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A infraestrutura verde urbana e os serviços de sequestro e armazenamento de carbono da estrutura arbórea: contributo para um planeamento urbano sustentável e ações de mitigação e adaptação às alterações climáticas

Abstract

Este trabalho foi elaborado de modo a concluir o Mestrado em Urbanismo Sustentável e Ordenamento do Território, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e na Nova School of Science and Technology da Universidade Nova de Lisboa. Consiste numa análise sobre três áreas em estudo, em termos de estrutura arbórea e os seus serviços ecológicos, nomeadamente no sequestro e armazenamento de carbono. Procedeu-se a uma fase de recolha de dados sobre as árvores, para posterior tratamento em software específico. Obtivemos estimativas aproximadas sobre quantidades de carbono absorvido e armazenado, apresentando os respetivos resultados. Após o mencionado, o trabalho de campo começou a concentrar-se na recolha de informação e documentação fotográfica. Isto veio facilitar a transmissão das diferenças em contexto de tese e das próprias ideias a implementar em contexto urbano. Para terminar, foi efetuada uma estratégia de ação para determinadas ruas, tendo por base exemplos fotográficos de uma cidade alemã na vanguarda do urbanismo sustentável.

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A infraestrutura verde urbana e os serviços de sequestro e armazenamento de carbono da estrutura arbórea: contributo para um planeamento urbano sustentável e ações de mitigação e adaptação às alterações climáticas

Author: Portela, Lourenço Orfão Nunes
Year: 2021
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/137733/1/teselp41672final.pdf
A INFRAESTRUTURA VERDE URBANA E OS
SERVIÇOS DE SEQUESTRO E
ARMAZENAMENTO DE CARBONO DA
ESTRUTURA ARBÓREA
Con ibu o pa a um Planeamen o U bano Sus en á el
e Ações de Mi igação e Adap ação às Al e ações
Climá icas
Lou enço O ão Nunes Po ela
Disse ação
de Mes ado em U banismo Sus en á el e
O denamen o do Te i ó io
Lou enço Po ela, INFRAESTRUTURA VERDE URBANA E OS SERVIÇOS DE SEQUESTRO E ARMAZENAMENTO DE CARBONO DA ESTRUTURA ARBÓREA
Con ibu o pa a um Planeamen o U bano Sus en á el e Ações de Mi igação e Adap ação às Al e ações Climá icas, 2021
Agos o, 2021
2
Resumo
Es e abalho oi elabo ado de modo a conclui o Mes ado em U banismo Sus en á el e
O denamen o do Te i ó io, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e na No a
School o Science and Technology da Uni e sidade No a de Lisboa. Consis e numa
análise sob e ês á eas em es udo, em e mos de es u u a a bó ea e os seus se iços
ecológicos, nomeadamen e no seques o e a mazenamen o de ca bono.
P ocedeu-se a uma ase de ecolha de dados sob e as á o es, pa a pos e io a amen o
em so wa e especí ico. Ob i emos es ima i as ap oximadas sob e quan idades de
ca bono abso ido e a mazenado, ap esen ando os espe i os esul ados. Após o
mencionado, o abalho de campo começou a concen a -se na ecolha de in o mação e
documen ação o og á ica. Is o eio acili a a ansmissão das di e enças em con ex o
de ese e das p óp ias ideias a implemen a em con ex o u bano.
Pa a e mina , oi e e uada uma es a égia de ação pa a de e minadas uas, endo po
base exemplos o og á icos de uma cidade alemã na angua da do u banismo
sus en á el.
Pala as-cha e: In aes u u a Ve de U bana; Planeamen o U bano Sus en á el;
Es u u a A bó ea; Al e ações Climá icas; Biodi e sidade; Se iços Ecológicos;
Sus en abilidade.
3
Abs ac
This p ojec was designed o comple e he Mas e 's Deg ee in Sus ainable U banism and
Spa ial Planning, a he Facul y o Social and Human Sciences and a he No a School
o Science and Technology o Uni e sidade No a de Lisboa. I consis s in an analysis
o h ee a eas unde s udy, in e ms o ee s uc u e and hei ecological se ices,
mainly he ones o ca bon seques a ion and s o age.
A phase o da a collec ion on he ees was ca ied ou , o u he p ocessing in speci ic
so wa e. We ob ained app oxima e es ima es o he amoun s o ca bon abso bed and
s o ed, p esen ing he espec i e esul s. A e ha , he ield wo k began o ocus on
collec ing in o ma ion and pho og aphic documen a ion. This acili a ed he
ansmission o di e ences in he hesis con ex and he ideas o be implemen ed in an
u ban con ex .
Finally, an ac ion s a egy was ca ied ou o ce ain s ee s, based on pho og aphic
examples o a Ge man ci y a he o e on o sus ainable u banism.
Keywo ds: U ban G een In as uc u e; U ban Sus ainbale Planning; T ee S uc u e;
Clima e Change; Biodi e si y; Ecological Se ices; Sus en abili y.
4
Sumá io
1. In odução e Obje i os............................................................................................ 9
2. Me odologia............................................................................................................ 10
3. A In aes u u a e de u bana. ........................................................................... 12
3.1. A IVU como ins umen o de planeamen o e ges ão de base ecológica de á eas
u banas. ....................................................................................................................... 15
3.2 Os se iços ecológicos u banos da IVU. .............................................................. 20
3.3 A es u u a a bó ea u bana como IVU undamen al pa a a sus en abilidade e
esiliência u bana. ....................................................................................................... 24
4. Es u u a A bó ea em ambien e u bano. ........................................................... 28
4.1. Concei os. A u ilização de espécies a bó eas em ambien e u bano. .................... 30
4.2. Ca ac e ís icas das espécies u ilizadas em ambien e u bano. Classi icação.
Van agens e des an agens. ......................................................................................... 33
4.3. Os se iços ecológicos das es u u as a bó eas. Con ibu o pa a o aumen o da
esiliência u bana às al e ações climá icas. O desman elamen o e a mazenamen o de
dióxido de ca bono (CO2) pelas es u u as a bó eas em con ex o u bano. ................ 42
5. O Município de Almada como caso de es udo (aplicação do iTREE ECO). ... 45
6. Resul ados – Es a égia de o denamen o de base ecológica com ecu so à
es u u a a bó ea com is a à o imização da capaci ação u bana em e mos de
desman elamen o e a mazenamen o de dióxido de ca bono (CO2). ....................... 51
7. Conclusões. ............................................................................................................. 86
8. Bibliog a ia. ........................................................................................................... 88
9. Ou as Fon es......................................................................................................... 90
5
Índice de Figu as
Figu a 1 - Quin a do Janei o, Almada. Á ea de es udo com meno p esença
a bó ea, delimi ada a e melho. Fon e: Google Maps. ..................................... 45
Figu a 2 - Complexo Mul idespo i o de Almada. Á ea de es udo como exemplo
de u banismo sus en á el, delimi ada a e melho. Fon e: Google Maps. ........ 46
Figu a 3 - He dade da A oei a. Á ea de es udo com maio peso em es u u a
a bó ea, delimi ada a e melho. Fon e: Google Maps. ..................................... 47
Figu a 4 – Diâme o das á o es à al u a do pei o em Quin a do Janei o. Fon e:
iT ee Eco. ......................................................................................................... 48
Figu a 5 - Diâme o das á o es à al u a do pei o em Complexo Despo i o de
Almada. Fon e: iT ee Eco. ................................................................................ 49
Figu a 6 - Diâme o das á o es à al u a do pei o em He dade da A oei a.
Fon e: iT ee Eco. .............................................................................................. 49
Figu a 7 - Rua Ma ia Lamas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ..................... 53
Figu a 8– P a enwald ing, S u ga . Demons a ha monia e con inuidade pa a
as espécies ege ais. Fon e: P óp ia. .............................................................. 53
Figu a 9 – C uzamen o en e as Ruas Gene al Humbe o Delgado e Dom Dinis,
Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ................................................................... 54
Figu a 10– Pa enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. ...................................... 54
Figu a 11 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 55
Figu a 12 – Rua Meloas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ........................... 55
Figu a 13 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 56
Figu a 14 – Alameda de Gue a Junquei o, Complexo Despo i o de Almada.
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 56
Figu a 15 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 57
Figu a 16 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 58
Figu a 17 - C uzamen o en e as Ruas Gene al Humbe o Delgado e Dom
Dinis, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ......................................................... 59
Figu a 18 – P a enwald ing, S u ga . Ca alho-Al a inho odeado de uma
á ea bas an e pe meá el, o que acili a a sua busca po água e nu ien es e
con ibui pa a a sua qualidade de ida. Fon e: P óp ia. ................................... 59

