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A política ambiental chinesa e a sua participação nas conferências de Estocolmo e Rio+20: uma análise sobre seus contrastes

Abstract

A presente dissertação busca compreender a participação da República Popular da China nas conferências sobre o meio ambiente internacionais. Nesse sentido questiona-se de que maneira o país participou na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em 1972 em Estocolmo, e na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em 2012 no Rio de Janeiro. Nota-se que a China o maior país da Ásia Oriental, mais populoso do mundo, ocupa o primeiro lugar na lista de maiores emissores totais de dióxido de carbono (CO2), além de figurar na lista dos países em desenvolvimento, com um crescimento anual até há pouco tempo, de aproximadamente 7% a 10% no PIB, um dos maiores crescimentos no mundo. Como hipótese inicial, acreditava-se que o país não teria qualquer participação, muito menos favorável ativamente da proteção do meio ambiente, no debate internacional em 1972, e apenas em 2012 assumiria uma posição favorável, impulsionada pela estratégia de “desenvolvimento pacífico”. Considerando a pesquisa e análise dos documentos, o que se pode constatar, foi um comportamento atípico, contrário ao que se previa, pois a RPC destacou-se em 1972 se aproximando da sociedade internacional por necessidade estrutural, e recuou em 2012 pela não aplicação das premissas do “desenvolvimento pacífico” no debate ambiental. Através da pesquisa documental de fontes primárias e revisão bibliográfica, os esforços deste trabalho foram direcionados no sentido de compreender a história da proteção ambiental no cenário global, para então compreender a China na questão e analisar a participação do país nas referidas conferências através de seus respectivos relatórios.

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A política ambiental chinesa e a sua participação nas conferências de Estocolmo e Rio+20: uma análise sobre seus contrastes

Author: Chan, Fernanda Ferreira
Year: 2019
Source: https://run.unl.pt/bitstream/10362/59827/1/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Fernanda%20Chan.pdf
A polí ica ambien al chinesa e a sua pa icipação nas
con e ências de Es ocolmo e Rio+20: uma análise sob e seus
con as es
Fe nanda Fe ei a Chan
Ou ub o, 2018
Disse ação de Mes ado em Ciência Polí ica e Relações
In e nacionais, especialização em Globalização e
Ambien e.
Disse ação ap esen ada pa a cump imen o dos equisi os necessá ios à ob enção
do g au de Mes e em Ciência Polí ica e Relações In e nacionais com
especialização em Globalização e Ambien e, ealizada sob a o ien ação cien í ica
da P o esso a Dou o a Raquel Vaz-Pin o, e coo ien ação cien í ica da P o esso a
Dou o a Ma ia Regina Faia Ma ins Sal ado .
AGRADECIMENTOS
P imei amen e, ag adeço a minha mãe, A le e Fe ei a Chan e ao meu
pai, Manuel Fe nando Chan, pelo imenso amo e ca inho em odos os
momen os da minha ida, especialmen e no pe íodo de ealização des e
abalho. Mui o ob igada pelo apoio incondicional, não há pala as
su icien es pa a os ag adece .
Meus pais es i e am p esen es na ealização de cada capí ulo, semp e
dispos os a me ajuda com um so iso no os o, o que me az mui o o gulho.
Eles se ão semp e os esponsá eis po udo que um dia eu possa me o na .
Ag adeço imensamen e a P o .ª Dou o a Raquel Vaz-Pin o do
Ins i u o de Polí ica e Relações In e nacionais (IPRI), po se minha
o ien ado a nes a jo nada, espondendo a di e sas ques ões an es mesmo de
eu pe gun á-las, o ien ando-me com uma paciência incansá el, e ag adeço a
P o .ª Dou o a Ma ia Regina Faia Ma ins Sal ado do Cen o In e disciplina
de Ciências Sociais (CICS.NOVA), po se minha coo ien ado a, apoiando-
me e auxiliando-me da melho o ma possí el em seus comen á ios.
Um ag adecimen o a odos meus p o esso es do mes ado e
colabo ado es da FCSH da Uni e sidade No a de Lisboa (UNL).
Ap o ei o pa a ag adece a odo os meus amigos e amigas da
aculdade, em especial a Ca a ina So ia Ca nei o And ade, E ika Quei oz
Piedade, F ede ico Fa ia Aleixo e Jo ge Miguel Fe ei a Lopes, pelo espí i o
de equipa ao acolhe -me, pela disponibilidade na pa ilha de opiniões,
ma e iais e in o mações, en e ou as manei as em que me ajuda am.
Aos meus amigos em ou as a i idades e á eas do conhecimen o, pois
apesa em de não es uda em comigo, es i e am p esen es apoiando-me com
as melho es in enções, pe cebendo cada momen o da ealização des e
abalho. Po úl imo, mani es o minha g a idão a odos que pa icipa am
di e amen e ou indi e amen e, na minha ida acadêmica, pois o am anos de
c escimen o pessoal e p o issional, undamen ais na minha ida.
A POLITICA AMBIENTAL CHINESA E A SUA PARTICIPAÇÃO NAS
CONFERÊNCIAS DE ESTOCOLMO E RIO +20: UMA ANÁLISE
SOBRE SEUS CONTRASTES
Fe nanda Fe ei a Chan
Resumo
A p esen e disse ação busca comp eende a pa icipação da República
Popula da China nas con e ências sob e o meio ambien e in e nacionais.
Nesse sen ido ques iona-se de que manei a o país pa icipou na Con e ência
das Nações Unidas sob e o Meio Ambien e Humano ealizada em 1972 em
Es ocolmo, e na Con e ência das Nações Unidas sob e Desen ol imen o
Sus en á el ealizada em 2012 no Rio de Janei o. No a-se que a China o maio
país da Ásia O ien al, mais populoso do mundo, ocupa o p imei o luga na
lis a de maio es emisso es o ais de dióxido de ca bono (CO2), além de igu a
na lis a dos países em desen ol imen o, com um c escimen o anual a é há
pouco empo, de ap oximadamen e 7% a 10% no PIB, um dos maio es
c escimen os no mundo. Como hipó ese inicial, ac edi a a-se que o país não
e ia qualque pa icipação, mui o menos a o á el a i amen e da p o eção do
meio ambien e, no deba e in e nacional em 1972, e apenas em 2012 assumi ia
uma posição a o á el, impulsionada pela es a égia de “desen ol imen o
pací ico”.
Conside ando a pesquisa e análise dos documen os, o que se pode cons a a ,
oi um compo amen o a ípico, con á io ao que se p e ia, pois a RPC
des acou-se em 1972 se ap oximando da sociedade in e nacional po
necessidade es u u al, e ecuou em 2012 pela não aplicação das p emissas do
“desen ol imen o pací ico” no deba e ambien al. A a és da pesquisa
documen al de on es p imá ias e e isão bibliog á ica, os es o ços des e
abalho o am di ecionados no sen ido de comp eende a his ó ia da p o eção
ambien al no cená io global, pa a en ão comp eende a China na ques ão e
analisa a pa icipação do país nas e e idas con e ências a a és de seus
espec i os ela ó ios.
Pala as-Cha e: ambien e, al e ações climá icas, globalização, polí ica
ex e na chinesa, Es ocolmo, Rio +20
CHINESE ENVIRONMENTAL POLICY AND ITS PARTICIPATION AT THE
STOCKHOLM AND RIO+20 CONFERENCES: AN ANALYSIS OF ITS
CONTRASTS
Fe nanda Fe ei a Chan
Abs ac
This disse a ion seeks o unde s and he pa icipa ion o he People's Republic o
China in in e na ional en i onmen al con e ences. In his ega d, he ques ion is
how he coun y pa icipa ed in he Uni ed Na ions Con e ence on he Human
En i onmen held in 1972 in S ockholm and he Uni ed Na ions Con e ence on
Sus ainable De elopmen held in Rio de Janei o in 2012. I is no ed ha China, he
la ges coun y in Eas Asia, he mos populous in he wo ld, anks i s in he lis
o he la ges o al emi e s o ca bon dioxide (CO2), and is on he lis o de eloping
coun ies, wi h g ow h annual g ow h o app oxima ely 7% o 10% in GDP, one o
he la ges g ow hs in he wo ld. As an ini ial hypo hesis, i was belie ed ha he
coun y would no ha e had any pa icipa ion, much less ac i ely a o ing he
p o ec ion o he en i onmen , in he in e na ional deba e in 1972, and only in 2012
would assume a a o able posi ion, d i en by he "peace ul de elopmen " s a egy.
Conside ing he esea ch and analysis o he documen s, wha can be seen was
a ypical beha io , con a y o wha was p edic ed, because he PRC s ood ou in
1972 app oaching he in e na ional socie y by s uc u al necessi y and ell back in
2012 by he non-applica ion o he p emises o "peace ul de elopmen " in he
en i onmen al deba e. Th ough he documen a y esea ch o p ima y sou ces and
bibliog aphic e iew, he e o s o his wo k we e di ec ed owa ds unde s anding
he his o y o en i onmen al p o ec ion in he global scena io, o hen unde s and
China in he ma e and o analyze he pa icipa ion o he coun y in said
con e ences h ough hei espec i e epo s.
Keywo ds: en i onmen , clima e change, Chinese Fo eign Policy, globaliza ion,
S ockholm, Rio+20

ÍNDICE
Lis a de Ab e ia u as
In odução............................................................................................. 1
Capí ulo 1 - Enquad amen o Teó ico-Concep ual................................ 7
1. 1. Relação da humanidade com o meio ambien e........................... 7
1. 2. In ensi icação dos GEE................................................................. 12
1. 3. Coope ação In e nacional............................................................ 14
1. 4. Ins i ucionalização da p o eção ambien al……………………......….. 20
Capí ulo 2 - Polí ica Chinesa pa a o meio ambien e........................... 33
2. 1. Mao Tsé-Tung e as e o mas domés icas como p io idade........ 33
2. 2. A E a de Deng Xiaoping e o “desen ol imen o pací ico” ............ 43
Capí ulo 3 - Pa icipação da RPC nas Con e ências............................. 59
3. 1. Rela ó io da Con e ência de Es ocolmo (1972)........................... 59
3. 2. Rela ó io da Con e ência do Rio (2012)....................................... 70
Conside ações inais............................................................................. 78
Bibliog a ia ........................................................................................... 81
LISTA DE ABREVIATURAS
CEPAL Comissão Económica pa a a Amé ica La ina e
Ca aíbas
CH4 Me ano
CNUDS Con e ência das Nações Unidas sob e
Desen ol imen o Sus en á el
CNUMAD Con e ência das Nações Unidas sob e Meio
Ambien e e Desen ol imen o
CO² Dióxido de Ca bono
COP Con e ência das Pa es / Con e ence o he
Pa ies
EUA Es ados Unidos da Amé ica
FAO O ganização das Nações Unidas pa a
Alimen ação e Ag icul u a/ Food and
Ag icul u e O ganiza ion o he Uni ed
Na ions
GEE Gases de E ei o Es u a
IPCC Painel In e go e namen al pa a as Al e ações
Climá icas / In e go e nmen al Panel on
Clima e Change
IUCN União In e nacional pa a a Conse ação da
Na u eza/ In e na ional Union o
Conse a ion o Na u e
MIT Ins i u o de Tecnologia de Massachuse s/
Massachuse s Ins i u e o Technology
N²O Óxido ni oso
OCDE O ganização pa a a Coope ação e
Desen ol imen o Económico
ODM Obje i os de Desen ol imen o do Milênio
OMS O ganização Mundial da Saúde
ONU O ganização das Nações Unidas
PCC Pa ido Comunis a da China
PIB P odu o In e no B u o
PNUMA P og ama das Nações Unidas pa a o Meio
Ambien e
RPC República Popula da China
UE União Eu opeia
UNFCCC Con enção Quad o das Nações Unidas pa a as
Al e ações Climá icas / Uni ed Na ions
F amewo k Con en ion on Clima e Change
WCED Comissão Mundial sob e o Meio Ambien e e
Desen ol imen o/ Wo ld Commission on
En i onmen and De elopmen
1
In odução
A República Popula da China (RPC) como o maio país da Ásia
O ien al e o mais populoso do mundo, ocupa o p imei o luga na lis a de
maio es emisso es o ais de dióxido de ca bono (CO2), e, po an o, o p incipal
con ibuin e no mundo pa a o aquecimen o global. Pa a além disso, igu a a
na lis a dos países em desen ol imen o, com um c escimen o anual de 7% a
10% no PIB, uma das maio es axas no mundo, a é há bem pouco empo. O
ques ionamen o do p esen e abalho pa e da necessidade de pe cebe a
pa icipação do país na p o eção do meio ambien e en e ao plano
in e nacional, enquan o país em pleno desen ol imen o e c escimen o.
Nes a in es igação, ques iona-se como o país a uou nas con e ências
in e nacionais sob e o meio ambien e ealizadas pela O ganização das Nações
Unidas (ONU) em 1972 e 2012, nomeadamen e, na Con e ência das Nações
Unidas pa a o Ambien e Humano ealizada em Es ocolmo e na Con e ência
das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o Sus en á el ealizada no Rio de
Janei o, espec i amen e.
A hipó ese inicial de abalho é de que o país não e ia qualque
pa icipação, mui o menos a o á el à p o eção do meio ambien e, no deba e
in e nacional em 1972, de ido às consequências da polí ica de dedicação o al
as e o mas domés icas iniciada po Mao Tsé-Tung e e o çada pela ausência
de Beijing na ONU desde 1949, e apenas em 2012 assumi ia uma posição
a o á el a p o eção ambien al, impulsionada pela es a égia de
“desen ol imen o pací ico”.
Com a p opos a des e abalho con ibuo pa a dois emas não mui o
deba idos na á ea de minha especialização, o su gimen o de no os a o es no
cená io in e nacional, no caso a China, e a pa icipação des e en e a
ins i ucionalização da p o eção ambien al, nomeadamen e na Con e ência de
Es ocolmo de 1972 e Con e ência do Rio de 2012.
A o igem des e ema ica po con a da a inidade que enho com a
polí ica, domés ica e p incipalmen e ex e na da China, e com as Con e ências
e e idas, e embo a possam exis i abalhos ol ados a es e ema, o p esen e
8
ex ensas, o que le ou ao desma amen o, a ex inção de ciclos e de p edado es
na u ais. A al e ação e des uição do ambien e na u al, ouxe mic o-
o ganismos e ou os animais pa a den o dos espaços humanos, o que
ocasionou mui as no as doenças e epidemias a esses g upos humanos,
especialmen e no pe íodo subsequen e, a Idade Média (Dias, 2015).
Com os a anços ecnológicos iniciados no im do século XVIII a é o
im do século seguin e, no pe íodo conhecido como Re olução Indus ial,
al e ações mais p o undas ans o ma am a ag icul u a, os mé odos de
p odução de p odu os, os meios de locomoção e a o ganização das sociedades
humanas. C iação de máquinas, êxodo u al, população u bana c escen e,
implemen ação da p odução em g ande escala a a és das áb icas
mecanizadas, u ilização de au omó eis, ba cos e locomo i as, dependência
de combus í eis ósseis não eno á eis (ca ão, pe óleo e gás na u al),
emune ação desp opo cional en e abalhado es e donos de áb icas,
su gimen o das classes sociais, são algumas das di e sas mudanças oco idas
a pa i desse pe íodo (Dias, 2015; Hobsbawm, 2003).
Mais adian e, os se o es pe oquímico, ele ônico e bio ecnológico su gi am,
aumen ando cada ez mais a demanda de ecu sos na u ais, po an o a
deg adação ambien al não cessou, sob e udo a segui , com o ad en o da
P imei a Gue a Mundial e mais ainda com a Segunda Gue a Mundial, nas
quais as máquinas o am ap imo adas pa a uma melho e iciência, o que ainda
implicou a u ilização desen eada de combus í eis ósseis, ecu sos não
eno á eis do meio ambien e (Dias, 2015; Hobsbawm, 2003)
Segundo Dias (2015), a co ida pelo c escimen o indus ial e o
c escimen o populacional, en e an o, e am acompanhados po p oblemas
ambien ais, po que não só e a inadequada a o ma de u ilização dos ecu sos
na u ais, como a demanda po alimen os, ene gia, e ou os p odu os e a cada
ez maio , nesse pe íodo os países passa am a se iden i icados como países
“indus ializados” ou “menos indus ializados”
2
.
2
“Indus ializados” ou “menos indus ializados” são e mos que desc e em o desen ol imen o de um país,
com base nos ní eis de indus ialização, a enda pe capi a e o alo do PIB, en e an o, os e mos
“desen ol idos” e “em desen ol imen o”, espe i amen e, passa am a se u ilizados a pa i do séc. XX, e
con abilizam ambém c i é ios sociais, como IDH. Não há con enção na ONU pa a es as de inições (UNSD,

