Resumo
A ins i ucionalização de ini i a da Secção de Escul u a do Museu Nacional de A e
An iga de e-se ao conse ado Sé gio Guima ães And ade (1946-1999). Num encon-
o sin é ico en e os concei os pessoais do o ício de museólogo e de objec o museo-
lógico, os do en endimen o da a e da escul u a e as g andes ans o mações da
colecção p o ocadas pela inco po ação da Colecção E nes o Vilhena, ge iu a Secção
de Escul u a e p oduziu a p imei a exposição pe manen e de Escul u a Po uguesa
do MNAA, inaugu ada em 1994, ambém legí el como his ó ia da imaginá ia escul-
pida em Po ugal en e o século XIV e o início do século XIX. •
Abs ac
The de ini i e es ablishmen o he Sculp u e sec ion in he Museu Nacional de
A e An iga is he esul o he e o s a emp ed by he cu a o Sé gio Guima ães
And ade (1946-1999). In a syn he ic assembly be ween his pe sonal concep s o
museum cu a o ship and museological objec , he unde s anding o he a o sculp-
u e and he main changes occu ed upon he in eg a ion o he Collec ion o E nes o
Vilhena, he conduc ed he Sculp u e Depa men and p oduced he i s pe manen
exhibi ion o he Po uguese Sculp u e in MNAA, inaugu a ed in 1994, also consis-
en as a sculp ed image his o y in Po ugal be ween he 14 h and he beginning o
he 19 h cen u ies. •
pala as-cha e
Museologia
Museu Nacional de A e An iga
Colecção de Escul u a
Conse ado
Colecção E nes o Vilhena
key-wo ds
Museology
Museu Nacional de A e An iga
Sculp u e collec ion
Cu a o
E nes o Vilhena’s collec ion
O Museu Nacional de A e An iga (MNAA) i eu a paula ina especialização das p á-
icas e dos sabe es museológicos na senda do pensamen o de João Cou o. Du an e
a sua di ecção (1938-1962) desenhou-se pela p imei a ez a ilogia uncional Colec-
ção-Secção-Exposição2. Pos e io men e, no início da década de 1970, es e p o-
cesso eio a e como co olá io a ixação e a es abilidade de um sis ema de
o ganização dos se iços in e nos em Secções que co espondiam às di e en es
Colecções; is o é, um conjun o de objec os da mesma ca ego ia a ís ica e a da es-
ponsabilidade cien í ica de um conse ado . É nes a conjun u a que o quad o de p o-
issionais in eg a á uma no a ge ação que ma cou a his ó ia ecen e do Museu e que
se á,
g osso modo
, a esponsá el pelas eno ações exposi i as da década de 1990.
Com odas as suas di e enças, é undamen al econhece nes a ge ação de museó-
logos a impo ância do concei o de "in e p e ação" e a majo ação do concei o de
objec o museológico a pa i dos quais se pode começa a aça a exis ência de uma
cul u a isual/museológica p óp ia do MNAA da segunda me ade do século XX, cuja
on e se pode ecupe a dos p ocessos he dados da pa icula sensibilidade de João
Cou o e depois amadu ecidos na ap endizagem com Ma ia José de Mendonça e
Madalena Cab al3.
A i alidade e a ins i ucionalização de ini i a da Secção de Escul u a de em-se a Sé -
gio Guima ães And ade (1946-1999) que, num encon o eliz e sin é ico en e os
concei os pessoais do o ício de museólogo, os do en endimen o da a e da escul u a
e as g andes ans o mações da colecção, p oduziu a p imei a exposição pe ma-
nen e de Escul u a Po uguesa do MNAA, inaugu ada em 1994 e que, nas suas linhas
SÉRGIO GUIMARÃES DE
ANDRADE, O CONSERVADOR
E A SUA COLECÇÃO.
A IMAGINÁRIA COMO CONCEITO1
MARIA JOÃO VILHENA DE CARVALHO
Ins i u o de His ó ia da A e FCSH/UNL,
linha de Museum S udies
Bolsei a de Dou o amen o da FCT
(SFRH/BD/40853/2007)
1A p imei a e são des e ex o oi ap esen ada
publicamen e na con e ência in eg ada na home-
nagem
In Memo iam Sé gio Guima ães And ade
.
Lisboa, Museu Nacional de A e An iga, 8 de Ja-
nei o de 2010.
2A e lexão sob e a expog a ia da Escul u a p o-
mo ida no âmbi o dos es ágios, como no con ex-
o de ac i idades de in es igação, é exempla e
sin omá ica da no a linha concep ual in oduzida e
do es ímulo à p o issionalização que e a desejá el
na ac i idade e nas unções do Conse ado , na es-
ei a da ida do Museu Nacional de A e An iga en-
quan o
Museu No mal
. Assim su gem, desde 1945,
os abalhos de Sal ado Ba a a Feyo (1948,
O ga-
nização de uma Gale ia de Escul u a num Museu
do Tipo das Janelas Ve des
), Ma ia José de Men-
donça, Manuel Bom (1955-1956,
E olução da Es-
cul u a em Po ugal analisada a a és da colecção
do Museu Nacional de A e An iga
), Bela mina Ri-
bei o (1959, "A Escul u a No Museu Nacional De
A e An iga (1/Esquema De Duas Visi as Guia-
das).") e Co dei o de Sousa (1959, "Os Medalhões
Della Robbia Do Museu Das Janelas Ve des.").
3Regis o de memó ia em depoimen o esc i o de
José Luís Po í io, Janei o 2010.
111
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
undamen ais, se man e e abe a ao público a é 2009, ence ada pa a da luga à
mos a
Encompassing he Globe
.
