medicamen os (8,65%). Um maio comp ome imen o uncional do doen e (a aliado
com a escala GAF), es a sol ei o e um ní el educacional in e io o am a o es
signi ica i amen e associados a cus os mais ele ados de cuidados de saúde. Pelo
con á io, as ca a e ís icas demog á icas e a si uação p o issional não o am
signi ica i amen e associadas aos cus os di e os de a amen o da esquizo enia.
Além disso, os au o es encon a am uma associação es a is icamen e signi ica i a
en e o cen o especializado e o cus o di e o de a amen o da esquizo enia,
des acando-se uma a iabilidade dos cus os dependen e do modelo de
acompanhamen o e apêu ico.
Os au o es conside a am que apesa do eduzido amanho da amos a, ao con á io
da maio ia dos es udos que são ealizados com base em bancos de dados
adminis a i os, a população des e es udo oi de inida com base em c i é ios de
diagnós ico pad onizados, após en e is as com a aliado es especializados, o que
maximiza a sua homogeneidade.
A iden i icação dos a o es associados aos cus os de a amen o dos doen es com
esquizo enia pe mi e delinea es a égias pa a melho a a qualidade de ida dos
doen es e eduzi o ecu so à hospi alização, com uma diminuição nos cus os dos
cuidados de saúde.
Em Po ugal, exis em poucos dados sob e os cus os da esquizo enia. Con udo,
impo a e e i os es udos ecen es de Gou eia e al. (2017) e, na secção seguin e, de
Pe elman e al. (2017).
O es udo ealizado po Gou eia e al. (2017) es imou que o cus o o al da
esquizo enia em 2015 oi de 436,3 milhões de eu os, sendo que os cus os di e os -
in e namen o, consul as, hospi al de dia, isi as domiciliá ias, eabili ação, u gências,
e apêu ica a macológica e anspo e – da esquizo enia o am de 96,1 milhões de
eu os (0,6% de odas as despesas de saúde em 2015). A es es ac escem os cus os
indi e os (absen eísmo, não pa icipação no me cado de abalho e p odu i idade
eduzida) no alo de 331 milhões de eu os e os cus os indi e os dos cuidado es no
alo de 9,3 milhões de eu os, o que pe az um o al de cus os indi e os de 340,3
milhões de eu os.
Segundo os au o es, “es e esul ado é mui o di e en e do habi ualmen e es imado pa a
ou as doenças, já que os cus os indi e os ep esen am 78% dos cus os o ais. Nou as
doenças, o alo dos cus os indi e os é quase semp e mino i á io” (2017: 9).
10
Em es udo u ilizou a me odologia op-down endo es imado a p opo ção dos cus os
globais especi icamen e associada aos doen es com esquizo enia. Tendo calculado
um o al de cus os di e os associados à esquizo enia de €96,1 milhões e uma
es ima i a de 40.142 doen es em seguimen o (no se o público e p i ado) é possí el
es ima -se um cus o di e o médio po doen e de 2.393€.
2.2. O inanciamen o das pe u bações men ais g a es em Po ugal
Na de inição do PNSM 2007-2016 o am iden i icados á ios cons angimen os no
sis ema de saúde men al, nomeadamen e: p oblemas de acessibilidade aos cuidados
especializados, assime ias geog á icas na dis ibuição de ecu sos inancei os e
humanos, eduzido desen ol imen o de se iços na comunidade, escasso núme o de
p o issionais não médicos, qualidade dos se iços abaixo do azoá el e inanciamen o
global insu icien e (Palha, 2016).
Nes e con ex o, o PNSM econheceu a necessidade de in oduzi mudanças
signi ica i as no modelo de ges ão e inanciamen o dos se iços de saúde men al
endo em con a as especi icidades dos cuidados de saúde men al, não sendo
adequado man e um modelo de inanciamen o assen e exclusi amen e nas linhas de
p odução hospi ala (in e namen o, consul as, hospi al de dia e u gências) e que não
e le e as a i idades e e i amen e desen ol idas pelos p o issionais dos se iços de
saúde men al.
Não obs an e os sucessi os p ocessos de a aliação in e nos e ex e nos, as
expec a i as do PNSM ica am longe de se alcançadas, pe sis indo os obs áculos à
sua implemen ação con o me e e e o Rela ó io da A aliação do PNSM publicado em
2017 (Comissão Técnica de Acompanhamen o da Re o ma da Saúde Men al, 2017).