9
Da Gue a F ia (1947-1991), p e aleceu a economia de me cado como
sis ema econômico, o que signi ica a que a posse po pa e de emp esas
p i adas e alguns g upos mino i á ios, de bens de p odução, como áb icas e
indús ias, as quais endem luc os, o na a-se o p incipal obje i o ao edo do
mundo, enquan o o meio ambien e, os abalhado es e sua mão de ob a, não
e am in ei amen e p io idade (Dias, 2015).
No início dos anos 90 já e a possí el pe cebe que o meio ambien e
se ia explo ado independen e do sis ema econômico, po exemplo, em 1952,
o Reino Unido, o qual iniciou a Re olução Indus ial, sob o sis ema de
economia de me cado, i enciou em sua capi al o denominado Smog, uma
o e poluição a mos é ica, p o ocada pelo aumen o excessi o da queima do
ca ão mine al em aquecedo es e áb icas da expansi a indús ia inglesa, e
que ocasionou a mo e de 12 mil pessoas, sem menciona os doen es (Dias,
2015).
E do ou o lado do mundo, em um país com sis ema econômico
comunis a, a pa i da p oclamação da RPC em 1949, Mao Tsé-Tung, líde do
país na época, pe cebia o meio ambien e como algo a se supe ado e
con olado. Nes e sen ido, Mao o denou a cons ução de ba agens, as quais
causa am poluição nos ios, en e ou os danos.
Alguns anos depois, em 1958, com a campanha chinesa de acele ação
do c escimen o indus ial e cole i o “G ande Sal o em F en e”, Mao o denou
a cons ução do maio núme o de o nos possí eis pa a p oduzi e o e aço,
as quais poluí am a a mos e a; o denou o desma amen o pa a sup i a
demanda po combus í el pa a os o nos; e incen i ou ambém o ex e mínio
de a os, moscas, mosqui os e pa dais, os quais e am pe cebidos, de o ma
e ónea, como esponsá eis pela baixa p odu i idade ag ícola.
2014), mas segundo Ko i Annan, ex-sec e á io ge al da o ganização, “um país desen ol ido é aquele que
pe mi e que odos os cidadãos des u em de uma ida li e e saudá el em um ambien e segu o” (UNCTAD,
2000, p. 2, adução li e da au o a).
10
As ações mencionadas mais a de ouxe am doenças e causa am
mo es, especialmen e com a “G ande Fome Chinesa” que es imasse e
causado ce ca de 45 milhões de mo es (Economy, 2010, Shapi o, 2001).
O ma co inicial que ouxe o despe a à sociedade mundial pa a o
deba e sob e os p oblemas ambien ais, oi o li o Silen Sp ing de Rachel
Ca son publicado em 1962, no qual é ei o o ale a pa a o pe igo da u ilização
de pes icidas químicos nas colhei as, pois es es le a am ao desen ol imen o
de canc o em se es humanos, e ainda al e a am o meio ambien e (G eene,
2001; Dias, 2015).
Tal ma co, jun o à c escen e poluição a mos é ica nos anos
subsequen es, e elou que o mundo começa a a en en a a c ise ambien al,
ou seja, uma sé ie de g andes p oblemas na elação do se humano com o
ambien e que o en ol e (Ba os-Pla iau, A. F. e al., 2004).
Segundo Ba os-Pla iau, A. F. e al. (2004, p. 102), a c ise ambien al
é “de inida como a incong uência en a Te a e Mundo, ou seja, en e um
espaço ísico e ou o socialmen e cons uído”, aonde o e mo “Te a” engloba
o conjun o de enômenos ísicos e na u ais e “Mundo” o conjun o das
in e ações sociais, polí icas e econômicas da humanidade, e a con o midade
das duas es e as se ia a solução da c ise.
Es a c ise ambien al, que oco e a pa i do im da segunda me ade do
século XX, segundo Dias (2015, p. 16) o nou-se “um concei o amplamen e
acei o e e le e uma ealidade que se ca ac e iza como um momen o c í ico,
uma enc uzilhada em que a humanidade se encon a, cheia de ince ezas, mas
que exige uma u gen e omada de decisões”.
Es es p oblemas que compõem a c ise, são g andes po que di e en e
de ou os momen os, os quais os p oblemas e am localizados, como po
exemplo a cons ução dos Templos maias na Amé ica e as campanhas do
G ande Sal o em F en e na China, os p oblemas ago a passa am a en ol e
odo o plane a – e a comp eensão de que os p oblemas ambien ais não
econhecem on ei as, começou a su gi pa alelamen e –, como o aumen o
da emissão de gases de e ei o es u a, esul ado das a i idades humanas em
di e sas egiões, as quais conduzem a Te a ao enômeno conhecido como
11
aquecimen o global, en e ou as mudanças climá icas (Dias, 2015; G eene,
2001).
Segundo o Clima e Change Syn hesis Repo Summa y o
Policymake s do Painel In e go e namen al sob e Mudanças Climá icas
(IPCC),
“o aquecimen o do sis ema climá ico é inequí oco e, desde a década de
1950, mui as das mudanças obse adas são inédi as ao longo de décadas
a milênios. A a mos e a e o oceano aquece am, as quan idades de ne e
e gelo diminuí am e o ní el do ma subiu”
3
(IPCC, 2014, p. 2).
Tais al e ações, ainda segundo o ela ó io do IPCC, o na iam a ida
na Te a ulne á el.
Foi jus amen e pela necessidade de con o midade das duas es e as
Te a e Mundo (Ba os-Pla iau, A. F. e al., 2004), e a ince eza (Dias, 2015)
como esul ado, que o mundo começou a pe cebe a necessidade de ges ão
cole i a da c ise ambien al, uma ez que “mui os p oblemas ambien ais são
in insecamen e ansnacionais ou globais, ou se elacionam com bens
comuns globais. Ou os p oblemas locais ou nacionais são amplamen e
expe imen ados em oda a Te a”
4
.
Oco e que a pa i da c ise ambien al, há o despe a da sociedade
quan o à necessidade de coope ação in e nacional, pa a encon a soluções
pa a es es p oblemas, em especial a in ensi icação de GEE.
3
T adução li e da au o a. No o iginal: “Wa ming o he clima e sys em is unequi ocal, and since he 1950s,
many o he obse ed changes a e unp eceden ed o e decades o millennia. The a mosphe e and ocean
ha e wa med, he amoun s o snow and ice ha e diminished, and sea le el has isen” (IPCC, 2014, p. 2).
4
T adução li e da au o a. No o iginal: “Many en i onmen al p oblems a e in insically ansna ional o
global, o ela e o global commons. O he local o na ional p oblems a e expe ienced widely ac oss he
Ea h (G eene, 2001, p. 389).
12
1.2 In ensi icação dos GEE
Os GEE são um g upo de subs âncias gasosas que são encon adas na
a mos e a da Te a, e que compõem o p ocesso na u al de e ei o es u a:
dióxido de ca bono (CO²), me ano (CH4), óxido ni oso (N²O), en e ou as
subs âncias (IPAM, 2015).
Segundo o IPCC (2007), a supe ície e es e abso e dois e ços da
ene gia ( aios ul a iole as, en e ou os) emi ida pelo Sol, enquan o um e ço
é e le ido de ol a ao espaço. Es a ene gia abso ida pela Te a, ans o ma-
se em calo , e pa e des e calo é eemi ido, em o ma de aios in a e melhos,
no amen e da supe ície da Te a pa a sua a mos e a, os quais não são
een iados na sua o alidade ao espaço, pela exis ência dos GEE na a mos e a,
que di icul am uma pe da demasiada de calo , pe mi indo que a Te a se
man enha aquecida, sem al e ações ex emas e consequen emen e ga an indo
a ida no plane a.
Es e p ocesso de con ole da pe da excessi a e e enção de calo na
a mos e a, exe cido pelos gases mencionados an e io men e, é o denominado
e ei o es u a, daí o nome do g upo dos gases de “Gases de E ei o de Es u a”
(IPCC, 2007).
No en an o, as a i idades humanas mencionadas na seção an e io ,
p incipalmen e a queima de combus í eis ósseis e o desma amen o, êm
in ensi icado a quan idade de GEE, o que desequilib a o p ocesso na u al de
e ei o es u a, po que a maio pa e do calo eemi ido da supe ície e es e
pa a a a mos e a, e que ol a á ao espaço a segui , ica p esa na a mos e a,
causando uma maio cale ação da supe ície do plane a, ocasionando o
denominado aquecimen o global. Es e não só al e a a empe a u a na Te a,
mas ambém p o oca enchen es, u acões, degelo das calo as pola es,
dese i icação, p ejudicando a ida no plane a (IPCC, 2014).
13
“A in luência humana no sis ema climá ico é cla a e as ecen es
emissões an ópicas de gases de e ei o es u a são as mais al as da
his ó ia. As ecen es mudanças climá icas i e am impac os
gene alizados nos sis emas humanos e na u ais”
5
(IPCC, 2014, p. 2)
A queima de combus í eis ósseis (o ca ão mine al, gás na u al e o
pe óleo) in ensi ica di e amen e a quan idade de GEE, po que al queima,
lança em excesso CO² pa a a a mos e a. O desma amen o ambém in ensi ica
a quan idade des e gás, po que ao sup imi a quan idade de á o es e plan as,
o plane a pe de componen es impo an es do sis ema climá ico e da cadeia
alimen a , po que es es quando em ida, ealizam o p ocesso de o ossín ese.
E nes e p ocesso, e i am CO² da a mos e a, o ans o mando em ma é ia
o gânica e oxigênio, o p imei o, indispensá el pa a sua alimen ação e de se es
i os que não p oduzem seu p óp io alimen o, e o segundo, indispensá el
pa a a ene gia dos se es i os no plane a.
Assim, é comp eensí el que o CO² seja um dos p incipais dos GEE,
pois ainda que undamen al pa a ida na Te a, ambém é p ejudicial quando
em excesso na a mos e a (IPCC, 2007; Dias, 2015).
As mudanças climá icas são deco en es de p ocessos na u ais, como
po exemplo, a al e ação média do clima na Te a causada po a iações
sola es, já o aquecimen o global, ambém um enômeno de al e ação
climá ica, não em o igem em p ocessos na u ais, endo em con a que é
p o ocado po a i idades humanas, e é susce í el à mudança.
“As emissões an opogênicas de gases de e ei o es u a aumen a am
desde a e a p é-indus ial, impulsionadas p incipalmen e pelo
c escimen o econômico e populacional, e es ão ago a mais al as do que
nunca. Isso le ou a concen ações a mos é icas de dióxido de ca bono,
me ano e óxido ni oso que não êm p eceden es nos úl imos 800 mil
anos. Seus e ei os, jun amen e com os de ou os impulso es
an opogênicos, o am de ec ados em odo o sis ema climá ico e são
ex emamen e p o á eis de e em sido a causa dominan e do
aquecimen o obse ado desde meados do século XX” (IPCC, 2014).
5
T adução li e da au o a. No o iginal: “Human in luence on he clima e sys em is clea , and ecen
an h opogenic emissions o g eenhouse gases a e he highes in his o y. Recen clima e changes ha e had
widesp ead impac s on human and na u al sys ems” (IPCC, 2014, p. 2).