Sé gio Guima ães And ade licenciou-se em His ó ia na Faculdade de Le as da Uni-
e sidade Clássica de Lisboa, onde é o çoso assinala a sua ap endizagem com in e-
lec uais ão e e en es como Vi o ino Nemésio, Pe. Manuel An unes, Vi gínia Rau,
Má io Ta a es Chicó, Jo ge Bo ges de Macedo, Oli ei a Ma ques, Má io de Albuque -
que e D. Fe nando de Almeida, pa a além de Jo ge Hen ique Pais da Sil a. Fez am-
bém o cu so de conse ado de Museus (in. 1972), de que semp e exal a a a
o mação com Ma ia José de Mendonça e Abel de Mou a. Foi pa icula men e sen-
sí el à in luência do pensamen o e ac uação de Madalena Cab al, esponsá el pelos
se iços de educação do MNAA, quan o à iloso ia, objec i os e p ocessos de acção
nos museus. Na análise que ez do seu p óp io amadu ecimen o des aca a ainda o
abalho com Pe -Uno Äg en (1930-2008), museólogo sueco e consul o da Unesco
com quem abalhou di ec amen e en e 1976 e 19814.
O i ine á io p o issional de Sé gio And ade iniciou-se no Museu Nacional de A e
An iga em No emb o de 1970, ainda com o es a u o de a e ei o, pelas mãos de
Ma ia José de Mendonça5, en ão di ec o a, e de Jo ge Hen ique Pais da Sil a6.
Colabo ou no p ojec o de in es igação do Re ábulo de San a Au a – com um es udo
sob e a ep esen ação dos neg os7– e na p imei a in en a iação da Colecção de
escul u a doada ao Es ado po uguês pelos he dei os do Comandan e E nes o
Vilhena pouco empo an es, em 1969, e que se encon a a deposi ada no espaço do
Museu.
Como b e e no a, que é impo an e pelo que signi ica de ligação imedia a a um
núcleo de peças esculpidas que pos e io men e in eg a á a sua colecção de abalho,
e emos que no p ocesso de in en á io das escul u as Vilhena, Sé gio And ade coo -
denou o le an amen o o og á ico le ado a cabo pelos Es údios No aes e os egis-
os museog á icos das peças, que incluí am a concepção de uma icha de in en á io
p óp ia, os e mos básicos de classi icação po ma é ias, séculos e es ilos de p odu-
ção e ambém a de inição de uma a umação o denada dos objec os e do seu
es udo8, c iando aquela que se ia a p imei a ó mula de documen ação da colecção
Vilhena em con ex o museológico e que, anos mais a de, i ia a desen ol e num
sis ema documen al comple o que ia desde a a ibuição de núme o de in en á io a é
ao es udo ma e ial e à in es igação his ó ico-a ís ica. Nes a sequência de abalhos
com as peças doadas, pa icipou no p ojec o da exposição
Imagens da Vi gem da
Colecção Vilhena
comissa iada po I isal a Moi a, conse ado a che e do Museu da
Cidade, abe a ao público em Dezemb o de 1971. Da a des e momen o e dessa a e a
de in en a iação a sua ligação de ini i a à escul u a. Em 1973, in eg ou o icial-
men e o quad o do pessoal do Museu Nacional de A e An iga.
A colecção de escul u a an e io à en ada de Sé gio And ade con a a 935 peças
egis adas, p o enien es na sua maio ia da ans e ência de p op iedade das co po-
ações eligiosas ex in as, de doações, legados e de aquisições. Os núcleos mais sig-
ni ica i os e am os Della Robbia lo en inos, as igu as de p esépio em e aco a
4MNAA, A qui o de Sec e a ia,
Pessoal
, Dossie
cu icula de Sé gio Guima ães And ade, Cu icu-
lum Vi ae, 1999.
5Ma ia José de Mendonça (1905-1984) ocupou o
ca go de di ec o a do MNAA desde Se emb o de
1967 a é Janei o de 1975.
6MNAA, A qui o de Sec e a ia, Li o 72, Cópias
de Co espondência Reme ida de Janei o a Junho
1973: P ocesso 207/1-A: "Exmo. Senho Di ec o -
-Ge al dos Assun os Cul u ais.
Em e e ência ao eque imen o de SÉRGIO AUGUS-
TO ALBUQUERQUE GUIMARÃES DE ANDRADE
pa a se p o ido no luga de Te cei o-Conse ado
além do quad o pos o a concu so con o me a iso
publicado no Diá io do Go e no, II Sé ie nº 68 de
21 de Ma ço de 1973, cump e-me p es a a se-
guin e in o mação:
O candida o é discípulo do P o esso Jo ge Pais da
Sil a, endo em p epa ação a ese de licencia u a
sob e um ema de a e. Em No emb o de 1970 o
P o esso Pais da Sil a ap esen ou-o no Museu de
A e An iga como sendo um aluno quali icado que
deseja a i abalha no Museu.
Admi ido em egime de a e ei o, Sé gio And ade
mos ou-se in e essado pelo es udo da escul u a e
desde logo o enca eguei de p ocede ao in en á-
io de exis ência da Colecção do Comandan e E -
nes o de Vilhena, em depósi o no Museu.
Te minado esse in en á io, pa a o qual Sé gio An-
d ade es udou um ipo especial de icha, passou a
abalha na o ganização da gale ia de es udo da
Secção de Escul u a do Museu (...)
Museu Nacional de A e An iga, 2 de Ab il de 1973.
A Di ec o a, Ma ia José de Mendonça."
7
Re ábulo de San a Au a. Es udo de In es igação
.
1972. Lisboa: Minis é io da Educação Nacional-
-Ins i u o de Al a Cul u a-Cen o de Es udos de
A e e Museologia.