Passados dez anos desde o início da implemen ação do PNSM, o modelo de
pagamen o dos se iços de saúde men al man e e-se inal e ado, excessi amen e
cen ado na a i idade médica, incen i ando o olume de se iços e a agmen ação de
cuidados, e di icul ando a p omoção de um sis ema in eg ado de cuidados com base
na comunidade.
A es e espei o, o Rela ó io da A aliação do PNSM e o ça a impo ância de ês
ins umen os undamen ais no sucesso das polí icas de saúde men al: “uma
in aes u u a de in o mação e icaz e ab angen e de ecolha, análise e medição de
inpu s e esul ados, inanciamen o ajus ado à ca ga global de doença e um modelo de

11
pagamen o que incen i e as melho es p á icas de p omoção e a amen o em saúde
men al”.
O ela ó io “Pagamen os Ino ado es pa a o Sis ema de Saúde Men al Po uguês”
publicado em 2017, assumindo que os modelos de pagamen o podem incen i a
inancei amen e as melho es p á icas clínicas, p opõe um modelo al e na i o de
pagamen o dos p es ado es de cuidados de saúde men al em Po ugal, que oi
desen ol ido em qua o á eas de a uação conside adas p io i á ias: a p e enção das
pe u bações men ais no início da ida; a de eção das pe u bações na in ância e na
adolescência; o desen ol imen o de um modelo colabo a i o aseado pa a a
dep essão; e, o pagamen o in eg ado po pacien e, baseado no alo , pa a
pe u bações men ais g a es (Pe elman e al., 2017).
No que espei a ao a amen o de pe u bações men ais g a es
3
suge e um
pagamen o in eg ado anual po doen e que pe mi a a cobe u a de odos os se iços
p es ados elacionados com saúde men al (consul as, in e namen os, MCDT, hospi al
de dia, medicação adminis ada no hospi al e u gências psiquiá icas), ou seja, um
pagamen o pelo a amen o comple o do doen e e não pelos se iços especí icos que
lhe são p es ados.
Es e p og ama p essupõe como equisi os a exis ência de equipas de saúde men al na
comunidade e de p o ocolos com os cuidados de saúde p imá ios, cuidados
con inuados, au a quias e se iços sociais.
Es e es udo pe mi iu es ima o cus o global dos cuidados p es ados no âmbi o do
a amen o de doen es com pe u bações men ais g a es, nomeadamen e nas
psicoses esquizo énicas, endo po base os egis os clínicos dos doen es adul os (18
anos ou mais) com diagnós icos de pe u bações men ais g a es seguidos pelas
equipas de saúde men al do Cen o Hospi ala de Lisboa Ociden al (CHLO), Cen o
Hospi ala Psiquiá ico de Lisboa (CHPL) e Cen o Hospi ala de São João (CHSJ), no
Po o, e a ados en e 1 de se emb o de 2014 e 31 de agos o de 2015.
Os au o es op a am po ajus a os cus os de a amen o das pe u bações men ais
g a es em unção da idade e da ase de a amen o em que o doen e se encon a
( ase inicial do a amen o se o doen e es á a se seguido pelo hospi al há menos de 3
anos; caso con á io, assumi am que o doen e já es á em ase de seguimen o).
3
No que espei a às pe u bações men ais g a es, o es udo selecionou com o auxílio de especialis as os
seguin es códigos de diagnós icos classi icados de aco do com a Classi icação In e nacional de Doenças
ICD-9-CM: pe u bações men ais induzidas po d oga (292), psicoses esquizo énicas (295), psicoses
a e i as (296), psicoses deli an es (297) e psicoses não o gânicas (298).
12
No caso das psicoses esquizo énicas, o e e ido ela ó io p opõe os seguin es
pagamen os anuais po doen e em unção da espe i a ase de a amen o e da aixa
e á ia do doen e:
Tabela 3 – Valo médio anual do a amen o de pacien es com psicoses esquizo énicas
(código ICD-9-CM: 295)
Os esul ados des e ela ó io mos a am que no conjun o das pe u bações men ais
g a es, as psicoses esquizo énicas ep esen a am uma das pa ologias mais ca as.