14
1.3 Coope ação In e nacional
O p oblema ambien al enunciado nes e abalho, não se limi a a
on ei as nacionais como mencionado na seção an e io , daí a necessidade de
obse a a ques ão sob e uma ó ica de coope ação in e nacional, pois a a és
des a, uma solução é possí el de se encon ada.
O mundo desde o su gimen o do homem, é ca ac e izado po elações
sociais, po ém nos úl imos séculos oi possí el obse a um aumen o des as
elações, ul apassando on ei as econômicas, polí icas e cul u ais, al
p ocesso de aumen o oi denominado “globalização”.
Segundo An hony McG ew (2014, p. 16) a globalização “é um e mo
que cap a a c escen e in ensidade da in e conexão mundial, en im, um
‘mundo encolhido’”
6
, ou seja, é um aumen o de in e ações em di e en es
medidas, en e a o es es a ais, não-es a ais e ansnacionais di e sos, aonde
e ei os globais in luenciam locais e ice- e sa.
Es e au o a gumen a que a globalização su giu mui o an es, em
meados do século XV a é o im do século XIX, com o ad en o da Paz de
Ves ália (1648), es a inaugu ou os p incípios de Te i o ialidade, Sobe ania
e Au onomia
7
no que se e e e ao sis ema dos Es ados, e es es concei os são
e o es dos e ei os da globalização no Es ado. Segundo McG ew (2014) es e
pe íodo é apenas a “p imei a onda” den e ês em que a globalização oco e.
A “segunda onda” comp eende a consolidação da expansão ma í ima dos
impé ios eu opeus, bem como o su gimen o da e olução indus ial, no
pe íodo de 1850 a 1945 (McG ew, 2014).
A “ e cei a onda” a pa i de 1960, a qual McG ew (2014) ambém
denomina de globalização con empo ânea, e e e-se ao pe íodo em que as
gue as mundiais ha iam cessado, e as di isões polí icas o am subs i uídas
po in e ações en e Es ados e agências não go e namen ais, impulsionadas
6
T adução li e da au o a. No o iginal: “is a e m which cap u es he g owing in ensi y o wo ldwide
in e connec edness, in sho , a ‘sh inking wo ld’” (McG ew, 2014, p. 15).
7
A Te i o ialidade como uma comunidade o ganizada den o de uma on ei a geog á ica e polí ica; a
Sobe ania como a au o idade exclusi a e sup ema que o go e no ou Es ado, inse ido nessa comunidade,
possui; e a Au onomia, como o go e no ou Es ado que de ém libe dade quan o as suas a i idades em sua
comunidade, sendo es a na es e a domés ica (McG ew, 2014).
15
pela con e gência dos p incipais mo o es da globalização, nomeadamen e, a
economia, ecnologia e polí ica.
E segundo es e au o “uma qua a onda de globalização pode es a em
o mação, impulsionada pelas po ências das economias eme gen es da China,
B asil, Índia e ou as”
8
.
As es e as mais e iden es da globalização con empo ânea, são os
me cados globais; o e o ismo e a mamen o ansnacional; a es e a ju ídica
como as leis de di ei os humanos; os p oblemas ambien ais globais; a di usão
global de cul u as popula es; e as mig ações.
Assim, a globalização não é um p ocesso singula e simé ico pa a o
au o , pois en ol e á ias es e as de in e conexão, algumas mais a ançados,
como po exemplo, a globalização no se o econômico, e “é an o uma on e
de con li o e iolência quan o de coope ação e ha monia nos assun os de
pala as” (McG ew, 2014, p. 29).
A pe ceção de McG ew quan o a e olução da globalização desde a
Paz de Ves ália a é a a ualidade, é que do p incípio da Te i o ialidade apenas
emanesceu a impo ância polí ica e não an o geog á ica, po que o
impo an e é que exis am edes en e os go e nos, a o es egionais e globais;
da Sobe ania, a au o idade do Es ado não oi eliminada, en e an o a sobe ania
“é cada ez mais en endida como o exe cício compa ilhado do pode público
e au o idade, en e as au o idades nacionais, egionais e globais”
9
(McG ew,
2014, p. 268); da Au onomia, o Es ado con inuou com es e exe cício,
en e an o em um mundo globalizado, es a au onomia não é su icien e pa a
p eenche a demanda dos cidadãos po polí icas públicas, o Es ado mui as
ezes p ecisa es abelece alguma coope ação com ou os Es ados, e ou os
a o es não-es a ais, abdicando de pa e de sua au onomia, pa a a ingi
obje i os domés icos (McG ew, 2014).
Pa a San os (2002, p. 26), a globalização, embo a seja mui as ezes
em seu deba e eduzida às dimensões econômicas, é um “ enômeno
8
T adução li e da au o a. No o iginal: “A ou h wa e o globaliza ion may be in he making, d i en by he
eme ging economies powe s o China, B asil, India, and o he s” (McG ew, 2014, p. 23).
9
T adução li e da au o a. No o iginal: “is inc easingly unde s ood as he sha ed exe cise o public powe
and au ho i y be ween na ional, egional, and global au ho i ies” (McG ew, 2014, p. 28).
16
mul i ace ado com dimensões econômicas, sociais, polí icas, cul u ais,
eligiosas e ju ídicas in e ligadas de modo complexo [...]”. Segundo es e
au o , es e enômeno az ensões en e e den o de g upos sociais, e po isso
não é um p ocesso consensual, a ensão p incipal é a qui e ada po Es ados e
in e esses hegemônicos, e po Es ados e g upos sociais de esis ência aos
hegemônicos, aonde o p imei o g upo idealiza uma “globalização
hegemônica” e o segundo g upo uma “globalização con a hegemônica”.
Os modos de p odução da globalização hegemônica, são os seguin es:
“localismo globalizado”, um enômeno local que se o na condição uni e sal,
como po exemplo, “a ans o mação da língua inglesa em língua anca”
(San os, 2002, p. 65); e “globalismo localizado”, “um impac o especí ico nas
condições locais p oduzido pelas p á icas e impe a i os ansnacionais que
deco em dos localismos globalizados” (San os, 2002, p. 66), como po
exemplo, o uso u ís ico de esou os his ó icos.
Os modos de p odução da globalização con a hegemônica são os
seguin es: “cosmopoli ismo”, p ocesso de “o ganização ansnacional da
esis ência de Es ados-nação, egiões, classes ou g upos sociais i imizados
pelas ocas desiguais de que se alimen am os localismos globalizados e os
globalismos localizados [...]” (San os, 2002, p. 67), na de esa de in e esses
comuns, po exemplo o ganizações ansnacionais de di ei os humanos,
ONG, en e ou os; e “pa imónio comum da humanidade”, p ocesso de “lu as
ansnacionais pela p o ecção e desme cado ização de ecu sos, en idades,
a e ac os, ambien es conside ados essenciais pa a a sob e i ência digna da
humanidade e cuja sus en abilidade só pode se ga an ida à escala plane á ia”,
como po exemplo emas ambien ais que não podem se ge idos po uma
lógica de ocas desiguais, e sim po uma lógica de “ ideicomissos da
comunidade in e nacional em nome das ge ação p esen es e u u as” (San os,
2002, p. 70)
Segundo es e au o , apesa de exis i con li os den o des e consenso
dominan e, seus modos de p odução, nomeadamen e, "localismo
globalizado” e “globalismo localizado”, possuem maio coe ência in e na e
homogeneidade em con aposição aos modos de p odução de globalização
con a hegemónica.
17
“Os países cen ais que p esidem a globalização hegemônica, são os
que êm dela i ado mais an agens, maximizando as opo unidades que
ela c ia e ans e indo pa a ou os países menos desen ol idos os cus os
sociais e ou os que ela p oduz. [...] os países pe i é icos so e am, em
ge al, nas duas úl imas décadas uma deg adação da sua posição no
sis ema mundial, de pa com a deg adação dos seus já mui o baixos
pad ões de ida. [...] En e os países cen ais e os países pe i é icos
si uam‐se os países semipe i é icos ou de desen ol imen o
in e mediá io. Nesses países, a con abilidade da globalização é mui o
mais complexa” (San os, 2002, p. 12).
Nesse con ex o, a globalização não se a a de um enômeno singula ,
a inal “[...] ao con á io do que o e mo globalização supe icialmen e cono a,
es amos pe an e p ocessos de mudanças al amen e con adi ó ios e desiguais,
a iá eis na sua in ensidade e a é na sua di eção.” (San os, 2002, p. 11), daí
o au o de ende que não há globalização e sim globalizações, especialmen e
no pe íodo a ual, que denomina de sis ema mundial de ansição.
Na academia, há di e sas de inições, bem como a iados ma cos de
su gimen o, discu idos sob e a globalização. No p esen e abalho, são
ap esen ados apenas dois au o es, de modo a se possí el pe cebe que es e
p ocesso se e e e a c escen e conexão, com p edominância a pa i do inal
do século XX, nos se o es econômicos, polí icos, sociais, cul u ais e
ambien ais en e di e en es Es ados e ou os a o es não-es a ais, de al
manei a, que o que oco e em um Es ado ou localidade pode e
consequências – bené ica e/ou malé icas – em ou o, e ice- e sa.
No es udo das Relações In e nacionais, cabe à co en e eó ica do
neolibe alismo ins i ucional explica a na u eza e o uncionamen o do Es ado,
en e ao p ocesso de globalização que oco e a ní el in e nacional, is o
po que pa a es a co en e, com a c iação e o o alecimen o das ins i uições e
ambém egimes, os quais são o iginadas p incipalmen e a pa i da
globalização, é possí el al e a o ambien e de in e ação en e os Es ados
(Noguei a e Messa i, 2005).
As ins i uições podem ans o ma um ambien e aná quico com
nenhuma ou a a possibilidade de coope ação como as co en es
ealis as/neo ealis as a gumen am, pa a um ambien e aná quico, mas com
possibilidades “cla as” de coope ação (Noguei a e Messa i, 2005; Keohane,
1984; Axel od e Keohane, 1985).
24
sessão, ealizada em ma ço de 1972, ocupou-se da pa e uncional da
con e ência, inclusi e dos aspec os inancei os” (Nascimen o e Sil a,
1955 apud Ribei o, 2005, p. 74).
Os países em desen ol imen o o alece am o discu so sob e e em o
di ei o ao p og esso econômico e social, e que o apoio a es e, que iesse a se
es abelecido, a ua ia na p o eção do meio ambien e, isso po que
conside a am que os países em desen ol imen o não possuíam um his ó ico
de poluição global, em compa ação aos países desen ol idos (G eene, 2001).
Fo am eunidos “113 países, 19 ó gãos in e go e namen ais e 400
ou as o ganizações in ago e namen ais e não go e namen ais” como
compa ilha Mcco nmick (1992 apud Ribei o, 2005, p. 74), e nesse con ex o,
apenas dois che es de Es ado es i e am p esen es, Olo Palme e Indi a
Gandhi, da Suécia e Índia, espec i amen e.
Apesa de não con a com mais che es de Es ado, a Con e ência oi
impo an e expõe Ribei o (2005), pois ep esen ou a inclusão da p eocupação
ambien al na agenda dos países.
Segundo G eene (2001) pa a além da consolidação da elação en e
ambien e e desen ol imen o no con ex o das elações No e e Sul, os deba es
na con e ência desencadea am um maio conhecimen o sob e a
esponsabilidade de coope a en e Es ados pa a com o meio ambien e,
p incipalmen e com o supo e do documen o p oduzido na con e ência, a
Decla ação de Es ocolmo, a qual indica a 26 p incípios pa a uma coope ação
in e nacional. Conside ando que o p esen e abalho se dedica especialmen e
a ques ão da poluição a mos é ica, na decla ação, dois p incípios são
des aques:
“P incípio 6. De e-se pô im à desca ga de subs âncias óxicas ou de
ou os ma e iais que libe am calo , em quan idades ou concen ações
que excedam a capacidade do meio ambien e de neu alizá-los, pa a que
não se causem danos g a es ou i e e sí eis sob e os ecossis emas.
De e-se apoia a jus a lu a dos po os de odos os países con a a
poluição”
15
(Nações Unidas, 1972).
15
T adução li e da au o a. No o iginal: “The discha ge o oxic subs ances o o o he subs ances and he
elease o hea , in such quan i ies o concen a ions as o exceed he capaci y o he en i onmen o ende
hem ha mless, mus be hal ed in o de o ensu e ha se ious o i e e sible damage is no in lic ed upon
ecosys ems. The jus s uggle o he peoples o all coun ies agains pollu ion should be suppo ed” (Nações
Unidas, 1972, p. 4).

25
“P incípio 21. Os Es ados êm, de aco do com a Ca a das Nações
Unidas e os p incípios do di ei o in e nacional, o di ei o sobe ano de
explo a seus p óp ios ecu sos de aco do com suas p óp ias polí icas
ambien ais e a esponsabilidade de assegu a que as a i idades den o
de sua ju isdição ou con ole não causem danos o ambien e de ou os
Es ados ou de á eas além dos limi es da ju isdição nacional”
16
(Nações
Unidas, 1972).
No que diz espei o a quem são des inadas as medidas ci adas,
en ende-se nos dois i ens que são medidas pa a odos os países, não exis indo
di e enças en e desen ol idos ou em desen ol imen o, embo a alguns países
já se iden i icassem com um dos dois g upos.
A esponsabilidade es abelecida em documen os legais, não só le ou
a ONU a c ia uma agência especí ica pa a e o ça a dimensão ambien al nas
a i idades exe cidas mundo a o a, o P og ama das Nações Unidas pa a o
Meio Ambien e (PNUMA), mas impulsionou os países a c ia em minis é ios
e agências pa a al, e que o ma iam uma ede global de moni o ização sob e
as decisões omadas em Es ocolmo jun o a o ganizações não go e namen ais,
p á ica es a que pe manece ia a é os dias de hoje (Dias, 2015)
Em 1980, a União In e nacional pa a a Conse ação da Na u eza
(IUCN) com a colabo ação do PNUMA e ou as o ganizações não
go e namen ais, elabo ou um documen o, denominado Wo ld Conse a ion
S a egy, que pela p imei a ez p opôs um no o modelo desen ol imen o à
sociedade, pa a conse a o meio ambien e sem a a o desen ol imen o, o
modelo de “desen ol imen o sus en á el” (IUCN, 1980).
Dois documen os elabo ados po 105 delegações sob a coo denação
do PNUMA dois anos depois, o am pe inen es pa a cons ução do concei o
de Desen ol imen o Sus en á el, a Decla ação de Nai óbi e a Ca a Mundial
pa a a Na u eza; a p imei a endossou pon os da Decla ação de Es ocolmo,
mas p eocupando-se ambém com o es ado a ual do meio ambien e; a Ca a
16
T adução li e da au o a. No o iginal: “S a es ha e, in acco dance wi h he Cha e o he Uni ed Na ions
and he p inciples o in e na ional law, he so e eign igh o exploi hei own esou ces pu suan o hei own
en i onmen al policies, and he esponsibili y o ensu e ha ac i i ies wi hin hei ju isdic ion o con ol do
no cause damage o he en i onmen o o he S a es o o a eas beyond he limi s o na ional ju isdic ion”
(Nações Unidas, 1972, p. 4)
26
Mundial ouxe p incípios pa a que o mundo não comp ome esse odas as
o mas de ida e odas as á eas do plane a (Dias, 2015).
Pa a cons ução de ac o do concei o de Desen ol imen o Sus en á el,
a ONU cons i uiu em 1983 uma comissão pa a al, a Comissão Mundial sob e
Meio Ambien e e Desen ol imen o (CMMAD) ambém conhecida como
Wo ld Commission on En i onmen and De elopmen (WCED) ou Comissão
B un land, po con a com a minis a no ueguesa Ha lem G o B und land na
p esidência.
Cinco anos depois, a Comissão publicou o ela ó io Ou Common
Fu u e, aonde de iniu pela p imei a ez o modelo de Desen ol imen o
Sus en á el, como aquele “que a ende as necessidades do p esen e sem
comp ome e a capacidade das ge ações u u as de a ende às suas p óp ias
necessidades”
17
(WCED, 1987, p. 41).
O concei o en ão de inido, oi inse ido ao deba e na segunda g ande
con e ência da ONU pa a o meio ambien e, a Con e ência das Nações Unidas
sob e Meio Ambien e e Desen ol imen o (CNUMAD). A CNUMAD oi
ealizada no Rio de Janei o em 1992, icou conhecida como Cimei a da Te a
ou Rio 92, e não só sensibilizou as sociedades e g upos polí icos pa a a
p omoção do desen ol imen o sus en á el, como ambém elabo ou
documen os pa a al (Agenda 21, Ca a da Te a, e a Decla ação de P incípios
sob e Flo es as, Decla ação do Rio sob e Meio Ambien e e
Desen ol imen o). E ao con á io da Con e ência sob e Meio Ambien e
Humano de 1972, a CNUMAD mobilizou um g ande núme o de lide anças
polí icas,
“dela pa icipa am 178 Es ados-nação, dos quais 114 chega am a se
ep esen ados pelos espec i os Che es de Es ado, den e os quais
podemos des aca lide anças dos países cen ais como Geo ge Bush,
F ançois Mi e and e John Majo , na época espec i amen e
p esiden es dos Es ados Unidos e da F ança e p imei o-minis o [do
Reino Unido], e expoen es da pe i e ia, como Fidel Cas o, p esiden e
de Cuba” (Ribei o, 2005, p. 108).
17
1. T adução li e da au o a. No o iginal:“is de elopmen ha mee s he needs o he p esen wi hou
comp omising he abili y o u u e gene a ions o mee hei own needs” (WCED, 1987, p. 41)
27
Den e os documen os, o am c iadas ês con enções, pa a que os
países pudessem assina , e assim implemen a ajus es mais ígidos em elação
a cada á ea des es a ados, bem como, cada con enção se ia um p ocesso
pa a e isão e discussão de in o mações: a Con enção sob e Di e sidade
Biológica, abo da ia a p o eção da biodi e sidade; a Con enção das Nações
Unidas de Comba e à Dese i icação, a edução da dese i icação; e a
Con enção Quad o das Nações Unidas pa a as Al e ações Climá icas (Uni ed
Na ions F amewo k Con en ion on Clima e Change, UNFCCC), as
mudanças climá icas (Dias, 2015).
Das con enções esul an es da CNUMAD, a Con enção Quad o das
Nações Unidas pa a as Al e ações Climá icas oi a de ac o mais impo an e
pa a a ques ão da poluição a mos é ica, es a con enção p ocu a a es abiliza
as emissões de GEE de o ma que es i essem em um ní el que não
necessi asse da in e enção humana e p omo ia o desen ol imen o
sus en á el.
Em 1988, o PNUMA jun o à O ganização Me eo ológica Mundial,
c iou o Painel In e go e namen al sob e Mudanças Climá icas
(In e go e nmen al Panel on Clima e Change) conhecido como IPCC, o qual
e a compos o po ep esen an es de 130 países, com o obje i o de p oduzi
esumos e ela ó ios pa a maio en endimen o sob e as al e ações climá icas
po meio de “a aliações na li e a u a écnico-cien i ica exis en e” (Dias,
2015, p. 130).
Em 1994, en ou em igo a Con enção Quad o das Nações Unidas
pa a as Al e ações Climá icas (UNFCCC), e como um a ado, inha em sua
base a con e gência o mal de de e minados in e esses das Pa es
con a an es, sob o p incípio de “boa é”
18
, ou seja, as Pa es - os Es ados
signa á ios da UNFCCC - de e iam sob boas in enções cump i o que iesse
a se es ipulado o malmen e (Nações Unidas, 1986; 1992).
18
O p incípio da boa- é, no o iginal “good ai h p inciple”, é a abo dagem e in e p e ação que de e se
u ilizada en e os memb os dos a ados. Cons a nos A .26 e A .31 da Con enção de Viena sob e o Di ei o
dos T a ados en e Es ados e O ganizações In e nacionais ou en e O ganizações In e nacionais (Nações
Unidas, 1986, p. 99-100).
28
Com excepção do ac o es u u al mencionado acima, a UNFCCC não
es abeleceu quaisque ob igações legais, denominadas na á ea de “ ínculos
ju ídicos”
19
, sob e as emissões ou mecanismos de iscalização, pelo con á io,
apenas incen i ou que as in o mações ali eunidas, como as ap esen adas
pelos ela ó ios elabo ados pelo IPCC, ossem u ilizadas como e e ência pa a
as Pa es e que es as coope em en e si pa a que os u u os comp omissos
possam se desen ol idos, e acei os (Nações Unidas, 1986; 1992).
A con enção ambém di idiu as Pa es em ês g upos, cada g upo
e ia comp omissos dis in os, eles o am denominados Pa es do Anexo I,
Pa es do Anexo II e Pa e não-anexo I.
O g upo “Pa es do Anexo I” oi compos o po países indus ializados
(desen ol idos), esponsá eis his ó icos pela emissão de GEE,
nomeadamen e memb os da O ganização pa a a Coope ação e
Desen ol imen o Económico (OCDE), como Es ados Unidos, União
Eu opeia, e países com economias em ansição, como Uc ânia, Polônia,
incluindo os Es ados bál icos e a Fede ação Russa; o “Pa es do Anexo II” oi
compos o pelos memb os da OCDE, mas sem os países com economias em
ansição; e o “Pa e não-anexo I” oi compos o po países em
desen ol imen o, como os países da Amé ica La ina, incluindo Guiana
F ancesa, com excepção da Jamaica, países da Á ica e g ande pa e da Ásia,
incluindo China, com excepção do Japão (UNFCCC, 1992).
A UNFCCC ambém dispôs uma pla a o ma denominada Con e ência
das Pa es (COP) pa a euni seus signa á ios pa a que pudessem deba e ,
negocia e elabo a p o ocolos e aco dos, com ou sem medidas pa a
inculação ju ídica, a im de es abiliza os ní eis de concen ação de GEE, e
pa a man e sob obse ação a implemen ação dos comp omissos que a
Con enção desen ol esse em elação as al e ações climá icas, as euniões
acon ece iam anualmen e, u ilizando ambém as p oduções do IPCC sob e as
mudanças climá icas (Dias, 2015).
19
O ínculo ju ídico, no o iginal “legally binding”, e e e-se a um comp omisso de colabo ação maio e legal
dos Es ados memb os de um a ado, comp ome e em-se com o que o decidido nes e a ado. (IISD, s.d.)
29
Em 2000, á ias nações eunidas na Cimei a do Milênio jun o a ONU,
em No a Io que, es abelece am os “Obje i os do Desen ol imen o do
Milênio” (ODM), uma decla ação com 8 comp omissos os quais de e iam
se alcançados em quinze anos, odos ol ados a comba e a pob eza e ou os
p oblemas da sociedade (PNUD B asil, s.d.).
Dois anos depois, a Cimei a Mundial sob e o Desen ol imen o
Sus en á el, oi ealizada na cidade de Johanesbu go, na Á ica do Sul, es e
encon o icou conhecido como Rio+10, pois oi ealizado dez anos após a
Rio 92 e seu obje i o e a a alia o p og esso a é aquele momen o dos países
quan o ao que oi es abelecido na Rio 92 (Dias, 2015).
Em 2012, oi ealizada a e cei a con e ência da ONU, a Con e ência
das Nações Unidas sob e o Desen ol imen o Sus en á el (CNUDS). A
CNUDS icou conhecida como Rio+20 po e oco ido in e anos após a Rio
92, e icou enca egada de elabo a no os comp omissos pa a 2030, endo em
is a que os ODM não es a iam em igo a pa i de 2015, es e encon o
ambém p oduziu um documen o que e o çou os comp omissos de
con e ências an e io es, em especial sob e o desen ol imen o sus en á el,
denominado “O u u o que que emos” (The Fu u e We Wan ), que eúne
anseios sob e o u u o (Nações Unidas, 2012a ).
Como mencionado an e io men e, a Con e ências das Pa es (COP)
oi c iada pa a se ó gão p óp io da UNFCCC, seu obje i o euni seus
signa á ios pa a deba e , negocia e es abelece me as e p azos pa a
“es abilização das concen ações de gases com e ei o de es u a na a mos e a
a um ní el que impeça uma in e e ência an opogênica pe igosa no sis ema
climá ico”
20
, e pa a e e o comp ome imen o indi idual (UNFCCC, s.d. a).
Fo am ealizadas dezesse e COPs de 1995 a 2012, nes es encon os,
os Es ados signa á ios da Con enção-Quad o das Nações Unidas pa a as
Al e ações Climá icas (UNFCCC) pude am coope a en e si e ambém com
20
T adução li e da au o a. No o iginal: “s abiliza ion o g eenhouse gas concen a ions in he a mosphe e
a a le el ha would p e en dange ous an h opogenic in e e ence wi h he clima e sys em” (UNFCCC,
1992, p. 04).