6
Figu a 19 – P a enwald ing, S u ga . Al e na i a p á ica e iá el pa a os
passeios e es acionamen os. Fon e: P óp ia.................................................... 60
Figu a 20 – Rua Rainha San a Isabel, Quin a do Janei o. Solo o almen e
impe meabilizado con ibui em g ande medida pa a a esco ência supe icial e
alagamen o das zonas com co as in e io es. Fon e: P óp ia. ........................... 60
Figu a 21 – Rua Meloas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ........................... 61
Figu a 22 – P a enwald ing, S u ga . Al e na i as simples e e icazes pa a
passeios e es acionamen os. Fon e: P óp ia.................................................... 62
Figu a 23 – Rua Gene al Humbe o Delgado, Quin a do Janei o (sen ido no e).
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 63
Figu a 24 – Rua Gene al Humbe o Delgado, Quin a do Janei o (sen ido sul).
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 63
Figu a 25 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 64
Figu a 26 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 65
Figu a 27 – Rua Dom Dinis, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ...................... 65
Figu a 28 – S u ga , Deu schland. Fon e: P óp ia. ......................................... 66
Figu a 29 – Rua Se e Cha es, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. .................. 66
Figu a 30– Rua João de Deus, Quin a do Janei o. No amen e, a es u u a
a bó ea exis e num espaço pouco adequado, es acionamen o cimen ado e
impe meá el. Fon e: P óp ia. ........................................................................... 67
Figu a 31 – P a enwald ing, S u ga . Es acionamen o pe meabilizado,
es acionamen o de bicicle as igualmen e con emplado e es u u a a bó ea com
mais espaço e ecu sos. Fon e: P óp ia. .......................................................... 68
Figu a 32 – P a enwald ing, S u ga .. Fon e: P óp ia. ................................... 69
Figu a 33 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 69
Figu a 34 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 69
Figu a 35 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 69
Figu a 36 – P ace a In ância, Quin a do Janei o. Mais uma ez, a es u u a
a bó ea não se encon a num local adequado pa a desempenha as suas
unções na u ais. Fon e: P óp ia. ..................................................................... 71
Figu a 37 – P a enwald ing, S u ga . Po meno dos can ei os ap esen ados
p e iamen e. Fon e: P óp ia. ............................................................................ 72
7
Figu a 38 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 72
Figu a 39 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 73
Figu a 40 – P a enwald ing, S u ga . Exemplo como can ei os podem se i
de ba ei a ísica en e os passeios e a odo ia. Fon e: P óp ia. ..................... 74
Figu a 41 – Rua Meloas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia. ........................... 74
Figu a 42 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 75
Figu a 43 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 76
Figu a 44 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 76
Figu a 45 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia. .................................... 76
Figu a 46 – He dade da A oei a. Exempla de Acácia em des aque. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 77
Figu a 47 – He dade da A oei a. Exempla de Pinhei o-B a o em des aque.
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 77
Figu a 48 – P a enwald ing, S u ga . Exemplo de supe ície e de, onde a
exis ência e pe manência de lo es. Fon e: P óp ia. ........................................ 78
Figu a 49 – P a enwald ing, S u ga . Po meno de supe ície e de em
comunhão com o meio ambien e. Fon e: P óp ia. ............................................ 78
Figu a 50 – S u ga , Deu schland. Escul u as den o de uma á ea e de
p o ida de espécies ege ais com pólen abundan e. Fon e: P óp ia. .............. 79
Figu a 51 – S u ga , Deu schland. Escul u as que se em de colmeia – apoio
aos inse os polinizado es. Fon e: P óp ia. ....................................................... 80
Figu a 52 - Lo e " i gem" na He dade da A oei a. Fon e: P óp ia. ................... 81
Figu a 53 - He dade da A oei a. Con as e en e lo e endido e po ende .
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 81
Figu a 54 - He dade da A oei a. No o exemplo da má ges ão dos p op ie á ios.
Fon e: P óp ia. .................................................................................................. 81
Figu a 55 - He dade da A oei a. Fon e: P óp ia. .............................................. 82
Figu a 56 - He dade da A oei a. Fon e: P óp ia. .............................................. 82
Figu a 57 - He dade da A oei a. "Ilha" de ege ação, ce cada po modos de
ida insus en á el. Fon e: P óp ia. ................................................................... 82
Figu a 58 - He dade da A oei a. Fon e: P ó p ia. ............................................. 82
Figu a 59 - He dade da A oei a. Dimensões desap op iadas pa a a odo ia e
es acionamen o. Fon e: P óp ia. ...................................................................... 83
8
Figu a 60 - S u ga , Deu schland. Caminho pedonal e ciclo ia a pa ilha a
mesma es u u a. Co edo e de odeado de biodi e sidade, onde o caminho é
adap ado pa a o c escimen o das á o es e espe i as aízes. Fon e: P óp ia.84
Figu a 62 - P a enwald ing, S u ga . Á ea de ese a na u al den o da cidade,
nas imediações da Uni e sidade de S u ga e de zona esidencial. Fon e:
P óp ia. ............................................................................................................. 85
Figu a 61 - S u ga , Deu schland. Ci cui o pedonal e ciclo ia seg egada das
odo ias adjacen es. Exemplo de ap o ei amen o do espaço público de uma
o ma sus en á el. Fon e: P óp ia. ................................................................... 85
9
1. In odução e Obje i os.
A In aes u u a e de u bana (IVU) consis e numa es u u a mul i uncional, necessá ia
nas cidades, que desempenha se iços ecológicos undamen ais pa a o desen ol imen o
sus en á el das dinâmicas e a i idades ine en es às me ópoles (como po encia a
biodi e sidade, co edo es de en ilação u bana, zonas de d enagem e in il ação,
sumidou os de ca bono a mos é ico, en e ou os). Es a in aes u u a em como
elemen o cha e a es u u a a bó ea, sendo o conjun o de odas as á o es. A mesma é
essencial pa a p opo ciona os mais a iados se iços ecológicos, necessá ios na
qualidade de ida dos cidadãos e dos se es i os p esen es no e i ó io. A ausência da
mesma em impac os signi ica i os no meio ambien e e na biodi e sidade (He zog,
2013).
A a és das al e ações climá icas, o “aumen o da ansmissão e p opagação de doenças
in eciosas, a edução da quan idade de água po á el e de alimen os disponí el e a
edução da qualidade do a e da água são alguns exemplos de iscos que i ão a e a a
população do plane a nas p óximas décadas.” (Fe ei a e al., 2019). A p esença de
ecossis emas saudá eis e uncionais, espalhados po oda a supe ície e es e, e ela-se
como de ex ema necessidade no pa adigma a ual da humanidade.
Os obje i os des e abalho ocam-se na análise da in aes u u a e de e a p esença e
uncionalidades da es u u a a bó ea na mesma, como elemen o ulc al e decisi o.
P e ende-se demons a a impo ância das á o es em con ex o u bano, nomeadamen e
nos seus se iços de ecossis ema (qualidade e humidade a mos é ica, supo e pa a a
biodi e sidade, cap ação e a mazenamen o de ca bono, libe ação de oxigénio, ixação
dos solos, en e ou as).
Se á ap esen ado um capí ulo sob e IVU, ou o sob e a es u u a a bó ea e e mina ei
com um es udo de caso (onde cons a á uma es a égia de ação pa a as á eas em
ques ão). O p oje o p incipal es á elacionado com a es u u a a bó ea e os se iços de
ecossis ema de seques o e a mazenamen o de dióxido de ca bono (gás de e ei o es u a
– GEE – p esen e em g andes quan idades na a mos e a e associado às mudanças
climá icas que emos indo a assis i ) (Fe ei a e al., 2019).
16
u banos (e não só) con ibuí am pa a o aumen o de di e sos cená ios e acon ecimen os
nega i os, como: deslizamen o de e as nas e en es, e osão acele ada, baixa
e ilidade e ele ado ní el de con aminação do solo, aca qualidade das águas e do a
a mos é ico, pe da de biodi e sidade, aumen o de p agas e pes es, inc emen o
exponencial da poluição e de esíduos, maio oco ência de cheias e inundações
(de i adas de uma eno me impe meabilização dos solos), en e ou as. “A es u u a
ecológica de uma cidade é um dos seus elemen os mais impo an es, de ido ao seu
múl iplo papel no equilíb io u bano, p opo cionando não apenas bene ícios ecológicos
(e ambien ais), como ambém se iços sociais e económicos, domínios que cons i uem
os ês pila es da sus en abilidade.” (XII Colóquio Ibé ico de Geog a ia – 2010).
De aco do com He zog (2013), a sus en abilidade da paisagem só se pode a ingi com a
implan ação e expansão de co edo es e des e azuis. Es es são in e ligações que
es abelecem os luxos da água e da biodi e sidade ege al e animal no e i ó io.
Podem se obse ados nos ios e canais ena u alizados e em uas densamen e
a bo izadas (onde seja ap esen ada uma abundância em e mos de plan as e solos
pe meá eis).
“Capi alism es s on keeping he knowledge abou wa e sec e ... once we
ha e esh wa e in abundance, ood p oduc ion becomes so cheap ha
specula ing wi h i is ende ed useless.” (Vik o Schaube ge in Holze ,
2012)
A água é um ema cen al na nossa sociedade. A ida no plane a só exis e po que a água
se encon a p esen e em ês es ados dis in os (líquido, gasoso e sólido) em pe manen e
mu ação. Embo a a maio pa e dela se encon e no oceano ou nos glacia es, os
humanos dependem de uma ín ima pe cen agem de água doce e po á el p esen e à
supe ície, lençóis de água ou aquí e os sub e âneos. Não obs an e, as dinâmicas e
a i idades e e uadas pela humanidade não êm ei o nada a não se p ejudica e
comp ome e o olume des e ecu so disponí el pa a consumo. Des e modo, su ge a
necessidade de oma medidas em meios u banos pa a se possí el o maio
ap o ei amen o possí el das águas da p ecipi ação, con ibuindo pa a eca ega os

17
lençóis eá icos e os aquí e os exis en es. Segundo Co mie e Pelleg ino (2008), a
solução pa a es a ques ão cen a-se na implan ação de ja dins de chu a e can ei os
plu iais. Es es ão acumulando e in il ando oda a água p o enien e da esco ência
supe icial ( elhados, uas) e pe mi em a o imização no ap o ei amen o híd ico das
cidades.
A ualmen e (2020), Po ugal so e de uma c ise ambien al elacionada com o a anço
das á eas desé icas no e i ó io, nomeadamen e no sul (Alga e e Alen ejo). Aliado à
al a de ação e incen i os inancei os absu dos, es e enómeno é mais in enso quan o
mais dis an e nos a as amos da cos a a lân ica (in luência dos en os oceânicos com
p esença de imensa humidade) em di eção ao in e io da península ( en os secos e
con inen ais). Es e cená io ende a ag a a ano após ano, uma ez que o balanço híd ico
não é a ingido: quan o menos cobe u a ege al e água p esen e, maio se á o e ei o de
seca e i icado.
De o ma a disponibiliza água pela supe ície de uma manei a homogénea (enchendo
no amen e aquí e os e linhas de água sub e âneas), p opõe-se a implemen ação de uma
paisagem baseada na abundância de água e biodi e sidade, sob e a o ma de bacias de
e enção. Es as pe mi em a in il ação de água nas zonas onde es ão inse idas e
impedem a esco ência supe icial (que e i a os sedimen os inos e supe iciais,
essenciais pa a que as aízes se ixem no solo). As bacias de e enção espalhadas pelo
país de e ão se in e ligadas, endo em con a as cu as de ní el, de modo a p omo e o
li e mo imen o das águas (ga an indo a sua oxigenação e i ando a pu e ação).
“Wa e e en ion spaces o collec ainwa e need o be c ea ed along he
con ou lines. Lakes and ponds es o e he hyd ological balance and
p o ec owns and ci ies om i e. A heal hy ee in ull simply sap does
no bu n. (...) I a i e s a s somewhe e nea by, a lake is he e o
ex inguish i .” (Holze , 2012)
Segundo Holze (2012), apenas o solo que se encon a esco consegue abso e a
p ecipi ação, na medida em que um solo quen e impede a água de pene a de idamen e
e omen a a esco ência supe icial. Com is o, é possí el en ende o ciclo “ icioso” em
18
o no da paisagem: quan o mais cobe u a ege al, maio e apo anspi ação (água na
a mos e a – humidade); quan o mais humidade e p o eção da adiação sola , mais esca
se encon a a a mos e a e o solo; quan o mais esco o solo, maio in il ação i á oco e .
“A e en ion space dis ibu es he wa e o he whole su oundings,
decen alised... E e y human being needs o con ibu e o sa e he
en i onmen and no des oy i . We should ake down hese huge dams
and build decen alised and connec ed e en ion spaces o a ying sizes
ins ead.” (Holze , 2012)
Pa a p e eni cheias e inundações su ge a necessidade de es au a o balanço
hid ológico. Ao de ol e à e a a habilidade de a mazena água e pe mi i mos a sua
li e ci culação sub e ânea e supe icialmen e, es amos a de ol e à na u eza aquilo
que ela mais p ecisa (Holze , 2012). Is o e le e-se imedia amen e na oco ência e
equência de cheias e inundações, p ocessos de dese i icação e ogos lo es ais.
Segundo Fe ei a e al. (2010), a implan ação de uma ede de co edo es e des baseada
na es u u a ecológica cons i ui uma medida essencial pa a a equali icação ambien al
em á eas u banas e pa a a de inição de uma Es u u a Ecológica U bana. De ende que o
planeamen o ambien al de e á coo dena as a i idades humanas, “no sen ido de
econhece , conse a e p omo e elemen os na u ais e cul u ais que, po e em
ca ac e ís icas únicas, de e ão se sujei os a um o denamen o e planeamen o
ambien almen e sus en á eis, con ibuindo des a o ma pa a a qualidade de ida dos
habi an es.” Des a o ma, a in aes u u a e de demons a uma e en e o ganizacional
e planeado a, na medida em que ga an e uma boa ges ão do e i ó io e ap esen a uma
isão holís ica sob e os ecu sos e a biodi e sidade.
“A Es u u a Ecológica num de e minado e i ó io econhece os sis emas ecológicos
undamen ais com is a à implemen ação sus en á el da es u u a edi icada.” (Fe ei a
e al., 2010). Es e pon o e ela-se como cen al em con ex os u banos, onde os di e sos
in e esses pa icula es endem em sob epo -se aos in e esses cole i os. Pe an e es e
a o , su ge a necessidade de ado a polí icas e me ódos idóneos endo em con a a
19
dimensão dos p oblemas. De aco do com Menegue i (2007), uma Es u u a Ecológica
bem es u u ada e uncional é undamen al pa a uma cidade esilien e e equi a i a.
Exis em dis unções e i o iais imensas, g ande pa e de ido à al a de conhecimen o
especí ico e cien í ico sob e as á ias á eas a in e i . A na u eza é pa e in eg an e e
indispensá el de qualque e i ó io que nos odeia, sendo po isso não só necessá io o
es udo e pesquisa, mas ambém a consciência da o al dependência sob e a sociedade.
Assim sendo, a IVU “de e á cons i ui um ins umen o de planeamen o ambien al e de
o denamen o do e i ó io que o ien e a ocupação e ans o mação an ópica do
e i ó io” e a Es u u a Ecológica (EE) “cons i ui -se como um modelo de ocupação do
e i ó io” (Fe ei a e al., 2010). Os espaços biodi e sos “podem cons i ui um e o ço
pa a a es u u a ecológica u bana, em complemen o aos espaços e des das cidades,
alo izando e conse ando a biodi e sidade, p omo endo a esiliência u bana e
mi igando iscos.” (Soa es e al., 2019).
O p ocesso de o denamen o, ges ão e planeamen o do e i ó io de e e po base a
conse ação, p o eção e inclusão de odos os elemen os bio ísicos, paisagís icos, sociais
e cul u ais. Des a manei a, a EE de um de e minado luga econhece os sis emas e
se iços ecológicos p edominan es, isando a implemen ação sus en á el da
in aes u u a cinza ( ias de comunicação, edi icios pa a a di e sas unções u banas,
es u u as a i iciais). (Fe ei a, 2010). A IVU é essencial pa a o ma a pon e en e as
á eas na u ais e as aglome ações u banas, p omo endo o luxo na u al das águas, en os
e biodi e sidade, enquan o p o ege e omen a a e ilidade e qualidade dos solos
simul aneamen e.
É ambém sublinhada a necessidade de uma ino ação concei ual, em e mos do
condicionamen o à edi icação. O seu obje i o se ia cla i ica os c i é ios a e em
conside ação ela i amen e à ap idão dos solos e a unções u banas e não u banas, uma
ez que a edi icação des eg ada ep esen a um dos maio es impac os a egis a nas
cidades.
“Em esumo, no âmbi o dos p ocessos de Planeamen o Ambien al em
meio u bano pode emos de uma o ma “simples” en ende a Es u u a
Ecológica como um Ins umen o de O denamen o do Te i ó io
20
essencial pa a a ealização dos Planos de u banização, enquan o a ede
de Co edo es Ve des de e se en endida como uma “in a-es u u a
e de”, que in eg a o modelo de o denamen o.” (Fe ei a, 2010)
Fe ei a (2010) de ende que a EE, enquan o ins umen o, demons a um ca ác e
p oposi i o (ao isa a eposição dos sis emas na u ais), um ca ác e egulado
(p o egendo e bene iciando os sis emas) e um ca ác e escala (in eg ando-se na
pleni ude dos âmbi os dos Ins umen os de Ges ão Te i o ial). Além disso, a IVU
“ econhece os sis emas ecológicos undamen ais e o ien ado es de uma implemen ação
sus en á el da es u u a edi icada de o ma a p omo e a biodi e sidade em ambien e
u bano”.
3.2 Os se iços ecológicos u banos da IVU.
Segundo uma pa icipação pa lamen a (elabo ada po á ios écnicos especializados na
ma é ia), a in aes u u a e de é essencial pa a ga an i ias de con inuidade em á eas
a i iciais u banas, dispondo locais de ab igo, alimen ação e nidi icação pa a inúme os
animais, incluindo inse os e a es polinizado as. Além do mencionado, a olhagem das
á o es, a bus os e ou os ipos de ege ação p opo cionam nu ien es e ma é ia
o gânica indispensá eis ao solo. Is o pe mi e a exis ência de um solo i o, onde oncos
e amos albe gam comunidades de musgos e líquenes (espécies pionei as). As copas das
á o es são de ex ema impo ância pa a desempenha os se iços ecológicos de il o
das pa ículas em suspensão na a mos e a e cons i ui habi a s pa a a biodi e sidade.
Esses se iços so em uma edução quando são e e uados danos nas copas (poda
excessi a, nomeadamen e) (5).
“As cidades es ão sujei as a impac os equen es que in e e em em seu
uncionamen o – empes ades, secas, epidemias, são alguns exemplos.
Pa a en en a os desa ios, é p eciso cons ui cidades esilien es pa a
que sejam sus en á eis no longo p azo.” (He zog, 2013)
21
Con udo, “es ão sendo eliminados os ecossis emas na u ais que in il am, de êm, e êm
e il am as águas, além de p o ege em de e osão as ma gens de co pos d’água pa a
e i a o seu asso eamen o e deg adação.” (He zog, 2013). O p ocesso de u banização
sem limi es aduz-se na mudança da di eção e posicionamen o de cu sos de água, a
d enagem inconscien e de pân anos e zonas húmidas (impo an es núcleos de seques o
e a mazenamen o de dióxido de ca bono – CO2), mudanças na equência e
ca ac e ís icas dos en os, pe da de ecossis emas, biodi e sidade e solos é eis, en e
ou as.
Segundo Benini (2015), os se iços ecológicos u banos da IVU consis em em
“p omo e a in il ação, de enção e e enção das águas das chu as no local, e i ando o
escoamen o supe icial; il a as águas de escoamen o supe icial nos p imei os 10
minu os da chu a, p o enien es de calçadas e ias pa imen adas con aminadas po
esíduos de óleo, bo acha de pneu e pa ículas de poluição; c ia habi a e conec i idade
pa a a biodi e sidade; ameniza as empe a u as in e nas em edi icações e mi iga as
ilhas de calo ; p omo e a ci culação de pedes es e bicicle as em ambien es
somb eados, ag adá eis e segu os; diminui a elocidade dos eículos; con e encos as e
ma gens de cu sos d’água pa a e i a deslizamen os e asso eamen o.”.
Song e al. (2020), a i mam que os espaços e des egulam o mic oclima egional
a a és do somb eamen o, e apo anspi ação, oca de mo imen os de a (quen es e
ios) e con olo da elocidade do en o. Des a o ma, mi igam os enómenos de ilha de
calo à escala u bana. De aco do com os mesmos au o es, a ege ação nos espaços
e des in e ce a a p ecipi ação, eduz a esco ência supe icial, p omo e a in il ação da
mesma no solo e, assim, limi a a oco ência de inundações e diminui os cus os e iscos
associados à manu enção dos sis emas de esgo os.
Ou o pon o undamen al cen a-se na saúde dos habi an es u banos. A seden a ização é
um ema mui o impo an e, uma ez que g andes á eas u banas des inam-se a ins
me amen e habi acionais ou p o issionais, esquecendo a componen e da a i idade ou
exe cício ísico que in luencia em la ga medida a qualidade de ida dos cidadãos.
He zog sus en a (2013) que “doenças ísicas não ansmissí eis – emocionais e
psíquicas – como obesidade, p essão al a, diabe es, p oblemas ca díacos, dep essão,
adiga men al, en e inúme as ou as, podem se a adas com a mudança do es ilo de
ida em cidades que es imulem uma ida saudá el e a i a jun o à na u eza.” Uma