Pa a um doen e a quem seja diagnos icado uma esquizo enia, o cus o pode a ia
en e 2.330€ e 3.782€ consoan e a sua idade e a ase de a amen o. É ainda possí el
e i ica que o cus o médio anual aumen a com a idade e que o cus o de a amen o
da esquizo enia é maio numa ase inicial do a amen o.
Es e es udo e i icou que as a iações de cus o en e ases de a amen o e classes
e á ias den o da mesma ca ego ia de diagnós ico e elam a impo ância des es
a o es na de e minação do cus o das pe u bações men ais g a es, pelo que suge em
a sua conside ação no inanciamen o do sis ema de saúde men al.
Em 2018 no âmbi o do p ocesso de con a ualização de cuidados do SNS oi
implemen ado um p og ama pilo o de a amen o de doen es com pe u bação men al
g a e em cinco ins i uições pilo o
4
, que de ine um p eço anual po doen e a ado que
engloba o in e namen o, consul as e MCDT (incluindo a comunidade), e medicamen os
in ínsecos ao a amen o de doen es em consul a e/ou hospi al de dia (ACSS, 2017).
Es e p og ama, que se man ém em 2019, inclui psicoses esquizo énicas, psicoses
a e i as e psicoses não o gânicas de aco do com a codi icação ICD-10, excluindo
doen es esiden es (ou seja, doen es com um empo de in e namen o supe io a 6
meses), con emplando os seguin es p eços:
4
As cinco ins i uições pilo o são: Hospi al de Magalhães Lemos EPE, Cen o Hospi ala Lisboa Ociden al EPE, Cen o
Hospi ala e Uni e si á io de Coimb a EPE, Cen o Hospi ala de S. João EPE e Hospi al do Espí i o San o de É o a
EPE.
Fase incial de
a amen o
Fase de
seguimen o
18-44 3 782 € 3 511 €
45-64 2 330 € 2 496 €
>64 2 774 € 2 695 €
Fon e: Pe elman e al. (2017)
Valo médio anual (€)
Faixa e á ia
13
Tabela 4 – P og ama Pilo o de T a amen o de Doen es com Pe u bação Men al G a e
Es e p og ama de inanciamen o p opõe um pagamen o p ospe i o ixo pelo
a amen o anual des es doen es. Des e modo, a ins i uição i á ecebe o alo anual
de 1.519€ pa a a a o doen e a quem seja diagnos icado uma esquizo enia. O alo
p opos o é cla amen e in e io ao cus o es imado de a amen o das psicoses
esquizo énicas e e ido no ela ó io “Pagamen os Ino ado es pa a o Sis ema de
Saúde Men al Po uguês”.
Impo a salien a que se desconhece a me odologia de apu amen o do alo p opos o
e que es e p og ama de inanciamen o não con empla o seu ajus amen o em unção
de pa âme os associados à a iação no cus o do a amen o da esquizo enia ais
como a idade, a g a idade dos sin omas e a ase de a amen o.
2.3. O modelo de pagamen o po p eço comp eensi o
A sus en abilidade inancei a do sis ema de saúde impõe a in odução de no os
modelos de pagamen o e de incen i os aos p es ado es de cuidados baseados nos
esul ados em saúde, con a iando a lógica do a ual modelo de cuidados. Tal
co esponde a uma mudança de um sis ema agmen ado e ela i o a episódios
isolados de doença pa a um modelo in eg ado de cuidados numa cadeia de alo
o ien ada pa a o doen e (Al es e al., 2016).
No a ual modelo de inanciamen o, os p es ado es são incen i ados a aumen a o
olume de a os a p oduzi , sem inc emen a necessa iamen e o alo que ac escen am
(Dias, 2015). Ac escen a alo é al e a o oco do olume pa a os esul ados em
saúde (San os, 2014).
T a amen o de Pe u bação Men al G a e P eço (€)
Psicoses esquizo énicas (Doen e Eq. Ano) 1 519 €
Psicoses a e i as (Doen e Eq. Ano) 1 035 €
Psicoses não o gânicas (Doen e Eq. Ano) 799 €
Fon e: ACSS (2017)
14
O inanciamen o a ual dos hospi ais no SNS baseia-se essencialmen e no modelo de
pagamen o ao a o ou po episódio, que eembolsa os p es ado es de aco do com os
di e en es se iços que p es am (consul as, in e namen o, hospi al de dia e u gências),
incen i ando a mul iplicação de a os médicos, e en ualmen e desnecessá ios, e
conduzindo “a uma agmen ação dos cuidados que não é bené ica pa a uma ges ão
equilib ada e e icaz de doenças c ónicas” (Pe elman e al., 2017: 47).