30
di e sas o ganizações in e nacionais, como o IPCC (Painel
In e go e namen al sob e Mudanças Climá icas).
A p imei a COP acon eceu em Be lim em 1995, segundo Dias (2015,
p. 134) oi “a p imei a e isão da adequação dos comp omissos dos países
desen ol idos”. Es a COP esboçou um aco do pa a o es abelecimen o de
me as e p azos especí icos pa a a edução de GEE, embo a os países em
desen ol imen o não i essem sido incluídos. Tal aco do mais a de, na COP
3 em 1997, se ia negociado en e os signa á ios da UNFCCC.
A COP 2, segunda edição da COP, oi ealizada em Geneb a (Suíça),
an ecedeu a COP 3 complemen ando o abalho ealizado na COP 1, c iando
um mecanismo pa a ajuda inancei a aos países em desen ol imen o, o
Fundo Global pa a o Meio Ambien e, já que es es não e iam me as
di e amen e inculadas a edução de emissão de GEE.
Tal aco do negociado em 1997, oi chamado de P o ocolo de Quio o,
endo em is a que a COP 3 oi ealizada na cidade japonesa de mesmo nome.
Es e aco do es abeleceu medidas legalmen e inculan es pa a 37 países
desen ol idos e a União Eu opeia, na qual de e iam eduzi a emissão de
GEE em pelo menos 5% abaixo dos ní eis de 1990, du an e o pe íodo de 2008
a 2012 (UNFCCC, 1998).
Embo a esse a ado enha passado po anos sem adesão do núme o
necessá io de países pa a en a em igo
21
, endo en ado em igo apenas
em 2005 com a a i icação da Rússia, es e a ado oi um dos mais impo an es
da época, pois es abeleceu esponsabilidades e ob igações pa a edução das
emissões dos GEE pa a os países desen ol idos, esponsá eis his ó icos
pelos al os índices de emissões (Dias, 2015).
Conside ando sua impo ância, um ano an es do im do p azo de
expi a o P o ocolo de Quio o, em 2011, os Es ados signa á ios da UNFCCC
discu i am na COP 17 sediada na cidade sul-a icana de Du ban, a c iação
“G upo de T abalho Ad Hoc sob e a Pla a o ma de Du ban pa a a Ação
Re o çada”, pa a es abelece um segundo pe íodo de comp omissos pa a o
21
Pa a o P o ocolo de Quio o en a em igo e a p eciso que hou esse assina u as que con abilizassem pelo
menos 55% das emissões o ais de gases de e ei o es u a (Dias, 2015).
31
P o ocolo de Quio o, e pa a a o mulação de um o ei o pa a c iação de um
no o aco do in e nacional com no as me as pa a edução da emissão de GEE
que comp eenda odos os países in eg an es da Con enção, ao con á io do
P o ocolo que con empla apenas alguns países desen ol idos (UNFCCC,
2012).
A c iação do g upo de abalho e a impulsionada pela ealidade do
pe íodo, em que exis ia uma lacuna en e as
“ações e in enções nacionais e in e nacionais pa a eduzi as emissões
e o ní el a ual necessá io pa a man e as empe a u as globais subindo
não mais que dois g aus acima de seu ní el p é-indus ial, acima do qual
a ciência mos a que exis e um isco maio de impac os climá icos
mui o sé ios”
22
(UNFCCC, s.d. b)
E impulsionada ambém po países em desen ol imen o que
c i ica am os países desen ol idos sob o P o ocolo, de não cump i em suas
ob igações de edução de GEE, e de não apoia em os países em
desen ol imen o com ajuda inancei a e écnica, conside ando o p incípio de
“ esponsabilidades comuns, mas di e enciadas”
23
.
Os deba es na COP 17 apon a am pa a a necessidade de maio
empenho de odos os países, mas sem desconside a o mesmo em elação aos
países desen ol ido. Es es o am ale ados pa a aze em mais es o ços pa a a
edução da lacuna mencionada an e io men e, e a pe ence em a uma ede
global pa a o nece capaci ação, inanciamen o e ecnologia pa a os países
em desen ol imen o, pa a que es es o nem-se esilien es, ou seja, capazes de
ecupe a seu equilíb io, após os impac os das al e ações climá icas.
Ao im, es a COP conseguiu es abelece a “Pla a o ma de Du ban”, a
qual ixou pa a inicia em 2013, o segundo pe íodo de comp omisso do
P o ocolo de Quio o, e ou os de alhes, como a da a de inalização, a se em
de inidos nas p óximas con e ências; es abeleceu um o ei o pa a c iação de
22
T adução li e da au o a. No o iginal: “cu en na ional and in e na ional ac ions and in en ions o educe
emissions and he ac ual le el equi ed o keep a e age global empe a u es ising no mo e han wo
deg ees abo e hei p e-indus ial le el, abo e which science shows ha he e is a much highe isk o e y
se ious clima e impac s” (UNFCCC, s.d. b).
23
“Responsabilidades comuns, mas di e enciadas”, adução de “Common Bu Di e en ia ed
Responsibili ies (CBDR)”, p incípio da UNFCCC, que econhece que odos de em coope a pa a lida com a
des uição ambien al, mas segundo suas capacidades e esponsabilidades. (UNFCCC, 1992)
32
um aco do in e nacional a incula odos os países, a se o malizado a é
2015, pa a igência a pa i de 2020; e pa a apoia inancei amen e os países
em desen ol imen o, es abeleceu o Fundo Ve de pa a o Clima, ambém pa a
inicia a pa i de 2020 (UNFCCC, 2012).
No ano seguin e, em 2012, oi ealizada a COP 18, na capi al do Ca a ,
em Doha. Nes a edição da COP, os países es abelece am o segundo pe íodo
de comp omisso do P o ocolo, onde as pa es do P o ocolo se
comp ome e am a eduzi as emissões de gases de e ei o es u a em pelo
menos 18% abaixo dos ní eis de 1990 no pe íodo de oi o anos, en e 2013 a
2020 (UNFCCC, s.d. c).
En e an o, di e en e do p imei o pe íodo de comp omisso, o segundo
pe íodo não alcançou a quan idade necessá ia de a i icações pa a en a em
igo , a inal, segundo es abelecido na eunião, e a p eciso que ¾ dos
memb os do P o ocolo a i icassem o segundo momen o, ou seja 144
a i icações dos 192 memb os, o que não oi alcançado a é ago a, pois o am
apenas 112 a i icações (UNFCCC, s.d. c).
Pa a os países em desen ol imen o, es a emenda que es ende ia o
P o ocolo de Quio o e a impo an e (e con inua sendo), pois a a és dela, os
p incipais esponsá eis pelas al e ações climá icas (Anexo I) cump i iam suas
ob igações, pelo menos a é 2020, ano em que o no o aco do en a ia em
igo .
Em esumo, es e é o con ex o ambien al que nos pe mi e a e i nos
p óximo dois capí ulos a e olução, os obje i os e o compo amen o do país
que ep esen a um quin o da Humanidade.
33
Capí ulo 2: Polí ica Chinesa pa a o meio ambien e
2. 1. Mao Tsé-Tung e as e o mas domés icas como p io idade
A p o eção ambien al nem semp e es e e na agenda polí ica da RPC,
p oclamada em 1949 po Mao Tsé-Tung, líde do Pa ido Comunis a da
China
24
(PCC). Após a p oclamação da RPC, no ce ne das omadas de decisão
do go e no de Mao, p edomina a a p eocupação com o desen ol imen o
econômico do país, p io izando a melho ia dos pad ões de ida e o aumen o
da iqueza nacional, is o po que o líde comunis a assumiu a a e a de
econs ução nacional, após décadas de gue as no país (Shouqiu e Voig s,
1993).
Pa a al econs ução, Mao ins au ou di e sas e o mas no se o
ag ícola e indus ial com base na lu a de classes
25
, começando pela
edis ibuição das e as en e os camponeses, cole i ização o çada da mão
de ob a e animais de ação, e indus ialização das cidades (Chang-Sheng,
2004).
Os camponeses e iam de se “solidá ios” pa a esponde p on amen e
a o mação de equipes de ajuda mú ua no campo, en e an o, os
desin e essa a a p óxima e apa: a c iação de coope a i as ag ícolas, is o
po que o go e no des a manei a os a ia en ega animais e e as, endo
inclusi e alguns des es animais sido aba idos ou sol os nes e p ocesso, o que
mais a de de ac o oco eu e elando assim uma pon ual ação con a o meio
ambien e (Chang-Sheng, 2004).
Ainda que exis issem alguns cos umes u ais conside ados
sus en á eis na sociedade adicional chinesa, pouco es ou com as polí icas
p omo idas po Mao, po que pa a além das e o mas socialis as, o meio
ambien e pa a o líde chinês e a algo a se ap o ei ado ou supe ado, e
24
“O Pa ido Comunis a da China é uma[sic] pionei o angua da da classe ope á ia e do po o chinês e da
nação chinesa. Sendo o núcleo di igen e da causa socialis a de ipo chinês, o Pa ido Comunis a da China
a ende às demandas do desen ol imen o da p odu i idade a ançada, à o ien ação do a anço da cul u a
a ançada e dos in e esses undamen ais do po o. O ele ado ideal e o obje i o inal do Pa ido Comunis a
da China é a ealização do comunismo” (China ABC, s.d.).
25
Lu a de Classes é um concei o ma xis a, aonde “as classes, o pode de Es ado e os pa idos polí icos i ão
mo e mui o na u almen e” (Kissinge , 2011, p. 107) dando luga ao comunismo.
40
cons u i os”
40
. Tal oco ido de eu-se ao ac o de que a abo dagem chinesa
e ela a um país mais inclinado a discu i sob e a c ise e p o eção ambien al
sob o con ex o de Gue a F ia, do que deba e sob e as expe iências e polí icas
chinesas na á ea, a inal, os p incípios suge idos e e encia am um mundo
di idido po países em desen ol imen o, que no caso se iam a China e Índia,
en e ou os, e países desen ol idos, que se iam os Es ados Unidos e alguns
países da Eu opa.
A maio ia dos p incípios não o am ado ados, exce o os p incípios
sob e a necessidade de lu a de o ma cole i a con a a poluição e o da
p omoção da li e ans e ência de conhecimen o cien í ico e écnico, o que
esul ou na ausência da assina u a chinesa na decla ação inal. Tal decisão,
ambém oi in luenciada pela necessidade chinesa de uma abo dagem
in eg ada, mas ambém pela si uação domés ica em que a China se
encon a a, em que ainda es a a subo dinada ao caos da Re olução Cul u al,
pelo menos a é a mo e de Mao (Economy, 2010).
Segundo Economy e Le i (2014) uma China polí ica e
economicamen e es á el, inclusi e na es e a de p o eção ambien al, só oi
possí el com a consolidação do pode po Deng Xiaoping em 1978, a inal,
a é esse ano, a p io idade e am as e o mas domés icas sob “uma economia
planejada, um sis ema polí ico leninis a e uma polí ica ex e na de p opagação
da e olução global”
41
(Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es, 2012).
P a icamen e, a China deu seus p imei os passos em Es ocolmo, pa a
assumi uma posição de lide ança no con ex o da p o eção ambien al, po que
a sua delegação, não só ajudou a i amen e na o mulação da decla ação inal,
mas ambém po que ado ou a di eção do g upo dos países em
desen ol imen o. Es e g upo do qual a China ambém azia pa e jun o com
a Índia, lu ou pa a de ende os seguin es aspec os: os países desen ol idos
e am os maio es esponsá eis pela poluição, conside ando que já passa am
40
T adução li e da au o a. No o iginal: “ hey we e widely conside ed dis up i e and uncons uc i e
pa icipan s.” (Economy, 1997, p. 22)
41
T adução li e da au o a. No o iginal: “a planned economy, a Leninis poli ical sys em, and a o eign
policy o sp eading global e olu ion” (Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es, 2012, p. 10)