22
pessoa a i a e habi uada a a i idade ísica egula é mais esilien e a es e ipo de
p oblemas de saúde, e e idos p e iamen e. O p óp io uído emi ido pelas dinâmicas das
a i idades an ópicas (mobilidade a a és da combus ão de combus i eis ósseis,
clima ização, ob as públicas, en e ou as) é bas an e p ejudicial à saúde men al e
con ibui pa a diminui a qualidade de ida. Fe ei a e al. (2019) a i ma que a “ edução
do uído é um se iço ecológico mui o impo an e p es ado pelas in aes u u as e des
das cidades. O solo u bano, as plan as e as á o es conseguem a enua a poluição sono a
p o ocada pelas a i idades humanas, a a és de mecanismos como a abso ção, di ação,
e leção e e ação das ondas sono as.”
A IVU o e ece se iços ecológicos insubs i uí eis pa a a quan idade e qualidade de
água disponí el. Ao inc emen a a pe meabilidade, os ecu sos híd icos ol am a e a
capacidade de se in il a em no solo e pe co e em g ande di e sidade de mine ais. Is o
az com que a água se mine alize e o ne po á el pa a consumo ge al. Além do e e ido,
a pe meabilidade dos solos omen a o aumen o do olume dos lençóis eá icos e dos
aquí e os exis en es (Holze , 2012).
“Why does he wa e keep lowing, e en du ing d y pe iods? The answe
is he s o ing capaci y o he soil, he body o he ea h. The g ound ac s
(...) like a sponge, millions o oo s hold billions o d ops o wa e which
a e eleased slowly, e en when i has no ained o a while.” (Holze ,
2012)
Em 2012, Holze e e e que uma “wa e landscape, consis ing o se e al connec ed,
decen alised e en ion spaces sa u a es he whole a ea wi h wa e .” Po ou o lado, “a
dammed ese oi does he opposi e, i d aws he wa e away om he whole a ea and
cen alises i in he ese oi .” Es a noção em um g ande impac o no pa adigma em
que i emos, onde a cons ução gene alizada de ba agens pa a a p odução de ene gia
elé ica em indo a p o oca danos i e e sí eis aos ecossis emas. Es as comp ome em
a biodi e sidade (a a és de enxu adas espon âneas a jusan e, pa a p oduzi ene gia –
local de eleição pa a a deso a de di e sas espécies aquá icas), o ciclo dos sedimen os
(que de e iam chega ao oceano em o ma de sedimen os a enosos), o ecossis ema (a
23
pa i da inundação p oposi ada de de e minadas á eas a mon an e das ba agens) e a
“no mal” dis ibuição da auna e lo a.
Segundo Machado e al. (2004), a “Rede de Co edo es Ve des são espaços li es
linea es que ligam g andes á eas não linea es ou g andes manchas de espaços na u ais.
Es es conjun os cons i uem sis emas de espaços, planeados, p oje ados e ge idos pa a
ins múl iplos, incluindo obje i os ecológicos, ec ea i os, cul u ais, es é icos e
p odu i os, compa í eis com o concei o de sus en abilidade.” (Fe ei a, 2010)
Em á eas u banas, a Rede de Co edo es Ve des p e ende p omo e a in e ligação en e
os á ios espaços u banos e os ecossis emas na u ais, ep esen a uma al e na i a às
endências de o denamen o egen es e compa ibiliza as necessidades an ópicas com a
p o eção ambien al (Fe ei a, 2010). Des e modo, a Rede de Co edo es Ve des U banos
a ua na Es u u a Ecológica com os seguin es obje i os p incipais:
- P o eção e sal agua da dos ecu sos na u ais p esen es no e i ó io;
- P ocede à expansão da ede po oda a supe ície da aglome ação u bana;
- Po encia a qualidade de ida dos cidadãos e da paisagem;
- Delimi ação de á eas com alo ecológico, cul u al e paisagís ico conside á el.
“A In aes u u a e de u bana pode se de inida como uma ede de
espaços e des (pa ques, ja dins, á zeas, e c.) e azuis (lagos, ios, e c.)
mul i uncionais, na u ais e/ou a i iciais, capazes de o nece uma sé ie
de bene ícios sociais e ecológicos...” (Fe ei a e al., 2019)
“Es a “in aes u u a e de” de e á se o supo e das paisagens e dos ecossis emas
au óc ones, de e á e unções de co edo ecológico ao p o idencia habi a s pa a a
auna e lo a, cons i ui um il o de a e água, unções sociais e cul u ais ao p omo e
um equilíb io es é ico e paisagís ico, p opiciando à população espaços li es de ec eio,
laze e educação ambien al.” (Fe ei a, 2010). Os se iços ecológicos (ou dos
ecossis emas) podem aduzi -se na disponibilidade de alimen os locais e escos,
il agem, a mazenamen o e cap ação de águas, o necimen o de combus í eis e ou as
24
ma é ias-p imas essenciais, egulação da empe a u a e clima, con olo de p agas,
pu i icação do a e libe ação de oxigénio do dióxido de ca bono, saúde pública e
qualidade de ida, na p omoção da es é ica da paisagem e na inclusão social. (Fe ei a e
al., 2019).
“A exis ência de espaços e des jun o às á eas onde se o ma a ilha de calo u bano,
pa a além de con ibui pa a a diminuição das empe a u as, pe mi e ambém al e a a
di eção do luxo do en o e melho a a qualidade des e... uma ez que a ege ação il a
e abso e as pa ículas e poei as em suspensão.” (Pinhei o, 2012). De aco do com a
mesma, a “ ege ação é um e mo egulado da empe a u a do a , e con ibui pa a o
aumen o da humidade do a ”, que se aduz na amenização da empe a u a e na
oco ência de p ecipi ação mais equen emen e. Em 2021, a Na ional Geog aphic
esc e eu que o “as al o é pa icula men e abso en e e, jun amen e com o be ão, libe a
na a mos e a esse calo cap u ado du an e á ias ho as, mesmo após o desapa ecimen o
do Sol, con ibuindo pa a o e ei o de ilha de calo u bano. Uma á o e bem posicionada,
po ou o lado, pode man e um edi ício 10 g aus mais esco do que se es i esse
comple amen e expos o ao sol.”. Assim sendo, cons a amos que a “cobe u a a bó ea de
uma cidade é uma in aes u u a à semelhança do sis ema de esgo os. O a o edo
desen ol ido é po encialmen e mi igado do e ei o de «ilha de calo .»” (Na ional
Geog aphic, 2021).
3.3 A es u u a a bó ea u bana como IVU undamen al pa a a
sus en abilidade e esiliência u bana.
De aco do com Holze (2012), Po ugal expo a água e impo a u a e legumes. “I is
absu d o c ea e such a high le el o sel -des uc i e dependency.” O au o de ende que
a coope ação en e os países Ibé icos (Po ugal e Espanha) na o mação de uma “wa e
landscape” se ia uma mais- alia em e mos económicos e ecológicos. Dessa o ma, o
e i ó io pa ilhado inc emen a a a sua e ilidade e passa ia a p oduzi u as, legumes
e ege ais abundan emen e. Pa a além do mencionado, exis e uma insis ência
gene alizada no cul i o e plan ação de espécies da amília dos eucalip os
(p inciplamen e Eucalyp us Globulus) em as as á eas. Acon ece que essa á o e é
au óc one na Aus ália e es á habi uada a i e em climas desé icos, com ausência de
ecu sos híd icos em abundância. Foi in oduzida em Po ugal pa a a p odução de pas a
de papel e u ilizada pa a seca pân anos e ou as zonas alagadas, de modo a possibili a
25
a cons ução sob e elas. É bas an e ú il na p odução de papel, uma ez que cons i ui
uma g ande p odu o a de biomassa, e demons a um c escimen o bas an e ápido, sendo
adequada pa a e lo es ação de de e minadas á eas. Toda ia, ao ins ala -se em Po ugal
con inen al e depa ando-se com a quan idade de água p esen e no e i ó io, o eucalip o
pode ep oduzi -se sob e a o ma de p aga (14).
“Po ugal impo s mo e han 70% o he ood i needs e en hough i is a
e ile coun y, spoiled wi h wa e and wa m h. (...) The pine
monocul u e ha e an especially de as a ing e ec in Po ugal; because
o silica e ock in he g ound, he o es soil u ns acidic much as e .
Dese i ica ion has p og essed a in la ge a eas o he coun y. (...) The
only ees le a e eucalyp us and hey ob he las emaining wa e om
he g ound.” (Holze , 2012)
A na u eza consis e num complexo e pe manen e conjun o de in e ações bio ísicas.
Cons i ui um sis ema ão in e ligado que uma simples mudança pode a e a o seu odo.
Não obs an e, a unção de cada elemen o só se o na de e minan e se in e e i
di e amen e com a manu enção e uncionamen o do sis ema. “Se as in e ligações são
al e adas ou in e ompidas, o sis ema pode muda de pa ama de uncionamen o ou
pe ece , e mina ... qualque sis ema consis e em elemen os, conexões e unções. Uma
mudança nos elemen os pode não al e a a sua unção, mas uma mudança nas
in e conexões pode al e a d ama icamen e o uncionamen o do sis ema.” (He zog,
2013).
“Pa a as á o es é mais di ícil supo a a sede do que a ome.” (Wohlleben, 2016).
Segundo o esc i o alemão, as á o es pe dem a capacidade de p oduzi alimen os
quando não há humidade. Esse a o az com que as mesmas enham a necessidade de
o ma de esas e habilidades pa a e i a es e ipo de si uações. É dado o exemplo das
aias (Fagus syl a ica), explicando que um exempla adul o consegue euni mais de
500 li os diá ios de água pelas suas aízes, olhas e es u u a. O p óp io onco é
cons i uído po longos e con ínuos canais condu o es en e as aízes e as olhas, de
o ma a pe mi i a oca cons an e de água e açúca . Es es canais localizam-se no
32
Po ou o lado, em monocul u as é habi ual obse a -se a pe da quase ou mesmo o al
(Holze , 2012). O au o e e e ainda que é a pa i des as si uações que mui os
ag icul o es desis em e endem-se ao uso de pes icidas e e ilizan es químicos pa a
ga an i as suas colhei as e p oduções em egimes de monocul u a.
U iliza semen es e pe mi i o seu c escimen o di e amen e na e a (no seu des ino
inal) e ela-se bas an e mais ba a o economicamen e e ácil. Des e modo, as plân ulas
êm a opo unidade de se desen ol e em comunidade e c esce com maio esiliência
ace aos a o es in asi os na sua en ol ência. Além do e e ido, das plan as que êm
es a opo unidade apenas as melho adequadas ao e eno sob e i em e desen ol em
uma p ole mais o e gene icamen e, com a capacidade de esis i mais acilmen e a
episódios de geada ou gelo, seca ou compe ição adjacen e (Holze , 2012).
“The ege a ion p o ec s he soil and i s oo s ai and ac i a e he soil by
keeping he hyd ological balance in ac . A laye o allen lea es p o ec s
he soil om d ying ou .” (Holze , 2012)
As olhas caídas cons i uem camadas p o e o as do solo. Ga an em a p esença e
pe manência de nu ien es pa a a ege ação en ol en e, a mazenam e libe am
len amen e água, man êm a humidade e ans o mam-se em húmus ao decompo -se
(camada do subsolo mais impo an e e supe icial, que pe mi e as aízes a sua ixação e
segu ança) (Holze , 2012).