Não obs an e, Po ugal em dado passos signi ica i os no sen ido de in oduzi de
o ma complemen a um modelo de pagamen o po p eço comp eensi o aplicado a
algumas doenças como o VIH, escle ose múl ipla, doenças lisossomais de sob eca ga,
canc o colo e al, canc o da mama e canc o do colo do ú e o.
O inanciamen o do a amen o dos doen es com pe u bações men ais g a es, como
e e ido an e io men e, começou em 2018 a da os p imei os passos com is a ao
pagamen o po p eço comp eensi o, abandonando assim o pagamen o po
a o/episódio, com o in ui o de a o ece as melho es p á icas em saúde men al,
p omo endo a a iculação en e os di e en es ní eis de p es ação de cuidados,
incluindo na comunidade, e incen i ando a in eg ação dos cuidados de saúde men al
(ACSS, 2017).
O pagamen o po p eço comp eensi o (bundled paymen ) co esponde assim à
a ibuição de um alo médio po doen e, pa a um de e minado pe íodo de empo, que
engloba o conjun o de a os clínicos, medicamen os e ou as a i idades conside adas
essenciais pa a uma adequada p es ação de cuidados no âmbi o de um de e minado
ipo de p ocedimen o ou a amen o (Esco al e al. 2010).
São á ias as an agens apon adas na li e a u a a es e modelo de pagamen o (Al es
e al., 2016; Pe elman e al., 2017):
 Incen i a o p es ado a ge i de o ma e icien e os cuidados p es ados, e i ando
o excesso de a os médicos como consul as ou exames, de o ma a não
ul apassa o alo do pagamen o po doen e, p omo endo assim uma possí el
diminuição dos cus os;
 Pe mi e uma maio lexibilidade pa a o p es ado que é incen i ado a op a pela
combinação de se iços que p opo ciona melho es esul ados ao cus o mais
baixo;
 Fa o ece a in eg ação dos cuidados de saúde uma ez que o conjun o dos
p es ado es in e enien es no a amen o ecebe um único pagamen o, que é
dis ibuído po cada um deles;
21
De e e i que em 2016 o Se iço de Psiquia ia do CHVNG/E não ealiza a consul as
de psiquia ia na comunidade, se iço domiciliá io e u gência (que unciona no Cen o
Hospi ala do São João, E.P.E.), pelo que não o am incluídas no es udo es as linhas
de a i idade.
Na alo ização dos ecu sos (in e namen o, consul a e MCDT e e en es à consul a e
ao hospi al de dia), u iliza am-se os p eços de inidos na Po a ia n.º 234/2015 de 7 de
agos o, em igo no pe íodo em obse ação, que ap o a o egulamen o e as abelas
de p eços das ins i uições e se iços in eg ados no SNS. Os episódios excecionais de
in e namen o (de cu a du ação e de e olução p olongada) o am calculados de aco do
com o dispos o no a igo 6.º da e e ida Po a ia.
No caso da medicação adminis ada em hospi al de dia, como não es a a impu ada ao
doen e, o am iden i icados os medicamen os consumidos com indicação e apêu ica
exclusi a pa a o a amen o da esquizo enia. Os p eços des a medicação o am
o necidos pelo p óp io hospi al.
Pa a além dos dados elacionados com os ecu sos, o am ainda ecolhidas a iá eis
demog á icas dos doen es, nomeadamen e a idade e o sexo.
Com o in ui o de a alia a associação en e as ca a e ís icas demog á icas e o cus o
do a amen o o am ealizados dois es es es a ís icos, ambos com ní el de
signi icância de 5%. O p imei o, es e T, oi aplicado na compa ação en e doen es do
sexo masculino e do sexo eminino. O segundo, es e Ano a, oi aplicado en e ês
g upos e á ios:18-44, 45-64 e mais de 65 anos.

22
23
5. RESULTADOS
A amos a em es udo ap esen ou uma maio p e alência de doen es do sexo
masculino (65%) e a média de idades oi de 47 anos (Tabela 5). Os 380 doen es
diagnos icados com psicose esquizo énica seguidos no CHVNG/E no ano de 2016
ealiza am em média 5,5 consul as e 9,3 sessões de hospi al de dia. Em e mos de
in e namen o, a demo a média oi de 28 dias.