8MNAA, Espólio Sé gio Guima ães de And ade,
Pas a Colecção Vilhena, "Rela ó io sob e o aba-
lho e ec uado na Secção de Escul u a a é 7 de
Ou ub o de 1972. Colecção Comandan e E nes o
Vilhena", dac ilog a ado; "Relação o denada das
peças de Escul u a da Colecção Vilhena", manus-
c i o, Fe e ei o/Ma ço 1971.
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
112 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
polic omada, um in e nacionalmen e epu ado conjun o de alabas os medie ais
ingleses, as escul u as doadas po Calous e Gulbenkian, e sob e udo mui as imagens
ba ocas e a do-ba ocas em madei a es o ada. T a a a-se de um conjun o de ipo
cumula i o, com um his o ial de p o eniências que se pode conside a o gânico e que
não cons i uía, po an o, um ag egado coe en e capaz de documen a e cons ui a
his ó ia da escul u a po uguesa ou a eu opeia. A expog a ia da escul u a, en endida
como mos a de colecção, ambém se ca ac e iza a undamen almen e pelo ca ác-
e episódico, agmen ado, e esul a a espacialmen e das g andes ans o mações
das ob as de 1938-1942, da cons ução do edi ício Anexo e das al e ações do Palá-
cio dos Condes de Al o - cujas mon agens se podem conside a consolidadas no ano
de 1945 - e do g ande co e com o concei o de um Museu-Pinaco eca ambicionado
po José de Figuei edo que oco eu com a chegada de João Cou o à di ecção, em
19389.
Du an e o pe íodo em que Ma ia José de Mendonça oi di ec o a egis a-se a sua
sensí el abe u a e o in e esse pela a e da Escul u a. Não podem deixa de mencio-
na -se a ên ase que deu ao en iquecimen o do ace o escul ó ico do Museu po pa e
de João Cou o na Exposição e oca i a da sua ob a, logo em 196710; a ealização da
Exposição Comemo a i a do cen ená io da mo e de Augus e Rodin
, em 1968; a
mos a das
Imagens da Vi gem
, em 1971; a pa icipação com pa e do ace o de
peças Vilhena na
Exposição do Salão de An iguidades da Fil
, em 1972; a colabo a-
ção do Museu na
Exposição Iconog á ica e Bibliog á ica Comemo a i a do VIII Cen-
ená io da Chegada das Relíquias de São Vicen e a Lisboa
, em 1973; a Exposição
«comunal», dedicada a
San o An ónio, São João e São Ped o
e ealizada no á io das
Janelas Ve des, em Junho de 1973; ou ainda a mos a da
A e do Século XVIII no B a-
sil,
da qual pe manece no Museu a ep odução de um dos P o e as de Congonhas,
do Aleijadinho. Na ges ão da Colecção de Escul u a há a des aca o pionei ismo e
mode nidade com que eno ou o concei o exposi i o da Doação Gulbenkian, di e-
enciando os seus núcleos cons i uin es e c iando uma sala p óp ia pa a as peças de
escul u a com desenho a qui ec ónico de C uz de Ca alho11, como ambém o modo
como en en ou, com um p og ama
aggio na o
com as p opos as da no a museolo-
gia con empo ânea, a ecen e ealidade da explosão do c escimen o do ace o p o-
ocado pela en ada da Colecção Vilhena na posse do Es ado Po uguês e a sua
in eg ação no espaço do Museu Nacional de A e An iga. Pa a o acesso público e a
dis ibuição dos objec os, o p ojec o de Mendonça p e ia qua o ní eis, equi alen-
es às di e sas possibilidades de acesso público12: 1º - uma gale ia abe a ao público,
ap esen ada no g ande es íbulo e gale ia supe io do Anexo; 2º - uma gale ia de
es udo, localizada no espaço en e o es íbulo e a Secção de Ce âmica, no Anexo13;
3º - um núcleo de Rese a, ins alado numa ampla dependência da zona des inada a
depósi o de ob as de a e, no piso é eo do Anexo14. A ideia modelo ansmi i a-a
a p óp ia museóloga anos an es, en e 1963-1964, publicada no
Bole im do Museu
Nacional de A e An iga,
ao e e i que « oi dada uma di e en e a umação nas a e-
cadações e depósi os da ca e do edi ício no o, po se a e igua con enien e a no a
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
9Ma ia João Vilhena de Ca alho. "A Colecção de
Escul u a: Exposição e His ó ias". Comunicação
ap esen ada no Ciclo de Con e ências de P ima e-
a: 120 Anos do Museu Nacional de A e An iga.
Lisboa: Museu Nacional de A e An iga, 20 de
Maio de 2004.
10
A ob a do D . João Cou o no MNAA
, Lisboa,
Museu Nacional de A e An iga, 1967.
11 Em Ou ub o-No emb o de 1969 - coincidindo
com a inaugu ação do edi ício sede da Fundação
Calous e Gulbenkian, é emon ada a Sala Museo-
lógica que João Cou o au onomiza a no MNAA
após a Doação. O p ojec o museológico en ão
concebido po Ma ia José de Mendonça e e is-
co museog á ico de C uz de Ca alho, pin o e de-
co ado . Na plas icidade des a Sala Gulbenkian,
com o es ecos das p opos as do i aliano F ances-
co Albini, es a am p esen es os alo es da ob a de
a e en endida como
unicum
, na sua essência e no
seu con ex o de Colecção, exal ado a a és da ce-
nog a ia, dos supo es dos objec os e da sua ilu-
minação pa icula .
12 No e-se que es es ní eis co espondem a uma
opog a ia in e na do Museu Nacional de A e An-
iga que já não exis e e oi p o undamen e al e a-
da nas in e enções a qui ec ónicas da década de
1980, po ocasião dos p epa a i os da XVIIª Expo-
sição de A e, Ciência e Cul u a do Conselho da
Eu opa, e da p imei a me ade da década de 1990,
an ecedendo a eabe u a ao público de 1994.