33
4.2. Ca ac e ís icas das espécies u ilizadas em ambien e u bano.
Classi icação. Van agens e des an agens.
“T ees heal om hei oo s up; wi h a heal hy oo sys em he es will heal oo.”
(Holze , 2012). Segundo o mesmo au o , um bom en aizamen o e oxigenação são as
melho es medidas pa a comba e al os ní eis de acidi icação do solo.
As plan as plan adas pelos humanos pe dem em g ande medida a capacidade de
in e agi comuni a iamen e e apoia -se mu uamen e à supe ície e no subsolo. “São
p a icamen e su das e mudas, o nando-se assim p esa ácil pa a inse os.” (Wohlleben,
2016). A plan ação dani ica as aízes e o izoma de o ma pe manen e, impedindo que
as plan as es ejam unidas em ede e cap em po elas mesmas o necessá io de água e
nu ien es pa a alimen a as suas copas. As á o es c iadas des e modo compo am-se
como se es soli á ios, expos os às di iculdades ine en es às suas exis ências.
(Wohlleben, 2016).
“The e is only one way o p o ec c ops om pes s: do no plan
monocul u es. Encou age na u al p eda o s by p o iding habi a s o
hem.” (Holze , 2012)
O soma ó io do o al das á o es p esen es num meio u bano cons i ui a lo es a u bana.
Es a in aes u u a e de disponibiliza se iços ecológicos que são insubs i uí eis e
p edominan es num con ex o de adap ação às al e ações climá icas, desde que a sua
es u u a a bó ea es eja num es ado saudá el. Esses se iços consis em na manu enção e
melho a da qualidade do a (a a és do desman elamen o das moléculas de dióxido de
ca bono, ou os gases de e ei o es u a e a cap u a de pa ículas em suspensão), na
edução do consumo ene gé ico, inc emen o da qualidade dos ecu sos híd icos e na
p e enção de inundações e deslizamen os. (He zog, 2013).
Mesmo quando uma á o e mo e, de emos p omo e a sua pe manência no
ecossis ema. Os oncos e aízes em decomposição abso em água como pa e desse
p ocesso. Essa água é libe ada len amen e e ap o ei ada pelas aízes das plan as na sua
izinhança. Além disso, se em de ab igo e habi a s na u ais pa a um ele ado núme o
de pequenos mamí e os, a es, inse os e mic o ganismos (Holze , 2012).
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“I lea e he old ees s anding, e en when hey a e dead. They p o ec he
new g ow h. Wi hou hem he young ees ha e o s uggle a lo mo e. ...
A allen ee can s ay whe e i is, i o e s p o ec ion and ood o many
animals and mic oo ganisms.” (Holze , 2012)
É ex emamen e impo an e que as á o es ap endam desde cedo com as suas
p ogeni o as g ande a iedade de écnicas de sob e i ência e ep odução. Exemplo
disso es á nas á o es de u o (como cas anhei as ou salguei os), que chamam a enção
pa a si p óp ia a a és de mensagens ol a i as, a aindo assim abelhas (e ou os inse os
polinizado es) a abas ece -se nos seus néc a es ep odu i os (Wohlleben, 2016).
É de e minan e e impe a i a a c iação de espaços dedicados exclusi amen e aos inse os
polinizado es. Bas a a conceção de can ei os com dimensões maio es, ligados em
con inuidade ou mesmo em á eas esidenciais, dedicados ao c escimen o de lo es,
au óc ones, e com a maio di e sidade possí el. Toda a cadeia na u al depende des es
se es pa a que seja possí el a sua ep odução, alimen o e qualidade de ida.
Os choupos (Populus) são espécies colonizado as, de ido à isionomia das suas
semen es, e c escem des a o ma em di e sos habi a s e ecossis emas. Conseguem
ul apassa os 20 me os de al u a se ob i e em a luz su icien e, seja em lo es as,
cla ei as ou espaços u banos. Quando em comunidade com ou as espécies, o choupo
em boas elações com espécies que não o mam lo es as com densos copados e
deixem passa luminosidade em abundância, como os ca alhos (Que cus) (Wohlleben,
2016).
A amília dos ca alhos (Que cus) é das á o es mais ípicas em Po ugal. Conseguem
a ingi longe idades de mais de 500 anos pe o de quin as ou em p ados, onde a
compe ição po água, nu ien es e luz sola são eduzidas. Consis em em espécies
bas an e bem do adas de p o eção con a ungos, pa asi as, bac é ias e inse os, na
medida em que a sua madei a se encon a embebida em subs âncias an i úngicas que
e a dam imenso o p ocesso de apod ecimen o ( aninos). Mesmo uma e ida ou enda
p o unda no onco (de ido a um aio, po exemplo) nada podem con a eles.
(Wohlleben, 2016). A lo es a po uguesa é ca ac e izada pela abundância de á ias
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espécies des a amília. Os ca alhos es ão p esen es em odo o e i ó io nacional, sendo
no e ca ac e ís ico de exempla es de olha caduca (Que cus obu , py enaica e aginea
– ca alho-al a inho, ca alho-neg al e ca alho-po uguês/ca alho-ce quinho,
espe i amen e) e a sul de olha pe ene (Que cus sube , ilex e cana iensis – sob ei o,
azinhei a e ca alho-de-monchique, espe i amen e) (8).
O eixo (Taxus bacca a) é uma á o e que se desen ol e lindamen e na somb a de
ou as á o es (como o ca alho). Desde o início do seu c escimen o, in es e mui a
ene gia no desen ol imen o da sua ede de aízes compa a i amen e a ou as espécies, o
que se e ela como uma mais- alia em a iadas ocasiões. É no izoma que são
a mazenados nu ien es, pa a que um dia possa ol a a b o a , cheio de o ça, caso
algum in o únio acon eça à supe ície. Tem a capacidade de sob e i e mais de mil
anos em compa ação com os seus conco en es, pelo que ao longo dos séculos o eixo
consegue quase semp e ica expos o a um maio olume de adiação sola . Mesmo
assim, não cos umam ul apassa os 20 me os de al i ude, sendo exempla es adequados
pa a meios u banos ( endo em con a as suas dimensões à supe ície e no subsolo)
(Wohlleben, 2016). Não obs an e, oda a sua es u u a (menos o u o, comes í el e
sabo oso) de ém um alcaloide enenoso ( axina), pelo que de emos e cau ela com a
inges ão das suas olhas, amos, onco ou aízes. Es e ac o az com que a sua p esença
seja indesejada, p incipalmen e em p op iedades onde exis e gado. No en an o, a axina
óxica pa a humanos e animais em indo a se u ilizada na lu a con a o canc o, uma
ez que as suas olhas são icas em axol (agen e an i- umo al, usado com sucesso no
a amen o de di e sos ipos de canc o – o á io, mama, pulmões). O e ei o consis e na
inibição da p oli e ação das células cance ígenas, e i ando o seu alas amen o. Es e
ac o somen e demons a a ele ância absolu a em p ese a a biodi e sidade. Ou a
azão pa a o seu in ensi o aba e e p ocu a es á na qualidade da sua madei a. Ap esen a-
se como du a, compac a, impu escí el e de ele ada elas icidade. Con udo, os ogos
lo es ais ouxe am o que al a a pa a que o eixo se encon e em ias de ex inção.
Des a o ma, é mui o impo an e a p o eção e conse ação des a espécie ameaçada e
au óc one. Em e mos de biodi e sidade, o Taxus bacca a albe ga uma g ande a iedade
de a es, na medida em que o e ecem ó imos luga es pa a que seja ei a a nidi icação nas
suas copas densas ( ambém p o egidas con a p edado es) (6). Embo a os iscos
ine en es à p esença des as espécies em meios u banos (p incipalmen e pa a c ianças e
animais de companhia), a p omoção do Taxus bacca a su ge como uma opo unidade de
36
sensibilização e educação às massas populacionais ci adinas, podendo encon a -se em
pa ques u banos de idamen e p o egidas e sinalizadas a a és de me odologias
didá icas.
Seguidamen e, ap esen amos uns pon os p edominan es pa a que es a espécie seja
ado ada em meios u banos cos ei os (como o caso de uma á ea em es udo,
nomeadamen e na He dade da A oei a):
- P ecisa de bas an e humidade na a mos e a;
- Resis e bem ao io (a é -25ºC);
- Resilien e à poluição u bana;
-Supo a bem a poda, sendo u ilizado ex ensi amen e em ja dins, sebes ou
o namen ação.
Con udo, é necessá io ações de educação ambien al e especí icas onde es as á o es
se ão inse idas, de ido ao seu po encial óxico de pa alisan e ca díaco. Os sin omas de
en enenamen o podem passa po a i mias, queb as de ensão, ómi os, boca seca,
cólicas, e igens, di iculdades em espi a ou desmaio (6). Pa a além de odo o
mencionado, “ja alis já o am is os a e ol e o solo sob o copado dos Teixos maio es,
o que pe mi e jun amen e com o cobe o he báceo a ajuda no desen ol imen o de
ca alhos e ou as espécies nesses locais.” (6). Es e enómeno e ela um eno me
po encial de e lo es ação em á eas p e iamen e de e minadas e de en o as de egime de
p o eção especial.
“... a lo es ação ouxe ambém abe os e pinhei os pa a zonas onde não
são de odo na i os... E uma ez que abe os e pinhei os es ão
cons an emen e ameaçados pela sede, apa ecem inse os pa a a aca essa
p esa ácil. ... começam a pai a mensagens odo í e as po en e as
copas... São as á o es a ... a i a odo o seu po encial químico de de esa.
Tudo is o o caminhei o in oduz nos seus pulmões... As lo es as em
pe igo são ... luga es ins á eis, não cons i uindo um habi a adequado
pa a o se humano.” (Wohlleben, 2016)
37
As espécies de coní e as em Po ugal são ca ac e izadas pelo pinhei o-manso (Pinus
pinea), pinhei o-b a o (Pinus pinas e ), ced o (Ced us), en e ou os (8). Toda ia, um
es udo cien í ico e e uado Von Halle con i ma que a p essão a e ial sobe em á eas
onde a p esença de coní e as é abundan e. Con a iamen e, em zonas de ca alhos a
p essão a e ial diminui (Von Halle , 1980).
Tendo em con a odas as espécies au óc ones exis en es em Po ugal, o Sob ei o
(Que cus sube ) é aquela que se encon a em maio abundância. Consis e numa espécie
ap eciado a de calo ( e mó ila), adiação sola di e a ou pa cial e ap esen a
ca ac e ís icas xe ó ilas, na medida em que se encon a mui o bem adap ada às
condições de seca e a idez. Os limi es é micos médios anuais do sob ei o es ão en e os
13 e os 18ºC. Du an e o In e no, o io impede a sua p og essão pa a e i ó ios mais
con inen ais e com ampli udes é micas mais ele adas. Depende de climas com uma
ela i a humidade, apesa de desen ol e um sis ema adicula p o undo e po en e na
sua ma u ação. Reque olumes de p ecipi ação anuais de ce ca de 450mm pa a
sob e i e , sendo ideal olumes po ano que se encon em en e os 600 e os 1000mm
pa a um bom desen ol imen o. Demons a se pouco exigen e quan o ao solo,
p e e indo solos g aní icos, xis osos, eldspá icos ou po í icos. Inicia a sua u i icação
en e os 15 e 20 anos de exis ência, azendo al e nância en e pe íodos de p odução
diminu a e ou os com p odução abundan e (no malmen e após p ima e as com
p ecipi ação signi ica i a). Es a á o e mos a ca ac e ís icas o es e obus as, podendo
a ingi 25 me os de al u a. Todo o i idoma es á e es ido po co iça que pode chega
aos 3 me os de diâme o à al u a do pei o (DAP). Ap oximadamen e, de 9 em 9 anos
p ocede-se ao desco içamen o do us e pa a ob e a co iça des a espécie, des inada a
um g ande leque de u ilizações (isolamen os é micos e sono os, olhas pa a echa
ga a as a iadas, peças de es uá io, acessó ios, equipamen os pa a a cozinha, en e
mui as ou as inalidades). Po ugal de ém mais de 50% da p odução mundial de
co iça, sendo um p odu o bas an e especializado e especí ico do nosso país. O sis ema
adicula des a á o e desen ol e-se p o undamen e a a és da aiz p incipal, que se
subdi ide em imensas aízes ho izon ais (podem es ende -se supe icialmen e e ambém
nas pa es mais p o undas do solo). Além disso, em épocas de calo in enso, os po os
das olhas echam e impedem a e apo anspi ação em excesso, o que se aduz na
capacidade de supo a bem a secu a es i al (aliada ao sis ema adicula p o undo e bem
desen ol ido). Po ol a dos 100 anos de exis ência, a p odução de co iça começa a