De salien a que os doen es do sexo masculino consumi am em média mais consul as
(+1,2), sessões de hospi al de dia (+4,3) e dias de in e namen o (+1,4) que os doen es
do sexo eminino.
Tabela 5 – Ca a e ização da amos a em es udo, po sexo
Analisando a amos a em es udo po g upos e á ios (Tabela 6), e i icou-se uma maio
p e alência de doen es com idades comp eendidas en e os 18 e os 44 anos (47%),
seguindo-se o g upo e á io dos 45 aos 64 anos (43%). Os doen es com idade acima
dos 64 anos ep esen a am 10% da amos a.
Tabela 6 – Ca a e ização da amos a em es udo, po g upo e á io
A média de idades nos g upos e á ios dos doen es en e 18-44 anos e 45-64 anos oi
36 e 53 anos, espe i amen e. De salien a que no g upo e á io dos doen es idosos
(mais de 65 anos), a média de idades oi de 69 anos.
24
Os doen es mais jo ens com idades comp eendidas en e os 18 e os 44 anos o am os
que consumi am mais ecu sos, uma média anual de 5,9 consul as, 10,2 sessões de
hospi al de dia e 1,2 episódios de in e namen o com uma demo a média de 22,5 dias.
Con udo, impo a salien a que os episódios de in e namen o com ní el de se e idade
3 (“majo ”) es i e am associados ao g upo dos doen es idosos (mais de 65 anos).
No que se e e e ao in e namen o do Se iço de Psiquia ia do CHVNG/E, o GDH 750
- «Esquizo enia» oi o segundo mais equen e no ano de 2016 com 61 episódios,
apenas ul apassado pelo GDH 754 - «Dep essão excep o pe u bações dep essi as
majo » (79 episódios).
A Tabela 7 mos a a dis ibuição dos episódios de in e namen o da amos a em es udo
po ní eis de se e idade.
Tabela 7 – Episódios de in e namen o do ano de 2016 po ní el de se e idade
Dos 61 episódios de in e namen o, 40 concen a am-se no ní el de se e idade 1
(66%), com um empo médio de in e namen o de 22,9 dias. A demo a média mais
ele ada e i icou-se no ní el de se e idade 2 com 39,2 dias. Apenas 2 episódios de
in e namen o o am associados ao ní el de se e idade 3 com uma demo a média de
24 dias e não hou e qualque episódio com ní el de se e idade 4.
No que espei a aos cus os de a amen o da psicose esquizo énica, es imou-se um
cus o di e o médio po doen e de 844,90€ con o me mos a a abela seguin e:
Tabela 8 – Cus o médio de a amen o po ipo de cuidados p es ados em 2016
25
De salien a que se e i icou uma g ande dispe são nos cus os po doen e que
a ia am en e 56€ e 10.606,84€ (des io pad ão de 1.357€), con o me mos a o
G á ico 1. O doen e com meno cus o de a amen o e e duas consul as e o doen e
mais dispendioso e e 6 consul as e 3 episódios de in e namen o com ní el de
se e idade 2.
G á ico 1 – Dis ibuição do cus o médio de a amen o
Analisando-se a dis ibuição dos cus os di e os de a amen o da psicose
esquizo énica po ipo de cuidados p es ados, con o me mos a o G á ico 2, e i icou-
se que o in e namen o ep esen ou a componen e mais signi ica i a do cus o o al
(59%), seguindo-se a consul a (23%) e o hospi al de dia (18%).
G á ico 2 – Dis ibuição dos cus os po ipo de cuidados p es ados (em %)
0,00 €
2 000,00 €
4 000,00 €
6 000,00 €
8 000,00 €
10 000,00 €
12 000,00 €
050 100 150 200 250 300 350 400
59%
23%
18%
In e namen o Consul a Hospi al de Dia
26
A abela seguin e disc imina os cus os di e os de a amen o de alhados po ipo de
cuidados p es ados (in e namen o, consul a e hospi al de dia):
Tabela 9 – Cus o médio de a amen o do doen e po ipo de cuidados p es ados
Da análise da abela impo a salien a o seguin e:
 No in e namen o, os doen es codi icados com ní el de se e idade 1
ep esen a am 57% do cus o o al de in e namen o;
 Na consul a, os MCDT ealizados ep esen a am 16% do seu cus o o al;
 No hospi al de dia, os MCDT ep esen a am o maio peso (78%), ainda assim a
medicação adminis ada oi esponsá el po 22% do cus o o al do hospi al de
dia.