41
po um g ande desen ol imen o, como ambém inham os undos, a
ecnologia e capacidade de ges ão ambien al em ní eis a ançados, ao
con á io dos países em desen ol imen o, que ainda necessi a am de c ia
ais compe ências – e ambém po is o, não de e iam e seu desen ol imen o
limi ado em de imen o da p o eção ambien al – (Economy, 2010; Shouqiu e
Voig s, 1993).
E apesa des e en ol imen o inicial e sido ela i amen e cu o,
Economy (1997, p. 22) explica que
“Quando a delegação ol ou pa a a China, seu ela ó io le ou o
p imei o-minis o Zhou Enlai a o ganiza a p imei a con e ência
nacional sob e p o eção ambien al, ealizada em junho de 1973. Além
disso, um g upo de ep esen an es dos minis é ios do planejamen o,
ag icul u a, comunicações, conse ação da água, saúde pública e
indús ia o am eunidos em ca ác e o mal pa a analisa a si uação e
as p á icas ambien ais da China e conside a quais as e apas que a China
de e ia oma pa a en en a seus p oblemas ambien ais.”
42
Pa a além da o ganização da con e ência e do g upo in e minis e ial
pa a deba e sob e a p o eção ambien al na China, go e nos locais o am
con ocados a es abelece o ganizações pa a pesquisa, con ole e
moni o amen o do meio ambien e, ainda que odos es es es o ços i essem
au o idade e in aes u u a insu icien es pa a al. (Economy, 2010, p. 98-99).
De 1970 a 1973, a China en ou em se e con enções e a ados
ambien ais, den e eles a Con enção sob e a Pla a o ma Con inen al,
Con enção da O ganização Me eo ológica Mundial, O ganização Mundial da
Saúde, embo a enha ol ado a azê-lo somen e a pa i de 1979 (Shouqiu e
Voig s, 1993).
42
T adução da au o a. No o iginal: “when he delega ion e u ned o China, i s epo p omp ed P emie
Zhou Enlai o o ganize he i s na ional con e ence on en i onmen al p o ec ion, which was held in June
1973. In addi ion, an eli e g oup o ep esen a i es om he minis ies o planning, ag icul u e,
communica ions, wa e conse ancy, public heal h, and indus y we e b ough oge he in a o mal capaci y
o e iew China's en i onmen al si ua ion and p ac ices and conside wha s eps China should ake o
add ess i s en i onmen al p oblems.” (Economy, 1997, p. 22)
42
Assim, o início dos anos 70 oi o pe íodo em que a ins i ucionalização
da p o eção ambien al começou a caminha a ní el domés ico e in e nacional,
com o inicial en ol imen o do país em con e ências e a ados, e o
desen ol imen o de mecanismos bu oc á icos mínimos de p o eção
ambien al, mas semp e de manei a con ida, de ido à ins abilidade no país,
aonde somen e após 1978 a China e á uma p esença e pa icipação mais
isí el no plano in e nacional (Economy, 2010, p. 20-21, 98-99, 132)
43
2. 2. A E a de Deng Xiaoping e o “desen ol imen o pací ico”
Com a lide ança de Deng em 1978, a ins abilidade polí ica e social
p esen e na China começou a se a ada, e as Qua o Mode nizações
43
idealizadas po Zhou Enlai, iniciadas. Em p a icamen e duas e apas, inal dos
anos 70 ao início dos anos 80, e meados e inal dos anos 80 aos anos 90,
“Deng Xiaoping e seus pa idá ios inicia am uma e o ma ab angen e do
sis ema econômico e polí ico do país”
44
segundo Economy (2010, p.16), udo
pa a implemen a o “socialismo com ca ac e ís icas chinesas”, aonde
sec o es do me cado são abe os a in es imen os es angei os pa a p omo e
o c escimen o econômico no país, a população é enco ajada a ab i emp esas
ambém, mas o Es ado con ola ambos (Kissinge , 2011, Economy, 2010).
A p imei a e apa en ol eu o desman elamen o da cole i ização da
ag icul u a; a diminuição do con ole es a al, especialmen e sob e o me cado,
o qual oi abe o pa a in es imen os es angei os pa a impulsiona a
ecupe ação e desen ol imen o econômico; e a en ega de pa e da au o idade
econômica de Pequim a o iciais locais, pa a diminuição da in luência do PCC
no desen ol imen o das a i idades nas p o íncias chinesas (Economy, 2010).
Sob e a p o eção ambien al, alguns a anços o am pe cebidos, po que
no im dos anos 70 e “início dos anos 80, o go e no chinês ealizou uma sé ie
de euniões impo an es e ap o ou egulamen ações pa a con ola a poluição
indus ial e ma inha”
45
.
Em 1978, a p eocupação com o meio ambien e e o de e es a al de o
p o ege o am econhecidos na cons i uição chinesa, no ano seguin e, o
Cong esso da China ap o ou uma p opos a de lei com p incípios básicos pa a
p o eção do meio ambien al e pa a desen ol imen o de uma es u u a legal
pa a al (Economy, 2010).
43
As Qua o Mode nizações o am e i alizações nas á eas da ag icul u a, indús ia, ciência e ecnologia, e
na á ea mili a chinesa. (Economy, 2010)
44
T adução li e da au o a. No o iginal: “Deng Xiaoping and his suppo e s ini ia ed a wholesale e o m o
he coun y's economic and poli ical sys em” (Economy, 2010, p. 16).
45
T adução li e da au o a. No o iginal: “ea ly 1980s, he Chinese go e nmen held a se ies o impo an
mee ings and passed egula ions o con ol indus ial and ma ine pollu ion” (Economy, 2010, p.100).
44
A segunda e apa (1980-1990), en ol eu o maio elaxamen o do
“ ígido con ole es a al que, de uma o ma ou de ou a, de inia a si uação
econômica e polí ica da China desde 1950”
46
(Economy, 2010, p. 16). Deng
enco ajou a ins alação de emp esas p i adas, especialmen e nas Zonas
Econômicas Especiais (Special Economic Zones - SEZs)
47
, diminuiu o papel
das emp esas es a ais, exce o em se o es es a égicos como bancá io e de
ene gia, e concedeu aos go e nos locais maio au o idade econômica,
deixando go e nan es locais e ag icul o es, au o izados a ap o a join
en u es e a c ia suas p óp ias emp esas locais, espec i amen e (Kissinge ,
2011; Economy, 2010).
O ápido desen ol imen o econômico e a o p incipal obje i o do
go e no, o meio ambien e e a secundá io, segundo Economy (2010, p. 18) “a
máxima ‘p imei o desen ol imen o, depois meio ambien e’ oi um e ão
comum du an e os anos 80 e boa pa e dos anos 90”
48
, o que explica a
cons ução de áb icas em locais inap op iados pa a al, como ao longo do
Rio Huai, e o p óp io lixo ge ado pelas áb icas que e a despejado nos ios e
seus a luen es.
Com ais e o mas, Deng inaugu ou um pe íodo de c escimen o sem
p eceden es, que impulsiona ia a China a chega ao s a us de segunda maio
economia do mundo em 2010/2011. Du an e seu manda o (1978 a 1990), o
PIB man e e-se um c escimen o anual acima de 3%, alcançando
ap oximadamen e dois dígi os de 1984 a 1988, ao con á io da úl ima década
do go e no de Mao, cujo os núme os e ela am um c escimen o nega i o de
5,77% em 1967 (Wo ldbank, 2018a, Shouqiu e Voig s, 1993).
“Medido em e mos do pad ão de pob eza do Banco Mundial, o núme o
de pessoas pob es na China caiu de 652 milhões pa a 135 milhões en e
1981 e 2004 - em ou as pala as, mais de meio bilhão de pessoas o am
46
T adução li e da au o a. No o iginal: “ igh s a e con ol ha , in one way o ano he , had de ined China’s
economic and poli ical si ua ion since 1950” (Economy, 2010, p. 16).
47
Pa a acolhe o in es imen o es angei o, Deng c iou as Zonas Econômicas Especiais (Special Economic
Zones -SEZs) “onde as emp esas ecebiam maio libe dade de ação e os in es ido es ganha am condições
especiais” (Kissinge , 2011, p. 389)
48
T adução li e da au o a. No o iginal: “The maxim ‘Fi s de elopmen , hen en i onmen ,’ was a
h oughou he 1980s and much o he 1990s” (Economy, 2010, p. 18).
45
e i adas da pob eza”
49
(Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es,
2012, p.63).
En e an o, as e o mas ouxe am no os p oblemas ambien ais, que
inclusi e se es ende am du an e os manda os de Jiang Zemin (1993-2003) e
Hu Jin ao (2003-2013) espec i amen e, a inal, não e am apenas os núme os
econômicos que dispa a am, as emissões de dióxido de ca bono aumen a am
de 0.943 oneladas mé icas pe capi a em 1970 pa a 5.702 em 2008 (Banco
Mundial, 2018ª).
“A im de busca a mais al a axa possí el de c escimen o econômico
nesse es ágio de seu desen ol imen o, a China igno ou em g ande
medida a jus iça social, os di ei os dos abalhado es, a saúde pública,
os cuidados médicos, o meio ambien e, a de esa nacional e assim po
dian e. Isso causou sé ias conseqüências, bem como um sen imen o
gene alizado de insegu ança, desigualdade e descon o o en e a
população”
50
(Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es, 2012, p. 63,
g i o nosso).
Is o po que “o uso de ca ão da China mais do que quad uplicou,
passando de pouco mais de 600 milhões de oneladas no inal dos anos 70
pa a mais de 2,75 bilhões de oneladas em 2008, o nando-se o maio
consumido de ca ão do mundo”
51
sendo que es e alimen a a
ap oximadamen e 70% das necessidades do país, o que na época e a
p edominan emen e di ecionado ao desen ol imen o econômico (Economy,
2010).
49
T adução li e da au o a. No o iginal: “Measu ed in e ms o he Wo ld Bank po e y s anda d, he
numbe o poo people in China ell om 652 million o 135 million be ween 1981 and 2004 – in o he
wo ds, mo e han hal a billion people we e li ed ou o po e y” (Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es,
2012, p. 63).
50
T adução li e da au o a. No o iginal: “In o de o pu sue he highes possible a e o economic g ow h a
his s age o i s de elopmen , China o a la ge ex en igno ed social jus ice, wo ke s’ igh s, public heal h,
medical ca e, he en i onmen , na ional de ence, and so on. This caused se ious consequences as well as a
widesp ead sen imen o insecu i y, inequali y, and discom o among he popula ion” (Conselho Eu opeu
de Relações Ex e io es, 2012, p. 63).
51
T adução li e da au o a. No o iginal: “china’s coal use has mo e han quad upled om jus o e 600
million me ic ons in he la e 1970s o mo e han 2,75 billion me ic ons in 2008, making i he wo ld’s
la ges consume o coal” (Economy, 2010, p. 74).