13 Co esponde ac ualmen e às salas de exposição
pe manen e de Mobiliá io Po uguês do MNAA,
no piso 1.
14 MNAA, A qui o de Sec e a ia, Li o 66, Cópias de
Co espondência Reme ida, Janei o a Junho 1970,
Nº 133, P oc. Nº 5-M-2, 9 de Ma ço de 1970.
113
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
disposição das secções ali exis en es. (…) Na gale ia opos a à do mobiliá io oi ins-
alada a secção de escul u a e nou as dependências coloca am-se as peças e ag-
men os de alha dou ada e os me ais. A no a disposição pe mi iu c ia uma gale ia
de es udo com is a à o mação p á ica de Conse ado es. No in ui o de o na mais
ag adá el a pe manência nes as a ecadações, ins alou-se um sis ema de en ilação
que pe mi e uma cons an e eno ação de a »15.
Ma ia José de Mendonça mani es a a ainda a sua conco dância com a decisão admi-
nis a i a supe io 16 de, após a ans e ência da Colecção pa a o Museu de A e
An iga, se aqui ei a uma selecção de peças des inadas a ou os museus do país17,
que só mui os anos mais a de se ia pon ualmen e ealizada po Sé gio And ade (Ca -
alho, 2009, 158-162). (FIG. 1)
O início do abalho de Sé gio Guima ães de And ade é p a icamen e concomi an e
com essa no a ealidade da colecção que é necessá io ge i , e que ele ans o ma.
O no o con ex o, sublinhamos, é esul ado da doação ao Es ado Po uguês da
Colecção de Escul u a do Comandan e E nes o Vilhena (n. Fe ei a do Alen ejo
1876-m. Lisboa 1967), e ec uada pelos seus he dei os, em 1969, e da conse ação
no Museu Nacional de A e An iga de ce ca de 1500 (mais exac amen e 1490)
peças. Es e c escimen o exponencial e e imedia os e ei os p á icos na ida do
Museu logo em 1969 (apesa da doação só e sido de ini i amen e o icializada
como p op iedade do MNAA em 1980, após o e insis ência jun o das ins i uições
de u ela du an e o pe íodo da di ecção de Ma ia Alice Beaumon 18), ob igando pe -
manen emen e a um he cúleo edimensionamen o do espaço des inado a a ecada-
ção e à manu enção das ideais condições de conse ação dos objec os.
940 imagens esculpidas em ped a, 510 alhadas em madei a e 40 abalhadas nou os
ma e iais quase iplica am os núme os da Colecção de Escul u a e o MNAA, en e os
museus nacionais, passou a con a com o conjun o mais comple o de ob as da imagi-
15
Bole im do Museu Nacional de A e An iga
. 1963-
-1964, publicado em 1966, p. 73.
16 Tal como epo a a o jo nalis a que acompanhou
a isi a o icial, em 22 de Fe e ei o de 1969, do Mi-
nis o da Educação Nacional (José He mano Sa ai-
a), do Sec e á io de Es ado da In o mação e Tu is-
mo, do di ec o -ge al de Espec áculos e Cul u a
Popula à Casa Vilhena, após a assina u a do Au o
de Doação ao Es ado: “ (…) Vão se c iados o Mu-
seu Nacional de Escul u a e núcleos de cul u a es-
palhados pelo País. Segundo nos in o mou o s . mi-
nis o da Educação Nacional, a colecção Vilhena,
legada ao Es ado, ai ica empo a iamen e a eca-
dada, em condições ideais, nas salas agas da no a
Biblio eca Nacional. Mas só enquan o não se cons-
ui em Lisboa o Museu Nacional de Escul u a, on-
de se ão ecolhidas peças dispe sas po museus na-
cionais e não se c ia em os já p ojec ados Cen os de
Cul u a, a dissemina po odo o país e que inclui ão
mui as das ob as exis en es aqui em duplicado. As-
sim se de ol e á à p o íncia alguma coisa daquilo
que ela, ao longo dos séculos, oi pe dendo – os es-
emunhos da sua p óp ia c iação a ís ica. (…)”, in
“Uma Dádi a Que Não Tem P eço”. Diá io de No í-
cias, 23 Fe e ei o 1969, p. 1 e 6.
17 MNAA, A qui o de Sec e a ia, Li o 66, Cópias de
Co espondência Reme ida, Jan-Jun 1970, Nº 133,
P oc. Nº 5-M-2, 9 de Ma ço de 1970: (…) “T ans-
e ida a colecção pa a o Museu de A e An iga, se-
á aqui ei a a escolha das peças des inadas a ou os
museus do país, con o me oi supe io men e de e -
minado, p ocedendo-se ao in en á io e o og a ia
de odas as espécies, o que se o na u gen e aze .”
18 Ma ia Alice Beaumon (1929-2004) ocupou o ca -
go de di ec o a do MNAA desde Ab il de 1975 a é
Se emb o de 1990. MNAA, A qui o de Sec e a ia,
Cópias de Co espondência Reme ida, Jan-Jun
1980-I; Nº 197, P oc. 4-M-5, 15-04-1980: Exma
Senho a Di ec o a Ge al do Pa imónio Cul u al. Con-
o me é do pleno conhecimen o de V. Exa. a an iga
colecção de escul u a Com e. Vilhena encon a-se
deposi ada nes e Museu desde 1970, sem que a sua
si uação es eja cla a e inequi ocamen e de inida. Ao
a a -se na p esen e ocasião da exposição de escul-
u a em Ma a, pa ece -nos-ia um momen o ade-
quado pa a esolução des a ques ão, pelo que p o-
ponho a V. Exa. que a di a colecção seja inco po ada
nas colecções do Museu Nacional de A e An iga,
aplicando-se-lhe assim os egimes de in en a iação
e egis o que são p a icados no Museu, e passando
a inclui -se nos seus núcleos em si uação museog á-
ica de inida. Es a inco po ação a -se-ia na u al-
men e sem p ejuízo de u u as esoluções no que
espei a a cedência e ou u ilização de peças da di a
colecção. (...) A Di ec o a, Ma ia Alice Beaumon .