Os doen es mais jo ens (18-44 anos) o am os que consumi am mais ecu sos de
saúde em e mos quan i a i os, con o me e e ido an e io men e (Tabela 6). Con udo,
quando alo izados e i icou-se que o cus o médio do g upo dos doen es idosos (mais
de 65 anos) oi o mais ele ado, con o me mos a a abela seguin e:
In e namen o - GDH 750 N.º P eço
Cus o To al
(CT)
Peso no
CT (%)
Ní el se e idade 1 40 2 858,08 € 107 178,05 € 57%
Ní el se e idade 2 19 3 391,40 € 68 297,04 € 36%
Ní el se e idade 3 2 6 749,43 € 13 498,86 € 7%
Cus o o al do in e namen o 61 188 973,95 € 100%
Cus o médio po doen e 497,30 €
Consul a N.º P eço
Cus o To al
(CT)
Peso no
CT (%)
Médica 1722 31,00 € 53 382,00 € 73%
Sem p esença u en e 269 25,00 € 6 725,00 € 9%
En e magem/Psicologia 85 16,00 € 1 360,00 € 2%
2076 61 467,00 € 84%
MCDTs (análises e exames) 11 497,78 € 16%
Cus o o al das consul as 2076 72 964,78 € 100%
Cus o médio po doen e 192,01 €
Hospi al de Dia N.º P eço
Cus o To al
(CT)
Peso no
CT (%)
MCDTs (análises e exames) 46 047,96 € 78%
Medicação 13 075,92 € 22%
Cus o o al do hospi al de dia 59 123,88 € 100%
Cus o médio po doen e 155,59 €
Cus o o al de a amen o 321 062,61 €
Cus o médio po doen e 844,90 €

27
Tabela 10 – Cus o médio de a amen o po ipo de cuidados p es ados e g upo e á io em 2016
O cus o médio da consul a e do hospi al de dia oi supe io no g upo dos doen es mais
jo ens (18-44 anos). Con udo, no in e namen o, que ep esen a a componen e mais
signi ica i a do cus o o al, o cus o médio oi mais ele ado no g upo dos doen es
idosos (mais de 65 anos), o que e le e os cus os dos episódios de in e namen o com
ní el de se e idade 3.
As associações en e os cus os médios de a amen o da esquizo enia e os
pa âme os po encialmen e associados (sexo e idade) o am es udadas usando os
es es es a ís icos T e Ano a. Os esul ados des a análise são apesen ados nas
abelas seguin es.
Tabela 11 – Cus o médio de a amen o po sexo e esul ados do Tes e T
Da análise da Tabela 11, e i icou-se que o cus o médio de a a doen es do sexo
eminino oi supe io ao cus o médio dos doen es do sexo masculino. Con udo,
aplicado o es e T com um ní el de signi icância de 5% ob e e-se um p- alue de 0,36,
o que pe mi iu conclui que não exis e di e ença signi ica i a en e o cus o médio de
a amen o dos doen es do sexo masculino e do sexo eminino.
28
Tabela 12 – Cus o médio de a amen o po g upo e á io e esul ados do Tes e Ano a
Da análise da Tabela 12, cons a ou-se que o cus o médio de a amen o aumen ou
com a idade, sendo que apenas no g upo e á io acima dos 64 anos o cus o médio po
doen e excedeu em 13,5% o cus o médio da amos a (844,90€). Ainda assim, aplicado
o es e Ano a com um ní el de signi icância de 5% ob e e-se um p- alue de 0,86, o
que pe mi iu conclui que não exis em di e enças signi ica i as en e os cus os médios
de a amen o dos di e en es g upos e á ios.
29
6. DISCUSSÃO
6.1. P incipais esul ados
Es e es udo p ocu ou es ima o cus o di e o de a amen o dos doen es com psicose
esquizo énica endo po base uma amos a de 380 doen es seguidos no CHVNG/E
du an e o ano de 2016. A me odologia u ilizada pe mi iu alo iza as p incipais
ipologias de cus o (in e namen o, consul a e hospi al de dia) e o seu peso sob e o
cus o o al de a amen o.