46
Segundo Kahn, J. e Ya dley, J. (2006) do The New Yo k Times, pa a
Pan Yue, ice-minis o de 2003 a 2006 da Adminis ação Es a al de P o eção
Ambien al (mais a de enomeado pa a Minis é io de P o eção Ambien al), as
concessões de au o idade econômica aos go e nos locais de Deng mos a am
que “a expansão e iginosa de indús ias al amen e poluen es e de al a
ene gia ge ou in e esses especiais. P o egidos po go e nos locais, algumas
emp esas a am os ecu sos na u ais que pe encem a odas as pessoas como
sua p op iedade p i ada”
52
.
Es as concessões deixa am os go e nan es li es pa a concen a seus
abalhos no c escimen o econômico, deixando o meio ambien e de lado,
como oco eu nas cidades e p o íncias ao edo do Vale Huai, os quais o am
negligen es com a limpeza do Rio Huai; inclusi e es a libe dade os pe mi ia
se em aliados ou a é mesmo p op ie á ios pa ciais das indús ias, o que
diminuía as chances de con ole das mais poluen es (Economy, 2010)
Apesa disso, algumas poucas egiões do país, como Dalian e
Shanghai, alcança am alguns bene ícios pa a o meio ambien e, e
consequen emen e pa a a população local. Is o oco eu de ido ao
comp ome imen o dos go e nan es locais com a p o eção ambien al e pela
boa ges ão dos ecu sos inancei os que e am disponibilizados pela sociedade
in e nacional (Economy, 2010).
E, “ al como no domínio da economia, Deng Xiaoping e os seus
apoian es acele a am amplamen e o desen ol imen o de um es o ço nacional
de p o eção ambien al”
53
, po isso em 1984, o go e no cen al c iou o
Esc i ó io Nacional de P o eção Ambien al, ambém conhecido como
Agência Nacional de P o eção Ambien al (Na ional En i onmen al
P o ec ion Agency - NEPA), e os go e nos locais segui am o exemplo
ans o mando suas o ganizações de moni o azação em agências locais pa a
52
T adução li e da au o a. No o iginal: “ he c azy expansion o high-pollu ing, high-ene gy indus ies has
spawned special in e es s. P o ec ed by local go e nmen s, some businesses ea he na u al esou ces ha
belong o all he people as hei own p i a e p ope y” (New Yo k Times, 2006).
53
T adução li e da au o a. No o iginal: “As hey did in he ealm o he economy, Deng Xiaoping and his
suppo e s g ea ly accele a ed he de elopmen o a na ionwide en i onmen al p o ec ion e o ”
(Economy, 2010, p. 99).
47
p o eção ambien al (En i onmen al P o ec ion Bu eaus - EPBs). O NEPA
conseguiu maio independência pa a epo a os p oblemas ambien ais
di e amen e ao Conselho do Es ado em 1988, de ido aos es o ços do químico
Qu Geping. Qu oi o p imei o adminis ado che e da agência, endo não só
pa icipado na Con e ência de Es ocolmo em 1972, como sido ep esen an e
da China no P og ama das Nações Unidas pa a o Meio Ambien e de 1976 a
1977 (Economy, 2010).
Enquan o isso, as SEZ, as quais e am des inadas à cons ução
es angei a, não possuíam qualque es ição pa a p o ege o meio ambien e
a é meados dos anos 80, quando o am c iadas egulações pa a al. No undo,
p oje os que poluíssem de alguma manei a o ambien e nes as zonas, não
e iam a ap o ação do go e no, e pode iam a é mesmo se em mul adas
(Economy, 2010; Shouqiu e Voig s, 1993). Assim, “a China es a a dispos a
a esponsabiliza as emp esas es angei as po sua poluição, e oi exemplo das
p imei as en a i as da China de combina a egulação ambien al com o
c escimen o econômico”
54
segundo Shouqiu e Voig s (1993, p. 28).
Em suma, o go e no ez alguns es o ços pa a p o eção ambien al no
âmbi o domés ico e in e nacional, como is o acima, mas mui as ezes o
dilema en e desen ol imen o e ambien e oi esol ido em de imen o do
segundo.
Pa a da con inuidade a odas es as conquis as econômicas, polí icas,
e a é mesmo ambien ais, a de inição de ques ões écnicas da elação en e a
economia e o Pa ido e “a qualidade dos uncioná ios enca egados de
emp eende as e o mas” e am undamen ais, po que segundo Kissinge
(2011, p. 389) “as ques ões ideológicas” e “a p op iedade con inua ia nas
mãos do Es ado, [mas a ges ão] se ia deixad[a] na maio pa e pa a os
adminis ado es” das emp esas. Pa a al, Deng a pa i de 1987, emp eendeu
e o mas na es u u a do Pa ido, mode nizou a bu oc acia e al e ou ca gos,
inclusi e aposen ando alguns memb os “mais elhos” e selecionando “mais
54
T adução li e da au o a. No o iginal: “China was willing o hold o eign companies esponsible o hei
pollu ion, and was example o China’s ea ly a emp s o combine en i onmen al egula ion wi h economic
g ow h” (Shouqiu e Voig s, 1993, p. 28).
48
jo ens” igualmen e e olucioná ios, e com melho es ní eis de ins ução
(Kissinge , 2011).
No deco e des e pe íodo o go e no de Deng começou a encon a
ensão, não só en e os polí icos os quais es a am com seus ca gos ameaçados
de ido às e o mas, mas ambém en e a população, a qual começa a a
pe cebe que embo a a iqueza e o bem-es a enham aumen ado, as
desigualdades ambém se e o ça am g aças ao enco ajado “socialismo com
ca ac e ís icas chinesas” de Deng, e ais desigualdades só pode iam se
epa adas se o sis ema polí ico osse mais pa icipa i o e abe o a ní el
popula (Kissinge , 2011).
A China ol ou a se di idi sob e o des ino e a sua elação com o
Ociden e, uma pa e da população, p incipalmen e comunis as adicionais e
in elec uais começa am a pe cebe a elação com o ex e io como uma
ameaça à essência mo al chinesa, a inal “dispa idades de enda, oupas
colo idas e a é p o ocan es e o enal ecimen o de i ens ‘de luxo’” su giam, e
e am conside adas uma “libe alização bu guesa” (Kissinge , 2011, p. 394)
Em 15 de ab il de 1989, Hu Yaobang, o an ecesso do sec e á io-ge al
Zhao Ziyang e igualmen e impo an e pa idá io de Deng, aleceu. Hu
auxiliou Deng no es abelecimen o das e o mas, de al o ma que seu
alecimen o le ou a uma comoção popula na P aça Tiananmen em Pequim
(Kissinge , 2011, Vaz-Pin o, 2010). En e an o, es a mani es ação adqui iu
cono ações polí icas e le a am milha es de es udan es, inicialmen e na P aça,
e a é o início de junho, em 341 cidades, a e baliza em, a a és de
mani es ações em uas, escolas, e ou os sec o es da sociedade chinesa, “sua
us ação com a co upção, a in lação, o con ole da imp ensa, as condições
nas uni e sidades e a pe sis ência dos ‘anciões’ do Pa ido em con inua
go e nando po ás dos panos” (Kissinge , 2011, p. 396).
“A 20 de Maio oi dec e ada a Lei Ma cial e a pa i desse momen o o
con on o en e os mani es an es e a lide ança do PCC passou a se cada
ez mais e iden e. Há mui os aspec os des as mani es ações que ainda
hoje não são cla os, sob e udo no que oca a núme os” (Vaz-Pin o,
2010, p. 61).
49
Embo a di idido sob e o uso da o ça, Deng en iou o Exé ci o de
Libe ação Popula (ELP) pa a con e os p o es os no dia 04 de Junho daquele
ano, mas an o du an e, quan o após a ação do ELP, o am calculadas milhões
de exílios, pe seguições e mo es de mani es an es – embo a es es núme os
ambém não sejam pe ei amen e cla os –, bem como oi obse ada a
demissão de al o di igen es, como a de Zhao e a p óp ia saída conscien e de
Deng (Kissinge , 2011).
Como subs i u o de Zhao na sec e a ia ge al do Pa ido em 1989 a
2002, Jiang Zemin acabou po assumi a p esidência em espos a à
ins abilidade ela ada an e io men e e a pe cepção nega i a da China no
Ociden e depois do “4 de Junho de 1989”. Apesa da ins abilidade, Jiang deu
con inuidade às e o mas de Deng, p incipalmen e ao “ap o undamen o de
suas ligações com as ins i uições in e nacionais e a economia mundial –
incluindo um mundo ociden al mui as ezes en á ico em sua c í ica das
p á icas polí icas domés icas chinesas” (Kissinge , 2011, p. 434),
especialmen e na es ei a de Tiananmen, e da p óp ia e ação popula das
ligações da China com o Ociden e.
Esse ap o undamen o oi impulsionado pela es a égia de “Going Ou ”
(algo como “I pa a o a”), c iada conjun amen e com seu p imei o-minis o
Zhu Rongji, pa a enco aja as emp esas es angei as a es abelece em-se no
país, e as chinesas no es angei o, esul ando em um desen ol imen o
econômico ápido pa a “consolida o sis ema socialis a e man e a
es abilidade social a longo p azo”
55
(Economy e Le i, 2014).
A ní el domés ico, hou e um ecuo maio do Es ado em sua posição
de p es ado de assis ência social, delegando pa a a o es não es a ais, como
ins i uições e O ganizações Não Go e namen ais (ONG) os se iços nos
se o es da educação, saúde e p o eção ambien al. A pa icipação popula
nes es e a enco ajado pelo PCC, ainda que ossem bas an e con olados pelo
go e no (Economy, 2010).
55
T adução li e da au o a. No o iginal: “consolida e he socialis sys em and main ain long- e m social
s abili y” (Economy e Le i, 2014, p. 48).
56
Es a égico na E a Pós-ame icana” em 2010, con o me ci ado po Kissinge
(2010, p. 486).
Conside ando que es e cená io em que a men alidade de Gue a F ia
pe sis ia, Hu Jin ao, o p esiden e da China a pa i de 2003, ado ou a
o ien ação p opos a pelo concei o de “ascensão pací ica” de Zheng Bijian.
Segundo ele,
“a China de e en a es abelece um no o ipo de elações ex e io es
que possa ‘sa is aze o público chinês e ao mesmo empo anquiliza
as pessoas de odas as nações’. A China de e busca o de ido espei o
na polí ica mundial. De e ia con oca a comunidade in e nacional,
especialmen e os p incipais a o es, a econhece o di ei o da li e
escolha em di e en es caminhos de desen ol imen o e ideologias”
70
(Conselho Eu opeu de Relações Ex e io es, 2012, pp. 108-109).
No ano seguin e, em 2004, no Fó um Bo’ao pa a Ásia, Hu Jin ao
ei e ou que o concei o de Zheng Bijian e a de ac o a es a égia da China,
al e ando apenas o e mo “ascensão” pa a “desen ol imen o”, des a o ma, a
China inha uma es a égia “es e icamen e” mais ol ada a sua polí ica
domés ica e menos “o ensi a”, especialmen e aos países izinhos (Hu, 2004).
“A China segui á um caminho de desen ol imen o pací ico, man endo
as bandei as da paz, do desen ol imen o e da coope ação, unindo-se
aos ou os países asiá icos pa a p omo e o eju enescimen o asiá ico
e con ibuindo mais pa a a ele ada causa da paz e do desen ol imen o
no mundo”
71
(Hu, 2004).
A es a égia inha como p emissa a p ocu a de um mundo mais jus o
e ha monioso, endo es e úl imo e mo inclusi e, sido en a izado pelo
p esiden e Hu no ano seguin e, quando, segundo Kissinge (2011, p. 479),
“Hu Jin ao p o e iu um discu so na Assembleia Ge al das Nações Unidas
70
T adução li e da au o a. No o iginal: “China should y o es ablish a new ype o o eign ela ions ha
can “sa is y he Chinese public and a he same ime eassu e people o all na ions”. China should seek i s
due espec in wo ld poli ics. I should call on he in e na ional communi y, especially he majo playe s, o
ecognise he igh o ee choice in di e en de elopmen pa hs and ideologies” (Conselho Eu opeu de
Relações Ex e io es, 2012, pp. 108-109).
71
T adução li e da au o a. No o iginal: “China will ollow a peace ul de elopmen pa h holding high he
banne s o peace, de elopmen and coope a ion, join he o he Asian coun ies in b inging abou Asian
eju ena ion, and making g ea e con ibu ion o he lo y cause o peace and de elopmen in he wo ld”
(Hu, 2004)

57
[sob e o desen ol imen o pací ico], in i ulado ‘A cons ução de um mundo
ha monioso de paz du adou a e p ospe idade comum’”.
“Fei Xiao ong, um dos mais amosos sociólogos chineses e ilóso os,
esumiu o caminho u u o do país nas elações ex e io es: ‘Ap ecie a
cul u a e os alo es dos ou os como ocê az o seu e o mundo ai se
o na um odo ha monioso’”
72
(Conselho Eu opeu de Relações
Ex e io es, 2012, p. 109).
Assim, o “desen ol imen o pací ico” o nou-se uma o ien ação pa a
a China p ossegui seu desen ol imen o, sob e udo econômico, man endo a
paz (Kissinge , 2011). Só que pa a da con inuidade a es e desen ol imen o,
a China p ecisa a de g andes quan idades de ele icidade pa a da con a da
p ocu a das an igas e no as indús ias, bem como da p óp ia população
c escen e. O esul ado oi a cons ução de ba agens hid oelé icas e o es
eólicas, es as on es eno á eis de ene gia. No en an o,
“a ende ão apenas 20% das necessidades p oje adas de ene gia da
China a é 2020. Assim, a China não es á apenas e i ando aumen a seu
o al a ual de in e e dual mil g andes cen ais hid oelé icas, es á
cons uindo uma média de uma cen al a ca ão po semana”
73
(Ma ks,
2011, p. 312)
A al a p ocu a po combus í el, a população c escen e e a
con inuidade na cons ução de cen ais de ca ão, ize am os ní eis de
poluição dispa a em: em 2006, a China possuía 20 das 30 cidades mais
poluídas do mundo, e ês anos depois, em 2009 “a China ul apassou os
Es ados Unidos como o maio emisso mundial de dióxido de ca bono e,
po an o, o p incipal con ibuin e do mundo pa a o aquecimen o global”
74
.
72
T adução li e da au o a. No o iginal: “Fei Xiao ong, one o he mos amous Chinese sociologis s and
philosophe s, has summa ised he coun y’s u u e pa h in o eign ela ions: ‘App ecia e he cul u e and
alues o o he s as you do you own, and he wo ld will become a ha monious whole’”(Conselho Eu opeu de
Relações Ex e io es, 2012, p. 109).
73
T adução li e da au o a. No o iginal: “ enewable sou ces combined will mee only 20 pe cen o China’s
p ojec ed ene gy needs by 2020.Thus no only is China no backing o om adding o i s cu en o al o
wen y- wo housand la ge hyd opowe dams, i is building an a e age o one coal- i ed powe plan pe
week” (Ma ks, 2011, p. 312).
74
T adução li e da au o a. No o iginal: “by 2009 China had su passed he Uni ed S a es as he wo ld’s
bigges emi e o ca bon dioxide, and hence as he wo ld’s majo con ibu o o global wa ming” (Ma ks,
2011, p. 312).
58
Assim há mui o pa a equilib a en e o desen ol imen o econômico e
a deg adação ambien al, em especial a poluição ambien al, ambos com
núme os c escen es (Economy, 2010).
59
Capí ulo 3: Pa icipação da RPC nas Con e ências
3. 1. Rela ó io da Con e ência de Es ocolmo (1972)
A Con e ência das Nações Unidas sob e o Ambien e Humano de
Es ocolmo (Suécia) em 1972 oi ealizada de ida a ecomendação po pa e
do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) à Assembleia Ge al, que em sua
23º sessão endossou e a con ocou, como explicado no p imei o capí ulo des e
abalho, a segui analisa emos o Rela ó io da Con e ência sob a codi icação
“A/CONF.48/14/Re .1” (Nações Unidas, 1972).
Na p imei a pa e do Rela ó io encon am-se as seguin es medidas
omadas na Con e ência: o documen o undamen al ge ado no inal da
Con e ência denominado “Decla ação da Con e ência das Nações Unidas
sob e Meio Ambien e Humano” no capí ulo I, um quad o de ação ambien al
e ecomendações no ní el in e nacional denominado “Plano de Ação pa a o
Ambien e Humano” no capí ulo II, a esolução dos a anjos ins i ucionais e
inancei os no capí ulo III.
No capí ulo IV, são ap esen adas as ou as esoluções ado adas, como
o es abelecimen o de um dia especialmen e ol ado a mobilização anual das
Nações Unidas e de odos os go e nos do mundo pa a ea i ma a
p eocupação com a p ese ação e alo ização do meio ambien e; a
condenação de es es nuclea es, especialmen e se ealizados na a mos e a; a
ecomendação de uma segunda Con e ência sob e o Meio Ambien e
Humano; e no quin o capí ulo as ecomendações aos go e nos pa a ação a
ní el nacional.
Na segunda pa e encon a-se o núcleo da Con e ência, a sua
cons i uição, é nes e capí ulo que se mos a a necessidade de elimina a
de e io ação do ambien e humano, an o a ní el nacional como in e nacional,
iniciando pelo despe a des a consciência, a ecomendação, p epa ação e a
conc e ização da Con e ência, que a ia a p o eção do meio ambien e en a
na agenda dos go e nos de odo o mundo.
No que diz espei o à p epa ação, ainda na segunda pa e do Rela ó io
são ap esen adas as qua o sessões da Comissão P epa a ó ia, onde um g upo
60
de países o am nomeados pa a p epa a a es u u a e os p oje os pa a
Con e ência, sob e a lide ança de Mau ice F. S ong, Sec e á io-Ge al da
Con e ência. As sessões ize am seu papel o ganizacional e o am baseadas
nas con ibuições dos go e nos, no sis ema das Nações Unidas, o ganizações
in e go e namen ais, não go e namen ais e especialis as indi iduais.
Quase odos os seminá ios egionais e euniões ex ao diná ias que
an ecede am a Con e ência, ap esen ados nes e capí ulo, es a am ocados na
in e - elação en e desen ol imen o e o meio ambien e, o que e le i ia na
esolução (2849 (XXVI)) ap o ada pela Assembleia Ge al, que conco da que
as polí icas ambien ais de e iam se compa í eis com a e olução econômica
e social, endo em is a as necessidades especiais dos países em
desen ol imen o, mas ambém de e iam espei a os di ei os de sobe ania de
cada país, não azendo e ei os nega i os no desen ol imen o deles.
A Assembleia Ge al condenou o uso de a mas nuclea es, sublinhou a
necessidade de p oibi sua p odução e u ilização, além de e pedido um
aumen o em e mos econômicos, do auxílio no planeamen o e implemen ação
de p oje os nos países em desen ol imen o, bem como na ans e ência de
ecnologia.
Na e cei a pa e do Rela ó io, encon am-se os p ocedimen os da
Con e ência, no p imei o capí ulo des a pa e, e capí ulo VII do ela ó io,
encon a-se a p esença e a o ganização de abalho, o am con idados 113
Es ados de aco do com a esolução 2850 (XXVI) da Assembleia Ge al, en e
eles, a República Popula da China.
Con o me o Rela ó io, a Con e ência ambém con ou com a p esença
de ep esen an es do Sec e á io-Ge al do Depa amen o de Assun os
Econômicos e Sociais (UN DESA), as comissões econômicas egionais, a
Con e ência das Nações Unidas sob e Comé cio e Desen ol imen o
(UNCTAD), a O ganização das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o
Indus ial (UNIDO), e um ep esen an e do Ins i u o das Nações Unidas pa a
T einamen o e Pesquisa (UNITAR). É possí el obse a ambém que o am
61
ep esen adas na Con e ência, agências especializadas
75
e á ias o ganizações
não go e namen ais in e nacionais.
Hou e a abe u a da Con e ência em 05 de Junho, e a eleição do
p esiden e, Ingemund Beng soon da Suécia. Em seguida o am ap esen adas
as eg as de p ocedimen o e é ealizada a eleição de 26 ou os o iciais além
do p esiden e ( ice-p esiden es), den e eles Tang Ke da delegação da
República Popula da China, em sua p imei a eunião plená ia, oi ap o ada
a agenda do dia (A / CONF.48 / 1)
76
.
No capí ulo seguin e, o capí ulo VIII, é ap esen ado um esumo b e e
do deba e ge al, aonde o Sec e á io-Ge al da Con e ência, Mau ice F. S ong,
des acou que “ odo o abalho e dedicação da humanidade de e se pa a o
ideal de um plane a pací ico, habi á el e jus o”
77
, o qual pode se eal a pa i
da ealização da Con e ência, que apesa de não pode lida com odos os
males do mundo, o nou-se uma base da humanidade pa a encon a
espe ança e soluções en e os países.
Também hou e des aque pa a a impo ância de os a o es ambien ais
es a em den o da es a égia de desen ol imen o dos países, especialmen e os
em desen ol imen o, buscando ambém um equilíb io en e a explo ação e
dis ibuição dos ecu sos disponí eis.
A impo ância de um undo pa a o meio ambien e, uma máquina
inancei a i al pa a con inua o abalho iniciado na Con e ência, e da ação
u gen e em algumas á eas, como o abas ecimen o de água, bem como a ação
75
Agências ais como a O ganização In e nacional do T abalho (OIT), O ganização de Alimen ação e
Ag icul u a das Nações Unidas (FAO), O ganização Mundial da Saúde (OMS), Banco In e nacional pa a a
Recons ução e Desen ol imen o (BIRD), Agência In e nacional de Ene gia A ómica (AIEA), en e ou os.
76
A agenda con inha a abe u a da con e ência; eleição do P esiden e; adoção das eg as de p ocedimen o;
cons i uição das comissões; eleição de ou os o iciais além do p esiden e; c edenciais dos ep esen an es
pa a a con e ência; ap o ação da agenda; deba e ge al; Decla ação sob e o Ambien e Humano; o
planejamen o e ges ão dos assen amen os humanos de qualidade ambien al; aspec os ambien ais da
ges ão dos ecu sos na u ais; iden i icação e con ole de poluen es de g ande impo ância in e nacional;
aspec os educa i os, in o ma i os, sociais e cul u ais da ques ão ambien al; desen ol imen o e meio
ambien e; implicações o ganizacionais in e nacionais de p opos as de ação; ap o ação do plano de ação e
do Rela ó io da Con e ência.
77
T adução li e da au o a. No o iginal: “Mankind's whole wo k and dedica ion mus be owa ds he ideal o
a peace ul, habi able and jus plane ” (Nações Unidas, 1972, p. 45).