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
114 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 1 - Escul u as inco po adas nas colecções do MNAA.
ná ia esculpida em Po ugal en e os séculos XIII e XVIII, des acando-se as peças dos
séculos XIV, XV e XVI pela qualidade de alguns exempla es únicos e, em simul âneo,
pelo alo se ial que se pode econhece na mul iplicação imagé ica desses modelos.
Foi com es a p o unda al e ação do con eúdo do ace o – a Colecção de E nes o
Vilhena - que a Secção de Escul u a se ans o mou, o que pe mi iu a Sé gio And ade
enuncia no os objec i os baseados no seu pa icula concei o do objec o museoló-
gico, pa a si o e dadei o p o agonis a do Museu desde o p ocesso da inco po ação,
passando pela conse ação, es udo e in es igação, documen ação e in o mação a é,
inalmen e, à in e p e ação dada a público em exposição. Nes e sen ido, comunga a,
aliás, das linhas con empo âneas da No a Museologia.
Segundo ele, o conse ado de e p oduzi a in e p e ação do objec o como ealizado
– no sen ido cinema og á ico – que da exposição pe manen e, (ou «
de base
», como
semp e lhe chama a), que da exposição ou da acção empo á ia em que esse objec o
é semp e o ac o . A p opos a c ia i a do museólogo enquan o ealizado é en ão
en endida como uma adução da linguagem que é p óp ia dos objec os que se expõem
pa a a linguagem do público19. Assim, pa a Sé gio And ade, os seus objec os de a-
balho, as imagens esculpidas, não ac ua iam como me os exemplos ou ilus ações: p o-
põem uma e-concep ualização do passado po ia da in e p e ação suge ida pelo
conse ado ao isi an e a a és da mon agem cujo objec i o se á da a conhece , com
cla eza, um de e minado sen ido e o signi icado dos objec os. O Museu é um espaço
de ans igu ações.
Uma ilus a i a passagem dum documen o da ado de 1979 esume a ac i idade dos
p imei os dez anos passados com esponsabilidade pela Secção de Escul u a e elucida
com anspa ência o concei o da in e enção do conse ado sob e o objec o, ao
mesmo empo que enuncia o que conside a se a di e enciação undamen al en e
uma ac i idade empo á ia e a exposição pe manen e: «
O pensamen o que em o ien-
ado a secção de escul u a em sido o de, a a és de exposições empo á ias, e com
p e ex o des as, es uda e ap esen a ao público pequenos núcleos da colecção.
Resul a es a linha não só dos p oblemas consequen es à al a de espaço, mas am-
bém da con icção de se al p ocesso p e e í el ao de exposições de base que, em
g ande pa e po mo i os já apon ados, não pode iam e a o ça su icien e pa a se
enquad a em com exposições desse ipo de pin u a ou ou i esa ia. Pe mi em ainda as
exposições empo á ias, sis ema icamen e ou pe manen emen e o ganizadas, a ela-
bo ação de p og amas de es udo e de conse ação ou a amen o, e e es em-se do
alician e – ou desa io – de ap esen a em ao público lei u as, ou p opos as de lei u a,
dinâmicas, po isso mesmo suscep í eis de se em semp e di e en es e de con ida em
o isi an e a assumi uma in e enção. Den o des a linha a exposição de base encon-
a-se limi ada a um núcleo de p esépios, a ou o de peças em madei a se ecen is a
(capela) e aos núcleos Gulbenkian e de peças Della Robbia. Exposições empo á ias,
mais ou menos pe manen es, êm-se o ganizado desde 1975, e a p e ex o delas se
p ocu ou es uda e/ou a a os núcleos que as cons i uíam. Assim se p ocedeu com
a colecção de imagens de Malines e com a de alabas os medie ais ingleses, com um
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
115
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
19 Te esa Pacheco Pe ei a em "E ocação"
In Memo-
iam Sé gio Guima ães And ade
. Lisboa, Museu Na-
cional de A e An iga, 8 de Janei o de 2010, expôs
já o concei o de objec o de Sé gio And ade num
con ex o pa imonial não exclusi amen e museo-
g á ico, nomeadamen e do Monumen o-Mos ei o
da Ba alha (onde Sé gio And ade oi P esiden e da
Comissão Ins alado a do Museu do Mos ei o de
San a Ma ia da Vi ó ia - en e 1979 e 1980 -, au o
do p ojec o da sua eu ilização museológica e p i-
mei o esponsá el do Museu/Mos ei o com exe cí-
cio e ec i o da sua di ecção - en e 1981 e 1986-)
en endido ele p óp io como objec o museológico.