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decai . Os sob ei os chegam a a ingi idades de 300 anos, o que a amen e acon ece
quando se p ocede ao desco içamen o (passando a uma longe idade de menos de
me ade do seu po encial: 120 a 150 anos). Os seus u os (bolo as) são alimen os
nu i i os pa a uma g ande a iedade de auna, desde mamí e os de pequeno e médio
po e a a es e inse os (4). As bolo as são o modo de p opagação des a espécie. Con êm
uma camada de go du a e nu ien es que en ol e a semen e p esen e no seu in e io . Ao
apanhá-las, de emos ecolhê-las do chão ou das ami icações, desde que não seja
necessá ia mui a o ça pa a a ancá-las. Caso in enciona mos p ocede à sua plan ação,
é pe inen e e em con a as bolo as maio es e mais pesadas (aquelas que lu uem na
água não se encon am em condições pa a ge mina ). Ao seca , as bolo as pe dem a sua
iabilidade. A auna ca ac e ís ica des e ipo de bosques ou lo es as em a capacidade
de en e a es es u os pa a consumi mais a de. Quando se esquecem delas ou
simplesmen e não as ão busca , as semen es icam com condições ideias pa a se
desen ol e em. Ou o mé odo u ilizado pela na u eza são as ezes dos animais. Ao
consumi em as bolo as, os animais mais a de de ecam as semen es (com compos o
incluído!). Es e cená io ambém é bas an e ú il pa a os sob ei os, demons ando elações
de en eajuda com a biodi e sidade au óc one (adubo em oca de nu ien es). As
bolo as podem se gua dadas em locais escos e húmidos. Uma ez que o
desen ol imen o adicula se á p o undo, é pe inen e que o seu semeio seja na posição
ou local inal (12). T a a-se de uma espécie ípica na egião do medi e âneo ociden al e
a única espécie ege al capaz de p oduzi co iça de um modo sus en á el e com
excelen e qualidade. Ap esen a uma longe idade conside á el e uma ó ima capacidade
de egene ação e adap ação a enómenos ex emos (mui o bem p epa ada pa a incêndios
sazonais, po exemplo). A indús ia p opo cionada po es a á o e é exclusi a a ní el
mundial e e ela-se i al na manu enção do mon ado e na conse ação da auna e lo a.
Além do mencionado, o sob ei o ap esen a olhagem e de odo o ano (espécie de olha
pe ene) e ealiza a o ossín ese du an e mais empo que as espécies caduci ólias. Es e
pon o e ela-se como ulc al em meios u banos, onde as acumulações de dióxido de
ca bono e ou os gases de e ei o de es u a são abundan es (7).
O Ca alho-Po uguês (Que cus aginea) ou Ca alho-Ce quinho é ou o exempla que
de emos p omo e nas nossas lo es as na u ais e u banas. Ap esen am olhas
ma cescen es (as olhas são libe adas à medida que ou as nascem no seu luga ), o que
possibili a a o ossín ese du an e odo o ano, como o sob ei o, e demons a po encial
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pa a a pu i icação a mos é ica nos aglome ados u banos. Sendo um ca alho p oduz
bolo as como u i icação, podendo se u ilizadas num eno me leque de a iadas
al e na i as (como supo e alimen a à biodi e sidade local, alimen os e ações sociais,
p odução de lico es, pão, ações de sensibilização e ecolha de exempla es, no as
á o es ligadas às suas p ogeni o as e amilia es - início da lo es a na u al, en e
ou as). Ou o a, es a espécie domina a os ca alhais ex ensos e ce ados em Po ugal,
p opo cionando alimen o e ab igo a uma imensa po ção de se es i os. Nos dias de
hoje, a sua p esença na u al encon a-se bas an e eduzida ( endo em con a a sua
exis ência passada), o que cons i ui uma opo unidade de ol a à sua disseminação e
u iliza os meios u banos po ugueses como mo o de a anque. Os gomos dos ca alhos
c escem de o ma e po ência idên ica, o mando amos sinuosos e se pen ean es com
al o alo es é ico. Cons i uem á o es que pe mi em a p esença de um subcobe o
denso e ele an e, coexis indo bas an e bem com a biodi e sidade au óc one. Aliado à
u i icação do Que cus aginea (bolo as), o subcobe o dos ca alhais disponibiliza
alimen o e ab igo de e minan e pa a inúme as espécies de animais e inse os. Os p óp ios
ca alhais cons i uí am um ecossis ema complexo e ex enso nas paisagens de Po ugal.
Nos dias de hoje, es ão eduzidos a á eas p o egidas, pequenas manchas dispe sas pelo
e i ó io ou en ão em sebes i as que di idem os e enos ag ícolas. Igualmen e, em
ce as zonas ou e enos abandonados, o Ca alho-Ce quinho ende a dissemina -se
na u almen e com alguma acilidade. Toda ia, es es a anços são pe manen e e
b uscamen e a ados pela ocupação humana e pelas suas dinâmicas ine en es
(monocul u as de eucalip o, po exemplo). Mui o ípico no Cen o-Li o al, o Ca alho-
Po uguês domina a a Ma a Medi e ânica, em comunhão com ou as á o es e a bus os
(como Que cus sube , A bu us unedo, Lau us nobilis, Rosma inus o icinalis, en e
ou as). Ap esen a madei a de g ande qualidade, sendo in ensi amen e u ilizada pa a a
cons ução na al e ca pin a ia, especialmen e du an e os séculos XV e XVI. Es es
acon ecimen os con ibuí am em boa medida pa a o declínio des e ipo de ecossis emas.
A ualmen e, a madei a des as espécies é mui o conhecida e u ilizada na conceção de
pipas e ba is pa a inho, na medida em que libe a subs âncias (como os aninos e
co an es na u ais) que diminuem a g aduação alcoólica e melho am a sua co e a oma
(3). Es a espécie habi a en e os 0 e 1200 me os sob e o ní el médio dos oceanos. Não
demons a especial necessidade em e mos de solo e, ainda, p ocede ao seu es au o
(a a és de p omo e a in il ação em episódios de p ecipi ação e egula as co en es de
en o). Coexis e bem em locais onde a luz sola não seja abundan e ou di e a. Po ou o
40
lado, necessi a de humidade a mos é ica e ole a empe a u as mínimas a é -12ºC. As
lo es as de Que cus aginea consis em no habi a ideal pa a uma eno me a iedade de
inse os, an íbios, ép eis, a es (como o Gaio) e mamí e os (como Veados ou Lince-
Ibé ico). O seu modo de p opagação é basicamen e o mesmo que o Que cus sube ,
dependendo em la ga medida de animais como o Ja ali, Esquilo ou Gaio pa a a
disseminação das suas semen es (bolo as) (9).
Pa a um subcobe o au óc one e saudá el, p opomos a plan ação e p omoção do
Med onhei o (A bu us unedo). T a a-se de uma espécie ípica da bacia do Medi e âneo
e ca ac e ís ica dos maquis (co esponde a solo ge almen e silicioso e ácido, p o enien e
de zonas de sob ei os em deg adação – á eas compos as po a bus os densos e de di ícil
acesso). Em Po ugal, a sua p esença pode se e i icada em odo o e i ó io, com
alguma p edominância a Sul do io Tejo. Es e a bus o em p e e ência po climas
empe ados, com in e nos pouco in ensos, sendo a empe a u a média ideal supe io a
12ºC. Os en os o es podem cons i ui um isco pa a a sua lo ação e u i icação.
Des a o ma, exis e pe inência na en ol ência de espécies com olumes supe io es e
capazes de ameniza e con ola as co en es de en o (como os exempla es Que cus
sube e Que cus aginea, mencionados p e iamen e). As co as in e io es, onde exis a a
acumulação de a io e exposição a No e, são especialmen e pe igosas pa a os
Med onhei os mais jo ens (sensí eis a es as condições). Rela i amen e à p ecipi ação
anual, os alo es mais a o á eis encon am-se en e os 500 e os 1400 mm. A lo ação
(oco e en e Janei o e Ma ço) pode se a e ada po episódios de chu as e ne oei o
in enso. Os ipos de solos p e e enciais são os siliciosos, escos e a enosos. Ap esen am
uma copa a edondada e u os (med onhos) mui o ap eciados po uma g ande
di e sidade de animais e humanos. A a és deles é possí el a p odução de comida,
lico es e agua den e de med onho. Es a úl ima é bas an e ca ac e ís ica de Po ugal e
ep esen a um p odu o au óc one mui o ap eciado nos me cados nacionais e
in e nacionais. A p odução média de med onho encon a-se ap oximadamen e nas 3
oneladas ou 3000 quilog amas po hec a e (200 a obas/ha). O A bu us unedo cons i ui
um subcobe o de qualidade, na medida em que disponibiliza alimen o abundan e pa a
os se es i os nas edondezas, ap esen a um copado denso que p opo ciona ab igo e
ensomb amen o, além de con ibui pa a o solo com uma olhagem ica em nu ien es.
Es a espécie supo a empe a u as a é -15ºC e ap ecia exposição sola di e a. Pode se
plan ada em qualque época do ano (sob e udo no Ou ono e P ima e a) e consegue
41
alcança uma longe idade de 200 anos, embo a seja de c escimen o len o. Tem a
capacidade de sob e i e em zonas com decli es acen uados, onde ou as espécies
demons am alguma di iculdade. As lo es êm um alo es é ico signi ica i o,
ap esen ando co es b ancas e le emen e osadas (1). Podemos encon a es es
exempla es na u almen e em p ecipícios e des iladei os lu iais ou em solos ochosos.
Con udo, demons am p e e ência po solos escos, sol os e p o undos. Não obs an e, é
ela i amen e indi e en e ao pH p esen e e consegue habi a a é aos 1200 me os.
Necessi a de humidade, p ospe ando com ela i a exposição ma í ima, esis e bem às
geadas e ole a a poluição em ge al. P opaga-se a a és do u o, de endo se mis u ado
di e amen e com o solo, na medida em que é di ícil p ocede à sepa ação das semen es
de ido ao seu amanho diminu o (11).
O Lou ei o (Lau us nobilis) é um a bus o (com po encial pa a a ingi dimensões de
á o es) de olha pe ene, sendo adequada pa a meios u banos. As suas olhas são mui o
popula es na cozinha medi e ânica, u ilizadas como empe o de uma imensa a iedade
de ecei as. É ca ac e ís ica da egião do Medi e âneo, embo a enha sido na u alizada
em ou os locais da Eu opa. Tem p e e ência po climas empe ados, mas húmidos.
Toda ia, o Lau us nobilis é sensí el ao io e adap a-se a zonas de meia-luz. A copa é
bas an e densa e disponibiliza somb a e ab igo pa a os animais, es an es plan as e solo.
As aízes ixam bem os sedimen os e o húmus, além de o igina em eben os no os.
Ap esen a c escimen o ela i amen e ápido e uma longe idade pouco du adou a. A
madei a é ex ensamen e u ilizada, uma ez que consis e num ma e ial du o, a omá ico e
pesado. Demons a uma co acinzen ada e homogénea, não se dis inguindo o albu no do
ce ne (2). O Lou ei o é al amen e esis en e a doenças e p agas. Além disso, o e ece
auxílio e p o eção às plan as adjacen es de inse os, de ido aos seus a omas na u ais.
De em se plan adas nos seus des inos inais, em épocas com empe a u as amenas e
exis ência de humidade (10).
Po im, p opomos o Alec im (Rosma inus o icinalis) como complemen o ao
subcobe o au óc one e supo e a abelhas e ou os inse os polinizado es. Consis e numa
e a a omá ica comum em Po ugal, conseguindo habi a a é aos 1500 me os de
al i ude. T a a-se de um a bus o com olhas pe enes, pequenas e e des, mui o
ami icado e com has es lenhosas. O seu u o chama-se aquénio ( u o seco com uma
semen e de pequenas dimensões), a sua lo ação oco e du an e p a icamen e odo o ano
e não são necessá ios cuidados especiais ou especí icos pa a a sua manu enção. Toda a
48
es e a o pode de e mina di e amen e a idade das á o es e es ima quan idades
a mazenadas de ca bono na sua es u u a.
Na abela 2, esumo alguns dos esul ados quan i a i os.
Tabela 2 - Á eas de es udo e espe i os dados adqui idos em abalho de campo. Fon e: P óp ia.
Á eas
Q.J.
C.D.A.
H.A.
Nº de Á o es/hec a e
13,5
26,25
51,5
C. Seques ado po ano/hec a e
72,33 kg
187,5 kg
333,33 kg
O. Libe ado po ano/hec a e
166,67 kg
500 kg
750 kg
C. A mazenado/hec a e
26,17
78,75
166,67
Obse ámos que a á ea escolhida com maio p esença em núme o de á o es, al como
se ia espec á el, é ambém aquela que ap esen a exempla es com DBH de maio es
dimensões. Assim sendo e de o dem dec escen e, na H.A. (Figu a 6) a es u u a a bó ea
ap esen a DBH maio es que 107 cen íme os na sua esmagado a maio ia, a es u u a do
C.D.A. (Figu a 5) em alo es maio es que 70 cen íme os e a Q.J. (Figu a 4) de ém
alo es maio es que 15 cen íme os. Tan o nas duas p imei as a classe p incipal é aquela
que se si ua acima dos 121,9 cen íme os. Toda ia, na H.A. es a p esença é dominan e
compa a i amen e ao C.D.A., que demons a espécies mais di e si icadas quan o a
amanho e idades. A Q.J. em na sua maio ia uma es u u a a bó ea em
desen ol imen o, pelo que os alo es adqui idos o am bas an e mais eduzidos do que
as an e io es.
Figu a 4 – Diâme o das á o es à al u a do pei o em Quin a do Janei o. Fon e: iT ee Eco.