62
u gen e de p omo e ecnologias ambien almen e saudá eis, ambém o am
colocados em des aque.
Mau ice F. S ong des acou, pa a além da con e ência, a necessidade
de no os concei os de sobe ania, não a diminuindo, mas a exe cendo em
conjun o pa a o bem comum (a); e o mulação do di ei o in e nacional pa a
lida com os con li os ambien ais (b); a melho ges ão a a és de no os meios
in e nacionais (c); p og amas de inanciamen o de coope ação in e nacional
pa a acili a ambém o consumo de de e minados ecu sos não eno á eis
(d).
Ao im des e capí ulo VIII, dos pon os 44 a 64, encon am-se um
esumo dos deba es mais longos nos seguin es emas: Desen ol imen o e
meio ambien e; P oje o da Decla ação sob e o Meio Ambien e Humano;
Plano de Ação; A anjos ins i ucionais; Fundo pa a o meio ambien e;
População; Conse ação; Poluição ma inha, e Ou os p oblemas.
No capí ulo IX, encon a-se o es abelecimen o do G upo de T abalho
sob e a Decla ação sob e o Meio Ambien e Humano, onde pode se
encon ado o p oje o de esolução ap esen ado pela RPC, ou seja, uma
esolução pa a ac escen a ao P oje o da Decla ação ei o pela Comissão
P epa a ó ia.
O p oje o de esolução chinês e a o seguin e:
“A Con e ência sob e o Meio Ambien e Humano,
Conside ando que a Decla ação sob e o Ambien e Humano é uma
impo an e decla ação de p incípios o ien ado es e o documen o
p incipal da Con e ência,
Conside ando que a Decla ação a e a os in e esses dos po os de á ios
países e as u u as esponsabilidades e di e izes pa a a ação dos
Go e nos, e de e, po an o, exp essa plenamen e as opiniões de á ios
países,
Resol e dedica mais empo, con o me o caso, pa a a discussão do
p oje o de Decla ação, e pa a o e ei o a c iação de uma comissão ad
hoc”
78
78
T adução li e da au o a. No o iginal: “The Con e ence on he Human En i onmen , Conside ing ha he
Decla a ion on he Human En i onmen is an impo an s a emen o guiding p inciples and he main
documen o his Con e ence, Conside ing ha he Decla a ion a ec s he in e es s o he peoples o a ious
coun ies and he u u e esponsibili ies o , and guidelines o ac ion by, Go e nmen s, and should he e o e
gi e ull exp ession o he iews o a ious coun ies, Resol es o de o e mo e ime, as app op ia e, o he
discussion o he d a Decla a ion, and o his pu pose o se up an ad hoc commi ee” (Nações Unidas,
1972, p. 49)
63
(Nações Unidas, 1972, p. 49).
As seguin es conside ações mo i a am a RPC a ap esen a seu p oje o
de esolução: a p ese ação e melho ia do ambien e humano, pois é um
assun o impo an e que a e a o desen ol imen o dos po os do mundo; a
cons i uição da Decla ação, como p incipal documen o e impo an e pelos
p incípios o ien ado es que e iam de se a ados com se iedade, se em
amplamen e discu idos, e com o apoio da maio ia pa a que hou esse algum
e ei o mo al, assim como as ques ões de e iam se esol idas na base da
igualdade en e odos os países.
Ou as conside ações ambém o am le adas em con a pela delegação
chinesa como: o P oje o da Decla ação exis en e não e le i as opiniões de
odos os Es ados memb os da Con e ência, a é mesmo o abalho p elimina
da Comissão P epa a ó ia não ha ia esul ado em aco do comple o; e uma ez
que a Decla ação desempenhasse o papel p incipal, a discussão sob e o
assun o e a mais impo an e do que o abalho das ês comissões;
Em pa alelo, a delegação dos EUA mani es ou-se p eocupada com a
agilidade do comp omisso já alcançado, o qual oi esul ado de negociações
ealizadas du an e 8 meses, no en an o, não ejei ou o p oje o de esolução
chinês. Algumas delegações apoia am a p opos a chinesa po comple a como
a do Sudão e a do Canadá, ou as delegações p opuse am al e ações no que
diz espei o à composição e ao obje i o do comi ê ad hoc p opos o pela RPC,
como a da Tunísia, I ália e Filipinas.
A delegação do I ão des acou que o P oje o da Decla ação a ual ha ia
sido cuidadoso e equilib ado, po que esul ou de discussões en e á ios
países di e en es, en e an o, não in alidou o p oje o de esolução da RPC, o
apoiou, p opondo apenas a subs i uição da exp essão “comissão ad hoc” pa a
“um g upo de abalho abe o a odos os Es ados pa icipan es na
Con e ência”.
Mas no inal, algumas delegações e i a am seus pedidos de al e ação
em um espí i o de conciliação, como a delegação unisiana, ou apoia am o
p oje o de esolução chinês com a p opos a i aniana, como a delegação
64
a gen ina, a é po que segundo es a delegação, o P oje o da Decla ação não
ha ia sido ap o ado ainda, apenas ansmi ido.
A delegação no ueguesa posicionou-se a a o de uma decisão
unânime da Con e ência sob e o assun o de modo a e i a a o ação. As
delegações da Jugoslá ia e da Cingapu a mani es a am-se p eocupadas, como
a dos Es ados Unidos, em eab i o deba e sob e o P oje o da Decla ação, já
que um comp omisso equilib ado já ha ia sido alcançado. A delegação da
Suíça es a a p epa ada pa a acei a o P oje o da Decla ação, mas, no en an o,
conco dou com o p oje o de esolução chinês.
Ao im des e capí ulo, endo em is a a ausência de quaisque
objeções, o p esiden e da Con e ência Mau ice F. S ong, ap o ou a p oje o
de esolução chinês com a al e ação in oduzida pela delegação i aniana, e o
G upo de T abalho sob e a Decla ação sob e o Ambien e Humano começa ia
seus deba es em 09 de junho de 1972 segundo cons a ao im.
No capí ulo X encon am-se os ela ó ios de ação dos Comi ês e do
G upo de T abalho, que o am obse ados nos capí ulos VII e IX
espec i amen e, e que o am omadas em conside ação, p imei amen e são
abo dadas as ecomendações ap o adas pelas ês comissões, cada uma com
suas á eas emá icas, p a icamen e odas sem o os ou abs enções da
delegação chinesa, com exceção da Te cei a Comissão, esponsá el pela
abo dagem de iden i icação e con ole de poluen es, onde e emos mais a
segui o posicionamen o chinês.
O ela ó io a i ma que oi conside ada uma decla ação conjun a sob e
es es de a mas nuclea es, ap esen ado pelas delegações do Canadá, Equado ,
Fiji, Japão, Malásia, No a Zelândia, Pe u e Filipinas. Um p oje o de esolução
sob e es es de a mas nuclea es ambém oi ap o ado pa a se conside ado em
plená io, já que ha ia sido conside ado pela Te cei a Comissão.
Sob e os ascunhos (d a s) com ecomendações, as con idas no
ela ó io o am ap o adas po unanimidade. Sob e os p oje os de esolução,
o am colocados em discussão en e as delegações e em seguida em o ação.
No que se e e e a discussão do p oje o de esolução sob e a p oibição
dos es es de a mas nuclea es, a delegação chinesa oi con a, po que alega a
65
que as supe po ências es a am aumen ando seus a senais sob os auspícios da
co ida a mamen is a des es, de al o ma que a China p ecisa ia aze es es
pa a legi ima de esa, mas não em uma posição dian ei a como as
supe po ências.
A delegação chinesa não de endeu a p oibição dos es es, mas desde
o início do deba e insis iu na des uição e p oibição o al de odas es as a mas.
Assim, na o ação nominal, o p oje o de esolução oi ap o ado po 56 o os
a 3, com 29 abs enções, os 3 o os con a e am da delegação chinesa, ancesa
e gabonesa. Ci ada an e io men e, a decla ação conjun a ap esen ada pelo
Canadá, Equado , No a Zelândia, en e ou as nações, oi incluída pelo
p esiden e S ong no ela ó io da Con e ência.
Em seguida são abo dadas as implicações pa a a o ganização
in e nacional das p opos as de ação, aqui encon a-se a discussão de cinco
ópicos p incipais: o amanho do Conselho Di e i o; a localização da sede da
Sec e a ia de Meio Ambien e; o inanciamen o; a p opos a de con oca uma
segunda Con e ência das Nações Unidas sob e o Meio Ambien e Humano; o
papel das agências das Nações Unidas; e ou as obse ações adicionais
ambém o am ei as.
Sob e o ela ó io de ação do G upo de T abalho, mui as delegações
expuse am suas posições, a delegação chinesa sublinhou que o seu go e no
es a a apoiando a i amen e a Con e ência e que a delegação inha ei o
es o ços pa a se chega a esul ados posi i os, des acando que oi ela quem
ha ia solici ado a cons i uição do G upo de abalho pa a a Decla ação, e que
no cu so des e abalho mui as delegações inham ei o al e ações
cons u i as.
En e an o, a delegação chinesa en a izou que o p oje o de Decla ação
alhou em apon a o p incipal mo i o pa a a poluição do meio ambien e, cuja
RPC ac edi a a se a polí ica de oubo, ag essão e gue a impulsionada pelos
países impe ialis as, colonialis as e neocolonialis as, especialmen e pelas
supe po ências, logo ela não pode ia conco da com alguns pon os con idos
na Decla ação.
72
E conside ando a eg a 46 que decla a que a “Con e ência pode á
es abelece um Comi ê P incipal, con o me necessá io, que pode á c ia
subcomissões ou g upos de abalho”
88
, oi es abelecido um Comi ê P incipal,
e em sua p imei a sessão, John Ashe, da An ígua e Ba buda, oi elei o po
aclamação o p esiden e des e Comi ê P incipal, e no e países o am
es abelecidos pa a se em memb os do Comi ê de C edenciamen o: China,
Cos a Rica, Egi o, I ália, Maldi as, Panamá, Rússia, Senegal e os Es ados
Unidos da Amé ica.
No capí ulo III encon a-se o Deba e Ge al, no p imei o pon o são
ap esen adas as decla ações de abe u a já mencionadas, mas
disponibilizando os nomes dos majo g oups, e no segundo pon o são
ap esen ados os í ulos o iciais dos ep esen an es que ize am decla ações
nas seis plená ias ealizadas do dia 20 a 22 de junho.
“Na 2ª eunião plená ia, em 20 de junho, a Con e ência ou iu discu sos
de Sua Excelência Lau a Chinchilla Mi anda, P esiden e da República
da Cos a Rica; Sua Excelência Mahmoud Ahmadinejad, P esiden e da
República Islâmica do I ão; [...]; Sua Excelência Wen Jiabao, p imei o-
minis o do Conselho de Es ado da República Popula da China”
89
(Nações Unidas, 2012b, pp. 60-61)
Assim como os ep esen an es da Cos a Rica e I ão, o p emiê do
Conselho de Es ado da RPC, Wen Jiabao, e e sua decla ação ou ida na
segunda eunião plená ia, em 20 de junho como obse ado.
No qua o capí ulo encon am-se as mesas edondas de al o ní el, o
ó um de pa ce ias, cen o de ap endizado sob e desen ol imen o sus en á el
e ou os e en os.
he C eden ials Commi ee o he Gene al Assembly o he Uni ed Na ions a i s six y-six h session. I shall
examine he c eden ials o ep esen a i es and epo o he Con e ence wi hou delay” (Nações Unidas,
2012c, p. 2).
88
T adução li e da au o a. No o iginal: “The Con e ence may es ablish a Main Commi ee as equi ed which
may se up subcommi ees o wo king g oups” (Nações Unidas, 2012c, p. 11).
89
T adução li e da au o a. No o iginal: “A he 2nd plena y mee ing, on 20 June, he Con e ence hea d
add esses by He Excellency Lau a Chinchilla Mi anda, P esiden o he Republic o Cos a Rica; His Excellency
Mahmoud Ahmadinejad, P esiden o he Islamic Republic o I an; [...]; His Excellency Wen Jiabao, P emie o
he S a e Council o he People’s Republic o China” (Nações Unidas, 2012b, pp. 60-61).