núcleo de igu as de p esépio, e com o g upo de imagens que in eg am a exposição
ainda pa en e de escul u a em madei a. A exposição “O Na al” pa en e em 1977 e
1978, ab iu po seu u no caminho a um es udo dos p esépios, e à en a i a de publi-
cação de um álbum, que pe sis en es al as de empo e pessoal impedi am se conc e-
izasse. A linha de eduzi as exposições de base ao mínimo conside ado necessá io
den o de um pensamen o global do Museu, e de eco e a exposições empo á ias,
mais ou menos longas, e de aco do com as p eocupações que o Museu em mani es-
ando, con inua á a se o eixo o ien ado da secção de escul u a, subo dinando a essa
opção os p og amas de es udo, de conse ação e a amen o, de in es igação. Po seu
u no o que se p e ende com as exposições não é mos a peças – mas sim con ibui
pa a uma comp eensão e pa a um conhecimen o das coisas, das ealidades, das
i ências em que essas peças, p e ex os, não são senão um es emunho ou um
objec o consequen e de uma ideia, de uma men alidade, de uma in enção, de uma
manei a de nos assumi mos a nós p óp ios e pe an e os ou os. Se expô é, nes e con-
ex o, acima de udo expô ideias, o objec o, a peça, é o p e ex o imedia o, exigindo
dele uma lei u a, uma con e sa, que anscende e iden emen e os campos de es udo
adicionais a que a peça se encon a limi ada nos museus. C ê-se que o desa io que
se põe ao conse ado (e ala-se de um museu de a e e de um com as ca ac e ís i-
cas do Museu Nacional de A e An iga) não é o de es i ui a peça à sua unção o i-
ginal, mas sim o de lhe p ocu a an as u ilizações quan as as que lhe pe mi em
da -lhe uma en abilidade con ibuindo pa a aquela comp eensão e conhecimen o do
que nós somos, e do mundo que nos odeia
. (…)»20.
A elação com os objec os – simul aneamen e in elec ual, his ó ica, cul u al, an opo-
lógica em suma, - o na-se ísica, ma e ial e é nes a condição que o conse ado age
sob e eles, di íamos que "epi anicamen e", po que as escul u as ambém se lhe e elam.
(FIG. 2) Na p á ica do o ício al como Sé gio And ade o execu ou econhecemos es a
elação, mui o conc e amen e, na comp eensão e e-in e p e ação das qualidades ma é-
icas - o mais e ísicas - das escul u as que o am o seu supo e de abalho, como uma
enomenologia. Em p imei o luga , po que pelas suas o mas ou pelos a ibu os que as
acompanham, as p óp ias peças podem se de onado as de uma ideia de exposição,
como acon eceu com a mos a
S. Thiago Discipulo de Jezus e Fez Gue a con a os Mou-
os
, p omo ida em San iago de Palmela em 199821; depois, num en endimen o mui o
cla o das di e en es exp essões dos ma e iais, da ped a, da madei a, do ba o ou dos e ei-
os que as écnicas de acabamen o êm sob e es as22; pela o al adequação de dimen-
sões e a a iculação dos supo es exposi i os que u iliza a com a ma e ialidade ( olume
e dimensões) e os alo es plás icos das peças; ou ainda pela o al abe u a da elação
ísica en e público-espec ado do Museu ao objec o que p opunha e de endia, dis an-
ciados es es apenas quan o a segu ança de ob as de a e únicas o exige.
Es es alo es concep uais e emo-los das suas pala as e podemos econhecê-los nas
mon agens das suas exposições empo á ias. Dizia assim que, «
mais impo an e que e
numa escul u a um objec o de his ó ia de a e, é sen i-la como exp essão das idas que
a cons i uí am e que po ela passa am. É pe cebê-la como esul ado e como sín ese de
20 MNAA, A qui o de Sec e a ia, Rela ó io de ac-
i idades, 1979, dac ilog a ado, "3. Mo imen o
das Colecções. Escul u a".
21
S. Thiago Discipulo de Jezus e Fês Gue a Con-
a os Mou os
, Palmela, Ig eja de San iago-Cas e-
lo de Palmela, 1998.
22 Reencon ando-se empi icamen e com o a-
balho p oduzido po Michael Baxandall na His ó-
ia da A e, no seu
The Limewood Sculp o s o
he Renaissance Ge many
. 1980. New Ha en and
London: Yale Uni e si y P ess.
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
FIG. 2 - Sé gio Guima ães And ade em
Exp essões
Medie ais
, Caldas da Rainha, 1992.
© A qui o MNAA.
116 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
anseios, dú idas, angús ias, de desespe o e de aleg ias dos Homens que nela concen-
a am as suas p eces, as suas és os seus desejos, as suas espe anças. Mais impo an e
que analisá-la como olume e como o ma em discussões desa iculadas de con eúdo
humano, é comp eendê-la e sen i ao ocá-la ou as mãos e ou os olhos que no pas-
sado nela deixa am algo de si p óp ios. De aco do com al in enção segui am-se p o-
cessos de mon agem em que as peças são azidas a um con ac o p óximo e di ec o
com o público, em que se o mam g upos onde elas p óp ias con e sam en e si e com
as pessoas, ou en ão pela sua o ça se indi idualizam numa en a i a de diálogo
.»23
No início da década de 1980 no Museu Nacional de A e An iga, g andes ob as de
in e enção no edi ício Anexo pe mi i am c ia um piso in e médio onde, dez anos
mais a de, o espaço do Claus o do piso supe io i á po im a ecebe a Exposição
Pe manen e de Escul u a.
A abe u a de ini i a da exposição pe manen e - ou "de base" -, de escul u a po -
uguesa, em 1994, ep esen ou uma up u a na his ó ia das exposições da escul u a
no Museu Nacional de A e An iga. Inaugu ada inicialmen e em Maio de 1991, a ea-
lização da mos a
No Tempo das Fei o ias
em 1992, e omando o ce ame da Eu o-
palia 91 em B uxelas, i ia p o oca o seu adiamen o a é 199424. João de Almeida se ia
o au o do p ojec o de a qui ec u a.