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Figu a 5 - Diâme o das á o es à al u a do pei o em Complexo Despo i o de Almada. Fon e: iT ee Eco.
Figu a 6 - Diâme o das á o es à al u a do pei o em He dade da A oei a. Fon e: iT ee Eco.
50
A p odução ou libe ação de oxigénio é mui o impo an e nos con ex os u banos e no
ge al. Acon ece somen e quando há a p esença de adiação sola , o que le a as plan as a
u iliza em as suas olhas pa a e e ua em a o ossín ese pa a p odução in e na de hid a os
de ca bono ou açúca . Desse modo, du an e a noi e não há libe ação de oxigénio nem
desman elamen o de dióxido de ca bono.
Cada espécie desempenha esse papel de uma o ma especí ica, sendo que exis em
espécies mais adequadas pa a ado a em meios u banos. Nes e caso em pa icula , as
á o es que êm maio in luência no meio são aquelas que demons am uma idade e
ma u idade mais a ançada. Tendo em conside ação que em ês á eas dis in as os
esul ados nesse sen ido são iguais, podemos conclui a eno me impo ância na
longe idade das á o es (especialmen e num con ex o de comba e às al e ações
climá icas).
Quando uma es u u a a bó ea demons a ma u idade os se iços de ecossis ema
mul iplicam-se. Espécies de a es, pequenos mamí e os e inse os ap o ei am as
dimensões das á o es, usando-as como ab igo, alimen o e locais de ep odução. As
espécies a bó eas ep esen am o início e im de ida de uma eno me quan idade de
biodi e sidade, assim como es u u as p edominan es na qualidade de ida ou mesmo
de exis ência de ou os se es i os. A maio ia das mesmas êm longe idades
cen ená ias, que não conseguem a ingi de ido à má ges ão ou explo ação dos se es
humanos. As á o es plan adas necessi am de se ep oduzi de o ma a o na em-se
mais esilien es.
A disseminação das semen es de e se p omo ida, assim como a con inuidade do seu
desen ol imen o. Is o a o ece á odo o ambien e en ol en e, que seja u bano ou u al.
Cons i ui um apoio indispensá el à biodi e sidade local e de e minan e pa a o bom
uncionamen o e desen ol imen o do ecossis ema. Além do mencionado, a p omoção
de espaços des inados à p esença e exis ência de inse os polinizado es (como o caso das
abelhas) p opo ciona ganhos inigualá eis pa a a es u u a a bó ea. G aças a eles, o
p ocesso ep odu i o das plan as é consag ado e isso az com a sua qualidade de ida
aumen e conside a elmen e. Esse inc emen o da qualidade de ida aduz-se em
melho ias dos se iços ecológicos p es ados, nomeadamen e seques o e
a mazenamen o de ca bono da a mos e a.
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6. Resul ados – Es a égia de o denamen o de base ecológica com ecu so à
es u u a a bó ea com is a à o imização da capaci ação u bana em e mos
de desman elamen o e a mazenamen o de dióxido de ca bono (CO2).
Foi e e uado um le an amen o o og á ico com pos e io análise de uas ipo
( ep esen a i as) das á eas em es udo, po o ma a comple a a análise quan i a i a e a
es an e análise e acili a a pe ceção dos modelos p opos os, oi ambém aplicada a
mesma ação em uas de uma cidade na Alemanha (S u ga ). Es a úl ima ep esen a um
bom exemplo de u banismo sus en á el, nomeadamen e no apoio à exis ência e
pe manência da es u u a a bó ea.
Es e capí ulo consis e na explo ação de ideias pa a a elabo ação de uma es a égia de
ação, endo em con a a o imização dos se iços ecológicos da es u u a a bó ea
(nomeadamen e seques o e a mazenamen o de ca bono), o inc emen o da
uncionalidade p á ica das localidades (social, ambien al e económica) e a adap ação aos
e ei os das al e ações climá icas (inundações e agas de calo , en e ou as).
Pa a isso, o am subdi ididos 3 pon os ulc ais:
- Apoio ao desen ol imen o da descendência das á o es;
- Pe meabilidade dos solos;
- Supo e à exis ência de inse os polinizado es.
O desen ol imen o da p ole é essencial pa a uma lo es a ou pa que u bano sus en á el
e esilien e, capaz de desempenha as suas unções plenamen e. Como já oi e e ido, a
descendência a bó ea nasce e c esce ligada em ede, log ando co pos mais densos e
esis en es a p agas e ungos, ap esen ado uma esiliência supe io a a o es climá icos
(secas e empes ades, po exemplo), in e age mais acilmen e com o meio en ol en e e
as es an es espécies da sua amília, en e ou os. Todos es es a o es con ibuem pa a
que a manu enção dos espaços públicos seja eduzida ou p a icamen e inexis en e. Isso
cons i ui uma mais alia imensa em e mos económicos, ambien ais e sociais. A
biodi e sidade usu ui igualmen e, podendo u iliza uma a iedade supe io de ecu sos,
ab igos e espaços de ep odução. Des a o ma, é do nosso in e esse p omo e não só a
ep odução dos elemen os na es u u a a bó ea, como ambém apoia a sua longe idade.
52
A qualidade de ida impos a às á o es es a á di e amen e ligada à qualidade de ida de
odos os se es i os exis en es na sua en ol ência.
A pe meabilidade dos solos é um pon o undamen al em aglome ações u banas,
ca ac e izadas po uma a i icialização in ensa e impe meá el da paisagem e po
mudanças es u u ais nos ecossis emas p esen es p e iamen e. Essas mudanças podem
se sen idas na abundância e qualidade de água po á el nos aquí e os e linhas de água
de supe ície e sub e âneas. A biodi e sidade da auna e lo a so e di e amen e com
es e a o , seja no local ou na sua en ol ência. Nos e i ó ios onde a impe meabilização
é aplicada, as consequências di e as aduzem-se no aumen o de cheias ou inundações
(a a és de um inc emen o na esco ência supe icial e acumulação em zonas de co as
in e io es ou mais baixas), poluição das linhas de água (de ido à lixi iação de
subs âncias óxicas p esen es nos meios u banos pa a o a das edes de esgo os) e
modi icações no albedo (após a al e ação das ca ac e ís icas e condições da supe ície
e es e). A en ol ência se á a e ada, em i ude da ans o mação, na disponibilidade
dos ecu sos na u ais p esen es na á ea ( ecu sos híd icos, mine ais, biológicos,
gené icos, en e ou os).
Os inse os polinizado es são se es indispensá eis à ida no plane a. São esponsá eis
pela ep odução da maio pa e das espécies ege ais e con inuidade das mesmas. A
ege ação cons i ui a base da cadeia ó ica e a sua exis ência e p esença nos e i ó ios
é insubs i uí el. Des a o ma, é ulc al a p ese ação, conse ação e omen o des es
pequenos se es em odos os ecossis emas no plane a. Dependemos deles pa a a nossa
sob e i ência e chegou o momen o de demons a o nosso con ibu o pa a o seu bem-
es a e qualidade de ida. Pa a que isso seja consumado, bas a dedica mos ce as á eas
pa a ab igos e locais de ep odução, assim como á eas dedicadas à sua alimen ação. Os
sí ios onde es es podem habi a su gem como opo unidades pa a imensos a is as da em
asas à sua imaginação e c ia i idade, enquan o os seus locais de alimen ação cons i uem
zonas es é icamen e bas an e ag adá eis (sendo ex ensos campos com lo es e ou as
espécies ege ais com pólen abudan e du an e odo o ano). A maio ia des es inse os não
são se es pe igosos pa a as pessoas, pelo que podem pe ei amen e coexisi i no seio das
nossas sociedades humanas e ci ilizações. Tendo em con a que as cidades
co espondem a esses locais e con ibuem em la ga escala pa a a des uição dos seus
habi a s, a adoção de medidas que po enciem a sua exis ência e a e e são da si uação
p ecá ia que a humanidade le ou es as espécies é p a icamen e impe a i a.
53
Assim sendo, seguem um conjun o de imagens que cons i uem uma es a égia de ação
pa a de e minadas uas nas á eas de es udo. Na u almen e, a á ea que i á sen i uma
a enção maio se á aquela onde a es u u a a bó ea é mais diminu a, seguindo daquela
com dimensões médias e e minando com a á ea onde a sua p esença é dominan e.
Op ámos po de ini como exemplo p á ico a cidade S u ga , na Alemanha,
nomeadamen e o local onde se encon a a Uni e sidade de S u ga : P a enwald ing.
Consis e numa á ea p o ida de lo es a p o egida, onde se p a icam as mais di e sas
a i idades. Em edo da uni e sidade encon amos lo es a de ele ada biodi e sidade de
lo a e auna, sendo os exempla es cen ená ios de Fagus syl a ica e Que cus obu a
paisagem p edominan e. Além disso, exis em zonas de con í io e laze , pe cu sos
pedonais e ciclá eis pa a as es an es pa es da cidade, zonas de chu asco, ci cui os
i ness, pa ques in an is, en e á ias ou as. Toda a en ol ência da uni e sidade
co esponde a ese a na u al p o egida po lei.
P imei amen e, ap esen amos documen ação o og á ica pa a p omo e o apoio ao
desen ol imen o e con inuidade da descendência das á o es.
Figu a 7 - Rua Ma ia Lamas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia.
Figu a 8– P a enwald ing, S u ga . Demons a ha monia e
con inuidade pa a as espécies ege ais. Fon e: P óp ia.