73
Na p imei a mesa edonda
90
, mui as delegações ize am decla ações,
como a da China, Tailândia, Ma ocos, I landa, I ália, Índia, en e ou os,
como ambém ep esen an es de en idades do sis ema das Nações Unidas,
como OMC, a O ganização das Nações Unidas pa a a Educação, a Ciência e
a Cul u a (UNESCO), e ep esen an es dos majo g oups, como a “Mulhe es
na Eu opa po um u u o in e nacional comum” (Women in Eu ope o a
Common Fu u e In e na ional); a “Con ede ação de Nacionalidades
Indígenas do Equado ” (Con ede a ion o Indigenous Na ionali ies o
Ecuado ); en e ou os.
A segui , é ap esen ado o esumo p epa ado pelo ela o . Apesa de
um conside á el p og esso e oco ido desde as Con e ências de 1992 e
2002, no esumo é possí el encon a os países pa icipan es conco dando que
a Rio+20 é uma no a opo unidade pa a o desen ol imen o sus en á el,
po que mui o p ecisa se ei o pa a en en a os desa ios, con o me a e são
adian ada lida na 6ª plená ia, no dia 22 de Junho.
O esumo mos a que as discussões apoia am os P incípios do Rio
(documen o inal da Con e ência do Rio de Janei o de 1992) e que o p incípio
de esponsabilidades comum, mas di e enciada (p incípio 7), “e a
pa icula men e c í ico em um momen o em que bilhões de pessoas ainda
i iam na pob eza e o mundo es a a a ingindo um pon o ecológico não
lexí el”
91
En e an o, os pa icipan es acolhe am o esul ado do documen o
inal, alguns apenas gos a iam que i essem mais pon os o es no documen o,
apesa de que ha ia uma mensagem com es a ca a e ís ica apon ada nas
discussões du an e a Con e ência, uma delas e a ela i a ao oco das
implemen ações, aonde os a o es de e iam abalho em conjun o pa a
alcança os obje i os que se iam ace ados na Rio+20.
90
Realizada no p imei o dia da Con e ência, a mesa edonda oi abe a pelo P íncipe Albe II de Mônaco,
com a di eção em conjun o de A mando Emílio Guebuza, P esiden e da República de Moçambique, e
Nu lan Kappa o , minis o da P o eção Ambien al do Cazaquis ão, como Rela o .
91
T adução li e da au o a. No o iginal: “was pa icula ly c i ical a a ime when billions o people s ill li ed
in po e y and he wo ld was eaching an ecological ipping poin ” (Nações Unidas, 2012b, pp. 65-66).
74
Ou as mensagens igualmen e ele an es des a mesa o am: a
p omoção de uma economia e de inclusi a, pois es a causa ia um
c escimen o econômico e ambém o desen ol imen o de ecnologias de
ene gia eno á el, pa a en ão incen i a um consumo e p odução mais
sus en á el.
Mensagens ambém sob e os Obje i os pa a Desen ol imen o
Sus en á el (Sus ainable De elopmen Goals - SDGs) como base, pois es es
o nece iam um supo e pa a es as polí icas e pa icipação e e i a na
economia e de, conside ando que ossem man idos sob e isão, com empo
limi ado e mensu á el.
Mesmo com obje i os açados no mais di e sos emas, como água,
ene gia e alimen os, os SDGs não p ejudica iam os es o ços con ínuos pa a
alcança os Obje i os de Desen ol imen o do Milênio (Millennium
De elopmen Goals - MDGs), e
“pa a a agenda de desen ol imen o pós-2015 de em in eg a os ês
pila es do desen ol imen o sus en á el: econômico, social e ambien al.
As populações mais ulne á eis, incluindo c ianças e po os indígenas,
de em ecebe a enção especial con ínua”
92
(Nações Unidas, 2012b, p.
66).
Sob e a economia e de, ela ainda de e ia se an ecedida po um
supo e econômico es u u al nos países em desen ol imen o, eliminando
subsídios dis o cidos de combus í eis ósseis, po exemplo, e ambém
disponibilizando uma educação cien i ica e écnica pa a os emp egos
sus en á eis do u u o.
A i ma-se ambém a necessidade de que os meios sejam p o idos pa a
que o documen o na Con e ência seja palpá el, ou seja, “o documen o inal
da Con e ência não cump i á suas p omessas a menos que meios adequados
sejam o necidos pa a apoia sua implemen ação”
93
.
92
T adução li e da au o a. No o iginal: “ o he de elopmen agenda beyond 2015 should in eg a e all
h ee pilla s o sus ainable de elopmen : economic, social and en i onmen al. The mos ulne able
popula ions, including child en and indigenous peoples, mus ecei e con inued special a en ion” (Nações
Unidas, 2012b, p. 66).
93
T adução li e da au o a. No o iginal: “The ou come documen o he Con e ence will no deli e on i s
p omises unless adequa e means a e p o ided o suppo i s implemen a ion” (Nações Unidas, 2012b, p. 66)
75
A execução de comp omissos o iciais de assis ência, bem como
mobilização de no as on es de inanciamen o, ans e ência e di usão de
ecnologias e conhecimen os, sendo es es acessí eis pa a capaci ação e
melho es p á icas. Pa a a ansição ao desen ol imen o sus en á el e a
p eciso es abelece pa ce ias com a o es p i ados, como ambém coope ação
bila e al, iangula , egional e global, e i ando medidas unila e ais.
Também é mencionado que se espe a que a Assembleia Ge al c ie um
ó um polí ico sob e desen ol imen o sus en á el, com ações pa a man e a
busca pelos comp omissos assumidos, e que o Conselho Econômico e Social
(ECOSOC) man enha seu es o ço no papel de coo denação nas p o isões do
documen o inal.
Ao im do esumo des a mesa, é mencionado o diálogo sob e o
desen ol imen o sus en á el, o ganizado pelo B asil com o apoio das Nações
Unidas, que an ecipou a Con e ência, sendo ealizado dia 16 a 19 de junho de
2012, e que oi no á el po seus ópicos, en e eles, a es au ação de milhões
de hec a es de e as desma adas e deg adadas, alcançando um desma amen o
ze o a é 2020.
A segui emos a segunda e e cei a mesa edonda, ealizadas no dia
21 de junho, e a qua a mesa edonda, ealizada no dia 22 de junho, e mais
in o mações sob e o diálogo sob e desen ol imen o sus en á el, bem como
as suas ecomendações em di e sas á eas
94
.
Em seguida, encon am-se as in o mações sob e o Fó um de Pa ce ias
da Con e ência, in o mações do cen o de ap endizagem da con e ência
95
e
ou os e en os que o am ealizados pa alelamen e, o ganizados po
94
Recomendações nas á eas de abalho e mig ação; desen ol imen o sus en á el como uma espos a à
c ise econômica e inancei a; desen ol imen o sus en á el pa a comba e a pob eza; a economia do
desen ol imen o sus en á el, incluindo pad ões sus en á eis de p odução e consumo; lo es as; segu ança
alimen a e nu icional; ene gia sus en á el pa a odos; água; cidades sus en á eis e ino ação; e oceanos.
95
O Fó um oi con ocado pela Resolução 66/197 da Assembleia Ge al, que eno a ia e o alece ia
pa ce ias como um mecanismo undamen al pa a o desen ol imen o sus en á el, e o cen o de
ap endizagem o e eceu 17 cu sos ela i os à “’economia e de em um con ex o de desen ol imen o
sus en á el e e adicação da pob eza’ e ‘quad o ins i ucional pa a o desen ol imen o sus en á el’” , emas
da Con e ência, endo como obje i o p incipal o desen ol imen o de capacidades, know-how, e oca de
conhecimen o en e os pa icipan es.
76
go e nos, g upos p incipais (majo g oups), o ganizações do sis ema da ONU
e ou as o ganizações.
No capí ulo V encon a-se a ap o ação do documen o inal. Na
eunião plená ia do dia 22 de junho de 2012, a Con e ência conside ou o
p oje o inal como cons a no documen o “A/CONF.2016/L.1” sob o nome de
“O u u o que que emos”, em seguida o am ei as as co eções de idas e o
esul ado oi ap o ado.
Após a ap o ação, decla ações sob e posições o am ei as pelos
ep esen an es da A gélia (em nome do G upo dos 77 e China), Bolí ia, a
União Eu opeia, Equado , Venezuela, Islândia ( ambém em nome da
No uega), Pe u, Canadá, Es ados Unidos, Quênia, Suíça, Congo, Chile e
Nica água, e po im, o obse ado da San a Sé ambém ez uma decla ação
(es as decla ações não o am ap esen adas no ela ó io).
No capí ulo VI, encon a-se o ela ó io da Comissão de C edenciais
da Con e ência , a qual possui a mesma composição do Comi ê de C edenciais
da 66ª sessão da Assembleia Ge al das Nações Unidas, de aco do com o pon o
4 das eg as p o isó ias de p ocedimen o, nomeadamen e, China, Cos a Rica,
Egi o, I ália, Maldi as, Panamá, Fede ação Russa, Senegal e Es ados Unidos
da Amé ica.
A plená ia que ealizou as nomeações pa a composição do Comi ê oi
ealizada em 20 de junho de 2012, e a eleição do p esiden e ealizada no dia
seguin e, com escolha unânime de Juan Ca los Espinosa do Panamá.
Encon a-se ambém ao im, a in o mação sob e o Comi ê no dia
seguin e, dia 21 de junho, possui um memo ando p epa ado pelo sec e a iado
da Con e ência, sob e as c edenciais dos ep esen an es dos Es ados
pa icipan es da Con e ência, as quais o am a ualizadas po um ep esen an e
do Esc i ó io de Assun os Ju ídicos das Nações Unidas, pa a indica as
c edenciais e comunicações ecebidas após a p epa ação do memo ando,
como ambém encon a-se as a ualizações das c edenciais que cons am no
pa ág a o 1 e 2 do memo ando, as quais o am acei as pelo Comi ê, bem como
o ascunho do ela ó io, e em seguida o ela ó io inal, ap o ados no dia 22
de junho.
77
De posse dos conhecimen os sob e a pa icipação da RPC na
Con e ência do Rio de 2012, ob idos a a és da análise acima, é possí el
obse a que es a Con e ência e e maio pa icipação da sociedade ci il,
nomeadamen e os majo g oups, ou seja, po os indígenas, o ganizações não-
go e namen ais, sindica os, comunidade cien i ica e emp esas, pa a além das
delegações.
As discussões sob e os p incípios do documen o p incipal da
Con e ência, o The Fu u e we wan , e e o apoio das delegações, de modo
que o documen o oi ap o ado no úl imo dia da Con e ência.
Mas no a-se que embo a enha ei o decla ações, a delegação chinesa
não ealizou in e enções, como o p oje o de esolução e as ese as sob e a
des uição de a mamen o nuclea ealizadas em 1972, ou seja, não e e uma
pa icipação ão a i a quan o na Con e ência de Es ocolmo.

78
Conside ações inais
Como p opos a inicial de in es igação, a p esen e disse ação busca a
comp eende a pa icipação da RPC pa a a p o eção do meio ambien e a ní el
in e nacional. Nesse sen ido ques iona a como o país pa icipou nas
con e ências in e nacionais sob e o meio ambien e ealizadas pela ONU em
1972 e 2012.
En e an o, a a és da pesquisa e análise dos documen os das
Con e ências, oi possí el obse a dois compo amen os a ípicos da
República Popula da China.
Na Con e ência de Es ocolmo de 1972, o país não só pa icipou, como
ambém con ibuiu na elabo ação de alguns echos do documen o inal, além
de ep esen a os países em desen ol imen o. Enquan o na Con e ência do
Rio de Janei o de 2012, o país embo a enha pa icipado, não oi um
pa icipan e a i o, pois não oi possí el obse a uma in e enção conc e a
no ela ó io.
Pa a chega a es es esul ados, oi p eciso elabo a um capí ulo
nomeado como “Enquad amen o eó ico-concep ual”, pa a de ini a elação
dos se es humanos com o ambien e que o en ol e; pe cebe o que são os
GEE; como su ge e o que é a coope ação in e nacional e como é
ins i ucionalizada a p o eção do meio ambien e; depois, um segundo capí ulo
nomeado como “Polí ica Chinesa pa a o meio ambien e”, pa a ap esen a qual
é a elação da China ace ao meio ambien e in e namen e e qual é a polí ica
chinesa pa a sua p o eção, sob e udo polí ica ex e na, an o no pe íodo de
Mao Tsé-Tung, como no pe íodo de Deng Xiaoping.
O e cei o capí ulo, nomeado como “Análise” az dois subcapí ulos
com a análise documen al dos ela ó ios das e e idas con e ências, pa a
pe cebe qual a in e enção chinesa nas euniões.
Pensa a-se no p esen e abalho que a delegação chinesa não e ia
qualque pa icipação, mui o menos a o á el à p o eção do meio ambien e,
no deba e in e nacional na Con e ência de Es ocolmo de 1972, ou seja, que a
China não se ia uma a o coope a i o na ques ão, mesmo com a
ins i ucionalização da p o eção ambien al, po que o país es a a ainda sob a
79
lide ança de Mao Tsé-Tung, o qual sub alo iza a o meio ambien e; e apenas
na Con e ência do Rio de Janei o de 2012, pa icipa ia e assumi ia uma
posição a o á el, como um a o coope a i o na sociedade in e nacional,
impulsionado pelo concei o de “desen ol imen o pací ico”.
En e an o, segundo a análise his ó ica, e sob e udo a análise
documen al do ela ó io da Con e ência de Es ocolmo de 1972, o país não só
pa icipou, como exe ceu a lide ança no deba e, ao auxilia na elabo ação de
alguns echos do documen o inal pa a p o eção do meio ambien e, bem
como ep esen ou os países em desen ol imen o.
O compo amen o em 1972 pode se explicado pela on ade da China,
ep esen ada pela sua delegação, em pa icipa no plano in e nacional, a a és
do deba e en e Es ados sob e a p o eção ambien al.
Enquan o na Con e ência do Rio de Janei o de 2012, hou e um ecuo
do país do cená io in e nacional, não oi possí el encon a o país na
discussão de o ma sa is a ó ia, ao menos no ela ó io es udado, como se
osse inexis en e sua pa icipação na eunião.
E o compo amen o em 2012 pode se explicado pela aplicação do
concei o de “desen ol imen o pací ico” pa a ou os assun os que não ossem
ambien ais, ou seja, o concei o não necessa iamen e a ia a RPC se uma
pa icipan e a i a, mesmo que o concei o p essupunha a p o eção do meio
ambien e ambém, o que azia pa e da ha monia en e Es ados.
Em um con ex o de globalização, em que os Es ados es ão in e agindo
de o ma mais in ensi icada em di e sos se o es e a RPC em i ido um
c escimen o bas an e g ande en e ao plano in e nacional, ac edi o que o país
pa a man e seu papel de conciliado , de a o coope a i o, algo que em
de inindo sua polí ica des e a abe u a de Deng, p ecisa exp essa mais sua
opinião na á ea de mudança climá ica.
A RPC p ecisa desempenha um papel mais a i o, e man e es e
posicionalmen e po que é do in e esse do país man e uma coo denação com
ou os países de manei a pací ica e es á el, especialmen e po que seu
comé cio (que en ol e mui os países) expandiu-se conside a elmen e e pa a
con inua assim, p ecisa ga an i que o país é segu o e es á el às emp esas e
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in es ido es, seja no âmbi o dos abalhado es, seja no âmbi o da p o eção
ambien al. A pa icipação, isi elmen e mais consolidada da RPC na
Con e ência de 1972 encaixa-se a is o, ainda que o des ino da China não
i esse como ca ac e ís ica a coope ação in e nacional, enquan o a
pa icipação, meno , na Con e ência de 2012, não ez jus iça ao concei o de
“desen ol imen o pací ico”, ca ac e ís ica da polí ica ex e na do pe íodo.
O p esen e abalho é is o como um es o ço inicial no sen ido de
comp eende a pa icipação do país em um campo ão sensí el, mas
undamen al pa a as Relações In e nacionais, Ciência Polí ica, e
especialmen e nas á eas da globalização e ambien e. A escolha das
Con e ências de Es ocolmo e Rio de Janei o é esul ado da acilidade de
acesso aos seus ela ó ios o iciais, pois são encon adas online e em sua
o alidade.
Deixo, en ão, abe a a u u as análises, a possibilidade de
complemen a o p esen e es o ço a pa i de ou os ângulos, especialmen e
pela não inclusão das Con e ências de 1992 e 2002, de modo a p ossegui
com o abalho de in e p e ação que o a cons uímos no p esen e abalho.
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