Essa exposição esul ou do pa icula en endimen o dos alo es que ca ac e iza am
a nossa imaginá ia, al como Sé gio Guima ães de And ade o oi mos ando ao longo
do as o abalho de museólogo nas di e en es exposições empo á ias que o gani-
zou an o den o do Museu Nacional de A e An iga - en e as quais salien amos
Escul u a em Madei a
(1979) (FIG. 3),
Na al
(1983) ou
Imagens no Tempo
(1988) -
como nou os con ex os ins i ucionais, ossem eles o Palácio Nacional de Ma a
(1980) (FIG. 4), o Museu/Mos ei o da Ba alha, com á ias mos as deco idas en e
1982 e 198525, ou em espaços museológicos cama á ios como acon eceu em Es e-
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
117
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
23
A Escul u a em Po ugal no Século XV
. Museu-
-Mos ei o da Ba alha, 1983.
24 Com uma lúcida pe spec i a sob e as icissi u-
des con ínuas que a ges ão do museu en ol e,
in o ma sob e as implicações que a exposição
Fei-
o ias
e e sob e a exposição de escul u a: "(...)
13. Em Maio de 1991, e depois de um conjun o de
si uações que es ão elacionadas di ec amen e
com o pedido de aposen ação da S a. D a. Ma ia
Alice Beaumon , o 3º piso oi inalmen e inaugu-
ado com exposições de base de Pin u a e Escul-
u a Po uguesas. Concebidas, o ganizadas e
mon adas pelas espec i as secções do Museu.
14. Ce ca de 11 meses deco idos o Museu é ob-
igado, sem possibilidades de eacção ou dela in-
capaci ado, a e i a no amen e es as exposições,
e a assis i , ma ginalizado, à alienação dos seus es-
paços. Onde no amen e se azem adap ações, ex-
clusi amen e pensadas em e mos da empo á ia
"Fei o ias", igno ando cla amen e a ocação e
usos museológicos dessas salas. 15. Quando se
conclui as "Fei o ias" ( ês meses?) en ão i á se
necessá io desmon a e e i a as g andes es u u-
as exposi i as, odos os ma e iais e supo es, mas,
sob e udo, e pelo menos, pin a uma ez mais as
eno mes á eas de pa edes das salas da Pin u a
Po uguesa, o almen e inadequadas a es e im.
(...)". MNAA, Espólio Sé gio Guima ães And ade,
Dossie In o mações e No as de Se iço, "In o ma-
ção sob e a Exposição Fei o ias. 21.05.92".
25 Quando, em 1982, se inicia am as ob as das
ins alações do MNAA, oi ans e ida e p o iso ia-
men e a ecadada no Palácio Nacional de Ma a,
uma quan idade signi ica i a de escul u as, quase
odas elas p o enien es da Doação Vilhena, aí pe -
manecendo a é 1997, momen o em que eg essa-
am de ini i amen e ao Museu. Des e conjun o
de escul u as oi ei a uma selecção de uma cen-
ena e meia de peças do pe íodo medie al que, a
í ulo de depósi o no Museu-Mos ei o da Ba alha,
o am p o agonis as de uma sé ie de exposições
concebidas po Sé gio Guima ães And ade.
FIG. 3 -
Escul u a em Madei a
, MNAA, 1979 © A qui o MNAA.
26 Po o dem c onológica, comissa iou as exposi-
ções:
P esépios
, Lisboa, Museu Nacional de A e
An iga, 1975;
O Na al
, Lisboa, Museu Nacional de
A e An iga, 1976;
Imagens de Malines
, Lisboa, Mu-
seu Nacional de A e An iga, 1976 (com i ine ân-
cias);
Alabas os Medie ais Ingleses
, Lisboa, Museu
Nacional de A e An iga, 1977 (com i ine âncias);
Li o de Ho as de D. Manuel
, Lisboa, Museu Nacio-
nal de A e An iga, 1977 (adap ado a ki e i ine an-
e);
A Rua
, Lisboa, Museu Nacional de A e An iga,
1977;
Escul u a em Madei a
, Lisboa, Museu Nacio-
nal de A e An iga, 1979-1980;
Colecciona . A Co-
lecção E nes o Vilhena
, Ma a, Palácio Nacional de
Ma a, 1980;
Alabas os Medie ais Ingleses
, Mu-
seu-Mos ei o da Ba alha, 1981;
Mos ei o da Ba a-
lha. Fo og a ias de Má io No ais
, Museu-Mos ei o
da Ba alha, 1981;
Escul u as do Século XV
, Museu-
-Mos ei o da Ba alha, 1982;
Música no Século XV.
Os Ins umen os Musicais Rep esen ados no Mos-
ei o da Ba alha
, Museu-Mos ei o da Ba alha,
1982;
A Escul u a em Po ugal no Século XV
, Mu-
seu-Mos ei o da Ba alha, 1983;
O Mos ei o da Ba-
alha e a A qui ec u a Gó ica em Po ugal
. Museu-
-Mos ei o da Ba alha, 1983;
P esépios
, Museu Na-
cional de A e An iga, 1983-1984;
Imaginá ia Me-
die al
, Museu-Mos ei o da Ba alha, 1984;
A qui-
ec u a e escul u a gó icas
, Museu-Mos ei o da
Ba alha, 1985; Exposição de base de Escul u a,
Museu Nacional de A e An iga, 1985-1987;
Escul-
u as em Madei a dos Séculos XIX e XV
, Museu-
-Mos ei o da Ba alha, 1985;
Escul u as dos Séculos
XIII e XIX
.
Imaginá ia do Tempo da Rainha San a
Isabel
.
650º Ani e sá io da Sua Mo e
, Es emoz,
1986;
Imagens no Tempo.