54
Como podemos obse a , o oço da ua Ma ia Lamas (Figu a 7) dedicou can ei os pa a
posiciona as á o es e man ém um el ado apa ado du an e odo o ano. Os can ei os
ep esen am um géne o de colei as pa a os oncos. Embo a o el ado seja pe meá el,
quase odo o solo na en ol ência des as á o es não p omo e a in il ação de água. Es e
a o ob iga a egas mais equen es e com ecu so a maio es olumes água. Além disso,
o el ado não pe mi e a exis ência de ou as espécies da lo a no local, de ido às ações
de co e pe manen e.
Po ou o lado, P a enwald ing (Figu a 8) omen a a biodi e sidade a a és de uma
maio p esença a bó ea e exis ência de ou as espécies secundá ias. Is o não só alimen a
o solo com mais ma é ia o gânica du an e as es ações do ano, como ambém ap esen a
mais ab igo pa a a es, inse os e pequenos mamí e os.
No c uzamen o en e as uas Gene al Humbe o Delgado e Dom Dinis (Figu a 9), o solo
encon a-se impe meabilizado e inu ilizado. A di isó ia nem seque é local de
passagem, pelo que p a icamen e ninguém se desloca a é ou sob e a mesma. Ao e i a a
Figu a 9 – C uzamen o en e as Ruas Gene al Humbe o Delgado e Dom Dinis,
Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia.
Figu a 10– Pa enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
55
calçada e omen a a ena u alização do solo, a espécie de Pinus pinea em hipó eses de
desen ol e a sua descendência sem cons angimen os.
Em P a enwald ing (Figu a 10) é pe mi ida a acumulação da olhagem que ai caindo
jun o às á o es. Es e ac o ga an e a p o eção e nu ição do solo, assim como o
desen ol imen o de um subcobe o e da p óp ia descendência. Tudo is o es imula o
apa ecimen o, es abelecimen o e ep odução de uma g ande a iedade de inse os
impo an es pa a o ecossis ema, a es que con olam p agas e espalham semen es e
pequenos mamí e os que con ibuem em igual medida pa a odo o meio.
Figu a 12 – Rua Meloas, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia.
Figu a 11 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
56
Na ua Meloas (Figu a 12) encon amos um cená io ela i amen e comum: ua in ei a
sem possibilidade de in il ação de água e sem espaço algum pa a a p esença de um
subcobe o de apoio (plan as a omá icas, po exemplo) ou pa a a ep odução das jo em
á o es.
Na imagem subsequen e (Figu a 11), podemos obse a um o denamen o do espaço
u bano em ha monia com a na u eza. O chão do es acionamen o au omó el é
pe meá el, a espécie a bó ea usu ui de duas aixas de in il ação híd ica e á ea
su icien e pa a pode deposi a as suas olhas e semen es. Além do mencionado, na
supe ície e de do lado opos o do es acionamen o encon amos uma eno me a iedade
de lo es, o que ep esen a uma mais- alia pa a os inse os polinizado es.
Figu a 14 – Alameda de Gue a Junquei o, Complexo Despo i o de
Almada. Fon e: P óp ia.
Figu a 13 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
57
A sequência de imagens seguin e diz espei o ao Complexo Despo i o de Almada.
Embo a es a á ea seja um bom exemplo de um u banismo mais sus en à el, ainda ca ece
de alguns locais ap os pa a o c escimen o de no as ge ações a bó eas. Assim sendo,
começamos po analisa um exempla de Pinus pinea na Alameda de Gue a Junquei o
(Figu a 14): exis e espaço su icien e pa a o apa ecimen o e pe manência de um
subcobe o, que desempenha se iços ecológicos de p o eção, nu ição e manu enção do
solo. Toda ia, o solo encon a-se bas an e pob e e deg adado. A causa mais p o á el
de e-se às ações de co e e apa o in ensi as (supos a manu enção do espaço), sem
cuidados pa icula es ou seleção (em e mos de que espécies co a ou não e po quê).
Em ge al, podemos deduzi a al a de o mação écnica po pa e dos esponsá eis po
es e ipo de abalhos.
No exemplo em P a enwald ing (Figu a 13) e i icamos que as pessoas ecolhe am e
deposi a am a olhagem di e amen e no solo, pe o do cobe o a bó eo. O solo é
cuidado, sendo p oeminen e a manu enção das olhas e amagens pe o ou mesmo no
local onde caem. Is o e ela-se como p o eção e nu ição do mesmo, p omo endo o
c escimen o das no as e pequenas á o es.
Figu a 15 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada. Fon e: P óp ia.
64
Em P a enwald ing, em S u ga (Figu a 25), encon amos soluções iá eis. Os
es acionamen os êm uma es u u a pe meá el e do ada de es u u a a bó ea e a bus i a,
p omo o as de pe meabilidade, en iquecedo as do solo, p omo o as da biodi e sidade,
da auna e lo a, da qualidade do a , eduzindo o uído u bano, en e ou as. A aixa de
odagem em limi e de elocidade máximo de 30km/h, sendo po an o mul i uncional:
oco e a ci culação de eículos ligei os, pesados, elocípedes e peões. A en ol ência
di e a é segu a e con ida i a, an o pa a se es humanos como pa a a es, inse os e
pequenos mamí e os. Cada espécie desempenha um se iço ecológico undamen al pa a
o ecossis ema. Ao p o ege mos e p ese a mos os se es au óc ones ga an imos a
con inuidade e esiliência dos ecossis emas.
Figu a 25 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.

65
O oço e e en e à ua Dom Dinis (Figu a 27), encon a-se o almen e
impe meabilizado. A espécie p esen e de Pinus pinea não em uma on e di e a de
in il ação de água, sendo ob igada a p ocu á-la di e amen e nos lençóis eá icos ou
e en uais aquí e os exis en es, p o ocando p oblemas nos pisos, canalizações e
edi ícios. As p óp ias ese as de água sub e âneas es ão em di iculdades, na medida
em que não oco e no a adição de ecu sos híd icos no solo. Is o e ela-se bas an e
p oblemá ico, não só pa a as comunidades de auna e lo a, como ambém pa a a
humanidade. Os se es humanos des ia am e coloca am ba agens nos ios, pelo que
dependem em g ande medida dos ecu sos híd icos do subsolo pa a as mais a iadas
dinâmicas ine en es à sua exis ência. O ac o de as cidades ocupa em ex ensas á eas
(al e ando o uso do solo) e se em p edominan emen e impe meabilizadas az com que
aumen em as á eas ulne á eis a inundações e cheias. O oço em es udo e ela o
mínimo (ou nenhum) ap o ei amen o das águas plu iais, p omo endo exclusi amen e a
esco ência supe icial.
Figu a 27 – Rua Dom Dinis, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia.
Figu a 26 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
66
Como podemos obse a , em P a enwald ing (Figu a 26), o solo não oi pa imen ado.
Isso omen a a biodi e sidade e ga an e a in il ação da p ecipi ação, assegu ando a
con inuidade da es u u a a bó ea e a qualidade do solo. Os es acionamen os de
eículos, locais de con i ência e laze , espaços e des e ou os espaços ca ac e ís icos
das cidades podem e de em p omo e a pe meabilidade do solo. Em países como
Po ugal, onde os ecu sos híd icos po ezes são escassos mesmo oco endo
abundância de p ecipi ação em ce os meses do ano, de em se ado adas polí icas e
in aes u u as de cap ação e a mazenamen o das águas plu iais. Com essa água su ge
uma g ande di e sidade de unções e ap o ei amen os ( egas de ja dins e ho as
u banas, au oclismos públicos e p i ados, limpezas de ex e io es, au omó eis, en e
ou os).
Na ua Se e Cha es (Figu a 29), as á o es não êm espaço pa a se desen ol e em
na u almen e e a á ea en ol en e não disponibiliza nenhum apoio à cap ação e
Figu a 29 – Rua Se e Cha es, Quin a do Janei o. Fon e: P óp ia.
Figu a 28 – S u ga , Deu schland. Fon e: P óp ia.
67
a mazenamen o de água (seja di e amen e no solo ou a a és de equipamen os
humanos). A calçada po uguesa u ilizada encon a-se mis u ada em be ão, sendo que o
solo es á o almen e impe meabilizado.
Em S u ga , na Alemanha (Figu a 28), o pa imen o é cons i uído po ma e iais
idên icos à calçada po uguesa, con udo não se encon am in eg ados em be ão ou ou a
subs ância que impe meabilize o solo. O esul ado é um pa imen o que pe mi e a
mobilidade (semelhan e à da ua Se e Cha es) e a in il ação de água no solo. Na
e dade, o pa imen o encon a-se em condições mais adequadas em e mos de
ni elamen o e qualidade dos ma e iais. Além do mencionado, conseguimos obse a a
p esença de uma es u u a a bó ea e a bus i a, ga an indo a pe meabilidade, mi igação
de inundações, p omoção da biodi e sidade e qualidade a mos é ica, en e ou as.
Figu a 30– Rua João de Deus, Quin a do Janei o. No amen e, a es u u a a bó ea exis e num
espaço pouco adequado, es acionamen o cimen ado e impe meá el. Fon e: P óp ia.
68
A p óxima ua a analisa denomina-se João de Deus (Figu a 30). O en oque
p edominan e cen a-se nos es acionamen os. A es u u a a bó ea, no amen e, encon a-
se su ocada pelos can ei os, enquan o a en ol ência es á comple amen e
impe meabilizada. Toda a p ecipi ação se á encaminhada pa a as sa je as e dis ibuída
pela ede de saneamen o u bana.
Vol ando a P a enwald ing, Alemanha (Figu a 31), os es acionamen os não são
o almen e cimen ados (sendo pe meá eis), as á o es dispõem de mais espaço pa a se
desen ol e em, a p ecipi ação é abso ida pelo solo, a mobilidade sua e é omen ada
a a és de es acionamen o p óp io e não exis em desni elamen os (o que p opo ciona
melho mobilidade aos u en es).
Figu a 31 – P a enwald ing, S u ga . Es acionamen o pe meabilizado, es acionamen o de bicicle as igualmen e
con emplado e es u u a a bó ea com mais espaço e ecu sos. Fon e: P óp ia.
69
Figu a 35 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada.
Fon e: P óp ia.
Figu a 34 – Rua dos Cas anhei os, Complexo Despo i o de Almada.
Fon e: P óp ia.
Figu a 32 – P a enwald ing, S u ga .. Fon e: P óp ia.
Figu a 33 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.