Do es udo ealizado salien am-se os p incipais esul ados:
 O cus o médio de a amen o po doen e em 2016 oi de 844,90€;
 Ve i icou-se uma g ande dispe são nos cus os médios po doen e que a ia am
en e 56€ e 10.606,84€;
 O in e namen o oi a componen e de cuidados mais ep esen a i a do cus o o al
de a amen o (59%);
 As ca a e ís icas demog á icas não o am signi ica i amen e associadas aos
cus os di e os de a amen o da esquizo enia.
6.2. In e p e ação dos esul ados e compa ação com a li e a u a
O cus o médio de a amen o ob ido nes e es udo oi in e io aos esul ados dos
es udos po ugueses de Pe elman e al. (2017) e Gou eia e al. (2017) que es ima am
um cus o anual po doen e de 1.577€ e 2.393€, espe i amen e.
Não obs an e as di e enças me odológicas dos á ios es udos pode em in luencia os
esul ados ob idos e a sua compa abilidade, impo a e e i que os au o es Pe elman e
al. (2017) e Gou eia e al. (2017) incluí am nas suas es ima i as linhas de a i idade
que no caso do CHVNG/E não se aplica am ais como a u gência psiquiá ica,
consul as de psiquia ia na comunidade e se iço domiciliá io, o que necessa iamen e
implicou uma maio u ilização de ecu sos de saúde logo um aumen o nos cus os de
a amen o ob idos.
30
A al a de adesão ao a amen o é bas an e comum na esquizo enia. Nes as
si uações, a p esc ição do an ipsicó ico inje á el e ela-se uma e apêu ica al e na i a
aos an ipsicó icos o ais uma ez que em um e ei o de longa ação, pe mi indo
minimiza as consequências da não adesão à e apêu ica o al.
Em 2016, o CHVNG/E adminis a a em hospi al de dia os chamados an ipsicó icos
inje á eis de p imei a ge ação (decanoa o de halope idol). Con udo, há hospi ais que
cedem g a ui amen e os an ipsicó icos inje á eis de segunda ge ação (palipe idona),
uma classe mais mode na de an ipsicó icos que possuem menos e ei os cola e ais,
mas que são signi ica i amen e mais ca os. A escolha da e apêu ica a macológica
em ob iamen e implicações nos cus os e o ac o do CHVNG/E e op ado pelos
an ipsicó icos inje á eis de p imei a ge ação con ibuiu ambém pa a o baixo cus o de
a amen o ob ido.
Es as di e enças e i icadas ao ní el dos cus os médios de a amen o podem esul a
não de ques ões de e iciência, mas sob e udo de di e en es p á icas clínicas. Po isso,
a medição de cus os de e necessa iamen e se acompanhada pela medição de
esul ados, de modo a iden i ica as “p á icas clínicas com maio alo pa a os doen es,
nomeadamen e a con inuidade e in eg ação de cuidados p es ados em ambula ó io ou
o en ol imen o de ou os p es ado es de cuidados” (Al es e al., 2016).
Compa ando o cus o médio de a amen o da psicose esquizo énica do CHVNG/E
com os esul ados de um es udo in e nacional ecen e (Ko ács e al., 2018), e i ica-se
que o cus o ob ido é mui o in e io ao do país onde cus o é meno (Polónia). Es a
a iação nos cus os de a amen o pode es a mais uma ez elacionada com a não
inclusão de uma sé ie de cuidados ( ais como in e enções comuni á ias, psicossociais
e a macológicas).
Ou a azão pode á p ende -se com o sub inanciamen o da saúde men al em Po ugal.
U iliza am-se como cus os uni á ios das consul as e in e namen o os p eços pagos
pelo SNS, que se supõe es a em mui o sub alo izados, esul ando em cus os de
a amen o in e io es quando compa ados com ou os países. Mais uma ez, o na-se
undamen al compa a a qualidade dos cuidados p es ados com a dos ou os países.
Iden i icou-se ainda uma dispe são signi ica i a no cus o médio de a amen o dos
doen es com esquizo enia que pode á es a associada à a iação no consumo de
cuidados de saúde des es doen es e, consequen emen e, nos cus os desses
cuidados. As combinações de cuidados p es ados aos doen es da amos a em es udo
são mui o he e ogéneas. Hou e doen es que apenas es i e am in e nados, ou os po
exemplo i e am simul aneamen e episódios de consul a, hospi al de dia e
37
8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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