, Lisboa, MNAA, 1988;
Espaços e Imagens. Escul u as Po uguesas dos Sé-
culos XIII ao XVIII
, Óbidos, Museu de Óbidos, 1992;
Exposição de base de Escul u a Po uguesa, Museu
Nacional de A e An iga, 1991-1992;
Exp essões
Medie ais. Escul u a em ped a do Museu Nacional
de A e An iga
, Caldas da Rainha, Gale ia Munici-
pal, 1992-1993; Exposições de base de Escul u a,
Museu Nacional de A e An iga, 1994-2009;
S.
Thiago Discipulo de Jezus e Fês Gue a Con a os
Mou os
, Palmela, Ig eja de San iago-Cas elo de
Palmela, 1998. Foi ainda o au o dos undamen os
de
Ai Con ini della Te a. Scul u a e a e in Po o-
gallo. 1300-1500
, Rimini, Palazzi dell'A engo e del
Podes à, 2000 -
O Sen ido das Imagens. Escul u a
e A e em Po ugal (1300-1500)
, Lisboa, Museu
Nacional de A e An iga, 2000-2001.
27 MNAA, Espólio Sé gio Guima ães And ade,
Dossie Exposição de Base Anexo (Claus o), Maio
91/Ab il 92.
SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
118 REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
FIG. 4 -
Colecciona
.
A Colecção E nes o Vilhena
, Palácio Nacional de Ma a, 1980 © A qui o MNAA.
moz (1986) (FIG. 5), nas Caldas da Rainha (1992), em Óbidos (1992), ou em Palmela
(1998), ou a é, e ainda, em mo imen os exposi i os i ine an es que se ala ga am a
nume osos locais como nos casos das exposições dedicadas aos
Alabas os Medie-
ais Ingleses
ou às
Imagens de Malines em Po ugal
26.
Pa alelamen e às ac i idades empo á ias e descen alizadas, o e ecia-se ago a ao
público uma exposição coe en e da his ó ia da imaginá ia esculpida em Po ugal.
Mos a a-se mui o mais e melho , num discu so museológico coe en e na sua a qui-
ec u a concep ual. E a escul u a passou a es a p esen e não só na Exposição de
Escul u a Po uguesa localizada no espaço do Anexo, mas ambém in eg ada no dis-
cu so exposi i o dos Núcleos C onológicos pa en es no espaço do Palácio dos Con-
des de Al o e dis ibuídos po pequenas "bolsas" cuja lógica e a a da lei u a
in eg ada das escul u as po uguesas - ou das exis en es em Po ugal nos con ex-
os das p oduções eu opeias, como ainda nos di e sos apon amen os escul ó icos
que se dispe sa am e dispe sam ao longo das di e en es Exposições de A es Deco-
a i as e das A es não eu opeias.
(FIG. 6) O concei o da mos a pe manen e do MNAA adicou nos p incípios de base que
concilia am os alo es que dão iden idade à Colecção de Escul u a com as linhas un-
damen ais da ajec ó ia his ó ica da escul u a em Po ugal, segundo os p essupos os
conside ados pelo conse ado no p og ama que i ia a desen ol e no Museu Nacio-
nal de A e An iga, de no o a pa i de Maio de 1991, e cujo enunciado de ealidades
azemos mais uma ez pelas suas pala as: «
Quando e minada a XVIIª oi necessá-
io de ini o p og ama de o ganização do "Anexo" (dedicado à A e Po uguesa); des-
a dispensa de ex os co idos discu si os e, sendo es es suge idos pelas imagens,
de iam in e i apenas como legendas ala gadas de cada uma delas. Sé gio And ade
ap esen a a assim «
uma g ande colecção de escul u a po uguesa medie al
», «
onde
se sob epõe os alo es da eligião e do cul o
», «
em que as o mas e oluem no sen-
ido de uma de inição mais humana e mais ealis a
», «
na qual se podem de ec a cen-
os de p odução e o icinas que ma cam a escul u a medie al po uguesa
» e que
«
seguem caminhos p óp ios, que êm ascendência hispânica, ancesa e lamenga
»31.
A o una da in e p e ação de Sé gio Guima ães And ade oi econhecida in e nacio-
nalmen e em 2000, com a ealização em Rimini, I ália, da exposição
Ai Con ini della
Te a. Scul u a e a e in Po ogallo (1300-1500),
mos ada nos Palazzi dell'A engo e
del Podes à, concebida a pa i do guião o iginal do Conse ado e p oduzida pelo
Museu Nacional de A e An iga em pa ce ia com o Ins i u o Po uguês de Museus e a
o ganização não go e namen al
Mee ing pe la amicizia a i popoli
32. Dos "exó icos"
con ins da Eu opa, a imaginá ia esculpida nos séculos de T ezen os e Qua ocen os
o e eceu-se, com o
sen ido das imagens,
como con apon o à a e da pin u a cul i-
ada na Península I álica mos ando-se nos seus ipos, espaços, unções, o mas, cen-
os de p odução e mes es, emas e cul os, an es da no a época de Quinhen os. •
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SÉRGIO GUIMARÃES DE ANDRADE, O CONSERVADOR E A SUA COLECÇÃO
125
REVISTA DE HISTÓRIA DA ARTE Nº8 - 2011
30 MNAA, Espólio Sé gio Guima ães And ade, Do-
cumen o
Escul u as Medie ais, 1ª P ojec o pa a a
Publicação
, 31 de Julho 1989, manusc i o.
31 Idem, ibidem.
32 T azida depois ao público po uguês com o í u-
lo seleccionado pela equipa do MNAA esponsá el
po aquela mos a, em homenagem ao pensamen-
o o iginal de Sé gio Guima ães de And ade:
O Sen-
ido das Imagens. Escul u a e A e em Po ugal
(1300-1500)
. Lisboa, Museu Nacional de A e An-
iga, Ou ub o 2000- Janei o 2001.