70
O Complexo Mul idespo i o de Almada cons i ui um bom exemplo de biodi e sidade
u bana em e mos de es u u a a bó ea. No en an o, exis em de e minados oços e á eas
que não se encon am em con o midade com o u banismo sus en á el. A ua dos
Cas anhei os é um bom exemplo disso (Figu as 34 e 35). Na pa e ap esen ada nas
igu as, podemos e i ica que o solo es á mal ap o ei ado: T a a-se de um local
ela i amen e ex enso, unicamen e u ilizado pa a es acionamen o de eículos,
comple amen e impe meabilizado. A olhagem das á o es (nu ien es e p o eção do
solo) acumula-se a é que os se iços públicos as e i em e p ocedam à sua queima ou
lançamen o pa a a e os, exis em ni elamen os que di icul am a mobilidade pedonal e
de ecu so a odas pequenas (cadei as de odas, o ine es, ska e, en e ou os), não
exis e es u u a a bus i a (plan as a omá icas, po exemplo) e a p ecipi ação é
di e amen e di ecionada pa a esco ência supe icial.
Na uni e sidade de S u ga , P a enwald ing (Figu as 32 e 33), odo o o denamen o do
e i ó io é ei o em comunhão com a na u eza en ol en e. Embo a a aixa de odagem
seja impe meá el, os es acionamen os abso em pa e das águas plu iais que são
d enadas pa a o el ado adjacen e (mesmo não sendo o ideal, co esponde a uma zona
de d enagem e não sa u a a ede de esgo os e saneamen o u bano). A es u u a a bó ea
usu ui de mais espaço pa a exis i e em acesso acili ado aos ecu sos híd icos, não
ha endo a necessidade de egas egula es. A es u u a a bus i a desempenha a unção
social de delimi ação de espaços, enquan o o nece ao ecossis ema se iços ecológicos
de ab igo e comida pa a a es e inse os. Além disso, ixa as camadas sedimen a es do
solo, alimen a-as com a p óp ia olhagem, em po encial pa a se uni em ede com as
á o es em edo e pa ilha nu ien es, en e á ias ou as coisas. Em e mos de
mobilidade, é acili ado o acesso a odas as á eas a a és da ausência de passeios ou
lancis ele ados. Es e a o ambém bene icia os u ilizado es de elocípedes que e i am a
pa agem dos seus eículos pa a subi passeios ou e en uais danos a longo p azo nos
pneus e amo ecedo es.
71
O p óximo conjun o de imagens diz espei o à exis ência e desen ol imen o de inse os
polinizado es nas aglome ações u banas. Es a amos a oca-se especi icamen e em
abelhas, sendo elas dos p incipais agen es a i os na disseminação do pólen das plan as.
Além disso, as mesmas p oduzem mel, que pode se ap o ei ado em e mos
económicos, uma ez bem ge ido.
Na P ace a In ância na Quin a do Janei o (Figu a 36) é e iden e a ele ada
impe meabilização e a ausência de calhas adequadas pa a as á o es, que pe mi am a
in il ação das águas plu iais (os p óp ios can ei os são demasiado pequenos pa a as
bases dos oncos e alguns a é se encon am obs uídos po en ulho) e não exis e
subcobe o a bus i o. Não é isí el qualque equipamen o de ec eio ou laze (bancos
de ja dim, ci cui os i ness, en e ou os).
Figu a 36 – P ace a In ância, Quin a do Janei o. Mais uma ez, a es u u a a bó ea não se encon a num local adequado
pa a desempenha as suas unções na u ais. Fon e: P óp ia.
72
A zona cen al em a unção de o unda e não possui nenhuma unção ecológica. Com
uma á ea de dimensão conside á el se ia possí el a implemen ação de di e sos p oje os,
como po exemplo um pequeno ja dim com es u u a a bus i a, pe cu sos e locais de
elaxamen o; um ci cui o i ness com equipamen o especializado pa a odas as ge ações;
pequenas es u u as pa a despo os (ping-pong, minigol e, en e ou os); san uá ios de
abelhas ou ou os inse os polinizado es; pa ques in an is; ab igos e locais de ep odução
pa a a es; en e ou os. Em suma, odo es e local es á mui o mal ap o ei ado, pelo que
se ia pe inen e a e i alização, eabili ação e eno ação do mesmo.
Figu a 38 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
Figu a 37 – P a enwald ing, S u ga . Po meno dos can ei os
ap esen ados p e iamen e. Fon e: P óp ia.
73
Es as úl imas ês
igu as (Figu as 37,
38 e 39) são
e e en es ao local
escolhido como
exemplo
(P a enwald ing),
mais p ecisamen e
jun o à en ada e
saída do
me opoli ano da
cidade S u ga .
Podemos e que os
can ei os dedicados
à es u u a a bó ea e
à deco ação u bana
êm dimensões
ap eciá eis e são
p o idos de
subcobe o. As
espécies escolhidas
pa a isso o am
exempla es de
plan as a omá icas e
do adas de lo es com pólen abundan e. Essas plan as disponibilizam mais- alias, como
é o exemplo do apoio aos inse os polinizado es. Além disso, as espécies a omá icas e
com lo a aem a a enção dos inse os em ge al (mui as ezes de p agas noci as pa a a
es u u a a bó ea), cons i uindo uma camada p o e o a pa a as espécies mais no as ou
sensí eis a a aques. São ambém uma impo an e cobe u a pa a o solo, ga an indo a sua
nu ição, manu enção dos sedimen os supe iciais mais inos e de humidade. Ao
o nece somb a, es e subcobe o ga an e a pe manência de água du an e mais ho as no
solo e ajuda as es an es espécies p esen es a não so e em de secas. Pa a e mina , as
suas aízes mis u a am-se com as es an es a a és de uma ede mico ízica e pe mi em
a oca de água e nu ien es en e odas as plan as.
Figu a 39 – P a enwald ing, S u ga . Fon e: P óp ia.
80
Uma ez que a He dade da A oei a dispõem de imenso espaço ú il, p opomos a
aplicação de ab igos e locais de alimen ação pa a os polinizado es, nomeadamen e
abelhas. As o og a ias de S u ga mos am colmeias abalhadas a is icamen e,
o mando uma paisagem biodi e sa e ag adá el pa a quem e e ua passeios e ab igos
pa a enxames. Além disso, su ge a opo unidade de dinamiza os a is as egionais,
a a és de concu sos públicos ou mesmo olun a iado.
Espaços p i ados com dimensões ão signi ica i as como es e de em se ge idos de
uma o ma sus en á el e não apenas com uma pe spe i a económica. Exis em uma
g ande quan idade e di e sidade de se es i os dependen es das dinâmicas ecológicas,
oco en es nes e luga em pa icula . Com a cons ução de obs áculos e ba ei as
(mo adias, edações, es adas, des lo es ação, en e ou as) às mo imen ações dos
mesmos (mig ações, p ocu a po alimen o, ep odução, ab igo) co emos o isco de não
co esponde com as suas necessidades básicas. Isso az com que o ecossis ema en e
em u u a e se pe ca a biodi e sidade que con inha p e iamen e. A lo es a de Pinus
Figu a 51 – S u ga , Deu schland. Escul u as que se em de colmeia – apoio aos inse os polinizado es. Fon e: P óp ia.

81
pinas e es á a decai ala man emen e e é necessá ia uma es u u ação das polí icas
p a icadas no local.
Figu a 52 - Lo e " i gem" na He dade da A oei a. Fon e: P óp ia.
Figu a 53 - He dade da A oei a. Con as e en e lo e endido e po ende .
Fon e: P óp ia.
Figu a 54 - He dade da A oei a. No o exemplo da má ges ão dos
p op ie á ios. Fon e: P óp ia.
82
No conjun o de igu as em cima (Figu as 52, 53 e 54) podemos con i ma o abuso que
em indo a oco e ao longo dos anos. Os lo es são adqui idos com uma es u u a
a bó ea an iga e consolidada, imedia amen e aba ida pa a da luga a emp eendimen os
luxuosos (mui as ezes sem noção de es é ica e in eg ação isual no e i ó io).
Figu a 55 - He dade da A oei a. Fon e: P óp ia.
Figu a 56 - He dade da A oei a. Fon e: P óp ia.
Figu a 58 - He dade da A oei a. Fon e: P ó p ia.
Figu a 57 - He dade da A oei a. "Ilha" de ege ação, ce cada po modos de
ida insus en á el. Fon e: P óp ia.
83
As úl imas qua o imagens demons adas (Figu as 55, 56, 57 e 58) consis em em ês
mo adias de g andes dimensões e um lo e não u ilizado na He dade da A oei a. Aqui
podemos e i ica a génese dos lo es (com p esença a bó ea), as ob as de cons ução
(aba e de p a icamen e odas as á o es) e o esul ado inal ( i endas desin eg adas do
e i ó io, com nenhuma ou p esença a bó ea diminu a).
O ipo de o denamen o e i o ial p a icado nes a He dade deixa e lexão. G aças à
capacidade mone á ia dos esponsá eis, as indicações públicas e as p óp ias leis são
igno adas com ela i a impunidade. As pessoas não alo izam os se iços das á o es e
p ocedem à sua des uição sem a mínima p eocupação. Limpam os e enos e plan am
palmei as ou á o es mal o denadas e sem cuidados especiais. Se não o em omadas
medidas pa a conse a a A oei a, a mesma ai deixa de p es a os se iços de
ecossis ema. Das ês á eas é aquela que ep esen a um maio isco. A á ea de es udo
(den o da He dade da A oei a) não con ém mui as cons uções, exis em ou as zonas
onde a p esença a bó ea é quase inexis en e.
Figu a 59 - He dade da A oei a. Dimensões desap op iadas pa a a odo ia e es acionamen o. Fon e: P óp ia.
84
Como complemen o, ap esen amos a paisagem de um oço onde se encon am
es acionamen os pa a eículos p i ados e uma aixa de odagem com dimensões
signi ica i as (Figu a 59). Mais uma ez, o amanho das cons uções e o espaço
dedicado aos eículos mo o izados não se adequa com o con ex o. T a a-se de um
condomínio p i ado, onde apenas os esiden es, isi an es e pessoal da manu enção
ci culam. Não az o meno sen ido disponibiliza uma es ada ão g ande pa a e acesso
aos locais. Mais se pa ece com uma ua mo imen ada numa cidade. No en an o,
co esponde apenas a um condomínio p i ado a poucos memb os da sociedade. É
impo an e elemb a que pa a da luga a cons uções des e eo o am le adas a cabo
medidas in ensi as de des lo es ação.
Pa a inaliza , ap esen amos 3 imagens e e en es a medidas a ado a no ge al, não
co espondendo a nenhuma ua ou local das á eas em es udo em pa icula (Figu as 60,
61 e 62).
Figu a 60 - S u ga , Deu schland. Caminho pedonal e ciclo ia a pa ilha a mesma es u u a. Co edo e de odeado de
biodi e sidade, onde o caminho é adap ado pa a o c escimen o das á o es e espe i as aízes. Fon e: P óp ia.
85
Figu a 62 - S u ga , Deu schland. Ci cui o pedonal e ciclo ia
seg egada das odo ias adjacen es. Exemplo de ap o ei amen o do
espaço público de uma o ma sus en á el. Fon e: P óp ia.
Figu a 61 - P a enwald ing, S u ga . Á ea de ese a na u al den o da
cidade, nas imediações da Uni e sidade de S u ga e de zona
esidencial. Fon e: P óp ia.

86
7. Conclusões.
Após a análise dos e i ó ios de es udo e a compa ação com exemplos de uma cidade
alemã na angua da da sus en abilidade, podemos acilmen e in e i os bene ícios
possí eis de alcança com a adoção de p á icas ambien almen e sus en á eis,
economicamen e iá eis e socialmen e desejá eis.
Es e p oje o em demons a , simpli icadamen e, a impo ância que a es u u a a bó ea
em pa a a ida, den o e o a das cidades. As á o es são a solução pa a o aquecimen o
global e as e amen as pa a edi eciona o ca bono em excesso da a mos e a no amen e
pa a o solo. A e lo es ação da supe ície e es e é ine i á el e cons i ui a ó mula pa a
e e e os e ei os ne as os que as a i idades humanas ans e i am pa a a a mos e a e a
hid os e a. O ca bono con ibui pa a a base da cons i uição da maio ia dos se es i os,
e ela-se bas an e ú il nos solos e pa a as plan as. Con udo, a sua p esença em excesso
nos oceanos aduz-se em acidi icação das águas ( o mando luga es inóspi os pa a a
biodi e sidade), enquan o que na a mos e a aumen a o e ei o de es u a e
consequen emen e ele a as empe a u as médias do plane a (cons i uindo g a es e ei os
nega i os pa a a biodi e sidade, p incipalmen e na base da cadeia alimen a ).
A es a égia demons ada oca-se em ês pon os undamen ais pa a o bom
uncionamen o das aglome ações u banas: desen ol imen o da p ole das espécies
a bó ias, ga an indo uma con inuidade das mesmas com qualidade, esiliência e
uncionalidade; p omoção da pe meabilidade dos solos, pa a omen a o en iquecimen o
dos solos com água e nu ien es, mi iga a oco ência de cheias e inundações (a a és da
in il ação e do escoamen o in eligen e da p ecipi ação), inc emen a o espaço na u al e
ú il das cidades e p ocede à cap ação e ap o ei amen o das águas da chu a; supo e à
exis ência e pe manência de inse os polinizado es nos meios u banos, como agen es
a i os e p edominan es pa a o no mal uncionamen o dos ecossis emas, se es essenciais
pa a a sob e i ência da lo a e ele an es pa a a cadeia ó ica.
Os cidadãos necessi am de locais de con í io e laze , na medida em que as dinâmicas
ine en es às me ópoles não con ibuem pa a a sua união social. De ido a g andes
dis âncias, ausência de es u u a e empo ú il, os indi íduos que habi am as cidades
i em no anonima o. Es e cená io es á di e amen e ligado a uma sé ie de p oblemas
psicológicos e ísicos, que podem se e i ados a a és de um conjun o de decisões
in o madas e baseadas na na u eza. Os espaços e des u banos en am nes e con ex o,
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p opo cionando locais pe o da essência de cada um (meio na u al). Esses espaços não
escolhem classes nem ge ações, sendo locais adequados pa a o con í io e laze social
(essencial pa a a o mação de um sen imen o de pe ença e comba e à solidão galopan e
das me ópoles).
Os co edo es e des con ibuem pa a o desen ol imen o de canais de en ilação dos
poluen es u banos, o as de mig ação e alimen o pa a alguns elemen os da auna,
ci cui os de mo imen os pendula es sus en á eis pa a os cidadãos (mobilidade sua e) e
paisagens es é icamen e mais adequadas.
A humanidade de e comp eende que es á in imamen e conec ada com o meio na u al
que a odeia, não o opos o. Tudo se encon a ligado e odas as ações êm consequências
ambien ais, sejam elas posi i as ou nega i as. A in eligência a ibuída ao se humano
em de se ap o ei ada de uma o ma mais in eligen e.
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